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Numero do processo: 19615.001325/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1997, 1998
RECURSO DE OFÍCIO. INADMISSIBILIDADE. INFERIOR AO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017.
Numero da decisão: 2201-004.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 1997, 1998 RECURSO DE OFÍCIO. INADMISSIBILIDADE. INFERIOR AO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017.
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INADMISSIBILIDADE. INFERIOR AO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 61 5. 00 13 25 /2 00 7- 94 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 19615.001325/200794 Acórdão n.º 2201004.541 S2C2T1 Fl. 282 2 Cuidase de Recurso de Ofício interposto contra decisão da DRJ em Recife/PE de fls. 274/276, que julgou improcedente o lançamento da contribuição para o salárioeducação destinadas ao FNDE (SalárioEducação), conforme descrito na NFLD de fls.2/14, lavrado em 24/10/2007, relativo às competências de 03/1997 a 12/1998. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado em R$ 19.993,59, já inclusos os acréscimos legais (juros e multa) Conforme o relatório Fiscal de fls. 18/22: 1) Da Contribuição Tratase de contribuição social, prevista no art. 212, §5º da Constituição Federal, incidente sobre as remunerações pagas ou creditas, a qualquer título, aos segurados empregados (definidos pelo art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212/1991). 2) Do lançamento: A empresa optante pelo sistema de Manutenção de Ensino Fundamental – SME, pode deduzir do valor da contribuição devida o montante de mensal de R$ 21,00 reembolsado ao segurado, dedução esta computada como “indenização de dependente”. O presente lançamento é fruto da glosa da diferença entre o valor deduzido no documento de arrecadação e o valor de cada bolsa per capita multiplicado pelo número de alunos indenizados informados na Relação de Alunos Indenizados – RAI. Da Impugnação Regularmente intimado em 22/11/2007, conforme AR de fls. 157, o RECORRIDO apresentou sua Impugnação em 14/12/2007 (fls. 164/174). Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Recife/PE, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “notificado apresentou impugnação, a fls. 162/171, na qual, em síntese, argüiu:” “a) que estão extintos, por decurso do prazo qüinqüenal de decadência, os créditos lançados; b) que não foi solicitado documento algum que pudesse representar a existência do débito, não existindo, nos autos, a origem dos valores lançados, pelo que requer a disponibilização dos dados do levantamento; c) que foi anteriormente lavrada a NFLD 35.00.4382, na qual foram lançados valores destinados ao FNDE, estando a mesma com parcelamento vigente; d) ao final, requereu a declaração da decadência do crédito, ou, caso não acolhida, a disponibilização dos dados utilizados no levantamento, bem como consideração do lançamento anterior, dos valores recolhidos e do parcelamento em vigor. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 19615.001325/200794 Acórdão n.º 2201004.541 S2C2T1 Fl. 283 3 É o relatório.” Da Decisão da DRJ em Recife/PE Quando da apreciação do caso, a DRJ em Recife/PE julgou improcedente o lançamento, conforme ementa que se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/1998 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO QÜINQÜENAL PARA HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a fazenda pública verificar a regularidade do pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte é de 5 (cinco) anos cantados da ocorrência do fato gerador do tributo. Lançamento Improcedente No mérito, entendeu pela decadência do débito. Ante o pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado sob a égide do art. §4º do artigo 150 do CTN, iniciandose com a ocorrência do fato gerador e interrompendose com o lançamento do débito. Portanto, transcorrido mais de 5 anos entre o fato gerador e o lançamento, a presente contribuição foi atingida pela decadência. Do Recurso de Ofício Conforme se observa do termo de fls. 279, foi interposto Recurso de Ofício pela DRJ em Recife/PE. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Do Recurso de Ofício Em face do acórdão proferido pela DRJ em Recife/PE houve Recurso de Ofício, uma vez que foi reconhecido a decadência e exonerado o débito. Preliminarmente devo apontar que o recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, tendo em vista que o valor das contribuições lançado em NFDL foi de R$ 19.993,59. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 19615.001325/200794 Acórdão n.º 2201004.541 S2C2T1 Fl. 284 4 Considerando que tal valor de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso de ofício, consoante as disposições da Súmula CARF nº 103, não conheço do recurso de ofício interposto. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NÃO CONHECER o Recurso de Ofício, conforme razões acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912307/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 23 07 /2 01 2- 64 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912307/201264 Acórdão n.º 3201003.835 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.680, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912307/201264 Acórdão n.º 3201003.835 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912307/201264 Acórdão n.º 3201003.835 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912307/201264 Acórdão n.º 3201003.835 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928627/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 27 /2 00 9- 47 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.928627/200947 Acórdão n.º 1401002.599 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.928627/200947 Acórdão n.º 1401002.599 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 30/06/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11080.928627/200947 Acórdão n.º 1401002.599 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.928627/200947 Acórdão n.º 1401002.599 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660340/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660340/201221 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.742 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 40 /2 01 2- 21 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660340/201221 Acórdão n.º 3401004.742 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660340/201221 Acórdão n.º 3401004.742 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660340/201221 Acórdão n.º 3401004.742 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660340/201221 Acórdão n.º 3401004.742 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660340/201221 Acórdão n.º 3401004.742 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660340/201221 Acórdão n.º 3401004.742 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 18336.001112/2005-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/09/2000
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA 11.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA JURÍDICA. VEDAÇÃO DE ANÁLISE.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/09/2000
RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO POR IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DEVIDO PELO TRANSPORTADOR.
O Agente Marítimo é responsável pelo imposto de importação devido pelo transportador, ainda que não tenha participado da elaboração do manifesto onde constou carga que este alega que não foi efetivamente embarcada, na forma do artigo 32, II do Decreto Lei 37/66, que está em consonância com o artigo 121, II e 128 caput, ambos do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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SÚMULA 11. Em conformidade com a Súmula CARF n. 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA JURÍDICA. VEDAÇÃO DE ANÁLISE. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/09/2000 RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO POR IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DEVIDO PELO TRANSPORTADOR. O Agente Marítimo é responsável pelo imposto de importação devido pelo transportador, ainda que não tenha participado da elaboração do manifesto onde constou carga que este alega que não foi efetivamente embarcada, na forma do artigo 32, II do Decreto Lei 37/66, que está em consonância com o artigo 121, II e 128 caput, ambos do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 11 12 /2 00 5- 74 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 18336.001112/200574 Acórdão n.º 3302005.609 S3C3T2 Fl. 3 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Sinteticamente, tratase de Auto de Infração lavrado em razão da constatação de extravio a bordo de mercadoria transportada por empresa estrangeira, da qual o representante foi considerado representante no país, em conformidade com as disposições do artigo 32, parágrafo único, II, do DI n. 37/66, com lançamento de crédito tributário referente ao imposto de importação, acompanhado de seus consectários legais e da penalidade prevista no artigo 106, inciso II, alínea d, do DI n. 37/66. Isto porque não obstante uma mercadoria haver sido consignada no manifesto de descarga, a Companhia Docas do Maranhão S.A. registrou a ausência da mesma. A mercadoria foi transportada pelo navio EMSTOR e era consignada à ALCOA ALUMÍNIO S.A., sendo que a Recorrente, HARMS & CIA LTDA. era a sua AGENTE. Intimada a se manifestar sobre a carga, a Recorrente afirmou que a mercadoria não havia sido transportada e que a sua menção no manifesto se deu por equívoco no momento da lavratura do mesmo. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão (fls. 64 e 65): " Contra a empresa HARMS E CIA LTDA, ora impugnante, já devidamente qualificada nos autos deste processo, doravante denominada apenas por HARMS, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Alfândega do Porto de São Luís, em procedimento ordinário de conferência final de manifesto, haja vista a constatação de extravio a bordo de mercadoria transportada por empresa estrangeira, da qual o autuado foi considerado representante no país, em conformidade às disposições do art. 32, parágrafo único, II, do Dl nº 37/66, com lançamento de crédito tributário no montante total de R$ 26.465,16, referente ao imposto de importação incidente (acompanhado de seus consectários legais) e da penalidade prevista no art. 106, inciso II, alínea d, do Dl nº 37/66 (50% sobre o imposto). Fl. 165DF CARF MF Processo nº 18336.001112/200574 Acórdão n.º 3302005.609 S3C3T2 Fl. 4 3 A seguir, destacaremos os principais fatos e elementos apresentados pela fiscalização como motivação do presente lançamento, instruídos por documentos, informações e pesquisas levantados no curso da ação fiscal, constantes do Relatório de Fiscalização, anexo do presente auto (fls. 01 a 22). 1. Em 25/09/2000, deu entrada no porto de Itaqui o navio EMSTOR, no qual se encontrava manifestado para descarga naquele porto o conhecimento de carga EMO3PEIT001 (fl. 15), consignado à Alcoa Alumínio S/A; 2. Ato contínuo à conclusão de descarga da embarcação, o depositário CODOMAR – Companhia Docas do Maranhão S/A, registrou em termo próprio a ausência da citada carga a bordo (fls. 16 e 17), intimandose o agente marítimo autuado para ciência e esclarecimento dos fatos (fl. 18), o qual informou que a carga em questão nunca houvera embarcado, tendo sido o conhecimento de carga emitido por engano (fl. 19); 3. Em conformidade à disposição dos fatos e legislação regente da matéria, o transportador foi considerado responsável fiscal pelo extravio registrado, no tocante aos tributos aduaneiros e penalidade incidentes sobre a mercadoria extraviada, imputando sua responsabilidade à recorrente, em conformidade às disposições do art. 32, parágrafo único, inciso II. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela impugnante HARMS podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 23 a 38): (A) Preliminarmente, aponta sua ilegitimidade passiva no lançamento em questão, com base em um conjunto de razões de direito que articula, como segue: · Na situação em caso, a responsabilidade pelos tributos e infração, em conformidade às disposições legais, é do transportador, sendo a mesma tão somente agência marítima, tendo agido apenas como despachante do navio, não possuindo assim qualquer ingerência e responsabilidade sobre as operações de bordo; · Calcandose de farta doutrina, em apertada síntese, aponta que o agente marítimo atua no apoio à embarcação, tanto nas questões operacionais, como comerciais, atuando, inclusive, junto aos órgãos públicos envolvidos na operação do navio, agindo sempre em nome do agenciado, na figura de mandatário; · Neste sentido, aponta que a questão fiscal restou sumulada pelo exTFR, através da Súmula nº 192, a qual estabelece que “O agente marítimo, quando no exercício das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei 37/66”; · Aduz que o Termo de Responsabilidade firmado pelos agentes marítimos perante a Receita Federal o são em nome do armador, na qualidade de mandatário, já que, em conformidade à Sumula Fl. 166DF CARF MF Processo nº 18336.001112/200574 Acórdão n.º 3302005.609 S3C3T2 Fl. 5 4 nº 192, não são responsáveis pelos tributos de responsabilidade do transportador, não tendo o citado termo o condão de atribuir lhe responsabilidade tributária, conforme farta jurisprudência que destaca (fls. 32 a 35); · Por fim, registra que não transportou e nem firmou qualquer contrato de transporte, cingindose sua atuação como agente marítimo a “desembaraçar o navio ‘EMSTOR’ na sua estadia no porto do Itaqui, e nada mais, sem nenhuma responsabilidade sobre a sua carga”. (B) Quanto ao mérito, ressalta que, diante da apuração empreendida pela ausência a bordo da carga supostamente extraviada, restara constatado que a mercadoria não teria embarcado, tendo sido o conhecimento de carga emitido por engano, conforme correspondência apensa do transportador; (C) Acrescenta que passados cinco anos, tornase difícil a reconstrução detalhada dos fatos, asseverando tratarse de mercadoria consignada a empresa de reconhecida idoneidade, atribuindo o erro aos inúmeros volumes do mesmo embarcador transportados na mesma ocasião; (D) Ante o exposto, requer que seja acatada sua preliminar de nulidade e no mérito, que seja julgado improcedente o presente lançamento. É o que importa relatar." Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário ora acostado às fls. 127 e seguintes onde sinteticamente suscita preliminar de prescrição, preliminar de ilegitimidade de parte e, no mérito, que o Agente Marítimo não é representante, portanto não é responsável pelas infrações eventualmente cometidas pelo transportador, mas que somente possui poderes limitados para tomar providências em determinado porto, que não existe nexo de causalidade entre a sua conduta e o fato tributário, da inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor ao caso concreto, que há violação ao artigo 3º, I da Constituição da República, que há violação à finalidade da norma, que foram aplicados dois pesos e duas medidas, bem como sustenta que o embarque não existiu, trazendo precedentes administrativas e judiciais, requerendo, por fim, o conhecimento e o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. I. Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, razão pela qual o conheço. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 18336.001112/200574 Acórdão n.º 3302005.609 S3C3T2 Fl. 6 5 II. Preliminares Inicio meu voto pelas preliminares apresentadas pela Recorrente. Prescrição intercorrente. A Recorrente alega que operouse a prescrição em razão do processo haver restado paralisado por oito anos entre as fls. 61 e 62, razão pela qual segundo ela deve ser aplicado o artigo 1º, parágrafo 1º da Lei 9.893/99. Efetivamente, no dia 12.09.2005 (fls. 61) o processo foi encaminhado à DRJ, com Impugnação, para julgamento. Contudo, apenas em 18.12.2013 (fls. 62) o processo teve novo impulso. No entanto, por forca da Súmula CARF n. 11 "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal" Ilegitimidade de parte. A Recorrente alega ser parte ilegítima para figurar no polo passivo do presente processo administrativo, contudo as razões pelas quais defende tal posicionamento confundemse com o mérito da questão, razão pela qual serão analisadas oportunamente. III. Mérito A Recorrente é Agência Marítima, despachante do navio EMSTOR, em nome de quem atuou junto ao porto de Itaqui nos procedimentos operacionais e comerciais necessários à operação marítima. O caso sob exame diz respeito a uma carga que, apesar de constante no manifesto, não foi localizada, o que caracteriza o extravio, fato este incontroverso. O transportador, por sua vez, argumentou que se trata de erro no manifesto e que a referida carga jamais foi embarcada, bem como que o registro contrário decorreu de equívoco no preenchimento do formulário sem, contudo, provar este fato. A Responsabilidade Tributária, segundo o artigo 121 do CTN, autoriza que a legislação atribua a terceiros a condição de RESPONSÁVEL. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (Destaque nosso). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 18336.001112/200574 Acórdão n.º 3302005.609 S3C3T2 Fl. 7 6 Contudo, esta possibilidade de atribuição de responsabilidade não é uma "carta branca" que autoriza qualquer atribuição de responsabilidade, mas tão somente àqueles fatos vinculados ao fato gerador, como prevê o próprio CTN no seu artigo 128, verbis. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (Destaque nosso). No que tange ao fato concreto, o Decreto Lei 37/66, com sua alteração atual, prevê que o "Representante, no Pais, do transportador estrangeiro" é responsável solidário pelo Imposto de Importação por este devido. Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. . Parágrafo único. É responsável solidário: (...) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Contudo, deste arcabouço jurídico surgem as duas questões centrais do presente processo. A primeira questão é se existe limitação às pessoas a quem o Decreto Lei pode instituir uma responsabilidade solidária, uma vez que o artigo 128 do CTN, com status de Lei Complementar, exige que o responsável esteja vinculado ao fato gerador. Sendo o Agente Marítimo "representante" do Transportador, também resta saber se tal responsabilidade abrange eventuais créditos relativos ao Imposto de Importação, ou só apenas os atos praticados pelo próprio representante em nome do representado. Neste primeiro ponto, entendese que o Código Tributário Nacional, com status de Lei Complementar, possui hierarquia superior ao Decreto Lei 37/66, razão mais que suficiente para que este último não possa, em suas disposições, contrariar aquilo que foi veiculado pelo CTN. Isto significa dizer que apesar do Código Tributário autorizar que a lei ordinária alce algumas pessoas à condição de responsáveis, inclusive solidários, exige que tais pessoas possuam alguma relação com o fato gerador. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 18336.001112/200574 Acórdão n.º 3302005.609 S3C3T2 Fl. 8 7 No caso concreto o Decreto Lei 37/66 estabeleceu que o "representante, no País, do transportador estrangeiro" é responsável solidário pelos tributos devidos pelo transportador por ele representado. A teleologia de tal dispositivo legal foi o de salvaguardar os interesses financeiros da Fazenda Nacional, estabelecendo a figura de um responsável pelos tributos devidos pelo transportador por ele representado, transportador este que, por sua natureza, não necessariamente possui patrimônio no Brasil. Também não há dúvidas que o Agente Marítimo, por ser remunerado pelo transportador e ter interesse na perpetuação da relação comercial, é pessoa "vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação" na forma do artigo 128 do CTN, razão pela qual a sua indicação como responsável solidário é legal. Em outras palavras, o ordenamento jurídico pátrio, especialmente o CTN, alberga a possibilidade do legislador ordinário alçar o Representante de transportador à condição de responsável solidário pelos tributos devidos pelo transportador. Solucionada esta controvérsia, resta investigar se tal responsabilidade circunscrevese apenas aos atos praticados no âmbito da representação ou a todos os atos. Neste caso, tratandose de legislação que versa sobre o Imposto de Importação admitese que ela imputou ao Agente a responsabilidade solidária pelo referido Imposto de Importação e suas decorrências acessórias. Estabelecidas estas premissas técnicas obtidas a partir da análise das normas jurídicas em vigor, resta investigar se elas se aplicam aos fatos jurídicos identificados nos presentes Autos. Sob o aspecto fático, há nos autos provas não refutadas no sentido de que na embarcação representada pela Recorrente não foi identificada mercadoria constante no manifesto. Admitese que, na ausência de prova acerca da inexistência do fato descrito no conhecimento de embarque e aferido pela autoridade aduaneira, devese presumir verdadeiras as informações constantes no documento oficial, a não ser que seja produzida prova capaz de ilidir a presunção de veracidade da qual goza o ato, oportunidade que foi conferida à Recorrente. Intimada a se manifestar acerca da mercadoria, a Recorrente limitouse a afirmar (fls. 19) que a mercadoria não foi embarcada e que a emissão do conhecimento ocorreu por engano, o que não é suficiente provar o fato e levou às autoridades fiscais a efetuar o lançamento do Imposto de Importação e penalidades previstas no art. 106, II, "d" do DL n. 37/66. Desta forma, temse que a autuação fiscal sob exame não merece qualquer reparo, razão pela qual é de se negar provimento ao presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 170DF CARF MF Processo nº 18336.001112/200574 Acórdão n.º 3302005.609 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.906680/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Numero da decisão: 1302-002.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 66 80 /2 00 9- 93 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 03 53.899, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 4 3 O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp), por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, relativo ao 2º trimestre de 2004, com débitos relativos à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de julho de 2006. Por meio do Despacho Decisório, a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito, uma vez que o pagamento invocado se encontraria inteiramente utilizado para quitação de débito confessado pelo sujeito passivo. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência de erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao 3º trimestre, e que o valor efetivamente devido teria sido informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2004. Informa, ainda, que promoveu a retificação da citada DCTF, para informar o valor do débito que entende correto. Pediu, por fim, a concessão de prazo adicional de 15 (quinze) dias, para apresentação de "maiores informações e documentos", bem como o direito a produção de provas, com anexação de novos documentos e, inclusive, perícia contábil. O Acórdão recorrido entendeu que a mera alegação de erro, juntamente com a retificação da DCTF, mas desacompanhada da escrituração contábilfiscal e dos documentos hábeis e idôneos que a embasaram, não é capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito informado. Registrou, ainda, que o prazo solicitado pelo sujeito passivo para a apresentação de informações e documentos se esgotou sem que qualquer novo elemento tenha sido anexado aos autos. Regularmente intimado por via postal, em 12/02/2014, da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou Recurso, em 05/03/2014, por meio do qual sustenta que: a) apurou e pagou a maior o IRPJ relativo ao referido trimestre, o qual teria sido corrigido por meio de DIPJ retificadora, juntamente com a apresentação de PER/DComp, na qual compensou o suposto indébito; b) após a não homologação da compensação, promoveu a retificação da DCTF, de modo a compatibilizála com a DIPJ; c) tendo em vista a decisão da DRJ, que considerou insuficiente como prova a DIPJ retificadora, apesar de apresentada antes do PER/DComp, juntou ao Recurso Voluntário outros documentos de amparam seu pleito (Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, bem como Termo de Abertura e Encerramento do referido Livro, contemporaneamente registrado na Junta Comercial); d) as normas que tratam da restituição do imposto pago a maior ou indevidamente não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência do direito creditório, ficando a depender do caso concreto; Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 5 4 e) no caso sob análise, o Julgador considerou insuficiente a apresentação da DIPJ e não requereu as diligências necessárias para a produção de provas ou mera confirmação dos créditos, como determina a lei; f) os novos documentos juntados fariam prova da existência do crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.890, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.906679/2009 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, inicialmente, como parte da solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.890), relativamente à preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo: "Ousase discordar do ilustre relator1 no ponto em que entendeu pela impossibilidade de o contribuinte juntar documentos aos autos, após a apresentação da impugnação administrativa. É que, o processo administrativo fiscal é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive, de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 1 do Acórdão Paradigma. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 6 5 A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que, como mencionado, ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 7 6 Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................. ......................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Não se pode olvidar que, no processo administrativo, não há a formação de uma lide propriamente dita. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. O que não restou feito no presente processo. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 8 7 receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devese admitir a juntada de documentos, que, supostamente, confirmariam o direito creditório do contribuinte. Por todo o exposto, voto por afastar a preliminar suscitada de ofício pelo relator, para conhecer dos documentos acostados aos autos pelo contribuinte quando da apresentação do Recurso Voluntário." Relativamente à admissibilidade do recurso e às questões de mérito, transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, que prevaleceu no voto do relator do Acórdão nº 1302002.890: "I DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31 de janeiro de 2014 [...], tendo apresentado recurso em 05 de março de 2014 [...], dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996, uma vez que os dias 3 e 4 de março de 2014 foram ponto facultativo, conforme Portaria MPOG nº 2, de 3 de janeiro de 2014. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído [...]. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Conforme explicitado pela própria Recorrente, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 9 8 Assim, na hipótese de apresentação de PER/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. [...] A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da DCTF retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na DIPJ, e que alega ser o correto; além de cópias dos comprovantes de arrecadação dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. [...] Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada. [...] Não procede, também, a alegação trazida no Recurso Voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Os dispositivos invocados (arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972) revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando este Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 10 9 entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Portanto,[...] concluo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. O Julgador não poderia ter agido de outro modo, frente à ausência de demonstração do crédito invocado pelo sujeito passivo. [...] Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, [...] os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples dos Termos de Abertura e Encerramento de Livro Diário; cópia simples de uma folha (supostamente do referido Livro), na qual se apresenta a Demonstração do Resultado do trimestre relativo ao suposto crédito; cópia simples de uma folha do Livro de Apuração do Lucro Real do referido trimestre; e cópia do recibo de entrega e das Fichas 09A e 12A da DIPJ relativas ao ano calendário de 2004. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária, já que deveriam estar acompanhados das demais folhas do Livro Diário (e do Livro Razão) que comprovassem os valores que compõe a Demonstração do Resultado; do Livro de Apuração do Imposto sobre Mercadorias e Serviços que demonstrasse o montante de receitas auferidas no trimestre em questão; além dos esclarecimentos relativos ao erro supostamente cometido, uma vez que é gigantesca a disparidade entre os valores inicialmente confessados e aqueles posteriormente retificados, e isso para os 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2004. Assim, [...]terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10580.906680/200993 Acórdão n.º 1302002.891 S1C3T2 Fl. 11 10 convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada no PER/Dcomp apresentado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10209.000584/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/02/1998
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator). Designada para o voto vencedor a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator). Designada para o voto vencedor a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 05 84 /2 00 6- 34 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 108 2 Semíramis de Oliveira Duro Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1664.460, proferido pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, objeto do Auto de Infração de fls. 0113. De acordo com a descrição dos fatos, contida no auto de infração, o contribuinte promoveu a importação de mercadoria, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 98/01616288, registrada em 19/02/1998, beneficiandose da redução de alíquota do Imposto de Importação, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27) entre Brasil e Venezuela, conforme Decretos nos 1.381, de 31/01/1995, e 1.400, de 21/02/1995 (fls. 1417). Ainda conforme o relato, a autoridade fiscal aduz os seguintes argumentos: 1) com o objetivo de comprovação de que a mercadoria é originária de país signatário do citado Acordo, exigese o Certificado de Origem e, para que o contribuinte faça jus ao benefício fiscal pleiteado, devese observar o art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985, e o Decreto nº 98.874/1990, que dispõe sobre o estabelecimento do Regime Geral de Origem da Resolução 78, entre o Brasil e a ALADI, fazendose alusão ao art. 4º; 2) a fatura comercial nº BSLSB263/97, de 30/12/1997, que instruiu a DI, foi emitida pela BRASOILBRASPETRO OIL SERVICES CO., sediada nas Ilhas Cayman (fl. 19). O Certificado de Origem de nº ALD 971201280 CS, de 29/12/1997, declara que as mercadorias descritas no mesmo documento correspondem à fatura comercial de nº 9712E036, de 23/12/1997, emitida pela CORPOVEN, empresa estabelecida na Venezuela (fls. 20); Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 109 3 3) com a emissão da fatura comercial pela BRASOIL BRASPETRO OIL SERVICES CO, podese afirmar que houve comercialização da mercadoria nas Ilhas Cayman, sendo a citada empresa a exportadora, conforme declarou, o contribuinte, na DI; 4) a importação está em desacordo com as normas acima citadas, pois a mercadoria deve ser expedida diretamente do país exportador para o país importador, devendo ambos os países serem membros da ALADI; 5) a exportação da mercadoria concretizouse nas Ilhas Cayman, país que não faz parte da ALADI, de modo que a importação não faz jus ao beneficio fiscal pleiteado, tornandose sem efeito o Certificado de Origem apresentado; 6) a empresa apresentou denúncia espontânea, referente ao Imposto de Importação recolhido a menor, em razão da exclusão indevida do frete da base de cálculo, entendendo, a fiscalização, que a empresa se beneficia dessa exclusão, conforme art. 10 do Decreto n° 2.256/1997, tendo em vista ainda que apresentou cópia dos Certificados de Registro Especial (REB), motivo pelo qual é feita a subtração do frete no cálculo do imposto; 7) é cobrada a diferença do Imposto de Importação, em razão do não reconhecimento da redução tarifária, somado aos acréscimos legais devidos. Esclarece ainda, a fiscalização, que o auto de infração foi lavrado em decorrência do Acórdão DRJ/FOR nº 7.793, de 30 de Janeiro de 2006, proferido no processo n° 10209.000067/200312, observandose o art 173, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN). Cientificada do lançamento em 04/09/2006, conforme fls. 02, a empresa insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 3038, em 03/10/2006, instruída com os documentos de fls. 3951, na qual expõe as seguintes razões de defesa: 1) o contribuinte registrou a DI, referente a querosene de aviação 1A, produzido na Venezuela, porém, considerando o Certificado de Origem e as faturas comerciais nos BSLSB 263/97 e 9712E036, o AuditorFiscal concluiu que não pode ser aplicada a redução tarifária, por força das disposições da Resolução 78, porque houve a intervenção de país não membro da ALADI na operação comercial; 2) em relação à suposta falta de correspondência entre o Certificado de Origem e a fatura nº BSLSB 263/97, observase que este documento faz menção ao certificado de origem e também à fatura nº 9712E036, citada no certificado; 3) a fatura comercial nº 9712E036 foi apresentada por exigência do Fisco, sendo que, se houve falha pela não apresentação no momento do registro da DI, esta já se encontra sanada; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 110 4 4) na DI, a impugnante indicou a CORPOVEN S/A como "Fabricante/Produtor", mas essa empresa não passa de uma filial da PDVSA, tendo, elas, o mesmo endereço comercial, razão pela qual, justificase a expedição da fatura de n° 9712E036 pela PDVSA; 5) essas supostas irregularidades, referentes ao certificado de origem e faturas comerciais, são resultado da complexidade dos sujeitos envolvidos na operação comercial, não havendo documento que comprove a intervenção de país não membro da ALADI; 6) a Braspetro Oil Services Company (BRASOIL), empresa subsidiária da Petrobras Internacional S/A (BRASPETRO), a qual, por sua vez, constitui uma subsidiária da Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRÁS), adquiriu o produto junto à CORPOVEN S/A, subsidiária da PDVSA, as quais estão sediadas na Venezuela; 7) o querosene foi produzido e exportado pela Venezuela, país membro da ALADI, e enviado diretamente para o Brasil e, por esse motivo, com base no artigo quarto da Resolução 78, não há razões para que seja mantida a autuação; a Braspetro Oil Services Company (BRASOIL), empresa subsidiária da Petrobras Internacional S/A (BRASPETRO), a qual, por sua vez, constitui uma subsidiária da Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRÁS), adquiriu o produto junto à CORPOVEN S/A, subsidiária da PDVSA, as quais estão sediadas na Venezuela; 8) caso se entenda que houve mesmo a intervenção de um terceiro país, não membro da ALADI, pelo fato da BRASOIL, a qual intermediou a compra para a impugnante, ter sede nas Ilhas Cayman, devese considerar que a complexa operação comercial é resultado da crescente dificuldade de captação de recursos, verificada no país, e dos curtos prazos para pagamento praticados no mercado internacional de petróleo, razões pelas quais, visando captar os recursos necessários e alongar tal prazo, a impugnante vem utilizando linhas de crédito tomadas no exterior, através de suas subsidiárias, no caso, a BRASOIL; 9) em razão da crise mundial, algumas restrições administrativas têm sido impostas na área cambial, como, por exemplo, a coincidência dos prazos para fechamento do contrato de câmbio e entrega dos recursos para sua liquidação, obrigando a impugnante, nessa mesma oportunidade, a apresentar os documentos de importação, exigência que a própria Receita Federal admite não ser possível de ser atendida, razão pela qual concede prazo maior para a apresentação dos documentos; 10) a intermediação em importações não elide a aplicação de redução tarifária, conforme apreciação contida na NOTA COANA/COLAD/DITEG n. 60/97, a qual concluiu pela sua regularidade, sendo que operações dessa natureza são de uso corrente nas trocas comerciais internacionais e no mercado financeiro nacional e internacional, e objetivam o financiamento e o aperfeiçoamento das garantias; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 111 5 11) Acordos tarifários visam a proteção recíproca das exportações de países que enfrentem especial dificuldade, sendo exemplo disso, no caso do Mercosul, o custo final mais alto do petróleo da Venezuela, que somente com a redução tarifária se torna suportável, e cuja aquisição pela Petrobras, no entanto, é essencial no esforço para a integração dos países do cone sul, na esteira da decisão governamental de mudanças estratégicas na matriz energética e nas suas fontes fornecedoras; 12) a Resolução nº 78 e o Acordo nº 91 não vedaram a redução tarifária quanto à importação com interferência de terceiros, ainda mais sem trânsito por outro país, pelo contrário, a operação em foco é expressamente acobertada, constituindo, portanto, inversão lógiconormativa a vedação vislumbrada pelo Fisco, restrição essa não prevista, em tema de estrita reserva de lei, além do que, a Resolução n° 232, promulgada pelo Decreto n° 2.865/1998, passou expressamente a admitila, fazendoo exatamente para dirimir as dúvidas ainda existentes; 13) essas operações vêm sendo legitimadas pela Receita Federal, como atestam os precedentes sobre a matéria, favoravelmente à Petrobras, ocasiões, em que foi recepcionada inteiramente a tese exposta pela peticionante; 14) quanto à fatura comercial nº BSLSB263/97, a fiscalização entendeu que não está de acordo com as exigências contidas no artigo 425 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 91.030/85, no entanto, tal norma não foi violada; 15) ainda que se entenda ser devido o montante cobrado, há de ser excluída a aplicação da taxa Selic, [...] 18) por fim, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, ou seja, excluída a aplicação da taxa Selic, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documentação apresentada. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária no âmbito da ALADI quando o Certificado de Origem apresentado não guarda correlação com a fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, bem como no caso em que a Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 112 6 mercadoria importada é comercializada por terceiro país, não signatário do acordo internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, basicamente: a legalidade da triangulação comercial; a apresentação de todas as faturas comerciais atreladas à operação triangular; e a demonstração da origem venezuelana da mercadoria importada. Socorrese ainda do Ato Declaratório Interpretativo SRF 13/02, para afastar a multa de ofício. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 113 7 Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O Decreto 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro RA então vigente), art. 434, caput e parágrafo único, determina que a comprovação da origem de "mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem", "tratandose de mercadoria importada de paísmembro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil" , "constará de certificado de origem emitido por entidade competente". Da Resolução 78, internalizada no país pelo Decreto nº 98.874/90, que trata do Regime Geral de Origem no âmbito da ALADI, reproduzo o art. QUARTO: Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem trasbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e 4 iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Conforme relatado, o Certificado de Origem de nº ALD 971201280CS, de 29/12/1997 , se refere à fatura comercial de nº 9712E036, de 23/12/1997, emitida pela CORPOVEN, estabelecida na Venezuela, contra a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. (PETROBRÁS) (fls. 20 e 21). 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 114 8 Já a fatura comercial que instruiu a Declaração de Importação (DI) sob autuação, de nº BSLSB263/97, de 30/12/1997, foi emitida e assinada pela BRASOIL BRASPETRO OIL SERVICES CO., sediada nas Ilhas Cayman, conforme relato, constando como comprador e consignatário a PETROBRÁS (fl. 19). Na DI em foco (fl. 13 e seguintes), consta a PETROBRÁS como "Importador" (e como "Adquirente da Mercadoria") do "QUEROSENE DE AVIAÇÃO", a "BRASPETRO OIL SERVICES" como "Exportador" ("País": VENEZUELA) e a CORPOVEN S. A. (País: VENEZUELA) como "Fabricante/ produtor" ("País": VENEZUELA). [...] Como relatado, a exportadora BRASOIL, sediada nas Ilhas Cayman, país exportador na operação de compra e venda internacional, é "empresa subsidiária da Petrobras Internacional S/A (BRASPETRO), a qual, por sua vez, constitui uma subsidiária da Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRÁS)" e "adquiriu o produto junto à CORPOVEN S/A, subsidiária da PDVSA", sediadas na Venezuela. Ainda que a mercadoria tenha como procedência a Venezuela, foi exportada das Ilhas Cayman, sede da exportadora, BRASOIL, em total desobediência ao caput art. QUARTO da Resolução 78: as mercadorias não foram expedidas diretamente do país exportador para o país importador; como bem coloca a autuação, o que dá motivo ao lançamento efetuado, em sendo indevida a redução de alíquota do Imposto de Importação, sob o benefício pretendido. É o que basta. Ainda reproduzo trechos do acórdão recorrido que considero pertinentes: Além disso, o Certificado de Origem, documento base para comprovação da origem da mercadoria, nos termos do RA/85, art. 434, não guarda correlação com a fatura que ampara a importação, faltandolhe portanto higidez e valor probante, com relação à operação declarada à Aduana brasileira, como bem registrou o acórdão recorrido. Aduz a recorrente a legalidade da triangulação comercial, a apresentação de todas as faturas comerciais atreladas à operação triangular e a demonstração da origem venezuelana da mercadoria importada, entendendo pela manutenção dos benefícios fiscais. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 115 9 Descreve a operação comercial: Aduz que não houve violação ao art. QUARTO da Resolução 78: Não é assim. Repisese: a dita Resolução exige que "para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador". Ora, se o querosene veio diretamente da Venezuela, como afirma a recorrente, e não das Ilhas Cayman é porque não foram expedidas diretamente do país exportador. A recorrente traz em seu socorro a Resolução 232, internalizada pelo Decreto n° 2.865/98, a qual "trouxe previsão expressa mantendo a possibilidade de intervenção de um terceiro país não integrante da Associação": De fato, tal norma permite que a fatura seja emitida por operador de terceiro país, inclusive não membro da ALADI. Ainda que a Resolução 232 tenha sido aprovada em 08/10/97, esta somente foi internalizada no país, em 08/12/98, com a publicação do Decreto 2.865/98. Não produziu efeitos, portanto, sobre a operação em foco, que teve curso em 19/02/98, ao contrário do que quer a recorrente. A norma então vigente expressamente afastava o benefício quando a mercadoria fosse expedida de país diferente do exportador. É inescapável a determinação do art. 111 do Código Tributário Nacional, de que a outorga de benefício deve ser interpretada de forma literal. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 116 10 Alega a recorrente que o "fato da ALADI ter expressamente autorizado a triangulação a partir da Resolução 232 não quer dizer que estava proibido" e que "pelo ângulo do direito comercial, tal prática é uso e costume adotado internacionalmente". Não é assim. A norma que incidia sobre a importação, não atinge a legalidade da triangulação comercial, apenas a retirava do benefício vigente no âmbito a ALADI, inserindoa posteriormente. Alega a recorrente a correta identificação da origem das mercadorias através do certificado de origem. Inócuo. Aqui não se discute a comprovação da origem, mas o descumprimento de requisitos outros para a fruição do benefício. Diz a recorrente que "não há na legislação nenhuma norma que imponha" a vinculação do Certificado de origem, "apenas, à fatura comercial apresentada na declaração de importação". Discordo. O Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, internalizado pelo Decreto nº 98.836/90, estabelece em seu art. PRIMEIRO: A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (Grifouse). A recorrente traz ainda em seu favor a Nota COANA/COLAD/DITEG nº 60/1997, que dá pela possibilidade de triangulação no caso da ALADI e do MERCOSUL. Traz também julgados administrativos e judiciais a socorrêla. Não está este julgamento adstrito a essa Nota ao a tais julgados. A norma vigente à época não permite temperos, ainda mais quando deva ser interpretada literalmente: Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Por fim, a recorrente busca abrigo no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF 13/02, para eximirse da multa de ofício que lhe foi aplicada: Art. 1º – Não constitui infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Ao tempo da operação em pauta vigia o Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997, revogado pelo ADI trazido pela recorrente, posterior à operação autuada: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 117 11 interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. [...] Ainda que tal tema não tenha sido veiculado em sede de impugnação, tratase de penalidade, matéria de ordem pública, como já decidiu esta CARF (1402000.246), não sujeita, portanto, à preclusão. Assim, por todo o exposto voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para afastar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 118 12 Voto Vencedor Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Redatora Designada Ouso divergir do Ilustre Relator, a despeito de seu excelente voto, no tocante à exigência do imposto de importação. A PETROBRÁS foi autuada em decorrência do entendimento da autoridade fiscal que a operação comercial entre Venezuela — Ilhas Cayman — Brasil, realizadas pelas empresas CORPOVEN — BRASOIL/BRASPETRO OIL SERVICES CO — PETROBRÁS, respectivamente, descaracteriza a origem da mercadoria pela interveniência de terceiro país não membro do acordo tarifário, impedindo o gozo de preferência tarifária em razão da origem acordada no âmbito da ALADI. Sendo assim, a operação realizada deveria receber tratamento de importação comum, com aplicação da alíquota integral do imposto de importação. Para a fiscalização, seria inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, praticada pela PETROBRÁS, nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da BRASOIL/BRASPETRO OIL SERVICES CO, sediada nas Ilhas Cayman. Em razões recursais, a PETROBRÁS reitera os argumentos da impugnação, de que a operação de importação realizada de produtos da Venezuela, adquiridos da CORPOVEN, não desatendeu às normas do Acordo Internacional que prevê a redução tributária praticada, por não se verificar a importação de país não integrante da ALADI. Esclarece que a origem do produto importado foi a Venezuela e o destino o Brasil. Que a empresa integrante do grupo PETROBRÁS, com sede nas Ilhas Cayman, participou da operação como operadora no objetivo de, através da triangulação comercial, propiciar melhores condições negociais. Dito de outra forma, a razão determinante para a autuação fiscal de descaracterização do benefício de redução do Imposto de Importação foi a participação, na operação comercial realizada com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRÁS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses: BRASOIL, sediada nas Ilhas Cayman, é empresa subsidiária da PETROBRÁS Internacional S/A (BRASPETRO), a qual, por sua vez, constitui uma subsidiária da Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRÁS) e a CORPOVEN S/A é subsidiária da PDVSA, sediada na Venezuela. Por conseguinte, não há nos autos, circunstância fática que descaracterize a origem e o destino da mercadoria importada, tampouco a descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRÁS e a CORPOVEN. Com isso, não há que se afirmar que a exportação fora realizada a partir das Ilhas Cayman, e que por essa razão não teria incidência a norma de redução tributária. Ressaltese que estes autos estão devidamente instruídos com os documentos comprobatórios das operações. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 119 13 Observase que a mercadoria foi unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman e embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. A mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman. Acolhida a questão pelo CARF, a exemplo do Acórdão nº 320100.444: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/1999 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIECO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Julg. 30/04/2010. E do Acórdão 310200.691: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Julg. 01/07/2010. A querela também já tem pronunciamento judicial favorável à Petrobrás: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. IMPORTAÇÃO. PETROBRAS. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. PETROBRÁS FINANCE COMPANY SEDE ILHAS CAYMAN. ORIGEM E DESTINO DA MERCADORIA. NÃO Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 120 14 DESCARACTERIZAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL EXISTENTE. APELAÇÃO PROVIDA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO IMPROVIDAS. 1. Tratase de remessa oficial e apelações interpostas em face de sentença que, em ação anulatória de débito fiscal, proposta pela PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A para anular ato de lançamento de imposto de importação de derivados de petróleo adquiridos da Venezuela, julgou parcialmente procedente o pedido apenas para determinar a exclusão da multa isolada, aplicada. Concluiu a sentença pela existência do crédito tributário, por considerar inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela apelante nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. 2. A razão determinante para a autuação fiscal, que descaracterizou o benefício de redução do Imposto de Importação, foi a participação na operação comercial realizada para com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRAS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses. Sob outro aspecto, certamente de maior relevância, não se verificam nas razões que motivaram o auto de infração, circunstância fática que descaracterizasse a origem e o destino da mercadoria importada. Não há, assim, informação de que, além da triangulação comercial realizada, houvesse descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA. Precedentes: (AGA, Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, TRF1 Sétima Turma, eDJF1. Data: 19/10/2012, p. 1344; AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 Quarta Turma, DJ Data: 09/07/2009 – p. 169 nº 129). 3. Apelação da PETROBRAS provida. Remessa oficial e apelação da União, improvidas. Honorários de sucumbência, R$ 5.000,00. TRF 1ª Região, Apelação/Reexame Necessário 2004.39.00.0023593/PA, julg. 07/10/2013. Em suma, o fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRÁS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial tarifário, uma vez que o Certificado de Origem foi emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI; o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman. O que houve foi uma triangulação comercial lícita entre CORPOVEN S/A, BRASOIL/BRASPETRO OIL SERVICES CO e PETROBRÁS. Logo, deve ser afastada a exigência do imposto de importação. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10209.000584/200634 Acórdão n.º 3301004.649 S3C3T1 Fl. 121 15 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Redatora Designada Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.907691/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 91 /2 01 3- 27 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907691/201327 Acórdão n.º 1302002.847 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.044, de 30 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao mês de dezembro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 9.134,36, originarseia de pagamento efetuado em 31/01/2008, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907691/201327 Acórdão n.º 1302002.847 S1C3T2 Fl. 4 3 quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 20/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907691/201327 Acórdão n.º 1302002.847 S1C3T2 Fl. 5 4 c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907691/201327 Acórdão n.º 1302002.847 S1C3T2 Fl. 6 5 demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907691/201327 Acórdão n.º 1302002.847 S1C3T2 Fl. 7 6 pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907691/201327 Acórdão n.º 1302002.847 S1C3T2 Fl. 8 7 Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907691/201327 Acórdão n.º 1302002.847 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000011/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -
Em se verificando omissão, contradição ou obscuridade no acórdão guerreado, há que ser acolhido os Embargos manejados para sanar o vício apontado.
DECADÊNCIA - Tendo a recorrente sido notificada em 26/04/2007 e o período do débito é de 01/1997 a 12/2006, aplicando-se o art. 173, I do CTN, tem-se que, para as competências 12 e 13/2001, o marco inicial do prazo decadencial é 01/01/2003.
Numero da decisão: 2301-005.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-001.937, de 17/03/2011, reconhecer abarcadas pela decadência as competências até 11/2001 (inclusive).
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Em se verificando omissão, contradição ou obscuridade no acórdão guerreado, há que ser acolhido os Embargos manejados para sanar o vício apontado. DECADÊNCIA - Tendo a recorrente sido notificada em 26/04/2007 e o período do débito é de 01/1997 a 12/2006, aplicando-se o art. 173, I do CTN, tem-se que, para as competências 12 e 13/2001, o marco inicial do prazo decadencial é 01/01/2003.
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DECADÊNCIA Tendo a recorrente sido notificada em 26/04/2007 e o período do débito é de 01/1997 a 12/2006, aplicandose o art. 173, I do CTN, temse que, para as competências 12 e 13/2001, o marco inicial do prazo decadencial é 01/01/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301001.937, de 17/03/2011, reconhecer abarcadas pela decadência as competências até 11/2001 (inclusive). (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 00 11 /2 00 7- 11 Fl. 269DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos contra o Acórdão de Recurso Voluntário nº 2301001.937 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que deulhe provimento, parcial para acolher a decadência com fulcro no art. 173 do CTN. Após a intimação do referido Acórdão, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de Declaração alegando em síntese, que o referido Acórdão foi contraditório ao declarar a decadência amparada no art. 173, I do CTN e Dar Provimento Parcial ao recurso excluindo as competências anteriores a 01/2002. Aduz a embargante que "Iniciado o prazo decadencial em 1°/1/2003, temse que o seu término ocorreu em 31/12/2007. No entanto, o lançamento foi notificado ao contribuinte, tempestivamente, em 26/04/2007, portanto antes de encerrado o prazo qüinqüenal." Os Embargos foram admitidos nos termos do despacho de fls 267 e 268. Em virtude de o conselheiro relator do Acórdão Embargado não mais pertencer aos quadros deste conselho, o processo foi a mim distribuído para a análise e decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Atendidas as determinações legais, conheço dos presentes Embargos. O art. 65 do RICARF trata dos Embargos de Declaração assim estabelece Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Analisando a decisão recorrida verificase que realmente ocorreu a contradição apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional no que diz respeito ao alcance da decadência apontada no Acórdão guerreado. Vejamos o que diz a Ementa e o dispositivo do Acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO ÀS CONTRIBUIÇÕES ARRECADADAS PELO INSS E DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA DESTINADA AO FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA Fl. 270DF CARF MF Processo nº 14474.000011/200711 Acórdão n.º 2301005.361 S2C3T1 Fl. 1.603 3 DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO E TAMBÉM ÀS DESTINADAS AOS FUNDOS E ENTIDADES DENOMINADOS TERCEIROS (FNDE, SESI, SENAI, INCRA E SEBRAE). A Decadência, seguindo orientação da Súmula 08 do STF se dá em 05 anos, conforme determina o Código Tributário Nacional, artigo 173 e incisos. E, o texto constitucional em seu art. 103 A não deixa margem de dúvidas quando da aprovação da súmula vinculando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente. (grifei) Da leitura dos autos verificase que a recorrente foi notificada em 26/04/2007 e o período do débito é de 01/1997 a 12/2006. Ora, se foi aplicado ao art. 173, I do CTN, temse que, para as competências 12 e 13/2001, o marco inicial do prazo decadencial é 01/01/2003 e não 01/2002 como constou no dispositivo do Acórdão. Desta forma, demonstrada a contradição, Voto no sentido de Acolher os Embargos opostos com efeitos infringentes para sanar a contradição apontada e reratificar o Acórdão 2301001.937, reconhecer abarcadas pela decadência as competências até 11/2001 inclusive. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912236/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.262
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 36 /2 01 2- 08 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912236/201208 Acórdão n.º 3401004.262 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.609, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912236/201208 Acórdão n.º 3401004.262 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912236/201208 Acórdão n.º 3401004.262 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912236/201208 Acórdão n.º 3401004.262 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
