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5372265 #
Numero do processo: 10925.905108/2012-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/2012­64  Acórdão n.º 3801­002.890  S3­TE01  Fl. 58          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da  Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/2012­64  Acórdão n.º 3801­002.890  S3­TE01  Fl. 59          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  PER,  apresentado pela contribuinte acima qualificada.  Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Joaçaba/SC decidiu indeferi­lo (Despacho Decisório à folha  5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como  fonte  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  já  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição  solicitada no PER.  Inconformada  com  o  não  deferimento  de  seu  Pedido  de  Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos  pleiteados referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao  PIS  e  da Cofins,  em  razão  da  inclusão  do  ICMS  nas  bases  de  cálculo destas contribuições.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo  pagamento indevido ou a maior que o devido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  alega  que  a  exigência  da  prévia  retificação  da  DCTF  como  condição  para  reconhecer  o  crédito  tributário  pleiteado  pela  recorrente  não  possui  qualquer  fundamento  legal,  devendo  ser  enfrentado  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/2012­64  Acórdão n.º 3801­002.890  S3­TE01  Fl. 60          4   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial  e  o  acórdão  de  primeira  instância,  porque  os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente vinculados  a débitos  em DCTF e  não  teriam sido demonstradas  a  liquidez  e  a  certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Apesar  da  alegação  da  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  não  ter  sido  acompanhada  na  peça  impugnatória  da  retificação  da  respectiva  DCTF,  instrumento  de  confissão  de  dívida,  que  a  princípio  estaria  na  esfera  de  responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido  da prevalência da verdade material,  sendo que a  falta de apresentação de DCTF retificadora,  por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito,  nos termos do art. 165 do CTN, in verbis:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  No  mérito,  a  recorrente  alega  que  os  créditos  pleiteados  referem­se  a  pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do  ICMS nas  bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/2012­64  Acórdão n.º 3801­002.890  S3­TE01  Fl. 61          5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do  contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém,  refere­se  a  uma  universalidade,  um  todo  composto  pelas  receitas  da  empresa,  pouco  importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço  de venda.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS  integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou  seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/2012­64  Acórdão n.º 3801­002.890  S3­TE01  Fl. 62          6 INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  No  mais,  o  julgamento  do  Recurso  Especial  (REsp)  no  1.127.877­SP  foi  submetido ao rito do artigo 543­C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá  ser  seguido  pelos  conselheiros  no  âmbito  do  CARF,  conforme  caput  do  artigo  62­A1  do  Regimento  Interno  deste Conselho,  aprovado  pela  Portaria MF  n°  256/2009,  com  alterações  introduzidas pela Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013.  Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.                                                              1 Art. 62A.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/2012­64  Acórdão n.º 3801­002.890  S3­TE01  Fl. 63          7 (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5460404 #
Numero do processo: 10840.722726/2011-20
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, ano-calendário 2008, decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processos trabalhista, no valor de R$31.180,37, já deduzidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte (R$8.246,00). Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429-SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situarem-se na primeira faixa da tabela progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, bem com alegou a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício. A impugnação foi indeferida tendo como fundamento, em síntese: suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF; aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988 e inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN; tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988; vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei; previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN.; e previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora. Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos: por força de Requisição de Pequeno Valor – RPV (ação 2004.61.85.014861-9) decorrente da aplicação do índice integral de correção monetária no percentual de 39,67% referente ao IRSM do mês de fevereiro de 1994 e do cálculo da evolução da RMI até a renda mensal na data da sentença, o recorrente recebeu rendimentos acumulados pagos pelo INSS entretanto, como as diferenças das rendas mensais de maio de 1999 a junho de 2006 não foram disponibilizadas pelo INSS, o contribuinte ingressou com liquidação de sentença, que apontou o valor de R$30.339,32, acrescido de juros de mora de R$6.730,05, o que totalizou R$37.069,37. os benefícios pagos pelo INSS em atraso, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 1,0% ao mês; A autuação baseou-se nos rendimentos recebidos acumuladamente relativa aos meses de maio de 1999 a junho de 2006, que se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto; a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543-C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61-A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$9.087,05), sendo R$6.730,05 da liquidação da sentença mais R$2.357,00 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543-C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP). é ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404); os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e não aplicação da multa de ofício porque não agiu de má-fé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificando-se a aplicação do art. 112 do CTN. Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69-A) e no Estatuto do Idoso. Relatado, passa-se a deliberar. Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância verifica-se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no ano-calendário 2007. A documentação de fls. 42 em diante comprova que os rendimentos referem-se a benefícios mensais do período de maio de 1996 a junho de 2006 pagos pelo INSS em atraso. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgR-QO-RG / RS - RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados - se por regime de caixa ou de competência - vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543-B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429-SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situarem-se na primeira faixa da tabela progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, bem com alegou a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício. A impugnação foi indeferida tendo como fundamento, em síntese: suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF; aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988 e inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN; tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988; vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei; previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN.; e previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora. Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos: por força de Requisição de Pequeno Valor – RPV (ação 2004.61.85.014861-9) decorrente da aplicação do índice integral de correção monetária no percentual de 39,67% referente ao IRSM do mês de fevereiro de 1994 e do cálculo da evolução da RMI até a renda mensal na data da sentença, o recorrente recebeu rendimentos acumulados pagos pelo INSS entretanto, como as diferenças das rendas mensais de maio de 1999 a junho de 2006 não foram disponibilizadas pelo INSS, o contribuinte ingressou com liquidação de sentença, que apontou o valor de R$30.339,32, acrescido de juros de mora de R$6.730,05, o que totalizou R$37.069,37. os benefícios pagos pelo INSS em atraso, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 1,0% ao mês; A autuação baseou-se nos rendimentos recebidos acumuladamente relativa aos meses de maio de 1999 a junho de 2006, que se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto; a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543-C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61-A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$9.087,05), sendo R$6.730,05 da liquidação da sentença mais R$2.357,00 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543-C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP). é ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404); os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e não aplicação da multa de ofício porque não agiu de má-fé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificando-se a aplicação do art. 112 do CTN. Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69-A) e no Estatuto do Idoso. Relatado, passa-se a deliberar. Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância verifica-se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no ano-calendário 2007. A documentação de fls. 42 em diante comprova que os rendimentos referem-se a benefícios mensais do período de maio de 1996 a junho de 2006 pagos pelo INSS em atraso. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgR-QO-RG / RS - RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados - se por regime de caixa ou de competência - vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543-B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722726/2011­20  Resolução nº  2802­000.149  S2­TE02  Fl. 133          2  progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, bem com alegou a não  incidência  sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício.   A impugnação foi indeferida tendo como fundamento, em síntese:  a)  suspensão  da  eficácia  do  Ato  Declaratório  PGFB  nº  1/2009  pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória  pelas  DRJ,  cujo  procedimento  não  está  submetido  ao  Regimento Interno do CARF;  b)  aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988 e  inaplicação  de  legislação  superveniente  por  ausente  qualquer  hipótese  prevista no art. 106 do CTN;   c)  tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN,  inciso  XIV  do  art.  55  do  RIR1999  e  §4º  do  art.  3º  da  Lei  7.713/1988;   d)  vedação  ao  julgador  administrativo  de  apreciar  alegações  de  inconstitucionalidade de lei;   e)  previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese  prevista no art. 112 do CTN.; e   f)  previsão  expressa  no  art.  161  do  CTN  e  no  art.  61  da  Lei  9.430/1996 para exigência dos juros de mora.  Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou  recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos:  1.  por  força  de  Requisição  de  Pequeno  Valor  –  RPV  (ação  2004.61.85.014861­9)  decorrente  da  aplicação  do  índice  integral  de  correção  monetária  no  percentual  de  39,67%  referente ao  IRSM do mês de fevereiro de 1994 e do cálculo  da evolução da RMI até a renda mensal na data da sentença, o  recorrente recebeu rendimentos acumulados pagos pelo INSS  2.  entretanto, como as diferenças das rendas mensais de maio de  1999 a junho de 2006 não foram disponibilizadas pelo INSS, o  contribuinte  ingressou  com  liquidação  de  sentença,  que  apontou  o  valor  de R$30.339,32,  acrescido  de  juros  de mora  de R$6.730,05, o que totalizou R$37.069,37.  3.  os benefícios pagos pelo  INSS em atraso,  relativo  aos meses  de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram  juros de mora de 1,0% ao mês;  4.  A  autuação  baseou­se  nos  rendimentos  recebidos  acumuladamente relativa aos meses de maio de 1999 a junho  de  2006,  que  se  recebidos  na  época  própria,  os  rendimentos  estariam na faixa de isenção do imposto;  Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722726/2011­20  Resolução nº  2802­000.149  S2­TE02  Fl. 134          3  5.  a  tributação  deve  se  dar  na  forma  do  entendimento  consolidado  no  STJ  (RESP  1.118.429/SP),  julgado  na  sistemática do art. 543­C do CPC e de reprodução obrigatória  no CARF por  força  do  art.  61­A  (sic)  do Regimento  Interno  desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato  Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução  Normativa RFB nº 1127/2011;   6.  a  retenção  do  imposto  na  fonte,  prevista  no  art.  27  da  Lei  10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e  da capacidade contributiva;  7.  não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros  de  mora  (R$9.087,05),  sendo  R$6.730,05  da  liquidação  da  sentença mais R$2.357,00 dos juros sobre o depósito judicial,  tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS  que  julgado  na  sistemática  do  art.  543­C  do  CPC  é  de  reprodução obrigatória pelo CARF,  como  já  se pronunciou o  STF (AI 482398/SP).  8.  é  ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que  tem como matriz  legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz  do  art.  43  do  CTN,  pois  os  juros  de  mora  constituem  uma  indenização pelas perdas  sofridas, notadamente com a edição  do Código Civil de 2002 (art. 404);  9.  os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da  forma  menos  onerosa  para  o  trabalhador  (Provimentos  nº  03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho);  e  10.  não  aplicação  da multa  de  ofício  porque  não  agiu  de má­fé,  não  recebeu qualquer  informe da  fonte pagadora  indicando a  forma  de  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  justificando­se  a  aplicação  do  art.  112  do  CTN.  Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art.  69­A) e no Estatuto do Idoso.  Relatado, passa­se a deliberar.  Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira  instância verifica­se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente  no ano­calendário 2007.  A documentação de fls. 42 em diante comprova que os rendimentos referem­se a  benefícios mensais do período de maio de 1996 a junho de 2006 pagos pelo INSS em atraso.  Considerando  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  admitiu  a  existência  de  repercussão  geral  quanto  a  essa  matéria,  e  que  o  mérito  será  julgado  nos  Recursos  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722726/2011­20  Resolução nº  2802­000.149  S2­TE02  Fl. 135          4  Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do  e. STF de  sobrestar os demais  julgamento,  é o  caso de  sobrestar o presente  julgamento,  nos  termos dos §§ 1º e 2º do art. 62­A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF  nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012.  Vejamos:  RE  614406  AgR­QO­RG  /  RS  ­  RIO  GRANDE  DO  SULREPERCUSSÃO  GERAL  NA  QUESTÃO  DE  ORDEM  NO  AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO  Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010   Ementa  TRIBUTÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL  DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL FEDERAL. 1. A questão  relativa ao modo de  cálculo do  imposto  de  renda  sobre  pagamentos  acumulados  ­  se  por  regime  de  caixa  ou  de  competência  ­  vinha  sendo  considerada  por  esta  Corte  como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão  geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no  art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88  por  Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da  questão,  tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários  da  isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida  para:  a)  tornar  sem  efeito  a  decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  extraordinário  com  suporte  no  entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral  da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543­B, § 1º, do  CPC. (grifos acrescidos).  Diante  do  exposto,  suscito  o  sobrestamento  do  julgamento  até  julgamento  da  matéria pelo Supremo Tribunal Federal.   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso    Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 10120.004919/2001-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62-A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para homologar a declaração de compensação de fls. 39 e deferir o ressarcimento do saldo do valor do pedido de ressarcimento de fls. 4/5, não utilizado na referida declaração de compensação, remunerado pela SELIC desde 4 de setembro de 2001 até a data de seu efetivo pagamento à recorrente. Os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões quanto à correção pela taxa Selic. Esteve presente ao julgamento o Dr. Edson Ferreira Rosa, OAB/GO nº 16.778. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 5          1 4  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.004919/2001­59  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­002.789  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de fevereiro de 2014  Matéria  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI  Recorrente  CARAMURU ALIMENTOS S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001  Ementa:  IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC.  De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543­C,  do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62­ A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está  sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e  aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito.  Recurso voluntário provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  para  homologar  a  declaração  de  compensação  de  fls.  39  e  deferir  o  ressarcimento  do  saldo  do  valor  do  pedido  de  ressarcimento  de  fls.  4/5,  não  utilizado  na  referida declaração de compensação, remunerado pela SELIC desde 4 de setembro de 2001 até  a  data  de  seu  efetivo  pagamento  à  recorrente.  Os  Conselheiros  Alexandre  Kern  e  Rosaldo  Trevisan  votaram  pelas  conclusões  quanto  à  correção  pela  taxa  Selic.  Esteve  presente  ao  julgamento o Dr. Edson Ferreira Rosa, OAB/GO nº 16.778.      (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 49 19 /2 00 1- 59 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ     2   (assinado digitalmente)  Marcos Tranchesi Ortiz – Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Alexandre  Kern,  Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan,  Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio  Carlos Atulim.    Relatório  Trata­se  de  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  presumido  de  IPI  (Lei  nº  9.363/96), relativo ao 2º trimestre de 2001, no valor de R$1.633.488,73, apresentado, no antigo  sistema físico, em 4 de setembro de 2001 (fls. 4/5). A ele seguiu­se, em 23 de janeiro de 2003,  declaração  de  compensação  (fl.  39),  por  meio  da  qual  se  pretendeu  aproveitar  parcela  do  crédito ressarciendo para extinguir débitos próprios de PIS, no valor de R$172.198,45.  A DRF glosou a parcela do crédito presumido calculado sobre aquisições de  pessoas  físicas  e  cooperativas,  reconhecendo,  afinal,  um  crédito  no  valor  de  R$175.474,63.  Homologou, então, a compensação declarada e deferiu o ressarcimento do crédito que sobejou,  no valor de R$3.276,18 (fls. 156/166). A decisão é de 13 de junho de 2007.  Em  1º  de  outubro  de  2007,  a  recorrente  manifestou  inconformidade  (fls.  197/230),  sustentando  seu  direito  de  acrescer,  à  base  de  cálculo  do  crédito  presumido,  as  aquisições de não­contribuintes das exações.  Em 23 de novembro de 2007 – dias após a apresentação da manifestação de  inconformidade,  portanto  –,  a  recorrente  impetrou  mandado  de  segurança  repressivo  (fls.  238/255), pedindo ordem à DRF para que recalculasse o crédito presumido com o cômputo das  aquisições de não­contribuintes na respectiva base. A ação tramitou perante a 4ª VF/GO sob nº  2007.35.00.024003­1.  Em  21  de  fevereiro  de  2008,  a  DRJ­Juiz  de  Fora/MG  indeferiu  a  inconformidade,  e  o  fez  com  fundamento  no  art.  20  da  IN/RFB  nº  600/05,  que  veda  o  ressarcimento  de  crédito  cujo  valor  possa  ser  alterado  por  decisão  judicial  definitiva  (fls.  258/266). À  época,  não  havia  ainda qualquer  provimento  judicial  favorável  à  recorrente  nos  autos mandamentais.  Sobreveio  tempestivo  recurso  voluntário  (fls.  271/316)  sustentando  a  inaplicabilidade do mencionado art.  20 da  IN/RFB nº 600/05 e  a  incidência de  juros SELIC  sobre o crédito ressarciendo a partir do protocolo do pedido.  Em  30  de  julho  de  2008,  o  juízo  da  4ª  VF/GO  sentenciou  o  mandado  de  segurança, concedendo a ordem (fls. 341/348). Apelação da Fazenda Nacional levou os autos  ao  Tribunal  Regional  Federal  da  1ª  Região,  e  lá,  em  16  de  abril  de  2009,  o  eminente  desembargador  relator  Leomar  Amorin,  a  pedido  da  recorrente,  oficiou  a  RFB  para  dar  imediato  cumprimento  à  sentença,  ante  a  inexistência  de  efeito  suspensivo  do  apelo  (fls.  350/351).  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.004919/2001­59  Acórdão n.º 3403­002.789  S3­C4T3  Fl. 6          3 Em 18 de dezembro de 2009, a DRF então recalculou o crédito da recorrente  com os parâmetros fixados na sentença, reliquidando­o em R$1.663.708,28 (fls. 356/367). No  mesmo relatório, consignou a DRF que a decisão judicial determinava o recálculo imediato do  crédito, mas não a sua devolução imediata à recorrente, a qual deveria aguardar o trânsito em  julgado judicial, por força do art. 170­A do CTN.  Em 22 de dezembro de 2010, os autos subiram ao CARF (fl. 384).  É o relato.  Voto             Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz  Pouco resta a ser enfrentado neste recurso.  A matéria de fundo – apropriação de crédito presumido sobre aquisições de  não­contribuintes  –  foi  endereçada  ao  Judiciário  no  autos  do  mandado  de  segurança  nº  2007.35.00.024003­1. Não foi o caso, contudo, de aplicar a Súmula CARF nº 1, em razão de  peculiar pedido formulado pelo contribuinte em juízo: prolação de ordem à autoridade coatora  para  que  prosseguisse  na  análise  do  pedido  ressarcitório,  porém  calculando  o  crédito  presumido a partir dos critérios fixados na ação judicial.  Concedida  a  ordem,  a  administração  tributária  não  poderia  considerar  encerrado o processo administrativo, pois o comando judicial que se lhe dirigiu era justamente  para que prosseguisse na apreciação do pleito administrativo. Não houve, enfim,  renúncia ao  contencioso administrativo em si mesmo, mas apenas à discussão acerca da base de cálculo do  crédito presumido.  A autoridade preparadora, obedecendo à decisão judicial, então recalculou o  crédito presumido a partir de base acrescida das aquisições de não contribuintes, e determinou  que se aguardasse o trânsito em julgado da ação judicial.  Pois  bem.  Consultando  o  andamento  do  mandado  de  segurança  nº  2007.35.00.024003­1  no  site  do  TRF  da  1ª  Região,  constato  que  a  sentença  concessiva  da  ordem  foi  confirmada  pelo  tribunal  em  acórdão  proferido  em  1º  de  junho  de  2010,  o  qual  transitou em julgado em 12 de julho de 2011.  Resta,  pois,  executar  nestes  autos  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado.  Percebo,  entretanto,  que  o  valor  do  crédito  apurado  pela  RFB  sob  os  parâmetros  judiciais  (R$1.663.708,28)  é  superior  ao  próprio  pedido  deduzido  pela  recorrente  (R$1.633.488,73).  Considerando que a decisão  judicial não  liquida o crédito, mas apenas  impõe regras a  serem  observadas  na  sua  liquidação,  entendo  que  a  administração  deve  ater­se  ao  pedido  da  recorrente, sem que vá aí qualquer afronta à ordem judicial.  A única matéria de mérito  que  remanesce  aos  cuidados  deste Conselho  diz  respeito à atualização ou não do crédito histórico pela SELIC.  Sobre o tema, este Colegiado da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF  já decidiu, sob inspiração do acórdão prolatado pelo E. STJ no Recurso Especial nº 1.035.847,  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ     4 julgado  sob  o  rito  do  artigo  543­C  do  CPC,  que  o  postulante  ao  ressarcimento  de  créditos  tributários  tem  direito  à  remuneração  do  principal  a  partir  da  data  em  que  formaliza  sua  pretensão  perante  a  administração  tributária.  Reporto­me  ao  voto­vencedor  do  Conselheiro  Robson José Bayerl no acórdão no. 3403­01.569:  “(...),  em minha  opinião,  o  fundamento  para  o  reconhecimento  do direito à atualização monetária não reside especificamente no  óbice ao aproveitamento do crédito, caracterizado pela oposição  de  ato  estatal  ou  vedação  à  sua  utilização,  mas  sim  no  indesejado  enriquecimento  sem  causa  por  parte  do  Estado,  quando ocorrente tais hipóteses, como restou demarcado no voto  condutor  do  REsp  1.035.847/RS,  citado  no  REsp  993.164/MG,  cujo excerto transcrevo:  ‘Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima a necessidade de atualizá­los monetariamente, sob pena  de enriquecimento sem causa do Fisco.’  Em  meu  sentir,  a  oposição  de  ato  estatal  ou  vedação  à  percepção  do  direito  creditório  pode  se  concretizar  tanto  de  forma  comissiva,  pela  expedição  de  ato  administrativo  que  restrinja  o  direito,  como  de  forma  omissiva,  pela  inércia  em  examinar o pleito formulado em prazo razoável.  (...)  Não se está aqui a defender o direito à correção monetária de  créditos  escriturais  registrados  extemporaneamente,  mas,  na  esteira  do  raciocínio  engendrado  pelo  STJ,  a  necessária  atualização monetária do crédito requerido e garantido por lei  a  partir  do  protocolo  do  pedido  junto  à  RFB,  quando  então  passaria  a  Administração  Tributária  a  incorrer  em  mora  perante o contribuinte.  Mais uma vez, o obstáculo à fruição de um direito assegurado  pela  lei  pode  se  verificar  tanto  por  um  “fazer  o  que  não  é  devido”  (comissão),  como  um  “não  fazer  o  que  é  devido”  (omissão),  de  modo  que  qualquer  destes  comportamentos,  adotados  a  partir  do  protocolo  do  pedido,  enseja  o  direito  à  atualização monetária.  Importante  acentuar  que  o  caso  concreto  examinado  no  REsp  1.035.847/RS,  paradigma  do  recurso  repetitivo  (art.  543­C  do  Código  de  Processo  Civil),  envolvia  ressarcimento  de  saldo  credor  de  IPI,  requerido  com  lastro  no  art.  11  da  Lei  nº  9.779/99.  Demais disso, aquela corte judicial deferiu a correção monetária  desde a data de apuração do saldo até a sua utilização, do que  se  depreende  que,  com maior  razão,  deverá  ser  admitido  para  aquelas hipóteses em que o reajuste do valor tenha como dies a  quo a formulação do pedido.  Em  conclusão, deve  ser  admitida  a  atualização  do  valor  a  ser  ressarcido pela taxa selic, não porém a partir da apuração, pois  até então a Fazenda Nacional não estaria em mora, por assim  dizer,  mas  sim,  como  marco  inicial,  o  protocolo  do  pedido  Fl. 392DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.004919/2001­59  Acórdão n.º 3403­002.789  S3­C4T3  Fl. 7          5 administrativo,  podendo,  daí,  configurar  o  obstáculo  no  reconhecimento  do  direito,  seja  pela  oposição  de  ato  estatal,  seja pela inação em prontamente examinar o pleito, até a data  da  utilização  por  compensação  ou,  no  caso  de  ressarcimento  em espécie, até a sua efetivação.”   Partilhando  das  conclusões  acima,  aplico­as  à  hipótese  em  análise  para  assegurar  à  recorrente  o  direito  ao  acréscimo  da  Taxa  SELIC,  contado  desde  a  data  de  transmissão do pedido.   Isto posto, voto pelo provimento do recurso para homologar a declaração de  compensação de fls. 39 e deferir o ressarcimento do saldo do valor do pedido de ressarcimento  de  fls.  4/5,  não  utilizado  na  referida  declaração  de  compensação,  remunerado  pela  SELIC  desde 4 de setembro de 2001 até a data de seu efetivo pagamento à recorrente.    (assinado digitalmente)  Marcos Tranchesi Ortiz                                Fl. 393DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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5326873 #
Numero do processo: 19515.721142/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plinio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorin Vivan.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T2  Fl. 2          1 1  S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.721142/2011­01  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1202­000.217  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  8 de outubro de 2013  Assunto  Adição ao lucro real  Recorrente  RADIO E TELEVISÃO BANDEIRANTES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento do recurso em diligência.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício  (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner ­ Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo,  Viviane  Vidal  Wagner,  Plinio  Rodrigues  Lima,  Nereida  de  Miranda  Finamore  Horta, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorin Vivan.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 14 2/ 20 11 -0 1 Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 3          2 Trata­se de  recurso voluntário do  contribuinte  em  face de decisão de primeira  instância que julgou improcedente a sua impugnação. Por economia processual e com a vênia  do colegiado, adota­se o relatório da decisão recorrida, que ora se reproduz:  Trata­se de impugnação ao auto de infração de IRPJ lavrado contra o  contribuinte acima identificado em razão da suposta redução indevida  do lucro real pela compensação do horário da propaganda partidária  e  eleitoral  gratuita  prevista  em  legislação,  tendo  sido  a  exclusão  na  base de cálculo do IRPJ superior à permitida.  O auto de  infração monta a R$ 26.064.930,75, aí  incluídos principal,  juros de mora calculados até a data da autuação e multa de ofício de  75%. O enquadramento legal encontra­se arrolado no respectivo auto  de infração.  Em fls. 2157 a 2174, encontra­se o Termo de Verificação, com o relato  dos  procedimentos  executados  pela  fiscalização  que  culminou  com  a  presente autuação, de qual se extraiu o seguinte excerto:  Ao  analisar  as  planilhas  de  apuração  (fls.  97/101)  e  os  extratos  de  valoração apresentadas (fls. 137/1532) verificou­se que o contribuinte  (I) utilizou para o cálculo da compensação preços de tabela, diferentes  daquelas  praticadas  na  comercialização  efetiva  do  espaço  para  veiculação  de  publicidade  normal  e  (II)  compensou  integralmente  o  montante apurado, sem observar o percentual de 0,8 (oito décimos).  Conforme  vimos,  as  normas  citadas  determinam  que  a  valoração  do  tempo da propaganda partidária ou eleitoral para compensação fiscal  deve  sempre  tomar  por  base  o  valor  do  espaço  efetivamente  comercializado  (Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  n°  2  de  6  de  março de 2006), sendo ainda passível de exclusão apenas o percentual  de 0,8 (oito décimos) desse valor (Decreto n° 5.331/2005).  Os  cálculos do  contribuinte  foram  feitos pelos valores  constantes das  suas  tabelas  de  preços  de  janeiro,  março  e  outubro  (televisão),  de  janeiro e outubro/2006 (rádio Bandeirantes AM), de janeiro a junho e  de julho a novembro/2006 (rádio Band FM).  No  entanto,  essas  tabelas  por  deixar  de  refletir  o  preço  efetivamente  comercializado,  considerando  que  era  prática  usual  a  concessão  de  descontos  comerciais  sobre  os  preços  de  tabela  nas  negociações  diretas com seus clientes, acabaram por superdimensionar o montante  da compensação fiscal.  Os descontos eram aplicados em porcentuais variáveis de acordo com  a  conveniência  e  interesse  comercial  entre  as  partes  e  de  cada  operação, conforme se extrai das Notas de Negociação e (PI) Pedidos  de Inserção a seguir exemplificados (fls. 1625/1691):  Veiculo  N° Neqociacäo  Classificação  Cliente  Desconto %  Tabela  Band TV  235.490  Merchandising  Banco Bradesco Bradesco  10,00  Out/2006  Band TV  214.708  Patrocínios  Companhia Brasileira de Alumínio  14,53  Jan/2006  Band TV  217.758  Patrocínios  AGECOM ­ VT4 Comunicações Prod.  20,00  Mar/2006  Band TV  229.802  Veiculação Paga  Ford Motor Company Ltda  35,00  Mar/2006  Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 4          3 Band TV  229.091  Horário Vendido  Hipercard Banco Múltiplo SA  39,96  Mar/2006  Band TV  218.194  Merchandising  Brastemp/Cônsul Whirlpool SA  40,00  Mar/2006  Band TV  230.808  Merchandising  Brastemp/Cônsul Whirlpool SA  42,56  Mar/2006  Band TV  230.379    Conselho Federal de Medicina  20,00  Out/2006  Band TV  229.803    Ford Motor Company Ltda  35,00  Mar/2006  Band AM  235.523  Veiculação Paga  Nossa Caixa  10,00  Jan/2006  Band AM  220.411  Veiculação Paga  Vale do Rio Doce SA  30,00  Jan/2006  Band AM  217.329  Veiculação Paga  Casa Civil SP  25,00  Jan/2006  Band AM  227.066  Veiculação Paga  Nossa Caixa  10,00  Jan/2006  Band AM  PI SP2006.3228.21  Veiculação Paga  Serv Apoio as Micro e Peq. Empresas  20,00    Band FM  219.801  Veiculação Paga  TIM Celular SA  24,21  Nov/2005  Band FM  219.348  Veiculação Paga  Gol Transportes Aéreos / /  24,93  Nov/2005  Band FM  220.893  Veiculação Paga  TAM Linhas Aéreas  30,00  Abr/2006  Band FM  213.481  Veiculação Paga  Senac ­ SP  30,00  Nov/2005  Band FM  213.929  Veiculação Paga  CLARO  35,00  Nov/2005  Band FM  216.863  Patrocínios  AMBEV  5,96  Nov/2005  Band FM  220.988  Patrocínios  Boehringer 77  21,09  Abr/2006  Band FM  PI 010189    PMSP ­ Comunicação  20,00    Sendo  uma  forma  de  ressarcimento  dos  valores  que  deixaram  de  ser  auferidos  em  razão  da  cedência  do  seu  horário  para  transmissão  obrigatória  da  propaganda  partidária  ou  eleitoral,  o  seu  cálculo  deveria  ter­se  pautado naquilo  que  concretamente  foi  suportado  pela  emissora,  na  forma determinada pelo Ato Declaratório  Interpretativo  SRF n° 2 de 6 de março de 2006 Assim sendo, para manter o equilíbrio  e  a  equivalência  entre  a  receita  gerada  e  aquela  que  deixou  de  ser  gerada  em  virtude  da  cessão  do  tempo  à  justiça  eleitoral,  ambas  deveriam  estar  valoradas  por  idênticos  parâmetros,  ou  seja,  pelos  preços  efetivos,  contemplando,  inclusive,  os  descontos  comerciais  praticados, sob pena de se obter resultados distorcidos como no caso  em tela.  Através dos Termos de Intimação cientificados em 27082010 (fl. 1693)  e em 27092010 (fl. 1696) foi solicitado ao contribuinte para:  "1­Informar  e  justificar, mediante declaração datada  e  assinada pelo  representante  legal,  se  os  preços  das  inserções  comerciais  e  de  veiculação  de  publicidade  que  o  contribuinte  efetivamente  praticou  para faturamento em 2006 (líquido dos eventuais descontos comerciais  concedidos) são os mesmos utilizados para o cálculo da compensação  e  ressarcimento  da  propaganda  partidária  e  eleitoral  obrigatório  (parágrafo 4o e 5o do artigo 1o Decreto n° 5.331/2005);  2­Para  os  fins  do  disposto  no  artigo  único  do  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  n°  2  de  6  de  março  de  2006,  informar  mediante  declaração  datada  e  assinada  pelo  representante  legal,  os  valores  efetivamente  praticados  no  ano­calendário  de  2006,  relativamente  ao  faturamento  de  publicidade  e  comerciais  inseridas  e  veiculadas  em  cada um dos horários da grade de programação da TV, das rádios AM  e  FM;  3  –  Colocar  a  disposição  para  exame  documentação  hábil  e  idônea  comprobatórios  dos  valores  efetivamente  praticados,mencionados no item anterior.  Todavia essas informações e os elementos comprobatórios dos valores  efetivamente  praticados,  imprescindíveis  ao  cálculo  e  á  apuração  da  compensação  fiscal  nos  termos  dos  dispositivos  do  Decreto  nº  5.331/2005 e ADE SRF nº 2/2006 não foram apresentados, ainda que  reiterado  o  pedido  através  do  Termo  de  Intimação  cientificado  em  08022001 (fl. 2118).  Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 5          4 Neste  sentido,  considerando  que  o  montante  de  R$  186.206.066,28  pleiteado  pelo  contribuinte  não  deve  prosperar,  pois,  além  de  apresentar­se  incompatível  e  em  montante  notoriamente  desproporcional  às  receitas  do  período,  sua  apuração  contraria  de  forma flagrante os requisitos da  lei e, considerando que os elementos  necessários  à  sua  apuração  nos  termos  dos  citados  dispositivos  não  foram apresentados, o cálculo da compensação fiscal devida passou a  ser  feita  de  ofício  e  de  forma  indireta  com  base  nos  elementos  e  informações disponibilizados.  A apuração de ofício  foi  feita basicamente de  forma proporcional ao  tempo total estimado de publicidade comercial veiculado na rádio AM,  FM  e  na  Televisão  e  o  valor  bruto  por  elas  efetivamente  geradas  (receita bruta do período).  Para  a  apuração  do  tempo  total  estimado  de  publicidade  comercial  veiculado, em primeiro lugar foi considerado como período útil apenas  os  horários  dos  quatro  blocos  de  audiência  definido  no  inciso  III  do  artigo 51 da Lei n° 9.504/97, ou seja, das oito horas às vinte e quatro  horas,  desprezando­se  o  período  compreendido  entre  as  00h00  às  08h00.  Importante  aqui  ressaltar  que,  para  subsidiar  a  auditoria  e  os  trabalhos dessa apuração, através do Termo de Intimação cientificado  em 08022011 (fl. 2118), havia sido solicitado ao contribuinte para que  informasse  a  relação  percentual  efetiva  do  tempo  de  propaganda  e  publicidade comercial e da programação normal da emissora de TV e  rádios  AM  e  FM,  em  relação  a  cada  um  dos  meses  de  Janeiro  à  Outubro  de  2006,  bem  como  a  indicação,  em  segundos,  do  tempo  efetivo utilizado em propaganda e publicidade comercial em cada um  dos blocos de audiência previsto no  inciso  III do artigo 51 da Lei n°  9.504/97.  Essas  informações  não  foram  apresentadas,  o  contribuinte  sequer  se  manifestou sobre a intimação.  Neste  sentido,  foi  considerado  como  tempo  de  veiculação  de  publicidade comercial o equivalente a vinte cinco por cento do tempo  útil  disponível  para  a  programação  normal  da  emissora,  seguindo  o  mesmo porcentual de tempo aplicado pelo contribuinte para o cálculo  da  compensação  fiscal  das  transmissões  em  bloco  da  propaganda  eleitoral (planilha as fls. 97/98 e 2149/2150) e o limite estipulado pelo  parágrafo  3o  do Decreto  n°  5.331/2005  e  pelo  artigo  124  da  Lei  n°  4.117  de  27  de  agosto  de  1962  que  instituiu  o  Código  Brasileiro  de  Telecomunicações.  O  demonstrativo  de  cálculo  do  tempo  estimado  utilizado  para  veiculação  de  publicidade  comercial  efetuado  pela  fiscalização  encontra­se  no  Anexo  II  denominado  “Tempo  Estimado  Utiizado  em  Publicidade Comercial”.  A  partir  desses  dados  –  relação  tempo  estimado  utilizado  em  publicidade comercial e a receita bruta por ela gerada ( receita bruta  do  período)  –  foi  apurado  a  receita  ou  o  preço  equivalente  a  cada  segundo  de  publicidade  comercial,  para  com  base  nela  apurar  Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 6          5 proporcionalmente  o  montante  da  compensação  fiscal  do  tempo  da  propaganda partidária e eleitoral.  Importante aqui observar que o total da receita bruta aqui considerada  foi  de  RS  411.032.238,58,  discriminada  no  quadro  a  seguir,  apresentado pelo contribuinte (fls. 1704/1706), o qual corresponde ao  montante  efetivo  da  receita  com  publicidade,  desprezando­se  aquela  constante  da  sua  escrituração  contábil,  considerando  que,  por  conveniência contábil e administrativa, os valores do desconto padrão  de  agência  que  compõe  a  receita  bruta  deixaram  de  ser  registrados  pelo contribuinte.  Em Reais (R$)  Mês  Band TV  Band AM  Band FM  TOTAL  JAN  24.837.955,10  3.420.013,43  2.381.331,53  30.639.300,05  FEV  28.240.041,19  3.485.918,47  1.747.391,14  33.473.350,80  MAR  27.981.793,79  2.922.392,04  1.258.401,22  32.162.587,05  ABR  31.791.625,48  3.211.178,41   2.050.415,44  37.053.219,33  MAIO  32.730.493,67  4.734.334,88  1.523.054,31  38.987.882,85  JUN  31.853.940,57  4.524.608,20  1.601.127,51  37.979.676,28  JUL  25.875.328,03  4.055.591,98  1.732.765,31  31.663.685,32  AGO  26.340.399,08  3.986.421,49  1.323.812,29  31.650.632,86  SET  26.383.943,21  4.036.464,89  1.368.804,17  31.789.212,28  OUT  24.790.206,57  4.291.165,00  1.427.869,12  30.509.240,68  NOV  27.827.868,42  4.181.504,32  1.440.051,66  33.449.424,40  DEZ  35.004.983,31  4.916.801,58  1.752.241,81  41.674.026,70  TOTAL  343.658.578,39  47.766.394,67  19.607.265,52  411.032.238,58  O demonstrativo de cálculo da receita ou preço médio de cada segundo  de publicidade comercial e da apuração do montante da compensação  fiscal  encontra­se  no  /Anexo  ///  denominado  "Apuração  da  Compensação Fiscaf. No anexo "Gráfico 02 Receita de Publicidade e  Compensação  Fiscal  de  Ofício"  encontra­se  demonstrada  a  receita  bruta de publicidade e a compensação fiscal apurada de ofício.  Conforme  acima  arrazoado,  considerando  que  o  montante  da  compensação fiscal apurada pelo contribuinte (R$ 186.206.066,28) em  desacordo com Decreto n° 5.331/2005 e ADE SRF n° 2/2006 não pode  prosperar e considerando a ausência dos elementos necessários a sua  apuração  nos  termos  da  referida  legislação,  será  levado  a  efeito  o  montante ora apurado de ofício com base nos elementos e informações  disponíveis.  No  quadro  a  seguir  encontra­se  demonstrado  resumidamente  o  montante  da  compensação  fiscal  apurado  de  ofício,  o  montante  apurado  e  declarado pelo  contribuinte  e  do  excesso de  compensação  apurado, o qual deverá ser objeto de ajuste.  DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO FISCAL EXCEDENTE    TELEVISÃO  RADIO AM  RÁDIO FM  TOTAL  Apurado pelo Contribuinte  155.218.468,93  23.677.382,50  7.310.214,85  186.206.066,28  Apurado pela Fiscalização  15.623.484,12  2.158.542,72  720.711,00  18.502.737,84  Excesso Apurado  139.594.984,81  21.518.839,78  6.589.503,85  167.703.328,44  No quadro a seguir encontra­se demonstrado o  lucro real do período  devidamente ajustado de ofício, sobre o qual deverá incidir o imposto  de renda da pessoa jurídica e adicional, com os acréscimos legais.  Em Reais (R$)  Prejuízo Fiscal apurado pelo contribuinte  (100.547.439,38)  Excesso de Compensação Fiscal (Propaganda Partidária e Eleitoral)  167.703.328,44  Lucro Real Apurado de Ofício (Antes da Compensação de Prej. Fiscais)  67.155.889,06  Compensação de Prejuízos Fiscais de Períodos Anteriores (30 %)  (20.146.766,72)  Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 7          6 Lucro Real Apurado de Ofício (Após a Compensação de Prej. Fiscais)  47.009.122,34  Cientificado,  em  09/09/2011,  no  próprio  auto  de  infração,  o  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  2254/2289,  em  11/10/2011, com as alegações abaixo sintetizadas.  Preliminares  a  nulidade  do  procedimento  fiscalizatório  e  do  lançamento dele decorrente, em razão do direito à razoável duração do  procedimento e em face da ineficiência administrativa.  a  ausência  de  fundamentação  legal  que  justificasse  a  aplicação  da  aferição  indireta  para  apuração  do  crédito  tributário  ensejando  a  nulidade do auto de infração.  Mérito  ­  divergências  na  apuração  do  crédito,  em  razão  da  errônea  aferição indireta.  ­ incorreta apuração da receita bruta auferida e do desconto padrão de  agência.  ­  a  incorreta  utilização  da  receita  bruta  para  efeito  de  apuração  do  crédito compensável.  ­  a  incorreta  presunção  do  tempo  disponível  para  cálculo  do  ressarcimento fiscal da propaganda política partidária e eleitoral.  Protestou  por  fim,  pela  produção  de  todas  as  provas  em  direito  admitidas, tal como a realizaçaõ de perícia contábil indicando perito e  os seguintes quesitos:  Esclareça o Sr. Perito:  1.  Qual  o  valor  do  ressarcimento  decorrente  da  veiculação  de  propaganda  política,  partidária  e  eleitoral,  de  acordo  com  a  secundagem da  grade  da  programação apresentada pela  Impugnante  no presente recurso (docs. 11 e 12), confrontando com o valor cobrado  no Auto de Infração.  2.  Se  a  Impugnante  calculou  o  preço  do  tempo  de  acordo  com  as  tabelas de fls. na apuração do valor do ressarcimento, apontando qual  a diferença entre o cosiderado no Auto de Infração.  3. Outros esclarecimentos que se façam necessários.  É o Relatório A decisão de primeira instância considerou o lançamento  improcedente, nos termos da seguinte ementa:  PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  CONCLUSÃO  DE  AÇÃO  FISCAL.  PRAZO.  POSSIBILIDADE  DE  PRORROGAÇÃO.  ENQUADRAMENTO LEGAL.  O prazo máximo para  conclusão  de  ação  fiscal  pode  ser  prorrogado  sucessivamente, sendo infundado o pedido de nulidade do lançamento  com  base  na  duração  do  período  da  ação  fiscal,  principalmente  em  razão  de  durante  o  período  não  haver  sido  prejudicado  o  direito  de  defesa do autuado.  Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 8          7 Eventuais imprecisões no enquadramento legal não implicam nulidade  do procedimento, quando demonstrado que o contribuinte teve perfeito  entendimento da acusação fiscal.  PEDIDO DE PERÍCIA  Apesar  de  ser  facultado  ao  sujeito  passivo  o  direito de  solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à  autoridade  julgadora  decidir  sobre  sua  efetivação,  podendo  ser  indeferidas  as  que  considerar  impraticáveis,  desde  que  devidamente  fundamentado.  DOCUMENTOS.  OBRIGATORIEDADE  DE  APRESENTAÇÃO.  O  contribuinte  é  obrigado  a  manter  e  apresentar  os  documentos  e  informações relativos a atos ou operações que modifiquem ou venham  a modificar sua situação patrimonial.  PROPAGANDA  PARTIDÁRIA  OU  ELEITORAL  GRATUITA  VEICULADA PELAS EMPRESAS DE RADIODIFUSÃO. BENEFÍCIO  FISCAL.  EXCLUSÃO  DO  LUCRO  REAL.  CÁLCULO  O  valor  da  exclusão  do  lucro  real  do  benefício  fiscal  concedido  às  empresas  de  radiodifusão,  a  título  de  propaganda partidária  ou  eleitoral  gratuita,  deve  ser  calculado,  em  função  do  preço  efetivo  praticado,  livre  de  descontos  e  abonos  e  do  tempo  observando­se  os  limites  máximos  destinado à propaganda eleitoral  e partidária  consoante previsto nas  normas regulamentares.  Inconformado, o contribuinte,  cientificado em 19/03/2012  (fl.2751) apresentou  recurso  voluntário  ao  CARF  em  18/04/2012  (fl.2752­2800)  em  que,  basicamente,  repisa  as  razões da impugnação, alegando, em síntese, preliminarmente:  ­ nulidade por cerceamento do direito de defesa, pelo  indeferimento do pedido  de perícia, considerando que o momento de produção de provas é na fase instrutória e antes da  tomada de decisões. Questiona a suposta discricionariedade na análise do cabimento da prova,  pois a autoridade tem o dever de ofício de buscar a verdade real dos fatos. Aduz que o acórdão  recorrido não justifica a desnecessidade da produção das provas requeridas, negando o pedido  “por estar a matéria fática devidamente comprovada pela documentação acostada aos autos”  e  que,  por  demonstrar  claramente  as  divergências  de  critérios  da  recorrente  e  da  autoridade  fiscal  na  apuração  do  crédito  tributário,  o  que  torna  evidente  a  necessidade  de  realização  de  perícia;  ­  nulidade  do  procedimento  fiscal  e  do  lançamento  por  afronta  ao  direito  à  razoável  duração  do  procedimento,  apontando  ineficiência  administrativa  em  função  das  diversas prorrogações do MPF, já que a autoridade fiscal “demorou anos para realizar, ao final,  a  aferição  indireta  do  crédito,  ignorando  todos  os  documentos  e  informações  que  lhe  foram  fornecidas”.  ­  nulidade  do  auto  de  infração  por  ausência  de  fundamentação  legal  que  justifique a aplicação da aferição indireta para apuração do crédito tributário no caso concreto,  considerando  a  disponibilidade  da  documentação  e  elementos  para  comprovar  os  cálculos  efetuados,  ao  contrário  do  que  afirmou,  contraditoriamente,  a  autoridade  fiscal.  Cita  que  os  documentos às fls.53­1703 comprovam o alegado cálculo.  No mérito,  aponta  divergências  na  apuração  do  crédito,  em  razão  da  aferição  indireta  errônea,  que  alega  não  terem  sido  apreciadas  na  decisão  recorrida.  Alega  que  a  Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 9          8 legislação  aplicável,  em  especial  o  art.  1º  do Decreto  nº  5331/05,  não  previu  o  faturamento  como  forma  de  apuração  do  benefício,  nem  tampouco,  ainda  que  de  forma  presumida,  qual  seria o tempo total disponível a ser utilizado pelos veículos de comunicação para montar sua  programação e apurar o preço de publicidade.  Aponta a incorreta utilização da receita bruta para efeito de apuração do crédito  compensável, especialmente porque tal medida afronta diretamente a legislação que estabelece  a tabela pública da emissora como referência para o cálculo do benefício. Informa que às fls.  1625 a 1691 encontram­se  inúmeros cadastros de negociação e notas  fiscais que demonstram  que os preços praticados são os constantes da tabela informada, ajustados de acordo com o tipo  de contrato firmado.   Aduz a  incorreta apuração da receita bruta auferida, pela  inclusão  indevida do  denominado “desconto padrão de agência”, que não foi por ela auferido, conforme previsto nos  itens 1.12 e 2.4 das Normas Padrão da Atividade Publicitária.  Sustenta  que  os  preços  de  tabela  representam,  de  fato,  o  custo  do  tempo  disponível  de  veiculação  que  a  empresa  cedeu  para  a  divulgação  de  propaganda  gratuita,  servindo como parâmetro para o cálculo do ressarcimento, conforme planilha de fls. 97/98.  Alega que o método de apuração utilizado pelo fiscal considera apenas o valor  da  receita  bruta  da  Recorrente,  a  quantidade  de  segundos  supostamente  disponíveis  em  sua  programação e a divisão de um por outro. Segundo ela, “esse critério desconsidera não só o  preço  real  praticado  pela  Recorrente  em  sua  tabela  de  preços  como  também  as  variações  desse  preço  (constantes  nas  tabelas)  havidas  em  razão  das  valorações  que  cada  bloco  de  horários possui (ex. horário nobre, de maior audiência, secundagem mais cara)”.  Cita que do art. 1º, §1º do Decreto nº 5.331, de 2005, se depreende que “preço  do espaço comercializável é o preço comprovadamente vigente nas datas em que ocorreram as  propagandas eleitoral e partidária, comprovados pela Tabela de Preços da emissora, com data,  prazo de validade nos períodos anteriores e posteriores aos da propaganda eleitoral e partidária,  ao passo que o preço a ser utilizado para cálculo do ressarcimento fiscal deve ser o equivalente  a  8/10  (oito  décimos)  do  constante  da  Tabela  de  Preços”.  Alga  que  esta  responde  à  tabela  obrigatória  referida  no  art.14  do  Decreto  nº  57.960/66,  que  regulamenta  o  exercício  da  profissão de Publicitário e de Agenciador de Propagandas, a qual serve como parâmetro para  comprovação de preço do espaço comercializável praticado pelos veículos de divulgação (rádio  e televisão), que não podem praticar preço diverso do oferecido pela agência de propaganda, de  acordo com a Lei nº 4.680/65. Aduz que as tabelas estão às fls.1533­1625.  Alega que a incorreta presunção fiscal sobre o tempo disponível para cálculo do  ressarcimento  fiscal da propaganda política partidária e eleitoral, de 25% do  total dos quatro  blocos  de  programação  (16  horas),  enquanto  a  recorrente  utilizou  o  método  do  tempo  efetivamente disponível de propaganda para aferição do crédito, acabou por aumentar o tempo  disponível na programação e, consequentemente, diminuir o valor do ressarcimento.  É o relatório.  Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 10          9   Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora   O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido.  O  caso  em  exame  trata  da  discussão  sobre  o  benefício  fiscal  destinado  às  empresas  de  radiodifusão  pela  perda  que  tiveram  com  a  cessão  gratuita  do  horário  para  a  propaganda eleitoral e partidária.  A autuação se deu sob o fundamento de que a recorrente se utilizou do benefício  da  compensação  fiscal  pela  cessão  do  horário  para  propaganda  partidária  eleitoral  gratuita,  concedido  pelo  art.  99  da  Lei  nº  9.504/98  e  pela  Lei  nº  9.096/95,  adotando  indevidamente  cálculo diverso do previsto pelo Decreto nº 5.331, de 2005, que regula a matéria, o que teria  resultado em redução da base de cálculo do IRPJ superior à permitida.  A recorrente alega, preliminarmente, que o indeferimento do pedido de perícia  cerceou seu direito de defesa, aduzindo que:  A produção de prova pericial destina­se exatamente à suprir as falhas  cometidas pela fiscalização na aferição indireta do crédito tributário e  tem  por  objetivo  corroborar  a  legitimidade  do  crédito  apurado  pela  Recorrente nos termos da legislação específica, não havendo qualquer  razão plausível que justifique o indeferimento de sua realização.  É cediço que a realização de perícia ou diligência é providência determinada em  função  do  juízo  formulado  pela  autoridade  julgadora  e,  caso  a  decisão  esteja  bem  fundamentada, encontra amparo no Decreto nº 70.235/72,  inexistindo o alegado cerceamento  da defesa. Nesse sentido aponta a jurisprudência pacificada no CARF, a teor dos acórdãos 104­ 22.944, de 22/01/2008; 101­96.750, de 29/05/2008; 1101­00.040, de 12/05/2009; 1803­00.484,  de 08/07/2010; 1302­00.696, de 04/08/2011.   Em tese, caso seja necessário, o colegiado de segunda instância pode determinar  a  realização  de  diligência  para  que  sejam  esclarecidos  fatos  e  informações  que  considere  imprescindíveis para a formação da convicção do julgador.   No caso concreto, descabe a declaração de nulidade da decisão recorrida, a qual  não se encontra viciada por estar devidamente fundamentada. Todavia, a análise completa do  mérito,  para  fins  de  julgamento  em  grau  recursal,  depende  de  esclarecimentos  a  respeito  da  apuração da infração.  Como  se  extrai  da  linha  34  da  Ficha  9­A  da DIPJ/2007,  ano­calendário  2006  (fl.2361),  a  recorrente  excluiu  da  apuração  do  lucro  real  a  quantia  de R$  189.206.066,28,  a  título  de  crédito  fiscal  relativo  à  “divulgação  eleitoral  gratuita”,  apurando  prejuízo  fiscal  no  montante de R$ 100.47.439,38.   A autoridade fiscal constatou um excesso na compensação fiscal no montante de  R$ 167.703.328,38, o que  ensejou  a  apuração de um  lucro  real  do  exercício no valor de R$  47.009.122,34  e  IRPJ  devido  no  valor  de  R$  26.064.930,75,  já  que  o  valor  permitido  para  exclusão do lucro líquido seria de apenas R$ 18.502.737,90.   Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 11          10 Consoante  o Termo  de Constatação  Fiscal  (fls.2157  e  ss.),  a  autoridade  fiscal  realizou o cálculo da compensação fiscal de ofício e de forma indireta, por considerar que:  a)  o  contribuinte  utilizou  para  o  cálculo  da  compensação,  preços  de  tabela  diferentes daqueles praticados na comercialização efetiva do espaço para veiculação normal;  b) o contribuinte compensou integralmente o montante apurado, sem observar o  percentual de 0,8 (oito décimos);  c)  o  contribuinte  não  forneceu  os  documentos  necessários  para  a  aferição  do  crédito.   A recorrente, por sua vez, defende que a base inicial para qualquer cálculo que  se  faça  é  o  da  tabela  de  preços  vigente  à  época  das  inserções  da  propaganda  eleitoral  ou  partidárias gratuitas.  Como  bem  destacado  pela  decisão  recorrida,  o  litígio  centra­se  em  dois  aspectos, conflitantes na visão do Fisco e da ora recorrente:  I­ o valor do preço do espaço e a forma de cálculo do montante do benefício que  a legislação permite seja utilizado pelas emissoras de radiodifusão como excludente da base de  cálculo do lucro real, em vista da cessão gratuita de horários em suas grades de programação  para veiculação das propagandas eleitoral e partidárias, determinadas pela Justiça Eleitoral; e   II­ o modo de contagem do tempo cedido pela emissora para a referida inserção  compulsória e que seria utilizado em publicidade comercial.  O  direito  à  compensação  fiscal  previsto  no  art.  99  da Lei  nº  9.504/97,  por  se  tratar de benefício fiscal, deve ser aplicada de forma restritiva, nos termos do art. 116 do CTN.  O referido dispositivo prevê o “direito à compensação fiscal”, permitindo que as emissoras de  radio  e  TV,  cedentes  de  forma  obrigatória,  de  seus  horários  comerciais  para  veiculação  de  propaganda partidária e eleitoral gratuitas, fossem ressarcidas pela compulsória cessão de seu  espaço publicitário, de onde surge a maior parte de suas receitas.  Considerando  que  a  legislação  eleitoral  prevê  dois  tipos  de  veiculação  de  propaganda  eleitoral:  em  bloco  e  em  inserções,  a  legislação  fiscal  as  distingue.  Para  as  transmissões  em  bloco  em  rede  nacional  ou  estadual,  a  legislação  fiscal  considera  como  compensável apenas 25% do  tempo das  transmissões, e para as  inserções  isoladas de até um  minuto, considera compensável o tempo na integralidade.  Regulamentando  o  direito  à  compensação  fiscal,  pela  cedência  do  horário,  o  Decreto nº 5.331, de 04 de janeiro de 2005, assim dispõe:  Art.1o  As  emissoras  de  rádio  e  televisão  obrigadas  à  divulgação  gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderão, na apuração  do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), excluir do lucro  líquido,  para  efeito  de  determinação  do  lucro  real,  valor  correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço  do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado  pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no  período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita.  Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 12          11  §1o O preço do espaço comercializável  é o preço de propaganda da  emissora,  comprovadamente  vigente  no  dia  anterior à  data  de  início  da  propaganda  partidária  ou  eleitoral,  o  qual  deverá  guardar  proporcionalidade  com  os  praticados  trinta  dias  antes  e  trinta  dias  depois dessa data. (destacou­se)  Veja­se que pode ser excluído na apuração do lucro real o valor correspondente  a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo  que  seria  efetivamente  utilizado  pela  emissora  em  programação  destinada  à  publicidade  comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita.  Como se trata de benefício fiscal, a interpretação deve ser restritiva, nos termos  do art.111 do CTN. A interpretação que se exige, inicialmente, pois, é o que se pode entender  como preço efetivamente praticado.   Na  sequência,  o  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  nº  2,  de  6  de março  de  2006, veio dispor sobre o critério de cálculo da compensação fiscal pela divulgação gratuita da  propaganda partidária ou eleitoral, nos seguintes termos:  O  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL,  no  uso  da  atribuição  que  lhe  confere  o  inciso  III  do  art.  230  do  Regimento  Interno  da  Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº30, de 25  de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto no Decreto nº5.331,  de  4  de  janeiro  de  2005,  e  o  que  consta  do  processo  nº  10168.000559/2006­84, declara:  Artigo único. A compensação fiscal de que trata o art. 1º do Decreto nº  5.331, de 2005, corresponde a oito décimos do somatório dos valores  efetivamente  praticados  na  mesma  grade  horária  exibida  no  dia  anterior  à  data  de  início  de  divulgação  gratuita  da  propaganda  partidária ou eleitoral.  § 1º Para efeito do caput, considera­se valor efetivamente praticado o  resultado  da  multiplicação  do  preço  do  espaço  comercializado  pelo  tempo de exibição da publicidade contratada.  § 2º Na hipótese de o tempo destinado à divulgação gratuita abranger  apenas parte de um espaço comercializado do dia anterior ao de início  da  divulgação,  o  valor  efetivamente  praticado  deverá  ser  apurado  proporcionalmente ao tempo abrangido.  §  3º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  também  em  relação  aos  comunicados, às instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral,  relativos aos programas partidários ou eleitorais. (destacou­se)  A  autoridade  fiscal  exige  que  o montante  a  ser  considerado  não  é  aquele  que  “poderia”  ser  obtido,  mas  o  “efetivamente  obtido”,  na  comparação  média  em  determinado  período de tempo (mês vigente, ou dia anterior à data do início da propaganda gratuita na TV,  observada a relação com os trinta dias antecedentes e posteriores).   A  recorrente  questiona  o método  de  apuração  indireta  utilizado  pelo  fiscal,  o  qual,  segundo  ela,  teria  considerado  apenas  o  valor  de  sua  receita  bruta,  a  quantidade  de  segundos supostamente disponíveis em sua programação e a divisão de um por outro.  Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 13          12 Para o sujeito passivo, a comprovação do “preço efetivamente praticado” é a sua  tabela  de  preços  vigente  à  época,  na  forma  do  art.  14  do  Decreto  nº  57.690/66,  que  regulamentou a profissão de Publicitário, criada pela Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, o  qual dispôs:  Art  14.  O  preço  dos  serviços  prestados  pelo  Veículo  de  Divulgação  será  por  êste  fixado  em  Tabela  pública,  aplicável  a  todos  os  compradores,  em  igualdade  de  condições,  incumbindo  ao  Veículo  respeitá­la e fazer com que seja respeitada por seus Representantes.  Sabe­se que “a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não  prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar sua situação patrimonial” (art. 264 do RIR/99). Nesse sentido, compete a ela provar,  com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis e fiscais, inclusive os documentos  extra­contábeis que lhes dêem suporte.   A  autoridade  fiscal  desconsiderou  as  tabelas  apresentadas  pela  recorrente  no  cálculo da compensação fiscal por não estarem de acordo com o ADI nº 2, de 2006, o que foi  chancelado pela decisão recorrida, cuja fundamentação aqui se adota:  Os cálculos do  contribuinte  foram  feitos pelos valores  constantes das  suas  tabelas  de  preços  de  janeiro,  março  e  outubro  (televisão),  de  janeiro e outubro/2006 (rádio Bandeirantes AM), de janeiro a junho e  de julho a novembro/2006 (rádio Band FM).  No  entanto,  essas  tabelas  por  deixar  de  refletir  o  preço  efetivamente  comercializado,  considerando  que  era  prática  usual  a  concessão  de  descontos  comerciais  sobre  os  preços  de  tabela  nas  negociações  diretas com seus clientes, acabaram por superdimensionar o montante  da compensação fiscal.  Os descontos eram aplicados em porcentuais variáveis de acordo com  a  conveniência  e  interesse  comercial  entre  as  partes  e  de  cada  operação conforme se extrai das Notas de Negociação e (PI) Pedido de  Inserção a seguir exemplificados (fls.1625/1691): [...]Muito embora a  legislação  permita  a  adoção  de  tabela  pública  de  preços  praticados  nos  contratos  de  publicidade,  extrai­se,  do  relatório  fiscal,  com  base  nos  documentos  constantes  dos  autos,  que  a  Tabela  de  Preços  funcionava  como  mero  instrumento  indicador  para  venda  da  publicidade, variando os preços efetivos de comercialização de acordo  com  o  porte  do  anunciante,  o  número  de  inserções,  o  horário  da  veiculação,  etc,  visto  que  a  recorrente,  de  fato,  não  praticava  os  valores constantes da tabela apresentada nas suas relações comerciais  durante  o  período  fiscalizado,  mas,  a  cada  contrato,  concedia  descontos que chegavam a mais de 40% (quarenta por cento) do preço  constante da tabela. Disso se conclui o acerto da autoridade fiscal em  desconsiderar  tal  tabela  para  fins  de  apuração  do  montante  a  ser  ressarcido.   Verifica­se  que  foi  apurado,  através  do método  de  aferição  indireta,  um  valor  médio equivalente a cada segundo de publicidade comercial por meio da relação entre o tempo  estimado de publicidade comercial e a receita bruta. O procedimento fiscal adotado foi relatado  no TVF (fl.2163):  Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 14          13 A apuração de ofício  foi  feita basicamente de  forma proporcional ao  tempo total estimado de publicidade comercial veiculado na rádio AM,  FM  e  na  televisão  e  o  valor  bruto  por  elas  efetivamente  geradas  (receita bruta do período).   Para  a  apuração  do  tempo  total  estimado  de  publicidade  comercial  veiculado,  em  primeiro  lugar,  foi  considerado  como  período  útil  apenas nos horários dos quatro blocos d audiência definido no inciso  III do artigo 51 da Lei nº 9.504/97, ou seja, das oito horas às vinte e  quatro horas, desprezando­se o período compreendido entre as 00h00  às 08h00.  A autoridade fiscal esclareceu, ainda, que a recorrente foi intimada a apresentar  a relação percentual efetiva do tempo de propaganda e publicidade comercial e da programação  normal  da  emissora  de  TV  e  rádios  no  período  de  janeiro  a  outubro  de  2006,  bem  como  a  indicação, em segundos, do tempo efetivo utilizado em propaganda e publicidade comercial em  cada  um  dos  blocos  de  audiência,  nos  termos  do  art.  51  da  Lei  nº  9.504/97.  Todavia,  a  intimação não foi atendida.   Diante  disso,  segundo  o  fiscal,  foi  considerado  o  percentual  de  25%  (vinte  e  cinco por cento) do tempo útil disponível para a programação normal da emissora, seguindo o  mesmo percentual de  tempo aplicado pelo contribuinte para o cálculo da compensação fiscal  das  transmissões  em  bloco  da  propaganda  eleitoral  (planilhas  as  fl.97/98  e  2149/2150)  e  o  limite estipulado no §3º do Decreto nº 5.331, de 2005 e pelo artigo 124 da Lei nº 4.117, de 27  de agosto de 1962, que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações.  A  partir  da  relação  “tempo  estimado  utilizado  em  publicidade  comercial”  e  a  “receita  bruta por  ela  gerada”  foi  apurada  a  “receita média”  ou  o  “preço  equivalente  a  cada  segundo de publicidade comercial para apurar proporcionalmente o montante da compensação  fiscal do tempo de propaganda partidária e eleitoral.  A recorrente contesta essa apuração alegando em seu recurso que:  A fiscalização, ignorando totalmente a legislação, arbitrou como tempo  disponível para comercialização pela emissora o equivalente a 25% do  total dos quatro blocos de programação (16 horas por dia), enquanto a  Recorrente utilizou­se do método do tempo efetivamente disponível de  propaganda para aferição do crédito.  De acordo com as presunções da fiscalização, para o mês de janeiro de  2006, por  exemplo,  foi  apurado o  tempo  total  de 1.785.600  segundos  (Anexo II do AIIM), e em atenção ao  limite de 25%, restaram apenas  446.400 segundos de espaço publicitário disponível na televisão.  Contudo, os documentos relativos à grade de programação acostados  aos  autos  comprovam  que  a  Recorrente  somente  possui  disponível  o  total 346.755 segundos, e nesse caso, o tempo, utilizado como uma das  variáveis para formação do preço de referência, reflete diretamente na  valoração  do  ressarcimento  pelo  tempo  de  propaganda  política,  partidária e eleitoral.  Ao  adotar  o  valor  da  receita  bruta  em  contrapartida  do  tempo  disponível  para  a  fixação  do  preço  parâmetro,  verifica­se  que  na  relação  inversa da equação, matematicamente, quanto maior o tempo  Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 15          14 disponível na grade de programação menor o valor de ressarcimento a  que  a  Recorrente  teria  direito,  sendo  esse  o  motivo  pela  redução  de  aproximadamente  80% do  valor  excluído  do  lucro  líquido  a  título  de  ressarcimento.  Não concordando a Recorrente com os valores arbitrados pelo agente  fiscal,  que  considerou  a  receita  bruta  para  fixação  do  preço  de  referência,  a  título  de  exemplo  o  quadro  comparativo  abaixo  demonstra, claramente, que o tempo menor (da grade de programação)  implica  na  diferença  entre  o  auto  de  infração  e  o  crédito  a  que  a  Recorrente apurou:  Mês  Tempo em  segundos  faturamento  arbitrado  Valor parâmetro  para fins de  cálculo do  ressarcimento  Propaganda  veiculada (em  segundos)  Vr. Ressarcimento    jan/06  439.170  24.837.955,10  56,56  7230  408.904,10  Apuração pela Fazenda  (Anexo II, fl.01)  ja n/06  346.755  24.837.955,10  71,63  7230  517.882.70 Apuração pela  Recorrente            (127.535,18)  Diferença  Ressalte­se que a Recorrente apresentou todos os controles, relatórios  e  planilhas  destinados  à  apuração  do  crédito  de  que  se  trata,  que  demonstram  o  tempo  efetivamente  destinado  à  propaganda  política,  partidária e eleitoral, conforme de depreende das fls. 97 a 102.  A  partir  do  exemplo  detalhado,  nota­se  que  a  recorrente  apresenta  defesa  coerente e, aparentemente, consistente com os documentos juntados aos autos.  Quanto ao montante da receita bruta utilizado no cálculo (R$ 411.032.238,58),  esclareceu a autoridade fiscal que corresponde ao montante efetivo da receita com publicidade,  desprezando­se  a  constante  de  sua  escrituração  contábil,  por  considerar  que  os  valores  do  desconto padrão de agência,  que não  estavam  registrados  contabilmente,  deveriam compor  a  receita bruta.   Neste  ponto,  a  recorrente  alega  a  incorreta  apuração  da  receita  bruta  auferida,  pela  inclusão  indevida  do  denominado  “desconto  padrão  de  agência”,  que  não  foi  por  ela  auferido, conforme previsto nos itens 1.12 e 2.4 das Normas Padrão da Atividade Publicitária.   De fato,  tem­se que a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, ao tratar sobre as  normas  gerais  para  licitação  e  contratação  pela  administração  pública  de  serviços  de  publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda, assim dispôs:  Art. 19. Para  fins de interpretação da legislação de regência, valores  correspondentes  ao  desconto­padrão  de  agência  pela  concepção,  execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes  anunciantes,  constituem  receita  da  agência  de  publicidade  e,  em  consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins,  faturar  e  contabilizar  tais  valores  como  receita  própria,  inclusive  quando  o  repasse  do  desconto­padrão  à  agência  de  publicidade  for  efetivado por meio de veículo de divulgação.  Como se vê, a norma deixa claro que os valores correspondentes ao “desconto­ padrão  de  agência”  constituem  receita  da  agência  de  publicidade  e  não  do  veículo  de  divulgação,  que  é  o  caso  da  recorrente.  Tratando­se  de  norma  interpretativa,  aplica­se  retroativamente, a teor do disposto no art. 106, inciso I, do CTN.  Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 16          15 Sustenta  a  recorrente  que,  “por  se  tratar  do  método  de  aferição  indireta,  a  perícia  contábil  se  faz  necessária  para  elucidar  as  incertezas  na  constituição  do  crédito  tributário que não foram esclarecidas pelo Agente Fiscal na análise dos documentos acostados  aos autos e que foram apontadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, inclusive para  preservar o Princípio da Verdade Material a que está adstrita a Administração Pública”.  A recorrente relaciona em seu recurso voluntário os documentos apresentados a  fim de “comprovar à Fiscalização quais foram seus preços de propaganda praticados em 2006  (TV,  Rádios  AM  e  FM)  para  efeitos  de  compensação  fiscal  pela  divulgação  gratuita  da  propaganda partidária ou  eleitoral,  quais  valores  compuseram o  cálculo  do montante  a  ser  compensado, bem assim qual o tempo despendido com essa divulgação”. São eles:   1  ­  Às  fls.  97  e  98  dos  presentes  autos  encontram­se  relatórios  que  demonstram  quais  os  preços  de  propaganda  praticados  pela  TV  e  Rádios AM e FM, dirigidos ao mercado, no ano calendário de 2006.  Por exemplo: A TV cobrou por segundo, em dias úteis e no período da  tarde, R$ 359,50 para divulgação de propagandas comerciais. Já nos  sábados, no mesmo período da tarde, cobrou R$ 591,33.  Os mesmos relatórios registram também qual o tempo ­ em segundos ­  fora efetivamente utilizado pela emissora para divulgação gratuita de  propaganda eleitoral (horário eleitoral gratuito) no ano calendário de  2006 (agosto a outubro), limitado, para ressarcimento fiscal, à apenas  a 25%, conforme determina a legislação em vigor. Por exemplo: A TV  utilizou, em dias úteis, um total de 22.680 segundos para a divulgação  da propaganda partidária e eleitoral gratuitas.  2  ­ Às  fls.  99  a  102  dos autos  encontram­se  relatórios  que  registram  quais  os  preços  de  propaganda  partidária  e  eleitoral  gratuita  foram  praticados  pela  TV  e  Rádios  AM  e  FM  no  ano  calendário  de  2006  (janeiro a outubro). Por exemplo: a TV arcou com R$ 129.196.752,53  a esse título.  3­ Às fls. 1533 a 1624 encontram­se as Tabelas de Preços praticados  na  comercialização  efetiva  do  espaço  para  veiculação  normal  de  publicidade, devidamente pormenorizados, relativas à TV e Rádios AM  e FM.  4­ Às fls. 53 a 95 encontra­se a DIPJ/2007, na qual registrado qual o  montante  do  crédito  fiscal  relativo  à  "divulgação  eleitoral  gratuita"  fora  lançado  (na  linha 34 da Ficha 9­A no grupo das "exclusões" do  lucro líquido;  5­ Às  fls.  103  e  104  encontram­se  os  registros  do LALUR  ­ Livro  de  Apuração do Lucro Real;  6­ Às fls. 1698 a 1703 encontram­se demonstrativos contábeis diversos,  bem como, às fls. 1712 a 2115, relatórios de faturamento;  7­ Às fls. 171 a 1532 encontram­se extratos, ditos "de valoração", e, 8­  Às fls. 1625 a 1691 encontram­se inúmeros cadastros de negociação e  notas fiscais, discriminativos dos preços e dos descontos concedidos a  anunciantes em específico (escolhidos por amostragem), e  também do  desconto aclamado "desconto padrão de agência".  Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/2011­01  Resolução nº  1202­000.217  S1­C2T2  Fl. 17          16 Até aqui,  a única  conclusão possível  é que o  exame da documentação  juntada  aos autos se faz imprescindível para subsidiar o julgamento do recurso voluntário.  Diante  de  todo  o  exposto,  deve  ser  convertido  o  presente  julgamento  em  diligência para que a autoridade fiscal:  I  –  demonstre  a  apuração  do  montante  a  ser  considerado  para  fins  de  compensação fiscal, em consonância com a legislação referida:  1.1­  considerando  a  documentação  que  foi  colacionada  aos  autos,  dentre  as  quais: (i) relatórios dos preços de propaganda praticados pela TV e Rádios AM e FM dirigidos  ao mercado em 2006 (fls. 97/98); (ii) relatórios dos preços de propaganda partidária e eleitoral  gratuita  que  foram  praticados  pela  TV  e  Rádios  AM  e  FM  no  ano­calendário  de  2006  (fls.  99/102);  (iii)  tabelas  de  preços  praticados  na  comercialização  do  espaço  veiculação  de  publicidade detalhadamente relativo à TV e Rádios AM e FM (fls. 1533/1624); (iv) DIPJ/2007  (fls. 53/95); (v) registros no LALUR (fls. 103/104); (vi) cadastros de negociação e notas fiscais  discriminativos dos preços praticados (fls. 1625/1691);  1.2­ excluindo os valores  referentes a “desconto­padrão de agência” da receita  bruta eventualmente utilizada para o cálculo da compensação fiscal;  II ­ elabore um relatório conclusivo;   III ­ intime a recorrente do resultado da diligência, para, querendo, se manifestar  em 30 (trinta) dias;  IV ­ após, devolva os autos ao CARF para prosseguimento no julgamento.  (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner    Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO

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Numero do processo: 18108.001075/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão embargado deixa de analisar tese de defesa levantada em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a omissão patente de conhecimento dos embargos de declaração. PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INCORRÊNCIA. O indeferimento de produção de prova testemunhal não causa cerceamento do direito de defesa, sobretudo quando esta totalmente dispensável ao julgamento da causa. Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitá-los para manter a decisão embargada. Júlio César Vieira Gomes - Presidente. Lourenço Ferreira do Prado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES     2    Relatório  Trata­ se de Embargos de Declaração opostos pela RODOVIÁRIO RAMOS  LTDA em face do acórdão n. 2402001.745, prolatado por esta Eg. Turma e assim ementado:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Data do fato gerador: 12/09/2005   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGAÇÃO  DE  INFORMAR  À  FISCALIZAÇÃO  A  ALIENAÇÃO  DE  BEM  ARROLADO  EM  TAB.  MULTA.  CABIMENTO.  O  contribuinte  que  deixa  de  informar  a  autoridade  fiscal  da  DRJ  de  seu  domicílio  a  transferência,  alienação,  etc,  de  bem  ou  direito  indicado  em  Termo  de  Arrolamento  de  Bens,  está  sujeito  a  aplicação  da  multa  do  art.  32,  III,  da  Lei  8.212/91,  conforme  disposição  do  §1º do art. 626 da Instrução Normativa n. 03/2005.  MULTA.  APLICAÇÃO.  CARACTERIZAÇÃO  DE  DANO  AO  ERÁRIO.DESNECESSIDADE.  A  multa  aplicável  em  razão  do  contribuinte deixar de prestar esclarecimentos à fiscalização não  depende  da  comprovação  de  dano  para  que  possa  vir  a  ser  aplicada, bastando, meramente, que a conduta de não prestar a  informação quando lhe seja requerido ou assim esteja obrigado  esteja devidamente caracterizada.  MULTA  MORATÓRIA.  CONFISCO.  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE DA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTARIA  Não  cabe  ao  CARF  a  análise  de  inconstitucionalidade  da  Legislação Tributária.  RELEVAÇÃO  E  ATENUAÇÃO  DA  MULTA.  ART.  291  DO  DECRETO 3.048/99. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS. Para que  o  contribuinte  possa  usufruir  da  benesse  de  atenuação  ou  relevação  da  multa,  conforme  o  caso,  deve  ser  comprovada  a  presença  cumulativa  dos  requisitos  determinados  pelo  art.  291  do Decreto 3.048/99.  Recurso Voluntário Negado.  Sustenta o embargante haver omissão, na medida em que o acórdão prolatado  pela turma julgadora não se manifestou sobre o pedido constante no recurso interposto acerca  da  patente  ofensa  ao  Principio  da  lrretroatividade,  porquanto  o  valor  mínimo  da  multa  foi  considerado de  acordo  com a Portaria do Ministério da Previdência Social  n° 142, de 11 de  abril de 2007. Porém, a suposta infração teria ocorrido durante o ano de 2005. Logo, o valor da  penalidade  aplicável  deve  ser  aquele  em  vigor  no  momento  da  suposta  infração,  e  não  da  lavratura do Auto de Infração, nos termos expressos do art. 144, do CTN.  Ademais, sustentou que o acórdão também é omisso já que não se manifestou  sobre o pedido do reconhecimento do cerceamento de defesa, pelo indeferimento da realização  da prova testemunhal requerida, essencial ao deslinde da controvérsia.  Prestadas  as  devidas  informações,  fora  admitida  a  inclusão  em  pauta  exclusivamente com relação a questão da não manifestação do acórdão embargado acerca do  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18108.001075/2007­50  Acórdão n.º 2402­003.742  S2­C4T2  Fl. 300          3 pedido de prova testemunhal, indeferido em primeira instância, o que lhe cerceou o direito de  defesa.  Sobre este aspecto, alega que a produção de referida prova se fazia crucial ao  presente  feito,  na  medida  em  que  comprovaria  as  alegações  no  sentido  de  que  não  houve  qualquer  transferência do bem arrolado no TAB lavrado em desfavor da empresa,  já que não  houve qualquer  compra  e venda do bem, de modo a  transferir  a  sua propriedade. Logo, não  haveria que ser aplicada a multa objeto do Auto de Infração.   Por fim, defende que o seu indeferimento ofende princípios constitucionais.  É o que bastava relatar.  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES     4    Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator  A multa  lançada em desfavor da recorrente teve causa no fato da recorrente  ter deixado de informar à autoridade fiscal a transferência de bem arrolado pelo INSS em TAB  – Termo de Arrolamento de Bens, no caso, um caminhão Mercedez Benz.  Depreende­se  dos  autos  que  o  veículo  fora  arrolado  mediante  termo  de  arrolamento  de  bens  datado  de  13/05/2005  e  que  a  transferência  não  informada  deu­se  em  12/09/2005,  ou  seja,  em  data  posterior  ao  seu  arrolamento,  conforme  certificado  de  registro  juntado aos autos.  E sobre o assunto, assim ponderei quando do julgamento do voluntário:  A boa fé do recorrente, portanto, em efetuar a  transferência do  bem  arrolado  por  equívoco  não  tem  o  condão  de  afastar  a  aplicação da multa, como pretende fazer crer a recorrente, pois,  além do  fato de que a legislação não prevê  tal consideração, a  conduta apenada não é a da transferência propriamente dita do  bem,  mas  a  sua  não  comunicação  da  transferência  a  autoridade  competente,  o  que  enseja  a  quebra  do  dever  de  prestar os devidos esclarecimentos à fiscalização tributária. E a  transferência do bem, já que sustenta o recorrente que este não  pode ser novamente revertido ao seu patrimônio em decorrência  de gravame decorrente de ação trabalhista, bem como a sua não  comunicação  à  autoridade  competente,  estão  devidamente  comprovados nos autos.  Ou seja, no caso dos autos, existe documento que comprova a  transferência  da  propriedade  do  veículo  a  terceiro,  e  inexiste  a  comprovação  de  que  tal  transferência  fora  devidamente informada ao INSS.  Dessa forma, entendo que a produção de prova testemunhal que venha tentar  justificar  equívoco  na  transferência,  ainda  mais  em  se  tratando  do  depoimento  do  suposto  adquirente  do  veículo,  é  absolutamente  dispensável  no  presente  caso,  tendo  em  vista  que  a  conduta  apenada  com  a  multa  não  é  a  transferência  da  propriedade,  mas  a  ausência  de  comunicação ao INSS, o que restou cabalmente comprovado nos autos.  Por  fim,  ressalto  que  o  indeferimento  da  produção  de  prova  pelo  juiz  da  causa, não causa o cerceamento de defesa, tendo em vista que é ele o destinatário da prova.  Ante todo o exposto conheço dos Embargos de Declaração para REJEITÁ­ LOS.  É como voto.  Lourenço Ferreira do Prado.    Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18108.001075/2007­50  Acórdão n.º 2402­003.742  S2­C4T2  Fl. 301          5                               Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES

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Numero do processo: 11080.005906/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE EXTENSÃO E PESQUISA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. São isentas do imposto sobre a renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. Na hipótese, as bolsas foram pagas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul (intermediária) com recursos a ela repassados, para esse fim, pelos beneficiários dos serviços, e correspondiam a contraprestação de serviços de (i) ensino, preceptoria, coordenação e consultoria prestados em favor do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, hospital-escola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; e (ii) pesquisa em favor da empresa de medicamentos norte-americana Lilly Research Laboratories. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em rendimentos classificados indevidamente como isentos pelo contribuinte quando induzido por informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73.
Numero da decisão: 2101-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa de ofício lançada, em virtude da aplicação da Súmula CARF nº 73. (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 2          1 1  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.005906/2009­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­002.367  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de janeiro de 2014  Matéria  IRPF ­ Imposto sobre a Renda de Pessoa Física  Recorrente  João Carlos Tavares Brenol  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006, 2007, 2008  BOLSAS  DE  EXTENSÃO  E  PESQUISA.  AUSÊNCIA  DE  VANTAGEM  PARA  O  DOADOR  E  NÃO  CONTRAPRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.   São isentas do imposto sobre a renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão  caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder  a  seus  fins  e  desde  que  os  resultados  dessas  atividades  não  representem  vantagem  para  o  doador,  nem  importem  contraprestação  de  serviços,  na  forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.  Na hipótese, as bolsas foram pagas pela Fundação Médica do Rio Grande do  Sul  (intermediária)  com  recursos  a  ela  repassados,  para  esse  fim,  pelos  beneficiários dos serviços, e correspondiam a contraprestação de serviços de  (i)  ensino,  preceptoria,  coordenação  e  consultoria  prestados  em  favor  do  Hospital  de  Clínicas  de  Porto  Alegre,  hospital­escola  da  Universidade  Federal  do  Rio  Grande  do  Sul;  e  (ii)  pesquisa  em  favor  da  empresa  de  medicamentos norte­americana Lilly Research Laboratories.  MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.  Não  comporta  multa  de  oficio  o  lançamento  constituído  com  base  em  rendimentos  classificados  indevidamente  como  isentos  pelo  contribuinte  quando induzido por informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora.  Aplicação da Súmula CARF nº 73.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  em  parte  ao  recurso,  para  excluir  a  multa  de  ofício  lançada,  em  virtude  da  aplicação da Súmula CARF nº 73.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 06 /2 00 9- 31 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     2   (assinado digitalmente)  __________________________________________________  LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente      (assinado digitalmente)  ________________________________________________  CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente),  Francisco  Marconi  de  Oliveira,  Alexandre  Naoki  Nishioka,  Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  contra  o  contribuinte  em  epígrafe,  no  qual  foi  apurada  classificação  indevida  de  rendimentos  na  declaração  de  ajuste  anual do imposto sobre a renda de pessoa física.  O contribuinte  impugnou o  lançamento  (fls. 214 e seguintes),  alegando, em  síntese,  que  os  rendimentos  recebidos  originavam­se  de  uma  bolsa  de  extensão  e  pesquisa,  transferidos a ele pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a  título de doação, o que os  torna isentos do imposto sobre a renda. Pugnou pela nulidade do Auto de Infração e requereu a  produção de prova pericial a fim de comprovar suas razões de defesa.  A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ)  em Porto Alegre (RS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 10­30.408,  de 20 de abril de 2011, com a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2006, 2007, 2008  NULIDADE ­ IMPROCEDÊNCIA.  Não  procedem  as  arguições  de  nulidade  quando  não  se  vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59  do Decreto n° 70.235/72.  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS  ­  BOLSAS  DE  EXTENSÃO  ­  CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.  A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela  recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e  desde  que  os  resultados  dessas  pesquisas  não  representem  vantagem  pra  o  doador  e  nem  importem  contraprestação  por  serviços prestados pelo beneficiário do rendimento.  Os  valores  recebidos  por  pessoa  física  a  título  de  bolsa  de  extensão  que  importem  contraprestação  de  serviços  são  Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/2009­31  Acórdão n.º 2101­002.367  S2­C1T1  Fl. 3          3 tributáveis  na  fonte  e  na  declaração  de  ajuste  anual  do  beneficiário.  DECISÕES JUDICIAIS ­ EFEITOS  As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a  inconstitucionalidade  das  normas  legais,  não  se  constituem  em  normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam  em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da  decisão.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisou seu  entendimento quanto a serem isentos do imposto sobre a renda de pessoa física os rendimentos  auferidos a título de bolsa de extensão e pesquisa.  Posteriormente,  apresentou  arrazoado  no  qual  suscitou  novos  argumentos  e  voltou a alegar a  inexistência de contraprestação de serviço, agora em virtude do advento da  Lei  n.º  12.871,  de 2013.  Pediu  o  afastamento  da multa  de ofício,  uma vez  constatado  que  o  equívoco foi causado por informações erradas prestadas pela fonte pagadora dos rendimentos.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Celia Maria de Souza Murphy  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  legais  previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço.  O  lançamento  constante  do  presente  processo  refere­se  a  omissão  de  rendimentos recebidos, pelo contribuinte, em 2005, 2006 e 2007, da Fundação Médica do Rio  Grande do Sul, a título de bolsas de extensão.  Segundo  consta,  a  Fiscalização  apurou  que  o  sujeito  passivo  classificou  indevidamente,  como  isentos/não  tributáveis,  na  sua  Declaração  de  Ajuste,  os  rendimentos  recebidos  daquela  pessoa  jurídica.  Nos  termos  do  Relatório  de  Ação  Fiscal,  a  atividade  de  extensão, nos exercícios fiscalizados, visava à execução dos seguintes projetos:  a) "Programa de Assistência à Saúde e de Docência em Residência Médica:  Projeto  de  Medicina  Interna"  junto  ao  HCPA,  durante  o  período  de  01/07/04  a  30/06/06,  conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/07/04;  b)  "Programa  de  Docência  em  Residência  Médica  a  Assistência  à  Saúde"  junto ao HCPA, durante o período de 01/06/06 a 01/06/08, conforme Termo de Compromisso  firmado pelas partes em 10/07/06;  Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     4 c) "PROJETO: 00324 ­ ARZOXIFENO" junto ao HCPA, durante o período  de 01/01/05 a 31/12/06, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/01/05; e  d) "PROJETO: 00324 ­ ARZOXIFENO" junto ao HCPA, durante o período e  01/01/07 a 31/12/07, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/01/07.  A  partir  desses  elementos,  a  Fiscalização  promoveu  o  lançamento  da  diferença  de  imposto  para  os  exercícios  2006,  2007  e  2008,  reclassificando  os  rendimentos  como decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício.  A autoridade autuante pontuou que, para que os valores recebidos a título de  bolsa de ensino, pesquisa e extensão sejam considerados  isentos, os  resultados dos estudos e  das pesquisas devem preencher algumas condições cumulativas, entre as quais se sobressaem  não  importar  contraprestação  de  serviços  e  não  reverter  economicamente  para  o  doador  ou  interposta pessoa, o que não se comprovou.  Salientou  ainda  que,  nos  anos­calendários  fiscalizados,  o  interessado,  professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, na qualidade de membro  da  Fundação  Médica  do  Rio  Grande  do  Sul,  desenvolveu  atividades  complementares  à  docência,  sob  a  forma  de  programas  de  extensão,  as  quais  ocorreram  nas  dependências  do  Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), hospital­escola da UFRGS.  Para esse  fim, o professor bolsista  e a Fundação Médica  firmaram contrato  intitulado "Termo de Compromisso para Concessão de Bolsa de Extensão", que a Fiscalização  entendeu ser, na verdade, um acordo de vontades ­ contrato ­ estipulado entre a Fundação e o  fiscalizado, determinando direitos e deveres para ambas as partes: à prestação das atividades de  preceptoria, coordenadoria e consultoria, obrigações do contribuinte, correspondia a obrigação  da Fundação de pagar a "bolsa de extensão" (preço), durante a vigência do contrato, obrigação  essa com o nítido caráter de contraprestação.  Destacou a Fiscalização que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre ­ HCPA  seria diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a  atividade do fiscalizado contribuía tanto para que o Hospital realizasse a prestação de serviços  médicos para os pacientes do SUS (do qual recebe verbas federais), quanto para que o HCPA  atuasse como hospital­escola da UFRGS. Tais benefícios à pessoa interposta (HCPA) teriam,  segundo  a  autoridade  fiscal,  clara  faceta  econômica,  desnaturando,  conjuntamente  com  o  caráter  de  prestação  de  serviços  das  atividades  desenvolvidas  sob  o  programa,  pretensão  à  isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação ao contribuinte.  No tocante ao projeto denominado "00324 ­ ARZOXIFENO", a Fiscalização  ressaltou  que  os  Termos  de  Compromisso  de  "Desenvolvimento  de  Pesquisa  mediante  concessão de Bolsa",  firmados entre a Fundação Médica e o  fiscalizado, não esclarecem, em  seu corpo, as atividades a serem desenvolvidas em virtude das avenças. Há a menção de que o  projeto  seria  realizado  no  Serviço  de  Traumatologia  do  HCPA,  e  de  que  a  pesquisa  a  ser  desenvolvida  seria  custeada pela Fundação Médica,  conforme  sua Cláusula Segunda. Apesar  disso, as demais cláusulas são genéricas. Impôs­se, então, efetuar diligência junto à Fundação  Médica do Rio Grande do Sul para esclarecimento das condições em que tais atividades eram  realizadas.  Consignou  a  autoridade  fiscalizadora  ter  sido  apresentado,  na  diligência,  "Contrato  de Patrocínio  de Pesquisa Clínica",  firmado  entre  a  citada Fundação  e  a Quintiles  Inc., "visando o estudo patrocinado pela Lilly Research Laboratories, uma divisão da Eli Lilly  and  Company,  intitulado  'Efeitos  do  Arzoxifeno  na  Incidência  de  Fratura  Vertebral  e  na  Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/2009­31  Acórdão n.º 2101­002.367  S2­C1T1  Fl. 4          5 Incidência  de Câncer  de Mama  Invasivo  em Mulheres  Pós­Menopausa  com Osteoporose  ou  com Baixa Densidade Óssea'", redigido na língua inglesa, o que impossibilitou o exame de seu  teor.  Todavia,  ressaltou­se  que  a  patrocinadora  é  divisão  de  conhecida  empresa  de  medicamentos, de origem norte­americana, o que leva à conclusão que as verbas percebidas a  título  de  “bolsa  de  pesquisa”  relacionada  ao  “Projeto  Arzoxifeno”  caracterizariam­se  como  rendimentos tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário.  Desse modo, a percepção de bolsas de extensão e pesquisa traduziriam­se em  proventos que deveriam ser submetidos à tributação pelo imposto de renda.  Em  sua  impugnação,  o  contribuinte  esclareceu  que  a  Fundação Médica  do  Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais  para  disciplinar  as  atividades  de  apoio  ao  ensino  e  à  extensão.  Neste  contexto,  desde  a  sua  criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de  seus  membros,  entre  os  quais  o  impugnante,  cumpriria  importante  papel  educacional  e  principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao  Estado,  de  promover  e  incentivar  o  desenvolvimento  científico,  a  pesquisa  e  a  capacitação  tecnológica.  Salientou  que  o  exercício  das  atividades  de  preceptoria,  coordenação  e  controle de  alunos  (médicos  residentes) não  pode  ser  caracterizado  como  contraprestação  de  serviços, visto tratar­se de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária  adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e  científico.  Complementou  que  as  “bolsas”,  doadas  pela  Fundação  aos  médicos,  professores  da  UFRGS,  representam  o  elo  final  de  uma  cadeia  organizada  de  busca  da  formação,  do  aperfeiçoamento  de  profissionais  da  área  médica  e,  ao  mesmo  tempo,  de  impulsionamento do melhor atendimento aos pacientes do Hospital de Clínicas,  repercutindo  em vantagens para toda a sociedade. Além disso, o fato de as "bolsas de extensão" repetirem­ se,  para  o  mesmo  membro  da  Fundação  Médica,  em  anos  sucessivos,  não  alteraria  a  sua  natureza.  Fundamentado no disposto no artigo 26 da Lei n.º 9.250, de 1995, e no artigo  7°  do Decreto  nº  5.205,  de  2004,  citando  e  transcrevendo  ementas  de  julgados  que,  no  seu  entender,  embasam seu  entendimento,  o defendente alegou enquadrar­se na  isenção prevista,  eis que as bolsas de pesquisa e extensão não possuiriam natureza remuneratória, mas  seriam  consideradas doações realizadas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, conformando­se  com o artigo 538 do Código Civil. Além disso, complementa que a concessão das bolsas não  representa, em contrapartida, benefício para o doador, a Fundação, vez que esta estaria apenas  repassando verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, a priori, esta destinação  específica e integral de cobertura para realização dos programas de extensão universitária.  Ao  final,  pugnou  pela  nulidade  ou  insubsistência  do  lançamento  e  pediu  a  produção de prova pericial.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Porto  Alegre (RS) não acolheu seus argumentos e decidiu pela improcedência da impugnação.  No recurso, o interessado rebateu as razões de decidir do julgador de primeira  instância e, no mais, repisou seus argumentos.  Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     6 Ao dispor sobre o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, a  Lei n.° 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional, assim especificou:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:   I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;   II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.   §  1o  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  e  da  forma  de  percepção.  (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)  [...] (g.n.)  Também nesse  sentido, assim estipula a Lei n.° 7.713, de 1988, cujo artigo  3.° a seguir transcreve­se:  Art.  3º  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90)   § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.   §  2º  Integrará  o  rendimento  bruto,  como  ganho  de  capital,  o  resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de  alienação  de  bens  ou  direitos  de  qualquer  natureza,  considerando­se como ganho a diferença positiva entre o valor  de  transmissão  do  bem  ou  direito  e  o  respectivo  custo  de  aquisição  corrigido monetariamente,  observado  o  disposto  nos  arts. 15 a 22 desta Lei.   §  3º  Na  apuração  do  ganho  de  capital  serão  consideradas  as  operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  à  sua  aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta,  adjudicação,  desapropriação,  dação  em  pagamento,  doação,  procuração  em  causa  própria,  promessa  de  compra  e  venda,  cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos  afins.   § 4º A  tributação  independe da denominação dos rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer forma e a qualquer título.   §  5º  Ficam  revogados  todos  os  dispositivos  legais  concessivos  de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda  Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/2009­31  Acórdão n.º 2101­002.367  S2­C1T1  Fl. 5          7 das  pessoas  físicas,  de  rendimentos  e  proventos  de  qualquer  natureza,  bem  como  os  que  autorizam redução  do  imposto  por  investimento de interesse econômico ou social.   § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam  deduções  cedulares  ou  abatimentos  da  renda  bruta  do  contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda.  (g.n.)  Dos  dispositivos  acima  reproduzidos,  depreende­se  que  toda  a  renda  percebida  pelo  particular  está  sujeita  ao  imposto  sobre  a  renda,  independentemente  da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das  rendas ou proventos, bastando, para a  incidência do  imposto, o benefício do contribuinte por  qualquer forma e a qualquer título. As exceções são especificamente previstas em lei, tal como  ocorre com as isenções.  Para haver  isenção,  é preciso haver previsão  expressa  em  lei  específica,  tal  como prescreve o artigo 176 do Código Tributário Nacional:   Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.  [...]  Tal dispositivo está em perfeita consonância com o previsto na Constituição  Federal de 1988, a qual, ao tratar das limitações do poder de tributar, assim prevê, no parágrafo  6.° de seu artigo 150:   Art. 150. [...]  § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo,  concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a  impostos,  taxas  ou  contribuições,  só  poderá  ser  concedido  mediante  lei  específica,  federal,  estadual  ou  municipal,  que  regule  exclusivamente  as  matérias  acima  enumeradas  ou  o  correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto  no  art.  155,  §  2.º,  XII,  g.  (Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 3, de 1993)  [...]  A isenção pleiteada pelo recorrente é aquela de que trata o artigo 26 da Lei  n.º 9.250, de 1995, que assim prescreve:  Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e  de  pesquisa  caracterizadas  como  doação,  quando  recebidas  exclusivamente  para  proceder  a  estudos  ou  pesquisas  e  desde  que  os  resultados  dessas  atividades  não  representem  vantagem  para o doador, nem importem contraprestação de serviços.  Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     8 Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços  nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no  caput,  as  bolsas  de  estudo  recebidas  pelos  médicos  residentes,  nem as bolsas recebidas pelos servidores das redes públicas de  educação  profissional,  científica  e  tecnológica  que  participem  das atividades do Pronatec, nos termos do § 1o do art. 9o da Lei  no 12.513, de 26 de outubro de 2011. (Redação dada pela Lei nº  12.816, de 2013)  Diante das normas da legislação acima transcrita, conclui­se que, para que as  bolsas de extensão sejam  isentas do  imposto  sobre a  renda, é necessário que se caracterizem  como doação, atendendo, cumulativamente, às seguintes condições:  a) sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas;  b) os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador;  c) os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços.  Sendo  assim,  impende  estabelecer  se,  na  hipótese  sob  análise,  os  valores  auferidos pelo contribuinte, a  título de “bolsa de extensão” e “bolsa de pesquisa”, pagos pela  Fundação Médica do Rio Grande do Sul, cumprem os requisitos legais para serem isentos do  imposto sobre a renda.  Para  esse  fim,  valho­me  da  excelente  análise  promovida  pelo  Ilustre  Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, em caso  idêntico ao que aqui se aprecia, no voto  condutor  do Acórdão  n.º  2101­001.950,  desta  1ª  Turma Ordinária  que,  por  unanimidade  de  votos, negou provimento ao recurso da contribuinte:  “Caso concreto:  A  recorrente  é  professora  da  Faculdade  de  Medicina  da  Universidade Federal  do Rio Grande  do  Sul UFRGS  em Porto  Alegre/RS,  e  nesta  condição  tornou­se  membro  da  Fundação  Médica  do  Rio  Grande  do  Sul,  onde  desempenha  atividades  complementares  à  docência,  sob  a  forma  de  atividade  de  extensão  A Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma  fundação de  apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o  hospital escola da UFRGS.  As  verbas  lançadas  decorrem  dos  projetos  de  extensão  denominados “PROGRAMA DE GESTÃO DE INFORMAÇÕES  HOSPITALARES”,  “GESTÃO  DA  INFORMAÇÃO  E  DA  QUALIDADE  ASSISTÊNCIA  NO HCPA”  e  “PROGRAMA DE  DOCÊNCIA  EM  RESIDÊNCIA  MÉDICA  E  ASSISTÊNCIA  À  SAÚDE”.  De  acordo  com  os  Termos  de  Compromisso  firmados  para  participação nos projetos, as atividades a serem desempenhadas  eram:  a)  Preceptoria:  atividades  de  extensão  de  supervisão  e  treinamento  e  seleção  de  profissionais  de  nível  superior  que  sejam  alunos  de  Programa  de  Residência  Médica  e  outros  Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/2009­31  Acórdão n.º 2101­002.367  S2­C1T1  Fl. 6          9 Programas  de  Especialização  desenvolvidos  pelas  instituições  apoiadas;  b)  Coordenadoria:  atividades  de  extensão  de  coordenação  dos  Programas  e  Projetos  de  Extensão  em  desenvolvimento  pelas  instituições apoiadas;  c) Consultoria: atividades de extensão de suporte acadêmico ao  desenvolvimento do ensino, assistência e da pesquisa no âmbito  das instituições apoiadas, respeitados os respectivos regimentos  internos.  Os  projetos  e  os  termos  de  compromisso  esclarecem  que,  em  contrapartida  às  atividades  de  extensão  realizadas,  complementares  às  atividades  de  docência  desenvolvidas  pelo  professor  da  UFRGS,  seria  paga  uma  bolsa  de  extensão,  na  forma do disposto no art. 4o, §1o, da Lei n° 8.958, de 1994 e nos  arts. 5°, §2o, e 6o, §3o, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de  2004.  Contudo,  apesar  de  instituídas  com  base  nessa  legislação,  há  que se considerar que as bolsas de extensão sob análise possuem  nítido caráter de contraprestação de serviços.  Observe­se que a principal função realizada pela contribuinte é  a  de  supervisão  e  treinamento  dos  médicos  residentes  do  Hospital Escola da UFRGS, que possui a mesma natureza da sua  ocupação de professora dessa universidade.  E isso é ainda mais evidente quando se verifica que a residência  médica constitui modalidade de ensino de pós­graduação.  Além disso, na função de supervisão e treinamento dos médicos  residentes,  a  contribuinte  certamente  presta  serviço  de  atendimento médico, atividade própria do hospital escola.  O mesmo raciocínio se aplica às outras atividades dos projetos  de  extensão:  a  de  coordenação  de  programas  e  projetos  de  extensão e de consultoria. Trata­se de prestação de serviços em  benefício da fundação de apoio e do hospital escola.  Acrescente­se que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela  Fundação  equivaliam  a  cerca  de  50% do  total  de  rendimentos  pagos pela UFRGS. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas  e  eventuais, mas  verdadeira  complementação  salarial,  paga no  decorrer  de  diversos  anos,  o  que  reforça  a  convicção  de  sua  natureza remuneratória.  A  recorrente  centra  boa  parte  do  seu  recurso  na  importante  função  social  do  hospital  escola,  que  teria  sua  imunidade  reconhecida  por  decisão  judicial,  e  no  fato  dos  serviços  prestados  se  darem  em  benefício  da  sociedade,  e  não  da  fundação de apoio.  Certamente,  não  se  pretende  contestar  a  importância  e  a  excelência dos serviços prestados à população.  Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     10 Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos  impostos  das  instituições  de  assistência  social  não  se  estende  para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Se os  argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os  salários pagos aos médicos do hospital escola.  Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de  extensão  constituem  pagamento  pelos  serviços  de  ensino,  coordenação  e  consultoria  prestados  em  favor  da  Fundação  Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto  Alegre.  Decisão do TCU:  A  recorrente  afirma  que  a  fundação  de  apoio  é  rigorosamente  fiscalizada  pelo  Tribunal  de  Contas  da  União  TCU  e  pelo  Ministério Público, que garantem o cumprimento dos termos da  lei.  Nesse sentido, o TCU, no Acórdão no 5682/2010 2a Câmara (fls.  403  a  412),  teria  reconhecido  o  atendimento  dos  requisitos  da  lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas  de extensão aos membros da Fundação Médica, e não somente  que  não  haveria  vínculo  empregatício,  como  afirmado  na  decisão de primeira instância.  De  fato,  a  referida  decisão  reformou,  em  sede  de  embargos  de  declaração,  o  acórdão  que  havia  concluído  que  as  bolsas  de  extensão  pagas  pela  fundação  de  apoio  aos  professores  da  UFRGS  importavam  em  contraprestação  de  serviços,  em  violação ao art. 4º, §3º, da Lei nºvb 8.958, de 1994, ao art. 6º do  Decreto nº 5.205, de 2004, e à jurisprudência daquele Tribunal.  Assim, a decisão final do TCU concluiu que a remuneração em  forma de bolsa era compatível com a legislação de regência.  Penso que a recorrente tem razão ao afirmar que as conclusões  do TCU estendem­se à natureza isenta das respectivas bolsas, e  não só à inexistência de vínculo empregatício, como entendeu o  julgador a quo.  Isso porque, se as bolsas concedidas atendem aos requisitos do  art.  6o  do  Decreto  no  5205,  de  2004,  então  necessariamente  satisfazem aos  ditames  do  art.  7o,  sendo  isentas  do  imposto  de  renda.  Entretanto,  as conclusões do TCU não vinculam este CARF,  e,  no  meu  sentir,  estão  equivocadas  ao  retirar  das  atividades  executadas  a  característica  de  prestação  de  serviços. Melhores  os argumentos da equipe técnica do Tribunal, referendados pela  decisão  reformada,  que,  com  base  nos  fatos  concretos  analisados, concluiu de forma similar a este voto.  Decisões administrativas e judiciais:  A  recorrente  afirma  que  a  jurisprudência  administrativa  e  judicial corroboram o entendimento de que as bolsas de estudo e  extensão possuem natureza isenta.  Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/2009­31  Acórdão n.º 2101­002.367  S2­C1T1  Fl. 7          11 Contudo, as decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do  Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso,  pois  trataram  de  bolsas  de  estudo  e  pesquisa  que  não  representavam  vantagem  para  o  doador,  nem  importavam  contraprestação de serviços.”  De  modo  contrário,  recentes  decisões  desta  2a  Seção  de  Julgamento  têm  confirmado  a  natureza  tributária  de  verbas  semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementas:  BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO.  ISENÇÃO DO  IMPOSTO  DE  RENDA.  AUSÊNCIA  DE  VANTAGEM  PARA  O  DOADOR  E  NÃO  CONTRAPRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  REQUISITOS  NÃO  ATENDIDOS.  Somente  ficam  isentas  do  imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas  como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a  estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades  não  representem  vantagem  para  o  doador,  nem  importem  contraprestação  de  serviços,  na  forma  do  art.  26  da  Lei  nº  9.250/96.  (Acórdão  nº  2102­001.216,  2a  Turma  Ordinária  da  1a  Câmara,  sessão de 13/04/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos)  Observe­se que o lançamento das contribuições previdenciárias  na Fundação Médica do Rio Grande do Sul, relativas às bolsas  de  extensão  pagas  aos  professores  da  UFRGS,  foi  apreciado  pelo  Acórdão  no  2302­01.388,  da  2a  Turma  Ordinária  da  3a  Câmara  da  2a  Seção  de  Julgamento,  na  sessão  de  26/10/2011,  sendo  relator o Conselheiro Marco André Ramos Vieira,  tendo  sido  negado  provimento  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte.  Transcreve­se  a  ementa,  na  parte  de  interesse  à  presente  discussão:  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  REMUNERAÇÃO.  BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958.  A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas  é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos  beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205.  Retribuindo  o  serviço  prestado  pelo  segurados,  os  valores  não  podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto  no art. 538 do Código Civil, considera­se doação o contrato em  que  uma  pessoa,  por  liberalidade,  transfere  do  seu  patrimônio  bens  ou  vantagens  para  o  de  outra.  Assim,  os  valores  foram  devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois  a  liberalidade  não  teria  uma  causa  jurídica.  Os  valores  foram  devidos  em  virtude  de  serviços  prestados  (a  verdadeira  causa  jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de  serviços  remunerada  é  fato  gerador  de  contribuição  previdenciária.  Não  haveria  incidência  de  contribuição  previdenciária  se  os  valores  fossem  pagos  de  acordo  com  a  Lei  n  8.958.  Todavia  restou demonstrada a desobediência do comando legal.  Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     12 Quanto  à  esfera  judicial,  de  fato  a  recorrente  demonstra  a  existência  de  diversas  decisões  da  Justiça  Federal  de  Santa  Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como  isentas,  tendo  uma  das  decisões,  a  relativa  ao  processo  nº  2010.71.50.013139­7,  tratado  de  caso  idêntico  ao  do  presente  processo.  Salvo  melhor  juízo,  um  dos  principais  fundamentos  desses  julgados  é  que  não  houve  produção  de  vantagens  para  a  fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de  seus objetivos estatutários.  Em  outras  palavras,  o  beneficiário  dos  serviços  não  seria  a  Fundação Médica do Rio Grande do Sul, entidade que concedeu  a bolsa, mas sim o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, e logo o  resultado não se daria em proveito o doador.  Com  todo  respeito  que  o  argumento merece,  penso  que  não  se  sustenta a uma análise mais aprofundada.  A  uma,  porque  os  recursos  que  financiaram  as  bolsas  foram  repassados pelo HPCA à fundação de apoio, como demonstram  os  documentos  de  fls.  230  a  352.  Assim,  os  recursos  se  originaram  da  entidade  que  se  beneficiou  diretamente  com  os  serviços.  E  a  duas,  porque  o  art.  6o  do  Decreto  n°  5.204,  de  2004,  determina  que  os  resultados  das  bolsas  de  ensino,  pesquisa  e  extensão  não  revertam  economicamente  para  o  doador  ou  pessoa interposta.  Se  o  argumento  fosse  correto,  estaria  aberta  uma  verdadeira  avenida  para  a  supressão  de  tributos  sobre  verbas  remuneratórias,  bastando  repassar  os  valores  a  serem  pagos  primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as quantias na  forma  de  bolsas  que  atendessem  às  determinações  de  seus  estatutos.  Impende  ressaltar  que,  na  oportunidade,  nosso  voto  foi  favorável  ao  posicionamento externado pelo Conselheiro Relator.  Em  14  de  novembro  de  2013,  o  recorrente  protocolou  os  documentos  anexados  às  fls.  636  e  seguintes,  tais  como  Atestado  da  Procuradoria  de  Fundações  do  Ministério  Público  do  Rio  Grande  do  Sul,  declaração  da  FMRS  acerca  da  inexistência  de  vantagem econômica e DIPJ 2013 da FMRS, tudo com o intuito de demonstrar que a FMRS é  entidade  sem  fins  lucrativos  e  que  não  obteve  vantagem  econômica  com  o  pagamento  das  “bolsas de extensão”.  Ocorre  que  os  recursos  que  financiaram  as  “bolsas”  não  são  próprios  da  fundação  de  apoio  (FMRS), mas  a  ela  foram  repassados  pelo Hospital  de Clínicas  de  Porto  Alegre, como demonstra o Convênio Operacional n.º 01/2004  (vide  fls. 61),  com a alteração  promovida pelo Termo Aditivo n.º 01/2004 (fls. 67), ratificado pelo Segundo Termo Aditivo ao  Convênio Operacional n.º 01/2004 (fls. 70):  5)  RECURSOS  ORÇAMENTÁRIOS  DO  PROGRAMA:  Os  recursos  para  o  desenvolvimento  do  programa  de  extensão  de  preceptoria  em  residência médica  são  provenientes  de  receitas  do  HCPA  (Sistema  Único  de  Saúde  ­  SUS).  As  despesas  Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/2009­31  Acórdão n.º 2101­002.367  S2­C1T1  Fl. 8          13 decorrentes  do  presente  convênio  correrão  à  conta  dos  limites  mensais da descentralização da dotação orçamentária efetuada  pelo Fundo Nacional de Saúde.  A mesma situação se verifica no Convênio Operacional n.º 05/2004 (fls. 71 e  seguintes, vide fls. 74), ratificado pelo seu Primeiro Termo Aditivo (vide fls. 83); no Convênio  Operacional n.º 01/2006 (vide fls. 90), no Convênio Operacional n.º 05/2006 (vide fls. 111), no  Convênio Operacional n.º 1/2007 (vide fls. 143), no Convênio Operacional n.º 05/2007 (vide  fls. 125) e no Convênio Operacional n.º 04/2007 (vide fls. 491).  Sendo assim, ficou caracterizado que a Fundação Médica do Rio Grande do  Sul  atuou como mera  intermediária,  eis que “doou” ao  recorrente  recursos que  recebeu, para  esse fim, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (hospital­escola da Universidade Federal do  Rio Grande do Sul), beneficiário dos serviços prestados pelo recorrente. Isso leva à conclusão  que o beneficiário dos  serviços prestados  é  a própria  entidade que pagou por  esses  serviços,  utilizando, como intermediária, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul (“doadora”), que não  é beneficiária dos serviços.  Para que não haja dúvidas quanto à abrangente análise que se promoveu no  âmbito do presente processo, impõe­se a apreciação da Lei n.º 12.871, de 2013, para o fim de  definir  se  seus  artigos  27  a  29,  que  tratam  da  concessão  de  bolsas  para  a  atividade  de  preceptoria  nas  ações  de  formação  em  serviço  nos  cursos  de  graduação  e  residência médica  ofertados pelas instituições federais de educação superior ou pelo Ministério da Saúde, seriam  ou não aplicáveis à presente hipótese.  Vejamos  o  conteúdo  dos  artigos  27  a  29  da  referida  lei,  que  institui  o  Programa Mais Médicos e dá outras providências:  Art. 27. Será concedida bolsa para atividades de preceptoria nas  ações  de  formação  em  serviço  nos  cursos  de  graduação  e  residência  médica  ofertados  pelas  instituições  federais  de  educação superior ou pelo Ministério da Saúde.  [...]  Art.  29.  Para  os  efeitos  do  art.  26  da  Lei  nº  9.250,  de  26  de  dezembro  de  1995,  os  valores  percebidos  a  título  de  bolsa  previstos nesta Lei e na Lei nº 11.129, de 30 de junho de 2005,  não caracterizam contraprestação de serviços.  Vale apreciar se o artigo 29 teria caráter interpretativo e, por essa razão, por  força do artigo 106 do CTN, as bolsas para atividades de preceptoria, de que trata o artigo 27,  abrangeriam  as  “bolsas  de  extensão”  cuja  tributação  aqui  se  discute,  auferidas  pela  parte  interessada nos anos­calendários 2004 a 2007.   Acreditamos  não  ser  o  caso.  Entendemos  que  não  caracterizam  contraprestação  de  serviço  somente  os  valores  pagos  a  título  de  bolsas  de  preceptoria  concedidas nos moldes da própria Lei n.º 12.871, de 2013, e da Lei nº 11.129, de 2005, eis que  essa limitação encontra­se expressa no artigo 29 acima reproduzido.  Tendo  em  vista  que  o  artigo  29  da  Lei  n.º  12.871,  de  2013,  faz  clara  referência aos valores recebidos a título de bolsas para atividades de preceptoria previstos nas  leis  específicas,  nele  indicadas,  não  é  possível  entender  que  tal  dispositivo  seria  aplicável  a  Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     14 todo  e  qualquer  valor  pago  a  esse  título,  mesmo  que  concedido  fora  dos  moldes  das  leis  expressamente referidas.  É de se destacar que a  lei aplica­se a fatos pretéritos somente nas hipóteses  previstas no artigo 106 do CTN, verbis:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;   c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.  Para que fosse possível atribuir caráter interpretativo aos dispositivos da Lei  n.º  12.871,  de  2013,  a  fim  de  aplicá­los  a  fatos  pretéritos,  seria  necessário  que  tal  caráter  estivesse expresso em seu texto, o que, conforme visto, não se verificou.  Diante dessas considerações, não é possível estender a aplicação do artigo 29  da  Lei  n.º  12.871,  de  2013,  às  bolsas  de  preceptoria  auferidas  pelo  recorrente  nos  anos­ calendários 2005 a 2007.  O  recorrente  argumenta  ainda  que  a  decisão  proferida  por  esta  Turma  Julgadora  no  Acórdão  n.º  2101­002.043,  de  2013,  não  guardaria  similitude  fática  com  o  presente processo, uma vez que, naquele caso, a isenção teria sido glosada ante a existência de  inquérito policial e irregularidades de contas apuradas pelo TCU.  Sobre  este  assunto,  esclarecemos  que  as  decisões  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  estão  vinculadas  a  uma  determinada  decisão  anteriormente exarada e válida somente entre as partes integrantes do processo administrativo.  O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por  supedâneo  o  argumento  que  entender  razoável  ou  cabível  ao  caso  concreto,  desde  que  devidamente  fundamentada,  explicitadas  as  razões  de  fato  e  de  direito  que  o  levaram  a  tal  convicção.   Releva  ainda  analisar  o  rendimento  auferido  pelo  contribuinte  para  o  desenvolvimento do denominado "PROJETO: 00324 ­ ARZOXIFENO", intitulado 'Efeitos do  Arzoxifeno na Incidência de Fratura Vertebral e na Incidência de Câncer de Mama Invasivo em  Mulheres Pós­Menopausa com Osteoporose ou com Baixa Densidade Óssea'.   Conforme apontado pela Fiscalização, segundo apurou em sede de diligência,  apesar de o valor da “bolsa de pesquisa” ser pago pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul,  a patrocinadora do projeto era a empresa Lilly Research Laboratories, uma divisão da Eli Lilly  and  Company,  empresa  de  medicamentos  norte­americana,  diretamente  interessada  economicamente na pesquisa.   Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/2009­31  Acórdão n.º 2101­002.367  S2­C1T1  Fl. 9          15 No contrato acostado às fls. 155 e seguintes, expresso em língua inglesa, sem  tradução  para  o  português,  é  possível  constatar,  em  tradução  livre,  que,  tal  como  observado  pela Fiscalização, a empresa patrocinadora do “Projeto Arzoxifeno” será a única proprietária  de todo e qualquer processo, fórmula, método terapêutico, assim como qualquer outra inovação  resultante  da  pesquisa  patrocinada  (vide  fls.  157),  ficando,  com  isso,  patente  o  interesse  econômico da empresa patrocinadora, que, para pagamento dos rendimentos ao contribuinte,,  utilizou, como intermediária, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul.  Essa constatação leva à conclusão que também essas verbas, percebidas pelo  contribuinte a título de “bolsa de pesquisa”, relacionada ao “Projeto Arzoxifeno” caracterizam­ se  como  contraprestação  de  serviços,  rendimentos  do  trabalho,  tributáveis  na  fonte  e  na  declaração de ajuste anual do beneficiário.  Por fim, a defesa pede a aplicação da Súmula CARF n.º 73, eis que acredita  ter ocorrido erro escusável em virtude de informação equivocada prestada pela fonte pagadora,  o  que  teria  induzido  o  interessado  a  informar  que  os  rendimentos  auferidos  da  Fundação  Médica do Rio Grande do Sul seriam rendimentos isentos do imposto sobre a renda.  Vejamos o texto da referida Súmula:  Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de  ajuste  do  imposto  de  renda,  causado  por  informações  erradas,  prestadas  pela  fonte  pagadora,  não  autoriza  o  lançamento  de  multa de ofício.  Entendemos que, neste ponto, assiste razão à defesa. Conforme se constata às  fls. 11 a 13 dos autos, os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de  Renda  na  Fonte  emitidos  pela  Fundação  Médica  do  Rio  Grande  do  Sul  destacam  os  “rendimentos  com  bolsas”  dos  rendimentos  tributáveis,  consignando­os  como  rendimentos  isentos/não tributáveis.   Nessas circunstâncias, não se pode imputar infração ao contribuinte por erro  na  classificação  dos  referidos  rendimentos,  eis  que  a  própria  fonte  pagadora  não  prestou  as  informações necessárias à sua correta classificação; ao contrário, induziu o contribuinte a erro  na sua declaração de ajuste anual, eis que prestou informações equivocadas.  Conclusão  Diante do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário,  para excluir a multa de lançamento de ofício.    (assinado digitalmente)  _________________________________  Celia Maria de Souza Murphy ­ Relatora                Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     16               Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS

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Numero do processo: 16095.720181/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica-se multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 458          1 457  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16095.720181/2012­64  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.973  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de fevereiro de 2014  Matéria  GLOSA DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  MATRIZARIA E ESTAMPARIA MORILLO LTDA            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  DE  NATUREZA  NÃO  TRIBUTÁRIA.  IMPOSSIBILIDADE.  É  vedada  a  compensação  de  débitos  do  sujeito  passivo,  relativos  às  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  sua  folha  de  salários,  com  créditos  de  natureza  diversa,  mormente  quando  a  própria  existência  destes  restar não comprovada nos autos.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  FALSIDADE  NA  DECLARAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  MULTA  ISOLADA.  PERCENTUAL  EM  DOBRO.  APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.  Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica­se  multa  isolada no percentual de 150%, calculada  com base no valor  total do  débito indevidamente compensado.   INCONSTITUCIONALIDADE.  É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo  de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.  Recurso Voluntário Negado         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 81 /2 01 2- 64 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e  Thiago  Taborda  Simões.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues.  Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/2012­64  Acórdão n.º 2402­003.973  S2­C4T2  Fl. 459          3 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou procedente o  lançamento fiscal com ciência em 15/06/2012 em razão da glosa de  compensações com supostos créditos de origem não tributária e multa isolada por falsidade de  declaração. A fiscalização se iniciou em 09/08/2011, após realização de diligência com início  em  14/02/2011.  O  objeto  de  ambos  os  procedimentos  é  a  verificação  da  regularidade  de  compensações declaradas em GFIP.  Seguem  transcrições  da  ementa  e  trechos  do  relatório/voto  que  compõem  o  acórdão recorrido:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010   PREVIDENCIÁRIO.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  DE  NATUREZA NÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos  às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de  salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a  própria existência destes restar não comprovada nos autos.  COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO  DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM  DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  e  uma  vez  presente  a  falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe­ se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e  cinqüenta  por  cento),  calculada  com  base  no  valor  total  do  débito indevidamente compensado.  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI  FEDERAL.  RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Descabe  às  autoridades  que  atuam  no  contencioso  administrativo  proclamar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo  federal  em  vigor,  posto  que  tal  mister  incumbe  tão  somente aos órgãos do Poder Judiciário.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  ...  Consoante  o  relatório  fiscal  de  fls.  57  a  61,  o  processo  acima  identificado compreende os seguintes Autos de Infração:  Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   4 ▫  AI  nº  51.006.1022,  lavrado  para  a  constituição  do  crédito  previdenciário decorrente da glosa das compensações realizadas  pela empresa no período de 06/2010 a 12/2010, reputadas pela  fiscalização como indevidas; e   ▫  AI  nº  51.006.0994,  lavrado  para  a  constituição  do  crédito  relativo à multa isolada de 150% sobre os valores compensados  pelo sujeito passivo, com base no art. 18 da Lei nº 10.833/2003.  ...  1º)  Durante  a  ação  fiscal,  foi  constatado  que  a  empresa  compensou  débitos  previdenciários  (da  empresa,  do  segurado  empregado e contribuinte  individual) no período compreendido  entre as competências 06/2010 a 10/2010 e 12/2010 (inclusive os  referentes  ao  décimo  terceiro  salário  de  2010),  tendo  apresentado, na oportunidade, certidão de objeto e pé datada de  07  de  fevereiro  de  2011  (fls.  82  a  89),  referente  ao  processo  2009.34.00.0341840  em  face  da  União  (Fazenda  Nacional)  e  INSS  (Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  objetivando  a  cobrança  de  Título  da  Dívida  Externa  Brasileira  (anexa),  e  cópias  das  Guias  de  Depósitos  Judiciais  e  Extrajudiciais  anexadas às fls. 90 a 110;   2º)  Após  regularmente  intimada,  ainda  na  fase  de  diligência  fiscal, o contribuinte apresentou à  fiscalização cópia de pedido  de  instauração de  processo  administrativo  fiscal  (fls.  79  a  81),  com  carimbo  datado  de  01/03/2011,  não  rubricado,  aparentemente  protocolado  na  DRF  em  S.J.R.  Preto,  e  endereçado ao delegado da DRF Guarulhos, argumentando ser  detentora  de  crédito  judicial  em  fase  de  execução  contra  a  Fazenda Nacional  e  o  INSS  e  que  o  campo  "compensação"  da  GFIP foi utilizado na medida emque não existe na GFIP campo  destinado a depósito judicial este documento não foi  localizado  nos sistemas de protocolo da SRF;   3º)  Documento  de  igual  teor  foi  protocolado  na  DRF  GUARULHOS sob nº 10875.722398/20116  (fls. 172 a 375),  em  24/08/2011, onde se pode ler que a empresa admite a utilização  do  campo  referente  à  compensação  de  maneira  imprópria,  insistindo  na  tese  do  pagamento  das  contribuições  previdenciárias através de depósitos judiciais, cujas guias eram  de apenas R$15,00 e não no valor efetivamente compensado;   4º) A empresa entregou GFIP originalmente em época própria,  porém,  em  21/12/2010  enviou  GFIP's  retificadoras  para  as  competências  06  a  10/2010,  incluindo  valores  no  campo  "compensação"  e  em  14/03/2011,  enviou  retificadoras  para  a  competência 12/2010 e a referente ao décimo terceiro de 2010,  da  mesma  forma,  incluindo  valores  a  "compensar".  O  valor  declarado  como  compensação  e  efetivamente  não  recolhido  soma o montante de R$ 1.927.819,16;  Contra  a  decisão,  o  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  onde  reitera  as  alegações trazidas na impugnação:  1ª)  Ao  contrário  do  quanto  é  afirmado  no  relatório  fiscal,  em  nenhum momento foi declarado a COMPENSAÇÃO como forma  Fl. 461DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/2012­64  Acórdão n.º 2402­003.973  S2­C4T2  Fl. 460          5 de  extinção  das  obrigações  tributárias  de  responsabilidade  da  autuada,  mas  sim,  PAGAMENTO ATRAVÉS DE CONVERSÃO  EM  RENDA,  que  tem  natureza  jurídica  totalmente  diversa  da  COMPENSAÇÃO,  guardando  com  esta  somente  o  resultado  final, quer seja a extinção da obrigação tributária;   2ª) Na verdade o que ocorreu é que, por limitação do programa  em  que  se  pode  declarar  o  procedimento  adotado,  não  existe  qualquer opção que faça referência a modalidade de extinção da  obrigação  tributária  adotada  pela  Impugnante,  não  restando  a  ela  outro  procedimento  que  não  fosse  o  autolançamento  na  modalidade compensação;   3ª)  Embora  limitada  pelas  ferramentas  fornecidas  pelo  Ente  Público,  ainda  assim,  a  Impugnante,  através  de  simples  requerimento,  explicitou  exatamente  os  fatos  acima  narrados,  qual seja, que embora houvesse sido efetivado o autolançamento  na  modalidade  compensação,  na  realidade  o  procedimento  adotado era o de pagamento através de conversão em renda, não  havendo, portanto, qualquer possibilidade de entender que o que  ocorrera, na verdade, tivesse sido efetiva compensação;   4ª)  O  Órgão  arrecadador  (RFB)  discordar  do  procedimento  adotado não autoriza interpretá­lo como falso, como ocorreu no  caso em tela, pois falsidade não houve, todos os fatos ocorridos  foram devidamente declarados, como exige a lei, com a ressalva  acima apontada.  1ª) A Impugnante utilizou crédito financeiro de que passou a ser  detentora através de Contrato de Cessão de Crédito, em Ação de  Execução  de  Título  Extrajudicial  que  promove  em  desfavor  da  União  Federal,  para  extinguir  suas  obrigações  tributárias,  na  forma de pagamento através de conversão em renda;   2ª)  Esse  crédito,  que  é  revestido  dos  requisitos  de  certeza,  exigibilidade  e  liquidez,  tem  sua  origem  nos  Títulos  da Dívida  Pública de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional,  inclusive  reconhecido  pelo  BACEN,  além  de  constar  no  Orçamento  da  União  Federal,  uma  vez  que  trata­se  de  REPACTUAÇÃO  DE  DÍVIDA  EXTERNA  do  DL  n.°  6.019/43,  conforme  se  apresenta  no  objeto  do  pedido  de  execução,  com  ordem  de  pagamento  contra  a  Fazenda  Nacional  e  o  INSS,  autorizando  a  modalidade  de  conversão  em  renda  c/c  poder  liberatório de pagamento de qualquer tributo da esfera federal,  como forma substitutiva da Recorrente receber seus créditos, dos  quais a União é devedora (aqui, a empresa reproduz dispositivos  da Lei nº 10179/2001);  3ª) Em decorrência do regime  jurídico especial dispensado aos  bens  da  Fazenda  Pública,  dentre  cujas  características  deste  destacam­se  a  inalienabilidade  e  a  impenhorabilidade,  erguese  um impedimento à sujeição da mesma ao rito comum por quantia  certa do CPC, não se aplicando, na prática, os meios coercitivos  geralmente utilizados, como por exemplo, a penhora;   Fl. 462DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   6 4ª)  Isto  posto,  é  necessário  mediano  conhecimento  para  vislumbrar  que,  só  não  existe  o  deposito  da  quantia  devida  na  Ação Executiva promovida pela Recorrente em decorrência das  benesses  legais  que  recaem  sobre  a  União  enquanto  parte  executada, pois acredita­se que a mesma  seja devedora  solúvel  e, como tal, prima em honrar seus compromissos;   5ª)  Tais  prerrogativas  não  retiram,  contudo,  a  certeza  da  existência  do  crédito  utilizado  para  pagamento  através  da  conversão em renda, pois perfeitamente plausível e legal, partir­ se da premissa de que o Juízo está igualmente garantido;  6ª)  O  procedimento  adotado  pela  Impugnante  nada  mais  é  do  que uma forma de execução provisória do que lhe é devido, pois  o  pagamento  através  de  conversão  em  renda,  somente  se  aperfeiçoará  por  ocasião  da  efetiva  liquidação  do  crédito  executado;   7ª)  Ainda,  esse  procedimento,  lastreado  com  créditos  do  Decreto­lei n° 6.019/43, pela modalidade de extinção do crédito  tributário,  está  legalmente  amparado  pelo  que  institui  o  artigo  156,  I,  VI  do  CTN,  c/c  artigo  6o  da  Lei  n°  10.179/2001,  ratificados  pela  Lei  n.°  11.803/2008  e,  principalmente,  no  que  preconiza o art. 4750 do CPC;   8ª) Revela­se  totalmente descabida a afirmação de que, por  ter  sido  indeferido  o  seu  pedido  de  habilitação  nos  autos  da  execução, a empresa impugnante não é detentora do crédito em  tela, pois decisão não retira a eficácia do Contrato de Cessão de  Crédito  retro  citado.  Também  não  se  sustenta  a  insinuação  de  que a cessão, para ter efeito jurídico deveria ter aquiescência do  judiciário,  pois  ela  gera  efeitos  por  sua  natureza  jurídica,  não  necessitando da homologação do Juízo para gerar seus efeitos;  Diante  da  falta  de  previsão  legal  que  dê  competência  a  RFB  para  manifestar­se  sobre  a  forma  de  extinção  da  obrigação  tributária  da  Requerente,  quer  seja  o  pagamento  através  de  conversão em renda, o auto de infração aqui impugnado, no que  toca a capitulação que trata da extinção da obrigação tributária,  indevidamente  tratado  e  denominado  de  COMPENSAÇÃO,  é  totalmente nulo;   Quanto à multa de 150%   1ª) Quanto à aplicação das multas pela fiscalização, cumpre­nos  informar  que  são  confiscatórias  e,  por  isso,  devem  ser  expurgadas  deste  lançamento,  por  ofensa  ao  disposto  no  art.  150, inciso IV, da Constituição Federal;   2ª)  Apesar  de  vislumbrarmos  que  tais  penalidades  estão  amparadas pela lei, é de se admitir que as multas de 50°/o, 75%,  150% e maiores são exorbitantes e absolutamente violadora dos  princípios  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  razão  pela  qual a multa in casu aplicada deve ser adequada ao percentual  de 20%.  É o Relatório.  Fl. 463DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/2012­64  Acórdão n.º 2402­003.973  S2­C4T2  Fl. 461          7 Voto             Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade  do recurso, passo ao exame das questões preliminares.  Quanto  ao  procedimento  da  fiscalização  e  formalização  do  lançamento  também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e  11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do notificado;  II ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou  impugnação;  III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;  IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  O  recorrente  foi  devidamente  intimado  de  todos  os  atos  processuais  que  trazem  fatos  novos,  assegurando­lhe  a  oportunidade  de  exercício  da  ampla  defesa  e  do  contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto.  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  Fl. 464DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   8 no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  III  ­  por  edital,  quando  resultarem  improfícuos  os  meios  referidos nos incisos  I e  II.  (Vide Medida Provisória nº 232, de  2004)  A  decisão  recorrida  também  atendeu  às  prescrições  que  regem  o  processo  administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa  dos  fundamentos  e  se  revestiu  de  todas  as  formalidades  necessárias.  Não  contém,  portanto,  qualquer vício que suscite  sua nulidade, passando,  inclusive,  pelo  crivo do Egrégio Superior  Tribunal de Justiça:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SERVIDOR  PÚBLICO  INATIVO.  JUROS  DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ.  1.  Não  há  nulidade  do  acórdão  quando  o  Tribunal  de  origem  resolve  a  controvérsia  de  maneira  sólida  e  fundamentada,  apenas não adotando a tese do recorrente.  2. O  julgador  não  precisa  responder  a  todas  as  alegações  das  partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar  a decisão, nem está obrigado a ater­se aos fundamentos por elas  indicados “. (RESP 946.447­RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma  – DJ 10/09/2007 p.216).  Portanto,  em  razão  do  exposto  e  nos  termos  das  regras  disciplinadoras  do  processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos  atos praticados:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Superadas  as  questões  preliminares  para  exame  do  cumprimento  das  exigências formais, passo à apreciação do mérito.  No mérito  No  presente  caso,  a  recorrente  deixou  de  realizar  pagamentos  de  contribuições previdenciárias sob o fundamento de que teria extinto os créditos previdenciários  relativos ao período de 06/2010 a 12/2010 através da conversão de depósito em renda. Teria  Fl. 465DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/2012­64  Acórdão n.º 2402­003.973  S2­C4T2  Fl. 462          9 declarado em GFIP como compensação por ausência de campo específico para a conversão de  depósito em renda.  Essas  alegações  foram  apresentadas  formalmente  durante  os  procedimentos  de diligência e fiscalização através petições à delegacia de fiscalização.  O  crédito  que  alega  tem  origem  em  título  da  dívida  externa  brasileira.  A  recorrente o adquiriu através de contrato de cessão de créditos.  Entendo que a decisão recorrida não merece reparos.  A extinção do crédito tributário por meio de conversão de depósito em renda  é prevista no inciso VI de seu art. 156 do Código Tributário Nacional, in verbis:  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  (...)  VI ­ a conversão de depósito em renda;   A recorrente confunde em suas alegações depósito com crédito  fundado em  título judicial ou extrajudicial. Nessa modalidade de extinção do crédito tributário, o depósito  realizado pelo sujeito passivo tem finalidade relacionada ao tributo em litígio. Com a sentença  transitada  em  julgado,  o  depósito  é  convertido  em  renda  para  o  sujeito  ativo.  Com  isso,  o  crédito tributário é extinto.   No  caso  das modalidades  de  extinção  de  crédito  tributário  com créditos  do  sujeito passivo é necessário que se comprove a liquidez e certeza desses créditos. Pretendendo­ se a compensação e  sendo os créditos de natureza diversa da  tributária  é necessária previsão  legal ou decisão judicial transitada em julgado.  A administração pública não possui a liberalidade de aceitação de créditos de  natureza diversa daquela prevista em lei como idônea para a extinção do crédito tributário. Vê­ se  que mesmo  a  compensação  em  caráter  individual,  aquela  que  a  lei  confere  à  autoridade  administrativa, nos limites legais, a discricionariedade para estipular sobre as condições de sua  aceitação, é necessária a previsão legal da origem desses créditos:  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Em conclusão,  o  crédito  alegado,  ainda que  de  fato  pertença  ao  recorrente,  não se presta para a compensação.  Multa Isolada  Além da glosa realizada, a fiscalização aplicou multa isolada agravada sob o  fundamento de suposta falsidade de declaração, artigo 89, §10º da Lei nº 8.212/91:  Artigo 89 (...)  Fl. 466DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   10 §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  o  contribuinte  estará  sujeito  à  multa  isolada  aplicada  no  percentual  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicado  em  dobro,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente  compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  A declaração a que se refere a fiscalização seria a GFIP e a falsidade decorre  de  a  recorrente  conhecer  a  inexistência  de  crédito  a  compensar:  “a  ninguém  é  dado  alegar  desconhecer a lei para se eximir do cumprimento da respectiva obrigação”.  Observa­se que somente com o início de um procedimento de diligência, com  ciência ao sujeito passivo de que suas compensações eram objeto de auditoria, preocupou­se  em explicar a origem dos supostos créditos; até então, permanecera silente.  As provas apresentadas e os fundamentos para justificação das compensações  são  muito  pouco  convincentes  de  que  o  recorrente  não  teria  consciência  plena  da  improcedência de seu procedimento.  No caso, não se trata de um dissenso quanto à interpretação de dispositivos  legais pertinentes à origem dos créditos ou da compensação. Ao contrário, sustenta o recorrente  que seus títulos da dívida externa adquiridos de terceiros são créditos para a compensação com  contribuições  previdenciárias,  quando  inexiste  qualquer  previsão  legal  ou  decisão  de  alguma  autoridade  que  ao  menos  pudesse  iniciar  alguma  discussão  com  argumentos  razoáveis  que  afastassem a caracterização do erro intencional.   Por  essas  razões,  também  entendo  aplicável  ao  caso  a  multa  isolada  por  falsidade da declaração.  No  mais,  a  recorrente  alega  efeito  confiscatório  da  exação  e  outras  inconstitucionais;  no  entanto,  o  artigo  26­A do Decreto  n°  70.235/72  restringe  a  atuação  do  órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  É como voto.    Julio Cesar Vieira Gomes                            Fl. 467DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/2012­64  Acórdão n.º 2402­003.973  S2­C4T2  Fl. 463          11     Fl. 468DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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5395607 #
Numero do processo: 13984.901368/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/2009­59  Resolução nº  1802­000.482  S1­TE02  Fl. 109          2 Relatório    Tratam  os  presentes  autos  de  não  homologação  de  compensação  de  suposto  pagamento  a  maior  do  tributo  devido  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, apurado em  31/12/2004,  através  da  DCOMP  22115.10379.120706.1.3.04­6221,  com  débitos  de  igual  natureza, do período de apuração de 30/06/2006, no valor de R$ 167,79.  Por  bem  descrever  os  fatos  que  antecedem  à  análise  do  presente  Recurso  Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 07­ 26.482, constante às e­fls. 42:  Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada  não­homologada  a  Declaração  de  Compensação  ­  DCOMP  transmitida  pela  interessada,  em que  figura  como  crédito  pagamento  indevido ou a maior.  O  pagamento  indicado  pela  contribuinte  como  indevido  ou  a  maior  refere­se  a  Darf  com  código  de  receita  6106  (PAGAMENTO  DE  MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE — SIMPLES).  Na fundamentação do referido despacho, consta que:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP.  Irresignada,  a  contribuinte  encaminhou  manifestação  de  inconformidade, na qual alega que:  DOS FATOS   [...]  Ocorre  que  quando  da  verificação  dos  valores  recolhidos  a  maior,  as  Declarações  Simplificadas  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  não  haviam  sido  retificadas  com  os  valores  corretos do Imposto.  Procedemos  então  a  entrega  das  devidas  declarações  retificadoras, mostrando  a  origem  dos  créditos  utilizados  nas  compensações.  [...]  Como  prova  da  verdade,  anexamos  cópia  da  declaração  retificadora do ano de 2005;  [...]    Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/2009­59  Resolução nº  1802­000.482  S1­TE02  Fl. 110          3   Naquela oportunidade,  a nobre  turma  julgadora  pela carência na comprovação  das  alegações  do  contribuinte,  concluiu  pela  manutenção  do  Despacho  Decisório  que  não  homologou a compensação intentada pelo contribuinte, conforme o voto que colaciono a seguir  (e­fls 42/43):  [...]  Como  se  infere  da  manifestação  de  inconformidade,  somente  após  notificada  do  Despacho  Decisório,  a  interessada  concluiu  pela  necessidade de retificar a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica  ­ DSPJ.  Constata­se,  entretanto,  que  lido'  há  nos  autos  comprovação  inequívoca da existência de pagamento indevido ou a maior.  Como  está  disposto  de  forma  literal  no  art.  170  do  CTN,  a  compensação,  para  ser  válida,  pressupõe  a  existência  de  créditos  líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.  A comprovação da existência desse crédito é ônus da interessada, mas  no caso que aqui se tem, ela não trouxe aos autos qualquer elemento de  prova  do  suposto  erro  cometido  no  preenchimento  da  DSPJ.  A  declaração retificadora, por si só, não é prova hábil a demonstrar qual  o  efetivo  montante  do  débito,  mormente  quando  apresentada  após  ciência do Despacho Decisório.  Deste  modo,  o  crédito  indicado  no  Per/Dcomp  pela  interessada  não  goza da liquidez e da certeza que a lei impõe a ele para que possa ser  objeto de compensação.  Ante o exposto, manifesto­me pela  improcedência da manifestação de  inconformidade.  [...]    Intimada do Acórdão em 23/11/2011, mostrou­se irresignada pelo que interpôs  Recurso Voluntário em 23/12/2011, onde alega que no ano­calendário em referência recolheu  tributo  equivocadamente  à  alíquota de  4,5%,  quando na  verdade  deveria  ser  3,00%,  sendo  a  comprovação  de  suas  alegações  perfeitamente  identificadas  pela  DIPJ  Simplificada  retificadora.  É o relato do essencial.          Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/2009­59  Resolução nº  1802­000.482  S1­TE02  Fl. 111          4     Voto  Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator.    O  Recurso  Voluntário  interposto  é  tempestivo  e  preenche  aos  requisitos  de  admissibilidade pelo que merece ser conhecido.  Como se extrai dos autos, o contribuinte intentou se utilizar de suposto crédito  por  pagamento  a  maior  do  SIMPLES  (Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) para compensar débitos  tributários apurados para o mesmo tributo, vincendos.  Discorre o  contribuinte  no  sentido de que o  recolhimento  a maior  se deu pela  adoção equivocada de alíquota na aplicação do tributo.   É enxerto de seu Recurso Voluntário (e­fls 48):  No  ano  calendário  de  2004  e  2005,  o  imposto  Simples  Federal  foi  calculado erroneamente à alíquota de 4,5% sendo que o correto seria  ser  calculado  à  alíquota  de  3%. Quando  observado o  erro,  os Darfs  (sic), já haviam sido recolhidos. Foram feitas então as Declarações de  Compensações (sic), compensando débitos de 2006 com as diferenças  dos recolhimentos  feitos a maior, e retificada (sic) as Declarações de  Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simplificada referentes aos anos de  2004 e 2005, corrigindo os valores dos débitos, comprovando assim a  diferença  dos  recolhimentos  a  maior  que  geraram  os  respectivos  créditos para compensação.    Ora, a aplicação da alíquota para o SIMPLES depende de vários fatores, entre os  quais, o enquadramento e especialmente o  faturamento contraído pela pessoa jurídica no ano  calendário anterior.  Na análise do reclamo do contribuinte, observa­se que tais questões não foram  sequer  enfrentadas  pela  turma  julgadora  a  quo,  fixando­se  esta  em  seus  motivos  de  não­ homologação, à suposta carência na comprovação do pleito do contribuinte.  Tais razões para não homologação do crédito pleiteado pelo contribuinte não são  satisfatórias, especialmente porque, as sociedades empresárias optantes pelo Sistema Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e Contribuições  das Microempresas  e  das Empresas  de  Pequeno  Porte – SIMPLES possuem escrituração contábil e fiscal igualmente simplificadas.  É  certo  que  a  administração  tributária  possui  mais  dados  e  provas  a  serem  apresentadas  para  atestar  a  existência  do  direito  creditório  do  que  o  próprio  contribuinte.  Assim,  em  atenção  ao  art.  333,  II,  do  Código  de  Processo  Civil,  por  não  homologar  a  compensação  requerida  pelo  contribuinte,  deve  a  administração  tributária  apresentar  os  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/2009­59  Resolução nº  1802­000.482  S1­TE02  Fl. 112          5 elementos  de  prova  que motivem  a  decisão  denegatória  –  “fato  impeditivo, modificativo  ou  extintivo do direito do autor”.  Isso não dispensa por óbvio o contribuinte de comprovar igualmente seu pleito,  através de seu balanço contábil do ano­calendário, ou, no mínimo, com cópia das notas fiscais  que demonstrem inequivocamente o faturamento contraído no período.  Isto posto, converto o julgamento em diligência, para que a unidade de origem:  ­  emita  relatório  circunstanciado  com  base  nas  informações  constantes  nos  sistemas  da  Receita  Federal  acerca  (a)  do  enquadramento  da  sociedade  empresária  para  os  anos­calendário de 2004 e 2005, (b) a atividade e ainda, (c) demonstrando a evolução de seu  faturamento desde o ano­calendário de 2003, concluindo ao final com a aplicação da alíquota  do tributo a ser levada a efeito pelo contribuinte com base nas informações e na legislação da  época;  ­ intime o contribuinte a trazer aos autos, cópia do balanço contábil e/ou cópia  de  todas  as  notas  fiscais  emitidas  no  ano­calendário  2005  ou  ainda  livro  registro  de  saídas  autenticado capazes de comprovar o faturamento declarado em obrigação acessória.  A  não  comprovação  por  parte  do  contribuinte,  poderá  determinar  a  não  homologação da compensação.  Após a diligência, retornem­se os autos.    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Marciel Eder Costa ­ Relator    Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Numero do processo: 10935.902258/2012-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 65          1 64  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.902258/2012­05  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­002.336  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de novembro de 2013  Matéria  DCOMP ELETRÔNICO ­ PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO  Recorrente  ANHAMBI ALIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 15/07/2003  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  EM  SEDE  ADMINISTRATIVA.  Não  existindo,  na  legislação,  norma  que  autorize  a  exclusão  do  valor  do  ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o  julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta  é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram  pelas conclusões.     (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relatora         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 58 /2 01 2- 05 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/2012­05  Acórdão n.º 3801­002.336  S3­TE01  Fl. 66          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Sérgio  Celani,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva Murgel,  Marcos  Antônio  Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/2012­05  Acórdão n.º 3801­002.336  S3­TE01  Fl. 67          3   .  Relatório  Trata­se de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou  a maior  formulado  pelo  ora Recorrente, Anhambi Alimentos  Ltda.,  que  não  foi  reconhecido  pela Delegacia da Receita Federal de origem.  Não  concordando  com  o  indeferimento  do  seu  pleito,  o  Recorrente  apresentou manifestação  de  inconformidade  que  foi  julgada  improcedente  pela Delegacia  de  Julgamento. Restou assim ementado o acórdão:  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.   Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de  se indeferir o pedido de restituição apresentado.   EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.   Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de  cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido  valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços  prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.   CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.   Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da  conformidade  da  atividade  de  lançamento  com  as  normas  vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar  validade  sob  o  argumento  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade.   Manifestação de Inconformidade Improcedente.   Inconformado  com  a  decisão  proferida  e  repisando  os  argumentos  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional  “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”.  É o relatório.   Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/2012­05  Acórdão n.º 3801­002.336  S3­TE01  Fl. 68          4     Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  Presentes  os  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  dele  conheço.  O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de  crédito  tributário pago  indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito  decorre  da  inconstitucional  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  do  valor  do  ICMS devido aos Estados­membros.   Sem  trazer  nenhum  provimento  jurisdicional  favorável,  em  suas  razões  recursais, alega que o  ICMS é  tributo devido aos Estados­membros e, por  isso, não pode ser  considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o  tema para embasar suas alegações.  Em  que  pese  essa  Relatora  ter  o mesmo  entendimento  do  Recorrente  com  relação  à  matéria,  ou  seja,  o  ICMS,  de  fato,  não  poderia  compor  a  base  de  cálculo  da  contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Assim,  como muito  bem  colocado  no  acórdão  recorrido,  “cumpre  registrar  que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de  cálculo  do PIS  e  da Cofins,  já  que  esse  valor,  ainda  que  assim não  entenda  a  interessada,  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias  e  serviços  vendidos,  exceção  feita  para  o  ICMS  recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se  depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”.  Inexistindo na  legislação em vigor  a possibilidade de o contribuinte excluir  da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o  direito creditório do Recorrente.   Ademais,  importante  ressaltar  que  os  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade  da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a  favor dos contribuintes.   Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força  da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em  2007  e  ainda  pendente  de  julgamento.  Assim,  não  há,  até  o  presente  momento,  qualquer  definição do Poder Judiciário acerca da questão.  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/2012­05  Acórdão n.º 3801­002.336  S3­TE01  Fl. 69          5   Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento.       (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel                                  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES

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Numero do processo: 10735.004338/2002-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 30/09/2002 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO POSTERIOR DE PAGAMENTO. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO. A alegação de pagamento é ato incompatível com o interesse recursal e implica renúncia tácita ao recurso já interposto, à luz do art. 503 do CPC. Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão do pedido de arquivamento por parte da recorrente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ     2   Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  (fls.  3/4)  protocolada  em  29  de  outubro  de  2002,  ainda  na  disciplina  da  IN/SRF  nº  210/02,  através  da  qual  a  recorrente  pretendia extinguir débitos de Cofins da competência setembro/2002, mediante compensação  com créditos­prêmio de IPI adquiridos de terceiro, a empresa Simab S.A.  A existência e cessibilidade do crédito­prêmio foi objeto de extenuante litígio  judicial entre a cedente Simab e a União (mandado de segurança nº 2000.51.01.00072­3) (fls.  37/44  e  150/169),  encerrado  em  17  de  setembro  de  2012,  data  do  trânsito  em  julgado  de  acórdão  do  E.  STJ  que  reconheceu  a  prescrição  –  por  conseguinte,  a  inexistência  –  do  pretendido crédito.  A DComp não foi homologada pela DRF (fls. 175/178), com fundamento no  art. 170­A do CTN, considerando que, na data de seu protocolo, o mandado de segurança ainda  não havia transitado em julgado – o que, aliás, só viria a ocorrer 10 anos depois...  A manifestação  de  inconformidade  (fls.  185/193)  deduziu  que,  à  época  do  protocolo  da  DComp,  havia  decisão  judicial  vigente  reconhecendo  o  crédito  e  a  sua  cessibilidade a terceiros.  A  DRJ­Juiz  de  Fora/MG  desacolheu  a  inconformidade  (fls.  235/242)  ao  mesmo fundamento da DRF, qual seja, o desatendimento do art. 170­A do CTN.  Em 20 de setembro de 2009 sobreveio recurso voluntário  (fls. 248/253), no  qual a recorrente articula com a inaplicabilidade do art. 170­A ao caso, uma vez que tal norma  incidiria somente “naqueles processos judiciais nos quais o crédito a ser compensado origina­ se um tributo pago indevidamente”.  Em  8  de  novembro  de  2010,  contudo,  e  representada  por  novo  patrono,  a  recorrente protocolou petição (fls. 265/268) informando que o débito objeto deste processo fora  lançado de ofício no P.A. nº 15559.000086/2007­16, e que fora integralmente pago à vista pela  recorrente  com  as  vantagens  oferecidas  pela  MP  nº  470/09.  Junta,  com  essa  petição  (fls.  307/326),  cópias  daquele P.A.  e  demonstrativos  de  adesão  ao  regime  da MP  nº  470/09,  nos  quais, de fato, consta débito de Cofins da competência setembro/02, no mesmo valor do débito  aqui não homologado (R$4.846.480,12).  É o relato.  Voto             Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz  Entendo que a petição de fls. 265/268 esvazia a incumbência deste colegiado.  A  recorrente  está  a  alegar  que  o  débito  objeto  da DComp  foi  pago  após  a  decisão  que  não  homologou a compensação  inicialmente pretendida. O pagamento posterior à constituição do  débito  não  é  matéria  de  defesa,  ao  contrário,  é  providência  incompatível  com  o  desejo  de  recorrer,  pois  implica  inequívoco  reconhecimento  da  procedência  do  ato  de  constituição  do  crédito tributário.  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.004338/2002­70  Acórdão n.º 3403­002.744  S3­C4T3  Fl. 4          3 Tomo,  pois,  aquela  petição  como  renúncia  ao  recurso  voluntário  anteriormente interposto, com fundamento no art. 503 do CPC.  Se o débito cuja compensação foi recusada nestes autos está pago – como é o  que  parece  ser  o  caso,  à  vista  dos  docs.  de  fls.  307/326  –,  a  autoridade  preparadora  saberá  identificar  esse  fenômeno  extintivo,  cessando  providências  subsequentes  de  cobrança.  Não  cabe  a  este  colegiado,  contudo,  confirmar,  investigar  nem  determinar  nada  à  DRF  a  esse  respeito,  uma  vez  que  se  trata  de  aspecto  posterior  e  alheio  à  compensação  objeto  deste  processo.  Desconheço, pois, do recurso voluntário.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Marcos Tranchesi Ortiz                                Fl. 332DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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