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Numero do processo: 10925.905108/2012-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 08 /2 01 2- 64 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/201264 Acórdão n.º 3801002.890 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/201264 Acórdão n.º 3801002.890 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/201264 Acórdão n.º 3801002.890 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/201264 Acórdão n.º 3801002.890 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/201264 Acórdão n.º 3801002.890 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905108/201264 Acórdão n.º 3801002.890 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10840.722726/2011-20
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator
Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, ano-calendário 2008, decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processos trabalhista, no valor de R$31.180,37, já deduzidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte (R$8.246,00).
Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429-SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situarem-se na primeira faixa da tabela progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, bem com alegou a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício.
A impugnação foi indeferida tendo como fundamento, em síntese:
suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF;
aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988 e inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN;
tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988;
vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei;
previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN.; e
previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora.
Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos:
por força de Requisição de Pequeno Valor RPV (ação 2004.61.85.014861-9) decorrente da aplicação do índice integral de correção monetária no percentual de 39,67% referente ao IRSM do mês de fevereiro de 1994 e do cálculo da evolução da RMI até a renda mensal na data da sentença, o recorrente recebeu rendimentos acumulados pagos pelo INSS
entretanto, como as diferenças das rendas mensais de maio de 1999 a junho de 2006 não foram disponibilizadas pelo INSS, o contribuinte ingressou com liquidação de sentença, que apontou o valor de R$30.339,32, acrescido de juros de mora de R$6.730,05, o que totalizou R$37.069,37.
os benefícios pagos pelo INSS em atraso, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 1,0% ao mês;
A autuação baseou-se nos rendimentos recebidos acumuladamente relativa aos meses de maio de 1999 a junho de 2006, que se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto;
a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543-C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61-A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011;
a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva;
não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$9.087,05), sendo R$6.730,05 da liquidação da sentença mais R$2.357,00 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543-C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP).
é ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404);
os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e
não aplicação da multa de ofício porque não agiu de má-fé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificando-se a aplicação do art. 112 do CTN.
Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69-A) e no Estatuto do Idoso.
Relatado, passa-se a deliberar.
Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância verifica-se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no ano-calendário 2007.
A documentação de fls. 42 em diante comprova que os rendimentos referem-se a benefícios mensais do período de maio de 1996 a junho de 2006 pagos pelo INSS em atraso.
Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Vejamos:
RE 614406 AgR-QO-RG / RS - RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010
Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados - se por regime de caixa ou de competência - vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543-B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos).
Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, ano-calendário 2008, decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processos trabalhista, no valor de R$31.180,37, já deduzidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte (R$8.246,00). Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429-SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situarem-se na primeira faixa da tabela progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, bem com alegou a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício. A impugnação foi indeferida tendo como fundamento, em síntese: suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF; aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988 e inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN; tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988; vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei; previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN.; e previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora. Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos: por força de Requisição de Pequeno Valor RPV (ação 2004.61.85.014861-9) decorrente da aplicação do índice integral de correção monetária no percentual de 39,67% referente ao IRSM do mês de fevereiro de 1994 e do cálculo da evolução da RMI até a renda mensal na data da sentença, o recorrente recebeu rendimentos acumulados pagos pelo INSS entretanto, como as diferenças das rendas mensais de maio de 1999 a junho de 2006 não foram disponibilizadas pelo INSS, o contribuinte ingressou com liquidação de sentença, que apontou o valor de R$30.339,32, acrescido de juros de mora de R$6.730,05, o que totalizou R$37.069,37. os benefícios pagos pelo INSS em atraso, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 1,0% ao mês; A autuação baseou-se nos rendimentos recebidos acumuladamente relativa aos meses de maio de 1999 a junho de 2006, que se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto; a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543-C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61-A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$9.087,05), sendo R$6.730,05 da liquidação da sentença mais R$2.357,00 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543-C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP). é ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404); os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e não aplicação da multa de ofício porque não agiu de má-fé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificando-se a aplicação do art. 112 do CTN. Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69-A) e no Estatuto do Idoso. Relatado, passa-se a deliberar. Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância verifica-se discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no ano-calendário 2007. A documentação de fls. 42 em diante comprova que os rendimentos referem-se a benefícios mensais do período de maio de 1996 a junho de 2006 pagos pelo INSS em atraso. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgR-QO-RG / RS - RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados - se por regime de caixa ou de competência - vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543-B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processos trabalhista, no valor de R$31.180,37, já deduzidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte (R$8.246,00). Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situaremse na primeira faixa da tabela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .7 22 72 6/ 20 11 -2 0 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722726/201120 Resolução nº 2802000.149 S2TE02 Fl. 133 2 progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, bem com alegou a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício. A impugnação foi indeferida tendo como fundamento, em síntese: a) suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF; b) aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988 e inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN; c) tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988; d) vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei; e) previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN.; e f) previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora. Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. por força de Requisição de Pequeno Valor – RPV (ação 2004.61.85.0148619) decorrente da aplicação do índice integral de correção monetária no percentual de 39,67% referente ao IRSM do mês de fevereiro de 1994 e do cálculo da evolução da RMI até a renda mensal na data da sentença, o recorrente recebeu rendimentos acumulados pagos pelo INSS 2. entretanto, como as diferenças das rendas mensais de maio de 1999 a junho de 2006 não foram disponibilizadas pelo INSS, o contribuinte ingressou com liquidação de sentença, que apontou o valor de R$30.339,32, acrescido de juros de mora de R$6.730,05, o que totalizou R$37.069,37. 3. os benefícios pagos pelo INSS em atraso, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 1,0% ao mês; 4. A autuação baseouse nos rendimentos recebidos acumuladamente relativa aos meses de maio de 1999 a junho de 2006, que se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722726/201120 Resolução nº 2802000.149 S2TE02 Fl. 134 3 5. a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; 6. a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; 7. não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$9.087,05), sendo R$6.730,05 da liquidação da sentença mais R$2.357,00 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP). 8. é ilegal do §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964 e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404); 9. os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e 10. não aplicação da multa de ofício porque não agiu de máfé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificandose a aplicação do art. 112 do CTN. Requer prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69A) e no Estatuto do Idoso. Relatado, passase a deliberar. Da análise da fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância verificase discussão acerca da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2007. A documentação de fls. 42 em diante comprova que os rendimentos referemse a benefícios mensais do período de maio de 1996 a junho de 2006 pagos pelo INSS em atraso. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722726/201120 Resolução nº 2802000.149 S2TE02 Fl. 135 4 Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004919/2001-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
Ementa:
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC.
De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62-A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para homologar a declaração de compensação de fls. 39 e deferir o ressarcimento do saldo do valor do pedido de ressarcimento de fls. 4/5, não utilizado na referida declaração de compensação, remunerado pela SELIC desde 4 de setembro de 2001 até a data de seu efetivo pagamento à recorrente. Os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões quanto à correção pela taxa Selic. Esteve presente ao julgamento o Dr. Edson Ferreira Rosa, OAB/GO nº 16.778.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62 A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para homologar a declaração de compensação de fls. 39 e deferir o ressarcimento do saldo do valor do pedido de ressarcimento de fls. 4/5, não utilizado na referida declaração de compensação, remunerado pela SELIC desde 4 de setembro de 2001 até a data de seu efetivo pagamento à recorrente. Os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan votaram pelas conclusões quanto à correção pela taxa Selic. Esteve presente ao julgamento o Dr. Edson Ferreira Rosa, OAB/GO nº 16.778. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 49 19 /2 00 1- 59 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Lei nº 9.363/96), relativo ao 2º trimestre de 2001, no valor de R$1.633.488,73, apresentado, no antigo sistema físico, em 4 de setembro de 2001 (fls. 4/5). A ele seguiuse, em 23 de janeiro de 2003, declaração de compensação (fl. 39), por meio da qual se pretendeu aproveitar parcela do crédito ressarciendo para extinguir débitos próprios de PIS, no valor de R$172.198,45. A DRF glosou a parcela do crédito presumido calculado sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas, reconhecendo, afinal, um crédito no valor de R$175.474,63. Homologou, então, a compensação declarada e deferiu o ressarcimento do crédito que sobejou, no valor de R$3.276,18 (fls. 156/166). A decisão é de 13 de junho de 2007. Em 1º de outubro de 2007, a recorrente manifestou inconformidade (fls. 197/230), sustentando seu direito de acrescer, à base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de nãocontribuintes das exações. Em 23 de novembro de 2007 – dias após a apresentação da manifestação de inconformidade, portanto –, a recorrente impetrou mandado de segurança repressivo (fls. 238/255), pedindo ordem à DRF para que recalculasse o crédito presumido com o cômputo das aquisições de nãocontribuintes na respectiva base. A ação tramitou perante a 4ª VF/GO sob nº 2007.35.00.0240031. Em 21 de fevereiro de 2008, a DRJJuiz de Fora/MG indeferiu a inconformidade, e o fez com fundamento no art. 20 da IN/RFB nº 600/05, que veda o ressarcimento de crédito cujo valor possa ser alterado por decisão judicial definitiva (fls. 258/266). À época, não havia ainda qualquer provimento judicial favorável à recorrente nos autos mandamentais. Sobreveio tempestivo recurso voluntário (fls. 271/316) sustentando a inaplicabilidade do mencionado art. 20 da IN/RFB nº 600/05 e a incidência de juros SELIC sobre o crédito ressarciendo a partir do protocolo do pedido. Em 30 de julho de 2008, o juízo da 4ª VF/GO sentenciou o mandado de segurança, concedendo a ordem (fls. 341/348). Apelação da Fazenda Nacional levou os autos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e lá, em 16 de abril de 2009, o eminente desembargador relator Leomar Amorin, a pedido da recorrente, oficiou a RFB para dar imediato cumprimento à sentença, ante a inexistência de efeito suspensivo do apelo (fls. 350/351). Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.004919/200159 Acórdão n.º 3403002.789 S3C4T3 Fl. 6 3 Em 18 de dezembro de 2009, a DRF então recalculou o crédito da recorrente com os parâmetros fixados na sentença, reliquidandoo em R$1.663.708,28 (fls. 356/367). No mesmo relatório, consignou a DRF que a decisão judicial determinava o recálculo imediato do crédito, mas não a sua devolução imediata à recorrente, a qual deveria aguardar o trânsito em julgado judicial, por força do art. 170A do CTN. Em 22 de dezembro de 2010, os autos subiram ao CARF (fl. 384). É o relato. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Pouco resta a ser enfrentado neste recurso. A matéria de fundo – apropriação de crédito presumido sobre aquisições de nãocontribuintes – foi endereçada ao Judiciário no autos do mandado de segurança nº 2007.35.00.0240031. Não foi o caso, contudo, de aplicar a Súmula CARF nº 1, em razão de peculiar pedido formulado pelo contribuinte em juízo: prolação de ordem à autoridade coatora para que prosseguisse na análise do pedido ressarcitório, porém calculando o crédito presumido a partir dos critérios fixados na ação judicial. Concedida a ordem, a administração tributária não poderia considerar encerrado o processo administrativo, pois o comando judicial que se lhe dirigiu era justamente para que prosseguisse na apreciação do pleito administrativo. Não houve, enfim, renúncia ao contencioso administrativo em si mesmo, mas apenas à discussão acerca da base de cálculo do crédito presumido. A autoridade preparadora, obedecendo à decisão judicial, então recalculou o crédito presumido a partir de base acrescida das aquisições de não contribuintes, e determinou que se aguardasse o trânsito em julgado da ação judicial. Pois bem. Consultando o andamento do mandado de segurança nº 2007.35.00.0240031 no site do TRF da 1ª Região, constato que a sentença concessiva da ordem foi confirmada pelo tribunal em acórdão proferido em 1º de junho de 2010, o qual transitou em julgado em 12 de julho de 2011. Resta, pois, executar nestes autos a decisão judicial transitada em julgado. Percebo, entretanto, que o valor do crédito apurado pela RFB sob os parâmetros judiciais (R$1.663.708,28) é superior ao próprio pedido deduzido pela recorrente (R$1.633.488,73). Considerando que a decisão judicial não liquida o crédito, mas apenas impõe regras a serem observadas na sua liquidação, entendo que a administração deve aterse ao pedido da recorrente, sem que vá aí qualquer afronta à ordem judicial. A única matéria de mérito que remanesce aos cuidados deste Conselho diz respeito à atualização ou não do crédito histórico pela SELIC. Sobre o tema, este Colegiado da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF já decidiu, sob inspiração do acórdão prolatado pelo E. STJ no Recurso Especial nº 1.035.847, Fl. 391DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 julgado sob o rito do artigo 543C do CPC, que o postulante ao ressarcimento de créditos tributários tem direito à remuneração do principal a partir da data em que formaliza sua pretensão perante a administração tributária. Reportome ao votovencedor do Conselheiro Robson José Bayerl no acórdão no. 340301.569: “(...), em minha opinião, o fundamento para o reconhecimento do direito à atualização monetária não reside especificamente no óbice ao aproveitamento do crédito, caracterizado pela oposição de ato estatal ou vedação à sua utilização, mas sim no indesejado enriquecimento sem causa por parte do Estado, quando ocorrente tais hipóteses, como restou demarcado no voto condutor do REsp 1.035.847/RS, citado no REsp 993.164/MG, cujo excerto transcrevo: ‘Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.’ Em meu sentir, a oposição de ato estatal ou vedação à percepção do direito creditório pode se concretizar tanto de forma comissiva, pela expedição de ato administrativo que restrinja o direito, como de forma omissiva, pela inércia em examinar o pleito formulado em prazo razoável. (...) Não se está aqui a defender o direito à correção monetária de créditos escriturais registrados extemporaneamente, mas, na esteira do raciocínio engendrado pelo STJ, a necessária atualização monetária do crédito requerido e garantido por lei a partir do protocolo do pedido junto à RFB, quando então passaria a Administração Tributária a incorrer em mora perante o contribuinte. Mais uma vez, o obstáculo à fruição de um direito assegurado pela lei pode se verificar tanto por um “fazer o que não é devido” (comissão), como um “não fazer o que é devido” (omissão), de modo que qualquer destes comportamentos, adotados a partir do protocolo do pedido, enseja o direito à atualização monetária. Importante acentuar que o caso concreto examinado no REsp 1.035.847/RS, paradigma do recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), envolvia ressarcimento de saldo credor de IPI, requerido com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Demais disso, aquela corte judicial deferiu a correção monetária desde a data de apuração do saldo até a sua utilização, do que se depreende que, com maior razão, deverá ser admitido para aquelas hipóteses em que o reajuste do valor tenha como dies a quo a formulação do pedido. Em conclusão, deve ser admitida a atualização do valor a ser ressarcido pela taxa selic, não porém a partir da apuração, pois até então a Fazenda Nacional não estaria em mora, por assim dizer, mas sim, como marco inicial, o protocolo do pedido Fl. 392DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.004919/200159 Acórdão n.º 3403002.789 S3C4T3 Fl. 7 5 administrativo, podendo, daí, configurar o obstáculo no reconhecimento do direito, seja pela oposição de ato estatal, seja pela inação em prontamente examinar o pleito, até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação.” Partilhando das conclusões acima, aplicoas à hipótese em análise para assegurar à recorrente o direito ao acréscimo da Taxa SELIC, contado desde a data de transmissão do pedido. Isto posto, voto pelo provimento do recurso para homologar a declaração de compensação de fls. 39 e deferir o ressarcimento do saldo do valor do pedido de ressarcimento de fls. 4/5, não utilizado na referida declaração de compensação, remunerado pela SELIC desde 4 de setembro de 2001 até a data de seu efetivo pagamento à recorrente. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 393DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 19515.721142/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plinio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorin Vivan.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plinio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorin Vivan.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plinio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Alexei Macorin Vivan. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 14 2/ 20 11 -0 1 Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário do contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a sua impugnação. Por economia processual e com a vênia do colegiado, adotase o relatório da decisão recorrida, que ora se reproduz: Tratase de impugnação ao auto de infração de IRPJ lavrado contra o contribuinte acima identificado em razão da suposta redução indevida do lucro real pela compensação do horário da propaganda partidária e eleitoral gratuita prevista em legislação, tendo sido a exclusão na base de cálculo do IRPJ superior à permitida. O auto de infração monta a R$ 26.064.930,75, aí incluídos principal, juros de mora calculados até a data da autuação e multa de ofício de 75%. O enquadramento legal encontrase arrolado no respectivo auto de infração. Em fls. 2157 a 2174, encontrase o Termo de Verificação, com o relato dos procedimentos executados pela fiscalização que culminou com a presente autuação, de qual se extraiu o seguinte excerto: Ao analisar as planilhas de apuração (fls. 97/101) e os extratos de valoração apresentadas (fls. 137/1532) verificouse que o contribuinte (I) utilizou para o cálculo da compensação preços de tabela, diferentes daquelas praticadas na comercialização efetiva do espaço para veiculação de publicidade normal e (II) compensou integralmente o montante apurado, sem observar o percentual de 0,8 (oito décimos). Conforme vimos, as normas citadas determinam que a valoração do tempo da propaganda partidária ou eleitoral para compensação fiscal deve sempre tomar por base o valor do espaço efetivamente comercializado (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 2 de 6 de março de 2006), sendo ainda passível de exclusão apenas o percentual de 0,8 (oito décimos) desse valor (Decreto n° 5.331/2005). Os cálculos do contribuinte foram feitos pelos valores constantes das suas tabelas de preços de janeiro, março e outubro (televisão), de janeiro e outubro/2006 (rádio Bandeirantes AM), de janeiro a junho e de julho a novembro/2006 (rádio Band FM). No entanto, essas tabelas por deixar de refletir o preço efetivamente comercializado, considerando que era prática usual a concessão de descontos comerciais sobre os preços de tabela nas negociações diretas com seus clientes, acabaram por superdimensionar o montante da compensação fiscal. Os descontos eram aplicados em porcentuais variáveis de acordo com a conveniência e interesse comercial entre as partes e de cada operação, conforme se extrai das Notas de Negociação e (PI) Pedidos de Inserção a seguir exemplificados (fls. 1625/1691): Veiculo N° Neqociacäo Classificação Cliente Desconto % Tabela Band TV 235.490 Merchandising Banco Bradesco Bradesco 10,00 Out/2006 Band TV 214.708 Patrocínios Companhia Brasileira de Alumínio 14,53 Jan/2006 Band TV 217.758 Patrocínios AGECOM VT4 Comunicações Prod. 20,00 Mar/2006 Band TV 229.802 Veiculação Paga Ford Motor Company Ltda 35,00 Mar/2006 Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 4 3 Band TV 229.091 Horário Vendido Hipercard Banco Múltiplo SA 39,96 Mar/2006 Band TV 218.194 Merchandising Brastemp/Cônsul Whirlpool SA 40,00 Mar/2006 Band TV 230.808 Merchandising Brastemp/Cônsul Whirlpool SA 42,56 Mar/2006 Band TV 230.379 Conselho Federal de Medicina 20,00 Out/2006 Band TV 229.803 Ford Motor Company Ltda 35,00 Mar/2006 Band AM 235.523 Veiculação Paga Nossa Caixa 10,00 Jan/2006 Band AM 220.411 Veiculação Paga Vale do Rio Doce SA 30,00 Jan/2006 Band AM 217.329 Veiculação Paga Casa Civil SP 25,00 Jan/2006 Band AM 227.066 Veiculação Paga Nossa Caixa 10,00 Jan/2006 Band AM PI SP2006.3228.21 Veiculação Paga Serv Apoio as Micro e Peq. Empresas 20,00 Band FM 219.801 Veiculação Paga TIM Celular SA 24,21 Nov/2005 Band FM 219.348 Veiculação Paga Gol Transportes Aéreos / / 24,93 Nov/2005 Band FM 220.893 Veiculação Paga TAM Linhas Aéreas 30,00 Abr/2006 Band FM 213.481 Veiculação Paga Senac SP 30,00 Nov/2005 Band FM 213.929 Veiculação Paga CLARO 35,00 Nov/2005 Band FM 216.863 Patrocínios AMBEV 5,96 Nov/2005 Band FM 220.988 Patrocínios Boehringer 77 21,09 Abr/2006 Band FM PI 010189 PMSP Comunicação 20,00 Sendo uma forma de ressarcimento dos valores que deixaram de ser auferidos em razão da cedência do seu horário para transmissão obrigatória da propaganda partidária ou eleitoral, o seu cálculo deveria terse pautado naquilo que concretamente foi suportado pela emissora, na forma determinada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 2 de 6 de março de 2006 Assim sendo, para manter o equilíbrio e a equivalência entre a receita gerada e aquela que deixou de ser gerada em virtude da cessão do tempo à justiça eleitoral, ambas deveriam estar valoradas por idênticos parâmetros, ou seja, pelos preços efetivos, contemplando, inclusive, os descontos comerciais praticados, sob pena de se obter resultados distorcidos como no caso em tela. Através dos Termos de Intimação cientificados em 27082010 (fl. 1693) e em 27092010 (fl. 1696) foi solicitado ao contribuinte para: "1Informar e justificar, mediante declaração datada e assinada pelo representante legal, se os preços das inserções comerciais e de veiculação de publicidade que o contribuinte efetivamente praticou para faturamento em 2006 (líquido dos eventuais descontos comerciais concedidos) são os mesmos utilizados para o cálculo da compensação e ressarcimento da propaganda partidária e eleitoral obrigatório (parágrafo 4o e 5o do artigo 1o Decreto n° 5.331/2005); 2Para os fins do disposto no artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 2 de 6 de março de 2006, informar mediante declaração datada e assinada pelo representante legal, os valores efetivamente praticados no anocalendário de 2006, relativamente ao faturamento de publicidade e comerciais inseridas e veiculadas em cada um dos horários da grade de programação da TV, das rádios AM e FM; 3 – Colocar a disposição para exame documentação hábil e idônea comprobatórios dos valores efetivamente praticados,mencionados no item anterior. Todavia essas informações e os elementos comprobatórios dos valores efetivamente praticados, imprescindíveis ao cálculo e á apuração da compensação fiscal nos termos dos dispositivos do Decreto nº 5.331/2005 e ADE SRF nº 2/2006 não foram apresentados, ainda que reiterado o pedido através do Termo de Intimação cientificado em 08022001 (fl. 2118). Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 5 4 Neste sentido, considerando que o montante de R$ 186.206.066,28 pleiteado pelo contribuinte não deve prosperar, pois, além de apresentarse incompatível e em montante notoriamente desproporcional às receitas do período, sua apuração contraria de forma flagrante os requisitos da lei e, considerando que os elementos necessários à sua apuração nos termos dos citados dispositivos não foram apresentados, o cálculo da compensação fiscal devida passou a ser feita de ofício e de forma indireta com base nos elementos e informações disponibilizados. A apuração de ofício foi feita basicamente de forma proporcional ao tempo total estimado de publicidade comercial veiculado na rádio AM, FM e na Televisão e o valor bruto por elas efetivamente geradas (receita bruta do período). Para a apuração do tempo total estimado de publicidade comercial veiculado, em primeiro lugar foi considerado como período útil apenas os horários dos quatro blocos de audiência definido no inciso III do artigo 51 da Lei n° 9.504/97, ou seja, das oito horas às vinte e quatro horas, desprezandose o período compreendido entre as 00h00 às 08h00. Importante aqui ressaltar que, para subsidiar a auditoria e os trabalhos dessa apuração, através do Termo de Intimação cientificado em 08022011 (fl. 2118), havia sido solicitado ao contribuinte para que informasse a relação percentual efetiva do tempo de propaganda e publicidade comercial e da programação normal da emissora de TV e rádios AM e FM, em relação a cada um dos meses de Janeiro à Outubro de 2006, bem como a indicação, em segundos, do tempo efetivo utilizado em propaganda e publicidade comercial em cada um dos blocos de audiência previsto no inciso III do artigo 51 da Lei n° 9.504/97. Essas informações não foram apresentadas, o contribuinte sequer se manifestou sobre a intimação. Neste sentido, foi considerado como tempo de veiculação de publicidade comercial o equivalente a vinte cinco por cento do tempo útil disponível para a programação normal da emissora, seguindo o mesmo porcentual de tempo aplicado pelo contribuinte para o cálculo da compensação fiscal das transmissões em bloco da propaganda eleitoral (planilha as fls. 97/98 e 2149/2150) e o limite estipulado pelo parágrafo 3o do Decreto n° 5.331/2005 e pelo artigo 124 da Lei n° 4.117 de 27 de agosto de 1962 que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações. O demonstrativo de cálculo do tempo estimado utilizado para veiculação de publicidade comercial efetuado pela fiscalização encontrase no Anexo II denominado “Tempo Estimado Utiizado em Publicidade Comercial”. A partir desses dados – relação tempo estimado utilizado em publicidade comercial e a receita bruta por ela gerada ( receita bruta do período) – foi apurado a receita ou o preço equivalente a cada segundo de publicidade comercial, para com base nela apurar Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 6 5 proporcionalmente o montante da compensação fiscal do tempo da propaganda partidária e eleitoral. Importante aqui observar que o total da receita bruta aqui considerada foi de RS 411.032.238,58, discriminada no quadro a seguir, apresentado pelo contribuinte (fls. 1704/1706), o qual corresponde ao montante efetivo da receita com publicidade, desprezandose aquela constante da sua escrituração contábil, considerando que, por conveniência contábil e administrativa, os valores do desconto padrão de agência que compõe a receita bruta deixaram de ser registrados pelo contribuinte. Em Reais (R$) Mês Band TV Band AM Band FM TOTAL JAN 24.837.955,10 3.420.013,43 2.381.331,53 30.639.300,05 FEV 28.240.041,19 3.485.918,47 1.747.391,14 33.473.350,80 MAR 27.981.793,79 2.922.392,04 1.258.401,22 32.162.587,05 ABR 31.791.625,48 3.211.178,41 2.050.415,44 37.053.219,33 MAIO 32.730.493,67 4.734.334,88 1.523.054,31 38.987.882,85 JUN 31.853.940,57 4.524.608,20 1.601.127,51 37.979.676,28 JUL 25.875.328,03 4.055.591,98 1.732.765,31 31.663.685,32 AGO 26.340.399,08 3.986.421,49 1.323.812,29 31.650.632,86 SET 26.383.943,21 4.036.464,89 1.368.804,17 31.789.212,28 OUT 24.790.206,57 4.291.165,00 1.427.869,12 30.509.240,68 NOV 27.827.868,42 4.181.504,32 1.440.051,66 33.449.424,40 DEZ 35.004.983,31 4.916.801,58 1.752.241,81 41.674.026,70 TOTAL 343.658.578,39 47.766.394,67 19.607.265,52 411.032.238,58 O demonstrativo de cálculo da receita ou preço médio de cada segundo de publicidade comercial e da apuração do montante da compensação fiscal encontrase no /Anexo /// denominado "Apuração da Compensação Fiscaf. No anexo "Gráfico 02 Receita de Publicidade e Compensação Fiscal de Ofício" encontrase demonstrada a receita bruta de publicidade e a compensação fiscal apurada de ofício. Conforme acima arrazoado, considerando que o montante da compensação fiscal apurada pelo contribuinte (R$ 186.206.066,28) em desacordo com Decreto n° 5.331/2005 e ADE SRF n° 2/2006 não pode prosperar e considerando a ausência dos elementos necessários a sua apuração nos termos da referida legislação, será levado a efeito o montante ora apurado de ofício com base nos elementos e informações disponíveis. No quadro a seguir encontrase demonstrado resumidamente o montante da compensação fiscal apurado de ofício, o montante apurado e declarado pelo contribuinte e do excesso de compensação apurado, o qual deverá ser objeto de ajuste. DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO FISCAL EXCEDENTE TELEVISÃO RADIO AM RÁDIO FM TOTAL Apurado pelo Contribuinte 155.218.468,93 23.677.382,50 7.310.214,85 186.206.066,28 Apurado pela Fiscalização 15.623.484,12 2.158.542,72 720.711,00 18.502.737,84 Excesso Apurado 139.594.984,81 21.518.839,78 6.589.503,85 167.703.328,44 No quadro a seguir encontrase demonstrado o lucro real do período devidamente ajustado de ofício, sobre o qual deverá incidir o imposto de renda da pessoa jurídica e adicional, com os acréscimos legais. Em Reais (R$) Prejuízo Fiscal apurado pelo contribuinte (100.547.439,38) Excesso de Compensação Fiscal (Propaganda Partidária e Eleitoral) 167.703.328,44 Lucro Real Apurado de Ofício (Antes da Compensação de Prej. Fiscais) 67.155.889,06 Compensação de Prejuízos Fiscais de Períodos Anteriores (30 %) (20.146.766,72) Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 7 6 Lucro Real Apurado de Ofício (Após a Compensação de Prej. Fiscais) 47.009.122,34 Cientificado, em 09/09/2011, no próprio auto de infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2254/2289, em 11/10/2011, com as alegações abaixo sintetizadas. Preliminares a nulidade do procedimento fiscalizatório e do lançamento dele decorrente, em razão do direito à razoável duração do procedimento e em face da ineficiência administrativa. a ausência de fundamentação legal que justificasse a aplicação da aferição indireta para apuração do crédito tributário ensejando a nulidade do auto de infração. Mérito divergências na apuração do crédito, em razão da errônea aferição indireta. incorreta apuração da receita bruta auferida e do desconto padrão de agência. a incorreta utilização da receita bruta para efeito de apuração do crédito compensável. a incorreta presunção do tempo disponível para cálculo do ressarcimento fiscal da propaganda política partidária e eleitoral. Protestou por fim, pela produção de todas as provas em direito admitidas, tal como a realizaçaõ de perícia contábil indicando perito e os seguintes quesitos: Esclareça o Sr. Perito: 1. Qual o valor do ressarcimento decorrente da veiculação de propaganda política, partidária e eleitoral, de acordo com a secundagem da grade da programação apresentada pela Impugnante no presente recurso (docs. 11 e 12), confrontando com o valor cobrado no Auto de Infração. 2. Se a Impugnante calculou o preço do tempo de acordo com as tabelas de fls. na apuração do valor do ressarcimento, apontando qual a diferença entre o cosiderado no Auto de Infração. 3. Outros esclarecimentos que se façam necessários. É o Relatório A decisão de primeira instância considerou o lançamento improcedente, nos termos da seguinte ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL. PRAZO. POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL. O prazo máximo para conclusão de ação fiscal pode ser prorrogado sucessivamente, sendo infundado o pedido de nulidade do lançamento com base na duração do período da ação fiscal, principalmente em razão de durante o período não haver sido prejudicado o direito de defesa do autuado. Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 8 7 Eventuais imprecisões no enquadramento legal não implicam nulidade do procedimento, quando demonstrado que o contribuinte teve perfeito entendimento da acusação fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar impraticáveis, desde que devidamente fundamentado. DOCUMENTOS. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. O contribuinte é obrigado a manter e apresentar os documentos e informações relativos a atos ou operações que modifiquem ou venham a modificar sua situação patrimonial. PROPAGANDA PARTIDÁRIA OU ELEITORAL GRATUITA VEICULADA PELAS EMPRESAS DE RADIODIFUSÃO. BENEFÍCIO FISCAL. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. CÁLCULO O valor da exclusão do lucro real do benefício fiscal concedido às empresas de radiodifusão, a título de propaganda partidária ou eleitoral gratuita, deve ser calculado, em função do preço efetivo praticado, livre de descontos e abonos e do tempo observandose os limites máximos destinado à propaganda eleitoral e partidária consoante previsto nas normas regulamentares. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 19/03/2012 (fl.2751) apresentou recurso voluntário ao CARF em 18/04/2012 (fl.27522800) em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, alegando, em síntese, preliminarmente: nulidade por cerceamento do direito de defesa, pelo indeferimento do pedido de perícia, considerando que o momento de produção de provas é na fase instrutória e antes da tomada de decisões. Questiona a suposta discricionariedade na análise do cabimento da prova, pois a autoridade tem o dever de ofício de buscar a verdade real dos fatos. Aduz que o acórdão recorrido não justifica a desnecessidade da produção das provas requeridas, negando o pedido “por estar a matéria fática devidamente comprovada pela documentação acostada aos autos” e que, por demonstrar claramente as divergências de critérios da recorrente e da autoridade fiscal na apuração do crédito tributário, o que torna evidente a necessidade de realização de perícia; nulidade do procedimento fiscal e do lançamento por afronta ao direito à razoável duração do procedimento, apontando ineficiência administrativa em função das diversas prorrogações do MPF, já que a autoridade fiscal “demorou anos para realizar, ao final, a aferição indireta do crédito, ignorando todos os documentos e informações que lhe foram fornecidas”. nulidade do auto de infração por ausência de fundamentação legal que justifique a aplicação da aferição indireta para apuração do crédito tributário no caso concreto, considerando a disponibilidade da documentação e elementos para comprovar os cálculos efetuados, ao contrário do que afirmou, contraditoriamente, a autoridade fiscal. Cita que os documentos às fls.531703 comprovam o alegado cálculo. No mérito, aponta divergências na apuração do crédito, em razão da aferição indireta errônea, que alega não terem sido apreciadas na decisão recorrida. Alega que a Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 9 8 legislação aplicável, em especial o art. 1º do Decreto nº 5331/05, não previu o faturamento como forma de apuração do benefício, nem tampouco, ainda que de forma presumida, qual seria o tempo total disponível a ser utilizado pelos veículos de comunicação para montar sua programação e apurar o preço de publicidade. Aponta a incorreta utilização da receita bruta para efeito de apuração do crédito compensável, especialmente porque tal medida afronta diretamente a legislação que estabelece a tabela pública da emissora como referência para o cálculo do benefício. Informa que às fls. 1625 a 1691 encontramse inúmeros cadastros de negociação e notas fiscais que demonstram que os preços praticados são os constantes da tabela informada, ajustados de acordo com o tipo de contrato firmado. Aduz a incorreta apuração da receita bruta auferida, pela inclusão indevida do denominado “desconto padrão de agência”, que não foi por ela auferido, conforme previsto nos itens 1.12 e 2.4 das Normas Padrão da Atividade Publicitária. Sustenta que os preços de tabela representam, de fato, o custo do tempo disponível de veiculação que a empresa cedeu para a divulgação de propaganda gratuita, servindo como parâmetro para o cálculo do ressarcimento, conforme planilha de fls. 97/98. Alega que o método de apuração utilizado pelo fiscal considera apenas o valor da receita bruta da Recorrente, a quantidade de segundos supostamente disponíveis em sua programação e a divisão de um por outro. Segundo ela, “esse critério desconsidera não só o preço real praticado pela Recorrente em sua tabela de preços como também as variações desse preço (constantes nas tabelas) havidas em razão das valorações que cada bloco de horários possui (ex. horário nobre, de maior audiência, secundagem mais cara)”. Cita que do art. 1º, §1º do Decreto nº 5.331, de 2005, se depreende que “preço do espaço comercializável é o preço comprovadamente vigente nas datas em que ocorreram as propagandas eleitoral e partidária, comprovados pela Tabela de Preços da emissora, com data, prazo de validade nos períodos anteriores e posteriores aos da propaganda eleitoral e partidária, ao passo que o preço a ser utilizado para cálculo do ressarcimento fiscal deve ser o equivalente a 8/10 (oito décimos) do constante da Tabela de Preços”. Alga que esta responde à tabela obrigatória referida no art.14 do Decreto nº 57.960/66, que regulamenta o exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propagandas, a qual serve como parâmetro para comprovação de preço do espaço comercializável praticado pelos veículos de divulgação (rádio e televisão), que não podem praticar preço diverso do oferecido pela agência de propaganda, de acordo com a Lei nº 4.680/65. Aduz que as tabelas estão às fls.15331625. Alega que a incorreta presunção fiscal sobre o tempo disponível para cálculo do ressarcimento fiscal da propaganda política partidária e eleitoral, de 25% do total dos quatro blocos de programação (16 horas), enquanto a recorrente utilizou o método do tempo efetivamente disponível de propaganda para aferição do crédito, acabou por aumentar o tempo disponível na programação e, consequentemente, diminuir o valor do ressarcimento. É o relatório. Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 10 9 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. O caso em exame trata da discussão sobre o benefício fiscal destinado às empresas de radiodifusão pela perda que tiveram com a cessão gratuita do horário para a propaganda eleitoral e partidária. A autuação se deu sob o fundamento de que a recorrente se utilizou do benefício da compensação fiscal pela cessão do horário para propaganda partidária eleitoral gratuita, concedido pelo art. 99 da Lei nº 9.504/98 e pela Lei nº 9.096/95, adotando indevidamente cálculo diverso do previsto pelo Decreto nº 5.331, de 2005, que regula a matéria, o que teria resultado em redução da base de cálculo do IRPJ superior à permitida. A recorrente alega, preliminarmente, que o indeferimento do pedido de perícia cerceou seu direito de defesa, aduzindo que: A produção de prova pericial destinase exatamente à suprir as falhas cometidas pela fiscalização na aferição indireta do crédito tributário e tem por objetivo corroborar a legitimidade do crédito apurado pela Recorrente nos termos da legislação específica, não havendo qualquer razão plausível que justifique o indeferimento de sua realização. É cediço que a realização de perícia ou diligência é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora e, caso a decisão esteja bem fundamentada, encontra amparo no Decreto nº 70.235/72, inexistindo o alegado cerceamento da defesa. Nesse sentido aponta a jurisprudência pacificada no CARF, a teor dos acórdãos 104 22.944, de 22/01/2008; 10196.750, de 29/05/2008; 110100.040, de 12/05/2009; 180300.484, de 08/07/2010; 130200.696, de 04/08/2011. Em tese, caso seja necessário, o colegiado de segunda instância pode determinar a realização de diligência para que sejam esclarecidos fatos e informações que considere imprescindíveis para a formação da convicção do julgador. No caso concreto, descabe a declaração de nulidade da decisão recorrida, a qual não se encontra viciada por estar devidamente fundamentada. Todavia, a análise completa do mérito, para fins de julgamento em grau recursal, depende de esclarecimentos a respeito da apuração da infração. Como se extrai da linha 34 da Ficha 9A da DIPJ/2007, anocalendário 2006 (fl.2361), a recorrente excluiu da apuração do lucro real a quantia de R$ 189.206.066,28, a título de crédito fiscal relativo à “divulgação eleitoral gratuita”, apurando prejuízo fiscal no montante de R$ 100.47.439,38. A autoridade fiscal constatou um excesso na compensação fiscal no montante de R$ 167.703.328,38, o que ensejou a apuração de um lucro real do exercício no valor de R$ 47.009.122,34 e IRPJ devido no valor de R$ 26.064.930,75, já que o valor permitido para exclusão do lucro líquido seria de apenas R$ 18.502.737,90. Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 11 10 Consoante o Termo de Constatação Fiscal (fls.2157 e ss.), a autoridade fiscal realizou o cálculo da compensação fiscal de ofício e de forma indireta, por considerar que: a) o contribuinte utilizou para o cálculo da compensação, preços de tabela diferentes daqueles praticados na comercialização efetiva do espaço para veiculação normal; b) o contribuinte compensou integralmente o montante apurado, sem observar o percentual de 0,8 (oito décimos); c) o contribuinte não forneceu os documentos necessários para a aferição do crédito. A recorrente, por sua vez, defende que a base inicial para qualquer cálculo que se faça é o da tabela de preços vigente à época das inserções da propaganda eleitoral ou partidárias gratuitas. Como bem destacado pela decisão recorrida, o litígio centrase em dois aspectos, conflitantes na visão do Fisco e da ora recorrente: I o valor do preço do espaço e a forma de cálculo do montante do benefício que a legislação permite seja utilizado pelas emissoras de radiodifusão como excludente da base de cálculo do lucro real, em vista da cessão gratuita de horários em suas grades de programação para veiculação das propagandas eleitoral e partidárias, determinadas pela Justiça Eleitoral; e II o modo de contagem do tempo cedido pela emissora para a referida inserção compulsória e que seria utilizado em publicidade comercial. O direito à compensação fiscal previsto no art. 99 da Lei nº 9.504/97, por se tratar de benefício fiscal, deve ser aplicada de forma restritiva, nos termos do art. 116 do CTN. O referido dispositivo prevê o “direito à compensação fiscal”, permitindo que as emissoras de radio e TV, cedentes de forma obrigatória, de seus horários comerciais para veiculação de propaganda partidária e eleitoral gratuitas, fossem ressarcidas pela compulsória cessão de seu espaço publicitário, de onde surge a maior parte de suas receitas. Considerando que a legislação eleitoral prevê dois tipos de veiculação de propaganda eleitoral: em bloco e em inserções, a legislação fiscal as distingue. Para as transmissões em bloco em rede nacional ou estadual, a legislação fiscal considera como compensável apenas 25% do tempo das transmissões, e para as inserções isoladas de até um minuto, considera compensável o tempo na integralidade. Regulamentando o direito à compensação fiscal, pela cedência do horário, o Decreto nº 5.331, de 04 de janeiro de 2005, assim dispõe: Art.1o As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderão, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita. Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 12 11 §1o O preço do espaço comercializável é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente vigente no dia anterior à data de início da propaganda partidária ou eleitoral, o qual deverá guardar proporcionalidade com os praticados trinta dias antes e trinta dias depois dessa data. (destacouse) Vejase que pode ser excluído na apuração do lucro real o valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora em programação destinada à publicidade comercial, no período de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratuita. Como se trata de benefício fiscal, a interpretação deve ser restritiva, nos termos do art.111 do CTN. A interpretação que se exige, inicialmente, pois, é o que se pode entender como preço efetivamente praticado. Na sequência, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2, de 6 de março de 2006, veio dispor sobre o critério de cálculo da compensação fiscal pela divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto no Decreto nº5.331, de 4 de janeiro de 2005, e o que consta do processo nº 10168.000559/200684, declara: Artigo único. A compensação fiscal de que trata o art. 1º do Decreto nº 5.331, de 2005, corresponde a oito décimos do somatório dos valores efetivamente praticados na mesma grade horária exibida no dia anterior à data de início de divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral. § 1º Para efeito do caput, considerase valor efetivamente praticado o resultado da multiplicação do preço do espaço comercializado pelo tempo de exibição da publicidade contratada. § 2º Na hipótese de o tempo destinado à divulgação gratuita abranger apenas parte de um espaço comercializado do dia anterior ao de início da divulgação, o valor efetivamente praticado deverá ser apurado proporcionalmente ao tempo abrangido. § 3º O disposto neste artigo aplicase também em relação aos comunicados, às instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários ou eleitorais. (destacouse) A autoridade fiscal exige que o montante a ser considerado não é aquele que “poderia” ser obtido, mas o “efetivamente obtido”, na comparação média em determinado período de tempo (mês vigente, ou dia anterior à data do início da propaganda gratuita na TV, observada a relação com os trinta dias antecedentes e posteriores). A recorrente questiona o método de apuração indireta utilizado pelo fiscal, o qual, segundo ela, teria considerado apenas o valor de sua receita bruta, a quantidade de segundos supostamente disponíveis em sua programação e a divisão de um por outro. Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 13 12 Para o sujeito passivo, a comprovação do “preço efetivamente praticado” é a sua tabela de preços vigente à época, na forma do art. 14 do Decreto nº 57.690/66, que regulamentou a profissão de Publicitário, criada pela Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, o qual dispôs: Art 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por êste fixado em Tabela pública, aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Sabese que “a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial” (art. 264 do RIR/99). Nesse sentido, compete a ela provar, com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis e fiscais, inclusive os documentos extracontábeis que lhes dêem suporte. A autoridade fiscal desconsiderou as tabelas apresentadas pela recorrente no cálculo da compensação fiscal por não estarem de acordo com o ADI nº 2, de 2006, o que foi chancelado pela decisão recorrida, cuja fundamentação aqui se adota: Os cálculos do contribuinte foram feitos pelos valores constantes das suas tabelas de preços de janeiro, março e outubro (televisão), de janeiro e outubro/2006 (rádio Bandeirantes AM), de janeiro a junho e de julho a novembro/2006 (rádio Band FM). No entanto, essas tabelas por deixar de refletir o preço efetivamente comercializado, considerando que era prática usual a concessão de descontos comerciais sobre os preços de tabela nas negociações diretas com seus clientes, acabaram por superdimensionar o montante da compensação fiscal. Os descontos eram aplicados em porcentuais variáveis de acordo com a conveniência e interesse comercial entre as partes e de cada operação conforme se extrai das Notas de Negociação e (PI) Pedido de Inserção a seguir exemplificados (fls.1625/1691): [...]Muito embora a legislação permita a adoção de tabela pública de preços praticados nos contratos de publicidade, extraise, do relatório fiscal, com base nos documentos constantes dos autos, que a Tabela de Preços funcionava como mero instrumento indicador para venda da publicidade, variando os preços efetivos de comercialização de acordo com o porte do anunciante, o número de inserções, o horário da veiculação, etc, visto que a recorrente, de fato, não praticava os valores constantes da tabela apresentada nas suas relações comerciais durante o período fiscalizado, mas, a cada contrato, concedia descontos que chegavam a mais de 40% (quarenta por cento) do preço constante da tabela. Disso se conclui o acerto da autoridade fiscal em desconsiderar tal tabela para fins de apuração do montante a ser ressarcido. Verificase que foi apurado, através do método de aferição indireta, um valor médio equivalente a cada segundo de publicidade comercial por meio da relação entre o tempo estimado de publicidade comercial e a receita bruta. O procedimento fiscal adotado foi relatado no TVF (fl.2163): Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 14 13 A apuração de ofício foi feita basicamente de forma proporcional ao tempo total estimado de publicidade comercial veiculado na rádio AM, FM e na televisão e o valor bruto por elas efetivamente geradas (receita bruta do período). Para a apuração do tempo total estimado de publicidade comercial veiculado, em primeiro lugar, foi considerado como período útil apenas nos horários dos quatro blocos d audiência definido no inciso III do artigo 51 da Lei nº 9.504/97, ou seja, das oito horas às vinte e quatro horas, desprezandose o período compreendido entre as 00h00 às 08h00. A autoridade fiscal esclareceu, ainda, que a recorrente foi intimada a apresentar a relação percentual efetiva do tempo de propaganda e publicidade comercial e da programação normal da emissora de TV e rádios no período de janeiro a outubro de 2006, bem como a indicação, em segundos, do tempo efetivo utilizado em propaganda e publicidade comercial em cada um dos blocos de audiência, nos termos do art. 51 da Lei nº 9.504/97. Todavia, a intimação não foi atendida. Diante disso, segundo o fiscal, foi considerado o percentual de 25% (vinte e cinco por cento) do tempo útil disponível para a programação normal da emissora, seguindo o mesmo percentual de tempo aplicado pelo contribuinte para o cálculo da compensação fiscal das transmissões em bloco da propaganda eleitoral (planilhas as fl.97/98 e 2149/2150) e o limite estipulado no §3º do Decreto nº 5.331, de 2005 e pelo artigo 124 da Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações. A partir da relação “tempo estimado utilizado em publicidade comercial” e a “receita bruta por ela gerada” foi apurada a “receita média” ou o “preço equivalente a cada segundo de publicidade comercial para apurar proporcionalmente o montante da compensação fiscal do tempo de propaganda partidária e eleitoral. A recorrente contesta essa apuração alegando em seu recurso que: A fiscalização, ignorando totalmente a legislação, arbitrou como tempo disponível para comercialização pela emissora o equivalente a 25% do total dos quatro blocos de programação (16 horas por dia), enquanto a Recorrente utilizouse do método do tempo efetivamente disponível de propaganda para aferição do crédito. De acordo com as presunções da fiscalização, para o mês de janeiro de 2006, por exemplo, foi apurado o tempo total de 1.785.600 segundos (Anexo II do AIIM), e em atenção ao limite de 25%, restaram apenas 446.400 segundos de espaço publicitário disponível na televisão. Contudo, os documentos relativos à grade de programação acostados aos autos comprovam que a Recorrente somente possui disponível o total 346.755 segundos, e nesse caso, o tempo, utilizado como uma das variáveis para formação do preço de referência, reflete diretamente na valoração do ressarcimento pelo tempo de propaganda política, partidária e eleitoral. Ao adotar o valor da receita bruta em contrapartida do tempo disponível para a fixação do preço parâmetro, verificase que na relação inversa da equação, matematicamente, quanto maior o tempo Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 15 14 disponível na grade de programação menor o valor de ressarcimento a que a Recorrente teria direito, sendo esse o motivo pela redução de aproximadamente 80% do valor excluído do lucro líquido a título de ressarcimento. Não concordando a Recorrente com os valores arbitrados pelo agente fiscal, que considerou a receita bruta para fixação do preço de referência, a título de exemplo o quadro comparativo abaixo demonstra, claramente, que o tempo menor (da grade de programação) implica na diferença entre o auto de infração e o crédito a que a Recorrente apurou: Mês Tempo em segundos faturamento arbitrado Valor parâmetro para fins de cálculo do ressarcimento Propaganda veiculada (em segundos) Vr. Ressarcimento jan/06 439.170 24.837.955,10 56,56 7230 408.904,10 Apuração pela Fazenda (Anexo II, fl.01) ja n/06 346.755 24.837.955,10 71,63 7230 517.882.70 Apuração pela Recorrente (127.535,18) Diferença Ressaltese que a Recorrente apresentou todos os controles, relatórios e planilhas destinados à apuração do crédito de que se trata, que demonstram o tempo efetivamente destinado à propaganda política, partidária e eleitoral, conforme de depreende das fls. 97 a 102. A partir do exemplo detalhado, notase que a recorrente apresenta defesa coerente e, aparentemente, consistente com os documentos juntados aos autos. Quanto ao montante da receita bruta utilizado no cálculo (R$ 411.032.238,58), esclareceu a autoridade fiscal que corresponde ao montante efetivo da receita com publicidade, desprezandose a constante de sua escrituração contábil, por considerar que os valores do desconto padrão de agência, que não estavam registrados contabilmente, deveriam compor a receita bruta. Neste ponto, a recorrente alega a incorreta apuração da receita bruta auferida, pela inclusão indevida do denominado “desconto padrão de agência”, que não foi por ela auferido, conforme previsto nos itens 1.12 e 2.4 das Normas Padrão da Atividade Publicitária. De fato, temse que a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, ao tratar sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda, assim dispôs: Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do descontopadrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. Como se vê, a norma deixa claro que os valores correspondentes ao “desconto padrão de agência” constituem receita da agência de publicidade e não do veículo de divulgação, que é o caso da recorrente. Tratandose de norma interpretativa, aplicase retroativamente, a teor do disposto no art. 106, inciso I, do CTN. Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 16 15 Sustenta a recorrente que, “por se tratar do método de aferição indireta, a perícia contábil se faz necessária para elucidar as incertezas na constituição do crédito tributário que não foram esclarecidas pelo Agente Fiscal na análise dos documentos acostados aos autos e que foram apontadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, inclusive para preservar o Princípio da Verdade Material a que está adstrita a Administração Pública”. A recorrente relaciona em seu recurso voluntário os documentos apresentados a fim de “comprovar à Fiscalização quais foram seus preços de propaganda praticados em 2006 (TV, Rádios AM e FM) para efeitos de compensação fiscal pela divulgação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral, quais valores compuseram o cálculo do montante a ser compensado, bem assim qual o tempo despendido com essa divulgação”. São eles: 1 Às fls. 97 e 98 dos presentes autos encontramse relatórios que demonstram quais os preços de propaganda praticados pela TV e Rádios AM e FM, dirigidos ao mercado, no ano calendário de 2006. Por exemplo: A TV cobrou por segundo, em dias úteis e no período da tarde, R$ 359,50 para divulgação de propagandas comerciais. Já nos sábados, no mesmo período da tarde, cobrou R$ 591,33. Os mesmos relatórios registram também qual o tempo em segundos fora efetivamente utilizado pela emissora para divulgação gratuita de propaganda eleitoral (horário eleitoral gratuito) no ano calendário de 2006 (agosto a outubro), limitado, para ressarcimento fiscal, à apenas a 25%, conforme determina a legislação em vigor. Por exemplo: A TV utilizou, em dias úteis, um total de 22.680 segundos para a divulgação da propaganda partidária e eleitoral gratuitas. 2 Às fls. 99 a 102 dos autos encontramse relatórios que registram quais os preços de propaganda partidária e eleitoral gratuita foram praticados pela TV e Rádios AM e FM no ano calendário de 2006 (janeiro a outubro). Por exemplo: a TV arcou com R$ 129.196.752,53 a esse título. 3 Às fls. 1533 a 1624 encontramse as Tabelas de Preços praticados na comercialização efetiva do espaço para veiculação normal de publicidade, devidamente pormenorizados, relativas à TV e Rádios AM e FM. 4 Às fls. 53 a 95 encontrase a DIPJ/2007, na qual registrado qual o montante do crédito fiscal relativo à "divulgação eleitoral gratuita" fora lançado (na linha 34 da Ficha 9A no grupo das "exclusões" do lucro líquido; 5 Às fls. 103 e 104 encontramse os registros do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real; 6 Às fls. 1698 a 1703 encontramse demonstrativos contábeis diversos, bem como, às fls. 1712 a 2115, relatórios de faturamento; 7 Às fls. 171 a 1532 encontramse extratos, ditos "de valoração", e, 8 Às fls. 1625 a 1691 encontramse inúmeros cadastros de negociação e notas fiscais, discriminativos dos preços e dos descontos concedidos a anunciantes em específico (escolhidos por amostragem), e também do desconto aclamado "desconto padrão de agência". Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.721142/201101 Resolução nº 1202000.217 S1C2T2 Fl. 17 16 Até aqui, a única conclusão possível é que o exame da documentação juntada aos autos se faz imprescindível para subsidiar o julgamento do recurso voluntário. Diante de todo o exposto, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: I – demonstre a apuração do montante a ser considerado para fins de compensação fiscal, em consonância com a legislação referida: 1.1 considerando a documentação que foi colacionada aos autos, dentre as quais: (i) relatórios dos preços de propaganda praticados pela TV e Rádios AM e FM dirigidos ao mercado em 2006 (fls. 97/98); (ii) relatórios dos preços de propaganda partidária e eleitoral gratuita que foram praticados pela TV e Rádios AM e FM no anocalendário de 2006 (fls. 99/102); (iii) tabelas de preços praticados na comercialização do espaço veiculação de publicidade detalhadamente relativo à TV e Rádios AM e FM (fls. 1533/1624); (iv) DIPJ/2007 (fls. 53/95); (v) registros no LALUR (fls. 103/104); (vi) cadastros de negociação e notas fiscais discriminativos dos preços praticados (fls. 1625/1691); 1.2 excluindo os valores referentes a “descontopadrão de agência” da receita bruta eventualmente utilizada para o cálculo da compensação fiscal; II elabore um relatório conclusivo; III intime a recorrente do resultado da diligência, para, querendo, se manifestar em 30 (trinta) dias; IV após, devolva os autos ao CARF para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 18108.001075/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão embargado deixa de analisar tese de defesa levantada em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a omissão patente de conhecimento dos embargos de declaração.
PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INCORRÊNCIA. O indeferimento de produção de prova testemunhal não causa cerceamento do direito de defesa, sobretudo quando esta totalmente dispensável ao julgamento da causa.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitá-los para manter a decisão embargada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão embargado deixa de analisar tese de defesa levantada em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a omissão patente de conhecimento dos embargos de declaração. PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INCORRÊNCIA. O indeferimento de produção de prova testemunhal não causa cerceamento do direito de defesa, sobretudo quando esta totalmente dispensável ao julgamento da causa. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitá-los para manter a decisão embargada. Júlio César Vieira Gomes - Presidente. Lourenço Ferreira do Prado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
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OMISSÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão embargado deixa de analisar tese de defesa levantada em sede de recurso voluntário, resta caracterizada a omissão patente de conhecimento dos embargos de declaração. PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INCORRÊNCIA. O indeferimento de produção de prova testemunhal não causa cerceamento do direito de defesa, sobretudo quando esta totalmente dispensável ao julgamento da causa. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitálos para manter a decisão embargada. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 10 75 /2 00 7- 50 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Trata se de Embargos de Declaração opostos pela RODOVIÁRIO RAMOS LTDA em face do acórdão n. 2402001.745, prolatado por esta Eg. Turma e assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/09/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE INFORMAR À FISCALIZAÇÃO A ALIENAÇÃO DE BEM ARROLADO EM TAB. MULTA. CABIMENTO. O contribuinte que deixa de informar a autoridade fiscal da DRJ de seu domicílio a transferência, alienação, etc, de bem ou direito indicado em Termo de Arrolamento de Bens, está sujeito a aplicação da multa do art. 32, III, da Lei 8.212/91, conforme disposição do §1º do art. 626 da Instrução Normativa n. 03/2005. MULTA. APLICAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO.DESNECESSIDADE. A multa aplicável em razão do contribuinte deixar de prestar esclarecimentos à fiscalização não depende da comprovação de dano para que possa vir a ser aplicada, bastando, meramente, que a conduta de não prestar a informação quando lhe seja requerido ou assim esteja obrigado esteja devidamente caracterizada. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. RELEVAÇÃO E ATENUAÇÃO DA MULTA. ART. 291 DO DECRETO 3.048/99. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS. Para que o contribuinte possa usufruir da benesse de atenuação ou relevação da multa, conforme o caso, deve ser comprovada a presença cumulativa dos requisitos determinados pelo art. 291 do Decreto 3.048/99. Recurso Voluntário Negado. Sustenta o embargante haver omissão, na medida em que o acórdão prolatado pela turma julgadora não se manifestou sobre o pedido constante no recurso interposto acerca da patente ofensa ao Principio da lrretroatividade, porquanto o valor mínimo da multa foi considerado de acordo com a Portaria do Ministério da Previdência Social n° 142, de 11 de abril de 2007. Porém, a suposta infração teria ocorrido durante o ano de 2005. Logo, o valor da penalidade aplicável deve ser aquele em vigor no momento da suposta infração, e não da lavratura do Auto de Infração, nos termos expressos do art. 144, do CTN. Ademais, sustentou que o acórdão também é omisso já que não se manifestou sobre o pedido do reconhecimento do cerceamento de defesa, pelo indeferimento da realização da prova testemunhal requerida, essencial ao deslinde da controvérsia. Prestadas as devidas informações, fora admitida a inclusão em pauta exclusivamente com relação a questão da não manifestação do acórdão embargado acerca do Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18108.001075/200750 Acórdão n.º 2402003.742 S2C4T2 Fl. 300 3 pedido de prova testemunhal, indeferido em primeira instância, o que lhe cerceou o direito de defesa. Sobre este aspecto, alega que a produção de referida prova se fazia crucial ao presente feito, na medida em que comprovaria as alegações no sentido de que não houve qualquer transferência do bem arrolado no TAB lavrado em desfavor da empresa, já que não houve qualquer compra e venda do bem, de modo a transferir a sua propriedade. Logo, não haveria que ser aplicada a multa objeto do Auto de Infração. Por fim, defende que o seu indeferimento ofende princípios constitucionais. É o que bastava relatar. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator A multa lançada em desfavor da recorrente teve causa no fato da recorrente ter deixado de informar à autoridade fiscal a transferência de bem arrolado pelo INSS em TAB – Termo de Arrolamento de Bens, no caso, um caminhão Mercedez Benz. Depreendese dos autos que o veículo fora arrolado mediante termo de arrolamento de bens datado de 13/05/2005 e que a transferência não informada deuse em 12/09/2005, ou seja, em data posterior ao seu arrolamento, conforme certificado de registro juntado aos autos. E sobre o assunto, assim ponderei quando do julgamento do voluntário: A boa fé do recorrente, portanto, em efetuar a transferência do bem arrolado por equívoco não tem o condão de afastar a aplicação da multa, como pretende fazer crer a recorrente, pois, além do fato de que a legislação não prevê tal consideração, a conduta apenada não é a da transferência propriamente dita do bem, mas a sua não comunicação da transferência a autoridade competente, o que enseja a quebra do dever de prestar os devidos esclarecimentos à fiscalização tributária. E a transferência do bem, já que sustenta o recorrente que este não pode ser novamente revertido ao seu patrimônio em decorrência de gravame decorrente de ação trabalhista, bem como a sua não comunicação à autoridade competente, estão devidamente comprovados nos autos. Ou seja, no caso dos autos, existe documento que comprova a transferência da propriedade do veículo a terceiro, e inexiste a comprovação de que tal transferência fora devidamente informada ao INSS. Dessa forma, entendo que a produção de prova testemunhal que venha tentar justificar equívoco na transferência, ainda mais em se tratando do depoimento do suposto adquirente do veículo, é absolutamente dispensável no presente caso, tendo em vista que a conduta apenada com a multa não é a transferência da propriedade, mas a ausência de comunicação ao INSS, o que restou cabalmente comprovado nos autos. Por fim, ressalto que o indeferimento da produção de prova pelo juiz da causa, não causa o cerceamento de defesa, tendo em vista que é ele o destinatário da prova. Ante todo o exposto conheço dos Embargos de Declaração para REJEITÁ LOS. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18108.001075/200750 Acórdão n.º 2402003.742 S2C4T2 Fl. 301 5 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005906/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO E PESQUISA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
São isentas do imposto sobre a renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
Na hipótese, as bolsas foram pagas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul (intermediária) com recursos a ela repassados, para esse fim, pelos beneficiários dos serviços, e correspondiam a contraprestação de serviços de (i) ensino, preceptoria, coordenação e consultoria prestados em favor do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, hospital-escola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; e (ii) pesquisa em favor da empresa de medicamentos norte-americana Lilly Research Laboratories.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em rendimentos classificados indevidamente como isentos pelo contribuinte quando induzido por informações equivocadas prestadas pela fonte pagadora.
Aplicação da Súmula CARF nº 73.
Numero da decisão: 2101-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa de ofício lançada, em virtude da aplicação da Súmula CARF nº 73.
(assinado digitalmente)
__________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. São isentas do imposto sobre a renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. Na hipótese, as bolsas foram pagas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul (intermediária) com recursos a ela repassados, para esse fim, pelos beneficiários dos serviços, e correspondiam a contraprestação de serviços de (i) ensino, preceptoria, coordenação e consultoria prestados em favor do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, hospitalescola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; e (ii) pesquisa em favor da empresa de medicamentos norteamericana Lilly Research Laboratories. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 06 /2 00 9- 31 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada classificação indevida de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 214 e seguintes), alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos originavamse de uma bolsa de extensão e pesquisa, transferidos a ele pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a título de doação, o que os torna isentos do imposto sobre a renda. Pugnou pela nulidade do Auto de Infração e requereu a produção de prova pericial a fim de comprovar suas razões de defesa. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre (RS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1030.408, de 20 de abril de 2011, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/200931 Acórdão n.º 2101002.367 S2C1T1 Fl. 3 3 tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisou seu entendimento quanto a serem isentos do imposto sobre a renda de pessoa física os rendimentos auferidos a título de bolsa de extensão e pesquisa. Posteriormente, apresentou arrazoado no qual suscitou novos argumentos e voltou a alegar a inexistência de contraprestação de serviço, agora em virtude do advento da Lei n.º 12.871, de 2013. Pediu o afastamento da multa de ofício, uma vez constatado que o equívoco foi causado por informações erradas prestadas pela fonte pagadora dos rendimentos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante do presente processo referese a omissão de rendimentos recebidos, pelo contribuinte, em 2005, 2006 e 2007, da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a título de bolsas de extensão. Segundo consta, a Fiscalização apurou que o sujeito passivo classificou indevidamente, como isentos/não tributáveis, na sua Declaração de Ajuste, os rendimentos recebidos daquela pessoa jurídica. Nos termos do Relatório de Ação Fiscal, a atividade de extensão, nos exercícios fiscalizados, visava à execução dos seguintes projetos: a) "Programa de Assistência à Saúde e de Docência em Residência Médica: Projeto de Medicina Interna" junto ao HCPA, durante o período de 01/07/04 a 30/06/06, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/07/04; b) "Programa de Docência em Residência Médica a Assistência à Saúde" junto ao HCPA, durante o período de 01/06/06 a 01/06/08, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 10/07/06; Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 c) "PROJETO: 00324 ARZOXIFENO" junto ao HCPA, durante o período de 01/01/05 a 31/12/06, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/01/05; e d) "PROJETO: 00324 ARZOXIFENO" junto ao HCPA, durante o período e 01/01/07 a 31/12/07, conforme Termo de Compromisso firmado pelas partes em 01/01/07. A partir desses elementos, a Fiscalização promoveu o lançamento da diferença de imposto para os exercícios 2006, 2007 e 2008, reclassificando os rendimentos como decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício. A autoridade autuante pontuou que, para que os valores recebidos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão sejam considerados isentos, os resultados dos estudos e das pesquisas devem preencher algumas condições cumulativas, entre as quais se sobressaem não importar contraprestação de serviços e não reverter economicamente para o doador ou interposta pessoa, o que não se comprovou. Salientou ainda que, nos anoscalendários fiscalizados, o interessado, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, na qualidade de membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, desenvolveu atividades complementares à docência, sob a forma de programas de extensão, as quais ocorreram nas dependências do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), hospitalescola da UFRGS. Para esse fim, o professor bolsista e a Fundação Médica firmaram contrato intitulado "Termo de Compromisso para Concessão de Bolsa de Extensão", que a Fiscalização entendeu ser, na verdade, um acordo de vontades contrato estipulado entre a Fundação e o fiscalizado, determinando direitos e deveres para ambas as partes: à prestação das atividades de preceptoria, coordenadoria e consultoria, obrigações do contribuinte, correspondia a obrigação da Fundação de pagar a "bolsa de extensão" (preço), durante a vigência do contrato, obrigação essa com o nítido caráter de contraprestação. Destacou a Fiscalização que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA seria diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a atividade do fiscalizado contribuía tanto para que o Hospital realizasse a prestação de serviços médicos para os pacientes do SUS (do qual recebe verbas federais), quanto para que o HCPA atuasse como hospitalescola da UFRGS. Tais benefícios à pessoa interposta (HCPA) teriam, segundo a autoridade fiscal, clara faceta econômica, desnaturando, conjuntamente com o caráter de prestação de serviços das atividades desenvolvidas sob o programa, pretensão à isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação ao contribuinte. No tocante ao projeto denominado "00324 ARZOXIFENO", a Fiscalização ressaltou que os Termos de Compromisso de "Desenvolvimento de Pesquisa mediante concessão de Bolsa", firmados entre a Fundação Médica e o fiscalizado, não esclarecem, em seu corpo, as atividades a serem desenvolvidas em virtude das avenças. Há a menção de que o projeto seria realizado no Serviço de Traumatologia do HCPA, e de que a pesquisa a ser desenvolvida seria custeada pela Fundação Médica, conforme sua Cláusula Segunda. Apesar disso, as demais cláusulas são genéricas. Impôsse, então, efetuar diligência junto à Fundação Médica do Rio Grande do Sul para esclarecimento das condições em que tais atividades eram realizadas. Consignou a autoridade fiscalizadora ter sido apresentado, na diligência, "Contrato de Patrocínio de Pesquisa Clínica", firmado entre a citada Fundação e a Quintiles Inc., "visando o estudo patrocinado pela Lilly Research Laboratories, uma divisão da Eli Lilly and Company, intitulado 'Efeitos do Arzoxifeno na Incidência de Fratura Vertebral e na Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/200931 Acórdão n.º 2101002.367 S2C1T1 Fl. 4 5 Incidência de Câncer de Mama Invasivo em Mulheres PósMenopausa com Osteoporose ou com Baixa Densidade Óssea'", redigido na língua inglesa, o que impossibilitou o exame de seu teor. Todavia, ressaltouse que a patrocinadora é divisão de conhecida empresa de medicamentos, de origem norteamericana, o que leva à conclusão que as verbas percebidas a título de “bolsa de pesquisa” relacionada ao “Projeto Arzoxifeno” caracterizariamse como rendimentos tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. Desse modo, a percepção de bolsas de extensão e pesquisa traduziriamse em proventos que deveriam ser submetidos à tributação pelo imposto de renda. Em sua impugnação, o contribuinte esclareceu que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais para disciplinar as atividades de apoio ao ensino e à extensão. Neste contexto, desde a sua criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de seus membros, entre os quais o impugnante, cumpriria importante papel educacional e principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica. Salientou que o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, visto tratarse de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico. Complementou que as “bolsas”, doadas pela Fundação aos médicos, professores da UFRGS, representam o elo final de uma cadeia organizada de busca da formação, do aperfeiçoamento de profissionais da área médica e, ao mesmo tempo, de impulsionamento do melhor atendimento aos pacientes do Hospital de Clínicas, repercutindo em vantagens para toda a sociedade. Além disso, o fato de as "bolsas de extensão" repetirem se, para o mesmo membro da Fundação Médica, em anos sucessivos, não alteraria a sua natureza. Fundamentado no disposto no artigo 26 da Lei n.º 9.250, de 1995, e no artigo 7° do Decreto nº 5.205, de 2004, citando e transcrevendo ementas de julgados que, no seu entender, embasam seu entendimento, o defendente alegou enquadrarse na isenção prevista, eis que as bolsas de pesquisa e extensão não possuiriam natureza remuneratória, mas seriam consideradas doações realizadas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, conformandose com o artigo 538 do Código Civil. Além disso, complementa que a concessão das bolsas não representa, em contrapartida, benefício para o doador, a Fundação, vez que esta estaria apenas repassando verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, a priori, esta destinação específica e integral de cobertura para realização dos programas de extensão universitária. Ao final, pugnou pela nulidade ou insubsistência do lançamento e pediu a produção de prova pericial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre (RS) não acolheu seus argumentos e decidiu pela improcedência da impugnação. No recurso, o interessado rebateu as razões de decidir do julgador de primeira instância e, no mais, repisou seus argumentos. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Ao dispor sobre o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, a Lei n.° 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional, assim especificou: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) [...] (g.n.) Também nesse sentido, assim estipula a Lei n.° 7.713, de 1988, cujo artigo 3.° a seguir transcrevese: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/200931 Acórdão n.º 2101002.367 S2C1T1 Fl. 5 7 das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. (g.n.) Dos dispositivos acima reproduzidos, depreendese que toda a renda percebida pelo particular está sujeita ao imposto sobre a renda, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. As exceções são especificamente previstas em lei, tal como ocorre com as isenções. Para haver isenção, é preciso haver previsão expressa em lei específica, tal como prescreve o artigo 176 do Código Tributário Nacional: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. [...] Tal dispositivo está em perfeita consonância com o previsto na Constituição Federal de 1988, a qual, ao tratar das limitações do poder de tributar, assim prevê, no parágrafo 6.° de seu artigo 150: Art. 150. [...] § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] A isenção pleiteada pelo recorrente é aquela de que trata o artigo 26 da Lei n.º 9.250, de 1995, que assim prescreve: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicos residentes, nem as bolsas recebidas pelos servidores das redes públicas de educação profissional, científica e tecnológica que participem das atividades do Pronatec, nos termos do § 1o do art. 9o da Lei no 12.513, de 26 de outubro de 2011. (Redação dada pela Lei nº 12.816, de 2013) Diante das normas da legislação acima transcrita, concluise que, para que as bolsas de extensão sejam isentas do imposto sobre a renda, é necessário que se caracterizem como doação, atendendo, cumulativamente, às seguintes condições: a) sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; b) os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; c) os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Sendo assim, impende estabelecer se, na hipótese sob análise, os valores auferidos pelo contribuinte, a título de “bolsa de extensão” e “bolsa de pesquisa”, pagos pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, cumprem os requisitos legais para serem isentos do imposto sobre a renda. Para esse fim, valhome da excelente análise promovida pelo Ilustre Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, em caso idêntico ao que aqui se aprecia, no voto condutor do Acórdão n.º 2101001.950, desta 1ª Turma Ordinária que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da contribuinte: “Caso concreto: A recorrente é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e nesta condição tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, onde desempenha atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão A Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS. As verbas lançadas decorrem dos projetos de extensão denominados “PROGRAMA DE GESTÃO DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES”, “GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTÊNCIA NO HCPA” e “PROGRAMA DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA E ASSISTÊNCIA À SAÚDE”. De acordo com os Termos de Compromisso firmados para participação nos projetos, as atividades a serem desempenhadas eram: a) Preceptoria: atividades de extensão de supervisão e treinamento e seleção de profissionais de nível superior que sejam alunos de Programa de Residência Médica e outros Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/200931 Acórdão n.º 2101002.367 S2C1T1 Fl. 6 9 Programas de Especialização desenvolvidos pelas instituições apoiadas; b) Coordenadoria: atividades de extensão de coordenação dos Programas e Projetos de Extensão em desenvolvimento pelas instituições apoiadas; c) Consultoria: atividades de extensão de suporte acadêmico ao desenvolvimento do ensino, assistência e da pesquisa no âmbito das instituições apoiadas, respeitados os respectivos regimentos internos. Os projetos e os termos de compromisso esclarecem que, em contrapartida às atividades de extensão realizadas, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo professor da UFRGS, seria paga uma bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4o, §1o, da Lei n° 8.958, de 1994 e nos arts. 5°, §2o, e 6o, §3o, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Contudo, apesar de instituídas com base nessa legislação, há que se considerar que as bolsas de extensão sob análise possuem nítido caráter de contraprestação de serviços. Observese que a principal função realizada pela contribuinte é a de supervisão e treinamento dos médicos residentes do Hospital Escola da UFRGS, que possui a mesma natureza da sua ocupação de professora dessa universidade. E isso é ainda mais evidente quando se verifica que a residência médica constitui modalidade de ensino de pósgraduação. Além disso, na função de supervisão e treinamento dos médicos residentes, a contribuinte certamente presta serviço de atendimento médico, atividade própria do hospital escola. O mesmo raciocínio se aplica às outras atividades dos projetos de extensão: a de coordenação de programas e projetos de extensão e de consultoria. Tratase de prestação de serviços em benefício da fundação de apoio e do hospital escola. Acrescentese que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela Fundação equivaliam a cerca de 50% do total de rendimentos pagos pela UFRGS. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas e eventuais, mas verdadeira complementação salarial, paga no decorrer de diversos anos, o que reforça a convicção de sua natureza remuneratória. A recorrente centra boa parte do seu recurso na importante função social do hospital escola, que teria sua imunidade reconhecida por decisão judicial, e no fato dos serviços prestados se darem em benefício da sociedade, e não da fundação de apoio. Certamente, não se pretende contestar a importância e a excelência dos serviços prestados à população. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos impostos das instituições de assistência social não se estende para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Se os argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os salários pagos aos médicos do hospital escola. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de extensão constituem pagamento pelos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Decisão do TCU: A recorrente afirma que a fundação de apoio é rigorosamente fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União TCU e pelo Ministério Público, que garantem o cumprimento dos termos da lei. Nesse sentido, o TCU, no Acórdão no 5682/2010 2a Câmara (fls. 403 a 412), teria reconhecido o atendimento dos requisitos da lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas de extensão aos membros da Fundação Médica, e não somente que não haveria vínculo empregatício, como afirmado na decisão de primeira instância. De fato, a referida decisão reformou, em sede de embargos de declaração, o acórdão que havia concluído que as bolsas de extensão pagas pela fundação de apoio aos professores da UFRGS importavam em contraprestação de serviços, em violação ao art. 4º, §3º, da Lei nºvb 8.958, de 1994, ao art. 6º do Decreto nº 5.205, de 2004, e à jurisprudência daquele Tribunal. Assim, a decisão final do TCU concluiu que a remuneração em forma de bolsa era compatível com a legislação de regência. Penso que a recorrente tem razão ao afirmar que as conclusões do TCU estendemse à natureza isenta das respectivas bolsas, e não só à inexistência de vínculo empregatício, como entendeu o julgador a quo. Isso porque, se as bolsas concedidas atendem aos requisitos do art. 6o do Decreto no 5205, de 2004, então necessariamente satisfazem aos ditames do art. 7o, sendo isentas do imposto de renda. Entretanto, as conclusões do TCU não vinculam este CARF, e, no meu sentir, estão equivocadas ao retirar das atividades executadas a característica de prestação de serviços. Melhores os argumentos da equipe técnica do Tribunal, referendados pela decisão reformada, que, com base nos fatos concretos analisados, concluiu de forma similar a este voto. Decisões administrativas e judiciais: A recorrente afirma que a jurisprudência administrativa e judicial corroboram o entendimento de que as bolsas de estudo e extensão possuem natureza isenta. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/200931 Acórdão n.º 2101002.367 S2C1T1 Fl. 7 11 Contudo, as decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso, pois trataram de bolsas de estudo e pesquisa que não representavam vantagem para o doador, nem importavam contraprestação de serviços.” De modo contrário, recentes decisões desta 2a Seção de Julgamento têm confirmado a natureza tributária de verbas semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementas: BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96. (Acórdão nº 2102001.216, 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, sessão de 13/04/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos) Observese que o lançamento das contribuições previdenciárias na Fundação Médica do Rio Grande do Sul, relativas às bolsas de extensão pagas aos professores da UFRGS, foi apreciado pelo Acórdão no 230201.388, da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento, na sessão de 26/10/2011, sendo relator o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa, na parte de interesse à presente discussão: CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 Quanto à esfera judicial, de fato a recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas, tendo uma das decisões, a relativa ao processo nº 2010.71.50.0131397, tratado de caso idêntico ao do presente processo. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, entidade que concedeu a bolsa, mas sim o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas foram repassados pelo HPCA à fundação de apoio, como demonstram os documentos de fls. 230 a 352. Assim, os recursos se originaram da entidade que se beneficiou diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6o do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as quantias na forma de bolsas que atendessem às determinações de seus estatutos. Impende ressaltar que, na oportunidade, nosso voto foi favorável ao posicionamento externado pelo Conselheiro Relator. Em 14 de novembro de 2013, o recorrente protocolou os documentos anexados às fls. 636 e seguintes, tais como Atestado da Procuradoria de Fundações do Ministério Público do Rio Grande do Sul, declaração da FMRS acerca da inexistência de vantagem econômica e DIPJ 2013 da FMRS, tudo com o intuito de demonstrar que a FMRS é entidade sem fins lucrativos e que não obteve vantagem econômica com o pagamento das “bolsas de extensão”. Ocorre que os recursos que financiaram as “bolsas” não são próprios da fundação de apoio (FMRS), mas a ela foram repassados pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, como demonstra o Convênio Operacional n.º 01/2004 (vide fls. 61), com a alteração promovida pelo Termo Aditivo n.º 01/2004 (fls. 67), ratificado pelo Segundo Termo Aditivo ao Convênio Operacional n.º 01/2004 (fls. 70): 5) RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS DO PROGRAMA: Os recursos para o desenvolvimento do programa de extensão de preceptoria em residência médica são provenientes de receitas do HCPA (Sistema Único de Saúde SUS). As despesas Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/200931 Acórdão n.º 2101002.367 S2C1T1 Fl. 8 13 decorrentes do presente convênio correrão à conta dos limites mensais da descentralização da dotação orçamentária efetuada pelo Fundo Nacional de Saúde. A mesma situação se verifica no Convênio Operacional n.º 05/2004 (fls. 71 e seguintes, vide fls. 74), ratificado pelo seu Primeiro Termo Aditivo (vide fls. 83); no Convênio Operacional n.º 01/2006 (vide fls. 90), no Convênio Operacional n.º 05/2006 (vide fls. 111), no Convênio Operacional n.º 1/2007 (vide fls. 143), no Convênio Operacional n.º 05/2007 (vide fls. 125) e no Convênio Operacional n.º 04/2007 (vide fls. 491). Sendo assim, ficou caracterizado que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul atuou como mera intermediária, eis que “doou” ao recorrente recursos que recebeu, para esse fim, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (hospitalescola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), beneficiário dos serviços prestados pelo recorrente. Isso leva à conclusão que o beneficiário dos serviços prestados é a própria entidade que pagou por esses serviços, utilizando, como intermediária, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul (“doadora”), que não é beneficiária dos serviços. Para que não haja dúvidas quanto à abrangente análise que se promoveu no âmbito do presente processo, impõese a apreciação da Lei n.º 12.871, de 2013, para o fim de definir se seus artigos 27 a 29, que tratam da concessão de bolsas para a atividade de preceptoria nas ações de formação em serviço nos cursos de graduação e residência médica ofertados pelas instituições federais de educação superior ou pelo Ministério da Saúde, seriam ou não aplicáveis à presente hipótese. Vejamos o conteúdo dos artigos 27 a 29 da referida lei, que institui o Programa Mais Médicos e dá outras providências: Art. 27. Será concedida bolsa para atividades de preceptoria nas ações de formação em serviço nos cursos de graduação e residência médica ofertados pelas instituições federais de educação superior ou pelo Ministério da Saúde. [...] Art. 29. Para os efeitos do art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, os valores percebidos a título de bolsa previstos nesta Lei e na Lei nº 11.129, de 30 de junho de 2005, não caracterizam contraprestação de serviços. Vale apreciar se o artigo 29 teria caráter interpretativo e, por essa razão, por força do artigo 106 do CTN, as bolsas para atividades de preceptoria, de que trata o artigo 27, abrangeriam as “bolsas de extensão” cuja tributação aqui se discute, auferidas pela parte interessada nos anoscalendários 2004 a 2007. Acreditamos não ser o caso. Entendemos que não caracterizam contraprestação de serviço somente os valores pagos a título de bolsas de preceptoria concedidas nos moldes da própria Lei n.º 12.871, de 2013, e da Lei nº 11.129, de 2005, eis que essa limitação encontrase expressa no artigo 29 acima reproduzido. Tendo em vista que o artigo 29 da Lei n.º 12.871, de 2013, faz clara referência aos valores recebidos a título de bolsas para atividades de preceptoria previstos nas leis específicas, nele indicadas, não é possível entender que tal dispositivo seria aplicável a Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 todo e qualquer valor pago a esse título, mesmo que concedido fora dos moldes das leis expressamente referidas. É de se destacar que a lei aplicase a fatos pretéritos somente nas hipóteses previstas no artigo 106 do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para que fosse possível atribuir caráter interpretativo aos dispositivos da Lei n.º 12.871, de 2013, a fim de aplicálos a fatos pretéritos, seria necessário que tal caráter estivesse expresso em seu texto, o que, conforme visto, não se verificou. Diante dessas considerações, não é possível estender a aplicação do artigo 29 da Lei n.º 12.871, de 2013, às bolsas de preceptoria auferidas pelo recorrente nos anos calendários 2005 a 2007. O recorrente argumenta ainda que a decisão proferida por esta Turma Julgadora no Acórdão n.º 2101002.043, de 2013, não guardaria similitude fática com o presente processo, uma vez que, naquele caso, a isenção teria sido glosada ante a existência de inquérito policial e irregularidades de contas apuradas pelo TCU. Sobre este assunto, esclarecemos que as decisões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não estão vinculadas a uma determinada decisão anteriormente exarada e válida somente entre as partes integrantes do processo administrativo. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Releva ainda analisar o rendimento auferido pelo contribuinte para o desenvolvimento do denominado "PROJETO: 00324 ARZOXIFENO", intitulado 'Efeitos do Arzoxifeno na Incidência de Fratura Vertebral e na Incidência de Câncer de Mama Invasivo em Mulheres PósMenopausa com Osteoporose ou com Baixa Densidade Óssea'. Conforme apontado pela Fiscalização, segundo apurou em sede de diligência, apesar de o valor da “bolsa de pesquisa” ser pago pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a patrocinadora do projeto era a empresa Lilly Research Laboratories, uma divisão da Eli Lilly and Company, empresa de medicamentos norteamericana, diretamente interessada economicamente na pesquisa. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11080.005906/200931 Acórdão n.º 2101002.367 S2C1T1 Fl. 9 15 No contrato acostado às fls. 155 e seguintes, expresso em língua inglesa, sem tradução para o português, é possível constatar, em tradução livre, que, tal como observado pela Fiscalização, a empresa patrocinadora do “Projeto Arzoxifeno” será a única proprietária de todo e qualquer processo, fórmula, método terapêutico, assim como qualquer outra inovação resultante da pesquisa patrocinada (vide fls. 157), ficando, com isso, patente o interesse econômico da empresa patrocinadora, que, para pagamento dos rendimentos ao contribuinte,, utilizou, como intermediária, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul. Essa constatação leva à conclusão que também essas verbas, percebidas pelo contribuinte a título de “bolsa de pesquisa”, relacionada ao “Projeto Arzoxifeno” caracterizam se como contraprestação de serviços, rendimentos do trabalho, tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. Por fim, a defesa pede a aplicação da Súmula CARF n.º 73, eis que acredita ter ocorrido erro escusável em virtude de informação equivocada prestada pela fonte pagadora, o que teria induzido o interessado a informar que os rendimentos auferidos da Fundação Médica do Rio Grande do Sul seriam rendimentos isentos do imposto sobre a renda. Vejamos o texto da referida Súmula: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Entendemos que, neste ponto, assiste razão à defesa. Conforme se constata às fls. 11 a 13 dos autos, os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitidos pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul destacam os “rendimentos com bolsas” dos rendimentos tributáveis, consignandoos como rendimentos isentos/não tributáveis. Nessas circunstâncias, não se pode imputar infração ao contribuinte por erro na classificação dos referidos rendimentos, eis que a própria fonte pagadora não prestou as informações necessárias à sua correta classificação; ao contrário, induziu o contribuinte a erro na sua declaração de ajuste anual, eis que prestou informações equivocadas. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir a multa de lançamento de ofício. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16095.720181/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica-se multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplicase multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 81 /2 01 2- 64 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/201264 Acórdão n.º 2402003.973 S2C4T2 Fl. 459 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 15/06/2012 em razão da glosa de compensações com supostos créditos de origem não tributária e multa isolada por falsidade de declaração. A fiscalização se iniciou em 09/08/2011, após realização de diligência com início em 14/02/2011. O objeto de ambos os procedimentos é a verificação da regularidade de compensações declaradas em GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Consoante o relatório fiscal de fls. 57 a 61, o processo acima identificado compreende os seguintes Autos de Infração: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 ▫ AI nº 51.006.1022, lavrado para a constituição do crédito previdenciário decorrente da glosa das compensações realizadas pela empresa no período de 06/2010 a 12/2010, reputadas pela fiscalização como indevidas; e ▫ AI nº 51.006.0994, lavrado para a constituição do crédito relativo à multa isolada de 150% sobre os valores compensados pelo sujeito passivo, com base no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. ... 1º) Durante a ação fiscal, foi constatado que a empresa compensou débitos previdenciários (da empresa, do segurado empregado e contribuinte individual) no período compreendido entre as competências 06/2010 a 10/2010 e 12/2010 (inclusive os referentes ao décimo terceiro salário de 2010), tendo apresentado, na oportunidade, certidão de objeto e pé datada de 07 de fevereiro de 2011 (fls. 82 a 89), referente ao processo 2009.34.00.0341840 em face da União (Fazenda Nacional) e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social, objetivando a cobrança de Título da Dívida Externa Brasileira (anexa), e cópias das Guias de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais anexadas às fls. 90 a 110; 2º) Após regularmente intimada, ainda na fase de diligência fiscal, o contribuinte apresentou à fiscalização cópia de pedido de instauração de processo administrativo fiscal (fls. 79 a 81), com carimbo datado de 01/03/2011, não rubricado, aparentemente protocolado na DRF em S.J.R. Preto, e endereçado ao delegado da DRF Guarulhos, argumentando ser detentora de crédito judicial em fase de execução contra a Fazenda Nacional e o INSS e que o campo "compensação" da GFIP foi utilizado na medida emque não existe na GFIP campo destinado a depósito judicial este documento não foi localizado nos sistemas de protocolo da SRF; 3º) Documento de igual teor foi protocolado na DRF GUARULHOS sob nº 10875.722398/20116 (fls. 172 a 375), em 24/08/2011, onde se pode ler que a empresa admite a utilização do campo referente à compensação de maneira imprópria, insistindo na tese do pagamento das contribuições previdenciárias através de depósitos judiciais, cujas guias eram de apenas R$15,00 e não no valor efetivamente compensado; 4º) A empresa entregou GFIP originalmente em época própria, porém, em 21/12/2010 enviou GFIP's retificadoras para as competências 06 a 10/2010, incluindo valores no campo "compensação" e em 14/03/2011, enviou retificadoras para a competência 12/2010 e a referente ao décimo terceiro de 2010, da mesma forma, incluindo valores a "compensar". O valor declarado como compensação e efetivamente não recolhido soma o montante de R$ 1.927.819,16; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 1ª) Ao contrário do quanto é afirmado no relatório fiscal, em nenhum momento foi declarado a COMPENSAÇÃO como forma Fl. 461DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/201264 Acórdão n.º 2402003.973 S2C4T2 Fl. 460 5 de extinção das obrigações tributárias de responsabilidade da autuada, mas sim, PAGAMENTO ATRAVÉS DE CONVERSÃO EM RENDA, que tem natureza jurídica totalmente diversa da COMPENSAÇÃO, guardando com esta somente o resultado final, quer seja a extinção da obrigação tributária; 2ª) Na verdade o que ocorreu é que, por limitação do programa em que se pode declarar o procedimento adotado, não existe qualquer opção que faça referência a modalidade de extinção da obrigação tributária adotada pela Impugnante, não restando a ela outro procedimento que não fosse o autolançamento na modalidade compensação; 3ª) Embora limitada pelas ferramentas fornecidas pelo Ente Público, ainda assim, a Impugnante, através de simples requerimento, explicitou exatamente os fatos acima narrados, qual seja, que embora houvesse sido efetivado o autolançamento na modalidade compensação, na realidade o procedimento adotado era o de pagamento através de conversão em renda, não havendo, portanto, qualquer possibilidade de entender que o que ocorrera, na verdade, tivesse sido efetiva compensação; 4ª) O Órgão arrecadador (RFB) discordar do procedimento adotado não autoriza interpretálo como falso, como ocorreu no caso em tela, pois falsidade não houve, todos os fatos ocorridos foram devidamente declarados, como exige a lei, com a ressalva acima apontada. 1ª) A Impugnante utilizou crédito financeiro de que passou a ser detentora através de Contrato de Cessão de Crédito, em Ação de Execução de Título Extrajudicial que promove em desfavor da União Federal, para extinguir suas obrigações tributárias, na forma de pagamento através de conversão em renda; 2ª) Esse crédito, que é revestido dos requisitos de certeza, exigibilidade e liquidez, tem sua origem nos Títulos da Dívida Pública de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, inclusive reconhecido pelo BACEN, além de constar no Orçamento da União Federal, uma vez que tratase de REPACTUAÇÃO DE DÍVIDA EXTERNA do DL n.° 6.019/43, conforme se apresenta no objeto do pedido de execução, com ordem de pagamento contra a Fazenda Nacional e o INSS, autorizando a modalidade de conversão em renda c/c poder liberatório de pagamento de qualquer tributo da esfera federal, como forma substitutiva da Recorrente receber seus créditos, dos quais a União é devedora (aqui, a empresa reproduz dispositivos da Lei nº 10179/2001); 3ª) Em decorrência do regime jurídico especial dispensado aos bens da Fazenda Pública, dentre cujas características deste destacamse a inalienabilidade e a impenhorabilidade, erguese um impedimento à sujeição da mesma ao rito comum por quantia certa do CPC, não se aplicando, na prática, os meios coercitivos geralmente utilizados, como por exemplo, a penhora; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 4ª) Isto posto, é necessário mediano conhecimento para vislumbrar que, só não existe o deposito da quantia devida na Ação Executiva promovida pela Recorrente em decorrência das benesses legais que recaem sobre a União enquanto parte executada, pois acreditase que a mesma seja devedora solúvel e, como tal, prima em honrar seus compromissos; 5ª) Tais prerrogativas não retiram, contudo, a certeza da existência do crédito utilizado para pagamento através da conversão em renda, pois perfeitamente plausível e legal, partir se da premissa de que o Juízo está igualmente garantido; 6ª) O procedimento adotado pela Impugnante nada mais é do que uma forma de execução provisória do que lhe é devido, pois o pagamento através de conversão em renda, somente se aperfeiçoará por ocasião da efetiva liquidação do crédito executado; 7ª) Ainda, esse procedimento, lastreado com créditos do Decretolei n° 6.019/43, pela modalidade de extinção do crédito tributário, está legalmente amparado pelo que institui o artigo 156, I, VI do CTN, c/c artigo 6o da Lei n° 10.179/2001, ratificados pela Lei n.° 11.803/2008 e, principalmente, no que preconiza o art. 4750 do CPC; 8ª) Revelase totalmente descabida a afirmação de que, por ter sido indeferido o seu pedido de habilitação nos autos da execução, a empresa impugnante não é detentora do crédito em tela, pois decisão não retira a eficácia do Contrato de Cessão de Crédito retro citado. Também não se sustenta a insinuação de que a cessão, para ter efeito jurídico deveria ter aquiescência do judiciário, pois ela gera efeitos por sua natureza jurídica, não necessitando da homologação do Juízo para gerar seus efeitos; Diante da falta de previsão legal que dê competência a RFB para manifestarse sobre a forma de extinção da obrigação tributária da Requerente, quer seja o pagamento através de conversão em renda, o auto de infração aqui impugnado, no que toca a capitulação que trata da extinção da obrigação tributária, indevidamente tratado e denominado de COMPENSAÇÃO, é totalmente nulo; Quanto à multa de 150% 1ª) Quanto à aplicação das multas pela fiscalização, cumprenos informar que são confiscatórias e, por isso, devem ser expurgadas deste lançamento, por ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; 2ª) Apesar de vislumbrarmos que tais penalidades estão amparadas pela lei, é de se admitir que as multas de 50°/o, 75%, 150% e maiores são exorbitantes e absolutamente violadora dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, razão pela qual a multa in casu aplicada deve ser adequada ao percentual de 20%. É o Relatório. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/201264 Acórdão n.º 2402003.973 S2C4T2 Fl. 461 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 464DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito No presente caso, a recorrente deixou de realizar pagamentos de contribuições previdenciárias sob o fundamento de que teria extinto os créditos previdenciários relativos ao período de 06/2010 a 12/2010 através da conversão de depósito em renda. Teria Fl. 465DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/201264 Acórdão n.º 2402003.973 S2C4T2 Fl. 462 9 declarado em GFIP como compensação por ausência de campo específico para a conversão de depósito em renda. Essas alegações foram apresentadas formalmente durante os procedimentos de diligência e fiscalização através petições à delegacia de fiscalização. O crédito que alega tem origem em título da dívida externa brasileira. A recorrente o adquiriu através de contrato de cessão de créditos. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. A extinção do crédito tributário por meio de conversão de depósito em renda é prevista no inciso VI de seu art. 156 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI a conversão de depósito em renda; A recorrente confunde em suas alegações depósito com crédito fundado em título judicial ou extrajudicial. Nessa modalidade de extinção do crédito tributário, o depósito realizado pelo sujeito passivo tem finalidade relacionada ao tributo em litígio. Com a sentença transitada em julgado, o depósito é convertido em renda para o sujeito ativo. Com isso, o crédito tributário é extinto. No caso das modalidades de extinção de crédito tributário com créditos do sujeito passivo é necessário que se comprove a liquidez e certeza desses créditos. Pretendendo se a compensação e sendo os créditos de natureza diversa da tributária é necessária previsão legal ou decisão judicial transitada em julgado. A administração pública não possui a liberalidade de aceitação de créditos de natureza diversa daquela prevista em lei como idônea para a extinção do crédito tributário. Vê se que mesmo a compensação em caráter individual, aquela que a lei confere à autoridade administrativa, nos limites legais, a discricionariedade para estipular sobre as condições de sua aceitação, é necessária a previsão legal da origem desses créditos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Em conclusão, o crédito alegado, ainda que de fato pertença ao recorrente, não se presta para a compensação. Multa Isolada Além da glosa realizada, a fiscalização aplicou multa isolada agravada sob o fundamento de suposta falsidade de declaração, artigo 89, §10º da Lei nº 8.212/91: Artigo 89 (...) Fl. 466DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A declaração a que se refere a fiscalização seria a GFIP e a falsidade decorre de a recorrente conhecer a inexistência de crédito a compensar: “a ninguém é dado alegar desconhecer a lei para se eximir do cumprimento da respectiva obrigação”. Observase que somente com o início de um procedimento de diligência, com ciência ao sujeito passivo de que suas compensações eram objeto de auditoria, preocupouse em explicar a origem dos supostos créditos; até então, permanecera silente. As provas apresentadas e os fundamentos para justificação das compensações são muito pouco convincentes de que o recorrente não teria consciência plena da improcedência de seu procedimento. No caso, não se trata de um dissenso quanto à interpretação de dispositivos legais pertinentes à origem dos créditos ou da compensação. Ao contrário, sustenta o recorrente que seus títulos da dívida externa adquiridos de terceiros são créditos para a compensação com contribuições previdenciárias, quando inexiste qualquer previsão legal ou decisão de alguma autoridade que ao menos pudesse iniciar alguma discussão com argumentos razoáveis que afastassem a caracterização do erro intencional. Por essas razões, também entendo aplicável ao caso a multa isolada por falsidade da declaração. No mais, a recorrente alega efeito confiscatório da exação e outras inconstitucionais; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 467DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720181/201264 Acórdão n.º 2402003.973 S2C4T2 Fl. 463 11 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13984.901368/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 84 .9 01 36 8/ 20 09 -5 9 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/200959 Resolução nº 1802000.482 S1TE02 Fl. 109 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação de suposto pagamento a maior do tributo devido pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, apurado em 31/12/2004, através da DCOMP 22115.10379.120706.1.3.046221, com débitos de igual natureza, do período de apuração de 30/06/2006, no valor de R$ 167,79. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 07 26.482, constante às efls. 42: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada nãohomologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior. O pagamento indicado pela contribuinte como indevido ou a maior referese a Darf com código de receita 6106 (PAGAMENTO DE MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE — SIMPLES). Na fundamentação do referido despacho, consta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignada, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que: DOS FATOS [...] Ocorre que quando da verificação dos valores recolhidos a maior, as Declarações Simplificadas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica não haviam sido retificadas com os valores corretos do Imposto. Procedemos então a entrega das devidas declarações retificadoras, mostrando a origem dos créditos utilizados nas compensações. [...] Como prova da verdade, anexamos cópia da declaração retificadora do ano de 2005; [...] Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/200959 Resolução nº 1802000.482 S1TE02 Fl. 110 3 Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora pela carência na comprovação das alegações do contribuinte, concluiu pela manutenção do Despacho Decisório que não homologou a compensação intentada pelo contribuinte, conforme o voto que colaciono a seguir (efls 42/43): [...] Como se infere da manifestação de inconformidade, somente após notificada do Despacho Decisório, a interessada concluiu pela necessidade de retificar a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica DSPJ. Constatase, entretanto, que lido' há nos autos comprovação inequívoca da existência de pagamento indevido ou a maior. Como está disposto de forma literal no art. 170 do CTN, a compensação, para ser válida, pressupõe a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. A comprovação da existência desse crédito é ônus da interessada, mas no caso que aqui se tem, ela não trouxe aos autos qualquer elemento de prova do suposto erro cometido no preenchimento da DSPJ. A declaração retificadora, por si só, não é prova hábil a demonstrar qual o efetivo montante do débito, mormente quando apresentada após ciência do Despacho Decisório. Deste modo, o crédito indicado no Per/Dcomp pela interessada não goza da liquidez e da certeza que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de compensação. Ante o exposto, manifestome pela improcedência da manifestação de inconformidade. [...] Intimada do Acórdão em 23/11/2011, mostrouse irresignada pelo que interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2011, onde alega que no anocalendário em referência recolheu tributo equivocadamente à alíquota de 4,5%, quando na verdade deveria ser 3,00%, sendo a comprovação de suas alegações perfeitamente identificadas pela DIPJ Simplificada retificadora. É o relato do essencial. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/200959 Resolução nº 1802000.482 S1TE02 Fl. 111 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade pelo que merece ser conhecido. Como se extrai dos autos, o contribuinte intentou se utilizar de suposto crédito por pagamento a maior do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) para compensar débitos tributários apurados para o mesmo tributo, vincendos. Discorre o contribuinte no sentido de que o recolhimento a maior se deu pela adoção equivocada de alíquota na aplicação do tributo. É enxerto de seu Recurso Voluntário (efls 48): No ano calendário de 2004 e 2005, o imposto Simples Federal foi calculado erroneamente à alíquota de 4,5% sendo que o correto seria ser calculado à alíquota de 3%. Quando observado o erro, os Darfs (sic), já haviam sido recolhidos. Foram feitas então as Declarações de Compensações (sic), compensando débitos de 2006 com as diferenças dos recolhimentos feitos a maior, e retificada (sic) as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simplificada referentes aos anos de 2004 e 2005, corrigindo os valores dos débitos, comprovando assim a diferença dos recolhimentos a maior que geraram os respectivos créditos para compensação. Ora, a aplicação da alíquota para o SIMPLES depende de vários fatores, entre os quais, o enquadramento e especialmente o faturamento contraído pela pessoa jurídica no ano calendário anterior. Na análise do reclamo do contribuinte, observase que tais questões não foram sequer enfrentadas pela turma julgadora a quo, fixandose esta em seus motivos de não homologação, à suposta carência na comprovação do pleito do contribuinte. Tais razões para não homologação do crédito pleiteado pelo contribuinte não são satisfatórias, especialmente porque, as sociedades empresárias optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES possuem escrituração contábil e fiscal igualmente simplificadas. É certo que a administração tributária possui mais dados e provas a serem apresentadas para atestar a existência do direito creditório do que o próprio contribuinte. Assim, em atenção ao art. 333, II, do Código de Processo Civil, por não homologar a compensação requerida pelo contribuinte, deve a administração tributária apresentar os Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901368/200959 Resolução nº 1802000.482 S1TE02 Fl. 112 5 elementos de prova que motivem a decisão denegatória – “fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Isso não dispensa por óbvio o contribuinte de comprovar igualmente seu pleito, através de seu balanço contábil do anocalendário, ou, no mínimo, com cópia das notas fiscais que demonstrem inequivocamente o faturamento contraído no período. Isto posto, converto o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: emita relatório circunstanciado com base nas informações constantes nos sistemas da Receita Federal acerca (a) do enquadramento da sociedade empresária para os anoscalendário de 2004 e 2005, (b) a atividade e ainda, (c) demonstrando a evolução de seu faturamento desde o anocalendário de 2003, concluindo ao final com a aplicação da alíquota do tributo a ser levada a efeito pelo contribuinte com base nas informações e na legislação da época; intime o contribuinte a trazer aos autos, cópia do balanço contábil e/ou cópia de todas as notas fiscais emitidas no anocalendário 2005 ou ainda livro registro de saídas autenticado capazes de comprovar o faturamento declarado em obrigação acessória. A não comprovação por parte do contribuinte, poderá determinar a não homologação da compensação. Após a diligência, retornemse os autos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10935.902258/2012-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 58 /2 01 2- 05 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/201205 Acórdão n.º 3801002.336 S3TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/201205 Acórdão n.º 3801002.336 S3TE01 Fl. 67 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/201205 Acórdão n.º 3801002.336 S3TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.902258/201205 Acórdão n.º 3801002.336 S3TE01 Fl. 69 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.004338/2002-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/09/2002
Ementa:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO POSTERIOR DE PAGAMENTO. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO.
A alegação de pagamento é ato incompatível com o interesse recursal e implica renúncia tácita ao recurso já interposto, à luz do art. 503 do CPC.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão do pedido de arquivamento por parte da recorrente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 30/09/2002 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO POSTERIOR DE PAGAMENTO. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO. A alegação de pagamento é ato incompatível com o interesse recursal e implica renúncia tácita ao recurso já interposto, à luz do art. 503 do CPC. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão do pedido de arquivamento por parte da recorrente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/09/2002 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO POSTERIOR DE PAGAMENTO. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO. A alegação de pagamento é ato incompatível com o interesse recursal e implica renúncia tácita ao recurso já interposto, à luz do art. 503 do CPC. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão do pedido de arquivamento por parte da recorrente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 43 38 /2 00 2- 70 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fls. 3/4) protocolada em 29 de outubro de 2002, ainda na disciplina da IN/SRF nº 210/02, através da qual a recorrente pretendia extinguir débitos de Cofins da competência setembro/2002, mediante compensação com créditosprêmio de IPI adquiridos de terceiro, a empresa Simab S.A. A existência e cessibilidade do créditoprêmio foi objeto de extenuante litígio judicial entre a cedente Simab e a União (mandado de segurança nº 2000.51.01.000723) (fls. 37/44 e 150/169), encerrado em 17 de setembro de 2012, data do trânsito em julgado de acórdão do E. STJ que reconheceu a prescrição – por conseguinte, a inexistência – do pretendido crédito. A DComp não foi homologada pela DRF (fls. 175/178), com fundamento no art. 170A do CTN, considerando que, na data de seu protocolo, o mandado de segurança ainda não havia transitado em julgado – o que, aliás, só viria a ocorrer 10 anos depois... A manifestação de inconformidade (fls. 185/193) deduziu que, à época do protocolo da DComp, havia decisão judicial vigente reconhecendo o crédito e a sua cessibilidade a terceiros. A DRJJuiz de Fora/MG desacolheu a inconformidade (fls. 235/242) ao mesmo fundamento da DRF, qual seja, o desatendimento do art. 170A do CTN. Em 20 de setembro de 2009 sobreveio recurso voluntário (fls. 248/253), no qual a recorrente articula com a inaplicabilidade do art. 170A ao caso, uma vez que tal norma incidiria somente “naqueles processos judiciais nos quais o crédito a ser compensado origina se um tributo pago indevidamente”. Em 8 de novembro de 2010, contudo, e representada por novo patrono, a recorrente protocolou petição (fls. 265/268) informando que o débito objeto deste processo fora lançado de ofício no P.A. nº 15559.000086/200716, e que fora integralmente pago à vista pela recorrente com as vantagens oferecidas pela MP nº 470/09. Junta, com essa petição (fls. 307/326), cópias daquele P.A. e demonstrativos de adesão ao regime da MP nº 470/09, nos quais, de fato, consta débito de Cofins da competência setembro/02, no mesmo valor do débito aqui não homologado (R$4.846.480,12). É o relato. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Entendo que a petição de fls. 265/268 esvazia a incumbência deste colegiado. A recorrente está a alegar que o débito objeto da DComp foi pago após a decisão que não homologou a compensação inicialmente pretendida. O pagamento posterior à constituição do débito não é matéria de defesa, ao contrário, é providência incompatível com o desejo de recorrer, pois implica inequívoco reconhecimento da procedência do ato de constituição do crédito tributário. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10735.004338/200270 Acórdão n.º 3403002.744 S3C4T3 Fl. 4 3 Tomo, pois, aquela petição como renúncia ao recurso voluntário anteriormente interposto, com fundamento no art. 503 do CPC. Se o débito cuja compensação foi recusada nestes autos está pago – como é o que parece ser o caso, à vista dos docs. de fls. 307/326 –, a autoridade preparadora saberá identificar esse fenômeno extintivo, cessando providências subsequentes de cobrança. Não cabe a este colegiado, contudo, confirmar, investigar nem determinar nada à DRF a esse respeito, uma vez que se trata de aspecto posterior e alheio à compensação objeto deste processo. Desconheço, pois, do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 332DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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