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Numero do processo: 13899.900222/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Adotase parte do relatório da Resolução 1201000.082 da então 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara (fls. 957 a 971), com os complementos necessários: Trata o presente processo das PER/DCOMP n°s 35392.92564.080903.1.3.02 1387 e 27931.45642.130906.1.7.020264 (fls. 01/08 e 09/12), transmitidas em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 99 .9 00 22 2/ 20 06 -1 1 Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.451 S1C2T1 Fl. 3 2 08/09/2003 e 13/09/2006, para extinção de débitos tributários com crédito originado de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, no valor total de R$ 1.192.420,00. Foi ressaltado nas declarações que o crédito teria origem na empresa sucedida, Henkel Surface Technologies Brasil Ltda, CNPJ 43.425.057/000145, incorporada em 31/12/2001. Conforme Parecer SEORT/DRF/OSA n° 358/2008 de fls. 145/158, foi indeferido o direito creditício, em razão das seguintes alterações na DIPJ/Ex.2002 analisada, as quais resultaram em IRPJ a Pagar: • glosa de despesas com brindes (R$ 708.474,19); • majoração da receita de prestação de serviços (R$ 430.371,30), dos rendimentos auferidos em operações de SWAP (R$ 487.429,91) e da receita de juros sobre capital próprio (R$ 2.140.602,06), de acordo com as informações da DIRF; • glosa das estimativas de IRPJ, cujo recolhimento/compensação não restou devidamente comprovado (R$ 249.399,75); • utilização de parte do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001 para compensação de débito sem processo (R$ 91.248,00). Cientificada em 26/05/2008 (AR de fls. 161), a contribuinte interpôs, em 25/06/2008, manifestação de inconformidade de fls. 162/177, acompanhada dos documentos de fls. 178/313. Após breve resumo dos fatos, contrapõese às alterações efetuadas na DIPJ/Ex. 2002, que resultaram no indeferimento do direito creditório. [...]A manifestação foi considerada improcedente, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A restituição de saldo negativo da IRPJ, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da base de cálculo do imposto, bem como à comprovação do pagamento/compensação das estimativas levadas à dedução, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. Eventuais erros de classificação contábil e de preenchimento da declaração, bem como a regular escrituração e o cômputo no resultado de rendimentos tributáveis, devem ser comprovados por meio dos livros de escrituração obrigatórios, alicerçados por documentação hábil e idônea. Demonstrado nos autos o erro no preenchimento da DIRF quanto à beneficiária de rendimentos de juros sobre capital próprio, afastase a omissão da receita correspondente. Na composição do saldo negativo de períodos anteriores, utilizado em compensação do IR mensal pago por estimativa no anocalendário, somente é passível de dedução o imposto retido incidente sobre receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido, inclusive no que se refere a rendimentos e imposto pago no exterior e, ainda, Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.451 S1C2T1 Fl. 4 3 desde que apresentados os correspondentes Informes de Rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras ou documento de retenção. Excepcionalmente, admitese a dedução do imposto retido sob o regime de caixa, como no caso de aplicações financeiras, o que deve ser devidamente comprovado, por meio de documentação hábil e idônea. No que concerne às estimativas levada à dedução, quitadas por meio de compensação não homologada, havendo a cobrança dos débitos com base em declaração de compensação formulada, não cabe a glosa dessas antecipações na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte O recurso voluntário sustenta, em resumo, o seguinte: (i) que a glosa de parte das despesas havidas pela recorrente supostamente relativas a brindes consistiria em verdade em despesas de comissões por prestação de serviços de marketing; (ii) omissão de receitas relativas à serviços prestados a pessoas jurídicas (Linha 08 ficha 06 A); omissão de rendimentos auferidos em operações de swap (Linha 21 06 A); saldo negativo relativo ao anocalendário de 1998; saldo negativo relativo ao anocalendário de 1999; saldo negativo relativo ao anocalendário de 2000. Pela referida Resolução, foram indicados pontos a serem esclarecidos sobre os quais deveria ser elaborado relatório conclusivo. Restando improfícua essa primeira Resolução, foi emitida uma outra (1201 000.139 fls. 1.324 a 1.354), determinando as mesmas providências. No despacho de encaminhamento dessa segunda Resolução constou o seguinte (fl. 1.355): Juntada aos autos a Resolução. Encaminhese à origem para as providências cabíveis. Consta pedido de Desistência dos processos nº 10882.720112/200611 e 13899.901032/200611. À fl. 1.356 estão juntadas telas do sistema SIEF, quais sejam: Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.451 S1C2T1 Fl. 5 4 À fl. 1.357 está juntado Despacho da autoridade diligenciante com o seguinte teor: Tratamse de Pedidos de Compensação, transmitidos em 08/09/2003 e 13/09/2006, para extinção de débitos tributários com crédito originado de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, no valor total de R$ 1.192.420,00. A Resolução nº 1201000.139 / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 30 de julho de 2014, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. O contribuinte apresentou pedidos de desistência nos processos de débito vinculados 10882.720112/200811 e 13899.901032/200611, que se encontram extintos por compensação e/ou pagamento. Tendo em vista o exposto e, ressalvando que a Nota SIEF Processos 07/2016 trata dos casos de decisões prolatadas APÓS a apresentação de desistência (o inverso deste caso), proponho o retorno dos autos ao CARF para verificação quanto à manutenção (ou não) dos termos da Resolução. (Grifo acrescido) É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo. Como relatado, houve petições de desistência autuadas nos processos de cobrança conforme abaixo: Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.451 S1C2T1 Fl. 6 5 O processo nº 13899.901032/200611 trata da cobrança relativa aos débitos de R$ 282.827,00 (IRPJ estimativa 11/2002) e de R$ 838.224,00 (IRPJ estimativa 12/2002), num total de R$ 1.121.051,00 indicados para compensação na Dcomp nº 35392.92564.080903.1.3.021387. O processo nº 10882.720112/200811 trata da cobrança do débito de R$ 85.250,27 (Cofins 10/2003), indicado para compensação na Dcomp nº 27931.45642.130906.1.7.020264. Ocorre que as indicações das desistências não foram efetuadas de forma correta, uma vez referiremse aos processos de cobrança e não ao processo em que se discute o mérito quanto à legitimidade do crédito e, efetivamente, às compensações. Em face disso, fazse necessária a ratificação quanto à desistência efetuada. Conclusão. Tendose em vista todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a interessada seja intimada a ratificar a desistência quanto ao pedido de restituição e às respectivas compensações. Caso isso não ocorra (ratificação), deve ser dado prosseguimento à diligência demandada pela Resolução nº 1201000.082. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 13899.900222/200611 Resolução nº 1201000.451 S1C2T1 Fl. 7 6 Fl. 1365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11555.001194/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2003
ADESÃO A PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso.
Numero da decisão: 2201-004.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 30/06/2003 ADESÃO A PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 5. 00 11 94 /2 00 9- 57 Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 11555.001194/200957 Acórdão n.º 2201004.480 S2C2T1 Fl. 1.213 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra DecisãoNotificação nº 26.401.4/0095/2006, (fls.1.106/1.113), que julgou improcedente a impugnação. O lançamento em questão encontrase fundamentado no Auto de Infração nº 35.649.3210 e foi resumido nos termos do relatório da decisão de piso: Tratase de Auto de Infração ao art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c art. 225, inciso I, e §9g, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto ns 3.048/99, lavrado contra o Frigorífico Santa Elvira Ltda, por elaborar Folha de Pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, deixando de incluir em Folha de Pagamento relativa ao período 05/2000 a 06/2003, os segurados contribuintes individuais Roberto Demário Caldas, José Gomes da Silva, Elisângela Chiminacio Gurgel e Ivan Maquiavel, conforme consta do Relatório Fiscal de fls.2022. (...) A responsabilidade solidária foi atribuída às empresas acima identificadas por comporem um grupo econômico de fato, com administração única, exercida pelos sócios e familiares do Frigorífico Santa Elvira Ltda e Frigorífico Novo Estado S/A, pelos fatos descritos no Relatório de Grupo EconômicoRGE de fls.6087. Notificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação nos seguintes termos, conforme excerto do acórdão de primeira instância: Em 10.01.2006, apresentou impugnação tempestiva, alegando os seguintes fundamentos: Inexistência de Grupo econômico e entendimento equivocado da Fiscalização ao afirmar que as empresas Frigorífico Santa Elvira Ltda, Frigorífico Novo Estado S/A, Frigorífico Porto Ltda, Frigorífico Bonsucesso Ltda e Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda, caracterizam um grupo econômico, a partir de meras suposições sem embasamento firme, concreto e legal. Presunção ilegal da solidariedade face a ausência de provas de formação do Grupo Econômico. Inobservância dos limites estabelecidos no mandado de Procedimento Fiscal MPF, destacandose a devassa fiscal na empresa através de MPFcomplementar, a inaceitável verificação quanto às obrigações acessórias e a consequente lavratura dos Autos de Infrações, e; o equivocado entendimento para o fim de caracterizar o suposto grupo econômico. Violação ao Decreto nº 3.969, de 15.10.2001; Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 11555.001194/200957 Acórdão n.º 2201004.480 S2C2T1 Fl. 1.214 3 Inobservância às formalidades do Relatório Fiscal previstas na instrução normativa MPS/SRP n 03, de 14.07.2005, ao procederem as conclusões, sem fundamento concreto, tomando por base questões subjetivas, sem amparo em documentos ou outras provas; Improcedência das contribuições sociais aferidas com base nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela empresa Rondometal Ltda, tendo em vista a inexistência de obra de construção civil a cargo do Frigorífico Santa Elvira Ltda, fato também admitido pela fiscalização, ao deixar de expedir "ex officio" a matrícula CEI e ao deixar de autuar a empresa por não ter matriculado a obra perante o INSS. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração ao inciso I, do art.32, da Lei 8.212, de 24.07.1991, c/c art. 225, inciso I, e §9Q do Decreto ns 3.048/99, deixar a empresa de preparar folhade pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os Segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS; O Mandado de Procedimento Fiscal constitui ordem dirigida ao Auditor Fiscal para que fiscalize o cumprimento das contribuições previdenciárias e devidas aos terceiros(Decreto 3.969/2001). O grupo econômico responde solidariamente pelas obrigações previdenciárias(art.30, IX, da Lei 8.212/91); AUTUAÇÃO PROCEDENTE. Cientificado do acórdão de primeira instância em 07/06/2006 (fl.1.124), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.1.133/1.141), tempestivamente, em 16/06/2006, com as mesmas alegações da impugnação anteriormente julgada parcialmente improcedente. O recurso apresentado não foi recebido por ser considerado deserto, uma vez que não comprovou o depósito da garantia de instância prevista no §1º, do art. 126, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 10.684/03. Despacho da PGFN (fls. 1.198/1.199), determinou a inclusão dos responsáveis solidários (integrantes do grupo econômico) no sistema da dívida previdenciária. Manifestouse ainda acerca da inexistência de prescrição do crédito tributário, devido ao pedido de parcelamento que foi encerrado no dia 29/12/2011, data em que teve início o decurso de um novo prazo prescricional. Em nova manifestação (fls. 1204/1205), a PGFN determinou o prosseguimento e a análise do recurso anteriormente deserto, tendo em vista a inconstitucionalidade da garantia exigida pela Lei 8.213/91. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 11555.001194/200957 Acórdão n.º 2201004.480 S2C2T1 Fl. 1.215 4 É relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Preliminarmente Da Renúncia ao Contencioso Administrativo O despacho exarado pela ProcuradoraChefe da Fazenda Nacional no Estado de Rondônia noticia que a recorrente aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, na data de 13 de outubro de 2009. Acrescenta o referido despacho que o pedido de parcelamento do crédito tributário configura confissão espontânea, o que implica na interrupção do prazo prescricional (art. 174, IV, do CTN). Em conclusão, assevera que a adesão ao parcelamento especial manteve o crédito com a sua exigibilidade suspensa até o cancelamento da conta que ocorreu em 29/12/2011, voltando a correr o prazo prescricional. Em novo despacho, a PGFN destaca que é necessário ressaltar que o STF emitiu a Súmula Vinculante 21 acerca do tema: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Prossegue aduzindo que é obrigatória a revisão de legalidade da inscrição em dívida, não restando outra alternativa à PFN/RO que não seja rever a legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa, para concluir pela necessidade de se cancelar a inscrição em DAU, devolvendo o PAF para o âmbito da administrativo, de forma a se concluir o julgamento do recurso a que se negou seguimento. Da narrativa supra, pode se concluir que a recorrente aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 e não cumpriu com a obrigação pactuada, o que culminou com exaração do primeiro despacho, dando conta de que a execução fiscal poderia ter seu curso normal, já que o parcelamento resultou na interrupção do prazo prescricional. Todavia, a inscrição em dívida ativa foi cancelada por força da Súmula Vinculante nº 21 do Supremo Tribunal Federal e se determinou o retorno dos autos à Receita Federal do Brasil, que por sua vez determinou a remessa do PAF a este CARF para o julgamento do recurso. Ocorre que, não obstante a negativa do seguimento do recurso ser inconstitucional, em data posterior, a recorrente aderiu a parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009 e, de acordo com as regras estabelecidas na Portaria Conjunta PGFN /RFB Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 11555.001194/200957 Acórdão n.º 2201004.480 S2C2T1 Fl. 1.216 5 nº 6, de 22 de julho de 2009, desistiu de forma irrevogável do presente recurso, na forma abaixo: Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) Considerando que a Súmula Vinculante nº 21 tem caráter ex tunc, a inscrição do presente crédito tributário não produziu qualquer efeito. Dessa forma, ao aderir ao parcelamento especial a recorrente renunciou expressamente ao presente processo administrativo fiscal. Diferentemente do âmbito judicial, em que o não cumprimento do parcelamento importa na continuidade da execução fiscal; na esfera administrativa, não há de se cogitar de retomada do PAF, uma vez que o crédito tributário já está definitivamente constituído pela desistência de forma irrevogável do recurso administrativo. Nesse sentido temse o artigo 78, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.(destaquei). Observe que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre com a confissão da dívida que é externada através do pedido de parcelamento. O cumprimento do parcelamento é irrelevante para fins de confissão de dívida e de renúncia aos meios de impugnação administrativos e judiciais. Aplicandose a norma acima transcrita, no sentido do pedido parcelamento como desistência do contencioso administrativo, entendeu o CARF, através do acórdão 9303 005.182, relatado pelo Conselheiro Demes Brito e julgado no dia 18/05/2017: Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 11555.001194/200957 Acórdão n.º 2201004.480 S2C2T1 Fl. 1.217 6 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015. (destaquei). Conforme vastamente demonstrado, não resta saída diversa do não conhecimento do presente recurso por explícita renúncia ao contencioso administrativo por parte do sujeito passivo. A presente decisão deverá ser reproduzida para todos os processos dessa contribuinte e das demais empresas que compõem o mesmo grupo econômico. Conclusão Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1217DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.005701/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o recurso de ofício, cuja desoneração concedida pela decisão de piso seja inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n° n° 63/17.
Numero da decisão: 3301-004.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de a desoneração concedida pela decisão de piso ser inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n° 63/17.
Jose Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques dOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Renato Vieira de Avila (Suplente Convocado) eValcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso de ofício, cuja desoneração concedida pela decisão de piso seja inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n° n° 63/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão de a desoneração concedida pela decisão de piso ser inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n° 63/17. Jose Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Renato Vieira de Avila (Suplente Convocado) eValcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 57 01 /2 00 9- 18 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 505 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância. "O processo foi digitalizado posteriormente à sua formalização, de sorte que há uma pequena diferença entre a numeração original das folhas e a nova numeração atribuída automaticamente pelo sistema eprocesso, que está sendo adotada na presente decisão. O processo trata de Auto de Infração sobre a Cofins, período de 01/2004 a 12/2004, decorrente da Ação Fiscal definida pelo Mandado de Procedimento Fiscal N° 08.1.90.002008002931, de 29/01/2008 (fl. 2). O Termo de Início de Fiscalização, datado de 31/01/2008, fl. 122, intima o contribuinte à apresentação dos seguintes livros e documentos referentes ao ano calendário 2004: 1)Livro Diário e Razão; 2)Livros de Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias e/ou Serviços; 3)Livro de Registro de Inventário; 4)Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); 5)Livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência; 6)Estatutos sociais da empresa e alterações correspondentes (últimos cinco anos); 7)Demonstrativos detalhados de apuração da Cofins, regime não cumulativo, especificando débitos e créditos individualizadamente, para o ano calendário de 2004; Através do Termo de Início de Fiscalização, solicitase ainda que os comprovantes da escrituração contábil e fiscal sejam deixados à disposição da fiscalização para serem apresentados quando solicitados. O contribuinte tomou ciência do início da fiscalização em 06/02/2008, conforme AR à fl. 123. Em 08/02/2008 a DMA Distribuidora S/A envia correspondência à Defis/SPO (Delegacia da Receita Federal do Brasil da Fiscalizaçao em São Paulo), fl. 124, onde informa a apresentação do contrato social e alterações ocorridas a partir de 31/12/2003 e Demonstrativo de Apuração e Pagamento de Tributos e Contribuições (relativo ao PIS/Cofins), informa ainda estarem disponíveis em sua sede os documentos Livros Diário ou Caixa e Razão, Lalur e Modelo, Balanço Patrimonial em 31 /12 /2004 e Balancetes mensais analíticos. A empresa finaliza justificando que “apesar de estar diligenciando da melhor forma possível, a requerida ainda não conseguiu separar todo o material referido por ser o volume de documentos muito grande. Mais uma vez, em tempo hábil a empresa requerente solicita nova dilação do prazo anteriormente concedido pela fiscalização”. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 506 3 Em 17/03/2008 a Defis/SPO reintima o contribuinte, fl. 128/129, à apresentação da documentação anteriormente requerida cientificando que o não atendimento da intimação ensejará, na hipótese de lançamento de oficio, o agravamento da multa conforme prevê o § 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Em 03/06/2008 a Autoridade Fiscal emite novo Termo de Intimação, fl. 135, solicitando a apresentação, em meio magnético , dos seguintes elementos: Lançamentos contábeis, Saldos mensais, Tabela do plano de contas, Livro Caixa ou Diário e Razão, Livros de Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias e/ou Serviços e Livro de Registro de Inventário. Em 13/06/2008, a empresa envia correspondência à Defis/SPO, fl. 137, onde informa que houve problemas em seu setor de T.I. e que havia perdido todas as informações arquivadas em doze dos seus servidores, inclusive back ups, portanto estaria impossibilitada de atender à intimação. Em 08/07/2008, a Autoridade Fiscal emite novo Termo de Intimação, fl. 139, onde pede que a autuada proceda à recuperação dos arquivos magnéticos, alegadamente perdidos nos seus servidores, e respectivos "back ups", apresentando os à fiscalização da RFB. O Auditor fundamenta o Termo na legislação que rege a apresentação de livros e documentos fiscais para a fiscalização, em especial nos Arts. 264 e 265 do RIR/99, que tratam da obrigatoriedade da manutenção dos arquivos magnéticos para apresentação ao Fisco, sujeitando o contribuinte à aplicação das multas previstas no mesmo diploma legal. Em 28/07/2008 a DMA Distribuidora S/A envia nova correspondência à Deinf/SPO , fls. 141/143, nos seguintes termos: A requerente, em virtude da intimação recebida em 08 de julho de 2008, vem, por meio deste, reiterar o anteriormente por ela alegado. Infelizmente, os arquivos perdidos e seus respectivos back ups não têm como serem recuperados. Em virtude de tal fato, a empresa não poderá cumprir o determinado pela fiscalização. No entanto, como alegado acima, a empresa informa que já entregou à Receita Federal do Brasil boa parte dos livros "físicos" onde constam as informações solicitadas pela fiscalização. Os livros que não foram entregues em virtude de seu grande volume, encontramse a disposição da Receita na sede da empresa intimada. Cumpre salientar que a empresa intimada não está furtandose da fiscalização. Apenas encontrase impossibilitada de cumprir a última exigência feita, devido a perda dos arquivos eletrônicos supra mencionados. Em 04/08/2008, a Autoridade Fiscal emite Termo de Notificação Fiscal, fl. 144, fundamentado no Art. 265 do RIR/99, desta feita dando ciência à empresa de que “a mesma, a partir da presente data, encontrase incursa nos termos do artigo Art. 266 do retro mencionado regulamento, sujeitandose a imposição da multa prevista nesse artigo, prevista no Art. 980 do mesmo regulamento, e nos Arts. 12 e 13 da Lei 8218/91, com redação dada pelo Art. 62 da Lei 8383/91 e Art. 72 da MP 215834/2001, pela não apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas, no valor de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento do crédito tributário apurado na ação fiscal”. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 507 4 Em 25/09/2008, é emitido novo Termo de Intimação, fl. 146/147, solicitando ao contribuinte a apresentação de cópias autenticadas dos resumos mensais dos Livros de Registro de Entradas e de Saídas, Mapa Demonstrativo dos valores que compuseram os totais mensais das receitas excluídas da base de cálculo da Cofins indicados como referentes à Lei 10.147/00 no Demonstrativo de Apuração da Cofins apresentado pela empresa, indicando a que produtos e fornecedores se referem, Mapa Demonstrativo dos valores que compuseram os totais mensais das compras de mercadorias pela empresa, referentes à Lei 10.147/00, indicando a que produtos e fornecedores se referem, Mapas Demonstrativos mensais dos montantes de compras dos produtos especificados, analíticos por fornecedor de cada produto (Produtos de limpeza, biscoitos e massas, cigarros, vinhos nacionais, vinhos importados, cervejas nacionais, sucos de frutas, produtos hortículas frutas e ovos, queijo mussarela minas e prato, queijo tipo reino e outros tipos, revistas, livros). Em 28/10/2008 a empresa responde à Intimação, fls. 148/150, com as informações abaixo : Apresenta as cópias do Livros Registro de Apuração do ICMS (mod.P07) onde constam os valores totais de compras e vendas da empresa no período solicitado. Informa que os valores indicados como receitas excluídas em virtude da Lei nº 10.147/00 referemse a "Produtos Isentos ou Não Tributados de PIS e COFINS", e que o título do mapa anteriormente apresentado à RFB está incorreto. Informa ainda que os valores que compuseram os totais mensais das receitas excluídas da base de cálculo da Cofins, indicados como referentes à Lei no 10.147/00, no Demonstrativo de Apuração da COFINS já apresentados à fiscalização, são totalizados pelos diversos produtos, inclusive os arrolados e pelos demais produtos classificados como isentos ou não tributados pelo Pis / Cofins, tendo sido seus fornecedores os mais diversos indústrias, produtores e atacadistas. Em 27/11/2008 é enviado ao impugnante um novo Termo de Intimação Fiscal, fls. 166/167, onde são solicitadas, mais uma vez, cópias autenticadas dos resumos mensais dos Livros de Registro de Entradas e de Saídas da empresa visto que o contribuinte apresentou, anteriormente, em seu lugar, as cópias dos Livros de Apuração do ICMS. Salienta ainda que nos relatórios já apresentados não consta a discriminação por produto ou por fornecedor, conforme anteriormente solicitado pela Fiscalização. Solicita, portanto, que sejam apresentados mapas demonstrativos mensais dos montantes de compras dos produtos relacionados, analíticos por fornecedores de cada produto. A ciência ocorreu em 28/11/2008 (fl. 167). Em 27/01/2009 é emitido Termo de Reintimação Fiscal, reiterando as solicitações contidas no Termo de Intimação datado de 27/11/2008. Em 18/02/2009, apresentase nova correspondência da autuada, fls. 171/172, nos seguintes termos: [...]a empresa intimada, nesta oportunidade, apresenta cópias mensais autenticadas dos resumos dos Livros de Registro de Entrada e Saída do exercício de 2004. [...]a empresa intimada reitera o por ela afirmado em oportunidade anterior a esta. Os valores demonstrados nos mapas enviados à RFB referemse apenas às compras e vendas de produtos não tributados pelo PIS e COFINS adquiridos de fornecedores diversos. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 508 5 Não foi possível apresentar de forma detalhada os valores de compras e vendas dos produtos acima mencionados, devido ao grande volume de itens comercializados pela empresa. [...]a empresa intimada, nesta oportunidade, apresenta em anexo os mapas demonstrativos dos montantes de compras de produtos relacionados em termo de intimação anterior, por amostragem. Mais um Termo de Intimação Fiscal é emitido em 26/03/2009, fls. 173/174. Desta feita o Auditor informa que Livros Registros de Entradas e Saídas foram apresentados de forma incompleta, faltando os resumos mensais dos mesmos. Solicita que sejam apresentadas cópias autenticadas dos resumos mensais dos Livros Registros de Entradas e Saídas, do ano calendário de 2004, da matriz e de todas as filiais. Mais uma correspondência da DMA Distribuidora S/A é enviada à RFB, em 14/04/2009, fl. 175, através da qual são expostos os seguintes fatos: Em relação aos valores de créditos de PIS/Cofins referentes aos Encargos de Depreciação e Amortização, anexa relatório com todas as aquisições feitas para integração ao seu Ativo Imobilizado a partir de 01/05/2004 até 31/12/2004 e cópias de Notas Fiscais de aquisições (por amostragem devido ao grande volume). Na correspondência a empresa justifica ainda os valores de PIS/Cofins divergentes entre as declarações DIPJ e DCTF, de sua adesão ao Paex quanto aos valores de janeiro/2004. Quanto às divergências apontadas para os meses de fevereiro e julho/2004, informa que serão acertados em declarações retificadoras. Informa ainda a anexação de cópias demonstrando dados, contabilizações e pagamentos dos valores conforme cálculos efetuados. Em 25/05/2009, outro Termo de Intimação é emitido ao contribuinte, fl. 176, requerendo que seja apresentado resumo das mutações havidas no Ativo Imobilizado da empresa no ano de 2004, inclusive com cópia do registro das transações nos livros contábeis. As informações enviadas pela autuada sobre o Ativo Imobilizado constam nas fls.177/198 deste processo. A DMA Distribuidora envia à Deinf/SPO mais uma correspondência, datada de 21/05/2009, fl. 199, através da qual encaminha relatório constando a abertura das Vendas de Produtos com alíquotas diferenciadas/aliquota zero e não tributados pelas contribuições PIS /Cofins em 2004. O relatório consta às fls. 200/201 deste processo. Em 24/06/2009, o Auditor Fiscal intima a empresa, através do Termo de Intimação às fls. 202/203, a apresentar relatório de movimentação do estoque e relação dos comprovantes de aquisição, das vendas efetuadas de produtos não tributados /alíquota zero, para os produtos, meses e valores indicados no citado Termo. Em 04/08/2009, um novo Termo de Intimação é expedido pela Deinf/SPO, fls. 207/208, no qual são solicitados Dacon (alguns meses dos AC 2005, 2006 e 2007), Razão Contábil (AC 2005 a 2007), Razão das contas PIS e Cofins a recolher e a recuperar, Balancetes Mensais Analíticos (Ac 2005 a 2007) e Mapa com Depreciação dos bens adquiridos em 2004 com informações mensais do montante de depreciação lançada como crédito do PIS/Cofins. Em 11/09/2009 a empresa responde à intimação (fl. 209) com apresentação de alguns documentos: demonstrativo de apuração do PIS e da Cofins, abertura dos valores de compras em valores tributados e não tributados/aliquota zero, mapa Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 509 6 demonstrando a classificação dos produtos relacionados como compras anteriormente, que constam como sendo não tributados/alíquota zero e demonstrativo das aquisições mensais, a partir de 01/05/2004, de ativo imobilizado bem como seus totais de depreciação e amortização (fls. 210/ 212). Em 29/09/2009, a Autoridade Fiscal emite Termo de Intimação, fls. 213/214, onde são solicitadas cópias autenticadas dos registros contábeis da empresa, realizados a titulo de obrigações tributárias, relativamente aos débitos da Cofins, bem como dos registros de direitos dessa contribuição a compensar, para os anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007. Constam, às fls. 215/367, vários relatórios apresentados pela empresa: Mapa 1 demonstrativo de compras de mercadorias entradas totais por código fiscal conforme livro registro de apuração do ICMS, Mapa 2 demonstrativo de vendas de mercadorias saídas totais por código fiscal conforme livro registro de saídas, Mapa demonstrativo das devoluções de compras códigos 5.202 e 6.202, Mapa demonstrativo do ICMS sobre as compras códigos 1.102 2102 1.113 2.113 1.253 1.303 –1.353 2.353 1.910 e 2.910, Mapa 3 demonstrativo da apuração dos créditos da Cofins sobre as compras, Mapa 04 demonstrativo da apuração dos débitos da Cofins sobre as vendas e Mapa 05 demonstrativo sintético da apuração da Cofins (todos referentes ao anocalendário 2004). Em 22/11/2009 é emitido pela Autoridade Fiscal o Termo de Verificação Fiscal, fls. 368/369, onde são solicitados: Cópia das DCTF retificadoras, entregues em 26/10/2009, para o 1° e o 3º Trimestres de 2004, com justificativas da retificação e esclarecimentos sobre as diferenças indicadas no Mapa anexo – demonstrativo sintético da apuração da Cofins AC 2004, relativas aos valores da Cofins a recolher apurados pela fiscalização e os valores declarados/recolhidos dessa contribuição informados nas DCTFs e DACONs da fiscalizada. Às fls. 370 consta o mapa demonstrativo sintético da apuração da Cofins AC 2004 (débitos e créditos apurados). Em 07/12/2009, é emitido pela Autoridade Fiscal o Termo de Verificação , fls. 371/377, onde consta o relato da Ação Fiscal, inclusive citando todos os Termos de Intimação dirigidos à Autuada, aqui já relatados. Salienta o fato de a empresa não ter entregue os arquivos magnéticos solicitados e que, em função desse fato, foi fixada a multa de 112,5% sobre o valor do crédito tributário apurado. O termo de verificação é concluído conforme abaixo: O mapa 5 apresenta o resumo das apurações dos débitos e créditos da COFINS, mediante deduções das despesas permitidas pela legislação, receitas não tributadas e de alíquota zero e compras não tributadas e de alíquota zero, submetidas à alíquota gerando os valores mensais da COFINS A RECOLHER, que confrontados com os valores informados pelo contribuinte nas informações prestadas à SRF nas DACONs e DCTFs, permitiram obter mensalmente os valores das diferenças da COFINS que representam valores não recolhidos ou créditos para os meses seguintes. Importante frisar que as citadas diferenças se ocasionaram em virtude de inconsistências encontradas nos levantamentos realizados entre os registros do contribuinte nos seus Livros Registros de Entradas e Saídas e de Apuração do ICMS em confrontação com os balancetes da empresa, bem como com as glosas efetuadas das despesas de depreciação e amortização, de bens adquiridos anteriormente a maio de 2004, indevidamente deduzidas da base de cálculo da contribuição fiscalizada. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 510 7 Tendo em vista que o contribuinte não contestou os valores do mapa apresentado, consideramos as diferenças não declaradas e não recolhidas da COFINS como devidas e exigíveis de ofício, com o acréscimo da multa de ofício e dos juros legais, pela lavratura do competente Auto de Infração, sendo a diferença mensal da contribuição no ano calendário de 2004, considerada como base de calculo, conforme se detalha abaixo: ANO CALENDÁRIO 2004 BASE DE CÁLCULO Fevereiro R$ 95.276,82 Abril R$ 193.250,17 Maio R$ 134.909,14 Julho R$ 91.072.60 Agosto R$ 193.112,49 Setembro R$ 294.340,33 Outubro R$ 186.502,83 Total R$1.188.464,38 Os valores acima, apurados mensalmente, representam importes da contribuição denominada COFINS não recolhidos e não declarados nas declarações da empresa para a Secretaria da Receita Federal, especificadamente nas suas DCTFs Declarações de Contribuições e Tributos Federais, devendo, em conseqüência, ser o total das mesmas objeto de Auto de Infração, pelo qual serão esses valores exigidos, com o acréscimo da multa de oficio majorada e dos juros legais. A ciência pelo contribuinte ocorreu em 14/12/2009, fl. 377. O Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração consta às fls.378/384, perfazendo um total de crédito tributário apurado de R$ 3.342.395,24 (fl. 381). Em 14/12/2009, é dada a ciência ao contribuinte do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls 385. Em 13/01/2010, a empresa autuada apresenta Impugnação, fls. 390/430. Resumemse abaixo os fatos e fundamentos apresentados: 1) Preliminarmente alega a decadência do período referente a 01/01/2004 até 13/12/2004 – Fala do lançamento da Cofins por homologação, enquadrando o prazo decadencial conforme disposto no art. 150 do CTN. Salienta que o Fisco constituiu o crédito apenas em dezembro/2009, referente aos fatos geradores de fevereiro a outubro/2004. Pondera ainda que o fato gerador da Cofins acontece mensalmente, ficando, portanto, configurada a decadência do pretenso crédito tributário que contempla fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 2004, não restando dúvidas de que houve homologação tácita do crédito tributário levado a efeito pela ora impugnante no período apontado. 2) Quanto ao mérito, insurgese contra do valor da Multa Lançada Considera que foi duramente penalizada por meio de aplicação de multa no importe de 112,5% Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 511 8 (art. 44, §2°, Lei n° 9.430/96) sobre o valor da Cofins erroneamente apurado. Frisa que não apresentou os arquivos magnéticos solicitados por absoluta impossibilidade, em decorrência de problemas técnicos ocorridos com estes arquivos, os quais não tinham como recuperar, mas que todas as informações solicitados pela fiscalização foram disponibilizadas em meio físico via documentos fiscais e contábeis. Afirma que não houve qualquer tentativa da Impugnante de dificultar ou impossibilitar a auditoria fiscal. 3) As demais argumentações apresentadas, sempre baseadas em doutrinas de renomados juristas e em julgados do CARF, de TRFs e do STF, dentre outros, dizem respeito à inconstitucionalidade de Leis em vigor no Ordenamento Jurídico Nacional, conforme se resume abaixo: 3.1) Insubsistência da exigência relativa à glosa dos créditos referentes às despesas de depreciação e amortização de bens adquiridos anteriormente a maio de 2004, bem como relativos às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos – Argumenta que a limitação temporal destes créditos, imposta pelo legislador através da edição da Lei n° 10.865/04, é inconstitucional por ofender o direito adquirido, os princípios da irretroatividade das leis e isonomia, bem como da segurança jurídica. Na versão original do art. 3° da Lei n° 10.833/03, era permitido o aproveitamento de créditos relativos às despesas de depreciação e amortização de bens do ativo permanente, bem como de créditos relativos às despesas financeiras decorrentes de empréstimos, sem qualquer limitação temporal. Em 30/04/2004, foi publicada a Lei n° 10.865/04 que vedou, a partir do último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação da norma (31/07/2004), o desconto de créditos apurados sobre depreciação e amortização de bens e ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004, bem como vedou o desconto de créditos relativos às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos. Tal fato feriu o direito adquirido e o principio da irretroatividade da lei tributária disposto no art. 150, III, "a" da Constituição Federal de 1988, etc... 3.2) A Base de Cálculo do PIS e da COFINS, o Conceito de Faturamento e de Receita Bruta e a necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins Pondera que a Cofins foi criada pela Lei Complementar n°70/91, tendo como base de cálculo o faturamento mensal das empresas, entendido como sendo sua receita bruta, decorrente da venda de bens ou prestação de serviços. A Lei n° 9.718/98, pretendeu conferir ao conceito de faturamento uma abrangência maior do que aquela atribuída pelo direito comercial e pelo próprio STF, considerandoo como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Posteriormente, foi editada a Emenda Constitucional n° 20/98, alterando o art. 195, I, da CF/88, incluindo o vocábulo "receita" no seu texto, tentando dotar de constitucionalidade a Lei n° 9.718/98, como se tal fato fosse permitido em nosso ordenamento. A doutrina e a pacificada jurisprudência do STF entendem que faturamento não pode ser nada além da receita bruta das vendas de mercadorias e serviços. A base de cálculo adotada pela fiscalização deve ser reduzida pela exclusão do ICMS. No caso em questão, "faturamento" deve ser entendido apenas como o resultado da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, motivo pelo qual deve ser cancelado ou, na pior das hipóteses, retificado o lançamento tributário em questão, eis que foi majorado indevidamente pela inclusão do ICMS na base de cálculo da exação exigida. O ICMS não é faturamento nem receita da Impugnante, base de cálculo do Pis e da Cofins, é inquestionável a necessidade de cancelamento do Auto de Infração. 3.3) A impossibilidade de aplicação da Taxa Selic – Considera que não merece prosperar a exigência de juros com fulcro na Taxa Selic diante da inconstitucionalidade do art. 13 da Lei n° 9.065/95 e do art. 61, §3º, da Lei n° Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 512 9 9.430/96. A exigência da aplicação da taxa Selic pelo Fisco para a atualização do crédito tributário ora exigido infringe claramente diversos dispositivos de nosso ordenamento, inclusive o basilar principio da legalidade, previsto não só no art. 150, I, da Constituição Federal de 1988, bem como no art. 97, V, do Código Tributário Nacional. A impugnante finaliza requerendo que o lançamento seja julgado improcedente e o crédito tributário lançado seja extinto face à ocorrência do instituto jurídico da decadência. Caso não seja atendida quanto à decadência, que sejam consideradas as inconstitucionalidades já acima relatadas. É o relatório." A DRJ em Fortaleza (CE) julgou a impugnação procedente em parte e o Acórdão n° 08029.596, de 15/05/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. Aplicase, na contagem do prazo decadencial dos lançamentos por homologação, o disposto no art. 150 do CTN. Para os demais casos a contagem do prazo decadencial ocorre conforme disposto no art. 173 do CTN. MULTA DE OFÍCIO AGRAVAMENTO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Deve prevalecer o agravamento da multa de ofício, ao percentual de 112,5%, pela ausência de apresentação dos arquivos magnéticos exigidos, nos termos da Lei 9.430/96, art. 44, § 2o , II. INCONSTITUCIONALIDADE A arguição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é contestável na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A DRJ recorreu de ofício. Por outro lado, não houve interposição de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 513 10 Voto Por meio do Acórdão 08029.596, de 15/05/14, a DRJ em Fortaleza (CE) exonerou o contribuinte da parte do crédito tributário lançado de ofício que já havia sido alcançada pela decadência estatuída pelo § 4° do art. 150 do CTN, nos termos dos seguintes trechos do voto condutor: "(. . .) Assim, entendese que, tendo havido o pagamento para os períodos de apuração (fev/abr/mai/jul/ago/set/2004) caracterizase o lançamento por homologação, portanto a contagem do prazo decadencial é regida pelo disposto no Art. 150 do CTN. Assim sendo, para os fatos geradores ocorridos nos meses de (fev/abr/mai/jul/ago/set/2004) a decadência ocorreu durante o ano de 2009 e antes da data da ciência do Auto de Infração pelo contribuinte, que ocorreu em 14/12/2009. (. . .) Para concluir, encaminho meu voto no sentido de considerar a Impugnação parcialmente procedente, conforme abaixo se resume: Considerar procedente a alegação do contribuinte sobre decadência quanto aos Fatos Geradores de fevereiro, abril, maio, julho, agosto e setembro/2004. Considerar improcedente a alegação do contribuinte sobre decadência quanto ao Fato Gerado de outubro/2004, sendo mantido o lançamento para este período de apuração. Considerar improcedente a impugnação do contribuinte contra a multa de 112,5% sobre o valor do crédito tributário lançado e mantido. (. . .) (g.n.)" Abaixo, apresento quadro demonstrativo contendo as parcelas do principal e da multa de ofício canceladas pela DRJ, extraídas do auto de infração (fls. 373 e 374): Competência (2004) Principal Multa de ofício (112,5%) Total Fevereiro 95.276,82 107.186,42 202.463,24 Abril 193.250,17 217.406,44 410.656,61 Maio 134.909,14 151.772,78 286.681,92 Julho 91.072,60 102.456,68 193.529,28 Agosto 193.112,49 217.251,55 410.364,04 Setembro 294.340,33 331.132,87 625.473,20 Total 1.001.961,55 1.127.206,74 2.129.168,29 Concluise, portanto, que o somatório das parcelas de principal e multa de ofício canceladas pela DRJ (R$ 2.129.168,29) é inferior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF n° 63/17 (R$ 2.500.000,00), pelo que não conheço do recurso de ofício. É como voto. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.005701/200918 Acórdão n.º 3301004.607 S3C3T1 Fl. 514 11 Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901095/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 95 /2 01 4- 34 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11040.901095/201434 Acórdão n.º 1402003.081 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11040.901095/201434 Acórdão n.º 1402003.081 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11040.901095/201434 Acórdão n.º 1402003.081 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11040.901095/201434 Acórdão n.º 1402003.081 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11040.901095/201434 Acórdão n.º 1402003.081 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11040.901095/201434 Acórdão n.º 1402003.081 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.720239/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008
Ementa:
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF.
Numero da decisão: 2202-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos Inominados em virtude de renúncia do Contribuinte ao contencioso administrativo por adesão a parcelamento.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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RENÚNCIA. Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos Inominados em virtude de renúncia do Contribuinte ao contencioso administrativo por adesão a parcelamento. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 02 39 /2 01 0- 26 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 170 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal visando aclarar o resultado da decisão proferida no Acórdão CARF nº 2302002.050, de 14/08/2012 (fls. 117/128). O recurso foi admitido pelo presidente da 2ª Seção (fl. 165/168), e foi determinada a redistribuição dos autos no âmbito da Seção ante à extinção da 2ª TO da 3ª CÂM, e do fim do mandato do Cons. Relator original. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Tratase de lançamento de Ofício do AIOA DEBCAD nº 37.279.4521, CLF 78 (fls. 2/5). O Relatório Fiscal encontrase às fls. 6/12 e anexos fls. 13/28. Tendo a Contribuinte impugnado o lançamento (fls. 48/57 e docs. anexos fls. 75), a DRJ proferiu o acórdão nº 15.27.880, de 28/07/2011 (fls. 88/98), julgando parcialmente procedente o lançamento. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 101/109 e docs. anexos fls. 110/113), que foi julgado parcialmente procedente pelo Acórdão CARF nº 2302002.050, de 14/08/2012 (fls. 117/128). Este acórdão ficou assim ementado e acordado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 171 3 O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Intimado do acórdão, a PGFN protocolou Recurso Especial (fls. 130/138 e docs. anexos fls. 139/150). Contudo, foram anexados aos autos Termo de Desistência Total de Impugnação ou Recurso Administrativo frente à adesão ao Parcelamento Especial da Lei nº 12.810/2013 (fl. 154/157). Nesse contexto, a DRF então opôs Embargos de Declaração (fls. 162) buscando esclarecer quais competências foram mantidas. Os embargos foram admitidos pela presidência da 2ª Seção em 24/08/2017 (fls. 165/168) nos seguintes termos: Apesar da menção, nos fundamentos, de infração por descumprimento de obrigação acessória apresentação de GFIP com omissão de fato gerador onde seria aplicável o art. 32 (na Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 172 4 redação anterior à MP 449/08) ou 32A da lei 82129/91, a decisão se refere ao art. 35 da mesma norma, aplicável no caso de auto de infração por descumprimento de obrigação principal, (...) Diante do exposto, devese acolher os Embargos de Declaração, submetendo os autos novamente à apreciação, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante. Considerando que o colegiado que proferiu a decisão embargada foi extinto, encaminhese o processo para novo sorteio, no âmbito dos colegiados da 2a Seção do CARF, para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento.... É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os Embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Constatase, entretanto, que a Contribuinte renunciou ao PAF quando aderiu ao REFIS da Lei nº 12.865/2013, conforme art. 78, § 2º, do Anexo II ao RICARF. Nesse caminho, aplicase também o quanto determina o § 3º desse mesmo art. 78: § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Portanto, uma vez que a Contribuinte apresentou Desistência Total (fl. 154/157), sem ressalvar quaisquer débitos, renunciou também à decisão que lhe foi favorável. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar os Embargos Inominados em virtude de renúncia do Contribuinte ao contencioso administrativo por adesão a parcelamento. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10540.720239/201026 Acórdão n.º 2202004.348 S2C2T2 Fl. 173 5 Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.722781/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
CONTRADITÓRIO. INÍCIO.
Somente com a impugnação inicia-se o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO PROVA EMPRESTADA.
As informações sobre as vendas informadas para o Fisco Estadual podem ser aproveitadas no lançamento de tributos federais quando a contribuinte se recusa a apresentar seus livros e documentos contábeis.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Não logrando os recorrentes infirmar a imputação de sujeição passiva solidária, não há como afastá-los do pólo passivo.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PROCURADOR.
A mera qualificação de Procurador não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes ou a caracterização de confusão patrimonial.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. Cofins.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1201-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos voluntários da contribuinte (autuada) e dos responsáveis tributários/recorrentes: Pessoas Físicas - Ineide Maria de Souza (sócia), Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, João Shoiti Kaku, Simon Nagib Antonios, e André Amaro da Silva e as Pessoas Jurídicas: FN - Assessoria Empresarial Ltda , FAS - Empreendimentos e Incorporações Ltda , DOV Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Alimentos Ltda, Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda, e, por maioria de votos, em DAR provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas (mandatárias): Luiz Alberto Panaro, Paulo Roberto dos Santos Mina e Nabil Akl Abdul Massih para afastar a responsabilidade tributária desses recorrentes. Vencida a relatora (Ester Marques Lins de Sousa) e os conselheiros Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que também negavam provimento aos recursos voluntários desses recorrentes. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado). Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação inicia-se o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO PROVA EMPRESTADA. As informações sobre as vendas informadas para o Fisco Estadual podem ser aproveitadas no lançamento de tributos federais quando a contribuinte se recusa a apresentar seus livros e documentos contábeis. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Não logrando os recorrentes infirmar a imputação de sujeição passiva solidária, não há como afastá-los do pólo passivo. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROCURADOR. A mera qualificação de Procurador não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes ou a caracterização de confusão patrimonial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. Cofins. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
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INÍCIO. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado nos autos que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO PROVA EMPRESTADA. As informações sobre as vendas informadas para o Fisco Estadual podem ser aproveitadas no lançamento de tributos federais quando a contribuinte se recusa a apresentar seus livros e documentos contábeis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 27 81 /2 01 5- 31 Fl. 12243DF CARF MF 2 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Não logrando os recorrentes infirmar a imputação de sujeição passiva solidária, não há como afastálos do pólo passivo. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROCURADOR. A mera qualificação de Procurador não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes ou a caracterização de confusão patrimonial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. Cofins. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos voluntários da contribuinte (autuada) e dos responsáveis tributários/recorrentes: Pessoas Físicas Ineide Maria de Souza (sócia), Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, João Shoiti Kaku, Simon Nagib Antonios, e André Amaro da Silva e as Pessoas Jurídicas: FN Assessoria Empresarial Ltda , FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda , DOV Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Alimentos Ltda, Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda, e, por maioria de votos, em DAR provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas (mandatárias): Luiz Alberto Panaro, Paulo Roberto dos Santos Mina e Nabil Akl Abdul Massih para afastar a responsabilidade tributária desses recorrentes. Vencida a relatora (Ester Marques Lins de Sousa) e os conselheiros Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que também negavam provimento aos recursos voluntários desses recorrentes. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado). Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 2/41, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 42/81, de Contribuição para o PIS/Pasep, fls. 82/103, e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 12244DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 3 3 (Cofins), fls.104/125, referentes aos anoscalendário de 2010, 211 e 2012. Lançados os tributos com juros de mora calculados até outubro/2015 e multa qualificada de 150%. Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto parte do relatório da decisão recorrida (efls.11.147/11.175) que a seguir transcrevo: Dos Fatos No Termo de Verificação Fiscal (fls. 126/141) consta que pesquisa nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), detectou receita bruta de venda, em 2011 e em 2012, da ordem de 307 e 350 milhões de reais, respectivamente. Constatado ainda que as DIPJ anoscalendário 2011 e 2012 foram entregues com os campos de receitas e cálculos dos IRPJ e CSLL zerados. Apresentadas apenas as DACON e DCTF com faturamentos da ordem de 212 e 188 milhões, relativas aos anoscalendário 2011 e 2012, e as DCTF referentes aos períodos janeiro a dezembro de 2010 e janeiro a junho de 2011, com valores confessados de PIS, COFINS e IRRF bastante inferiores aos que seriam devidos em razão das notas fiscais eletrônicas emitidas nos mesmos períodos, na ordem de 897 milhões de reais (fls. 142/631). Após a intimação do início do procedimento fiscal, constatouse que o domicílio fiscal da contribuinte, sala 38, encontravase fechado, fato constatado pela fiscalização. Foi informado, na portaria do prédio, que a única funcionária da Faróleo, encontravase de férias e que retornaria em 05/06/2014. Em 03/06/2014, a RFB recebeu via postal, correspondência da contribuinte requerendo prorrogação do prazo de 180 dias para permitir a entrega da documentação. Concedeuse prazo adicional de 40 dias, com início em 03/06/2014. Em 31/07/2014, a contribuinte foi notificada que o período fiscalizado abrangeria também o anocalendário 2010, motivo pelo qual a prorrogação foi postergada por mais 20 dias. A contribuinte apresentou livro de registro e saídas de 2010 a 2012, cópias de Dacon de janeiro a dezembro de 2010, e Registro de entradas e Registro de saídas, da filial de Extrema, nos anos 2010 a 2012. Também informou que os demais documentos seriam enviados posteriormente. Transcorrido mais de um ano de fiscalização, a contribuinte não apresentou a documentação mínima necessária para a apuração dos valores devidos ou não dos tributos. Do Arbitramento do Lucro O art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), Decreto 3.000, de 26/03/1999, disciplina o arbitramento do lucro. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 12245DF CARF MF 4 (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A causa do arbitramento é, primordialmente, a omissão na entrega de livros contábeis e de livros fiscais. No caso concreto, corroborando com esta causa principal, encontramse as próprias declarações da empresa fiscalizada, com informações prestadas de qualidade duvidosa, incongruentes com as notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas e, a falta de apresentação, mesmo intimada de diversos livros fiscais e contábeis. O arbitramento não é uma penalidade, mas sim a única consequência possível a uma situação consumada, que é a não apresentação, para exame, dos necessários livros contábeis e fiscais. É simplesmente um critério adotado para o cálculo do lucro. Quando conhecida a receita, no presente caso obtida pela soma das notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas (Anexo I, fls. 142/631), aplicamse percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, inclusive, para respeitar os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. Da Qualificação da Multa Em 2011 e em 2012, a contribuinte não apresentou as DIPJ nem confessou em DCTF qualquer valor devido de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). Limitouse a confessar valor ínfimo de imposto de renda devido (lucro real) em apenas um trimestre (2º/2010) e, apresentou DIPJ com os campos zerados. Com relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e ao programa de Integração Social (PIS), limitouse a informar valores incompatíveis com o faturamento. Observase que os dados da receita bruta de vendas de janeiro a março de 2010 foram obtidos do livro Registro de Saídas, porque as notas fiscais eletrônicas passaram a ser emitidas a partir de abril de 2010. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) ... Programa de Integração Social (PIS) ... Receita Bruta declarada em DIPJ X Receita Bruta Calculada (Nfe) Fl. 12246DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 4 5 Estas tabelas demonstram que a pessoa jurídica, além de omitir valores significativos em DCTF e Dacon, também apresentou valores zerados nestas declarações e nas DIPJ. Nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata, a lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 44, inciso I, §1º dispõe que o percentual de 75% será duplicado quando demonstrada a existência de conduta dolosa definida no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, (sonegação), tipificada penalmente nos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137, de 1990. À luz destes dispositivos legais, na caracterização da sonegação, é suficiente a omissão de informações na declaração ou omissão da própria declaração a que está sujeito o contribuinte. O dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) são evidenciadas pela reiteração de atos que tenham por escopo, inegavelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração. O artifício de declarar sistematicamente e reiteradamente, à Fazenda Nacional valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, além de retardar o conhecimento do elemento quantitativo do fato imponível por parte da autoridade administrativa, ainda faz supor que o contribuinte está cumprindo com suas obrigações. A reiteração da prática de informar dados falsos à Fazenda Pública constituise em sonegação. A caracterização de sonegação assim como do elemento volitivo na conduta do contribuinte ao declarar, reiteradamente, valores inverídicos ao Fisco, aquém do efetivamente devido, torna cabível a qualificação da multa, conforme dispõe o art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996. E mais, a qualificação da multa é motivada não apenas pela ocorrência da sonegação, como também pela ocorrência, em tese, da fraude e conluio, tipificados nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Da Sujeição Passiva Elementos coletados no curso da Operação Yellow executada pelo Estado de São Paulo (Secretaria da Fazenda e Ministério Público) combinados com os elementos obtidos no curso da fiscalização comprovam que a Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. pertence ao grupo econômico ora identificado como “Grupo FN” que se subdivide em dois Fl. 12247DF CARF MF 6 segmentos denominados Segmento Soja e Segmento Ovos, estando a fiscalizada inserida no Segmento Soja. Este grupo é composto por diversas pessoas jurídicas, cada uma com atribuição precípua. Grupo FN – Segmento Soja Holding informal: FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (CNPJ 04.350.935/0001 59), com a função de exercer, através de procuração ou via uso de interpostas pessoas, a administração das pessoas jurídicas comerciais. PJs patrimoniais: FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (CNPJ 03.752.053/000157) e Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (CNPJ 10.637.365/000185), detentoras do patrimônio do Grupo, parte locado às PJs industriais. PJs industriais e exportadoras: Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (CNPJ 06.348.804/000243); Sina Indústria de Alimentos Ltda. (CNPJ 10.156.658/000140) e Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 09.374.458/000185); prestandose as primeiras para industrializar, por conta e ordem das comerciais, oleaginosas (principalmente soja em grãos). PJs comerciais: Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 05.055.406/000140); DOV Óleos Vegetais Ltda (CNPJ 05.262.304/000140); Multioleos Óleos e Farelo Ltda (CNPJ 06.247.827/000180); Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda ME (CNPJ 06.247.822/000158); Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda (CNPJ 11.326.673/000152); W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 12.369.189/000173); Orted Óleos e Cereais Ltda (CNPJ 14.041.985/000108) e Petry Comércio, Importação & Exportação Ltda (CNPJ 14.465.186/000169); responsáveis pela comercialização, no mercado interno, dos produtos oriundos das industriais e responsáveis pela maior fatia de tributos gerados pelo Grupo. Este Grupo atuou, nos anoscalendário 2011 e 2012, como uma única grande empresa por segmentos e cometeu diversas infrações tributárias, resultando em elevados valores lançados de tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) e sua estrutura e modo de agir faz com que haja obrigações tributárias solidárias pelos tributos lançados, nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Em paralelo, também foi detectado que a atuação do Grupo era dirigida por pessoas que ostentavam três qualidades de vínculos: a) Reais administradores (verdadeiros donos do negócio) Pessoas físicas que, utilizandose de interpostas pessoas (“testasdeferro”, "offshore", e/ou procuradores) administravam todo o conjunto empresarial de forma oculta. Eles organizavam toda a atividade do Grupo, decidiam, empreendiam, idealizavam, coordenavam e se beneficiavam das Fl. 12248DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 5 7 atividades desenvolvidas, enfim, todos praticavam atos de gestão. Estes administradores, no entanto, na maioria dos casos, não pertenciam aos quadros societários das pessoas jurídicas acima identificadas e, também, para não declarar e não pagar a totalização dos tributos devidos pelas pessoas jurídicas do Grupo (o que, em tese, se configura sonegação fiscal), bem como se afastarem da solidariedade/responsabilidade tributária em relação a tais tributos, se valeram de alguns expedientes, a exemplo de: Utilização de interpostas pessoas (físicas – “testasdeferro” ou jurídicas – “offshores”) nos quadros sociais de suas pessoas jurídicas, que responderiam pelas obrigações destas, no lugar deles; Esvaziamento patrimonial das pessoas jurídicas do Grupo (auditadas), pois o patrimônio ficava centralizado (“blindado”) junto às PJs patrimoniais FAS e Modena – para não serem alcançados por obrigações das demais; Dissolução irregular de sete das onze pessoas jurídicas auditadas, as quais deixaram de funcionar em seu domicílio fiscal, sem qualquer comunicação, conforme disciplina a Súmula 435 do STJ. “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente.” b) Sócios formais São as pessoas cujos nomes compunham os quadros societários das pessoas jurídicas do Grupo. b.1) ora, pessoas físicas, sem estofo patrimonial, conhecidas por testasdeferro; pessoas sem conhecimento e capacidade econômica para empreender, que cediam seus nomes mantendo ocultos os reais administradores, aparecendo no contrato social como sócios ou sócios administradores. b.2) ora, pessoas jurídicas constituídas fora do Brasil "off shore" (SAFIs), desprovidas de finalidades societárias de fato, adquiridas pelos reais administradores, também com o intuito de se ocultarem, bem como ocultarem possíveis bens, vez que é “notória a dificuldade de acessar o patrimônio enviado para o exterior, com a utilização dessas empresas “estrangeiras”, situadas em “paraísos fiscais”(decisão judicial em Agravo de Instrumento 001588663.2013.4.03.0000/SP – TRF 3º região). c) Procuradores Pessoas físicas que recebiam procurações para agirem, ostensivamente, em nome de algumas pessoas jurídicas do Grupo, mantendo ocultos os reais administradores. Nestas condições, verificouse que os reais administradores, associados Fl. 12249DF CARF MF 8 aos sócios formais e aos procuradores, além de terem nítido interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados, ainda cometeram diversas infrações a leis, restando evidente a existência de obrigações tributárias solidárias e responsabilizações pessoais nos termos dos artigos 124, I, e 135, II e III, do CTN. Entre as diversas infrações a dispositivos legais cometidas, que estão explicitadas no Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas do Grupo FN (fls. 756/836), destacamse: 1 Os reais administradores se associaram aos sócios formais (os quais cediam seus nomes para compor o quadro societário das pessoas jurídicas – sócios “testasdeferro”) e aos procuradores (que cediam seus nomes para assumirem os compromissos das pessoas jurídicas), para cometer, em conluio, as diversas infrações legais. Assim agindo, os reais administradores, em tese, também infringiram o art. 288 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940). “Quadrilha ou Bando”/”Associação criminosa” Art. 288. Associaremse mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013). (...) 2 – Os reais administradores, em acordo com os sócios formais e procuradores, ao integrarem ao quadro societário de suas pessoas jurídicas sócios “testasdeferro” e/ou “offshore”, modificaram, uma característica essencial dos fatos geradores: a sujeição passiva. Agindo assim, infringiram o artigo 299 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940), cometendo, em tese, falsidade ideológica. Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante (...) 3 – Os reais administradores não pagaram e não declararam/confessaram a totalidade devida pela contribuinte dos tributos fiscalizados, no anocalendário 2012,reduzindoos na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (declaração que constitui confissão de dívida Decretolei 2.124/1984, artigo 5°, parágrafo 1°). Faróleo 2010, 2011 e 2012 Devido (1) Confessado Tributos 63.906.116,79 205.653,94 Fl. 12250DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 6 9 (1) Valor devido, conforme apurado pela fiscalização. Desta forma, não houve apenas o mero inadimplemento (falta de pagamento de tributo devido já confessado ao Fisco), mas, sim, reiterada omissão dolosa, sonegação, em tese, objetivando o não pagamento dos tributos devidos. Assim, os reais administradores infringiram os artigos 71, 72 e 73 do Código Penal (sonegação, fraude e conluio) e os art. 1º e 2º da Lei 8.137, de 1990 (crimes contra a ordem tributária) e deixaram de confessar tributos devidos, no valor total de R$ 63.700.462,85. Enfim, detectouse, nos anoscalendário 2010 a 2012, quanto à contribuinte, os responsáveis/solidários pelos créditos tributários lançados indicados no quadro a seguir. Responsável/Solidário Qualidade CPF/CNPJ CTN Onida S. A. (Uruguai) sócio 07.062.622/000193 124 I Ineide Maria de Souza sócio 125.688.41893 124 I e 135 III André Amaro da Silva Representa a sócia PJ 253.069.98879 124 I e 135 III Simon Nagib Antonios Gerente delegado 143.644.22819 124 I e 135 III Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih real administrador 032.308.45838 124 I e 135 III Andréa Ferreira Abdul Massih real administrador 227.644.34804 124 I e 135 III Simon Nemer Ferreira Abdul Massih real administrador 292.680.16885 124 I e 135 III João Shoiti Kaku real administrador 634.844.98820 124 I e 135 III Nemr Abdul Massih real administrador 824.535.19891 124 I e 135 III José Agostinho Miranda Simões mandatário 038.123.38807 124 I e 135 III Paulo Roberto dos Santos Mina mandatário 146.988.88824 124 I e 135 III Nabil Akl Abdul Massih mandatário 214.334.27800 124 I e 135 III Luiz Alberto Panaro mandatário 303.492.82897 124 I e 135 III FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP PJ do grupo 04.350.935/000159 124 I FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. PJ do grupo 03.752.053/000157 124 I Dofar Distribuidora de Rações e Farelo Ltda PJ do grupo 06.247.822/000158 124 I Faróleo Comércio Prod Alimentícios Ltda. PJ do grupo 05.055.406/000195 124 I Dov Óleos Vegetais Ltda PJ do grupo 05.262.304/000140 124 I Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. PJ do grupo 06.348.804/000243 124 I Sina Com. e Exp. Produtos Alimentícios Ltda. PJ do grupo 09.374.458/000185 124 I Sina Indústria de Alimentos Ltda. PJ do grupo 10.156.658/000140 124 I Modena Agrop. Inc. Empreend. Imob. Ltda. PJ do grupo 10.637.365/000185 124 I Cromais Distrib. Prod. Industrializados Ltda. PJ do grupo 11.326.673/000152 124 I W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda. PJ do grupo 12.369.189/000173 124 I Orted Óleos e cereais Ltda. PJ do grupo 14.041.985/000108 124 I Petry Com., Imp. & Exportação Ltda. PJ do grupo 14.465.186/000169 124 I Foram lavrados Termo de Sujeição Passiva Solidária para cada um deles (pessoas jurídicas do grupo, sócios administradores, reais administradores). Responsável/Solidário Qualidade Termo Sujeição (fls.) André Amaro da Silva Representa a sócia PJ 8223/8241 Ineide Maria de Souza sócio 8511/8521 Simon Nagib Antonios Gerente delegado 8942/8953 Andréa Ferreira Abdul Massih real administrador 8242/8314 Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih real administrador 8331/8506 João Shoiti Kaku real administrador 8522/8572 Nemr Abdul Massih real administrador 8647/8843 Simon Nemer Ferreira Abdul Massih real administrador 8878/8941 Paulo Roberto dos Santos Mina mandatário 8573/8594 Fl. 12251DF CARF MF 10 José Agostinho Miranda Simões mandatário 8595/8616 Nabil Akl Abdul Massih mandatário 8625/8646 Luiz Alberto Panaro mandatário 8852/8873 Onida S. A. (Uruguai) sócia 8844/8847 Cromais Distrib. Prod. Industrializados Ltda PJ do grupo 8315/8318 Dofar Distribuidora de Rações e Farelo Ltda PJ do grupo 8319/8322 Dov Óleos Vegetais Ltda PJ do grupo 8323/8326 FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. PJ do grupo 8327/8330 FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP PJ do grupo 8507/8510 Modena Agrop. Inc. Empreend. Imob. Ltda. PJ do grupo 8617/8620 Multioleos Óleos e Farelos Ltda PJ do grupo 8621/8624 Orted Óleos e cereais Ltda. PJ do grupo 8848/8851 Petry Com., Imp. & Exportação Ltda. PJ do grupo 8874/8877 Sina Indústria de Alimentos Ltda. PJ do grupo 8954/8957 Sina Com. e Exp. Produtos Alimentícios Ltda. PJ do grupo 8958/9861 Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. PJ do grupo 8962/8965 W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda. PJ do grupo Observese que os elementos probatórios que evidenciam a atuação das pessoas físicas e offshores foram anexados aos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária/Responsabilidade Tributária. Da Base De Cálculo. A receita bruta para apuração dos tributos devidos foi apurada mensalmente, a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas pela contribuinte. As que correspondem à receita bruta de vendas estão relacionadas no Anexo I (fls. 142/631). A partir do cálculo da receita bruta, para apuração do IRPJ e da CSLL, aplicaram se os percentuais legais para apuração do lucro, base de cálculo destes dois tributos. Contestações A contribuinte Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., intimada do lançamento por via postal (fls. 10138/10143 e 10252), em 26/11/2015, apresenta impugnação (fls. 10430/10461), em 23/12/2015, e, posteriormente, a reapresenta com a firma do signatário reconhecida (fls. 11033/11060 e 11065/11092). Alega, inicialmente, que provará que detinha documento/dados suficientes para a realização de um trabalho de fiscalização correto, portanto sem necessidade de arbitramento. Aduz também que a decadência alcançou o anocalendário 2010 a impor a nulidade do auto de infração. O auto de infração, ato administrativo, deve pautarse pelos princípios reguladores da Administração Pública e os princípios constitucionais, entretanto todo o procedimento fiscal foi realizado de modo a cercear o seu direito de defesa. A própria fiscalização afirma ter recebido a contabilidade da impugnante, e sem razão não a utiliza. Esta documentação daria lastro a crédito tributário bem inferior ao lançado. As provas decorrentes da Operação Yellow da SefazSP e de processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo, são ilícitas porque obtidas por meio ilícito, sem Fl. 12252DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 7 11 observância da lei, conforme entendimento do STJ, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF – não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo. Alega ser inaceitável a autorização de qualquer procedimento cautelar invasivo, a exemplo de interceptação telefônica, antes do lançamento definitivo do crédito tributário. Incabível a investigação criminal para fundamentar a ação fiscal. Também alega que a ação penal e o procedimento prévio investigatório pressupõem que haja decisão final sobre o crédito tributário, o que não há. A busca e apreensão feita pela SefazSP, bem como a quebra de sigilo de ligações telefônicas é ilegal, se deferida antes de configurada a condição objetiva de punibilidade de delito. Enfim, estas ações não foram lícitas. Observa que o próprio Relatório da Operação Yellow não é prova e, no mínimo, apenas, após ele ser declarado como prova no procedimento judicial instaurado pela parte, a responsabilização solidária poderia ser imputada aos impugnantes. Não há provas aptas que fundamentem o direito pleiteado pela RFB. Não há qualquer razão para a qualificação da multa para 150%, conforme art. 44, § 1º, porque inexistem omissão de receitas e conduta dolosa. Finaliza, requerendo as preliminares do cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal, a diminuição da multa para o patamar comum exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e a improcedência do arbitramento que acarretou um lançamento desproporcional. Também apresentam impugnações as pessoas físicas e as pessoas jurídicas enquadradas na sujeição passiva (responsabilidade solidária) a seguir indicadas. Responsável/Solidário Qualidade CPF/CNPJ Impugnação (fls) Onida S. A. (Uruguai) sócio 07.946.453.000154 Não apresentada Ineide Maria de Souza sócio 126.945.11899 10464/10497 André Amaro da Silva representa a sócia PJ 253.069.98879 10383/10393 Simon Nagib Antonios gerente delegado 227.644.34804 10291/10297 Simon Nemer Ferreira Abdul Massih real administrador 824.535.19891 10396/10427 Andréa Ferreira Abdul Massih real administrador 634.844.98820 10544/10576 Maria de Fátima Butara F. Abdul Massih real administrador 292.680.16885 10579/10610 João Shoiti Kaku real administrador 146.988.88824 10829/10879 Nemr Abdul Massih real administrador 214.334.27800 10892/10923 José Agostinho Miranda Simões mandatário 038.123.38807 10338/10358 Paulo Roberto dos Santos Mina mandatário 303.492.82897 10361/10380 Fl. 12253DF CARF MF 12 Nabil Akl Abdul Massih mandatário 04.350.935/000159 10268/10288 Luiz Alberto Panaro mandatário 03.752.053/000157 10802/10813 FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP PJ do grupo 05.055.406/000195 10924/10971 FAS Empreendimentos e Incorp. Ltda. PJ do grupo 05.262.304/000140 10500/10531 Dov Óleos Vegetais Ltda PJ do grupo 10.156.658/000140 10764/10799 Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda.(1) PJ do grupo 06.348.804/000243 10654/10689 (1) Sina Com. e Exp. Prod. Alimentícios Ltda. PJ do grupo 09.374.458/000185 10616/10651 Sina Indústria de Alimentos Ltda. PJ do grupo 10.156.658/000140 10692/10728 Modena Agrop. Inc. Empreend. Imob. Ltda. PJ do grupo 10.637.365/000185 10986/11005 Cromais Distrib. Prod. Industrializados Ltda. PJ do grupo 11.326.673/000152 W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda. PJ do grupo 12.369.189/000173 Dofar Distribuidora de Rações e Farelo Ltda PJ do grupo 06.348.804/000243 Multióleos Óleos e Farelos Ltda. PJ do grupo 06.247.827/000180 Orted Óleos e Cereais Ltda. PJ do grupo 14.041.985/000108 Petry Com., Imp. & Exportação Ltda. PJ do grupo 14.465.186/000169 Não apresentadas Nota: (1) Impugnação repetida/complementada às fls. 10731/10761 e 11099/11130. André Amaro da Silva, (fls. 10383/10393), representante da Onida S. A., sócia da contribuinte, contesta a sua notificação como responsável solidário acerca da lavratura de autos de infração contra pessoas jurídicas, alegando, inicialmente, que a única ligação sua com a empresa é a ficha cadastral da Jucesp que o identifica como representante da empresa Atikis S/A, que retirouse da Onida em 27/02/2003, destacando que foi procurador exclusivamente para o cadastramento no sistema CNPJ da RFB. Enfim, os poderes a si conferidos são exclusivamente para a representação e nunca para a responsabilização. A empresa Atikis retirouse da Onida, em 2003, período bem anterior ao da autuação, o que entende evidenciar erro na responsabilização tributária ou mesmo confusão entre as empresas Onida e Atikis pela fiscalização. Ademais, inexiste na documentação anexa ao Termo de Responsabilidade Tributária qualquer documento que o vincule a Onida ou a autuada Faroleo e nunca participou ou contribuiu para quaisquer dos fatos descritos nos relatórios fiscais e que fundamentem suas conclusões. Finaliza, requerendo a improcedência da imputação da Sujeição Passiva Solidária. Ineide Maria de Souza (fls. 10464//10497), sócia da contribuinte, contesta a sua notificação como responsável solidário acerca da lavratura de autos de infração contra pessoas jurídicas, alegando, inicialmente, que as “provas” foram obtidas de apenas duas fontes: relatório da Operação Yellow da SefazSP e processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo, e o processo administrativo fiscal apresenta diversos documentos retirados do relatório Fl. 12254DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 8 13 Yellow, cujas provas foram obtidas por meio ilícito, sem observância da lei, porque, conforme entende o STJ, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF, “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo.” Alega ser inaceitável a autorização de qualquer procedimento cautelar invasivo, a exemplo de interceptação telefônica, antes do lançamento definitivo do crédito tributário. Incabível a investigação criminal para fundamentar a ação fiscal. Também alega que a ação penal e o procedimento prévio investigatório pressupõem que haja decisão final sobre o crédito tributário, o que não há. A busca e apreensão feita pela SefazSP, bem como a quebra de sigilo de ligações telefônicas é ilegal, se deferida antes de configurada a condição objetiva de punibilidade de delito. Enfim, estas ações não foram lícitas. Observa que o próprio Relatório da Operação Yellow não é prova e, no mínimo, apenas, após ele ser declarado como prova no procedimento judicial instaurado pela parte, a responsabilização solidária poderia ser imputada aos impugnantes. Não há provas aptas que fundamentem o direito pleiteado pela RFB. Alega ainda que nos termos dos art. 124, I, e 137, ambos do CTN, a responsabilidade pela multa de ofício não pode ser repassada aos impugnantes, porque não é obrigação principal nem eles se enquadram como responsáveis pessoais (art. 137). O art. 124, I, deve ser analisado conjuntamente com o art. 135, III, portanto, é necessário que a pessoa física tenha participado de atos de gerência e de administração em relação à DOV, ou, de outro modo, tenha dado causa à atividade geradora do fato imponível, porque o interesse comum (art. 124, I) não se resume ao econômico, sendo necessário haver o interesse jurídico. Sequer houve a comprovação da alegada prática, assim como são insuficientes presunções, apontamentos infundados ou participação em empresas que se relacionam para configurar o enquadramento na sujeição passiva, conforme artigos 124, I, e 135, III. Finaliza, requerendo a preliminar de nulidade do procedimento fiscal, a exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e a anulação do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por medida de justiça. Simon Nagib Antonios, qualificado como gerente delegado, impugna a sua responsabilização (fls. 10291/10297) e alega que apenas foi funcionário da Faróleo entre abril de 2002 e fevereiro de 2003, quando ocupou a função de gerente delegado, entretanto desde então inexiste qualquer vinculação sua com a empresa. Incabíveis a responsabilização tributária tanto porque inaplicável o art. 124 do CTN, pois não tem qualquer interesse comum com o fato gerador da obrigação principal, assim como não praticou qualquer das condutas comissivas indicadas nos Fl. 12255DF CARF MF 14 incisos I a III do art. 135 do mesmo Código. Requer a exclusão de sua responsabilidade sobre o crédito tributário. Reais administradores da Faróleo Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (10396/10427), Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 10544/10576), Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 10579/10610), e Nemr Abdul Massih (fls. 10892/10923) apresentam impugnações com o mesmo teor da impugnação de Ineide Maria de Souza, sócia da contribuinte, inclusive quanto aos pedidos – acolhimento da preliminar de nulidade do procedimento fiscal; exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e anulação do Termo de Sujeição Passiva – acima relatada. João Shoiti Kaku, qualificado pela fiscalização como real administrador da Faróleo, representado por procurador (fls. 10878/10879), em sua impugnação (fls. 10829/10877), alega que não existe qualquer tipo de vínculo entre ele e o fato gerador da obrigação tributária, portanto injustificável sua permanência no pólo passivo dos Autos de Infração. Ademais é impossível abordar matéria relativa ao crédito tributário constituído porque ausentes documentos indispensáveis para isto. A sua inclusão como responsável solidário fere o princípio da segurança jurídica, cerceia a sua defesa porque nem lhe foi solicitado qualquer esclarecimento a respeito da existência de vínculo com a Faróleo, que repete inexistir, nem é possível atribuirlhe o rótulo de “verdadeiro dono do negócio”. Sequer tem informações sobre esta empresa. Inexistem no processo quaisquer documentos que lhe permitam aferir a veracidade das informações constantes nos Autos de Infração, que ficam maculados por estas falhas. Atua como consultor financeiro para a FN Assessoria Empresarial Ltda. sem qualquer relação com os fatos apurados pela fiscalização. É dever da administração pública buscar a verdade material e atender aos princípios que a norteiam. Alega que inexistem provas da infração tributária, a exigirem sua nulidade, a exemplo da ausência das notas fiscais eletrônicas emitidas pela Faróleo o que impede o exercício pleno de seu direito de defesa e do contraditório, também cerceado na fase investigatória. O lançamento agride ainda o princípio da motivação, descritor do motivo do ato. Indevida a sujeição passiva porque não é sócio nem administrador da empresa autuada, sendo inaplicável ao caso concreto o art. 135, III, do CTN, e alega que só à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional compete redirecionar a responsabilidade para quem não seja o sujeito passivo. Nulo o Termo de Solidariedade Passiva porque lavrado por autoridade incompetente, o AFRFB. Não entende porque o seu conhecimento da estrutura societária de um grupo empresarial o torna responsável pessoal e solidário pelo pagamento do tributo devido por empresa que supostamente integra tal grupo. Aduz ainda que inexiste qualquer relação com o crédito tributário lançado porque não é empregado, dono do negócio nem tampouco diretor financeiro, apesar da fiscalização inferir isto porque mantinha “contato com diretores de bancos, Fl. 12256DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 9 15 para tratar de assuntos do Grupo”. Afirma inexistir qualquer elemento probatório que comprove ser ele gerente ou diretor financeiro da empresa autuada ou mesmo empregado e a relação de confiança com a família Abdul Massih, não é condição para a sua responsabilização solidária e pessoal pelas obrigações tributárias da empresa autuada. Insurgese contra as multas aplicadas porque exorbitantes, posto que não podem ser confiscatórias, e há julgado de STF que reputa como abusiva multa de 25% e, mesmo que estabelecidas na legislação, devem ser excluídas ou reduzidas. Solicita a nulidade do auto de infração, por causa de irregularidades do procedimento fiscal, a exemplo de ausência de ciência de instauração do procedimento fiscal e de documentos comprobatórios e a anulação do Termo de Sujeição Passiva e da responsabilização tributária, bem como o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da ação penal. Finaliza requerendo a suspensão do andamento do processo até decisão definitiva na ação penal na 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru. Mandatários Paulo Roberto dos Santos Mina, em sua impugnação (fls. 10361/10380), aduz ser funcionário da empresa Faróleo, como comprova com cópias de sua CTPS, e como tal estava alocado à empresa FN Assessoria Empresarial para a execução de trabalhos de interesse de sua empregadora. Não participa de nenhuma das sociedades envolvidas e, mesmo assim, a fiscalização, sem qualquer pedido de esclarecimento e alterando a verdade dos fatos, concluiu que ele agia ostensivamente frente a terceiros, mantendo ocultos os reais dirigentes de diversas empresas. Não há qualquer descrição de sua conduta que resulte em sua alegada responsabilidade solidária e, ao contrário, há provas de que ele era assalariado e recebia ordens. Aduz que o assessoramento financeiro que fazia não influenciou a autuação (omissão de receita). Os mandatos de subestabelecimento a ele outorgados são específicos, limitados e em conjunto, sempre lhe vinculando ao controle e comando do outorgante, e sem previsão de gestão ou poder para administrar, para dispor de patrimônio, declarar tributos nem administrálos. Os poderes outorgados são específicos para o monitoramento financeiro. Afirma que a RFB baseouse em ideia com origem em trabalho equivocado do fisco paulista, ressaltando que não há qualquer responsabilização sua nos autos da Operação Yellow, nem nos Autos de Infração lavrados pela Fazenda Estadual. A responsabilidade tributária é vinculada à lei e deve ser comprovada pelo ente tributante. Inaplicável tanto o art 124 (solidariedade) como o art. 135, II (responsabilidade), ambos artigos do CTN. Nenhum ato seu deu causa à supressão de tributos, e mesmo inexistindo qualquer interesse seu na obrigação tributária nem qualquer ato contrário à lei, o art. 137 do CTN, em seu inciso I, ressalva a prática no Fl. 12257DF CARF MF 16 exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito, ou seja, excetua mandatários agindo em cumprimento de ordens emitidas pelo empregador e outorgante, como no caso em concreto. Inexiste fundamento fático na afirmativa de que agia para ocultar os reais administradores, porque nunca geriu a empresa, agindo apenas no limite do mandato outorgado por ela, fazendo operações nas suas contas bancárias. Daí, indevida a solidariedade tributária, a impor a procedência de sua impugnação. Nabil Akl Abdul Massih (fls. 10268/10288) representado por procurador (fls. 10278/10280) alega ter sido funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda., de 2001 a 2013, como comprova com cópias de sua CTPS e Comunicação de Dispensa do Ministério do Trabalho, e aduz que não foi intimado a prestar esclarecimentos sobre sua suposta participação no grupo FN. Observa que tanto a fiscalização como a autuação foram feitas em períodos posteriores ao seu desligamento da empresa, razão pela qual entende estar claro ser impossível figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Nunca foi sócio nem administrador das empresas do suposto grupo FN. Continua sua impugnação na mesma linha da de Paulo Roberto dos Santos Mina. José Agostinho Miranda Simões (fls. 10338/10358) aduz também ser funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda. de 2001 a dezembro de 2014, como comprova com cópias de sua CTPS, e que não foi intimado a prestar esclarecimentos sobre sua suposta participação no grupo FN. Observa que agia cumprindo ordens de seu chefe, proprietário da FN, Nemr Abdul Massih. Continua sua impugnação na mesma linha da de Paulo Roberto dos Santos Mina. Luiz Alberto Panaro, (fls. 10802/10813) argumenta que foi funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda. de 2005 a dezembro de 2015, como comprova com cópias de sua CTPS e Comunicação de Dispensa do Ministério do Trabalho. Continua sua impugnação na mesma linha da de Paulo Roberto dos Santos Mina. Pessoas Jurídicas do Grupo FN Nas suas impugnações, as empresas Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (fls. 10654/10689); Sina Comércio Importação e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 10616/10651); FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (fls. 10500/10531); Sina Indústria de Alimentos Ltda. (fls. 10692/10728); FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (fls. 10924/10971) e Dov Óleos Vegetais Ltda (fls. 10764/10799), apresentam impugnações bastante similares à de Ineide Maria de Souza, sócia da contribuinte, inclusive quanto aos pedidos – acolhimento da preliminar de nulidade do procedimento fiscal; exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e anulação do Termo de Sujeição Passiva, já relatada anteriormente (fls. 10464//10497). Fl. 12258DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 10 17 Todas se opõem às infrações constantes dos autos de infração e ao termo de sujeição passiva. Aduzem que não possuem qualquer ligação, vínculo administrativo ou gerencial com a contribuinte Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. e contestam a legalidade das provas utilizadas, porque ilícitas, sem observância da lei e em desobediência ao critério temporal, posto que obtidas antes do lançamento, contrariando a Súmula nº 24 do STF (Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento do tributo). Sequer havia fiscalização. Incabível a realização de investigação criminal para fundamentar uma ação fiscal. Alegam que sem crédito constituído não há crime. Quanto ao item Do Termo de Sujeição Passiva Solidária as pessoas jurídicas argumentam que a única justificativa para a responsabilização solidária decorre do fato de cada empresa, supostamente, pertencer ao denominado Grupo FN porque inexiste qualquer elemento apto a imputarlhe esta responsabilidade. Não há qualquer causa para a alegada solidariedade tributária em decorrência de suposto esquema fraudulento alegado pela fiscalização, ou seja, não há clara indicação do motivo para as impugnantes sejam sujeitos passivos. Inexiste no processo administrativo qualquer prova de que as empresas tenham qualquer ligação, vínculo administrativo ou gerencial com a Faróleo. Afirmam que a conduta fiscal beira o excesso de exação e que a multa aplicada tem efeito confiscatório. Finalizam, pedindo o sobrestamento do julgamento até o Poder Judiciário pronunciarse sobre a legalidade das provas, oriundas da Operação Yellow (ação penal); a nulidade da responsabilização tributária das impugnantes, ou ao menos do relatório da operação Yellow; reconhecimento da ilegitimidade das impugnantes para figurarem como responsáveis solidários; declaração de nulidade da imposição de solidariedade e exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório. A FAS Empreendimentos, adicionalmente, aduz que seu capital social provém exclusivamente da sócia fundadora, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e de empréstimos pagos pela própria FAS, portanto, este patrimônio não se comunica com as infrações tratadas neste processo contra a Faróleo. Ademais, não obteve qualquer vantagem com o eventual ilícito tributário, fatos que não dão suporte à sua inclusão como responsável solidária. Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (fls. 9444/9463) também apresenta impugnação para oporse às infrações constantes nos Autos de Infração e ao Termo de Sujeição Passiva tributária lavrado contra ela. Inicialmente, alega a tempestividade de sua defesa com base no art. 3º da Lei 9.784, de 1999, porque tomou conhecimento da responsabilização através de terceiros, quando se dirigiu ao Posto da Receita Federal em Tupã, para obter Fl. 12259DF CARF MF 18 cópia do processo. Referese às “transcrições duvidosas de interceptações telefônicas”, muitas incompletas, utilizadas como principal fundamento. Alega que órgãos administrativos, alheios ao processo penal, não têm competência para analisar a legalidade destas provas. Apenas a conclusão do processo penal ora em andamento na Comarca de BauruSP, concluirá pela legalidade ou não das provas. Tais fatos impõem o sobrestamento da ação fiscal. Observa também que a inexistência dos áudios destas interceptações é vício insanável que impõe a nulidade e o afastamento da solidariedade dos peticionários por absoluta ausência de provas. Nulo, portanto, o lançamento fiscal ou, no mínimo os elementos de convicção correspondentes ao relatório da operação Yellow. Aduz que as ações do peticionário, Marcel Rodrigues Ferraz, sócio da Modena, e que sequer foi indiciado criminalmente, não permitem atribuirlhe a denominação de testa de ferro nem a responsabilização tributária pretendida. Observa que inexiste qualquer relação jurídica ou efetiva entre a Modena e os fatos geradores apontados pela fiscalização. Há inaceitável menção genérica e sem suporte fático de suposta prática de blindagem patrimonial a impor a solidariedade. A suposta blindagem nada tem a ver com a atribuição da condição de prestadora de serviços da Modena e menos com os fatos geradores dos tributos. Sequer há causa de solidariedade nem há ato especificamente realizado para o seu enquadramento no art. 124, I (CTN). Afirma que a multa aplicada é confiscatória e afronta o princípio da capacidade contributiva. Requer o sobrestamento do processo administrativo fiscal até o julgamento da ação penal; a nulidade da responsabilização tributária da impugnante, por não haver provas materiais (transcrições); reconhecimento da ilegitimidade da impugnante para figurar como responsável solidário; declaração de nulidade da imposição de solidariedade e exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório. Não apresentaram impugnação a sócia Onida S/A bem com as seguintes empresas integrantes do grupo: Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda; Multioleos Óleos e Farelos Ltda; Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda; WAS Comércio de Alimentos Ltda; Orted Óleos e Cereais Ltda e Petry Comércio, Importação e Exportação Ltda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (2a. Turma/DRJ/Salvador/BA) julgou improcedente as impugnações da contribuinte e dos responsáveis tributários, em decisão proferida no venerando Acórdão nº 1541.257, de 26 de janeiro de 2017, do seguinte modo: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade, por não conhecer a impugnação da responsável solidária Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda., por intempestividade, conhecendo as impugnações dos demais responsáveis solidários e mantendo o crédito tributário exigido, inclusive a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, bem como a sujeição passiva das empresas do grupo e das pessoas físicas Fl. 12260DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 11 19 expressamente responsabilizadas na autuação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O mencionado acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso concreto, nas receitas declaradas pelo próprio contribuinte ao Fisco Estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. ILEGITIMIDADE DE PARTE. O não atendimento à intimação para sanar irregularidade de representação processual decorrente da não apresentação de documento de identidade do representante do contribuinte, ou do responsável solidário, configura a ilegitimidade de parte. A ausência das formalidades legais retira da peça apresentada a condição de impugnação válida, não se instaurando o contencioso. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da Fl. 12261DF CARF MF 20 obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, enseja a responsabilização dos mandatários, prepostos e empregados diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores. Da decisão da DRJ, foram cientificados: 1) Pelos correios, conforme Aviso de Recebimento (AR): 1.1) A contribuinte (autuada) Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, AR (efl.11.449), em 24/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.11.657/11.659); 1.2) Responsáveis (Pessoas Físicas) André Amaro da Silva, AR (e fl.11.449), em 28/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (e fls.11.657/11.659); Andréa Ferreira Abdul Massih, AR (efl.11.451), em 24/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.11.741/11.791); Ineide Maria de Souza, AR (efl.11.454), em 28/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.11.841/11.883); João Shoiti Kaku, AR (efl.11.455), em 28/03/2017, apresentou recurso voluntário, protocolizado em 25/04/2017 (efls.11.563/11.656); Luiz Alberto Panaro, AR (efl.11.456), em 28/03/2017, apresentou recurso voluntário, protocolizado em 24/04/2017 (efls.11.486/11.499); Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, AR (efl.11.457), em 27/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.11.884/11.928); Nemr Abdul Massih, AR (efl.11.460), em 30/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.11.929/11.972); Paulo Roberto dos Santos Mina, AR (efl.11.461), em 23/03/2017, apresentou recurso voluntário, protocolizado em 24/04/2017 (efls.11.472/11.483); Simon Nagib Antonios, AR (efl.11.462), em 27/03/2017, apresentou recurso voluntário, protocolizado em 25/04/2017 (e fls.11.511/11.517); Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, AR (efl.11.463), em 28/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.11.973/11.12.017), e, 1.3) Responsáveis (Pessoas Jurídicas): FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, AR (efl.11.452), em 24/03/2017, apresentou recurso voluntário, protocolizado em 25/04/2017 (efls.11.741/11.791); FN Assessoria Empresarial Ltda, AR (e fl.11.453), em 24/03/2017, apresentou recurso voluntário, protocolizado em 25/04/2017 (e fls.11.792/11.840); Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda, AR (e fl.11.464), em 27/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (e fls.12.018/12.064); Sina Indústria de Alimentos Ltda, AR (efl.11.465), em 27/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.12.065/12.112); Sina Indústria Fl. 12262DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 12 21 de Óleos Vegetais Ltda, AR (efl.11.466), em 27/03/2017, apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.11.113/12.159). 2) Por Edital, Responsável (Pessoa Física): Nabil Akl Abdul Massih, AR devolvido (efl.11.458/11.459), Edital (efl.11.469), publicado em 24/04/2017 Data de Ciência: 09/05/2017, apresentou recurso voluntário, protocolizado em 25/04/2017 (e fls.11.518/11.534); Responsável (Pessoa Jurídica): Inapta DOV Óleos Vegetais Ltda, Edital (efl.11.432), publicado em 21/03/2017 Data de Ciência: 05/04/2017 apresentou recurso voluntário, postado em 25/04/2017 (efls.12.160/12.206). Registrese que: a sócia (responsável) Onida S/A, foi cientificada da decisão da DRJ, conforme o AR (efl.467), não havia apresentado impugnação, também não apresentou recurso voluntário. as seguintes empresas (responsáveis solidárias) integrantes do grupo: Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda; Multioleos Óleos e Farelos Ltda; Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda; WAS Comércio de Alimentos Ltda; Orted Óleos e Cereais Ltda e Petry Comércio, Importação e Exportação Ltda, mesmo não havendo apresentado impugnação, foram cientificadas da decisão da DRJ (efls.11.428/11.438 e 11.448) mas também não apresentaram recurso voluntário. a DRJ não conheceu da impugnação da responsável solidária Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda., por intempestividade. Cientificada da decisão da DRJ, por Edital (efl.11.443), em face do AR devolvido, a interessada não apresentou recurso voluntário. Enfim, apresentaram recurso voluntário: 1) Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda (autuada); 2) Responsáveis tributários: 2.1) Pessoas Físicas Ineide Maria de Souza ("sócia"); André Amaro da Silva (representa a sócia PJ); Simon Nagib Antonios (gerente delegado); 03; "mandatários" Paulo Roberto dos Santos Mina, Nabil Akl Abdul Massih e Luiz Alberto Panaro, e, 05 "reais administradores" João Shoiti Kaku, Andréa Abdul Massih, Maria de Fátima Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih e Simon Nemer Ferreira Abdul Massih. 2.2) Pessoas Jurídicas (06): FN Assessoria Empresarial Ltda , FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda , DOV Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Alimentos Ltda e Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. A autuada, no essencial, argumenta que: detinha documento/dados suficientes para a realização de um trabalho de fiscalização correto, portanto sem necessidade de arbitramento; Fl. 12263DF CARF MF 22 a decadência alcançou o anocalendário 2010 a impor a nulidade do auto de infração; o procedimento fiscal foi realizado de modo a cercear o seu direito de defesa; a documentação recebida pela fiscalização daria lastro a crédito tributário bem inferior ao lançado; as “provas” foram obtidas do relatório da Operação Yellow da SefazSP e de processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo. E que, há neste processo administrativo fiscal diversos documentos retirados do relatório Yellow, cujas provas foram obtidas por meio ilícito, sem observância da lei, porque, conforme entende o STJ, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF, “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo.” é incabível a realização de investigação para fundamentar uma ação fiscal; a multa aplicada, qualificada em 150%, é absurda e não pode prosperar; o arbitramento do lucro gerou à contribuinte um PREJUÍZO absurdo, o que não pode prosperar, pois, a não entrega no prazo legal de obrigações acessórias enseja a multa pelo atraso das mesmas, sendo APENAS esta a penalidade.(sic) Finalmente, requer a improcedência da ação fiscal em razão do arbitramento de lucro realizado, que acarretou em um lançamento completamente desproporcional. Os Recursos Voluntários da contribuinte (autuada) e dos responsáveis recorrentes (pessoas físicas e jurídicas ) repisam, no essencial, os mesmos argumentos despendidos nas impugnações, portanto, desnecessário repetilos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora Os recursos voluntários, apresentados pela contribuinte e pelos onze (11) responsáveis tributários, Pessoas Físicas Ineide Maria de Souza ("sócia"); 05 Mandatários André Amaro da Silva (representante da sócia PJ offshore); Simon Nagib Antonios (gerente delegado); "mandatários" Paulo Roberto dos Santos Mina, Nabil Akl Abdul Massih e Luiz Alberto Panaro, e, "Reais Administradores" (05) João Shoiti Kaku, Andréa Abdul Massih, Maria de Fátima Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih e Simon Nemer Ferreira Abdul Massih. E, Pessoas Jurídicas (06): FN Assessoria Empresarial Ltda , FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda , DOV Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Alimentos Ltda e Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda, são tempestivos, e preenchem os requisitos de admissibilidade. Deles conheço. Preliminarmente, a contribuinte/recorrente alega que a decadência alcançou o anocalendário 2010 a impor a nulidade dos autos de infração. Fl. 12264DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 13 23 Conforme relatado, nos autos de infração fora aplicada a multa por infração qualificada sob o entendimento de que restou comprovado o evidente intuito de fraude. Tal matéria será tratada em ponto específico deste voto que se discorrerá adiante. Assim, a decadência será analisada após a análise das razões que ensejaram os lançamentos com a multa qualificada. Nulidades A seguir a recorrente alega que detinha documento/dados suficientes para a realização de um trabalho de fiscalização correto, portanto sem necessidade de arbitramento. E que, o procedimento fiscal foi realizado de modo a cercear o seu direito de defesa. Tratase de afirmação genérica e sem consistência, pois, a Recorrente não demonstra nem junta qualquer documento capaz de desqualificar o arbitramento, tampouco infirmar as omissões de receitas detectadas, comprovadas pela autoridade fiscal e que não foram declaradas ao Fisco pela contribuinte. Em virtude de vários recursos semelhantes, da mesma forma que na impugnação, conforme relatado, adianto que os mesmos fundamentos adotados no presente voto em relação à contribuinte (autuada) servem para as semelhantes alegações feitas pelos responsáveis em seus recursos voluntários (PF e/ouPJ). A respeito da arguída nulidade dos lançamentos (autos de infração) porque lavrados sem aterse a princípios constitucionais e a princípios que norteiam o processo administrativo e por utilizar provas ilícitas, registrase que, os autos de infração foram lavrados com observação rigorosa do disposto nos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN, não se vislumbrando, destarte, vício algum de natureza formal ou material que os pudesse inquinar de nulidade. Vale dizer, os autos de infração possuem descrição completa da infração apurada, narrativa clara e objetiva dos fatos, permitindo ampla, plena e perfeita compreensão da infração imputada, com pertinente capitulação legal, respectivos demonstrativos da matéria tributável, da apuração dos valores das exações fiscais lançadas (valor do principal, percentual dos juros de mora Taxa SELIC com respectivo valor e da multa de ofício de 150%). De modo que, todos os elementos do fato imponível (elemento pessoal, material, temporal, espacial e quantitativo) estão devidamente descritos, apurados, caracterizados e demonstrados no lançamento fiscal quanto à infração imputada. Ainda sobre o procedimento fiscal, transcrevo excertos da decisão recorrida, que não faço reparo, e que também adoto como razão de decidir: Aqui cabe observar que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte e os responsáveis não disponibilizaram qualquer documentação contábil, e, mesmo agora, na impugnação, não há apresentação de qualquer elemento probatório para refutar as constatações da fiscalização relatadas no Termo de Verificação Fiscal. Tampouco, nada traz para corroborar a crítica ao procedimento fiscal realizado. Fl. 12265DF CARF MF 24 Efetivamente, a documentação disponibilizada pela SefazSP, via convênio, e as informações constantes na base de dados da RFB permitiram à fiscalização constatar a omissão de tributos decorrentes das receitas bruta de venda no exercício, base da autuação. De fato, detectouse DCTF (janeiro a março de 2011) confessando valores ínfimos de tributos devidos, o que motivou o lançamento de ofício do IRPJ com base no lucro arbitrado, fundamentandose no inciso III do artigo 530 (RIR/1999), como explicitado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 110/113), inicialmente, porque intimada, frisese, a fiscalizada não apresentou à RFB os documentos e livros de sua escrituração comercial e fiscal, bem como, quando transmitidas, as suas declarações continham dados incongruentes com as notas fiscais eletrônicas de venda emitidas (SefazSP), obtidas em virtude de convênio como explicitado anteriormente. Diante da hipótese de arbitramento do lucro, critério adotado para o cálculo do lucro quando a pessoa jurídica não apresenta os livros contábeis e fiscais necessários à apuração do lucro real, ou o livro caixa, caso tenha optado pelo lucro presumido, fazse necessário identificar o montante da receita bruta. No presente caso, a receita bruta conhecida foi apurada com base nas informações prestadas pela própria Contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, conforme Demonstrativo de Notas Fiscais relacionadas no Anexo I (fls. 126/623) do Termo de Verificação Fiscal, que expressam e constituem as receitas tributáveis mensais indicadas no Auto de Infração IRPJ (fls. 14/15), para fins de apuração do imposto sobre o lucro arbitrado trimestralmente (fl. 32). A base de cálculo do imposto – o lucro arbitrado – foi obtida pela utilização do percentual de 9,6% (percentual do lucro presumido, de 8%, acrescido de 20%), sobre a receita bruta conhecida. Dos montantes do imposto de renda (e adicional) deduzidos dos valores porventura declarados em DCTF pela contribuinte. Quanto aos Autos de Infração de CSLL, PIS e COFINS, todos decorrentes dos mesmos fatos descritos no Auto de IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que foi decidido para o Auto de Infração principal. A apuração dos demais tributos está indicada em demonstrativos que integram o respectivo auto de infração: CSLL (fls. 34/65), PIS (fls. 66/85) e COFINS (fls. 86/105), registrandose que valores quando confessados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) foram deduzidos para obtenção dos valores devidos e lançados. Os mencionados recorrentes/responsáveis, e ainda o Sr.João Kaku, argúem nulidade do auto de infração, por causa de irregularidades do procedimento fiscal, a exemplo de ausência de ciência de instauração do procedimento fiscal e de documentos comprobatórios, exclusão da responsabilidade sobre a multa, anulação do Termo de Sujeição Passiva e da responsabilização tributária, e o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da ação penal na 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru. Diante das alegações de nulidade, sobre o procedimento fiscal, não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Fl. 12266DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 14 25 Art. 59. São nulos; I – os atos e termos l avrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Ademais, prescreve o citado Decreto que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Numa leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, verificase que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo. Antes disso, não há que se falar em litígio ou cerceamento de direito de defesa. Ademais, nos presentes autos, todas as intimações foram recebidas pelos recorrentes, a teor do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata das intimações. De modo que após a ciência do lançamento, o contribuinte/responsável tem o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no órgão preparador e apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos em que se fundamentar, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Reiterese, no que diz respeito à alegada nulidade da responsabilização tributária dos recorrentes, ou ainda do relatório da operação Yellow, os termos de Sujeição Passiva não foram lavrados por pessoa incompetente, nem houve preterição do direito de defesa dos recorrentes, que puderam apresentar suas contestações. O coobrigado, João Shoiti Kaku, alega que só à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional compete redirecionar a responsabilidade para quem não seja o sujeito passivo (sic). Nulo o Termo de Solidariedade Passiva porque lavrado por autoridade incompetente, o AFRFB. Sobre a atuação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no tocante à responsabilização de codevedor, a Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2010 e alterações posteriores assim dispõe: ... Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Fl. 12267DF CARF MF 26 Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: (Redação dada pela Portaria PGFN nº 904, de 3 de agosto de 2010) I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Parágrafo único. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. ... Art. 4º Após a inscrição em dívida ativa e antes do ajuizamento da execução fiscal, caso o Procurador da Fazenda Nacional responsável constate a ocorrência de alguma das situações previstas no art. 2º, deverá juntar aos autos documentos comprobatórios e, após, de forma fundamentada, declarálas e inscrever o nome do responsável solidário no anexo II da Certidão de Dívida Ativa da União. Como se vê, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão que executa a dívida, mas somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assim, é dever da autoridade fiscal apurar os fatos tributáveis e suas circunstâncias e descrever a ocorrência de situações previstas no art. 2º, acima, para que o Procurador da Fazenda Nacional responsável faça juntar aos autos documentos comprobatórios para a inscrição do nome do responsável solidário no anexo II da Certidão de Dívida Ativa da União, se for o caso. Portanto, a descrição dos fatos efetivada pela Fiscalização, na lavratura de autos de infração que apontam à responsabilidade solidária de sócios de fato, não é ato abusivo e ilegal, tampouco, lavrado por autoridade incompetente, o Auditor Fiscal da RFB. No tocante aos documentos comprobatórios a contribuinte bem como os responsáveis:Andréa Ferreira Abdul Massih, (efls.11.741/11.791); Ineide Maria de Souza, (efls.11.841/11.883), Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, (efls.11.884/11.928), Nemr Abdul Massih (efls.11.929/11.972), Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (e fls.11.973/11.12.017), FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, (efls.11.741/11.791), FN Assessoria Empresarial Ltda (efls.11.792/11.840); Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda, (efls.12.018/12.064); Sina Indústria de Alimentos Ltda (e fls.12.065/12.112), Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda (efls.11.113/12.159), alegam que as provas em que o Fisco se baseia são ilícitas e não se prestam a fundamentar a responsabilização solidária. Dizem, que as “provas” foram obtidas do relatório da Operação Yellow da SefazSP e de processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo, e que há neste processo administrativo fiscal diversos documentos retirados do relatório Yellow, cujas provas foram obtidas por meio ilícito, sem observância da lei, porque, conforme entende o STJ, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF, “não se tipifica crime Fl. 12268DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 15 27 material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo.” Afirmam ser inaceitável a autorização de qualquer procedimento cautelar invasivo, a exemplo de interceptação telefônica, antes do lançamento definitivo do crédito tributário. Assim, incabível a investigação criminal para fundamentar a ação fiscal. Também alegam que a ação penal e o procedimento prévio investigatório pressupõem que haja decisão final sobre o crédito tributário, "o que não há". A busca e apreensão feita pela SefazSP, bem como a quebra de sigilo de ligações telefônicas são ilegais se deferidas antes de configurada a condição objetiva de punibilidade de delito. Enfim, estas ações não foram lícitas. Observam que o próprio Relatório da Operação Yellow não é prova e, no mínimo, apenas, após ele ser declarado como prova no procedimento judicial instaurado pela parte, a responsabilização solidária poderia ser imputada aos impugnantes. Não há provas aptas que fundamentem o direito pleiteado pela RFB. Verificase que os autuantes constituíram,de ofício, o crédito tributário com base nos valores mensais de receita bruta, extraídos dos arquivos de notas fiscais eletrônicas (NFe) emitidas pelo contribuinte (ANEXO I FARÓLEO RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS UTILIZADAS NA APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA), cujos dados informam a receita bruta total dos anos de 2010, 2011 e 2012. E, o arbitramento do lucro no(s) período(s) trimestrais: 03/2010, 06/2010, 09/2010, 12/2010, 03/2011, 06/2011, 09/2011, 12/2011, 03/2012, 06/2012, 09/2012 e 12/2012, se fez tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Conforme se extrai da Tabela 05 do TVF as receitas verificadas nas (NFe) emitidas pelo contribuinte não foram declaradas à Receita Federal: A causa do arbitramento é, primordialmente, a omissão na entrega de livros contábeis e de livros fiscais. No caso concreto, corroborando com esta causa principal, encontramse as próprias declarações (obrigações acessórias) da empresa fiscalizada, com informações prestadas de qualidade duvidosa, uma vez que são incongruentes com as notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas, conforme explicitado, no item “Da Qualificação da Multa”. Desse modo, as provas que respaldam os autos de infração têm como suporte elementos extraídos de pesquisa nos sistemas da Receita Federal do Brasil, no que diz respeito a apuração da omissão de receita, e, não, “provas” obtidas do relatório da Operação Yellow da SefazSP e de processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo. Ainda que no caso, tenham sido utilizadas as informações prestadas pela própria empresa ao fisco estadual, obtidas pelo fisco federal em face do Convênio celebrado entre a União(RFB) e a SefazSP, não tendo a autuada e/ou responsáveis em nenhum momento, quer ao longo do procedimento fiscal, quer ao longo do processo administrativo, demonstrado a eventual incorreção daquelas informações, a utilização dessas informações (Notas Fiscais Fl. 12269DF CARF MF 28 eletrônicas) como elemento de prova a subsidiar a ação fiscal é procedimento pacificamente aceito no âmbito do CARF, conforme o comprovam as ementas dos julgados abaixo transcritas, a título exemplificativo: Acórdão no 10196387, sessão de 18/10/2007: IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL – PROVA EMPRESTADA – É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em informações prestadas ao Fisco Estadual. Acórdão no 10323588, sessão de 15/10/2008: PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. Acórdão nº 3402001.007, de 03/03/2011 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/1988 a 31/08/1999 COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR SECRETARIA DE ESTADO. A omissão de receita apurada com base em informações fornecidas por Secretaria de Estado, referentes a declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco Estadual, faz prova das operações comerciais e financeiras do contribuinte, mormente quando, na fase impugnatória o interessado não apresentar provas suficientes para descaracterizar a autuação, devendo ser manter a exigência tributária. Não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. Precedentes. Acórdão no 10708467, sessão de 23/02/2006: IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – APURAÇÃO PROVA EMPRESTADA – As informações sobre as vendas informadas para o Fisco Estadual podem ser aproveitadas no lançamento de tributos federais quando a contribuinte se recusa a apresentar seus livros e documentos contábeis. Portanto, legítimo e correto o procedimento adotado pelo fisco. Sem qualquer procedência as alusões feitas à ausência de contraditório ou a violação de direitos constitucionais da contribuinte/responsável. O fisco constituiu a prova necessária, e submeteua ao contraditório, que está exercido pelos recorrentes no âmbito do presente processo, exatamente nos termos do que prevê o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 12270DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 16 29 Com efeito, o fisco pode se valer de prova emprestada, produzida em outro processo administrativo fiscal ou mesmo processo judicial, inclusive em processo criminal. Não há necessidade de que a prova do Processo Administrativo Fiscal seja produzida por AuditorFiscal da Receita Federal. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pelos recorrentes em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, quando utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta julgadora. Enfim, foi devidamente autorizado à Secretaria da Receita Federal do Brasil o acesso a elementos de prova então sob a guarda do Juízo Criminal da 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru/SP e/ou da Secretaria de Fazenda Estadual do Estado de São Paulo. Nessa toada, observado que se tenha como de fato se teve o respeito ao contraditório (é o que se deduz das peças processuais cíveis e criminais juntadas aos correntes autos, no sentido de nelas se perceber a ciência e participação dos tantos envolvidos), é plenamente admissível o uso de prova emprestada, como regulado pelo art. 372 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, Código de Processo Civil CPC ("Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório."), garantido que aqui, em sede processual administrativa, ficou assegurado do direito ao pleno contraditório. Argumentação rejeitada. Quanto ao alentado sobrestamento do julgamento até o Poder Judiciário pronunciarse sobre a legalidade das provas, oriundas da Operação Yellow (ação penal), cabe observar que não há qualquer norma legal, tampouco previsão regimental no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que ampare tal pretensão. Assim, não há porque se condicionar ao esgotamento da instância criminal o uso de prova lá colhida para trazêla ao âmbito cível/administrativo. Solicitação indeferida. Responsabilidade tributária. Alega o coobrigado João Shoiti Kaku que não foi comprovada a ocorrência de conduta dolosa ou culposa e nem que essa conduta tivesse sido praticada pelo recorrente com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Aduz que me virtude da necessidade dos solidários possuírem algum poder de gerência ou participação na ocorrência do próprio fato jurídico tributário, requer o afastamento da sujeição passiva solidária pois não existe nos autos prova, à luz do art. 124, I do CTN, que possibilite a atribuição da responsabilidade pelos créditos constituídos em face das empresas do grupo. Ao contrário do alegado pelo recorrente, o Termo de Sujeição Passiva Solidária e os documentos a ele anexados, comprovam que o coobrigado era real administrador do grupo e, apesar da inexistência de vínculo formal com as empresas do grupo, aparece como diretor financeiro na planilha de colaboradores do grupo FN e com uma equipe de funcionários a ele vinculados. Em seguida, transcrevo alguns trechos do Termo de Sujeição Passiva Solidária, que comprovam o interesse comum, bem assim, a prática de infrações as leis Fl. 12271DF CARF MF 30 mencionadas no referido termo, hábeis a ensejar a atribuição de solidariedade, nos termos dos arts. 124 I, c/c 135, III do CTN: "11 João Shoití Kaku pela posição que tinha dentro do Grupo FN, conhecia com profundidade a forma de organização do Grupo, o que fica explicitado na degravação de interceptação telefônica. (Doe. 02 Destacamos), na qual o senhor Kaku, falando pelo Grupo, conversa com uma representante do Banco Fibra... ... Em meio à conversa, o real administrador, senhor Kaku, informa que a holding (FN) está no topo e, ao lado dela, a PJ patrimonial (FAS), que é a dona de todos os imóveis ... "que compra todos os imóveis e que não tem nenhuma embaixo dela", e ainda esclareceu que, como todo o imobilizado está em nome da FAS, que "é a parte real", não será encontrado a depreciação (custo) junto a outras pessoas jurídicas: ... Abaixo da FN, salienta o real administrador, senhor Kaku, estão as PJs industriais, que, embora sendo as principais geradoras de riqueza do Grupo, são tratadas como prestadoras de serviços: ... Embaixo das PJs industriais, continua o real administrador, senhor Kaku, estão as PJs comerciais, citando algumas delas: ... Por fim, o senhor Kaku também informa a existência de uma gestão única do Grupo: “Perguntado sobre como é gerenciado o caixa robusto que aparece no balanço consolidado, KAKU diz que os caixas não se misturam, cada unidade, Multióleos, Faróleo sobrevive com caixa próprio, cada uma gerencia o seu caixa, que não há nada vinculado a operações, KAKU explica que existe uma gestão única, mas que é estimulada a concorrência entre as empresas.” (...) 12 João Shoití Kaku, na posição de Diretor Financeiro (de fato) do Grupo, tinha intenso contato com diretores de bancos, para tratar de assuntos do Grupo FN, conforme se comprova em mensagens eletrônicas em que são agendadas reuniões, através de colaboradores da pessoa jurídica FN. Mensagem do Banco HSBC, agendando um cafédamanhã com o senhor Nemr e senhor Kaku ("KAKO"), junto à diretoria do banco; verificase que o agendamento foi feito pela pessoa jurídica FN, através de um colaborador (Doe. 03. Destacamos): ... Mensagem do Banco Paulista, enviada à pessoa jurídica FN, revela a necessidade de envolver o senhor Kaku (Caco) no caso que estava sendo tratado, demonstrando sua influência junto a pessoas jurídicas do Grupo FN (citado na mensagem como Grupo Nemr Doe. 04. Destacamos): ... Fl. 12272DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 17 31 Mensagem do Banco Votorantim solicitando à colaborador da FN a confirmação de reunião marcada com o senhor Kaku (Doe. 05 Destacamos): ... Colaborador da FN confirma reunião do senhor Kaku com representante do Banco Fibra na pessoa jurídica FN, atentando para o fato de identificar o local como sendo nosso escritório (Doe. 07 Destacamos): ... 13 João Shoiti Kaku, na prática de atos de gestão do Grupo FN, conforme demonstram os elementos probatórios, "supervisionava" a elaboração das demonstrações contábeis das pessoas jurídicas do Grupo, inclusive, pessoalmente, fazendo alterações nas mesmas, sobrepondo, ao que parece, o trabalho dos próprios contadores. O afirmado fica evidenciado na Degravação 05, de 15/03/2012, de interceptação telefônica, na qual o senhor Kaku conversa com o senhor WALTER, colaborador do Grupo FN, solicitando, aparentemente, que o mesmo calibre bem a contabilidade, ou seja, manda a contabilidade ser "maquiada"... senão a coisa vai ficar muito ruim..." (Doe. 09 Destacamos): ... Tal conduta, de alterar demonstrações contábeis, também fica evidenciada na mensagem, intitulada Balanço Faroleo (Alterado), que o colaborador da FN, Walter, direciona a uma das empresas de contabilidade que trabalha para o Grupo (Taltec) informando que seguia o balanço alterado pelo senhor Kaku, em 17/02/2011 (Doe. 10 Destacamos): Diante de todo o exposto, entendo que não merece reparos ao acórdão recorrido que julgou procedente a atribuição de responsabilidade pessoal ao coobrigado João Shioti Kaku e sua manutenção no polo passivo da obrigação tributária. A fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária dos "sócios", dos "reais administradores", "gerente delegado", "mandatários" e das "empresas do Grupo FN", na prática de sonegação, enquadrando a sujeição passiva no art. 124, I, combinado com o art. 135, III, do CTN, no caso das pessoas físicas (sócios e "reais administradores") , 124, I, combinado com o art. 135, II (mandatários),e, art. 124, I, no caso das pessoas jurídicas: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... Fl. 12273DF CARF MF 32 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. As preditas recorrentes pessoas jurídicas utilizam em sua defesa os mesmos argumentos apresentados pelas recorrentes pessoas físicas ("reais administradores"), ou seja, alegam que não há qualquer ligação, vínculo administrativo ou gerencial com a contribuinte Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, portanto injustificável sua permanência no pólo passivo dos Autos de Infração. E que, seria incabível a sua responsabilização quanto à multa de ofício, assim como questiona o percentual, que a torna confiscatória. Todos os elementos probatórios, relacionados às pessoas físicas e jurídicas, na formação dos fatos geradores sob atenção, seja do ponto de vista do interesse comum, seja, na qualidade de procurador ou sóciogerente, por excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatutos, tudo discorrido e a cada passo referenciado aos mencionados elementos de prova, constam do Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas do Grupo FN" (fls.756/837), e, respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária/ Responsabilidade Tributária, direcionados, individualmente, a cada um deles. Registrese que, quando do cometimento das citadas infrações legais e do surgimento das obrigações tributárias lançadas, os responsáveis tributários em comento foram identificados, integrando o Grupo, na qualidade de "reais administradores", "gerente" ou "mandatários" exercendo gestão e/ou administração das pessoas jurídicas do Grupo, dentre elas o sujeito passivo em apreço Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, conforme demonstrado no Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas do Grupo FN (que acompanha o lançamento efetuado junto ao sujeito passivo), bem como, nos Demais Elementos Probatórios explicitados nos Termos de Sujeição Passiva dos coobrigados Importante consignar que o fato de não figurarem no quadro societário, é óbvio que em uma sociedade constituída por sócios “laranjas” como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e também declarado pelos sócios “de fachada”, a finalidade é exatamente os sócios apresentados no contrato “de direito”, registrado na Junta Comercial, assinarem todos os documentos e assumirem documentalmente riscos negociais sob o comando dos sócios de fato/ordenadores que se esquivam da exibição de provas materiais das responsabilidades porque assumidas por terceiros (sócios de fachada) sem o affectio societatis, ou seja, sem a materialização da vontade de se constituir uma sociedade. Conforme relatado a empresa autuada, Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, não foi constituída em nome dos verdadeiros proprietários, e sim, em nome de interpostas pessoas Onida S. A. (Uruguai) Ineide Maria de Souza (offshore e testa de ferro) desprovida de capacidade econômica ou financeira, "nitidamente sem a mínima capacidade econômica e conhecimentos suficientes para empreender neste complexo ramo de negócio, no qual trafega elevadas somas monetárias diariamente" e que, a manutenção do controle das atividades foi garantida pelos reais administradores (verdadeiros proprietários, verdadeiros donos do negócio) que organizavam toda a atividade do Grupo, decidiam, empreendiam, idealizavam, coordenavam e se beneficiavam das atividades desenvolvidas sem pertencerem aos quadros societários das pessoas jurídicas. Com efeito, não é a inadimplência tributária, pura e simples, causa que justifique a ampliação da responsabilidade pessoal do cotista de fato, de forma a atingir o seu patrimônio particular, mas, o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, frisa que "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto”. Fl. 12274DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 18 33 Todos os elementos probatórios, que demonstram a atuação desses "reais administradores", foram juntados nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária/Responsabilidade Tributária, direcionados, individualmente, a cada um deles, como parte integrante dos Autos de Infração. Sem dúvida restou caracterizada a fraude ao contrato social da pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas. Evidenciado o vinculo de fato das pessoa físicas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas. Os sócios de fato da interessada, "reais administradores", ao utilizarem interpostas pessoas sem capacidade econômica para figurarem como sócias da interessada, e, com a anuência destas infringiram a lei e o contrato social, evidenciando o intuito fraudulento, configurando o dolo necessário à caracterização da responsabilidade pessoal e solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Nessa ordem de idéia, não há como afastar a responsabilidade tributária dos coobrigados e envolvidos na trama contratual, Ineide Maria de Souza, João Shoiti Kaku, Andrea Abdul Massih, Maria de Fátima Abdul Massih, Nemr Abdul Massih e Simon Nemer Abdul Massih, como imputada no Termo de Sujeição Passiva, prevista no inciso III do artigo 135 do CTN. Quanto ao interesse comum configurado na responsabilidade solidária atribuída aos coobrigados (pessoas físicas e jurídicas), por concordar com a decisão recorrida a respeito da matéria, adotoa como razões de decidir as expressas nos seguintes excertos (fls.11.165,11.166 e 11.167, 11.168, 11.169): Cabe observar que norma de responsabilidade tributária tem o objetivo de garantir o crédito tributário e, por motivos de conveniência e necessidade, a lei elege um terceiro para ser o responsável pelo pagamento do tributo, em caráter pessoal, subsidiário ou solidário. O art. 124, do CTN, trata da responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei e das que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum do art. 124, I, do CTN, significa haver liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, inclusive as pessoas físicas. Inexiste autonomia das unidades pois a atuação é complementar mesmo que a aparência seja de unidades autônomas. O interesse comum também pode ser demonstrado com a existência de confusão patrimonial ou vinculação gerencial ou coincidências de sócios e administradores, etc. Registrese que há decisões judiciais (fls. 1245/1256) reconhecendo a existência do grupo econômico formado por pessoas jurídicas do Grupo FN, entre as quais a própria contribuinte, Faroléo Óleos e Farelos Ltda., e outras empresas enquadradas na sujeição passiva como responsáveis solidárias, Fl. 12275DF CARF MF 34 a exemplo das FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda., Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda., Sina Indústria de Alimentos Ltda., Dov Óleos Vegetais Ltda. e Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. e Modena Agropecuária Ltda. As empresas, mesmo formalmente independentes, realizavam, de forma complementar, as situações configuradoras dos fatos geradores e também atuavam sob comando único, com objetivo e estruturas comuns e com intercomunicação patrimonial. No Relatório de Solidariedade (fls. 703/783), se demonstra que a direção centralizada do grupo se caracterizava pelo gerenciamento detalhado das empresas, com instruções ou diretivas. O grupo mantinha, de fato, uma estrutura única “setorizada” em diversas pessoas jurídicas, cabendo à direção unitária decidir pela própria realização das operações e negócios das demais sociedades, bem como administrar os encargos deles decorrentes, como é a atividade consistente no pagamento de tributos e cumprimento de obrigações acessórias, caracterizando o interesse comum e justificando o enquadramento no art. 124, I, do CTN. ... Argumentações comuns a mais de um impugnante Os impugnantes, pessoas físicas e pessoas jurídicas, questionam a conclusão fiscal quanto ao interesse comum vinculandoas e reunindoas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade, provenientes das necessidades que as interligam conforme prevê o CTN, porque alegam que não há nem interesse comum nem relação com o fato gerador. Daí, não ser possível incluílas como solidários com base no art. 124, I, do CTN, a impor a improcedência da solidariedade. Alegam a inexistência de qualquer relação jurídica ou efetiva entre elas, impugnantes, pessoas físicas e jurídicas, e os fatos geradores apontados pela fiscalização, entretanto, há no processo, diversos elementos, alguns inclusive referidos no Relatório de Solidariedade Tributária (fls. 703/783), mais especificamente, no item 4.3 “Modo de Agir do Grpo FN” e seus subitens (fls. 746/760) que evidenciam que as empresas atuavam como grupo de fato e que as pessoas físicas agiam como mandatários e/ou as gerenciava/administrava, como evidenciam extratos CNPJ e fichas cadastrais das empresas (fls. 785/965); procurações e subestabelecimentos (fls. 1333/1704); contrato de mútuo (fls. 1750/1758); emails (fls. 1706/1712, 1721/1726, 1728/1729, 1770/1774) e cópia do documento intitulado “Movimentação Bancária” (fls. 1271/1275) e outros elementos de provas anexados aos respectivos termos de sujeição passiva. O “interesse comum”, estabelecido no art. 124, I, do CTN, como dito anteriormente, está demonstrado no Relatório de Solidariedade (fls. 703/783), e seus anexos, no qual se descreve a estrutura do Grupo FN. Este modo de agir deu causa a diversas infrações a dispositivos da legislação tributária. Detectadas ainda empresas offshores, sócias diretas de diversas empresas do grupo, assim como diversas pessoas físicas Fl. 12276DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 19 35 relacionadas às empresas, sócios e reais administradores, conforme comprovado na Operação Yellow da SefazSP e do MPESP. ... Quanto ao pedido de reconhecimento da ilegitimidade dos impugnantes para figurarem como responsáveis solidários nenhum dos impugnantes apresentou elementos comprobatórios para fundamentar este pleito. Registrese que o sujeito passivo da obrigação tributária é identificado como contribuinte ou responsável, conforme o art. 121 do CTN. É contribuinte a pessoa que tenha relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, no caso concreto, a Faróleo; e responsável aquele que, sem se revestir da condição de contribuinte, tem sua obrigação decorrente de lei. Daí, necessário identificar, no lançamento, não só o contribuinte, mas também o responsável, inclusive apontando os elementos necessários para caracterizar a responsabilidade solidária, a fim de trazer o responsável para dentro da relação jurídica tributária. ... Argumentações específicas Quanto às razões de defesa específicas levantadas pelas pessoas físicas e jurídicas identificadas nos Termos de Sujeição Passiva lavrados pela autoridade administrativa, ressaltese que, no Relatório de Solidariedade Tributária e seus Anexos, estão explicitados todos os fatos e provas que possibilitaram caracterizar a sujeição passiva das pessoas físicas relacionadas como reais administradores, mandatários e procuradores. João Shoiti Kaku, traz como argumentação ser apenas consultor financeiro (prestador de serviços), contudo, ao contrário do que alega, há, no Termo de Sujeição Passiva, elementos suficientes, a exemplo de degravação de conversa e diversas comunicações (Doc 2 – fl. 8477); Doc 4 – fls. 8483; Doc 5 – fls. 8488/8489), para comprovar a sua vinculação com as pessoas jurídicas auditadas, entre as quais a Faróleo, bem como a sua efetiva participação como efetivo administrador (Doc. 1 fl. 8476) apesar da inexistência de vínculo formal dele com as pessoas jurídicas do Grupo FN. ... ... Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (9614/9644) e Nemr Abdul Massih argumentam apenas aspectos já abordados anteriormente (ilicitude das provas advindas da operação Yellow, inclusive, as interceptações telefônicas e a inaplicabilidade da responsabilização pela multa de ofício). Fl. 12277DF CARF MF 36 Paulo Roberto dos Santos Mina, afirma que como funcionário da Faróleo, estava alocado à empresa FN Assessoria Empresarial, recebia ordens para executar trabalhos de interesse de sua empregadora, entretanto, nada apresenta para corroborar o que alega e, assim, afastar a conclusão da fiscalização, ressaltese, fundamentada em provas, a exemplo de procuração da Faroléo para a FN, que por sua vez, subestabeleceu todos os poderes a ela conferidos, ao impugnante, entre os quais estão contratar, emitir Cédulas de Crédito, abrir e movimentar contas correntes. Luiz Alberto Panaro, para afastarse da responsabilização também argumenta era apenas funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda. de 2005 a dezembro de 2015, como comprova com cópias de sua CTPS e Comunicação de Dispensa do Ministério do Trabalho, entretanto há também procurações da Faróleo para a FN, que por sua vez, subestabeleceu todos os poderes a ela conferidos pela Faróleo, ao impugnante, entre os quais estão: contratar, emitir Cédulas de Crédito, abrir e movimentar contas correntes. Enfim, há comprovação de que estes dois mandatários agiam em comum acordo com a família Abdul Massih, ostensivamente frente a terceiros, mantendo ocultos os reais dirigentes de diversas empresas para a prática de atos que deram origem às autuações. Quanto à alegação de Nabil Akl Abdul Massih, de que ambas, fiscalização e autuação, foram feitas em períodos posteriores ao seu desligamento da empresa, registrase, de pronto, que a sua CTPS, contraria esta assertiva, pois nela há registro de que o desligamento da empresa FN – Assessoria Empresarial ocorreu em 08/08/2013, data posterior ao período fiscalizado. ... As empresas Dov Óleos Vegetais Ltda; FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda.; FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP; Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda.; Sina Indústria de Alimentos Ltda. e Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. utilizam em sua defesa os mesmos argumentos apresentados pelos quatro membros da família Abdul Massih, ou seja, alegam que não há qualquer ligação, vínculo administrativo ou gerencial com a contribuinte Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda e que as provas utilizadas são ilícitas. Entretanto, apesar das alegações, há na verdade, como já indicado, provas materiais de que as empresas integram um grupo econômico de fato (grupo FN) do qual faz parte a Faróleo e que foram dirigidas pelas pessoas físicas também responsabilizadas, enfatizandose que existe decisões judiciais já referidas em parágrafo anterior reconhecendo a existência do grupo econômico formado pelas empresas FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda., Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda., Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., Multióleos Óleos e Farelo Ltda., Sina Indústria de Alimentos Ltda., e da Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. Fl. 12278DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 20 37 ... O recorrente André Amaro da Silva (sujeito passivo solidário) foi identificado, como procurador, no Brasil, da offshore Onida S/A (CNPJ: 07.062.622/000193), sócia majoritária da pessoa jurídica Faroleo Comercio de Produtos Alimentícios Ltda. O mencionado recorrente, com as mesmas alegações na impugnação, contesta a sua notificação como responsável solidário acerca da lavratura de autos de infração contra pessoas jurídicas, alegando, no essencial, que a única ligação sua com a empresa é a ficha cadastral da Jucesp que o identifica como representante da empresa Atikis S/A e não da Onida S/A. A fiscalização juntou aos autos, extrato da situação cadastral da empresa Onida S/A,sócia da Faroleo, e de fato consta o CPF 253.069.98879 (André Amaro da Silva) na condição de Procurador da empresa Onida S/A (CNPJ: 07.062.622/000193), portanto a alegação do recorrente não desfaz a situação fática descrita no Termo de Sujeição Passiva (e fls.8223/8241). Portanto, mantida a responsabilização solidária do recorrente. Em sede de recurso voluntário, os recorrentes em comento nada apresentaram para invalidar as provas trazidas pela fiscalização e confirmadas na decisão recorrida a qual não merece reparo. Nesse contexto, subsiste a sujeição passiva das empresas do grupo e das pessoas físicas expressamente responsabilizadas na autuação. Multa Qualificada Conforme relatado, nos autos de infração fora aplicada a multa por infração qualificada de 150% sob o fundamento de que restou comprovado o evidente intuito de sonegação. Além das informações sobre a conduta do contribuinte, notadamente, pela entrega de declaração de conteúdo falso à RFB, reiterada e substancial omissão de receitas, omissão de entrega de declarações e o uso de interpostas pessoas nos atos constitutivos, bem como a ocultação de sua escrituração contábil e fiscal e livros, também consta do TVF: Entre as diversas infrações a dispositivos legais cometidas, que estão devidamente descritas no Relatório de Solidariedade, destacamse: 1 Os reais administradores se associaram aos sócios formais (os quais cediam seus nomes para compor o quadro societário das pessoas jurídicas sócios “testasdeferro”)e aos procuradores (que cediam seus nomes para assumirem os compromissos das pessoas jurídicas), para cometer, em conluio, as diversas infrações legais. Assim agindo, os reais administradores, em tese, também infringiram a lei 2.848/1940 (DecretoLei), Código Penal, artigo 288: Fl. 12279DF CARF MF 38 “Quadrilha ou bando Art. 288 Associaremse mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes: (Vide Lei nº 12.850, de 2.013) Associação Criminosa Art. 288. Associaremse 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013)” 2 Também assim, os reais administradores, em conluio com os sócios formais e procuradores, ao integrarem ao quadro societário de suas pessoas jurídicas sócios “testasde ferro” e/ou “offshore”, modificaram, fraudulentamente, as características essências dos fatos geradores: a sujeição passiva. Agiram, desta forma, com infração à lei 2.848/1940 (DecretoLei), Código Penal, artigo 299, cometendo, em tese, falsidade ideológica: “Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante” 3 Além disto, os reais administradores não pagaram e não declararam/confessaram a totalidade devida pela contribuinte dos tributos auditados, durante os períodos fiscalizados (2010 a 2012), suprimindo ou reduzindoos na DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (declaração que constitui confissão de dívida Decretolei 2.124/1984, artigo 5°, parágrafo 1°): FAROLEO 2010 a 2012 DEVIDO* CONFESSADO IRPJ 21.463.410,97 CSLL 9.690.934,96 PIS 5.832.507,15 37.981,47 COFINS 26.919.263,71 167.672,47 TOTAIS 63.906.116,79 205.653,94 *Valor devido – conforme apuração deste Fisco Desta forma, não houve apenas o mero inadimplemento (falta de pagamento de tributo devido já confessado ao Fisco), mas, sim, reiterada omissão dolosa, sonegação, em tese, objetivando o não pagamento dos tributos devidos. Assim, os reais administradores infringiram os artigos 71, 72 e 73 do Código Penal (sonegação, fraude e conluio) e os art. 1º e 2º da Lei 8.137, de 1990 (crimes contra a ordem tributária) e deixaram de confessar tributos devidos, no valor total de R$ 63.700.462,85. ... Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as /seguintes multas: Fl. 12280DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 21 39 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” [...] Conforme se observa, nos termos do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, como previsto nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, com base no art. 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430, de 1996, porque a Fiscalização entendeu que a conduta do contribuinte, notadamente, pela entrega de declaração de conteúdo falso à RFB, robusta e reiterada omissão de receitas, omissão de entrega de declarações e o uso de interpostas pessoas nos atos constitutivos, bem como a ocultação de sua escrituração contábil e fiscal e livros, caracterizou a sonegação como definido na Lei nº 4.502, de 1964, arts. 71 e necessário à qualificação da multa. Com efeito, a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, Fl. 12281DF CARF MF 40 num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Assim, constatada a sonegação e dolo, correto o lançamento da multa qualificada de 150%. No que tange ao aspecto confiscatório da multa, alegado por alguns Recorrentes e ofensa ao princípio da capacidade contributiva, a exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Como registrado acima, os recorrentes/responsáveis alegam ser incabível a responsabilização quanto à multa de ofício. Sobre a matéria, não merece reparo ao acórdão da DRJ cujos fundamentos acolho como razão de decidir, que a seguir transcrevo, A multa é devida pela falta de pagamento ou recolhimento, ou, em outras palavras, pelo descumprimento da obrigação principal, independentemente de quem seja o sujeito passivo ou de sua intenção. O aspecto subjetivo, qual seja, a intenção dolosa, é causa tão somente de qualificação da multa, o que também ocorreu no presente caso. Enfim, a exclusão da multa ou sua redução somente pode ocorrer com suporte na legislação tributária. Nesse passo, a solidariedade abrange todo o crédito tributário, é dizer, tanto os tributos quanto a multa de ofício e os juros moratórios. Conforme anunciado acima, a contribuinte (autuada) alegou ter ocorrido decadência em relação ao ano calendário de 2010. No que tange à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 12282DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 22 41 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. Fl. 12283DF CARF MF 42 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Conforme demonstrado acima, na análise da multa qualificada, restou mantida a aplicação da multa de 150%, porque caracterizada a sonegação e dolo no caso dos presentes autos, o que de plano afasta a aplicação do prazo à homologação, de 5 (cinco)anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do § 4º do art.150 do CTN, e, consequentemente a contagem do prazo decadencial devese dar com amparo na regra geral do art. 173, I, do CTN, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Outrossim, não consta dos autos que tenha havido pagamento de tributos em relação ao ano calendário 2010, o que também afastaria a aplicação do prazo à homologação, de 5 (cinco)anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do § 4º do art.150 do CTN. Com efeito, com relação aos fatos geradores ocorridos em 2010, que poderiam ser exigidos dentro do próprio anocalendário, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2011 e teria seu termo final em 31/12/2016. Tendo a ciência dos autos de infração ocorrido em 26/11/2015, por via postal (fls. 10.138/10.143 e 10252), deve ser afastada a preliminar de decadência do direito de lançar os tributos ora exigidos e refutados pela contribuinte/Recorrente. O Recorrente João Shoiti Kaku pede que quaisquer intimações e notificações sejam realizadas em nome do procurador do Recorrente THIAGO CUNHA BAHIA, OAB/SP n° 373.160, com escritório na Rua Bento de Andrade, n° 421, Jardim Paulista, São Paulo CEP 04.503011. Sobre o assunto, a Súmula CARF nº 9, é suficiente para o indeferimento do pleito, vejamos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O domicílio fiscal da pessoa física é o constante do Cadastro da Pessoa Física. Assim, razão não há para que as intimações sejam encaminhadas para outros endereços que não seja o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte indicado no CPF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. Cofins. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento aos recursos voluntários da contribuinte (autuada) e dos responsáveis tributários/recorrentes:Pessoas Físicas Ineide Maria de Souza (sócia), Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, João Shoiti Kaku, Nabil Akl Abdul Massih, Simon Nagib Antonios, Nabil Akl Abdul Massih, André Amaro da Silva, Luiz Alberto Panaro, e Paulo Roberto dos Santos Mina. Pessoas Jurídicas: FN Assessoria Empresarial Ltda , FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda , DOV Fl. 12284DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 23 43 Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda, Sina Indústria de Alimentos Ltda, Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado Em que pesem os argumentos expendidos pela Ilustre Presidente e ora Relatora, peço vênia para, respeitosamente, divergir de seu voto no que diz respeito à imputação de responsabilidade às pessoas físicas (mandatárias) Luiz Alberto Panaro, Paulo Roberto dos Santos Mina e Nabil Akl Abdul Massih, que devem ser excluídas da presente lide. O TVF anexo ao Auto de Infração assim fundamentou a responsabilidade solidária dos mandatários (Procuradores): "Paralelamente, os trabalhos também evidenciaram que a atuação do Grupo era orquestrada por pessoas que ostentavam três qualidades de vínculos: a) Reais administradores: eram os verdadeiros donos do negócio. Pessoas físicas que, utilizandose de interpostas pessoas (“testasdeferro”, "offshore", e/ou procuradores) administravam todo o conjunto empresarial de forma oculta. Eles organizavam toda a atividade do Grupo, decidiam, empreendiam, idealizavam, coordenavam e se beneficiavam das atividades desenvolvidas, enfim, todos praticavam atos de gestão. Estes administradores, no entanto, na maioria dos casos, não pertenciam aos quadros societários das pessoas jurídicas acima identificadas. [...] b) Sócios formais: pessoas cujos nomes compunham os quadros societários das pessoas jurídicas do Grupo, sendo: b.1) ora, pessoas físicas, sem estofo patrimonial, conhecidas por testasdeferro; pessoas sem conhecimento e capacidade econômica para empreender que cediam seus nomes mantendo ocultos os reais administradores, aparecendo no contrato social como sócios ou sócios administradores. b.2) ora, pessoas jurídicas constituídas fora do Brasil "off shore" (SAFIs), desprovidas de finalidades societárias de fato, adquiridas pelos reais administradores, também com o intuito de se ocultarem, bem como ocultarem possíveis bens, vez que é “notória a dificuldade de acessar o patrimônio enviado para o Fl. 12285DF CARF MF 44 exterior, com a utilização dessas empresas “estrangeiras”, situadas em “paraísos fiscais". c) Procuradores: pessoas físicas que recebiam procurações para agirem, ostensivamente, em nome de algumas pessoas jurídicas do Grupo, mantendo ocultos os reais administradores; Nestas condições, verificouse que os reais administradores, associados aos sócios formais e aos procuradores, além de terem nítido interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados, ainda cometeram diversas infrações a leis, restando evidente a existência de obrigações tributárias solidárias e responsabilizações pessoais nos termos dos artigos 124, I e 135, II e III do CTN:" No Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo FN composto de 81 páginas os Procuradores em questão foram incluídos no amplo rol de solidários sob a singela justificativa, em dois parágrafos: No relatório específico de sujeição passiva, emitido para cada uma das pessoas responsabilizadas, assim relata a autoridade fiscal responsável pelos lançamentos: Fl. 12286DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 24 45 De plano, notase que a motivação para a qualificação da solidariedade de Luiz Alberto Panaro, Paulo Roberto dos Santos Mina e Nabil Akl Abdul Massih restringiuse ao fato destas pessoas terem figurado como mandatários (Procuradores) com poderes de representação perante determinadas instituições financeiras, e nada mais! O silogismo empregado foi o seguinte: Luiz Alberto Panaro, Paulo Roberto dos Santos Mina e Nabil Akl Abdul Massih, funcionários da empresa, receberam poderes por meio de Procurações outorgadas pelos "cabeças" do grupo". E como estas procurações permitiram que estas pessoas representassem o interesse do grupo perante instituições financeiras; os procuradores possuem interesse comum e responsabilidade pessoal de gestão. Não concordo, porém, com esse racional. Segundo penso, há dois graves vícios que comprometem a imputação da responsabilidade solidária aos referidos mandatários: (i) nulidade por falta de motivação dos requisitos do artigo 135 do CTN; e (ii) não caracterização de "interesse comum". Dispõe o artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Fl. 12287DF CARF MF 46 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os pressupostos previstos no caput do artigo 135 prática de ato com excesso de poder ou infração de lei ou contrato social não foi objeto de nenhum comentário pela fiscalização na imputação da solidariedade aos Procuradores. Ora, se foi o uso indevido ou abusivo das Procurações a causa da caracterização da responsabilidade solidária, deveria a autoridade ter apontado e motivado qual ato teria sido este, como foi praticado, qual a finalidade, seus efeitos etc, mas nada disso foi feito. O TVF deveria, para valer sua tese de incidência do artigo 135, II, ter demonstrado em que medida as pessoas qualificadas como mandatárias agiram em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função de Procurador. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela fundamente adequadamente o Auto, bem como comprove a participação direta e consciente daquele que detém poder de representação na realização dos atos alegadamente simulados ou fraudulentos. A atribuição de responsabilidade tributária não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no modo automático”, uma vez que tal instituto exige a comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados conscientemente (isto é, com dolo) pela pessoa qualificada como responsável. Isso significa dizer que a mera qualificação de Procurador jamais poderia ensejar responsabilidade pessoal ou solidária, ainda mais nesse caso concreto, no qual a própria autoridade fiscal autuante certifica que os Procuradores obedeciam a ordens dos reais administradores. Afasto, portanto, a imputação de responsabilidade prevista no artigo 135 do CTN. Diferentemente da responsabilidade tributária do artigo 135, onde terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação, a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN também utilizado como base legal no lançamento , não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária, mas sim às pessoas que efetivamente participam do fato que constitui a hipótese de incidência tributária. As partes coobrigadas devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse Fl. 12288DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 25 47 diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). A responsabilidade solidária constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. O interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I do CTN é, portanto, sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. Não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja mandatário, acionista, sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. Do ponto de vista da jurisprudência administrativa, destacase a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Assim, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito privado. O artigo 50 do Código Civil, por exemplo, assim dispõe: “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Fl. 12289DF CARF MF 48 Confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. De acordo com Luiz Carlos de Andrade Júnior1: “a confusão patrimonial caracterizase pela impossibilidade de distinguir se o uso e a disposição de determinados bens dãose pela sociedade ou pelos seus membros; ou, melhor dizendo, se o patrimônio é empregado de modo a satisfazer interesses de uma ou de outros. Configurase, por exemplo, quando a sociedade utiliza imóveis pertencentes aos sócios, emprega veículos destes para o desempenho de suas atividades operacionais ou paga suas contas pessoais. A confusão patrimonial pode, ademais, relacionarse a uma situação de controle, especialmente nos grupos econômicos de subordinação, em que as sociedades controladas perdem grande parte de sua autonomia de gestão empresarial em razão da atuação “soberana” da sociedade holding”. A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: 1 a capacidade dos sócios; 2 a coincidência de administradores e/ou procuradores; 3 gestão única do negócio; 4 semelhança de atividades; 5 identidade de endereço; 6 empregados comuns; estrutura operacional dependente; 7 incapacidade econômica; 8 benefício financeiro; e 9 impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de caracterizar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, conseqüentemente, da responsabilidade solidária. Trazendo essas considerações ao presente caso, afasto a sujeição passiva dos responsáveis solidários Luiz Alberto Panaro, Paulo Roberto dos Santos Mina e Nabil Akl Abdul Massih, uma vez que, não bastasse o vício na motivação, os elementos constantes dos autos não demonstram nenhuma confusão patrimonial entre eles e os demais componentes do aludido grupo. Não há no trabalho fiscal prova ou indício de que essas pessoas teriam auferido qualquer vantagem ou que tenham tido poder de comando na estrutura empresarial. O simples fato dos solidários serem Procuradores perante os bancos não revela qualquer interesse comum. Os mandatários são pessoas que não se confundem com os outorgantes. O Direito assim determina. Admitir o contrário significa violar o "instituto do mandato", sem lei, permitindo uma estranha presunção de confusão patrimonial entre mandatário (procurador) e empresa, o que não se sustenta. 1 A simulação no direito civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 209. Fl. 12290DF CARF MF Processo nº 10825.722781/201531 Acórdão n.º 1201002.112 S1C2T1 Fl. 26 49 Conforme orientação do STF2, “não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada”. Nesse sentido, voto DAR PROVIMENTO aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS das pessoas físicas (mandatárias) Luiz Alberto Panaro, Paulo Roberto dos Santos Mina e Nabil Akl Abdul Massih para afastar a responsabilidade tributária desses recorrentes. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli 2 STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010. Fl. 12291DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.000819/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
Ementa:
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI.
A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos.
DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA
"Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42)
Numero da decisão: 2202-004.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração referente ao ganho de capital.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração referente ao ganho de capital. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 08 19 /2 00 9- 39 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 381 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF. Tendo a DRJ negado provimento à Impugnação, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora sob julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 07/07/2009 foi lavrado auto de infração (fls. 257/264), para constituir crédito de IRPF, identificando: 1) "OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL"; 2) "OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS"; e 3) "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA". Conforme o Termo de Constatação Fiscal (fls. 265/286), "Os depósitos créditos/bancários com origem não comprovada correspondem a 185.584,50. Portanto, os créditos/depósitos bancários que não tiveram a origem comprovada mediante documentação hábil e idônea, constantes da Relação dos Depósitos Bancários não Comprovados, foram submetidos à tributação a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A origem destes depósitos, o Fiscalizado, regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal Nº 001 e do Termo de Intimação Fiscal Nº 002, não comprovou mediante documentação hábil e idônea." fls. 272/273; (...) "Como pode ser visto na Relação das Notas Fiscais de Produtor Rural, o Fiscalizado emitiu notas fiscais de produtor rural com valores inferiores aos valores efetivamente recebidos." fl. 274; (...) "A Declaração de Ajuste Anual AnoCalendário 2006 Original (fls. 8187) e a Declaração de Ajuste Anual Ano Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 382 3 Calendário 2006 Retificadora (fls. 203208) somente foram entregues após o início da fiscalização que se deu em 27/03/2009 cola a ciência ao Fiscalizado do Termo de Início de Fiscalização (lis. 34). O Fiscalizado havia apresentado apenas a Declaração de Isento 2007 (fl. 2). Portanto, foi apurada omissão de Receita da Atividade Rural desenvolvida pelo Fiscalizado. A Receita Bruta da Atividade Rural apurada é de R$ 87.281,28. A base de cálculo foi arbitrada à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, conforme opção do Fiscalizado, exercida no ato da entrega da Declaração de Ajuste Anual (art. 5° da Lei No 8.023/90). Assim, foi apurado o Resultado Tributável da Atividade Rural no valor de R$ 17.456,26 correspondente a 20% da Receita Bruta da Atividade Rural." fl. 274; (...) "Caracterizado o evidente intuito de fraude pela inserção nas Notas Fiscais de Produtor de valores inferiores aos ocorridos efetivamente conforme recebimentos através de créditos/depósitos em suas contas bancárias e pela apresentação da Declaração de Isento — 2007 (fl. 2) quanto estava obrigado a apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos previstos no art. 44, inciso II, da Lei n" 9.430/96, a multa aplicável a esta infração é de 150%." fl. 275; (...) "Dessa forma, diante da disposição literal do artigo 117 do Decreto n" 3.000, de 1999, fica evidenciado que apenas o valor decorrente da desapropriação efetuada para fins de reforma agrária está beneficiado pela imunidade tributária conferida pela Constituição Federal. Devese notar que a tribulação da indenização por desapropriação ocorrerá apenas quando houver a apuração do ganho de capital; assim sendo, quando do recebimento de indenização de imóvel desapropriado, a pessoa física beneficiária se obriga a verificar a existência de ganho de capital na operação e, em caso positivo, deverá haver o pagamento do imposto de renda sob a forma de tributação definitiva, nos termos dos arts. 117, § 4" e 142 do Decreto n" 3.000, de 1999, que determina o pagamento do imposto apurado sobre o ganho de capital à alíquota de 15% (quinze por cento). Acrescentese ainda que, segundo o art. 21 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o cálculo e o pagamento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital, sujeito à tributação sob a forma definitiva, devem ser efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês e o imposto pago não é compensável na declaração de ajuste anual. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 383 4 Desta forma, verificada desapropriação de áreas de terras pertencentes ao Fiscalizado em condomínio cujo valor de R$ 3.164.204,73 foi recebido em sua conta do Banco do Brasil através de TEDCrédito em conta no dia 22/03/2006, elaborei o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (...)" fls. 276/277; (...) "Desta forma, verificase que o Fiscalizado omitiu os Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital deixando de apresentar a Declaração de Ajuste Anual na época devida. O imposto devido decorrente dos ganhos de capital apurados não foi pago. Pelo exposto, está demonstrada a falta de recolhimento do imposto decorrente do ganho de capital na alienação de bens. Portanto, o Imposto de Renda sobre os ganhos de capital na alienação de bens devido e não recolhido está sendo lançado." fl. 284. Intimado em 08/07/2009 (fl. 287), o Contribuinte apresentou Impugnação em 07/08/2009 (fls. 290/297 e docs. anexos fls. 298/334). Analisando a questão, a DRJ proferiu o acórdão nº 0721.712, de 22/10/2010 (fls. 337/352), que negou provimento à defesa, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÌs1CA IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil é idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 384 5 AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃ.O O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade Fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL. Ressalvada a isenção legalmente prevista, sujeitase à tributação o ganho de capital apurado no recebimento de indenização em virtude de desapropriação de imóvel. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 JUNTADA DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO REQUISITOS A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de perícia quando a matéria que seria objeto deste procedimento já tem seu conteúdo definido em lei. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à disposição literal de lei, quando não comprovado que o contribuinte figurou como parte na referida ação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 385 6 Intimado em 22/11/2010 (fl. 358), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2010 (fls. 363/372 e docs. anexos fls. 373/377), argumentando, em síntese: · Que "não há como atribuir ao contribuinte o ônus probatório da integralidade dos lançamentos a crédito em suas contas bancárias, de forma diária e individualizada, eis que nem sempre os depósitos efetuados representam acréscimo patrimonial ou renda efetiva" (fls. 364/365), devendo coexistir elementos externos demonstrando acréscimo patrimonial, o que não ocorreu no caso; · Que devem ser excluídos diversos valores depositados nas contas bancárias mas com informação de que estavam em "depósito bloqueados", não havendo nos autos provas ou indícios de que se tornaram disponíveis; · Que é possível que alguns dos créditos sejam provenientes de transferências de outras contas bancárias mantidas pelo próprio Contribuinte; · Que não é possível presumir omissão de rendimento; · Que devem ser considerados os lançamentos a débito, verificandose ao final do período o saldo positivo ou negativo; · Que o Contribuinte sacou dinheiro de suas contas ("cheque pago caixa" e "cheque avulso"), gerando disponibilidade para o Contribuinte; · Que há precedentes judiciais reconhecendo a que não se pode presumir a omissão de rendimentos tão somente com base nos depósitos bancários; · Que não houve ganho de capital, mas sim indenização, porquanto a alienação ocorreu por desapropriação; e · Que também não podem ser objeto de tributação os juros recebidos em decorrência da desapropriação. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 386 7 É interessante consignar desde já que a Contribuinte não impugnou nem recorreu do lançamento em relação à infração 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Nessa trilha, encontramse sob litígio exclusivamente a questão dos depósitos bancários e do ganho de capital. Presunção de omissão de rendimentos depósitos bancários Argumenta o Recorrente contra a presunção de omissão de rendimentos, afirmando não bastar a identificação de créditos em suas contas bancárias, mas também ser necessário apontar a ocorrência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza. Ainda, que devem ser considerados os valores a débito para se tributar apenas o saldo final, caso haja. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exigese tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que cabia à autoridade fazendária aprofundar as investigações quando o Contribuinte, devidamente intimado, não logrou apresentar os documentos requeridos. Tampouco pode prevalecer a tese de que deve ser tributado apenas o saldo positivo, levando em consideração os lançamento a débito, porquanto não há previsão legal nesse sentido. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 387 8 Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Da comprovação da origem dos depósitos Argumenta, subsidiariamente, o Recorrente que devem ser excluídos da base de cálculo os valores referentes a lançamentos a crédito nas suas contas bancárias que não foram efetivamente liberados bem como os valores provenientes de transferências do próprio Recorrente. A despeito de suas alegação, o Recorrente não indica um único caso concreto de lançamento componente da base de cálculo que seja proveniente de transferência de outra conta sua ou que tenha ficado bloqueado, ou seja, não tenha sido disponibilizado em seu favor. Analisando a lista de valores identificados pela autoridade lançadora, por outro lado, constatase que constam alguns lançamentos a crédito identificados como "Depósito Bloqueado 1 Dia Útil" em 10/01/2006 e outro em 20/12/2006 (fl. 272). Compulsando os respectivos extratos bancários, constatase que em ambos os casos os valores foram desbloqueados no primeiro dia útil subsequente (fls. 8 e 36). Nenhum dos lançamentos consta descrição de transferência de outras contas; há sim depósitos em dinheiro, mas não demonstrou o Recorrente que o depósito foi feito por ele. Por tudo isso, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Do ganho de capital desapropriação Argumenta ainda o Recorrente que a infração de ganho de capital deve ser cancelada, vez que a alienação não decorreu de negócio privado, mas sim de desapropriação. A despeito do entendimento esposado pela autoridade lançadora e pela DRJ, no sentido de que a Lei só reconhece a isenção do ganho de capital em caso de desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária, este Conselho já consolidou seu entendimento desde dezembro/2009 no sentido de que não incide IRPF sobre ganho de capital quando a alienação ocorre em função de desapropriação: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Tendo em vista que a Súmula é de observância obrigatória por este Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, é necessário repetir tal entendimento no âmbito desse julgamento. Ainda que não fosse, o STJ já julgou a matéria no REsp nº 1.116.460, em sede de Recurso Repetitivo, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 388 9 DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13984.000819/200939 Acórdão n.º 2202004.429 S2C2T2 Fl. 389 10 verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Neste, foi consolidada a Tese nº 397: A indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. (...) Nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. Mais uma vez, tratase de entendimento que deve ser repetido no âmbito deste Conselho, nos termos do art. 45, VI, e do art. 62, ambos do Anexo II ao RICARF. Registrase que esta decisão judicial levou, inclusive, à publicação da Solução de Consulta COSIT nº 105/2014, que reformou Solução anterior, e reconheceu a não incidência do IRPF sobre o ganho de capital quando a alienação ocorre em decorrência de desapropriação. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar a infração referente ao ganho de capital. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900989/2013-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 09 89 /2 01 3- 77 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13502.900989/201377 Acórdão n.º 1201002.013 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de CSLL com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13502.900989/201377 Acórdão n.º 1201002.013 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13502.900989/201377 Acórdão n.º 1201002.013 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724725/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/05/2007
INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Considera-se não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal.
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa.
DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO.
Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação.
CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento.
CONTABILIDADE. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar de lançar mensalmente, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. APLICAÇÃO DA MULTA EM DOBRO.
Constatada que a ocorrência de reincidência genérica, consubstanciada pela infração a disposições da legislação de custeio previdenciário diversa daquela objeto da autuação, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior, o valor da multa aplicada deve ser elevado em duas vezes.
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ESCRITURAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. CUMPRIMENTO DE DISPOSIÇÃO LEGAL DIVERSA. AFASTAMENTO SANÇÃO APLICADA. RELAVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação de documentos com informações a respeito de fatos geradores de contribuições previdenciárias que não tenham sido escriturados em títulos próprios da contabilidade da empresa, de forma discriminada, com o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, não supre essa obrigação e não serve de suporte para a relevação da multa aplicada.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2402-006.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/05/2007 INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Considera-se não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa. DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO. Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação. CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento. CONTABILIDADE. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar de lançar mensalmente, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. APLICAÇÃO DA MULTA EM DOBRO. Constatada que a ocorrência de reincidência genérica, consubstanciada pela infração a disposições da legislação de custeio previdenciário diversa daquela objeto da autuação, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior, o valor da multa aplicada deve ser elevado em duas vezes. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ESCRITURAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. CUMPRIMENTO DE DISPOSIÇÃO LEGAL DIVERSA. AFASTAMENTO SANÇÃO APLICADA. RELAVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação de documentos com informações a respeito de fatos geradores de contribuições previdenciárias que não tenham sido escriturados em títulos próprios da contabilidade da empresa, de forma discriminada, com o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, não supre essa obrigação e não serve de suporte para a relevação da multa aplicada. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/05/2007 INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Considerase não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa. DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO. Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação. CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento. CONTABILIDADE. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 47 25 /2 01 0- 47 Fl. 932DF CARF MF 2 Constitui infração deixar de lançar mensalmente, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. APLICAÇÃO DA MULTA EM DOBRO. Constatada que a ocorrência de reincidência genérica, consubstanciada pela infração a disposições da legislação de custeio previdenciário diversa daquela objeto da autuação, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior, o valor da multa aplicada deve ser elevado em duas vezes. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ESCRITURAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. CUMPRIMENTO DE DISPOSIÇÃO LEGAL DIVERSA. AFASTAMENTO SANÇÃO APLICADA. RELAVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação de documentos com informações a respeito de fatos geradores de contribuições previdenciárias que não tenham sido escriturados em títulos próprios da contabilidade da empresa, de forma discriminada, com o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, não supre essa obrigação e não serve de suporte para a relevação da multa aplicada. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0644.160, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA) que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração lavrado sob o Debcad nº 37.249.1430 em razão do descumprimento de obrigação previdenciária acessória. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 889/900): Relatório Fiscal 2. Segundo informado no Relatório Fiscal da Infração e no Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 33 a 38), a Autuada não lançou em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A autoridade autuante cita o Livro Razão de 2007 e a conta nº 13872 “Custos de Serviços Vendidos”, na qual foram lançados os valores referentes aos pagamentos realizados aos segurados empregados da matriz e da filial e que se encontram prestando serviço nos tomadores de serviço da empresa. Foram lançados valores referentes à provisão de férias, porém não foram discriminados os valores referentes a férias trabalhadas e indenizadas. Também não lançados os valores referentes a rescisões de contrato de trabalho, discriminando as parcelas indenizatórias, bem como não restaram “discriminados os valores de pagamentos referentes a matriz e a filial, tendo sido lançado o valor referente à folha de pagamento pelo total”, o que impossibilitou a identificação de fatos geradores de contribuição previdenciária, configurando a infração ao disposto no art. 32, II, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17, do Fl. 934DF CARF MF 4 Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. 3. A autoridade fiscal também esclarece que, por meio de pesquisa ao Sistema de Cobrança – SICOB, verificouse que a autuada incorreu em reincidência genérica pelo fato de ter infringido dispositivo legal diverso dos infringidos em procedimento fiscal anterior, dentro do prazo de 5 (cinco) anos (na fiscalização anterior foram emitidos os Autos de Infração CFL 30, pago em 24/09/2008, e o CFL 38, transitado em julgado em 09/10/2009). 4. O fato de a Contribuinte ter incorrido em reincidência genérica se constitui em circunstância agravante prevista no art. 290, V, do RPS, que se reflete no valor da multa aplicada, a qual terá o valor básico de R$ 14.107,77 multiplicado por 2 (dois), o que resulta na multa de R$ 28.215,54 (vinte e oito mil duzentos e quinze reais e cinquenta e quatro centavos). 5. A fundamentação legal da infração está descrita no item DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, assim com a multa aplicada está fundamentada na forma do item DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA e graduada conforme o item DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA, todos da folha de rosto do Auto de Infração. Impugnação 6. Cientificada pessoalmente em 24/05/2010 (fl. 2), a Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 792 a 814, em 22/06/2010, alegando, em síntese, que: a) “os lançamentos contábeis se fizeram acompanhar dos livros de controle de lançamento fiscal”. Na verdade “a documentação se complementa, ou seja, as informações contidas na RAIS complementam aquelas existentes na conta contábil ‘Custos de Serviços Vendidos’, não havendo divergências”; b) “a autuação imposta não possui clareza bastante capaz de se sustentar, bem como de caracterizar a infração, uma vez que não traz informações precisas e necessárias acerca da suposta infração, fato que impede o exercício da ampla defesa por parte do autuado”. A autoridade autuante aponta o valor base de RS 14.107,77 para a multa, afirmando deva ser aplicada em dobro em face da reincidência; todavia, a legislação aplicada à época aponta valor bem inferior, nos termos do art. 283, III, “a” e art. 373 do RPS; c) a Portaria Interministerial 350/2009, em seu art. 8º, VI, estipula a majoração da referida multa, entretanto, “previu mais e estipulou valores que somente poderiam ser majorados por Lei, vez tratar de verdadeira cobrança de tributo”. Assim, a presente cobrança é descabida, não encontrando amparo legal que confira suporte aos seus fundamentos; d) a autuação impõe pesada multa, “retirando a primariedade da Companhia, mesmo considerando que a referida infração não fora antes cometida pela defendente”; e) a limitação ao direito de a Impugnante ter acesso aos motivos ou documentos em que se baseou o auditor para lavrar dois autos de obrigação principal e dois de obrigação acessória, “cujos fundamentos são os mesmos e geram confusão à defesa, justamente porque indevidamente seccionados, quando em verdade a motivação é única, dificultando ao defendente fazer a ampla defesa, porque repetitiva”. Desse modo, o agir do Fiscal não repercutiu apenas na ofensa ao contraditório em seu sentido estrito (formal), mas também no “desatendimento ao devido processo em sentido material, justamente porque resultou ausente a Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 4 5 fundamentação objetiva das autuações”, tornando nulo o ato administrativo, sendo sua invalidação perfeitamente possível, “através do procedimento de revisão dos lançamentos, desencadeado com a presente defesa administrativa, o que desde já requer”; f) a Auditora aduz o descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, II, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, II, e §§ 13° a 17° do RPS, sem contudo trazer qualquer motivação/fundamentação lógica quanto a sua argumentação, não apresentando qualquer tipo de informação acerca do método auferido e a fundamentação legal que serviu de motivação à autuação. Utilizouse apenas do Livro Razão, “desprezando todos os outros documentos que teriam o condão de elucidar a questão, como a RAIS e a GFIP” ou, ainda, o Livro Diário Geral que é o livro principal, obrigatório da contabilidade; g) ao contrário do afirmado pelo AFPS “a escrituração foi feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens”. Na escrituração podem ser utilizados códigos de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado, sendo que esta exigência pode ser suprida inserindose no livro diário o plano de contas composto de códigos e respectivas cotas, bem como lista de códigos de históricos acompanhados do significado de cada um, o que não foi observado pelo Auditor, devendo ser anulado o presente lançamento; h) foram apresentados outros documentos capazes de comprovar a veracidade das informações da empresa no que se refere às contribuições previdenciárias (folha de pagamento, RAIS, registros contábeis e bancários), não sendo razoável a autuação. No presente caso, “o documento exigido pelo Ilustre Auditor Fiscal, qual seja, os livros contábeis da Impugnante, foram apresentados com informações complementadas nos registros fiscais, porém sem qualquer divergência”, não sendo razoável que o documento exigido fosse o único a ensejar as bases procuradas pela Fiscalização, mesmo porque, no processo administrativo, “a autoridade tem a obrigação de por iniciativa própria observar todas as circunstâncias que possa direta ou indiretamente influenciar no objeto de apuração”; i) “o lançamento ora atacado, realizado em desobediência à legalidade, se prosperar, resultará em aplicação de penalidade despropositada, permitindo o enriquecimento do Fisco, sem causa que o justifique”; j) “temse o sintoma de que o presente processo administrativo pode vir a ser concluído, sem que tenham sido examinadas matérias constitucionais, situação em que os julgadores restringiriam sua atuação à aplicação de exclusivas normas de inferior escalão jurídico. O que não se pode admitir”, eis que ao solucionar uma questão tributária devem ser considerados os diversos princípios e normas plasmadas na Constituição, de natureza genérica (legalidade, tipicidade, anterioridade, irretroatividade, capacidade contributiva, isonomia, vedação de confisco, ampla defesa, contraditório, etc), e específica (nãocumulativa, seletividade, progressividade, generalidade, universalidade, competência, etc); k) a aplicação da multa no valor apontado pela auditora é inaceitável, uma vez que aplica valores atualizados com base na Portaria MPS nº 350, de 30/12/2009, a fatos geradores de competências anteriores (2007), quando na época existia portaria específica que regulamentava os índices aplicados no período (cita a Portaria MPS nº 342, de 16/08/2006); Fl. 936DF CARF MF 6 l) “multa aplicada em valor tão alto fere o princípio constitucional da vedação do confisco, contido no art. 150, IV, da Constituição Federal”, havendo que salientar que a multa é uma obrigação acessória, a qual deve se pautar pela razoabilidade. Ademais, a multa foi majorada em razão da reincidência, o que não restou provado nestes autos. “A desobediência deuse somente agora, não podendo ser cobrada pela forma majorada”, sob pena de violação do princípio do devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF); m) ao final, requer a nulidade do auto de infração e, acaso não seja esse o entendimento, “seja considerada a juntada da folha de pagamento anexa a esta peça como correção da falha, o que resulta na relevação da multa e assegurado no art 291, §1°, do Regulamento da Previdência Social, e, por conseqüência, na EXTINÇÃO do débito ora perseguido”; n) protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial, a prova pericial, reiterando que todos os documentos estão à disposição da Receita Federal, pleiteando, ainda, “a comunicação quanto ao resultado desta defesa no endereço profissional dos patronos do contribuinte, sob pena de nulidade (art. 39, I, do CPC)”. 7. O presente processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10580.724722/201011 (fl. 791). Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, conforme pode se verificar da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2007 CONTABILIDADE. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar de lançar mensalmente, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal referese a tributo e é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. AGRAVAMENTO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 5 7 A reincidência genérica na infração impõe o agravamento da multa básica em duas vezes. PROVA PERICIAL. LIMITES. OBJETIVOS. A perícia se destina à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, devendo o julgador refutar aquelas que entender desnecessárias ou prescindíveis. PROVAS DOCUMENTAIS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação e alega adicionalmente o que segue: para fundamentar sua decisão, a autoridade julgadora de 1ª instância cita várias normas legais, mas omitese a proceder análise dos argumentos lançados na defesa, bem assim, com relação a documentação apresentada, relativa a RAIS, folha de pagamento, registros contábeis, efetivamente desprezados pelo Autuante e pelo nobre julgador da defesa; os informativos se fizeram acompanhar das Folhas de Pagamento e dos lançamentos efetuados na RAIS, demonstrando a correção e a possibilidade de apuração analítica quanto as informações, não gerando tributos; a defesa administrativa apresentada na notificação ora recorrida foi centrada na produção de prova documental suficiente, demonstrando claramente que a notificação foi lavrada equivocadamente, ao descaracterizar as informações constantes na RAIS, na Folha de Pagamento e nos demais registros fiscais, bancários e contábeis; o relatório fiscal informa que há divergências nas informações, entretanto, o mesmo não ocorreu; a documentação se complementa, ou seja, as informações contidas na RAIS complementam aquelas existente na conta contábil “Custos de Serviços Vendidos”, não havendo divergências; a recorrente apresentou documentos como recibos, folhas de pagamento constando o valor devidamente inserido, e as guias de recolhimentos de contribuição previdenciária; pelo que consta na Decisãonotificação não houve uma apuração técnica que pudesse constatar a verdade dos fatos, ou seja, a improcedência da presente notificação; Fl. 938DF CARF MF 8 eivada de fundadas dúvidas e considerando a complexidade da matéria que envolve uma suposta infração fiscal, não há como prosperar a autuação tendo em vista a improcedência da mesma, sendo de extrema importância para o deslinde da demanda a produção de perícia. Reitera requerimento de produção de prova pericial; apresentou na oportunidade da defesa os documentos já mencionados a fim de demonstrar a inexistência de violação a Lei e, portanto, a inaplicabilidade da Multa em dobro; diligências probatórias não foram determinadas ou sequer efetivadas, apesar de ser imprescindível para o julgamento da presente demanda; a omissão da autoridade julgadora de 1ª instância em determinar a perícia técnica implica na violação dos arts. 17e e 19 do Decreto nº 70.235/1972, importando na nulidade da decisão ora combatida por preterição de defesa da recorrente; a produção de prova pericial não se realizou, não sendo nem mesmo fundamentada a sua negativa, culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário para cobrança de multa em dobro, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica; a decisão ora recorrida, que manteve a procedência da notificação para cobrança de Multa, carece de fundamentação, contrariando frontalmente o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, o qual exige a apresentação dos fundamentos em que as autoridades administrativas se baseiam para realizar os atos de sua competência, não só a citação de várias normas legais; a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e limitouse a repisar sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma; a infração pretende a imposição de multa que tem o valor básico de R$ 14.107,77 multiplicada por dois, vez ter cometido reincidência genérica, pelo fato de ter cometido infração de dispositivo legal diverso em procedimento fiscal anterior embora aponte autoridade autuante o valor base de R$ 14.107,77 para a multa, devendo ser aplicada em dobro em face da reincidência, o fato é que a legislação aplicada à época aponta valor bem inferior; a Portaria Interministerial 350/2009, em seu art. 8º, VI estipula a majoração da referida multa, entretanto, a referida portaria que dispõe sobre o salário mínimo e o reajuste dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, previu mais e estipulou valores que somente poderiam ser majorados por Lei, vez tratar de verdadeira cobrança de tributo. Repisa pedidos apresentados por via impugnatória, requer que seja declarada a nulidade da decisão recorrida e a juntada de novas provas. É o relatório. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES Nulidade da Decisão Recorrida e Pedido de Perícia e Apresentação de Novas Provas Com relação à nulidade da decisão recorrida, suscitada em razão do indeferimento de perícia requerida em sede de impugnação, e à produção de novas provas, tem se que os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/1972 estabelecem: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 940DF CARF MF 10 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Observase, a princípio, que o inciso IV do art. 16 acima reproduzido é bastante claro quanto à obrigatoriedade de o sujeito passivo em formular os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome , o endereço e a qualificação do profissional designado para a realização da perícia tida por necessária. Outrossim, o § 1º do mesmo artigo preceitua que, em caso de inobservância ao disposto no inciso IV, o pleito pericial considerarseá não formulado. Examinandose o conteúdo da impugnação, constatase inexistir referência ao a quesitos ou exames desejados e ao perito que deveria ter sido indicado pela recorrente, fato que se mostra suficientemente apto a afastar a argumentação recursal quanto à nulidade da decisão recorrida, em vista de o requerimento trazido na impugnação ter sido apresentado em desacordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, tratase de pleito pericial considerado como “não formulado” a teor das disposições normativas supracitadas. Além disso, a análise das normas jurídicas afetas à autuação e o exame das provas já trazidas aos autos mostramse suficientes para os deslinde de quaisquer dos questionamentos com base nos quais a recorrente busca fundamentar o pleito pericial, o qual revelase, consoante art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, absolutamente prescindível como bem concluiu a decisão recorrida, conforme trechos que se faz mister reproduzir: Da prova pericial e documental 13. A Autuada protesta pela realização de perícia “a fim de verificar a regularidade dos lançamentos objeto da presente autuação”. 13.1. O Relatório Fiscal da Infração é bastante claro quanto à descrição dos fatos, citando o Livro Razão de 2007, a conta nº 13872 “Custos de Serviços Vendidos”, na qual foram lançados os valores referentes aos pagamentos realizados aos segurados empregados da matriz e da filial e que se encontram prestando serviço nos tomadores de serviço da empresa (valores referentes a pagamento de férias trabalhadas e indenizadas), não tendo sido lançados os valores referentes a rescisões de contrato de trabalho, discriminando as parcelas indenizatórias, bem como não restaram “discriminados os valores de pagamentos referentes a matriz e a filial, tendo sido lançado o valor referente à folha de pagamento pelo total” (a autoridade fiscal junta aos autos cópia do Livro Razão às fls. 436 a 774, demonstrando o alegado). Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 7 11 13.2. A matéria em julgamento, portanto, não demanda conhecimento técnico específico que não seja da competência da autoridade julgadora. Com efeito, como ensina Antônio da Silva Cabral, a perícia “supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo”. E acrescenta que “antes de tudo, portanto, é necessário que o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto”, não sendo este o caso, todavia. 13.3. Por outro lado, nos termos do art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (necessária a formulação de quesitos e a indicação do nome, endereço e qualificação profissional do seu perito, o que não ocorreu no caso presente). 13.4. Há que esclarecer, ainda, que a prova pericial não é substitutiva do ônus que possui a Impugnante de provar suas alegações. Assim, ante a conduta da Contribuinte, que do seu ônus não se desincumbiu, por considerar prescindível a realização de perícia e por não atender aos requisitos legais, rejeitase o pedido, com base no art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. O fato de o Colegiado a quo ter indeferido o pedido de realização de desnecessária perícia ou mesmo para a apresentação de provas fora do prazo estabelecido na legislação não implica preterição do direito de defesa como tenta fazer crê a recorrente. Trata se de decisão pautada nas disposições normativas que tratam do tema. Sobre os artigos da Portaria MPAS nº 357/2002, suscitados na peça recursal, embora não acudam a recorrente por fazerem referência à “faculdade” atribuída ao julgador administrativo para determinar, de ofício, a realização das perícias que entender necessárias, deveria saber o representante da apleante que, nos termos do art. 25 da Lei nº 11.457/2007, a norma aplicável ao Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive no que diz respeito às contribuições previdenciárias e às destinadas a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiros”, é, desde 1º/03/2008, o Decreto nº 70.235/1972. De igual modo, inaplicável ao presente caso a redação do art. 17 do citado Decreto nº 70.235/1972 reproduzida no recurso voluntário, cujo texto foi alterado ainda em 1997 e também do art. 19 de referida norma, que se encontra revogado desde 1993. Relativamente à assertiva aventada no apelo recursal de que a negativa de produção de prova pericial não teria sido fundamentada, “culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica”, o trecho da decisão fustigada que acima se reproduziu evidencia carecer de razão essas alegações, eis que demonstra claramente os fundamentos da decisão da DRJ/CTA. No que respeita a aplicação da multa mais benéfica, é possível que a recorrente não tenha se dado conta, mas não houve qualquer alteração legislativa que ensejasse da aplicação do art. 106, II, “c” do CTN. Muito menos houve na decisão recorrida referência quanto à necessidade de se “adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica”. Dessarte, tendo em vista o indeferimento de perícia e de apresentação de novas provas requeridas na impugnação encontrarse respaldado na legislação disciplinadora do PAF, não se verifica nenhuma ofensa a princípios constitucionais como o da ampla defesa, Fl. 942DF CARF MF 12 do contraditório ou da legalidade. Tampouco existem elementos que possam levar à decretação de nulidade do acórdão atacado. Ademais, pelas razões acima expostas, indefiro o pedido de perícia reiterado no recurso voluntário, assim como o requerimento para a produção de provas extemporâneas, tendo em conta que, a menos que reste demonstrada uma das situações previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que não é o caso, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Nulidade da Decisão Recorrida por Falta de Fundamentação da Decisão Recorre o sujeito passivo ao inciso IX do art. 93 da Constituição com o intuito de demonstrar que o decisum de primeira instância administrativa carece de fundamentação. Consoante aduz, “a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e repisar (sic) sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma”. Ainda segundo alega, a presente cobrança é completamente descabida, não encontrando amparo legal que confira suporte aos seus fundamentos e que este argumento não foi analisado na decisão recorrida. Mais uma vez a contribuinte busca fundamentar sua discordância em relação ao julgamento de primeira instância administrativa a partir de normas inaplicáveis ao PAF. O art. 93 da Constituição encontrase inserido no seu Capítulo III, “Do Poder Judiciário”, ou seja, referido dispositivo está direcionado à atuação daquele Poder no julgamentos das lides judiciais. A respeito do art. 27 do ato denominado “Portaria nº 148/96” (reproduzido no apelo da contribuinte), vêse tratarse da Portaria Ministro de Estado do Trabalho MTB Nº 148, de 25, de janeiro de 1996 (publicada no DOU de 26/01/1996). Deveria o responsável pela defesa do sujeito passivo saber que esse ato normativo não tem aplicação no âmbito do Ministério da Fazenda, ainda mais em se tratando de PAF, que segue rito próprio, disciplinado em lei específica. Somente com o fim de melhor esclarecer toda essa situação, a necessidade de motivação das decisões administrativas decorre dos princípios do contraditório e da ampla defesa, insculpidos no inciso LV do art. 5º da Constituição/1988. Em termos legais, é o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que estabelece a obrigatoriedade de que as decisões adotadas no âmbito do PAF sejam devidamente fundamentadas. Vejamos: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Além do mais, diferentemente do que afirma a recorrente, até mesmo em um exame perfunctório do acórdão vergastado é perceptível que a decisão nele contida encontrase perfeitamente fundamentada nas normas que se referem à infração e às penalidades dela decorrentes. Ocorre que o intento da apelante é de que o julgador administrativo se ponha “a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma” tributária, afastando sua aplicação, o que, conforme se verá mais adiante é vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, pelo art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF e pela Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória por este Colegiado. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 8 13 Sobre a alegação de falta de amparo legal da multa, em razão de sua previsão na Portaria Interministerial MPS/MF nº 350/2009, referido assunto será objeto de exame quando da análise do mérito da autuação, não sendo cabível qualquer digressão a esse respeito no presente tópico. Desse modo, não restando verificada a aduzida ausência de fundamentação ou ainda falta clareza na decisão de piso, afastase a presente preliminar, posto que as razões de decidir expostas no acórdão da DRJ/CTA mostramse assaz inteligíveis, inexistindo qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo ou mesmo ofensa ao princípio constitucional da moralidade administrativa. Nulidade por Falta de Clareza na Autuação Neste ponto, convém inicialmente asseverar que não somente o lançamento e as decisões administrativas necessitam ser fundamentadas, mas, de acordo com o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, também as razões trazidas na impugnação ou no recurso voluntário precisam evidenciar a motivação fática e os fundamentos jurídicos em que se acostam. Digo isso porque a reclamante discorre que o fato de se ter efetuado quatro lançamentos distintos em razão da mesma base de cálculo teria dificultado sobremaneira sua defesa, mas não aponta qualquer irregularidade no procedimento administrativo e nem ao menos os motivos que teriam acarretado o mencionado prejuízo ao contraditório ou à ampla defesa. Os lançamentos relacionados à obrigação principal (contribuições previdenciárias da empresa, contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e contribuição destinada a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiro”) têm, de fato, a mesma base de cálculo, que é a remuneração paga aos segurados empregados, mas isso está definido em lei. Já o auto de infração por falta de escrituração em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições da empresa, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, que em nada se confunde com as autuações pelo não recolhimento de tributos, estando, fundamentado em disposição legal diversa, o que torna recomendável que esse auto de infração conste de processo administrativo diverso. Vejase que, ao revés do que imagina a recorrente, inexiste a necessidade de demonstração, pela autoridade lançadora de diferenças entre valores informados em RAIS e GFIP para que a penalidade seja aplicada. A legislação de custeio previdenciário obriga a empresa a “lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos” e estabelece penalidade em razão do descumprimento dessa obrigação. E isso não se confunde com a apuração de divergências entre informações constantes em RAIS e GFIP. Não se pode olvidar ainda que todos os autos de infração estão apropriadamente fundamentados, carecendo de plausibilidade a tese de prejuízo à defesa, sendo natural e recorrente a adoção desse tipo de procedimento na esfera tributária. A sistemática adotada pela autoridade autuante não implica qualquer tipo de ilegalidade como sugerem as alegações recursais. Fl. 944DF CARF MF 14 Em outra esteira, o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 traz os requisitos para a lavratura de auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Analisandose o presente Auto de Infração, o Relatório Fiscal e seus demais anexos constatase que todos os requisitos previstos em lei para sua lavratura foram regiamente observados pela autoridade fiscal, verificandose completamente descabida a asserção recursal de que a autuação padeceria de vício de forma tendente a atrair a aplicação da Súmula nº 346 do STF, com a consequente anulação do lançamento. Não se vislumbra ainda a alegada falta de clareza no Auto de Infração e em seus anexos, acrescentandose ainda que o crédito foi constituído por servidor competente, a autuação encontrase devidamente motivada e dela consta a qualificação do sujeito passivo, a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e do período a que se refere, o valor do crédito tributário, o prazo para recolhimento ou impugnação, as disposições legais infringidas, a assinatura da autoridade autuante (com a indicação do seu cargo e do número de sua matrícula) e o local e a data de sua lavratura. Tudo em conformidade com a disciplina legal. Dito isso, rejeito preliminar de nulidade do lançamento. Ciência do Resultado do Julgamento no Endereço dos Representantes Legais da Recorrente Com relação à ciência do resultado do julgamento, cumpre esclarecer que essa é feita na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, onde não se inclui a notificação do representante legal do recorrente, razão pela qual indefiro o pedido. MÉRITO Infração e Multa Aplicada O art. 32 da Lei nº 8212/1991 estabelece inúmeras obrigações às empresas empregadoras, estando entre elas a de “lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos”. Vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 9 15 I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; II – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; V –(VETADO) VI – comunicar, mensalmente, aos empregados, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, os valores recolhidos sobre o total de sua remuneração ao INSS. Ao regulamentar o inciso II do art. 32, acima transcrito, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.004/1999, dispõe: Art.225. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; [...] § 15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Fl. 946DF CARF MF 16 I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. [...] A despeito das disposições normativas colacionadas, a empresa deixou de lançar em títulos próprios da contabilidade, de forma individualizada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, em afronta à Lei de Custeio e ao RPS. De acordo com o Relatório Fiscal, no que não foi contestado pelo sujeito passivo: 6. A empresa não lançou em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos como pode ser verificado no livro razão de 2007, nas competências 01 e 12/2007, na conta 13872 "Custos de Serviços Vendidos", onde estão lançados os valores referentes aos pagamentos realizados aos segurados empregados da matriz e da filial e que se encontram prestando serviço nos tomadores de serviço da empresa. Nessa conta foram lançados os valores referentes à provisão de férias, não tendo sido lançados de maneira discriminada os valores referentes a pagamento de férias trabalhadas e indenizadas, bem como não foram lançados os valores referentes a rescisões de contrato de trabalho discriminando as parcelas indenizatórias. Não estão discriminados também os valores de pagamentos referentes a matriz e a filial, tendo sido lançado o valor referente à folha de pagamento pelo total. Ao adotar esse tipo de procedimento, incorreu a recorrente em infração ao inciso II do art. 32 da Lei 8.212/1991, sujeitandose à penalidade pecuniária prevista no art. 92 dessa lei, reajustada na forma de seu art. 102: Art.92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art.102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001 (Sem grifos no original) Em relação à multa aplicada ao presente caso, dispõem o art. 283 do RPS: Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 10 17 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; [...] Apercebase que o art. 92 da Lei nº 8.212/1991 estabelece uma faixa de valores de multas em face do descumprimento da legislação previdenciária de custeio e atribui ao Regulamento a definição da sistemática de aplicação da multa. O RPS, por seu turno, prevê a gradação das multas conforme a gravidade da infração e considera a reincidência como fator apto a elevar o seu valor. Senão vejamos a disciplina trazida nos arts. 290 e 292 do Regulamento: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: IV – a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; (Grifei) Embora a contribuinte alegue que não restou comprovada a ocorrência de reincidência que pudesse dar azo ao agravamento da penalidade, visto que “as suas autuações anteriores não versavam sobre a mesma matéria, e assim não há que se falar em reincidência Fl. 948DF CARF MF 18 e perda do caráter de primariedade”, o Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 37/38) traz os seguintes esclarecimentos: Através de pesquisa realizada no Sistema de Cobrança SISCOB, verificamos que a autuada incorreu em reincidência genérica pelo fato de ter infringido dispositivo legal diverso dos infringidos em procedimento fiscal anterior, dentro do prazo de 5 (cinco) anos. Na fiscalização anterior foram emitidos os Autos de Infração CFL 30, pago em 24/09/2008 e o CFL 38, transitado em julgado em 09/10/2009. (Documentos em anexo) Não restam dúvidas de que houve o cometimento de infração à legislação previdenciária no período de cinco anos da presente autuação e os documentos de fls. 775/776 fazem prova dessa informação. Tanto assim que a recorrente não contesta tal fato, alegando somente que “as autuações anteriores versavam sobre outras matérias”. Por outro lado, e diferentemente do que se aduz no recurso voluntário, o acórdão recorrido não faz qualquer alusão ao cometimento de infração de mesma natureza nos 5 (cinco) anos anteriores ao do presente auto de infração, mas sim de reincidência genérica pelo fato de o sujeito passivo “ter infringido dispositivo legal diverso”. Observese que as infrações apuradas em procedimento fiscal anterior são relativas a não informação de remunerações de segurados da Previdência Social em folha de pagamento e por não apresentação de documentos solicitados no curso de procedimento fiscal, ou seja, tratamse de infrações diferentes, razão pela qual a multa foi elevada em duas vezes, nos termos da parte final do inciso IV do art. 292 do RPS. Tivéssemos diante de infração idêntica a aqui examinada, a multa seria elevada não em duas, mas em três vezes, consoante previsto na parte inicial do mesmo dispositivo. Desse modo, constatada que a ocorrência de reincidência genérica, correta a autuação fiscal ao majorar o valor da multa e a decisão a quo em reconhecer acertado o cálculo levado a efeito pela autoridade autuante em razão da perda da primariedade da recorrente. De se notar ainda que ao estabelecer que os valores expressos em moeda corrente serão reajustado com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, a Lei de Custeio (art. 102) adotou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC para reajuste da multas por descumprimento de obrigação acessória previdenciária. A aplicação desse índice encontrase prevista no art. 41 A da Lei nº 8.213/1991: Art. 41A. O valor dos benefícios em manutenção será reajustado, anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do último reajustamento, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC, apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (Grifei) Repare que os benefícios de prestação continuada e consequentemente as multas por descumprimento de obrigações previdenciárias acessórias são reajustados em virtude de índice definido em lei e não em ato infralegal como deduz a apelante. A Portaria Interministerial prestase tãosomente a anunciar o índice de correção previamente definido ato legal. Inexiste, pois, a ilegalidade aduzida no apelo recursal. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 11 19 Aliás, da ementa da Portaria Interministerial MPS/MF nº 350/2009, é fácil constatar que referido ato “Dispõe sobre o salário mínimo e o reajuste dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social – RPS”, onde encontramse as multas por descumprimentos de obrigações previdenciárias, e não somente do reajuste do saláriomínimo como infere a recorrente. Assim, tendo sido observados todos os normativo que dão suporte à aplicação e determinação do valor da multa, não assiste razão à recorrente quanto a existência de incorreções no procedimento fiscal possam motivar sua anulação. Entrega de Documentos com Conteúdo Similar Reproduz a apelante os arts. 231 a 233 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.004/1999, no intuito de demonstrar que o objetivo de tais dispositivos é possibilitar ao Fisco o controle das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas, “justificando a sanção apenas nos casos de ausência de apresentação do documento ou quando este contenha informações que não correspondem à realidade”. Aduz que mesmo que a empresa não apresente determinado documento no curso de procedimento fiscal, caso demonstre por outro meio concreto a veracidade das informações relativas às contribuições previdenciárias, não há que se falar em sanção, pois o objetivo do RPS estaria sendo cumprido. Ainda de acordo com o sujeito passivo: 53 Tal entendimento encontrase embasado, ainda, em razões principiológicas, especificamente no princípio da verdade material que fundamenta qualquer espécie de procedimento administrativo em quaisquer das esferas federadas do território brasileiro. 54. Por decorrência de tal princípio, as formalidades legais deverão ser relegadas a segundo plano quando em confronto com o conteúdo dos documentos, de modo que, ainda que fora do rigor da lei, há sempre que prevalecer a substância do documento sobre a forma. Sem razão a recorrente. Os §§ 2º e 3º do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, trazem disciplina geral acerca das obrigações tributárias acessórias: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 950DF CARF MF 20 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Consoante o § 2º do art. 113 do CTN, as obrigações acessórias tratamse de encargos (prestações positivas ou negativas) decorrentes da legislação tributária, urdidos com o desígnio de garantir a arrecadação e facilitar a fiscalização dos tributos. Ao descumprir determinada obrigação acessória, o contribuinte acaba por obstar a atuação da Administração Tributária no cumprimento de seu mister de garantir o financiamento do Estado. Asseverese que, nos termos do § 3º acima, pela simples inobservância da obrigação acessória, essa convertese em principal, dando origem à obrigação pecuniária estabelecida em lei. Assim, completamente desprovida de razão a asserção recursal de que essas obrigações constituem meras formalidades legais a serem relegadas a segundo plano”. Tratamse de obrigações consideradas necessárias à atuação da Administração Tributária que, uma vez descumprida, suscitam a necessária imposição da sanção correspondente. De outro modo, essa visão distorcida de que o princípio da verdade material justificaria o afastamento de penalidade derivada de lei não encontra amparo em nosso sistema constitucional, no CTN ou nas normas legais que disciplinam a matéria em litígio. Ao não atender os requisitos legais atinentes à escrituração contábil de fatos relacionados às contribuições previdenciárias, a recorrente criou embaraço à atuação do Fisco o que legitima/obriga a imposição da norma sancionatória. O fato de ter entregue, como aduz, outros documentos (folha de pagamento, GFIP e RAIS) com as informações registradas em desacordo com a legislação previdenciária na contabilidade não tem o condão de eximir a apelante de referida obrigação legal ou de isentála da multa corretamente aplicada em decorrência da autuação. A respeito do pedido para que “seja considerada a juntada da folha de pagamento anexa a esta peça como correção da falha, o que resulta na relevação da multa e assegurado (sic) no art. 291, §1°, do Regulamento da Previdência Social, e, por conseqüência, na EXTINÇÃO do débito ora perseguido”. Primeiramente, a apresentação de folha de pagamento, repitase, não supre a obrigação de escriturar em títulos próprios da contabilidade da empresa, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Além do que, os requisitos previstos na norma para a relevação da multa (correção da falta e primariedade do autor) não foram cumpridos. E mais, o artigo do RPS ao qual sujeito passivo faz referência encontrase revogado. Enriquecimento Ilícito Sobre o alegado enriquecimento ilícito do Fisco, tal inferência não encontra sustentação nos elementos que integram os autos, tendo em vista que, diferentemente do que afirma a recorrente, a autuação foi efetuada de conformidade com a lei e a penalidade, dita despropositada, da mesma forma, provém das normas legais que regem a matéria. Âmbito Constitucional das Decisões Administrativas O sujeito passivo dedica boa parte de seu apelo para defender que o julgador administrativo está obrigado a apreciar questões afetas as aspectos constitucionais das normas relacionadas ao processo administrativo fiscal. No seu entender: 69. As decisões devem se revestir de plena juridicidade, atendendo aos requisitos extrínsecos e Intrínsecos, indispensáveis à validade do ato administrativo, em razão do que têm que examinar o ordenamento jurídico aplicável às contendas Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 12 21 que lhes são submetidas à analise, principalmente a sua adequação aos ditames constitucionais. 70. Não devem ficar vinculadas e adstritas a determinados campos normativos (leis complementares, ordinárias, regulamentos, etc), nem obedecer cegamente às orientações internas das Fazendas, no caso desses preceitos encontraremse eivados de inconstitucionalidade. Não obstante os argumentos trazidos no apelo recursal, a teor art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos elencados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Fl. 952DF CARF MF 22 Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em vista das normas processuais reproduzidas acima, vêse que não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de atos legais ou regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Sem razão a recorrente. Caráter Confiscatório da Multa Aplicada A partir do exame do Auto de Infração e seus anexos, verificase que a autoridade autuante pautouse nas disposições legais relativas à matéria para a determinação da multa aplicada. Do mesmo modo, já se esclareceu que o CARF não tem competência para afastar a aplicação de lei ou decreto sob a alegação de inconstitucionalidade. De mais a mais, a vedação ao confisco referida no texto constitucional é regra dirigida ao legislador, e que deve ser observada por ocasião da elaboração das leis. À autoridade administrativa cabe aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. De outra parte, restou comprovado alhures que a apelante infringiu dispositivos legais diversos daqueles que deram azo à presente autuação dentro dos 5 (cinco) anos anteriores à lavratura do Auto de Infração em litígio, o que impõe a imposição da multa elevada em 2 (duas) vezes, nos estritos termos do inciso IV do art. 292 do RPS. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10580.724725/201047 Acórdão n.º 2402006.082 S2C4T2 Fl. 13 23 Em virtude disso, nego provimento ao recurso também nessa parte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso para, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 954DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000609/2005-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a existência de omissão no julgado, acolhem-se os embargos de declaração a fim sanar o vício.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-006.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração e, no mérito, por maioria de votos, em acolhê-los para, rerratificando o Acórdão nº 9303-005.313, de 25 de julho de 2017, sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram e deram provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de omissão no julgado, acolhemse os embargos de declaração a fim sanar o vício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração e, no mérito, por maioria de votos, em acolhêlos para, rerratificando o Acórdão nº 9303005.313, de 25 de julho de 2017, sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram e deram provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 09 /2 00 5- 63 Fl. 452DF CARF MF Processo nº 11065.000609/200563 Acórdão n.º 9303006.303 CSRFT3 Fl. 453 2 convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em face do Acórdão 9303 005.313, com base no pressuposto regimental da omissão (art. 65, § 1º, I, do RICARF). Conforme se verifica no despacho de admissibilidade, o recurso especial do contribuinte foi integralmente admitido. Isso significa que a CSRF deveria ter se manifestado sobre as seguintes questões: a) incidência da contribuição sobre os valores relativos à cessão onerosa de créditos do ICMS; e b) correção monetária do ressarcimento da contribuição pela taxa Selic. Ocorre que o acórdão recorrido só se manifestou sobre a questão da incidência da contribuição sobre os valores resultantes da cessão onerosa de créditos do ICMS, omitindose quanto à correção pela taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. Conforme se verifica no despacho de admissão dos embargos, no momento da formalização do acórdão foi constada a omissão quanto à apreciação da questão da correção do ressarcimento pela taxa Selic. Essa divergência jurisprudencial é de rápido deslinde. É que há expressa disposição legal sobre a matéria no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. O art. 15, inc. VI, da lei acima citada estendeu a vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS. Assim, em estrita observância do princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que manteve o indeferimento ao Fl. 453DF CARF MF Processo nº 11065.000609/200563 Acórdão n.º 9303006.303 CSRFT3 Fl. 454 3 pedido de atualização monetária do ressarcimento, e negar provimento ao recurso especial do contribuinte nesta parte. Com esses fundamentos, acolho os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e, no mérito, por negar provimento ao recurso especial quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 454DF CARF MF
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