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Numero do processo: 10880.730153/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PAF. É da competência do Primeira Seção do CARF o julgamento de matéria decorrente de lançamento de oficio, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva, Procurador da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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É da competência do Primeira Seção do CARF o julgamento de matéria decorrente de lançamento de oficio, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva, Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 01 53 /2 01 2- 12 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, EDUARDO JOSÉ DE FARIAS, foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 8, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), relativamente ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 13.967.968,63, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 28/09/2012, perfazendo um crédito tributário total de R$ 31.651.416,91. A ação fiscal foi iniciada por meio do termo de início de fls. 18 a 19, para apresentação de esclarecimentos e documentos relativos à situação fiscal no ano calendário de 2007, e às variações patrimoniais ocorridas junto à Administradora Baía Formosa S.A, CNPJ 08.104.051/000175, à Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, CNPJ 02.414.858/000128 e à Legacy Veículos Ltda, CNPJ 07.591.836/000157. Conforme cartaresposta de fls. 21 a 25, o contribuinte apresentou documentos, entre eles a 7ª (fls. 40 e 123 a 150) , a 11ª (fls. 63 a 74), a 12ª (fls. 75 a 85) e a 13ª (fls. 108 a 119), alterações contratuais da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, a ata da assembleia geral da Administradora Baía Formosa de 30/06/2007 (fls. 99 a 107) e o contrato social da Legacy Veículos Ldta (fls. 151 a 166). De acordo com a 11ª alteração contratual da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda ocorrida em 28/06/2007, o capital social da empresa teria sido elevado de R$ 494.539,00 para R$ 107.593.000,00, sendo R$ 13.334.282,73 em razão da incorporação de reservas de capital e R$ 93.764.178,27 em razão da incorporação de lucros acumulados (fls. 65). Em razão da referida alteração, a participação societária do contribuinte, mantida no percentual de 99,7434%, teria sido elevada de R$ 493.270,00 para R$ 107.316.916,00 (fls. 65 a 66). De posse da referida documentação a fiscalização emitiu o termo de constatação de fls. 167 em que relata ter havido, por meio de procedimento fiscal autônomo, a glosa do aumento do capital social da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, no valor de R$ 93.764.178,27, entendendo assim deva haver o correspondente ajuste do valor da participação societária do contribuinte. Em atendimento o fiscalizado forneceu os esclarecimentos de fls. 169 a 172, anexando a primeira folha do recurso voluntário interposto pela Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda (fls. 179) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais contra a decisão de primeira instância administrativa proferida no julgamento da ação fiscal levada a efeito sobrea empresa acima mencionadas. A autoridade fiscal, então, lavrou o auto de infração de fls. 2 a 8, em virtude de ter sido constatada a seguinte infração, conforme descrita no relatório de encerramento de ação fiscal de fls. 187 a 190: – ganho de capital na alienação de bens e direitos (omissão de ganho de capital no valor de R$ 93.119.790,90 no ano calendário de 2007 , fato gerador em 07/2007). Cientificado do lançamento em 25/10/2012, fls. 195, e não concordando com a exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 197 a 234, alegando em síntese que: Fl. 602DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202002.661 S2C2T2 Fl. 3 3 – que o lançamento é nulo por vício formal, em razão de fundamentação legal inadequada e da incorreta identificação dos fatos, pois o processo fiscalizatório não foi conclusivo. que a fiscalização se valeu das supostas constatações fiscais resultantes da autuação referente à Vale verde Empreendimentos Agrícolas (Vale Verde), em que foram glosados valores contidos na conta de lucros acumulados, sem especificar quais os fundamentos pelos quais os valores lançados na conta da empresa não foram considerados. Que naquele procedimento fiscal a autoridade administrativa partiu de um valor de lucros acumulados arbitrado sem qualquer lógica ou razão expressa para o ano de 2006, desconsiderando todos os lucros auferidos entre 2003 e 2005, exercícios em que a Vale Verde havia apurado IRPJ com base no lucro presumido. que, no caso, a própria fiscalização registrou, em seu termo de encerramento (item III, pág. 7) lucros acumulados em dezembro de 2006 no valor de R$ 93.764.178,27. Todavia, sem qualquer explicação plausível e sem nenhuma demonstração aritmética, partiu de um lucro no valor de R$ 12.269.656,19 neste mesmo mês, desconsiderando os lucros acumulados no montante de R$ 81.163.996,38. que a Vale Verde mantém duas formas de escrituração de sua atividade econômica, uma para fins societários e outra para fins tributários, do que decorre a apuração de dois resultados distintos: o contábil e o fiscal. que a opção pela tributação pelo lucro presumido não elimina os lucros acumulados da contabilidade da empresa e no entanto a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27. Logo, não há ganho de capital tributável , visto que não cabe falar em inexistência dos valores lançados na conta de lucros acumulados da escrituração da Vale Verde. que no sentido de demonstrar a improcedência da autuação sobre a Vale Verde, conforme auto de infração protocolado sob processo nº 10480.731156/201103, a defesa expõe as razões contidas nos subitens que da ausência de demonstração clara e inequívoca na análise da conta de lucros e prejuízos acumulados na empresa Vale Verde (fls. 214 a 218), e III.2.1.B – Da impropriedade da tributação dos ajuste credores – postergação e efeitos no tempo (fls. 218 a 220). que o procedimento fiscal assim realizado, ainda que mais simples e célere, afronta diversos princípios constitucionais tributários, com destaque para os princípios do contraditório, da ampla defesa, da legalidade e da segurança jurídica. Que, em razão de o lançamento ser ato administrativo vinculado, como exigido pelo art. 142 do CTN, e em razão do princípio da Fl. 603DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 legalidade, previsto nos arts. 5º, II, e 150, I, ambos da CF/1988, e no art. 9º, I, do CTN, é necessária a adequação dos fatos ocorridos a um tipo legal específico. Que o auto de infração impugnado encontrase eivado de capitulações vagas e imprecisas ferindo, portanto, o princípio da tipicidade fechada. que o lançamento é nulo por vício formal, igualmente, pois o autuado apresentou sua declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (doc. 13 de fls. 386 a 397) relativa ao anocalendário de 2007, com todas as informações corretas, tendo pago integralmente o imposto apurado, e no entanto foi imputada ao impugnante cobrança de IRPF que se baseia em acervo probatório decorrente de fiscalização do IRPJ e da CSLL; que a nulidade do lançamento por vício formal decorre aditivamente da utilização de prova emprestada do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103. que não houve, em relação ao IRPF, procedimento fiscalizatório conclusivo, pois o lançamento está baseado exclusivamente em ação fiscal levada a efeito junto à Vale Verde, objeto do mandado de procedimento fiscal nº 04.2.01.002011018977 (doc. 08), sem que o impugnante jamais tenha sido intimado para responder às indagações do agente fiscal durante aquele procedimento. que a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27, que acabou por ocasionar o indevido lançamento, evidenciando a precariedade das provas. Cita jurisprudência administrativa em favor de sua alegação. que o vício formal torna nulo o lançamento, ainda,porque o impugnante espera o cancelamento do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103, tornandose questão “prejudicial ao lançamento ora impugnado, de maneira que, se cancelado, o presente lançamento perde seu substrato legal de validade, devendo por conseguinte, ser igualmente cancelado” (fls. 209). que a Vale Verde apresentou defesa administrativa, processo nº10480.731156/201103, ainda não definitivamente julgada, obstando a definitividade do lançamento contra ela efetuado. Logo, se aquela autuação é prejudicial a esta, e se ela for cancelada, o lançamento ora impugnado também deverá seguir a mesma sorte; que operouse a decadência do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário referente a julho de 2007, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, e do art. 146, III, ‘b’, da CF/1988, visto que o contribuinte somente foi cientificado em 25/10/2012. que o fato gerador dos ganhos de capital considerase ocorrido no mês da alienação e se submete à tributação em separado, não integrando o imposto de renda na declaração de ajuste anual, nos termos do art. 18, §2º, da Lei nº 8.134/1990, do art. 21, §2º, Fl. 604DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202002.661 S2C2T2 Fl. 4 5 da Lei nº 8.981/1995 e do art. 117, §2º, do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda. que, tratandose de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos se inicia na data da ocorrência do fato gerador conforme art. 150, §4º do CTN, não se aplicando ao caso o dies a quo previsto no art. 173, I, do citado Código. que já houve pagamento parcial do imposto de renda pessoa física pelo impugnante relativamente ao anocalendário de 2007, no valor de R$ 17.145,91, de modo que eventual lançamento do IRPF no mesmo ano deverá ser considerado residual, aplicando se, portanto, a regra prevista no já mencionado §4º do art, 150 do CTN. Transcreve jurisprudencial judicial e administrativa nesse sentido; – que, ainda que por absurdo não seja reconhecida a improcedência do lançamento relativo à Vale Verde, não cabe falar na existência de ganhos de capital na operação societária realizada pelo contribuinte, pois não houve a desconsideração do valor proveniente da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados utilizado para aumento do capital social da Vale Verde como informado pela própria fiscalização. que, se o recurso voluntário interposto pela Vale Verde for considerado procedente, a decisão terá reconhecido que o valor de R$ 93.764.178,27 representa lucros acumulados da sociedade, afastando a tributação da pessoa jurídica e, consequentemente, da pessoa física, pois o patrimônio da Vale Veserá aquele registrado em sua contabilidade. que se, por outro lado, referido recurso voluntário for julgado improcedente, será mantida a tributação sobre o valor de R$ 93.764.178,27, de modo que o patrimônio da Vale Verde será igualmente aquele registrado em sua contabilidade. – que a exorbitante multa de ofício aplicada, no percentual de R$ 75% do imposto, no valor de R$ 10.475.976,47, possui caráter confiscatório e desproporcional. que a multa exigida afronta o princípio do não confisco insculpido no art. 150, IV, da CF/1988, como se depreende da leitura das decisões do STF e do STJ sobre a matéria. que, ademais, a multa exigida com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, visa à coibição de atos infracionais lesivos ao erário. que, em face de a autuação ter por base o lançamento fiscal ainda não definitivo em nome da Vale Verde, contra o qual foi interposto recurso voluntário pendente de julgamento no CARF representando, portanto, crédito tributário com exigibilidade suspensa, conforme art. 151, III, do CTN, ainda não se pode falar em ato lesivo por parte do impugnante capaz de tipificar a penalidade. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 que, enquanto não definitivamente julgada a validade do ato que ensejou a tributação da pessoa jurídica, o Fisco teria o dever de proceder ao lançamento na pessoa física visando exclusivamente à prevenção da decadência, sem a incidência da multa nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1996; A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de participações societárias, considerandose como custo de aquisição o aumento de capital por incorporação de reservas, no que corresponder ao sócio beneficiário, desde que devidamente contabilizado e tributado do na pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. LEGALIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa calculada sobre o valor do tributo devido, no percentual de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento decorrente de falta de declaração e de declaração inexata. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O afastamento da penalidade pressupõe a prévia suspensão da exigibilidade do crédito lançamento por meio da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, ou ainda, do depósito integral do respectivo crédito, circunstâncias que, quando inexistentes, não permitem a não incidência da multa. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. PROVA EMPRESTADA. É lícito à autoridade fiscal valerse de informações colhidas e das conclusões produzidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer e sejam levadas ao conhecimento do sujeito passivo dandolhe oportunidade para sobre elas se manifestar. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202002.661 S2C2T2 Fl. 5 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 Ementa: NULIDADE. VÍCIOS NO LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Indeferese o pedido de realização de diligência quando desatendidos os requisitos legais previstos na sua solicitação. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. LANÇAMENTO. AGRAVAMENTO. COMPETÊNCIA. Não havendo competência proceder ao agravamento da autuação em sede de julgamento administrativo tributário, nos termos do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser mantido o valor lançado equivocadamente a menor registrado no auto de infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal nem para o sobrestamento, nem para o julgamento conjunto de processos, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 607DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais, destacando os seguintes aspectos no final de seu recurso. Do auto de infração lavrado em nome da pessoa jurídica, Vale Verde, e sua importância neste processo; Da decadência do direito de lançar, destacando que o prazo deve começar da dato do fato gerador. Indicando que não é caso da incidência do art, 173, I, do CTN. Recorda que o fato gerador ocorreu em 30/06/2007 e a ciência em 25/10/2012; Das nulidade e vícios do lançamento. Reforçando que a fiscalização não utilizou do necessário processo fiscalizatório conclusivo; Caberia a fiscalização detalhar neste processo o por que os valores lançados na conta lucros acumulados da Vale Verde não foram considerados no trabalho fiscal, bem como, demonstrar detidamente seu impacto na operação de aumento de capital; Da inexistência de ganho de capital na pessoa física – pela impropriedade da glosa da conta lucros acumulados da Vale Verde; Do ganho de capital e sua inexistência; Da não aplicação da multa de ofício A Fazenda Nacional apresenta contrarazões as fls. 566 a 584, com vista a manter o lançamento que não houve antecipação do pagamento do tributo, de modo que não deve ser acatada a preliminar de decadência. que inexiste nulidade, quanto ao argumento de que o auto de infração seria nulo, pois lavrado com utilização exclusiva de prova emprestada do auto de infração emitido contra a Vale Verde, há que se registrar que a fiscalização encaminhou ao contribuinte Termo de Início de Fiscalização, solicitando esclarecimentos e documentos relativos às variações patrimoniais ocorridas junto à Administradora Baía Formosa S.A, à Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda e à Legacy Veículos Ltda, no ano calendário de 2007, o que, por si só, já afasta a alegação de que não houve procedimento autônomo de fiscalização contra o recorrente; no que concerne às questões suscitadas pelo recorrente quanto ao mérito da autuação levada a efeito na Vale Verde, , cuidase de matéria que não pode e não deve ser discutida no presente julgamento, por falecer competência a esta c. turma julgadora para tanto. O local apropriado para que se adentre no mérito da autuação contra a Vale Verde é o processo 10480.731156/201103, onde serão analisadas todas as questões por ventura suscitadas pela empresa autuada. que a autuação se deu em virtude de ter havido, por parte da fiscalização, a glosa no valor do custo de aquisição das quotas da Vale Verde de propriedade do recorrente que, para o contribuinte, seria de R$ 106.339.132,00 e, para a autoridade fiscal, seria de R$ 12.815.552,49. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202002.661 S2C2T2 Fl. 6 9 que de acordo com a autoridade lançadora, o aumento do capital social pela integralização do saldo da conta lucros acumulados, no valor de R$ 93.764.178,27, não seria possível, uma vez que o saldo da referida conta apresentava prejuízos acumulados. que a inexistência de lucros acumulados passíveis de incorporação na conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados” da Vale Verde foi comprovada com base em ajustes efetuados na referida conta, promovidos em procedimento fiscal autônomo, conforme processo nº 10480.731156/201103. que como o recorrente alienou à Administradora Baía Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, a fiscalização considerou ter havido um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90, que não foi oferecido à tributação. que é inegável a existência de alienação na operação pela qual o recorrente cedeu suas cotas no capital social da Vale Verde para a empresa Baía Formosa, tendo recebido em troca ações dessa mesma empresa, que tinham valor superior ao custo de aquisição das cotas cedidas. No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros. Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). que conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. Na hipótese, contudo, como não havia a reserva de lucros utilizada pelos sócios da Vale Varde para aumento de capital, o custo de aquisição das cotas jamais foi aumentado no montante defendido pelo recorrente. É o relatório. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso foi incorretamente encaminhado a esta Seção do CARF, pois ele seria decorrente de procedimento fiscalizatório realizado na pessoa jurídica. A autuação se deu em virtude de ter havido, por parte da fiscalização, a glosa no valor do custo de aquisição das quotas da Vale Verde de propriedade do recorrente que, para o contribuinte, seria de R$ 106.339.132,00 e, para a autoridade fiscal, seria de R$ 12.815.552,49. De acordo com a autoridade lançadora, o aumento do capital social pela integralização do saldo da conta lucros acumulados, no valor de R$ 93.764.178,27, não seria possível, uma vez que o saldo da referida conta apresentava prejuízos acumulados. Dada a inexistência de lucros acumulados passíveis de incorporação na conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados” da Vale Verde foi comprovada com base em ajustes efetuados na referida conta, promovidos em procedimento fiscal autônomo, conforme processo nº 10480.731156/201103. Uma vez que recorrente alienou à Administradora Baía Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, a fiscalização considerou ter havido um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90, que não foi oferecido à tributação. A título de ilustração se aponta o Termo de Constatação fiscal deste auto de infração as fls. 176: Cabe registrar que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202002.661 S2C2T2 Fl. 7 11 Dispõe o Regimento Interno do CARF, baixado pela Portaria MF 256, de 22/7/2009: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ....(grifo nosso) Nesse contexto entendo, que esta Turma não seria a Competente para julgar o referido processo, dado que este decorreu de procedimento implementado quando da fiscalização da pessoa jurídica. Desse modo, voto pelo não conhecimento do recurso, que deve ser encaminhado à Primeira Seção de Julgamento do CARF. É como voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez . Fl. 611DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 19814.000145/2005-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2005
VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. ROUBO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO.
O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, às condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. ROUBO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, às condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 01 45 /2 00 5- 87 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000145/200587 Acórdão n.º 9303003.524 CSRFT3 Fl. 165 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de segunda instância, que passo a transcrever. Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma da DRJ Florianópolis (SC)1 que julgou procedentes os lançamentos: (1) do imposto de importação, acrescido de multa proporcional (50%)2; (2) do imposto sobre produtos industrializados (IPI) na importação; (3) da contribuição para os programas de integração social e de formação do patrimônio do servidor público incidente na importação de produtos estrangeiros ou serviços (PISPASEP importação); (4) da contribuição social para o financiamento da seguridade social devida pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior (Cofinsimportação). A ciência dos lançamentos ao preposto da sociedade empresária se deu no dia 29 de abril de 2005 [3]. Segundo a denúncia fiscal a exação decorre da vistoria aduaneira documentada no termo de folhas 27 e 28, assistida por representantes do importador, da companhia seguradora e da pessoa jurídica depositaria, na qual restou constatado o extravio de parte das mercadorias descritas nas adições da Declaração de Importação (DI) 05/03891317, registrada em 15 de abril de 2005 [4]. Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório às folhas 35 a 40, com duas razões destacadas: configurado bis in idem, porque os tributos já teriam sido recolhidos no momento do registro da DI; e denúncia espontânea da infração. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/06/2003 [sic] EXTRAVIO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE Cabe ao responsável pelo extravio de mercadorias, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos aduaneiros. Lançamento Procedente 1 Acórdão recorrido acostado as folhas 67 a 69 (frente e verso). 2 Base legal da multa: Regulamento Aduaneiro 2002, artigo 628, inciso III, alínea "d". 3 Notificação de lançamento acostada à folha 32 4 Boletim de ocorrência policial às folhas 17 a 21, emitido em 18 de abril de 2005, às 8h59. Ocorrência: sequestro seguido de roubo. Comunicado do sinistro ao importador em 26 de abril de 2005 (folhas: 22; 23; e 69, quinto parágrafo). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000145/200587 Acórdão n.º 9303003.524 CSRFT3 Fl. 166 3 Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 73 a 84. Nessa petição, requer exclusão de sua responsabilidade em face da caracterização de caso fortuito e força maior, sem culpa ou dolo da recorrente. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instancia administrativa5 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 102 folhas. Julgando o feito, a turma recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos sintetizados na ementa do acórdão que se transcreve a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. FALTA DE MERCADORIAS. ROUBO PRECEDIDO DE SEQUESTRO. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. Constitui motivo de força maior, excludente da responsabilidade do depositário, o roubo de carga sob sua guarda. Precedente da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça. É bastante para comprovar o roubo o registro da ocorrência policial não refutada por denúncia de comunicação falsa de crime nem desqualificada por culpa da vitima. Recurso Voluntário Provido. Insatisfeita com a decisão que lhe fora desfavorável, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 117 a 122, onde pugna pela reforma do julgado, sob o fundamento de que o roubo não afastaria a responsabilidade do depositário. O recurso foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 138 e 139. Por seu turno, a recorrida apresentou contrarrazões às fls. 150 a 160. É o relatório. 5 Despacho acostado à folha 102 determina o encaminhamento dos autos para o outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000145/200587 Acórdão n.º 9303003.524 CSRFT3 Fl. 167 4 O recurso é tempestivo e veio arrimado em paradigma que decidira situação semelhante em sentido diametralmente oposto ao do acórdão recorrido. Atendido os requisitos regimentais, devese conhecer do apelo fazendário. A controvérsia presente nos autos reside em saber se o alegado roubo de bens depositados poderia elidir a responsabilidade da depositária pelos tributos incidentes sobre a importação, lançados em decorrência de extravio de mercadorias apurado em procedimento de vistoria aduaneira, bem como da multa administrativa (art. 628, III, "d" do Decreto nº 4.543/2002) correspondente. A autoridade fiscal, para atribuir responsabilidade ao depositário pelo recolhimento dos tributos em questão, bem como pela multa aplicada em razão do extravio das mercadorias, valeuse do disposto no artigo 32 do DecretoLei n° 37/66, e nos arts. 104, II, 591 e 593 do Regulamento Aduaneiro de 2002 Decreto nº 4.543/2002 abaixo transcritos: DecretoLei nº 37/66 Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Decreto nº 4.543/2002 Art. 104. É responsável pelo imposto: ......................................................................................................... II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro (Decretolei no 37, de 1966, art. 32, inciso II, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o); ou ......................................................................................................... Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). ......................................................................................................... Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000145/200587 Acórdão n.º 9303003.524 CSRFT3 Fl. 168 5 A questão trazida a debate passa, necessariamente, pela definição do momento do fato gerador do imposto de importação, do IPI e das Contribuições lançadas e pelos fatores que excluiriam a responsabilidade do recorrente. O 6art. 1º do DecretoLei n° 37/66, a matriz legal do imposto de importação, determina que o fato gerador do referido imposto é a entrada da mercadoria estrangeira em Território Nacional, em consonância com o art. 19 do CTN. No mesmo sentido são as disposições insertas nos 7arts. 3º e 4º da Lei nº 10.865/2004, que criou a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a importação de bens e serviços. Ao seu turno, o 8art. 80 da Lei 10.833/2003 dispôs que, no caso de extravio ou avaria, considerase ocorrido o fato gerador do IPI, quando da apuração dessas circunstâncias, pela autoridade fiscal na vistoria. Incidindo os tributos aduaneiros já na entrada da mercadoria estrangeira no Território Nacional, a responsabilidade por seu não recolhimento cabe aos sujeitos determinados na pertinente legislação. O Regulamento Aduaneiro em vigor à época, expressamente, previa a responsabilidade do depositário pela falta de mercadoria sob sua custódia, respondendo pelo imposto de importação e multas cabíveis. Para afastar a responsabilidade tributária do depositário, o i. relator do acórdão recorrido entendeu que o roubo das mercadorias foi comprovado por Boletim de 6 DecretoLei nº 37/1966. Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) ............................................................................................. § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira.(Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 7 Lei nº 10.865/2004 Art. 3º O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou ............................................................................................. § 1º Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. Art. 4º Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: ............................................................................................ II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de bens constantes de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; 8 Lei nº 10.833/2003 Art. 80. O art. 2º da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar acrescido do § 3º, com a seguinte redação: "Art. 2º........................................................................... § 3º Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação." (NR) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000145/200587 Acórdão n.º 9303003.524 CSRFT3 Fl. 169 6 Ocorrência (B.O.), configurando a força maior que impediu o depositário de cumprir sua função de vigilância. O art. 595 do Regulamento Aduaneiro, então vigente, previa a exclusão de responsabilidade por caso fortuito ou força maior provada: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. ........................................................................................................ § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. Entendo de forma divergente da decisão recorrida. Não há previsão para enquadrar a hipótese de roubo entre aquelas consideradas como de caso fortuito ou força maior, de forma a excluir a responsabilidade do depositário. Diz o parágrafo único art. 1.058 do Código Civil de 1916, que teve sua redação reproduzida no parágrafo único do art. 393 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Parágrafo único. O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. A Administração Tributária manifestouse de forma incisiva quanto ao entendimento de que o roubo ou furto não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeitos de exclusão de responsabilidade, quando da edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 12/2004, verbis: Artigo único . O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, nos termos do art. 595 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento Aduaneiro, com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de junho de 2003 , tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. O alegado roubo ou furto qualificado não constitui em motivo de força maior, por não atender, cumulativamente, aos requisitos de imputabilidade, inevitabilidade e irresistibilidade. A força maior é acontecimento imprevisível ligado a fatos externos, independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. O roubo não se encaixa nesse requisito, tendo em vista seu risco iminente, razão pela qual seguros são feitos para mercadorias depositadas. Também o roubo ocorrido não atende ao requisito de inevitabilidade, pois além da segurança pública à disposição de todos os Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000145/200587 Acórdão n.º 9303003.524 CSRFT3 Fl. 170 7 cidadãos e estrangeiros, existe a segurança privada que é regularmente utilizada em depósitos de mercadorias. Em outro giro, temse que, o depositário, ao receber a coisa por força do contrato de depósito, assume a "guarda", com todos os riscos inerentes a tal mister, e, como tal, responde por todos os riscos, aplicandose, a esse tipo de contrato, a "teoria da guarda", presente nas temáticas da responsabilidade civil. O grande mestre civilista, Caio Mário da Silva Ferreira9, em sua obra "Responsabilidade Civil", assim explica a teoria da guarda: A noção de guarda, como elemento caracterizador da responsabilidade, assume aspectos peculiares. Não pode objetivarse na "obrigação de vigiar". Ripert esclarece bem a questão, ao observar que se deve tomar como noção nova, criada para definir obrigação legal que pesa sobre o possuidor em razão de deter a coisa. "Quem incumbe uma pessoa de assumir a guarda de uma coisa é para encarregála de um risco" (Aguiar Dias). Nestas condições,o responsável deve assumir o risco gerado pela utilização normal da coisa. (Grifo não constante do original). Destacase, ainda, que a segurança dos produtos importados depositados é inerente ao negócio do depositário, faz parte dos riscos de sua atividade econômica, e não pode ser transferido ao Estado. Dessa forma, a responsabilidade pelos tributos devidos, bem como de multas cabíveis, na constatação de extravio de mercadorias não pode ser excluída pela alegação de que foi vítima de roubo, não se configurando em caso fortuito ou força maior. Assim, a responsabilidade do depositário pelos tributos incidentes na importação, lançados em decorrência de extravio de mercadorias, apurados em procedimento de vistoria aduaneira, bem como da multa administrativa correspondente, não pode ser afastada, por inexistência de previsão legal, e por não restarem configurados os elementos caracterizadores da ocorrência de evento de caso fortuito ou de força maior, devendo ser mantida a exigência de que trata o auto de infração, objeto do presente processo. Esse entendimento foi respaldado por este Colegiado, quando do julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional, Processo nº 10314.003075/0008, Acórdão nº 9303 003.391, de 25 de janeiro de 2016, cuja ementa transcrevese abaixo. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Ano calendário: 2000 Trânsito Aduaneiro. Extravio. Responsabilidade do Depositário. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. Recurso Especial do Procurador Provido 9 Responsabilidade civil. 8ª ed. Rev e Ampl. São Paulo : Saraiva, 2003, p. 428 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19814.000145/200587 Acórdão n.º 9303003.524 CSRFT3 Fl. 171 8 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.726086/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO
Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2010 poderiam ser tributados na forma do art. 12-A da Lei nº 7.713/88, incluído pela Lei nº 12.350/2010, desde que fossem tempestivamente incluídos em ficha própria da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, ano-calendário de 2010.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que conhecia integralmente do Recurso Voluntário. Por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2010 poderiam ser tributados na forma do art. 12A da Lei nº 7.713/88, incluído pela Lei nº 12.350/2010, desde que fossem tempestivamente incluídos em ficha própria da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, anocalendário de 2010. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 60 86 /2 01 3- 94 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que conhecia integralmente do Recurso Voluntário. Por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.726086/201394 Acórdão n.º 2401004.277 S2‐C4T1 Fl. 151 3 Relatório Exercício: 2011 – Anocalendário: 2010. Data da Notificação de Lançamento: 01/07/2013. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 16/07/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2011/814742565131850, a fls. 117/121, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2011, anocalendário de 2010, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça Federal. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, do exame das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 72.253,67, auferidos pelo titular e/ou dependente. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos obtidos, no valor de R$ 2.257,91. Do valor bruto decorrente da citada ação judicial foram deduzidos R$ 3.010,57 , referentes ao pagamento de Honorários Advocatícios. O Recorrente, em razão de decisão na ação principal de Mandado de Segurança Coletivo n° 1999.34.00.0264351 (Cumprimento de Sentença n° 2006.34.00.0272217), recebeu em 24/3/2010, através do Banco do Brasil 001, Agência 4818 6, instalada na Avenida Marechal Deodoro n° 555, Sobreloja, em Curitiba, a importância de R$ 74.202,97, correspondente ao principal Gratificação de Desempenho de Atividade Tributária (GDAT), mais juros, mais correção monetária, sendo descontado no ato R$ 2.224,27 de imposto de renda retido na fonte, restando o líquido de R$ 71.976,89, que foi creditado em sua conta corrente 15.8127, na aludida Agência, na referida data. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 02/13. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0434.444 – 3ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 128/133, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/02/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 138 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 139/146, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que houve erro no preenchimento da Declaração Anual de Ajuste do exercício 2011, anocalendário 2010. Aduz que a Opção pelo benefício estatuído pela MP n° 497, convertida na Lei n° 12.350/2010, decorre do próprio fato de, por engano, haver ele registrado no item "Outros rendimentos recebidos pelo titular" os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, e não no item próprio de igual denominação ali existente para esse fim; · Que o art. 12 da Lei n° 7.713/88 não pode ser aplicado indistintamente sob pena de indevidamente tributar os rendimentos percebidos, uma vez que a “disponibilidade econômica é a percepção concreta do rendimento em dinheiro (receita realizada), e a disponibilidade jurídica é o nascimento do direito a receber um crédito (receita a realizar)”; · Que ainda que fosse possível a retenção na fonte, o art. 12 da Lei nº 7.713/88 não se aplicaria aos casos de reconhecimento judicial de renda devida em época pretérita e de trato sucessivo, como ocorre neste caso; sendo aplicável, no entanto, aos casos de valores disponibilizados acumuladamente no trato extrajudicial, bem como àqueles decorrentes do acúmulo de causas de pedir fundadas em relações jurídicas contemporâneas de efeitos instantâneos; · Que as parcelas recebidas acumuladamente por força da decisão judicial que propiciou ao requerente os rendimentos representados pela Gratificação de Desempenho de Atividade Tributária GDAT, objeto da ação judicial movida pela Unafisco Sindical, devem ser tributadas pelo imposto de renda na fonte nos termos em que esse imposto incidiria à época própria, mensalmente, segundo as tabelas desse imposto então vigentes. Ao fim, requer o cancelamento da exigência fiscal. É o que importa relatar. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.726086/201394 Acórdão n.º 2401004.277 S2‐C4T1 Fl. 152 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 18/02/2014. Havendo sido o Recurso protocolizado em 18/03/2014, há que se reconhecer a sua tempestividade. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que o art. 12 da Lei n° 7.713/88 não pode ser aplicado indistintamente sob pena de indevidamente tributar os rendimentos percebidos, uma vez que a “disponibilidade econômica é a percepção concreta do rendimento em dinheiro (receita realizada), e a disponibilidade jurídica é o nascimento do direito a receber um crédito (receita a realizar)” Alega também que, ainda que fosse possível a retenção na fonte, o art. 12 da Lei nº 7.713/88 não se aplicaria aos casos de reconhecimento judicial de renda devida em época pretérita e de trato sucessivo, como ocorre neste caso; sendo aplicável, no entanto, aos casos de valores disponibilizados acumuladamente no trato extrajudicial, bem como àqueles decorrentes do acúmulo de causas de pedir fundadas em relações jurídicas contemporâneas de efeitos instantâneos. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute, não se instaurando em relação a elas qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III, estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.726086/201394 Acórdão n.º 2401004.277 S2‐C4T1 Fl. 153 7 Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada originariamente em grau de Recurso Voluntário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude de preclusão legal. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. IRPF – GANHOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Argumenta o Recorrente ter havido erro no preenchimento da Declaração Anual de Ajuste do exercício 2011, anocalendário 2010. Aduz que a Opção pelo benefício estatuído pela MP n° 497, convertida na Lei n° 12.350/2010, decorre do próprio fato de, por engano, haver ele registrado no item "Outros rendimentos recebidos pelo titular" os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, e não no item próprio de igual denominação ali existente para esse fim. O Recorrente alega também que as parcelas recebidas acumuladamente por força da decisão judicial que propiciou ao requerente os rendimentos representados pela Gratificação de Desempenho de Atividade Tributária GDAT, objeto da ação judicial movida pela Unafisco Sindical, devem ser tributadas pelo imposto de renda na fonte nos termos em que esse imposto incidiria à época própria, mensalmente, segundo as tabelas desse imposto então vigentes. Tratase o presente feito de lançamento de ofício motivado por suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$ 72.253,67 , com IRRF no valor de R$ 2.257,91. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.726086/201394 Acórdão n.º 2401004.277 S2‐C4T1 Fl. 154 9 Merece ser esclarecido que até 28/07/2010 os rendimentos recebidos acumuladamente eram tributados pelo imposto sobre a renda pelo regime de caixa, consoante o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, que reinava soberano, vigente e eficaz. Nessa vertente, tendo o Recorrente recebido os proveitos da ação judicial em comento no dia 24/03/2010, eles deveriam ter sido tributados na fonte no mês do recebimento e posteriormente o contribuinte deveria têlos tributado da mesma forma que os rendimentos de aposentadoria do mesmo anocalendário, ou seja, juntamente com os demais rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste na Declaração de Ajuste Anual. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O Recorrente alega ter havido erro no preenchimento da Declaração Anual de Ajuste do exercício 2011, anocalendário 2010, sem omitir rendimentos, tampouco o correto montante. Pondera que, em 28/07/2010, foi publicada a MP n° 497, posteriormente convertida na Lei n° 12.350/2010, que acresceu o artigo 12A à Lei n° 7.713/1988, que deu novo regramento aos rendimentos do trabalho e, entre outros, aos proventos da aposentadoria, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento. Aduz que a Opção pelo benefício estatuído pela MP n° 497, convertida na Lei n° 12.350/2010, decorre do próprio fato de, por engano, haver ele registrado no item "Outros rendimentos recebidos pelo titular" os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, e não no item próprio de igual denominação ali existente para esse fim. Nessa perspectiva, procedeu o Recorrente a uma simulação da Declaração exercício 2011, anocalendário 2010, a fls. 54/59, a qual resultou em imposto devido menor que o originalmente declarado. Ocorre que, em relação aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente entre 1o de janeiro e 20 de dezembro de 2010, a opção de tributação pelo regime estatuído no art. 12 A da Lei nº 7.713/88, incluído pela MP nº 497/2010, deveria ter sido, necessariamente, informada na Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício2011 anocalendário de 2010, fato esse que não ocorreu. Nesse cenário, o art. 13 da Instrução Normativa n° 1.127/2011 estabeleceu um prazo específico para o exercício dessa opção, a qual permitiria ao impugnante ter o mesmo benefício de redução do IRRF dos contribuintes que receberam este tipo de rendimentos após a edição da Medida Provisória nº 497/2010. Instrução Normativa RFB nº 1127, de 07/02/2011 Art. 13. Os RRA a que se referem os arts. 2º a 6º quando recebidos no período compreendido de 1º de janeiro a 20 de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 dezembro de 2010, poderão ser tributados na forma do previsto naqueles artigos, desde que efetuado ajuste específico na apuração do imposto relativo àqueles rendimentos na DAA referente ao anocalendário de 2010, do seguinte modo: (Redação dada pela IN RFB nº 1145/2011) I a apuração do imposto darseá: a) em ficha própria; b) separadamente por fonte pagadora e para cada mês calendário, com exceção da hipótese em que a mesma fonte pagadora tenha realizado mais de um pagamento referente aos rendimentos de um mesmo mêscalendário, sendo, neste caso, o cálculo realizado de modo unificado; II o imposto resultante da apuração de que trata o inciso I será adicionado ao imposto apurado na DAA, sujeitandose aos mesmos prazos de pagamento e condições deste. Parágrafo único. A opção de que trata o caput deverá abranger a totalidade dos RRA no anocalendário de 2010. § 1º A opção de que trata o caput: I será exercida de modo definitivo na DAA do exercício de 2011, anocalendário de 2010; (Incluído pela IN RFB nº 1170/2011) II não poderá ser alterada, ressalvadas as hipóteses em que: (Incluído pela IN RFB nº 1170/2011) a) a sua modificação ocorra no prazo fixado para a apresentação da DAA; (Incluído pela IN RFB nº 1170/2011) b) a fonte pagadora, relativamente à DAA do exercício de 2011, anocalendário de 2010, não tenha fornecido à pessoa física beneficiária o comprovante previsto na Instrução Normativa SRF nº 120, de 28 de dezembro de 2000, ou, quando fornecido, o fez de modo incompleto ou impreciso, de forma a prejudicar o exercício da opção; (Incluído pela IN RFB nº 1170/2011) III deverá abranger a totalidade dos RRA no anocalendário de 2010. (Incluído pela IN RFB nº 1170/2011) §2º No caso de que trata a alínea "b" do inciso II do §1º, após o prazo fixado para a apresentação da DAA, a retificação poderá ser efetuada, uma única vez, até 31 de dezembro de 2011. (Incluído pela IN RFB nº 1170/2011) Nada obstante, vencido o prazo fixado no §2º do art. 13 da IN nº 1.127/2011, não se houve por exercida tal opção, não podendo agora o Recorrente, após a lavratura da Notificação de Lançamento, ocorrida em 01/07/2013, querer fazêlo retroativamente, ao argumento de que não recebera os esclarecimentos necessários no devido tempo. Aditese que o Recorrente sequer procedeu ao envio de Declaração de Ajuste Anual retificadora, limitandose a elaborar mera simulação, a qual, convenhamos, não pode produzir os efeitos jurídicos que advêm do §7º do art. 12A da Lei nº 7.713/88, Incluído pela Lei nº 12.350/2010. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.726086/201394 Acórdão n.º 2401004.277 S2‐C4T1 Fl. 155 11 tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149/2015) §1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios(Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte(Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) §8o (VETADO) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 §9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350/2010) Nesse contexto, em razão de a opção a destempo pela tributação exclusiva na fonte não encontrar amparo na legislação tributária, se nos antolha correto o procedimento da autoridade lançadora em reclassificar os rendimentos por meio da notificação de lançamento, compensando o IRRF. Ocorre, todavia, que no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, em razão de a Corte Suprema, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, ter reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo há pouco citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo autor, consoante Acórdão que se vos segue: Recurso Extraordinário nº 614.406/RS Relatora: Min. Rosa Weber. Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nessa perspectiva, o fato de o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10980.726086/201394 Acórdão n.º 2401004.277 S2‐C4T1 Fl. 156 13 a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) De outra via, configurandose o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre se para o Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149, VIII, do CTN. Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos) IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art. 149, VIII, do CTN, e considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS, conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543B do CPC, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 17613.721072/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
José Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. José Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 10 72 /2 01 4- 92 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, foi lavrada notificação de lançamento, em 18/08/2014 (fls. 06/09), anocalendário 2011, que resultou na redução do direito creditório pleiteado pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ( DIRPF), de R$ 7.126,04 para R$ 2.896,67. A redução da restituição do Imposto de Renda ora sob julgamento se deu em função da constatação de omissão de rendimentos tributáveis, percebidos da Prefeitura Municipal de Betim MG, indevidamente declarado como isento por motivo de moléstia grave, no valor de R$ 58.712,82. O enquadramento legal consta na notificação de lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 10/11), instruída com documentos (fls. 12/28), alegando ser portadora de Neoplasia Maligna CID C50, conforme resultado de biopsia, datado de 08/09/2008. Acostou cópia de decisão judicial que julgou o pleito inicial procedente, declarando o direito da requerente de receber aposentadoria com proventos integrais por ser portadora de "neoplasia maligna" (fl. 16/23). Aduz ser aposentada por invalidez desde 28/10/2008, conforme Portaria nº 90 , de 09/04/2014 (fl. 24). Dentre os documentos juntados, consta Laudo Pericial Para Fins de Isenção de Imposto de Renda de Pessoa Física (fl. 12), declarando que Shirley Rocha Camara é portadora, desde setembro de 2008, de Neoplasia Maligna de Mama. A Turma de Primeira Instância reconheceu que "o documento de fls. 24 comprova que os rendimentos do sujeito passivo, pagos pela Prefeitura Municipal de Betim, são de aposentadoria." No entanto, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por entender que no laudo acostado, não consta os dados de identificação da Médica que a autoriza se manifestar em nome daquele órgão, tais como matrícula e qualificação, descaracterizando o laudo como documento hábil a comprovar a moléstia grave apontada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela contribuinte. A contribuinte fora cientificada do Acordão nº 1537.709 5ª Turma da DRJ/SDR, em 13/01/2015 (fl. 62). Sobreveio recurso voluntário em 28/01/2015 (fls. 64/65), repisando os fundamentos da impugnação apresentada anteriormente, juntando documentos ( fls. 66/101). Carreou os documentos que entendeu hábeis a demonstrar que o laudo apresentado é válido. Discorreu que o SESMET Segurança e Medicina do Trabalho integra a Secretaria Adjunta de Administração do Município de Betim MG. Aduziu que a Dra. Simone Sandra de Araújo, Silva, CRM/MG21712, que emitiu o laudo pericial, é funcionária daquele órgão e tem matrícula número 201.2570, conforme se verifica em novo laudo (fl. 66) e que, portanto, está autorizada a se manifestar em nome do Município de Betim MG. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 17613.721072/201492 Acórdão n.º 2301004.637 S2C3T1 Fl. 106 3 Reforça que houve comprovação da existência da doença Neoplasia Maligna de Mama e que faz jus à isenção do recolhimento de IR sobre seus vencimentos, desde 28/10/2008, por tempo indeterminado. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Alega a contribuinte ser portadora de patologia identificada como Neoplasia Maligna de Mama, CID C50, prevista no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, conforme Laudo Médico Pericial emitido pela SESMT Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho Prefeitura Municipal de Betim MG (fl. 12 e 66), desde setembro de 2008 e, por esta razão, isenta do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fazendo jus ao direito creditório pleiteado. Argumentou a DRJ/SDR que "o laudo pericial acostado ao processo (fls. 25) não consta os dados de identificação da Médica que autoriza se manifestar em nome daquele órgão, tais como: matricula e qualificação, o que descaracteriza o citado laudo como documento hábil a comprovar a moléstia grave alegada pela contribuinte. Destarte, será mantido o lançamento fiscal." Cumpre salientar que, embora a Turma de Primeira Instância faça menção à fl. 25, no presente processo o referido laudo pericial encontrase na fl. 12. Para o deferimento do benefício pleiteado, o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Compulsando os autos, verificase que a contribuinte acostou Laudo Médico Pericial, emitido pelo Serviço Médico Oficial do Município de Betim– MG (fl. 12 e 66), que faz remissão ao CID C50 Neoplasia Maligna de Mama e refere expressamente à moléstia Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 especificada na legislação de regência (art. 1º da Lei 11.052/2004), a qual é isentiva do imposto de renda. Da análise dos documentos carreados ao presente recurso, fls. 66 a 101, tornase forçoso reconhecer que a médica perita, Dra. Simone Sandra de Araújo Silva, que assinou o laudo oficial emitido SESMT, orgão da Prefeitura Municipal de Betim MG, tem competência para emitir laudo atestando a existência de moléstia grave que justifique a isenção do IRPF. Inclusive, o já referido Laudo Pericial aponta expressamente o art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541/92, que passou a vigorar com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei 11.052/04, demonstrando que o quadro apresentado pela Recorrente se insere nas doenças inscritas no referido dispositivo legal, que abaixo transcrevo: Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifei) Assim, conforme se verifica do dispositivo legal supra, a moléstia acometida pela Recorrente, se enquadra entre as doenças isentivas do IRPF (NEOPLASIA MALIGNA), conforme foi comprovado pelos documentos acostados em fls. 12 e 66. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723641/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Verdade Material
Comprovado nos autos que o pagamento do imposto exigido na ação fiscal já se encontrava quitado, antes do seu início, cancela-se a exigência.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2201-003.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu farah - Presidente.
assinado digitalmente
Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora.
EDITADO EM: 02/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah -Presidente.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Eduardo Tadeu farah Presidente. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora. EDITADO EM: 02/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 36 41 /2 01 3- 96 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13819.723641/201396 Acórdão n.º 2201003.120 S2C2T1 Fl. 122 2 Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 1265.053 19ª Turma DRJ/RJ1, de fls.71/78, que manteve a exigência para o imposto de renda de pessoa física, conforme lançamento nº 2009/941652031240018. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão combatido, por bem definir o litígio: Tratase de impugnação protocolizada pelo interessado, contra Lançamento de Ofício nº 2009/941652031240018 relativo ao Exercício de 2009 Ano Calendário 2008 que resultou em crédito tributário no montante de R$ 561,64 , sendo R$ 259,10 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904), R$ 194,32 de Multa de Ofício e de R$ 108,22 de Juros de Mora, calculados até 29/11/2013, conforme Notificação de Lançamento fls. 09/13. A Descrição dos fatos e o Enquadramento Legal encontramse detalhados no Demonstrativo de fl. 11, versando sobre a infração de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. O contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em 02/12/2013 de acordo com o Aviso de Recebimento de fl. 14, tendo protocolizado a impugnação de fls. 02/08 em 23/12/2013, onde consta em síntese o seguinte: que solicitou restituição dos impostos retidos na fonte nos últimos cinco anos tendo em vista ser portador de Nefropatia Grave – Insuficiência Renal Crônica. Solicita celeridade com base na Lei nº 12.008/2009. afirma que se aposentou em 12/12/1996. Anexa cópia do Diário Oficial do Estado, Poder Judiciário. com relação a comprovação da Moléstia Grave, afirma ter anexado aos autos Laudo Médico bem como Relatório Médico emitidos por órgãos da Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo. Que anexou documento emitido pelo Hospital do Rim e Hipertensão (Fundação Oswaldo Ramos). que a cobrança do crédito tributário é indevida. que em 18/09/2009 apresentou Declaração de Ajuste Anual Retificadora Completa (1ª) para o Exercício de 2009 Ano Calendário 2008 onde foi apurado um Saldo de Imposto a Pagar no valor de R$ 259,10 pago em 22/09/2009 bem como também outro valor pago em 31/03/2010 no total de R$ 53,49. que anexa aos autos cópias de documentos que comprovam ser o mesmo portador de Moléstia Grave. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13819.723641/201396 Acórdão n.º 2201003.120 S2C2T1 Fl. 123 3 O interessado anexou aos autos as cópias de documentos constantes das fls. 19/56 Ciente da decisão em 02 de maio de 2014, conforme fls.81, interpôs em 13 de maio de 2014 o recurso de fls.83/86, onde, narra todo procedimento e em síntese, afirma que já recolheu o imposto de renda correspondente ao exercício 2009, ano calendário 2010, através da declaração retificadora completa e pede, apenas, o cancelamento da exigência e não mais menciona sua condição de portador de moléstia grave. Junta cópia do DARF as fls. 107 e 108 É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. De início ressalto que o litígio se restringe, apenas, à cobrança do imposto de renda objeto deste processo, pois o Recorrente não mais peticiona o reconhecimento de sua condição de portador de moléstia grave que também fez parte das matéria oferecidas na impugnação. Houve o Lançamento de Ofício de nº 2009/941652031240018 relativo ao Exercício de 2009 Ano Calendário 2008 que resultou no crédito tributário no montante de R$ 561,64 , sendo R$ 259,10 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (código de receita 2904), R$ 194,32 de Multa de Ofício e de R$ 108,22 de Juros de Mora, calculados até 29/11/2013, conforme Notificação de Lançamento fls. 09/13. Em sede de impugnação, às fls. 03, o Contribuinte informa que em 24 de maio de 2013, através do Termo de Atendimento Nº2009/1000152121, solicitou a restituição do imposto retido na fonte, dos últimos cinco anos, alegando ser portador de NEFROPATIA GRAVEInsuficiência Renal Crônica, pedindo celeridade no processo, nos termos da Lei nº 12008/2009. Recebeu, em 13 de maio de 2013, o Termo de Intimação Fiscal 2009/772438617886276, para comparecer a Receita Federal do BrasilDRF São Bernardo do Campo/SP, munido dos documentos (originais e cópias) e esclarecimentos relativos à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, ano calendário 2008. Comenta que assim o fez. Em 25 de novembro de 2013, recebeu a notificação de lançamento referente a este processo e desde então informa que realizou o pagamento da importância principal exigida, R$ 561,64 na data de 02/12/2013. Informa que em 18/09/2009, conforme recibo 19.0015.48.0592 gerou nova declaração de imposto de renda exercício 2009, com um saldo de imposto a pagar de R$ 259,10, que pagou em 22/09/2009, no valor de 269,48, estipulado pela própria Receita Federal, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13819.723641/201396 Acórdão n.º 2201003.120 S2C2T1 Fl. 124 4 e um débito de pendência com saldo devedor de 41,49, e total de R$53,49, quitado em 31/03/2010. Na decisão recorrida a autoridade julgadora informa que : Em pesquisas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta das fls. 63/69, extrato da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2009 Ano Calendário 2008 Retificadora Completa (ND 08/35.014.397), objeto da Notificação de Lançamento nº 2009/941652031240018 (fls. 09/13), onde o contribuinte declarou rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Governo do Estado de São Paulo – Previdência CNPJ 09.041.213/000136 no valor de R$ 0,00 com Contribuição à Previdência Oficial no valor de R$ 701,57 e IRRF no valor de R$ 2.868,62. O interessado declarou também rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas e do exterior no valor de R$ 8.646,00 , bem como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis a título de Pensão, Proventos de Aposentadoria ou Reforma por Moléstia Grave ou Aposentadoria ou Reforma por Acidente de Serviço no valor de R$ 35.081,68. Declarou também Deduções no valor total de R$ 8.223,29 , tendo apurado Saldo de Imposto a Restituir no valor de R$ 2.868,62. Ou seja, o julgador de primeiro grau se guiou pela última declaração oferecida e não mais analisou a possibilidade de haver outras razões que poderiam interferir na conclusão do julgamento. Como se pode observar pela declaração Retificadora 01, daquele exercício, juntada à impugnação, às fls.18, que, não foi analisada naquele momento processual. É bem verdade que a declaração retificadora substitui a retificada tendo a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização da autoridade administrativa Contudo vejo que o recorrente não esclareceu bem o litígio, o que pode ter induzido o julgador de piso a erro. A análise realizada buscou verificar se a Recorrente tinha direito à isenção pretendida e como tal não ocorreu, restaurou a situação anterior, o que restou na exigência que ora se analisa, que foi a mesma importância apurada pelo Recorrente em sua declaração tempestivamente oferecida. Nos autos se encontram tanto a declaração originalmente transmitida, quanto o DARF acostado às fls.107, que se apresenta quitado ,em 22 de setembro de 2009, com valor original de 259,10 e juros de 10,38, total de R$ 269,48. Às fls.108, consta o DARF autenticado em 16 de março de 2010, no valor do principal de R$ 41,79; multa de R$ 8,35 e juros de 3,35, perfazendo um total de 53,49. Já nas fls. 109 constam as Informações Fiscais do Contribuinte (documento emitido pela RFB), onde aponta que para o PA/Ex 2009, com vencimento em 30/04/2009, do valor original ali consignado, o saldo devedor são os exatos R$ 41,79. Portanto, tratase de matéria de fato e como tal deve ser analisada. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13819.723641/201396 Acórdão n.º 2201003.120 S2C2T1 Fl. 125 5 Diante do exposto, concluo que tem razão a recorrente e conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10855.903411/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. RETIFICAÇÃO NA FASE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe às Delegacias de Julgamento da RFB ou ao CARF, em fase de discussão administrativa, retificar os dados transcritos em Dcomp.
Numero da decisão: 1401-001.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. RETIFICAÇÃO NA FASE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe às Delegacias de Julgamento da RFB ou ao CARF, em fase de discussão administrativa, retificar os dados transcritos em Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Lívia De Carli Germano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 34 11 /2 00 8- 17 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903411/200817 Acórdão n.º 1401001.457 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 222223: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, transmitida eletronicamente através do PER/DCOMP, nº 22075.66541.310505.1.3.024071 (fls 01 a 02 do processo nº 10855.903060/200844 apensado ao presente), na qual a interessada pleiteia crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ referente ao exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 924.375,89. Posteriormente, a interessada transmitiu as Dcomp nºs 32606.38276.220906.1.7.028557 e 36516.68895 .220906.1.7.020173 vinculados ao mesmo crédito, entretanto informando o Saldo Negativo de IRPJ do exercício de 2004, ano calendário 2003, no valor de R$ 1.156.731,49 (fls 102 a 106 do processo nº 10855.903060/200844). A DComp nº 22075.66541.310505.1.3.024071 teve análise eletrônica efetuada pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC) e em determinado momento foi verificada inconsistência entre o valor do saldo negativo nela informado e o apurado na DIPJ respectiva. Por tal motivo, foi emitido termo de intimação eletrônico (fl 107 do processo nº 10855.903060/200844) solicitando a retificação dos documentos pertinentes, sendo que a ciência de tal intimação ocorreu em 04/09/2006. Não tendo a interessada atendido a intimação, em 12 de agosto de 2008 foi emitido Despacho Decisório eletrônico não homologando as compensações declaradas (fl 03 do processo nº 10855.903060/200844), com ciência em 21/08/2008, tendo a interessada, em 19 de setembro de 2008, protocolado Manifestação de Inconformidade tempestiva. (fls 07 a 15 do processo nº 10855.903060/200844). Tal Manifestação foi encaminhada à DRJ Ribeirão Preto e posteriormente à DRJ Rio de Janeiro I por força da Portaria SUTRI n° 1.036, de 5 de maio de 2010. Conforme Acórdão 1231.079, desta 5ª Turma da DRJ/RJ1, datado de 8 de junho de 2010 (fls. 95 a 96 do processo nº 10855.903060/200844) foi declarado nulo o Despacho Decisório eletrônico de 12 de agosto de 2008, tendo o processo sido encaminhado à DRF/SorocabaSP para elaboração de novo Despacho Decisório. Em 16 de setembro de 2010, a Seort da DRF/SorocabaSP emitiu o Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 0591 (fls. 04/06), cientificado à interessada em 10 de novembro de 2010 (Aviso de Recebimento – AR de fl. 09), que, confirmando a apuração do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, no montante de R$ 1.156.731,49, homologou as compensações constantes das Dcomp nºs Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903411/200817 Acórdão n.º 1401001.457 S1C4T1 Fl. 4 3 22075.66541.310505.1.3.024071, 32606.38276.220906.1.7. 028557 e 36516.68895.220906.1.7.020173 até o limite do crédito. Apurado e calculado os valores das compensações, restou homologada apenas parcialmente a Dcomp nº 36516.68895. 220906.1.7.020173, resultando na cobrança, através da intimação DRF/SOR/SEORT nº 1803/2010 (fl. 08), dos débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (código 5856) do mês de agosto de 2004, no valor original de R$ 674.409,64, e de Programa de Integração Social – PIS não cumulativo (código 6912), no valor original de R$ 190.266,56, reduzido para R$ 171.685,21 pela compensação parcial homologada. Inconformada, a interessada apresentou, em 10/12/2010, sua manifestação de inconformidade de fls. 10/20, juntando os documentos de fls. 21/214, alegando que o crédito que embasa as compensações declaradas na Dcomp nº 22075.66541.310505.1.3.024071 seria oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, e não do anocalendário de 2003 analisado no Despacho Decisório. Protesta que o crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2005, anocalendário 2004, não foi analisado no Despacho Decisório, a despeito de ter sido suscitado na manifestação de inconformidade datada de 19/09/2006. Reafirma que houve erro no preenchimento da Dcomp nº 22075.66541.310505.1.3.024071, atinente ao período de apuração do crédito, comprovado pela Declaração de Informações da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005, anocalendário 2004, onde se verifica, à ficha 12A, o saldo negativo de R$ 1.405.844,88, tendo pleiteado o montante de R$ 924.375,89. Transcreve acórdãos da DRJ/Porto Alegre – RS e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda CARF, então Conselho de Contribuintes, destacando que o erro de preenchimento da DComp não afasta o direito creditório. Alerta que o mero cotejo entre as DComp é apto a demonstrar créditos de períodos distintos, em face da composição dos mesmos, com origem em retenções distintas, efetuadas por fontes pagadoras diversas. Protesta que, conforme art. 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é o contribuinte que determina quais débitos serão compensados com seus créditos, devendo as Dcomp ser homologadas pela autoridade administrativa na forma como indicado nas mesmas. Encerra pedindo seja anulado o Despacho Decisório, determinando esta autoridade administrativa que o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, seja compensado com os débitos indicados nas Dcomp nº 32606.38276.220906.1.7.028557 e 36516.68895.220906.1.7. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903411/200817 Acórdão n.º 1401001.457 S1C4T1 Fl. 5 4 020173, e que os débitos apontados na Dcomp nº 22075.66541. 310505.1.3.024071 sejam compensados com o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2005, anocalendário 2004. A 5ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, negou provimento à Manifestação de Inconformidade, mantendo o reconhecimento do direito creditório de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 1.156.731,49, com a consequente homologação integral das Dcomp nº 22075.66541.310505.1.3.024071 e 32606. 38276.220906.1.7.028557; e parcial da Dcomp nº 36516.68895.220906.1.7.020173 tal qual como no Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 0591, de 16 de setembro de 2010, resultando na cobrança dos débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (código 5856) do mês de agosto de 2004, no valor original de R$ 674.409,64, e de Programa de Integração Social – PIS não cumulativo (código 6912), no valor original de R$ 190.266,56, reduzido para R$ 171.685,21. O Acórdão nº 1247.162 recebeu a seguinte ementa, fls. 221: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. RETIFICAÇÃO NA FASE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Em que pesem os argumentos da interessada quanto à ocorrência de erro no preenchimento de sua DComp, não cabe às Delegacias de Julgamento da RFB, em fase de discussão administrativa, retificar os dados nela transcritos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 25/06/2012, conforme AR de fls. 227 e apresentou o recurso voluntário de fls. 228240 em 24/07/2012, reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase de manifestação de inconformidade. Ao final de sua peça recursal, a contribuinte requer: i) que o Saldo Negativo de IRPJ do Exercício de 2004 (anocalendário 2003), no valor de R$ 1.156.731,49, seja compensado com os débitos indicados nos PER/DCOMPs nº 32606.38276.220906.1.7.028557 e 36516.68895.220906.1.7.020173, homologandose as compensações realizadas; e ii) que os débitos apontados na PER/DCOMP nº 22075.66541.310505.1.3.02 4071 sejam compensados com o Saldo Negativo de IRPJ do Exercício de 2005 (anocalendário 2004), homologandose a compensação realizada. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903411/200817 Acórdão n.º 1401001.457 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Conforme relatado, a contribuinte apresentou os PER/DCOMP, nº 22075.66541.310505.1.3.024071, 32606.38276.220906.1.7.028557 e 36516.68895.220906. 1.7.020173 pleiteando a utilização de crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ referente ao exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 1.156.731,49. O Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 0591, de 16 de setembro de 2010 reconheceu o crédito no valor de R$ 1.156.731,49, com a consequente homologação integral das Dcomp nº 22075.66541.310505.1.3.024071 e 32606. 38276.220906.1.7.028557; e parcial da Dcomp nº 36516.68895.220906.1.7.020173, resultando na cobrança de débitos remanescentes a título de PIS e Cofins. Em sede de manefestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter incorrido em erro de fato no preenchimento da DComp nº 22075.66541.310505.1.3.024071 ao apontar como crédito o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, quando o correto seria o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2005, anocalendário 2004. Por unanimidade de votos, a 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que não compete às DRJ, em fase de discussão administrativa, retificar os dados contidos em Dcomp, em que pesem os argumentos da contribuinte acerca da ocorrência de erro material no preenchimento de sua Dcomp. Em sede recursal, a contribuinte limitouse a reiterar os argumentos apresentados na fase de manifestação de inconformidade. Analisando os elementos constantes dos autos, é forçoso reconhecer que não assiste razão à recorrente. Indiscutivelmente, a contribuinte, nas 3 DComp objeto do presente processo, pleiteou a utilização do crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ referente ao exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 1.156.731,49. Totalmente inaceitável que, após a prolação de uma decisão parcialmente desfavorável ao seu pedido, a contribuinte pretenda alterar o seu pleito, requerendo agora que somente 2 daquelas sejam utilizados o crédito de IRPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, e que os débitos da 3ª Dcomp (22075.66541.310505.1.3.024071) seja compensado com o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2005, anocalendário 2004. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 224: Quanto a isso, de conformidade com o art. 76 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a retificação Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10855.903411/200817 Acórdão n.º 1401001.457 S1C4T1 Fl. 7 6 da Declaração de Compensação Dcomp gerada a partir do programa PER/DCOMP deveria ter sido requerida pela interessada mediante apresentação à Receita Federal do Brasil – RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa, e o art. 77 da mesma Instrução Normativa determina que tal retificação somente poderá ser efetuada se a DComp estiver pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Assim sendo, em que pesem os argumentos da interessada quanto à ocorrência de erro no preenchimento de sua DComp, não cabe a este órgão julgador, em fase de discussão administrativa, retificar os dados nela transcritos e já apreciados pela autoridade competente que, inclusive, homologou a compensação. Além disso, conforme consta à fl. 107 do processo nº 10855.903060/200844, tendo a DERAT/São Paulo verificado divergências entre os valores constantes da DIPJ e da DComp nº 22075.66541.310505.1.3.024071, intimou oportunamente a interessada, através do Termo de intimação nº 621800538, cientificado em 04/09/2006, a sanar as irregularidades encontradas, inclusive através de retificação da DComp que hoje alega a interessada conter incorreções, tendo a mesma se omitido de oportunamente fazêlo na ocasião. No que tange aos precedentes mencionados pela recorrente, devese dizer as decisões administrativas não se constituem em normas complementares da legislação tributária, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional, razão pela qual não vinculam o presente colegiado. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. . (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13878.720044/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972.
RENDIMENTO DE ALUGUÉIS DE BENS PRÓPRIOS. USUFRUTUÁRIO. REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS. Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios.
Numero da decisão: 2301-004.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. RENDIMENTO DE ALUGUÉIS DE BENS PRÓPRIOS. USUFRUTUÁRIO. REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS. Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 72 00 44 /2 01 3- 13 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0248.604, exarado pela 7ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (fls. 61 a 66 – numeração dos autos eletrônicos). A notificação de lançamento (fls. 42 a 48) é referente a imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, correspondentes ao anocalendário 2009, no valor de R$68.077,08, proveniente da fonte pagadora Fundação Arquivo e Memória de Santos, CNPJ nº 01.446.932/000125, sendo exigido crédito tributário de R$9.470,57, dos quais R$4.665,54 correspondem a imposto, R$3.499,15 à multa proporcional e R$1.305,88 a juros de mora. A descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 46) refere: Da analise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos de aluguéis ou Royalties recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********68.077,08, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$* 12.217,68. conforme certidão de conversão em casamento apresentada, o regime adotado é da SEPARAÇÃO DE BENS, e portanto, conforme também a escritura apresentada, o bem não é comum, devendo o rendimento de aluguel ser declarado pelo contribuinte. São citados, como enquadramento legal, os arts. 1º a 3º e §§ da Lei 7.713, de 1988; arts. 1º a 3º da Lei 8.134, de 1990; arts. 1º e 15 da Lei 10.451, de 2002; arta. 49 a 53 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99). Consta do relatório do acórdão recorrido: A Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL foi deferida parcialmente em 11/03/2013, fls. 44. Cientificado da notificação em 21/03/2013, fls. 55, o contribuinte apresentou impugnação em 16/04/2013, fls. 2 a 6, contestando o lançamento. Alega, preliminarmente, que a presente autuação é nula, pois na fundamentação do ato administrativo, o agente do fisco não citou o diploma legal em que se baseia a exigência, não sendo suficiente aquele dispositivo legal constante do rodapé contido no documento denominado Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, pois, no presente caso, o que se discute é quem pode e quem deve declarar rendimento proveniente de aluguéis. Sustenta, no mérito, que os rendimentos referemse a receita de aluguel produzida por bem comum e foram oferecidos à tributação na declaração do cônjuge. Pontua que o casamento foi convertido de união estável, anteriormente registrada, cujo regime é o da comunhão de bens, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720044/201313 Acórdão n.º 2301004.650 S2C3T1 Fl. 95 3 e nessa data a escritura já havia sido lavrada, sendo que o direito que se discute já estava constituído, pertencendo a ambos. Argumenta que o regime de separação de bens não implica a separação de rendas. Esclarece, com base no enunciado 261 da CEJ, que a obrigatoriedade do regime da separação de bens não se aplica a pessoa maior de sessenta anos quando o casamento for precedido de união estável iniciada antes dessa idade, situação esta que abrange o requerente e sua esposa, conforme prova a certidão de união estável em anexo. Defende que o agente do fisco não leu com atenção a escritura de propriedade, pois o bem não pertence a nenhum dos cônjuges, mas sim aos filhos, cabendolhe apenas o usufruto. Entende, amparandose no artigo 1393 do Código Civil, que nada obsta que um cônjuge ceda ao outro o exercício do usufruto, como é o caso em análise. Alega que a interpretação do fisco configura autêntico confisco, em desobediência ao previsto na Constituição. Assinala que, em situação similar à debatida neste lançamento, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido do contribuinte no exercício 2009 por meio da análise da SRL 2009/20000011306, bem como pelo julgado contido no Acórdão 1641.360 referente ao exercício 2005. Por fim, entende que acaso fosse confirmada a presente exação, os cálculos estariam incorretos, pois a inclusão desses rendimentos na declaração do requerente levaria à exclusão dos mesmos na declaração de sua esposa, além do fato de que teria direito à dedução com dependente e despesas médicas relativas ao cônjuge, totalizando R$5.692,00, o que reduziria o imposto em R$1.563,30, uma vez que ela não possui outros rendimentos. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 7 a 40. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 NULIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pleito de nulidade quando se constata que o lançamento fiscal observou todos os requisitos exigidos pela legislação. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 RENDIMENTOS DE ALUGUEL. USUFRUTUÁRIO. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos de aluguel são tributáveis em nome do usufrutuário. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO. Em sede administrativa, não há respaldo para discussão sobre inconstitucionalidade. A ciência dessa decisão ocorreu em 16/10/2013 (aviso de recebimento EBCT, fl. 70). Em 14/11/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 71 a 77), sendo reiterados os argumentos apresentados por ocasião da impugnação, e ainda: 1. ter seguido os termos do art. 6º, parágrafo único e 7º, § 2º, do RIR 99; 2. que o julgador do acórdão recorrido se equivoca ao dizer que o contribuinte sustenta ser o bem (que gerou o recebimento de aluguéis) comum (ao casal); afirma que o que se discute é quem deve e quem pode declarar o rendimento em questão; assevera, após fazer digressões sobre a competência tributária, que a afirmação do julgador no acórdão recorrido é “nula, portanto, por inexistente”; 3. ser irrelevante a determinação da propriedade do imóvel do qual se originaram os aluguéis, uma vez que a Receita Federal arrecada e fiscaliza receitas e não propriedades ou quaisquer outros direitos reais; 4. haver nulidade relacionada com o conteúdo do processo administrativo como um todo, e sua obrigatória vinculação à lei; os rendimentos de aluguéis não podem ser incluídos em sua declaração, como pretende o presente processo, que é nulo. 5. em relação à expressão “a respeito de terceiros”, constante no art. 221 do Código Civil Brasileiro, não é terceiro nem a sua esposa, nem o Fisco, o qual é seu sócio; ainda em relação a este artigo, refere que sua certidão de casamento é prova riquíssima de caráter legal; 6. não reconhecer a inconstitucionalidade do confisco é desconhecer o princípio da hierarquia das leis; o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972 é norma de direito internacional público, e não de direito administrativo, sendo um sofisma pretender aplicálo ao processo administrativo fiscal; não se pode afastar o art. 3º da Lei de introdução às Normas do Direito Brasileiro: “Ninguém se escusa de cumprir a lei alegando que não a conhece”; 7. afirma que o julgador desconhece os incisos I a IX do art. 149 do CTN e que a decisão do acórdão DRJ 1641360 e na SRL 2009/200000011306 se aplicam ao caso concreto; 8. afirma que a se sua esposa não pode ser incluída como dependente, porque elaborou declaração de rendimentos em separado, então tais Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720044/201313 Acórdão n.º 2301004.650 S2C3T1 Fl. 96 5 rendimentos não podem ser incluídos em sua declaração, como pretende o presente processo, que é nulo. O recorrente não formula pedidos. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 93). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA INCONSTITUCIONALIDADE É alegada a existência de vícios de inconstitucionalidade, consistente em confisco, concretizado pela presente autuação, sendo que não reconhecer a inconstitucionalidade do confisco é desconhecer o princípio da hierarquia das leis; o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972 é norma de direito internacional público, e não de direito administrativo, sendo um sofisma pretender aplicálo ao processo administrativo fiscal; não se pode afastar o art. 3º da Lei de introdução às Normas do Direito Brasileiro: “Ninguém se escusa de cumprir a lei alegando que não a conhece”; Não assiste razão ao contribuinte. No que tange às alegações de inconstitucionalidade, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua Súmula 02, são claros ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, neste voto não serão apreciadas as alegações de vícios de inconstitucionalidade. Como esclarecimento ao contribuinte, informo que o Decreto nº 70.235, de 1972 regulamenta o processo administrativo fiscal, e não é norma de direito internacional, público ou privado. DA NULIDADE DA AÇÃO FISCAL De acordo com o recorrente, haveria nulidade da ação fiscal, relacionada com o conteúdo do processo administrativo como um todo e sua obrigatória vinculação à lei; os rendimentos de aluguéis não podem ser incluídos em sua declaração, como pretende o presente processo, que é nulo; a afirmação do julgador no acórdão recorrido ao dizer que o contribuinte sustenta ser o bem (que gerou o recebimento de aluguéis) comum (ao casal) é “nula, portanto, por inexistente”. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720044/201313 Acórdão n.º 2301004.650 S2C3T1 Fl. 97 7 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, a jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente ou despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente (art. 59, I), nem despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II). Logo, não há nulidade do auto de infração. O enquadramento legal, diferentemente do que sustenta o recorrente, está citado na notificação de lançamento (fl. 46), a qual traz, também, a motivação ao lançamento, já citada no relatório. A questão de saber se os rendimentos devem ou não ser tributados pelo impugnante é questão de mérito, e como tal será abordada. QUESTÕES DE MÉRITO No mérito, também não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. São fatos incontroversos que o recorrente é detentor do usufruto do imóvel objeto dos aluguéis (ver escritura de compra e venda às fls. 11 a 14) e que é casado em regime de separação de bens (fl. 07). Ora, diferentemente do que pretende o recorrente, o regime de separação de bens implica em separação de todo o patrimônio, e não apenas das coisas, móveis, semoventes e imóveis. “Bem”, nessa acepção, equivale a “patrimônio”, e não à “coisa”. Assim, as receitas relativas ao aluguel do imóvel não se comunicam com o patrimônio de sua esposa, devendo ser tributadas integralmente pelo recorrente. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13878.720044/201313 Acórdão n.º 2301004.650 S2C3T1 Fl. 98 9 Assim, diferentemente do que pensa, o recorrente não obedeceu aos ditames dos arts. 6º e 7º do RIR 99, que determinam, no caso de bens próprios, a tributação exclusiva por cada cônjuge: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. (Grifouse.) Esclareço que “bens comuns” não se opõem a “bens incomuns”, mas a “bens próprios”. Assim, resta esclarecido de quem deve tributar os rendimentos em questão é o recorrente, e não a sua esposa. Diferentemente do que alega o recorrente, não é irrelevante a determinação de a quem pertence o direito de usufruto do imóvel do qual se originaram os aluguéis, uma vez que, no caso concreto, estas pertencem ao usufrutuário, que as deve declarar. Quanto à interpretação do art. 221 do Código Civil, embora repute desnecessária ao deslinde do caso, informo que, diferentemente do que imagina o recorrente, o fisco é terceiro em relação a qualquer contrato, instrumento ou convenção particular; se presente (o fisco), o ato será administrativo, e não particular; ademais, o fisco não é “sócio” de qualquer contribuinte. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Respeitante aos incisos I a IX do art. 149 do CTN, a situação por eles tratada é a do lançamento e de sua revisão de ofício, que são institutos diversos da tratadas neste processo administrativo fiscal, que não se rege pelo art. 149 do CTN, mas pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Concernente ao decidido no acórdão DRJ 1641360 e na SRL 2009/200000011306, não há previsão de extensão de seus efeitos no processo administrativo fiscal, e tais documentos sequer puderam ser analisados, por não se encontrarem juntados aos autos. Voto, portanto, por não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, rejeitas a preliminar, e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 17698.720072/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL. USUFRUTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
O ganho de capital incidente sobre a alienação do direito ao usufruto deve ser calculado tendo por base o custo de aquisição do direito ao usufruto.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL. DOAÇÃO COM RESERVA DE USUFRUTO. PERCENTUAL DE REDUÇÃO.
Na doação com reserva de usufruto deve ser considerado o percentual de redução sobre o ganho de capital referente à data da aquisição da propriedade plena.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar o fator de redução aplicado ao ano de 1966 para a área de 240 ha e considerar o fator de redução aplicado ao ano 1979 para a área de 117,52 ha. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (relator), Carlos Alberto Mees Stringari e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que davam provimento integral ao recurso. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL. USUFRUTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O ganho de capital incidente sobre a alienação do direito ao usufruto deve ser calculado tendo por base o custo de aquisição do direito ao usufruto. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL. DOAÇÃO COM RESERVA DE USUFRUTO. PERCENTUAL DE REDUÇÃO. Na doação com reserva de usufruto deve ser considerado o percentual de redução sobre o ganho de capital referente à data da aquisição da propriedade plena. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar o fator de redução aplicado ao ano de 1966 para a área de 240 ha e considerar o fator de redução aplicado ao ano 1979 para a área de 117,52 ha. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (relator), Carlos Alberto Mees Stringari e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que davam provimento integral ao recurso. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 72 00 72 /2 01 2- 11 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17698.720072/201211 Acórdão n.º 2201003.029 S2C2T1 Fl. 167 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta do Relatório de Verificação Fiscal – RVF, às fls. 10/15, as seguintes informações: Houve omissão de ganhos de capital na alienação de uma fração de terras com área de 357 ha. O contribuinte apresentou DIRPF 2008, anocalendário 2007, com Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital, relativo à venda de 357 hectares de terras, sem apuração de imposto, por o imóvel ter sido adquirido em 01/01/1963 (100% de redução). Na Declaração de Bens e Direitos da respectiva Declaração de Ajuste o contribuinte informou a alienação do imóvel em questão como se fosse o único proprietário, desconsiderando a doação anterior com reserva de usufruto vitalício, bem como a aquisição de 50% do imóvel, fruto da separação consensual de seu cônjuge, conforme Formal de Partilha passado em 07/12/1979. No Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital o contribuinte informou como custo de aquisição a importância de R$ 663.640,00. Regularmente intimado, retificou a DIRPF 2008 esclarecendo que o valor correto do custo de aquisição era de R$ 8.896,80. A justificativa apresentada pelo contribuinte para a não apuração do ganho de capital tem um inconveniente, uma vez que, pelas Matrículas e Escrituras Públicas juntadas aos autos, verificouse que ele adquiriu 50% da fração de terras (R3/637 e R5/637) em 07/12/1979, por ocasião da separação judicial. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17698.720072/201211 Acórdão n.º 2201003.029 S2C2T1 Fl. 168 3 Além do mais, a Escritura Pública nº 032/37.604, lavrada no Primeiro Tabelionato da Comarca de Pelotas, livro 84CV, folhas 044/046v, com Registro de Matrícula nº 9.088, no Registro de Imóveis de Arroio Grande/RS, diz que o Sr. Antonio Soares Siedler transmitiu o usufruto vitalício e os demais transmitiram a nua propriedade do imóvel, sendo improcedente a declaração do contribuinte de venda da nua propriedade com doação de numerário aos demais. Na alienação de usufruto sobre bem imóvel o montante recebido como pagamento representa um ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda. Do exame das escrituras e demais documentos coletados, verificouse que a venda foi efetuada em 21/09/2007, com valor de transação de R$ 1.269.200,16. Como o recebimento do numerário é relativo a todos os imóveis/matrículas especificados na escritura, não fazendo distinção da parcela relativa a cada imóvel/matrícula, e como o Sr. Antonio Soares Siedler repassou aos demais beneficiários o montante relativo a venda da nuapropriedade, elaborouse uma tabela com as seguintes informações: “Alienante”, “Total em Hectares”, “Forma de Transmissão” e “Valor de Alienação. Em uma segunda tabela o custo de aquisição foi proporcionalizado por imóvel/matrícula e na terceira tabela foi apresentado o resumo das alienações efetuadas pelo Sr. Antonio Soares Siedler. A partir daí apurouse o ganho de capital tributável, conforme Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital de fls. 16/18. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 118/120, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 144/148, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2007 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. USUFRUTO. O custo de aquisição do usufruto é aquele constante na escritura de instituição do usufruto. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/11/2012 (fl. 154), o Interessado interpôs, em 14/11/2012, o recurso de fls. 156/162. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17698.720072/201211 Acórdão n.º 2201003.029 S2C2T1 Fl. 169 4 A decisão recorrida merece ser reformada tanto em relação ao "custo de aquisição", equivocadamente considerado "zero", quanto em relação à data considerada como de aquisição para efeito de "redução" do ganho de capital. Quando da aquisição do imóvel, nos anos de 1966 e 1979, houve a aquisição da propriedade plena, pois todos os seus direitos elementares usar, gozar e dispor estavam reunidos no direito do proprietário. Em novembro/87, por ocasião da doação com reserva de usufruto da nua propriedade do imóvel aos filhos e netos, o impugnante transferiu a eles o "domínio" (posse indireta) sobre esses bens, mas conservou o uso e o gozo (posse direta). Por isso é inquestionável que a aquisição, pelo doador, do direito de uso e gozo do imóvel, que corresponde ao usufruto, ocorreu quando da aquisição da propriedade plena, em 1966 e 1979, e não em 1987, quando da doação gravada com reserva de usufruto vitalício, como entendeu a decisão recorrida. Nessas condições, não se pode deixar de reconhecer que houve, sim, "custo de aquisição", conforme o disposto no parágrafo único do art. 136, do RIR/1999. Assim sendo, cumpre mais uma vez vindicar que sejam consideradas: (1) como "datas de aquisição" do usufruto sobre o imóvel alienado as datas constantes das "certidões" do Registro de Imóveis de Arroio Grande e (2) como "custo de aquisição" o somatório do valor pago na compra ocorrida em janeiro/1966 e do valor de avaliação na partilha ocorrida em dezembro/1979. Ao final, pleiteia o Recorrente seja reformada a decisão recorrida, mediante o reconhecimento de que: (1) não é zero o custo de aquisição do bem alienado, senão o somatório dos valores constantes das certidões referentes às "aquisição da propriedade plena", anexas à impugnação; (2) devem ser consideradas, para efeito de redução do ganho de capital, as datas em que foi adquirida a propriedade plena das frações alienadas (1966 e 1979). Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme a Certidão emitida pelo Registro de Imóveis da Comarca de Arroio Grande (fl. 124), o contribuinte adquiriu, em 10 de janeiro de 1966, uma fração de campo, situada naquele município, com a área de 480 ha, por Cr$ 13.200.000,00. Em virtude de separação judicial ocorrida em 7 de dezembro de 1979, a referida área foi atribuída, em sua totalidade, ao Interessado (fl. 126). Assim, dos 480 ha adquiridos em 1966, 240 ha já pertenciam ao Recorrente desde então e os outros 240 ha foram adquiridos por ocasião da dissolução da sociedade conjugal, em 1979. Em 4 de novembro de 1987, o contribuinte doou a nua propriedade de 320 ha para filhos e netos, reservando para si o usufruto do imóvel (fl. 127). Em 21 de setembro de 2007 foi vendida a fração de terras sem benfeitorias, de 357,52 ha, pelo preço de R$ 1.269.200,16 (fl. 134). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17698.720072/201211 Acórdão n.º 2201003.029 S2C2T1 Fl. 170 5 Dessa área, a nua propriedade de 320 ha pertencia aos 3 filhos e aos 2 netos e o usufruto ao Interessado que, ao mesmo tempo, detinha a propriedade plena dos restantes 37,52 ha alienados. O contribuinte não apurou Ganhos de Capital na venda dos 357,52 hectares de terras, justificando que as terras foram adquiridas em 1966 (100% de redução, conforme art. 18 da Lei 7.713/88). A Fiscalização divergiu por duas razões: a uma, porque 50% do imóvel foi adquirido em 1979, quando da separação judicial; a duas, porque o contribuinte informou a alienação do imóvel como se fosse o único proprietário, sendo que, por ocasião da alienação, apenas o usufruto lhe pertencia. Lavrou, então, o presente Auto de Infração, apurando o ganho de capital na forma descrita no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 10/15. Os julgadores da instância de piso discordaram da forma de apuração efetuada pela Autoridade lançadora e entenderam que o custo de aquisição deveria ser determinado na instituição do usufruto, considerando “zero” o custo de aquisição com fundamento no § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/1988, uma vez que a instituição do usufruto teria decorrido, em 1987, de doação não onerosa. No entanto, no procedimento fiscal foi atribuído à área de 320 ha, cuja nua propriedade o Autuado havia doado a seus filhos e netos, a metade do custo relativo à propriedade plena do imóvel, nas respectivas datas de aquisição. Como o ganho de capital apurado pela Autoridade lançadora foi inferior ao apurado na decisão recorrida, entenderam os julgadores de 1ª instância que deveria ser mantido o imposto lançado pela Fiscalização. O Recorrente requer o reconhecimento de que o custo de aquisição da alienação do usufruto seja considerado o somatório dos valores constantes das certidões referentes às aquisições da propriedade plena, além da aplicação dos percentuais de redução do ganho de capital nas respectivas datas (1966 e 1979). Entendo que o pleito do Interessado deve ser atendido, pelas razões que passo a expor. O Código Civil brasileiro não definiu a propriedade. Contudo, descreveu no art. 1.228 o seu conteúdo, ao prescrever que “O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha”. Podese afirmar, então, com base no art. 1.228 do Código Civil, que os elementos da propriedade são o uso e o gozo da coisa em conjunto com a nua propriedade. O usufruto, portanto, caracterizase pela presença de dois elementos da propriedade, vale dizer, o uso (jus utendi) e o gozo (jus fruendi), que se destacam da nua propriedade, que representa o conteúdo do domínio, o juz disponendi que lhe confere a disponibilidade do bem nas formas permitidas por lei. Poderseia representar a propriedade plena, então, da seguinte maneira: usufruto (uso e gozo) + nua propriedade. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17698.720072/201211 Acórdão n.º 2201003.029 S2C2T1 Fl. 171 6 No caso concreto, o Recorrente possuía a propriedade de 240 ha em 1966 e adquiriu os outros 240 ha em 1979. Significa dizer que em 1979 o Interessado já detinha o usufruto (uso e gozo) do imóvel em conjunto com a nua propriedade (domínio). Ao doar, em 1987, a nua propriedade de 320 ha para os filhos e netos, o Interessado permaneceu com o usufruto do imóvel, desgarrandose tão somente daquela, nos limites da doação (320 ha). E assim permaneceu até 21 de setembro de 2007, quando 357,52 ha do imóvel foram alienados, ou seja, com a alienação o Interessado e seus filhos e netos se viram despojados, respectivamente, do usufruto e da nua propriedade, relativamente à área vendida. Na verdade o que foi feito pelo Recorrente foi uma doação com reserva de usufruto, conforme registrado inclusive na matrícula do imóvel (fl. 127), em que o doador, ao fazer a liberalidade, guarda para si o direito de desfrutar o bem, embora transfira o domínio do mesmo. É o contrário do usufruto comum em que um terceiro transfere ao usufrutuário os poderes de usar e gozar da coisa, permanecendo a nua propriedade com este terceiro ou transferindoa a outrem. O erro da decisão recorrida foi justamente ter tratado o presente caso como se fosse um usufruto comum, no qual o custo de aquisição é determinado na instituição do mesmo, pelo valor da escritura de instituição. Na doação com reserva de usufruto este já se encontra com o usufrutuário desde a época em que detinha o domínio, permanecendo com ele mesmo após a doação da nua propriedade. Este fato, por si só, já é suficiente, a meu ver, para a anulação da decisão recorrida. Registro, todavia, que a nulidade não será por mim proposta, haja vista que “Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta” (Decreto nº 70.235/1972, art. 59, § 3º). Isto porque no caso dos autos o uso e gozo do imóvel permaneceram com o Interessado desde quando ele detinha a propriedade (domínio) e continuou com ele por ocasião da doação com reserva de usufruto. Assim, devese atender ao pleito do Interessado, reconhecendo que o custo de aquisição do usufruto deve ser apurado mediante o somatório dos valores constantes dos documentos de aquisições da propriedade plena. Observo, por fim, que foram vendidos 357,52 ha, sendo que 240,00 ha foram adquiridos em 1966 e 117,52 adquiridos em 1979. De conseguinte, devemse aplicar os percentuais de redução sobre o ganho de capital nas respectivas datas. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17698.720072/201211 Acórdão n.º 2201003.029 S2C2T1 Fl. 172 7 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto ao custo de aquisição do usufruto. Conforme se verifica nos autos, o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que o custo de aquisição do usufruto deveria ser o do custo de aquisição da propriedade plena; in verbis: "Isto porque no caso dos autos o uso e gozo do imóvel permaneceram com o Interessado desde quando ele detinha a propriedade (domínio) e continuou com ele por ocasião da doação com reserva de usufruto. Assim, devese atender ao pleito do Interessado, reconhecendo que o custo de aquisição do usufruto deve ser apurado mediante o somatório dos valores constantes dos documentos de aquisições da propriedade plena." Contudo, ouso discordar deste entendimento e penso que o custo de aquisição deve ser mantido na forma definida pela fiscalização; qual seja a metade do custo relativo a propriedade plena do imóvel. Isto porque, por ocasião da alienação, o contribuinte só possuía o usufruto e só sobre ele deuse a apuração do ganho de capital. Como dito pelo Ilustre Relator "Ao doar, em 1987, a nua propriedade de 320 ha para os filhos e netos, o Interessado permaneceu com o usufruto do imóvel, desgarrandose tão somente daquela, nos limites da doação (320 ha). E assim permaneceu até 21 de setembro de 2007, quando 357,52 ha do imóvel foram alienados, ou seja, com a alienação o Interessado e seus filhos e netos se viram despojados, respectivamente, do usufruto e da nua propriedade, relativamente à área vendida." Se o ganho de capital só foi apurado sobre o valor do usufruto, resta evidente que o custo de aquisição a ser apurado é somente o do usufruto. Nos termos da legislação de regência, artigo 125 e seguintes do RIR, o custo de aquisição dos direitos são individualmente avaliados. Razões pelas quais deverá ser mantido o custo de aquisição lançado. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar o fator de redução aplicado ao ano de 1966 para a área de 240 ha e considerar o fator de redução aplicado ao ano 1979 para a área de 117,52 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 17698.720072/201211 Acórdão n.º 2201003.029 S2C2T1 Fl. 173 8 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11065.100830/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso.
Embargos de declaração não conhecidos
Numero da decisão: 3301-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 30 /2 00 9- 44 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100830/200944 Acórdão n.º 3301002.859 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 699,59, referente a dezembro de 2008, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 15/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100830/200944 Acórdão n.º 3301002.859 S3C3T1 Fl. 12 3 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100830/200944 Acórdão n.º 3301002.859 S3C3T1 Fl. 13 4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100830/200944 Acórdão n.º 3301002.859 S3C3T1 Fl. 14 5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10166.727298/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. MULTA REGULAMENTAR. ART 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, "c", DO CTN.
Por instituir penalidade menos gravosa do que aquela estabelecida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.873/2013, retroage para regular os ilícitos praticados pelo sujeito passivo durante a vigência da lei antiga.
Numero da decisão: 1201-001.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa regulamentar para R$ 500,00, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro João Thomé, que divergiu do Relator apenas para reduzir a multa regulamentar para R$ 1.000,00, não acolhendo a retroatividade da Lei nº 12.873/2013.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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MULTA REGULAMENTAR. ART 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158 35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, "c", DO CTN. Por instituir penalidade menos gravosa do que aquela estabelecida nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.873/2013, retroage para regular os ilícitos praticados pelo sujeito passivo durante a vigência da lei antiga. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa regulamentar para R$ 500,00, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro João Thomé, que divergiu do Relator apenas para reduzir a multa regulamentar para R$ 1.000,00, não acolhendo a retroatividade da Lei nº 12.873/2013. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 72 98 /2 01 2- 10 Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos dos arts. 33 e 34 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1262.450, exarado pela 6ª Turma da DRJ 1 no Rio de Janeiro RJ. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 1193 e ss.): O presente processo tem como objeto a exigência de R$ 4.541.017,21 a título de Multa Regulamentar por falta/atraso na entrega de arquivos magnéticos. A descrição dos fatos constante do auto de infração menciona que: • O contribuinte foi intimado a apresentar/transmitir os arquivos digitais e cópia autenticada, quando fosse o caso, das informações relativas à Folha de Pagamento, informações contábeis, LALUR e Contrato Social referentes aos anos calendário 2008 a 2011 em 28/07/2011 (data do AR), reintimado em 10/02/2012 (data do AR), e reintimado pela terceira vez em 12/06/2012 (data AR). • Todos os pedidos de prorrogação solicitados pelo contribuinte em questão foram atendidos (anexos). O último pedido de prorrogação foi entregue no protocolo da DRF, no dia 17/07/2012, desrespeitando o procedimento escrito na Intimação Fiscal: "A resposta ao presente Termo deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados, e entregue no Serviço de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal Sepac, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, Setor de Autarquias Sul, quadra 03, bloco "O", Edificio Órgãos Regionais do Ministério da Fazenda, 3º o andar, sala 321, BrasíliaDF, CEP 70079900, telefone 34124340, em horário previamente combinado." • Mesmo não tendo sido entregue em mãos ao auditor responsável, o pedido foi acatado ao conceder mais 15 dias de prorrogação a partir do dia 17/07/2012, findados no dia 01/08/2012. • O contribuinte entregou apenas o LALUR 2008. Todas as outras informações/arquivos solicitados não foram entregues/transmitidos. • “Nas três intimações ficava claro que " A não apresentação dos arquivos solicitados, sua apresentação fora do prazo estabelecido, em desacordo com a forma especificada, com omissões ou incorreções de informações sujeitam o contribuinte às multas previstas no artigo 980 do Regulamento do Imposto de Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 4 3 Renda, com as alterações do artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001” • Sendo assim, considerando que o contribuinte não entregou/transmitiu as informações/arquivos digitais referentes aos anoscalendário 2008 a 2011 e que a receita bruta da empresa, segundo as DIPJs (2008, 2009, 2010) e DACON (2011) entregues (anexas), foi de : 2008: R$ 103.843.792,13 2009:R$ 115.373.295,16 2010: R$ 109.028.402,24 2011: R$ 126.856.231,97 lançamos a multa de 1% (ver art.72 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001) sobre a receita bruta da empresa nos anoscalendário 2008, 2009, 2010 e, considerando que em 2011 o contribuinte não apresentou a DIPJ foi utilizado o DACON como fornecimento do dado de Receita Bruta: 2008: Multa = 1%XR$ 103.843.792,13 = 1.038.437,92 2009: Multa = 1%XR$ 115.373.295,16 = 1.153.732,95 2010: Multa = 1% X R$ 109.028.402,24 = 1.090.284,02 2011: Multa = 1%X R$ 126.856.231,97= 1.268.562,32 TOTAL: 4.551.017,21 O enquadramento legal indicado foi: Arts. 11 e 12, inciso III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.15834/ 2001 e reedições. A Contribuinte foi cientificada do auto de infração em 11/08/2012 conforme cópia do Aviso de Recebimento dos Correios e, irresignada, apresentou sua impugnação em 11/09/2012 aduzindo, em síntese, que: • Embora entregues os documentos pela Contribuinte, a I. Auditora, não satisfeita com os documentos apresentados, lavrou em 08/08/2012 Auto de Infração fundamentado pelo art. 11 e art. 12, inciso III, da Lei 8.218/91, sob a alegação de que a Contribuinte se negou a atender às intimações fiscais. • Na descrição dos fatos e enquadramento legal, anexo ao Auto de Infração, a Auditora informou que "O contribuinte entregou apenas o LALUR 2008. Todas as outras informações/arquivos solicitados não foram entregues/transmitidos.", (grifo nosso). • Pontuase também que a Contribuinte atendeu parcialmente as intimações fiscais, e naquilo em que foi impedido de atender Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 5 4 (por motivos alheios à sua vontade) justificou pessoalmente para a I. Auditora nos termos da carta em anexo referente à geração dos arquivos Manad 2009/2011 a qual não teve oportunidade de entregar pessoalmente à Auditora uma vez que o AI chegou antes do encaminhamento. Porém, todo o seu conteúdo havia sido exposto verbalmente à Auditora, servindo esta correspondência apenas para ratificar e documentar as informações prestadas. • Relevante salientar que a Auditora responsável informou verbalmente que somente receberia os documentos solicitados, se apresentados na sua totalidade, ou seja, que não receberia parcialmente, neste sentido, apesar de ter recebido, não forneceu recibo da documentação apresentada, ficando a Contribuinte sem a garantia da juntada de tais documentos no processo administrativo como será analisado no decorrer da defesa, o que lhe causou grandes prejuízos. Quanto ao MPF • Pela ausência do regular MPF, no bojo do processo administrativo, fica a contribuinte impossibilidade de analisar lhe e, portanto, defenderse, exercitando o plenamente o contraditório e ampla defesa, como, por exemplo atestar o escopo do trabalho a ser desenvolvido e o período de abrangência do mesmo. Vale ressaltar a máxima aplicada no âmbito do processo de que "aquilo que não está nos autos não está no mundo". • Ainda assim, o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, previsto no decreto 3.724/2001 em seu art. 2º , determina a forma de início de um procedimento fiscalizatório, bem como seu objeto, prazo, e servidor a realizálo. Confirase: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifo nosso) • A inexistência do MPF anexado ao processo administrativo, além de configurar frontalmente o princípio da Ampla Defesa e Contraditório, conforme abordado acima, também configura flagrante ilegalidade por parte da administração pública. • a Auditora responsável pela lavratura do Auto de Infração não estava autorizada a fazêlo ou se estava não logrou comprovar a existência do respectivo MPF, pelo que gera a nulidade de todos os atos dai decorrentes, segundo a teoria da "árvore dos frutos envenenados". Do abuso de poder Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 6 5 • Ocorreu flagrante abuso de poder por parte da Auditora no momento em que a Contribuinte apresentou, durante o procedimento fiscal, parte dos documentos solicitados e foi surpreendido pela afirmação da auditora de que somente daria o recibo quando recebesse os documentos na sua totalidade. • Tal conduta em se negar termo de recebimento de documentos efetivamente entregues pela contribuinte pode ser confirmada em indícios existentes no próprio Auto de Infração lavrado em que se contradiz. Vejamos: no relatório do auto de Infração (fl. 488) a I. Auditora descreveu que "O contribuinte entregou apenas o LALUR 2008. Todas as outras informações/arquivos solicitados não foram entregues/transmitidos." • Inferese que a própria Auditora reconheceu a entrega do LALUR 2008, porém esse documento entregue, como outros, não estão juntados nesse processo. • Indagase onde estaria o recibo do reconhecido documento entregue, o LALUR 2008? Não há recibo para este e para nenhum outro documento entregue pelo Contribuinte. • Assim como o LALUR 2008 e demais documentos entregues, como pode a Contribuinte entregar documentação e deixar de ser, simplesmente, anexada em seu processo? • Em outra oportunidade, ainda no Auto de Infração, a Auditora também afirma o seguinte "Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados". Percebese que há contradição nas próprias afirmações da Auditora e, assim como esse documento (LALUR 2008), outros documentos solicitados foram entregues, mas também não estão nos autos, limitandose a auditora a afirmar que o contribuinte não entregou mais nada. • Deste modo se requer análise preliminar para constatar o abuso de poder praticado pela Auditora e que invalida todo o processo administrativo na medida em que se tornou arbitrário e descabido, DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS. Folha de pagamentos em formato MANAD. • A Contribuinte entregou regularmente todos os arquivos solicitados no período de 2008 a 2010, inclusive na forma solicitada (MANAD), com exceção do ano de 2011, por explicações que apresentou. • Frisase que a Auditora se recusou a dar recibo da entrega de tais documentos por apresentarem advertências pontuais (avisos), os quais não justificam a recusa em passar recibo dos Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 7 6 mesmos. Tais advertências não foram decorrentes de nenhuma conduta do Contribuinte. • em que pese a entrega dos MANAD's, a Contribuinte sempre cumpriu com todas as suas obrigações fiscais, tributárias e previdenciárias (vide documentos em anexo), e sempre manteve registrado todos os dados na Relação Anual de Informações Sociais RAIS. • Em relação ao ano de 2011 entendemos que todas as informações solicitadas pela Secretaria da Receita Federal foram informadas na respectiva RAIS e que esta atenderia perfeitamente aos propósitos do procedimento fiscal. SPED • Quanto a estes documentos frisase que a portaria de n° 787/2007, em seu art.3ª inciso II, com as alterações da IN 926/2009, disciplinou em que momento seria obrigatório a inclusão do SPED para o caso do Contribuinte em análise. Confirase: Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto n° 6.022, de 2007: I em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de Io de janeiro de 2008, as sociedades empresárias sujeitas a acompanhamento econômicotributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB n° 11.211, de 7 de novembro de 2007, e sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 926, de 11 de março de 2009) II em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2009, as demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 926, de 11 de março de 2009) (grifo nosso) • Claramente se demonstra que durante o ano de 2008 o Contribuinte não estava obrigado a gerar SPED, pelo que é absolutamente indevida sua exigência por parte da Auditora fiscal responsável. • Em análise do ano seguinte, o SPED de 2010 (ano calendário 2009) foi regularmente transmitido em 20/02/2012 para a base de dados da Secretaria da Receita Federal antes do encerramento da ação fiscal (08/08/2012), conforme comprovante que se faz anexar nessa oportunidade. • Portanto a solicitação de documento pertencente à base de dados da Secretaria da Receita Federal, caso não seja atendida, Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 8 7 não pode impor à Contribuinte multa estratosférica, sendo que este cumpriu as devidas obrigações fiscais. • Em atenção ao ano calendário de 2010, conforme explanação no pedido de prorrogação apresentado pela Contribuinte, em que passava por mudança da empresa que administra sua contabilidade, não houve tempo hábil para a correta geração e digitalização dos documentos solicitados, até porque os softwares utilizados pelas empresas de contabilidade são distintos, o que gera extenso volume de trabalho para reunir excessiva quantidade de informações em curto tempo. • Ainda assim, foram solicitados novamente outros pedidos de prorrogação de prazo, pelo que a Contribuinte, enquanto finalizava a apresentação do SPED 2010, foi surpreendido pelo respectivo Auto de Infração, pelo que se coloca, nesse momento à disposição de apresentação de todo e qualquer documento. LALUR • Quanto a essa solicitação, a Contribuinte apresentou o LALUR (livro de apuração do lucro real), referente aos anos 2008 a 2010. • Contudo, a exemplo do alegado recebimento do LALUR 2008, os demais livros não foram juntados no presente processo e também não foram entregues recibos para Contribuinte, pelo que é descabida a alegação que a Contribuinte não teria atendido a essa solicitação, porque, efetivamente o fez. • Ademais, em relação a esses documentos, ainda que efetivamente entregues pela Contribuinte, temse que é totalmente desnecessário para a correta fiscalização, tendo em vista que sempre foram regularmente apresentadas as DIPJ's que, inclusive, foram objetos de consulta pela I. Auditora para cálculo da aplicação sancionatória do presente processo, e apresentadas no bojo dos autos. • Apesar da exigência legal, prescinde a solicitação da LALUR para o aferimento da regularidade fiscal da Contribuinte. Contendo na DIPJ todas as informações necessárias existentes no LALUR, em especial no que trata dos lucros da pessoa jurídica e dos seus ajustes. Contrato Social e Alterações • No que pertine ao Contrato Social e alterações solicitadas, temse que este é de conhecimento público e notório, registrado na junta comercial do Distrito Federal, e que a qualquer momento pode ser acessado pelos auditores da Secretaria da Receita Federal, sendo completamente irrazoada a aplicação de multa milionária pela ausência de apresentação de documento reconhecidamente público. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 9 8 • A Auditora responsável tem o poder de acessar informações públicas registradas em cartório ou na Junta Comercial para conferir a regularidade deste ou daquele contribuinte. Contudo, nesse caso, não o fez, preferindo a postura da inércia estatal, e com isso resultou na aplicação de penalidade extremamente gravosa ao Contribuinte. DA REGULARIDADE FISCAL E CONTÁBIL • A fim de esclarecimento e complemento das informações já prestadas, temse que a Contribuinte fiscalizado sempre arcou com todas as tributações impostas, efetuando rigorosamente os recolhimentos de todos os impostos, contribuições, e demais obrigações tributárias principais e acessórias que lhe são concernentes. • Podese observar da documentação que ora se faz anexar de forma digital, que sempre houve regularidade no pagamento dos tributos federais e cumprimento das obrigações previdenciárias, conforme guias de pagamentos à Previdência Social. • A regularidade fiscal do Contribuinte não pode ser deixada de lado, a fim de observar somente um possível descumprimento de obrigação acessória, sendo que dai decorre o entendimento civilista, e passível de ser aplicado ao caso, de que o acessório segue o principal e com ele deve se relacionar. E na oportunidade não houve descumprimento de obrigação principal, tendo em vista o regular recolhimento dos impostos, e, portanto, indevida a aplicação de multa isolada. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA • em cotejo do patrimônio líquido da empresa a aplicação da penalidade irrazoada de 4.5 milhões representa mais de três vezes o valor do seu patrimônio líquido, o que pode resultar na inviabilidade da continuidade da empresa com a possibilidade de encerramento de suas atividades, tal é o peso da penalidade imposta. • Apesar de ser medida punitiva, tratase de coação de cunho educativo, ou seja, sua aplicação busca a não reincidência da infração cometida. Não deve, portanto, se exprimir em valores que fujam da realidade econômica da Contribuinte. A contribuinte transcreve várias ementas de Tribunais Regionais Federais, Supremo Tribunal Federal e ensinamentos doutrinários. Termina sua impugnação requerendo: a) Seja acolhida a preliminar suscitada referente à nulidade ante a ausência do respectivo Mandado de Procedimento fiscal MPF no bojo do processo administrativo. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 10 9 b) Seja acolhida a preliminar referente ao Abuso de Poder praticado pela I. Auditora, em que se recusou a dar recibo nos documentos entregues pelo Contribuinte, ferindo o Contraditório e a Ampla Defesa; c) Caso não sejam atendidos os pedidos acima, que se recalcule as multas para que seja aplicada com base no lucro real ou patrimônio líquido da empresa e então arbitrada obedecendo aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. A competência territorial para julgamento do presente processo foi transferida para esta DRJ pela Portaria Sutri nº 256 de 27/02/2013. Vindos os autos a julgamento verificouse que somente houve uma intimação exigindo informações relativamente ao ano calendário de 2008 relacionadas à folha de pagamento e informações contábeis. Posteriormente somente houve intimação relativa a este anocalendário para que fossem trazidas cópias dos boletins de subscrição caso tivessem sido emitidas de ações ou debêntures. Verificouse, também, que uma das alegações da contribuinte, de que transmitira a ECD referente ao anocalendário de 2009 em 20/02/2012 poderia influenciar no resultado do julgamento se, em havendo a citada transmissão, suprisse as exigências da IN MPS/SRP nº 12/2006 conforme prevê o artigo 6º, I, da IN RFB nº 787/2007. Em seguida foi proposta a diligência de fls. 904/905 para que fosse esclarecido se houve atendimento às determinações do termo de Início com relação às informações referentes ao ano calendário de 2008; se foi transmitida a ECD como a contribuinte alegou e, se procedente, se supriu as informações requeridas. Caso não tenham sido atendidas as exigências que fossem informadas as pendências. A unidade preparadora em atendimento à diligência informou, em síntese, que: a) Com relação ao anocalendário de 2008 não foi solicitado nos últimos dois termos de intimação porque a diligências inicial ainda não estava encerrada, estando válido o Termo de Início de Procedimento Fiscal. b) Do solicitado nas três intimações foram entregues/transmitidos apenas o LALUR referente aos anos calendário de 2008 a 2010 e a transmissão da contabilidade relativa ao ano calendário de 2009 em 20/02/2012 conforme alega a contribuinte. c) Não foram entregues em cada ano calendário • 2008: Informações da Folha de Pagamento e Informações Contábeis. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 11 10 • 2009: Informações da Folha de Pagamento, cópia do contrato social e alterações. • 2010: Informações da Folha de Pagamento, cópia do contrato social e alterações, transmissão FCONT e transmissão de informações contábeis. • 2011: Informações da Folha de Pagamento, cópia do contrato social e alterações e transmissão de informações contábeis. A contribuinte foi cientificada do resultado da diligência em 27/09/2013 e, em 29/10/13 aditou impugnação acostada às fls. 927/1097, que, em síntese, possui as seguintes alegações: a) Que os documentos afirmados como não entregues não condizem com os fatos, ante as explicações e comprovações apresentadas na impugnação. O que ocorreu é que os documentos entregues não foram juntados neste processo administrativo, sendo flagrante o abuso de poder por parte da auditora que informou que só passaria recibo se os documentos fossem apresentados em sua totalidade. b) Para que não haja prejuízo são trazidos os documentos apontados como não entregues (indevidamente), a fim de demonstrar toda a lisura do contribuinte que sempre disponibilizou sua documentação e que, desse modo, demonstra a impossibilidade de manter um auto de infração sob a única fundamentação de ausência de entrega de documentos solicitados. c) Frisase que nos arquivos entregues e anteriormente disponibilizados existem erros gerados pelo próprio sistema que não previu com satisfação todas as situações do mundo fático e que, por excepcionalidade, não podem ser considerados culpa da contribuinte. A contribuinte finaliza concluindo que os documentos apontados como não entregues sempre estiveram à disposição da auditora que recusou o recebimento em parte e não firmou recibo o que não invalida a documentação fiscal e contábil da contribuinte a ponto de ser cobrada multa confiscatória por mera alegação de ausência de entrega de documentos. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação, para retificar o termo a quo da contagem dos dias de atraso na entrega dos arquivos em meio digital, e reduzindo assim o valor da multa regulamentar. Ademais, por haver eximido o sujeito passivo do pagamento de encargos de multa em montante superior ao limite de sua alçada, submeteu seu julgado a reexame oficial por parte deste Conselho. Irresignada com a parcela da multa mantida, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 1274 e ss.). Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. 2) DO RECURSO VOLUNTÁRIO De acordo com o relato da fiscalização, os fatos que ensejaram a imposição da multa regulamentar sob exame são os seguintes (fl. 489 e ss.): a) a fiscalizada foi intimada e por duas vezes reintimada a apresentar os arquivos digitais e cópia autenticada, quando fosse o caso, das informações relativas à folha de pagamento, informações contábeis, Lalur e contrato social referentes aos anoscalendários de 2008 a 2011; b) a contribuinte pediu diversas prorrogações de prazo para apresentação dos documentos solicitados, havendo todos eles sido deferidos pela fiscalização; c) vencido o prazo estabelecido no último pedido de prorrogação, a fiscalizada, ainda assim, deixou de apresentar os documentos solicitados, com exceção do Lalur do ano de 2008. Tendo em vista que a fiscalizada deixou de entregar os arquivos em meio digital a ela solicitados, a autoridade fiscal impôs multa no montante de R$ 4.541.017,21, equivalente a 1% do faturamento verificado nos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011, a teor do disposto nos abaixo transcritos arts. 11 e 12, III, da Lei nº 8.218/91. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 13 12 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) A DRJ de origem reduziu o montante da multa para R$ 637.142,39 por haver entendido que o último prazo para apresentação dos documentos foi excedido em apenas sete dias, razão pela qual a penalidade deveria ser calculada mediante a aplicação de 0,14%, e não de 1%, sobre a receita de cada ano. Em seu recurso a interessada alega, em preliminar, ter havido abuso de direito por parte da autoridade tributária, em especial por haver recusado a receber os arquivos em meio digital que lhe foram dirigidos sob o argumento de conterem advertências (avisos). O alegado abuso de direito, entretanto, não foi provado. Ademais, poderia a fiscalizada solicitar que a autoridade tributária expusesse por escrito as razões da recusa do recebimento e, em caso de negativa, recorrer aos superiores hierárquicos da autoridade tributária. No mérito, alega: a) haver apresentado à fiscalização os arquivos digitais da folha de pagamento de 2008, 2009 e 2010 na forma prevista no MANAD. Reconhece não haver apresentado o arquivo referente ao ano de 2011; b) que estava desobrigada a transmitir ao SPED a escrituração contábil digital (ECD) relativa à 2008, e que transmitiu a ECD referente a 2009 em 20/02/2012, antes do encerramento da ação fiscal; c) apresentou o LALUR para os anos de 2008, 2009 e 2010; d) o contrato sociais e respectivas alterações são de conhecimento público; e) sempre arcou com suas responsabilidades fiscais. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 14 13 Pois bem, embora a contribuinte estivesse obrigada a transmitir ao sistema público de escrituração digital (SPED) sua escrituração contábil digital (ECD) relativa ao ano de 2009 e seguintes, o fato é que, ao menos em relação ao arquivo em meio digital relativo à folha de pagamentos, permaneceu a obrigação de apresentação à fiscalização. Como não houve comprovação da apresentação, entre outros, dos arquivos em meio digital pertinentes à folha de pagamentos, deverseia manter a imposição da multa regulamentar. Todavia é de se ter em conta a aplicação retroativa da multa estabelecida no art. 8º da Lei nº 12.766/2012, que deu nova redação ao art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, por ser esta penalidade menos gravosa do que aquela que foi imposta à ora recorrente, nos termos do art.106, II, "c", do CTN. A respeito das multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766/2012, e sua relação com as multas estabelecidas nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/91, a própria RFB, por meio de seu Parecer Normativo nº 3/2013, reconhece o seguinte: Relatório O presente Parecer Normativo cuida em analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário. 2. Antes da publicação da Lei nº 12.766, de 2012, assim dispunha o art. 57 da MP nº 215835, de 2001: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 15 14 acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 16 15 apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. 3. Com esse quadro, sete questionamentos são feitos: (i) ocorreu revogação tácita dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a falta de disposição específica; (ii) como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57; (iii) como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001; (iv) continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, e do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004; (v) como ficam as multas envolvendo o Simples Nacional (vi) como interpretar o aspecto quantitativo da nova multa; e (vii) há consequência no trabalho de compensação, restituição e ressarcimento? Fundamentos (i) Ocorreu revogação tácita dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a falta de disposição específica? (Grifamos) 4. Para responder o primeiro questionamento, utilizarseão os elementos da regramatriz de incidência para verificar se as multas tratam do mesmo objeto. A regramatriz possui no antecedente da norma os elementos material, espacial e territorial, enquanto o consequente possui o quantitativo (base de cálculo e alíquota) e o pessoal. Vide o quadro abaixo: (...) 4.1. O legislador poderia ter dado nova redação ao art. 72 da MP nº 215835, de 2001, o qual deu a atual redação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, em vez de ter alterado o art. 57 da MP. Se não o fez, chegase à conclusão que tais dispositivos continuam vigentes, com exceção das situações de incompatibilidade com o novo art. 57. Isso tendo em vista o critério cronológico, já que eles têm o mesmo grau hierárquico e são normas específicas. Analisamse de forma comparada, portanto, os elementos do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, com os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991; 4.2. No elemento pessoal, o sujeito passivo da Lei nº 8.218, de 1991, é a pessoa jurídica que utiliza sistema eletrônico de processamento de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. Já a multa da Lei nº 12.766, de 2012, não possui delimitação. É apenas o sujeito passivo, ou seja, qualquer um cuja conduta contrária ao direito enseje a sanção. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 17 16 4.3. O elemento material possui verbos distintos. Enquanto a nova lei fala em “deixar de apresentar” declaração demonstrativo ou escrituração digital, ou os “apresentar com incorreções ou omissões”, a Lei nº 8.218, de 1991, traz, no art. 11, a conduta esperada, que é “manter à disposição” os respectivos arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas destinatárias da conduta: os “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A multa é pela sua inobservância. 4.4. Na literalidade do disposto na Lei nº 12.766, de 2012, a multa é para aqueles sujeitos, quaisquer que sejam, que não apresentem ou o façam incorreta ou intempestivamente declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Eles não apresentam, mas possuem a escrituração eletrônica. Já a Lei nº 8.218, de 1991, é para aquelas pessoas jurídicas que nem mantêm os arquivos digitais e sistemas à disposição da fiscalização de maneira contínua. Objetivamente a infração ocorre (seu “fato gerador”) com a não apresentação, apresentação incorreta ou intempestiva, mas os elementos materiais são distintos. (Grifamos) 4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressaltese que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. (Grifamos) 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 215835, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comproválo, aplicase a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). (Grifamos) 4.7. Caso tais arquivos não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei nº 12.766, de 2012, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Isso porque é uma conduta cuja sanção não se encontra na multa da Lei nº 12.766, de 2012, mas na do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Esse último dispositivo continua em vigência e Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 18 17 deve ser aplicado quando não haja divergência com a nova lei. (Grifamos) 4.8. Desse modo, não houve revogação dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Eles continuam em vigência juntamente com o novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. (ii) Como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57? (Grifamos) 5. Quanto ao prazo definido no inciso II do atual art. 57 da MP nº 215835, de 2001, (45 dias), conforme a regramatriz contida no quadro do item 4, ele tem como único objetivo delimitar o aspecto temporal da multa da Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, ele não se aplica a quaisquer outras situações da RFB que não a entrega de arquivos digitais ou a prestação de esclarecimentos sobre eles. A permissão geral de a RFB dispor sobre prazos para o cumprimento de obrigações acessórias contida no art. 16 da Lei nº 9.779, de 1991, subsiste. A sua menção no caput do art. 57 da MP nº 215835, de 2001, teve por objetivo simplesmente dar a base legal de exigência da obrigação acessória específica, não tendo o condão de extrapolar o prazo a situações outras que não a prevista no caput do novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 5.1. Esse prazo de quarenta e cinco dias é meramente o aspecto temporal da regramatriz da nova multa, subordinada ao aspecto material (deixar de apresentar, nos prazos fixados, declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos), e não se aplica para a intimação para apresentar recibo ou comprovante de entrega ou número de identificação dos arquivos digitais, desde que não implique prestar esclarecimentos. (...) 5.5. Logo, o prazo de 45 dias do inciso II do art. 57 da MP nº 215835, de 2001, é o aspecto temporal da multa do caput desse artigo, aplicandose apenas à intimação para apresentar arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos sobre eles. (Grifamos) (...) Conclusão 10. Em conclusão: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, motivo pelo qual continua em vigência; Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 19 18 c) A comprovação da ocorrência do aspecto material da multa dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, deve ser feita de forma inequívoca. A simples não apresentação de arquivo, demonstrativo ou escrituração digital sem outras provas que comprovem que a escrituração não ocorreu se amolda ao aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O mero indício sem a comprovação da falta da escrituração digital enseja a aplicação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, em respeito ao art. 112, inciso II, do CTN; d) O prazo de 45 dias do inciso II do art. 57 da MP nº 215835, de 2001, é o aspecto temporal da multa do caput desse artigo, aplicandose apenas à intimação para apresentar declaração, demonstração ou escrituração digital ou prestar esclarecimento sobre elas; (...) No caso dos presentes autos, em que ao menos os arquivos da folha de pagamentos referentes aos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 não foram apresentados à fiscalização, e por força da retroatividade benigna de que cuida o art. 106, II, "c" do CTN, seria de se aplicar retroativamente a multa prevista no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766/2012, por ser esta menos gravosa do que a mantida pela DRJ de origem com fundamento nos arts. 11 e 12, III, da Lei nº 8.218/91. Todavia, após a publicação do referido Parecer o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 sofreu nova alteração pela Lei nº 12.873/2013, que lhe deu a seguinte redação: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) Em sendo assim, por ser ainda mais benéfica que a anteriormente estabelecida, pois reduzida de R$ 1.000,00 para R$ 500,00 por mêscalendário, a multa em comento deve ser calculada de acordo esta última norma. Uma vez que o início da contagem do incumprimento do prazo para apresentação dos documentos se deu em 01/08/2012 e encerrouse em 08/08/2012 (data da Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727298/201210 Acórdão n.º 1201001.418 S1C2T1 Fl. 20 19 lavratura do auto de infração) há que se considerar apenas um mêscalendário, devendo portanto a multa ser reduzida a R$ 500,00. 3) DO RECURSO DE OFÍCIO A DRJ de origem reduziu a multa regulamentar em R$ 3.903.874,82 por haver entendido que o último prazo para apresentação dos documentos foi excedido em apenas sete dias, razão pela qual a penalidade deveria ser calculada mediante a aplicação de 0,14%, e não de 1%, sobre a receita de cada ano. Este é o montante da multa objeto do recurso de ofício. Pelas razões expostas no item 2 deste voto, em especial a questão da retroatividade benigna do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.873/2013, entendo correto, por este motivo, a afastamento da multa decidido pela DRJ. 4) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por negar provimento ao recurso de ofício e por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa regulamentar para R$ 500,00. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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