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Numero do processo: 10480.908673/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.294
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 73 /2 01 2- 50 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908673/201250 Acórdão n.º 3201002.294 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.567, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908673/201250 Acórdão n.º 3201002.294 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908673/201250 Acórdão n.º 3201002.294 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908673/201250 Acórdão n.º 3201002.294 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908673/201250 Acórdão n.º 3201002.294 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908673/201250 Acórdão n.º 3201002.294 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000320/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 105-01.387
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Numero do processo: 19647.010345/2007-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1994
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CONTAGEM DO PRAZO DE PRESCRIÇÃO.
Nos termos da norma geral do art. 132 do Código Civil, os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência.
Por força do art. 168 do CTN não se declara a prescrição de pedido de restituição de tributo protocolado no mesmo dia e mês do quinto ano subsequente ao transito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-004.587
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conheceram; e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento para afastar a decadência, com retorno à DRJ para análise das demais questões da manifestação de inconformidade.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CONTAGEM DO PRAZO DE PRESCRIÇÃO. Nos termos da norma geral do art. 132 do Código Civil, os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Por força do art. 168 do CTN não se declara a prescrição de pedido de restituição de tributo protocolado no mesmo dia e mês do quinto ano subsequente ao transito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório do contribuinte.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1989 a 31/07/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CONTAGEM DO PRAZO DE PRESCRIÇÃO. Nos termos da norma geral do art. 132 do Código Civil, os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Por força do art. 168 do CTN não se declara a prescrição de pedido de restituição de tributo protocolado no mesmo dia e mês do quinto ano subsequente ao transito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conheceram; e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento para afastar a decadência, com retorno à DRJ para análise das demais questões da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 03 45 /2 00 7- 89 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 19647.010345/200789 Acórdão n.º 9202004.587 CSRFT2 Fl. 392 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tomando como base o relatório de fls. 277, esclareço que tratase de pedido de restituição interposto em 01/10/2007 por meio do qual o Contribuinte requereu a devolução das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações de autônomos, administradores e avulsos, em consonância com decisão no processo n° 96.00038473, da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba. Exarada a decisão de fls. 96/97 dos autos digitalizados, foi denegando o pedido do contribuinte por decurso de prazo para pleitear a restituição e pelo fato de o objeto da ação judicial dizer respeito ao direito à compensação. O contribuinte foi cientificado do indeferimento do pedido de restituição, apresentando manifestação de inconformidade (fls. 101/121). A decisão da Delegacia de Julgamento DRJ no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Após o trâmite processual, foi apresentado Recurso Voluntário o qual também foi julgado improcedente. Por meio do acórdão nº 2803003.696 a 3ª Turma Especial entendeu pela prescrição do direito do contribuinte. Nas palavras do relator: Segundo orientação da jurisprudência, o prazo para realizar restituição do indébito é prescricional, isto porque o termo pleitear só pode ser entendido como de exercício da pretensão, inclusive judicialmente, estando diretamente relacionado ao direito de ação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ vem se firmando no sentido de que o início da contagem do prazo para ajuizamento da ação de repetição de indébito é a partir do trânsito em julgado da referida ação declaratória, conforme preceitua o inciso II, do art. 168 do CTN... Diante dos fatos, temse que a aplicabilidade legal do prazo prescricional está amparado no art. 168 do CTN, diferentemente do alegado pelo contribuinte. Existe prazo legal para o exercício Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19647.010345/200789 Acórdão n.º 9202004.587 CSRFT2 Fl. 393 3 da compensação após o trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito tributário. Não há que se falar em direito potestativo quando a lei determina prazo para a compensação de valores. Não assiste razão a tese do contribuinte de que o prazo prescricional para reaver o indébito tributário é de 10 (dez) anos e que foi mantido pela lei complementar 118/2005. Consta da decisão recorrida que a decisão judicial favorável transitou em julgado em 01/10/2002, o pedido de restituição feito em 01/10/2007, ou seja, no dia posterior ao término do prazo qüinqüenal para fazêlo, assim foi extemporâneo. Contribuinte apresentou Recurso Especial onde argumenta divergência de interpretação do acórdão recorrido em relação a contagem do prazo prescricional. Defende com base na Lei 810/49 e no art. 132, §3º do Código Civil que esse se extingue no mesmo dia e mês da data do trânsito em julgado da decisão judicial. O despacho de admissibilidade baseandose no acórdão paradigma nº 301 33.228 conheceu do Recurso Especial e delimitou sua matéria à discussão acerca da forma da contagem do prazo previsto no art. 168 do CTN. Foram apresentadas contrarrazões. Pugna o Procurador pelo não conhecimento do recurso, argumentando que o objeto referese a matéria fática. No mérito argumenta ser aplicável ao caso o entendimento do REsp 1.110.578/SP, do RE 561.908 e da Súmula CARF nº 91. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Não há considerações a serem feitas acerca do conhecimento do recurso. Ao contrário do alegado pelo Recorrido não se busca por meio do presente Recurso Especial o reexame fáticoprobatório por ventura discutido nos autos. Se quer há divergência quanto a natureza dos créditos reclamados pelo Contribuinte, a ocorrência do pagamento indevido ou a maior foi discutida no Judiciário o qual reconheceu o direito ao Contribuinte. O que se busca é dirimir a divergência acerca do termo final do prazo para o Contribuinte realizar seu direito creditório. O despacho de admissibilidade é cristalino: o cotejo Fl. 393DF CARF MF Processo nº 19647.010345/200789 Acórdão n.º 9202004.587 CSRFT2 Fl. 394 4 levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que a contagem de prazo findava um dia antes de cinco anos do dia e mês do termo a quo, o primeiro paradigma decidiu em sentido diverso, entendendo como prazo final exatos cinco anos do dia e mês do termo a quo. Diante do exposto conheço do Recurso Especial. Do mérito: Conforme descrito no relatório, a discussão do presente Recurso Especial restringese a definir qual seria o termo final do prazo do Contribuinte exercer seu direito creditório previsto no art. 168 do CTN. Ao contrário do que argumenta o ilustre Procurador não se discute o termo inicial e por isso não há que se falar em aplicação do REsp 1.110.578/SP, do RE 561.908 e muito menos da Súmula CARF nº 91. O objetivo é definir se o prazo em questão se encerra, após cinco anos, no mesmo dia e mês da data do trânsito em julgado de decisão judicial ou no dia anterior? No presente caso a decisão judicial transitou em julgado no dia 01/10/2002 e o pedido de restituição foi protocolizado em 01/10/2007. Entendo que não ocorreu a prescrição. Nos termos da norma geral do art. 132 do Código Civil, os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência: Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computamse os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerarseá prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. § 2o Meado considerase, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contarseão de minuto a minuto. De toda forma, ainda que se adotasse o entendimento da decisão recorrida termo final como o dia anterior ao mesmo dia e mês do trânsito em julgado, deveríamos nos atentar para as regras presentes no art. 210 do CTN: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19647.010345/200789 Acórdão n.º 9202004.587 CSRFT2 Fl. 395 5 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso o dia anterior ao mesmo dia e mês do trânsito em julgado seria o dia 30 de setembro de 2007. Consultado o calendário de 2007 constatamos que tal data se deu em um domingo, dia em que não há expediente nas repartições da Receita Federal. Assim por força do parágrafo único do citado art. 210 do CTN o vencimento do prazo seria prorrogado para o dia 01/10/2007 (segundafeira), data essa em que ocorreu o protocolo do pedido de restituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso interposto pelo Contribuinte para afastar a decadência, consequentemente determino o retorno dos autos à DRJ para análise das demais questões da manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 395DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.013337/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 10/01/2002 a 12/03/2004
MULTA REGULAMENTAR IPI/II - PRODUTOS ESTRANGEIROS EM SITUAÇÃO IRREGULAR - IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA
RECURSO INTEMPESTIVO
Escoado o prazo legal para interposição do recurso voluntário após a fixação do edital em que dava ciência da decisão DRJ, o recurso apresentado após aquele prazo é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3402-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso em virtude de sua intempestividade
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/01/2002 a 12/03/2004 MULTA REGULAMENTAR IPI/II - PRODUTOS ESTRANGEIROS EM SITUAÇÃO IRREGULAR - IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA RECURSO INTEMPESTIVO Escoado o prazo legal para interposição do recurso voluntário após a fixação do edital em que dava ciência da decisão DRJ, o recurso apresentado após aquele prazo é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso em virtude de sua intempestividade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/01/2002 a 12/03/2004 MULTA REGULAMENTAR IPI/II PRODUTOS ESTRANGEIROS EM SITUAÇÃO IRREGULAR IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA RECURSO INTEMPESTIVO Escoado o prazo legal para interposição do recurso voluntário após a fixação do edital em que dava ciência da decisão DRJ, o recurso apresentado após aquele prazo é intempestivo, pelo que dele não se deve tomar conhecimento. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso em virtude de sua intempestividade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 33 37 /2 00 7- 81 Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase auto de infração lavrado (fls. 53/80) para a exigência da multa regulamentar do IPI prevista no artigo 83, inciso I da Lei 4.502/64 e art. 631 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02), no valor total de R$ 16.256.396,44 (fl. 80), decorrente de auditoria e revisão das operações de importação realizadas pela contribuinte. Concluiu a fiscalização, com base nos fatos que discorro na sequência, pela tipificação da ocorrência de produto estrangeiro em situação irregular (importação irregular ou fraudulenta) dado a consumo ou entregue a consumo. No item 6 do relatório fiscal (fl. 99 e segs.), consta a sistemática da apuração dos valores lançados, e às fls. 205/459, inserto o demonstrativo dos valores. O valor comercial das mercadorias considerado para fins das multas aplicadas foram os valores constantes nas declarações de importação, acrescidos dos valores de II e do IPI calculados sobre as bases apuradas, conforme item 6.2 daquele sumário fiscal. Informa a fiscalização aduaneira (fls. 83/101) que foram analisadas as operações de importação do período compreendido entre janeiro de 2002 e novembro de 2005, a partir de informações obtidas pela fiscalização da RFB no processo que levou à inaptidão da empresa, em decorrência de documentos apreendidos na denominada 'Operação Narciso', realizada com a participação da Receita Federal do Brasil, do Ministério Público Federal de Guarulhos e da Polícia Federal. Naquele processo a conclusão final foi de que a empresa atuava como pessoa interposta, de maneira fraudulenta, em operações de comércio exterior. Documentos apreendidos na empresa autuada e na Boutique Daslu (nome fantasia da empresa NSCA Indústria, Comércio, Exportação e Importação Ltda.) trouxeram fundamentos à fiscalização para concluir que a Kinsberg fazia parte, juntamente com outras empresas, de um esquema que consistia em realizar operações de importação com a ocultação do real adquirente, por meio de interposição fraudulenta, do que resultou a declaração de Inaptidão da Kinsberg, em 24/11/2005, com efeitos retroativos a partir de 10/01/2002. Essas ações tinham como objetivo burlar o disposto no art. 2° c/c inciso IX do art. 9° do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002), equiparando o importador a estabelecimento industrial para fins de tributação do IPI, quando da saída dos produtos adquiridos do exterior, o que se dá mesmo em operações realizadas por conta e ordem. O "esquema" visava o não recolhimento de IPI pela Daslu, real adquirente, nas saídas dadas pela loja quando da comercialização dos produtos importados, e na subvloração do valor real das mercadorias importadas, de modo a recolher menos tributos incidentes sobre esse valor. Seguem os resumos esquemático da fraude, conforme consta do relatório fiscal (fl. 84): Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.013337/200781 Acórdão n.º 3402003.194 S3C4T2 Fl. 1.116 3 O auto de infração objeto deste processo abrange as mercadorias importadas para as quais a fiscalização não identificou os reais adquirentes, enquanto no processo n° 10314.011771/200727, o qual encontrase distribuído à 1ª TO da 2ª Câmara desta 3ª Seção, tem por objeto as exações relativas às mercadorias importadas pela Kinsberg, tendo como real adquirente a Boutique Daslu. OS FATOS Os procedimentos acautelatórios relacionados com a empresa sob análise foram realizados pela Alfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP, no período de 22/01/2004 a 11/02/2004, mediante o exame das operações de importação processadas pelas declarações de importação n°s. 04/00653235, 04/00835686, 04/01127731 e 04/1325177. As mercadorias foram retidas e objeto de procedimento especial naquela Inspetoria, como previsão na IN SRF n° 206/2002. Desse procedimento, alguns fatos que merecem destaque: a exportadora indicada nas DI's era a empresa belga S.A . Intershipar N.V. que, segundo foi apurado tratase de uma empresa concessionária de serviços de transporte no mercado interno; e, de janeiro/1999 a dezembro/2003, nas operações realizadas constava como exportadora a mesma empresa; na verificação física das mercadorias, apurouse que as referidas mercadorias tinham representante exclusivo no País (ex. Zeco Trading que representava o Grupo Ermenegildo Zegna, e a Empório Armani); no exame dos preços das mercadorias importadas, numa comparação com aqueles das mercadorias importadas diretamente dos fabricantes, foi apurado que a intermediação da Intershipar servia para promover o refaturamento das mercadorias, reduzindo o valor aduaneiro e também os tributos a serem recolhidos (ex. terno Ermenegildo Zegna, valor de US$354,00/371,70 constava na fatura de aquisição da Kinsberg como US$35,00; calças de valor de US$128,00 eram faturadas para a Kinsberg por US$10,00, etc.); Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 os preços praticados nas importações da Kinsberg eram todos abaixo daqueles praticados nas importações por revendedor autorizado e mesmo por aqueles de venda via internet ou distribuidor autorizado no País (chegando a ser menos que 5% do valor pago pelo revendedor autorizado); os preços adquiridos pela Kinsberg eram os mesmos praticados na saída da mercadoria para o real importador. Diante desses robustos indícios da existência de um esquema fraudulento, diversas empresas também foram investigadas com a participação de outros órgãos (MPFPF), resultando na "Operação Narciso", amparada por mandado de busca e apreensão (processo .2005.61.19.0044092 no juízo da 2a Vara da Justiça Federal de Guarulhos/SP). Nesse interim, a Kinsberg já passara a ser objeto, pela IRF/SPO (que jurisdiciona o local da sede daquela empresa), de procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, nos termos da IN SRF 228, de 21/10/2002. Dessa fiscalização resultou o processo de representação para inaptidão de seu CNPJ, autuado em 30/05/2005, tombado sob nº 10314.006116/200595. Ao final desse procedimento foi editado o Ato Declaratório Executivo nº 72, de 21/11/2005, no qual foram declarados inidôneos todos os documentos fiscais desde 10/01/2002, data em que a empresa promoveu o primeiro registro de uma declaração de importação. Porém, anota o Fisco, a ação fiscalizatória não terminou com a edição daquele ADE, sendo até intensificados a partir da análise dos documentos apreendidos na autuada e na empresa DASLU. OPERAÇÕES DA KINSBERG Os documentos apreendidos na Operação Narciso mostram o conluio entre a Kinsberg e a Boutique Daslu na ocultação desta como a real adquirente das mercadorias importadas, tendo como objetivo evitar a equiparação da Daslu como empresa industrial para fins de tributação do IPI quando da comercialização das mercadorias e a constatação do recolhimento a menor dos tributos decorrente do subfaturamento no preço das mesmas na operação de aquisição no exterior. Igualmente constatada a simulação quando da compra das mercadorias no mercado interno. A Daslu negociava diretamente com os fabricantes e fornecedores no exterior, indicando as importadoras para as quais deveriam ser faturadas as mercadorias, em nome de quem a empresa deveria emitir a fatura comercial, a não inclusão nos volumes importados de cópias das faturas ou documentos que indicassem valores (tais informações foram obtidas pelo MPF mediante depoimento de exfuncionário), além de outros fatos. O esquema abaixo sintetiza essa fraude: Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.013337/200781 Acórdão n.º 3402003.194 S3C4T2 Fl. 1.117 5 A DASLU negociava diretamente com os fabricantes estrangeiros as mercadorias que seriam adquiridas, os preços e condições de pagamento (realizados diretamente com aquela). Ela também orientava os fabricantes acerca dos procedimentos que deveriam ser adotados em relação à documentação emitida, conforme constatado no curso da fiscalização. Dentre essas orientações constavam instruções de que toda a documentação (incluindo a proforma invoice) fosse emitida em nome da Kinsberg e de que a proforma invoice original deveria ser remetida diretamente para o endereço da Daslu. Os fornecedores encaminhavam para a Daslu a proforma invoice, contendo a relação fidedigna das mercadorias adquiridas, as quantidades, qualidade e preço, sendo que a emissão da fatura pelo fabricante era sempre em nome da Daslu ou combinado com outra empresa. Arrimase o Fisco na peça acusatória do MPF na ação penal 2005.61.19.0003880, quanto às condutas dos administradores da Daslu, Eliana Tranchesi e Antônio Carlos Piva de Albuquerque, cujos excertos foram transcritos no relato fiscal e que a seguir reproduzo: Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.013337/200781 Acórdão n.º 3402003.194 S3C4T2 Fl. 1.118 7 À Kinsberg cabia produzir as faturas com preços subfaturados, registrar as declarações de importação e providenciar o desembaraço das mercadorias, de acordo com o que consta do mesmo libelo acusatório que reproduzo. Registra o Fisco que o processo que levou à inaptidão da Kinsberg no CNPJ "logrou êxito ao demonstrar que os recursos utilizados pela Kinsberg não eram próprios e sim de adquirentes ocultos, sendo que alguns, até o momento, são desconhecidos". Portanto, as operações realizadas pela Kinsberg, concluiu a fiscalização, enquadravamse na modalidade de interposição fraudulenta. Caso das mercadorias que deram azo a presente exação. No processo de inaptidão ficou demonstrado que os recursos utilizados pela Kinsberg nas operações de importação eram de adquirentes ocultos, alguns conhecidos (p.ex., a Daslu), outros ainda desconhecidos. Naquele procedimento, de que cuida o item 4 do Relatório Fiscal fls. 92/93, fica evidenciado que a empresa nunca chegou a apresentar a documentação solicitada em diversas intimações, mesmo tendo sido comunicada por meio de seu procurador, Tad Ttsuka, que poderia fazêlo a qualquer tempo com vistas a reverter a situação da inscrição no cadastro do CNPJ. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Às fls. 102/164, cópia da denúncia do MPF antes referida, em que o administrador da recorrente, André de Moura Beuckers é denunciado como "efetivo administrador da importadora Kinsberg" . Cientificada do lançamento, a empresa contestouo (fls. 471/516), tendo a 1ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 532/558), em 24/07/2008, julgado improcedente a impugnação. A r. decisão foi encaminhada para o domicílio fiscal do contribuinte por via postal, tendo o Correio atestado (fl. 571), em 11/08/2008, que o contribuinte havia se mudado. Na sequência, foi dada ciência pelo Edital 85/2008 (fl. 573), afixado em 27/08/2008 e desafixado em 11/09/2008. À fl. 576, "termo de perempção". Esgotado o prazo de cobrança amigável, em 20/10/2008 (fl. 602) o processo foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. De fls. 874/939, datado de 06/01/2009, protocolado junto à PFN, em 07/01/2009, alegando, em síntese: 1 a notificação da decisão deveria ter sido remetida ao endereço da pessoa física, pois o próprio fisco já estava notificando a recorrente diretamente no endereço dos sócios. A ciência da decisão ocorreu somente em 23/12/2008, pelo que o recurso deve ser considerado tempestivo; 2 nulidade da decisão recorrida: caducidade do MPF admitida pela decisão de primeira instância. Portaria é norma complementar prevista no artigo 100, inciso I do CTN, gerando efeitos que devem ser respeitados por todos. Os vícios formais do MPF acarretam a ilegalidade da lavratura do auto de infração; 3 vícios no MPF que contaminam a autuação: nulidade por irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal, pelo fato de que o MPF n° 08.1.55.002007005989 foi emitido em 05/04/2007, com fundamento na Portaria n° 6.078/2005. Com a edição da Portaria n° 4066/2007, o seu art. 22 determinava que os procedimentos fiscais iniciados antes de 02/05/2007 deveriam ser encerrados até 31/10/2007, e na impossibilidade de cumprimento do prazo deveriam ser prorrogados pela autoridade outorgante do MPF (Portaria RFB n° 11.161/2007) e, aqueles ainda não cientificados ao sujeito passivo, deveriam ser objeto de emissão de novo MPF (Portaria RFB n° 10.382/2007). O auditor fiscal, embora tivesse encerrado o MPF citado e emitido um novo, acabou descumprindo o disposto no parágrafo 2° do art. 22 da Portaria n° 4.066/07, que abrangia apenas os MPF emitidos antes de 02/05/2007, mas que ainda não tivessem cientificado o sujeito passivo. No caso presente, o sujeito passivo foi cientificado, via postal, em 30/05/2007, na pessoa dos seus sócios (fls. 04/07 do processo administrativo), fazendo com que os procedimentos de encerramento e a emissão de novo MPF estejam eivados de nulidade, a qual se estende por todo o auto de infração; 4 ainda que se considerasse válida a emissão do MPF n° 08.1.55.002007 009860, foi desatendida a norma do art. 4° que determinava que 'O MPF será ... dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532/97, por ocasião do início do procedimento fiscal'. A contribuinte somente foi cientificada da emissão do MPF n° 08.1.55.002007009860, e de suas complementações no dia 18/12/2007 (data da ciência da lavratura deste auto de infração); 5 outra nulidade a ser apontada, é que o auto de infração impugnado somente foi lavrado após a extinção do MPF n° 08.1.55.002007009860, conforme estabelece Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.013337/200781 Acórdão n.º 3402003.194 S3C4T2 Fl. 1.119 9 a Portaria RFB n° 4.066/2007, que determinou o prazo de 120 dias para a realização de fiscalização, prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observado a cada ato o prazo máximo de 60 dias, sendo que o MPF que deu origem a este auto de infração, datado de 05/06/2007 permaneceu válido até 03/10/2007, quando deveria ter sido extinto ou prorrogado. Nos dias 05/06, 19/06 e 23/07/2007, foram emitidos MPF's complementares destinados à ampliação do período de fiscalização para alcançar tributos, contribuições e obrigações acessórias do I.I. e do IPI de 01/2002 a 12/2007; alterar os agentes fiscais e ampliar o objeto da fiscalização para a Multa de DI. Porém, não trataram da prorrogação do MPF emitido; 6 cerceamento de defesa: inexistência de prova inequívoca danatureza das importações, nenhum documento apreendido durante a denominada'Operação Narciso' foi juntado ao processo, sem prova do suposto subfaturamentodas mercadorias, nem mesmo a juntada das declarações de importação retidas pelaAlfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos. O AI também não expôs qualquer elemento que permita a identificação dos valores que compõem os cálculos. Não há no processo qualquer documento ou demonstrativo do valor do I.I. ou IPI devidos no momento da importação e que foram utilizados para cálculo do valor comercial das mercadorias. 7 parte da multa aplicada é extemporânea, visto que não se subsumeao conceito de tributo, portanto não se enquadra na regra do art. 173, inciso I doCTN. Como decorre de uma relação de direito público, possui regra específica, nocaso, art. 1° do Decreto n° 20.910/32, única legislação a regular as sançõesadministrativas. Aplicase, também, a Lei n° 9.873/1999, que dispôs sobre o prazo deprescrição (5 anos) para o exercício da ação punitiva pela Administração PúblicaFederal, direta e indireta, no exercício do Poder de Polícia. Assim, as multas lançadas referentes ao período de 10/01/2002 a 09/12/2002 deverão ser extintas pela prescrição; 8 inaplicabilidade da multa do artigo 631 do RA, inexistência dedocumento que comprove a ocorrência de fraude: a multa regulamentar (art. 631 doRA) é indevida por falta de prova inequívoca das irregularidades apontadas(subfaturamento, interposição fraudulenta), bem como da entrega para consumo. Ascópias dos acórdãos e da denúncia criminal (fls. 84127) não constituem meio deprova, além do que se refere à operações com a Boutique Daslu; 9 inaplicabilidade da multa do art. 631 do RA irrelevância das declarações de inaptidão se as importações possuem registro no SISCOMEX. Ademais, se os dados das declarações de importação foram desconsiderados, descabe que a própria autoridade autuante os utilize para cálculo da multa, quando deveria ter sido realizado por arbitramento; 10 inaplicabilidade da multa do artigo 631 do RA, a punição pela interposição fraudulenta tipificase pelo artigo 33 da Lei n° 11.488/07, penalidade menos severa (artigo 106, II, 'c' do CTN). Em 02/06/2009, foi exarado o despacho de fls. 1001, com arrimo na informação de fls. 999/1000, negando seguimento ao recurso voluntário ante sua intempestividade. Esse despacho foi enviado por via postal para ciência do contribuinte. Novamente no AR (fl. 1013) consta que o contribuinte "mudouse". Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Não resignada com esse despacho denegatório do seguimento do recurso a este colegiado, que não se sabe, do que dos autos consta, como dele o contribuinte foi cientificado, o mesmo impetrou mandado de segurança 2009.61.00.0161899 (fls. 1015), no qual, em reconsideração à liminar indeferida, o juiz concedeu liminar nos seguintes termos (fl. 1018): Em face da literalidade da citada norma, reconsidero a decisão de fls. 651 e concedo a liminar para fim de determinar que o recurso interposto seja remetido para a segunda instância a quem caberá a análise a respeito da tempestividade do recurso. Em 12/11/2009, foi determinado pela autoridade local (fl. 1030) a remessa dos autos a este colegiado. Às fls. 1035/1038, cópia decisão do juízo da 17ª Vara da Justiça Federal em São Paulo no referido mandamus, de 05/02/2010, cuja parte dispositiva tem a seguinte dicção: Às fls. 1078/1113, contrarazões da Fazenda Nacional, datada de 04/04/2012, pugnando em preliminar pelo não conhecimento do recurso pela sua intempestividade e no mérito postulando seu não provimento. Vieramme os autos em face do sorteio realizado em 17/03/2016. É o relatório. Voto PRELIMINAR DE INTEMPESTIVIDADE O artigo 23 do Decreto 70.235/72, que trata das intimações no processo administrativo fiscal, dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.013337/200781 Acórdão n.º 3402003.194 S3C4T2 Fl. 1.120 11 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Nos termos da norma transcrita, a intimação por edital poderá ser realizada sempre que resultar improfícuo qualquer um dos outros meios previstos para ciência do contribuinte. Transcrevo excerto do Processo Administrativo Fiscal Anotado, de Gilson Wessler Michels (DRJ/FNS/SC) acerca da intimação por edital. UTILIZAÇÃO DA INTIMAÇÃO POR EDITAL – COMENTÁRIO EM RELAÇÃO À ALTERAÇÃO TRAZIDA PELA LEI N.º 11.196/2005: a Lei n.º 11.196/2005, ao mudar a redação do artigo 23 do Decreto n.º 70.235/1972, trouxe importante alteração em relação ao requisito para o uso da intimação por edital. Anteriormente, na vigência da redação original do artigo 23, o uso do edital demandava, da parte da autoridade fiscal, a tentativa da intimação por todos os meios ordinários então disponíveis (que eram dois: as intimações pessoal e por via postal). Agora, a Lei n.º 11.196/2005, além de criar um terceiro meio de intimação ordinária (por via eletrônica), passou a permitir à autoridade fiscal o uso da intimação por edital depois da demonstração de que foi improfícua a tentativa de intimação por apenas um dos meios ordinários. No presente feito, a Receita Federal utilizou a segunda modalidade de intimação, ou seja, por via postal. Porém, o AR foi devolvido, com aviso de mudouse (fl. 524). Em seguida, obedecendo às disposições do Decreto 70.235/72, foi utilizada a intimação por edital (fl. 525), mas a empresa deixou transcorrer o prazo sem apresentar o recurso. Em seguida, a autoridade fiscal corretamente formalizou o termo de perempção, dando início à cobrança da dívida. Não existe qualquer vício na intimação Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 efetuada, ao contrário, houve a estrita observância das regras constantes do Decreto n° 70.235/72. A recorrente, na tentativa de ter o recurso conhecido e admitido, argumenta que a SRF deveria ter encaminhado a intimação para o endereço dos sócios, na medida em que seu CNPJ havia sido declarado inapto, em 2005. Entretanto, não existe previsão na legislação sobre a matéria, determinando a obrigatoriedade de encaminhar a intimação aos sócios quando o envio à pessoa jurídica restar improfícuo. Ao contrário, a lei permite desde então o uso do edital, exatamente como observado pela SRF. Ademais, a inaptidão do CNPJ não tem o condão de extinguir a personalidade jurídica. Conforme ato normativo da Receita (IN SRF n° 93/97 art. 58), "Considerase extinta a pessoa jurídica no momento do encerramento de sua liquidação, assim entendida a total destinação do seu acervo líquido". Ora, se a pessoa jurídica não estava extinta, é evidente que a intimação deve ser dirigida a ela, e não aos sócios, pois a personalidade jurídica é autônoma e independente das pessoas físicas. Lembrando, ainda, que o artigo 23, § 1º do Decreto 70.235/72 dispõe sobre a utilização da intimação por edital quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. A regularidade da intimação por edital, inclusive, foi, reconhecida pela MM Juíza Federal da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de São Paulo, nos autos do MS n° 2009.61.00.0161899 impetrado pela Kinsberg. Na sentença consta o seguinte: O primeiro pedido formulado pela impetrante é de nulidade da decisão que julgou intempestivo o recurso voluntário apresentado nos autos do Processo Administrativo n° 10314.013337/200781. A causa de pedir é a invalidade da intimação por edital da decisão que manteve a autuação fiscal, em conseqüência da invalidade da intimação postal dirigida ao endereço da impetrante (Rua Julio Conceição, 431). Sustenta que a intimação deveria ter sido dirigida ao endereço de seus sócios, e não àquele que consta de seu contrato social, na medida em que seu CNPJ havia sido declarado inapto pela Secretaria da Receita Federal, em novembro de 2005. Não acolho os argumentos da impetrante, que somente fariam sentido se a declaração de inaptidão do CNPJ tivesse o efeito de extinguir a pessoa jurídica. No entanto, nos termos das Instruções Normativas n° 200/02 e 568/05, a extinção da pessoa jurídica não é pressuposto, nem conseqüência da declaração de inaptidão do CNPJ. Os artigos 28 e 42, 2 34 e 47, das mencionadas instruções deixam claro as hipóteses e os efeitos da inaptidão, dentre os quais não encontra a extinção da pessoa jurídica. Não havendo extinção, é evidente que a intimação da decisão que indeferiu sua impugnação administrativa deveria ocorrer, em um primeiro momento, via postal, dirigida ao endereço que Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10314.013337/200781 Acórdão n.º 3402003.194 S3C4T2 Fl. 1.121 13 consta de seu cadastro perante o Fisco, nos termos do artigo 23, inciso II, do Decreto 70.235/72. Não há respaldo jurídico para a pretensão de intimação no endereço de seus sócios, já que o ordenamento jurídico distingue claramente a pessoa jurídica das pessoas de seus sócios. Como a autoridade fiscal não logrou êxito em intimar a impetrante em seu domicílio tributário, valeuse da via editalícia, nos termos do § 1º, do mesmo artigo 23. Portanto, julgo válida a intimação da decisão que não acolheu a impugnação apresentada pela impetrante nos autos do Processo Administrativo n° 10314.013337/200781. Passo a apreciar o pedido alternativo, para que seja determinada a remessa do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, para análise de sua tempestividade. O artigo 35 do Decreto 70.235/72 é claro ao dispor que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Em razão do exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar a remessa do recurso voluntário interposto nos autos do Processo Administrativo n° 10314.013337/200781 ao Conselho de Contribuintes, e extingo o processo com julgamento do mérito, nos termos do artigo 269, I, do CPC. Como visto, a MM Juíza Federal considerou a regularidade da intimação por edital, rejeitando o argumento de que era necessária a intimação na pessoa dos sócios, tendo em vista a inaptidão do CNPJ. Ao final, a segurança somente foi concedida para determinar que o recurso, mesmo perempto, fosse encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Por conseguinte, "os autos foram encaminhados ao CARF, que deverá confirmar a intempestividade do recurso, deixando de conhecêlo". O recurso, como se verifica dos autos, foi apresentado após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias da data em que a legislação considera o contribuinte intimado da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, quando a intimação é efetuada por edital (Dec n° 70.235/1972, art 23, § 2°, inc. III, c/c art. 33). Em assim sendo, é intempestivo. Nesse sentido, já decidiu o CARF, conforme ementas de acórdão abaixo transcritas: RECURSO VOLUNTÁRIO – INTEMPESTIVIDADE – Tratandose de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. O não atendimento deste prazo acarreta a intempestividade do recurso. (Ac. 10419093). IRPF – RECURSO VOLUNTÁRIO – INTIMAÇÃO POR EDITAL –PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO – De acordo com o art. 33, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso do prazo de 30 dias da data da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Conforme o inc. III, do § 2°, do art. 23, do referido diploma legal, considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. Recurso não conhecido. (Ac. 10246057) Assim, frente a licitude da intimação editalícia, no caso até mesmo com amparo judicial, o recurso não pode ser conhecido por absoluta intempestividade. Ante todo o exposto, não conheço do recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 01/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10480.908652/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.273
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 52 /2 01 2- 34 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908652/201234 Acórdão n.º 3201002.273 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.546, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908652/201234 Acórdão n.º 3201002.273 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908652/201234 Acórdão n.º 3201002.273 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908652/201234 Acórdão n.º 3201002.273 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908652/201234 Acórdão n.º 3201002.273 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908652/201234 Acórdão n.º 3201002.273 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10882.902912/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 29 12 /2 00 8- 59 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902912/200859 Acórdão n.º 9303004.044 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.998, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902912/200859 Acórdão n.º 9303004.044 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902912/200859 Acórdão n.º 9303004.044 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902912/200859 Acórdão n.º 9303004.044 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902912/200859 Acórdão n.º 9303004.044 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902912/200859 Acórdão n.º 9303004.044 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.902912/200859 Acórdão n.º 9303004.044 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001396/97-28
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS. AUTUAÇÃO.
Procedente é a exigência da exação quando, mesmo aplicado o
critério da semestralidade ao PIS (art. 6°, Lei Complementar n°
7/70) reclamado, verifica-se haver crédito em favor da Fazenda
Pública.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 202-15.625
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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I "CC~ IFI. Recorrente Recorrida YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA. DRJ em Campinas - SP PIS. AUTUAÇÃO. Procedente é a exigência da exação quando, mesmo aplicado o critério da semestralidade ao PIS (art. 6°, Lei Complementar n° 7/70) reclamado, verifica-se haver crédito em favor da Fazenda Pública. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 15 de junho de 2004 "I... ,,""_~ I?-.{q.- <q;;;;"7 -1'funnque Pinheiro Torres .' .. Presidente Participaram, ainda,' do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, • Gustavo Kelly Alencar, Adriene Maria de Miranda (Suplente), Marcelo Marcondes Meyer- Kozlowski, Jorge Freire e Nayra Bastos Manatta. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Raimar da Silva Aguiar. cllopr CONFERE COM O ORIGINAL Brasllia • DF, em J '11 tJG I 02ctJS. AnaMari~~~ daSilva lI..trlcul30104851-1 Segundo Conselho de Contribuintes Processo nO Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10875.001396/97-28 113.784 202-15.625 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília - DF, em 07 1 061:2005 A ". Ih,º,IVé 'la~"i:Jn~;'?to da Silva MótríwiB O.jG4SS1.1 Segundo Cons,'/ho de Contribuintes i "IT~.IFI. Recorrente YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA. RELATÓRIO Trata o presente processo de exigência fiscal consubstanciada, inicialmente, em auto de infração, decorrente de ação fiscal levada a efeito junto ao estabelecimento da recorrente, através da qual foi apontada suposta falta de recolhimento para o PIS, correspondente aos fatos geradores ocorridos de maiol9l a junho/91; jaheiro/93 a janeifo/95; marçol95 e"junhoI95. Inconformada com o lançamento, a recorrente interpôs impugnação, na qual alegou a improcedência do lançamento, em face da inobservância das Leis Complementares nOs 07/70 e 17/73, no que se refere à base de cálculo, retroativa, da contribuição correspondente ao faturamento do sexto mês anterior. Contra a decisão administrativa de primeira instância, que julgou procedente o lançamento, a recorrente apresentou recurso voluntário, alegando que o faturamento do sexto mês anterior consubstancia não o fato gerador, como pretende a fiscalização, mas, tão-somente, o elemento quantitativo do tributo, a base de cálculo; e requerendo seja acolhido o recurso para que seja reconhecido o crédito em favor da recorrente e a devolução do indébito relativo ao PIS, que, por sua vez, deverá ser compensado. Consta nos autos Termo de Arrolamento para Garantia de Débito Fiscal autorizando a interposição do aludido recurso administrativo. Este Colegiado, à unanimidade, julgou pela conversão do recurso em diligência para que o seguinte fosse apurado: Em razão do acima observado, voto, com o objetivo de melhor instruir o processo, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem para que, conclusivamente, pronuncie-se sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a título de PIS, levando-se em consideração o que determina o artigo 6°, parágrafo único, da LC nO 07/70 (faturamento do sexto mês anterior), informando, inclusive, caso venham a ser apurados os alegados crédito!. (demonstrarJ,- Os autos retomam à Mesa com Relatório de Diligência e manifestação de inconformidade da interessada. É o relatório. J( 2 Í>' Processo nO Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10875.001396/97-28 113.784 202-15.625 CONFERE COM O ORIGINAL BrasUia • DF. em 011 061 Joo.s- AdUvc. Ana Mari>i Çâf.vãlho da Silva Matricula 0104851-1 SegInIO Conselho de Conlttluir*S ["c~ IFI. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA Como relatado, trata-se nestes autos de inconformidade da recorrente contra decisão administrativa que não considera que a Contribuição para o PIS deva ser recolhida nos estritos termos da Lei Complementar nO07/70, no sentido de que a base de cálculo adotada deva ser a do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. A repartição de origem, conclusivamente, pronunciou-se sobre a diligência . determinada tendo, na oportunidade, verificado e contabilmente apontado que a recorrente não efetuou recolhimentos a maior, a título de PIS, levando-se em consideração o que determina o artigo 6°, parágrafo único, da LC nO07170 (faturamento do sexto mês anterior). Contra essa apuração, a recorrente se insurge sustentando que tais valores não poderiam ter sido objeto de correção no momento da apuração requerida por este Colegiado. Não merece prosperar a argumentação da recorrente, pois a mesma, com seu apelo de fls. 202 a 237, informa que procedeu a compensações utilizando-se da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nO.8 e, posteriormente, a Taxa SELIC, índices esses, friso, também empregados pela Fiscalização e'ora combatidos: Entendo não ser o caso de empregar "dois pesos e duas medidas", daí, que totalmente improcedente o quanto reclamando pela recorrente, cabendo à Fiscalização, por fim, cobrar aquilo que lhe é devido e como efetivamente calculado e apurado nestes autos. Diante do exposto, voto pela negativa de provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões, em 15 de junho de 2004 h E MIRANDA ! 3 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 16327.721798/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem declinar a competência do julgamento à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF para apreciação em conjunto com o processo nº 16327.721796/2011-56, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Sergio Luiz Bezerra Presta e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Pela.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem declinar a competência do julgamento à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF para apreciação em conjunto com o processo nº 16327.721796/201156, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Sergio Luiz Bezerra Presta e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Pela. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 79 8/ 20 11 -4 5 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O Presidente da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, em razão do duplo grau de jurisdição, recorre de ofício, em conformidade com o artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da decisão prolatada de fls. 250/276, que julgou parcialmente procedente a impugnação, interposta pelo contribuinte, declarando a exoneração de parte do credito tributário constituído pelo Auto de Infração de fls. 75/79. Por sua vez, a empresa ITAÚ UNIBANCO HOLDING S.A., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 60.872.504/000123, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, n° 100, Bairro Parque Jabaquara, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 250/276, prolatada pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 284/336. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo SP, em 23/12/2011, o Auto de Infração para a exigência da multa de ofício aplicada de forma isolada no percentual de 75% em razão da falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte (fls. 75/79), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 598.481.938,32 a título de multa de ofício isolada, referente ao período de apuração de 01/03/200 a 31/12/2006. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver falta de retenção ou recolhimento do IRRF, após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, razão pela qual aplicou a exigência da multa de ofício isolada prevista no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 57/70) com base, em síntese, nas seguintes considerações: que no curso da auditoria fiscal realizada, foi constatado que o contribuinte remunerou os seus administradores, em função dos serviços que lhe prestaram, através da outorga de opções de ações (Stock Options), opções essas que dão direito à subscrição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições estabelecidas; que a outorga aos administradores de opções de compra de ações da companhia é uma forma de remuneração a médio e longo prazo, possuindo, portanto, natureza inegavelmente salarial; Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 4 3 que o vinculo que une o trabalhador à empresa e viceversa pode se representado da seguinte forma: a empresa precisa dos serviços prestado pelo trabalhador; este precisa da remuneração paga por aquela. Se os serviços prestados não são de interesse da empresa, o trabalhador é demitido ou sequer contratado. Se a remuneração não for suficiente ao trabalhador, ele se demite ou nem sequer aceita ser contratado. Se a única coisa que os une é a prestação de serviço, todo ou qualquer fluxo de caixa entre os dois se deve a esta relação de trabalho; que, diante de tudo o que foi exposto, e que será relacionado resumidamente a seguir, no caso em análise referente ao sujeito passivo Itaú Unibanco Holding S/A, a outorga de opções de compra de ações para administradores tem caráter salarial, sendo uma espécie de remuneração a longo prazo, devendo integrar os rendimentos do trabalhador (base de cálculo) para fins de incidência do IRRF; que a outorga das opções de compra de ações aos trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, e reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual; que a data de ocorrência do fato gerador das contribuições apuradas foi aquela em que ocorreu o vencimento do respectivo prazo de carência, seja pelo decurso do prazo previsto contratualmente, seja pelo vencimento antecipado nos casos também previstos em contrato, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador; que, portanto, a base de cálculo da multa apurada (montante da remuneração paga), conforme consta no Termo de Verificação Fiscal e é demonstrado nas planilhas de fls. 71/74, foi calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de vencimento do prazo de carência; que, a partir de tudo o que foi exposto, deve ser aplicada a multa isolada à proporção de 75% sobre o IRRF que deixou de ser retido pela empresa, incidente sobre os valores resultantes das outorgas de opções de compra de ações para seus administradores em função dos serviços prestados, opções essas que dão direito à subscrição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições estabelecidas. Em sua peça impugnatória de fls. 81/131, instruída pelos documentos de fls. 132/211, apresentada, tempestivamente, em 24/01/2012, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, no que diz respeito à Preliminar de Nulidade do Lançamento e a Falta de Liquidez e Certeza do Montante Devido, é de se dizer que ao efetuar o lançamento o auditor fiscal considerou, para a consolidação do valor da base de cálculo, a quantidade de ações após todos os eventos de desdobramento e bonificação ocorridos até 31/08/2009, e não a quantidade de ações a que corresponde o preço adotado, ou seja, a quantidade na data do vencimento do prazo de carência, o que, por óbvio resultou em manifesta distorção nos valores lançados; que um segundo erro da Fiscalização mostrase ainda mais evidente, uma vez que o auditor fiscal não considerou para cada vencimento do prazo de carência uma única vez a Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 5 4 totalidade das opções de cada série, mas sim, para cada linha da planilha inicialmente apresentada, relativa a um exercício parcial, novamente foi considerada a quantidade total das opções de cada série, resultando em absurda multiplicidade da mesma base de cálculo já indevidamente majorada; que referidos vícios do trabalho fiscal maculam os valores exigidos e implicam evidente e manifesta insubsistência do auto de infração, posto que o valor da multa apurada não é certo, e muito menos líquido ou exigível, conforme exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional; que a exigência de tributos ou penalidades por meio de lançamento fiscal só é legítima quando há liquidez e certeza do valor apurado, o que não ocorre no caso concreto, sendo impositivo o reconhecimento da insubsistência do auto de infração; que não cabe a alegação de que uma vez constatados os erros acima demonstrados o presente lançamento poderia simplesmente ser corrigido, já que não se admite autuações por métodos de tentativa e erro do fisco sob pena de flagrante insegurança jurídica, conforme entendimento reiterado do Conselho de Contribuinte, razão pela qual o lançamento deve ser anulado; que, no que diz respeito à decadência, é de se dizer que tendo sido cientificada do presente lançamento em 23/12/2011, as parcelas exigidas a titulo de multa isolada, nas competências 03/2006, 04/2006 e 05/2006, estão extintas pela decadência, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do CTN, tendo em vista houve pagamento antecipado do IRRF relativo a tais competências; que conforme reconhecido pela própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante deixou, apenas e tão somente, de recolher o IRRF sobre as verbas pagas a título de plano de outorga de opções de compra de ações, recolhendo integralmente o tributo incidente sobre os demais valores que integram a sua base de cálculo, razão pela qual deve prevalece a aplicação da regra decadencial prescrita pelo artigo 150, § único, em detrimento da norma do artigo 173,1, ambos do CTN; que, no que diz respeito ao mérito, é de se dizer que a questão que se coloca, quanto ao auto de infração que imputou à Impugnante suposta violação ao art. 9º da Lei nº 10.426/2001 (fundamento legal não apontado pela fiscalização), é saber se o valor autuado em razão das stock options concedidas pelo Impugnante (diferença entre o preço de exercício da ação na data do vencimento do prazo de carência e o preço de mercado da ação) corresponde efetivamente a uma remuneração paga pelo Impugnante aos beneficiários; que o plano de outorga de opção de compra de ações não configura qualquer espécie de remuneração, seja pela ótica trabalhista, fiscal ou societária, sendo típico contrato mercantil com evidente característica de álea, razão pela qual não se materializa, no caso concreto, qualquer fato gerador capaz de fazer nascer o IRRF; que os planos de opções de compra de ações prevêem uma série de condições associadas aos fatores de riscos naturais do mercado de ações (riscos do capital) e estão previstos na Lei 6.404/76, regulamentados pela CVM, por meio das Instruções nºs 290/98, 291/98 e 390/03, restando evidente que não representam nenhuma espécie de remuneração pelo trabalho, sendo típico negócio societário ou mercantil, com os riscos inerentes aos negócios desta natureza; Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 6 5 que diversamente do que afirma o fisco, jamais reconheceu "o caráter remuneratório que norteia a outorga de opção de ações aos seus diretores ao prever que "o Comitê de Remuneração é o órgão responsável pela definição da remuneração dos diretores, inclusive pela outorga de opções", isto porque a natureza salarial de qualquer pagamento feito pelas empresas não é definida por nenhum comitê que a preveja, mas sim por características que revelem, ou não, a presença de caráter contraprestacional; que chega a ser temerária a afirmação fiscal de que o plano de outorga de opção de compra de ações seria de natureza salarial só porque estabelecido por comitê que tinha também outras atribuições e que no passado se intitulava "Comitê de Remuneração; que pelo mesmo motivo, é irrelevante a forma como apresentadas as informações relativas as stock options no formulário 20F, tendo em vista que aquelas informações destinamse a uma finalidade específica, que é a padronização das informações a serem prestadas aos acionistas, sem que daí se possa extrair qualquer conseqüência para fins tributários; que o entendimento adotado pela Fiscalização, ao considerar que as stock options são oferecidas em troca dos serviços prestados à empresa (natureza remuneratória) não tem amparo na doutrina e na jurisprudência trabalhista, que são pacíficas quanto à natureza não salarial das opções de ações; que o salário/remuneração é necessariamente algo que aquele que presta serviços pode exigir daquele que o contratou pelo simples fato de o serviço ter sido prestado, independentemente de qualquer outra condição, e sobretudo independentemente de qualquer pagamento a ser feito pelo prestador do serviço àquele que o contratou; que não ocorre remuneração, dentre inúmeros exemplos, no caso concreto pode ser citada a hipótese daquele beneficiário que simplesmente por ocasião do vencimento do prazo de carência não tem a disponibilidade financeira necessária para realizar a compra das ações, ou embora tenha esta disponibilidade e efetivamente deseje exercer suas opções de compra simplesmente não pode fazêlo porque prefere dar ao valor outra destinação que considera mais importante ou conveniente; que pode simplesmente ocorrer que no vencimento do prazo de carência o preço de exercício da opção de compra seja superior ao valor de mercado da ação, hipótese em que evidentemente a opção naquela data não representou ganho algum para o beneficiário, ainda que durante o prazo de vigência da opção seu exercício no futuro venha a se mostrar interessante e acabe gerando efetivo lucro para quem exercer a opção; que pelo exposto, muito ao contrário do que afirmou a fiscalização, não há qualquer possibilidade de se atribuir natureza salarial e muito menos remuneratória ao plano de outorga de opções de compra de ações mantido pelo Impugnante, não podendo assim prevalecer a exigência da retenção e recolhimento do IRRF sobre uma remuneração não existente; que com base nas características do plano em vigor no caso concreto, não tem cabimento pretender, como quer a fiscalização, assimilar a diferença entre o preço de exercício da ação na data de vencimento do prazo de carência e o valor de mercado da ação a uma remuneração sujeita à incidência de IRRF e contribuições previdenciárias; Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 7 6 que, inicialmente, deve se ter em mente que não se trata no caso de opções pelas quais decorrido um certo período de tempo o beneficiário pode gratuitamente "adquirir" determinadas ações, pois no caso concreto, para exercício da opção o beneficiário deve pagar pelas ações a serem adquiridas um preço que corresponde à média do preço de venda das ações no período imediatamente antecedente à outorga das opções, corrigido pelo IGPM; que nos termos da cláusula 7.2 do plano, mesmo após o decurso do prazo de carência, caso não exercida a opção de compra pelo beneficiário, sua vigência poderá a qualquer momento ser extinta em caso de desligamento, inclusive no caso de renúncia do cargo de diretor ou não reeleição; que, tendo em vista, o disposto nos próprios arts. 125 do Código Civil e 114, 116, inciso II e 117, inciso I do CTN, não tem cabimento se pretender ver auferida uma remuneração pelo simples fato de o beneficiário ter tido em um determinado momento a possibilidade de comprar (pagar) ações, se mesmo esta possibilidade (que pode ou não lhe gerar rendimentos no futuro) é absolutamente precária enquanto não exercida; que também não tem cabimento considerar que a "remuneração" apurada pelo ilustre fiscal autuante é decorrente de trabalho prestado se em caso de falecimento no dia seguinte à outorga da opção de compra ela já pode imediatamente ou por todo o seu prazo de vigência ser exercida pelos herdeiros; que não se pode vislumbrar que, automaticamente, na data de vencimento do prazo de carência, ocorre uma disponibilidade de renda se mesmo vencido aquele prazo muitas vezes pode estar vedado o exercício da opção de compra em face dos "períodos de suspensão" previstos, como ocorreu em relação a dois dos fatos geradores objeto de autuação (abril e maio/2005), conforme calendário anexo (doe. 05); que tendo em vista a obrigatoriedade de comunicação prévia com antecedência de 48 horas ao efetivo exercício das opções de compra, e considerando as grandes oscilações de mercado, resta novamente evidenciado o caráter aleatório do possível ganho que virá a ser auferido pelo beneficiário, sujeito às oscilações de mercado; que, conforme dispõe a cláusula 10 do plano, uma vez exercida a opção de compra o beneficiário somente pode dispor livremente de metade das ações adquiridas, ficando a outra metade indisponível pelo prazo de 2 anos; que, portanto, tendo em vista a fundamentação invocada pelo próprio fiscal autuante quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, à luz do disposto nos arts. 125 do Código Civil e 114, 116, inciso II e 117, inciso I do CTN, já se verifica o absurdo de se pretender considerar como rendimento do beneficiário na data do vencimento do prazo de carência a diferença entre o preço do exercício e o preço de mercado da totalidade das opções de compra exercidas; que, mesmo se fosse possível considerar como remuneração eventual diferença positiva quanto à parcela imediatamente disponível (o que já se demonstrou acima não ser o caso), no caso é condição para sua aferição a aquisição de igual quantidade de ações sobre as quais o beneficiário somente terá disponibilidade dois anos depois, o que poderá acabar obrigando o beneficiário a auferir um prejuízo real (se o valor da ação estiver inferior ao valor de aquisição) que poderá ser inclusive superior à diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado na data do exercício ou na data do vencimento do prazo de carência !; Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 8 7 que, houvesse a obrigação do Impugnante de efetuar qualquer pagamento de contribuições ao INSS, deveria também existir para o beneficiário a obrigação correspondente de oferecer à tributação pelo Imposto de Renda aquele mesmo rendimento; que da forma como apurou a base de cálculo a fiscalização acabou por deixar claro que não pretende a tributação do IRRF de efetivo rendimento dos beneficiários, mas sim sobre a mera diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção nem sequer exercida na data de vencimento do prazo de carência, e que sequer se sabe se seria ou será exercida; que o fato de ocorrer o vencimento do prazo de carência das opções outorgadas não faz surgir para os beneficiários qualquer rendimento que possa ser tido como remuneração do trabalho, como a propósito já entendeu a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, no meio do acórdão 0113567, de 14/04/09, desta forma, resta demonstrado também que no vencimento dos respectivos prazos de carência não se materializou qualquer fato gerador capaz de fazer nascer a obrigação do Impugnante de reter e recolher o IRRF em nome dos diretores beneficiados, devendo assim ser cancelada a exigência fiscal em questão já que a infração acusada pelo fisco jamais foi praticada; que o adendo à Impugnação, portanto, devidamente intimada, a impugnante novamente se manifestou, dentro do prazo concedido, consoante instrumento de fls.237/247; que a confirmação dos erros apontados, a fiscalização apurou nova base de cálculo para fins de lançamento, não se tratando, portanto, de mera exclusão de determinadas competências ou cancelamento de alguma infração específica, mas sim de completo recalculo da matéria tributável, que evidentemente só poderia ser feito em sede de novo lançamento, e não por meio de nova diligência; que embora as correções efetuadas no lançamento pelo ilustre Auditor Fiscal tenham resultado num valor tributável menor que o originalmente lançado, na apuração da base de cálculo foram incluídos 30 novos beneficiários que não constaram do lançamento original; que não se admite autuações por métodos de tentativa e erro do fisco sob pena de flagrante insegurança jurídica, consoante reiteradamente decidido perante o Conselho de Contribuintes; que ao contrário do que defende o ilustre Auditor Fiscal, todos os elementos necessários à correta apuração da base de cálculo já constavam dos autos e eram de pleno conhecimento da fiscalização muito antes da impugnação apresentada, não sendo possível seu refazimento do lançamento em sede de diligência, sobretudo quando já decorrido o prazo decadencial para tanto (artigo 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional) e ainda mais com a inclusão de 30 novos fatos geradores da suposta falta que não constaram do lançamento original, razão pela qual é manifesta a nulidade dos autos de infração em questão; que fosse possível o refazimento do lançamento fiscal, como pretendeu a fiscalização, e nulo não fosse o lançamento, jamais o mesmo poderia prevalecer, posto que, como demonstrado na defesa apresentada, que ora se reitera integralmente, quanto ao auto de infração em questão; que ocorreu a decadência quanto aos supostos fatos geradores ocorridos no período de março, abril e maio de 2006, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o do Código Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 9 8 Tributário Nacional, considerando que o Impugnante foi cientificado somente em 23/12/2011 do auto de infração em questão; que o auto de infração imputou suposta violação ao art. 9º da lei nº 10.426/02 e , evidentemente, deveria a fiscalização ter igualmente apontado a norma legal que a seu ver conteria a obrigação da impugnante efetuar a retenção na fonte de imposto de renda sobre os valores autuados, o que em momento algum constou do Termo de Verificação Fiscal ou no auto de infração; que consoante pacífica doutrina e jurisprudência já consolidada do E. Tribunal Superior do Trabalho, a outorga de opções de compra de ações ainda que gere algum rendimento este não terá relação alguma com os serviços prestados pelo beneficiário a impugnante, descaracterizando assim qualquer hipótese de remuneração; que especificamente no caso concreto o Plano para Outorga de Opções de Compra de Ações aprovado pela Assembléia Geral de Acionistas do Impugnante possui ainda diversas peculiaridades que tornam absolutamente impossível pretender ver no vencimento do prazo de carência destas opções o pagamento de uma remuneração aos seus beneficiários; que no vencimento dos respectivos prazos de carência não se materializa qualquer fato gerador capaz de fazer nascer a obrigação do Impugnante de reter e recolher o IRRF em nome dos diretores beneficiários do plano, devendo assim ser cancelada a exigência da multa isolada em questão já que a infração acusada pelo fisco jamais foi praticada; que a Impugnante solicitou que seja acolhida a impugnação para o fim de se reconhecer a improcedência do auto de infração lavrado, se antes não reconhecida a sua nulidade. Após a análise das alegações da Impugnante, segundo as quais houve majoração indevida e multiplicidade do valor da base de cálculo e, ainda, da análise da planilha anexa aos autos (fls. 71/74) onde foi demonstrado o cálculo do montante da base de cálculo do crédito, os autos foram devolvidos à Delegacia de origem para que, em diligência, a autoridade fiscal se manifestasse, conclusivamente, em relação aos argumentos trazidos pela Impugnante, conforme despacho nº 05 de 19/07/2012 (fls.212/214). No mesmo despacho foi solicitado, ainda, que na hipótese de ser confirmada a necessidade de retificação do lançamento, fosse elaborada planilha no modelo “de/para” que possibilitasse tal procedimento. Em cumprimento à referida solicitação, a Fiscalização, após o procedimento de diligência fiscal emitiu o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 217/220) e manifestouse acerca dos questionamentos feitos pela impugnante. Nos itens 1 e 2 do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, a Fiscalização analisa os documentos apresentados pela autuada e descreve as alterações por eles provocadas na apuração da base de cálculo do crédito lançado. No item 3 do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, elaborou planilha indicando as alterações na base de cálculo utilizada no lançamento, em virtude dos grupamentos/desdobramento de ações e exclusões de informações repetidas, expostos nos itens anteriores. Após este fato, a Fiscalização constatou que o Termo de Encerramento, assim como a planilha de cálculo que o acompanha, necessitavam de ajustes, porque, apesar de o referido termo afirmar que a série EP.01/0508/ 156,76 deveria ser excluída do lançamento, restaram na planilha de cálculo 3 (três) informações referentes a essa série, uma na competência 03/2005, Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 10 9 uma na 04/2006 e outra na 05/2008. Assim, foi emitido o Termo de Re/ratificação de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 227/231) e planilha (fls. 232/234), onde são feitas as retificações mencionadas e ratificadas as demais informações constantes no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. Foi concedido o prazo de 30 (trinta) dias, para manifestação do contribuinte. Devidamente intimada, a impugnante novamente se manifestou, dentro do prazo concedido, consoante instrumento de fls.237/247, onde, alega em síntese: que a confirmação dos erros apontados, a fiscalização apurou nova base de cálculo para fins de lançamento, não se tratando, portanto, de mera exclusão de determinadas competências ou cancelamento de alguma infração específica, mas sim de completo recalculo da matéria tributável, que evidentemente só poderia ser feito em sede de novo lançamento, e não por meio de nova diligência; que embora as correções efetuadas no lançamento pelo ilustre Auditor Fiscal tenham resultado num valor tributável menor que o originalmente lançado, na apuração da base de cálculo foram incluídos 30 novos beneficiários que não constaram do lançamento original; que não se admite autuações por métodos de tentativa e erro do fisco sob pena de flagrante insegurança jurídica, consoante reiteradamente decidido perante o Conselho de Contribuintes; que, ao contrário do que defende o ilustre Auditor Fiscal, todos os elementos necessários à correta apuração da base de cálculo já constavam dos autos e eram de pleno conhecimento da fiscalização muito antes da impugnação apresentada, não sendo possível seu refazimento do lançamento em sede de diligência, sobretudo quando já decorrido o prazo decadencial para tanto (artigo 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional) e ainda mais com a inclusão de 30 novos fatos geradores da suposta falta que não constaram do lançamento original, razão pela qual é manifesta a nulidade dos autos de infração em questão; que ainda que fosse possível o refazimento do lançamento fiscal, como pretendeu a fiscalização, e nulo não fosse o lançamento, jamais o mesmo poderia prevalecer, posto que, como demonstrado na defesa apresentada, que ora se reitera integralmente, quanto ao auto de infração em questão; que ocorreu a decadência quanto aos supostos fatos geradores ocorridos no período de março, abril e maio de 2006, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional, considerando que o Impugnante foi cientificado somente em 23/12/2011 do auto de infração em questão; que o auto de infração imputou suposta violação ao art. 9º da lei nº 10.426/02 e , evidentemente, deveria a fiscalização ter igualmente apontado a norma legal que a seu ver conteria a obrigação da impugnante efetuar a retenção na fonte de imposto de renda sobre os valores autuados, o que em momento algum constou do Termo de Verificação Fiscal ou no auto de infração; que consoante pacífica doutrina e jurisprudência já consolidada do E. Tribunal Superior do Trabalho, a outorga de opções de compra de ações ainda que gere algum rendimento este não terá relação alguma com os serviços prestados pelo beneficiário a impugnante, descaracterizando assim qualquer hipótese de remuneração; Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 11 10 que especificamente no caso concreto o Plano para Outorga de Opções de Compra de Ações aprovado pela Assembléia Geral de Acionistas do Impugnante possui ainda diversas peculiaridades que tornam absolutamente impossível pretender ver no vencimento do prazo de carência destas opções o pagamento de uma remuneração aos seus beneficiários; que no vencimento dos respectivos prazos de carência não se materializa qualquer fato gerador capaz de fazer nascer a obrigação do Impugnante de reter e recolher o IRRF em nome dos diretores beneficiários do plano, devendo assim ser cancelada a exigência da multa isolada em questão já que a infração acusada pelo fisco jamais foi praticada; que, diante do exposto, a Impugnante solicitou que seja acolhida a impugnação para o fim de se reconhecer a improcedência do auto de infração lavrado, se antes não reconhecida a sua nulidade. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 30/07/2013, os membros da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, concluíram pela procedência parcial da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, no que diz respeito à nulidade do lançamento e a falta de liquidez e certeza do montante devido, é de se dizer que a Impugnante sustenta a nulidade dos autos de infração em virtude de erros e vícios do trabalho fiscal, que resultaram em lançamento com majoração e multiplicidade do valor da base de cálculo, gerando evidente falta de liquidez e certeza do montante devido; que ainda que se considere que o disposto no artigo acima transcrito não encerra relação numerus clausus de possibilidades de nulidade, somente poderseia cogitar desta no caso de vício em um dos elementos estruturais dos atos administrativos atacados, a saber, além da competência do agente, a forma, o objeto, a finalidade ou o motivo do ato; que quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no lançamento, passíveis de correção, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do mencionado decreto; que, no caso em questão, o procedimento adotado pela autoridade fiscal que efetuou o lançamento, foi o mesmo adotado em todas as fiscalizações realizadas pela Receita Federal do Brasil, qual seja, a fiscalização teve início com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (no caso o de nº 0816600.2011.00085 código de acesso 18775599) e o envio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, comunicando o início do procedimento e solicitando a documentação necessária à fiscalização (fls. 03/04). Ao longo do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal, no exercício de suas funções, solicitou, por meio de vários Termos de Intimação e reintimação Fiscal (5/11), a documentação e as informações necessárias à ação fiscal; que o Termo de Verificação Fiscal (fls. 57/70), que acompanha o Auto de Infração, traz, de forma clara e precisa, todo o histórico do procedimento fiscal, a documentação apresentada pela empresa, os fatos constatados durante a fiscalização, a matéria tributável (descrição dos fatos geradores), a data da ocorrência dos fatos geradores, a apuração da base de cálculo, a multa devida, o período do lançamento e todas as razões que ensejaram a lavratura do auto de Infração, indicando, inclusive, a fonte de onde foram extraídas as Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 12 11 informações para a apuração do crédito, a forma como foi feito o lançamento, a legislação aplicável ao caso, etc.; que no Auto de Infração (fls. 75/79), estão discriminados, competência por competência, os valores da multa devida e o demonstrativo de apuração da mesma. Por outro lado, ao contrário do alegado na impugnação, a norma legal que contem a obrigação da impugnante efetuar a retenção na fonte de imposto de renda sobre os valores autuado, qual seja, o art. 9º da lei nº 10.426/02, está expressamente citada no próprio Auto de Infração, no item “Enquadramento Legal”; que, ao contrário do que foi alegado na impugnação, não houve, no presente caso, autuações por métodos de tentativa e erro do fisco e muito menos, qualquer causa que possa causar insegurança jurídica ao contribuinte autuado. Houve apenas erro no cálculo da base de cálculo e no quantum devido, motivado pela interpretação incorreta dos dados apresentados pela empresa em forma de planilha em meio magnético. Entretanto, referidos erros foram sanados, com base nos documentos apresentados com à impugnação, conforme é demonstrado no vários relatórios e planilhas elaborados pela autoridade fiscal após diligência fiscal; que o lançamento em questão, após as correções processadas no procedimento de diligência fiscal, reúne todos os requisitos previstos no art. 142 do CTN e nos demais atos normativos que disciplinam a matéria, possibilitando à Autuada o pleno exercício do seu direito de defesa, razão pela qual não vislumbro qualquer vício que possa ensejar a nulidade do mesmo e, portanto, rejeito a referida preliminar; que, no que diz respeito à decadência, é de se dizer que a impugnante alega a extinção pela decadência dos créditos relativos a períodos anteriores a dezembro de 2006 (competências 03/2006, 04/2006 e 05/2006) e traz como fundamento legal o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN; que, no caso dos autos, deve ser aplicado o artigo 173, do CTN, para efeito do início de contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito correspondente; que para a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN, como quer a Impugnante, é indispensável o pagamento parcial antecipado dos valores devidos incidentes sobre os fatos geradores de que trata o lançamento e não apenas o recolhimento de importâncias que o sujeito passivo entenda serem devidas, mesmo porque em matéria de tributos não há espaço para subjetividade no que concerne à aplicação da norma legal; que no caso concreto, em razão de a Impugnante não ter feito nenhuma retenção ou recolhimento de importâncias referentes aos fatos jurídicos de que trata o lançamento, não há que se aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, segundo a qual a contagem iniciase a partir da ocorrência do fato gerador; que os créditos lançados referemse aos períodos de 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006 e foram consolidados em 20/12/2011, com a ciência pessoal do contribuinte, em 23/12/2011 (fls. 75/76). Portanto, nenhuma competência encontrase em período decadente, visto que o crédito correspondente à competência mais antiga (03/2006), poderia ter sido lançado até 31/12/2011 (cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte – 01/01/2007); Fl. 478DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 13 12 que em relação aos valores incluídos na base de cálculo após a diligência fiscal, referentes aos diretores que não constavam nos valores originais, entendo que não há qualquer reparo a ser feito no procedimento fiscal, tendo em vista que o crédito correspondente foi constituído dentro do prazo legal previsto no art. 173, I, do CTN. Conforme pode ser constatado na planilha de fls. 232/234, referidos valores referemse à competência 12/2006, cujo vencimento das contribuições devidas ocorreu em 01/2007, de forma que a contagem do prazo decadencial somente se iniciou, nos termos do art. 173, I, do CTN, em janeiro de 2008, podendo o lançamento ter sido efetuado até 31/12/2012, fato este que ocorreu, tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Termo de Re/ratificação de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 227/231) e planilha (fls. 232/234), em 12/12/2012; que, no que diz respeito ao mérito, é de se dizer que a empresa autuada, ora impugnante, ofereceu opção de compra de ações da própria companhia aos seus diretores identificados pela fiscalização. Tal operação foi considerada pela fiscalização como remuneração indireta paga aos contribuintes beneficiados e, portanto, a empresa deveria ter retido e recolhido o correspondente imposto de renda na fonte IRRF, nos termos do artigo 717 do RIR/99: Entretanto, referidos valores não foram oferecidos à tributação pelo contribuinte por entendêlos como não integrantes da base de cálculo do referido tributo; que, assim, visando o deslinde da questão, necessária é a análise individualizada da natureza das verbas consideradas, no presente lançamento, como integrantes da base de cálculo do crédito constituído, quais sejam: os valores pagos pela autuada, por meio de plano de outorga de opções de compra de ações (stock options), aos seus diretores, considerados como remuneração indireta pela autoridade fiscal responsável pela autuação; que quanto ao instituto temse que a política mais arrojada em gestão de pessoas trouxe ao nosso mercado de trabalho novas políticas de remuneração, principalmente aos empregados de nível gerencial e altos executivos, com planos de opção de compra de ações da companhia ou de outra do grupo. O mecanismo pode ser descrito assim: a) preestabelecese um preço para as ações; b) marcase uma data futura para que a ação possa ser adquirida por aquele preço, se mantida a permanência do profissional na companhia; c) vencida a data e durante algum tempo, fica o beneficiário com a opção de adquirir ações da companhia pelo preço anteriormente determinado, independentemente o valor de mercado da ação; que o momento da ocorrência do fato gerador do IRRF incidente sobre as remunerações por meio de opções de compra de ações é a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo beneficiado. A base de cálculo apurada é a mensurável nessa mesma data, conforme foi efetuado pela Fiscalização, multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referente à data de vencimento do prazo de carência; que, não tem cabimento o argumento, segundo o qual, a impugnante não teria efetuado nenhuma espécie de pagamento aos beneficiários dos programas de opção de compra de ações, não se podendo perder de vista que o ato de se outorgar um direito de se subscrever ações de uma companhia por um preço inferior ao de mercado, em contraprestação ao serviço prestado, consiste em oferecer uma vantagem econômica e, portanto, remunerar a prestação de serviço; Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 14 13 que, não resta qualquer dúvida de que as Stock options concedidas pela impugnante aos seus administradores, fazem parte da sua política de oferecer remuneração variável aos executivos do alto escalão de sua administração; que, os julgados da Justiça do Trabalho que afastam a natureza salarial das Stock Options não podem servir de fundamento para a pretensão da impugnante, uma vez que ali se está tratando do conceito de salário dentro do contexto do contrato de trabalho, que é típico e detalhadamente regulamentado pela CLT; que, nas decisões da Justiça Laboral, não se leva em conta o contexto jurídico da tributação sobre a renda, em que a intenção do próprio legislador é a mais ampla possível, abarcando não apenas o salário regulado pela CLT e tutelado pela justiça trabalhista, mas todos os rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física, mesmo sem vínculo empregatício, como no caso em questão; que os pagamentos efetuados aos diretores da impugnante, sob a forma de outorga de opções de compra de ações, constituem remuneração, correto o procedimento do Auditor Fiscal ao lavrar o presente lançamento; que o artigo 637 do RIR/99, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma prevista no art. 620 do mesmo regulamento, os rendimentos pagos aos titulares, sócios, dirigentes, administradores e conselheiros de pessoas jurídicas, a titulo de remuneração mensal por prestação de serviços, de gratificação ou participação no resultado; que por se tratar de rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração de rendimentos dos beneficiários (dirigentes), a retenção constitui mera antecipação do imposto de renda devido. Deste modo, não é possível a exigência, na fonte pagadora, do imposto devido, o qual não foi retido, depois de ultrapassado o prazo de entrega, pelo beneficiário, da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); que os pagamentos efetuados aos diretores da impugnante, a título de outorga de opções de compra de ações, têm natureza remuneratória e, portanto, e que a mesma deveria ter retido e recolhido o correspondente imposto de renda na fonte IRRF, nos termos do artigo 717 do RIR/99; que, cabe destacar, aqui, que por se tratar de rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração de rendimentos dos beneficiários (dirigentes), a retenção constitui mera antecipação do imposto de renda devido. Deste modo, não é possível a exigência, na fonte pagadora, do imposto devido, o qual não foi retido, depois de ultrapassado o prazo de entrega, pelo beneficiário, da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); que, portanto, no caso em epígrafe, somente foi lançada a multa isolada, conforme dispõe o art. 9º da Lei nº 10.426/2002, não tendo havido o lançamento do imposto cuja retenção e recolhimento deixou de ser antecipado pela fonte pagadora; que, no presente caso, a multa é exigida isoladamente com base no artigo 9º da Lei nº 10.426/2002, e tendo em vista que já ter terminado o prazo de entrega, pelo beneficiário, da Declaração de Ajuste Anual de Renda da Pessoa Física; que, no que diz respeito à retificação da base de cálculo dos autos de infração, é de se dizer que a partir de tudo que foi exposto anteriormente, ou seja: a) dos Fl. 480DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 15 14 grupamentos/desdobramentos que alteram a quantidade das ações resultantes das opções de compra; b) da exclusão dos lançamentos referentes à série EP01/ 0508/ 156,76 e c) da exclusão de informações repetidas relativas às demais séries, a autoridade fiscal elaborou a Planilha denominada “Opções de Ações 2006 – Valores Retificados – PAF 16327.721796/201156” (fls. 232/234) onde são demonstrados, mês a mês, os valores recebidos, por meio de opções de compra de ações, discriminados individualmente por beneficiário, cuja somatória constitui a correta da base de cálculo do lançamento em questão. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INCORREÇÕES SANADA INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. Irregularidades, incorreções e omissões cometidas no lançamento, passíveis de correção, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. PRAZO A ausência de pagamento antecipado sobre os fatos jurídicos de que trata o lançamento impõe a aplicação do prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 REMUNERAÇÃO INDIRETA. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR. As verbas pagas pela empresa aos seus diretores, sob a forma de opções de compra de ações stock options, como retribuição ao trabalho prestado, têm natureza remuneratória, sobre as quais incidem o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. A ocorrência do fato gerador do referido tributo incidente sobre as remunerações por meio de opções de compra de ações é a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 16 15 independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. A base de cálculo apurada é a mensurável nessa mesma data. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Deste ato, por força do recurso necessário, a Presidência da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1 recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008. Da mesma forma, após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/08/2013, conforme Termo constante à fl. 282, e, com ela não se conformando o recorrente interpôs, em tempo hábil (06/09/2013), o recurso voluntário de fls. 284/336, instruído pelo documento de fl. 337 no qual demonstra irresignação na parte da decisão mantida, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito à nulidade do lançamento fiscal crédito tributário apurado com base em levantamento mal elaborado e a falta de liquidez e certeza, é de se dizer que principalmente da jurisprudência pacífica administrativa inadmitindo qualquer procedimento ou levantamento que não conduza a lançamentos baseados em valores líquidos e certos, fica evidenciada a total insubsistência do presente auto de infração, que mesmo diante das correções efetuadas por ocasião da diligencia fiscal deve ter a sua nulidade reconhecida diante do vício que o maculou desde a origem, no momento de sua lavratura; que, no que diz respeito à decadência dos créditos tributários incluídos no levantamento fiscal constante do termo de encerramento da diligencia realizada, é de se dizer que, conforme já mencionado, diante da confirmação dos erros apontados na impugnação apresentada pela Recorrente, a fiscalização apurou nova base de cálculo para fins de lançamento, só poderia ser feito em sede de novo lançamento, e não por meio de simples diligencia fiscal; que ainda que pudesse ser superada a nulidade acima apontada, contudo, certo é que embora tenha sido apurado na diligência realizada um valor tributável menor do que o originalmente lançado, no novo levantamento fiscal apresentado com as conclusões da diligência fiscal foram incluídos 30 novos beneficiários que não constaram do lançamento original, conforme se verifica da simples comparação entre a planilha intitula “Opções de Ações 2006 – Valores Retificados” e a planilha anterior, da qual se verifica que os beneficiários abaixo indicados não constavam do lançamento original; que, nessa condições, sendo dos 30 novos fatos geradores autuados relativos à competência de dezembro 2006, a autoridade administrativa tinha o prazo de 5 (cinco) ano para efetuar o competente lançamento a contar daquele fato gerador, de modo que, não o tendo efetuado, decaiu de seu direito, estando caduco o crédito tributário que se pretende exigir por meio do novo levantamento fiscal constante do termo de encerramento da diligencia fiscal realizada, impondose a reforma da r. decisão recorrida neste tocante; Fl. 482DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 17 16 que a decadência quanto ao levantamento fiscal original, não bastasse a decadência configurada em relação ao novo levantamento fiscal apresentado por ocasião do encerramento da diligencia realizada neste auto, a Recorrente demonstrou em sua impugnação que também os valores inicialmente exigidos, em relação às competência de março, abril e maio de 2006, encontrase extintos nos termos do artigo 156, V do CTN uma vez que, como já mencionado, considerado que a natureza do IRRF que deu causa à exigência da multa isolada em comento é de tributo cujo lançamento se dá por homologação, mostrase perfeitamente aplicável a regra do artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, conforme pacífico entendimento deste E. CARF a respeito; que, dúvida não existem de que, comprovada a existência de pagamento de IRRF nos meses de marços, abril e maio de 2006, mostrase absolutamente intempestivo o presente auto de infração, constituído apenas em 23/12/2011 e, portanto, fora do quinquídio legal estabelecido pelo artigo 150, §4° do CTN, impondose da r. decisão recorrida também neste tocante; que o Auto de Infração imputou à Recorrente suposta violação ao art. 9° da Lei n° 10.426/2002; que, a questão que se coloca, assim, é saber se o valor autuado em razão das stock options concedidas pela Recorrente (diferença entre o preço de exercício da ação na data do vencimento do prazo de carência, independentemente do seu efetivo exercício e o preço de mercado da ação) corresponde efetivamente a uma remuneração paga aos beneficiários; que, diante de tais características, considerando que seja no momento da assinatura do contrato de outorga de opção de compra de ações, seja no momento em que vencido o prazo de carência, seja ainda mesmo se efetivamente exercida a opção de compra não se garante qualquer ganho efetivo aos beneficiários, não há duvidas de que este plano não configura qualquer espécie de remuneração seja sob a ótica trabalhista, fiscal ou societária, sendo típico contrato mercantil com evidente característica de álea; que a doutrina e jurisprudência trabalhista reconhecem o caráter não salarial ou remuneratório dos planos de outorga de opções de compra de ações, portanto, após analisar as características acima, concluiu o ilustre fiscal autuante no Termo de Verificação Fiscal que embasa o presente auto de infração que o plano de outorga de opções de compra de ações teria natureza salarial; que ao contrário do que afirmou a fiscalização, não há qualquer possibilidade de se atribuir natureza salarial e muito menos remuneratória ao plano de outorga de opções de compra de ações mantido pela Recorrente, não podendo assim prevalecer a r. decisão recorrida considerando que a Recorrente não esteve jamais obrigado à retenção e recolhimento de IRRF sobre a “remuneração” que em vão tentou o fisco demonstrar ter existido; que das peculiaridades do plano de outorga de opções de compra de ações mantido pela recorrente, ou seja, apenas para argumentar, que pelas razões acima já não seja de plano reconhecida a insubsistência do lançamento, cumpre salientar que especificadamente no caso concreto, em razão das peculiaridades do plano de outorga de opções de compra de ações mantido pela Recorrente, com muito mais razão o valores autuados jamais poderiam ser tidos como remuneração dos beneficiários. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 18 17 que, como se pode observar do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conquanto a multa prevista no inciso II possa ser exigida isoladamente, o mesmo não ocorre com a multa do inciso I, que só pode ser exigida em conjunto com o valor do tributo devido; que, assim, conquanto o inciso I do artigo 44 permita a exigência da multa no caso de falta de recolhimento, ela evidentemente só poderá ser cobrada de quem for responsável pelo pagamento do tributo não recolhido; que considerandose que o próprio Parecer Normativo COSIT 01/2002 invocado pela decisão recorrida determina que “Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual”, é evidente que depois do prazo de entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, quando o imposto só pode ser exigido desta e não mais da fonte, a multa do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que deve sempre acompanhar o tributo lançado, só poderá ser cobrada da pessoa física, e não mais da fonte; que razão pela qual a regra do artigo 9º da Lei nº 10.426/2002, na hipótese de falta de retenção, só se aplica dentro do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste pela pessoa física, mas não depois, quando nem o imposto nem a multa do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 podem ser exigidas da fonte que não efetuou a retenção. É o relatório. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 19 18 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito do presente lançamento, no que diz respeito à competência das Seções para o julgamento dos recursos impetrados no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tratase de Auto de Infração, lavrado pela Fiscalização no montante de R$ 598.481.938,32, reduzido pela decisão de primeira instância para R$ R$ 64.086.225,28, composto por multa de ofício de 75% isolada, devida por falta de retenção e recolhimento de IRRF, incidente sobre a remuneração paga a diretores, sob a forma de outorga de opções de ações (Stock Options) que dão direito à subscrição de ações da companhia, no período de 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006. Conforme é salientado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 57/70), a outorga das opções de compra de ações aos trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, e reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual. Assim, a data de ocorrência do fato gerador das contribuições apuradas foi aquela em que ocorreu o vencimento do respectivo prazo de carência, seja pelo decurso do prazo previsto contratualmente, seja pelo vencimento antecipado nos casos também previstos em contrato, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. A base de cálculo da multa apurada (montante da remuneração paga), conforme consta no Termo de Verificação Fiscal e é demonstrado nas planilhas de fls. 71/74, foi calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambas referentes à data de vencimento do prazo de carência. A decisão recorrida manteve o lançamento sob os seguintes argumentos básicos: “Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. Irregularidades, incorreções e omissões cometidas no lançamento, passíveis de correção, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do Decreto 70.235/72.”; “A ausência de pagamento antecipado sobre os fatos jurídicos de que trata o lançamento impõe a aplicação do prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN).”; “As verbas pagas pela empresa aos seus diretores, sob a forma de opções de compra de ações stock options, como retribuição ao trabalho prestado, têm natureza remuneratória, sobre as quais incidem o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora e “A ocorrência do fato gerador do referido tributo incidente sobre as remunerações por meio de opções de compra de ações é a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador.”. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 20 19 Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta questões preliminares e razões de mérito sobre a irregularidade apontada pela autoridade fiscal lançadora. Como visto, o procedimento fiscal iniciou com a fiscalização dos recolhimentos das contribuições devidas à Seguridade Social, através do processo nº 16327.721796/201156. De acordo com o site do CARF a posição atual do referido processo é a seguinte: RETIRADO DE PAUTA POR DETERMINAÇÃO DO PRESIDENTE Órgão Julgador: 1ªTO/4ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF Relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM Data da Sessão: 02/12/2014 Hora da Sessão: 09:00 Tipo da Pauta: Ordinária Tipo Sessão: Normal O Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no campo da competência para o julgamento dos recursos, se manifesta da seguinte forma: Das Seções de Julgamento Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (o destaque e o grifo não constam do original) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Fl. 486DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.284 S1C4T2 Fl. 21 20 VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Para que a competência fosse da Primeira Seção o processo em pauta teria que forçosamente estar enquadrado na seguinte situação “demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.”. Ora, no presente caso, isso não ocorreu. Ou seja, a exigência da multa isolada foi em decorrência da falta de retenção e recolhimento de IRRF, incidente sobre a remuneração paga a diretores, sob a forma de outorga de opções de ações (Stock Options) que dão direito à subscrição de ações da companhia, no período de 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006. Isto posto voto no sentido de declinar da competência do julgamento à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF para apreciação em conjunto com o processo nº 16327.721796/201156. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.916787/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.737
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 67 87 /2 01 1- 51 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.916787/201151 Acórdão n.º 3402003.737 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.916787/201151 Acórdão n.º 3402003.737 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.916787/201151 Acórdão n.º 3402003.737 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.916787/201151 Acórdão n.º 3402003.737 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722311/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo.
Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Vencidos o Relator e a Conselheira LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro THEODORO VICENTE AGOSTINHO fará o voto vencedor.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente.
Rayd Santana Ferreira - Relator.
Theodoro Vicente Agostinho - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. Recurso Voluntário Negado.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 23 11 /2 01 3- 14 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Vencidos o Relator e a Conselheira LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro THEODORO VICENTE AGOSTINHO fará o voto vencedor. André Luís Marsico Lombardi Presidente. Rayd Santana Ferreira Relator. Theodoro Vicente Agostinho Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Miriam Denise Xavier, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO Processo nº 10825.722311/201314 Acórdão n.º 2401004.249 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório CLAUDIO VARA DE AQUINO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1261.015/2013, às fls. 38/42, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de glosas de deduções indevidas de despesas médicas por falta de comprovação e/ou previsão legal, em relação ao exercício 2011, conforme peça inaugural do feito, às fls. 28/33, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 27/08/2013, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Especificamente, no decorrer da ação fiscal apurouse deduções indevidas com despesas médicas referentes a Victor Sabastian Isnardi Scarpe, Marcos Lupercio Novo Silva e Aveline Rocha Leite da Silva, tendo em vista que o contribuinte, regularmente intimado, deixou de apresentar qualquer documento que comprovasse o efetivo pagamento dos recibos emitidos, razão das glosas procedidas pela fiscalização. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 48/58, procurando demonstrar sua total improcedência e nulidade, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que os pagamentos foram realizados em espécie, não sendo possível produzir prova nesse sentido. Explicita que, inicialmente, em sede de impugnação, comprovou todos as despesas glosadas por meio de recibos e declarações dos profissionais que realizaram o atendimento, ou seja, a partir de documentos idôneos e verídicos, os quais não foram considerados pelo fiscal, muito menos pela DRJ. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, corroborada pela decisão de primeira instância, sustentando ser desnecessária a prova do efetivo pagamento, visto ter colacionado ao processo documentos idôneos, hábeis e verídicos, quais sejam, recibos e declarações dos profissionais, comprovando a prestação dos serviços médicos e o recebimento dos valores, ora glosados. Alega fazer jus à dedução das despesas médicas em questão, pois apresentou todos os documentos em tempo hábil, sendo absurda a exigência da comprovação do pagamento dos serviços mediante cheques, depósitos, etc, uma vez que foram pagos em moeda corrente. Assevera que tal exigência representa a quebra de seu sigilo bancário sem qualquer justificativa, ferindo os incisos X e XII do artigo 5° da Carta Magna. Em defesa de sua pretensão, transcreve neste sentido. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO 4 Ressalta toda sua indignação quanto à exigência daquilo que a lei não faz, ou seja, a apresentação do comprovante de pagamento (cheques, depósitos, etc), sobretudo quando a fiscalização não declinou qualquer irregularidade em relação aos recibos e/ou declarações apresentadas, os quais observaram todos os requisitos exigidos pela legislação, razão pela qual faz jus às deduções ora glosadas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, e no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO Processo nº 10825.722311/201314 Acórdão n.º 2401004.249 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no exercício objeto do lançamento. Uma vez intimado a comprovar a efetividade do pagamento das despesas, o recorrente apresentou recibos e outros documentos, explicitando, ainda, que os pagamentos se davam em espécie, não tendo, porém, a fiscalização admitido a documentação e/ou justificativas apresentadas, pelos seguintes motivos: "[...] REGULARMENTE INTIMADO DEIXOU DE APRESENTAR QUALQUER DOCUMENTO QUE COMPROVASSE O EFETIVO PAGAMENTO DOS RECIBOS EMITIDOS POR: VICTOR SEBASTIAN ISNARDI SACARPELLINI R$ 4.620,00 MARCOS LUPERCIO NOVO SILVA R$ 4.800,00 AVELINE ROCHA LEITE DA SILVA R$ 6.200,00" Como se observa dos autos, desde a ação fiscal, em resposta ao termo de intimação fiscal, de fl. 10, o contribuinte esclarece que os pagamentos pelos serviços médicos prestados foram realizados em moeda corrente, sendo impossível colacionar ao processo documentos comprobatórios sobre estes, tendo juntado todos os documentos exigidos por Lei. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que "a comprovação das despesas médicas realizadas por meio de recibos, receituários e declarações simples é muito frágil. (...) não podendo a autoridade fiscal se satisfazer somente com os referidos documentos." Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme documentos anteriormente anexados, impondo seja decretada a improcedência do feito. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO 6 [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO Processo nº 10825.722311/201314 Acórdão n.º 2401004.249 S2C4T1 Fl. 76 7 Na hipótese dos autos, a querela se resume em definir se os documentos acostados para comprovação das despesas médicas da contribuinte são hábeis, idôneos e capazes de comprovar as despesas deduzidas, sobretudo em confrontação com o entendimento da fiscalização no sentido de exigir prova do pagamento, mediante cheques, depósitos, etc. Assim, o contribuinte fora intimado para prestar tal informação, não o tendo feito na forma pleiteada pelo fiscal autuante, que achou por bem glosar a integralidade das despesas deduzidas. Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, a contribuinte trouxe à colação, desde a ocasião da impugnação, recibos acompanhados de declaração dos profissionais que prestaram os serviços, além de informar que os pagamentos foram feitos em espécie, argumentos e documentação não aceitas pelo julgador de primeira instância. Não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. Com relação à prova do efetivo pagamento, a autoridade lançadora apenas está autorizada a exigila na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela Lei n° 9.250/95 ou havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea. O fiscal em nenhum momento contestou ou apontou a inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, sequer trouxe argumentos que convalidasse sua presunção, ele apenas achou por bem desconsiderar os recibos e declarações apresentadas, e solicitar a comprovação dos pagamentos mediante cheques e/ou depósitos. Nesse aspecto, temos o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, salvo comprovação de inidoneidade destes documentos ou a indicação de alguma suspeita que recaia sobre o contribuinte ou documentação ofertada, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Destarte, aprofundando ainda mais nos documentos trazidos à colação pelo contribuinte, conjugada com suas razões de defesa, melhor sorte não está reservada ao fisco. No caso dos autos, os recibos foram complementados por declarações firmadas pelos profissionais emitentes dos recibos. Este Conselho tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento mediante cheques, depósitos, etc. Com efeito, pela documentação acostada aos autos, entendemos estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução das seguintes despesas declaradas pelo contribuinte: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO 8 PROFISSIONAL GLOSA COMPROVAÇÃO VICTOR S. I. SCARPELLINI R$ 4.620,00 R$ 390,00 MARCOS LUPERCIO N. SILVA R$ 4.800,00 R$ 4.800,00 AVELINE ROCHA L. DA SILVA R$ 6.200,00 R$ 6.200,00 Desta forma, é de se acatar parcialmente o pedido do contribuinte, no sentido de restabelecer a dedução das despesas médicas no quantum de R$ 11.390,00 (onze mil, trezentos e noventa reais) referentes as despesas devidamente comprovadas, mantendo as demais glosas por estas não restarem comprovadas pelo contribuinte. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas comprovadas no montante de R$ 11.390,00 (onze mil, trezentos e noventa reais), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO Processo nº 10825.722311/201314 Acórdão n.º 2401004.249 S2C4T1 Fl. 77 9 Voto Vencedor Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto o posicionamento ao Recurso Voluntário, devendo ser mantida a decisão a quo, como passaremos a demonstrar. Segundo o insigne Relator, a efetiva comprovação da prestação de serviços, por meio de recibos formalmente completos se prestam a permitir a dedução. São suas as palavras abaixo reproduzidas: "(...) os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento." Sobre este entendimento do Relator que insurgise a divergência. Cingese a controvérsia à prova do efetivo pagamento da despesa médica lançada na Declaração de Ajuste do recorrente, pois, de acordo com a autoridade fiscal e recorrida, tal comprovação não se fez presente. De início, mesmo que já mencionada pelo Relator, cumpre reproduzir a legislação aplicada à espécie, no caso, o art. 8º da Lei nº 9.250/1995, além do art. 73, § 1º, do Decreto nº 3000/1999, vejamos: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO 10 III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;" Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).(grifos nossos) Da análise dos dispositivos supracitados, depreendese que cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, pois ao meu ver, a Lei exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, ou seja, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente a esse quinhão gasto, da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Primeiramente, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida por parte do fisco, pode este solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, tais como radiografias, exames, laudos médicos, etc. Portanto, a simples declaração do suposto prestador de serviço, bem como a mera afirmação do pagamento em espécie pela contribuinte, não tem o condão de comprovar a efetividade do pagamento da prestação de serviço. Ademais, importantíssimo realçar, que a Recorrente foi intimada pela Autoridade Fiscal para comprovar o pagamento das despesas médicas representadas pelos recibos de prestação de serviços acostados a sua declaração de ajuste. Não o fez, alegando em resposta, que efetuou os pagamentos em espécie. Com esse sentir, tornase claro o papel de cada meio de prova exigido. Em regra, a efetiva prestação de serviços é comprovada pelo recibo, que demonstra quem laborou, em que, para quem, quando, onde e por quê. Já o efetivo pagamento, ou seja, quem suportou a despesa, deve ser comprovado por meio de cópia do cheque, de extratos bancários, do cartão de crédito, etc, e não por mera argumentação de ter sido pago em espécie, como no caso em tela. Na impugnação ao lançamento, se restringiu a reiterar a alegação que pagou em espécie, não provando, ou juntando indícios de prova, que tal pagamento tenha sido suportado por ele. Reiterando a comprovação que houve a prestação de serviços médicos. Em seu recurso voluntário, mesmo ciente que o Fisco exigiu tanto na ação fiscal, quanto na decisão de primeira instância, a comprovação do efetivo pagamento, nada foi trazido aos autos que permitisse a necessária comprovação do dispêndio, não obstante houvesse a comprovação dos serviços realizados. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO Processo nº 10825.722311/201314 Acórdão n.º 2401004.249 S2C4T1 Fl. 78 11 Portanto, a validade da dedução de despesa médica depende da comprovação da prestação dos serviços ou do efetivo dispêndio do contribuinte e, como não foram carreadas aos autos estas provas, não há qualquer reparo a ser feito ao lançamento. .Diante de todo o exposto, e com base nos argumentos jurídicos apresentados, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Theodoro Vicente Agostinho Redator Designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/08/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/08/2016 por THEODORO VICENTE AGOSTINHO
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