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Numero do processo: 10580.720394/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 94 /2 01 0- 76 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 26/01/2010 (fl. 02), para exigir multa em razão da Recorrente ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, dos trabalhadores avulsos a seu serviço e dos segurados contribuintes individuais, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 36/128) requerendo a total improcedência do lançamento. Conforme certidão lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Estado da Bahia (fl. 129), a impugnação apresentada é intempestiva. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 130/133), não conheceu da impugnação, entendendo que a tempestividade é um requisito indispensável. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 137/163) argumentando que: (i) a pessoa responsável era relativamente incapaz na época da intimação e posteriormente foi afastada por motivos médicos; (ii) devem ser observados os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; (iii) é impossível comprovar a situação de ausência de intimação vivenciada pela Recorrente, configurando uma “prova diabólica”; (iv); o processo administrativo deve buscar a legalidade e a verdade material; e (v) as bolsas de estudos concedidas aos seus funcionários não devem incluir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10580.720394/201076 Acórdão n.º 2402003.632 S2C4T2 Fl. 169 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pelo Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, ao ser intimado do presente auto de infração em 26/01/2010 (fl. 02), a Recorrente apresentou impugnação administrativa apenas em 01/04/2010 (fl. 36), de forma intempestiva. Neste contexto, observando a máxima dormientibus non sucurrit jus, e considerando que desde a Lei nº 8.748/1993 não há mais hipóteses de prorrogação dos prazos administrativos, não merece conhecimento o recurso. Como é cediço, o prazo para apresentação da impugnação administrativa é de 30 dias, conforme determina o art. 15, do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Caso tal previsão não seja rigorosamente observada pelo contribuinte, a consequência direta é a não instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, de acordo com o art. 14 do mesmo decreto acima mencionado, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Ademais, a Recorrente sustenta que a produção de prova demonstrando a ausência de intimação é uma prova “diabólica”, posto que impossível de ser produzida. Contudo, analisando o auto de infração lavrado, é facilmente observável que a empresa foi intimada em 26/01/2010 (fl. 02), e que apresentou a sua impugnação administrativa somente em 01/04/2010 (fl. 36). Este E. Conselho Administrativo já se manifestou diversas vezes no sentido de que não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2000, 2001. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. CONSIDERASE INTEMPESTIVA A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA APÓS O DECURSO DO PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS, A CONTAR DA DATA EM QUE FOI FEITA A INTIMAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO TENDO A FACULDADE, PORTANTO, DE INSTAURAR A FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIMENTO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE PASSAM A INTEGRAR O PRESENTE JULGADO. AUSENTE MOMENTANEAMENTE, O CONSELHEIRO LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº 140200520 do Processo 13603002018200511. Julgado em 01/04/2011) Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER DO RECURSO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13856.000217/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA.
A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o
lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os
encargos legais cabíveis.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO
ANTECIPADO.
Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de
apuração objeto do lançamento, aplicase
a regra do art. 150, § 4º, do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de apuração objeto do lançamento, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de abril a dezembro de 1998, tendo em vista que RFB não aceitou as compensações declaradas pela recorrente em suas DCTFs, como tendo sido realizadas com DARF e sem processo. Inconformada com a autuação, no dia 25/07/2003, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no relatório de fls. 56/57. Diante da impugnação da empresa interessa, a DRF efetuou a revisão de ofício do lançamento para concluir pela inexistência de erro de fato, mantendoo integralmente, nos termos do Despacho Decisório de fls. 58. Ciente do referido despacho, ingressou a empresa recorrente com “recurso voluntário”. O apelo da recorrente foi apreciado e julgado pela DRJ que, antes de fazêlo, baixou o processo em diligência para as seguintes providências: Assim sendo, voto pela conversão do presente julgamento, em DILIGÊNCIA, para que os autos sejam baixados à DRF em Ribeirão Preto para que apure, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive adotandose a semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, os indébitos mensais e o montante a que a interessada faz jus, a valores de 15/05/1998, data da primeira compensação alegada por ela, decorrentes de pagamentos a maior da contribuição para o PIS nos termos dos Decretoslei n° 2.44 n° 2.449, ambos de 1988, em relação aos devidos segundo as Leis Complementares (LC) n° 7, de 1970, e n° 17, de 1973, sobre os fatos geradores dos meses de competência de setembro de 1995 a fevereiro de 1996. Na oportunidade, solicitamos também a intimação da interessada para que comprove, em sua contabilidade, as compensações alegadas por ela, e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ ou utilizados por ela em outras compensações, cientificandoa de todos os atos praticados, em face da diligência solicitada, inclusive, reabrindolhe prazo para se manifestar a respeito. (grifei) Realizado a diligência, concluiuse pela inexistência de crédito no período de 09/95 a 02/96, nos seguintes termos: Adotandose a semestralidade, o período de apuração setembro/95 tem como base de cálculo o faturamento de março/95 e assim sucessivamente. De acordo com a LC 07/1970 e LC 17/1973, a alíquota devida é de 0,75%. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 193 3 Desta forma, para efeito de cálculo dos eventuais créditos da contribuinte, no período em questão, foram utilizadas as bases de cálculo da COFINS declaradas pela contribuinte em DIRPJ (fls. 107), quais eram, A época, de idêntico conceito ao do PIS sob a vigência das referidas leis complementares, ou seja, o conceito restritivo de faturamento. Ocorre que, mesmo utilizandose de base de cálculo menor, efetuados os cálculos através do CADJUD (fls. 115/122), verificouse que não há créditos a compensar pela contribuinte nos períodos de apuração 04/1998 a 12/1998, uma vez que os supostos pagamentos a maior, imputados aos respectivos débitos, foram insuficientes até mesmo para liquidação destes. Diante do exposto, proponho que se de ciência à contribuinte de todos os atos praticados em face da diligência solicitada, inclusive reabrindolhe prazo para manifestarse a respeito, bem como esta seja intimada para que comprove, em sua contabilidade as compensações alegadas por ela e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ou utilizados em outras compensações. Assim, atendidas as solicitações, retorne se o processo ã DRJ/RPO. Ciente do resultado da diligência (AR de fl. 127), a manifestase para apresentar “os DARF's que comprovam a origem do credito; a planilha de apuração de credito e o controle de compensação”, silenciando quanto a contabilização das compensações que alega ter efetuado. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa de ofício, nos termos do Acórdão no 1416.603, de 06/08/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: DCTF. TRIBUTO DECLARADO. CRÉDITO VINCULADO A COMPENAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos tributários declarados nas respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs), vinculados a compensações com créditos financeiros nãoreconhecidos, estão sujeitos a lançamento de oficio, acrescidos de juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindo a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação do pagamento e/ ou compensação informada na DCTF. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa renúncia As instâncias administrativas, aplicandose ao caso a decisão judicial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Ciente desta decisão em 22/10/2007 (AR de fl. 178), a interessada ingressou, no dia 19/11/2007, com o recurso voluntário de fls. 179/188, no qual alega, em apertada síntese, que as compensações foram efetuadas com base na inconstitucionalidade declarado dos DecretosLeis nº 2445/88 e 2449/88 e que o mandado de segurança por ela impetrado não trata de compensação e nem serviu de fundamento para as ditas compensações. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, deve ser conhecido. Postula a recorrente o cancelamento do auto de infração sob a alegação de que fez a compensação com base na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e não com base no mandado de segurança que impetrou, no ano de 2000, contra a Fazenda Nacional. Com razão, em parte, a recorrente. Realmente a recorrente não informa, nas DCTF, que efetuou as compensações com base em decisão judicial proferida no mandado de segurança que impetrou no ano 2000. As compensações foram declaradas antes da data da impetração do mandado de segurança a que se refere o Despacho Decisório da DRF e a decisão recorrida. Nas DCTF a recorrente declarou que efetuou a “compensação c/Darf e s/Processo”, fato perfeitamente possível de acontecer, desde que provado a efetiva realização e escrituração da compensação na contabilidade do contribuinte. No caso dos autos, foi realizado diligência onde um dos objetivos era intimar a recorrente a comprovar, por meio de sua contabilidade, que efetuou as compensações alegadas e declaradas em DCTF. Regularmente intimada a comprovar que escriturou as compensações alegadas, a empresa não se manifestou quanto a esta matéria e nem providenciou a juntada de cópia dos livros Razão e Diário onde os lançamentos contábeis das compensações teriam sido efetuados. Como bem disse a recorrente, à época da apresentação da DCTF a compensação poderia ser feita sem prévio requerimento à RFB (art. 14 da IN 21/97), que tem o dever de apurar a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação. Se o crédito foi apurado pelo contribuinte e utilizado em compensações na forma do art. 14 da IN 21/97, tem ele contribuinte a obrigação de escriturar em sua contabilidade o referido crédito e a operação de compensação efetuada e declarada à RFB. E à RFB cabe apurar a veracidade dos dados declarados e lançados na escrituração contábil e fiscal do contribuinte (Parágrafo Único do art. 7º da IN 21/97). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 194 5 No caso dos autos, intimada a comprovar a escrituração do crédito e das compensações efetuadas, a recorrente silenciou. Portanto, à mingua de prova do declarado em DCTF, não há como reconhecer a legitimidade das compensações declaradas em DCTF pela recorrente. Digase, por oportuno, que as planilhas de fls. 161/163 não substituem a escrituração contábil e fiscal da recorrente e, portanto, não fazem prova da efetiva realização das compensações declaradas em DCTF. Considerando que a decadência é matéria de interesse público e deve ser levantada de ofício, este Conselheiro Relator constatou que, para os períodos de apuração de 04/98 a 06/98, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento pelas razões a seguir expostas. De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Afastada a aplicação dos citados dispositivos legais, a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento é a tratada no § 4º do art. 150, do CTN, posto que a recorrente efetuou pagamento antecipado em todos os períodos de apuração objeto do lançamento, conforme Darf de fls. 25/29. Consequentemente, ao caso não se aplica o art. 173, inciso I, do CTN, nos exatos termos da decisão proferida pelo STJ, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu no dia 01/07/2003, estão extintos pela decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 30/06/1998, inclusive. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a extinção, pela decadência, dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de abril a junho de 1998. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.006105/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IRPJ
Ano-calendário: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não existe nulidade em auto de infração lavrado por autoridade competente sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)
PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes.
Numero da decisão: 1302-001.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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NULIDADE. Não existe nulidade em auto de infração lavrado por autoridade competente sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVARELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte foi autuada em tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade SocialINSS), multa regulamentar e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2005, pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados. Como se extrai do relatório fiscal, a contribuinte apresentou espontaneamente os extratos bancários que demonstraram uma movimentação de R$ 11.646.777,49. Após as exclusões e ajustes necessários restaram depósitos de R$ 9.971.036,63, tendo sido declarado pela contribuinte R$ 452.619,21 como receita de vendas, conforme DIPJ apresentada. Considerou a fiscalização que a contribuinte extrapolou naquele ano a receita bruta permitida pela legislação do SIMPLES, adotando, em relação aos valores excedentes, os percentuais previstos na alínea "e" do inciso II e nos §§ 2° e 3°, incisos III e IV, e § 4°, inciso III ou IV, todos do art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996, acrescidos de vinte por cento, observado o disposto no § 1° do artigo 205 do RIR/99. Devido à ultrapassagem do limite de receita para permanência no Simples, a autoridade fiscal elaborou Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples, constante do processo 19515.006118/200835. Em 13 de novembro de 2008 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administrativo Tributaria em São Paulo emitiu o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 021, excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2006, e não havendo contraditório, foi efetuada sua exclusão da sistemática simplificada. Quanto à diferença entre o valor declarado na DIPJ e os creditados nas contas correntes, foi lançado como OMISSÃO DE RECEITAS, cabendo os lançamentos reflexos adotados. Irresignada com os lançamentos, a empresa, apresentou impugnação na qual alega, em síntese, o seguinte: preliminarmente a inconsistência do Trabalho Fiscal, uma vez que encontradas anomalias, relacionadas com a conta do Banco Real S/A, quais sejam: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 2 3 dia 06/04 fls. 85 – Encontrouse um lançamento a crédito, no valor dc R$ 3.235,80 tendo como histórico: "cheque prescrito 4489'. Existe o lançamento à débito,com o histórico: "cheque compensado 4489". com o mesmo histórico às fls. 86, encontrouse três lançamentos à crédito, sendo dois no valor de R$ 4.000,00 e um de R$ 3.326,10, totalizando R$ 11.326,10. Vejase que às fls. 85, existe o lançamento a débito referente ao cheque 4409 e às fls. 86, os lançamentos a débito referentes aos cheques 4407 e 4408, todos com o mesmo histórico: "Cheque compensado". esses valores relacionados pelo Fiscal e incluídos na base de cálculo foram lançados como Receita Omitida e sobre os quais foram calculados o IRPF, CSLL, PIS, COFINS e INSS, o que não deveria ter ocorrido por se tratar de estorno de débito, NÃO podendo ser classificado como receita sujeita a tributação. promovidos os ajustes dos lançamentos na planilha, no mês de abril, a receita omitida será de R$ 700.631,94 e, não os R$ 715.193,84, apurados pelo Fisco. dia 05/07 fls. 140 Na relação elaborada pelo Fisco constam dois lançamentos tendo “TED” como histórico, nos valores de R$ 7.132,81 e R$ 26.341,07, sem que, no extrato relativo ao mês de julho fossem encontrados esses lançamentos. promovido o ajuste dos lançamentos na planilha de fls. 269, relativos ao mês de julho, a Receita Omitida do mês, será de R$ 485.205,00 e não os R$ 518.679,07 apurados pelo Fisco. com os ajustes o montante tido como receita omitida, deverá ser alterado para R$ 9.416.381,43. com as inconsistências apontadas acima, alega que o Fisco lançou indevidamente a importância R$ 12.947,78, a título de impostos e contribuições, juros de mora e multa, motivo suficiente para decretar "ab inítio" a anulação do Procedimento Fiscal. a Taxa SELIC ofende diversos princípios tributários. em relação ao lançamento com base em extratos bancários, as jurisprudências, administrativa e judicial, são favoráveis aos contribuintes. requer finalmente a anulação do trabalho fiscal sem exame do mérito. A 1ª Turma da DRJ/SP, através do acórdão nº 1633.881, por unanimidade julgou procedente em parte a impugnação, alegando basicamente que: quanto a preliminar de inconstitucionalidade a instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. que a instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 mesmo os optantes pelo Simples estão obrigados a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios, sob pena de estar sujeito à presunção de omissão de receita, de acordo com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. que a eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. que o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição para a Seguridade Social INSS. que verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. que as normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. que os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). como o lançamento principal (IRPJ) esta sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS, COFINS e INSSSimples), e de não existir nenhum motivo para que estes lançamentos decorrentes sejam declarados de ofício improcedentes, estes lançamentos decorrentes devem ser mantidos da mesma forma que o lançamento de IRPJ. em face do exposto, julga PROCEDENTE EM PARTE a impugnação conforme o demonstrativo seguinte: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IRPJ/PIS Multa Mês Lançado Exonerado Mantido Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 2.408,00 R$ 0,00 R$ 2.408,00 RS 1.806,00 R$ 0,00 R$ 1.806,00 fev/05 R$ 2.778,79 R$ 0,00 R$2.778,79 R$ 2.084,08 R$ 0,00 R$2.084,08 mar/05 R$4.542,02 R$ 0,00 R$4.542,02 R$ 3.406,51 R$ 0,00 R$ 3.406,51 abr/05 R$ 5.764,62 R$ 113,58 R$ 5.651,04 R$ 4.323,46 R$ 85,19 R$4.238,27 mai/05 R$ 5.834,04 R$ 0,00 R$ 5.834,04 R$4.375,53 R$ 0,00 R$4.375,53 jun/05 R$ 6.725,71 R$ 0,00 R$ 6.725,71 R$ 5.044,28 R$ 0,00 R$ 5.044,28 jul/05 R$ 4.157,02 R$ 261,10 R$ 3.895,92 R$ 3.117,76 R$ 195,83 R$2.921,93 ago/05 R$ 8.619,85 R$ 0,00 R$ 8.619,85 R$ 6.464,88 R$ 0,00 R$ 6.464,88 set/05 R$ 5.742,17 R$ 0,00 R$ 5.742,17 R$ 4.306,62 R$ 0,00 R$4.306,62 out/05 R$ 7.450,43 R$ 0,00 R$ 7.450,43 R$ 5.587,82 R$ 0,00 R$ 5.587,82 nov/05 R$ 9.498,59 R$ 0,00 R$ 9.498,59 R$7.123,94 R$ 0,00 R$ 7.123,94 dez/05 R$ 9.669,57 R$ 0,00 R$ 9.669,57 R$ 7.252,17 R$ 0,00 R$ 7.252,17 Total: R$ 73.190,79 R$ 374,68 R$ 72.816,11 R$ 54.893,05 R$281,02 R$ 54.612,03 CSLL Multa Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 4.630,76 R$ 0,00 R$4.630,76 R$ 3.473,07 R$ 0,00 R$ 3.473,07 fev/05 R$4.275,05 R$ 0,00 R$4.275,05 R$ 3.206,28 R$ 0,00 R$ 3.206,28 mar/05 R$6.987,72 R$ 0,00 R$ 6.987,72 R$ 5.240,79 R$ 0,00 R$ 5.240,79 abr/05 R$ 8.868,65 R$ 174,75 R$ 8.693,90 R$6.651,48 R$ 131,06 R$ 6.520,42 mai/05 R$ 8.975,45 R$ 0,00 R$ 8.975,45 R$6.731,58 R$ 0,00 R$6.731,58 jun/05 R$ 10.347,24 R$ 0,00 R$ 10.347,24 R$ 7.760,43 R$ 0,00 R$ 7.760,43 jul/05 R$6.395,41 R$ 401,69 R$ 5.993,72 R$4.796,55 R$ 301,26 R$4.495,29 ago/05 R$ 13.261,31 R$ 0,00 R$ 13.261,31 R$ 9.945,98 R$0,00 R$ 9.945,98 set/05 R$ 8 834,10 R$ 0,00 R$ 8.834,10 R$ 6.625,57 R$ 0,00 R$6.625,57 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 3 5 out/05 R$ 11.462,19 R$ 0,00 R$ 11.462,19 R$ 8.596,64 R$ 0,00 R$ 8.596,64 nov/05 R$ 14.613,21 R$ 0,00 R$ 14.613,21 R$ 10.959,90 R$ 0,00 R$ 10.959,90 dez'' j R$ 14.876,25 R$ 0,00 R$ 14.876,25 R$ 11.157,18 R$ 0,00 R$ 11.157,18 Total: R$ 113.527,34 R$ 576,44 R$ 112.950,90 R$ 85.145,45 R$ 432,32 R$ 84.713,13 COFINS Multa f Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 9.261,51 R$ 0,00 R$ 9.261,51 R$6.946,13 R$ 0,00 R$ 6.946,13 fev/05 R$ 8.550,10 R$ 0,00 R$ 8.550,10 R$6.412,57 R$ 0,00 R$ 6.412,57 mar/05 R$ 13.975,45 R$ 0,00 R$ 13.975,45 R$ 10.481,58 R$ 0,00 R$ 10.481,58 abr/05 R$ 17.737,28 R$ 349,48 R$ 17.387,80 R$ 13.302,96 R$ 262,11 R$ 13.040,85 mai/05 R$ 17.950,89 R$ 0,00 R$ 17.950,89 R$ 13.463,16 R$ 0,00 R$ 13.463,16 jun/05 R$ 20.694,49 R$ 0,00 R$ 20.694,49 R$ 15.520,86 R$ 0,00 R$ 15.520,86 ¡ul/05 R$ 12.790,82 R$ 803,38 R$ 11.987,44 R$ 9.593,11 R$ 602,54 R$ 8.990,57 ago/05 R$ 26.522,62 R$ 0,00 R$ 26.522,62 R$ 19.891,96 R$ 0,00 R$ 19.891,96 set/05 R$ 17.668,20 R$ 0,00 R$ 17.668,20 R$ 13.251,15 R$ 0,00 R$ 13.251,15 out/05 R$ 22.924,39 R$ 0,00 R$ 22.924,39 R$ 17.193,29 R$ 0,00 R$ 17.193,29 nov/05 R$ 29.226,42 R$ 0,00 R$ 29.226,42 R$21.919,81 R$ 0,00 R$21.919,81 dez/05 R$ 29.752,51 R$ 0,00 R$29.752,51 R$ 22.314,38 R$ 0,00 R$ 22.314,38 Total: R$ 227.054,68 R$ 1.152,86 R$ 225.901,82 R$ 170.290,96 R$ 864,65 R$ 169.426,31 Contribuição ao INSS Multa Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 11.854,73 R$ 0,00 R$ 11.854,73 R$ 8.891,04 R$0,00 R$ 8.891,04 fev/05 R$ 14.962,65 R$ 0,00 R$ 14.962,65 R$ 11.221,98 R$0,00 R$ 11.221,98 mar/05 R$30.047,21 R$ 0,00 R$ 30.047,21 R$ 22.535,40 R$ 0,00 R$22.535,40 abr/05 R$ 38.135,16 R$ 751,40 R$ 37.383,76 R$ 28.601,37 R$ 563,55 R$ 28.037,82 mai/05 R$ 38.594,40 R$ 0,00 R$ 38.594,40 R$ 28.945,80 R$ 0,00 R$28.945,80 jun/05 R$ 44.493,14 R$ 0,00 R$ 44.493,14 R$ 33.369,85 R$0,00 R$ 33.369,85 jul/05 R$ 27.500,25 R$ 1.727,26 R$25.772,99 R$ 20.625,18 R$ 1.295,44 R$ 19.329,74 ago/05 R$ 57.023,62 R$ 0,00 R$ 57.023,62 R$ 42.767,71 R$ 0,00 R$ 42.767,71 set/05 R$ 37.986,61 R$ 0,00 R$ 37.986,61 R$ 28.489,95 R$ 0,00 R$28.489,95 out/05 R$49.287,42 R$0,00 R$49.287,42 R$ 36.965,56 R$ 0,00 R$ 36.965,56 nov/05 R$ 62.836,79 R$ 0,00 R$ 62.836,79 R$ 47.127,58 R$ 0,00 R$47.127,58 dez/05 R$ 63.967,87 R$ 0,00 R$ 63.967,87 R$ 47.975,90 R$ 0,00 R$ 47.975,90 Total: R$ 476.689,85 R$ 2.478,66 R$ 474.211,19 R$ 357.517,32 R$ 1.858,99 R$ 355.658,34 Intimado da decisão da DRJ em 03/10/2012, apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 10/10/12, reiterando os argumentos de impugnação, voltando a atacar a SELIC, os lançamentos baseados em depósitos bancários. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Fl. 480DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Quanto as alegações de inconstitucionalidade e da exigência da taxa Selic, não comporta mais nenhuma discussão sobre as matérias, uma vez que o CARF já editou as referentes Súmulas a serem atendidas pelos julgadores administrativos “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” JUROS DE MORA – TAXA SELIC “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários são devidos, à taxa SELIC para títulos federais.” Para se apreciar o cabimento de exclusão do Simples e dos lançamentos decorrentes de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, devese verificar com atenção o recurso fiscal. A contribuinte foi intimada, a apresentar Contrato Social e Alterações, Livros comerciais e fiscais obrigatórios e acessórios, relação das instituições financeiras com as quais transacionou e arquivos contábeis em meio magnético. Tendo em vista a documentação disponibilizada pela contribuinte, verificouse que a recorrente receptou créditos bancários, no ano de 2005, no valor de R$ 9.917.036,63, e fez Declaração Simplificada de receita somente R$ 452.619,21. Diante dos valores creditados em conta corrente da Contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos, bem como a totalização mensal, a fiscalização não teve alternativa senão a aplicação das normas contidas no § Io do artigo 7o e no artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, que dispõem sobre o regime do Simples. Mesmo o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração. Não o fazendo está sujeito à presunção legal de omissão de receita, de acordo com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, conforme farta jurisprudência deste conselho. Senão vejamos: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão 1101001.000 1a Câmara / 1a Turma Ordinária 11/09/2012 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 4 7 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Exercício: 2006 SIMPLES FEDERAL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS NÃO EXPLICADOS. É aplicável a presunção legal de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, às empresas no Simples. Proc. Nº 16095000630/200959” Como visto basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, sejam rendimentos, não restando à autoridade fiscal outra alternativa senão formalizar o lançamento de omissão de receitas. Desta forma, os lançamentos não são nulos, ao contrário, são totalmente eficazes e legais, pois estão baseados em fatos constatados em legislação vigente e sobre os créditos bancários cuja origem não foram comprovadas, e corretamente aplicado o percentual estabelecido na legislação que apurou os tributos devidos. Diante do fato de o lançamento principal (IRPJ) estar sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS, COFINS e INSSSimples), estes lançamentos também devem ser mantidos. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado contra os lançamentos discutidos neste processo. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 482DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10680.912767/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 162 1 161 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912767/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.965 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2013 Matéria PIS DCOMP Recorrente FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/08/2002 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 67 /2 00 9- 71 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação de débito de IRPJ, vencido na data de 30/06/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 09/14, transmitida na data de 29/06/2005, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de julho de 2002, recolhida em 15/08/2002. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 06. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 0238.030, datado de 20/03/2012, às fls. 51/55, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912767/200971 Acórdão n.º 3301001.965 S3C3T1 Fl. 163 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 62/84), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de julho de 2002 e recolhida em 15 de agosto do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e, ainda, que a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de julho de 2002, no valor de R$1.805,09, efetuado por meio de darf, de mesmo valor, recolhido em 18/08/2002, visando à compensação de débito do IRPJ, no valor de R$2.719,37 vencidos em 30/06/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de julho de 2002: a) débito de PIS, no valor de R$1.805,09; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no mesmo valor. Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$1.805,09 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta, a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 87/94, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 124/160, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.912767/200971 Acórdão n.º 3301001.965 S3C3T1 Fl. 164 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de julho de 2002 e recolhida em 15 de agosto do mesmo ano era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de julho de 2002, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001603/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/07/2005
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender
as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando
presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo
que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do
Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de
defesa.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO
FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO,
ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A
do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a
aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,
sob fundamento de inconstitucionalidade.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se
o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se
a
descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial
das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude,
dolo ou simulação.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao
INCRA, não há óbice normativo para tal exação.
CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC
As prestadoras de serviços estão obrigadas por lei ao pagamento da
contribuição ao SESC/SENAC, tendo o STJ reconhecido a legitimidade da
exação.
CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE.
A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao
SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas
as empresas que são contribuintes destas.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA
LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de
mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic
para títulos federais. Acrescente-se
que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições
apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a)
Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173
do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do
Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro
Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao
Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se
mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro
Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a). Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/07/2005 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC As prestadoras de serviços estão obrigadas por lei ao pagamento da contribuição ao SESC/SENAC, tendo o STJ reconhecido a legitimidade da exação. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2314; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 598 1 597 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.001603/200747 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.529 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria CONT. PREV. GFIPxGPS Recorrente MARCONDES ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/07/2005 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Fl. 643DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC As prestadoras de serviços estão obrigadas por lei ao pagamento da contribuição ao SESC/SENAC, tendo o STJ reconhecido a legitimidade da exação. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2000, anteriores a 10/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Fl. 644DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 599 3 Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 21/10/2005, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 149/150, deixado de recolher a contribuição previdenciária, a contribuição em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho e as contribuições de terceiros (Salário Educação/INCRA/SENAC/SESC/SEBRAE) apuradas por divergências entre Folha de Pagamento, GFIP e GPS, no período 06/2000 a 07/2005, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 3.757.771,49. Após tomar ciência pessoal da autuação em 24/10/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 156/198, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Entre os argumentos, destacamos os que apontaram cerceamento de defesa e erros de cálculo. O Serviço do Contencioso Administrativo da DRP/São PauloOeste solicitou diligências, fls. 404/406, tendo em vista que reconheceu que o Relatório Fiscal não havia sido claro quanto à descrição dos fatos geradores, bem como havia alguns problemas na apuração da base de cálculo. A autoridade fiscal apresentou relatório complementar promovendo algumas retificações no lançamento, fls. 407/409, tendo a recorrente sido cientificada de tal relatório em 23/04/2007. Foi apresentado um aditamento da impugnação na qual os argumentos foram repisados, fls. 411/457. A 13ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 498/521, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/07/2008, fls. 526. A decisão a quo concluiu que algumas correções deviam ser feitas no lançamento, acolhendo o resultado da diligência que solicitara. O recurso voluntário, protocolizado em 27/08/2008, fls. 520/558, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Quanto ao SAT, argumenta ainda que a definição de grau de risco não poderia ser feita por Decreto, o que torna a exação inconstitucional. Com relação ao SAT, pretende que o grau de risco seja aferido em relação a cada um dos estabelecimentos. Teriam sido afrontados vários princípios constitucionais, entre eles: legalidade, tipicidade, segurança jurídica e igualdade Fl. 646DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 600 5 Prossegue sustentando a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição destinada ao INCRA. Indica a inconstitucionalidade e a ilegalidade da cobrança das contribuições ao SESC/SENAC/SEBRAE. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, Fl. 648DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 601 7 não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Em especial, destacamos que o tipo de levantamento que ensejou o lançamento – batimento entre folha de pagamento, GFIP e GPS, permite que o interessado tenha total conhecimento de todos os aspectos do fato gerador, afastando a possibilidade de ser reconhecido o cerceamento de defesa. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 602 9 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 652DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 603 11 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao Fl. 654DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 604 13 período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 605 15 Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. No Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA) de fls. 105/115 encontramos pagamentos referentes aos períodos que interessam para a discussão de decadência. Portanto, em consonância com nossa posição acima apresentada, adotamos o dies a quo da decadência aquele do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 08/2005, fls. 134, estariam atingidos pela decadência os fatos geradores até 07/2000. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 Contribuição para financiamento do SAT Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei no. 8.212/1991, alterada pela Lei no. 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigente à época dos fatos, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado Fl. 658DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 606 17 médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1° As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, Fl. 659DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). ... Quanto ao argumento de ilegalidade de o Decreto definir os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repelese tal argüição na medida em que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça já assentou jurisprudência no sentido da legalidade da fixação da alíquota por meio de Decreto. Transcrevemos um Acórdão nesse sentido: “REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." Estabelecida a legalidade da definição dos graus de risco por meio de Decreto, restanos definir outro ponto que é suscitado sobre o assunto: o grau de risco deve ser aferido por estabelecimento ou na totalidade da empresa? A controvérsia, a despeito da explícita referência do art. 22, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c”, bem do art. 202 do Decreto 3.048/99 a atividade preponderante da empresa – e não do estabelecimento , é alimentada pela existência da Súmula 351 do STJ que tem o seguinte conteúdo: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Para compreendermos os fundamentos do surgimento de tal súmula, pesquisamos os precedentes que ensejaram a sua origem. Notamos que em todos eles há uma cadeia de citações de decisões que acabam por ter como origem comum Acórdãos do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) que se referiam ao regime jurídico da referida exação antes da edição da Lei 8.212/91, especialmente a Lei 6.367/76 e o Decreto 83.081/79. Verificamos que o art. 15 da Lei 6.367/76 transferiu para o poder regulamentar a competência de classificar os três graus de risco segundo “ a atual experiência de risco”, in verbis: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 607 19 Art. 15. O custeio dos encargos decorrentes desta lei será atendido pelas atuais contribuições previdenciárias a cargo da União, da empresa e do segurado, com um acréscimo, a cargo exclusivo da empresa, das seguintes percentagens do valor da folha de salário de contribuição dos segurados de que trata o Art. 1º: I 0,4% (quatro décimos por cento) para a empresa em cuja atividade o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II 1,2% (um e dois décimos por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado médio; III 2,5% (dois e meio por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado grave. § 1º O acréscimo de que trata este artigo será recolhido juntamente com as demais contribuições arrecadadas pelo INPS. § 2º O Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) classificará os três graus de risco em tabela própria organizada de acordo com a atual experiência de risco, na qual as empresas serão automaticamente enquadradas, segundo a natureza da respectiva atividade Exercendo sua função regulamentadora, o Decreto 83.081/79 trazia textualmente como parâmetro para a definição do grau de risco a separação por CGC, conforme pode ser observado em seu art. 40, a seguir reproduzido: Art. 40. Para os efeitos do artigo 38, a empresa se enquadrará na tabela do Anexo I em relação a cada estabelecimento como tal caracterizado pelo Cadastro Geral de Contribuintes CGC do Ministério da Fazenda. § 1º Quando a empresa ou o estabelecimento com CGC próprio, que a ela se equipara, exercer mais de uma atividade, o enquadramento se fará em função da atividade preponderante. § 2º Para os efeitos do § 1º, considerase atividade preponderante a que ocupa o maior número de segurados. Seguindo tais dispositivos, o TFR assentou entendimento de que era o CGC de cada estabelecimento que determinava o grau de risco das empresas, sendo que, existindo um único CGC, deverseia apurar a atividade preponderante. Fácil notar que nenhum esforço hermenêutico foi necessário para tanto, pois o então Decreto regulamentador já previa que a classificação seria feita por estabelecimento com CGC próprio. Ocorre que o regime jurídico da contribuição para financiamento do Seguro de Acidente do Trabalho foi modificado com a entrada em vigor da Lei 8.212/91. A nova lei, além de ampliar a destinação dos recursos da contribuição para o financiamento de todos os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente Fl. 661DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 dos riscos ambientais do trabalho, faz referência à atividade preponderante em seu art. 22. Por seu turno, o Decreto 3.048/99, ao exercer a função regulamentadora, não trouxe mais como critério a separação por CGC ou CNPJ, tendo preferido explicitar seu conceito de atividade preponderante em toda a empresa. Logo, com a mudança do regime jurídico, restaram superados os fundamentos da jurisprudência do antigo TFR e, por conseqüência, os fundamentos jurídicos que ensejaram o surgimento da Súmula 351 do STJ, posto que toda a argumentação dos Ministros do STJ nos precedentes da referida súmula amparamse nas superadas decisões do TFR. Mesmo reconhecendo a necessidade de ser preservada a segurança jurídica que as súmulas ajudam a concretizar, não podemos assumir que as decisões judiciais prevaleçam sobre as leis que lhe são posteriores. Modificada a lei que dava fundamento à Súmula, e não tendo esta força vinculante, desaparece sua força como instrumento que viabiliza a segurança jurídica. Por mais que entendamos que o grau de risco a que os trabalhadores estão expostos é melhor avaliado por atividade ou por estabelecimento, com o atual regime jurídico aplicável ao assunto, estaríamos decidindo em ofensa à legislação e, portanto, com desprestígio da segurança jurídica, se tomássemos como critério o estabelecimento ou a atividade dentro de um mesmo estabelecimento. Se o Decreto 3.048/99 regulamentou o grau de risco sem extrapolar os limites do poder regulamentar, como entendemos ser o caso, suas determinações sobre o assunto devem ser acatadas. Assim, a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Definida a atividade preponderante, a alíquota aplicável na incidência da contribuição será definida pela consulta à tabela do Anexo V do mesmo Decreto. Apresentadas nossas ponderações sobre o assunto, passamos à análise da situação da recorrente. A fiscalização não alterou o enquadramento do SAT que a própria recorrente havia feito em sua GFIP, bem como foi aplicada a menor alíquota possível (1%), então não vemos motivos para acatar os argumentos da recorrente nesse aspecto. A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.120/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. No entanto, aquele parecer não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o parecer não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que, fora de dúvida, diz respeito ao direito processual tributário. Pelas razões acima aventadas, continuamos com o resultado da interpretação da legislação, no campo do direito material tributário, que conclui que a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 608 21 Da contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) II O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: Fl. 663DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 22 I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ...” Vale enfatizar, porque importante, que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 609 23 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. “ Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: “PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA Fl. 665DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 24 REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original).” A seu turno, destaquese ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.” Desta forma, não vislumbro reparos na decisão recorrida neste ponto. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 610 25 Das contribuições para o SESC 48. No que tange ao SESC, o contribuinte alega inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência desta contribuição. 49. No entanto, não há como dar razão ao contribuinte em sua argumentação, pois as contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada pela empresa no sentido de sua ilegalidade. Nesse sentido é o entendimento atual do STJ, e como exemplo segue a ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n ° 840946/RS, cuja relatora foi a Eminente Ministra Eliana Calmon, publicado no DJ em 29 de agosto de 2007, nestas palavras: “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido.” Sendo assim, é devida a contribuição ao SESC consoante decisão recorrida. Contribuição ao SEBRAE Sobre a alegação de ilegalidade na imputação de contribuição ao SEBRAE, esclarecemos a recorrente que todas as empresas vinculadas ao SESI/SENAI, ao SESC/SENAC e ao SEST/SENAT são contribuintes do SEBRAE. A contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) foi criada pela Lei nº 8.029, de 12/04/90, que autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública Federal o antigo CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo, consoante disposto no artigo 8º: Art. 8º É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. ................................................................................................ § 3º As contribuições relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até 0,3% (três décimos por cento), com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. § 4º O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 26 O artigo 1º do DecretoLei nº 2.318/86 dispõe sobre a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades das contribuições para o SENAI, SENAC, SESI e SESC. O Poder Executivo, fazendo uso da autorização legal, editou o Decreto nº 99.570, de 09/10/90, transformando o CEBRAE no atual SEBRAE, conforme o artigo 1º: Art. 1º Fica desvinculado da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE e transformado em serviço social autônomo. Parágrafo único. O Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE, passa a denominarse Serviço Brasileiro de Apoio às Microempresas – SEBRAE. Do mesmo modo que a Lei nº 8.029/90, o Decreto nº 99.570/90 manteve a autorização para o INSS arrecadar o adicional da contribuição, com o repasse ao SEBRAE, nos termos do artigo 6º, que assim dispõe: Art. 6º O adicional de que trata o parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, será arrecadado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS e repassado ao SEBRAE no prazo de trinta dias após a sua arrecadação. Já em 28/12/1990, foi editada a Lei nº 8.154, que em seu artigo 8º, definiu os percentuais devidos a título do adicional da contribuição, da seguinte forma: Art. 8º (...) § 3º Para atender à execução da política de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do Decreto Lei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: a. 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b. 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c. 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. Desta forma, podemos perceber que a questionada contribuição destinada ao custeio do Serviço de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas, foi criada como uma majoração das contribuições devidas ao SESI/SENAI, SESC/SENAC e, posteriormente, ao SEST/SENAT, criado após o acima mencionado decretolei, por meio do art. 7º da Lei nº 8.706, de 14/09/1993. Conseqüentemente, todas as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento da contribuição devida às referidas entidades, por força dos dispositivos legais retro transcritos, passaram a ser obrigadas ao recolhimento do adicional devido ao SEBRAE. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), Fl. 668DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 611 27 prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE não podem ser exigidas. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a Fl. 669DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 28 apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 612 29 Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos Fl. 671DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 30 habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva Fl. 672DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 613 31 lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B Fl. 673DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 32 responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a :(i) afastar os fatos geradores ocorridos até 31/07/2000, por conta da decadência; (ii) afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 674DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 614 33 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Em que pese o ilustre Conselheiro Relator ter reconhecido a decadência parcial do crédito tributário com fulcro no art. 173, I do CTN, cumpre elucidar que, no caso em apreço, mais escorreita seria a aplicação do art. 150, §4°, tendo em vista que o contribuinte recolheu parte das contribuições previdenciárias devidas nos exercícios, conforme se pode observar das fls. 4/48 do Discriminativo Analítico do DébitoDAD, em que se verifica o pagamento de contribuição no campo “GPS” e das fls. 100/115 do Relatório de Documentos ApresentadosRDA e Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados RADA. É que, com o reconhecimento da inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal, com a edição da súmula vinculante nº 8, foi afastado o prazo decadencial de 10 anos para lançar a contribuição previdenciária, aplicandose o prazo qüinqüenal cujo termo inicial seria disciplinado pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 34 Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Fl. 676DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 615 35 No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação, pois no caso dos autos, verificase que o contribuinte pagou alguma das contribuições previdenciárias, conforme se infere fls. 4/48 do Discriminativo Analítico do DébitoDAD, em que se verifica o pagamento de contribuição no campo “GPS”, e das fls. 100/115 do Relatório de Documentos ApresentadosRDA e Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados RADA., não havendo também que se falar em fraude, dolo ou simulação, até porque não apontados pela fiscalização. Destarte, não tendo sido constatado dolo, fraude, ou simulação na conduta da Recorrente, verificase circunstância necessária à aplicação do art. 150, §4º do CTN e, conseqüente, afastamento do seu art. 173, I. Com efeito, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 24/10/2005, tenho como certo que estão decaídos os fatos geradores ocorridos até setembro/2000, isto é, anteriores a outubro/2000. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 36 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 616 37 Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o Fl. 679DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 38 pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11831.001603/200747 Acórdão n.º 230102.529 S2C3T1 Fl. 617 39 Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10865.002551/2006-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF
Ano-calendário: 2001
MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL.
Não se aplica a multa agravada, quando não há comprovação da efetiva conduta prevista da norma. Ausência de prejuízo para o Fisco, que logrou autuar o contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADAS. INSUFICIÊNCIA PARA A CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A mera ausência de comprovação de despesas médicas não pode levar à qualificação da multa, se o fisco não se esforçou, no auto de infração, em demonstrar o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-002.064
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL. Não se aplica a multa agravada, quando não há comprovação da efetiva conduta prevista da norma. Ausência de prejuízo para o Fisco, que logrou autuar o contribuinte. MULTA QUALIFICADA. DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADAS. INSUFICIÊNCIA PARA A CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A mera ausência de comprovação de despesas médicas não pode levar à qualificação da multa, se o fisco não se esforçou, no auto de infração, em demonstrar o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, apurandose o quanto segue, nos termos do relatório da DRJ: “1. dedução indevida de despesas de Previdência Oficial no ajuste anual, com aplicação de multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 04); 2. dedução indevida de dependentes no ajuste anual, com aplicação de multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 04); 3. dedução indevida de despesas médicas no ajuste anual, com aplicação de multa de 225%, com elaboração de representação fiscal para fins penais tendo em vista os fatos apurados configurarem, em tese, crime contra a ordem tributária (processo n° 10865.002552/2006 30, em apenso), agravada a multa por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal A fl. 05); 4. dedução indevida de despesas com instrução no ajuste anual, com aplicação da multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal A fl. 05); 5. dedução indevida de previdência privada/FAPI no ajuste anual, com aplicação de multa de 112,50%, agravada por falta de atendimento ao Fisco (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal A fl. 06).” O contribuinte apresentou a impugnação A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 77/85) julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL. Comprovado desconto a este titulo por meio do informe de rendimentos, deve ser restabelecida a dedução pleiteada. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Comprovado que o contribuinte informou corretamente o valor da contribuição à previdência privada, é de se restabelecer a dedução, conforme pleiteado. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Comprovado, em parte, ser procedente a dedução com dependentes pleiteada, deve a mesma ser parcialmente restabelecida. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Comprovado, em parte, ser procedente a dedução de despesas médicas ou odontológicas pleiteada, deve a mesma ser parcialmente restabelecida. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente A educação infantil, de 1°, 2° e 3° graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal. Caracterizado nos autos o não atendimento, no prazo, de intimação efetuada em conformidade com os ditames legais, é de se manter o agravamento da multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 88/90). A 1° Câmara da 2° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 93/99) deu parcial provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 4 4 Somente são dedutíveis a titulo de despesas com instrução os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1 °, 2° e 3° graus, curso de especialização ou profissionalizantes DEDUÇÕES. DEPENDENTES E DESPESAS COM INSTRUÇÃO. O contribuinte pode pleitear dedução de dependente e de despesas com instrução relativas a filhos com mais de 21 anos e até 24 anos, desde que estes estejam cursando universidade ou escola técnica de segundo grau. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A comprovação de despesas médicas se faz mediante a apresentação de recibos e notas fiscais, que devem indicar o nome do paciente. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências especificas previstas na legislação. MULTA QUALIFICADA. Para a qualificação da multa de oficio deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 103/120). Primeiramente, alegou dissídio jurisprudencial, relativamente ao agravamento da multa de ofício, nos seguintes termos: “É preciso mencionar, inicialmente, que a legislação põe à disposição da Fiscalização uma série de instrumentos para que se possa chegar à verdade dos fatos e, conseqüentemente, aferir o valor tributável. Assim, em análise as declarações de rendimento procedidas no ajuste anual, a fiscalização pode intimar o contribuinte para apresentar documentos que comprovem as despesas deduzidas no cálculo do imposto de renda devido. Expedidas as intimações pertinentes, não pode o sujeito passivo furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal (...) Neste sentido, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que tal conduta não constituir óbice ao trabalho fiscal. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 5 5 Como se observa, a prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes. Assim, inferese da leitura dos dispositivos transcritos e da análise da finalidade das normas neles contidas que, ocorrida a situação prevista em lei para a aplicação da penalidade ora discutida, a manutenção da majoração da multa é imperiosa.” Suscitou divergência, também, quanto à qualificação da multa de ofício. Segundo a recorrente: “A multa foi qualificada no tocante à glosa de despesas médicas, em relação às quais a contribuinte não comprovou sua efetividade por documentos hábeis. Sendo assim, por entender que a conduta do sujeito passivo constituiria, em tese, crime contra a ordem tributária, nos moldes da Lei n° 8.137/90, a autoridade autuante encaminhou representação fiscal para fins penais. Tratase, assim, de caso de dolo configurado no sentido de burlar o legítimo pagamento do imposto de renda, reduzindolhe a base de cálculo, mediante deduções indevidas, não calcadas em comprovantes hábeis. De todo o exposto, apresentase sem qualquer pecha a majoração da multa qualificada imposta ao contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos, refletido, particularmente, na autuação fiscal, que bem demonstra a materialidade da conduta dolosa do contribuinte. Nesse sentido, analisando caso concreto similar, já decidiu pela manutenção da multa qualificada imposta ao contribuinte a colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do julgamento do recurso voluntário n° 150.134, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária.” Por outro lado, alegou divergência jurisprudencial quanto à “preclusão processual de matéria não impugnadaqualificação de multa”. Argumentou, a recorrente, que: “De acordo com a lei que rege o processo administrativo fiscal, Decreto n° 70.235/1972, se o contribuinte não se insurgir expressamente contra determinada matéria ela é considerada como não impugnada, ou seja, presumese que o sujeito passivo concordou com a determinação fiscal, conforme se lê abaixo: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.'' Fl. 395DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 6 6 No entanto, o acórdão recorrido assentou entendimento contrário à lei e ao precedente acima indicado como paradigma, na medida em que deu provimento parcial ao recurso a partir de matéria que não foi impugnada pelo sujeito passivo em 1° Grau. Todavia, a presunção determinada pela lei é a de que a matéria não impugnada recebeu a concordância do sujeito passivo.” Operase, em casos tais, por conta de preclusão, a definitividade da matéria que não foi objeto de questionamento pela parte. No caso, a qualificação da multa de oficio, conforme já anotado nas linhas antecedentes, não foi objeto de impugnação especifica pelo contribuinte em sua peça preliminar de defesa. Tal matéria, portanto, restou preclusa, não podendo ser rediscutida na fase recursal. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 146/149. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Primeiramente, o recorrente suscitou divergência em relação ao desagravamento da multa de ofício. A recorrente suscitou divergência jurisprudencial com relação a um ponto decidido no acórdão recorrido: a qualificação da multa de ofício, com base na dedução indevida de despesas médicas. Entendeuse, no acórdão ora combatido que: “Ora, a não comprovação de despesas médicas, por si só, não é fato suficiente para caracterizar a qualificação da multa de ofício, que somente se justifica nos casos em que reste comprovado o evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte. Ou seja, caberia à autoridade fiscal demonstrar que houve o propósito deliberado do contribuinte em modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com Fl. 396DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 7 7 a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento. Deste modo, considerando que não restou comprovado nos autos, que a contribuinte tenha incorrido em conduta dolosa, devese reduzir o percentual da multa de ofício aplicado sobre a infração de dedução indevida de despesas médicas para 75%”. Ao examinar a questão, reconheceu, o relator do acórdão recorrido, de forma expressa, que, não obstante a questão da qualificação da multa não tenha sido diretamente atacada pela contribuinte, o seu exame faziase pertinente. Desta forma, a recorrente, no presente recurso especial, suscitou divergência jurisprudencial relativamente, em primeiro lugar, ao desagravemento da multa de ofício. Sustentou haver divergência, também, em relação à multa de ofício qualificada, insurgindose contra o acórdão recorrido, que a reduziu para 75%, e pugnando, também, pelo reconhecimento de preclusão da matéria, em face da ausência de impugnação específica por parte do contribuinte. As divergências jurisprudenciais, consoante meu entendimento, encontramse suficientemente demonstradas para o desagravamento da multa de ofício e para a qualificação da multa, de modo que tomo conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, nestes itens, mas deixo de reconhecêla no que se refere à preclusão. No caso dos presentes autos, a DRJ decidiu pela qualificação da multa de ofício, independentemente de qualquer alegação por parte do contribuinte. Entendo que seria a DRJ que teria que ter reconhecido a preclusão. Ao julgar o item possibilitou que a contribuinte recorresse sobre esta questão o que efetivamente ocorreu. No acórdão paradigma, a DRJ deixou de julgar a questão da qualificação da multa porque não houve impugnação expressa. Ora, as situações fáticas são diversas, pois no presente caso a DRJ julgou a qualificação da multa o que possibilitou o recurso do contribuinte sobre o tema. Portanto, em razão do acórdão paradigma ter trazido situação fática diversa, entendo que a divergência não restou caracterizada. Assim conheço parcialmente do Recurso Especial. Passo à análise do Recurso Especial quanto aos outros temas. Primeiramente, no que tange ao agravamento da multa para 112,5%, em razão da falta de resposta à intimação, revelase acertada a decisão recorrida, na medida em que a sua razão (isto é, o fim que justifica a aplicação da multa) é punir aquele contribuinte que não atendeu a fiscalização. Alegou e, consoante o meu entendimento, demonstrou a Recorrida que não recebeu as intimações, tanto que foi intimada por edital. Isto é, não houve a expressa intenção da Recorrida em não responder às intimações Ademais a fiscalização logrou autuar a Contribuinte, ou seja, não houve prejuízo ao Fisco. Mas, com diferença das razões de decidir da Câmara “a quo”, entendo que a Fl. 397DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 8 8 própria intimação por edital demonstra que não há a certeza de que a Contribuinte teria recebido tais intimações e daí não há o preenchimento do tipo específico do não atendimento ao Fisco. É dizer, a aplicação da multa de agravada, no caso, somente tem sentido se, no caso concreto, houvesse provado que ao contribuinte ciente das intimações, manifestamente não as respondeu. Ainda, é importante registrar que as intimações demandavam da contribuinte “comprovar todos os valores informados como ‘deduções’, nas declarações de ajustes anuais do imposto de renda, nos períodos acima, mediante a apresentação de documentos hábeis, idôneos e legíveis” e a ausência de tais respostas não impediram a lavratura do auto de infração. Por este motivo nego provimento, neste item ao Recurso da Fazenda Nacional. Por outro lado, não procede, também o recurso especial, da Fazenda Nacional no que se refere ao à qualificação da multa. No que se refere à qualificação da multa de ofício, da análise dos autos, impõese a conclusão de que a multa qualificada não deve, realmente, persistir. Com efeito, não obstante a ausência de comprovação das despesas médicas em questão, é de se ter que a qualificação da multa depende de patente comprovação de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte, no sentido de que a sua ação foi realizada com vistas a ludibriar o Fisco. E mais, tal comprovação, deve decorrer dos elementos coligidos pela fiscalização, e apontados de forma detalhada no auto de infração. Não se revela suficiente a simples aplicação da multa qualificada, sem menção específica das bases fáticas para tanto. É o que acontece no presente caso, conforme se depreende dos documentos componentes dos auto de infração, mais especificamente, da descrição dos fatos e enquadramento legal, presente às fls. 03/08 dos autos. Para a qualificação da multa, com efeito, referese, a autuação, apenas à ‘dedução indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda, relativa a despesas médicas”. Lá, remetese ao documento de fls. 09, no qual se expõe tãosomente a ausência de apresentação de documentos a comprovar a referidas despesas. Notese que o evidente intuito de fraude, imprescindível à qualificação da multa, deve, necessariamente, ser comprovado pela autoridade fiscal. Requisito de ordem subjetivo que não basta a simples referência, como se fez no presente caso, à ausência de comprovação das despesas médicas. A especificação dos fatos que denotem tal intuito fraudulento, expressamente abordados neste sentido pelo fisco é essencial para a qualificação da multa. É este que, fiscalizando, deve detectar que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, e, assim, expressarse. Neste sentido, a súmula n° 14 do CARF: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10865.002551/200695 Acórdão n.º 9202002.064 CSRFT2 Fl. 9 9 Súmula CARF n° 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Não cabe ao contribuinte, destarte, fazer uma prova negativa de uma intenção que a autoridade fiscal lhe imputa. Intenção esta, aliás, não enfrentada efetivamente pela autoridade fiscal. Desta forma, é de se manter, também neste ponto, a decisão recorrida. Por todo o exposto, conheço em parte o Recurso da Fazenda e na parte conhecida nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 21 de março de 201221 de março de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 399DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 11052.000979/2010-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 1237.5388/11 exarado pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro I, efls. 204 a 212, que manteve a sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Federal (janeiro a junho de 2007) e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – SIMPLES Nacional (a partir de julho de 2007), formalizadas nos Atos Declaratórios Executivos de fls. 151 e 152. Aproveito trechos do relatório e votocondutor do aresto combatido, para historiar os fatos: “Tratase de manifestação de Inconformidade aos Atos Declaratórios Executivos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 00 97 9/ 20 10 -1 5 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 3 2 DRF/RJOII/0041, de 17 de novembro de 2010, fls. 151, que exclui o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (simples), em virtude de a receita bruta de.$ 3.337.152,78, no ano calendário de 2006 ter ultrapassado o limite previsto no inciso II, artigo 2o da Lei 9317/96, com redação dada pela Lei 11.196/2005 (Auto de Infração processo 11052.000978/201062). Os efeitos da exclusão darseão, a partir do dia 1o de janeiro de 2007. DRF/RJOII/0042, de 17 de novembro de 2010, fls. 152, que exclui o contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), em virtude de a receita bruta de R$ 3.337.152,78 no ano calendário de 2006 ter ultrapassado o limite disposto no art 3o da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, e na línea "a" do inciso II do art. 3o, combinada com o inciso XI do art. 5o, ambos da Resolução CGSN 15, de 23 de julho de 2007. Os efeitos da exclusão darse ão a partir do 1° de julho de 2007, conforme disposto no inciso VII, do art 6° da Resolução CFSN 15, de 23 de julho de 2007, e alterações posteriores. Tais Atos Declaratórios de exclusão são decorrentes da Representação Fiscal de Exclusão do Simples Federal, fls. 1 e 2, na qual o Auditor declara que constatou que no anocalendário 2006, o contribuinte enquadrado como empresa de pequeno porte, auferiu receita total de R$3.337.152,78, valor este superior ao limite de R$ 2.400.000,00, estabelecido pelo art. 9o da Lei 9317/96, com a redação dada pelo art. 1o da Lei 11.307/2006, procedeu a representação para exclusão do SIMPLES, uma vez que no anocalendário de 2007, o mesmo permaneceu indevidamente na mesma sistemática. Da manifestação de Inconformidade O Contribuinte, comunicado dos ADE em 06/01/2011, fls. 176 e 16/02/2011, fls. 183, apresentou manifestação de Inconformidade, fls. 155/162, em 30/11/2010, manifestação esta que repete os argumentos apresentados ao Auto de Infração processo 11052.000978/201062 e, posteriormente, manifestação de inconformidade de fls. 188/195, alegando, em síntese: [...] § A impugnante foi notificada acerca de alegadas omissões no âmbito do IR, INSS e contribuições sociais, com base em informações obtidas pela RFB nas operadoras de cartões de crédito. [...] § Nos termos do artigo 5o, inciso X, da Constituição da República; do artigo 6o da Lei Complementar 105/2001; dos artigos 197, II e VII e 198 do Código Tributário Nacional, é vedado à Administração solicitar às entidades financeiras, genericamente, informações a respeito de um sem número de sujeitos passivos. Deve haver processo aberto visando a determinado contribuinte, com fundamentação da suposta irregularidade, para procederse à quebra de sigilo. A inobservância desses ditames levam a nulidade todos os ,rocedimentos que culminaram com o lançamento ora impugnado. § A Impugnante teria direito a indagar da autoridade o número e o teor do processo instaurado, mediante o qual foram obtidos os dados das administradoras de cartões, inclusive para conferir a procedência dos valores informados. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 4 3 § A abusiva quebra de sigilos por parte do Fisco gerou inúmeras ações judiciais, que estavam indefinidas até pouco. Por força da repercussão geral decidida pelo Plenário do STF no RE 601.314/SP, certamente solucionada doravante. [...] § O Plenário do STF deu provimento ao Recurso Extraordinário389808/PR, veículo da demanda contra a Receita Federal do Brasil, que acessava informações fiscais da empresa sem fundamentação e sem autorização judicial. Está mais do que comprovada, pois, a extrapolação do princípio da legalidade, que deve nortear todos os atos da Administração Pública mercê do comando do art 37 da Lei maior. Ficou evidente que as autoridades fazendárias se excederam na obtenção e manuseio de dados financeiros, sem processo prévio ou ciência do sujeito passivo, conseqüentemente, sem contraditório. [...] Analisando os documentos apresentados pelo Impugnante, constatase que o mesmo em nenhum momento questionou os Atos Declaratórios de Exclusão que compõem o presente processo, limitandose apenas em questionar o Auto de Infração que lançou os valores de omissão de receita, Processo 11052.000978/201062. Considerando que o excesso de receita só se mostra a partir dos valores lançados no Processo 11052.000978/201062, apreciarei as razões apresentadas e demonstrarei que as mesmas não modificam a exclusão efetivada pelo Auditor. O interessado apresenta inicialmente uma cópia da Impugnação do Processo 11052.000978/201062, processo referente ao Auto de Infração SIMPLES, decorrente da constatação de omissões de receitas apuradas por Auditor da Receita Federal do Brasil, que foi julgado e mantido nesta mesma sessão, cujo voto transcrevo abaixo: [...] Após receber os Atos Declaratórios de exclusão, o contribuinte apresentou as razões de fls 188/195, nas quais declara que as omissões de receita tiveram como base informações obtidas pela Receita Federal nas operadoras de cartões de crédito, o que não é a realidade dos fatos, conforme se constata no Acórdão acima transcrito. O lançamento de omissão de receita foi lavrado com base nas informações prestadas pelo contribuinte em procedimento de fiscalização devidamente formalizado. Apesar de o Auto de Infração ainda estar com a exigibilidade suspensa por força do artigo 151, III, do CTN, visto que foi apresentada Impugnação tempestiva e o Acórdão que o julgou ainda não foi entregue ao contribuinte, não cabe entretanto, considerar as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade destes ADE àquele processo, visto que o mesmo foi apreciado anteriormente ao julgamento destes ADE, nos termos do voto reproduzido acima.” (grifos pertencem ao original) A empresa interpôs tempestivamente (AR – 22/08/11, fls ; Recurso – 13/09/11, fls. 216) o Recurso de fls. 216 e ss, argumentando que: a) o lançamento tributário ofendeu os princípios constitucionais concernentes à inviolabilidade da intimidade das pessoas, sigilo de dados e inadmissibilidade de provas obtidas por meio ilícitos; b) ninguém pode ser processado senão por autoridade competente; c) ninguém é considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória; d) a ação fiscal decorreu de dados oriundos de operações com empresas de cartão de crédito; e) o auditor fiscal não poderia ter excluído a recorrente do Simples Nacional, sem aguardar o Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 5 4 resultado da reclamação contra o lançamento tributário; f) esta autoridade só é competente para proceder a lançamento tributário; g) reitera os termos da manifestação de inconformidade apresentada contra as exclusões dos regimes tributários diferenciados e favorecidos. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Ao analisar os autos impõemse decidir sobre matéria prejudicial, de natureza processual. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil – CPC Art.102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...]. Art.108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. Os presentes autos versam sobre a exclusão da recorrente dos regimes denominados Simples Federal e Simples Nacional, relativamente ao anocalendário de 2007. As referidas exclusões, devidamente formalizadas em Atos Declaratórios Executivos (fls. 151 e 152), resultaram de constatação da fiscalização que a empresa omitiu receitas e, computadas estas, ultrapassou no anocalendário de 2006 o limite legal exigido de receitas auferidas para a permanência nos regimes diferenciados e favorecidos, ensejando a lavratura de Auto de Infração. Desta forma, flagrante é que o destino destes autos dependem da manutenção da exigência fiscal, formalizada no processo administrativo nº 11052.000978/201062, ainda sub judice na seara administrativa. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11052.000979/201015 Resolução nº 1801000.237 S1TE01 Fl. 6 5 A exclusão da recorrente do Simples Federal e Nacional depende diretamente do julgamento daquele processo, que cuida da majoração da receita bruta declarada pela recorrente, de ofício, devendo ser julgados concomitantemente. No acórdão combatido restou clara esta vinculação, havendo a Turma Julgadora de Primeira Instância fundamentado o seu voto com os alicerces do voto proferido no outro processo, ambos julgados em mesma sessão. Há, pois, que reconhecerse, ex officio, a continência instaurada entre o processo de exclusão dos regimes tributários a aquele que causou esta exclusão, nos termos do artigo 104 do CPC. As discussões secundárias devem seguir à principal (mutatis mutante – art. 108 do CPC). A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; [...] (grifos não pertencem ao original) Indiscutível o cabimento da Portaria e a juntada dos processos, no caso, de exclusão do Simples em razão de haver ultrapassado no ano anterior o limite legal de receitas auferidas, constatado este fato em procedimento fiscal. Oportuno deixar claro à recorrente que a ciência dos ADE, dadas as peculiaridades e atributos dos atos administrativos, permite a sua imediata vigência e efeitos: presunção de legitimidade, autoexecutoriedade e imperatividade. Pelo exposto, em julgamento de prejudicial, decido pelo retorno dos autos à unidade preparadora para o fim de juntada deste processo, por anexação, ao de nº 11052.000978/201062, a fim de serem julgados concomitantemente em segunda instância administrativa. Após a anexação, retornem à Primeira Seção do Carf para apreciação. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16024.000129/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
Ementa:
DESPESA NÃO NECESSÁRIA. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Tratando-se de apropriação de despesa no resultado fiscal cujo fundamento foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos, à evidência, não sendo o referido contrato respeitado, desaparece o elemento justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade.
LANÇAMENTO ORIGINAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR E NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, RETIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que, em virtude de a contribuinte ter enfrentado dificuldade no acesso a peças do processo, a autoridade julgadora administrativa, determina a reabertura de prazo para aditamento de razões e apresentação de documentação complementar. O cerceamento em questão revela-se ainda mais inexistente no caso em que o contribuinte, tendo a seu dispor o novo prazo, simplesmente reitera a argumentação expendida na defesa inicial, aportando documento que, considerado o histórico do procedimento, poderia ter sido apresentado no curso da ação fiscal.
INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. ALEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA
Se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabe-lhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. Ressalvada a hipótese de prejuízo fiscal em montante superior à matéria tributável apurada, revela-se absolutamente improcedente a afirmativa de que, diante de tais circunstâncias, não ocorre o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO.
Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita.
DESPESAS DE PROPAGANDA. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
A comprovação da ocorrência de evento da natureza no Município em que supostamente a documentação da fiscalizada encontrava-se arquivada, não constitui prova suficiente do seu extravio, especialmente quando não são adotadas as providências previstas na legislação de regência para a hipótese e quando o contribuinte não demonstra ter envidado esforços no sentido de reconstituí-la.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1301-001.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - pelo voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer a glosa das despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri; e II - pelo voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005, 2006 Ementa: DESPESA NÃO NECESSÁRIA. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Tratando-se de apropriação de despesa no resultado fiscal cujo fundamento foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos, à evidência, não sendo o referido contrato respeitado, desaparece o elemento justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade. LANÇAMENTO ORIGINAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR E NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, RETIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que, em virtude de a contribuinte ter enfrentado dificuldade no acesso a peças do processo, a autoridade julgadora administrativa, determina a reabertura de prazo para aditamento de razões e apresentação de documentação complementar. O cerceamento em questão revela-se ainda mais inexistente no caso em que o contribuinte, tendo a seu dispor o novo prazo, simplesmente reitera a argumentação expendida na defesa inicial, aportando documento que, considerado o histórico do procedimento, poderia ter sido apresentado no curso da ação fiscal. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. ALEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabe-lhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. Ressalvada a hipótese de prejuízo fiscal em montante superior à matéria tributável apurada, revela-se absolutamente improcedente a afirmativa de que, diante de tais circunstâncias, não ocorre o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita. DESPESAS DE PROPAGANDA. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. A comprovação da ocorrência de evento da natureza no Município em que supostamente a documentação da fiscalizada encontrava-se arquivada, não constitui prova suficiente do seu extravio, especialmente quando não são adotadas as providências previstas na legislação de regência para a hipótese e quando o contribuinte não demonstra ter envidado esforços no sentido de reconstituí-la. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
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GLOSA. PROCEDÊNCIA. Tratandose de apropriação de despesa no resultado fiscal cujo fundamento foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos, à evidência, não sendo o referido contrato respeitado, desaparece o elemento justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade. LANÇAMENTO ORIGINAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR E NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, RETIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que, em virtude de a contribuinte ter enfrentado dificuldade no acesso a peças do processo, a autoridade julgadora administrativa, determina a reabertura de prazo para aditamento de razões e apresentação de documentação complementar. O cerceamento em questão revelase ainda mais inexistente no caso em que o contribuinte, tendo a seu dispor o novo prazo, simplesmente reitera a argumentação expendida na defesa inicial, aportando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 29 /2 00 9- 26 Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.695 2 documento que, considerado o histórico do procedimento, poderia ter sido apresentado no curso da ação fiscal. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. ALEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabelhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. Ressalvada a hipótese de prejuízo fiscal em montante superior à matéria tributável apurada, revelase absolutamente improcedente a afirmativa de que, diante de tais circunstâncias, não ocorre o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita. DESPESAS DE PROPAGANDA. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. A comprovação da ocorrência de evento da natureza no Município em que supostamente a documentação da fiscalizada encontravase arquivada, não constitui prova suficiente do seu extravio, especialmente quando não são adotadas as providências previstas na legislação de regência para a hipótese e quando o contribuinte não demonstra ter envidado esforços no sentido de reconstituíla. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.696 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I pelo voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer a glosa das despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri; e II pelo voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.697 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2004 e de 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada por SALDO CREDOR DE CAIXA; ii) omissão de receitas, caracterizada por PASSIVO FICTÍCIO; iii) glosa de despesas de propaganda e de comercialização; e iv) falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre bases de cálculo estimadas. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 990/1.033), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que teria ocorrido cerceamento de seu direito de defesa, em face da dificuldade de acesso oposta aos demais documentos não juntados aos autos de infração e relatórios fiscais a ela entregues, mencionados, porém, pelo autuante no Relatório Fiscal (fls. 202/206, 304/320, 336/529, 530/549, 560/562, 589/631, 663/719, 720/964); que, apesar de ter se dirigido à DRF/SorocabaSP, local da lavratura dos autos de infração, para obtenção das cópias mencionadas, e, após, à ARF/Duque de CaxiasRJ, repartição para onde os autos foram enviados, não obteve sucesso em seu intento, eis que foi lhe informado que os autos encontravamse ainda em trânsito, que, em virtude do fato acima exposto, entregou sua impugnação sem, contudo, ter tido acesso a esses importantes documentos que serviram de base às autuações; que o artigo 5°, LV, da Constituição Federal, entretanto, garante aos litigantes em processo administrativo ou judicial, e aos acusados em geral, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; que o cerne da autuação teria sido a desconsideração dos contratos firmados com a CERVEJARIA PETRÓPOLIS e a JM INDÚSTRIA, COMÉRCIO & LOGÍSTICA LTDA, que no entendimento do autuante são ineficazes e sem validade, sob a justificativa de que as situações de distribuição e exclusividade nunca foram respeitadas pelas partes, indicando a ocorrência de despesa desnecessária não exigida pela atividade desenvolvida; que a norma antielisão, introduzida no ordenamento jurídico através da Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, acrescentou um parágrafo único ao artigo 116 do CTN, permitindo à autoridade administrativa desconsiderar atos ou negócios jurídicos nas condições ali estabelecidas, sendo que a parte final do texto fala em observância dos procedimentos estabelecidos em leis ordinárias, entretanto, os artigos da Medida Provisória n° 66 que regulamentavam a matéria não foram convertidos em lei, inexistindo, assim, tal regulamentação; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.698 5 que verificase, portanto, a ausência de Lei Ordinária autorizativa dos poderes de desconsideração de atos e negócios jurídicos, postos em prática pela autoridade administrativa; que o art. 14, § 1º, da MP n° 66, fixava alguns requisitos a serem considerados para a desoneração de atos e negócios jurídicos, dentre eles, a falta de propósito negocial ou o abuso de forma, porém, não levando tais requisitos em consideração, a auditoria fazendária vem autuando fazendo uso dos conceitos de simulação e fraude do Direito Civil, sem o mínimo de acuidade; que em nosso direito existe norma de observância geral determinando que a forma deve ser obrigatoriamente respeitada pelo aplicador da lei tributária, de vez que o art. 109 do CTN preceitua, com fundamento no art. 146, inciso III, da Constituição Federal, que “os princípios gerais do direito privado utilizamse para a pesquisa da definição do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para a definição dos respectivos efeitos tributários”; que, quando a lei tributária reportase a figuras reguladas pelo direito privado, há que se verificar qual a sua definição, os seus elementos e o seu significado, de acordo com os princípios aplicáveis às relações entre particulares; que, embora os efeitos fiscais dessas figuras devam ser definidos pela lei tributária, a forma jurídica há de ser respeitada exatamente como definida pelo direito privado, logo, não pode a autoridade administrativa, na condição de aplicador da lei, modificar o regime tributário legalmente previsto para atos ou negócios jurídicos celebrados com a observância das regras do direito privado; que a autoridade administrativa comete grave equívoco quando pretende afastar atos ou negócios jurídicos que entende abusivos perante o direito tributário, com apoio em dispositivos do Código Civil que tratam de fraude à lei ou de abuso de direito (CC, arts. 166, inciso VI, e 187); que, no caso, não há abuso de forma na celebração dos negócios, notadamente com relação à cessão de área comercial contratada com a “CERVEJARIA PETRÓPOLIS” e no que concerne aos negócios jurídicos realizados com a empresa "JM", assim como tampouco há desvio de finalidade nos negócios jurídicos celebrados por ela e as partes envolvidas nos contratos e operações destacados no Relatório Fiscal, porquanto foram observadas, estritamente, as regras jurídicas, fiscais e contábeis em cada operação; que a aplicação dessas figuras civis no âmbito tributário se dá apenas quando os atos ou negócios jurídicos celebrados pelos particulares estiverem em desacordo com princípios e regras do direito privado, como, por exemplo, a autonomia da vontade, a boa fé contratual, os bons costumes, os quais, entretanto, foram observados nas operações citadas; que, ausente a previsão na lei tributária, não pode o intérprete simplesmente importar os conceitos de fraude à lei e abuso de direito aplicáveis no âmbito privado, até porque as características e, principalmente, os efeitos fiscais dessas figuras hão de ser diversos dos civis; que, além disso, a despesa realizada, decorrente do “Contrato de Cessão de Área para Distribuição Exclusiva e Garantia de Fornecimento de Produto” é inerente à sua Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.699 6 atividade econômica, sendo, por conseguinte, indispensável à consecução de seus fins e à manutenção de sua atividade empresarial, conforme documentação hábil apresentada à Fiscalização, sendo, portanto, despesas necessárias, sem as quais o empreendimento empresarial não poderia seguir adiante, ou seja, são dispêndios que lhe possibilitaram promover suas atividades com o consequente incremento de sua fonte produtora de riquezas, subsumindose ao disposto no art. 299, do RIR/1999; que, no caso, havia necessidade indispensável de se estabelecer áreas para sua atuação, prática comum em qualquer segmento econômico que dependa de terceiros para exploração de determinadas localidades com o objetivo de expandir sua participação no mercado; que o fato de terem ocorrido vendas realizadas por terceiros na área que lhe era exclusiva, no período analisado pela Fiscalização, em nada compromete a dedutibilidade das despesas; que o contrato firmado com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" estabelecia prazo de vigência de 120 meses (cláusula V do Instrumento Particular de Cessão de Área para Distribuição Exclusiva e Garantia de Fornecimento de Produto, às fls. 307), porém, sua longa duração era consequencia do tempo e do vultoso investimento que se fariam necessários para implantação das atividades em todas as áreas negociadas no contrato; que, apesar de detentora dos direitos de distribuição sobre as áreas mencionadas pelo autuante, não tomou qualquer medida em desfavor da empresa "JM", porque não estava ainda preparada estruturalmente para atender essas localidades e não lhe era permitido deixar de atender qualquer região, sob pena de infração contratual (item 22.4, da cláusula XXII, do Instrumento Particular de Cessão de Área, As fls. 315); que, por essa razão, as partes entraram em entendimento comercial para adequar e permitir a continuidade das atividades, mediante concessões recíprocas; que, para que haja equilíbrio contratual entre as partes, a mera liberalidade de um dos contratantes não deve ser confundida com novação, nem tampouco condição de extinção do contrato celebrado; que tanto é assim que todos os municípios citados no Relatório Fiscal são, atualmente, atendidos por empresas ligadas direta ou indiretamente à ela ou a seus sócios, não tendo o autuante observado a proporção entre a receita global e os valores tidos como de exceção nas supostas invasões de área; que, ademais, não compete aos agentes fiscais utilizar o seu juízo sobre estratégias comerciais para fundamentar uma autuação fiscal, especialmente quando se trata de um mercado altamente complexo e dependente de diversos fatores econômicos e sociais; que do direito constitucionalmente assegurado e do fato de que a obrigação tributária só pode nascer validamente pela ocorrência efetiva de uma hipótese de incidência prevista em lei (art. 150, inciso I, da Constituição Federal), decorre a legitimidade de o contribuinte planejar suas atividades de forma a evitar ou postergar a prática de atos e negócios inseridos nas hipóteses legais de tributação ou de maneira a procurar incorrer em situações legais de menor tributação; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.700 7 que, além disso, as despesas foram reconhecidas contabilmente e consideradas na apuração do IRPJ no período em que vigorou o contrato de cessão de área, porém, o autuante glosou despesas e reconheceu receitas de mesma natureza; que adiantou à “CERVEJARIA PETRÓPOLIS” o valor de R$ 206.242.721,69 e, em observância aos princípios contábeis e fiscais, somente reconheceu como despesa no ano calendário de 2005 o valor de R$ 26.968.512,00, ou seja, cerca de 13% do total, o que foi confirmado pelos próprios agentes fiscais; que esse procedimento foi adotado porque, na sua visão conservadora, tal valor representava a despesa incorrida no período em que vigorou a cessão de área, uma vez que o contrato determinava que a diferença adiantada deveria ser devolvida caso o seu cumprimento não se verificasse integralmente; que, se mais arrojada tivesse sido em sua administração tributária, poderia deduzir como despesa operacional a totalidade do adiantamento feito à "CERVEJARIA PETRÓPOLIS", mas assim não procedeu porque entendeu que com a rescisão contratual não poderia considerar tal perda como despesa; que de acordo com a doutrina de Hiromi Higuchi e o Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 10175.080/1984), quando por qualquer motivo um projeto é descontinuado, representa perda para o empreendedor e essa perda deve ser imputada em contas de resultado e pode ser deduzida para fins fiscais; que embora não necessários para a configuração da necessidade, já que as despesas foram incorridas de acordo com o disposto no RIR/1999, os adiantamentos, por seu turno, foram confirmados pelos auditores fiscais, os quais não registraram qualquer dúvida sobre os recibos que lhes foram entregues; que não haveria motivação, portanto, para a glosa das despesas lançadas a título de “Despesas de Comercialização Utilização de Área Comercial”, por serem necessárias para a atividade da empresa e, consequentemente, dedutíveis para fins de imposto de renda; que, pelo fato de manter com a "JM" excelentes laços comerciais, figurando ambas como vendedoras e compradoras de bebidas, ou seja, como clientes e fornecedoras ao mesmo tempo, recebia adiantamentos desta pessoa jurídica para futura entrega de mercadorias, como informado na resposta à intimação de 11/03/2009 (fls.629/631), o que gerou um saldo credor em favor da "JM"; que o próprio Relatório Fiscal apresenta incoerências em relação à comprovação da baixa dos adiantamentos, uma vez que, na página 3 do Relatório o autuante informa que a quitação da dívida da interessada com a "JM" não restou comprovada e nas páginas 8 e 9 afirma que a interessada respondeu à intimação informando que se tratava de "adiantamento de clientes para futura entrega de mercadorias e ou compensações com algum saldo devedor junto ao cliente" e que "as quitações ocorreram por baixa da entrega de produtos e por compensações de outros débitos gerados entre PRAIAMAR e seus clientes"; que todos os adiantamentos foram compensados com mercadorias e/ou com saldo devedor gerados ao longo de negociações com a "JM" e liquidados conforme consta nos Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.701 8 lançamentos registrados nos Livros Contábeis, os quais foram exaustivamente analisados pelo agente fiscal no curso da fiscalização e parte deles anexados à defesa (fls.874/896); que protestava pela juntada de outros documentos aos autos, porquanto a enchente mencionada, ocorrida em seu domicilio (disse que anexou Parecer Técnico de Transcrição, subscrito por perito criminal), consumiu e/ou deteriorou dezenas de milhares de documentos, que estariam sendo objeto de triagem e restauração e que logo que estivessem recuperados seriam juntados aos autos; que os adiantamentos não estariam sujeitos à tributação enquanto não fossem convertidos nas suas reais receitas, pois o regime de competência determina que as vendas devem ser reconhecidas na apuração do resultado do período base em que forem efetivadas, independentemente de seu recebimento em dinheiro; que, dessa forma, se as receitas de vendas a prazo realizadas em dezembro devem ser reconhecidas no mês de dezembro, ainda que o recebimento em dinheiro ocorra no período base seguinte, a contrario sensu, os adiantamentos recebidos de clientes só poderão ser convertidos em receita no período base da efetivação da venda; que haveria possibilidade, também, que essa venda nem viesse a ser concretizada, como aconteceu com parte dos adiantamentos realizados pela "JM", compensados com a entrega do direito de distribuição em algumas áreas pertencentes à ela; que a justificativa apresentada pelo Fisco para considerar como fictícias as operações denominadas "adiantamentos de clientes" teria se baseado em mero critério subjetivo dos agentes fiscais, que lançaram suspeitas até em relação a evento da natureza, como o vendaval ocorrido em Boituva; que o boletim de ocorrência somente foi lavrado treze dias após, porque a própria Delegacia de Policia fora atingida pela ventania, mas, ainda assim, além do competente registro da ocorrência junto às autoridades policiais, conseguiu reunir todos os elementos de prova do sinistro, como matérias de jornais da região e reportagens da imprensa televisiva; que os auditores estranham os valores envolvidos, entretanto, a legislação tributária não se alicerça em critérios de valor e sim nos procedimentos adotados pelos contribuintes para determinar se essa ou aquela norma restou infringida; que, além disso, o Relatório Fiscal externa claramente a postura interrogatória utilizada pelos auditores e não um procedimento de constatação de fatos através de registros contábeis e fiscais confrontados com a documentação comprobatória; que buscam os auditores estabelecer regras pelas quais adiantamentos de numerários podem ser efetuados somente "com a apresentação de notas fiscais de venda para futura entrega e as consequentes notas fiscais de remessa", ou seja, na hipótese de uma empresa adiantar a outra numerário para fornecimento futuro e esse fornecimento não ocorrer, fica na visão dos auditores, e somente na deles, configurada a ocorrência de operação fictícia, relegando a plano secundário a soberania das empresas envolvidas; que os auditores não aceitaram, ainda, movimentação física de numerário, o que evidencia total desconhecimento das características das atividades desenvolvidas por ela, nas quais esse tipo de movimentação é muito comum, devendo ser esclarecido, também, que os Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.702 9 auditores nem levaram em consideração que no período examinado existia a cobrança da CPMF e aquele que podia efetuava o mínimo de movimentação financeira em estabelecimentos bancários a fim de evitar a sua cobrança, conforme pesquisa encomendada pelo Banco Central ao Instituto Datafolha, publicada no jornal Valor Econômico, que mostra, inclusive, a intensificação do uso do dinheiro em notas e moedas como meio de pagamento, a despeito do avanço dos instrumentos eletrônicos, como cartões de débito e crédito; que os seus produtos preponderantes são comercializados nos estabelecimentos que, segundo a pesquisa, mais utilizam numerário para pagamento de despesas e de contas, quais sejam, mercadinhos, mercearias de bairro, restaurantes, lanchonetes e bares; que, se os proprietários desses estabelecimentos recebem em espécie, consequentemente, pagarão seus fornecedores da mesma forma, o que justificaria o trânsito de numerários e os altos valores em caixa, tornandose uma prática usual neste setor; que vultosas quantias em espécie foram, efetivamente, movimentadas, por ser típico em suas atividades, mas não no volume mencionado pelos auditores (dois milhões por dia!), tendo em vista que à época estava munida de todas as condições de segurança para fazêlo; que, se adiantamentos houveram por conta de futura entrega de mercadorias e tais adiantamentos foram ao final compensados com produtos e/ou outras operações comerciais, qual o motivo relevante que levaria os senhores agentes a entenderem que os valores correspondentes seriam decorrentes de receitas comerciais não declaradas?; que a fabricante dos produtos está sujeita a um rigoroso controle fiscal de produção e, ainda, ao sistema de substituição tributária, pelo qual as receitas devem desde logo ser recolhidas ao Fisco, não sendo razoável suporse a existência de mercadoria sem a correspondente obrigação fiscal; que, não havendo prova de venda de mercadorias e não sendo razoável suporse a ocorrência de evasão fiscal sem motivo justificado, o auditor só poderia desclassificar a operação econômica para figura jurídica mais adequada, ou seja, um empréstimo por conta de futura entrega de mercadoria; que, a propósito, o artigo 167 do Código Civil é claro ao disciplinar que "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma"; que o Parecer Normativo CST n° 23/1983, que dispõe sobre a aplicação das normas da legislação do imposto de renda, é esclarecedor ao afirmar que "não tem relevância a forma pela qual o empréstimo se exteriorize; contrato escrito ou verbal, adiantamento de numerário ou simples lançamento em conta corrente, qualquer fato que configurar capital financeiro posto disposição de outra sociedade sem remuneração, ou com compensação financeira inferior àquela estipulada na lei, constitui fundamento para aplicação da norma legal"; que, portanto, no presente caso estáse diante de omissões de receita forjadas pelos auditores a partir do afastamento de lançamentos contábeis pertinentes a Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.703 10 negócios jurídicos totalmente regulares, o que não é possível prevalecer frente aos mais elementares princípios e regras de nosso ordenamento jurídico; que os auditores ignoraram a dificuldade que ela teve para localizar os documentos relativos às operações que resultaram em despesas de propaganda e que se encontram em grande parte junto com aqueles "salvos da enchente", motivo pelo qual protestava por sua juntada assim que fossem encontrados, após a classificação daqueles deteriorados pela enchente; que ainda que as despesas sejam consideradas indedutíveis, não haveria amparo legal para perpetuação da tributação reflexa, visto que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não se confundem e as matérias que as compõem estão claramente definidas nos respectivos diplomas legais que as criaram; que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado por adições e exclusões, dentre elas a adição das despesas indedutíveis a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.249/1995, o qual não faz qualquer menção às despesas com comercialização ou propaganda; que, desse modo, os auditores não poderiam alterar por conta própria a base de cálculo da CSLL para fazer incluir itens não previstos em lei, conforme, inclusive, decisões do antigo Conselho de Contribuintes (acórdãos n° 10192.553/99, 10705.150/98, 101 92.979/00 e 10194.286/03), transcritas por Hiromi Higuchi em sua obra "Imposto de Renda das Empresas"; que, estando comprovado que não ocorreu a mencionada omissão de receita, não há que se falar, também, em tributação reflexa de PIS e COFINS, sob pena de a União Federal estar incorrendo em enriquecimento ilícito; que a cumulação de multas isoladas e de oficio ultrapassaria o razoável, caracterizando modo indireto de burlar diversos dispositivos constitucionais, não podendo a multa fiscal ou tributária ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, disfarçada em verdadeiro tributo; que o imposto devido é infinitamente inferior ao valor das multas, devendo ser considerado um descompasso jurídico a aplicação destas em duplicidade, pois são calculadas sobre o mesmo fato gerador, afrontando os princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e da segurança jurídica, o que é corroborado por diversas decisões exaradas pelo Conselho de Contribuintes e pelo Superior Tribunal de Justiça; que todas as operações realizadas observaram os requisitos legais e contábeis, sempre atendendo à legislação civil e tributária; que não há previsão legal que autorize o Poder Executivo a desconsiderar os atos e negócios jurídicos, desde que estejam de acordo com a autonomia da vontade, a boafé contratual e os costumes comerciais, como no presente caso; que o conceito de simulação é o constante do artigo 102 do Código Civil, que segundo Orlando Gomes ocorre quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros"; Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.704 11 que, para que aconteça a simulação ou dissimulação, há necessidade dos seguintes requisitos: a) conluio entre as partes, na maioria dos casos configurando uma declaração bilateral de vontade; b) nãocorrespondência entre a real intenção das partes e o negócio por elas declarado, apenas aparentemente querido; e c) intenção de enganar, iludir terceiros, inclusive o Fisco; que, entretanto, tais institutos não se confundem com elisão fiscal, se as partes que celebram o negócio, ainda que através de formas jurídicas alternativas, pretendem, efetivamente, realizálo como estipulado; que na elisão fiscal a conduta das partes é licita, não há uma falsa, aparente ou simulada declaração de vontade, eis que a declaração é real, efetiva, verdadeira, condizente com a vontade das partes, não havendo intenção de burlar, enganar ou ocultar alguma coisa do Fisco, ao contrário da simulação, onde a conduta é ilícita; que, no caso, todas as partes envolvidas nos contratos sempre conduziram seus negócios com o intuito de cumprir as cláusulas contratuais firmadas, cabendo, então, à Administração Pública, representada pelos auditores fiscais, o ônus da prova da ocorrência de simulação, pois, como é sabido, cabe a ela, e não ao contribuinte, constituir a prova que embasa o lançamento; que não basta a simples suspeita de fraude para que o ato ou negócio jurídico possa ser desqualificado pela autoridade administrativa, sendo indispensável a prova efetiva do intuito de dissimular por parte do contribuinte; que os atos administrativos devem pautarse pelos princípios da motivação e da legalidade, conforme esclarecido no Acórdão 10311.590/1982, entretanto, os auditores fiscais em nenhum momento descrevem com precisão os fatos ocorridos e seus pressupostos, que ensejaram a suposta inobservância das regras estabelecidas nos artigos 299 e 300, do RIR/1999, e não o fizeram porque não conseguiram enquadrar os atos legais praticados pela interessada como nocivos e infringentes aos citados artigos do RIR/1999, deixando isso claro e evidente quando afirmam que "na realidade, tal situação aponta para a ocorrência de uma despesa desnecessária, não exigida pela atividade da empresa, portanto não dedutível"; que apontar significa uma possível tendência e não uma consumação de determinado ato ou fato, logo tal postura dos auditores não pode ser recepcionada como respeitadora dos princípios da legalidade e da segurança jurídica, imprescindíveis a um lançamento tributário; que, nesse sentido, é insustentável o agravamento (qualificação) da multa de oficio, uma vez que, não restando comprovado que a interessada agiu com dolo, fraude ou simulação, pois não tem e nem nunca teve a intenção de provocar qualquer dano ao Erário, perfezse o suporte fáticojurídico para se fazerem aplicar os temperamentos de interpretação da norma tributária, o que enseja a desconsideração da qualificação da multa de oficio de 150% e consequentemente da representação fiscal para fins penais. Argumentando que a contribuinte teve dificuldade de acesso à íntegra dos documentos que embasaram os autos de infração, e que tal fato foi argüido por ela (pela contribuinte), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro remeteu os autos à unidade administrativa de origem para que fosse concedido ao contribuinte o direito de, Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.705 12 no prazo de trinta dias, aditar razões e documentos à impugnação interposta (Resolução n° 258, de 06/10/2009 fls. 1262). Em virtude de tal providência, a contribuinte, complementando a impugnação interposta, alegou: que, diante da postura adotada de prorrogação do prazo para aditamento de razões e de documentos, ficava configurado o cerceamento do direito de defesa naquela ocasião; que, todavia, a diligência solicitada não convalidaria o procedimento fiscal, posto que, o cerceamento ao exercício da liberdade de defesa, por configurar violação às garantias fundamentais e desobediência às formas legais processuais, afigurarseia eivado de nulidade absoluta, impossível de ser convalidado; que, de acordo com o art. 166 do Código Civil, seria nulo o negócio jurídico quando (...) não revestir a forma prescrita em lei (inciso IV) e for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade (inciso V); que tanto ocorreu na instauração a desobediência à forma legal como foram preteridas as solenidades previstas na lei, para o exercício do direito de defesa, razão pela qual incidiria, inequivocamente, na hipótese, a lei geral que prescreve a sanção para os atos nulos, insculpida no art. 169, do Código Civil (o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo); que, uma vez reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, deveria ser decretada a nulidade de todo o procedimento "ab initio", devido à contaminação de todos os atos do procedimento; que, sem prejuízo dos argumentos já expostos na impugnação inicial, apresenta cópia do Laudo Pericial Contábil apresentado no processo DRT n° 4.183.918/2008 (fls. 1270/1294), em tramitação no Egrégio Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo, cujo objetivo fora verificar a integridade de seus registros contábeis, referente ao exercício de 2005, advindos do Contrato de Cessão de Área pactuado com a Cervejaria Petrópolis e responder os quesitos formulados no citado processo DRT, em trâmite perante o Tribunal de Impostos; que caberia mencionar que o aludido parecer concluiu que os registros contábeis efetuados relativos ao fato estão absolutamente corretos e em conformidade com as normas brasileiras de contabilidade; que, consequentemente, se os negócios de cessão de área se afiguram legítimos, não se pode impugnálos na sua essência e mesmo na sua extensão com outras empresas. Ao final, destacou que o trabalho fiscal não se pautou pela legalidade e sim pela apreciação subjetiva, em detrimento da apuração da verdade, e reiterou todos os termos de sua impugnação inicial. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.706 13 do acórdão nº 1240.190, de 31 de agosto de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A reabertura de prazo para aditamento de razões à inicial e eventual juntada de novos documentos aos autos, concedida em razão da dificuldade de acesso da pessoa jurídica à íntegra dos documentos que amparam os autos de infração, não configura hipótese de nulidade absoluta por não contaminar os atos a ela anteriores. Uma vez corrigido o vício e não tendo a pessoa jurídica tido qualquer prejuízo com vistas a apresentação de sua defesa, afastase a preliminar de nulidade suscitada. LUCRO REAL ANUAL. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO COMPROVAÇÃO DOS ADIANTAMENTOS ESCRITURADOS. A falta de comprovação dos "adiantamentos de clientes" escriturados nos livros da pessoa jurídica, enseja a recomposição do saldo da conta Caixa para a exclusão desses valores e a tributação como omissão de receitas do saldo credor apurado. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO NÃO COMPROVADO. A manutenção, em conta do Passivo Circulante denominada "Adiantamento de Clientes", de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada pela pessoa jurídica, caracterizase como omissão de receitas. DESPESAS COM PROPAGANDA. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Se a pessoa jurídica deixa de comprovar documentalmente os lançamentos contábeis das despesas de propaganda realizadas, cabível a glosa efetuada. DESPESAS DE COMERCIALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. GLOSA INCABÍVEL. Incabível a glosa das despesas de comercialização, quando constem dos autos elementos que denotam a sua necessidade à atividade da pessoa jurídica. CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%). SALDO CREDOR DE CAIXA E PASSIVO FICTÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO. Impõese a aplicação da multa qualificada, se as provas carreadas aos autos no curso da ação fiscal evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada, em dois anos calendário consecutivos, de desviar receitas da tributação, mediante o expediente de escriturar inúmeros "adiantamentos de clientes", não comprovados, na conta Caixa e em conta de passivo circulante. IRPJ E CSLL. EXIGÊNCIA DE MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. ERRO NA DATA DA OCORRÊNCIA Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.707 14 DO FATO GERADOR E NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AFASTAMENTO DA EXIGÊNCIA. A constatação de equívocos cometidos na lavratura dos autos de infração, quanto à data da ocorrência do fato gerador e ao valor da base de cálculo reapurada, enseja o cancelamento das exigências de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1.373/1.412, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, sustenta: a ocorrência de cerceamento do direito de defesa e de violação ao princípio da publicidade dos atos processuais; a ausência da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL nos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização e de qualquer prática que pudesse ser classificada como omissão de receitas; a ocorrência de erro de lançamento da “glosa de saldo credor de caixa”; a ocorrência de caso fortuito ou força maior no curso da fiscalização; a impossibilidade de manutenção, de um lado, da “glosa de saldo credor de caixa”, e, de outro, a “glosa do suposto passivo fictício”; a inexistência de simulação ou fraude e dos pressupostos legais autorizadores da qualificação da multa de ofício. É o Relatório. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.708 15 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Em conformidade com o Relatório Fiscal de fls. 903/930, foram as seguintes as irregularidades apuradas por meio do procedimento fiscal levado a efeito contra a contribuinte: i) FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS DE PROPAGANDA: a contribuinte não comprovou as despesas efetuadas com a empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SOL NASCENTE LTDA. – Matéria Tributável = R$ 3.001.780,00 (anocalendário 2004); ii) GLOSA DE DESPESAS DE COMERCIALIZAÇÃO: as despesas foram consideradas não necessárias, haja vista que os motivos justificadores dos dispêndios (utilização de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento de produto) não foram confirmados – Matéria Tributável = R$ 26.968.512,00 (anocalendário 2005); iii) SALDO CREDOR DE CAIXA: decorrente da desconsideração de operações nominadas de ADIANTAMENTOS DE CLIENTES, consideradas fictícias – Matéria Tributável = R$ 128.009.809,71 (anocalendário 2004); iv) PASSIVO FICTÍCIO: falta de comprovação do saldo da conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES – Matéria Tributável = R$ 10.199.474,24 (anocalendário 2005); v) MULTA ISOLADA: decorrente da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL a título de antecipações obrigatórias (estimativas) – R$ 12.455.973,12 (IRPJ) e R$ 4.487.750,32 (CSLL). Aprecio, pois, os recursos impetrados. RECURSO DE OFÍCIO Transcrevo, abaixo, fragmento do voto do condutor da decisão de primeiro grau que trata do cancelamento de parte das exigências constituídas. Das despesas de comercialização 42. A interessada atua no ramo atacadista e de distribuição de bebidas em geral e os contratos firmados com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" e a "JM" tiveram por finalidade ampliar a sua área de atuação. 43. Nesse sentido, celebrou com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" (cedente), em 31/12/2004, "cessão parcial de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento de produto" (fls. 304/317). Por intermédio desse instrumento particular, a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" cedeu à interessada Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.709 16 (cessionária) o direito à distribuição, com exclusividade, dos produtos de fabricação da cedente, na área abrangida pelos estados brasileiros relacionados no Anexo I do instrumento de fls. 318, em adição à área cujo direito de distribuição exclusiva já era exercido pela cessionária (itens 2.1 e 2.2). O prazo fixado no contrato era de 120 (cento e vinte meses), iniciandose em 01/01/2005 e encerrandose em 01/01/2015 (itens 5.1) e nesse período a cessionária pagaria à cedente o montante de R$ 512.400.000,00 (item 8.1). Acordaram as partes em admitir a subcessão ou a transferência parcial da cessão, com anuência da cedente, desde que mantidas todas as condições e obrigações estipuladas no contrato (item 23.1). 44. As partes celebraram, ainda, Aditamento Contratual (fls. 319/320), em 28/01/2005, para retificar os itens 8.1.2 e 8.1.3 e estabelecer que a amortização do contrato ocorreria mensalmente, no último dia de cada mês, aplicandose 1/114 avos por mês, iniciandose 180 (cento e oitenta) dias após o início da vigência do contrato em 01/01/2005. 45. Em 03/01/2005, a interessada (cedente) e a "JM" (cessionária) celebraram idêntico contrato de cessão parcial de área, por meio do qual a interessada cedeu à "JM" o direito à distribuição dos produtos de fabricação da "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, que de acordo com o Anexo I do contrato firmado com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" eram áreas de distribuição exclusiva da interessada. 46. O fiscal autuante afirma que, na prática, as cláusulas dos contratos que previam a venda de produtos da "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" com exclusividade em determinadas regiões do país não foram respeitadas, de vez que a interessada realizou vendas para empresas situadas em regiões onde ela não detinha exclusividade. Sustenta, então, que tais contratos são documentos ineficazes e sem validade, citando como exemplo para justificar sua tese a precoce revogação de ambos os contratos de exclusividade celebrados. Com base nesses fatos, glosou as despesas pagas no período por considerálas não necessárias à atividade da interessada. 47. Os documentos trazidos aos autos comprovam que a interessada pagou efetivamente à "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" durante o ano calendário de 2005 a importância de R$ 206.242.721,69, a titulo de adiantamento pela cessão de área, tendo reconhecido em sua contabilidade, de conformidade com os princípios contábeis e fiscais, o montante de R$ 26.968.512,00, que segundo ela, representa a despesa incorrida no período em que vigorou o contrato de cessão, tendo em vista que o mesmo determinava que a diferença adiantada deveria ser devolvida, caso não fosse cumprido em sua integralidade. Recibos dos pagamentos efetuados encontram se às fls. 336/399 e 402/529 dos autos. 48. Entretanto, o autuante não questiona os pagamentos efetuados pela interessada à "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" e sim, a natureza dessas despesas. Assim, para o deslinde da pendência, devo me ater exclusivamente a essa questão. Nesse sentido, cabe a seguinte pergunta: até que ponto o não cumprimento de alguma cláusula contratual ou mesmo um distrato prematuro de contrato firmado entre duas pessoas jurídicas de direito privado, invalida eventual caráter de necessidade à exploração da atividade empresarial de que devem se revestir as despesas efetivamente pagas ou incorridas por uma das partes, na vigência do contrato, para efeito de sua dedutibilidade nos termos da legislação fiscal? Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.710 17 49. Para esse fim, basta, no meu entendimento, que se afira se as despesas realizadas guardam correlação com a atividade explorada pela interessada e se estão documentalmente comprovadas, para que sejam satisfeitos os requisitos previstos no artigo 299, parágrafos 1° e 2°, do RIR/1999, transcrito a seguir: RIR/1999 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°). 50. Da leitura dos citados dispositivos legais, concluise que o Regulamento do Imposto de Renda somente exige que a despesa, desde que comprovada, seja inerente à atividade da empresa para ser passível de dedução. O descumprimento de cláusulas contratuais não é condição para sua dedutibilidade e nem tampouco deve ensejar, de plano, a desconsideração da necessidade das despesas pagas. Esses gastos devem ser analisados caso a caso. 51. Assim, na situação sob exame, se a distribuição dos produtos no âmbito dos estados brasileiros não se deu como rezava o contrato, mas se, ainda assim, as despesas pagas foram necessárias à atividade da interessada e à manutenção de sua fonte produtora, penso que eventuais descumprimentos contratuais não tem o condão de retirar a efetiva necessidade dos pagamentos efetuados no período de vigência do contrato. Se o território de atuação da interessada no que tange à distribuição dos produtos não corresponde àquele previsto no contrato firmado esta é uma questão a ser resolvida entre as partes envolvidas no negócio, não cabendo ao Fisco nela se imiscuir. Ao Fisco interessa, isto sim, conhecer a natureza das despesas realizadas, se operacionais ou não, para fins de dedução do lucro líquido na apuração do lucro real. Os valores pagos à “CERVEJARIA PETRÓPOLIS” ocorreram com observância da cláusula VIII que cuida do valor, com a redação dada pelo Aditamento Contratual, e as despesas realizadas, de acordo com os elementos trazidos aos autos, foram, a meu juízo, inerentes à atividade explorada pela interessada. 52. Nesses termos, discordo do autuante quanto à glosa das despesas de comercialização, motivo pelo qual voto pela exclusão da importância de R$ 26.968.512,00 da base tributável da exigência. ... 80. Consta na DIPJ/2005, que a interessada foi optante, no ano calendário de 2004, pela tributação com base no lucro real anual, apurando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL mediante balanço ou balancete de suspensão ou redução, razão pela qual estava sujeita ao recolhimento de estimativas. Entretanto, de janeiro a novembro/2004 nada apurou de estimativas, seja de IRPJ ou de CSLL, indicando a Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.711 18 DIPJ inclusive, que as respectivas bases de cálculo assumiram valores negativos nesse período. Somente em dezembro/2004 foi apurado valor a pagar. 81. Nessas situações, ao ser constatado receita omitida por parte da pessoa jurídica, o valor da omissão deve ser adicionado à base de cálculo do imposto e da contribuição no mês de sua ocorrência, para o fim de se refazer a base de cálculo e quantificar o montante do pagamento mensal que deveria ter sido apurado pela pessoa jurídica na DIPJ e não o foi. 82. Contudo, verifico que o autuante cometeu equívocos nos autos de infração correspondentes em relação à apuração da base de cálculo e à data da ocorrência do fato gerador. 83. Assim, no que concerne à omissão de receita oriunda do saldo credor de caixa, sua ocorrência deuse em 21/12/2004. Logo, no Anexo "C" (fls. 930) a importância de R$ 128.009.809,71 deveria ser adicionada ao resultado acumulado verificado em dezembro/2004, e não em outubro/2004 como efetuado. Se o autuante assim o fizesse, haveria uma redução da base de cálculo das multas, de acordo com os valores da planilha. 84. Por sua vez, o fato gerador deveria ser 31/12/2004, eis que, se o maior saldo credor de caixa ocorreu em 21/12/2004 não deveria constar nos autos de infração que o fato gerador ocorreu em 31/10/2004. 85. Procederse nesta fase do procedimento fiscal a alterações do fato gerador e da base de cálculo constitui inovação, o que não é acolhido pelas normas que regem o processo administrativo fiscal. 86. Pelas razões acima, voto por excluir da autuação as multas isoladas de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 12.455.973,12 e R$ 4.487.750,32, respectivamente. Como se vê, duas foram as matérias que deram causa à impetração do recurso de ofício por parte da autoridade julgadora de primeira instância: a) a glosa de despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00; e b) a aplicação de multas isoladas, nos montantes de R$ 12.455.973,12 e R$ 4.487.750,32. No que diz respeito à glosa de despesas de comercialização, assinala a Fiscalização (Relatório Fiscal, fls. 906) que, tendo por base INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE ÁREA PARA DISTRIBUIÇÃO EXCLUSIVA E GARANTIA DE FORNECIMENTO DE PRODUTO, realizado com a empresa CERVEJARIA PETRÓPOLIS, a fiscalizada, na qualidade de cessionária, pagaria à referida empresa (cedente) o montante de R$ 512.400.000,00 pela cessão de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento do produto. A despesa acima referenciada, portanto, tinha por fundamento a cessão de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento do produto. Analisando os contratos, a Fiscalização constatou que a contribuinte autuada teria exclusividade de distribuição dos produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS em todo território nacional, com exceção dos estados do RIO DE JANEIRO, MINAS GERAIS e ESPÍRITO SANTO, cuja distribuição ela, a contribuinte autuada, repassou para a empresa JM. A acusação da Fiscalização é de que nada disso ocorreu. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.712 19 Para comprovar referida acusação, a autoridade fiscal afirma que, em conformidade com os arquivos fiscais apresentados pela fiscalizada e pela empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO, restou apurado que as citadas empresas venderam os produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS nas regiões onde não detinham exclusividade. A autoridade fiscal apresenta quadro demonstrativo, por meio do qual indica que a empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO realizou vendas de produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS (cervejas CRYSTAL e ITAIPAVA) em MATO GROSSO e SÃO PAULO, no montante de R$ 39.205.801,17. Constatou, ainda, a Fiscalização, que a empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO adquiriu, em 2005, produtos diretamente da CERVEJARIA PETRÓPOLIS em BOITUVA, SÃO PAULO, local em que a exclusividade de fornecimento era, segundo à autoridade fiscal, para a fiscalizada. De acordo com levantamento efetuado pela Fiscalização, no anocalendário de 2005 a empresa CERVEJARIA PETRÓPOLIS vendeu para a fiscalizada, em São Paulo, produtos cujo valor total alcançou a cifra de R$ 22.382.552,07, enquanto para a JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO as vendas, no mesmo estado de São de Paulo e no mesmo ano, totalizaram R$ 116.205.503,80, revelando, assim, significativo desequilíbrio. Adita a Fiscalização que, nos estados em que a autuada havia conferido exclusividade à JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO (RIO DE JANEIRO, MINAS GERAIS e ESPÍRITO SANTO), ela, não só vendeu produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS, como abriu várias filiais. A partir de tais constatações, concluiu a Fiscalização que os contratos representavam documentos desprovidos de eficácia e validade, visto que a distribuição com exclusividade neles prevista nunca fora respeitada. Aduz que isso é confirmado pela revogação precoce dos referidos contratos (o celebrado entre a fiscalizada e a CERVEJARIA PETRÓPOLIS, que encerraria em 2015, teve o distrato assinado em 31.12.2005; e o celebrado pela fiscalizada com a JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO, que encerraria em 2008, também teve o distrato assinado em 31.12.2005). Em primeiro lugar, respondendo a indagação formulada no voto condutor da decisão de primeira instância, entendo que, em determinadas situações, o não cumprimento de cláusula contratual pode sim dar causa a glosa de despesa porventura apropriada no resultado fiscal. No caso vertente, por exemplo, o fundamento para a apropriação da despesa foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos. Obviamente, se tal contrato não é respeitado, desaparece o motivo justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade. É certo que, genericamente considerada, existe correlação entre a despesa e a atividade explorada pela contribuinte, contudo, no presente caso, repiso: se a razão que levou à contribuinte a assumir o dispêndio está representada por contrato de exclusividade, uma vez não respeitado tal acordo, o referido gasto revelase absolutamente desnecessário. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.713 20 No que diz respeito à impugnação interposta pela contribuinte, deixados de lado os argumentos acerca de uma suposta desconsideração dos contratos por parte da Fiscalização, eis que não é disso que a autuação cuida (não houve desconsideração do negócio, mas, sim, decretação da desnecessidade da despesa em virtude do desaparecimento do elemento justificador da sua apropriação no resultado fiscal), as alegações apresentadas, penso, não merecem acolhimento. Com efeito, como já dito, em contexto genérico não há como não admitir que um contrato de cessão de área para distribuição exclusiva e garantia de fornecimento de produto seja inerente à atividade econômica explorada por uma empresa que se dedica, conforme registro na declaração apresentada à Receita Federal (fls. 114), à fabricação de cervejas e chopes. Entretanto, do ponto de vista estritamente tributário, isso não é suficiente à dedutibilidade do gasto. É necessário que reste comprovado que o fato que deu causa ao gasto efetivamente ocorreu, tornandoo, assim, necessário à fonte produtora dos rendimentos. No presente caso, como reiteradamente explicitado, os contratos de exclusividade não foram respeitados, logo, não houve, repito, sob a ótica estritamente tributária, necessidade de arcar com gasto incorrido para garantir tal exclusividade. À evidência, pelas razões antes expostas, não merece guarida a alegação da contribuinte de que o fato de terem ocorrido vendas realizadas por terceiros na área que, por contrato, lhe era exclusiva, em nada compromete a dedutibilidade das despesas. Alega a contribuinte em sua impugnação que não compete aos agentes fiscais utilizar o seu juízo sobre estratégias comerciais para fundamentar uma autuação fiscal. Porém, como já restou exaustivamente demonstrado, não se trata, aqui, de intervenção da autoridade fiscal nas estratégias comerciais da contribuinte, mas, sim, de legítima verificação das condições de dedutibilidade estabelecidas pela lei tributária. No mais, as alegações da então impugnante foram direcionadas no sentido de prestar esclarecimentos acerca do contrato firmado com a CERVEJARIA PETRÓPOLIS; de explicar porque não tomou providências em relação à empresa JM; de informar que, atualmente, todos os municípios citados no Relatório Fiscal são atendidos por empresas ligadas direta ou indiretamente à ela ou a seus sócios; de sustentar a legitimidade do planejamento de suas atividades; de afirmar que as despesas foram reconhecidas contabilmente; de informar o montante de despesa que foi reconhecido no anocalendário de 2005; e de reafirmar que as despesas eram necessárias para a atividade da empresa. Notase, assim, que a contribuinte não trouxe, em sede defesa, argumentos capazes de justificar, ou mesmo explicar, o fato de os contratos não terem sido cumpridos. Diante de tais circunstâncias, sou pelo restabelecimento da exigência relacionada a este item. Relativamente às exigências das multas isoladas, penso que o decidido em primeira instância não seja digno de reparo. De fato, a autoridade fiscal assinala que o maior saldo credor de caixa foi apurado no dia 21 de dezembro de 2004 (fls. 10 do Relatório Fiscal), o que é confirmado pelo ANEXO B do Relatório Fiscal (fls. 920). Contudo, sem motivo aparente, ao apresentar o demonstrativo do cálculo da multa isolada do IRPJ e da CSLL (ANEXO C do Relatório Fiscal – fls. 930), considerou a receita omitida no mês de outubro de 2004. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.714 21 À evidência, o erro cometido pela autoridade fiscal compromete, em substância, a constituição do crédito tributário, cabendo destacar que, na linha do sustentado pela decisão recorrida, a autoridade julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato. Assim, sou pelo provimento parcial do recurso de ofício interposto para restabelecer a glosa de despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Argumenta a Recorrente que a não apresentação de cópias ao contribuinte de documentos necessários à realização de sua ampla defesa não pode ser sanada por intimação posterior do órgão julgador para aditar as suas razões. Diz que, em tais circunstâncias, já não haveria nenhuma garantia de que a autoridade administrativa, após tomar conhecimento da sua defesa, realizasse alterações ou modificações no conteúdo dos atos processuais anteriormente formalizados, aos quais ainda não dera publicidade. Como visto, acolhendo argumentação da contribuinte no sentido de que havia encontrado dificuldade para ter acesso à totalidade dos documentos reunidos ao processo pela Fiscalização, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio da Resolução nº 258 (fls. 1.262), decidiu restituir os autos à unidade administrativa de domicílio da fiscalizada para que lhe fosse concedido, de forma expressa, o direito de aditar razões à impugnação, bem como juntar novos documentos, vez que as cópias por ela solicitadas só lhe haviam sido entregues após a entrega da peça de defesa. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro emitiu TERMO DE INTIMAÇÃO (fls. 1.263) concedendo prazo de trinta dias para que a contribuinte, se quisesse, aditasse razões à impugnação e juntasse novos documentos. Em resposta, a contribuinte, esclarecendo que restava configurado o cerceamento do direito de defesa, limitouse a apresentar cópia de LAUDO PERICIAL acerca dos seus registros contábeis e a reiterar os termos da impugnação anteriormente apresentada (fls. 1.267/1.269). Não identifico nos autos qualquer elemento capaz de indicar que a apresentação do referido LAUDO PERICIAL decorreu de documentos, cujo acesso só foi possível após a apresentação da impugnação. Ademais, noto que o citado documento é datado de 05 de março de 2009, anterior, portanto, à própria autuação, que é de 24 de junho de 2009, logo, tomando por base a própria peça de autuação e Relatório Fiscal, que também lhe foi dado ciência em 24 de junho de 2009, a contribuinte já poderia ter anexado ao processo o referido documento. Com isso, penso, resta demonstrado que, ainda que se admitisse que a iniciativa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de reabrir o prazo para que a contribuinte aditasse razões e documentos não tem o condão de convalidar os lançamentos tributários efetivados, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que a contribuinte, não obstante referida reabertura de prazo, basicamente reiterou os argumentos de defesa anteriormente apresentados. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.715 22 De qualquer forma, registro que, em sentido diverso do alegado pela Recorrente, entendo que a providência adotada na instância a quo foi capaz de remover, por completo, eventual dificuldade de a contribuinte compreender as infrações que lhe foram imputadas. Ademais, a dificuldade de a contribuinte ter acesso a totalidade da documentação que serviu de suporte para a autuação derivou de fato alheio à unidade administrativa responsável pelo procedimento de ciência, qual seja, sucessivas alterações do seu domicílio fiscal. Com efeito, a fiscalizada era domiciliada no município de BOITUVA, São Paulo, à época da instauração do procedimento fiscal (Termo de Início de Fiscalização, fls. 196). Por ocasião da lavratura do auto de infração, seu domicílio era o bairro de Cordovil, na cidade do Rio de Janeiro. O extrato de fls. 968, contudo, emitido em 1º de julho de 2009, aponta como domicílio o município de Duque de Caxias, razão pela qual o processo foi encaminhado à Agência da Receita Federal naquela cidade, subordinada à Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu (fls. 969/970). Por ocasião da apresentação de pedido para juntar procuração e atos constitutivos, bem como para reiterar solicitação no sentido de que o processo fosse disponibilizado para fins de extração de cópias, fls. 972/974, a contribuinte indicou como domicílio o bairro Centro, no município do Rio de Janeiro (mesmo endereço apontado na peça impugnatória). Justificável, assim, a dificuldade da contribuinte ter acesso à integra dos autos, o que, entretanto, nenhum prejuízo trouxe ao exercício do contraditório, seja em virtude da reabertura de prazo para aditamento de razões e documentos estabelecido na instância a quo, seja pela demonstração efetiva pela própria autuada de que a documentação que lhe havia sido entregue era suficiente à apresentação de contestação, vez que, como já dito, no prazo dilatado limitouse a reiterar os argumentos da defesa inicial e a anexar laudo elaborado antes mesmo da lavratura dos Autos de Infração. Rejeito, assim, a preliminar argüida. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Alega a Recorrente que não se verificou, em nenhum dos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária do IRPJ e tampouco de qualquer prática por parte dela que pudesse ser classificada como omissão de receitas. Incorre em equívoco a Recorrente. Como é cediço, se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabelhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.716 23 Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. No caso vertente, a situação é exatamente essa. A autoridade fiscal, aferindo a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido pela fiscalizada, apurou adicional de matéria tributável decorrente de glosas de despesas que efetuou e de receitas omitidas apuradas com base em presunções previstas em lei. As contribuições sociais, como se sabe, foram lançadas por via reflexa, eis que a matéria tributável apurada, ainda que em parte, representou, também, adicional de suas respectivas bases de cálculo. Absolutamente improcedente, pois, o argumento da Recorrente de que, no presente caso, não se verificou a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. SALDO CREDOR DE CAIXA – ERRO DE LANÇAMENTO Sustenta a Recorrente que a autoridade fiscal somente poderá “glosar” o saldo credor de caixa quando especificar as receitas que foram supostamente omitidas, demonstrandoas por meio de “documentação incontestável”. Afirma que, na ausência de demonstração das receitas que supostamente teriam sido omitidas, a regra jurídica a ser aplicada deverá ser a do art. 51 da Lei nº 8.981/95, isto é, a do arbitramento do lucro. Diz que a “glosa” do saldo credor de caixa se refere apenas aos valores que ingressaram a título de ADIANTAMENTOS DE CLIENTE e que efetivamente tiveram origem na empresa JM, mas, tais valores são justamente aqueles cujo ingresso o órgão julgador a quo afirma não ter sido comprovado e não dizem respeito à natureza da receita supostamente omitida. Argumenta que “a mera acusação de nãocomprovação dos adiantamentos nada diz a respeito da natureza das receitas que teriam sido omitidas, pois em nenhum momento se verifica a acusação de que teria havido venda de mercadorias sem emissão de nota fiscal, até mesmo porque nunca houve, e tampouco se presta como prova hábil para demonstrar a existência pura e simples de saldo credor de caixa”. Reafirma que ao longo do anocalendário de 2004, em virtude de adiantamentos de sua cliente JM, efetuou registros contábeis a débito de sua conta CAIXA que totalizaram R$ 131.402.000,00. Alega que não apresentou documento porque a própria Receita Federal cuidou de fazêlo, como se verifica às fls. 624/626. Argumenta que, para que não se questione mais a comprovação, junta a 3ª alteração contratual onde se operou a transferência das cotas sociais de terceira empresa, consolidando o lançamento retratado nos documentos juntados pela Receita Federal. Diz que tais documentos não foram juntados à impugnação porque o fato era incontroverso pelos documentos juntados pela Receita Federal. Junta, também, LAUDOS CONTÁBEIS firmados por peritos, retratando, segundo ela, com exatidão as operações referenciadas. Salienta que, na reconstituição da conta CAIXA, o Fisco não se preocupou em fazer prova inequívoca da ocorrência dos pagamentos que supostamente não teriam sido escriturados. Afirma que “no tocante à não apresentação da documentação das operações realizadas pela Recorrente com a empresa JM, é preciso esclarecer que esta não se deu por motivo de caso fortuito, caracterizado pelo evento da natureza causador da destruição de sua farta documentação contábil e fiscal que, ao contrário do que suposto no acórdão hostilizado, estava guardada regularmente e em boa ordem à época dos fatos geradores”. Sustenta que não poderia “requisitar” aos bancos documentos acerca dos adiantamentos, pois tratavamse de transações que se davam quase sempre em moeda corrente. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.717 24 De acordo com o relato já feito, o presente item trata de apuração de OMISSÃO DE RECEITA com base em presunção prevista em lei. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa, autoriza presunção de omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. O referido dispositivo legal é referenciado no art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). No caso vertente, a Fiscalização fundamentou a aplicação da presunção nos seguintes elementos: 1. a conta CAIXA da fiscalizada teve, durante o anocalendário de 2004, lançamentos a débito, referentes a ADIANTAMENTO DE CLIENTES, no valor total de R$ 131.402.000,00; 2. de acordo com a contribuinte, os registros feitos na conta CAIXA derivaram de adiantamento de clientes para futura entrega de mercadorias e ou compensação com algum saldo devedor junto ao cliente, o que para a Fiscalização já é, por si só, motivo de estranheza; 3. a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou nenhum documento para comprovar os registros; 4. a contribuinte alegou que a documentação que lastreava os registros contábeis havia sido molhada em virtude de uma forte tempestade, mas, o Boletim de Ocorrência correspondente só foi lavrado treze dias depois da ocorrência do fato; 5. a empresa com a qual a autuada firmou contrato para a guarda da documentação (IBES INDÚSTRIA COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., cujo nome fantasia é SERAVÁPEL), tem como sócias empresas que detém o seu capital; 6. de acordo com a documentação fiscal analisada, a empresa JM, que, segundo a contribuinte, teria efetuado os adiantamentos, foi quem vendeu, no período auditado (2004 e 2005) mercadorias à Recorrente, e não o contrário; 7. a Recorrente é quem figura na condição de cliente da empresa JM, pois, somente no anocalendário de 2004, ela comprou R$ 134.405.997,38 em mercadorias, conforme notas fiscais anexadas ao processo (fls. 765/883); 8. os adiantamentos só se justificariam com a apresentação das notas fiscais de venda para entrega futura e as conseqüentes nota fiscais de remessa, o que não ocorreu; 9. somandose os valores supostamente pagos em espécie a título de adiantamento de clientes com os valores também supostamente pagos em espécie a título de cessão de área comercial, o valor do desembolso diário seria algo em torno de dois milhões de reais, o que contrariaria qualquer regra de bom senso. Diante da falta de comprovação dos adiantamentos, a Fiscalização excluiu os ingressos correspondentes e recompôs os saldos da conta CAIXA, fazendo transparecer, assim, os saldos credores. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.718 25 Observo que, intimada a apresentar a documentação que serviu de suporte para as operações registradas na conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES (Termo de Intimação nº 10 – fls. 622/623), em 12 de março de 2009, a contribuinte, sem fazer qualquer menção a extravio, solicitou, em 24 de março de 2009, prorrogação do prazo para atendimento (fls. 628). Em 27 de abril de 2009, esclarecendo que as operações de ADIANTAMENTOS DE CLIENTES se referiam a adiantamentos para futura entrega de mercadorias e ou compensação com algum saldo devedor junto ao cliente, informou que em decorrência de uma tempestade ocorrida em 09 de janeiro de 2009 na cidade de Boituva, grande parte dos documentos que se encontravam na empresa responsável pelo seu arquivamento (SERAVÁPEL) foram molhados e não puderam ser APRESENTADOS. Às fls. 632, identificase documento denominado BOLETIM DE OCORRÊNCIA DE AUTORIA CONHECIDA, datado de 22 de janeiro de 2009 e emitido pela Delegacia de Polícia de Boituva, São Paulo, em que a Recorrente, representada pelo Sr. Roberto Luís Lopes, declara ter sido vítima de extravio de vários documentos, provocado por forte vendaval. Como local da ocorrência do fato foi indicado: RODOVIA JOSÉ SARTORELLI, KM 02, NÚMERO 2105, GALPÃO E, BAIRRO SANTO ANTÔNIO, MUNICÍPIO DE BOITUVA SP Às fls. 633/636, consta cópia de CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUARDA DE DOCUMENTOS E ARQUIVO, datado de 02 de janeiro de 2008, tendo como contratante a Recorrente e como contratada a empresa SERAVÁPEL SERVIÇO DE GUARDA DE BENS LTDA. – EPP, que de acordo com o consignado no citado contrato teria sede na Rodovia José Sartorelli, Km 02, nº 2.105, Galpão E, Santo Antônio, Boituva, São Paulo. Analisando a referida documentação, constato que o contrato de prestação de serviços com a empresa SERAVÁPEL estabelece que os documentos deveriam ser encaminhados para contratada mediante a apresentação em duas vias da relação dos documentos entregues (subitem 1.3). Entendo que as referidas relações, que, supõese, não foram extraviadas, poderiam ter sido apresentadas à Fiscalização. Notese que o contrato com a referida empresa foi assinado em janeiro de 2008 e a intimação para apresentação de documentos foi lavrada em 12 de março de 2009, isto é, pouco mais de um ano depois. Assim, em que pese o fato de a documentação requisitada dizer respeito ao anocalendário de 2004, se, de fato, ela encontravase arquivada na empresa contratada, estaria lá há pouco mais de um ano. Pelo que se depreende do extrato de fls. 639, a empresa SERAVÁPEL dedicavase a serviço de estacionamento e rastreamento de veículos automotores, passando em 10 de janeiro de 2008, depois, portanto, da assinatura do contrato com a Recorrente, a explorar o serviço de guarda de bens. Às fls. 1.108, identificase “orçamento” elaborado pela empresa TOMÉ TELAS, supostamente contratada para realizar serviços de reparação em decorrência do temporal, em que os GALPÕES identificados são os de letra “A” e “B”, não havendo qualquer referência ao de letra “E”, onde supostamente estaria localizada a empresa responsável pela guarda dos documentos. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.719 26 Creio não restar dúvida de que, de fato, o município de Boituva foi atingido por forte temporal, visto que os elementos carreados ao processo pela Recorrente o confirma. Entretanto, embora a contribuinte sustente em sentido contrário, não encontro nos autos elementos indicativos de que foram cumpridas exigências preconizadas pelo parágrafo 1º do art. 264 do RIR/99, quais sejam: i) publicação em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento de aviso concernente ao fato; ii) informação minuciosa do fato, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio; e iii) encaminhamento de cópia da comunicação referenciada no item ii ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. Quanto à publicação em jornal de grande circulação, não vejo como considerar o documento de fls. 1.637, eis que tratase de publicação feita em 11 de setembro de 2009, após, portanto, a contribuinte ter sido inclusive autuada. Não identifico, também, qualquer demonstração de esforço por parte da Recorrente no sentido de recuperar a documentação supostamente extraviada, seja por meio de reconstituição, seja através de contatos com eventuais intervenientes, especialmente a empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO e a suposta responsável pelos transportes de valores. Equivocase a Recorrente quando afirma que a autoridade fiscal somente poderá “glosar” o saldo credor de caixa quando especificar as receitas que foram supostamente omitidas, pois, como é cediço, tratandose de presunção legal, o ônus da prova é invertido. Sem dúvida, o que caberia ao agente fiscal era provar o fato indiciário, no caso, a ocorrência do saldo credor da conta CAIXA. Isto foi feito por meio da recomposição da referida conta, providência adotada face a ausência de comprovação por parte da fiscalizada dos ingressos ali registrados. Confundese a Recorrente ao trazer para a discussão as disposições do art. 51 da Lei nº 8.981/95, que, por dispor sobre as alternativas de cálculo do lucro arbitrado na circunstância em que a receita bruta não é conhecida, nenhuma conexão guarda com a matéria sob apreciação. Notase que em sede de recurso voluntário a contribuinte desloca por completo o foco de sua defesa. Enquanto na peça impugnatória procurou reunir elementos para provar a ocorrência do evento da natureza (tempestade) que supostamente deu causa ao extravio da documentação requisitada, agora, diz que não apresentou documento porque a própria Receita Federal o fez. O documento a que ela faz referência na peça recursal está representado pelas reproduções do Livro Diário anexadas pela Fiscalização ao Termo de Intimação nº 10 (fls. 624/626), nas quais encontramse transcritos os lançamentos contábeis efetuados na conta passiva 02.01.01.008.463, tendo como contrapartida a conta CAIXA (01.01.01.001.00) e contendo o seguinte histórico “VALOR REF. A ADIANT. CLIENTE J.M. IND. COM. E LOGIST.”. Junta, então, cópia de uma 3ª alteração contratual, afirmando que “a referida obrigação foi resolvida, em 15 de dezembro de 2004, mediante a venda das quotas sociais representativas do capital social da empresa EFICER, pelo valor de R$ 134.990.000,00 (...), que pertenciam à Recorrente e foram transferidas à JM.” Com o devido respeito, ainda que se abstraia o fato de que a argumentação representa absoluta inovação em relação a tudo que foi trazido em sede de defesa, não vejo Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.720 27 como a operação em comento possa de alguma forma contribuir para comprovar o efetivo ingresso dos recursos na conta CAIXA. Diante da ausência de comprovação dos citados ingressos, o desaparecimento do passivo, ao contrário do pretendido pela Recorrente, reafirma a imputação feita pela Fiscalização, qual seja, a de que as saídas do CAIXA não tiveram lastro em recursos contabilizados e tributados. Causa estranheza o fato de o LAUDO PERICIAL CONTÁBIL trazido pela Recorrente (fls. 1.437/1.447) consignar que foram periciados “os Livros Contábeis e documentos que existem, contratos aditamentos, recibos e outros ou que não foram atingidos pelo extravio ocorrido e já apresentado nos autos do processo.” Observo que referido LAUDO, pelo que foi possível depreender, pretendeu, entre outros objetivos, apresentar, “de forma clara e objetiva, as origens de recursos financeiros, provenientes dos adiantamentos de clientes para futura entrega de mercadorias, entre a empresa PRAIAMAR IND. COM. & DISTRIBUIÇÃO LTDA.; e a empresa JM COMÉRCIO E LOGÍSTICA LTDA.” A estranheza decorre do fato de que, apesar de citados, não localizo nos autos os referidos documentos, recibos e outros não extraviados. Em divergência com o sustentado pela própria Recorrente, que admitiu que parte dos recursos adiantados não foram repassados em espécie, o LAUDO (encomendado) afirma que todos os adiantamentos realizados no ano de 2004 foram efetuados em dinheiro. No mais, o citado LAUDO limitase a reproduzir lançamentos contábeis e a explicar a suposta venda das quotas da empresa ECIFER, não se prestando, assim, para contribuir em qualquer nível para comprovar a efetiva entrega dos recursos registrados a débito da conta CAIXA. A conclusão esposada no referido LAUDO no sentido de que os recursos recebidos pela fiscalizada foram aplicados na operação envolvendo a empresa EFICER ratifica as impressões aqui esposadas, pois, à evidência, tal fato em nada concorre para comprovar a entrada dos recursos no CAIXA da Recorrente. No que diz respeito ao denominado LAUDO TÉCNICO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIOS (fls. 1.460/1.469), de relevante, temos os objetivos do trabalho, parte do “Descritivo dos Procedimentos Internos”, a sua conclusão e os depoimentos de motoristas, colhidos por meio de escritura pública, que, conjuntamente, corroboram a afirmativa da autoridade fiscal no sentido de que “as operações denominadas "adiantamentos de clientes" foram operações fictícias cujo único propósito foi evitar a ocorrência de saldo credor na conta "caixa" da fiscalizada”. Cabe relembrar que o que se encontra em discussão é a comprovação dos ingressos registrados na conta CAIXA da fiscalizada, que, segundo ela, teriam decorrido de adiantamentos promovidos pela empresa JM INDÚSTRIA, COMÉRCIO & LOGÍSTICA LTDA. O LAUDO em questão, em sentido contrário à tese expendida pela Recorrente, mas, em total convergência com a acusação feita pela Fiscalização, assinala: 1. Objetivos do trabalho O presente Laudo tem por objetivo, demonstrar o Procedimento Interno utilizado pela Empresaalvo (Matriz e Filiais), para as operações de Venda à vista, que tenham seus respectivos recebimentos realizados em dinheiro ou cheque, a posterior transferência de numerários à Matriz e os respectivos registros contábeis, Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.721 28 do período de 2004, da empresa Praiamar – Indústria, Comércio & Distribuição Ltda, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas pelo número 00.851.567/000171, localizada na Rua João Torquato, nº 71 – bloco 2 – 2º andar – sala 3, no bairro Bonsucesso, na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, CEP 21032150, nesse Laudo Técnico denominada Empresaalvo. Esse Laudo contempla a Matriz e todas as filiais da EmpresaAlvo. [...] 2. Descritivo dos Procedimentos Internos Walkthrough [...] 2.3 Retorno dos caminhões e conferência dos recebimentos Ao completar todas as entregas programadas no dia, o Motorista retorna à Filial (revenda) da Empresaalvo e descarrega os vasilhames retornáveis. O Encarregado Financeiro da Filial abre o Cofre do caminhão, retira os numerários e leva para a “Sala de Acerto”. O montante em dinheiro e cheque, retirado do caminhão, é conferido pelo Encarregado Financeiro da Filial juntamente com o Motorista. Não havendo diferença entre as Notas Fiscais de venda à vista e a quantia recebida no dia, o Encarregado Financeiro realiza o lançamento da entrada do dinheiro no Caixa, no Sistema SIC (Módulo Financeiro). [...] 2.6 Transferência de numerários para a Matriz Com base em um Relatório de Caixa, extraído do Sistema CIC, no final de cada mês, o Encarregado Financeiro da Filial apura a sobra de caixa do mês, remetendoa para a Matriz por meio de depósito em conta corrente ou por meio de carros blindados utilizados somente para essa finalidade (Veja fotos no anexo II), ou através dos serviços de Carro Fortes. Os lançamentos contábeis das remessas das sobras de caixa, da Filial para a Matriz, são apresentadas através da Conta Contábil: Transferência de Numerários. Ao final de cada mês, o Balanço Patrimonial Consolidado apresenta a Conta Contábil Transferência de Numerários com saldo final zero (0), pois os efeitos das operações entre Matriz e Filiais (Inter companhias) são eliminados no Balanço Consolidado (Anexo III). [...] 4. Conclusão Tendo em vista a descrição do Procedimento Interno utilizado pela Empresa Alvo (Matriz e Filiais), para as operações de Venda à vista, que tenham seu respectivo recebimento realizado em dinheiro ou cheque, a posterior transferência de numerários à Matriz e os respectivos registros contábeis, podemos concluir que a operação de Transferência de Numerários remetidos da Filial para a Matriz, em dinheiro ou por meio de conta corrente é usual à natureza das operações comerciais da Empresaalvo e sua estrutura operacional (Matriz e Filiais), uma vez que os clientes da Empresaalvo são tipicamente adegas, bares, lanchonetes, restaurantes, empórios e depósitos de bebidas onde realizam seus pagamentos em dinheiro. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.722 29 (GRIFOS DO ORIGINAL) Os depoimentos dos motoristas, por sua vez, ratificam as informações apresentadas no Laudo acerca da operacionalização da atividade econômica explorada pela Recorrente. Como se vê, o LAUDO trazido pela Recorrente não tratou de comprovar ou mesmo de explicar os alegados “adiantamentos” promovidos pela empresa JM. Ao contrário disso, em perfeita consonância inclusive com argumentos apresentados nas peças defesa (predominância de movimentação em espécie, utilização de carroforte, registro na conta CAIXA, etc.), cuidou de explicar o modus operandi das transferência de recursos decorrentes das vendas efetuadas pela própria contribuinte. Em praticamente tudo o referido LAUDO alinhase à peça de defesa, sendo dissonante, apenas, na informação acerca da origem dos ingressos: para o Laudo (assim como para a Fiscalização), eles têm origem em vendas efetuadas pela fiscalizada; para a contribuinte, a origem está representada por adiantamentos feitos pela empresa JM. Cabe destacar que, salvo melhor juízo, a Recorrente não detém perfeito conhecimento acerca da presunção aplicada pela Fiscalização. Releva esclarecer que a desconsideração dos valores debitados ao CAIXA a título de adiantamentos, vez que não comprovada a sua efetividade, visa, apenas, fazer transparecer o montante de recursos que, por presunção da lei, decorreram de vendas não contabilizadas, isto é, a exclusão dos ingressos serve tãosomente à mensuração da receita omitida, não significando dizer que a fiscalizada não movimentou, como atesta o Laudo por ela anexada ao processo, montantes significativos de recursos financeiros. Equivocase novamente a Recorrente quando alega que o Fisco não se preocupou em fazer prova inequívoca da ocorrência dos pagamentos que supostamente não teriam sido escriturados. Pelo que posso depreender, aqui, ela faz uma confusão entre os fatos indiciários que, uma vez comprovados, autorizam a presunção de omissão no registro de receitas, quais sejam: a aplicada pela Fiscalização, lastreada, como dito, no parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77; e a prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96. Diante das considerações aqui esposadas, sou pela manutenção da tributação do SALDO CREDOR de CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO Argumenta a Recorrente que, se o Fisco glosou as obrigações que se encontravam no passivo por terem supostamente sido pagas é porque reconheceu expressamente a existência daquelas obrigações, e, se admitiu que tais obrigações de fato existiram, com maior razão ainda não poderia classificar seus ingressos como não comprovados para fins de glosa de saldo credor de caixa. Afirma que o ônus da prova do pagamento, de obrigações ainda mantidas no passivo, é da própria Fiscalização. Equivocase mais uma vez a Recorrente. Os lançamentos tributários em questão não foram efetuados com base no pressuposto de que as obrigações que se encontravam no passivo já estavam pagas, mas, sim, por não terem sido comprovadas. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.723 30 O Relatório Fiscal é claro relação a isso, senão vejamos: A fiscalizada foi intimada, em 11/03/2009, a justificar a titulo de que operações esse saldo se refere, apresentar documentos que comprovassem tais operações e demonstrar como ocorreram as quitações desses lançamentos, abaixo relacionados. [...] A justificativa foi a mesma citada no item III (tal operação tratase de "adiantamento de clientes para futura entrega de mercadorias e ou compensação com algum saldo devedor junto ao cliente"). Não apresentou qualquer documento para comprovação das operações, alegando os motivos acima transcritos. Desta forma, constatamos um passivo fictício de R$ 10.190.000,00 (dez milhões cento e noventa mil reais), no anocalendário de 2005. (GRIFEI) Improcedentes, assim, os argumentos da Recorrente, vez que baseadas em fundamentos que não serviram de suporte para a imputação da infração. Não merece acolhida, também, a tentativa da contribuinte de fazer conexão entre o saldo credor apurado no ano de 2004, e o passivo não comprovado registrado no ano de 2005. Embora, de fato, possa existir conexão entre uma situação e outra, de modo que o passivo não comprovado de uma lado pode revelar saldo credor no outro, no caso vertente, ressalvada a hipótese de comprovação por parte da fiscalizada, tal conexão não existe, até porque as infrações dizem respeito a anos distintos. Mantenho, pois, a autuação. DESPESAS DE PROPAGANDA Afirma a Recorrente que as notas fiscais de números 11378 e 11395 também foram destruídas em razão do evento da natureza já noticiado. O motivo alegado para não apresentação de documentos (extravio em virtude de tempestade), que agora a Recorrente utiliza para justificar a ausência de comprovação de gastos com propaganda, já foi exaustivamente apreciado. Na linha da argumentação expendida no presente Voto, penso que o fato alegado não se encontra suficientemente comprovado nos autos como tendo sido o elemento impeditivo da apresentação requerida pela Fiscalização. Ademais, como já foi dito, não considero que a contribuinte tem adotado as providências previstas na legislação de regência para o caso de extravio de documentos. Sou, assim, pela manutenção da glosa. MULTA QUALIFICADA Alega a Recorrente que o acórdão recorrido pretende “demonstrar” a existência de fraude mediante a simples utilização de presunções que não se prestam de Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.724 31 nenhuma maneira para fazer prova de qualquer ilícito penal, em atitude de inequívoca e concomitante violação aos princípios da legalidade e da tipicidade tributária e penal. Diz que cabe à Administração Pública o ônus da prova de uma simulação, pois, cabe a ela, e não ao contribuinte, constituir a prova que embasa o lançamento. Argumenta que em nenhum momento ficou demonstrado o evidente intuito de fraude nas operações de adiantamentos de clientes registradas na sua contabilidade. Como é cediço, o processo administrativo é norteado pelo denominado princípio da verdade material, que, na maior parte das vezes, é suscitado pelo contribuinte autuado. Não obstante, resta lógico que tal princípio também pode ser aplicado em “benefício” do Fisco, isto é, sem se ater a aspectos meramente formais do processo, pode a autoridade administrativa julgadora entender que determinado crédito tributário deve ser mantido, pois, em que pese o fato de a autoridade fiscal ter sido econômica na descrição dos fatos, eles, os fatos, encontramse dispostos de forma clara nos autos, de modo a possibilitar à referida autoridade julgadora ter convicção acerca da ocorrência da hipótese autorizadora do lançamento. O caso sob apreciação, penso, enquadrase na situação descrita. Com efeito, justificando a qualificação da multa, a autoridade fiscal simplesmente assinalou (fls. 13 do Relatório Fiscal): Fica constatada a ocorrência de simulação, tanto nas operações de “adiantamentos de clientes”, como nos “contratos de cessão de área comercial”, estamos qualificando a multa de ofício em 150%, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Em que pese o fato de, na descrição das infrações, a autoridade autuante ter apresentado maiores detalhes acerca das imputações, é certo que, na exasperação da multa, ela não cuidou de detalhar e apontar os elementos que embasaram a sua decisão. Contudo, os elementos reunidos ao processo, especificamente em relação aos registros contábeis efetuados a título de adiantamento de clientes, permitem concluir no sentido de que, de fato, ao inflar a conta CAIXA com ingressos supostamente decorrentes de tal origem (adiantamentos de clientes) e registrar a contrapartida em conta de obrigações, a fiscalizada efetivamente visou, deliberadamente, impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da sua condição pessoal, afetando, assim, a obrigação tributária principal, e modificar as características essenciais do fato gerador da referida obrigação, reduzindo o montante do tributo devido, eis que noticiou ao Fisco a obtenção de recursos por meio de terceiros, quando os fatos retratados nos autos deixam fora de dúvida de que, embora a extensão do ilícito tenha sido mensurado por meio de aplicação de presunção legal, os referidos recursos efetivamente tiveram origem em receitas não contabilizadas. Em vista do exposto, sou pela manutenção da multa qualificada aplicada, pois, embora a autoridade autuante faça referência no Relatório Fiscal à ocorrência de simulação no caso dos contratos de cessão de área comercial, só a aplicou em relação ao SALDO CREDOR DE CAIXA e ao PASSIVO NÃO COMPROVADO apurados. Assim, considerando tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer a glosa das Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.725 32 despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 35418.000283/2006-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ARTIGO 28, §9°, DA LEI N° 8.212/91. EXISTÊNCIA, NA EMPRESA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA QUE COBREM TODOS OS EMPREGADOS. IRRELEVÂNCIA DE EVENTUAIS DIFERENÇAS. ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA, POR OUTRO LADO, QUE SOMENTE COBRE PARTE DO EMPREGADOS, INTEGRANTES DAS FAIXAS SALARIAIS MAIS ALTAS. ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA.
A norma que prevê a isenção não faz qualquer exigência no sentido de que a assistência médica abranja todos os empregados de forma igualitária. Se tal previsão não há, não cabe ao intérprete fazê-lo, sob pena de violar o próprio artigo 111 do CTN, bem como o espírito da norma, que visa fomentar a prestação de assistência médica pelas empresas, garantindo-se a efetividade do direito fundamental à saúde.
Por outro lado, a existência de plano odontológico que cobre apenas parte dos empregados não atende ao requisito de cobertura total dos empregados da empresa. Valores, referentes aos reembolsos com despesas odontológicas, que merecem tributação.
Numero da decisão: 9202-002.129
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Piero Monteiro Quintanilha, OAB/SP n° 249.807, advogado do contribuinte.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ISENÇÃO. ARTIGO 28, §9°, DA LEI N° 8.212/91. EXISTÊNCIA, NA EMPRESA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA QUE COBREM TODOS OS EMPREGADOS. IRRELEVÂNCIA DE EVENTUAIS DIFERENÇAS. ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA, POR OUTRO LADO, QUE SOMENTE COBRE PARTE DO EMPREGADOS, INTEGRANTES DAS FAIXAS SALARIAIS MAIS ALTAS. ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. A norma que prevê a isenção não faz qualquer exigência no sentido de que a assistência médica abranja todos os empregados de forma igualitária. Se tal previsão não há, não cabe ao intérprete fazêlo, sob pena de violar o próprio artigo 111 do CTN, bem como o espírito da norma, que visa fomentar a prestação de assistência médica pelas empresas, garantindose a efetividade do direito fundamental à saúde. Por outro lado, a existência de plano odontológico que cobre apenas parte dos empregados não atende ao requisito de cobertura total dos empregados da empresa. Valores, referentes aos reembolsos com despesas odontológicas, que merecem tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Paulo Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 2 2 Pereira Barbosa e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Piero Monteiro Quintanilha, OAB/SP n° 249.807, advogado do contribuinte. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. Conforme o Relatório Fiscal da NFLD, presente às fls. 42/47 dos autos, referente a contribuições devidas pelo contribuinte e destinadas à seguridade social e a entidades outras (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre os pagamentos de reembolsos médicos e/ou odontológicos dos planos Medicplan “L” e Medicplan “G”, exceto medicamentos, não disponíveis à totalidade dos empregados. O período de lançamento é de 06/2001 a 04/2005. O contribuinte apresentou defesa às fls. 274/291 dos autos. Julgouse o lançamento procedente (fls. 347/359), nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS REEMBOLSADAS DIRETAMENTE PELO EMPREGADOR, E NÃO ESTENDIDAS A TODOS OS SEGURADOS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA, É PARTE COMPONENTE DA REMUNERAÇÃO. PATRIMÔNIO DO TRABALHADOR. TODO REEMBOLSO É SALÁRIO, SALVO DISPOSIÇÃO EXPRESSA EM CONTRÁRIO. CORRELACIONADO AO AUTO DE INFRAÇÃO N° 35.870.8010 DE 30/11/2005. ACRÉSCIMOS LEGAIS. ACIDENTE DO TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADES. I Incide contribuição sobre reembolsos das despesas de assistência médica e/ou odontológica, privilégio de parte dos Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 3 3 segurados empregados a serviço da empresa, estabelecido pelos Planos MEDICPLAN "L" e MEDICPLAN "G", previsão contida no Artigo 28, § 9°, "q", da Lei no 8.212/91, redação dada pela Lei no 9.528/97. II O reembolso de despesas médicas, odontológicas, por não ter conotação contraprestativa, não integra o salário de contribuição, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. III — A partir de 01/04/1995, é licita a incidência de juros de mora com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia — SELIC, nos termos da Lei n° 9.065 95 e art. 34, da Lei no 8.212/91. IV — A contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho foi prevista no artigo 195, I da CF188. V — A inconstitucionalidade de dispositivos legais não será apreciada no âmbito administrativo, sendo tal competência do Supremo Tribunal Federal, nos termos do artigo 102, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal. LANÇAMENTO PROCEDENTE O contribuinte recorreu às fls. 363/378 dos autos. Contrarrazões às fls. 414/417 dos autos. A 4° Câmara da 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF negou provimento ao recurso do contribuinte (fls. 418/421), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2005 REEMBOLSO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incide contribuições sociais sobre os reembolsos de despesas medicas extensivas apenas a parte dos segurados empregados, posto que a legislação condiciona a isenção sobre as despesas médicas e odontológicas apenas nos casos em que disponibilizadas a todos empregados e diretores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 4 4 A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O contribuinte interpôs recurso especial às fls. 427/435 dos autos, com fundamento em divergência jurisprudencial. Trouxe à tona acórdão paradigma em que se estabeleceu o entendimento de que “a lei exige apenas a política de assistência médica beneficie a todos os empregados, sem exceção, pouco importando se há diferenciação de planos relativamente ao cargo ocupado pelos funcionários beneficiados”. Segundo o recorrente, o ponto de divergência consiste no seguinte: “O v. acórdão recorrido entende que a empresa que fornece um plano de saúde extensivo a todos os empregados e diretores e outro disponibilizado apenas a esses últimos deve pagar contribuição previdenciária sobre o plano de reembolsos de despesas médicas que não abarque a integralidade dos funcionários. Por outro lado, o Acórdão paradigma, entende que a legislação não possui condição que determine a existência de planos idênticos a todos os segurados. A única condição existente é que todos os segurados estejam cobertos. Assim, a existência de plano diferenciado ou reembolsos para as maiores faixas salariais, não afasta a cobertura a todos os empregados da empresa”. Sustentou, assim, a tese de que o legislador apenas exige que a cobertura médica abranja a totalidade dos empregados, inexistindo qualquer determinação que a sua concessão seja idêntica a todos os empregados. Argumentou que: “Em relação ao primeiro ponto, vale salientar que atualmente, na tentativa de se estimular as empresas, na concessão de planos de assistência médica, pacificouse o entendimento de que tais benefícios não possuem natureza salarial. Porém, quando se estabeleceu tal critério, não se procurou vislumbrar a forma de contratação desses benefícios, o que, aliás, é livre, mas, ao contrário, tevese em mente um bem maior, qual seja a preservação da saúde do empregado, já que atualmente isso não mais é possível, com o atendimento médico prestado pelos órgãos públicos e os preços exigidos pelos remédios. E a preservação da saúde dos empregados não seria obtida de forma plena, se as empresas fossem ainda mais oneradas, com as despesas desses benefícios, incluindose os encargos. Buscouse, então, como solução, a exclusão desses benefícios do rol de saláriocontribuição, pelo que as empresas que já mantinham essa política não teriam maiores encargos, sendo Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 5 5 que as demais sentirseiam, então, seguras na sua concessão (...) Ademais, ainda que se tratasse de um beneficio, não estaria ele revestido de natureza remuneratória, porque ausente condição essencial para tanto, qual seja, a habitualidade no reembolso ao empregado, já que ele somente tem direito ao reembolso quando adquire medicamento, o que, como óbvio, não se dá de forma habitual. Não caracterizada a habitualidade na concessão do beneficio ao trabalhador, se assim pudesse ser considerado o reembolso de medicamentos, não há de se falar em caráter salarial da alegada vantagem, o que se traduz na impossibilidade do cômputo de seu respectivo valor para cálculo do salário de contribuição. E se estamos diante de isenção, aplicável o artigo 111, I, do CTN, que determina a interpretação literal do dispositivo que concede isenção. E as determinações expressas no parágrafo 9°, da Lei n° 9828/97, e na Lei n° 10.243/2001, não fazem qualquer menção à concessão de assistência médica no mesmo nível para todos os empregados, mas simplesmente refere se à assistência médica no geral”. Neste sentido, postulou pela reforma do acórdão recorrido, com vistas à anulação da NFLD. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 455/459. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar, de fato, a divergência jurisprudencial alegada. Com efeito, as circunstâncias fáticas existentes em ambos os acórdãos são semelhantes, e as respectivas conclusões jurídicas são antagônicas. O dissídio jurisprudencial a ser solucionado diz respeito à incidência de contribuição previdenciária sobre o reembolso de despesas médicas e/ou odontológicas extensiva a apenas parte dos segurados empregados. No caso, revelase incontroverso o fato de que a empresa contribuinte, efetivamente, adota a sistemática de reembolso de despesas médicas e odontológicas apenas aos funcionários pertencentes às faixas salariais mais altas. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 6 6 Temse, também, conforme asseverado pelo contribuinte ao longo de todo o processo, que a empresa possui, no que tange a todos os seus empregados, plano básico de assistência à saúde, malgrado a sistemática de reembolso atinja apenas parte dos seus empregados. No acórdão recorrido, interpretandose o artigo 28, §9°, da Lei n° 8.212/1991, entendeuse que se procedeu de maneira correta, na autuação, ao se perpetrar distinção, no caso concreto, entre as verbas de assistência à saúde fornecida a todos os empregados (sobre as quais não há incidência da contribuição previdenciária) e aquelas fornecida a apenas parte dos empregados, as quais seriam passíveis de incidência do tributo. No acórdão paradigma, por outro lado, fixouse o entendimento de que “a legislação não possui condição que determine condição de planos idênticos a todos os segurados. A única condição existente é que todos os segurados estejam cobertos”. O dispositivo legal sobre o qual se mostram divergentes as duas interpretações é o artigo 28, caput, e §9°, da Lei n° 8.212/1991: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;” No presente caso, devese ter em mente as seguintes constatações da autoridade fiscal, constante do Relatório Fiscal de NFLD, do qual transcrevo os seguintes trechos: “4. A empresa implantou cinco planos de auxilio aos empregados, na área de saúde, cujas características estão descritas a seguir: 4.1 REMEDIPLAN — Reembolso de Despesas com Medicamentos para Empregados Horistas e Mensalistas, conforme definido no documento interno denominado Práticas de Recursos Humanos — PRH 19, tem por finalidade proporcionar aos empregados horistas e mensalistas reembolso Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 7 7 exclusivo de despesas com medicamentos prescritos por médicos, nas quais eles ou seus dependentes tenham incorrido. Por tratar exclusivamente de reembolso de despesas com medicamentos, não será objeto desta NFLD; 4.2 MEDICPLAN "L" — GRADE SALARIAL 021 ATÉ GRADE SALARIAL 023 — Plano de Assistência Médica Suplementar, conforme definido no PRH 15 (Doc. "2" junto somente à 1° via desta NFLD), tem por objetivo proporcionar ao empregado, enquadrado na faixa salarial citada, benefícios sob a forma de reembolso total ou parcial das despesas médicas, nas quais ele ou seus dependentes tenham incorrido; 4.3 MEDICPLAN "G" — GRADES SALARIAIS 024 E ACIMA — Plano de Assistência Médica Suplementar/Odontológica, conforme definido no PRH 14 (Doc. "2" junto somente à l° via desta NFLD), tem por objetivo proporcionar aos empregados, enquadrados na faixa salarial citada, benefícios sob a forma de reembolso total ou parcial das despesas médicas e/ou odontológicas, nas quais eles ou seus dependentes tenham incorrido; 4.4 EXCEPCIONAL — Plano de Assistência Médica ao Excepcional — horistas, Mensalistas e Folhas Especiais, conforme definido no PRH 39 (Doc. "2" junto somente é 1° via desta NFLD), tem por objetivo proporcionar aos empregados da empresa reembolso de despesas incorridas com tratamentos de filhos excepcionais, seus dependentes; 4.5 HORMEN — Plano de Assistência Médica, conforme definido no PRH 40 (Doc. "2" junto somente 1° via desta NFLD), tem por finalidade, em caráter excepcional e após aprovação da Divisão de Saúde, proporcionar o encaminhamento do empregado horista ou mensalista e seus dependentes para disponibilizar a eles procedimentos, medicamentos e materiais, relacionados no item 5 do PRH 40, para tratamento de neoplasias, doenças metabólicas e outras patologias graves. 5. Da análise detalhada dos cinco planos, constatase que os benefícios proporcionados pelos Planos EXCEPCIONAL e HORMEN, destinados a atender empregados que possuam dependentes excepcionais ou que sejam, eles ou seus dependentes, portadores de patologias graves, estão indistintamente disponíveis à totalidade dos empregados que se encontram ou possuem dependentes que se encontram nestas condições especiais. 0 Plano REMEDIPLAN destinase a reembolso de medicamentos aos empregados horistas e mensalistas e não será objeto desta NFLD. Os Planos MEDICPLAN "L" e MEDICPLAN "G", além de garantirem reembolso de medicamentos aos empregados das grades salariais 021 e acima, beneficio não objeto desta NFLD, também dão direito a reembolso total ou parcial de despesas médicas e odontológicas aos mesmos. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 8 8 6. Pela descrição dos planos, observase que o Plano MEDICPLAN "L" destinase a reembolsar os empregados enquadrados nas grades salariais 021 até 023 com despesas médicas e o Plano MEDICPLAN “G” destinase a reembolsar os empregados das grades salariais 024 e acima com despesas médicas e/ou odontológicas. Portanto, concluise que este tipo de reembolso é privilégio apenas de uma parcela seleta dos empregados, daqueles da grade salarial 021 e acima, não sendo acessível a totalidade dos empregados da empresa.” Diante deste panorama, cumpre fazer algumas considerações acerca do disposto no artigo 28, §9°, da Lei n° 8212/91. O texto legal em análise é expresso no sentido de que, para que não integre o “saláriodecontribuição”, “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico” deve ter por objeto a cobertura da totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Pois bem, devemos ter em mente aqui que o texto legal é expresso na utilização do termo “ou”, o que não pode ser desconsiderado na sua interpretação. Com isso, querse dizer, na norma, que a assistência pode ser médica ou odontológico, não se exigindo que haja os dois tipos de assistência. Sendo apenas médica, ela deve abranger todos os empregados da empresa. Sendo apenas odontológica a assistência, deve abranger também a totalidade dos seus empregados. Indagase: e se a empresa prestar assistência tanto médica quanto odontológica? Neste caso, outrossim, a regra não se modifica: seja a assistência médica seja a assistência odontológica (assistência médica ou odontológica), ambas, se adotadas pela empresa, devem cobrir todos os empregados. Tratase de uma opção da empresa. Se ela opta por prestar assistência médica e odontológica aos seus empregados, todos estes devem ser abrangidos, tanto pela assistência médica quanto pela odontológica. A palavra “ou” traz a conotação de que é dado à empresa prestar apenas um dos dois tipos de assistência, não sendo obrigado a prestar a assistência médica e odontológica. A partir do momento, contudo, em que exerce a sua opção no sentido de prestar ambas as modalidades de assistência, aí sim, ambas devem abranger a totalidade dos seus empregados: a assistência médica e a assistência odontológica. Relembrese o texto legal, no que aqui nos interessa: “q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico (...) desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”. Reparese que o legislador não integrou no conceito de assistência prestada por serviço médico a assistência prestada por serviço odontológico, sendo os dois tipos de assistência, para a norma que se está a interpretar, diversos. Não se trata de uma mesma coisa. São coberturas diversas, as quais devem abranger a totalidade dos empregados para fins de não caracterização do “saláriodecontribuição”. Assim, para que não se insira no conceito de “saláriodecontribuição”, fazse necessário que: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 9 9 a) a assistência prestada por serviço médico abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; b) a assistência prestada por serviço odontológico abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Isto não quer dizer, impõese destacar, que a imprescindibilidade de abrangência total do serviço médico ou odontológico implique a necessária igualdade de tais serviços a todos os empregados. Ou seja, havendo assistência médica que englobe todos os empregados e dirigentes da empresa, admitese que haja certas diferenciações no que tange a essa mesma assistência. Assim também no que concerne à assistência odontológica: desde que ela não deixe qualquer empregado ou dirigente alheio à sua cobertura, é possível que haja alguma diferença na sua prestação. Neste sentido (da possibilidade de distinção dentro da assistência médica ou odontológica), cito trechos de julgado desta 2° Turma da CSRF (acórdão 920900.295), desdobramento da decisão coligida pelo recorrente como paradigma da divergência jurisprudencial suscitada: “Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos funcionários a título de Assistência Médica, pelo simples fato de haver planos diferenciados entre os empregados e os diretores, existindo, ainda, custeio de parte do plano tão somente por alguns empregados, o que implicaria dizer não estar presente o requisito “cobertura” a totalidade dos segurados empregados. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelo ilustre representante da Fazenda Nacional em defesa da manutenção do crédito previdenciário, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste relator, a conclusão da exigência de planos de Assistência Médica equitativos à todos os setores de uma empresa, não encontra sustentáculo na norma isentiva acima transcrita. Com efeito, a alínea ‘q’, §9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, em momento algum infere que o plano de saúde, dentre outros, deverá ser concedido de maneira idêntica a todos os funcionários da empresa, se limitando a estabelecer que ‘a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa’. Com efeito, tivesse o legislador ordinário a intenção de impor outros requisitos à concessão da referida benesse, teria feito de forma explícita e clara no bojo da norma legal, acima transcrita, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que extrapola o próprio texto legal, especialmente tratandose de isenção, cuja legislação deverá ser aplicada literalmente”. De fato, o dispositivo legal em questão não determina, de qualquer forma, que a assistência prestada, médica ou odontológica, seja igual para todos os empregados e dirigentes. Dispõese apenas no sentido de que a assistência deve abranger todos os Fl. 478DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 10 10 empregados e dirigentes da empresa, ou seja, que seja extensiva a todos. Daí a se exigir a igualdade da assistência vaise muito longe, na contramão do que dispõe o artigo 111 do Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O artigo 111, como se sabe, determina a interpretação literal da legislação tributária que outorga isenção. A interpretação literal referese ao método hermenêutico segundo o qual o intérprete restringese a aplicar a norma em seu sentido literal, não se admitindo que dela se extraia sentidos outros que não se revelem de pronto do seu texto. No caso, à vista do §9° do artigo 28, claramente não se depreende do seu texto a necessidade de que os serviços de assistência médica ou odontológica sejam, para além de abrangentes de todos os empregados, também igualitários para todos. Este entendimento demanda, inequivocamente, uma construção interpretativa que insere à norma um novo requisito para a sua incidência, requisito este que não se encontra nela expresso. Ora, na medida em que o entendimento concernente à igualdade deflui de toda uma construção interpretativa que acaba por restringir o seu sentido literal, por óbvio que não se está a perpetrar uma interpretação literal do respectivo dispositivo legal. A interpretação literal não admite nem a ampliação nem a restrição da norma. Esta deve ser aplicada em seu sentido exato. E em seu sentido exato, não se tem a exigência de que a assistência médica ou odontológica seja igual para todos. Neste sentido, cito outro julgado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. INTERPRETAÇÃO LITERAL CONFORME O INCISO II DO ART. 111 DO CTN. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 11 11 A alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 diz que não integra o Saláriodecontribuição o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. A regra de isenção não prevê que nos planos de assistência médica a empresa deve tratar, de forma igualitária, os seus beneficiários. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, bem como outorga de isenção. Recurso Voluntário Provido (Processo nº 11070.002845/200715 Recurso nº 258.603 Acórdão nº 2803000.551 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de março de 2011 Matéria SALÁRIO INDIRETO: ASSISTÊNCIA MÉDICA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. COOPERATIVA DE TRABALHO; Recorrente UGGERI S/A; Recorrida FAZENDA NACIONAL) Devese ter por presente, ademais, que, tratandose de isenção, a sua instituição foi imbuída de um objetivo, de uma finalidade que o legislador pretendeu atingir. No caso, tal escopo foi e é fomentar a assistência à saúde dos empregados, como forma de concretização do direito à saúde, direito fundamental previsto na Constituição Federal, e que, como se sabe, não é satisfatoriamente concretizado pelo Estado. Daí a concessão, na hipótese, da isenção. A criação, desta maneira, de forma totalmente alheia ao texto, de uma condição não prevista expressamente na lei (de que a assistência seja igual para todos os empregados), para além de ferir o artigo 111 do CTN, fere também o próprio espírito da norma que se está interpretando. O termo “cobertura”, constante do dispositivo legal, tem o sentido óbvio de abrangência da assistência médica ou odontológica. Todos os empregados devem ser abrangidos pela assistência prestada pela empresa. Isto não quer dizer que a assistência prestada pela empresa deva ser igual para todos os empregados, podendo haver, sim, algums distinções, sem que a cobertura, em si, seja atingida. Diferenças podem haver, mas a cobertura permanece total sobre todos os empregados. Uma coisa é a amplitude da cobertura (que deve ser total), outra é a maneira de prestar a assistência. No presente caso, cumpre observar que, conforme acima transcrito, a fiscalização detectou a existência, na empresa autuada, de diferentes planos de assistência médica, designados pelos seguintes nomes: EXCEPCIONAL, HORMEN, REMEDIPLAN (que não foi objeto da NFLD) e MEDICPLAN “L”. Os três primeiros abrangem todos os empregados da empresa. O último (Medicplan “L”) destinase apenas aos empregados das grades salariais classificadas no nível 021 (e além). Todos referemse, no entanto, à assistência médica. De outro lado, constatouse, também, a existência do plano MEDICLIPAN “G”, que se destina a reembolsar os empregados das grades salariais 024 (e acima) com despesas médicas e/ou odontológicas. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 12 12 Verificase que, não obstante a distinção existente entre os planos, não se pode ignorar que a empresa contribuinte preocupase em abranger todos os seus empregados com um suporte assistencial relevante, estabelecendose, além do reembolso a todos os empregados dos gastos com medicamentos, a cobertura por doenças graves bem como a assistência a dependentes excepcionais. Não se pode dizer, assim, no que tange à assistência médica, que a empresa não assista a todos os seus empregados, ainda que tal assistência se dê de forma diferenciada de acordo com a faixa salarial. A justiça desta postura, não nos cabe aqui avaliar. Apliquemos, destarte, ao presente caso concreto, a linha interpretativa até agora exposta, ressaltando as premissas essenciais para o deslinde do caso: a) a assistência médica ou odontológica (ambas, se prestadas pela empresa) devem abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; b) no plano da assistência médica ou no plano da assistência odontológica (em cada seara), admitese a existência de diferenças no que tange aos empregados, desde que todos estejam cobertos. Desta forma, os planos EXCEPCIONAL, HORMEN, MEDICPLAN “L e MEDICLIPAN “G” (este naquilo que se refere ao plano de assistência médica), ainda que importem diferenças entre os empregados, enquadramse na norma prevista no artigo 28, §9°, da Lei n° 8.212/91, não integrando o “saláriodecontribuição”. Por outro lado, no que tange ao plano MEDICPLAN “G”, os valores concernentes aos reembolsos com despesas odontológicas enquadramse no conceito de “saláriodecontribuição”. Isto porque a assistência odontológica, na espécie, não abrange a totalidade dos empregados da empresa, mas apenas aqueles das grades salariais de nível 024 e acima. Ressaltese que se houvesse cobertura odontológica sobre todos os empregados da empresa, ainda que de forma diferenciada, o artigo 28, §9°, da Lei n° 8.212/91 incidiria. Mas não é o caso. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso especial do contribuinte, para cancelar a NFLD, exceto em relação aos valores relativos ao reembolso de despesas odontológicas, conferidas no bojo do plano MEDICPLAN “G”. Sala das Sessões, em 09 de maio de 201209 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 481DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 13 13 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10935.001082/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2007
Ementa:
Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as autuações, há que se manter a exigência tributária.
MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO - CABIMENTO.
É plenamente cabível a revisão de auto-lançamentos através de lançamento de ofício, diante da comprovada e reiterada omissão da Recorrente quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN), sendo que a prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém efetivamente auferido, sem qualquer justificativa plausível, autoriza a aplicação da qualificação agravamento da multa de ofício.
Numero da decisão: 3402-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida DRJ CURITIBA PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2007 Ementa: Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as autuações, há que se manter a exigência tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO CABIMENTO. É plenamente cabível a revisão de autolançamentos através de lançamento de ofício, diante da comprovada e reiterada omissão da Recorrente quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN), sendo que a prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém efetivamente auferido, sem qualquer justificativa plausível, autoriza a aplicação da qualificação agravamento da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 10 82 /2 01 1- 83 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/CTA nº 0635.232 de 18/01/12 constante de fls. 92/100 exarado pela da 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar “procedentes” os lançamentos originais de Contribuições de COFINS (fls. 75/78 MPF nº 0910300/01130/10; COFINS R$5.570,91; juros R$ 1.777,71; Multa 150% R$ 8.356,35) e para o PIS (fls. 71/74 MPF nº 0910300/01130/10; PIS R$ 1.207,02; Juros R$ 385,13; Multa 150% R$ 1.810,52), notificado em 02/03/11 (fls. 73 e 77), que acusaram a ora Recorrente de:”diferença entre receita escriturada e receita declarada” nos períodos de 31/07/07 a 31/12/07 e 31/08/07 a 31/12/07, conforme explicitado no TVF (fls. 69/70) nos seguintes termos: “1. FORMA DE APURAÇÃO O contribuinte optou pela apuração do IRPJ do anocalendário de 2007 pelas regras do Lucro Presumido, conforme Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ do período (fls. 16 a 25), devendo apurar o PIS e COFINS do período pela metodologia da cumulatividade estabelecida pelas Leis n°s 9.715/98 e 9.718/98, em atenção ao disposto nos artigos 8º, inciso II , da Lei n° 10.637/2002, e 10°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. 2. INFRAÇÃO 2.1. DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E RECEITA DECLARADA No decorrer do procedimento fiscal apurouse divergência entre a receita escriturada (livro razão fls. 11 a 14) e a receita declarada por meio dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON respectivos (fls. 27 a 51) nos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2007, procedimento este que acarretou o cálculo incorreto dos montantes devidos do PIS e COFINS em alguns períodos de apuração (mensal), conforme demonstrado em planilha anexa (fl. 68). Desta forma, a diferença no montante das referidas contribuições sociais será objeto de constituição de ofício por meio de Autos de Infração específicos, acrescida de juros de mora e multa legal, sendo que os valores declarados pelo contribuinte por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF serão devidamente compensados nos Autos de Infração. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 3 3 A Contribuição para o Programa de Integração Social e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social serão apuradas pelas regras estabelecidas pelas Leis n° 9.715/98 e 9.718/98, mediante a aplicação da alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), respectivamente, sobre a receita bruta apurada, conforme planilha (fl. 68). Resumo das diferenças apuradas é apresentado no quadro a seguir: Período PIS COFINS Agosto 112,61 519,74 Setembro 146,39 684,86 Outubro 260,25 1.191,87 Novembro 339,27 1.565,84 Dezembro 348,54 1.608,63 3. MULTA E JUROS APLICÁVEIS Será aplicada a multa de ofício de 150 % (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores que deixaram de ser recolhidos/declarados apurados em relação à infração indicada no item 2.I., em conformidade com o disposto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, haja vista o evidente intuito de fraudar a fazenda pública, consubstanciado na declaração incorreta da receita auferida nos meses de agosto a dezembro de 2007 e o conseqüente cálculo incorreto dos montantes devidos a título de PIS e COFINS. Sobre o valor dos débitos apurados será aplicado percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, em conformidade com o disposto no art. 63, § 3º, da Lei n° 9.430/96, a título de juros de mora.” Reconhecendo expressamente que as impugnações oportunamente apresentadas atendiam aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 92/100 da 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR, houve por bem julgar “procedentes” os lançamentos originais de Contribuições de COFINS e de PIS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2007 A 31/12/2007 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de provar as alegações contidas na impugnação apresentada. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE . Indeferese o pedido de diligência cuja realização revela ser prescindível para o deslinde DA questão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período DE apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007 RECEITA DE VENDAS. PROVA. LIVRO RAZÃO. LANÇAMENTO. O lançamento de ofício é cabível quando restar comprovado através do Livro Razão que a empresa auferiu receita de vendas e que não realizou a confissão ou pagamento da contribuição devida. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO A prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém do efetivamente auferido, registrado nos assentamentos fiscais, reduzindo a obrigação tributária principal realmente devida, constitui fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007 RECEITA DE VENDAS. PROVA. LIVRO RAZÃO. LANÇAMENTO. O lançamento de ofício é cabível quando restar comprovado através Livro Razão que a empresa auferiu receita de vendas e que não realizou confissão ou pagamento da contribuição devida. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO A prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém efetivamente auferido, registrado nos assentamentos fiscais, reduzindo obrigação tributária principal realmente devida, constitui fato evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão e dos lançamentos por ela mantidos, tendo em vista: a) Contribuinte não praticou ilícito tributário algum, porquanto as alegações efetuadas pelo Sr. AuditorFiscal não tem qualquer embasamento fático, já que se escoram em suposições deduzidas de informações inverídicas; b) a nulidade dos lançamentos por violação ao art. 37 da CF/88 eis que não poderiam exigir tributos e penalidades sem que o contribuinte tenha incidido no fato jurídico tributário justificador de sua emissão; c) a necessidade de conversão em diligência para comprovação da principal tese da defesa de que em momento algum deixou de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 4 5 cumprir obrigação fiscal; d) a inconstitucionalidade da multa por ofensa ao princípio da não confiscatoriedade previsto no art. 150, inc. IV da CF/88. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, mas não merece provimento. Preliminarmente rejeito a preliminar de nulidade dos lançamentos que se confunde com o mérito e cujas objeções da Recorrente foram repelidas com vantagem pela r. decisão recorrida, cujos fundamentos por amor à brevidade, adoto como razões de decidir e transcrevo: “Nesse contexto, uma vez que os autos de infração não foram lavrados por pessoa incompetente, mas por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, afastase a arguição de nulidade dos autos de infração contestados. Do Mérito A autoridade tributária em procedimento fiscal realizado junto a interessada apurou que parte das receitas tributáveis (bases de cálculo das contribuições) escrituradas no Livro Razão, dos períodos de 06/2007 a 12/2007, não foram informadas nos respectivos Dacon e que os débitos das contribuições (PIS e Cofins) a elas relativos não foram confessados (em DCTF) e nem tampouco recolhidos. A interessada diz que não deixou de pagar o imposto na forma prevista na legislação. Sustenta que o auditor fiscal falhou ao não apresentar a documentação comprobatória das operações consignadas, e ao utilizar as "técnicas presuntivas" para fundamentar o lançamento, Argumenta ser impossível produzir provas de atos que não cometeu e que no presente caso o ônus de provar a infração é do fisco. Defende a necessidade da conversão do feito em diligência para provar que não deixou de pagar as contribuições. E pugna para que seja garantido o direito a apresentação dos documentos, a fim de manter incólume o direito ao contraditório e a ampla defesa, e para que seja obedecido o princípio da verdade material. Notese, primeiramente, que o regime de apuração das contribuições (PIS e Cofins) da contribuinte no anocalendário de 2007 é o cumulativo, tendo em vista a opção da pessoa jurídica pelo regime de tributação do Lucro Presumido (conforme DIPJ do exercício 2008), devendo ser aplicada a Lei n° 9.718 de 27 de novembro de 1998, em atenção ao disposto nos Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 artigos 8º, inciso II, da Lei n° 10.637/2002, e 10°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Por sua vez, os artigos 2° e 3º da citada Lei 9.718/98 prevêem: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória n°215835, de 2001) Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória n" 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei n° 11.941, de 2009) Em face da legislação acima transcrita verificase que no ano de 2007 a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) era determinada pela receita bruta da pessoa jurídica. As exigências tributárias do processo, conforme se verifica pelo leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 70/71) e do demonstrativo denominado "Apuração da Diferença de PIS e Cofins 2° Semestre de 2007" (fl. 69), tiveram por base a receita registrada na escrituração contábil (livro razão) da própria empresa. Em referido demonstrativo a coluna "Receita Tributável" resume exatamente os valores de receita (de Vendas e Serviços) registrados no Livro Razão da contribuinte (fls. 09/15). Destacase que a apuração das contribuições foi realizada descontandose os valores declarados em DCTF ou pagos (colunas PIS e Cofins declarado). A afirmação da impetrante de que as omissões de receitas foram apuradas em meras presunções é, portanto, totalmente descabida, pois como se constata as bases de cálculo das contribuições foram extraídas diretamente da escrituração contábil da empresa. Destaquese ainda que em nenhum momento a interessada alegou a ocorrência de erros ou equívocos nos seus registros contábeis, ou mesmo contestou a validade ou veracidade da escrituração contábil, podendose deduzir disso que o recebimento de receitas (de bens e serviços) registrada na contabilidade corresponde exatamente a realidade fática. Em reforço a constatação acima é de se registrar que o somatório da receita tributável (bens e serviços) do 2° semestre de 2007 apurado pela fiscalização (demonstrativo acima citado à fl. 69), no valor de R$jl$ 252.789,12 corresponde exatamente ao valor do somatório de receita bruta do 3º e 4º trimestre de 2007 (R$ 105.886,06 + R$ 146.903,06 = R$ 252.789,12) informado na DIPJ do Exercício de 2008 (fls. 19), e que quanto a veracidade da receita bruta informada nesse demonstrativo a interessada também nada argumentou. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 5 7 Nesse sentido, até prova em contrário, os registros contábeis, que fazem prova a favor e contra a própria interessada, são considerados documentos mais do que suficientes para comprovar o recebimento das receitas. Quanto ao ônus da prova, tendo em vista a existência dos registros contábeis que depõem contra a contribuinte, ressaltase que mesmo no presente caso, cabe a contribuinte, pois a legislação pátria adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito, conforme se depreende do transcrito do artigo 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Este entendimento é corroborado pelo disposto nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, abaixo transcritos, pois a interessada, a fim de comprovar o seu direito, deveria obrigatoriamente instruir sua impugnação com documentos que respaldassem suas afirmações. "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) §4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Conforme se verifica na ementa do Acórdão 10807508, proferido pelo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, transcrita a seguir, as Instâncias Administrativas de julgamento também compartilham do citado entendimento. "PAF ÔNUS DA PROVA cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá los, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. " Quanto à possibilidade de apresentação de documentos é de se ressaltar que foi concedido à impugnante o prazo legal de 30 dias para apresentação da impugnação administrativa (art. 15 do Decreto n° 70.235/1972), mantendose incólumes o direito ao contraditório e a ampla defesa, e que a apresentação de provas (conforme § 4º do art. 16 do mesmo decreto) deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. No que diz respeito à solicitação de revisão dos valores utilizados para fins de correção monetária e juros registrese: que não foram aplicados sobre os valores dos débitos lançados de ofício quaisquer valores de correção monetária, tãosomente multa de ofício (tratada em item a seguir) e juros de mora (taxa Selic); e quanto à aplicação dos juros de mora (equivalente à taxa Selic) que não existe nenhuma correção a ser realizada, visto que aplicação dos mesmos foram realizados em total conformidade com a legislação. Diligência Suscitada A impugnante solicita que o processo seja baixado em diligência a fim de comprovar que não houve a ausência de recolhimento dos tributos lançados. O Decreto n° 70.235, de 1972 (que dispõe sobre o processo administrativo fiscal), em seu art. 18 (com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993), prevê que os pedidos de diligências, solicitados pela impugnante, podem ser indeferidos pela autoridade julgadora de primeira instância quando forem considerados prescindíveis. No presente caso, como foi visto no tópico anterior, a comprovação das omissões de receita pode ser realizada diretamente pela análise da escrituração contábil em comparação com os DACON e com as DCTF entregues pela contribuinte. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 6 9 Constatase, desta forma, que a diligência solicitada é totalmente prescindível para o deslinde da questão, devendo, o pedido realizado ser indeferido. Da Multa Qualificada Protesta a impugnante contra a aplicação da multa de ofício de 150%, alegando a inconstitucionalidade da mesma por afronta ao principio do não confisco. A multa qualificada encontravase inicialmente regulada pelo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, cuja redação original assim dispunha: "Art.44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. " (Grifouse) Posteriormente, com a edição da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, foi alterada a redação desse art. 44: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) ". Vejase que o percentual de 150% é aplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, ou seja, o intuito de fraude foi aí aludido em seu sentido amplo, devendo para sua Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 aplicação serem observadas as definições dos indigitados dispositivos, in verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. " Assim, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência dos precitados tipos penais (arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964). No presente caso constatase que a contribuinte tinha plena consciência das receitas tributáveis registradas em seus próprios livros fiscais, e, reiteradamente, prestou ao fisco informações inverídicas nos DACON, com o escopo de eximirse parcialmente do pagamento do valor real devido, visando à redução dos valores das bases de cálculo das contribuições. O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta continuada e sistemática por parte da contribuinte, consistente em informar valores de receita de vendas de bens e serviços (base de cálculo das contribuições) nos DACON que não espelham a sua escrituração contábil, além de apurar as contribuições sempre em valores inferiores, tomando como base de cálculo somente parte das receitas registradas na contabilidade. Agindo dessa forma, a contribuinte declarou (em DCTF) e efetuou recolhimento parcial das contribuições somente para os meses de setembro e outubro. Em conclusão, pelo artifício de informar valores de receita menores que os constantes da escrituração contábil, pretendendo impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante das contribuições devidas, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, concluise presente o pressuposto da multa de ofício Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 7 11 qualificada, a qual foi exigida nos exatos termos da previsão legal.” No caso é plenamente cabível a revisão de autolançamentos através de lançamento de ofício, diante da comprovada e reiterada omissão da Recorrente quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (cf. arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN) Por outro lado, a par de não se poder discutir inconstitucionalidade de lei em sede administrativa, a prática reiterada de evasão tributária, sem qualquer justificativa plausível, evidencia a intenção da contribuinte de lesar o fisco, autorizando a aplicação do agravamento da multa, tal como já proclamado pela Jurisprudência Administrativa, e se pode ver das seguintes ementas:: “CSLL. MULTA MAJORADA. REDUÇÕES SISTEMÁTICA E REITERADA DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS. ENTE ACESSÓRIO. EXIGÊNCIA PERTINENTE. Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. MULTA MAJORADA. FRAUDE. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRATICA REITERADA CONDENÁVEL. PROCEDÊNCIA. O acervo probante do ato tributário ilícito, no mais das vezes exige, para a sua validade e sustentação, a busca de elementos outros que estão à margem do rotineiro material colocado à disposição do Fisco para o seu conhecimento, análise, convicção e conclusão. Se a par do exposto, adotase uma prática reiterada de se ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios, tipificado está o intuído de fraude.” (Ac. 10707658) “PRATICA REITERADA — O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular o imposto de renda e informálo nas Declarações de Rendimentos e nas DCTF, tomando por base para apuração do tributo um percentual quase fixo (entre 7% e 10%) das receitas efetivamente auferidas e escrituradas em livros fiscais.” (Ac. 10707.084) Assim, não vislumbro as objeções levantadas pela Recorrente que justificassem a reforma da r. decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerando que na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as autuações. Isto posto, meu voto é no sentido de preliminarmente, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Voluntário para manter a r. decisão recorrida. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 É como voto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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