Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 18186.000179/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. Nessa linha é a Súmula CARF nº 1.
LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em nulidade por violação ao direito de defesa.
ALEGAÇÃO GENÉRICA. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL
A alegação genérica e sem qualquer demonstração não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4.
Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2402-006.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do lançamento, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o lançamento seja retificado na forma do discriminativo de fl. 384, assim como os consectários legais delas decorrentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. Nessa linha é a Súmula CARF nº 1. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em nulidade por violação ao direito de defesa. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL A alegação genérica e sem qualquer demonstração não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4. Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18186.000179/2007-14
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918529
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.429
nome_arquivo_s : Decisao_18186000179200714.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 18186000179200714_5918529.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do lançamento, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o lançamento seja retificado na forma do discriminativo de fl. 384, assim como os consectários legais delas decorrentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7473789
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873369722880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 700 1 699 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.000179/200714 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.429 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL Recorrente ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. Nessa linha é a Súmula CARF nº 1. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em nulidade por violação ao direito de defesa. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL A alegação genérica e sem qualquer demonstração não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4. Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 79 /2 00 7- 14 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 701 2 Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do lançamento, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o lançamento seja retificado na forma do discriminativo de fl. 384, assim como os consectários legais delas decorrentes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução de fls. 366/371, deste Conselho: Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.580.4530, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado, para a exigência de diferenças de contribuições patronais para a Seguridade Social e para Outras Entidades e Fundos. Afirma o fisco que os fatos geradores são diferenças de remunerações pagas a segurados empregados, apuradas mediante a análise de folhas de pagamento, recibos de férias, rescisões de contrato de trabalho. Foi juntada planilha discriminando as bases de cálculo e as contribuições lançadas. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 702 3 A empresa ofertou impugnação, alegando, em apertada síntese, que: a) a Administração tem o dever de promover a anulação dos seus atos que tenham sido exarados em descompasso com o ordenamento jurídico, neste compasso, merece nulificação ou reforma a presente ação fiscal, posto que não contém os requisitos de exatidão, certeza e liquidez; b) não deve prevalecer a aferição de valores inexigíveis, posto que calcados em métodos unilaterais utilizados pelo fisco, os quais constam em ordens de serviço e instruções normativas que não encontram respaldo na lei; c) quando se observa tutelas judiciais já obtidas pelo sujeito passivo, fica claro que caem por terra os levantamentos edificados pela Fiscalização; d) a aferição da base de cálculo provoca o seu alargamento numa proporção que onera sobremaneira o contribuinte, tornando o crédito aleatório e inexigível; e) o lançamento não resiste a uma apreciação sob o ângulo dos princípios da legalidade, da verdade material, da investigação e da oficialidade; f) a própria cúpula da Administração Tributária foi alertada sobre as dificuldades que as empresas filiadas a Federação de Serviços estavam tendo para cumprir a obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, considerando os provimentos judiciais obtidos; g) é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários; h) não podem ser cobradas das empresas prestadoras de serviços as contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE; i) a multa aplicada possui caráter de confisco. O processo foi baixado em diligência, fls. 187/189, para que a Auditoria se pronunciasse sobre as alegações e documentos surgidos com a defesa. Em resposta, fls. 206/207, o fisco afirmou que foram apresentados pela empresa os contratos de prestação de serviço, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento e as respectivas GFIP, além dos demais documentos solicitados. Afirmou o Auditor responsável pelo cumprimento da diligência que o lançamento mereceria reparos, inclusive sugerindo a realização de nova apuração fiscal. Nova diligência foi determinada, fls. 210/212, para que, a luz da documentação exibida, fosse verificada a necessidade de retificação dos valores apurados ou emissão de lançamento complementar. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 703 4 Ao ser intimada a novamente apresentar a documentação, a empresa atravessou petição, na qual pede o reconhecimento da decadência para a integralidade do lançamento. Não logrando examinar a documentação, o fisco encerrou a diligência, fl. 236, tendo logo em seguida a empresa mais uma vez se manifestado pela inexigibilidade de documentos cujos fatos geradores foram alcançados pela decadência. Mais uma vez o processo foi baixado em diligência e, como a empresa insistiu em não apresentar os documentos, ver fls. 248/251, foi lavrado Auto de Infração pela não exibição dos documentos. Sobre esses fatos a empresa não mais se manifestou. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito. Naquele decisum, fls. 259/280, o crédito, apurado com base em documentos comprobatórios do pagamento de remuneração, foi considerado procedente, posto que a empresa não teria conseguido se contrapor satisfatoriamente às mesmas, além de haver se recusado a apresentar a documentação, quando da realização das diligências. Os inconformismos da contribuinte quanto às contribuições para os terceiros, os juros e a multa foram afastados pela DRJ. Inconformada a empresa apresentou recurso, fls. 279/319, no qual, argumenta que: a) o lançamento é nulo por cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que da forma como foi demonstrada a apuração, o sujeito passivo não tem como verificar a origem das diferenças supostamente existentes; b) o fato narrado pelo fisco não se amolda a hipótese de incidência tributária, nesse sentido o lançamento está eivado de nulidade; c) a autuação foi edificada com base em presunção do fato gerador, o que não é admitido no direito pátrio; d) o princípio da verdade material não foi respeitado, posto que não se perquiriu a exaustão se efetivamente o fato gerador se configurou; e) a própria Administração Tributária reconheceu que as bases de cálculo constantes da notificação estão incorretas; f) na apuração foram incluídas parcelas não integrantes do saláriodecontribuição; g) as quantias recolhidas suplantam os valores devidos, fato que deve ter se repetido para as demais competências; Fl. 703DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 704 5 h) a jurisprudência tem entendido que somente é cabível o arbitramento em situações de extrema gravidade, quando o fisco se veja totalmente impossibilitado de verificar a ocorrência dos fatos geradores ou quantificar a base de cálculo; i) não sendo devidas as contribuições para a Seguridade Social, também são improcedentes aquelas devidas ao terceiros e a multa aplicada; j) a taxa SELIC não pode ser utilizada para fins tributários; k) as lavraturas que guardam conexão com a presente NFLD devem ser afastadas pelas mesmas razões. Ao final, requer a declaração de nulidade ou improcedência da notificação e dos lançamentos e a exclusão dos juros SELIC. Em sessão de julgamento realizada em 20 de junho de 2012, este Conselho resolveu converter o julgamento em diligência, para que o fisco apresentasse um discriminativo de apropriação de todas as guias recolhidas em nome do sujeito passivo. É que, no entender do colegiado: não há em nenhum dos discriminativos apresentados pelo fisco uma demonstração de como as guias de pagamento recolhidas pela empresa foram apropriadas. Ocorre que os dois relatórios que poderiam apresentar os recolhimentos efetuados e a apropriação dos valores recolhidos, o RDA – Relatório de Documentos Apresentados e o RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, não foram acostados pelo fisco. Em cumprimento à citada Resolução, foi elaborada a informação fiscal de fls. 381/383, na qual a autoridade administrativa esclareceu o seguinte: V Após análise do conta corrente e dos relatórios, verificase que constam recolhimentos que não foram considerados no levantamento do débito em 23/06/2003 e estão identificados na planilha, na "coluna obs1", como "não apropriada". Diante disso foi elaborado um discriminativo De PARA, em anexo, considerando as GPS não apropriadas anteriormente, retificando as competências 02/1999, 11/1999, 09/2000 e 01/2002 a 10/2002. Intimada, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 489/520, na qual: 1. contestou as afirmações da autoridade lançadora; 2. mencionou que o escopo da diligência fiscal era apenas no sentido de que o fisco discriminasse as apropriações efetuadas, não havendo espaço para que fossem efetuadas alocações de recolhimentos; 3. afirmou ainda que a alocação de valores para o presente débito lança efeitos sobre a NFLD n.º 35.380.4522. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 705 6 4. acusou a existência de contradições entre os recolhimentos identificados no anexo ao relatório fiscal e aqueles apresentados nas informações prestadas em sede de diligência; 5. fez demonstrativos do alegado; 6. asseverou que o desencontro dos números que compõem a apuração fiscal, caracterizado pela incompleta apropriação de recolhimentos, conduz inexoravelmente à nulidade da NFLD; 7. argumentou que outra contradição gritante seria a menção no relatório fiscal de que a utilização da aferição indireta teria decorrido da falta de apresentação de folhas de pagamentos, ao passo que na informação fiscal prestada na diligência realizada em 13/04/2007 o fisco teria afirmado que foram apresentadas todas as folhas de pagamento; 8. deduziu que, se teriam sido entregues todos os documentos, o arbitramentos das contribuições seria ilegítimo; 9. por outro lado, advogou que, se as folhas foram mostradas, o fisco teria que excluir do lançamento todas as rubricas constantes do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. 10. suscitou que o próprio procedimento fiscal teria demonstrado que as folhas de pagamento teriam sido apresentadas, visto que haveria outras notificações fiscais específicas para exigência de contribuições sobre determinadas rubricas (alimentação, assistência médica, vale transporte) que somente poderiam ser identificadas pela análise das folhas de pagamento. 11. concluiu que sendo improcedente a aferição indireta seriam nulas as NFLD construídas mediante verificação da folha de pagamento; 12. argumentou que o fisco em nenhum momento teria indicado qual o critério de apropriação dos recolhimentos nas diversas NFLD, notandose casos em que, se a distribuição dos valores nos débitos fosse efetuada de outra forma, levaria a inexistência de diferenças a recolher em determinadas competências. Considerando que o processo n° 19515.720104/201476 (substitutivo da NFLD n° 35.580.4522) encontravase no CARF, aguardando distribuição, foi requerida a sua distribuição ao então relator deste PAF 18186.000179/200714, por conexão, conexão esta deferida pelo então Presidente desta Seção, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Já na sessão de julgamento realizada em 20 de janeiro de 2017, este Conselho novamente converteu o julgamento em diligência, para que a fiscalização elaborasse nova planilha para todas as competências lançadas, diante da existência de discrepância verificada na competência 01/99. Assim se manifestou o relator originário do recurso voluntário naquela ocasião: Fl. 705DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 706 7 A unidade de origem prestou novas informações, na qual asseverou inexistirem equívocos e inconsistências que afetassem as informações anteriormente prestadas. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação em 68 folhas (v. fls. 557/626), na qual reafirmou a nulidade da autuação e demonstrou, competência por competência, as falhas que maculariam os demonstrativos. Diante da extinção do mandato do então Conselheiro relator, os autos foram distribuídos a este Conselheiro. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator. 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, mas não deve ser totalmente conhecido. É que o sujeito passivo inovou ao afirmar que não seriam tributáveis as seguintes verbas: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 707 8 A impugnação/defesa de fls. 67/86, que instarou o contencioso neste âmbito administrativo, contém apenas afirmações genéricas acerca da nulidade do lançamento, bem como considerações mais específicas sobre a ilegalidade da Selic e da violação ao art. 192 da Constituição Federal. Em nenhum momento, foi defendida a não tributação dos valores acima referidos, o que torna tal matéria insuscetível de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ......................................................................................................... Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ......................................................................................................... Art. 16. A impugnação mencionará: [...] ......................................................................................................... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ......................................................................................................... Destacase, ademais, que a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Com apoio na doutrina da professora Maria Rita Ferragut, também cabe dizer que "as normas de preclusão são indispensáveis ao devido processo legal e, de modo algum, relevamse incompatíveis com o direito de ampla defesa"1 Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. Também não deve ser conhecida a tese de inexigibilidade das contribuições destinadas ao SESC, SENAC e SEBRAE. 1 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 61. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 708 9 Na impugnação, a própria contribuinte alegou estar filiada à Federação de Serviços do Estado de São Paulo FESESP e ao Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado de São Paulo Sindicon, que teriam discutido, respectivamente, a legalidade das contribuições destinadas ao SESC/SENAC e ao SEBRAE. Tomese, como exemplo, os documentos de fls. 103, 109 e 173, que dão conta da existência das citadas ações. Vejase, ademais, que à fl. 74, o sujeito passivo asseverou que os lançamentos estariam eivados de vícios e que afrontariam as liminares acostadas. A submissão da matéria ao órgão do Judiciário impede a sua apreciação pelo órgão judicante administrativo, pois, em qualquer hipótese, haveria de prevalecer o que fosse decidido judicialmente. O inc. XXXV do art. 5º da Constituição Federal preleciona que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", de forma que o órgão do Judiciário tem a última palavra na solução de conflitos. Singrando esse entendimento, este egrégio Conselho editou a Súmula CARF nº 1, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial, pelo sujeito passivo, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vejase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como sabido, este Conselho está obrigado a seguir a orientação traçada em súmulas, ex vi do art. 72 do seu Regimento Interno. Destarte, o recurso também não deve ser conhecido neste ponto. 2 Esclarecimentos iniciais Exceto no tocante aos juros moratórios e às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, a impugnação está centrada em afirmações que dizem respeito à nulidade do lançamento. Nesse contexto, a impugnação tratou dos princípios da legalidade, da verdade material, da investigação e da oficialidade, para aí sim concluir que haveria "graves erros de difícil reparação imputados no DEBCAD, seja ele de forma, por ausência dos elementos essenciais à sua validade, seja por falta de previsão legal, ou do afrontamento à lei". Vejase o contido à fl. 86, que é justamente a conclusão e o pedido da defesa: Fl. 708DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 709 10 O recurso voluntário, por outro lado, igualmente tratou das nulidades que entendeu ter havido no lançamento (vide itens IV.1 a IV.3). Tais questões foram reafirmadas pelo sujeito passivo no mérito, caso não fossem acolhidas como preliminares. É o que demonstra a seguinte passagem do recurso voluntário, logo no início do tópico abaixo: Em nenhum momento, o apelo da contribuinte tratou dos inúmeros e infindáveis erros de apropriação de recolhimentos tratados ao longo da extensão manifestação de fls. 557/626. Muito pelo contrário, o sujeito passivo tratou de dois casos "apenas a título de exemplo", como demonstra o seguinte parágrafo do recurso: Individualizadamente falando, essa questão somente veio à tona com a resolução de fls. 366/371, mais precisamente diante da seguinte constatação: Verifico que na defesa não houve contestação direta aos valores lançados. [...] No recurso, todavia, a empresa exemplifica duas competências em que teria havido erro na apuração, afirmando que as quantias recolhidas não foram integralmente apropriadas pelo fisco. Regra geral, essa turma tem se manifestado contrariamente ao conhecimento, na fase recursal, de alegações que não tenham sido apresentadas no momento propício, ou seja, no prazo de Fl. 709DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 710 11 impugnação. Porém, nesse caso concreto, vou preferir fazer uma análise do procedimento de apuração, dando inclusive enfoque especial às competências tomadas pela recorrente para demonstrar o desacerto do fisco na sua tarefa de quantificar o lançamento. No Discriminativo Analítico do Débito – DAD, fls. 04/15, não foram apresentadas as bases de cálculo, mas apenas as diferenças de contribuição encontradas. A memória de cálculo dos valores lançados foi melhor detalhada na planilha de fls. 37/62. No discriminativo, constam os diversos tomadores de serviço da recorrente, as remunerações correspondentes aos serviços prestados e as contribuições apuradas. Noto, todavia, que não há em nenhum dos discriminativos apresentados pelo fisco uma demonstração de como as guias de pagamento recolhidas pela empresa foram apropriadas. Ocorre que os dois relatórios que poderiam apresentar os recolhimentos efetuados e a apropriação dos valores recolhidos, o RDA – Relatório de Documentos Apresentados e o RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, não foram acostados pelo fisco. Assim, não são de um todo sem razão as alegações da empresa. Aí sim, e diante da própria manifestação da autoridade fazendária, que expressamente reconheceu a existência de equívocos (p. ex. à fl. 383 e na planilha de fl. 384), houve claros esforços do contribuinte, do CARF e da própria autoridade fiscal acerca dessas circunstâncias. Feitos esses esclarecimentos, os quais são de suma importância, passase ao julgamento do feito. 3 Da nulidade do lançamento Como afirmado, o sujeito passivo, desde a impugnação, vem defendendo que o lançamento seria nulo, pelas variadas razões expostas na defesa e reafirmadas em seu recurso voluntário. Realmente, e no entender deste relator, o lançamento é ilegal e deve ser cancelado. Muito tempo depois de efetuado o lançamento (a notificação foi lavrada em 2003), a autoridade fiscal, antes ainda do julgamento pela DRJ, expressamente asseverou que " acredita ser necessária uma ação fiscal na empresa para possível retificação desta apuração de crédito". Esta afirmação foi feita em sede de diligência (fls. 210/211) determinada no âmbito do Ministério da Previdência Social (fls. 190/192), onde o processo tramitou originariamente. Apenas a título de registro, nessa mesma ocasião a autoridade asseverou que teriam sido apresentados os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento, as GFIPs mês a mês e demais documentos solicitados, conforme TIAD em anexo. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 711 12 Já quando os autos foram transferidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil por força da Lei 11457/07, foi efetuado um novo relatório de diligência fiscal, que novamente tratou dessa questão à fl. 215, último parágrafo (vide abaixo). Na mesma oportunidade, foi determinado que a fiscalização verificasse e justificasse os valores reais lançados, lavrasse eventual NFLD complementar, apresentasse planilha retificadora e reabrisse prazo para nova defesa. Em cumprimento a tal determinação, apenas em fevereiro de 2009 foi lavrado o "TERMO DE INÍCIO DE DILIGÊNCIA" de fls. 236/237, no qual foram solicitadas as cópias dos documentos ali enumerados, a fim de retificar a apuração. Àquela altura, e como se vê na petição de fls. 238/239, a contribuinte se arvorara na decadência do direito de o fisco proceder a novo lançamento, tendo em vista o transcurso de prazo superior a cinco anos, razão pela qual não apresentara os documentos. Mais adiante no tempo, e em sede de diligência fiscal determinada por este Conselho, a unidade de origem reconheceu a existência de recolhimentos que não teriam sido considerados no levantamento do débito em 2003 e propôs a retificação de parte das competências (v. fls. 381/383). Ocorre que é nítida a existência de prejuízos ao direito de defesa do contribuinte, os quais vêm ocorrendo desde o lançamento e vêm persistindo ao longo do contencioso administrativo fiscal. No Discriminativo Analítico do Débito DAD, não foram apresentadas as bases de cálculo, mas apenas as diferenças de contribuições lançadas. Em nenhum dos discriminativos apresentados pelo fisco, há demonstração de como teriam sido apropriados os recolhimentos e/ou as guias apresentadas pelo sujeito passivo, e o lançamento sequer está instruído com o RDA – Relatório de Documentos Apresentados e/ou com o RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados. Depois de impugnado o lançamento, a própria autoridade fiscal do Ministério da Previdência, antes mesmo da prolatação da decisão de primeira instância, textualmente afirmou que, no seu entender, seria necessária uma ação fiscal na empresa para possível retificação do crédito. Essa afirmação foi reiterada na Secretaria da Receita Federal do Brasil e inclusive foi destacada a eventual necessidade de reabertura de prazo para defesa. Todavia, transcorreram quase dois anos desde a constatação no Ministério da Previdência para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem sucesso, tentasse empreender nova ação fiscal. A despeito da falta de transparência do lançamento (falta de demonstrativos, inexistência de apropriação de valores já recolhidos, etc), ele não foi refeito e os autos já estão Fl. 711DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 712 13 na fase recursal, sem que o contribuinte, administrado, tenha certeza ou esteja seguro dos valores lançados e dos montantes dos recolhimentos apropriados. A respeito da apropriação dos valores recolhidos, vejase que a autoridade fiscal, em sede de segunda diligência realizada após a segunda resolução editada por este Conselho, sem maiores explicações e sem maiores critérios, apropriou parte dos valores recolhidos em outra NFLD a NFLD conexa 35.580.4522 (vide abaixo). Dizse sem maiores explicações porque a autoridade somente esclareceu que parte dos valores foram apropriados no outro lançamento depois de apresentada a manifestação pela contribuinte e depois de editada a segunda Resolução pelo CARF: Como se pode ver, os erros de apropriação foram constatados pela própria autoridade lançadora ainda no Ministério da Previdência, mas persistiram e persistem até a presente fase recursal, em claro prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, ao princípio da celeridade processual e ao próprio CARF, que teve que converter o julgamento em diligência em duas sessões de julgamento, a fim de tentar clarear a questão submetida à sua apreciação. Ocorre que é inviável alterarse o lançamento em sede de julgamento. Isto é, o órgão julgador não tem competência para corrigir o ato de constituição do crédito tributário, mas apenas para confirmar, modificar, anular ou revogar a decisão recorrida, a qual, no caso, julgou a impugnação improcedente. Seria diferente se fosse realmente possível identificar os valores que não poderiam compor a base de cálculo do lançamento ou todos os recolhimentos que deveriam ser excluídos da autuação, o que, como se viu, não é o caso, uma vez que, mesmo depois de reiteradas diligências, persistem os vícios no ato de constituição do crédito tributário. Essa situação é agravada pelo fato de que os discriminativos em anexo à NFLD estão ilegíveis, como se pode ver no seguinte exemplo: Fl. 712DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 713 14 O ato de lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa, na dicção do art. 142 do CTN, ao passo que, conforme preleciona o art. 64 da Lei 9784/99, que regulamenta o processo administrativo federal, o órgão para decidir o recurso apenas poderá "confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência". No caso in concreto, a complexidade da questão demandaria um novo lançamento, como já reconhecido pelo Ministério da Previdência naquela primeira oportunidade e pela própria SRFB, quando recebeu os autos após a edição da Lei 11457/07. De outro modo, a falta dos demonstrativos de apuração dos recolhimentos previamente efetuados pelo sujeito passivo, a falta de análise e apropriação das guias apresentadas, a inexistência de clara demonstração das bases de cálculo e sobretudo a falta de apropriação dos valores recolhidos são vícios que macularam o lançamento e impediram o exercício adequado do devido processo legal, nos seus consectários do contraditório e da ampla defesa. Tanto é assim que os autos estão na fase recursal, depois de efetuadas duas diligências neste Conselho (sem contar as diligências determinadas pela primeira instância), e ainda não se tem um norte seguro acerca das questões acima pontuadas, as quais estão relacionadas à materialidade e são intrínsecas ao ato de lançamento. Dito de outra forma, as nulidades que acometem o lançamento não são meramente procedimentais, mas lhe dizem respeito a um elemento fundamental: o elemento quantitativo. Logo, e no entender deste relator, o lançamento deve ser cancelado. Adiante, passase a examinar as questões de mérito, caso este relator seja vencido na preliminar. 4 Da apropriação dos valores recolhidos Como já afirmado, o sujeito passivo, em sede de impugnação, não chegou a contestar a falta de apropriação dos valores previamente recolhidos, tendo se limitado a tecer considerações acerca da nulidade do lançamento, bem como sobre a inexigibilidade dos juros moratórios e das contribuintes destinadas a outras entidades ou fundos. Tal circunstância não passou despercebida ao relator originário do recurso voluntário, que assim se manifestou quando da edição da primeira resolução: Verifico que na defesa não houve contestação direta aos valores lançados. Ali o sujeito passivo preferiu centrar suas argumentações na impossibilidade do arbitramento e na ilegalidade da fixação da base tributável num percentual do seu faturamento. Quanto aos números apontados seja em relação às contribuições devidas ou às guias de pagamento apropriadas. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 714 15 No recurso, todavia, a empresa exemplifica duas competências em que teria havido erro na apuração, afirmando que as quantias recolhidas não foram integralmente apropriadas pelo fisco. No recurso voluntário, as inconformidades das duas competências foi tratada, ainda, apenas a título de exemplo, mas não competência por competência. De outro vértice, quando da manifestação acerca da informação fiscal de fls. 381/383, produzida em função daquela primeira resolução, a contribuinte não indicou as divergências, competência por competência, que tratou na extensa manifestação de fls. 559 e seguintes, o que, a rigor, torna esta última manifestação não passível de conhecimento. Já se disse, no transcorrer deste voto, que as normas de preclusão são indispensáveis ao devido processo legal e podese acrescentar que, se fosse dado às partes inovar a todo tempo, o processo jamais chegaria ao seu termo final. Ocorre que a própria fiscalização, após análise do conta corrente e dos relatórios, verificou a existência de recolhimentos não apropriados e propôs a retificação do lançamento nas competências 02/1999, 11/1999, 09/2000 e 01/2002 a 10/2002, conforme discriminativo de fl. 384. A recorrente, por outro lado, não teve êxito em demonstrar o desacerto do relatório da diligência, muito menos através da preclusa manifestação de fls. 559 e seguintes. Diante disso, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, a fim de que as contribuições sejam retificadas na forma do discriminativo de fl. 384, assim como os consectários legais delas decorrentes. 5 Dos juros moratórios A tese da recorrente, relativa aos juros moratórios, é rechaçada pela Súmula CARF nº 4. Desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, negase provimento ao recurso neste ponto. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 715 16 6 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento, a fim de cancelar o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à nulidade do lançamento. Primeiramente, compulsando os autos, notase que, à exceção do despacho de fls. 210 e 211, citado pelo Relator, todos os demais atos praticados no presente processo são bem claros (inteligíveis), estão em ordem cronológica e devidamente motivados. Segundo o relatório fiscal de fls. 36 a 38, os créditos lançados correspondem à diferença entre as contribuições apuradas a partir das Folhas de Pagamento, Recibos de Férias e Rescisões de Contrato de Trabalho e as contribuições recolhidas pela empresa. Ademais, conforme se depreende dos autos, o relatório fiscal e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; o valor do crédito lançado e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; a assinatura das AuditorasFiscais, a indicação dos seus cargos e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Em sua impugnação, fls. 67 a 86, o contribuinte se limita a rebater o lançamento de forma bastante genérica e abstrata, alegando, basicamente, ilegalidades, inconstitucionalidades e afronta a princípios do direito, além de citar liminares do Poder Judiciário. Diante das alegações ventiladas na impugnação, em especial quanto às liminares, o Contencioso Administrativo do INSS determinou a realização de diligência para que a fiscalização carreasse aos autos documentos da citada ação judicial, tais como, petição inicial, decisões e acórdão proferidos, bem como a comprovação de que a empresa pertence aos Sindicatos que impetraram as ações. Todavia, a resposta à diligência, consignada no despacho de fls. 210 e 211, estranhamente, parece ter extrapolado o objeto da diligência, a qual visava, apenas, a instrução dos autos com peças e informações da ação judicial. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 716 17 Além de prestar as informações quanto à ação judicial, o auditorfiscal, que realizou a diligência, informou uma suposta divergência entre os recolhimentos considerados pela fiscalização, na planilha de fls. 39 a 64 (numeração digital), e os recolhimentos constantes do conta corrente da empresa, na base de dados da DATAPREV, cujos extratos carreou aos autos (fls. 195 a 197). O auditorfiscal também informa que a empresa teria apresentado “os documentos contábeis, as SEFIPs, bem como os respectivos Livros Diários, para o período de 01/1999 a 01/2003” e que tais documentos apresentariam valores divergentes dos apurados. Por fim, o auditorfiscal conclui dizendo acreditar “ser necessária uma ação fiscal na empresa para possível retificação desta apuração de crédito”. Primeiramente, há que se esclarecer que o mero cotejo entre os extratos do conta corrente da empresa, fls. 195 a 197, com a planilha elaborada pela fiscalização não é suficiente para se afirmar que há divergência de valores, pois, como se pode observar nos extratos, os valores mostrados totalizam vários documentos de arrecadação, por competência, e em nenhum momento, no despacho de diligência, foi especificado qual ou quais documentos de arrecadação estaria ou estariam relacionados aos serviços prestados pela empresa e informados na planilha. Quanto aos supostos documentos contábeis, SEFIPs e Livros Diário que teriam sido apresentados, o despacho de diligência não demonstra nenhuma divergência entre os valores constantes desses documentos e os valores considerados pela fiscalização, e nem mesmo trouxe aos autos qualquer um desses documentos. Todavia, em que pese a inconsistência das informações prestadas nesse despacho, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), em São Paulo I (SP), agindo com zelo, comandou nova diligência, nos seguintes termos: 10. Converto os autos em diligência, a fim de que a fiscalização: I Verifique e justifique quais são os valores reais a serem lançados, indicando detalhadamente os motivos das divergências verificadas, bem como as contas contábeis utilizadas. Ressaltese que o lançamento está classificado como "declarado em GFIP" e, portanto, é preciso que se identifiquem os possíveis erros verificados nas GFIP entregues, procedendo às autuações cabíveis. II Caso os valores pagos sejam superiores aos levantados no presente processo (verificados para cada competência), lavrar NFLD complementar em relação à diferença encontrada; III Apresentar planilha "De/Para", discriminada para cada competência, indicando se todos os fatos geradores estão de fato declarados em GFIP; IV — Cientifique a empresa Notificada das cópias dos relatórios de diligência (este e o anterior de fls. 206/207) e do presente despacho, reabrindo prazo para apresentação de nova defesa. Caso o contribuinte não apresente nova defesa, será analisada aquela já existente no processo. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 717 18 11. Após a expiração do prazo concedido, com ou sem a manifestação do contribuinte, retornar os autos a esta Delegacia de Julgamento, 13a Turma. 12. Assim, encaminhese ao SEFIC/DRP/SPS para as providências cabíveis. Pois bem, após ser intimada a apresentar diversos documentos (vide Termo de Início de Diligência de fls. 236 a 237), a empresa não apresentou qualquer documento, limitandose a alegar que tal exigência fiscal não se justificaria, uma vez que os créditos estariam atingidos pela decadência e/ou prescrição. Oras, se os documentos realmente foram apresentados à fiscalização, na diligência anterior, a empresa poderia, ao menos, ter dito isso em sua manifestação, porém, limitouse a alegar questão de direito (decadência/prescrição), nada mais dizendo. Inconformada com a resposta da empresa, a DRJ de São Paulo I (SP), por meio do despacho de fls. 247 a 253, de 16/11/09, solicitou nova diligência, esclarecendo que os créditos não estariam atingidos pela decadência ou prescrição. Porém, em resposta a essa terceira diligência, fls. 260 a 263, a empresa, mais uma vez, não apresentou os documentos solicitados, alegando apenas que “a documentação outrora juntada nesses autos [seria] suficiente para afastar toda e qualquer pretensão de cobrança”, reafirmando, ainda, a tese de que os créditos estariam prescritos ou decadentes. Diante desse quadro, abstraindose a inconclusiva informação fiscal de fls. 210 e 211, é possível se inferir que, à exceção dos documentos examinados inicialmente pela autoridade lançadora, nenhum outro documento foi apresentado pela empresa, até o encerramento da terceira diligência. Desse modo, a informação fiscal de fls. 210 e 211 se revela em total dissonância com o conjunto dos autos, não tendo, dessa forma, o condão de infirmar o lançamento efetuado. Quanto à diligência comandada por este Conselho, segundo se observa na Resolução nº 2401000.228, fls. 366 a 371, apesar da defesa não ter contestado diretamente os valores lançados, o Relator preferiu baixar o processo em diligência para que a fiscalização fizesse uma nova “análise do procedimento de apuração”. E, de fato, após proceder a essa análise, a Delegacia Especial de Fiscalização da Receita Federal do Brasil, em São Paulo (DEFIS/SPO), constatou que alguns valores não tinham sido apropriados quando do lançamento, procedendo, então, à sua retificação para menor, em algumas competências, conforme demonstrado na planilha de fls. 384, tendo sido tal retificação favorável ao contribuinte e devidamente cientificada ao mesmo. Como se vê, à exceção do dissonante despacho de fls. 210 e 211, todos os demais atos praticados no presente processo estão em perfeita harmonia, tendo a empresa sido devidamente cientificada desses atos e sempre com abertura de prazo para manifestação e defesa, em que pese, na maioria das vezes, ter se limitado a alagar questões de direito, as quais se mostraram insuficientes para afastar o lançamento. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao Fl. 717DF CARF MF Processo nº 18186.000179/200714 Acórdão n.º 2402006.429 S2C4T2 Fl. 718 19 contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Portanto, não evidenciamos qualquer nulidade no lançamento fiscal, nem quanto à sua materialidade e nem quanto ao exercício do direito de defesa pelo contribuinte. Conclusão Isso posto, afasto as preliminares e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que o lançamento seja retificado na forma do discriminativo de fl. 384. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 718DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720756/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. ANO DO RECEBIMENTO.
Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.
Numero da decisão: 2402-006.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. ANO DO RECEBIMENTO. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17437.720756/2014-55
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900875
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.501
nome_arquivo_s : Decisao_17437720756201455.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 17437720756201455_5900875.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7419866
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873380208640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 130 1 129 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17437.720756/201455 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.501 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2018 Matéria IRPF Recorrente JOSE MARIA PINHEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. ANO DO RECEBIMENTO. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 07 56 /2 01 4- 55 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 17437.720756/201455 Acórdão n.º 2402006.501 S2C4T2 Fl. 131 2 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição de IRPF no valor principal de R$ 4.441,68, acrescido da multa de ofício em seu patamar mínimo (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação da infração a seguir: 1 Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente Tributação Exclusiva exercício 2011 no valor de R$ 42.911,31. Regulamente intimado da autuação, apresentou Impugnação, que, como já dito, foi julgada improcedente pela competente Delegacia da Receita Federal de Julgamento às fls. 96/99. Irresignado, em seu Recurso Voluntário de fls. 104/107 aduz, em síntese: 1 que o valor da Ação Trabalhista Processo n° 011140010.2002.5.04.0811, foi pago somente em 2012 (conforme cópias do processo em anexo e alvará emitido 29 de novembro de 2012, pela juíza trabalhista Marcele Cruz Lanot Antoniazzi); 2 que ficou sabendo que precisaria apresentar a DIRPF/2011, quando foi à DRF Bagé/RS e teria sido alertado que a empresa CGTEE teria informado à RFB Rendimentos Tributáveis no ano de 2010; É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 05.05.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 13.05.2015, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. A controvérsia dos autos cingese a que se determine se o valor tributado pelo Fisco em 2010 o era realmente deste exercício ou de 2013 (ano calendário 2012). Podese notar de fls, 94, que a DIRF transmitida em 11.11.2014, pela fonte pagadora Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica fez constar rendimentos tributáveis pagos em novembro de 2010, no valor de R$ 302.074,11, a título de "Rendimento decorrente de decisão Justiça do Trabalho" Cód. 5936 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 17437.720756/201455 Acórdão n.º 2402006.501 S2C4T2 Fl. 132 3 A DIRPF/11 original apresentada pelo contribuinte em 22.10.2014, que contava com 73 anos de idade ao final de 2010, informou rendimentos tributáveis sujeitos a ajuste oriundos apenas do INSS. E como RRA, rendimentos supostamente recebidos da CGTEE, no valor de R$ 192.911,25, relativos a ação judicial que discutiria verbas de competência de 47 meses. Por sua vez, o documento de fls 73, abaixo colacionado, é decisivo a evidenciar de forma bastante segura, que a fonte pagadora acabou por induzir o Fisco a erro, quando informou que havia pago ao recorrente o valor de R$ 302.074,11 em novembro de 2010, quando, em verdade, esses dados se relacionam ao depósito por ela efetuado à disposição do juízo na conta 2736.042.015088033. Confirase: Da mesma forma, o contribuinte, ao se ver obrigado a apresentar sua DIRPF/11 em função do equívoco promovido pela fonte pagadora na transmissão da DIRF, até por que a não Fl. 132DF CARF MF Processo nº 17437.720756/201455 Acórdão n.º 2402006.501 S2C4T2 Fl. 133 4 apresentação, nessas circunstâncias, traz conseqüência quanto à regularidade de seu CPF, acabou declarando verba não recebida naquele ano, mas sim em 2012. Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001201/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
DECADÊNCIA. CONTAGEM. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR.
O fato gerador do imposto sobre a renda quanto aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual opera-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º).
Não comprovado o pagamento antecipado, aplica-se a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I).
MULTA DE OFÍCIO.
Nos lançamentos de ofício, quando há falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata, aplicável a multa de 75%.
Numero da decisão: 2401-005.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2002, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. DECADÊNCIA. CONTAGEM. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR. O fato gerador do imposto sobre a renda quanto aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual opera-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º). Não comprovado o pagamento antecipado, aplica-se a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I). MULTA DE OFÍCIO. Nos lançamentos de ofício, quando há falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata, aplicável a multa de 75%.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.001201/2007-61
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911562
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.759
nome_arquivo_s : Decisao_10930001201200761.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10930001201200761_5911562.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2002, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7438110
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873387548672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 237 1 236 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.001201/200761 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.759 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2018 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente SANTO FUIN GIROLDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o anocalendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. DECADÊNCIA. CONTAGEM. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR. O fato gerador do imposto sobre a renda quanto aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual operase em 31 de dezembro de cada ano calendário. Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º). Não comprovado o pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I). MULTA DE OFÍCIO. Nos lançamentos de ofício, quando há falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata, aplicável a multa de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 12 01 /2 00 7- 61 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10930.001201/200761 Acórdão n.º 2401005.759 S2C4T1 Fl. 238 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao anocalendário 2002, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 27.836,83, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 29/38), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, em virtude de omissão de rendimentos tributáveis, deduções indevidas de dependente, com instrução e a título de despesas médicas, e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte decorrente de ação trabalhista. Em impugnação apresentada às fls. 2/24, o contribuinte alega cerceamento do direito de defesa, que a incidência dos valores recebidos na ação trabalhista é mensal, decadência do direito de cobrar os débitos decorrentes da ação trabalhista, quanto às deduções, não consegue mais encontrar os recibos, e inviabilidade da multa de 75%. A DRJ/CTA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0629.200 de fls. 199/208, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. FATO GERADOR PERIÓDICO OU COMPLEXIVO. Como o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física apresentase como periódico ou complexivo de periodicidade anual, o mesmo só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10930.001201/200761 Acórdão n.º 2401005.759 S2C4T1 Fl. 239 3 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. E lícito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas médicas e das despesas com instrução, cabendo o ônus da prova ao contribuinte.Consta do voto do acórdão de impugnação: Cientificado do Acórdão em 29/4/11 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 211), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/5/11, fls. 215/230, que contém, em síntese: Quanto à ação trabalhista, na "Declaração de Ajuste Anual" apresentada pelo contribuinte, que os valores recebidos da ação trabalhista foram separados em suas partes e declarados em duas fichas distintas. Parte dos rendimentos, a quantia de R$ 43.250,00, foi declarada na ficha "rendimentos tributáveis recebidos por pessoas jurídicas pelo titular" e o restante, a quantia de R$ 112.924,80foi declarada na ficha "rendimentos isentos e não tributáveis". Somandose esses dois valores, chegase exatamente à quantia de R$ 156.174,80, quantia esta recebida pelo impugnante no ano de 2002, apurada pela auditora fiscal na autuação, o que evidencia a inexistência de omissão de rendimento nos termos imputados pela Autoridade Administrativa. Alega ter ocorrido a decadência de constituir o crédito tributário, pois a apuração é mensal e não em 31/12, como decidido no acórdão recorrido. Diz que no presente caso, os fatos geradores ocorreram em 21/01/2002, 21/02/2002, 21/03/2002 e 21/04/2002. Assim, nos termos do CTN, art. 150, § 4º, operouse a decadência, pois o crédito tributário foi constituído em 12/7/07. Caso assim não se entenda, explica que operouse a decadência por outro motivo: os créditos em debate referemse a verbas trabalhistas relativas ao período compreendido entre 1990 a 1995. Aduz que foram incluídos na base de cálculo do imposto de renda o imposto de renda retido na fonte e a contribuição social. Alega haver impossibilidade de exigência do imposto de forma acumulada. Questiona a multa de ofício aplicada no percentual de 75%, pois não houve omissão de rendimentos, o IR devido foi recolhido pela empresa por meio do acordo firmado. Requer seja o lançamento anulado, ou, sucessivamente, que a multa seja reduzida ao percentual de 20%. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10930.001201/200761 Acórdão n.º 2401005.759 S2C4T1 Fl. 240 4 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. INTRODUÇÃO Dentre os diversos fatos geradores que determinaram a lavratura do auto de infração, o sujeito passivo recorre apenas da parte relativa ao rendimento recebido acumuladamente devido a ação trabalhista. RENDIMENTO RECEBIDO EM AÇÃO TRABALHISTA Para o rendimento recebido acumuladamente RRA até anocalendário de 2009, devese observar o disposto na Lei 7.713/98, art. 12, na redação vigente à época do fato gerador: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vêse, portanto, que o comando legal vigente à época determinava que o imposto incidiria no mês do recebimento dos valores acumulados, utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos, adotandose como base de cálculo o montante global pago. Contudo, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Tal decisão, afastou o regime de caixa, determinando o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. O Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3/5/16, dispõe que: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, deve ser adotado por este órgão julgador o entendimento exarado pelo STF e para o cálculo do IRPF incidente sobre os RRA, decorrentes de ação Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10930.001201/200761 Acórdão n.º 2401005.759 S2C4T1 Fl. 241 5 judicial, anocalendário 2002, devese considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos. DECADÊNCIA Conforme documentos de fls. 133/134, vêse que os valores devidos questionados na ação trabalhista se referem às competências 07/90 a 05/95. O fato do cálculo do imposto devido, conforme explicado acima, ter que levar em conta o regime de competência, não descaracteriza o data do recebimento dos valores (renda auferida), que, no caso, foi de janeiro a abril de 2002, e, consequentemente, o momento da ocorrência dos fatos geradores. O Recorrente alega que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco lançar o IRPF relativo a parte do anocalendário de 2002, uma vez que ele somente teve ciência do Auto de Infração em 12/7/07. Conforme suficientemente esclarecido no acórdão recorrido, como o fato gerador do IRPF, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, não resta dúvida que ele é complexivo, aperfeiçoandose somente no dia 31/12 de cada anocalendário. Dessa forma, mesmo pela regra de decadência prevista no § 4º do art. 150 do CTN, o Fisco possuía o direito de lançar o crédito tributário até 31/12/2007. Como o Recorrente foi cientificado em 12/7/07, resta claro que no presente lançamento não há decadência a ser reconhecida do anocalendário 2002. MULTA A multa aplicada teve por base o disposto na Lei 9.430/96, art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifo nosso) Assim, conforme explicado no acórdão recorrido, tratandose de lançamento de ofício, tendo em vista a declaração inexata, a multa básica aplicável é de 75%, não havendo que se falar em redução para 20%. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar, em relação aos rendimentos recebidos Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10930.001201/200761 Acórdão n.º 2401005.759 S2C4T1 Fl. 242 6 acumuladamente, relativos ao anocalendário 2002, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000270/2006-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 02/09/2002
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não se constatou na hipótese dos autos qualquer nulidade do auto de infração, razão pela qual deverá ser afastada esta preliminar.
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL.
Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, a sua produção deverá ser indeferida.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS
O produto de denominação comercial 3-AMINO ACETANILIDA-4 ACIDO SULFONICO, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19.
O produto de denominação comercial ACETOACETP- CRESIDINE SULFONIC ACID SODIUM SALT, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19.
MULTAS APLICADAS E JUROS DE MORA. LEGALIDADE.
Em observância ao princípio da legalidade, não há como se afastar a aplicação das multas previstas no art. 61 da Lei nº 9.430/96 e no art. 84, I, da MP 2.158-35/2001, ou mesmo da aplicação da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios devidos no recolhimento de crédito tributário em atraso.
Numero da decisão: 3002-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 02/09/2002 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não se constatou na hipótese dos autos qualquer nulidade do auto de infração, razão pela qual deverá ser afastada esta preliminar. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, a sua produção deverá ser indeferida. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS O produto de denominação comercial 3-AMINO ACETANILIDA-4 ACIDO SULFONICO, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19. O produto de denominação comercial ACETOACETP- CRESIDINE SULFONIC ACID SODIUM SALT, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19. MULTAS APLICADAS E JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Em observância ao princípio da legalidade, não há como se afastar a aplicação das multas previstas no art. 61 da Lei nº 9.430/96 e no art. 84, I, da MP 2.158-35/2001, ou mesmo da aplicação da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios devidos no recolhimento de crédito tributário em atraso.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11128.000270/2006-02
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5919304
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.408
nome_arquivo_s : Decisao_11128000270200602.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 11128000270200602_5919304.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7479802
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873423200256
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-22T23:12:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-22T23:12:44Z; Last-Modified: 2018-10-22T23:12:44Z; dcterms:modified: 2018-10-22T23:12:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-10-22T23:12:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-22T23:12:44Z; meta:save-date: 2018-10-22T23:12:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-22T23:12:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-22T23:12:44Z; created: 2018-10-22T23:12:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-10-22T23:12:44Z; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-22T23:12:44Z | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 180 1 179 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000270/200602 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.408 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente DYSTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 02/09/2002 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não se constatou na hipótese dos autos qualquer nulidade do auto de infração, razão pela qual deverá ser afastada esta preliminar. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. Constatado ser prescindível a realização de perícia para a solução desta lide e formação da convicção do julgador, a sua produção deverá ser indeferida. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS O produto de denominação comercial 3AMINO ACETANILIDA4 ACIDO SULFONICO, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19. O produto de denominação comercial ACETOACETP CRESIDINE SULFONIC ACID SODIUM SALT, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19. MULTAS APLICADAS E JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Em observância ao princípio da legalidade, não há como se afastar a aplicação das multas previstas no art. 61 da Lei nº 9.430/96 e no art. 84, I, da MP 2.15835/2001, ou mesmo da aplicação da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios devidos no recolhimento de crédito tributário em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 70 /2 00 6- 02 Fl. 180DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 135/136 dos autos: O importador, por meio da declaração de importação DI 02/07806351, de 02/09/02, nas adições 001 e 002 importou as mercadorias descritas como: • Adição 001: "3AMINOACETANILIDE4SULPHONIC ACID. NOME COMERCIAL: 3AMINO ACETANILIDA4 ACIDO SULFONICO. NOME QUIMICO: 3AMINO ACETANILIDA4 ACIDO SULFONICO. FORMULA: C8H10N2045, PESO MOLECULAR: 230 CAS NO: 88642. APARENCIA: PEDRAS AMARELAS ACIZENTADAS. TEOR (%): MINIMO 75,0 (DIAZOTACAO)", classificando na NCM 2921.51.20, com alíquotas de 3,5% de II e 0% de IPI. • Adição 002: "ACETOACETPCRESIDINE SULFONIC ACID SODIUM SALT. ESTER A A CRESIDINA SAL SODICO. NOME QUIMICO: ESTER ACETO ACET1L CRESIDINA. FORMULA: Cl 2H14NO6Na PESO MOLECULAR: 323,3. CAS NO: 133167778 TEOR(%): MINIMO 80,0 (DIAZOTACAO). APARENCIA: PO CINZA (VISUAL), classificando na NCM 2924.29.59, com alíquotas de 0% de II e 0% de IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para ambos os produtos é a NCM 2924.29.19, com alíquotas de 3,5% de II e 0,0% de IPI. Baseouse a autuação nos Laudos FUNCAMP n° 0603.01 e 0603.02, fls. 46 e 48. Através do Auto de Infração de fls. 01 a 64, cobrouse a diferença de imposto de importação, multa e juros de mora e a multa pela classificação fiscal incorreta. Intimada do Auto de Infração em 02/03/2006 (fl. 64), a interessada apresentou impugnação e documentos em 03/04/2006, juntados às folhas 69 e seguintes, alegando em síntese: 1. Preliminarmente, alega a nulidade do laudo realizado, pois, apenas os agentes do fisco puderam formular quesitos. Cita como fundamento o art. 18 do PAF (Decreto n° 70.235/72). Alega que a mercadoria está sobre procedimento fiscal desde o registro da declaração de importação, nos termos do art. 7 do mesmo PAF e art. 73, I e 485 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543/02). Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. 2. Alega que foi cobrada diferença de imposto de importação relativa à adição 001 sendo que não há para essa adição diferença entre as alíquotas antes e após a reclassificação. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.000270/200602 Acórdão n.º 3002000.408 S3C0T2 Fl. 181 3 3. Tece comentários sobre a classificação fiscal dos produtos importados. Cita as NESH. Cita jurisprudência administrativa. 4. Alega que a fiscalização, à f1.60, através do Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar, indica outra classificação fiscal para a adição 001. 5. Alega que, na hipótese de não ver reconhecida sua classificação, também não estaria correta a adotada pela fiscalização para a adição 001. Cita o art. 112 do CTN. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. 6. Alega ser incabível a multa pelo erro na classificação e a multa de mora, por aplicação do Parecer C.S.T. n° 477/88 e do ADN SRF n° 29/80. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 7. Alega a ilegalidade /inconstitucionalidade da taxa SELIC. 8. Solicita a produção de provas complementares e apresenta quesitos. 9. Por fim, requer que seja reconhecida a nulidade ou, alternativamente, seja julgado improcedente o presente auto de infração. O contribuinte juntou os seguintes documentos: i) atos de constituição e representação da empresa (fls. 98/116); ii) parecer CST nº 477/88 (fls. 117/122); decisão judicial (fls. 123/131). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 02/09/2002 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS O produto de denominação comercial 3AMINO ACETANILIDA4 ACIDO SULFONICO, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19. O produto de denominação comercial ACETOACETP CRESIDINE SULFONIC ACID SODIUM SALT, com as características indicadas neste auto de infração, encontra correta classificação tarifária na NCM 2924.29.19. Lançamento Procedente Em seus fundamentos, o acórdão (fls.134/142) rejeitou a preliminar de nulidade sob fundamento de não se aplicar ao caso o artigo 18 do Decreto n° 70.235/72, mas o artigo 17 da IN SRF nº 157/98. Além disso, consignou que o contribuinte foi intimado do laudo técnico (fl. 45) e não apresentou qualquer manifestação, questionamento ou prova que pudesse comprometer referido laudo. Acerca do mérito, a primeira instância entendeu correta a classificação feita pela fiscalização para a adição 001 e a 002, com base nas regras de interpretação do sistema harmonizado, no laudo produzido pelo fisco, e no fato de a impugnante não ter apresentado provas de suas alegações. Consignou ser inaplicável o ADN SRF 29/80 e o Parecer CST 477/88, pois estes exigem exatidão na descrição do produto, enquanto as NCM indicadas na DI Fl. 182DF CARF MF 4 não estavam corretas. Por isso, manteve a aplicação das multas por erro na classificação e pela mora. Afastou a arguição de ilegalidade/inconstitucionalidade da taxa SELIC, por não caber a discussão em âmbito administrativo, que está vinculado ao cumprimento da legislação. Negou a produção de novas perícias por entender suficientes as existentes nos autos. Entendeu, por fim, pela total procedência da autuação. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 20/07/2009 (vide AR à fl. 144 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 19/08/2009, Recurso Voluntário (fls. 146/177). Em seu recurso, o contribuinte reapresentou a preliminar de cerceamento de defesa e nulidade do procedimento sob alegação de não ter tido oportunidade de propor quesitos ao laudo produzido pelo fisco, e por ter sido negada pela primeira instância a produção de nova perícia. No mérito, apresentou informações sobre a composição química dos produtos sob análise na intenção de demonstrar estar equivocada a classificação indicada pelo fisco como correta. O contribuinte afirmou, inclusive, que “ao que tudo indica, houve a troca de amostras, razão pela qual as conclusões contidas no referido laudo técnico são nulas”. Além disso, repetiu os argumentos de sua impugnação, e reforçou o pedido de conversão do julgamento em diligência para retirar quaisquer dúvidas acerca das questões discutidas em torno da prova pericial. Pediu, ao fim, o acolhimento da preliminar para que seja declarada a nulidade do auto de infração e, caso superada, a reforma do acórdão, reconhecendose a improcedência da autuação. Não juntou novos documentos. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da preliminar de nulidade De início, cumprenos analisar o argumento apresentado pelo contribuinte no sentido de que teria havido cerceamento do seu direito de defesa e nulidade do procedimento, sob alegação de não ter tido oportunidade de propor quesitos ao laudo produzido pelo Fisco, e por ter sido negada pela primeira instância a produção de nova perícia. Entendo que não assiste razão ao contribuinte em seus fundamentos. Consoante bem analisou a decisão recorrida, o contribuinte esteve ciente de todos os passos adotados pela fiscalização no curso do despacho aduaneiro, não tendo apresentado no decorrer do processo quesitos que entendiam necessários à correta identificação Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.000270/200602 Acórdão n.º 3002000.408 S3C0T2 Fl. 182 5 do produtos importados. Verifiquese, por exemplo, à fl. 48 dos autos, que tomou ciência, por meio do seu despachante aduaneiro (Sr. Jorge Antônio), que a mercadoria passaria por exame laboratorial. Consta dos autos, ainda, à fl. 50, a ciência deste mesmo despachante acerca do conteúdo do laudo elaborado pela FUNCAMP. Logo, entendo que não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o qual possuía pleno conhecimento das razões que levaram à reclassificação procedida pela fiscalização. Por outro lado, tampouco há que se falar em nulidade da decisão recorrida na parte em que entendeu pelo indeferimento do pedido de perícia apresentado. Isso porque, como é cediço, a autoridade julgadora possui a faculdade de determinar a realização de perícia, quando entendêla necessária. Acontece que, no caso concreto aqui analisado, a DRJ entendeu desnecessária a adoção desta medida, em decisão devidamente fundamentada. É o que se extrai da passagem a seguir transcrita: Com relação à solicitação de novas perícias, o art. 18 do PAF (Decreto n° 0.235, de 1972), com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, autoriza o julgador determinar, de oficio ou a requerimento do impugnante, perícias ou diligências, quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, conseqüentemente, para a solução do litígio. Todavia, em face da existência nos autos de provas suficientes para o julgamento do processo tornase prescindível a realização de diligência ou perícia. Não determinar diligências ou perícias desnecessárias em nada ofende o princípio do devido processo legal, antes pelo contrário, obedece exatamente a preceito expresso da lei que rege o processo administrativo. Nesse sentido já se manifestou o Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS — CAPITULAÇÃO DO LANÇAMENTO Porque o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadora julgadora, nos termos da processualística fiscal, o seu indeferimento não implica em nulidade da decisão, sobretudo quando os autos estão a demonstrar a sua prescindibilidade. (I.° Conselho de Contribuintes/Acórdão n.° 1071.975, publicado no DOU de 07/01/1997)" Observando os quesitos apresentados à fl. 71, vemos que os mesmos ou já foram analisados pelo laudo de assistência técnica solicitado pela fiscalização ou são irrelevantes para a decisão da lide. Dessa forma, indefiro o pedido de perícia. Com base nas razões supra expedidas, rejeito a preliminar de nulidade apresentada pelo contribuinte. 2. Do mérito Passase, então, à análise do mérito da presente contenda, no que concerne à correta classificação fiscal a ser adotada no caso concreto em epígrafe, que versa sobre os seguintes produtos: Fl. 184DF CARF MF 6 • Adição 001: "3AMINOACETANILIDE4SULPHONIC ACID. NOME COMERCIAL: 3AMINO ACETANILIDA4 ACIDO SULFONICO. NOME QUIMICO: 3AMINO ACETANILIDA4 ACIDO SULFONICO. FORMULA: C8H10N2045, PESO MOLECULAR: 230 CAS NO: 88642. APARENCIA: PEDRAS AMARELAS ACIZENTADAS. TEOR (%): MINIMO 75,0 (DIAZOTACAO)", classificando na NCM 2921.51.20, com alíquotas de 3,5% de II e 0% de IPI. • Adição 002: "ACETOACETPCRESIDINE SULFONIC ACID SODIUM SALT. ESTER A A CRESIDINA SAL SODICO. NOME QUIMICO: ESTER ACETO ACET1L CRESIDINA. FORMULA: Cl 2H14NO6Na PESO MOLECULAR: 323,3. CAS NO: 133167778 TEOR(%): MINIMO 80,0 (DIAZOTACAO). APARENCIA: PO CINZA (VISUAL), classificando na NCM 2924.29.59, com alíquotas de 0% de II e 0% de IPI. 2.1. Da Adição 001 Quanto à adição 001, o contribuinte classificou o produto no NCM 2921.51.20, ao passo que a fiscalização entendeu que a classificação correta era a disposta no NCM 2924.29.19. Para fins de facilitar a compreensão do tema, transcrevese a seguir o conteúdo das referidas NCMs: CAPÍTULO 29 PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS I – HIDROCARBONETOS E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS 29.21 COMPOSTOS DE FUNÇÃO AMINA 2921.5 Poliaminas aromáticas e seus derivados; sais destes produtos 2921.51 o, m, pFenilenodiamina, diaminotoluenos, e seus derivados; sais destes produtos 2921.51.20 Derivados sulfonados das fenilenodiaminas e de seus derivados; sais destes produtos *** 29.24 COMPOSTOS DE FUNÇÃO CARBOXIAMIDA; COMPOSTOS DE FUNÇÃO AMIDA DO ÁCIDO CARBÔNICO 2924.2 Amidas (incluídos os carbamatos) cíclicas e seus derivados; sais destes produtos 2924.29 Outros 2924.29.1 Acetanilida e seus derivados; sais destes produtos 2924.29.19 Outros Ao analisar o caso, a DRJ entendeu correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização, em razão da conclusão disposta no laudo da FUNCAMP, que concluiu tratarse o referido produto de "UM DERIVADO SULFONADO DE OUTRA ACETANILIDA, DERIVADO DE OUTRA AMIDA CICLICA, COMPOSTO DE FUNÇÃO CARBOXIAMIDA". Entendo que agiu corretamente a DRJ ao assim decidir. Isso porque, verificase que o contribuinte, em sua defesa, limitase a alegar a nulidade do laudo elaborado pela FUNCAMP, visto que não teria tido oportunidade de apresentar quesitos. Contudo, em nenhum momento contesta a conclusão a que chegou o referido laudo, seja por meio de informações técnicas do produto, seja por meio de apresentação de laudo técnico. Insiste na realização de perícia, porém, não traz qualquer elemento apto a ensejar qualquer dúvida acerca da conclusão a que chegou a fiscalização, com base no laudo elaborado pela FUNCAMP. Quando tratou de aspectos técnicos do produto em questão, fêlo tão somente para fins de apontar a divergência existente entre o conteúdo do Demonstrativo de Cálculos de Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.000270/200602 Acórdão n.º 3002000.408 S3C0T2 Fl. 183 7 Lançamento Complementar nº 393/2008, à fl. 64 dos autos, e o conteúdo do laudo técnico elaborado. Ocorre que, como bem apontou a DRJ na decisão recorrida, "apesar de a fiscalização ter indicado no demonstrativo de fl. 60 uma NCM distinta para a adição 001, o auto de infração é claro ao indicar como correta a NCM 2924.29.19, sendo essa a imputação legal no momento de constituição do crédito tributário". Em outras palavras, o auto de infração foi lavrado com fulcro em análise laboratorial e laudo técnico elaborado pela FUNCAMP, cujo conteúdo técnico não foi combatido pelo contribuinte. O fato de um determinado documento, produzido pela fiscalização anteriormente à lavratura do auto de infração, indicar classificação fiscal distinta não modifica o fato de que a classificação fiscal indicada na autuação é a que deveria ter sido adotada pelo contribuinte no presente caso. Ressaltese, inclusive, que o contribuinte, em sua defesa, tampouco logra demonstrar que esta terceira classificação fiscal seria a correta. Percebese, pois, que há um equívoco na indicação do NCM disposta no referido documento à fl. 64 dos autos, a qual se apresenta irrelevante à solução da presente contenda. Quanto a este produto, é importante destacar que a alíquota aplicável em uma ou outra situação é a mesma, não havendo que se falar em diferencial de imposto a ser recolhido. Neste ponto, portanto, a autuação limitase à exigência da multa prevista no art. 84, I, da MP 2.15835/2001. 2.2. Da Adição 002 Quanto à adição 002, o contribuinte classificou o produto no NCM 2924.29.59, ao passo que a fiscalização entendeu que a classificação correta era a disposta no NCM 2924.29.19. Para fins de facilitar a compreensão do tema, transcrevese a seguir o conteúdo das referidas NCMs: CAPÍTULO 29 PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS I – HIDROCARBONETOS E SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS 29.24 COMPOSTOS DE FUNÇÃO CARBOXIAMIDA; COMPOSTOS DE FUNÇÃO AMIDA DO ÁCIDO CARBÔNICO 2924.2 Amidas (incluídos os carbamatos) cíclicas e seus derivados; sais destes produtos 2924.29 Outros 2924.29.5 Metoxibenzamidas e seus derivados; sais destes produtos 2924.29.59 Outros *** 2924.29.1 Acetanilida e seus derivados; sais destes produtos 2924.29.19 Outros Ao analisar o caso, a DRJ entendeu correta a classificação fiscal realizada pela fiscalização, em razão da conclusão disposta no laudo da FUNCAMP, que concluiu tratarse o referido produto de um Derivado Sulfonado de Outra Acetanilida. Também quanto a este produto, verificase que o contribuinte limitase a alegar a suposta correção da classificação fiscal por ele realizada, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento técnico apto a invalidar a conclusão constante do laudo técnico elaborado pela FUNCAMP. Fl. 186DF CARF MF 8 Nesse contexto, penso que agiu corretamente a DRJ ao concluir pela correção da reclassificação realizada pela fiscalização. 2.3. Da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96 Em seu recurso, o contribuinte segue dispondo sobre a inaplicabilidade da multa de mora disposta no dispositivo legal a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Trouxe a recorrente, como fundamento de defesa, o Parecer CST 477/88, bem como julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, datado de 08/11/93. Ora, como é cediço, o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da legalidade, sendo vedado a este órgão de julgamento afastar a aplicação de dispositivo legal sob o fundamento de inconstitucionalidade. É o que se infere da súmula nº 02, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De outro norte, não resta dúvidas que os fundamentos apresentados pelo contribuinte em seu recurso não logram afastar a aplicação de disposição expressa na Lei nº 9.430/96, principalmente quando se leva em consideração que são anteriores à promulgação da referida lei (Parecer CST 477/88, e acórdão de 08/11/93), além de constituírem fonte de direito hierarquicamente inferior. 2.3. Da penalidade da multa prevista no art. 84, I, da MP 2.15835/2001 O contribuinte se insurge, ainda, quanto à multa aplicada em razão da classificação incorreta da mercadoria, prevista no art. 84, I, da MP 2.15835/2001, in verbis: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.000270/200602 Acórdão n.º 3002000.408 S3C0T2 Fl. 184 9 I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; Em sua defesa, traz como fundamento o Ato Declaratório Normativo nº 29/80, o Parecer CST 477/88 e decisões administrativas proferidas entre os anos de 1990 a 1997. Novamente, verificase a ausência de contemporaneidade das alegações apresentadas pelo contribuinte com a norma que pretende combater. Tendo em vista a literalidade do referido art. 84, acima transcrito, não restam dúvidas acerca da aplicabilidade da multa ali disposta, uma vez confirmado que as mercadorias foram incorretamente classificadas pela Recorrente. Ademais, tendo em vista que, no presente caso, apresentouse necessária a realização de exame laboratorial para fins de se identificar corretamente a mercadoria importada para que se pudesse classificála corretamente, não há como se entender que os produtos em tela estivessem corretamente identificados pelo importador. 2.3. Dos juros de mora SELIC Na mesma linha dos tópicos imediatamente anteriores, a Recorrente pretende, em seu recurso, que seja afastada a aplicação dos juros de mora aplicados pela fiscalização. Não resta dúvidas, contudo, que é legal a aplicação da taxa SELIC para fixação de juros moratórios para recolhimento de crédito tributário em atraso. Nesse sentido, inclusive, tragase à colação o conteúdo da súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 2.4. Do pedido de realização de perícia Por fim, o contribuinte volta a requerer a realização de perícia técnica, apresentando os quesitos que pretende sejam respondidos. Na mesma linha do que entendeu a DRJ, entendo a solução da presente contenda prescinde da realização de nova perícia técnica, visto que o contribuinte não logrou demonstrar minimamente qualquer vício no laudo técnico já constante dos presentes autos. 3. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de afastar a preliminar de nulidade alegada, bem como o pedido de perícia técnica pleiteado, e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720007/2016-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS APURADAS NO LIVRO RAZÃO E EM NOTAS FISCAIS SUPERIORES ÀS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ.
Caracteriza omissão de receitas, a existência de receitas apuradas no Livro Razão e em notas fiscais, em montantes superiores às receitas declaradas em DIPJ, se o sujeito passivo não logra explicar com documentação hábil e idônea as diferenças apuradas.
RECEITAS DE SERVIÇOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. RECEITAS PRÓPRIAS E NÃO DE TERCEIROS. SUBCONTRATAÇÃO. DESPESAS. DEDUTÍBILIDADE. OPÇÃO PELO LUCRO REAL.
As receitas auferidas em decorrência das prestações de serviços inerentes à atividade da empresa são receitas próprias, e não de terceiros, que integram o faturamento. Eventuais despesas incorridas em razão de subcontratação de serviços, se devidamente comprovadas, podem ser deduzidas, desde que o sujeito passivo opte pela sistemática do lucro real.
LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO
Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão, nos termos do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995.
MULTA QUALIFICADA. 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). DECLARAÇÃO DE VALORES A MENOR NA DIPJ. CABIMENTO
A conduta reiterada do interessado de declarar a menor, na DIPJ, as receitas auferidas denota a prática dolosa de não pagar os tributos devidos, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento).
RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA.
A responsabilização do administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. É necessária a imputação pessoal, com correspondente comprovação, das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise.
A simples elucubração da intenção dos gestores para cometer a infração tributária, sem a demonstração de nexo causal com as condutas pessoais efetivamente apuradas, não basta para atribuir-lhes responsabilidade.
Numero da decisão: 1402-003.346
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de cunho constitucional e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de omissão de receitas; por maioria de votos, manter a qualificação da multa de ofício no patamar de 150%, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Evandro Correa Dias que davam provimento para reduzi-la ao percentual de 75%; por maioria, afastar a imputação de sujeição passiva solidária a Danilo Franco Caixeta de Oliveira e José Rocha dos Santos Junior, vencidos o Relator e os Conselheiros Sergio Abelson e Paulo Mateus Ciccone. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS APURADAS NO LIVRO RAZÃO E EM NOTAS FISCAIS SUPERIORES ÀS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ. Caracteriza omissão de receitas, a existência de receitas apuradas no Livro Razão e em notas fiscais, em montantes superiores às receitas declaradas em DIPJ, se o sujeito passivo não logra explicar com documentação hábil e idônea as diferenças apuradas. RECEITAS DE SERVIÇOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. RECEITAS PRÓPRIAS E NÃO DE TERCEIROS. SUBCONTRATAÇÃO. DESPESAS. DEDUTÍBILIDADE. OPÇÃO PELO LUCRO REAL. As receitas auferidas em decorrência das prestações de serviços inerentes à atividade da empresa são receitas próprias, e não de terceiros, que integram o faturamento. Eventuais despesas incorridas em razão de subcontratação de serviços, se devidamente comprovadas, podem ser deduzidas, desde que o sujeito passivo opte pela sistemática do lucro real. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão, nos termos do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995. MULTA QUALIFICADA. 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). DECLARAÇÃO DE VALORES A MENOR NA DIPJ. CABIMENTO A conduta reiterada do interessado de declarar a menor, na DIPJ, as receitas auferidas denota a prática dolosa de não pagar os tributos devidos, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. É necessária a imputação pessoal, com correspondente comprovação, das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise. A simples elucubração da intenção dos gestores para cometer a infração tributária, sem a demonstração de nexo causal com as condutas pessoais efetivamente apuradas, não basta para atribuir-lhes responsabilidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.720007/2016-12
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911600
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.346
nome_arquivo_s : Decisao_10120720007201612.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCO ROGERIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10120720007201612_5911600.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de cunho constitucional e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de omissão de receitas; por maioria de votos, manter a qualificação da multa de ofício no patamar de 150%, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Evandro Correa Dias que davam provimento para reduzi-la ao percentual de 75%; por maioria, afastar a imputação de sujeição passiva solidária a Danilo Franco Caixeta de Oliveira e José Rocha dos Santos Junior, vencidos o Relator e os Conselheiros Sergio Abelson e Paulo Mateus Ciccone. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7438266
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873432637440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.076 1 1.075 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720007/201612 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.346 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS OUTROS Recorrente M.L.N. ASSESSORIA E CONSULTORIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS APURADAS NO LIVRO RAZÃO E EM NOTAS FISCAIS SUPERIORES ÀS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ. Caracteriza omissão de receitas, a existência de receitas apuradas no Livro Razão e em notas fiscais, em montantes superiores às receitas declaradas em DIPJ, se o sujeito passivo não logra explicar com documentação hábil e idônea as diferenças apuradas. RECEITAS DE SERVIÇOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. RECEITAS PRÓPRIAS E NÃO DE TERCEIROS. SUBCONTRATAÇÃO. DESPESAS. DEDUTÍBILIDADE. OPÇÃO PELO LUCRO REAL. As receitas auferidas em decorrência das prestações de serviços inerentes à atividade da empresa são receitas próprias, e não de terceiros, que integram o faturamento. Eventuais despesas incorridas em razão de subcontratação de serviços, se devidamente comprovadas, podem ser deduzidas, desde que o sujeito passivo opte pela sistemática do lucro real. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão, nos termos do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995. MULTA QUALIFICADA. 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). DECLARAÇÃO DE VALORES A MENOR NA DIPJ. CABIMENTO A conduta reiterada do interessado de declarar a menor, na DIPJ, as receitas auferidas denota a prática dolosa de não pagar os tributos devidos, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 07 /2 01 6- 12 Fl. 1076DF CARF MF 2 RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. É necessária a imputação pessoal, com correspondente comprovação, das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise. A simples elucubração da intenção dos gestores para cometer a infração tributária, sem a demonstração de nexo causal com as condutas pessoais efetivamente apuradas, não basta para atribuirlhes responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de cunho constitucional e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração imputada de omissão de receitas; por maioria de votos, manter a qualificação da multa de ofício no patamar de 150%, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Evandro Correa Dias que davam provimento para reduzila ao percentual de 75%; por maioria, afastar a imputação de sujeição passiva solidária a Danilo Franco Caixeta de Oliveira e José Rocha dos Santos Junior, vencidos o Relator e os Conselheiros Sergio Abelson e Paulo Mateus Ciccone. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.077 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 8a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, que julgou IMPROCEDENTE, integralmente, a impugnação da agora recorrente. Da autuação fiscal: O presente processo versa sobre autos de infração de IRPJ e da CSLL, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2011 e 2012. Envolve o montante autuado de R$ 22.245.958,34A , assim discriminado: Tributo Principal Multa 150% Juros Total IRPJ 5.408.821,59 8.113.232,36 2.182.511,62 15.704.565,57 CSLL 2.254.630,87 3.381.946,28 904.814,12 6.541.391,27 Total 7.663.452,46 11.495.180,14 3.087.325,74 22.245.958,34 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até janeiro/2016 ) Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados contra o interessado acima qualificado, referente aos anoscalendário de 2011 e 2012. Sobre os valores lançados incidiu multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) e demais encargos de juros moratórios. Foi ainda imputada responsabilidade solidária aos sócios administradores em relação aos créditos tributários lançados. Nos termos expostos na descrição dos autos de infração, as autuações em foco decorreram dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: A partir das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs), a fiscalização constatou, inicialmente, que os valores declarados pelas fontes pagadoras da empresa indicavam receitas substancialmente superiores às declaradas por esta nas DIPJs do período (anoscalendário de 2011 e de 2012). A fiscalização intimou diversas instituições financeiras, as quais eram as fontes pagadoras declarantes das DIRFs, a discriminarem em planilhas as notas fiscais e outros dados a ela pertinentes para que se pudesse conferir com as Fl. 1078DF CARF MF 4 informações também solicitadas da empresa, mediante intimações, quais sejam, livros fiscais, notas fiscais, livros contábeis e outros. Do cotejo das informações prestadas pelas fontes pagadoras com as informações e documentos apresentados pela fiscalizada, a fiscalização elaborou o Termo de Intimação Fiscal (TIF) n°4, de 13/07/2015, por meio do qual intimou a empresa a se manifestar acerca do fato de que não havia apresentado diversas notas fiscais relacionadas pelas fontes pagadoras (instituições financeiras) e também a se manifestar a respeito de planilha elaborada pela fiscalização, a qual relacionava informações, inclusive valores, de todas as notas fiscais apresentadas pela empresa no curso do procedimento fiscal. Ocorre que a empresa, em resposta datada de 17/08/2015, limitouse a dizer que as notas fiscais não apresentadas haviam sido contabilizadas e que os valores recebidos pelos correspondentes bancários divergiam dos valores efetivamente pago a eles por uma série de motivos que demandariam comprovação documental, que, no entanto, NÃO foi apresentada. Foram juntadas as seguintes planilhas: Receitas Apuradas TOTAL x Razão: demonstra que as receitas efetivamente auferidas pela empresa foram significativamente superiores às escrituradas (conforme livros Razão apresentado pelo contribuinte); Receitas Apuradas TOTAL x DIPJ: demonstra que as receitas efetivamente auferidas pela empresa superam as informadas nas respectivas DIPJs, sendo que os tributos aqui lançados são calculados a partir das correspondentes diferenças trimestrais (a diferença entre os montantes informados de IRPJ e de CSLL nas DIPJs e o valores efetivamente declarados em DCTF são lançados em autos de infração formalizados no processo administrativo número 10120.720005/201615); Receitas Informadas Pelo Contribuinte Razão x DIPJ: demonstra que as receitas escrituradas pelo contribuinte (livro Razão) superam as informadas pelo mesmo nas DIPJs; DIRFs: informações relevantes prestadas em DIRFs pelas fontes pagadoras (2011 e 2012); Retenções por Código e Mês: demonstra o valor de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins retidos mensalmente por código de retenção, a partir da planilha acima; Retenções IRPJ: demonstra o valor de IRPJ retido na fonte, calculado a partir da planilha "Retenções por Código e Mês", a ser utilizado, a benefício do contribuinte, no auto de infração do IRPJ; Retenções CSLL: demonstra o valor de CSLL retida na fonte, calculada a partir da planilha "Retenções por Código e Mês", a ser utilizada, a benefício do contribuinte, no auto de infração da CSLL. Conforme informações da empresa (contrato social e resposta de 17/08/2015) e obtidas das notas fiscais e das instituições financeiras, as receitas são oriundas das prestações de serviços de intermediação de financiamentos bancários, o que justifica a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32%, conforme arts. 15, § 1o, inciso III, alínea 'a', e 20 da Lei n° 9.249/95. Como as receitas informadas pela empresa à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) por intermédio das DIPJs foram bastante inferiores às realmente auferidas, a mesma, por ato omissivo ou comissivo de seus administradores, tentou impedir dolosamente o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, das características materiais dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL devidos pela Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.078 5 empresa na sistemática do lucro presumido de forma a não recolher a totalidade destes tributos, ficando caracterizada, assim, a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502/64, especificamente na modalidade do seu inciso I, ensejando a aplicação de multa de 150% sobre os tributos aqui lançados, conforme art. 44, inciso I, e § 1o da Lei n° 9.430/96. Ressaltese que a empresa não declarou em DCTF, nem recolheu, nenhum valor de IRPJ e de CSLL relativos aos anos de 2011 e de 2012. Da responsabilidade solidária dos sócios administradores DANILO FRANCO CAIXETA DE OLIVEIRA e JOSE ROCHA DOS SANTOS JÚNIOR por agirem com por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto Conforme descrição dos fatos constante dos autos de infração, a empresa apresentou as DIPJs relativas aos anoscalendário de 2011 e de 2012 com informações incorretas, posto que declarou receitas significativamente inferiores às realmente auferidas pela empresa, conforme notas fiscais emitidas pela mesma. Como as pessoas acima qualificadas eram, à época dos fatos geradores e da transmissão das declarações, sóciosadministradores da empresa, os mesmos, omissiva ou comissivamente, tentaram impedir dolosamente o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, das características materiais dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL devidos pela empresa na sistemática do lucro presumido (IRPJ/CSLL) de forma a não recolher a totalidade destes tributos. Como a conduta dos sóciosadministradores foi contrária à lei (art. 1o, inciso I, da Lei n° 8.137/90; art. 56 da Lei n° 8.981/95; art. 71 da Lei n° 4.502/64), resta caracterizada sua responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos nos autos de infração do IRPJ e da CSLL, conforme art. 135, inciso III, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Inconformado, o interessado e os responsáveis, conjuntamente, apresentaram impugnação (fls. 748/767), alegando, em síntese, o seguinte: . que a primeira Impugnante é pessoa jurídica, cujo principal objeto social é a prestação de serviços de intermediação de financiamentos bancários (correspondente bancário), sendo que suas receitas são oriundas dessa mesma atividade. . que os correspondentes bancários são estabelecimentos comerciais que atuam em nome dos bancos oferecendo alguns serviços, dentre eles a intermediação de empréstimos e financiamentos, tendo suas atividades reguladas pelo Banco Central do Brasil, atualmente por meio da Resolução Bacen n° 3.954/2011. . que no caso específico dos autos, a primeira Impugnante, a fim de viabilizar a prestação dos serviços fornecidos, contrata terceiros ("subcontratados") que lhe proporcionem apoio na estrutura logística e técnica necessária à consecução do seu mister. Fl. 1080DF CARF MF 6 . que tal procedimento é plenamente usual nesse tipo de atividade, estando amparado no art. 10, inciso I, da Resolução Bacen n° 3.954/2011, e possuindo previsão em todos os contratos celebrados pela primeira Impugnante com as instituições financeiras inerentes. . que ao receber as contrapartidas pelos serviços prestados (pagamentos feitos pelas instituições financeiras), a primeira Impugnante repassa, na íntegra, a maior parte desses mesmos recursos para os subcontratados. . que demonstra, por meio da planilha, que em comparação aos valores passíveis de recebimento nos anoscalendário de 2011 e 2012, mais de 70% (setenta por cento) foram repassados a terceiros ("subcontratados"). . que junta a documentação em apenso (DOC. 02), na qual é possível identificar, de forma pormenorizada, aquilo que fora diretamente repassado a alguns de seus subcontratados, no decorrer dos anoscalendário de 2011 e 2012, ocasião em que se prontifica a apresentar em momento posterior a totalidade desses mesmos registros, dado o seu expressivo volume. . que não poderia computar tais valores como se receitas sua fossem, mas tão somente a parcela que lhe coube nessas mesmas operações, representando as demais importâncias "receita de terceiros". . que, é mais que evidente que os valores direcionados aos subcontratados, em contrapartida pela execução dos serviços, por constituírem receitas deles (subcontratados), não poderiam integrar a base de cálculo de tributos devidos pela primeira Impugnante. Cita acórdãos do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que tratam de comissões pagas a agencia de publicidade. . que na hipótese de ser o presente lançamento julgado procedente, o que só se admite ad argumentandum tantum, o valor exigido do sujeito passivo será superior, em muito, ao valor por ele efetivamente recebido, o que será um verdadeiro absurdo, ou melhor, verdadeiro confisco, ferindo de morte o disposto no art.150, inciso IV, da CF/1988, que veda o emprego de tributo com efeito confiscatório. . que os valores entregues à primeira Impugnante, com destino certo e determinado para pagamento dos subcontratados, não se encarta no conceito de renda contido no art. 43 do CTN. . que, de acordo com a Lei n° 9.430/96, art. 42, § 5o, o lançamento deve recair sobre o verdadeiro titular dos rendimentos, que in casu são os subcontratados. . que, de acordo com o levantamento fiscal, a primeira Impugnante auferiu, para o anocalendário de 2011, uma receita bruta na importância de R$ 60.028.119,04, consoante demonstrativos anexados aos autos de infração. . que, caso se entenda que a receita apurada pela fiscalização esteja correta, o que só se cogita para fins de debate, o lançamento relativo ao anocalendário de 2012 se afigura incorreto, uma vez que efetuado tendo por base o lucro presumido. . que, ao agir dessa forma, a nobre autoridade fiscal desatendeu o disposto nos arts. 13 e 14 da Lei n° 9.718/1998, os quais definem o limite da receita auferida pelas pessoas jurídicas no anocalendário anterior para que permaneçam tributadas pelo lucro presumido. . que à época da ocorrência dos fatos geradores discutidos nos presentes autos, estariam obrigadas à tributação pelo lucro real as pessoas jurídicas cuja receita bruta, no anocalendário anterior, fosse superior ao limite de R$ 48.000.000,00. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.079 7 . que, como a fiscalização apurou em 2011 uma suposta receita bruta superior ao sobredito limite, o procedimento correto seria o desenquadramento da primeira Impugnante da sistemática de apuração pelo lucro presumido em 2012 para, em seguida, tributála pelo lucro real, conforme determina a lei. . que, agindo ao arrepio do que determina a lei, incorreu a fiscalização em erro de direito, o que macula de nulidade os autos de infração por vício material, o qual atinge não a forma, mas a própria substância do ato administrativo. . que a maior parte das receitas apuradas, para fins de autuação, teve por base justamente as notas fiscais apresentadas pela primeira Impugnante à fiscalização, o que, por si só, já afasta a conotação de dolo. . que, além do mais, a multa qualificada foi lançada sob o argumento de que o sujeito passivo, ao declarar valores de receita inferiores àqueles contidos em DIPJ, teria demonstrado o evidente intuito de sonegação na prática da infração detectada. . que, ainda que a primeira Impugnante tivesse incorrido em tal conduta, isso não autorizaria a qualificação da multa de ofício, pois a apresentação de declarações inexatas, mesmo que reiteradamente, não é suficiente o bastante para caracterizar o tipo penal descrito no art. 71 da Lei n° 4.502/1964 e, por conseqüência, ensejar a aplicação da penalidade agravada prevista no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei n° 9.430/1996, a uma, porque não restou demonstrado, de forma cabal e irrefutável, que a contribuinte tenha agido com intuito de fraudar o fisco, e a duas porque inexiste previsão legal autorizativa para a aplicação da penalidade em questão em situações como a da espécie. . que, para a conduta da qual a contribuinte é acusada, isto é, prestação de declarações inexatas e/ou falta de declaração, a própria Lei n° 9.430/1996, em seu art. 44, inciso I, já prevê multa específica, que é justamente aquela de 75%. . que, a persistir o entendimento de que para a situação em comento a multa aplicável seria aquela prevista no art. 44, inciso I, c/c § 1o, da Lei n° 9.430/1996, isto certamente representaria negar validade ao contido no inciso I do mesmo dispositivo legal, tornandoo inócuo, pois a multa a ser lançada, em qualquer situação onde houvesse pagamento a menor, falta de declaração ou declaração inexata, seria sempre a de 150%, e nunca a de 75%, o que seria um verdadeiro absurdo. Cita acórdão do CARF. . que, por tudo isto, há se concluir que o motivo da qualificação da multa de ofício em 150% não pode subsistir, haja vista a notória inexistência do dolo, elemento essencial dos tipos penais gravados nos art. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, razão pela qual a penalidade em questão deve ser reduzida ao seu percentual normal de 75%. . que houve a responsabilização dos sócios da primeira Impugnante, na condição de solidários, sob a argumentação de que os mesmos concorreram omissiva ou comissivamente para a prática da infração. . que tal responsabilização, contudo, fere a orientação legal contida no art. 135, inciso III, do CTN, segundo o qual o sócio só passa a ser responsável por dívida tributária da sociedade quando restar comprovado que o mesmo agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. . que, no caso em exame, não restou comprovado que o segundo e o terceiro Impugnantes tivessem incorrido em qualquer conduta que pudesse caracterizar que Fl. 1082DF CARF MF 8 os mesmos agiram com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. . que não há a indicação precisa e individualizada de quais atos foram praticados com infração de lei ou de contrato social, mas mera alegação genérica de que o segundo e terceiro Impugnantes eram sócios da empresa quando da ocorrência dos fatos geradores do tributo e das transmissões das declarações. . que, em suma, a fiscalização nem sequer logrou apontar, com precisão e clareza, a natureza da conduta do segundo e terceiro Impugnantes, se omissiva ou comissiva. . que a cobrança de juros Selic sobre a multa de ofício não pode prevalecer, eis que inexiste previsão legal para o mister, consoante, aliás, se depreende da simples leitura do § 3o, do art. 61, da Lei n° 9.430/1996, o qual dispõe que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". . que fica claro, por conseguinte, que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, uma vez que o caput do aludido art. 61, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL à mesma, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2011, 2012 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado em fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS APURADAS NO LIVRO RAZÃO E EM NOTAS FISCAIS SUPERIORES ÀS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ. Caracteriza omissão de receitas, a existência de receitas apuradas no Livro Razão e em notas fiscais, em montantes superiores às receitas declaradas em DIPJ, se o sujeito passivo não logra explicar com documentação hábil e idônea as diferenças apuradas. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.080 9 RECEITAS DE SERVIÇOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. RECEITAS PRÓPRIAS E NÃO DE TERCEIROS. SUBCONTRATAÇÃO. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. OPÇÃO PELO LUCRO REAL. As receitas auferidas em decorrência das prestações de serviços inerentes à atividade da empresa são receitas próprias, e não de terceiros, que integram o faturamento. Eventuais despesas incorridas em razão de subcontratação de serviços, se devidamente comprovadas, podem ser deduzidas, desde que o sujeito passivo opte pela sistemática do lucro real. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão, nos termos do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2011, 2012 CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento tido como decorrente as mesmas razões meritórias de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. MULTA DE OFICIO MULTA QUALIFICADA. 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). DECLARAÇÃO DE VALORES A MENOR NA DIPJ. CABIMENTO A conduta reiterada do interessado de declarar a menor, na DIPJ, as receitas auferidas denota a prática dolosa de não pagar os tributos devidos, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que a conduta do sócioadministrador infringiu à lei, já que foram declaradas receitas significativamente inferiores às realmente auferidas pela empresa, conforme notas fiscais emitidas, resta configurada sua responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos nos autos de infração do IRPJ e da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: Fl. 1084DF CARF MF 10 a recorrente, então impugnante, protesta para apresentação posterior da totalidade dos valores repassados aos subcontratados, alegando serem um expressivo volume. A decisão foi no sentido que a legislação aplicável estabelece o prazo concomitante com a impugnação para apresentar prova documental, e que até o julgamento não houve o registro de nenhum documento apresentado; resta caracterizada a omissão de receitas se o interessado não logra explicar, com documentação hábil e idônea, as diferenças existentes entre as receitas auferidas e as declaradas; a alegação de que as receitas apuradas seriam de terceiros subcontratados não prospera, pois pela narrativa do mesmo, ele próprio subcontrataria os terceiros, a fim de lhe proporcionar apoio na estrutura logística e técnica necessária à consecução do seu mister. Neste caso, as receitas são próprias. Eventuais despesas com terceiros poderiam ser deduzidas, se optasse pelo lucro real, o que não foi o caso, já que optou pelo lucro presumido; as planilhas apresentadas para tentar demonstrar os repasses para terceiros carecem de comprovação; o fato de ter extrapolado a receita total de R$ 48.000.000,00 em 2011, não obriga a ser tributada pelo lucro em 2012, pois seria um comando destinado exclusivamente ao contribuinte. Não há dispositivo que impeça a autoridade fiscal de tributar pela sistemática do lucro presumido. Ademais, aplicase ao caso o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249/1995; a multa de ofício qualificada está devida, pois as receitas informadas em DIPJ estão bastante inferiores às auferidas, o que demonstra a tentativa dolosa de impedir o conhecimento das autoridades fazendárias dos fatos geradores, o que caracteriza a sonegação definida no art. 71 da Lei nº .4502/1964; não prosperam as alegações de que os juros de mora não se aplicam sobre a multa de ofício; os srs. DANILO FRANCO CAIXETA DE OLIVEIRA e JOSE ROCHA DOS SANTOS JÚNIOR eram, à época dos fatos geradores e da transmissão das declarações, sóciosadministradores da empresa, os mesmos, omissiva ou comissivamente, tentaram impedir dolosamente o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, das características materiais dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL devidos pela empresa na sistemática do lucro presumido (IRPJ/CSLL), de forma a não recolher a totalidade destes tributos, o que lhe impõe a responsabilidade solidária com base no art. 135, III do CTN. Do Recurso Voluntário: A recorrente principal, M.L.N. Assessoria e Consultoria Ltda. e os responsáveis solidários Srs. Danilo Franco Caixeta de Oliveira e Jose Rocha dos Santos Júnior apresentaram recurso voluntário conjuntamente, repisando praticamente as mesmas alegações da peça impugnatória, que, em apertada síntese, destacase o seguinte: não foi observada a atividade exercida pela recorrente correspondente bancário. Atua em nome de bancos oferecendo alguns serviços, dentre eles a intermediação de empréstimos e financiamentos, e para viabilizar a prestação destes serviços, contrata terceiros que lhe proporcionem apoio na estrutura logística e técnica necessária à consecução do seu mister; Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.081 11 o valor exigido está muito superior ao efetivamente recebido, o que caracterizaria um confisco; as autuações fiscais do anocalendário de 2012 são nulos, pois desrespeitam a forma de tributação aplicável.Como em 2011 a receita apurada foi de R$ 60.028.119,04, tal valor extrapolou o limite de R$ 48.000.000,00 para se manter no lucro presumido no ano seguinte, e deveria ter ocorrido a tributação pelo lucro real em 2012; a multa qualificada não deveria prosperar, pois a notas fiscais apresentadas pela recorrente à fiscalização afastaria a conotação de dolo. Não havendo dolo, não haveria crime contra a ordem tributária. Entende que o caso foi de declaração inexata, o que se sujeitaria a multa de 75%; a sujeição passiva solidária é improcedente, pois não há comprovação que o mesmo agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, como preceitua o art. 135, III do CTN; não incidem juros Selic sobre a multa de ofício. o seu pedido final, ipsis litteris, é: 4.1. Ante todo o exposto, requerem seja recebido e conhecido o presente recurso como próprio e tempestivo, relativamente a todos os Recorrentes, haja vista as razões trazidas em sede de preliminares. 4.2. Requerem, em seguida, seja dado provimento a esse mesmo recurso, de sorte que, ao final, seja declarada a improcedência de todo o crédito tributário ou, se não: I — seja reconhecida a nulidade do lançamento relativo ao anocalendário de 2012, por inobservância do disposto nos arts. 13 e 14 da Lei n° 9.718/1998; II — seja afastada a qualificação da penalidade e, de conseguinte, reduzida a multa de ofício para o percentual de 75%; III — seja reconhecida e declarada a não incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal para o mister; e, por fim, IV — seja afastada a sujeição passiva com relação ao segundo e terceiro Recorrentes. É o relatório. Fl. 1086DF CARF MF 12 Voto Vencido Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Síntese dos fatos: O presente processo versa sobre a autuação de IRPJ e CSLL, referente aos anoscalendário de 2011 e 2012, sob a forma de tributação do lucro presumido. A multa aplicada foi a qualificada (150%), sendo imputada responsabilidade solidária aos sócios administradores, nos termos do art. 135, III do CTN. As autuações fiscais decorreram do cruzamento de DIRFs de terceiros com a DIPJ entregue pela recorrente, que identificou substanciais diferenças de valores de receitas. Circularizadas as fontes pagadoras, que eram instituições financeiras, obtevese todas notas fiscais emitidas que foram cotejados com os livros fiscais da recorrente, e instada a justificar as diferenças, limitouse a dizer que haveria vários motivos para justificar o que demandaria comprovação documental, que não o fez. As autuações fiscais envolveram o valor total de R$ 22.245.958,34 (tributo+multa+juros). Na sua impugnação, alega que sua atividade é de correspondente bancário, e faz intermediação de empréstimos e financiamentos, e no caso específico dos autos, contratou terceiros para que lhe proporcionassem apoio na estrutura logística e técnica necessária a este mister, o quais receberam a maior dos valores, via repasse. Como no AC 2011, a autoridade fiscal apurou uma receita de R$ 60.028.119,04, deveria ter adotada a forma de tributação do lucro real em 2012. A multa qualificada não deveria prosperar, pois apresentou declarações inexatas, que não seria sonegação. Não houve a comprovação que os sócios administradores agiram com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. E, ao final, que a cobrança de juros selic sobre a multa de ofício não pode prevalecer. Na decisão recorrida, manteve as autuações fiscais pois não logrou comprovar as diferenças existentes de receitas. A questão dos subcontratados envolve questão de despesas, que poderiam ser deduzidas se optasse pelo lucro real. As planilhas apresentadas para tentar demonstrar os repasses a terceiros carecem de comprovação. A questão do lucro real no AC 2012 seria um comando exclusivo ao contribuinte, não havendo impedimento da autoridade fiscal manter a forma de tributação eleita, aplicandose o art. 24 da Lei nº 0.249/1995. A multa qualificada está devida, pois as receitas informadas em DIPJ estão bastante inferiores às auferidas, o que demonstra a tentativa dolosa de impedir o conhecimento dos fatos geradores. E não prosperam as alegação de que os juros não se aplicam sobre a multa de ofício. Os responsáveis solidários à época dos fatos e tentaram, omissiva ou comissivamente, não recolher os tributos devidos, mantendose nesta condição. Na sua peça recursal, praticamente replica a sua peça impugnatória, sem nada de diferente agregado. Dos pontos suscitados na peça recursal: Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.082 13 quanto à atividade exercida pela recorrente Alega a recorrente que não foi observada a atividade exercida pela mesma correspondente bancário. Atua em nome de bancos oferecendo alguns serviços, dentre eles a intermediação de empréstimos e financiamentos, e para viabilizar a prestação destes serviços, contrata terceiros que lhe proporcionem apoio na estrutura logística e técnica necessária à consecução do seu mister. Tal alegação foi feita na peça impugnatória, e v. acórdão recorrido entendeu que a alegação de que as receitas apuradas seriam de terceiros subcontratados não prospera, pois pela narrativa do mesmo, ele próprio subcontrataria os terceiros, a fim de lhe proporcionar apoio na estrutura logística e técnica necessária à consecução do seu mister. Neste caso, as receitas são próprias. Eventuais despesas com terceiros poderiam ser deduzidas, se optasse pelo lucro real, o que não foi o caso, já que optou pelo lucro presumido. Verificandose os autos, e com o já relatado anteriormente, a autoridade fiscal autuante apurou através de DIRFs das fontes pagadoras, notas fiscais emitidas e livro razão, que a recorrente declarava receitas em sua DIPJ muito inferiores às que, a princípio, seriam as reais. Em nenhum momento nos autos, há uma comprovação da recorrente para justificar estas diferenças. As efls. 61 e 62 dos autos, que foram anexadas aos autos de infração, há uma planilha com os montantes apurados pela autoridade fiscal (nas seguintes, há anexos com todo o detalhamento considerado), em que há, consolidando os valores ali constantes, os seguintes montantes: anocalendário Total NFs emitidas Receita DIPJ Diferença 2011 60.028.119,04 5.816.813,39 54.211.305,65 2012 31.987.386,61 3.855.411,55 28.131.975,06 Em R$ 1,00 De plano, salta aos olhos a diferença total das diferenças. Compulsando em detalhes os autos, no que tange à descrição dos fatos nas imputações aplicadas, verificase que há todo o detalhamento de como se chegou a estes valores: a) intimouse o próprio contribuinte a apresentar seus livros contábeis e documentos que lhe deram suporte aos lançamentos, principalmente as notas fiscais emitidas (fls. 88 a 94 ciência em 27/10/2014); b) circularizaramse as fontes pagadoras que prestaram informações em DIRFs de valores pagos à recorrente, às quais se solicitou uma planilha das notas fiscais que deram suporte aos valores informados (fls. 327 a 662) ; c) analisando ambas informações, intimouse a recorrente a se manifestar sobre as diferenças constatadas, anexando todas as informações de notas fiscais (efls. 176 a 298 ciência em 20/07/2015); Fl. 1088DF CARF MF 14 d) em sua resposta, nas palavras da autoridade fiscal, limitouse a dizer que as notas fiscais não apresentadas (item 1 do TIF nº 4) haviam sido contabilizadas e que os valores recebidos pelos correspondentes bancários divergiam dos valores efetivamente pago a eles (sic) por uma séria de motivos que demandariam comprovação documental, que não apresentada (resposta a fls. 301 a 305 apresentada em 17/08/2015); e) em consequência, a autoridade fiscal procedeu às autuações fiscais. Analisando os documentos constantes nos autos, verifico que as respostas às circularizações (item b acima fls. 327 a 662) , notase que os pagamentos efetuados à recorrente são, no geral, de comissão (exemplo, fls. 410 e segs.). Outras discriminações de serviços envolvem a nomenclatura de "prestação de serviços financeiros referente a..". Em todas as relações comerciais, baseado nos documentos e notas fiscais apostas nos autos, decorrentes das circularizações, há um tomador de serviços, a instituição financeira (que são várias) e o prestador de serviços (no caso, a recorrente). Os pagamentos são, no geral, por mês. Em alguns casos, há um detalhamento da motivação do pagamento na resposta da instituição financeira (no caso, o protocolo com os documentos anexos). Exemplo: fl. 458, da BV Financeira S/A, que cita o seguinte: os pagamentos foram realizados a título de comissão decorrente do contrato de prestação de serviços de correspondente bancário firmado entre as partes. Os contratos de financiamento firmados pela empresa MLN Assessoria e Consultoria Ltda. que originaram os pagamentos estão discriminados na coluna "E" da planilha apresentada.". O código utilizado pelas instituições financeiras para descrição do rendimento que sofrera retenção, no caso do IRRF, é o 1708 remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica. No caso das contribuições previdenciárias, é o 5952 CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Retidas na Fonte pelas Pessoas Jurídicas de Direito Privado CSRF. Vislumbrei também pagamentos com o código 8045 Comissões e corretagens pagos à PJ e serviços de propaganda prestados por PJ (art. 53, Lei 7.450/85). Na fl. 509, o Banco Daycoval informa assim dos serviços prestados pela recorrente: se refere a assessoria creditícia, mercadológica e gestão de crédito. Na fl. 510, o Banco PAN assim informa dos serviços prestados: Deste modo, servimonos da presente, para informar que a empresa indicada prestava serviços de correspondente no país, a fim de recepcionar e encaminhar propostas de clientes, para a realização de operações de crédito com pagamento por meio de consignação em folha, junto a órgãos conveniados. E conforme se olha, os documentos que demonstram as atividades da recorrente para as fontes pagadoras, todos são nesta linha, de assessoria ou de intermediação de negócios, ou com terminologia equivalente. Há vasta documentação circularizada comprovando tal situação. Não vislumbrei em nenhum momento em toda a documentação aposta nos autos eventual participação de terceiros nas operações, e nem mesmo uma menção indireta todas as operações eram entre a recorrente diretamente com uma das instituições financeiras circularizadas. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.083 15 Destacase a fl. 142, em que há uma relação das filiais da recorrente, e chama a atenção que a mesma tem uma autuação em quase todo o país, com filiais em boa parte das capitais dos estados brasileiros. Nas suas DIPJs entregues do período fiscalizado (ACs de 2011 e 2012 fls. 663 a 708) a recorrente informa prestar a atividade CNAE 70.204/00 Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica. Destacase que não informa nenhum valor (tudo zerado) nas fichas referentes a informações acessórias da DIPJ, como balanço patrimonial, informações previdenciárias e outras, só tendo informações prestadas na parte das receitas declaradas. Na sua peça impugnatória trouxe exatamente as mesmas alegações que trouxe a seguir na sua peça recursal, anexa uma planilha que chama de documentação em apenso, na qual procura identificar, de forma pormenorizada, aquilo que fora diretamente repassado a alguns de seus subcontratados, no decorrer dos anoscalendário de 2011 e 2012, ocasião em que se prontifica a apresentar em momento posterior a totalidade desses mesmos registros, dado o seu expressivo volume. De plano, em nenhum momento posterior apresentou estes documentos. E o que a recorrente chama de documentação entregue, se refere uma planilha (fls. 780 a 868), de produção própria, que dá o nome de várias pessoas (nome do agente de crédito), e a produção destes e a comissão paga. Não traz nenhum documento sobre estas operações, em nenhum momento nos autos, nem durante o procedimento fiscal e nem durante a fase litigiosa administrativa. Como apurado pela autoridade fiscal autuante, e ratificado pela decisão a quo, a recorrente celebrou contratos de intermediação de financiamentos na qualidade de correspondente bancário, pela qual percebeu valores de comissão das instituições financeiras. Argui na sua defesa que parte substancial destes valores eram repassados a outras pessoas, e que não seriam suas receitas. No que tange a documentação destes repasses, nada traz comprovando. Toda sua linha de defesa decorre, no seu entender, da sua atividade. A possibilidade de contratação de correspondentes no país, por instituições financeiras, não é algo novo no ordenamento jurídico brasileiro foi autorizado inicialmente em 1973, e a matéria está regulamentada atualmente pela resolução Bacen nº 3.954/2011, da qual a recorrente alega está regida. A regra geral é a de que os direitos e obrigações inerentes aos contratos de correspondente são intransferíveis, com o preceitua a própria norma no seu art. 7º: Art. 7º Admitese o substabelecimento do contrato de correspondente, em um único nível, desde que o contrato inicial preveja essa possibilidade e as condições para sua efetivação, entre as quais a anuência da instituição contratante. § 1º A instituição contratante, para anuir ao substabelecimento, deve assegurar o cumprimento das disposições desta resolução, inclusive quanto às entidades passíveis de contratação na forma do art. 3º. Fl. 1090DF CARF MF 16 § 2º É vedado o substabelecimento do contrato no tocante às atividades de atendimento em operações de câmbio. Ou seja, de acordo com o expresso na regra, para haver o substabelecimento (parcial ou total) do contrato de correspondente, deve (i) o contrato inicial possua cláusula expressa neste sentido, e (ii) haja anuência da instituição financeira contratante, a quem compete assegurar o cumprimento das demais disposições previstas na mencionada resolução. No caso concreto, ficando apenas na esfera jurídica da situação da recorrente, em nenhum momento houve comprovação de tal eventual celebração de contrato de substabelecimento com as instituições financeiras, e nem estas mencionaram ou apresentaram algo a respeito. Ou seja, para eventual análise da atividade da recorrente, há que se ter em mente que eventual substabelecimento contratual inexiste, e então, não prospera nenhuma alegação, não importando o espectro probatório apresentado, de as receitas que diz repassadas decorram da sua atividade, como defende. Como já suscitado no v. acórdão recorrido, o caso aqui seriam de despesas com terceiros que foram subcontratados, a fim de lhe proporcionar apoio na sua estrutura logística e técnica. Ou seja, as receitas totais percebidas pela recorrente na sua atuação de correspondente bancário integram seu faturamento, e os valores repassados aos subcontratados seriam despesas incorridas da sua atividade. Já que se declara na forma de tributação do lucro presumido, não haveria deduzir tais despesas, e procede à alegação de que seriam receitas repassadas para terceiros, que não seriam suas. Contudo, analisando os valores envolvidos nos autos, demonstrase que os valores repassados somados aos valores declarados em DIPJ ainda ficariam aquém do apurado pela fiscalização. Na sua planilha apresentada anexa à peça impugnatória, há o montante de comissões pagas aos subcontratados de R$ 8.454.426,59 e R$ 3.314.846,40 referente aos anos calendário de 2011 e 2012, respectivamente. Considerando que os montantes ofertados à tributação em 2011 e 2012 foram de R$ 5.816.813,39 e R$ 3.855.411,55, respectivamente, e somados aos que entende repasse aos subcontratados (algo que já descartei no meu voto), teríamos o montante pouco mais R$ 14 milhões em 2011, e de pouco mais de R$ 7 milhões em 2012, valores bem aquém aos circularizados pela fiscalização, que configuram receitas reais de mais de R$ 60 milhões em 2011, e de quase R$ 32 milhões em 2012. Ou seja, não importa se considerássemos a atividade da recorrente como eventual excludente das suas receitas (algo que já manifestei contrário à recorrente), ainda haveria uns R$ 45 milhões e R$ 25 milhões de receitas omitidas, conforme farta documentação aposta pela autoridade fiscal autuante. Ressaltese que a apuração de valores da fiscalização, os valores circularizados não foram objeto de contestação da recorrente, apenas se valendo da alegação de seriam repasses a terceiros, algo que também, além de não ser um direito válido da mesma, não foi nem documentalmente comprovado. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do seu recurso voluntário. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.084 17 quanto às alegações de foi adotada a forma de tributação errada no ano calendário de 2012 Alega a recorrente que as autuações fiscais do anocalendário de 2012 são nulas, pois desrespeitam a forma de tributação aplicável.Como em 2011 a receita apurada foi de R$ 60.028.119,04, tal valor extrapolou o limite de R$ 48.000.000,00 para se manter no lucro presumido no ano seguinte, e deveria ter ocorrido a tributação pelo lucro real em 2012 quando das autuações fiscal, ou ao menos, o arbitramento. Tal alegação, suscitada em mesmos termos na sua peça impugnatória, foi rechaçada pela autoridade julgadora a quo, no sentido de que o fato de ter extrapolado a receita total de R$ 48.000.000,00 em 2011, não a obrigaria a ser tributada pelo lucro real em 2012, pois seria o comando legal destinado exclusivamente ao contribuinte. Não há dispositivo que impeça a autoridade fiscal de tributar pela sistemática do lucro presumido. Ademais, aplicase ao caso o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Entendo que a tributação a ser aplicada ao lucro das empresas deve ser preferencialmente a optada por elas. Somente em casos excepcionais, aplicarseia, se fosse o caso, o arbitramento do lucro. No caso concreto, a recorrente pleiteia que fosse aplicado o lucro real, ou residualmente o lucro arbitrado. No caso do lucro real, haveria a necessidade de se realizar uma análise de várias outras informações, como as despesas da recorrente, e efeitos do lalur sobre os valores. Assim, pareceme adequada a postura adotada pela autoridade fiscal autuante de manter a recorrente na forma optada pela mesma, lucro presumido. Tal preceito é encontrado no caput art. 24 da Lei nº 9.249/1995, nos seguintes termos: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. E tal preceito é de fundamental importância pois é replicado no RIR/99, para cada regime de tributação. No regime de apuração pelo real: Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão No regime de apuração pelo presumido: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 Fl. 1092DF CARF MF 18 E no regime de apuração pelo arbitramento: Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532. No caso concreto, a autoridade fiscal autuante conseguiu determinar a receita bruta recebida pela recorrente com os serviços prestados de intermediação de financiamentos e empréstimos, e os respectivas comissões percebidas, o que bastaria para se ter a base tributável necessária ao regime do lucro presumido, que envolve um regime mais simplificado de tributação. Não haveria necessidade de extrapolar a situação para um eventual arbitramento, que, digase de passagem, seria mais prejudicial a recorrente, pois envolveria o aumento do percentual dos coeficientes aplicáveis. E, ademais, só se deve ser aplicado em casos extremos, quando não restar possível a adoção do regime do lucro presumido, conforme o caso em análise. E no caso concreto, o comando legal da Lei nº 9.718/1198, artigos 13 e 141, com a redação dada pelo art. 46 da Lei nº 10.637/2002, vigente à época dos fatos, fica nítido que se trata para uma situação de delimitação de opções ao contribuinte, sem efeitos diretos sobre a autoridade fiscal. Considerado o todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange a este ponto. quanto à multa qualificada Alega a recorrente que a multa qualificada não deveria prosperar, pois a notas fiscais apresentadas pela mesma à fiscalização afastaria a conotação de dolo. Não havendo dolo, não haveria crime contra a ordem tributária. Entende que o caso foi de declaração inexata, o que se sujeitaria a multa de 75%. No que tange a tal ponto, a autoridade julgadora a quo entendeu que a multa de ofício qualificada está devida, pois as receitas informadas em DIPJ estão bastante inferiores às auferidas, o que demonstra a tentativa dolosa de impedir o conhecimento das autoridades fazendárias dos fatos geradores, o que caracteriza a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Tal situação, nos fundamentos do que voto a decidir, já analisei nos meandros do comentando nos itens anteriores do presente voto. 1 Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (...) Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses (...) Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.085 19 Os montantes ofertados à tributação em 2011 e 2012 foram de R$ 5.816.813,39 e R$ 3.855.411,55, valores bem aquém aos circularizados pela fiscalização, que configuram receitas reais de mais de R$ 60 milhões em 2011, e de quase R$ 32 milhões em 2012. Ou seja, há substanciais valores omitidos, que só foram ofertados à tributação após um trabalho, digase de passagem, bem documentado pela autoridade fiscal autuante. A parte inerente à discussão suscitada pela recorrente, que teria parte que não seria suas receitas, mas seriam repasses a terceiros (matéria que já expus no meu voto porque discordo da recorrente), seria de aproximadamente R$ 8,5 milhões e R$ 3,3 milhões para os anoscalendários de 2011 e 2012, respectivamente, o que não afetaria a grande envolvida de valores omitidos que entendo deliberados. O fato da recorrente ter eventualmente colaborado, no sentido de atender às intimações fiscais, não retira sua responsabilidade pelos atos próprios dos fatos geradores, dos quais deveria ter recolhido os tributos no momento certo. Se não houvesse fiscalização, teria eventualmente retificado suas obrigações acessórios e recolhido as diferenças devidas? Provavelmente que não. Assim, o dolo é associado aos fatos geradores, referente aos anoscalendários pertinentes. Nenhum ato depois de iniciado o procedimento fiscal ilidiria tal conduta de então. Neste sentido, ao caso concreto, em nenhum momento há que se falar em eventual declaração inexata da mesma, e sim de uma situação tendente a evitar o conhecimento do fator gerador ocorrido por parte da autoridade fiscal, algo bem intencional. Entendo devidamente aplicado a tipificação ao caso do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, e a respectiva duplicação da multa aplicada, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Considerado o todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange a este ponto. quanto à sujeição passiva solidária Alega a recorrente, na sua peça recursal conjunta com os mesmos, que a sujeição passiva solidária de seus dois sócios administradores Srs. Danilo Franco Caixeta de Oliveira e Jose Rocha dos Santos Júnior é improcedente, pois não há comprovação que os mesmos agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, como preceitua o art. 135, III do CTN. A autoridade julgadora a quo, quanto a esta alegação, pontuou que ambos eram, à época dos fatos geradores e da transmissão das declarações, sóciosadministradores da empresa, os mesmos, omissiva ou comissivamente, tentaram impedir dolosamente o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, das características materiais dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL devidos pela empresa na sistemática do lucro presumido (IRPJ/CSLL), de forma a não recolher a totalidade destes tributos, o que lhe impõe a responsabilidade solidária com base no art. 135, III do CTN. Fl. 1094DF CARF MF 20 Tal posição da autoridade julgadora a quo praticamente resume a fundamentação da autoridade fiscal autuante. Os limites da aplicação do art. 135, III do CTN2 envolvem muitas discussões neste CARF, pois há uma corrente que entende que haver uma demonstração cabal que os administradores agiram conforme preceitua tal imputação com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta corrente, da qual já antecipo que não coaduno, espera encontrar aqui algo equivalente uma prova cabal do dolo do responsável da pessoa jurídica (no caso concreto, sóciosadministradores, ambos com 50% de participação no capital social) Seria encontrar um ordem escrita destes a quem entregou a DIPJ que a mesma estivesse tais valores, bem aquém dos reais, ou quiçá, uma confissão irretratável que agiram no intuito de pagar menos tributos. Tal corrente também entende que seria uma responsabilidade objetiva se não houvesse tal prova para imputação do art. 135, III do CTN. Contudo, a conjunção de elementos coletados pela autoridade fiscal autuante, no que tange ao cotejo com as informações prestadas pela recorrente em sua DIPJ e a sua real receita, apurado após detalhada e extensa circularização, documentada com notas fiscais que deram suporte aos valores pagos pelas fontes pagadoras informadas em DIRF, demonstra que há uma clara intenção da recorrente, pessoa jurídica, em pagar muito menos tributos que o devido, tanto que há um imputação de qualificação da multa. Qual o problema do parágrafo acima? Pessoa jurídica não tem vontade! Esta vontade é exercida pelos seus responsáveis, pessoas físicas, que administram o empreendimento, no caso a pessoa jurídica da recorrente. Ambos os sócio administradores decidem, comissiva ou omissivamente, pelos seus atos de gestão. Frisese bem que a vontade não é demonstrada apenas por um ato próativo, comissivo, como pagar um tributo menos que o devido, ou declarar uma DIPJ com receitas inferiores à realidade. Também é demonstrada pela omissiva de quem deveria zelar pelo respeito às leis e suas obrigações, o que é inerente a toda atividade negocial regular, e não o fez. O administrador de uma pessoa jurídica (no caso concreto, mais abrangente ainda, o sócioadministrador) é o responsável por desempenhar todas as funções administrativas da empresa. É ele que conduz o diaadia do negócio, respondendo legalmente por todos os atos da sociedade, e a gerenciando. Neste sentido, deve o administrador zelar por toda a empresa, e se a mesma está cumprindo todos os seus deveres, inclusive de pagar o valor correto dos seus tributos, ou seja, cumprir as leis tributárias, algo que não se espera da ficção da pessoa jurídica. Nos autos fica demonstrado que tinham conhecimento da sonegação, pois apresentaram notas fiscais durante o procedimento fiscal que já denotava haver receita omitida, e estarem em dissonância com a DIPJ entregue. 2 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.086 21 Comprovado que a pessoa jurídica agiu dolosamente, o que entendo por cabível a aplicação da multa qualificada no presente caso, este dolo é decorrente da gestão dos seus administradores, tanto pela DIPJ e DCTF entregues que ocultavam fatos geradores, por omissão da real receita da pessoa jurídica. Os Srs. Danilo Franco Caixeta de Oliveira e Jose Rocha dos Santos Júnior exerciam a administração, (gerência) da recorrente, fato este que conjugados com os fatos descritos que fundamentaram a autuação fiscal, houve um intuito deliberado de fazer com que pagasse menos tributos que o devido, e não por mero inadimplemento ou equívoco, como fartamente demonstrado nos autos. Os efeitos da conduta dolosa da pessoa jurídica, travestida no papel desempenhado por seu(s) administrador(es)/gerente(s) , é na responsabilidade tributária atribuída ao sócio, com fundamento no art. 135, III do CTN. Ademais, não comungo com o entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não parece ser crível que, se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a coresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. Lembro que se fala aqui de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150%, que se aplica somente nos casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º da Lei nº 9.430/1996 e arts. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/1964). Doutrina, ainda em que franca minoria, e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sóciogerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes3. No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. 3 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. Fl. 1096DF CARF MF 22 Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). 4 Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/ PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; 4 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158159. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.087 23 NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. E a jurisprudência também caminho nesse mesmo sentido. Vejamos: Tribunal Regional Federal da 3ª Região: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIOGERENTE. DECRETOLEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. (...) 3. Os débitos em execução referemse a IRPJFonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decretolei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). 4. É correto fixar a responsabilidade dos sóciosgerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o nãopagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratandose de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade Fl. 1098DF CARF MF 24 prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 050987853.1997.4.03.6182/ SP, Relator Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos] Tribunal Regional Federal da 4ª Região: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmouse, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sóciogerente somente tem lugar com início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias 168A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.0020750/ PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos] Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Hábeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.088 25 irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser pouco plausível pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN, pois há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto à exclusão da sujeição passiva solidária atribuída aos Srs. Danilo Franco Caixeta de Oliveira e Jose Rocha dos Santos Júnior. quanto à incidência do juros Selic sobre a multa de ofício O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das Fl. 1100DF CARF MF 26 penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. quanto às alegações de confisco Na sua peça recursal, alega a recorrente em determinado momento que o valor exigido está muito superior ao efetivamente recebido, o que caracterizaria um confisco. Nestas linhas de defesa, adotada em parte da sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Conclusão NÃO CONHEÇO da matéria de cunho constitucional; Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.089 27 CONHEÇO PARCIALMENTE o recurso voluntário, e na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO INTEGRAL AO MESMO, mantendo na íntegra a autuação e inclusive as sujeições passivas solidárias. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1102DF CARF MF 28 Voto Vencedor Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento adotado pelo I. Conselheiro Relator, Marco Rogério Borges, em seu profundo e esmerado voto como de costume registrando aqui, especificamente, a posição que se revelou vencedora em relação à responsabilidade dos sujeitos passivos solidários. Primeiramente, como se verifica da fundamentação que lastreia as Autuações, a responsabilização dos sócios administradores da Contribuinte foi legalmente arrimada no art. 135, inciso III, do CTN. Contudo, constatase que lá não há a descrição individualizada de nenhuma conduta perpetrada pelos Srs. Danilo Franco Caixeta de Oliveira e Jose Rocha dos Santos Júnior, ou da sua participação pessoal e direta nas infrações. Apenas reside lá a descrição das situações infracionais, referentes à omissão de receita colhidas, fato este que também confirma a ausência da fundamentação fáticoprobatória específica, necessária para a devida aplicação do art. 135, inciso III, do CTN. O próprio v. Acórdão recorrido, ainda que endossando essa manobra fiscal, acaba por deixar claro que as posturas que fundamentam a responsabilização de sócios se confundem com a própria infração imputada à Contribuinte (empresa): In casu, os fatos narrados na presente autuação revelam, cabalmente, que os sócios praticaram atos de gerência com o intuito deliberado de fazer com que o interessado não pagasse tributos, senão vejamos: apresentação de DIPJs, relativas aos anoscalendário de 2011 e de 2012, com declaração de receitas em montantes significativamente inferiores às realmente auferidas; (conduta comissiva) falta de declaração em DCTF dos valores de IRPJ e de CSLL relativos aos anoscaledário de 2011 e de 2012; (conduta omissiva) falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL relativos aos anos caledário de 2011 e de 2012. (conduta omissa) (fls. 914) Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10120.720007/201612 Acórdão n.º 1402003.346 S1C4T2 Fl. 1.090 29 De maneira diametralmente oposta daquilo afirmado pelos I. Julgadores a quo, isso confirma que não há no lançamento de ofício descrição específica e individual, muito menos prova correspondente, das condutas das pessoas físicas responsabilizadas. Nesse sentido, art. 135 do CTN de fato, dispositivo adequado à responsabilização dos sócios administradores traz consigo uma prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. Caso contrário, inaugurase circunstância de responsabilização automática e objetiva dos sócios administradores, em razão da sua função e titularidade societária, quando constatadas infrações tributárias ordinárias, imputadas à pessoa jurídica em face do inadimplemento fiscal (tanto das obrigações principais, como das acessórias). Confirase a lição de Aliomar Baleeiro5 (em obra atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi) sobre o tema: A aplicação do art.135 supõe assim: 1. a prática de ato ilícito, dolosamente, pelas pessoas mencionadas no dispositivo; 2. ato ilícito, como infração de lei, contrato social ou estatuto, normas que regem as relações entre contribuinte e terceiro responsável, externamente à norma tributária básica ou matriz, da qual se origina o tributo; 3. a autuação tanto da norma básica (que disciplina a obrigação tributária em sentido restrito) quanto da norma secundária (constante no art. 135 e que determina a responsabilidade do terceiro, pela prática do ilícito). (destacamos) O tema é há muito debatido neste E. CARF, tendo esta C. 2ª Turma Ordinária já adotado o mesmo entendimento acima exposto em outros julgamentos, sob a relatoria deste Conselheiro. Nesse sentido, confirase o Acórdão nº 1402002.874, publicado em 11/06/2018: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 5 Direito Tributário Brasileiro. 11ª Ed., rev. e ampl. por Misabel Machado Derzi. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 757. Fl. 1104DF CARF MF 30 Anocalendário: 2012, 2013 (...) RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da pessoa do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. É necessária a imputação pessoal, com correspondente comprovação, das práticas e circunstâncias elencadas no dispositivo sob análise. A simples elucubração da intenção dos gestores para cometer a infração tributária, sem a demonstração de nexo causal com as condutas pessoais efetivamente apuradas, não basta para atribuirlhes responsabilidade. Igualmente, os Acórdãos nº 1402002.958, de 16/05/2018 e o Acórdão nº 1402002.603, de 29/08/2017 estampam tal entendimento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir os Srs. Danilo Franco Caixeta de Oliveira e Jose Rocha dos Santos Júnior do polo passivo das exações em tela. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000350/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16349.000350/2009-11
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898673
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.898
nome_arquivo_s : Decisao_16349000350200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16349000350200911_5898673.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7413543
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873443123200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000350/200911 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.898 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente SYNGENTA PROTECAO DE CULTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 50 /2 00 9- 11 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 341DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.577, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16349.000350/200911 Acórdão n.º 3401004.898 S3C4T1 Fl. 0 17 despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907093/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.907093/2011-19
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5919760
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.429
nome_arquivo_s : Decisao_10930907093201119.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930907093201119_5919760.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7480960
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873449414656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 145 1 144 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907093/201119 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.429 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de setembro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 09 3/ 20 11 -1 9 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10930.907093/201119 Resolução nº 3402001.429 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10930.907093/201119 Resolução nº 3402001.429 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10930.907093/201119 Resolução nº 3402001.429 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.720489/2017-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13771.720489/2017-15
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916140
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.333
nome_arquivo_s : Decisao_13771720489201715.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 13771720489201715_5916140.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7466874
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873459900416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 55 1 54 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13771.720489/201715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.333 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente CARLOS ALBERTO DA SILVA NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 72 04 89 /2 01 7- 15 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13771.720489/201715 Acórdão n.º 2002000.333 S2C0T2 Fl. 56 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 19ª Turma da DRJ/RJO, que considerou improcedente a impugnação (fls.30/34). Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 9/13, relativa ao anocalendário 2013, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apontou a seguinte infração: rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave e dedução indevida de previdência oficial. A autuação consigna que "a comprovação da moléstia grave deve ser realizada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, contendo a identificação completa do profissional, sendo indispensável a indicação do cargo (matrícula) ou do ato que confere ao profissional autoridade para manifestarse como perito em nome do órgão". A Notificação de Lançamento alterou o resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.766,48, para saldo de imposto a restituir de R$295,19, valor que já lhe fora restituído. Cientificado da notificação em 18/8/2017 (fls.22), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 6/9/2017 (fls. 2/13). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 15/3/2018 (fl. 35), o recorrente apresentou recurso voluntário em 10/4/2018 (fls. 41/52), onde indica que estaria sendo anexado ao seu recurso laudo pericial com as correções das faltas indicadas na decisão de primeira instância, quais sejam, a assinatura do administrador do posto de saúde e a indicação da matrícula do médico perito. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos recebidos pelo sujeito passivo da Petros, os quais ele alega que seriam isentos por serem decorrentes de aposentadoria e por ser ele portador de moléstia grave. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13771.720489/201715 Acórdão n.º 2002000.333 S2C0T2 Fl. 57 3 Conforme relatado, a autuação apontou falhas no laudo médico apresentado para comprovação da moléstia. Na análise do laudo médico apresentado na fase impugnatória, a decisão de piso consigna: O contribuinte anexou aos autos, à fl. 08, cópia de Laudo Pericial datado de 19/04/2017, onde consta que o contribuinte é portador de 01/2011 até a presente data de Cardiomiopatia Isquêmica CID I50/I25. Consta do referido Laudo Pericial que o “paciente é portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetis tipo II, doença arterial coronariana, sendo revascularizado com 3 pontes radial mamária esquerda e safena em 2011...” Consta do item 2 do referido Laudo, ser a moléstia enquadrada como Cardiopatia Grave. Bem como também não ser a doença passível de controle. Consta do referido Laudo, carimbo da Secretaria Municipal de Saúde de Vila Velha ES. Ocorre porém, que consta do referido Laudo o carimbo do Sr. Milton César Valente da Costa (Administrador CEMAS/SEMSA Matricula 10766/5) porém sem sua assinatura. De igual forma não consta o nº de matrícula na Secretaria de Saúde do Município de Vila Velha ES, bem como sua qualificação como Perito, do profissional que assinou o presente Laudo Pericial, o Dr. André S Brandão CRMES 10.298 (Médico Cardiologista). ... Como bem assinalado pela Autoridade Lançadora à fl. 11, não consta do presente Laudo Pericial a identificação completa do profissional, sendo indispensável a indicação do cargo (matrícula), ou do ato que confere ao profissional, autoridade para manifestarse como Perito em nome da Secretaria Municipal da Saúde de Vila Velha ES. Agora, em seu recurso, o recorrente junta o laudo de fl.51, que se trata do documento anteriormente apresentado (fls. 7, 8 e 50), agora contendo uma rubrica em cima do nome do administrador e a indicação do que seria o número de matrícula abaixo do nome do médico emitente do laudo. Em pesquisa ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (cnes.datasus.gov.br), confirmase que o laudo foi emitido por serviço médico do município, bem como a atuação do profissional emitente do laudo nessa instituição. Acerca da isenção pleiteada, a Súmula CARF nº 63 dispõe: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13771.720489/201715 Acórdão n.º 2002000.333 S2C0T2 Fl. 58 4 O litígio limitase à análise do documento comprobatório da moléstia grave, não tendo sido questionada a natureza dos rendimentos. Nessa toada, entendo que o recorrente fez a prova exigida na forma legal, devendo ser cancelada a infração a ele imputada. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000315/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.000315/2008-31
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912012
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.243
nome_arquivo_s : Decisao_18471000315200831.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 18471000315200831_5912012.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7440844
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873475629056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 4 1 3 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000315/200831 Recurso nº 3 Voluntário Acórdão nº 2402006.243 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PETROBRAS PETROLEO BRASILEIRO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 15 /2 00 8- 31 Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 5 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 6 3 Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 7 4 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 8 5 DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 9 6 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 10 7 O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 11 8 paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 12 9 O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 13 10 CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 14 11 comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 15 12 compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 16 13 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 17 14 legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 18 15 interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 19 16 reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 20 17 Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 21 18 Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 22 19 Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 23 20 esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 24 21 dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 25 22 E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 26 23 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 27 24 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 28 25 Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 29 26 autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 30 27 Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402006.243 S2C4T2 Fl. 31 28 Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 1465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13731.000366/2008-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO - REQUISITOS LEGAIS As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13731.000366/2008-31
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5913526
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.294
nome_arquivo_s : Decisao_13731000366200831.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 13731000366200831_5913526.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7443955
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050873485066240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 58 1 57 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13731.000366/200831 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.294 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MIRA BELL DE SOUZA MALAFAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO REQUISITOS LEGAIS As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 1. 00 03 66 /2 00 8- 31 Fl. 58DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.810,39, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 18 dos autos, conforme decisão da DRJ: Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação em 25/07/2008, fl. 01/03, sustentando que as despesas médicas estão rigorosamente de acordo com a Lei 9250/95, Instrução Normativa SRF n° 15/2001 e Decreto n° 3.000/99RIR/99, existindo previsão legal para dedução e a compensação está sendo feita com os recibos anexos, requerendo o arquivamento da notificação de lançamento e que sejam restabelecidos os dados relativos a Declaração Original. A impugnação foi apreciada na 10ª Turma da DRJ/RJ1 que por unanimidade, em 10/10/2011, no acórdão 1241.373, às efls. 30 a 62, julgou a impugnação procedente em parte, afastando a seguinte glosa: 13. Quanto ao valor de R$ 1.290,97, foi apresentado pela contribuinte o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" emitido pelo Ministério da Saúde, para o ano calendário 2006, onde consta no campo "informações complementares", o pagamento efetuado à titulo de despesas médicoodontohospitalares, (fls. 13). Assim, entendo que o documento apresentado é suficiente para comprovar o desconto efetuado pela fonte pagadora, devendo, portanto, ser restabelecida na apuração da base de calculo do imposto no ajuste anual da DAA de 2007. Recurso Voluntário Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13731.000366/200831 Acórdão n.º 2002000.294 S2C0T2 Fl. 59 3 Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 41 a 56, no qual reitera as razões da impugnação, juntando documentos e declarações dos profissionais Marcelo Campos Ferreira, Gabrielle de Paula Souza, Artur José de Freitas Lopes e Omar Efrain Roque Martinez, solicitando o cancelamento das glosas. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 11/11/2011, efls. 40, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 09/12/2011, efls. 41, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada pela glosa das seguintes despesas médicas: · Artur José de Freitas Lopes R$ 1.800,00; · Marci Tinoco dos Santos R$ 120,00; · Ministério da Saúde R$ 1.290,9; · Omar Efrain Roque Martinez R$ 8.000,00; · Marcelo Campos Ferreira R$ 2.300,00; · Gabrielle de Paula Souza R$ 165,00; · Edison Pimentel Batista R$ 180,00. Como se depreende da decisão da DRJ, a contribuinte não apresenta impugnação em relação a glosa com Marci Tinoco dos Santos (R$ 120,00) e, mesmo que assim procedesse, não faria jus a dedução da despesa, por tratarse de nutricionista. Ainda, a DRJ afastou a glosa das despesas médicoodontohospitalares, no valor de R$ 1.290,97, baseado no comprovante de rendimentos da contribuinte (ano calendário 2006) emitido pela fonte pagadora (Ministério da Saúde). Ainda, a despesa com o profissional Edison Pimentel Batista não foi objeto de impugnação em sede de Recurso Voluntário, atraindo o disposto no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus Fl. 60DF CARF MF 4 dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13731.000366/200831 Acórdão n.º 2002000.294 S2C0T2 Fl. 60 5 profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Fl. 62DF CARF MF 6 Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13731.000366/200831 Acórdão n.º 2002000.294 S2C0T2 Fl. 61 7 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, subsistem as seguintes glosas de despesas médicas, que afasto pela análise das declarações dos profissionais e recibos indicados: · Artur José de Freitas Lopes (R$ 1.800,00): declaração efls. 52 e recibo e.fls. 56; · Omar Efrain Roque Martinez (R$ 8.000,00): declaração efls. 50 e recibo efls. 54; · Marcelo Campos Ferreira (R$ 2.300,00): declaração efls. 49 e recibo efls. 55; Fl. 64DF CARF MF 8 · Gabrielle de Paula Souza (R$ 165,00): declaração efls. 51 e recibo e.fls.14; Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando as glosas das despesas médicas acima delineadas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
