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Numero do processo: 11080.721973/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO: 30 DIAS A PARTIR DA CIÊNCIA INEQUÍVOCA DO LANÇAMENTO.
A ciência inequívoca do lançamento supre a ausência de intimação, dando início ao prazo para impugnação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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IMPUGNAÇÃO. PRAZO: 30 DIAS A PARTIR DA CIÊNCIA INEQUÍVOCA DO LANÇAMENTO. A ciência inequívoca do lançamento supre a ausência de intimação, dando início ao prazo para impugnação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 73 /2 00 9- 04 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.721973/200904 Acórdão n.º 2101002.362 S2C1T1 Fl. 146 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 88/100) interposto em 11 de novembro de 2011 contra o acórdão de fls. 80/83, do qual a Recorrente teve ciência em 10 de novembro de 2011 (fl. 144), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação apresentada à notificação de lançamento de fls. 07/10, por intempestividade. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa e não comporta julgamento quanto às alegações de mérito. Não tendo sido instaurado o litígio, em razão da intempestividade da petição apresentada, o exame das razões de defesa exorbita a esfera de competência da Delegacia de Julgamento, cuja atuação se limita aos processos administrativos em relação aos quais tenha sido instaurado tempestivamente o contraditório. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” (fl. 80). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fls. 88/100, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para determinar a análise da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrida não conheceu da impugnação apresentada pela Recorrente em virtude de sua intempestividade, nos seguintes termos: “Analisandose os autos, verificase que a notificação foi enviada para a Rua Garibaldi, 1234 Bairro Bom Fim – Porto Alegre/RS que era o endereço constante na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte e após sua devolução pelos Correios, por motivo de ausência, não foi providenciada a intimação por meio de edital, adequandose às imposições legais da norma acima transcrita. Por outro lado, houve o pagamento do DARF correspondente em 06/03/2008, conforme confirmação pela consulta aos registros da Receita Federal do Brasil (fl. 44). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.721973/200904 Acórdão n.º 2101002.362 S2C1T1 Fl. 147 3 Considerandose que a impugnação somente foi apresentada em 20/07/2009, ou seja, mais de 01 (um) ano após o pagamento do DARF, entendese que se trata de impugnação intempestiva. Entre os documentos anexados em 20/07/2011, a folha de rosto da Notificação de Lançamento (fl. 65) apresenta apenas a palavra “original” aposta no canto superior direito e na parte inferior ao centro a inscrição “recebida 14/7/09”, sem qualquer confirmação da ciência por algum servidor da Receita Federal do Brasil. Assim, a simples afirmativa da inventariante não é aceita como elemento de prova, ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Desta forma, de acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, não foi instaurado o contraditório administrativo, não podendo produzir efeitos, nesta instância administrativa o pedido de restituição, assim como o inconformismo da impugnante, extemporaneamente manifestado” (fls. 82/83). Verificase, portanto, que a Recorrida considerou como termo a quo do prazo para a impugnação a data do pagamento do DARF relativo ao crédito tributário então constituído, ou seja, o dia da ciência inequívoca do lançamento. E nem poderia ser de outra forma, pois a ciência inequívoca do lançamento supre a ausência de intimação, dando início ao prazo para impugnação. Se isso não bastasse, o pagamento do débito também caracteriza preclusão lógica, pois se trata de ato incompatível com a apresentação da defesa, ensejando, igualmente, o não conhecimento da impugnação. Considerandose, portanto,que a impugnação foi apresentada mais de 1 (um) ano após o pagamento do débito, devese reconhecer sua intempestividade. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961836/2008-33
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel..
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 61 83 6/ 20 08 -3 3 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo por conseguinte o direito creditório da ora Recorrente. Inicialmente a interessada transmitiu em 29/10/2004 o PER/DCOMP eletrônico n° 05908.21066.291004.1.3.046783, visando utilizar direito creditório fundado em saldo negativo de IRPJ, onde consta: a) débitos compensados GRUPO DO TRIBUTO: IRPJ CÓDIGO DA RECEITA : 20891 IRPJ Demais PJ que apuram pelo lucro presumido PERÍODO DE APURACAO: 3º Trim. / 2004 DATA DE VENCIMENTO: 29/10/2004 NÚMERO DO PROCESSO: PRINCIPAL 3.077,99 MULTA 0,00 JUROS 0,00 TOTAL: 3.077,99 b) crédito utilizado: Valor Original do Saldo Negativo: R$ 53.403,28; Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 1.907,53; Crédito Atualizado: R$ 3.077,99 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 3.077,99 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 1.907,53 Saldo do Crédito Original: R$ 0,00 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 4 3 A DERAT/São Paulo, por meio do Despacho Decisório proferido em 11/12/2008, nº de rastreamento 811462164 (efls. 3), não homologou as compensações declaradas, por entender que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. (efls 18 e segs.), onde sintetizadamente alega que: a) houve nova apuração de Imposto de Renda, referente ao 1° trimestre de 2001, onde teria ficado constatado o "montante de pagamento indevido/a maior". b) várias Regiões Fiscais começaram a decidir que o percentual aplicável sobre a receita bruta, em caso de apuração por lucro presumido de Imposto de Renda, seria de 8% se houvesse o emprego de materiais em qualquer quantidade. c) apresentou consulta para a Superintendência da Receita Federal em São Paulo, onde teria comprovado que exerce atividade de construção civil com emprego de materiais por conta dela cuja solução de consulta, anexada, confirmou que se houve emprego de matérias na prestação de serviços de construção, a aliquota para apuração do imposto de renda pelo lucro presumido é de 8% sobre da receita bruta. d) até o momento não foi alterado o entendimento da Receita Federal no sentido da aplicação da aliquota de 8%. e) o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP não teria base legal porque o crédito apurado na DIPJ retificadora foi tacitamente homologado pela Receita Federal por decurso do prazo decadencial. f) que a DCTF referente ao 1° trimestre de 2001, onde foi informado o débito na base antiga foi retificada, conforme cópia anexa à manifestação. Por fim requer a revisão do despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. A DRJ em São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/06/2001 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO NÃO COMPROVADO. ALTERAÇÃO DE DCTF E/OU DIPJ APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF e/ou DIPJ retificadoras, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ Fl. 504DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 5 4 como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF ou DIPJ deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF OU DIPJ, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, corn a consequ ente não homologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 12/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/02/2011, onde alega que: a) no anocalendário 2001 apurou IRPJ trimestral pela sistemática do lucro presumido, sendo que em relação à tributação dos serviços de construção civil utilizou a presunção de 32% da respectiva receita para apurar o IRPJ devido em cada trimestre, o que foi declarado em sua DIPJ apresentada em 27/06/2002; b) tomou conhecimento de diversas soluções de consulta proferidas pela RFB no sentido de que, quando houver fornecimento (emprego) de materiais na prestação dos referidos serviços, o contribuinte tem o direito de utilizar a presunção de apenas 8% da respectiva receita para apurar o IRPJ devido. c) retificou sua DIPJ 2001/2002, alterando o percentual de presunção do lucro presumido de 32% para 8% sobre as receitas que auferiu em 2001 na prestação de serviços de construção civil com fornecimento (emprego) de materiais. d) no 4º trimestre do anocalendário 2001, a Recorrente apurou um crédito decorrente de IRPJ pago a maior, no valor total de R$ 48.584,24, o qual pleiteou o ressarcimento mediante compensação para a quitação de outros débitos tributários, cuja não homologação deu origem ao presente processo administrativo. e) contratou uma auditoria externa que efetuou um levantamento das execuções de prestação de serviço com e sem fornecimento de materiais no ano de 2001, que embasam a apuração da diferença de IRPJ declarado na DIPJ 2001/2002 original e retificadora. f) pode se verificar que o crédito declarado por meio de verificação contábil, era suficiente para compensar o débito existentes que totalizava um montante de R$ 3.077,99, remanescendo ainda um crédito de R$ 45.506,25, mais tarde aproveitado através de outros PER/DCOMP’s. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 6 5 g) por questão de cautela, a Recorrente consultou a RFB sobre esse tema, obtendo resposta no mesmo sentido, ou seja: de fato, quando houver fornecimento (emprego) de materiais na prestação dos referidos serviços, o contribuinte tem o direito de utilizar a presunção de apenas 8% da respectiva receita para apurar o IRPJ devido. h) que a autoridade fiscal da RFB competente pela análise da referida DECLARAÇÃO DE COMPESAÇÃO (EQPIR/PJ da DIORT da DERAT/SPO), deixou de homologála, glosando a compensação ali declarada, pela suposta inexistência de saldo credor (crédito disponível) para a compensação declarada na DCOMP, tendo em vista que o crédito declarado já foi integralmente consumido para a quitação de outros débitos. Junta diversas provas, tais como contratos, documentos contábeis, notas de compras de materiais, dentre outras. Alega que o crédito já estava homologado a época do despacho decisório, face a prescrição quinquenal. Por fim pede a homologação da PER/DCOMP, ou, alternativamente, a baixa do processo em diligência para que se atinja a busca da verdade material. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do PER/DCOMP eletrônico n° 05908.21066.291004.1.3.046783, a interessada busca a compensação de direito creditório fundado em recolhimento a maior IRPJ, com tributos de período subsequente. A DRF não homologou a compensação por entender que o crédito era insuficiente pois já havia sido utilizado para compensar outros débitos. A Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando que os créditos decorreram da retificação da apuração do imposto de renda com base no lucro trimestral, eis que para os serviços de construção civil vinha adotando a presunção de lucro de 32%, embora na maior parte dos serviços empregasse materiais e, diante de diversas soluções de consulta – inclusive uma por ela provocada – concluiu que deveria adotar o percentual de 8%, o que gerou o crédito em questão. Assim passo a uma breve análise. Compulsando as declarações e demais elementos trazidos ao processo está claro que ao refazer a apuração do imposto de renda, adotando a alíquota de 8%, a Recorrente diminuiu o valor devido de IRPJ, sem contudo retificar a sua DCTF do período. Sendo assim, ao apresentar a sua DCOMP o sistema não encontrou crédito algum, eis que todo ele estava alocado na DCTF que não havia sido retificada e, portanto, o despacho decisório automático não homologou a compensação. A DCTF não pode / deve ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., para que se busque a verdade material. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” Fl. 507DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 8 7 E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” A DIPJ apresentada pelo contribuinte como matéria de prova está com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado no PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Ocorre que essa opção na presente sistemática de compensação não é mais facultada ao Contribuinte. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, Fl. 508DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 9 8 na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimado a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento não devolveu o processo para que a DERAT fizesse uma análise do direito creditório da Recorrente, a luz do que havia sido alegado na Manifestação de Inconformidade. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim sendo, converto o presente julgamento em diligência determinando a remessa dos presentes autos à unidade origem, a fim de que aquela unidade: a) verifique o crédito em questão à luz da documentação acostada ao processo, bem como intime o contribuinte a trazer aos autos provas complementares que julgar necessárias para que comprove o crédito alegado, a exemplo: a.1) dos balancetes do período; a.2) memórias de cálculo da retificação da apuração do IRPJ pelo lucro presumido no período que deu origem ao crédito; a.3) contratos de prestação de serviço, examinando o objeto e a responsabilidade pelo custeamento do fornecimento de materiais empregados; a.4) notas fiscais de faturamento dos serviços que não foram objeto de contrato, bem como propostas de serviços atinentes a esses faturamentos; a.5) notas fiscais de aquisição de mercadorias para a prestação desses serviços; a.6) demais documentos contábeis ou fiscais que demonstrem a validade do crédito pleiteado, de forma a dar suporte adicional ao constante na DIPJ. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.961836/200833 Resolução nº 1802000.477 S1TE02 Fl. 10 9 b) apresentada a documentação, intime a contribuinte a demonstrar os lançamentos contábeis referentes a tais receitas tributadas a 8% com as contas do Razão que envolvam tais lançamentos contábeis, e elabore planilha demonstrativa de tais receitas indicando a "fonte" contábil e o demonstrativo das compras (custos) e indicação da "fonte contábil", com a conexão entre elas (receitas que supostamente seriam com emprego de materiais e as compras (custos)). c) verifique se os créditos informados na DCOMP n° 05908.21066.291004.1.3.04 6783 já foram objeto de declarações anteriores, de modo que já se encontravam extintos ou e fase de homologação no momento de sua transmissão; d) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado e pormenorizado dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 510DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10855.002417/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. ADMISSIBILIDADE.
É válido o lançamento por arbitramento do lucro, no caso de omissão comprovada de receitas em que reste demonstrado que a autoridade fiscal agiu com diligência e ofereceu ao contribuinte toda a possibilidade de apresentar os documentos que considerasse hábeis e idôneos para refutar tal presunção.
Numero da decisão: 1201-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, João Carlos de Lima Júnior, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ARBITRAMENTO. ADMISSIBILIDADE. É válido o lançamento por arbitramento do lucro, no caso de omissão comprovada de receitas em que reste demonstrado que a autoridade fiscal agiu com diligência e ofereceu ao contribuinte toda a possibilidade de apresentar os documentos que considerasse hábeis e idôneos para refutar tal presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 24 17 /2 00 6- 11 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, João Carlos de Lima Júnior, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), incluindo multa de ofício e juros de mora relativos aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. O Auto de Infração tem como fundamento a presunção de omissão de receita, decorrente da identificação de vários lançamentos a crédito não contabilizados, mas recebidos na conta bancária da Recorrente. O procedimento fiscal foi iniciado com base no Mandado de Procedimento Fiscal n. 0811000/000912005 e o imposto de renda foi apurado pelo lucro arbitrado, tendo em vista que a Recorrente, embora notificada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou de atender a tal exigência, conforme consta no Termo de Início de Fiscalização e nos respectivos termos de intimação. Conforme descrito no Termo de Constatação, a Recorrente foi intimada pelos correio a apresentar os livros fiscais relativos à apuração do lucro presumido e os extratos bancários de todas as contas mantidas pela empresa no período de 01/01/2001 a 31/12/2003. A fiscalização informou que foi utilizada a via postal em virtude de não ter sido localizada a empresa no endereço existente no cadastro das pessoas jurídicas da Secretaria da Receita Federal (CNPJ) e o destinatário da intimação foi o Sr. Elyseo Leite Soares, na condição de sócio e responsável. Em resposta, a Recorrente requereu prorrogação no prazo de 60 (sessenta) dias e alegou dificuldades para obter a documentação exigida. Também apresentou cópias de dez solicitações, nas quais pediu o envio dos extratos bancários, protocoladas nos diversos bancos em que era correntista. Em 09 de maio de 2005, a fiscalização recebeu, por meio de um documento, a informação que a Recorrente encontravase inativa e em processo de encerramento e que todos os livros fiscais e documentação foram entregues à Secretaria da Fazenda Estadual, para exame com vistas à baixa da empresa naquele órgão. Em relação aos extratos, a Recorrente informou que havia novamente solicitado às instituições bancárias o atendimento, com a devida urgência. Por fim, quanto aos livros fiscais, estaria diligenciando na Secretaria da Fazenda do Estado a autorização para a retirada e posterior envio. A Recorrente não mais se manifestou e, em razão disso, em 13 de junho de 2005, a fiscalização expediu o Termo de Reintimação Fiscal, no qual informou que o não atendimento em relação aos extratos acarretaria a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), diretamente às instituições financeiras envolvidas, além do agravamento de possíveis multas. Em relação aos livros fiscais, no caso de impossibilidade de apresentação, foi exigida a entrega de documento protocolado na Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 4 3 repartição fiscal estadual, em que o responsável pela retenção esclarecesse o motivo de sua não liberação. Quanto aos extratos bancários, apenas parte deles foi fornecida pela interessada, de forma que foram emitidas pela autoridade fiscal diversas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) para a obtenção dos dados relativos às contas da Recorrente. De posse das informações entregues pelos bancos, a fiscalização intimou a Recorrente para comprovar a origem dos valores movimentados em suas contas bancárias e indicar os valores constantes dos extratos que não caracterizassem novas entradas, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, conforme extensa e detalhada planilha que foi entregue ao contribuinte. Foi efetuada, ainda, intimação para que a Recorrente apresentasse cópias frente e verso de sessenta cheques de sua emissão, todos com valores superiores a R$ 100.000,00, e esclarecesse a natureza e os destinatários dos montantes. Somente em 15 de fevereiro de 2006 a Recorrente enviou correspondência, na qual informou que considerava os livros fiscais extraviados, uma vez que sequer conseguia identificar se estes foram devolvidos pela repartição estadual quando do processo de encerramento naquele órgão. Na mesma oportunidade, informou que em relação aos cheques solicitados estava no aguardo do envio das cópias pelos respectivos bancos. Após diversas reintimações, que alertavam para o não atendimento das informações nos prazos solicitados, em 25 de maio de 2006 o Contribuinte enviou, parcialmente, cópias dos cheques e justificativas acerca da movimentação bancária. Mediante Termo de Intimação datado de 05 de julho de 2006, a fiscalização comunicou ao Contribuinte que havia conferido a aceitado a planilha de justificativas enviada, com o efeito de desconsiderar os valores devidamente comprovados, bem como aqueles relativos às movimentações inferiores a R$ 10.000,00, o que resultou numa desoneração de R$ 18.977.746,22. Pelo mesmo termo a Recorrente foi informada que, diante da não apresentação dos livros fiscais, o lucro dos períodos seria arbitrado com base nos depósitos e créditos cuja origem ou natureza não tivessem sido esclarecidos, e que os depósitos bancários de origem não comprovada, cujo montante ultrapassasse os valores declarados, seriam tratados como omissão de receitas. Em 24 de julho de 2006, em resposta a essa comunicação, a Recorrente aduziu vários comentários sobre a complexidade do atendimento das solicitações, as dificuldades enfrentadas e apresentou, parcialmente, 800 lançamentos que caracterizariam transferências de recursos entre as próprias contas correntes da empresa. Conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal, por meio da análise desses últimos dados enviados, a fiscalização realizou o cruzamento entre as contas correntes e identificou novos montantes que considerou comprovados, no total de R$ 25.758.426,80 (incluídos aqueles previamente desonerados). Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 5 4 A fiscalização elaborou a planilha denominada Depósitos e/ou créditos considerados como receita anos 2001, 2002 e 2003, na qual foram devidamente excluídos os valores devolvidos ou estornados e, com nessas informações, produziu a planilha Apuração de Omissão de Receitas, referência para o arbitramento do lucro, com o lançamento dos respectivos créditos tributários e multas de ofício. Devidamente intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação em 17 de outubro de 2006, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. A intimação por via postal dos autos de infração lavrados foi remetida para endereço diverso daquele indicado pelo representante legal da empresa; 2. A intimação só foi coletada no antigo endereço em 05 de outubro de 2006, de modo que esta data deve ser considerada como a de ciência dos autos de infração, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa; 3. Houve cerceamento ao direito de defesa, já que o contribuinte só teve acesso ao conteúdo da autuação em 05 de outubro de 2006, de modo que o recurso foi elaborado em apenas uma semana; 4. Nulidade do auto de infração por ausência da correta descrição dos fatos pela autoridade fiscal; 5. A autoridade autuante limitouse a somar os depósitos dos anos de 2001, 2002 e 2003, sem analisar adequadamente a documentação apresentada. Além disso, não considerou o fato de que a empresa mantém diversas contas correntes em mais de uma instituição bancária, viabilizando a obtenção de crédito mediante garantia por desconto em carteira, possibilitando a tramitação de capital entre essas contas correntes, valores esses que não representam renda, mas apenas transferência de capital; 6. Apresentou 800 lançamentos que caracterizam transferência de recursos da pessoa jurídica, tendo a autoridade autuante concluído, erroneamente, que tais documentos eram insuficientes; 7. Houve equívoco na apuração do PIS, pois a autoridade procedeu ao levantamento da base de cálculo trimestralmente, não respeitando o disposto no artigo 74 do Decreto n° 4.524/02, no art. 2° da Lei Complementar n° 70/91 e no art. 2o da Lei n° 9.715/98, que determinam a apuração e o pagamento mensalmente; 8. Houve decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no período de março a setembro de 2001, pois houve o transcurso do prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4°, do CTN; Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 6 5 9. A simples constatação de que valores foram depositados em conta bancária não autoriza a conclusão de que houve renda auferida, devendo a autoridade administrativa aquilatar o acréscimo patrimonial verificado no período e a renda consumida pelo contribuinte. Só mediante a constatação de acréscimo patrimonial pode o imposto de renda ser exigido; 10. A doutrina e a jurisprudência repelem o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de receitas fundada exclusivamente em depósitos bancários; 11. Não possui capacidade contributiva para fazer frente ao crédito tributário lançado. Tal incapacidade é provada pela Declaração de Bens do anocalendário 2006, na qual ficou registrado o grande decréscimo patrimonial sofrido através dos anos; 12. A utilização da taxa Selic para fins de cálculo de juros moratórios em matéria tributária viola os princípios da legalidade, da anterioridade e da indelegabilidade da competência tributária. Requereu, por fim, a realização de perícia, a fim de se levantar os valores que foram transferidos entre as diversas contas correntes. Após o saneamento dos autos, em razão da necessidade de se comprovar os poderes do representante legal da empresa para a constituição de seus procuradores, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto resolveu converter o julgamento em diligência, para que fossem apuradas as receitas brutas e os créditos tributários do PIS e da COFINS apenas dos meses de março, junho, setembro e dezembro de 2001, 2002 e 2003. Além disso, a Resolução também determinou que fosse elaborada peça informativa com o lançamento dos créditos na base trimestral, bem como fosse lavrado, caso julgado conveniente, novo auto de infração, com a concessão do prazo legal para a impugnação do Contribuinte. Como resultado da diligência elaborouse um demonstrativo, no qual foram apontados os créditos tributários do PIS e da COFINS remanescentes, para os fatos geradores acima mencionados, e lavrados dois outros autos de infração, formalizados por meio do processo administrativo n. 16024.000038/200818, que foi apensado aos autos. Nesses autos de infração foram constituídos os créditos tributários do PIS e da COFINS relativos aos fatos geradores dos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro dos anos de 2001, 2002 e 2003. Intimada dos autos de infração do PIS e da COFINS referentes ao processo administrativo n. 16024.000038/200818, a Recorrente reiterou todos os termos da impugnação anteriormente apresentada. Em sessão realizada no dia 06 de março de 2008, a 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, por maioria de votos, julgou procedente em parte o lançamento, exonerando a Recorrente nos seguintes termos: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 7 6 1 Em razão da decadência, os valores lançados a título de IRPJ e a respectiva multa de ofício para os fatos geradores de 31/03/2001, 30/06/2001 e 30/09/2001; 2 Os valores lançados a maior a título de PIS e de COFINS, bem como as respectivas multas de ofício sobre os valores exonerados, para os fatos geradores dos meses março, junho, setembro e dezembro de 2001, 2002 e 2003, conforme apontado no demonstrativo que compõe o acórdão. 3. Mantêmse os créditos tributários remanescentes lançados. 4. Conforme ressaltado no voto, e com base no art. 1°, I, "a", da Portaria SRF n. 6.129/2005, antes que seja dada ciência do presente acórdão ao contribuinte, a DRF/SOROCABA deve anexar ao presente processo administrativo o processo de n. 16024.000038/200818, que se encontra apensado. Tendo em vista o fato de a Recorrente possuir domicílio em Itapetininga/SP, conforme pesquisa no sistema do CNPJ, o processo foi encaminhado para a ARF daquele município. A Recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento em 30 de julho de 2008 e interpôs Recurso Voluntário, em 28 de agosto de 2008, alegando, em síntese, que: 1. Mantinha diversas contas correntes em mais de uma instituição bancária viabilizando a obtenção de crédito mediante garantia por desconto em carteira, ocorrendo, portanto, a tramitação de capital entre essas contas correntes, sem que isso representasse auferimento de renda, mas apenas transferência de capital; 2. Preliminar de nulidade do auto de infração por ausência da correta descrição dos fatos pela autoridade fiscal; 3. Preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, pois, apresentou 800 (oitocentos) lançamentos que caracterizam transferência de recursos da pessoa jurídica, demonstrando lisura e transparência junto à Secretaria da Receita Federal – SRF e a autoridade fiscal entendeu que tais documentos são insuficientes para demonstrar a comprovação da origem dos valores; 4. Preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de intimação pessoal no domicílio da Recorrente, tendo em vista não existir dispositivo legal que preveja a substituição da ciência pessoal por edital ou via postal; 5. O fato de ter apresentado a defesa não implica em ciência regular do feito na forma prevista do artigo 23 da Lei nº 70.235/72; 6. O fato de a representação não ter sido regularizada demonstra que o processo está eivado de vício insanável; Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 8 7 7. Apresentou ao Auditor Fiscal cópias de lançamento que caracterizam transferência de recursos e que isso comprova as origens dos valores depositados; 8. Não deixou de responder nenhuma intimação do Auditor Fiscal e as solicitações para prorrogação de prazo, foram baseadas em justa comprovação da impossibilidade do atendimento, na maioria das vezes, pela morosidade dos bancos em atender as solicitações da Recorrente; 9. Não existe lei determinando o tipo de documento que deveria ser apresentado ao Auditor Fiscal para satisfazer as exigências legais e, por isso, a autoridade fiscal não tem o poder de discriminar os documentos, aceitando alguns e rejeitando outros sem justificativa plausível; 10. Na ausência de definição legal do tipo exigível, somente poderiam ser rejeitadas as falsidades e documentos fraudulentos; 11. O artigo 152, III, da Constituição Federal limita a tributação em função da capacidade contributiva; 12. Comprovou por meio de Declaração de Bens do Ano Calendário de 2006, a incapacidade contributiva, pois, ficou registrado grande decréscimo patrimonial que vem sofrendo ao longo dos anos e que, na realidade, a Recorrente não teve a renda que pareceu ter face ao montante dos valores movimentados nos anos de 2001, 2002 e 2003; 13. O Auditor Fiscal se contentou em somar os valores depositados nos extratos bancários e em considerar sua integralidade como renda supostamente auferida, sem verificar a destinação que se deram os pagamentos efetuados; 14. Se tivesse auferido tais valores, em razão da vultuosidade, deveria, necessariamente, ter um incremento em seu patrimônio, o que não ocorreu; 15. A simples análise dos depósitos bancários não pode ser considerada suficiente para caracterizar acréscimo no patrimônio a justificar sua autuação; 16. O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de mera presunção pela Autoridade Fiscal que considerou simples depósitos bancários como se fossem renda auferida, o que afronta a regra de incidência tributaria do Imposto sobre a Renda; 17. Requereu a realização de perícia a fim de se levantar os valores demonstrados como transferência entre contas correntes e comprovar que tais valores não caracterizam auferimento de renda. Para acompanhar a perícia, indicou como assistente técnico o Sr. Nelson Luiz da Silva. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 9 8 Por fim, requereu o provimento do recurso para anular a decisão recorrida e cancelar os lançamentos tributários e as multas. O Recurso Voluntário foi acompanhado de doutrina e jurisprudência. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Também reconheço o Recurso de Ofício da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, que exonerou parte dos créditos lançados, em montante superior ao limite de R$ 1.000.000,00 previsto na Portaria MF n° 3/2008, nos seguintes termos: 1. Em razão da decadência, os valores lançados a título de IRPJ e a respectiva multa de ofício para os fatos geradores de 31/03/2001, 30/06/2001 e 30/09/2001; 2. Os valores lançados a maior a título de PIS e de COFINS, bem como as respectivas multas de ofício sobre os valores exonerados, para os fatos geradores dos meses março, junho, setembro e dezembro dos meses de 2001, 2002 e 2003, conforme apontado no demonstrativo que compõe o acórdão. De modo a enfrentar todas as questões alegadas pela Recorrente, passo a analisálas por tópicos, conforme segue. 1. Das Preliminares suscitadas A Recorrente, em suas alegações, levanta, basicamente três preliminares de nulidade, a saber: a) Preliminar de nulidade do auto de infração por ausência da correta descrição dos fatos pela autoridade fiscal. Quanto a este tópico não restam dúvidas de que a alegação da Recorrente não deve prosperar, pois a fiscalização, conforme se depreende claramente da leitura dos autos, foi bastante diligente na condução dos trabalhos e na elaboração do Termo de Constatação, no qual foi apresentada toda a fundamentação legal e fática dos lançamentos, bem como planilhas detalhadas acerca dos valores tributados, de forma que se deve afastar a preliminar suscitada. b) Preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 10 9 Neste ponto a Recorrente alega que apresentou 800 (oitocentos) lançamentos que caracterizariam transferência de recursos da pessoa jurídica, demonstrando lisura e transparência junto à Secretaria da Receita Federal – SRF e a autoridade fiscal entendeu que tais documentos são insuficientes para demonstrar a comprovação da origem dos valores. Entendo que não assiste razão à Recorrente, pois consta dos autos a informação de que a autoridade lançadora analisou detalhadamente esses lançamentos, que foram entregues praticamente no término da fiscalização e, ainda assim, excluiu da base de cálculo dos autos de infração os valores que considerou devidamente comprovados (quase sete milhões de reais, conforme demonstrado no relatório). Aliás, durante todo o procedimento de fiscalização, a autoridade lançadora buscou informar ao Contribuinte, por meio de diversos termos de intimação, o montante dos créditos exonerados, além de ter aberto a possibilidade, efetivamente utilizada pela Recorrente, de até o último instante apresentar documentos que lhe fossem favoráveis, como se depreende, por exemplo, da intimação de fls. 538, efetuada mais de ano após o início dos trabalhos. Nesse sentido, o Contribuinte teve tempo mais do que suficiente – e oportunidade – de apresentar todos os documentos hábeis e idôneos de seu interesse, que foram devidamente apreciados pela fiscalização, de forma que a preliminar de cerceamento de defesa deve ser afastada. c) Preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de intimação pessoal no domicílio da Recorrente, tendo em vista não existir dispositivo legal que preveja a substituição da ciência pessoal por edital ou via postal. Alega a recorrente que houve substituição da ciência pessoal pela via postal, com suposta “ciência fictícia”, que seria vedada pelo artigo 23 do Decreto n. 70.235/72. Curiosamente, a própria Recorrente reproduz o referido dispositivo como fundamento para a sua pretensão, que expressamente estabelece: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (grifamos) (...) Conforme se pode depreender dos documentos de fls. 1034 e 1035 do processo eletrônico, a agência da Receita Federal de Itapetininga foi diligente ao pesquisar nos sistemas informatizados o endereço declarado pelo responsável da empresa, Sr. Elyseo Leite Moraes, que foi, portanto, regularmente notificado da decisão de 1a instância, sem qualquer vício ou prejuízo à sua defesa. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 11 10 Aliás, o endereço utilizado para a notificação da decisão combatida foi o mesmo de intimações anteriores, razão pela qual também deve ser afastada qualquer arguição de nulidade. Por fim, no que tange à solicitação de perícia indefiro o pedido, posto que entendo presentes nos autos todos os elementos necessários à análise do caso, com a consequente possibilidade de livre convicção dos julgadores, conforme prescreve o artigo 18 do Decreto n. 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. 2. Das questões de mérito No mérito, aduz a Recorrente basicamente dois argumentos centrais, a saber: a) Que o Auditor teria se contentado em somar os valores dos depósitos e considerálos, integralmente, como tributáveis; b) Que a simples análise dos depósitos bancários não é suficiente para caracterizar o acréscimo patrimonial. Quanto à primeira alegação, pareceme claro que, ao longo dos procedimentos, a fiscalização intimou, reiteradamente, o Contribuinte, para que este demonstrasse a origem e a aplicação dos recursos oriundos dos extratos bancários. Advertiuo, por diversas vezes, que a não apresentação dos documentos e livros fiscais – que a própria empresa declarou extraviados, conforme demonstrado no relatório – implicaria no arbitramento do lucro. Conforme se depreende dos autos e do Termo de Constatação Fiscal, houve o cruzamento de todas os dados e informações fornecidos pelo Contribuinte com os extratos obtidos a partir dos RMF, o que resultou, de acordo com a autoridade lançadora, na exclusão de mais de 25 milhões de reais da base de cálculo combatida, fato que, por si só, demonstra que os lançamentos não foram efetuados a partir da simples soma dos depósitos, como demonstram os fatos descritos no referido termo: Em 19/01/2006 enviamos ao responsável pela empresa nosso Termo de Intimação Fiscal de mesma data (doc. de fls.183 e 184, com planilha anexa de fls. 185 a 336, ciência em 21/01/2006, A.R. no verso da fl. 184). Neste termo novamente abrimos o prazo de 20 (vinte) dias para a apresentação dos livros fiscais, a despeito de todos os demais prazos já estabelecidos e não cumpridos, alertando que face ao tempo decorrido não aceitaríamos qualquer nova solicitação de prorrogação de prazo. Novamente alertamos quanto à desclassificação da escrita fiscal e aplicação do regime de apuração do lucro arbitrado com base nas informações disponíveis. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 12 11 Anexamos também planilha com 302 (trezentas e duas) páginas onde relacionamos os depósitos e/ou créditos em diversas contas correntes de movimentação da empresa no período sob fiscalização. Informamos ao representante que nessa planilha não constaram as transferências entre as referidas contas que pudemos constatar pela análise dos extratos, bem como créditos provenientes de empréstimos bancários e resgates de aplicações e outros créditos que não significaram novos aportes de recursos. Face ao volume de lançamentos, exigimos que fossem informadas a natureza e a origem dos recursos para os valores iguais ou maiores do que R$ 10.000,00 (dez mil reais),alertando que tal informação deveria ser corroborada por documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Alertamos ao representante que caso identificasse na planilha valores que circularam entre as referidas contas correntes, que não caracterizassem novas entradas e que não tivessem sido identificadas por nós, deveria fazêlo agora, comprovando igualmente por meio de documentação hábil e idônea. Comunicamos também que como os extratos apresentados não espelharam todas as contas correntes mantidas pela empresa, como fora exigido, requisitamos diretamente aos bancos os extratos, o que resultou em 11 (onze) contas cujos extratos não nos haviam sido fornecidos. (grifamos) Entendo que, ao assim proceder, agiu a autoridade lançadora com a devida diligência e o cuidado que devem nortear as hipóteses de omissão de receitas, no sentido de perquirir e dar oportunidade para que o Contribuinte apresente documentos, notadamente os relativos a custos ou despesas. Quanto ao critério para a apuração da base de cálculo, a conduta fiscal também foi transparente e cuidadosa, conforme se pode perceber da transcrição abaixo (item 20 do Termo de Constatação): Em relação à planilha em que o procurador listou diversos lançamentos que teria identificado como de transferências entre contas correntes da empresa, apesar de não ter apresentado nenhuma documentação comprobatória, nem sequer indicado o banco e conta corrente de onde teria se originado cada lançamento relacionado, procedemos a uma nova análise e aceitamos em sua totalidade tais valores como justificados. Comunicamos ao representante que, como tais movimentações indicadas em sua planilha haviam se referido a valores maiores ou iguais a R$ 10.000,00 (como havíamos exigido), procedemos à identificação de todos os valores inferiores a este e que tinham as mesmas características, resultando numa diminuição total no valor de R$ 18.977.746,22 (dezoito milhões, novecentos e setenta e sete mil, setecentos e quarenta e seis reais e vinte e dois centavos) em relação à planilha com os valores a serem esclarecidos. Mais uma vez lembramos que se fossem identificados novos valores com as mesmas características, deveriam ser apontados no mesmo prazo estabelecido no início do termo de intimação. Neste termo comunicamos ao representante da empresa que, face à não apresentação dos Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 13 12 livros fiscais, cristalizadas na correspondência em que o procurador afirma têlos considerados extraviados (ver item 15 a retro), procederíamos à apuração do lucro com base no lucro arbitrado e que os valores cuja natureza e origem não fossem devidamente esclarecidas e que ultrapassassem os valores declarados, teriam o tratamento de omissão de receitas. (grifamos) Portanto, ao contrário do que alega a Recorrente, pareceme induvidoso que os lançamentos não recaíram sobre o montante total dos depósitos, mas sim sobre aqueles relativos a receitas omitidas e não comprovadas. Em relação aos oitocentos lançamentos apresentados quase ao término da fiscalização, também é incontroverso que foram analisados e considerados pela autoridade lançadora, conforme demonstrado a seguir (itens 21 e 22 do Termo de Constatação): Em 24/07/2006 o procurador da empresa enviounos a correspondência de fl. 365 e planilha anexa de fls. 366 a 374, onde tece vários comentários sobre a complexidade do atendimento de nossas exigências e apresenta 800 (oitocentos) lançamentos que caracterizariam transferências de recursos entre as contas correntes da empresa. Mais uma vez deixou de apresentar qualquer documentação que corroborasse esta última afirmativa sobre a natureza dos lançamentos e também deixou de relacionar ao menos de que banco e conta corrente se originaram tais lançamentos; Em relação a esses novos lançamentos, apesar da não apresentação de qualquer documento ou informação mais consistente, procedemos a nova análise e cruzamento entre as diversas contas correntes, tendo identificado um total de R$ 25.758.426,80 (aqui incluído o valor já citado no item 20 retro) que desconsideramos em relação á planilha originalmente enviada à empresa para justificação da natureza e origem dos depósitos; (grifamos) Podemos perceber que, ao contrário do que alega a Recorrente, a fiscalização não lançou, simplesmente, os valores relativos aos depósitos bancários, mas os considerou como indiciários da omissão de receitas e, nesse sentido, adotou as providências necessárias para identificar os montantes que efetivamente deveriam ser tributados, segundo a determinação do artigo 42 da Lei n. 9.430/96: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10855.002417/200611 Acórdão n.º 1201000.907 S1C2T1 Fl. 14 13 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Assim, entendo que a fiscalização logrou êxito em comprovar a omissão de receitas, agindo com diligência e oferecendo ao Contribuinte toda a possibilidade de apresentar os documentos que considerasse hábeis e idôneos para refutar tal presunção, conforme de pode facilmente depreender dos diversos termos de intimação e reintimação lavrados durante o curso dos trabalhos de auditoria. Ademais, a autoridade lançadora elaborou extensa planilha, com 248 páginas e denominada “Depósitos e/ou créditos considerados como receita – anos 2001, 2002 e 2003”, em que demonstra, pormenorizadamente, os créditos que serviram de base aos lançamentos. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e no mérito NEGOLHE provimento, mantendo integralmente a decisão de primeira instância, razão pela qual também conheço do Recurso de Ofício para NEGARLHE provimento, aceitando a exoneração dos créditos decorrentes da decadência e os valores lançados a maior, a título de PIS e COFINS. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 07/03 /2014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003347/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF - MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INÍCIO DA VIGÊNCIA.
Os proventos de aposentadoria ou pensão por moléstia grave são isentos do imposto de renda, quando a pessoa física prova, mediante laudo oficial, ser portadora de moléstia grave. No caso, o laudo oficial apresentado aponta para a pré existência da doença em data anterior ao auto de infração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB.
Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a isenção pleiteada no valor de R$ 52.817,84.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, GONÇALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IRPF - MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INÍCIO DA VIGÊNCIA. Os proventos de aposentadoria ou pensão por moléstia grave são isentos do imposto de renda, quando a pessoa física prova, mediante laudo oficial, ser portadora de moléstia grave. No caso, o laudo oficial apresentado aponta para a pré existência da doença em data anterior ao auto de infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB. Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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ISENÇÃO. INÍCIO DA VIGÊNCIA. Os proventos de aposentadoria ou pensão por moléstia grave são isentos do imposto de renda, quando a pessoa física prova, mediante laudo oficial, ser portadora de moléstia grave. No caso, o laudo oficial apresentado aponta para a pré existência da doença em data anterior ao auto de infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB. Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a isenção pleiteada no valor de R$ 52.817,84. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 33 47 /2 00 9- 55 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, GONÇALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 85/96) interposto em 18 de outubro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), (fls. 76/80), do qual o Recorrente teve ciência em 18 de setembro de 2010 (fls.82), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 25/29, lavrado em 11 de maio de 2009, em decorrência de omissões de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 52.817,84 recebidos do Ministério da Justiça e, ainda, de R$ 10.411,05 do Grupo Mineiro de Imóveis LTDA, esse último baseado na DIMOB, no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange somente os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB. Os valores apontados na DIMOB são válidos como prova do recebimento dos rendimentos, haja vista que a prova contrária apresentada pelo contribuinte nem sequer possui assinatura de quem a emitiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário em 18 de outubro de 2010 (fls. 85/96), onde argumenta, em síntese, que: I – Moléstia Grave: a) O laudo apresentado é documento oficial, emitido pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Caxambu e contém, inclusive, carimbo de identificação do Serviço Único de Saúde (SUS) de Caxambu, além dos dados do médico responsável e da paciente; b) O laudo médico oficial indica expressamente a data de começo da alienação mental da recorrente; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.003347/200955 Acórdão n.º 2101002.199 S2C1T1 Fl. 125 3 c) A recorrente está mentalmente incapacitada desde o ano de 2002, sendo, portanto, portadora do direito do benefício de isenção de Imposto de Renda previsto no art. 47 da Lei nº 8.541/92; II – Aluguel do Imóvel d) Houve equívoco no preenchimento da DIMOB por parte da administradora de imóveis (GMI); Fez anexar declaração médica (fls. 117) e Demonstrativo de Imposto de Renda Ano Base 2004, emitido por GMI – Grupo Mineiro de Imóveis Ltda (fls. 120). Por fim, requer provimento do Recurso Voluntário, deferindose a restituição total do imposto pago à maior e indevidamente no anocalendário de 2004. É o relatório. Voto Conselheiro GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Versam os presentes autos sobre lançamento no qual foi constatado, na Declaração Retificadora da contribuinte, entregue em 13/07/2005 (fls.38), omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 52.817,84 recebidos do Ministério da Justiça e, ainda, de R$ 10.411,05 do Grupo Mineiro de Imóveis LTDA, sendo alterado o imposto a restituir declarado de R$ 8.676,35 para um imposto suplementar de R$ 2.738,86. De seu lado, insiste a recorrente sustentando, quanto ao benefício isencional, que é portadora de moléstia grave desde de o ano de 2002 e, consequentemente, seus rendimentos não poderiam ser alcançados pela tributação; e, quanto aos rendimentos de aluguel, esses foram percebidos pela sua filha, Maria Elizabeth Fernandes Teixeira. Portanto, a única questão em debate consiste em saber se a condicionante da isenção, ou seja, a comprovação da moléstia grave, foi feita a contento e na forma da Lei, de modo a desconstituir a exigência e, via de conseqüência, validar o imposto a restituir pleiteado na declaração retificadora do recorrente. No concernente à moléstia grave, a autoridade recorrida, ao argumento de que o documento de fls. 33, não se prestaria à comprovação para o gozo do benefício fiscal, isso em decorrência de não conter a identificação da Unidade de Saúde que emitiu o referido documento e, ainda, que o mesmo não faz referência ao começo da alienação mental, caminhou pela manutenção da exigência, eis que não estariam atendidos os requisitos ensejadores da isenção. O Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10, de 16 de maio de 1996, ao disciplinar a matéria estabelece que: "I — a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5° da IN SRF n° 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (g.n.) Grifo nosso. No presente processo, o laudo médico (fl. 33), emitido pela Prefeitura Municipal de Caxambu – MG – Secretaria Municipal de Saúde SUS, identifica a data em que a doença foi contraída, tendose como mês/base agosto de 2002. O laudo médico não contradiz o fato, identifica o fato. Ora, a menção no referido documento oficial de que a doença de Alzheimer foi diagnosticada pelo médico do paciente, desde mais ou menos o mês de agosto do ano de 2002, legitima a realidade insofismável da data em que a doença fora contraída; admitir o contrário seria tornar o documento inservível ao que se propõe, posto que conteria uma declaração incorreta, sem estar lastreada em exames e avaliações confiáveis. Ressaltese, ainda, que fora carreado aos autos declaração de folhas 117, datada de 21/05/2008, onde o profissional da medicina declara que a paciente encontravase em tratamento desde maio de 1993. Vejase o teor da ementa do Processo de Consulta Interna nº 11/12 – COSIT: Processo de Consulta Interna nº 11/12 Órgão: CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. Ementa: A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Despacho de Aprovação Cosit nº 13 Para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, sem Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.003347/200955 Acórdão n.º 2101002.199 S2C1T1 Fl. 126 5 prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, ou seja, instituídas e mantidas pelo Poder Público, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal, não podendo ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. (Data da Decisão: 03.07.2012 03.07.2012) 1068508 Vejase, ainda, o seguinte trecho do item 13 do relatório alusivo à citada ementa: 13. É oportuno ratificar os conceitos de serviço médico oficial, discriminados na SCI SRRF10/Disit nº 134, de 10 de outubro de 2008: 9. Serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, é o serviço médico dos órgãos integrantes da administração direta dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como de suas autarquias e fundações públicas. Destarte, o documento de fls. 33 é hábil para o que se propõe, ou seja, comprovar a moléstia grave e a data em que o paciente é considerado portador da mesma. Contém inegavelmente todos os requisitos necessários à comprovação. Importa esclarecer que o documento de folhas 37, tido pela autoridade de primeira instância como hábil para a concessão do benefício isentivo do Imposto de Renda a partir de setembro de 2008 tratase tão somente de um laudo de avaliação para se fazer cumprir a isenção do referido imposto nos controles do Departamento de Recursos Humanos da fonte pagadora, vez que o desconto vinha sendo efetivado nos proventos da Recorrente conforme se comprova no documento de fl. 31. É de se supor que o referido Departamento não aplicou o benefício da isenção tendo por base apenas o documento de fls. 33, por desconhecêlo, ou ainda, por normativo interno. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão instituiu o Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal através da Portaria SRH nº 797, de 22 de março de 2010, no qual em seu capítulo V, se lê: “Capítulo V Atribuições Gerais da Perícia Oficial em Saúde A perícia oficial em saúde, após a realização dos exames periciais necessários emitirá laudos ou pareceres que servirão de fundamentação nas decisões da Administração Pública Federal, nos casos indicados a seguir, respeitados os limites das áreas de atuação médica ou odontológica conforme a Lei nº 8.112/1990: (...) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 r. avaliação para isenção de imposto de renda (art. 6, inciso XIV e XXI da Lei nº 7.713/1998, alterada pela Lei nº 11.052/2004.” O documento de fl. 31 informa: “ O início da isenção darseá a partir de 23 de setembro de 2008.” Ora, inadmissível um laudo de avaliação dessa natureza, definir a data de início da doença e retroagir o momento de início da isenção, quando os rendimentos já percebidos pela pensionista foram gravados pelo Imposto de Renda, tendo os mesmos já sido retidos pela fonte pagadora, no caso o Ministério da Justiça. Vejase que o laudo não informa a data em que a pensionista contraiu a moléstia limitandose a confirmar a alienação mental por doença de Alzheimer e apontar o início da isenção, isso naturalmente para efeito de controle do DRH daquele órgão público. Ressaltese, por fim, que não é competência da autoridade fiscal opinar sobre provável data em que a moléstia grave foi contraída, por ser essa atribuição privativa dos profissionais da medicina. No concernente aos rendimentos de aluguéis, relativo a imóvel administrado pelo Grupo Mineiro de Imóveis LTDA, tenho que não assiste razão à recorrente. Fora carreado aos autos declaração emitida pela referida empresa (fls.120) onde se vê que a locadora é Maria Elizabeth Fernandes, cujo valor total percebido do locatário Luiz Carlos de Araújo, no exercício de 2004, é R$ 10.767,99, valor esse declarado pela mesma na Declaração de Ajuste Anual (fls.54), a qual não contém o recibo de transmissão, havendo tão somente um extrato simplificado de processamento relativo ao anocalendário de 2003. Ora, o valor informado na DIMOB foi de R$ 10.411,05, dado conflitante com o documento de fls. 120. Por conseguinte o referido documento carece de credibilidade, não servindo para contradizer as informações constantes na DIMOB, utilizadas no lançamento em discussão. Destarte, com as presentes considerações e diante da suficiência da prova documental trazida aos autos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, restabelecendo a isenção pleiteada no valor de R$ 52.817,84. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10580.002771/2003-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade e Gilberto Baptista.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 490 1 489 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.002771/200362 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.307 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 6 de maio de 2014 Assunto Solicitaçaõ de Diligência Recorrente ITAPEBI GERAÇÃO DE ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade e Gilberto Baptista. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 02 77 1/ 20 03 -6 2 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.002771/200362 Resolução nº 1302000.307 S1C3T2 Fl. 491 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação objeto da manifestação de inconformidade para não homologar a compensação declarada do saldo negativo de IRPJ relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002, no montante de R$21.308.625,48, com débitos da COFINS, PIS, e CSLL, referentes ao período de 03/2003, nos valores de R$493.674,29, R$156.178,23, R$1.433.192,86, e R$614.324,63, respectivamente, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser. apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 Ementa: DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO. Deixase de reconhecer o direito creditório quando o contribuinte não comprova a existência do saldo negativo apresentado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, uma vez que para a dedução do IRRF é necessário que as receitas financeiras integrem a apuração do lucro real do período. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório do Serviço de Orientação e Análise (SEORT) da Delegacia da Receita Federal em Salvador (DRF Salvador), (fl. 28), de 26 de novembro de 2004, que aprovou o Parecer n° 577/2004 SEORTPJ de 26 de novembro de 2004 (fls. 27 e 28), para não homologar a compensação efetuada conforme declaração à fl. 01. 2.A declaração da interessada referese à compensação de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) que teria sido apurado nos anoscalendário de 2001 e 2002, no valor de R$21.308.625,48, no montante da parcela remanescente da utilização desses créditos na compensação protocolada sob os processos n° 10580.013161/200211, 10580.00210/200329, 10580.001247/200374 e 10580.002125/200303, com débitos da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes ao período de 03/2003, nos valores de R$493.674,29, R$156.178,23, R$1.433.192,86 e R$614.324,63, respectivamente. Em seu Parecer, o SEORT observou que a interessada encontravase em fase préoperacional nos anos Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.002771/200362 Resolução nº 1302000.307 S1C3T2 Fl. 492 3 calendário de 2001 e 2002 e, por este motivo, não apresentou receita operacional decorrente da exploração de seu objeto social. Entretanto, em conformidade com o art. 218 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), as receitas financeiras deveriam ter sido reconhecidas e oferecidas à tributação à medida que auferidas. Além disso, nos termos do artigo 837 do RIR/1999, a pessoa jurídica somente pode indicar na declaração o imposto retido na fonte, a título de antecipação, se as respectivas receitas integram o lucro real. 5Dessa forma, o SEORT deixou de homologar a compensação declarada, uma vez que o saldo negativo de IRPJ indicado pela interessada resultou do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre as receitas financeiras as quais foram apropriadas pela interessada em contas patrimoniais do ativo, sem terem sido computadas na apuração do lucro real. 6.Tendo sido cientificado do despacho decisório em 03/12/2004, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 31, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade em 30/12/2004 (fls. 32 a 38), por intermédio de seu procurador, onde alega, em síntese que: é detentora de concessão federal para construir e explorar uma usina hidrelétrica, com financiamento orçado em R$550 milhões, dos quais R$400 milhões com origem em capital de terceiros, tendo entrado em operação em 02/2003 atingindo o total de sua capacidade instalada em 06/2003; encontravase em fase préoperacional no período de janeiro de 1999 a janeiro de 2003 e, de acordo com o artigo 179 da Lei das Sociedades por Ações, Lei n° 6.404, de 1972, devem ser classificados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia; no que tange ao ativo imobilizado, devese considerar como custo de aquisição todos os gastos relacionados com a aquisição do elemento do ativo e os necessários para colocálo em local e condições de uso, trazendo texto do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras FIPECAFI e transcrevendo trecho da Deliberação n° 193, de 1996 da Comissão de Valores Mobiliários CVM; adotando o entendimento acima exposto, apropriou os encargos financeiros vinculados à construção da hidrelétrica em conta de ativo imobilizado, atendendo também a legislação específica emanada da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL; no anocalendário de 2001, os encargos financeiros foram registrados em conta de ativo diferido, seguindo orientação de Auditores Independentes e, em 2002, esses valores foram reclassificados para a conta de ativo imobilizado, circunstância devidamente informada nas notas explicativas das demonstrações financeiras e que nada influencia na fundamentação da impugnação; na fase préoperacional, efetuou operações financeiras, com o intuito de resguardar seu patrimônio de variações cambiais, auferindo receitas financeiras que sofreram retenção na fonte de imposto de renda, registrando tais receitas no ativo imobilizado, pois todas as operações deste período foram lá registradas; preencheu corretamente a DIPJ/2002 e a DIPJ/2003, nada informando nas fichas de custos, despesas e resultado e escriturando o valor referente ao IRRF sobre Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.002771/200362 Resolução nº 1302000.307 S1C3T2 Fl. 493 4 aplicações financeiras na ficha 12A, pois encontravase em fase préoperacional e todo o resultado do período estava registrado no ativo imobilizado ou no ativo diferido; não deixou de reconhecer as receitas financeiras auferidas, como externado no Parecer, pois elas foram reconhecidas em conta de ativo imobilizado; devese destacar que assim como as receitas as despesas financeiras também foram registradas no ativo imobilizado, e se ambas fossem registradas em contas de resultado, o efeito seria um prejuízo fiscal de R$19.069.108,27 em 2001 e de R$99.518.593,51 em 2002 e não haveria imposto de renda devido, obtendose um saldo negativo de IRPJ, passível de restituição ou compensação, conforme artigo 6o e 21 da Instrução Normativa n° 210, de 2002; não houve prejuízo aos cofres públicos, pois no procedimento adotado, a impugnante está deixando de se beneficiar das despesas incorridas, para utilizálas no prazo de amortização de 25 anos. 7.Finaliza sua petição, requerendo que seja homologada a compensação pleiteada e que seja arquivado o presente processo, protestando pela apresentação de todos os meios de prova em direito assegurados. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) ao rechaçar os documentos que mostram que caso as receitas e as despesas financeiras dos anoscalendário de 2001 e 2002 fossem lançadas em seu resultado nesses períodos, terseia apuração de prejuízo fiscal, o que permitiria a restituição/compensação dos respectivos saldos credores, o colegiado a quo violou o principio da verdade material; b) como a Deliberação CVM nº 193/96 determina que os juros incorridos no período em questão sejam alocados no ativo imobilizado, depreendese, daí, que também lá deverão ser alocadas as receitas financeiras, como conta redutora dos ativos; c) adotado o procedimento referendado pela DRJ, nos anoscalendário de 2001 e 2002 a recorrente teria prejuízo fiscal, havendo direito a pleitear restituição/compensação dos saldos credores de IRPJ desses mesmos períodos. Assim, poderia pleitear R$4.378.197,00 e R$16.254.187,58, como saldo credor de IRPJ, respectivamente, nos anoscalendário de 2001 e 2002, em razão do que pede a homologação da compensação pleiteada; d) inaplicabilidade da taxa Selic. A pedido da recorrente, o presidente da 1ª Seção de Julgamento determinou a juntada, nestes autos, da petição e suas peças, as quais contêm a decisão tomada pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento no PA 10580.002771/200362, relatado pela ilustre Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, em que, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao recurso da ora recorrente, para homologar compensação efetuada de débitos de PIS e Cofins com o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. É o relatório. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.002771/200362 Resolução nº 1302000.307 S1C3T2 Fl. 494 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Insurgese a recorrente contra decisão da DRJ que manteve o indeferimento a pedido de compensação (fls.5), cujo crédito foi declarado como saldo negativo de IRPJ nos anoscalendário de 2001 e 2002 (fl.7 e 32), constante dos processos 10580.013161/200211 e 10580.001274/200374, ambos não reconhecidos pelo SEORT da DRF/Salvador. As DIPJ 2002/2003 foram preenchidas sem o preenchimento de algumas fichas e informações, como a ficha 6A, que não contém as informações pertinentes às aplicações realizadas, que, segundo a recorrente originaram retenções na fonte, as quais, todavia, não foram reconhecidas como receitas financeiras por entender a recorrente que estava em atividade préoperacional. Inicialmente, não posso deixar de registrar que faltam elementos a justificar com precisão a alegação da recorrente, em especial quanto à certeza e liquidez do crédito argüido, o qual é pleiteado nos PA acima destacados. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Salvador: a) aguarde o trânsito em julgado administrativo dos processos em que se apreciam os créditos de saldo negativo do IRPJ da recorrente, relativos aos anoscalendário 2001 e 2002, aqui alegados, a saber, PA 10580.002771/200362 e PA 10580.001247/200374; b) acoste ao presente processo as decisões finais administrativas proferidas nos PA supracitados; c) informe se há crédito remanescente, para isso levando em conta, ainda, que há processos posteriores que fazem uso do mesmo crédito; d) ao final, devolva os autos a este colegiado, para retomada do julgamento. Sala das Sessões, 6 de maio de 2014. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 13/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10783.915942/2009-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 15 94 2/ 20 09 -2 4 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.915942/200924 Resolução nº 1802000.465 S1TE02 Fl. 168 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 81/89) contra decisão da 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 69/74) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 28/01/2008 a Contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação Tributária nº 05901.19575.280108.1.3.041670 (fls. 07/12), informando compensação sob condição resolutória: a) débito (confessado): CSLL PJ que apura do imposto com base no lucro presumido, código de receita 2372, PA 4º trimestre/2007, vencimento 31/01/2008, assim discriminado: principal: R$ 42.456,58 ; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 42.456,58. c) crédito utilizado: aproveitamento de suposto crédito de R$ 41.348,44 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de CSLL – PJ lucro presumido, código de receita 2372, do PA 3º trimestre/2007 –30/09/2007, vencimento 31/10/2007. Pagamento DARF no valor total de R$ 204.011,27, com data do recolhimento, arrecadação, de 31/10/2007. Cópia do DARF (fl. 13). Saldo do pretenso crédito na data de transmissão da DCOMP R$ 70.380,32. O Despacho Decisório da DRF/Vitória, de 07/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (fl. 05), com base na seguinte fundamentação, in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 41.348,44. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.915942/200924 Resolução nº 1802000.465 S1TE02 Fl. 169 3 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 20/10/2009 (fl. 41), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/10/2009 de fls. 04 e 42/43 e anexos de fls. 05/42, aduzindo, em síntese, em suas razões: que, relativo à CSLL do 3º trimestre/2007, recolheu em DARF o valor de R$ 204.011,27 (fl. 13); que esse recolhimento deuse a maior. Ou seja: que o saldo da CSLL a pagar do 3º trimestre/2007 era apenas R$ 162.662,83 e não R$ 204.011,27; que houve, então, recolhimento a maior de CSLL do 3º trimestre/2007, no valor de R$ 41.348,44; que utilizou esse crédito pleiteado, integralmente, para quitação do débito da CSLL objeto da DCOMP dos presentes autos; que, entretanto, o referido despacho decisório não reconheceu esse crédito pleiteado, pois o valor recolhido por DARF estaria integralmente consumido pelo débito da CSLL do PA 3º trimestre/2007 confessado na DCTF respectiva, de 08/11/2007; que, porém, em 30/10/2009 (data posterior à ciência do citado despacho decisório) transmitiu DCTF retificadora, corrigindo o débito da CSLL para R$ 162.662,83, quanto ao PA 3º trimestre/2007; Por fim, a Contribuinte, com base nessas razões, pediu o reconhecimento do crédito reclamado e homologação da compensação, objetos destes autos. A DRJ/Rio de Janeiro I, conforme já mencionado no início do relatório, enfrentando o mérito da lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão da 8ª Turma, de 21/09/2012 (fls. 69/74), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/10/2007 Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.915942/200924 Resolução nº 1802000.465 S1TE02 Fl. 170 4 Uma vez que não restou comprovado que o pagamento de CSLL foi efetuado indevidamente ou a maior, concluise que tal pagamento não constitui direito creditório passível de restituição ou compensação, não devendo ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 31/10/2012 (fl. 80), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/11/2012 (fls. 81/89), juntando ainda documentos (fls. 90/160), aduzindo, em suas razões, o seguinte: que que o valor devido da CSLL do PA setembro/2007 foi erroneamente indicado na DCTF respectiva (que foram cumputadas na apuração da CSLL receitas auferidas após o 3º trimestre/2007); que, na veradade, as receitas de faturamento do mês de outubro/2007 foram computadas na apuração de setembro/2007, gerando o erro na apuração da CSLL e, por conseguinte, o erro de informação do valor da CSLL na DCTF primitiva; que o citado erro foi sanado pela transmissão de DCTF retificadora, após ciência do despacho decisório, em 30/10/2009 (fls. 14/24); que o erro é evidente, de plano, pela confrontação da (o): a) DCTF primitiva do PA 3º trimestre/2007; b) DIPJ 2008, anocalendário 2007, transmitida em 30/06/2008 (fls. 129/142); c) DACON PA outubro 2007 (receitas de faturamento) (fls. 144/155); d) comprovante de retenções da Cofins do anocalendário 2007 (fl.157/160). que é possível a retificação da DCTF, no caso de erro de fato, conforme precedentes de jurisprudência do próprio CARF; que deve prevalecer o princípio da verdade material; que a possibilidade de correção da DCTF primitiva, por erro de fato na apuração do imposto, está pautada nos princípios da verdade material, da eficiência, lealdade, boafé, contra enriquecimento ilícito da Fazenda Pública em detrimento do particualar, no âmbito do devido processo legal administrativo (observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa); Por fim, com base nessas razões e documentos acostados (constantes dos autos), a Recorrente pediu que se acolha a DCTF retificadora, que se reconheça o crédito pleiteado e que se homologue a compensação tributária informada. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.915942/200924 Resolução nº 1802000.465 S1TE02 Fl. 171 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a Recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, para acolhimento da DCTF retificadora, reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente, no anocalendário 2007, estava submetida à apuração do IRPJ, e da CSLL, com base no Lucro Presumido (apuração trimestral). Em relação ao PA 3º trimestre/2007, a Recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido da CSLL desse período. Nesse sentido, a Contribuinte juntou os seguintes elementos de prova do suposto pagamento a maior ou indevido da CSLL do PA 3º trimestre/2007: a) cópia do DARF, pagamento da CSLL no valor de R$ 204.011,27, data de recolhimento de 31/10/2007 (fl. 13); b) cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007, transmitida em 30/06/2008, onde consta informado imposto a pagar R$ 276.827,64 (fls. 140/153); c) cópia da DCTF retificadora (DCTF mensal), transmitida em 30/10/2009 (data posterior à ciência do referido despacho decisório), reduzindo o valor do débito da CSLL de R$ 204.011,27 para R$ 162.662,83 (fls. 14/24); Com base nesses documentos, a Recorrente entende que tem crédito contra o fisco no valor de R$ 41.348,44 (R$ 204.011,27 – R$ 162.662,83), referente pagamento da CSLL a maior ou indevida do PA 3º trimestre/2007. De plano, constato que os elementos de prova juntados aos autos são insuficientes para convicção do julgador quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. A legislação de regência da compensação tributária, estabelece que a Contribuinte tem direito de pleitear restituição do imposto pago a maior ou indevidamente, e poderá utilizar esse crédito para compensação tributária, desde que restem comprovados, demonstrados, a certeza de sua existência e liquidez do valor, do quantum (CTN, arts. 165, 167, 168 e 170) e art. 74 da Lei nº 9.430/96. No caso, essas declarações transmitidas eletronicamente (entregues ao fisco), por si só, como elementos de prova, são insuficientes, não permitem a formação de convicção Fl. 171DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.915942/200924 Resolução nº 1802000.465 S1TE02 Fl. 172 6 do julgador quanto ao mérito do litígio, ou seja, quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado (CTN, art. 170), pois a Contribuinte não juntou aos autos elementos de prova de sua escrituração contábil/fiscal de que houve equívoco, erro de fato, quanto ao débito da CSLL confessado na DCTF primitiva relativa ao PA 3º trimestre/2007 e que pudessem justificar a retificação dessa DCTF. Como visto, há falhas de instrução processual. Há necessidade de instrução processual complementar. Como autora do pedido de restituição de crédito e seu aproveitamento para compensação tributária nos autos, o ônus da prova é da Recorrente, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Vitória, para as seguintes providências: 1) Juntar cópia legível e completa da DIPJ 2008, anocalendário 2007, com respectivo comprovante da data de entrega; 2) Confirmar o pagamento da CSLL, recolhimento mediante DARF, do PA objeto do pedido de crédito destes autos; 3) Juntar cópia da DCTF primitiva, onde a Contribuinte confessou débito da CSLL de R$ 204.011,27, quanto ao PA 3º trimestre/2007; 4) Intimar a Contribuinte para à luz da escrituração contábil/fiscal (livros Caixa, Razão, Diário e DIRF da fonte pagadora Petrobrás), e respectivos documentos de suporte dos lançamentos contábeis: a) comprovar à fiscalização o alegado erro de fato: que teria gerado confissão na DCTF primitiva débito da CSLL no valor de R$ 204.011,27, quanto ao PA 3º trimestre/2007 (débito em parte indevido); que o débito da CSLL desse PA seria apenas no valor de R$ 162.662,83, conforme informado na DIPJ 2008, anocalendário 2007. Ou seja, comprovar a alegação de que receitas faturadas no valor de R$ 2.199.385,29 (R$ 2.198.064,52 + R$ 1.320,77) da fonte pagadora Petrobrás seriam da competência do 4º trimestre/2007, entretanto teriam sido computadas na competência do 3º trimestre/2007. No caso, a Contribuinte alega que no mês de outubro/2007 recebeu da fonte pagadora Petrobrás as receitas de faturamento de R$ 4.415.891,70, informados em Comprovante Anual de Retenção de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS (fonte pagadora); que, porém, nesse montante estariam as receitas já oferecidas à tributação no 3º trimestre/2007, no valor de R$ 2.199.385,29. b) comprovar à fiscalização que o indigitado valor de receitas (R$ 2.199.385,29) também foi oferecido à tributação da CSLL na competência do PA 4º Fl. 172DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.915942/200924 Resolução nº 1802000.465 S1TE02 Fl. 173 7 trimestre/2007. Aqui, a fiscalização deverá verificar se houve duplicidade de tributação dessa mesma receita nos 3º e 4º trimestres/2007, ou se é situação de mera antecipação de tributação de receitas (receitas que em tese seriam do 4º trimestre/2007 e foram oferecidas à tributação no 3º trimestre/2007). 5) Elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 6) Intimar a Contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, em querendo, apresentar manifestação. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 173DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10875.905239/2009-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração da base de cálculo da contribuição, não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de contribuição social, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ELETROMECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração da base de cálculo da contribuição, não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de contribuição social, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 39 /2 00 9- 89 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório BTM ELETROMECÂNICA LTDA. transmitiu o Pedido de Restituição/ Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 00957.55359.191006.1.7.044815, visando à extinção de débito de PIS e Cofins, no valor de R$ 38.137,89, pela via de sua compensação com indébito por pagamento a maior de PIS relativo ao período de apuração de 01/11/2004 a 30/11/2004. O Despacho Decisório Eletrônico nº 835803747, fls. 48, indeferiu o pleito restitutório e não homologou a compensação declarada porque o pagamento apontado como origem do direito creditório já fora integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, confessado em DCTF. Em reclamação, o interessado alegou que o direito creditório aproveitado referese à contribuição paga sobre o ICMS levado à base de cálculo da contribuição. Argúi que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, ou seja, o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Por se tratar de mero ingresso financeiro que será posteriormente destinado ao Fisco Estadual, o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento, sendo inconstitucional a incidência de contribuição sobre esse tributo. Lembra que o alargamento da base de cálculo da contribuição nos termos de 1° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, foi repelido pelo Supremo Tribunal Federal e que o mesmo Tribunal vem decidindo contra a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais. Postula, por fim, a atualização monetária do direito creditório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05037.339, de 26 de março de 2012, fls. 60 a 66, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e do montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.905239/200989 Acórdão n.º 3403002.690 S3C4T3 Fl. 174 3 RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 71 a 95, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explica como chegou ao valor do indébito, resumido o cálculo em planilha que ilustra a pela recursal, pretendendo com isso suprir a falta de provas do indébito, levantada na decisão recorrida. Na continuação do recurso, disserta sobre a compensação tributária, repisando a legislação de regência, para então, invocando doutrina e julgados do Supremo Tribunal Federal e de tribunais federais regionais, rechaçar a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS, “...por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil da RECORRENTE.” (grifos do original) Pede acréscimo de correção monetária, calculada pelos juros SELIC, ao valor da restituição. Sabedor de que a Corte Administrativa não detém competência para analisar questões que versem sobre a constitucionalidade de normas, protesta pelo sobrestamento do feito, até que haja solução definitiva dessa discussão no âmbito do STF em caso análogo. O julgamento do recurso foi sobrestado, em 22/08/2012, em face da dicção dos §§ 1° e 2° do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU de 22.12.2010). Com a revogação dos referidos dispositivos, operada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013 (D.O.U. de 20.11.2013), o curso do julgamento foi retomado. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 71 a 95 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS3ª Turma nº 05037.339, de 26 de março de 2012. A par da questão probatória suscitada na decisão recorrida, da qual o recorrente, absolutamente, não se desincumbiu, o fato é que inexiste indébito a restituir em pagamentos de PIS em cuja base de cálculo esteja incluído o valor do ICMS. Esse é o Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN 4 entendimento desta 3ª TO, consubstanciado, por exemplo, nos acórdãos 3403002.651 e 3403 002.653, ambos da relatoria do ínclito Conselheiro Ivan Allegretti, unanimemente referendado pelo Colegiado. Assim disse o Conselheiro Ivan (com os grifos do original): O recorrente sustenta a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS, por violação ao conceito de faturamento contido no art. 195, I, da Constituição e ao art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. No plano em que o enfrentamento das razões de recurso impõe o pronunciamento sobre a constitucionalidade de dispositivos das leis, cumpre esclarecer que refoge à competência deste órgão julgador administrativo pronunciar se a este respeito, conforme disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Com efeito, dispõe o art. 62 do RICARF que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Sob o aspecto da interpretação da lei, este Conselho já se manifestou reiteradamente no sentido da impossibilidade de exclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se verifica, exemplificativamente, nas seguintes ementas: COFINS INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO Irreparável a exigência fiscal, cuja base de cálculo guarda conformidade com as determinações contidas nos artigos 2º e 7º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso ao qual se nega provimento. (Acórdão nº 20308745, Relatora Maria Teresa Martínez López, j. 18/03/2003 – grifo editado) COFINS BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO DO ICMS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. MATÉRIA CONSTITUCIONAL É vedado aos tribunais administrativos apreciar a constitucionalidade ou legalidade dos atos legais regularmente editados pelo Poder Legislativo. ENCARGOS LEGAIS Não há como contestar sua cobrança, quando constituídos de acordo com as normas legais que regem a matéria. Recurso negado (Acórdão nº 20309618, Relator Valdemar Ludvig, j. 15/06/2004 – grifo editado) COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS.O ICMS compõe o faturamento da empresa, não existindo previsão legal que possibilite sua exclusão legal da base de cálculo para a Cofins, como já definido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº REsp 152.736/SP, com acórdão publicado no DJU, Seção I, de 16/02/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Não há previsão legal para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela do ICMS cobrada pelo intermediário (contribuinte substituído) da cadeia de substituição tributária do comerciante varejista. O ICMS integra o preço da venda da mercadoria, e, estando agregado ao mesmo, incluise na receita bruta ou faturamento. Recurso negado.(Acórdão nº 20216994, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, j. 28/03/2006) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.905239/200989 Acórdão n.º 3403002.690 S3C4T3 Fl. 175 5 COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS O ICMS integra a base de cálculo da COFINS por compor o preço do produto e não se incluir nas hipóteses elencadas no parágrafo único do art. 2 da Lei Complementar nr. 07/70. MULTA Reduzse a penalidade aplicada, por força do art. 106, inciso II, do CTN, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nr. 9.430/96. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 20171269, Relator Expedito Terceiro Jorge Filho, j. 09/12/1997) COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. A parcela referente ao ICMS, por ser cobrada por dentro, incluise na base de cálculo da Cofins. Precedentes jurisprudenciais. Recurso negado. (Acórdão nº 20401837, Relator Jorge Freire, j. 18/10/2006) Também no âmbito do judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, exercendo seu papel de uniformização da jurisprudência, consolidou o seu entendimento no mesmo sentido, de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se confere, exemplificativamente, nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. 3. Recurso especial improvido. (REsp 501626/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2003, DJ 15.09.2003 p. 301) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III. VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MP Nº 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97, IV, DO CTN. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SÚMULAS NºS 68 E 94, DO STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que desproveu agravo de instrumento em face de acórdão a quo segundo o qual não são possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas. Asseverou, também, com base nas Súmulas nºs 68 e 94 do STJ, estar pacificado o entendimento de que a parcela relativa ao ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) 4. Pacífico o entendimento nesta Corte de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL (e, conseqüentemente, da COFINS, tributo da mesma espécie) e também do PIS. Súmulas nºs 68 e 94/STJ, respectivamente: “a parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS” e “a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial.” 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 750.493/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.05.2006, DJ 08.06.2006) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN 6 TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI nº 9.718/98. MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. REVOGAÇÃO. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A jurisprudência firmada na 1ª Seção desta Corte é a de que o ICMS compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS. Súmulas 68 e 94/STJ (AG 520431, Rel. Ministro João Otávio Noronha, 2ª Turma, DJ 24.05.04; AGREsp 463.629/RS, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, 1ª Turma, DJ 06/01/03). 2. "A exclusão prevista no art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98 não chegou a produzir efeitos no mundo jurídico, visto que condicionada a regulamento do Poder Executivo, o qual não veio a ser editado até o advento da Medida Provisória n.º 1.991 18/2000, que, por sua vez, a revogou (cf. REsp 502.263/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 13.10.03; REsp 512.232/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 20.10.03)". (RESP 641377, Rel Min. Franciulli Neto, 29/11/2004) 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 667.170/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.08.2005, DJ 12.09.2005 p. 224) Sabese que a pretensão de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins ganhou novo fôlego com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785, ainda em andamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. E ficou ainda mais aquecida com a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18. Ocorre que ainda não houve desfecho do julgamento de nenhuma destas ações, não se podendo ainda dizer que exista decisão final do STF quanto à inconstitucionalidade do cômputo do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS. De outro lado, conforme ilustrado acima, é entendimento consolidado das Câmaras deste Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça que não há respaldo legal para a exclusão do ICMS. Somese a isto, conforme esclarecido no início do voto, que este tribunal administrativo não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei. Deve, por tais razões, prevalecer o entendimento sedimentado na jurisprudência, de que o ICMS integra o preço do produto, de sorte que o valor total da nota fiscal deve ser tomado como faturamento, sofrendo a incidência de PIS/Cofins. Nada obstante o ICMS componha parte do valor que se recebe pela venda do produto, isto não implica em redução do preço de venda, e é este preço de venda que compõe o faturamento sobre o qual incide PIS/Cofins. Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.905239/200989 Acórdão n.º 3403002.690 S3C4T3 Fl. 176 7 Homenageando o autor e subscrevendo integralmente o voto do Conselheiro Ivan Allegretti, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2014 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10925.911291/2011-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 12 91 /2 01 1- 56 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 2.280,64, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/01/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.911291/201156 Acórdão n.º 3803005.806 S3TE03 Fl. 55 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.911291/201156 Acórdão n.º 3803005.806 S3TE03 Fl. 56 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.911291/201156 Acórdão n.º 3803005.806 S3TE03 Fl. 57 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11686.000024/2009-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz declarou-se impedido de participar do julgamento. Esteve presente ao julgamento o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP no 195.564.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz declarouse impedido de participar do julgamento. Esteve presente ao julgamento o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP no 195.564. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 02 4/ 20 09 -6 0 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11686.000024/200960 Resolução nº 3403000.539 S3C4T3 Fl. 137 2 Versa o presente sobre DCOMP (fls. 3 a 81) transmitida em 11/08/2006 (com retificadora criada em 25/03/2009 fls. 43 a 48), para compensar créditos de COFINS (saldo de R$ 529.147,70) com débitos de IPI referentes a julho de 2006. No Despacho Decisório de fl. 185 (emitido em 03/05/2011, fundado no Parecer DRF/CCI/SAORT no 21/2011 fls. 174 a 184), admitese a compensação até o limite do crédito comprovado (R$ 352.635,92), destacando que as glosas efetuadas constaram em planilha anexa, fazendo ainda referência ao Parecer DRF/CCI/SAORT no 11/2011, exarado no âmbito do processo no 11686.000027/200901. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 213 a 248), a empresa alega, em síntese, que: (a) no que tange a divergências relativas a despesas com energia elétrica, está convicta de que não cometeu irregularidade (em que pese não ter conseguido reunir a documentação no prazo legalmente conferido) e continua envidando esforços para demonstrar a lisura de seus procedimentos (em razões complementares à manifestação de inconformidade fls. 332 a 338 a empresa apresenta notas fiscais que correspondem às despesas informadas em DACON); (b) como é eminentemente exportadora, a empresa historicamente acumula saldos credores de COFINS para meses posteriores; (c) ao final de julho/2006, havia saldo credor de R$ 529.147,70 (formado por R$ 787.620,34, crédito apurado no próprio mês de julho, acrescido de R$ 56.865,85, saldo de meses anteriores, e subtraído de R$ 315.414,49 (montante utilizado para compensação no próprio mês de julho; (d) a fiscalização, com fulcro no Parecer DRF/CCI/SAORT no 11/2011, exarado no âmbito do processo no 11686.000027/200901, ainda não julgado definitivamente na esfera administrativa, zerou o valor relativo ao saldo de crédito de meses anteriores, pelo que se pede o sobrestamento do presente processo enquanto não apreciado aquele, visto que ainda que totalmente procedente a argumentação nestes autos, o montante retirado naquele processo impedirá a plenitude da compensação, constituindo questão prejudicial à apreciação do presente processo, cf. art. 265, IV, “a” do CPC; (e) a fiscalização glosou bens utilizados como insumo por não se tratarem de “matériaprima, nem de embalagem, nem de insumo que se desgaste por conta de contato com o produto em fabricação” (conceito derivado da legislação do IPI), em dissonância com a correta interpretação dos dispositivos da legislação das contribuições que versam sobre insumos, derivada da legislação do imposto de renda (custos de produção); (f) diante da elevada quantidade de produtos listados na “planilha de glosas”, a empresa não teve alternativa senão priorizar aquelas cujas glosas montam maior expressão monetária, demandando diligência para que se possa verificar a procedência das alegações também aos demais produtos; (g) são insumos o vapor (usado como força motriz e maquinários e equipamentos), o nitrogênio gasoso (usado como fluido de selagem em várias etapas do processo produtivo, para evitar a entrada de oxigênio nos equipamentos), a água clarificada (usada essencialmente nas torres de resfriamento da planta industrial), o óleo compressor (utilizado para lubrificação do sistema de engaxetamento de cilindros de equipamentos), a água desmineralizada (com utilização alternativa à água clarificada, dependendo da etapa do processo produtivo), e o material de embalagem (big bags, contêineres, sacos de ráfia, bobinas, caixas de papelão, todos para ensacamento de polietileno produzido na planta industrial, além de tinta para impressão das etiquetas nas embalagens, braçadeiras, fitas e filmes); e (h) a Instrução Normativa SRF no 404/2004 deve ser interpretada em conformidade com a Lei no 10.833/2003. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 841DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11686.000024/200960 Resolução nº 3403000.539 S3C4T3 Fl. 138 3 Em 10/04/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 355 a 365), no qual se acolhe parcialmente a manifestação de inconformidade, excluindose as glosas referentes a energia elétrica, por restar comprovada a despesa (reconhecendo parcela creditória de R$ 60.328,69). No mais, são negadas a suspensão do processo até o julgamento do processo no 11686.000027/200901, por falta de amparo legal, e a diligência, por ser entendida como desnecessária (visto que o contencioso reside no próprio conceito de insumos, mantendo a DRJ o entendimento de deve haver estrito cumprimento do conceito veiculado pela Instrução Normativa SRF no 404/2004). Acrescenta o julgador que para que as embalagens sejam consideradas como insumos, devem ser utilizadas durante, e não após o processo produtivo. Cientificada do acórdão da DRJ em 13/06/2012 (AR à fl. 371), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 13/07/2012 (fls. 372 a 421), no qual reitera o disposto em sua manifestação de inconformidade em relação à prejudicialidade da matéria analisada no processo no 11686.000027/200901 (acrescentando que o posicionamento da DRJ opera em desacordo com os princípios da oficialidade e da verdade material), ao conceito de insumos (acrescentando em face do poder de autotutela é insubsistente e frágil o argumento do julgador de que é inócuo suscitar a ilegalidade da IN na esfera administrativa, e que se deve analisar a essencialidade do bem ou serviço no processo produtivo, cabendo ainda a visualização dos insumos como “gastos gerais necessários às atividades da´pessoa jurídica”), e aos seguintes bens: nitrogênio gasoso, água clarificada, óleo compressor, água desmineralizada, vapor e material de embalagem. Agrega ainda parecer técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (a partir de visita às unidade fabris da recorrente em maio/junho/2012), buscando demonstrar a imprescindibilidade em seu processo produtivo dos bens glosados (todos, e não somente os constantes da manifestação de inconformidade). Como não foi possível na manifestação de inconformidade, em função do prazo legalmente estabelecido, tratar de todos os itens glosados, e como o parecer carreado em sede de recurso voluntário atesta a condição de insumo dos bens empregados no processo produtivo, solicitase ainda diligência para confirmar que os produtos questionados pela fiscalização caracterizamse como insumos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há duas questões que demandam análise preliminar, uma referente ao saldo zerado de crédito em relação a meses anteriores (em função glosa efetuada em outro processo, de no 11686.000027/200901, ainda não apreciado em definitivo, administrativamente) e outra que trata de solicitação de diligência para confirmação de que todos os produtos questionados pela fiscalização caracterizamse como insumos. É inegável que, tendo sido zerado o saldo de crédito de meses anteriores, parte do crédito utilizado na compensação em apreciação no presente processo, de fato, está sendo analisado em processo diverso (no 11686.000027/200901). Fl. 842DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11686.000024/200960 Resolução nº 3403000.539 S3C4T3 Fl. 139 4 Assiste razão à recorrente quando afirma que ainda que sejam afastadas todas as glosas efetuadas pela fiscalização no presente processo, não restará crédito para a compensação, visto que parte do crédito sequer está sendo tratada (e nem poderia, sob pena de ser discutir a mesma matéria em processos distintos). O próprio parecer que ampara o despacho decisório da unidade local usa como razão de decidir o conteúdo do processo diverso: “Face ao anteriormente exposto e com base nas verificações e glosas efetuadas, conforme PLANILHA DE NF GLOSADAS (Anexo 1), além do Parecer DRF/CCI/SAORT no 011/2011 (fls. 108 a 150) exarado no âmbito do PAF no 11686.000027/200901, as respectivas Fichas do DACON de fls. 153 a 167 passam a ficar conforme planilhas representativas em anexo (Anexo III).” Em consulta ao “eprocessos”, verificase que o processo no 11686.000027/200901 se encontra na situação “preparar e instruir processo”, com manifestação de inconformidade (tempestiva) apresentada em 09/05/2011, e pendente de apreciação em primeira instância administrativa. Assim, por entenderse que o julgamento do presente processo implica, ao menos em parte, apreciação de matéria que está incluída naqueles autos, recomendase que seja efetuado somente após a expedição de decisão definitiva naquele processo. Pelo princípio da eficiência administrativa, passase a analisar também a solicitação de diligência efetuada, pois durante o tempo necessário ao aguardo do julgamento do processo no 11686.000027/200901 poderia ser adiantado tal procedimento pela unidade local. A diligência já havia sido solicitada (e indeferida) na instância de piso, pois o conceito de insumo pelo julgador adotado prescindia da verificação complementar demandada. Em recurso voluntário, reiterase o pedido. Recordese a motivação inicial para a solicitação de diligência, reiterada no recursos voluntário. “Esclareçase, desde já, pela sua importância, que o pedido de realização de diligência fiscal formulado pela ora Recorrente teve como fundamento o fato de que, em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente, em face da grande quantidade de produtos listados pela autoridade fiscal na “PLANILHA DE NOTAS FISCAIS GLOSADAS”, não teve alternativa senão priorizar a descrição daqueles cujas glosas montam maior expressão monetária. Como efeito, ciente de que a aquisição de TODOS os itens discriminados no demonstrativo elaborado pela fiscalização confere lhe (sic) o direito ao crédito glosado pelo Fisco, a Recorrente protestou pela realização de diligência para que o auditor fiscal estranho ao feito pudesse aferir a essencialidade/imprescindibilidade dos demais insumos não descritos naquela peça defensiva.” (grifo nosso) Diante da negativa da DRJ, a própria empresa tomou a iniciativa de solicitar parecer técnico ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas, detalhando a utilização no processo Fl. 843DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11686.000024/200960 Resolução nº 3403000.539 S3C4T3 Fl. 140 5 produtivo de todos os bens (inclusive os não questionados especificamente em sua manifestação de inconformidade), juntando tal documento às fls 434 a 819. E, após a juntada, pede diligência para “atestar as informações contidas na prova documental carreada aos autos, conferindolhe ainda mais certeza ou convicção quanto à verdade dos fatos deduzidos no bojo do contencioso administrativo”. Não se vê, no presente estágio do processo, necessidade de realização de diligência. A relação de glosas efetuadas pela fiscalização contém somente duas páginas (fls. 186/187), e o que buscava a empresa coma diligência na instância de piso era incontestavelmente uma complementação de sua manifestação de inconformidade (que se ateve somente a certos produtos glosados). Possibilitando a aferição da verdade material, a empresa junta agora parecer técnico, e requer diligência basicamente para confirmar seu teor, como se depreende dos quesitos formulados e da própria argumentação em sede de recurso voluntário: “Foi justamente por essa razão que a Recorrente, visando municiar esses julgadores de maiores elementos capazes de subsidiar o seu convencimento, trouxe aos autos o Parecer elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, que já atesta a condição de insumo dos produtos empregados em seu processo produtivo. Muito embora tal prova seja robusta e incontornável, entende a Recorrente que a realização de diligência fiscal seria salutar no caso em apreço, posto que confirmará que os produtos questionados pela fiscalização caracterizamse como insumos” (grifo nosso) É contraditório sustentar que a prova apresentada é robusta e incontornável, e solicitar sua confirmação, tanto que na oração se usa a expressão “seria salutar”. Em que pese ainda não se estar apreciando, no mérito, o pleito, não se vê razão para afastar preliminarmente o documento trazido aos autos em sede de recurso voluntário, por não pairar sobre ele suspeição ou dúvida quanto à legitimidade/veracidade das informações prestadas. Desnecessária, assim, sua simples confirmação por outro parecer, em diligência. Há, por fim, que se esclarecer que ao analisarse a planilha de glosas de fls. 186/187, encontramse os seguintes produtos: (1) bobina trithene PTN 867Q; (2) palete fumigado; (3) saco de ráfia trançado PTNTE156; (4) cartão P)400YE; (5) cola quente PTN 716Q; (6) palete one way PTN209Q; (7) carretel da Val./descarga; (8) bobina tritheva PTN 870Q; (9) óleo compressor PTN255Q; (10) filme de cobertura PTN783Q; (11) ampola de nitrogênio para extintor; (12) solvente para impressora a jato tinta; (13) filme stretch p/ teste; (14) nitrogênio gasoso; (15) água clarificada; (16) água desmineralizada; e (17) vapor. E sobre esses 17 produtos é que versa o presente contencioso (em que pese o parecer que ampara o despacho decisório trazer ainda outros produtos, afetos ao multicitado processo no 11686.000027/200901). Assim, propõese que o presente processo seja convertido em diligência tão somente para aguardar o julgamento definitivo do processo no 11686.000027/200901, após o qual deve retornar a esta turma, para apreciação. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11686.000024/200960 Resolução nº 3403000.539 S3C4T3 Fl. 141 6 Rosaldo Trevisan Fl. 845DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13976.000022/00-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre (RS) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado para o 4º trimestre de 1999, às fls. 02, e não homologou a compensação declarada na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 180, apresentada em 07/03/2000. A DRF em Joinville (SC) indeferiu o pedido e não homologou a compensação sob o fundamento de que o saldo credor decorreu da equivocada classificação fiscal dos produtos fabricados pela recorrente, conforme Despacho Decisório às fls. 208/210. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 76 .0 00 02 2/ 00 -3 1 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13976.000022/0031 Resolução nº 3301000.192 S3C3T1 Fl. 266 2 Inconformada com a aquela decisão, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo no ressarcimento e na homologação da compensação, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: 4.1 Diz o requerente que é correta a classificação fiscal dos seus produtos no código 7308.90.90 da TIPI, de 1996, o que restará provado no processo relativo autuação fiscal, restaurandose o saldo credor do IPI, a que tem direito. 4.2 Requer o apensamento do presente processo, ao Processo nº 10920.000540/200154, relativo à exigência de crédito tributário do IPI, para que, tão logo esse último seja julgado, em favor do requerente, segundo espera, possa ser deferido o pedido de ressarcimento e a compensação. 4.3 Por último, o requerente solicita a reforma do despacho decisório hostilizado, para ser autorizado o ressarcimento do saldo credor do IPI, homologandose, em razão disso, a compensação. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 8.299, datado de 27/04/2006, às fls. 246/249, sob a seguinte ementa: “SALDO CREDOR DO IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento de pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito tributário do IPI, cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 254/263), requerendo, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que o julgador de primeira instância já exerceu seu ofício jurisdicional ao decidir que a solução neste processo deveria aguardar a decisão definitiva no processo 10920.000540/200154, para, se for o caso, ser proferido novo despacho decisório, e, no mérito, o deferimento de seus pedidos de ressarcimento/compensação, alegando, em síntese, que o julgamento definitivo daquele processo lhe foi favorável o que tacitamente implicou reconhecimento do saldo credor apurado do IPI, ora em discussão, devendo ser homologada a compensação declarada. É o relatório. VOTO Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que é vedado o ressarcimento de crédito financeiro cuja certeza e liquidez depende de outro processo administrativo pendente de julgamento. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13976.000022/0031 Resolução nº 3301000.192 S3C3T1 Fl. 267 3 Do exame dos autos, concluise que apresentado o pedido de compensação/ressarcimento, instalouse um procedimento administrativo fiscal para verificar a certeza e liquidez do valor pleiteado. Concluído o procedimento, a Fiscalização apurou saldo devedor de IPI e não saldo credor. O saldo credor apurado pela recorrente decorreu, segundo a Fiscalização, da equivocada classificação fiscal dos produtos fabricados, adotada por ela, posição 7308.90.90, alíquota de 0,0 % (zero por cento), quando o correto seria nas posições 7210.41.10; 7210.51.00; e 7210.70.10, todas com alíquota de 5,0 % (cinco por cento). A escrita fiscal foi então reconstituída, com a utilização integral dos créditos do IPI para dedução do imposto, e os saldos devedores apurados, exigidos por meio de lançamento de ofício, via processo administrativo nº 10920.000540/200154. A recorrente insurgiu contra a classificação fiscal adotada pela Fiscalização e impugnou o lançamento decorrente de sua adoção. Em consulta ao eProcesso, verifiquei que o processo nº 10920.000540/200154 em que discute a classificação fiscal adotada por ela, para seus produtos, no período de competência em que apurou o saldo credor, em discussão, se encontra em trâmite nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com recurso especial de divergência, interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão favorável à recorrente, proferida pela Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, acórdão nº 30131.317, datado de 09/11/2006. Dessa forma, somente haverá saldo credor, passível de ressarcimento/ compensação se, naquele processo, a decisão definitiva for favorável á recorrente, ou seja, for reconhecida a classificação fiscal adotada por ela e afastada a defendida pela Fiscalização. Caso contrário, se desfavorável a ela, o crédito tributário será exigido e não haverá saldo credor a ser ressarcido/compensado, neste processo. Embora não haja previsão para sobrestar julgamento de processos, entendo que, neste caso, como o ressarcimento/compensação do valor em discussão, neste processo, dependerá da decisão definitiva, no julgamento do processo nº 11080.722410/201069, o julgamento deste deve ser sobrestado até a decisão definitiva naquele outro processo. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência para que os autos sejam devolvidos à DRF em Joinville (SC), para que se aguarde a decisão administrativa definitiva no processo administrativo nº 11080.722410/201069. Caso a decisão definitiva do CARF, naquele processo, seja favorável à recorrente, aquela DRF deverá apurar o saldo credor do IPI, para o 4º trimestre de 1999, objeto deste processo, levandose em conta aquela decisão, inclusive, cientificando à recorrente do saldo credor apurado e reabrindolhe prazo para se manifestar a respeito se assim o desejar e, posteriormente, retorne o processo a esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento para prosseguimento. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 267DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
