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Numero do processo: 14112.000237/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado.
Numero da decisão: 3401-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 37 /2 00 6- 31 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 07/06/2004, pelo qual o Contribuinte pretende compensar débitos da COFINS de setembro a outubro de 2003 com créditos oriundos de suposto pagamento indevido ou a maior da COFINS de julho de 2001. A delegacia de origem indeferiu o crédito e negou a homologação da compensação por entender que faltava liquidez e certeza no crédito pleiteado, haja vista as muitas divergências encontradas nas planilhas apresentadas pela Contribuinte. A Contribuinte apresentou impugnação, mas a DRJ em Campo Grande/MS manteve o indeferimento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. NULIDADE. A legislação que trata da forma de cálculo dos valores de crédito e débito, para fins de compensação, não se submete ao principio da anterioridade tributária, mormente se a legislação superveniente em nada inova. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ QUANTO AO CRÉDITO. Para haver a compensação tributária há a necessidade de certeza e liquidez quanto ao crédito do contribuinte. Compensação não Homologada”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ e interpôs recurso voluntário com as alegações resumidas abaixo: 1 Existem questões prejudiciais que impedem o prosseguimento do processo. Uma delas é o fato de o crédito compensado ser decorrente do pedido de revisão e restituição do PIS, que consta no processo administrativo nº 10140.003653/200199; 2 Outro fato impeditivo do prosseguimento do feito é que a base de cálculo de apuração do crédito compensado, Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14112.000237/200631 Acórdão n.º 3401002.655 S3C4T1 Fl. 523 3 03/2001, é indeterminada, pois foi objeto de lançamento de ofício, o qual foi impugnado, formando o processo 14120.0000018/200734, e está pendente de julgamento; 3 A planilha apresentada pelo Parecerista da SAORT, parte integrante do Despacho Decisório, referente à base de cálculo do período de 03/2001, é incoerente com a apuração efetivada pela fiscalização, o que demonstra erro de fato; 4 A autoridade fiscal fundamentou que a partir do ano de 2002 a autocompensação não era permitida, como foi feito no processo 10140.003653/200199. Todavia, o 10140.003653/200199 foi protocolado no ano de 2001; 5 O crédito tem origem em pagamento efetuado em 03/2001. Quando foi iniciada a fiscalização para a apuração do crédito, março de 2007, que culminou no processo 14120.000018/200734, o prazo quinquenal para a Fazenda constituir o crédito tributário já estava decaído, razão pela qual não cabia mais discutir a liquidez e certeza do crédito; 6 O resultado deste processo é dependente do julgamento dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/200734, motivo pelo qual o julgamento deste processo deve ser sobrestado até a decisão definitiva dos processo citados. Ao fim, a Recorrente pediu a homologação das compensação ou o sobrestamento do julgamento deste processo. O recurso voluntário foi analisado pela primeira vez pela Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara, da Terceira Seção de julgamento do CARF, sob relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta. Na oportunidade, entendeuse que o julgamento deste processo depende dos resultados dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/2007 34. Com isso, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos (fls.01/07): “Desta forma, diante dos fatos, e com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que sejam tomadas as seguintes providências: a) Informar qual a situação dos processo nº 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199. (se houve interposição de recurso, e, se houve, anexar cópia das decisões finais); b) Verificar, diante das decisões finais proferidas naqueles processos, se efetivamente havia credito relativo ao período de Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 janeiro/2001 capaz de fazer frente aos débitos constantes deste processo e objeto de compensação; c) Elaborar demonstrativo de calculo; d) Elaborar parecer conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão”. Em cumprimento à diligência foi elaborada a informação fiscal, na qual está exposto o resumo do que aconteceu nos processos 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199 e a conclusão de inexistência de crédito a ser compensado. Em resposta ao resultado da diligência, a Recorrente manifestouse alegando o seguinte: 1 A resposta à diligência não cumpriu o seu papel, pois não foi conclusiva, vez que afirma que “ao que tudo indica já ocorreu decisão definitiva”, mas não esclarece qual foi a decisão; 2 A resposta à diligência informa que houve pagamento a maior, mas a Recorrente, desde o início, não alega pagamento a maior, mas sim pagamento indevido, e isso não nunca foi analisado e julgado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O suposto crédito pleiteado tem origem no pedido de revisão que compôs o processo nº 10140.003653/200199. Sobre o mesmo mês que supostamente originou o crédito, ocorreu lançamento de ofício do qual surgiu o processo nº 14120.0000018/200734. No recurso voluntário, a Recorrente foi clara ao afirmar que a decisão de homologação da compensação é dependente dos processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734. Na primeira análise, o julgamento foi convertido em diligência e da informação fiscal que apresenta o resultado de diligência extraise o seguinte no que concerne ao processo nº 10140.003653/200199: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14112.000237/200631 Acórdão n.º 3401002.655 S3C4T1 Fl. 524 5 “5.1 Em 20/12/2001, a interessada apresentou pedido de restituição dos valores recolhidos a titulo de PIS no valor total de R$ 388.376,44. Foi anexada aos autos planilha de cálculo, quantificando os valores de PIS, nos códigos 3885 (Receita Operacional), 8002 (Dedução), 8205 (Repique) e 8109 (Faturamento), que teriam sido recolhidos indevidamente durante o período de 03/02/92 a 15/01/99 (fls.09/15). 5.2 Por meio do Despacho Decisório, que teve por fundamento o Parecer 063/2006 (fls. 446/450), houve o indeferimento do pedido de restituição em razão de todos os pagamentos, efetuados até a data de 20/12/96, já se encontrarem abrangidos pela decadência quando do protocolo do pedido de restituição, e pelo fato incontroverso da vigência da Lei n° 9.715/98, a partir de 10 de março de 1996, pois ela somente convalidou a MP n° 1212/95 e suas reedições; e, por consequência a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas pela própria interessada. 5.3 Inconformado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande — MS (fls. 460/498). Por meio do Acórdão 0410051 (fls. 517/530), aquela delegacia manteve a decisão da DRF. 5.4 Desta feita, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (fls. 538/549). Em Acórdão 3403 — 00217, a Terceira Seção de Julgamento da 4ª Câmara do CARF (fls. 571/579), proveu em parte o recurso, assim decidindo: 5.4.1 Manteve indeferimento por decadência para possíveis créditos decorrentes dos Decretos/Leis de res 2.445 e 2.449, ambos de 1988. 5.4.2 Foi afastada a decadência para o período (fato gerador) de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, porém no mérito decidiu pela restituição apenas dos pagamentos efetuados em relação ao período de outubro de 95 a fevereiro de 96, observado o critério da semestralidade. 5.5 O Procurador da Fazenda Nacional, após ser cientificado do Acórdão no 3.403 00217 (fl. 580), apresentou recurso especial por divergência ao Presidente da 4ª Câmara da 3º Seção do CARF (fls. 582/616), com o seguinte pedido: "reconhecimento da prescrição dos pagamentos efetuados no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996". O recurso especial passou pelo juízo de admissibilidade (fl. 618). 5.6 O contribuinte apresentou contrarazões ao recurso especial apresentado pela PGFN (fls. 673/675), como também apresentou recurso especial contra a decisão proferida no Acórdão 3403 00217 (fls. 628/638). Em exame de admissibilidade, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão 340300217 (fls. 711/712). Foi mantido o despacho denegatório da Fl. 324DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte (fl. 713), após pedido de reexame feito pelo contribuinte. 5.7 Em 16/08/2011, o processo foi encaminhado à Câmara Superior de Recursos Fiscais para análise do recurso especial interposto pela PGFN (fl. 714). Foi negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional”. Quanto ao processo nº 14120.0000018/200734, o relatório fiscal apresenta o que segue: “5.11 Como resultado do trabalho da fiscalização desta DRF, foram lavrados dois autos de infração, um de Pis e um de Cofins (fls. 503/530). As fls. 543/564, consta extrato com os débitos apurados no auto de infração. Em 13/10/2007, o contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 565/1387). Em 11/05/07, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS, para análise da impugnação (fls. 1388). 5.12 Por meio do Acórdão 0419101, (fls. 1392/1402), a DRJ julgou procedente em parte a impugnação. Transcrevese trecho do referido Acórdão: ‘Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer da impugnação, acolher parcialmente a preliminar de decadência, exonerando os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de 28 de fevereiro de 2001 a 28 de fevereiro de 2002. No mérito, a impugnação é improcedente, permanecendo inalterados os demais valores dos períodos não alcançados pela decadência’. 5.13 Houve recurso de oficio interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais, motivado pela exoneração de débitos acima do limite de alçada. Ao mesmo tempo, o contribuinte —apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 1422/1429). 5.14 O recurso de oficio e voluntário de n° 898288 foi objeto do Acórdão n° 3302 00904 – 3ª Câmara/2' Turma Ordinária (fls. 1432/1438) e teve por resultado: "Recurso de Oficio e Voluntário Negados". Foi dada ciência do referido Acórdão ao Procurador da Fazenda Nacional (fl. 1439), e não houve, por parte do procurador, interposição de recurso a Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1440). 5.15 O processo foi encaminhado à DRF de origem para ciência a interessada do teor do Acórdão n° 330200904 (fl. 1443). As fls. 1444/1448, consta extrato do processo após a decisão do CARF. Foi o contribuinte intimado do referido Acórdão, na data de 09/11/01 (fls. 1449/1452).Contribuinte não apresentou recurso especial, porém apresentou embargos de declaração quanto ao Acórdão 330200904 (CARF) (fls. 1459/1462). Em 19/12/2011, processo retornou ao CARF para apreciação dos Fl. 325DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14112.000237/200631 Acórdão n.º 3401002.655 S3C4T1 Fl. 525 7 embargos de declaração apresentado pelo contribuinte (fls. 1477/1478). Os embargos de declaração foram não conhecidos/rejeitados (fls. 1480/1481)”. Nas conclusões do relatório de diligência, é informado o seguinte: “6.3 Observando o teor das decisões finais proferidas nos processos 10140.003653/200199 (parágrafos 5.4 e 5.8) e 14120.000018/200734 (parágrafos 5.12 e 5.16), pode se afirmar que não há nenhum crédito de contribuição para o Pis, relativo ao tperiodo de apuração de março de 2001. (...) 6.5 A Seção de Fiscalização desta DRF, após conferir a base de cálculo do PIS, relativa ao período de apuração de março de 2001, apurou um valor de débito de Pis bem maior que o valor declarado pelo contribuinte na DCTF. Apenas a diferença apurada (R$ 24.844,77) é que foi objeto de cancelamento no auto de infração motivada por decadência. Resta claro que a decadência declarada no auto de infração, quando da apreciação em 1ª instância de julgamento, em nada afeta o valor declarado pelo próprio contribuinte na DCTF. Ressaltase, mais uma vez, que não ha erro em relação ao valor declarado na DCTF, pois este foi objeto de conferencia quando do procedimento fiscal realizado pela Seção de Fiscalização desta DRF. O que resta agora verificar é se houve pagamento a maior para o débito de PIS, declarado na DCTF, relativo ao período de apuração de março de 2001. É o que veremos a seguir. 6.5.1 Confrontandose os valores apurados no auto de infração (incluindo ai apenas o valor declarado na DCTF: R$ 16.152,10) e o pagamento efetuado pelo contribuinte, concluise que não houve nenhum pagamento a maior de PIS relativo ao período de apuração de março de 2001, pois o pagamento realizado para tal período de apuração corresponde exatamente ao valor declarado na DCTF, conforme consta de consulta realizada no sistema SIEF/FISCEL (fl.298). (...) 6.6 Diante das exposições e considerações acima transcritas, não há nenhum crédito de contribuição do PIS, relativo ao período de apuração de março de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. (grifo nosso) Diante dos fatos narrados, a conclusão a que se chega é a de que pelo julgamento dos outros dois processos (processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734), não existe crédito a ser compensado. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 A alegação da Recorrente no sentido de que a diligência não cumpriu o seu papel não prospera. Em primeiro lugar, porque, ao contrário da alegação da Recorrente, o relatório fiscal da diligência foi conclusiva, resumindo o andamento de cada processo e demonstrando qual foi a conclusão de cada um. Em segundo lugar, porque o relatório de diligência informou que a parte do auto de infração mantida tem valor maior que o crédito pleiteado. Isto é, além de não existir crédito a restituir, a Recorrente ainda devia à Fazenda. Se o pagamento fosse indevido, não haveria crédito a ser lançado de ofício e o auto de infração teria sido cancelado no julgamento do processo nº 14120.0000018/200734. Por fim, a conclusão é bem clara no sentido de que “não há nenhum crédito de COFINS, relativo ao período de apuração de julho de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. Por tudo isso, deve ser indeferido o crédito e a homologação pleiteada. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto e mantenho o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 25 /08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10166.722359/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
Integra o salário de contribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de produtividade, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Integra o salário de contribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de “produtividade”, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 59 /2 00 9- 49 Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722359/200949 Acórdão n.º 2402004.229 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/2005 a 10/2008. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 505/510), a empresa deixou de informar em GFIP os valores de remuneração pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que não foram considerados base de cálculo de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Informa, ainda, que o lançamento foi realizado já na vigência da Medida Provisória 449 de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, a qual modificou a forma de calculo da multa para a infração objeto deste lançamento. Assim, em obediência ao artigo 106, II, "c" do CTN e ao artigo 44, I da Lei 9.430/97, foi feito o comparativo entre os valores de multa apurados de acordo com a sistemática anterior e aqueles apurados pelo critério do artigo 35A da Lei 8.212/91 (após a alteração pela MP 449/2008), verificandose qual a mais benéfica ao contribuinte. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/11/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. No caso a multa é um acessório da suposta infração, uma vez que a ideia de acessório é vinculada e coexistente com a idéia de principal, uma vez inexistente o principal, conseqüentemente, também inexistente será o acessório; 2. quanto aos pagamentos realizados a título de produtividade, o levantamento não deve prosperar, pois tais pagamentos estão imunes de contribuições sociais conforme texto constitucional (art. 7º, inciso XI) e Lei especial (art. 3º da Lei 10.101/2000). Que a existência de pagamento em periodicidade inferir a 01 semestre civil não inibe a espontaneidade ou a convenção. Logo, o que é regulamentado pela convenção não é vedado. Uma vez regulamentado, o pagamento restou regular. A empresa pagou a participação nos lucros ou resultados em decorrência da convenção coletiva já apresentada à fiscalização. Eventuais peculiaridades da formalização da participação nos lucros ou resultados da empresa, certamente não desnatura o objeto da convenção coletiva, ou seja, não autoriza a tributação de tais valores. A lei não estabeleceu condições para os termos da convenção. Isto significa: A convenção é de livre negociação, na forma da lei. Somente as remunerações constituem base de cálculo das contribuições sociais, nos termos da legislação vigente, e o texto Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 constitucional desvinculou a participação nos lucros das remunerações. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão 0344.409 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 2592/2597) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722359/200949 Acórdão n.º 2402004.229 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à verba paga a título de PLR. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos quadros demonstrativos, bem como nos processos: 10166.722355/200961 e 10166.722356/200913. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722359/200949 Acórdão n.º 2402004.229 S2C4T2 Fl. 5 7 Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos dos processos 10166.722355/200961 e 10166.722356/200913. Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à verba paga a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise do processo da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) O processo 10166.722355/200961 assentou em sua ementa os seguintes termos: “[...] PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Integra o salário de contribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de “produtividade”, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. [...]” Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722359/200949 Acórdão n.º 2402004.229 S2C4T2 Fl. 6 9 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.722359/200949 Acórdão n.º 2402004.229 S2C4T2 Fl. 7 11 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16327.001089/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/01/1999
PIS. DECADÊNCIA.
Por qualquer das regras de contagem previstas nos art. 150 e 173 do CTN, o crédito tributário do PIS exigido no presente processo está atingido pelo transcurso do prazo decadencial de 5 anos.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo sido reconhecida a preliminar de decadência e exonerado integralmente o crédito tributário, o recurso voluntário não deve ser conhecido por perda do objeto.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Paula Las Heras Andrade, OAB/RJ 159871.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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DECADÊNCIA. Por qualquer das regras de contagem previstas nos art. 150 e 173 do CTN, o crédito tributário do PIS exigido no presente processo está atingido pelo transcurso do prazo decadencial de 5 anos. RECURSO VOLUNTÁRIO. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo sido reconhecida a preliminar de decadência e exonerado integralmente o crédito tributário, o recurso voluntário não deve ser conhecido por perda do objeto. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Paula Las Heras Andrade, OAB/RJ 159871. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 89 /2 00 6- 82 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001089/200682 Acórdão n.º 3301002.396 S3C3T1 Fl. 266 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001089/200682 Acórdão n.º 3301002.396 S3C3T1 Fl. 267 3 Relatório O contribuinte teve contra si lavrado o auto de infração de fls. 3/14 (numeração digital), para exigência do PIS relativo aos fatos geradores de julho/97 a janeiro/99, no valor de R$ 4.283.984,40. Consta ainda que o auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência em face dos depósitos judiciais e sentença exarada nos autos do processo nº 98.00161937 da 12ª Vara Federal de São Paulo. Por esta razão o lançamento foi efetuado com a exigibilidade suspensa e sem aplicação da multa de ofício. Não concordando com o lançamento o contribuinte apresentou impugnação, fls. 104/118, por meio da qual solicita a nulidade do lançamento pelo fato de já ter ocorrido o prazo decadencial para constituição do crédito tributário. Cita ampla jurisprudência administrativa e judicial para defender a decadência qüinqüenal do crédito tributário. Analisando referida impugnação, a 8ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1617.950, de 30/07/2008, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/07/1997, 01/08/1997, 01/09/1997, 01/10/1997, 01/11/1997, 01/12/1997, 01/01/1998, 01/02/1998, 01/03/1998, 01/04/1998, 01/05/1998, 01/06/1998, 01/10/1998, 01/11/1998, 01/12/1998, 01/01/1999 DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao PIS é de cinco anos, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional. Lançamento Improcedente Assim, a DRJ declarou o lançamento improcedente por reconhecer o transcurso do prazo decadencial de 5 anos para fazêlo, e apresentou o Recurso de Ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e Portaria MF nº 3/2008. O contribuinte, por sua vez, apresentou recurso voluntário, fls. 158/160, por meio do qual afirma acertada a decisão da DRJ que reconheceu a improcedência do lançamento, pela decadência, mas pede correção do erro material do lançamento. Segundo ele os créditos tributários objeto do presente lançamento e ora extintos referemse à ação ordinária nº 98.00161937, cuja autora é a empresa Noroeste Seguradora S/A, CNPJ nº 60.394.301/0001 79, atual Santander Brasil Seguros S/A, sendo que o auto de infração foi lavrado em nome de Santander Seguros S/A, CNPJ nº 87.376.109/000106. Neste sentido, o recorrente pede que seja sanado o erro material do lançamento, para constar que a extinção dos créditos diz respeito à empresa Noroeste Seguradora S/A, CNPJ nº 60.394.301/000179. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001089/200682 Acórdão n.º 3301002.396 S3C3T1 Fl. 268 4 Observase que, antes do julgamento do pleito, o contribuinte havia apresentado a petição de fls. 214/216, a qual foi juntada tardiamente ao presente processo administrativo. Nela o recorrente aponta que houve o erro do número do processo judicial no auto de infração. O processo judicial correto seria o de número 98.00211853, cujo crédito tributário a Receita Federal está acompanhando por meio do processo administrativo nº 10768.009128/200118. Faz a juntada de vários elementos para comprovar esta assertiva. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001089/200682 Acórdão n.º 3301002.396 S3C3T1 Fl. 269 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso de ofício atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A DRJ/São Paulo I declarou a improcedência do lançamento pelo transcurso do prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional. Neste sentido transcrevo abaixo o art. 150 do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) De acordo com este dispositivo do CTN, se houver antecipação do pagamento, e não ocorrendo as situações de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento decai em cinco anos contados do fato gerador. Caso não haja a antecipação do pagamento, ou tenha ocorrido as situação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial aplicado é o do art. 173, inc. I do CTN, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) No presente caso o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 27/07/2006, fl. 03. Consta do auto de infração que os fatos geradores referemse aos períodos de julho/97 a janeiro/99. Portanto, por qualquer regra, seja cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN) ou cinco anos contados do primeiro dia do exercício Fl. 280DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16327.001089/200682 Acórdão n.º 3301002.396 S3C3T1 Fl. 270 6 seguinte (art. 173, inc. I do CTN), houve o transcurso do prazo decadencial e a fazenda não poderia ter efetuado o lançamento. Neste sentido não há reparos a ser feito na decisão da DRJ. Quanto ao recurso voluntário, em que pese ele ter sido apresentado de forma tempestiva, ele não deve ser conhecido em razão da perda do objeto. Não há mais crédito tributário em litígio. Na verdade o contribuinte tem razão em afirmar que houve erro material no lançamento. O lançamento foi efetuado em nome de Santander Seguros S/A, CNPJ nº 87.376.109/000106 e faz referência que está sendo feito para prevenir a decadência em razão da ação judicial nº 98.00161937. O recorrente alertou que esta ação não é dele e sim da empresa Noroeste Seguradora S/A, CNPJ nº 60.394.301/000179, atual Santander Brasil Seguros S/A. Avisou também que possui uma ação judicial, esta de número 98.00211853. Pode se confirmar este erro também pela análise dos documentos de suporte ao lançamento de fls. 18/103, nos quais todos referemse ao CNPJ nº 60.394.301/000179 e ação judicial nº 98.00161937, que de fato são pertencentes a outro contribuinte Noroeste Seguradora S/A. De fato, os erros materiais ocorridos no lançamento estão corretamente apontados, mas acontece que o acatamento da preliminar de nulidade, por decadência, já provoca a extinção do crédito tributário do presente processo, não trazendo qualquer prejuízo ao contribuinte. Deixando claro que o objeto do presente julgamento está delimitado ao auto de infração constante do presente processo, em nome de Santander Seguros S/A, CNPJ 87.376.109/000106, o qual deve ser integralmente exonerado em face do reconhecimento do transcurso do prazo decadencial para constituição do crédito tributário. O presente julgamento não atinge créditos tributários pertencentes a outros contribuintes e nem deste mesmo contribuinte, oriundo de processos administrativos distintos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e pelo não conhecimento do recurso voluntário, por perda de seu objeto. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10830.720236/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. Respondem solidariamente pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica as pessoas físicas que efetivamente administram a sociedade e usufruem de seus resultados. GRUPO ECONÔMICO. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que são administradas pelos sócios de fato como se uma única empresa fossem, praticando conjuntamente fatos jurídicos tributários e compartilhando seus resultados econômicos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADO. INCIDÊNCIA SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO ÀS NORMAS PRESCRITAS PELA LEI N. 10.101/2000. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei n. 10.101/00 autoriza ao empregador a opção pela criação de comissão específica ou elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição do benefício fiscal. Assim, a fixação de regras claras e objetivas condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. Excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas creditadas aos empregados à título de 1/3 de férias já que o STJ já decidiu, em sede de representativo de controvérsia, pela não incidência de contribuições sobre tais verbas. RESP nº 1.230.957.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos os valores correspondentes ao adicional de 1/3 constitucional de férias e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996; e, após a exclusão da parte da multa por omissão de fatos geradores em GFIP, correspondente ao adicional de 1/3 constitucional de férias, a multa remanescente seja adequada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Recorrente COMPANHIA PIRATININGA DE FORÇA E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. Respondem solidariamente pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica as pessoas físicas que efetivamente administram a sociedade e usufruem de seus resultados. GRUPO ECONÔMICO. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico que são administradas pelos sócios de fato como se uma única empresa fossem, praticando conjuntamente fatos jurídicos tributários e compartilhando seus resultados econômicos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADO. INCIDÊNCIA SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO ÀS NORMAS PRESCRITAS PELA LEI N. 10.101/2000. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei n. 10.101/00 autoriza ao empregador a opção pela criação de comissão específica ou elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição do benefício fiscal. Assim, a fixação de regras claras e objetivas condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. Excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas creditadas aos empregados à título de 1/3 de férias já que o STJ já decidiu, em sede de representativo de controvérsia, pela não incidência de contribuições sobre tais verbas. RESP nº 1.230.957. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 02 36 /2 01 1- 16 Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. A lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos os valores correspondentes ao adicional de 1/3 constitucional de férias e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996; e, após a exclusão da parte da multa por omissão de fatos geradores em GFIP, correspondente ao adicional de 1/3 constitucional de férias, a multa remanescente seja adequada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.365 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a Recorrente, relativo ao período de 01/2006 a 12/2008, compreendendo as contribuições previdenciárias da empresa e a parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições sociais destinadas a terceiros e multas por descumprimento de obrigações acessórias. Nos termos do relatório fiscal de fls. 67/94, os autos de infração foram lavrados tendo como base no não recolhimento de contribuições sociais sobre valores pagos a segurados a título de participação nos lucros e resultados – PLR, gratificação de férias gozadas e adicional, remunerações indiretas (aluguéis, condomínio e IPTU de imóveis ocupados por segurados empregados), serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, licençaprêmio e prestação de serviços por contribuinte individual. A respeito da PLR, a autoridade fiscal afirma que os “contratos individuais não tiveram a participação do sindicato na sua negociação e tão pouco foram enviados ao sindicato para arquivamento, pois referemse aos pagamentos de bônus aos executivos da empresa, não podendo ser enquadrados como participação nos lucros ou resultados, pois não seguem os parâmetros estipulados nos acordos coletivos.”. Além disso, informa que, em descumprimento à legislação, a Recorrente não tributou os valores pagos em PLR na fonte como antecipação de imposto de renda, transferindo os valores para conta de previdência privada complementar. Quanto aos valores pagos a título de gratificação de férias gozadas, prevista em acordos coletivos de trabalho, a autoridade fiscal entende pela incidência de contribuições sobre os valores, destacando que as únicas verbas relacionadas a férias que não devem compor a base de cálculo das contribuições são as férias indenizadas e abono de férias, que corresponde a conversão de 1/3 (um terço) do período de férias em abono pecuniário. Em relação às remunerações indiretas, a fiscalização observou que a Recorrente paga aos seus diretores não empregados parcela de remuneração destinada ao pagamento de aluguéis, taxas de condomínio e IPTU dos imóveis por eles ocupados. Justifica a autuação no art. 201, II, § 1°, do Decreto n° 3.048/99. Sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, a autuação se justifica no fato de a Recorrente ter somente repassado a contribuição retida, deixando de recolher a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91, com base nos contratos de prestação de serviços, notas fiscais, faturas de serviços e telas de contabilização das respectivas NFs apresentadas. Ainda, quanto aos valores pagos a título de licença prêmio, o auditor esclareceu tratarse de valor pago a título de licença remunerada aos empregados que completarem 20, 30 e 40 anos de serviço efetivo na empresa, sendo vedada a conversão desse benefício em pecúnia, a não ser nos casos de rescisão contratual em que o funcionário possuía o direito adquirido ao benefício. Foram inclusos no cálculo do crédito tributário apenas os Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pagamentos de licença prêmio a segurados nas competências de 11/2007 e 12/2007, uma vez que concedidos na vigência do contrato de trabalho. Quanto as obrigações acessórias, foi verificado que a empresa não contabilizou os pagamentos realizados ao contribuinte individual Sr. Antonio Roberto Vicente, em razão de prestação de serviços. Além disso, foram apuradas diferenças de remunerações de contribuintes individuais constantes da folha de pagamentos não declaradas em GFIP nas competências de 12/2006, 12/2007 e 12/2008. Foram realizados comparativos de multa aplicável, de modo a verificar a penalidade menos gravosa ao contribuinte. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 735/761, admitindo serem incontroversos os créditos referentes às contribuições incidentes sobre o pagamento a contribuinte individual, às contribuições incidentes sobre as diferenças de remuneração apuradas na folha de pagamento x GFIP e à parcela não recolhida a cargo da empresa relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Quanto aos demais pontos, a Recorrente apresentou fundamentos ao cancelamento da autuação. A impugnação fora julgada procedente em parte, nos termos do acórdão de fls. 2194/2225, para excluir dos créditos apurados pelo Levantamento “CI1 DIF REMUN FPXGFIP”, relativos ao AI n° 37.326.7720. Intimada do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivo às fls. 2246/2257, alegando, em síntese: i) Ser indevida a imputação de obrigação tributária a terceiras pessoas ao fundamento de que as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente por suas obrigações tributárias, podendo tal responsabilização ocorrer apenas quando verificada a insolvência do contribuinte; ii) Ser insubsistente a exigência de contribuições sobre os valores pagos a título de PLR sob o fundamento da não participação do Sindicato, uma vez que o próprio REFISC anota que em 22/08/2004, 22/07/2005, 21/08/2007 e 22/08/2008 havia acordos coletivos de trabalho com os Sindicatos e anuídos por funcionários, prevendo a PLR a ser regulada por regras próprias a serem estipuladas pela Recorrente; iii) Que as referidas regras foram prescritas em contratos individuais de metas nos termos das alíneas ‘a’ e ‘b’ do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00; iv) Ser insubsistente a exigência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, nos termos de votos do STF e STJ; v) Ser insubsistente a exigência de contribuição previdenciária sobre as verbas consideradas como remuneração indireta, vez que o TST já pacificou entendimento no sentido de que as vantagens previstas pelo art. 458 da CLT, quando demonstrada a indispensabilidade, não integram o salário do empregado; Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.366 5 vi) Ser indevida a incidência de contribuição sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, uma vez que embora consignado na GPS o código de pagamento 2631, o corpo da GPS não deixava margem a dúvidas de que aqueles recolhimentos diziam respeito às contribuições prescritas no inciso IV, do art. 22, da Lei n° 8.212/91; vii) Ser insubsistente a exigência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de licença prêmio, uma vez que o STJ já entendeu pela não incidência, bem como editou Súmula de n° 136, afastando a incidência de IR sobre o pagamento de licençaprêmio não gozada por necessidade do serviço; viii) Que a decisão recorrida, apesar de acolher em parte a questão da ausência de diferenças de remuneração apurada na folha de pagamentos x GFIP, deixou de considerar que os encargos de 20% da folha de pagamento dos executivos são recolhidos em dois períodos durante o ano; ix) Que a penalidade imposta foi pautada em dispositivo revogado pelo art. 79, I, da Lei n° 11.941/09 (art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91) e, estando o órgão julgador vinculado à legislação, tratase de vício irremediável, que torna necessária a declaração de nulidade do auto de infração de obrigação acessória. Ao final, requereu o acolhimento das razões e o provimento do recurso voluntário. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Preliminarmente Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No Mérito Da Responsabilidade Solidária dos Sócios e das empresas que integram o Grupo Econômico A Recorrente alega ser indevida a imputação de obrigação tributária a terceiras pessoas sob o fundamento de que as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente por suas obrigações tributárias. O acórdão recorrido fundamenta a responsabilização no inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/91 que dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. A Recorrente, por sua vez, apresenta argumento de que tal responsabilidade solidária apenas se justifica nos casos em que o contribuinte diretamente responsável pelo débito se torna inadimplente e insolvente. Em momento algum, entretanto, a Recorrente contesta a existência do grupo econômico, limitandose a discordar da responsabilização solidária imposta. Pois bem. O Código Tributário Nacional, em seu art. 124, prevê: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei.” Em complemento, o art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91, estabelece que: “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;” Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.367 7 Verificase que a responsabilidade solidária das empresas integrantes de grupo econômico decorre de expressa previsão legal, não cabendo à autoridade fiscal ou ao órgão julgador aplicação de entendimento diverso do quando legalmente imposto. Sendo assim não merece guarida a pretensão da Recorrente em ver reparada a inclusão no lançamento tanto dos administradores quanto das demais empresas tidas como integrantes de grupo econômicos. Da Participação nos Lucros e Resultados Alega a Recorrente ser insubsistente a inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo dos créditos em questão. Os fundamentos utilizados pela fiscalização para justificar a autuação nesse sentido são de que: i) O plano de metas não foi firmado com participação do Sindicato e, por tal razão, não teria atendido o quanto previsto pela Lei n° 10.101/00 estando, portanto, sujeito à incidência de contribuições e ii) que os valores pagos a título de PLR são direcionados à previdência privada complementar do funcionário. O pagamento de Participação nos Lucros e Resultados é regulado pela lei 10.101/2000: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. O procedimento a ser adotado para formalização da PLR é optativo à discricionariedade das partes, entre a criação de comissão específica ou a elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição do benefício fiscal. Assim, a fixação de regras claras e objetivas Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes. De forma não taxativa, são previstos também critérios e condições determinantes ou não da distribuição do resultado, sendo índices de produtividade, qualidade ou lucratividade os critérios, e a existência de programas de metas, resultados e prazos, as condições, estas, uma vez pactuadas, devem cronologicamente preceder os fatos que visa regular. A não taxatividade do § 1º importa assumir que a necessidade de prévia pactuação dos termos não é um comando, mas uma faculdade. Entender o contrário seria instituir novas obrigações para fruição do benefício ao arrepio da lei, o que vai de encontro ao princípio da estrita legalidade. No caso em tela, a autuação está pautada no fato de os planos de metas e resultados serem realizados sem a anuência do sindicato da categoria e na forma de contrato individual com cada um dos beneficiados (diretores). Às fls. 470/562 foram juntadas cópias de acordos coletivos (2004/2006, 2005/2007 e 2008/2010), em que, nos termos da Cláusula 5, parágrafo 9° Fls. 472 ficou estabelecido que “os valores médios de referência estipulados (...) terão o pagamento do seu total condicionado ao cumprimento de metas, que serão definidas, bem como seus critérios e parâmetros (...) por comissão composta por representantes da CPFL – PIRATININGA e do SINDICATO. (...)”. Às fls. 650/683, por sua vez, foram juntadas cópias dos “contratos individuais de metas”, em que se verificam os critérios adotados, as metas a serem alcançadas e o prazo de vigência, mas não demonstram se estas metas foram estabelecidas anteriormente ao pagamento da PLR, muito menos a participação do sindicato (conforme previsto pela Cláusula 5 do acordo coletivo) e a anuência do empregado. Assim, entendo que neste ponto não assiste razão à Recorrente. A fiscalização entendeu que a fixação do PLR dos funcionários de forma individualizada e sem a anuência do Sindicato a cada um dos contratos tornaa irregular. Correta a interpretação. Uma vez previsto em acordo coletivo que os valores, critérios e parâmetros de pagamento da PLR devem ser definidos por comissão composta pelo empregador e pelo Sindicato, necessária a observância da previsão, sob pena de irregularidade do procedimento. Assim, verificado vício no método de valoração do PLR individual escolhido pela Recorrente, pelo que neste ponto não assiste razão. No que diz respeito a autuação das circunstâncias exclusivamente ligadas aos detentores de cargos gerenciais, houve cláusula expressa nos acordos coletivos prevendo que em relação aos referidos cargos (p.e. fls. 474), as condições seriam efetivadas de forma individual e com regras próprias. A DRJ entendeu que a estipulação desta forma fere os requisitos previstos pela Lei n° 10.101./00. Novamente e respeitosamente, discordo. A legislação especializada que, nos termos da Lei n° 8.212/91, deve ser atendida para que se configure a não incidência de contribuições sobre PLR, não estabelece Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.368 9 que os planos de metas e resultados sejam obrigatoriamente firmados na forma coletiva. Muito menos, conforme já dito, estabelece que a anuência do Sindicato seja indispensável à sua validade. O que se estabelece, em verdade, é apenas e tão somente a presença dele na criação dos critérios de distribuição – o que ocorreu com sua participação nos acordos coletivos que previam a estipulação de normas específicas aos cargos gerenciais. Entendo que a hipótese normativa descreve a presença do sindicato como condição necessária e suficiente para subsumir o fato à norma, gerando a incidência. Assim, a anuência é elemento irrelevante para fins de fruição do benefício fiscal, pelo que nesse ponto assiste razão à Recorrente. Entretanto, ainda que o fundamento da obrigatoriedade da presença do sindicato seja, a nosso ver, descabida, a Recorrente não faz jus à isenção tributária por descumprir outro requisito imposto pela Lei n° 10.101/00, qual seja o estabelecimento de metas e critérios clara e previamente ao pagamento da PLR. No caso, da análise dos autos observase que a Recorrente não logrou êxito em comprovar que o estabelecimento de metas e critérios para pagamento da PLR aos diretores fora realizado previamente. Destarte, entendo por descabida a alegação de isenção de contribuições sobre os valores pagos a título de PLR quanto aos cargos gerenciais. No que tange aos demais funcionários, concluímos também pela irregularidade do procedimento adotado, vez que não atendida a exigência estabelecida na Cláusula 5, parágrafo 9° do acordo coletivo (Fls. 472), razão pela qual voto pela manutenção do crédito tributário. Da conversão dos valores da PLR em previdência complementar Não obstante nosso entendimento contrário às alegações de isenção da PLR propostas pela Recorrente, importante a análise da questão sob o prisma das hipóteses de isenção das contribuições previdenciárias sobre a previdência complementar. A Lei n° 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; A norma de isenção trazida pela alínea ‘p’, § 9° do art. 28, da Lei n° 8.212/91 prevê o afastamento das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas pelo empregador à Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 título de previdência complementar, desde que o programa esteja disponível a todos os demais empregados e dirigentes. Dos arquivos juntados pela própria Recorrente às fls. 1391/1421, é possível verificar que a opção por converter os valores obtidos via PLR em previdência complementar foi concedida apenas aos gestores e diretores da empresa, não restando demonstrado que a mesma opção foi dada aos demais empregados. Sendo assim, não atendendo ao requisito único de isenção, qual seja a disponibilidade a todos os empregados, entendo pela incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, mesmo que convertidos em previdência complementar em alguns casos. Do Terço Constitucional de Férias O surgimento de referido acréscimo foi inaugurado com a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º inciso XVII: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; Certo é que o constituinte conferiu aos trabalhadores além do descanso, compulsoriamente “pago”, um valor “extra” para melhor fruição do período de descanso, sendo certo que este acréscimo não é pago em virtude da contraprestação pelo trabalho. A meu entender, isso não significa, ao contrário do que tem decidido o STF, que referida paga revestese de caráter indenizatório. Esta qualidade decorre sempre da supressão de um direito, hipótese que não se enquadra no caso. De fato, não existe nada a indenizar, mas simplesmente uma obrigação legal de pagar. Na esteira do entendimento demonstrado, penso que se trata de hipótese de não incidência simples. Assim, sigo acompanhando a Corte Constitucional pelas conclusões: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERÇO CONSTITUCIONAL. FÉRIAS. O STJ entendia que o acréscimo de 1/3 sobre as férias integraria a remuneração do servidor público e, conseqüentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária (art. 4º da Lei n. 10.887/2004), pois se trataria, ao cabo, de vantagem retributiva da prestação do trabalho. Contudo, esse entendimento mostrouse contrário a vários arestos do STF, que concluíam não incidir a referida contribuição sobre aquele adicional, visto que deteria natureza compensatória, indenizatória, por não se incorporar ao salário do servidor para aposentadoria (art. 201, § 11, da CF/1988). Assim, embora esses julgados não sejam do Pleno do STF, a Seção reviu sua posição, para entender também que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. Anotese, por último, que esse entendimento da Seção foi firmado em incidente de uniformização jurisprudencial que Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.369 11 manteve o acórdão impugnado da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais acorde com a jurisprudência do STF. Precedentes citados do STF: AI 712.880MG, DJe 11/9/2009; AI 710.361 MG, DJe 8/5/2009; AgRg no AI 727.958MG, DJe 27/2/2009; AgRg no RE 589.441MG, DJe 6/2/2009; RE 545.317DF, DJe 14/3/2008, e AI 603.537DF, DJ 30/3/2007”. (STF, Pet 7.296PE, Rel. Min. Eliana Calmon, julgada em 28/10/2009) Portanto, excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas a título de terço de férias. Da Remuneração Indireta Discutese sobre a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos diretores e gerentes da empresa a título de aluguel, IPTU e taxas de condomínio. A Recorrente alega que a incidência é indevida em razão do entendimento do TST, segundo o qual demonstrada a indispensabilidade para o trabalho, as verbas previstas pelo art. 458 não podem integrar o salário de contribuição. Não tem razão a Recorrente. O STJ, em sede de Recurso Especial, inseriu no conceito de remuneração as despesas de aluguel, considerando o caráter habitual da mesma: TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. VERBAS PAGAS COMO AJUDAS DE CUSTO, AUXÍLIOS, PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. (...) 3. As verbas pagas ao empregado para auxiliar nas despesas de aluguel, ainda que tenham denominação de auxílio ou de ajuda de custo, não possuem natureza indenizatória, mas salarial, pois são concedidas de forma habitual aos trabalhadores da empresa e, por essa razão, estão inseridas no conceito de remuneração, compondo a base de cálculo da contribuição. Precedente no STJ, EDRESP 440916/SC, DJ dia 28/04/2003, pág. 177. Grifei RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. (...). ALUGUEL. VERBAS PAGAS COM HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. (...) 7. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. (REsp 439133/ SC, Rel Min. Denise Arruda 1ª T.DJe 22/09/2008) Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Ainda, a inclusão de tais verbas na base de cálculo das contribuições previdenciárias se justifica quando analisado o conceito de salário de contribuição especificado pela Lei n° 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Enquadrandose na hipótese acima, não há que se falar em afastamento das verbas pagas em forma de aluguel, IPTU e taxa de condomínio da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho Alega a empresa Recorrente ter realizado recolhimento dos valores referentes aos serviços prestados por cooperados. Ainda, que a fiscalização agiu de forma errônea ao considerar que os recolhimentos por ela efetuados servem à finalidade descrita no art. 31 da Lei n° 8.212/91, que trata da retenção em hipóteses de cessão de mão de obra. A DRJ, por sua vez, entende pela impossibilidade de liquidação desses créditos através dos recolhimentos mencionados pela Recorrente. Nos termos do voto, os recolhimentos foram realizados por conta de retenção e em nome de outra empresa – Cooperativa de Trabalho em Eletricidade. Não merece guarida a Recorrente. Apesar de a empresa Recorrente indicar no quadro demonstrativo de recolhimentos que os valores por ela recolhidos se referem ao quanto disposto no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91, tratamse, em verdade, de recolhimentos efetuados no código 2631, ou seja, a título de retenção. Ainda mais, os recolhimentos em questão foram efetuados em nome de empresa diversa da Recorrente que, por sua vez, já os compensou com as contribuições previdenciárias a seu cargo e incidentes sobre a própria folha de pagamentos. Ressaltese que a exigência ora apontada se refere a obrigação principal a ser cumprida pela própria Recorrente, nos termos da legislação que fundamentou o lançamento (art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91). Licençaprêmio Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.370 13 Sustenta a impugnante ser insubsistente a exigência de contribuições sobre importâncias pagas a título de licençaprêmio remunerada, uma vez que quando convertida em pecúnia por necessidade de trabalho adquire natureza indenizatória. A DRJ, entretanto, afirma que a autuação se justifica no fato de a Recorrente não ter comprovado nos autos que os pagamentos a este título no período fiscalizado tenha decorrido de descumprimento do benefício e, por conseqüência, na forma indenizatória. A fiscalização constatou que, ao verificar a data de admissão dos funcionários contemplados pelo benefício na forma pecuniária, nenhum deles havia sido admitido há mais de 20 anos, ou seja, não há trabalhador que faça jus ao benefício de licença vez que não atendida a condição informada pela própria empresa. Além disso, em acordo coletivo de trabalho 2005/2007 (fls. 524), há expressa vedação de conversão do referido benefício em pecúnia, “salvo quando o empregado, já com o direito adquirido, venha a se desligar da empresa antes da fruição dos dias de licença”. Portanto, indiscutível que o benefício de licençaprêmio somente poderia ser convertido em pecúnia quando o trabalhador que já faz jus a ele venha a se desligar da empresa antes da fruição dos dias de licença. Assim, uma vez não comprovado o caráter indenizatório das verbas pagas a este título, tais importâncias constituem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, devendo ser mantido o lançamento neste sentido. Das Obrigações Acessórias Quanto a pretensão de cancelamento das autuações por descumprimento de obrigações acessórias, não há o que se acolher. Os fundamentos da Recorrente para tal finalidade se limitaram a justificar que, se providos todos os seus requerimentos em recurso voluntário, os AIOA estariam automaticamente cancelados. Assim, não sendo desconstituído na totalidade os autos de infração de obrigação principal, descabido o cancelamento das autuações por descumprimento de obrigação acessória. Das contribuições a terceiros Na mesma linha, fica mantida a autuação referente as contribuições destinadas a terceiros, uma vez que esperava a Recorrente que os demais autos de infração fossem cancelados na totalidade. Das Multas Aplicadas Da retroatividade benéfica Art. 35 Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.371 15 cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência de parte dos fatos geradores, são duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. A regra acima mencionada, portanto, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso das demais competências, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Assim, nas competências em que não houve declaração em GFIP e recolhimento da obrigação principal, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, correto o entendimento adotado em primeira instância, mantendose a autuação. Da retroatividade benéfica Art. 32, IV Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.372 17 § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.720236/201116 Acórdão n.º 2402004.025 S2C4T2 Fl. 2.373 19 exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Assim, não há que se falar em nulidade da infração, estando o direito da Recorrente limitado ao recálculo das multas por descumprimento de obrigação acessória que estejam vinculadas ao valor total da autuação, uma vez que excluídas do crédito tributário as verbas pagas aos segurados empregados a título de PLR e Terço Constitucional de Férias. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e dou a ele dou parcial provimento nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10830.725270/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
IMPUGNAÇÃO ENDEREÇADA AO CARF.
Conforme determina o Decreto nº 70.235//72, o CARF não é competente para se pronunciar sobre impugnações do contribuinte, peça a ser analisada exclusivamente pelas Delegacias de Julgamento
Numero da decisão: 1302-001.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência e remeter os autos à DRJ, por erro no endereçamento.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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Conforme determina o Decreto nº 70.235//72, o CARF não é competente para se pronunciar sobre impugnações do contribuinte, peça a ser analisada exclusivamente pelas Delegacias de Julgamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência e remeter os autos à DRJ, por erro no endereçamento. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 52 70 /2 01 1- 79 Fl. 3415DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, abrangendo os anoscalendários de 2006, 2007 e 2008, exigindo crédito tributário de R$ 21.800.494,23, aí incluídos o principal acrescido de juros de mora e multa qualificada (150%), em razão de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Da análise dos valores das receitas informadas pela Contribuinte em suas declarações, foi verificada evidente discrepância em relação aos recursos movimentados em suas contas correntes. Enquanto nos extratos milhares de lançamentos alcançam R$ 14.000.000,00 em 2006, R$ 37.800.000,00 em 2007 e R$ 57.000.000,00 em 2008, nas suas declarações as receitas informadas se limitam, apenas, a R$ 18.000,00 em 2006, R$ 336.000,00 em 2007 e R$ 611.000,00 em 2008. Segundo consta do Relatório Fiscal, a Contribuinte se esquivou de receber as intimações em seu endereço na Secretaria da Receita Federal, fez diversas alterações contratuais com o intuito claro de fugir da fiscalização, não apresentou os livros e documentos necessários para a apuração do lucro real, nem comprovou a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes, o que resultou na sua declaração de inaptidão (através do Ato Declaratório Executivo nº 22 de 10/08/2011), e justifica a responsabilização dos sócios e da sucessora (Srs. Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari e Algovali Algodoeira Valinhos Ltda.) e o agravamento da multa. Para efeito do arbitramento foi considerado como receita bruta o somatório dos valores creditados em suas contas correntes, excluídos os estornos, as transferências entre contas de mesma titularidade, os créditos relativos a recebimentos de empréstimos e os resgates de aplicações financeiras. Intimados do auto de infração, somente os sujeitos passivos Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari apresentaram impugnações tempestivas alegando em síntese o seguinte: 1. RODRIGO LOPES BENTO : preliminarmente requer a nulidade de auto, já que em tempo algum foi intimado para apresentar documentos e tampouco para adotar providências necessárias para atualização de seus dados cadastrais. que como não houve intimação válida para o início da fiscalização, todos os demais procedimentos são nulos, uma vez que não foi respeitado o principio constitucional da ampla defesa. que a empresa foi vendida, e, competia aos antigos integrantes dela promover as alterações relativas à venda perante a Junta Comercial no Estado de São Paulo, e, assim foi feito. Entretanto, competia aos novos sócios integrantes da empresa, dando continuidade a esse ato jurídico, proceder às demais alterações junto aos órgãos competentes que envolvem o exercício da atividade objeto do contrato social. requer prazo para a juntada da documentação e livros contábeis e fiscais que comprovam as afirmações contidas na presente impugnação. Fl. 3416DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725270/201179 Acórdão n.º 1302001.042 S1C3T2 Fl. 3.416 3 que a conclusão contida no processo administrativo sob a apreciação de V.Sa. está absolutamente equivocada quanto à participação do impugnante na empresa ALGOVALI COM. DE PRODUTOS TÊXTEIS LTDA. que a acusação fiscal não pode basearse apenas em presunções ou conjecturas que não constituem a verdade. 2. ULISSES ZONARI: requer a nulidade do auto de infração, por ofensa aos princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, e da inadmissibilidade de obtenção de provas por meios ilícitos. Discorre acerca dos princípios constitucionais citados, com base na doutrina e jurisprudência. conclui que o auto de infração é nulo quando: não decorrente de intimação regular; quando ocorrer em desconformidade com o MPF; e, quando estiver fora dos limites da fiscalização ou mesmo quando houver a utilização de meios coercitivos. que o auto de infração que atribuiu responsabilidade tributária ao Impugnante pelos atos praticados pela empresa Algovin Algodoeira Vinhedo é baseado única e exclusivamente em suposições. que é ilegal a imputação da sujeição passiva solidária, nos termos da doutrina apontada que entende que os atos aos quais se reporta o art. 135, III, do CTN, são aqueles em virtude dos quais a pessoa jurídica se tornou insolvente. ressalta que o sócio gerente só pode ser responsabilizado pelos atos ocorridos no período de sua gestão, consoante decisão do STJ (Embargos de Divergência nº 174.532/PR). Cita doutrina e acusa não terem sido preenchidos os requisitos necessários para atribuição da responsabilidade ao sócio administrador, no presente caso, pois o fundamento utilizado foi de que teria ocorrido dissolução irregular da sociedade. que de mais a mais, o auto de infração baseouse apenas em depoimentos, de pessoas que são interessadas em se esquivar da responsabilidade tributária do caso em comento para, assim, ser imputado ao Impugnante a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional. que basta analisar o histórico das alterações contratuais da sociedade, para perceber que depois da saída do Impugnante do quadro societário, a empresa manteve o seu funcionamento, sendo completamente ABSURDA a tentativa do Fisco de imputar ao ex sócio a responsabilidade tributária por uma suposta dissolução irregular que teria o corrido após a sua retirada da empresa. que não é possível o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda, com base em demonstrações financeiras e questiona o método de apuração do imposto. Ainda, diz ser ilegal a multa aplicada, diante da flagrante violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. conclui que o arbitramento não pode alcançar a existência de simples falhas ou vícios formais na escrituração contábil, desde que não torne impossível a apuração da Fl. 3417DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 base de cálculo do imposto, sendo, portanto, impossível o arbitramento com base em demonstrações financeiras que não sejam aquelas expressamente previstas no art. 535 do RIR/99. defende, ainda a inaplicabilidade dos juros à taxa Selic, por inconstitucional e ilegal. Em seu despacho de encaminhamento, a autoridade preparadora informa não terem sido localizadas impugnações interpostas pela contribuinte e pela pessoa jurídica arrolada como sujeito passivo solidário, Algovali Algodoeira Valinhos Ltda. A 4ª Turma da DRJ/CPS pelo acórdão nº 0537.817, por unanimidade, julgou improcedente as impugnações de Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari e manteve a responsabilidade solidária de todos os responsáveis solidários, alegando em síntese que: conforme observado no relatório, não consta dos autos impugnação da contribuinte, nem da pessoa jurídica responsável solidária, Algovali Algodoeira Valinhos Ltda. Por outro lado, como as razões de defesa apresentadas pelas pessoas físicas Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari, arroladas como responsáveis solidárias, versam, inclusive, sobre o mérito da exigência fiscal, sua análise aproveita a todos os sujeitos passivos arrolados. o mesmo não se aplica quanto à responsabilidade tributária, operandose a correspondente preclusão processual em relação aos demais, tendo em vista à falta de argumentos de defesa específicos, a serem individualmente apresentados pelas pessoas identificadas como sujeitos passivos solidários. consolidase a matéria atinente à responsabilidade solidária da pessoa jurídica Algovali Algodoeira Valinhos Ltda, diante da falta de apresentação de impugnação. que Ulisses Zonari, foi cientificado dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por via postal, em dois domicílios diferentes, motivando a respectiva intimação em duas datas distintas, em 25/11/2011 e 14/12/2011, fato o qual justifica a apresentação da respectiva defesa também em duas datas distintas, em 27/12/2011 e 12/01/2012, ambas ofertadas no prazo legal de 30 dias, razão porque todas as razões de impugnação por ele ofertadas serão apreciadas neste voto. imprópria é a alegação de cerceamento de defesa durante o procedimento fiscal. a fiscalização pode averiguar a omissão de receita fundamentada em presunção legal, ou mediante a obtenção da prova direta da infração. o procedimento fiscal atendeu às disposições do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, tendo sido formalizada a exigência instruída com todos os termos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. durante os trabalhos fiscais a contribuinte e os sócios responsáveis foram regularmente intimados a prestarem os esclarecimentos necessários para elucidação dos fatos apurados pelo Fisco. a norma legal então vigente não prescreve o esgotamento dos meios de intimação existentes para, em último recurso, autorizar o uso de Edital. Admite a citada via de Fl. 3418DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725270/201179 Acórdão n.º 1302001.042 S1C3T2 Fl. 3.417 5 exceção desde que reste demonstrado improfícuo qualquer dos meios de intimação existentes, que não estão sujeitos a ordem de preferência. a falta de localização da empresa em seu domicílio fiscal, motivada pela falta de atualização dos dados cadastrais, autoriza o uso do edital. A fiscalização diligenciou, exaustivamente, para localizar a autuada e seus sócios nos respectivos domicílios tributários, buscando, inclusive, informações perante à JUCESP, dada a falta de atualização dos cadastros da RFB. não tendo sido localizada a empresa no domicílio fiscal eleito perante a RFB, quando do resultado da diligência, efetuada em 25/02/2010, já se justificava a utilização do Edital, no entanto, a fiscalização ainda laborou arduamente no sentido de encontrar o paradeiro da fiscalizada, buscando informações junto à JUCESP e diligenciando em diversos endereços, onde também não logrou êxito. Assim, não restou outra alternativa ao fiscal senão dar ciência do Termo de Início da Ação Fiscal por Edital. perfeita, a reintimação da contribuinte para atualizar seus dados cadastrais na RFB e apresentar os extratos bancários e os livros Diário e Razão, conforme Edital Sefis nº 10830/142/2010, afixado na DRF/Presidente Prudente/SP, e Edital Sefis nº 10830/143/2010, afixado na DRF/Campinas/SP; bem como a intimação para apresentar o livro Registro de Saídas, mediante Edital Sefis nº 10830/211/2010, afixado na DRF/Presidente Prudente/SP, e Edital Sefis nº 10830/212/2010, afixado na DRF/Campinas/SP. diante das infrutíferas tentativas de localizar a empresa, foi promovida a declaração de INAPTIDÃO da autuada e considerados tributariamente inidôneos os documentos fiscais por ela emitidos, conforme processo administrativo nº 10830.723300/201111 e Ato Declaratório Executivo nº 22, de 10 de agosto de 2011, e justificadas todas as intimações fiscais seguintes por edital. não cabe a este órgão administrativo perquirir a constitucionalidade e/ou legalidade de norma validamente editada por não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, conforme súmula Carf nº 2. por outro lado, também as intimações expedidas contra as pessoas físicas arroladas como responsáveis solidárias, seguiram as determinações do Decreto nº 70.235, de 1972. não há de se falar da nulidade do lançamento, mesmo porque não se mostraram atendidos os requisitos constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina a matéria. além do mais, os interessados demonstraram, mediante as razões de impugnação ofertadas, ter compreendido claramente os motivos da autuação. a tributação dos depósitos bancários está fundamentada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no presente caso, a fiscalização promoveu intimação, tomando o cuidado de individualizar os créditos questionados sem que a contribuinte tivesse demonstrado a origem dos recursos discriminados. Fl. 3419DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 como os impugnantes não demonstraram a origem dos créditos subsiste a presunção de corresponder ao recebimento de valores por vendas realizadas ou por serviços prestados. Correto, portanto, o uso dos valores dos depósitos bancários como receitas para fins de apuração da base de cálculo sujeita à tributação. incabível, também, a pretendida aplicação do arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, a ser feito de maneira mais favorável ao contribuinte, pois a omissão de receita, aqui em discussão, é perfeitamente dimensionável, exatamente pelo montante dos depósitos bancários cuja origem não restou comprovada. na modalidade do lucro presumido a pessoa jurídica deve manter, ao menos, o Livro Registro de Inventário e o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda movimentação financeira, inclusive bancária. É importante ressaltar que, tanto nas regras do lucro real, quanto nas do lucro presumido, impõese ao contribuinte o dever de guarda e conservação dos livros contábeis e/ou fiscais pertinentes a cada uma dessas modalidades de apuração do lucro, bem como da documentação que acoberta os registros escriturados. o lucro arbitrado é utilizado pela Administração Tributária, em casos de omissões ou erros graves constatados na escrituração do contribuinte. Este é o fato determinante para a adoção dessa modalidade de apuração do lucro, em detrimento daquela formalizada pela pessoa jurídica em sua declaração de rendimentos e/ou em seus registros contábeis/fiscais. vejase que a oportunidade oferecida não é a de legitimar as informações prestadas ao Fisco sem respaldo em documentação pertinente, em virtude da ocorrência de caso fortuito ou de força maior, mas, ao contrário, de oferecer elementos ao sujeito passivo para que este venha a reconstruir sua documentação e livros contábeis e fiscais, a fim de legitimar as informações antes apresentadas. para dar legalidade o procedimento deve a contribuinte necessariamente, comunicar a sociedade e aos órgãos competentes – Registro do Comércio e SRF, no prazo previsto e, em seguida, efetivar a reconstituição da sua escrita, mediante a legalização de novos livros e fichas, tudo com apoio em documentos devidamente recuperados. Sem a adoção dessas medidas são totalmente ineficazes para efeitos fiscais os atos anteriormente praticados. a obtenção de informações junto a terceiros tem a finalidade de buscar elementos para confirmar ou infirmar a escrituração levada a efeito pela contribuinte, de forma a se definir pela imprestabilidade ou não, da escrita. alcançada a conclusão da impertinência da opção do lucro, seja pela não apresentação, falta ou imprestabilidade da escrituração que não admita reparos, cumpre ao Fisco, tão somente, desclassificar a modalidade do lucro exercida, adotandose o arbitramento como única forma, com respaldo legal, para se apurar o resultado da pessoa jurídica. o arbitramento não é uma penalidade, e sim a única conseqüência possível a uma situação consumada, que é a não apresentação, para exame, dos livros contábeis e fiscais, ou a conclusão da imprestabilidade da escrita para validar a autenticidade das informações prestadas ao Fisco. assim, no presente caso, quanto ao mérito do arbitramento propriamente dito, verificase a correção do procedimento adotado, à vista de que deixou a contribuinte de Fl. 3420DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725270/201179 Acórdão n.º 1302001.042 S1C3T2 Fl. 3.418 7 apresentar os livros de manutenção obrigatória para determinação do lucro real, a despeito de ter sido reiteradamente intimada para tanto. importa consignar que inexiste arbitramento condicional, de sorte que o procedimento não é invalidado pela posterior apresentação da escrituração. Nesse sentido, apresentase a Súmula nº 59 do CARF que determina: “A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal”. sendo os lançamentos reflexos mera decorrência do principal e havendo sido este julgado procedente, igual sorte devem colher as exigências referentes ao Pis, à Cofins e à CSLL. a constatação da omissão de receita enseja a apuração de todos tributos e contribuições subtraídos à tributação, entre os quais se destacam o Pis e a Cofins, no regime cumulativo, porque incidentes sobre o faturamento, entendido como a receita bruta da pessoa jurídica (arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998). as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado ficam sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração da contribuição para o Pis e a Cofins, vigentes anteriormente às Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a teor do art. 8º, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002, e art. 10, inciso II, da Lei 10.833, de 2003. no que se refere à aplicação dos juros de mora, o Código Tributário Nacional CTN, aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu art. 161, dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. no tocante à taxa Selic, a utilização desta como juros de mora está fundamentada no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997 é matéria pacífica na esfera administrativa, uma vez que alcançados pela Súmula CARF nº 4. igual princípio se estende com relação à multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. vejase que a própria Lei nº 9.430/96, com as alterações dadas pela Lei nº 11.488/07, partindo da pena básica de 75%, já regulamenta a sua graduação, porém, para percentual mais agravado na hipótese de ser verificada a situação qualificadora ali descrita. E, para tanto, apenas toma emprestado da Lei nº 4.502/64 a definição dos conceitos de sonegação, fraude e conluio, contido em seus arts. 71 a 73. portanto, a necessidade da comprovação in concreto de sonegação, fraude ou conluio, fazse necessária apenas para a qualificação da penalidade a ser aplicada em percentual duplicado. nos autos está claro que a Contribuinte agiu com a nítida intenção de sonegação quando entrega declarações com reiteradas informações das receitas auferidas subfaturadas. Assim, correta a penalidade e a exigência da multa no patamar de 150%. Fl. 3421DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE 8 além disso, a fiscalização acusa ter havido, pelos verdadeiros sócios administradores, Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari, ora impugnantes, a introdução de interpostas pessoas em seus lugares, visando “encobrir sua situação diante do iminente abandono da empresa”, indicativo, inclusive, de fraude no contrato social, tudo visando blindar o patrimônio dos citados administradores. a multa moratória no limite de 20%, prevista no art. 61 da citada Lei nº 9.430, de 1996, é cabível apenas no recolhimento espontâneo, só se admitindo a sua aplicação quando já iniciado o procedimento fiscal, relativamente aos débitos declarados pela contribuinte, desde que o pagamento se dê até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, a teor do art. 47 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, não sendo este o caso. ainda, importa consignar que as multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam no âmbito tributário, consoante pacificado em Súmula do CARF: Súmula CARF nº 51: “As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária”. registrese que a suposta venda da empresa fiscalizada somente teria sido efetivada em março de 2009, posteriormente, portanto, aos fatos geradores dos períodos aqui auditados (2006 a 2008), cuja gestão dos negócios ainda estava formalmente a cargo das pessoas físicas arroladas como responsáveis, Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari. a fiscalização logrou demonstrar que a transmissão do negócio foi apenas formal, o que se evidencia não só pelos depoimentos tomados, mas também pela constatação da falta da capacidade econômica dos “sócios ingressantes” e pela falta de prova do recebimento do numerário pelos sócios “retirantes”. a fraude contratual, portanto, não restou presumida, mas demonstrada mediante um conjunto probatório reunido pela fiscalização. E os impugnantes nada apresentaram, no sentido de comprovar a efetiva venda de suas quotas sociais, de modo a ilidir a acusação fiscal. acerca da sujeição passiva dos impugnantes, o Fisco fundamentou a solidariedade no art. 135, III, do CTN, entendendo como infração à lei, justamente, a inserção de informações falsas nos contratos sociais. Para solucionar a controvérsia, impõese aclarar a hipótese de responsabilidade tributária tratada nos arts. 124 e 135 do CTN. diante da confirmação da sonegação e da fraude contratual, resta resolvida a questão dos elementos qualificadores da infração e, também, da solidariedade dos impugnantes aqui identificados. Por todo exposto, são IMPROCEDENTES as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari e MANTEMSE o crédito tributário trazido a litígio, assim como a responsabilidade solidária das pessoas citadas. Intimados da decisão da DRJ apenas a empresa Algovin Algodoeira Vinhedo Ltda., interpôs impugnação/recurso. Isto porque, pelo despacho de encaminhamento de fls. 3205 se constata que a DRF/Campinas, recebeu a impugnação como se recurso voluntário, tempestivo, fosse, apesar da empresa interessada não ter apresentado impugnação ao auto de infração. Alega em síntese a interessada o seguinte: Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725270/201179 Acórdão n.º 1302001.042 S1C3T2 Fl. 3.419 9 que a impugnante, em tempo algum foi intimada para apresentar documentos e tampouco para adotar providências necessárias para atualização de seus dados cadastrais. que não houveram diligências com a finalidade de obter seu novo endereço, para comunicálo do início da fiscalização, o que caracteriza cerceamento de defesa e torna o procedimento nulo. a empresa foi vendida, e, competia aos antigos integrantes promover as alterações relativas à venda perante a Junta Comercial no Estado de São Paulo, até porque, não podem os antigos sócios fazerem requerimentos e pedidos de alterações perante os órgãos competentes, em nome de uma empresa da qual não fazem parte. desta forma, não pode o impugnante figurar no pólo passivo desse procedimento administrativo. requer concessão de prazo para a juntada de documentação e livros contábeis e fiscais, por ser de direito. a conclusão contida no processo está absolutamente equivocada quanto à participação da impugnante na empresa ALGOVALI COM. DE PRODUTOS TÊXTEIS LTDA., uma vez que não há provas de sua participação. que não faz, nunca fez e nunca teve nenhuma relação com a empresa mencionada. a impugnante é acusada de sonegação de impostos, acusação completamente improcedente. Cabia, ao Fiscal, no caso em questão, provar a ocorrência das irregularidades apontadas. junta, também, neste ato em anexo a esta, seus livros Diário e Razão para provar os fatos e atos alegados. É o relatório. Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE 10 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Quanto a admissibilidade do recurso se constata uma prejudicial para sua análise. Como se extrai do relatório da presente decisão a 4ª Turma da DRJ/CPS pelo acórdão nº 0537.817, por unanimidade de votos, julgou improcedente as impugnações de Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari e manteve a responsabilidade solidária de todos os responsáveis solidários. Em seu despacho de encaminhamento a autoridade preparadora informa que não consta impugnação da autuada, nem da pessoa jurídica responsável solidariamente Algovali Algodoeira Valinhos Ltda. Os sujeitos passivos Rodrigo Lopes Bento e Ulisses Zonari, que impugnaram o auto de infração não recorreram da decisão da DRJ, tendo o processo para eles transitado em julgado com a decisão definitiva da Delegacia de Julgamento. Todavia, a autuada Algovin Algodoeira Vinhedo Ltda., tomando ciência do julgamento da DRJ, entrou com impugnação alegando, dentre outras coisas, cerceamento de direito de defesa sob a alegação de não ter sido intimada do auto de infração para que pudesse se defender. Sem que a dita impugnação fosse apreciada, veio o processo para o CARF para julgamento, o que entendo não ser possível por não atender ao disposto no Decreto 70.235/72 estabelece em seus arts. 15,16 e 25 o seguinte: “15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; 25. O julgamento do processo compete: I em primeira instância: a) aos Delegados da Receita Federal, quanto aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda; II em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda.” Resta claro, portanto, que a impugnação foi endereçada pela DRF equivocadamente a este colegiado. Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 10830.725270/201179 Acórdão n.º 1302001.042 S1C3T2 Fl. 3.420 11 Diante do exposto, voto no sentido de que os autos retornem a 4ª Turma da DRJ/CPS, para que se pronuncie sobre a tempestividade da impugnação apresentada uma vez que este colegiado só pode julgar recursos voluntários em segunda instância. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 15586.001860/2010-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Multas decorrentes de obrigação principal e obrigação acessória não caracterizam bis in idem.
Numero da decisão: 2403-002.521
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Multas decorrentes de obrigação principal e obrigação acessória não caracterizam bis in idem. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 60 /2 01 0- 84 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 5/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 5/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001860/201084 Acórdão n.º 2403002.521 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1237769 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento foi assim relatado no julgamento de primeira instância: LANÇAMENTO Tratase dce Auto de Infração ( AI nº 37.295.6475, CFL 59) lavrado contra a empresa acima identificada, em 09/12/2010, no montante de R$ 1.431,79. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Multa Aplicada, fls 13/16: 2.1. a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados incidentes sobre a remuneração paga a título de alimentação, ... Do resultado do julgamento de primeira instância foi dado ciência à Florença, à KAUTSKY PATICIPAÇÕES S/A e à AB PARTICIPAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO LTDA, consideradas devedoras solidárias em outros lançamentos efetuados na mesma ação fiscal. Inconformadas com a decisão, as 3 recorrentes apresentaram recursos voluntários, basicamente com o mesmo teor, onde alegam/questionam, em síntese: · Dupla exigência de multa punitiva. Bis in idem. Obrigação principal e obrigação acessória. · Natureza não salarial da verba alimentação. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 5/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. ALIMENTAÇÃO – ENTENDIMENTO DA AUTORIDADE LANÇADORA O Relatório Fiscal descreve que a Florença deixou de arrecadar, mediante desconto,as contribuições dos segurados empregados incidentes sobre a remuneração paga a título de alimentação sem registro no PAT e considera o que foi fornecido como “in natura”. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 5/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001860/201084 Acórdão n.º 2403002.521 S2C4T3 Fl. 4 5 Descreve ainda o Relatório Fiscal que a empresa distribuiu a seus empregados cartões BANESTIK Alimentação, cestas básicas e outros produtos destinados à alimentação, destacando que “a exigência para a exclusão de alimentação como saláriode contribuição é a de que a parcela concedida pela empresa esteja inscrita e aprovada no PAT.”. Entendi que a autoridade autuante considerou toda a alimentação fornecida como in natura. Discordo desse entendimento. A discordância atémse à questão de considerar os cartões fornecidos como alimento in natura. Apesar da discordância, me subordinando ao fundamentos da constituição do crédito tributário, considerarei tudo como se in natura fosse. ALIMENTAÇÃO IN NATURA A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 5/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Como não deveria haver a tributação, também não deveria haver o desconto da contribuição dos segurados. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 5/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001860/201084 Acórdão n.º 2403002.521 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 5/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962385/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 85 /2 00 8- 51 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962385/200851 Acórdão n.º 3802002.269 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962385/200851 Acórdão n.º 3802002.269 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 205DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10935.902434/2012-09
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/02/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/02/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 34 /2 01 2- 09 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.739, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 35838.76212.161107.1.2.048060, rastreamento nº 029224733, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 5.933,64, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/01/2006, efetuado em 15/02/2006, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902434/201209 Acórdão n.º 3802002.589 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/02/2006 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902434/201209 Acórdão n.º 3802002.589 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902434/201209 Acórdão n.º 3802002.589 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902434/201209 Acórdão n.º 3802002.589 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 14489.000219/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/09/2005, 31/07/2007
QUE O ATO É NULO COMO FORMADO
NFLD que não considera a possibilidade de compensação, sem que a compensação não tenha sido declarada não é nula.
AFRFB é autoridade competente para a lavratura de NFLD, segundo inteligência do artigo 142 do CTN, combinado com a Lei nº 10.593/2002, na redação dada pela Lei 11.457/2007, é clara ao dizer que a autoridade administrativa a que se refere o CTN.
No artigo supra mencionado é o auditor fiscal, que é quem tem a competência privativa para efetuar o lançamento do crédito tributário, conforme dispõe o artigo a seguir:
Art. 92 A Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil:
I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:
a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;
COMPENSAÇÃO
Existem regras positivas que determinam procedimentos a serem seguidos para constituição da compensação, cuja ausência de tais procedimentos e decisão impedem a compensação de forma aleatória.
MULTA/JUROS E TAXA SELIC.
Estando o servidor público atrelado aos dizeres da lei, deverá obedecer tudo que ela determina, inclusive quanto aplicação da multa/juros e taxa SELIC, uma vez que todos eles têm previsibilidade na legislação de regência.
Entretanto, quanto a multa, há de ser imposta a que mais beneficia o contribuinte, face ao dispositivo de lei, artigo 106, II, C do CTN. No presente caso a que mais beneficia é a do artigo 61 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2301-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.]
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 06/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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AFRFB é autoridade competente para a lavratura de NFLD, segundo inteligência do artigo 142 do CTN, combinado com a Lei nº 10.593/2002, na redação dada pela Lei 11.457/2007, é clara ao dizer que a autoridade administrativa a que se refere o CTN. No artigo supra mencionado é o auditor fiscal, que é quem tem a competência privativa para efetuar o lançamento do crédito tributário, conforme dispõe o artigo a seguir: Art. 92 A Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; COMPENSAÇÃO Existem regras positivas que determinam procedimentos a serem seguidos para constituição da compensação, cuja ausência de tais procedimentos e decisão impedem a compensação de forma aleatória. MULTA/JUROS E TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 02 19 /2 00 8- 43 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Estando o servidor público atrelado aos dizeres da lei, deverá obedecer tudo que ela determina, inclusive quanto aplicação da multa/juros e taxa SELIC, uma vez que todos eles têm previsibilidade na legislação de regência. Entretanto, quanto a multa, há de ser imposta a que mais beneficia o contribuinte, face ao dispositivo de lei, artigo 106, II, C do CTN. No presente caso a que mais beneficia é a do artigo 61 da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.] MARCELO OLIVEIRA Presidente. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 06/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Relatório Fl. 453DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 14489.000219/200843 Acórdão n.º 2301003.557 S2C3T1 Fl. 8 3 Trata o presente de NFLD (DEBCAD 37.128.3787) lavrada contra o Recorrente, referente a contribuições segurados da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, compensadas indevidamente pelo contribuinte, no período fiscalizado. O Recorrente informa que efetuou as compensações com base no processo 2001.35.00.006.8981, da 3ª Vara Federal/GO. Foi requerido pela Fiscalização a Certidão de Inteiro Teor (Objeto e Pé) do processo supramencionado, e também consultou a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que lhe fosse fornecido um parecer sobre o processo. Com isto teve o conhecimento que o TRF da lª Região reconheceu a prescrição dos créditos utilizados pela empresa notificada na compensação com contribuições previdenciárias. Diante dos fatos relatados foram apurados os valores devidos para a Seguridade Social com base nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social apresentadas e corroboradas com os valores escriturados nos Livros Contábeis. Impugnou com suas razões, mas a DRJ manteve o crédito tributário Previdenciário nos moldes do lançamento da Fiscalização. Em 16/10/2008 foi noticiado da decisão e em 11/11/2008 aviou o presente recurso voluntário com os seguintes argumentos: i) que o ato é nulo como formado; ii) imposição imotivada juridicamente; iii) o fundamento a promover a legalidade da compensação; iv) da multa — nulidade da nfld valores apontados a maior; v) inaplicabilidade da taxa SELIC; e, vi) da inaplicabilidade dos juros como pretendido. Eis em apertada síntese o relato do necessário para julgamento do remédio recursal aviado. Voto Conselheiro wilson Antonio de Souza Correa Fl. 454DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 O presente Recurso de Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço e passo a decidir todos os argumentos expendidos pela Recorrente. i) QUE O ATO É NULO COMO FORMADO Diz o Recorrente que NFLD em destaque está equivocada, pois foi ignorado a possibilidade de compensação e, também diz que o AFRFB não é autoridade competente para a lavratura dela (NFLD), já que a inteligência do Código Tributário Nacional, art. 149 determina a ele apenas propor para então o Chefe do Serviço/Seção lavrar a NFLD. Sem razão já que a possibilidade de compensação não lhe foi extraída pelo AFRFB, e tão pela própria Receita, e mais ainda, nem mesmo o Judiciário, onde a Recorrente procurou o pálio, mas sim por ela mesma diante de sua inércia ocasionando a prescrição, assim declarada pelo Judiciário. Quanto a competência o artigo 142 do CTN reza que: "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento,....". De mais a mais, não olvidemos que a Lei nº 10.593/2002, na redação dada pela Lei 11.457/2007, é clara ao dizer que a autoridade administrativa a que se refere o CTN, no artigo supra mencionado é o auditor fiscal, que é quem tem a competência privativa para efetuar o lançamento do crédito tributário, conforme dispõe o artigo a seguir: Art. 92 A Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Portanto o AFRFB tem competência para lavrar a NFLD e por isto, neste quesito, não assiste razão a Recorrente. ii) IMPOSIÇÃO IMOTIVADA JURIDICAMENTE Traz legislação sobre a possibilidade da desejada compensação, pois para a Recorrente a ordem procedimental oriunda da Norma de Execução da SRF para compensação autoriza o procedimento de "compensação" conforme por ela procedido. Em verdade, neste quesito, a Recorrente deseja trazer a baila a discussão levada ao Judiciário, e, inadmissível com a renúncia tácita ao contencioso administrativo, conforme sumulado por esta Corte. Também sem razão. iii) O FUNDAMENTO A PROMOVER A LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO Fl. 455DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 14489.000219/200843 Acórdão n.º 2301003.557 S2C3T1 Fl. 9 5 Da mesma forma do quesito anterior a Recorrente tenta justificar juridicamente a possibilidade de compensar os seus débitos, diante de créditos antes existentes, o que, como acima dito, impossível, diante da renúncia tácita ao contencioso administrativo. iv, v e vi ) DA MULTA — NULIDADE DA NFLD VALORES APONTADOS A MAIOR – TAXA SELIC E JUROS Alega irregulares nos procedimentos adotados pela Fiscalização, cujos quais afrontaram ao devido processo legal, pois todas as competências registradas na NFLD foram compensados, como citadas pelo Auditor Fiscal, sendo portanto interesse negativo e como tal, por ser denegatório deveria conceder o prazo de lei de 30 dias para a regularização do débito, contados da cientificação do Contribuinte. E, tal exigência legal não fora cumprida, tornando nula a NFLD. Todavia, conforme consta no IPC a legislação não prevê, em caso de não recolhimento, como é o caso em tela, a possibilidade de advertência para regularização. Ao contrário, a lei dá a possibilidade de pagar, parcelar, ou impugnar o débito. A Recorrente optou por impugnar o débito. Alega ainda que a multa como foi imposta configura confisco. Trata também da ilegalidade da aplicação da taxa SELIC. Quanto a desejada exclusão dos juros e multa, e da dita ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, não assiste razão a Recorrente, porque a fiscalização não inventou as suas aplicações. Ao contrário, é determinação da legislação previdenciária. Nesse sentido, o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (..)” Também, mister se diga que não caráter de confisco a exigência da multa moratória, já que a legislação prevê no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 o caso de não recolhimento em tempo certo. Em não sendo recolhido no tempo adequado, o contribuinte ‘atrasado’ tem que honrar com a sua desídia ou outra razão qualquer, que não importa ao fisco. Mas, o certo é que, tal exigência serve para não permitir a agressão ao principio da isonomia, tão bem defendida pela Carta Cidadã, uma fez que o contribuinte que não recolher no prazo fixado, não pode ter o mesmo tratamento daquele outro que cumpri regularmente as suas obrigações fiscais. Quanta as ditas aplicações ilegais dos juros, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de Fl. 456DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” E, também é correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com base na inteligência do artigo 34, da Lei nº 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. De atualização monetária, urge dizer que há extinção para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, conforme a Lei n.º 8.981/95. Sendo assim, não há dúvida que, em caso de inadimplência com o fisco, o sujeito passivo é devedor do principal com os acréscimos legais na forma da legislação hodierna, Lei 9.430/96, artigo 61, se mais benéfica ao contribuinte. ‘Ex vi’ artigo em tela: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Diante de todo o exposto, quanto aplicação de multa, tenho que o artigo que mais beneficia o contribuinte deverá ser aplicada. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente Recurso de Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para aplicarlhe a multa de mora que mais lhe beneficia, ou seja a do Artigo 61 da Lei 9.430/96, se mais benéfica ao Recorrente, mantendo na íntegra os demais quesitos da decisão singular. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 14489.000219/200843 Acórdão n.º 2301003.557 S2C3T1 Fl. 10 7 É o voto. wilson Antonio de Souza Correa Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002104/2005-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ- NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa (art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72).
Numero da decisão: 1803-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar proviento parcial para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antônio Pires e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Relator
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São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa (art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar proviento parcial para anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antônio Pires e Victor Humberto da Silva Maizman. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 04 /2 00 5- 91 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002104/200591 Acórdão n.º 1803001.876 S1TE03 Fl. 112 2 Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício de 75% e demais acréscimos moratórios, referente ao ano calendário de 2000, lavrado em 08.12.2005. A exigência do crédito tributário de IRPJ decorre de glosa de prejuízos compensados indevidamente no exercício de 2001, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro real apurados no períodobase. Já a exigência do crédito tributário de CSLL decorre de glosa de compensação de base de cálculo negativa de períodosbase anteriores no exercício de 2001, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% da base de cálculo da CSLL apurada antes das compensações. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação alegando, em apertada síntese, que impetrou Mandado de Segurança (Autos n° 99.00627920 — 18a Vara da Justiça Federal — Rio de Janeiro) em que obteve liminar para o fim de permitir a compensação integral de seus prejuízos acumulados a partir de 1995, na determinação do Lucro Real (tributável), desconsiderandose o limite de 30% (trinta por cento) para fins de IRPJ e CSLL, pela caracterização da ilegalidade e inconstitucionalidade no caso concreto, do parágrafo único do artigo 42 e 58 da Lei n° 8.981/1995 e artigos 15 e 16 da Lei n°9.065/1995. A juíza monocrática concedeu a segurança pleiteada para, inicialmente, declarar incidenter tantum a inconstitucionalidade dos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981/1995 e declarar, por fim, o seu direito de compensar os prejuízos e a base de cálculo negativa apurados desde 31/12/1996, sem respeitar o limite de 30%, cabendo à autoridade coatora homologar as referidas compensações e extinguir o crédito tributário. Nos embargos de Declaração opostos pela embargante (recorrente), o Juízo, admitindo a ocorrência de contradição alegada, proferiu sentença para reconhecer o direito da embargante compensar os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa apurada desde 10 de janeiro de 1995, cuja sentença ficou sendo parte integrante da sentença anterior. Consubstanciada nas referida decisões, aproveitou a tutela jurisdicional para utilizar os prejuízos fiscais em montante suficiente para compensar os seus resultados tributáveis apurados no períodobase de 01/01/2000 a 31/12/2000. Refere que em segunda instância, (Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região), foi decidido não serem inconstitucionais os artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/1995 e artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/1995. Assim, aduz que frente a alteração da decisão de primeira instância, antes de qualquer procedimento administrativo fiscal, efetuou, no prazo regulamentar (30 dias da publicação da decisão que considerou os tributos devidos) com os acréscimos devidos (Juros Selic) a Fl. 759DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002104/200591 Acórdão n.º 1803001.876 S1TE03 Fl. 113 3 compensação do IRPJ relativo ao ano de 2000, base do auto de infração impugnado, sem a multa de oficio, conforme art. 63 da Lei n 9430/96. Porém, inconformada com a decisão do TRF da 2ª Região, opôs embargos de declaração e posteriormente Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça STJ e Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal FederalSTF. Na sequencia, os autos foram enviados ao STJ para julgamento do agravo de instrumento. O STJ negou provimento ao Recurso Especial e afirma que o processo então foi encaminhado ao STF, para julgamento do Recurso Extraordinário, onde, na data da impugnação, aguardava julgamento com a Ministra Ellen Gracie. A recorrente alega a decadência do lançamento tributário, vez que na data do fato gerador, a base de cálculo do IRPJ era o lucro real apurado mensalmente, tendo por base os balancetes mensais. Assim, o auto de infração teria se limitado ao mês de dezembro de 2000, fato gerador 31/12/2000, inferindose que os períodos anteriores de janeiro a novembro de 2000 não estariam abrangidos no Auto de Infração, face à decadência. Atenta para o fato de que não apresentou lucro no mês de dezembro de 2000, inexistindo, portanto, a hipótese de incidência tributária (fato gerador). Sustenta seus argumentos no art. 150, §4° do CTN e cita jurisprudência deste Egrégio Conselho de Contribuintes. No tocante à compensação dos prejuízos fiscais, afere que se deu amparada em medida liminar concedia em Mandado de Segurança, e que, desta forma, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/1996, deve ser excluída a aplicação da multa de oficio e também dos juros de mora. Quanto aos cálculos e compensação efetuada pela recorrente, insiste na tese de apuração mensal do IRPJ e que nos meses de novembro a dezembro de 2000 não apresentou lucro tributável, tendo apurado balancetes mensais de suspensão/redução do imposto devido mensalmente, conforme lhe faculta o art. 35 da Lei n° 9.430/1996, compensando os resultados positivos com créditos líquidos e certos decorrentes de pagamento a maior de IRPJ e valores retidos na fonte de aplicações financeiras. Referente à CSLL alegou basicamente os mesmos argumentos apresentados para o IRPJ, tendo acrescido apenas das considerações a respeito dos depósitos judiciais integrais das importâncias devidas, relativas ao período de 01.01.2000 a 31.10.2000, fora os meses de novembro e dezembro, por não ter apresentado lucro tributável. Atenta para o fato de que os depósitos foram efetuados com os acréscimos legais cabíveis. Desse modo, observa que por estar o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, antes em função da concessão de medida liminar em mandado de segurança e depois pelo depósito do montante integral, não pode a Fazenda Pública exigir o crédito tributário, tão pouco efetuar lançamento para prevenir a decadência com multa e juros de mora. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002104/200591 Acórdão n.º 1803001.876 S1TE03 Fl. 114 4 A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em sua integralidade referindo que a preliminar de decadência para a constituição dos créditos tributário não pode prevalecer. Isso porque o artigo 1° da Lei 9.430/96 deixou de exigir a figura da apuração mensal do lucro real, presumido e arbitrado e da base de cálculo da CSLL, então substituída pela apuração trimestral. Afere também que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, pode optar pelo pagamento do imposto em cada mês, determinado sobre a base de cálculo estimada, devendo apurar lucro real em 31/12 de cada ano, tal como disciplina o art.2° da Lei 9.430/96. Atenta o julgador a quo que a recorrente optou pela forma de apuração anual do imposto, para o ano em comento, tendo efetuado depósitos judiciais das estimativas de CSLL e deixando de recolher as estimativas de IRPJ amparada no art.35 da Lei 8.981/95. Assim, no compasso da Lei 9.430/96, a data de apuração do IRPJ no exercício autuado foi 31/12/2000 e em 08.12.2005, data da ciência dos autos de infração, não estava decaído o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento de IRPJ. O mesmo se aplica à CSLL. No mérito, a autoridade julgadora de primeira instância, aduz que a recorrente, ao ingressar com o Mandado de Segurança, questionando o direito à compensação de seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL sem o limite legal de 30% e tendo com fase atual a propositura de Recurso Extraordinário, pendente de julgamento, abriu mão da esfera administrativa para apreciação da matéria. Assim, por tratar o presente processo da mesma matéria levada à análise do poder judiciário, refere que deve ser observado o disposto no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 03/96. Referida norma dispõe sobre à renúncia ao processo administrativo, quando a empresa ingressa em juízo para discutir a mesma matéria e período. Salienta o que disciplina o art. 5°, XXXV da CF/88, posto determinar que a decisão judicial sempre irá prevalecer sobre a decisão administrativa. Assim, não cabendo decidir de modo diverso do proferido pelo Poder Judiciário, entende o julgador que não pode conhecer da impugnação cujo mérito verse exclusivamente sobre matérias sub judice. Aduz que deixa de analisar o mérito da matéria objeto do lançamento, compensação de prejuízos fiscais com inobservância dos limites legais, para que seja observada a decisão judicial definitiva, por se tratar da mesma matéria levada à apreciação da autoridade judicial. Quanto à multa de ofício e juros de mora, a decisão a quo foi no sentido de que inobstante a exigência do crédito tributário de CSLL estar suspenso por depósito do montante integral, nem ele, nem o crédito tributário de IRPJ estavam suspensos por concessão de medida liminar em mandado de segurança ou tutela antecipada, tendo os autos de infração sido corretamente lançado com a multa de ofício. Isso porque a sua dispensa não está amparada pelo art. 63 da Lei 9.430/96. Já com relação aos juros de mora, aduz a autoridade de primeira instância que os mesmos devem ser mantidos, posto inexistir previsão legal que impeça Fl. 761DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002104/200591 Acórdão n.º 1803001.876 S1TE03 Fl. 115 5 a sua constituição em lançamentos para prevenção da decadência e por representarem remuneração de capital que permaneceu à disposição da empresa, não guardando natureza de sanção. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões em recurso voluntário, tempestivamente, aduzindo o já disposto na sua Impugnação. Acrescenta apenas a sua discordância quanto ao não conhecimento da Impugnação, por entender que a matéria versada no Mandado de Segurança não condiz com a que se discute no presente feito. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício de 75% e demais acréscimos moratórios, referente ao ano calendário de 2000, lavrado em 08.12.2005. A exigência do crédito tributário de IRPJ decorre de glosa de prejuízos compensados indevidamente no exercício de 2001, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro real apurado no períodobase. A exigência do crédito tributário de CSLL decorre de glosa de compensação de base de cálculo negativa de períodosbase anteriores, no exercício de 2001, tendo em vista também a inobservância do limite de compensação de 30% da base de cálculo da CSLL apurada antes das compensações. A empresa recorrente insurgese alegando que o crédito tributário relativo ao IRPJ já se encontrava extinto, quando da lavratura do auto de infração, posto que em setembro de 2001, em cumprimento ao disciplinado pelo art. 63 da Lei 9.430/96 (dentro dos trinta dias contados da publicação do acórdão proferido pela 2ª Turma do TRF da 2ª região que reformou a sentença que concedera a segurança pleiteada no MS n° 99.00627920), antes de ser intimada do início do procedimento fiscal, a empresa recalculou o IRPJ, como seu adicional, devido em bases mensais estimadas do ano calendário de 2000, observando a limitação de 30% na compensação dos prejuízos fiscais acumulados de anos anteriores, acrescentando às diferenças de imposto apurado os juros calculados com base na variação da taxa SELIC, menos a multa de mora (como já exposto), encontrando o valor atualizado de R$ 248.742,67. No entanto, a decisão proferida, pela autoridade julgadora de primeira instância, foi no sentido de não conhecer da impugnação interposta, em toda a matéria Fl. 762DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002104/200591 Acórdão n.º 1803001.876 S1TE03 Fl. 116 6 disposta na ação judicial proposta, e somente acrescentou o seu entendimento quanto à aplicabilidade da multa de ofício e dos juros legais. A autoridade julgadora deixou de manifestarse quanto à existência do depósito, compensação, fonte e matérias divergentes, alegadas e sustentadas na impugnação e que fazem frente ao direito de defesa da empresa recorrente. Ocorre que todas as matérias sustentadas pela empresa, em seara de impugnação, tratase de mérito da demanda e em nada há de concomitância com a matéria levada ao judiciário, razão pela qual o sujeito passivo não pode deixar de ver apreciadas suas razões e tão pouco de obter fundamentação sobre as matérias em litígio. A não observância do devido processo legal, respeitando as instâncias de defesa do contribuinte, suprimindoas, gera nulidade do procedimento fiscal, devendo a autoridade julgadora a quo proferir novo julgamento de mérito, manifestandose sobre todos temas sustentados no auto do infração e defesa. E nesse mesmo sentido dispõe o Parecer COSIT n°03/96, senão vejamos: "O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47. , item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto ; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); (grifo nosso) c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida,se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49. do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II Fl. 763DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002104/200591 Acórdão n.º 1803001.876 S1TE03 Fl. 117 7 (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151. , do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267. do CPC). (...)" Ainda, nãos se pode olvidar o disciplinado no art. 59, II do Decreto 70.235/72, senão vejamos: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Diante do exposto, voto por dar provimento parcial para anular a decisão de primeira instância. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 764DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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