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Numero do processo: 10166.722542/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso, verificou-se que há demonstração pela autuada de recolhimento [fl. 120], logo, devendo ser aplicada à regra disposta no art. 150, §4º, CTN.
O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
MULTA ISOLADA PREVIDENCIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No lançamento de multa isolada previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o art. 173, I do CTN para a determinação do termo inicial do prazo decadencial. Aplicação da mesma ratio constante da Súmula CARF nº 104 (Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN).
PAGAMENTO A CORRETORES POR PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP.
O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP.
DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.
Numero da decisão: 2301-004.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, com o objetivo de: (i) reconhecer a existência de contradição entre a parte dispositiva contida no acórdão embargado e a parte dispositiva constante da ata de julgamento, devendo prevalecer esta última; (ii) reconhecer a existência de omissão com relação às razões de decidir sobre a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, inciso I do CTN para constituição de multas por descumprimento de obrigações acessórias; e (iii) não reconhecer a existência de omissão quanto à análise da aferição indireta. Em consequência, devem ser rerratificadas a ementa e a parte dispositiva do acórdão nº 2301-004.326, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso, verificou-se que há demonstração pela autuada de recolhimento [fl. 120], logo, devendo ser aplicada à regra disposta no art. 150, §4º, CTN. O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. MULTA ISOLADA PREVIDENCIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No lançamento de multa isolada previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o art. 173, I do CTN para a determinação do termo inicial do prazo decadencial. Aplicação da mesma ratio constante da Súmula CARF nº 104 (Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN). PAGAMENTO A CORRETORES POR PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.
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PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso, verificouse que há demonstração pela autuada de recolhimento [fl. 120], logo, devendo ser aplicada à regra disposta no art. 150, §4º, CTN. O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. MULTA ISOLADA PREVIDENCIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No lançamento de multa isolada previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o art. 173, I do CTN para a determinação do termo inicial do prazo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 42 /2 01 3- 21 Fl. 1239DF CARF MF 2 decadencial. Aplicação da mesma “ratio” constante da Súmula CARF nº 104 (“Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN”). PAGAMENTO A CORRETORES POR PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, com o objetivo de: (i) reconhecer a existência de contradição entre a parte dispositiva contida no acórdão embargado e a parte dispositiva constante da ata de julgamento, devendo prevalecer esta última; (ii) reconhecer a existência de omissão com relação às razões de decidir sobre a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, inciso I do CTN para constituição de multas por descumprimento de obrigações acessórias; e (iii) não reconhecer a existência de omissão quanto à análise da aferição indireta. Em consequência, devem ser rerratificadas a ementa e a parte dispositiva do acórdão nº 2301004.326, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10166.722542/201321 Acórdão n.º 2301004.932 S2C3T1 Fl. 1.240 3 Tratase de lançamentos de ofício promovidos contra a empresa José Celso Gontijo Engenharia S/A para cobrança de contribuições previdenciárias da empresa e dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre as remunerações pagas a corretores ou consultores imobiliários, nas competências 01/2008 a 12/2008. Também foram lançadas multas por descumprimento de obrigações acessórias, por deixar de declarar fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP. A apuração da base de cálculo foi realizada por aferição indireta, em virtude de o contribuinte ter deixado de apresentar o rol de documentos requisitados durante o procedimento fiscal. A Recorrente tomou ciência da autuação em 26/04/2013. Foi apresentada impugnação contra os lançamentos de ofício, a qual acabou sendo julgada improcedente pela DRJ/Brasília. Irresignado, o contribuinte interpor recurso voluntário a este CARF, o qual foi integralmente provido, com o fito de cancelar todas as exigências fiscais contidas nos autos de infração. O julgamento ocorreu em 12/02/2015 e originou o acórdão nº 2301004.326. No entanto, o Conselheiro Presidente da Turma que dirigiu os trabalhos naquela assentada opôs embargos de declaração contra o referido acórdão, aduzindo os seguintes vícios: (i) contradição entre a decisão e seus fundamentos, pois a parte dispositiva que consta do acórdão não é a mesma que conta da ata de julgamento; (ii) omissão na designação do voto vencedor quanto ao reconhecimento do transcurso do prazo decadencial para lançamento de multa por descumprimento de obrigações acessórias (art. 173, inc. I do CTN); e (iii) omissão quanto à análise da questão envolvendo a validade da aferição indireta realizada pela fiscalização. Como os presentes embargos foram opostos pelo próprio Conselheiro Presidente da Turma, considero que o respectivo exame de admissibilidade foi realizado implícita e favoravelmente ao seguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Contradição na Parte Dispositiva do Acórdão Realmente, é possível perceber contradição entre a parte dispositiva contida no acórdão embargado e aquele constante da ata de julgamento: Fl. 1241DF CARF MF 4 PARTE DISPOSITIVA CONSTANTE DO ACÓRDÃO EMBARGADO PARTE DISPOSITIVA CONSTANTE DA ATA DE JULGAMENTO Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas obrigações tributárias e acessórias, na questão de mérito, referente à remuneração de corretores autônomos, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Declaração de voto: Cleberson Alex Friess. I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas obrigações tributárias principais, com a manutenção parcial do crédito, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN, as contribuições exigidas até a competência 03/2008, anteriores a 04/2008, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Cleberson Alex Friess, que votou em negar provimento ao recurso, para aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, na obrigação tributária acessória, com a manutenção do crédito, nas preliminares, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em dar provimento parcial ao recurso, pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas obrigações tributárias e acessórias, na questão de mérito, referente à remuneração de corretores autônomos, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Declaração de voto: Cleberson Alex Friess. Nesse embate, considero que prevalece o texto constante da ata de julgamento, cuja redação compete inicialmente ao Conselheiro Presidente da Turma, mas que posteriormente deve ser referendada pelos demais conselheiros. O que aflora da sessão ocorrida em 12/02/2015 é o julgamento de questão preliminar de mérito, relativa ao transcurso do prazo decadencial para o lançamento de ofício de obrigação principal e de obrigação acessória (ambas parcialmente procedentes) e, no mérito, tevese o provimento do recurso voluntário para cancelar as exigências fiscais remanescentes (principais e acessórias). Omissão quanto à Decadência nos Lançamentos das Obrigações Acessórias Também reputo omisso no acórdão embargado quanto à análise do eventual transcurso do prazo decadencial para a fiscalização implementar o lançamento de multas por descumprimento de obrigações acessórias. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10166.722542/201321 Acórdão n.º 2301004.932 S2C3T1 Fl. 1.241 5 Como, na espécie, apresento entendimento que se alinha ao decidido pela turma no julgamento do recurso voluntário, peço vênia para expressálo, a seguir. Tratandose de lançamento de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória – e não de tributo sujeito ao lançamento por homologação – o termo inicial será aquele estabelecido pelo art. 173, I do CTN. O tema já se encontra pacificado neste tribunal pela Súmula CARF nº 104. Não obstante o verbete faça referência ao IRPJ e à CSLL, não há dúvida de que ele também se aplica às multas isoladas relativas ao descumprimento de obrigações acessórias de contribuições previdenciárias: Súmula CARF nº 104 – Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Enfim, considerando que a Recorrente tomou ciência dos autos de infração em 26/04/2013 e que a contagem do prazo decadencial para imposição de multa relativa às competências 01/2008 a 11/2008 iniciase em 01/01/2009 e termina em 31/12/2013, concluise que referidos lançamentos não estão decaídos. Omissão quanto à Análise da Aferição Indireta Por fim, alegase omissão do acórdão embargado por não analisar os critérios utilizados pela fiscalização para constituição das bases de cálculo, por meio de aferição indireta. Todavia, considero que o pronunciamento sobre tal questão resta prejudicado, uma vez que a turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, afastando os lançamentos de ofício concernentes a obrigações principais e acessórias, por ausência dos fatos geradores, nos termos do voto do relator, o qual conclui (fls. 1229): O presente lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores ao corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. Portanto, restam fulminados por este entendimento todos os AI lavrados: AIOP DEBCAD 51.034.7223, competências 01 a 12/2009), incidentes sobre pagamentos efetuados a corretores de imóveis autônomos – pessoas físicas – que lhe prestaram serviços no período fiscalizado AIOP DEBCAD 51.034.7215 e dos segurados contribuintes individuais, competências 01 a 12/2009); Fl. 1243DF CARF MF 6 AIOP DEBCAD 37.315.7690 os Autos de Infração relacionados à obrigação principal referemse às contribuições previdenciárias de responsabilidade da Empresa, competências 01 a 12/2008; AIOP DEBCAD 37.315.7703 e dos segurados contribuintes individuais, competências 01 a 12/2008); AIOA 37.315.7681 CFL 68 – Apresentar GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social), com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias (período de 01/2008 a 11/2008); AIOA 51.034.7231 CFL 30 – Não preparar folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. AIOA 51.034.7240 CFL 34 – Não lançar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. AIOA 51.034.7258 CFL 59 – Não arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados a seu serviço, contribuições devidas a seguridade social. Portanto, rejeito a suposta omissão apontada. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento parcial aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, com o objetivo de: (i) reconhecer a existência de contradição entre a parte dispositiva contida no acórdão embargado e a parte dispositiva constante da ata de julgamento, devendo prevalecer esta última; (ii) reconhecer a existência de omissão com relação às razões de decidir sobre a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, inc. I do CTN para constituição de multas por descumprimento de obrigações acessórias; e (iii) não reconhecer a existência de omissão quanto à análise da aferição indireta. Em consequência, a parte dispositiva do acórdão nº 2301004.326, de 12/02/2015, passa a ser a seguinte: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas obrigações tributárias principais, com a manutenção parcial do crédito, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN, as contribuições exigidas até a competência 03/2008, anteriores a 04/2008, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Cleberson Alex Friess, que votou em negar provimento ao recurso, para aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, na obrigação tributária acessória, com a manutenção do crédito, nas preliminares, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em dar provimento parcial ao recurso, Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10166.722542/201321 Acórdão n.º 2301004.932 S2C3T1 Fl. 1.242 7 pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas obrigações tributárias e acessórias, na questão de mérito, referente à remuneração de corretores autônomos, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Declaração de voto: Cleberson Alex Friess A ementa do acórdão nº 2301004.326, de 12/02/2015, passa a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso, verificouse que há demonstração pela autuada de recolhimento [fl. 120], logo, devendo ser aplicada à regra disposta no art. 150, §4º, CTN. O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. MULTA ISOLADA PREVIDENCIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No lançamento de multa isolada previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o art. 173, I do CTN para a determinação do Fl. 1245DF CARF MF 8 termo inicial do prazo decadencial. Aplicação da mesma “ratio” constante da Súmula CARF nº 104 (“Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN”). PAGAMENTO A CORRETORES POR PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 1246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004714/2009-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.918
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido.
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 47 14 /2 00 9- 31 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10715.004714/200931 Acórdão n.º 9303003.918 CSRFT3 Fl. 275 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3202000.995, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10715.004714/200931 Acórdão n.º 9303003.918 CSRFT3 Fl. 276 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10715.004714/200931 Acórdão n.º 9303003.918 CSRFT3 Fl. 277 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10715.004714/200931 Acórdão n.º 9303003.918 CSRFT3 Fl. 278 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 278DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001642/2004-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA
Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão apontado como paradigma.
Numero da decisão: 9303-004.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão apontado como paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão apontado como paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 42 /2 00 4- 87 Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 18471.001642/200487 Acórdão n.º 9303004.671 CSRFT3 Fl. 1.151 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 30335.623, de 10 de setembro de 2008 (fls. 1046 a 1056 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do artigo CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 CIDE FATO GERADOR OCORRÊNCIA. O fato gerador da CIDE ocorre com a transferência de titularidade dos valores recebidos pelo contribuinte, por conseguinte, o pagamento deverá ocorrer "até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador", nos termos do § 5° do art. 2° da Lei 10.168/00. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial – fls. 1061 a 1095 em face do acordão recorrido que deu provimento ao Recurso Voluntário, argumentando que a decisão recorrida considerou que o fato gerador da CIDE só ocorre quando os valores recebidos pelo contribuinte a título de remuneração são pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior. Ainda, afirma que não há previsão em que o registro contábil, especialmente o provisório, configura o momento do fato gerador da CIDE e que o mero registro contábil não significa que os royalties já foram pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a pessoa no exterior. O acórdão indicado como paradigma é de n.° 30133.869 da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes (fls. 1096). O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho de fls. 1100 a 1103. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 18471.001642/200487 Acórdão n.º 9303004.671 CSRFT3 Fl. 1.152 3 O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 1116 a 1124 postulando pelo não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não deva ser conhecido, vez que não houve a comprovação de divergência de entendimento entre as Câmaras desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em relação ao momento em que ocorre o fato gerador da CIDE. A discursão envolve o fato gerador da CIDE, se ocorre quando os valores recebidos pelo contribuinte a titulo de remuneração (nas hipóteses previstas no caput e no § 2° do artigo 2°) são pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, ou quando dentre os vários momentos acima relacionados, vai prevalecer o que primeiro ocorrer. Ora, o acórdão indicado como paradigma, em seu voto, não discutiu o momento algum o fato gerador da CIDE, conforme se depreende da leitura. E analisando o acordão paradigma, contestei que a Fazenda Nacional transcreveu os trechos do relatório do Recurso Voluntário/Oficio e do relatório da decisão recorrida da DRJ (fls546), como também transcreve trechos do Recurso de oficio. Em nenhum momento verifiquei a transcrição do voto, que comprove a interpretação divergente entre os julgados. E por fim, verifiquei que não houve nenhum debate quanto ao momento da ocorrência do fato gerador. Ao contrario, o acordão paradigma adotou a mesma tese do acordão recorrido: Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 18471.001642/200487 Acórdão n.º 9303004.671 CSRFT3 Fl. 1.153 4 Tais conclusões foram exaradas com base na legislação do Imposto de Renda, contudo, não existe nenhum óbice para sua aplicação à legislação que disciplina a CIDE, unia vez que esta empregou os termos já consagrados por aquela. Destarte, podese afirmar que os pagamentos efetuados em 2001, mas relativos a valores creditados no ano de 2000, não estão sujeitos ao recolhimento da Contribuição em questão, pois, nesses casos, o fato gerador teria ocorrido no momento do creditamento, portanto, não abarcado pela Lei n°10.168, de 2000. Como pretende a litigante, não procede a tributação de CIDE sobre o valor de R$ 23.541.999,99, saldo da conta contábil 0216.0310.00000 — Provisão Royalties Nokia anterior a 01/01/2001." .... Entendo, pois, de forma diversa. Naquele período não havia fato gerador a ocorrer, pois a Lei não estava em vigor. Contrariamente, no ano seguinte, havia uma Lei que definia aquele fato como um fato jurídico que implicaria no nascimento da obrigação tributária, bem como o fato da remessa do valor ao exterior. Desta forma, havendo a remessa naquele período, o fato gerador ocorreu, sim, em decorrência de um crédito anteriormente reconhecido, quando a Lei 10.168 não vigia, ainda. A Lei agora em vigor determinava que a remessa de valores ao exterior seria um fato do mundo real, que, juridicamente, se constituiria em fato gerador de determinada obrigação tributária, no caso o pagamento da C1DE O que, por conseguinte, resta claro que o Recurso interposto pela Fazenda Nacional não cumpriu nessa parte a demonstrar a divergência de entendimentos necessária para a admissibilidade do Recurso Especial, conforme preceitua RICARF. Em vista do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran. Fl. 1153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723656/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO. NULIDADE. Anula-se o lançamento com erro na identificação do sujeito passivo.
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Anula-se, por vício formal, o lançamento cujo sujeito passivo esteja identificado incorretamente, mas que tenha relação direta com o real sujeito passivo do crédito tributário em disputa. No caso dos autos, o real sujeito passivo é o espólio cuja inventariante é a contribuinte objeto do lançamento que está sendo declarado nulo por vício formal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria dar-lhe provimento, considerando o vício formal, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. Anula-se o lançamento com erro na identificação do sujeito passivo. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Anula-se, por vício formal, o lançamento cujo sujeito passivo esteja identificado incorretamente, mas que tenha relação direta com o real sujeito passivo do crédito tributário em disputa. No caso dos autos, o real sujeito passivo é o espólio cuja inventariante é a contribuinte objeto do lançamento que está sendo declarado nulo por vício formal. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria dar-lhe provimento, considerando o vício formal, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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NULIDADE. Anulase o lançamento com erro na identificação do sujeito passivo. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Anulase, por vício formal, o lançamento cujo sujeito passivo esteja identificado incorretamente, mas que tenha relação direta com o real sujeito passivo do crédito tributário em disputa. No caso dos autos, o real sujeito passivo é o espólio cuja inventariante é a contribuinte objeto do lançamento que está sendo declarado nulo por vício formal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 36 56 /2 01 4- 70 Fl. 87DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria darlhe provimento, considerando o vício formal, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10840.723656/201470 Acórdão n.º 2401004.585 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 14/04/2015, em face do Acórdão 06 51.150 7a. Turma da DRJ/CTA, que considerou improcedente a impugnação da contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo. A ciência à decisão recorrida deuse em 17/03/2015. O lançamento decorreu de não declaração de rendimentos de arrendamento de área rural recebidos e que constavam em DIRF. A recorrente alegou na impugnação que tais rendimentos pertenciam ao espólio da filha, que estava em andamento naquele anocalendário. O julgador a quo entendeu que as provas apresentadas não eram suficientes para corroborar o argumento da impugnante, conforme excerto do acórdão recorrido a seguir transcrito. Contudo, analisando a documentação que foi anexada à defesa, verifico que a alegação da contribuinte não está amparada em provas. Nenhum documento foi apresentado para demonstrar que o rendimento pago pela empresa Antonio Ruette Agroindustrial Ltda era decorrente de arrendamento de algum dos imóveis pertencentes ao espólio de Adriana Ribeiro Tucci. A contribuinte poderia ter trazido aos autos uma cópia do suposto contrato de arrendamento, ou então, qualquer outro documento proveniente da fonte pagadora que pudesse ao menos indicar que o valor pago tinha como verdadeiro titular o espólio. No entanto, nada foi apresentado nesse sentido. Para corroborar a argumentação, a contribuinte anexou ao Recurso Voluntário a cópia do contrato de arrendamento, conforme efl. 76. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. A autoridade a quo justificou o motivo da improcedência da impugnação com a falta de documentos que comprovassem que a tributação dos valores lançados deveria ter ocorrido no espólio. No Recurso Voluntário, a recorrente juntou aos autos a cópia do contrato de arrendamento que corrobora a argumentação da recorrente. Observo, contudo, que, pelo princípio da verdade real e considerando a boafé, tendo em vista o vínculo entre o espólio e a contribuinte, entendo que tal erro de identificação do sujeito passivo não deveria ser considerado erro material, uma vez que o tributo é devido. Desta forma, entendo que a autuação é nula por vício formal, tendo em vista a incorreta identificação do sujeito passivo, que, contudo, tem vínculo com o sujeito passivo de fato. Desta forma, voto pela procedência do recurso. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10840.723656/201470 Acórdão n.º 2401004.585 S2C4T1 Fl. 4 5 Declaração de Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Apresento declaração de voto com o fim de registrar a razão pela qual acompanhei a Ilustre Conselheira Relatora quanto à existência de vício formal. Via de regra, compartilho do ponto de vista majoritário na doutrina que o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, por contaminar elemento pertencente ao núcleo da regramatriz de incidência tributária, conduz ao vício de natureza material. Entretanto, avaliando o caso concreto, há situações de pouca gravidade em que o equivoco na identidade do sujeito passivo não acarreta prejuízo à parte e configura mera irregularidade, que não enseja sequer a invalidade do ato de lançamento. Em outras hipóteses, como a que ocorre no processo sob exame, o defeito implica um vício formal. Depreendese dos autos que a autoridade lançadora não incorreu em erro na interpretação da regramatriz de incidência no que diz respeito ao sujeito passivo da obrigação tributária, o que certamente representaria vício material. Os documentos à disposição da fiscalização, em especial a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), indicavam que o rendimento pago pela empresa Antônio Ruette Agroindustrial Ltda era decorrente de arrendamento de imóvel pertencente à autuada, e não ao espólio da sua filha, Adriana Ribeiro Tucci. Logo, o equívoco do lançamento fiscal está circunscrito a uma situação fática, relacionada ao beneficiário dos rendimentos, a qual resultou em um falha interna no instrumento de lançamento, isto é, na "Notificação de Lançamento". É dizer que embora os fatos que constam da "Notificação de Lançamento" não guardam correspondência exata com aqueles ocorridos na realidade, o lançamento foi direcionado ao beneficiário dos rendimentos recebidos da fonte pagadora. Na linha de entendimento da I. Relatora, a omissão de rendimentos oriundos do arrendamento ficou caracterizada, sendo devido, em princípio, o tributo correspondente. Dado o vínculo existente entre espólio e a pessoa física autuada (inventariante), o sujeito passivo correto, ou seja, o espólio, poderia ter impugnado em seu nome a "Notificação de Lançamento", prosseguindose com o contencioso administrativo e dispensandose a feitura de um novo lançamento. Ao menos em teoria, independentemente da análise de mérito quanto à procedência ou não do crédito tributário exigido, pareceme que haveria possibilidade de convalidação do ato administrativo. Fl. 91DF CARF MF 6 Porém, contestada por ocasião da impugnação a identificação do sujeito passivo no ato de lançamento, a anulação da notificação é medida necessária e dáse por vício formal. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003388/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTAS DE TITULARIDADE EXCLUSIVA DO RECORRENTE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 29.
O lançamento incidiu sobre contas de titularidade exclusiva do contribuinte, não sendo aplicável ao caso o verbete sumular CARF nº 29.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE É SÓCIO. NÃO COMPROVAÇÃO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
3. O fato de a conta ser utilizada para pagamento de despesas da pessoa jurídica não significa, necessariamente, que os recursos sejam da própria pessoa jurídica.
4. O sujeito passivo deveria ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que os depósitos, individualizadamente, eram de terceira pessoa.
5. A fiscalização identificou depósitos na conta decorrentes da atividade profissional de engenheiro civil exercida pelo recorrente, os quais nem mesmo foram oferecidos à tributação, afastando-se a alegação de que a conta era da pessoa jurídica.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS DE VALORES IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SOMATÓRIO QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00 DENTRO DO ANO-CALENDÁRIO. INAPLICABILIDADE DA REGRA PREVISTA NO ART. 4º DA LEI 9.481/1997. SÚMULA CARF Nº 61.
O somatório dos depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassa o montante total de R$ 80.000,00 dentro do ano-calendário, sendo inaplicável o disposto no art. 4º da Lei 9.481/1997 e o disposto na Súmula CARF nº 61.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 31 DE DEZEMBRO DO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 38.
Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para afastar a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTAS DE TITULARIDADE EXCLUSIVA DO RECORRENTE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 29. O lançamento incidiu sobre contas de titularidade exclusiva do contribuinte, não sendo aplicável ao caso o verbete sumular CARF nº 29. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE É SÓCIO. NÃO COMPROVAÇÃO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. 3. O fato de a conta ser utilizada para pagamento de despesas da pessoa jurídica não significa, necessariamente, que os recursos sejam da própria pessoa jurídica. 4. O sujeito passivo deveria ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que os depósitos, individualizadamente, eram de terceira pessoa. 5. A fiscalização identificou depósitos na conta decorrentes da atividade profissional de engenheiro civil exercida pelo recorrente, os quais nem mesmo foram oferecidos à tributação, afastando-se a alegação de que a conta era da pessoa jurídica. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS DE VALORES IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SOMATÓRIO QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00 DENTRO DO ANO-CALENDÁRIO. INAPLICABILIDADE DA REGRA PREVISTA NO ART. 4º DA LEI 9.481/1997. SÚMULA CARF Nº 61. O somatório dos depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassa o montante total de R$ 80.000,00 dentro do ano-calendário, sendo inaplicável o disposto no art. 4º da Lei 9.481/1997 e o disposto na Súmula CARF nº 61. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 31 DE DEZEMBRO DO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 38. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente JAIR DE PALMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. CONTAS DE TITULARIDADE EXCLUSIVA DO RECORRENTE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 29. O lançamento incidiu sobre contas de titularidade exclusiva do contribuinte, não sendo aplicável ao caso o verbete sumular CARF nº 29. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL O CONTRIBUINTE É SÓCIO. NÃO COMPROVAÇÃO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. 3. O fato de a conta ser utilizada para pagamento de despesas da pessoa jurídica não significa, necessariamente, que os recursos sejam da própria pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 33 88 /2 00 2- 60 Fl. 738DF CARF MF 2 4. O sujeito passivo deveria ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que os depósitos, individualizadamente, eram de terceira pessoa. 5. A fiscalização identificou depósitos na conta decorrentes da atividade profissional de engenheiro civil exercida pelo recorrente, os quais nem mesmo foram oferecidos à tributação, afastandose a alegação de que a conta era da pessoa jurídica. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS DE VALORES IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. SOMATÓRIO QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00 DENTRO DO ANO CALENDÁRIO. INAPLICABILIDADE DA REGRA PREVISTA NO ART. 4º DA LEI 9.481/1997. SÚMULA CARF Nº 61. O somatório dos depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassa o montante total de R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, sendo inaplicável o disposto no art. 4º da Lei 9.481/1997 e o disposto na Súmula CARF nº 61. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 38. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13839.003388/200260 Acórdão n.º 2402005.638 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para afastar a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 740DF CARF MF 4 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 275/276, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1998, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 84.866,50 correspondente a imposto (R$ 36.457,82), multa de oficio (R$ 27.343,36) e juros de mora calculados até 30/09/2002 (R$ 21.065,32). O lançamento teve origem na constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de poupança e depósitos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações, análises e conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo Conclusivo da Ação Fiscal de fls. 266/272, merecendo destaque os seguintes aspectos: após intimação, o contribuinte apresentou os extratos bancários das contas correntes n° 29519 (BANESPA), n° 0992051827 (BBV), nº 410527 e n° 667625 (BRADESCO), referentes ao anocalendário 1998, assim como comprovação parcial dos créditos efetivados; examinados os extratos e documentos, foi expedido o Termo de Intimação Fiscal de fls. 170/171 solicitando a comprovação dos créditos relacionados nas planilhas de fls. 173/188, já expurgados valores comprovados. O contribuinte apresentou novos documentos e esclarecimentos que foram parcialmente aceitos pela fiscalização; o interessado sustenta que parte da movimentação financeira é pertencente à empresa Palma Restaurante Ltda — ME, CNPJ 49.424.138/000107, de que participa como sócio, tendo utilizado suas contas pessoais para movimentar recursos da pessoa jurídica cuja conta foi encerrada por falta de fundos; a fiscalização considerou que os depósitos efetuados na conta corrente 667625 (BRADESCO) no montante de R$ Fl. 741DF CARF MF Processo nº 13839.003388/200260 Acórdão n.º 2402005.638 S2C4T2 Fl. 4 5 39.238,30, de que são titulares o interessado e o Sr. Richard de Palma, também sócio da empresa Palma Restaurante, seria decorrente da movimentação da empresa, excluindo tais valores dentre os depósitos a comprovar; após análise de documentos e relatórios apresentados, também foram expurgados depósitos efetuados nas outras contas, conforme relação de fls. 269/270, nos casos em que foi possível localizar o cheque correspondente ao pagamento da despesa; o contribuinte também anexou plantas de obras de construção civil, licenças da Prefeitura, contratos de empreitada para justificar que parte dos depósitos são decorrentes de sua atividade como engenheiro civil. Na planilha de fl. 271, foram relacionados valores repassados a menor para empreiteiros, sendo que a diferença corresponderia a rendimentos do próprio contribuinte; os créditos cuja origem não restou comprovada foram individualizados nos Demonstrativos de fls. 231/243, tendo sido objeto de lançamento de oficio nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Cientificado do lançamento em 28/10/2002 (fl. 275), o contribuinte apresentou em 27/11/2002 a impugnação de fls. 281/292 e documentos de fls. 293/584 alegando, em síntese, o que segue: a Lei Complementar 105/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, permitiu a quebra do sigilo bancário dos contribuintes sem prévia autorização do Poder Judiciário, bastando que houvesse processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Com base em tal legislação, e através de análise da movimentação financeira oriunda das informações sobre a CPMF, realizouse a presente ação fiscal; no entanto, o sigilo bancário é direito fundamental, erigido pelo Constituinte de 1988 como cláusula pétrea, não podendo ser abolida ou limitada nem mesmo por Emenda Constitucional, à luz do art. 60, § 4°, inciso IV da Constituição Federal. Anteriormente à LC 105/2001, o sigilo bancário era regulado pela Lei n° 4.595/64, que somente autorizava a quebra do sigilo bancário mediante ordem judicial, por implicar violação da privacidade e da intimidade. Transcreve jurisprudência administrativa e judicial nesse sentido; a possibilidade das autoridades tributárias terem acesso a dados referentes a movimentações financeiras anteriores à promulgação da LC 105/2001, contraria diversos princípios constitucionais do ordenamento jurídico brasileiro,em especial o principio da irretroatividade da lei; Fl. 742DF CARF MF 6 outra irregularidade presente é a utilização das informações da CPMF anteriores à edição da Lei n° 10.174, de 10/01/2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24/10/1996, que originalmente vedava à SRF a utilização de dados da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. Aplicar retroativamente a nova redação é desrespeitar a intenção do legislador, que somente autorizou a criação da CPMF desde que ela não pudesse ser utilizada para outra finalidade; a vigência das normas tributárias deve observar o disposto para as normas jurídicas em geral, como prevê o art. 101 do CTN. Na ausência de regras especificas no CTN que possam ser aplicadas As normas sobre sigilo bancário, deve se observar o disposto no art. 6° da Lei de Introdução ao Código Civil que prescreve efeito imediato às leis, garantido o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; desta forma, mesmo se a LC 105/2001 e o Decreto n° 3.724/2001 forem considerados constitucionais pelo STF, a quebra do sigilo bancário só poderá atingir movimentações financeiras efetuadas após o inicio de sua vigência; o auto de infração elegeu como sujeito passivo pessoa desvinculada à relação jurídica da obrigação tributária, uma vez que a movimentação financeira pertence à pessoa jurídica Palma Restaurante Ltda — ME, CNPJ 49.424.138/000107, de que o impugnante é sócio, empresa existente de fato e de direito, conforme comprovam o contrato social, o livro caixa, os recibos de fornecedores, notas fiscais, entre outros documentos anexados. Tendo em vista que a conta bancária da empresa foi encerrada devido à emissão de cheques com insuficiência de fundos, o contribuinte foi obrigado, por necessidade absoluta, de valerse de sua conta pessoal para manter a empresa em funcionamento; vários documentos juntados comprovam o quanto alegado conforme planilha anexa, tais como cheques das contas pessoais do interessado emitidos para pagamento de aluguel do restaurante, para a compra de coifas para o estabelecimento, para pagamento de luz, água e telefone da empresa. Dentre os documentos anexados, cabe destacar a comprovação de depósitos feitos pela Prefeitura Municipal de Itatiba e pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itatiba na conta da pessoa física provenientes da atividade empresarial do restaurante. 0 livro caixa do restaurante, anexado por cópia, mas cujo original encontrase à disposição para verificação da autenticidade, demonstra uma quantidade razoável de receitas advindas da atividade cujos valores coincidem com os depósitos efetuados na conta da pessoa física; as saídas de recursos da conta bancária para pagamento de despesas decorrentes da atividade do restaurante demonstram, pela lógica e pelo principio da razoabilidade, que só se efetuariam tais pagamentos se os depósitos Fl. 743DF CARF MF Processo nº 13839.003388/200260 Acórdão n.º 2402005.638 S2C4T2 Fl. 5 7 tivessem origem na mesma atividade. Os canhotos dos cheques em valores aproximados aos documentos pagos interligamse com o livro caixa e com a planilha de controle de. pagamentos, instrumento típico de utilização por empresas diminutas, de modo a comprovar a única finalidade para qual a conta bancária se prestou; o sujeito passivo de uma relação jurídico tributária é quem tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (art. 121, § único do CTN), é quem pratica o ato jurídico ou fato previsto em lei. Não se pode deixar de considerar os princípios constitucionais da materialidade e da verdade real na determinação do sujeito passivo de fato; o lançamento é um ato administrativo constitutivo que tem como objeto principal verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o cálculo do tributo devido, a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e a aplicação da penalidade. Se tal ato incorrer em erro, no caso a identificação do sujeito passivo, o mesmo é considerado improcedente. comprovado que a movimentação financeira pertence à pessoa jurídica, como o próprio fiscal autuante reconheceu parcialmente no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, aos demais valores remanescentes aplicase o disposto no art. 849, § 2°, inciso II do RIR/99, ou seja, desconsiderando os depósitos de valor inferior a doze mil reais desde que seu somatório dentro do anocalendário não ultrapasse o montante de oitenta mil reais; não obstante seus argumentos e comprovações, a jurisprudência administrativa e judicial tem caminhado no sentido de que depósitos bancários não podem ser considerados rendimentos. A movimentação financeira, por si só, não é o rendimento, mas o fator da produção de rendimentos. A base de tal entendimento é a definição do fato gerador do imposto de renda contida no art. 43 do CTN; finaliza requerendo que seja julgado improcedente o lançamento, a descaracterização do sujeito passivo, a aplicação do artigo 849, § 2°, inciso II do RIR199 ao caso em tela, a realização de diligências necessárias para constatação da veracidade da documentação original ou para obtenção de documentos junto As instituições financeiras. Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito. Em sessão realizada em 05 de agosto de 2010, a DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Fl. 744DF CARF MF 8 SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso, independentemente de autorização judicial. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS. Não compete à autoridade administrativa o exame da constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.° 9.430, de 1996, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação. Lançamento Procedente em Parte Em resumo, a decisão a quo excluiu da base de cálculo presumida os seguintes valores: R$ 720,00 e R$ 1.050,00, conforme trecho abaixo transcrito: Quanto à Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itatiba, os documentos de fls. 489/492 são hábeis a comprovar que o depósito no valor de R$ 720,00 efetuado no dia 06/11/1998 e o depósito no valor de R$ 1.055,00 no dia 08/12/1998 correspondem, de fato, a receitas da pessoa jurídica. Desta forma, referidos valores devem ser excluídos da tributação, uma vez que sua origem restou comprovada. O recorrente foi intimado da decisão em 11/10/2010 (fl. 701) e interpôs recurso voluntário em 10/11/2010 (fls. 703 e seguintes), no qual suscitou as seguintes teses de defesa: (a) exclusão da conta bancária n° 0992051827, do BBV, sucedido pelo Banco Bradesco S/A, por pertencer, de Fl. 745DF CARF MF Processo nº 13839.003388/200260 Acórdão n.º 2402005.638 S2C4T2 Fl. 6 9 fato, a outro sujeito passivo, o Palma Restaurante Ltda ME; (b) reconhecimento da aplicação do artigo 849, § 2°, inciso II, do RIR/1999; (c) nulidade do lançamento pela inobservância, antes da lavratura do auto de infração, da intimação dos demais cotitulares da conta bancária movimentada; (d) improcedência do lançamento pela inobservância da data correta de ocorrência do fato gerador; (e) realização de diligências, caso os doutos julgadores entendam para si, a necessidade de confronto de documentos cópia com o seu original, e ou o posicionamento da instituição financeira. Sem recurso de ofício e sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 746DF CARF MF 10 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Nulidade do lançamento O recorrente afirma que o lançamento é nulo, pois, antes da lavratura do auto de infração, é necessária a intimação dos demais cotitulares da conta bancária movimentada. Ocorre que o lançamento incidiu sobre contas de titularidade exclusiva do contribuinte, não sendo aplicável ao caso o verbete sumular CARF nº 291. Os valores creditados na conta do Banco Bradesco S/A, agência 03930, conta corrente 66.7625, cuja titularidade também pertencia ao Sr. Richard de Palma, não compuseram a base de cálculo presumida do lançamento, o que ocorreu por iniciativa da própria fiscalização. Vejase (fl. 38): 11. Entretanto, a movimentação financeira solicitada a comprovar pelo valor de R$.39.238,30, realizada no BRADESCO, agencia 03930, conta corrente 66.7625, cuja titularidade em caráter solidário pertence, alem do contribuinte ora fiscalizado, também ao Sr. Richard de Palma, CPF. 865.934.47820, sócio da empresa, diante dos documentos apresentados e do principio da razoabilidade, há que se atribuir à pessoa jurídica, PALMA RESTAURANTE LTDAME, CNPJ 49.424.138/000107, motivo pelo qual o valor de R$.39.238,30 daqui é excluído, utilizandose a legenda "Valor conciliado decorrente de depósitos diversos" como forma de identificação a quais créditos se referem; (destacouse) Já as demais contas, inclusive aquela do BBV, sucedido pelo Banco Bradesco S/A, são de titularidade do sujeito passivo, apenas, não tendo havido qualquer nulidade no lançamento. Nos termos da Súmula retro mencionada, todos os cotitulares devem ser intimados, o que não significa que a existência pontual de recursos de terceiros na conta 1 Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 13839.003388/200260 Acórdão n.º 2402005.638 S2C4T2 Fl. 7 11 bancária possam caracterizar a citada situação de coexistência. Isto é, a existência de alguns poucos recursos de terceiros, creditados na conta do contribuinte, não implica cotitularidade. Poderseia admitir conclusão diversa se a conta fosse de utilização exclusiva de terceiro, o que será objeto de análise no tópico seguinte. 3 Conta pertencente a terceiro O sujeito passivo postula (a) a exclusão da conta bancária n° 0992051827, do BBV, sucedido pelo Banco Bradesco S/A, por pertencer, de fato, a outro sujeito passivo, o Palma Restaurante Ltda ME; e (b) o reconhecimento da aplicação do artigo 849, § 2°, inciso II, do RIR/1999. Pois bem. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 748DF CARF MF 12 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19972) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 613. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizandoos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, exemplificativamente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. 2 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 3 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13839.003388/200260 Acórdão n.º 2402005.638 S2C4T2 Fl. 8 13 Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Destarte, o fato de a conta ser utilizada para pagamento de despesas da pessoa jurídica não significa, necessariamente, que os recursos sejam da própria pessoa jurídica. Pode significar, sim, que a pessoa física pagou tais despesas. Logo, o sujeito passivo deveria ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que os depósitos, individualizadamente, eram de terceira pessoa. Vale frisar que da quantia total de R$ 105.527,57 (v fl. 32), o contribuinte comprovou apenas os valores de R$ 720,00 e R$ 1.050,00 como sendo de titularidade efetiva da pessoa jurídica, valores estes já excluídos pela decisão a quo. Fl. 750DF CARF MF 14 Significa dizer que o montante comprovado é totalmente inexpressivo, derruindo a tese de que a conta seria de terceira pessoa. Mais ainda, e como afirmado pela decisão a quo, a fiscalização identificou depósitos na conta decorrentes da atividade profissional de engenheiro civil exercida pelo recorrente, os quais nem mesmo foram oferecidos à tributação. Em sendo assim, são inafastáveis as seguintes conclusões da DRJ, que se integram ao presente voto como razões de decidir: No caso concreto, o interessado alega que os depósitos efetuados em suas contas pessoais são, de fato, decorrentes da movimentação financeira da empresa Palma Restaurante Ltda, de que é sócio. Para comprovar suas alegações o contribuinte anexa os documentos de fls. 293/584, constituindose de planilhas, livro caixa, recibos de fornecedores, notas fiscais, canhotos de cheques, planilha de controle de pagamentos, contas de água, luz e telefone, entre outros. Grande parte desses documentos tem por objetivo tentar demonstrar que as saídas das contas da pessoa física prestavamse para pagamento de despesas da pessoa jurídica, como os canhotos de cheques emitidos e os recibos e notas fiscais. Ocorre que, em se tratando de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, o que o contribuinte deveria comprovar é que os créditos em suas contas pessoais seriam decorrentes de receitas da pessoa jurídica. Ou seja, ainda que se admitisse que o contribuinte utilizava suas contas pessoais para manter a empresa em funcionamento, não há como afirmar que toda a movimentação financeira das contas examinadas seria oriunda unicamente da atividade do restaurante. Cabe citar, como exemplo, que foram identificados pela fiscalização depósitos decorrentes da atividade profissional de engenheiro civil exercida pelo impugnante, conforme discriminado no Termo Conclusivo da Ação Fiscal, e que tais valores não foram oferecidos A tributação pelo interessado, que declarou apenas os rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Itatiba. Assim, compete ao contribuinte a prova cabal de que os depósitos são decorrentes da movimentação da empresa, e não de qualquer outra atividade, tributável ou não. Eis o entendimento deste Conselho a respeito do thema: Ementa(s) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 [...] Fl. 751DF CARF MF Processo nº 13839.003388/200260 Acórdão n.º 2402005.638 S2C4T2 Fl. 9 15 ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE ATIVIDADE COMERCIAL DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL O RECORRENTE É SÓCIO NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO DOS DEPÓSITOS À ATIVIDADE ECONÔMICAFINANCEIRA DA PESSOA JURÍDICA INOCORRÊNCIA DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM COMPROVADA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO Não havendo qualquer liame entre os depósitos bancários imputados ao contribuinte e os valores faturados pela pessoa jurídica que, pretensamente, seria a proprietária dos depósitos bancários em foco, devese manter intocada a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96. De outra banda, os depósitos de origem comprovada devem ser excluídos da base de cálculo do imposto lançado. [...] (CARF, acórdão 10617.254, julgado em 05/02/2009) Por fim, sem que seja determinada a exclusão dos valores transitados pela referida conta, não há como se aplicar o disposto no artigo 849, § 2°, inciso II, do RIR/1999. Como bem colocado pela decisão recorrida, "o somatório dos depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00 perfaz o montante de R$ 133.666,14 superior ao limite de R$ 80.000,00". Nesse sentido, eis o teor da Súmula CARF nº 61. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, deve ser negado provimento ao recurso. 4 Data da ocorrência do fato gerador No entender do sujeito passivo, o lançamento é improcedente, uma vez que adotou uma data incorreta como sendo da ocorrência do fato gerador. Conforme argumenta, a fiscalização teria utilizado a data de 31/12/1998, em descompasso com o art. 849, § 3º, do Regulamento do Imposto de Renda, segundo o qual os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos. Essa questão, contudo, é objeto da Súmula CARF nº 38, a qual preconiza que o fato gerador, no caso vertente, realmente ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos Fl. 752DF CARF MF 16 apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Como sabido, a propósito, é vedado aos Conselheiros do CARF "deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno do CSRF", na dicção do inc. VI do art. 45 do Regimento Interno deste Conselho. Por essa razão, também se nega provimento ao recurso nesse particular. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER, REJEITAR A PRELIMINAR e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 753DF CARF MF
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Numero do processo: 16408.000183/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
PROVA ILÍCITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Quando o contribuinte consente o procedimento adotado pela fiscalização, não há como alegar a ilicitude da prova voluntariamente por ele fornecida.
DEDUÇÕES COM LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. SERVIÇOS DE CARTÓRIO.
A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa. Somente são dedutíveis as despesas de custeio pagas, necessárias e indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO. CONCOMITÂNCIA.
Não procede a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-003.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para deduzir os valores constantes do voto da Relatora. Realizou sustentação oral pelo Contribuinte, a Dra. Gabriela da Cunha Furquim de Almeida OAB/DF nº 36.545.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 29/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando o contribuinte consente o procedimento adotado pela fiscalização, não há como alegar a ilicitude da prova voluntariamente por ele fornecida. DEDUÇÕES COM LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. SERVIÇOS DE CARTÓRIO. A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa. Somente são dedutíveis as despesas de custeio pagas, necessárias e indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CARNÊ LEÃO. CONCOMITÂNCIA. Não procede a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 01 83 /2 00 7- 03 Fl. 1485DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para deduzir os valores constantes do voto da Relatora. Realizou sustentação oral pelo Contribuinte, a Dra. Gabriela da Cunha Furquim de Almeida OAB/DF nº 36.545. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 29/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes, fls. 988 e seguintes: O recorrente é “titular de cartório” e foi fiscalizado em relação aos anoscalendário 2002 a 2005, sendo que a notificação do lançamento deuse em 23 de abril de 2007 (fl. 929). Do relatório fiscal de fls. 912 e seguintes transcrevo a seguinte passagem: (....) “...No que se refere às despesas informadas nos livroscaixa, em análise prévia por amostragem, foi verificado que estavam compatíveis com os comprovantes de despesas apresentados. Contudo, no que se refere aos rendimentos, não foram apresentados comprovantes adequados. Nos anoscalendário de 2002 a 2004, foram apresentados relações mensais denominadas ‘Boletim Diário das Custas’ (fl. 08 a 10), onde são apresentados valores recebidos de diversos bancos. No anocalendário de 2005, foram apresentadas relações diárias, onde as receitas estão apenas separadas como ‘certidões’ ou ‘emolumentos’ (fl. 11). Não foi apresentado nenhum outro tipo de documento para comprovar os rendimento recebidos pelo cartório.” Prossegue o relatório mencionando que a fiscalização remeteu ao fiscalizado a intimação de fls. 12 e 14 solicitando extratos bancários, alguns livros obrigatórios e planilhas. Apresentados os livros pelo contribuinte a Fiscalização esclarece que: Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 16408.000183/200703 Acórdão n.º 2201003.578 S2C2T1 Fl. 3 3 “Considerando que um dos livros apresentados pelo fiscalizado apresentava folhas impressas, foi cogitada a hipótese de haver, no cartório, algum sistema informatizado que gerenciasse os títulos trabalhados.... Devido a esta possibilidade, em 15/02/2007, foi realizada, juntamente com outros três AFRFs, uma operação no cartório do fiscalizado para detectar a existência de algum sistema de gerenciamento de títulos. Em um dos computadores do cartório, denominado ‘máquina 1’, foi encontrado um sistema de nome ‘DATATÍTULO’. Neste, havia um programa denominado ‘PESQ’ o qual permite a recuperação de qualquer título encaminhado ao cartório até 1997. Esta pasta foi copiada e, à vista dos funcionários do cartório gravada em mídia digital.” À fl. 21 dos autos consta o termo de retenção dos arquivos eletrônicos mencionados no parágrafo anterior. De posse dos dados existentes no arquivo antes referido a Fiscalização procedeu a degravação (impressão) cujas cópias, em letras minúsculas, constam das fls. 337 a 890 (Vol. III a V) e lavrou o auto de infração de fls. 891 a 911, com multa qualificada de 150%, com as seguintes exigências: a) Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnêleão (fl. 893). b) Redução da base de cálculo, no valor de R$ 42,00, pleiteada indevidamente, de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnêleão. c) Multa isolada pela falta do recolhimento do carnêleão, calculada sobre os rendimentos omitidos, mais os rendimentos declarados (fl.925). Pelo que se depreende dos cálculos que iniciam às fls. 337 e terminam na fl. 890, em relação à omissão de rendimentos foram considerados os valores referente às seguintes rubricas: Denominação Em que se constitui Intimação “valor passado pela corregedoria referente a despesas de intimação.” (fl. 32) Despesa “Despesas com distribuidor, contador judicial, etc.” Funrejus Valor cobrado e repassado ao Fundo de Reaparelhamento do Poder Judiciário, conforme Lei Estadual nº 12.216, de 1998, do Estado do Paraná. A soma dos valores correspondente às intimações, despesas com distribuidor e Funrejus consta da fl. 890 dos autos e imposta em R$ 2.071.408,82. Notificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 931 a 942 nos seguintes termos: (i) Nulidade do auto de infração eis que feito com base em prova ilícita, visto que a degravação de arquivos de computadores Fl. 1487DF CARF MF 4 somente se reveste de licitude se previamente autorizada pela autoridade judicial; (ii) Faz referência ao acórdão proferido na Ação Penal nº 3073DF em que o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela inadmissibilidade, como prova, de registros contidos na memória de computador degravada ao arrepio da garantia de inviolabilidade da intimidade das pessoas. (iii) Caso superada a questão quanto à nulidade do lançamento, prossegue alegando decadência dos fatos geradores ocorridos até março de 2002, visto que a notificação somente deuse em 23 de abril de 2007 (fl. 929). (iv) Que a base de cálculo está incorreta, pois a autoridade fiscal incluiu como rendimentos tributáveis do impugnante valores recebidos a título de “despesas com terceiros” e FUNREJUS”. (v) Que as “despesas com terceiros” e com o “FUNREJUS” são repassadas a terceiros, ou seja, não constituem renda do impugnante. (vi) Ainda em relação às “despesas com terceiros” diz que a autoridade fiscal em nenhum momento as individualiza, pois simplesmente os incluiu entre os rendimentos tributáveis, sendo que desta forma, sem individualizar tais despesas, não tornou possível o exercício pleno do contraditório, ao mesmo tempo em que descumpriu o disposto no artigo 142 do CTN. (vii) Em relação ao carnêleão argumenta o recorrente que os próprios dados, por meio dos quais a autoridade fiscalizadora se baseou para fazer o lançamento, demonstram que grande parte das receitas foram recebidas de pessoas jurídicas, não se aplicando o disposto no artigo 106, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, conforme citado pela autoridade autuante. (viii) Que são improcedentes as despesas de R$ 15,50 e R$ 26,70, referente a lanches de seus funcionários. (ix) Que é incabível a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício, incidente sobre a base de cálculo em relação à qual também foi exigida multa de ofício. (x) Em relação à multa isolada exigida após a declaração de ajuste anual, o contribuinte faz referência a precedente do Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 10616.0081, de 06 de dezembro de 2006, Rel. Cons. Luiz Antônio de Paula. (xi) Finalmente, sustenta que não cabe aplicação da multa agravada, pois na hipótese em discussão houve apenas omissão do sujeito passivo e não conduta dolosa com o intuito de sonegação, tal qual exige a Lei nº 4.502, de 1964. A Quarta Turma da DRJ de Curitiba, por meio do acórdão de fls. 944 a 956 julgou procedente o lançamento com base nos fundamentos que podem ser sintetizados por meio da ementa que segue transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 16408.000183/200703 Acórdão n.º 2201003.578 S2C2T1 Fl. 4 5 Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual ocorre em 31 de dezembro; quando não declarados, para efeito de lançamento de ofício, o termo inicial do prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter feito o lançamento (CTN, art. 173, I). PROVA. EXAME DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. ORDEM JUDICIAL. Independe de ordem judicial o exame de arquivos magnéticos referentes às atividades de prestação de serviços sujeitas à fiscalização tributária federal, por ser decorrente tal exame do poder de polícia conferido à autoridade administrativa tributária. OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. São tributáveis os valores percebidos de pessoas físicas e jurídicas, a título de emolumentos e custas, decorrentes da prestação de serviços de cartório. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RENDIMENTOS NÃO DECLARADOS. Configurase como conduta dolosa a omissão de rendimentos tributáveis, em montante significativamente superior ao declarado, com o objetivo de evitar o recolhimento de tributos. CARNÊLEÃO. OMISSÃO. MULTA ISOLADA. Incide a multa de ofício isolada sobre o não recolhimento do imposto devido a título de carnêleão, cujos rendimentos não foram declarados. Do acórdão acima referido, o sujeito passivo foi intimado e, tempestivamente, ingressou recurso por meio do qual reitera os argumentos expostos na impugnação, pedindo o cancelamento do lançamento. É o relatório. Fl. 1489DF CARF MF 6 Na ocasião da primeira análise dos argumentos dispostos em sede de recurso voluntário, entendeu o relator pelo acolhimento da preliminar, em razão da existência de prova ilícita, conforme sintetiza o parágrafo abaixo transcrito, fls. 998: No caso concreto, diante do que foi exposto, tenho que os procedimentos dos agentes fiscais que denominaram de “operação” para investigar memórias de computadores e copiar arquivos que julgassem pertinentes, sem ordem judicial para tal, constituise em prova ilícita que, à luz do artigo 30 da Lei nº 9.784, de 1999, não pode servir de base para o lançamento. Assim, considerando que o lançamento foi feito única e exclusivamente com base nos dados existentes na memória de um dos arquivos de computador, acessado e copiado sem ordem judicial e sem requisição prévia para que o fiscalizado fornecesse à Fiscalização cópia dos arquivos, não há como deixar de acolher a inconformidade do sujeito passivo quanto ao procedimento da fiscalização, razão pela qual dou provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Não obstante todos os fundamentos expendidos pelo relator acerca do tema, o colegiado entendeu que, antes de decidir acerca da preliminar, como poderia haver divergência acerca da proposta de voto do relator e tendo em vista o disposto no artigo 63, §6°, do Regimento Interno, que determina que "no caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência", seria necessário converter o julgamento pelas razões abaixo apontadas (fls. 999): No decorrer dos debates, na qualidade de relator fui questionado pelos meus pares quais os valores da planilha de fls. 337 a 890, mês a mês, identificados como: “despesas com intimação”; “DESPE” e “FUNREJUD” e, ainda, se os valores com as rubricas “DESPE” e “FUNREJUD”, já estão, em sua integralidade, mês a mês, deduzidos das despesas de Livro Caixa, especificadas às fls. 113 a 282. Tais dados solicitados pelo colegiado não constam dos autos. A Fiscalização mencionou que as despesas com FUNREJUS e emolumentos pagos a terceiros já estão deduzidos do livrocaixa. No entanto, em razão da omissão verificada nas planilhas de fls. 337 a 390, o que se questionou é se tais despesas correspondiam apenas às operações declaradas ou se, igualmente abrangiam as operações omitidas. Frente tal dúvida, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a fiscalização faça demonstrativo, mês a mês, e também com totalização em cada ano, conforme especificado no quadro abaixo. (...). (fls. 1000). ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, com o retorno dos autos à origem para que a Fiscalização elabore demonstrativo, mês a mês, conforme explicitado no último parágrafo deste voto e quadro acima proposto, inserindo, no mês de dezembro de cada ano, linha com totalização anual. Em atendimento à diligência, foi proferida informação, fls. 1443 a 1454, na qual foram feitas as seguintes considerações: Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16408.000183/200703 Acórdão n.º 2201003.578 S2C2T1 Fl. 5 7 É importante deixar claro que o autuado estava presente quando foi efetuada a diligência junto ao seu estabelecimento para a coleta dos arquivos magnéticos. Isto pode ser verificado nas fls. 23 e 24 dos autos, onde é possível ser visualizada a assinatura do autuado no Termo de Retenção de Arquivos Eletrônicos em Meio Magnético, documento este lavrado durante o procedimento para formalizar a coleta dos arquivos digitais. Ressaltese que não houve a utilização de qualquer tipo de força policial para resguardar a diligência. Em nenhum momento, o autuado apresentou qualquer óbice a ceder os arquivos em questão. Até porque, caso não concordasse, poderia não ter assinado o referido termo ou teria feito qualquer observação no termo quanto a eventual discordância na coleta. Além disso, anteriormente à diligência realizada, o autuado já havia disponibilizado à fiscalização seus documentos e instalações, inclusive apresentando o endereço do local de seu estabelecimento. Isto pode ser constatado na resposta do autuado ao Termo de Intimação n° 825/2006, abaixo transcrita, presente nas fls. 18 e 19 dos autos: As planilhas solicitadas (item 2.1 e 2.2, do Termo de Intimação) não foram elaboradas porque é humanamente impossível relacionar título por título apresentado neste Tabelionato, as informações solicitadas constam de aproximadamente 170 (cento e setenta) livros exigidos pela Corregedoria Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. De qualquer forma, a totalidade dos livros antes referidos está à disposição deste órgão fiscalizado, estando guardados no endereço seguinte: Rua XV de Novembro 259 1° andar, Ponta Grossa – PR. Os livros antes mencionados estão em local apropriado, à inteira disposição do fisco para análise. (grifouse) (...) 6) A final, declarase estar a plena disposição das autoridades fiscais para prestar quaisquer outros esclarecimentos necessários e se coloca à inteira disposição, inclusive oferecendose instalações adequadas para o trabalho desta fiscalização. (grifouse) Os arquivos digitais coletados, conforme pode ser constatado nos autos, apenas apresentam os dados constantes nos 170 livros do cartório, que foram deixados à disposição da Fiscalização pelo autuado. Se os livros estavam à disposição da Fiscalização, por que seus dados e o sistema que os gerencia também não estariam? Verificar o cumprimento das obrigações tributárias no domicílio do contribuinte é uma das prerrogativas do Auditorfiscal, garantida em Lei, inclusive o exame de arquivos digitais conforme o Art. 34 da Lei 9.430/1996, além da sua retirada do Fl. 1491DF CARF MF 8 estabelecimento do contribuinte, com base no Art. 35 desta mesma lei. É importante também salientar que, após a retirada dos arquivos digitais do estabelecimento do autuado, a autoridade fiscal efetuou questionamentos sobre o conteúdo destes arquivos, como o constante no Termo de Intimação n° 201/2007, abaixo transcrito, presente à fl. 37 dos autos: 1 – Considerando o sistema “DATITULO”, programa “PESQ”, utilizados por este cartório, esclarecer o que significam os seguintes campos: 1.1 PORTADOR; 1.2 – SACADOR; 1.3 – DEVEDOR; 1.4 – PESSOA; 1.5 – VALOR; 1.6 – ENTRADA; 1.7 – COMPARESC; 1.8 – JUROS; 1.9 – ANOTACAO; 1.10 – INTIMACAO; 1.11 – DESPE; 1.12 ENDOSSO. O autuado respondeu tal termo às fls. 40 a 42, explicando o que significa cada um dos termos acima. Tais informações foram fundamentais na construção das planilhas que fundamentaram a autuação. Ou seja, além de não apresentar óbice à retirada dos arquivos digitais de seu estabelecimento, o autuado, voluntariamente, deu sentido aos dados de tais arquivos, permitindo que eles pudessem se transformar em informações relevantes. Qual o sentido de esclarecer o conteúdo de dados de arquivos digitais para, posteriormente, argumentar que eles não poderiam ser retirados ? Portanto, não há o que se falar em necessidade de autorização judicial para retirada de documentos do estabelecimento de um contribuinte, cuja ação, além de plenamente respaldada em Lei, foi assentida por ele, precedida de autorização por escrito, e que contou com sua colaboração na análise dos dados dos documentos retirados. (...) De antemão, devese deixar claro que não houve a retirada dos computadores, ou dos discos com os dados, do estabelecimento do contribuinte. O que se fez foi puramente uma cópia, em mídia ótica não regravável, dos dados que interessavam para a fiscalização. Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16408.000183/200703 Acórdão n.º 2201003.578 S2C2T1 Fl. 6 9 O comando do Art. 34 da Lei 9.430/1996 é claro e se encaixa como uma luva no caso em tela. Se a redação do artigo menciona “local da verificação”, já deixa claro que autoridade fiscal pode verificar “in loco” os documentos relacionados à atividade de um sujeito passivo. Os arquivos digitais coletados são apenas os referentes aos títulos protestados, permitindo calcular os valores tributáveis recebidos pela atividade de protesto de títulos, que é o objeto da fiscalização. Tal como citado no relatório e transcrito pelo próprio relator, em um dos computadores do autuado “ havia um programa denominado ‘PESQ’ o qual permite a recuperação de qualquer título encaminhado ao cartório até 1997. Esta pasta foi copiada e, à vista dos funcionários do cartório gravada em mídia digital” . Ou seja, os arquivos digitais foram encontrados no local da verificação e tinham relação direta com a atividade exercida pelo autuado. Não há no citado artigo nenhum parágrafo condicionando este direito de a autoridade fiscal verificar arquivos digitais de um contribuinte. Mesmo que se examine integralmente a Lei n° 9.430/1996, ou qualquer outra lei federal, não se encontra qualquer restrição ao referido direito. (...). Constatase que o conteúdo dos arquivos digitais foi solicitado pela fiscalização na forma de planilhas. O autuado, mesmo de posse destes arquivos digitais e de um programa que os manipulava, alegou que era humanamente impossível a elaboração das planilhas solicitadas. No entanto, a autoridade fiscal, de posse dos arquivos digitais coletados de forma perfeitamente legal, provou exatamente o contrário. Utilizando tais arquivos construiu a planilha solicitada e provou, por amostragem, que ela era totalmente compatível com os títulos apresentados pelo autuado. (...) A diligência foi efetuada em busca de dados específicos que detalhassem o livro de Registro de Instrumento de Protesto. Este tipo de documento foi indispensável para apuração dos rendimentos tributáveis. E, conforme alegado pelo próprio autuado (ver transcrição no item 1.1), seria humanamente impossível relacionar as informações dos títulos na elaboração de planilha solicitada pela fiscalização, já que tal documento é formado por 170 livros. (...). Com base nos livros caixa do autuado e nas planilhas de fls. 337 a 890, foi elaborada a tabela solicitada, a qual se encontra a seguir. É importante ressaltar que, na determinação da data do título para segregação dos valores mensais, foi utilizado o seguinte critério: Inicialmente, foi utilizada a data do campo “protesto”. Quando esta não estava disponível, foi utilizada a data do campo “pagamento”. Quando esta não estava disponível, foi utilizada a data do campo “retirada”. Fl. 1493DF CARF MF 10 Por fim, quando esta não estava disponível, foi utilizada a data do campo “sustado”. (...). Tabela fls. 1.452 e 1453. Em relação à tabela em questão, cumpre esclarecer que os valores das colunas “Valor Encontrado planilha fls. 337/890”, adicionados aos valores referentes a “anotação” e “intimação” de cada título (fls. 337 a 890), são os que o autuado efetivamente cobrou pelo serviço de protesto de títulos. Isto pode ser constatado nos autos, especificamente pelas declarações do autuado às fls. 40 a 42. Isso não significa que os valores relativos a “Contribuições ao FUNREJUS” e “Emolumentos pagos a terceiros”, que, em tese, seriam apenas repasses de despesas do cartório aos usuários, foram efetivamente gastos pelo autuado. A comprovação efetiva destes gastos é feita pelo livro caixa acompanhado dos documentos que comprovam os registros nele efetuados. Tais documentos foram conferidos por amostragem durante o procedimento de fiscalização, não se encontrando inconsistências. Assim, os valores constantes na coluna “Valor deduzido livrocaixa” da tabela anterior são os que o autuado tem o direito de deduzir. Foi dada ciência ao contribuinte sobre a diligência realizada, mas não houve manifestação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da preliminar da prova ilícita Conforme se extrai do relatório do autos, foi instaurada controvérsia sobre a ilicitude da prova utilizada pela fiscalização, em razão do procedimento utilizado pelos agentes fiscais, que denominaram de “operação” para investigar memórias de computadores e copiar arquivos que julgassem pertinentes, sem ordem judicial para tal. Apesar dos argumentos dispostos pela recorrente, bem como dos fundamentos constantes da Resolução n.º 160.726, de 05 de março de 2009, por meio da Informação de fls. 1443 a 1454, em atendimento à diligência solicitada, restou claro, pelos termos transcritos no relatório, que houve consentimento do contribuinte, quando da fiscalização, o que evidentemente afasta a alegada ilicitude da prova. Assim, diante do exposto na referida Informação, afasto a preliminar suscitada, pois o contribuinte consentiu, voluntariamente, com o procedimento adotado. 1. Da decadência Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16408.000183/200703 Acórdão n.º 2201003.578 S2C2T1 Fl. 7 11 Alega o contribuinte que, tendo dos fatos geradores ocorrido entre janeiro de 2002 e dezembro de 2005, e a ciência do auto de infração em 23 de abril de 2007, está extinto o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até março de 2002. Considerando a ocorrência do fato gerador em 31/12/2002 e a ciência em 23/04/2007, mesmo com a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, não há que se falar em decadência do direito de constituição do crédito pelo fisco. 2. Da base de cálculo Aduz o recorrente a existência de incorreção na base de cálculo do imposto, tendo em vista que a autoridade fiscal incluiu, como rendimentos tributáveis do recorrente, valores recebidos a título de despesas com terceiros e FUNREJUS. Consoante o resultado da diligência realizada, de fato, assiste razão ao recorrente, devendo tais valores serem deduzidos, como se extrai do trecho abaixo transcrito: Em relação à tabela em questão, cumpre esclarecer que os valores das colunas “Valor Encontrado planilha fls. 337/890”, adicionados aos valores referentes a “anotação” e “intimação” de cada título (fls. 337 a 890), são os que o autuado efetivamente cobrou pelo serviço de protesto de títulos. Isto pode ser constatado nos autos, especificamente pelas declarações do autuado às fls. 40 a 42. Isso não significa que os valores relativos a “Contribuições ao FUNREJUS” e “Emolumentos pagos a terceiros”, que, em tese, seriam apenas repasses de despesas do cartório aos usuários, foram efetivamente gastos pelo autuado. A comprovação efetiva destes gastos é feita pelo livro caixa acompanhado dos documentos que comprovam os registros nele efetuados. Tais documentos foram conferidos por amostragem durante o procedimento de fiscalização, não se encontrando inconsistências. Assim, os valores constantes na coluna “Valor deduzido livrocaixa” da tabela anterior são os que o autuado tem o direito de deduzir. Assim, dou provimento ao recurso para que seja aplicada a tabela de fls. fls. 1.452 e 1453 para a devida dedução. 4. Da glosa das despesas com lanches e cafés Sustenta o contribuinte que tais despesas constituem despesas de custeio pagas e necessárias para o desenvolvimento da atividade notarial. A decisão recorrida considerou que os referidos gastos não são dedutíveis, pois não se caracterizam como necessários à percepção do rendimento ou à manutenção da fonte produtora. Apesar do exposto, com a interpretação do disposto no art. 6º, inciso I a III, da Lei n.º 8.134, de 14 de abril de 1990, é possível inferir que tais gastos se constituem necessários para a manutenção da fonte produtora. Nesse aspecto, dou provimento ao recurso. Fl. 1495DF CARF MF 12 5. Da multa isolada concomitante com a multa de ofício Como bem ensina o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê leão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho era pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela”. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Cabe destacar que, recentemente, houve mudança de entendimento por parte da Câmara Superior com relação ao exposto, contudo, com a devida vênia, não me filio ao novo entendimento adotado. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16408.000183/200703 Acórdão n.º 2201003.578 S2C2T1 Fl. 8 13 Em resumo, entendo que a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. 6. Da multa qualificada Assevera o contribuinte que jamais atuou de modo a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, de domo que se mostra descabida a aplicação da multa qualificada de 150%. A decisão recorrida dispõe acerca da qualificação da multa da seguinte forma: Não obstante as razões expostas, a qualificação da multa não ocorre pela simples ocorrência da infração (omissão), seja de forma reiterada ou não. A lei dispõe sobre requisitos específicos para a qualificação da multa (fraude, sonegação e conluio). Se assim não o fosse, a qualificação seria uma regra e não uma exceção. Observase que o auto de infração considera a existência de sonegação simplesmente pela existência de omissão, em razão das diferenças de seus rendimentos e despesas lançadas no livrocaixa, não restando cabalmente demonstrada a ocorrência de sonegação. Sobre a matéria o Enunciado de Súmula CARF n.º 14 assim dispõe: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por isso, afasto a aplicação da multa qualificada no presente caso, devendo ser reduzida ao percentual de 75%. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para: Fl. 1497DF CARF MF 14 a) considerar a dedução dos valores a título de despesas com terceiros e FUNREJUS, devendo ser aplicada a tabela de fls. 1.452 e 1453; b) restabelecer a dedução das despesas com lanches e cafés; c) excluir a aplicação da multa isolada; d) reduzir a multa de ofício aplicada do patamar aplicado de 150% para 75%. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729879/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 79 /2 01 3- 71 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.892, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.729879/201371 Acórdão n.º 3201000.467 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720894/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda.
ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
A isenção e a alíquota zero são institutos distintos. A legislação que vedou a apuração de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior em nenhum momento afirma que existiria uma equivalência entre isenção e alíquota zero.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda.
ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
A isenção e a alíquota zero são institutos distintos. A legislação que vedou a apuração de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior em nenhum momento afirma que existiria uma equivalência entre isenção e alíquota zero.
Numero da decisão: 3201-002.615
Decisão: Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, acolheram-se os embargos, sem efeitos infringentes.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. A isenção e a alíquota zero são institutos distintos. A legislação que vedou a apuração de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior em nenhum momento afirma que existiria uma equivalência entre isenção e alíquota zero. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. A isenção e a alíquota zero são institutos distintos. A legislação que vedou a apuração de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior em nenhum momento afirma que existiria uma equivalência entre isenção e alíquota zero.
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decisao_txt : Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acolheram-se os embargos, sem efeitos infringentes. Winderley Morais Pereira - Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. A isenção e a alíquota zero são institutos distintos. A legislação que vedou a apuração de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior em nenhum momento afirma que existiria uma equivalência entre isenção e alíquota zero. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ISENÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. A isenção e a alíquota zero são institutos distintos. A legislação que vedou a apuração de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior em nenhum momento afirma que existiria uma equivalência entre isenção e alíquota zero. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 08 94 /2 01 1- 40 Fl. 287DF CARF MF 2 Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acolheramse os embargos, sem efeitos infringentes. Winderley Morais Pereira Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de processo onde foram acolhidos embargos de declaração interpostos pelo contribuinte, desta forma, transcrevo o Despacho que examinou os referidos embargos (fls. 282 a 285): Tratase de apreciar a admissibilidade de embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 320101.811, que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10240.720894/201140 Acórdão n.º 3201002.615 S3C2T1 Fl. 3 3 A contribuinte foi cientificada desta decisão em 22/01/2015, tendo apresentado, tempestivamente, os embargos de declaração em 27/01/2015. Contra a embargante foram lavrados Autos de Infração referentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins decorrentes da utilização indevida de créditos apurados pelo regime da nãocumulatividade. A exigência fundamentase na glosa de créditos referentes a operações de revenda de mercadorias adquiridas através da Área de Livre Comércio de GuajaráMirim (ALCGM), que não sofrem a incidência das contribuições por estarem sujeitas à alíquota zero, prevista pela Lei nº 10.966/2004. A Recorrente contesta o lançamento, entendendo não se enquadrar na regra que veda o creditamento, qual seja "[...] a de se ter as mercadorias, após adquiridas, revendidas ou industrializadas em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, ou com incidência de alíquota zero [...]" Afirma que: Com efeito, o peticionário ADQUIRE E COMERCIALIZA TODAS SUAS MERCADORIAS PARA O MERCADO QUE NÃO ABRANGE A ZONA FRANCA DE MANAUS, NEM QUALQUER ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. Desta feita, ele NÃO se beneficia, para suas RECEITAS DE VENDA, da redução à alíquota zero das contribuições, de que trata o artigo 2o, §3°, da Lei 10.964/04. [...] O fato de o peticionário adquirir produtos que foram internados, previamente, com alíquota zero NÃO ATRAI, PARA SI, A APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 3o , §2°, II, DAS LEIS 10.833/03 E 10.637/01. [...] Considerando a hipótese de um contribuinte industrial adquirir insumo de um fornecedor cuja receita decorrente da venda de seu produto está sujeita à alíquota zero de PIS e COFINS e, depois de fabricar o seu produto, vender o mesmo auferindo receita tributável por alíquota maior do que zero, o que acontece com a impugnante, resta patente que a vedação ao crédito, ora impugnada, resultará numa tributação que vai além do valor real agregado, atingindo todo o faturamento, isto é, alcançando também a receita decorrente da venda anterior da referida cadeia submetida à alíquota zero de PIS e COFINS. Diante desse cenário, podese dizer que não há de fato uma alíquota zero, mas sim um diferimento de pagamento de contribuições e, porque não dizer, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado. Isso equivale a Fl. 289DF CARF MF 4 dar continuidade à cobrança cumulativa dentro do modelo de cobrança não cumulativa criado justamente para evitar os efeitos perversos do primeiro. O lançamento foi mantido em primeira instância, tendo a contribuinte apresentado recurso voluntário. A 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção decidiu, por unanimidade do votos, negar provimento ao recurso voluntário. A decisão manteve o lançamento, entendendo que o inciso II do parágrafo 2º do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 determinam expressamente que não gera direito a crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Desta forma, como o artigo 2º, § 3º da Lei nº 10.996/2004, com redação dada pela Lei nº 11.945/09 (conversão da MP 451/2008), estabelece que as receitas de vendas de mercadorias destinadas a consumo/revenda ou industrialização nas Áreas de Livre Comércio (ALC), auferidas por empresas estabelecidas fora das ALC, sujeitamse à alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as aquisições de mercadorias referentes a estas receitas não dariam direito ao crédito. Apresentou a contribuinte embargos a esta decisão, alegando a omissão do julgado em relação à equivalência entre alíquota zero e isenção, que ensejaria em seu direito ao crédito. Em análise as condições de admissibilidade dos presentes embargos, constatase a omissão do acórdão em relação à questão trazida pela embargante em sede de recurso voluntário, posto o não enfrentamento da matéria. Em sendo estes os fatos, mostrase necessária a admissibilidade dos embargos, para enfrentamento da matéria. Desta forma, em atenção ao disposto no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, entendo que devem ser acolhidos os embargos de declaração interpostos pela contribuinte, com o retorno do processo à pauta de julgamento, para apreciação pelo colegiado. assinado digitalmente Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Conselheiro da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF Com base nas razões retro expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, decido por dar seguimento a matéria referente a equivalência entre alíquota zero e isenção. Determino a distribuição do presente processo ao Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto para apreciar os embargos. assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10240.720894/201140 Acórdão n.º 3201002.615 S3C2T1 Fl. 4 5 Após, considerando que o Relator original do feito não mais integra este órgão, os autos foram a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Relator José Luiz Feistauer de Oliveira Preliminarmente, entendo que os embargos em análise devem ser acolhidos, por concordar com o resultado da análise de admissibilidade dos presentes embargos, onde foi efetivamente constatada a omissão do acórdão embargado quanto à uma das questões trazidas pela embargante em sede de recurso voluntário, relativa à alegada equivalência entre alíquota zero e isenção, o que poderia resultar no deferimento de seu direito creditório pleiteado. Neste sentido, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à referida questão da suposta equivalência entre alíquota zero e isenção, onde a Recorrente ressalta que se houver um entendimento de que os institutos da isenção e da alíquota zero sejam equivalentes, conforme procurou sustentar no recurso, a conclusão seria o cancelamento do presente auto de infração, pois passaria a ter direito aos créditos glosados. Vejamos agora as condições estabelecidas pelos Arts. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que transcrevemos a seguir: § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) No caso, o contribuinte revende mercadorias que adquire através da Área de Livre Comércio de GuajaráMirim onde a alíquota das contribuições incidentes nestas aquisições é reduzida à zero por força do Art. 2º, § 3º da Lei nº 10.996, de 2004: Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (...) § 3o As disposições deste artigo aplicamse às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos7.965, de 22 de dezembro de 1989,8.210, de 19 de julho de 1991, e8.256, de Fl. 291DF CARF MF 6 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e aLei nº 8.857, de 8 de março de 1994, por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas.(Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009).(Produção de efeitos). A Recorrente então sustenta que todas as suas saídas seriam tributadas e por isso, se as mercadorias que adquire usufruíssem de isenção ao invés da alíquota reduzida a zero, poderia lançar créditos sobre estas aquisições, uma vez que neste caso estaria amparado pelo inciso II do parágrafo 2º dos Arts. 3ºs das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, antes transcrito. Neste ponto, é necessário trazer à colação o entendimento do ilustre doutrinador Leandro Paulsen (Curso de Direito Tributário 7ª ed. 2015) que assevera (grifos nossos): A isenção não se confunde com a imunidade, tampouco com a nãoincidência ou com a alíquota zero. Havendo imunidade, resta ausente a própria competência tributária relativamente ao fato, operação ou pessoa imunizado. Sequer pode o legislador, no caso de imunidade, determinar a incidência da norma tributária impositiva. A não incidência do tributo, por sua vez, conforme já decidiu o STF, dáse relativamente a todas as situações de fato não contempladas pela regra jurídica da tributação e decorre da abrangência ditada pela própria norma. A isenção, de outro lado, pressupõe a incidência da norma tributária impositiva. Não incidisse, não surgiria qualquer obrigação, não havendo a necessidade de lei para a exclusão do crédito. Esta sobrevém a norma de isenção justamente porque tem o legislador a intenção de afastar os efeitos da incidência da norma impositiva que, de outro modo, implicaria o dever de pagamento do tributo. O afastamento da carga tributária, no caso da isenção, se faz por razões estranhas à normal estrutura que o ordenamento legal imprime ao tributo seja em atenção à capacidade contributiva , seja por razões de cunho extrafiscal. A alíquota zero, por fim, não constitui caso de exclusão do crédito tributário, mas de estabelecimento do seu aspecto quantitativo de tal modo que a expressão econômica da obrigação seja nula. Em suma, a imunidade é norma negativa de competência constante do texto constitucional, enquanto a nãoincidência decorre da simples ausência de subsunção, a isenção emana do ente tributante que, tendo instituído um tributo no exercício da sua competência, decide abrir mão de exigilo de determinada pessoa ou em determinada situação e a alíquota zero implica obrigação sem expressão econômica. Cabe ainda destacar que nos citados Arts. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 o legislador em nenhum momento menciona que haveria equivalência entre os institutos da isenção e da alíquota zero, pelo contrário, é bastante claro quando se refere exclusivamente à isenção e somente ela, ao fazer a assertiva: " ... , inclusive no caso de isenção, esse último ...". Vejamos que na seqüência o mesmo dispositivo então Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10240.720894/201140 Acórdão n.º 3201002.615 S3C2T1 Fl. 5 7 afirma: "... quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". Ou seja, a condição expressamente estabelecida, ao final do dispositivo, menciona ambos os institutos da isenção e da alíquota zero, bem como o da não incidência. Contudo, a primeira assertiva aponta unicamente o instituto da isenção e ainda lhe faz referência no singular: "... esse último ...". Pelo exposto, entendo que restam caracterizadas as condições estabelecidas pelos arts. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, ou seja, ocorreram aquisições de bens não sujeitos ao pagamento de PIS/COFINS, em face da incidência de alíquota zero, por força do Art. 2º, § 3º da Lei nº 10.996, de 2004. Portanto, não existe direito à apuração de créditos na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, na qual, inclusive, entendo como normal a ocorrência de eventual desproporção entre o tributo pago na operação de venda e o crédito apurado na compra. Em resumo, a vedação ao creditamento prevista no inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ocorre quando da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, em razão da literalidade do texto legal (“Não dará direito a crédito o valor... da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”) , inexistindo qualquer disposição expressa na Lei que sugira uma equivalência entre isenção e alíquota zero. Ressaltese que na interpretação de qualquer dispositivo, as circunstâncias que envolvem a possibilidade de creditamento tem que estar expressas na legislação. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Diante do exposto, uma vez acolhidos e examinados os embargos em questão, sem efeitos infringentes, entendo que deve ser mantido o resultado da decisão embargada, na qual os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte. José Luiz Feistauer de Oliveira Relator Fl. 293DF CARF MF 8 Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002698/2007-47
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
Manutenção e Movimentação de Conta bancária em Nome de Terceiro.
Provada a movimentação de recursos em conta bancária em nome de
terceiro, as exigências derivadas de aplicação de presunção legal devem recair sobre o titular de fato, verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária.
MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA (150%). LEGITIMIDADE.
Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007).
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL.
As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 Comissões. Intermediação de Financiamento. IRRF. Comprovantes de Rendimentos e Retenção. Se o beneficiário dos rendimentos não apresenta os comprovantes de retenção de imposto de renda retido na fonte incidente sobre comissões creditadas por instituições financeiras, não cabe ao julgador demandar a realização de diligências para produção de provas que o
Interessado deveria e poderia ter trazido com a impugnação.
LUCRO ARBITRADO. MOTIVAÇÃO LEGAL.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário,
será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (i) o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (ii) o contribuinte
deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art.527 do R1R199.
OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996.
Caracteriza como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos
utilizados nessas operações. Receitas Omitidas. Lucro Arbitrado. Percentual aplicável de 32% (mais elevado). No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida
(créditos bancários sem explicação da origem), esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (art.537 do R1R/99).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação
tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ).
Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1803-000.941
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Manutenção e Movimentação de Conta bancária em Nome de Terceiro. Provada a movimentação de recursos em conta bancária em nome de terceiro, as exigências derivadas de aplicação de presunção legal devem recair sobre o titular de fato, verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA (150%). LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 Comissões. Intermediação de Financiamento. IRRF. Comprovantes de Rendimentos e Retenção. Se o beneficiário dos rendimentos não apresenta os comprovantes de retenção de imposto de renda retido na fonte incidente sobre comissões creditadas por instituições financeiras, não cabe ao julgador demandar a realização de diligências para produção de provas que o Interessado deveria e poderia ter trazido com a impugnação. LUCRO ARBITRADO. MOTIVAÇÃO LEGAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (i) o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (ii) o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art.527 do R1R199. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. Caracteriza como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Receitas Omitidas. Lucro Arbitrado. Percentual aplicável de 32% (mais elevado). No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida (créditos bancários sem explicação da origem), esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (art.537 do R1R/99). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1.317 1 1.316 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.002698/200747 Recurso nº 173.455 Voluntário Acórdão nº 180300.941 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente GERVASIO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Manutenção e Movimentação de Conta bancária em Nome de Terceiro. Provada a movimentação de recursos em conta bancária em nome de terceiro, as exigências derivadas de aplicação de presunção legal devem recair sobre o titular de fato, verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA (150%). LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 Comissões. Intermediação de Financiamento. IRRF. Comprovantes de Rendimentos e Retenção. Se o beneficiário dos rendimentos não apresenta os comprovantes de retenção de imposto de renda retido na fonte incidente sobre Fl. 1317DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 2 comissões creditadas por instituições financeiras, não cabe ao julgador demandar a realização de diligências para produção de provas que o Interessado deveria e poderia ter trazido com a impugnação. LUCRO ARBITRADO. MOTIVAÇÃO LEGAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (i) o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (ii) o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art.527 do R1R199. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. Caracteriza como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Receitas Omitidas. Lucro Arbitrado. Percentual aplicável de 32% (mais elevado). No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida (créditos bancários sem explicação da origem), esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (art.537 do R1R/99). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Fl. 1318DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 13971.002698/200747 Acórdão n.º 180300.941 S1TE03 Fl. 1.318 3 ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), MARCELO DE ASSIS GUERRA, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, WALTER ADOLFO MARESCH Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração (fls.1.075 a 1.085) o qual lhe exige a importância de R$ 154.705,46, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, correspondentes a fatos geradores trimestrais ocorridos no ano calendário de 2005, acrescido de multa de oficio de 75% e/ou 150% e juros de mora à época do pagamento. Segundo consta na Descrição dos Fatos do lançamento de IRPJ, a exigência de imposto decorre do arbitramento de lucro correspondente aos trimestres do ano calendário de 2005, com base na receita bruta conhecida (omissão de receita operacional — comissões e omissão de receita com base no art.42 da Lei 9.430/96), tendo em vista que o "[...] contribuinte regularmente intimado via Termo de Intimação 2007.138007, não apresentou as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal e tampouco o Livro Fiscal de Apuração do Lucro Real — Art.530, incisos I e III, do RIR/99." (f1.1.077). Fl. 1319DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 4 Em decorrência deste lançamento, foram ainda lavrados os Autos de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL (fls.1.086 a 1.096), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls.1.097 a 1.106) e de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls.1.107 a 1.116), nas importâncias de R$ 53.461,62, R$ 55.395,45 e de R$ 12.099,77, respectivamente, acrescidas da multa de oficio de 150% e/ou de 75% e de juros de mora à época do pagamento. No Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos (fls.1.118 a 1.160), temse os detalhes da autuação. A autuada GERVÁSIO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA., apresentou sua impugnação (fls.1.164 a 1.195) ao lançamento, que ora se reproduz, resumidamente: descreve sumariamente o procedimento fiscal e a infração apontada (I Considerações Gerais), trazendo para debate, preliminarmente, a seguinte questão: Da nulidade do lançamento — Vicio formal — Ilegitimidade Passiva da fiscalizada em razão das movimentações financeiras de titularidade da empresa Lecar Comércio de Automóveis Ltda. — CNPJ 06.293.133/000180; a autoridade fiscalizadora no seu arrazoado junto ao termo de Verificação Fiscal, com base nos elementos coletados, inclusive através de procedimento fiscal instaurado em face de outro contribuinte, a empresa LECAR COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA., portanto, contribuinte diverso da aqui fiscalizada, identificou de que os cheques emitidos contra a conta do banco 237, agência 03379, conta corrente 83563, foram de fato emitidos pelo Sr. Gervásio Schweigert; de fato, o próprio Sr. Gervásio Schweigert, na oportunidade, já havia declarado às autoridades fiscais de que a movimentação desta conta corrente, embora de titularidade da empresa LECAR COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA, se deu a respeito de operações relativas à prestação de serviços de intermediação de financiamentos e refinanciamentos, e que o mesmo a realiza através de instrumento de mandato; inobstante o fato de que aproximadamente 95% dos créditos não contabilizados nesta conta corrente tenham sido plenamente justificados pela aqui fiscalizada, o fato é que a aqui fiscalizada fora autuada pela diferença não justificada nesta contacorrente (R$ 141.695,45) bem como pela omissão de receitas de "comissão de financiamento" (R$ 199.488,43) relativos à conta corrente da titularidade de LECAR COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA, portanto, pessoa jurídica completamente distinta da aqui fiscalizada; ressalta que a movimentação desta conta corrente fora realizada pela pessoa fisica do Sr. Gervásio Schweigert, que jamais pertenceu ao quadro societário da empresa LECAR COMÉRCIO DE AUTOMOVEIS LTDA, a não ser pelo fato do sócio daquela ter movimentado conta corrente de titularidade desta; destarte, a presente autuação é irregular, posto que dirigida à pessoa jurídica diversa da titular das infrações aqui apontadas; Fl. 1320DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 13971.002698/200747 Acórdão n.º 180300.941 S1TE03 Fl. 1.319 5 discorre sobre a legitimidade do ato fiscal (11.1.168 a 1.171) para arrematar que “[...] devese cancelar o ato fiscal, por vício formal, decorrente de irregularidades na lavratura do termo de ocorrência, no qual foram inseridas operações alheias à responsabilidade da aqui fiscalizada.” Do Mérito Das deduções relativas às retenções de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica (fls.1.172 a 1.174); que apenas uma instituição financeira, o Banco BMC S/A, apresentou à fiscalizada cópia de comprovante anual de rendimentos pagos e da devida retenção de IR NA FONTE, documento este apresentado à autoridade fiscal e deduzido do imposto a pagar; que as demais instituições financeiras devem também informar este comprovante ao Fisco, o qual tem acesso aos dados, através de DIRF e não obstante deixou de lado estas transações; que a fiscalizada, uma vez que não conseguiu tais informações por vias amigáveis, tomou a iniciativa de efetuar Notificação Extrajudicial a todas as demais instituições financeiras; Da origem dos créditos lançados em contascorrentes e da aplicação do princípio do in dúbio pro contribuinte (fls.1.174 a 1.177); que muito embora a fiscalizada não tenha conseguido demonstrar à Fiscalização a justificativa de todos os créditos efetivados nas referidas contascorrentes, certo é que das planilhas apresentadas através das instituições financeiras que operavam com o intermédio da fiscalizada, sua grande maioria demonstra de que aproximadamente 99% dos valores lançados. em suas contas correspondem efetivamente a créditos lançados pelas diversas instituições financeiras a fim de intermediação de seus financiamentos operacionalizados com a fiscalizada; que a própria fiscalização assim concluiu e portanto não poderia ser receita da fiscalizada; desta forma impugnase por completo os valores "remanescentes" e apontados junto ao parágrafo 138 do termo Fiscal, no valor consolidado de R$ 1.520.259,82; que junto aos parágrafos 143 a 146 do termo Fiscal, a autoridade autuante concluí que “Relativamente aos créditos não justificados pelo fiscalizado, é impossível a determinação de sua natureza, se decorrentes da atividade de comércio, percentual de 8%, ou da atividade de prestação de serviços, percentual de 32%”; o fato é que mesmo diante da impossibilidade de se determinar a natureza dos créditos não justificados, ou seja, em ocorrendo dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, a Autoridade Fiscal aplicou norma prevista no parágrafo único do art.537 do RIR/99, entendendo ser o presente um caso Fl. 1321DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 6 de omissão de receita, o que colide com o art.112 do CTN (transcreve a f1.1.176); que, uma vez que pairam dúvidas acerca de se determinar a natureza dos créditos tidos como não justificados pelo Fisco, estes deveriam sofrer aplicação do percentual menos elevado (8%) e não o correspondente ao mais elevado (32%) como se denota do Auto de Infração; Das receitas oriundas de comissões sobre financiamentos (fl.1.177); Da Utilização Arbitrária de Movimentação Financeira Como Base de Cálculo Para Apuração do Imposto, (fls.1.177 a 1.184); que consoante súmula 182 do TFR não se pode utilizar extratos bancários como base de cálculo de imposto devido; que o arbitramento deve ser feito na forma do que dispõe o art.284 do RIR, que transcreve às fls.1.178 a 1.179; que o arbitramento teve como base única e exclusivamente a movimentação financeira; que sinal de riqueza representado pela movimentação bancária deve ensejar investigação pelo Fisco, não se prestando, como elemento único, para o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda; transcreve o art.9° do Decretolei n°2.471/88 (fl.1.180); que da análise do auto de infração, não se pode negar que o arbitramento da base tributável, para fins de imposto de renda, tomou por base efetiva e unicamente os depósitos bancários tidos por “não justificados” pela fiscalização; que isto ocorreu, como cediço, por ter havido a desconsideração da escrita contábil da empresa fiscalizada, bem como por não ter a autoridade fiscal aceito as demonstrações realizadas pela empresa fiscalizada de que tais movimentos não correspondem a receita sua, porém a créditos relativos a intermediação de financiamentos, disponibilizados em suas contascorrentes em beneficio de terceiros/clientes; a isso seguiuse o arbitramento, como não poderia deixar de ser; e esse arbitramento foi feito, repete, com base exclusivamente nos extratos/documentos bancários, não tendo sido indicados outros supostamente utilizados pela fiscalização; na esteira deste entendimento, transcreve ementas de decisões judiciais (fls.1.181 a 1.183); ademais, tal apuração de ditas movimentações bancárias como presunção de Lucro da empresa fiscalizada contradiz frontalmente o apurado pela própria autoridade fiscalizadora que apontou como exemplo nos parágrafo "73 e 94" do termo fiscal de que “Os valores que correspondem aos financiamentos não se consubstanciam em receita do fiscalizado...”; assim sendo, certo é que as operações de responsabilidade da fiscalizada relacionamse a sua atividade de prestação de serviços de intermediação de financiamentos e refinanciamentos, e que, portanto, são imprestáveis para que as mesmas sejam contabilizadas como receitas próprias; Fl. 1322DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 13971.002698/200747 Acórdão n.º 180300.941 S1TE03 Fl. 1.320 7 da aplicação das multas nos patamares de 75% e 150% (fls.1.184 a 1.192)”. A 3ª TURMA – DRJ DE FLORIANÓPOLIS – SC, em sessão de 13/06/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0712.882 onde julgou “procedentes os lançamentos constantes dos Autos de Infração que integram o presente processo”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Manutenção e Movimentação de Conta bancária em Nome de Terceiro. Provada a movimentação de recursos em conta bancária em nome de terceiro, as exigências derivadas de aplicação de presunção legal devem recair sobre o titular de fato, verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA (150%). LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 Comissões. Intermediação de Financiamento. IRRF. Comprovantes de Rendimentos e Retenção. Se o beneficiário dos rendimentos não apresenta os comprovantes de retenção de imposto de renda retido na fonte incidente sobre comissões creditadas por instituições financeiras, não cabe ao julgador demandar a realização de diligências para produção de provas que o Interessado deveria e poderia ter trazido com a impugnação. LUCRO ARBITRADO. MOTIVAÇÃO LEGAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (i) o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver Fl. 1323DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 8 escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (ii) o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art.527 do R1R199. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. Caracteriza como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Receitas Omitidas. Lucro Arbitrado. Percentual aplicável de 32% (mais elevado). No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida (créditos bancários sem explicação da origem), esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (art.537 do R1R/99). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos”. Cientificado da decisão em 24/06/2008, interpôs o contribuinte, em 17/07/2008, Recurso Voluntário a este Conselho, a Recorrente manteve os argumentos da peça impugnatória apresentada, inclusive com a mesma preliminar e com os seguintes pedidos: “(...) b) julgar o processo acolhendo inicialmente a preliminar de ILEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE no tocante ao Erro na identificação do sujeito passivo, e no mérito, anulando o Auto de Infração em comento, uma vez que: 1)Não foram deduzidos, nos valores apurados da autuação, o Imposto Retido, na Fonte sobre comissões oriundas de serviço Fl. 1324DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 13971.002698/200747 Acórdão n.º 180300.941 S1TE03 Fl. 1.321 9 prestados para financiamento de veículos; 2) Utilizouse, de forma arbitrária e Ilegal, a movimentação financeira como base de cálculo para apuração do imposto e contribuições; 3) ao efetuar a autuação, o Fisco teve dúvidas quanto a natureza dos créditos lançados em contas correntes (vide fl.35 parágrafo 146 do termo de verificação fiscal) e, mesmo assim os considerou, em detrimento ao princípio já consolidado "in dúbio pro contribuinte"; c) Admitindo em hipótese o não atendimento dos pedidos acima, julgar o pleito, reduzindo a multa aos patamares de 20%, face ao flagrante confisco, que encontra censura no artigo 150 da CF e artigo 61 da Lei 9430/96, bem como a exclusão da multa de Oficio nos patamares de 150%, uma vez não comprovado que o contribuinte praticou as ações definidas nos artigos 70, 71 e 72 da Lei n° 5.502/64 e art. 1° da Lei n° 4.729/65; d) Finalmente, ad cautelam, requer concessão de curto prazo para sanar eventuais irregularidades, inobservância ou inadvertências involuntárias”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. A fim de elucidar os tópicos repetidos pela Recorrente, vejo que posso “tomar emprestado” os argumentos que fundamentaram o voto da 3ª TURMA – DRJ DE FLORIANÓPOLIS – SC quando proferiu o acórdão n° 0712.882; vamos a eles: Sobre a preliminar assim decidiu a 3ª TURMA – DRJ DE FLORIANÓPOLIS – SC: “DA PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DA TITULARIDADE DA CONTA CORRENTE N° 83563, AGÊNCIA 03379 — BANCO BRADESCO. Como relatoriado, a autuada reconhece que esta conta era manipulada exclusivamente pelo Sr. Gervásio Schweigert e que contemplava “[...]operações relativas à prestação de serviços de intermediação de financiamentos e refinanciamentos, e que o mesmo a realiza através de instrumento de mandato” E que, também, chegou, ela, a fiscalizada, a explicar a origem de cerca de 95% dos créditos bancários verificados nesta conta corrente, em atendimento a intimação fiscal. E vem, agora, afirmar que a movimentação era operada pela pessoa fisica do Sr. Gervásio Schweigert e que a "[...] presente autuação é irregular, posto que dirigida à pessoa jurídica diversa da titular das infrações aqui Fl. 1325DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 10 apontadas" e, ainda, que "[...]foram inseridas operações alheias à responsabilidade da aqui fiscalizada." Como amplamente relatado no Termo Fiscal, no procedimento de fiscalização instaurado junto à empresa Lecar Comércio de Automóveis Ltda, foi constatado que nesta empresa haviam várias contas bancárias movimentadas pelo Sr. Gervásio Schweigert, dentre as quais a de n° 83563, supra. Naquele procedimento fiscal, o Sr. Gervásio já havia se pronunciado a respeito da titularidade desta conta, em Termo de Depoimento, acostado às fls.509 a 511 (volume III), no qual reconhece que a conta mantida junto ao BRADESCO, de n° 83563, é de sua exclusiva responsabilidade, relacionada a sua atividade de prestação de serviços de intermediação de financiamentos e refinanciamentos, e que não tem qualquer vinculação com os negócios da Lecar Comércio de Automóveis Ltda. Além do referido Termo de Depoimento, constam nos autos várias provas de que era o Sr. Gervásio Schweigert que movimentava a conta corrente 83563 (cópias de cheques e circularizações (volumes IV e V). Constatado, portanto, à toda prova, que o Sr. Gervásio Schweigert era quem de fato operava esta conta bancária e, reiterese, reconhecida pelo próprio como sendo de suas atividades empresarias, ou seja, da fiscalizada. Assim sendo, mediante Termo de Intimação 2007.138001 (fls.068 a 082) a Fiscalização, após repassar/relembrar as circunstâncias relativas à fiscalização junto à Lecar Comércio de Automóveis Ltda (fls.068 a 077), intimou a fiscalizada nos seguintes termos: 1.2 CIRCUNSTÂNCIAS RELATIVAS A FISCALIZADA 31. Especificamente, a fiscalizada não possui, em seu Livro Razão, nenhuma conta do tipo "Bancos conta Movimento", "Bancos" ou de nomenclatura correlata, que represente a movimentação havida em contas bancárias. 32. Entretanto, tendo por base as informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da receita Federal, conforme previsão do art.11 da Lei 9.311/96, com redação dada pela Lei 10.174/2001, a fiscalizada possui em seu nome contas bancárias nas instituições abaixo explicitadas, com as respectivas movimentações financeiras ali apontadas: Fl. 1326DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 13971.002698/200747 Acórdão n.º 180300.941 S1TE03 Fl. 1.322 11 33.A movimentação financeira representada pela Conta "Caixa", escriturada no Livro razão, monta aos seguintes valores no período, calculados através do somatório dos lançamentos a crédito da respectiva conta: 34.A discrepância entre os valores escriturados a crédito na conta "Caixa" e os movimentados nas referidas contas bancárias mostram ser impossível que a escrituração contábil da conta "Caixa" contemple a totalidade da movimentação financeira informada pelas instituições bancárias. 1.3 DA ANÁLISE DOS EXTRATOS BANCÁRIOS 35.Cabe aqui frisar que a existência de valores depositados em contas bancárias, cuja origem dos recursos não seja comprovada pelo titular, implica na caracterização de omissão de receitas, conforme prevê o artigo 42 da Lei 9.430/96, que a seguir transcrevemos: 36. Neste sentido, com vistas à identificação dos créditos bancários relativos à conta BRADESCO, Agência n° 03379, Conta n° 85363, cuja movimentação financeira foi integralmente assumida como de responsabilidade da fiscalizada, a teor do depoimento de seu sóciogerente, vide parágrafo 27, foram adotados os procedimentos descritos nos parágrafos seguintes. 37. Para fins de enquadramento no artigo 42 da Lei 9.430/96 transcrito neste termo, foram analisados e individualizados todos os valores creditados na referenciada conta bancária — BRADESCO, Agência n° 03379, Conta n° 85363 — cuja titularidade de fato pertence à fiscalizada, desconsiderandose os lançamentos posteriormente estornados pelos bancos, bem como aqueles para os quais é possível identificar a origem dos recursos utilizados, através da simples leitura do histórico bancário. Fl. 1327DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 12 II — DA INTIMAÇÃO 40. Em razão do exposto, no exercício das funções de AuditorFiscal da receita Federal, dando seguimento ao Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, e de acordo com o disposto nos artigos 904, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), INTIMAMOS o sujeito passivo acima identificado a, no prazo de 10 dias contados da ciência deste Termo: 1 — Apresentar justificativa para todos os créditos ocorridos na conta bancária n° 85363, Agência 03379, do BRADESCO S/A, no ano de 2005, listados na planilha constante do Anexo 01 deste Termo, de forma individualizada, indicando a motivação dos mesmos e a origem de tais recursos, bem como apresentando documentação comprobatória do alegado. 44. Em anexo a este termo de Intimação, seguem os seguintes documentos: •ANEXO 01: Planilha correspondente a valores creditados, no ano 2005, na conta corrente n° 85.363, do Banco BRADESCO, agência 03379. • ANEXO 02: Cópias dos Termos de Depoimento de Everaldo Schweigert, Gervásio Schweigert e Pedro Mathias Schweigert. • ANEXO 03: Cópia da procuração emitida por LECAR COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA. ME, CNPJ 06.293.133/000180, em favor de Gervásio Schweigert. • ANEXO 04: Cópias dos Termos de Intimação, e devidas respostas, enviadas a beneficiários de cheques emitidos contra as contas cuja responsabilidade constatouse ser vinculada às operações empresariais de Gervásio Schweigert. • ANEXO 05: Cópias de cheques emitidos contra a conta do BRADESCO, Agência 03379, Conta n° 85.363, ano de 2005”. Diante desses argumentos e do depoimento pessoal do Sr. Gervásio Schweigert, constante das fls. 525 e 526 dos autos, onde encontramos a seguinte afirmação: “Que toda a movimentação financeira havida nestas contas correntes discriminadas nos itens 5 e 6 acima dizem respeito a operações de sua responsabilidade, ou seja, é relacionada a sua atividade de prestação de serviços de intermediação de financiamentos e refinanciamentos, não possuindo qualquer comunicação com os negócios das titulares das contas, ou seja, ambas Lecar Comércio de Automóveis Ltda., CNPJ 04.421.484/000101 e 06.293.133/0001 80.” Tais palavras levaram ao Termo de Intimação Fiscal nº. 2007.138007 nos autos do MPF nº. 0920400.2007.001380 que transferiu a imputação para a sociedade GERVÁSIO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA., inscrita no CNPJ/MF nº. 00.749.357/000177, que assim justifica: “Tendo em vista as constatações efetuadas pela fiscalização manutenção de contacorrente bancária de sua responsabilidade sob titularidade de outrem, omissão de receitas de sua própria atividade e ruptura do limite de receita para permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, o contribuinte sob fiscalização foi excluído do SIMPLES em 2005, Fl. 1328DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 13971.002698/200747 Acórdão n.º 180300.941 S1TE03 Fl. 1.323 13 pela prática reiterada de infração à legislação tributária durante este mesmo ano, e em 2006, em face de ter excedido os limites de receita bruta em 2005. A exclusão encontrase expressa no ADE n° 39/2007, de 10/10/2007, expedido pelo Delegado da Receita Federal em Blumenau, sendo que uma via da representação fiscal para fins de exclusão do SIMPLES e do referido ADE é entregue à fiscalizada em conjunto com o presente ‘Termo. 2 Considerando o desenquadramento do SIMPLES, o contribuinte fiscalizado sujeitase, para o ano de 2005, à constituição de escrituração contábil, elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais. Caso haja possibilidade de apuração do Lucro Real, este será a base para a tributação. Todavia, na ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 530 do RIR/99, o IRPJ devido trimestralmente será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. A seguir transcrevese o art. 530 do RIR/99:” Assim, entendo não merecer reparo o acórdão n° 0712.882 que norteado pelo princípio da verdade material concluiu existir valor a ser tributado na sociedade GERVÁSIO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA., que través do seu titular o Sr. Gervásio Schweigert através de depósitos realizados em conta corrente da empresa Lecar Comércio de Automóveis Ltda., CNPJ/MF nº. 04.421.484/000101 e 06.293.133/000180, que tinha como procurador o Sr. Gervásio Schweigert. Ultrapassado a questão da preliminar, quanto ao mérito também entendo que, norteado pelo princípio da verdade material, não merece qualquer reparo o acórdão n° 07 12.882, tendo em vista que a Recorrente não conseguiu rebater os argumentos apresentados no Mandado de Procedimento Fiscal n°. 09.2.04.002007001380, nem tampouco os seus desdobramentos. Assim e por tudo que consta dos autos, julgo também cabível a multa agravada, tendo em vista que ficou comprovado no procedimento fiscal, por elementos seguros de prova, que a sociedade GERVÁSIO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA., através do seu titular o Sr. Gervásio Schweigert, foram agentes dolosos da prática de infração tributária e que buscaram, reiteradamente, além de omitir informações em suas declarações de rendimentos, utilizando conta corrente de terceiros com o objetivo de reduzir o quantum de tributos a ser recolhidos em decorrência de suas operações. Além do mais, não resta dúvida que a prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de subterfúgios e artifícios tomando por base uma corrente de terceiros, são fortes indícios de prática fraudulenta reiterada pelo Sr. Gervásio Schweigert, que buscava, salvo melhor juízo, manter a sociedade GERVÁSIO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA., ora Recorrente enquadrada no Simples; merecendo, por isso a imposição da multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicandose a Súmula 34 Carf. Sobre as deduções referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, entendo que caberia a Recorrente apresentar os comprovantes de Rendimentos e Retenção e as DIRF´s correspondentes. E, como não houve apresentação de tais comprovantes incidente Fl. 1329DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES 14 sobre comissões creditadas por instituições financeiras, não cabe agora ao CARF demandar a realização de novas diligências para produção de provas que a Recorrente e o Sr. Gervásio Schweigert deveriam ter trazido durante o processo administrativo fiscal. Porém, baseado no que já aconteceu e esta relatado nos autos, concedo que na hora da execução do presente processo, seja deduzido exclusivamente todos os valores deduzidos a título do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF recolhido em nome da Recorrente constante da DIRF. Sobre a argüição da Recorrente de que “as multas em questão ferem o princípio constitucional previsto no artigo 150, IV da CF”, utilizo a Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para também negar provimento ao recurso neste particular. Assim, diante de tudo que podemos encontrar nos autos, não vejo razão para modificar o acórdão n° 0712.88 proferido pela 3ª TURMA – DRJ DE LORIANÓPOLIS – SC, e por isso DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, concedo que na hora da execução do presente processo, seja deduzido exclusivamente todos os valores deduzidos a título do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF recolhido em nome da Recorrente constante da DIRF e mantenho os lançamentos apontados e seus desdobramentos (PIS, COFINS e CSLL), mantendo, em decorrência da conduta apresentada, a multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Sala das Sessões, em 28 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 1330DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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Numero do processo: 15504.002653/2008-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/10/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 26 53 /2 00 8- 95 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 203DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15504.002653/200895 Acórdão n.º 9202004.957 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 205DF CARF MF
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