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Numero do processo: 13603.001644/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
SISTEMA NÃO CUMULATIVIDADE. CÁLCULO DO VALOR DEVIDO. APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03 prevê o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídas, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE.
Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluí-los, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama que davam total provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF 29.266.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator designado.
(assinatura digital)
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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CÁLCULO DO VALOR DEVIDO. APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03 prevê o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídas, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE. Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluílos, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Álvaro Arthur AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 44 /2 00 7- 52 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 3 2 Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama que davam total provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF 29.266. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator designado. (assinatura digital) Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Recife que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por entender que distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero, não têm amparo legal para o creditamento de PIS/COFINS, relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos. Segundo a DRJ/REC, admitir o creditamento seria contrariar em sua essência a lógica da tributacã̧o monofásica, além do que o art. 3°, I, h, da Lei n° 10.833/2003, com a redação dada pela mesma Lei n° 10.865/2004, vedou expressamente a apuração de créditos sobre despesas de frete e de armazenagem incorridas na operacã̧o de revenda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gas liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. A ora Recorrente protocolou, em 14/03/2006, Pedido de Ressarcimento – PER (31544.73732.140306.1.1.115089) seguido de Declarações de Compensação – DCOMPs, para compensar débitos próprios com créditos de PIS/COFINS, apurado em razão da aquisição de mercadorias para a revenda e outros créditos autorizados pela legislação e não aproveitados na dedução da contribuição devida. Iniciada a fiscalização pela DRF/Natal, com os documentos apresentados pela empresa em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, foi verificado que todos os pagamentos feitos a título de frete ou armazenagem estão vinculados ao transporte de gasolinas, óleo diesel e álcool combustível, cuja revenda está fora do campo de abrangência da nãocumulatividade. Assim, a DRF/Natal, ao examinar o pedido de ressarcimento e as compensações a ele vinculados, concluiu pela impossibilidade de apuração de créditos em face das receitas de revenda de combustíveis sob as seguintes premissas: [...] A partir de agosto de 2004, portanto, a venda de combustíveis derivados de petróleo pelas refinarias passou a ser regida por nova sistemática com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei n° 10.865/2004 no art. 1° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Processada a alteração legal, os produtos de que trata a Lei n° 9.990/2000, à excecã̧o do álcool para fins carburantes, passam a integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, ficando instituída a partir de então a sistemática monofásica nãocumulativa de pagamento das contribuições para as refinarias de combustíveis. As demais integrantes da cadeia de producã̧o e Fl. 903DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 4 3 comercialização destes produtos continuam, independentemente da alteração legal, fora do campo de incidência das referidas contribuintes. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, protestando pela legitimidade dos créditos apurados aduzindo que a Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei 10.865/04, excluiu apenas receitas de vendas com álcool para fins carburantes da sistemática nãocumulativa da COFINS, não vinculando esse produto a nenhum sujeito especifico, é certo que os demais combustíveis anteriormente vedados (gasolina e oleo diesel) passaram a compor referida sistemática, não importando a qualidade do contribuinte que efetuou a venda desses mesmos produtos. Ademais, segundo a Recorrente, o despacho decisório não merece prosperar na media em que: a) como visto, a Lei n° 10.865/04, ao excepcionar apenas o álcool para fins carburantes da sistemática nãocumulativa, determinou a inclusão das demais receitas de petróleo (gasolina e óleo diesel, por exemplo) sem qualquer limitação de natureza subjetiva; b) o inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.833/03, não confirma que os créditos são destinados apenas a produção, pois os créditos de revenda estão previstos no inciso I desse dispositivo e os créditos pleiteados pela Manifestante encontram amparo nos demais incisos, como, por exemplo, o do inciso IX (despesas com armazenagem e frete); c) a continuidade do regime monofásico dos derivados de petróleo no âmbito da refinaria não implica exclusão das receitas auferidas pela Manifestante, referentes a esses produtos, da nãocumulatividade, pois, como visto, esses regimes não são conflitantes, mas sim concomitantes (regime híbrido); d) da mesma forma, a aliquota 0% da gasolina e óleo diesel prevista no art. 42 da MP n° 2.158/2001 não afeta a inclusão das receitas auferidas com esses produtos na sistemática nãocumulativa por qualquer contribuinte que pratique a sua venda. Alegou, ainda, a ora Recorrente que realiza operação de industrialização nos moldes previstos no art. 4°, II, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, qualificandose como uma empresa que desenvolve verdadeiro e típico processo de beneficiamento de gasolina, não podendo ser qualificada, portanto, como mera comerciante revendedora de combustíveis. Neste contexto, a gasolina "Tipo C" seria um produto industrializado, à maneira definida no art. 3° do RIPI, o que justificaria a apropriação dos créditos de PIS e COFINS. Salienta a Recorrente que a vedação do abatimento constante do artigo 3°, §7°, das Leis n°10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), não impacta às operações da empresa que é regida por legislação especifica, a Lei n° 10.485/02. Admitir o contrário, implica majoração da alíquota do PIS e COFINS, a qual só faz sentido se vier acompanhada de abatimentos legais ("créditos") que neutralizem o impacto econômico sofrido pelos contribuintes, sob pena de haver acréscimo de ônus tributário sem o correspondente aumento da capacidade contributiva. E conclui: Desta forma, não restam dúvidas de que a limitação ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em razão da incidência monofásica (entendimento da r. decisão recorrida), Fl. 904DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 5 4 em respeito a própria finalidade para que foram promulgadas, jamais poderia restringir o aproveitamento integral dos créditos. Assim, revelase inválida, além de incompatível com a técnica da não cumulatividade do PIS e da COFINS, a vedação aos créditos nessas circunstâncias, sob pena de implicar majoração da alíquota do PIS e da COFINS e inconstitucional imposição de um ônus fiscal ao contribuinte. No que se refere especificamente à glosa dos valores despendidos com frete, alega a ora Recorrente que (i) referidas despesas se incluem no conceito de insumos; (ii) que formulou Consulta à Administração Tributária com o objetivo de indagar a respeito da correta aplicação da legislação federal no tocante à apuração de créditos de PIS e de COFINS relacionados à contratação de serviços de transporte na aquisição dos insumos destinados ao seu processo produtivo (processo n° 13820.000524/200421), à qual lhe fora favorável, tendo reconhecido expressamente que o valor do frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda compõe o custo do bem, podendo, portanto, ser utilizado como crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos; (iii) que as consultas têm efeito vinculante em relação ao contribuinte e as autoridades fiscais, o que não fora observado no caso concreto, já que a fiscalização lhe aplicou entendimento contrário ao não acatar os créditos da contribuinte calculados sobre fretes. Por fim, alega que a não homologação das declarações de compensação não pode ser acompanhada de multa e de juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito no caso de apresentação de recurso administrativo. A DRJ em Recife julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexisten̂cia de direito creditório, o Pedido de Ressarcimento será indeferido e as Declarações de Compensação a ele vinculadas não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2° e 7° do art. 74 da Lei n° 9.430/96). COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão das refinarias e dos importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática nãocumulativa da Cofins pela Lei n° 10.865/2004 em nada alterou a situacã̧o dos distribuidores e varejistas, que continuaram tributados à aliquota zero, sem possibilidade de creditamento, seja relativa aos custos nas aquisicõ̧es dos produtos revendidos, seja referente aos custos, despesas e encargos de comercialização. Admitir o creditamento seria contrariar em sua essen̂cia a lógica Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 6 5 da tributação monofásica, além do que o art. 3°, I, "h" da Lei n° 10.833/2003, com a redação dada pela mesma Lei n° 10.865/2004, vedou expressamente a apuração de créditos sobre despesas de frete e de armazenagem incorridas na operacã̧o de revenda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gas liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. ART. 17 DA LEI N° 11.033/2004. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS ADMITIDOS PELA LEGISLAÇÃO. A disposicã̧o contida no art. 17 da Lei n° 11.033/2004 não criou qualquer direito à apuracã̧o de créditos da nãocumulatividade da Cofins, mas apenas explicitou a possibilidade da manutenção de créditos já admitidos quando da sua edição, não respaldando a apropriação dos legalmente vedados. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PRODUTOS TRIBUTADOS PELO IPI. COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. Somente são considerados estabelecimentos industriais aqueles que fabricam produtos tributados (art. 8° do RIPI/2010) e os combustíveis são imunes ao IPI (art. 155, §3°, da CF), portanto, os distribuidores de combustíveis que misturam o álcool anidro h gasolina "Tipo A", para a obtenção da gasolina "Tipo C", não são produtores. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. No ressarcimento não incidem juros compensatórios, por falta de previsão legal (art. 72, § 5º, I, da IN/RFB n° 900/08). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DILIGÊNCIAS. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realizacã̧o de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18 do Decreto n° 70.235/72) e, não sendo reconhecido, em tese, o direito pelo colegiado, descabe verificação de matéria de fato. Manifestacã̧o de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho, basicamente, repetindo as razões da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 7 6 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O relatório do Acórdão Recorrido (DRJ/REC) bem circunscreve a matéria controversa nos autos: 12. Delimitado, portanto, está o escopo da lide: a possibilidade ou não de creditamento das despesas (por óbvio, se devidamente comprovadas) com frete (na operação de venda) e armazenagem incorridas na distribuição de gasolinas e suas correntes, exceto_gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo — GLP derivado de petróleo e de gás natural. Para avaliar o direito ao crédito cumpre examinar o regime de tributação vigente para as receitas decorrentes da venda de combustíveis para averiguar a possibilidade de apropriação de créditos pela ora Recorrente. Pois bem, de início, a incidência de PIS/COFINS nas operações decorrentes da producã̧o e comercializaçaõ de combustíveis e derivados de petróleo foi disciplinada Lei nº 9.718/98, com regra de substituição tributária, elegendo as refinarias como substitutos tributários dos demais contribuintes integrantes da cadeia produtiva. Essa sistemtática foi alterada pela Lei nº 9.990/00, que alterou substancialmente o regime jurídico de apuração do PIS e da COFINS, introduzindo a regra de tributação concentrada nas refinarias de combustíves, com alíquota mais elevada. Complementando esse novo regramento, o art. 42, I da Medida Provisória n° 2.15835/2001, reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, óleo diesel e GLP auferida por distribuidores e comerciantes varejistas. Nesse cenário, as contribuições para o PIS/COFINS, antes apuradas e recolhidas sob a sistemática de substituição tributária para frente, passaram a adotar o regime de incidência concentrada, tendo as refinarias como únicas obrigadas ao recolhimento das exações em toda cadeia de produçaõ e comercializaçaõ dos combustíveis. Assim, como asseverado pela DRJ, as demais empresas que atuam na producã̧o e comércio de combustíveis, embora sofram com a carga econômica dos tributos, deixaram de ser contribuintes do PIS e COFINS incidentes sobre receitas desta natureza, perdendo a condição de sujeitos passivos das contribuições.(fls 930). A introdução da nãocumulatividade como novo regime de apuração e recolhimento de PIS/COFINS, implementada com a edição das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, a princípio, não alterou as regras para as receitas decorrentes da venda de combustíveis. Isso porque, essa duas leis excluíam do regime não cumulativo as receitas sujeitas à tributação monofásica. Todavia, em agosto de 2004, com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei n° 10.865/04 os produtos de que trata a Lei n° 9.990/00, a exceção do álcool para fins carburantes, passam a integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos. Noutro giro, a partir de agosto de 2004, as receitas da venda de combustíveis integram o regime não cumulativo de apuração e recolhimento de PIS/COFINS. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 8 7 Essa mudança de regime colocou no regime não cumulativo todas as receitas decorrentes da venda de combustíveis, sem fazer distinção sobre os sujeitos passivos, importador e industrial ou distribuidor revendedor. Não há como sustentar as razões do acórdão recorrido no sentido de que estarseia diante de tributação monofásica, concentrada na figura do distribuidor/importador uma vez que há incidência (sob alíquota zero) para os demais sujeitos da cadeia. Isso porque o art. 4º da Lei nº 9.718/98 ao estabelecer as alíquotas para os combustíveis não implementou regime monofásico, ao contrário, definiu alíquotas majoradas para as distribuidoras importadoras ao passo que o art. 42 da Medida Provisória nº 2.158/0135 definiu alíquota zero para os revendedores. Vejase a redação dos dispositivos: Lei nº 9.718/98 Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Medida Provisória nº 2.158/0135 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Nesse contexto, verificase que todas as receitas estão dentro do campo de incidência do PIS e da COFINS, e desde agosto de 2004 submetidas à sistemática não cumulativa. Aliás, essa é a interpretação vem sendo reconhecida por parte da Administração Federal como se vê da resposta às Consultas abaixo reproduzidas: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 351 de 28 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. CRÉDITOS POSSÍVEIS. INCIDÊNCIA PARCIAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. REVISÃO DO CÁLCULO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Na tributação pela sistemática não cumulativa da COFINS sobre a receita proveniente da revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, apesar da incidência de alíquota zero, podem ser Fl. 908DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 9 8 descontados créditos referentes aos incisos IV a IX da Lei nº 10.637/2002 e III a IX da Lei nº 10.833/2003 (energia elétrica, aluguel etc.), sendo vedado o desconto de créditos relativos a bens sujeitos à tributação monofásica adquiridos para revenda, a bens e serviços usados como insumo e à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A tributação da receita de venda de álcool para fins carburantes está obrigatoriamente sujeita à sistemática cumulativa, de modo que não é possível o desconto de créditos relativos a esta receita. O valor dos créditos, no caso de incidência parcial das receitas à cumulatividade e à nãocumulatividade, será determinado exclusivamente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita nãocumulativa e à parcela dos custos, despesas e encargos comuns, referentes à receita não cumulativa, determinada alternativamente pelo método da apropriação direta ou do rateio proporcional. O cálculo da contribuição poderá ser revisto pelo contribuinte através de retificação do DACON, com a compensação ou ressarcimento de eventual saldo credor, sem a incidência de juros e de correção monetária, por meio do programa PER/DCOMP, de acordo com a IN SRF nº 600/2005. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244 de 07 de Julho de 2010 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITOS. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS AO REGIME DE APURAÇÃO MONOFÁSICA. A pessoa jurídica revendedora dos produtos sujeitos à incidência monofásico não pode, por expressa vedação legal, apurar créditos sobre o custo de aquisição daqueles produtos adquiridos para revenda, nem tampouco sobre o custo de aquisição de bens e serviços supostamente por ela utilizados como “insumos” de sua atividade comercial e sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Por outro lado, a pessoa jurídica revendedora dos referidos produtos, submetida ao regime de apuração não cumulativa da contribuição, pode descontar créditos sobre os custos, despesas e encargos previstos nos incisos III, IV, V, VII, VIII e IX do “caput” do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Nos períodos de 1º de maio de 2008 a 23 de junho de 2008, e de 1º de abril de 2009 a 04 de junho de 2009, por força do art. 15 da Medida Provisória nº 413, de 2008 e do art. 9º da Medida Provisória nº 451, de 2008, os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos sujeitos ao regime de apuração monofásica estavam expressamente impedidos de descontar todos os créditos listados nos incisos do caput do referido art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, parece claro que a Recorrente tem suas receitas submetidas à tributação pela alíquota zero, fazendo jus ao direito creditório, que passo a examinar. Com efeito, após a edição das Leis nºs 10.485/02 e 10.637/03, sobreveio a Emenda Constitucional 42, de 19 de dezembro de 2003, que deu status constitucional à não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS, ao introduzir o § 12 no artigo 195 da Constituição Federal, determinando que “a lei definirá setores de atividade econômica para os quais as contribuições (...) serão não cumulativas.” Logo, nos termos da Constituição Federal, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS não é ampla e irrestrita, aplicável a todas as pessoas jurídicas, mas sim adstrita aos setores de atividade econômica definidos em lei. Assim, mesmo após a constitucionalização da nãocumulatividade das referidas contribuições, continuam vigentes outros regimes de apuração do PIS e da COFINS, Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 10 9 como o cumulativo (Lei 9.718/98). Não raro acontecer atualmente que uma única pessoa jurídica tenha suas receitas tributadas por mais de um regime, dependendo de cada atividade por ela desenvolvida, o que demonstra não ser plena e absoluta a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. É com escopo nessa não cumulatividade “mitigada” que as regras de apuração de crédito de PIS e COFINS, como definidos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, que prevê o direito de creditamento nas seguintes hipóteses: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A seu turno, a exceção prevista na alínea “b” acima mencionada tem a seguinte redação: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) X – no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo – GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004). Conjugando todas as normas que versam sobre a tributação das receitas de venda de combustível e suas correntes verificase que o direito ao crédito de PIS e COFINS vinculado a revenda de gasolina e suas correntes está restrito às importadoras e industriais desses produtos que têm autorização expressa do crédito. Para as distribuidoras e revendedoras desses produtos, não há que se falar em direito creditório nesse item. No entanto, como já exposto, o crédito que a Recorrente busca ver reconhecido referese em essência a gastos com fretes e armazenagem de combustiveis. Para esses gastos, há expressa permissão para a apropriação de crédito nos termos dos incisos III a X das Leis nºs 10.673/02 e 10.833/03. Reconhecido o direito de creditarse, aplicase ao caso o artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, assegurou o direito a manutenção do crédito nas operações em que venda é submetida à alíquota zero nos eguintes termos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 11 10 da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Sendo assim, ao que tudo indica, o artigo 17 da Lei 11.033/04 deve se aplicar para garantir o pleno cumprimento aos setores econômicos, ou melhor, às receitas sujeitas ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, nas hipóteses em que uma das etapas da cadeia de produção é desonerada das contribuições por meio de isenção, alíquota zero, não incidência ou suspensão. Entendido dessa forma, faz todo sentido o comando do referido artigo 17, que garante ao vendedor a manutenção dos créditos nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência do PIS e da COFINS. De fato, somente assim fica assegurada a plenitude do regime da nãocumulatividade, que não deve sofrer nenhuma restrição. Estabelecida estas premissas, passamos a verificar a possibilidade de a Recorrente se creditar dos valores relativos ao frete (insumos e produtos acabados) e à armazenagem. Antes, porém, analisaremos o conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Conceito de insumo Pois bem. A nãocumulatividade da COFINS foi instituída pela Lei nº 10.833/03, a qual permite o desconto de créditos sobre (i) bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e sobre (ii) custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Neste sentido, o artigo 3º, da Lei nº 10.833/03, estabelece que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Nos termos do referido dispositivo legal, o valor devido a título de COFINS será apurado pela aplicação da alíquota de 7,6% sobre a base de cálculo definida no artigo 1º, da Lei nº 10.833/03, e, do valor apurado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desse modo, é possível observar que o direito creditório do sujeito passivo surge com a aquisição de insumos que serão utilizados no desenvolvimento de sua atividade. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 12 11 Ao dispor sobre o conceito de insumo contemplado na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, Natanael Martins nos explica que ele “está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar um determinado serviço”. 1 De fato, a definição de insumo, para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, se relaciona com a ideia de relação intrínseca entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, os quais devem refletir, ainda que mediatamente, na receita/faturamento sobre o qual incidirá referidas contribuições. Neste contexto, sempre deverá ser considerado como o insumo o bem ou serviço que seja necessário ao desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica ou para a existência do processo produtivo ou do produto, ou ainda, que contribua para que estes (processo e produto) tenham determinadas características. Neste sentido, são os ensinamentos de Marco Aurélio Greco: Vale dizer, “utilizar como insumo” é extrair dos bens ou dos serviços todas as utilidades que lhes sejam próprias para o fim de fazer com que o processo produtivo ou o produto destinado a venda existam ou tenham as características almejadas. Vale dizer, fazer com que – no específico contexto da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte – processo e produto sejam o que são. (...) A análise feita leva a uma conclusão preliminar no sentido de deverse considerar “utilizados como insumo” para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais – o que abrange bens, serviços e utilidades deles decorrentes, ligados aos fatores de produção (capital e trabalho), adquiridos ou obtidos pelo contribuinte e onerados pelas contribuições – que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições.2 Tecidos esses comentários e tomando de empréstimo as terminologias utilizadas por esses autores, concluímos que para que um determinado bem ou serviço seja considerado como insumo, devese analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência “(em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências)”.3 Neste ponto, vale ressaltar que a definição do conceito de insumo proposta pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da 1 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In PIS COFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de Insumo à luz da legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário – RFDT. Julho/Agosto de 2008, v. 34, pp. 1620. 3 GRECO, Marco Aurélio. Op. cit. p. 17. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 13 12 COFINS, na sistemática não cumulativa, é manifestamente ilegal, na medida em que estabelece restrição não prescrita na lei. Eis sua formula textual: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 14 13 Como é possível perceber, a Receita Federal do Brasil pretendeu, com a promulgação da referida Instrução Normativa, limitar o alcance de legislação ordinária (Lei nº 10.833/08). Entretanto, por se tratar de veículo introdutor secundário, não se sustentam os comandos que são manifestamente contrários aos da norma de superior hierarquia que lhe empresta fundamento de validade (a lei). Ademais, ainda que fosse possível a alteração das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 por norma de inferior hierarquia, o que se admite apenas para argumentar, não se pode olvidar que a IN SRF nº 404/04, ao equiparar a definição de insumo para fins de não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, com o de insumo para fins de não cumulatividade de IPI e ICMS, incorreu em manifesto equívoco. De fato, a presente equiparação não tem qualquer sustentação jurídica, uma vez que a não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS não tem o mesmo perfil da empregada ao IPI e ao ICMS. Isso porque, no caso do IPI e do ICMS, o referencial para se analisar o conceito de insumo, é um objeto físico (produto). De forma diferente, no caso da COFINS, o referencial é a atividade e processo de produzir e fabricar, sendo que a partir dessa referência que se identificará quais os bens e serviços serão considerados insumos. Por outro lado, enquanto o IPI e ICMS incidem sobre o produto/mercadoria, a COFINS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, o que demonstra que o universo de elementos abrangidos pela nãocumulatividade de COFINS é mais amplo do que o de IPI/ICMS. Sobre a inaplicabilidade da Instrução Normativa SRF nº 404/04, face às diferenças existentes entre os insumos de COFINS e os insumos de IPI e ICMS, Ricardo Mariz de Oliveira ensina que: Com efeito, essa interpretação está assentada, ou ao menos influenciada determinantemente, pelo conceito de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI, e também de ICMS. Acontece que as leis destes dois impostos não admitem, como fazem as Leis nº 10.637 e 10.833, a dedução ou o crédito relativo a insumos em geral, pois restringem os créditos aos valores devidos na operação imediatamente anterior sobre apenas alguns tipos de insumos, que são exatamente as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Sem ser necessário adentrar em qualquer discussão relativa à extensão dos créditos de IPI e de ICMS, para se poder distingui los das deduções relativas a insumos para efeito de quantificação da COFINS e da contribuição ao PIS, basta ver que, quanto ao IPI, a redução dos créditos a apenas os três grupos de insumos deriva de expressa disposição da respectiva legislação, enquanto que no ICMS as leis que o regem têm disposições inteiramente diversas das contidas nas Leis nº 10.637 e 10.833. Além disso, em benefício da citada instrução normativa sequer existe uma disposição legal que diga que, para a identificação dos insumos que geram dedução da COFINS e da contribuição ao PIS, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como ocorre com o crédito presumido estabelecido pela Lei nº Fl. 914DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 15 14 9.363, de 13.12.1996, neste caso por força de expressa determinação do parágrafo único do art. 3º. Portanto, o que dizem as mencionadas instruções normativas quanto a que somente são insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, as embalagens e quaisquer outros bens que sofram alteração, carece inteiramente de base legal. Esse ato fazendário somente teria validade jurídica se a lei expressamente tivesse permitido a dedução exclusivamente quanto a matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros bens sob aquele requisito, em vez de autorizála abertamente sobre insumos destinados à produção de bens e serviços.4 Neste contexto, não resta dúvida de que a restrição estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 não encontra amparo legal, motivo pelo qual não poderá sequer ter seus dispositivos considerados pelo órgão julgador. No caso em análise, a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica à comercialização de combustíveis. Por outro lado, pretende ver reconhecido o direito ao crédito de COFINS relativo às despesas com fretes (insumos e revenda de produtos acabados) e armazenagem de combustíveis. Sendo essa a sua utilização, não há dúvida que tais serviços guardam inerência com a atividade desenvolvida pela empresa, na medida em que são efetivamente importantes para a sua produção, razão pela qual devem gerar direito ao crédito no caso concreto. No que toca especificamente ao frete, vale esclarecer que, do meu ponto de vista, não gera direito à crédito apenas aquele destiando à venda, nos termos expressamente autorizados pelo inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 e da Lei nº 10.637/02, mas também aquele dedicado à compra de insumos Isso porque, este último se insere no conceito serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a que se refere o art. 3º, II, das referidas leis. Como bem pontuado pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, ao proferir voto vencedor no Acórdão nº 3401002.075 (Processo nº 16366.003307/200738), o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 apenas ampliou o rol dos fretes que dão direito ao crédito, haja vista que o frete de insumos e produtos acabados (vendidos ou não) já estavam contemplados pelo inciso II. nas suas palavras: A norma introduzida pelo inc. IX, acima, segundo a qual a armazenagem e o frete contratados junto a pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base no inciso II (mais antigo, quando considerada a não cumulatividade do PIS, em vigor desde dezembro de 2002) os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e produtos acabados (vendidos ou não), já davam direito a crédito. 4 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Aspectos Relacionados à “Nãocumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. In PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 43/44. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 16 15 O que importa averiguar, a meu ver, é se o transporte é de insumos, de produtos acabados (não vendidos) ou de produtos já vendidos. Fosse transporte de imobilizado, de material de escritório ou de trabalhadores do setor administrativo, por exemplo, não devia ser admitido crédito. Mas, como informado no voto vencido, a situação destes autos é de insumos e produtos acabados. Em três momentos – um inicial, quando transportados insumos; outro intermediário, quando transportados produtos acabados, mas não vendidos; e um final, quando entregues produtos vendidos – o crédito deve ser concedido, seja pela norma extraída do inc. II (transporte entre os estabelecimentos da mesma empresa, inclusive antes de 1º fevereiro de 2004 na hipótese do PIS) ou pela do inc. IX (entrega dos produtos vendidos aos adquirentes, nesta hipótese a partir de 1º de fevereiro de 2004, já que introduzida norma específica com vigência a partir dessa data, a mesma que contemplou os custos com armazenagem). Por conta disso, entendo que o frete, seja na aquisição de insumos, seja na venda de produtos acabados, dá direito ao crédito de Contribuição ao PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por DAR TOTAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito relativo aos custos dos serviços de fretes prestados por pessoa jurídica situada no Brasil, relativos ao transporte de insumos e de venda de produtos acabados, bem assim o de armazenagem. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Apresento a seguir as razões porque decidi inaugurar a divergência em relação à decisão proposta pela i. Relatora do Processo. Em primeiro plano, fundamental que sejam enquadrados com clareza os gastos sobre os quais recai a controvérsia instaurada no presente litígio, uma vez que daí parte minha contrariedade ao entendimento e decisão que vinham se encaminhando. A esse respeito, conforme bem situado pela i. Relatora, cumpre esclarecer que o presente julgamento se circunscreve à possibilidade ou não de creditamento das despesas com frete (na operação de venda) e armazenagem incorridas na distribuiçaõ de gasolinas e suas correntes, exceto_gasolina de aviaçaõ, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo — GLP derivado de petróleo e de gás natural. Isso porque o direito ao crédito relativo às despesas com alugueis e despesas com depreciação foi reconhecido pela instancia recorrida. Definida a circunscrição do litígio, de grande importância definir que, a meu sentir, nenhuma razão existe para que se adentre a questão relacionada ao conceito válido de insumos para o Sistema Não Cumulativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 17 16 Digo isso por duas razões. Primeiro, como resta claro do disposto no artigo 3º das Leis 10.637/02 10.833/03, o direito de crédito vinculado às despesas com frete na venda e aluguel está especificado no inciso IX do artigo 3º, descolado, portanto, da previsão específica de crédito na aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, definido no inciso II deste mesmo artigo. De fato, não se identifica qualquer relação de interdependência entre um tipo de gasto e outro. Quero dizer, insumos, a despeito da polêmica que haja em torno da amplitude do conceito válido para a tal expressão, são insumos. Gastos com frete (na venda) e aluguel estão dentre os outros gastos para os quais admitese o crédito, não compreendidos no conceito de insumo. Segundo, uma vez aqui não se cogita de uma operação de produção que transborde o conceito de industrialização, o direito de crédito na aquisição de insumos destinados à produção ou fabricação de bens destinados a venda está necessariamente vinculado ao exercício de uma atividade que possa ser enquadrada nesse conceito (de industrialização). Na medida em que sejam os combustíveis imunes ao Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme limitação do poder de tributar especificada no art 155, § 3º, da Constituição Federal, tal operação não pode ser considerada uma operação de industrialização, por força do disposto no artigo 3º da Lei nº 4.502/64, in verbis. Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. (grifos acrescidos) Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) Quanto a isso, de extrema pertinência a menção feita nos autos no sentido de que, fosse reconhecida a atividade industrial da Recorrente, e necessariamente ela deveria ser submetida à tributação concentrada própria das refinarias, uma vez que essa deva ser aplicada à receita auferida pelos produtores. Como se vê, não tem cabimento a pretensão da Parte. Isto posto, necessário que o pleito seja analisada a partir da compreensão de que o que se discute nos autos é o direito de crédito em relação a outros gastos previstos no artigo 3º das Lei 10.637/02 e 10.833/03, que não compreendidos no conceito de insumo nem no conceito de bens adquiridos para revenda. Analisase, por conseguinte, o direito de creditar se dos gastos com frete na venda e aluguel para uma empresa que atua como distribuidora de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. A autorização legal para a apuração de créditos no cálculo das Contribuições com gastos dessa natureza encontrase descrita nas Leis supra citadas nos seguintes e precisos termos. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 18 17 (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O inciso IX do artigo 3º é o único que contém expressa restrição aos casos dos incisos I e II. É famoso o brocardo segundo o qual a lei não contem palavras inúteis. De fato, nenhum outro inciso do artigo 3º demonstrou a preocupação do legislador em determinar limite de alcance ao direito concedido, apenas o inciso IX. É preciso que se lhe atribua sentido. A esse respeito, entendo falha a interpretação de que tal restrição esteja destinada a coibir excessos cometidos pelo Fisco, garantindo a todos, comerciantes, industriais e prestadores de serviço, o direito ao crédito. Tal não resiste a mais perfunctória análise, já que nada de especial há em relação a esses gastos que lhes exigisse tratamento diferenciado em comparação com os demais. De fato, creio que a razão para tal distinção encontrase, exatamente, na coexistência de diversas exceções à regra geral de apuração pelo Sistema Não Cumulativo, que comportam restrições de crédito, como é, no caso concreto, incontroversa a proibição ao crédito na aquisição do produto destinado a venda pelas distribuidoras e varejistas. Assim, ao delimitar o crédito aos casos dos incisos I e II, o legislador, ainda que não tenha escolhido a melhor maneira, retirou desse universo as situações que tenham sido excluídas de um dos dois incisos, o que é justamente o caso em tela, já que os produtos referidos no § 1ª do artigo 2º das Leis sob escrutínio foram excepcionados do inciso I do artigo 3º. Observese o texto legal. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) (...) Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 19 18 previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) Converge com esse entendimento, pelo menos em parte, a Solução de Consulta nº 149 SRRF06/Disit, de 07 de dezembro de 2010, nos seguintes termos. O exame dos dispositivos legais transcritos no item anterior indica que, com relação a produtos sujeitos aos sistemas de tributação concentrada, quando adquiridos para revenda: a) vedase a apropriação de créditos referentes à aquisição dos referidos produtos (inc. I); b) vedase a apropriação dos créditos da Cofins referidos na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, caput, inc. IX, bem como dos créditos do PIS referidos na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, caput, inc. IX, c/c art. 15, inc. II. Com efeito, admitemse tais créditos apenas nas hipóteses dos incs. I e II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, sendo que nem o inc. I nem o inc. II se aplicam à situação sob análise (cf. item ‘a’ supra e item “d’ infra, respectivamente); (...) E não se diga que, se o legislador assim desejasse, o teria dito de outra forma. Nada há de claro na legislação sub examine. As disposições parecem vir mais de um confronto de ideias do que de uma iniciativa governamental de regulamentação do assunto. Com base nessas considerações, a conclusão a que chego é a de que a Recorrente não tem direito a creditarse dos valores gastos a título de armazenagem e frete na venda dos produtos que negocia. Quanto a isso, pertinente acrescentar que, embora não se esteja aqui tratando especificamente desse assunto, também não haveria direito ao crédito se os gastos com frete fossem entre estabelecimento ou na aquisição dos produtos. Em relação ao primeiro, porque o frete de produto acabado, não sujeito a novo processo de industrialização ou produção, não pode ser compreendido dentro do conceito de insumo, exatamente porque o produto já está acabado. Quanto ao segundo, uma vez que tal dispêndio se caracterize como custo de aquisição do produto em si5, não vejo como admitilo, uma vez que ele, o produto, esteja excluído da relação de gastos para os quais admitese o direito de crédito. 5 Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 20 19 Finalmente, concluo por acrescentar que, ainda que não tenham prosperado as tentativas do Poder Executivo de definir de forma taxativa a impossibilidade de aproveitamento do crédito nas operações de que aqui se trata, o fato é que nenhum sentido há para que se admita tal possibilidade. Como já bem delineado nos autos, a origem das normas que hoje regulam a tributação exigida nas operações de venda de gasolina e suas correntes (...) encontrase nas regras definidas pela Lei nº 9.718/98, que previa a substituição tributária para frente, sob responsabilidade das refinarias. O problema é que, como é cediço, neste tipo de operação, por princípio6 (ou regra constitucional) o substituído tem o direito de pleitear a restituição de valores que considere lhe sejam devidos, o que termina por trazer grandes obstáculos à eficiência e simplificação pretendidas pelo o sistema. Foi essa a razão para introdução do Sistema de Tributação concentrada, que se equivale a tributação monofásica, garantindo, contudo, em relação a essa, o direito a apuração de créditos pelo sujeito passivo onerado pela tributação. Em regimes dessa natureza, difícil encontrar sentido na outorga de direito de crédito para aquele que encontrase fora do alcance da exação. Isso seria uma espécie de concessão àquele que não é responsável por nenhuma contrapartida. De se acrescentar a esse respeito, que nada há de incompatível entre esse raciocínio e a autorização reconhecida pela Lei 11.003/04 às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. A uma, porque as Leis 10.637/02 e 10.833/03 nunca vedaram o direito de manutenção do crédito escriturado no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, razão pela qual o disposto na Lei 11.003/04 assume caráter meramente enunciativo. A duas, porque trata se de um direito de ampla aplicação em diversos segmentos de mercado desonerados das Contribuições, mas que não foram submetidos ao sistema de concentração de que aqui se trata. Sobre a inexistência do direito de crédito às empresas submetidas ao regime de tributação concentrada, vêm sendo tomadas diversas decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ. REsp 1265198 Ministra ELIANA CALMON PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE POR ESTA CORTE. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ALEGAÇÕES GENÉRICAS (SÚMULA 284/STF). PIS. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO LITERAL. APLICAÇÃO EXCLUSIVA AOS CONTRIBUINTES DO REPORTO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA EXTENSÃO AOS DEMAIS CONTRIBUINTES. 6 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Fl. 920DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 21 20 (...) 3. A Constituição Federal no art. 195, § 12, remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. 4. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. 5. As receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições para o PIS e à COFINS em regime de tributação monofásica, com alíquota concentrada na atividade de venda e alíquota zero na revenda, não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do regime de incidência nãocumulativo. (Precedente: REsp 1.267.003/RS). 6. Tratandose de tributo monofásico por expressa determinação legal, descabe falar em direito a creditamento, o qual pressupõe, fática e juridicamente, sobreposição de incidências tributárias, que não existe na espécie. (Precedentes: REsp 1.200.996/AL, REsp 1.380.915/SE e AgRg no REsp 1.239.794/SC). (...) REsp 1380915 Ministra ELIANA CALMON TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO LITERAL. APLICAÇÃO EXCLUSIVA AOS CONTRIBUINTES DO REPORTO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA EXTENSÃO AOS DEMAIS CONTRIBUINTES. 1. A Constituição Federal no art. 195, § 12, remeteu à lei a disciplina da não cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. 2. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. Precedentes. 3. Na chamada incidência monofásica aplicase uma alíquota concentrada para os fabricantes e importadores e alíquota zero para os demais integrantes da cadeia produtiva. 4. Tratandose de tributo monofásico por expressa determinação legal, descabe falar em direito a creditamento, o qual pressupõe, fática e juridicamente, sobreposição de incidências tributárias, que não existe na espécie. 5. Para a criação e extensão de benefício fiscal o sistema normativo exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) e veda interpretação extensiva (cf. art. 111 do CTN), de modo que benefício concedido aos contribuintes integrantes de regime especial de tributação (REPORTO) não se estende aos demais contribuintes do PIS e da COFINS sem lei que autorize. 6. Recurso especial não provido. AgRg no REsp 1206713 Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SÚMULA 284/STF. PIS E COFINS. COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. INVIABILIDADE. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13603.001644/200752 Acórdão n.º 3102002.156 S3C1T2 Fl. 22 21 1. É incontroverso que a Lei 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, onerando as refinarias. Por essa razão, as operações subseqüentes não são tributadas. 2. A agravante é distribuidora de combustíveis e defende que tem direito ao creditamento relativo a essas contribuições, por força das alterações promovidas pela Lei 10.865/2004. 3. Impossível entender, pela leitura das peças recursais, como a contribuinte pretende se creditar no regime monofásico ou como podem coexistir este regime em relação à refinaria e o plurifásico (com nãocumulatividade) para a distribuidora de combustível. Aplicase, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF. 4. Ademais, a jurisprudência pacífica do STJ reconhece a ilegitimidade ativa processual das distribuidoras por conta da incidência monofásica do PIS e da Cofins. Pela mesma razão, inviável o creditamento pretendido. 5. Agravo Regimental não provido. Por todas as razões expostas, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Sala de Sessões, 26 de fevereiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Redator Fl. 922DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10730.903122/2010-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 08/06/2005
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 08/06/2005 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 31 22 /2 01 0- 49 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903122/201049 Acórdão n.º 3801004.341 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903122/201049 Acórdão n.º 3801004.341 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903122/201049 Acórdão n.º 3801004.341 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.903122/201049 Acórdão n.º 3801004.341 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003569/2010-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/03/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/03/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 311 1 310 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.003569/201027 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.613 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria II/IPI/PISCOFINSIMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOC. BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/03/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/03/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 35 69 /2 01 0- 27 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003569/201027 Acórdão n.º 3803006.613 S3TE03 Fl. 312 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/03/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003569/201027 Acórdão n.º 3803006.613 S3TE03 Fl. 313 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003569/201027 Acórdão n.º 3803006.613 S3TE03 Fl. 314 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003569/201027 Acórdão n.º 3803006.613 S3TE03 Fl. 315 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.011186/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2201-000.048
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Conselheira Rayana Alves de Oliveira França
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior Presidente (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França – Relatora EDITADO EM: 28/07/2011 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. RELATÓRIO Tratase de auto de infração (fls. 05/07) lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigir crédito tributário de IRPF no montante total de R$ 753.053,40, calculado até 30/11/2006, originado da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no anocalendário de 2001, bem como o valor de R$900.000,00 declarados pelo contribuinte como isentos, sem que tenha sido devidamente comprovado. O contribuinte justifica esse último rendimento como direito que lhe fora transmitido por herança. Em breve síntese, afirma que recebeu por sucessão a propriedade da Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10580.011186/200604 Resolução n.º 220100.048 S2C2T1 Fl. 2 2 empresa SEPAL – Sociedade de Empreendimentos Pastoris e Agrícolas Ltda., a qual receberá através de acordo indenizatório, esse valor de R$900.000,00, em duas parcelas, a primeira em maio de 2003, no valor de R$400.000,00 e a outra em junho de 2003, no valor de R$500.000,00. Apresenta cópia dos processos judiciais de partilha e de execução de obrigação. O Relatório Fiscal (fls.08/10) , acompanhado do demonstrativo de depósito bancários de origem não comprovada, no total de R$313.828,10 (fls.11), descreve pormenorizadamente, os procedimentos de fiscalização e suas conclusões quanto a falta de comprovação do contribuinte em relação aos depósitos autuados. Cientificado do auto de infração em 23/12/2006 (“AR”fls.283), o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, às fls.292/344, acompanhada dos documentos de fls. 345/412. Após analisar a matéria, os Membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/SDR n° 1513.967, de 11/10/2007, através do qual acolhe a comprovação de R$56.613,75 dos depósitos de origem não identificada. Entretanto não acolhe os argumentos relativos ao rendimento no valor de R$900.000,00. Ao tomar ciência dessa decisão em 15/12/2007, (“AR” fls. 493) e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, na data de 15/01/2008, o Recurso Voluntário de fls. 496/544, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais das peças impugnatórias apresentadas. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 496 (última). É o relatório. VOTO Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Após o julgamento do processo em primeira instância, ocorrido em 11/10/2007 e antes mesmo da ciência dessa decisão, o contribuinte apresentou, na data de 29/10/2007, razões complementares, acostadas as fls.425/450, acompanhadas dos documentos de fls.452/483. Dentre os documentos apresentados constam: declarações bancárias, documento de transferência de veículos sem autenticação e cópia de livros contábeis. Por se tratar de nova prova, a qual deve ser conhecida em função dos princípios da ampla defesa, do contraditório e da busca da verdade material, e não tendo sido a mesma analisada pela autoridade fiscal de primeira instância, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscalizadora: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10580.011186/200604 Resolução n.º 220100.048 S2C2T1 Fl. 3 3 1. examine os documentos de fls. 452/483, em conjunto com as razões completares apresentadas pelo contribuinte, às fls.425/450; 2. ateste a autenticidade e boa forma dos livros contábeis da pessoa jurídica ECIL Eng. Construções e Incorporações Ltda., especialmente quanto aos lançamentos constantes das cópias de fls. 470/483; 3. Por fim, formule parecer conclusivo sobre a documentação e fatos pertinentes ao deslinde desta questão; 4. Após, conceda prazo de 20 (dez) dias ao contribuinte, para querendo, se manifestar. Por fim, retornem os autos a esse Conselho para Julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França – Relatora Diante do exposto, submeto a presente resolução à consideração da Presidência da Câmara. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Despacho: Concordo como o posicionamento esposado pela Ilustre Conselheira Rayana Alves de Oliveira França na resolução acima, que adoto. Converto, portanto, o presente julgamento em diligência. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente da 2ª Câmara da 2ª Sessão de Julgamento do CARF Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI
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Numero do processo: 10540.000668/2004-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2000
INCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO NO PAES. POSSIBILIDADE.
Mesmo estando sob procedimento fiscal era admitido aos contribuintes a inclusão dos débitos correspondentes ao período fiscalizado no PAES. É incabível a inclusão posterior sob o argumento da demora da conclusão da ação fiscalizatória.
MULTA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO.
A aplicação do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN com o fim de afastar a aplicação da multa de ofício, somente é possível antes do início do procedimento fiscal e tendo sido efetuado o pagamento dos débitos confessados em declaração prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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POSSIBILIDADE. Mesmo estando sob procedimento fiscal era admitido aos contribuintes a inclusão dos débitos correspondentes ao período fiscalizado no PAES. É incabível a inclusão posterior sob o argumento da demora da conclusão da ação fiscalizatória. MULTA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. A aplicação do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN com o fim de afastar a aplicação da multa de ofício, somente é possível antes do início do procedimento fiscal e tendo sido efetuado o pagamento dos débitos confessados em declaração prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 06 68 /2 00 4- 35 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 275 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 276 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos, adoto o relatório elaborado pela 4ª Turma da DRJ/Salvador, abaixo transcrito: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de fls. 08/18 e 145/155, que exige o recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins no valor R$ R$ 29.220,17 (vinte e nove mil, duzentos e vinte reais e dezessete centavos) e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 6.323,55 (seis mil, trezentos e vinte e três reais e cinqüenta e cinco centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, relativa aos períodos de apuração acima mencionados, conforme demonstrativos de fls. 15/18 e 152/155, tendo como fundamento legal os dispositivos mencionados às fls. 14,17, 151 e 155. O autuante informa com relação a Cofins e ao PIS, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 09/13 e 146/150, em extenso arrazoado, em que termos ocorreram às autuações. Regularmente cientificada a contribuinte apresentou impugnação de fls. 88/97 e 228/239, cujo teor é sintetizado a seguir. · inicialmente, após fazer menção a tempestividade de suas impugnações, e transcrever trecho da descrição dos fatos e enquadramento legal que serviu, dentre outros, de base para a autuação, passa a discorrer sobre o que seja obrigação tributária principal e acessória, citando para isso o art. 113, do CTN, bem como doutrina; · afirma, assim, que cumpriu a obrigação acessória, ou seja, tempestivamente apresentou as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, com dados extraídos a partir de sua contabilidade, que inclusive serviu de base para a lavratura do AI ora impugnado; · quanto à obrigação principal, diz que esta não foi cumprida uma vez que os valores declarados e confessados não foram recolhidos nos seus respectivos vencimentos; mas que, no entanto, cumpriu a obrigação acessória de fazer, ou seja, entregou as DIPJ no prazo previsto pela legislação tributária, satisfazendo, desse modo, a exigência constante do § 2º, do art. 113, do CTN; · que, as DIPJ entregues em 29/06/2000 e 28/06/2001, não só atende o disposto no CTN e legislação correlata, como também confessa mensalmente os seus débitos para com a Secretaria da Receita Federal a título de Cofins, bem como de que deve para o Erário Público o valor de R$ 8.102,59 a título de PIS; ressalta que o relatório “Apuração de Débito” elaborado pelos autuantes, que serviu de base para a lavratura do AI, encapando, textualmente, as contribuições mencionadas (Cofins e PIS), não deixa dúvida em relação à confissão das mesmas, desde a data de entrega das citadas DIPJ; · que, no entanto, os autuantes tentaram descaracterizar as DIPJ entregues, retirandolhes o inconteste caráter confessatório do débito declarado, objetivando, com isso, lhe excluir dos benefícios fiscais previsto na legislação Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 277 4 aplicável, mormente, aqueles relativos ao parcelamento de débitos tributários; diz, ainda, após citar doutrina, que os autuantes dividiram a confissão de débito feita através das DIPJ, aproveitando a parte que lhes favorecia e repelindo a parte desfavorável; · aduz que os autuantes atropelaram a regra inserta na legislação aplicável para obter vantagem, agindo assim na contramão da mais balizada doutrina e que, como conseqüência, feriu de morte o seu direito líquido e certo; continua citando doutrina e diz que, ao apresentar as DIPJ, confessou por escrito o valor do débito junto a Fazenda Pública; que, portanto, outro entendimento não poderá ser dado a sua expressão de verdade, muito menos fazer uso dela para lavratura de auto de infração; · frisa, ainda, que a confissão de débitos inserta nas DIPJ, foi feita antes da instauração de qualquer procedimento fiscalizatório tendo, portanto, eficácia plena para o fim colimado; que, em assim sendo, faz jus aos benefícios previstos na Lei nº 10.684, de 30/05/2003; · diz, ainda, após transcrever dispositivos da mencionada lei, bem como da Portaria Conjunta PGFM/SRF nº 3 de 01/09/2003, que foi editada para dar cumprimento a referida norma, que tendo certeza da inadimplência do seu débito confessado junto a SRF, através das DIPJ citadas e, não tendo condições financeiras de quitar os referidos débitos de uma só vez, ingressou, tempestivamente, em 01/07/2003, com Pedido de Parcelamento Especial –PAES, estribada na legislação mencionada, consoante comprova o documento incluso (cópia, fl. 105); · que, no presente caso, não se cogita desta ou daquela declaração, mesmo porque a legislação atinente à espécie não menciona o tipo de declaração a ser feita para confissão do débito, e que, não poderia ser de outra forma, posto que, se assim o fosse estariam fora do benefício os contribuintes optantes pelo Simples; que, confissão, como já dito, é qualquer declaração escrita feita pelo confidente à parte ou a quem represente que, neste caso, sua confissão beneficia a SRF, a qual deve ser recebida de forma integral como expressão máxima da verdade, não podendo ser fracionada ou dividida como quer os autuantes; · aduz que os poderes dos autuantes são vinculados ou regrados, ou seja, os seus atos terão que estar rigorosamente dentro do que determina a lei, caso contrário, é ato nulo; diz ainda, após citar doutrina, que os autuantes não podem dar a lei interpretação extensiva, em obediência aos princípios da legalidade e da segurança jurídica (art. 37 da CF, de 1988); que, ademais, a possibilidade de se verificar a realidade dos fatos, e não um simples indício de ilegalidade, se baseia num dos princípios basilares do processo administrativo, ou seja, o princípio da verdade real; · conclui, após transcrever a definição de princípio da verdade real por Júlio F. Mirabete, muito em voga no Direito Processual Penal, que a Fazenda Pública não lhe pode condenar, sem antes que se faça extrair a verdade real dos fatos ocorridos no período fiscalizado; · requer ao final, em síntese, que: a) seja admitida a sua impugnação por tempestivas; b) seja deferida a inclusão no PAES de todos os seus débitos confessados e inclusos indevidamente nos autos de infração ora impugnados; c) o cancelamento da multa de ofício aplicada em razão da confissão de seus débitos e tendo em vista o caráter da denuncia espontânea, prevista no art. 138, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 278 5 do CTN; d) seja julgado totalmente improcedente os AI, face os motivos já expostos; e) seja admitido no curso destes processos o aditamento de novas razões, bem como a inclusão de provas complementares. Em face dos despachos de fls. 137 e 243, os processo vieram a esta DRJ/SDR, para julgamento. Ao analisar referida impugnação a 4ª Turma da DRJ/Salvador proferiu o Acórdão nº 1512.335, de 20/03/2007, assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2000 VALORES DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF, apresentada antes do início da ação fiscal, dispensam o lançamento de ofício. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO A constatação da infração fiscal enseja o lançamento de ofício para a formalização de sua exigência, além da aplicação da respectiva multa, conforme determina a legislação tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2000 VALORES DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO Apenas os débitos declarados pelo contribuinte em DCTF, apresentada antes do início da ação fiscal, dispensam o lançamento de ofício. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO A constatação da infração fiscal enseja o lançamento de ofício para a formalização de sua exigência, além da aplicação da respectiva multa, conforme determina a legislação tributária. Lançamento Procedente. Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário em que traz os mesmos argumentos oferecidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 279 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Da análise do presente processo concluise que os valores lançados, no que diz respeito a base de cálculo, não são objetos de controvérsia. O contribuinte informa que formalizou o seu pedido de parcelamento especial – PAES, em 01/07/2003, portanto antes da lavratura do auto de infração, em 16/07/2004, sendo que seus débitos já haviam sido declarados em DIPJ, portanto já confessados, sendo incabível a lavratura do auto de infração e a aplicação da multa de ofício em face da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. De fato os valores apurados e lançados pela fiscalização foram retirados das DIPJ, conforme pode se extrair dos seguintes trechos da descrição de fatos do auto de infração: (...) Tendo em vista a não apresentação pelo contribuinte de sua escrituração comercial e fiscal, mesmo transcorrido mais de um ano e apesar de todas as oportunidades que lhe foram dadas, esta fiscalização efetuou o cálculo da COFINS através dos elementos componentes da Base de Cálculo constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ. Durante os procedimentos de Auditoria Fiscal, esta fiscalização efetuou o cálculo da COFINS através da RECEITA BRUTA CONHECIDA informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ apresentada pelo contribuinte. De posse dos valores das receitas mensais constantes da referida declaração, foram apurados os seguintes resultados discriminados abaixo por anocalendário: (...) Esta transcrição é originária do auto de infração da Cofins, porém ressalto que ela consta, nos mesmos termos, do auto de infração da contribuição ao PIS. O recorrente argumenta que deve ser aceita a inclusão dos débitos no PAES, pois a fiscalização a que foi submetida demorou mais de um ano e que ele não poderia ficar a mercê “eterna” dos fiscais autuantes. Não vejo razão ao recorrente. Inicialmente é fácil notar que a fiscalização foi mais demorada em razão do próprio contribuinte que afirmou que seus documentos e livros contábeis e fiscais do período fiscalizado foram extraviados e que não conseguiu refazer a sua escrituração fiscal. Depois, mesmo que a ação fiscal tenha sido demorada, era possível a inclusão dos débitos do período fiscalizado no PAES. A legislação do PAES permitia que isto fosse efetuado. Veja o que dispunha o art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3, de 1/9/2003: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 280 7 Art. 1º Fica instituída declaração Declaração Paes a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com a finalidade de: I confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados à SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração específica; II confessar débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem assim, prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; III prestar informações relativas aos débitos e aos respectivos processos administrativos, em relação aos quais houve desistência do litígio; IV confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração específica. Resta evidente que o contribuinte poderia ter incluído os débitos objetos do presente processo no PAES, porém não tomou esta providência. Conforme espelho de sua declaração ao PAES, fls. 252/254, foram informados débitos de PIS e Cofins relativos aos fatos geradores de 03/1997 a 12/1998. Deixou de incluir os fatos geradores objetos do presente processo, 01/1999 a 03/2000. Portanto, não houve qualquer impedimento para inclusão dos referidos débitos no PAES. O recorrente solicita o afastamento da multa de ofício de 75% pois estaria amparado pelo instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Sustenta seu argumento em face de ter cumprido com a obrigação acessória de ter declarado os valores devidos na sua DIPJ. Assim dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 281 8 (...) No presente caso é incontroverso que não houve o pagamento dos tributos. Sendo assim perfeitamente aplicável o inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. Se o contribuinte tivesse declarado estes débitos em sua DCTF, não haveria necessidade da fiscalização efetuar o lançamento de ofício previsto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e, por conseqüência, não haveria a exigência da multa de ofício. Isto porque o instrumento normativo que criou a DCTF, IN SRF nº 126/1998, estabeleceu que os débitos nela declarados constituíam confissão de dívida, portanto exigíveis desde o momento de sua entrega. O mesmo não se dá com a DIPJ que foi criada como mero instrumento informativo, por meio da IN SRF nº 127/1998. A defesa invoca a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, para que fosse afastada a exigência da multa de ofício. Vejamos o que dispõe o art. 138: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Os valores devidos foram informados nas DIPJ, porém sem se fazer acompanhar dos pagamentos correspondentes. Portanto, corretamente aplicada a multa de ofício ao presente lançamento. Neste mesmo sentido transcrevo abaixo a Súmula nº 360 do STJ: Súmula STJ nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10540.000668/200435 Acórdão n.º 3301002.234 S3C3T1 Fl. 282 9 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10680.009276/2007-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 20/06/2003
NORMAS GERAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzalez Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzalez Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 92 76 /2 00 7- 80 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 9202003.405 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0325, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0314, que decidiu dar provimento parcial a recurso do sujeito passivo, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2003 RECOLHIMENTO PARCIAL. PARTE PATRONAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Nos termos do artigo 12, inciso V, letra “g”, da Lei 8.212/91, sã o segurados obrigatórios da Previdência Social, como contribuinte individual, quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. A empresa é obrigada a contribuir sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuinte individuais que lhe prestem serviços. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) e m manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa do presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se ma is benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos o voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Marcelo Oliveira. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Em síntese, o cerne da discussão é a forma de aplicação da regra da retroatividde benéfica, expressa no Art. 106 do CTN. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há decisões divergentes sobre o assunto e que o acórdão recorrido está equivocado, na forma de aplicação da retroatividade benéfica, expressa no Art. 106 do CTN. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo – apesar de devidamente intimado – não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 9202003.405 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a questão sobre qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos, também, que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 571DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 572DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 9202003.405 CSRFT2 Fl. 5 7 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação Fl. 574DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.009276/200780 Acórdão n.º 9202003.405 CSRFT2 Fl. 6 9 acessória e principal), com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória e principal). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas e dou provimento ao recurso, nos termos solicitado. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 575DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10850.907778/2011-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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(Incorporadora de GREEN VEÍCULOS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 78 /2 01 1- 55 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907778/201155 Acórdão n.º 3803006.530 S3TE03 Fl. 142 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 15 de abril de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração maio de 1999, no valor de R$ 153,70. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do comprovante de arrecadação, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/05/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907778/201155 Acórdão n.º 3803006.530 S3TE03 Fl. 143 3 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/05/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 19 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907778/201155 Acórdão n.º 3803006.530 S3TE03 Fl. 144 4 Em 13/01/2014, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.909886/201162, contendo a declaração de compensação do crédito controvertido nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que o despacho decisório fora prolatado em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Veículos Comércio e Importação Ltda., incorporada por Pará Automóveis Ltda., foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907778/201155 Acórdão n.º 3803006.530 S3TE03 Fl. 145 5 hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos, além de cópia do balancete, cópia do livro Diário, sendo que, compulsando os autos, se verifica que tal afirmativa não se confirma, pois somente a cópia do balancete foi juntada à peça recursal interposta em primeira instância. A par da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópia de parte do livro Razão, porém, conforme se dera em relação ao balancete, restrito às informações relativas às receitas financeiras, não se identificando o faturamento, dado esse imprescindível à apuração da contribuição efetivamente devida no período. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907778/201155 Acórdão n.º 3803006.530 S3TE03 Fl. 146 6 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte no momento da Manifestação de Inconformidade não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois a parte do livro Razão apresentada também se restringiu às receitas financeiras, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essa constatação, por si só, já impede que se acate o pedido do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999), à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907778/201155 Acórdão n.º 3803006.530 S3TE03 Fl. 147 7 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que o documento então acrescentado não foi apto a suprir a falha de instrução do processo que já havia sido detectada na primeira instância. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.722264/2011-76
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física, referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da glosa de despesas médicas, tendo em vista que a prestação dos serviços consubstanciados no recibos emitidos por Griziele Cristina Gontijo, no valor de R$8.500,00, não foi corroborada pela profissional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 22 64 /2 01 1- 76 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.722264/201176 Acórdão n.º 2801003.886 S2TE01 Fl. 203 2 A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação do Contribuinte, conforme Acórdão de fls. 168/1753, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 19/03/2012 (fl. 180), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 183/191, em 19/04/2012. Em sua defesa, alega que recurso é tempestivo, eis que foi intimado para pagamento do crédito em 20/03;2012. Pretende seja julgado inexigível o crédito tributário lançado através da referida autuação, seja quanto ao imposto em si, seja no que tange à multa e os juros de mora, que como meros acessórios devem seguir a mesma sorte do principal no qual se fundamentam. Requer que se conheça do montante depositado em juízo, a fim de extinguir o crédito tributado constituído, pelo pagamento, liberando o mesmo, com fundamento no art. 156, parágrafo primeiro, CTN, não havendo o que se falar em pagamento do total da multa, uma vez que, suspenso o crédito tributário, o valor do desconto de 50% para pagamento é tempestivo, estando a obrigação completamente quitada, sem a incidência de quaisquer acréscimos. Solicita seja promovido o levantamento dos valores depositados a título de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ora pelo RECORRENTE havendo o cancelamento do débito fiscal, ora pela RECORRIDA extinguindose o crédito tributário pelo pagamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Inicialmente, cabe examinar a tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.722264/201176 Acórdão n.º 2801003.886 S2TE01 Fl. 204 3 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Compulsandose os autos, verificase que o Aviso de Recebimento – AR da decisão da DRJ/BSA/DF, por meio do qual o Recorrente foi intimado do acórdão recorrido, foi recebido em 19/03/2012, quinta feira (fl. 180). Assim, o Contribuinte poderia apresentar o recurso até 18/04/2012, quarta feira, entretanto só o fez em 19/04/2012, quinta feira, conforme comprova chancela de recebimento de recurso de fl.183. Registrese que a Repartição Preparadora inclusive chegou a lavrar Termo de Perempção, à fl. 182. Ademais a Súmula CARF nº 9, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confronta com as pretensões do Recorrente, a saber: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.722264/201176 Acórdão n.º 2801003.886 S2TE01 Fl. 205 4 Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005503/2003-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
Em se tratando de perdas no recebimento de créditos, o fato de o sujeito passivo apresentar a documentação, que amparou a dedução como despesa, dá o devido respaldo ao lançamento contábil, razão pela qual a glosa, que foi, devidamente, comprovada, deve ser restabelecida e por via conseqüência, os valores comprovados devem ser excluídos da base de cálculo do imposto.
IRPJ. ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO.Se o sujeito passivo deixa de apresentar comprovação exigida pelo Fisco, e somente em sede de julgamento estes elementos demonstram que houve postergação do pagamento de tributos, é possível reconhecer seus efeitos mediante ajustes ao crédito tributário lançado.
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. BENEFÍCIO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. DESCARACTERIZAÇÃO. Não subsiste o lançamento se a autoridade fiscal deixa de demonstrar porque a subvenção recebida não se caracterizaria como destinada a investimento.
LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO SUDAM.
O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, com base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição do lucro da exploração pela superveniência de lançamento de ofício, seja em relação à omissão de receitas ou então pela glosa de despesas indedutíveis.
OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAL. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. Não são dedutíveis, segundo o regime de competência, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de recurso administrativo.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Numero da decisão: 1101-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) Relativamente à tributação de subvenções (item 4), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) relativamente à glosa de abatimentos e descontos incondicionais (item 1), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) relativamente às adições não computadas na apuração do lucro real (item 6), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 4) relativamente à glosa de perdas no recebimento de créditos (item 3), por maioria de votos foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 5) relativamente à glosa de compensação de prejuízos (item 5), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 6) relativamente à dedutibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS (item 7), por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 7) relativamente à recomposição do lucro da exploração (item 8), por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente às antecipações de IRPJ (item 9), por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos temas em que o Conselheiro Relator foi vencido, que também fará declaração de voto. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Natanael Martins (OAB/SP nº 60.723). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Em se tratando de perdas no recebimento de créditos, o fato de o sujeito passivo apresentar a documentação, que amparou a dedução como despesa, dá o devido respaldo ao lançamento contábil, razão pela qual a glosa, que foi, devidamente, comprovada, deve ser restabelecida e por via conseqüência, os valores comprovados devem ser excluídos da base de cálculo do imposto. IRPJ. ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO.Se o sujeito passivo deixa de apresentar comprovação exigida pelo Fisco, e somente em sede de julgamento estes elementos demonstram que houve postergação do pagamento de tributos, é possível reconhecer seus efeitos mediante ajustes ao crédito tributário lançado. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. BENEFÍCIO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. DESCARACTERIZAÇÃO. Não subsiste o lançamento se a autoridade fiscal deixa de demonstrar porque a subvenção recebida não se caracterizaria como destinada a investimento. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO SUDAM. O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, com base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição do lucro da exploração pela superveniência de lançamento de ofício, seja em relação à omissão de receitas ou então pela glosa de despesas indedutíveis. OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAL. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. Não são dedutíveis, segundo o regime de competência, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de recurso administrativo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) Relativamente à tributação de subvenções (item 4), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) relativamente à glosa de abatimentos e descontos incondicionais (item 1), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) relativamente às adições não computadas na apuração do lucro real (item 6), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 4) relativamente à glosa de perdas no recebimento de créditos (item 3), por maioria de votos foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 5) relativamente à glosa de compensação de prejuízos (item 5), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 6) relativamente à dedutibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS (item 7), por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 7) relativamente à recomposição do lucro da exploração (item 8), por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente às antecipações de IRPJ (item 9), por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos temas em que o Conselheiro Relator foi vencido, que também fará declaração de voto. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Natanael Martins (OAB/SP nº 60.723). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
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Em se tratando de perdas no recebimento de créditos, o fato de o sujeito passivo apresentar a documentação, que amparou a dedução como despesa, dá o devido respaldo ao lançamento contábil, razão pela qual a glosa, que foi, devidamente, comprovada, deve ser restabelecida e por via conseqüência, os valores comprovados devem ser excluídos da base de cálculo do imposto. IRPJ. ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO.Se o sujeito passivo deixa de apresentar comprovação exigida pelo Fisco, e somente em sede de julgamento estes elementos demonstram que houve postergação do pagamento de tributos, é possível reconhecer seus efeitos mediante ajustes ao crédito tributário lançado. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. BENEFÍCIO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. DESCARACTERIZAÇÃO. Não subsiste o lançamento se a autoridade fiscal deixa de demonstrar porque a subvenção recebida não se caracterizaria como destinada a investimento. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO SUDAM. O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, com base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição do lucro da exploração pela superveniência de lançamento de ofício, seja em relação à omissão de receitas ou então pela glosa de despesas indedutíveis. OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAL. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 55 03 /2 00 3- 57 Fl. 7412DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.148 2 Não são dedutíveis, segundo o regime de competência, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de recurso administrativo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) Relativamente à tributação de subvenções (item 4), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) relativamente à glosa de abatimentos e descontos incondicionais (item 1), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) relativamente às adições não computadas na apuração do lucro real (item 6), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 4) relativamente à glosa de perdas no recebimento de créditos (item 3), por maioria de votos foi DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 5) relativamente à glosa de compensação de prejuízos (item 5), por unanimidade de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 6) relativamente à dedutibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS (item 7), por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 7) relativamente à recomposição do lucro da exploração (item 8), por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente às antecipações de IRPJ (item 9), por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos temas em que o Conselheiro Relator foi vencido, que também fará declaração de voto. Fez sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Natanael Martins (OAB/SP nº 60.723). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE – Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 7413DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.149 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 7414DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.150 4 Relatório CCE DA AMAZÔNIA S/A (atual CEMAZ INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA S/A), contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 04.169.843/000177, com domicílio fiscal na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, à Avenida Buriti, nº 1200 Bairro Distrito Industrial, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus AM, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 3575/3592, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 3596/3640. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus AM, em 18/09/2003, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ; Programa de Integração Social – PIS; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 3416/3456), com ciência pessoal, em 17/10/2003 (fls. 3417), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 63.909.605,00 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao período relativo aos exercícios de 1999 a 2002, correspondente aos anoscalendário de 1998 a 2001, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE RECEITAS – ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS: Falta de comprovação da concessão de descontos incondicionais. Infração capitulada nos arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 275, 278, 279, 280 e 288, do RIR/99. 2 – OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇA DE ESTOQUES: Omissão de Receita Operacional caracterizada por diferenças de estoque. Infração capitulada nos arts. 249, inciso II, 251, 261, 279, 286, 288 e 289, do RIR/99. 3 – PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS: Não atendimento das condições estabelecidas no art. 340 do RIR/99 (art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996). Infração capitulada nos arts. 249, inciso I, 251 e 340, do RIR/99. 4 – SUBVENÇÕES OMISSÕES: Omissão de subvenções correntes para custeio ou operações recebidas no período, caracterizada pelo não oferecimento à tributação das receitas decorrentes de incentivos fiscais de restituição do ICMS. Infração capitulada nos arts. 251, § único, 277 e 392, do RIR/99. 5 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES: Compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o levantamento das infrações Fl. 7415DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.151 5 constatadas nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, através deste Auto de Infração. Os saldos de prejuízos fiscais ajustados estão demonstrados nos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais anexos. Infração capitulada nos arts. 247, 250, inciso III, 251, 509 e 510, do RIR/99. 6 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: Infração capitulada nos arts. 247, 248, 249, 251, 275, 278, 279 e 280, do RIR/99. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3457/3465). Em sua peça impugnatória de fls. 3531/3551, instruída pelos documentos de fls. 3552/3559, apresentada, tempestivamente, em 28/11/2003, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que quanto a dedutibilidade dos demais tributos da base de cálculo do IRPJ é de se dizer que preliminarmente, vale ressalvar que ao final da ação de fiscalização, além do lançamento IRPJ, o Auditor Fiscal também reclamou o recolhimento da CSLL, do PIS, e da COFINS. No entanto, deixou de deduzir as despesas do PIS e da COFINS do Lucro Real nos períodos fiscalizados; que como é notório, tais contribuições sobre o faturamento são dedutíveis na apuração do Lucro Real, logo, lançamento de ofício concomitante, como neste caso, deveria ter deduzido tais valores de PIS e COFINS, sob pena de ter majorado indevidamente a base de cálculo do IRPJ; que quanto ao lucro da exploração é de se dizer que a impugnante é beneficiária do incentivo fiscal do Lucro da Exploração, consoante facilmente se constata em suas DIRPJ (Doc. 04). Todavia, na quantificação do "quantum" devido, a Fiscalização não recompôs o Lucro da Exploração, o que reduziria, se não anularia por completo, o IRPJ lançado; que quanto créditos de antecipação de imposto é de se dizer que, como ressaltado anteriormente, a Fiscalização se restringiu apenas ao ajuste da base de cálculo do IRPJ, não procedendo qualquer ajuste na apuração do imposto. Dessa forma, além da dedução do Lucro da Exploração, deixou também de efetuar a compensação do Imposto de Renda antecipado durante os exercícios nos seguintes períodos: anocalendário 2001, 2º, 3º e 4º Trimestres do anocalendário 2001, e 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres do anocalendário de 1999; que quanto dedutibilidade dos demais tributos da base de cálculo da CSLL é de se dizer que frisese, ainda que o Auditor fiscal também deixou de considerar, no lançamento da CSLL, as necessárias exclusões de sua base de cálculo, especialmente em relação aos valores lançados a título de PIS e COFINS, majorando indevidamente a contribuição exigida; que quanto omissão de receitas abatimentos e descontos incondicionais não comprovados no que diz respeito a lançamento referente a mero estorno é de se dizer que antes de adentrar ao mérito da discussão da suposta omissão de receitas, cabe, preliminarmente, dirimir um equívoco cometido pela Fiscalização, ao buscar determinar a base Fl. 7416DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.152 6 para o ajuste do Lucro Real, que aumentou consideravelmente o reclamado imposto. Ocorre que, ao elaborar a planilha apresentada no Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização não observou o histórico do lançamento relativo a 24/04/2001: "EST. LCTO INDEVIDO"; que nesse caso, como a própria rubrica indica, houve mero ajuste contábil por erro na realização de lançamento. Como se verifica no razão anexado (doc. 05), por um lapso, havia sido registrado um lançamento de estorno de ICMS nessa conta. Assim quando esse erro foi identificado, foi necessário um novo lançamento de estorno para ajustálo; que no que diz respeito a Despesas de propaganda Remessas Livres de Pagamento é de se dizer que deve ser esclarecido, desde logo, que em relação às citadas despesas de propaganda, além do valor lançado em 20/05/99 (R$ 1.044.788,52), existe ainda outro valor registrado em 30/12/1998 (R$ 2.131.241,64) da mesma natureza. Em verdade, tais valores não são, propriamente de propaganda. São, de fato, descontos incondicionais dados aos clientes da Impugnante por meio de bonificações em mercadorias. Tais bonificações também são chamadas "Simples Remessa Livre de Pagamento". Oportuno ressaltar que, apesar das respectivas Notas Fiscais ainda não terem sido localizadas, a Impugnante está envidando esforços para fornecer tal documentação que, tãologo seja localizada, será juntada aos autos; que no que diz respeito a Vendas canceladas é de se dizer que quanto às operações de 31/10/1999 (R$ 1.515.000,00, R$ 1.010.000,00, R$ 6.986.700,00), 31/01/2000 (R$ 3.820.480,00) e 31/07/2000 (R$ 1.250.000,00, R$ 700.000,00), devese esclarecer que se trata, na verdade, de vendas canceladas e não de descontos incondicionais. Ocorre que, por equívoco, havia sido emitidas Notas Fiscais de venda para sua coligada (CCE Indústria) que jamais se realizaram. Tanto isso é verdade que referidos produtos jamais saíram do estoque da Impugnante, conforme se comprova pelos documentos anexos (Doc. 06); que só depois foi verificado esse equívoco. Prontamente então a Impugnante providenciou o cancelamento dessas vendas. Por um lapso, no entanto, tal cancelamento foi lançado na rubrica contábil "Descontos Incondicionais" ao invés de "Vendas Canceladas". O erro no lançamento de cancelamento da venda não tem qualquer efeito fiscal, uma vez que tanto os Descontos Incondicionais quanto as Vendas Canceladas são deduções da Receita Bruta permitidas pela legislação fiscal nas bases de cálculo do PIS, da COFINS, do IRPJ e da CSLL"; que no que diz respeito a Descontos incondicionais é de se dizer que os demais valores, na verdade, são descontos, ajustados desde o pedido, absolutamente independentes de qualquer condição, referente a prazo, forma de pagamento etc. (Doc. 08). Assim, apenas por exigência de alguns de seus clientes, a Impugnante é obrigada a formalizar o desconto, existente desde a contratação da compra, no momento de seu pagamento. Exatamente essa circunstância, que em nada desnatura a natureza de desconto incondicional, é que dificulta a comprovação de sua realização. No entanto, a Impugnante tem se mobilizado no sentido de demonstrar a efetividade de sua existência, sendo que, à medida que o trabalho for ultimado promoverá a juntada dos citados comprovantes aos autos; que quanto a omissão de receitas diferença de estoques é de se dizer que em primeiro lugar, a impugnante repele, frontalmente, as supostas diferenças de estoque referentes aos modelos HPS2981C, HPS1402B, NSXS305 e NSXSZ11, afinal, a fiscalização apontou as diferenças de estoque da ordem de 23, 7, 4 e 24, sendo absolutamente inacreditável que a empresa do porte da impugnante teria omitido receita de tal monta. Assim, para afastar quaisquer dúvidas, a impugnante está tratando de reconciliar a apuração elaborada Fl. 7417DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.153 7 pela fiscalização para esclarecer esses itens, haja vista que, certamente, algum evento deixou de ser considerado no lançamento; que em relação ao modelo NSXS22B, a Impugnante, mais uma vez, afirma, como já o fizera perante a fiscalização, que seu Registro de Inventário estava incorreto, constando 4.375 unidades. Assim, em relação a tal produto, como se observa, inclusive dos documentos oferecidos à fiscalização, foram produzidas 71.412 unidades, tendo sido devolvidas 626 unidades. Foram vendidas 71.218 unidades e remetidas sob outros itens 657 aparelhos, resultando no saldo final de apenas 63 peças. Desse modo, não houve omissão de receita, mas sim indevida postergação no reconhecimento dos custos dos produtos vendidos; que quanto a omissão de receita operacional é de dizer que como facilmente se verifica, a Fiscalização tratou os incentivos fiscais de ICMS, concedidos pelo Governo do Amazonas como subvenções de custeio. Diante dessa premissa, considerou a Fiscalização que os incentivos fiscais recebidos pela Impugnante seriam receitas operacionais que deveriam ter sido computadas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL; que a própria legislação estadual, Lei nº 1.939/89 e Decreto nº 12.814A, que estabelece o regime de benefício fiscal sob o qual está albergada a Impugnante, trata o incentivo em questão como subvenção para investimento e não para custeio. Com efeito, o fundamento da tal incentivo é o desenvolvimento do Estado do Amazonas por meio de investimentos dos mais variados setores da economia, consoante dispõe a Lei nº 1.939/89 em diversos dispositivos; que aliás, projetos que visem tãosomente custeio de operações pré existentes e que, portanto, não apresentem qualquer incremento da atividade industrial (por exemplo), sequer seriam aprovados pela Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo do Estado"; que quanto as Subvenções para investimento e doações IRPJ/CSLL é de se dizer que como ressaltado anteriormente, a legislação amazonense disponibilizou incentivos fiscais de redução/restituição do ICMS devido sob condição de as empresa interessadas se comprometessem a investir no Estado, implantando ou expandindo seus empreendimentos. Logo, temse que a subvenção em questão não pode se outra senão a para investimento, e esse foi o tratamento contábil e fiscal que a impugnante adotou. Tal subvenção foi registrada como reserva de capital e, por conseqüência, não foi reconhecida como receita na contabilidade. Vale destacar que essa reserva somente vem sendo utilizada para aumentar o capital da sociedade, conforme uma das hipóteses previstas no inc. I do art. 443 do RIR/99; que importante por fim ressaltar que o tratamento contábil e fiscal desses incentivos fiscais como reserva de subvenção para investimento, qual seja, o registro como Reserva de Capital no Patrimônio Líquido, sem transitar pelas contas de resultado, tem respaldo também na doutrina especializada; que sendo subvenções para investimento, conforme previsão específica no Regulamento do Imposto de Renda (art. 443, inciso I) e da Leia das Sociedades Anônimas (§ 1º, art. 182, letra "d"), corroborada pela melhor doutrina contábil, tais incentivos devem ser registrados diretamente na conta Reserva de Capital do Patrimônio Líquido, não se constituindo, pois, como receitas ou reduções de custo. Não devem, portanto, compor o Lucro Real, muito menos a base de cálculo da CSLL; Fl. 7418DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.154 8 que quanto as Adições não computadas na apuração do lucro real é de se dizer que a Impugnante, aliás, como é usual no mercado em que atua, adota a política de fornecer descontos incondicionais aos seus principais clientes por meio de bonificações em mercadorias. Dessa forma, beneficia seus clientes e ainda alavanca suas vendas e sua marca. Para instrumentalizar essa forma de desconto incondicional, a Impugnante precisa emitir nova Nota Fiscal para remessa das mercadorias fornecidas como bonificação. Logo, não é possível destacar esse desconto na própria Nota Fiscal de venda, como normalmente ocorre. Esse fato, no entanto, não tem o condão de desnaturar a essência do desconto incondicional; que, entretanto, mesmo que as bonificações não pudessem ser caracterizadas como descontos incondicionais, o que se admite apenas ad argumentandum tantum, de forma alguma poderiam ser tidas como liberalidade da Impugnante nem como brindes, como quis a fiscalização; que no caso das bonificações de mercadorias é nítido que se espera um retorno dos clientes, tal como, aumenta de vendas, compromisso, fidelidade, etc. Ao passo que gastos por mera liberalidade ou brindes, são ações desvinculadas de qualquer propósito negocial ou estratégico, daí sua indedutibilidade; que quanto a Perda no recebimento de créditos é de se dizer que em relação às perdas no recebimento de créditos, a fiscalização alegou que os requisitos para sua dedução não teriam sido atendidos. Entretanto, ressaltese, todas as empresas eram concordatárias, sendo que todos os demais requisitos para que a dedução fosse efetuada encontravamse presentes; que aliás, em relação aos créditos em face das Lojas Arapuã, a Impugnante aproveita a oportunidade para acostar aos autos a Certidão de Objeto e Pé (Doc. 10), comprovando, haja vista que já havia comprovado a habilitação de seu crédito; que em relação às demais empresas todos os documentos necessários estão sendo providenciados, como comprovam as anexas petições (Doc. 11), e serão juntados aos autos assim que forem disponibilizados à Impugnante. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 27 de maio de 2004, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que quanto a matéria impugnada – desistência é de se dizer que compulsando o processo, verificase que a impugnante desistiu de contestar parte do lançamento. De acordo com o documento que oficializou a desistência parcial (fls. 3.552 e 3.553), foram excluídos da demanda os lançamento referentes à diferença de estoques (integralmente) e descontos incondicionais (parcialmente); que, de fato, a impugnante, no que se refere aos descontos incondicionais, não pontificou com exatidão os fatos geradores. Assim, analisando o documento que oficializou a desistência parcial, é possível visualizar com clareza a desistência integral dos seguintes fatos: 31/08/1999 (R$ 3.325.680,00), 31/01/2000 (R$ 3.820.480,00) e 31/07/2000 (R$ 3.900.000,00); Fl. 7419DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.155 9 que no que se refere aos demais valores indicados pela impugnante: R$ 2.525.000,00 e R$ 6.986.700,00, os fatos geradores não coincidem com aqueles indicados no Auto de Infração. Intimado a explicar os valores, a impugnante apresentou demonstrativo à folha 3.560 detalhando a que imposto e contribuições se referem. De acordo com o demonstrativo apresentado, os valores excluídos da demanda e listados no parágrafo anterior referemse ao fato gerador de 31/12/1999 cuja base de cálculo foi de R$ 9.511.700,00 que representam a soma dos valores individualizados; que quanto ao IRPJ dedutibilidade das contribuições é de se dizer que analisando detidamente os dispositivos legais elencados, é possível concluir que há impedimento legal para o acolhimento do pleito do sujeito passivo para a compensação do PIS e da COFINS com o IRPJ lançado de ofício; que para a dedução pretendida, mister a escrituração regular nos termos da sistemática do regime de competência, no qual o sujeito passivo apura o IRPJ de acordo com a incorrência das despesas, custos e receitas. Nesse particular, a pretensão da impugnante esbarra no fato de não ter havido a necessária escrituração regular das receitas que originaram os lançamentos de PIS e COFINS (lançamento reflexos); que quanto ao lucro da exploração é de se dizer que segundo o impugnante, o lançamento de ofício deveria apurar o IRPJ considerando o lucro da exploração e a isenção SUDAM a que tem direito. Embora a queixante alegue que como empresa sediada na área de atuação da SUDAM é beneficiária de isenção do lucro da exploração, tal isenção não tem efeitos sobre a matéria apurada no procedimento fiscal vez que os valores apurados constituemse adições ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real, não interferindo no lucro líquido do exercício apurado pelo sujeito passivo, o qual constitui base para a apuração do lucro da exploração; que a matéria foi objeto do Parecer Normativo CST Nº 13/80 o qual conclui em seu item 8 que as adições ao lucro líquido para determinação do lucro real não afetam a composição do lucro da exploração, senão quando tal ajuste seja expressamente previsto na legislação tributária; que o Parecer Normativo CST nº 11/81, abordando o mesmo tema, afirma, nos itens 11 a 13, que o gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, com base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição do lucro da exploração pela superveniência de lançamento de ofício ou suplementar; que quanto a antecipação no pagamento do IRPJ ajuste com o lançamento de ofício é de se dizer que de acordo com a peça impugnatória, a fiscalização desconsiderou as antecipações do IRPJ realizadas nos seguintes períodos: anocalendário 2001; 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário 2000 e 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1999; que o impugnante argumenta que a fiscalização desconsiderou as antecipações, mas não foi isso o que aconteceu. No anocalendário de 1999, a impugnante optou pela apuração ordinária do lucro real (trimestral). Assim, nos casos em que houve a detecção de omissão de receita, o IRPJ devido foi apurado trimestralmente, considerandose o que a impugnante houvera apurado no período. A comprovação consta nos documentos às Fl. 7420DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.156 10 folhas 3.179, 3.418, 3.419, 3.421 e 3.462. À guiza de exemplo, citese as infrações apuradas no último trimestre do anocalendário de 1999. Somados, os valores apurados alcançaram R$ 15.029.990,78 (fl. 3.426). Na composição do lançamento, a fiscalização adicionou o valor apurado ao prejuízo indicado na DIRPJ para o período (fl. 3.426), resultando em saldo a ser tributado de R$ 9.958.901,64 (R$ 15.029.990,78 + (802.988,44) = R$ 9.958.901,64); que se houvesse apurado lucro no período em comento, o lançamento alcançaria a totalidade dos valores apurados de ofício. Assim, nos casos de prejuízos apurados, reduzse a base de cálculo do lançamento. O mesmo não acontece nos caso de lucro, quando a fiscalização não pode somar os valores apurados com o lucro já tributado; que no que se refere à antecipação do IRPJ, que a impugnante alega existir, não procedem os argumentos. No anocalendário de 1999, a impugnante apurou prejuízo em todos os trimestres (fls. 3.131 e 3.134). No anocalendário de 2000, a impugnante apurou prejuízo nos 1º, 2º e 4º trimestres (fls. 3.239 a 3.241). No terceiro trimestre, a impugnante não apurou prejuízo, mas não recolheu qualquer parcela a título de IRPJ; que, no anocalendário de 2001, a impugnante optou pela apuração anual do IRPJ (fr. 3.280). Nessa condição, apurou prejuízo na ordem de R$ 9.130.821,24 que foram excluídos do valor apurado (fl. 3.431). Em decorrência do exposto, não merece reparos o lançamento; que quanto a dedutibilidade do PIS e da confins da base de cálculo da CSLL é de se dizer que da mesma forma, que na apuração do IRPJ devido, a impugnante alega que a fiscalização não deduziu dos cálculos da CSLL os valores lançados a título de PIS e COFINS. O assunto já foi tratado anteriormente, quando se analisou pretensão da incidência em relação ao IRPJ. As conclusões da abordagem anterior aplicamse à apuração da CSLL devida. Assim, não prosperam os argumentos apresentados; que quanto à omissão de receita abatimentos e descontos incondicionais não comprovados é de se dizer que em preliminar destacase que somente serão apreciados os lançamentos para os quais a impugnante não desistiu do litígio. Nesses termos, somente serão analisados os lançamento referentes ao 4º trimestre do anocalendário de 1998 (R$ 4.297.562,58) e 2º trimestre do anocalendário de 1999 (R$ 2.317.980,44). Analisando o Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.457 a 3.465), constatase que a fiscalização materializou o lançamento em virtude de a impugnante, intimada, não apresentar os documentos que ampararam reduções na apuração do lucro real; que essas deduções seriam descontos sobre duplicatas, descontos incondicionais e despesas com propaganda (fl. 3.462). No corpo da impugnação, consta indicado como prova do alegado o documento 08, que se encontra no anexo II. Analisando o citado documento, constatase que se trata de mera cópia do Livro diário da Impugnante; que analisando detidamente o que consta no Termo de Verificação Fiscal, constatase que permanecem os motivos que ensejaram o lançamento. A impugnante foi intimada a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, as deduções na apuração do lucro real, mas nada apresentou. Junto com a peça impugnatória, consta apenas cópia do Livro Diário, sem qualquer documento probante das operações que o ampararam. Assim, rejeitamse os argumentos apresentados; Fl. 7421DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.157 11 que quanto às mercadorias saídas em bonificação é de se dizer que no que se refere aos valores de R$ 2.131.241,64 e R$ 1.044.788,52 que constam indicados como sendo referentes a descontos incondicionais e despesas com propaganda (fl. 3.462), a impugnante argumenta que as despesas indicadas como se fossem para propaganda, na verdade são descontos incondicionais dados aos clientes da impugnante por meio de bonificação em mercadorias. Nesses termos, os valores seriam dedutíveis na apuração do lucro real por se tratarem de descontos incondicionais; que a respeito do assunto, a fiscalização apurou que a impugnante procedia a saída das remessas indicando trataremse de "Simples Remessas Livres de Pagamento". A fiscalização também apurou que a contrapartida das saídas foi efetuada na conta "Descontos Incondicionais". Segundo a fiscalização, por se tratar de mera liberalidade do sujeito passivo e os valores corresponderem à totalidade da Nota Fiscal, as operações não poderiam ser enquadradas como descontos e não seriam dedutíveis na apuração do lucro real. Adicionalmente, a fiscalização relatou que mesmo sendo consideradas como brindes, essas saídas seriam indedutíveis na apuração do lucro real, nos termos do disposto na Lei nº 8.249l, de 1995; que tratando do assunto, a Instrução Normativa SRF nº 51, de 3 de novembro de 1978, define, no item 4.2, descontos incondicionais como sendo parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; que o valor do desconto ou bonificação de produtos oferecido em cada venda somente poderá ser considerado desconto incondicional se representar parcela redutora do valor da venda e constar na nota fiscal de vendas dos bens. Os valores das bonificações em mercadoria apontados pela impugnante equivalem, conforme constam dos demonstrativos elaborados pela fiscalização, ao valor total das respectivas notas. Inferese, assim, que as bonificações em mercadorias concedidas mencionadas na presente defesa não devem ser excluídas da receita bruta por não revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente, posto que não foram observadas as instruções emanadas da Receita Federal; que quanto às subvenções para custeio restituição do ICMS é de se dizer que compulsando o processo, verificase que o lançamento originouse do fato de a impugnante não ter oferecido à tributação os valores correspondentes à restituição do ICMS a que teria direito por força do disposto na Lei Estadual nº 1.939, de 1989. Segundo a fiscalização, esses valores seriam subvenções para custeio ou operação e não subvenções para investimento, estas últimas dedutíveis na apuração do lucro real por força do disposto no DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII, todos regulados pelo artigo 443 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99); que na peça impugnatória, a impugnante sustenta que se tratam de subvenções para investimento e, como tal, inclusas nas disposições do artigo 443 do Decreto nº 3.000 de 1999. Portanto, para a solução da lide mister a análise do conceito de subvenções para investimento nos termos como esposado pela administração da Secretaria da Receita Federal por intermédio de manifestação normativa; que tendo em mente o que a administração da Secretaria da Receita Federal considera como subvenções econômicas, passase a analisar o que dispõe a Lei Estadual nº 1.939, de 1989, que trata da restituição do ICMS no Estado do Amazonas. De acordo com o Fl. 7422DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.158 12 mencionado diploma legal, que foi inclusive citado pela impugnante, para fazer jus ao incentivo fiscal, o interessado deve obedecer aos princípios gerais listados no parágrafo segundo do artigo 2º; que no cotejo com o entendimento da Administração da SRF, a subvenção concedida pelo governo do Estado do Amazonas não pode ser considerada como sendo para investimento. Analisando o que dispõe a Lei nº 1.939, de 1989, verificase, sem dificuldade, a existência de diversas contrapartidas exigidas que são subvenções para custeio: ajuda financeira à Universidade Estadual, contratação de menores, utilização de serviços contábeis no Estado do Amazonas, desconto de ICMS para vendas ao comércio local, benefício social aos empregados, etc.. Portanto, a própria legislação avocada pela impugnante deixa cristalino que se tratam de subvenções de custeio; que, neste particular, convém novamente reproduzir o que seria a subvenção para investimento sob a ótica da Administração da SRF: "SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; que quanto a perda no recebimento de crédito é de se dizer que compulsando o processo, verificase que o lançamento decorreu do fato de a impugnante, regularmente intimada, não comprovar ter preenchido os requisitos legais para a dedução, como despesa, de valores referentes a perda no recebimento de créditos decorrentes da atividade comercial (fl. 3.464); que em sua defesa, a impugnante alega que todos os requisitos para a dedução dessas despesas estavam preenchidos. Particularmente, no caso da empresa Lojas Arapuã, a impugnante apresentou cópia autenticada de certificação emitida pelo Poder Judiciário do Estado de São Paulo na qual consta que a impugnante habilitouse judicialmente para receber R$ 8.993.757,97 (fl. 878, anexo III). Em relação as demais perdas, a impugnante alega que está providenciando os comprovantes do ingresso em juízo para recuperação de créditos; que conforme se extrai do parágrafo 4º do artigo 9º acima transcrito, as perdas no recebimento de créditos sem garantia, de valor acima de R$30.000,00, vencidos há mais de 1 ano e decorrentes das atividades da pessoa jurídica, só poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, a partir da data da decretação da falência e desde que iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; que em sua defesa, a impugnante argumenta que ajuizou ação demandando a habilitação de seu crédito junto a Lojas Arapuã visando cobrar judicialmente os referidos créditos vencidos. Para tanto, apresenta o documento à folha 878, anexo III. Analisando o documento apresentado, no cotejo com as disposições legais reproduzidas, constatase que o fato gerador relativo aos créditos das Lojas Arapuã (R$ R$ 8.993.757,97) é o dia 31 de dezembro de 1998, porque os valores referentes aos demais períodos são inferiores a esse valor (fl. 3.419). Assim, nos termos das disposições legais reproduzidas, a impugnante somente poderia deduzir os valores se na época já houvesse sido decretada a falência. Nesse particular, analisando o documento apresentado pela própria impugnante (fl. 878, anexo III), constatase que a falência foi decretada em 31 de julho de 2002. Concluise, portanto, que os valores somente seriam dedutíveis no anocalendário de 2002, o que legitima a glosa de ofício; Fl. 7423DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.159 13 que no que se refere aos demais valores (R$ 4.797.854,12 no anocalendário de 2000 e R$ 534.714,56 no anocalendário de 2001), inclusive o correspondente à diferença entre o valor constante na certificação apresentada e o total deduzido como despesas no ano calendário de 1998 (R$ 10.431.987,51 R$ 8.993.757,97 = R$ 1.438.229,54), a impugnante informa na peça impugnatória que está providenciando as respectivas provas. Entretanto, de acordo com os documentos juntados à peça impugnatória (fls. 879 a 898), não é possível a apreciação do pleito. Os motivos constam a seguir declinados; que a grande parte dos documentos correspondem a solicitações para o fornecimento de certidão confirmando a habilitação da impugnante a processos de falência. No caso das Lojas Gomes Ltda. (fl. 888, anexo III), a impugnante anexou declaração do síndico da massa falida informando que se encontrase habilitada, sem que houvesse declaração formal do Poder Judiciário de Minas Gerais confirmando a habilitação; que no que se refere à empresa Musisom Equipamentos Sonoros Ltda., consta a declaração do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul, mas não consta qual seria o valor e em que anocalendário efetuou a dedução desses valores (890, anexo III); que no caso da empresa Pira Espuma Comércio e Representações Ltda. (fl. 893, anexo III), a certidão apresentada informa que a impugnante se habilitou como credor da massa falida, mas a falência não foi decretada, fato que impede a dedução; que, por fim, no que se refere à empresa Comercial R A de Equipamentos Eletrônicos Ltda. (fl. 897, anexo III), a impugnante apresentou certidão na qual consta a decretação da falência da referida empresa, sem que conste a impugnante como habilitada no processo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. BENEFÍCIO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. DESCARACTERIZAÇÃO Os valores correspondentes ao benefício fiscal de isenção ou redução de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro real. Dispositivos Legais: arts. 392 e 443 do RIR, de 1999; e Parecer Normativo CST 112, de 1978. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ISENÇÃO SUDAM – O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, com base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição do lucro da exploração pela superveniência de lançamento de ofício. Fl. 7424DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.160 14 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESISTÊNCIA DO LITÍGIO Deixase de apreciar a parte do lançamento para a qual o sujeito passivo desistiu do litígio e o processo foi apartado. IRPJ E CSLL. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS Nos casos de lançamento de ofício, incabível a dedução, na apuração do IRPJ devido, dos valores correspondentes ao PIS e a COFINS decorrentes do mesmo lançamento porque se tratam de valores não escriturados de acordo com o regime de competência. ANTECIPAÇÃO NO PAGAMENTO DO IRPJ. AJUSTE COM O LANÇAMENTO DE OFÍCIO Rechaçamse os argumentos de falta de dedutibilidade do IRPJ pago antecipadamente do IRPJ lançado de ofício nos casos em que a fiscalização recompôs do lucro real do sujeito passivo e considerou o resultado indicado na DIRPJ, em estreita obediência ao disposto no artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995. OMISSÃO DE RECEITA. ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS. NÃO COMPROVAÇÃO Em se tratando descontos incondicionais, mantémse o lançamento que glosou os descontos quando o sujeito passivo, intimado, não apresentou a documentação hábil e idônea que amparou o registro contábil das operações. SAÍDA DE MERCADORIAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS As mercadorias saídas em bonificação, quando não vinculadas a operação comercial de venda, não são consideradas descontos incondicionais. PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO Em se tratando de perda no recebimento de créditos, o fato de o sujeito passivo não apresentar a documentação que amparou a dedução como despesa respalda o lançamento. No caso de comprovação do ajuizamento de ação judicial para o recebimento dos créditos perdidos, a prova, por si só, não garante que se tratam de créditos vencidos há mais de um ano, nos termos do disposto no inciso II, "c", do artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996 PIS, COFINS E CSLL. PROCEDIMENTO REFLEXO. A decisão prolatada no processo instaurado contra a pessoa jurídica, intitulado de principal ou matriz, da qual resulte declarada a materialização ou insubsistência do suporte fático que também embasa a relação jurídica referente à exigência materializada contra a mesma empresa, aplicase aos denominados procedimentos decorrentes ou reflexos. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/06/2004, conforme Termo constante à fl. 3595, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (21/07/2004), o recurso voluntário de fls. 3596/3641, instruído pelos documentos de fls. 3642/3799, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: Fl. 7425DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.161 15 que desistiu da demanda em relação ao item de diferenças de estoques, assim como parte dos valores relacionados a descontos incondicionais, tendo em vista a inclusão dos débitos no PAES; que o acórdão recorrido determina a indedutibilidade dos valores referentes à Contribuição ao PIS e à COFINS da base do IRPJ e da CSLL, apurados em decorrência da ação fiscal. Constitui a base de cálculo do IRPJ e da CSLL o lucro líquido apurado no período, ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas e/ou autorizadas pelas respectivas legislações. A idéia de se deduzir da base de cálculo do IRPJ e CSLL os tributos e contribuições incidentes em etapas anteriores tem por finalidade tributar tãosomente o lucro efetivamente auferido pela empresa; que a jurisprudência administrativa têm, reiteradamente, admitido a recomposição do lucro da exploração, em virtude de lançamento de ofício, desde que os valores lançados afetem, diretamente o lucro líquido do exercício. Desse modo, é imprescindível que se reconheça a necessidade de ajuste do lucro da exploração em decorrência dos ajustes do lucro líquido realizados pela fiscalização, especialmente em relação à subvenção recebida, caso prevaleça, o que se admite apenas por hipótese. Assim, considerando que os valores decorrentes de subvenção, segundo a própria fiscalização afetariam o lucro operacional, não se pode negar, deveriam igualmente, afetar o lucro da exploração; que quanto ao lançamento referente a mero estorno é de se dizer que é importante que se dirima um equívoco cometido pela fiscalização, a qual, ao elaborar o TVF, deixou de observar o histórico do lançamento relativo a 24/08/01: EST. LCTO. INDEVIDO, mero ajuste contábil em virtude de erro cometido. Não se trata de lançamento não comprovado, mas simplesmente de ajuste de correção de lançamento anterior feito indevidamente; que quanto as despesas de propaganda – remessas livres de pagamento é de se dizer que no Termo de Verificação Fiscal consta a irregularidade: Descontos incondicionais e Despesas com Propaganda Não Comprovados. Ocorre que, além do valor lançado pela fiscalização referente a 20/05/99, R$ 1.044.788,52, existe ainda um outro valor da mesma natureza, registrado em 30/12/98, R$ 2.131.241,64. Não constituem despesa de propaganda, mas sim descontos incondicionais dados aos clientes por meio de bonificações em mercadorias, também denominadas “Simples Remessa Livre de Pagamento”. A legislação é clara ao determinar a não inclusão dos descontos na receita bruta. Tratamse de descontos concedidos aos clientes, ajustados desde o pedido, independentes de qualquer condição, resultado na redução do valor da venda; que os mapas anexos (doc. 17), demonstram não só a origem dos valores deduzidos, mas também os beneficiários dos descontos incondicionais. As despesas verificadas como despesas de propaganda constituíramse em descontos incondicionais dados aos seus clientes por meio de bonificações em mercadorias, operação também denominada “Simples Remessa Livre de Pagamento”. A fiscalização tratou como sendo operações ocorridas por mera liberalidade, não entendendo que se tratavam de descontos incondicionais concedidos por meio de mercadorias em bonificação; que o acordo entre as duas empresas determina a remessa, em momento posterior, de produtos equivalentes a 3% do total de vendas, a título de bonificação. De acordo com o volume de vendas e a disponibilidade dos produtos em estoque da recorrente, as Fl. 7426DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.162 16 remessas eram realizadas de maneira esporádica. Ao invés de a empresa simplesmente conceder desconto no preço de venda, opta por dar mercadorias ao varejista; que quanto a omissão de receitas operacionais – subvenções é de se dizer que a subvenção é apenas uma contribuição pecuniária do Estado com a finalidade de auxiliar instituições a alcançarem algum fim de interesse público. Cumpre observar que os incentivos concedidos em favor da recorrente visam justamente incentivar a implantação de empreendimento econômico em localidade não de só difícil acesso, mas também com infra estrutura deficitária, escassez de mãodeobra qualificada e de fornecedores capacitados, de forma a ser cabível a sua catalogação como subvenção para investimento e o registro em conta de reserva de capital, com a finalidade de se evitar a incidência tributária; que a Lei nº 1939/89, do Estado do Amazonas, ao conceder o benefício fiscal do ICMS, estabeleceu em seu art. 19, uma série de exigências a serem cumpridas para as empresas fazerem jus a tal incentivo, o qual pretende beneficiar somente as empresas que estiverem efetivamente instaladas no Estado do Amazonas, promovendo a capacitação de mão deobra e fornecedores locais. A decisão recorrida distorceu os fatos. Ocorre que os incisos do art. 19 da citada lei prescrevem exigências para o gozo dos benefícios e não o destino a ser conferido aos incentivos concedidos; que, o que ocorre é a transferência de capital a título de benefício fiscal de ICMS com o único e exclusivo intuito de atrair investimentos para o Estado. Dessa forma, não restam dúvidas de que situações como esta constituem hipótese de subvenção para investimento. Assim, imprescindível se faz sua não tributação pelo IRPJ e pela CSLL em decorrência do art. 443 do RIR/99, amparado pelo art. 38, § 2º do DL 1598/77, bem como pelo art. 1º, inciso VIII do DL 1730/79; que quanto as perdas no recebimento de créditos é de se dizer que deduziu créditos não recebidos como despesa, os quais foram indevidamente glosados pela fiscalização. Em relação ao crédito referente às Lojas Arapuá, a DRJ entendeu erroneamente que a falência só foi decretada em 2002, e a baixa havia se dado em 1998. Na verdade, o processo de concordata iniciou em 1998, convertido em falência somente depois; que foi a 15ª empresa a se habilitar no processo de Concordata, no ano de 1998, antes ainda de ter havido a convolação. O artigo 9º, § 4º da Lei 9430/96 determina que já com a concessão da concordata à devedora é possível que o crédito a ela referente seja baixado. Assim, muito embora a falência tenha se dado somente em 2002, a concessão da concordata se deu no ano de 1998. Diante disso, a baixa do crédito foi realizada seguindo as determinações legais. De qualquer modo, ainda que assim não fosse, na pior das hipóteses, se estaria diante de mera postergação no pagamento dos tributos, fato absolutamente ignorado pela fiscalização; que em relação à empresa Musisom Equipamentos Sonoros, a decisão recorrida aponta não reconhecer a baixa do crédito pelo fato de que não foi mencionado seu valor quando foi baixado. Nesse momento a recorrente vem informar que o crédito, no valor de R$ 55.509,60, foi deduzido como despesa em 2000. Assim, tendo a falência sido decretada em 1998, e tendo a recorrente tomado todas as providências cabíveis, sua baixa constituise plenamente amparada pela legislação; que a devedora Pira Espuma teve a concordata concedida em 27/10/98, o que já possibilita a baixa dos créditos a partir desse momento. Conforme cópia do processo juntado, a concordata foi convertida em falência em 10/10/2001. Porém, ainda que a falência Fl. 7427DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.163 17 não tivesse sido decretada, a concordata anteriormente concedida já possibilitava a baixa dos créditos; que, em relação à empresa Cukier Cia. Ltda., (doc. 06), comprova que a falência foi decretada em 24/03/97, fato este que permitiu que a recorrente, habilitada no recebimento procedesse a baixa no montante de R$ 854.854,76 em sua contabilidade no ano de 1998; que, em referência ao crédito da empresa Casa do Rádio, conforme a certidão (doc. 07), a concordata foi concedida em 31/05/98, tendo sido convolada em falência em 13/02/01. O crédito foi devidamente habilitado, e a recorrente deduziu como despesa R$ 41.503,64 no ano de 2000 e R$ 80.183,97, no ano de 2001; que, com relação ao Magazine Ponto Quente, era credora de R$ 13.898,74, os quais deduziu como despesa em 2000, vez que mencionada empresa encontravase em concordata, conforme certidão acostada (doc. 08); que a empresa Kaká Móveis e Eletrodomésticos teve sua falência decretada em setembro de 1999, constando a recorrente como uma de suas credoras (doc. 09). A recorrente baixou na contabilidade R$ 15.662,49, no ano de 2000, obedecendo os ditames legais; que a empresa Alô Eletro Comercio de Móveis e Eletrodomésticos (doc. 10), teve concordata concedida em março de 2001 a qual foi convolada em falência em fevereiro de 2003. O crédito de R$ 69.357,90 foi deduzido em 2001, portanto, momento perfeitamente possível, segundo a legislação, já que a concordata há havia sido concedida; que a empresa Refrigeração Paulista teve sua falência decretada em setembro de 1997 (doc. 11). A recorrente baixou de sua contabilidade o valor de R$ 17.947,27, somente no ano de 2000, procedimento cabível, portanto; que, com relação à empresa A. Shock Som Ltda., a certidão nesse momento juntada (doc. 12), afirma ter sido a concordata concedida em dezembro de 1995, tendo ocorrido posterior convolação em falência em abril de 1997. Diante da quebra da empresa, a recorrente deduziu como despesa o valor de R$ 130.907,52, em 1998, obedecendo assim, determinação legal; que a empresa Ceplan Comercial Ltda., teve sua concordata concedida em novembro de 2000, tendo sido convertida em falência em fevereiro de 2002 (doc. 13). A recorrente baixou o crédito de R$ 302.412,06, no ano de 2001. Dessa forma, tratouse de procedimento correto, vez que a concordata já havia sido concedida quando da dedução de tais créditos; que a empresa Jotão Comércio e Representações teve sua falência decretada em setembro de 1997 (doc. 14) e que a recorrente baixou o valor de R$ 1.746.715,07, em 2000, portanto, correto o procedimento; que os demais devedores cujos créditos foram deduzidos estavam notoriamente impossibilitados de realizar o pagamento de suas dívidas, consoante demonstram as certidões e declarações juntadas (doc. 15). Além disso, contatos haviam sido realizados pela recorrente no sentido de negociar o pagamento, porém, nenhuma providência no sentido de Fl. 7428DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.164 18 quitação foi tomada pelas empresas devedoras. Assim, diante da clareza doa fatos, da possibilidade remota de recebimento de seus créditos, mantendo ainda os procedimentos de cobrança, a recorrente entendeu perfeitamente possível a dedução dos valores como despesa. Posteriormente, a recorrente retornou aos autos (14/10/2005), com a juntada dos documentos de fls. 3661/3704. Às fls. 3660, o despacho da DRF em Manaus AM, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo. Na Sessão de Julgamento de 07 de dezembro de 2005, ACORDAM os Membros da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência sob o argumento de que tendo em vista que não é possível decidir o feito tão somente com base em cópias juntadas pela recorrente na fase recursal, é de se devolver os autos à repartição de origem, para que a fiscalização tome as seguintes providências: 1 Manifestese sobre a legitimidade dos documentos anexados aos autos; 2 Apresente relatório detalhado à vista das provas (documentos anexados juntamente com o recurso voluntário) bem como dos argumentos trazidos aos autos pela recorrente, em especial no que se refere ao item relativo às perdas no recebimento de créditos incobráveis; 3 Que dê ciência ao contribuinte, para que este, também querendo, se manifeste. 4 Cumprida a diligência, que os autos retornem a este Conselho, após a devida ciência à contribuinte. Em 26 de setembro de 2008 a autoridade fiscal se manifesta através do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 4464/4485), manifestandose, em síntese, sobre os seguintes aspectos: que quanto a incentivo fiscal de restituição do ICMS (item 1) é de se dizer que comprovadamente a fiscalização apurou infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, consubstanciada pela prescrição do inc. I, do art. 392 do RI/99, tendo sido constatada omissão de receita operacional, caracterizada por incentivo fiscal de restituição do ICMS concedido pelo Governo do Estado do Amazonas, tendo o contribuinte escriturado tais receitas em conta patrimonial do Patrimônio Líquido. Ressaltamos que não há comprovantes da aplicação de recursos em investimentos conforme normatizam o PN CST nº 143/73 e PN CST nº 112/78; que no tocante ao pleito do contribuinte quanto à recomposição do lucro da exploração é de se informar que o lançamento se deu por conta de omissão de receita operacional, haja vista a não comprovação de investimentos, ficou evidenciado o equívoco contábil e fiscal do contribuinte ao escriturar subvenções correntes em conta patrimonial e não de resultados. No mais, e no alcance da diligência, verificamos que as escritas contábil e fiscal encontramse regulares. O contribuinte dispõe de livros e documentos e os registros obedecem a cronologia e a competência dos exercícios; Fl. 7429DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.165 19 que quanto as perdas no recebimento de créditos (item 2) é de se dizer que após a revisão da matéria e considerando os argumentos trazidos ao processo, mencionados no início deste item, apresentamos a seguir, a composição das baixas dos períodos fiscais em questão, que, a princípio, respaldadas pela documentação acima mencionada, estariam de acordo com as disposições do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: (a) – Perdas do ano calendário de 1998 = R$ 3.663.832,05 (fls. 4467/4479); (b) – Perdas do anocalendário de 1999 = R$ 6.369.448,85 (fls. 4467/4479); (c) – Perdas do anocalendário de 2000 = R$ 2.507.085,98; e (d) – Perdas do anocalendário de 2001 = R$ 605.787,53 (fls. 4467/4479); que quanto a omissão de receita – abatimentos e descontos incondicionais não comprovados (item 3) é de se dizer que a infração apurada pela fiscalização encontrase caracterizada através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3462). A DRJ manteve o lançamento sob o argumento da não apresentação de documentos pelo contribuinte; que o valor do litígio, considerando a desistência do contribuinte manifestada através do documento de fls. 3552/3553 se expressa em R$ 5.029.877,86, com registros na conta contábil como descontos incondicionais, sendo que o contribuinte não logrou apresentar documentos que justificassem os descontos incondicionais apurados pela fiscalização; que quanto as bonificações em mercadorias – remessa livre de pagamento (item 4) é de se dizer que em ambos os casos, ou seja, na venda “cheia” com concessão de desconto incondicional ou na venda “liquida” com bonificação em produtos, os custos e despesas são idênticos. O diferencial está representado pelo valor das mercadorias concedidas em bonificação, equivalente à redução da quantidade vendida. E este é o valor do prejuízo para o fisco e se materializa nas operações em Manaus e não São Paulo ou outro local comprador; que como mencionamos, caberia ao contribuinte criar mecanismos contábeis ou fiscais para adequar os resultados em Manaus e manter os mesmos ganhos tributáveis para a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu. Os prejuízos causados pela prática de bonificação em mercadorias foram apurados pela fiscalização, por ocasião da auditoria, e estão discriminados às fls. 3475/3476 totalizando R$ 15.343.187,36. Conforme esclarecido pelo contribuinte, itens 29 e 30 do Recurso Voluntário as parcelas nos valores de R$ 2.131.241,64 e R$ 1.044.788,52, de 30/12/1998 e 20/05/1999, relacionadas no Termo de Verificação Fiscal à fl. 3462, também dizem respeito a bonificações em mercadorias e, portanto, devem ser acrescidas ao valor acima indicado, que passa a totalizar R$ 18.519.217,52; que quanto a dedutibilidade da contribuição ao PIS e da COFINS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL (item 5) é de se dizer que este item consta da decisão de Primeira Instância à fl. 3576 e não foram oferecidos documentos e/ou argumentos diversos da mencionada na decisão; que quanto a antecipação do IRPJ – ajuste com o lançamento de ofício (item 6) é de se dizer que este item consta da decisão de Primeira Instância à fl. 3576 e não foram oferecidos documentos e/ou argumentos diversos da mencionada na decisão. Em 10 de novembro de 2008 o contribuinte apresenta a sua Manifestação sobre o Relatório de Diligência fiscal (fls. 4487/4523). Fl. 7430DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.166 20 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOSÉ RICARDO DA SILVA O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar, razão pela qual a discussão se resume a matéria de mérito. Para facilitar a análise a ordem que será seguida será a mesma das infrações apuradas no Auto de Infração do IRPJ. 1 OMISSÃO DE RECEITA ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS. De início, é importante frisar, que a recorrente desistiu da impugnação dos seguintes fatos geradores: 31/09/1999 (R$ 3.325.680,00), 31/12/1999 (R$ 9.511.700,00) 31/03/2000 (R$ 3.820.480,00) e 31/09/2000 (R$ 3.900.000,00). Assim sendo, resta para a discussão os valores de R$ 4.297.562,58 (31/12/1998); R$ 2.317.980,44 (30/06/1999); e R$ 2.725.850,60 (31/12/2001). A acusação fiscal diz respeito à contabilização de valores a débito de descontos incondicionais e despesas com propaganda, consideradas não comprovadas. Em resposta ao Termo de Intimação de 26/08/2003, o contribuinte apresentou demonstrativos referentes aos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, nos quais consta um item denominado “Simples Remessa Livre de Pagamento”, incluído sob a rubrica “Outras Saídas”, cuja contabilização foi a débito da conta Descontos Incondicionais, conforme demonstrado em planilha anexa aos autos e cópias do livro Razão. A autoridade autuante considerou que os valores caracterizamse como mera liberalidade do contribuinte, sob o entendimento de que tais saídas não constituem descontos incondicionais, pois isso resultaria admitir que o desconto possa corresponder ao total da nota fiscal. Essas deduções seriam descontos sobre duplicatas, descontos incondicionais e despesas com propaganda (fl. 3.462). No corpo da impugnação, consta indicado como prova do alegado o documento 08, que se encontra no anexo II. Analisando o citado documento, constatase que se trata de mera cópia do Livro diário da Impugnante. Da análise do que consta no Termo de Verificação Fiscal, constatase que permanecem os motivos que ensejaram o lançamento. A recorrente foi intimada a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, as deduções na apuração do lucro real, mas nada apresentou. Junto com a peça recursal, consta apenas cópia do Livro Diário, sem qualquer documento probante das operações que o ampararam. A mesma conclusão chegou o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela diligência solicitada pela então Primeira Fl. 7431DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.167 21 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme constase às fls. 4482. Assim, rejeitamse os argumentos apresentados. Diante disso, é de se manter a tributação valores de R$ 4.297.562,58 (31/12/1998); R$ 2.317.980,44 (30/06/1999); e R$ 2.725.850,60 (31/12/2001). 2 OMISSÃO DE RECEITA – DIFERENÇA DE ESTOQUE Matéria fora do litígio em razão da desistência formulada pelo contribuinte, conforme constatase às fls. 3552/3560. 3 – PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Consta do Termo de Verificação Fiscal, que a glosa foi procedida pelo motivo de a contribuinte, regularmente intimada, não comprovar ter preenchido os requisitos legais para a dedução, como despesa, de valores referentes a perda no recebimento de créditos decorrentes da atividade comercial (fl. 3.464), conforme abaixo: Em sua resposta o contribuinte não comprovou que as parcelas dos créditos em relação às quais as empresas concordatárias se comprometeram em pagar não foram honradas. Tal comprovação é condição necessária para a dedutibilidade desses valores na apuração do lucro real. Por esse motivo, procedemos à glosa dos mesmos, os quais estão totalizados abaixo: Fato Gerador Provisões de Perdas no Recebimento de Créditos Glosa dos Valores Indedutíveis 31/12/1998 11.404.241,82 10.431.987,51 29/12/2000 16.252.058,91 4.797.854,12 31/12/2001 961.509,80 534.714,56 A dedutibilidade das perdas ocorridas no recebimento dos créditos está regulada pela Lei nº 9.430/96, em seu artigo 9º, que assim dispõe: Art. 9º. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: (...) b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; Fl. 7432DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.168 22 c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; (...) IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. (...) § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. § 5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária, poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo Esta matéria foi esclarecida quando da realização da diligência fiscal , conforme é possível se observar do Relatório da Diligência Fiscal. Consta de forma detalhada às fls. 4467/4481 as operações relativo as perdas no recebimento de créditos, cujo resultado adoto com o esclarecimento abaixo. Na diligência fiscal a autoridade fiscal concluiu pela necessidade do ajuste nas deduções na seguinte forma: anocalendário de 1998, no valor de R$ 3.663.832,05; ano calendário de 2000, no valor de R$ 2.507.085,98; e no anocalendário de 2001, no valor de R$ 605.787,53, com o qual estou de pleno acordo. Entretanto, com relação ao caso da empresa Lojas Arapuã, se faz necessário um esclarecimento a parte. A contribuinte apresentou cópia autenticada de certificação emitida pelo Poder Judiciário do Estado de São Paulo na qual consta que encontravase habilitada judicialmente para receber R$ 8.993.757,97 (fl. 878, anexo III). Verificase no Relatório de Diligência Fiscal, às fls. 4471/4473, o detalhamento dos vencimentos das referidas faturas. Observase, que contraria a alínea “b”, inciso II, do § 1º, do art. 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, qual seja: “acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa” o valor de R$ 582.630,19 e contraria alínea “c”, inciso II, do § 1º, do art. 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, qual seja: “superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento”, o valor de R$ 5.735.007,70, totalizando R$ 6.317.637,89. Valor este que a princípio, por determinação legal, só poderia ser utilizado no anocalendário de 1999. A decisão recorrida manteve a glosa do valor mencionado, tendo em vista que a contribuinte somente poderia deduzir os valores se na época já houvesse sido decretada a Fl. 7433DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.169 23 falência. Nesse particular, a falência foi decretada em 31 de julho de 2002. Concluiu então, que os valores somente seriam dedutíveis no anocalendário de 2002. Contudo, registrese que a ação fiscal foi concluída em outubro de 2003, data posterior àquela em que a recorrente poderia ter baixado o crédito como despesa. Diante disso, há que se acolher os argumentos da recorrente, no sentido de que, na pior das hipóteses, se estaria diante de mera postergação no pagamento dos tributos, fato esse ignorado pela fiscalização. Com efeito, para o caso, se faz presente a figura da postergação do Imposto de Renda, no termos do artigo 219 do RIR/94, que prevê: A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento do lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar (Decretolei n° 1.598/77, art. 6°, § 5°): I – a postergação do pagamento do imposto para períodobase posterior ao em que seria devido: ou II – a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Quando da ocorrência da postergação do imposto de renda, o oferecimento à tributação das parcelas postergadas, de forma espontânea, por parte do contribuinte, ou mesmo em procedimento de ofício, deve obedecer aos ditames dos parágrafos 1º e 2º do citado artigo 219 do mesmo regulamento: § 1° O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2° do art. 193 (Decretolei n° 1598/77, art. 6°, § 6°). § 2° O disposto no parágrafo anterior e no § 2° do art. 193 não exclui a cobrança de correção monetária, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação do pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (Decretoslei n°s 1.598/77, art. 6°, § 7°, e 1.597/82, art. 16). O Parecer Normativo n° 02, de 28 de agosto de 1996, destinouse a normatizar o procedimento da fiscalização no caso da constatação da inobservância do regime de apuração do imposto. Como visto acima, a autoridade fiscal, quando se deparar com as situações elencadas, ou seja, ao constatar que o contribuinte deixou de observar o regime de reconhecimento das receitas e despesas, deve tomar as medidas necessárias para a devida aplicação da justiça fiscal, isto é, deve realizar a compensação de prejuízos de ofício, bem como atender ao PN 02/96. Fl. 7434DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.170 24 O procedimento fiscal ora em exame deixou de atender o citado Parecer Normativo pois, tendo a recorrente antecipado o reconhecimento de despesas, reduziu o lucro tributável do períodobase em questão, porém, por outro lado, tal procedimento fez com que o lucro tributável fosse aumentado no período em que a mencionada despesa efetivamente incorreu de acordo com o regime de competência. A este valor deve ser agregado o valor de R$ 51.810,96, referente as Lojas Gomes Ltda. (fls. 4481). Totalizando assim o valor de R$ 6.369.448,85 Assim sendo, é de se acolher como dedução de despesas para o ano calendário de 1998 o valor de R$ 10.033.280,90 (R$ 3.663.832,05 + R$ 6.369.448,85) Diante disso, é de se excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 10.033.280,90; R$ 2.507.085,98; e R$ 534.714,56 (valor lançado), correspondente aos anos calendários de 1998, 2000 e 2001, respectivamente. 4 SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO/INVESTIMENTO RESTITUIÇÃO DO ICMS O presente item da peça fiscal originouse pelo fato de a contribuinte deixar de tributar os valores correspondentes à restituição do ICMS a que teria direito por força do disposto na Lei nº 1.939, de 1989 do Estado do Amazonas. Segundo a fiscalização, esses valores seriam subvenções para custeio ou operação e não subvenções para investimento. Em sua defesa, a recorrente sustenta que se tratam de subvenções para investimento e, como tal, inclusas nas disposições do artigo 443 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). A turma de julgamento de Primeira Instância manteve a exigência sob o fundamento de que, no entendimento da Administração da Secretaria da Receita Federal, a subvenção concedida pela governo do Estado do Amazonas não pode ser considerada como sendo para investimento. A existência de diversas contrapartidas exigidas define que o caso se trata de subvenção para custeio: ajuda financeira à Universidade Estadual, contratação de menores, utilização de serviços contábeis no Estado do Amazonas, desconto de ICMS para vendas ao comércio local, benefício social aos empregados. Como se constata, a colenda Turma de Julgamento considera que os benefícios outorgados pelo Estado do Amazonas à recorrente, tratamse de subvenção para custeio, e, portanto, passíveis de tributação na área Federal. A assertiva feita no sentido de que, em razão dos recursos fornecidos poderiam ser destinados para qualquer fim, ao bel prazer dos tomadores, já que iam para o capital de giro da empresa. De uma forma genérica, o conceito sedimentado na doutrina é no sentido de que as subvenções para custeio são aquelas concedidas para que a pessoa jurídica possa fazer frente aos seus custos comuns, ordinários, não estando vinculadas a investimentos específicos. Essa espécie de subvenção é considerada transferência de renda e, como tal, integra o conjunto das receitas tributáveis da pessoa jurídica. Fl. 7435DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.171 25 Por outro lado, as denominadas subvenções para investimento são as transferências de capital destinadas à instalação, manutenção ou expansão da empresa, para que esta os aplique em seus empreendimentos ou novas atividades de desenvolvimento. Essas subvenções são creditadas em conta de reserva de capital, a qual integra o patrimônio líquido (capital próprio) da pessoa jurídica beneficiária e, portanto, não transitam pela conta de resultado, não compondo o lucro tributável. Matéria idêntica à dos presentes autos foi apreciada pela Sétima Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme o Acórdão n° 10705.912, de 15/03/2000, relatora a ilustre Conselheira Maria Ilca Castro Lemos Diniz, assim ementado: IRPJ/Contribuição Social – Programa Fomentar – Subvenção para investimentos – Caracterização – Dedutibilidade dos Custos Financeiros Exonerados pelo Estado no Âmbito do Programa de Incentivos Concedidos – A concessão pelo Estado, de incentivos financeiros ou creditícios, inclusive de natureza tributária, diretos ou indiretos, como forma de implantação ou modernização de empreendimentos econômicos, desde que obedecidos os preceitos do artigo 38, § 2° do Decretolei 1598/77, na redação do Decretolei 1730/78, caracterizamse como subvenção para investimentos. Recurso provido. No voto condutor do mencionado Aresto, a Conselheira Relatora explicita, com lucidez, os fundamentos que, na essência, conduzem à conclusão de que as justificativas adotadas pela autoridade “a quo” não podem prosperar: Nesse contexto, caracterizandose a figura da subvenção para investimento, seja ela direta (benefício financeiro em espécie) ou indireto (isenção ou redução de impostos, exoneração total ou parcial de correção monetária e/ou de juros concedidos pelo Estado etc.(...) pode e deve o contribuinte materializála. Assim, pelo princípio contábil de que todo crédito (no caso o lançamento a PL da Reserva de Subvenção) deve corresponder a um débito (no caso de resultados, no montante, exatamente, da subvenção direta ou indireta concedida pelo Estado), o contribuinte, mesmo nas hipóteses de subvenções para investimentos indiretas, pode e deve reconhecêlas em resultados, em contrapartida no PL, em conta de Reserva de Subvenção, ou seja, devese reconhecer em resultados os impostos exonerados (isenção ou redução) como se devido fossem, bem como demais benesses da espécie, tais como a dispensa de correção monetária e/ou juros, desde que, reiterese, concedidos no âmbito do negócio pactuado pelo contribuinte com o Estado, visando à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (...) O Programa Fomentar (...), pelas suas características, ajustase ao conceito de subvenção para investimento. A “isenção” ou “redução” de correção monetária e de juros dados no âmbito de referido programa às empresas que no Estado se estabelecesse, Fl. 7436DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.172 26 como se deu à recorrente, é justamente a subvenção a ela indiretamente dada pelo Estado, como contrapartida dos investimentos que aquela realizou e que, portanto, podia e devia ser reconhecido. Não se trata, à evidência, de criação de despesas, muito menos de despesas sujeitas a evento futuro e incerto. Pelo contrário, o Estado, detentor do direito à receita (assim como ao imposto no caso de isenção ou redução) dela abre mão, não sob condição suspensiva (cuja eficácia realmente ficaria suspensa até que esta se implementasse), mas sim sob condição resolutiva (cuja eficácia jurídica desde logo irradia) de ulterior devolução do montante da subvenção caso o negócio pactuado não seja cumprido pelo contribuinte. Interpretação diversa seria impossível, sob pena de ser inadmissível, contra a expressa letra da lei, a subvenção sob a forma de isenção ou de redução de impostos. Por outro lado, a circunstância de o financiamento ter sido concedido via instituição financeira em nada invalida o que até aqui se disse, dado que, à evidência, tratamse de recursos públicos, concedidos pelo Estado de Goiás no âmbito do denominado Programa Fomentar que, como vimos de ver, possibilita o surgimento da subvenção para investimento.” Também no acórdão acima citado, manifestouse, por meio de voto vista, o ilustre Conselheiro Natanael Martins, sob os seguintes fundamentos: Com efeito, na Revista de Direito Tributário nº 61, fls. 175 a 186, fruto de tese que defendi em Congresso patrocinado pelo IDEP, sob coordenação do saudoso Prof. Geraldo Ataliba, que, à unanimidade, foi aprovada, tratei do tema que, por oportuno, julgo conveniente transcrevêlo para adequada compreensão da matéria ora em debate: “1. Introdução As subvenções para investimento e as doações possuem tratamento específico perante a legislação societária e tributária. Com efeito, dispõe o art. 182, § 1º, "d", da Lei 6.404/86: "Art. 182. A conta de capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. “§ 1º. Serão classificados como reservas de capital as contas que registrarem: (...). "d) as doações e as subvenções para investimento." E complementa o Decretolei 1.598/77, baixado para harmonizar as normas introduzidas pela legislação societária no âmbito da legislação tributária, com a redação alterada pelo Decretolei 1.730/79: Fl. 7437DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.173 27 "Art. 38. (...). "§ 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que:” a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 19, ou "b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” Portanto, do ponto de vista tributário, obedecidas as prescrições legais, subvenções para investimento e as doações feitas pelo Poder Público não são tributadas pelo imposto de renda e, também, pelo fato de serem creditadas diretamente em conta de reserva de capital, não se sujeitam ao Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL) de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988; tampouco se sujeitam à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (salvo, quanto se tratar de subvenção derivada do imposto de renda). Mas, não obstante o tratamento tributário aplicável seja de fácil solução, a definição do conceito do que efetivamente pode ser tipificado como subvenção para investimento, inclusive sob a forma de isenção ou redução de impostos, é tormentosa, máxime porque a doutrina pátria é praticamente omissa, com o agravante, ainda, de que o posicionamento da Receita Federal não nos convence, como a seguir veremos. 1. O conceito de subvenção (inclusive sob a forma de isenção ou redução de impostos) e de doações Opinião da Receita Federal (PNs CST 2/78, 112/78 e 113/78) A Coordenação do Sistema de Tributação, através dos Pareceres Normativos em referência, entende em síntese, que: I Subvenções para investimento são as que apresentam as seguintes características: a a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b a efetiva e específica aplicação da subvenção pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, e c o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento. II As isenções ou reduções de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características acima mencionadas. III As isenções, reduções ou deduções do imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento. Fl. 7438DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.174 28 IV Doações e subvenções, apesar do traço comum que as unem a liberalidade não se confundem. 2. O conceito jurídico de subvenção Na definição de De Plácido e Silva, subvenção é um “auxilio ou ajuda pecuniária que se dá a alguém ou a alguma instituição, no sentido de os proteger, ou para que se realizem ou cumpram os seus objetivos” (Vocabulário Jurídico, 2ª ed., Ed. Forense, vol. IV/1.492). Tecnicamente, o termo é usado para definir o auxílio ou ajuda pecuniária prestada pelos poderes públicos. Não sem razão, na Lei nº 4.320, de 1964, que instituiu as normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos balanços da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal, encontramos a expressão subvenções, reforçando assim a idéia de tratarse de categoria originária do direito administrativo. Porém, se nos parece indiscutível o fato de a expressão subvenção terse originado do direito administrativo, indiscutível também nos parece, afastadas quaisquer considerações metajurídicas, que a subvenção, em qualquer das suas modalidades, dentro do ordenamento jurídico, é uma doação. Outra, aliás, não é opinião de Souto Maior Borges, lavrada em brilhante estudo sobre a matéria, que trazendo à colação a lição de Julio Neves Borrego, afirma que a subvenção é uma modalidade de doação modal, para afinal, complementar em arguta observação: “... Entretanto, se bem que a subvenção em Direito Civil, constitui uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não contraprestacional. A sua gratuidade não exclui então, como no requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante” (RDP 4142/4454). Celso Antonio Bandeira de Mello e Geraldo Ataliba, em parecer publicado na Revista de Direito Público, na mesma linha do mestre pernambucano, após discorrerem que subvenção é palavra cujo étimo se encontra em "subventio (“ subvenire") e significa socorrer ou ajudar, e que, modernamente, sempre significa ajuda pecuniária, arrematam: "Em direito civil configura uma forma de doação. Isto acentua seu caráter não compensatório" (RDP 20/89) Bulhões Pedreira, exímio tributarista, sobretudo em matéria de imposto de renda, embora não diretamente e apesar de à primeira vista parecer querer diferenciar juridicamente a subvenção da doação, nos comentários que faz a propósito da questão perante o imposto de renda, nos leva à inevitável conclusão de que ambas possuem a mesma identidade jurídica, senão vejamos: A legislação tributária denomina de subvenção as transferências de renda e capital recebidas pela pessoa jurídica porque: (a) em regra elas têm origem no setor público e assim são designadas na orçamentação e contabilidade públicas e (b) a expressão é usada, com o sentido de transferência de renda, no direito privado (Código Civil, art. 1.172). Na verdade, a aparente diferença com que o renomado tributarista tratou a matéria repousa tãosomente na idéia de que, apesar de subvenção e doação representarem Fl. 7439DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.175 29 modalidades de transferência de capital (com idêntica natureza jurídica), a palavra doação "é usualmente empregada para designar o negócio jurídicoprivado de transferência de capital". Porém, a toda evidência, a subvenção (termo em regra utilizado para denominar transferência de recursos de poderes públicos para pessoas jurídicas privadas ou instituições) ajustase ao conceito de doação prescrito no Código Civil: "Art. 1.165. Considera se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bem ou vantagens para o de outra, que os aceita". Ora, definido que o termo subvenção ajustase ao conceito jurídico de doação, apenas sendo tecnicamente utilizado para designar transferências de recursos efetivadas por pessoas de direito público, à justa aplicase o comando do art. 109 do Código Tributário Nacional, que impõe ao hermeneuta e aplicador do direito (tributário) a fiel observância da definição, conteúdo e alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados pelo legislador. 3. O conceito jurídico de isenção ou redução (dedução) tributária É fora de dúvidas que isenção ou redução de impostos não se confundem com a subvenção, visto que possuem natureza jurídica díametralmente opostas. Com efeito, Souto Maior Borges, autor do melhor estudo sobre isenções, no mencionado parecer, após abordar o fato de que, economicamente, isenção e subvenção têm um custo equivalente, o que teoricamente permitiria substituir um dado sistema de isenções por um sistema de subvenção, e chamar a atenção de que esta ordem de consideração, de cunho estritamente econômico, é inteiramente irrelevante para a preocupação do jurista, que trabalha apenas com a realidade normativa, salienta que: "A subvenção é um ato translativo de domínio, que implica sempre um "dare", enquanto a isenção não implica aquisição alguma, implicando, ao contrário, um "non dare" (ob. cit.). Subseqüentemente, explica: "Nesse ponto da exposição, a análise jurídica adentrase na radical distinção entre isenção tributária e subvenção financeira. Com efeito, enquanto a isenção tributária opera dentro do campo material do princípio de legalidade tributária.... explicitado pelo Código Tributário Nacional (art. 97, VI, e 175, II), a subvenção financeira está claramente excluída desse âmbito. Tanto que dela não cogita o Código Tributário Nacional" 4142/4454). Geraldo Ataliba e Celso Antonio Bandeira de Mello, no já citado parecer, no mesmo diapasão, concluíram: “1. O direito estabelecido por lei, a perceber, do Poder Público, certas importâncias em dinheiro configura subvenção, que se conceitua como ajuda ou auxilio pecuniário. "A relação obrigacional daí emergente tem como credor o particular beneficiário e, como devedor, o Poder Público. "Não pode, por isso, confundirse, nem praticamente, com a isenção, que configura exclusão de direito obrigacional cujo credor é o Estado e cujo devedor é um contribuinte" (ob. cit., p. 99). Fl. 7440DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.176 30 Porém, se é fora de dúvidas que a figura da subvenção não se confunde com a isenção ou redução tributária, inegável que o direito positivo pode conferir a estas efeitos jurídicos idênticos aos conferidos àquela, máxime por razões de ordem econômica. Ora, foi justamente o que ocorreu. O legislador tributário, por razões de ordem evidentemente econômica, textualmente equiparou às subvenções as isenções ou reduções de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Ou seja, mediante norma de direito positivo, apesar da diferença conceitual existente entre a figura da subvenção e o regime jurídico da isenção ou redução tributária, tão magnificamente exposta pelo ínclito Souto Maior Borges, o tratamento tributário concedido foi idêntico e dentro desse contexto a matéria deve ser interpretada e aplicada. Daí porque assevera Bulhões Pedreira, sem entrar no mérito das diferenças conceituais existentes entre estas diversas modalidades de incentivo fiscal: O DL nº. 1.598/77, para evitar dúvidas, esclarece que o conceito de subvenção para investimento inclui as que revestem a forma de isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (Imposto sobre a Renda, Pessoa Jurídica, vol. II, p. 688, Rio, Justec Editora, 1979). 4. Crítica aos PNCST n. 2/78, 112/78 e 113/78 A Coordenação do Sistema de Tributação, através dos citados pareceres normativos, como visto linhas atrás, entende, além dos demais requisitos legais, ser imprescindível que, para caracterização da figura da subvenção para investimento (inclusive sob a forma de isenção ou redução), "não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimento". Ademais, entende ainda a CST (PNCST n. 112/78): "3.3. As isenções ou reduções do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas, em função dos incentivos fiscais para o desenvolvimento econômico regional e setorial, podem, à primeira vista, apresentar, razões de ordem lógica para mostrar o contrário. O Imposto de Renda devido pela Pessoa Jurídica é o indicador do montante da participação do Poder Público no resultado positivo apresentado pela pessoa jurídica. Esse resultado positivo intitulado de lucro real, é pois anterior ao imposto e, portanto, insuscetível de ser por ele influenciado. Em outras palavras, o lucro real é a causa e o imposto o efeito. Em decorrência, o próprio favor fiscal não computante na determinação do lucro real é inviável. Se não bastante a lógica podese, ainda, acrescentar que se as isenções ou reduções do Imposto de Renda devidos pela Pessoa Jurídica pudessem ser tidas como subvenções para investimentos, desnecessária a regra especificamente estabelecida para elas no § 3º do art. 19 do Decretolei n. 1.598/77". Entretanto, a Coordenação do Sistema de Tributação interpretou incorretamente a legislação tributária, como magistralmente demonstra Bulhões Pedreira, dispensando outros comentários: Fl. 7441DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.177 31 A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doações para aumentar o capital de giro próprio.” "A afirmação do PNCST n. 112/78 de que só existe subvenção para investimento quando há "a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado", não tem fundamento legal. O § 2º do art. 38 do DL n. 1.598/77 somente se refere à "implantação ou expansão de empreendimentos econômicos" para identificar a subvenção sob a forma de isenção ou redução de impostos, e não como requisito de toda e qualquer subvenção para investimento. Pode haver transferência de capital sem vinculação à implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos: basta que a intenção do doador seja transferir capital e que a pessoa jurídica registre os recursos recebidos como reserva de capital. O PNCST n. 112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. E continua o renomado tributarista: "Não tem procedência a afirmação do PNCST n. 112/78 de que "as isenções, reduções ou deduções do imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento". "A afirmação, que contradiz a letra do dispositivo legal, baseia se em dois argumentos: (a) que a norma legal manda não computar no lucro real a subvenção para investimento e o imposto sobre a renda, que é "efeito do lucro real", não pode logicamente ser computado ou deixar de ser computado no lucro real; e (b) se as isenções ou reduções do imposto devido pelas pessoas jurídicas pudessem ser tidas como subvenções para investimento, seria desnecessária a norma do § 3º do art. 19 do DL n. 1.598/77. "O primeiro argumento confunde o imposto (que é a quantidade de moeda que a pessoa jurídica deve à União, como prestação da obrigação tributária) com a subvenção para investimento (que é a quantidade de dinheiro que a União paga à pessoa Fl. 7442DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.178 32 jurídica como transferência de capital). Na subvenção para investimento sob a forma de isenção ou redução de imposto que lhe é devido para, em seguida, devolver igual importância como transferência de capital, a lei admite a compensação do imposto com a subvenção; a pessoa jurídica pode deixar de pagar o imposto, no todo ou em parte, desde que registre como subvenção recebida da União a importância que deixou de ser paga. Não há, portanto, impossibilidade lógica de tratar como subvenção para investimento o imposto sobre a renda que deixou de ser pago, porque a exclusão do lucro real não é do imposto mas da subvenção.” "O segundo argumento é igualmente improcedente. Primeiro, porque o fato de existir na lei um dispositivo geral, que conceitua como subvenção para investimento toda e qualquer isenção ou redução do imposto concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos (art. 38, § 2º), e outro especial que dá o mesmo tratamento a determinadas isenções ou reduções (art. 19 §§ 2º e 4º), não autoriza a interpretação de que o dispositivo especial modifica o conteúdo ou exclui a aplicação do geral. Segundo, porque os dois dispositivos não conflitam mas estão articulados, tanto que o art. 38 faz remissão (embora com a citação errada) ao regime do art. 19. Terceiro porque as normas especiais do art. 19 justificamse por regularem em modalidades de subvenção para investimento para as quais a legislação então em vigor exigia incorporação ao capital, que o DL n. 1.598/77 precisava tratar de modo especial a fim de substituir a capitalização pelo registro em conta de reserva de capital.” "O DL n. 1.598/77 baseouse em anteprojeto de consolidação do imposto sobre o lucro das pessoas jurídicas divulgado pelo Ministério da Fazenda, que mantinha a tradição dos RIR anteriores de tratar as isenções do imposto no Capítulo inicial, como parte da definição das pessoas jurídicas contribuintes; e as isenções da SUDAM e da SUDENE, reguladas nos arts. 31 e seguintes, eram as primeiras normas em que aparecia a figura da subvenção para investimento sob a forma de isenção do imposto. Daí o anteprojeto regular, no art. 36 e seus parágrafos, o tratamento contábil dessas subvenções e a proibição de sua distribuição. "A regra geral que exclui do lucro real qualquer modalidade de doação ou subvenção estava corretamente classificada na parte referente à definição da base de cálculo do imposto (art. 211). Por isso, na redação do projeto do DL ri. 1.598/77 (que procurou observar a disposição das normas do anteprojeto) aparecem dois preceitos um especial e outro geral sobre subvenções para investimentos" (ob. cit. pp. 686692). 5. A exegese do artigo 38 § 2º do Decretolei nº 1.598, de 1977 e do artigo 182, § 1º., "d", da Lei nº 6.404, de 1976. Fl. 7443DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.179 33 Para que a colocações feitas até agora possam se harmonizar visando a integração da matéria ao ordenamento jurídico, é imprescindível proceder a uma análise histórico evolutiva da questão que, com certeza, servirá de apoio às definições que procuramos. De início importante consignar que a legislação societária vigente até o advento da Lei nº 6.404, 1976 não fazia qualquer alusão às subvenções ou doações. Já a legislação tributária, pela Lei nº 4.506, de 1964, regulou apenas as subvenções correntes, não fazendo qualquer referência às doações e subvenções para investimento, dispondo nos seguintes termos: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: IV as subvenções correntes para custeio ou operações, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Com base nesse dispositivo legal, os regulamentos do imposto (inclusive o atual) normatizaram a matéria de forma idêntica. Na verdade, foi com o advento da Lei nº 6.404, de 1976 que pela primeira vez, expressamente a questão das subvenções para investimento e das doações foram reguladas. Em função dessa inovação, o Decretolei nº 1.598, de 1977, no âmbito da legislação do imposto de renda regulou a matéria, dispondo que as subvenções para investimento e as doações, cumpridos os requisitos legais, não seriam tributáveis pelo imposto de renda (art. 38, § 2º). Posteriormente, o Decretolei nº 1.730, de 1979, modificando o § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 1977, restringiu a não tributação das doações pelo imposto de renda apenas às concedidas pelo poder público. Ora, de plano verificase a ilogicidade com que a matéria veio sendo sistematicamente tratada, parecendo evidenciar que o elaborador dos textos legislativos desconhecia (e desconhece) o conceito jurídico de subvenção. Com efeito, a Lei nº 4.506, de 1964 tratou das subvenções correntes recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado ou de pessoas naturais, numa demonstração evidente de que o tratamento tributário deve ser idêntico, e que o termo subvenção, no dizer de Bulhões Pedreira, comumente utilizado para denominar transferências de recursos públicos, foi utilizado para também abrigar a transferência de recursos privados, em outra demonstração evidente de que para o legislador subvenção é uma modalidade de doação. Ou seja, se o legislador tivesse julgado que subvenção e doação não se confundem, não poderia jamais ter tratado as transferências de recursos públicos e privados como se fossem uma única coisa, pois se dúvidas possam existir quanto à caracterização jurídica das transferências de recursos públicos, dúvidas inexistem em relação às transferências de recursos privados: em qualquer de suas modalidades, caracterizase como um ato de doação. Fl. 7444DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.180 34 Por que então teria o legislador, na Lei nº 6.404, de 1976 e por reflexo no Decretolei nº 1.598, de 1977, distinguido as subvenções para investimentos das doações? Este fato estaria demonstrando que subvenção e doação não são expressões sinônimas? A resposta, à vista das considerações feitas no decorrer deste voto, sem dúvida nos conduz à inevitável afirmação de que o legislador utilizou a expressão subvenção, em sinonímia com o termo doação e que num segundo momento, com o advento do Decretolei nº 1.730, de 1979, que restringiu a não tributação das doações às efetivadas pelo poder público, a sinonímia, foi útil, dada a nova redação que se implementou ao § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 1977. Nessa linha de raciocínio pela redação atual do art. 38, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, depreendese que as subvenções para investimento não tributáveis pelo imposto de renda abrangem tanto a transferência de recursos promovidos pelo poder público, quanto pelo poder privado, ao passo que as doações não tributáveis limitamse às transferências de recursos promovidas pelo poder público. Afirmar que subvenção corrente não representa também uma modalidade de doação para daí concluir que os valores correspondentes devem ser contabilizados em resultados, com as conseqüências tributárias reflexas, seria, no mínimo, praticar um contrasenso ilógico e incompreensível. Deveras, como justificar, dentro das regras de hermenêutica e aplicação do direito, o entendimento de que o legislador teve a intenção efetiva de tributar as subvenções correntes e, ao mesmo tempo, a intenção de não tributar as doações, que econômica e juridicamente se enlaçam? Diante desses fatos, realmente se evidencia que o legislador não se utilizou de uma linguagem rigorosamente técnica, razão pela qual diante dessa erronia, devemos preservar o conteúdo legislado, função maior do jurista, conforme oportuna lição de Paulo de Barros Carvalho: A linguagem do legislador é uma linguagem natural penetrada, em certa porção, por termos e locuções técnicas. Nem poderia ser de outra maneira. Os membros das casas Legislativas, em países que se inclinam por um sistema democrático de governo, representam os vários segmentos da sociedade (...). Ponderações desse jaez nos permitem compreender o porquê dos erros, impropriedades técnicas, deficiências e equivocidades que os textos legais cursivamente apresentam. Não é, de forma alguma, o resultado de um trabalho científico e sistematizado. Principalmente no campo tributário, nos últimos tempos, os diplomas se sucedem numa velocidade espantosa, sem que a cronologia corresponda a um plano preordenado e racional. Ainda que as Assembléias nomeiem comissões encarregadas de cuidar dos aspectos formais e jurídicoconstitucionais dos diversos estatutos, prevalece a formação extremamente heterogênea que as caracteriza. "Se, de um lado cabe deplorar produção legislativa tão desordenada, por outro, sobressai com enorme intensidade, o labor científico do jurista, que nesse momento surge como a única pessoa credenciada a desvelar o verdadeiro conteúdo, Fl. 7445DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.181 35 sentido e alcance do texto legislado" (Curso de Direito Tributário, 2º ed. p. 314). Logo, por exigência da interpretação do verdadeiro conteúdo, sentido e alcance do texto legislado adequando os termos utilizados pelo legislador aos conceitos jurídicos aplicáveis, concluiuse que o Decretolei 1.598/77 derrogou o art. 44 da Lei 4.506/64, de sorte que as transferências de recursos promovidas pelo poder público de qualquer espécie, atendidas as condições impostas, não são tributáveis pelo imposto de renda, devendo desde logo ser classificadas em conta de reserva de capital. 6. Contabilização da reserva de capital (valores recebidos a título de subvenções para investimento ou de doações) Os valores recebidos pela sociedade com a finalidade de constituir reserva de capital (dentre os quais as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos) e as doações, na melhor técnica contábil, não devem transitar pela conta de resultados por não representarem, em verdade, lucros auferidos pela empresa. Daí porque tais valores, à medida que recebidos ou auferidos, devem ser creditados diretamente em conta de reserva de capital, como aliás orientam Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, no excelente Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações: 20.3. Reservas de Capital " 20.3. 1. Conceito "As reservas de capital são constituídas com valores recebidos pela companhia e que não transitaram pelo resultado como receitas. (...) "20.3.2. Conteúdo e classificação das contas "d) Doações e subvenções para investimento "I Doações "O valor das doações recebidas pela companhia constituirá reserva de capital. Essas doações poderão ser em dinheiro ou em bens imóveis, móveis ou direitos. (...) "II) Subvenções "Tratandose de subvenções destinadas a investimento (expansão empresarial), devem ser creditadas diretamente nessa conta de reserva de capital doações e subvenções para investimentos para a qual a empresa deve ter subconta por natureza de subvenção recebida. Fl. 7446DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.182 36 Subseqüentemente, citando um exemplo de subvenção para investimento, sob a forma de restituição de ICM, explicam: Em decorrência das normas da Lei 6.404/76 e da legislação fiscal impondo o registro desse favor em conta de reserva de capital, o esquema de lançamento a seguir visualizado pode ser apresentado: DÉBITO CRÉDITO NO MÊS DE COMPETÊNCIA ICM faturado nas vendas X O ICM a recolher X NO RECOLHIMENTO DO ICM a) pelos 100% do imposto ICM a recolher X a Caixa e Bancos X b). pelo valor do incentivo Depósitos Vinculados a liberar a Reserva de Capital e Subvenções p/ investimento X X Esse retorno não é considerado, pois, nem receita nem redução de qualquer despesa, mas sim diretamente como acréscimo do patrimônio líquido, (Ed. Atlas, 3º ed., pp. 417 a 419). Nilton Latorraca que, com rara felicidade, fere ainda a questão da subvenção concedida mediante isenção ou redução de impostos, corroborando as opiniões de ludícibus, Eliseu e Gelbcke, esgotando a questão, esclarece: 21.17Reservas de Capital A lei distingue claramente as reservas de capital das reservas de lucros, quer quanto à constituição delas, quer quanto ao destino que pode ser dado aos seus saldos. (...) "É importante observar que os valores recebidos a esse título aumentarão o patrimônio social mas não serão considerados como receita do exercício, nem demonstrados com lucros; irão diretamente para a conta de reserva de capita (...). E conjugando a legislação societária à tributária, prossegue Latorraca: Como já referimos a Lei nº 6.404, de 1976 dispôs que as subvenções para investimentos constituirão reserva de capital. Isto significa que, em princípio não constituem lucro nem estão disponíveis para distribuição como dividendo. "O Decretolei n. 1.598/77, ao adaptar a legislação fiscal às inovações da Lei das Sociedades por Ações dispôs, em seu art. 38, § 2º, que: "As subvenções para investimentos, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: Fl. 7447DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.183 37 "a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social... "b) ... "Assim, como condição para obter a exclusão do imposto de renda, as pessoas jurídicas que obtiverem subvenções ou doações deverão creditálas à reserva de capital. Até aqui a norma não constitui novidade. Ocorre, porém, que para efeitos dos benefícios fiscais, a norma do art. 38 § 2º, equipara à subvenção a isenção ou a redução de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. “A Lei n. 6.404 referese apenas a doações e subvenções para investimento, o que levaria o intérprete a indagar se não haveria uma aparente incompatibilidade legal. Parecenos que não. O Decretolei n. 1.589 estendeu o uso da reserva de capital para abranger situações que a Lei n. 6.404 não previra. Entender que a reserva de capital, prevista pela Lei n. 6.404, não pode ser usada para registrar a isenção, e a redução concedidas nos termos do art. 38, § 2º, do Decretolei n. 1.598, seria tornar esta norma inaplicável. Concluímos, portanto, como única forma capaz de compatibilizar as duas disposições, que o Decretolei n. 1.598 ampliou o alcance da norma da alínea do § 1º do art. 182 da Lei n. 6.404 para abranger as hipóteses de redução ou isenção excluídas da tributação, na forma do referido § 2º do art. 38 do Decretolei n. 1.598." E enfaticamente conclui: "O Decretolei n. 1.598 equiparou, portanto, à subvenção para investimento o acréscimo patrimonial decorrente' das isenções a que ele se refere. Embora essa norma imponha uma condição para efeitos fiscais, a sua realização depende de uma providência de natureza contábil, que terá de ser feita nos registros permanentes, pois seu objetivo finais é impedir a distribuição do acréscimo patrimonial subsidiado pelo fisco mediante redução ou isenção tributária" (Direito Tributário, Imposto de Renda das Empresas Ed. Atlas, 1988, pp. 351354). 7. Contabilização da Provisão para Imposto de Renda (PIR) em face de hipótese de isenção ou de redução do imposto A contabilização da PIR em regra não oferece maiores dificuldades, prevalecendo sempre a idéia de que o imposto efetivamente a pagar é a despesa que deve ser provisionada quando do encerramento de exercício. Mas é bem verdade que à vista do regime de competência contábil e das regras de apuração do lucro real, que admitem exclusões ou inclusões temporárias, contabilmente,, para não ferir esse regime econômico de apuração de resultados, às vezes faz se necessário provisionar em despesas, a crédito do passivo, o imposto não exigível no exercício, mas devido futuramente em razão de receitas excluídas de tributação, ou, ao contrário, diferir o lançamento de despesa do imposto exigível no exercício, mas relativo a despesas (provisões) dedutíveis futuramente. Fl. 7448DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.184 38 Entretanto, se do ponto de vista da ciência contábil a questão da contabilização da PIR em princípio não comportaria maiores considerações do que as até aqui expendidas, em face das interferências que as normas de direito positivo impõem às sociedades, com reflexos na apuração de suas demonstrações financeiras, forçoso concluir ser inarredável também analisar todas as demais normas da legislação tributária. Assim, nessa linha de raciocínio, não se pode deixar de lado a análise do correto tratamento contábil que as subvenções para investimentos concedidas mediante isenção ou redução de imposto de renda, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, devem receber. Isto porque, se, como quer o legislador (societário e tributário), que os valores relativos às isenções e às reduções tributárias da espécie devem ser creditados diretamente em conta de reserva de capital, para impedir sua distribuição como lucro apurado, visto que o benefício é concedido a título de acréscimo ao patrimônio (transferência de capital), se, para que isto seja possível, os valores não podem e não devem transitar em conta de resultados, evidente que a provisão do imposto de renda em despesa deve ser constituída pelo valor bruto (isto é, desconsiderandose os incentivos), retirandose do passivo criado a parcela destinada à conta de reserva de capital. Nem se diga que essa conclusão seria absurda sob a alegação de que porque a sociedade não pagaria imposto (hipótese de redução), não se justificaria o procedimento técnico contábil. Ora, é exatamente em função da vontade do legislador tributário, que equiparou as isenções ou reduções tributáveis à subvenção, que o tratamento contábil deve ser o acima exposto, pela simples razão de que, por ficção legal, a subvenção, seja de caráter financeiro, seja concedida através das ditas isenções ou reduções tributárias, devem receber idêntico tratamento tributário, ato este, de resto, esgotado pelo eminente Bulhões Pedreira (ob. cit.) Nesse particular, aliás, a orientação emanada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no ofício circular CVM/PTE n. 309/86, está em perfeita consonância com o direito aplicável à matéria e a melhor técnica contábil: "7. Provisão para Imposto de Renda e incentivos fiscais na demonstração do resultado do exercício, o imposto de renda devido será provisionado pelo valor bruto a recolher. Em nota explicativa nas demonstrações financeiras deverá ser evidenciada a parcela relativa a incentivos fiscais embutida no valor bruto provisionado e feita referência à disposição legal permissionária da utilização dos incentivos. Nos casos de isenção temporária, o imposto que seria devido será computado para a determinação do resultado líquido do exercício e, posteriormente, transferido para a respectiva reserva de capital, indicando em nossa explicativa, as datas de início e término do benefício”. Diante desses fatos, com a devida vênia, causanos perplexidade a posição do IBRACONInstituto Brasileiro de Contadores, que é de opinião que nos casos de isenção ou reduções de imposto sobre a renda, as demonstrações contábeis devem refletir o encargo do imposto contabilizado pelo seu valor líquido (imposto efetivo a pagar), sob a alegação de que, em virtude do incentivo fiscal, as empresas não efetuam qualquer desembolso nem têm qualquer ônus, não havendo porque onerar o resultado do exercício por um encargo que não existe, de vez que o benefício fiscal é líquido e certo. Ademais, apresentase nos também incompreensível apropriar de lucros acumulados à conta de reserva de capital o montante da subvenção concedida, eis que tal procedimento não se ajusta às normas da legislação tributária Fl. 7449DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.185 39 e societária, porque o trânsito por resultados, a rigor, implicaria computar o valor na base de distribuição de dividendos (teria composto o lucro líquido do exercício), assim como serviria de base de cálculo do Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL). Daí porque Modesto Carvalhosa e Nüton Latorraca serem enfáticos ao concluir: "É importante observar que os valores recebidos a esse título aumentarão o patrimônio social, mas não serão considerados como receitas do exercício, nem demonstrados como lucros; irão diretamente para a conta de reserva de capital (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, Ed. Saraiva, 1978, p. 38). Nem se diga que na hipótese vertente a sociedade nada recebeu, pois não é demais repetir que a subvenção é concedida, "ex vi legis", via isenção ou redução tributária, que economicamente tem para o Estado um custo equivalente ao de uma subvenção financeira. 8. Conclusões 1. Juridicamente, a subvenção, em qualquer de suas modalidades, caracteriza se como uma doação e, quando concedida pelo poder público, desde que registrada em conta de reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não será tributada pelo imposto de renda. Conseqüentemente, tampouco servirá de base para cálculo da contribuição social e do imposto sobre o lucro líquido. 2. A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em função de sua natureza de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, "a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira" (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização. 3. As isenções ou reduções tributárias não se confundem, juridicamente, com subvenção. Todavia, quando concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, por ficção legal, equiparamse às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário (salvo em relação às isenções ou reduções do imposto de renda que de qualquer forma se submetem à incidência da contribuição social). 4. Com o advento do Decretolei 1.598/77, foi derrogado o art. 44 da Lei 4.506/64. Conseqüentemente, as transferências de recursos promovidas pelo poder público, de qualquer espécie (para investimentos ou correntes), atendidas as condições impostas, não são tributáveis pelo imposto de renda. 5. As subvenções recebidas pela sociedade, inclusive sob a forma de isenções ou redução tributária, devem se registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. 6. A provisão para o imposto de renda deve ser contabilizada pelo valor bruto e, posteriormente, do passivo criado, dever ser transferido para a respectiva conta de Fl. 7450DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.186 40 reserva de capital o montante da isenção ou redução do imposto, concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos” Dessa forma, tendo em vista os documentos acostados aos autos, a legislação que rege a matéria e a jurisprudência acima citada, não remanescem dúvidas em afirmar que os incentivos concedidos pelo Estado do Amazonas por meio da Lei nº 1.939/1989, ao conceder o benefício fiscal do ICMS, caracterizamse como subvenções para investimentos, visto que concedidos como contrapartida da implantação ou expansão do empreendimento da recorrente. No âmbito do citado benefício fiscal, a subvenção concedida se realiza de forma indireta, abrindo mão o Estado de receita que ordinariamente lhe seria devida, configurandose, pois, na esfera do direito civil, em modalidade de doação indireta. A recorrente, desde o momento da celebração do negócio, fez jus aos incentivos, tanto que nas datas aprazadas fará os pagamentos de contribuição financeira, durante todo o período de fruição dos incentivos, em importância correspondente a um e meio por cento sobre o valor do ICMS restituível, em cada período de apuração, em favor da Universidade do Estado do Amazonas – EUA, na forma e no prazo previsto em regulamento, conforme estabelece o artigo 19, IX, da Lei nº 1939/89. Por derradeiro, transcrevo ementas de acórdãos deste Primeiro Conselho de Contribuintes, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, versando sobre a matéria de subvenções para investimentos: Acórdão nº 10194.676, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni: IRPJ. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DÍVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem se registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. Acórdão nº 10193.716, relator o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral: IRPJ. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DÍVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Fl. 7451DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.187 41 Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. Acórdão nº 10194.009, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez: PROGRAMA FOMENTAR SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS – CARACTERIZAÇÃO – DEDUTIBILIDADE DOS CUSTOS FINANCEIROS EXONERADOS PELO ESTADO NO ÂMBITO DO PROGRAMA DE INCENTIVOS CONCEDIDOS – A concessão pelo Estado, de incentivos financeiros ou creditícios, inclusive de natureza tributária, diretos ou indiretos, como forma de implantação ou modernização de empreendimentos econômicos, desde que obedecidos os preceitos do artigo 38, § 2º do Decreto.lei 1598/77, na redação do Decretolei 1730/98, caracterizamse como subvenções para investimentos. Acórdão nº 10706266, relator o Conselheiro Natanael Martins: IRPJ ISENÇÃO LUCRO DA EXPLORAÇÃO FUNDO DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL DO CEARÁ INCENTIVO DE ICMS SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO RECEITA DE NATUREZA OPERACIONAL INCLUSÃO NO LUCRO DA OPERAÇÃO O incentivo concedido pelo Estado do Ceará no âmbito do FDI, em contrapartida de investimentos industriais, não se configura como receita financeira e, sendo contabilizado em resultados, compõe o lucro da exploração para efeitos de cálculo da isenção de IRPJ. Acórdão nº 10309.026, relator o Conselheiro Antonio da Silva Cabral: IRPJ SUBVENÇÕES SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. O incentivo fiscal concedido pelo Estado do Espírito Santo e constante da Lei nº 2.469/69, em razão do qual a empresa está habilitada a destacar 5% do ICM devido para aplicação na subscrição de ações e debêntures conversíveis emitidas por empresa com sede no Estado, inclusive para compra de ações de empresas que estejam sob o controle acionário do Governo do Estado do Espírito Santo ou do Banco do Desenvolvimento do Espírito SantoBANDES, constitui hipótese de subvenção para investimento, sujeitandose às exigências do art. 344 do RIR/80, e não à hipótese de subvenção corrente de que trata o art. 265, inciso I, do RIR/80 Acórdão nº 10316.485, relator o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber: IRPJ SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES E DEBÊNTURES O incentivo fiscal concedido pelo Estado do Espírito Santo, constante da Lei nº 2469/69, em razão do qual a empresa esta habilitada a destacar 5% do ICM devido para aplicação na subscrição de ações e debêntures Fl. 7452DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.188 42 conversíveis, constitui hipótese de subvenção para investimento e não subvenção corrente de que trata o artigo 265, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/80 Acórdão nº 10177.955, relator o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes: IRPJ SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO Assente que a subvenção para investimento, através da redução do valor do ICM, fora destinada, de acordo com a lei estadual competente, à implantação ou expansão de empreendimento econômico, como previsto no artigo 38, § 2º e alínea "a", do Dec.lei número 1.598/77, descabe a tributação do valor da subvenção e, por via de conseqüência, da correção monetária da reserva específica. Acórdão nº CSRF/010.885, Relator o Conselheiro Urgel Pereira Lopes: IRPJ SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO O incentivo fiscal efetivado, com relação à produção sem similar no Estado, mediante restituição dentro de certo prazo a partir de seu recolhimento, de percentagem do I.C.M. devido e recolhido pela empresa beneficiária ao Tesouro do Estado, e que foi investido na própria indústria beneficiária, deve ser entendido como subvenção para investimento, e não subvenção corrente para custeio ou operação. Aliás, do acórdão da CSRF, por pertinente à matéria, vale a pena transcrever o seguinte excerto: O PNCST nº 112/78, no subitem 2.12, acima transcrito, quando falou em efetiva e específica aplicação de subvenção em investimentos previstos ou projetados, foi mais longe. Bulhões Pedreira apontalhe a falta de base legal, nesse ponto. Realmente, se estudada a questão em tese, o PNCST nº 112/78 teria excedido a lei, no particular. Por tudo isso, voto no sentido de dar provimento ao presente item. 5 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. O lançamento é relativo a compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000. Assim, a sua recomposição deverá acompanhar o presente julgamento (é conseqüência do lançamento e por via de conseqüência do julgamento). 6 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Alega a recorrente, que é usual no mercado em que atua, adota a política de fornecer descontos incondicionais aos seus principais clientes por meio de bonificações em mercadorias. Dessa forma, beneficia seus clientes e ainda alavanca suas vendas e sua marca. Fl. 7453DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.189 43 Para instrumentalizar essa forma de desconto incondicional, a Impugnante precisa emitir nova Nota Fiscal para remessa das mercadorias fornecidas como bonificação. Logo, não é possível destacar esse desconto na própria Nota Fiscal de venda, como normalmente ocorre. Esse fato, no entanto, não tem o condão de desnaturar a essência do desconto incondicional. Alega, ainda, que mesmo que as bonificações não pudessem ser caracterizadas como descontos incondicionais, o que se admite apenas ad argumentandum tantum, de forma alguma poderiam ser tidas como liberalidade da recorrente nem como brindes, como quis a fiscalização. Da análise dos autos observase que em resposta ao Termo de Intimação de 26/08/2003, apresentada em 29/08/2003 a contribuinte apresentou demonstrativos referentes aos anocalendário de 1998 a 2001, nos quais um dos itens constantes na apuração apresentada é o denominado “Simples Remessa Livre de Pagamento”, incluído sob a rubrica “Outras Saídas”. Tais quantidades foram aceitas pela fiscalização n a apuração final das diferenças de estoques de produto acabado. Ocorre que, a despeito da veracidade da saída desses produtos, essas operações foram contabilizadas a débito da conta Descontos Incondicionais (fls. 3475/3476). Entretanto, os valores correspondentes a essas saídas caracterizamse como mera liberalidade do contribuinte. Analisando as notas fiscais envolvidas, observase que tais saídas não constituem descontos incondicionais, já que não é possível se admitir que o desconto incondicional possa corresponder ao valor integral da própria nota fiscal. Mesmo que o tratamento dado a operação fosse o de remessas de mercadorias a título de brindes, tal operação, a partir da Lei nº 9.249, de 1995, não é dedutível na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Ora, a fiscalização apurou que a contribuinte procedia a saída das remessas indicando trataremse de "Simples Remessas Livres de Pagamento". A fiscalização também apurou que a contrapartida das saídas foi efetuada na conta "Descontos Incondicionais". Segundo a fiscalização, por se tratar de mera liberalidade do sujeito passivo e os valores corresponderem à totalidade da Nota Fiscal, as operações não poderiam ser enquadradas como descontos e não seriam dedutíveis na apuração do lucro real. Tratando do assunto, a Instrução Normativa SRF nº 51, de 3 de novembro de 1978, define, no item 4.2, descontos incondicionais como sendo parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Na mesma linha de entendimento, os Pareceres CST/SIPR nº 1.386, de 1982, e nº 439, de 1986, aprovaram o seguinte entendimento sobre a matéria: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada . Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas pela IN SRF nº 51/78 como descontos incondicionais. (...).Todavia, como pretende a consulente bonificar o cliente, entregando quantidade maior do que a estipulada, necessário se torna, para que como promoção se enquadre, em termos legais, que a operação se transforme em parcela redutora do preço de venda, Fl. 7454DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.190 44 para que se caracterize, então, o desconto incondicional. Isto pode ser feito computandose, na nota fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em moeda corrente o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída,a título de desconto incondicional, a parcela, em moeda corrente, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real.”. Assim, o valor do desconto ou bonificação de produtos oferecido em cada venda somente poderá ser considerado desconto incondicional se representar parcela redutora do valor da venda e constar na nota fiscal de vendas dos bens. Os valores das bonificações em mercadoria apontados pela impugnante equivalem, conforme constam dos demonstrativos elaborados pela fiscalização, ao valor total das respectivas notas. Inferese, assim, que as bonificações em mercadorias concedidas mencionadas na presente defesa não devem ser excluídas da receita bruta por não revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente, posto que não foram observadas as instruções emanadas da Receita Federal. Diante disso, é de se manter a tributação deste item. 7 DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES do PIS E DA COFINS. Alega a recorrente que a fiscalização não excluiu na apuração da base de cálculo do IRPJ e também da CSLL, o valor correspondente ao lançamento de ofício referente à contribuição para o PIS e também da COFINS, apurados em decorrência da própria ação fiscal. A matéria encontrase disciplinada pelo artigo 280 do RIR/99, que assim dispõe: Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º). No mesmo sentido, a dedução do PIS e da COFINS é autorizada também pelas disposições do art. 344 do mesmo diploma legal, verbis: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º). Fl. 7455DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.191 45 Da análise dos dispositivos acima elencados, é possível concluir que não há qualquer impedimento legal para o acolhimento do pleito do sujeito passivo para a dedução das contribuições do PIS e da COFINS lançadas de ofício, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas na ação fiscal. A partir de 01 de janeiro de 1996, caso constatada omissão no registro de receita por parte do sujeito passivo, a autoridade fiscal deve apurar o valor do imposto devido, respeitando o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica. Nesse caso, para que seja apurada a receita líquida, devem ser deduzidas da receita bruta, as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os tributos incidentes sobre as vendas. Diante disso, em atendimento ao regime de competência, da mesma forma, devem ser computados todos os custos que a oneraram e que não afetaram o lucro líquido . Inexistem quaisquer dúvidas a respeito das contribuições sobre o faturamento em relação a dedutibilidade na apuração do lucro real, logo, na lavratura do lançamento de ofício em que são exigidos o IRPJ e a CSLL e, concomitantemente as contribuições para o PIS e COFINS, estas podem ser deduzidas da base de cálculo daqueles, sob pena de majoração indevida dos tributos cobrados com base no lucro das atividades da empresa. Esta matéria já foi objeto de apreciação por parte da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 10193.776, de 20/03/2002, relatora a ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni, conforme a ementa abaixo: OMISSÃO DE RECEITAS ANOS CALENDÁRIO DE 1996 E 1997 APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAIS Se o contribuinte não traz aos autos a comprovação dos custos que diz corresponderem às receitas omitidas, não há como deduzilos para efeito de apuração do lucro real. Devem, porém, ser deduzidas das receitas omitidas, para fins de apuração da receita líquida, os tributos que comprovadamente incidiram sobre as vendas, no caso, o PIS e a COFINS objeto de lançamento no mesmo procedimento fiscal. Diante disso, em relação aos tributos incidentes sobre as vendas, a dedução daqueles exigidos em decorrência de procedimento fiscal devem ser reduzidos da receita bruta para chegar à receita líquida. 8 – RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO Segundo a recorrente, o lançamento de ofício deveria apurar o IRPJ considerando o lucro da exploração e a isenção SUDAM a que tem direito. Embora a contribuinte afirme que, encontrandose sediada na área de atuação da SUDAM, é beneficiária de isenção do lucro da exploração, tal isenção não tem efeitos sobre a matéria apurada no procedimento fiscal vez que os valores apurados constituemse adições ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real, não interferindo no lucro líquido do exercício apurado pelo sujeito passivo, o qual constitui base para a apuração do lucro da exploração. A matéria foi objeto do Parecer Normativo CST Nº 13/80 o qual conclui em seu item 8 que as adições ao lucro líquido para determinação do lucro real não afetam a Fl. 7456DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.192 46 composição do lucro da exploração, senão quando tal ajuste seja expressamente previsto na legislação tributária. Também o Parecer Normativo CST nº 11/81, abordando o mesmo tema, afirma, nos itens 11 a 13, que o gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular e o montante do benefício, com base no lucro da exploração, está restrito aos valores nela registrados, não se justificando a recomposição do lucro da exploração pela superveniência de lançamento de ofício ou suplementar. Com efeito, com relação ao direito à isenção, a jurisprudência administrativa tem sido desfavorável ao sujeito passivo tendo em vista que o conceito de lucro de exploração está ligado essencialmente ao aspecto contábil. De fato, se a receita foi omitida e não foi contabilizada, esta parcela não integra o lucro de exploração e como tal, não tem direito à isenção. Este entendimento foi sedimentado, com muita propriedade no Parecer Normativo CST nº 11/81 acima referido, onde ficou assentado que: Não se aplicam aos impostos devidos por lançamentos de ofício ou suplementar os incentivos fiscais cujo gozo depende de prévia indicação na declaração de rendimentos. Se o contribuinte não pleitear os incentivos na declaração de rendimentos, poderá fazêlo dentro dos prazos previstos no art. 597 do RIR/80. A partir da vigência do DL 1.598/77, o gozo da isenção e redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende da manutenção de escrita mercantil regular e o montante do benefício será restrito aos valores nela registrados. Entre outras considerações, o referido Parecer Normativo apresenta os seguintes argumentos para sustentar a tese eleita: 10. Muito embora satisfeitas as obrigações principais e acessórias, pode ocorrer a superveniência de lançamento de ofício, nas situações enunciadas no art. 676 do RIR/80, ou a exigência de suplemento de imposto já lançado. Em ambos os casos, os lançamentos podem ter origem em: I Omissão de receitas II Valores indedutíveis não oferecidos à tributação 11. O dever de manter escrituração com base nas leis comerciais e fiscais implica obrigatoriedade de observância dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, inclusive, pois, do regime de competência. Dessarte, as receitas omitidas em determinado períodobase da escrituração comercial e, posteriormente ocasionadora de lançamento de ofício ou suplementar não podem ser aceitas para efeito de recomposição da base de Fl. 7457DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.193 47 cálculo do lucro isento (total ou parcialmente), porque não foram computadas oportunamente no lucro líquido do exercício. 12. Por outro lado, importa notar que o resultado da escrituração comercial da pessoa jurídica afetado por todas as despesas registradas no períodobase de apuração, de sorte que é irrelevante para a determinação do lucro líquido do exercício (ponto de partida para a formação do lucro da exploração) distinguirse se a despesa é dedutível ou indedutível para efeitos fiscais. 13. Essa observação aliada ao fato de que os ajustes do lucro líquido do exercício (RIR/80, arts. 387, e 388), na determinação do lucro real, não tem reflexo no lucro da exploração, nos permite concluir que a superveniência de lançamento “ex officio” ou de lançamento suplementar, decorrente de valores indedutíveis não oferecidos à tributação, jamais poderia justificar a recomposição da base de calculo do lucro beneficiado com a isenção total ou parcial. A jurisprudência administrativa está sedimentada no mesmo sentido, conforme Acórdãos, e entre outros julgados, além das ementas citada na decisão recorrida, merece transcrição, a seguinte ementa: ALCANCE DO BENEFÍCIO A isenção referese ao imposto e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração. Não alcança parcelas do tributo calculado em função de despesas indedutíveis ou de receitas omitidas, porque tais parcelas adicionadas ao lucro líquido para determinação do lucro real não podem afetar o lucro da exploração, salvo quando se tratar de ajuste expressamente previsto na legislação (Ac. 1052.981/88 DOU 08/06/89) No caso de omissão de receitas onde fica patente a intenção de desviar as receitas da pessoa jurídica para outras finalidades, mesmo comprovado o retorno para a empresa dos recursos desviados, por outros meios, ou nas hipóteses de despesas indedutíveis, a jurisprudência administrativa não tem sido favorável ao sujeito passivo. Com efeito, o Acórdão n° 10311.666/91 (cópia anexada pela recorrente, às fls. 144) confirma a tese contida no Parecer Normativo CST n° 11/81, com a seguinte ementa: ISENÇÃO LUCRO DA EXPLORAÇÃO Devem ser adicionadas ao lucro líquido, para apuração do lucro real, as despesas indedutíveis assim como definidas na legislação fiscal. A verificação pela fiscalização, da falta desta adição não interfere no lucro da exploração que permanecerá o mesmo após o devido ajuste. Nestas condições e relativamente a isenção da SUDAM, acompanho a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, no sentido de que como a isenção é calculada sobre o lucro da exploração, tal isenção não alcança as receitas omitidas e nem as despesas indedutíveis. Fl. 7458DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.194 48 9 ANTECIPAÇÃO NO PAGAMENTO DO IRPJ AJUSTE COM O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A recorrente insurgese contra o procedimento fiscal sob o argumento de que o autuante não considerou as antecipações do IRPJ realizadas nos seguintes períodos: ano calendário 2001; 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário 2000 e 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1999. Antes da análise do pleito, mister destacar que nos termos do disposto no caput do artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995, verificada a omissão e receita, o lançamento será efetivado de acordo com o regime de tributação do sujeito passivo: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A citação se fez necessária porque a impugnante argumenta que a fiscalização desconsiderou as antecipações, mas não foi isso o que aconteceu. No ano calendário de 1999, a impugnante optou pela apuração do lucro real (trimestral). Assim, nos casos em que houve a detecção de omissão de receita, o IRPJ devido foi apurado trimestralmente, considerandose o que a impugnante houvera apurado no período. A comprovação consta nos documentos às folhas 3.179, 3.418, 3.419, 3.421 e 3.462. À guisa de exemplo, citese as infrações apuradas no último trimestre do anocalendário de 1999. Somados, os valores apurados alcançaram R$ 15.029.990,78 (fl. 3.426). Na composição do lançamento, a fiscalização adicionou o valor apurado ao prejuízo indicado na DIRPJ para o período (fl. 3.426), resultando em saldo a ser tributado de R$ 9.958.901,64 (R$ 15.029.990,78 + (802.988,44) = R$ 9.958.901,64). Caso a empresa tivesse apurado lucro no período em questão, o lançamento alcançaria a totalidade dos valores apurados de ofício. Assim, nos casos de prejuízos apurados, reduzse a base de cálculo do lançamento. O mesmo não acontece nos caso de lucro, quando a fiscalização não pode somar os valores apurados com o lucro já tributado. No que se refere à antecipação do IRPJ, que a impugnante alega existir, não procedem os argumentos. No anocalendário de 1999, a impugnante apurou prejuízo em todos os trimestres (fls. 3.131 e 3.134). No anocalendário de 2000, a impugnante apurou prejuízo nos 1º, 2º e 4º trimestres (fls. 3.239 a 3.241). No terceiro trimestre, a impugnante não apurou prejuízo, mas não recolheu qualquer parcela a título de IRPJ. No anocalendário de 2001, a impugnante optou pela apuração anual do IRPJ (fr. 3.280). Nessa condição, apurou prejuízo na ordem de R$ 9.130.821,24 que foram excluídos do valor apurado (fl. 3.431). Nessas condições, não tem razão a recorrente, pois ainda que tivesse efetuado antecipações de imposto de renda sem o correspondente aproveitamento (compensação) com valores a recolher, tratase de uma iniciativa da própria contribuinte que não pode ser exercida pela fiscalização, visto que, ainda que por ocasião da ação fiscal eventualmente pudesse existir valores a compensar, não é possível acolher tal pleito, pois a compensação poderia ter sido realizada pela empresa de forma espontânea nos períodosbase subseqüentes. Fl. 7459DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.195 49 Em decorrência do exposto, não merece reparos o lançamento neste item. 10 – QUANTO A TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL, PIS e COFINS Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das seguintes irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial: a) Omissão de receitas decorrente da glosa de abatimentos e descontos incondicionais não comprovados; b) Omissão de receitas decorrente da apuração de diferenças de estoque; c) Perdas no recebimento de créditos referentes a baixas efetuadas sem comprovação das condições necessárias; e d) Omissão de receitas operacionais relativas a subvenções para investimento. Já no que toca aos Autos de Infrações relativo ao PIS e a COFINS, os motivos ensejadores da autuação são: a) Omissão de receitas decorrentes da glosa de abatimentos e descontos incondicionais não comprovados; e b) Omissão de receitas decorrente da apuração de supostas diferenças de estoque. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ, relativo ao item 003 do AI (Perdas no Recebimento de Créditos), os valores de R$ 10.033.280,90; R$ 2.507.085,98; e R$ 534.714,56 (valor lançado), correspondente aos anoscalendário de 1998, 2000 e 2001, respectivamente; relativo ao item 004 do AI (Subvenções – omissões) a integralidade dos valores lançados, bem como deduzir das receitas omitidas para fins de apuração da receita líquida a incidência do PIS e da COFINS. Fl. 7460DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.196 50 JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto exterioriza as razões de decidir nos seguintes pontos em que o I. Relator restou vencido: Tributação de subvenções (item 4), Na sessão de 05 de dezembro de 2012, esta Turma de Julgamento decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário relativamente à tributação de subvenções (item 4). Naquela ocasião, esta Conselheira votou pelas conclusões do I. Relator, por não concordar com seus fundamentos, como já demonstrado no voto vencido do Acórdão nº 110100.661 (processo administrativo nº 10980.0724631/201065), que abordou benefício fiscal concedido pelo Estado do Paraná. Naquele voto vencido demonstrouse a necessidade de se avaliar as condições para concessão da subvenção e as contrapartidas exigidas, antes de concluir por sua caracterização como subvenção para investimento. Inclusive, abordouse especificamente o Acórdão nº 910100.556, demonstrandose que as circunstâncias materiais ali apreciadas eram significativamente diferentes daquelas tratadas no processo administrativo nº 10980.0724631/201065. E, no Acórdão nº 910100.556 abordouse, justamente a concessão de incentivos fiscais pelo Estado do Amazonas, veiculada pela Lei Estadual nº 1.939/89, a mesma aqui invocada pela recorrente. Demonstrouse, ali, que o objetivo da lei era a integração, expansão, modernização e consolidação dos setores agropecuário, agroindustrial, industrial, comercial e de prestação de serviços, com ênfase no desenvolvimento do Estado. Além disso, abordouse aspectos daquele ato legal, e de outros que o sucederam, para evidenciar a obrigação das empresas beneficiárias de promover o desenvolvimento da região, mediante a realização de investimentos, inclusive expondo a necessidade de apresentação de projeto técnico e de viabilidade econômica que demonstre a exeqüibilidade do empreendimento. Diante de tal contexto, para afirmar tributável a subvenção concedida pelo Estado do Amazonas, a autoridade fiscal deveria ter demonstrado que este benefício não teve contrapartida em investimentos. Todavia, a autoridade lançadora limitouse a dizer que o não oferecimento das subvenções à tributação estava em desacordo com o art. 392, inciso I do RIR/99 (que trata das subvenções para custeio), citando decisão da SRRF/5a RF em processo de consulta, nos seguintes termos: Os valores correspondentes à redução de imposto decorrente de benefício fiscal concedido de forma desvinculada, no tocante a sua destinação (inexistência de Fl. 7461DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.197 51 vinculação para aplicação em bens e direitos), são tributáveis como integrantes do lucro operacional. Nada foi dito para subsidiar a conclusão de que o benefício fiscal foi concedido de forma desvinculada. Assim, não cabia à autuada, demonstrar em sua defesa, referida aplicação, como entendeu a autoridade julgadora de 1a instância e a autoridade diligenciante. A Fiscalização deveria ter exigido a documentação comprobatória do benefício, e demonstrado que não havia, ali, evidências de investimento. Por estas razões, não há como manter a tributação dos valores correspondentes ao incentivo fiscal. Estas as razões, portanto, acolhidas pela maioria qualificada desta Turma de Julgamento, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, relativamente à tributação de subvenções. Glosa de perdas no recebimento de créditos (item 3) Ainda na sessão de 05 de dezembro de 2012, foi dado provimento ao recurso voluntário para cancelar as glosas de perdas no recebimento de créditos (item 3). Todavia, observase que o I. Relator não propôs a exclusão integral, mas sim parcial do crédito tributário lançado, acolhendo, com alguns ajustes, o resultado da diligência inicialmente proposta. Neste sentido, portanto, a decisão seria por provimento parcial ao recurso voluntário. Necessário, porém, ressalvar que esta Conselheira, em vistas aos autos, concluiu por dar provimento ao recurso voluntário em menor extensão, especificamente em relação à glosa de R$ 10.431.987,51, promovida no anocalendário 1998. Neste ponto, disse a autoridade administrativa, ao final da diligência, que do montante correspondente a perdas vinculadas ao cliente Lojas Arapuã Ltda, somente R$ 2.676.120,08 seria dedutível em 1998, sendo o restante (R$ 6.317.637,89) atribuível ao anocalendário 1999, quando atendidos os requisitos das alíneas “b” e “c”, inciso II, do §1o do art. 9o da Lei nº 9.430/96. No mesmo sentido manifestouse relativamente ao cliente Lojas Gomes, admitindo as baixas de R$ 380.183,86 em 1998, mas atribuindo ao anocalendário 1999 a parcela de R$ 51.810,96. No total, a parcela de R$ 6.369.448,85 somente seria dedutível em 1999. Especificamente as perdas com créditos em face do cliente Loja Gomes, passaram a ser dedutíveis quando vencidos há mais de um ano, requisito que se verificou no 1o trimestre de 1999, dado que as notas fiscais, nos valores entre R$ 5.000,00 e R$ 30.000,00, tinham por vencimento 11/01/98. Com referência às perdas com créditos em face do cliente Lojas Arapuã, a tabela elaborada pela autoridade administrativa ao final da diligência deve ser acrescida de uma coluna, que indica o período de apuração no qual os créditos passam a estar vencidos há mais de um ano, reunindo todos os requisitos de dedutibilidade, como abaixo demonstrado: ALÍNEA "B", INCISO II, PARÁGRAFO 1º LEI 9.430/96 FATURA VENCIMENTO VALOR DEDUTIBILIDADE 17042 02/05/1998 20.546,50 30/06/1999 17377 02/05/1998 25.061,25 30/06/1999 17431 03/05/1998 25.373,00 30/06/1999 18350 21/05/1998 25.373,00 30/06/1999 18700 27/05/1998 25.061,25 30/06/1999 Fl. 7462DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.198 52 17378 02/05/1998 9.950,27 30/06/1999 17384 02/05/1998 12.591,48 30/06/1999 18669 31/05/1998 6.367,68 30/06/1999 16867 12/06/1998 28.752,32 30/06/1999 16827 11/06/1998 9.836,32 30/06/1999 10750 19/01/1998 5.034,00 31/03/1999 17047 02/05/1998 20.546,50 30/06/1999 16683 23/04/1998 29.223,00 30/06/1999 18046 21/05/1998 14.611,00 30/06/1999 18376 26/05/1998 21.385,00 30/06/1999 10332 10/02/1998 24.640,00 31/03/1999 17909 11/05/1998 15.220,00 30/06/1999 17910 11/05/1998 18.264,00 30/06/1999 17941 11/05/1998 15.220,00 30/06/1999 18314 25/05/1998 20.070,40 30/06/1999 16830 11/06/1998 28.752,32 30/06/1999 16685 23/04/1998 29.223,00 30/06/1999 17049 30/04/1998 8.766,90 30/06/1999 17383 02/05/1998 28.480,00 30/06/1999 17591 07/05/1998 28.480,00 30/06/1999 18378 26/05/1998 21.385,00 30/06/1999 9109 15/01/1998 16.758,00 31/03/1999 8963 11/01/1998 23.200,00 31/03/1999 8946 11/01/1998 16.758,00 31/03/1999 9895 02/02/1998 7.700,00 31/03/1999 Total 582.630,19 ALÍNEA "C", INCISO II, PARÁGRAFO 1º LEI 9.430/96 FATURA VENCIMENTO VALOR DEDUTIBILIDADE 18664 31/05/1998 38.493,90 30/06/1999 17379 02/05/1998 42.720,00 30/06/1999 17385 02/05/1998 88.809,00 30/06/1999 17587 07/05/1998 60.153,00 30/06/1999 17592 07/05/1998 42.720,00 30/06/1999 18351 21/05/1998 88.805,50 30/06/1999 18472 22/05/1998 80.200,00 30/06/1999 18667 31/05/1998 85.544,00 30/06/1999 17380 02/05/1998 88.809,00 30/06/1999 17588 07/05/1998 60.153,00 30/06/1999 18352 21/05/1998 88.805,50 30/06/1999 18473 22/05/1998 80.200,00 30/06/1999 18702 31/05/1998 104.791,40 30/06/1999 16828 11/06/1998 37.832,00 30/06/1999 17355 09/05/1998 102.735,00 30/06/1999 Fl. 7463DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.199 53 17356 09/05/1998 53.422,20 30/06/1999 17381 02/05/1998 56.960,00 30/06/1999 17386 02/05/1998 150.382,50 30/06/1999 17432 03/05/1998 137.019,60 30/06/1999 17589 07/05/1998 56.960,00 30/06/1999 18047 21/05/1998 102.277,00 30/06/1999 18587 23/05/1998 150.375,00 30/06/1999 18589 23/05/1998 106.566,60 30/06/1999 16829 11/06/1998 101.500,00 30/06/1999 10173 09/02/1998 61.600,00 31/03/1999 10174 09/02/1998 61.600,00 31/03/1999 10331 10/02/1998 30.800,00 31/03/1999 10988 26/02/1998 34.000,00 31/03/1999 10989 26/02/1998 34.000,00 31/03/1999 16684 23/04/1998 62.720,00 30/06/1999 16791 25/04/1998 88.200,00 30/06/1999 17048 30/04/1998 94.080,00 30/06/1999 17357 09/05/1998 220.500,00 30/06/1999 17358 09/05/1998 66.150,00 30/06/1999 17382 02/05/1998 117.365,76 30/06/1999 17387 02/05/1998 232.394,40 30/06/1999 17389 02/05/1998 50.736,24 30/06/1999 17433 03/05/1998 147.042,00 30/06/1999 17590 07/05/1998 50.736,24 30/06/1999 17593 07/05/1998 117.365,76 30/06/1999 18048 21/05/1998 31.360,00 30/06/1999 18308 25/05/1998 215.129,60 30/06/1999 18353 21/05/1998 147.042,00 30/06/1999 18377 26/05/1998 91.800,00 30/06/1999 18456 22/05/1998 147.042,00 30/06/1999 18588 23/05/1998 161.385,00 30/06/1999 18706 27/05/1998 147.042,00 30/06/1999 18707 27/05/1998 51.737,00 30/06/1999 18794 28/05/1998 101.134,60 30/06/1999 18935 04/06/1998 195.075,00 30/06/1999 16686 23/04/1998 41.094,00 30/06/1999 17359 09/05/1998 41.094,00 30/06/1999 17388 02/05/1998 50.127,50 30/06/1999 18049 21/05/1998 35.066,40 30/06/1999 18354 21/05/1998 126.865,00 30/06/1999 18457 22/05/1998 50.125,00 30/06/1999 8944 11/01/1998 40.000,00 31/03/1999 8945 11/01/1998 67.032,00 31/03/1999 9108 15/01/1998 67.032,00 31/03/1999 Fl. 7464DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.200 54 9733 01/02/1998 42.500,00 31/03/1999 9734 01/02/1998 42.500,00 31/03/1999 9735 01/02/1998 42.500,00 31/03/1999 9736 01/02/1998 70.000,00 31/03/1999 9737 01/02/1998 70.000,00 31/03/1999 9891 02/02/1998 61.600,00 31/03/1999 9892 02/02/1998 61.600,00 31/03/1999 9893 02/02/1998 61.600,00 31/03/1999 Total 5.735.007,70 Desta forma, os valores glosados pela Fiscalização passam a ser dedutíveis em: a) 1º trimestre de 1999: FATURA VENCIMENTO VALOR DEDUTIBILIDADE 10750 19/1/1998 5.034,00 31/3/1999 10332 10/2/1998 24.640,00 31/3/1999 9109 15/1/1998 16.758,00 31/3/1999 8963 11/1/1998 23.200,00 31/3/1999 8946 11/1/1998 16.758,00 31/3/1999 9895 2/2/1998 7.700,00 31/3/1999 10173 9/2/1998 61.600,00 31/3/1999 10174 9/2/1998 61.600,00 31/3/1999 10331 10/2/1998 30.800,00 31/3/1999 10988 26/2/1998 34.000,00 31/3/1999 10989 26/2/1998 34.000,00 31/3/1999 8944 11/1/1998 40.000,00 31/3/1999 8945 11/1/1998 67.032,00 31/3/1999 9108 15/1/1998 67.032,00 31/3/1999 9733 1/2/1998 42.500,00 31/3/1999 9734 1/2/1998 42.500,00 31/3/1999 9735 1/2/1998 42.500,00 31/3/1999 9736 1/2/1998 70.000,00 31/3/1999 9737 1/2/1998 70.000,00 31/3/1999 9891 2/2/1998 61.600,00 31/3/1999 9892 2/2/1998 61.600,00 31/3/1999 9893 2/2/1998 61.600,00 31/3/1999 Lojas Arapuã 942.454,00 Lojas Gomes 51.810,96 Total 994.264,96 Fl. 7465DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.201 55 b) 2º trimestre de 1999: FATURA VENCIMENTO VALOR DEDUTIBILIDADE 17042 2/5/1998 20.546,50 30/6/1999 17377 2/5/1998 25.061,25 30/6/1999 17431 3/5/1998 25.373,00 30/6/1999 18350 21/5/1998 25.373,00 30/6/1999 18700 27/5/1998 25.061,25 30/6/1999 17378 2/5/1998 9.950,27 30/6/1999 17384 2/5/1998 12.591,48 30/6/1999 18669 31/5/1998 6.367,68 30/6/1999 16867 12/6/1998 28.752,32 30/6/1999 16827 11/6/1998 9.836,32 30/6/1999 17047 2/5/1998 20.546,50 30/6/1999 16683 23/4/1998 29.223,00 30/6/1999 18046 21/5/1998 14.611,00 30/6/1999 18376 26/5/1998 21.385,00 30/6/1999 17909 11/5/1998 15.220,00 30/6/1999 17910 11/5/1998 18.264,00 30/6/1999 17941 11/5/1998 15.220,00 30/6/1999 18314 25/5/1998 20.070,40 30/6/1999 16830 11/6/1998 28.752,32 30/6/1999 16685 23/4/1998 29.223,00 30/6/1999 17049 30/4/1998 8.766,90 30/6/1999 17383 2/5/1998 28.480,00 30/6/1999 17591 7/5/1998 28.480,00 30/6/1999 18378 26/5/1998 21.385,00 30/6/1999 18664 31/5/1998 38.493,90 30/6/1999 17379 2/5/1998 42.720,00 30/6/1999 17385 2/5/1998 88.809,00 30/6/1999 17587 7/5/1998 60.153,00 30/6/1999 17592 7/5/1998 42.720,00 30/6/1999 18351 21/5/1998 88.805,50 30/6/1999 18472 22/5/1998 80.200,00 30/6/1999 18667 31/5/1998 85.544,00 30/6/1999 17380 2/5/1998 88.809,00 30/6/1999 17588 7/5/1998 60.153,00 30/6/1999 18352 21/5/1998 88.805,50 30/6/1999 18473 22/5/1998 80.200,00 30/6/1999 18702 31/5/1998 104.791,40 30/6/1999 Fl. 7466DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.202 56 16828 11/6/1998 37.832,00 30/6/1999 17355 9/5/1998 102.735,00 30/6/1999 17356 9/5/1998 53.422,20 30/6/1999 17381 2/5/1998 56.960,00 30/6/1999 17386 2/5/1998 150.382,50 30/6/1999 17432 3/5/1998 137.019,60 30/6/1999 17589 7/5/1998 56.960,00 30/6/1999 18047 21/5/1998 102.277,00 30/6/1999 18587 23/5/1998 150.375,00 30/6/1999 18589 23/5/1998 106.566,60 30/6/1999 16829 11/6/1998 101.500,00 30/6/1999 16684 23/4/1998 62.720,00 30/6/1999 16791 25/4/1998 88.200,00 30/6/1999 17048 30/4/1998 94.080,00 30/6/1999 17357 9/5/1998 220.500,00 30/6/1999 17358 9/5/1998 66.150,00 30/6/1999 17382 2/5/1998 117.365,76 30/6/1999 17387 2/5/1998 232.394,40 30/6/1999 17389 2/5/1998 50.736,24 30/6/1999 17433 3/5/1998 147.042,00 30/6/1999 17590 7/5/1998 50.736,24 30/6/1999 17593 7/5/1998 117.365,76 30/6/1999 18048 21/5/1998 31.360,00 30/6/1999 18308 25/5/1998 215.129,60 30/6/1999 18353 21/5/1998 147.042,00 30/6/1999 18377 26/5/1998 91.800,00 30/6/1999 18456 22/5/1998 147.042,00 30/6/1999 18588 23/5/1998 161.385,00 30/6/1999 18706 27/5/1998 147.042,00 30/6/1999 18707 27/5/1998 51.737,00 30/6/1999 18794 28/5/1998 101.134,60 30/6/1999 18935 4/6/1998 195.075,00 30/6/1999 16686 23/4/1998 41.094,00 30/6/1999 17359 9/5/1998 41.094,00 30/6/1999 17388 2/5/1998 50.127,50 30/6/1999 18049 21/5/1998 35.066,40 30/6/1999 18354 21/5/1998 126.865,00 30/6/1999 18457 22/5/1998 50.125,00 30/6/1999 Lojas Arapuã 5.375.183,89 Nestes termos, relativamente aos créditos em face do cliente Lojas Arapuã baixados em 1998, perdas no valor de R$ 942.454,00 são dedutíveis no 1o trimestre de 1999, e perdas no valor de R$ 5.375.183,89 no 2o trimestre de 1999. Somadas às perdas em face do cliente Lojas Gomes, no valor de R$ 51.810,96, as perdas dedutíveis no 1o trimestre de 1999 elevamse para R$ 994.264,96; Fl. 7467DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.203 57 Tendo em conta as demais análises relativas às perdas registradas em 1998, entendeu o I. Relator que estariam comprovadas as parcelas de R$ 3.663.832,05, dedutível no próprio anocalendário, e de R$ 6.369.448,85, dedutível apenas no anocalendário 1999. Contudo, esta demonstração, em princípio, evidenciaria postergação do pagamento dos tributos incidentes sobre o lucro, na medida em que a despesa contabilizada em 1998 somente poderia têlo sido em 1999. Constatase que a contribuinte havia apresentado, à Fiscalização, elementos pertinentes aos créditos habilitados judicialmente, dentre os quais o mais significativo seria aquele referente ao cliente Lojas Arapuã S/A. E a Fiscalização, ao analisar estas provas, afirmou que elas não se prestam para atender às condições de dedutibilidade exigidas pela legislação, pois o contribuinte não comprovou que as parcelas dos créditos em relação às quais as empresas concordatárias se comprometeram a pagar não foram honradas. Por sua vez, a prova do atendimento a estas condições somente se fez ao longo do contencioso administrativo, de modo que a sua admissibilidade deve ser feita com a imputação das conseqüências que se verificariam se tais elementos fossem apresentados à Fiscalização. Assim, se no contencioso administrativo a contribuinte comprovou que a parcela de R$ 6.369.448,85, deduzida em 1998, somente reuniria as condições de dedutibilidade em 1999, o crédito tributário apurado sobre aquele valor, em 1998, subsiste, e caberia à autoridade administrativa, apenas, determinar se houve IRPJ e CSLL postergados nos correspondentes períodos de apuração de 1999, imputando estes valores como recolhimentos em atraso aos débitos aqui lançados nos períodos de apuração de 1998, acrescidos de multa de mora e juros de mora, consoante determina o art. 61 da Lei nº 9.430/96 em tais casos. Ocorre que, analisandose a reconstituição da apuração da contribuinte, promovida por meio do lançamento de ofício aqui em debate, constatase que não houve, originalmente, apuração de base tributável nos 1o e 2o trimestres de 1999 pela contribuinte. No 1o trimestre de 1999 ela apurara prejuízo fiscal superior às infrações aqui identificadas de R$ 909.642,44, e base de cálculo negativa de R$ 315.406,36. No 2o trimestre de 1999 apurara prejuízo fiscal de R$ 1.191.960,67, e base de cálculo negativa de R$ 452.183,41. Logo, não há tributos devidos nos períodos subseqüentes a serem imputados àqueles que deixaram de ser recolhidos em 1998. Ainda, como exposto ao longo deste voto, parte das demais infrações imputadas à contribuinte nos 1o e 2o trimestres de 1999 – receitas de subvenções e glosa de abatimentos – não merecem subsistir, restando naqueles períodos apenas a infração referente a abatimentos, no valor de R$ 1.273.191,92, pertinente ao 2o trimestre de 1999, que será, assim, afetada pelo reconhecimento da dedutibilidade da parcela de R$ 5.375.183,89, antes demonstrada. Estas as razões para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à glosa de perda no recebimento de créditos, de modo a excluir da base tributável dos períodos de apuração de 1998 o valor de R$ 3.663.832,05, das bases tributáveis de 2000 o valor de R$ 2.507.085,98 e das bases tributáveis de 2001 o valor de R$ 534.714,56. Quanto à parcela de R$ 5.375.183,89 reconhecida como dedutível no 2o trimestre/99, seu efeito nestes autos é afastar as incidências tributárias sobre a glosa de R$ 1.273.191,92, mantida sob o título Abatimentos e Descontos Incondicionais não comprovados (item 1), na medida em que o I. Relator alterou a condução do voto para acompanhar o entendimento desta Conselheira, exposto a seguir em declaração de voto Fl. 7468DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.204 58 Dedutibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS (item 7) Embora o regime de competência seja a regra para determinação dos valores que integram a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, há exceções previstas em lei, e uma delas é a estipulada no art. 41 da Lei nº 8.981/95, que alcança os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Deflui daí que os valores lançados de ofício, sujeitos a recurso administrativo e efetivamente questionados administrativamente, não são dedutíveis enquanto sua exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. Argumentase que a suspensão da exigibilidade não estaria presente à época da lavratura do Auto de Infração, e que neste momento deveria ter sido promovida a correta recomposição da base de cálculo. Todavia, o lançamento à época em que formalizado não era exigível, em razão do prazo concedido para sua discussão administrativa. De fato, a doutrina processual civil é forte no sentido de que a suspensão dos efeitos da sentença se dá com a mera recorribilidade do ato judicial: prolatada e publicada a sentença, seus efeitos já se encontram suspensos, independentemente da interposição da apelação. A efetiva interposição do recurso recebido no efeito suspensivo altera o título da suspensão dos efeitos da sentença. Enquanto cabível o recurso, durante o prazo estipulado pela legislação, a regra é que também se produza o efeito suspensivo. Neste sentido são as lições de Nelson Nery Jr. e Rosa Maria Andrade Nery (in Código de Processo Civil Comentado, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 716), bem como de Vicente Greco Filho (in Direito Processual Civil Brasileiro, São Paulo, Saraiva, 2000, v. 2, p. 296). Ressaltese, ainda, que a ausência de impugnação de parte da exigência não significa que a contribuinte poderia deduzir aqueles valores na apuração do IRPJ e da CSLL lançados. Na linha do que até aqui exposto, expirado o prazo de impugnação, sem que esta fosse interposta, a contribuinte poderia, sim, deduzir os valores exigidos na apuração do IRPJ e da CSLL, mas no período em que tais tributos tiverem a sua exigibilidade restaurada, e não retroativamente, no período de apuração ao qual se refere a exigência. Portanto, não há que se falar em dedução daquelas contribuições nos períodos de apuração aqui autuados, mas tão somente nos períodos de apuração subseqüentes ao lançamento de ofício, quando restaurada a exigibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS também lançadas de ofício. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à dedutibilidade, na apuração do IRPJ e da CSLL, da Contribuição ao PIS e da COFINS lançadas de ofício. EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 7469DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.205 59 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA No que tange à infração relativa a abatimentos e descontos incondicionais não comprovados (item 1) na sessão de 05 de dezembro de 2012 o I. Relator apresentou seu voto mantendo as glosas R$ 4.297.562,58 em 1998, R$ 2.317.980,44 em 1999 e R$ 2.725.850,60 em 2001. Esta Conselheira, porém, pediu vistas dos autos para compreender melhor a relação desta infração com aquela pertinente a glosa de bonificações (item 6 do voto do I. Relator, também denominada “adições não computadas na apuração do lucro real”) relativamente à qual o I. Relator também propunha a manutenção da exigência. De plano foi possível constatar que, embora provenientes da mesma conta contábil (312010500001 – Descontos Incondicionais), estão perfeitamente diferenciadas as glosas procedidas pela Fiscalização nos dois itens antes mencionados. De fato, à fl. 3462, no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora relaciona os lançamentos contábeis, com seus respectivos data, histórico e valor, os quais compõem os valores glosados de R$ 4.297.562,58 no 4o trimestre/98, R$ 2.317.980,44 no 2o trimestre/99 e R$ 2.725.850,60 no 2o semestre/2001 (cisão). E no demonstrativo de fls. 3475/3476 estão relacionados os lançamentos, detalhados da mesma forma, que compõem as glosas de bonificações, nos períodos de apuração de 1999 a 2001. As matérias se confundem em razão da defesa da autuada: os abatimentos/descontos incondicionais glosados nos valores de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 também corresponderiam a bonificações, e assim seriam dedutíveis. O fiscal diligenciante admitiu os esclarecimentos da contribuinte neste sentido, e promoveu o tratamento das parcelas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 juntamente com as glosas demonstradas às fls. 3475/3476. Não se trata, pois, de inovação, mas apenas de acolhimento das razões de defesa da recorrente. Quanto aos descontos incondicionais demonstrados à fl. 3462, parcialmente questionados pela contribuinte, observouse na diligência fiscal que, excluídos os itens classificáveis como bonificações, remanesceriam, dos itens glosados e contestados pela contribuinte, as parcelas de R$ 1.787.890,67 (29/12/98), R$ 378.430,27 (30/12/98), R$ 1.273.191,92 (28/04/99) e R$ 1.590.365,00 (31/12/2001), sem qualquer justificativa apresentada pela autuada. De outro lado, a parcela de R$ 1.135.485,60 (24/08/2001) teria sido esclarecida como estorno, de onde se conclui que a glosa não poderia subsistir. Assim, relativamente à glosa de Abatimentos e Descontos Incondicionais não comprovados (item 1), excluo desta categoria as parcelas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 (4o trimestre/98) e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 (2o trimestre/99), tratandoas no próximo item deste voto, e relativamente às demais parcelas glosadas, as razões acima expostas conduzem a DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a exigência incidente sobre a parcela de R$ 1.135.485,60 (24/08/2001 – 2o semestre/2001 cisão) e manter a incidência sobre as demais parcelas de R$ 1.787.890,67 (29/12/98 – 4o trimestre/98), R$ 378.430,27 (30/12/98 – 4o trimestre/98), R$ 1.273.191,92 (28/04/99 – 2o trimestre/99) e R$ 1.590.365,00 (31/12/2001 – 2o semestre/2001 cisão), mas ressalvandose que não subsistirá base tributável no 2o trimestre de 1999, na medida em que a parcela reconhecida como passível Fl. 7470DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.206 60 de glosa é inferior às perdas que, glosadas em 1998, foram admitidas como dedutíveis no 2o trimestre de 1999, no valor de R$ 5.375.183,89. Deixo de divergir do I. Relator, na medida em que seu voto foi alterado para incorporar as razões de decidir acima expostas. Quanto aos descontos incondicionais (classificados como adições não computadas na apuração do lucro real, item 6) demonstrados às fls. 3475/3476, acrescidos das glosas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 (4o trimestre/98) e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 (2o trimestre/99), acima mencionadas, disse a autoridade lançadora que eles se caracterizavam como mera liberalidade. Acrescentou que: A partir do exame das notas fiscais respectivas (cópias anexas), tais saídas não constituem descontos incondicionais, pois isso resultaria em se admitir que o desconto incondicional possa corresponder ao valor integral da própria nota fiscal. Mesmo que o tratamento dado a operação fosse o de remessas de mercadorias a título de brindes, tal operação, a partir da lei nº 8.249/95, não é dedutível na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Portanto, com base nos fundamentos expostos, procedemos à glosa dos valores lançados na rubrica acima referida, por não caracterizarem despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. Ao final da diligência, a autoridade administrativa responsável distinguiu estas operações daquelas nas quais há descontos, na medida em que, no segundo caso, o desconto concedido representaria lucro no destino, inexistindo prejuízo ao Fisco. Já no primeiro caso, observou que: Na forma de bonificação em mercadorias livre de pagamentos, para que não ocorresse prejuízo haveria o contribuinte que criar mecanismos contábeis ou fiscais de forma a neutralizar os efeitos do ônus causado pela diminuição do produto da venda. Ressaltese que neste caso são vendidos menos produtos e mantidos os custos e despesas existentes na operação normal. Os ganhos tributáveis, a serem realizados nos destinos das mercadorias serão os mesmos e independem do método adotado pela vendedora. Na verdade, porém, a distinção entre as duas formas de se conceder um benefício ao cliente está no contexto em que este se verifica: individual, no caso de descontos incondicionais, e geral, no caso de bonificações. De fato, a bonificação nada mais é do que um benefício em razão do montante de vendas contratadas com um cliente, e seu resultado fiscal é idêntico ao dos descontos: 1) do ponto de vista do vendedor, o desconto reduz o valor individual de venda e gera menor lucro, ao passo que a bonificação reduz o valor global de vendas e gera menor lucro; 2) do ponto de vista do comprador, o desconto reduz o valor de compra e gera maior lucro, ao passo que a bonificação reduz o custo médio de estoque e gera maior lucro. Esta Conselheira já teve oportunidade de apresentar a esta Turma de Julgamento abordagem feita pela DRJ/São PauloI acerca da sistemática de bonificações exigidas pelas redes de varejo para colocação das mercadorias em suas lojas. Do voto vencedor do Acórdão nº 110100.659 extraise: De outro lado, as receitas informadas na DIPJ, decorrentes de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria, representaram, em 2001, R$ 1.925.488.053,98, a evidenciar que as bonificações contabilizadas no período (R$ 55.430.504,17) representaram menos de 3% daquele montante, compatível com os Fl. 7471DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.207 61 percentuais acima negociados, e, em regra, presentes nas demais grandes redes de varejo, e até nas menores, como bem abordado pela autoridade julgadora de 1a instância: 1 no domínio “skywalker.com.br”, há a seguinte matéria publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, de 18/01/2004, de vários autores, cujos trechos relevantes para a compreensão da natureza dessa despesa são a seguir reproduzidos: “A ditadura do varejo Fornecedores revelam as pressões e as exigências dos grandes e até dos pequenos supermercados (...) Entre as exigências, consideradas descabidas pelas indústrias, está a verba incondicional, um tipo de "pedágio" que o fornecedor paga para colocar a mercadoria nas grandes redes. Tratase de um porcentual sobre o valor da venda, sem a contrapartida da prestação de um serviço, como ocupar um espaço mais nobre na loja. Outras exigências são o pagamento de cifras elevadas para manter o produto exposto na prateleira e até a cobrança de um porcentual sobre o crescimento de vendas. A novidade agora é que essa rotina começa a ser incorporada pelos supermercados menores, sobretudo os aglutinados em centrais de compras que já somam mais de 130 espalhadas pelo País, segundo o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. É que os supermercados menores perceberam o enorme poder de barganha que podem exercer em relação às indústrias, interessadas em escapar da ditadura dos gigantes do varejo na hora de fechar um contrato de fornecimento. (...) Um fabricante ... cita como exemplo uma verba de distribuição cobrada do fornecedor pelo fato de a mercadoria ser entregue em apenas um local. Também são cobradas cifras extras quando há publicidade de um produto nos encartes semanais da rede de supermercados. De acordo com o fabricante, o diferencial entre a pressão exercida pelas grandes redes e os pequenos varejistas é apenas o porcentual da comissão cobrada. Descontos Quanto maior a rede, mais extensa é a lista de "bonificações", ou descontos especiais, exigidas no contrato assinado entre varejistas e fornecedores. "Os supermercados alavancam o crescimento em cima da indústria", diz um grande fornecedor. Na lista de exigências, entram itens como verba para a inauguração e reforma de lojas, para informatização, para publicidade cooperada, descontos no aniversário da rede, para a colocação de novas linhas de produtos nas gôndolas, e assim por diante. "Existe uma nomenclatura vasta para se obter descontos adicionais, regulada em contrato formal, que determina como vai ser a relação comercial entre ambas as partes", admite um varejista. O lugar que um produto ocupa nas prateleiras, mais próximo ou distante dos olhos do consumidor, também tem um preço. Metas de faturamento acertadas com a indústria e cumpridas podem significar outras bonificações. Segundo uma fonte de uma grande indústria, são, no mínimo, 25 itens envolvendo descontos de todo tipo. "Há até mesmo exigências como desconto no caso de um concorrente abrir uma loja próxima para compensar uma eventual queda de demanda." A última que inventaram, revela, foi uma verba para fechamento de loja, para compensar prejuízos com mercadorias. "Alguns pagaram, mas depois essa exigência caiu." Fl. 7472DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.208 62 A loja nova é sempre financiada pelos fornecedores. Tratase do tradicional "enxoval", o primeiro lote de mercadorias colocado na loja de graça. A posição que o produto ocupa na prateleira também tem um custo. A ponta de gôndola esquina entre um corredor e outro da loja, segundo o jargão do setor é o local mais nobre para o produto. Fabricantes contam que o "aluguel" desse espaço varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil pelo período de duas semanas. (...) ... O professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e especialista em varejo, Nelson Barrizzelli, lembra que esse processo reflete a decisão tomada pelas indústrias no início dos anos 80 em reduzir equipes de vendas, concentrandose nas grandes redes e no atacado, para cortar custos. Nos anos 70, conta o especialista, que fazia parte da direção da empresa, a Cica atendia a cerca de 46 mil pontosdevenda; hoje a companhia não abastece mais de 10 mil varejistas. (...) Quanto às inúmeras cláusulas incluídas no contrato, o diretor do Pão de Açúcar lembra que cada vez mais a rede presta serviços e tem de ser remunerada por isso. "Eu não vendo marca", diz o executivo. Ele considera muita "petulância" do fornecedor reclamar das condições que, segundo ele, são previamente combinadas. "Ele pode vender para outro." Avaliação semelhante é feita pelo diretor comercial do Grupo Sonae, que controla a rede de hipermercados Big, Abílio Almirante. Ele diz que as exigências existem porque o varejo fez investimentos pesados em logística, novas lojas e, na prática, é uma vantagem para o fornecedor vender o produto na rede. "Isso faz parte do negócio", diz o executivo, alegando que o varejo presta serviço à indústria. Quanto aos porcentuais cobrados para exibir o produto no supermercado, Almirante lembra que a prateleira da loja não é elástica. A entrada do produto é negociada, diz, para não afetar a rentabilidade da categoria. (...)” (grifouse e negritouse) Considerese, ainda, que o valor pago ao Carrefour foi por ele determinado ao emitir o boleto de cobrança, sendo pouco crível que esta despesa pudesse ter sido majorada para além das disposições contratuais, especialmente se a autuada, na condição de devedora, a reconhece e paga. A prática acima evidenciada, possivelmente também presente nas atividades da recorrente – fabricante de produtos eletroeletrônicos distribuídos nas grandes redes de varejo do país – revela que nem sempre é possível uma bonificação contratualmente acordada ser individualizada nas notas fiscais de venda como descontos. Mas, nem por isso, estarseia frente à entrega gratuita de mercadorias, a título de mera liberalidade, como mencionado no trecho dos Pareceres CST/SIPR nº 1.386/82 e nº 439/86, citados pelo I. Relator. Isto porque não há prova da característica seguinte, citada no mesmo excerto: sem qualquer vinculação com a operação de venda. De fato, a Fiscalização entendeu que os registros contábeis a título de bonificação não poderiam ser enquadrados como descontos incondicionais porque representavam o valor integral daquela nota fiscal de remessa. Presumiu tratarse de liberalidade sem perquirir, em momento algum, dos contratos firmados pela autuada e seus clientes, permitindolhe justificar aquela prática comercial. Não demonstrou, portanto, que as bonificações foram concedidas sem qualquer vinculação com a operação de venda. Fl. 7473DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10283.005503/200357 Acórdão n.º 1101000.901 S1C1T1 Fl. 1.209 63 Assim, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de bonificações demonstradas às fls. 3475/3476, acrescidas das glosas de R$ 2.131.241,64 em 30/12/98 (4o trimestre/98) e de R$ 1.044.788,52 em 20/05/99 (2o trimestre/99), como antes justificado. Também aqui deixo de divergir do I. Relator, na medida em que seu voto foi alterado para incorporar as razões de decidir acima expostas. Por fim, no que tange à glosa de compensação de prejuízos (item 5), consigno que a exclusão da infração pertinente às receitas de subvenções tributadas no 2o trimestre de 2000, no valor de R$ 688.428,58, já será suficiente para restabelecer o prejuízo fiscal originalmente apurado pela contribuinte naquele período, e assim viabilizar a compensação promovida no 3o trimestre de 2000, que foi glosada pela inexistência de saldo disponível, no valor de R$ 665.162,80. Esta a razão, portanto, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 7474DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 15504.020111/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação.
Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. PAGAMENTO IN NATURA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CURSO DE GRADUAÇÃO ESTRITAMENTE VOLTADO À CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EQUIVALÊNCIA A INSTRUMENTO DE TRABALHO.
O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.
Diferentemente de alguns precedentes do STJ (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013; e AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010), entendemos que a verba paga para educação nem sempre pode ser qualificada como indenizatória, mas, diante do caso concreto, pode ocorrer de a verba ser paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o seu próprio exercício. Nesta hipótese, prevalece a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória, jogando a rubrica para fora do campo de incidência constitucionalmente delimitado.
Embora possa não se enquadrar na norma isentiva prevista na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 (redação anterior à Lei n° 12.513/2011), o pagamento para participação em curso de graduação exclusivamente na área de educação para professores da rede pública, por constituir capacitação intelectual equivalente ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho, não sofre incidência de contribuição previdenciária.
SALÁRIO-FAMÍLIA. PAGAMENTO A SEGURADO QUE NÃO FAZIA JUS OU EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
O salário família, benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, se pago sem a observância da legislação pertinente, converte-se, para todos os efeitos legais, em remuneração. Art. 65 e 66 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991.
ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS.
A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, conclui-se que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício.
COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO.
A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN.
CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnico-profissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, frente à aplicação do artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica "alimentação in natura". Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a rubrica "alimentação em pecúnia", vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto à rubrica "auxílio financeiro a servidores estudantes", devido à ausência de caráter remuneratório da verba. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi, que entenderam ser a rubrica passível da incidência contributiva, por força do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento sobre as demais verbas "diferenças de Salário-Família; Contribuintes Individuais; Bolsa Estagiários; Programa Jovem Ouro", bem como de diferenças apuradas nas folhas de pagamento.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. PAGAMENTO IN NATURA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CURSO DE GRADUAÇÃO ESTRITAMENTE VOLTADO À CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EQUIVALÊNCIA A INSTRUMENTO DE TRABALHO. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. Diferentemente de alguns precedentes do STJ (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013; e AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010), entendemos que a verba paga para educação nem sempre pode ser qualificada como indenizatória, mas, diante do caso concreto, pode ocorrer de a verba ser paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o seu próprio exercício. Nesta hipótese, prevalece a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória, jogando a rubrica para fora do campo de incidência constitucionalmente delimitado. Embora possa não se enquadrar na norma isentiva prevista na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 (redação anterior à Lei n° 12.513/2011), o pagamento para participação em curso de graduação exclusivamente na área de educação para professores da rede pública, por constituir capacitação intelectual equivalente ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho, não sofre incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIO-FAMÍLIA. PAGAMENTO A SEGURADO QUE NÃO FAZIA JUS OU EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O salário família, benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, se pago sem a observância da legislação pertinente, converte-se, para todos os efeitos legais, em remuneração. Art. 65 e 66 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, conclui-se que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO. A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN. CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnico-profissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. PAGAMENTO IN NATURA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 01 11 /2 00 9- 85 Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE IMPONÍVEL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CURSO DE GRADUAÇÃO ESTRITAMENTE VOLTADO À CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EQUIVALÊNCIA A INSTRUMENTO DE TRABALHO. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites constitucionais do fato gerador das contribuições previdenciárias da empresa, determinando que incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados”. Diferentemente de alguns precedentes do STJ (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013; e AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010), entendemos que a verba paga para educação nem sempre pode ser qualificada como “indenizatória”, mas, diante do caso concreto, pode ocorrer de a verba ser paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o seu próprio exercício. Nesta hipótese, prevalece a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória, jogando a rubrica para fora do campo de incidência constitucionalmente delimitado. Embora possa não se enquadrar na norma isentiva prevista na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 (redação anterior à Lei n° 12.513/2011), o pagamento para participação em curso de graduação exclusivamente na área de educação para professores da rede pública, por constituir capacitação intelectual equivalente ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho, não sofre incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIOFAMÍLIA. PAGAMENTO A SEGURADO QUE NÃO FAZIA JUS OU EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. O salário família, benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, se pago sem a observância da legislação pertinente, converte se, para todos os efeitos legais, em remuneração. Art. 65 e 66 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A relação de estabelecida pelo contrato de estágio sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas há o afastamento ex lege, por exceção, do vínculo de emprego. Todavia, a relação jurídica que deixa de ocorrer na forma excepcional, em razão do descumprimento dos pressupostos legais, passa a seguir a regra (vínculo empregatício). Assim, concluise que a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, no caso do estágio, é o estabelecimento do vínculo empregatício. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA DO TRABALHO. LANÇAMENTO. Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.027 3 A competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN. CONTRATO DE APRENDIZAGEM. VÍNCULO DE EMPREGO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Nos termos do art. 428 da CLT, contrato de aprendizagem é contrato de trabalho, ainda que tenha como objetivo a aprendizagem, a formação técnicoprofissional metódica. Ademais, o art. 65 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8.069/90) também é claro no sentido de que, “ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários”. Incidem, portanto, as contribuições previdenciárias sobre a remuneração auferida pelo aprendiz. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências até 11/2004, inclusive, frente à aplicação do artigo 150 §4º, do Código Tributário Nacional. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica "alimentação in natura". Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a rubrica "alimentação em pecúnia", vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam que a verba não integra o salário de contribuição. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto à rubrica "auxílio financeiro a servidores estudantes", devido à ausência de caráter remuneratório da verba. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi, que entenderam ser a rubrica passível da incidência contributiva, por força do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo o lançamento sobre as demais verbas "diferenças de SalárioFamília; Contribuintes Individuais; Bolsa Estagiários; Programa Jovem Ouro", bem como de diferenças apuradas nas folhas de pagamento. (assinado digitalmente) Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.028 5 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.039 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: De acordo com os elementos constitutivos do presente processo, o MUNICÍPIO DE OURO PRETO PREFEITURA MUNICIPAL foi autuado por contribuições não recolhidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados,, no período de 01/2004 a 12/2005, cm razão dos seguintes fatos geradores: A) Benefícios aos servidores a titulo de alimentação do trabalho em pecúnia e in natura, sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; B) Benefícios a titulo de auxilio financeiro a servidores estudantes na forma de ajuda de custo ou bolsa de estudo; C) Valores pagos indevidamente a segurados servidores do município a titulo de salário família; D) Pagamentos a contribuintes individuais, a conselheiros tutelares e a transportadores rodoviários autônomos; E) Remunerações a estagiários contratados sem a observância da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977; F) Pagamentos a adolescentes inscritos no programa instituído pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto Programa Jovens de Ouro; G) Diferenças de contribuições resultantes do confronto dos valores apurados com base nas folhas de pagamento com valores incluídos em Guias de Recolhimento; Consoante o Relatório Fiscal, o Fundo Previdenciário Municipal de Ouro Preto, criado pela Lei Municipal n° 58, de 23.12.1997, foi extinto por força do artigo 1° da Lei n° 40, de 22.11.2000, retornando o Município ao Sistema Geral de Previdência. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais por terem sido verificados, em tese, crimes contra a Seguridade Social e contra a Ordem Tributária, previstos no artigo 337A, inciso III, do DecretoLei n° 2.848, de 07.12.1940 (Código Penal), e no artigo 1° da Lei n° 8.137, de 1990, conforme descrito no item 3.12 do Relatório Fiscal. Impugnando o lançamento, As fls. 960/990, o Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal diz ser indevida a autuação, Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 devendo a mesma ser julgada improcedente, nos termos a seguir expostos: (...) (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 4.774 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência das competências anteriores a 28/12/2004 (lançamento em 28/12/2009); * não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura e em pecúnia (cartões eletrônico com créditos destinados à aquisição de gêneros alimentícios); * não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio financeiro aos servidores estudantes (ajuda de custo ou bolsas de estudo – vinculado a cursos de graduação); * foram observadas as faixas e limites de salário de contribuição, razão pela qual não procede a glosa do saláriofamília e mesmo que tal não ocorresse, deveria ter sido cobrado do segurado o quanto recebido indevidamente; * houve o pagamento das contribuições patronais sobre as remunerações de todos os contribuintes individuais e estes pagamentos não foram considerados (remunerações de transportadores rodoviários autônomos e conselheiros tutelares); * os estagiários não mantinham vínculo empregatício (ausência de seguro contra acidentes pessoais) * não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas por atividades laborais (programa jovem ouro – natureza indenizatória) pela não demonstração dos requisitos da relação de emprego; * quanto às diferenças de folhas de pagamento, afirma que houve o devido recolhimento; * indevida cumulação de juros de mora e taxa selic; É o relatório. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.029 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Decadência. Quanto à decadência invocada, com razão a recorrente. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Resta definir se é o caso de aplicação do art. 173, I, ou do art. 150, § 4°, do referido codex. É cediço que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Assim, se há recolhimento em uma determinada competência e não em outra, àquela competência seria aplicável a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, mas não a esta, que seguiria o disposto no artigo 173, I, do CTN, quanto ao cálculo do prazo decadencial. Ocorre que, quanto às contribuições previdenciárias, temos ainda a particularidade de ela ser integrada por diversas rubricas ou levantamentos, que são as parcelas integrantes da totalidade da remuneração. Por tal especificidade, indagase, de forma recorrente, se o fato gerador, e consequentemente o pagamento, deve ser analisado por rubrica/levantamento ou pela totalidade da remuneração no mês. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional define o fato gerador como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência / fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado saláriodecontribuição mensal (art. 20 da Lei n° 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o saláriodecontribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – saláriodecontribuição. É verdade que o saláriodecontribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei n° 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico – vejase novamente a definição da alíquota para segurados empregados e avulsos. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN. Ocorre que, em razão da persistência da divergência, este Conselho editou a Súmula CARF n° 99: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Destarte, estando comprovado que há recolhimentos a homologar, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.030 9 Analisandose os autos, constatase que a recorrente foi cientificada da lavratura em 29/12/2009 (fls. 2), de sorte que, pela aplicação do art. 150, § 4° do CTN, podese considerar como decadentes todas as competências até 11/2004. Do lançamento, verificase que a autoridade fiscal procedeu ao lançamento apenas das diferenças relativas às rubricas não consideradas como salário de contribuição pela recorrente, razão pela qual se deduz que houve recolhimento da parte não lançada (rubricas não controvertidas). Assim, para as competências concernentes ao ano de 2004, especificamente até 11/2004, devese aplicar a regra do § 4° do art. 150 do CTN, reconhecendose, portanto, a decadência. Alimentação. Aduz a recorrente a não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura e em pecúnia (cartões eletrônico com créditos destinados à aquisição de gêneros alimentícios). No relatório fiscal (fls. 86 e seguintes), verifico que, efetivamente, houve o lançamento dividido nos seguintes levantamentos: * AT1 — Alimentação do Trab em Pecúnia (Não Dec GFIP); * AT2 — Alimentação do Trab In Natura (Não Dec GFIP). Quanto à alegação da recorrente de que não há possibilidade de incidência de contribuição previdenciária, cumpre relembrar que, levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.. Assim, não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, entendemos que está demonstrado nos autos que, durante o período a que se refere o lançamento da rubrica, a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento deve ser mantido quanto ao levantamento “AT1 — Alimentação do Trab em Pecúnia (Não Dec GFIP)”. Todavia, quanto ao levantamento “AT2 — Alimentação do Trab In Natura (Não Dec GFIP)”, pelas razões expostas, entendemos que deve ser excluído. Auxílio Financeiro. Servidores Estudantes. A recorrente afirma que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio financeiro aos servidores estudantes (ajuda de custo ou bolsas de estudo – vinculado a cursos de graduação). Segundo o Relatório Fiscal, é condição sine quo non para a percepção do benefício: • Receber, como remuneração, importância não superior a 3 (três) saláriosmínimos; • Freqüentar curso de graduação e apenas aquele diretamente relacionado à área de educação; • A ajuda de custo é devida somente ao servidor enquadrado na categoria de professor; • O servidor se obriga a permanecer vinculado ao serviço público pelo período correspondente ao daquele em que receber o benefício; • Não faz jus ao beneficio, o servidor que, após 5 anos, contados a partir do requerimento da ajuda de custo, puder gozar de aposentadoria. (destaques nossos) Da análise das referidas condições, verifico que, efetivamente, a situação descrita não se enquadra nos pressupostos então previstos na alínea t do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, que assim previa à época dos fatos geradores: Art. 28. (...) Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.031 11 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No caso em comento, verifico que o pagamento não foi disponibilizado a todos os servidores (apenas professores de determinada faixa remuneratória). Assim, a teor do art. 111 do CTN, que determina a interpretação literal da legislação tributária em matéria de isenção, penso que houve descumprimento das condições legais. Ocorre que vislumbro que tal pagamento estaria melhor enquadrado como ferramenta para o trabalho, estando, portanto, fora do campo de incidência estipulado pelo art. 195 da CF e pela Lei n° 8.212/91. Nossa interpretação ainda não alcança a amplitude aparentemente atribuída pelo STJ, em alguns julgamentos, no sentido de que todo e qualquer auxílioeducação/bolsa de estudo configuraria verba de caráter indenizatória, a exemplo dos seguintes: PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182.495/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 07/03/2013) Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) Todavia, no caso em apreço, diante das peculiaridades do caso, em especial o fato de se tratar de curso necessariamente relacionado à área de educação, de ser exclusivo de professores, de haver necessidade de permanência no serviço pelo período correspondente à percepção do “benefício” e, inclusive, por não ser possível de ser alcançado por quem poderá se aposentar nos cinco anos subseqüentes, concluímos que se trata de verba paga não em razão do desempenho do trabalho mas para o próprio labor, uma forma de capacitação intelectual que equivale ao próprio fornecimento de um instrumento, de uma ferramenta de trabalho. Se professor é aquele individuo que ensina, é necessário que primeiro aprenda para que, depois, possa exercer a sua função. Acrescentese que, no caso em comento, tratase de cursos ligados à área de educação, que constituem instrumental único, específico e adequado ao desempenho de seu labor. Afinal, não há porque imaginar que um professor municipal freqüente um curso de graduação na área de educação senão, precipuamente, para aplicar os conhecimentos adquiridos no exercício da própria função. No caso, prevalece, sem sombra de dúvidas, a finalidade de capitação para o trabalho e não a qualificação remuneratória. Portanto, entendo que o levantamento “AFE — Auxilio Financ Serv Estudante (Não Dec GFIP)” deve ser excluído do lançamento por não constituir verba remuneratória, mas sim verba a título de ressarcimento dos gastos do trabalhador para o melhor desempenho de sua função (impropriamente denominada de “indenizatória” pelo STJ). Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.032 13 SalárioFamília. Aduz a recorrente que foram observadas as faixas e limites de salário de contribuição, razão pela qual não procede a glosa do saláriofamília e mesmo que tal não ocorresse, deveria ter sido cobrado do segurado o quanto recebido indevidamente. Quanto à observação das faixas e limites, não é o que consta dos autos. Com efeito, o Relatório Fiscal e o Anexo XI do Auto de infração apontam com precisão os equívocos da recorrente. Naquele Relatório, ficou consignado que o salário família é benefício devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto o doméstico, e ao trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, menores de quatorze anos ou inválidos de qualquer idade, nos termos dos art. 65 e 66 da Lei n°8.213, de 24 de julho de 1991. Também se registrou que o Município efetuou pagamentos a diversos segurados sem observância das faixas e limites dos salários de contribuição e dos valores das cotas de salário família, conforme o supracitado artigo 66. No Anexo XI, indicase a remuneração (base de cálculo) do segurado, o limite de remuneração para a concessão do beneficio (cota), o número de dependentes por segurado, o valor pago a titulo de salário família, o valor devido e a diferença exigida no auto de infração. Destarte, a comprovação que competia à autoridade fiscal foi feita. Quanto à responsabilidade dos segurados, não há o menor viso de lógica ou juridicidade. Se a recorrente não observou a legislação pertinente, o pagamento indevido de salário família deixa de ser um beneficio previdenciário e se converte, para todos os efeitos legais, em remuneração. Portanto, não assiste razão à recorrente quanto ao saláriofamília. Contribuintes Individuais. Transportadores Autônomos e Conselheiros Tutelares. Assevera a recorrente que houve o pagamento das contribuições patronais sobre as remunerações de todos os contribuintes individuais e estes pagamentos não foram considerados (remunerações de transportadores rodoviários autônomos e conselheiros tutelares). Em defesa, foi alegado o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais, inclusive a transportadores rodoviários autônomos, de acordo com os valores lançados nas folhas de pagamento mensais das competências de 03/2005 a 12/2005. No Relatório do auto de infração, consta que as remunerações apuradas não constavam em folhas de pagamento e nem Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, bem como o Município de Ouro Preto não procedeu ao desconto das contribuições devidas pelos segurados. Destarte, a alegação da recorrente de que a fiscalização não teria considerado os recolhimentos sobre as remunerações, constantes das folhas de pagamento, aos contribuintes individuais, não prospera porque o que se exige são valores não reconhecidos nas folhas de pagamento, não declarados em GFIP e não recolhidos pelo Município de Ouro Preto. Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Bolsas de estagiários. Descumprimento da legislação. Aduz a recorrente que os estagiários não mantinham vínculo empregatício (ausência de seguro contra acidentes pessoais). Afirma ainda que houve indicação da legislação não vigente à época dos fatos geradores (Lei no 11.788/08); Em verdade, de acordo com o Relatório Fiscal, item 2.3.2, "as contribuições devidas incidiram sobre remunerações pagas a diversos estagiários contratados e remunerados sem obediência às determinações legais contidas na Lei no 6.494, de 7 de dezembro de 1977, regulamentada pelo Decreto de n° 87.497/82". No item seguinte do Relatório, escreveu que "a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, de forma clara, no art. 28, parágrafo 9o, 1, determina que não integra o salário de contribuição para os fins desta Lei, a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei 6.494, de 7 de dezembro de 1997, revogada pela Lei 11.788, de 25 de setembro de 2008, que dispõe sobre estágios de estudantes de ensino superior e ensino profissionalizante de segundo grau e supletivo e dá outras providências". Portanto, a menção à Lei no 11.788, de 2008, apenas reforçou a base jurídica existente e mencionada relativamente à época dos fatos geradores. Assim, percebese, da narrativa fiscal, a perfeita descrição das razões de fato e de direito. Quanto ao vínculo reconhecido, a conseqüência natural do descumprimento dos pressupostos legais, como visto, é o estabelecimento do vínculo empregatício. Portanto, não tendo a recorrente celebrado seguro de acidentes pessoais, a relação jurídica deixa de ocorrer na forma excepcional (estágio – que sempre ostenta os requisitos do vínculo, mas cuja relação é determinada ex lege, por exceção) para seguir a regra (vínculo empregatício). Quanto ao argumento de que a competência para o estabelecimento de vínculo de emprego seria exclusiva da Justiça do Trabalho, cumpre ressaltar que a atribuição ofertada pela Constituição Federal à Justiça do Trabalho para processar e julgar ações e controvérsias oriundas ou decorrentes da relação de trabalho (artigo 114, I e IX, da CF) não se confunde e nem se sobrepõe à competência privativa de constituição de crédito tributário estabelecida no art. 142 do CTN, não assistindo razão à recorrente. Sendo assim, procede o lançamento quanto ao vínculo reconhecido com os estagiários, pelo descumprimento dos pressupostos legais. Programa Jovem Ouro. Assevera a recorrente a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as bolsas por atividades laborais (programa jovem ouro – natureza indenizatória) pela não demonstração dos requisitos da relação de emprego. Neste particular, adotamos, integralmente, os argumentos da decisão de origem, bastantes para responder aos argumentos recursais: No artigo 4° da Lei n° 67, de 26 de agosto de 1992, do Município de Ouro Preto, consta que o Fundo Municipal de Recursos, destinado ao atendimento dos direitos da Criança e do Adolescente, obedecerá aos artigos e incisos estabelecidos na Lei 8.069, de 1990. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.033 15 Os direitos trabalhistas e previdenciários ao adolescente aprendiz estão assegurados no artigo 65 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente. Para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o § 4o do artigo 28 da Lei n°8.212, de 1991, escreve que o limite mínimo do salário de contribuição do menor aprendiz corresponde à sua remuneração mínima definida em lei. A Prefeitura Municipal de Ouro Preto, segundo o Relatório Fiscal, contrata e coloca jovens adolescentes, com idade entre 16 a 18 anos, à disposição de empresas privadas e de órgãos públicos, aos quais é garantida uma bolsa por atividades laborais. Assim, a fiscalização apenas constatou que o Município de Ouro Preto tem como segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS menores aprendizes, eis que o próprio Município, em sua Lei 67, de 1992, dispõe sobre fundo financeiro dentro das diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, das quais ressaltamos os direitos trabalhistas e os previdenciários do adolescente aprendiz. Em outra análise, agora com base na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, DecretoLei n° 5.452, de 1° de maio de 1943, especificamente em seu artigo 428, abaixo transcrito, verificamos direitos trabalhistas a menor aprendiz. Art. 428 Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de quatorze e menor de dezoito anos, inscrito CM programa de aprendizagem, formação técnicoprofissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar, com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação. (Redação dada pela Lei 10.097, de 19.12.2000). (g.n.). § 1° A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matricula e freqüência do aprendiz à escola, caso não haja concluído o ensino fundamental, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob a orientação de entidade qualificada em formação técnicoprofissional metódica. (incluído pela Lei . n" 10.097, de 19.12.2000). (g.n.). § 2° Ao menor aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o saláriomínimo hora. (Incluído pela Lei n" 10.097, de 19.12.2000). (g. mi.). § 3°. O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de dois anos. (Incluído pela Lei n" 10.097, de 19.12.2000). De acordo com a CLT, contrato de aprendizagem também é contrato de trabalho, onde é garantido salário mínimo hora. Com isso, o valor pago pela prestação dos serviços, ainda que na formação técnicoprofissional, não é de natureza indenizatória, mas sim remuneratória, porque salário Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 retribuição pelo trabalho e não uma indenização ou reparação de dano, ou ajuda de custo para a realização das atividades laborativas. É improcedente, portanto, falar que os valores recebidos pelos menores seriam para transporte, alimentação e aquisição de equipamentos, necessários às atividades do Programa Jovens de Ouro. Da legislação acima, percebese que o empregador é aquele que remunera por serviços prestados face ao contrato de trabalho de aprendizagem, sendo que os pagamentos foram verificados na escrituração contábil do Município de Ouro Preto. Então, o Município é que é responsável pelas contribuições previdenciárias devidas, e não empresas e órgãos públicos contratantes de serviços Programa Jovens de Ouro. Quanto à questão colocada pela impugnante da necessidade de realização de entrevistas junto aos participantes do Programa Jovens de Ouro para possível verificação da relação de emprego com o Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal, temos que isso ocioso, uma vez que a legislação trabalhista, de forma literal, estabelece esta relação entre o menor aprendiz e o contratante. É uma questão unicamente de direito (inciso I do artigo 330 do Código Processo Civil, Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973), não havendo a necessidade da autoridade fiscal de produzir provas daquela relação. Portanto, deve prosperar o lançamento quanto ao Programa Jovem Ouro. Diferenças de Folha. Afirma a recorrente que inexistem diferenças a recolher em folha de pagamento. Todavia, não traz prova de sua alegação, razão pela qual aplicase ao caso o aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Portanto, não cumprindo com seu ônus probatório de apresentar argumentos substanciosos quanto ao seu inconformismo, temos como improcedentes os argumentos relativos às diferenças de folha. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020111/200985 Acórdão n.º 2302003.379 S2C3T2 Fl. 2.034 17 Cumulação de Juros de Mora e Taxa Selic. Aduz a recorrente que houve indevida cumulação de juros de mora e taxa selic. Não é verdade que houve cumulação de juros de mora com Taxa Selic. Ademais, especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento as competências concernentes ao ano de 2004, especificamente até 11/2004, devese aplicar a regra do § 4° do art. 150 do CTN, reconhecendose, portanto, a decadência. Quanto aos valores pagos a título de alimentação, voto por excluir do lançamento o levantamento “AT2 — Alimentação do Trab In Natura (Não Dec GFIP)”. Por fim, quanto aos valores pagos aos servidores estudantes (professores), levantamento “AFE — Auxilio Financ Serv Estudante (Não Dec GFIP)”, igualmente deve ser excluído do lançamento. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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