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Numero do processo: 10970.720319/2013-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Caracteriza-se a divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma, tratando de situações similares, adotam soluções diversas, em face da legislação tributária aplicável. Não resta demonstrada a divergência, quando, apreciando o caso concreto, acórdão recorrido e paradigma aplicam mesmo entendimento.
Numero da decisão: 9202-006.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Caracteriza-se a divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma, tratando de situações similares, adotam soluções diversas, em face da legislação tributária aplicável. Não resta demonstrada a divergência, quando, apreciando o caso concreto, acórdão recorrido e paradigma aplicam mesmo entendimento.
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CONHECIMENTO. Caracterizase a divergência jurisprudencial, quando os acórdãos recorrido e paradigma, tratando de situações similares, adotam soluções diversas, em face da legislação tributária aplicável. Não resta demonstrada a divergência, quando, apreciando o caso concreto, acórdão recorrido e paradigma aplicam mesmo entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 19 /2 01 3- 64 Fl. 828DF CARF MF 2 Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário de natureza previdenciária, abrangendo contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim o adicional ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho – GILRAT (AI DEBCAD nº 51.045.4479), contribuições devidas pelos segurados (AI DEBCAD nº 51.045.4488) e contribuições aos Terceiros FNDE salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE (AI DEBCAD nº 51.045.4496), incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, no período compreendido pelas competências 01/2009 a 12/2010. Ainda, houve a lavratura de Autos de Infração pelo descumprimento de obrigações acessórias (AI DEBCAD nº 51.050.4906 – CFL 30, AI DEBCAD nº 51.050.4914 – CFL 34 e AI DEBCAD nº 51.050.4922 – CFL 59). A fiscalização esclarece que em face de as atividades empresariais, contábeis e financeiras do sujeito passivo estarem totalmente vinculadas às atividades da empresa Kyros Consultoria Ltda, CNPJ n° 09.421.829/000132, foram utilizados neste processo os mesmos termos e fundamentos que aqueles contidos no processo administrativo n° 10970.720301/2013 62. Concluiu (item 4.1) pela emissão de Termo de Sujeição Passiva, eis que configurados os elementos de convicção quanto a formação de grupo econômico de fato entre as empresas Kyros Tecnologia Ltda e Kyros Consultoria Ltda. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 02/12/2014, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003.887 (fls. 702), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. CONFIGURAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. Existindo a configuração da relação de emprego, legal a desconsideração de serviço por pessoas jurídicas. ESTÁGIO CURRICULAR DE ENSINO E APRENDIZAGEM. CARACTERÍSTICAS. AUSÊNCIA. SEGURADO EMPREGADO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores do Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10970.720319/201364 Acórdão n.º 9202006.914 CSRFT2 Fl. 3 3 segurado empregado impõem o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vículo pactuado sob o título de estágio e caracterizandose as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário como salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Intimado em 02/03/2015 (segundafeira), o contribuinte opôs em 09/03/2015 (segundafeira), portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 733), alegando omissão no Acórdão embargado. Aduz a contribuinte, em seus embargos, a existência de omissão no v. acórdão prolatado, visto que a Turma deixou de apreciar algumas matérias ventiladas nas razões recursais, bem como não integram o aresto embargado, materia abordada de forma favorável. Tais embargos foram rejeitados, conforme Despacho s/nº, da 3ª TE da Segunda Seção de Julgamento, de 30/03/2015 (fls. 748) Mais uma vez intimado, em 07/05/2015, o contribuinte interpôs em 21/05/2015, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 773). Em seu recurso visa rediscutir a ausência de análise sobre pontos contidos no recurso, com rejeição de embargos. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 3ª Câmara, de 11/08/2015 (fls. 816 ) com fundamento no acórdão paradigma nº 2202002.944, tendo em vista que o acórdão nº 2803002.894 foi proferido pelo mesmo colegiado não se prestando para demonstração da divergência. Em seu recurso, o Contribuinte afirma: · que a parte dispositiva do julgado se limitou a abordar dois temas, quais sejam, a configuração de emprego com Pessoas Físicas vinculadas à Pessoas Jurídicas subcontratadas e a relação de emprego com estagiários, ao passo que no Recurso Voluntário foram abordados seis temas. · Observa que a Recorrente sequer possui meios de impugnar o auto de infração na instância superior pelo simples fato de que as impugnações a ele formuladas não foram, em sua maioria, analisadas pela Turma Julgadora; e que o auto de infração está se consolidando sem que os temas nele contidos tenham sido analisados, embora impugnados por recurso administrativo próprio e assim, poderá ser tornado definitivo não porque os argumentos de defesa da Recorrente não foram acatados, mas porque os temas abordados na defesa sequer foram analisados. · Diz que, inclusive, houve a apreciação e julgamento da impugnação relativa à multa, apesar do julgamento não ter sido resumido na parte dispositiva do julgado; e desse modo, além do acórdão recorrido não ter analisado todos os temas impugnados no recurso Voluntário, nos poucos temas analisados, como foi o caso da multa, apesar de reconhecida a pertinência da impugnação, a decisão então tomada não Fl. 830DF CARF MF 4 foi incorporada à parte dispositiva do acórdão, não compondo assim a decisão ao final tomada. · Informa que interpôs Embargos de Declaração, a fim de ver clarificadas no julgado as falhas então apontadas, mas que, entretanto, tais embargos foram rejeitados, aniquilando o direito de defesa da Recorrente, transformando o julgamento do Recurso Voluntário como um simples cumprimento de protocolo. · Ressalta que o CARF possui inúmeros julgados que repelem esse tipo de situação, declarando inclusive a nulidade dos acórdãos em diversas situações dessa natureza. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 11/09/2015 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou em 17/09/2015, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 823). · Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional esclarece que a via dos embargos declaratórios é notoriamente estreita e a recorrente a trata como uma via bastante larga; afirma que o ponto onde foi atribuído vício pela embargante foi minuciosamente tratado pelo acórdão recorrido, abrindose tópico específico para fundamentálo, não havendo, portanto, omissão alguma, bem assim contradição. · Esclarece, ainda, que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a recorrente, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto. · Diz que o livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão; e o que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. · Salienta que a omissão que permite a oposição de embargos declaratórios diz respeito à ausência de manifestação judicial sobre algum ponto questionado; e a contradição que enseja essa via recursal é aquela existente entre proposições constantes da própria decisão judicial embargada, ou seja, é interna ao julgado, caracterizada por proposições inconciliáveis entre si; e que, no caso, nenhum desses vícios se encontra presente. · Ressalta que os embargos de declaração não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado; e que o mero inconformismo da parte com o resultado do julgamento não se coaduna com a via do recurso integrativo, sobretudo porque a concessão de efeitos infringentes aos embargos de declaração somente pode ocorrer em hipóteses excepcionais, em casos de erro evidente, não se prestando, pois, para revisar a lide. Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10970.720319/201364 Acórdão n.º 9202006.914 CSRFT2 Fl. 4 5 · Por fim, afirma que os aclaratórios também não podem ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato judicial regularmente proferido. É o relatório. Fl. 832DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio os pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 816. Contudo, embora não tenha sido questionado o conhecimento do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo ser necessário apreciar com mais propriedade a questão. Quanto ao conhecimento, embora entenda que buscou o recorrente demonstrar que em situações similares, divergiram os colegiados quanto ao acolhimento de embargos, ao apreciar de forma mais detida, encaminho pela impossibilidade de conhecimento, tendo em vista que o acórdão recorrido e o paradigma apresentado encontramse em consonância. Em seu recurso, o sujeito passivo visa admitir o cabimento de Recurso Especial para impugnar a legalidade da rejeição dos embargos de declaração, tendo em conta que a dicção do art. 67 do RICARF sugere a hipótese de que o Recurso Especial teria seu leito de cabimento confinado a matéria tributária, ou seja, ao próprio mérito da autuação. Descreve de início, que uma apreciação rasa de seu recurso em revista ao art. 67, restará por fulminada o direito de defesa da recorrente, tendo em vista haver sido demonstrado nos itens descritos, na preliminar de seu recurso, que o acórdão que julgou o Recurso voluntário nem apreciou integralmente seu conteúdo, nem conteve em sua parte dispositiva todas as decisões proferidas no julgado. Quanto a sua pretensão apresentou o recorrente os acórdãos paradigmas 2803002.894 e 2202002.944, contudo, em relação ao primeiro, de pronto o mesmo restou descartado, ainda em sede de admissibilidade do recurso especial, por não preencher os requisitos previstos no RICARF para demonstração de divergência, senão vejamos trecho do referido despacho: O paradigma 2803002.894 foi proferido pelo mesmo colegiado que exarou o acórdão recorrido. Portanto, o paradigma deve ser descartado. Como não foi o único apresentado, realizaremos nossa análise pelo restante, sendo negado seguimento ao recurso, em relação ao que tem origem na mesma turma (§ 1º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, e § 2º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015). Antes de avançarmos na análise do paradigma remanescente, importante salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe por parte de decisões de colegiados distintos, analisando situações fáticas similares, interpretações diversas de uma mesma legislação. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, afim de identificar a citada similitude. Porém, no meu entender, não se pode admitir que o recurso especial busque apenas a reapreciação de questões não apreciadas, ou mesmos apreciadas de forma deficiente, Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10970.720319/201364 Acórdão n.º 9202006.914 CSRFT2 Fl. 5 7 vez que, para o Recurso Especial ser conhecido quando preenchidos os pressupostos previstos no art. 67 do RICARF. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstra r a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colaciona dos que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindose ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 834DF CARF MF 8 Em relação ao paradigma 2202002.944, descreve o recorrente que o CARF não admite a prolação de julgados nos quais existem contradições internas insuperáveis entre as próprias partes integrantes do acórdão. Descreve que, diante dos precedentes colacionados, a rejeição dos embargos de declaração com a manutenção do acórdão que julgou o recurso voluntário, a despeito dos defeitos da decisão colegiada nele apontados, significa aniquilar o direito de defesa da recorrente. Conforme consta do relatório fiscal: A fiscalização esclarece que em face de as atividades empresariais, contábeis e financeiras do sujeito passivo estarem totalmente vinculadas às atividades da empresa Kyros Consultoria Ltda, CNPJ n° 09.421.829/000132, foram utilizados neste processo os mesmos termos e fundamentos que aqueles contidos no processo administrativo n° 10970.720301/201362. Concluiu (item 4.1) pela emissão de Termo de Sujeição Passiva, eis que configurados os elementos de convicção quanto a formação de grupo econômico de fato entre as empresas Kyros Tecnologia Ltda e Kyros Consultoria Ltda. LEVANTAMENTO PJ – PRESTADOR DE SERVIÇOS PJ Referese a pagamentos efetuados através de notas fiscais de prestação de serviços a trabalhadores tidos pelo sujeito passivo como empresários, porém considerados pela fiscalização como segurados empregados. [...] Portanto, considerandose que os prestadores de serviços atuavam nas atividadesfins do empreendimento do sujeito passivo, prestando o serviço de forma não eventual, de forma pessoal, com intuito oneroso e mediante subordinação jurídica e estrutural, e que a constituição de pessoa jurídica e o contrato civil não subsistem diante da realidade fática, eis que tais atos objetivaram apenas mascarar a verdadeira relação jurídica existente entre as partes, ou seja, o vínculo empregatício, tais trabalhadores foram caracterizados como segurados empregados perante a Previdência Social. Ressalta que não ocorreu a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, mas sim a caracterização dos seus representantes, assim identificados pelo sujeito passivo nos contratos de prestação de serviços, como segurados empregados perante a Previdência Social, por restarem configurados os requisitos da relação de emprego, em conformidade com a legislação previdenciária e trabalhista. Para definição da remuneração do segurado empregado, foi considerado como salário de contribuição o valor bruto das Notas Fiscais de Prestação de Serviços apresentadas e/ou os valores lançados na contabilidade. LEVANTAMENTO PE – PAGAMENTOS EXTRAS AS PJ Refere se este levantamento a pagamentos extras efetuados aos prestadores de serviços a que se refere o Levantamento PJ. Além dos valores pagos através de nota fiscal de prestação de serviços, foram identificados na contabilidade da empresa lançamentos de despesas relativas aos prestadores de serviços em diversas contas. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10970.720319/201364 Acórdão n.º 9202006.914 CSRFT2 Fl. 6 9 LEVANTAMENTO CE CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO Este levantamento abrange os valores pagos ou debitados a prestadores de serviços pessoas físicas, caracterizados pela fiscalização como segurados empregados junto à Previdência Social. Tais prestadores de serviços, via de regra, foram posteriormente contratados como pessoas jurídicas e encontramse relacionados no Levantamento PJ, conforme coluna “SITUAÇÃO JUNTO À KYROS” do ANEXO III – TABELA 1 do Relatório Fiscal. A fiscalização afirma estarem presentes os elementos necessários à caracterização da relação de emprego e, consequentemente, a configuração do segurado como empregado, quais sejam: pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. LEVANTAMENTO ES ESTAGIÁRIOS Consiste este levantamento na apuração da condição de segurados empregados de prestadores de serviços pessoas físicas considerados como estagiários pelo sujeito passivo. Segundo a fiscalização, após citar e transcrever a Lei n° 11.788/08, que dispõe sobre o estágio, afirma a ocorrência das seguintes violações ao referido normativo: LEVANTAMENTO CI – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Este levantamento congrega os valores pagos a prestadores de serviço pessoas físicas, sem relação de emprego, considerados como segurados contribuintes individuais. Segundo a fiscalização, os lançamentos contábeis relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais encontramse relacionados no ANEXO V – TABELA 1 e o demonstrativo do salário de contribuição e da contribuição devida pelo segurado estão demonstrados no ANEXO V – TABELA 2. LEVANTAMENTO PI – PRO LABORE INDIRETO O fato gerador abrangido por este levantamento consiste nos valores considerados como remuneração indireta a sócios administradores. Foram identificados na escrituração contábil do sujeito passivo lançamentos de despesas de viagens (conta Viagens e Representações – 3.1.2.2.08.00018) e com veículos (contas Combustíveis e Lubrificantes 3.1.2.3.05.00001, Conservação e Reparos 3.1.2.2.05.00002, e Estacionamento 3.1.2.3.05.00007 e 3.1.2.2.05.00007), tendo sido solicitados esclarecimentos através do TIF n° 02 ANEXOS III e VI. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A fiscalização sustenta que “a ocorrência reiterada da conduta de utilizar empresas interpostas com o intuito de reduzir as contribuições sociais devidas, eis que praticada por anos consecutivos, relatadas nos Levantamentos PJ e PE, enquadrase perfeitamente no conceito de fraude definido Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, em seu art. 72”, que reproduz. Em vista disto, a multa de ofício restou aplicada em dobro, na forma do artigo 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96, que transcreve. Fl. 836DF CARF MF 10 Ao apreciar o recurso voluntário o relator do acórdão recorrido assim manifestouse: Da Relação de Emprego A recorrente alega violação ao art. 110 do CTN, em virtude da caracterização de vínculo empregatício pela fiscalização, em detrimento da competência da Justiça do Trabalho para reconhecimento do vínculo laboral. Contudo, em sentido oposto, entendo que, uma vez constatada alguma irregularidade na contratação de trabalhadores pela fiscalização é plenamente cabível a exigência da contribuição social previdenciária de contribuinte que mantém com os segurados relação de emprego. O art. 37 da Lei n° 8.212/91, alterado pela Lei n. 11.941/2009, expressamente autorizou a lavração do auto de infração ou notificação de lançamento de débito, quando constatado o descumprimento de obrigação principal ou acessória das contribuições previdenciárias, não declaradas na forma do art. 32 da Lei. Da mesma forma, o parágrafo único do art. 116 do CTN, acrescido pela Lei Complementar nº 104/2001, também autoriza a autoridade administrativa a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Assim, não há que se falar em violação da legislação tributária como quis o recorrente. E seguindo a legislação posta, após a análise dos autos (fls. 49/75), vêse que o Fisco estabeleceu a condição de empregado das pessoas físicas e jurídicas que receberam pagamentos contabilizados como mãodeobra, desconstituindo esses pagamentos conforme transcrição abaixo: “5.1.9 Na análise da documentação apresentada pelo sujeito passivo, foram identificadas diversas características comuns à maioria dos prestadores de serviços, fortalecendo o entendimento quanto a caracterização dos mesmos como segurado empregado, quais sejam: a) atividades desenvolvidas pelos prestadores de serviços são as mesmas previstas no contrato social do sujeito passivo; b) empresas constituídas pouco antes da sua contratação; c) endereços da empresa prestadora e do sócio/titular são os mesmos (ou já foram); d) quadro societário constituído por membros da família (irmãos, pai, mãe, cônjuge, etc.); e) inexistência de empregados, conforme declarações apresentadas pelos prestadores de serviços à Receita Federal do Brasil (DIPJ e GFIP); f) contratos de prestação de serviços com identificação do nome do responsável pela empresa contratada; g) seguro de vida em Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10970.720319/201364 Acórdão n.º 9202006.914 CSRFT2 Fl. 7 11 grupo para a maioria dos prestadores de serviços em nome do representante pessoa física; e h) contratação de alguns prestadores de serviços como empregado a partir de 02/05/2012 pela Kyros Consultoria Ltda. 5.1.9.1 O sujeito passivo firmou contratos com diversas empresas (cliente final) para prestar serviços na área de Tecnologia da Informação (TI). Assim, demonstrado o entendimento fiscal, cumpre enfrentar a questão de mérito trazida pelo contribuinte, qual seja, constatar se a descaracterização da intermediação na prestação de trabalho se deu em face de indicadores fundamentados de que, na realidade, os fatos não condizem com a situação jurídica da prestação de serviços, mas sim de vínculo empregatício. Com efeito, a desconstituição dos atos empresariais para se configurar a relação de emprego – pressuposto de incidência da contribuição – depende da verificação dos elementos ensejadores da relação de emprego. Pela legislação previdenciária empregado é aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração (art. 12, I, ‘a’ da Lei 8.212/91). A Consolidação das Leis do Trabalho Trabalho – CLT, que aplico ao caso por ser tratar de norma de regência das relações trabalhistas que não pode ser descartada, assevera em seu art. 3º que “considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Diante da verificação do período ainda em apuração – de 01/2001 a 06/2003 e 08/2003, em razão da decadência já reconhecida – pode ser verificado que a fiscalização deixou de formalizar a descrição individual de cada “empregado”, com o detalhamento da caracterização empregatícia, ou seja, a demonstração da existência dos elementos básicos da relação de emprego: alteridade, não eventualidade, pessoalidade, subordinação e onerosidade. E tal requisito é essencial, visto que a imposição de tributo somente ocorre na forma em que a norma assim o determinar. Urge ressaltar: o lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado deve ser comprovado por intermédio da ocorrência dos elementos fático jurídicos caracterizadores da relação de emprego. O CARF tem entendimento sedimentado neste sentido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS O CARF tem entendimento sedimentado neste sentido: Período de apuração: 01/06/2004 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRATO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. Fl. 838DF CARF MF 12 PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE LEGAL DE DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. A legislação previdenciária permite que o Auditor Fiscal, ao constatar a existência de vínculo empregatício, desconsidere contrato firmado entre pessoas jurídicas para encobrir a prestação de serviço por segurado empregado. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado da tomadora não pode prescindir da comprovação cabal da ocorrência dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso”. (CARF. 2ª Seção. 6ª Turma Especial. Acórdão nº 280600159. Processo 35582002542200782. Data02/06/2009) O Relator do aresto supracitado, Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, no bojo do voto condutor, foi categórico: “O que interessa nessa lide é verificar se efetivamente estão presentes no caso sob julgamento as condições que possam levar a caracterização da citada pessoa física como segurado empregado da recorrente. Em se confirmando essa hipótese, é, sem dúvida, cabível o procedimento adotado pelo fisco [...]Não se pode olvidar que a legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos, o que pode levar a caracterização de relações empregatícias, todavia, para que a fiscalização adote essa medida, que considero extrema, necessário se faz que a constatação da existência de simulação seja amplamente demonstrada no processo, com a comprovação inquestionável nos autos de que ao invés de ajuste entre empresas, havia escondido uma contratação de trabalhador na condição de empregado”. E da análise do relatório fiscal fica claro que, de fato, a autoridade que lavrou o lançamento fez de forma hialina a caracterização e a prova da condição de segurados empregados da recorrente, o que acarreta na sustentabilidade da exação. Desta forma, razão não assiste à recorrente neste tópico. Do Estágio Como é cediço, a contratação de estagiários tem que seguir a legislação específica, no caso a Lei n 11.788/2008. Ao não seguir os ditames legais a empresa assumi o encargo do enquadramento como segundos empregados. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que não há vínculo empregatício do estagiário com a empresa. Tal vínculo existe quando a contratação ocorre de forma irregular. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10970.720319/201364 Acórdão n.º 9202006.914 CSRFT2 Fl. 8 13 Não integra a remuneração a importância paga a título de bolsa ao estagiário quando paga nos termos da Lei 11.788/2008 permite que as sociedades empresárias contratem estagiários, alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. Os alunos devem estar freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escolas de educação especial. A condição de estagiário pressupõe que haja compromisso entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória do estabelecimento de ensino, contratopadrão, observância de prazos de duração do estágio e efetiva complementação do ensino. No presente caso a recorrente não provou a existência de tais requisitos por meio de documentação. A contratação de estagiários deve observar a lei específica que disciplina a matéria. Não estando presentes todos os requisitos legais, forçosamente concluise pela existência do vinculo empregatício entre as partes e não de bolsa de estudo. Ao cumprir sua atividade de arrecadar e fiscalizar a arrecadação das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, artigo 33, caput da Lei n.° 8.212/91, possui a fiscalização o direito de desconsiderar os atos e negócios jurídicos praticados pelos contribuintes com intuito de se escusarem do recolhimento de tributos, caso estejam em desacordo com a legislação tributária. Em tendo o fiscal autuante constatado a existência da relação de emprego entre o considerado segurado e a recorrente, possui o direitodever de desconsiderar este negócio jurídico e proceder à notificação dos valores devidos. Assim, neste tópico não merece guarida o recurso apresentado. Da Multa Aplicada Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 840DF CARF MF 14 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Por outro lado, o recorrente embargou o acórdão, argumentando existirem omissões que acabaram por rejeitadas pelo recorrente nos seguintes termos: Aduz a contribuinte, em seus embargos, a existência de omissão no v. acórdão prolatado, visto que a Turma deixou de apreciar algumas matérias ventiladas nas razões recursais. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n 256, de 22/06/2009, a omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Devese entender por omissão o vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter. Nesse caso, os embargos têm por fim provocar a declaração do ponto omitido, a fim de se completar a decisão. Com efeito, não se vislumbra no acórdão as omissões apontadas pela embargante, sendo que toda a matéria trazida em grau de recurso foi devidamente apreciada pela Turma. Ora, os embargos de declaração possuem o escopo de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.0475/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10970.720319/201364 Acórdão n.º 9202006.914 CSRFT2 Fl. 9 15 Destarte, é de clareza ímpar que não persiste qualquer omissão no v. acórdão prolatado por esta Colenda Terceira Turma Especial, sendo que, na verdade, o que busca a embargante é rediscutir matéria já amplamente exaurida no v. acórdão. Em razão do exposto, entendo que devam ser rejeitados os embargos opostos. Ou seja, entendeu o relator pela ausência de omissões capazes de ensejar o acolhimento dos embargos. Por outro lado, o acórdão paradigma apresenta, na verdade, entendimento semelhante ao do acórdão recorrido, o que, de pronto, já impossibilitaria a demonstração de divergência. Conforme descrito, o relator do acórdão recorrido rejeita os embargos sob o fundamento de inexistir omissão, enquanto o paradigma acolhe sob a mesma premissa, ou seja, quando existir omissão,contradição ou obscuridades devem ser acolhidos os embargos para sanar o vício, senão vejamos: . Por outro lado, descreve o recorrente que o não acatamento dos embargos e de seu recurso especial, implica impossibilitar o exercício do amplo direito de defesa. Penso de forma, diversa. Bastanos apreciar os termos do Código de Processo Civil, mais precisamente o art. 1025, para restar claro que o contribuinte poderia ter apresentado recurso, não em relação a questões não apreciadas, mas apresentar paradigmas, que contemplassem as teses por ele defendidas, para ver reformado o acórdão recorrido no mérito. Vejamos, o que descreve o dispositivo: Art. 1.025. Consideramse incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de préquestionamento, Fl. 842DF CARF MF 16 ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. Da simples leitura, vislumbrase que os embargos embora rejeitados, ensejariam o cumprimento do requisito de pré questionamento, previsto no §5º do art. 67 do RICARF. Dessa forma, ainda que se admitisse a apresentação de paradigma sem a demonstração de qual legislação foi interpretada de forma diversa pelos colegiados, fato é que o acórdão recorrido e paradigma caminham no mesmo sentido, impossibilitando o conhecimento do recurso. Conclusão Face todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Sujeito Passivo. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 843DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940304/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.632
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 30 4/ 20 11 -3 0 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.073. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.940304/201130 Resolução nº 3301000.632 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 13123.000062/2009-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL.
A opção pelo Simples Nacional , irretratável para todo ano-calendário deve ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção a pessoa jurídica pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A opção pelo Simples Nacional , irretratável para todo ano-calendário deve ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção a pessoa jurídica pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. A opção pelo Simples Nacional , irretratável para todo anocalendário deve ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção a pessoa jurídica pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 3. 00 00 62 /2 00 9- 13 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 104 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 08, pedido fundamentandose no fato de que: A pessoa jurídica acima identificada incorreu na(s) seguinte(s) situação(ões) que impediu(ram) a opção pelo Simples Nacional: Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativo a contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil oriundo da então Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSA/MG nº 0342.212, de 17.03.2011, efls. 2426: SIMPLES NACIONAL – DECISÃO INDEFERITÓRIA DA OPÇÃO DE INGRESSO.NÃO REGULARIZAÇÃO DAS PENDÊNCIAS NO PRAZO REGULAMENTAR 1. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção . Impugnação Improcedente Notificada em 12.05.2011, efls. 8485, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2010, fls. 90101, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge alegando nulidade do ato de indeferimento de opção com base no enunciado da Súmula CARF nº 22 arguindo que: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 105 3 Portanto, a ausência da discriminação dos débitos no referido Termo n° 00.02.69.22.37 datado de 11/03/2009, torna nulo o procedimento de exclusão, tendo em vista o cerceamento do direito a defesa, de acordo o artigo 59, caput e inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Referente ao cumprimento dos requisitos para deferimento da Opção pelo Simples Nacional no caso de existência de débitos aduz que: Podemos notar controvérsias nas decisões proferidas pela 4a Turma da DRJ/BSB. Em um primeiro momento declarou nulo o Termo de Indeferimento sustentando a falta da discriminação dos débitos que originaram o indeferimento do Pedido de Opção ao Simples Nacional. Porém em um segundo julgamento procede de maneira totalmente diferente, acata o segundo Termo de Indeferimento, no qual discrimina os débitos, julgando improcedente a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, conforme Acórdão n° 0342.212 4ª Turma da DRJ/BSB, em anexo . Cabe ressaltar que o Princípio da Segurança Jurídica, deve ser avocado no caso vertente. Pois, o Senhor Delegado da Receita Federal do Brasil, resolve expedir outro Termo de Indeferimento, sanando as irregularidades apontadas pelo acórdão n° 03.37.3784 da 4ª Turma da DRJ/BSB. Sendo assim o Contribuinte ficou a mercê do Poder do Agente Público. Ao alegar que regularização deveria ter ocorrido antes de vencido o prazo para a solicitação da opção, podemos observar que o Próprio Termo de Indeferimento n° 00.02.69.22.37 datado de 11/03/2009, não demonstrava os débitos que impedia o deferimento do Pedido para ingressar no Simples Nacional. A própria Constituição Federal estabelece que MEs e EPPs devem ter tratamento diferenciado. Deixar uma empresa fora do Sistema de tributação mais benéfica para essas empresas por motivo de débitos os quais já foram quitados, e por bem dizer no momento oportuno, acaba violando um preceito Constitucional. Muito, tem se discutido quanto à exclusão do Simples Nacional por falta de pagamento, pois e de conhecimento de todos que existem outras formas do Erário Público fazer a cobrança de seus créditos. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Termo de Indeferimento, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional para o ano de 2009. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 106 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os ato administrativo é nulo. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. Consta no Despacho Decisório DRF/PAL/TO nº 77, de 11.03.2010, fls. 3436, referente aos débitos de Simples Federal do período de janeiro a junho de 2007, fls. 10 e 45, que a situação fiscal da Recorrente não foi regularizada no prazo legal, fls. 7075. A Recorrente tinha conhecimento do conjunto probatório robusto que instrui os autos e comprova a existência dos débitos mencionados em cobrança. Nesse sentido não tem aplicação ao presente caso o enunciado da Súmula CARF nº 22, mesmo porque os acórdãos paradigmas com base nas quais foi edita referemse ao Simples Federal previsto na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente se insurge contra o Termo Indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 107 5 O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente (art. 3º da Lei 4.717, de 29 de junho de 1965). Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é a manifestação unilateral da administração pública e o motivo indicado é a existência de débitos com a RFB, cuja exigibilidade não esteja suspensa vincula o ente federativo que o emitiu, uma vez que esta questão é afeta à repartição constitucional de competências tributárias Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência, de sua validade e de sua eficácia. Ademais o ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente2. O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção a pessoa jurídica pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo3. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 6275434 com trânsito em julgado em 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. 4 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 62.7543/RS. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Dias Toffoli. Julgado em 30 out. 2013. Publicado no DJe em 20 out.2014. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+627543 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+627543%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a35tf3a>. Acesso em 27 mai. 2018. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 108 6 14.11.2014, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5: Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Microempresa e empresa de pequeno porte. Tratamento diferenciado. Simples Nacional. Adesão. Débitos fiscais pendentes. Lei Complementar nº 123/06. Constitucionalidade. Recurso não provido. 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI), devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. Em conformidade com o que determina a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, a situação fiscal pode ser regularizada, desde que seja efetivada no prazo legal de opção pelo Simples Nacional: 5 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 109 7 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009). [...] Art. 17A. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2009, a opção a que se refere o art. 7° poderá ser realizada do primeiro dia útil de janeiro de 2009 até 20 de fevereiro de 2009, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009 (Incluído pela Resolução CGSN nº 54, de 29 de janeiro de 2009) (grifos acrescidos) Está registrado no voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSA/MG nº 0342.212, de 17.03.2011, efls. 2426: cujos fundamentos de fato e de direito devem ser adotados nesta segunda instância de julgamento: Acerca dos procedimentos para se efetuar a opção de ingresso ao Simples Nacional, temse, no campo infralegal, a Resolução CGSN nº 4/2007: [...] Especificamente para o anocalendário de 2009, o prazo para opção ao regime do Simples Nacional teve como termo final o dia 20/02/2009: [...] A despeito de o § 1ºA do artigo 7º supracitado ter vigência somente a partir de 24/03/2009, com a publicação da Resolução CGSN nº 56/2009, há que se observar que o próprio sistema oficial do Simples Nacional já emitia, em janeiro de 2009, documento intitulado “Acompanhamento do Resultado da Solicitação de Opção” no qual alertava para a desnecessidade de se solicitar nova opção, acaso “as pendências detectadas já tenham sido solucionadas ou sejam resolvidas” até último dia da opção, para fins de deferimento ao ingresso no regime em comento. Os débitos apontados como motivadores do indeferimento da opção são os de código 6106, PA 01/2007 a 06/2007, discriminados à fl. 53d. O Despacho Decisório DRF/PAL nº 77, de 11/03/2010, informa que os débitos aqui tratados estavam incluídos em processo de parcelamento que fora cancelado em 06/12/2008 e que novo pedido de parcelamento foi efetuado em 05/03/2009, todavia foi considerado indevido (fls. 37d/39d). Os documentos de fls. 14d e 67d, trazidos pela própria impugnante, destacam o retrocitado pedido de parcelamento de 05/03/2009. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 110 8 Ainda que tenha ocorrido regularização das referidas pendências posteriormente, há que se destacar que a regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção. Temse, portanto, que os débitos não se encontravam em situação de quitação ou exigibilidade suspensa quando do termo final para regularização, em 20/02/2009. Especificamente sobre a Opção pelo Simples Nacional, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). A regularização da situação fiscal no presente caso deveria ter sido efetivada até 20.02.2009 excepcionalmente no anocalendário de 2009, referente aos débitos de Simples Federal do período de janeiro a junho de 2007, fls. 10 e 45, conforme expressa previsão legal. Consta no Despacho Decisório DRF/PAL/TO nº 77, de 11.03.2010, fls. 34 36, referente aos débitos mencionados que a situação fiscal da Recorrente não foi regularizada, fls. 7079. Diante da existência de débitos em cobrança até dia 20.02.2009 o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional do anocalendário de 2009 está correto. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A falta de cumprimento das condições legais impede o deferimento da Opção pelo Simples Nacional. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13123.000062/200913 Acórdão n.º 1003000.026 S1C0T3 Fl. 111 9 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13653.000178/2007-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO POSTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, a contrário sensu, aplica-se o prazo de 5 (cinco) anos.
Numero da decisão: 9202-006.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO POSTERIOR A 09/06/2015. JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, a contrário sensu, aplica-se o prazo de 5 (cinco) anos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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JURISPRUDÊNCIA STF. RE 566.621/RS E SUMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador, a contrário sensu, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 01 78 /2 00 7- 01 Fl. 176DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência (RESP), de autoria de Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), inconformada com o disposto no acórdão 2302001.977 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, julgado em 14 de agosto de 2012, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: RESTITUIÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assentase na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. Na origem, tratase de pedido de restituição protocolado em 26/07/2007 (fls01) baseado na inconstitucionalidade da Lei 9.506/97 e, por consequência, dos recolhimentos promovidos durante o período informado, já declarada pelo STF, reconhecida pelo Senado Federal e pelo INSS, através da Portaria MPS nº 133/2006, sendo feito nos termos da Instrução Normativa MPS/SRP riº 15/2006. Às fls.40/42 consta um parecer conclusivo, nos seguintes termos: “...Diante da informação da ARF/Itajubá/MG, As fls. 39, considerando que as contribuições descontadas do interessado foram efetivamente recolhidas, de acordo com os documentos a apresentados e, em conformidade com a Instrução Normativa MPS/SRP no 15, de 12/09/2006, propomos pelo deferimento parcial dos valores pleiteados no Anexo VI — Discriminativo das Remunerações e dos Valores Recolhidos Relativo ao Exercente de Mandato Eletivo, As fls. 32, no valor originário total de R$660,54 (seiscentos e sessenta reais e cinquenta e quatro centavos), relativo ao período de,07/2002 a 18/09/2004...” O despacho decisório de fls.43 deferiu parcialmente o pedido de restituição formulado pela Exercente de Mandato Eletivo acima identificada de acordo com o demonstrativo constante no parecer supramencionado, no valor originário de R$660,54 (seiscentos e sessenta reais e cinquenta e quatro centavos), relativo ao período de 07/2002 a 18/09/2004. Após a ciência da Recorrente em 27/05/2010 (fls.82), a mesma interpôs manifestação de inconformidade. Alegando em síntese que a prescrição, no presente caso é decenal e não quinquenal. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13653.000178/200701 Acórdão n.º 9202006.899 CSRFT2 Fl. 177 3 A 5ª Turma da DRFBJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Em 18/06/2011 a Recorrente foi cientificada da decisão da DRFBJ, e, inconformada, interpôs recurso voluntário, com as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, e, requerendo: que seja conhecida a contagem do prazo prescricional de 10 anos para o presente pedido de restituição, contado a partir do recolhimento indevido; que seja deferida a restituição das contribuições previdenciárias do período de 01/01/2001 a 30/06/2002. A decisão considerou que: Dessa forma, temos que somente a contar da publicação da Resolução do Senado Federal n° 26/2005, o sujeito passivo passou a ter a seu dispor o Direito de Ação para pleitear a restituição dos valores indevidamente recolhidos à Seguridade Social. Nesse contexto, o termo inicial do prazo prescricional iniciou em 22 de junho de 2005, encerrandose destarte em 21 de junho de 2010. Havendo o pedido de restituição sido protocolado em 26/07/2007, tal direito da Recorrente não pode ser tido como prescrito. A Fazenda Nacional teve Embargos de Declaração rejeitados e propôs o presente Recurso onde requer a reformar o acórdão recorrido, declarandose a decadência do direito de pleitear a restituição do suposto pagamento indevido, trazendo como paradigmas os acórdãos: Acórdão nº 110300.588 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, havido na sistemática da repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito fiscal a partir do pagamento antecipado de tributo realizado sob a égide do lançamento por homologação, assim definido na Lei Complementar nº 118, de 2005, operase a partir de 9 de junho de 2005, data da plena vigência desse comando legal, e que para as ações ajuizadas anteriormente a este marco temporal o prazo aplicável é de 10 (dez) anos, contado do fato gerador do tributo, na forma da jurisprudência consolidada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça.” Fl. 178DF CARF MF 4 Acórdão nº 2803002.058 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1989 a 30/06/1991 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO PARA FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL DECLARADA PELO SUPREMO; 1. A questão controvertida, o ponto nodal deste recurso, como pontuado pelo contribuinte diz respeito à fixação do termo inicial, isto é, o prazo para o pedido de restituição de tributo, quando este for declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal. 2. Consoante posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, exarado no RESP 1.105.578/SP, Recurso Especial Representativo de controvérsia conforme art. 543C, DO CPC, o prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, sendo despicienda, para fins de contagem do prazo, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou Resolução do Senado, no caso de controle difuso. Recurso Voluntário Negado De um lado, o acórdão recorrido aplicou a tese de que o prazo de cinco anos para repetição de indébito deve ser contado a partir da data da Resolução do Senado que suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução de dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF. De outro lado, os acórdãos paradigmas consagram o entendimento de que para as restituições requeridas após 09/06/2005, como é o caso dos autos, a regra aplicável é a contagem do qüinqüênio a partir do pagamento indevido. Cientificada a contribuinte quedouse silente. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13653.000178/200701 Acórdão n.º 9202006.899 CSRFT2 Fl. 178 5 estabilizando as relações jurídicas, independendo de ulterior controle de constitucionalidade da lei. Questão similar a presente já foi analisada pelo Pleno, na sessão do dia 08 de dezembro de 2014, conforme Acórdão nº 9900000.875, de lavra do Ilmo. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujo voto transcrevo: ... Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos Fl. 180DF CARF MF 6 contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF. Por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13653.000178/200701 Acórdão n.º 9202006.899 CSRFT2 Fl. 179 7 modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Concluise, portanto, que a declaração de inconstitucionalidade não altera o momento em que surge o direito à repetição (que continua a ser o pagamento indevido – ou extinção), mas tão somente o momento em que surge o direito de ação, que anteriormente era o pagamento indevido ou a negativa da administração, e agora passa a ser a declaração de inconstitucionalidade, com a retirada da lei do plano normativo (e não fático, o que somente ocorrerá com a ação própria gerando efeitos concretos, em um processo de partes – subjetivo). A declaração tão somente gera o início da contagem de prazo extintivo (antes inexistente) em relação ao necessário conteúdo constitutivo a ser determinado no plano fático em razão da declaração de inconstitucionalidade e não reabre a contagem em relação ao direito de repetição, o qual já pode ter sido atingido por prazo extintivo. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito darlhe provimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918860/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/12/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 60 /2 01 6- 19 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918860/201619 Acórdão n.º 3201003.541 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.682, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918860/201619 Acórdão n.º 3201003.541 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904240/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2010 a 28/02/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 40 /2 01 2- 67 Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10746.904240/201267 Acórdão n.º 3301004.319 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.888, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.613. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10746.904240/201267 Acórdão n.º 3301004.319 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10746.904240/201267 Acórdão n.º 3301004.319 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10746.904240/201267 Acórdão n.º 3301004.319 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720260/2016-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando aposentadoria, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave.
Numero da decisão: 2001-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando aposentadoria, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de doença grave.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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score : 1.0
Numero do processo: 15586.720490/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011
Ementa:
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BEBIDAS LÁCTEA, RESULTANTE DA MISTURA DE LEITE E SORO DE LEITE
Bebida láctea, resultante da mistura de leite e soro de leite, sem adição de água, classifica-se no Capítulo 4 da TIPI.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. INAPLICABILIDADE.
O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto presta-se a aferir a alíquota que deve ser aplicada a determinada mercadoria, não servindo de referência à determinação do código de classificação fiscal de produto.
Para classificar um produto em determinado código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicam-se as Regras do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), nem mais, nem menos. Essas Regras são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da NCM/SH, não se confundindo com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011
Ementa:
INTIMAÇÃO DTE. MUDANÇA DE POSTAL PARA ELETRÔNICO. INOVAÇÃO PROCEDIMENTAL. PERDA DE PRAZO INDUZIDO.
A mudança, por parte da fiscalização, da modalidade de intimação do contribuinte, do tradicional (postal) para o eletrônico (DTE), para os casos em que a opção para DTE ocorra no transcurso de procedimento fiscal, deve ser pautado por serenidade e razoabilidade de forma a permitir adequação do contribuinte às novas regras, evitando-se a caracterização de inovação procedimental, induzindo o contribuinte a perda de prazo recursal.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestar-se em relação às alegações e aos pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios constitucionais e, especialmente, quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário, conforme súmula Carf nº 2.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.587
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri (Relator) e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BEBIDAS LÁCTEA, RESULTANTE DA MISTURA DE LEITE E SORO DE LEITE Bebida láctea, resultante da mistura de leite e soro de leite, sem adição de água, classifica-se no Capítulo 4 da TIPI. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. INAPLICABILIDADE. O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto presta-se a aferir a alíquota que deve ser aplicada a determinada mercadoria, não servindo de referência à determinação do código de classificação fiscal de produto. Para classificar um produto em determinado código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicam-se as Regras do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), nem mais, nem menos. Essas Regras são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da NCM/SH, não se confundindo com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 Ementa: INTIMAÇÃO DTE. MUDANÇA DE POSTAL PARA ELETRÔNICO. INOVAÇÃO PROCEDIMENTAL. PERDA DE PRAZO INDUZIDO. A mudança, por parte da fiscalização, da modalidade de intimação do contribuinte, do tradicional (postal) para o eletrônico (DTE), para os casos em que a opção para DTE ocorra no transcurso de procedimento fiscal, deve ser pautado por serenidade e razoabilidade de forma a permitir adequação do contribuinte às novas regras, evitando-se a caracterização de inovação procedimental, induzindo o contribuinte a perda de prazo recursal. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestar-se em relação às alegações e aos pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios constitucionais e, especialmente, quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário, conforme súmula Carf nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri (Relator) e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
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BEBIDAS LÁCTEA, RESULTANTE DA MISTURA DE LEITE E SORO DE LEITE Bebida láctea, resultante da mistura de leite e soro de leite, sem adição de água, classificase no Capítulo 4 da TIPI. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E ESSENCIALIDADE. INAPLICABILIDADE. O princípio da seletividade em função de essencialidade do produto prestase a aferir a alíquota que deve ser aplicada a determinada mercadoria, não servindo de referência à determinação do código de classificação fiscal de produto. Para classificar um produto em determinado código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), aplicamse as Regras do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), nem mais, nem menos. Essas Regras são essencialmente técnicas e visam a localização do produto em determinada posição da NCM/SH, não se confundindo com o Princípio da Seletividade que deve nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, no âmbito do Sistema Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 Ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 90 /2 01 3- 21 Fl. 4527DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.528 2 INTIMAÇÃO DTE. MUDANÇA DE POSTAL PARA ELETRÔNICO. INOVAÇÃO PROCEDIMENTAL. PERDA DE PRAZO INDUZIDO. A mudança, por parte da fiscalização, da modalidade de intimação do contribuinte, do tradicional (postal) para o eletrônico (DTE), para os casos em que a opção para DTE ocorra no transcurso de procedimento fiscal, deve ser pautado por serenidade e razoabilidade de forma a permitir adequação do contribuinte às novas regras, evitandose a caracterização de inovação procedimental, induzindo o contribuinte a perda de prazo recursal. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo manifestar se em relação às alegações e aos pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios constitucionais e, especialmente, quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário, conforme súmula Carf nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido. Fl. 4528DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.529 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri (Relator) e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do Voto Vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 4529DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.530 4 Relatório Por bem representar os fatos, adoto o relatório do Acórdão recorrido, até aquele ponto. Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução n. 2.787, de 26 de novembro de 2013 (efls. 4105 a 4109). A Interessada apresentou impugnação de lançamento (efls. 3997 a 4029) em 23 de agosto de 2013 contra auto de infração de IPI (efls. 3932 a 3955) relativo aos períodos de apuração de julho de 2008 a março de 2011, lavrado em 17 de julho de 2013. De acordo com o termo de verificação fiscal (efls. 3896 a 3931), foi apurado o seguinte: A empresa Cooperativa de Laticínios Selita, CNPJ – 27.178.359/000100, doravante denominada contribuinte, foi selecionada pelo setor de programação desta DRF para verificações dos créditos informados nos Perdcomps nºs 04589.97949.141009.1.1.01 4018; 40312.46793.100811.1.5.010696 04229.88812.160611.1.1.010399. [...] O procedimento fiscal junto ao contribuinte iniciouse em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0720100.2013.000845, para verificação dos créditos e compensações indicadas pelo sistema de compensação de créditos (SCC), o qual foi posteriormente ampliado para fiscalização de análise de notas fiscais de saídas e débitos. Os pedidos de ressarcimento de saldos credores de IPI com base no art. 11 da Lei 9.779/99 referemse ao terceiro e quarto trimestre do ano de 2009 e primeiro trimestre de 2011 e estão informados nos perdcomps acima relacionados. [...] Ao analisar o direito creditório ao ressarcimento do crédito básico, verificamos que o contribuinte promoveu a saída do produto Bebida Láctea sem o destaque do IPI nas notas fiscais de saída, em virtude de adoção de classificação fiscal do produto no código TIPI 22.02.90.00 EX 01, sujeito à alíquota 0,0 (zero), em posição divergente ao entendimento desta fiscalização. Esta fiscalização entende que: 1 Somente o produto denominado Bebida Láctea, a base de leite ou soja E cacau enquadramse no código TIPI 22.02.90.00 EX 01, portanto, sujeito a alíquota 0,0 (zero). 2 Aqueles produtos Bebida Láctea não adicionados de cacau enquadramse no código TIPI – 22.02.90.00, sujeitos à alíquota de 27 % (vinte e sete). O entendimento desta fiscalização quanto à classificação dos produtos Bebida Láctea encontrase ao amparo das Soluções de Consulta abaixo transcritas e tantas outras. (SC SRRF/6ª RF/Diana n° 6, de 2003, dentre outras). Fl. 4530DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.531 5 De acordo com a Fiscalização, as Notas Explicativas da posição 0402 da Tipi esclareceriam a exclusão da referida posição das “bebidas constituídas por leite aromatizado com cacau ou outras substâncias (posição 22.02)”. Em relação a essa matéria, concluiu a Fiscalização o seguinte: 17. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI1 (textos da posição 22.02 e da Nota 3 do Capítulo 22) e RGI6 (texto da subposição 2202.90) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), estrutura basilar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro de 2006 e, subsidiariamente, nos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, CONCLUISE que a mercadoria denominada “LactoPro M”, bebida láctea UHT saborizada, constituída de mistura de soro de leite, leite integral pasteurizado, água, açúcar, creme de leite pasteurizado, glicose de milho, estabilizantes e aroma idêntico ao natural de baunilha, classificase no código 2202.90.00 da NCM. Ademais, foram efetuadas glosas de créditos decorrentes de aquisições de produtos não conceituados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem: Dentre os créditos identificados como sem direito ao crédito, ou seja, não conceituados como MP, PI e ME, estão produtos de limpeza e desinfecção e produtos relacionados como de uso na linha de produção (partes e peças). Além dos créditos referentes a produtos que não se enquadram no conceito de MP, PI e ME, também foram glosados os créditos dos insumos que foram utilizados em produtos NT, tais como material de embalagem usado no empacotamento do leite (NT). Ressaltase que a exigência de anulação dos créditos relativos aos insumos utilizados na fabricação de produtos “NT” já foi, inclusive, objeto de súmula do Segundo Conselho de Contribuintes: “Súmula nº 13 (DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28) “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” “Para os casos de MP, PI e ME que tenham sido empregados na fabricação tanto de produtos tributados quanto de produtos não tributados, foi feita a apropriação proporcional destes créditos com base na relação entre as saídas de produtos tributados e produtos não tributados com as saídas totais de produtos do estabelecimento. Desta forma, foram excluídos os créditos proporcionais às saídas de produtos não tributados.” Finalmente, a Fiscalização esclareceu os critérios adotados para efetuar a reconstituição da escrita fiscal: Inicialmente, cabe esclarecer que utilizamos como ponto de partida as informações constantes dos Livros Registro de Apuração do IPI – RAIPI apresentados pelo contribuinte, cujas cópias encontramse anexas a este auto de infração, sobre as quais foram feitos os ajustes necessários, conforme relataremos abaixo. Na reconstituição da escrita fiscal, a fiscalização utilizou o saldo credor do período anterior a julho de 2008 (primeiro período de autuação no auto de infração), no valor de R$ 273.729,38, e as informações de créditos e débitos escrituradas no Livro RAIPI do contribuinte. Um dos demonstrativos gerados na reconstituição da escrita foi o Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal, que deveria espelhar fielmente as informações contidas nos Fl. 4531DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.532 6 livros RAIPI apresentados pelo contribuinte. Contudo, como o contribuinte apresentou o livro RAIPI para o período de 02/2010 até 12/2010 sem ter qualquer informação escriturada, a planilha eletrônica feita para a elaboração deste demonstrativo acabou por apurar um saldo credor a partir de 01/2011 divergente do informado no livro do contribuinte. Ou seja, apesar da fiscalização ter partido das informações do contribuinte, no Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal, os valores dos saldos credores ao final dos períodos de apuração a partir de 01/2011 estão divergentes do informado nos livros RAIPI do contribuinte, devido às informações incongruentes escrituradas nestes livros. Na reconstituição da escrita, além dos valores informados nos livros RAIPI do contribuinte e dos débitos lançados no auto de infração, também foram feitos alguns ajustes em função de equívocos e omissões praticadas pelo contribuinte na escrituração do Livro de Registro e Apuração do IPI – RAIPI, como descrito a seguir. Os mencionados ajustes referiramse a valores objetos de pedido de ressarcimento, que teriam sido estornados apenas em parte do livro de apuração; a lançamento a crédito e não a débito de valor objeto de pedido de ressarcimento (nesse caso, a Fiscalização esclareceu que somente anulou o crédito lançado, uma vez que o pedido de ressarcimento fora indeferido por não escrituração do crédito). Na impugnação, a Interessada alegou o seguinte: O IPI seria regido pelo princípio da seletividade; O leite e qualquer de seus derivados estariam no topo de importância alimentar, sujeitandose à alíquota zero; Houve equívoco na reclassificação efetuada pela Fiscalização; As soluções de consulta apresentadas pela Fiscalização não se aplicariam à hipótese dos autos; Não houve análise química dos produtos no auto de infração; Haveria um produto que teria composição de 99,96% de base láctea, não podendo ser classificada em capítulo relativo a “águas”; Não houve prova de que os produtos enquadravamse na solução de consulta; Pela falta de fundamentação técnica, o auto de infração seria improcedente; Pela Regra Geral de classificação n. 3, “a posição específica prevalece sobre as mais genéricas” e “os produtos misturados [...] classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial [...]”; Não houve fundamentação para dizer que as bebidas lácteas não pertencem ao capítulo que trata do leite; Apresentou análise de um dos produtos reclassificados, concluindo tratar se de “outro leite acidificado”; A posição 22.01 somente abrangeria “águas”; Fl. 4532DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.533 7 Na própria solução de consulta apresentada pela Fiscalização teria sido esclarecido que o produto lá classificado somente não teria sido enquadrado no capítulo 4 “em razão de substâncias não autorizadas (água e óleo vegetal)”; “De todos os rótulos da cooperativa impugnante, nenhum possui água ou gordura vegetal e todos possuem mais de 83% de leite pasteurizado com 3% de gordura e soro deleite”; Apresentou descrição dos produtos objetos das soluções de consulta, para efeito de comparação com os produtos fabricados e reclassificados; Tratou do princípio da legalidade e apresentou argumentos para concluir que o auto de infração não teria sido embasado nas normas que regem a matéria; Contestou a aplicação da multa de 75%, alegando tratarse de confisco; Em relação aos créditos glosados, alegou que, devido ao fato de os livros terem sido retidos pela Fiscalização, não pode confirmar a afirmação de falta de estorno dos créditos, o que feriria o princípio da ampla defesa; “Pela ausência do RAIPI, não foi possível comprovar se houve erro de escrituração em out/2009, do pedido de ressarcimento no valor de R$ 355.174,25, que teria sido lançado a crédito quando o correto seria débito”. Ainda acrescentou o seguinte: Todo o débito ou crédito só pode decorrer de lei! Percebese que o fiscal no item 4 providenciou a reconstituição da escrita fiscal. Se foi possível reconstituir é dever reconstituir corretamente, respeitandose assim o princípio já apresentado da legalidade! Por qual motivo a interpretação é de reconstituição apenas para prejudicar o contribuinte? Nos anos seguintes, 2010 e 2011, através dos Resumos de Apuração do IPI, verificase que foram lançadas a débito as compensações realizadas mês a mês e não os pedidos de ressarcimento, consequentemente, os créditos que tinham sido objeto de pedido de ressarcimento, permaneceram no saldo do crédito acumulado Na Folha 3930 dos autos, consta que os créditos foram glosados por não terem sido escriturados os créditos que visava à cooperativa pedir em ressarcimento. Ora, se os créditos não estivessem escriturados, o saldo de crédito a ressarcir não constaria no saldo credor acumulado (Linha 14 do Resumo de Apuração do Imposto de Produtos Industrializados). Diante do não reconhecimento dos créditos, ou reconhecimento parcial, o Fiscal fez a reconstituição da apuração do IPI, que deu origem ao auto de lançamento. No entanto, como se contesta a tributação da Bebida Láctea, não cabe a reconstituição do Livro de Apuração, Inclusive porque os créditos devem ser mantidos, tanto os extemporâneos quanto os regulares de cada trimestre e neste sentido, novamente ressaltase que a glosa de créditos ocorreu apenas relativo ao fato gerador de 31/12/2009 e 31/03/2011, conforme mencionado na folha 3936 do auto de infração. Afora Isso, temse a questão do não reconhecimento dos créditos extemporâneos, mas isso deve ser analisado sob outra ótica, pois conforme se verifica na jurisprudência do STJ, pode ocorrer tanto à escrituração quanto o pedido de ressarcimento. [...] Fl. 4533DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.534 8 Por fim, requereu o recebimento tempestivo da impugnação, o seu deferimento, a suspensão da exigibilidade dos créditos lançados e a possibilidade de juntada de outras provas. A diligência foi solicitada nos seguintes termos: Em relação à reconstituição da escrita fiscal (LRAIPI), a Interessada alegou que teria sido sua defesa cerceada pelo fato de a Fiscalização não lhe haver devolvido os livros. De acordo com a resposta de efls. 18 a 20, a Interessada apresentou três caixas contendo vários livros, dentre os quais o livro registro de apuração do IPI. O documento foi recebido pela Fiscalização em 10 de abril de 2013, conforme carimbo de recibo. Do termo de encerramento de ação fiscal de efl. 3995, constou a seguinte informação: “Devolvemos, nesta data, todos os livros e documentos utilizados no presente procedimento de fiscalização, no estado em que foram recebidos.” Entretanto, o referido termo foi enviado pelos Correios, constando do AR (efl. 3996), na declaração de conteúdo, apenas o auto de infração, termo de verificação, planilhas de glosas CDs com notas fiscais de 2008 a 2011. Portanto, não está claro nos autos se os livros foram devolvidos antes da ciência do auto de infração. Ademais, em relação à classificação fiscal, a Interessada alegou que seus produtos não teriam sido objeto de análise química. Na verdade, à vista do rigoroso controle sanitário a que estão sujeitos tais produtos, apenas a informação de composição contida nos rótulos é suficiente para conhecer a natureza do produto, se outro aspecto estritamente técnico não for necessário para a classificação fiscal. A única dúvida que permaneceu nas alegações da Interessada seria a de se a classificação fiscal foi refeita em relação a produtos denominados de bebidas lácteas sem a análise de sua composição. À vista do exposto, voto por converter o julgamento da impugnação em diligência, requerendose o obséquio de a Fiscalização: 1) Esclarecer se foi analisada a composição de todos os produtos reclassificados, com base nas informações contidas nos rótulos, ou se houve produtos em relação aos quais a classificação foi efetuada apenas pela sua denominação de “bebida láctea”; 2) Esclarecer, juntando aos autos cópia do termo de devolução ou do AR respectivo, se for o caso, quando os LRAIPI foram devolvidos ao contribuinte. Em relação ao item 1 acima mencionado, o contribuinte deverá ser intimado do termo de conclusão de diligência, para manifestarse no prazo de trinta dias sobre a questão. Em relação ao item 2, na hipótese de a devolução ter sido efetuada após a ciência do auto de infração (26 de julho de 2013), deverá o contribuinte ser intimado a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, emenda à impugnação em relação à reconstituição da escrituração fiscal. Nas efls. 4112 e 4113, foram juntados comprovantes de avaliação de rótulos, obtidos do sítio na Internet do Ministério da Agricultura; nas efls. 4114 e 4115, foi juntada listagem do cadastro de produtos da Interessada; na efl. 4116, foi juntada cópia de termo de documentos de 23 de dezembro de 2008, de que constam os livros registro de apuração do IPI ns. 13, 14 e 17. Fl. 4534DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.535 9 O termo de verificação fiscal relativo à diligência foi apresentado às efls. 4117 a 4118, dando conta a Fiscalização do seguinte: 3. Em primeiro lugar deve ser destacado que a reclassificação fiscal não foi efetuada sobre toda a produção de bebida láctea. A reclassificação fiscal foi efetuada somente para os produtos bebida láctea sem adição de cacau/chocolate, sendo estes reclassificados para o código TIPI 22.02.90.00, sujeitos a alíquota de 27% (vinte e sete por cento) de IPI. Os demais produtos bebida láctea adicionados de cacau/chocolate permaneceram classificados no código TIPI 22.02.90.00 Ex 01, sujeito à alíquota 0,0 (zero). 4. Quanto ao item 01 da Resolução temos a informar que não foram efetuadas análises químicas dos produtos bebida láctea classificados no código TIPI 22.02.90.00. A reclassificação foi efetuada com base na composição constante do Comprovante Avaliação de Rótulos apresentados pelo contribuinte, submetidos à análise e aprovação da Inspeção Federal do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA, conforme anexados as fls. 4.055 a 4.099 e 4.112 a 4.113 e na listagem de códigos apresentados pela própria cooperativa, anexados as fls. 4.114 a 4.115. 5. Quanto ao item 02 da Resolução, encerrado o procedimento fiscal o contribuinte foi informado por telefone que os livros estavam a sua disposição, não se interessando a retiralos, só o fazendo em 23/12/2013, conforme termo de entrega juntado aos autos, as fls. 4.116. 6. Nos termos do item 02 desta Resolução fica o contribuinte intimado para apresentar no prazo de 30 (trinta) dias, emenda à impugnação em relação à reconstituição da escrita fiscal. A Interessada manifestouse às efls. 4121 a 4127, em que alegou o seguinte: Ficou demonstrada a não realização de análise química dos produtos reclassificados; Não teria havido a real consideração da composição química dos produtos reclassificados; As alegações apresentadas na impugnação quanto à classificação fiscal teriam sido comprovadas documentalmente; Quanto à reconstituição da escrita, alegou que a emenda à impugnação, determinada pela resolução, terseia mostrado impossível, “pois os livros não foram devidamente restituídos e, mesmo que fossem, a cooperativa estava em plena fiscalização, impossibilitando tal situação”; Requereu que fosse reconhecido que “a mera correção dos livros importa no direito creditório” e a “autorização para a correção e deferimento total do crédito pleiteado”. Fl. 4535DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.536 10 Ao apreciar a Impugnação, a 8ª Turma da DRJ/RPO, expediu o Acórdão 1450.263, de 6 de maio de 2014, que, por unanimidade de votos, Julgou IMPROCEDENTE a Impugnação, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 Ementa: CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. GLOSA. CONTESTAÇÃO EXPRESSA. AUSÊNCIA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pelo contribuinte na impugnação. LIVROS FISCAIS. DEVOLUÇÃO. FALTA. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. REABERTURA DE PRAZO. SUPERAÇÃO DA ALEGAÇÃO. Considerase superada a alegação de cerceamento de direito de defesa, por falta de devolução de livros fiscais antes da ciência da autuação, quando tenha ocorrido a devolução do prazo de trinta dias ao contribuinte, para que emende a impugnação originalmente apresentada. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CONFISCO. ALÍQUOTAS DE IPI. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE DO PRODUTO. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS. Descabe apreciação de matéria constitucional, com o efeito de afastar aplicação de lei ou decreto, no âmbito de processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 Ementa: BEBIDAS LÁCTEAS. MISTURAS DE LEITE E SORO DE LEITE. POSIÇÃO 22.02.90.00. As posições 04.01 a 04.04 da Tabela de Incidência do IPI não admitem produtos consistentes de misturas de leite e soro de leite, que devem ser classificados como bebidas, na posição 22.02.90.00. BEBIDAS LÁCTEAS AROMATIZADAS. POSIÇÃO 22.02.90.00. As bebidas lácteas compostas à base de leite ou soro de leite, misturadas com substâncias aromatizantes, como suco ou polpa de frutas, ou com outras substâncias que não sejam meramente edulcorantes, classificamse, como bebidas, na posição 22.02.90.00. Fl. 4536DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.537 11 BEBIDAS LÁCTEAS AROMATIZADAS NÃO CONTENDO CACAU OU CHOCOLATE. POSIÇÃO 22.02.90.00 “EX” 01. Somente as bebidas lácteas aromatizadas contendo cacau ou chocolate podem incluirse no “Ex” de alíquota zero da posição 22.02.90.00. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 31/03/2011 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ESTORNO PARCIAL DE CRÉDITOS OU DUPLO LANÇAMENTO A CRÉDITO. GLOSA E RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. A reconstituição da escrita fiscal é medida adequada e necessária para apurar eventual duplo aproveitamento de créditos, quando não tenha sido estornado crédito objeto de pedido de ressarcimento ou havido duplo lançamento de valor a crédito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Desse Acórdão o contribuinte foi considerado cientificado, por decurso de prazo, via ciência eletrônica (DTE) e, 30/5/2014. Inconformado o contribuinte apresentou, fls. 4208/4248, em 24/9/2014, a princípio intempestivo, Recurso voluntário reprisando os argumentos apresentados na impugnação, destacandose: · Alega que a reclassificação foi feita pela fiscalização sem análise química dos produtos, não considerando a essencialidade do leite para a vida humana, regra inerente ao IPI; · Tece comentários sobre as Regras para Classificação de mercadorias; · Apresenta a composição dos produtos autuados, demonstrando tratarem de compostos com mais de 85% de leite e soro de leite; · Quanto ao crédito glosado, alega que a fiscalização não teria devolvido os livros, assim teve seu direito de defesa cerceado. · Por fim sustenta que a autuação fere princípios constitucionais e, especificamente, quanto a multa de ofício, por ser confiscatória, e, se mantida, deve ser reduzida para 20%. À fl. 4249 consta Termo de Abertura de Documento, consignando que o contribuinte tomou conhecimento do teor do Acórdão de Impugnação em 26/8/2014. Às fls. 4325/4328 e 4334/4336 constam petições no sentido de ilustrar problemas gerados com o sistema eletrônico de cientificação do contribuinte, via eCAC, requerendo o reconhecimento da tempestividade do Recurso Voluntário. Fl. 4537DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.538 12 Memoriais às fls. 4338/4380. Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 4538DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.539 13 Voto Vencido Conselheiro José Henrique Mauri 1 Dos Pressupostos de Admissibilidade Conforme relatado, o Recurso Voluntário foi apresentado em 24/9/2014, conquanto a ciência, segundo a unidade de origem, teria ocorrido em 30/5/2014, por meio eletrônico, por decurso do prazo de quinze dias da postagem no eCac, fl. 4.155, ocorrida em 15/5/2014. Por seu turno, sustenta a Recorrente que tomou conhecimento do Acórdão de Impugnação somente em 26/8/2014, conforme comprova o Termo de Abertura de Documento, fl. 4.249. Por oportuno, transcrevese os dispositivos vigentes relativos à intimação, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005). b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 4539DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.540 14 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: 1 (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 1 A redação que vigiu até 18 de julho de 2013, anterior à Lei nº 12.844, de 2013, tinha a seguinte redação: III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 4540DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.541 15 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...). No uso das prerrogativas previstas no § 6º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 a Receita Federal do Brasil publicou a Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, com a redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009, nos seguintes termos, no que interessa ao presente processo: Art. 1° O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. [...] Art. 2° A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço: <http://www.receita.fazenda.gov.br>. § 1° A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3° A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB. [...]. Fl. 4541DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.542 16 Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerandose como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. [...] Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. § 4° Após concluída a transmissão da declaração do sujeito passivo à RFB, o aplicativo por ele utilizado para gerar a declaração exibirá o recibo de entrega e a intimação a que se refere o § 3°, bem como possibilitará sua impressão. Art. 5º Na hipótese de intimação por meio de edital eletrônico, este será publicado no endereço da administração tributária na Internet. Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou Fl. 4542DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.543 17 III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. [...] É sabido, seja das disposições do Decreto 70.235/72, que cuida do Processo Administrativo Fiscal, ou da Lei 9.784/99, que trata do processo administrativo no âmbito da administração pública federal, que qualquer ato processual somente será válido se o sujeito a quem ele é dirigido for dele cientificado, garantindolhe o contraditório e a ampla defesa. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil, objetivando a necessária inserção digital às comunicações entre o fisco e o contribuinte, tornandoas mais céleres, criou o Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), ambiente virtual responsável por promover o envio de informações ao contribuinte, inclusive intimações para prática de atos processuais. Entretanto, a adesão do contribuinte ao DTE é facultativo, nos termos do Decreto 70.235/72, art. 23, § 5º, razão pela qual as demais formas de intimação continuam hígidas. Especificamente quanto à intimação eletrônica, objeto aqui tratado, a legislação estabeleceu um marco temporal específico para que o termo de intimação eletrônico produzisse eficácia jurídica, inclusive nos casos em que o contribuinte não tenha, efetivamente, tomado conhecimento da intimação. Nessa hipótese, criouse a "intimação presumida/ficta" do contribuinte ou, mais tecnicamente, "intimação juris tantum", definida como sendo de quinze dias contados da postagem da intimação na caixa postal do contribuinte. Para melhor visualização detalhada dos dispositivos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, exclusivamente no que pertina à intimação (ciência) eletrônica, transcrevese exertos dos dispositivos, exclusivamente da parte que interessa ao presenta processo: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; Fl. 4543DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.544 18 b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou [...] § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I [...] II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo . § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. [...] Em resumo, vislumbrase que a intimação por meio eletrônico será efetuada pela RFB mediante o envio ao endereço eletrônico do contribuinte, caixa postal designada para tal fim, considerandose (presumindose) intimado o contribuinte decorridos quinze dias da postagem, ou na data em que o contribuinte acessar o conteúdo postado, se ocorrido antes dos quinze dias. 2 Feitas essas considerações, voltemos ao caso concreto sob apreciação. O Recurso Voluntário foi apresentado em 24/9/2014, conquanto a postagem da intimação, pela RFB, na caixa postal do contribuinte, objetivando a sua intimação do teor do Acórdão de Impugnação, deuse no dia 15/5/2014, e a abertura da mensagem pelo contribuinte deuse em 26/8/2014. Portando, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, III, "a", combinado com o art. 23, § 2º, III, "a", o contribuinte teria sido intimado presumidamente em 30/5/2014, por decurso do prazo de quinze dias da postagem, o que, à primeira vista, caracterizaria a intempestividade do Recurso Voluntário. De fato, a teor das disposições normativas o presente Recurso Voluntário encontrarseia intempestivo, todavia, o caso sob análise revestese de 2 Para as intimações eletrônicas efetuadas pelo entre 22 de novembro de 2005 e 19 de julho de 2013, início da vigência da Lei nº 12.844/2013, devese considerar a realização da intimação apenas após 15 dias do envio da intimação para o DTE do contribuinte, independentemente de ter havido ou não a abertura do documento em momento anterior. Fl. 4544DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.545 19 particularidades que implicam, no mínimo, a descaracterização da intimação presumida (ficta) para considerar como intimado o contribuinte na data da abertura de sua caixa postal, 26/8/2014, quando efetivamente teve conhecimento dos fatos; senão vejamos. Exceto a intimação destinada à cientificação do Acórdão de Impugnação, de 15/5/2014, ora sob análise, todas as demais, desde o início da ação fiscal, 24/1/2013, foram realizadas via "AR", inclusive a intimação 033, de 13/2/2014, quando o contribuinte já se encontrava sob o regime de DTE, cuja adesão ocorrera em 22/8/2013. Eis as intimações feitas, respectivas modalidades e datas Doc. Modalidade data TIF, fl. 5 "AR" 24/1/2013 Intimação, fl. 8 "AR" 2/4/2013 Intimação, fl. 15 "AR" 2/5/2013 Intimação, fl. 17 "AR" 6/5/2013 Auto Infração, fl. 3.996 "AR" 26/7/2013 Adesão DTE 22/8/2013 Intimação 033 (diligência) "AR" 13/2/2014 Acórdão Impugnação Eletrônica 15/5/2014 (postada) Vêse que a partir de 22/8/2013, data da adesão ao DTE, poderia a fiscalização adotar o novo procedimento de intimação eletrônica, porém não o fez, mantendose o procedimento até então adotado, intimandose por "AR", nos moldes tradicionalmente adotado desde o início do procedimento fiscal. Ainda que o DTE tenha sido uma opção da recorrente, é notório que representava, em 2013, uma novidade, norteada por incertezas, mormente no caso Fl. 4545DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.546 20 concreto em que a comunicação entre o fisco e a recorrente estava consolidada nos modelos convencionais, ainda que em momento posterior à adesão ao DTE, quando intimada do resultado da diligência pela DRJ, em fevereiro de 2014, por via postal, embora com a DTE ativa desde agosto de 2013. Não me parece crível que de maneira abrupta a RFB mude o procedimento para intimação da recorrente, quando à época não se aparentava como lógica ou coerente tal mudança. O contribuinte estava aguardando o resultado do julgamento de sua impugnação, dentre as espécies de meios para sua intimação não lhe parecia plausível, ou previsível, o DTE, repitase, até então em desuso, por inércia da própria RFB. A mudança da modalidade de intimação do contribuinte, do tradicional para o DTE, para os casos em que a opção ocorra no transcurso de procedimento fiscal, deve ser pautado por serenidade, de forma a permitir a adequação do contribuinte às novas regras, evitandose que o contribuinte seja induzido a erro, como se mostra o presente caso. Ademais, não se trata de um contribuinte desconhecido ou incerto, havia em curso uma ação fiscal com regular contato com a fiscalização há mais de dois anos, desde início do procedimento fiscal. Com essas considerações, voto por não reconhecer a ciência eletrônica "presumida/ficta", por representar, no presente caso, inovação procedimental em processo já em tramitação, quando da adesão ao DTE, induzindo a recorrente a perda de prazo recursal, por conseguinte, reconheço como data da ciência do Acórdão de Impugnação o dia 26/8/2014, data em que a recorrente efetivamente foi cientificada da intimação. Considerando o exposto sou pela tempestividade do Recurso Voluntário e, preenchidos os demais requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2 Das Preliminares Quanto às preliminares suscitadas, utilizome das palavras do voto condutor do Acórdão recorrido, como se minhas fossem, com as quais fundamento meu voto, nesse pormenor: [...] Restou superada, pela diligência, a alegação de cerceamento de direito de defesa em relação à falta de devolução dos livros, uma vez que, constatada a devolução após a ciência do auto de infração, foi concedido novo prazo para a Interessada defenderse. Ainda preliminarmente, discutese a questão de inexistência de análise química dos produtos, que, na opinião da Interessada, implicaria vício da autuação. Conforme já se havia destacado na resolução, a classificação fiscal em epígrafe depende apenas do conhecimento da composição dos Fl. 4546DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.547 21 produtos. Dessa forma, a análise das informações contidas nos rótulos seria suficiente para realizála sem risco de erro. A Fiscalização esclareceu que a questão relevante à classificação seria apenas conterem os produtos cacau ou chocolate, conforme será analisado detalhadamente no exame do mérito do auto de infração. Dessa forma, a análise química em nada acrescentaria às informações já contidas nos autos. [...] Com esses fundamentos, rejeito as preliminares suscitadas. 3 Do Mérito: A matéria em lide diz respeito ao código da NCM/SH a ser utilizado para a classificação fiscal de produto, elaborado pelo estabelecimento autuado, denominado "bebida láctea sem adição de cacau/chocolate". Segundo a fiscalização, referido produto deve ser classificado no código TIPI 22.02.90.00, sujeito a alíquota de 27% (vinte e sete por cento) de IPI, conquanto a recorrente teria classificadoo no EX01, da mesma NCM, sujeito à alíquota 0,0 (zero). Subsidiariamente, Aduz a recorrente que bebida láctea poderseia classificar na posição 0403.90.00, por se tratar de produtos lácteos coalhados, fermentados ou acidificados, ancorandose na Regra Geral 3"b" (característica essencial do produto) de Interpretação do Sistema Harmonizado para Classificação de Mercadoreias (SH). 3.1 DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE BEBIDA LÁCTEA No Sistema Tributário Brasileiro a classificação fiscal de produtos é de responsabilidade do contribuinte, sujeito passivo da obrigação tributária, valendo se, para tanto, das ferramentas positivadas em nosso sistema normativo: (i) das Regras preconizadas pelo Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH)3, (ii) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o (iii) índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e (iv) dos pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH 4 . No âmbito do Mercosul, instituiuse a Noemclatura Comum do Mercosul (NCM/SH) para padronização do SH na região. Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do Meercosul e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB 3 A “Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias” foi celebrada em Bruxelas, em 14/06/1983, e entrou em vigor internacional a partir de 1988. No Brasil, foi aprovada pelo Decreto Legislativo n. 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto n. 97.409, de 23/12/1988 (publicado no Diário Oficial da União de 27/12/1988). 4 dados coletados na Declaração de Voto de lavra do conselheiro Rosaldo Trevisan, Inserida no Acórdão nº 3403003.186. Fl. 4547DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.548 22 e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI), e ainda, mais especificamente, na espécie, da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), este último para fins de identificar a alíquota de IPI aplicável. As Regras para classificação de mercadorias foram estabelecidas pela Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), da qual o Brasil é Signatário, tendo como objetivo maior o estabelecimento de uma codificação de mercadorias mundialmente padronizada e harmonizada. Por oportuno, Registrese que as Regras estabelecidas no SH não se confundem com os Princípios da Seletividade e essencialidade que devem nortear o estabelecimento das alíquotas de IPI, a ser observado pelo legislador ordinário. É fato que o soro de leite mostrase uma alternativa para alimentação humana e animal. A indústria de laticínio, bem assim ambientalistas e cientistas de vários setores temse aprofundado nos estudos quanto a melhor forma de reutilizar o soro de leite, subproduto gerado do processamento de queijos, que, em sua forma original e usual de descarte, tem promovido danos ambientais. Os argumentos trazidos pela recorrente em sua peça recursal, robustos e consistentes na demonstração da importância do soro de leite na alimentação da população mais carente, mostramse úteis e relevantes para o legislador na determinação da alíquota do IPI aplicável ao soro de leite, em face dos preceitos da seletividade e essencialidade. Entretanto, tais argumentos não tem o condão de influenciar na determinação de sua classificação fiscal. Para se classificar um produto, aplicamse as Regras do SH, nem mais, nem menos. A classificação fiscal de uma mercadoria está lastreada, essencialmente, em duas matrizes: (i) a hermenêutica aplicada ao Sistema Harmonizado(SH) e (ii) a descrição do produto a ser classificado, i.é, a identificação dos elementos necessários e suficientes para a perfeita classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM/SH). No caso concreto, é incontroverso que se trata de produto lácteo resultante da mistura de leite e soro de leite. Referida mistura é denominada de "bebida láctea", independente de haver ou não adição de produtos ou substâncias alimentícias (frutas ou vitaminas, dentre outros) nos termos do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Bebida Láctea, Anexo à Instrução Normativa MAPA nº 16, de 2005: “Bebida Láctea é o produto lácteo resultante da mistura do leite (in natura, pasteurizado, esterilizado, UHT, reconstituído, concentrado, em pó, integral, semidesnatado ou parcialmente desnatado e desnatado) e soro de leite (líquido, concentrado em pó) adicionado ou não de produto(s) ou substância(s) alimentícia(s), gordura vegetal, leite(s) fermentados(s), fermentos lácteos selecionados e outros produtos lácteos. A base Láctea representa pelo menos Fl. 4548DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.549 23 51%(cinqüenta e um por cento) massa/massa (m/m) do total de ingredientes do produto”. A questão controversa está em definir se a correta classificação fiscal de "bebida láctea" situase na subposição 0403.90.00, argumento subsidiário da recorrente, ou 2202.90.00, definido pela fiscalização, e, em se concluindo como correta a subposição 2202.90.00, se alcançaria o enquadramento no EX 01, originariamente adotado pela recorrente. Vejamos o teor das NCM e sua notas: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO [...] [...] 04.03 Leitelho, leite e creme de leite coalhados, iogurte, quefir e outros leites e cremes de leite fermentados ou acidificados, mesmo concentrado ou adicionado de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizados ou adicionados de frutas ou de cacau. compreendidos noutras posições. 0403.10.00 Iogurte Ex 01 Acondicionado em embalagem de apresentação. 0403.90.00 Outros Ex 01 Acondicionado em embalagem de apresentação. [...] [...] 2202 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açucar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de frutas ou de produtos hortícolas, da posição 2009. 2202.10.00 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas Ex 01 Aromatizadas 2202.90.00 Outras Ex 01 Bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau Do confronto entre as posições 0403 e 2202, insta desde logo desassistir razão à recorrente. A uma porque os produtos do capítulo 04 são genuinamente individualizados, não contemplando a mistura de dois ou mais deles 0401 Leite: considerase leite o leite integral (completo) e o leite total ou parcialmente desnatado. 0402 Leite concentrado: p.ex. evaporados 0403 Leite fermentado ou acidificados: p. ex. coalhado, iogurte, quefir 0404 Soro de leite: subproduto da produção de queijo (os constituintes naturais do leite que ficam depois de as gorduras e a caseína terem sido eliminadas). Vêse que, nesse capítulo, cada posição contempla um produto, isoladamente. Inexiste previsão para que se classifique nesse capítulo produtos Fl. 4549DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.550 24 constituídos pela mistura dos produtos ali relacionados. Insta lembrar que bebida láctea é composta pela mistura de, no mínimo, dois produtos distintos: soro de leite, 0404 e leite 0401, p.ex.. Ademais, a utilização da Regra Geral "3, b", como pretendeu a recorrente, somente seria possível acaso não houvesse uma classificação apropriada com base na Regra 1. Por essa Regar, "para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas", pelas demais Regras, seqüencialmente. Portanto, havendo possibilidade de esgotarse a classificação utilizandose a Regra 1; o que é o presente caso, conforme veremos a seguir; essa prevalecerá sobre qualquer outra. Assim, não há necessidade de manifestação acerca desse ponto, por inaplicável ao caso. Outrossim, a posição 2202 está destinada a bebidas prontas para consumo, subdivididas em água, subposição 2202.10 e as demais, 2202.90, nessas últimas, aplicável às bebidas lácteas. Não é outra a conclusão que se abstrai da NESH, especificamente no Caítulo 22, Posição 2202, "B": NESH Capítulo 22 Posição 2202 [...] B) Outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de frutas ou de produtos hortícolas da posição 20.09. Este grupo inclui, entre outros: 1) Os néctares de tamarindo tornados próprios para consumo sob a forma de bebida, por adição de água, açúcar ou outros edulcorantes e filtração. 2) Certos produtos alimentícios líquidos, suscetíveis de consumo direto como bebidas, tais como certas bebidas à base de leite e de cacau. Portanto, entendo que bebida láctea classificase na NCM/SH 2202.90.00. Quanto ao cabimento do Ex tarifário (Ex 01), utilizado pela recorrente, não vislumbro reparo no trabalho da fiscalização. Referido Ex destinase às bebidas lácteas que contenham cacau. 2202.90.00 Outras Ex 01 Bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau Pela literalidade do texto do Ex 01, não resta dúvidas que as bebidas lácteas devem ser classificadas na NCM/SH 2202.90.00, à exceção daquelas que contenham cacau em sua composição, exclusão que já fora contemplada pela fiscalização, nos termos relatado às fls. 4117/4118: Fl. 4550DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.551 25 3. Em primeiro lugar deve ser destacado que a reclassificação fiscal não foi efetuada sobre toda a produção de bebida láctea. A reclassificação fiscal foi efetuada somente para os produtos bebida láctea sem adição de cacau/chocolate, sendo estes reclassificados para o código TIPI 22.02.90.00, sujeitos a alíquota de 27% (vinte e sete por cento) de IPI. Os demais produtos bebida láctea adicionados de cacau/chocolate permaneceram classificados no código TIPI 22.02.90.00 Ex 01, sujeito à alíquota 0,0 (zero). 3.2 DO CRÉDITO GLOSADO Em sede de Recurso Voluntário, no tocante ao crédito glosado, a recorrente limitouse a replicar os argumetnos da Impugnação, razão pela qual, considerando os bons fundamentos lançados no voto condutor do Acórdão recorrido, faço deles os meus fundamentos, transcrevendoos a seguir: Em relação à reconstituição da escrita e, especificamente, às glosas efetuadas pela Fiscalização, relativamente a créditos objetos de pedido de ressarcimento não estornados completamente e a valores objetos de ressarcimento e lançados a duplo crédito (crédito em vez de estorno de crédito), a não devolução dos livros foi um dos motivos da realização da diligência. A Interessada alegava, na impugnação, não poder exercer o seu direito de defesa à vista de não poder confirmar, nos livros, as irregularidades apontadas pela Fiscalização. O processo foi baixado em diligência para que a Interessada, então, no prazo legal de trinta dias, apresentasse emenda à impugnação, defendendose da acusação. Entretanto, em resposta, a Interessada apenas alegou que não poderia defenderse, “pois os livros não foram devidamente restituídos e, mesmo que fossem, a cooperativa estava em plena fiscalização, impossibilitando tal situação”, e requereu que fosse reconhecido que “a mera correção dos livros importa no direito creditório” e a “autorização para a correção e deferimento total do crédito pleiteado. Observese, a propósito da questão relativa à matéria não impugnada, que a Interessada também nada mencionou na nova impugnação a respeito das glosas de produtos não caracterizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Mas, voltando à primeira alegação apresentada na emenda da impugnação, a Interessada poderia defenderse no prazo concedido pela resolução, pois, na ocasião, já lhe haviam sido restituídos os livros. Entretanto, apresentou alegação incoerente com os fatos, pois a “impossibilidade” ocorreu anteriormente e não por ocasião da diligência. No tocante à segunda alegação, não tem ela correlação de causa e efeito com as infrações apuradas. A Fiscalização verificou que a Interessada, embora tenha efetuado pedido de ressarcimento, não estornou a totalidade dos créditos, deixando parte deles na sua escrituração, o que implicaria potencial duplo aproveitamento (por meio do ressarcimento e por meio da compensação no Fl. 4551DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.552 26 livro de apuração do IPI). Para analisar se houve ou não duplo aproveitamento por meio da escrituração fiscal, foi necessário efetuar a reconstituição, que aponta, eventualmente, a sua existência. Portanto, a reconstituição é o meio adequado e necessário para apurar o duplo aproveitamento de crédito não estornado, resultando na exata apuração do montante do duplo aproveitamento. Em relação aos créditos duplamente lançados a crédito, aplicase o mesmo raciocínio, pois, quando um crédito é objeto de pedido de ressarcimento, deve ele ser estornado (lançado a débito) e não creditado, o que aumenta indevidamente o saldo escritural a ser compensado com os débitos de IPI apurados. Na impugnação, originalmente, a Interessada havia alegado, genericamente, que, “se os créditos não estivessem escriturados, o saldo de crédito a ressarcir não constaria no saldo credor acumulado”. No entanto, esse resultado poderia ou não ocorrer, pois dependeria do montante dos créditos que ficaram na escrituração, especialmente por que a Interessada também lançou valores a crédito em duplicidade, como anteriormente esclarecido. Entretanto, o fato de a Fiscalização ter que reconstituir a escrita fiscal e de apurar aproveitamento indevido dos créditos demonstra que a Interessada incorreu na irregularidade apontada. Dessa forma, não apresentou a Interessada contestação ou prova em contrário ao que foi apurado pela Fiscalização. Notese, finalmente, que o reconhecimento ou não do direito ao ressarcimento é decisão autônoma dos processos que tratem deles, não importando seu resultado para o caso dos autos. No primeiro caso, que foi a falta de estorno parcial, em tese a Interessada passaria a ter direito ao ressarcimento em espécie das diferenças ou, alternativamente, após o indeferimento, voltar a escriturar o crédito no RAIPI. No caso do duplo lançamento a crédito, o estorno, nos presentes autos, limitouse ao segundo lançamento, permanecendo o crédito na escrituração, razão pela qual o auto de infração está correto (lançamento indevido a crédito) e, além disso, em tese, o pedido de ressarcimento poderia ser indeferido, por falta do estorno (falta do lançamento a débito). 3.3 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI Por fim, a recorrente sustenta que a autuação fere princípios constitucionais e, especificamente quanto a multa de ofício, por ser confiscatória, e ainda, se mantida, deve ser reduzida para 20 Fl. 4552DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.553 27 Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Desnecessário maiores delongas, nesse pormenor, pela clareza e objetividade da matéria, bem assim pelo teor das normas transcritas. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, por seus próprios fundamentos. 4 Dispositivo (vencido) Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para definir a classificação de bebida láctea na NCM/SH 2202.90.00. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 4553DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.554 28 Voto Vencedor 5 Voto Vencedor Peço vênia para discordar do voto do i. relator, exclusivamente no que concerne à classificação fiscal do produto denominado "bebida láctea sem adição de cacau/chocolate". Com efeito, a conclusão daquele voto foi a de que estava correta a classificação indicada pela fiscalização, i.e., posição 22.02.90.00. Conforme consignei no curso dos debates que se seguiram à leitura dos relatório e voto, reputo que a fiscalização aplicou incorretamente as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), o que redundou na determinação de uma posição da TIPI incompatível com o produto em questão. Sobre a composição do produto e a controvérsia objeto da contenda, extraio excerto do minucioso voto do relator: "(. . .) No caso concreto, é incontroverso que se trata de produto lácteo resultante da mistura de leite e soro de leite. Referida mistura é denominada de "bebida láctea", independente de haver ou não adição de produtos ou substâncias alimentícias (frutas ou vitaminas, dentre outros) nos termos do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Bebida Láctea, Anexo à Instrução Normativa MAPA nº 16, de 2005: 'Bebida Láctea é o produto lácteo resultante da mistura do leite (in natura, pasteurizado, esterilizado, UHT, reconstituído, concentrado, em pó, integral, semidesnatado ou parcialmente desnatado e desnatado) e soro de leite (líquido, concentrado em pó) adicionado ou não de produto(s) ou substância(s) alimentícia(s), gordura vegetal, leite(s) fermentados(s), fermentos lácteos selecionados e outros produtos lácteos. A base Láctea representa pelo menos 51%(cinqüenta e um por cento) massa/massa (m/m) do total de ingredientes do produto'. A questão controversa está em definir se a correta classificação fiscal de "bebida láctea" situase na subposição 0403.90.00, argumento subsidiário da recorrente, ou 2202.90.00, definido pela fiscalização, e, em se concluindo como correta a subposição 2202.90.00, se alcançaria o enquadramento no EX 01, originariamente adotado pela recorrente." O enquadramento de produtos na TIPI, baseada no Sistema Harmonizado (TEC/NCM/SH), obedece a regras específicas de classificação. São seis Regras Gerais de Interpretação (RGI) e uma Regra Geral Complementar (RGC), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como, utilizamse subsidiariamente as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), de forma que a cada mercadoria sempre corresponderá um único código correto para enquadramento na tabela de classificação, correspondendo a um indicativo da posição, subposição de 1º nível, subposição de 2º nível, item e subitem (oito dígitos). Fl. 4554DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.555 29 Do excerto do voto condutor acima reproduzido, destaco a afirmação do relator de que "No caso concreto, é incontroverso que se trata de produto lácteo resultante da mistura de leite e soro de leite." De acordo com a RGI n° 1, " Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (. . .)". A meu ver, ao dizer que "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo", quis o legislador dizer que servem de ponto de partida do processo de classificação fiscal. Neste sentido, também manifestouse Milton Carmo de Assis Júnior ("Classificação Fiscal de Mercadorias NCM/SH: seus reflexos no Direito Tributário" SP: Quartier Latin: 2005, página. 131): "Na melhor interpretação da NESH, os títutlos das seções, dos capítulos e dos subcapítulos realmente não se encontram no consequente da norma jurídica, mas sim no seu antecedente. Neste caso, o intérprete seria obrigado a prosseguir no desmembramento dos elementos necessários à classificação da mercadoria nos textos das posições derivadas." Isto posto, a acima mencionada descrição do produto (bebida láctea, resultante da mistura do leite e do soro de leite), de pronto, levanos ao "Capítulo 4: Leite e lacticínios; ovos de aves; mel natural; produtos comestíveis de origem animal, não especificados nem compreendidos em outros Capítulos". Verificase, então, quatro possíveis posições: 04.01: Leite e creme de leite, não concentrados nem adicionados de açúcar ou de outros edulcorantes; 04.02: Leite e creme de leite, concentrados ou adicionados de açúcar ou de outros edulcorantes; 04.03: Leitelho, leite e creme de leite coalhados, iogurte, quefir e outros leites e cremes de leite fermentados ou acidificados, mesmo concentrados ou adicionados de açúcar ou de outros edulcorantes, ou aromatizados ou adicionados de frutas ou de cacau. 04.04: Soro de leite, mesmo concentrado ou adicionado de açúcar ou de outros edulcorantes; produtos constituídos por componentes naturais do leite, mesmo adicionados de açúcar ou de outros edulcorantes, não especificados nem compreendidos em outras posições. O leite e o soro de leite figuram em posições distintas, não contando posição que abrigasse o produto resultante da mistura de ambos. Diante disto, à luz da RGI n° 1, devemos recorrer às demais regras, sendo que, neste caso, a RGI n° 3, como se pode depreender se sua leitura: "3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: Fl. 4555DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.556 30 a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração" (g.n.) A partir da composição do produto, teríamos de identificar se havia, dentre as quatro posições possíveis, uma que fosse a mais específica (RGI n° 3a). Ou o alocaríamos na posição em que se encontrasse a matéria que lhe conferia a característica essencial (RGI n° 3b). Ou, por fim, se nos víssemos diante de uma completa impossibilidade de aplicar as regras anteriores, com isto, concluiríamos pela posição situada em último lugar (RGI n°3c). Em qualquer hipótese, todavia, o produto encontrarseia no Capítulo 4 e não no Capítulo 22 ("Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres"), adotado pelo agente fiscal e ratificado pelo relator. Isto posto, decidiu o colegiado pelo cancelamento do auto de infração, julgando desnecessário para o deslinde da questão a identificação daquela que seria a posição correta. O equívoco cometido pela fiscalização na classificação fiscal do produto é motivo suficiente para a invalidação do lançamento, independentemente da classificação originalmente utilizada pelo contribuinte, conforme entendimento consolidado em precedentes desta Turma Ordinária. 6 Dispositivo (vencedor) Portanto, concluo que a adequada aplicação das RGI resulta em classificação fiscal distinta da determinada pela fiscalização, o que eiva de nulidade o auto de infração, pelo que deve ser anulado. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 4556DF CARF MF Processo nº 15586.720490/201321 Acórdão n.º 3301004.587 S3C3T1 Fl. 4.557 31 Fl. 4557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932453/2008-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 24 53 /2 00 8- 58 Fl. 137DF CARF MF 2 Tratase de Declarações de Compensação 36981.15919.160704.1.3.044733 (efls. 06/10), de 16/07/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (IRPJ 2° Trim. / 2004) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (3° trimestre do anobase de 2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 91234276 (efl. 02), que analisou as informações e reconheceu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13) na qual alegou que declarou em DCTF original valor do débito de IRPJ com valor bruto (sem a dedução do IRF Retido na fonte), durante o ano de 2002. Requereu também que fosse retificada a Per/Dcomp referente ao Despacho Decisório recorrido e retificadas as DCTF'S do 1° Trim/2003 ao 4° Trim/2003 pelo motivo da alteração quanto ao crédito compensado. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1624 . 591 7a Turma da DRJ/SP1, efl. 44/50). A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, por entender que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida em sede de contencioso administrativo e que as DCTFs retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008, portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 2° trimestre do ano calendário 2002: denotase que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida para fins de alteração das informações reportadas na DCOMP original, haja vista que a pretensão motivouse a destempo, ou seja, manifestada imediatamente após a ciência da decisão administrativa, circunstância que indica descumprimento de requisito preliminar firmado pelo art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. De outra parte, ante o exame simultâneo das alegações inerentes às alterações das informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2002, fica patente que o interessado transmitiu as DCTF retificadoras extemporaneamente, uma vez que somente levou a efeito após o decurso do prazo decadencial admitido para que o contribuinte adotasse as providências necessárias visando promover correções de débitos regularmente confessados perante a Administração Tributária Federal. Retomando a situação fática tratada nos autos, evidenciase que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008 (fls. 18 e 19), portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 20 trimestre do ano calendário 2002, visando flagrante intuito de incitar, a destempo, a desoneração de parcela do imposto pago e regularmente confessado por intermédio da DCTF do respectivo períodobase, assim, produzindo, de forma inoportuna e ilegítima, a constituição do saldo credor reivindicado no pleito em discussão. (...) Cientificada em 07/04/2010 (efl. 58), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 07/05/2010 (efl. 60), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e complementa que não operou a decadência, acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB e requer diligência: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.932453/200858 Acórdão n.º 1001000.538 S1C0T1 Fl. 138 3 há de se esclarecer que a retificação das DCTF do 2° e 3° Trimestres/2002 foram aceitas pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (doc. 03), tornando incompetente a DRJ para analisar o seu deferimento. Caso o Nobre Colegiado entenda por necessário à busca da verdade material, certamente determinará a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora ratifique a validade da DCTF retificadora, a qual está ativa no sistema da RFB. Ao tema, há de se considerar que, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o ora Recorrente acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Quanto ao pedido para que a PER/DCOMP 36981.15919.160704.1.3.04 4733 seja retificada adiro aos fundamentos da decisão de primeira instância, pois retificação de PERDCOMP incluise na competência da DRF, e não matéria do contencioso administrativo. Acrescento que, conforme demonstrado na decisão de piso, mesmo as informações e documentos fiscais trazidos junto com a manifestação de inconformidade não se mostraram capazes de confirmar o direito creditório pleiteado. Isto porque sob este enfoque, importa frisar inclusive, que não basta que o interessado se limite a comprovar se houve ou não os pagamentos indevidos ou a maior do imposto reportado no curso do processo, ou mesmo restringirse a assegurar a lidimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, deixar patente a constituição e a disponibilidade da importância pretensamente paga a maior, devendo apoiarse em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. A respeito da alegada decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2002, constato que as DCTF retificadoras foram apresentadas em 02/07/2008 (efls. 23) cabendo razão à decisão de primeira instância, visto que o "prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN". Por fim, ao contrário daquilo que alega o requerente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em Fl. 139DF CARF MF 4 autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Desta forma indefiro também o pedido de diligência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.003012/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.493
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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Recorrente POMAGRI FRUTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotandose, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 12 /2 00 9- 64 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo a crédito da Cofins NãoCumulativa, vinculado a receitas de vendas submetidas à alíquota zero (produção e comercialização de maçãs), deferido parcialmente por Despacho Decisório exarado pela unidade de origem. Dessa forma, apenas parte das compensações declaradas foi homologada. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal constante nos autos, o reconhecimento parcial do crédito decorreu de glosas efetuadas em itens diversos de custo e despesa que compunham o crédito demonstrado pelo contribuinte no Dacon. Cientificado do decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual pede o reconhecimento integral do crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: (i) Os materiais de embalagens (cantoneiras, bandejas, fitas adesivas, pallets, papelseda, plástico bolha, tampas, fundos, caixas de papelão etc) são indispensáveis ao acondicionamento do produto, não exclusivamente com o fim de transporte, porquanto utilizados para assegurar a integridade da fruta até o seu destino; (ii) O papelseda, fita, cantoneira e outros são insumos na produção da maçã, conforme item acima, de modo que gera creditamento a despesa com o serviço de transporte para adquirilos; (iii) A despesa com condomínio deve ser creditada da mesma forma que a despesa com aluguel, pois o acessório segue o principal; (iv) Não existe lei formal determinando a aplicação do conceito de insumo do IPI à apuração das contribuições nãocumulativas; (v) O critério de insumo utilizado na decisão recorrida não está em conformidade com Soluções de Consulta emanadas das Superintendências da Receita Federal do Brasil (Processo de Consulta nº 99/09 da SRRF6ªRF), com decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Recurso Voluntário nº 146.778) e com a jurisprudência judicial (Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de 26 de março de 2009; Agravo Regimental no REsp nº 1.125.253/SC, de 15 de abril de 2010). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão nº 08033.939. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual requereu: (i) recebimento do recurso voluntário; ii) procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de COFINS requerido no pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.488, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.003010/200975, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.488): "Voto Vencido O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1) Do direito ao creditamento de COFINS linhas gerais Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre o direito ao creditamento de COFINS em razão da análise do conceito de insumos disposto na legislação de regência. A DRJ seguiu a legislação do IPI, entendendo que, para que fosse concedido o crédito, seria essencial o desgaste físico no produto no processo produtivo da empresa. Esse entendimento, contudo, encontrase superado por este Conselho, que construiu uma corrente intermediária própria, fugindo tanto às normas atinentes ao IPI quanto às normas atinentes ao IRPJ. E é com base nesta corrente intermediária, com a qual me alinho, que serão analisados a seguir os itens que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Importante destacar que o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem. Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. Sobre o creditamento, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 6 5 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Grifos apostos). No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 7 6 construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Logo, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 8 7 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Quanto ao tema, filiome à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da nãocumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. 2) Dos itens em que o direito ao creditamento restou afastado pela DRJ A empresa em questão planta, produz e comercializa frutas. O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, argumentando que as despesas com aquisições de embalagens, frete das embalagens e condomínio devem gerar crédito de COFINS por serem todas diretamente necessárias à comercialização do produto. Afirma que tais despesas se relacionam diretamente com a preservação da integridade do produto, transporte de insumos e armazenamento. Com relação ao condomínio, afirma que este é acessório que deve seguir a sorte do principal, que é o aluguel, devendo todas essas despesas gerar créditos de COFINS. A decisão da primeira instância analisou a legislação que trata do conceito de insumo para fins de creditamento da COFINS, e concluiu que o caso dos presentes autos não se enquadra no conceito legal, visto que as embalagens utilizadas pelo contribuinte têm a finalidade única de servir ao transporte das frutas, não havendo comprovação de que acompanham o produto em sua apresentação final ao consumidor, de modo a agregarlhe valor. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 9 8 Manteve a glosa do crédito referente ao frete das embalagens por terem sido desconsideradas como insumo. Quanto aos gastos com condomínio, rejeitou o argumento de que o acessório segue o principal em razão de não haver a alegada relação de acessoriedade, visto que o pagamento do condomínio independe da existência de relação locatícia, e que o acolhimento de um brocardo para alargar a hipótese de creditamento iria de encontro ao princípio da legalidade. Além disso, a utilidade decorrente do condomínio é deslocada espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. Por fim, manteve as glosas dos créditos sobre as despesas com gás combustível para as empilhadeiras, por não ter havido a desconstituição pelo contribuinte da constatação de que as empilhadeiras possuem uso geral para transporte de objetos, não estando sua utilidade adstrita à produção das maçãs. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante restará devidamente demonstrado nos tópicos a seguir. 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papelseda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens servem não apenas para o mero transporte, mas também para o seu acondicionamento, apresentandose essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 10 9 Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verificase que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP nãocumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 11 10 menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição à COFINS nãocumulativa em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão n. 9303004.192, de 04/08/2016). Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papelseda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorporase ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. (...) Voto Vencedor (...) Quanto às despesas com condomínio, concluise que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito, em razão da ausência de respaldo legal para o creditamento de tal despesa. Por concordar com os fundamentos constantes da decisão recorrida no que concerne a tal despesa, transcrevoo a seguir: 42. Em contraparte, o manifestante sustenta a possibilidade de creditamento com base nas despesas de condomínio, à Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 12 11 semelhança do que sucede em relação às despesas de aluguel, invocado o velho brocardo de que o acessório segue o principal (accessorium seguitur principale). 43. De fato, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê a possibilidade de as despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração nãocumulativa das contribuições. Entretanto, a máxima não se aplica à espécie, por dois motivos básicos. 44. Em primeiro lugar, não há acessoriedade entre aluguel e encargo de condomínio, uma vez ausente vínculo de causalidade entre eles. Com efeito, pagase condomínio não porque o imóvel é alugado, mas porque se usufrui de utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários de prédios. 45. Pelo contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. As despesas de condomínio, por sua vez, são destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo como, por exemplo, salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, podendo, até mesmo, haver sobra em um mês determinado. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se relacionam com aluguel. 46. Em segundo lugar, a aplicação de um brocardo não pode resultar na ampliação, por analogia, de hipóteses de creditamento que interferem na determinação da base de cálculo da contribuição, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. 47. Resta verificar se os gastos com condomínio podem ser considerados insumo. 48. Dado que deles resultam utilidades imateriais para o contribuinte, seriam insumos se assim caracterizados sob o aspecto funcional. Entretanto, os serviços de condomínio são completamente deslocados espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. 49. Por essa razão, correta está a glosa das despesas de condomínio. Nesse mesmo sentido, já se manifestou este Conselho, consoante se extrai do Acórdão nº 3302.001.491, a seguir colacionado: (...). COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a crédito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesa de condomínio incorrida por Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10925.003012/200964 Acórdão n.º 3301004.493 S3C3T1 Fl. 13 12 indústria de beneficiamento de carnes não enquadra neste conceito. Nego, portanto, o direito creditório quanto a tal item." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens, e para manter a glosa relativa à despesa com condomínio. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 205DF CARF MF
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