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Numero do processo: 10783.720283/2008-69
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o VTN declarado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e José Evande Carvalho Araújo que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido.
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ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o VTN declarado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e José Evande Carvalho Araújo que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 02 83 /2 00 8- 69 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 191 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 157), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Da Autuação Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 17/11/2008, a Notificação de Lançamento nº 07201/00151/2008 de fls. 11/14, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 33.244,46, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2006, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Floresta”, cadastrado na RFB, sob o nº 0.213.1943, com área declarada de 7.521,6 ha, localizado no Município de Mucurici/ES. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2006 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 01/02 exigindose a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, para 1º de janeiro de 2006, no valor de R$: valor do VTN para o município R$ 642,79/ha Por não ter sido apresentado nenhum documento de prova e no procedimento de análise e verificação das informações constantes da correspondente DITR/2006 e do SIPT, decidiuse alterar o VTN declarado de R$ 1.128.240,00 para o arbitrado de R$ 4.834.809,26, com base no valor de R$ 642,79/ha indicado Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 192 3 no SIPT, com conseqüente aumento do VTN tributável, disto resultando o imposto suplementar de R$ 17.550,57, conforme demonstrado às fls. 13. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 12 e 14. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 16/12/2008 (fls. 124), a Impugnante, por meio de procurador legalmente constituído, fls. 41, protocolou em 14/01/2009, fls.17 – verso do processo 10783.720270/200890, a impugnação de fls. 17/40, lida nesta Sessão e instruída com os documentos de fls. 42/121 e 130/143. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • mostra a tempestividade da presente impugnação, cita o art. 48 do decreto n° 4.382/02, o art. 11 da Lei nº 9.393/96, transcrevendo o art. 34 que trata da alíquota utilizada para cálculo do ITR e o 50 do decreto n° 4.382/02 para concluir que apenas nos casos citados a Fazenda Pública deve proceder à determinação e o lançamento "de oficio" do crédito tributário (Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso V; Lei n° 9.393 , de 1 9 96 , art. 14), sob pena de infração ao principio da estrita legalidade; • incide sobre o efetivo lançamento todos os demais princípios da administração, sobretudo o da razoabilidade, este negado ao defendente; • através de notificação 07201/00105/2008, de forma precedente, foi o interessado provocado ao fornecimento de elementos, documentos e dados para apuração do valor devido à titulo de imposto; • referida notificação (com prazo de 20 dias) para cumprimento, não mensurou a providência exigida, ou seja, não foi concedido ao administrado realístico prazo para elaboração de laudos, obtenção e juntada de documentos e, indicação de valores da área rural, desconsiderando que são passados 03 anos do período sobre o qual deveria se apurar o imposto e, ainda, que se trata de área com mais de 7.000 hectares o que, por si, exigiria prazo dilatado para a confecção dos 03 Laudos de Avaliação requisitados; • buscando o administrado reunir os dados e a documentação exigida pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL RFB, pugnou expressamente e tempestivamente pela prorrogação razoável do prazo de 20 dias, permanecendo no aguardo da resposta concessiva da dilação do prazo; • desprezou a administração o pedido de fixação razoável de prazo e precipitouse em promover os cálculos e o lançamento de oficio do valor do ITR identificados nos Termos de Intimação Fiscal impugnados; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 193 4 • Ante a evidencia do desarrazoado cálculo e o precipitado lançamento de oficio do valor do ITR 2004, 2005 e 2006 identificados nos Termos de Intimação Fiscal, culmina a necessidade de desconstituição dos valores lançados até que seja oportunizado ao administrado assim como requerido a reunião e exibição dos documentos e dados necessários ao ordinário lançamento por homologação nos termos da Lei n° 5.172/66, art. 142 e da Lei n° 9.393/96, arts. 10 e 14; • a falta do preenchimento dos requisitos essenciais do lançamento nos termos da Lei 9.393/96, constantes do artigo 11 do Decreto 70.235/72 (ainda em vigor com alterações), acarreta a nulidade do lançamento e a inexigibilidade do crédito e o transcreve, bem como, o art. 7º da IN RFB 579/05; • entendese que a notificação "emitida eletronicamente" é somente aquela gerada e/ou recebida pessoalmente pelo administrado através do meio eletrônico (internet ou outro sistema informatizado) ou meios similares incluindo, entre outros, intercâmbio eletrônico de dados (EDI), o correio eletrônico, telegrama, telex e fax; • emissão eletrônica é bem diferente de geração de documento por impressão...; • em dezembro de 1996, a UNCITRAL, Comissão da ONU para o Direito Comercial Internacional, com o intuito de estabelecer diretrizes para o uso dos meios eletrônicos de comunicação que pudessem ser seguidas pelos diferentes sistemas jurídicos, sociais e econômicos existentes no mundo, regrou o que vem a ser a emissão eletrônica de documento e transcreve definições contidas no art. 2º; • as notificações simplesmente geradas através de equipamentos de informática (notificações impressas pela administração) e encaminhadas ao administrado por simples postagem não podem ser entendidas como emitidas eletronicamente para fins de dispensar a identificação pela assinatura (art. 11 do Dec. 70.235/72) do chefe do órgão expedidor, garantindo a segurança e adequando a finalidade do fato jurídico/tributário da administração e, nesse sentido, mostra julgado do Conselho de Contribuintes; • a ausência e/ou o erro na formalização dos documentos de notificação (Termos de Intimação Fiscal de Lançamento n°s 07201/00144/2008, 07201/00138/2008 e 07201/00151/2008) os tornam nulos e, por conseguinte, inexigíveis os valores neles constantes; • apresenta alguns esclarecimentos sobre o cálculo do ITR, transcrevendo o art. 11 da Lei nº 9.393/96 e mostra o fundamento da presente Notificação de Lançamento; • através do Laudo anexo, após homogeneização e saneamento dos dados amostrais, obtevese o valor de Terra Nua por hectare Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 194 5 de R$ 924,29 a um nível de confiança de 95%, variando o intervalo de confiança de R$ 736,06 a R$1.112,52; • como a área do imóvel avaliando Fazenda Floresta é muito superior aos imóveis utilizados na determinação do Valor de Terra Nua (média de tamanho de 436,37 hectares), deve ser considerada a possibilidade dessa variável (tamanho da propriedade 7521,60 hectares) como influente na apuração do VTN sendo necessário utilizar a Análise de Correlação; • realizada a correlação (r²= 0,9581), através da regressão potencial provase que o tamanho da área da propriedade influi diretamente no valor de terra nua, demonstrando que apesar da análise estatística apresentar os valores de R$ 736,06 e R$ 1.112,52 para um intervalo de confiança de 95% de probabilidade, existe uma forte e definitiva correlação entre o Valor da Terra Nua e o tamanho do imóvel em questão 7.521,60 hectares; • descreve o Laudo anexo que aplicados os testes estatísticos de Chauvenet e Student, verificase que o Valor de Terra Nua anteriormente encontrado não se adequa à propriedade em razão do seu tamanho (7.521,60ha) pois este é muito superior aos imóveis utilizados na pesquisa de preço de mercado; • mostra o quadro de análise de regressão refletido no Laudo; • ao se substituir a variável "x" pela área total do imóvel, encontrase o Valor de Terra Nua de R$ 252,73/hectare, que bem reflete a realidade do valor da área para este ano de 2009; • o valor total da Terra Nua em 2009, portanto, é R$ 1.900.933,97; • mostra os valores atribuídos pela RFB nas Notificações de Lançamento e conclui que houve discrepância dos valores e o evidente excesso promovido pela RFB, merecendo o reparo oportuno como autoriza o art. 29 do D 70.235/72 e o transcreve; • em relação à multa e juros, diz que devem ser decotados dos valores principais (ainda por serem definidos) os juros e as multas imputadas de forma usurária e, cuja incidência se deu pela legítima irresignação da contribuinte; • a inscrição da requerente junto ao CADIN por força do ITR relativo ao exercício de 2004/2005 e 2006 não cumpre os desígnios que informam esta espécie de cadastro; • exorta para fins de suspensão ou para que seja evitada a sua inscrição junto ao CADIN o disposto na CF, art . 170, transcrevendoo; • a inscrição da requerente junto ao CADIN elidirá a obtenção de créditos, parcelamento de débitos, etc..., inviabilizando seu livre exercício de atividade econômica protegida pelo art. 150, IV da CF; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 195 6 • requer que seja evitada e/ou suspensa qualquer inscrição junto ao CADIN como medida restritiva de direitos, pois isso inviabilizará a continuidade das atividades comerciais da peticionaria; • diz que a situação análoga ao confisco, transcrevendo o art. 150, IV da CF e citando doutrinas de Hugo de Brito Machado; • conclui que é confíscatório o ITR fixado pela RFB com base no VTN equivocado e exorbitante e, nesses termos, merece revisão assim como autoriza o art. 29 do D 70.235/72, a fim de que se corrija o valore atribuído à "terra nua" do imóvel (VTN exercício 2004, 2005 e 2006); • finalmente, requer: •• seja suspensa ou evitada a inscrição da peticionaria junto ao CADIN até decisão ulterior no processo administrativo sob pena de prejuízo imputável à administração; •• ante a discrepância dos valores e o evidente excesso promovido pela RFB, antes do julgamento definitivo, seja o procedimento baixado em diligência para o necessário recálculo do ITR dos anos aos anos de 2004, 2005 e 2006 à luz dos argumentos e VTN's oportunamente defendidos, assim como autoriza o art. 29 do Dec. 70.235/72; •• seja o recurso inteiramente provido para exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo lançado à maior e "de ofício", isentandoo dos encargos de multa e juros sobre o valor total (lançamento principal e encargos decorrentes), mantendose como corretos os valores de R$ 69,40 (ano de 2004) R$ 96,47 (ano de 2005) e 150,00 (ano de 2006) por hectare, assim como declarado pelo contribuinte; •• provido integralmente o recurso, sejam excluídas as rubricas referentes aos juros, multa e correção monetária, vez que nada mais fez o requerente do que exercer seu legítimo direito de oporse a exação manifestamente equivocada; •• alternativamente, seja a impugnação provida parcialmente para decotar dos valores indicados como devidos as rubricas de juros e multa que derivam do equívoco da administração em promover os atos de lançamento, sobretudo os juros que somente poderiam incidir sobre o valor principal apurado após a decisão final administrativa de lançamento; •• ainda alternativamente, seja admitido como Valor da Terra Nua (VTN), para efeito de cálculo do ITR de 2004, 2005 e 2006, o valor apurado de R$252,73/hectare em 2009, incidentalmente indicado no Laudo anexo, depreciado em 15% ao ano de retroação aos anos de 2004, 2005 e 2006; •• em qualquer hipótese de decisão, sob pena de nulidade do procedimento, seja notificada a interessada para que possa exercer a faculdade do art. 33 do Dec . 70.235/72, ou seja, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 196 7 manejar o recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo; • pede deferimento. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. Já o ônus da prova no caso, documental é do Contribuinte, seja na fase inicial do procedimento fiscal ou mesmo na fase de impugnação, não podendo a prova pericial ser utilizada para aperfeiçoamento do laudo de avaliação então apresentado. NULIDADE VICIO FORMAL NOTIFICAÇÃO ELETRÔNICA Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/há médio apontado no SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2006, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicala, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Cientificado em 26/09/2011 (Fls. 175), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 25/10/2011 (fls. 176 a 187), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 197 8 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida o caso de arbitramento do VTN de propriedade da contribuinte. A contribuinte, em seu recurso, alega a nulidade do lançamento, e pede a realização de diligências. A possibilidade de nulidade está assim descrita no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Como se vê o § 3º acima permite à autoridade julgadora não declarar a nulidade do ato quando puder decidir do mérito a favor do contribuinte. Assim se, no caso em apreço caso, o arbitramento do VTN for considerado improcedente, não é cabível a declaração de nulidade da decisão recorrida. Esse procedimento é aplicável a este caso, posto que, como será demonstrado a seguir, o lançamento relativo a essa matéria não deve prevalecer; razão péla qual deixo de apreciar as alegações de nulidade e o pedido de realização de diligência. Inicialmente, é importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 198 9 considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 199 10 IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ante à legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso em apreço, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fls. 10. Tal valor não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto o lançamento é improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10783.720283/200869 Acórdão n.º 2801002.808 S2TE01 Fl. 200 11 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 10380.913370/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 0/ 20 09 -8 1 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 66 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 20/05/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 04226.81356.200508.1.3.042165 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRPJ, código de receita 236201, período de apuração abril 2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 104.686,14; CSLL, código de receita 248401, período de apuração abril/2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 77.117,40; b) crédito original utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 134.063,52; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 882.606,23. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 67 3 Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente à apuração realizada quanto ao PA mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do período de apuração anual — em 2005 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar do ano de 2008, nesse ano; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito original; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do imposto de renda, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório); Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 68 4 As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.40/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acresceentou: que, em que pese ter efetuado o pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74, período de apuração julho 2005, apurou que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, com outros valores a pagar no ano de 2008, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou de parte desse crédito, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a decisão recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PERD/COMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PERD/COMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 69 5 do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do mês de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão ora atacada negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto que merece reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 70 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Em relação à antecipação de pagamento de imposto estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido do imposto desse período. Nesse sentido, a contribuinte juntou as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ –Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa Mensal, onde informou, para o período de apuração julho/2005, Imposto de Renda a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 11; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação do IRPJ Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74 (fl.42); d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 71 7 Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório, nestes autos, parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 134.063,52 (valor original), alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, a importância de R$ 882.606,23 (valor original) – fl. 02. Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito do IRPJ estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 1.876.090,74. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento por estimativa mensal como crédito, devendo, primeiro, levar o valor da antecipação de pagamento para a declaração de ajuste anual, pois somente é possível utilizar em compensação tributária o saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento do IRPJ do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) consta cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Ou seja, sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) não há cópia nos autos da Ficha 12 –Cálculo do IR sobre o Lucro Real. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas citadas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir nos sistemas internos de controle da RFB (sistemas informatizados) uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora juntada aos autos para o período de apuração relativo ao direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 72 8 (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913370/200981 Resolução nº 1802000.131 S1TE02 Fl. 73 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000048/00-80
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
No caso, como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 11/01/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 31/03/1992, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 11/01/1990 por superar o prazo decenal.
Recurso extraordinário provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 11/01/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. No caso, como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 11/01/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 31/03/1992, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 11/01/1990 por superar o prazo decenal. Recurso extraordinário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 00 48 /0 0- 80 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 11/01/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0306.126 da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 227 a 239) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 11/01/2000, repetição de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 31/03/1992. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000048/0080 Acórdão n.º 9900000.833 CSRFPL Fl. 6 3 A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 243 a 257), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 259 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 11/01/2000. Fatos Geradores: 01/09/1989 a 31/03/1992. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10805.000048/0080 Acórdão n.º 9900000.833 CSRFPL Fl. 7 5 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 11/01/2000, referente a tributos com fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 31/03/1992, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento parcial para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 11/01/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15956.000178/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Recorrentes ASSOCIACAO DAS URSULINAS DE RIBEIRAO PRETO FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 17 8/ 20 08 -0 2 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000178/200802 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.271 S2C3T1 Fl. 714 2 Relatório: Conselheiro Mauro José Silva: Tratase de lançamento nº 37.131.9889, lavrado em 23/06/2008, que constituiu crédito tributário relativo de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte da empresa e à parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados constante de folha de pagamento e parte da empresa incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, no período de 06/2003 a 07/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 5.506.362,85, fls. 01. A autoridade fiscal relatou que: A instituição passou por diligência fiscal em 2004 para verificação de fatos que, em tese, pudessem configurar motivos impeditivos para concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS. Concluída a diligência, foi constatado que a instituição não atendeu aos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91, conforme Representação Administrativa RA e Informação Fiscal de 30/06/2004 (documentação anexa) Desta forma, a instituição teve sua isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91 cancelada. A instituição recorreu da decisão, porém lhe foi negado provimento, conforme despacho decisório do Acórdão n° 1674/2006 de 25/10/2006, Declaração de Cancelamento de Isenção de 09/08/2007 e Oficio n°668/2007/DRF/POR/GAB de 09/08/2007 encaminhado e recebido pela instituição por via postal com aviso de recebimento em 15/08/2007, fls. 369/379. (documentação anexa). Sendo assim, foi aberta a presente ação fiscal para verificação do cumprimento das obrigações principal e acessória do período de 01/1998 a 07/2007 em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Após tomar ciência pessoal da autuação em 27/06/2008, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 508/530, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000178/200802 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.271 S2C3T1 Fl. 715 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto, em despacho de fls. 582/583, solicitou fossem os documentos relacionados com o cancelamento da isenção juntados ao presente. A fiscalização juntou os documentos solicitados e informou, fls. 584/585, o seguinte: Foi elaborada Informação Fiscal para cancelamento da Isenção, em 05/04/2007, constante do Processo n° 17460.000192/200714 (n° este, recebido no Ministério da Fazenda DRJ RPO PROT SP, quando da fusão ocorrida na forma da Lei n° 11.457/2007), pelo não cumprimento pela Associação do contido no inciso II, do art. 55, da Lei n° 8.212/91. Foi encaminhada via da Informação Fiscal à Empresa através do Ofício n° 229/2007/DRPRIB/SRP/MPS, de 05/04/2007, com AR Aviso de Recebimento n° 354926303, cientificada em 17/04/2007, com abertura de prazo para apresentação de defesa no prazo de 15 (quinze) dias. A Associação apresentou defesa tempestiva e a decisão culminou no Acórdão de n° 1416.133 9a Turma da DRJ/RPO (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP), de 22/06/2007, onde seus membros acordaram por unanimidade de votos, considerar procedente a Informação fiscal, com trânsito em julgado administrativamente e determinou a emissão do Ato Cancelatório. Assim, foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 002/2007, de 09/08/2007, encaminhado à empresa através do Ofício n° 668/2007/DRF/RPO/GAB, de 09/08/2007(fls. 377 a 379) do presente Auto de Infração, recebido pela Empresa em 15/08/2007 AR n° 613319001. Da decisão que cancelou a isenção não coube interposição de recurso administrativo, de conformidade com o estabelecido no § 9o do art. 206 do Decreto n° 3.048/99. Cientificada da informação fiscal em 06/03/2009, a recorrente aditou sua impugnação em fls. 613/616, insistindo nos fatos narrados em sua peça inicial. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 619/628, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 19/10/2009, fls. 631. Especificamente quanto ao resultado do processo no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) publicado em 28/02/2008, o Acórdão a quo entendeu que a recorrente somente a partir daquela data teria passado a atender o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. Ficou consignada a conclusão de que o certificado anterior não teve seus efeitos estendidos, pois o CNAS não teria feito qualquer ressalva no novo CEBAS, fls. 625. Em seguida, a DRJ consignou que a discussão sobre a existência de isenção não poderia ser objeto de discussão no presente processo. Como a então impugnante não havia discutidos os aspectos fáticos dos fatos geradores, estes foram considerados matéria não impugnada. O recurso voluntário, apresentado em 17/11/2009, fls. 635/645, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia informando que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deferiu seu CEBAS conforme anexo 2 da defesa inicial, fls. 555. Em decisão publicada em Fl. 715DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000178/200802 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.271 S2C3T1 Fl. 716 4 28/02/2008, a recorrente teve reconhecida a validade de seu Certificado nos períodos 01/2001 a 12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Diante disso, o Ato Cancelatório 002/2007 teria perdido a validade. O Ato Cancelatório referente ao Acórdão 1674/2006 também foi reformado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) conforme consta do Anexo 3 da defesa inicial. Insiste que preenche todos os requisitos para a imunidade/isenção Suscita a aplicação da Nota DECOR/CGU/AGU 180/2009 ao caso. A recorrente apresentou pedido de desistência em relação aos fatos geradores de 01 a 13/2004 e 01 e 02/2005, fls. 666/669. É o relatório. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000178/200802 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.271 S2C3T1 Fl. 717 5 Voto: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, conforme veremos a seguir. Em virtude da desistência parcial apresentada pela recorrente, fls. 666/669, deixamos de conhecer o recurso em relação aos fatos geradores de 01 a 13/2004 e 01 a 02/2005. A recorrente apresentou aspecto relevante relativo ao Ato Cancelatório 002/2007. Segundo a interessada, a inexistência de CEBAS apontada pela fiscalização e constatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) não corresponde à realidade, uma vez que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) teria decidido, em data posterior ao término do julgamento na DRJ, pela validade do CEBAS. Assim, o fundamento para a conclusão da DRJ e para a conseqüente edição do Ato Cancelatório 002/2007 estaria afastado em parte do período. Em relação a tal período a recorrente deixou de apresentar desistência e insiste no deferimento de seu recurso. O Ato Cancelatório 002/2007, fls. 377, foi emitido em 13/07/2007, pelo Delegado Adjunto da DRF/Ribeirão Preto tendo como único fundamento o descumprimento do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, após a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) da mesma cidade ter emitido o Acórdão 16.133 em 22/06/2007, fls. 595/608. O referido dispositivo exigia, na redação da época dos fatos geradores, que a entidade fosse portadora do Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Ocorre que a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto que julgou o cancelamento da isenção no processo 17460.000192/200714, fls. 595/608, foi exarada em 22/06/2007, data anterior à decisão definitiva do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) a respeito da existência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido em período posterior a 01/1998. Como não havia possibilidade de recurso, em virtude do §9º do art. 206 do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS), a decisão da DRJ atingiou a definitividade e permitiu a emissão do Ato Cancelatório 002/2007. Diante disso, a recorrente apontou, em sua impugnação e em seu Recurso Voluntário no presente processo, que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) reconheceu, em decisão publicada em 28/02/2008, fls. 555, que a recorrente possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido em parte do período objeto do lançamento, ou seja, em parte do período atingido pelo Ato Cancelatório 002/2007. É nosso entendimento que remanesce produzindo efeitos o Ato Cancelatório 002/2007 até que seja retirado do mundo jurídico por autoridade competente para tanto. Entretanto, parecenos que o único fundamento do Ato Cancelatório 002/2007 restou afastado em relação aos períodos para os quais foi reconhecida a existência de Certificado de Entidade Fl. 717DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000178/200802 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.271 S2C3T1 Fl. 718 6 Beneficente de Assistência Social (CEBAS), ainda que em decisão declaratória posterior com efeitos ex tunc. Em adição, discordamos do Acórdão a quo que apontou que a decisão do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) de 28/02/2008 teria efeitos apenas ex nunc em relação à isenção. O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), de fato, não decide sobre isenção, mas decide sobre o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Quem decide se a recorrente possuía ou não CEBAS válido em determinado período não é a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) e sim o CNAS. Sendo o CEBAS requisito para a isenção, a decisão definitiva sobre esta deveria ter aguardado o pronunciamento final do CNAS sobre o certificado por se tratar de questão prejudicial, o que não foi feito. Ressaltamos que isso não impediria o respectivo lançamento fosse realizado para evitar a decadência dos fatos geradores relativos a períodos nos quais a isenção estava sendo questionada. Com a decisão definitiva posterior do CNAS com efeitos ex tunc, o Ato Cancelatório 002/2007 restou desprovido de fundamentos em relação ao período de 01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Porém, como a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no processo 17460.000192/200714 alcançou a definitividade na esfera administrativa, cabenos diligenciar para apurarmos se a decisão do CNAS noticiada em fls. 555 já alcançou a definitividade na esfera administrativa para, em momento posterior, avaliarmos os rumos de nosso convencimento em relação ao caso. Nossas dúvidas em relação aos processos noticiados em fls. 555 justificamse dado ao conteúdo do documento fls. 649 que nos informa que processos que discutiram a existência do CEBAS ainda estavam em trâmite em 19/10/2009, data posterior a 28/02/2008. Caso os processos noticiados em fls. 555 estivessem em andamento quando da edição da MP 446/2008 teríamos que considerálos deferidos, seguindo o conteúdo da Nota DECOR/CGU/AGU 180/2009. Enfim, somente conhecendo o inteiro teor dos processos que tramitaram no CNAS é que poderemos formar nossa convicção sobre a legalidade do conteúdo do Ato Declaratório 002/2007, sobre a aplicação da MP 446/2008 e sobre as eventuais repercussões em nosso convencimento. Por oportuno, o envio dos autos ao titular da DRF Ribeirão Preto justificase devido ao nosso entendimento de que somente aquela autoridade poderá alterar o conteúdo do Ato Cancelatório 002/2007. Caso tal ato não seja revisado, nosso entendimento atual é de que cabernosá apenas acatar seus efeitos no presente caso. Pelo exposto, votamos por converter o julgamento em diligência para: 1 Que seja solicitado ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) cópia integral dos processos 71010.002063/200461, 71010.002064/200414, 44006.005179/200062 e 71010.000199/199/200518, citados no item 2 da Resolução 35 de fevereiro de 2008 daquele órgão; 2 Após a juntada dos documentos, que seja o presente processo enviado ao titular da DRF/Ribeirão Preto para que este se pronuncie sobre a legalidade integral do Ato Cancelatório 002/2007 e, caso conclua pela ilegalidade parcial, realize, se entender cabível, a revisão de ofício Fl. 718DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000178/200802 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.271 S2C3T1 Fl. 719 7 do referido Ato, juntando o eventual novo documento aos autos. Concluídos tais encaminhamentos, a recorrente deve ser intimada a, se desejar, aditar seu recurso no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Ao final, retorne os autos para este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 719DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905178/2010-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 78 /2 01 0- 27 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de outubro de 2003, no valor de R$ 224,59. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 62/68). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 01/03/2012 (fls. 71). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 74/77, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905178/201027 Acórdão n.º 3802001.355 S3TE02 Fl. 81 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de outubro de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (outubro de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de outubro de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003285/2010-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMUNICAÇÃO DAS MICROEMPRESAS OU DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE.
A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO SUSPENSOS.
Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória.
Numero da decisão: 1803-001.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMUNICAÇÃO DAS MICROEMPRESAS OU DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO SUSPENSOS. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 38 1 37 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.003285/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.614 – 3ª Turma Especial Sessão de 5 de dezembro de 2012 Matéria SIMPLES NACIONAL EXCLUSÃO Recorrente M. M. PRODUÇÕES LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMUNICAÇÃO DAS MICROEMPRESAS OU DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO SUSPENSOS. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 32 85 /2 01 0- 75 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10280.003285/201075 Acórdão n.º 1803001.614 S1TE03 Fl. 39 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10280.003285/201075 Acórdão n.º 1803001.614 S1TE03 Fl. 40 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 20): 1. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado em 13/10/2010, contra o Ato Declaratório Executivo nº 426803, fl. 09, que o excluiu do SIMPLES. 2. O motivo da exclusão foi a existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, referentes ao SIMPLES, com exigibilidade não suspensa, conforme relação de fl. 06. 3. O embasamento legal no qual se ampara a exclusão está contido na Lei Complementar 123/06, art. 17, V, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. 4. Alega a contribuinte, fls. 01/08, que: O dispositivo legal utilizado com base para exclusão é inadequado. Não existe previsão legal para exclusão por atraso de pagamento; O art. 17 da Lei Complementar 123/06 trata das condições exigidas para a inclusão das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – EPP, no regime do SIMPLES, não da exclusão. Cumpridas as exigências necessárias para a inclusão no SIMPLES, a opção é aceita, e daí só poderá ser excluída se incorrer em qualquer das hipóteses previstas no Artigo 29 da mesma Lei Complementar. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 19): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 EXCLUSÃO MANTIDA. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Comprovado que a contribuinte não regularizou os débitos que motivaram sua exclusão do Simples Nacional, há que se manter tal exclusão. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A exclusão do Simples Nacional darseá obrigatoriamente, quando a empresa incorrer na hipótese de vedação prevista no inciso XVI do art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 2007. (Art. 3º, II, d, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007). Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10280.003285/201075 Acórdão n.º 1803001.614 S1TE03 Fl. 41 4 3. Cientificada da referida decisão, apresenta a interessada, em 20/12/2011, Recurso de fls. 29 a 31 (numeração digital ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, em nenhuma das situações descritas na Lei Complementar nº 123, de 2006, está expressa, com a clareza que deve ter a norma tributária, a hipótese de exclusão por falta ou atraso no pagamento dos tributos devidos na forma do Simples Nacional; b) que o que está previsto no inciso V do art. 17 não é a mesma coisa que atraso ou falta de pagamento do Simples Nacional, mas, sim, uma situação preexistente quando do ingresso no Simples Nacional; c) que a lacuna identificada pela falta de clareza na definição do que é, de fato, motivo para a exclusão do Simples Nacional não deve ser preenchida pelo julgador, valendose do instituto da analogia, visto não haver, aqui, espaço para tal; e d) que, diante das colocações acima, entende que está sendo duramente injustiçada com sua exclusão do Simples Nacional, tendo em vista não vislumbrar, em meio às normas que regem a matéria, qualquer dispositivo capaz de respaldar o Ato Declaratório ora recorrido. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10280.003285/201075 Acórdão n.º 1803001.614 S1TE03 Fl. 42 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Tempestividade do Recurso 5. Não constando do presente processo prova da data da ciência da decisão recorrida, temse como tempestivo o Recurso ora interposto. Exclusão do Simples Nacional 6. Dispõem os arts. 30, inciso II, 17, inciso V, e 29, inciso I, todos da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, respectivamente: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...]; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; [...] [...]. Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...]; V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...]. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; [...]. 7. De conformidade com os dispositivos transcritos, verificase que deveria a Recorrente ter comunicado ao Fisco a sua exclusão do Simples Nacional, quando da incursão em quaisquer das situações de vedação previstas na Lei Complementar nº 123, de 2006 (art. 30, inciso II), entre as quais a referida no art. 17, inciso V (existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa). Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10280.003285/201075 Acórdão n.º 1803001.614 S1TE03 Fl. 43 6 8. Não o tendo feito, incidiu, no caso, o contido no art. 29, inciso I, daquela Lei Complementar, a saber, a sua exclusão de ofício, por ter sido verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória. 9. Improcede, pois, a alegada falta de previsão legal para a exclusão da Recorrente do Simples Nacional. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 19515.002833/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A importância paga, devida ou creditada aos segurados contribuintes individuais, sem comprovação de que se subsume a direitos autorais, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, III, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior divergiu, pois entendeu que se aplicava ao caso, o artigo 150, § 4° do CTN.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados contribuintes individuais, sem comprovação de que se subsume a direitos autorais, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, III, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 Recurso Voluntário Negado.
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CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados contribuintes individuais, sem comprovação de que se subsume a direitos autorais, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, III, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior divergiu, pois entendeu que se aplicava ao caso, o artigo 150, § 4° do CTN. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 33 /2 00 9- 80 Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002833/200980 Acórdão n.º 2302002.058 S2C3T2 Fl. 565 3 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 20/07/2009, de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores pagos aos segurados contribuintes individuais, a título de direitos autorais, mas que não restaram assim caracterizados, nas competências de 01/2004 a 12/2004. O relatório fiscal de fls.17/18, diz que a autuada não apresentou comprovação de que os valores lançados na contabilidade se referissem a direitos autorais, não informando a composição do valor lançado e sua vinculação com os nomes de autores. Sendo assim, os pagamentos foram considerados como remuneração a contribuintes individuais e que os valores pagos a pessoas jurídicas, através de notas fiscais, não fazem parte do levantamento. Após a impugnação, Acórdão de fls. 489/500, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega , em síntese: a) a decadência das competências de 01/2004 a 06/2004, posto que o lançamento ocorreu em 07/2009; b) que o levantamento foi feito por presunção, que não foram esgotados todos os meios de fiscalização junto à recorrente para ver da real inexistência de pagamentos; c) os pagamentos de direitos autorais não são base legal para a contribuição previdenciária, conforme artigo28,§9º, letra “v” da Lei n.º 8.212/91; d) que não foram examinados os contratos referentes aos direitos autorais para comprovar a eventual falta de recolhimento das contribuições; e) que acostou aos autos listagem dos nomes constantes nas Declarações de Imposto Retido na Fonte – DIRF e o catálogo de livros publicados para comprovar que os pagamentos são relativos a direitos autorais; f) que a atitude da fiscalização ao efetuar o lançamento se mostrou arbitrária, abusiva e nitidamente arrecadatória, pois não se ateve à realidade dos fatos; g) que não foi provada a ocorrência do fato gerador; h) que o auto de infração deve ser declarado nulo, por não cumprir os preceitos do artigo 142, do CTN. Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Requer a reforma da decisão recorrida, o provimento integral do recurso, a anulação do lançamento e o arquivamento dos autos. Posteriormente, fls. 526/527, a recorrente protocolou requerimento de desistência parcial do recurso, no que tange às competências de 07/2004 a 12/2004, para a inclusão dos respectivos débitos em parcelamento especial. Foi efetuado o desmembramento do processo para possibilitar a operação. É o relatório. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002833/200980 Acórdão n.º 2302002.058 S2C3T2 Fl. 566 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 504, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Após a apresentação de suas razões recursais, a recorrente protocolou termo de desistência parcial do recurso abrangendo o período de 07/2004 a 12/2004, visando o parcelamento das contribuições lançadas e quanto às competências de 01/2004 a 06/2004, argúi que estão alcançadas pelo instituto da decadência qüinqüenal, conforme exposto no Código Tributário Nacional. Não é procedente a argüição quanto ao período decadente, posto que o AIOP foi lavrado em 20/07/2009 e cientificado ao sujeito passivo na mesma data, contemplando as competências de 01/2004 a 12/2004, que não se encontram atingidas pela fluência do prazo decadencial, porque as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta autuação, até porque a recorrente não entende que os valores que compõem o levantamento se caracterizam como base de cálculo da contribuição previdenciária. Desta forma, somente com a ação fiscal é que os valores foram lançados, não havendo que se falar em recolhimento parcial antecipado, por isso, aplicase o artigo 173, I do CTN e o direito do fisco promover o lançamento das competências até 11/2004, somente estaria extinto a partir de janeiro de 2010, enquanto para a competência 12/2004, o prazo seria em janeiro de 2011: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto, o período remanescente nesta autuação, após a desistência do recurso por parte da autuada é de 01/2004 a 06/2004, não havendo que se falar em decadência. Também não vislumbro a tese de nulidade da autuação por descumprimento dos preceitos trazidos pelo artigo 142, do CTN, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O art. 142 do CTN atribui competência privativa à autoridade administrativa para constituir os créditos, observandose as exigências de especificação do fato gerador, da matéria tributável, calculandose o montante devido e corretamente identificandose o sujeito passivo da obrigação. Todas as exigências foram atendidas pela autoridade notificante, a saber: ocorrência do fato gerador: pagamentos de remuneração aos segurados contribuintes individuais, apurados na contabilidade; matéria tributável : a remuneração dos segurados contribuintes individuais constituem base de incidência da contribuição previdenciária, por determinação legal, artigo art. 22, III, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.876/99; calcular o montante devido : o que está contido no Discriminativo Analítico do Débito, por competência, fls. 05 a 07 e no Discriminativo Sintético do Débito, fls. 08 e 09; identificar o sujeito passivo da obrigação: a empresa está devidamente identificada às fls. 01, do Auto de Infração e seus responsáveis constam das fls. 14, no Relatório de Representantes Legais. De todos os documentos foram entregues as 2ªs. vias para o Procurador da empresa, que recebeu e assinou a autuação. Também foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002833/200980 Acórdão n.º 2302002.058 S2C3T2 Fl. 567 7 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito Como já referido, o fato gerador da obrigação principal, objeto desta autuação, são os valores pagos aos contribuintes individuais que prestaram serviço à recorrente, lançados nos seus registros contábeis. O crédito não foi lançado por presunção como diz a recorrente, mas através da análise dos documentos disponibilizados para a realização da auditoria fiscal, que ao se deparar com os valores lançados na contabilidade a título de direitos autorais , solicitou a comprovação dos lançamentos, através da emissão do TIF – Termo de Intimação Fiscal n.º 03, às fls. 38 e 39, ao que não foi atendido pela autuada. Ao não demonstrar a composição dos valores lançados nos seus registros contábeis, a recorrente sujeitouse ao lançamento das contribuições por aferição indireta, com respaldo no que dispõe o artigo 33, §§ 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91: Art. 33 (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Havendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002833/200980 Acórdão n.º 2302002.058 S2C3T2 Fl. 568 9 do Seguro Social – INSS e o Departamento da Receita Federal – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Portanto, o procedimento fiscal está amparado no que prescreve o artigo acima citado e compete à fiscalização da Receita Federal do Brasil, solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias. A simples contabilização de valores sob o título de “direitos autorais”, sem a efetiva demonstração, ou comprovação de que os valores se subsumem ao título imposto, não servem para retirar a verba da base de incidência contributiva previdenciária, na forma como disposto pelo artigo 28, parágrafo 9º, letra “v”, da Lei n.º 8.212/91. A recorrente não logrou demonstrar, com os documentos acostados por ora da impugnação, suas assertivas quanto à natureza da verba. Do exame das Declarações de Imposto Retido na Fonte e as cópias de publicações efetuadas pela autuada, fls. 101 a 488, não é possível evidenciar que os valores lançados nos registros contábeis, Relatório Analítico de fls. 19 a 22, referemse a direitos autorais. Com efeito, o recebimento de valores em decorrência da cessão de direitos autorais estará excluída do conceito de remuneração, desde que comprovada. No caso em tela, o fisco solicitou que fossem demonstradas a origem e a composição dos lançamentos efetuados, relativos à verba lançada, ao que a recorrente não atendeu, motivo pelo qual o lançamento foi corretamente efetuado por aferição indireta, conforme consta dos Fundamentos Legais do Débito, fls. 12 e 13 dos autos, nos moldes preconizados pelo artigo 214, parágrafo 9º,inciso V, alínea XXI e parágrafo 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: V as importâncias recebidas a título de: XXI os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis Este posicionamento também se aplica ao Processo de AIOP n.º 19.515.002832/200955, referente às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado contribuinte individual, incidentes sobre a mesma verba, que se encontra apensado a este. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10980.725732/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Conselheiro Daniel Mariz Gudiño votou pelas conclusões.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Conselheiro Daniel Mariz Gudiño votou pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 32 /2 01 1- 34 Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, ente federativo municipal, foi lavrado o auto de infração de fls. 03/09, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 22.754.720,00 de contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep, além de multa de ofício de 75% e encargos legais. A autuação, ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o Pasep relativa aos períodos de apuração de janeiro/2007 a dezembro/2008, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 04/05), demonstrativo de apuração (fls. 06/07) e demonstrativo de multa e juros de mora (fls. 08/09); os dispositivos relativos à base legal do lançamento encontramse descritos às fls. 05 (principal) e 08/09 (multa e juros de mora). O termo de verificação fiscal de fls. 10/17, detalha os procedimentos adotados pela fiscalização na presente autuação. Cientificada em 04/11/2011 (fls. 03 e 17), a interessada, em 30/11/2011, apresentou a impugnação de fls. 2258/2291, firmada por procurador (mandato de fls. 2292/2293), e instruída com os documentos de fls. 2292/2382, que é a seguir resumida. No item “II Da Real Natureza Jurídica do Pasep”, após transcrever dispositivos relativos ao Pasep (art. 2º da Lei Complementar nº 08, de 1970; art. 239 da Constituição Federal de 1988; arts. 2º, III e 8º, III, da Lei nº 9.715, de 1998), argumenta que o PASEP teve sua natureza/finalidade desvirtuada pela atual Constituição Federal, uma vez que teria determinado que o produto de sua arrecadação fosse direcionado ao financiamento do programa do segurodesemprego, agregando que “o Município de Curitiba desde 1988, estatuiu como seu regime jurídico único o estatutário e não o celetista, assim, seus servidores não possuem direito aos benefícios do segurodesemprego. Assim, a Constituição Federal de 1988, despiu o PASEP de qualquer vinculação com o sujeito passivo Município, pois a aplicação do produto de sua arrecadação simplesmente serve ao financiamento de direito social que não detém nenhum vínculo direto com o sujeito passivo e do qual não fazem jus os servidores públicos municipais.”; disso, também, além de fazer referência à doutrina, conclui que Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.450 3 o Pasep tem natureza jurídica de imposto, pelo que estaria desobrigada de seu recolhimento em face do art. 150, VI, “a” da Constituição Federal de 1988, o que tornaria indevida a exigência fiscal. Transcrevendo o art. 195, caput e § 1º, da Constituição Federal de 1988, diz que essa norma disporia que cada pessoa jurídica de direito público interno fará constar em seu orçamento as receitas destinadas à seguridade social, e que tais valores não integrariam o orçamento da União, concluindo que tal prescrição constitucional impediria a União de exigir o Pasep; finaliza esse tema dizendo: “Assim se revela mais uma vez a inconsistência dos lançamentos impugnados, pois além de norma constitucional atribuindo imunidade, existe outra (art. 195, § 1º) que impede a União de buscar recursos nos cofres públicos municipais para o financiamento da seguridade social, na qual está inserido o programa de segurodesemprego.”. Já, no item “III – Do Conceito de Receitas”, sustenta que o presente lançamento não merece prosperar posto que teria tributado valores que não se enquadrariam no conceito de ‘receita corrente’; na seqüência, transcrevendo trechos de obras de doutrinadores, que diz refletirem “o que financeiramente corresponde a uma receita”, afirma que essas considerações da doutrina não teriam sido albergadas pela Lei nº 4.320, de 1964, a que os municípios estão obrigados a seguir na contabilização de suas receitas, transferências e despesas, uma vez que a referida lei utiliza um conceito lato de receita, considerando como tal toda e qualquer entrada de dinheiro aos cofres públicos, que nem sempre representa uma receita, mas sim um mero ingresso ou a obtenção de um empréstimo; no seguimento, diz que o fisco, ao realizar os lançamentos impugnados, teria alterado o conceito financeiro de receita pública contido na precitada lei (nº 4.320/1964), sendo que tal conceito deve obrigatoriamente ser levado em conta, nos termos do art. 110 do CTN; conclui, assim, que os lançamentos estão incorretos, já que nas bases de cálculo teriam sido incluídas “receitas correntes, que na realidade são meros ingressos nos cofres municipais, que revelam simples movimentações de dinheiro, o Município de Curitiba recebe a receita, mas a repassa, por razões de direito, a um terceiro, ou seja, não há aumento de patrimônio.”. Na sequência, referindose a repasses de receitas, a interessada fala de diversos fundos a ela vinculados, conforme a seguir se resume: (a) ‘Fundo Especial da Procuradoria Geral do Município de Curitiba’: diz que as receitas que compõem tal fundo decorreriam de verbas honorárias devidas aos membros de sua Procuradoria Geral, sobre o que diz: “(...) as receitas decorrentes de verbas honorárias não ingressam de forma definitiva no patrimônio do Município. Pelo contrário. Compete a este apenas repassálas ao Fundo Especial da Procuradoria Geral do Município de Curitiba, criado pela Lei nº 11.313/04. Tal fundo gerencia a repartição da verba sucumbencial entre os Procuradores, dividindoa igualitariamente entre os integrantes da carreira. (...) Como apenas as receitas correntes somadas às transferências correntes e de capital compõem a base de cálculo do tributo impugnado, não há que se falar em incidência do PASEP sobre verbas honorárias, que são repassadas aos Procuradores.”; Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 (b) ‘Fundo de Urbanização de Curitiba’: transcreve o art. 2º da Lei Municipal nº 4.369, de 1972, que arrola os recursos que o constituem, após o que diz que nem todos os recursos que compõem tal fundo podem ser enquadrados no conceito financeiro de receita, citando como exemplo a arrecadação oriunda da tarifa cobrada dos usuários do transporte coletivo urbano, cujos valores apenas transitariam pelos cofres do município, já que seriam repassados às empresas privadas que prestam o referido serviço de transporte; arremata esse tópico dizendo: “há apenas um ingresso de dinheiro nos cofres municipais e não uma receita propriamente dita, pois não há acréscimo ao patrimônio municipal. Tal receita não poderia sofrer tributação do PASEP.”; (c) ‘Fundo Municipal de Habitação’: transcreve o art. 2º da Lei nº 7.412, de 1999, que dispõe sobre os recursos que o compõem, e afirma que do conteúdo desse dispositivo verificarseia que a maioria desses recursos não se prestariam a servir de base de cálculo do PASEP; dá como exemplo o inciso IX do referido artigo, que determina que são recursos do Fundo as rendas provenientes da aplicação de seus próprios recursos, sendo que tais receitas, apesar de contabilizadas como receita corrente patrimonial (em razão da Lei nº 4.320/1964), não se enquadrariam no conceito de ‘receitas correntes’, pois constituiriam ‘receitas de capital’, não fazendo parte da base de cálculo do Pasep; diz que também os incisos II e V não poderiam ser tributados, uma vez que não corresponderiam a receitas propriamente ditas, já que não acrescem o patrimônio municipal, uma vez que decorrem de substituição de um bem por um valor em pecúnia, no caso das unidades vendidas aos mutuários e os excessos de terrenos, pelo dinheiro dado em pagamento por tais bens; informa, ainda, que o “Fundo de Habitação de Curitiba”, em 01/07/2008, foi substituído pelo “Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social”; (d) ‘Fundo de Abastecimento Alimentar de Curitiba’: inicialmente, transcreve o art. 3º da Lei Municipal nº 7.462, de 1990, que trata das receitas que constituirão o fundo em questão; a seguir, afirma que tal fundo tem como principal recurso resultados de aplicações financeiras, que, como antes mencionara, apesar de serem contabilizados como receita corrente patrimonial, na verdade seriam receitas de capital; diz, ainda, que da leitura do dispositivo transcrito perceberiase que existem recursos que não se enquadram no conceito de receitas correntes, e, assim, não poderiam sofrer a incidência do Pasep; (e) ‘Fundo Municipal do Meio Ambiente’: transcreve o art. 39 da Lei Municipal nº 7.833, de 1991, que trata da criação do referido fundo, bem como das receitas que o constituem, depois do que faz a seguinte assertiva: “verificase que entre seus recursos, nem todos podem ser enquadrados no conceito de receitas correntes.”; (f) ‘Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico’: reproduz o art. 4º da Lei nº 11.558, de 2005, que dispõe sobre as receitas que compõem o referido fundo, emitindo, no seguimento, o seguinte comentário: “cumpre destacar que este fundo ainda não foi regulamentado, dessa forma não recebeu nenhum recurso, o que demonstra a inconsistência do lançamento combatido, uma vez que sequer foi averiguada a regulamentação do Fundo e a existência de receitas.”; (g) ‘Fundo Municipal de Prevenção às Drogas’: transcreve o art. 9º da Lei nº 11.100, de 2004, que indica quais são os recursos desse fundo, após o que Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.451 5 afirma: “Para verificar a viabilidade da incidência do Pasep sobre os recursos acima mencionados, não basta a mera análise contábil realizada pelo agente fiscal federal, pois conforme acima destacado, nem todas as receitas classificadas como correntes no contabilidade são efetivas levando em conta o direito financeiro. Muitas delas escapam, assim, a incidência do Pasep.”; (h) ‘Fundo Municipal de Defesa Civil’: copia o texto do art. 18 da Lei nº 11.645, de 2005, que diz da receitas que constituem tal fundo, e, a seguir, diz: “igualmente possui receitas que não se prestam à base de cálculo do Pasep.”; (i) ‘Fundo de Recuperação de Calçadas’: reproduz o art. 14 da Lei Municipal nº 11.596, de 2005, que determina quais são os recursos de tal fundo, comentando, a seguir, que tal fundo também não teria sido regulamentado, pelo que não teria recebido recurso algum, o que demonstraria “a inconsistência do lançamento combatido, uma vez que sequer foi averiguada a regulamentação do fundo e a existência de receitas.”; (j) ‘Fundo Municipal do Trabalho’: traz o texto do art. 10 da Lei nº 12.192, de 2007, que dispõe sobre as receitas que constituem o referido fundo, afirmando, no seguimento, que: “a tributação do Pasep não pode alcançar todos os recursos que o compõem, pois nem todos são abrangidos pelo conceito de receita.”; (k) ‘Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional’: transcreve o art. 9º da Lei nº 11.832, de 2006, que trata das receitas que compõem esse fundo, depois do que comenta: “assim, como em todos os fundos tributados pelo Pasep no lançamento combatido, também no Fundo de Segurança Alimentar e Nutricional, existem recursos que devem ser obrigatoriamente excluídos da base de cálculo, visto que não se enquadram no conceito de receita, ou estão incluídos no conceito de transferências sobre as quais não poderia incidir o tributo impugnado.”; (l) ‘Fundo Municipal de Saúde’: reproduz o art. 8º da Lei Municipal nº 7.631, de 1991, que dispõem sobre os recursos que integram tal fundo, e, na seqüência, argumenta: “Para verificar a viabilidade da incidência do Pasep sobre os recursos acima mencionados, não basta a mera análise contábil realizada pelo Agente Fiscal Federal, pois conforme acima destacado, nem todas as receitas classificadas como correntes no contabilidade são efetivas receitas levando em conta o direito financeiro. Muitas delas escapam, assim, a incidência do Pasep. O Fundo Municipal de Saúde possui como seu principal recurso repasses governamentais do Estado e da União. Estes recursos, meramente transitam pelos cofres municipais, pois servem para financiar as ações e serviços de saúde realizados pelo Sistema Único de Saúde – SUS. Conforme diretrizes da Lei nº 8.080/1990, o Município de Curitiba somente realiza a auditoria dos procedimentos realizados pelo SUS, se aprovado sua realização o pagamento pelo serviço de saúde é realizado, sendo o faturamento do recebimento emitido contra o próprio SUS e não contra o Município. Assim, o Município de Curitiba, é mero agente gestor da receita que vem da União e dos Estados, passa pelo Fundo Municipal de Saúde e é integralmente repassado aos hospitais. Enquadrar tal recurso como receita é forçosamente desvirtuar o conceito financeiro acima aludido, confrontando diretamente o artigo 110 do Código Tributário Municipal.”. Por sua vez, no título “IV Da Impossibilidade de Incidência do Pasep sobre as Transferências Constitucionais – Fundo de Participação do Município”, sustenta que o Pasep não pode incidir sobre valores oriundos de Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 transferências constitucionais da União e dos Estados aos Municípios, e que permitir tal incidência significaria dizer que uma lei ordinária estaria acima da Constituição Federal, pois retiraria parte do percentual das transferências que o constituinte determinou; assim, entende que a legislação infraconstitucional que previu tal incidência teria ofendido o texto constitucional, sobre o que transcreve texto obtido da Revista Dialética de Direito Tributário, e complementa: “da simples leitura da Constituição Federal, verificase que as normas constitucionais pertinentes à repartição de receitas, são inconciliáveis com a impossibilidade de dedução dos recursos destinados ao FUNDEB, estando eivado de vício, também neste ponto, o lançamento realizado.”. No item “V – Do Caráter Confiscatório da Multa Aplicada”, tece considerações acerca de alegada inconstitucionalidade na aplicação da multa de ofício de 75%, posto que tal exigência caracterizaria confisco (art. 150, IV da Constituição Federal de 1988), citando, a propósito, julgados do STF (ADI 551, julgado em 24/10/2002, e RE 582461 RG, julgado em 22/10/2009); diz, também, que a cobrança de tal multa feriria os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; reclama, ainda, que a possibilidade da redução do valor da multa cobrada, no caso de pagamento ou parcelamento sem discussão, desestimularia o direito de petição, o que feriria o direito do contraditório e ampla defesa, além de violar o princípio da igualdade, em prol da voracidade de arrecadar da União. Pede, ao final desse item, “a exclusão da multa moratória, em razão do seu caráter notoriamente confiscatório.”. A seguir, no tópico “VI – Da Equidade”, diz que por ser o tributo lançado ‘altamente controvertido’, uma vez que teria natureza jurídica de imposto, a utilização do conceito legal de receita, previsto na Lei nº 4.320, de 1964, confrontaria o que dispõe o art. 110 do CTN, visto que desvirtuaria o seu conceito financeiro, e que a cobrança da multa de 75% e dos juros de mora onerariam em demasia o tesouro municipal, e também fazendo referência à doutrina, pede pela aplicação ao caso da regra jurídica da equidade. Ao final, faz o seguinte pedido: “Diante do exposto, requer seja acolhido o pleito formulado na presente impugnação: (1) reconhecendo a imunidade do Município de Curitiba, em razão da natureza jurídica de imposto que possui o Pasep; (2) não sendo este o entendimento requer sejam excluídos dos lançamentos todos os valores que não se enquadram no conceito jurídicofinanceiro de receita; (3) que pelas razões acima manejadas seja permitida a dedução da base de cálculo dos valores destinados ao FUNDEB; (4) a exclusão da multa moratória em razão de seu caráter nitidamente confiscatório, aplicandose desde logo a equidade.”. À fl. 2383, despacho da DRF/Curitiba atestando a tempestividade da impugnação apresentada. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA no 0636.004, de 21/03/2012, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PA, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.452 7 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. FALTA DE RECOLHIMENTO. SUJEITO PASSIVO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada, em auditoria fiscal, a falta de recolhimento da contribuição ao Pasep, cabível a sua constituição de ofício em nome do sujeito passivo da obrigação tributária. FUNDEB.PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os Municípios ao receberem da União valores relativos as transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para o FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas na legislação pertinente. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Correta a exigência da multa de ofício, posto que feitas com amparo em expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O julgamento foi no sentido de considerar totalmente procedente o lançamento. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de auto de infração, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 22.754.720,00 de contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep, além de multa de ofício de 75% e encargos legais. Ressaltese, de pronto, que não se exige a multa de mora, como argui a recorrente. A autuação é decorrente da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o Pasep relativa aos períodos de apuração de janeiro/2007 a dezembro/2008, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, demonstrativo de apuração e demonstrativo de multa e juros de mora. Bem como o termo de verificação fiscal que dispõe sobre os procedimentos adotados pela fiscalização na presente autuação. A recorrente argumenta que é indevida a exigência da contribuição ao Pasep, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, apresentando, quanto a isso, uma série de razões no sentido de que tais contribuições teriam a natureza jurídica de imposto, pelo que estaria albergada pelo instituto da imunidade (art. 150, IV da CF/1988); entende, também, que no art. 195, § 1º, da CF/1988, haveria impedimento da União “em buscar recursos nos cofres públicos municipais para o financiamento da seguridade social”. A pretensão da recorrente implica negar efeito aos dispositivos legais que dão suporte ao lançamento da contribuição ao Pasep, sendo que os mesmos estavam e ainda estão em pleno vigor. Nesse contexto, cumpre registrar que – a despeito da argumentação tecida em contrário pela mesma – a apreciação, no entanto, limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade das normas jurídicas que fundamentam o auto de infração, tais como a apreciação da verdadeira natureza jurídica da contribuição ao Pasep; assim, não podem ser analisadas as alegações que pretendam levar ao exame da suposta invalidade do art. 1º da Lei Complementar n.º 08, de 1970, e dos arts. 2º, III, 7º e 8º, III, da Lei 9.715, de 1998, na redação vigente para os períodos de apuração em questão. Quanto ao controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988, sendo, assim, defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegada invalidade da lei que fundamenta a exigência de tributo, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, já tem súmula neste sentido: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Não há como afastar a incidência do Pasep, sob o argumento de que seria inválida a base legal que dá suporte ao lançamento. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre a contribuição ao Pasep ser constitucional. Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.453 9 A seguir, ementas de alguns julgados: “AI 480721 AgR / PR AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Relator(a): Min. EROS GRAU Data do Julgamento: 10/10/2006 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação: DJ 24112006 Parte(s): AGTE.(S): MUNICÍPIO DE MEDIANEIRA AGDO.(A/S): UNIÃO EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO CONVERTIDO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PASEP. PRECEDENTES. PASEP. Exigibilidade da contribuição pelas unidades da federação, pois a Constituição de 1988 retirou o caráter facultativo, bem assim a necessidade de legislação específica, para a adesão dos entes estatais ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.” (Grifouse) “Pet 2500 QO / PR – QUESTÃO DE ORDEM NA PETIÇÃO Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 03/06/2003 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação: DJ 29082003 Parte(s) REQTE.: MUNICÍPIO DE BARRA DO JACARÉ REQDA.: UNIÃO EMENTA: PASEP MUNICÍPIOS LC nº 08/70 OBRIGATORIEDADE. A contribuição ao PASEP não é facultativa, mas obrigação legal imposta a todos os entes políticos da federação. Precedente do STF (ACO 471). Questão de ordem que assim se resolve: 1) cassar a liminar deferida; 2) julgar extinto o processo.”. (Grifouse) Em relação aos Fundos Municipais, a recorrente alega que teriam sido tributados ‘ingressos’ que não se enquadrariam no conceito de ‘receita corrente’, uma vez que não seriam entradas definitivas de dinheiro e bens em seus cofres. Censura a Lei nº 4.320, de 1964, quanto à definição do que sejam “receitas correntes”, que diz ser muito ampla, obrigandoa a contabilizar nessa rubrica valores que nem sempre se caracterizariam como receita; diz, ainda, que o lançamento não levou em conta o conceito econômicofinanceiro de ‘receita pública’ contido na precitada Lei nº 4.320, de 1964, Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 o que tornaria a tributação ilegal, já que tal alteração de conceito desobedeceria o art. 110 do CTN. O art. 110 do CTN referido dispõe: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Segundo Luciano Amaro , o art. 110 citado acima, é preceito dirigido ao legislador e não ao intérprete jurídico. É matéria tipicamente de definição de competência tributária. Explicita que o legislador não pode expandir o campo de competência tributária que lhe foi atribuído, mediante o artifício de ampliar a definição, o conteúdo ou o alcance de institutos de direito privado. Enfim, a menção ao art. 110 do CTN é indevida, já que os conceitos em referência não dizem respeito ao Direito Privado, mas fazem parte de lei relativa ao Direito Financeiro, que é parte do Direito Público. Pois bem, a base de cálculo da contribuição ao PASEP é a Lei nº 9.715, de 1998, in verbis: “Art. 2º A Contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” (Grifouse) Destarte, a base de cálculo da contribuição dos Municípios é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Transcrevese trecho do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, onde a auditoria fiscal obteve os valores das bases de cálculo: Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.454 11 “ (...) INTIMAÇÃO FISCAL E ANÁLISE DE DOCUMENTOS 3. A fiscalização foi iniciada em 02/06/2011, com a lavratura do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, intimando o contribuinte a apresentar, dentre outros documentos, os arquivos magnéticos de contabilidade e as planilhas de cálculo das contribuições ao PASEP, indicando as contas de Receitas que compuseram a base de cálculo, bem como os valores deduzidos e as retenções do tributo sofridas, tendo em vista que as entidades públicas estão dispensadas de declarar as contribuições ao PASEP em DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, conforme Instruções Normativas IN/SRF 590, de 22/12/2005, IN/RFB 940, de 19/05/2009, e IN/RFB 1.015, de 05/03/2010. 4. No Termo de Intimação Fiscal TIF nº 2, em 21/07/2011, foram solicitadas informações referentes às entidades, fundos e demais órgãos que compuseram o orçamento do MUNICÍPIO DE CURITIBA nos anos de 2007 e 2008. A relação de tais entidades e órgãos, anexada ao TIF 2, foi declarada pelo contribuinte à STN – Secretaria do Tesouro Nacional, na “Pesquisa de Identificação da Administração Indireta”, parte integrante do documento “Quadro de Dados Contábeis Consolidados Municipais”, disponibilizado na página da internet da STN: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/ estados_municipios/sistn.asp>. 4.1. Na resposta ao Termo de Intimação, o MUNICÍPIO DE CURITIBA apresentou em 01/09/2011 a discriminação das entidades vinculadas que têm personalidade jurídica própria e também dos órgãos e fundos que apenas possuem natureza contábil. Apresentou, ainda, os números do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como as leis de criação dos referidos fundos e entidades, comprovando sua natureza jurídica (Anexo I). Entregou nesta data, também, os balanços orçamentários mensais dos Fundos, contendo suas receitas (Anexo II), as quais não estavam incluídas na contabilidade da prefeitura apresentada inicialmente à fiscalização, em 21/06/2011. 4.2. As entidades, vinculadas ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, que possuem natureza jurídica própria são: Entidades CNPJ Lei Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba 76.582.337/000116 Lei 2.660/65 Instituto de Previdência Assist. Serv. Município de Curitiba 76.608.736/000109 Lei 1.762/59 Instituto Municipal de Administração Pública 78.802.394/000199 Dec. 1.487/64 Instituto Municipal de Turismo 07.505.809/000114 Lei 11.408/05 Fundação Cultural de Curitiba 75.123.125/000108 Lei 4.545/73 Fundação de Ação Social 76.568.930/000108 Lei 8.155/93 Instituto Curitiba de Informática 02.576.670/000186 Decreto 375/98 Instituto Curitiba de Arte e Cultura 05.503.775/000101 Decreto 1.107/03 Instituto Curitiba de Saúde 03.518.900/000113 Lei 1.762/59 Urbanização de Curitiba S/A 75.076.836/000179 Lei 2.295/63 Companhia de Habitação Popular de CuritibaCOHAB 76.495.696/000136 Lei 2.545/65 Companhia de Desenvolvimento de Curitiba Curitiba S/A 76.493.899/000193 Lei 11.403/05 Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A 09.324.976/000194 Lei 12.439/07 Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 4.3. Os fundos vinculados ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, sem personalidade jurídica própria, e que possuem natureza meramente contábil, são: Fundos CNPJ Lei Fundo de Urbanização de Curitiba 76.417.005/002200 Lei 4.369/72, Lei 7.556/90 e Lei 12.597/08 Fundo Municipal de Habitação 76.417.005/002634 Lei 7.412/90 Fundo de Abastecimento Alimentar de Curitiba 76.417.005/001743 Lei 7.462/90 Fundo Municipal de Saúde 13.792.329/000184 Lei 7.631/91 Fundo Municipal do Meio Ambiente 13.791.287/000167 Lei 7.833/91 Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico 76.417.005/000186 Lei 11.558/05 Fundo Especial Procuradoria Geral do Município de Curitiba 76.417.005/000186 e 13.792.401/000173 (Próprio) Lei 11.313/04 Fundo Municipal de Prevenção às Drogas 13.790.676/000178 Lei 11.100/04 Fundo Municipal de Defesa Civil 76.417.005/000348 Lei 11.645/05 Fundo de Recuperação de Calçadas 13.791.337/000106 Lei 11.596/05 Fundo Municipal do Trabalho 76.417.005/002049 Lei 12.192/07 Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional 76.417.005/002553 Lei 11.832/06 4.4. Os demais fundos não são vinculados diretamente ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, mas compõem as receitas de outras entidades (fundações e institutos) com personalidade jurídica própria. Assim, não integraram a base de cálculo deste lançamento fiscal as receitas dos fundos: Fundo Municipal para a Criança e o Adolescente, Fundo Municipal de Apoio ao Deficiente, Fundo Municipal de Assistência Social, Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa por serem vinculados à Fundação de Ação Social, entidade com personalidade jurídica própria, CNPJ 76.568.930/000108. Tampouco foram consideradas as receitas do Fundo Municipal da Cultura, vinculado à Fundação Cultural de Curitiba, CNPJ 75.123.125/000108 e do Fundo Municipal Provisional de Previdência, vinculado ao Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município de Curitiba, CNPJ 76.608.736/000109. BASE DE CÁLCULO DO PASEP 5. O MUNICÍPIO DE CURITIBA tem como Base de Cálculo da contribuição ao PASEP o valor mensal da soma das receitas correntes arrecadadas, das transferências correntes e de capital recebidas, conforme previsto no art. 2°, inciso III , e no art. 8°, inciso III, ambos da Lei 9.715, de 25/11/1998. Podem ser deduzidos desta base de cálculo os valores transferidos a outras entidades públicas, conforme art. 7º do mesmo dispositivo legal. 5.1. A Portaria Interministerial MF/MPOG n° 163, de 04/0 5/2001, dispõe sobre normas gerais de consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios e regulamenta a utilização de uma mesma classificação orçamentária de receitas e despesas públicas para estas entidades. Desta forma, a contabilidade dos entes públicos deve seguir o mesmo padrão e numeração para suas contas contábeis, conforme disposto no referido ato normativo. 5.2. A base de cálculo mensal do PASEP dáse, então, pela soma aritmética das seguintes contas: Código Descrição 100000000000 RECEITAS CORRENTES 240000000000 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.455 13 Os valores lançados na conta 170000000000 – TRANSFERÊNCIAS CORRENTES, definida pela lei como base de cálculo da Contribuição ao PASEP, estão incluídos na soma da conta de RECEITAS CORRENTES. 5.3. As deduções permitidas pela lei são lançadas nos grupos de contas de despesa de Transferências a Outras Entidades Públicas: Código Descrição 3.3.20.0000 TRANSFERÊNCIAS À UNIÃO 3.3.30.0000 TRANSFERÊNCIAS A ESTADOS E DF 3.3.40.0000 TRANSFERÊNCIAS A MUNICÍPIOS 4.4.20.0000 TRANSFERÊNCIAS À UNIÃO 4.4.30.0000 TRANSFERÊNCIAS A ESTADOS E DF 4.4.40.0000 TRANSFERÊNCIAS A MUNICÍPIOS 6. Portanto, a base de cálculo da contribuição ao PASEP foi obtida somandose os valores das contabilidades do órgão executivo Prefeitura e dos demais Fundos vinculados ao MUNICÍPIO DE CURITIBA, elencados no item 4.3., de acordo com a planilha consolidada a seguir (valores em R$): Período de Apuração Receitas Correntes (A) Transfer. De Capital (B) Transf. a Outras entidades públicas (C) BASE CALCULO (D) =(A+BC) jan/07 188.184.385,29 188.184.385,29 fev/07 367.706.372,32 277.000,00 367.983.372,32 mar/07 217.526.448,95 137.000,00 217.663.448,95 abr/07 255.406.126,09 392.400,00 255.798.526,09 mai/07 235.302.236,90 21.839,69 235.280.397,21 jun/07 226.068.803,88 226.068.803,88 jul/07 218.970.450,29 237.453,45 219.207.903,74 ago/07 321.162.718,88 68.980,00 80.607,70 321.151.091,18 set/07 284.301.426,70 31.750,59 284.269.676,11 out/07 250.224.491,09 1.119.514,29 13,58 251.343.991,80 nov/07 227.362.580,79 227.362.580,79 dez/07 251.504.730,48 5.042.620,89 128.834,54 256.418.516,83 jan/08 221.899.455,65 903,67 221.898.551,98 fev/08 375.417.078,71 487.500,00 84.269,62 375.820.309,09 mar/08 262.557.340,45 744.238,85 263.301.579,30 abr/08 285.980.049,17 13.468.597,77 299.448.646,94 mai/08 236.330.113,06 158.448,00 236.488.561,06 jun/08 297.821.077,23 5.183.822,18 303.004.899,41 jul/08 267.462.465,65 3.870.474,25 271.332.939,90 ago/08 281.694.257,15 9.897.205,29 291.591.462,44 set/08 247.279.453,08 662.443,17 247.941.896,25 out/08 279.411.628,52 747.640,57 365.071,26 279.794.197,83 nov/08 258.995.068,68 2.233.213,52 280.865,85 260.947.416,35 dez/08 287.117.512,96 3.635.975,52 374.503,31 290.378.985,17 As planilhas individuais dos Balanços Orçamentários do órgão Prefeitura e de cada Fundo, as quais compuseram a base de cálculo da contribuição ao PASEP acima demonstrada, estão no anexo II deste Termo.” Ou seja, a fiscalização considerou como receitas da interessada não só os valores escriturados diretamente em seu nome, conforme demonstrativos denominados ‘Arrecadação da Receita Diária’ de fls. 229/426 (anocalendário 2007) e 895/1134 (ano calendário 2008), como também aqueles valores escriturados em nome dos fundos discriminados no item 4.3 do precitado termo de verificação fiscal, pois os mesmos fazem parte Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 da estrutura da própria recorrente, já que não possuem personalidade jurídica própria, tendo natureza meramente contábil, consoante os demonstrativos ‘Arrecadação da Receita Semestral’ de fls. 427/894 (anocalendário 2007) e 1135/1854 (anocalendário 2008). Com todos demonstrativos analisados, percebese que os valores considerados pelo fisco correspondem às previsões dos dispositivos da Lei nº 9.715, de 1998. Foram computados os valores escriturados pela própria recorrente a título de receitas correntes arrecadadas, e de transferências correntes e de capital recebidas. Logo, descabidas as alegações de que a composição de tais bases foi realizada de forma inadequada, já que realizada a partir de peças fornecidas pela recorrente e aceitas pelo fisco, abarcando os períodos de apuração. Para o Fundo Municipal de Defesa Civil, o Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico, o Fundo Municipal de Prevenção às Drogas, o Fundo Municipal do Trabalho, o Fundo de Recuperação de Calçadas e o Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, os precitados demonstrativos registram zero reais como valores de base de cálculo. A Lei nº 9.715, de 1998, faz uso dos conceitos do que sejam ‘receita corrente’, ‘transferência corrente’ e ‘transferência de capital’ contidos na Lei nº 4.320, de 1964 (estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.), sendo de se destacar que a alegação da recorrente quanto à impropriedade da Lei nº 4.320, de 1964, por suposta amplidão ao conceituar ‘receita corrente’, não pode ser analisada no âmbito administrativo, já comentado a despeito. Já com respeito às menções específicas feitas pela recorrente relativas aos Fundos arrolados no item 4.3 do Termo de Verificação Fiscal, quais sejam: (a) Fundo de Urbanização de Curitiba; (b) Fundo Municipal de Habitação; (c) Fundo de Abastecimento Alimentar de Curitiba; (d) Fundo Municipal de Saúde; (e) Fundo Municipal de Meio Ambiente; (f) Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico; (g) Fundo Especial Procuradoria Geral do Município de Curitiba; (h) Fundo Municipal de Prevenção às Drogas; (i) Fundo Municipal de Defesa Civil; (j) Fundo de Recuperação de Calçadas; (k) Fundo Municipal de Trabalho; e (l) Fundo Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, temse que considerar que: a apuração da contribuição acontece na entidade que aplica o recurso, exonerando aquela que o arrecadou e transferiu, evitando a incidência em duplicidade do tributo. Ou melhor, a exclusão somente é permitida quando um contribuinte do PASEP transfere recursos a outro contribuinte, de forma que os recursos transferidos irão integrar a base de cálculo da entidade que recebeu a transferência. Ou seja, na presente autuação, consta que os referidos fundos não têm personalidade jurídica própria, mas apenas uma distinção meramente contábil, pelo que os valores contidos na previsão da Lei nº 9.715/1998 (receitas correntes, transferências correntes e transferências de capital recebidas), escriturados para tais fundos, pertencem, na verdade, à recorrente. Passando à discussão da inclusão ou não do FUNDEB na base de cálculo do Pasep. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.456 15 O FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, que sucedeu ao FUNDEF, foi instituído pela Lei n.º 11.494, de 20 de junho de 2007, sendo que se extrai da referida lei que se trata de mero fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. O art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, somente podem ser excluídos da base de cálculo dessa contribuição as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O FUNDEB não é considerado entidade pública, portanto, os valores que, eventualmente, forem repassados a esse fundo não devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Município. A CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (COSIT) emitiu a Solução de Divergência n.º 02 Cosit, de 10 de fevereiro de 2009,cuja ementa dispõe: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Base de cálculo de Município. As receitas financeiras auferidas por Município, em decorrência da remuneração de depósitos bancários, de aplicações de disponibilidade em operações de mercado e de outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes, integram suas receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas, base de cálculo mensal, para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1%. Os valores de suas receitas próprias repassados/alocados, para o FUNDEF/FUNDEB, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta e amparo legal. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ao receberem da União valores relativos as transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para FUNDEF/FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas no art.7o da Lei nº 9.715, de 1998. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão excluir de suas respectivas bases de cálculos mensais da Contribuição para o PIS/Pasep, os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB, somente quando ficar comprovado que houve a retenção da Contribuição para o PIS/Pasep, na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre o total dos valores transferidos pela União, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional STN, na forma disposta no § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 8, de 1970: e Lei nº 9.715, de 1998, (art. 2º, inciso III, e § 6º e arts. 7º e 8º).” (Grifouse) Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Segundo esta solução de divergência, somente se ficasse comprovada a retenção da contribuição para o PIS/Pasep na fonte, à alíquota de 1% incidente sobre o total dos valores transferidos por meio da STN, poderiam ter sido excluídos os valores recebidos para o FUNDEF/FUNDEB. Tal comprovação, no caso, não ocorreu. Correta, pois, a exigência contida no auto de infração. Quanto à alegação de haver inconstitucionalidade na previsão legal da incidência do Pasep sobre as transferências correntes recebidas pelos municípios, como seria o caso do FUNDEB, já comentado anteriormente, também. Por derradeiro, quanto à exigência de multa de ofício, cumpre ressaltar que foram constituídas,as previstas na legislação descrita nos autos de infração, relativa a incidência do percentual de 75% sobre as parcelas do Pasep. O enquadramento legal da multa de ofício referida, que se encontra descrito no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora é o art. 44, I da Lei n.º 9.430, de 1996, modificado pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, a seguir reproduzido: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” Dessa forma, por estar de acordo com a legislação, considerase adequado o percentual de 75% aplicado ao caso em análise. Da mesma forma, deixo de apreciar a questão acerca de confronto aos princípios constitucionais sobre a multa de ofício. Transcrevo a ementa do decidido no acórdão de n° 3202000.352, de 10/08/2011, processo de n° 10950.003991/200943 de São Tomé Prefeitura, de relatoria do Conselheiro Paulo Sérgio Celani, com o mesmo teor deste: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, de sorte que os valores recebidos com destaque para o FUNDEF/FUNDEB devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado. Em assim sendo, não merece reparo decisão a quo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.725732/201134 Acórdão n.º 3201001.192 S3C2T1 Fl. 2.457 17 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/02/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10880.033916/99-36
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/11/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 133 1 132 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.033916/9936 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.494 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria Finsocial Recorrente Fazenda Nacional Recorrida Danilo e Cia. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/11/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 39 16 /9 9- 36 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 114 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 03 05.463, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que o prazo prescricional da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial começou a correr com a edição da MP n˚ 1.110/95, por meio da qual a Fazenda Nacional teria reconhecida a inconstitucionalidade da exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.033916/9936 Acórdão n.º 9900000.494 CSRFPL Fl. 134 3 entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 127, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões (vide doc. a fls. 132). Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.033916/9936 Acórdão n.º 9900000.494 CSRFPL Fl. 135 5 REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 03/12/1999, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador, razão pela qual entendo atingido pela prescrição apenas a pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativo ao fato gerador de 11/1989, e concluo ser tempestivo o pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 12/1989. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para acolher a preliminar de prescrição da pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativo ao fato gerador de 11/1989, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito do pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 12/1989. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.033916/9936 Acórdão n.º 9900000.494 CSRFPL Fl. 136 7 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 11020.722512/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007
PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR.
A compensação de prejuízo fiscal que tenha sido utilizado em lançamento de ofício anterior sujeita-se a glosa, mormente quando a exigência fiscal originária foi julgada procedente na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1402-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR. A compensação de prejuízo fiscal que tenha sido utilizado em lançamento de ofício anterior sujeita-se a glosa, mormente quando a exigência fiscal originária foi julgada procedente na esfera administrativa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 598 1 597 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.722512/201170 Recurso nº 929.802 Voluntário Acórdão nº 1402001.187 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente RIO GRANDE ENERGIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR. A compensação de prejuízo fiscal que tenha sido utilizado em lançamento de ofício anterior sujeitase a glosa, mormente quando a exigência fiscal originária foi julgada procedente na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 25 12 /2 01 1- 70 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 599 2 Relatório Rio Grande Energia S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “I DA AUTUAÇÃO FISCAL Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração de imposto sobre a renda da pessoa jurídica – IRPJ (fls. 345 a 350), referentes aos fatos geradores apurados em 31/12/2006 e 31/12/2007, pelos quais exigese o crédito tributário no valor total de R$ 40.966.050,63, inclusos os consectários legais até 30/06/2011. A infração está assim descrita no auto de infração do IRPJ: 001 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. Nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, a contribuinte informou compensação de prejuízo fiscal, entretanto, no sistema de acompanhamento do prejuízo, lucro inflacionário e base de cálculo negativa da CSLL (sistema SAPLI) da RFB não havia, nos citados períodos, saldo de prejuízo fiscal a ser compensado. Vide Relatório de Atividade Fiscal em anexo. Valores tributados: R$ 44.718.940,67 em 31/12/2006 e R$ 30.886.712,05 em 31/12/2007. Enquadramento legal: arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. No relatório de atividade fiscal produzido (fls. 352 a 356), consta que as inconsistências apuradas nas compensações dos prejuízos fiscais em 2006 e 2007 são decorrentes da emissão do auto de infração constante do processo administrativo fiscal (PAF) nº 11080.009008/200447, o qual alterou os resultados declarados pela autuada nos anoscalendário de 1999 a 2003, que extinguiu a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais que a contribuinte possuía até aquele momento. Relativamente ao auto de infração do processo nº 11080.009008/200447, informa o autuante que ele foi julgado procedente tanto pela DRJ/POA (Acórdão nº 5.331/2005) como pelo Conselho de Contribuintes/MF (Acórdão nº 10195.786 – fl. 342). Esclarece ainda que o contribuinte apresentou embargos de declaração, que foram rejeitados de plano através do Despacho nº 247 do Presidente da 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes, e que, atualmente, o processo em questão encontrase no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na situação – “Em tramitação” (fls. 340/341). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 600 3 O autuante informa ainda que emitiu o presente auto de infração tendo em vista a proximidade do termo final do prazo decadencial para efetuar o lançamento referente ao anocalendário de 2006. A multa de ofício aplicada foi no percentual de 75%, tendo como enquadramento legal o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Também foram lançados juros de mora com base nos arts. 61, 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. II DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da exigência do crédito tributário em 11/07/2011 (fl. 351), a autuada, por meio de representante legal, apresenta, em 10/08/2011, a impugnação de fls. 363 a 392, com documentos de fls. 393 a 527, argüindo, em síntese: que a impugnação é tempestiva e deve ser integralmente apreciada, nas preliminares e no mérito; que o presente auto de infração tem por objeto a mesma matéria que está sendo discutida no PAF n° 11080.009008/200447, no qual pende julgamento de recurso especial interposto pela impugnante; por isso, solicita sobrestamento da decisão deste processo; que naquele processo discutese o crédito tributário de IRPJ e de CSLL, relativos ao período compreendido entre 1999 e 2003, e oriundo da glosa de diversas despesas, especialmente amortização de ágio, e da adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA; que neste processo discutese o montante de prejuízo fiscal utilizado pela requerente em 2006 e 2007, sendo que esse montante é fruto da dedução das despesas de amortização do ágio e da exclusão dos valores registrados na conta CVA, que foram objeto de questionamento naquele processo administrativo; dessa forma, considerando a semelhança da matéria debatida, entende a impugnante que se faz imprescindível a suspensão do presente processo até que seja definitivamente julgado o PAF n° 11080.009008/200447; que caso assim não se entenda deve ser cancelada a presente autuação, já que a glosa de despesa de amortização de ágio e a adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA, efetuadas no auto de infração originário do PAF n° 11080.009008/200447, são absolutamente improcedentes; que no momento da incorporação da DOC 3 e durante todo o período de amortização do ágio vigia a Lei nº 9.532/97, determinando que o prazo mínimo para amortização com base na expectativa de rentabilidade futura é de 5 (cinco) anos e máximo de 10 (dez) anos; portanto, a amortização efetuada pela impugnante, no prazo de dez anos, e abalizada por carta emitida pela Ernst & Young, está em perfeita conformidade com a legislação fiscal; que as regulamentações infralegais da CVM jamais podem se sobrepor à lei fiscal, específica e hierarquicamente superior, se considerados exclusivamente os efeitos fiscais dessa amortização, ou seja, para fins de apuração do lucro real da impugnante; que mesmo que se considerasse aplicável a Instrução CVM nº 247/96 (o que não é correto), ainda assim o procedimento adotado pela impugnante estava correto, já que, na data em que houve a incorporação, não havia qualquer disposição relacionada à amortização do ágio no prazo da concessão. Esse dispositivo foi Fl. 600DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 601 4 inserido posteriormente à incorporação, pela Instrução CVM nº 285/98, sendo, portanto inaplicável ao presente caso; que a alteração inserida pela Instrução CVM nº 285/98 aplicase apenas ao ágio apurado na aquisição do direito de concessão, totalmente diferente do presente caso, que se tratou de ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura de uma sociedade; portanto, por qualquer prisma que se analise a questão, a única conclusão a que se chega é que o procedimento aplicado pela impugnante para amortizar o ágio foi o mais correto; que os valores da atualização da conta CVA pela taxa SELIC, não podem ser submetidos à tributação antes da aprovação da nova tarifa pela ANEEL, já que tal atualização reflete um mero controle de custos que a impugnante está obrigada a efetuar, para servir de parâmetro a eventual aumento da tarifa no ano posterior; e, dessa forma, a receita relacionada a tais valores somente é efetivamente auferida após a aprovação da nova tarifa pela ANEEL e com o consumo da energia elétrica pelos consumidores, o que somente pode ocorrer no ano posterior. Antes disso, há mera expectativa de direito, que não gera disponibilidade jurídica ou econômica da renda e, portanto, não pode ser considerada receita para a empresa; que tem como comprovada a exatidão dos procedimentos adotados na apuração dos seus resultados entre 1999 e 2003, de modo que o saldo de prejuízo fiscal utilizado para compensação em 2006 e 2007 encontra pleno fundamento nos fatos e no direito aplicável. Ao final, quer o acolhimento integral da presente impugnação, com o objetivo de cancelar o auto de infração em tela, bem como as penalidades aplicadas, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Protesta também pela posterior juntada de documentos ou realização de provas eventualmente pertinentes. Pede deferimento. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 35.067 (fls. 529536) de 25/10/2011, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS SALDOS POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR. A compensação de prejuízo fiscal que tenha sido utilizado em lançamento de ofício anterior sujeitase a glosa, mormente quando a exigência fiscal foi julgada procedente na primeira instância administrativa.” Fl. 601DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 602 5 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 09/11/2011 (A.R. de fl. 539) a interessada interpôs recurso voluntário em 08/12/2011 (fls. 541592) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 603 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da Preliminar de suspensão do julgamento do presente processo De plano, há de se refutar o pleito de suspensão do presente feito até o julgamento do processo administrativo nº 11080.009008/200447. Isso porque o aludido processo já foi julgado na esfera administrativa, conforme despacho nº 111000.027, de 15/03/2012, da Primeira Câmara, Primeira Sessão de Julgamento deste Conselho, que negou seguimento ao recurso especial apresentado pela Interessada (fls. 1.459 a 1.469 daquele PAF). Ressaltese que, conforme art. 71, §3°, do Anexo II do RICARF, tal decisão é definitiva na esfera administrativa. Assim sendo, deverá o presente processo ter prosseguimento normal. Das questões relativas ao PAF nº 11080.009008/200447 Ponderase, inicialmente, que o litígio relativo ao PAF n° 11080.009008/200447, oriundo da glosa de diversas despesas, especialmente amortização de ágio, e da adição como receita dos valores da atualização SELIC na conta CVA, do período compreendido entre 1999 e 2003, já foi objeto de análise e julgamento tanto pela DRJ (Acórdão DRJ/POA nº 5.331, de 03/03/2005) quanto nesta instância administrativa (Acórdão nº 10195.786 – Sessão de 18/10/2006). O resultado em ambas as instâncias foi unânime pela manutenção do lançamento conforme levantado pela Fiscalização. Vejamse as ementas dos referidos acórdãos: Acórdão DRJ/POA nº 5.331, de 03/03/2005: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: ATUALIZAÇÃO DE ATIVOS COM BASE NA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. A atualização de despesas antecipadas, pela taxa SELIC, consiste em aumento de ativos, sem correspondente aumento de passivos e, assim, tem a natureza de receita financeira. Tal receita é tributável independentemente de sua classificação contábil, não havendo na legislação fiscal qualquer disposição que determine sua exclusão do lucro contábil, para apuração do lucro real. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 604 7 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS, FUNDAMENTADO EM CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AMORTIZAÇÃO NO PRAZO DA CONCESSÃO. A amortização de ágio na aquisição de investimentos, fundamentado em concessão de serviço público, deve ser efetuada no prazo da citada concessão. DEPRECIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. AUMENTO DE VIDA ÚTIL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. O valor contabilizado como despesa de depreciação do ativo permanente, quando baseado em laudo de avaliação do respectivo ativo, deve ser considerado para fins de apuração do lucro real, com a adição – prevista na legislação tributária – da realização da reserva de reavaliação. Ao contrário, não há qualquer previsão na legislação tributária de exclusão de qualquer parcela do valor contabilizado como depreciação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: NULIDADES. Não há o que se falar em nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente e sem cerceamento do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Não tendo transcorrido o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, não há o que se falar em decadência do direito de lançar o tributo. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade de leis que instituam multas e juros de mora, gozando tais atos de presunção de constitucionalidade. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 Ementa: DIPJ. RETIFICAÇÃO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA. O início da ação fiscal, em relação ao tributo e ao período e em data anterior ao pedido, resulta na sua desconsideração para fins de constituição do crédito tributário via auto de infração. Lançamento Procedente Acórdão CC nº 10195.786 – Sessão de 18/10/2006 (fl. 342): DECADÊNCIA – PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL – IRPJ – CSL – No caso de opção pela apuração anual da base de cálculo, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir de primeiro de janeiro do ano subseqüente. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 605 8 NULIDADE – PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO – Não existe nulidade se resta comprovado que não houve prejuízo ao direito de defesa da contribuinte. AJUSTE À CONTA DE DESPESAS ANTECIPADAS – CORREÇÃO DO CUSTO PELA TAXA SELIC – A alteração dos gastos antecipados pelas concessionárias de energia elétrica, mediante ajuste pela taxa Selic, importa acréscimo patrimonial, na medida em que não representa um contra valor de registro permutativo em caixa ou outro ativo correspondente. DEPRECIAÇÕES – AJUSTES EXTRACONTÁBEIS – IMPOSSIBILIDADE – O limite máximo de registro contábil das depreciações representa uma faculdade ao contribuinte, que pode dimensionar tal valor mensal para menos. Incabíveis ajustes extracontábeis no LALUR, bem como retificações após o início da ação fiscal. CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA – AQUISIÇÃO COM ÁGIO E POSTERIOR INCORPORAÇÃO DA CONTROLADORA PELA CONTROLADA – REGRAS DE AMORTIZAÇÃO PELO PRAZO DE CONCESSÃO – A regra fiscal de dedução da amortização do ágio deriva das regras da legislação comercial de amortização, somente sendo possíveis ajustes no LALUR se a amortização foi inferior a cinco anos (Lei 9.430/96, artigos 7º e 8º). Para a amortização de ágio em face de rentabilidade futura por conta de contrato de concessão, aplicáveis as normas estabelecidas pela Instrução CVM 247/96, alterada pela Instrução CVM 285/98, isto é, a amortização contábil e os decorrentes efeitos fiscais operamse pelo prazo da concessão. Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Dessa forma, forçoso concluir que a controvérsia levantada pela Interessada em seu Recurso Voluntário já foi apreciada no PAF nº 11080.009008/200447, não sendo conhecida no presente processo. Da glosa da compensação dos prejuízo fiscais Depreendese dos autos que as inconsistências constatadas na compensação de prejuízos fiscais em 31/12/2006 e 31/12/2007 são decorrentes da emissão do auto de infração constante do PAF nº 11080.009008/200447, o qual alterou os resultados declarados pela pessoa jurídica nos anoscalendário de 1999 a 2003. Nessa esteira, conforme já disposto acima, tanto o Acórdão DRJ/POA nº 5.331/2005 quanto o Acórdão do Conselho de Contribuintes (atual CARF) nº 10195.786 mantiveram a autuação objeto do PAF n° 11080.009008/200447. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.722512/201170 Acórdão n.º 1402001.187 S1C4T2 Fl. 606 9 Assim, há que se ter por procedentes as alterações nos resultados da pessoa jurídica dos anoscalendário de 1999 a 2003, que extinguiram a totalidade dos saldos de prejuízos fiscais que a Interessada possuía até aquele momento (fls. 446/450). Uma vez extintos os saldos de prejuízos fiscais dos períodos anteriores (1999 a 2003), passíveis de utilização pela autuada em suas DIPJs, considerase procedente a glosa da compensação dos prejuízos fiscais em 31/12/2006 e 31/12/2007, conforme lançado no presente processo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de indeferir a preliminar de suspensão do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendose o crédito tributário conforme constituído. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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