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Numero do processo: 10120.721367/2009-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-007.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel.
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ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 13 67 /2 00 9- 02 Fl. 99DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202002.485 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 15 de outubro de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 71: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO DA DRJ. Na forma do art. 17 do Decreto 70.235, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, lógica que também se aplica à esfera recursal (Art. 60 da Lei 9.784/99). VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes do CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO, MANTIDA A DECISÃO DA RECORRIDA, EXCETO NO QUE SE REFERE AO VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO, DEVENDO SER ADOTADO PARA O CÁLCULO DO ITR DEVIDO O VTN DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 80 a 87, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 89 a 93, para rediscutir a decisão recorrida no tocante ao arbitramento do VTN com base no SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITRs de outros contribuintes. Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) não há ilegalidade no procedimento para o lançamento do ITR com base nos valores indicados no Sistema de Preços de Terras da SRF; b) as tabelas de valores indicados no SIPT servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador; c) valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela da Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10120.721367/200902 Acórdão n.º 9202007.338 CSRFT2 Fl. 3 3 Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, mas o contribuinte não se desincumbiu desse mister; d) merece reforma o acórdão recorrido, tendo em vista estar em desacordo com o sistema normativo vigente, devendo prevalecer o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização. Intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. O processo administrativo fiscal sob análise tem como objeto exigência de ITR suplementar referente ao exercício de 2005, em decorrência da glosa pelo Fisco das Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (ARL) declaradas, bem como alteração do Valor da Terra Nua (VTN), que entendeu subavaliado. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com o fito de rediscutir arbitramento do VTN com base no SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITRs de outros contribuintes. Compulsandose o Acórdão recorrido, observase que a razão de decidir do Colegiado se baseou, essencialmente, nos seguintes fundamentos: No tocante à utilização do SIPT, da leitura da art. 14 da Lei 9.393/961, entendo que somente poderá a Fiscalização dele se socorrer nos casos (i) de não entrega do DIAT, (ii) de subavaliação, ou (iii) de prestação de informações equivocadas ou fraudulentas. Desse modo, quanto ao VTN arbitrado pela fiscalização, entendo que tal se mostra ilegal e, sendo assim, para a apuração do ITR devido no presente caso, deverá ser considerado o VTN declarado pelo contribuinte em DITR, o qual, inclusive, foi confirmado pelo laudo técnico à fl. 23. Isso porque, conforme reconhecido nos autos (fls. 51), a fiscalização utilizouse do VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados em DITR, o qual não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Com efeito, ainda que reconheça a possibilidade da utilização dos dados do SIPT para fins de arbitramento de VTN nas Fl. 101DF CARF MF 4 hipóteses em que a lei assim determinada, entendo que tal somente é legítima quando os parâmetros adotados estejam baseados, por exemplo, na aptidão agrícola das terras do município e não apenas no VTN médio declarado por município, baseados em dados de DITRs apresentadas, pois esse, notoriamente, não contempla as características intrínsecas e extrínsecas que determinam o potencial de uso da terra. (...). Com base no exposto, voto pelo desprovimento do Recurso Voluntário, entendendo pela manutenção da decisão recorrida, exceto no que se refere ao VTN arbitrado pela fiscalização, devendo ser adotado para o cálculo do ITR devido o VTN declarado pelo contribuinte. Assim, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário considerando a realização do arbitramento do valor do VTN com base no SIPT, utilizandose o valor médio das DITRs, sem levar em conta a aptidão agrícola. Acerca do tema, o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996, assim dispõe: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) O referido art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I. valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II. valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10120.721367/200902 Acórdão n.º 9202007.338 CSRFT2 Fl. 4 5 Posteriormente, com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Diante desse contexto, observase que não foi cumprida a exigência legal de modo a considerar a aptidão agrícola do imóvel, razão pela qual mantenho a decisão recorrida. Portanto, voto por conhecer do recurso especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000197/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÃO APRESENTADA DE FORMA GENÉRICA. INVIABILIDADE.
As alegações trazidas na peça recursal, de forma genérica, sem apontar com clareza os pontos de discordância do acórdão recorrido, nos termos do art. 16, III do Decreto 70.235/72, inviabiliza o julgamento pelo órgão demandado.
Numero da decisão: 1202-000.705
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÃO APRESENTADA DE FORMA GENÉRICA. INVIABILIDADE. As alegações trazidas na peça recursal, de forma genérica, sem apontar com clareza os pontos de discordância do acórdão recorrido, nos termos do art. 16, III do Decreto 70.235/72, inviabiliza o julgamento pelo órgão demandado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÃO APRESENTADA DE FORMA GENÉRICA. INVIABILIDADE. As alegações trazidas na peça recursal, de forma genérica, sem apontar com clareza os pontos de discordância do acórdão recorrido, nos termos do art. 16, III do Decreto 70.235/72, inviabiliza o julgamento pelo órgão demandado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, André Almeida Blanco, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13027.000197/200381 Acórdão n.º 1202000705 S1C2T2 Fl. 1.174 2 Relatório Tratase do exame das Declarações de Compensação das fls. 01 a 07, cujos créditos se originam do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, dos anoscalendário de 2001, nos valores de R$ 43.691,00 e R$ 44.433,22, respectivamente, e de 2002, nos valores de R$ 113.985,7 e R$ 8.804,26, respectivamente. O processo já foi examinado pela 5ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, por ocasião da emissão do Acórdão nº 180500.061, sessão de 27 de maio de 2009, de fls. 1129 a 1132, onde se decidiu por anular o acórdão de primeira instância proferido pela DRJ/Santa Maria, de fls. 688 a 694, face à falta de apreciação dos argumentos expendidos na peça impugnatória e decisão da lide sem justificativa fundamentada, tendo retornado o processo ao mencionado órgão julgador de primeira instância, para que outra decisão fosse proferida. Por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever, na parte que interessa, o relatório do referido Acórdão nº 180500.061, da 5ª Turma Especial da 1ª Seção deste CARF: “0 Despacho Decisório DRF/PFO, de 16.03.2005 (fls 567), reconhece que, para a verificação da procedência dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurado nesses períodos base, seria necessário examinar a origem da sua formação, motivo pelo qual foram examinados os períodosbase anteriores, desde 1997 até 2002. Feita essa verificação, a autoridade fazendária concluiu que a recorrente teria direito a um crédito de IRPJ e de CSLL no valor total de R$ 139.346,78, sendo R$ 121.569,84 relativos ao IRPJ e R$ 17.776,78 relativos à CSLL, apurados ao final dos anoscalendário de 1999 a 2001 (remanescentes) e 2002. 0 referido despacho resolveu então homologar as compensações declaradas até o limite do valor desse crédito. Posteriormente foram juntadas aos autos outras declarações de compensação e um pedido de cancelamento de Dcomp, conforme relação constante do item 2 do Despacho DRF/PFO/Saort, de 14.07.2005 (fls 666). Nesse despacho foi também anotada a existência de débitos que foram declarados compensados em duplicidade. Feitos os devidos ajustes, decorrentes do cancelamento das compensações feitas em duplicidade e do deferimento do pedido de cancelamento de Dcomp, e reconhecendose à recorrente o direito a um crédito de IRPJ e de CSLL no valor total de R$ 139.346,78, foi apurada a existência de um saldo devedor de R$ 63.833,37 (listagem de débitos de fls 648) passível de cobrança. A Intimação DRF/PFO/Saort n. 210, de 14.07.2005 (fls. 673) resume o ocorrido e intima a recorrente a recolher aos cofres públicos o valor do débito em aberto. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.676) sustentando que: com relação ao IRPJ, era titular de um crédito adicional de R$ 3.313,54 derivado de um erro no preenchimento da DIPJ, por falta de lançamento da dedução do incentivo fiscal relativo ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13027.000197/200381 Acórdão n.º 1202000705 S1C2T2 Fl. 1.175 3 Para corrigir esse erro, a recorrente teria apresentado DIPJ retificadora em 15.08.2005. ainda com relação ao IRPJ, a recorrente informou que sua divergência residia também na relação de débitos que foram objeto de compensação com os saldos negativos apurados em 31.12.2001 e 31.12.2002. já com relação à CSLL, a recorrente reconheceu que o valor dos créditos apurados pela Receita Federal estavam corretos. E que a divergência, na verdade, residia somente quanto aos débitos que foram compensados com os saldos negativos apurados em 31.12.2000, 31.12.2001 e 31.12.2002. Na sequência, reexaminada a matéria, foi emitido um novo Acórdão pela DRJ/Santa Maria, que levou o nº 1812.222, de fls. 1149 a 1157, alterando o valor do direito creditório reconhecido de R$139.346,78 para R$141.443,73, referente a saldos negativos de IRPJ (anoscalendário de 2001 e 2002) e de CSLL (anoscalendário de 1999, 2001 e 2002), contendo o seguinte ementário: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO Somente os valores comprovados dos saldos negativo de IRPJ e de CSLL são passíveis de restituição/compensação. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO A compensação é modalidade de extinção de crédito tributário que só pode ser homologada pela autoridade administrativa competente se o contribuinte comprovar a existência do direito creditório pretendido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em síntese, as verificações efetuadas pelo eminente Relator resultaram nas seguintes conclusões insertas em seu voto condutor: a solicitação para inclusão do PAT informado na declaração DIPJ retificadora, do anocalendário de 2000, para alterar o valor do saldo negativo do IRPJ de R$ 51.913,81 para R$ 54.495,90 (fl. 677), neste processo, via manifestação de inconformidade, não pode ser aceita, porque a declaração retificadora foi apresentada após o Despacho Decisório. as divergências apontadas na Manifestação de Inconformidade se restringem à compensação de débitos relativos aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário de 2001 e 2002. efetuado o aproveitamento de créditos de períodos anteriores, concluiuse que o valor do saldo negativo IRPJ, referente ao anocalendário de 2001, deveria ser alterado de R$ 4.534,44 para R$ 6.631,40. os débitos compensados, utilizando o saldo negativo de CSLL ano calendário de 2001, foram declarados pelo contribuinte nas respectivas DCTF's e em Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13027.000197/200381 Acórdão n.º 1202000705 S1C2T2 Fl. 1.176 4 PERD/DCOMP que foi cancelado por ter ocorrido a compensação de débitos em duplicidade, não procedendo a alegação de que as compensações dos débitos efetuados pela DRF de origem não conferem com aquelas declaradas. Assim, o valor do saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2001, deve ser mantido no valor de R$ 56.811,37. Abaixo, o resumo dos valores reconhecidos pelo acórdão recorrido: Anocalendário Saldo negativo Valor (R$) 1999 CSLL 2.161,30 2001 CSLL 6.811,37 2001 IRPJ 6.631,40 2002 CSLL 8.804,26 2002 IRPJ 117.035,40 TOTAL 141.443,73 Irresignada com a decisão proferida, a interessada apresentou seu recurso voluntário, de fls. 1166 a 1169, alegando em síntese os principais argumentos que são abaixo transcritos: “0 contribuinte, com as alterações nas compensações propostas pela receita, deixou ter homologadas compensações por falta de crédito de saldo negativo de Imposto de Renda e contribuição social. Entretanto, viu parte de seus créditos adimplidos indevidamente através de DARF, serem desconsiderados e perdidos. A existência do crédito é pacífica, a declaração e utilização da mesma forma. Não cabe a receita decidir qual débito compensar, sob pena de desorientar o contribuinte ao ponto de não conseguir adimplir suas obrigações corretamente. [...] Os débitos informados pela contribuinte, através das DCTF's, foram regularmente quitados através dos recolhimentos e/ou compensações, exceto as pequenas divergências já referidas no recurso Assim, não compete à fiscalização alterar os procedimentos das compensações declaradas, seja na DCTF ou através de declarações de compensação. Outrossim, caso haja alguma inconsistência nas compensações declaradas e/ou nos pagamentos, poderá ser exigido a comprovação da origem dos créditos, os quais estão rigorosamente anexados aos autos. Assim, caso seja entendido como correto o procedimento da Receita Federal, devem ser considerados da mesma forma os créditos consignados nos DARFs R$ 58.518,50 e R$ 130.529,26. 0 valor adimplido é contemporâneo dos débitos. Outrossim, conforme se depreende da própria leitura da decisão, o crédito é válido e reconhecido, inclusive com compensação HOMOLOGADA parcial do valor, basta ver a tabela de folhas 1155 e 1156. Impende ressaltar que a primeira decisão, em que pese a argumentação do recurso, não enfrenta diretamente esta matéria, simplesmente desconsiderando a existência do pagamento indevido realizado através de guia DARF. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13027.000197/200381 Acórdão n.º 1202000705 S1C2T2 Fl. 1.177 5 [...] Da Conclusão Ex positis, requer que sejam revistos todos os débitos e respectivos pagamentos e/ou compensações, bem como considerados os pagamentos indevidos realizados através de DARF na sua totalidade.” É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A principal questão discutida no processo referese à intenção da interessada em ver compensados seus débitos tributários, trazendo para isso, créditos que teria contra o fisco relativos ao IRPJ e da CSLL do ano de 2001 e 2002. A unidade de origem, DRF/Passo Fundo, reconheceu à recorrente o direito a um crédito de IRPJ e de CSLL no valor total de R$ 139.346,78, apurando ainda a existência de um saldo devedor de R$ 63.833,37 (listagem de débitos de fls. 648) passível de cobrança. A emissão do segundo Acórdão pela DRJ/Santa Maria reconheceu um crédito complementar a recorrente relativo ao IRPJ de 2001, alterando o crédito total reconhecido, de de R$139.346,78 para R$141.443,73, conforme detalhamento efetuado no seu voto condutor. Já a recorrente, em seu recurso, de fls. 1166 a 1169, traz considerações genéricas a respeito do fato de que na alocação dos créditos aos débitos, por ocasião das compensações efetuadas, o fisco teria desconsiderado créditos originados de pagamentos efetuados por DARF. Alega, ainda, que não caberia à Receita Federal decidir qual débito compensar, sob pena de desorientar o contribuinte ao ponto de não conseguir adimplir suas obrigações corretamente. Por fim, requer que, caso seja entendido como correto o procedimento do fisco, devem ser considerados da mesma forma os créditos consignados nos DARFs de R$ 58.518,50 e R$ 130.529,26, juntados com o recurso. Inicialmente, cumpre esclarecer à recorrente que o recurso apresentado deve trazer com exatidão quais as questões controversas que deseja ser examinado, a teor do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70235, de 06 de março de 1972 e alterações, diploma que regula o processo administrativo fiscal. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13027.000197/200381 Acórdão n.º 1202000705 S1C2T2 Fl. 1.178 6 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifei) No presente caso, a peça recursal apresentada não traz com clareza os pontos de discordância da decisão recorrida. Limitase a fazer considerações genéricas a respeito das compensações efetuadas, sem no entanto, apontar com precisão o que estaria incorreto no acórdão recorrido. O único ponto que poderia ser analisado, mas não na sua totalidade, por falta de mais elementos que apontem a discordância, referese aos pagamentos em DARFs, nos valores de R$ 58.518,50 e R$ 130.529,26 que teriam sido desconsiderados pela DRJ/Santa Maria. Entretanto, esse também não é o que ocorre nos autos. Analisando o voto condutor percebese que os dois pagamentos foram considerados na compensação das estimativas (da CSLL) do ano de 2002, conforme se pode verificar nos demonstrativos que compõe o voto, de fls. 1155 e 1156. Quisesse demonstrar onde estaria o equívoco, a recorrente deveria apontar com precisão o(s) ponto(s) da discordância, para aí sim este órgão julgador poder se manifestar com segurança. Por fim, verifico que o voto condutor demonstrou de forma analítica como foram apurados os saldos negativos do IRPJ e da CSLL dos anos de 2001 e 2002, objeto do presente processo, que estão assim resumidos: Anocalendário Saldo negativo Valor (R$) 1999 CSLL 2.161,30 2001 CSLL 6.811,37 2001 IRPJ 6.631,40 2002 CSLL 8.804,26 2002 IRPJ 117.035,40 TOTAL 141.443,73 Em face do exposto e considerando que a recorrente não conseguiu lograr comprovar com clareza o(s) ponto(s) de discordância no acórdão recorrido, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13027.000197/200381 Acórdão n.º 1202000705 S1C2T2 Fl. 1.179 7 Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13884.002233/2003-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, desde que devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, desde que devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 22 33 /2 00 3- 41 Fl. 74DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 39/43) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 1999 (efls. 17/20), onde se apurou: Dedução Indevida com Dependente, Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 05/07), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 48/49): Dos Fatos Primeiramente não contesta a glosa de dependentes e com despesas médicas. Insurge contra a glosa do imposto de renda retido na fonte, por entender não ser responsável solidário de tal tributo, contestando, ainda, os juros de mora cobrados. Do Direto Esclarece que é autor da reclamação trabalhista n° 396/92, em fase de execução, cujo valor determinado no trânsito em julgado foi pago, sem que a reclamada recolhese o imposto de renda retido na fonte. É descabida alegação de que é responsável solidário do recolhimento do IRRF, anda mais considerando o disposto no art. 12, V, da Lei 9.250/95. O fato da fonte pagadora não ter recolhido tributo devido por decisão judicial, não enseja aplicação da sanção imposta ao impugnante, glosa de R$ 10.938,29 a título de retenção na fonte. A fim de embasar suas alegações cita jurisprudência judicial. Argúi que a referida glosa fez com que ficasse responsável pelo pagamento do imposto de renda no valor de R$ 9.814,10, acrescido de multa de oficio e juros de mora. Entende que quem deve ser punido administrativamente é a fonte pagadora, Companhia e Cervejaria Brahma Ltda. Por fim, ressalta que os juros de mora devem ser cobrados na proporção de 1% ao mês, conforme previsto na Constituição Federal de 1988, e não conforme cobrado no auto de infração, com base em leis infraconstitucionais. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a Presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. O lançamento foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ/BSA (efls. 46/52), conforme decisão assim ementada: Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.002233/200341 Acórdão n.º 2002000.609 S2C0T2 Fl. 75 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 GLOSA DE FONTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O imposto retido na fonte somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade fogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Cientificado do acórdão de primeira instância em 12/03/2008 (efls. 56), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 10/04/2008 (efls. 59/62) com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o Auto de Infração deixou de considerar a dedução de previdência oficial de R$ 4.892,52 descontada por suas fontes pagadoras. Apresenta demonstrativo com os valores que, no seu entendimento, estariam corretos. Sustenta que os rendimentos, a dedução de IRRF e os descontos previdenciários referentes à Ação Trabalhista n.° 396/92, ajuizada na 1ª Vara Federal do Trabalho da Comarca de JacareíSP contra a Cervejaria Brahma, estão comprovados nas fls. 496 do processo judicial: Valor do Crédito R$ 44.657,28, INSS (parte do empregado) R$ 3.572,58 e IRRF R$ 10.938,29. Afirma que recebeu do Sindicato (Reclamante) a importância líquida de R$ 25.260,58 através do cheque n.° 488067 de 17/12/98, conforme xerox em anexo. Apresenta demonstrativo da composição desse montante (valor bruto INSS empregado IRRF honorários advocatícios). Defende que não é o responsável pelo recolhimento do IRRF e que o fato de não ter a fonte pagadora recolhido o tributo devido por decisão judicial não enseja a aplicação de sanção ao contribuinte. Fl. 76DF CARF MF 4 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe ressaltar que a autoridade lançadora não efetuou qualquer alteração na dedução de previdência oficial informada na declaração em exame, ao contrário do que entende o recorrente. O lançamento diz respeito apenas às deduções de dependente, despesas médicas e IRRF, conforme se extrai do Auto de Infração lavrado. Em sua impugnação o contribuinte contestou apenas a dedução indevida de IRRF de R$ 10.938,29 referente à Ação Judicial nº 396/92 ajuizada contra a Cervejaria Brahma. A decisão recorrida manteve a referida infração pela falta de comprovação da retenção e do recolhimento do imposto declarado, conforme excerto a seguir reproduzido: Da análise da documentação trazida aos autos não se comprova a retenção nem o recolhimento de imposto de renda na fonte declarado pelo contribuinte, motivo pelo qual deve ser mantida a glosa. Sobre o assunto, extraise do art. 87 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, que a compensação de IRRF somente é permitida se os rendimentos correspondentes forem incluídos na base de cálculo do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual e se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. No presente caso os documentos acostados aos autos (efls. 26/29) são hábeis a demonstrar que os rendimentos declarados para a Cervejaria Brahma correspondem ao valor bruto recebido na Reclamação Trabalhista nº 396/92 e que este, de fato, sofreu a retenção de imposto de renda informada na declaração em exame, não merecendo prevalecer a dedução indevida de R$ 10.938,29 apurada no lançamento. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13884.002233/200341 Acórdão n.º 2002000.609 S2C0T2 Fl. 76 5 Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.008268/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
A obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser regularizada em nome do adquirente e emitida a CND com a área total da obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições correspondentes, apuradas com base na área construída total.
Numero da decisão: 2201-004.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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A obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser regularizada em nome do adquirente e emitida a CND com a área total da obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições correspondentes, apuradas com base na área construída total. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 82 68 /2 00 8- 42 Fl. 241DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 03 29.044 5ª Turma da DRJ/BSA, fl. 181 a 188, que assim relatou a lide administrativa: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP n°: 37.115.2178, emitido contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 90.124,90 (Noventa mil e cento e vinte e quatro reais e noventa centavos), consolidada em 26/06/2008, lavrada durante ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n°.0120100.2008.00042. Conforme Relatório Fiscal de fls. 127/132, o crédito tributário lançado tem por objeto as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social,, incidentes sobre o valor da mãodeobra utilizada na execução da obra de construção civil de CEI: 32.560.00668/78 (Ed. River Side), concernentes à cotaparte da empresa e do RAT Riscos Ambientais do Trabalho. A contribuição de Terceiros foi levantada por meio do AI n ° 37.115.2194 e a dos Segurados empregados, do AI n ° 37.115.2160. Esclarece que essa obra foi iniciada pela empresa Moraes Construtora Ltda, que realizou a execução da obra até a estrutura da 8ª laje, das dezessete previstas, desistindo da mesma. Posteriormente, após a adjudicação da obra pelos condôminos que contrataram a sua execução, essa obra inacabada foi adquirida dos Condôminos pela empresa Construtora e Incorporadora Merzian Ltda., em 07/10/2003, sem que as partes fizessem prova da regularidade contributiva previdenciária, pois a Certidão Negativa de Débito —CND nº 04117200308001080, apresentada durante a lavratura da escritura pública de compra e venda, tinha a finalidade para quaisquer daquelas previstas na Lei 8.212/91, exceto para averbação de construção civil em imóvel. Em exame ao sistema CCOR — Consulta contacorrente de Estabelecimento, não foi efetuado nenhum recolhimento com relação a esta obra pela empresa Moraes Construtora Ltda. CEI inicial 08.902.01772/78, no período sob sua responsabilidade. Informa que a empresa Construtora e Incorporadora Merzian Ltda, antes de adquirir a obra inacabada (Ed. Rivcr Side), deveria ter exigido a Certidão Negativa de Débito — CND, com a finalidade expressa para averbação de construção civil em imóvel, fazendo prova da regularidade contributiva previdenciária, conforme determinado pelo artigo 465 da IN 3/2005. E que se a empresa tivesse se orientado no dispositivo acima, teria, dentro do valor pago pela Obra inacabada de R$ 220.000,00, discriminado a parcela paga relativa aos encargos previdenciários. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10120.008268/200842 Acórdão n.º 2201004.510 S2C2T1 Fl. 241 3 Como não procedeu a esta orientação, ao contabilizar a aquisição da Obra incabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil .3.1.1.01.0001 — Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios. Os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS: 1.3.1.1.01.009. Pela não contabilização em títulos próprios, a empresa foi autuada com a lavratura do AI n ° 37.115.2186. Durante a ação fiscal, não foi apresentado nenhum documento de quitação de recolhimento ou .de dívida previdenciária relativo a períodos anteriores a janeiro de 2004. Desse modo, tendo em vista a impossibilidade de apurar o custo total de mão deobra a, o débito foi apurado por aferição indireta, com base na área edificada proporcional ao Custo Unitário Básico — CUB, nos termos da legislação de regência. Foram considerados todos os valores pagos a título de mãode obra própria, de retenções em notas fiscais e de aquisição de concreto utilizado na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa. E, conforme Oficio de esclarecimentos fornecido pela Empresa, indicando as áreas reduzidas no cálculo do ARO (demonstradas por meio de projeto), o ARO efetuado em 20/11/2007, foi substituído pelo ARO, com cálculo efetuado em 26/03/2008, considerando estas áreas reduzidas. Cientificado do lançamento em 01/07/2008, o contribuinte apresentou defesa em 30/07/2008, alegando em apertada síntese: a autuação foi apurada por aferição indireta, tendo a fiscalização aduzido a impossibilidade de apurar o custo total de mãodeobra; no entanto, não aponta qual dificuldade seria, deixando tal denúncia vaga e, portanto, sem nenhuma aplicabilidade ao caso; nesse sentido, afirma sem razão que a empresa não contabiliza em títulos próprios, bem como o relatório fiscal é bastante obscuro; como a obra comporta período anterior à aquisição por parte da autuada, cobrando tributos até a 8ª laje, engloba período superior a 5 (cinco anos) que já estaria prescrito; fora rechaçada a demonstração contábil da impugnante, quanto à aquisição da obra inacabada, sendo uma medida descomedida, não coincidindo com a realidade da impugnante, que faz a contabilidade de maneira adequada, respeitando os princípios contábeis; a aferição indireta é descabida e inapropriada, não havendo motivos para sua realização, sendo que todos os lançamentos Fl. 243DF CARF MF 4 procedidos pela Impugnante estão adequados e de acordo com princípios e convenções aplicáveis às ciências contábeis; a autuação não cumpre com os requisitos do art. 37 da Lei 8.212/91, não havendo clareza nem precisão quanto aos exatos descurnprimentos apontados; haver cerceamento de defesa, sendo o preenchimento do relatório turvo, explicações não convincentes acerca do descrédito para com a documentação contábil, postura totalmente discricionária na aferição indireta, utilizando de valores oriundos da imaginação; ter a fiscalização não observado o art. 474 da IN 03/05, tendo desconsiderado diversos valores que poderiam ter sido objeto de análise ( contudo, não demonstra quais são esses valores), também não fora observada a totalidade das formalidades para sua confecção, não constando a hora em que foi lavrado o mesmo; a obra. de construção apresenta inúmeras áreas cobertas e descobertas, o que deverá ser comprovado pela perícia a ser solicitada, bem como não ter sido considerada totalmente a utilização de esquadrias de alumínio, de ferro, e coberturas metálicas, mesmo existindo notas fiscais abrangendo esses materiais préfabricados ( contudo, não demonstra, não anexa nenhum documento); violação ao artigo 142 do CTN; pugna pela realização de diligências e perícias; por fim, solicita o cancelamento da autuação. Foi proferido acórdão com os seguintes fundamentos: As alegações apresentadas pela impugnante mostramse equivocadas, não tendo a mesma carreado aos autos qualquer prova que possa elidir ou mesmo alterar o lançamento efetuado nesta notificação: Primeiramente, observase, ao contrário do afirmado pela Impugnante, que o procedimento de aferição indireta da base " de cálculo empregado pelo auditorfiscal foi devidamente justificado e os valores apurados claramente demonstrados, com indicação dos critérios e parâmetros utilizados, conforme: ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/127, DISO Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil, elaborada pela própria empresa construtora, ás fls. 116/117, Oficio da empresa, datado de 18, de março de 2008, demonstrando as áreas reduzidas, fls.122, Declaração do Engenheiro Técnico responsável, às fls. 123, Termo de Cientificação — comunicando a retificação do cálculo efetuado no ARO, considerando as áreas reduzidas, em conformidade com o projeto apresentado pela empresa e declaração do engenheiro responsável técnico pela obra, às fls. 21. A devida fundamentação legal foi mencionada às fls. 7/8, assim como no Relatório fiscal, e foi lavrado o Auto de Infração AI n ° Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10120.008268/200842 Acórdão n.º 2201004.510 S2C2T1 Fl. 242 5 37.115.2186, por descumprimento de obrigação acessória, não contabilização em títulos próprios. Dessa forma, demonstrados nos autos, de forma clara e precisa, os fundamentos (áticos e jurídicos da exigência fiscal, a alegação de cerceamento de defesa, por parte da defendente, não merece guarida, especialmente porque o contribuinte, na impugnação apresentada, demonstra plena compreensão dos itens da autuação imputada, o que lhe possibilitou oferecer a impugnação da forma apresentada nos autos. Assim sendo, tornase salutar destacar que a empresa impugnante adquiriu obra de construção civil inacabada (execução da obra até a estrutura da 8ª laje), sem que as partes fizessem prova da regularidade contributiva previdenciária, pois a Certidão Negativa de Débito —CND nº. 04117200308001080, apresentada durante a lavratura da escritura pública de compra e venda, tinha a finalidade para quaisquer daquelas previstas na Lei 8.212/91, exceto para averbação de construção civil em imóvel. No caso de obra inacabada, deverá ser apresentado pelo contribuinte laudo de avaliação técnica de um profissional habilitado pelo CREA, acompanhado da Anotação de Responsabilidade' TécnicaART, a fim de que seja informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total. O percentual informado será utilizado para conversão em área equivalente para á apuração das contribuições devidas, efetuandose o enquadramento de acordo com a área total do projeto. Sendo que, no caso, para regularização da obra inacabada, a Certidão Negativa de Débito CND deveria ter sido expedida com expressa menção da área parcialmente regularizada. Contudo, a obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser regularizada em nome do adquirente e emitida a CND com a área total da obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições correspondentes, apuradas com base na área construída total, verbis: (...) Dessa forma, como a autuada não providenciou a regularização da obra inacabada, foi que a fiscalização, por meio deste Auto deInfração de Obrigação Principal, constituiu, através de aferição indireta, considerando a área edificada proporcional ao Custo Unitário Básico — CUB, o crédito previdenciário com base na área construída total. Outrossim, não há que se falar em período prescrito, já que cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência, e a impugnante não traz aos autos nenhum dos documentos elencados no artigo 482 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, Fl. 245DF CARF MF 6 de 2005. Ao não ter providenciado a regularização da obra inacabada, a impugnante impossibilitou a comprovação de qualquer período eventualmente prescrito. Salientese que, na própria DISO Declaração e Informação Sobre Obra ele Construção Civil, elaborada pela empresa construtora, ás fls. 116/117, é declarado como data de início da obra: jul/2005 c término: maio/2007, bem como tratarse de obra nova. Nesse diapasão, devese assinalar que o AutodeInfração por descumprimento de obrigação acessória AIOA: nº 37.115.218 6 foi julgado procedente pelo Acórdão nº 29.045 , haja vista que: " No que concerne à contabilidade da empresa, como é cediço, a mesma' deve atender, entre outros, aos requisitos previstos no inciso 11 do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso 11 do § 13" do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, destacandose a utilização de centros de custo distintos para cada obra, e, dentro destes, a contabilização de forma discriminada, das contas que são fatos geradores de contribuição previdenciária, verbis: (...) Dessa forma, como inequivocamente demonstrado pela fiscalização, a empresa, ao contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil 1.3.1.1.01.0001 Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios, pois parte do custo de aquisição se refere ao custo da obra inacabada (até a estrutura da 8ª laje); como bem assinalado pelo nobre auditor, os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS: 1.3.1.1.01.009. Despiciendo acrescentar que, ao não regularizar a parte da obra inacabada, conforme a determinação legal, a fim de que fosse informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, não contabilizando esses valores, fica impossível determinar o valor total da obra, pois, no custo contabilizado pela empresa adquirente, falta o custo inicial até a estrutura da 8ª laje, o que, a propósito, responde a indagação da impugnante (...quais foram as dificuldades? quais os pontos equivocados?). Portanto, faltando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil em qualquer período da sua execução (considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão), está a fiscalização, nos ternos do parágrafo único do artigo 142 do CTN, obrigada a efetuar o lançamento, nos, moldes do parágrafo 4 ° do artigo 33 da Lei 8.212/91, sob pena de responsabilidade funcional." Esclareçase também que, conforme ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/126, foram considerados todos os valores pagos a título de mãodeobra própria, de retenções em notas fiscais e de aquisição de concreto utilizados Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10120.008268/200842 Acórdão n.º 2201004.510 S2C2T1 Fl. 243 7 na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa; além do que foram considerados os redutores integrantes da área total da edificação, determinados pelo artigo 449 da 1N 03/2005 (conforme Oficio de esclarecimentos fornecido pela Empresa, às fls. 122/123). Quanto à alegação de que não fora observada a totalidade das formalidades para a confecção desta autuação, não ,constando a hora em que foi lavrada a mesma, impende destacar que a determinação contida no art. 293, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com relação à hora da autuação, diz respeito somente ao AutodeInfração por descumprimento de obrigação acessória, tendo por objetivo a lavratura do auto no exato momento da constatação da infração praticada, não se aplicando à autuação de obrigação principal, como no presente caso, em que todos os requisitos essenciais a sua constituição estão presentes. Temse também não haver a mínima necessidade de perícia contábil, quanto aos valores apurados pela fiscalização, haja vista não existirem dúvidas alusivas aos valores identificados no lançamento efetuado, demonstrados nos diversos Discriminativos e Relatórios que compõem a notificação. Salientese que o contribuinte, comodamente, poderia trazer aos autos quaisquer documentos que entendesse devidos; ,no entanto, o mesmo não contesta nenhum dos valores lançados, fazendo apenas ilações jurídicas, desprovidas de provas fáticas. Por fim, observase que a notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto e consoante o que prescreve a legislação descrita no Relatório de Fundamentos Legais — FLD, de fls. 7/8. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 192 a 209, alegando em breve síntese: a) preliminar pelo lançamento de crédito tributário decaído; b) preliminar para reconhecer a validade dos lançamentos contábeis; c) preliminar de nulidade por falta de requisitos para preenchimento do AI; d) preliminar por nulidade por desrespeito ao direito de defesa; e) preliminar de nulidade por desatendimento à norma previdenciária e quanto ao mérito: a) redutores para apuração de mão de obra; b) prémoldados e préfabricados; c) arbitramento dos valores considerados como salário de contribuição e d) tipificação e graduação das penalidades impostas. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 247DF CARF MF 8 Decadência Não há que se falar em decadência no presente caso, tendo em vista que o período de apuração, conforme relatório fiscal é de 01/01/2004 a 31/05/2008 e o contribuinte foi cientificado pessoalmente do lançamento em 01/07/2008, portanto, dentro dos 5 (cinco) anos previsto tanto no artigo 150, § 4º, quanto no artigo 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. Sendo assim, rejeito esta preliminar. Reconhecimento da validade dos lançamentos contábeis Esta preliminar confundese com o mérito da aferição indireta, de modo que será tratado adiante. Falta de requisitos para preenchimento do AI Também não há como reconhecer esta preliminar, tendo em vista que a infração está devidamente caracterizada conforme consta às fls. 7/8 e o contribuinte conseguiu se defender em sua integralidade. O fato de não serem acolhidas suas razões, não dá ensejo à anulação por falta de preenchimento dos requisitos. Deste modo, não prospera esta preliminar. Desrespeito ao direito de defesa Como mencionado no tópico anterior, a infração e a sua correspondente fundamentação legal, está devidamente caracterizada e foram devidamente demonstrados nos autos, de forma clara e precisa, os fundamentos fáticos e jurídicos, são de fácil compreensão, até porque o Recorrente pode se defender de forma que restou devidamente demonstrado que compreendeu o porquê da lavratura do AI. Desatendimento à norma previdenciária Esta preliminar também confundese com o mérito que será tratado adiante. Mérito Conforme foi devidamente relatado, a Recorrente adquiriu obra de construção civil inacabada sem que fizesse prova da regularidade referente ao pagamento das contribuições previdenciárias, a teor do que dispõe o artigo 465 da Lei nº 8.212/91: Art. 465. No caso de obra inacabada, deverá ser solicitado ao responsável pela sua regularização o laudo de avaliação técnica de profissional habilitado pelo CREA, acompanhado da respectiva ART, no qual seja informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, observandose, quanto à matricula, o disposto no § 3ºdo art. 471. § 1º O percentual informado no laudo de avaliação técnica será utilizado para determinação da área que constará na CND de obra inacabada e que servirá de base para a apuração da remuneração sobre a qual incidirão as respectivas Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10120.008268/200842 Acórdão n.º 2201004.510 S2C2T1 Fl. 244 9 contribuições, efetuandose o enquadramento de acordo corn a área total do projeto, e apurandose as contribuições proporcionalmente à área correspondente à obra inacabada, na forma dos inciso 11 e III do § 1 "do aiI. 464. (Nova redação dada pela INMr/RrB n"819, de 2010312008) Devidamente intimada com o ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/127 e não tendo providenciado a regularização da obra inacabada a fiscalização, utilizandose do expediente da aferição indireta, considerando a área edificada proporcional ao Custo Unitário Básico CUB, constituiu o crédito previdenciário com base na área construída total. Além disso, auxilia na fundamentação da utilização da Aferição Indireta o fato de que a Recorrente também foi autuada por descumprimento de obrigação acessória AIOA nº 37.115.2186, pois deveria atender ao disposto no inciso 11 do artigo 32 da Lei nº 8.212/91 e no inciso 11 do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, destacandose a utilização de centros de custo distintos para cada obra, e, dentro destes, a contabilização de forma discriminada, das contas que são fatos geradores de contribuição previdenciária, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) 11 lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os lotais recolhidos; ____________________________________ Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: 1 atender ao principio contábil tio regime de competência; e II registrar; em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição,bem copio as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os Fl. 249DF CARF MF 10 totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Como devidamente demonstrado pela fiscalização, a empresa, deveria contabilizar a aquisição da Obra inacabada, no valor de R$ 220.000,00, na data de 12/01/2004, em lançamento único, utilizando a conta contábil 1.3.1.1.01.0001 — Custo Aquisição de Terreno, deixou de contabilizar essa obra em Títulos Próprios , pois parte do custo de aquisição se refere ao custo da obra inacabada (até a estrutura da 8ª laje); como bem assinalado pelo nobre auditor, os gastos relativos a esta aquisição, composto do terreno e do custo da obra em andamento, deveriam ter sido distribuídos nas seguintes rubricas: 1.3.1.1.01.0001 — Custo de aquisição do terreno e demais rubricas componentes do custo, dentre elas a que discrimina o INSS: 1.3.1.1.01.009. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Entretanto, não é esta a situação tratada nos autos. No presente caso, conforme ressaltado na decisão recorrida é diversa e justifica a aplicação da aferição indireta, conforme disposto nos seguintes trechos: Despiciendo acrescentar que, ao não regularizar a parte da obra inacabada, conforme a determinação legal, a fim de que fosse informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total, não contabilizando esses valores, fica impossível determinar o valor total da obra, pois, no custo contabilizado pela empresa adquirente, falta o custo inicial até a estrutura da 8° laje, o que, a propósito, responde a indagação da impugnante (...quais foram as dificuldades? quais os pontos equivocados?). Portanto, faltando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil em qualquer período da sua execução (considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão), está a fiscalização, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN, obrigada a efetuar o lançamento, nos moldes do parágrafo 4° do artigo 33 da Lei 8.212/91, sob pena de responsabilidade funcional." Esclareçase também que, conforme ARO Aviso de Regularização de Obras, às Ils. 124/126, foram considerados todos os valores pagos a título de mãodeobra própria, de Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10120.008268/200842 Acórdão n.º 2201004.510 S2C2T1 Fl. 245 11 retenções em notas fiscais e de aquisição de concreto utilizados na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa; além do que foram considerados os redutores integrantes da área total da edificação, determinados pelo artigo 449 da IN 03/2005 (conforme Oficio de esclarecimentos fornecido pela Empresa, às Ils. 122/1 23). • Quanto à alegação de que não fora observada a totalidade das formalidades para a confecção desta autuação, não constando a hora em que foi lavrada a mesma, impende destacar que a determinação contida no art. 293, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com relação à hora da autuação, diz respeito somente ao AutodeInfração por descumprimento de obrigação acessória, tendo por objetivo a lavratura do auto no exato momento da constatação da infração praticada, não se aplicando à autuação de obrigação principal, como no presente caso, em que todos os requisitos essenciais a sua constituição estão presentes. Temse também não haver a mínima necessidade de perícia contábil, quanto aos valores apurados pela fiscalização, haja vista não existirem dúvidas alusivas aos valores identificados no lançamento efetuado, demonstrados nos diversos Discriminativos e Relatórios que compõem a notificação. Salientese que o contribuinte, comodamente, poderia trazer aos autos quaisquer documentos que entendesse devidos, no entanto, o mesmo não contesta nenhum dos valores lançados, fazendo apenas ilações jurídicas, desprovidas de provas fálicas. Por fim, observase que a notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto e consoante o que prescreve a legislação descrita no Relatório de Fundamentos Legais — FLD, de fls. 7/8. No caso em tela, ao contrário do decidido na jurisprudência mencionada, no caso em discussão, os requisitos dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, foram preenchidos e resta claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recurso. Quanto ao desconto dos prémoldados, este ponto foi muito bem trabalhado na decisão de primeira instância que peço a vênia para transcrever: Esclareçase também que, conforme ARO Aviso de Regularização de Obras, às fls. 124/126, foram considerados todos os valores pagos a título de mãodeobra própria, de retenções em notas fiscais e de aquisição de concreto utilizados na execução da obra, bem como os recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa; além do que foram considerados os redutores integrantes da área total da Fl. 251DF CARF MF 12 edificação, determinados pelo artigo 449 da 1N 03/2005 (conforme Oficio de esclarecimentos fornecido pela Empresa, às fls. 122/123). (...) Temse também não haver a mínima necessidade de perícia contábil, quanto aos valores apurados pela fiscalização, haja vista não existirem dúvidas alusivas aos valores identificados no lançamento efetuado, demonstrados nos diversos Discriminativos e Relatórios que compõem a notificação. Salientese que o contribuinte, comodamente, poderia trazer aos autos quaisquer documentos que entendesse devidos; no entanto, o mesmo não contesta nenhum dos valores lançados, fazendo apenas ilações jurídicas, desprovidas de provas fáticas. Sendo assim, não há como acolher as razões do Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, rejeito as preliminares arguídas e no mérito, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.003942/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/08/2006
CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RESTITUIÇÃO. PEDIDO.
O pedido de restituição deve seguir as formalidades previstas na legislação, não devendo ser deferida diretamente pelos colegiados do Carf, sem que tenha havido qualquer conhecimento da unidade preparadora da Receita Federal nesse sentido, por vulnerar a necessidade das providências a seu cargo
LAPSO MANIFESTO OU ERRO MATERIAL. CORREÇÃO DE OFÍCIO OU A PEDIDO. CABIMENTO.
O lapso manifesto ou erro material deve ser corrigido de ofício ou a pedido, nos termos do art. 32 do PAF.
LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. JUROS DE MORA.
Nos casos de lançamento para prevenção de decadência, com depósito judicial do montante integral, não cabe a exigência de juros de mora. Súmula Carf nº 5.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-004.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto às matérias relativas à incidência de IPI na importação, em regime de admissão temporária para utilização econômica, e à devolução do bem antes do prazo contratado, por concomitância de matérias nas esferas judicial e administrativa. No mérito, quanto à parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento parcial, para exonerar os juros de mora lançados e para corrigir o valor do imposto para R$ 526.486,68, cabendo à DRF observar e aplicar a decisão judicial no que pertinente. Declarou-se suspeita a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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E OBRAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/08/2006 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RESTITUIÇÃO. PEDIDO. O pedido de restituição deve seguir as formalidades previstas na legislação, não devendo ser deferida diretamente pelos colegiados do Carf, sem que tenha havido qualquer conhecimento da unidade preparadora da Receita Federal nesse sentido, por vulnerar a necessidade das providências a seu cargo LAPSO MANIFESTO OU ERRO MATERIAL. CORREÇÃO DE OFÍCIO OU A PEDIDO. CABIMENTO. O lapso manifesto ou erro material deve ser corrigido de ofício ou a pedido, nos termos do art. 32 do PAF. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. JUROS DE MORA. Nos casos de lançamento para prevenção de decadência, com depósito judicial do montante integral, não cabe a exigência de juros de mora. Súmula Carf nº 5. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 39 42 /2 00 8- 71 Fl. 224DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto às matérias relativas à incidência de IPI na importação, em regime de admissão temporária para utilização econômica, e à devolução do bem antes do prazo contratado, por concomitância de matérias nas esferas judicial e administrativa. No mérito, quanto à parte conhecida, acordam em darlhe provimento parcial, para exonerar os juros de mora lançados e para corrigir o valor do imposto para R$ 526.486,68, cabendo à DRF observar e aplicar a decisão judicial no que pertinente. Declarou se suspeita a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração de IPI, no valor total original de R$ 1.317.164,36, englobando imposto e juros de mora. O lançamento foi feito para prevenção de decadência, porque houve depósito judicial autorizado nos autos do processo 2006.38.00.0236507, da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais. O fato gerador foi a importação de uma aeronave King Air, por meio da DI 06/09127432, no regime especial de admissão temporária para utilização econômica, cf. art. 79 da Lei 9.430/961 e art. 324 do Decreto 4.543/20022, pelo prazo de 60 meses. O imposto foi 1 Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) 2 Art. 324. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território aduaneiro, nos termos e condições estabelecidos nesta Seção (Lei no 9.430, de 1996, art. 79). § 1o Para os efeitos do disposto nesta Seção, considerase utilização econômica o emprego dos bens na prestação de serviços ou na produção de outros bens. § 2o A proporcionalidade a que se refere o caput será obtida pelo percentual representativo do tempo de permanência do bem no País em relação ao seu tempo de vida útil, determinado nos termos da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. § 3o O crédito tributário correspondente à parcela dos impostos com exigibilidade suspensa deverá ser constituído em termo de responsabilidade. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10611.003942/200871 Acórdão n.º 3201004.304 S3C2T1 Fl. 3 3 calculado proporcionalmente pelo prazo previsto para a admissão temporária, conforme o art.324, caput e §2º do mesmo Decreto 4.543/2002. No Mandado de Segurança citado, a recorrente solicitara o desembaraço sem o recolhimento do IPI. O pedido de liminar foi indeferido, deferindose, não obstante, o depósito judicial da quantia discutida. Cientificado, o sujeito passivo apresenta impugnação, alegando: preliminarmente, que, embora seja cabível o lançamento para prevenção de decadência, os juros são indevidos, pois havia o depósito judicial do montante integral; no mérito, suscita diversos argumentos quanto à impossibilidade de incidência de IPI na importação sob regime de admissão temporária; pede o cancelamento do auto de infração, seja por estar o crédito tributário com suspensão da exigibilidade, seja pelas razões de mérito alegadas; senão, ao menos, que sejam cancelados os juros lançados; A DRJ/São Paulo/SP, por meio do acórdão 16070.665, de 15/12/2015; decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Reproduzo a ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Sentença prolatada em Mandado de Segurança. Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Suspensão de exigibilidade do crédito tributário. A existência do crédito tributário ocorre via lançamento. O lançamento é o procedimento necessário para que a Fazenda Pública se veja a salvo do ônus da DECADÊNCIA. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Divergindo dessa decisão, a empresa interpõe o Recurso Voluntário, alegando: necessidade de alteração do valor lançado, porque teria sido utilizada alíquota incorreta; aduz, como fato novo, a devolução da aeronave antes do período previsto no regime de admissão temporária, requerendo o recálculo do auto para o prazo que a aeronave efetivamente esteve em território nacional; reitera o descabimento do lançamento de juros de mora, no caso de depósito judicial do montante integral; § 4o Na hipótese do § 3o, será exigida garantia correspondente ao crédito constituído no termo de responsabilidade, na forma do art. 675, ressalvados os casos de expressa dispensa, estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal. Fl. 226DF CARF MF 4 pede, por fim, pela total improcedência do auto de infração. Em 25/05/2017, junta petição em que informa o trânsito em julgado do Mandado de Segurança 002334214.2006.4.01.3800. Informa também a adesão ao Programa de Regularização Tributária e a inclusão do débito discutido nestes autos. O valor que inclui no parcelamento é de R$ 447.513,68. Requer a extinção do processo. O processo então foi devolvido à Delegacia da Receita Federal de origem, para apartar os autos da parte parcelada, cf. despacho à fl. 192. Às fls. 213 a 218 consta decisão judicial acerca da impossibilidade, naquele processo, de a recorrente desistir da ação judicial e optar pelo parcelamento. Assenta o juízo que tal possibilidade deve ser intentada em novo processo. Às fls. 219 a 220 consta despacho administrativo onde se nega o parcelamento solicitado pela recorrente. O processo então retornou ao Carf para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo. Preliminar de conhecimento Incidência de IPI na importação, em regime de admissão temporária Embora no Recurso Voluntário não se apresentem argumentos quanto ao mérito da incidência do IPI proporcional no regime de admissão temporária, a recorrente pede pela improcedência total do lançamento, o que obriga a declaração de concomitância, nesta parte, com a instância judicial. Com efeito, não há controvérsia de que se discute, no mandado de segurança referido, o mérito dessa questão, impondose aplicação, vinculante cf. art. 72 do Ricarf, da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta Portanto, não tomo conhecimento desta matéria. Recálculo do Auto de Infração por devolução da aeronave em prazo menor que o contratado. Conforme petição, fl. 181, tal matéria também foi submetida ao Poder Judiciário, incidindo mais uma vez a Súmula Carf nº 1. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10611.003942/200871 Acórdão n.º 3201004.304 S3C2T1 Fl. 4 5 Extinção do processo O valor lançado é de R$ 1.052.973,35, mais juros de mora no valor de R$ 264.191,01, enquanto o contribuinte informa o parcelamento de R$ R$ 447.513,68, razão pela qual o recurso deve ser conhecido na parte não concomitante com as ações judiciais, e não abrangida pelo parcelamento. Afasto a preliminar. Mérito Juros de Mora A integralidade do montante depositado também não é controvertida, porque o auditorfiscal intimou a recorrente, previamente ao lançamento, para complementar o depósito, e considerou o depósito como montante integral, não lançando qualquer multa de ofício. Os juros foram lançados, ao argumento de que a literalidade do art. 63 da Lei 9.430/96 somente excluiria a multa de ofício, no caso de lançamento para prevenção de decadência com exigibilidade suspensa. Esta matéria também se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, nesta matéria, por aplicação vinculante da Súmula Carf nº 5, dou provimento ao recurso, para exonerar a cobrança dos juros de mora lançados. Erro de cálculo Alega a recorrente ter havido erro de cálculo no lançamento, por ter o auditorfiscal utilizado a alíquota de 10%, ao invés de 5%. Embora tal matéria não tenha sido impugnada nem discutida na decisão recorrida, tratase de suscitação de lapso manifesto ou erro material, que pode ser corrigido de ofício ou a pedido do contribuinte, nos termos do art. 32 do PAF3 Verifico efetivamente o erro material. Constatase que o próprio auditor fiscal indicou como alíquota a ser utilizada 5%, pela proporcionalidade do prazo. Transcrevo trecho do auto de infração: “Essa aeronave foi classificada no código NCM 8802.30.21 da TEC, para a qual estal estava prevista, à época da importação, a alíquota de Imposto de Importação de 0% e de 10% de IPI. Registrese que o valor aduaneiro da citada aeronave, o qual serviu de base para o cálculo do tributo foi declarado pelo 3 Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Fl. 228DF CARF MF 6 importador em US$ 4.807.000,00 e convertido ao câmbio da data de registro da DI em R$ 10.529.733,50. (...) Considerando que uma aeronave tem uma vida útil, (para fins de depreciação) de 10 anos e que o contrato de arrendamento desta aeronave previa sua utilização no Brasil por 60 meses [5 anos], apurouse a alíquota de 5% de IPI, devido no período da admissão temporária (vide planilha de cálculo à fl. 12). De fato, a planilha de efolha 14 calcula o IPI em R$ 526.486,68, equivalente a 5% do valor aduaneiro, e foi esse valor que a recorrente depositou. No entanto, no Demonstrativo de Apuração à fl. 9 foi utilizada a alíquota de 10%, apurando R$ 1.052.973,35 de IPI, e é este valor que consta como exigência nos outros documentos do auto de infração (Demonstrativo consolidado, folha de rosto, termo de encerramento). Portanto, tratase de erro material, que deve ser corrigido, para que conste o valor correto, conforme o próprio auditorfiscal, de R$ 526.486,68. Cabe à Delegacia da Receita Federal aplicar a decisão judicial, caso lá se verifique redução dos valores lançados, conforme exposto em preliminar. Portanto, o lançamento é válido, correto e impositivo, nos termos do §único do art. 142 do CTN4. Pelo exposto, voto por não tomar conhecimento da matéria relativa à incidência de IPI na importação, em regime de admissão temporária para utilização econômica, e da matéria relativa à devolução do bem antes do prazo contratado, por concomitância com ação judicial. Na parte conhecida, voto por dar parcial provimento, para exonerar os juros de mora lançados e para corrigir o valor do imposto para R$ 526.486,68, cabendo à DRF observar e aplicar a decisão judicial no que pertinente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Relator 4 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722124/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 24 /2 01 4- 65 Fl. 35812DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35813DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.598, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35814DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35815DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35816DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35817DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35818DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35819DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35820DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35821DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35822DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35823DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35824DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35825DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35826DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35827DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35828DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35829DF CARF MF Processo nº 12466.722124/201465 Acórdão n.º 3301005.105 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35830DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.902977/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
Numero da decisão: 1201-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/2009-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I que julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 29 77 /2 00 9- 98 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10725.902977/200998 Acórdão n.º 1201002.551 S1C2T1 Fl. 3 2 improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório pleiteado. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido ou a maior de IRPJ visto que, segundo o sujeito passivo, apurou o imposto pelo regime do lucro presumido, aplicando o percentual de 32% sobre a receita bruta enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares diagnósticos por imagem seria o percentual de 8%, conforme previa o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249/95 c/c o art.25 da Lei 9.430/96. Pelo segundo despacho decisório, uma vez que o primeiro foi anulado pela DRJ por estar desprovido de fundamentação congruente, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelos seguintes fundamentos: o contribuinte não apresentou documentação hábil para justificar as informações constantes da DCTF retificadora, e, consequentemente, também não demonstrou a origem e a regularidade do crédito decorrente de tal retificação; a única DIPJ transmitida pela interessada não é compatível com as informações transmitidas pela DCTF retificadora e , ainda, por não ter sido a DIPJ alvo da devida retificação a fim de compatibilizála com a DCTF retificadora, a dita DIPJ demonstra débito correspondente ao valor recolhido e a inexistência do crédito; a decisão consignou que a DCTF retificadora foi apresentada fora de prazo, e, por essa razão, assiste razão ao fisco quando não considerou as informações registradas na DCTF retificadora. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado a nulidade do despacho decisório sob os seguinte fundamentos, verbis: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10725.902977/200998 Acórdão n.º 1201002.551 S1C2T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.543, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.902969/2009 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.543): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. A Recorrente alega, como relatado anteriormente, que o segundo "despacho decisório" que voltou a negar a homologação da compensação foi proferido sem antes oportunizar a contribuinte a devida instrução probatória. Entende que sem a intimação/notificação do contribuinte dandolhe a oportunidade para demonstrar o seu crédito, a autoridade fiscal não poderia negar a homologação da compensação; porém, a fundamentação foi esculpida sem prévios esclarecimentos do contribuinte, contrariamente ao que foi expressamente determinado pela delegacia de julgamento, o que justifica novamente da nulidade da decisão ora recorrida, Quanto à apresentação da documentação, não se vislumbra qualquer cerceamento ao direito de defesa, pois Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10725.902977/200998 Acórdão n.º 1201002.551 S1C2T1 Fl. 5 4 quando da prolação do despacho decisório, abrese prazo para manifestação de inconformidade, período o qual a contribuinte possui para fazer prova do seu direito 1. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o interessado não comprovou a existência do crédito pleiteado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, cujo trecho do voto condutor reproduzo abaixo, o interessado deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado, verbis: Discordo do interessado quando alega que não há prazo fixado em lei para a retificação de declaração (o art. 173 do CTN diz respeito ao prazo decadencial do fisco constituir o seu crédito). Da mesma forma que existe prazo para a Fazenda Pública examinar o conteúdo da DCTF ou da DIPJ, há, também, termo para o interessado retificar estas declarações, sob pena de se permitir alterações em favor do interessado, depois de esgotado o prazo para a Fazenda Pública examinar os dados nela contidos. Ainda, a mera retificação da DCTF, sem comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório. As informações sobre os fatos tributáveis devem estar lastreadas na escrituração contábilfiscal e na documentação do contribuinte. Se houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, este deve ser comprovado, para que fique evidente que o interessado teria declarado em DCTF um montante maior do que o efetivamente devido. O interessado não juntou aos autos nenhum documento que comprovasse o pretendido erro, a ensejar a retificação da DCTF (.....). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. O Despacho Decisório recorrido deve ser mantido, por não ter o interessado comprovado a existência do crédito pleiteado. 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10725.902977/200998 Acórdão n.º 1201002.551 S1C2T1 Fl. 6 5 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902541/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/01/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.902541/201210 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.978 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente DOW BRASIL SUDESTE INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/01/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 41 /2 01 2- 10 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902541/201210 Acórdão n.º 3302005.978 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.735, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902541/201210 Acórdão n.º 3302005.978 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902541/201210 Acórdão n.º 3302005.978 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902541/201210 Acórdão n.º 3302005.978 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902541/201210 Acórdão n.º 3302005.978 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.902541/201210 Acórdão n.º 3302005.978 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.725201/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA.
A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCABIMENTO.
A nulidade de auto de infração só ocorre quanto a situação se subsume ao artigo 59 do Decreto 70.235/72.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO-OCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por não participação durante o procedimento de fiscalização, que tem caráter inquisitório. O litígio no processo administrativo fiscal só tem início com a impugnação.
PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE.
Todas as provas devem acompanhar a impugnação, exceção feita aos casos descritos nos incisos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão, o que não acontece no caso doa autos.
INTIMAÇÕES. ENDEREÇO POSTAL DO CONTRIBUINTE.
As intimações devem ser enviadas ao endereço postal fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Os mandatários de fato da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a autuada, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NEXO CAUSAL. NECESSIDADE.
A responsabilidade tributária não se confunde com a existência de improbidade administrativa. Para que seja chamado à sujeição passiva solidária há que haver relação entre os atos praticados contrariamente à lei, aos estatutos ou ao contrato social por diretores, gerentes ou representantes, e o não recolhimento dos tributos devidos, não sendo suficiente a participação em desvio de verbas públicas.
COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A prova emprestada deve ser admitida quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Os Conselheiros do CARF são impedidos regimentalmente de se manifestar sobre inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor.
Numero da decisão: 1302-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto pelo responsável solidário Sr. Lourisvaldo Valentim da Silva, por ser intempestivo; em dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário arrolado Sr. João Carlos Bacelar Batista para excluí-lo do polo passivo; e, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Sr. Michel Souza e Silva e Sr. Petter Souza e Silva, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente),
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCABIMENTO. A nulidade de auto de infração só ocorre quanto a situação se subsume ao artigo 59 do Decreto 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO-OCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por não participação durante o procedimento de fiscalização, que tem caráter inquisitório. O litígio no processo administrativo fiscal só tem início com a impugnação. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. Todas as provas devem acompanhar a impugnação, exceção feita aos casos descritos nos incisos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão, o que não acontece no caso doa autos. INTIMAÇÕES. ENDEREÇO POSTAL DO CONTRIBUINTE. As intimações devem ser enviadas ao endereço postal fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os mandatários de fato da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a autuada, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NEXO CAUSAL. NECESSIDADE. A responsabilidade tributária não se confunde com a existência de improbidade administrativa. Para que seja chamado à sujeição passiva solidária há que haver relação entre os atos praticados contrariamente à lei, aos estatutos ou ao contrato social por diretores, gerentes ou representantes, e o não recolhimento dos tributos devidos, não sendo suficiente a participação em desvio de verbas públicas. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A prova emprestada deve ser admitida quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. INCONSTITUCIONALIDADE. Os Conselheiros do CARF são impedidos regimentalmente de se manifestar sobre inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto pelo responsável solidário Sr. Lourisvaldo Valentim da Silva, por ser intempestivo; em dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário arrolado Sr. João Carlos Bacelar Batista para excluí-lo do polo passivo; e, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Sr. Michel Souza e Silva e Sr. Petter Souza e Silva, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente),
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ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCABIMENTO. A nulidade de auto de infração só ocorre quanto a situação se subsume ao artigo 59 do Decreto 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃOOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por não participação durante o procedimento de fiscalização, que tem caráter inquisitório. O litígio no processo administrativo fiscal só tem início com a impugnação. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. Todas as provas devem acompanhar a impugnação, exceção feita aos casos descritos nos incisos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão, o que não acontece no caso doa autos. INTIMAÇÕES. ENDEREÇO POSTAL DO CONTRIBUINTE. As intimações devem ser enviadas ao endereço postal fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 52 01 /2 01 5- 88 Fl. 7436DF CARF MF 2 Anocalendário: 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os mandatários de fato da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a autuada, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NEXO CAUSAL. NECESSIDADE. A responsabilidade tributária não se confunde com a existência de improbidade administrativa. Para que seja chamado à sujeição passiva solidária há que haver relação entre os atos praticados contrariamente à lei, aos estatutos ou ao contrato social por diretores, gerentes ou representantes, e o não recolhimento dos tributos devidos, não sendo suficiente a participação em desvio de verbas públicas. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A prova emprestada deve ser admitida quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. INCONSTITUCIONALIDADE. Os Conselheiros do CARF são impedidos regimentalmente de se manifestar sobre inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto pelo responsável solidário Sr. Lourisvaldo Valentim da Silva, por ser intempestivo; em dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário arrolado Sr. João Carlos Bacelar Batista para excluílo do polo passivo; e, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários Sr. Michel Souza e Silva e Sr. Petter Souza e Silva, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Relatório Fl. 7437DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.437 3 Adoto o relatório do acórdão recorrido: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls.177246, em ação fiscal empreendida junto à Organização Não Governamental Pierre Bourdieu (ONG), para apurar a regularidade de valores declarados e recolhidos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins dos anoscalendário 2011 e 2012, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: 1 – Da contribuinte A ONG foi constituída em 20/11/99, sob o nome de Holos – Cidadania para a vida. De acordo com seu estatuto social (fls.415447), a Organização não Governamental Pierre Bourdieu é uma associação civil de direito privado sem fins lucrativos, com atividades de caráter educacional e sócioambientalista. Entre os seus objetivos está o desenvolvimento de cursos preparatórios para concursos, ensino de idiomas, atividades ligadas à cultura, arte e defesa de direitos sociais, e outras atividades associativas. Conforme o seu estatuto, a entidade não poderá distribuir lucros ou dividendos, sendo eventual superávit destinado às finalidades e objetivos estatutários. Em relação aos dados fiscais, as Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ dos anos calendários 2010 a 2012 foram entregues zeradas, constando apenas informações cadastrais, e a forma de tributação adotada pela ONG nos anoscalendário 2011 e 2012 foi como entidade isenta. Entretanto, a movimentação financeira da contribuinte nos anos calendário 2011 e 2012 indicou valores de R$21,3 milhões e R$60,5 milhões, respectivamente. Representada perante a RFB por seu presidente Sr. Denis de Carvalho Silva Gama, CPF 577.516.33549, a ONG foi registrada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE como “Atividades de associações de defesa de direitos sociais” (código 9430800), com natureza jurídica 3999, “Associação Privada”. Portanto, a ONG se intitula uma associação civil de direito privado sem fins lucrativos de caráter beneficente e de assistência social. Conforme os arts.7º e 8º de seu estatuto: Art. 7º A entidade não distribuirá lucros ou dividendos a qualquer título ou sob nenhum pretexto, sendo que eventuais superávits de quaisquer exercícios financeiros serão destinados à consecução de suas finalidades e objetivos estatutários e aplicados integralmente no país. Art.8º A entidade poderá aceitar doações, contribuições, bem como poderá firmar convênios de qualquer natureza, nacionais e internacionais, com organismos ou entidades públicas ou privadas, desde que não impliquem em sua subordinação ou vinculação a compromissos e interesses conflitantes com seus objetivos nem arrisque a sua independência. Após 26/09/2014 a contribuinte passou a ter situação de inapta, não tendo nenhum estabelecimento registrado como filial. Além disso, conforme o Despacho Decisório Seort/DRF/Salvador de 05/06/2015 no processo 10580.722297/201569, a ONG não atende aos requisitos necessários para o gozo da condição de entidade isenta, sendo suspensa a isenção a que se auto atribuía a ONG. 2 – Da denúncia e da investigação da Polícia Civil do Estado da Bahia Fl. 7438DF CARF MF 4 Em 11/2012 Elder Verçosa, exdiretor da ONG, denunciou a impugnante por falsificação de sua assinatura em uma ata da ONG, falsificação confirmada após exame grafotécnico. A partir desse fato começaram as investigações para apurar irregularidades nos convênios celebrados pela ONG com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer – Secult e com a Universidade Estadual da Bahia – Uneb, em operação denominada Prometheus (fls.10701722). Conforme o Relatório de Análise Técnica nº DD 005/2014 do Inquérito nº 03/2014, processo nº 036744068.2013.805.0001 da 2ª Vara Crime do Tribunal de Justiça da Bahia, elaborado pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro – LABLD/SI/SSPBA, enviado à fiscalização em 16/09/2014, apuraramse inúmeras irregularidades e crimes que estão sendo investigados, como desvios de recursos utilizando notas fiscais frias para comprovar gastos nos referidos convênios (fls.515831). Em material apreendido pela Polícia Civil na operação Prometheus, constatouse que: o presidente da ONG, Denis de Carvalho Silva Gama (Denis de Carvalho), é irmão do diretor jurídico Jailson Gama; o diretor de projetos e contabilidade Michel Souza e Silva (Michel Silva) é irmão de Petter Souza e Silva (Petter Silva), sócio da empresa de contabilidade Conger, responsável pela escrita contábil da ONG; os diretores Rubens Almeida (administrativo/financeiro), Victor Carvalho (comunicação) e o vicepresidente Danilo Sepulveda eram funcionários da empresa Denis de Carvalho Silva Gama – ME, CNPJ 40.581.118/000175, nome fantasia Ágora Cursos, de propriedade do presidente da ONG; algumas das empresas fornecedoras de material e serviços (informática e escritório) para a ONG forneceram notas fiscais frias em contrapartida a comissões recebidas. As empresas e seus respectivos proprietários/sócios são: a) Alamari Eventos e Comércio Ltda, CNPJ 15.334.671/000166: proprietário Alã Meneses Guedes (Alã Guedes). b) AMG Info Comércio e Serviços Ltda, CNPJ 01.974.639/000130: sócios Alã Meneses Guedes e sua mãe Sra. Amazilia Maria de Meneses Guedes. c) Infoplem Informática Ltda, CNPJ 07.042.421/000104: sócios Ítalo Góes Menezes (Ítalo Menezes) e sua mãe Sra. Aleluia dos Santos. d) ITPE Limitada ME, CNPJ 13.071.479/000107: Robenilson Amorim dos Santos e Ednei Pureza dos Santos. e) Multi Comercial Ltda, CNPJ 10.397.564/000163: Ítalo Góes Menezes e sua irmã Andiara Góes de Meneses. f) Trapiche Informática Ltda, CNPJ 13.437.183/000159: sócios Alã Meneses Guedes e sua mãe Sra. Amazilia Maria de Menezes Guedes o montante pago às referidas empresas entre 08/2011 a 10/2012 foi de R$29.355.293,27, sendo: 1) R$3.292.192,00 para a Alamari; 2) R$6.264.524,51 para a AMG; 3) R$1.880.812,73 para a Infoplem; Fl. 7439DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.438 5 4) R$4.427.527,70 para a ITPE; 5) R$3.462.048,70 para a Multi; 6) R$10.028.187,63 para a Trapiche. no material apreendido pela Polícia Civil encontravamse planilhas demonstrando a distribuição dos valores desviados com o pagamento das notas fiscais frias emitidas pelas empresas listadas anteriormente, incluindo os nomes dos dirigentes da ONG com suas respectivas contas bancárias. 3 – Histórico da ação fiscal O Termo de Início e de Procedimento Fiscal foi emitido e enviado à contribuinte sendo, porém, devolvido em 15/04/2014 após três tentativas de entrega com a indicação de “destinatário ausente”. Diante disso, foi emitido o Edital nº121/2014 em 16/05/2014, para dar ciência do Termo à ONG em 31/05/2014. Continuando o procedimento fiscal, em 21/07/2014, diante da falta de atendimento às intimações para apresentação dos extratos bancários, foi emitida a Requisição de Movimentação Financeira – RMF nº 2014000763 para o Banco Bradesco S/A (Bradesco) apresentar extratos e documentos. Em 08/08/2014 a ONG foi cientificada, por meio do Edital nº 168/2014, do Termo de Reintimação Fiscal, encaminhado também por via postal com aviso de recebimento, porém devolvido com indicação de que o destinatário “mudouse”. Nos dias 12 e 30 de setembro de 2014 o Bradesco entregou o material requerido na mencionada RMF. No dia 18 do mesmo mês foi emitida a Representação Fiscal Pessoa Jurídica Inapta, processo nº 10580.727367/201458, culminando na emissão do Ato Declaratório Executivo nº 47/2014, publicado no Diário Oficial da União – DOU de 26/09/2014. Em 24/09/2014 foi emitido o Edital nº 223/2014 para dar ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal. Em 28/11/2014 foi expedido ofício à Polícia Civil solicitando o compartilhamento dos elementos apreendidos na operação Prometheus. O material foi disponibilizado em 24/02/2015 e serviu para subsidiar a fiscalização em andamento. Em 25/12/2014 a ONG foi cientificada de novo Termo de Reintimação Fiscal por meio do Edital nº 293/2014. Em 05/02/2015 foi emitido o RMF nº 2015000147 para o Bradesco fornecer fita detalhe dos valores relacionados em planilha anexada ao RMF enviado. As fitas detalhe foram entregues em 13/03/2015 (fls.23033594). Em 23/03/2015, com ciência em 07/04/2015, foi emitido o edital nº 58/2015 para cientificar a ONG do Termo de Intimação Fiscal, a fim de que a fiscalizada justificasse os valores a crédito em suas contas correntes bancárias nos anos calendário 2011 e 2012. No edital eletrônico nº 001093084/2015 a contribuinte foi reintimada por meio do Termo de Fiscalização nº 05, cuja ciência ocorreu em 08/09/2015. Em 30/03/2015 foi emitido o Termo de Intimação Fiscal para o Bradesco a fim de verificar a titularidade de diversas contas correntes e de poupança mantidas Fl. 7440DF CARF MF 6 nessa instituição. Os dados cadastrais solicitados tiveram como base a análise das fitas detalhes recebidas do banco. Diante dos fatos, foi lavrado o Termo de Representação Fiscal de Suspensão de Isenção, cientificado à contribuinte por meio do edital nº 88/2015 em 01/05/2015 (fls.483505), no processo 10580.722927/201569. No mesmo processo constam o Despacho Decisório DRF/SDR nº 0408/2015 e o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 0045 (fls.35953596 daquele processo). A fim de identificar os reais beneficiários dos vultosos recursos públicos desviados foram realizadas as diligências nas pessoas físicas e jurídicas a seguir: A) Diretores da ONG (fls.44444963): Denis de Carvalho de Souza Gama, CPF 577.516.33549 Danilo Sepulveda da Silva, CPF 029.28630554 Rubens Antônio Almeida Júnior, CPF 979.537.33587 Jailon de Carvalho Silva Gama, CPF 429.341.17553 Victor Ângelo Rocha de Carvalho, CPF 28.922.62526 Michel Souza e Silva, CPF 598.364.31500 Elder dos Santos Verçosa, CPF 512.502.68591 B) Empresas utilizadas para desvio de recursos (fls.36594435): AMG Info Comércio e Serviços Ltda ME, CNPJ 01.974.639/000130 Infoplem Informática Ltda – ME, CNPJ 07.042.421/000124 Multi Comercial Ltda – ME, CNPJ 10.397.564/000163 ITPE Limitada – ME, CNPJ 13.071.479/000107 Trapiche Informática Comércio e Serviço de Informática Limitada – ME, CNPJ 13.437.183/000159 Alamari Eventos e Comércio Limitada – ME, CNPJ 15.334.671/000166 C) Dirigentes das empresas utilizadas para os desvios e recursos (fls.3659 3824): Alã Meneses Guedes, CPF 790.558.42591 Ítalo Góes de Menezes, CPF 818.208.44587 D) Contador (fls.54515478): Petter Souza e Silva, CPF 508.956.48504 E) Demais operadores e beneficiários dos desvios de recursos (fls. 4998 5977): Hane Adriele Sanches Alves, CPF 942.764.12587 Paulo César Carvalho dos Santos Torres, CPF 021.723.57510 Patrícia dos Santos Ramos, CPF 006.474.07574 Fl. 7441DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.439 7 EBMED Empresa Brasileira de Serviços Médicos Ltda, CNPJ 11.404.411/000169 EBSURB Empresa Brasileira de Serviços Urbanos Ltda – ME, CNPJ 09.067.697/000192 Bacheti Manutenção de Aparelhos Climatizados Ltda – ME, CNPJ 12.562.531/000157 Empório Mideli Comércio e Serviços de Alimentos Ltda – ME, CNPJ 13.011.397/000169 Fundação de Administração e Pesquisa Econômico Social – Fapes, CNPJ 02.257.655/000175 Mega Posto Berimbau, CNPJ 01.855.960/000104 Mega Posto Brotas, CNPJ 01.278.020/000191 Alessandra Bacheti de Castro, CPF 076.807.17710 Creuzeni Rosa de Almeida Santos, CPF 603.905.22520 Soares Reis e Advogados Associados, CNPJ 03.288.100/000153 TV Gospel dos 12 Apóstolos Ltda – ME, CNPJ 04.612.120/000109 IPESQ – Projetos e Pesquisas Ltda – EPP, CNPJ 05.771.708/000160 Verbo Comunicação Eireli, CNPJ 07.211.925/000120 Conveniências Universitárias Ltda – ME, CNPJ 09.674.390/000150 Sociedade Beneficente de Economia e Crédito de Eunápolis e Região Ltda – SCE, CNPJ 11.049.952/000116 MDTUR Transportes Locações e Turismo Ltda – ME, CNPJ 11.639.548/000100 MA Fomento Mercantil Ltda – ME, CNPJ 14.308.578/000114 Magazine dos Esportes Comércio Ltda – EPP, CNPJ 01.271.845/000184 4 – Dos convênios firmados ONG, PMS e UNEB (fls.10701722) A ONG, representada por seu presidente Denis de Carvalho, celebrou com o município de Salvador/BA, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secult), representada por seu titular João Carlos Bacelar Batista, CPF 106.264.09500, e com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), representada por seu reitor Lourisvaldo Valentim da Silva, CPF 023.836.67587, o Convênio nº 003/2011, de 27/05/2011, destinado ao projeto “Educação Cidadã nos Centros Municipais de Educação Infantil”, e cujos repasses somaram R$17.525.539,00 entre julho a dezembro de 2011. Em 16/12/2011, o aditivo nº 011/2011 prorrogou a execução do referido projeto até 28/02/2012, acrescendo um montante de R$4.376.406,00. Posteriormente, novos convênios foram celebrados entre a ONG, a Secult e a Uneb, representados pelas mesmas pessoas já referidas, ressalvandose que, em Fl. 7442DF CARF MF 8 03/2012, assumiu a presidência da ONG o Sr. Danilo Sepulveda da Silva, em virtude de afastamento do presidente anterior: convênio nº 051/2011, celebrado em 28/12/2011, com repasses de R$15.000.000,00 entre 12/2011 a 10/2012, para o projeto “Piceb – Projetos Inovadores para a Educação Básica”; convênio nº 001/2012, celebrado em 10/03/2012, com repasses de R$44.187.636,92 entre 03/2012 a 12/2012, para o projeto “Educação Cidadã nos Centros Municipais de Educação Infantil”; convênio nº 002/2012, celebrado em 01/06/2012, com repasses de R$39.251.301,00 entre 06/2012 a 12/2012, para o projeto “Modernização da Gestão Educacional”. Os ingressos financeiros oriundos dos convênios com a Secult/Uneb, movimentado em contas corrente da ONG no Bradesco, totalizaram R$17.525.539,00 em 2011 e R$50.791.495,40 em 2012. Por sua vez, a Fundação de Assistência SócioEducativa e Cultural – Fasec, instituição que antecedeu a ONG na realização dos “serviços” objeto dos convênios firmados entre a ONG com a Prefeitura de Salvador e a Uneb, recebeu um total de R$947.407,50 apenas entre janeiro e abril de 2011. Vários dos envolvidos no desvio de recursos da ONG foram vinculados à Fasec, como será visto adiante. Sobre o caso, o Setor de Análise e Controle de Convênios – Secoc, da Controladoria Geral do Município – CGM, emitiu parecer em 06/11/2012 que ensejou representação à Coordenadoria de Contabilidade – CCT denunciando o convênio nº 0032/2012, celebrado entre a ONG e a Secult/Uneb pelos seguintes motivos: alvará de funcionamento da ONG vencido em 31/12/2011, ausência de Lei de Utilidade Pública Municipal para a ONG. irregularidades nos repasses financeiros, na estrutura de pessoal para cumprir o plano de trabalho e outras. 5 – Da análise do direito à isenção tributária Relativamente ao tema analisado, os arts.12 a 15 da Lei nº 9.532/1997 estabelecem que: dentre os requisitos necessários à fruição do benefício fiscal de isenção tributária constam: (i) não remunerar os dirigentes pelos serviços prestados; (ii) aplicar todos os recursos na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais, e (iii) apresentar anualmente a Declaração de Rendimentos. no caso de empresa que pratique infração à legislação tributária, declarando falsamente, omitindo ou simulando o recebimento de doações em bens ou dinheiro, ou cooperando para a sonegação de tributos ou para a prática de ilícitos fiscais, a RFB suspenderá a isenção. O art.32 da Lei nº 9.430/96 estabelece o rito da suspensão da isenção dos benefícios fiscais em razão do descumprimento dos requisitos legais exigidos para fruição dos referidos benefícios. Em relação ao PIS e à Cofins, conforme arts.13, IV, e 14, X, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001, para fruição do benefício fiscal da isenção fazse necessária a obediência aos requisitos formais estabelecidos na Lei nº 9.532/97. Fl. 7443DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.440 9 Entretanto, a ONG não cumpriu tais requisitos para a isenção, pois: a) apresentou DIPJ zerada nos anoscalendário 2011 e 2012; b) efetuou depósitos – desvios de recursos – nas contas correntes do presidente, vicepresidente e diretores da ONG, sem registros contábeis, conforme Relatório Pericial de fls. 832857; c) os convênios firmados pela ONG com a Secult/Uneb são irregulares, conforme Pareceres do Secoc/CGM (fls. 35953605); d) o presidente da ONG, Denis de Carvalho, constituiu a empresa Denis de Carvalho Silva Gama – ME (Ágora Cursos), para desviar recursos da ONG, conforme Relatório de Análise Técnica da SSP/BA e material apreendido na operação Prometheus (fls. 519831); e) encerrou as atividades sem destinar seu patrimônio, conforme determina a legislação, fato que ensejou a declaração de inaptidão do CNPJ (processo nº 10580.727367/201458); f) mesmo intimada por edital, a ONG nunca apresentou qualquer documentação à fiscalização; g) utilizou notas fiscais inidôneas de várias empresas para desviar recursos de convênios celebrados em parceria com a Secult/Uneb. Do exposto, concluise que a ONG não faz jus à isenção tributária nos anos calendário 2011 e 2012. Ressaltese que a ONG, embora notificada para apresentar as alegações e contestações que julgasse necessárias contra os fatos apurados, nada fez, ensejando a emissão do ato declaratório de suspensão da isenção (processo 10580.722927/201569). 6 – Do esquema de desvios de recursos da ONG Os indícios apontados pelas investigações policiais quanto aos desvios de recursos dos convênios firmados entre a Secult/Uneb e a ONG foram confirmados por meio da análise dos dados disponibilizados pelo Bradesco, cujas fitas permitiram confirmar diversos saques, relativos aos pagamentos efetuados pela ONG, realizados por pessoas físicas e jurídicas destinatárias dos recursos. Conforme planilha de fls. 63836436, somente os pagamentos feitos pela ONG por meio de cheques sacados ou depositados em contas de pessoas físicas ou jurídicas, cujas operações com a ONG não foram comprovadas, totalizam R$5.589.352,31 em 2011 e R$25.637.072,48 em 2012. Na realidade, o esquema de desvio de recursos públicos por meio da ONG foi mais amplo, envolvendo várias outras empresas e operadores (dados cadastrais das contas destinatárias dos recursos desviados, com identificação dos respectivos titulares, às fls.62516382), como será demonstrado adiante. 6.1 – Utilização de operadores para distribuição dos recursos desviados Com base nos dados obtidos junto à instituição financeira, comprovaramse as operações subsequentes aos saques feitos, isto é, depósitos feitos em dinheiro em contas bancárias de diversos beneficiários, dentre eles os dirigentes da ONG. Fl. 7444DF CARF MF 10 Os cheques nominais emitidos pela ONG eram sacados e distribuídos a beneficiários diversos sem qualquer vinculação com as suas atividades estatutárias, os “operadores”, cuja utilização visava transferir, por meio de simulação, recursos para os reais beneficiários do esquema de desvio de recursos públicos (diretores da ONG e destinatários ligados aos signatários dos convênios firmados com a ONG, a Uneb e a Secult). Destaquese que muitos cheques emitidos pela ONG foram destinados a pessoas físicas e jurídicas sem nenhum vínculo institucional, sequer simulando um negócio jurídico com aparência de despesa vinculada às atividades da ONG. 7 – Utilização de fornecedores de bens e serviços fictícios No Relatório de Análise Técnica da SSP/BA, item 7.2b, estão listados pagamentos feitos pela ONG a empresas com fortes indícios de superfaturamento. Conforme descrito no Relatório, a Infip, órgão da Secretaria da Fazenda da Bahia – Sefaz/BA, informou que são inidôneas as notas fiscais apresentadas relativas à Multi Comercial Ltda e à AMG Info Comércio e Serviços Ltda, esclarecendo ainda que há indícios de irregularidades nas operações da Trapiche Informática e Serviços de Informática Ltda ME acobertadas pelas notas fiscais apresentadas. Tais indícios foram confirmados na presente ação fiscal, e evidenciam que quase todos os valores destinados às empresas a seguir eram desviados e destinados a pessoas físicas e jurídicas indicadas pelos coordenadores do esquema de desvio de recursos públicos. No relatório constam pagamentos feitos pela ONG com cheques nominais às empresas AMG Info Comércio e Serviços Ltda, Multi Comercial Ltda e Trapiche Informática, Comércio e Serviços de Informática Ltda ME. Os pagamentos destinados às empresas, identificados nos extratos bancários do Bradesco, cujas fitas também identificaram a destinação dos respectivos recursos, eram realizados por meio de cheques nominais que eram sacados pelos sócios administradores Alã Meneses Guedes e Ítalo Góes Menezes, os quais, após o saque, depositavam os valores em contas corrente de pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo diretor Michel. Dos valores destinados às empresas, apenas uma fração, ou nem isso, ficava com as empresas. Evidenciouse assim que os produtos/serviços indicados nas notas fiscais emitidas face à ONG não corresponderam a uma efetiva prestação de serviços ou entrega de materiais e produtos. 7.1 – Empresas pertencentes a Alã Meneses Guedes As empresas AMG Info Comércio e Serviços Ltda, Trapiche Informática, Comércio e Serviços de Informática Ltda ME e Alamari Eventos e Comércio Ltda ME foram intimadas na pessoa de seu sócio administrador e responsável perante a RFB, Alã Meneses Guedes, o qual não apresentou os livros e documentos exigidos, tampouco justificou a emissão de notas fiscais de serviços estranhos aos contratos sociais dessas empresas. Em declaração de 29/07/2015, afirmou que os valores dos cheques destinados às suas empresas não corresponderam a venda de mercadorias ou a prestação de serviços, e que atuava por determinação do diretor da ONG, Michel Silva, e seu irmão Petter Silva, contador. Como operador do esquema de desvio de recursos, Alã Guedes recebeu R$1.583.493,82 em 2011 e R$14.370.257,00 em 2012, diretamente ou por meio de suas empresas (fls.37683774). Fl. 7445DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.441 11 Em relação às cópias das notas fiscais da AMG, preenchidas à mão, Alã Guedes informou que não foram preenchidas por ele ou qualquer pessoa vinculada à empresa. Ademais, em consulta ao Sistema de Controle de Notas Fiscais Sintegra da Sefaz/BA, não foram encontrados registros de compras nem vendas de mercadorias, reforçando que se trata de notas fiscais frias (fls.42624324). No ano de 2012, foi destinado o total de R$4.157.852,00 à AMG, sacados por Alã Meneses e transferidos para outros beneficiários. Nenhum valor foi depositado em conta da AMG. Por sua vez, as receitas declaradas na sistemática do Simples totalizaram R$14.359,00 em 2011 e zero em 2012. Na DIPJ enviada em 2009 (última apresentada) consta como responsável pela contabilidade Petter Silva, irmão do diretor Michel Silva. Quanto à Alamari, às cópias das notas fiscais, preenchidas à mão, Alã Guedes também informou que não foram preenchidas por ele ou qualquer pessoa vinculada à empresa. Ademais, em consulta ao Sistema de Controle de Notas Fiscais Sintegra da Sefaz/BA, não foram encontrados registros de compras nem vendas de mercadorias, reforçando que se tratam de notas fiscais frias (fls.43494435). Na DIPJ apresentada em 2013 figura como responsável pela contabilidade Petter Silva. O email de contato da contabilidade indicado no cadastro da RFB é da empresa Conger, vinculada aos irmãos Petter e Michel Silva. No ano de 2012, foi destinado o total de R$3.267.424,00 à AMG, sacados por Alã Guedes e transferidos para outros beneficiários. Nenhum valor foi depositado em conta da Alamari. Sobre a Trapiche, foi aberta em 29/03/2011 por Petter Silva, e baixada em 05/09/2013, tendo como sócio administrador Alã Guedes. As cópias das notas fiscais, preenchidas à mão, conforme Alã Guedes informou, não foram preenchidas por ele ou qualquer pessoa vinculada à empresa (fls.40264180). O responsável pela contabilidade é Petter Silva, e o email de contato da contabilidade indicado no cadastro da RFB é da empresa Conger, vinculada aos irmãos Petter e Michel Silva. A Trapiche declarou no Simples Nacional R$26.015,19 em 2011 e R$26.586,74 em 2012. Entretanto, em 2011 foi destinado à Trapiche o total de R$2.069.748,09, sendo que R$486.254,27 foram depositados em contas da empresa, enquanto que os demais cheques foram sacados por Alã Guedes e transferidos para outros beneficiários, assim como os valores recebidos em 2012 pela Trapiche, no total de R$6.588.484,00. 7.2 – Empresas pertencentes a Ítalo Góes Menezes As empresas Multi Comercial Ltda ME e Infoplem Informática Ltda ME foram intimadas na pessoa de seu sócio administrador e responsável perante a RFB, Ítalo Góes Menezes, o qual não apresentou os livros e documentos exigidos, tampouco justificou a emissão de notas fiscais de serviços estranhos aos contratos sociais dessas empresas. Em declaração de 17/08/2015, afirmou que os valores dos cheques destinados às suas empresas não corresponderam a venda de mercadorias ou a prestação de serviços, e que atuava por determinação da diretoria da ONG, especialmente Michel Silva. Apontou ainda que Petter Silva era responsável pela contabilidade das empresas. Ítalo é primo de Michel e Petter. Fl. 7446DF CARF MF 12 Como operador do esquema de desvio de recursos, Ítalo Góes Menezes recebeu R$766.295,18 em 2011 e R$3.692.253,00 em 2012, diretamente ou por meio de suas empresas (fls.38223824). Em relação à Multi Comercial, foi aberta em 08/10/2008 porém o sócio administrador Ítalo Menezes só foi incluído no quadro societário em 11/07/2011. O responsável pela contabilidade é Petter Silva, e o email de contato da contabilidade indicado no cadastro da RFB é da empresa Conger, vinculada aos irmãos Petter e Michel Silva. A empresa declarou no Simples Nacional R$198.225,33 em 2011 e R$46.703,43 em 2012. Entretanto, em 2012 foi destinado à Multi o total de R$1.479.532,00, valor sacado por Ítalo Menezes e transferido para outros beneficiários. Quanto à Infoplem, foi aberta em 05/10/2004 tendo como sócio administrador Ítalo Menezes desde sua abertura. O responsável pela contabilidade é Petter Silva, e o email de contato da contabilidade indicado no cadastro da RFB é da empresa Conger, vinculada aos irmãos Petter e Michel Silva. A empresa declarou no Simples Nacional R$173.283,72 em 2011 e R$123.575,22 em 2012. Todavia, em 2011 foi destinado à empresa o total de R$401.098,73, enquanto que em 2012 foi destinado à Infoplem o total de R$897.482,00, valores que, à exceção de dois cheques destinados à Infoplem em 2011 (total de R$118.350,00), foram sacados por Ítalo Menezes e transferido para outros beneficiários (fls.40074008). 7.3 Da participação dos sócios Administradores das empresas formalmente fornecedoras de mercadorias e serviços utilizadas no esquema de desvio As informações contidas no Relatório de Análise Técnica da SSP/BA evidenciam a utilização das empresas AMG, Alamari, Trapiche, Infoplem e Multi para transferir recursos a terceiros, cabendo a Ítalo Menezes e Alã Guedes o papel de operadores do esquema, responsáveis por sacar os valores destinados às suas empresas e transferilos a terceiros. Ambos operadores declararam que faziam as transferências conforme indicado por Michel Silva. A planilha de fls. 37623765 discrimina os valores desviados depositados em conta corrente de Alã Guedes. Tais valores eram destinados originalmente às empresas em que Alã era sócio administrador, AMG, Alamari e Trapiche, porém eram sacados e distribuídos a terceiros indicados pelo diretor Michel. Como operador, Alã recebia um percentual dos valores desviados, que foi de R$13.869,37 em 2011 e R$269.842,07 em 2012. No total, Alã sacou e transferiu um total de R$15.953.750,82 entre 2011 e 2012. Em relação a Ítalo Menezes, consta um saque destinado a ele próprio no valor de R$4.000,00, além de dois cheques, no total de R$118.350,00, terem sido depositados em sua empresa Infoplem. Como operador do esquema criminoso, Ítalo sacou e transferiu para terceiros um total de R$4.458.548,18 entre 2011 e 2012. 8 – Da participação dos dirigentes da ONG Conforme o estatuto da ONG, o Sr. Denis de Carvalho consta como presidente desde a sua fundação, afastandose em 30/03/2012 para concorrer a cargo eletivo. Os irmãos Srs. Michel e Petter Silva também participaram ativamente nos desvios de finalidade e de recursos promovidos pela ONG. Nos computadores apreendidos pela polícia na ONG e na empresa contábil Conger, que eram utilizados pelo diretor de Projetos da ONG Michel Silva e por seu irmão e sócio da Conger Petter Silva, foram encontradas planilhas com os nomes das Fl. 7447DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.442 13 pessoas a seguir, vinculandoas às empresas mencionadas anteriormente: Alã Meneses, Hane Adrielle S. Alves, Ítalo Menezes, Patrícia Santos Ramos e Paulo César C. dos S. Torres, os quais atuaram como operadores do esquema criminoso de desvio de recursos públicos (fls.515831). Por sua vez, nos computadores de Michel e Petter Silva foram encontrados demonstrativos de receitas e despesas muito superiores aos rendimentos declarados, bem como demonstrativos de parcelas que lhes cabiam na divisão do resultado do produto dos valores desviados, além de vários orçamentos de serviços e compras fictícios contratados pela ONG. Os orçamentos eram necessários às licitações devido às regras impostas a quem recebe verbas públicas, caso da ONG, que firmou convênios com a Uneb e a Prefeitura de Salvador/BA. Nesses orçamentos consta a indicação dos valores de superfaturamento (“lucro”), com os percentuais destinados aos envolvidos, dentre eles os sócios das empresas utilizadas (Alã Guedes e Ítalo Menezes) e os diretores da ONG (especialmente Denis de Carvalho e Michel Silva). Outros diretores, como Rubens Almeida, Jailon Gama, Danilo Sepúlveda e Victor de Carvalho, receberiam percentuais menores, conforme informações do computador de Michel Silva (fls.515831). Nas planilhas “Desvios ONG” (documentos entre fls.37626436) identificaramse repasses para os diretores da instituição oriundos de pagamentos efetuados pela ONG, na maioria cheques destinados às empresas referidas anteriormente, os quais eram sacados e tinham seus valores transferidos para contas de pessoas físicas e jurídicas. Os principais beneficiários dos repasse foram o presidente da ONG, Denis de Carvalho, diretamente ou por meio de sua empresa Agora, e o diretor Michel Silva. A planilha a seguir indica os valores desviados para cada diretor, considerando os valores destinados à Agora como sendo para o presidente Denis de Carvalho: Considerando a semelhança entre os valores recebidos pelos diretores Danilo, Jailon, Rubens e Victor, e suas declarações de eram apenas funcionários da ONG Fl. 7448DF CARF MF 14 sob orientação de Denis de Carvalho e Michel Silva, concluise que estes dois, junto com Petter Silva, atuaram como coordenadores da organização criminosa que desviou os recursos públicos destinados à educação. Em relação aos diretores Danilo e Rubens, evidenciase uma responsabilidade com os desvios, pois, além de assinarem cheques da ONG, figuram como autorizadores dos saques, como registrado no verso de vários cheques. Em relação a Denis de Carvalho, examinandose a documentação fornecida pelo Bradesco, verificase que, no período em que atuou como presidente, assinou e autorizou os cheques emitidos pela ONG a pessoas físicas e jurídicas, a maioria fornecedores fictícios de bens e serviços, que foram sacados e transferidos para contas de terceiros. Ademais, parcela expressiva dos valores sacados foram depositados em contas do curso Agora, sendo R$774.046,00 em 2011 e R$1.650.800,21 em 2012, e outra parcela, de R$124.710,00, depositada em 2012 na conta pessoal do próprio presidente. Na DIRPF, Denis de Carvalho declarou rendimentos tributáveis somente de pessoa física, sendo R$22.800,00 em 2011 e R$24.549,00 em 2012. Em relação aos rendimentos isentos e não tributáveis, declarou R$99.281,60 em 2011 e R$137.248,00 em 2012. Entretanto, apesar de regularmente intimado, deixou de comprovar a origem dos rendimentos declarados como isentos. Em resposta ao Termo de Diligência 02 (fls.44854492) Denis de Carvalho afirmou que suas declarações de imposto de renda eram feitas por Petter Silva, e que, à exceção de Michel Silva, todos os demais diretores da ONG não exerciam funções de gestão, atuando apenas como empregados e recebendo ordens do próprio Denis de Carvalho e de Michel Silva, o que foi corroborado pelos diretores Rubens, Jailon e Victor. Patrícia Ramos e Hane Adrielle declararam que Denis de Carvalho e Michel Silva indicavam contas para as quais deveriam ser transferidos os valores sacados/depositados decorrentes dos cheques da ONG. Quanto a Michel Silva, diretor de projetos da ONG a partir de 09/11/2011, seu envolvimento nos desvios de verbas públicas foi comprovado no Relatório de Análise Técnica (fls.515831) por meio de planilhas indicando a distribuição de dinheiro vindo de pagamentos a fornecedores fictícios, e indicação dos destinatários dos recursos, fatos confirmados na ação fiscal. Conforme Denis de Carvalho, Michel Silva participava de todas as reuniões do convênio, além de ser o responsável pela prestação de contas. Os demais diretores também confirmaram que Michel Silva era o executor financeiro e responsável pela gestão do convênio, fazendo o contato gerencial e financeiro com a Uneb e a Secult (fls.44494497, 46704677, 47284814, 48294862 e 49114956). A documentação fornecida pelo Bradesco (fls.23033594) indicou que muitos dos cheques emitidos pela ONG a fornecedores fictícios de bens e serviços foram sacados e transferidos para contas de terceiros, muitos deles indicados nas planilhas extraídas dos computadores do diretor apreendidos pela polícia. No verso dos cheques consta indicação de que os saques teriam sido autorizados por Michel Silva. Além disso, expressiva parcela dos valores foram depositados em contas do próprio Michel Silva, sendo R$457.033,76 em 2011 e R$4.397.884,16 em 2016 (planilha “Desvios ONG”, fls. 46274632). Salientese que nas DIRPF apresentadas, o diretor declarou em 2011 e 2012, respectivamente, rendimentos tributáveis de Fl. 7449DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.443 15 R$33.818,08 e de R$20.568,06, e rendimentos isentos/não tributáveis de R$92.071,23 e de R$601.689,90. Nos escritórios e computadores de Michel e Petter, conforme o relatório de fls.515831, foram encontradas provas relativas ao controle de pagamentos realizados a partir dos cheques nominais às pessoas físicas e jurídicas utilizadas como operadores do esquema de desvio de dinheiro da ONG, bem como controles financeiros com o destino dos recursos desviados: despesas e aquisições de bens móveis e imóveis incompatíveis com o patrimônio declarado, dentre eles a Fazenda Novo Paraíso e veículos de luxo. Também em computador da Conger e no HD externo de Michel estão indicadas várias despesas de Michel, incompatíveis com o patrimônio declarado. No HD constam ainda diversos pagamentos a diretores e beneficiários do esquema de desvio de recursos, e planilhas detalhando os percentuais pagos a operadores do esquema, como Hane Adrielle, Patrícia Ramos, Alã Meneses e Ítalo Menezes. Nos termos de declaração firmados pelos diretores foi imputada a Michel e Petter Silva a organização do esquema de desvio de recursos públicos destinados à ONG. Conforme afirmou Denis de Carvalho, Michel Silva recebeu procurações para representálo. Por sua vez, Michel atribuiu ao presidente Denis de Carvalho a participação nas reuniões com a Secult e a Uneb nas quais se decidia a alocação de recursos. Patrícia Ramos e Hane Adrielle declararam que Denis de Carvalho e Michel Silva indicavam contas para as quais deveriam ser transferidos os valores sacados ou depositados por meio dos cheques da ONG. Michel Silva foi intimado pela fiscalização porém não atendeu à intimação para apresentar movimentação financeira e outros elementos requeridos. 9 – Da participação de Petter Souza e Silva O Relatório de Análise Técnica indicou a participação de Petter Silva, sócio administrador da Conger Contabilidade Gerencial Sociedade Simples – ME, CNPJ 05.144.619/000193 no esquema de desvio de recursos públicos estimados à ONG. Tal participação era tanto na gestão do esquema de desvio de recursos como no lucro obtido com os desvios, considerando a expressiva variação patrimonial e a movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados nas DIRPF. As declarações dos diretores da ONG também confirmam a participação de Petter Silva nos desvios de recursos, assim como as declarações dos operadores do esquema Alã Meneses e Ítalo Menezes, que confirmaram a participação de Petter e Michel Silva como gestores do esquema de desvio de recursos. Por fim, Denis de Carvalho também atribui a Petter Silva a gestão da ONG. Petter Silva foi intimado pela fiscalização porém não atendeu à intimação para apresentar movimentação financeira e outros elementos requeridos. Petter participou diretamente do desvio de recursos públicos da ONG: assinou, como contador, os relatórios contábeis da instituição; chancelou as prestações de contas dos convênios com a Secult e a Uneb; providenciou parentes e clientes de seu escritório de contabilidade para as empresas que simularam vendas de mercadorias para atender as necessidades dos convênios; forjou e simulou procedimentos licitatórios para que empresas previamente determinadas obtivessem Fl. 7450DF CARF MF 16 êxito no certame; se locupletou com os desvios de verbas para seu patrimônio, conforme sua vultosa movimentação financeira e os carros e imóveis em seu nome, sem que tal acréscimo patrimonial fosse justificado. 10 – Demais operadores e beneficiários dos desvios de recursos 10.1 – Hane Adrielle Sanches Alves, CPF 942.764.12587 Hane Adrielle sacou de sua conta um total de R$641.665,66 em 2011 e R$983.998,00 em 2012. Entre saques e depósitos em sua conta corrente, Hane movimentou um total de R$3.154.716,12 entre 2011 e 2012. Os valores são oriundos de cheques nominais às empresas referidas no item 7.1, que eram utilizadas para desviar os recursos da ONG, e também de cheques nominais à ONG, à própria Hane, a Ítalo Menezes e a Paulo César Carvalho dos Santos Torres, também operador do esquema de desvio de recursos identificado adiante. Hane apresentou em sua DIRPF rendimentos tributáveis de R$27.115,46 em 2011 e R$24.440,00 em 2012, incompatíveis com sua movimentação financeira. No HD externo pertencente a Michel Silva, nos computadores da ONG e da Conger, foram encontrados demonstrativos indicando os valores que seriam destinados a Hane Adrielle, com indicação de percentuais de 10 a 12% sobre as notas fiscais emitidas. Intimada a prestar esclarecimentos, Hane declarou que recebia os cheques nominais para sacar e depositava nas contas determinadas por Denis de Carvalho, Michel Silva e Rubens. Afirmou também que Patrícia e Paulo César Carvalho atuavam da mesma forma, realizando pagamentos em nome da ONG. 10.2 – Paulo César Carvalho dos Santos Torres, CPF 021.723.57510 Paulo César recebeu cheques nominais da ONG que totalizaram R$4.049.975,00 entre 2011 e 2012, valores sacados e transferidos imediatamente para pessoas físicas e jurídicas indicadas pelos gestores do esquema de desvio de recursos. Todavia, nenhum depósito foi encontrado na conta de Paulo César, contribuinte que não possui capacidade econômica e apresentou movimentação financeira zero em 2011 e de apenas R$6.067,00 em 2012, incompatíveis com os valores movimentados. Nas DIRPF em seu nome não consta nenhuma informação. Intimado a prestar esclarecimentos perante a RFB, Paulo César declarou que fora contratado pela ONG como officeboy com remuneração de um salário mínimo, e que prestou serviços para Ítalo Menezes. Afirmou que levava cheques assinados e que, uma vez no Banco, o caixa contatava os representantes da ONG que autorizavam os saques e depósitos nas contas indicadas em papel passado por Hane. Informou que também sacava valores em espécie e entregava a Hane na ONG. 10.3 – Patrícia Santos Ramos, CPF 006.474.07574 A participação de Patrícia ocorria nas transferências de valores a terceiros nas quais parte dos valores, após os saques de cheques da ONG nominais a ela, era transferida a diversos beneficiários ou depositada em conta da própria Patrícia, sendo posteriormente transferida para. O total de cheques nominais a Patrícia Ramos emitidos pela ONG foi de R$2.004.698,07 entre 2011 e 2012, embora tenha declarado em suas DIRPF rendimentos de R$21.285,07 em 2011 e de R$29.524,72 em 2012. Fl. 7451DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.444 17 Intimada a prestar esclarecimentos, afirmou que recebia cheques nominais para sacar e depositava em contas indicadas por Denis de Carvalho e Michel Silva; e que recebeu valores expressivos em sua conta corrente que eram também transferidos para contas determinadas pelos dirigentes mencionados. Afirmou também que Hane e Paulo César Carvalho atuavam da mesma forma, realizando pagamentos em nome da ONG. 10.4 – Ebmed Empresa Brasileira de Serviços Médicos Ltda, CNPJ 11.404.411/000169 A Ebmed recebeu R$1.519.917,05 em 2012, valor desviado da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes, de Ítalo Menezes, e a Paulo César Carvalho. A contabilidade da Ebmed é feita pela CSL – Contabilidade, Consultoria, Treinamento e Escritório Virtual Ltda, cuja sócia Gabriela Freitas Lopes dos Santos trabalha no gabinete do vereador Alan Sanches do PMDB/BA Intimada por meio de seu representante contábil, a empresa formalizou pedido de prorrogação de prazo porém, transcorrido o prazo, deixou de atender ao solicitado pela fiscalização. 10.5 – Ebsurb Empresa Brasileira de Serviços Urbanos Ltda – ME, CNPJ 09.067.697/000192 A Ebsurb recebeu R$1.370.655,00 em 2012, valor desviado da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes, de Ítalo Menezes, e a Paulo César Carvalho. Valtemi de Souza, sócio da Ebsurb, também foi sócio da Ebmed entre 10/12/2009 e 17/05/2011. A contabilidade da Ebsurb é feita pela CSL – Contabilidade, Consultoria, Treinamento e Escritório Virtual Ltda, cuja sócia Gabriela Freitas Lopes dos Santos trabalha no gabinete do vereador Alan Sanches do PMDB/BA Intimada por meio de seu representante contábil, a empresa formalizou pedido de prorrogação de prazo porém, transcorrido o prazo, deixou de atender ao solicitado pela fiscalização. 10.6 – Bacheti Manutenção de Aparelhos Climatizados Ltda – ME, CNPJ 12.562.531/000157 A Bacheti recebeu R$988.322,70 em 2012, valor desviado da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes, de Ítalo Menezes, e a Paulo César Carvalho. Em seu quadro societário constam Alessandra Bacheti de Castro e Marcelo Abreu de Castro, assessor parlamentar do Secretário da Secult João Carlos Bacelar. Intimada a comprovar a origem dos cheques nominais e os valores depositados em conta corrente oriundos da ONG, a empresa respondeu não ter relação com a ONG e que os créditos em sua conta não eram oriundos da ONG. Entretanto, não apresentou a origem dos valores depositados em sua conta corrente. 10.7 – Empório Mideli Comércio e Serviços de Alimentos Ltda – ME, CNPJ 13.011.397/000169 O Empório Mideli recebeu da ONG um total de R$235.763,70 em 2012, a maioria por meio de cheques nominais à empresa, além de R$46.704,50 destinado a Fl. 7452DF CARF MF 18 Adriana Raquel Pimentel Ribas e Danilo Cardoso Menezes, depositados na conta da empresa. 10.8 – Fundação de Administração e Pesquisa Econômico Social – Fapes, CNPJ 02.257.655/000175 A Fapes possui em seu quadro diretores ligados à Uneb, e recebeu R$421.982,50 em 2012, valor desviado da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes e também destinados a Paulo César Carvalho dos Santos Torres. No período em que ocorreram os desvios, o reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim, era sócio da Fapes. Intimada a prestar esclarecimentos, a Fapes atribuiu os recursos recebidos à customização de pendrives para o programa “Pendrive do Educador” vinculado à Secult. A Fapes informou ainda que os pendrives foram destinados ao referido programa por solicitação do Gabinete do Secretário Municipal João Carlos Bacelar, porém deixou de apresentar os contratos firmados. Assim, não comprovou o vínculo do material fornecido com o objeto dos convênios. Destaquese ainda que o pedido, ao contrário do definido como responsabilidade dos convenentes, foi formulado diretamente por meio do gabinete do Secretário Municipal. 10.9 – Alessandra Bacheti de Castro, CPF 076.807.17710 Alessandra Bachetti recebeu em 2012 um montante de R$241.195,15 por meio de transferências de valores destinados às empresas de Alã Guedes, sendo os cheques sacados e depositados em conta de Alessandra Bacheti. Tal valor é incompatível com os rendimentos tributáveis declarados pela contribuinte. Intimada a prestar esclarecimentos, Alessandra Bacheti afirmou não ter relação com a ONG e que nunca recebeu recursos daquela instituição. Informou ainda que os créditos em sua conta não eram oriundos da ONG. Entretanto, não apresentou a origem dos valores depositados em sua conta corrente. 10.10 – Mega Posto Berimbau, CNPJ 01.855.960/000104 O Mega Posto Berimbau recebeu no período de 2011 a 2012 um montante de R$981.522,68 por meio de transferências de valores destinados às empresas de Alã Guedes e a Paulo César Carvalho dos Santos Torres. Também foi encontrado um cheque da ONG no valor de R$185.146,68, depositado em conta do Bradesco. A empresa foi intimada a comprovar a origem dos recursos e solicitou prorrogação de prazo, porém não apresentou os elementos solicitados pela fiscalização. 10.11 – Mega Posto Brotas, CNPJ 01.278.020/000191 O Mega Posto Brotas recebeu em 2012 um montante de R$605.375,00 por meio de transferências de valores destinados às empresas de Alã Guedes e de Ítalo Menezes, além de cheques destinados a Paulo César Carvalho dos Santos Torres. A empresa foi intimada a comprovar a origem dos recursos e solicitou prorrogação de prazo, porém não apresentou os elementos solicitados pela fiscalização. 10.12 – ITPE Limitada – ME, CNPJ 13.397.564/000163 Fl. 7453DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.445 19 A ITPE, que possui como responsável pela contabilidade Petter Silva, recebeu R$4.427.527,70, entretanto, declarou no Simples Nacional R$3.430,00 em 2011 e zero 2012. A empresa foi intimada a comprovar a origem dos recursos e solicitou prorrogação de prazo, porém não apresentou os elementos solicitados pela fiscalização. 10.13 – Creuzeni Rosa de Almeida Santos, CPF 603.905.22520 Creuzeni recebeu em 2011 o montante de R$20.996,10 por meio de cheques nominais às empresas de Alã Guedes, que eram sacados e depositados na conta de Creuzeni. A filha de Creuzeni é Veronnica Almeida Santos, sócia da Sociedade Beneficente de Economia e Crédito de Eunápolis e Região Ltda, que também foi beneficiária de recursos públicos desviados pela ONG. Intimada a prestar esclarecimentos, Creuzeni respondeu não ter tido qualquer relação com a ONG, e não justificou a origem do recurso depositado em sua conta. 10.14 – Soares Reis e Advogados Associados, CNPJ 03.288.100/000153 A Soares Reis recebeu R$1.788.554,84 em 2012, desviados da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes e de Ítalo Menezes, além de cheques destinados a Paulo César Carvalho dos Santos Torres. Um dos sócios da empresa, Michel Soares Reis, integrou a direção do Partido Trabalhista Nacional – PTN, cujo vínculo de seus dirigentes com os desvios de recursos será adiante demonstrado. Intimada a comprovar a origem dos recursos, a sociedade solicitou dilação de prazo, porém vencido o prazo não atendeu à fiscalização. 10.15 – TV Gospel dos 12 Apóstolos Ltda ME, CNPJ 04.612.120/000109 A TV Gospel recebeu R$225.048,83 em 2012, desviados da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes, além de cheques destinados a Paulo César Carvalho dos Santos Torres. Registrese que a única movimentação financeira da empresa era a da conta do Bradesco com o registro dos valores oriundos da ONG, com débitos e créditos nos mesmos valores e no mesmo mês, tratandose assim de um conta utilizada unicamente para operar o desvio de verbas públicas da ONG. Intimada a comprovar a origem dos recursos, a TV Gospel não atendeu à fiscalização. 10.16 – Ipesq – Projetos e Pesquisas Ltda EPP, CNPJ 05.771.708/000160 A Ipesq recebeu R$297.300,00 em 2012, desviados da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes. Intimada a comprovar a origem dos recursos, a Ipesq não atendeu à fiscalização. 10.17 – Verbo Comunicação Eireli, CNPJ 07.211.925/000120 Fl. 7454DF CARF MF 20 A Verbo recebeu R$227.199,15 em 2012, depositados em sua conta do Bradesco. Intimada a comprovar a origem dos valores, a Verbo informou que participou de projeto vinculado à Secult, porém não apresentou notas fiscais nem comprovação do recebimento dos valores ou da entrega dos produtos que teriam sido contratados. A intimação fora enviada por correspondência à empresa, além de ter sido cientificado presencialmente o Sr.João Carlos Lacerda Faria, que se qualificou como diretor da empresa. Entretanto, João Carlos Lacerda não pertence ao quadro societário da Verbo, tampouco figura como beneficiário na Dirf da Verbo. João Carlos Lacerda figura na Dirf da Assembleia Legislativa da Bahia e foi designado assessor parlamentar do Secretário da Secult João Carlos Bacelar, além de ser doador de campanha do então Secretário. A resposta da empresa foi assinada por Jaime Kislansky, o qual figura na Dirf da Verbo como beneficiário. Apresentou fotos, documentos e outros elementos para comprovar o evento que teria executado para a Secult. Esclareceu que a empresa fora contratada para o evento “Educação em Primeiro Lugar”, no teatro Castro Alves e com oficinas no Hotel Pestana, e com a presença do neto de Gandhi. À fiscalização, João Carlos Lacerda informou que todo o evento foi tratado com o Secretário da Educação. A documentação apresentada indica que o evento foi realizado para promover o então Secretário, sem comprovar o vínculo com a ONG. Ademais, o escopo do evento não condiz com os propósitos dos convênios firmados entre a Secult e a ONG. A Verbo, além de beneficiária de recursos desviados, também consta como fornecedora de serviços da campanha de João Carlos Bacelar em 2014, os quais estariam pendentes de comprovação conforme relatório do TRE/BA (fls.59786154). 10.18 – Conveniências Universitárias Ltda ME, CNPJ 09.674.390/000150 A Conveniências Universitárias recebeu R$395.000,00 em 2011, desviados da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes e de Ítalo Menezes, além de cheques nominais à ONG sacados e depositados em seguida. Intimada a comprovar a origem dos recursos, o sócio administrador da empresa, Emerson Penalva Lopes dos Santos, informou não poder atender à fiscalização pois os sócios atuais não seriam os mesmos sócios da época dos fatos em tela. Assim, a empresa não comprovou a efetiva prestação de serviços que justificaria os valores recebidos. Destaquese que tanto Emerson Penalva, quanto Gabriela Freitas Lopes dos Santos, a outra sócia da empresa, trabalham no escritório do vereador de Salvador Alan Sanches, e eram vinculados à direção do PTN e ao Secretário da Secult. Gabriela também é sócia do escritório de contabilidade CSL – Contabilidade, Consultoria, Treinamento e Escritório Virtual Ltda, CNPJ 03.798.815/000156, responsável pela contabilidade da Ebmed e Ebsurb. 10.19 – Sociedade Beneficente de Economia e Crédito de Eunápolis e Região Ltda – SCE, CNPJ 11.049.952/000116 A Sociedade Beneficente de Economia e Crédito de Eunápolis e Região Ltda SCE recebeu R$691.281,00 entre 2011 e 2012, desviados da ONG por meio de cheques destinados à própria ONG e às empresas de Alã Guedes e de Ítalo Menezes, além de cheques destinados a Paulo César Carvalho dos Santos Torres. Fl. 7455DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.446 21 Outra beneficiária dos desvios de recursos, Creuzeni R. A. Santos, é mãe de Veronnica Almeida Santos, sócia da Eunápolis entre 17/07/2009 e 26/03/2013. Intimada a comprovar a origem dos recursos, a contribuinte não atendeu à fiscalização. 10.20 – MDTUR Transportes, Locações e Turismo Ltda – ME, CNPJ 11.639.548/000100 A MDTUR recebeu R$221.704,62 entre 2011 e 2012, por meio de cheques destinados à própria MDTUR e às empresas de Alã Guedes. Intimada por meio de edital a comprovar a origem dos recursos, a contribuinte não atendeu à fiscalização. 10.21 – MA Fomento Mercantil Ltda – ME, CNPJ 03.688.027/000107 A MA Fomento tem em seu quadro societário Marcelo Abreu de Castro, assessor parlamentar do Secretário da Secult João Carlos Bacelar, e Alessandra Bacheti de Castro, e recebeu R$591.007,50 em 2012, desviados da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes e de Ítalo Menezes. Intimada a prestar esclarecimentos, a empresa informou não ter relação com a ONG e que nunca recebeu recursos daquela instituição. Informou ainda que os créditos em sua conta não eram oriundos da ONG. Entretanto, não apresentou a origem dos valores depositados em sua conta corrente. 10.22 – Magazine dos Esportes Comercio Ltda – EPP, CNPJ 01.271.845/000184 A Magazine dos Esportes recebeu R$45.591,00 em 2012, desviados da ONG por meio de cheques destinados a Paulo César Carvalho dos Santos Torres. Intimada a prestar esclarecimentos, a empresa informou que efetuou operações comerciais com a ONG, entretanto, não comprovou tais operações. Informou ainda que a ONG era representada por Antônio Carlos de Moura Santos, tesoureiro do PTN e chefe de gabinete do então deputado João Carlos Bacelar, Secretário da Secult/Prefeitura Municipal de Salvador e presidente do PTN no ano de 2011. 10.23 – Enter Elite Informática, CNPJ 33.957.473/000130 A Enter Elite recebeu R$124.220,00 em 2012, desviados da ONG por meio de cheques destinados às empresas de Alã Guedes. Intimada a prestar esclarecimentos, a empresa reconheceu o recebimento de R$60.000,00 referentes a uma festa organizada para a Secult, sendo o pagamento recebido de “patrocinadores”, ou seja, com recursos públicos desviados por meio da ONG. 10.24 – Luciano Viana Valladares, CPF 130.816.32587 Luciano Valladares é exdirigente da Sucop – Superintendência de Conservação e Obras Públicas de Salvador e diretor presidente da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador, empresa pública vinculada à Prefeitura Municipal de Salvador. Recebeu R$27.000,00 de Paulo César Carvalho Torres e da Trapiche, empresa de Alã Guedes utilizada no esquema de desvio de recursos da ONG. No HD Fl. 7456DF CARF MF 22 externo de Michel Silva há indicação de pagamento de R$17.000,00 para Luciano Valladares. 11 – Do vínculo de João Carlos Bacelar Batista com os desvios de recursos públicos João Carlos Bacelar Batista, CPF 106.264.09500, foi secretário da Secult no período fiscalizado e signatário dos convênios e aditivos firmados entre a Secult, Uneb e a ONG, cujos recursos públicos a ela destinados foram desviados em grande percentual. É deputado federal do PTN pelo Estado da Bahia. Na qualidade de gestor público, João Carlos Bacelar Batista deve ser responsabilizado pelos expressivos valores desviados, pois era o responsável pela liberação dos recursos destinados à população de Salvador. Do total de R$68.317.034,40, repassados entre 2011 e 2012 pela Prefeitura de Salvador à ONG com base nos convênios firmados entre a ONG, Secult e Uneb (item 4 deste voto), foram desviados R$31.226.424,00, 45,71% do total, conforme demonstrado na presente ação fiscal. De acordo com os convênios, caberia à Secult examinar e deliberar quanto à aprovação de contas, parciais e totais, apresentadas pelos proponentes, e ainda, na qualidade de concedente, através do gestor do convênio, exercer a função gerencial fiscalizadora. Analisandose os extratos das Declarações de Informação de Movimentação Financeira – Dimof, fls. 447458, verificase que a ONG apresentou uma movimentação financeira reduzida até o recebimento dos valores dos convênios com a Secult e a Uneb. Com os aportes de recursos públicos municipais, os créditos em conta corrente em 2011 e 2012 eram equivalentes aos valores recebidos dos convênios, concluindose que a ONG funcionou em função dos citados convênios. O gestor da Secult, responsável pela fiscalização e liberação dos recursos públicos posteriormente desviados, apresenta vínculo direto com a atuação da ONG e com os desvios de recursos públicos por meio de auxiliares e correligionários beneficiários desses recursos. No documento de nomeação (Diário Oficial do Estado da Bahia Nº 19342, de 13/02/2007) e no quadro diretivo do PTN constam o nome de pessoas vinculadas aos desvios de recursos da ONG, a saber: Antônio Carlos de Moura Santos, Alex Castro de Lima, Antônio Carolino de Araújo Filho e Marcelo Abreu de Castro (fls.5978 6164). Por sua vez, os demonstrativos contábeis do PTN de 2012 e 2013 foram assinados pelas pessoas a seguir: Luiz Maurício Bacelar Batista: irmão de João Carlos Bacelar Batista, ex secretário da Secult; Antônio Carlos de Moura Santos: tesoureiro do PTN, seu vínculo com os desvios consta no item 10.22; Michel Soares Reis: sócio do escritório Soares Reis, que se beneficiou de vultosos recursos públicos desviados da ONG, conforme item 10.14; Jaqson Souza Pereira: beneficiário de R$20.000,00 de desvios de recursos; Fl. 7457DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.447 23 Alex de Castro Lima: irmão de Rodrigo de Castro Lima, que é vinculado à Prefeitura de Esplanada e responsável pelas informações prestadas na Dirf da Prefeitura; Alan de Castro Dayube: deputado estadual pelo PTN/BA; Emerson Penalva Lopes dos Santos: sócio da Conveniências Universitárias, foi sócio da Millenium Serviços, ambas destinatárias de recursos desviados da ONG, conforme item 10.18; Antônio Carolino Araújo Filho: vereador de Salvador/BA, conforme notícia veiculada no jornal “A Tarde” de 13/06/2008, se apresentava como braço direito do então deputado estadual João Carlos Bacelar Batista. As pessoas a seguir também possuíam vínculos com o esquema: Clóvis Penalva Mendes Filho: foi sócio da Conveniência Universitária à época em que foi beneficiada pelos desvios de recursos da ONG; Valtemi de Souza: sócio da Ebmed e da Ebsurb, beneficiárias de valores desviados por meio da ONG, conforme itens 10.4 e 10.5; Gabriela Freitas Lopes dos Santos: sócia de Emerson Lopes na Conveniência Universitária, e do escritório de contabilidade CSL, responsável pela escrita contábil/fiscal da Conveniência Universitária, da Ebsurb e da Ebmed, empresas que receberam recursos públicos da ONG; João Carlos Lacerda Faria: assessor parlamentar do exsecretário da Secult João Carlos Bacelar, assina como diretor da Verbo, beneficiária de recursos públicos desviados por meio da ONG; Marcelo Abreu de Castro: assessor parlamentar de João Carlos Bacelar, figura junto com sua esposa Alessandra Bacheti, secretária do deputado Bruno Reis, como sócios das empresas MA Fomento Mercantil Ltda e Bacheti Manutenção de Aparelhos Climatizados Ltda, ambas destinatárias de recursos públicos desviados da ONG conforme itens 10.21 e 10.6, respectivamente. Além das referidas pessoas, ficou constatado o vínculo do exsecretário da Secult com as seguintes pessoas e empresas beneficiárias de recursos públicos desviados por meio da ONG: Verbo Comunicação, Fapes e Enter Elite, conforme itens 10.17 e 10.8 informaram ter recebido os valores oriundos da ONG como contraprestação de serviços demandados diretamente pelo gabinete do secretário da Secult João Carlos Bacelar, serviços esses sem vínculo com os objetos dos convênios firmados com a ONG. Alessandra Bacheti e a Bacheti Refrigeração e MA Fomento Mercantil, beneficiárias de recursos públicos e vinculadas ao assessor parlamentar Marcelo Abreu; As empresas Ebmed, Ebsurb e Conveniências Universitárias, conforme itens 10.4, 10.5 e 10.18, têm, por meio de seus proprietários ou pelo escritório de contabilidade, vínculo com o vereador Alan Sanches; Fl. 7458DF CARF MF 24 O sócio da Soares Reis e Advogados Associados, item 10.14, beneficiária de recursos públicos desviados, Michel Soares Reis, integrou a direção do PTN e é irmão do deputado Bruno Reis. 12 – Do vínculo de Lourisvaldo Valentim da Silva com os desvios de recursos públicos Lourisvaldo Valentim da Silva, CPF 023.836.67587, foi signatário, como reitor da Uneb, dos convênios firmados com a Secult e a ONG, cujos recursos públicos a ela destinados foram desviados em grande percentual. Na qualidade de gestor público, Lourisvaldo Valentim deve ser responsabilizado pelos expressivos valores desviados, pois era o responsável pelo controle e acompanhamento dos recursos destinados à população de Salvador. Do total de R$68.317.034,40, repassados entre 2011 e 2012 pela Prefeitura de Salvador à ONG com base nos convênios firmados (item 4 deste voto), foram desviados R$31.226.424,00, 45,71% do total, conforme demonstrado na presente ação fiscal. De acordo com os convênios, caberia à Uneb promover, juntamente com a ONG, as ações relacionadas com o controle e acompanhamento desse projeto. Diante dos desvios perpetrados, fica evidente o descumprimento dessa obrigação. O exreitor vinculase aos desvios de recursos por meio da atuação de seus auxiliares, que participaram dos desvios de recursos. A Fasec – Fundação de Assistência SócioEducativa e Cultural, CNPJ 05.347.002/000175, também como entidade isenta, antecedeu a ONG como executora do convênio entre a Secult e a Uneb, contando com vários funcionários e dirigentes vinculados à Uneb. Os termos de declaração firmados pelos dirigentes da ONG imputam a responsabilidade pela destinação dos recursos aplicados pela ONG a pessoas ligadas ao exreitor Lourisvaldo. Os dirigentes da ONG Denis de Carvalho e Rubens Almeida afirmaram ainda que os cheques eram assinados e encaminhados em branco para a secretária do ex reitor, Maria Heloisa Matos Nascimento, CPF 141.372.59534, também beneficiária de recursos públicos desviados (fls.62376241). Outras pessoas ligadas ao exreitor Lourisvaldo, com vínculos com a Fasec, também receberam valores desviados da ONG: Maria Carolina Santos Soares, CPF 441.086.13520; Telma Figueiredo Maia, CPF 264.405.71591 e Carlos Nei Pires França, CPF 004.689.91549, presidente da Fasec. Também os operadores do esquema de desvio de recursos Hane Adrielle, Patrícia Matos e Paulo César foram vinculados à Fasec e possuem vínculos com a Uneb. Em depoimento, Denis de Carvalho afirmou que Hane e Patrícia trabalhavam no gabinete do exreitor Lourisvaldo. A Fapes, destinatária dos recursos públicos desviados por meio da ONG, teve Lourisvaldo Valentim em seu quadro societário entre 05/11/1997 e 09/10/2013. O exreitor Lourisvaldo figura como presidente, desde 03/07/2014, do Instituto de Pesquisa e Gestão de Projetos Tecnológicos Educacionais e Sócio Ambientais – Iperges, CNPJ 14.694.542/000155, antecedido por Maria Carolina Santos Soares, vinculada à Uneb. No quadro diretivo do Iperges constam ainda Hane Adrielle, operadora do esquema de desvio de recursos públicos, e Maria Heloisa Matos dos Santos, secretária do exreitor Lourisvaldo. Fl. 7459DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.448 25 13 – Do auto de infração de IRPJ e reflexos 13.1 – Da tributação com base no Lucro Arbitrado Face ao não atendimento, pela ONG, das intimações para apresentação de extratos bancários, foi encaminhada ao Bradesco Requisição de Movimentação Financeira – RMF. Atendida a solicitação pelo Banco, a ONG foi regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos creditados nas contas do Bradesco (planilha de fls.271342, sendo excluídos os valores correspondentes a cheques e TED devolvidos), todavia deixou de fazêlo. A ONG também foi intimada a apresentar os livros Diário e Razão, e o demonstrativo de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de 01/01/2011 a 31/12/2012, porém não apresentou os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, o que ensejou o arbitramento do lucro conforme o art.530 do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. 13.2 – Da presunção de omissão – depósitos bancários não comprovados Em razão do reiterado não atendimento à exigência para apresentar as contas bancárias e respectivos extratos, expediuse RMF ao Bradesco para apresentação da movimentação financeira da ONG. Recebidos os extratos, foi realizada a consolidação das contas excluindose os valores de devoluções de cheques e TED, sendo a contribuinte intimada a esclarecer a origem dos ingressos especificados na planilha de fls. 271342. Não tendo a contribuinte justificado, individualizadamente, a origem dos valores, foi imputada a infração com base em presunção de omissão de receita do art.42 da Lei nº 9.430/96. Os ingressos em contas bancárias cujas origens não foram comprovadas foram totalizados mensalmente e lançados como presunção de omissão de receita. Frisese que as DIPJ da ONG dos anoscalendário 2011 e 2012 foram apresentadas sem indicação de valor, zeradas, e também não foram apresentadas informações por meio de DCTF do período fiscalizado. 13.3 – Da multa qualificada Conforme descrito neste Termo, a ONG promoveu o desvio de vultosos recursos da Prefeitura Municipal de Salvador por meio de convênios formalmente celebrados para a educação da população carente do município. O art.44, §1º, da Lei nº 9.430/96 dita que a multa será qualificada nas hipóteses dos arts.71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, a seguir: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 7460DF CARF MF 26 tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A natureza fraudulenta dos desvios de recursos foi constatada nos itens 6 a 11 deste Termo, e também pelo volume de recursos desviados aliado à prática reiterada e continuada, confirmada pelo vasto conjunto probatório produzido nessa ação fiscal e reforçada pelas declarações de alguns dos diretores e operadores. A prática da sonegação é configurada pela tentativa fraudulenta de ocultação da atividade empresarial com o consequente não oferecimento à tributação dos valores devidos. A multa de ofício de 75% foi duplicada em função de o sujeito passivo ter praticado atos enquadrados no art.71 da Lei nº 4.502/1964. Os fatos relatados, em especial ter a empresa se constituído como entidade isenta e se utilizar de terceiros como operadores do esquema criminoso implementado justificam a incidência da multa qualificada. 13.4 – Tributação da CSLL, do PIS e da Cofins A CSLL, o PIS e a Cofins foram lançados como reflexos da tributação do IRPJ. 14 – Da sujeição passiva solidária Com base no art.135 c/c art.124 do CTN, foram imputada sujeições passivas solidárias às seguintes pessoas físicas e jurídicas: Diretores da ONG: Denis de Carvalho Silva Gama: presidente da ONG, assinou cheques e atribuiu o controle das operações à equipe vinculada à reitoria da Uneb, além de receber recursos em sua própria conta corrente. Também recebeu recursos desviados da ONG para sua empresa Agora, sendolhe imputada a condição de sujeito passivo solidário em relação às infrações apuradas. Michel Souza e Silva: extrapolou suas funções estatutárias coordenando, na condição de dirigente, o esquema montado para desvio de recursos públicos destinados à ONG, bem como beneficiouse dos valores desviados, sendolhe imputada a condição de sujeito passivo solidário em relação às infrações apuradas. Contador: Petter Souza e Silva: atuou em parceria com seu irmão Michel Silva, como um dos coordenadores do esquema de desvio de recursos, sendolhe imputada a responsabilidade tanto com base no art.135, por ser mandatário de fato, como com base no art.124, ambos do CTN. Petter Silva foi integrante direto e peçachave no esquema de desvio de recursos pois: a) assinou, como contador, os relatórios contábeis da ONG; b) chancelou as prestações de contas dos convênios celebrados entre a ONG, Secult e a Uneb; c) providenciou com parentes e clientes de seu escritório de contabilidade as empresas que simularam vendas de mercadorias para atender as necessidades dos convênios; Fl. 7461DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.449 27 d) forjou e simulou procedimentos licitatórios para que empresas previamente determinadas obtivessem êxito no certame; e) se locupletou com os desvios de verbas para seu patrimônio, conforme provas de vultosa movimentação financeira em seu nome e diversas aquisições de bens sem que tal acréscimo patrimonial fosse justificado; f) intimado a comprovar os ingressos financeiros em sua conta, preferiu se omitir e não responder à intimação. Por tudo aqui relatado, justificase a imputação de responsabilidade solidária ao contador Petter Souza e Silva. Gestores dos convênios responsabilizados: João Carlos Bacelar Batista: secretário da Secult à época da assinatura e vigência dos convênios entre a ONG, Secult e Uneb, no âmbito dos quais foram promovidos os desvios de verbas públicas conforme demonstrado neste Termo. Como gestor dos recursos públicos, tinha a obrigação de zelar e fiscalizar os recursos públicos, o que não fez, como constatados os desvios de recursos por meio da ONG que beneficiaram várias pessoas físicas e jurídicas, assessores diretos e companheiros de direção de seu partido político PTN, possibilitando a imputação da responsabilidade tanto com base no art.135, por ser mandatário de fato, como com base no art.124, ambos do CTN. Lourisvaldo Valentim da Silva: reitor da Uneb à época da assinatura e vigência dos convênios entre a ONG, Secult e Uneb, no âmbito dos quais foram promovidos os desvios de verbas públicas conforme demonstrado neste Termo. Como gestor dos recursos públicos, tinha a obrigação de zelar e fiscalizar os recursos públicos, o que não fez, como constatados os desvios de recursos por meio da ONG que beneficiaram várias pessoas físicas e jurídicas, incluindo assessores diretos na Uneb. O exreitor atuava na mesma condição quando gestor da Fasec, transferindose o modus operandi então praticado para ser aplicado na ONG. Diante disso, é imputada a responsabilidade tanto com base no art.135, por ser mandatário de fato, como com base no art.124, ambos do CTN. A gestão da ONG possibilitou o esquema de desvio de recursos públicos destinados àquela entidade. Os sujeitos passivos solidários, bem como a contribuinte fiscalizada, foram cientificados dos autos de infração e deste Termo de Verificação Fiscal, bem como dos demais elementos necessários à caracterização da autuação. 15 – Representação fiscal para fins penais Em função do apurado foi feita representação fiscal para fins penais das seguintes pessoas físicas: Denis de Carvalho Silva Gama Danilo Sepulveda da Silva Rubens Antonio Almeida Júnior Jailon de Carvalho Silva Gama Michel Souza e Silva Alã Meneses Guedes Fl. 7462DF CARF MF 28 Ítalo Góes Menezes Petter Souza e Silva Hane Adrielle Sanches Alves Patrícia Santos Ramos Paulo César Carvalho dos Santos Torres João Carlos Bacelar Batista Lourisvaldo Valentim da Silva Todas essas pessoas atuaram de forma combinada e coordenada para fraudar a legislação tributária por meio do desvio de recursos da ONG, beneficiando seus dirigentes, sócios, administradores de empresas usadas no esquema fraudulento e terceiros por meio da utilização criminosa de uma “associação sem fins de lucro”. Sonegaram os valores desviados, escondendo das Administrações Tributárias os recursos desviados, sem qualquer vínculo com a atividade prevista no Estatuto e nos convênios firmados, reduzindo o recolhimento de tributos e caracterizando intenção dolosa e coordenada dos representados, que concorreram para o cometimento de crime contra a ordem tributária previsto no art.I da Lei nº 8.137/90. Assim, as condutas apuradas no curso da ação fiscal configuram intenção dolosa dos reais beneficiários, e também daqueles que concorreram para o cometimento do citado crime, conforme art.11 da mesma Lei. 16 – Considerações finais Nesta ação fiscal somente foram apurados os valores depositados em contas vinculadas ao Bradesco, restando à margem dessa análise os recursos desviados, sacados em espécie e depositados em outras instituições financeiras pelos operadores dos desvios de recursos. Também não foi apurado o destino dos recursos depositados nas contas de pessoas físicas e jurídicas beneficiárias dos desvios, muitas sem capacidade econômica compatível com tais valores. Em razão das infrações descritas neste Termo, foram lançados de ofício o IRPJ, a CSLL, o PIS e a Cofins, com multa de ofício qualificada e juros moratórios. Em razão dos fatos contatados, a responsabilidade tributária foi imputada a Denis de Carvalho Silva Gama, Michel Souza e Silva, João Carlos Bacelar Batista, Petter Souza e Silva e Lourisvaldo Valentim da Silva. Os autos de infração constam às fls. 0287, e foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Fl. 7463DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.450 29 Das Impugnações Regularmente cientificados, a ONG e o responsável tributário Denis de Carvalho Silva Gama (fls.64376438) não apresentaram impugnação, enquanto que os demais responsáveis tributários Michel Souza e Silva, Petter Souza e Silva, João Carlos Bacelar Batista, e Lourisvaldo Valentim da Silva (ciência às fls.64396442) apresentaram as respectivas defesas e documentos às fls. 65366564, 65676595, 65986637 e 66407049, expondo, em síntese, as seguintes alegações: Fl. 7464DF CARF MF 30 Impugnação de Michel Souza e Silva 1 – Do Direito 1.1 – Questões preliminares relacionadas à suspensão da isenção da ONG – Possibilidade 1 Segundo a RFB a ONG teria sido intimada a se manifestar nos autos do processo 10580.722927/201569 (processo de suspensão da isenção) e seu silêncio gerou na RFB a presunção pelo descumprimento da legislação. Ocorre que a ONG não pôde atender a intimação da RFB pois todos os seus documentos, livros contábeis, computadores e comprovantes de pagamento foram apreendidos pela Polícia Civil, não tendo a ONG oportunidade de efetuar sua defesa. Sendo assim, a ONG não poderia ter a sua isenção suspensa, e por isso o impugnante contesta e impugna o procedimento adotado para suspender a isenção da ONG. 1.2 – Questões preliminares relacionadas à suspensão da isenção da ONG – Possibilidade 2 Não foi o Sr. Michel quem elaborou e preparou as declarações fornecidas à RFB. Se desde 2008 a ONG nunca fora isenta, é desnecessário o ato declaratório da RFB imputando aos responsáveis ato de enganar a RFB fornecendo informações falsas. Os tributos deveriam ser lançados contra a ONG independente do processo administrativo de suspensão de isenção, permitindose concluir que as fraudes datam de 2008, não sendo coordenadas nem organizadas pelo Sr. Michel Souza e Silva. A responsabilidade deve ser investigada dos dirigentes ou responsáveis por fornecer as informações para a RFB desde 2008, e não discricionariamente a partir da data em que os auditores julguem conveniente. Nesse contexto, a responsabilidade solidária deve ser deslocada para época anterior, descaracterizando a interpretação da RFB de que o Sr. Michel fora o coordenador e mentor do “esquema criminoso”. 1.3 – Questões preliminares relacionadas às provas obtidas na PolíciaCivil para subsidiar o lançamento tributário e a responsabilização de seus diretores. Impossibilidade de utilização de prova obtida pela Polícia Civil para subsidiar inquérito ainda não concluído na esfera fiscal. Ordem judicial que determinou a apreensão de computadores e documentos, sigilo fiscal e telefônico, movimentações financeiras feitas para instrução criminal. A RFB subsidiou seu relatório com provas obtidas pela Polícia Civil, porém não poderia utilizar documentos obtidos pela polícia e mediante ordem judicial para instrução de inquérito policial não concluído. Tais provas são ilegais e não servem para imputar responsabilidade ao Sr. Michel, sob pena de comprometer a inviolabilidade e o sigilo fiscal e bancário de dados e documentos da pessoa física. Assim, a fiscalização incorreu em ilegalidade ensejando a nulidade das provas obtidas e a impossibilidade de responsabilização do impugnante. Fl. 7465DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.451 31 2 – Questões relacionadas com a responsabilização do Sr. Michel. Interpretação antiisonômica caso a interpretação dos fatos pela RFB esteja correta. Possibilidade de interpretação diversa da realizada pela RFB. A RFB responsabilizou o Sr. Michel com base nos arts.124 e 135 do CTN, concluindo que ele seria um diretor agindo com excesso de poder que coordenava e controlava todo o esquema teria se beneficiado dele. Todavia, a responsabilidade por violação de lei não subsiste pois as violações a lei indicadas no relatório constituem crimes ainda investigados pela polícia, não podendo a RFB fazer esse juízo. O art.135 do CTN é claro ao dispor que respondem os prepostos, empregados e diretores, não podendo a RFB escolher quem vai responsabilizar valorando o grau de participação no “esquema criminoso”. Nesse passo, existem duas possibilidades: a ONG foi vítima de uma organização criminosa e não poderia perder sua isenção, devendo as pessoas serem punidas na esfera penal; o “esquema criminoso” só foi possível graças ao concurso de todos os diretores da ONG, presidente, vicepresidente, diretores administrativofinanceiro, de comunicação e eventos, de projetos, jurídico, sóciosadministradores das empresas de fachada e direção da Uneb. Os agentes que declararam que suas funções eram exercidas pelo Sr. Michel estariam atuando em desacordo com o estatuto da ONG, e por isso também deveriam ser responsáveis pelo crédito tributário. A RFB não pode graduar condutas para discricionariamente escolher qual diretor quer responsabilizar; devendo atuar de modo isonômico, responsabilizando todos que de alguma forma contribuíram para as violações do estatuto identificadas no TVF. Ao responsabilizar o Sr. Michel, a RFB escolheu quem responsabilizar e ignorou a confissão dos outros diretores que admitiram nada fazer na ONG. Tal discriminação é ilegal e não admitida pela Constituição e pelo CTN, que é claro ao responsabilizar todos que de alguma forma tenham contribuído para violar o estatuto da ONG. Entretanto, não foram responsabilizados Rubens, Danilo e demais diretores, as pessoas que atestavam as notas fiscais frias, as autoridades que celebraram os convênios e emitiram ordens de serviço que nunca foram prestados, as autoridades que aprovaram as prestações de contas relativas aos convênios. Admitindo correta a narrativa da RFB, é preciso que todos sejam responsabilizados pelo crédito lançado contra a ONG e não só o coordenador ou beneficiário do esquema. Nesse sentido o acórdão nº 2301004.372 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, que declarou a nulidade do lançamento por falta de intimação dos responsáveis solidários da obrigação tributária. Assim, a RFB deve refazer o lançamento para incluir todos os que praticaram atos em desconformidade com o estatuto. Fl. 7466DF CARF MF 32 2.1 – Possibilidade de interpretação diversa da adotada pela RFB: 1) Michel era um operador; 2) Michel nada sabia e os atos a ele atribuídos não comprovam os fatos articulados. Assumindo que os fatos são verdadeiros e foram praticados conforme relatado pela RFB, concluise que o Sr. Michel era um operador do esquema, cumprindo ordens das autoridades públicas e as transmitindo aos prepostos das empresas de fachada. Os créditos no total de R$4.854.917,92, atribuído ao Sr. Michel pela RFB nos anos de 2011 e 2012, entraram e saíram de sua conta, conforme o seu extrato bancário de 31/12/2011 e de 31/12/2012, e não foram para pagar despesas pessoais nem bens de vultuosos valores como alega a RFB, pois a DIRPF informa patrimônio compatível com a renda declarada. Sendo assim, inferese que o Sr. Michel era mero operador que usava sua conta para receber dinheiro desviado e o repassava aos verdadeiros beneficiários, sendo um empregado da ONG que apenas cumpria ordens superiores. A segunda possibilidade é de que o Sr. Michel nada sabia e, como os demais diretores, também fora enganado pelos sócios administradores das empresas de fachada, que em conluio com a Uneb (que atestava as notas fiscais), nunca vieram a prestar os serviços ou prestaram de forma superfaturada. Não se pode inferir a participação do Sr. Michel somente com base nos depoimentos dos sócios administradores das empresas e dos demais diretores, pois podem querer se exonerar da responsabilidade atribuindoa toda ao Sr. Michel. Os elementos a seguir colocam em dúvida as declarações obtidas pela RFB: o presidente da ONG Denis de Carvalho afirmou que o Sr. Michel atuava em seu nome e com procuração, porém não existe tal procuração; os sócios administradores das empresas declararam que o Sr. Michel os acompanhava aos bancos para efetuar as transferências, porém não existem as fitas das agências bancárias que provem este fato; os diretores informaram que forneciam cheques em branco assinados à Uneb, e que esse relacionamento era feito pelo Sr. Michel, porém não existem depoimentos dos representantes da Uneb que confirmem esses fatos. a RFB afirma que no verso do cheque consta que fora “pago por ordem de Michel”. O Sr. Michel afirmou que recebia ligações do gerente do banco para confirmar que o cheque fora emitido. Porém, não foi explicado porque o gerente do banco ligaria para o Sr. Michel e não outro diretor, tampouco o gerente do banco foi ouvido. Concluise que a ordem dada pelo Sr. Michel era uma resposta à dúvida do gerente sobre a efetiva emissão do cheque, checando com o diretor administrativo financeiro da ONG e autorizando o pagamento ao fornecedor, e não a terceiros como aponta a RFB. O Sr. Michel não tem relação com os pagamentos da planilha constante do anexo 90, tampouco conhecia o fato de que o Sr. Rubens providenciava talões da ONG junto ao Bradesco, assinandoos com o presidente da ONG para enviálos à secretária do reitor da Uneb Sr. Lourisvaldo Valentim. A RFB deveria ter checado esse procedimento junto à secretaria da Uneb, para utilizála como prova. Fl. 7467DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.452 33 2.2 – Possibilidade de a ONG ter sido lesada por alguns agentes sem o conhecimento de outros. Consequências. Tributação nas pessoas físicas e não nas pessoas jurídicas com responsabilidade da pessoa física. É possível que a ONG tenha sido lesada por indivíduos que atuaram para o desvio de recursos públicos. Nessa hipótese, não há que se falar em suspensão de isenção da ONG, mas sim em tributação das pessoas físicas beneficiadas com os recursos desviados da ONG. Não faz sentido a RFB tributar a pessoa física na totalidade do faturamento e responsabilizar seu diretor. Apenas haveria incidência do IRPF no montante comprovado de ingresso destes recursos não declarados e não tributados à RFB, excluindo a CSLL, o PIS e a Cofins. A RFB não pode mesclar regimes jurídicos distintos, considerando que a ONG era uma fachada mas considerando sua existência para incidir CSLL, PIS e Cofins. 3 Impugnação específica aos lançamentos efetuados contra a ONG e que implicaram na responsabilidade de Michel. Impossibilidade de responsabilização genérica. Necessidade de responsabilização individual e específica por ato cristalinamente identificado. Conforme art.135 do CTN, a RFB deveria individualizar cada ato praticado pelo Sr. Michel, indicando o momento e demonstrando que foi praticado com excesso de poder, para então atribuirlhe a responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado. Por exemplo, a respeito da declaração de que o diretor financeiro entregava cheques em branco à Uneb, devese identificar esses cheques, apurar os valores e o crédito, bem como responsabilizar quem entregou os cheques assinados e em branco à Uneb. Porém a RFB não demonstrou que o Sr. Michel sabia que essa conduta acontecia e que ele praticava ato com excesso de poder. A responsabilidade tributária deve ser individualizada por ato praticado, e não imputando ao diretor todo o crédito tributário apurado. Para que o impugnante fosse responsabilizado pelos créditos das contribuições, a RFB deveria demonstrar quais os atos praticados pelo impugnante levaram à incidência desses tributos, cujo fato gerador não é a obtenção de renda, e sim atos internos não praticados pelo Sr. Michel. Diante do exposto, o impugnante requer a produção de provas não produzidas, para descaracterizar sua responsabilidade tributária, requerendo a oitiva: 1. Da secretária do reitor da Uneb, Hane Adrielle Sanches Alves; 2. Do reitor da Uneb Lourisvaldo Valentim da Silva; 3. Do exsecretário João Carlos Bacelar Batista. Requer ainda nova oitiva de: 1. Alã Menezes Guedes 2. Denis de Carvalho Silva Gama Fl. 7468DF CARF MF 34 A oitiva dessas testemunhas é de vital importância para o pleno exercício do contraditório previsto no art.5º, LV, da CF/88. Se a RFB ouviu testemunhas para concluir que o Sr. Michel teria praticado atos com excesso de poder, devese também poder produzir provas que elidam a interpretação da RFB. A responsabilidade não goza de presunção de legitimidade e legalidade, ela surge da verificação de condutas que subsumemse ao disposto no art.135 do CTN. A imputação de responsabilidade foi feita pelo Fisco sem ouvir o Sr. Michel sobre os fatos e sem permitir que ele perguntasse às testemunhas inquiridas pela RFB. Também não foi oportunizado a ele participar da formação da convicção da RFB, sendo o contraditório exercido agora na impugnação. 4 – Das perícias Requer perícias em todos os cheques emitidos pela ONG para identificar em quais deles consta a informação “pagos por ordem de Michel” ou expressão equivalente, bem como identificar os credores desses cheques. 5 – Dos pedidos Demonstrada a insubsistência do lançamento, requer: a) a desconsideração da suspensão da isenção da ONG, pois seus documentos estão em poder da Polícia, impedindo a defesa da ONG e gerando nulidade da autuação; b) se houver tributação, que seja de forma direta e independente da suspensão, responsabilizandose quem praticou os atos que levaram a RFB a supor que a ONG fosse isenta; c) a desconsideração de todas as provas obtidas junto à Polícia Civil utilizadas para a formação de convicção dos auditores, por violar o devido processo legal eis que foram obtidas com finalidade específica de apurar a existência de crimes e não de crédito tributário; d) tratamento isonômico ao impugnante, responsabilizandose junto com os demais diretores ou compreendendo que ele era mero operador do esquema; e) seja considerada a tributação apenas da pessoa física, inexistindo hipótese de responsabilidade tributária pelo crédito tributário da ONG, já que era apenas empresa de fachada, excluindose a incidência de PIS, Cofins e CSLL; f) seja individualizada a responsabilidade de cada diretor, atribuindose ao impugnante apenas a responsabilidade por créditos oriundos de atos excessivos praticados. Requer a juntada dos extratos bancários que acompanham a impugnação. Impugnação de Petter Souza e Silva 1 – Do Direito 1.1 – Questões preliminares relacionadas à suspensão da isenção da ONG – Possibilidade 1 Fl. 7469DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.453 35 Segundo a RFB a ONG teria sido intimada a se manifestar nos autos do processo 10580.722927/201569 (processo de suspensão da isenção) e seu silêncio gerou na RFB a presunção pelo descumprimento da legislação. Ocorre que a ONG não pôde atender a intimação da RFB pois todos os seus documentos, livros contábeis, computadores e comprovantes de pagamento foram apreendidos pela Polícia Civil, não tendo a ONG oportunidade de efetuar sua defesa. Sendo assim, a ONG não poderia ter a sua isenção suspensa, e por isso o impugnante contesta e impugna o procedimento adotado para suspender a isenção da ONG. 1.2 – Questões preliminares relacionadas à suspensão da isenção da ONG – Possibilidade 2 Não foi o Sr. Petter quem elaborou e preparou as declarações fornecidas à RFB. Se desde 2008 a ONG nunca fora isenta, é desnecessário o ato declaratório da RFB imputando aos responsáveis ato de enganar a RFB fornecendo informações falsas. Os tributos deveriam ser lançados contra a ONG independente do processo administrativo de suspensão de isenção, permitindose concluir que as fraudes datam de 2008, não sendo coordenadas nem organizadas pelo Sr. Petter. A responsabilidade deve ser investigada dos dirigentes ou responsáveis por fornecer as informações para a RFB desde 2008, e não discricionariamente a partir da data em que os auditores julguem conveniente. Nesse contexto, a responsabilidade solidária deve ser deslocada para época anterior, descaracterizando a interpretação da RFB de que o Sr. Petter fora o coordenador e mentor do “esquema criminoso”. 1.3 – Questões preliminares relacionadas às provas obtidas na Polícia Civil para subsidiar o lançamento tributário e a responsabilização de seus diretores. Impossibilidade de utilização de prova obtida pela Polícia Civil para subsidiar inquérito ainda não concluído na esfera fiscal. Ordem judicial que determinou a apreensão de computadores e documentos, sigilo fiscal e telefônico, movimentações financeiras feitas para instrução criminal. A RFB subsidiou seu relatório com provas obtidas pela Polícia Civil, porém não poderia utilizar documentos obtidos pela polícia e mediante ordem judicial para instrução de inquérito policial não concluído. Tais provas são ilegais e não servem para imputar responsabilidade ao Sr. Petter, sob pena de comprometer a inviolabilidade e o sigilo fiscal e bancário de dados e documentos da pessoa física. Assim, a fiscalização incorreu em ilegalidade ensejando a nulidade das provas obtidas e a impossibilidade de responsabilização do impugnante. 2 – Questões relacionadas com a responsabilização do Sr. Petter. Interpretação antiisonômica caso a interpretação dos fatos pela RFB esteja correta. Possibilidade de interpretação diversa da realizada pela RFB. Fl. 7470DF CARF MF 36 A RFB responsabilizou o Sr. Petter com base nos arts.124 e 135 do CTN, concluindo que ele seria um diretor agindo com excesso de poder que coordenava e controlava todo o esquema teria se beneficiado dele. Todavia, a responsabilidade por violação de lei não subsiste pois as violações a lei indicadas no relatório constituem crimes ainda investigados pela polícia, não podendo a RFB fazer esse juízo. O art.135 do CTN é claro ao dispor que respondem os prepostos, empregados e diretores, não podendo a RFB escolher quem vai responsabilizar valorando o grau de participação no “esquema criminoso”. Nesse passo, existem duas possibilidades: a ONG foi vítima de uma organização criminosa e não poderia perder sua isenção, devendo as pessoas serem punidas na esfera penal; o “esquema criminoso” só foi possível graças ao concurso de todos os diretores da ONG, presidente, vicepresidente, diretores administrativofinanceiro, de comunicação e eventos, de projetos, jurídico, sóciosadministradores das empresas de fachada e direção da Uneb. Os agentes que declararam que suas funções eram exercidas pelo Sr. Petter estariam atuando em desacordo com o estatuto da ONG, e por isso também deveriam ser responsáveis pelo crédito tributário. A RFB não pode graduar condutas para discricionariamente escolher qual diretor quer responsabilizar; devendo atuar de modo isonômico, responsabilizando todos que de alguma foram contribuíram para as violações do estatuto identificadas no TVF. Ao responsabilizar o Sr. Petter, a RFB escolheu quem responsabilizar e ignorou a confissão dos outros diretores que admitiram nada fazer na ONG. Tal discriminação é ilegal e não admitida pela Constituição e pelo CTN, que é claro ao responsabilizar todos que de alguma forma tenham contribuído para violar o estatuto da ONG. Entretanto, não foram responsabilizados Alã ou Ítalo, as pessoas que atestavam as notas fiscais frias, as autoridades que celebraram os convênios e emitiram ordens de serviço que nunca foram prestados, as autoridades que aprovaram as prestações de contas relativas aos convênios. Admitindo correta a narrativa da RFB, é preciso que todos sejam responsabilizados pelo crédito lançado contra a ONG e não só o coordenador ou beneficiário do esquema. Nesse sentido o acórdão nº 2301004.372 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, que declarou a nulidade do lançamento por falta de intimação dos responsáveis solidários da obrigação tributária. Assim, a RFB deve refazer o lançamento para incluir todos os que praticaram atos em desconformidade com o estatuto. 2.1 – Possibilidade de interpretação diversa da adotada pela RFB: 1) Petter era um operador. Assumindo que os fatos são verdadeiros e foram praticados conforme relatado pela RFB, concluise que o Sr. Petter era um operador do esquema, cumprindo ordens das autoridades públicas e as transmitindo aos prepostos das empresas de fachada. Fl. 7471DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.454 37 A RFB atribui ao Sr. Petter os créditos oriundos dos desvios nos anos de 2011 e 2012, entraram e saíram de sua conta, conforme o seu extrato bancário de 31/12/2011 e de 31/12/2012, e não foram para pagar despesas pessoais nem bens de vultuosos valores como alega a RFB, pois a DIRPF informa patrimônio compatível com a renda declarada. Sendo assim, inferese que o Sr. Petter era mero operador que usava sua conta para receber dinheiro desviado e o repassava aos verdadeiros beneficiários, sendo um empregado da ONG que apenas cumpria ordens. A segunda possibilidade é de que o Sr. Petter não tinha vínculo de empregado ou de diretor da ONG e por isso não pode ser responsabilizado pelos tributos devidos pela ONG, podendo talvez vir a responder pelas receitas auferidas pelas empresas em que atuava como contador. Não se pode inferir que o Sr. Petter era empregado, diretor ou contador da ONG somente com base nos depoimentos dos sócios administradores das empresas e dos demais diretores, pois podem querer se exonerar da responsabilidade atribuindo a toda ao “contador”. Os elementos a seguir colocam em dúvida as declarações obtidas pela RFB: o presidente da ONG Denis de Carvalho afirmou que o Sr. Petter atuava em seu nome e com procuração, porém não existe tal procuração; os sócios administradores das empresas declararam que não prestaram os serviços relativos às notas fiscais frias, porém poderiam fazer essa declaração para eximiremse das obrigações; os diretores informaram que forneciam cheques em branco assinados à Uneb, e que esse relacionamento era feito pelos Srs. Petter e Michel, porém não existem depoimentos dos representantes da Uneb que confirmem esse fato. a respeito da imputação de responsabilidade a Petter pela emissão das Notas Fiscais frias e pela contabilidade de suas empresas, deve ser perguntado se os sócios administradores não assinavam os livros contábeis das empresas. O Sr. Petter não tem relação com os pagamentos da planilha constante do anexo 90, tampouco era ele quem fazia as transferências desses pagamentos para terceiros. A RFB pretende atribuir ao Sr. Petter a função de contador da ONG, porém ele era contador das empresas que prestavam serviço à ONG. 2.2 – Possibilidade de a ONG ter sido lesada por alguns agentes sem o conhecimento de outros. Consequências. Tributação nas pessoas físicas e não nas pessoas jurídicas com responsabilidade da pessoa física. É possível que a ONG tenha sido lesada por indivíduos que atuaram para o desvio de recursos públicos. Nessa hipótese, não há que se falar em suspensão de isenção da ONG, mas sim em tributação das pessoas físicas beneficiadas com os recursos desviados da ONG. Não faz sentido a RFB tributar a pessoa física na totalidade do faturamento e solidariamente responsabilizar o empregado de um fornecedor da ONG. Apenas haveria incidência do IRPF no montante comprovado de ingresso destes recursos não declarados e não tributados à RFB, excluindo a CSLL, o PIS e a Cofins. Fl. 7472DF CARF MF 38 A RFB não pode mesclar regimes jurídicos distintos, considerando que a ONG era uma fachada mas considerando sua existência para incidir CSLL, PIS e Cofins. 3 Impugnação específica aos lançamentos efetuados contra a ONG e que implicaram na responsabilidade de Petter. Impossibilidade de responsabilização genérica. Necessidade de responsabilização individual e específica por ato cristalinamente identificado. Conforme art.135 do CTN, a RFB deveria individualizar cada ato praticado pelo Sr. Petter, indicando o momento e demonstrando que foi praticado com excesso de poder, para então atribuirlhe a responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado. A responsabilidade tributária deve ser individualizada por ato praticado, e não imputando ao diretor todo o crédito tributário apurado. Para que o impugnante fosse responsabilizado pelos créditos das contribuições, a RFB deveria demonstrar quais os atos praticados pelo impugnante levaram à incidência desses tributos, cujo fato gerador não é a obtenção de renda, e sim atos internos não praticados pelo Sr. Petter. Diante do exposto, o impugnante requer a produção de provas não produzidas, para descaracterizar sua responsabilidade tributária, requerendo a oitiva: 1. Da secretária do reitor da Uneb, Hane Adrielle Sanches Alves; 2. Do reitor da Uneb Lourisvaldo Valentim da Silva; 3. Do exsecretário João Carlos Bacelar Batista. Requer ainda nova oitiva de: 3. Alã Menezes Guedes 4. Denis de Carvalho Silva Gama 5. Ítalo Góes Menezes A oitiva dessas testemunhas é de vital importância para o pleno exercício do contraditório previsto no art.5º, LV, da CF/88. Se a RFB ouviu testemunhas para concluir que o Sr. Petter seria funcionário da ONG e teria praticado atos com excesso de poder, devese também poder produzir provas que elidam a interpretação da RFB. A responsabilidade não goza de presunção de legitimidade e legalidade, ela surge da verificação de condutas que subsumemse ao disposto no art.135 do CTN. A imputação de responsabilidade foi feita pelo Fisco sem ouvir o Sr. Petter sobre os fatos e sem permitir que ele perguntasse às testemunhas inquiridas pela RFB. Também não foi oportunizado a ele participar da formação da convicção da RFB, sendo o contraditório exercido agora na impugnação. 4 – Questão da suspeição do Auditor Cláudio Lessa Paixão matrícula 27.892 Um dos auditores que lavraram o auto de infração é conselheiro do Esporte Clube Vitória, conforme estatuto do clube, e participou de disputa interna em 2013 contra o impugnante que os tornou desafetos. Fl. 7473DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.455 39 O TVF relatou depoimento de uma testemunha em que o Sr. Petter teria lhe prometido vantagens no esporte clube Vitória por ser conselheiro do clube. 5 Da perícia Requer perícias nas prestações de conta da ONG para apurar se o impugnante assinou ou elaborou alguma delas, bem como seja oficiado o Bradesco para que forneça extratos bancários do impugnante dos dias 31/12/2011 e 31/12/2012 eis que não estão acessíveis para fornecimento à RFB. 6 – Dos pedidos Demonstrada a insubsistência do lançamento, requer: a) a desconsideração da suspensão da isenção da ONG, pois seus documentos estão em poder da Polícia, impedindo a defesa da ONG e gerando nulidade da autuação; b) se houver tributação, que seja de forma direta e independente da suspensão, responsabilizandose quem praticou os atos que levaram a RFB a supor que a ONG fosse isenta; c) a desconsideração de todas as provas obtidas junto à Polícia Civil utilizadas para a formação de convicção dos auditores, por violar o devido processo legal eis que foram obtidas com finalidade específica de apurar a existência de crimes e não de crédito tributário; d) tratamento isonômico ao impugnante, responsabilizandose junto com todos os diretores ou compreendendo que ele era mero operador do esquema; e) seja considerada a tributação apenas da pessoa física, inexistindo hipótese de responsabilidade tributária pelo crédito tributário da ONG, já que era apenas empresa de fachada, excluindose a incidência de PIS, Cofins e CSLL; f) seja individualizada a responsabilidade de cada diretor, atribuindose ao impugnante apenas a responsabilidade por créditos oriundos de atos excessivos praticados; g) seja declarada nula a responsabilidade tributária contra o impugnante por suspeição/impedimento do auditor indicado. Requer a juntada do documento que acompanha a impugnação: Composição do Conselho do Esporte Clube Vitória. Impugnação de João Carlos Bacelar Batista 1 – Do auto de infração Registrese que não existe um único depoimento que coloque o impugnante como operador ou beneficiário do “esquema”. Contudo, pessoas próximas ao impugnante, como assessores e parentes, teriam se beneficiado dos recursos desviados, o que, conforme a fiscalização, seria suficiente para responsabilizar o impugnante pelos débitos tributários da ONG. Não se sabe ao certo qual o fundamento da responsabilização tributária do impugnante, pois a imputação é vaga e genérica: o impugnante seria um “mandatário de fato” e suposto beneficiário do esquema criminoso investigado, sem apresentar Fl. 7474DF CARF MF 40 qualquer prova que suporte essa alegação. O impugnante sequer foi investigado no inquérito policial que ensejou a presente autuação. Não há qualquer responsabilidade tributária a ser imputada ao impugnante pois: falta enquadramento nas hipóteses previstas na lei; como agente público, o impugnante não pode ser pessoalmente responsabilizado por atos de pessoa jurídica de direito público que representa, perante terceiros, apenas perante a Administração Pública, em apuração de improbidade administrativa; também não pode ser pessoalmente responsabilizado pelos atos de pessoa jurídica de direito privado, contratada pelo órgão que representa, em face de obrigações tributárias daquela. 2 – Da preliminar de nulidade: falta de enquadramento legal A responsabilização é nula pois a autuação faz menção ao art.135 c/c art.124 do CTN, porém sem apontar o inciso de ambos artigos, dificultando a defesa pois o impugnante não visualiza com precisão o fato que lhe é imputado. No TVF, o impugnante foi apontado como mandatário de fato, porém não foi apresentado um único ato que tenha praticado ou benefício financeiro que tenha auferido, tampouco foi apresentado algum cheque, depósito, ou menção direta ao impugnante. A polícia civil não investigou nem indiciou o impugnante, pois este não participou do desvio de recursos, porém a fiscalização resolveu responsabilizálo sem sequer intimálo a se manifestar nos presentes autos. Cita o art.59 do Decreto nº 50.235/72. 3 – Do mérito 3.1 – Da imputação de responsabilidade tributária ao impugnante por débitos tributários de terceiros O impugnante apresenta sua defesa em face de diversos fatos que imagina terem ensejado sua responsabilização. A autuação do impugnante desconsiderou tanto a ONG como o município de Salvador, cujo representante legal não é o impugnante. O autuado era apenas gestor de um dos órgãos da Administração do município. A responsabilidade foi imputada ao gestor público pelos débitos tributários de pessoa jurídica de direito privado que não é por ele gerida e da qual não é sócio. Tal hipótese de responsabilização não é prevista no ordenamento jurídico pátrio. A falta de fiscalização, pelo gestor público, da aplicação de recursos públicos, não enseja a responsabilidade tributária de débitos tributários de terceiros (ONG). A responsabilidade tributária do gestor somente é possível perante a pessoa jurídica por ele gerida, e o município de Salvador não é parte neste processo. O impugnante não consta do rol de dirigentes de empresas apontados como participantes do esquema, nem do rol de diretores da ONG, nem como operador ou beneficiário do desvio. Também não se verifica qualquer acréscimo ao patrimônio do impugnante que o relacione às receitas supostamente omitidas apontada no presente processo. Fl. 7475DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.456 41 Se ocorresse tal fato, porém, o autuado seria responsável apenas pelas receitas acrescidas ao seu próprio patrimônio, não podendo ser responsável pelo acréscimo patrimonial de terceiros, com o qual não possui nenhuma relação jurídica de representação ou administração. A condição de secretário municipal não é suficiente para responsabilizar o impugnante pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica de direito privado com a qual o município assinou o convênio. 3.2 – Da impossibilidade de enquadramento na responsabilidade tributária prevista no art.135 do CTN – inexistência de atos de gestão O impugnante pressupõe que foi colocado como “mandatário de fato” da ONG. Pois bem, após a liberação dos valores do convênio, a ONG teria desviado os recursos públicos por intermédio dos operadores. Destaquese dois fatos: a assinatura do convênio e liberação de recursos, que não é fato ilícito; o suposto desvio dos recursos para benefício pessoal dos diversos operadores (ato ilícito). Notese que a fiscalização reconheceu (fls.52 do TVF) que parte da verba teria sido desviada e parte aplicada em sua finalidade. Assim, não houve ilícito na liberação dos valores para o convênio entre a Secult e a ONG, pois o ato ilícito é posterior à liberação dos recursos e teria sido praticado pelos gestores da ONG, sem relação com o impugnante. No caso presente, só quem responde como responsável tributário pelas dívidas tributárias da ONG são os seus gestores que atuaram com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto, conforme jurisprudência de fls.66096611. De acordo com o STF, são os seguintes os requisitos para a responsabilização tributária do art.135 do CTN: apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica; tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. No caso concreto, o impugnante nunca esteve na direção, gerência ou representação da ONG e também não possuía poderes de gestão da ONG, nem estava vinculado a seu estatuto, de forma que tais ilícitos não podem ser imputados a ele. A responsabilidade do art.135 é uma sanção pelo descumprimento do dever de representação. Nesse sentido a jurisprudência do STJ e do Carf às fls. 66126613. Não sendo gestor de fato nem de direito, não há como enquadrar o impugnante como responsável tributário pelos débitos da ONG. 3.3 – Responsabilidade perante a Secult: inexistência de responsabilidade tributária Na condição de titular da Secult, o impugnante figurava como representante do município de Salvador, apenas quanto ao firmamento e fiscalização do convênio firmado com a ONG. Fl. 7476DF CARF MF 42 Tal situação não consta dos requisitos do art.135 do CTN, e a jurisprudência vem excluindo os gestores públicos da responsabilidade pessoal perante terceiros, por atos praticados nessa qualidade. Conforme a súmula 65, o Carf tem recusado a responsabilidade tributária por infração do gestor público perante a pessoa jurídica de direito público gerida. Sendo assim, o Carf também recusa as imputações de responsabilidade do gestor público por débitos tributários de pessoa jurídica não gerida por ele. A União não está cobrando o crédito de tributos federais para devolver ao município de Salvador. Caso o município busque reaver os valores desviados pela ONG e entenda que o impugnante é o responsável, deveria abrir um processo em face deste, para reparação dos danos causados, em razão do princípio da impessoalidade. Nesse sentido a jurisprudência de fls.66156616. A CF/88 impede a responsabilização pessoal dos agentes públicos por atos que, nessa qualidade, prejudiquem a terceiros, que só podem demandar contra a Administração Pública (jurisprudência às fls.66176618). Se o impugnante não pode ser responsabilizado pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica de direito público, impossível seria responder pelo débitos tributários da pessoa jurídica de direito privado que contrata com o Poder Público, como gestor público. Caso houvesse infração a ensejar a responsabilidade tributária decorrente do convênio, a autuação alcançaria apenas as pessoas envolvidas, nesse caso o município de Salvador. Não há hipótese legal para a responsabilização do gestor da pessoa jurídica de direito público por atos representativos desta, além de não configurada a responsabilidade de terceiro na forma do art.135 do CTN. 3.4 – Da ausência de responsabilidade solidária (art.124 do CTN) O interesse econômico no resultado do fato gerador (que não ocorreu no presente caso) não caracteriza a solidariedade com base no “interesse comum” previsto no art.124, I, do CTN. O impugnante não tem nenhum “interesse comum” na realização do fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins da ONG, pois não era gestor da referida pessoa jurídica. A fiscalização utilizouse da abertura do conceito de “interesse comum” para tentar legitimar uma responsabilização sem fundamento. Sobre o tema, a jurisprudência do Carf e do STJ, fls.66226625. Portanto, o enquadramento no art.124, I, do CTN é descabido. Quanto ao inciso II do mencionado art.124, a responsabilização também é infundada. De acordo com o STF (fls.66256626), conforme art. 128 do CTN, é necessária uma vinculação do terceiro ao fato gerador da respectiva obrigação, para que a lei atribua a terceiro a responsabilidade pelo crédito tributário de outro contribuinte. No presente caso, a “vinculação” do impugnante ao fato gerador não ocorre, pois eventual desvio de receitas, legalmente repassadas para a ONG pelo município de Salvador, não configura fato suficiente para responsabilizar o gestor público pelas obrigações tributárias de pessoa jurídica de direito privado contratante com o poder público. De acordo com o TVF, a única falha do impugnante decorreu de seu dever de fiscalização do convênio, o que somente pode ser apurado pela Administração Pública Municipal, e não pelo Fisco. Fl. 7477DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.457 43 Ademais, eventual falha na fiscalização do convênio não leva a concluir que o impugnante se beneficiou das receitas que configuram o fato gerador. A fiscalização tenta enquadrar o impugnante como beneficiário dos desvios por meio de relações de parentesco e política com alguns dos beneficiários apontados, porém não demonstrou que o impugnante recebeu receita decorrente dos supostos desvios (fls.52, item 12 do TVF). Os “desvios de recursos públicos” não são hipótese de responsabilidade tributária, ainda que configurado o benefício para o impugnante, o que não se verifica. É necessário que o terceiro participe diretamente do fato gerador, e não apenas se beneficie com a receita decorrente do fato gerador, conforme jurisprudência de fls.66296631. Assim, para configurar a responsabilidade solidária, é necessário que as partes envolvidas tenham praticado o fato gerador em conjunto, sendo irrelevante o interesse e o proveito econômico decorrente do fato gerador. Caso se comprovasse que o impugnante se beneficiou dos desvios, apenas lhe caberia responder por obrigações tributárias próprias, restritas ao montante auferido pela pessoa física, jamais pelos débitos da pessoa jurídica de direito privado, da qual nunca foi gestor nem representante. Como o impugnante não se enquadra em nenhuma das hipótese de responsabilidade tributária, nem praticou o fato gerador em conjunto com a contribuinte, não há que se falar em aplicação do art. 124 do CTN, devendo ser excluído do pólo passivo da relação tributária. 4 Síntese Pelo caráter genérico da imputação, o impugnante contesta sua responsabilização pelos tributos devidos pela ONG, em razão de: a) a omissão na fiscalização da aplicação dos recursos públicos do convênio com a ONG não é causa de responsabilidade tributária. Somente o município, como pessoa jurídica gerida, pode questionar o impugnante pela sua gestão; b) o impugnante não é mandatário de fato da ONG, não possuía poder de gestão nem a representou, não podendo ser enquadrado pelos débitos tributários daquela; c) o impugnante não foi beneficiário direto nem indireto dos supostos desvios perpetrados perante a ONG. Ainda que o fosse, tal hipótese não configura a responsabilidade tributária do impugnante pelos débitos tributários da ONG. 5 – Conclusão Pelo exposto, pede a exclusão do impugnante no pólo passivo da obrigação tributária. Impugnação de Lourisvaldo Valentim da Silva 1 – Preliminar de nulidade do PAF, da necessidade de observância aos princípios do contraditório e a ampla defesa durante o termo de averiguação fiscal Conforme os incisos LIV e LV do art.5º da CF/88, é garantia constitucional do contribuinte saber que está sendo acusado em um processo e por qual razão; ter Fl. 7478DF CARF MF 44 vista dos autos do processo administrativo fiscal (PAF); apresentar defesa; indicar a produção de provas que entenda necessárias; constituir advogado; conhecer os atos instrutórios, acompanhálos e recorrer. No mesmo sentido os arts.2º e 3º, III, da Lei nº 9.784/99 e art. 11 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, que dispõem sobre o PAF. O contribuinte detém também a garantia do contraditório, tendo as partes a oportunidade de apresentar, em cada ato processual, as razões e provas para se contrapor aos elementos produzidos pela Administração. No caso presente, o impugnante nunca tomou conhecimento algum de procedimento ou processo fiscal contra ele, em desacordo ao Decreto nº70.235/72, o qual prevê a notificação do contribuinte, a possibilidade de impugnação, direito à instrução probatória e interposição de recurso, consoante as regras dos arts. 14, 16, IV, e 33 do referido Decreto. O processo administrativo fiscal somente teria sido instaurado com a intimação do ora impugnante noticiando o auto de infração, para que viesse a exercer, a partir daí, o contraditório e defesa. Todavia, o TVF foi lavrado sem que o impugnante pudesse, naquele momento, apresentar provas e argumentos que pudessem se contrapor aos fatos colhidos na ação fiscal. Houve ainda um termo de arrolamento que atingiu o direito de propriedade do patrimônio do impugnante, violando o art.5º, LIV e LV, da CF/88. Impugnase, aqui, a forma pela qual foi lavrado o termo de arrolamento contra o defendente, pois na intimação sequer consta o número do presente PAF, nem as razões que motivaram a constrição de seus bens e direitos, cerceando o direito de defesa do contribuinte. Até então o impugnante sequer tinha conhecimento das razões do ato administrativo em tela, o que ocorreu somente após o acesso à mídia digitalizada contendo o auto de infração e a inclusão do defendente como sujeito passivo da obrigação tributária inadimplida. Sem ter sido ouvido, o impugnante teve seus bens ilegalmente arrolados, violando o processo legal e as cláusulas constitucionais. A inclusão do impugnante no pólo passivo do PAF repercute danos morais de difícil ou impossível reparação que poderão até ensejar demanda judicial por parte do defendente. Todavia, a Administração Pública pode mitigar esse dano, reconhecendo a nulidade do PAF ou a ilegitimidade do impugnante para figurar no pólo passivo das obrigações cobradas. Se demonstrada a exigência de prévio processo administrativo, o Fisco deveria ter incluído o impugnante como coresponsável pelo crédito tributário cobrado, para comprovar a imputação da responsabilidade solidária por ilegalidade ou violação dos deveres relacionados à responsabilidade fiscal acessória em tela. Caso fosse a Uneb o sujeito passivo da obrigação tributária, o impugnante haveria de ser apontado como tendo agido com excesso de mandato ou omissão no dever de fazer recolher os tributos na fonte. Pelo exposto, requer seja declarado nulo o processo em relação ao ora impugnante, excluindo o impugnante do pólo passivo da obrigação tributária em tela. 2 – Preliminar de ilegitimidade passiva A teor dos arts.5º, LIV, e 37, §6º, da CF/88 e dos arts.121 e 122 do CTN, é ilegal a indicação do impugnante para residir no pólo passivo deste PAF, pois ausente qualquer ato, contrato, negócio jurídico ou fato, passível de tributação ou obrigação acessória, cujo inadimplemento o defendente tenha dado causa, ou Fl. 7479DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.458 45 contribuído para tal. Também pelo inciso XLV do referido art.5º da CF/88 ninguém pode ser processado em lugar de terceiros. O impugnante não é sujeito passivo dos tributos em tela, nem integrou a pessoa jurídica sobre a qual incidiram as obrigações objeto deste PAF e dos autos de infração. A imputação foi tão genérica e imprecisa que representa cerceamento de defesa do impugnante. Foi imputada responsabilidade solidária ao impugnante por suposto excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, diante da execução de três convênios, dos quais nunca participou como pessoa física. Assim, é ilegal a inclusão do impugnante neste PAF visto que nunca figurou, como sócio, empregado, integrante ou representante da ONG a qual foi imputada como responsável principal pelo recolhimento dos tributos. A Administração Pública também se submete à tramitação dos processos administrativos, aí incluso o PAF, por força do art.15 do Novo Código de Processo Civil. Sendo assim, pelo art.506 c/c art.70 do mesmo Código, somente responde como parte pelo dano que a terceiro causar o agente responsável pelo fato. Nessa linha, o art.927 do mesmo Código informa a responsabilidade subjetiva do agente para reparar o dano causado a terceiro. No caso da Uneb, autarquia estadual, a própria instituição responde pelos fatos causadores de danos a terceiros praticados por seus agentes, servidores, empregados ou prepostos, regra que se impõe neste caso, pois de apreciação obrigatória pelo Estado conforme o art.37, §6º, da CF/88 (responsabilidade civil objetiva da Fazenda Pública). Assim, é ilegal a presença do exgestor da Uneb no PAF que visa, em tese, apurar dano ao Fisco oriundo da atuação institucional do órgão autárquico. Nesse sentido a jurisprudência e a doutrina de fls.66466657. É absurdo atribuir ao gestor, que nunca foi ordenador de despesas, a responsabilidade civil, penal, administrativa ou tributária por atos, fatos ou negócios jurídicos em que o Poder Público figurou como parte. Somente quem atua como ordenador de despesas responde por irregularidades na gestão de recursos públicos, conforme art.70, parágrafo único, da CF/88, e art.1º, I, c/c arts.5º, VII, e 7º da Lei nº 8.443/92. Nessa linha a jurisprudência de fls.66586662. Não há nos autos nenhum ato de despesa de que tenha participado o impugnante, nem atuação com desvio de finalidade, excesso de poderes, infração de lei ou dos estatutos da instituição que dirigia ao tempo dos fatos. A Uneb participou dos convênios como mera interveniente, nunca como provedora de recursos para o implemento dos ajustes, fiscalizadora de pagamentos comprometida com atos de lançamento de tributos, tampouco a Uneb foi contratualmente onerada, administrativa ou civilmente, pela gestão de recursos públicos. A fiscalização não considerou que o impugnante nunca integrou a ONG, e assim não poderia figurar como sujeito passivo, conforme os arts. 124, 134 e 135 do CTN. A Administração Tributária não pode ampliar as hipóteses de responsabilidade solidária tributária definidas em lei, razão pela qual é nula a Fl. 7480DF CARF MF 46 decisão que concluiu pela responsabilidade tributária do impugnante e incluílo como suposto devedor do tributo. Nessa direção a jurisprudência de fls.66636664. O fato de o impugnante ter assinado convênios como representante da Uneb não se presta como motivo para o lançamento fiscal contra si, principalmente a pretexto de responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto. Notese que, na cláusula 11ª do Convênio nº 51/2011, é atribuído à Administração Municipal de Salvador o compromisso fiscalizatório do ajuste, razão pela qual somente poderia ser atribuída ao aludido ente federativo a omissão pelo recolhimento na fonte do tributos devidos, com a ressalva de que a Administração Pública nunca poderá ser onerada pela inadimplência de empresa contratada, diante de eventuais irregularidades de ordem fiscal que essa tenha dado causa na execução do contrato, a teor do art. 71, §1º, c/c art. 116, ambos da Lei nº 8.666/93. Por sua vez, o art.15 da Lei nº 8.212/91 equipara os órgãos e entes da Administração Pública às empresas para efeito de responsabilização tributária. Nesse sentido a jurisprudência de fls.66656666. Portanto, não é possível extrair da relação jurídica entre o município de Salvador, a ONG e a Uneb, qualquer responsabilidade que possa recair sobre a autarquia administrada pelo impugnante Nesse sentido a doutrina de fls. 66676669. Se não há responsabilidade solidária do ente público – Uneb – também não há responsabilidade solidária do titular da Administração da pessoa jurídica de Direito Público. Assim, requer que se exclua o impugnante do presente PAF, dada sua ilegitimidade passiva. 3 Mérito A ilegalidade da inclusão do impugnante como sujeito passivo do PAF também se configura pelo próprio TVF e auto de infração, que não colocam o defendente como coobrigado ou responsável pelo débito em tela. 4 – Da impossibilidade de se atribuir débito fiscal à autarquia O auto de infração admite como sujeito passivo da obrigação tributária a ONG, o que afasta a responsabilidade da Uneb. E mesmo que não fosse assim, não poderia cair sobre autarquia estadual qualquer exação que acarretasse a instituição de PAF contra ela, em razão da imunidade recíproca dos entes públicos (art.150, VI, “a”, da CF/88). A RFB olvidou tal regra, pois a Uneb nunca poderia figurar como devedora dos tributos objeto do auto de infração, face à imunidade tributária que desfrutam as autarquias. Nessa linha a jurisprudência de fls. 66706671. Sendo assim, é nula a autuação. 5 – Da inocorrência de débito fiscal da Uneb e do impugnante O impugnante nunca exerceu qualquer cargo nem deteve vínculo algum com a ONG. Embora o município de Salvador fosse a fonte pagadora da qual saíram os recursos que o Fisco entendeu desviados, não foi incluído no pólo passivo do PAF, malgrado sua obrigação de pagar a ONG e fiscalizar a execução dos ajustes. Fl. 7481DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.459 47 Por outro lado, o impugnante nunca foi destinatário de qualquer notificação fiscal, e não figura como devedor principal de exação alguma da Fazenda Pública Federal, concluindose que não poderia ser ele compreendido como responsável solidário por obrigação acessória daí advinda. Portanto, não há que se cogitar sobre a possibilidade de responsabilidade solidária advinda da condição de mero agente responsável por uma instituição, como foi o caso da Uneb, mera interveniente nos convênios, e sem atuação na gestão de recursos públicos, como também sem compromisso de fiscalização dos respectivos processos dali oriundos. Afastamse, dessa forma, os arts.124, I e II, 134, VII, e 135, I e II, do CTN, e art.13 da Lei nº 8.620/93. Conforme os arts.133 e seguintes, c/c art. 795, todos do Código de Processo Civil, somente após impossibilitada a cobrança da pessoa jurídica, e comprovado o dolo de seu gestor, é que se pode exigir deste a exação. Nesse sentido a doutrina de fls.6673. Somente após comprovados o excesso pela administração da pessoa jurídica ou a infração de lei ou contrato social é que se opera a responsabilidade pessoal do sócio ou gestor. Nesse sentido a jurisprudência de fls.6673. É necessário demonstrar que houve administração temerária e fraudulenta, por parte do responsável pela pessoa jurídica, que resultasse na ausência de recolhimento dos tributos devidos. Os atos do gestor devem ser dolosos, e somente nesse caso é que o patrimônio dele responderia pela dívida. Entretanto, no caso presente, constam, no item 13 do TVF, apenas ilações sobre condutas de servidores e agentes da Uneb, os quais teriam vínculos com o gabinete do impugnante, e que teriam dado causa aos desvios de recursos públicos. Não há uma imputação precisa sobre o possível desvio ou gestão de recursos que o impugnante tivesse dado causa para a ele se atribuir algum ato de responsabilidade. Transcreve trecho de fls. 232233 do TVF para concluir que não há imputação de ato praticado pelo impugnante que induza ilegalidade, excesso de poderes ou irregularidade enquanto gestor da Uneb, mesmo porque nunca praticou atos relacionados a pagamentos, indicações de professores, sugestões de despesas ou relacionados à execução dos convênios em tela. O ato não motivado está maculado de vício, e deve ser invalidado. Nessa linha a doutrina e a jurisprudência (fls.6676 6677). A omissão no dever de recolher tributos não leva a concluir pela infração à lei, tampouco ao contrato social da pessoa jurídica. Afastase, assim, o inciso II do art.133 do CTN. Não há, nos autos, qualquer anotação a respeito de eventual responsabilidade do impugnante com relação aos fatos ali descritos. Nesse contexto, a responsabilidade fiscal deveria recair sobre os sócios da ONG ou, em última instância, sobre o Prefeito de Salvador, ordenador de despesas diante da execução dos convênios, a quem competia a fiscalização dos pagamentos havidos sem embargo da incidência do art.63, caput, e parágrafos e incisos, da Lei nº 4.320/64, c/c art.70, parágrafo único, da CF/88. Fl. 7482DF CARF MF 48 Na cláusula 5ª do Convênio nº 51/2011, sobre as obrigações da Uneb, nada existe que acarrete responsabilidade tributária da instituição, nem de caráter acessório. Nunca houve transferência de receitas ou pagamentos dela para a ONG, responsável tributária principal. Por isso é nulo o PAF, em razão de vício de motivação. Repitase que é inconstitucional a IN RFB nº1.565/2015, pois em desacordo com os arts. 5º, XXII e LIV, e 146, III, “b”, da CF/88. As consequências do art.64 da Lei nº 9.5332/97 causam prejuízo ao impugnante, ao restringir o exercício do direito patrimonial do contribuinte. 6 – Da ausência de responsabilidade civil em decorrência de cláusula de eleição Caso existisse responsabilidade civil a ser apurada, deveria ser apurada conforme as cláusulas dos referidos convênios, conforme art.186, 389 e 927 do Código Civil, e somente poderia recair sobre a ONG. Os compromissos estabelecidos nos convênios informam a responsabilidade civil das partes ali envolvidas, o que em tese poderia repercutir na responsabilidade solidária de seus gestores, no caso de excessos. Porém, a Uneb nunca foi responsável por pagamentos, fiscalizar a execução dos convênios ou recolher tributos sobre os serviços executados. Por isso é aqui arguída, em juízo eventual, a aplicação das normas do referido Código, a fim de sedimentar as alegações do impugnante em lei que informa a ausência de responsabilidade tributária da Uneb ante a execução dos convênios. E sem responsabilidade tributária nada há que suscitar sobre responsabilidade desse tipo dos administradores da autarquia, inocorrendo responsabilidade solidária. Em suma, não ocorrendo responsabilidade contratual nem responsabilidade que decorra de lei, ausente de motivação de fato e legal se afigura o auto de infração. 7 – Da responsabilidade do Ministério da Educação, CGU, FNDE e Fundeb pela ausência de fiscalização da execução dos convênios e continuidade nos repasses de recursos para o município de Salvador. Durante a execução do convênio, o Fundeb continuou transferindo recursos para o Município de Salvador, responsável pelos pagamentos à ONG. Os pagamentos das prestações se operaram, possivelmente, diante da apresentação de certidões negativas pela ONG ao ente municipal. Assim, não poderia o Fisco atribuir responsabilidade solidária ao impugnante, pois essa responsabilidade civil deveria ser partilhada entre o gestor do Fundeb e a Prefeitura de Salvador, diante de eventual vício na expedição de certidões pela RFB em prol da ONG. Também seria temerário admitir como legítimo o procedimento do Fisco de emitir as certidões que informariam a regularidade fiscal da credora, consoante as normas dos arts.55, XIII, 70 e 71, § 1º, c/c art.116, caput e parágrafos, ambos da Lei nº 8.666/93, e art.63, caput e parágrafos, da Lei nº 4.320/64. Nenhuma dessas cláusulas obrigavam a Uneb, porque o órgão e seus agentes não eram ordenadores de despesas. No caso, não é dado à parte alegar nulidade para a qual contribuiu (art.243 do Código de Processo Civil), do contrário haveria que se retornar a questão para a responsabilidade civil objetiva da RFB ou da CGU (art.37, §6º, da CF/88), haja vista o inadimplemento da obrigação fiscalizatória de tais órgãos. Concluise, então, pela ausência de responsabilidade civil e tributária do impugnante. Fl. 7483DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.460 49 8 – Da impropriedade de se admitir como fato gerador de tributos a delação isolada do contribuinte devedor No item 13 do TVF consta como motivo da autuação do impugnante declarações de Rubens Almeida, Danilo e Dênis, pessoas ligadas à ONG e que imputaram a responsabilidade pela destinação dos recursos a pessoas ligadas ao gabinete do reitor da Uneb. As declarações não indicam prática levada a efeito pessoalmente pelo impugnante, mas sim a pessoas supostamente ligadas a seu gabinete. Ainda assim, não poderia o Fisco atribuir a tais delações o fato gerador da obrigação tributária. É estranha a adoção de fato gerador fundado em denúncias sobre práticas ilegais de terceiros que autorizaria a convocação do impugnante para justificar obrigação acessória desse fato gerador. Nos depoimentos ao Ministério Público, Ana Paula Silva Conceição, Luiz Carlos dos Santos e João Carlos Bacelar Batista informaram a inocorrência de qualquer participação do impugnante que acarretasse ilegalidade na execução dos convênios. Anexa depoimento às fls.XXX Caso lhe garantissem o contraditório, o impugnante teria levado ao conhecimento do Fisco a auditoria que determinou junto à Uneb para apurar os fatos relativos à execução dos convênios, a qual concluiu que nunca houve irregularidade na execução de tais ajustes (expõe trechos da auditoria às fls.6685). Por fim, requer a produção de prova pericial e contábil, indicando como assistente técnico pericial o Dr. Carlos Henrique de Macedo, RG 493256DF, CPF 224.855.03168, CRC DF008140/07, endereço à Rua Guillard Muniz, 211, apto 701, Pituba, Salvador/BA, CEP 41810110, protestando pela formulação de quesitos suplementares, a par do art.18 do Decreto nº 70.235/72 e arts. 420, 425 e seguintes do CPC em vigor e art.469 do novo CPC. Os quesitos a serem submetidos ao perito designado por esse órgão, conforme o art.18 do Decreto nº70.235/72 são: 1 – Esclarecer o perito se junto ao PAF existe algum processo de liquidação de despesa em que o ora impugnante figure como ordenador de despesa? 2 – Esclarecer o perito se existe algum ato formal do impugnante junto ao PAF que importe em determinação, ordem de pagamento, ou ordem de serviço expedidos por ele em face da ONG? 3 Informar o perito qual dos entes participantes dos convênios nº 01/12, 02/12 e 51/11 funcionaram como fonte de receita para pagamentos empreendidos em favor da ONG? 4 – Esclarecer o perito se ocorre algum documento no PAF, subscrito pelo impugnante, que induza fato gerador de algum tributo, particularmente devido à RFB? 5 – Esclarecer o perito se, dos processos de liquidação de despesas presentes no PAF, existem algum ato que traduza responsabilidade solidária da Uneb ou do impugnante, relacionada ao pagamento de tributos federais, estaduais ou municipais? Fl. 7484DF CARF MF 50 6 – Dizer o perito, face aos documentos presentes no PAF, qual a atuação da Uneb na execução dos convênios de que trata o quesito 3? 7 – Informar o perito sobre quem deveria, em tese, figurar como sujeito passivo, tanto da obrigação principal, como da acessória, dos tributos cobrados pelo Fisco Federal, mediante o PAF, face à execução dos Convênios nº 01/12, 02/12 e 51/11? 8 – Esclarecer o perito quais os agentes públicos que funcionaram junto à execução dos convênios como ordenadores de despesas? 9 – Dizer o perito a qual órgão incumbia a fiscalização da execução dos convênios antes indicados, no que se reporta ao pagamento das contrapartidas dirigidas à ONG? 10 – Informar o perito se, em processos de liquidação presentes no PAF, se encontravam certidões negativas, ou positivas com efeitos de negativas, emitidas pelo Fisco Federal em favor da ONG? 11 – Esclarecer o perito se, no PAF, há algum documento que informe a transferência de recursos do Fundeb ou da União, utilizados para pagamentos na execução dos convênios, para contas bancárias ou destinados ao ora impugnante? Requer a juntada de documentos em contraprova e a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, a produção de prova oral, mediante a oitiva das testemunhas arroladas às fls. 6688 e que as intimações sejam dirigidas aos patronos da causa, sob pena de nulidade. Pede a nulidade do PAF, ou a exclusão do impugnante de seu pólo passivo, ou seja julgado improcedente o auto de infração, desconstituindose o lançamento e o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, excluindo o nome do defendente do cadastro de inadimplentes da RFB. Junta os seguintes documentos: Procuração; Auditoria externa; Termo de declarações de Luiz Carlos dos Santos junto ao MP/BA; Cópias dos convênios nº 01/2012, 02/2012 e 51/2011; Lei Delegada nº 66/83. Em sessão datada de 28 de abril de 2017, a 10ª Turma da DRJ de São Paulo, em decisão unânime, julgou improcedentes as impugnações, mantendo os créditos tributários exigidos, bem como manter a atribuição de responsabilidade solidária. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as Fl. 7485DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.461 51 contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoa das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. INTIMAÇÕES. ENDEREÇO POSTAL DO CONTRIBUINTE. As intimações devem ser enviadas ao endereço postal fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os mandatários de fato da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a autuada, pelos Fl. 7486DF CARF MF 52 créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A prova emprestada deve ser admitida quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. Insatisfeitos com a decisão acima, ao senhores Michel Souza e Silva, Petter Souza e Silva, João Carlos Bacelar e Lourisval Valentim Silva apresentaram recursos voluntários contra o acórdão da 10 ª Turma da DRJ de São Paulo, que serão tratados juntamente com o voto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Análise de admissibilidade dos Recursos Voluntários: O Recurso Voluntário do Sr. Michel Souza e Silva foi apresentado em 14 de junho de 2017, como se vê do carimbo da repartição na primeira folha do recurso (fl. 7209) tendo ele sido intimado em 16 de maio de 2017, conforme Aviso de Recebimento (AR) de folha 7200. O prazo de 30 dias para a apresentação do recurso expirava no dia 15 de junho do mesmo ano, pelo que é tempestivo. O recurso é assinado pelo próprio Recorrente. Assim, conheço do recurso do Sr. Michel Souza e Silva. O Recurso Voluntário do Sr. Petter Souza e Silva foi apresentado em 14 de maio de 2017, como se vê do carimbo da repartição na primeira folha do recurso (fl. 7245), tendo ele sido intimado em 16 de maio de 2017, conforme AR de folha 7198. O prazo de 30 dias para a apresentação do recurso expirava em 15 de junho do mesmo ano, pelo que é tempestivo. O recurso é assinado pelo próprio Recorrente. Assim, conheço do recurso do Sr. Petter Souza e Silva. O Recurso Voluntário do Sr. João Carlos Bacelar foi apresentado em 16 de junho de 2017, como se vê do carimbo da repartição na primeira folha do recurso (fl. 7285), tendo ele sido intimado em 16 de maio de 2017, conforme AR de folha 7201. O prazo de 30 dias para a apresentação do recurso expiraria em 15 de junho de 2017, não fosse feriado de Fl. 7487DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.462 53 Corpus Christi, o que transfere o termo final para 16 de junho, pelo que é tempestivo. A representação é regular. Assim, conheço do recurso do Sr. João Carlos Bacelar. O Recuso Voluntário do Sr. Lourisvaldo Valentim Silva foi apresentado em 22 de junho de 2017, como se vê do carimbo da repartição na primeira folha do recurso (fl. 7328), tendo ele sido intimado em 16 de maio de 2017 conforme AR de folha 7199. O prazo de 30 dias para a apresentação do recurso expirava em 16 de junho de 2017, pelo que é intempestivo. A representação é regular. Assim, não conheço do recurso do Sr. Lourisvaldo Valentim Silva, por intempestivo. Considerações iniciais No intuito de deixar aclarada a situação sub judice, ainda que peque por excesso, gostaria de estabelecer os limites desta lide. Estamos tratando de lançamento contra a pessoa jurídica ONG PIERRE BOURDIEU, portanto uma associação civil sem fins lucrativos, relativo aos anoscalendário de 2011 e 2012, lançamento este perpetrado após a suspensão da isenção. O regime adotado foi o arbitramento, por falta de apresentação de documentos, e foi constatada a omissão de receitas por depósitos bancários sem comprovação de origem. O lançamento aponta como responsáveis solidários os Srs. Denis de Carvalho Silva Gama, Michel Souza e Silva, Petter Souza e Silva, João Carlos Bacelar Batista e Lourisvaldo Valentim da Silva, todos com supedâneo nos artigos 124 e 135 do CTN, exceto em relação ao Sr. Petter Souza Silva, cujo enquadramento se resume ao artigo 124 do referido dispositivo legal. A pessoa jurídica e o Sr. Denis de Carvalho Silva Gama não apresentaram recurso. Passo à análise dos recursos conhecidos. Recurso do Sr. Michel Souza e Silva No recurso voluntário são repisados todos os argumentos apresentados na impugnação. Nos termos do § 3º do artigo 57 do Anexo II do RICARF, transcrevo e faço minhas as palavras apresentadas pelo voto condutor do acórdão recorrido, à exceção de algumas considerações complementares que considero pertinentes e que serão intercaladas na referida transcrição: Impugnação de Michel Souza e Silva Da suspensão da isenção Fl. 7488DF CARF MF 54 O impugnante se insurge contra ato de suspensão da isenção da ONG. Todavia, a impugnação ao auto de infração não se presta a contestar o referido ato, tratado em processo próprio, no caso, o de nº 10580.722927/201569. Sendo assim, não se toma conhecimento de matéria estranha aos autos. Evidentemente, se o impugnante não concordou com o ato de suspensão de isenção, poderia, nos prazos legais, e tendo poderes para tal, apresentar sua defesa contra o ato de suspensão da isenção naquele processo. Quanto à alegação da impugnante de que as fraudes datariam de 2008, e por isso não seriam nem coordenadas nem organizadas pelo Sr. Michel, é de ressaltar que a ação fiscal do presente processo objetivou apurar a regularidade dos valores declarados/recolhidos de Cofins, PIS, CSLL e IRPJ para os anoscalendário 2011 e 2012, conforme noticiado no TVF, do qual foi regularmente notificado o impugnante (fls.6439). Em relação à imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Michel, devese ao fato de que o Sr. Michel, na qualidade de diretor de projetos da ONG, extrapolou suas atribuições estatutárias, coordenando o esquema de desvios e se beneficiando dos valores desviados. Nessa linha o depoimento do presidente da ONG, Sr. Denis de Carvalho, que confirmou que o Sr. Michel participava de todas as reuniões relativas ao convênio e era o responsável pela prestação de contas, além de efetuar os depósitos nas contas do próprio Sr. Denis e do curso Agora. Membros do Conselho Diretor da ONG também confirmaram que o Sr.Michel era o responsável pela coordenação e gestão do convênio, fazendo o contato com a Uneb e a Secult (fls.4730 e 4831). Também era o Sr. Michel quem autorizava muitos dos cheques emitidos pela ONG, em sua maioria a fornecedores fictícios de bens e serviços, que eram imediatamente sacados e transferidos a contas de beneficiários diversos. Ademais, boa parte dos valores sacados foram depositados em conta do próprio Sr. Michel (documentos às fls.23033594 e planilha consolidada às fls.46274632 e 6383 6436). Notese ainda que, embora na conta 21.7735 do Sr. Michel junto ao Bradesco tenham ingressado R$457.033,76 em 2011 e R$4.397.884,16 em 2012, nas respectivas DIRPF o impugnante declarou rendimentos tributáveis de R$33.818,08 e isentos/não tributáveis de R$92.071,23 em 2011 e rendimentos tributáveis de R$20.568,06 e isentos/não tributáveis de R$601.689,90 em 2012. Da utilização de provas obtidas no relatório da Polícia Civil De início, é preciso esclarecer que o que foi trazido aos autos foram documentos que atribuem alguma responsabilidade e/ou participação do impugnante na direção da ONG. Logo, não se vislumbra qualquer atitude do órgão fiscalizador, que sinalizasse que se estivesse trazendo para os autos deste processo uma conclusão exarada naquele inquérito policial. Por sua vez, a utilização de documentos de terceiros para justificar atos de outros, denominada pela doutrina de prova emprestada, deve ser encarada com ressalvas, pois o que se admite é que se utilize dos documentos e/ou provas (como fez a autoridade fiscal), mas não a conclusão que estes documentos tiveram o efeito de gerar em outro procedimento/processo de outra esfera, judicial ou administrativa. Aqui é necessário esclarecer que existe uma distinção entre “prova emprestada” e “empréstimo de conclusões”. Enquanto o empréstimo de conclusões ocorre quando a fiscalização fundase diretamente nas conclusões contidas em Fl. 7489DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.463 55 outros processos instaurados por outras autoridades, a prova emprestada ocorre quando os fatos e as provas que permitem à fiscalização formar sua convicção são extraídos de processos instaurados por outras autoridades. Assim, a prova dos autos pode vir de outros processos e procedimentos fiscais/judiciais de outras autoridades, sendo lícita a utilização de provas emprestadas, formadas por outra autoridade que não a autuante no processo em tela. O importante na sua utilização é que sejam respeitados os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e isto ocorreu através da defesa ora apresentada. A legislação processual tributária não faz qualquer restrição aos meios de provas a serem utilizadas em processos fiscais. Prevalece, pois, no campo tributário a mesma regra geral do Direito Privado, consagrada no art. 332 do Código de Processo Civil, segundo o qual “ todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda ação ou a defesa”. Ressaltese que o Poder Judiciário considera legítima a utilização da prova emprestada na autuação fiscal, conforme se pode depreender das ementas a seguir: PROCESSO ADMINISTRATIVO. NOTIFICAÇÃO DA EMPRESA NA PESSOA DO CONTADOR. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. PROVA EMPRESTADA NA AUTUAÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE. TAXA REFERENCIAL (TR). UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS. LEGITIMIDADE. (...)2. É legítima a utilização da prova emprestada em matéria de autuação fiscal, mormente quando, como no caso, a prova emprestada da autuação fiscal do órgão estadual foi apenas o ponto de partida para a autuação pela Receita Federal. Precedentes desta Corte. 3. Inexistência de prova suficiente para afastar a liquidez e certeza manadas da certidão de dívida ativa regularmente inscrita ( CTN , art. 204 ; e Lei 6.830/80, art. 3º). (...) 5. Apelação desprovida. Remessa, considerada interposta, provida. (AC 103503 BA 1999.01.00.1035031) EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUTUAÇÃO FISCAL FUNDADA EM PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 199 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL . PRECEDENTE DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA TERCEIRA REGIÃO. (...) 3. O fundamento primeiro do recurso para afastar a autuação fiscal seria a impossibilidade de se valer, o Fisco Federal, de informações colhidas em diligências realizadas pelo Fisco Estadual, ou ainda de documentação indicativa de recolhimento do ICMS e, a partir da daí, promover à tributação reflexa do sócio. 4. O artigo 199 do Código Tributário Nacional , no entanto, é claro ao estabelecer que "A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio". Por certo que esse intercâmbio de informações visa, precipuamente, a apuração de eventuais créditos tributários não satisfeitos, total ou plenamente. Admite o CTN , com todas as letras, a "prova emprestada" como fundamento para o lançamento tributário fiscal. 5. Em situação análoga à dos autos, essa egrégia Corte já decidiu pela legitimidade da autuação fiscal fundada em prova emprestada (AC 97030595685, Relator Juiz Leonel Ferreira). 6. Assim, perfeitamente possível que o Fisco Federal se valha de informações apuradas pelo Fisco Estadual para a cobrança de crédito tributário de sua competência, não satisfeito, a tempo e modo. 7. Apelação do Fl. 7490DF CARF MF 56 Embargante/Executado ÁTILA PESSOA DE SOUZA improvida....( AC 5929 SP 1999.03.99.0059291) No mesmo sentido o entendimento do Carf, conforme ementa de acórdão a seguir transcrita: COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Havendo autorização judicial que expressamente permite o seu compartilhamento, não é ilícito, nem constitui causa de nulidade, o emprego pelo fisco de provas obtidas por meio de operações policiais. Não cabe à autoridade julgadora administrativa rejeitar essas provas a pretexto de irregularidade na operação policial se não existe decisão judicial que as considere ilícitas. A prova emprestada deve ser admitida principalmente quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. (Acórdão nº 1401001.788, de 14/02/2017). Destaquese que o uso de prova emprestada não afeta a ampla defesa do contribuinte nem dos responsáveis solidários que tiveram trinta dias para contraditar a autuação, o que o impugnante efetivamente fez. Não se sustenta, portanto, a alegação de que não é possível a admissão de prova emprestada e/ou que seriam provas ilegais. Ademais, a fiscalização utilizouse de diversos elementos para apurar os fatos que culminaram na autuação, tais como documentos obtidos junto à instituição financeira e oitivas dos envolvidos no esquema, dentre os quais, o próprio impugnante. Da responsabilidade solidária É preciso dizer que a apuração da responsabilidade solidária do impugnante decorreu da ação fiscal do presente processo, não importando se a investigação da polícia foi concluída ou não. Mesmo porque elementos de prova que caracterizaram tal responsabilidade, como os dados buscados junto à instituição financeira, foram primeiramente coletados neste processo. Em relação à responsabilização do Sr. Michel, juntamente com os demais envolvidos no esquema, deveuse ao fato de que ele desempenhou relevante papel no esquema, sendo o responsável pela prestação de contas, efetuando os depósitos nas contas do Sr. Denis e do curso Agora, bem como o responsável pela coordenação e gestão do convênio, fazendo o contato com a Uneb e a Secult, e era quem autorizou muitos dos cheques emitidos pela ONG a alguns fornecedores fictícios de bens e serviços, cujos valores eram sacados e transferidos para beneficiários diversos, sendo que uma parte dos valores sacados foram depositados em conta do próprio Sr. Michel. Portanto, a responsabilidade solidária atribuída ao impugnante não se baseou apenas em depoimentos, mas em atitudes concretas por parte do Sr. Michel que indicam sua participação no esquema de desvio de recursos. Em razão de todas essas atividades de coordenação e gestão, bem como autorização de pagamentos, não prospera a tese do impugnante de que o Sr. Michel seria mero operador do esquema, nem que nada sabia do esquema. Destaquese que o Sr. Michel não foi o único responsabilizado solidariamente pelo esquema de desvio de recursos da ONG, havendo ainda outros quatro envolvidos no esquema cuja responsabilidade solidária foi caracterizada pela fiscalização. Entretanto, se o impugnante possui provas de que mais pessoas se locupletaram com o esquema de desvios, pode apresentar tais provas às autoridades competentes para tanto. Fl. 7491DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.464 57 Os extratos bancários apresentados pelo impugnante nada provam, pois referemse a uma posição estacionária, de um dia apenas (31/12/2011 e 31/12/2012), não demonstrando nem comprovando a que se referiam os valores recebidos ao longo dos anos 2011 e 2012 apurados no curso da ação fiscal, tampouco qual o destino dado a esses valores. Quanto à jurisprudência do Carf citada pelo impugnante, é preciso dizer que não se ajusta ao caso presente, visto que aqui todos os responsáveis solidários apurados no curso da presente ação fiscal foram regularmente intimados pela fiscalização. Em relação à atuação do Sr. Michel em nome do Sr. Denis, ressaltese que tal ajuste pode ter sido tácito, o que faz com que eventual falta de procuração para tanto, se houver, não afaste tal delegação de poderes. Além disso, como já mencionado neste voto, membros do Conselho Diretor da ONG também confirmaram que o Sr.Michel era o responsável pela coordenação e gestão do convênio, fato não contraposto pelo defendente. Ainda que o Sr. Michel não atuasse em nome do Sr. Denis, mesmo assim resta comprovada a responsabilidade solidária do Sr. Michel, face aos diversos outros atos por este praticado, tais como: atuação como gestor do convênio e como contato junto à Secult e a Uneb, autorização dos cheques a fornecedores fictícios que eram sacados e transferidos a contas de diversos beneficiários, recebimento de parte dos valores sacados mediante depósito em conta do próprio Sr. Michel, conforme demonstrado na planilha de desvios da ONG para o beneficiário Michel Silva, no total de R$4.854.917,92 (fls.46274632). Notese também que nos computadores do Sr. Michel e do Sr. Petter Silva e foram encontrados diversos orçamentos relativos aos serviços e compras fictícios realizados pela ONG, em parte dos quais há até a indicação dos valores superfaturados, denominandose a parcela superfaturada de “lucro” (fls.515831). Repitase que os valores desviados para a conta corrente pessoal do Sr. Michel (nº 217735 da agência 3571 do Bradesco) estão individualizados nas planilhas de fls.46274632 por data, sendo também individualizados por número do cheque e responsável pelo depósito. Entretanto, o Sr. Michel não comprovou, sequer explicou, a origem e porquê recebeu tais valores em sua conta corrente, nem qual o destino dado a esses valores. Tampouco se dispôs a explicar o que significavam as planilhas de orçamentos encontradas em seu computador com valores superfaturados. Portanto, a responsabilização solidária do impugnante decorreu de atos praticados pessoalmente pelo Sr. Michel apurados no curso da ação fiscal, não sendo uma responsabilização genérica como alega o impugnante. Frisese que o fato de o Sr. Michel ter acompanhado ou não os sócios diretores das empresas junto aos bancos não aproveita ao impugnante, visto que a responsabilidade solidária do Sr.Michel foi apurada por toda a sua atuação no esquema, inclusive indicando as contas nas quais eram depositados os valores sacados por Alã Meneses e Ítalo Menezes, e também recebendo parte dos valores desviados em sua própria conta corrente, conforme mencionado anteriormente. Também não há necessidade de oitiva dos representantes da Uneb para confirmar o envolvimento do Sr. Michel no esquema, visto que o empresário Alã Meneses Guedes confirmou que era contatado com frequência pelo Sr. Michel para ir até ao banco sacar cheques emitidos pela ONG e que os valores sacados eram imediatamente transferidos para contas de beneficiários indicadas pelo Sr. Michel Fl. 7492DF CARF MF 58 (fls.197). Na mesma linha o depoimento do empresário Ítalo Menezes, que também confirma que os valores sacados eram imediatamente transferidos para contas de pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo Sr. Michel (fls.200). Quanto à alegação de que o Sr. Michel responderia ao gerente do banco apenas acerca da emissão do cheque, o impugnante não apresentou comprovação de sua alegação. Por outro lado, muitos dos cheques da ONG contém a assinatura do Sr. Michel, bem como a indicação do funcionário do banco de que este autorizou muitos dos saques em tela (fls.23033594). E mais, se o gerente do banco ligava para o Sr. Michel, e não outro diretor, era porque quem autorizava os saques era, de fato, o Sr. Michel. Cabe dizer que o defendente deve instruir a impugnação com todos os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Sobre a apresentação de provas, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez (“Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, Ed. Dialética, SP, 2010, pág. 214) lecionam que: No processo administrativo fiscal federal temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes. Os contribuintes não têm o dever de produzir provas em sua defesa, tão só o ônus. Não o atendendo, não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova. O sujeito passivo pode simplesmente negar os fatos trazidos no lançamento, recaindo sobre o agente fiscal o ônus da prova desses fatos, porque o julgador só terá esses elementos de comprovação para concluir pela procedência da exigência (art. 209 do CPC). Por outro lado, se a defesa alegar outro fato que evidencie a inexistência do fato constitutivo, recai sobre ela o ônus da prova. Da mesma forma, se apresentar uma exceção baseada em fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda, deverá também provar o alegado. Tal entendimento é assente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, conforme decisões a seguir: IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam comprovar as alegações de defesa. Não tem valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Destarte, não tendo sido apresentados os documentos hábeis e idôneos (por ex. documentos contábeis) aptos a respaldar eventual alteração do débito confessado em DCTF, não há comprovação da existência do pagamento a maior que possibilite o deferimento do pedido de restituição. (Acórdão 1802002.347, de 24/09/14) ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentados pela autoridade fiscal e baseados em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. (Acórdão 2401003.057, de 18/06/2013) Fl. 7493DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.465 59 AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES EM RECURSO. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não são suficientes para ilidir o feito fiscal. (Acórdão 2802001.908, de 19/09/12) MERAS ALEGAÇÕES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. COMPROVAÇÃO DOS FATOS. A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. (Acórdão 1101000.795, de 11/09/12) Ressaltese que a atribuição de responsabilidade solidária indicada na autuação é prevista no CTN, arts.124 e 135, a seguir transcritos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.(destacouse) Portanto, não procede o pedido do impugnante para ser tributada por meio do IRPF, eis que o responsável solidário responde pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica, nesse caso, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Pelo exposto, comprovada a participação do Sr. Michel no esquema de desvio de recursos da ONG, mantémse a responsabilidade solidária de sua pessoa na presente autuação. Apenas no intuito de complementar os fundamentos apresentados, ficou amplamente demonstrado que o Sr. Michel exercia a direção da ONG autuada, e é um dos responsáveis pelos atos que resultaram na sonegação apontada como fundamento para a qualificação da multa de ofício. E continua o Relator do acórdão recorrido: Da produção de provas No tocante ao pedido do impugnante para a produção de provas documentais, testemunhais e periciais, cabe dizer que a Lei nº 9.784/99 regula as normas básicas do processo administrativo no âmbito da Administração Federal. Fl. 7494DF CARF MF 60 Por sua vez, o processo administrativo fiscal federal é regido pelas regras específicas constantes do Decreto 70.235/72, cujos art.15 e 16, a seguir reproduzidos, regulam a impugnação ao lançamento: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Portanto, a apresentação superveniente de provas é admitida nas hipóteses previstas no § 4º, acima reproduzido, mediante requerimento elaborado na forma prevista no §5º. No caso presente, a empresa requer diligência na forma de oitiva de cinco testemunhas, entretanto, não elenca os quesitos a serem perguntados às testemunhas, tampouco especifica qual os motivos que as justificariam, alegando apenas, genericamente, que a oitiva destas testemunhas é de vital importância para o pleno exercício do contraditório... . O impugnante requer ainda perícia em todos os cheques emitidos pela ONG para identificar em quais deles conta a informação “pagos por ordem de Michel” ou expressão equivalente, bem como identificar os credores desses cheques. Fl. 7495DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.466 61 Entretanto, o impugnante não cumpriu as disposições do inciso IV do art.16 do Decreto nº 70.235/72, pois não expôs os motivos que justificariam tais oitivas/perícia, nem formulou os respectivos quesitos, e ainda, no caso da perícia, não indicou o nome, endereço e qualificação profissional do perito indicado. Logo, deve ser considerado não formulado os pedidos de diligência (oitivas) e de perícia. Ademais, tais oitivas são prescindíveis para o deslinde da lide, a uma porque os fatos que atestam a responsabilidade solidária do Sr. Michel no esquema estão comprovados, e segundo, porque as testemunhas Hane Adrielle S. Alves, Alã M. Guedes e Denis de Carvalho S. Gama já foram ouvidas no curso da ação fiscal, constando seus depoimentos nos autos e também referenciados no TVF, enquanto que as demais testemunhas elencadas pelo impugnante, Lourisvaldo V. Silva e João Carlos Bacelar Batista, apresentaram suas respectivas impugnações com explicações sobre os fatos, afigurandose desnecessária a repetição de depoimentos, além de prejudicar a celeridade processual. Também a perícia é prescindível, pois as cópias dos cheques foram enviadas pela instituição bancária à fiscalização e constam entre as fls. 23033594. Sendo assim, por já existir no processo tais provas, não se faz necessária tal perícia. Com efeito, não demonstrada a ocorrência de nenhuma das situações elencadas no § 4º do art.16 do referido Decreto, limitandose a impugnante a afirmar de forma genérica seu pedido pela produção de provas, temse que a defendente não cumpriu as disposições legais para que sejam apreciadas eventuais provas e documentos ainda não apresentados. A corroborar o entendimento acima exposto, citase decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf: PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. (Acórdão 1801000.535, de 30/03/11) Da validade dos autos de infração A propósito de a impugnante requerer a nulidade dos autos de infração, esclareçase que o art. 142 do CTN fornece a definição legal de lançamento, estabelecendo como requisitos indispensáveis à sua constituição: a verificação da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública. O parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a vinculação e a obrigatoriedade do lançamento. A vinculação consiste na cerrada observância dos ditames legais quando de sua efetivação; enquanto que a obrigatoriedade do lançamento impede que o agente, para não faltar com o dever de ofício, que lhe foi atribuído por lei, uma vez constatada a ocorrência de infração, deixe de lavrar o competente auto para a formalização e cobrança do crédito tributário devido pelo sujeito passivo. As hipóteses de nulidade, no âmbito do processo administrativo fiscal, restringemse às previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, o qual considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa: Art. 59. São nulos: Fl. 7496DF CARF MF 62 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235 são estatuídos os requisitos para a lavratura do auto de infração, o qual deverá ser lavrado por agente competente e conter, obrigatoriamente, os elementos arrolados em seus incisos I a VI, como se pode verificar em seu texto, transcrito abaixo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Da combinação dos dispositivos acima transcritos depreendese que só a inobservância dos pressupostos legais para a constituição do lançamento e para lavratura do auto de infração, ou a incompetência do autuante, são causas suficientes para invalidar a autuação e, consequentemente, o lançamento nela consignado. Como isso não ocorreu no presente caso, e observandose que constam dos autos de infração, entre outros elementos, tanto a descrição dos fatos como a disposição legal infringida (fls.437440, 468470, 499500 e 509510), descabe a anulação ou cancelamento dos autos de infração em análise. Do Processo Administrativo Fiscal O impugnante alega que não lhe foi permitido participar da formação de convicção da fiscalização, sendo o contraditório exercido somente na fase de impugnação. A respeito da alegação, ressaltese, que o impugnante foi regularmente intimada no curso do procedimento fiscal a apresentar esclarecimentos e documentos (fls. 45664582), declarando ao final do Termo de Declaração 02 que não deseja complementar as informações transcritas neste Termo de Declaração. É preciso frisar que, no caso do Processo Administrativo Fiscal – PAF, as regras estão contidas nos Decretos nº 70.235/72 e 7.574/2011, que regulam o Processo Administrativo Fiscal PAF. Por sua vez, o lançamento possui natureza essencialmente inquisitorial, sendo o litígio instaurado com a apresentação da impugnação da autuada, regularmente intimada para tanto. Nesse sentido as decisões do Carf transcritas a seguir: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. DIREITO RESERVADO AO SUJEITO PASSIVO APÓS A CIÊNCIA DO LANÇAMENTO COM O OFERECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO FISCAL. Fl. 7497DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.467 63 O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada a sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa; direito reservado ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento da impugnação fiscal, quando se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. (Acórdão 2302003.660, de 10/03/15) CONTRADITÓRIO DURANTE A AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O contraditório e a ampla defesa podem ser exercidos após a ciência da autuação, mas não antes dela. A fase investigativa é de cunho inquisitorial. (Acórdão 1802002.542, de 24/03/15) NÃO PARTICIPAÇÃO DO INVESTIGADO NA FASE INQUISITORIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. O lançamento é ato no qual a Fazenda Nacional deduz sua pretensão acerca do crédito tributário, apurado em procedimento de ofício cujo aperfeiçoamento ocorre com a ciência do sujeito passivo, quando, então, findase a fase inquisitória. A apresentação de impugnação pelo contribuinte autuado, por sua vez, inaugura a fase imediatamente posterior, denominada litigiosa, quanto então é disponibilizado o pleno exercício de defesa. Portanto, a não participação do investigado na referida fase inquisitorial não contraria o princípio constitucional do contraditório e ampla defesa. (Acórdão 3202001.475, de 24/02/15) Tendo em conta que o impugnante foi regularmente cientificado da autuação e foi ofertado prazo legal de defesa, o que efetivamente fez, nenhum reparo há a fazer no procedimento da fiscalização. Quanto às alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade, é preciso ressaltar que a autoridade administrativa encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame, uma vez que às autoridades tributárias cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. Tal é a determinação do Parecer Normativo CST/SRF nº 329/70: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. É inócuo, pois, suscitar alegações de afronta a preceitos constitucionais e/ou ilegalidade de legislação na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. A corroborar o exposto, atentese para a Súmula no 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda: Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 7498DF CARF MF 64 Assim, sou pelo não provimento do recurso voluntário do Sr. Michel Souza e Silva, que se mantém como responsável solidário com fundamento no artigo 135, III do CTN. Recurso Voluntário do Sr. Petter Souza e Silva No recurso voluntário são repisados todos os argumentos apresentados na impugnação. Nos termos do § 3º do artigo 57 do Anexo II do RICARF, transcrevo e faço minhas as palavras apresentadas pelo voto condutor do acórdão recorrido, à exceção de algumas considerações complementares que considero pertinentes e que serão intercaladas na referida transcrição: Da suspensão da isenção A questão da isenção já foi tratada impugnação anterior. Quanto à alegação do impugnante de que as fraudes datariam de 2008, e por isso não seriam nem coordenadas nem organizadas pelo Sr. Petter, é de ressaltar que a ação fiscal do presente processo objetivou apurar a regularidade dos valores declarados/recolhidos de Cofins, PIS, CSLL e IRPJ para os anoscalendário 2011 e 2012, conforme noticiado no TVF, do qual foi regularmente notificado o impugnante (fls.6440). Em relação à imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Petter, devese ao fato de que o Sr. Petter, na qualidade de contador, assinou os relatórios contábeis da ONG, chancelou as prestações de contas dos convênios entre a ONG, Secult e a Uneb (relatório de fls.515831), providenciou parentes e clientes de seu escritório de contabilidade para as empresas que simulavam vendas de mercadorias que atendessem as necessidades dos convênios, forjou procedimentos licitatórios para determinadas empresas terem êxito no certame e por fim, se locupletou com os desvios de verbas para seu patrimônio, sem ter justificado seu acréscimo patrimonial. Nessa linha o depoimento do presidente da ONG, Sr. Denis de Carvalho, que confirmou que o Sr. Petter atuava como executor financeiro dos projetos, assinando as prestações de contas que eram encaminhadas à Prefeitura de Salvador, e que o Sr. Petter, juntamente com o Sr. Michel, eram responsáveis por atender as exigências da Prefeitura de Salvador. Outro membro do Conselho Diretor da ONG também confirmou que o Sr.Petter era o executor financeiro dos projetos, assinando as prestações de contas encaminhadas à Prefeitura de Salvador e gestor do convênio, fazendo o contato com a Uneb e a Secult (fls.206). Os empresários Alã Guedes e Ítalo Menezes também confirmam a participação do Sr. Petter, ao lado de seu irmão Michel Silva, como gestores do esquema de desvios de recursos. No computador de Petter Silva também foram encontrados diversos orçamentos relativos a serviços e compras fictícios contratados pela ONG. Eram orçamentos necessários para atender as exigências das licitações da ONG, e conforme o relatório de fls. 515831, tais orçamentos indicam os valores superfaturados, informando os percentuais de superfaturamento (denominado de “lucro”). Também foram encontrados no computador do Sr. Petter demonstrativos de receitas e despesas superiores aos rendimentos declarados pelo impugnante (relatório de fls.515831). Portanto, o Sr. Petter atuava não só na gestão do esquema de desvio de recursos, mas também no proveito do lucro obtido com tais desvios, considerando sua expressiva variação patrimonial e movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados à RFB. Fl. 7499DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.468 65 Ressaltese que o Sr. Petter foi intimado a apresentar, no curso da ação fiscal, sua movimentação financeira e outros documentos, porém deixou de fazêlo. Da utilização de provas obtidas no relatório da Polícia Civil A questão já foi tratada na impugnação anterior, pelo que descabe repetíla. Da responsabilidade solidária É preciso dizer que a apuração da responsabilidade solidária do impugnante decorreu da ação fiscal do presente processo, não importando se a investigação da polícia foi concluída ou não. Mesmo porque elementos de prova que caracterizaram tal responsabilidade, como os dados buscados junto à instituição financeira, foram primeiramente coletados neste processo. Em relação à responsabilização do Sr. Petter, juntamente com os demais envolvidos no esquema, deveuse ao fato de que ele desempenhou relevante papel no esquema, com explicado no item anterior, sendo o responsável, na qualidade de contador, por assinar os relatórios contábeis da ONG, chancelar as prestações de contas dos convênios entre a ONG, Secult e a Uneb (relatório de fls.515831), providenciar parentes e clientes de seu escritório de contabilidade para as empresas que simulavam vendas de mercadorias que atendessem as necessidades dos convênios, forjar procedimentos licitatórios para determinadas empresas terem êxito no certame e ainda se locupletou com os desvios de verbas para seu patrimônio, sem ter justificado seu acréscimo patrimonial. Destaquese que o Sr. Petter não foi o único responsabilizado solidariamente pelo esquema de desvio de recursos da ONG, havendo ainda outros quatro envolvidos no esquema cuja responsabilidade solidária foi caracterizada pela fiscalização. Entretanto, se o impugnante possui provas de que mais pessoas se locupletaram com o esquema de desvios, pode apresentar tais provas às autoridades competentes para tanto. Portanto, a responsabilidade solidária atribuída ao impugnante não se baseou apenas em depoimentos, mas em atitudes concretas do Sr. Petter que indicam sua participação no esquema de desvio de recursos. Em razão de todas essas atividades de coordenação e gestão, bem como assinatura de relatórios contábeis e prestações de contas dos convênios, não prospera a tese do impugnante de que o Sr. Petter seria mero operador do esquema, nem que nada sabia do esquema. Quanto à jurisprudência do Carf citada pelo impugnante, é preciso dizer que não se ajusta ao caso presente, visto que aqui todos os responsáveis solidários apurados no curso da presente ação fiscal foram regularmente intimados pela fiscalização. Em relação à atuação do Sr. Petter em nome do Sr. Denis, ressaltese que tal ajuste pode ter sido tácito, o que faz com que eventual falta de procuração para tanto, se houver, não afaste tal delegação de poderes. Além disso, como já mencionado neste voto, outro membro do Conselho Diretor da ONG também confirmou que o Sr. Petter era o executor financeiro dos projetos, assinando as prestações de contas encaminhadas à Prefeitura de Salvador e gestor do convênio, fato não contraposto pelo defendente. Fl. 7500DF CARF MF 66 Ainda que o Sr. Petter não atuasse em nome do Sr. Denis, mesmo assim resta comprovada a responsabilidade solidária do Sr. Petter, face aos diversos outros atos por este praticado, tais como: assinar os relatórios contábeis da ONG e prestações de contas dos convênios entre a ONG, Secult e a Uneb, buscar parentes e clientes de seu escritório de contabilidade para as empresas que simulavam vendas de mercadorias que atendessem as necessidades dos convênios, forjar procedimentos licitatórios para determinadas empresas terem êxito no certame e também se beneficiar dos desvios de verbas para seu próprio patrimônio. Notese também que nos computadores do Sr. Michel e do Sr. Petter Silva e foram encontrados diversos orçamentos relativos aos serviços e compras fictícios realizados pela ONG, em parte dos quais há até a indicação dos valores superfaturados, denominandose a parcela superfaturada de “lucro” (fls.515831). Portanto, a responsabilização solidária do impugnante decorreu de atos praticados pessoalmente pelo Sr. Petter apurados no curso da ação fiscal, não sendo uma responsabilização genérica como alega o impugnante. Repisese que o Sr. Petter assinava os relatórios contábeis da ONG, razão pela qual não procede a alegação de que era contador apenas das empresas fornecedoras da ONG. Quanto às declarações dos sócios da empresas fornecedoras da ONG de que não teriam prestado os serviços relativos às notas fiscais frias, conforme o relatório de análise de fls. 515831, a Infip, órgão da Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia é quem realizou a análise e concluiu pela irregularidade das operações mercantis acobertadas pelas referidas notas, sendo, portanto, improcedente a alegação do impugnante. Frisese que o próprio impugnante confirma o fato de era responsável pela contabilidade das empresas fornecedoras da ONG (fls.6588) razão pela qual, ainda que os sócios dessas empresas tenham assinado os respectivo livros contábeis, não pode ser excluída o participação do Sr. Petter no esquema de desvios. Também não há necessidade de oitiva dos representantes da Uneb para confirmar o envolvimento do Sr. Petter no esquema, visto que o empresário Alã Meneses Guedes confirmou que foi o Sr. Petter quem propôs que o Sr. Alã abrisse novas empresas para vender material para a ONG, que poderia conseguir bons negócios à ONG e que utilizaria estas empresas para realizar negócios com a ONG (fls.197). E, de novo, o próprio Sr. Petter confirma ser o contador de tais empresas. Ressaltese que a atribuição de responsabilidade solidária indicada na autuação é prevista no CTN, arts.124 e 135, já transcritos anteriormente neste voto. Portanto, não procede o pedido do impugnante para ser tributada por meio do IRPF, eis que o responsável solidário responde pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica, nesse caso, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Pelo exposto, comprovada a participação do Sr. Petter no esquema de desvio de recursos da ONG, mantémse a responsabilidade solidária de sua pessoa na presente autuação. Faço um pequeno parênteses na transcrição para asseverar que, embora conste no auto de infração referência apenas (e duas vezes) ao artigo 124 do CTN, entendo, como fez a Turma recorrida, que de fato houve um equívoco de redação, haja vista que está amplamente demonstrado que o Sr. Petter não era apenas o contador da ONG, mas atuava como dirigente, tomando decisões, a ele devendo ser imputada a responsabilidade tributária forte no artigo 135, III, como ficou evidenciado no Termo de Verificação Fiscal. E continua o voto condutor do acórdão recorrido: Fl. 7501DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.469 67 Da produção de provas No tocante ao pedido do impugnante para a produção de provas documentais, testemunhais e periciais, já reproduzida neste voto a legislação pertinente, pelo que passase à analise dos pedidos do impugnante. No caso presente, a empresa requer diligência na forma de oitiva de cinco testemunhas, entretanto, não elenca os quesitos a serem perguntados às testemunhas, tampouco especifica qual os motivos que as justificariam, alegando apenas, genericamente, que a oitiva destas testemunhas é de vital importância para o pleno exercício do contraditório... . O impugnante requer ainda perícia nas prestações de conta da ONG para apurar se o impugnante assinou ou elaborou alguma delas, bem como requer diligência junto ao Bradesco para que este forneça os extratos bancários do impugnante dos dias 31/12/2011 e 31/12/2012. Entretanto, o impugnante não cumpriu as disposições do inciso IV do art.16 do Decreto nº 70.235/72, pois não expôs os motivos que justificariam tais oitivas/perícia, nem formulou os respectivos quesitos, e ainda, no caso da perícia, não indicou o nome, endereço e qualificação profissional do perito indicado. Logo, deve ser considerado não formulado os pedidos de diligência (oitivas) e de perícia. Ademais, tais oitivas são prescindíveis para o deslinde da lide, a uma porque os fatos que atestam a responsabilidade solidária do Sr. Petter no esquema estão comprovados, e segundo, porque as testemunhas Hane Adrielle S. Alves, Alã M. Guedes, Ítalo G. Menezes e Denis de Carvalho S. Gama já foram ouvidas no curso da ação fiscal, constando seus depoimentos nos autos e também referenciados no TVF, enquanto que as demais testemunhas elencadas pelo impugnante, Lourisvaldo V. Silva e João Carlos Bacelar Batista, apresentaram suas respectivas impugnações com explicações sobre os fatos, afigurandose desnecessária a repetição de depoimentos, além de prejudicar a celeridade processual. Também a perícia é prescindível, pois foi o próprio Sr. Petter quem era o responsável pela contabilidade da ONG, assinando os relatórios contábeis da ONG. A respeito da diligência para juntar extratos bancários do impugnante aos autos, relativos aos dias 31/12/2011 e 31/12/2012, não foi demonstrada a ocorrência de nenhuma das situações elencadas no § 4º do art.16 do referido Decreto, de modo que deve ser indeferido o pedido de diligência. Além disso, tais extratos nada acrescentariam ao julgamento, pois referemse a uma posição estacionária, de um dia apenas (31/12/2011 e 31/12/2012), não demonstrando nem comprovando a que se referiam os valores recebidos ao longo dos anos 2011 e 2012, que totalizam R$1.931.428,16 (fls.658), tampouco qual o destino dado a esses valores. Em suma, limitandose a impugnante a afirmar de forma genérica seu pedido pela produção de provas, temse que a defendente não cumpriu as disposições legais para que sejam apreciadas eventuais provas e documentos ainda não apresentados. Da validade dos autos de infração Matéria já exposta anteriormente. Do Processo Administrativo Fiscal Fl. 7502DF CARF MF 68 O impugnante alega que não lhe foi permitido participar da formação de convicção da fiscalização, sendo o contraditório exercido somente na fase de impugnação.stão da ONG que permiti A respeito da alegação, ressaltese, que o impugnante foi regularmente intimado no curso do procedimento fiscal a apresentar esclarecimentos e documentos, porém deixou de apresentar sua movimentação financeira e demais elementos exigidos (fls.213). A matéria relativa ao caráter inquisitório do PAF já foi tratada anteriormente neste voto, assim como alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade. Tendo em conta que o impugnante foi regularmente cientificado da autuação e foi ofertado prazo legal de defesa, o que efetivamente fez, nenhum reparo há a fazer no procedimento da fiscalização. Quanto à alegação de suspeição do auditor autuante, não apresentou provas de que o autuante seria seu desafeto. Já tratada neste voto a matéria relativa ao ônus da prova, pelo que não cabe repetila. Assim, suprido o equívoco relativo à repetição, no auto de infração, do artigo 124 do CTN ao invés da indicação do artigo 135, III, já que o TVF demonstra que o Recorrente é, de fato, dirigente da ONG, sua responsabilidade pelos atos contrários à Lei e aos Estatutos ficam evidentes, na medida em que, junto com os demais responsáveis, praticou os atos dos quais decorreu a qualificação da multa por sonegação: declaração à RFB zeradas, distribuição de valores da ONG de forma oculta à Receita Federal, dentre outros. Recurso do Sr. João Carlos Bacelar Batista Socorrome do § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, para superar a preliminar invocada pelo Recorrente. Da atenta leitura do Termo de Verificação Fiscal (TVF) notase que a fundamentação adotada para a responsabilização solidária do Recorrente foi a seguinte (fl. 238): Secretário da SECULT à época da assinatura e vigência dos convênios celebrados entre a SECULT/UNEB/ONG, no âmbito dos quais, foram promovidos os desvios de verbas públicas conforme demonstrado e explicitado no decorrer deste termo de verificação fiscal. Na qualidade de gestor de recursos públicos, tinha a obrigação de zelar e fiscalizar os recursos públicos, o que não ocorreu, tendo em vista a constatação de desvios de recursos através da ONG, beneficiando diversas pessoas, físicas e jurídicas ligadas, incluindo assessores diretos e companheiros de direção do seu Partido Político, o PTN, possibilitando a imputação da responsabilidade tanto com base no art. 135, por ser mandatário de fato, como através do art. 124, ambos do CTN. Às folhas 228/229, ao descrever o "Vínculo de João Carlos Bacelar com os desvios de recursos públicos" a autoridade administrativa apresenta sua argumentação sempre voltada para a participação do Recorrente como gestor de recursos públicos, que, assim, seria o responsável pela liberação dos valores para a fraude perpetrada. Dois são os artigos do CTN que dão sustentação à acusação fiscal: o 135 e o 124, como se vê do auto de infração à fl 7. Cabe sua transcrição: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 7503DF CARF MF Processo nº 10580.725201/201588 Acórdão n.º 1302003.164 S1C3T2 Fl. 7.470 69 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A referência feita pelo Auditor Fiscal diz respeito ao inciso I do artigo 124 e III do artigo 135. Esta turma têm entendido que havendo benefício econômico em relação à ocorrência do fato gerador, existe a possibilidade de enquadramento no artigo 124, I. No entanto, o benefício econômico diz respeito ao não pagamento de imposto e não a qualquer benefício econômico advindo de malversação de dinheiro público. Embora haja fortes indícios que o Recorrente tenha se beneficiado de desvios de recursos públicos, esta investigação, a conclusão e a atribuição de responsabilidade por atos de improbidade foge à competência tributária, razão pela qual, para permitir a responsabilidade tributária, deveria ter sido feito o vínculo do enriquecimento com a economia de tributos decorrente do fato gerador ocultado, modificado, evitado, o que não se verifica. Por outro lado, em nenhum momento é apontada qualquer ingerência do Recorrente na administração da Empresa autuada, fator imprescindível à atribuição de responsabilidade pelo inciso III do artigo 135 do Código. A participação em atos de improbidade, sem que se aponte a participação em decisões que o coloquem como administrador, não satisfaz à lógica do artigo. Aqui se pretende buscar aqueles que decidiram não pagar o tributo devido pela empresa, calcados em violação de lei, estatutos ou contrato social. O ato de improbidade e o desvio de verba pública, com enriquecimento ilícito dos participantes pode ocorrer com ou sem o pagamento de tributos. Não são poucas as vezes em que os tributos são pagos para ocultar os atos ilícitos, evitando que uma ação fiscal provoque a averiguação do crime de improbidade, que permanece incólume. Em nenhum momento a autoridade administrativa aponta qualquer ato de gestão, qualquer vínculo do Recorrente com a Empresa autuada, evidenciando, apenas, sua participação nos desvios de recursos públicos. Fl. 7504DF CARF MF 70 Faltou, portanto, que a autoridade apontasse o nexo causal, o elo entre as ações do Recorrente e o não pagamento de tributos, que, repito, nada tem a ver com sua participação na fraude perpetrada contra a administração pública, decorrente do desvio de recursos públicos da educação. Constatado o não estabelecimento de vínculo do Recorrente com qualquer decisão relativa ao fato gerador do tributo, tampouco que teria se beneficiado do não recolhimento dos impostos e contribuições, dou provimento ao recurso voluntário, afastandoo do polo passivo da relação jurídicotributária. Nesses termos, não conheço do Recurso Voluntário apresentado por Lorisvaldo Valentim da Silva, por intempestivo; conheço dos Recursos Voluntários de Michel Souza e Silva e Petter Souza e Silva para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar lhes provimentos;e, conheço do recurso voluntário do Sr. João Carlos Bacelar Batista para dar lhe provimento, excluindoo do polo passivo da relação jurídicotributária. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 7505DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.902973/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
Numero da decisão: 1201-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/2009-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I que julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 29 73 /2 00 9- 18 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10725.902973/200918 Acórdão n.º 1201002.547 S1C2T1 Fl. 3 2 improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório pleiteado. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido ou a maior de IRPJ visto que, segundo o sujeito passivo, apurou o imposto pelo regime do lucro presumido, aplicando o percentual de 32% sobre a receita bruta enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares diagnósticos por imagem seria o percentual de 8%, conforme previa o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249/95 c/c o art.25 da Lei 9.430/96. Pelo segundo despacho decisório, uma vez que o primeiro foi anulado pela DRJ por estar desprovido de fundamentação congruente, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelos seguintes fundamentos: o contribuinte não apresentou documentação hábil para justificar as informações constantes da DCTF retificadora, e, consequentemente, também não demonstrou a origem e a regularidade do crédito decorrente de tal retificação; a única DIPJ transmitida pela interessada não é compatível com as informações transmitidas pela DCTF retificadora e , ainda, por não ter sido a DIPJ alvo da devida retificação a fim de compatibilizála com a DCTF retificadora, a dita DIPJ demonstra débito correspondente ao valor recolhido e a inexistência do crédito; a decisão consignou que a DCTF retificadora foi apresentada fora de prazo, e, por essa razão, assiste razão ao fisco quando não considerou as informações registradas na DCTF retificadora. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado a nulidade do despacho decisório sob os seguinte fundamentos, verbis: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10725.902973/200918 Acórdão n.º 1201002.547 S1C2T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.543, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.902969/2009 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.543): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. A Recorrente alega, como relatado anteriormente, que o segundo "despacho decisório" que voltou a negar a homologação da compensação foi proferido sem antes oportunizar a contribuinte a devida instrução probatória. Entende que sem a intimação/notificação do contribuinte dandolhe a oportunidade para demonstrar o seu crédito, a autoridade fiscal não poderia negar a homologação da compensação; porém, a fundamentação foi esculpida sem prévios esclarecimentos do contribuinte, contrariamente ao que foi expressamente determinado pela delegacia de julgamento, o que justifica novamente da nulidade da decisão ora recorrida, Quanto à apresentação da documentação, não se vislumbra qualquer cerceamento ao direito de defesa, pois Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10725.902973/200918 Acórdão n.º 1201002.547 S1C2T1 Fl. 5 4 quando da prolação do despacho decisório, abrese prazo para manifestação de inconformidade, período o qual a contribuinte possui para fazer prova do seu direito 1. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o interessado não comprovou a existência do crédito pleiteado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, cujo trecho do voto condutor reproduzo abaixo, o interessado deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado, verbis: Discordo do interessado quando alega que não há prazo fixado em lei para a retificação de declaração (o art. 173 do CTN diz respeito ao prazo decadencial do fisco constituir o seu crédito). Da mesma forma que existe prazo para a Fazenda Pública examinar o conteúdo da DCTF ou da DIPJ, há, também, termo para o interessado retificar estas declarações, sob pena de se permitir alterações em favor do interessado, depois de esgotado o prazo para a Fazenda Pública examinar os dados nela contidos. Ainda, a mera retificação da DCTF, sem comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório. As informações sobre os fatos tributáveis devem estar lastreadas na escrituração contábilfiscal e na documentação do contribuinte. Se houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, este deve ser comprovado, para que fique evidente que o interessado teria declarado em DCTF um montante maior do que o efetivamente devido. O interessado não juntou aos autos nenhum documento que comprovasse o pretendido erro, a ensejar a retificação da DCTF (.....). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. O Despacho Decisório recorrido deve ser mantido, por não ter o interessado comprovado a existência do crédito pleiteado. 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10725.902973/200918 Acórdão n.º 1201002.547 S1C2T1 Fl. 6 5 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
