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Numero do processo: 11516.006518/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2202-001.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Não se conhece do recurso voluntário que tenha sido apresentado em período posterior ao prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 168 a 171, integrado pelos demonstrativos de fls. 162 a 167, pelo qual se exige a importância de R$16.560.044,03, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, anos-calendário 2006 e 2007. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 173 a 179, no qual o autuante esclarece que: • a análise das declarações apresentadas à SRF (DIRF e DIPJ), cujas cópias encontram-se anexadas às fls. 107/129, dos registros contábeis e dos comprovantes de pagamentos apresentados pela fiscalizada, verificou-se a ausência de recolhimentos referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte, ao longo de todo período sob fiscalização; • de acordo com escrita contábil, a fiscalizada pagou rendimentos do trabalho assalariado, trabalho não assalariado e outros rendimentos por serviços prestados, onde verificam-se as devidas retenções do Imposto de Renda na Fonte, conforme preconiza a legislação de regência; • a contribuinte alegou tratar-se de Fundação que seria mantida pelo poder público (Prefeitura de Tubarão) e, como tal, deveria recolher o IRRF aos cofres municipais, não aos federais, conforme previsto no art. 158, I da Constituição Federal; • examinando a legislação pertinente, a fiscalização conclui que não existe amparo legal para que a Fundação Universidade do Sul de Santa Catarina deixe de recolher aos cofres da União os valores referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte; • dessa forma, foi efetuado o lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte, salientado que a presente autuação abrange fatos a partir de 01/05/2006, uma vez que o Auto de Infração lavrado anteriormente (Processo no 11516.002953/2006-12) tem abrangência até 30/04/2006. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 184 a 198, instruída com os documentos de fls. 199 a 387, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 404 e 405): Inconformada, a interessada - pessoa jurídica de direito privado - interpôs, em 4 de janeiro de 2010 (ver f. 394 a 399), por advogados (Dr. Felipe Inácio Zanchet Magalhães - OAB/SC 21,511/A e Dr. Dyogo César Batista Viana Patriota - OAB/DF 19.397, procuração à f. 199 a 201), a impugnação de f. 184 a 198, instruída com os anexos de f. 204 a 387, em que alega: BASE JURÍDICA DO LANÇAMENTO (f. 185 a 187) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 11516.006518/2009-18 Acórdão n.º 2202-01.776 S2-C2T2 Fl. 2 3 [...] A tese no âmbito do processo administrativo é circunscrita ao critério da definição como mantida ou não à UNISUL pelo Município de Tubarão. Não há dúvida quanto ao fato de que a UN1SUL foi instituída pelo Município de Tubarão. Tampouco há dúvida de que a natureza jurídica da fundação é de direito privado, pois não é espécie, como fundação pública, do gênero autarquia. Assim, o debate sobre a res in iudicio deducta refere-se ao critério matemático ou político para caracterização da condição de mantida, a fim de incidir o art. 158, I, da Constituição da República que atribui ao patrimônio do município a arrecadação do IRRF dos funcionários das fundações que instituírem e mantiverem, além dos servidores das autarquias e da Administração Direta. [...] QUESTÕES HISTÓRICAS DA UNISUL (f. 187 a 192) A UNISUL foi constituída como fundação pública municipal, de natureza autárquica, em 1967. Em 1989, foi transformada em fundação privada, registrando-se os atos fundacionais em cartório de registro de pessoas, condição esta jurídica que mantém até hoje. A UNISUL foi instituída por Lei do Município de Tubarão, Santa Catarina, como fundação pública, com natureza de autarquia. A Lei do Município de Tubarão no 443, de 18 de outubro de 1967, criou a Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (FESSC), antiga denominação da UNISUL, como fundação pública, como declarado na própria norma. Os arts. 12 a 92 dessa lei estabelecem normas importantes a tese, por isso, são abaixo transcritos: Dessas normas transcritas, pode-se extrair algumas conclusões: a) A FESSC foi instituída como fundação pública municipal, de natureza autárquica; b) Além das dotações orçamentárias do Município de Tubarão e outras possíveis doações, autorizou-se na lei a cobrança de preço público, pela contra prestação dos serviços educacionais; c) Foi isenta dos tributos municipais, orientando-se a requerer também a isenção dos tributos estaduais e federais; O comando político da Fundação é constituído por conselhos, cuja maioria dos membros decorre da indicação do município. A Lei do Município de Tubarão no 1.388, de 20 de janeiro de 1989, dispôs sobre a transformação da FESSC na Fundação Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL, condição jurídica que permanece até hoje. Os três artigos dessa lei assim estabelecem: Art. 1o A FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DO SUL DE SANTA CATARINA -FESSC - criada pela Lei Mun. no 443/67, de 18/10/67, é transformada em Fl. 493DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 4 FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA DO SUL DE SANTA CATARINA - UNISUL, à qual, na qualidade de sucessora, é transferido seu acervo patrimonial. Art. 2o O Chefe do Poder Executivo aprovará, por Decreto, no prazo de 30 (trinta)dias, contados da publicação da presente Lei, o Estatuto da Fundação Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL, de acordo com a Legislação de Ensino e atendidas as exigências do Conselho Federal de Educação. Art. 3o Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. [...] DEFESA DA AUTUAÇÃO FISCAL (f. 192 a 197) O que importa à resolução do caso é a determinação da adequação da UNISUL ao conceito de fundação instituída e mantida pelo município. É incontroverso o fato de que a impugnante é fundação. Também é incontroverso o fato de que foi instituída pelo município. A questão a saber é se se trata de instituição mantida pela municipalidade. A tese da fiscalização é a de que o critério para essa definição é exclusivamente numérico, da proporção da manutenção em relação a receita total da instituição. A tese da defesa decorre do fato de que a configuração como mantida não decorre desse tipo de configuração. A UNISUL nasceu com (sic) fundação pública, de natureza autárquica. A lei que a criou determinou a cobrança por serviços prestados, que ocorre pelo preço público, a exemplo de vários órgãos e pessoas jurídicas da administração indireta. Cite-se, por exemplo, o preço pago pelo porte de remessa e retorno do processo. O patrimônio foi constituído inicialmente por bens do Município, por isso houve lei de criação da autarquia e depois lei para transformação em fundação privada, posto a migração dos bens públicos para privados. [...] O município de Tubarão, ao promulgar a Lei no 1.727, de 1992, outorgou comando no sentido de dispensa do recolhimento de IRRF suas fundações municipais, dedicadas ao ensino, transformada (sic) o referido crédito tributário em renda dessas instituições, como é o caso da UNISUL. Se o produto da arrecadação do IRRF, nos casos previstos no art. 158, I, da Constituição da República, é do município, é de se concluir que os critérios para o reconhecimento da manutenção são impostos pelo município, em razão da previsão constitucional referida. Cabe a esse ente público, enquanto detentor do crédito tributário em questão determina (sic) os conceitos para manutenção, bem como a forma de distribuição desses recursos. A Lei Complementar do Estado de Santa Catarina no 31, exige que o Poder Público concorra com mais de 50 % (cinqüenta por cento) da receita anual da fundação mantida para que seja aplicada (sic) o dispositivo constitucional aludido acima. Todavia, não cabe ao Estado legislar sobre verba que pertence ao município, exclusivamente. Nesse caso, há clara invasão de competência, na medida em que a determinação de conceitos e critérios relativos a instituição e manutenção de Fl. 494DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 11516.006518/2009-18 Acórdão n.º 2202-01.776 S2-C2T2 Fl. 3 5 fundação pelo município deve decorrer do próprio município instituidor e mantenedor. [...] Não há fundamento jurídico constitucional para outro ente público, que não o município, quantificar o conceito de manutenção de fundações municipais. Sequer há base nessa quantificação, na medida em que não possui o legislador infraconstitucional um mandato ilimitado para compor conceitos constitucionais. As normas infralegais devem se limitar ao conceito constitucional imposto, inclusive relativos à competência legislativa, não podendo criar restrições não dispostas constitucionalmente. Nesse sentido, há julgado do Supremo Tribunal Federal (STF). [...] O Estado ou qualquer outro ente público obrigar município a manter a maior parte das despesas do ente autônomo didático e financeiramente, haja vista tratar-se de universidade (art. 207, da Constituição da República) cria situação de pouca lógica jurídica, haja vista que o controle no caso presente ocorre tanto pela concessão de verbas públicas (o que impõem, em conseqüência, regime parcialmente público à impugnante), assim como pela fiscalização da fundação municipal, no cumprimento de suas finalidades públicas, no caso presente educação e assistência social. [...] Assim, verifica-se que toda a autuação fiscal realizada baseia-se no afastamento de norma municipal, notadamente do município de Tubarão, para aplicação de lei estadual, que determina critérios quantitativos para se qualificar fundação municipal. Só é possível o afastamento da norma municipal em tela, retirar sua aplicabilidade, se determinada, de forma explícita ou implícita, a inconstitucionalidade de seus mandamentos, cuja competência para tanto não decorre do cargo de auditor fiscal. Dessa forma, cria-se confusão jurídica, na medida em que o município, embora credor da União do IRRF em questão (podendo ceder essa receita que é sua às suas fundações) se ver tolhido dessa prerrogativa em razão de legislação estadual inaplicável ao caso presente. (destaque acrescentado) A confusão jurídica no presente caso decorre do fato do fisco entende (sic) tratar-se no caso da imposição pelo artigo 158, inciso I, da Constituição da República, de mera norma de Direito Orçamentário. Não é esse o caso. Ao passo que o legislador constituinte outorgou ao município todo o produto do IRRF de suas fundações, por ele instituídas e mantidas, fez incorporar ao seu patrimônio esses valores, dando competência ativa para legislar nesse tópico, determinando os critérios, inclusive de repasse do IRRF, enquanto receita municipal, as suas fundações. (destaque acrescentado) A afirmativa acima tanto se demonstra correta, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos julgados, ressalta que no caso da aplicação do art. 157, inciso I, também da Constituição da República, de mesma densidade normativa do artigo 158, inciso I, ora em discussão, cabe a Justiça Estadual o julgamento de questões atinentes a retenção de IR de servidores estaduais e municipais. [...] Fl. 495DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 6 Ora, se o IRRF conquanto arrecadado de servidor municipal ou estadual se agrega ao patrimônio do Estado ou do Município, a teor do art. 157, inciso I, da Constituição da República, da mesma forma, se agrega ao patrimônio do município o IRRF recolhido de suas fundações instituídas e mantidas. Uma vez agregado ao município, não cabe ao Estado ou a União legisla (sic) sobre verba do patrimônio da União. Sequer cabe a justiça federal conhecer da questão, na medida em que o interesse é sempre municipal. Sobre essa ótica não cabe a aplicação de norma estadual, em detrimento de norma municipal, em relação ao (sic) critérios pelos quais se reconhecerá uma fundação municipal como mantida pelo município, pois a determinação desse critério é exclusiva do município. CONCLUSÃO Por todo o exposto, requer-se seja reconhecida a nulidade de todo o crédito de IRRF e acessórios lançados contra a UNISUL pelo AI ora impugnado. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 07-20.268 (fls. 402 a 412), de 18/06/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 FUNDAÇÕES INSTITUÍDAS E MANTIDAS POR MUNICÍPIO. CONDIÇÕES. DESTINAÇÃO DO IRRF. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, retido na fonte por fundação municipal em decorrência dos pagamentos que efetua, somente pertencerá ao município se a referida fundação for não só instituída como também mantida por esse ente político. Considera-se que a fundação é mantida pelo Município, quando este lhe destina os recursos necessários à sua subsistência. Caso não se verifique esta condição, o produto da arrecadação do IRRF incidente sobre os rendimentos pagos, a qualquer título, pela fundação, pertence à União Federal e não ao Município. DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 21/07/2010 (vide AR de fl. 419), a contribuinte apresentou, em 23/08/2010, o recurso de fls. 421 a 430, no qual reitera os argumentos de sua impugnação. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 24/10/2011, veio numerado até à fl. 470 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 11516.006518/2009-18 Acórdão n.º 2202-01.776 S2-C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A análise do mérito do lançamento em pauta encontra-se prejudicada por uma questão preliminar. De acordo com art. 33 do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972, o prazo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância, em 21/07/2010 (quarta-feira), conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 419, postando o recurso voluntário apenas em 23/08/2010 (segunda-feira), conforme despacho da unidade de origem de fl. 470, tomando por base o envelope anexado à fl. 469. Assim, considerando-se que “os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”, nos termos do art. 210 do Código Tributário Nacional, o termo inicial é o dia 22/07/2010 (quinta- feira) e o final, 20/08/2010 (sexta-feira), o que faz com que a entrega em 23/08/2010 seja considerada extemporânea, de acordo com o prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235, de 1972. Assim, não tendo sido observado o primeiro requisito de admissibilidade, que é o da tempestividade, não há que se conhecer do presente recurso. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. [Clique aqui para redigir o Voto] Fl. 497DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.903013/2011-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA.
Mantém-se a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO MANTIDA. Mantémse a não homologação da compensação declarada quando não comprovada a existência do crédito compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 30 13 /2 01 1- 65 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de julho de 2002, no valor de R$ 3.095,06, com débito da Cofins do mês de maio de 2007. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que o crédito compensado era legítimo, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declarada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em 16/12/2011, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 10/1/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 46/63, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegalidade, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação comprobatória do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida. Em preliminar, alegou a recorrente a nulidade da decisão recorrida por manifesta ilegal, sob argumento de que houve (i) alteração da fundamentação/motivação do Despacho Decisório não homologatório da compensação declarada e (ii) falta de intimação para que o contribuinte apresentasse a documentação adequada à comprovação do crédito, conforme previsto no art. 26 da Lei nº 9.784, de 1999, e no Decreto nº 70.235, de 1972. O motivo e o fundamento da não homologação da compensação declarada, consignado no contestado Despacho Decisório, foi a inexistência do crédito compensado. Com base nessa informação, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no § Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.903013/201165 Acórdão n.º 3802001.693 S3TE02 Fl. 21 3 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), cabia ao contribuinte apresentar os elementos probatórios adequados com vistas a comprovação da existência do valor crédito informado, o que não feito. Por essa razão, fundamentadamente, a Turma de Julgamento a quo manteve a não homologação da compensação por ausência de “comprovação da liquidez e certeza do crédito”, que equivale a inexistência do direito creditório. Dessa forma, a decisão recorrida não só manteve o fundamento/motivo da decisão prolatada no Despacho Decisório guerreado (inexistência do crédito), como apresentou a razão pela qual concluíra que o direito creditório não inexistia, ou seja, a ausência das provas hábeis e idôneas para fim de comprovação do valor crédito pleiteado. Também a falta de intimação para apresentar a documentação comprobatória do crédito também não configura motivo suficiente para inquinar a decisão recorrida. Ônus probatória não é da incumbência da autoridade julgadora, mas da parte interessada, nos termos do art. 16 do PAF, combinado com o disposto no art. 333 do CPC. No caso do procedimento de compensação, quem tem que provar a existência do crédito é quem alega possuílo, ou seja, o sujeito passivo autor da declaração de compensação. Por essas razões, a autoridade julgadora não tem o dever intimar o contribuinte para produzir provas. Em consonância com o disposto nos arts. 18 e 29 do PAF, a autoridade julgadora, com vistas a formação de convicção, poderá determinar a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias e imprescindíveis para o esclarecimento de dúvidas acerca da prova apresentada, situação que não se vislumbra no caso em tela. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade. Do mérito. Em relação ao mérito, a recorrente insiste na alegação de que a apresentação do Darf seria prova suficiente para comprovar a existência do crédito. Na verdade, o Darf comprova a realização do pagamento, mas, no caso em tela, tal prova era prescindível, pois, o pagamento já havia sido confirmado pelo Administração Tributária, conforme explicitado no Despacho Decisório. Por força do disposto no art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado, logo, na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do PAF, a recorrente tinha o ônus de carrear aos autos a prova inequívoca do crédito compensado, ao não se desincumbir adequadamente desse encargo, fica sujeita as consequências dessa omissão. É oportuno ressaltar que, mesmo ciente da necessidade da apresentação da documentação probatória adequada, nesta fase recursal, a recorrente insistiu na omissão, uma 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 vez que não trouxe à colação do recurso qualquer documento comprobatório do suposto indébito. No caso, como se trata de suposto crédito decorrente de pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. A recorrente não apresentou nenhum dos referidos documentos, inclusive na atual fase recursal, conforme já mencionado. Com base nessas considerações, por falta de prova, resta não comprovado a existência do crédito compensado, logo, deve ser mantida a não homologação da compensação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000351/2004-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Não Cumulatividade. Insumos. Rateio. Vendas ao exterior. Receitas de produtos sujeitos ao regime Monofásico. Inexistência de direito a crédito. Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, e produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.461
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designada a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Ramos Pazello. OAB/SP nº 195.745.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Não Cumulatividade. Insumos. Rateio. Vendas ao exterior. Receitas de produtos sujeitos ao regime Monofásico. Inexistência de direito a crédito. Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, e produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002. Recurso Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Não Cumulatividade. Insumos. Rateio. Vendas ao exterior. Receitas de produtos sujeitos ao regime Monofásico. Inexistência de direito a crédito. Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, e produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designada a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Ramos Pazello. OAB/SP nº 195.745. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Liduína Maria Alves Macambira – Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Liduina Maria Alves Macambira, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa General Motors do Brasil S/A contra a decisão que homologou parcialmente o pedido de compensação e restituição de crédito de PIS/PASEP decorrrentes de exportação de produtos industrializados relativo ao período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003. Extraíse do Despacho Decisório que o motivo do indeferimento decorre de irregularidades no tocante ao critério adotado, vez que, a Interessada fez incluír no cálculo receitas de exportação de veículos automotores, as quais estão sujeitas a incidência cumulativa do PIS e da COFINS. Assim, encontra empresso na decissão ora hostilizada de que a Recorrente não pode incluir no cálculo da determinação do crédito receita de exportação de veículos automotores por estar sumbmetida a sistemática cumulativa, de modo que, há irregularidade na apuração dos valores utilizados no que diz respeito ao critério de rateio dos montantes de PIS/Pasep a que teria direito, relativos aos insumos aplicados nos produtos em relação a totalidade das exportações realizadas no período de apuração. Assim sendo, adoto como relatório o consignado no Acórdão recorrido por revelar a situação dos autos, vejamos: “Em 28/01/2004 a contribuinte protocolou Declaração de Compensação —DCOMP de fl. 01, compensando debito próprio com crédito de PIS originado da sistemática não cumulativa, apurado em operações de exportação e não aproveitado na dedução da contribuição devida, como indicado à fl. 02. Abriuse procedimento fiscal com o objetivo de averiguar a regularidade da compensação declarada. Do procedimento, resultou o TERMO DE VERIFICAÇÃO PARCIAL que integra os autos, no qual a autoridade responsável pela auditoria aponta o que constatou do exame da documentação apresentada pela empresa, bem como se posiciona a respeito da existência do crédito utilizado em compensação: 1) DIFERENÇAS ENTRE OS DEMONSTRATIVOS ANALÍTICOS ELABORADOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE E OS DACON: Comparandose os demonstrativos com os Dacon, constatouse algumas diferenças, especialmente na linha 03 das fichas 04. Essas diferenças, por si só, já ensejariam a reconstituição dessas fichas no intuito de se apurar os valores corretos dos créditos. 2) DISTORÇÕES NOS CÁLCULOS DOS PERCENTUAIS DE RATEIO: No entanto, apurouse ainda irregularidades no tocante ao critério de rateio dos créditos relativos aos insumos aplicados em produtos exportados. [...] Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000351/200441 Acórdão n.º 340301.461 S3C4T3 Fl. 2 3 na apuração dos percentuais de rateio dos créditos relativos a insumos aplicados em produtos, mercadorias e serviços exportados, o contribuinte o fez com base na relação percentual das receitas. No entanto, no caso das exportações, o contribuinte considerou a receita da totalidade dos produtos exportados de forma incorreta. Isto porque, durante o período fiscalizado, a maior parte de suas receitas de exportação foram de veículos automotores, os quais eslavani sujeitos a incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Neste sentido, confirase o parágrafo 7° do art. 3º das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833 (COFINS): § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A fim de apurar o correto percentual de rateio dos insumos, solicitamos [...] que o contribuinte nos informasse os valores das exportações de veículos separadamente dos demais produtos, mercadorias e serviços. A resposta se deu pelo fornecimento de planilhas [.] Com base nessas planilhas, elaboramos demonstrativo de recalculo dos percentuais de rateio a serem aplicados nos insumos utilizados em produtos exportados. 0 Termo de Verificação segue com tabela de recálculos dos percentuais de mos para fins de apuração dos créditos da sistemática da não cumulatividade. O fiscal, referindose a irregularidades constatadas quanto aos montantes de fls. 3) FRETES 3.1) CRÉDITO INDEVIDO DE PIS SOBRE FRETE EM JAN/04 Constatouse que o contribuinte informou valores de fretes [.] no Dacon de forma indevida. A Lei 10.637/02, que introduziu a sistemática da não cumulatividade para o PIS a partir de 01/12/02 não permitia o creditamento sobre fretes. O creditamento de valores de frete passou a ser permitido pela Lei 10833/03, que introduziu a sistemática da não cumulatividade para a Cofins a partir de 01/02/04 e estendeu esse beneficio também para o PIS. Referido valor foi por nós glosado. 3.2) CRÉDITO INDEVIDO DE PIS SOBRE FRETE EM FEV/04 E MAR/04: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 4 Solicitouse que o contribuinte explicasse as diferenças entre os valores da linha 13 informados nas fichas 04 (PIS) e 06 (Cofins) do Dacon nos meses de fev/04 e mar/04, visto que, em principio, os valores deveriam ser iguais. Em resposta, o contribuinte apresentou demonstrativos analíticos mais detalhados dessas linhas, onde se verifica que houve o creditamento indevido de PIS (ficha 04, linha 13) sobre fretes incorridos em 2003. 0 mesmo não se verificou com relação à Cofins (Ficha 06, linha 13). Igualmente, referidos valores foram por nós glosados. Ante todo o exposto, reconstituímos os preenchimentos das fichas 04 e 06 dos Dacons do período fiscalizado, utilizandose dos percentuais de rateio por nós recalculados e das bases de cálculo informadas nos demonstrativos analíticos fornecidos pelo contribuinte bem como os demonstrativos detalhados das PIS (linhas 13 fichas 04 e 06 dos meses de fev/04 e mar/04). Continuando o TERMO, a autoridade fiscal inclui os demonstrativos de recálculo dos valores dos créditos sobre insumos aplicados em produtos exportados, apurando diferenças nos montantes de R$ 10.521.817,05 para o PIS e R$ 3.460.613,03 em relação Cofins. Parte dos créditos de PIS apurados a maior pela contribuinte (R$ 907.512,82), esclarece o auditor, foi indevidamente utilizada como dedução do PIS devido sobre operações no mercado interno. Na sequência, afirma o fiscal que: A diferença de RS 9.614.304,23 foi utilizado mediante compensação, assim resumida (...) No final, conclui a auditoria: Ante todo o exposto, ratificamos a glosa de todas as diferenças apuradas devendo as compensações indevidas serem objeto de não homologação expressa por parte do Setor de Orientação e Análise Tributária (Seort) desta Delegacia. O Seort da unidade de origem, por sua vez, no Despacho Decisório que segue ao Termo de Verificação Fiscal, orientandose pela recomendação dada pela auditoria, não homologou a compensação declarada que se utilizou de crédito acima do valor como recalculado pela fiscalização. Notificada do teor do despacho decisório em 27/05/2009, em 26/06/2009 a protocolou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese o que Ao impugnar os percentuais de rateio utilizados pela contribuinte dos créditos sobre insumos a autoridade fiscal deixou de observar que, por pertencer motivo, a Requerente está sujeita a uma sistemática de PIS e de Cofins especifica, denominada incidência monofásica, para a qual não há qualquer vedação para a utilização de abatimento na apuração da base de cálculo de tais exações no caso de exporta cão de um produto (veículos, por exemplo). Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000351/200441 Acórdão n.º 340301.461 S3C4T3 Fl. 3 5 Diz que, por pertencer ao setor automotivo, sujeitavase às disposições da Lei n° 10.485, de 2002, na questão da tributação do PIS e da Cofins. Prossegue afirmando que nos termos do art. 10 da Lei n° 10.485, de 2002, os veículos acabados sujeitamse à alíquota zero para o PIS e a Cofins, sendo devidas apenas nas saídas efetuadas pelas montadoras para o mercado interno, as alíquotas de 1,47% e 6,79% respectivamente para o PIS e a Cofins. Continua: Entretanto, importante destacar que, no presente caso, não estamos lidando com a venda de produtos acabados para o mercado interno, mas com receitas decorrentes de veículos que são objeto de exportação e, portanto, imunes a incidência do PIS e da Cofins, nos termos do art. 149, §2°, inciso I da CF/88 (imunidade tributária as receitas de exportação). Assim, não havendo incidência do PIS e da Cofins na operação de exportação dos veículos acabados, não há que se falar em sujeição ao regime de recolhimento monofásico previsto na Lei n° 10.485/02, ou mesmo em sistemática cumulativa ou não cumulativa, como pretendeu a D. Autoridade Fiscal por intermédio do Termo de Verificação Fiscal. Em outras palavras, pelo fato de não haver recolhimento de PIS e COFINS na saída dos veículos exportados (e, portanto, não ocorrer a incidência monofásica, cumulativa ou não cumulativo), resta evidente a inaplicabilidade da regra prevista no art. 3°, §7°, da Lei n° 10.637/2002, como pretenderam fazer as DD Autoridades Fiscais. Nos casos como de que ora se cuida, tendo em vista que a Lei n° 10.485/2002 não trata expressamente da hipótese (de produto destinado à exportação, é evidente a necessidade de aplicação da regra prevista no artigo 5°, §1°, da Lei n° 10.637/02, que trata especificamente dos casos de exportação de produtos (onde não há incidência das contribuições sociais) e que reconhece, nessas hipóteses, o direito do contribuinte a manter e aproveitar os créditos decorrentes das etapas anteriores da cadeia produtiva. Frisese que, enquanto o art. 3°, §7°, da Lei n° 10.637/02 é uma regra geral, que dispõe que nas saídas para o mercado interno só darão direito a créditos as operações compreendidas na sistemática não cumulativa do PIS, o §1° do artigo 5° desse mesmo dispositivo é unia regra específica (ou seja, prevalente), que trata do direito a manutenção e aproveitamento dos créditos nos casos de exportação, como é o caso da Requerente (apuração de créditos de PIS/COFINS decorrente de receitas auferidas com as operações de exportação de veículos). A esse respeito, a Requerente anexa a presente decisão proferida nos autos do Processo Administrativo 13820.000358/200462, ocasião que restou homologada à compensação de créditos com COFINS apurados sobre as exportações realizadas em fevereiro c/c 2004. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 6 Ou seja, pela interpretação sistemática dos artigos 3°, §7°c 5°, §1°, ambos da Lei n° 10.637/02, percebese que, no caso com exportação de veículos acabados, deve ser aplicada a regra específica que trata da exportação de produtos e que, portanto, a Requerente, ao fazer o rateio proporcional dos valores a serem, creditados, deverá considerar a totalidade das receitas auferidas com as operações de exportação. Em outra vertente de sua manifestação a contribuinte argumenta que obstar o aproveitamento dos créditos dos insumos utilizados na fabricação dos produtos exportados é ir contra a desoneração das exportações que está na base da imunidade constitucional inscrita no art. 149, §2°, inciso I da CF de 1988. Alega, ainda, que o impedimento ao direito do crédito da sistemática não cumulativa não se coaduna com a racionalidade em que se funda esse regime de apuração. Nesse contexto, reitera que, por pertencer ao setor automotivo, estava sujeita a regras de tributação especificas dispostas na Lei n° 10.485, de 2002. Lembra que os produtos relacionados nos anexos I e II da referida norma estavam sujeitos à alíquota zero de PIS e de Cofins, sendo essas contribuições devidas apenas nas saídas dos veículos acabados das montadoras para o mercado interno sofrendo as alíquotas de 1,47% e 6,79% respectivamente para o PIS e a Cofins. Portanto, prossegue a contribuinte, passou a se sujeitar a uma alíquota global de 8,26% a titulo de PIS e Cofins sem qualquer direito à redução da base de cálculo dessas contribuições, o que invalida o modelo concebido para a não cumulatividade do PIS e da Cofins. E conclui: Ora. DD. Autoridades Julgadoras, resta evidente que a vedação do abatimento constante do artigo 3°, §7°, das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), o qual em nenhum momento foi excepcionado pela legislação especifica aplicável Requerente (Lei n° 10.485/2002), implica majoração da alíquota do PIS e COFINS. Da análise da decisão transcrita acima, no que interessa a presente, depreendese que, a partir da instituição do que se denominou "regime não cumulativo" para a apuração do PIS/COFINS, a elevação das alíquotas dessas contribuições só faz sentido se vier acompanhada de abatimentos legais ("créditos') que neutralizem o impacto econômico sofrido pelos contribuintes, sob pena de haver acréscimo de ônus tributário sendo o correspondente aumento da capacidade contributiva. Desta forma, não restam dúvidas de que a limitação ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em razão da incidência monofásica (entendimento da r. decisão recorrida), em respeito a própria finalidade para que foram promulgadas, jamais poderia restringir o aproveitamento integral dos créditos. ASSIM, revelase inválida, além de incompatível com a técnica da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, a vedação aos créditos nessas circunstancias, sob pena de implicar majoração Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000351/200441 Acórdão n.º 340301.461 S3C4T3 Fl. 4 7 da alíquota do PIS e da COFINS e inconstitucional imposição de um ônus fiscal ao contribuinte. Passa então a contestar a glosa efetuada pela fiscalização quanto aos valores despendidos com frete. Primeiramente, discorre sobre o conceito de insumos, concluindo que nele se incluem as despesas com frete. Depois, cita haver formulado Consulta Administração Tributária com o objetivo de indagar a respeito da correta aplicação da legislação federal no tocante à apuração de créditos de PIS e de COFINS relacionados contratação de serviços de transporte na aquisição dos insumos destinados ao seu processo produtivo (processo n° 13820.000524/200421). Referida consulta resultou favorável contribuinte no sentido de que o valor do frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda compõe o custo do bem, podendo, portanto ser utilizado como crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Coluna nãocumulativos. Ressalta o efeito vinculante da consulta em relação ao contribuinte e as autoridades fiscais e observa que a auditoria contrariou o entendimento disposto na solução de consulta pela administração tributária ao não acatar os créditos da contribuinte calculados sobre fretes. Por fim, alega que a não homologação das declarações de compensação não pode ser acompanhada de multa e de juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito no caso de apresentação de recurso administrativo”. Assim, o debate se refere a possibilidade de incluir as receitas de exportações de produtos do setor automotivo no cálculo para determinar o crédito em decorrência das disposições da Lei nº 10.485/02, incidência monofásica do PIS/COFINS, de aproveitamento créditos decorrentes de aquisição de insumos das etapas anteriores da cadeia produtiva sujeitos a nãocumulatividade. Em razões recursais reprisa os argumentos tecidos em sua impugnação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 8 Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, em sendo assim, tomo conhecimento. A irresignação demonstrada no presente recurso se refere à exclusão das receitas de exportação de veículos do cálculo na determinação do crédito da contribuição, bem como, possível crédito de frete e incidência de multa e juros em relação à falta de pagamento dos créditos indevidamente compensados. A questão central colocada neste caderno processual administrativo concentra em saber se as pessoas jurídicas contribuintes do PIS e COFINS que exercem atividade mista, isto é, parte de suas receita sujeitas ao regime não cumulativo e outra ao cumulativo, no caso essa indagação se estende a determinado produto que o legislador ordinário submeteu à incidência monofásica da Contribuição do PIS/COFINS. O Contribuinte que comercialize mercadorias ou produtos cuja receita de venda esteja sujeita ao modelo monofásico de apuração das contribuições do PIS e COFINS pode apurar créditos tãosomente em relação aos demais custos/despesas elencadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 10.833/03. No caso vertente as receitas provenientes de comercialização de produtos, veículos automotores, no mercado interno encontram submetidos à sistemática cumulativa de apuração sujeitas à tributação concentrada. O fisco entendeu que as receitas provenientes de exportação de veículos automotores deveriam ser afastadas da determinação do rateio em razão de que esse produto encontra submetido à incidência monofásica. Há de se indagar se as receitas de exportação estão sujeitas à incidência de tributos, no caso específico deste caderno em relação ao PIS e COFINS. É de sabença comum que as receitas provenientes de exportação de produtos industrializados foram alçadas à imunidade constitucional pelo art. 149, § 2º, I., inexistindo qualquer dispositivo infraconstitucional a fazer incidir tributos sobre as receitas. Se admitir à impossibilidade de creditamento de PIS e COFINS de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisição de insumos das etapas anteriores da cadeia produtivos sujeitos a nãocumulatividade estarseia indiretamente onerando as receitas provenientes de exportação. O Legislador constitucional buscou por meio de imunidade assegurar a desoneração ampla das receitas provenientes da exportação, garantindo a maior competividade dos produtos nacionais no mercado externo. É sempre bom lembrar que o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento de que critérios de classificação previstos na legislação infraconstitucional não podem ser usados na definição do âmbito de incidência das imunidades tributárias. A desoneração das exportações antes da Emenda Constitucional nº 33/01 já assegurava que as receitas decorrentes de exportação, em geral, estão imunes a contribuições sociais bem como a contribuições de intervenção no domínio econômico conforme redação da Lei 9.004/95 que alterou a Lei nº 7.714/88, que excluiu da base de cálculo da contribuição ao PIS à receita da exportação de mercadorias nacionais. Em sendo assim, a legislação infraconstitucional não possui o condão de onerar as receitas provenientes de exportação, negando o direito ao creditamento das contribuições incidentes sobre os insumos nas etapas anteriores. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000351/200441 Acórdão n.º 340301.461 S3C4T3 Fl. 5 9 As regras contidas na Lei nº 10.485/02 em relação à incidência do PIS e COFINS se referem ao comércio de veículos automotores no mercado interno, tratandose de comércio exterior impõe a observância das normas fixadas pelos artigos 5º, § 1º da lei nº 10.637/02 em relação ao PIS e 6º, § 1º, da Lei 10.833/03 referente ao COFINS. Se as operações de exportação não estão sujeitas à incidência das contribuições sociais não cumulativas, vedar a utilização dos créditos apurados oriundo dos insumos em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, desde que, observados critérios de apuração do crédito, adquiridos na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da receita Federal do Brasil, verdadeiramente implicam em majoração indireta da carga tributária já fixada mediante Lei. O crédito presumido é assegurado a toda empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais como ressarcimento das contribuições, o qual se estende a operação de venda a empresa comercial exportadora, desde que seja com o fim específico de exportação para o exterior. Em sendo assim, as vendas realizadas para exterior não estão submetidas às regras da Lei nº 10.485/02, mas, sim, as normas das Leis nºs 10.637/02 e da Lei 10.833/03, que assegura o direito ao crédito. Arcabouço legal infraconstitucional construído é no sentido de desonerar as receitas de exportação com um único objetivo, tornar os produtos industrializados no Brasil competitivos no mercado externo. De modo que, a regra instituída para o mercado interno não interfere com a modalidade desenhada para o produtor exportador de mercadorias nacionais, para tanto, desenvolveuse instituto próprio cujo crédito fiscal se dá por meio do ressarcimento destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais. Não há qualquer dúvida de que a determinação constitucional direcionada à desoneração das exportações afasta incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre as exportações, existindo norma legal, há de reconhecer a inclusão das receitas de exportação de veículos na determinação do cálculo, mesmo estando o contribuinte sujeito à sistemática monofásica no mercado interno. Assim, tenho como certo o direito da recorrente de incluir no cálculo a totalidade das receitas provenientes da exportação de veículos automotores, e, acolho os argumentos tecidos em defesa ao instituto do credito fiscal destinados ao produtor exportador de mercadorias nacionais. No que tange ao direito ao cálculo de crédito de não cumulatividade sobre frete cabe destacar que a mesma não foi objeto de glosa, portanto, não encontra em debate nestes autos. Não assiste razão a recorrente quanto ao argumento de que é ilegítima a cobrança de multa e de juros de mora sobre o débito cuja compensação deixou de ser homologada. O fato de impugnar tempestivamente não afasta o direito da Fazenda Nacional de exigir multa e juros de mora sobre possível diferença apurada decorrente de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 10 homologação parcial de compensação, constatando insuficiência de recolhimento impõe a exigência de encargo conforme prevê a legislação inerente. Diante do exposto, conheço do recurso dou provimento parcial para reconhecer o direito da recorrente de incluir a totalidade das receitas de vendas externas de veículos automotores no cálculo da determinação do crédito das contribuições sociais referentes às aquisições de insumos. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Com o devido respeito, discordo do voto do conselheiro relator em reconhecer o direito de a recorrente de incluir a totalidade das receitas de vendas externas de veículos automotores no cálculo da determinação do crédito das contribuições sociais referentes às aquisições de insumos. A pretensão da recorrente não pode ser acolhida. A recorrente, empresa pertencente ao setor automotivo, submetiase conforme previsão legal, a incidência monofásica para as Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público(PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), prevista na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, durante o período do crédito aqui discutido. O crédito aqui discutido tem sua formação anterior a vigência de lei da Lei nº 10.865, de 2004, já que se trata de crédito referente a período anterior a 01 de maio de 2004, portanto, antes de surtir efeito as disposições da Lei nº 10.865, de 2004. Mencionada norma legal, como aponta o voto condutor da decisão recorrida, em seus artigos 21 e 37, alterou dispositivos das Leis nº10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003 e nº 10.485, de 2002, de modo que as receitas das vendas dos produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002, passaram a se submeter à incidência dessas contribuições segundo o regime nãocumulativo a partir da vigência dessas alterações, no caso 1º de agosto de 2004, conforme o art. 46, incisos I e IV, da Lei nº 10.865, de 2004, se não houver opção pela antecipação para 1º de maio de 2004, prevista no seu art. 42. A pretensão da recorrente já encontrava óbices no inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, igualmente, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente excluíam do regime cumulativo as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição, como é o caso dos veículos automotores, tratados na Lei nº 10.485, de 2002. Portanto, havia previsão legal expressa dizendo que as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica das contribuições PIS/Pasep e Cofins não integrariam a base de calculo do regime da não cumulatividade. Por sua vez, o art. 8º, inciso VII, alínea "a", da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso VII, alínea "a”, da Lei nº 10.833, de 2003, determinavam que as receitas das vendas Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000351/200441 Acórdão n.º 340301.461 S3C4T3 Fl. 6 11 dos produtos listados nesses incisos, nos quais se incluiu as vendas dos produtos da recorrente, permaneciam sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente a essas leis. Ademais, embora a recorrente argumente como fundamento para inclusão das receitas das vendas no regime não cumulativo, por se tratar de saídas para o externo não seriam disciplinadas pela Lei nº 10.485, de 2002, não há como prevalecer essa tese. Não prevalece porque o foco da norma não é a destinação do produto, mas natureza do produto vendido. A pretensão da recorrente é vedada por lei. O § 7º do art. 3º, das Lei nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, estabelece que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Sem razão a recorrente, como bem fundamentou o voto condutor da decisão recorrida que adoto e tomo a liberdade de transcrevêlo parcialmente: Anteriormente às alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, igualmente, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente excluíam do regime cumulativo as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição, como é o caso dos veículos automotores, tratados na Lei nº 10.485, de 2002: Lei nº 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 12 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Assim, já no desenho tributário formatado por essas leis as receitas decorrentes das vendas de veículos já estavam fora do regime da não cumulatividade. Coerentemente com essas disposições, o art. 8º, inciso VII, alínea "a", da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso VII, alínea "a”, da Lei nº 10.833, de 2003, determinavam que as receitas das vendas dos produtos listados nesse inciso permaneciam sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente a essas leis. Lei nº 10.637, de 2002: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: [...] VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: [...] VII as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; [...] Com base no que até aqui foi exposto, é possível concluir que já no próprio desenho legal traçado pelas Leis nºº10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ficaram excluídas do regime da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas de veículos acabados produzidos pelas montadoras. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000351/200441 Acórdão n.º 340301.461 S3C4T3 Fl. 7 13 Anotese, dessa forma, o equívoco da contribuinte em pretender que a inclusão no regime tome por base a destinação das mercadorias –no caso, vendas ao exterior– e não, ao contrário do que estabelecido pela legislação, a natureza das receitas– decorrentes, na situação dos autos, de vendas de produtos excluídos expressamente do regime da não cumulatividade. As Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ao estipularem que as receitas de vendas dos produtos de que trata Lei nº 10.485, de 2002, não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e permanecem sujeitas às normas anteriores à sua vigência, referemse tanto às vendas no mercado interno quanto no mercado externo. É evidente que o que importa, no contexto dessas leis, é o produto vendido, e não a destinação do produto (mercado interno ou externo). As receitas decorrentes de sua venda, portanto, quer se trate de venda no País ou de exportação, não seguem as normas da cobrança nãocumulativa. Desse modo, os insumos vinculados à produção das receitas decorrentes das vendas dos produtos assinalados na Lei nº 10.485, de 2002, não dão direito à apuração de créditos do regime não cumulativo, de que tratam os art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Essa vedação fica clara pela leitura do que diz, em ambas as leis, o § 7º do art. 3º. O dispositivo estabelece que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º ............................ § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (...) Lei nº 10.833, de 2003: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. [...] Nesse contexto, as receitas decorrentes da exportação de veículos acabados não podem compor o montante das receitas não cumulativas para efeito de definição de percentual de rateio Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 14 dos insumos passives de geração de créditos da não cumulatividade. (...) Em resumo, correto o recálculo do percentual de rateio promovido pela fiscalização, diante da constatação de que a contribuinte incluiu indevidamente no montante das receitas da não cumulatividade, receitas decorrentes da exportação de veículos prontos, as quais estavam expressamente fora do regime da não cumulatividade no período de formação dos créditos aproveitados em DCOMP. Cabe destacar, ainda, que a argumentação construída com o objetivo de evidenciar supostas incoerências ou injustiças fiscais no sistema da não cumulatividade pela vedação à apropriação de créditos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados não se sobrepõe às disposições das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Reiterese, tais diplomas excluem do regime não cumulativo as receitas com origem em exportação de veículos acabados e vedam a geração de créditos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos que não se sujeitam a essa sistemática. Por oportuno trago à colação oportunas lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello [1], in verbis: (...) o princípio da legalidade é o da completa submissão da Administração às leis. Esta deve tão somente obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática. Daí que a atividade de todos os seus agentes, desde o que lhe ocupa a cúspide, isto é, o Presidente da República, até o mais modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis, reverentes, obsequiosos cumpridores das disposições gerais fixadas pelo Poder Legislativo, pois esta é a posição que lhes compete no Direito brasileiro. (...) O princípio da legalidade, no Brasil, significa que a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina. Ao contrário dos particulares, os quais podem fazer tudo o que a lei não proíbe, a Administração só pode fazer o que a lei antecipadamente autorize. Donde, administrar é prover aos interesses públicos, assim caracterizados em lei, fazendoo na conformidade dos meios e formas nela estabelecidos ou particularizados segundo suas disposições. Seguese que a atividade administrativa consiste na produção de decisões e comportamentos que, na formação escalonada do Direito, agregam níveis maiores de concreção ao que já se contém abstratamente nas leis. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira 1 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 26. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 101 e 105. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000351/200441 Acórdão n.º 340301.461 S3C4T3 Fl. 8 15 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Numero do processo: 13888.900586/2006-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação da cópia da DIPJ não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas.
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1801-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação da cópia da DIPJ não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação da cópia da DIPJ não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 05 86 /2 00 6- 11 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1232.115/10 exarado pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 86 a 91, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 78 a 82. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 07789.89468.190505.1.7.025500, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Saldo Negativo de IRPJ Exercício: 2003 (AnoCalendário : 01/01/2002 a 31/12/2002) Valor do Saldo Negativo : R$ 54.580,69 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 54.580,69 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 41.190,03 Posteriormente, foram apresentadas as seguintes DCOMP utilizando o mesmo crédito: 27444.26457.220803.1.7.026113 14874.73129.140605.1.3.021470 41731.13018.140705.1.3.026894 [...] De acordo com o Despacho Decisório de fls. 10, n° de rastreamento 795091003, o direito creditório foi parcialmente reconhecido, pois foi confirmado o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 20.020,14, e não de R$ 54.580,69, como informado no composição do crédito no PER/DCOMP. Como não havia imposto de renda a pagar no final do período, o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002 apurado foi de R$ 20.020,14. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 14/10/2008, fls. 71. Inconformada, interessada apresentou impugnação em 13/11/2008, fls. 01/09, alegando: • O lançamento é nulo de pleno direito, já que não foram discriminados os valores não recolhidos ou não repassados pelas fontes pagadoras, impossibilitando sua defesa. • Todas as suas obrigações foram cumpridas, sendo que o mesmo não ocorreu com as fontes pagadoras, dando ensejo ao direito de ingressar com ação de regresso em face das fontes. • Sofreu tributação do IRPJ retido na fonte, e apurou prejuízo fiscal no final do ano, situação esta que lhe possibilita efetuar restituição ou compensação com tributos devidos a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.900586/200611 Acórdão n.º 1801001.369 S1TE01 Fl. 3 3 • Cita legislação: artigo 170 do CTN, IN SRF n° 21/97, artigo 66 da Lei n° 8.383/91, Lei n° 9.032/95, Lei n° 9.250/95, e artigo 74 da Lei n° 9.430/96. • Uma vez tendo apurado saldo negativo, de acordo com o artigo 6o, §1° da Lei n° 9.430/96, possui o direito à compensação. • Foram juntados aos presente autos todos os comprovantes de saldo negativo de IRPJ. • O crédito reconhecido pela SRF não foi suficiente para compensar os débitos, sendo que a interessada verificou que os valores retidos na fonte não foram repassados ao Fisco pela fonte pagadora. • No entanto, a responsabilidade é da fonte pagadora que efetua a retenção, nos termos do artigo 45 e do artigo 121, § único, ambos do CTN. • Não havendo esse repasse aos cofres públicos, a fonte pagadora deverá se responsabilizar, sendo inclusive caracterizada como depositário infiel, a teor do artigo 1º da Lei 8.866/94. • Cabe à SRF a cobrança do tributo descontado na fonte da interessada. Por outro lado, uma vez pago, é permitida a compensação dos valores retidos indevidamente por conta do prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2002. De acordo com os documentos apresentados, verificase que há saldo das retenções na fonte suficiente para compensar integralmente os débitos tributários, mostrando se totalmente indevida a cobrança concernente ao saldo remanescente das compensações. [...] Voto [...] Com base no Despacho Decisório de fls. 10, o direito creditório foi parcialmente reconhecido, pois não foi confirmada a totalidade do imposto de renda retido na fonte, informada na composição do crédito do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. Em sua defesa, alega primeiro a nulidade do Despacho Decisório, já que não foram discriminados os valores não repassados ou não recolhidos pelas fontes pagadoras, cerceando seu direito de defesa. Este argumento não pode prosperar, já que consta no Despacho Decisório a seguinte orientação: Para informações complementares da análise do crédito, identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, detalhamento da compensação efetuada, verificação dos valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, na opção Serviços ou através de certificação digital na opção eCAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. Assim procedendo, é possível verificar quais fontes pagadoras foram confirmadas em sua totalidade, ou parcialmente, conforme relatório emitido, acostado aos autos às fls. 83 PER/DCOMP Despacho Decisório Análise do Crédito. Com base nas informações constantes no citado relatório, elaborei tabela comparativa entre as parcelas da composição do crédito, informadas no PER/DCOMP apresentado, fls. 78/82, e as parcelas de IRRF confirmadas: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Parcelas informadas na PER/DCOMP Parcelas Confirmadas Diferença 29.737.368/001433 1708 1.753,72 1.753,72 0,00 33.033.028/008169 1708 12.408,43 74,82 12.333,61 57.000.036/000192 1708 14.289,49 14.289,49 0,00 60.500.790/000104 1708 538,84 538,84 0,00 60.643.228/018411 1708 22.278,04 51,10 22.226,94 61.150.751/000260 1708 688,20 688,20 0,00 62.255.682/000130 1708 2.623,97 2.623,97 0,00 Total 54.580,69 20.020,14 34.560,55 [...] Logo, afasto a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, alega que as fontes pagadoras são as responsáveis pelo repasse dos valores retidos a título de imposto de renda, e, uma vez que apurou prejuízo no final do período, tem direito a compensar o saldo negativo de IRPJ. Afirma, ainda, que anexou documentação comprobatória de seu direito. Passo a análise. Considerando que o crédito em questão referese ao saldo negativo de IRPJ, e que tem origem nas retenções do imposto de renda na fonte (IRRF), cabe esclarecer que, uma vez que a interessada optou pelo lucro real, estas retenções são consideradas antecipações do imposto devido, desde que os rendimentos sejam computados para a determinação do lucro real (inciso III do §4° do Art. 2o da Lei 9.430/96). Destacamos, ainda, que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, nos termos do art. 55 da Lei n° 7.450/85, e do § 2o do art. 943 do Regulamento do Imposto de Renda/1999. Isto posto, verificase que, com base na tabela acima, a lide se restringe aos valores retidos pelos CNPJ. 33.033.028/008169 e CNPJ. 60.643.228/018411. As fontes pagadoras informaram, com a apresentação das DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte), valores retidos inferiores aos declarados pela interessada, gerando uma diferença a menor de R$ 34.560,55. Anexei aos autos as referidas DIRF apresentadas, fls. 84/85. Diante das divergências de declarações, caberia à interessada a apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em seu nome, conforme determina a legislação. Este documento seria a comprovação de que a fonte pagadora teria retido valor superior ao efetivamente declarado na DIRF. A partir desta prova, caberia, então, à Administração a cobrança da fonte pagadora pelos valores devidos aos cofres públicos, e reconhecer, desde que cumpridos os demais requisitos, o direito creditório em sua totalidade. Entretanto, em que pese sua afirmação de ter acostados todas as provas necessárias para a comprovação do crédito, não constam os comprovantes de retenção do imposto de renda na fonte, emitidos em nome da interessada pelas fontes pagadoras de CNPJ. 33.033.028/008169 e CNPJ. 60.643.228/018411. Além disso, também não consta a comprovação de que os rendimentos, sobre os quais incidiram a retenção do imposto de renda na fonte, teriam sido oferecidos à tributação. Pelo exposto, já que não estão presentes os requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, ou seja, a certeza e liquidez, conforme artigo Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.900586/200611 Acórdão n.º 1801001.369 S1TE01 Fl. 4 5 170 do CTN, meu voto é pelo indeferimento do pedido, deixando de reconhecer o direito creditório no valor de R$34.560,55. No entanto, a despeito de não reconhecer o direito ao crédito, cumpre verificar que ocorreu a homologação tácita da DCOMP de n° 27444.26457.220803.1.7.026113. [...]” (grifos pertencem ao original) A empresa interpôs tempestivamente (AR – 14/12/10, fls 94; Recurso – 12/01/11, fls. 95) o Recurso de fls. 95 a 105, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A contestação da recorrente não merece ser acolhida. Como fartamente explicitado no acórdão combatido, o documento hábil para comprovar a retenção efetuada pelas fontes pagadoras é o informe de rendimentos ou a própria declaração de informações de retenções – DIRF. A jurisprudência deste Conselho é mansa neste sentido. O único documento apresentado pela recorrente para comprovar o que alega foi a cópia da DIPJ/03, sequer acompanhada dos registros contábeis correspondentes às receitas percebidas e respectivos IRRF pleiteados na Dcomp objeto do presente litígio. Como é cediço, a DIPJ é documento que possui natureza meramente informativa, o qual apresentado sem o respaldo em documentos nos quais se fundamentou a contabilidade da contribuinte, carece de valor probatório. A exigência do informe de rendimentos anual por parte do beneficiário é condição sine qua non para proceder à contabilização dos valores retidos e que consistirão em eventuais créditos. Observese que a obrigatoriedade de exigir os referidos informes de rendimentos é da recorrente. Não pode a recorrente, por omissão sua na época da ocorrência dos fatos e em que deveria ter procedido à contabilização dos valores, requerer que a administração tributária aja em seu favor, a destempo. Equivocase a recorrente ao tentar eximirse da obrigação de possuir tais documentos para respaldar o pedido de restituição dos valores dos tributos retidos por terceiros em seu nome. Assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99), que consolida a legislação tributária sobre a matéria: Beneficiário Pessoa Jurídica Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Subseção III Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifos não pertencem ao original) A recorrente é obrigada por lei a manter em guarda e em bom estado os documentos sobre os quais se firmam direitos ou obrigações discutidos em litígios, até que estes se findem na esfera administrativa, ou judicial. Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000/99 (RIR/99) Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Neste diapasão tem se manifestado a jurisprudência administrativa, pelo que colaciono ao presente julgado o Acórdão nº 1301000.872, prolatado em 10 de abril de 2012: “SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO N A FONTE. A divergência verificada entre os registros de retenção na fonte apontados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros de dados mantidos pela Fazenda Pública podem/devem ser elididos pela apresentação dos respectivos Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.900586/200611 Acórdão n.º 1801001.369 S1TE01 Fl. 5 7 documentos emitidos pela fonte pagadora que comprovem a efetivação da retenção (Informe de rendimentos). A ausência de comprovação pela contribuinte, apesar de reiteradamente intimada para tanto, atua contra ela, fazendo prevalecer, assim, a incerteza do crédito apontado, e a impossibilidade de admissão da compensação pretendida.” Ainda, a decisão proferida pela Primeira Câmara/1ª Seção/Carf – Acórdão nº 110100.688, em 16 de março de 2012: “COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES. PROVA. Na ausência de comprovantes de retenção e ante a declaração a menor de retenções pela fonte pagadora em DIRF, cabe à interessada trazer aos autos as correspondentes notas fiscais de serviço e a prova de seu recebimento pelo valor líquido do IRRF, bem como declaração fidedigna da fonte pagadora de que estes valores especificamente retidos foram recolhidos aos cofres públicos. Evidências contábeis destas alegações são insuficientes para o reconhecimento do crédito pretendido, especialmente quando fonte pagadora e beneficiária são geridas pelo mesmo diretor presidente.” Ademais, o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Não se pode repetir o que não se recolheu aos cofres públicos, por não se ter formado o indébito tributário. Desta forma, a recorrente não trouxe ao litígio documentação hábil capaz de atribuir a liquidez e certeza ao crédito ora pleiteado. Por esta razão, inadmissível o reconhecimento de qualquer crédito além do valor já reconhecido no despacho decisório comprovado nas DIRF entregues pelas fontes pagadorasclientes da recorrente, na qualidade de beneficiária. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10880.928996/2008-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 20/04/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 20/04/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 96 /2 00 8- 71 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS S/Acontra a decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido, em 30/04/2004, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DComp) no 3348 502517.300404.1.3.045144, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de Cofins, período de apuração de 01/04/2003 a 20/04/2003, no valor de R$ 7.189,66, e débito de CSLL e IRPJ do período de apuração do 1º trimestre de 2004. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 790560889, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação, alegando que o valor da contribuição devida no período havia sido recolhido a maior, tendo o despacho decisório se baseado nos dados declarados erroneamente em DCTF, cuja retificação providenciara por meio do programa apropriado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DComp e da DCTF retificadora entregue em 24/09/2008. A DRJ São Paulo I/SP13ª Turma não reconheceu o direito creditório, considerando que a DCTF retificadora fora entregue após a ciência do despacho decisório, não tendo havido, ainda, a apresentação de qualquer documento idôneo que justificasse as alterações promovidas. O Acórdão nº Acórdão 16031.868, de 3 de junho de 2011, fls. 53 a 57, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 15/05/2003 ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, cm razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, devendo vir acompanhada por documentos idôneos para justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DEBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do credito foi utilizado para quitar débito Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.928996/200871 Acórdão n.º 3403002.125 S3C4T3 Fl. 120 3 confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, 60 a 68, requerendo a reforma do acórdão da DRJ São Paulo I/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, arguindo que o crédito declarado efetivamente existe, em razão do que a DCTF retificadora deve ser analisada, em conformidade com o princípio da verdade material. Segundo o Recorrente, sendo a DCTF o meio apto a constituir o crédito tributário, o teor da retificadora deveria ter sido objeto de averiguação na primeira instância administrativa, pelo menos, via diligência à repartição de origem. Ao final, protesta pela juntada futura de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários e de identificação de seu representante legal. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 60 a 68 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP113ª Turma nº Acórdão 16 031.868, de 3 de junho de 2011. A propósito, o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis da 3ª TE desta Seção relatou processo idêntico ao ora sub judice, na sessão de julgamento de 23 de fevereiro de 2013. Por partilhar integralmente de seu entendimento, transcrevo na íntegra o seu voto, que adoto como razão de decidir. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Conforme o relator a quo já havia constatado, o contribuinte, ao ser cientificado da não homologação da compensação e do não reconhecimento do direito creditório, procurou retificar a DCTF no sentido de ajustar suas informações à realidade pretendida na Declaração de Compensação. No entanto, para que a DCTF retificadora produzisse efeitos imediatos, com alteração dos débitos confessados, ela deveria ter sido apresentada anteriormente ao início do procedimento fiscal, nos termos do art. 11, § 2º, inc. III, da Instrução Normativa RFB nº 786, de 14/12/2007, bem como da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Além disso, ainda que se considerasse a DCTF retificadora intempestivamente apresentada pelo Recorrente, ela não o socorreria, pois que desacompanhada de qualquer documento comprobatório do crédito alegado, como a escrituração contábilfiscal que demonstrasse a apuração da contribuição devida no período. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP e da DCTF retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte nada acrescenta, trazendo aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários, protestando por entrega futura dos documentos comprobatórios que alega possuir. 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.928996/200871 Acórdão n.º 3403002.125 S3C4T3 Fl. 121 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fazendo minhas as palavras do Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, a quem homenageio, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13820.000353/2004-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Não Cumulatividade. Insumos. Rateio. Vendas ao exterior. Receitas de produtos sujeitos ao regime Monofásico. Inexistência de direito a crédito. Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, e produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.462
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designada a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Ramos Pazello. OAB/SP nº 195.745.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Não Cumulatividade. Insumos. Rateio. Vendas ao exterior. Receitas de produtos sujeitos ao regime Monofásico. Inexistência de direito a crédito. Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, e produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designada a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Ramos Pazello. OAB/SP nº 195.745. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Liduína Maria Alves Macambira – Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Liduina Maria Alves Macambira, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa General Motors do Brasil S/A contra a decisão que homologou parcialmente o pedido de compensação e restituição de crédito de PIS/PASEP decorrrentes de exportação de produtos industrializados relativo ao período de Extraíse do Despacho Decisório que o motivo do indeferimento decorre de irregularidades no tocante ao critério adotado, vez que, a Interessada fez incluír no cálculo receitas de exportação de veículos automotores, as quais estão sujeitas a incidência cumulativa do PIS e da COFINS. Assim, encontra empresso na decissão ora hostilizada de que a Recorrente não pode incluir no cálculo da determinação do crédito receita de exportação de veículos automotores por estar sumbmetida a sistemática cumulativa, de modo que, há irregularidade na apuração dos valores utilizados no que diz respeito ao critério de rateio dos montantes de PIS/Pasep a que teria direito, relativos aos insumos aplicados nos produtos em relação a totalidade das exportações realizadas no período de apuração. Assim sendo, adoto como relatório o consignado no Acórdão recorrido por revelar a situação dos autos, vejamos: “Em 28/01/2004 a contribuinte protocolou Declaração de Compensação —DCOMP de fl. 01, compensando debito próprio com crédito de PIS originado da sistemática não cumulativa, apurado em operações de exportação e não aproveitado na dedução da contribuição devida, como indicado à fl. 02. Abriuse procedimento fiscal com o objetivo de averiguar a regularidade da compensação declarada. Do procedimento, resultou o TERMO DE VERIFICAÇÃO PARCIAL que integra os autos, no qual a autoridade responsável pela auditoria aponta o que constatou do exame da documentação apresentada pela empresa, bem como se posiciona a respeito da existência do crédito utilizado em compensação: 1) DIFERENÇAS ENTRE OS DEMONSTRATIVOS ANALÍTICOS ELABORADOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE E OS DACON: Comparandose os demonstrativos com os Dacon, constatouse algumas diferenças, especialmente na linha 03 das fichas 04. Essas diferenças, por si só, já ensejariam a reconstituição dessas fichas no intuito de se apurar os valores corretos dos créditos. 2) DISTORÇÕES NOS CÁLCULOS DOS PERCENTUAIS DE RATEIO: No entanto, apurouse ainda irregularidades no tocante ao critério de rateio dos créditos relativos aos insumos aplicados em produtos exportados. [...] Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000353/200430 Acórdão n.º 340301.462 S3C4T3 Fl. 2 3 na apuração dos percentuais de rateio dos créditos relativos a insumos aplicados em produtos, mercadorias e serviços exportados, o contribuinte o fez com base na relação percentual das receitas. No entanto, no caso das exportações, o contribuinte considerou a receita da totalidade dos produtos exportados de forma incorreta. Isto porque, durante o período fiscalizado, a maior parte de suas receitas de exportação foram de veículos automotores, os quais eslavani sujeitos a incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Neste sentido, confirase o parágrafo 7° do art. 3º das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833 (COFINS): § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A fim de apurar o correto percentual de rateio dos insumos, solicitamos [...] que o contribuinte nos informasse os valores das exportações de veículos separadamente dos demais produtos, mercadorias e serviços. A resposta se deu pelo fornecimento de planilhas [.] Com base nessas planilhas, elaboramos demonstrativo de recalculo dos percentuais de rateio a serem aplicados nos insumos utilizados em produtos exportados. 0 Termo de Verificação segue com tabela de recálculos dos percentuais de mos para fins de apuração dos créditos da sistemática da não cumulatividade. O fiscal, referindose a irregularidades constatadas quanto aos montantes de fls. 3) FRETES 3.1) CRÉDITO INDEVIDO DE PIS SOBRE FRETE EM JAN/04 Constatouse que o contribuinte informou valores de fretes [.] no Dacon de forma indevida. A Lei 10.637/02, que introduziu a sistemática da não cumulatividade para o PIS a partir de 01/12/02 não permitia o creditamento sobre fretes. O creditamento de valores de frete passou a ser permitido pela Lei 10833/03, que introduziu a sistemática da não cumulatividade para a Cofins a partir de 01/02/04 e estendeu esse beneficio também para o PIS. Referido valor foi por nós glosado. 3.2) CRÉDITO INDEVIDO DE PIS SOBRE FRETE EM FEV/04 E MAR/04: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 4 Solicitouse que o contribuinte explicasse as diferenças entre os valores da linha 13 informados nas fichas 04 (PIS) e 06 (Cofins) do Dacon nos meses de fev/04 e mar/04, visto que, em principio, os valores deveriam ser iguais. Em resposta, o contribuinte apresentou demonstrativos analíticos mais detalhados dessas linhas, onde se verifica que houve o creditamento indevido de PIS (ficha 04, linha 13) sobre fretes incorridos em 2003. 0 mesmo não se verificou com relação à Cofins (Ficha 06, linha 13). Igualmente, referidos valores foram por nós glosados. Ante todo o exposto, reconstituímos os preenchimentos das fichas 04 e 06 dos Dacons do período fiscalizado, utilizandose dos percentuais de rateio por nós recalculados e das bases de cálculo informadas nos demonstrativos analíticos fornecidos pelo contribuinte bem como os demonstrativos detalhados das PIS (linhas 13 fichas 04 e 06 dos meses de fev/04 e mar/04). Continuando o TERMO, a autoridade fiscal inclui os demonstrativos de recálculo dos valores dos créditos sobre insumos aplicados em produtos exportados, apurando diferenças nos montantes de R$ 10.521.817,05 para o PIS e R$ 3.460.613,03 em relação Cofins. Parte dos créditos de PIS apurados a maior pela contribuinte (R$ 907.512,82), esclarece o auditor, foi indevidamente utilizada como dedução do PIS devido sobre operações no mercado interno. Na sequência, afirma o fiscal que: A diferença de RS 9.614.304,23 foi utilizado mediante compensação, assim resumida (...) No final, conclui a auditoria: Ante todo o exposto, ratificamos a glosa de todas as diferenças apuradas devendo as compensações indevidas serem objeto de não homologação expressa por parte do Setor de Orientação e Análise Tributária (Seort) desta Delegacia. O Seort da unidade de origem, por sua vez, no Despacho Decisório que segue ao Termo de Verificação Fiscal, orientandose pela recomendação dada pela auditoria, não homologou a compensação declarada que se utilizou de crédito acima do valor como recalculado pela fiscalização. Notificada do teor do despacho decisório em 27/05/2009, em 26/06/2009 a protocolou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese o que Ao impugnar os percentuais de rateio utilizados pela contribuinte dos créditos sobre insumos a autoridade fiscal deixou de observar que, por pertencer motivo, a Requerente está sujeita a uma sistemática de PIS e de Cofins especifica, denominada incidência monofásica, para a qual não há qualquer vedação para a utilização de abatimento na apuração da base de cálculo de tais exações no caso de exporta cão de um produto (veículos, por exemplo). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000353/200430 Acórdão n.º 340301.462 S3C4T3 Fl. 3 5 Diz que, por pertencer ao setor automotivo, sujeitavase às disposições da Lei n° 10.485, de 2002, na questão da tributação do PIS e da Cofins. Prossegue afirmando que nos termos do art. 10 da Lei n° 10.485, de 2002, os veículos acabados sujeitamse à alíquota zero para o PIS e a Cofins, sendo devidas apenas nas saídas efetuadas pelas montadoras para o mercado interno, as alíquotas de 1,47% e 6,79% respectivamente para o PIS e a Cofins. Continua: Entretanto, importante destacar que, no presente caso, não estamos lidando com a venda de produtos acabados para o mercado interno, mas com receitas decorrentes de veículos que são objeto de exportação e, portanto, imunes a incidência do PIS e da Cofins, nos termos do art. 149, §2°, inciso I da CF/88 (imunidade tributária as receitas de exportação). Assim, não havendo incidência do PIS e da Cofins na operação de exportação dos veículos acabados, não há que se falar em sujeição ao regime de recolhimento monofásico previsto na Lei n° 10.485/02, ou mesmo em sistemática cumulativa ou não cumulativa, como pretendeu a D. Autoridade Fiscal por intermédio do Termo de Verificação Fiscal. Em outras palavras, pelo fato de não haver recolhimento de PIS e COFINS na saída dos veículos exportados (e, portanto, não ocorrer a incidência monofásica, cumulativa ou não cumulativo), resta evidente a inaplicabilidade da regra prevista no art. 3°, §7°, da Lei n° 10.637/2002, como pretenderam fazer as DD Autoridades Fiscais. Nos casos como de que ora se cuida, tendo em vista que a Lei n° 10.485/2002 não trata expressamente da hipótese (de produto destinado à exportação, é evidente a necessidade de aplicação da regra prevista no artigo 5°, §1°, da Lei n° 10.637/02, que trata especificamente dos casos de exportação de produtos (onde não há incidência das contribuições sociais) e que reconhece, nessas hipóteses, o direito do contribuinte a manter e aproveitar os créditos decorrentes das etapas anteriores da cadeia produtiva. Frisese que, enquanto o art. 3°, §7°, da Lei n° 10.637/02 é uma regra geral, que dispõe que nas saídas para o mercado interno só darão direito a créditos as operações compreendidas na sistemática não cumulativa do PIS, o §1° do artigo 5° desse mesmo dispositivo é unia regra específica (ou seja, prevalente), que trata do direito a manutenção e aproveitamento dos créditos nos casos de exportação, como é o caso da Requerente (apuração de créditos de PIS/COFINS decorrente de receitas auferidas com as operações de exportação de veículos). A esse respeito, a Requerente anexa a presente decisão proferida nos autos do Processo Administrativo 13820.000358/200462, ocasião que restou homologada à compensação de créditos com COFINS apurados sobre as exportações realizadas em fevereiro c/c 2004. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 6 Ou seja, pela interpretação sistemática dos artigos 3°, §7°c 5°, §1°, ambos da Lei n° 10.637/02, percebese que, no caso com exportação de veículos acabados, deve ser aplicada a regra específica que trata da exportação de produtos e que, portanto, a Requerente, ao fazer o rateio proporcional dos valores a serem, creditados, deverá considerar a totalidade das receitas auferidas com as operações de exportação. Em outra vertente de sua manifestação a contribuinte argumenta que obstar o aproveitamento dos créditos dos insumos utilizados na fabricação dos produtos exportados é ir contra a desoneração das exportações que está na base da imunidade constitucional inscrita no art. 149, §2°, inciso I da CF de 1988. Alega, ainda, que o impedimento ao direito do crédito da sistemática não cumulativa não se coaduna com a racionalidade em que se funda esse regime de apuração. Nesse contexto, reitera que, por pertencer ao setor automotivo, estava sujeita a regras de tributação especificas dispostas na Lei n° 10.485, de 2002. Lembra que os produtos relacionados nos anexos I e II da referida norma estavam sujeitos à alíquota zero de PIS e de Cofins, sendo essas contribuições devidas apenas nas saídas dos veículos acabados das montadoras para o mercado interno sofrendo as alíquotas de 1,47% e 6,79% respectivamente para o PIS e a Cofins. Portanto, prossegue a contribuinte, passou a se sujeitar a uma alíquota global de 8,26% a titulo de PIS e Cofins sem qualquer direito à redução da base de cálculo dessas contribuições, o que invalida o modelo concebido para a não cumulatividade do PIS e da Cofins. E conclui: Ora. DD. Autoridades Julgadoras, resta evidente que a vedação do abatimento constante do artigo 3°, §7°, das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), o qual em nenhum momento foi excepcionado pela legislação especifica aplicável Requerente (Lei n° 10.485/2002), implica majoração da alíquota do PIS e COFINS. Da análise da decisão transcrita acima, no que interessa a presente, depreendese que, a partir da instituição do que se denominou "regime não cumulativo" para a apuração do PIS/COFINS, a elevação das alíquotas dessas contribuições só faz sentido se vier acompanhada de abatimentos legais ("créditos') que neutralizem o impacto econômico sofrido pelos contribuintes, sob pena de haver acréscimo de ônus tributário sendo o correspondente aumento da capacidade contributiva. Desta forma, não restam dúvidas de que a limitação ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em razão da incidência monofásica (entendimento da r. decisão recorrida), em respeito a própria finalidade para que foram promulgadas, jamais poderia restringir o aproveitamento integral dos créditos. ASSIM, revelase inválida, além de incompatível com a técnica da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, a vedação aos créditos nessas circunstancias, sob pena de implicar majoração Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000353/200430 Acórdão n.º 340301.462 S3C4T3 Fl. 4 7 da alíquota do PIS e da COFINS e inconstitucional imposição de um ônus fiscal ao contribuinte. Passa então a contestar a glosa efetuada pela fiscalização quanto aos valores despendidos com frete. Primeiramente, discorre sobre o conceito de insumos, concluindo que nele se incluem as despesas com frete. Depois, cita haver formulado Consulta Administração Tributária com o objetivo de indagar a respeito da correta aplicação da legislação federal no tocante à apuração de créditos de PIS e de COFINS relacionados contratação de serviços de transporte na aquisição dos insumos destinados ao seu processo produtivo (processo n° 13820.000524/200421). Referida consulta resultou favorável contribuinte no sentido de que o valor do frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda compõe o custo do bem, podendo, portanto ser utilizado como crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Coluna nãocumulativos. Ressalta o efeito vinculante da consulta em relação ao contribuinte e as autoridades fiscais e observa que a auditoria contrariou o entendimento disposto na solução de consulta pela administração tributária ao não acatar os créditos da contribuinte calculados sobre fretes. Por fim, alega que a não homologação das declarações de compensação não pode ser acompanhada de multa e de juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito no caso de apresentação de recurso administrativo”. Assim, o debate se refere a possibilidade de incluir as receitas de exportações de produtos do setor automotivo no cálculo para determinar o crédito em decorrência das disposições da Lei nº 10.485/02, incidência monofásica do PIS/COFINS, de aproveitamento créditos decorrentes de aquisição de insumos das etapas anteriores da cadeia produtiva sujeitos a nãocumulatividade. Em razões recursais reprisa os argumentos tecidos em sua impugnação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, em sendo assim, tomo conhecimento. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 8 A irresignação demonstrada no presente recurso se refere à exclusão das receitas de exportação de veículos do cálculo na determinação do crédito da contribuição, bem como, possível crédito de frete e incidência de multa e juros em relação à falta de pagamento dos créditos indevidamente compensados. A questão central colocada neste caderno processual administrativo concentra em saber se as pessoas jurídicas contribuintes do PIS e COFINS que exercem atividade mista, isto é, parte de suas receita sujeitas ao regime não cumulativo e outra ao cumulativo, no caso essa indagação se estende a determinado produto que o legislador ordinário submeteu à incidência monofásica da Contribuição do PIS/COFINS. O Contribuinte que comercialize mercadorias ou produtos cuja receita de venda esteja sujeita ao modelo monofásico de apuração das contribuições do PIS e COFINS pode apurar créditos tãosomente em relação aos demais custos/despesas elencadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 10.833/03. No caso vertente as receitas provenientes de comercialização de produtos, veículos automotores, no mercado interno encontram submetidos à sistemática cumulativa de apuração sujeitas à tributação concentrada. O fisco entendeu que as receitas provenientes de exportação de veículos automotores deveriam ser afastadas da determinação do rateio em razão de que esse produto encontra submetido à incidência monofásica. Há de se indagar se as receitas de exportação estão sujeitas à incidência de tributos, no caso específico deste caderno em relação ao PIS e COFINS. É de sabença comum que as receitas provenientes de exportação de produtos industrializados foram alçadas à imunidade constitucional pelo art. 149, § 2º, I., inexistindo qualquer dispositivo infraconstitucional a fazer incidir tributos sobre as receitas. Se admitir à impossibilidade de creditamento de PIS e COFINS de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisição de insumos das etapas anteriores da cadeia produtivos sujeitos a nãocumulatividade estarseia indiretamente onerando as receitas provenientes de exportação. O Legislador constitucional buscou por meio de imunidade assegurar a desoneração ampla das receitas provenientes da exportação, garantindo a maior competividade dos produtos nacionais no mercado externo. É sempre bom lembrar que o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento de que critérios de classificação previstos na legislação infraconstitucional não podem ser usados na definição do âmbito de incidência das imunidades tributárias. A desoneração das exportações antes da Emenda Constitucional nº 33/01 já assegurava que as receitas decorrentes de exportação, em geral, estão imunes a contribuições sociais bem como a contribuições de intervenção no domínio econômico conforme redação da Lei 9.004/95 que alterou a Lei nº 7.714/88, que excluiu da base de cálculo da contribuição ao PIS à receita da exportação de mercadorias nacionais. Em sendo assim, a legislação infraconstitucional não possui o condão de onerar as receitas provenientes de exportação, negando o direito ao creditamento das contribuições incidentes sobre os insumos nas etapas anteriores. As regras contidas na Lei nº 10.485/02 em relação à incidência do PIS e COFINS se referem ao comércio de veículos automotores no mercado interno, tratandose de comércio exterior impõe a observância das normas fixadas pelos artigos 5º, § 1º da lei nº 10.637/02 em relação ao PIS e 6º, § 1º, da Lei 10.833/03 referente ao COFINS. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000353/200430 Acórdão n.º 340301.462 S3C4T3 Fl. 5 9 Se as operações de exportação não estão sujeitas à incidência das contribuições sociais não cumulativas, vedar a utilização dos créditos apurados oriundo dos insumos em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, desde que, observados critérios de apuração do crédito, adquiridos na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da receita Federal do Brasil, verdadeiramente implicam em majoração indireta da carga tributária já fixada mediante Lei. O crédito presumido é assegurado a toda empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais como ressarcimento das contribuições, o qual se estende a operação de venda a empresa comercial exportadora, desde que seja com o fim específico de exportação para o exterior. Em sendo assim, as vendas realizadas para exterior não estão submetidas às regras da Lei nº 10.485/02, mas, sim, as normas das Leis nºs 10.637/02 e da Lei 10.833/03, que assegura o direito ao crédito. Arcabouço legal infraconstitucional construído é no sentido de desonerar as receitas de exportação com um único objetivo, tornar os produtos industrializados no Brasil competitivos no mercado externo. De modo que, a regra instituída para o mercado interno não interfere com a modalidade desenhada para o produtor exportador de mercadorias nacionais, para tanto, desenvolveuse instituto próprio cujo crédito fiscal se dá por meio do ressarcimento destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais. Não há qualquer dúvida de que a determinação constitucional direcionada à desoneração das exportações afasta incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre as exportações, existindo norma legal, há de reconhecer a inclusão das receitas de exportação de veículos na determinação do cálculo, mesmo estando o contribuinte sujeito à sistemática monofásica no mercado interno. Assim, tenho como certo o direito da recorrente de incluir no cálculo a totalidade das receitas provenientes da exportação de veículos automotores, e, acolho os argumentos tecidos em defesa ao instituto do credito fiscal destinados ao produtor exportador de mercadorias nacionais. No que tange ao direito ao cálculo de crédito de não cumulatividade sobre frete cabe destacar que a mesma não foi objeto de glosa, portanto, não encontra em debate nestes autos. Não assiste razão a recorrente quanto ao argumento de que é ilegítima a cobrança de multa e de juros de mora sobre o débito cuja compensação deixou de ser homologada. O fato de impugnar tempestivamente não afasta o direito da Fazenda Nacional de exigir multa e juros de mora sobre possível diferença apurada decorrente de homologação parcial de compensação, constatando insuficiência de recolhimento impõe a exigência de encargo conforme prevê a legislação inerente. Diante do exposto, conheço do recurso dou provimento parcial para reconhecer o direito da recorrente de incluir a totalidade das receitas de vendas externas de Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 10 veículos automotores no cálculo da determinação do crédito das contribuições sociais referentes às aquisições de insumos. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Com o devido respeito, discordo do voto do conselheiro relator em reconhecer o direito de a recorrente de incluir a totalidade das receitas de vendas externas de veículos automotores no cálculo da determinação do crédito das contribuições sociais referentes às aquisições de insumos. A pretensão da recorrente não pode ser acolhida. A recorrente, empresa pertencente ao setor automotivo, submetiase conforme previsão legal, a incidência monofásica para as Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público(PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), prevista na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, durante o período do crédito aqui discutido. O crédito aqui discutido tem sua formação anterior a vigência de lei da Lei nº 10.865, de 2004, já que se trata de crédito referente a período anterior a 01 de maio de 2004, portanto, antes de surtir efeito as disposições da Lei nº 10.865, de 2004. Mencionada norma legal, como aponta o voto condutor da decisão recorrida, em seus artigos 21 e 37, alterou dispositivos das Leis nº10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003 e nº 10.485, de 2002, de modo que as receitas das vendas dos produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002, passaram a se submeter à incidência dessas contribuições segundo o regime nãocumulativo a partir da vigência dessas alterações, no caso 1º de agosto de 2004, conforme o art. 46, incisos I e IV, da Lei nº 10.865, de 2004, se não houver opção pela antecipação para 1º de maio de 2004, prevista no seu art. 42. A pretensão da recorrente já encontrava óbices no inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, igualmente, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente excluíam do regime cumulativo as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição, como é o caso dos veículos automotores, tratados na Lei nº 10.485, de 2002. Portanto, havia previsão legal expressa dizendo que as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica das contribuições PIS/Pasep e Cofins não integrariam a base de calculo do regime da não cumulatividade. Por sua vez, o art. 8º, inciso VII, alínea "a", da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso VII, alínea "a”, da Lei nº 10.833, de 2003, determinavam que as receitas das vendas dos produtos listados nesses incisos, nos quais se incluiu as vendas dos produtos da recorrente, permaneciam sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente a essas leis. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000353/200430 Acórdão n.º 340301.462 S3C4T3 Fl. 6 11 Ademais, embora a recorrente argumente como fundamento para inclusão das receitas das vendas no regime não cumulativo, por se tratar de saídas para o externo não seriam disciplinadas pela Lei nº 10.485, de 2002, não há como prevalecer essa tese. Não prevalece porque o foco da norma não é a destinação do produto, mas natureza do produto vendido. A pretensão da recorrente é vedada por lei. O § 7º do art. 3º, das Lei nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, estabelece que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Sem razão a recorrente, como bem fundamentou o voto condutor da decisão recorrida que adoto e tomo a liberdade de transcrevêlo parcialmente: Anteriormente às alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, igualmente, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente excluíam do regime cumulativo as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição, como é o caso dos veículos automotores, tratados na Lei nº 10.485, de 2002: Lei nº 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 12 IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Assim, já no desenho tributário formatado por essas leis as receitas decorrentes das vendas de veículos já estavam fora do regime da não cumulatividade. Coerentemente com essas disposições, o art. 8º, inciso VII, alínea "a", da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso VII, alínea "a”, da Lei nº 10.833, de 2003, determinavam que as receitas das vendas dos produtos listados nesse inciso permaneciam sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente a essas leis. Lei nº 10.637, de 2002: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: [...] VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: [...] VII as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; [...] Com base no que até aqui foi exposto, é possível concluir que já no próprio desenho legal traçado pelas Leis nºº10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ficaram excluídas do regime da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas de veículos acabados produzidos pelas montadoras. Anotese, dessa forma, o equívoco da contribuinte em pretender que a inclusão no regime tome por base a destinação das mercadorias –no caso, vendas ao exterior– e não, ao contrário do que estabelecido pela legislação, a natureza das receitas– decorrentes, na situação dos autos, de vendas de produtos excluídos expressamente do regime da não cumulatividade. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000353/200430 Acórdão n.º 340301.462 S3C4T3 Fl. 7 13 As Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ao estipularem que as receitas de vendas dos produtos de que trata Lei nº 10.485, de 2002, não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e permanecem sujeitas às normas anteriores à sua vigência, referemse tanto às vendas no mercado interno quanto no mercado externo. É evidente que o que importa, no contexto dessas leis, é o produto vendido, e não a destinação do produto (mercado interno ou externo). As receitas decorrentes de sua venda, portanto, quer se trate de venda no País ou de exportação, não seguem as normas da cobrança nãocumulativa. Desse modo, os insumos vinculados à produção das receitas decorrentes das vendas dos produtos assinalados na Lei nº 10.485, de 2002, não dão direito à apuração de créditos do regime não cumulativo, de que tratam os art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Essa vedação fica clara pela leitura do que diz, em ambas as leis, o § 7º do art. 3º. O dispositivo estabelece que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º ............................ § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (...) Lei nº 10.833, de 2003: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. [...] Nesse contexto, as receitas decorrentes da exportação de veículos acabados não podem compor o montante das receitas não cumulativas para efeito de definição de percentual de rateio dos insumos passives de geração de créditos da não cumulatividade. (...) Em resumo, correto o recálculo do percentual de rateio promovido pela fiscalização, diante da constatação de que a contribuinte incluiu indevidamente no montante das receitas da não cumulatividade, receitas decorrentes da exportação de Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 14 veículos prontos, as quais estavam expressamente fora do regime da não cumulatividade no período de formação dos créditos aproveitados em DCOMP. Cabe destacar, ainda, que a argumentação construída com o objetivo de evidenciar supostas incoerências ou injustiças fiscais no sistema da não cumulatividade pela vedação à apropriação de créditos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados não se sobrepõe às disposições das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Reiterese, tais diplomas excluem do regime não cumulativo as receitas com origem em exportação de veículos acabados e vedam a geração de créditos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos que não se sujeitam a essa sistemática. Por oportuno trago à colação oportunas lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello [1], in verbis: (...) o princípio da legalidade é o da completa submissão da Administração às leis. Esta deve tão somente obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática. Daí que a atividade de todos os seus agentes, desde o que lhe ocupa a cúspide, isto é, o Presidente da República, até o mais modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis, reverentes, obsequiosos cumpridores das disposições gerais fixadas pelo Poder Legislativo, pois esta é a posição que lhes compete no Direito brasileiro. (...) O princípio da legalidade, no Brasil, significa que a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina. Ao contrário dos particulares, os quais podem fazer tudo o que a lei não proíbe, a Administração só pode fazer o que a lei antecipadamente autorize. Donde, administrar é prover aos interesses públicos, assim caracterizados em lei, fazendoo na conformidade dos meios e formas nela estabelecidos ou particularizados segundo suas disposições. Seguese que a atividade administrativa consiste na produção de decisões e comportamentos que, na formação escalonada do Direito, agregam níveis maiores de concreção ao que já se contém abstratamente nas leis. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira 1 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 26. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 101 e 105. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Numero do processo: 10920.004625/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
ÁGIO. DEDUÇÃO. REQUISITOS FORMAIS APARENTEMENTE PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE AVALIAR A MATERIALIDADE DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ÁGIO. O ágio se caracteriza pela diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição (art. 20, II, do DL 1.598, de 1.977).
A transferência de ações da empresa investidora para a empresa investida e posterior incorporação desta pela primeira, sem que a incorporadora nada tenha desembolsado, não materializa pagamento a maior, que é elemento essencial à caracterização do ágio.
Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto, quer nas empresas incorporadas, quer na empresa incorporadora, não houve pagamento pela aquisição. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio.
MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê-leão. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício.
A alteração do artigo 44, II, alíneas a e b, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta, quando devida, por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano-calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê-leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e a argüição de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada de que trata o item 002 do auto de infração. Vencido o conselheiro Leonardo de Andrade Couto que negava provimento integralmente.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 ÁGIO. DEDUÇÃO. REQUISITOS FORMAIS APARENTEMENTE PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE AVALIAR A MATERIALIDADE DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ÁGIO. O ágio se caracteriza pela diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição (art. 20, II, do DL 1.598, de 1.977). A transferência de ações da empresa investidora para a empresa investida e posterior incorporação desta pela primeira, sem que a incorporadora nada tenha desembolsado, não materializa pagamento a maior, que é elemento essencial à caracterização do ágio. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto, quer nas empresas incorporadas, quer na empresa incorporadora, não houve pagamento pela aquisição. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê-leão. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas a e b, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta, quando devida, por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano-calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê-leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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GLOSA AMORTIZAÇÃO DE AGIO Recorrente LUNENDER TEXTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ÁGIO. DEDUÇÃO. REQUISITOS FORMAIS APARENTEMENTE PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE AVALIAR A MATERIALIDADE DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ÁGIO. O ágio se caracteriza pela diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição (art. 20, II, do DL 1.598, de 1.977). A transferência de ações da empresa investidora para a empresa investida e posterior incorporação desta pela primeira, sem que a incorporadora nada tenha desembolsado, não materializa pagamento a maior, que é elemento essencial à caracterização do ágio. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto, quer nas empresas incorporadas, quer na empresa incorporadora, não houve pagamento pela aquisição. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnêleão. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 46 25 /2 01 0- 01 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 3 2 pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta, quando devida, por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa.” Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do anocalendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnêleão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e a argüição de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada de que trata o item 002 do auto de infração. Vencido o conselheiro Leonardo de Andrade Couto que negava provimento integralmente. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório LUNENDER TEXTIL LTDA, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972, recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. O auto de infração notificado à recorrente em 01/12/2010, consta das fls. 341 e seguintes e descreve as seguintes infrações relacionadas aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, com o enquadramento legal que segue: 001 AMORTIZAÇÕES Valores não amortizáveis Fato gerador Valor Tributável Multa 31/12/2005 R$ 7.774.883,44 75% 31/12/2006 R$ 7.774.883,44 75% 31/12/2007 R$ 7.774.883,44 75% Enquadramento Legal: Art. 13, inciso III, da Lei no 9.249/95; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§ 2º e 4º, e 325, do RIR/99. 002 MULTAS ISOLADAS. Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada Data Valor da multa isolada 31/12/2005 R$ 297.277,74 31/01/2006 R$ 50.899,33 31/08/2006 R$ 295.619,43 31/12/2006 R$ 959.360,43 31/12/2007 R$ 455.610,83 Enquadramento Legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º , inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei nº 5.172/66.; Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º , inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em relação ao item 002 da autuação, à fl. 377 do Termo de Verificação Fiscal, encontrase destacado que a autuação deuse em face do fato de que "as glosas de despesas operadas pela Fiscalização repercutiram na determinação da base de cálculo da estimativa mensal para recolhimento obrigatório do IRPJ e CSLL, quando utilizado o Balanço ao Balancete de Suspensão ou Redução." 003 JUROS ISOLADOS. Falta de recolhimento de juros de mora (IRPJ). Juros de mora sobre o imposto de renda pessoa jurídicaestimada devido e não recolhido. (Obs. esta exigência também se deu em relação à CSLL fl. 352 sendo cancelada pela DRJ). Data Valor dos juros isolados 31/12/2005 R$ 8.502,13 31/01/2006 R$ 14.017,68 31/08/2006 R$ 30.980,92 31/06/2006 R$ 20.722,19 31/12/2007 R$ 4.237,18 Enquadramento Legal. arts. 843 e 953 do RIR/99. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 5 4 O valor do crédito tributário apurado é de R$ 18.965.448,77 e a descrição dos fatos que originaram as infrações constam do Termo de Verificação Fiscal de fls. 363 e seguintes, de onde se extraem os detalhes da autuação, que a seguir se reproduz, de forma resumida, com as palavras dos autuantes: 4. INFRAÇÕES APURADAS 4.1 Glosa de Despesas 4.1.1. Amortização de ágio interno Em 11 de outubro de 2004 foi constituída a empresa AL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., fls.91 a 105, CNPJ 07.164.933/000163, com capital social de R$ 7.421.100,00 (...) composto de 7.421.100 (..) quotas no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. [...] Seu patrimônio é composto unicamente da participação societária na empresa LUNENDER S/A., CNPJ 75.552.133/000170, Ficha 51 — Participação Permanente em Coligadas ou Controladas (LR e LA), onde está consignado o valor de R$ 7.421.100,00. [...] As fls. 104 a 105, está a 1° alteração contratual realizada em 31 de dezembro de 2004, de AL Administração e Participações Ltda., onde foi aprovada a proposta de incorporação de seu patrimônio líquido pela Sociedade Lunender S/A. As fls. 106 a 108, está o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da Empresa AL Administração e Participações Ltda. [...] Em 1° de dezembro de 2004, foi constituída a empresa LUNENDER PARTICIPAÇÕES LTDA., com capital social equivalente a R$ 60.000.000,00 (..), composto de 60.000.000 (.) de quotas, de valor nominal de R$ 1,00 cada. Seu patrimônio é composto unicamente da participação societária na empresa LUNENDER S/A., CNRI 75.552.133/000170, Ficha 51 — Participação Permanente em Coligadas ou Controladas (LR e IA), DIPI 2004, onde está consignado o valor de R$ 71.286.459,09. Aqui acrescidos os resultados equivalentes a R$ 11.287.659,09. [...] As fls. 157 a 158, está a 1° alteração contratual realizada em 31 de dezembro de 2004, de Lunender Participações Ltda., onde foi aprovada a proposta de incorporação de seu patrimônio liquido pela Sociedade Lunender S/A. fls. 159 a 160, está o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido da Empresa Lunender Participações Ltda. Assim ficou registrada a operação em sua contabilidade, conforme sua resposta, fls.163 e 164: [...] Lançamentos referentes a amortização do ágio a partir de janeiro de 2005: [...] Fl. 604DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 6 5 Em verdade LUNENDER S/A incorporou as empresas (AL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕ ES LTDA. e LUNENDER PARTICIPAÇÕES LTDA.), cujo capital era constituído em sua totalidade por ações da própria LUNENDER S/A., registra o ágio em conta do ativo diferido, em contrapartida de reserva para aumento de capital, para em seguida, realizar a despesa de amortização do referido ágio. E o que pode ser denominado de ágio interno, pois é a amortização do ágio de si mesma. Marco Aurélio Grecco destaca em sua obra (Planejamento tributário, 2004) que o elemento relevante quando se está perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal. Em matéria tributária, tão ou mais importante que o preenchimento das formalidades legais para sua constituição é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. [..] Nesse contexto, qual seria o papel das incorporadas AL ADMINISTRAÇÃO LTDA. e LUNENDER PARTICIPAÇÕES LTDA? Marco Aurélio Grecco cita uma situação que é perfeitamente aplicável ao caso sob exame. É a que se chama de empresa de passagem", que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transmitir um patrimônio ou um determinado recurso. As outras são sociedades efêmeras ou de curta duração que nasce para morrer ou para ser extinta tão logo cumpra seu papel em determinada operação. Registramos que AL ADMINISTRAÇÃO LTDA. teve sua abertura em 11 de outubro de 2004 e incorporação em 31 de dezembro de 2004, e LUNENDER PARTICIPAÇÕES LTDA, existiu por um único dia, isto é, aberta em 30 de dezembro de 2004 e incorporada em 31 de dezembro de 2004. As incorporadas tiveram como finalidade única a geração de ágio à LUNENDER S/A. [...] Segundo a doutrina contábil (Sérgio de Iudicibus e outros, Manual de Contabilidade, 2003), "o conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. "E, acrescentese no presente caso, que não ocorreu qualquer pagamento referente ao ágio, não houve qualquer fluxo financeiro, houve tão somente a contabilização do ágio. [...] Na legislação tributária, o ágio em investimentos está disposto no art. 385 do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77. Em síntese, o comando legal determina que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição, desdobrar o custo da aquisição em valor do patrimônio liquido e ágio ou deságio na aquisição do investimento. 0 lançamento do ágio ou deságio deverá indicar o fundamento econômico. Observese que a legislação tributária mantém os pressupostos do ágio da doutrina contábil: a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do ágio. LUNENDER S/A ao incorporar AL ADMINISTRAÇÃO LTDA. e LUNENDER PARTICIPAÇÕES LTDA., contabilizou o ágio transferido em conta do ativo diferido, tendo como contrapartida a conta reserva para aumento de capital, do patrimônio liquido. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 7 6 Conforme exposto anteriormente, tanto para a doutrina, quanto para a legislação tributária, os pressupostos do ágio são participação societária e fundamento econômico do ágio. LUNENDER S/A não recebeu qualquer participação societária. As próprias quotas do capital não são participações societárias, pois nenhuma empresa participa de si mesma. Portanto, o primeiro pressuposto do ágio (participação societária) não foi atendido. 0 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), quando da edição do Acórdão n°10517.219, de 5 de dezembro de 2007, julgando caso análogo, assim disse: "Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que do ponto vista formal, os atos societários tenham atendido legislação aplicável (não se questiona este aspecto), do ponto de vista econômico o registro do ágio, em transações como essas, somente seria concebível entre partes independentes. Portanto, ausente também o segundo pressuposto do ágio, o fundamento econômico, podemos concluir, então, que não há ágio. Relembremos, ainda mais uma vez, que não houve qualquer desembolso, qualquer fluxo financeiro em contrapartida ao ágio contabilizado, por parte da Lunender S/A. [....] Em verdade, não faz sentido algum reconhecer, na contabilidade, o resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade. Isso é, na realidade, geração artificial de resultado. Em razão do que foi exposto, as amortizações de despesas relacionadas ao ágio foram glosadas, repercutindo na apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. As fls.364 está o demonstrativo, extraído da contabilidade da fiscalizada, apontando o valor mensal de R$ 639.753,62 (.), amortizado, mensalmente, desde 31 de janeiro de 2005 até 31 dezembro de 2007, valores estes que são objeto de glosa. [....] Apresentada impugnação, a DRJ deu parcial provimento ao recurso para cancelar os lançamentos a título de Juros de Mora Exigidos Isoladamente, nas importâncias de R$ 78.460,11 e de R$ 17.307,54, tais como formalizadas nos Autos de Infração de IRPJ (fl.336) e de CSLL (fl.352), respectivamente. Intimada decisão acima referida, de forma tempestiva a parte interessada apresentou recurso sustentando, alegando, em síntese, o que segue: (i) que o auto de infração baseouse no artigo 13, III, da Lei nº 9.249, de 1995 e artigos 249, I, 251, parágrafo único, 299, 324, §§ 2º e 4º e 325, todos do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, contudo, o caso concreto trata de amortização de ágio decorrente de aquisição de participação societária, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, cujo tratamento tributário são os artigos 385, 386 e 391, todos do Regulamento do Imposto de Renda. Assim, impõese reconhecer a nulidade da autuação haja vista que os dispositivos invocados mostramse inaplicáveis (fl. 386); Fl. 606DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 8 7 (ii) é inquestionável que os laudos juntados, correspondem à avaliação de acordo com a rentabilidade futura. Logo, certo é que a operação praticada decorre da orientação prevista no artigo 386, inciso III, do RIR/99 (fl. 394); (iii) as pessoas jurídicas envolvidas ao implementarem a combinação da reestruturação societária com os dispositivos legais supra transcritos, tornaram o ágio amortizável como despesas operacional, tudo conforme previsto na legislação (fl. 394); (iv) a Impugnante adquiriu as empresas AL Administração e Participações Ltda e Lunender Participações Ltda o ágio em questão já estava registrado nessas empresas respectivamente. Assim sendo, no momento da incorporação das referidas empresas o valor atinente ao ágio foi adquirido por sucessão; (v) não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legitimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo na lei (fl. 395); (vi) que não cabe juros de mora, com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício (fl. 403). Às fls. 398/399 a recorrente sintetiza os argumentos de seu recurso com base destacando os seguintes pontos: (1) Tratase de aquisição de participação societária, com apuração de ágio com fundamento em expectativa rentabilidade futura, cujo tratamento tributário é aquele previsto nos artigos 385, 386 e 391 do RIR de 1999; (2) Os laudos já juntados correspondem, inquestionavelmente, a avaliação do ágio de acordo com a rentabilidade futura; (3) A operação praticada decorre da orientação prevista no artigo 386, inciso III, do RIR/99; (4) Ademais, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legitimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo na lei; (5) Em atenção ao principio da livre iniciativa, assegurado constitucionalmente, é garantido ao contribuinte à liberalidade na realização de suas operações. Ou seja, prevalece a liberdade do interesse e de ação para os contribuintes em respeito à autonomia privada consagrada pela Carta Magna. Além dos argumentos acima, no item 4 do recurso a recorrente sustenta que não cabe juros isolados e no item 5 (fl. 401) sustenta a impossibilidade de concomitância da multa de ofício com a multa isolada. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes Da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões suscitadas. I Da preliminar de nulidade do auto de infração Sustenta a recorrente que o auto de infração é nulo posto que se encontra fundamentado no artigo 13, III, da Lei nº 9.249, de 1995 e artigos 249, I, 251, parágrafo único, 299, 324, §§ 2º e 4º, todos do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Contudo, no seu entender, o caso concreto trata de amortização de ágio decorrente de aquisição de participação societária, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, cujo tratamento tributário são os artigos 385, 386 e 391, todos do Regulamento do Imposto de Renda. Nos casos de aquisição societária, o valor a maior desembolsado pela investidora corresponde à receita na empresa investida e despesa para a adquirente da participação societária. Em outras palavras, se X paga 10 por algo contabilizado por 6, até que recupere o valor correspondente ao patrimônio que já possuía, não terá riqueza nova. Tal valor, à luz do artigo 342, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, abaixo transcrito, é considerado custo. "Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 15, § 1º)." O artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, trata das despesas dedutíveis. O valor pago a maior na aquisição de participação societária é despesa necessária à produção. O auto de infração está fundamentado, dentre outros dispositivos, no artigo 13, II, da Lei nº 9.249 de 1995, que assim dispõe: Lei nº 9.249, de 1995. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no artigo 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: ... III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Do que se extrai da autuação a autoridade fiscal, pelas razões que expôs, entendeu que o ágio amortizado não se constitui em despesa necessária à produção dos bens e serviços da recorrente. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 10 9 O argumento da recorrente de que a autuação deveria darse com base artigos 385, 386 e 391, todos do Regulamento do Imposto de Renda, não subsiste. Estes tratam da dedução do ágio. A autoridade fiscal não os invocou por entender que as despesas correspondentes ao ágio analisado nestes autos não eram dedutíveis. Se as despesas forem dedutíveis tal questão dirá respeito ao mérito. Por tais razões, rejeito a preliminar de nulidade. II Dos fundamentos da autuação De início, destaco que não levarei em consideração, neste voto, quaisquer elementos relacionados aos fundamentos econômicos do ágio, isto é, a possível insubsistência ou deficiência do laudo de fls. que calculou o montante do ágio tendo por base os elementos lá considerados. Assim procedo porque em momento algum a autoridade fiscal imputa defeito ou imperfeição material ao citado laudo capaz de infirmar os valores lá apontados. A causa da autuação é outra, qual seja, de que não ocorreram os pressupostos legais para formação do ágio cujas despesas foram deduzidas pela recorrente. Ainda, a título de considerações iniciais, rejeito os argumentos daqueles que sustentam a existência do ágio somente nas transações que ocorrem entre partes independentes ou que este pressupõe pagamento em pecúnia. No Direito Brasileiro os resultados e o patrimônio líquido de empresa integrante a determinado grupo, para efeitos contábeis e tributários, não se comunicam com os resultados e o patrimônio líquido das outras empresas do grupo. Tanto é assim que o prejuízo de uma das empresas, para efeitos tributários, não pode ser compensado com o lucro obtido por outra. O artigo 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, ao determinar que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada, deve adotar determinados procedimentos em relação ao ágio ou deságio, estanca qualquer dúvida quanto à possibilidade de ágio entre empresas do mesmo grupo. Afirmar de modo diferente seria desconsiderar o texto da lei para justificar interpretação subjetiva. Neste sentido observase a lição de Humberto Ávila: "...a aquisição da participação acionária pode ser feita de várias maneiras, sem deixar de ser uma aquisição. Tanto é assim que o artigo 7º da Lei das S.A. prevê que o capital poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro;" e o seu artigo 8º estabelece que, caso seja feita a conferência com entrega de bens, a sua avaliação será feita por três peritos ou por empresa especializada. O fato da participação societária não ter sido adquirida em dinheiro não quer dizer que ela não tenha conteúdo econômico nem que ela não tenha existido. A aquisição de ativo não deixa de ser uma aquisição, nem o ativo deixa de ser um ativo, porque não foi pago em dinheiro vivo."1 Havendo aquisição de participação por valor superior ao investimento (patrimônio líquido), haverá ágio, tenha esta aquisição ocorrida entre empresas do mesmo grupo ou não. Ademais, quando a lei fala em aquisição esta pode se dar por qualquer meio legal, isto é, negócio jurídico que tenha por efeito a transmissão da propriedade de participação em coligada ou controlada. O que deve haver, conforme observa o Professor Ricardo Mariz de 1 Humberto Ávila. Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição mediante Conferência em ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material. IN. Revista Dialética de Direiro Tributário, nº 205, pág. 181. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 11 10 Oliveira2 , "é a transmissão da propriedade pela qual a investida adquira participação, salvo a hipótese excepcional de aquisição por doação ou subvenção sempre há uma contraprestação, e esta corresponde ao custo, por ser a obrigação da adquirente necessária a adquirir a participação3. No que diz respeito a existência de ágio interno, Ricardo Mariz de Oliveira aponta como exemplo a situação em que um dos sócios adquire parcialmente as quotas de outro sócio ou nos casos de aumento de capital não subscrito por todos os sócios, ou em que um novo sócio entre na sociedade subscrevendo aumento de capital. Neste sentido, seguem os seguintes fundamentos: "De outra banda, o ágio pode ser uma necessidade de determinado ato ou negócio jurídico, a fim de evitar prejuízo para o alienante ou para terceiros. Realmente, nestas situações encontramos, por exemplo, a hipótese em que o detentor da participação de uma empresa jurídica a aliena apenas parcialmente para o outro sócio, conservando para si outra parte, a qual ficaria desvalorizada perante um preço pago por seu sócio nesta empresa. Em outras palavras, pagando menos, o adquirente ficaria numa posição econômica mais vantajosa em relação às proporções de participações na empresa sua, a sua e a do alienante, que seria resultante do negócio entre eles e nas suas repercussões sobre o patrimônio da empresa e seus lucros futuros. Também encontramos a situação em que o ágio ocorre no ato jurídico de aumento de capital, que não seja subscrito por todos os sócios nas mesmas proporções, ou em que um novo sócio entre na sociedade subscrevendo aumento de capital." (....) No texto acima, após destacar que situações inversas aos exemplos elencados não justificariam a formação do ágio, o autor finaliza com as seguintes considerações: "...há, sim, situações em que se justifica o ágio dentro de um mesmo grupo, como, por exemplo, e em tese, quando uma pessoa jurídica subscreva capital de outra cujo controlador seja a mesma pessoa física ou jurídica que a controle, mas cujas pessoas jurídicas (a que aumenta o capital e a que subscreva) tenham acionistas minoritários distintos entre elas, hipótese que ocorre comumente quando se trata de companhias abertas. Ao meu sentir, superadas as questões relacionadas às formas de aquisição de participação societária, isto é, em moeda ou mediante conferência de ações ou quotas sociais, para que ocorra a dedução do ágio, seja ele entre empresas no mesmo grupo ou não, seja pago em aporte financeiro ou mediante conferência de ações ou quotas, é necessário que o adquirente, em contrapartida a aquisição da participação, transfira para a esfera patrimonial da empresa investida recursos, em espécie ou não, que representam valor econômico superior ao patrimônio líquido da empresa investida ou, no caso de aquisição de parte, proporcionalmente superior. 2 Questões Atuais sobre o Ágio Interno Rentabilidade Futura e Intangível Dedutibilidade das Amortizações As Interrelações entre a Contabilidade e o Direito. In Controvérsias JurídicoContábeis. Coordenadores Roberto Quiroga Mosqueira e Alexandro Broedel Lopes. Revista Dialética. São Paulo 2010. pág. 231. 3 No parágrafo seguinte do texto citado Ricardo Mariz de Oliveira adentra na questão relacionada ao ágio interno com o seguinte destaque incial, o qual enfrentarei mais adinate: "Portanto, para haver ágio ou deságio há que haver uma aquisição e um custo de aquisição, o que parece se acaciano, mas coloca a questão do ágio interno, que em tese existe exatamente quando não haja uma aquisição real." Fl. 610DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 12 11 Em determinadas autuações, quando a investidora é controladora da investida, a autoridade fiscal não tem admitido a dedução do ágio sob o argumento de que ninguém adquire aquilo que já lhe pertence. Dado o sistema de independência contábil e de avaliação patrimonial das empresas integrantes do mesmo grupo, onde cada uma é considerada como ente jurídico autônomo de forma que os aspectos contábeis ou lucros auferidos numa não influem nos aspectos tributários da outra, tal argumento não se sustenta. Nesta linha, volto à lição de Humberto Ávila no sentido de que "a legislação aplicável, em nenhum momento, condiciona a existência de ágio à independência societária e ao pagamento em moeda da aquisição societária4." Ainda que, em última análise, as ações ou quotas sociais de uma empresa, ao fim e ao cabo, sempre estão relacionadas a uma pessoa física, o patrimônio e a personalidade jurídica de uma e de outra não se confundem. Para os efeitos contábeis e tributários são entes distintos. Quanto ao conceito aos fundamentos econômicos do ágio, na declaração de voto que apresentei no acórdão nº 140200.802, que resultou conhecido como "Caso Santander", fiz o seguinte destaque: (...) Quanto ao conceito de ágio, este decorre do artigo 20, II, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, que definiu ágio ou deságio como “a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição”. O aproveitamento deste, por coligada ou controlada, com base em expectativa de lucro nos exercícios futuros, deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (art. 20, § 2º, b, e § 3º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977). O fundamento econômico da amortização do ágio, com base em expectativa de lucros futuros, está no fato de que os resultados necessários para se chegar ao ponto de equilíbrio entre o patrimônio líquido e o valor pago a maior, quando da aquisição, não se constitui em lucro, mas sim rendimentos necessários à recomposição do patrimônio do investidor. Neste sentido, colho a seguinte lição extraída do Manual de Contabilidade das Sociedades Anônimas5: “o ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos resultados estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é que o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. (...)” 4 Humberto Ávila. Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição mediante Conferência em ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material. IN. Revista Dialética de Direiro Tributário, nº 205, pág. 181. 5 Fundação Instituto de Pesquisas Contábeios, Atuariais e Financeiras. Manual de contabilidade das sociedades por ações : aplicável às demais sociedades / FIPECAFI; diretor responsável Sérgio de Iudícibus; coordenador técnico Eliseu Martins, supervisor de equipe de trabalho Ernesto Rubens Gelbcke, 7ª. ed., 2ª.reimp., São Paulo: Atlas, 2007, p. 176. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 13 12 Com o Programa Nacional de Desestatização foi editada a Lei nº 9.532, de 1997, estabelecendo novas normas para aproveitamento do ágio. No caso, dado os limites do litígio apontados anteriormente, interessa o artigo 7º, III, que segue transcrito: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Assim, a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação acionária adquirida com ágio, se o fundamento econômico do ágio for “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, poderá amortizar o ágio nos balanços correspondentes de apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração. A regra do artigo art. 7º, III, da Lei 9.532, de 1997, por disposição expressa do artigo 8º, b, da mesma lei, a seguir transcrito, também se aplica quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária, isto é, nos casos de incorporação inversa. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. A situação prevista no artigo 8º tem por finalidade conjugar questões tributárias com os procedimentos de reorganizações societárias, inclusive de ordem legal. Há casos em que a incorporadora não tem interesse ou não preenche requisitos para prosseguir operando no segmento de atuação da investida. O exemplo dos autos demonstra exatamente esta situação. Por se tratar de instituição financeira que necessita de autorização do Banco Central para operar, qualquer empresa que viesse a adquirila, se não tivesse autorização do Bacen para atuar no mercado financeiro, necessitaria ser incorporada pelo Banespa e não o contrário. Daí a necessidade de o legislador prever a incorporação inversa, sem prejuízo da amortização do ágio. Retomando o caso concreto, passo a destacar as operações societárias que, no entender da recorrente, originaram o ágio. II Das operações societárias Em outubro de 2004 a empresa LUNENDER S/A utiliza parte de seu capital social para integralizar participação na empresa AL Administração e Participações Ltda. Como esta integralização deuse pelo valor de mercado foi contabilizado ágio na empresa AL Administração e Participações. Em 31 de dezembro de 2004 a empresa LUNENDER S/A Fl. 612DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 14 13 incorporou a empresa AL Administração e Participações Ltda e trouxe nesta incorporação o ágio contabilizado na incorporada, passando a deduzilo. Idêntico procedimento deuse em relação à empresa Lunender Participações Ltda, constituída em 1º de dezembro de 2004, também, com quotas do capital social da empresa LUNENDER S/A, sendo incorporada por sua controladora em 31/12/2004. Em sua defesa a recorrente destaca as disposições legais contidas no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977 e art. 7º da Lei 9.532, de 1997. Diz, em outras palavras, que o ágio decorrente desta avaliação possui dedutibilidade permitida conforme artigo 36 da Lei nº 10.636, de 2002. Assim, passo analisar o alcance e a interpretação dos dispositivos aqui citados, iniciando pelo artigo 36, da Lei nº 10.637, de 2002, "in verbis": “Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º. O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º. Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º.”6 Conforme observa o Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., em troca de correspondências eletrônicas em que debatemos o assunto7, "até 1994, em função da hiperinflação, no Brasil os Balanços eram demonstrados com os ajustes denominados de 'Correção Monetária de Balanços' (Lei 6.404/76). Para fins de contabilidade tributária, os itens permanentes do Balanço (basicamente Ativo Permanente e Patrimônio Líquido) eram ajustados em função de um coeficiente fornecido pelo governo (com base em algum índice de inflação). Nesse caso, havendo saldo credor da correção monetária, o valor era ainda ajustado pelas variações monetárias, que poderiam aumentar ou reduzir o saldo a ser tributado pelo imposto de renda. Esse sistema foi criado pelo DL 1.598/77, em função da preocupação com o acréscimo ao lucro de valores tido como nãofinanceiros (ajustes decorrentes da inflação), o que poderia resultar em impostos a pagar sem que as empresas tivessem de fato o numerário em caixa. Tal entendimento não era majoritário entre os acadêmicos da classe contábil, mas 6 Este dispositivo foi revogado pelo art. 133, da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência até 31.12.2005. 7 No debate acadêmico estabelecido com o Conselheiro João Carlos Cassuli Jr. este me encaminhou artigo de sua autoria, ainda não publicado, intitulado "A Opção Legal de Reavaliação Patrimonial trazida pelo artigo , da Lei nº 10.637/2002 e o Planejamento Tributário. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 15 14 continuou durante muitos anos como um dos principais 'incentivos tributários' às empresas brasileiras com vultosos ativos imobilizados8. Com o fim da correção do patrimônio das empresas surgiu um descompasso entre o valor de mercado e o valor contábil do patrimônio líquido. Tal dicotomia passou a afetar a capacidade de alavancagem e obtenção de crédito das empresas. Quanto maior a defasagem do patrimônio líquido menor eram os recursos obtidos pela empresa e, igualmente, menor era sua credibilidade financeira no mercado. Neste sentido, os seguintes registros do Conselheiro João Cassuli, no artigo antes indicado: "Para contornar tal fato veio o artigo 36 da Lei nº 10.637 de 2002, passando a admitir a possibilidade de correção das quotas sociais pelo preço de mercado, estabelecendo que a diferença decorrente desta avaliação deveria ser controlada na parte B do Lalur, com tributação diferida para o momento da alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado. Em outras palavras, esta diferença decorrente da reavaliação é receita 100% (cem por cento) tributável, só que com tributação diferida. O artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002 não dispensa o contribuinte de tributar a receita. O § 2º do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, com vigência até 31 de dezembro de 2005, estabelecia que não era "considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º.”9. Além do disposto no artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, encontravamse integrado no sistema jurídico, exigindo interpretação harmônica, o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispondo: Decretolei nº. 1.598/1977 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Parágrafo 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Parágrafo 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 8 http://pt.wikipedia.org/wiki/Atualiza%C3%A7%C3%A3o_monet%C3%A1ria#Corre.C3.A7.C3.A3o_Monet.C3. A1ria_de_Balan.C3.A7os, consultado 15.05.2012.) 9 Este dispositivo foi revogado pelo art. 133, da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência até 31.12.2005. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 16 15 Parágrafo 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras ‘a’ e ‘b’ do parágrafo 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Lei nº 9.532, de 1997. “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;” O objetivo do artigo 36 da Lei 10.637, de 2002, era evitar que a diferença a maior decorrente da reavaliação fosse tributada antes de ser realizada. Ocorre que § 2º do citado artigo estabelecia que não seria "considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º.” Tal fato resultou num descompasso entre a amortização do ágio e a realização prevista no caput do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Para o Conselheiro João Cassuli, a norma, de forma lícita, permitia a dedução da despesa correspondente ao ágio antes da realização das receitas decorrentes da reavaliação. Assim, "os efeitos que foram produzidos durante sua vigência devem ser respeitados, já que desencadearam atos que possivelmente foram praticados com vistas à opção fiscal que estava em vigor, e, consequentemente, por questão de segurança jurídica e certeza do direito, devem ser preservados a salvo da tributação. Por consequência, temse que não pode ser tributada a receita diferida sob o pálio do art. 36, da Lei nº 10.637/2002, assim como a contrapartida desta reavaliação, consistente no ágio registrado pela emissora das participações subscritas com as quotas/ações reavaliadas, ainda que transferidas em virtude de evento societário, devendo produzir os efeitos que lhe são próprios, conforme as regras vigentes no ordenamento." A posição do Conselheiro João Carlos Cassuli, por maioria, era acolhida pela Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção. Neste sentido segue a ementa do acórdão da lavra do ilustre Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, no conhecido voto do Caso Gerdau: ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 17 16 ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. 0 fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. 0 conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. 0 lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. 0 fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas s6 pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. No momento em que o ágio estava contabilizado nas empresas incorporadas, sob os aspectos contábeis, formais e na ótica da estrita interpretação da lei, o ágio deduzido pela empresa recorrente preenche todos os requisitos. Se este relator tivesse como parâmetro a conduta de aplicar a literalidade da lei, tornandose, na expressão de Montesquieu de que "o juiz é a boca da lei", a conclusão seria pela procedência do recurso. Contudo, a concepção do julgador como mero aplicador da lei é incompatível com a realidade, pois a legislação é incapaz de normatizar todas as condutas humanas. Para a compreensão do litígio e a adequada solução requerse um processo hermenêutico. Nesta linha e com base no entendimento de que "a contabilidade não é uma verdade em si mesma, mas instrumento para que uma realidade externa a ela seja conhecida e interpretada", para que o ágio seja caracterizado faz necessário o desembolso, em moeda ou bens que o represente, pela empresa investidora. A transferência de ações da empresa investidora para a empresa investida e posterior incorporação desta pela primeira, sem que a incorporadora nada tenha desembolsado, não materializa pagamento a maior, que é elemento essencial à caracterização do ágio. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 18 17 Em relação ao questionamento para que se apontasse, de forma específica, qual a norma violada pela recorrente, destaco que o direito deve ser interpretado como um todo orgânico, tendo por norte a finalidade a que ele se destina. Aqui, como fundamentos de decidir, transcrevo as razões que apresentei em declaração de voto quando do exame dos processos nºs 16643.000069/200954 e 16643.000300/201043, julgados, respectivamente, nas sessões de 09 de maio e 11 de setembro de 2012, "in verbis": Para os que se prendem ao texto da lei, sem se darem conta de que o Direito é um todo orgânico, não sendo lícito ao intérprete ou julgador apreciarlhe de forma fragmentada, sem a largueza de vistas do conhecedor perfeito de uma ciência e das outras disciplinas propedêuticas e complementares, conforme cita Carlos Maximiliano10,11 destaco que a interpretação literal, em que pese ser a mais fácil, não raro, leva a soluções imperfeitas. Vale aqui mencionar dois exemplos, repetidamente citado pelos doutrinadores, que demonstram a relevância do que afirmo: 1. RECASÉNSSICHES descreve uma controvérsia surgida na Polônia no início do século XX. Um letreiro colocado à entrada de uma estação de trem proibia, com base em lei, o acesso às escadas externas de pessoas acompanhadas de um cachorro. Um camponês pretendeu chegar à escadaria acompanhado de um urso. O chefe da estação barrouo na entrada. Os adeptos da interpretação literal da lei certamente acusariam o funcionário de arbitrariedade. Mas seria razoável permitir a entrada do camponês, acompanhado de um urso, sob a argumentação de que “urso” não é “cachorro”? 2. Outro exemplo nos é dado por PERELMAN, em sentido oposto ao de RECASÉNSSICHES. Um letreiro, colocado na entrada de um parque público, proíbe a entrada de veículos. Um cidadão sofre um enfarte dentro do parque. Chamase uma ambulância. Seria razoável que o porteiro impedisse a entrada da ambulância, arriscando a vida do enfartado? Quando penso sobre o absurdo da interpretação literal, lembrome de um caso referido por JEAN CRUET, ao escrever, em 1908, “A vida do Direito e a Inutilidade das Leis”. Conta ele que se citava na Inglaterra uma anedota simbólica: "a de um homem que tendo furtado dois carneiros foi absolvido, porque só era punível o furto de “um carneiro”. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto, quer nas empresas incorporadas quer na empresa incorporadora, não houve pagamento pela aquisição das quotas sociais. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio. Na interpretação teleológica que tem por critério a finalidade da norma, a alegação de que o valor decorrente da reavaliação societária (art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002) 10 Carlos Maximiliano. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 12a. Edição. Ed. Forense. 1992. pág. 195. 11 Por sinal, é de Carlos Maximiliano a frase: “Quem só atende à letra da lei, não merece o nome de jurisconsulto; é simples pragmático.” Fl. 617DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 19 18 se constitui receita, com tributação diferida, e que era possível a dedução do ágio antes da tributação da referida receita, não se mostra como argumento jurídico suficiente para acolher a tese da recorrente. Contudo, em face do que tem sido sustentado da tribuna onde as partes argumentam que não se pode glosar o ágio e manter o valor respectivo valor na contabilidade da empresa investida como sendo receita diferida, o entendimento do Colegiado é no sentido de que se a receita não serve para caracterizar o ágio deve ser desconsiderada para efeitos de tributação. O que não se pode é dizer que a receita decorrente da reavaliação é apta a ensejar a tributação e inapta para efeitos de caracterização do ágio. III. Da questão relacionada à proteção à confiança Destaquei, em meu voto, que a aplicação literal das normas em questão permitem a dedução do ágio. Porém, mesmo assim, como sempre tenho procedido, optei pela interpretação teleológica buscando a finalidade da lei e votei por negar provimento, no que diz respeito à dedução do ágio. Contudo, entendo que merecem reflexões, por todos quanto examinarem a matéria, a questão relacionada ao princípio da confiança. Em inúmeras situações, ao encaminhar informe de rendimentos para fins de declaração de imposto de renda pessoa física, a fonte pagadora especifica que certos valores não são tributáveis. Confiando na informação recebida, contribuintes apresentam declarações sem oferecer tais rendimentos à tributação. Quando a autoridade fiscal entende que se tratam de rendimentos tributáveis, lavra auto de infração com multa de 75%. Tendo por norte que não deve se punir quem agiu de boafé, aprovouse a Súmula nº 73, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. No caso do ágio, salvo os casos de dolo ou fraude, os contribuintes, seguindo interpretação literal da norma e aproveitandose de um "regime jurídico" criado pelo próprio Poder Legislativo, deduziram o ágio. A questão que se põe é se em assim agindo praticaram infração à lei ao ponto de serem punidos com multa 75%. Havendo omissão, isto é, não oferecimento da receita à tributação aplicase multa de 75%. Nos casos que esta omissão vem acompanhada de dolo, fraude ou simulação a multa é de 150%. No entanto, há que se enfrentar a situação quando o não oferecimento do lucro à tributação decorre da interpretação literal da lei. Nestes casos, em entendendo o Fisco, assim como este relator, que a interpretação teleológica há de prevalecer sobre a interpretação literal, resta saber se nestes casos temse a multa de 75%, ou se a dedução do ágio levado a efeito pelo contribuinte decorre de erro escusável. Mais, as reflexões aqui postas ganham relevância quando se percebe que doutrina abalizada, dentre as quais cito Humberto Àvila12 e Eliseu Martins13, sustentam que não se pode punir o contribuinte que foi induzido a seguir a norma aprovada pelo legislador. Neste sentido, por bem dimensionar o problema, peço vênia para transcrever a posição do 12 Humberto Ávila. Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição mediante Conferência em ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material. IN. Revista Dialética de Direiro Tributário, nº 205, pág. 181. 13 http://mauronegruni.com.br/2012/08/28/dedutibilidadefiscaldaamortizacaodoagio. Consulta em 20/03/2013. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 20 19 Professor Eliseu Martins, em notícia que extraída da INTERTET, publicada no Jornal Valor Econômico de 28/08/2012: "Sobem a muitos bilhões de reais as autuações fiscais nos últimos anos por amortização do ágio gerado na aquisição de participações societárias. E, por tudo que se comenta, uma medida provisória que estaria por sair poderia simplesmente vedar totalmente essa amortização a partir do próximo ano. Como essa amortização do ágio tem, não raro, influência enorme no preço das ações ou quotas das empresas sendo total ou parcialmente adquiridas, é lógico que proprietários e investidores se mobilizam para evitar alteração tão drástica. Argumentos econômicos muito fortes evidenciam que menos dólares entrariam no Brasil nas aquisições de empresas por estrangeiros, ou que a simples depreciação dos preços dessas ações ou quotas poderia desacelerar as operações que, por causa das mudanças de mãos, ajudam a melhorar as empresas e a economia. Arguise também que tem aumentado, ao redor do mundo, os incentivos governamentais a tais operações via essa dedutibilidade e estaríamos na contramão. Há também que se notar que a Receita Federal tem razão ao reclamar, pois muitas operações foram montadas para obtenção de benefícios sem que de fato quaisquer mudanças de controle ou de gerenciamento ocorressem, principalmente naquelas acontecidas entre empresas dentro do mesmo grupo econômico. Só que isso ocorreu por culpa do próprio governo, e não (que se saiba) das empresas. Tudo começou com o DecretoLei nº 1.598, de 1976, que cometeu alguns erros técnicos ao definir o ágio como a diferença entre valor de aquisição e valor contábil da parcela patrimonial adquirida, e ao não exigir a utilização fiscal de uma regra de ouro: ágio genuíno por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) é apenas o excedente pago sobre o valor de mercado (valor justo, mais recentemente) dos ativos e passivos adquiridos avaliados individualmente. O decreto criou enorme confusão com menção a ágio por expectativa de rentabilidade futura, fundo de comércio e até a incríveis “outras razões econômicas”. Assim, o governo errou na redação original, inclusive ao permitir a interpretação de escolha de classificação e não exigência rígida de hierarquia como passou a ocorrer a partir de 2010 com as normas internacionais de contabilidade. Com isso, passouse, desde a década de 70, a aceitar valor de ágio chamado de expectativa de rentabilidade futura normalmente por valor maior do que o tecnicamente devido. Mas tudo suportado por esse decretolei. O Fisco tem tentado consertar, por vias discutíveis, erros do próprio governo Mas tal decreto só permitia a dedutibilidade do ágio apenas na baixa do investimento. Portanto, na prática nada de problema muito sério. Porém, com o objetivo de aumentar o valor de suas próprias empresas no processo de desestatização, o governo tomou a iniciativa que redundou na Lei nº 9.532 em 1997, onde passou a aceitar a dedutibilidade da amortização do ágio em cinco anos, desde que mediante processo de fusão, incorporação ou cisão (nenhuma lógica nessa subordinação – apenas trabalho adicional às empresas). Pior ainda, emitiu em 2002 a Medida Provisória nº 66 (Lei nº 10.637, de 2002) que permitiu ao vendedor diferir, às vezes quase que para sempre, o ganho obtido por esse ágio. Aí foi o paraíso: o vendedor tributava a prazo, às vezes quase infinito, e o comprador deduzia em cinco anos! Mais recentemente, com o valor dessas dedutibilidades assumindo vultosas cifras, o Fisco começou a autuar as empresas sob os mais variados argumentos: ágio interno, ou seja, derivado de negociações de participações societárias entre empresas do mesmo grupo – mas nada na lei fiscal ou contábil jamais vedou isso até 2010; ausência de “custo” por não haver desembolso de caixa na aquisição, já que pagamento com emissão de ações às vezes – só que jamais a contabilidade subordinou “custo de aquisição” a desembolso em caixa. Há ainda o laudo de avaliação elaborado após a negociação – o laudo nunca foi exigido legalmente e é mesmo comum que ele seja formalizado após a operação, com esta se dando com base em Fl. 619DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 21 20 documentos e estudos internos ou externos elaborados rapidamente, apresentados em forma inacabada etc.; a não atribuição, primeiramente, da mais valia dos ativos – mas o próprio DecretoLei nº 1.598, de 1977 abriu a brecha para escolha de classificação e não hierarquização; não há ágio com patrimônio líquido negativo – mas isso jamais foi mencionado na legislação e, contabilmente, esse reconhecimento faz parte das práticas contábeis aceitas; não atribuição de valor a intangíveis não contabilizados – mas essa exigência contábil começou entre nós apenas a partir de 2010 etc. Ou seja, o Fisco vem procurando consertar, por vias na maioria das vezes muito discutíveis, os erros do próprio governo. Vêse, assim, que é preciso solução legal para uma reorganização legal fiscal nesse campo do ágio, como houve reorganização contábil com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, emitindo o CPC 15 (Combinação de Negócios), prontamente reconhecido pela Comissão de Valores Mobiliários, pelo Conselho Federal de Contabilidade e outros reguladores. O governo, porém, passar de um extremo ao outro, impedindo pura e simplesmente a amortização fiscal do genuíno ágio pode ser uma reação exagerada às consequências de seus próprios erros. Portanto, o fundamental é mesmo a adoção do conceito contábil atual de ágio também para fins fiscais, a vedação da amortização fiscal quando de operações entre entidades sob controle comum, talvez não cinco anos para a amortização e sim um prazo mais palatável (o dobro, por que não?), exigência de laudo formal para o cálculo das mais e menos valias de ativos e passivos etc. Ou seja, é fundamental consertar os erros, mas não indo de encontro ao que se vê sendo praticado em tantos países. A Receita Federal e o Ministério da Fazenda foram, nos últimos anos, os grandes baluartes que, com a aceitação da neutralidade tributária (segregação das informações para fins informacionais e para fins tributários), permitiram o enorme avanço da contabilidade brasileira se igualando agora, novamente (a Lei nº 6.404, de 1976 também fizera isso), às melhores do mundo. Logo, há de se esperar atitude também discutida e amadurecida com vistas ao que de melhor se pode fazer neste país. A Medida Provisória referida no texto acima resultou não editada. No entanto, quer no artigo ora transcrito, quer na obra "Controvérsias JurídicoContábeis14, o Professor Eliseu Martins e Sérgio de Iudicibus deixam claro que, apesar de muitas operações terem sido montadas sem quaisquer mudanças de controle econômico, elas foram praticadas com base em interpretação literal da norma. Neste sentido, vale refletir acerca das seguintes observações apontadas pelos autores: " O Estado, via Decretolei 1.598/77, admitiu a amortização do ágio o classificado na letra a do artigo 20 (diferença entre valores contábeis e de mercado) como dedutível na proporção da baixa dos ativos a que se referia. E determinou que as amortizações e baixas classificadas nas letras b e c só seriam dedutíveis apenas na baixa do investimento; O Estado, neste mesmo DL 1.958, criou diversas confusões com as incorretas denominação e classificação do ágio; O Estado, via Medida Provisória 1.602/1977 (Lei 9.532/1977), para incentivo ao processo de desestatização, permitiu a dedutibilidade dos ágios tipo a e b (Goodwill) nos processos de incorporação (inclusive reversa), fusão ou cisão. Criou um forte incentivo governamental à privatização e uma forma de procurar incrementar o valor das entidades desestatizadas, trocando uma redução do caixa futuro (menos tributos quando das amortizações) por uma 14 Coordenadores Roberto Quiroga Mosqueira e Alexandro Broedel Lopes. Revista Dialética. São Paulo 2010. págs. 6985 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 22 21 facilidade na venda de suas empresas e por um aumento de caixa via preço dessas vendas. O Estado, via Medida Provisória 66/2002 (Lei 10.637/2002), beneficiou a entidade que integralizasse participação societária numa empresa no aumento de capital de outra, promovendo o diferimento do lucro na vendedora mas a dedutibilidade imediata do ágio na adquirente. Ora, o Estado foi ativismo na criação de toda essa legislação quase que induzindo o contribuinte à utilização de todo esse instrumental que poderia beneficiálo. O Estado não determinou, jamais, qualquer exceção aos Ágios originados de empresas sob o controle comum; antes, pelo contrário, sempre obrigou, fiscalmente ao reconhecimento de todos os lucros e prejuízos nas operações com mercadorias, com imóveis equipamentos e todos os tipos de ativos nessas transações, obrigando à tributação do resultado da vendedora e à ativação pelo valor total da transação na compra. Só agora vem o Estado e dá vazão a um esforço enorme no sentido de penalizar tantos dos contribuintes que fizeram uso desses espaços criados por ele mesmo. É claro que podem ter havido abusos, mas muito provavelmente maioria dos casos está inserida em todo esse contexto discutido e relembrado, num ambiente de pouca Regulamentação contábil sobre a matéria e regulamentação fiscal a induzir empresas às ações tomadas. Estas constatações, no mínimo, no que diz respeito à exigência da multa, não podem ser desprezadas por tantos quantos julgarem a matéria. É por esta razão que, apesar de manter o entendimento atual quanto ao cabimento dos tributos, acrescido de multa de 75%, reservome no direito, ou melhor, no dever, de aprofundar as reflexões acerca do assunto. Da multa isolada aplicada sobre as estimativas não recolhidas Por necessitar de recursos para executar suas funções, Administração não pode aguardar o encerramento do período de apuração para receber os tributos cujos fatos geradores irão ocorrer no final do exercício. Neste contexto, antes da ocorrência do fato gerador, criouse obrigações impondo ao sujeito passivo o dever de antecipar recolhimentos no decorrer do anocalendário. Os valores recolhidos a título de carnêleão, no caso de pessoa física, os recolhimentos a título de estimativas, no caso de pessoas jurídicas, são deduzidos do imposto apurado no final do exercício. Se deduzidos do valor do imposto devido não há como negar que têm natureza de tributo e correspondem, assim como o IRRF, em pagamento antecipado. Quando se estabelece obrigação do sujeito passivo em recolher carnêleão ou estimativa não se está imputando a ele qualquer omissão relacionada a fato gerador. Nestas circunstâncias o fato gerador ainda não ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar tributo. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 23 22 Ocorrida a hipótese prevista na segunda parte do parágrafo anterior, para a pessoa física restituise os valores e em relação à pessoa jurídica conferese a esta o direito de usar tais recursos para compensar tributos devidos em períodos subsequentes. Se no mês de março contribuinte pessoa física ou jurídica deixar de recolher, por exemplo, carnêleão ou estimativa, respectivamente, no mês seguinte a autoridade fiscal pode exigir o valor não recolhido com multa de 50%. Contudo, encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnêleão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%15. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas o disposto no artigo 138 do CTN.16 Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecêlos à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do pagamento dos tributos e juros. Em havendo o pagamento espontâneo do imposto devido e juros não se pode imputar ao contribuinte multa pelo não recolhimento do carnêleão ou das estimativas. Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo os oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorarse situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN. Dos fundamentos expostos resulta a seguinte indagação: Em que situações é devida multa isolada sem exigência da multa de ofício? Inicialmente, observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. 15 Se o carnêleão e as estimativas têm como razão de ser o aporte de recursos, no decorrer do anocalendário, para que a Administração possa cumprir com suas obrigações, transcorrido o período de apuração não há mais o que se falar em exigência de carnêleão e nem de estimativas, mas sim do efetivo imposto devido. 16 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 24 23 Igualmente, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Neste sentido basta observar o princípio da consunção, cujo exemplo citado por nós, em outras ocasiões, é o disposto na súmula 17 do STJ. Ainda em relação à multa isolada, na interpretação do artigo 44, II, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não se pode desprezar a exposição de motivos que ao tratar da necessidade de alteração da lei apresentou a seguinte justificativa: 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 199617, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Pelo que se depreende da exposição de motivos, ao usar as expressões “multa de ofício, lançada isoladamente”, se está a falar de uma única multa, pois se assim não fosse não teria usado as expressões “lançada isoladamente”, mas sim, “lançada em concomitância com a multa de ofício. Na linha do presente voto, a título de exemplo, aponto os seguintes precedentes: 17 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 25 24 Com estes fundamentos, ao entender que encerrado o anocalendário não cabe o recolhimento de estimativas e, por consequência, também incabível a aplicação de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, a um só tempo, dou parcial provimento ao recurso de voluntário para cancelar a exigência da multa isolada e, nego provimento ao recurso de ofício no que exonerou os juros isolados aplicados sobre o valor das estimativas. Para efeitos de registros, observo que a DRJ destaca que não há fundamento legal para exigência de juros isolados sobre as estimativas não recolhidas e que os artigos 15 e 16 da IN SRF nº 93, de 1997, são expressos a limitar a exigência da multa sobre as estimativas não recolhidas, mas não juros de mora sobre estas, até porque, somente no encerramento do anocalendário é que apurarseá a existência ou não de tributo devido. Apesar de entender que os valores recolhidos a título de estimativas tem natureza de tributo, tanto é assim que são Fl. 624DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10920.004625/201001 Acórdão n.º 1402001.333 S1C4T2 Fl. 26 25 deduzidos do valor apurado no final do anocalendário, pelas razões antes expostas mantenho o acórdão da DRJ neste ponto. ISSO POSTO, voto no sentido de dar rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar a multa isolada de que trata o item 002 do auto de infração. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 625DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10855.002561/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 01/12/2005
DIVERGÊNCIA DE CRITÉRIO DE ATUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL EM RENDA A FAVOR DA UNIÃO.
Verificada a divergência de critério de atualização do débito garantido judicialmente e a consequente conversão do depósito em valor menor do que o devido, a fiscalização deve cobrar as diferenças apuradas observando o prazo decadencial.
PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO PARCIAL.
Caso as diferenças de atualização do depósito convertido em renda a favor da União tenham origem em tributo sujeito a lançamento por homologação extinto parcialmente, aplica-se o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional consoante jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça.
EXIGÊNCIA FISCAL. PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. PRECLUSÃO.
O pagamento indevido gera direito à restituição, desde que exercido no prazo legal. O fato de o contribuinte ter efetuado o pagamento de cobranças indevidas, não implica a desistência do direito de pleitear a restituição. Não há preclusão na hipótese em análise.
Numero da decisão: 3201-001.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/12/2005 DIVERGÊNCIA DE CRITÉRIO DE ATUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL EM RENDA A FAVOR DA UNIÃO. Verificada a divergência de critério de atualização do débito garantido judicialmente e a consequente conversão do depósito em valor menor do que o devido, a fiscalização deve cobrar as diferenças apuradas observando o prazo decadencial. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO PARCIAL. Caso as diferenças de atualização do depósito convertido em renda a favor da União tenham origem em tributo sujeito a lançamento por homologação extinto parcialmente, aplicase o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional consoante jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça. EXIGÊNCIA FISCAL. PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. PRECLUSÃO. O pagamento indevido gera direito à restituição, desde que exercido no prazo legal. O fato de o contribuinte ter efetuado o pagamento de cobranças indevidas, não implica a desistência do direito de pleitear a restituição. Não há preclusão na hipótese em análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mara Cristina Sifuentes (substituta convocada), e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recurso voluntário apresentado pela Recorrente: O processo epigrafado foi inaugurado para o fim de recepcionar formulário de pedido de restituição, protocolado em 21/09/2006, no montante de R$ 342.308,50 (fl. 01). No quadro destinado a informar o motivo do pedido, restou consignada a seguinte expressão: "Recolhimento indevido". E no campo destinado ao demonstrativo do cálculo da restituição, foi informado o seguinte: "100% do valor constante nos DARF's (cópias em anexo), Processos n° 10880.034636/9601 e 10855.003406/200560". A interessada instruiu seu pedido com um requerimento esclarecendo os motivos do pedido (fls. 02/08), acompanhado de cópias dos documentos nele referidos (fls. 23 e seguintes), inclusive dos DARFs relativos aos recolhimentos tidos como indevidos (fls. 62/63), ocorridos no dia 01/12/2005. Por ocasião da análise do pedido, foram acostados ao processo extratos obtidos dos sistemas de controle da Receita Federal acerca dos processos referidos nos pedidos, assim como dos respectivos pagamentos (fls. 84 e seguintes). Por meio do despacho decisório de fls. 97/100, a DRF Sorocaba decidiu pelo INDEFERIMENTO do pedido "pelo motivo de não se tratar de pagamento a maior ou indevido". Isto porque foi constatado que os recolhimentos apontados no pedido foram utilizados para liquidar os processos reportados no pedido, relativos a cobranças de saldos devedores do Finsocial (períodos de apuração 09/1990 a 03/1992), os quais foram arquivados após terem sido encerrados por pagamento. A contribuinte foi cientificada daquela decisão por meio da comunicação de fl. 102, recebida em 23/06/2010 (fl. 103). Em 13/07/2010 protocolou sua manifestação de inconformidade Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.002561/200640 Acórdão n.º 3201001.003 S3C2T1 Fl. 2 3 conforme peça de fls. 104/111, firmada por procuradora regularmente estabelecida (fls. 09 e seguintes), por meio da qual aduz, em síntese, que: a) "ingressou em 1991 com a ação ordinária, processo 91.00011819, discutindo a cobrança do FINSOCIAL cujos depósitos dos montantes discutidos foram realizados em TDAs (títulos da dívida agrária), conforme se comprova pela certidão n. 187/2005 expedida pela Secção Judiciária do Distrito Federal (does 15 a 17 da inicial). Foram realizados os depósitos em TDAs no período compreendido entre 09/90 até 03/92 (doe 18 da inicial)"; b) o processo n° 10880.034636/9601 tratase de auto de infração relativo à exigência de débitos do Finsocial apurados no primeiro trimestre de 1992, que foi lavrado em 30/08/96 "para previnir a decadência"; c) em relação à demanda judicial, a decisão de 2a instância reconheceu seu direito "de reaver a parcela excedente a aplicação da alíquota de 0,5% e à União o restante dos valores depositados". Referida decisão transitou em julgado em 27/09/1994, permanecendo, entretanto, "pendente, até a presente data a questão relativa à posse dos juros remuneratórios dos TDAs"; d) os valores depositados foram parcialmente convertidos em renda da União (no montante de R$ 148.383,86) e, em 21/07/2000, expediuse o alvará de levantamento do saldo remanescente a seu favor; e) "foi surpreendida" em 23/11/2005 com intimações para quitar "valores complementares relativos a discussão da ação judicial e apurados através dos processos 10880.034636/9601 (períodos de apuração 01 a 03/1992, no montante de R$ 32.991,90) e 10855.003406/200560 (períodos de apuração 09/1990 a 12/1991, no valor de R$ 308.305,74)". Ainda que não concordasse com a cobrança, como precisava de certidão negativa, efetuou os pagamentos, os quais motivaram o presente pedido de restituição; f) a decisão ora recorrida "limitouse a transcrever as informações da SACAT Sorocaba", prestadas nos referidos processos, "no sentido de que os depósitos judiciais deveriam ter sido corrigidos pela TR e não pela UFíR". A decisão não abordou os outros aspectos discutidos nos processos: "a decadência do período anterior a 1992 e a discussão da matéria já resolvida pelo Poder Judiciário"; g) preliminarmente, há que se reconhecer a decadência do "direito de cobrança" dos débitos do Finsocial relativos aos períodos de apuração de 1990 e 1991 (processo de 2005). Isto porque, para estes períodos não houve a lavratura do "auto de infração com exigibilidade suspensa". Passados, então, mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, "ocorreu a homologação tácita e conseqüente decadência do direito à Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 cobrança de qualquer parcela excedente". Neste sentido já decidiu o Conselho de Contribuintes conforme acórdão trazido à colação, o qual reportase a trechos do Parecer n° 743/98 da PGFN; h) e não há que se acatar o entendimento expresso pela autoridade fiscal no sentido de que "o lançamento em DCTF dos valores relativos a estes períodos supriria a exigência de constituição do crédito tributário". Ao contrário, para este período o auto de infração não foi lavrado porque "já havia sido operada a decadência". Portanto, nula era a cobrança relativa ao processo de 2005, sendo seu direito agora repetir o pagamento realizado; i) uma vez já havia sido esgotada a discussão judicial dos depósitos efetuados, com a concordância da PFN acerca dos valores a serem convertidos e levantados, concluise que as cobranças ora combatidas "tiveram o nítido condão de reabrir uma discussão que já havia sido encerrada no Poder Judiciário, em total afronta as normas do artigo 156 inciso IV do CTN que prevêem como modalidade de extinção do crédito tributário a conversão do depósito em renda"; j) ambas as cobranças ora contestadas originamse da mesma causa: enquanto a PFN calculou os valores a partir de uma interpretação analógica da "legislação que cuida dos depósitos judiciais, no sentido de que os TDAs equivalem a depósito em dinheiro e portanto devem ser corrigidos pela UFIR", a autoridade fiscal, usando a mesma analogia, interpretou a norma diversamente, entendendo "que os TDAs equivalem às obrigações do tesouro nacional (ORTNs) e portanto, deveriam ser corrigidos pela TR"; k) portanto, a cobrança guerreada originase, enfim, de "divergência de interpretação entre os próprios órgãos do Ministério da Fazenda (Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional) quanto ao Decreto lei 1737/79, na redação dada pela Lei 9289/96". Assim sendo, passados mais de 15 anos do encerramento da discussão judicial e 6 anos do levantamento dos depósitos, em nome da segurança jurídica, não pode agora ser penalizada por estas divergências de interpretação dentro do próprio MF. Conclui requerendo a reforma da decisão recorrida. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 24/01/2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 1432.217 (fls. 117/123): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/12/2005 EXIGÊNCIA FISCAL. PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. PRECLUSÃO Não impugnada determinada exigência fiscal, resolvida por pagamento, consolidase a situação tributária nela constituída, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.002561/200640 Acórdão n.º 3201001.003 S3C2T1 Fl. 3 5 pela extinção do crédito tributário, não sendo permitindo que, em procedimento administrativo posterior, decorrente dos fatos anteriormente consolidados, reabrase a discussão de mérito já superada pela preclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal em 08/02/2011 (fl. 126), tendo protocolado seu recurso voluntário em 04/03/2011 (fls. 127/138), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sede de manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 09/06/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Resumidamente, o cerne da discussão em exame consiste em saber se o fato de o contribuinte efetuar o pagamento do crédito tributário exigido pela fiscalização faz precluir o seu direito de pleitear a repetição de indébito, se posteriormente verifica ser indevida a cobrança já quitada. Sem adentrar nas especificidades do caso concreto, entendo que a autoridade fiscal tem o dever de cobrar apenas o que a legislação determina e no prazo que estabelece para tanto. Se o faz de forma diferente e tal fato é reportado pelo contribuinte no prazo legal, é dever da Administração Tributária processar a restituição do indébito, sob pena de dar causa a enriquecimento ilícito. Portanto, é preciso saber se o crédito cuja restituição a Recorrente pleiteia é legítimo e se o pedido de restituição foi formulado no prazo legal. Quanto ao primeiro aspecto, depreendese do relatório que a Recorrente promoveu o pagamento de diferenças de atualização apuradas nos depósitos realizados em processo judicial, sem, contudo, concordar com tal apuração. Isso porque a cobrança foi realizada a partir de divergências interpretativas existentes entre órgãos do Ministério da Fazenda, nomeadamente a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional. Ocorre que essas diferenças de atualização foram apuradas somente após cinco anos da data em que os depósitos foram convertidos em renda a favor da União. Vale dizer, a conversão dos depósitos ocorreu em 21/07/2000 e a cobrança apenas em 23/11/2005. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Por essa razão, como a origem do débito que ensejou a apuração das diferenças de atualização é o FINSOCIAL – tributo sujeito a lançamento por homologação –, entendo que o prazo para que tais diferenças fossem lançadas decaiu em 22/07/2005, por força do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Isso porque, salvo raríssimas exceções, o acessório segue o principal. E nem se diga que o prazo decadencial aplicável seria aquele previsto no art. 173, I, do mesmo diploma legal, pois, em matéria de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o referido dispositivo somente se aplica quando o contribuinte declara o débito e não realiza qualquer pagamento. É o que se depreende da ementa do Recurso Especial nº 973.733 julgado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10855.002561/200640 Acórdão n.º 3201001.003 S3C2T1 Fl. 4 7 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso concreto, a Recorrente não declarou o valor da atualização, pois realizou depósito judicial. Por outro lado, extinguiu o crédito tributário mantido judicialmente por meio da conversão parcial dos depósitos em renda a favor da União. Aplicandose, pois, o julgado acima transcrito ao caso concreto, concluo que é legítimo o crédito cuja restituição a Recorrente pleiteia, uma vez que a cobrança foi intempestiva, e, consequentemente, o pagamento realizado foi indevido. No tocante ao segundo aspecto a ser enfrentado, qual seja, se a Recorrente observou o prazo legal para pleitear a restituição do indébito, penso que se aplica o art. 168, I, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Como o crédito tributário referente ao processo administrativo em epígrafe foi extinto com o pagamento em 23/11/2005, o prazo prescricional para a Recorrente pleitear a restituição do valor pago indevidamente findaria somente em 24/11/2010. O pedido de restituição foi formulado em 21/09/2006, logo, dentro do prazo decadencial previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao crédito pleiteado em sua íntegra. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13962.000172/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE MORA.
A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/96).
A multa e os juros de mora não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito judicial.
Numero da decisão: 2301-002.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento fiscal a multa e os juros de mora, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação Oral: Gustavo Pacher - OAB: 19.040/SC.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE MORA. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/96). A multa e os juros de mora não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento fiscal a multa e os juros de mora, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação Oral: Gustavo Pacher OAB: 19.040/SC. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por ZEN S.A INDÚSTRIA METALÚRGICA, em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou procedente o lançamento fiscal. 2. Segundo o relatório, o lançamento se deu em razão de contribuições devidas ao INCRA, no período de 01/04/2005 a 31/12/2006, cujos valores foram depositados em juízo através da Ação Ordinária nº 2004.05.0037833, ainda sem o trânsito em julgado. O crédito foi lançado para fins de prevenção da decadência (f. 19). 3. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 NFLD nº 37.161.8983 de 27/03/2008 AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É obrigação da autoridade fiscalizadora efetuar o lançamento das contribuições para a Seguridade Social e Terceiros, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN), caso inexista decisão judicial que proíba tal procedimento, por se tratar ato vinculado e obrigatório que visa afastar a decadência. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS E MULTA DE MORA. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000172/200812 Acórdão n.º 2301002.591 S2C3T1 Fl. 115 3 É lícito que, no lançamento para revenir a decadência de crédito previdenciário que se encontra com a exigibilidade suspensa por depósito judicial, haja a constituição de juros e multa de mora, uma vez que há a possibilidade de os depósitos serem levantados pelo sujeito passivo, antes do término da ação judicial. Quando da decisão judicial definitiva de mérito, haverá o levantamento do depósito pelo sujeito passivo ou a conversão em renda para o fisco, caso em que os presentes autos serão arquivados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4. O contribuinte, inconformado com a decisão prolatada pela primeira instância, interpôs o presente recurso voluntário, alegando, em síntese: a) a multa e juros são indevidos, por estarem desprovidos de qualquer amparo legal, pois não há qualquer ilícito capaz de acarretar a imposição da penalidade em face da recorrente; b) ajuizou ação ordinária nº 2004.72.05.0037833, perante a 2ª Vara da Justiça Federal de Blumenau (SC), objetivando o não pagamento das contribuições destinadas ao INCRA, ação que ainda está em andamento. Assim, em decorrência dessa demanda, a recorrente recolheu o valor correspondente à contribuição em discursão através de depósitos judiciais em conta vinculada aos autos, durante todo o período da presente notificação; c) não sendo o presente lançamento objeto de valores diferentes daqueles que já estão depositados em juízo deve o crédito tributário ser extinto. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. DO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 2. No mérito, a demanda conduzida nos autos diz respeito ao lançamento para prevenir a decadência, ante a realização do depósito judicial das contribuições previdenciárias nos autos da ação ordinária nº 2004.72.05.0037833, perante a 2ª Vara da Justiça Federal de Blumenau (SC). 3. Nos termos do art. 151, inciso II do CTN, o depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário, para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. O art. 142 do CTN define que a autoridade administrativa é competente para constituir o crédito tributário pelo lançamento, atividade essa vinculada e obrigatória. Sendo assim, é mandatório o lançamento de ofício para prevenir a decadência de créditos tributários, cuja exigibilidade encontrase suspensa pelo depósito judicial do montante integral. 5. O entendimento, segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo implica admitir a interrupção do prazo decadencial, o que, nesse caso, não se coaduna com a natureza do instituto, conforme se depreende dos artigos 142 do CTN e 63 da Lei n.º 9.430/93. 6. O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou pela obrigatoriedade do lançamento para prevenção da decadência, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO DE FRONTAL DISPOSIÇÃO DE LEI. ART. 485, V, DO CPC. DECADÊNCIA. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERRUPÇÃO OU SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 173, PARÁGRAFO ÚNICO, E 174, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. PEDIDO PROCEDENTE. [...] 4. O simples processamento de ação judicial em que se discute a existência ou inexistência de relação jurídicotributária não tem o condão de impedir o Fisco de constituir o crédito tributário, que é atividade privativa e vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Ainda que presentes quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade previstas no art. 151 do CTN, estaria a autoridade fiscal obrigada a constituir o crédito mediante lançamento com o objetivo de prevenir a decadência tributária. Precedente da Seção. [...]9. Pedido rescisório que se julga procedente.” (AR 2.159/ SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 1ª TURMA, julgado em 22/08/2007, DJe: 10/09/2007) Confirase também o festejado Alberto Xavier: "A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000172/200812 Acórdão n.º 2301002.591 S2C3T1 Fl. 116 5 (...) Embora de constitucionalidade discutível, do ponto de vista formal (dado a matéria de lançamento ser reservada a lei complementar), a verdade é que, do ponto de vista material, o preceito citado é compatível com o Código Tributário Nacional, pois é corolário do caráter 'obrigatório' do exercício do poder de lançar, tal como estabelecido no artigo 142 daquele Código" (in Do lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª edição, p. 428). 7. A propósito, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do parecer PGFN/CRJN nº 743/1988, se posicionou no sentido de recomendar a constituição, de ofício, do crédito tributário, a fim de se evitar a decadência. Assim, o lançamento foi regularmente efetivado, restando sobrestadas as ações de cobrança até a decisão judicial final, quando lhe seja possibilitada a cobrança. 8. Ainda no mérito, passo a analisar o ponto sobre a incidência de multa e juros de mora. 9. Constatouse que foram realizados todos os depósitos judiciais referentes aos valores questionados, de maneira que não há mora por parte do recorrente, uma vez que os valores foram integralmente depositados, conforme informação trazida pelo Fisco no Relatório Fiscal (f. 19), que transcrevo, item 3: “Os valores lançados foram verificados através dos depósitos judiciais apresentados pela empresa”. 10. Como é cediço, uma vez realizado o depósito (art. 151, inc. II do CTN), no caso de o contribuinte sair vencedor da lide judicial, após o trânsito em julgado da ação, esse poderá levantar a quantia depositada. Contudo, caso a Fazenda vença a lide, o depósito realizado se converterá em renda, extinguindo o crédito tributário, nos termos do artigo 156, VI, do CTN. Nesse sentido é o Enunciado n. 18 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, verbis: “O depósito judicial destinado a suspender a exigibilidade do crédito tributário somente poderá ser levantado, ou convertido em renda, após o trânsito em julgado da sentença” (Súmula 18 DJ (Seção II) de 021293, p.52558) 11. Nesta mesma linha de raciocínio, a exigência da multa de mora pelo fisco também é indevida, eis que a empresa em momento algum deixou de reservar cautelarmente o tributo nos cofres do judiciário. 12. Quanto à multa de ofício, vale ressaltar que, mesmo no caso da concessão de medida liminar, sem a efetivação de depósito relativo ao débito objeto da discussão judicial, a própria Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 63, assevera claramente que não caberá lançamento da multa de ofício. “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. [...] Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” 13. Nessa esteira, cito julgados do Superior Tribunal de Justiça confirmando o entendimento ora ventilado: “TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ARTIGOS 151 E 156, DO CTN. 1. As causas suspensivas de exigibilidade do crédito tributário, enumeradas no artigo 151, do Código Tributário Nacional, advindas antes do decurso do prazo para pagamento do tributo (sujeito a lançamento por homologação ou a lançamento de ofício direto), têm o condão de impedir a aplicação de multa ou juros moratórios, por não restar configurada a demora no recolhimento da exação pelo contribuinte, pressuposto dos aludidos encargos (a multa moratória pune o descumprimento da obrigação principal no vencimento; e os juros de mora constituem compensação pela falta de disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso). [...] 4. É cediço na jurisprudência da Corte que somente o depósito integral e em dinheiro suspende a exigibilidade do crédito tributário e, a fortiori, extingueo com o levantamento pela Fazenda Pública. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 774.739/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/04/2008, DJe 14/05/2008)” “DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO. EXIGIBILIDADE. TRIBUTO. JUROS. O depósito do montante integral com fins de suspender a exigibilidade do tributo (art. 151, II, do CTN) não possui natureza especulativa, logo há que se afastar a incidência de juros, especialmente de remuneratórios, sob pena de transformálo em investimento financeiro. A esse montante deve ser acrescida apenas a correção monetária (art. 3º do DL n. 1.737/1979, art. 32 da Lei n. 6.830/1980 e Súm. n. 257 do extinto TFR). Precedentes citados: REsp 422.833MG, DJ 23/8/2004; REsp 460.230SP, DJ 4/10/2004, e REsp 392.879 RS, DJ 2/12/2002.” (RMS 17.976SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/10/2004.) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000172/200812 Acórdão n.º 2301002.591 S2C3T1 Fl. 117 7 14. Inclusive este Conselho Administrativo também firmou posição e sumulou a matéria: “Súmula CARF Nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” “Súmula CARF n° 17 Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” 15. No presente caso, destarte, não deve haver a incidência da multa, eis que a exigência do débito está suspensa pelo depósito integral dos valores cobrados pelo Fisco. Entendese que uma vez feito o depósito judicial do montante integral do quantum debeatur ficam excluídos os juros e a multa de mora da exação. 16. Feitas essas considerações, voto pela exclusão do lançamento das multas e os juros de mora, que não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito, mantido, entretanto, o lançamento porque atendeu aos ditames legais. CONCLUSÃO 17. Ante o exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, conforme o acima exposto, para exclusão do lançamento fiscal da multa e juros de mora. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 19515.002908/2005-07
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 26/06/2002 a 31/12/2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CTN, ART. 106, II. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 11.488/2007, ART. 14. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. VALOR CONFESSADO EM DCTF. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO.
Nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, não mais é devida a multa de setenta e cinco por cento sobre valor confessado em DCTF, ainda que pago com atraso. Face à retroatividade benigna, determinada pelo art. 106, II, do CTN, a alteração no referido art. 44, I, aplica-se aos lançamentos anteriores ainda não definitivamente julgados.
SÚMULA VINCULANTE DO STF.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial.
CPMF. DECADÊNCIA.
O prazo de decadência para lançamento da CPMF é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA.
O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante da falta. A suspensão da exigibilidade não elimina a incidência dos juros de mora, salvo na existência de depósito no montante integral.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC.
Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora, calculados com base na taxa Selic.
Recursos de ofício negado e voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 202-19116
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do segundo conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos: 1) em negar provimento ao recurso de oficio; e II) em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos juros incidentes
sobre os períodos de apuração encerados até janeiro de 2001.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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SEGUNDA CÂMARA Processo u 19515.002908/2005-07 Recurso e 151.011 De Oficio e Voluntário Matéria CPMF Acórdão u° 202-19.116 Sessão de 02 de julho de 2008 Recorrentes DRJ EM CAMPINAS - SP E OFFICER DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA S/A Officer Distribuidora de Produtos de Informática S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 26/06/2002 a 31/12/2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CTN, ART. o.44, 106, II. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N2 11.488/2007,,-. 4-,8 ART. 14. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE ce tt:, 50/t siris -• MORA. VALOR CONFESSADO EM DCTF. MULTA . g» ISOLADA. CANCELAMENTO. - • 2: o 1 27? 9 Nos termos do art. 44, I, da Lei n2 9.430/96, com a redação dada Ela - ,( 14. pelo art. 14 da Lei n2 11488, de 15/06/2007, não mais é devida a gl,"".6 ).?i- Ff go multa de setenta e cinco por cento sobre valor confessado em..k4D 4 t •• .4 ni e C ..,13 DCTF, ainda que pago com atraso. Face à retroatividade benigna, 4; ....? e c-..4, e determinada pelo art. 106, II, do CTN, a alteração no referido art. I z; •) e o 44, I, aplica-se aos lançamentos anteriores ainda não ta definitivamente julgados. • SÚMULA VINCULANTE DO STF. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. CPMF. DECADÊNCIA. O prazo de decadência para lançamento da CPMF é de cinco •anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 42, do Código Tributário Nacional. • CRÉDITO TRIBUTÁRIO. • SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. \ Cl\ti , stotikoo ceA scrio ot eas-fruJeT.T., Processo re 19515.002908/2005-07 CONFERg COM fl 0RK3INAL CCO2/CO2 . Acórdão n.° 20249116 Bras' lia, 11 (nua_ Fls. 308 Ce1ma Erraria 02 Afilarem' • . 1 r3 , O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é • acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo •• determinante da falta. A suspensão da exigibilidade não elimina a • incidência dos juros de mora, salvo na existência de depósito no • montante integral. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. • Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Recursos de oficio negado e voluntário provido em parte. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes, por unanimidade de votos: 1) em negar provimento ao recurso de oficio; e II) em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos juros incidentes sobre os períodos de apúração encerados até janeiro de 2001. ) AN'I‘diAR-Ç.SMJLIM Presidente • CA tikne• mo , Ti, 10 SBO . A' 3 I II Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Domingos • de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Adoto o relatório da DRJ de Campinas-SP, nos seguintes termos (fls. 244/245): "Trata-se de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira — CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 115/127. O feito, que se estende sobre fatos geradores ocorridos entre junho de 2002 e dezembro de 2002, constituiu crédito \n•-•- •.‘tributário no montante de R$ (.), relativos ao principal, multa de 2 • LIF .SEbUNEfiço C: :LEO bt r .,:' ¡OU,• COWERECOg C Processo re 19515.002908/2005-07 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.116 • orantlia, Els. 309 Uma Maria de A!iniquorque Mal. 5i33e 41 r, • oficio e juros de mora acompanhando o principal e multa e juros • exigidos isoladamente. No TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 100/106, a autoridade autuante contextualiza os motivos do lançamento de oficio, informando o que segue. Em 16/07/1999 a contribuinte impetrou ação de Mandado de Segurança, processo n° 1999.61.00.034213-8, insurgindo-se contra a retenção e recolhimento da CPMF. Em 21/07/1999, a liminar pleiteada • foi concedida. Em sentença de 10/03/2000, publicada em 10/04/2000, o • Juizo de primeiro grau confirmou a liminar e concedeu o writ. Em acórdão publicado em 16/08/2001, o Tribunal Regional Federal da 3" Região deu provimento à apelação e à remessa oficial, reformando a decisão de primeiro grau. Os valores devidos a titulo de CPMF, correspondente ao intervalo em que vigeu a medida judicial impeditiva, e os respectivos períodos de apuração, foram informados em declarações próprias apresentadas • pelas instituições financeiras. Relata a autoridade autuante que o contribuinte recolheu mediante DARF pago em 11/12/2002, o montante de R$ 3.067.460,14 (17. 07), considerando tão somente a soma dos valores originais da contribuição, calculados segundo seu próprio demonstrativo. As fls. 107/114 a fiscalização anexou o 'Demonstrativo de Aproveitamento dos Valores Recolhidos em DAR? Único' onde ilustra a alocação do valor recolhido aos fatos geradores, vencimentos e valores originais de CPMF conforme informados pelas instituições financeiras. Na seqüência, o agente assim pondera com relação aos juros e à multa de mora: Quanto aos fatos geradores compreendidos entre 04/08/1999 e 26/06/2002, cujos valores originais de contribuição foram extintos total ou parcialmente pelo DARF recolhido em 11112/2002, cabem as seguintes considerações: O contribuinte efetuou o recolhimento sem considerar os juros de mora, que correm a partir do mês seguinte ao do vencimento, até o mês anterior ao do pagamento da contribuição, mais 1% correspondente ao mês do pagamento. Também, não computou, nem recolheu as multas de mora, devidas pelo pagamento da contribuição fora dos prazos de vencimento e, no caso em tela, além do prazo limite de 30 dias após a reversão da segurança obtida provisoriamente na Justiça: o prazo findou em 15/09/2001 e o contribuinte efetuou o recolhimento em 11/12/2002. Assim, nos termos dos artigos 43, 61 e 63 §2°, da Lei n° 9.430/96, o • contribuinte está sujeito ao lançamento dos juros de mora e da multa de oficio sobre os valores pagos após o vencimento (30 dias a contar do dia da publicação da sentença ou acórdão que reverteu decisão ou liminar favorável ao contribuinte), na forma de juros e multa isolados. 3 Processo n° 19515.002908/2005-07 CCO2/032 KIP -SettweifFECROeitSciaH00 DoEttuATL616116a6S • Acórdão n.. 202•19.116 Brasil la, Se_j_Sajj&-- Fls. 310 Colma Marta do Albt1que • ue ribt si. . No tocante à falta de recolhimento da CPMF, o auditor assim se manifesta: O anexo 'Demonstrativo de Aproveitamento dos Valores Recolhidos em DARF único', já mencionado, indica, na coluna 'Valor Original Remanescente', os valores originais de CPMF, em cada período de apuração, que não puderam ser cobertos pelo DARF recolhido, a partir do período de apuração encerrado em 26106/2002. Tais valores, constituindo crédito tributário ora constatado e não constituído, estão sujeitos ao lançamento de oficio, com juros de mora (Selic) e multa de oficio, conforme cálculo demonstrado no já mencionado anexo 'Apuração dos Valores Ainda Devidos, a Lançar de Oficio', na coluna 'CPMF Não Recolhida'. Antes de finalizar o citado TERMO DE CONSTATAÇÃO, a autoridade fiscal relaciona os dispositivos legais que sustentam os lançamentos da CPMF por falta de recolhimento, bem como da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente. Cientificada da exigência em 17/02/2006, em 21/03/2006, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 130/152, alegando em síntese o que segue. Inicialmente, alega não • se contrapor ao lançamento por falta de • recolhimento, no importe de R$ 475.466,53, acrescido dos juros de • mora e da multa proporcionaL Informa haver acostado à peça impugnatória, espelho de documento de arrecadação na cifra de R$ 947.509.37, paga com o intuito de liquidar essa parcela da exigência (fl. 205). Assim, aduz que sua discordância restringe-se à exigência da multa e dos juros isolados. Opondo-se à imposição desses acréscimos a impugnante rememora os marcos significativos relacionados à dita ação de Mandado de Segurança, desde a concessão da liminar, em 21/07/1999, até a publicação do acórdão, em 16/0812002, que reformou a decisão de primeira instância, cassando a segurança concedida. Acrescenta ainda que, havendo oposto embargos de declaração ao referido acórdão, a decisão que deles tratou foi publicada em 11/12/2002. • ' Nesse passo diz que, diante desta última decisão, antes de qualquer medida fiscalizatória e ainda dentro do prazo de trinta dias da publicação da decisão que reverteu o provimento jurisdicional favorável — decisão que entende ser aquela referente aos embargos de declaração interpostos—, efetuou o recolhimento da CPMF relativa ao período em que esteve a impugnante sob amparo judicial. Defende que sua conduta, assim, nos termos do §2° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, gerou o efeito previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional (C7'7V), qual seja, a exclusão da responsabilidade pelo beneficio da denúncia espontânea. Assim, a seu ver, seria incabível a • exigência de multa isolada. • 4 \ • ' , - ` , CONFERE COM O CROMAI_ • Processo n° 19515.002908/2005-07 aramos1 2,• t) 0t 07 CCO2/CO2 Fls. 311 Mat. Vape 944.442 rr., Quanto aos juros de mora desacompanhados de tributo, alega ser ' ilegítima' sua imposição, já que não se pode falar em mora se não há - impontualidade culposa no cumprimento da obrigação pelo sujeito • passiva Esta a seu ver, seria a interpretação a ser dada a expressão seja qual for o motivo determinante da falta constante do art. 161 do . CTN. Ou seja, a falta a que se refere o artigo estaria vinculada à culpa ' •. do sujeito passivo pelo não cumprimento tempestivo da obrigação. • -' • Assim, conclui que a suspensão judicial da exigibilidade do crédito tributário, ao adiar os efeitos do vencimento da obrigação tributária, • impede a incidência dos juros moratórios, pelo que, postula o ' • cancelamento desta parcela do lançamento, na cifra de R$ 922.597,32. - Cita doutrina e jurisprudência em apoio à tese. A impugnante vê ainda a decadência parcial do direito de o Fisco constituir crédito tributário relativo a multa e juros de mora isolados. , Isto porque o lançamento, lavrado em 17/02/2006, foi formalizado ' . depois da fluência do prazo decadencial de cinco anos contados da . ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art, 150, §4°, do CTN. Assim, argumenta que a parcela do lançamento relativa aos fatos geradores dos períodos de 04/08/1999 a 14/02/2001 está 'extinta, • consoante o disposto no art. 156, V, do C7'N." ' A DRJ, na sessão de 26 de junho de 2007, manteve o lançamento procedente, ' em parte, cujo acórdão (fls. 244/248) tem a seguinte ementa: - "Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 26/0612002 a 31/12/2002 Lançamento de Oficio. Informações Fornecidas por Instituição Bancária. Falta de Recolhimento. Informada à Administração , Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Pagamento Após o Início da Ação Fiscal. Lançamento. Legitimidade O pagamento efetuado após o início da ação fiscal não afasta a obrigatoriedade da constituição do crédito tributário por meio do lançamento de oficia • Suspensão da Exigibilidade Juros de Mora Imposição. Legitimidade. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não suspende a , fluência dos juros moratórios. Retroatividade Benigna. Multa de Oficio Isolada. Recolhimento em Atraso sem Acréscimo da multa de piora. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício isolada aplicada por pagamento em atraso sem o acréscimo da multa de mora - Lançamento Procedente em Parte". • s 5 • •SEU.. <C/0 C 7 vS2.14i DE CONTRIBUINTES . Processo n° 19515.002008/2005-07 • • CONËCRE CCM ORIGINAL CCO2/02 Acórdão n.• 202-19.116 thirnfita, 7, Lat as. 312 Calma Varia da Aiburywrque• ! Varie P4442 ,10 Cientificada em 02/10/2007 (AR de fl. 252), a contribuinte apresenta recurso voluntário em 01/11/2007 (fls. 253/280), onde alega, em síntese, os mesmos argumentos expendidos na impugnação, relativamente à parte em que lhe foi contrária a decisão, nos seguinte termos: 1)a peça itnpugnatória ficou restrita à exigência da multa isolada e dos juros de mora exigidos isoladamente; 2) a multa isolada foi cancelada pela decisão recorrida, em homenagem ao disposto no art. 106, II, c, do CTN, que trata da retroatividade benigna relativamente à redução ou cancelamento de multa, face à nova redação do art. 44 da Lei n2 9.430/96, que não mais contempla a exigência de multa isolada em casos de recolhimento de tributos em atraso, sem o acréscimo da multa de mora; 3) aduz que a decisão recorrida que manteve a cobrança dos juros de mora isolados merece ser reformada, pelos seguintes motivos: a) decadência parcial dos juros isolados — o auto de infração foi lavrado em 17/02/2006 (data da ciência), devendo ser cancelados os fatos geradores ocorridos nos períodos de 04 de agosto de 1999 a 14 de fevereiro de 2001, nos termos do art. 156, V, do CTN; b) alega a invalidade da cobrança dos juros isolados em razão da suspensão da exigibilidade do tributo — efeito dos embargos de declaração (Processo n2 1999.61.00.034213-8), no qual se requereu a autorização judicial para se eximir do recolhimento da CPMF — em 21/07/1999 — concedida a medida liminar pelo Juízo Federal; em 10/03/2000 — concessão da segurança pleiteada confirmando a liminar anteriormente concedida — 16/08/2002 — publicação do acórdão da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal dando provimento ao recurso fazendário; e, só em 11/12/2002, foi publicada a decisão que tratou dos embargos declaratórios, os quais, nos termos do art. 538 do CPC, interrompem o prazo para a interposição de outros recursos; c) de acordo com o art. 63, § 22, da Lei n2 9.430/96, a recorrente poderia recolher o tributo dentro do prazo de 30 (trinta) dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, o que de fato foi feito, tendo sido recolhida em 11/12/2002 a importância que entendia ser devida, em razão da cessação da suspensão da exigibilidade dos valores que deixaram de ser pagos a título de CPMF; d) questiona também a atualização dos juros moratórios, razão pela qual requer, caso os mesmos venham a ser mantidos, sejam desconsideradas as atualizações promovidas desde 11/12/2002, até a presente data, cujo montante, se devido, seja no valor total de R$922.597,32. E o Relatório. Processo n' 19515 002908/2005 07 cco2J2 IIF -SEGUNDO CUM.80 eCkfR . :11MTES Fls. 313 amaina, ....s....ai 01 o g , Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator Os recursos merecem ser conhecidos, porquanto tempe:stivos e revestidos das demais formalidades legais. Recurso de Oficio O recurso de oficio se refere à exoneração do crédito relativamente à multa isolada, aplicada com fundamento no art. 44, II, da Lei n 2 9.430, de 1996, tendo em vista que as alterações introduzidas pela Medida Provisória n 2 351, convertida na Lei n2 11.488, de 15/06/2007, deu nova redação ao referido art. 44, deixando de existir a hipótese que fundamentou a exigência, não mais considerando passível de incidência da multa isolada em razão do recolhimento integral do principal, desacompanhada do acréscimo da multa de mora. Assim sendo, o recurso de oficio deve ser rejeitado por seus próprios fundamentos, estando o acórdão recorrido em conformidade com o art. 106, II, alínea "c", do CTN, que determina a aplicação da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Trata o presente caso de recurso voluntário contra a cobrança dos juros isolados em razão da suspensão da exigibilidade do tributo (CPMF), por efeito dos embargos de I declaração (Processo n2 1999.61.00.034213-8), no qual se requereu a autorização judicial para se eximir do recolhimento da CPMF — em 21/07/1999 — concedida a medida liminar pelo Juizo Federal; em 10/03/2000 — concessão da segurança pleiteada confirmando a liminar. • anteriormente concedida — 16/08/2002 — publicação do acórdão da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal dando provimento ao recurso fazendário, e; só em 11/12/2002, foi publicada a decisão que tratou dos embargos declaratórios, os quais, nos termos do art. 538 do CPC, interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, quando então foram recolhidos os Foi dado ciência do auto de infração em 17/02/2006 (fl. 128). Preliminar de Decadência Acolho parcialmente a preliminar de decadência, relativamente aos juros cobrados anteriormente a 17/02/2001, levando em consideração que o auto de infração foi lavrado em 17/02/2006 (data da ciência), devendo ser cancelados os fatos geradores (juros) ocorridos nos períodos de agosto de 1999 a janeiro de 2001 (cf. planilha de fls. 8/12), nos termos do art. 156, V, do Código Tributário Nacional, em conformidade com a Súmula • Vinculante n2 8, aprovada pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal, na sessão plenária de 11/06/2008, que expressamente declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n2 8.212, de julho de 1991, nos seguintes termos, verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os • seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do if 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006* 7 - Processo n° 19515002908/2005 -07 • • ., A"FERECGMC3 9,2101NAL 4 CCOVCO2 Acórdão n.° 20249.116 , • Granalha, OwL, Fls. 3M Calma Mina deA1auquerqja • • Sumula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° , 8.212/1991; que tratam,' de prescrição e decadência de crédito tributario Precedentes: RE 560.626, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rei Mm Carmen Lúcia, j. - 12/6/2008; IRE 106.217, reL Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, reL Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: . Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n°8:212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, 111 Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente". Sobre as conseqüências e efeitos da Súmula vinculante, assim o texto constitucional disciplina o assunto: "Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos dentais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004) (Vide Lei n° 11.417, de 2006). § I" A súmula terá por objetivo a validade, a intetpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação, de processos sobre questão idêntica. § 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará • que outra seja proferida com ou sem a aplicação da szimida, conforme o caso." (grifos acrescidos). Dos preceitos expostos, desde logo verifica-se que o auto de infração de CPMF, notificado em 17/02/2006 (fl. 122), jamais poderia abranger fatos geradores ocorridos no período anterior a 17/02/2001, os quais já se achavam extintos pela decadência, nos expressos termos dos arts. 150, §, 49, e 156, inciso V, do CTN, impondo-se a exclusão das referidas operações do lançamento, nos termos da jurisprudência citada. , Processo n° 19515.002908/2005-07 • isrearna CONFERECCMQ ti cps CCOVCO2 I , • • ' Acórdão n.• Fls. 315 - O acórdão recorrido considerou, para efeitos de CPMF, aplicável o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei n 2 8.212, de 1991, todavia, conforme demonstrado, esta , possibilidade foi afastada pela Súmula Vinculante n 2 8. • Quanto à aplicação alternativa do art. 173, I, do CTN, por entender que "o lançamento de crédito tributário cuja natureza se descola do tributo que lhe deu motivação", . . não vejo como isto ser possível, pois, conforme bem demonstrou em seu relatório, desde a impetração do Mandado de Segurança n2 1999.61.00.034213-8, em 16/07/1999 quando a , recorrente se insurgiu contra a cobrança da CPMF,•e mesmo após' ter obtido a liminar ' (21/07/1999), o crédito poderia ter sido constituído a fim de prevenir-se contra a decadência, , nos termos do art. 63 da Lei n2 9A30/96, verbis: "Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966. (Redação original) Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. (Redação dada pela Medida Provisória n°2.158-35, de 2001)", Assim sendo, todos os fatos geradores da CPMF ocorridos nos períodos de agosto de 1999 a janeiro de 2001 foram extintos pela decadência, por tratar-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sujeito ao prazo decadencial previsto no art. 150, § 42, do Código Tributário Nacional - CTN. Incidência de Juros sobre os Períodos não Alcançados pela Decadência • Relativamente ao período não abrangido pela decadência, a r. decisão recorrida é incensurável, devendo ser integralmente mantida. De fato, ante a comprovada denegação da segurança, verifica-se que nada mais obstava a exigibilidade do crédito tributário e de seus consectários lógicos através do presente lançamento, pois, como já aásentou a jurisprudência judicial cristalizada na Súmula n 2 405 do STF, "denegado o mandado de segurança pela sentença ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária". Nesse sentido, contemplando especificamente a hipótese dos autos, confira-se: . "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - LIMINAR CASSADA -PELA SENTENÇA DENEGATóRIA DA SEGURANÇA - RETORNO AO STATUS QUO ANTE - INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO A sentença que nega a segurança é de caráter declaratório negativo, , cujo efeito, como é cediço, retroage à data da impetração. Assim . 'cassada a liminar ou cessada sua eficácia, voltam as coisas ao status • 9 . . . I . . ‘ • ' Processo ne 19515.002908/2005-07 - - •, CCO2/CO2 Acárdao n.° 202-19.116 , " CONFERE CCM 0 ORiGINAL 316 .. _ - ' . • • i . CalmatMarza da Agiuquerqua F---------- - quo ante. Assim sendo, o direi to ao a derflibtifflfin eido in I , - latim para a execução' do ato e de seus consectários, d sde a data da I liminar'. (cf Hely Lopes Meirelles, Mandado de Segurança, Ação Popular, Ação Civil Pública, Mandado de Injunção, 'Habeas Data', Malheiros Editores, p. 62). ' É devido, dessarte, o pagamento de juros de mora desde o vencimento da obrigação e correção monetária, mesmo que .a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior - ao vencimento.. , ' ' • Recurso especial não conhecido." • (cf. Acórdão da 2" Turma do STJ no REsp n° 208.803-SC, Reg n° • 1999/0025864-9, em sessão de 11/02/2003, rel. Min. Franciulli Netto, , pubL in DJU de 02/06/2003, p.232).- , - Assim, nem mesmo o recebimento da apelação teria aptidão de revigorar o provimento liminar revogado por decisum de direito, como já proclamaram os Egrégios STJ e TRF da 42 Região e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: "PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR RECURSO ORDINÁRIO. EFEITO SUSPENSIVO, DECISÃO DENEGA TÓRIA DE .SEGURANÇA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. IMPROCEDÊNCIA. A decisão denegatória de segurança não tem conteúdo 'executório', . descabendo, por impossibilidade jurídica, suspender-lhe a execução pela via transversa, atribuindo-se efeito suspensivo a recurso • . ordinário, a sentença denegatória tem eficácia 'meramente declaratória negativa' do ato, não havendo, a rigor, efeito algum para, . se suspender. Medida cautelar julgada improcedente. decisão ,-, } ., , , (cf. Acórdão da 1" Turma do STJ na MC n" 114-GO, Reg. n° . 1994/0036145-9, em sessão de 21/06/95, rel. Min. Demócrito Reinaldo, pub. in DJU de 28/08/95, pag 26562). , "PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. SENTENÇA DENEGATÓNA. APELAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. A Apelação de sentença que denega Mandado de Segurança é dotada .. de efeito exclusivamente devolutivo, sendo infactivel a atribuição de, efeito exclusivamente suspensivo a recurso contra julgado de conteúdo negativo, certo que o mesmo não aportaria aptidão para revigorar• , , provimento liminar revogado por decisum de direito." • , . ' . (cf. Acórdão da 4' Turma do TRF da 4" Reg. no AG 0406755-2, reL , Des. Fed. Amaury Chaves de Athayde, publ. in DJU de 10/09/98, pág. . , Ademais, a colenda Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu pela incidência de juros de mora, nos casos de exigibilidade por decisão judicial, conforme se depreende das ementas dos acórdãos adiante transcritas: . . _ , \\\ io- % I' . Processo n* 19515.002908/2005-07 "EgEr"3"QUilt:AL CCO2/CO2 ' Acórdão n.° 202-19.118 _ Seersillte, F1s. 317 teima Maria c!,./ Nbucluerclue nsoe styl , "SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL - JUROS DE MORA - INCIDÊNCIA - Ainda que suspensa a • exigibilidade do crédito tributário, devem incidir os juros de mora, ex vi do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de depósito integral. Recurso negado. (Acórdão CSRF/01- , . IRPJ - JUROS DE MORA - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto-lei n' 1.736/79, art. 5 RIR194, art. 988, 2 e RIR/99, art 953, 5 3 s), e somente o depósito integral do crédito tributário, no prazo de vencimento do tributo, tem o condão de afastar a sua incidência. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário não implica em suspensão da constituição do crédito tributário, que é vinculativa. Efetuado o lançamento, os juros moratórias seguem o destino do tributo de que decorrem, de sorte que a suspensão da exigibilidade do tributo importa na suspensão da cobrança dos juros, mas não de sua incidência, desde o vencimento do prazo do vencimento do tributo (CIN, art. 161)." (Acórdão CSRF/01-05.020) Finalmente, no que toca à atualização do débito pela taxa Selic, o assunto encontra-se sumulado no âmbito deste Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, consoante a Súmula n2 3, verbis: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais." (DOU, Seção!, 26/09/2007, pág. 20, n°186) Isto posto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE • OFICIO e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO reconhecendo a decadência quanto aos juros no período de junho de 1999 até janeiro de 2001, nos expressos termos dos arts. 150, § 4, e 156, inciso V, do CTN.. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2008. • ( iy O IO LISBOA • • a O 11 Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1
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