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Numero do processo: 10830.003002/2005-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de contradição no acórdão recorrido, esta deverá ser sanada.
Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a contradição apontada, fazendo constar tanto do voto quanto do dispositivo do acórdão recorrido que foi dado provimento em parte ao recurso interposto pelo contribuinte, apenas para fins de afastar o prazo decenal constante da decisão recorrida, com fulcro na súmula n. 8 do STF, contudo, afastando o pleito principal do contribuinte de reconhecimento da decadência, visto que esta não restou configurada no caso concreto analisado ainda que levado em consideração o prazo quinquenal pleiteado pelo mesmo.
Numero da decisão: 3301-003.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2002 a 10/03/2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de contradição no acórdão recorrido, esta deverá ser sanada. Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a contradição apontada, fazendo constar tanto do voto quanto do dispositivo do acórdão recorrido que foi dado provimento em parte ao recurso interposto pelo contribuinte, apenas para fins de afastar o prazo decenal constante da decisão recorrida, com fulcro na súmula n. 8 do STF, contudo, afastando o pleito principal do contribuinte de reconhecimento da decadência, visto que esta não restou configurada no caso concreto analisado ainda que levado em consideração o prazo quinquenal pleiteado pelo mesmo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
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CONTRADIÇÃO CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de contradição no acórdão recorrido, esta deverá ser sanada. Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a contradição apontada, fazendo constar tanto do voto quanto do dispositivo do acórdão recorrido que foi dado provimento em parte ao recurso interposto pelo contribuinte, apenas para fins de afastar o prazo decenal constante da decisão recorrida, com fulcro na súmula n. 8 do STF, contudo, afastando o pleito principal do contribuinte de reconhecimento da decadência, visto que esta não restou configurada no caso concreto analisado ainda que levado em consideração o prazo quinquenal pleiteado pelo mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 30 02 /2 00 5- 54 Fl. 104DF CARF MF 2 Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10830.003002/200554 Acórdão n.º 3301003.503 S3C3T1 Fl. 105 3 Relatório Tratamse de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 380300.010, de 06/07/2009, o qual possui a seguinte ementa e dispositivo: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Data do fato gerador: 18/08/1999, 11/08/1999 CPMF. Decadência. O art. 45 da Lei 8.212/91 restou afastado do direito positivo em face da Súmula Vinculante n° 08 do E. STF. Procedimento de constituição do crédito tributário instrumentalizado com arrimo no art. 149 do CTN, cujo prazo de decadência é o prescrito no art. 173, inciso I do mesmo CODEX. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Fazenda Nacional alega em seus embargos que houve contradição no acórdão em referência, visto que teria havido erro material na contagem do prazo decadencial, ensejando contradição entre a fundamentação do r. acórdão e seu dispositivo. Admitidos os embargos em despacho datado de 04/04/2016, os autos foram distribuídos a esta turma julgadora para análise. É o breve relatório. Fl. 106DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional in casu são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Os fundamentos dos referidos embargos encontramse abaixo colacionados: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10830.003002/200554 Acórdão n.º 3301003.503 S3C3T1 Fl. 106 5 Analisandose o caso, então, constatase que, de fato, o acórdão recorrido incorreu em contradição. Isso porque, embora o voto que integra o referido acórdão assevere que não houve a decadência, consignou aquela turma julgadora tanto no voto quanto no acórdão que fora dado provimento ao recurso do contribuinte. Houve, portanto, claro erro material no que concerne à tal conclusão ali consignada, possivelmente ocasionado por uma confusão quanto ao conteúdo Recurso Voluntário interposto, consoante será devidamente esclarecido a seguir. Conforme se extrai do referido recurso (fls. 60 e seguintes dos autos), insurgese o contribuinte contra a decisão da DRJ que consignara que o prazo decadencial da CPMF seria de 10 (dez) anos, com fulcro na Lei n. 8.212/91. Defende o contribuinte que em seu recurso que o prazo decadencial seria de 5 (cinco) anos, contados com fulcro no art. 173, inciso I do CTN. Sendo assim, requereu ao final que fosse reconhecida a "inexorável decadência cogitada ainda na primeira instância, cancelandose, assim, o insubsistente lançamento ex officio". Ao analisar o caso, então, este Conselho concordou com o fundamento do contribuinte no sentido de que é inaplicável o prazo decadencial decenal consignado pela decisão recorrida, inclusive em razão do disposto na súmula n. 8 do STF. Contudo, concluiu que, ainda que considerado o prazo de 5 anos pleiteado pelo contribuinte, com base no art. 173, inciso I, do CTN, não haveria que se falar em decadência no caso concreto analisado. É o que se extrai da transcrição a seguir: Fl. 108DF CARF MF 6 Ou seja, o pleito do contribuinte constante do seu recurso voluntário fora acolhido apenas em parte, tão somente para fins de reconhecer a inaplicabilidade do prazo decenal da Lei n. 8.212/91, consignada na decisão recorrida. Porém, foi negado provimento quanto ao pedido principal constante do referido recurso, visto que foi afastado o reconhecimento da decadência alegada. Apesar disso, constou do dispositivo o seguinte: ACORDAM os membros da 3ª turma especial do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sendo assim, entendo que devem ser acolhidos os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para fins de sanar a contradição apontada, fazendo constar tanto do voto quanto do dispositivo do acórdão recorrido que foi dado provimento em parte ao recurso interposto pelo contribuinte, apenas para fins de afastar o prazo decenal constante da decisão recorrida, com fulcro na súmula n. 8 do STF, contudo, afastando o pleito principal do contribuinte de reconhecimento da decadência, visto que esta não restou configurada no caso concreto analisado ainda que levado em consideração o prazo quinquenal pleiteado pelo mesmo. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10830.003002/200554 Acórdão n.º 3301003.503 S3C3T1 Fl. 107 7 Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901150/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.677
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 50 /2 00 9- 24 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901150/200924 Acórdão n.º 3201002.677 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.435. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901150/200924 Acórdão n.º 3201002.677 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901150/200924 Acórdão n.º 3201002.677 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901175/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.699
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 75 /2 00 9- 28 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901175/200928 Acórdão n.º 3201002.699 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.421. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901175/200928 Acórdão n.º 3201002.699 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901175/200928 Acórdão n.º 3201002.699 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.000090/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. INEXISTÊNCIA DE TERMO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA APRESENTAR COMPROVAÇÃO OU JUSTIFICAÇÃO DE DESPESAS.
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo a da autoridade lançadora concretizar tal ato por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. INEXISTÊNCIA DE TERMO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA APRESENTAR COMPROVAÇÃO OU JUSTIFICAÇÃO DE DESPESAS. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo a da autoridade lançadora concretizar tal ato por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Provido
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INEXISTÊNCIA DE TERMO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA APRESENTAR COMPROVAÇÃO OU JUSTIFICAÇÃO DE DESPESAS. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo a da autoridade lançadora concretizar tal ato por meio da lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 00 90 /2 00 8- 28 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10860.000090/200828 Acórdão n.º 2202003.807 S2C2T2 Fl. 67 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10860.000090/200828, em face do acórdão nº 1741.641, julgado pela 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Do Lançamento O processo referese à auto de infração fl. 04/09 lavrada em face do contribuinte acima identificado, em decorrência de procedimento interno de revisão de Declaração Anual de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2003, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 19.328,20, sendo imposto suplementar apurado no valor de R$ 7.826,77, juros de mora no valor de R$ 5.631,36 (calculados até 12/2007) e multa de oficio no valor de R$ 5.870,07. De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento da seguinte infração na autuação em exame: Glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas R$ 28.461,00 mesmo após regularmente intimado, o contribuinte não apresentou comprovação da dedução de despesas médicas pleiteada em sua Declaração de IRPF do exercício de 2003; A autoridade lançadora justificou como motivo ensejador da glosa a ausência de comprovação da efetividade dos serviços prestados bem como dos correspondentes pagamentos. Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte através de procurador apresentou manifestação tempestiva às fls. 01/02, anexando procuração por instrumento particular às fls. 03, documentos às fls. 10/30, alegando em síntese que: enviou à Receita Federal os comprovantes originais das despesas lançadas conforme solicitado; não há qualquer erro formal nos recibos emitidos; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10860.000090/200828 Acórdão n.º 2202003.807 S2C2T2 Fl. 68 3 o pagamento feito à Unimed foi mediante desconto diretamente na sua produção mensal e os demais em moeda corrente; , em caso de dúvida quanto a veracidade dos recibos, a fiscalização poderá solicitar aos emitentes a comprovação destes; requer o cancelamento da multa aplicada; É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado com a improcedência de sua impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário quanto ao que foi vencido, às fls. 50/52, onde são reiterados os argumentos lançados na impugnação. Com a chegada dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2202 000.674, cujo voto é abaixo parcialmente transcrito: O contribuinte, em impugnação (fls. 3/5) apresentada em 18/01/2008 alega que teria enviado, em 11/2004, a Secretaria da Receita Federal os comprovantes originais das despesas lançadas. A ciência do contribuinte deste auto de infração somente ocorreu em 18/12/2007 (fl. 35). Salientase que não foram anexados comprovantes de despesas médicas quando da apresentação da impugnação, tampouco foram apresentados documentos comprobatórios em anexo ao recurso voluntário. Portanto, verifico que não existem nos autos deste processo administrativo documentos comprobatórios do direito do contribuinte. Todavia, o contribuinte alega que em novembro de 2004 encaminhou a documentação à fiscalização, sendo os documentos enviados os originais, segundo o contribuinte. Tanto em impugnação quanto em recurso voluntário a argumentação é a mesma, no sentido de que foram apresentados os documentos à fiscalização. Porém, eles não estão no presente processo administrativo. Ocorre que conforme referido acima, inclusive com transcrição de parte do texto de fl. 16, a fiscalização, antes de lavrar o auto de infração em desfavor do contribuinte, refere que o contribuinte foi regularmente intimado para apresentação de documentação comprobatória. Não há, contudo, prova desta intimação. Em verdade, não há nos autos o denominado dossiê fiscal que a fiscalização elabora prévio ao lançamento. Assim, diante da possível pendência de juntada de documentos, necessário que seja convertido o feito em diligência para que seja anexado aos autos o comprovante da regular intimação do contribuinte referido em fl.16, devendo ser juntado pela Unidade da Receita Federal de origem o referido termo de intimação referido à fl. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10860.000090/200828 Acórdão n.º 2202003.807 S2C2T2 Fl. 69 4 16, bem como o comprovante desta intimação (AR) e a manifestação do contribuinte à referida intimação. Caso o contribuinte não tenha se manifestado quando da intimação, necessária a juntada de termo de perempção. Ante o exposto, voto por CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte promova a juntada aos autos deste processo administrativo: O(s) Termo(s) de Intimação(ções) encaminhado(s) ao contribuinte previamente ao auto de infração, em relação ao anocalendário 2012, onde tenha sido o contribuinte intimado, previamente ao auto de infração ser lavrado, para apresentação de comprovação de despesas médicas; Os comprovante(s) da regular intimação(ções) do contribuinte para apresentação dos documentos comprobatórios das despesas médicas, previamente ao auto de infração ser lavrado. Fazse necessária a juntada do comprovante de intimação (carta AR). A(s) resposta(s) apresentada(s) pelo contribuinte, com documentos por ele anexados (se for o caso), após ter sido ele regularmente intimado. Após a diligência ser realizada, necessária a intimação do contribuinte, oportunizandolhe o prazo legal para manifestação quanto o retorno da diligência. A diligência foi realizada pela unidade preparadora, tendo retornado com o despacho de fl. 65, que possui o seguinte teor: "Retorno o presente Processo, informando que não dispomos mais dos dossiês fiscais do exercício de 2003. Entretanto, verificamos que o conteúdo do dossiê fiscal do interessado já se encontra nos autos, nas cópias de fls. 14 a 33". É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pela análise dos autos, verificase, à fl. 24, que o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual exercício 2003, o valor de R$ 28.461,00 como dedução de despesas médicas. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10860.000090/200828 Acórdão n.º 2202003.807 S2C2T2 Fl. 70 5 De início, importante destacar que na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração, à fl. 16, consta a seguinte informação: "o contribuinte regularmente intimado não apresentou qualquer comprovação da dedução de despesas médicas de R$ 28.481,00, pleiteada em sua Declaração de IRPF, exercício 2003". O contribuinte, em impugnação (fls. 3/5) apresentada em 18/01/2008 alega que teria enviado, em 11/2004, a Secretaria da Receita Federal os comprovantes originais das despesas lançadas. A ciência do contribuinte deste auto de infração somente ocorreu em 18/12/2007 (fl. 35). Salientase que não foram anexados comprovantes de despesas médicas quando da apresentação da impugnação, tampouco foram apresentados documentos comprobatórios em anexo ao recurso voluntário. Portanto, verifico que não existem nos autos deste processo administrativo documentos comprobatórios do direito do contribuinte. Todavia, o contribuinte alega que em novembro de 2004 encaminhou a documentação à fiscalização, sendo os documentos enviados os originais, segundo o contribuinte. Tanto em impugnação quanto em recurso voluntário a argumentação é a mesma, no sentido de que foram apresentados os documentos à fiscalização. Porém, eles não estão no presente processo administrativo. Ocorre que conforme referido acima, inclusive com transcrição de parte do texto de fl. 16, a fiscalização, antes de lavrar o auto de infração em desfavor do contribuinte, refere que o contribuinte foi regularmente intimado para apresentação de documentação comprobatória. Não há, contudo, prova desta intimação. Ao proferir a Resolução nº 2202000.674 esta Turma compreendeu que não haveria nos autos o denominado dossiê fiscal que a fiscalização elabora prévio ao lançamento. Por tal razão, foi convertido o feito em diligência para que seja anexado aos autos o comprovante da regular intimação do contribuinte referido em fl.16, devendo ser juntado pela Unidade da Receita Federal de origem o referido termo de intimação referido à fl. 16, bem como o comprovante desta intimação (AR) e a manifestação do contribuinte à referida intimação. A diligência foi realizada pela unidade preparadora, tendo retornado com o despacho de fl. 65, que possui o seguinte teor: "Retorno o presente Processo, informando que não dispomos mais dos dossiês fiscais do exercício de 2003. Entretanto, verificamos que o conteúdo do dossiê fiscal do interessado já se encontra nos autos, nas cópias de fls. 14 a 33". Ora, não há nos autos o termo de intimação referido à fl. 16. Portanto, não havendo prova de que o contribuinte foi previamente intimado para apresentar comprovação da dedução de despesas médicas de R$ 28.481,00, entendo que deve ser afastada a glosa em questão, por nulidade do lançamento. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10860.000090/200828 Acórdão n.º 2202003.807 S2C2T2 Fl. 71 6 No caso, na descrição dos fatos e enquadramento legal da notificação de lançamento, em fl. 16 dos autos, é referido que o contribuinte foi regularmente intimado para apresentar comprovação da dedução de despesas médicas e que este não o fez. Ainda, é referido o que o contribuinte deveria ter realizado para comprovar as despesas médicas, veja se: Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Entendo, portanto, que o valor de R$ 28.481,00, deduzido a título de despesas médicas no ano calendário de 2012, deve ser restabelecido, uma vez que o contribuinte não foi regularmente intimado a efetuar a comprovação do efetivo pagamento, a juízo da Autoridade lançadora e, sendo assim, valem os recibos apresentados na forma da legislação pertinente. Conclusão Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10860.000090/200828 Acórdão n.º 2202003.807 S2C2T2 Fl. 72 7 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de despesas médicas no valor de R$ 28.481,00. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720155/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.784
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 55 /2 01 1- 14 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10120.720155/201114 Acórdão n.º 3302003.784 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.299. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.720155/201114 Acórdão n.º 3302003.784 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720155/201114 Acórdão n.º 3302003.784 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720155/201114 Acórdão n.º 3302003.784 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720155/201114 Acórdão n.º 3302003.784 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.014462/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2008
Ementa:
MULTA ADUANEIRA. SANÇÃO EQUIVALENTE A 30% DO VALOR ADUANEIRO NA HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. ERRO NA DESCRIÇÃO DO BEM LICENCIADO. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO.
O simples erro na descrição do bem importado, incapaz de alterar a sua forma de controle administrativo aduaneiro (licenciamento automático) e, por conseguinte, impedir a atividade fiscalizatória da aduana, não se amolda ao tipo prescrito no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/02, sob pena, inclusive, de ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, o princípio da tipicidade cerrada.
MULTA ADUANEIRA. SANÇÃO EQUIVALENTE A 1% DO VALOR ADUANEIRO NA HIPÓTESE DE ERRO NA DESCRIÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. EQUÍVOCO DESCRITIVO ATESTADO POR LAUDOS PERICIAIS. INCIDÊNCIA DA MULTA.
O erro na descrição dos bens importados, devidamente atestado por laudos periciais promovidos pela fiscalização, configura a hipótese do tipo infracional especificamente descrito no 636, inciso I, § 4o, inciso I do Decreto n. 4.543/02. Sanção mantida.
Recurso voluntário provido em parte. Crédito tributário mantido em parte.
Numero da decisão: 3402-004.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a multa capitulada no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época e mantendo-se a sanção prescrita no art. 636, inciso I, § 4º, inciso I do mesmo diploma legislativo. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento na íntegra.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2008 Ementa: MULTA ADUANEIRA. SANÇÃO EQUIVALENTE A 30% DO VALOR ADUANEIRO NA HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. ERRO NA DESCRIÇÃO DO BEM LICENCIADO. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO. O simples erro na descrição do bem importado, incapaz de alterar a sua forma de controle administrativo aduaneiro (licenciamento automático) e, por conseguinte, impedir a atividade fiscalizatória da aduana, não se amolda ao tipo prescrito no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/02, sob pena, inclusive, de ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, o princípio da tipicidade cerrada. MULTA ADUANEIRA. SANÇÃO EQUIVALENTE A 1% DO VALOR ADUANEIRO NA HIPÓTESE DE ERRO NA DESCRIÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. EQUÍVOCO DESCRITIVO ATESTADO POR LAUDOS PERICIAIS. INCIDÊNCIA DA MULTA. O erro na descrição dos bens importados, devidamente atestado por laudos periciais promovidos pela fiscalização, configura a hipótese do tipo infracional especificamente descrito no 636, inciso I, § 4o, inciso I do Decreto n. 4.543/02. Sanção mantida. Recurso voluntário provido em parte. Crédito tributário mantido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a multa capitulada no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época e mantendose a sanção prescrita no art. 636, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 44 62 /2 00 8- 90 Fl. 434DF CARF MF 2 inciso I, § 4º, inciso I do mesmo diploma legislativo. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento na íntegra. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração para a exigência de exações a título de Imposto de Importação, bem como de contribuições para o PIS e COFINS também incidentes na operação de importação, acrescidas de multa proporcional e juros de mora. Não obstante, ainda foi exigido do contribuinte duas multas de controle aduaneiro, quais sejam: (i) multa por infração administrativa ao controle de importações por pretensa ausência de licença de importação ("LI"), implicando, pois, sanção equivalente a 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, nos termos do art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n. 4.543/02, bem como (ii) multa por inexatidão na descrição das mercadorias importadas, gerando sanção equivalente a 1% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, exatamente como prevê o art. 636, inciso I, § 4o, inciso I do Regulamento Aduaneiro vigente à época. 2. Segundo alega a fiscalização, o importador promoveu a Declaração de Importação n° 08/15431460, registrada em 30/09/2008, oportunidade em que submeteu a despacho duas "combinações de máquinas para corte e lapidação a frio de vidros planos automobilísticos com espessura compreendida entre l,6mm e 5,0mm e dimensões compreendidas entre 350 x 350mm e 2.000 x 1.300mm, compostas de uma estação de corte, uma estação de destaque, uma estação de lapidação, um sistema de transporte entre as estações e um painel de comando numérico computadorizado (CNC) Modelo K080082", mercadoria classificável na Tarifa Externa Comum sob o código 8464.90.19 e tendo como fabricante/exportador/produtor a empresa Bystronic Maschien AG. 3. Não obstante, o contribuinte solicitou ainda o "ex" tarifário para as mercadorias, com fulcro na Resolução CAMEX n° 58 de 16 de setembro de 2008, combinada com a Resolução CAMEX n° 48 de 24 de julho de 2008, conforme descrito no campo "Dados Complementares" da declaração de importação aqui analisada. 4. Durante o curso do despacho, foram realizados laudos técnicos por engenheiros, os quais constataram que a mercadoria a ser importada não configurava estações independentes, uma vez que duas estações de máquinas estão ligadas entre si de forma rígida e estável, formando um único corpo submisso a um único painel de comando elétricoeletrônico. 5. Registrese, ainda, que essa constatação técnica não implicou a reclassificação fiscal da mercadoria importada, a qual permaneceu classificada no NCM 8464.90.19, mas apenas o afastamento do "ex" almejado pelo contribuinte. 6. Uma vez notificado, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 130/141, oportunidade em que contestou todas as exigências aqui tratadas. Não obstante, posteriormente, Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10314.014462/200890 Acórdão n.º 3402004.191 S3C4T2 Fl. 417 3 informou a sua adesão ao REFIS (lei n. 11.941/09), oportunidade em que parcelou os débitos relativos aos tributos aqui exigidos, mantendo, pois, a discussão quanto à exigência das sanções aduaneiras referidas. 7. Devidamente processada, a DRJ de São Paulo julgou improcedente a Impugnação apresentada por intermédio do acórdão n. 16048.972 (fls. 375/387), o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/09/2008 O importador solicitou o "ex" tarifário para as mercadorias. O Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997, que exige que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado.Uma descrição indevida ou imprecisa da mercadoria não se coaduna com isso. A classificação fiscal adotada no extarifário do código NCM 8464.90.19 é incorreta. Incide a multa proporcional ao valor aduaneiro. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 8. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 395/409, oportunidade em que, em suma, alegou o que segue: (i) inaplicabilidade da multa equivalente a 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas por ausência de subsunção, uma vez que o contribuinte apresentou LI, ainda que com a descrição equivocada da mercadoria importada; (ii) consunção em relação a multa de 1% do valor aduaneiro das mercadorias importadas pelo erro na sua descrição, a qual ficaria eventualmente absorvida pela outra sanção aqui imposta. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 10. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A multa equivalente a 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas 11. Conforme destacado no relatório do presente voto, uma das sanções impostas é aquela capitulada no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, in verbis: Fl. 436DF CARF MF 4 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas: (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação; e (...). (grifos nosso). 12. O tipo legal é claro ao prescrever que será sancionado com a multa de 30% do valor aduaneiro aquela que importar mercadoria sujeita à licença de importação sem o cumprimento desta exigência. Referido dispositivo tem por escopo tutelar o deverpoder da Administração Aduaneira em fiscalizar as importações realizadas no país, de modo a evitar a ocorrência de burlas aduaneiras e também fiscais. 13. No presente caso, por seu turno, o contribuinte promoveu a presente importação com a presença de LI (LI automática), gerada pelo SISCOMEX, ou seja, a fiscalização teve a oportunidade de efetuar o controle aduaneiro da mercadoria importada, ao ponto, inclusive, de redundar em dois laudos técnicos para atestar o equívoco do contribuinte na descrição do bem. 14. Registrese, inclusive, que não houve erro na classificação da mercadoria indicada na LI, a qual, mesmo após a realização de dois laudos técnicos promovidos pela fiscalização, permaneceu com a classificação 8464.90.19 no NCM. 15. Ocorre que, segundo a interpretação fiscal, o erro na descrição da mercadoria importada que, por seu turno, afetaria a incidência ou não do "ex" tarifário, seria o equivalente a não apresentação da LI. Data venia, tal interpretação implica a indevida ampliação do tipo sancionatório aqui tratado, o qual prescreve ser indevida a "importação de mercadoria sem licença", ampliação esta que, por conseguinte, conflita com o princípio da legalidade e, em especial, o princípio da tipicidade cerrada. Neste diapasão é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal Administrativo: Ementa Imposto de Importação Multa do art. 526, II do R.A. Incabível sua aplicação quando se trata apenas de descrição indevida de mercadoria importada ao amparo da G.I. Recurso provido. (Acórdão CSRF/032.575). Ementa MULTA DO ARTIGO 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO Não é cabível sua aplicação por não estar configurada a falta de Guia de Importação. Recurso provido. (Acórdão SRF/0302.788). Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10314.014462/200890 Acórdão n.º 3402004.191 S3C4T2 Fl. 418 5 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/07/2004 (...). Multa por Ausência de Licença de Importação. Inaplicabilidade. O exclusivo erro de classificação não é suficiente para atrair a aplicação da multa capitulada na atual redação do art. 169, I do Decretolei nº 37, de 1966. É necessário que se demonstre que tal erro prejudicou o exercício do controle administrativo das importações. (Acórdão 310200.708) Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados. (Acórdão n. 9303003.842). 16. No último acórdão citado, ao tratar da sanção aqui analisada, o Relator do caso, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, assim se manifestou em seu voto: (...) Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada em violação ao controle administrativo das importações, bem jurídico expressamente tutelado pelo art. 633 anteriormente transcrito. Ocorre que, por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Ou seja, se tanto o código tarifário indicado pelo Fisco, quanto o defendido pelo sujeito passivo estiverem sujeitos ao mesmo tratamento administrativo, não vejo como considerar que a mercadoria deixou de ser licenciada em razão do erro de classificação. (...). 17. É exatamente este o caso dos autos, uma vez que a descrição indicada pela fiscalização não implicou a alteração da sua classificação fiscal e, em especial, a alteração da sua forma de controle aduaneiro. Em outros termos, os bens importados pela recorrente, sujeitos ou não ao "ex" tarifário 012, estão exclusivamente subordinados ao licenciamento de importação automático. Logo, o erro na descrição dos bens importados pode ter causado um prejuízo ao erário público (caráter fiscal da autuação), mas não ao controle aduaneiro (caráter administrativo da exigência). Fl. 438DF CARF MF 6 18. Ademais, convém sublinhar que a descrição da mercadoria apresentada pelo contribuinte não foi propositadamente pensada para burlar o controle aduaneiro. Não houve aqui a substituição da descrição dos bens importados e retratados na LI de, v.g., aço por batatas. Em verdade, o erro na descrição, ao meu ver inconteste, passou por uma linha muito tênue, ao ponto da fiscalização promover a elaboração de 2 (dois) laudos técnicos para atestar que as estações importadas não eram independentes, mas estavam ligadas entre si de forma rígida e estável. 19. Por fim, a inexistência de subsunção dos fatos aqui narrados ao tipo sancionatório em destaque é reforçado quando se observa que, para a conduta promovida pela recorrente, qual seja, erro da descrição das mercadorias importadas, existe uma sanção especialmente prevista para punir al prática, retratada no art. 636, inciso I, § 4o, inciso I do Regulamento Aduaneiro vigente à época: Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou § 4o Na hipótese de a reclassificação a que se refere o § 3o repercutir em consolidação de duas ou mais mercadorias em uma mesma classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul, a multa corresponderá: I a um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro das mercadorias reclassificadas, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais); ou (...) (grifos nosso). 20. Há, portanto, um tipo especialmente previsto para a conduta realizada pelo recorrente, tipo este, inclusive, que foi convocado em concreto para sancionar o contribuinte em questão, conforme será melhor detalhado no tópico imediatamente seguinte do presente voto. 21. Diante deste quadro, por inexistência de subsunção dos fatos aqui tratados àqueles descritos no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, encaminho meu voto para afastar a sanção correlata. II. A multa de 1% do valor aduaneiro das mercadorias importadas pelo erro na sua descrição 22. Não obstante, como já mencionado anteriormente, o contribuinte também foi sancionado com a multa equivalente a 1% do valor aduaneiro das mercadorias importadas em razão do erro na descrição de tais bens, exatamente como especialmente previa o art. 636, inciso I, § 4o, inciso I do Regulamento Aduaneiro vigente à época. 23. Diferente do que alega o contribuinte, não há que se falar em absorção deste tipo infracional por aquele descrito no art. 633, inciso I, alínea "a" do RA, haja vista que o presente voto afastou esta última sanção já que existe tipo infracional específico para punir a conduta praticada pelo contribuinte. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10314.014462/200890 Acórdão n.º 3402004.191 S3C4T2 Fl. 419 7 24. Em verdade, as perícias realizadas pela fiscalização são claras ao apontar tecnicamente o equívoco do contribuinte ao descrever a mercadoria importada, o que, inclusive, muito provavelmente foi o indutor para que o contribuinte aderisse ao REFIS em relação às exigências de caráter exacional originalmente impostas pelo presente Auto de Infração. 25. Segundo consta dos autos, o contribuinte descreveu o bem importado da seguinte forma: 26. Acontece que, segundo constatado pelas perícias técnicas produzidas pela fiscalização, restou demonstrado que duas estações de máquinas estão ligadas entre si de forma rígida e estável, formando um único corpo submisso a um único painel de comando elétrico eletrônico. 27. Não há dúvida, portanto, quanto ao erro do contribuinte na descrição do bem importado, em especial o equívoco nos "detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria", o que implica a incidência da multa prescrita no art. 636, inciso I, § 4o, inciso I do Regulamento Aduaneiro vigente à época. Dispositivo 28. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exonerando a multa capitulada no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época e mantendo sanção prescrita no art. 636, inciso I, § 4o, inciso I do mesmo diploma legislativo. 29. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 440DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.003733/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
NÃO APLICAÇÃO DA LEI. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA E VERDADE MATERIAL.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de impugnar e recorrer.
Quanto ao fato do lançamento contrariar a verdade material, porque o contribuinte teria declarado todas as contribuições em GFIP, destaca-se que as declarações entregues após o início do procedimento fiscal não surtem qualquer efeito sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33).
JUROS DE MORA. SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE 75%. AGRAVAMENTO. LEI 9.430, DE 1996.
Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas multas de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Os percentuais de multa serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar os arquivos ou sistemas na forma da legislação pertinente. O lançamento de ofício é ato administrativo vinculado à lei.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
No lançamento tem-se uma multa de ofício, por inobservância da legislação tributária, que foi agravada em 50% por deixar de atender à intimação fiscal para a apresentação de informações na forma da legislação. Essa multa tem caráter punitivo, conforme previsto no artigo 113, do CTN. Já os juros de mora têm por escopo atualizar o valor da dívida tributária, conforme previsto no artigo 161, do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA E VERDADE MATERIAL. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de impugnar e recorrer. Quanto ao fato do lançamento contrariar a verdade material, porque o contribuinte teria declarado todas as contribuições em GFIP, destacase que as declarações entregues após o início do procedimento fiscal não surtem qualquer efeito sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33). JUROS DE MORA. SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE 75%. AGRAVAMENTO. LEI 9.430, DE 1996. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas multas de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Os percentuais de multa serão aumentados de metade, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 37 33 /2 00 9- 81 Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.390 2 nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar os arquivos ou sistemas na forma da legislação pertinente. O lançamento de ofício é ato administrativo vinculado à lei. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. No lançamento temse uma multa de ofício, por inobservância da legislação tributária, que foi agravada em 50% por deixar de atender à intimação fiscal para a apresentação de informações na forma da legislação. Essa multa tem caráter punitivo, conforme previsto no artigo 113, do CTN. Já os juros de mora têm por escopo atualizar o valor da dívida tributária, conforme previsto no artigo 161, do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ, fl. 1339 e ss.), complementandoo ao final: Tratase de lançamento das contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2005 a 12/2005. Consta do Relatório Fiscal (item 15, fls. 33) que não houve comprovação de que a empresa arrecadou, mediante desconto incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, a contribuição previdenciária a eles relativa. Foram utilizados os seguintes levantamentos: Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.391 3 a) L01 (Folha de Pagamento Fora GFIP): o levantamento corresponde, nas competências 01/2005, 02/2005 e 03/2005, à diferença de contribuições do segurado contribuinte individual Luiz Antonio Allgayer, verificada no cotejo entre a folha de pagamento e a GFIP; na competência 09/2005, referese à diferença de contribuições dos segurados empregados verificada no cotejo entre a folha de pagamento e a GFIP; b) L02 (Diferença RAIS Fora GFIP): o levantamento, relativo às competências 01/2005 a 03/2005, 05/2005 a 07/2005 e 09/2005 a 12/2005, corresponde às contribuições dos segurados incidentes sobre a diferença de remuneração dos segurados empregados constante da folha de pagamento e a remuneração informada na RAIS, conforme Planilha 1 – Diferença de Salário de Contribuição Folha de Pagamento e RAIS; c) L04 (Contrib Indiv Fora GFIP): o levantamento, relativo às competências 01/2005 a 03/2005, 05/2005 a 07/2005 e 09/2005 a 12/2005, se refere à contribuição dos segurados incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, conforme recibos de pagamento, não incluídos na folha de pagamento, lançados na contabilidade da empresa e não declarados em GFIP, conforme Planilha 2 – Contribuintes Individuais. A fiscalização aplicou a multa de ofício de 75% agravada em 50%, em razão do não atendimento do Termo de Início da Ação Fiscal, onde a empresa foi intimada a apresentar informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. Foram considerados como créditos do contribuinte as GPS – Guias de Previdência Social recolhidas e os valores retidos (11%) nas Notas Fiscais de Prestação de Serviço. O montante do crédito, consolidado em 12/08/2009, é de R$ 39.192,91 (trinta e nove mil, cento e noventa e dois reais e noventa e um centavos). Cientificado da autuação por via postal em 24/08/2009 (fls. 80), o sujeito passivo apresentou impugnação em 22/09/2009 por meio do instrumento de fls. 83 a 100, cujos argumentos estão sintetizados a seguir. (...) Levantamento L01 Levantamento L02 Levantamento L04 (...) Acréscimos legais Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.392 4 Argumenta que o processo de elaboração das penalidades fiscais está limitado pela imposição constitucional que veda o confisco em matéria tributária. Entende que, por força de lei, somente poderá ser exigida multa nos termos do artigo 59 da Lei nº 8.383/1991, não podendo ser superior a vinte por cento. Requer subsidiariamente, caso a multa não seja relevada, a atenuação da multa aplicada em 50% por correção da falta até a decisão da autoridade julgadora, solicitando o prazo de trinta dias para colher todos os dados necessários e elaborar a GFIP na versão atual. Entende ilegal a taxa SELIC aplicada para apuração de juros. (...) Da juntada de documentos Em 20/10/2009 a impugnante requereu, por meio do instrumento de fls. 846 e 847, a juntada das GFIP’s das competências 01/2005 a 03/2005, 06/2005, 09/2005 e 10/2005, com a finalidade de comprovar que os valores informados nas folhas de pagamento que serviram de base de cálculo para pagamento da previdência social correspondem àqueles informados nas GFIP’s. Da desistência parcial da impugnação Em 16/12/2009 a impugnante solicitou a desistência parcial da impugnação, conforme requerimento de fls. 888 a 890, e juntou as Guias da Previdência Social GPS de fls. 891 a 900. Da diligência Em razão dos argumentos expendidos pela impugnante, a fiscalização foi demandada, por meio do documento de fls. 908 a 910, a apresentar os esclarecimentos ali relacionados. Em resposta, a autoridade lançadora manifestouse às fls. 912 a 917, propondo a retificação do lançamento correspondente ao levantamento L01 nas competências 01/2005 a 03/2005. Cientificado em 29/09/2011 (fls. 922), o contribuinte manifestou se às fls. 925 a 937, e apresentou os documentos de fls. 938 a 1.123. O processo foi novamente enviado à autoridade lançadora (despacho de fls. 1.132 e 1.133) para manifestarse quanto ao efeito dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, esclarecendo se a base de cálculo apurada (diferença entre a remuneração dos segurados empregados constante da folha de pagamento e a remuneração informada na RAIS – Relação Anual de Informações Sociais) correspondia aos empregados citados pela impugnante. Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.393 5 O resultado da diligência encontrase às fls. 1135 a 1311, e contém a proposta de retificação do lançamento apresentada pela autoridade lançadora. Cientificado em 30/11/2012, o contribuinte manifestouse em 28/12/2012 (fls. 1.317 a 1.327 e documentos de fls. 1.328 a 1.334), alegando, em síntese: (...) Decidiu a DRJ de origem, em suma, que: 1 O sujeito passivo desistiu da impugnação relativa ao Levantamento L04. Não tendo se instaurado a lide em relação a esse levantamento, deixaram de ser apreciados os argumentos a ele relativos constantes da defesa. Os recolhimentos relativos ao crédito tributário realizados após a sua constituição devem ser apropriados pela unidade de jurisdição do contribuinte. 2 Em relação às contribuições do segurado contribuinte individual Luiz Antônio Allgayer (competências 01/2005 a 03/2005 do levantamento L01), acatouse a proposta de retificação do débito para excluir estes valores do lançamento. 3 Quanto à competência 09/2005 do levantamento L01, a fiscalização demonstrou pormenorizadamente às fls. 912/913 a forma de cálculo das contribuições devidas. A impugnante, cientificada do demonstrativo, não mais se manifestou sobre esta competência. 4 Do Levantamento L02, o sujeito passivo referiuse em sua impugnação a dois trabalhadores, Marisa Noronha Molitor e Jorge Antunes Francisco, em relação aos quais entende que ainda caberia retificação do lançamento. Quanto aos demais empregados, a autoridade lançadora apresentou de forma pormenorizada na Informação Fiscal de fls. 1.135 a 1.143. Essas informações orientaram a proposta de retificação do lançamento apresentada pela fiscalização. Acatouse a proposta da autoridade lançadora quanto à retificação da base de cálculo em relação aos demais empregados. 5 Conforme demonstrado no processo nº 12269.003734/200925, AI Debcad nº 37.212.0105, integrante desta mesma ação fiscal, a autoridade lançadora verificou que algumas guias de recolhimento da Previdência Social não haviam sido alocadas ao débito. Utilizouse como critério para a apropriação do crédito do contribuinte a alocação primeiramente a este Auto de Infração AI Debcad nº 37.212.0091, que contém as contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. A parcela restante foi apropriada ao Auto de Infração AI Debcad nº 37.212.0109, que abrange as contribuições patronais da empresa. Considerandose o exposto, decidiu retificar o lançamento. 6 A empresa autuada insurgiuse contra a multa aplicada ao lançamento, entendendo que deveria ter sido aplicada conforme o artigo 59 da Lei nº 8.383/1991 (multa de mora de vinte por cento). Com a publicação da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, foi acrescentado o artigo 35A à Lei nº 8.212/1991. A fiscalização demonstrou o resultado da comparação das multas em cada competência que compõe o lançamento, para a aplicação da mais benéfica ao contribuinte, concluindo ser a multa de ofício. Quanto ao pedido para a atenuação da multa aplicada em 50% por correção da falta até a decisão da autoridade julgadora, indeferese o pleito, em razão de inexistência de permissivo legal. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.394 6 7 A utilização da SELIC como taxa de juros moratórios para o lançamento decorre da previsão contida no artigo 34 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.528/1997. 8 Não cabe à instância administrativa pronunciarse acerca da legalidade e/ou da constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico, cuja apreciação incumbe ao Poder Judiciário 9 A partir do início da ação fiscal, a empresa perde a espontaneidade para retificar suas declarações prestadas em GFIP. Portanto, inócuas as retificações efetuadas pela impugnante com o objetivo de alterar o lançamento. Assim, deuse provimento parcial à Impugnação, para manter apenas o crédito tributário remanescente, cujo valor consolidado em 12/08/2009 passou a ser de R$ 9.539,15 (nove mil, quinhentos e trinta e nove reais e quinze centavos), conforme do DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fl. 1350 e ss). Cientificada dessa decisão em 20 de maio de 2013, conforme Aviso de Recebimento na fl. 1355, a contribuinte, ainda inconformada, apresentou recurso voluntário em 17 de junho de 2013, conforme protocolo na folha 1358, aduzindo, em suma, o seguinte: a) possibilidade do CARF deixar de aplicar a lei quanto existir argüição de inconstitucionalidade. b) nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa. Diz que o auto de infração não pormenoriza a hipótese de incidência tributária. c) nulidade do Auto de Infração por afronta ao princípio da verdade material, uma vez que o contribuinte declarou em GFIP as contribuições necessárias. d) inaplicabilidade da multa, em face do disposto no artigo 291 do Decreto nº 3.048, de 1999, entendendo que a mesma deve ser relevada. e) a multa aplicada tem efeito confiscatório, porque está cima de 20%. Trata de multa de mora estabelecida na Lei nº 9.430, de 1996, artigo 61. Trata de multas estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor. f) defende que a multa moratória não pode ser aplicada juntamente com os juros moratórios. Trata de "bis in idem", pela "dupla penalização da mora". REQUER que seja declarada a nulidade do lançamento, em face do "não preenchimento dos requisitos elencados na legislação" ou, alternativamente, deferido o afastamento ou redução das multas aplicadas e da cumulação dos juros de mora com a multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.395 7 O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) O recurso, inicialmente, alude sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em face da sua interposição, o que é encargo da Unidade de origem, nos termos do artigo 151, do CTN, e da desnecessidade de arrolamento de bens para que seu seguimento, sobre o que não há controvérsia e o mesmo será analisado. No mérito, discute, primeiramente, a função do conselho administrativo de recursos fiscais, para então defender a possibilidade de não aplicação da lei em face da argüição de inconstitucionalidade. Entretanto, este CARF adota a edição de súmulas, que consolidam a jurisprudência pacífica, dando maior segurança e confiança aos julgamentos, e que são de observância obrigatória, por força de disposição regimental interna. Diz a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A seguir diz a Recorrente ser o Auto de Infração nulo por ter havido cerceamento de defesa. Sem apontar objetivamente qual dispositivo de lei não teria sido observado em sua formalização, diz que "não se demonstra de maneira alguma a forma como foram calculados os ditos débitos, os juros aplicados, o índice de correção monetária e etc..." Entretanto, existe o discriminativo sintético de débito, nas folhas 9 e seguintes, demonstrando, período a período, o valor originário, o valor atualizado, o valor dos juros, da multa e o total. Na folha 24, está citada toda a legislação que fundamenta o lançamento, permitindo ao contribuinte ter ciência e questionála, bem como na folha 25 se menciona que a taxa de juros empregada é a SELIC e qual a base legal. Existe ainda um relatório fiscal, nas folhas 28 e seguintes, onde a autoridade lançadora descreve seu procedimento, seguido de diversas planilhas demonstrativas dos débitos. Ainda, de particular nestes autos, chamo a atenção que a DRJ determinou a realização de duas diligências, onde depois concluiu que a autoridade lançadora demonstrara pormenorizadamente os débitos que deveriam ser mantidos, sendo que em ambas as ocasiões foi aberta oportunidade para o contribuinte manifestarse e apresentar documentos, conforme relatado. Portanto, descabido se falar aqui em falta de individualização e cálculo dos débitos, ou falta de indicação do cálculo das correções e juros, que teriam ocasionado cerceamento de defesa. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de impugnar e recorrer. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.396 8 Quanto ao emprego da SELIC como taxa de juros de mora, que foi discutida pelo contribuinte, temos a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto ao fato do lançamento contrariar a verdade material, porque o contribuinte teria declarado todas as contribuições em GFIP, também a alegação do recurso carece de objetividade. Isso porque, como já explicara a DRJ, as declarações entregues após o início do procedimento fiscal não surtem qualquer efeito sobre o lançamento de ofício. Vejamos: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. De acordo com o PAF, procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado pelo Auditor Fiscal competente (artigo 7º). Então, dizer que tudo esteve declarado e que a autoridade fiscal deveria continuar a buscar a verdade durante seu procedimento, neste caso, é impróprio. Como demonstra ter ciência o contribuinte, na narrativa dos fatos que fez no início do recurso, após o julgamento da DRJ restaram em cobrança apenas R$ 9.539,15, do valor originalmente lançado. Feitas alocações de pagamento, também conforme determinado pelo Julgador de 1ª instância, restaram em cobrança R$ 1.179,65 (principal), acrescidos de R$ 1.327,11 (multa de ofício) e R$ 1.386,53 (juros selic), como está discriminado na folha 1354, totalizando R$ 3.893,29. A multa corresponde a 112,5% do valor do principal. Como já explicou a DRJ, após a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, foi acrescentado o artigo 35A à Lei nº 8.212/1991. A fiscalização demonstrou o resultado da comparação das multas em cada competência que compõe o lançamento, para a aplicação da mais benéfica ao contribuinte, concluindo ser a multa de ofício (relatório fiscal, fl. 30). Essa multa de ofício, no percentual de 75%, está prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A possibilidade de agravamento está prevista no § 2º do dispositivo legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.397 9 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 No caso do não atendimento às intimações para prestar esclarecimentos ao Auditor Fiscal, o mesmo assim dispôs em seu relatório (fl. 30): 0 levantamento L04 foi calculado com multa de oficio de 75% agravada em 50% em virtude do não atendimento do Termo de Início da Ação Fiscal onde a empresa foi intimada a apresentar informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores. Lembro que, conforme destacado pela DRJ, o sujeito passivo desistiu da impugnação em relação ao Levantamento 04 (L04). Portanto, a multa lançada está prevista em lei, cuja apreciação de compatibilidade com a Constituição Federal transborda a competência deste Conselho, conforme já tratado. Como se menciona no próprio recurso, o lançamento tributário é ato administrativo vinculado à lei. Quanto a eventuais efeitos confiscatórios da multa, o efeito de confisco não é matemático, envolve conceito jurídico indeterminado, cuja avaliação é encargo do legislador, que faz a lei estabelecendo os percentuais de multa, e do Poder Judiciário, que tem a competência para verificar a compatibilidade da lei com a ordem constitucional. Quanto à utilização de percentuais previstos no Código de Defesa do Consumidor, como parâmetro limitador para as multas tributárias, temos a matéria também sumulada: Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. Por fim, vejamos que não se está cobrando multa de mora e juros de mora, concomitantemente. Aqui temos uma multa de ofício por inobservância da legislação tributária, que foi agravada em 50% por deixar de atender à intimação fiscal para a apresentação de informações na forma da legislação, como já citado. Essa multa tem caráter punitivo, conforme previsto no artigo 113, do CTN. Já os juros de mora têm por escopo atualizar o valor da dívida tributária, conforme previsto no artigo 161, do CTN. Com a aplicação da Selic, desde 1995, essa taxa engloba juros e correção monetária. Assim, não há que se falar aqui em "dupla penalização pela mora". A penalização é pela constatação de diferenças apuradas em relação a segurados da previdência, que não foram incluídas em folha de pagamento ou declaradas em GFIP, conforme está descrito no relatório fiscal e foi pormenorizadamente tratado na decisão recorrida, fazendose as correções e ajustes devidos. Os juros são o fator de atualização monetária do crédito e não têm caráter punitivo. Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 12269.003733/200981 Acórdão n.º 2202003.856 S2C2T2 Fl. 1.398 10 CONCLUSÃO Em face do todo acima exposto, VOTO por negar provimento ao recurso, mantendose o decidido pelo Acórdão de 1ª instância. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.911192/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Ementa:
ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiram-se a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte.
Numero da decisão: 1301-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação pelos colegiados anteriores restringiramse a aspectos preliminares, como a impossibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar com base na súmula CARF nº 84 e devolver os autos à unidade de origem para que prossiga na análise da liquidez, certeza e suficiência do direito creditório alegado. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 11 92 /2 00 9- 37 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10730.911192/200937 Acórdão n.º 1301002.283 S1C3T1 Fl. 152 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1232.813, da 4ª Turma da DRJ/RJ1, de 18 de agosto de 2010, onde, naquela oportunidade, apreciou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, e entendeu, por unanimidade de votos, julgáa improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir reproduzido: Em 12/01/2007, a Interessada apresentou ao Fisco o PER/DCOMP de nº 25527.92590.120107.1.3.040700 (fls. 90/94), por meio do qual pretende compensar parte do débito de CSLLESTIMATIVA referente ao mês de JULHO/2005, mediante aproveitamento de um crédito no valor de .R$ 386.169,64, decorrente do PAGAMENTO A MAIOR da ESTIMATIVA de CSLL do mês de JANEIRO/2006. O pleito do contribuinte foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói RJ, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, tendo em vista “tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período” _ cfr. DESPACHO DECISÓRIO (ELETRÔNICO) n° 848593738, de 07/10/2009 (fl.88) Insatisfeita com o referido despacho decisório, do qual tomou ciência, por via postal, em 20/10/2009 (AR fl. 96), a Interessada apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade dirigida a esta Delegacia de Julgamento(fls. 01/09), alegando, em síntese: QUE à época do recolhimento da estimativa mensal de janeiro de 2006, estava amparada por sentença judicial que lhe assegurava compensar prejuízos mensais acumulados nos anoscalendário de 1993, 1995 e 1996`contra lucros apurados nos anoscalendário de 1998 em diante, sem as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n” 8.981, de 20/01/1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995; QUE, sob os efeitos de tal decisão, apurou e recolheu a estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2006, no valor de R$ 1.287.232,12; QUE em virtude da reforma da referida sentença, resolveu recalcular as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, levando em conta as limitações previstas nos arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20/01/ 1995, e nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 20/06/ 1995; QUE, após o recálculo efetuado, o valor da estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2006 foi reduzido para R$ 901.062,48; QUE como já havia recolhido a importância de R$ 1.287.232,12, passou a ter um crédito frente à Fazenda, no valor de R$ 386.169,64; QUE o art. 74, § 3°, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, ao enumerar as hipóteses de compensações vedadas, não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais; QUE a vedação referida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/ 12/2005, não tem nenhum amparo legal; QUE a Instrução Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10730.911192/200937 Acórdão n.º 1301002.283 S1C3T1 Fl. 153 3 Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, que regulamenta atualmente os procedimentos de restituição e compensação no âmbito da Receita Federal, eliminou a restrição que havia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de recolhimentos a maior de estimativas mensais. Ao analisar a manifestação apresentada, a 4ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão realizada em 18 de agosto de 2010 e, mediante o Acórdão nº 1232.813, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANOCALENDÁRIO: 2007 PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. OBSERVÂNCIA DOS ATOS NORMATIVOS DA RECEITA FEDERAL. O julgador administrativo de primeira instância está obrigado a observar o entendimento da Receita Federal expresso em seus atos normativos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário ANOCALENDÁRIO: 2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TITULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008, haver removído a restrição que existia anteriormente, quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, não legitima a pretensão do contribuinte de fazer retroagir a nova norma, com o intuito de convalidar compensações que, em sua origem, eram indevidas. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo incabível a apreciação da Declaração de Compensação com fundamento em legislação superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10730.911192/200937 Acórdão n.º 1301002.283 S1C3T1 Fl. 154 4 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de declaração de compensação, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto "pagamento a maior ou indevido" da estimativa de CSLL, referente ao mês de janeiro/2006, no valor de R$ 386.169,64. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude do entendimento nas instâncias precedentes de que o aproveitamento de antecipações obrigatórias só pode ser feito na apuração final do resultado fiscal, hoje superado em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, observo que nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente apresentar, efetivamente e à época em que foi realizado, PAGAMENTO A MAIOR ou INDEVIDO. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na RECEITA BRUTA. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento seja caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida. Obviamente, se o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência, vez que o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO). No caso vertente, o único fundamento das decisões que não homologaram as compensações declaradas nos autos foi a impossibilidade jurídica do pleito. Mas, em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, verificase possível o aproveitamento de indébitos e estimativas em pedidos de restituição ou declarações de compensação. Assim, como a autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na impossibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência de crédito, superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10730.911192/200937 Acórdão n.º 1301002.283 S1C3T1 Fl. 155 5 Embora em situações anteriores estava convencido de que a conversão em diligência seria a decisão mais acertada para fins de resolver esta lide, nas ricas e sempre oportunas discussões do Colegiado, alterei minha decisão para, se for o caso, reconhecer parte do pedido, evitandose como isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte, para, aplicando a Súmula CARF nº 84, reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.721431/2010-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Considera-se intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido.
Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Numero da decisão: 1402-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. O Conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considerase intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. O Conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 14 31 /2 01 0- 48 Fl. 319DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10280.721431/201048 Acórdão n.º 1402002.467 S1C4T2 Fl. 320 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 300 a 310) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls. 281 a 291) que negou provimento à Impugnação apresentada, mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 170 a 199). No presente processo são exigidos do Contribuinte créditos de IRPJ (objeto original de auditoria do Fisco), CSLL, PIS e COFINS (decorrentes): Mais especificamente, durante os trabalhos de fiscalização, deparouse com volumoso Passivo Circulante registrado pelo Contribuinte, em seu balanço de 31/12/2006, e, buscando esclarecer tal origem, encontrouse no seu Livro Razão as seguintes contas contábeis: Intimado diversas vezes a comprovar tal Passivo, bem como esclarecer a origem e a exigibilidade de tais valores, o Contribuinte apenas ofereceu parte de sua contabilidade, mesmo após inúmeros pedidos de postergação de prazos e justificativa de furto de veículo com os seus equipamentos de emissão eletrônica de documentação fiscal. Diante da ausência de comprovação das contas, vislumbrouse a hipótese de omissão de receitas e procedeuse aos lançamentos de ofício, com base nos arts. 281, inciso III e 282 do RIR/99: Fl. 321DF CARF MF 4 Notificado dos lançamentos, a ora Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 204 a 213), alegando, em suma, a nulidade do lançamento, pela prorrogação inválida do MPF e cerceamento de defesa, e que a maioria dos bens que comercializava são itens de cesta básica, submetidos à alíquota zero do PIS e da COFINS, bem como, brevemente, explica a razão de ter efetuado tais lançamentos contábeis. Requer realização de perícia em seus Livros, mas sem indicar requisitos ou a motivação de tal necessidade. Não são acostadas quaisquer provas. Processada sua Defesa, foi proferido pela DRJ de Florianópolis o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, entendendo ser válido o procedimento da Fiscalização e o lançamento procedido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada faz presumir a ocorrência de omissão de receitas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.721431/201048 Acórdão n.º 1402002.467 S1C4T2 Fl. 321 5 Data do fato gerador: 31/12/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. CIÊNCIA FORMAL DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. A ciência do MPF ao contribuinte darseá por intermédio da Internet, que conterá código de acesso para que a fiscalizada possa não só identificar o mandado, mas também as posteriores prorrogações de prazo. Portanto, não é necessária a formalização da entrega do demonstrativo de prorrogação ao sujeito passivo por meio de ciência. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa durante a ação fiscal, posto que se trata de fase préprocessual em que se verifica o cumprimento das obrigações tributárias. Somente com a impugnação é que se inaugura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade dos autos de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação quando desacompanhada dos documentos certificadores. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS, CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, a decisão prolatada no lançamento matriz (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, inexistindo razões fáticas e jurídicas para decidir diversamente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. ORIGEM DE RECURSOS DESCONHECIDA. PIS E COFINS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICAÇÃO. A presunção legal de omissão de receitas não permite verificar se a origem dos recursos decorreu exclusivamente da revenda de produtos tributados à alíquota zero, especialmente porque o estabelecimento comercializa outros produtos que eram tributados com alíquota positiva. Impugnação Improcedente Fl. 323DF CARF MF 6 Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 300 a 310), trazendo as mesmas alegações de seu primeiro apelo, repisando as supostas nulidades no lançamento, bem como as razões de improcedência das exações. Igualmente, não são acostados documentos. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.721431/201048 Acórdão n.º 1402002.467 S1C4T2 Fl. 322 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, constatase ser tal apelo intempestivo. Como se observa às fls. 299, o Contribuinte foi intimado em seu domicílio fiscal, por via postal, no dia 18/11/2014, terçafeira, como comprova o Aviso de Recebimento, regularmente recebido e assinado. Por sua vez, o Recurso Voluntário foi apenas protocolado dia 22/12/2014, segundafeira, como atesta carimbo oficial da repartição da RFB, preenchido e assinado por Agente Fiscal, na primeira folha das suas razões (fls. 300). Tendo em vista que 18/11/2014 foi uma terçafeira, o prazo iniciouse 19/11/2014, findando os 30 dias da janela para a interposição de recurso em 18/12/2014, uma quintafeira. Esse é o entendimento deste E. CARF sobre o tema, como aqui ilustra o Acórdão nº 2202003.282, de relatoria da I. Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, publicado em 29/04/2016, que inclusive invoca em sua fundamentação a Súmula CARF nº 9: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da Fl. 325DF CARF MF 8 correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Não Conhecido Nas razões recursais, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegações sobre a sua tempestividade. Desse modo, não resta qualquer dúvida sobre a intempestividade recursal, inclusive diante da ausência de argumentos do Contribuinte em sentido contrário, que poderiam, eventualmente, elidir tal constatação, não merecendo o presente apelo conhecimento. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, mantendo integralmente as Autuações em tela. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.721431/201048 Acórdão n.º 1402002.467 S1C4T2 Fl. 323 9 Declaração de Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei. HIPER ATACADO PONTO CERTO LTDA, apresentou Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC que negou provimento à Impugnação apresentada, mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente. O i. relator concluiu, acertadamente, pela intempestividade do Recurso Voluntário, propondo o não conhecimento do mesmo. Contudo, a despeito dos argumentos trazidos pelo recorrente e mesmo não os conhecendo, entendo que este Colegiado tem sim elementos suficientes para examinar o processo no seu mérito, mesmo tendo ocorrido a preclusão em relação ao contribuinte, alicerçado num dos especiais objetivos deste órgão julgador: a busca da Verdade Material. A busca da Verdade Material no recurso administrativo Habitualmente, em todos os ordenamentos que possuem em sua estrutura de Estado um Poder Judiciário, está a ideia de que o processo busca estabelecer se os fatos realmente ocorreram ou não. A Verdade dos fatos no processo é tema altamente problemático e produz inúmeras incertezas ao tentarse definir o papel da prova nesse contexto. A Verdade formal seria estabelecida no processo por meio das provas e dos procedimentos probatórios admitidos pela lei. De outra banda, a Verdade material é aquela ocorrida no mundo dos fatos reais, ou melhor, em setores de experiência distintos do processo, obtido mediante instrumentos cognitivos distintos das provas judiciais. Nesse contexto, não é difícil definir o que vem a ser a Verdade formal, pois é aquela obtida – repitase – mediante o uso dos meios probatórios admitidos em lei. O problema é conceituar a Verdade material, pois inicialmente chegamos ao seu conceito por mera exclusão. Qualquer outra “Verdade” que não a formal, é a material. A Verdade material, nesse sentido, admite outros meios de comprovação e cognição não admissíveis no âmbito do processo. Obedecidas as regras do ônus da prova e decorrida a fase instrutória da ação, cumpre ao juiz ter a reconstrução histórica promovida no processo como completa, considerando o resultado obtido como Verdade — mesmo que saiba que tal produto está longe de representar a Verdade sobre o caso em exame. Com efeito, as diversas regras existentes no Código de Processo Civil tendentes a disciplinar formalidades para a colheita das provas, as inúmeras presunções concebidas a priori pelo legislador e o sempre presente temor de que o objeto reconstruído no processo não se identifique plenamente com os acontecimentos verificados in concreto Fl. 327DF CARF MF 10 induzem a doutrina a buscar satisfazerse com outra “categoria de Verdade”, menos exigente que a Verdade material. É por isso que, ao admitir a adoção da Verdade material como Princípio regente do processo, os conceitos extraprocessuais tornamse importantes, sobretudo os filosóficos, epistemológicos, que buscam definir como podemos conhecer a Verdade. Mas não é só isso. A doutrina moderna tem reconhecido o chamado Princípio da Busca da Verdade Material, tornandoo relevante também para o Direito Processual, na medida em que algumas modalidades de processo supostamente admitem sua aplicação de forma ampla. Partese da premissa de que o processo civil, por lidar supostamente com bens menos relevantes que o processo penal, por exemplo, pode contentarse com menor grau de segurança, satisfazendose com um grau de certeza menor. Seguindo esta tendência, a doutrina do processo civil passou a dar mais relevo à observância de certos requisitos legais da pesquisa probatória (através da qual a comprovação do fato era obtida), do que ao conteúdo do material de prova. Passou a interessar mais a forma que representava a Verdade do fato do que se este produto final efetivamente representava a Verdade. Mas ainda assim, reconheciase a possibilidade de obtenção de algo que representasse a Verdade, apenas ressalvavase que o processo civil não estava disposto a pagar o alto custo desta obtenção, bastando, portanto, algo que fosse considerado juridicamente verdadeiro. Era uma questão de relação custobenefício entre a necessidade de decidir rapidamente e decidir com segurança; a doutrina do processo civil optou pela preponderância da primeira1. Nessa medida, a expressão “Verdade material”, ou outras expressões sinônimas (Verdade real, empírica etc.) são etiquetas sem significado se não estiverem vinculadas ao problema geral da Verdade. A doutrina moderna do direito processual vem sistematicamente rechaçando esta diferenciação2, corretamente considerando que os interesses, objeto da relação jurídica processual penal, por exemplo, não têm particularidade nenhuma que autorize a inferência de que se deva aplicar a estes métodos de reconstrução dos fatos diverso daquele adotado pelo processo civil. Se o processo penal lida com a liberdade do indivíduo, não se pode esquecer que o processo civil labora também com interesses fundamentais da pessoa humana pelo que totalmente despropositada a distinção da cognição entre as áreas. Na doutrina brasileira não faltam críticas para a adoção da Verdade formal, especialmente no processo civil. Boa parte dos juristas desse movimento, entende que desde o final do século XIX não é mais possível ver o juiz como mero expectador da batalha judicial, em razão de sua colocação eminentemente publicista no processo (processo civil inserido no direito público), conhecendo de ofício circunstâncias que até então dependia da alegação das partes, dialogando com elas e reprimindo condutas irregulares.3 Outro aspecto que dificulta ainda mais uma solução para o problema é o fato de que a única Verdade que interessa é aquela ditada pelo juiz na sentença, já que fora do processo não há Verdade que interesse ao Estado, à Administração ou às partes. A Verdade no seu conteúdo mais amplo é excluída dos objetivos do processo, em particular do processo civil. 1 Vejase: Sergio Cruz Arenhart e Luiz Guilherme Marinoni (Comentários… Op. Cit. p. 56.) 2 TARUFFO, Michele. La prova dei fatti giuridice. Milão: Giufrè, 1992. p.56 3 Neste sentido Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pelegrini Grinover e Candido Rangel Dinamarco. (Teoria Geral do Processo. 26 ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 70). Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.721431/201048 Acórdão n.º 1402002.467 S1C4T2 Fl. 324 11 José Manoel de Arruda Alvim Netto aponta que o Juiz sempre deve buscar a Verdade, mas o legislador não a pôs como um fim absoluto no Processo civil. O que é suficiente para a validade da eficácia da sentença passa ser a verossimilhança dos fatos4. O jurista reconhece a Verdade formal no processo civil, mas salienta que quando a demanda tratar de bens indisponíveis, “...procurase, de forma mais acentuada, fazer com que, o quanto possível, o resultado obtido no processo (Verdade formal) seja o mais aproximado da Verdade material...” Diante do reconhecimento de tal diferenciação (Verdade material versus Verdade formal), ao mesmo tempo se reconhece que, em determinadas áreas do processo, a Verdade material é almejada com mais afinco que em outras. Naquelas áreas em que se considera a Verdade material essencial para a solução da controvérsia, se diz que o Princípio da Verdade Material rege a causa. O Princípio da Verdade Formal, por outro lado, rege o Processo em que não se considera essencial a busca da Verdade real, contentandose portanto com a verossimilhança ou a probabilidade. Dejalma de Campos, afirma que pelo Princípio da Verdade Material, o magistrado deve descobrir a Verdade objetiva dos fatos, independentemente do alegado e provado pelas partes, e pelo Princípio da Verdade formal, o juiz deve dar por autênticos ou certos, todos os fatos que não forem controvertidos.5 A predominância da busca da Verdade material no âmbito do direito administrativo fica evidenciada nas palavras de Celso Antonio Bandeira de Mello, quando afirma: Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a Verdade substancial.6 Paulo Celso Bergston Bonilha ressalta que o julgador administrativo não está adstrito as provas e a Verdade Formal constante no processo e das provas apresentadas pelo contribuinte. Segundo ele, outras provas e elementos de conhecimento público ou que estejam de posse da Administração podem ser levados em conta para a descoberta da Verdade.7 Ainda no âmbito do direito administrativo, há aplicação ampla do Princípio da Verdade material, mesmo que com outras denominações. Hely Lopes Meirelles chama de Princípio da Liberdade de Prova aquele em que a administração tem o poderdever de conhecer de toda a prova de que tenha conhecimento, mesmo que não apresentada pelas partes litigantes. Hely Lopes salienta que no processo judicial o juiz cingese às provas indicadas, e no tempo apropriado, enquanto que no processo administrativo a autoridade processante pode 4 Manual de Processo Civil. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p. 932. 5 Lições do processo civil voltado para o Direito Tributário. In O processo na constituição. Coord . Ives Gandra da Silva Martins e Eduardo Jobim. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 691. 6 Curso de Direito administrativo. 26 ed. rev. ampl. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 497. O autor se socorre da definição de Hector Jorge Escola, para quem o Princípio da Verdade Material consiste na busca daquilo que é realmente a Verdade independentemente do que as partes hajam alegado ou provado. 7 BONILHA. Paulo Celso Bergstrom. Da prova no processo administrativo tributário. 2 ed. São Paulo: Dialética, 1997. p. 76. Fl. 329DF CARF MF 12 conhecer das provas, ainda que produzidas fora do processo, desde que sejam descobertas e trazidas para este, antes do julgamento final8. Constatase dessa exposição inicial que temos dois extremos, no que tange a aplicação concreta do principio da busca da verdade material: de um lado a liberdade de prova (já admitida em outros julgados por este Colegiado); de outro lado a ausência de Preclusão. Entendo que, se o que caracteriza a busca da verdade material é a possibilidade de o julgador (administrativo, no caso), a qualquer tempo, buscar elementos – de fato e de direito – que o convençam para julgar corretamente, independentemente do que foi trazido pelas partes no curso do processo, então mais razão para que qualquer das partes também traga ao processo, elementos de fato e de direito, em qualquer momento processual. Neste exato sentido, já me manifestei anteriormente em trabalho acadêmico publicado. (Verdade Material no Direito Tributário. São Paulo: Ed. Malheiros, 2013) É bom lembrar que a preclusão, enquanto modalidade de decadência lato senso, isto é, perda de um direito pelo decurso do tempo (direito de manifestarse no processo) é regra meramente processual, infraconstitucional. Com isso quero dizer que não se pode, por exemplo, mitigar institutos constitucionais, tais como a decadência (stricto senso), a prescrição, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito etc. Mas, em se tratando de normas de nível de lei ordinária, deve prevalecer, como o próprio nome já diz: o PRINCÍPIO (da verdade material, no caso). Ademais, a Lei Geral do Processo Administrativo Federal LGPAF (Lei Federal 9.784/99), reconhece implicitamente o principio em mais de uma passagem de seu texto, das quais destaco uma, particularmente aplicável ao caso concreto: “Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. ” Destaco o parágrafo segundo acima. Vejase que por “preclusão administrativa” deve ser entendido como a chamada “coisa julgada administrativa”, i. e., exceção aplicável apenas no caso do inciso IV, posto que, se não há mais processo, a autoridade julgadora não tem mais competência para tratar o tema. Vejase que o parágrafo 8 Direito Administrativo Brasileiro. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989. p. 584. Em outra passagem da obra, o autor classifica o processo administrativo com base em duas espécies: o disciplinar e o tributário. Segundo ele, ambos, mesmo que usualmente tratados pela doutrina separadamente, possuem o mesmo núcleo de Princípios. Hely Lopes Meirelles faleceu Agosto de 1990. Sua obra passou a ser atualizada por outras pessoas e encontrase na sua 33ª edição. Sem qualquer demérito a estes juristas, procuramos aqui refletir a opinião autêntica do autor, mediante consulta a edição imediatamente anterior a sua morte (julho de 1989), sobre um tema de cunho Princípiológico que, aliás, ultrapassa as barreiras da legislação alterada posteriormente. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.721431/201048 Acórdão n.º 1402002.467 S1C4T2 Fl. 325 13 primeiro dá outra solução também ao inciso II, privilegiando outro principio, conhecido por fungibilidade e informalismo. Se, por uma hipótese, o parágrafo não fosse aplicável nos casos de perda de prazo processual, restaria apenas o “exame de oficio” para o caso de parte ilegítima (inciso III) o que faria o parágrafo perder completamente seu sentido. Há uma clara antinomia em relação ao disposto no artigo 17 do decretolei 70.235|72, posto que no artigo 63 acima não consta a falta de inclusão na impugnação como causa de preclusão contra o contribuinte. Na minha opinião, a LGPAF deveria ser aplicável, em razão da sua novidade, mas mesmo para aqueles que entendem que prevalece o “Decreto” por ser norma especial, não há antinomia em relação ao parágrafo segundo. Com isso quero dizer que, mesmo admitindo que o recurso pudesse ser não conhecido, este conselho de forma alguma está impedido de analisar livremente o tema, coincidente ou não com o argumento trazido no recurso. Finalmente, outra passagem da LGPAF deixa evidente o alcance do principio da busca da verdade material, seja para a instrução probatória, seja para elementos de interpretação da lei vigente, verbis: “Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.” Este dispositivo é aplicável a favor do administrado, pois não poderá tal revisão resultar em agravamento da sanção, bem como deve respeitar os institutos constitucionais de decadência, prescrição etc., mas evidencia sem duvida a busca da verdade material. Ora, se este Conselho pode, por iniciativa própria, acolher a outros aspectos de fato ou de direito, não necessariamente trazidos ao processo pelas partes, perguntase por que então as partes (fisco ou contribuinte) também não podem, se o objetivo desta esfera de julgamento é um só para todos: a verdade!! Importante lembra ainda do teor do artigo 145 do CTN, que prevê: "O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." Extraise daí que o lançamento não termina na autuação, mas sim no trânsito em julgado do processo administrativo fiscal e, portanto, até lá, este Conselho tem o dever legal de efetuar o seu controle de legalidade, de ofício, se necessário. Fl. 331DF CARF MF 14 Em conclusão, entendo que o julgador, uma vez não conhecendo do recurso, não tem obrigação de analisar todos os itens de defesa manejados no recurso, mas tem obrigação de verificar a legalidade do lançamento por sua livre averiguação, evitando evidentemente a supressão de instancia, considerados os limites da matéria posta em julgamento. Diante do exposto, ilustres conselheiros, mesmo não conhecendo do Recurso Voluntário, na forma do Voto do colega relator, ainda assim, voto pela verificação da legalidade do lançamento que constitui o presente processo, inclusive com eventual resolução para a realização de diligencias nesse sentido, se fosse o caso, realizando assim o competente controle de legalidade do lançamento, em atendimento ao principio da busca da Verdade Material. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 332DF CARF MF
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Numero do processo: 10600.720019/2013-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
PROIBIÇÃO DE COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO.
Se, em razão de contrato celebrado entre as partes, tanto a cedente quanto a cessionária registram em seus respectivos assentamentos contábeis que os pagamentos feitos por esta a aquela se deram a título de royalties, negar tais registros após iniciada a fiscalização significa venire contra factum proprium, algo que o Direito não admite.
ROYALTIES.
São indedutíveis na determinação do lucro real os royalties pagos a sócios, sejam eles pessoas físicas ou pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 9101-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PROIBIÇÃO DE COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO. Se, em razão de contrato celebrado entre as partes, tanto a cedente quanto a cessionária registram em seus respectivos assentamentos contábeis que os pagamentos feitos por esta a aquela se deram a título de royalties, negar tais registros após iniciada a fiscalização significa venire contra factum proprium, algo que o Direito não admite. ROYALTIES. São indedutíveis na determinação do lucro real os royalties pagos a sócios, sejam eles pessoas físicas ou pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 19 /2 01 3- 93 Fl. 993DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase, o presente de Recurso Especial interposto pela Contribuinte em epígrafe, diante de Acórdão da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, que negou provimento ao seu Recurso Voluntário. O recurso Especial objetiva discutir a dedutibilidade ou não dos valores pagos pela Contribuinte à uma de suas sócias no âmbito de contrato de cessão de direitos minerários. No centro da discussão será debatido se os valores devem ser considerados royalties, como entendeu União, ou custo de aquisição do direito, como entende a Contribuinte. Na origem, tratase de lançamento onde foram imputadas quatro infrações à Contribuinte em epígrafe, a saber: A. Indedutibilidade das despesas relativas a pagamentos efetuados à VALE S/A (pessoa jurídica sócia da autuada), que teriam natureza jurídica de royalties; B. Utilização de alíquota indevida no cálculo do IRPJ e falta de recolhimento do adicional, por força do entendimento, amparado em decisão judicial, de que o lucro decorrente das exportações de produtos, notadamente minérios abundantes, sujeitase à alíquota de 18%, originalmente prevista em lei, sem a exigência do adicional; C. Glosa parcial de despesas a título de PAT, em razão da infração anterior, posto que o montante deduzido de 18% é superior ao legalmente permitido (15%); D. Aplicação de multas isoladas por insuficiência nos recolhimentos das estimativas mensais do IRPJ, em razão das infrações apuradas. Impugnado o Auto de Infração, a DRJ manteve integralmente o crédito tributário lançado. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, por maioria de votos, a ele negou provimento. Especificamente no que tange a matéria objeto do Recurso Especial, qual seja, indedutibilidade dos royalties, restou consignado na ementa do Acórdão que não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10600.720019/201393 Acórdão n.º 9101002.806 CSRFT1 Fl. 994 3 dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 IRPJ. ALÍQUOTA E ADICIONAL. A alíquota do IRPJ, a partir de 1995, foi fixada em 15%, com o adicional de 10% sobre a parcela do lucro real, presumido ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração, sem excepcionar ou beneficiar qualquer atividade econômica, circunstância que revoga benefícios fiscais anteriormente vigentes. COISA JULGADA. ALTERAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE. A coisa julgada, nos casos de relação continuativa, opera efeitos sob o influxo da cláusula rebus sic standibus, ou seja, a manutenção de seus efeitos subordinase à inalterabilidade do fato jurídico e das normas que o tipificam. Posterior alteração na descrição normativa do fato implica modificação na relação jurídica fixada em sentença e faz cessar os efeitos da coisa julgada, em especial quando contrários à vontade do legislador e ao princípio constitucional da igualdade. PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e João Figueiredo, que votaram por darlhe parcial provimento apenas para afastar a exigência da multa isolada. Fl. 995DF CARF MF 4 Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração, que não foram admitidos. Cientificado da decisão que não admitiu seus Embargos, o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. Para a demonstração da divergência de entendimentos, apresenta o Acórdão 1402001.440, onde a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, analisando o mesmo contrato, em caso que trata da cobrança da mesma exação, porém de períodos diversos (2007 e 2008), decidiu de forma totalmente oposta ao decidido no Acórdão recorrido. Alega o Contribuinte que, opostamente à decisão recorrida, no Acórdão paradigma restou decidido que os pagamentos realizados decorrem da transferência da titularidade de direitos minerários e não possuem natureza de royalties, nos termos do artigo 22, “b”, da Lei 4.506/64, mas de custo de aquisição de direitos minerários, de modo que podem ser deduzidos do lucro real. Diante disso, pede o conhecimento de seu Recurso. Em suas razões, argumenta o Contribuinte, em suma, que: ü Diferentemente do entendimento do acórdão recorrido, os pagamentos realizados decorrem da transferência da titularidade de direitos minerários e não possuem a natureza de Royalties, mas de custo de aquisição de direitos minerários; ü Os valores devidos, previstos na Cláusula Sexta do Contrato de Cessão de Direitos Minerários celebrado em 1989, decorrem da cessão definitiva dos direitos minerários à Contribuinte conforme se pode depreender da cláusula 1ª, do referido contrato, que descreve seu objeto; ü Essa é a mesma conclusão ao se analisar a escritura pública de cessão e transferência de direitos minerários, bem como as certidões de averbação da cessão de direitos minerários no DNPM; ü A cláusula 6ª do contrato apenas estabeleceu o preço e a forma de pagamento do contrato; ü Especificamente no âmbito do direito minerário, a cessão de direitos consiste na transferência da titularidade do direito minerário (concessão, autorização ou licenciamento) obtida junto à União através do órgão competente (DNPM), a qual se opera mediante a realização de contrato de cessão de direitos minerários (títulos minerários) e a averbação da transferência perante o DNPM, exatamente conforme foi realizado no caso dos autos. Cita na sequencia o artigo 55 do Código Minerário; ü Ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido ao pretender enquadrar o caso como arrendamento minerário, cumpre ressaltar que o contrato de arrendamento minerário possui características próprias e totalmente distintas daquelas relativas à cessão de direitos minerário; ü No contrato de arrendamento de direitos minerários, o arrendante cede ao arrendatário, de forma temporária, a “operação” de Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10600.720019/201393 Acórdão n.º 9101002.806 CSRFT1 Fl. 995 5 exploração da jazida de minérios. Já no contrato de cessão de direitos minerários, o cedente cede ao cessionário a titularidade do direito minerário (título minerário) de forma definitiva; ü Além disso, o contrato de arrendamento minerário possui sempre prazo determinado, sendo inclusive, como já dito, vedada a averbação perante o DNPM de contratos de arrendamento por prazo indeterminado. Nesse sentido, são os artigos 11 e 12 da Portaria DNPM nº 269, de 11/07/2008; ü Diferentemente do que afirmou o acórdão recorrido, o fato de a Cláusula Sexta ter fixado como termo final do pagamento a exaustão da mina revela que o objeto do contrato possui não só a natureza como a essência de uma cessão definitiva de direitos minerários. ü Ora, exatamente por ter a pretensão de explorar as minas objeto do contrato de cessão até a exaustão é que a Recorrente adquiriu definitivamente os direitos minerário; ü O termo “arrendamento” utilizado no contrato de cessão objetivava apenas regular uma situação temporária entre as partes, qual seja, até que ocorresse a homologação do desmembramento do terreno junto ao DNPM (condição para que ocorresse a averbação da transferência do direito minerário das áreas específicas do contrato, que antes faziam parte de uma área maior, denominada Grupamento 057). O próprio contrato já previa que a cessão passaria a ser definitiva após a homologação do desmembramento pelo DNPM; ü Ademais, o fato da remuneração pela cessão dos direitos minerários estabelecidos na Cláusula Sexta ter preço variável e da VALE contabilizar os valores recebidos como “Receitas com Arrendamentos/Royalties” em nada altera a natureza jurídica da obrigação; ü Preço variável, não significa que os pagamentos efetuados possuam natureza de Royalties. Tratase de preço determinável, nos termos do artigo 487 do Código Civil, que prevê ser “lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação.” ü O que importa saber, para se determinar a natureza dos pagamentos realizados, é se o direito minerário explorado é de propriedade da Recorrente ou de terceiros, pois somente nessa última hipótese é que os pagamentos decorrentes do seu uso, fruição ou exploração poderiam ser classificado como Royalty; ü A Lei 4.506/94, em seu artigo 71, prevê a indedutibilidade apenas dos Royaties pagos a sócios, pessoas físicas. Nesse sentido, quando o artigo 353 do RIR previu a indedutibilidade das despesas com royalties pagos a sócios pessoas jurídicas, extrapolou a Lei 4.506/64, em manifesta ilegalidade. Fl. 997DF CARF MF 6 A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento, nos seguintes termos: “No acórdão recorrido entendeuse pela indedutibilidade das despesas relativas aos pagamentos efetuados à VALE S/A (pessoa jurídica sócia da autuada), com base nos contratos citados, nos anos calendários 2009 e 2010, que teriam natureza jurídica de royalties. Já no acórdão paradigma entendeuse que os pagamentos realizados pela Recorrente, à VALE, efetuados nos anos calendários 2007 e 2008, decorreriam da transferência da titularidade de direitos minerários e não possuiriam a natureza de Royalties, nos termos do artigo 22, “b”, da Lei 4.506/64, mas de custo de aquisição de direitos minerários, de modo que poderiam ser deduzidos do seu lucro real. Tendo a recorrente demonstrado a divergência de entendimento para a matéria relativa à dedutibilidade das despesas relativas aos pagamentos efetuados referentes à cessão de direitos de exploração mineral concluise que se deve dar SEGUIMENTO ao seu Recurso Especial (art. 68, §2o, do Anexo II do RICARF). Procedida à análise com fundamento na Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, submetese este exame de admissibilidade ao Presidente da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF.” Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões alegando, em apertada síntese: ü A inadmissibilidade do item V.2 do recurso especial (que trata daindedutibilidade de royalties pagos apenas a sócios pessoas físicas), pois não houve demonstração de divergência jurisprudencial. Sequer foi acostado acórdão paradigma sobre o assunto; ü A Fiscalização efetuou a glosa de pagamentos efetuados em 2009 e 2010 pela SAMARCO à VALE S.A (sócia da SAMARCO e incorporadora da S/A Mineração da Trindade SAMITRI), fundamentada na Cláusula Sexta do Contrato de Cessão de Direitos Minerários, tendo em vista se tratarem de royalties, pois se enquadram no conceito do art. 22, “b” da Lei 4.506/64, cuja indedutibilidade é pautada no art. 353 do RIR, considerando que a VALE S.A é pessoa jurídica sócia da recorrente; ü Conforme referida Cláusula, a SAMARCO ficou obrigada ao pagamento à VALE S.A dos valores de 3% (anos de 1992 e 1993) e 4% (a partir de 1994 até a exaustão da mina) do valor pago pela SAMARCO aos seus acionistas, a título de dividendos, pela aquisição dos direitos minerários; ü Como a obrigação da Contribuinte com a VALE S.A decorre do direito de pesquisar e extrair recursos minerais nas áreas cedidas, correto foi o enquadramento como royalties ü A obrigação estabelecida na Cláusula Sexta permanece até a exaustão das reservas minerais objeto do contrato, persistindo a obrigação de pagar até que a coisa dada para exploração seja exaurida. Assim, este Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10600.720019/201393 Acórdão n.º 9101002.806 CSRFT1 Fl. 996 7 contrato mais se assemelha a um arrendamento, como consta no texto do contrato, que a cessão de direitos (compra e venda), como defende a recorrente, já que se firmou obrigação de pagar pela exploração até a exaustão das reservas ou enquanto durarem os recursos minerais; ü Não houve a transmissão da propriedade dos direitos minerários, caracterizando uma compra e venda (cessão de créditos), uma vez que não restou definido preço certo, mas mera obrigação de pagar pela exploração até a exaustão da reserva ou enquanto durar os recursos minerais; ü A contribuinte pagou royalties a sua sócia, conforme lançamentos contábeis efetuados em suas demonstrações financeiras; ü A própria sócia, como detentora original do direito de explorar as reservas minerais, contabiliza os valores recebidos da Contribuinte, em conta de Receitas com Arrendamentos/Royalties; ü Pelo artigo 378 do Código de Processo Civil: “Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos”; ü Argumentou a Contribuinte que, mesmo que se considerem os pagamentos como royalties, tais valores são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, pois a Lei 4.506/94, em seu art. 71, prevê a indedutibilidade apenas dos royalties pagos aos sócios pessoas físicas, não sendo esta a melhor interpretação a ser dada; ü Ocorre que a intenção da norma é vedar, de forma ampla, a destinação de royalties em benefício de sócios, dirigentes ou seus parentes. A nítida finalidade da norma é obstaculizar o favorecimento imoral, ou, no mínimo questionável, de poucos (sócios, dirigentes ou seus parentes.), em detrimento do Fisco (verificado com a redução do lucro tributável da empresa que paga os royalties) ou em detrimento de outros sócios ou acionistas da sociedade (verificado com a redução dos lucros a serem distribuídos); ü Logo, mesmo que não expressamente descrito na norma, o pagamento de royalties a qualquer sócio, independentemente de sua personalidade é indedutível da base do imposto. É o relatório. Fl. 999DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra Sobre a admissibilidade do recurso, entendo caberem algumas considerações. Alega a Fazenda Nacional que com relação à fundamentação da Contribuinte de que apenas são indedutíveis da base do IRPJ os roayalties pagos à sócios pessoas físicas, não houve apresentação de paradigma, de modo que não pode ser conhecido o Recurso quanto a esse ponto. Não vislumbro a questão por esse ângulo. Vejo que a matéria aqui discutida é a dedutibilidade ou não dos valores pagos pela Contribuinte à uma de suas sócias. Sobre essa matéria foi trazido paradigma, onde se decidiu que não se tratavam de royalties e sim de pagamento pela cessão de direitos minerários. Tratase do Acórdão de nº 1402001.440, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, em caso que trata da cobrança da mesma exação da própria Recorrente, mas de períodos diversos (2007 e 2008), ou seja, situação absolutamente idêntica à presente. E esse paradigma é suficiente para se conhecer do Recurso Especial. Conhecido o Recurso, o fundamento para dar ou negar provimento não está vinculado ao fundamento contido no recorrido ou no paradigma. Entendo a questão da indedutibilidade dos royalties pagos apenas à pessoas físicas como um fundamento, não como matéria. Logo, o Recurso Especial deve ser conhecido sem ressalvas. Isso posto, passo à análise de mérito. Para os julgadores do Colegiado a quo, a cláusula 6ª do contrato de cessão, ao estipular o pagamento do contrato em valores percentuais sobre os dividendos pagos à sócia da Contribuinte, até a exaustão das reservas minerais, demonstra que a real intenção dos contratantes era de realização de negócio jurídico de arrendamento, não de “compra e venda” ou cessão de direitos. Alega o Relator do Acórdão que na compra e venda há preço determinado ou determinável, além da transferência da propriedade. Considerando que no contrato em questão existem elementos para a estipulação de pagamentos, não vislumbrou a definição de preço. Assim, concluiu que o texto do contrato não se amolda à figura da cessão definitiva, mas sim à hipótese de remuneração por direitos de exploração. Também foi pontuado no Acórdão recorrido que a própria escrituração contábil realizada, tanto pela Contribuinte, quanto por sua sócia, permite compreender a natureza de royalties dos pagamentos realizados, na medida em que a primeira registrava despesas e provisões de arrendamento/royalties e a segunda receita de arrendamento/royalties. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10600.720019/201393 Acórdão n.º 9101002.806 CSRFT1 Fl. 997 9 Concluiuse assim, que “se o instrumento é de arrendamento e cessão de direitos e assim se manifestam as partes por meio da sua contabilidade, descabe ao intérprete maiores elucubrações, ainda mais quando a legislação confere aos documentos força probatória e validade jurídica.” Pois bem. Para iniciar a análise da questão fazse necessária a verificação dos termos do contrato. Para que se possa identificar o negócio jurídico realizado, inicialmente é importante a análise do objeto do contrato. Assim vale a transcrição de sua cláusula primeira: Percebese, pois, que a intenção declarada no contrato, de comum acordo entre as partes, é a transferência de reserva parcial de minério de ferro, situada em parte bem delimitada de reserva total constituída por dois Decretos de lavra, acima identificados, da SAMITRI para a Contribuinte. Ou seja, de uma área total de exploração de minério de ferro, parte seria transferida para a Contribuinte, com a finalidade de lavra para abastecimento de instalação industrial de sua propriedade. Mais adiante, ainda no âmbito da cláusula 1ª do contrato em questão, fica um pouco mais detalhada a forma como seria feita a transferência das áreas parciais à Contribuinte. É o que trata a cláusula 1.2, que assim dispõe: A cláusula 1.2.1, na sequência, trata da transferência da área denominada “Corpo Alegria Centro”. Como a cessão dessa área foi integral, do ponto de vista formal a transferência seria realizada diretamente, por meio de outorga de escritura pública de cessão de direitos minerários, nos seguintes termos: Fl. 1001DF CARF MF 10 A cláusula 1.2.2 trata da transferência de parte de área situada dentro de uma área maior. Assim, a cláusula em questão trata de uma escritura de arrendamento e promessa de cessão e transferência de direitos minerários, nos seguintes termos: Mais adiante, mas dentro da mesma cláusula 1.2.2 é possível verificar que essa reserva parcial seria objeto de arrendamento até que desmembrada da reserva total constituída por Decreto de lavra, denominada “Corpo Alegria Este/Oeste. O parágrafo seguinte expressamente discorre que a relação jurídica de arrendamento e promessa de cessão (direitos e obrigações) apenas vigorariam até a outorga da escritura definitiva de cessão e transferência dos direitos minerários, que ocorreria imediatamente após a homologação do desmembramento pelo Departamento Nacional da Produção Mineral – DNPN, vejamos: Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10600.720019/201393 Acórdão n.º 9101002.806 CSRFT1 Fl. 998 11 Ora, da análise das regras contidas nessa cláusula primeira não me restam dúvidas de que a intenção formalmente exteriorizada pelas partes era de transferência de titularidade de direitos minerários. Essa intenção, a meu ver, fica ainda mais evidente em relação à cláusula 1.2.2, que trata da transferência de reserva parcial da lavra denominada “Corpo Alegria Este/Oeste. Entendo que o modus operandi para se chegar ao fim desejado passou pela celebração temporária de negócio jurídico de arrendamento e promessa de cessão, que perdurou somente pelo prazo necessário para que fossem realizadas as formalidades necessárias para o desmembramento da área. Esse negócio jurídico provisório apenas foi realizado diante da impossibilidade jurídica imediata de transferência da titularidade da área parcial que se pretendia. Não houvesse empecilho jurídico, a cessão do direito ocorreria diretamente, tal qual ocorreu com a área tratada na cláusula 1.2.1. Nesse contexto, entendo que o negócio jurídico realizado, cuja vontade encontrase formalmente demonstrada na cláusula retro analisada se trata de cessão de direitos minerários, de modo que o valor pago pelo cessionário, no caso a Contribuinte, somente pode ser conceituado como custo de aquisição. Mas teria a cláusula 6ª do contrato, que trata do preço e forma de pagamento, o condão de evidenciar que o negócio jurídico de cessão declarado na cláusula 1ª na verdade teria outra natureza? Para responder essa questão, convidoos à leitura da referida cláusula: Fl. 1003DF CARF MF 12 Pois bem, minha compreensão jurídica sobre a clausula 6ª do contrato é que estamos diante de uma clássica cláusula de preço determinável. Totalmente legítima em negócios jurídicos de cessão de direitos. Com efeito, embora as partes tenham convencionado um preço variável, isso não significa que os pagamentos efetuados possuam natureza de Royalties, principalmente porque o negócio que lhe deu causa é a alienação do direito de lavra. Tratase de preço determinável, nos termos do artigo 487 do Código Civil, que prevê ser “lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação.” Portanto, como no caso concreto a transferência se deu de forma definitiva (com escritura pública e averbação no DNPM), entendo tratarse de aquisição definitiva de direitos. Nesse contexto, o fato de a Cláusula Sexta Contrato de Cessão de Direitos Minerários celebrado em 1989 ter fixado preço variável e o fato de os pagamentos mensais serem devidos até a exaustão da mina não possui o condão de afastar a definitividade da transmissão e tampouco altera a natureza dos valores pagos, que decorrem diretamente da aquisição dos direitos minerários de lavra. Da mesma forma, o fato de a VALE contabilizar os valores recebidos como “Receitas com Arrendamentos/Royalties” não altera a natureza jurídica da operação. Ora, a natureza do negócio jurídico é única e no caso sempre foi a natureza do negócio pretendido desde o início, qual seja cessão de direitos minerários da SAMITRI para a Contribuinte. Essa natureza não muda quando da incorporação da SAMITRI pela sócia da Contribuinte. Não, portanto, há vício no negócio jurídico realizado. Por essas razões, DOU provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10600.720019/201393 Acórdão n.º 9101002.806 CSRFT1 Fl. 999 13 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado. Em que pesem as razões de mérito expostas pelo Relator, peço licença para delas divergir. De acordo com a Turma recorrida, o contrato o sob exame (efl. 596 e ss.), celebrado entre a cedente (Samitri, sucedida pela Vale S.A.) e a cessionária (ora recorrente) não tem por objeto a cessão da titularidade do direitos minerários em questão, mas apenas a cessão do direito de exploração dos direitos minerários que são de titularidade da cedente, até o momento de sua exaustão, conforme trecho do acórdão a seguir reproduzido (efl. 848): Cumprenos indagar, portanto, se o contrato celebrado pelas partes evidencia uma efetiva alienação (cessão definitiva, como diz a Recorrente) ou, ao revés, direitos que, por sua natureza, são passíveis de remuneração mediante royalties. O objeto do contrato foi definido na cláusula sexta, nos seguintes termos (grifamos): (...) A cláusula acima demonstra que foi fixada uma obrigação permanente (salvo eventual acerto posterior) até a exaustão das reservas minerais pactuadas, vale dizer, o pagamento deve ser feito até o limite de existência da coisa. Pareceme que o dispositivo realmente se refere à figura do arrendamento (como, aliás, expressamente está consignado) e, nesse contexto, não se confundiria com uma "compra e venda", que possui requisitos distintos. Na compra e venda há um preço determinado ou determinável, além da efetiva transferência da propriedade. Conquanto existam elementos para a estipulação dos pagamentos, não se vislumbra, no contrato, a definição efetiva do preço, até porque isso depende da vida útil das reservas minerais. Não se amolda o texto à figura da cessão definitiva, mas sim à hipótese de remuneração por direitos de exploração. (...) Mas ainda que a leitura do "Contrato de Transferência de Direitos Minerários para Exploração de Jazidas de Minério de Ferro" deixasse margem para dúvida acerca de seu real objeto, o fato iniludível é que tanto a cedente quanto a cessionária registraram os pagamentos feitos por esta a aquela como sendo a título de royalties. Noutros termos, as próprias partes contratantes, que são quem melhor podem interpretar o referido contrato, reconheceram em sua contabilidade que a cessionária está pagando não o preço pela aquisição definitiva da titularidade dos direitos minerários da Fl. 1005DF CARF MF 14 cedente, mas sim royalties pela exploração dos direitos minerários de titularidade da cedente, conforme apontado no termo de verificação fiscal (efls. 39/40): 36. No histórico dos lançamentos efetuados na conta de despesa 0040640010 “3.01.02.02.03.01.04.10 DIREITOS MINERÁRIOS VALE” encontramos os seguintes termos: ROYALTIES CVRD, Pagamento de royalties e Pagamento de direitos minerais. 37. Na conta do Passivo da Fiscalizada 2.01.13.03.02.07 DIREITOS MINERÁRIOS VALE onde são feitas as provisões dos royalties pagos à Vale encontramos, por exemplo, as seguintes referências no histórico dos lançamentos: Provisão Royalties CVRD, Provisão Royalties Janeiro, Royalties Abril, etc. 38. Da mesma forma, a Vale S.A também contabiliza como royalties os valores recebidos da Samarco na conta “451113002 Receitas com Arrendamentos/Royalties”, conforme pode ser constatado pela escrituração contábil digital no SPED. 39. E realmente a natureza dos pagamentos efetuados pela Samarco à Vale S.A revestemse das características de royalties atribuídas expressamente pela própria Lei. O art. 22, alínea “b” da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, dispõe literalmente que os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos de pesquisar e extrair recursos minerais serão classificados como “royalties”. (...) Nesse sentido, quando a recorrente, após submetida à auditoria fiscal, nega aquilo que está registrado em seus próprios assentamentos contábeis, incorre em comportamento contraditório (venire contra factum proprium), algo que não pode ser admitido por violação ao princípio da boafé. Ademais, e apenas por amor ao debate, ainda que se tratassem de pagamentos pela aquisição da titularidade dos direitos minerários, como quer a recorrente, tais pagamentos não poderiam, sem mais, serem deduzidos como despesa. Ao contrário, deveriam ter sido "ativados" e submeteremse às regras de amortização ou exaustão legalmente previstas. Por fim, devese dizer que a indedutibilidade do pagamento de royalties a sócios não se limita ao sócios pessoas físicas, mas também alcançam os sócios pessoas jurídicas, tal como expressamente previsto no art. 353 do RIR/99, in verbis: Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; (...) Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10600.720019/201393 Acórdão n.º 9101002.806 CSRFT1 Fl. 1000 15 Rafael Vidal de Araujo Fl. 1007DF CARF MF 16 Fl. 1008DF CARF MF
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