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Numero do processo: 10435.721122/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Integra o salário de contribuição a remuneração paga ao contribuinte individual.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
Numero da decisão: 2401-004.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Integra o salário de contribuição a remuneração paga ao contribuinte individual. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
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Recorrente MUNICIPIO DE IPUBI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Integra o salário de contribuição a remuneração paga ao contribuinte individual. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 11 22 /2 01 4- 91 Fl. 184DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10435.721122/201491 Acórdão n.º 2401004.938 S2C4T1 Fl. 185 3 Relatório Tratase de Autos de Infração AIs lavrados contra o município em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: · AI DEBCAD 51.045.6820: referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição dos segurados contribuintes individuais, não declarada em GFIP. · AI DEBCAD 51.045.6871: referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição da empresa, incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, não declarados em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 17/20), o presente lançamento teve por base “as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços ao município ora fiscalizado, nas competências de jan/2011 a dez/2011, e que não foram informados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações” (GFIP), sendo que tais remunerações foram apuradas por aferição indireta, nos seguintes termos: Os valores das remunerações pagas aos segurados empregados foram obtidos por aferição indireta, uma vez que o contribuinte apresentou a documentação em formato diverso do solicitado através do Termo de Intimação de Procedimento Fiscal (TIPF) de 10/12/2013. O contribuinte apresentou o arquivo “Relação de Empenhos por Elemento – Efetuados” no formato pdf (Portable Document Format), contendo 623 (seiscentos e vinte e três folhas), dificultando a análise individual dos dados contidos, uma vez que os programas internos da RFB de análise de dados digitais não trabalham com este formato. Lembramos que, o formato correto para apresentação dos arquivos digitais é o previsto no MANAD – Manual Normativo de Arquivos Digitais (versão atual aprovada pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006). e GFIP. A apresentação dos arquivos em formato pdf prejudicou a análise individual dos valores lançados, a análise dos históricos das operações (visando identificar algum erro de enquadramento na rubrica) e a totalização mensal. Não obstante a análise pormenorizada ter sido prejudicada, utilizamos o valor total anual de 2011 informado para fins de elaboração do presente auto de infração. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, nos termos do § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212/91 . Fl. 186DF CARF MF 4 Desta forma, para identificação da base de cálculo das contribuições previdenciárias, utilizamos o valor total dos empenhos liquidados, conforme informado no relatório apresentado pelo contribuinte. Em 2011 o valor anual dos pagamentos efetuados aos prestadores de serviço pessoa física foi de R$ 3.656.409,72 (três milhões, seiscentos e cinquenta e seis mil, quatrocentos e nove reais e setenta e dois centavos). Para obtenção do valor mensal aferido no exercício de 2011, dividimos o valor total do exercício pela quantidade de meses (doze). Posto isto, os valores mensais aferidos para o exercício de 2011 ficaram em R$ 304.700,81 (Trezentos e quatro mil setecentos reais e oitenta e um centavos). Após determinarmos o valor da base de cálculo mensal, excluímos os valores dos segurados já informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP, e chegamos aos valores que o contribuinte deixou de informar à previdência social, conforme abaixo: [...] Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega que: a) o recolhimento a menor das contribuições se deu em razão do município ter excluído da base de cálculo as seguintes rubricas, entre outras: “abonos, salário maternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional por serviço extraordinário, hora extra, remuneração do cargo em comissão dos servidores efetivos (Decisão 683/2001 – Plenário do TCU)”; b) o lançamento tributário deve ser claro e objetivo e no presente caso “a ausência da base de cálculo aplicada pelo competente auditor torna o presente Auto de Infração viciado”, razão pela qual “a defesa do município encontrase prejudicada” por ter sido ferido “frontalmente os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório”, sendo a anulação do lançamento “a medida que se impõe”; c) o auditor não cuidou de verificar se os servidores teriam sido informados em GFIP; d) com base na jurisprudência exposta na defesa, alega a não incidência das contribuições previdenciária sobre horas extras, terço de férias e auxílio doença; e) a multa aplicada tem caráter confiscatório e é ilegal sua aplicação entre pessoas jurídicas de direito público. f) “a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, reduziu as multas aplicadas pelo INSS/RFB em face da ‘retroatividade benigna’.” Dessa forma, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, a multa moratória a ser aplicada não poderá e ser superior a 20%, ou, nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, a multa será de 2% ao mêscalendário ou fração, limitada a 20%, no caso de falta de entrega ou entrega em atraso da GFIP, ou de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Foi proferido o Acórdão 0652.016 6ª Turma da DRJ/CTA, fls. 128/140, com a seguinte ementa e resultado: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10435.721122/201491 Acórdão n.º 2401004.938 S2C4T1 Fl. 186 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. MULTA TRIBUTÁRIA. APLICABILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. Nos termos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas de direito público estão sujeitas a multa pelo inadimplemento de obrigação tributária. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Impõese a improcedência da impugnação quando o contribuinte não apresenta provas capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 25/6/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 148), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 8/7/15, fls. 151/172, que contém basicamente, os mesmos argumentos da defesa, alegando, em síntese: a) que o pagamento a menor das contribuições se deu em razão da RFB exigir a inclusão de remunerações indevidas na base de cálculo, tais como abonos, salário maternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional por serviço extraordinário, hora extra, remuneração do cargo em comissão dos servidores efetivos; b) que o lançamento tributário deve ser claro e objetivo e no presente caso “a ausência da base de cálculo aplicada pelo competente auditor torna o presente Auto de Infração viciado”, razão pela qual “a defesa do município encontrase prejudicada” por ter sido ferido “frontalmente os Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório”, sendo a anulação do lançamento “a medida que se impõe”; c) que o auditor não cuidou de verificar se os servidores teriam sido informados em GFIP, o que prejudicou a defesa; d) com base na jurisprudência exposta na defesa, alega a não incidência das contribuições previdenciária sobre horas extras, terço de férias e auxílio doença; e) que a multa aplicada de 75% tem caráter confiscatório e é ilegal sua aplicação entre pessoas jurídicas de direito público. Acrescenta que a MP 449/08 reduziu as multas. Fl. 188DF CARF MF 6 Requer seja dado provimento ao recurso para que seja anulado o auto de infração. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10435.721122/201491 Acórdão n.º 2401004.938 S2C4T1 Fl. 187 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO FATO GERADOR O lançamento teve por base o que dispõe a Lei 8.212/91, art. 22, III, art. 28, III, e Lei 10.666/03, art. 4º: Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; [...] Lei 10.666/03 Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Vêse que o recorrente se confunde quanto ao fato gerador que determinou o presente lançamento: remuneração paga a prestadores de serviços contribuintes individuais, vinculados ao RGPS. Portanto, não há que se falar em inclusão na base de cálculo abonos, salário maternidade, auxíliodoença, adicional de férias, adicional por serviço extraordinário, hora Fl. 190DF CARF MF 8 extra, remuneração do cargo em comissão dos servidores efetivos, verbas inerentes à remuneração de empregados, ou ainda, que não incidem contribuições sobre tais verbas. Assim, irrelevantes os argumentos apresentados nesse sentido. A base de cálculo foi claramente indicada às fls. 18 e 19 do relatório fiscal, não havendo qualquer prejuízo à defesa. Logo, não há que se falar em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, pois foram cumpridos todos os requisitos previstos no CTN, art. 142. O lançamento se deu pela diferença entre os valores pagos a contribuintes individuais apurados com base nos empenhos e os valores já informados em GFIP, logo, não há que se falar em segurados não informados, mas apenas diferença de remuneração não informada. MULTA A multa aplicada decorre do lançamento de ofício de contribuições devidas, nos termos da Lei 8.212/91, art. 35A (na redação dada pela Lei 11.941/09) c/c a Lei 9.430/96, art. 44, possuindo o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável, não cabendo à autoridade administrativa, plenamente vinculada, reduzir seu percentual, como quer a recorrente. No presente caso, os fatos geradores ocorreram já na vigência da Lei 11.941/09, não havendo que se falar em retroatividade da MP 449/08. Também não há que se falar que não cabe a cobrança da multa entre pessoas jurídicas de direito público. Com a alteração do § 9° do art. 239 do Regulamento da Previdência Social RPS, promovida pelo Decreto 6.042, de 12/2/07, cabe, a partir de 02/07, a aplicação de multa em órgãos públicos, pelo recolhimento das contribuições previdenciárias fora do prazo. Tal matéria foi devidamente explicada no acórdão de impugnação. Acrescentese que a validade ou não da lei, em face de suposta ofensa a princípio de ordem constitucional escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, cabe ao Poder Legislativo, revêla, ou ao Poder Judiciário, declarar sua ilegitimidade em face da Constituição. Assim, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de uma norma não se discute na esfera administrativa, pois não cabe à autoridade fiscal questioná la, mas tão somente zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E a Súmula CARF nº 2 determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, irrelevantes os argumentos sobre a multa, que ela ofende aos princípios do não confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade, sendo inconstitucional. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10435.721122/201491 Acórdão n.º 2401004.938 S2C4T1 Fl. 188 9 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.905145/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 51 45 /2 01 0- 36 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.905145/201036 Acórdão n.º 1301002.384 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.905145/201036 Acórdão n.º 1301002.384 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.905145/201036 Acórdão n.º 1301002.384 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.905145/201036 Acórdão n.º 1301002.384 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.905145/201036 Acórdão n.º 1301002.384 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.905145/201036 Acórdão n.º 1301002.384 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.905145/201036 Acórdão n.º 1301002.384 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.900629/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900629/201272 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.160 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 29 /2 01 2- 72 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900629/201272 Acórdão n.º 1302002.160 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900629/201272 Acórdão n.º 1302002.160 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900629/201272 Acórdão n.º 1302002.160 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.016864/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
RELATÓRIO
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 16 86 4/ 20 05 -1 6 Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 515/545) interposto em 03 de outubro de 2006 contra o acórdão de fls. 491/509, proferido pela 4 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou procedente, em parte, o auto de infração de fls. 07/12, para: a) exigir de ANTÔNIO BENTO GONÇALVES, CPF (105.269.08653, o pagamento do IRPF/2001/2002/2003, no valor de R$ 1.209.377,82 (um milhão, duzentos e nove mil, trezentos e setenta e sete reais e oitenta e dois centavos), sujeito à multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento), passível de redução, além dos juros de mora devidos calculados até a data do efetivo pagamento, bem como a parcela da multa exigida isoladamente, na quantia de R$ 102,00 (centoe dois reais), pela falta do recolhimento do imposto devido à guisa de "CarnêLeão" nos meses de fevereiro a dezembro de 2000; b) eximir o contribuinte do recolhimento da parcela restante da multa isolada, no montante de R$ 50,99 (cinqüenta reais e noventa e nove centavos) à luz das disposições contidas no art. 18 da Medida Provisória 303/2006, que alterou a redação do art 44, inc. II, alínea "a", da Lei n°9.430/1996 c/c art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN" ( fl.492). O auto de infração de fls. 07/12 constatou irregularidades nas declarações de imposto de renda relativas aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, decorrentes de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e de multa isolada aplicada em virtude de falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. Intimada, a Recorrente apresentou a impugnação de fls. 454/476, que foi resumida no relatório do acórdão recorrido da seguinte forma: "1) Mandado de Procedimento Fiscal citando dispositivos constitucionais diversos, reportase, em especial, ao art. 50, inciso II, da CF, para argumentar não estar ninguém obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei e que, ocorrendo ação do Estado em sentido diverso, há de ser considerada inconstitucional, portanto, sem suporte de validade na ordem jurídica vigente; referindose, então, as Portarias 3.007/2001 e 6.087/2005, ambas da Secretaria da Receita Federal, passa a analisar o "Mandado de Procedimento Fiscal" — MPF; no que tange aos MPFs cabíveis nos casos de ações fiscais ou diligências, afirma que hão de ter prazos máximos de validade, sob pena de desrespeito ao art. 5°, inciso JDOX, de nossa Carta Magna o qual garante não ser defeso à lei prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; continua, afirmando que, segundo as portarias supra mencionadas, tais prazos seriam de 120 dias, no caso de ações fiscais, reduzidos para 60 dias, no caso de diligências, extinguindose, ambos, com o decurso dos aludidos prazos; que o alongamento da validade do instrumento em análise, nos termos previstos na legislação citada, se dará mediante entrega do demonstrativo de sua prorrogação Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 4 3 ao sujeito passivo pelo auditor responsável pelo procedimento, quando da prática do primeiro ato de oficio seguinte junto ao contribuinte; que, uma vez extinto o mandado de procedimento por decurso de seu prazo, poderá ser expedido novo mandado, porém, sem a indicação do mesmo auditor como responsável pela ação fiscal; que todos os mandados de procedimento fiscal devem instruir o processo tributário administrativo; que, no caso concreto, existiram 2 (duas) nulidades, quais sejam, a uma, não houve ciência do impugnante da expedição do mandado de procedimento fiscal inicial, nem de suas prorrogações, não havendo nos autos qualquer certificação de que tenha se recusado a assinálos; a duas, durante o período do procedimento fiscal em questão ocorreram lapsos desacobertados por MPFs, conforme passa a descrever; esclarece que tais nulidades se deram tendo em vista que o endereço aposto nos nominados instrumentos foi Rua Minas Gerais n.° 413, Centro, Poços de Caldas, Minas Gerais, CEP. 37.701004, mas que há anos não reside mais nesse lugar; que, em assim sendo, o lançamento em lide é viciado por inobservância de disposições normativas atinentes a aspectos relativos as formalidades do procedimento fiscal que o precedeu, como determina a legislação aplicável. 2) Incorreções nos procedimentos preparatórios do lançamento tributário voltando a mencionar a Constituição Federal, levanta, como um dos mais relevantes direitos individuais do homem, o princípio do devido processo legal com contraditório e ampla defesa, cujo reconhecimento na esfera infraconstitucional se dá consoante as disposições do artigo 20 da Lei 9.784/99; diferenciando, no processo administrativo fiscal, os atos preparatórios do lançamento, daqueles revisionais deste, alega caberao sujeito passivo participar e ser cientificado dos primeiros e iniciar, em regra, os segundos. Argüi, pois, que não lhe foi dado o direito de reação às ações praticadas pela Administração Pública, quando da prática dos procedimentos efetuados para a consecução do lançamento do crédito tributário que lhe é desfavorável; que esse intento só é alcançado se todos os atos administrativos praticados possuam motivação clara e precisa, pois, se não a possuem, faltalhes um elemento essencial, restando, portanto, no seu entender, como nulos; conclui, pois, terlhe sido negada a oportunidade de reagir adequadamente ao Fisco, em face da simples requisição às instituições financeiras das informações utilizadas para confecção da Peça Fiscal ora hostilizada; reproduzindo trechos do "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 19/38, argumenta que os autuantes sustentaram seu trabalho em duas premissas mestras, quais sejam, a uma, a acentuada divergência entre as declarações do impugnante e as informações fornecidas à RF pelas instituições financeiras, e, a duas, a criteriosa e individualizada análise dos créditos bancários do litigante, concluindo pela não comprovação da origem de alguns deles; Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 5 4 que não ficou definido, nos autos, aquilo considerado pela Fazenda Pública como divergência acentuada entre suas declarações de rendas e as informações das instituições financeiras, de modo que não feita a demonstração dos pontos, períodos e montantes divergentes, seu direito de reação restou inteiramente prejudicado; já, quanto à análise criteriosa e individualizada dos créditos bancários afirmada pela autoridade fiscal, argumenta que tal metodologia não teve seus critérios explicitados, bem como alega não constar do presente processo qualquer relatório ou outro documento demonstrativo do exame crédito a crédito, conforme determina o §3, do artigo 42, da Lei 9.430/96; prossegue, argüindo que não demonstradas nos autos as premissas anteriormente elencadas, existe a impossibilidade da verificação da existência ou falsidade destas, razão pela qual o princípio do "in dúbio pro contribuinte" o leva a concluir pela inexistência delas; que lhe parece ter a impugnada a mentalidade equivocada de que indícios seriam suficientes para a lavratura do libelo acusatório, uma vez que no presente caso considera não haver qualquer demonstração por parte do Fisco do conjunto de circunstâncias, acontecimentos e situações que levou ao lançamento do crédito tributário em lide; 3) Questão Probatória voltando a ampararse na CF — agora citando o inciso LV, artigo 5°, de nossa Carta Magna — afirma que a manutenção do equilíbrio processual só se daria caso fosse respeitada a obrigação do Fisco de provar suas afirmações, na busca da verdade material; que intimado, no decorrer da ação fiscal, a comprovar a origem de seus depósitos bancários, informou à autoridade lançadora que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, conforme por ele diligenciado, não possuíam arquivos dos documentos requeridos; que ele, como pessoa fisica que é, não tem a obrigação legal de guardar fotocópias de cheques e outros documentos que comprovem a origem de suas operações financeiras, além de não ser especialista em siglas bancárias, tanto mais com relação àquelas ocorridas há cinco anos atrás; que o Auto de Infração deve se fazer acompanhar dos documentos que o instruem; que considera ser o ônus da prova de responsabilidade única e exclusiva da impugnada e, não, do impugnante, não se admitindo, no seu entender, a possibilidade da inversão do ônus desta, com a conseqüente exoneração da Administração de provar os fatos que afirma. 4) Incerteza e iliquidez do crédito tributário quanto ao item em epígrafe, afirma o interessado que o conceito de renda está insculpido em princípios e dispositivos constitucionais, sendo que, consoante seu ponto de vista, perspectivas mais recentes e balizadas sobre o conceito de renda a consideram sempre como correspondente a acréscimos patrimoniais; Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 6 5 que o art. 42, da Lei 9.430/96, corroborando esse entendimento, admite que transferências de contas bancárias do mesmo titular e valores pertencentes a terceiros que tenham ingressado na conta bancária das pessoas fisicas meramente a título de interposição de pessoa não são base de cálculo para o imposto de renda, já que não importam em acréscimo de patrimônio; que, no caso em pauta, valores sem potencial de serem tomados como acréscimo patrimonial tais como alienações de bens, com tributação apénas do ganho de capital, cheques devolvidos, contratos de crédito e resgates de aplicações financeiras — foram adotados como tal pelos autuantes; que pretendia levar aos autos, segundo a petição de fls. 64/65, os elementos requeridos pela autoridade lançadora 61,— os quais foram simplesmente desconsiderados, sendo que a ação seguinte dos agentes fiscais foi requerer informações bancárias atinentes ao peticionário a diversas instituições financeiras; que a simples verificação dos seus extratos bancários demonstra, de forma bastante clara e óbvia, terem "cheques devolvidos" sido considerados como base de cálculo do imposto de renda, considerando estar caracterizado o "bis in idem", quando de suas efetivas compensações; que, o documento de fl. 441 dos autos, comprova que suposta liquidação de crédito considerada pela Fiscalização, datada de 04/02/2000, corresponde, tãosomente, a operação de abertura de crédito; que a credibilidade da presente exação estaria fulminada pelo fato de terem sido considerados valores relativos à movimentação junto a Agência 2299 do Bradesco Banco 237 a qual só foi inaugurada em 16/05/2003, portanto, após as competências apontadas nos atos reparatórios do lançamento tributário, quais sejam, 25 de setembro de 2000 e 19 abril de 2001, conforme fl. 445 do presente processo; que alienações de imóveis por ele realizadas, de acordo com documentação anexa, deveriam, se fosse o caso, ser tributadas como ganho de capital, e justificam boa parte dos depósitos atacados pela Fiscalização; que resgates de aplicações financeiras também não são sinônimos de acréscimo patrimonial, o que justificaria a exclusão destes da base de cálculo apurada, o que, alega, não ocorreu, consoante uma simples análise de seus extratos bancários pode demonstrar; em assim sendo, finaliza o presente item afirmando não ser exigível um crédito tributário se não é líquido e sequer certo, mas "senhor" de uma série de equívocos. 5) Diligências e Perícias a serem efetuadas requer, então, sejam juntados aos autos, tanto, os documentos indicados às fls. 64/65, quantos outros que se façam necessários, após o que os autos devem retornar aos autuantes, para que com base em análise pormenorizada tomem as providências cabíveis, com posterior vistas do impugnante; requer, ainda, a realização de perícia relativamente a itens diversos, os quais leio em sessão, listando os nomes daqueles que nomeia como seus peritos; Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 7 6 solicita, por fim, que esta instituição com ele se comunique dirigindolhe notificações ou intimações, ou, para a Praça Monsenhor Faria de Castro, 80, apartamento 80, CEP. 37.701000, Centro, Poços de Caldas, Minas Gerais, ou, por meio de Celso Cordeiro de Almeida e Silva Advogados, Rodovia SP 328/ Km 308,5, Condomínio Santa Helena, Distrito de Bonfim Paulista, Casa D10, CEP 14.110000, Ribeirão Preto, Estado de São Paulo" (fl. 493/497). A Recorrida julgou procedente, em parte, o auto de infração através de acórdão que teve a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 MULTA ISOLADA SOBRE A FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO RETROATIVIDADE BENIGNA A edição de lei nova que comine penalidade menos severa do que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática de ato ou fato pretérito caracterizado como infração à legislação tributária, há que ser aplicada na posterior solução das lides ainda não definitivamente julgadas. Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS. INCOMPETÊNCIA DOS ORGÃOS ADMINISTRATIVOS. Os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de apreciar matéria de ordem constitucional, por extrapolar os limites de sua competência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. A nulidade do auto de infração somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. NORMAS PROCESSUAIS. MPFs. FALTA DE CIÊNCIA EXPRESSA DA REVALIDAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, e alterações posteriores, é mero instrumento de controle administrativogerencial. A possível falta da entrega ao contribuinte de "Demonstrativos de Prorrogação do "MPF", quando tais dados estão disponíveis na Internet, não causa a nulidade do lançamento do créditotributário. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, podendo indeferir aquelas que considerar prescindíveis à solução da lide instaurada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 8 7 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações." Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 515/545, reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Diante deste contexto, o então Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento do feito em diligência, de forma que fosse realizada perícia e demais diligências solicitadas pelo Recorrente, nos seguintes termos: “Não obstante, sob o argumento de que o Recorrente teve várias oportunidades para comprovar a origem dos depósitos, sem que as tivesse aproveitado, a perícia e as diligências foram indeferidas. Ocorre que, de acordo com o artigo 16 do Decreto 70.235/72, a impugnação mencionará “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito” (IV), considerandose não formulado apenas “o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16” (§1º.). Ora, considerandose o cumprimento do disposto no artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, as diligências e a perícia deveriam ter sido deferidas, principalmente no presente caso, em que o Recorrente apresentou sua impugnação partindo da premissa de que seu pedido seria deferido, não tendo trazido aos autos nenhum outro documento relevante que pudesse justificar a origem dos depósitos bancários, já que pretendia, com a perícia e/ou as diligências, provar exatamente referida origem. Assim, com o objetivo de resguardar o contraditório e a ampla defesa, observandose ainda o princípio da economia processual, entendo que a perícia e as diligências requeridas pelo Recorrente devem ser deferidas, baixandose os autos ao órgão preparador para que as realize, exatamente como requeridas às fls. 471/476 dos autos. Após a realização da perícia e das diligências, que deverão ser objeto de laudo pericial circunstanciado, o Recorrente deverá ser intimado para apresentar as informações que entender necessárias, devolvendose, em seguida, os autos para esta 2ª. Câmara, para conclusão do julgamento do presente recurso.” Formalizada a Resolução 10202.460, de 06/11/2008, os autos foram encaminhados à DRF de origem, para que fosse realizada a perícia e as diligências determinadas pelo Colegiado da então 2a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Foi então elaborado o Relatório Fiscal – Diligência de fls. 607/608, sem que fosse providenciada a perícia. O Recorrente apresentou a manifestação de fls. 637/645, pedindo o integral cumprimento da Resolução de fls. 623, com análise, inclusiva dos documentos apresentados em anexo a petição de fls. 648/650, protocolada em 04 de junho de 2012 (fls.648 e segs.). Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 9 8 Em sessão de 23 de janeiro de 2014, diante do acima, o colegiado resolveu converter o julgamento do feito em diligência, novamente, de forma que fosse realizada perícia e demais diligências solicitadas na Resolução 10202.460, de 06/11/2008 e pelo Recorrente. Formalizada a Resolução 2101000.154 de 23 de janeiro de 2014, os autos foram encaminhados à DRF de origem, para que fosse realizada a perícia e as diligências determinadas. Foi então elaborado, em 20 de maio de 2015, o Relatório Fiscal – Diligência e Perícia de fls. 3051 e segs, ambas peças pelo mesmo auditor fiscal. Em 16 de junho de 2015, houve retificação do relatório fiscal. Cientificado do relatório fiscal em 17 de junho de 2015 e aberto prazo para manifestação do contribuinte, o mesmo peticionou às fls. 3076 e segs., em 30 de junho de 2015, manifestando sua irresignação pelos seguintes fatos e argumentos: 1. Tendo sido a perícia realizada pelo mesmo auditor fiscal que efetuou a diligência, a mesma seria inválida, posto que não teria garantido juízo imparcial em relação aos dados contidos na diligencia. Invoca o art. 18 e 20 do Decreto nº 70.235/72: 2. O auditor fiscal que realizou a diligencia e perícia seria o mesmo que atuou no processo administrativo fiscal desde o seu início, portanto estaria violado o princípio da imparcialidade em relação a análise documental. 3. Não houve intimação do perito do contribuinte, para apresentação de laudo. 4. Falta de análise de uma série de documentos apresentados pelo contribuinte. 5. Falta de resposta satisfatória em relação as diligencias realizadas junto os Bancos Bradesco S/A, Mercantil do Brasil, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Caixa Econômica Federal. Requer, portanto, a expedição de novas diligencias junto aos bancos mencionados, designação de nova perícia a ser realizada por perito imparcial e designação de assistente técnico indicado pelo contribuinte. O Recorrente peticionou ainda em agosto de 2015, agosto e novembro de 2016 requerendo juntada de documentos diversos e suspensão do julgamento do presente processo até que sejam juntados aos autos todos os documentos solicitados às instituições financeiras e possa ser elaborado laudo complementar, concretizando, assim a diligencia determinado por este colegiado. É o relatório. Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 10 9 VOTO Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, conforme juízo já realizado por este colegiado, eis que intimado da decisão no dia 13/09/2006, interpôs recurso voluntário no dia 03/10/2006, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Conforme acima mencionado, na sessão de 23 de janeiro de 2014, foi decidido pelo colegiado, converter, novamente, o julgamento em diligencia através da Resolução nº 2101000.154, por entender que, pelo exame das peças processuais, verificouse que a matéria de fato posta a decisão ainda não teria sido suficientemente esclarecida, pela falta de realização de perícia. A Resolução acima mencionada foi cumprida mediante formalização de novo Relatório Fiscal (fls. 3087 e segs.) em que consta o resultado das diligencias e perícia realizada. No entanto, como bem ressaltado pelo Recorrente, não houve, conforme determina o artigo 18, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/72, intimação do perito indicado pelo contribuinte para houvesse o exame do resultado das diligencias realizadas. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. Conforme mencionado na peça de impugnação, foi indicado pelo Recorrente, o perito Sr. Márcio Roberto Correa, contador, CRC/MG número 9244, com escritório em Poços de Caldas, Minas Gerais, na Rua Doutor Vicente Risola, 160, Bairro São Benedito. Não obstante o acima, careceu o relatório fiscal, ainda, de analisar a Declaração de Acréscimo Patrimonial referente ao pagamento de prêmios de loterias, junto aos autos às fl. 489. Tal documento, segundo o Recorrente, justificaria parte dos valores que tiveram suas origens questionadas pela fiscalização. Se mostrando, a primeira vista, como documento crucial ao esclarecimentos das alegadas infrações fiscais. Ressaltase que o poder investigatório da autoridade administrativa não se encontra adstrito aos procedimentos de fiscalização, havendo respaldo legal para o procedimento de diligencia quando a autoridade julgadora entender necessária a elucidação de fatos de interesse da administração publica, sobre tudo quando estes são relevantes para atender a uma correta instrução processual. Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 10680.016864/200516 Resolução nº 2402000.608 S2C4T2 Fl. 11 10 Ademais, vale mencionar, que a perícia foi realizada pelo mesmo auditor fiscal que conduziu todo o processo de fiscalização e diligencias posteriores, sendo assim, em nome do princípio da imparcialidade, mister se faz a realização de nova perícia por outro servidor, como perito da União, alheio ao presente processo para fins de obtenção de juízo neutro em relação aos documentos diligenciados e acostados aos autos. Por fim, tendo em vista que algumas instituições financeiras não responderam satisfatoriamente às diligencias realizas, mister se faz reintimar tais instituições visando uma ultima tentativa de esclarecimento dos fatos em atenção ao princípio inquisitório a que está sujeito o processo administrativo tributário (busca da verdade material). São as instituições financeiras: Banco Bradesco, Banco Mercantil do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Unibanco. Sendo assim, voto pelo retorno dos autos a autoridade de origem de forma que se faça cumprir os ditames da Resolução n° 10202.405 da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e os demais quesitos abaixo, nesta ordem: 1. Reintimar as instituições financeiras a prestar esclarecimentos em relação aos fatos geradores alegados Banco Bradesco, Banco Mercantil do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Unibanco; 2. Intimar o perito do contribuinte a juntar laudo em razão dos documentos diligenciados; 3. Uma vez respondidas as diligências, que a fiscalização analise os documentos coletados e, ainda, os juntados pelo contribuintes mediante petições juntadas às fls. 3076, 3114, 3143, 3485 e 3697, com formalização de novo Relatório Fiscal, se manifestando sobre as razões e laudo juntados pelo Recorrente de maneira conclusiva em relação ao lançamento; 4. Intimar o contribuinte acerca do relatório fiscal da autoridade fiscal, com prazo para se manifestar. Vale lembrar que, uma vez determinada a diligencia e perícia é vedado a autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprila, nos termos do artigo 36, parágrafo 3º do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3714DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.725057/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2008
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
É nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 1201-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para considerar nulo o Acórdão nº 12-64.453, em 03 de abril de 2014, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - DRJ/RJ1 e determinar que o processo seja devolvido à primeira instância de julgamento, para análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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NULIDADE. É nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para considerar nulo o Acórdão nº 1264.453, em 03 de abril de 2014, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1 e determinar que o processo seja devolvido à primeira instância de julgamento, para análise do mérito. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 50 57 /2 01 3- 51 Fl. 8837DF CARF MF Processo nº 10935.725057/201351 Acórdão n.º 1201001.803 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o processo de autos de infração de págs. 4.001/4.019, relativos ao ano calendário 2008, no regime do lucro real trimestral que exigem: R$3.418.119,16 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo às infrações: 0001 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Passivo Fictício, com fatos geradores em 31/12/2008; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$1.230.522,90, reflexo da mesma infração; Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidência nãocumulativa, reflexo da mesma infração; Contribuição para o PIS, incidência nãocumulativa, R$225.595,86, reflexo da mesma infração; todas infrações foram apenadas com multa de ofício 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Constatação Fiscal, págs. 3.922/3.937, acompanhado dos anexos de págs. 3.938/3.999. 2. Cientificado em 19/12/2013, pág. 4.024, o contribuinte apresentou impugnação de págs. 4.051/4.114, com os anexos de págs. 4.115/5.084 em 21/01/2014, e Aditamento à impugnação de págs. 4.032/4.050, em 23/01/2014, para suscitar preliminar de tempestividade; a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1, proferiu o Acórdão nº 1264.453, em 03 de abril de 2014, págs. 8.792/8.795, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FECAL Anocalendário: 2008 I INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. E válida a intimação feita por via postal entregue uo domicílio tributário do sujeito passivo, não sendo necessário que a ciência do recebimento seja dada pessoalmente pela contribuinte ou seu representante legal. DUPLA INTIMAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DA PRIMEIRA. Quando ocorrem duas intimações no processo, o prazo recursal contase da primeira, sob pena de o contribuinte se beneficiar com prazo maior que o previsto em lei para apresentação da impugnação. DEFESA INTEMPESTIVA. EFEITOS. A impugnação ou manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa, não comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se toma conhecimento. Impugnação Não Conhecida Sem Crédito em Litígio 3. O contribuinte cientificado em 10/04/2014, pág. 8.799, e apresentou Recurso Voluntário ao CARF, págs. 8.801/8.819, em 06/05/2014, a seguir resumido. 4. Descreve que os autos de infração lhe foram cientificados via eCAC, considerado como disponibilizado ao contribuinte em 20/12/2013 (sextafeira), iniciando a contagem do prazo de impugnação em 23/12/2013 (segundafeira), encerrado em 21/01/2014, conforme documento acostado às folhas 4.021 e paralelamente a isso, recebeu, em sua portaria, cópia dos Autos de Infração em 19/12/2013 e à vista da ciência do lançamento via eCAC, protocolizou a competente Impugnação Administrativa em 21/01/2014, usufruindo do prazo que a p´ropria Administração assinalou. 5. Assevera que ocorreu duplicidade de intimações válidas e não pode ser apenada por ter observado prazo concedido pela RFN em meio de seu ambiente virtual. 6. Requer a nulidade da decisão da DRJ, por desrespeito à vinculação bilateral dos atos administrativos, e por ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, devido Fl. 8838DF CARF MF Processo nº 10935.725057/201351 Acórdão n.º 1201001.803 S1C2T1 Fl. 4 3 processo legal, oficialidade, publicidade, verdade material e ainda principalmente o da legalidade, que se reflete na Segurança Jurídica e na Certeza do Direito, e que sejam remetidos novamente estes autos para a instancia anterior, para que julgamento justo profira, apreciando as razões de mérito apresentadas na peça impugnatória. Voto Conselheira Eva Maria Los Relatora 1 Da Tempestividade. 7. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com as posteriores alterações, estipula: Dos Prazos Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 8. Lei 4.658 de 18 de Dezembro de 1962, do Estado do Paraná, determinava: Súmula: Consagra a data de "19 de Dezembro" como feriado estadual. A Assembléia Legislativa do Estado do Paraná decretou e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1°. Fica consagrada a data de 19 de Dezembro como feriado estadual. Art. 2º. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. PALÁCIO DO GOVÊRNO EM CURITIBA, em 18 de Dezembro de 1962." Na data, comemorase a Emancipação Política da Província do Paraná, ocorrida em 1853. 9. Mesmo assim, consta do Aviso de Recebimento AR que foi entregue ao contribuinte, no seu domicílio tributário, em 19/12/2013. 10. fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/11/trtdecideque19de dezembronaoeferiadocivilnoparana.html 25/11/2015 11h18 Atualizado em 25/11/2015 11h31 TRT decide que 19 de dezembro não é considerado feriado civil no Paraná Neste dia, em 1853, o estado deixou de ser comarca de São Paulo. Debate sobre a existência ou não do feriado vem desde 2014. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná decidiu que 19 de dezembro, dia da emancipação política do estado, não é feriado estadual. Em 1853, o estado deixou de ser comarca de São Paulo. Fl. 8839DF CARF MF Processo nº 10935.725057/201351 Acórdão n.º 1201001.803 S1C2T1 Fl. 5 4 A decisão foi divulgada pelo Tribunal na terçafeira (24) e é uma resposta à ação civil pública movida pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. O intuito do sindicato era assegurar na Justiça o pagamento em dobro para os funcionários que trabalhassem no dia ou a liberação dos profissionais. Cabe recurso. O debate se 19 de dezembro deveria ou não ser considerado feriado estadual vem desde 2014. O Ministério Público do Trabalho Paraná (MPTPR) chegou a declarar que a data deveria ser considerada um feriado. Até o fim do ano, era válida uma lei de 1962 que definia a data como o dia da emancipação política, porém, de acordo com o desembargador Sérgio Guimarães Sampaio, a redação não menciona a definição do feriado civil. No fim do ano passado, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou outra lei que deixou claro que a data não é feriado civil. Na avaliação do magistrado, a nova legislação pôs fim à discussão. 11. Fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/12/assembleiadoparana derrubaferiadocivilde19dedezembro.html 6/12/2014 18h54 Atualizado em 16/12/2014 18h54 Assembléia do Paraná derruba feriado civil de 19 de dezembro 12. Em síntese, o dia 19 de dezembro era, oficialmente, feriado estadual no Paraná, até dezembro/2014, quando alteração na legislação declarou não ser feriado civil. 13. A entrega do AR foi em 19/12/2013 e a impugnação em 21/01/2014, ainda na vigência da Lei que foi revogada. 14. A DRJ avaliou que: De fato, a autuada apresentou documento de fls. 4036 que seria a impressão da pesquisa do andamento processual, onde resta consignado que o prazo final para apresentação para impugnação seria 21/01/2014. Daí concluir que a data da ciência ocorreu após a ciência por via postal. Extrato de Processo Situação Fiscal do Contribuinte eCAC Contribuinte; 76.430.438/000171 Processo 10935.725057/201351 Situação: NAO EXIGÍVEL AGUARDANDO PRAZO COM PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO Prazo Final: 21/01/2014 Localização: SEC CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODRF CVLPR 15. À pág. 4.037, consta o extrato datado de 16/01/2014, que a Recorrente anexou. 16. Entendo que o extrato, aliado ao fato de que o dia 19 de dezembro era à época, considerado feriado estadual, justificam aceitar que a data da ciência pode ser entendida como sendo em 20/12/2013 (uma sextafeira), ou seja, o primeiro dia de expediente normal seguinte, o que desloca o prazo final de entrega da impugnação para 21/01/2014, dela se devendo conhecer. Fl. 8840DF CARF MF Processo nº 10935.725057/201351 Acórdão n.º 1201001.803 S1C2T1 Fl. 6 5 17. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (Grifou se) 18. No caso, a declaração de intempestividade resulta no não conhecimento da impugnação apresentada, o que caracteriza cerceamento no direito de defesa do contribuinte, cabendo, por este motivo, declarar a nulidade do Acórdão proferido. 2 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário e considerar nulo o Acórdão nº 12 64.453, em 03 de abril de 2014, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1 e determinar que o processo seja devolvido à primeira instância de julgamento, para análise do mérito. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 8841DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000542/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Não cabe reforma na decisão recorrida que manteve a glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Não cabe reforma na decisão recorrida que manteve a glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 05 42 /2 00 9- 31 Fl. 184DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mediante o Acórdão nº 0939.307 2ª Turma da DRJ/JFA, de 29 de fevereiro de 2012, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. 1. As aquisições de mercadorias para revenda efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos de Pis não cumulativo exportação como as das demais pessoas jurídicas. 2. A adquirente faz jus aos créditos das compras quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente aduzida na manifestação de inconformidade, tornandose definitiva, na esfera administrativa, a correspondente glosa do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Versa o processo sobre Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para PIS/PASEP não cumulativa Exportação relativa ao 4º trimestre de 2008, no valor total de R$ 26.029,76, com fundamento no §1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002. A matéria foi objeto da Decisão SARAC/DRF/PÇS nº 051, de 2010, proferida pela Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas/MG na qual foi legitimado o montante de R$ 6.502,21, aproveitandose de análise efetuada no processo de ressarcimento da Cofins nº 19991.000532/200904 no mesmo período de apuração. O crédito reconhecido foi utilizado integralmente na dedução da Cofins a pagar apurada no período acarretando o indeferimento do pedido no presente processo. Consta nas efls. 5/9 cópia da DECISÃO SARAC/DRF/PÇS nº 041/2009, proferida no processo nº 19991.000532/200904, nos seguintes termos: (...) II Análise do crédito COFINS não cumulativa exportação 4° Trimestre/2008 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19991.000542/200931 Acórdão n.º 3402004.186 S3C4T2 Fl. 185 3 Da verificação do DACON 4° Trimestre/2008, ficha 16A de fls. 13, 21 e 30, o contribuinte demonstrou valores dos seguintes itens que compuseram a base de cálculo dos créditos: 01 Bens para revenda (novembro e dezembro), 03 serviços utilizados como insumo e 07 Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Demonstrou na linha 26, a apuração do crédito presumido agroindústria que vem sendo utilizado na dedução da COFINS apurada nos trimestres. III Análise do crédito ordinário Cabe ressaltar, inicialmente, que toda a documentação apresentada para a comprovação do direito aos créditos de PIS/COFINS não cumulativos exportação está acostada nos autos do processo n° 19991.000525/200902. Portanto ao remeter o número das folhas, estas se referem ao citado processo, salvo caso especificado. Da relação das mercadorias adquiridas para revenda e despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, de outubro a dezembro/2008 fls. 114 a 120, o contribuinte foi intimado (fl. 237) a apresentar todas as notas fiscais cujos valores compuseram a base de cálculo dos créditos pleiteados, inclusive conhecimentos de transportes do período. Foi solicitado também a apresentar comprovantes de pagamento das notas fiscais cujo valor seja superior a R$ 10.000,00. As notas fiscais solicitadas bem como os comprovantes de pagamento foram conferidos e acostados nos autos às fls. 645 a 718 e 976 a 1007. Com referência às aquisições de mercadoria para revenda, observase, que o contribuinte comprou mercadorias de cooperativas, estas regidas pela Lei n° 9.718 de 27/11/1998 e Medida provisória n° 2.15835/2001: (...) Pelo disposto acima, as cooperativas não computando na base de cálculo da COFINS as receitas de vendas dos produtos entregues a elas pelos seus associados, não haverá a apuração e nem pagamento da COFINS referentes às mencionadas receitas. Como o princípio da não cumulatividade de um tributo baseiase no direito do comprador poder se creditar do tributo efetivamente por ele pago, no presente caso, não há que se falar em crédito relativo às aquisições em análise, independente da mercadoria adquirida ter sido vendida no mercado interno ou externo. As aquisições para revenda das empresas abaixo citadas serão glosadas por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ. As irregularidades detectadas com relação a estas empresas são tais que deverão ser considerados inidôneos, nos termos do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, e não produzam efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos por elas emitidos, ou seja, que tais documentos, conforme § Io do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, não possam ser utilizados por terceiros para gerar créditos das contribuições para o PIS/PASEP e para o Fl. 186DF CARF MF 4 Financiamento da Seguridade Social (COFINS) não cumulativos: Caixeta e Scalco (processo n° 19991.000.511/200981) Cafeeira São Sebastião (processo n° 19.991.000.510/200936) Com relação ao fornecedor Agropecuária Belluno Ltda, as informações obtidas do sistema (CNPJ, DCTF, SINAL) e DACON, fls. 35 e 36 do presente processo, apontam que por se tratar de empresa agropecuária, suas receitas são tributadas à alíquota zero relativamente a PIS/COFINS. Portanto, sobre a aquisição no presente caso, o comprador não pagou as referidas contribuições, não gerando direito ao crédito. Após verificações sucintas da regularidade fiscal dos demais fornecedores (CNPJ, DIPJ, DCTF e pagamentos no SINAL) concluise que o contribuinte faz jus aos créditos como demonstrado no item 21. IIII Considerações sobre o crédito presumido agroindústria 18. Embora o contribuinte não tenha pleiteado o crédito presumido agroindústria, com relação a este crédito (linha 26, ficha 16A), temse no art. 8o da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, (...) (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) Da descrição do seu processo de produção de fl. 13 depreende se que a atividade do contribuinte não contempla o exercício cumulativo descrito no § 6o acima, especificamente no que se refere à compra de café cru definido como já beneficiado segundo Resolução CNNPA n° 12, de 1978. Se o contribuinte adquire café beneficiado, não cumpre (não beneficia) um dos requisitos exigidos para que se enquadre nas condições de agroindústria. Adicionalmente, da verificação das notas fiscais de compra de produtores rurais de fls. 1141 a 1461, observase que, em todas as notas, o produto adquirido foi de café beneficiado e a mercadoria ou foi entregue ou continua armazenada, preponderantemente, no Armazéns Gerais Carapina, CNPJ 27.980.960/000464. Esse fato demonstra que os produtos adquiridos não transitaram pelo estabelecimento do contribuinte em epígrafe, descaracterizandoo como produtor de mercadorias de origem animal definido no art. 8o da Lei n° 10.925. Portanto o contribuinte não faz jus ao crédito presumido referente às mercadorias adquiridas cujos valores compuseram as bases de cálculo das linhas 26, ficha 16A, para ser deduzido da COFINS apurada em cada trimestre. A informação de fl. 236, demonstra que nos meses de outubro a dezembro/2008 houve exportações pelo contribuinte em epígrafe. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19991.000542/200931 Acórdão n.º 3402004.186 S3C4T2 Fl. 186 5 Em vista de todo o acima exposto, será reconhecido um crédito de COFINS mercado externo no valor de R$ 29.949,61 que deverá ser deduzido da COFINS apurada do trimestre resultando em COFINS a pagar remanescente no valor de R$ 37.579,71. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) Deve ser declarada a nulidade parcial da decisão recorrida, haja vista que a mesma não se demonstrou suficientemente fundamentada, nem motivada. b) É legítimo o direito creditório pleiteado proveniente das aquisições de mercadorias através de cooperativas, visto que, eventual restrição ao seu aproveitamento somente seria cabível acaso fosse prevista em norma específica, que excepcionasse a regra geral. c) Em relação às aquisições das empresas inidôneas, houve a efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Impugnante, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias, bem como efetivamente recebeu as mercadorias adquiridas, o que, consequentemente, ensejava o crédito, conforme demonstra a farta documentação apresentada na presente peça de defesa. Ressaltese, ainda, que as notas fiscais relativas às compras de empresas consideradas inaptas, se encontram acostadas nos volumes I a VIII, do Processo Administrativo n° 19991.000525/200902. d) Tanto as empresas que efetuam o rebeneficiamento do café, que corresponde à classificação do café cru (limpo) por tipo peneiras, como as empresas que realizam o próprio beneficiamento do café, previsto no código 1081301, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE, incontestavelmente, se qualificam como sociedades agroindustriais, para fins de usufruir do crédito presumido previsto na legislação de regência. e) Inclusive, se necessário for, requer a Impugnante que seja realizada a diligência fiscal pertinente, no sentido de verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório constante do documentário já anexado aos presentes autos, face à necessária busca pela verdade material no caso em tela. O julgador de primeira instância acatou parcialmente as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos: A decisão foi devidamente fundamentada e motivada. O processo em que se encontram todos os documentos aos quais se reporta a decisão combatida tem a própria empresa como interessada e, em assim sendo, o seu acesso ao mesmo é amplo e irrestrito. E mais, do arrazoado apresentado em sua defesa, verificase que houve compreensão por parte da reclamante sobre todos os fatos e atos que originaram a glosa, bem como da legislação aplicada, pois, a contribuinte a eles se contrapôs demonstrando perfeito entendimento. Iniciase, então, a análise de mérito com a definição dos limites da lide face ao chamado instituto da preclusão contido no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. A empresa nada alega em sua manifestação de inconformidade sobre a glosa da nota fiscal de fl. 35 do processo nº 19991.000532/200904, emitida pela Agropecuária Belluno Ltda. Assim, não tendo ela apresentado contestação contra a exclusão do documento dos cálculos referentes ao crédito do 4ºT/2008, operouse em relação à referida glosa de crédito a preclusão processual. A partir de outubro de 1999, as sociedades cooperativas passaram a se submeter à regra geral de tributação, ou seja, passaram a recolher a Cofins e o PIS/Pasep sobre a totalidade de suas receitas, como as demais pessoas jurídicas, ou seja, geram créditos básicos, desde que a cooperativa Fl. 188DF CARF MF 6 fornecedora, como no presente caso, não tenha dado saída do produto com suspensão da contribuição. Concluise, portanto, que a glosa efetuada sobre as aquisições de cooperativas não merece prosperar. Quanto às glosas dos créditos oriundos de aquisições de empresas consideradas inaptas, pelos documentos trazidos ao processo pela reclamante, mais especificamente os de fls. 993, 996, 1003, 1004 e 1014 – Vol. 5 do processo administrativo nº 19991.000525/200902, temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento, bem como da efetiva entrega das mercadorias caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mercadorias. Para fazer jus ao crédito presumido, a pessoa jurídica tem que produzir, ela mesma, a mercadoria que revende, considerandose produção no caso concreto, o exercício cumulativo das atividades discriminadas no §6º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, que inclui o beneficiamento, mas não o rebeneficiamento por encomenda. A manifestante compra café já beneficiado entregue em outras empresas, o que mostra claramente que ela não exerce cumulativamente as atividades que caracterizam a produção de café para fins de utilização do benefício legal, não se enquadrando na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. Assim, forçoso concluir que a requerente não realizou o beneficiamento do café conforme exigência do art. 8º, não podendo usufruir do crédito presumido em questão. A reclamante solicita a realização de diligência para verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório. Contudo, a totalidade do direito em discussão foi concedida à vista dos elementos trazidos ao processo e do contido na legislação de regência, da mesma forma restou definido que a empresa não é agroindústria para fins de utilização do crédito presumido e, em assim sendo, tornase prescindível o procedimento requerido. Cientificada em 13/03/2012, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 12/04/2012, mediante o qual alega: (...) DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA Com relação à preclusão processual suscitada pela decisão recorrida, tal questão corresponde em verdade a uma colocação genérica por parte da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, e, de todo precipitada, visto que a Recorrente, evidentemente, questionou em suas razões de defesa todo o critério utilizado pela fiscalização para o indeferimento / não homologação de seus créditos, pelo que não se vislumbra qualquer razoabilidade na aventada preclusão que a decisão recorrida almeja caracterizar, visto que de todo despropositada. Ora, pela simples leitura da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, verificase que foram impugnadas todas as glosas efetuadas pela fiscalização, incluindose, portanto, a controvérsia relativa à Nota Fiscal de fls. 35. Vejase o que foi alegado pela Recorrente, especificamente no tocante às operações onde a Nota Fiscal de fls. 35 encontrase incluída: "(...) Não obstante o anteriormente exposto, fato relevante que necessariamente deve ser considerado, nesta oportunidade, diz respeito ao disposto no parágrafo único do art. 82 da Lei n° 9.430/96, segundo o qual, as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19991.000542/200931 Acórdão n.º 3402004.186 S3C4T2 Fl. 187 7 preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados, como se pode ver de sua transcrição infra: (...) Tal preceito é reproduzido, ainda, no artigo 217 do Decreto 3.000/99 — RIR, que dispõe que diante da comprovação do pagamento acordado e do recebimento das mercadorias, a operação presumese de boafé, como se pode ver de sua transcrição: (...) E neste caso, vale ressaltar que a Impugnante efetivamente fez prova perante a fiscalização acerca do pagamento pela aquisição das mercadorias que geraram os créditos fiscais pleiteados nestes autos, hipótese esta devidamente comprovada nestes autos, CONFORME SE RATIFICA ATRAVÉS DA DOCUMENTAÇÃO EM ANEXO. (...) Nestes termos, resta evidente que a glosa do crédito decorrente da operação consubstanciada pela Nota Fiscal de fls. 35 foi, efetivamente, atacada pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, razão pela qual mostrase completamente inócua a pretensão da autoridade julgadora a quo em buscar fazer prevalecer uma preclusão de todo inexistente. (...) Mediante a Resolução nº 3403000.584 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) O recurso voluntário foi protocolado em 12/04/2012 (fl. 67), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/03/2012 (fl. 200). Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase da nota fiscal que se encontra na fls. 35 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que o referido Processo Administrativo não foi apensado ao presente processo, não se podendo conferir a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: 1. promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; 2. intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, Fl. 190DF CARF MF 8 conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; 3. lavre termo final de diligência; 4. intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e devolva os autos a este Conselho para julgamento. Em 29/12/2014, os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para a execução das providências requeridas na diligência. Mediante o TERMO FINAL DE DILIGÊNCIA SAORT nº 0054/2015, a fiscalização assim se manifestou: (...) 4. Em resposta a intimação acima citada a empresa apresentou documenos de folhas de folhas 107 a 121. 5. Da analise dos documentos apresentados pela empresa esta SAORT faz as consideraçãoes a seguir. 6. Preliminarmente cabe ressaltar que o contribuinte adquire café de diversas empresas ou diretamente do produtor rural e dentro da própria empresa prepara o café e o destina aos mercados externos e interno. Todo café adquirido sofre processo de industrialização, portanto, tais créditos não se referem a créditos de produtos adquiridos para revenda, mas sim, a insumos para industrialização. 7. Analisando os documentos apresentados pelo contribuinte esta SAORT mantém seu entendimento inicial de que a empresa não tem direto aos créditos objeto da presenta diligência pelos motivos que seguem: 8. Os créditos relativos a esta aquisição, Agropecuária Belluno Ltda, NF 000923, não podem ser reconhecidos pois, na prática, estas operações não foram tributadas pelo PIS/PASEP Não Cumulativo. Na realidade a própria empresa fornecedora tratou tais operações como se não tributadas fossem, visto que, no período de apuração, deixou de lançar a obrigação de pagar o PIS/PASEP em DCTF, não recolheu a citada contribuição, além de consignar em DACON suas receitas como advindas de operações com suspensão do PIS/PASEP; 9. De acordo com o item II, § 2º, do artigo 3º, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 “ não dará direito a crédito o valor de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos, ou não alcançados pela contribuição”, abaixo transcritos: (...) 10. Não é admissível que a requerente tome créditos sem que suas fornecedoras tenham pelo menos reconhecido as operações como tributadas pelo PIS/PASEP. Caso contrário estaríamos Fl. 191DF CARF MF Processo nº 19991.000542/200931 Acórdão n.º 3402004.186 S3C4T2 Fl. 188 9 admitindo a possibilidade da existência da indústria de créditos. (...) 11. Por todo exposto, proponho a manutenção da glosa integral do crédito objeto da nota fiscal da presente diligência pelos motivos acima expostos. (...) A contribuinte foi cientificada da conclusão da diligência, mas não apresentou manifestação. O processo foi sorteado a esta Conselheira e distribuído em 29/01/2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Por ocasião da conversão do julgamento em diligência foi efetuado o juízo de admissibilidade do recurso voluntário, tendo sido ele conhecido por aquele Colegiado. Como se observa na decisão recorrida, foi acatado parcialmente o pleito da manifestante no sentido de legitimar um crédito no valor de no valor de R$ 12.171,46, em face da reversão das seguintes glosas: i) relativas a todas as aquisições dos fornecedores irregulares (Caixeta e Scalco e Cafeeira São Sebastião), eis que a manifestante obteve êxito em demonstrar os efetivos pagamentos e os recebimentos das mercadorias correspondentes; e ii) relativas às aquisições de cooperativas no que concerne ao crédito ordinário, vez que as essas recolhem a Cofins e o PIS/Pasep sobre a totalidade de suas receitas, como as demais pessoas jurídicas, ou seja, geram créditos básicos. Quanto à glosa do crédito referente à nota fiscal de saída nº 00923, emitida em 15/12/2008 pela Agropecuária Belluno Ltda. (efl. 35 do processo nº 19991.000532/2009 04), entendeu o julgador a quo que se operou a preclusão processual nessa parte, vez que a manifestante não a contestou expressamente. A recorrente alega que não teria ocorrido a referida preclusão, vez que teria, sim, na manifestação de inconformidade, atacado a referida glosa juntamente com as demais glosas das aquisições de fornecedores irregulares, para as quais apresentou a comprovação da efetivação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias. Ocorre que a Agropecuária Belluno Ltda. não estava em situação irregular como as empresas Caixeta e Scalco e Cafeeira São Sebastião. Fl. 192DF CARF MF 10 O motivo da glosa relativa à aquisição da Agropecuária Belluno Ltda. foi que, "por se tratar de empresa agropecuária, suas receitas são tributadas à alíquota zero relativamente a PIS/COFINS", conforme ficha do Dacon de 12/2008, de forma que a aquisição da contribuinte dessa fornecedora não geraria direito a crédito no entender da fiscalização. Dessa forma, como a contribuinte nada mencionou sobre essa questão na manifestação de inconformidade em contraposição ao despacho decisório, não cabe reforma na decisão de primeira instância na parte que considerou preclusa a discussão acerca da glosa relativa à aquisição da Agropecuária Belluno Ltda. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Nesse sentido, tem também este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19991.000542/200931 Acórdão n.º 3402004.186 S3C4T2 Fl. 189 11 conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Ademais, a comprovação na diligência do pagamento e do efetivo recebimento das mercadorias adquiridas da Agropecuária Belluno Ltda. de nada serviria para afastar a conclusão da fiscalização de que tal aquisição não gera direito a crédito em face de as receitas da fornecedora serem tributadas à alíquota zero do PIS/Cofins. Melhor dizendo, de nada adianta a recorrente comprovar que a aquisição da mercadoria efetivamente ocorreu como consta na nota fiscal, se tal operação não enseja o correspondente creditamento das contribuições em virtude da vedação contida no art. 3º, § 2o, II da Lei nº 10.833/20032 e do mesmo dispositivo da Lei nº 10.637/2002, o que, inclusive, foi bem esclarecido pela fiscalização na diligência. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 2 [Lei nº 10.833/2003] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 194DF CARF MF 12 (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900802/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 20/08/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.290
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/08/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 02 /2 01 2- 51 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13227.900802/201251 Acórdão n.º 3301003.290 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.596, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 20/08/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900802/201251 Acórdão n.º 3301003.290 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13227.900802/201251 Acórdão n.º 3301003.290 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.900802/201251 Acórdão n.º 3301003.290 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13227.900802/201251 Acórdão n.º 3301003.290 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006223/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
EMBARGOS INOMINADOS. OCORRÊNCIA.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante prolação de novo acórdão (art. 66 do RICARF)
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.503, de 16/10/2013, corrigir o trecho do voto (fl. 199), para afirmar que a capitalização aconteceu de fato em 20/12/2005, mantendo a decisão original, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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OCORRÊNCIA. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante prolação de novo acórdão (art. 66 do RICARF) Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202 002.503, de 16/10/2013, corrigir o trecho do voto (fl. 199), para afirmar que a capitalização aconteceu de fato em 20/12/2005, mantendo a decisão original, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 62 23 /2 00 9- 59 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10410.006223/200959 Acórdão n.º 2202003.593 S2C2T2 Fl. 234 2 Adoto como relatório aquele elaborado por ocasião do despacho de admissibilidade (fl. 225), assinado pelo então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento: Tratase de parecer conforme disposto no §2º do Art. 65 do Regimento Interno deste Conselho, no qual se lê: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. O contribuinte foi intimado do acórdão do Recurso Voluntário em 03/01/14, e interpôs os presentes embargos em 09/01/14, é, portanto, tempestivo os presentes embargos de declaração, conforme art. 65, § 1º, do Regimento Interno do CARF. O embargante alega haver inexatidão material no acórdão nº 2202002.503, especificamente em relação ao trecho do voto condutor em que consta “Embora a recorrente afirme que a capitalização aconteceu de fato em 20/12/2006, data da assinatura da Alteração Contratual, o certo é que, perante terceiros, neste caso, prevalece a data do arquivamento, a teor do artigo 36 da Lei nº 8.934/94”, pois, em realidade, a alteração contratual em questão teria sido assinada em 20/12/2005. Sustenta ainda a omissão do acórdão no tocante à análise de pontos que julga de essencial importância para o deslinde do feito. Assiste em parte razão à embargante. Compulsando os autos, verifico que, conforme fl. 37, do e processo, a 8ª alteração do contrato social da sociedade limitada Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerante LTDA foi assinada pelos seus sócios em 20 de dezembro de 2005. Logo, considero por necessária a modificação pontual do julgado especificamente neste ponto. Entretanto, em relação às demais alegações de reforma aventadas, assevero que inexiste omissão quando há o esgotamento da matéria suscitada em sede de recurso voluntário a luz do conjunto probatório produzido ao longo do processo. Em relação a esta parte, tenho que os presentes embargos foram opostos com intento de modificar o acórdão do recurso voluntário, através do reexame da matéria sob judice. Ressalta se que a insatisfação do contribuinte para com o resultado do julgamento não é hipótese de cabimento que autoriza a concessão de efeitos infringentes aos embargos, o qual encontra seus limites definidos pelo art. 65 do Regimento Interno deste Conselho. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10410.006223/200959 Acórdão n.º 2202003.593 S2C2T2 Fl. 235 3 Destarte, tenho que merece reforma o acórdão nº 2202002.503, pois se verifica hipótese de inexatidão material, consubstanciada em trecho do voto que equivocadamente considerou a data de assinatura da 8ª alteração do contrato social da sociedade limitada Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerante LTDA como 20/12/06, tendo em vista que a mesma ocorreu no ano de 2005. A vista disso, concluo que: 1 – Ocorreu hipótese prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, no julgamento que culminou com o Acórdão n.º 2202002.503; e 2 – O presente processo deve ser incluído em pauta para análise pelo Colegiado dos efeitos infringentes postulados pela embargante, nos termos do art. 65, §3º do art. 66 do RICARF. Brasília DF, 22 de abril de 2015. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Conselheiro Relator Após proferido o despacho de admissibilidade, que como se pode observar admitiu parcialmente o cabimento dos embargos, o processo foi devolvido à Secretaria da Câmara para novo sorteio, tendo em vista alterações na composição da Turma julgadora, incluindo a saída do Relator, deste colegiado (fl. 228). Redistribuído, volta à pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. ADMISSIBILIDADE Conforme artigo 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Os embargos poderão ser interpostos no prazo de cinco (05) dias contados da ciência do acórdão. Cabe ao Presidente da Turma verificar as condições de admissibilidade, podendo designar o relator para se pronunciar. Já no artigo 66, do mesmo Regimento, tratase dos chamados "embargos inominados". Em relação à tempestividade, os embargos estão adequadamente opostos, conforme relatado. Entretanto em relação a seu cabimento material, foram admitidos parcialmente, nos termos do proposto pelo relator. Vejamos no exame do mérito. MÉRITO Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10410.006223/200959 Acórdão n.º 2202003.593 S2C2T2 Fl. 236 4 O contribuinte manifestouse, primeiramente, dizendo que haveria um erro material em relação à data de determinado evento societário. No acórdão teria sido estabelecido que a capitalização das reservas de reavaliação, no dizer do Recorrente, ocorrera em 20/12/2006 (fl. 199). Contudo, ele requer que seja corrigida tal data para 20/12/2005, que seria a correta. Disse o relator do despacho de admissibilidade, conforme acima relatado: Compulsando os autos, verifico que, conforme fl. 37, do e processo, a 8ª alteração do contrato social da sociedade limitada Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerante LTDA foi assinada pelos seus sócios em 20 de dezembro de 2005. Logo, considero por necessária a modificação pontual do julgado especificamente neste ponto. Portanto, entendese necessária a devida correção material, para destacar que a data da alteração contratual foi 20 de dezembro de 2005 (fl. 37). CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por admitir parcialmente os embargos opostos, como embargos inominados, previstos no artigo 66 do Regimento Interno deste CARF, com efeitos infringentes, apenas para correção do seguinte trecho do voto do acórdão embargado (fl. 199): Já a capitalização das reservas de reavaliação somente ocorreu em 10/05/2006, data do arquivamento da 8ª Alteração Contratual na Junta Comercial de Alagoas. Embora o Recorrente afirme que a capitalização aconteceu de fato em 20/12/2006, data da assinatura da Alteração Contratual, o certo é que, perante terceiros, neste caso, prevalece a data do arquivamento, a teor do artigo 36 da Lei nº 8.934/94:(destaquei) Passando a vigorar que: "Embora o Recorrente afirme que a capitalização aconteceu de fato em 20/12/2005..." Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000975/2005-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/10/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. REQUISITOS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9303-004.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 10/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. REQUISITOS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. Recurso Especial do Procurador provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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REQUISITOS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 09 75 /2 00 5- 24 Fl. 261DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402002.578, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/10/2000 CERTIFICADO DE ORIGEM. COMPROVAÇÃO. AQUISIÇÃO. FATURAS. Certificado de Origem é o documento único a comprovar a origem das mercadorias. Cabe ao importador atender outros requisitos formais necessários a certificação da mercadoria importada, comprovado que a documentação (BL, faturas e certificado de origem) ampara a mercadoria que saiu diretamente da Venezuela para o Brasil, deve à verdade real prevalecer sob os aspectos formais levantados pelo Fisco, atevese as formalidades, e, jamais afirmou que não houve vinda direta da mercadoria. Recurso Voluntário Provido” Insatisfeita com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Independentemente de qualquer apreciação quanto à legalidade da operação, para efeito de fruição da redução tarifária prevista no Acordo da ALADI, constatase que há uma divergência documental relevante, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 255 3 uma vez que o certificado de origem traz informação discrepante com relação à fatura comercial apresentada e, por conseguinte, quanto ao país exportador da mercadoria, declarado na DI, o que por si só já inviabiliza a citada redução; · Constatase que é inequívoca a impropriedade da operação realizada, não repercutindo na solução do litígio a argumentação de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro; · Considerando o fato de que o sujeito passivo não faz jus aos benefícios fiscais do Acordo de Complementação Econômica n.º 39, firmado entre Brasil e Colômbia, Equador, Peru e Venezuela (países membros da Comunidade Andina), tendo em vista que o produto foi importado de um terceiro país (Ilhas Cayman), estranho ao referido acordo, sem o atendimento das regras do art. 2º do Acordo 91, com redação dada pela Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada em nossa legislação pelo Decreto 3.325, de 1999, cumpre manter a exigência tributária, tal qual assentado pelo voto vencedor do acórdão da DRJ de origem. Em Despacho às fls. 184 a 186, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo que, trouxe, entre outros: · Que não há divergência necessária à admissibilidade do recurso especial, tendo em vista não ter sido apontado objetivamente os dispositivos que estão sendo interpretados de forma dissonante; · A triangulação comercial é prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; · No auto de infração a substância do certificado de origem e sua validade não foram sequer objeto de apreciação, atendose a fiscalização a questões meramente formais; Fl. 263DF CARF MF 4 · O Regulamento Aduaneiro traz que, gozando a mercadoria de tratamento favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta deve ser feita por qualquer meio julgado idôneo, conforme art. 434 do RA; · O sujeito passivo apresentou invoice PDVSA correspondente à aquisição dos produtos importados. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deva ser conhecido, vez que foi demonstrada a divergência jurisprudencial nos termos do art. 67 do RICARF/2015 – considerando o acórdão indicado como paradigma – 301.33.018. No que tange ao outro acórdão indicado como paradigma 302 36741, temse que: · O Colegiado afastou a preferência tarifária, conforme voto do relator: “[...] No processo ora em análise, aquele Imposto foi recolhido sem a redução tarifária e a empresa, posteriormente, vem requerer a devolução do valor supostamente recolhido a maior. Mas, em tese, a matéria acaba sendo a mesma. Neste caso específico, a devolução pleiteada foi indeferida (indeferimento mantido em primeira instância de julgamento) porque uma terceira empresa, a Pifco – Petrobrás Internacional Finance Company, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 256 5 sediada nas Ilhas Cayman, país não membro e nem signatário da ALADI, figurou como “exportadora” na Declaração de Importação, sendo que a empresa venezuelana PDVSA PETROLEO Y GAS SA aparece, apenas como “Fabricante/Produtor”. Ademais, a Fatura Comercial que consta dos autos foi emitida pela Pifco (Invoice nº PIFSB – 380/98 – fl. 11), enquanto que o Certificado de Origem indica a Fatura Comercial nº 419710 e, como país exportador, a Venezuela. Não foi apresentada qualquer outra fatura. O Conhecimento de Embarque também faz menção à empresa venezuelana PDVSA Petróleo Y Gás S.A., uma vez que a mercadoria veio diretamente da Venezuelana para o Brasil.” · Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, vez que entendeu da mesma forma que o acórdão recorrido – que deverseia considerar os documentos comprobatórios para a aplicação da redução tarifária. Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, eis que se entendeu o Colegiado do acórdão paradigma que: · A apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador; · A operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação Ou seja, da mesma forma que o acórdão recorrido que entendeu que os documentos comprobatórios atestando a origem da mercadoria é essencial, Fl. 265DF CARF MF 6 tanto que após análise dos documentos comprobatórios, considerou a aplicação da redução tarifária. Não obstante, quanto ao acórdão 301.33.018, vêse que restou comprovada a divergência. Em vista de todo o exposto, entendo que devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a análise do cerne da discussão – qual seja, se, no caso vertente, devese ou não aplicar a preferência tarifária percentual. Vêse que tal discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional ou se, independentemente da r. interveniência, deve ser adotada se a mercadoria for remetida diretamente do país produtor – Venezuela, no presente caso para o Brasil. Em relação à essa discussão e depreendendose da análise dos documentos comprobatórios acostados nos autos desse processo, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. O que, por conseguinte, devese manter a decisão do acórdão recorrido. Ora, a preferência tarifária é dada pelo Acordo Internacional firmado entre os países signatários – permitindo a fruição da preferência a atos comerciais quando as mercadorias objeto da comercialização forem originárias dos países signatários. Tal Acordo, inclusive, permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Tanto é assim que foi efetivamente prevista hipóteses de exceções no art. 4º, da Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90, in verbis: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 257 7 “CUARTO.Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación.” (Art. 40, “b”, (ii) da Resolução ALADI nº 78 – Regime Geral de Origem da Aladi) “Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes com ou sem transbordo ou armanezamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: Fl. 267DF CARF MF 8 (i) o Trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; (ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e (iii) não sofram durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação.” Tal dispositivo traz que se deve manter a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, quando menos, seja possível comprovar tal preservação de origem. Ademais, cabe trazer que pelos documentos analisados, embora tivesse ocorrido a triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil. E a mercadoria foi originada da Venezuela, conforme atesta o Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria juntamente com a fatura emitida no país interveniente, conhecimento de embarque, acostados aos autos. O que, por conseguinte, não resta dúvida de que as mercadorias eram, procedentes da Colômbia e que, por óbvio, foram atendidos os requisitos para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Vêse que, no que tange à aceitação dos documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, a própria Receita Federal do Brasil traz orientação em seu site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachode importacao/topicos1/despachodeimportacao/documentosinstrutivosdo despacho/outrosdocumentos (Grifos meus): “Na importação de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, sua comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade Fl. 268DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 258 9 com o estabelecido no correspondente acordo internacional (art. 563 do Regulamento Aduaneiro). Assim, quando solicitada aplicação de preferência tarifária, os despachos de mercadorias originárias de países signatários destes acordos devem ser instruídos com Certificados de Origem, emitidos por entidade competente.” Ou seja, de que a comprovação da origem da mercadoria deve ser feita por qualquer documento idôneo. O que é o caso, haja vista que a própria autoridade fazendária não contesta sua não veracidade/oficialidade. Essa orientação está em consonância com o art. 434 do Regulamento Aduaneiro aplicável à época (Decreto 91.030/85), in verbis: “Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único – Tratandose de mercadoria importada de País Membro da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação.” O que, por conseguinte, é de se entender que não se deve descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido. E forçoso entender, assim, que as operações não atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. Fl. 269DF CARF MF 10 O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país membro efetivo da ALADI Venezuela. E a carga veio diretamente para o país. Não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda somente porque o sistema SISCOMEX impede tais registros. No que tange à operação triangular, vêse ainda que a Resolução 232, promulgada pelo Decreto 2.865/98, passou expressamente a admitila. E a Resolução 252 manteve o mesmo regramento explícito em seu art. 9º, in verbis: “Nono – Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” Em vista de todo o exposto, considerando que todas as condições estabelecidas na legislação vigente foram observadas pelo sujeito passivo, visto a comprovação da origem das mercadorias É fato incontroverso que a mercadoria importada foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil, eis que o Certificado de Origem faz referência expressa ao Bill of Landing no campo “observações” e esse é claro ao mencionar que a carga vem direto para o país , bem como a respectiva fatura da PIFCI (que descreve a mesma carga transportada no mesmo navio). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 259 11 É de se trazer que a a fatura da PIFCO faz expressa menção ao número da primeira fatura emitida pela PDVSA, bem como o número do Certificado de Origem. E, no que tange à descrição, cabe insurgir com o art. 1º do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI (Grifos meus): “Primeiro – A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro.” Tal dispositivo é claro ao trazer que a descrição dos produtos deverá coincidir com o produto negociado e com a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados – o que é o caso. Proveitoso ainda mencionar que tal entendimento está consoante às decisões judiciais emanadas sobre o assunto. Frisese a jurisprudência exarada pelo TRF 1 (Grifos meus): PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada Fl. 271DF CARF MF 12 com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” E, nesse sentido, a jurisprudência exarada pelo TRF5 (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 260 13 RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a indoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. Fl. 273DF CARF MF 14 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importacao por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país intergrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderira ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Tal decisão caminha junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". E ainda traz que o Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 261 15 É de se conferir ainda precedente do STJ (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Tratase de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. 1 A PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação Fl. 275DF CARF MF 16 à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, Fl. 276DF CARF MF Processo nº 18336.000975/200524 Acórdão n.º 9303004.999 CSRFT3 Fl. 262 17 por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Discordamos da il. Relatora. Fl. 277DF CARF MF 18 Não obstante a fatura comercial emitida pela PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO faça referência à fatura da PDVSA, o número da fatura informado na declaração de origem – a emitida pela PDVSA – difere da que instruiu a DI – a emitida pela PIFCO – , sendo que é esta última que consta como empresa exportadora (sediada nas Ilhas Cayman, país não membro da Aladi). Acresçase o fato de que, conforme destacado no campo próprio do auto de infração, o certificado de origem emitido na Venezuela sequer relacionou a quantidade da mercadoria objeto da certificação (a fatura emitida pela PDVSA também não foi apresentada no despacho aduaneiro). Não houve, ademais, a entrega da declaração juramentada de que fala o artigo 9º do Anexo à Resolução Aladi nº 252, de 04/08/1999, cuja redação é a seguinte: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (g.n.) Ante o exposto, e sem maiores delongas, dou provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910098/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 98 /2 01 2- 35 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11020.910098/201235 Acórdão n.º 3402004.047 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.811, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11020.910098/201235 Acórdão n.º 3402004.047 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 121DF CARF MF
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