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Numero do processo: 11516.003294/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.084
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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RESOLVEM os membros da 2 a Câmara/Ia. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. i Ir Ir 1A---#-C JUD1T IP fi AMARAL MARCONDES ARMA SI Presidente • N i\CUL,CS2-2-0 rMr-e);.AdOn/LCI1/4f--e-ÁAd o -: I MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA I Relator I IParticiparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. 1 , 1 Processo n°11516.003294/2004-70 S3-C2T1 Resolução n°3201-00084 Fl, 784 Relatório O presente recurso cuida de discussão acerca da correta classificação fiscal, no ano de 2001, nas notas fiscais de saída de produtos descritos corno "terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada", nos modelos relacionados nas fls. 566 e 567, e "aparelhos telefônicos com identificador de chamadas", dos modelos mencionados na fl. 570, que a autoridade fiscal entende devem ser classificados no código 8517.19.99 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), sujeitos à aliquota de 10%, e que o contribuinte entende devem ser classificados nas posições NCM 8517.30.13, 8517.30.14 ou 8517.30.90 e 8517.80.90, respectivamente. • 2 Processo n° I I 5 I 6.003294/2004-70 83-C2T I Resolução n°3201-00084 Fl. 785 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que não há nos autos provas suficientes e clareza da matéria em exame que autorize o correto e justo julgamento da lide, portanto, VOTO, por converter o julgamento em diligência para que a delegacia a que está submetido o recorrente, obtenha laudo técnico oficial que responda aos seguintes quesitos: 1) Favor informar a correta descrição dos produtos objeto do presente recurso, informando se são (i) partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou para várias máquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição, no caso, de uma central telefônica; ou (ii) se são aparelhos, instrumentos ou dispositivos auxiliares de controle, comando, medida, regulagem ou verificação apresentados com as máquinas em que são normalmente utilizados; ou (iii) se são aparelhos, instrumentos ou dispositivos auxiliares destinados à medida, controle, comando ou regulação de várias máquinas (incluído o caso de máquinas idênticas); ou (iv) se constituem uma máquina ou combinação de máquinas de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada; ou ainda, (v) alguma outra descrição não enumerada acima. 2) Favor informar se os produtos em questão são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com unia central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificando, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. 3) Favor informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. 4) Favor informar se os produtos funcionam como telefones ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. 5) Favor acrescentar os comentários e informações que no entender do técnico responsável são importantes para a correta classificação fiscal do produto ou sua identificação não abrangidas nos quesitos anteriores. Juntado aos autos a resposta aos quesitos acima, a autoridade preparadora deverá intimar o recorrente a se manifestar sobre o resultado da diligência, no prazo de 15 (quinze). Após, retomem os autos a este Conselho, que deverá providenciar a intimação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, para manifestação, no prazo de 15 (quinze) dias e, por fim, retornem a este relator para continuidade do julgamento. E como voto. Sala das Sessões, DF, 13 de agosto de 2.009. 014...CL e3 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - Relator 3 • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000330/2007-20
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 08/03/2002
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO
SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO. LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO.
APLICABILIDADE.
Ainda que não haja dolo ou má-fé por parte do importador, a falta de Licença
Importação (LI) para produto sujeito a licenciamento não-automático,
incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a
infração administrativa ao controle das importações por falta de LI,
sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se
ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua
perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do
Mercosul (NCM).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.917
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Votaram pela conclusão os Conselheiros Regis Xavier Holanda e Francisco José Barroso Rios
por entenderem que mercadorias passíveis de licenciamento automático também se sujeitam à
presente multa administrativa.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/03/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO. LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Ainda que não haja dolo ou má-fé por parte do importador, a falta de Licença Importação (LI) para produto sujeito a licenciamento não-automático, incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recurso Voluntário Negado.
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DE PROD. MANUF. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/03/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO. LICENCIAMENTO NÃO- AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Ainda que não haja dolo ou má-fé por parte do importador, a falta de Licença Importação (LI) para produto sujeito a licenciamento não-automático, incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficiente para sua perfeita identificação e enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votaram pela conclusão os Conselheiros Regis Xavier Holanda e Francisco José Barroso Rios por entenderem que mercadorias passíveis de licenciamento automático também se sujeitam à presente multa administrativa. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 07-22.906, de 28 de janeiro de 2011 (fls. 78/88), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/03/2002 FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplica-se a multa por falta de licença para importação quando resta demonstrado, nos autos, que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licença, e que referida licença não foi obtida, pelo importador, junto ao órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 83.530,85, referentes à multa regulamentar, decorrente de infração a norma relativa ao controle administrativo das importações (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente), cuja penalidade encontra-se prescrita no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85 e; multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A interessada por meio da Declaração de Importação (DI) nº 02/0206570-1 (fls. 10 a 12) submeteu a despacho 3.718 rolos de mercadoria descrita como “TECIDO PLANO DE Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10907.000330/2007-20 Acórdão n.º 3802-00.917 S3-TE02 Fl. 2 3 FILAMENTOS DE POLIÉSTER NÃO TEXTURIZADO”, classificando no código NCM 5407.61.00: 5407 TECIDOS DE FIOS DE FILAMENTOS SINTÉTICOS, INCLUÍDOS OS TECIDOS OBTIDOS A PARTIR DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 54.04 5407.61.00 Contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster não texturizados Com base no Laudo de Análise n° 2420.01, emitido pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp – FUNCAMP (fls. 20 e 21), efetuado com base em amostra retirada da mercadoria em questão, e que indicou que a mercadoria trata-se de “Tecido constituído de Fios de Poliéster Texturizados, com gramatura de 135 g/m2, tinto, sem fios de borracha”, a fiscalização concluiu que a mercadoria não pode ser classificada no código da NCM declarado pela interessada. Assim, com base nas informações acima, a fiscalização reclassificou as mercadorias para o código da NCM 5407.52.10: 5407 TECIDOS DE FIOS DE FILAMENTOS SINTÉTICOS, INCLUÍDOS OS TECIDOS OBTIDOS A PARTIR DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 54.04 5407.5 Outros tecidos, contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados 5407.52 Tintos 5407.52.10 Sem fios de borracha Assim, considerando a composição da mercadoria efetivamente importada, a fiscalização reclassificou a mercadoria e aplicou as multas anteriormente citadas. Regularmente cientificada (pessoalmente, fls. 01 e 09), a interessada apresentou impugnação de folhas 55 a 70, anexando os documentos de folhas 71 a 75. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, as multas infringem os princípios tributários da razoabilidade e da proporcionalidade, motivos pelos quais a autuação deve ser julgada nula ou improcedente; Que, a Guia de Importação possui característica e objetivo profundamente diverso da Licença de Importação (apenas objetivo estatístico). Todas as licenças requeridas são obrigatoriamente emitidas; Que, a impugnante descreveu corretamente a mercadoria em todos os seus aspectos. Comprou “tecido plano de filamento de poliéster não texturizado” mas, aparentemente, recebeu do exportador tecido diverso, circunstância da qual só tomou conhecimento com o citado laudo. Não pode ser punida por ela ter sido enganada; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Que, requer sejam relevadas as penalidades, fundamenta seu pedido no artigo 654 do Decreto n° 4.543/02, afirma estarem presentes os pressupostos que determinam a a relevação das penalidades, caracterizada a boa-fé do contribuinte, não foi verificado nenhum intuito doloso; Requer, seja julgado totalmente improcedente o auto de infração, alternativamente sejam relevadas as penas de multas aplicadas, que todas as intimações sejam feitas pessoalmente na pessoa do procurador, e ainda, considerando que o laudo pode ser refutado por outro, requer seja deferida a produção de prova pericial para determinarem-se as reais características da mercadoria (apresenta os quesitos). Em 28/02/2011 (fl. 91v), a Interessada foi cientificado do referido Acórdão. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 95/109), protocolado em 28/03/2011 (fl. 94), em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. No final, requereu que: a) fosse julgado improcedente a multa de 30% (trinta por cento) por falta de guia de importação, mantendo-se apenas a multa de 1% (um por cento) por erro de classificação; e b) caso julgado procedente a autuação, ainda que parcialmente, que os presentes autos fossem encaminhados ao Sr. Ministro da Fazenda, para apreciação do pedido de relevação das penas de multa aplicadas. Em 15/07/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de agosto de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado por parte legítima em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado e que se enquadra dentro do seu limite alçada, entretanto, dele tomo parcial conhecimento, pelas razões a seguir aduzidas. Da matéria não conhecida. Não conheço da alegação suscitadas pela Recorrente no sentido de que a multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro, por falta de guia de importação, infringiria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, haja vista que a análise dessa questão resultaria na apreciação da constitucionalidade de norma legal vigente, matéria fora da Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10907.000330/2007-20 Acórdão n.º 3802-00.917 S3-TE02 Fl. 3 5 competência deste E. Conselho, conforme expressamente determinado no art. 26-A 1 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Essa vedação também encontra-se determinada no art. 62 2 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reafirmada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Também por falta de competência deste E. Conselho, deixo de conhecer da parte do Recurso que trata dos pressupostos para a relevação da multa aplicada. A apreciação dessa matéria é da competência exclusiva do Ministro de Estado da Fazenda ou a quem ele delegou-a, conforme expressamente dispõe o artigo 736 3 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 – RA/2009), atualmente em vigor. Também falece competência a este Colegiado determinar a remessa dos presentes autos ao Ministro de Estado da Fazenda, caso julgado procedente a presente autuação, conforme pleiteado pela Recorrente. Tal pleito poderá ser reapresentado ao titular da unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil, quem, salvo melhor juízo, 1 "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 2 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". 3 "Art. 736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (Decreto-Lei no 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4o, caput): I- a erro ou a ignorância escusável do infrator, quanto à matéria de fato; ou II-a eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade poderá ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal (Decreto-Lei no 1.042, de 1969, art. 4o, §1o). § 2º O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (Decreto-Lei no 1.042, de 1969, art. 4o, §2o)". Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 detém a competência para proceder o juízo de admissibilidade de tal pedido e, se for o caso, encaminhá-lo à autoridade competente. Do objeto da presente controvérsia. No presente caso, embora o motivo principal da presente autuação tenha sido a reclassificação fiscal do produto importado do código NCM 5407.61.00 para o código NCM 5407.52.10, sobre esta questão inexiste controvérsia, bem como acerca da aplicação da multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria por erro de classificação fiscal, estabelecida no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. Na verdade, o cerne da presente controvérsia limita-se a questão atinente à legalidade da aplicação da multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria por falta de guia de importação ou documento de efeito equivalente, prevista no inciso II do art. 526 do Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985 (Regulamento Aduaneiro de 1985 – RA/1985), vigente na época dos fatos, e que tinha o seguinte teor, in verbis: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto-lei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2o): [...] II - importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; [...] (grifos não originais) Da análise da legalidade da multa por falta de Licença de Importação (LI). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 02/03) que integra o presente Auto de Infração, o motivo da aplicação da multa foi a falta de LI para o verdadeiro produto importado pela Recorrente. De fato, com base na conclusão apresentada no Laudo de Análise n° 2420.01 (fls. 20/21), emitido pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp), afirmou a Autoridade Fiscal que o produto importado tratava-se de “Tecido constituído de Fios de Poliéster Texturizados, com gramatura de 135 g/m2, tinto, sem fios de borracha”, pertencente ao código NCM 5407.52.10, ao invés de “TECIDO PLANO DE FILAMENTOS DE POLIÉSTER NÃO TEXTURIZADO”, classificando no código NCM 5407.61.00, conforme descrito pela Recorrente na Declaração de Importação (DI) nº 02/0206570-1, registrada em 08/03/2002 (fls. 10/12). Por sua vez, alegou a Recorrente que, embora tivesse havido erro de enquadramento tarifário do produto na NCM, a referida multa não lhe poderia ser aplicada, uma vez que o art. 169, inciso I, alínea “b” do Decreto-lei nº 37, de 1966 (matriz legal do art. 526 do RA/1985), referia-se a Guia de Importação (GI), que servia para autorização da importação, enquanto que a Licença de Importação (LI), instituída a partir da implantação do Siscomex e da aprovação do Acordo GATT/OMC sobre licenciamento das importações, teria apenas objetivo estatístico. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10907.000330/2007-20 Acórdão n.º 3802-00.917 S3-TE02 Fl. 4 7 Não procede tal alegação. A uma, porque Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, ratificado pelo Congresso Nacional em 15/12/1994, através do Decreto Legislativo nº 30, e promulgado pelo Presidente da República, através do Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em vigor no Brasil desde 01/01/1995, manteve a função de controle administrativo das importações para o licenciamento de importações. Ratifica o asseverado, o disposto no item 1 do art. 1º do referido Acordo, que segue transcrito: 1 - Para efeitos do presente Acordo, entende-se por "licenças de importação" os procedimentos administrativos 4 utilizados para a aplicação de regimes de licenças de importação que exijam, como condição prévia à importação no território aduaneiro do Membro importador, a apresentação ao organismo administrativo competente de um pedido ou de outros documentos (distintos dos requisitos para fins aduaneiros). De acordo com o novo Acordo, o licenciamento de importações consiste no procedimento administrativo utilizado para a emissão de licenças de importação, sendo condição básica a apresentação de documento solicitando autorização para efetuar uma importação. Logo, a licença de importação continua sendo o documento hábil para fim de autorização de importação e não apenas para fim estatístico, como alegou o Recorrente. A duas, porque o preceito legal em apreço refere-se a “guia de importação ou documento equivalente”, logo, por ter as mesmas finalidade e natureza da extinta Guia de Importação (GI), induvidosamente a Licença de Importação (LI) equivale a GI. Não se pode olvidar, ademais, que a extinta GI foi substituída pela LI a partir da implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, que passou concentrar todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras. Na nova sistemática de controle administrativo das importações, a LI passou a ser o único documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º 5 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em que ocorreram as operações de importação objeto da presente autuação, o controle administrativo das importações encontrava-se disciplinado nos arts. 7º a 19 da Portaria Secex nº 21, de 12 de dezembro de 1996, que, em conformidade com o disposto no referido Acordo, instituiu duas modalidades de licenciamento (arts. 7º a 9º 6 ), a saber: o licenciamento automático e o licenciamento não-automático. 4 "Os procedimentos designados pelo termo "licenças", bem como ouros procedimentos administrativos similares". 5 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" 6 Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. [..] Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 O licenciamento automático era processado juntamente com o registro da DI e não estava sujeito à anuência prévia dos Órgão intervenientes no comércio exterior nem à emissão de LI, com exceção das operações e produtos previstos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no art. 10 7 da Portaria Secex nº 21, de 1996, e relacionados no Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 17 de dezembro de 1997. Por sua vez, o licenciamento não automático era solicitado pelo importador previamente ao embarque da mercadoria ou antes do registro da DI e estava sujeito à anuência prévia e a emissão de LI. Logo, na vigência do referido regime, com exceção dos produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, somente o produto sujeito a licenciamento não-automático estava sujeito ao controle administrativo e a emissão obrigatória de LI. Em decorrência, somente as operações de importação, processadas segundo o regime estabelecido para essa última modalidade de licenciamento, a falta de emissão da LI caracterizava a prática da infração em comento, sancionada com a penalidade fixada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto-lei nº 37, de 1966. No caso em tela, o produto importado estava sujeito à anuência do Ministério do Desenvolvimento Industria e Comercio Exterior (MDIC), portanto, sujeito a licenciamento não-automático. Entretanto, ainda que o produto em destaque estivesse submetido a licenciamento não-automático e a emissão obrigatória da LI, a mencionada infração não se materializaria por erro de classificação fiscal caso fossem atendidas as condições estabelecidas no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12, de 1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). De acordo com o entendimento esposado no referenciado ADN, não caracteriza a infração administrativa ao controle administrativo das importações por falta de LI a operação de importação de mercadoria sujeita a licenciamento, cuja classificação fiscal errônea na NCM exija novo licenciamento, automático ou não, desde que a mercadoria: (i) esteja corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. 7 "Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame dascondições gerais de comercialização, divulgará, por meio deComunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ouprocedimentos especiais que deverão ser observados nos casos delicenciamento automático ou não automático". Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10907.000330/2007-20 Acórdão n.º 3802-00.917 S3-TE02 Fl. 5 9 enquadramento tarifário pleiteado; e (ii) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. Em outras palavras, é condição necessária para a descaracterização da referida infração que (i) o erro de classificação fiscal esteja devidamente caracterizado e (ii) dele resulte a exigência de um novo licenciamento (automático ou não) para a mercadoria. Além disso, é exigido que (i) o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado e (ii) não se constate, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso presente, o erro de classificação foi devidamente comprovado e o correto enquadramento do produto necessitava de novo licenciamento. Porém, o mencionado produto não foi suficientemente descrito na citada DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao novo enquadramento tarifário, tanto é verdade que somente após a apresentação do referido Laudo de Análise foi possível a sua correta identificação e classificação no novo código tarifário. Dessa forma, embora não haja provas nos autos de que a Recorrente tenha agido com intuito doloso ou má-fé, a descrição imprecisa do produto, por si só, é suficiente para caracterizar a prática da infração em apreço. Com base nessas considerações e tendo em vista que não foram atendidas as condições estabelecidas no ADN Cosit nº 12, de 1997 e que a importação do referido produto necessitava da emissão de LI, tenho que a conduta praticada pela Recorrente subsume-se adequadamente à hipótese fática da infração em apreço. Portanto, devida a aplicação da penalidade objeto do presente Auto de Infração. Da conclusão. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /05/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 11060.724073/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL -
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda antes ou apos a autuação, com o mesmo objeto ou causa de pedir, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, na forma do art. 38, da Lei 6.830, de 1980 e Súmula 01, deste Conselho.
Numero da decisão: 2201-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
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CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda antes ou apos a autuação, com o mesmo objeto ou causa de pedir, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, na forma do art. 38, da Lei 6.830, de 1980 e Súmula 01, deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 40 73 /2 01 1- 63 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre/RS, que não conheceu da Impugnação pela concomitância em face da interposição de medida judicial referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPF, sobre omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. O auto de infração (fls. 515 a 519) com ciência em 15.12.2011 (AR fls. 522) teve origem após a apuração da omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações ou quotas. Impugnação (fls. 528 a 576) A decisão recorrida (fls. 618 a 625) com ciência em 24.07.2012 (AR fls. 630), não conheceu da impugnação, pela concomitância com da propositura da ação judicial e conseqüente renúncia à esfera administrativa. A decisão esta assim ementada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, e/ou dele dependente, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. SÚMULA nº 1º Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário (fls. 634/697) protocolado em 08/08/2012, sustenta em síntese: a) Necessidade do conhecimento da Impugnação, pois mesmo com a concessão definitiva da segurança em favor do Recorrente, com trânsito julgado da ação Fl. 704DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11060.724073/201163 Acórdão n.º 2201002.136 S2C2T1 Fl. 3 3 judicial, a Receita Federal do Brasil exige o valor lançado, pois entende que a discussão judicial não abrange as ações recebidas em bonificação; b) A fiscalização produziu o cálculo do imposto de renda sem considerar o direito adquirido à isenção deste tributo sobre as ações adquiridas até 31 de dezembro; c) Houve afronta ao princípio da unicidade de jurisdição e a Súmula nº 1 do Carf , pois o órgão administrativo não pode apreciar matéria levada ao Poder Judiciário; d) Alega ainda suspensão da exigibilidade nos termos do art. 151, o II, do CTN; e) A participação societária do Recorrente foi anterior a entrada em vigor da Lei 7.713/88, tendo permanecido em seu patrimônio por cinco anos ou mais até 31 de dezembro de 1988, alcançado pela isenção, sendo que naquela data nasceu o direito subjetivo à fruição ao benefício; f) O remanejamento contábil não importa uma transferência de lucros para o acionista e sim uma transferência de lucros para conta capital em que os acionistas mantém a mesma participação; g) As ações recebidas em bonificação são mera expansão das ações originárias, não podendo ser consideradas ações subscritas, pois não há ingresso de recursos ao capital da companhia pelos acionistas; h) Pede ainda seja afastada a multa e juros de mora sobre os valores depositados judicialmente. É o breve relatório. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso não pode ser conhecido. A decisão recorrida não conheceu da Impugnação pela concomitância diante da opção feita pelo autuado de discutir a matéria na via judicial, por intermédio de Mandado de Segurança. Pois bem, nas razões de recurso sustenta o Recorrente possuir direito adquirido a isenção na alienação das ações, inexigibilidade das multas, em razão de efetuar deposito judicial e de as bonificações recebidas não podem ter tratamento de ações novas. O Recorrente optou pela discussão da matéria na via judicial, havendo assim concomitância da discussão administrativa e judicial, com isso, o recurso, a exemplo do que acorreu com a impugnação, não pode, de fato, ser conhecido. O Parágrafo Único, do art. 38 da Lei das Execuções Fiscais é claro: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto A Súmula Carf, n° 1, citada pela decisão recorrida, também fixou a vedação pela concomitância: Súmula Carf, n° 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Observo que não está suficientemente claro nos autos e, por isso, dele não se toma conhecimento, sobre a possível discussão diversa da matéria na via administrativa e judicial pela falta de demonstração e confronto analítico da opção de uma ou de outra jurisdição. Nesse sentido a decisão recorrida destacou, com propriedade: Embora na petição inicial, mesmo truncada, fls. 08 a 26, não verificamos a demanda específica sobre as bonificações e o Fl. 706DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11060.724073/201163 Acórdão n.º 2201002.136 S2C2T1 Fl. 4 5 cálculo de apuração do ganho de capital, entendemos que estas matérias dependem diretamente da decisão judicial, em caráter definitivo, sobre o reconhecimento da isenção do imposto para as ações solicitadas pelo contribuinte e sua interdependência. Assim, a questão já se encontra sob a tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, fato que torna inútil qualquer pronunciamento da esfera administrativa quanto ao mérito do pleito contido na peça impugnatória, relativa à omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. Enfim, não há elementos concreto nos autos, cujo ônus e encargo é exclusivo do Recorrente para permitir aferir com segurança a possível divergência da lide judicial e administrativa. A exigência de multas e as bonificações de ações, novas ou velhas, se existentes e objeto da autuação, a evidencia, devem ser dirimidas na jurisdição escolhida. Ante o exposto, pelo meu voto, não conheço do recurso pela concomitância da discussão da matéria na via judicial. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 707DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 6 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10830.918764/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 15/10/2007
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 15/10/2007 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 87 64 /2 00 9- 81 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação formalizado por meio de PER/DCOMP, cujos créditos referemse a pagamento indevido de IPI. Em procedimento de auditoria eletrônica, o pedido de compensação não foi homologado, em razão do DARF informado não ter sido localizado nos sistemas informatizados da Receita Federal. Irresignda, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. alegando a existência de créditos de IPI que não teriam sido escriturados no período correto, assim, teria identificado a existência de valores recolhidos a maior, apresentando cópias de folhas do livro de apuração do IPI para o período em discussão. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o indeferimento do pedido de compensação, por entender não ter sido apresentado prova do crédito alegado. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/10/2007 RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, nem comprovado o direito ao ressarcimento, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ONUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando a existência do DARF que confirmaria o pagamento a maior do imposto, que optou pela manifestação de inconformidade e não apresentou redarf, em razão da falta de orientação da Receita Federal. Quanto ao mérito, discorre sobre o procedimento adotado de lançar na escrita fiscal os créditos não apurados na data oportuna, como créditos extemporâneos, com as devidas aplicações de juros e correção monetária. Ao final pede a realização de perícia contábil para apuração do indébito tributário. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.918764/200981 Acórdão n.º 3102001.785 S3C1T2 Fl. 197 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente afirma o seu direito a compensação, sob o arrimo que teriam existidos créditos de IPI não lançados na data correta e assim, refazendo a escrituração teria lançado todo este crédito como extemporâneo, e a apuração do imposto para este período resultou em montante inferior ao pagamento realizado, assim protocolou o pedido de compensação com os créditos deste pagamento a maior. O procedimento adotado pela Recorrente, do ponto de vista escritural, não foi a motivação do indeferimento da homologação da compensação, conforme pode ser visto na decisão do acórdão da primeira instância (fls. 59 a 60), do qual transcrevo os trechos abaixo. "Portanto, créditos que não foram aproveitados na devida ocasião podem ser escriturados extemporaneamente, o que, no caso de restar saldo credor no período em que se constatou o crédito que deixou de ser aproveitado e não retroativamente como constou na "simulação" apresentada, inserese no instituto do ressarcimento e não da restituição de pagamento indevido. Disto não resulta apenas um erro formal na petição, mas, devido a legislação aplicável diferentemente aos institutos da restituição e do ressarcimento, que, neste último caso, não exista previsão legal para a imputação de juros ou correção monetária sobre direito credit6rio alegado. Contudo, ainda que o contribuinte tivesse apurado saldo credor no período correto, a "simulação" apresentada não prova que as supostas aquisições foram de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, assim considerados nos termos da legislação aplicável, oneradas pelo IPI. ... Assim, por não restar configurado pagamento indevido, não se ter apurado saldo credor ressarcivel de acordo com a legislação do IPI, nem se provado a certeza e liquidez dos alegados créditos extemporâneos, voto que se julgue a manifestação como improcedente.." Fl. 198DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Conforme pode ser visto na decisão guerreada, a motivação para o indeferimento do pedido foi a falta de comprovação da existência dos créditos, em que pese a discussão da forma escritural utilizada pela Recorrente. A decisão da primeira instância deixou cristalino, que as aquisições de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários não foi comprovada na impugnação. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes da PER/DCOMP. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação dos fatos constantes do recurso. O Fisco decidiu utilizando as informações apresentadas pela própria Recorrente e no caso em tela alegou pagamento indevido ou a maior e, na Manifestação de Inconformidade alegou que o crédito não se tratava de pagamento indevido ou a maior, mas de crédito básico de IPI, apurado nas aquisições de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem. A autoridade de primeira instância considerou as alegações constantes da manifestação e não vislumbrou a existência de provas nos autos que pudessem provar as alegações da Recorrente. Posteriormente, já ciente da decisão da autoridade a quo, veio a Recorrente aos autos e interpôs recurso, mas novamente, apresentou somente cópias de parte do livro de apuração do IPI, sem demonstrar a origem dos valores ali escriturados, não foram trazidas Notas Fiscais, ou quaisquer outras informações que pudessem confirmar a existência de aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários que não tenham sido escriturados na data correta. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação. Reconhecer créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. Apreciando a matéria, podemos nos socorrer do entendimento de Luciano Amaro, que resolve a questão ao reafirmar a necessidade da prova para obtenção do indébito tributário. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.918764/200981 Acórdão n.º 3102001.785 S3C1T2 Fl. 198 5 “O pagamento de certa quantia, a título de tributo, embora sem nenhuma ressalva, não implica, portanto, “confissão de dívida tributária”. Isso não significa que, em toda e qualquer situação, nunca se tenha de provar matéria de fato no âmbito da repetição de indébito tributário. Se alguém declara à Fazenda Federal a obtenção de rendimento tributável, não pode pleitear a devolução com a mera alegação de que não percebeu aquele rendimento; requerse a demonstração de que o rendimento efetivamente não foi percebido ou que, dada a sua natureza, não era tributável. Isso porque a declaração feita se presume verdadeira. Recordese que, como referimos ao tratar do lançamento por declaração, o art. 147 do Código admite a retificação da declaração, provado o erro em que se fundamente o pedido. Da mesma forma, na restituição de tributo cobrado sobre a venda de certo produto, podese éter dilação probatória sobre a natureza, composição química, destinação etc. do produto, com vistas a classificálo como não tributável ou sujeito a menor alíquota, para o fim de definir eventual indébito, total ou parcial.”. 1 Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 2 Diante do exposto, por ausência de provas da existência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed., p. 448. 2 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 19515.002052/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO.
A multa isolada, de que trata o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela MP nº 351/07, é aplicável ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente.
MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO,.
Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, trata-se de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteu-se em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda.
Numero da decisão: 1401-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, conforme relatório e votos que integram o presente julgado, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos seguintes termos:
I) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para cancelar a multa isolada sobre as estimativas não pagas referente a dezembro de 2006. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira;
II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso em relação à multa isolada referente ao ano-calendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, que davam provimento; e
III) Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para cancelar o lançamento referente ao IRPJ já declarado em DCTF.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. Descabe o lançamento de ofício de IRPJ referente a valores declarados em DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada, de que trata o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela MP nº 351/07, é aplicável ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO,. Segundo o art. 115 do CTN, obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Não existe, assim, a possibilidade de se aplicar a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 52 /2 01 0- 29 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, conforme relatório e votos que integram o presente julgado, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para cancelar a multa isolada sobre as estimativas não pagas referente a dezembro de 2006. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira; II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso em relação à multa isolada referente ao anocalendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, que davam provimento; e III) Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para cancelar o lançamento referente ao IRPJ já declarado em DCTF. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.002052/201029 Acórdão n.º 1401000.790 S1C4T1 Fl. 116 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o primeiro acórdão recorrido, fls. 106108 O presente processo trata da lavratura do Auto de Infração para constituição de crédito tributário relativo a falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e multa isolada por não recolhimento de estimativas, ambos relativos aos anos calendário de 2006 e 2007. 2. Foi lavrado o Auto de Infração (fls.60 a 69), em 12/07/2010, com ciência dada em 19/07/2010, por meio do qual foi constituído o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$ 19.811.807,04 (neste valor estão incluídos: o tributo às multas de ofício e isolada e juros de mora, estes calculados até 30/06/2010). O enquadramento legal utilizado para fundamentar a autuação encontrase no respectivo auto de infração. 3. A fiscalização apresenta, através do "Termo de Verificação Fiscal IRPJ" (fls.56 a 59), resumidamente, o seguinte. 3.1. Nas DIPJ's apresentadas, o contribuinte apurou valores de IRPJ a pagar por estimativas e devido na apuração anual, não tendo, entretanto, procedido ao recolhimento dos referidos valores e nem os informado em DCTF. 3.2. Que o contribuinte, respondendo intimação, informou que apresentou novas DCTF's retocadoras, em 25/02/2010, e que as retificações foram decorrentes opção pelo estorno do Incentivo de Inovação Tecnológica e adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009". 3.3. Conforme análise dos documentos apresentados, em especial das DCTF's retificadoras, verificamos que o contribuinte informou apenas os valores devidos por estimativas, não tendo procedido ao recolhimento dos valores devidos. 3.4. Também em relação à alegada adesão ao parcelamento, o contribuinte não logrou comprovar quais valores se encontram inclusos. 3.5. Desta forma, estamos procedendo ao lançamento de ofício do valor do IRPJ devido anualmente relativo aos anos calendário de 2006 e 2007 e multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda devido por estimativa nos anoscalendário de 2006 e 2007. 3.6. O lançamento está sendo realizado com base nos dados indicados na DIPJ apresentadas tempestivamente e, nas informações constantes dos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil (SINAL 08 e DCTF/GER). Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Valores tributados: a) Insuficiência de Declaração e Recolhimento de IRPJ sobre Lucro Real, aos anoscalendário de 2006 e 2007: Imposto de Renda sobre o Lucro Real Valor (R$) Anocalendário de 2006 2.817.841,55 Anocalendário de 2007 4.993.955,50 Total 7.811.797,05 b) Falta de Recolhimento do IRPJ por estimativa: Período Apuração Valor Estimativa Devida Valor da Multa Isolada Dez06 2.817.841,55 1.408.920,78 Jan07 201.182,87 100.591,44 Fev07 193.233,21 96.616,61 Mar07 540.854,99 270.427,50 Mai07 533.410,13 266.705,07 Jun07 577.559,63 288.779,82 Jul07 704.214,31 352.107,16 Ago07 156.120,01 78.060,01 Out07 533.928,87 266.964,44 Nov07 83.809,51 41.904,76 Dez07 1.469.641,94 734.820,97 Total 7.811.797,02 3.905.898,56 4. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 18/08/2010 (fls. 72 a 74) contestando a lavratura do Auto de Infração, alegando, resumidamente, que. 4.1. A fiscalização questionou, verbalmente, o não recolhimento dos valores declarados em DCTF e DIPJ. Com nossa afirmação de que estaríamos incluindo os débitos declarados no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 o Auditor lavrou o Termo de Verificação Fiscal lançando os débitos declarados, pelo contribuinte, com multa e juros de mora. 4.2. O tributo exigido foi declarado pela autuada por meio da DCTF e DIPJ "conforme página 1 da autuação onde constam as constatações de que o contribuinte retificou DIPJ'S fazendo Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.002052/201029 Acórdão n.º 1401000.790 S1C4T1 Fl. 117 5 assim declaração espontânea de débitos". Nos lançamentos por homologação caberiam lançamentos complementares do agente fiscalizador se houvesse diferença entre os valores declarados e os valores devidos, o que não ocorreu no caso”. A DRJ São Paulo I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o credito tributário exigido, por meio do Acórdão 1628.029 DRJSP1, que recebeu a seguinte ementa (fls. 105): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. Cabe o lançamento de ofício de IRPJ não declarado em DCTF e nem recolhido. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada, de que trata o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 e alterações, é aplicável ao caso em que débito do IRPJ calculado por estimativa confessado em DCTF não tenha sido pago no anocalendário correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 02 de maio de 2011 (fls. 111, verso), em 30/11/2011 a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 115 e seguintes, reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Lançamento de IRPJ Ao analisar o presente lançamento, assim se pronunciou o acórdão recorrido, fls. 108: 6. Quanto aos lançamentos do IRPJ devidos nos anoscalendário de 2006 e 2007, nos valores respectivos de R$ 2.817.841,55 e R$ 4.993.955,50, verificase que a Impugnante não os declarou em DCTF (fls. 98 a 104); logo, correto o lançamento realizado pela fiscalização. Em sua peça recursal, a contribuinte afirmou que apresentou as DCTF retificadoras em 26/02/2010, ou seja, antes do início da fiscalização, que somente teria ocorrido em 25/03/2010. Compulsando os autos, verifico que assiste razão à recorrente. De fato, a DCTF retificadora de fls. 24, referente ao anocalendário de 2006, foi apresentada em 25/02/2010, indicando um saldo a pagar de IRPJ equivalente a R$ 2.817.841,55. Idêntico valor consta da DIPJ correspondente (fls. 11). Por sua vez, as DCTFs retificadoras de fls. 2534, referentes ao ano calendário de 2007, foram apresentadas em 26/02/2010, indicando um saldo devedor total a título de IRPJ equivalente a R$ 4.993.955,50. Idêntico valor consta da DIPJ correspondente (fls. 22). Quanto à data de início de fiscalização, constato que o Termo de Intimação Fiscal, fls. 0203, foi lavrado em 25/03/2010 e recebido pela contribuinte em 31/03/2010, conforme AR de fls. 04. Em síntese: a Fiscalização somente teve início após a apresentação das DCTF supramencionadas. No caso em apreço, os débitos declarados em DCTF constituíam confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado.Deveriam, pois, as autoridades administrativas proceder à cobrança daqueles débitos e, se fosse o caso, encaminhar o débito para inscrição em Dívida Ativa da União. Diante do exposto, considero que, em relação a esta matéria, o recurso voluntário merece ser provido. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.002052/201029 Acórdão n.º 1401000.790 S1C4T1 Fl. 118 7 Exigência da multa isolada Ao analisar o presente lançamento, assim se pronunciou o acórdão recorrido, fls. 108109: 7. Quanto às estimativas, observase que a Impugnante as declarou em DCTF's, porém, não as recolheu; conseqüentemente, correta a aplicação da multa isolada. 8. Neste caso foi aplicado o previsto no artigo 44, da Lei n° 9.430/96. Ou seja, multa de 50% sobre as estimativas não recolhidas, inverbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; [...] 9. Quanto ao argumento da Impugnante de que teria optado pelo parcelamento, previsto pela Lei n° 11.941/2009, dos débitos lançados, conforme pode ser verificado (fl. 75) tal opção foi realizada em 13/08/2010 após a ciência do auto de infração lavrado, dado em 19/07/2010. Na fase recursal, a contribuinte não inovou em suas alegações, limitandose a afirmar que procedeu o parcelamento dos aludidos valores. Tal parcelamento contudo, conforme bem apontado pelo acórdão recorrido, somente ocorreu em 13/08/2010, ou seja, após a ciência do auto de infração, ocorrida em 19/07/2010. Assim sendo, considero que se deve negar provimento ao recurso voluntário, no que tange à aplicação da multa isolada. Não ignoro a existência da tese da inaplicabilidade da referida multa, quando o valor calculado de forma estimada superar o tributo devido apurado ao final do exercício. Reitero, porém, que no presente caso, a recorrente não arguiu a citada tese, limitandose a afirmar que procedeu ao parcelamento dos valores devidos a esse título. Ressalto, por oportuno, que a aludida tese se baseava numa interpretação literal – e a meu ver equivocada – do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Tal tese, contudo, somente poderia ser defendida até o anocalendário de 2006, posto que em 22 de janeiro de 2007 foi editada a MP 351, convertida na Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 no tocante à multa isolada, verbis: Art. 14. O art. 44 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” Como se percebe, a nova redação deste artigo esclareceu, em definitivo, que a base de cálculo da multa isolada (inciso II) é o valor do pagamento mensal de estimativa. Assim, tornouse impossível sustentar a tese de que a aplicação dessa multa estaria vinculada ao valor do tributo devido ao final do período de apuração do imposto. No caso concreto, contudo, não se deve levar em consideração esta tese, pois a mesma sequer foi arguida pela recorrente. Por não se tratar de matéria de ordem pública, considero que tal tese não pode ser levantada por iniciativa deste colegiado julgador. Nestes termos, em relação a esta matéria, considero que o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento a título de IRPJ, mantendo porém o lançamento referente à multa isolada. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.002052/201029 Acórdão n.º 1401000.790 S1C4T1 Fl. 119 9 O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Em que pese as sempre bem postas razões proferidas pelo nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu pelo cancelamento da multa isolada, tendo este Conselheiro sido designado para a redação das razões de voto vencedor. Segundo se extrai do voto vencedor, entendeu por bem o nobre Conselheiro Relator cancelar o lançamento de IRPJ relativo aos anos calendário 2006 e 2007, mantendo, no entanto, a multa isolada decorrente do não pagamento das estimativas devidas em razão da apuração do tributo pela sistemática do lucro real anual. Repisa, o voto vencido, a inexistência de pedido de cancelamento da multa isolada. A resistência do nobre Conselheiro Relator se justifica dentro da lógica segundo a qual faz a leitura da multa isolada, qual seja a de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, com fato gerador autônomo e independente com relação ao pressuposto de nascimento da relação jurídicotributária do imposto de renda. No entanto, é entendimento assente na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, por se referir a antecipação do imposto de renda que será devido ao final do ano calendário, somente é aplicável quando o lançamento se der antes do fechamento do anocalendário. Após este encerramento, a aplicação da multa isolada (tomando por base o valor das estimativas que deixaram de ser recolhidas no mesmo período), não será mais possível. Isso porque o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do anocalendário. Tanto assim que o montante eventualmente recolhido a maior no curso do ano deve ser restituído caso o fato gerador tributário, após efetivamente ocorrido ao final do período, alcance tributação inferior àquela recolhida por antecipação. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face o imposto apurado no exercício em torno de uma única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Demais disso, encerrado o ano calendário extinguese a obrigação de pagamento das estimativas, posto que a obrigação tributária passa a ser regida exclusivamente pelo ajuste anual do IRPJ referente a todo o período. Não existe, pois, congruência lógica e jurídica em se exigir penalidade pelo descumprimento de uma obrigação que não mais perdura perante a Ordem Jurídica. Neste particular, dispõe, o art. 115 do CTN, que a obrigação acessória “é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. No caso do recolhimento das estimativas do IRPJ, tratase de antecipação de imposto de renda, pelo que, ao final do ano calendário, com a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, as estimativas passam a ser absorvidas pelo imposto de renda devido em razão do ajuste anual, desnaturando a sua natureza como obrigação instrumental. Neste sentido, é farta a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, valendo ressaltar os seguintes excertos: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJExercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003Ementa:MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.Recurso especial negado. CSRF/01 05.875 Ementa:MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA – Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o térmico do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos e o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Acórdão 10195819 No caso dos autos, com mais razão ainda o cancelamento da multa isolada: tendo havido o cancelamento do auto de infração relativo à obrigação tributária principal, não prevalece a imposição de penalidade pelo não recolhimento das estimativas relativas aos mesmos anoscalendário. Pelo exposto, a Turma Julgadora, por maioria de votos, deu provimento ao recurso neste particular, para cancelar a aplicação da multa isolada relativo ao mês de dezembro de 2006. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.002052/201029 Acórdão n.º 1401000.790 S1C4T1 Fl. 120 11 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10850.720818/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/03/2009
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais não impede a constituição do crédito referente aos juros moratórios. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora, conforme legislação em vigor na data de sua aplicação.
Numero da decisão: 3402-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente).
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. JUROS DE MORA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de depósitos judiciais não impede a constituição do crédito referente aos juros moratórios. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora, conforme legislação em vigor na data de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 08 18 /2 01 1- 56 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.720818/201156 Acórdão n.º 3402002.014 S3C4T2 Fl. 205 2 (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 4.417.159,40 (inclusos principal e juros), em decorrência da falta de lançamento de imposto nas saídas de açúcar do estabelecimento (NCM 1701.99.00 alíquota de 5%) sobre a produção do açúcar nas safras de 2007/2008, cujo destaque do IPI foi objeto de ação judicial de número: 2007.61060083963 (mandado de segurança), e sobre a produção do açúcar nas safras de 2008/2009, cujo destaque do IPI foi objeto de ação judicial de número 2008.61060067159 (mandado de segurança), conforme termo de descrição dos fatos e conclusão fiscal em anexo ao auto de infração. O lançamento foi efetivado com suspensão de exigibilidade do crédito tributário por força das sentenças exaradas nos processos judiciais acima qualificados. Devidamente cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação a seguir sumariada: Em preliminar argüiu a existência de ações judiciais que dão respaldo ao não recolhimento do tributo, não podendo o Fisco cobrar da requerente o juros de mora. Alegou, ainda, que os juros de mora são indevidos, pela inocorrência de mora. No mérito, contestou o laudo apresentado pelo Fisco, alegando que tanto no laudo da empresa, como no do Fisco, o açúcar produzido pela empresa apresentou polarização igual ou superior a 99,5%, que, no seu entender, é o único requisito da TIPI para o enquadramento e classificação pretendido pela empresa. Acrescentou que a jurisprudência do CARF já reconheceu que o único requisito previsto na TIPI para o enquadramento na subposição ora requerida é a polarização igual ou superior a 99,5% (citou acórdãos). Fl. 738DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.720818/201156 Acórdão n.º 3402002.014 S3C4T2 Fl. 206 3 A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1435.232, de 13 de setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/03/2009 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca de tutela jurisdicional, com o mesmo objeto da autuação, impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente e importa em renúncia ao litígio administrativo. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário o depósito do seu montante integral ou a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou em tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Os juros de mora são exigíveis, exceto na hipótese de depósito do montante integral. Descontente com a decisão de primeiro grau, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde repisa os argumentos sobre a impossibilidade de incidência dos juros de mora e sobre a existência de ações judiciais que reconhecem o direito da requerente. Termina seu recurso requerendo que o auto de infração seja julgado insubsistente em sua totalidade, uma vez que está correta a classificação fiscal do açúcar para fins de incidência do IPI. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.720818/201156 Acórdão n.º 3402002.014 S3C4T2 Fl. 207 4 O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a apreciálos. Pela análise do recurso voluntário, há duas matérias em litígio; a incidência dos juros de mora e a classificação fiscal do produto do recorrente para fins de incidência do IPI. Classificação Fiscal. Para passarmos à análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foram observados os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Após esse breve intróito, regressando aos autos, de acordo com o “Termo de Verificação Fiscal” a Autoridade Autuante constituiu os créditos tributários que não forma declarados em DCTF com o escopo de prevenir a decadência. Em sua defesa, a recorrente alega que a classificação fiscal do açúcar por ela produzido esta sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Diante desses fatos, é inegável que há identidade entre as demandas administrativa e judicial, no que se refere à classificação fiscal do produto da recorrente. Quando há processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da Fl. 740DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.720818/201156 Acórdão n.º 3402002.014 S3C4T2 Fl. 208 5 economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Posta assim a questão, entendo que este Colegiado não pode apreciar matéria já submetida ao Poder Judiciário, na linha da Súmula Carf nº 01. Neste norte, não conheço da matéria referente à classificação do produto da recorrente. Juros de Mora. Quanto a essa matéria observo todos os demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. O recorrente entende que os juros de mora são indevidos em virtude de possuir decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário constituído pelo auto de infração. Ressalto que não há depósitos judiciais e que a exigibilidade estava suspensa por força das sentenças de mérito então proferidas e das apelações recebidas com efeito devolutivo. Diante desses fatos jurídicos, passo a análise do mérito. A melhor lição a respeito do caráter dos juros de moratório é encontrada no voto do ilustre Professor Moreira Alves, nos autos do RE nº 906568, julgado pelo Pleno do STF, verbis: “Os juros são, portanto, uma compensação que aufere o credor pela privação em que fica e também pelo risco que corre com o empréstimo de seu capital: sob este aspecto, podese dizer que os juros de qualquer espécie são compensatórios. Mas pode Fl. 741DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.720818/201156 Acórdão n.º 3402002.014 S3C4T2 Fl. 209 6 também acontecer que os juros não representem essa compensação, mas antes constituam sob uma forma precisa e fixa o equivalente legal das perdas e danos que nas dívidas de dinheiro ou coisa fungível podem resultar da mora no cumprimento da obrigação; chamamse moratórios, por isso são devidos pela mora”. No direito tributário os juros de mora são regulados pelo art. 161 do CTN: Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Sobre a natureza penal dos juros de mora, ouçamos a doutrina de Bernardo Ribeiro de Moraes: Do ponto de vista do direito tributário, a natureza jurídica dos juros de mora é de sanção pecuniária em razão da impontualidade do sujeito passivo no cumprimento da obrigação, objetivando não retardar o recolhimento da respectiva dívida. Os juros de mora são devidos independentemente da prova de prejuízo do credor pela demora do devedor. Os juros de mora são, portanto, uma sanção (conseqüência do ilícito) pecuniária que tem causa jurídica na impontualidade em relação ao adimplemento da obrigação”. Assim, os juros de mora serão devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual for o motivo determinante da falta. Na verdade, a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo do lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, o atributo da exigibilidade. Na forma da legislação em vigor, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decretolei nº 1.736/79, art. 5º), de sorte que a pretensão da interessada, ao alegar que os juros não incidem quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não pode prosperar. Como dito alhures, o que afasta os juros de mora é o adimplemento da obrigação dentro do prazo estabelecido por lei. No em questão, não há notícias de depósito judicial em montante integral. Logo, o crédito tributário não se encontra a disposição da Fazenda Pública e, por consequência, caberão os juros de mora sobre o montante não adimplido tempestivamente, como forma de sanção pelo atraso no recolhimento. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10850.720818/201156 Acórdão n.º 3402002.014 S3C4T2 Fl. 210 7 Ex Positis, não conheço do recurso na parte referente à classificação de mercadoria, em face da concomitância, e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 27/02/2013. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 743DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10875.004911/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1435.897 da 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento e consequentemente a compensação. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 04 91 1/ 20 02 -4 1 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.004911/200241 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.230 S3C1T2 Fl. 3 2 A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fulcro na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, no que concerne ao período em epígrafe, no importe de R$192.037,64. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, SP, com base em informação fiscal, indeferiu o pleito e não homologou as compensações vinculadas, porque não houve esgotamento do saldo credor existente na escrita fiscal em 31/12/1998, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, art. 5º, § 3º; por outro lado, fabricante de produtos não tributados (NT), a contribuinte deixou, quanto ao trimestre em tela, de efetuar os estorno das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados nos produtos NT, conforme a IN SRF nº 33, de 1999, art. 2º, § 3º. Na informação fiscal é relatado, pela autoridade incumbida das averiguações, que, intimada a apresentar um demonstrativo de esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, entre outras coisas (justificativa de aproveitamento de créditos sob a rubrica “Outros Créditos”, com CFOP 4.99), a empresa deixou de apresentar os elementos solicitados e de prestar os esclarecimentos indispensáveis. Insatisfeita com a decisão administrativa, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, instruída com cópias do livro Registro de Apuração do IPI e de documentos comprobatórios de compensação, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. O pedido de ressarcimento diz respeito apenas a créditos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos com alíquota zero; 2. Os créditos referentes ao saldo credor do IPI existente em 31/12/1998 foram objeto de pedido de ressarcimento e compensação já liquidado pelo órgão fazendário competente, com o devido estorno no livro Registro de Apuração do IPI, conforma cópias anexadas à manifestação; 3. Que a “sobra” relativa ao saldo credor de foi estornada conforme cópia juntada do livro; 4. Os valores irrisórios de créditos referentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados à industrialização de produtos NT são segregados do saldo credor do imposto e posteriormente estornados, não sendo utilizados os créditos na escrita fiscal ou incluídos em pedidos de ressarcimento; 5. A matéria constante do pleito é regida pela Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, que inovou o assunto (possibilidade de do crédito de IPI nas compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos tributados com alíquota zero, sendo possível a compensação), e não pelo RIPI/98; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.004911/200241 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.230 S3C1T2 Fl. 4 3 Por fim, é requerido o acolhimento da manifestação de inconformidade para a reforma do Despacho Decisório, com o conseqüente deferimento do pedido de ressarcimento e a homologação das compensações. É o relatório. Após analisar a manifestação de inconformidade em razão da não homologação da declaração de compensação e ser observada a informação fiscal, decidiu a DRJ/CTA, pelo provimento parcial da manifestação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR EXISTENTE EM 31/12/1998. ESGOTAMENTO. ESTORNO. O saldo credor da escrita fiscal existente em 31/12/1998 deveria ser escriturado à parte e esgotado com a compensação de débitos decorrentes da saída dos produtos acabados, existentes em 31/12/1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos que deram origem aos créditos, sendo alternativa para o esgotamento o estorno do saldo credor residual; é possível, então, a habilitação ao ressarcimento de créditos do IPI somente após a data do esgotamento ou do estorno do referido saldo credor. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) devido à duvida acerca da liquidez do direito creditório, requer que seja deferido o pedido de diligência para exibição de documentos e complementação de dados a fim de confirmar a legitimidade do crédito no período de apuração em liça; b) realizou o controle a margem da escrita fiscal o crédito remanescente de IPI relativo ao exercício de 1998, conforme demonstra por um quadro de controle realizado, da mesma forma que teria estornado referido crédito; c) a Instrução Normativa nº 33/99, que vetou a compensação ou ressarcimento dos créditos acumulados até 31 de dezembro de 1998, não pode prosperar visto que não poderia limitar o alcance de norma jurídica imposta por lei, a exemplo das Fl. 346DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.004911/200241 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.230 S3C1T2 Fl. 5 4 disposições da Lei nº 9.430/96, que cuida da compensação relativa ao crédito de IPI em virtude da aquisição de produtos tributados. Ademais, sustenta o desrespeito da aludida instrução à nãocumulatividade e para com o princípio da isonomia; d) a Recorrente teria observado “as prescrições normativas que se aplicam a matéria, garantindolhe o pleno direito de ter deferido o pedido objeto da discussão presente”; e) os produtos industrializados contidos como NT na TIPI não seriam, em verdade, produtos não industrializados constantes da mesma TIPI como NT, mas sim produtos isentos do IPI, visto que seria caso de incidência do imposto. É o relatório. Como demonstrado no relato acima, a discussão travada é sobre a existência de crédito de IPI, assim em atenção as questões postas, decidese a conversão do julgamento em Diligência para determinar que os autos retornem a unidade origem, autorizando a recorrente a realizar uma nova escrituração nos termos da IN nº 33/1999, apurando o crédito objeto do ressarcimento, identificando os produtos não tributados. Em seguida, após ser emitido parecer da fiscalização, o contribuinte de ser intimado para manifestação no prazo de 30(trinta) dias, em seguida os autos devem retornar ao CARF e ser cientificada Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala de sessões 24 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 347DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.008957/2010-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 05/07/2005 a 06/07/2006
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREÇO INFERIOR DAS MERCADORIAS. SUBFATURAMENTO.
A Declaração de Importação registrada junto ao SISCOMEX consignando preço inferior aquele efetivamente pago ao verdadeiro fornecedor por meio de faturas e invoice emitidos por pessoa interposta configura fraude, constatado o ilícito impõe à constituição do credito tributário e aplicação das penalidades previstas pela legislação vigente.
DECADÊNCIA. PRAZO. CONDUTA.
No caso concreto a conduta do contribuinte se revela ilícita, assim, impõe a regra geral de decadência. O prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador, §4º do art. 150 do CTN. Constatado conduta maliciosa e fraude, aplica-se à regra geral, primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, art. 173, I, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Exame vedado em sede administrativa pela Súmula nº 2 do CARF. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA. e dar provimento ao recurso de SANDRA LIA TELLES MENEZES para excluí-la da sujeição passiva. Sustentou pela segunda recorrente o Dr. Pedro Teixeira Leite Ackel, OAB/SP nº 261.131.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 05/07/2005 a 06/07/2006 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREÇO INFERIOR DAS MERCADORIAS. SUBFATURAMENTO. A Declaração de Importação registrada junto ao SISCOMEX consignando preço inferior aquele efetivamente pago ao verdadeiro fornecedor por meio de faturas e invoice emitidos por pessoa interposta configura fraude, constatado o ilícito impõe à constituição do credito tributário e aplicação das penalidades previstas pela legislação vigente. DECADÊNCIA. PRAZO. CONDUTA. No caso concreto a conduta do contribuinte se revela ilícita, assim, impõe a regra geral de decadência. O prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador, §4º do art. 150 do CTN. Constatado conduta maliciosa e fraude, aplica-se à regra geral, primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Exame vedado em sede administrativa pela Súmula nº 2 do CARF. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 11 1 10 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.008957/201002 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.199 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria ADUANEIRA Recorrente RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 05/07/2005 a 06/07/2006 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREÇO INFERIOR DAS MERCADORIAS. SUBFATURAMENTO. A Declaração de Importação registrada junto ao SISCOMEX consignando preço inferior aquele efetivamente pago ao verdadeiro fornecedor por meio de faturas e invoice emitidos por pessoa interposta configura fraude, constatado o ilícito impõe à constituição do credito tributário e aplicação das penalidades previstas pela legislação vigente. DECADÊNCIA. PRAZO. CONDUTA. No caso concreto a conduta do contribuinte se revela ilícita, assim, impõe a regra geral de decadência. O prazo para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador, §4º do art. 150 do CTN. Constatado conduta maliciosa e fraude, aplicase à regra geral, primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Exame vedado em sede administrativa pela Súmula nº 2 do CARF. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 89 57 /2 01 0- 02 Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 LTDA. e dar provimento ao recurso de SANDRA LIA TELLES MENEZES para excluíla da sujeição passiva. Sustentou pela segunda recorrente o Dr. Pedro Teixeira Leite Ackel, OAB/SP nº 261.131. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pela empresa RENEW PRODUTOS e EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA. e da sócia SANDRA LIA TELLES MENEZES visando modificar o julgado de piso que manteve o lançamento de tributos incidentes diferença de preço de produtos importados declarados a menor do que o valor efetivamente pago acrescido de a multa de 100% (cem por cento) relativo ao período de apuração de 05.07.2005 a 06.07.2006, e, colocou os sócios na condição de solidários. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: “Relatório. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 13/08/2010, para a cobrança do Imposto sobre a Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, multa administrativa de 100% (MP 2.15835/ 2001, artigo 88, parágrafo único), PIS/COFINS Importação, multas de ofício agravadas (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96; art.. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 69, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 4.502/64) e juros de mora, perfazendo um total de R$ 301.749,87 (trezentos e um mil, setecentos e quarenta e nove reais e oitenta e sete centavos), conforme demonstrativo de fls. 02. O Auto de Infração ora impugnado envolve as Declarações de Importação de nºs 05/06978510, de 05/07/2005 e 06/07832503, de 06/07/2006, e teve origem na “Operação Dilúvio” que consistiu de um conjunto de procedimentos adotados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias. No Relatório Fiscal de fls. 64 a 122, parte integrante do Auto de Infração, a fiscalização transcreve parte do relatório elaborado pelo IPEI nº SP20090005, de agosto de 2009, realizado pelo Escritório de Pesquisa e Investigação (ESPEI) da 8ª Região Fiscal, que demonstra em detalhes, a prática da infração acima Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.008957/201002 Acórdão n.º 3403002.199 S3C4T3 Fl. 12 3 citada. Relatório este que o presente auto de infração é conseqüência, como destacado pela fiscalização: "Em 09 de setembro de 2008, este Escritório de Pesquisa e Investigação —ESPEI — recebeu do Ministério Público Federal, por intermédio do oficio PRSP/GAB/AOS n° 19.297, cópia digitalizada dos autos n° 1.25.000.001650/200811, consistente, nos Estados Unidos, durante a chamada 'Operação Dilúvio. Em uma análise preliminar, conseguimos identificar algumas operações de importações fraudulentas abrangendo as empresas RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA, CNPJ 03.932.859/000127 e GOLDEN SERVICES FRANQUEADORA S/S LTDA, CNPJ 02.148.669/000150, sediadas em São Paulo. Quando comparadas as faturas comerciais verdadeiras, apreendidas nos Estados Unidos, com as informações registradas nas declarações de importação apresentadas à RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB, e constantes dos sistemas informatizados, percebese que os valores das mercadorias declarados ao Fisco estavam subfaturados. Tal prática permitia o recolhimento a menor dos tributos aplicados ao comércio exterior.”Do grupo GOLDEN SERVICE: "0 quadro societário da empresa RENEW é composto por PAULO CESAR MAURO, CPF 359.781.20820, com participação de 90%, e SANDRA LIA TELLES MENEZES MAURO, CPF 855.775.37800, com participação de 10%, cônjuge de Paulo César PAULO CÉSAR e SANDRA LIA são ou já foram sócios das seguintes empresas vinculadas ao grupo GOLDEN SERVICE: GOLDEN SERVICES FRANQUEADORA S/S LTDA., CNPJ 02.148.669/000150; LAVANDERIA DO FUTURO LTDA., CNPJ 04.773.512/000141; VIMARA RENOVADORA DE CALÇADOS E ROUPAS LTDA. — ME (Nome fantasia: SAPATARIA DO FUTURO), CNPJ 04.122.984/000134; No mesmo site (www.goldenservices.com.br ) podemos verificar que o grupo GOLDEN SERVICES é composto pelas seguintes bandeiras de franquias: SAPATARIA DO FUTURO; COSTURA DO FUTURO; ENGRAXA TARJA DO FUTURO; TINTURARIA DO FUTURO; BORDADOS DO FUTURO; LAVANDERIA DO FUTURO." Descreve o tipo de mercadoria importada: "As faturas comerciais apreendidas abrangem justamente produtos utilizados pela rede de franquias: tintas, preparações para limpeza de calçados, preparações tensoativas para amaciar calçados, ceras, impermeabilizantes, alargadores de calçados, protetor de calcanhar antiderrapante, calçadeiras de metal, escovas, etc. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Assim, a empresa RENEW seria utilizada por PAULO CÉSAR' para importar os produtos utilizados nas franquias vinculadas ao grupo GOLDEN SERVICES." Segue quanto ao modo de operação das importações: "Nos sistemas informatizados da RFB consta que a empresa RENEW realiza operações de importação mediante a modalidade: importação direta. Assim, a empresa não importa por intermédio de terceiros. Durante os anos de 2004 a 2006 (ano da Operação Dilúvio), a empresa RENEW procedeu ao registro de declarações de importação, informando como exportadoras as seguintes empresas sediadas nos Estados Unidos: A.L.S.S. INC. e ALL TRADE LOGISTICS CORP (Fonte: Sistema DW ADUANEIRO/RFB). No material apreendido, não encontramos somente faturas comerciais emitidas pela empresa ALL TRADE em nome da empresa RENEW, mas também faturas comerciais emitidas pelos fornecedores, reais vendedores das mercadorias, em nome da empresa RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA., inclusive em nome do grupo GOLDEN SERVICES LTDA. Estas faturas comerciais representam a verdadeira relação comercial existente entre os fornecedores (vendedores) e a empresa RENEW (compradora). Nestas faturas comerciais estariam os verdadeiros valores das mercadorias praticados nas operações mercantis de compra e venda. Entretanto, no material apreendido, foram encontradas diversas faturas comerciais emitidas pela empresa ALL TRADE LOGISTICS CORP, em nome da empresa RENEW, abrangendo os mesmos produtos descritos nas demais faturas comerciais, mas com valores reduzidos (subfaturados). Nas declarações de importação registradas nos sistemas informatizados da RFB pela empresa RENEW, constam as mesmas mercadorias constantes dos documentos apreendidos, mas com seus valores reduzidos em 70% e 80%. A empresa RENEW teria declarado ao Fisco apenas 20% ou 30% dos verdadeiros valores aduaneiros das mercadorias importadas. Assim, a ALL TRADE seria uma empresa que se interpõe nas operações de compra e venda, com o objetivo de, dolosamente, reduzir o valor dos produtos mediante a emissão de uma nova fatura comercial a ser declarada à Receita Federal nas operações de importação. No caso em tela, mediante a apreensão das faturas comerciais consideradas originais (documento idôneo que representaria a verdadeira opera cão mercantil), conseguimos comprovar que os valores declarados nas declarações de importação estavam subfaturados. A prática de subfaturamento permitiria a RENEW importar produtos com o pagamento de tributos aplicados sobre o Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.008957/201002 Acórdão n.º 3403002.199 S3C4T3 Fl. 13 5 comercio exterior a menor, em tese, crime de descaminho (art. 334 do Código Penal). " Prossegue o relatório com a descrição da pesquisa efetuada por aquele Escritório: fornecedor DEL VALLE BRANDS com os valores constantes,. A FATURA FALSA, emitida pela exportadora interposta ALL TRADE. Pode se verificar que a empresa ALL TRADE emitiu urna nova fatura comercial contendo os mesmos produtos, nas mesmas quantidades, mas com valores 20% ou 30% do valor real. Em pesquisa nos sistemas informatizados na RFB, encontramos a DI n° 06/07832503, registrada em 06/07/2006 pela empresa RENEW, contendo justamente os mesmos produtos, e com valores reduzidos. (seguemse cópias de alguns itens desta DI, retiradas do Sistema SISCOMEX/RFB) Assim, na declaração de importação registrada nos sistemas informatizados da RFB, consta que a empresa RENEW declarou os produtos com os mesmos valores constantes da fatura comercial n° 52506, emitida pela ALL TRADE, ou seja, declarou as mercadorias com valores subfaturados. Se ampliarmos a análise para abranger os demais produtos constantes da fatura comercial n° INV12636 (original), podemos verificar que o subfaturamento se repete na DI n° 06/07832503. Fica evidente que a empresa ALL TRADE se interpôs na relação mercantil com o único intuito de reduzir os valores a serem declarados ao Fisco brasileiro, e dolosamente, reduzir os valores dos tributos aplicados sobre o comércio exterior. Infere o relator a respeito das operações de importação realizadas pela empresa em comento até a data da elaboração do relatório: Para ilustrar a prática de subfaturamento das importações registradas pelo grupo GOLDEN SERVICES através da empresa RENEW, apresentaremos o resultado do confronto dos documentos apreendidos com as informações declaradas à Receita Federal pertinente a urna operação de importação. No material apreendido, encontramos a fatura comercial n° INV12636, emitida em 26/05/2006, pela empresa DEL VALLE BRANDS, em nome da empresa RENEW, abrangendo os mesmos produtos utilizados nas franquias do grupo GOLDEN SERVICES. Para simplificar a análise, e tendo em vista que a fatura comercial abrange inúmeros produtos, tomemos apenas os 5 (cinco) primeiros produtos da fatura comercial. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Cabe destacar que a unidade utilizada é dúzia (coluna U/M). Assim, para sabermos as quantidades totais, devemos multiplicar a coluna "Ordered" por 12 (doze). Na coluna "Ext Price", consta o valor de todas as unidades de um determinado item. (segue a cópia da fatura n° INV12636) No material apreendido encontramos uma fatura comercial n° 52506 emitida em 25/05/2006 pela ALL TRADE LOGISTICS CORP, em nome da empresa RENEW PROD E EQUIP P/ RENOVAÇÃO, abrangendo os mesmos produtos da fatura comercial n° INV12636, mas com valores subfaturados em 70% e 80%, ou seja, o valor da fatura representa apenas 20% a 30% do VALOR REAL. (segue cópia da fatura n°52506) Após a deflagração da Operação Dilúvio, não foram constatadas operações de exportação da empresa ALL TRADE dos Estados Unidos para a empresa RENEW, no Brasil. Durante os anos de 2007 e 2008, as importações da RENEW procederam dos exportadores MADRID LOG INC, MIAMI LEATHER e UNION CHEN INDUSTRIAL CORP. A exportadora MADRID LOG INC, sediada nos Estados Unidos, iniciou suas exportações para o Brasil justamente após a deflagração da Operação Dilúvio. Desde sua criação, no ano de 2006, somente ter exportado produtos para a empresa RENEW. Não há qualquer registro de importação de produtos procedentes da empresa MADRID LOG destinadas a outras empresas. No material apreendido, encontramos diversas faturas comerciais emitidas pelos fornecedores AETREX WORLDWIDE INC, DEL VALLE BRANDS INC, MIAMI LEATHER CO, THE EVERCARE COMPANY. Nas declarações de importação (DI) registradas pela empresa RENEW no ano de 2008, consta no campo "exportador" da DI a empresa MADRID LOG, e no campo "produtor" os mesmos fabricantes já identificados. Em vez de importar diretamente dos seus fornecedores, a empresa RENEW utiliza os serviços da empresa MADRID LOG. Conclui o relatório: Portanto, através da análise preliminar do material apreendido, foi possível identificar práticas de subfaturamento nas operações de importação descritas neste relatório. A empresa RENEW utilizou o exportador interposto ALL TRADE LOGISTIC para emitir faturas comerciais com valores subfaturados e, por via de conseqüência, recolher tributos aplicados sobre o comércio exterior a menor. Foram intimados, o importador, fls. 418 (ciência através do EDITAL de n° 75/2010, afixado em 01/09/2010, fls. 423), os responsáveis solidários PAULO CÉSAR MAURO, CPF nº 359.781.208.20, e SANDRA LIA TELLES MENEZES MAURO, Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.008957/201002 Acórdão n.º 3403002.199 S3C4T3 Fl. 14 7 CPF 855.775.37800, ficando cientes do Auto de Infração em 24/08/2010, conforme AR de fls.419/420. Da Impugnação de Sandra Lia Telles Menezes Em 24/09/2010, SANDRA LIA TELLES MENEZES, apresentou a impugnação de fls. 424/431, onde em síntese do necessário alegou: NÃO É SÓCIA DA REFERIDA EMPRESA desde 05 de fevereiro de 2007, e, bem assim não poderia tomar ciência da lavratura do Auto de Infração em epígrafe; como se observa do Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral a empresa foi constituída em 17/07/2000, sendo certo, ainda, que a Impugnante e Paulo Cesar Mauro se encontram separados de fato desde 31 de maio de 2002 casal, cabia ao Sr. Paulo Cesar Mauro que inclusive, após a separação, permaneceu na qualidade de sócio gerente, tratandose do único responsável por todos os atos, lícitos e eventualmente ilícitos, que elas possam ter praticado; importante mencionar, ainda, que o processo de separação entre Paulo Cesar Mauro e a ora Impugnante foi (e continua sendo) extremamente conturbado, sendo certo que em 05 de fevereiro de 2007, o MM. Juízo de Direito da 2a Vara de Família e das Sucessões do Foro Regional XI Pinheiros da Comarca de São Paulo/SP houve por bem proferir sentença decretando o divórcio do casal; por outro lado, a Impugnante Sandra não pode responder por quaisquer ações da empresa RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LIDA, tendo em vista que descobriu que sua assinatura foi objeto de FALSIFICAÇÃO, conforme comprovado pelo Laudo n° 01/070/50942/2006, elaborado pelo Instituto de Criminalística da Superintendência da Policia Técnico Cientifica de São Paulo: “As assinaturas atribuídas a Sandra Lia Telles Menezes Mauro apostas nos documentos abaixo relacionados, NÃO SE IDENTIFICAM com os padrões por ela oferecidos para confronto”; embora o Divórcio tenha sido decretado em 2007, o casal encontravase separado de fato há MAIS DE 05 (CINCO) ANOS. Não participando a ora Impugnante de quaisquer atos gerenciais das empresas RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA ou GOLDEN SERVICES FRANQUEADORA S/S LTDA., tanto isso é verdade que quando da decretação do divórcio as referidas empresa ficaram com o Sr. Paulo César Mauro, inclusive a Golden Services, que por decisão judicial já havia sido determinada a retirada da Impugnante de seu quadro societário, encontrando se, até a presente data, em apuração de haveres; a Impugnante não poderia tomar ciência por via postal do Auto de Infração lavrado, tendo em vista não mais pertencer, por determinação JUDICIAL, dos quadros societários das referidas empresas, merecendo ser excluída deste processo administrativo e a ciência ao Auto de Infração ser realizada a quem de direito; nem de longe poderia ser atribuída legitimidade passiva para a ora Impugnante responder pelos débitos da empresa Renew em futura execução fiscal, tendo em vista que não estão presentes os motivos autorizadores; não se pode perder de vista que a Impugnante não é sócia da empresa, tendo em vista que foi excluída da pessoa jurídica por decisão judicial em 05 de Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 fevereiro de 2007, razão pela qual não pode praticar quaisquer atos em seu nome, conforme determina o artigo 47 do Código Civil; não é demais ressaltar que excluído o sócio da sociedade, sua responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores subsistem por dois anos após a sua retirada, nos termos do art. 1.032 do Código Civil; não há como a Impugnante manifestarse sobre o mérito do presente MIM, posto que não é de seu conhecimento quaisquer das operações mencionadas nos processo administrativos fiscais epigrafados, não possuindo como apontar ou contestar eventual (i )legalidade; por não pertencer mais ao seu quadro societário por determinação judicial, vem reverentemente a presença de Vossa Senhoria, requerer se digne ACOLHER a presente IMPUGNAÇÃO e, via de conseqüência, determinar o CANCELAMENTO do "Termo de Ciência dos Autos de Infração n° 116/2010", como de direito. Da Impugnação da empresa RENEW RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA., representada pelo Sr. PAULO CÉSAR MAURO, conforme procuração de fls. 491, que por sua vez nomeou 2 procuradores para apresentar defesa administrativa nos processos 10314.0208958/201049 e 10314.008957/201002, em síntese do necessário alegou: conforme o principio geral da prescrição tributária, elencado no art. 174, do Código Tributário Nacional, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 05 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva; assim, os tributos anteriores ao mês de setembro de 2005, não podem ser cobrados eis que soterrados pela prescrição; a citação da executada se deu aos 16/09/2010 (Edital 75/2010) portanto não há que se falar em cobranças de créditos de período anteriores a setembro de 2005; oportuno argüir nos autos a NULIDADE DA CITAÇÃO do Sujeito Passivo (representante da Renew), uma vez que constava nos autos e demais documentos o endereço residencial do mesmo; consoante se verifica, o indigitado Auto de Infração não veio acompanhado dos documentos necessários, o que impede a realização de uma defesa plena, consubstanciando, assim, no cerceamento de defesa; se não bastasse, há imprecisão na descrição dos fatos, de forma que, não se pode concluir, com exatidão, quais os fatos ensejadores do referido Auto de Infração; em que pese o trabalho desenvolvido pelo agente fiscalizador, as penalidades são decorrentes de suposições sem provas, o que não pode prosperar; para a lavratura do auto de infração é necessário o preenchimento de determinados requisitos, sob pena de se declarar a nulidade do procedimento; conforme constou nos autos, versou sobre a denúncia de subfaturamento, tendo as importações ocorridas nos exercícios de julho de 2005 a janeiro de 2009; a peça vestibular encontrase eivada de um vicio insanável, qual seja, errônea descrição da falta infringente, pois de acordo com os demonstrativos elaborados pela fiscalização, a diferença apurada reflete a acusação de subfaturamento na importação de mercadorias tributáveis; registrese, é claro, o zelo do autuante para com o Erário, mas não se pode comungar com o pensamento esboçado por ele, principalmente, em razão Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.008957/201002 Acórdão n.º 3403002.199 S3C4T3 Fl. 15 9 da acusação de subfaturamento não poder prosperar apenas com o surgimento de indícios, porquanto tal irregularidade tem como condição sine qua non a existência de provas inequívocas, o que não é o caso, pois a denúncia ficou atrelada a uma mera presunção dos próprios representantes do Fisco, o que é inaceitável; o autuante não apresenta, sequer, cópia das faturas pagas; é de bom alvitre ressaltar que os julgados de Colegiados Pátrios possuem pensamento uníssono acerca da matéria, conforme se constata através dos acórdãos. Cita Acórdãos; não restam dúvidas quanto a imperfeição da denúncia formulada na peça vestibular, visto o subfaturamento não se presume, provase; todos os procedimentos adotados pela autuada são legítimos, e merecem resguardo, sob pena de patrocínio da insegurança jurídica; no caso em tela, a empresa americana All Trade atua no ramo de distribuição, assim, a autuada, usufruindo do seu direito consubstanciado na liberdade de contratar, adquiriu mercadorias diretamente dessa e de outras, de sorte que, Fezse, inclusive, o fechamento de câmbio. Portanto, foi a empresa AR Trade e as demais quem exportou as mercadorias adquiridas pela autuada. Ressaltase que o Fisco não apresenta cópia das faturas pagas, inclusive, requer prazo para juntar cópias das faturas pagas pela empresa Renew, as quais não foram carreadas aos autos; sendo legitima a aquisição de produtos diretamente de distribuidores (fornecedores) pela empresa autuada, para que a mesma pudesse vendêlos no mercado nacional, assim, jamais poderia o Fisco desconsiderar todas as contratações concretizadas no exterior (que foram realizadas dentro dos limites legais) para considerálas, por mera presunção, de que houve subfaturamento; ora, da analise do referido Auto de Infração, denotase que o agente fiscalizador, toma por base apenas suposições, As quais, não possuem o condão de descaracterizar as operações, devendo ser declarada a legitimidade das mesmas; apenas para esclarecer, a autuada adquiriu produtos da empresa All Trade, entre outras e não há qualquer relação com a mencionada empresa Golden Services Franqueadora S/S Ltda.; inclusive nesse item vêse mais uma vez que o Fisco baseiase em suposições absurdas sem qualquer suporte fático para o fim de fazer imputações descabidas, o que não pode ser tolerado; ressaltase que a autuada realizou, de fato, a compra de mercadorias e pagou os respectivos tributos inerentes a essas operações. o Fisco não pode concluir, por presunção, que as invoices não são verdadeiras, haja vista que faltam subsídios para tanto; nos autos sub exame, o Fisco, em total afronta ao principio da legalidade afirmou, por presunção que ocorrera subfaturamento, não utilizando o Regulamento Aduaneiro e o AVA (Acordo de Valoração Aduaneira) que indica quais os indícios que podem comprovar tal operação e quais critérios devem nortear o fiscal quanto ao tema. (Transcreve julgados do CARF); o fisco questiona a aquisição de mercadorias de empresas americanas (fornecedoras/distribuidoras) pela autuada, sem Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 qualquer razão, uma vez que, nosso ordenamento jurídico prevê, como um dos princípios basilares, o da liberdade de contratação; ao desconsiderar os negócios jurídicos reais e verdadeiros praticados pela autuada, o agente fiscalizador ofendeu o principio da liberdade de contratação previsto na Constituição Federal, que é corolário do principio constitucional da livre iniciativa. Assim, não há justificativa para que se invista contra esse postulado; a autuação foi feita com base em suposições de subfaturamento, no entanto, conforme já fartamente demonstrado não houve a alegada infração, ressaltando que a autuada sempre agiu de boafé e o fisco não comprovou o dolo. Convém ressaltar que a autuada contratou a empresa All Trade entre outras para compra e exportação de mercadorias, e para tanto lhes pagou o valor devido, da mesma forma recolheu os impostos correspondentes; assim sendo, se supostamente houve dolo, não foi por parte da autuada, razão pela qual, não pode a mesma responder ou ser penalizada por situação que não deu causa, principalmente quando essa situação carece de prova fática vez que baseada em meras suposições; outrossim, não há nos autos quaisquer indícios de fraude, ou intuito de fraude, que pudessem ensejar a multa aplicada no importe de 150% sobre a diferença do II, PIS/PASEP importação e da COFINS/importação; motivo pelo qual impugnamos veementemente a imputação feita pelo agente fiscalizador; a multa pretendida é de todo inconstitucional, vez que demonstra nitidamente em seu condão o caráter confiscatório; quanto a aplicação de juros, conveniente mencionar que suas incidências não podem ultrapassar o importe de 1% ao a.m; razão pela qual se impugna desde já percentuais acima do legal; requerse seja julgada procedente a presente Impugnação, com o acolhimento das preliminares suscitadas, ou s.m.j com o acolhimento da tese defensiva ventilada no mérito; em caso de manutenção da exigência fiscal, requerse a redução da multa para 10% (dez por cento), bem como seja adequada a taxa de juros de mora ao percentual estabelecido no art. 59 da Lei 8.383/91 (1% a. m.). É o Relatório. Em razões recursais mantémse firmes nos argumentos articulados na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.008957/201002 Acórdão n.º 3403002.199 S3C4T3 Fl. 16 11 A imputação configurada neste caderno processual administrativo se refere e praticar preço inferior ao valor real das mercadorias importadas, denominado subfaturamento, concorrendo com isso no pagamento inferior do tributo incidente nas importações relativos ao II, IPI, PIS e COFINS. Existindo preliminares capazes de afastar apreciação do mérito, impõe em examinálas e darlhes contorno jurídico específicos aos casos aqui submetidos a exame. a) Nulidade de Citação. Não merece prosperar a preliminar de nulidade de citação. Foi expedida a comunicação para os endereços constante do cadastro da Receita Federal do Brasil, todas as correspondências foram devolvidas por não existir o número na rua do endereço dos Interessados. Diante da prudência com objetivo de evitar prejuízo ao Contribuinte os sócios efetivaram por meio de Edital, o que supriu toda e qualquer deficiência que por aventura possa ter ocorrida, em que pese não vislumbrar macula alguma. Assim, rechaço a nulidade argüida por estar desamparada de respaldo capaz de macular o ato. b) Prescrição do crédito tributário. A decadência como se sabe tratase de instituto de direito aplicável ao crédito tributário relativo ao período anterior a lavratura do auto de infração. No caso dos autos o período de apuração do crédito compreende o lapso temporal de 01.07.2005 a 30.01.2009, constituído por meio de lançamento em 17 de agosto de 2010, comunicado por “AR” que retornaram por inexistir o número citado na correspondência na rua do endereço dos destinatários. Aviouse a comunicação por meio de Edital de nº 75, afixado em 01 de setembro de 2010 e desafixado em 17.09.2010. Aduz a Recorrente que a cobrança do tributo anterior ao mês de setembro de 2005 teria sido alcançada pelo instituto da Prescrição. No caso, tratase de decadência, não vislumbro razão alguma a favor da Contribuinte. O caput do art. 138 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 4 do DecretoLei nº 2.472, de primeiro de setembro de 1988, atualmente, o art. 752 do Decreto nº 6.759,2009, Regimento Aduaneiro, ao tratar da matéria, decadência e prescrição, assevera que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A regra que autoriza a contar o prazo de decadência do primeiro dia ao exercício seguinte difere daquela que conta do fato gerador normatizada pelo parágrafo 4º do art. 150 do CTN em relação aos tributos que a legislação atribui ao contribuinte (sujeito passivo) o dever de antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade fiscal. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 No caso concreto os tributos exigidos sobre os bens importados são recolhidos no momento do registro da declaração de importação, salvo os casos de isenção e suspensão. De modo que, desnecessário definir se o fato de registrar a Declaração de Importação e efetivar o pagamento correlato aos impostos e contribuição configura o cumprimento do dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da Autoridade Fiscal, a previsão legal que o direito de constituir o crédito extingue contados do primeiro dia do exercício seguinte e não do fato gerador. Em que pese o parágrafo segundo do art. 752 do Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009, dispor que, nos casos de exigências decorrentes de diferença esse prazo conta do pagamento, conforme se vê da transcrição: § 2º “Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado. (DecretoLei 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 4º), a conduta da Recorrente é extremamente maliciosa e causa dano ao fisco, como restará da apreciação do mérito. Há ressalva no § 4º do art. 150 do CTN, que constatado ocorrência de dolo, fraude e simulação, aplicase à regra geral trazida pelo art. 173, I do CTN, a situação dos autos comprova a conduta ilícita da Recorrente. Assim, mesmo tratando de exigências decorrentes de diferença de tributo e existindo pagamento de parte, e, tendo sido dado conhecimento do lançamento em setembro de 2010, em razão do comportamento fraudulento praticado a prescrição e a decadência deve ser contada em conformidade do que dispõe a norma do art. 173, I, do CTN. Assim, mantémse a decisão de piso, e, assegurar o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos antes de setembro de 2005. Cerceamento de defesa. É insustentável alegação de que o Auto de Infração deixou de vir acompanhado dos documentos necessários, e, de que a descrição dos fatos dificulta o entendimento ensejadores da autuação. Constatase incoerência na sustentação da preliminar de nulidade da ciência do auto de infração (citação) que caminhou no sentido de que comunicação deveria ter sido pessoal e não pelo edital. Surpreende ao aduzir que os documentos necessários não acompanharam o auto de infração. De qualquer modo as partes tiveram acesso aos autos e apresentaram suas peças de resistência, comparecendo e apresentando defesa, tenho que está atendida a formalidade essencial, que é a comunicação do ato, isto é, da lavratura do auto de infração. Além do que, alega mas deixa de apontar quais os documentos não acompanhou o auto de infração. Também não merece prevalecer o argumento de que a descrição contida no auto de infração é insuficiente a conclusão do entendimento da motivação do lançamento. O relatório fiscal que acompanha e faz parte integrante do auto é detalhista, longo, e, até cansativo, aborda todos os aspectos de convencimento da fiscalização e demonstra de modo claro e compreensível os fatos. Não há como acolher as alegações tecidas pela Recorrente. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.008957/201002 Acórdão n.º 3403002.199 S3C4T3 Fl. 17 13 Assim, afasto também preliminar de cerceamento de defesa. Nulidade do auto de Infração. – Aduz também que há vício insanável configurada em errônea descrição da falta imputada porque os demonstrativos elaborados pela fiscalização relativos às diferenças apurada refletem uma acusação de subfaturamento na importação de mercadorias tributáveis sustentadas tãosó por indícios. Tratase de matéria de prova a ser apreciada no momento oportuno, isto é, quando do exame do mérito. Portanto, rejeito a preliminar e passase ao exame de fundo. Mérito. Da leitura das peças de contestação e razões recursais sobreleva a discussão da inexistência de prova conclusiva das imputações atribuídas aos Recorrentes quanto a subfaturamento nos preços pago pelos produtos importados. Tenho que essa é a única matéria a ser examinada. É patente da leitura do auto de infração que a exigência fiscal se refere à diferença apurada em decorrência de prática de subfaturamento nos preços declarados pelas aquisições de produtos importados sobre os quais acrescidos das demais despesas de importação foram apurados os impostos e contribuições, consta que gerou prejuízo ao cofre fazendário devido ao pagamento inferior ao efetivamente devido. Os Interessados não impugnaram a metodologia utilizada pela fiscalização e tampouco os valores atribuídos as mercadorias para determinação dos tributos exigidos. Assim, passase examinar as provas carreadas aos autos se essas são capazes de demonstrar a existência de subfaturamento ou se o lançamento ocorreu em base de presunção como assevera os Interessados. Os documentos que consubstanciam a existência do ilícito são as “faturas” e “invoices” apreendidos durante a operação denominada de “dilúvio” cujas cópias encontram às fls. 174/300. Esses documentos subsidiaram e serviram de paradigma para aferir os valores atribuídos as Declarações de Importações registradas junto ao SISCOMEX, ao cotejar os dados consignados nesses papéis concluiu que os preços declarados eram inferiores aos efetivamente pagos aos fornecedores, assim como, a quantidades e pesos também não correspondia à verdade. Os demonstrativos elaborados pela Fiscalização são minuciosos, cuida de demonstrar a diferença de preço a menor e quantidades e pesos. Em momento algum os Recorrentes contrariam o que restou apurado em ação fiscal, alegam apenas que não há prova e de que trata de presunção. O material apreendido, faturas e invoices, configuram prova definitiva e contundente da conduta dolosa com o objetivo de ludibriar as Autoridades Aduaneiras e recolher tributo inferior ao devido, conseqüentemente, desencadear por meio da comercialização futura prejuízo incalculável a Fazenda. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 Grande parte das mercadorias adquiridas nos Estados Unidos era consumida pela rede franqueada dos sócios da Renew que são proprietários de várias empresas, inclusive a Golden Services. Prova incontestável encontra estampadas nas petições relacionadas com o divórcio do casal e o acordo da divisão dos bens. Inexistindo impugnação direta das afirmações do Fisco, essas passam ser tidas como verdadeiras, pois, resta demonstrado por meio do material apreendido onde encontram faturas comerciais emitidas pela ALL TRADE LOGISTICS CORP, em nome da empresa RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO, abrangendo os mesmos produtos, quando comparadas com faturas comerciais de empresas não vinculadas aos sócios da RENEW constatase subfaturamentos em 70% e 80%, ou seja, valores que representa somente 20% a 30% do VALOR REAL do produto comprado. As cópias dessas faturas encontram nos autos, bem como, os demonstrativos da fiscalização, se não fosse verdadeiro deveriam ter sido contestados, mas, no entanto, os Interessados ficaram taciturnos. A comparação dos valores constantes das FATURAS ORIGINAIS emitidas pelos fornecedores DEL VALLE BRANDS com os valores constantes da FATURAS FALSAS, emitida pela exportadora interposta ALL TRADE certifica que a empresa ALL TRADE emitia uma nova fatura contendo os mesmos produtos, nas mesmas quantidades, mas com valor inferior ao real (dos verdadeiros exportadores fornecedores) em aproximadamente 20% (vinte por cento) ou 30% (trinta por cento) do valor real. A confirmação de que houve a fraude é a comparação dos dados com os valores das Declarações de Importação constante do Sistema SISCOMEX/RFB. O que se chama de subfaturamento, termo não compreensível segundo alegação da Recorrente, que, no entanto, expressou que esse fato só ocorre em relação às vendas, não é verdade, esse fenômeno também se dá no caso de importação (aquisição de bens com preços inferior ao valor real da transação comercial), a falcatrua perpetuado tem o objetivo de pagar menos imposto no momento do desembaraço aduaneiro (imposto de importação, Imposto sobre produtos industrializados, CONFIS e PIS),e, além disso, a fraude irradia seus efeitos danosos contra o erário nas operações subsequentes. A pratica fraudulenta está configurada pelo ato de pagar valor ao fornecedor (fabricante/distribuidor) superior aqueles que encontram registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. A fiscalização cuidou de demonstrar as evidências que a empresa All Trade se interpôs na relação mercantil com o intuito de reduzir os valores a serem declarados ao fisco brasileiro em conluio com a empresa importadora, Renew. Tanto é verdade que as diligências realizadas após Operação Dilúvio a RFB não constatou exportação por parte da All Trade, Estados Unidos, para Renew, em outras palavras a função dessa empresa era emitir faturas com valores inferiores aos praticados no mercado americano pelos verdadeiros fornecedores como restou demonstrado pelo fisco. Na descrição das irregularidades, nos termos do relatório da atividade fiscal, a fiscalização fez remissão aos documentos que demonstram à conduta contrária a legislação tributária, identificando o fato gerador e determinando a matéria tributável. Assim, observase das provas produzidas pela Autoridade fiscal que demonstram com precisão o “quantum” foi considerado como matéria tributável, firmando a certeza e liquidez do crédito tributário apurado. Em sendo assim, sobremaneira a elaboração Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10314.008957/201002 Acórdão n.º 3403002.199 S3C4T3 Fl. 18 15 das razões de defesa não podem prosperar, a decisão recorrida deve ser mantida em razão de ter dado contorno jurídico acertado a contenda em relação RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA. Dito isso, passase ao exame do Recurso apresentado pela sócia SANDRA LIA TELLES MENEZES da empresa RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA. Do exame dos autos, embora a Recorrente conste do contrato social, não vislumbra em momento algum a sua participação nas tramóias arquitetadas pelo outro sócio, Paulo Cesar Mauro, no caso ao tempo dos acontecimentos tratasse do seu marido. O laudo técnico elaborado pelo Instituto de Criminalística da Superintendência da Policia Técnica – Cientifica de São Paulo é o documento determinante para afastar do campo da sujeição passiva pelos danos causados ao erário, em razão de ser a comprovação de que foi tão vítima quanto a Fazenda dos atos praticados pelo sócio Paulo Cesar Mauro, que teve sua assinatura falsificada com objetivos criminoso, fato esse comprovado por perícia criminal. Conclusão que chegou a Polícia Técnica é de que as assinaturas empregadas em diversos documentos foram falsificadas, portanto, tal documento remata afirmação de que a Recorrente não participou das fraudes perpetuadas. Diante da farta documentação esclarecedora da inexistência de que tenha participado das tretas com o objetivo de fraudar o erário, decido excluíla da sujeição passiva. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício se refere às sanções administrativas aplicáveis aos casos típicos da conduta praticada. Alegação de inconstitucionalidade encontra obstáculo ao exame em sede administrativa em razão de Súmula do CARF nº 2 que estabelece óbice. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sendo assim, não há como acudir o apelo. Assim, conheço do recurso e voto no sentido de negar provimento ao recurso de RENEW PRODUTOS E EQUIPAMENTOS PARA RENOVAÇÃO LTDA. e dar provimento ao recurso de SANDRA LIA TELLES MENEZES para excluíla da sujeição passiva. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 16 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 11065.101258/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS.
Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da não-cumulatividade.
Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar.
Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida.
Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS. Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da nãocumulatividade. Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida. Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 12 58 /2 00 8- 50 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 136/139), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório argüido pela mesma, relativamente à Contribuição para o PIS/PASEP. Conforme relatório objeto da decisão recorrida, foram constatadas irregularidades na apuração de créditos relativos aos serviços prestados para a recorrente pelas empresas Calçados Ronessa Ltda, Calçados Rafelly Ltda e Calçados Ronelly Ltda. Averiguou se que tais empresas seriam, na verdade, mera extensão, apêndice ou desdobramento das atividades produtivas da empresa Rojana Calçados Ltda, com total dependência econômico financeira e que, portanto, todas constituiriam uma só empresa. Conforme relato da instância recorrida, a fiscalização, para chegar a tais conclusões, se embasou nas seguintes questões: a) Há grau de parentesco entre os sócios de todas as empresas; b) As empresas envolvidas têm o mesmo objeto social – fabricação de calçados de couro; c) 100% dos clientes e do faturamento das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly têm relação direta com o grupo (Rojana representa de 92,562 a 99,9999% e o restante é representado por Ronessa e/ou Rafelly e/ou Ronelly); d) As empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da empresa Rojana, efetuados na forma de depósitos, adiantamentos e transferências entre contas. Operações imprescindíveis e utilizadas integralmente para cobrir seus gastos operacionais (custos com pessoal, despesas bancárias e diversas, cheques e aluguéis à própria Rojana); Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.101258/200850 Acórdão n.º 3802001.561 S3TE02 Fl. 192 3 e) A contabilidade e as notas fiscais das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly evidenciam que a empresa Rojana é praticamente o único cliente daquelas, inclusive com a emissão de notas fiscais seqüenciais entre as empresas; f) Ocorreu uma migração de diversos funcionários da empresa Rojana para a recém constituída Rafelly, além do fato de ambas possuírem o mesmo endereço. Ainda nos termos do relatório da decisão vergastada: A auditoria fiscal concluiu, então, que restou evidenciado que o contribuinte na verdade “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. As prestações de serviços efetuadas por estas empresas, na verdade, simulavam terceirização de mãodeobra. A abertura das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, todas optantes pelo SIMPLES, com a efetiva transferência de empregados do interessado para aquelas, visou apenas a redução da carga tributária previdenciária e também o creditamento das contribuições PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade, relativamente aos pretensos serviços de industrialização por encomenda. Desta forma, o contribuinte não pode se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãodeobra em face de expressa vedação legal, conforme dispõe os Arts. 3º, § 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O contribuinte, inconformado com o indeferimento, apresentou tempestivamente sua manifestação onde alega que, além das empresas relacionadas no lançamento, diversas outras prestam serviços a ele, o que facilmente pode ser constatado na sua contabilidade. Acrescenta que as empresas prestadoras de serviços possuem seus próprios sócios que, apesar de terem ligação de parentesco com um dos sócios da empresa Rojana, não estão a ela subordinados. Diz que estas empresas estavam devidamente regulares perante os órgãos públicos, tinham autonomia, remuneravam seus sócios e seus empregados regulamente cadastrados, além de recolher seus impostos e contribuições previdenciárias. Comenta que desde o início da fabricação de calçados na região, há mais de cinqüenta anos, existem empresas prestadoras de serviços. Diz, ainda, que não há qualquer vedação legal para que uma empresa tenha contrato com outra de modo que seu faturamento mensal fique desta dependente. Alega, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal que estaria motivado por mera presunção, o que ofenderia o princípio da segurança jurídica. Ainda em preliminar, alega novamente a nulidade em face de suposta ilegitimidade passiva da empresa Rojana. Entende que no pólo passivo deveriam figurar as empresas prestadoras de serviços, que recolhiam seus tributos pelo SIMPLES, pois considera que não teve benefício algum com a redução da carga tributária daquelas empresas. O manifestante contesta as afirmações do auditor fiscal, com o argumento de que se tratariam de mera e inverídica presunção, não fundamentadas em qualquer elemento de prova. Explica que os pagamentos que efetuou às empresas prestadoras decorrem de notas fiscais de serviços ou de antecipações de receitas devidamente documentadas através de contratos de mútuo, contratos de antecipação de pagamentos e outros. Acrescenta que o auditor fiscal poderia ter analisado a contabilidade das Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 empresas prestadoras de serviços onde constataria que elas também realizaram serviços para diversas outras empresas. O interessado entende que o procedimento fiscal precisaria ser complementado, mediante diligências fiscais e através da realização de perícia contábil, onde poderá ficar melhor esclarecida a questão dos adiantamentos que realizou às empresas prestadoras de serviços. Para tanto, indica o seu assistente técnico e os quesitos a serem respondidos. Ao final, o sujeito passivo requer a insubsistência e total improcedência da ação fiscal, com o seu cancelamento e a legitimação de seus créditos complementares de PIS e COFINS, renovando também seus pedidos pela realização de diligências e perícia contábil, bem como a produção de prova documental. Para fins de informação, foram também lançados contra a contribuinte Autos de Infrações relativos a tributos/contribuições previdenciárias que motivaram o encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais junto à autoridade competente. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Ementa: CRÉDITOS. MÃO DE OBRA. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoas físicas, nos termos da legislação que rege a contribuição. A constatação de negócios simulados, enseja o indeferimento do pedido tendo como base a situação de fato, cabendo a desconsideração dos atos jurídicos simulados envolvendo pessoas jurídicas que apenas aparentemente figuravam como prestadoras de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/07/2011 (fls. 141), a interessada, em 02/08/2011 (fls. 146), apresentou o recurso voluntário de fls. 146/171, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, destacando ainda: a) o cerceamento ao seu direito de defesa, dado que a instância recorrida indeferiu pedido de produção pericial que seria imprescindível para o julgamento da causa, violando, assim, os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; b) que a primeira instância não demonstrou a existência de negócio jurídico destinado a dissimular a ocorrência de fato gerador de tributo, como disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, incluído pela Lei Complementar no 104, de 2001; assim, o julgamento de primeiro grau, bem como o lançamento, teriam se fundado em presunções, sendo a citada decisão, portanto, nula; c) que as prestadoras de serviços CALÇADOS RAFELLY, CALÇADOS RONELLY e CALÇADOS RONESSA foram constituídas de forma regular, Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.101258/200850 Acórdão n.º 3802001.561 S3TE02 Fl. 193 5 tendo seus próprios sócios e administradores, respondendo os mesmos pelas obrigações fiscais e tributárias originárias de suas atividades econômicas; portando, tais empresas são totalmente diversas da empresa tomadora dos serviços – a recorrente – que, assim, figura indevidamente no pólo passivo da lide, eis que o auto de infração deveria ter sido lavrado em relação às empresas prestadoras dos serviços; Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento, no mérito, do direito creditório reclamado pela interessada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A legislação pertinente ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (respectivamente, Leis nos 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003), autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das citadas leis ordinárias. Relevante para o caso em tela o disposto no inciso II do dispositivo retromencionado, que autoriza o desconto de créditos relativos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Portanto, em tese, os serviços prestados à recorrente enquadramse na hipótese normativa que autoriza sua utilização (como insumos) na base de cálculo dos créditos do PIS e COFINS a serem descontados no regime da nãocumulatividade. Contudo, conforme relatado, a fiscalização desconsiderou os créditos das contribuições calculados a partir desses montantes sob o argumento de que a autuada “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados por outras empresas, no caso, as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Estas, segundo a fiscalização, receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante (para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.). Ademais, a recorrente (Rojana) seria quase que exclusivamente o único cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Dentre outras questões abordadas pela autoridade lançadora, foi mencionado também que a empresa Rafelly estaria estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana). O CTN, em seu artigo 116, dispõe o seguinte: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (grifo nosso) Interessa para a lide, especialmente, o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, acima reproduzido. Neste âmbito de discussão, a possibilidade legal para a desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade administrativa está restrita às hipóteses em que for caracterizada a “[...] finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária [...]”. Necessário, pois, examinar sistematicamente a aplicabilidade da regra em tela, inclusive considerando a parte final do preceito aludido, que remete sua aplicação à observação de “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Tal questão será abordada adiante. Agora, analisemos a conduta proibida pela lei tributária complementar, que tem como núcleo o verbo “dissimular”. Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “dissimular”, quando usado como verbo transitivo direto – como empregado no texto normativo (“dissimilar a ocorrência do fato gerador do tributo”, “dissimular a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”) –, significa (1) “ocultar ou encobrir com astúcia; disfarçar; (2) não dar a perceber; calar; (3) fingir; simular; (4) atenuar o efeito de; tornar pouco sensível ou notável”. As condutas coibidas pela lei enquadramse em hipóteses que a doutrina denomina de abuso do direito, cuja reprimenda legal deixa transparecer inegável limitação ao princípio da autonomia da vontade, como, aliás, ressalta Douglas Yamashita1 no início de suas considerações sobre o estudo do abuso do direito no Código Civil de 2002, e seus reflexos em matéria tributária: Ao reputar ilícito o exercício de um direito por seu titular, sempre que tal exercício exceda manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, o art. 187 do CC/20022 não faz outra coisa senão traduzir em nível infraconstitucional limites constitucionais à autonomia da vontade, consubstanciada essencialmente na liberdade de iniciativa garantida pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 1o, IV, e 170. Assevera, portanto, que o contexto do abuso do direito e do artigo 187 do Código Civil de 2002 é o contexto constitucional, ressaltando, ainda, que o princípio do Estado Democrático de Direito (caput do artigo 1o da Constituição Federal3) se alicerça em bases formais (a segurança jurídica – princípio da legalidade, da proteção ao ato jurídico perfeito, do 1 YAMASHITA, Douglas. Elisão e evasão de tributos. Limites à luz do abuso do direito e da fraude à lei. São Paulo: Lex Editora, 2005, p. 87. 2 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 3 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.101258/200850 Acórdão n.º 3802001.561 S3TE02 Fl. 194 7 direito adquirido, da coisa julgada, etc.) e materiais (voltados à realização da justiça – art. 3o, I, da CF/88 –, a um Estado de Direito e de Justiça Social – Miguel Reale –, a um Estado Social – Tércio Sampaio Ferraz Jr.). Todos são valores que, muito embora positividados na Constituição Federal, estão em constante tensão, “de modo que um plus na realização de um valor significa um minus na realização de outro ou outros valores”4. É nesse contexto – de reprovação do abuso do direito (o qual, longe de se restringir ao Direito Civil, alcança todos os ramos do direito5) – que precisa ser analisado o alcance da norma antielisão, cujo exame requer obrigatória aplicação do princípio da proporcionalidade, afastandose assim concepções absolutistas ou a ilimitabilidade do exercício da liberdade de contratar, juízo que se amolda perfeitamente à seguinte lição de Pontes de Miranda: O estudo do abuso do direito é a pesquisa dos encontros dos ferimentos, que os direitos se fazem. Se puderem ser exercidos sem outros limites que os da lei escrita, com indiferença, se não desprezo, da missão social das relações jurídicas, os absolutistas teriam razão. Mas a despeito da intransigência deles, fruto da crença a que se aludiu, a vida sempre obrigou a que os direitos se adaptassem entre si, no plano do exercício. Conceptualmente, os seus limites, os seus contornos, são os que a lei dá, como quem põe objetos na mesma maleta, ou no mesmo saco. Na realidade, quer dizer – quando se lançam na vida, quando se exercitam – têm de coexistir, têm de conformarse uns com os outros6. Na mesma toada, e especialmente quanto à possibilidade legal de desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade tributária com base no parágrafo único do artigo 116 do CTN, destaca Luciano Amaro que não merecem prosperar as críticas daqueles que defendem que referido preceito teria dado à autoridade administrativa o poder de criar tributo sem lei. Neste comenos, ressalta, textualmente: [...] O questionado parágrafo não revoga o princípio da reserva legal, não autoriza a tributação por analogia, não introduz a consideração econômica no lugar da consideração jurídica. Em suma, não inova no capítulo da interpretação da lei tributária. O que se permite à autoridade fiscal nada mais é do que, ao identificar a desconformidade entre os atos ou negócios efetivamente praticados (situação jurídica real) e os atos ou negócios retratados formalmente (situação jurídica aparente), desconsiderar a aparência em prol da realidade. [...] Noutras palavras, nada mais fez o legislador do que explicitar o poder da autoridade fiscal de identificar situações em que, para fugir do pagamento do tributo, o indivíduo apela para a 4 Cf. YAMASHITA, ob. cit., p. 8890. 5 PACHECO, José da Silva. Considerações preliminares à guisa de atualização. In: BATISTA MARTINS, Pedro. Abuso do direito e o ato ilícito, 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. XV, apud YAMASHITA, ob. cit., p. 95. 6 PONTES DE MIRANDA, Francisco. Tratado de direito privado. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972, t. LIII, p.67 e ss., apud YAMASHITA, ob. cit., p. 92. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 simulação de uma situação jurídica (não tributável ou com tributação menos onerosa), ocultando (dissimulando) a verdadeira situação jurídica (tributável ou com tributação mais onerosa)7. Releva mencionar a existência de respeitáveis entendimentos doutrinários contrários à possibilidade de “aplicação analógica em caso de abuso do direito”, como denomina Alberto Xavier, o qual entende que as cláusulas gerais antielisivas são uma “tentativa de tributação analógica de fatos extratípicos”8. Preferimos nos filiar à primeira corrente, por entendermos que a mesma está em sintonia com o princípio constitucional do Estado Democrático de Direito, o qual, como ressaltado, procura conciliar o direito considerando o conjunto de seus aspectos formal e material. Além disso, a norma antielisiva em destaque está prevista em lei complementar, portanto, de observação compulsória por parte do julgador administrativo, que não poderia afastála, por exemplo, sob argumento de inconstitucionalidade, questão, vale lembrar, sumulada por este Conselho (Súmula no 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Mas ainda no campo teórico da possibilidade legal de sanção ao abuso do direito no âmbito tributário, ou, em outras palavras, na arena de aplicação efetiva do disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN9, cumpre destacar que referido dispositivo faz remissão a “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, fato que poderia levar a juízo pela impossibilidade de sua autoaplicabilidade, dado que até hoje norma ordinária nesse sentido não foi editada10. Todavia, não obstante a inexistência de norma ordinária específica que trate da matéria, temse admitido a desconsideração de atos ou negócios jurídicos diante das hipóteses contempladas pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. Nessa toada, defende Douglas Yamashita11 que a ressalva legal “referese clara e exclusivamente a ‘procedimentos’ de desconsideração, e se o conceito de dissimulação é de direito material e não procedimental, logo, sua definição conjuga os conceitos de abuso do direito (arts. 50 e 187 do CC/2002) e de fraude à lei (art. 166, VI, do CC/2002) independentemente da lei ordinária”. Quanto aos critérios utilizados para a caracterização do abuso do direito, a doutrina se refere a três correntes principais: teoria subjetiva, teoria objetiva e teoria subjetivo objetiva. Em apertada síntese, segundo o a teoria subjetiva, o abuso nasce quando o ato é praticado sem interesse próprio e com o único objetivo de prejudicar outrem. Pela teoria objetiva, ato abusivo é o ato anormal, porque contrário à finalidade do direito; [...] um ato economicamente prejudicial e reprovado pela consciência pública. Seria ainda, o ato em contrariedade às regras sociais [...] em desconformidade ao interesse ou valor ambiental cultural vigente. Ou, de forma mais abrangente, em conformidade com o critério do motivo legítimo: o ato será normal ou abusivo, segundo se explique, ou não, por motivo legítimo, que 7 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva. 2009. 15. ed. p. 237238. 8 XAVIER, Alberto. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética. 2001. p. 45. 9 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifo nosso) 10 Tais procedimentos chegaram a ser objeto dos artigos 15 a 19 da Medida Provisória no 66, de 2002. Contudo, foram suprimidos no processo de conversão à Lei no 10.637/2002. 11 idem, p. 149. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.101258/200850 Acórdão n.º 3802001.561 S3TE02 Fl. 195 9 passa, pois, a constituir a pedra angular da teoria objetiva da finalidade social do direito12. Por fim, prega a teoria subjetivoobjetiva que ato abusivo seria aquele em que estariam presentes a intenção de se prejudicar a terceiro (aspecto subjetivo) e a não funcionalidade, ou anormalidade, do ato (aspecto objetivo)13. Ao examinar o 187 do Código Civil de 2002 à luz da teoria do abuso do direito, YAMASHITA ressalta o seguinte: Hoje, a concepção mais moderna do abuso do direito baseia se, sim, em critérios estritamente jurídicos: os princípios positivados. Os princípios servem, de um lado, como fundamentos de justificação das regras e, de outro, como normas de regulação de aplicação das regras existentes ao caso concreto. [...] Nesse sentido o abuso do direito consiste em uma conduta ilícita atípica, pois esta perde sua permissão normativa prima facie, em virtude de sua contrariedade a princípios jurídicos, especialmente aqueles de nível constitucional14. (grifo nosso) Especialmente no âmbito tributário, e notadamente em relação ao disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, há que se admitir que referido preceito não se restringe unicamente a uma norma antisimulação, como entende parte da doutrina (para estes, a aplicação como norma antielisão fere o princípio da legalidade estrita), mas opera efetivamente como norma antielisão contra abuso do direito ou contra a fraude à lei. Nesse sentido, novamente, Douglas Yamashita15: A segunda corrente defende, com base na interpretação do verbo dissimular constante do parágrafo em questão, que esse parágrafo consiste em uma norma não apenas antisimulação, mas também antielisão, ou seja, de combate ao abuso do direito e à fraude à lei, sendo constitucional a norma antielisão. Para essa corrente, os atos ou negócios com finalidade dissimuladora da ocorrência do fato gerador do tributo ou da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária poderiam ser também atos não simulados, uma vez que efetivamente declarados como desejados e executados. Tais atos ou negócios seriam aqueles que utilizam a fraude à lei ou o abuso do direito para disfarçar "licitamente", perante o Fisco, fatos tributáveis. [...] (gridouse) Ainda segundo Yamashita (ob. cit., p. 146), a dissimulação de que trata o parágrafo único do artigo 116 do CTN ocorre não apenas quando um fato jurídico falso dissimula um fato verdadeiro, mas também quando “um fato jurídico verdadeiro VI dissimule, isto é, atenue o efeito de outro fato jurídico verdadeiro V2 e, portanto, sem simulação. Se aquele fato jurídico verdadeiro VI é ato abusivo e dissimula o efeito do segundo fato jurídico verdadeiro V2, então VI constitui um ‘abuso dissimulatório’”. 12 “Um direito subjetivo não é um poder do indivíduo, mas uma função social. Assim, abusivo é o ato antifuncional, contrário ao fim social ou econômico do direito”. (SPOTA, Alberto G. Tratado de derecho civil. Buenos Aires: RubinzalCulzoni Editores, 1995, v. 2., 1.1, p. 10, apud LUNA, Everardo da Cunha. Abuso de direito. Rio de Janeiro: Forense, 1959, p. 92 e ss., apud Yamashita, ob. cit., p. 104). 13 Conf. YAMASHITA, ob. cit., p. 100104. 14 Idem, p. 119120. 15 Ob. cit., p. 144. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 O caso em exame envolve, exatamente, suposto abuso de personalidade jurídica de empresas que, segundo a autoridade fiscal, teriam sido criadas com o intuito exclusivo de gerar vantagem tributária imprópria em favor da recorrente, no caso em análise, na forma de direito creditório indevido para as contribuições PIS e COFINS. Tal forma de abuso, em tese, muito embora seja de natureza civil (art. 50, c/c art. 187 do Código Civil), possui reflexos tributários, sendo, pois, admitida a material desconsideração da personalidade jurídica, ou melhor, dos negócios jurídicos celebrados entre as envolvidas, para fins de lançamento tributário16. Essa questão merece seja utilizado, como adequado critério de exame da ocorrência de suposto abuso do direito de personalidade jurídica, se, no ato, ficou evidenciado eventual aspecto objetivo de anormalidade (se é injustificada a criação das empresas; se fere viés finalístico à operacionalização das mesmas – propósito econômico; se não houve recursos dos sócios para sua constituição; se a empresa não tem empregados, etc.) daí se extraindo ou deduzindo o intuito (aspecto subjetivo) de “dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”, como consta do parágrafo único do artigo 116 do CTN, portanto, em prejuízo do Erário. Enfim, envolve a análise do caso concreto frente às provas que instruem os autos para se examinar se o caso é mesmo de desconsideração do suposto ato abusivo. Em estudo da aduzida caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, considero como de menor importância algumas questões trazidas pela fiscalização, como o grau de parentesco entre os sócios da reclamante e as empresas contratadas, ou ainda, a identidade de objeto social. Contudo, tais fatos tem força probatória subsidiária para, ao lado das questões que julgo como mais importantes, revelarem a efetiva prática da conduta vedada pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. São elas: a) as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.; b) a empresa Rojana (recorrente – tomadora dos serviços) é quase que exclusivo cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly; c) a empresa Rafelly é estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana); d) a transferência dos empregados da interessada quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly, posto que a constituição dessas pessoas jurídicas não foi norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as graves evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o claro viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter crédito tributário indevido. Os fatos acima referenciados, em que se baseiam o presente juízo em favor da caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, não chegam a 16 “Ora, se o abuso de personalidade jurídica, como espécie de abuso do direito, é um ilícito civil (art. 187 do CC/2002) e se todo ato ilícito, ainda que meramente civil, é caso de evasão tributária, então se pode concluir que a desconsideração da personalidade jurídica é perfeitamente cabível em matéria tributária. (YAMASHITA, ob. cit., p. 157) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.101258/200850 Acórdão n.º 3802001.561 S3TE02 Fl. 196 11 ser maculados pelos argumentos da interessada. Com efeito, a aduzida realização de negócios com outras empresas, a alegada diversidade entre os sócios de cada pessoa jurídica, a regularidade formal trabalhista, o recolhimento dos tributos, nenhum desses argumentos é suficiente para afastar o conjunto probatório trazido pela fiscalização, suficientes para alicerçar a procedência do entendimento oficial. Subsidiariamente, e também em resposta ao argumento da suplicante em prol da nulidade do lançamento em vista de o mesmo haver sido baseado em suposta presunção, destaquese que o direito brasileiro admite sim a utilização de presunções para combater ilícitos tributários. Nesse sentido, a lição de Maria Rita Ferragut17: [...] não há como ignorar que, se a segurança jurídica não admitisse as presunções, acabaria dificultando a proteção do direito daqueles que os detêm, mas que são prejudicados pela fraude, dolo, simulação. Dentre esses encontrase, sem dúvida alguma, o Fisco. Assim, o motivo para a criação das presunções foi sanar a dificuldade de se provar certos fatos mediante prova direta, fatos esses que deveriam ser necessariamente conhecidos, a fim de possibilitar a preservação da estabilidade social mediante uma maior eficácia do direito. As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos, “alargam o campo cognoscitivo do homem”18, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o fato indiciado. No Direito Tributário, assumem significativa importância, tendo em vista que os fatos juridicamente relevantes são muitas vezes ocultados por meio de fraudes à lei fiscal, ficando o processo de positivação do direito obstado de ocorrer. Em tais casos, a presunção tem natureza essencialmente procedimental, destinada a auxiliar o aplicador do direito na subsunção da situação fática à norma. Portanto, não cria, altera ou revoga direitos, conclusão que se extrai, mais uma vez, das considerações de Maria Rita Ferragut sobre o tema: A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu19. [...] 17 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 146147. 18 Cf. Jimir Doniak Jr, citado por FERRAGUT, ob. cit., p. 146. 19 Op. cit., p. 168. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 [...] Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se é assim, não se trata de alegar que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, mas de se reconhecer que o conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base em fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido20. (grifos nossos) A norma aduaneira, inclusive, admite textualmente a presunção de interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior diante da “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados” (vide artigo 23, inciso V e §§ 2°, do Decretolei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/200221) (destaque nosso). Os argumentos até aqui desenvolvidos também deixam claro que a empresa que procurou se beneficiar indevidamente do direito creditório das contribuições sociais PIS e COFINS foi a própria Rojana Calçados, a qual buscava a extinção de débitos próprios, por compensação, com os supostos créditos das contribuições. Assim, é ela mesma quem deve figurar no pólo passivo, o que afasta também o argumento de nulidade por aduzida ilegitimidade passiva da reclamante. Também não merece prosperar a argüida nulidade do julgamento de primeira instância por suposto cerceamento do direito de defesa da interessada, cerceamento o qual teria sido caracterizado na recusa do pedido de perícia destinada a esclarecer, dentre outras, a questão dos adiantamentos que o contribuinte teria realizado às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Segundo o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, o julgador tem a prerrogativa de determinar de ofício perícias ou diligências quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, conseqüentemente, para a solução do litígio, sendo facultado ainda ao mesmo o indeferimento daquelas que “[...] considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]”. Portanto, tanto a perícia como a diligência, por representarem instrumentos capazes de propiciar melhor convencimento ao julgador, poderão ser justificadamente negadas por este, não representando, pois, direito subjetivo do impugnante. Ademais, de acordo com os artigos 15, caput, e 16, § 4º, do PAF, as provas do sujeito passivo deverão ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos “a” a “c” do mencionado § 4º, através de petição devidamente fundamentada (§ 5º do mesmo artigo), condições as quais não foram evidenciadas no caso presente. 20 Op. cit., p. 170. 21 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] (grifo nosso) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.101258/200850 Acórdão n.º 3802001.561 S3TE02 Fl. 197 13 A primeira instância recursal indeferiu o pedido de perícia baseada na fundamentada suficiência probatória dos autos para a formação da convicção pelo julgador. A suplicante alega a necessidade de perícia para comprovar a razão dos adiantamentos realizados às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, o que poderia ter feito através da apresentação de documentos que só ela pode dispor. Ora, a interposição de recurso voluntário sem a apresentação de nenhuma documentação nova voltada a alicerçar os argumentos da reclamante revela que andou bem a DRJ quando negou o pedido de produção pericial. E pelos mesmos fundamentos, nego o pedido de perícia reapresentado na presente instância recursal. Afastase, pois, aqui também, o argumento em prol da nulidade por aduzido cerceamento ao direito de defesa da interessada. Examinadas as questões de natureza preliminar e as nulidades aduzidas pela reclamante – deixadas para o final em vista de sua ligação com as questões principais tratadas – e considerando que, no mérito, não assiste razão à recorrente, há que se concluir pela improcedência dos argumentos apresentados pela interessada, devendo, portanto, ser mantido o entendimento da autoridade administrativa no sentido de glosar os créditos argüidos pelo sujeito passivo. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia formalizado pela recorrente, bem como para não acolher as razões de nulidade aduzidas pela interessada, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 26 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 15504.013088/2009-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA.
O inciso III do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, determina que a contribuição a cargo da empresa destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. O inciso III do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, determina que a contribuição a cargo da empresa destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 30 88 /2 00 9- 72 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório A instância ad quod produziu o relatório abaixo que li , compulsei com os autos e tendo corroborado o reproduzi na íntegra com grifos de minha autoria: “ Conforme disposto no Relatório Fiscal (fls.131/135), tratase de crédito lançado no valor de R$3.711,18, contra o contribuinte acima identificado, pois, o contribuinte deixou de declarar e recolher, no período de 01/01/2004 a 30/11/2005, as contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, apurados neste auto de infração. O presente lançamento se formalizou através dos levantamentos efetuados por estabelecimento e demonstrados no Discriminativo Analítico do Débito DAD de fls.04 a 09, a saber: CIN contribuinte individual não declarado em GFIP FRN Frete não declarado em GFIP Para apuração do crédito, foram verificados os documentos listados no item 6 do Relatório Fiscal, sendo eles: os Livros Diários n os . 62 a 104 e Razões, as folhas de pagamento, os Recibos de Pagamentos a Autônomos RPA's (cópias anexadas por amostragem) e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. No Relatório de Lançamentos RL de fls.17/30 a Auditoria demonstra como foram apurados os créditos e identifica, nominalmente, os contribuintes individuais contratados e incluidos no lançamento. No Relatório de Fundamentos Legais, fls.46/48, encontramse as normas que nortearam o lançamento. A auditoria esclarece, também, que, em face das alterações incluídas pela Lei 11.941/2009, que estipulou novos parâmetros para a aplicação de multas acessórias e multas relativas a lançamentos de oficio, foi observado o principio da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do código Tributário Nacional CTN, comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. Constatouse que a aplicação da multa de oficio, no percentual de 75%, é mais benéfica em todas as competências do lançamento, conforme demonstrado no comparativo em anexo, fls.148. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013088/200972 Acórdão n.º 2403001.576 S2C4T3 Fl. 3 3 A ação fiscal foi precedida de Mandado de Procedimento Fiscal de n° 06.1.01.00200800012 e Termo de Inicio da Ação Fiscal datado de 11/08/2008, fls.51/52 e Termos de Intimação Fiscal de fls.53/57, dos autos. De acordo com o item 9 do Relatório Fiscal foi feita Representação Fiscal para Fins Penais n° 15504.013297/200916 (Peça informativa do Ministério Público Federal no 1.22.000.002946/200934 fls.410/412), em relatório a parte, destinada à autoridade competente, posto que a conduta do contribuinte configura, em tese, a conduta descrita no art.337, incisos I e III, do código Penal, incluídos pela Lei 9.983 de 14 de julho de 2000. 0 Auto de Infração foi lavrado em 31/07/2009 o contribuinte tomou ciência do lançamento em 10/08/2009 conforme Aviso dos CorreiosAR de fls.405, apresentando dentro do prazo legal a impugnação que nos autos corresponde ao documento de fls.413/468. DA IMPUGNAÇÃO. Inicialmente, o contribuinte fala sobre a tempestividade de sua defesa, e, em preliminar, pede que seja aplicado o entendimento exarado no julgado que transcreve, sob o argumento de que se refere a caso idêntico ao seu. Na ementa do citado julgado vem expresso que não se pode caracterizar a reincidência antes do transito em julgado do processo referente a autuação anterior. Assim, requer a nulidade do auto de infração e, caso esta não seja declarada, que seja a multa retificada em sede de preliminar. Faz um breve relato dos fatos e argumenta que o pagamento feito a autônomo, que presta serviços de natureza eventual à empresa, não pode ser considerado salário, pois, falta o elemento essencial para esta caracterização, qual seja, o vinculo empregatício. Alega que, a Auditoria considerou os serviços prestados por pessoa jurídica como sendo serviços sujeitos ao recolhimento de contribuições previdenciárias. Diz que, basta destacar no anexo I, "as pessoas jurídicas" consideradas, equivocadamente, como contribuintes da seguridade social, fato que por si só gera a nulidade do auto de infração. Transcreve o § 9°, letra "e" item 7 da Lei 8.212/91, para argumentar que não há possibilidade de incluir os valores pagos, a titulo de ganhos eventuais, aos autônomos ou os pagamentos realizados a outras pessoas jurídicas, como salário de contribuição. Diz que, a simples constatação da Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 natureza não salarial dos referidos pagamentos é suficiente para afastar a inclusão destes valores no contexto das contribuições previdenciárias. Conclui que: os valores destinados ao pagamento de pessoa jurídica que foram incluídas no anexo I, do relatório fiscal, não devem ser incluídas em folha de pagamento, porque inexiste verbas previdenciárias incidentes sobre tais pagamentos, seja em razão da inexistência da relação jurídica, seja porque não possui natureza salarial; também, os valores pagos aos autônomos que prestaram serviços a impugnante, mesmo que estejam incluídos em contas que a auditoria entenda como sendo de incidência de contribuição previdenciária, não devem ser considerados como tal. Cita o art.108, §1° do Código Tributário Nacional CTN para afirmar que não cabe efetuar o enquadramento das citadas verbas por analogia (§1° o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei). Dos Pedidos Requer: 1 o recebimento de sua peça e encaminhamento para análise do órgão competente; 2 seja julgado improcedente o presente auto de infração para desconstituir o lançamento imposto na sua totalidade, porque a empresa não deixou de arrecadar, contribuições sociais devidas A Seguridade Social, correspondente A parte da empresa relativa ao período de janeiro/2004 a novembro de 2005, pois, restou comprovado que os valores recebidos pelas pessoas jurídicas e pelos segurados contribuintes individuais, não constituem saláriode contribuição não havendo, por este motivo que se falar em falta de pagamento à Previdência Social; 3 o cancelamento do auto de infração e, na remota hipótese deste não ser aceito, que seja retificado o valor da multa, assim como recalculado os juros, utilizandose os percentuais permitidos em lei, por ser medida de justiça. É o relatório.” O Relatório registra também que : “ Em função do principio da retroatividade benigna, acima mencionado, foi elaborado quadro comparativo, constante no anexo 3, entre as multas discriminadas acima, apuradas mensalmente, e a multa de lançamento de oficio de 75% estabelecida pelo art. 44 da Lei 9.430/96. 0 referido quadro demonstrou que a aplicação da multa de oficio de 75% foi a Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013088/200972 Acórdão n.º 2403001.576 S2C4T3 Fl. 4 5 mais benéfica para o contribuinte, em todas as competências do período fiscalizado.” Na seqüência, os itens 7 e 11 do Relatório Fiscal informam que : “ 7. Período para o qual houve a entrega de GFIP: jan/2004 a nov/2005. A entrega se deu antes do inicio da ação fiscal, ressaltandose que todos os valores apurados e descritos neste Relatório Fiscal não foram declarados em GFIP. 11. Foram ainda lavrados na presente ação fiscal os seguintes documentos: • Auto de Infração n°37.182.3269 (crédito referente à parte dos segurados); Auto de Infração n°37.238.0204 (crédito referente à parte de terceiros); • Auto de Infração n°37.238.0247 (referente ao CFL 30); • Auto de Infração n°37.238.0263 (referente ao CFL 34); • Auto de Infração n° 37.238.0280 (referente ao CFL 59).” Aduz que excetuandose o Auto de Infração n° 37.238.0280 referente ao CFL 59, R$ 2.658,36 , me coube relatar os demais e, oportunamente, o faço nesta mesma sessão. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.471, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 09 de dezembro de 2010, exarou o Acórdão n° 02 29.943, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.488, onde NÃO COMBATE as razões do voto “ ad quod ” mas tãosomente reitera as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AGRAVAMENTO POR REINCIDÊNCIA A reiterada alegação faz lícito inferir que a Recorrente demonstra não ter lido os argumentos que sustentaram a condução do voto “ad quod ”. Com efeito ressurge despropositado o pedido de nulidade em razão de que não se observa nos autos penalização com agravamento por reincidência. Como as demais alegações apresentadas na forma do Recurso, esta também já fora enfrentada em sede de impugnação onde na ocasião ficou demonstrado que isto não ocorrera em razão de se tratar o presente de lançamento de obrigação PRINCIPAL que não comporta tal majoração reservada para eventuais reincidentes inadimplementos de obrigações acessórias. Assim, por inexistência de materialidade, não há o que prover. DO MÉRITO No presente caso, o lançamento diz respeito às remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais: transportadores autônomos e demais pessoas físicas autônomos. Consta nos autos que os recibos analisados pela Auditoria se referem aos pagamentos efetuados às pessoas físicas, denominados contribuintes individuais, no caso, os autônomos e os transportadores autônomos, identificados no anexo I e no Relatório de Lançamentos. Ademais, verificase que os documentos probantes colacionados, são recibos assinados de pagamentos a autônomos – RPA. As obrigações das empresa perante a Seguridade Social, relativamente aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços estão contidas nos artigos 22, inciso III , da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que assim dizem, respectivamente: “ Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; ” Dessa forma, tendo tudo isto presente, li e analisei o Relatório de primeira instância e compulsei com os autos, inclusive o Acórdão exarado naquela sede . Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013088/200972 Acórdão n.º 2403001.576 S2C4T3 Fl. 5 7 DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAS ALEGAÇÕES Considerando que o Recorrente não confrontou as razões do “decisium” com pontuais efetivas alegações, convencido da exação do lançamento e tendo anuído na íntegra a decisão da I. Julgadora “ ad quod ”, não me ocorre justificado trazer à colação arrazoado sinônimo para tornar a negar provimento. Assim, até mesmo por economia processual, entendo despiciendo reenfrentar os mesmos reclamos postados em sede de impugnação. DA MULTA Na primeira instância a penalidade já fora observada com o benefício da retroatividade benigna tendo na ocasião o julgador assim se manifestado: “ Em função do principio da retroatividade benigna, acima mencionado, foi elaborado quadro comparativo, constante no anexo 3, entre as multas discriminadas acima, apuradas mensalmente, e a multa de lançamento de oficio de 75% estabelecida pelo art. 44 da Lei 9.430/96. O referido quadro demonstrou que a aplicação da multa de oficio de 75% foi a mais benéfica para o contribuinte, em todas as competências do período fiscalizado.” CONCLUSÃO Conheço do recurso para NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Ivacir Júlio de Souza – Relator. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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