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Numero do processo: 10283.006831/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos, quando restar omissão a ser esclarecida..
ISENÇÃO DO IPI. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO GLOBAL DO PPB
Quando o contribuinte logra êxito em comprovar o cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do IPI, de forma global, e, demonstrados em diligência fiscal que, meros erros de controle de estoque não são suficientes para caracterizar descumprimento de regime, devendo ser cobrado o tributo sobre os produtos/componentes que não estavam abrangidos no regime PPB, há de se cancelar os créditos tributários lançados de ofício pela fiscalização.
Numero da decisão: 3301-004.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento integral ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que rejeitava os embargos de declaração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Ari Vendramini Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos, quando restar omissão a ser esclarecida.. ISENÇÃO DO IPI. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO GLOBAL DO PPB Quando o contribuinte logra êxito em comprovar o cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do IPI, de forma global, e, demonstrados em diligência fiscal que, meros erros de controle de estoque não são suficientes para caracterizar descumprimento de regime, devendo ser cobrado o tributo sobre os produtos/componentes que não estavam abrangidos no regime PPB, há de se cancelar os créditos tributários lançados de ofício pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento integral ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que rejeitava os embargos de declaração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 68 31 /2 00 8- 85 Fl. 5320DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.318 2 (assinado digitalmente) Ari Vendramini – Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo contribuinte em face do Acórdão n° 3301003.167, de 26 janeiro de 2017: "Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: 'Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A Fiscalização apurou a seguinte infração: a) Descumprimento das condições e requisitos para a fruição da isenção do IPI. 2. Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 18.12.2008 (fl. 04), o contribuinte apresentou impugnação em 19.01.2009 (fls. 399/419) alegando: a) Que teria ocorrido a decadência, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; b) Que a contagem do prazo decadencial deveria ser efetuada de acordo com o art. 150, §4°, do CTN, independentemente da existência de pagamento; c) Que, de modo a atender ao PPB, a montagem e soldagem dos componentes nas placas de circuito impresso eram realizadas por empresas terceirizadas; d) Que os "circuitos impressos sem componentes" e seus respectivos "componentes eletrônicos ativos e passivos", uma vez recebidos e separados em seus estabelecimento, seriam encaminhados em operações de "remessa para industrialização" (sob o CFOP 5.901) para fornecedores terceirizados, que promoveriam a montagem da placa de circuito impresso; e) Que, uma vez concluída a montagem da placa de circuito impresso, o fornecedor promoveria o retorno das mercadorias anteriormente remetidas (sob o CFOP 5.902) e o respectivo faturamento da industrialização efetuada (montagem da placa, sob o CFOP 5.124); f) Que as placas de circuito impresso seriam utilizadas como itens intermediários para a fabricação dos Fornos de Microondas; g) Que a premissa utilizada pela Fiscalização de que para cada forno de microondas é utilizada uma placa de circuito impresso não seria verdadeira, pois cada microondas consumiria duas placas de circuito impresso; h) Que o resultado da conciliação da movimentação de estoques de produtos e insumos teria apontado substanciais divergências entre os números considerados Fl. 5321DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.319 3 pela Fiscalização e os números que constariam da escrita fiscal e contábil da empresa; i) Que a Fiscalização, a partir de um exercício absolutamente subjetivo, teria concluído pelo descumprimento do PPB; j ) Que, de acordo com os documentos apresentados, não teria havido quebra do PPP; k) Que, ao promover ao lançamento com base em uma análise equivocada de planilhas e demonstrativos, a Fiscalização teria violado os princípios que regem a atividade tributária estatal. Por fim, requereu: a) Que o lançamento fosse julgado improcedente; b) Que a intimação fosse dirigida à pessoa de seu representante; c) Que fosse autorizada a apresentação de documentos suplementares durante o curso do processo; d) Que fosse autorizada a realização de sustentação oral. É o relatório.' Em sessão do dia 28/4/2009, a DRJ em Belém (PA) julgou a impugnação parcialmente procedente. Os créditos tributários referemse ao ano de 2003 e o contribuinte tomou ciência da autuação em 18/12/2008. A Turma considerou que decaíra o direito da Fazenda Pública de consituir créditos tributários relacionados aos meses em que o imposto foi lançado, isto é, em relação aos períodos de apuração em houve pagamento do IPI. O Acórdão n° 0113.741 foi assim ementado: 'Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. As regras referentes a intimações no curso do processo administrativo fiscal encontramse previstas expressamente no art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Neste dispositivo normativo não há previsão de intimação pessoal do advogado. PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFESA ORAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para defesa oral na primeira instância administrativa. DOCUMENTOS. JUNTADA ULTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O art. 16, §4°, do Decreto n° 70.235/72, prevê expressamente que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Fl. 5322DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.320 4 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Somente há lançamento por homologação quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo antes da atuação do Fisco. DECADÊNCIA. Na contagem do prazo decadencial, somente se aplica a regra prevista no art. 150, §4°, do CTN, quando houver pagamento. Caso contrário, aplicase a regra do art. 173,1, do CTN. Lançamento Procedente em Parte' Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repetiu os argumentos aduzidos na impugnação e adicionou o seguinte: Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício; e Documentos: declaração da empresa Sanyo, atestando que realizou industrialização por encomenda de pacas de circuito impresso; notas fiscais de remessa e retorno de industrialização por encomenda e de faturamento da industrialização; e "Demonstrativo de Consumo das Placas de Circuito Impresso nos Fornos de MicroOndas." Dada a desoneração parcial, houve recurso de ofício. O processo veio para o CARF. A 2° Turma Ordinária da 3° Câmara da 3° Seção decidiu converter o processo em diligência. Reproduzo o voto condutor: 'Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Redator Designado. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Desde o início da controvérsia, o contribuinte procura demonstrar, por meio de provas concretas, que do procedimento adotado não teria ocorrido dano ao erário, uma vez que as mercadorias que efetivamente foram remetidas para industrialização sem a cobertura de adequada documentação fiscal, o foram pois eram uma peça única, que, bipartida no prestador de serviços, retornava adequadamente acobertada pela documentação fiscal pertinente. Diante desse fato, é de argüirse o porque não teria o auditor fiscal feito auditoria de produção naquele contribuinte, para demonstrar efetivamente a ocorrência de prejuízo ao fisco, não necessariamente decorrente apenas daqueles fatos, mas até de outros porventura encobertos sob o manto dessa única e originária controvérsia. Pelo contrário, optou por aterse à incorreção formal do contribuinte, ao invés de buscar a verdade material. Entendo pois que deveria ter sido observada a Lei nº 9.430/96, como o é em inúmeras circunstâncias analisadas por essa Turma. Invoco então julgado da antiga 1ª Câmara do Segundo Conselho, para ilustrar o que poderia ter acontecido, Acórdão 20179.746: 'Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 5323DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.321 5 Data do fato gerador: 31/01/1991, 31/12/1999 Ementa: AUDITORIA DE PRODIS ERRO NA APURAÇÃO PROVOCADO POR ERRO DE INFORMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. REFAZIMENTO DOS CÁLCULOS. CANCELAMENTO DE PARTE DA AUTUAÇÃO. Demonstrado nos autos que parte do crédito tributário apurado decorreu de erro na apuração nas vendas supostamente omitidas que, por sua vez, teve origem em erro em informação prestada pelo contribuinte, cancelase a parcela indevida da autuação. Recurso de oficio negado.' Na ocasião, o Conselheiro relator considerou como fundamento o Acórdão de primeira instância, e arrematou: “Quanto ao mérito, considerando que a diligência realizada comprovou a tese da impugnante, qual seja, a de que houve realmente a informação incorreta do total de compras de matériaprima nos códigos envolvidos, o que foi acertado nos demonstrativos e planilhas refeitos, o que efetivamente alterou as bases de cálculo do 11'1 e, I também, quanto à falha de transcrição dos dados das relatórios fiscais para o Auto de Infração, resta analisar, principalmente, se procedente alegação de que 'a auditoria de produção não tem como apurar a verdade material na comparação do consumo das matériasprimas usadas na produção contra o consumo de matériasprimas constantes dos respectivos registros contábeis, uma vez que não existe exatidão na relação matériaprima versus produto', e que 'algumas matériasprimas originalmente destinadas à fabricação de um determinado tipo de parafuso, de acordo com o respectivo cadastro, foram utilizadas na fabricação de outro item e também, um produto pode ser fabricado usufruindo uma matériaprima opcional, não registrada no respectivo cadastro, dependendo das circunstâncias do processo produtivo." "Considerando, de fato, que a Fiscalização produziu uma apuração detalhada, em função da diligência, donde concluiu efetivamente ter havido erro na apuração original, decorrente de informação incorreta prestada pela interessada, não restou alternativa ao Acórdão de primeira instância além de cancelar a parcela decorrente de erro.” Assim sendo, entendo que deveria ter sido procedida a auditoria de produção por parte da fiscalização para que pudéssemos ter certeza ou não de dano ao erário, o que não fora feito. Tampouco não necessariamente seria um procedimento obrigatório, mas sem dúvida espancaria qualquer dúvida quanto à adequação dos procedimentos adotados pelo contribuinte, e alcançaria a verdade material. Não tendo isso ocorrido, proponho aos nobres pares a conversão desse recurso em diligência, para que possamos buscar a verdade material no caso concreto, onde não me pareceu ter ocorrido prejuízo ao erário, mas uma inobservância de formalidade fiscal, cuja desconsideração dessa escrita, ai sim, resultou em lançamento de ofício. Fl. 5324DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.322 6 Para tanto, apresentarei o que entendo serem os motivos para essa diligência, seguidos daquilo que considero que poderia ser demonstrado pelo contribuinte para que esse colegiado possa ao final postarse diante de duas premissas: a uma, a de que houvera ou não prejuízo ao erário. Caso positivo, mais confortável o voto no sentido de negar provimento à pretensão do contribuinte. Ou, a duas, a de que não se estaria na hipótese de prejuízo ao erário, daí sim, esse colegiado poderá optar entre a verdade material versus a verdade formal da escrita do contribuinte. I Da Controvérsia acerca da aprovação do PPB da recorrente X entendimento da RFB sobre o processo produtivo Um dos aspectos que restou controverso na discussão da lide diz respeito ao processo produtivo básico (PPB) do microondas, que, nos termos da Portaria Interministerial MDIC/MCT nº 68/1994, consiste em 5 etapas, a saber: “I Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; II Montagem do painel de controle; III Estampagem, soldagem e pintura da cavidade do forno; IV Montagem na cavidade do forno dos módulos: conjunto motor/ventilador, conjunto circulador de ar, válvula magnetron, instalação da fiação, painel de controle, capacitor, transformador, porta e sistema de giro do prato; V Ensaios de vedação e funcionamento”; e que a etapa supostamente descumprida restringese à etapa I realizada por terceiro (Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso); Verificamos, ainda que os Laudos de Produção (LP) emitidos pela SUFRAMA e apensos ao processo às fls. 79, 80 e 81 constituemse, nos termos do artigo 23 da Resolução SUFRAMA nº 202/2006, “no documento comprobatório do atendimento das etapas estabelecidas no PPB de cada produto e do cumprimento de outros parâmetros dimensionados no projeto técnico econômico aprovado”; Possível observar que a mesma Resolução SUFRAMA nº. 202/2006, em seu artigo 58, estabelece que “a SUFRAMA enviará comunicado à Secretaria da Receita Federal (SRF) sempre que comprovar que a empresa auferiu indevidamente dos incentivos fiscais administrados pela autarquia, descritos no art. 1º desta Resolução.”; Finalmente, em matéria de cumprimento de PPB, o CARF/CSRF já se manifestou a favor da conversão do julgamento em diligência, notadamente em situações envolvendo aspectos fáticos, conforme acórdãos CSRF/0303.300 (processo nº 10283.007112/9371), CSRF/0305.109 e 30129.220 (CARF); ou seja, no sentido de que o entendimento do CARF/CSRF nas decisões mencionadas acima, segundo o qual não poderá haver divergência sob o ponto de vista fático entre SUFRAMA e Receita Federal; II Do cumprimento dos requisitos do PPB para o Forno Microondas – Modelo 10271DBB106 Quanto à comprovação do cumprimento dos requisitos do PPB para o Forno Microondas – Modelo 10271DBB106 (Código 70289373 – Item Intermediário) Um dos objetos do Auto de Infração foi a não comprovação da origem do consumo do subconjunto, item intermediário, modelo 70289373 suficiente para produzir o forno modelo 10271DBB106, conforme mencionado pela fiscalização à fls. 09, item 12.4 do processo: "(...) Já com relação às 90.587 unidades produzidas de Forno Microondas, modelo 10271DBB106, informadas pela própria empresa (...), não há identificação da origem do consumo das Fl. 5325DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.323 7 Placas de Circuito Impresso, código 702389373, utilizadas para produção desse modelo.(...)” Assim, verificase, basicamente, a falta de correlação entre as quantidades produzidas do item intermediário 702389373 e a produção dos fornos microondas modelo 10271DBB106 fabricados pela Recorrente. Assim, temos algumas observações. A primeira de que a conclusão do Sr. Auditor Fiscal foi baseada em uma interpretação equivocada da “Relação Insumo Produtos” fornecida pela Recorrente à fiscalização, apensa ao processo às fls. 95 e 96, diante da qual o Sr. Auditor Fiscal considerou que tal relação não representava a lista de combinações possíveis de componentes para a produção dos fornos, não se tratando da relação exata de todos os componentes que necessariamente deveriam ser utilizados para produção dos fornos e que os arquivos magnéticos elaborados no layout determinado pela IN n° 86 e apresentados ao Sr. Auditor Fiscal, permitiriam, de acordo com o alegado pelo contribuinte, por meio da relação Consumo X Produção (arquivo magnético 4.5.1 Controle de Estoque), comprovar que o subconjunto modelo 70289373 foi utilizado, no ano de 2003 para produção de dois outros fornos microondas que não o forno modelo 10271DBB106; A segunda que a planilha fornecida pela Recorrente durante os procedimentos de fiscalização, apensa ao processo às fls. 120, a qual demonstra esquematicamente e quantitativamente a inocorrência durante o ano de 2003 da utilização do subconjunto modelo 70289373 para produção do forno modelo 10271DBB106, mas sim para a produção de outros dois modelos de fornos; Que é possível constatar pela existência de documento fiscal que permitiria comprovar a industrialização (CFOP 1124) do subconjunto modelo 70289373 (ex: fls. 1401 a 1404 do processo) em quantidade suficiente para produzir os outros dois modelos de fornos 10271DBC106 e 10271DBD106, e que esta comprovação pode ser verificada no arquivo magnético da IN n° 86 denominado 4.3.4 Itens de Mercadoria/Serviços (Entradas), devidamente fornecido à fiscalização; III Do cumprimento dos requisitos do PPB para os Fornos Microondas – Modelos 10271DBB206 e 10271DBB106 (Código 64800174 Insumos) e 10321DBB106 e 10321DBB206 (Código 64800175Insumos) Outro ponto objeto de questionamento pela fiscalização, e que fora objeto de controvérsia, referese a remessa dos insumos placas de circuito impresso (PCI) modelos 64800174 e 64800175 para industrialização por terceiros. Alega o Auditor Fiscal (fls. 10) nos itens 12.8 e 12.9 o que segue: “(...) Em relação à não identificação das remessas para industrialização das Placas de Circuito Impresso importadas, descritas na planilha (...), sobre as quais intimou o contribuinte a manifestar, não houve qualquer menção a elas na resposta às fls. (...). Sendo assim, no que diz respeito às placas de Circuito Impresso, tanto em relação aos códigos 64800174, 64800175, itens importados, (....), cujos empregos se verificam nos modelos 10271DBB106, 10271DBB206, 10321DBB106 e 10321DBB206 (...) o contribuinte não logrou êxito em demonstrar ou provar que houve a terceirização para o cumprimento do artigo 1º, Fl. 5326DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.324 8 inciso I da Portaria Interministerial 68/94”. (grifos não destacados do original) Do retrotranscrito, poderseia concluir que o descumprimento do PPB para tais produtos estaria restrito à ausência de comprovação documental da remessa à industrialização para terceiros dos insumos “placas de circuito impresso” (PCI) modelos 64800174 e 64800175”. A fiscalização fundamentase no fato de que os insumos PCIs modelos 64800174 e 64800175 não constaram nas notas fiscais de remessa (CFOP 5901) para a SANYO, empresa terceirizada que assumia o papel de industrializar os subconjuntos (produto intermediário) por meio da montagem dos insumos (placas e componentes) enviados pela Recorrente; Afirma ainda a fiscalização que a empresa terceirizada firmou declaração no sentido de fora esta a responsável pela montagem dos subconjuntos no anocalendário de 2003 (fls. 1215), bem como que efetuara a industrialização de todos os insumos adquiridos pela Recorrente; Nesse sentido, entendo que devemos considerar, para prosseguirmos na busca pela verdade material, que mais importante seria analisarse o cumprimento do PPB como um todo para a produção anual dos produtos elencados e não apenas analisarmos estritamente o cumprimento de uma obrigação formal – qual seja – o preenchimento da Nota Fiscal, na medida em que a recorrente afirma que a etapa do PPB de remessa dos insumos PCIs para industrialização foi rigorosamente obedecida. Ainda, não vejo na legislação que rege o PPB a exigência formal expressa que nos leve ao entendimento de que o cumprimento do PPB deve ser avaliado isoladamente pela ótica formal da escrita fiscal. Verifico que a fiscalização efetivamente focou em questão estritamente formal – i.e., ausência da identificação da placa menor (174/175) na nota fiscal de remessa à industrialização, enquanto deixou à margem do procedimento fiscalizatório todas as outras etapas e formalidades eventualmente cumpridas em relação ao PPB, e que poderiam ter sido averiguadas em uma auditoria de produção. Mais, considero que o princípio da verdade material requer que evitese o excesso de formalismo (Acórdãos 30330.157 e 20401.782), e que se permita a apresentação de outros meios hábeis e idôneos de prova. IV Do processo de Importação dos Insumos “PCIs” Possível depreender dos autos que, por particularidades do processo produtivo, as placas utilizadas eram produzidas em um só corpo, unidas apenas por um “serrilhado”, e que por isso, afirma a recorrente que considerava que a placa importada era responsável pelo controle do forno de microondas (placa maior), de tal modo que, mesmo sabendo que à referida placa teria em si acoplada uma outra placa responsável pela alimentação da energia (placa menor), estruturalmente, não havia sentido implementar controles contábeis para duas placas, como se fisicamente estivessem separadas; Prossegue ainda alegando a recorrente que o insumo PCI modelo 64800174, placa menor, era importado em conjunto, formando fisicamente uma única peça com o insumo PCI modelo 64800054, placa maior (par 1), da mesma forma que o insumo PCI 64800175, placa menor, era importado em conjunto com a PCI modelo 64800069, placa maior (par 2), e, sendo portanto, “uma única placa”, e que, em Fl. 5327DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.325 9 decorrência de suas especificações técnicas, não haveria a necessidade de escriturar notas fiscais distintas para a remessa das duas placas em separado; Finalmente, afirma que as Declarações de Importação estão relacionadas nos autos do processo às fls. 264 a 394 e que na sua descrição detalhada consta que os insumos PCIs são identificados com a expressão “sem componente eletrônico” e, portanto, são considerados insumos; que por isso cada par de placa era sempre importado fisicamente acoplado, mesmo que para algumas Declarações de Importação fossem informados apenas o código de uma das placas do par, e que, portanto, existiam duas formas de declarar a importação dos insumos PCIs na DI, sendo uma delas com a inserção de apenas um código (ex: 64800054) e a outra com a inserção dos dois códigos (ex: 64800054 e 64800174); Finalmente, verificase que mesmo nas DIs nas quais houve segregação meramente descritiva (informação dos dois códigos de insumos), o denominado “part number” (código da placa perante o fornecedor no exterior) era o mesmo para os dois códigos de placas; que ii) a declaração dos dois códigos de placas não se desdobravam em duas adições na DI (mesma NCM 8534.00.00); e que iii) a soma do valor unitário, em dólar, dos dois códigos de placas (DIs com dois códigos de placas) era igual ao valor unitário declarado nas DIs que apresentaram apenas um código de placa; Isso posto, quanto aos itens I a IV, voto no sentido de converter o presente recurso em diligência para: Que intimese o contribuinte a demonstrar que (i) Em relação aos aspectos fáticos, especificamente à etapa I da Portaria Interministerial nº 68/1994, objeto de questionamento por parte da fiscalização, que houve aprovação do cumprimento da referida etapa por parte da SUFRAMA, o que não fora considerado subsistente pela RFB. (ii) Que demonstre que a partir da análise dos arquivos da IN/86 (especificamente o arquivo 4.5.1), restaria comprovada a não utilização do subconjunto modelo 70289373 para produção do forno microondas 10271DBB106 e, portanto, a realidade fática alegada pela Recorrente. (iii) Em caso positivo, ou seja, caso tenha havido a utilização do subconjunto modelo 70289373 para produção do forno microondas 10271DBB106, intimese a demonstrar se seria possível aferir em quais modelos de fornos de microondas este subconjunto modelo 70289373 fora utilizado. (iv) Que demonstre com base na documentação fiscal disponível, que os insumos objeto da contenda seriam em sua totalidade importados. (v) Caso positivo o item (iv) que demonstre que os itens importados eram desprovidos de quaisquer componentes. (vi) Que demonstre, a partir dos valores eventualmente demonstrados no item (v) que, quando constou das respectivas DI’s apenas um código (ex: 64800054), que o valor por unidade fora de US$ 0,40 (quarenta centavos de dólar) e quando constoulhes dois códigos (ex: 64800054 e 64800174) o valor total correspondeu a US$ 0,40 (quarenta centavos de dólar) por cada par de itens. (vii) Que demonstre por outros meios de prova e por informações das DIs, (p.e. o valor ou os “part numbers”), relacionados às fls. 294 a 364, a afirmação de que as “placas pares” sempre foram importadas fisicamente acopladas. Fl. 5328DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.326 10 (viii) Que demonstre, a partir da análise das DIs, que não houve casos em que foram importados separadamente as placas 64800174 e a placa 64800175, (ix) Caso negativa a resposta ao item (viii), ou seja, que não houve os casos em questão, que demonstre que as respectivas importações estavam sempre indiretamente associadas às placas de número 64800054 e 64800069. V Da controvérsia quanto à Industrialização (insumos PCIs) e Retorno dos Subconjuntos (Produtos Intermediários) Possível verificar ainda da análise dos autos que as placas acopladas (maior e menor), em conjunto com os demais componentes (resistores, diodos, dentre outros), eram remetidos à empresa Sanyo para que esta executasse a montagem dos referidos componentes nas mencionadas placas, cujos pares (placa maior e menor), após a citada montagem, eram então desacoplados/separados e em seguida remetidos (placas montadas com componentes) à contribuinte; Alega a recorrente que os componentes (tais como resistores, diodos, etc) necessários para a montagem de cada um dos itens intermediários produzidos por meio dos insumos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, teriam sido remetidos à industrialização em quantidade suficiente para a montagem de cada par de placas; Alega ainda que, com base no arquivo magnético 4.5.1 Controle de Estoque, elaborado no layout determinado pela IN n° 86, que o par de placas insumos modelos 64800054/64800174 fora utilizado na montagem dos subconjuntos industrializados (produtos intermediários) modelos 70289179 e 70289180 e o par de placas insumos 64800069/64800175 fora utilizado na montagem do subconjunto industrializado (produto intermediário) modelo 70288547; Verificamos, paralelamente, que foi apensa ao processo (fls. 99) planilha que demonstra em termos quantitativos o retorno de subconjuntos industrializados modelos 70289179, 70289180 e 70288547, aparentemente em número suficiente para produzir os fornos microondas objeto de questionamento, e que a recorrente anexou as notas fiscais que comprovariam o retorno da industrialização dos insumos questionados pela fiscalização, utilizandose do CFOP 1124 (ex: NF fls. 511, 512 e 582); Para essa controvérsia, entendo deve a fiscalização intimar o contribuinte para: (i) comprovar a remessa para industrialização na SANYO dos demais itens componentes dos subconjuntos (resistores, diodos, etc.), em número necessário para a composição do produto final; (ii) em caso de ser positiva a prova, pelas quantidades dos componentes encaminhados, comprovar que tais componentes correspondem à quantidade necessária para a industrialização dos insumos PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175; (iii) finalmente, a comprovar e correlacionar dos documentos acostados aos autos que houvera o retorno dos itens intermediários produzidos com a aplicação das PCIs modelos 64800054/64800174 e 64800069/64800175, quais sejam, 70289179 e 70289180 (para o insumo 64800054/64800174) e 70288547 (para o insumo 64800069/64800175). VI Da controvérsia de ordem contábil. Fl. 5329DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.327 11 Finalmente, assumindo a premissa de restar comprovado técnica e faticamente que os insumos PCIs modelos 64800054/64800174 tratavamse de uma única peça e que os insumos PCIs modelos 64800069/64800175 também tratavamse de uma única peça e que: i) cada par de insumo PCI fora importado sempre em conjunto; que ii) foram remetidos à industrialização também sempre em conjunto; e que iii) retornaram para o estabelecimento da recorrente na forma dos subconjuntos (produtos intermediários), cujos modelos já foram mencionados nos itens anteriores, e assumindo que os arquivos magnéticos foram elaborados no layout determinado pela IN n° 86 e apresentados à fiscalização, a partir dos quais é possível obter as informações referentes aos estoques, entradas e saídas de insumos, produtos intermediários e produtos acabados, constando ainda nos referidos documentos i) relação de remessa retorno terceirização 2003, fls. 100; a ii) relação de consumo de placas terceirizadas 2003, fls. 99; e a iii) relação produção forno 2003, fls. 101, intimese o contribuinte a demonstrar que: (i) Em termos quantitativos, foram importados insumos PCIs (modelos 64800054 e 64800069) suficientes para compor os subconjuntos produtos intermediários (70289179, 70289180 e 70288547), que foram remetidos à industrialização insumos PCIs (64800054 e 64800069) suficientes para produzir tais subconjuntos, e que houve retorno de subconjuntos para o estabelecimento da Recorrente em quantidade suficiente para produzir os fornos microondas no anocalendário de 2003. (ii) Finalmente, que as quantidades de fornos de microondas produzidos pela recorrente foram compatíveis com as quantidades de insumos importados e subconjuntos industrializados, o que daria ensejo à comprovação de cumprimento do PPB e espancaria dúvidas quanto à regularidade da produção da recorrente, o que de resto poderia ter sido o resultado alcançado com a auditoria de produção. Por fim, que iii) a fiscalização elabore relatório conclusivo no sentido de atestar a adequação da correlação entre insumos e produtos apresentados pelo contribuinte durante a fase de diligência, para que a Turma possa formar sua convicção. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Gileno Gurjão Barreto" É o relatório." A diligência foi realizada. O relatório (fls. 4.699 a 4.729) e a manifestação do contribuinte (fls. 5.074 a 5.151) se encontram nos autos. Em 26/01/17, esta turma negou provimento ao recursos de ofício e deu parcial provimento ao voluntário. O Acórdão n° 3301003.167 foi assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 ISENÇÃO DO IPI. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO PPB Quando o contribuinte logra êxito em comprovar parcialmente o cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do Fl. 5330DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.328 12 IPI, há de se manter os créditos tributários lançados de ofício exclusivamente em relação à parcela não validada pela fiscalização. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A DRF (fls 5.245 e 5.247) e o contribuinte (fls. 5.201 a 5.217) interpuseram embargos de declaração. Nos embargos de declaração da DRF, foi consignado que aquela unidade não tinha condições de executar o Acórdão, porque não haviam sido identificados os montantes do crédito tributário lançado que deveriam ser excluídos e quais os mantidos. O contribuinte, por sua vez, apontou contradição entre a fundamentação e o julgado, cujo remédio seria o acolhimento dos embargos, com conferência de efeitos infringentes, isto é, o provimento total do recurso voluntário. Caso tal argumento não fosse aceito, que fosse reconhecida e sanada a mesma omissão que fora apontada nos embargos da DRF. O então Presidente rejeitou os embargos da DRF e acolheu parcialmente os do contribuinte, determinando que fosse apreciado o alegado vício de omissão. Reproduzo trecho da conclusão do Despacho de Admissibilidade (fls. 5.313 a 5.315), datado de 29/10/17: "(. . .) Assim, entendo que inexiste contradição entre a decisão e seus fundamentos. No entanto, SMJ, a suscitada omissão decorrente do provimento parcial do recurso voluntário é procedente. Conforme demonstrado acima, o recurso voluntário foi provido em parte. Contudo, não foram indicadas, de forma objetiva, as operações de venda que estariam em desacordo com o PPB, bem como as competências (decêndios) e respectivos valores para as quais foram mantidas as exigências e, consequentemente, para as quais foram canceladas pelo Colegiado. Portanto, demonstrada a omissão, os embargos devem acolhidos nesta parte. Equivocadamente, antes da decisão sobre os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, o Inspetor da Alfândega do Porto de Manaus. AM, também interpôs Embargos de Declaração (fls. 5247), alegando obscuridades/contradições no mesmo acórdão. Fl. 5331DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.329 13 A análise dos embargos opostos por aquele Inspetor ficou prejudicada, em virtude da decisão a ser dada nos embargos opostos pelo contribuinte. Somente depois da decisão sobre os embargos do contribuinte será é possível a interposição de embargos pela autoridade responsável pela liquidação do acórdão. Com essas considerações, em face do que dispõe o § 7° do art. 65 do RICARF, acolho parcialmente os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte para que sejam apreciadas as alegações referentes à suscitada omissão. Encaminhese o processo ao Relator para inclusão em pauta. (Assinado com certificado digital) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente da Turma 3301" É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Por meio do Despacho de Admissibilidade (fls. 5.313 a 5.315), datado de 29/10/17, encaminhado para os autos em 20/12/17, o então Presidente desta turma acolheu parcialmente os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte em face do Acórdão n° 3301003.167. Foi apontada omissão, pois, no Acórdão "não estão indicadas de forma objetiva, as operações de venda que estariam em desacordo com o PPB, bem como as competências (decêndios) e respectivos valores para as quais foram mantidas as exigências e, consequentemente, para as quais foram canceladas pelo Colegiado." trecho do Despacho de Admissibilidade, síntese fiel dos embargos de declaração (fls. 5.201 a 5.217). Cumpre apresentar breve relato da contenda. Tratase de auto de infração, para cobrança de IPI, multa de ofício de 75% e juros Selic, em razão de descumprimento de requisitos legais para fruição da isenção do IPI. O contribuinte obteve aprovação de seu projeto industrial, por meio do Parecer Técnico de Projeto n° 114/2000, o que o habilitou `a isenção do II e do IPI, previstas nos artigos 7° e 9° do Decretolei n° 288/1967. Para tanto, dentre outros requisitos, teria de realizar processo de industrialização local compatível com Processo Produtivo Básico (PPB), previsto na Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT n° 64/1994. A fiscalização concluiu que não foi cumprido o PPB e lavrou o auto de infração. Em síntese, houve duas acusações: Fl. 5332DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.330 14 a) O forno de microondas modelo 10271DBB106 era composto, entre outros itens, pelo subconjunto Placa Controle modelo 70289373. O contribuinte não comprovou a "origem" dos subconjuntos aplicados na fabricação dos citados fornos, isto é, mão correlacionou as quantidades produzidas dos citados tipos de subconjunto e de forno. b) O contribuinte também não teria comprovado a remessa para industrialização por terceiros das PCIs 64800054/64800174 e 64800069/64800175 e o retorno dos subconjuntos 70289179, 70289180 e 70288547, utilizados para fabricação dos fornos microondas modelos 10271DBB106, 10271DBB 206, 10321DBB106 e 10321DBB206. O contribuinte impugnou o auto de infração, ocasião em que carreou aos autos diversos documentos. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, acatando tão somente a alegação de decadência do direito de o Fisco lançar tributos relativos PAs 20/01/2003 a 31/12/2003 o contribuinte tomara ciência do auto de infração em 18/12/2008 (fl. 16). O processo veio para o CARF. Por meio da Resolução CARF n° 330200.217, a 2° Turma Ordinária da 3° Câmara da 3° Seção decidiu converter o processo em diligência, com a formulação de seis quesitos, pelos seguintes motivos: "(. . .) Desde o início da controvérsia, o contribuinte procura demonstrar, por meio de provas concretas, que do procedimento adotado não teria ocorrido dano ao erário, uma vez que as mercadorias que efetivamente foram remetidas para industrialização sem a cobertura de adequada documentação fiscal, o foram pois eram uma peça única, que, bipartida no prestador de serviços, retornava adequadamente acobertada pela documentação fiscal pertinente. Diante desse fato, é de argüirse o porque não teria o auditor fiscal feito auditoria de produção naquele contribuinte, para demonstrar efetivamente a ocorrência de prejuízo ao fisco, não necessariamente decorrente apenas daqueles fatos, mas até de outros porventura encobertos sob o manto dessa única e originária controvérsia. Pelo contrário, optou por aterse à incorreção formal do contribuinte, ao invés de buscar a verdade material. (. . .)" A diligência foi realizada e o relatório foi carreado aos autos (fls. 4.699 a 4.729), assim como a correspondente manifestação do contribuinte (fls. 5.074 a 5.151). Da leitura dos autos e, notadamente, do relatório de diligência assim concluiu este relator: "CONCLUSÃO Antes de encerrar, fazse mister transcrever os dispositivos legais que versam sobre a matéria em litígio: Decretolei n° 288/1967 isenção do IPI Fl. 5333DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.331 15 "Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (. . .) Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (. . .) (g.n.)" PORTARIA INTERMINISTERIAL N° 68/1994 Processo Produtivo Básico (PPB) Art. 1° Estabelecer para o produto FORNO DE MICROONDAS, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico PPB XVIII: I Montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; II Montagem do painel de controle; III Estampagem, soldagem e pintura da cavidade do forno; IV Montagem na cavidade do forno dos módulos: conjunto motor/ventilador, conjunto circulador de ar, válvula magnetron, instalação da fiação, painel de controle, capacitor, transformador, porta e sistema de giro do prato; V Ensaios de vedação e funcionamento. (. . .) Parágrafo 2° Para cumprimento do disposto nesta Portaria será admitida a utilização de subconjuntos montados no País, por terceiros, preferencialmente instalados na Zona Franca de Manaus." (g.a.) Temos, de um lado, a fiscalização, apresentando provas cabais das falhas de controle e preparação de arquivos eletrônicos oficiais pelo contribuinte. E, fundada nisto, conclui que não há comprovação da realização do PPB e deve ser exigido o IPI sobre a totalidade das vendas de fornos de microondas realizadas em 2003. Fl. 5334DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.332 16 De um outro, utilizandose de todos os elementos contábeis e extracontábeis de que dispunha, os quais também disponibilizou para o Fisco, o contribuinte demonstrou que realizou a primeira etapa do PPB e que seus resultados, em termos quantitativos, eram compatíveis com o volume de produtos acabados produzidos. Em relação à primeira infração falta de comprovação da "origem dos insumos" necessários à produção do forno microondas 10271DBB106 já consignei que considerei comprovado pela Recorrente que o subconjunto 70289373 não foi utilizado para a fabricação do citado forno. Em relação à segunda infração falta de comprovação do envio de insumos e retorno de subconjuntos, bem como de sua aplicação nos fornos de microondas produzidos no ano de 2003 entendo que houve comprovação parcial, posto que os seguintes pontos que restaram incontroversos: a legislação acima reproduzida não determina que a falta de comprovação de um ou mais ciclos de produção resulta na perda completa do incentivo fiscal, isto é, inclusive daqueles em relação aos quais o contribuinte consiga apresentar todos os elementos de prova. os PCIs eram importados em pares e sem componentes eletrônicos; para a produção de subconjuntos, era necessária a aplicação de componentes eletrônicos, cujo processo industrial era realizado por terceiros (empresa Sanyo), o que é permitido pelo § 2° do art. 1° da Portaria Interministerial MIR/MICT/MCT n° 64/1994; e havia falhas nos livros e controles contábeis e fiscais, porém as escritas não foram desqualificadas e tampouco foram consideradas como insuficientes para comprovar a totalidade das operações. De todo o exposto, meu voto é pelo cancelamento integral do crédito tributário relativo à primeira infração falta de comprovação da "origem dos insumos" necessários à produção do forno microondas 10271DBB106 e, por outro lado, pelo provimento parcial do recurso voluntário, no que tange à segunda infração falta de comprovação do envio de insumos e retorno de subconjuntos, bem como de sua aplicação nos fornos de microondas produzidos no ano de 2003." E, ao final do voto, o seguinte foi consignado: "(. . .) Dou provimento parcial ao recurso voluntário, restando para unidade de origem, ao executar o acórdão, somente cobrar IPI, multa de ofício e juros Selic sobre as vendas derivadas de ciclos de produção, em relação aos quais não haja registros contábeis e fiscais atestando o cumprimento do PPB. Para tanto, devem ser considerados todos elementos carreados aos autos e, inclusive, os apresentados pela Recorrente no curso da diligência (ex: planilhas, notas fiscais, laudos técnicos etc.)." O Despacho de Admissibilidade determinou que fosse apreciada a alegação de que o Acórdão n° 3301003.167 incorreu em omissão, pois "não estão indicadas de forma objetiva, as operações de venda que estariam em desacordo com o PPB, bem como as competências (decêndios) e respectivos valores para as quais foram mantidas as exigências e, consequentemente, para as quais foram canceladas pelo Colegiado." A meu ver, não há omissão no citado Acórdão. Fl. 5335DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.333 17 Além dos fatos que fundamentaram a primeira infração, integralmente afastada por este colegiado, a fiscalização considerou como descumprido o PPB, pelo fato de o contribuinte não ter comprovado a remessa para industrialização por terceiros das PCIs 64800054/64800174 e 64800069/64800175, dos demais insumos (resistores, diodos etc.) e o retorno dos subconjuntos 70289179, 70289180 e 70288547, utilizados para fabricação dos fornos microondas modelos 10271DBB106, 10271DBB 206, 10321DBB106 e 10321DBB206. E lançou IPI, sobre a totalidade das vendas realizadas no período. A diligência, por sua vez, com base nos documentos que originalmente se encontravam nos autos e os posteriormente encaminhados pela recorrente, aplicou testes. E concluiu que os controles da recorrente não demonstravam com precisão a relação entre insumos enviados e subconjuntos retornados da industrialização. E, apesar de ter verificado que, de fato, houvera envio de insumos e retorno de produtos acabados, ratificou a conclusão da fiscalização, concluindo que a recorrente não tinha direito de à isenção do IPI sobre as vendas cursadas no período auditado. Resta claro, portanto, que tanto a fiscalização quanto o agente responsável pela diligência depreendem dos acima reproduzidos artigos 7° e 9° do Decretolei n° 288/67 que ou o contribuinte comprova a realização de todos os ciclos produtivos realizados no ano revisado ou perde o direito à isenção do IPI incidente sobre TODAS as vendas cursadas nos correspondentes períodos de apuração. Ocorre que esta não foi a interpretação deste colegiado que, por maioria de votos, que concebeu a possibilidade de haver um cumprimento parcial, com correspondente fruição parcial das isenções, isto é, isenção sobre as vendas derivadas dos ciclos de produção devidamente comprovados pelo contribuinte. E não se pode esperar que esta Corte determine de "forma objetiva, as operações de venda que estariam em desacordo com o PPB, bem como as competências (decêndios) e respectivos valores para as quais foram mantidas as exigências", pelo simples fato de que, em razão das metodologias de trabalho adotadas pelas fiscalização (diante das falhas de controle, simplesmente, cobrou IPI sobre todas as vendas) e diligência (aplicação de testes), tais informações não se encontram desta forma dispostas nos autos. Para tanto, há que se revisar os documentos contábeis e fiscais carreados aos autos em todos os momentos processuais e apurar o novo crédito tributário, o que, para este colegiado, além de ser impraticável, não é condizente com sua participação no processo administrativo fiscal. Tratase de matéria afeita ao processo de execução do Acórdão, o que, indubitavelmente, cumpre à unidade de origem. Desta forma, rejeito os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, por ter concluído que o Acórdão n° 3301003.167 não incorreu na alegada omissão. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 5336DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.334 18 Voto Vencedor Conselheiro Ari Vendramini Redator designado Respeitando o bem redigido, claro e preciso voto do eminente Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, ouso discordar apenas quanto ao cumprimento parcial do PPB, pois estamos diante, por conclusão das diligências realizadas, de meros erros de controle de estoques, na relação estabelecida entre os insumos enviados e o retorno dos subconjuntos da industrialização, como bem esclarece o ilustre Relator : “ A diligência, por sua vez, com base nos documentos que originalmente se encontravam nos autos e os posteriormente encaminhados pela recorrente, aplicou testes. E concluiu que os controles da recorrente não demonstravam com precisão a relação entre insumos enviados e subconjuntos retornados da industrialização.” Diante das diligências realizadas, demonstrouse de forma cabal que ocorreram erros no controle dos estoques, mas que, ao final, as controvérsias representadas pelos itens I (controvérsia acerca da aprovação do PPB da recorrente x entendimento da RFB sobre o processo produtivo), II (cumprimento dos requisitos do PPB para o Forno de Microondas – Modelo 10271DBB106), III (cumprimento dos requisitos do PPB para os Fornos de Microondas – Modelos 10271DBB206 e 10271DBB106 (Código 56400174 Insumos) e 10321DBB106 e 10321DBB206 (Código 64800175I Insumos), IV ( processo de importação dos insumos “PCIs”), V (controvérsia quanto á industrialização (insumos PCIs) e Retorno dos Subconjuntos (Produtos Intermediários) e VI (controvérsia de ordem contábil), restaram dirimidas, não havendo, na decisão desta turma, motivo que desse azo ao descumprimento do PPB aprovado. Portanto, consideramos que meros erros de controle de estoque não são suficientes para caracterizar descumprimento de regime, devendo ser cobrado o tributo sobre os produtos/componentes que não estavam abrangidos no regime PPB. Diante do exposto, propomos o acolhimento dos embargos opostos pelo contribuinte, para aclarar omissão contida no Acórdão n° 3301003.167, de que a controvérsia a respeito da parcela do PPB considerada não cumprida foi sanada de forma satisfatória, para considerar que o PPB teve seus requisitos cumpridos. Somos pelo provimento do Recurso Voluntário para exoneração do crédito tributário constituído, pois restaram comprovados os requisitos para a fruição do PPB, de forma global, como autorizado pelo órgão competente. É como voto. (assinado digitalmente) Ari Vendramini Fl. 5337DF CARF MF Processo nº 10283.006831/200885 Acórdão n.º 3301004.712 S3C3T1 Fl. 5.335 19 Fl. 5338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.910745/2009-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 07 45 /2 00 9- 05 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10920.910745/200905 Acórdão n.º 9303007.170 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.443, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): "Conhecimento do Recurso Especial Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10920.910745/200905 Acórdão n.º 9303007.170 CSRFT3 Fl. 4 3 O recurso especial não deve ser conhecido. A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10920.910745/200905 Acórdão n.º 9303007.170 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10920.910745/200905 Acórdão n.º 9303007.170 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720721/2016-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/11/2013, 31/07/2014, 31/05/2015
DÉBITOS DE IPI NÃO DECLARADOS EM DCTF. FALTA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Diante da ausência de declaração em DCTF dos débitos de IPI, é legítima a lavratura do auto de infração, com base nos valores informados na EFD-SPED e no Livro de Apuração do IPI.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. ART. 80, CAPUT, DA LEI Nº 4.502/64.
Constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício, a falta de recolhimento do IPI, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ART. 80, § 6º, I E ART. 68 DA LEI N° 4.502/64. INAPLICABILIDADE.
Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte aplique artifício doloso na prática da infração ou que atue para retardar o conhecimento pela autoridade fazendária do fato jurídico tributário. Se não houver produção probatória para sustentar a atitude dolosa imputada ao contribuinte; ou se o contribuinte alimentou de informações o trabalho fiscal, por meio de escrituração EFD-SPED e Livro de Apuração do IPI, o que permitiu a lavratura do Auto de Infração, não se configuram as hipóteses agravantes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2013, 31/07/2014, 31/05/2015
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. INADIMPLEMENTO.
Os elementos para caracterização da responsabilidade do art. 135, III, são: 1- a figura do sócio-administrador, com poderes de decisão atribuídos pelo contrato social, como executor do esquema comercial entre as empresas e 2- as condutas revelam a atitude dolosa de atuação por infração à lei. Assim, o inadimplemento não se subsome à tipificação da atribuição da responsabilidade tributária dos sócios-administradores por atos de infração à lei. Aplicação do REsp 1.101.728 - SP, DJ 23/03/2009, julgado na sistemática de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da Sulamericana Industrial Limitada, para reduzir a multa de ofício a 75% e, dar provimento ao recurso voluntário dos sócios Sra. Soheyla Soltani de Oliveira e espólio de Sr. Qodrat Ullah Soltani, para cancelar os termos de sujeição passiva solidária.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 30/11/2013, 31/07/2014, 31/05/2015 DÉBITOS DE IPI NÃO DECLARADOS EM DCTF. FALTA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Diante da ausência de declaração em DCTF dos débitos de IPI, é legítima a lavratura do auto de infração, com base nos valores informados na EFD-SPED e no Livro de Apuração do IPI. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. ART. 80, CAPUT, DA LEI Nº 4.502/64. Constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício, a falta de recolhimento do IPI, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ART. 80, § 6º, I E ART. 68 DA LEI N° 4.502/64. INAPLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte aplique artifício doloso na prática da infração ou que atue para retardar o conhecimento pela autoridade fazendária do fato jurídico tributário. Se não houver produção probatória para sustentar a atitude dolosa imputada ao contribuinte; ou se o contribuinte alimentou de informações o trabalho fiscal, por meio de escrituração EFD-SPED e Livro de Apuração do IPI, o que permitiu a lavratura do Auto de Infração, não se configuram as hipóteses agravantes. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2013, 31/07/2014, 31/05/2015 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. INADIMPLEMENTO. Os elementos para caracterização da responsabilidade do art. 135, III, são: 1- a figura do sócio-administrador, com poderes de decisão atribuídos pelo contrato social, como executor do esquema comercial entre as empresas e 2- as condutas revelam a atitude dolosa de atuação por infração à lei. Assim, o inadimplemento não se subsome à tipificação da atribuição da responsabilidade tributária dos sócios-administradores por atos de infração à lei. Aplicação do REsp 1.101.728 - SP, DJ 23/03/2009, julgado na sistemática de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido.
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FALTA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Diante da ausência de declaração em DCTF dos débitos de IPI, é legítima a lavratura do auto de infração, com base nos valores informados na EFD SPED e no Livro de Apuração do IPI. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. ART. 80, CAPUT, DA LEI Nº 4.502/64. Constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício, a falta de recolhimento do IPI, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ART. 80, § 6º, I E ART. 68 DA LEI N° 4.502/64. INAPLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte aplique artifício doloso na prática da infração ou que atue para retardar o conhecimento pela autoridade fazendária do fato jurídico tributário. Se não houver produção probatória para sustentar a atitude dolosa imputada ao contribuinte; ou se o contribuinte alimentou de informações o trabalho fiscal, por meio de escrituração EFDSPED e Livro de Apuração do IPI, o que permitiu a lavratura do Auto de Infração, não se configuram as hipóteses agravantes. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2013, 31/07/2014, 31/05/2015 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. INADIMPLEMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 07 21 /2 01 6- 99 Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 695 2 Os elementos para caracterização da responsabilidade do art. 135, III, são: 1 a figura do “sócioadministrador”, com poderes de decisão atribuídos pelo contrato social, como executor do esquema comercial entre as empresas e 2 as condutas revelam a atitude dolosa de atuação por infração à lei. Assim, o inadimplemento não se subsome à tipificação da atribuição da responsabilidade tributária dos sóciosadministradores por atos de infração à lei. Aplicação do REsp 1.101.728 SP, DJ 23/03/2009, julgado na sistemática de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da Sulamericana Industrial Limitada, para reduzir a multa de ofício a 75% e, dar provimento ao recurso voluntário dos sócios Sra. Soheyla Soltani de Oliveira e espólio de Sr. Qodrat Ullah Soltani, para cancelar os termos de sujeição passiva solidária. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração que constituiu exigência de IPI, relativo aos saldos devedores declarados a menor em DCTF e recolhidos a menor, dos períodos de apuração de novembro de 2013, julho de 2014 e maio de 2015 e multa regulamentar em face da apresentação de DCTF com incorreções. Foi aplicado o agravamento da multa previsto no art. 68, § 1º, IV da Lei nº 4.502/64, bem como lavrado os Termos de Sujeição Passiva solidária dos sócios. As irregularidades apuradas, foram assim descritas no Termo de Verificação: 2.1 SALDOS DEVEDORES D O IPI DECLARADOS A MENOR EM DCTF E RECOLHIDOS A MENOR => O sujeito passivo apresentou as “DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais”, com valores de débito de IPI inferiores aos saldos devedores de IPI constantes do Demonstrativo da Apuração de IPI extraído da EFD Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 696 3 Escrituração Fiscal Digital transmitida através do sistema SPED FISCAL (em anexo), bem como recolheu a menor ou não recolheu o IPI, relativamente aos meses de nov./2013, jul./2014 e abr./2015, conforme segue: 2.1.1 – O imposto foi lançado nas notas fiscais emitidas e registrado na EFD, mas dolosamente declarado a menor em DCTF (declaração fraudulenta com elementos inexatos), o que importa, desta forma, na circunstância agravante prevista no art. 68, § 1º, inciso IV da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pelo Decretolei nº 34/1966), que diz: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. § 1º São circunstâncias agravantes: IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas consequências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. 2.2 – SALDOS DEVEDORES DO IPI NÃO RECOLHIDOS => O sujeito passivo não recolheu os valores dos saldos devedores do IPI constantes do Demonstrativo da Apuração de IPI extraído da já citada EFD (em anexo), relativamente ao período de 01/2013 a 06 /2015, conforme segue: Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 697 4 3.1 – PROCESSO DIGITAL nº 10865.720.721/201699 => Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.1 – Saldos Devedores do IPI Declarados a Menor em DCTF e Recolhidos a Menor”, foram adotadas as seguintes providências fiscais: 3.1.1 – Foi lavrado o devido Auto de Infração – IMPOSTO no montante original de R$ 378.596,58, cuja multa foi majorada em 50% em decorrência circunstância agravante citada no item 2.1.1, conforme dispõe o Art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07, que diz: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 6° O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; 3.1.2 – Foi lavrado o devido Auto de Infração – MULTA REGULAMENTAR – no montante de R$ 27.340,81, conforme demonstrativo da “Composição do valor da Multa por erros nas Informações prestadas em DCTF entregue a partir de Jan./2013” (em anexo), calculado na razão de 0,2% sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços (composição em anexo), conforme determina o Art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001 (inciso III), alterado pela Lei nº 12.766, de 2012. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 698 5 3.1.3 Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária (atribuída a responsabilidade solidária aos administradores), conforme dispõe o 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) em razão do não recolhimento do imposto nos respectivos prazos legais, que diz: Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8°). As razões de impugnação da empresa e dos sócios foram bem sintetizadas pela decisão de piso, nos seguintes termos: · Preliminarmente, o Auto de Infração é nulo, pois a imputação é genérica, não guardando, necessariamente, relação com a suposta infração, o que fere o inciso IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972; · Os dispositivos apontados no Auto de Infração não guardam relação, senão genérica, com a infração apontada pelo agente fiscal; · Se eventualmente for superada a preliminar sustentada, no mérito, melhor sorte não ampara o Auto de Infração impugnado, uma vez que o Agente Fiscal não demonstra a atitude dolosa da empresa, de modo a amparar o enquadramento fiscal da multa aplicada; · A impugnante cometeu um equívoco no preenchimento das DCTF referentes aos períodos de apuração de novembro de 2013, julho de 2014 e abril de 2015, no que diz respeito aos valores devidos a título de IPI; · Houvesse intenção de fraudar o Fisco, como entendeu o Agente Fiscal, teria manipulado, igualmente, os valores escriturados no RAIPI e também na EFDSPED; · O documento que de fato compõe a totalidade das informações necessárias à apuração do IPI é a EFD, a teor do que dispõe o artigo 454 do Decreto nº 7.212, de 2010, não havendo, pois, que se falar em fraude ou intenção de lesar o Fisco, merecendo reconhecerse a injustiça e ilegalidade da aplicação da multa qualificada prevista no artigo 80, § 6º, I, da Lei nº 4.502, de 1964; · A penalidade aplicada à impugnante ultrapassa o valor do tributo devido, correspondendo a 112% de seu valor, e, portanto, apresentandose manifestamente ilegal, por ofensa ao princípio constitucional de vedação ao confisco. · O artigo 135 do Código Tributário Nacional só encontra aplicação quando o eventual ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade, e, caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica, que deve responder pelo pagamento do tributo; · Tampouco se pode pretender responsabilizar os impugnantes com fulcro no artigo 28 do RIPI/2010, que imputa a responsabilidade tributária a terceiros pelo simples inadimplemento do imposto, não exigindo qualquer comprovação de que a falta de recolhimento decorreu da prática de má gestão empresarial; · É inequívoco que os impugnantes não cometeram qualquer das infrações descritas no artigo 135 do CTN justificadora da responsabilidade, pois seria impossível ter violado o Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 699 6 estatuto da empresa, ou mesmo ter agido com excesso de poderes, em virtude de com ela não possuírem qualquer vínculo, o que reforça a anulação do Auto de Infração; · É impossível a criminalização da conduta dos impugnantes, pois enquanto pendente processo administrativo questionando a higidez do Auto de Infração e/ou da responsabilização solidária dos sócios, deve ser sobrestada a Representação Fiscal para fins Penais; · Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o Sr. Qodrat Ullah Soltani, há de se reconhecer que se extinguiu a punibilidade em virtude do seu falecimento, nos termos do disposto no art. 107, I, do Código Penal. A 4ª Turma da DRJ/SDR, no acórdão n° 1541.505, deu provimento parcial à impugnação da empresa e negou provimento às impugnações dos sócios, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/11/2013, 31/07/2014, 31/05/2015 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o argumento de erro na indicação dos dispositivos legais infringidos, quando os autos revelam que tal irregularidade inexiste e que a contribuinte se defendeu amplamente. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O não recolhimento do saldo devedor apurado no Livro de Registro de Apuração do IPI e declarado a menor em DCTF sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. OMISSÕES EM DCTF. A penalidade pecuniária é submetida a agravamento (aumento de 50%) se for observada uma das circunstâncias agravantes previstas na legislação, no caso, o ato de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária de saldos Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 700 7 devedores do imposto mediante a omissão de informação em DCTF. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/01/2014, 18/09/2014, 22/06/2015 DCTF. INEXATIDÕES. MULTA REGULAMENTAR A sistemática adotada pela autoridade fiscal no cálculo da multa regulamentar não se coaduna com o enquadramento legal aplicado. A decisão de piso manteve a exigência de crédito tributário lançado de ofício referente ao IPI; exonerou o crédito tributário lançado de ofício referente à Multa Regulamentar e manteve os Termos de Sujeição Passiva Solidária. A DRJ exonerou a multa regulamentar por erro de capitulação legal. No Auto de Infração, a multa regulamentar foi capitulada no art. 7º, IV, da Lei nº 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004 e art. 57, III, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, alterado pela Lei nº 12.766/2012, contudo a Lei nº 12.873/2013 deu nova redação ao referido inciso III do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, estando vigente na época dos fatos. Com isso, o entendimento foi no sentido de que a autoridade fiscal calculou a multa com base em critério não mais vigente à época da entrega das DCTF (inciso III do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) e diverso daquele previsto no inciso citado no enquadramento legal do Auto de Infração (inciso IV do artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002). Por não atingir o limite de alçada, não houve a interposição de recurso de ofício. Em seu recurso voluntário, a empresa alega: a) a nulidade do auto de infração por ausência da disposição legal infringida e a penalidade aplicável, sustentando que os dispositivos apontados pelo agente fiscal para enquadramento legal da infração são genéricos, não guardando, necessariamente, relação com suposta infração; b) a inaplicabilidade da multa de ofício do art. 80 da Lei n° 4.502/64; c) cabimento da multa de 20% prevista no art. 7°, I, da Instrução Normativa n° 1110/2010 e d) o agravamento da multa não é devido, uma vez que a empresa não ocultou informações com a intenção de reduzir o montante do imposto tendo incorrido em erro na sua apuração. Ao final, requer a nulidade do auto, a redução da multa ao patamar de 20% e o exclusão do agravamento. Em recurso voluntário, os responsáveis solidários requerem a exclusão do polo passivo, sustentando que o inadimplemento não se subsome à responsabilização prevista no art. 135, III, CTN, bem como requerem a aplicação da decisão do STJ no REsp n° 1.101.728. É o relatório. Voto Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 701 8 Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. Preliminar Alega a empresa que o auto de infração é nulo, por ausência da disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Defende que os dispositivos apontados pela autoridade fiscal para enquadramento legal da infração são genéricos, não guardando, necessariamente, relação com a suposta infração. Consta no auto de infração o enquadramento legal: O art. 24 do RIPI/2010 prevê a sujeição passiva de IPI; os art. 181 e 183 voltamse ao procedimento destinado à constituição do crédito tributário, de ofício ou por homologação; o art. 186 prescreve especificamente sobre o lançamento de ofício; o art. 259 dispõe sobre o período de apuração do IPI; o art. 260 sobre o cálculo do valor a recolher de IPI e, por fim, o art. 262 trata dos prazos de recolhimento. A autuação referiuse à apresentação das DCTF com valores de débito do IPI inferiores aos saldos devedores apurados no Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI. Logo, inexoravelmente, deve ser lavrado o Auto de Infração para constituir a exigência de IPI da diferença não declarada e não recolhida. Observase do enquadramento legal o suporte para todo o procedimento do fiscal. Assim, não há que se falar em nulidade. Ademais, o lançamento tributário deve atender aos requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 702 9 CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Então, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 703 10 Portanto, a preliminar não deve ser acolhida. Mérito Em primeiro lugar, ressaltese que a exigência de crédito tributário lançado de ofício, do IPI não declarado em DCTF, é incontroverso. Restam como pontos para análise: a inaplicabilidade da multa de ofício e o agravamento. E, a sujeição passiva solidária dos sócios. Multa de ofício Insurgese a empresa contra a aplicação da multa do art. 80 da Lei n° 4.502/64, por entender ser aplicável a multa de 20%, nos termos do art. 7°, I, da Instrução Normativa n° 1110/2010. São suas alegações: Conforme se infere no artigo 7º da Instrução Normativa nº 1110, de 24/12/2010 que rege a obrigação acessória pertinente à entrega de DCTF´s na época do fato gerador, prevê as penalidades pecuniárias aplicadas nos casos de falta de apresentação ou declaração inexata das informações nela contidas. Por certo que no caso concreto, tendo a própria fiscalização alegado que as supostas omissões estão relacionadas às DCTF´s, a multa a ser aplicável seria a prevista no artigo 7º, inciso I da Instrução Normativa nº 1110/2010 que limita a penalidade em 20% (vinte por cento) calculada sobre a diferença do valor a ser declarado. Ou seja, a previsão contida no artigo 80 da Lei nº 4.502/64 é inadequada ao caso concreto que não se subsome à hipótese legal nela contida na medida em que a Recorrente informou o fato jurídico tributável ao Fisco por intermédio das DCTFs e demais documentos fiscais, tanto que tais documentos subsidiaram o trabalho fiscal, cuja circunstância se afasta da previsão contida naquele dispositivo. Tendo o próprio Fisco afirmado que a omissão ocorreu nas DCTF´s e existindo norma específica que regula a espécie inclusive as penalidades aplicáveis em caso de descumprimento da obrigação certamente que prevalece a norma especial ao caso sendo aplicável as disposições contidas na Instrução Normativa 1110/2010 vigente na época dos fatos. Não há razão no argumento, uma vez que a multa foi corretamente aplicada por falta de recolhimento do IPI, com fundamento o art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 704 11 Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício, a falta de recolhimento do IPI, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício. Multa agravada Segundo a fiscalização, a multa foi agravada em virtude de “imposto foi lançado nas notas fiscais emitidas e registrado na EFD, mas dolosamente declarado a menor em DCTF (declaração fraudulenta com elementos inexatos), o que importa, desta forma, na circunstância agravante prevista no art. 68, § 1º, inciso IV da Lei nº 4.502/1964 (...)” Assim, foi aplicada a agravante prevista no art. 80, § 6º, I e art. 68 da Lei n° 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 6° O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. § 1º São circunstâncias agravantes: IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas consequências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. Em contrapartida, alega a empresa que: A justificativa de que a Recorrente retardou o conhecimento do Fisco sobre o tributo lançado de ofício não é suficiente para aplicar a multa qualificada sendo impositivo comprovar que o retardamento foi intencional, que não é o caso. O erro na declaração do imposto evidenciase no fato dos valores declarados pela Recorrente na EFDSPED e no Livro de Registro de Apuração do IPI (RAPI) estarem reconhecidamente corretos pela fiscalização. Se houvesse intenção de fraudar o fisco, como afirmou a turma, a Recorrente teria manipulado, igualmente, os valores escriturados no livro RAIPI e também na EFDSPED. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 705 12 Ademais, segundo o disposto nas Instruções Normativas sucessivamente editadas que regulamentam a DCTF, as informações contidas nesta declaração são submetidas à auditoria interna do órgão da fiscalização tributária. A sujeição ao procedimento de auditoria interna atesta que as informações contidas na DCTF não são absolutas e serão confrontadas com os dados fornecidos por outras fontes de informações. No caso concreto, a incorreção do valor apurado a título de IPI em 11/2013, 07/2014 e 04/2015 foi detectado através da confrontação dos dados contidos na EFDSPED e livro fiscal do IPI com o montante declarado nas respectivas DCTFs inexistindo qualquer empecilho causado pela Recorrente à fiscalização para proceder ao lançamento do imposto. Da dicção legal, para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte aplique artifício doloso na prática da infração ou que atue para retardar o conhecimento pela autoridade fazendária do fato jurídico tributário, que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal. Entretanto, entendo que nenhuma hipótese agravante restou comprovada. Explico. No caso em comento, não se verificou a conduta de retardar o conhecimento pela autoridade fazendária do fato jurídico tributário, uma vez que o contribuinte alimentou de informações o trabalho fiscal, por meio de sua escrita fiscal, que permitiu a lavratura do Auto de Infração: não há controvérsia de que a escrituração EFDSPED e RAIPI estavam corretos. Por outro lado, não há qualquer produção probatória para sustentar atitude dolosa do contribuinte. É sabido que, no que tange às infrações tributárias, o dolo não se presume, deve ser provado: Sendo assim, ao compor em linguagem o fato ilícito, além de referir os traços concretos que perfazem o resultado, a autoridade fiscal deve indicar o nexo entre a conduta do infrator e o efeito que provocou, ressaltando o elemento volitivo (dolo ou culpa, conforme o caso), justamente porque integram o vulto típico da infração. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Linguagem e Método. 6.ed. São Paulo: Noeses, 2015, p. 857). E, ressaltese, que é necessária a prova do intuito doloso aplicado com a finalidade de modificar as características essenciais do fato jurídicotributário produzida pela fiscalização. Ademais, é ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos dolosos atribuídos ao contribuinte. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 706 13 Responsabilidade solidária dos sócios No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade constituiu a responsabilidade solidária dos sócios, com base no art. 28 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010), em razão do não recolhimento do IPI no prazo legal: Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8°). E no auto de infração, a capitulação foi o art. 135 do CTN: Dispõe o art. 135 do CTN que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Dessa forma, os elementos para caracterização da responsabilidade do art. 135, III, são: 1 a figura do “sócioadministrador”, com poderes de decisão atribuídos pelo contrato social, como executor do esquema comercial entre as empresas e 2 as condutas revelam a atitude dolosa de atuação por infração à lei. Quanto à definição do conceito de “infração à lei”, para fins de responsabilização tributária, tomo a lição de Maria Rita Ferragut: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 707 14 Mas, então, qual lei não poderia ser violada, para os fins do artigo 135 do CTN? Entendemos ser toda proposição prescritiva vinculada ao exercício da administração, cujo desrespeito implique a ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Nesse sentido, é a lei que rege as ações da pessoa jurídica e que, de alguma forma, interaja com o ilícito praticado. Poderá ser a lei comercial, civil, financeira, desde que se relacione a uma conduta passível de ser praticada pelo administrador, conduta essa que, por sua vez, há de se relacionar com o fato que implicará a obrigação tributária. Exemplificando, temos a importação de mercadoria com classificação fiscal errada e mais vantajosa financeiramente, a venda de mercadorias antes de confeccionado o talonário de notas fiscais requerido por lei, a prestação de serviços sem prévia autorização de funcionamento pelo órgão regulamentador e a prática fraudulenta de atos do comércio em geral. Seja qual for a infração, o ilícito foi tipificado a partir do descumprimento de lei que obrigatoriamente gerou efeitos fiscais típicos, já que estamos tratando de responsabilidade do administrador pelo adimplemento de obrigações tributárias, e não por obrigações de outras naturezas. (Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2013, pp.149150). Nesse sentido, o Acórdão nº 9101002.487, de 22/11/2016, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. SIMULAÇÃO. Qualificase a multa de ofício aplicada quando o pretenso ágio interno, tratase de uma mera grandeza criada artificialmente, a que se pretendeu dar a aparência de ágio que, na realidade, nunca existiu. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CTN. Incide na hipótese do art. 135, inciso III, do CTN os sóciosgerentes que praticam atos com infração de lei, aí entendida também a legislação tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 708 15 BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012). Entendo que o inadimplemento não se subsome à tipificação da atribuição da responsabilidade tributária dos sóciosadministradores por atos de infração à lei. Inclusive, tal questão já resta pacificada no STJ: Súmula 430 O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. REsp 1.101.728 – SP, DJ 23/03/2009, julgado na sistemática de recursos repetitivos, já transitado em julgado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. A aplicação da decisão do REsp n° 1.101.728 é obrigatória em sede de processo administrativo, por imperativo do § 2º, do art. 62 do RICARF. Por fim, cabe esclarecer que não houve qualquer menção à responsabilização com base no art. 124 do CTN no auto de infração, tampouco no termo de verificação fiscal. Em suma, não há respaldo fático e legal para a manutenção dos Recorrentes Sra. Soheyla Soltani de Oliveira e espólio de Sr. Qodrat Ullah Soltani como devedores solidários, motivo pelo qual deve ser cancelado os Termos de Sujeição Passiva. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10865.720721/201699 Acórdão n.º 3301004.661 S3C3T1 Fl. 709 16 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário da Sulamericana Industrial Limitada, para reduzir a multa de ofício a 75% e, por dar provimento ao recurso voluntário dos sócios Sra. Soheyla Soltani de Oliveira e espólio de Sr. Qodrat Ullah Soltani, para cancelar os termos de sujeição passiva solidária. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 709DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002671/2006-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001 GLOSA DE DESPESAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO.
Cabe exonerar a parcela do crédito tributário decorrente da glosa de despesas cuja dedutibilidade é comprovada por documentos apresentados juntamente com a impugnação, na diligência e na manifestação sobre a diligência.
PRAZO DECADENCIAL.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extingue- se após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso de oficio Negado
Numero da decisão: 1402-001.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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TURMA DA DRJ SÃO PAULO I SP Interessado DELLA VIA PNEUS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 GLOSA DE DESPESAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO. Cabe exonerar a parcela do crédito tributário decorrente da glosa de despesas cuja dedutibilidade é comprovada por documentos apresentados juntamente com a impugnação, na diligência e na manifestação sobre a diligência. PRAZO DECADENCIAL. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extingue se após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso de oficio Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 71 /2 00 6- 37 Fl. 15939DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002671/200637 Acórdão n.º 1402001.235 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 1a. TURMA DA DRJ SÃO PAULO I – SP, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência consubstanciada contra a empresa DELLA VIA PNEUS LTDA. Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 12/12/2006 (fl. 296 e 302), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, e à CSLL, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 e 31/12/2001. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 251 a 261) e nos demonstrativos anexos (fls. 262 a 290) a contribuinte, que apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro real trimestral no anocalendário 2001, de acordo com cópia da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de fls. 26 a 68, deduziu indevidamente na apuração da base de cálculo do imposto e da CSLL valores a título de custos e despesas, cuja realização e/ou necessidade e/ou pagamento não foram devidamente comprovados. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 296 a 298) com base nos artigos 249, inciso I, 251, 299 e 300 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), formalizando crédito tributário, com juros de mora calculados até 30/11/2006, no montante de R$4.305.280,06; e 3.2. CSLL (fls. 302 a 304) com base nos artigos 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 29 de junho de 1999, e reedições, formalizando crédito tributário, com juros de mora calculados até 30/11/2006, no montante de R$1.549.900,70. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 295 e 301) e o dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 295 e 301). 5. Irresignada com os lançamentos, a empresa apresentou, representada por procuradora (fls. 342 a 353), a impugnação de fls. 311 a 342, protocolizada em 11/01/2007, acompanhada dos documentos de fls. 343 a 415 e de 59 volumes anexos, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. examinandose os documentos apresentados juntamente com a impugnação (docs 01 a 10.058, que compõem os 59 volumes anexos à impugnação), não é possível admitir a pretensão fiscal, pois os gastos efetuados pela impugnante com o pagamento dos itens relacionados no Anexo I (fls. 263 a 276) ao Termo de Constatação e Verificação Fiscal estão diretamente relacionados com suas atividades operacionais, encontrandose devidamente comprovados por meio de documentação hábil e idônea, contemporânea a sua realização, que demonstra à saciedade as Fl. 15940DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002671/200637 Acórdão n.º 1402001.235 S1C4T2 Fl. 0 3 operações contratadas, os serviços prestados, os produtos fornecidos por terceiros e os lançamentos contábeis respectivos; 5.2. como é necessário que seus estabelecimentos espalhados por diversos Estados brasileiros estejam em perfeito estado de conservação e funcionem de maneira disciplinada e organizada e devido à impossibilidade de disponibilizar seus próprios funcionários para manter, conservar e reparar equipamentos e maquinários que possui, promover a divulgação de seus produtos, realizar serviços de segurança, de transporte e de treinamento, entre outros, é obrigada a contratar serviços de terceiros, que, por suas próprias características, são necessários, usuais, normais e imprescindíveis para todas as pessoas jurídicas, encontrando amparo nos próprios dispositivos legais considerados infringidos (artigos 299 e 300 do RIR/1999); 5.3. também anexa Demonstrativos por si elaborados e relativos a cada grupo de contas fiscalizadas, que indicam de maneira bastante clara a origem das despesas glosadas, apontam de forma esclarecedora os lançamentos efetuados no período mencionado e esclarecem que, devido a alguns lançamentos realizados de forma equivocada, a fiscalização indevidamente glosou a título de duplicadas despesas que tiveram sua contabilização estornada e transferida para centros de custos corretos; 5.4. os citados Demonstrativos também evidenciam que as despesas registradas sob as rubricas “Despesas de Financiamento”, “Despesas Material de Escritório”, “Juros Passivos” e “Vendor” foram rateadas entre os diversos centros de custo de acordo com o faturamento por eles obtido no período, que as despesas registradas sob a rubrica “Telefone” foram rateadas entre os centros de custo com base no critério de uso e que as despesas registradas sob a rubrica “Remuneração Serviços Prestados Terceiros” foram rateadas entre os centros de custo pelos critérios faturamento e utilização dos referidos serviços; 5.5. as despesas de energia elétrica foram rateadas entre os segmentos de atacado, varejo e “truck center” de seus estabelecimentos e as “Despesas com Serviços de Vigilância” foram rateadas pelos centros de custo da divisão administrativa; 5.6. as despesas contabilizadas sob a rubrica “Impressos e Materiais Gráficos” foram alocadas pelos centros de custo das divisões Comercial/Operacional e Administrativa em conformidade com a utilização dos materiais; 5.7. conforme documentação juntada, os pagamentos estão demonstrados por extratos emitidos pelo Banco Itaú que discriminam os pagamentos a efetuar por período (“Consulta a Pagamentos a Efetuar – Por Período”), juntamente com a movimentação da contacorrente correspondente à data da realização da despesa, comprovando sua quitação total; 5.8. a conta “Descontos Concedidos na Liquidação de Títulos” registra os descontos concedidos pelos centros de custo do segmento de atacado da matriz e das filiais localizadas em Itu, Itararé e Ceasa do Rio de Janeiro (documentos 4.098 a 4.129) deduzidos como despesas operacionais decorrentes das vendas a prazo pagas antecipadamente pelos clientes com redução proporcional prórata dia dos juros e/ou encargos financeiros cobrados, já que foi oferecida a receita de vendas à tributação por ocasião da emissão da respectiva Nota Fiscal; 5.9. protesta pela juntada posterior das Notas Fiscais de Venda e dos comprovantes de recebimento antecipado dos respectivos valores não localizados devido à exigüidade de tempo; Fl. 15941DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002671/200637 Acórdão n.º 1402001.235 S1C4T2 Fl. 0 4 5.10. serão acostadas oportunamente cópias autenticadas das Notas Fiscais de Vendas realizadas pelos representantes comerciais correspondentes às receitas que originaram as despesas com representação comercial que foram glosadas; 5.11. as despesas de variação cambial e juros passivos glosadas pela fiscalização decorreram de empréstimo de U$900.000,00 contraído em 26/07/1995 em face de empresa domiciliada no exterior comprovado por cópias autenticadas dos contratos de empréstimos devidamente consularizados na Embaixada do Brasil no Panamá e registrados no Cartório de Títulos e Documentos nas versões em inglês e em português (tradução juramentada) e pelo contrato de Assunção de Débito, nas versões em inglês e em português (tradução juramentada, por meio do qual a empresa originariamente credora cedeu seu crédito a outra empresa (docs. 10.020 a 10.032); 5.12. o mencionado empréstimo foi contratado em moeda nacional e ingressou no país pelo câmbio flutuante mediante transferência internacional de reais no valor de R$831.600,00, cujo registro no SISBACEN foi realizado pelo Banco Sudameris nos termos da Circular nº 2242/92, vigente à época do empréstimo e que estabelecia procedimentos e condições aplicáveis às transferências internacionais de recursos em moeda nacional; 5.13. o mencionado empréstimo, seu registro no SISBACEN, bem como sua efetiva entrada em contacorrente da contribuinte comprovamse pelo doc. nº 10.013 e o Balanço levantado em 31/12/1995 (doc. 10.010) demonstra sua contabilização e necessidade para capital de giro da empresa, pois o resultado auferido no período de janeiro a dezembro de 1995, já levando em consideração o valor do empréstimo, montou R$18.671,99, valor insuficiente para atender a necessidade de caixa da empresa; 5.14. o pagamento dos juros contratados à razão de 11,45% foi realizado em 20/07/2004, no valor de R$2.811.564,68, na mesma data em que satisfeito o valor principal (R$2.728.350,00), a teor do que determinava a cláusula 1.2. do Contrato de Empréstimo (docs. nºs 10.014 a 10.019); 5.15. a dedutibilidade da variação cambial e dos juros contratados devidamente contabilizados, comprovados pelas anexas cópias autenticadas do Livro Diário, é confirmada pelo Conselho de Contribuintes conforme ementa transcrita; 5.16. conforme documentação ora acostada e por outra que protesta por sua juntada oportuna aos autos, os gastos com brindes, eventos, treinamento e viagens de funcionários e diretores foram realizados com finalidade estritamente comercial, visando o incremento das atividades desenvolvidas pela empresa, o estreitamento das relações com fornecedores e prestadores de serviços e a divulgação dos produtos comercializados, o que demonstra sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de acordo com ementas do Conselho de Contribuintes transcritas; 5.17. a Lei nº 9.249/1995 ao determinar expressamente em seu artigo 13 as despesas que não podem ser consideradas operacionais pelas empresas, não mencionou aquelas havidas pela autuada; 5.18. a necessidade e efetiva realização das despesas indevidamente glosadas pela fiscalização é indiscutível, considerando a descrição minuciosa nas respectivas Notas Fiscais e nos Contratos que as originaram, sendo os documentos anexados suficientes para demonstrar que os gastos realizados são operacionais e não constituem mera liberalidade, como já se manifestou o Conselho de Contribuintes nas ementas de acórdãos transcritas; Fl. 15942DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002671/200637 Acórdão n.º 1402001.235 S1C4T2 Fl. 0 5 5.19. numa das ementas transcritas, o Conselho de Contribuintes considerou dedutível despesas em relação às quais a pessoa jurídica sequer possuía notas fiscais emitidas pela empresa prestadora de serviços, diferentemente da ora impugnante que as trouxe com a descrição completa dos serviços prestados; 5.20. a fiscalização não comprovou, nem justificou de maneira precisa e em observância aos princípios da moralidade pública e da verdade material, que os gastos efetuados no montante de R$6.527.535,99 não eram necessários às suas atividades, o que é ônus seu conforme tem decidido o Conselho de Contribuintes, e apenas se restringiu a afirmar que “a falta de apresentação de documento original ou a insuficiência dos documentos apresentados” impossibilitou “a verificação da necessidade da despesa”; 5.23. diante da complexidade da fiscalização realizada (todas as “outras despesas” do anocalendário 2001) não se poderia determinar que se submetesse à análise fiscal mais de 10 mil documentos no prazo de 20 dias e a solicitação de prorrogação de prazo para atendimento por mais 30 dias foi deferida para apenas 15 dias pela autoridade fiscal (docs. 10.057 e 10.058); e 5.24. protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada oportuna e complementar de prova documental e produção de prova pericial. 5. Em análise preliminar, o presente relator elaborou o despacho de diligência de fls. 440 a 443 baixando o presente feito para que a autoridade lançadora examinasse se os documentos que foram apresentados juntamente com a impugnação (59 volumes anexos) relativos ao 4º trimestre de 2001, bem como os demonstrativos e explicações que os acompanham, além de outros que eventualmente a autoridade autuante julgasse necessários fossem hábeis e idôneos para comprovar que as despesas glosadas são dedutíveis para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 6. Em atendimento, a autoridade fiscal elaborou o Termo de Ciência de Conclusão de Diligência e Intimação Fiscal (fls. 447 e 448) em 20/04/2011 na qual relata que, após a análise dos documentos juntados na impugnação relativos ao 4º trimestre de 2001, grande parte dos itens objeto de lançamentos de despesas glosadas tiveram a comprovação com documentos, demonstração dos lançamentos, rateio e origem da despesa, resultando na diminuição da matéria tributável referente ao 4º trimestre de 2001 de R$1.905.417,51 para R$1.004.919,92, de acordo com demonstrativo de fls. 449 a 461. Nesta mesma data, mandatária da contribuinte (fls. 462 a 480) teve ciência deste Termo, do demonstrativo anexo e do despacho que solicitou a diligência e da possibilidade de se manifestar no prazo de dez dias. 7. Em 26/04/2011, a contribuinte apresentou diversas manifestações acompanhadas de documentos (fls. 481 a 781) com o objetivo de comprovar os itens 691 a 709, 1370 e 1418 ainda considerados não comprovados pela fiscalização. Após a análise destes novos documentos apresentados, a autoridade diligenciante elaborou, nesta mesma data, o Termo de Reratificação de Ciência de Conclusão de Diligência Fiscal de 20/04/2011 e demonstrativo anexo (fls. 782 a 802), no qual relata que as explicações e documentos apresentados comprovam os itens citados, remanescendo sem comprovação, quanto ao 4º trimestre de 2001, o valor de R$422.156,16. Também nesta data, a interessada tomou ciência deste Termo. 8. Em 04/05/2011, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 811 a 832, acompanhada dos documentos de fls. 833 a 1427, com o objetivo de comprovar despesas que remanescem sem comprovação. Afirma que devido ao prazo exíguo Fl. 15943DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002671/200637 Acórdão n.º 1402001.235 S1C4T2 Fl. 0 6 não conseguiu localizar os documentos necessários para afastar a totalidade das glosas. Escreve também que, por força do dever da busca da verdade material, aplicável ao processo administrativo fiscal de acordo com doutrina e jurisprudência citadas, e do princípio da moralidade (caput do artigo 37 da Constituição Federal), segundo o qual é vedada a cobrança de valores reconhecidamente indevidos, e sob pena de cerceamento do direito de defesa, as glosas devem ser reavaliadas mediante a análise dos documentos apresentados e de eventuais novas diligências. Finaliza requerendo o reconhecimento das despesas comprovadas e “destacando que a continuidade das diligências administrativas mostrase imperativa, inclusive para se evitar que a Fazenda Nacional ajuíze indevidamente executivo fiscal, pleiteando a cobrança de débitos indevidamente apurados, de forma a onerar sem justificativas o Poder Judiciário, bem como submeter o próprio ente público a certa condenação ao pagamento da verba sucumbencial” A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DILIGÊNCIA REALIZADA. HIPÓTESE. DETERMINAÇÃO DE OFÍCIO. Cabe o indeferimento do pedido de perícia quando a questão que a justifica é caso de diligência já realizada por determinação de ofício. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a este lançamento naquilo em que for cabível. GLOSA DE DESPESAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. EXONERAÇÃO PARCIAL. Cabe exonerar a parcela do crédito tributário decorrente da glosa de despesas cuja dedutibilidade é comprovada por documentos apresentados juntamente com a impugnação, na diligência e na manifestação sobre a diligência. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Impugnação procedente em parte. Crédito Tributário Mantido em parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte não apresentou recurso voluntário. Ato continuo, o processo foi encaminhado ao CARF para julgamento do recurso de oficio. É o relatório. Fl. 15944DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002671/200637 Acórdão n.º 1402001.235 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso de oficio preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade. Conforme relatado, tratase de autos de infração do IRPJ e CSLL, em face de glosa de despesas, por insuficiência de comprovação, do anocalendário de 2001. A decisão de 1a. instância cancelou parcialmente as exigências pelos seguintes fundamentos: “(...) 20. Os lançamentos de IRPJ e de CSLL, que são os tributos tratados no presente processo, se revestem da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, havendo pagamento antecipado, estão sujeitos ao prazo decadencial do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (§ 4º do artigo150), o que não está informado ou comprovado nos autos: (...). 21. Em pesquisas no sistema Consulta Pagamento (fls. 428 a 439), observase que houve pagamentos a título de IRPJ e CSLL relativamente a todos os trimestres de 2001. Assim, a forma de contagem do prazo decadencial se dá pelo § 4º do artigo 150 do CTN. 22. Os lançamentos contidos no presente processo foram efetuados com base no lucro real trimestral, que foi a opção da contribuinte (fl. 26). Assim sendo, considerando os fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorridos nos últimos dias de cada trimestre de 2001, se contarmos cinco anos após estas datas (nos termos do §4º do art. 150 do CTN), chegaremos aos últimos dias dos trimestres de 2006 (31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro) como datas limites de constituição de crédito tributário, assim entendida como a devida ciência do sujeito passivo da exigência tributária. 23. Como os Autos de Infração de IRPJ e CSLL foram cientificados à interessada em 12 de dezembro de 2006 (fls. 296 e 302), o direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram no 1º, 2 º e 3º trimestres de 2001 já se encontrava decaído no momento do lançamento. Não se encontrava decaído, porém, o direito de a Fazenda lançar os créditos tributários de IRPJ e CSLL relativos ao 4º trimestre de 2001. (...) 25. Foi por este motivo que o despacho de diligência (fls. 440 a 443), pautado pelo princípio da eficiência administrativa, restringiu a análise dos documentos e justificativas às despesas glosadas relativas ao 4º trimestre de 2001. E, conforme relatado, a autoridade diligenciante examinou os documentos e explicações que acompanharam a impugnação, bem como os que foram apresentados em 26/04/2011 (fls. 481 a 781) após a ciência do Termo de Ciência de Conclusão de Diligência e Intimação Fiscal e relatório anexo (fls. 447 a 461). No Termo de Reratificação de Ciência de Conclusão de Diligência Fiscal de 20/04/11 (fls. 782 a 784) e Fl. 15945DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002671/200637 Acórdão n.º 1402001.235 S1C4T2 Fl. 0 8 demonstrativo anexo (fls. 785 a 802), emitidos em 26/04/2011, a autoridade diligenciante conclui que, após a análise dos documentos juntados na impugnação e na diligência, o montante de despesas glosadas no lançamento deve ser reduzido de R$1.905.417,51 para R$422.156,16, segundo os motivos constantes da coluna “Observações da Diligência” de fls. 785 a 802. Desta forma, cabe analisar os itens que remanescem incomprovados em relação aos quais a manifestante continua a contestar com a apresentação das explicações e documentos de fls. 811 a 1427, o que passo a fazer. (...) 37. A diligenciante manteve a glosa do item 182 sob o fundamento de que a fiscalizada deveria apresentar o Livro Diário que comprove a alegada operação de estorno de lançamento (fl. 788). A cópia da página 312 do Livro Diário (fl. 1088) registra lançamento com histórico de estorno, conforme requerido pela fiscalização e explicado pela manifestante (fl. 125 do anexo 23 e fl. 818), o que torna esta glosa indevida. (...) 46. O item 1522 foi mantido pela autoridade fiscal sob o argumento de que a impugnante não apresentou comprovação do serviço prestado/desenvolvido (fl. 797). Agora a manifestante afirma que a efetiva prestação é comprovada pelos pedidos de compras e orçamentos de fls. 1.189 a 1228. Entendo que estes documentos que relatam diversos serviços de manutenção em informática, conjugados com os lançamentos contábeis e nota fiscal respectiva, comprovam a efetiva prestação dos serviços que geraram a despesa em questão, motivo para derrubada desta glosa. (...)” Consoante acima fundamentado, a contribuinte efetuou pagamentos a título de IRPJ e CSLL relativamente a todos os trimestres de 2001 (fls. 428 a 439). Assim, a forma de contagem do prazo decadencial se dá pelo § 4º do artigo 150 do CTN, pelo que está correto o cancelamento das exigências até o 3o. Trimestre de 2001, haja vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 16/12/2006. Quanto as glosas do 4o. Trimestre de 2001 que foram canceladas, a própria RFB constatou em diligência fiscal a efetividade e dedutibilidade dessas despesas. Logo, deve ser mesmo negado provimento ao recurso de oficio. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 15946DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.10387.K4CE. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA em 14/11/2012 11:04:23. Documento autenticado digitalmente por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA em 14/11/2012. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 19/12/2012 e LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA em 14/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.10387.K4CE Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E20B5EF0B0A5C5C0E0692904901E33496CC013EA Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.002671/2006-37. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11845.000138/2007-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 01 38 /2 00 7- 78 Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 512DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 9202006.920 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721709/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE
São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais
Numero da decisão: 2202-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir a dedução do montante pago à título de pensão alimentícia, conforme consignado no comprovante de rendimentos de e-fl. 66.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 79 1 78 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.721709/201561 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.546 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente JORGE TENORIO LUCCHESI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir a dedução do montante pago à título de pensão alimentícia, conforme consignado no comprovante de rendimentos de efl. 66. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 17 09 /2 01 5- 61 Fl. 79DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício 2014, ano calendário de 2013, que reduziu o imposto a restituir apurado de R$5.212,54 para R$2.497,54. Glosa motivada por falta de comprovação da Decisão Judicial homologada pelo juiz onde determina o percentual homologado. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) Que o valor contestado referese aos pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, em decorrência de decisão judicial. b) as despesas com pensão estão comprovadas pelos recibos e demais documentos anexados à Impugnação, sendo eles: ofício n. 1559/93 (fls. 10); andamento processual (fls. 11); comprovante de rendimentos (fls. 12). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à Impugnação (fls. 32), em decisão cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 39/76), no qual requer a juntada de documentos já apresentados em sua impugnação e requerendo a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) certidão de casamento (fls. 47); b) sentença homologatória de divórcio (fls. 48/49); c) sentença de exoneração de pensão alimentícia em relação aos filhos do Recorrente (fls. 50/51); d) sentença determinando a redução do percentual de pensão alimentícia (fls. 52); e) ofício n. 130/2004 (fls. 55) determinando a exclusão parcial do montante descontado sobre os rendimentos do Recorrente; Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10283.721709/201561 Acórdão n.º 2202004.546 S2C2T2 Fl. 80 3 f) ofício n. 46CRH/DPA (fls. 56) determinando a exclusão parcial do montante descontado sobre os rendimentos do Recorrente; g) declaração de ajuste anual do anoexercício de 2014 (fls. 57/63); h) comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (fls. 64/76). É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com pensão alimentícia é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; A decisão recorrida manteve parcialmente a glosa das despesas com pensão alimentícia com base nos seguintes fundamentos: Para comprovar o pagamento de pensão alimentícia conforme as normas do Direito de Família, o contribuinte apresenta Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na fonte do anocalendário 2013, Ofício da 8ª Vara de Família do Rio de Janeiro e extratos de andamento processual. O comprovante de rendimentos de fls. 12 informa o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 9.872,72 a Maridel Pereira da Silva Lucchesi, dos quais seriam passíveis de dedução somente R$ 9.595,53. O valor de pensão sobre o 13º salário (R$ 773,14) não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual porquanto o 13º salário sofre tributação exclusiva na fonte e não está sujeito ao ajuste anual. Entretanto, o contribuinte não apresentou a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O Ofício apresentado não supre a exigência da Fl. 81DF CARF MF 4 apresentação da decisão ou acordo, uma vez que não contém todas as informações necessárias, tais como vigência do pagamento da pensão. Portanto, necessária a apresentação da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e, ainda, considerando que o Ofício apresentado é de 1993, também seria necessário comprovar que a sentença mantinhase válida no ano calendário 2013. Diante do exposto, concluise pela manutenção da infração de dedução indevida de pensão alimentícia. (grifamos) Intimado da referida decisão, o Recorrente, juntou, em fase recursal, os documentos de fls. 47/76 por meio dos quais procura sanar as objeções apontadas na decisão recorrida. O artigo 16 §4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10283.721709/201561 Acórdão n.º 2202004.546 S2C2T2 Fl. 81 5 O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) A documentação juntada ao recurso voluntário comprova que a sentença homologatória do divórcio determinou que o Recorrente prestasse alimentos a sua excônjuge (fls. 48/49 – 52). Além disso, tais documentos, juntamente com os ofícios apresentados, descrevem, detalhadamente, que conquanto tenha havido redução no percentual pago, persiste o dever legal de prestação de alimentos por parte do Recorrente em beneficio de sua ex cônjuge. Todavia, incorreta a alegação do Recorrente no sentido de que não foi incluído o montante de R$ 773,14 relativo ao 13º salário. De acordo com o comprovante de rendimentos pagos e retenção na fonte do anocalendário 2013 (fls.66) , o valor retido à título de pensão alimentícia corresponte à R$ 9.595,53 e não R$ 9.872,72. Em face do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para admitir a dedução do montante pago à título de pensão alimentícia, conforme previsto no comprovante de rendimentos de fls. 66. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904791/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 47 91 /2 01 2- 45 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10280.904791/201245 Acórdão n.º 1301003.183 S1C3T1 Fl. 198 2 unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10280.904791/201245 Acórdão n.º 1301003.183 S1C3T1 Fl. 199 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.538 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator (efls. 181/195), in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10280.904791/201245 Acórdão n.º 1301003.183 S1C3T1 Fl. 200 4 RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10280.904791/201245 Acórdão n.º 1301003.183 S1C3T1 Fl. 201 5 determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/02/2018, que transcrevo (efl. 196), in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10280.904791/201245 Acórdão n.º 1301003.183 S1C3T1 Fl. 202 6 acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10280.904791/201245 Acórdão n.º 1301003.183 S1C3T1 Fl. 203 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000174/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 74 /2 00 9- 51 Fl. 1259DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10932.000174/200951 Acórdão n.º 2202004.381 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1261DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10932.000174/200951 Acórdão n.º 2202004.381 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1263DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10932.000174/200951 Acórdão n.º 2202004.381 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1265DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.720198/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
DA DECADÊNCIA.
No caso de falta de pagamento ou pagamento em atraso da quota única ou da 1ª quota do ITR, após o exercício de apuração do imposto, aplica-se a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, para efeito de contagem do prazo decadencial. Cabe ser declarada a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2401-005.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Miriam Denise Xavier - Presidente.
Matheus Soares Leite - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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No caso de falta de pagamento ou pagamento em atraso da quota única ou da 1ª quota do ITR, após o exercício de apuração do imposto, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, para efeito de contagem do prazo decadencial. Cabe ser declarada a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Miriam Denise Xavier Presidente. Matheus Soares Leite Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento n° 05102/00116/2010 (fls. 02/08), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 01 98 /2 01 0- 97 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 339 2 do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2004, referente ao imóvel denominado “Fazenda Água Boa”, localizado no município de Barreiras (BA), com cadastro fiscal sob o n° 0.524.1618 (fls. 02). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado: (i) a isenção da área declarada de preservação permanente; (b) a isenção da área declarada de reserva legal; (c) o valor da terra nua declarado, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT; o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A revisão de ofício imposta pela fiscalização culminou com a alteração da área utilizada e consequentemente do grau de utilização do imóvel, além do Valor da Terra Nua Tributável, o que ocasionou saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 2.730.628,68, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso II, alíneas “a” e inciso I c/c art. 14, todos da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 2.047.971,51, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 178), no dia 28/01/2010, o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 185/190), julgada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), por meio do Acórdão nº 0351.183, de 13/03/2013, cujo dispositivo considerou procedente a Impugnação, com a exoneração do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2004 DA DECADÊNCIA No caso de falta de pagamento ou pagamento em atraso da quota única ou da 1ª quota do ITR, após o exercício de apuração do imposto, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, para efeito de contagem do prazo decadencial. Cabe ser declarada a Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) No que diz respeito a decadência, temse que, a partir do exercício de 1997, atribuiuse ao ITR a natureza de tributo lançado por homologação, hipótese em que o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, conforme o § 4° do artigo 150 do CTN, sendo que a homologação efetuada pela autoridade administrativa, seja expressa Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 340 3 ou tácita, apenas recai sobre o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, até porque não há que se falar em homologação de não pagamento. (b) No presente caso, o imposto apurado pelo contribuinte na sua DITR/2004, de R$ 696,00, foi pago em parcela única acrescido de multa e juros, em 30.11.2005, conforme tela digitalizada do sistema “Sinal 08” de fls. 327. (c) Considerando que o pagamento do ITR/2004 cuja quota única ou 1ª parcela venceu em 30.09.2004, foi realizado apenas no exercício de 2005, em 30.11.2005, e sabendose que o fato gerador do ITR do exercício de 2004 ocorreu em 01°/01/2004, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, no caso, deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, (regra geral do art. 173, I, do CTN), ou seja, 01/01/2005, estendendose o direito de a autoridade administrativa expressamente homologar o pagamento feito ou constituir crédito tributário suplementar até 31 de dezembro de 2009. (d) Em sendo caso de lançamento, é sabido que mesmo apenas se torna perfeito e acabado com a ciência, ao sujeito passivo, do seu instrumento materializador, qual seja, a Notificação de Lançamento. (e) Tendo em vista que o lançamento, cuja Notificação foi emitida em 18 de janeiro de 2010, só foi concretizado, com a ciência do autuado, em 28 de janeiro de 2010, às fls. 167, ou seja, após o término do prazo referido anteriormente (31/12/2009), não restam dúvidas de que o direito de efetuar o lançamento já havia decaído. (f) Assim, há que se reconhecer que o crédito tributário em questão foi constituído após o prazo decadencial legalmente previsto, de acordo com o art. 173, I, do CTN, tornandose desnecessária a apreciação de qualquer questão de mérito. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso de Ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 34 do Decreto n° 70.235/72, de modo que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), limite estipulado pela Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da decadência. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 341 4 Conforme relatado, o caso em questão discute lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2004, e que, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.393/96, tratase de tributo de apuração anual, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). É ver a redação do referido dispositivo legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) Consoante predica o § 4º, do art. 150, do CTN, a Fazenda dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, para realizar o controle da atividade praticada pelo sujeito passivo, verificando se o pagamento antecipado foi ou não suficiente para o cumprimento da obrigação tributária. A ausência de manifestação do Fisco no decurso do prazo implica na homologação tácita das atividades do contribuinte relativamente à antecipação do imposto, hipótese em que se considera definitivamente extinto o crédito tributário, ressalvados os casos em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação (§ 4°, do art. 150, do CTN). Apenas nessas hipóteses, ou seja, em que o lançamento de ofício decorrente da não homologação dos procedimentos adotados pelo contribuinte constatar dolo, fraude ou simulação, é que o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4°, se desloca para o artigo 173, I, não havendo que se dizer que o referido prazo pode ser aplicado aos lançamentos por homologação em que não tenha ocorrido pagamento. O simples inadimplemento do tributo não constitui prova de dolo, fraude ou simulação para fins de atrair a incidência do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Decerto, não é o pagamento antecipado do tributo que configura o lançamento por homologação, mas sim o dever legal de o contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante devido. Entendimento em sentido contrário não se compatibiliza com o ordenamento vigente, pois retira a força normativa da regra especial do art. 150, § 4º, do CTN, condicionando sua aplicação à existência de pagamento stricto sensu (e do valor que o Fisco entende devido), exigência essa, sem respaldo legal. Nesse mesmo sentido, o entendimento de José Souto Maior Borges1: 1 BORGES, José Souto Maior. Lançamento Tributário. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 397. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 342 5 Poderseia pretender que, se o sujeito passivo descumpre a obrigação, deixando de efetuar qualquer antecipação do pagamento, não caberia falarse em homologação, e, portanto, nessa hipótese não caberia a invocação do art. 150, parágrafo 4º, mesmo após o transcurso do prazo nele referido. Dessa omissão só decorreria para o Fisco a abertura da via do lançamento ex officio. Mas ainda nessa hipótese possível, até em consequência de desconhecimento do concreto estado das coisas pelo Fisco, venha a ser a atividade prévia homologada, precisamente porque a homologação não é somente referível ao pagamento. Por outro lado, em impostos como o IPI e o ICMS, sujeitos a conta corrente fiscal, pode o crédito, em certo período, superar o débito, e, nada obstante, deverá o obrigado apresentar ao Fisco uma guia ‘negativa’ para fim de controle. E essa atividade deverá ser objeto de homologação. Logo, o pagamento não é necessariamente levado em linha de conta para os efeitos do art. 150, § 4º. Também não discrepa o entendimento de Paulo de Barros Carvalho2: [...] o prazo decadencial prescrito pelo art. 150, § 4°, aplicase aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, isto é, àqueles em que a legislação “atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa”. Em tal caso, ainda que o contribuinte deixe de antecipar o pagamento, o lapso temporal tem início na data da ocorrência do fato gerador. O lançamento por homologação não tem por pressuposto a realização do pagamento, mas o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. [...]. Na mesma toada, segue o entendimento de Renata Elaine Silva3: 7.7.3.1.1 Por que não aplicação do art. 173, I do CTN? Estamos afirmando diante da não constituição do crédito e do não pagamento realizado pelo contribuinte a autoridade administrativa tem que constituir o crédito de ofício. A dúvida seria: por que não aplicar então a regra do art. 173, I do CTN, uma vez que estamos diante de um lançamento de ofício? A hipótese em análise de não constituição do crédito, sem pagamento (total ou parcial), não se equipara àquela hipótese que analisamos na regra do direito n. 04, em que a contagem será deslocada para o art. 173, I do CTN, também não havia constituição do crédito e nem pagamento por parte do obrigado (contribuinte), mas necessariamente houve dolo, fraude ou simulação devidamente comprovado. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Decadência no Direito Tributário. In: CARVALHO, Aurora Tomazini de (Coord.) Decadência e prescrição em Direito Tributário. 2ª ed. São Paulo: MP Editora, 2010, p. 84. 3 SILVA, Renata Elaine. Curso de decadência e de prescrição no direito tributário: regras do direito e segurança jurídica. São Paulo: Noeses, 2013, p. 228239. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 343 6 A simples conduta de não constituição do crédito e de não pagamento, não pode, por si só, denotar um caso praticado mediante dolo, fraude ou simulação. Mesmo porque as figuras exigem vontade (livre e consciente) de praticar uma conduta ilícita, que só pode receber esta atribuição se for devidamente provada. Portanto, apenas nesses casos (dolo, fraude e simulação) que o prazo é deslocado ao art. 173, I, do CTN. Apenas com a prova em processo administrativo regularmente constituído que se pode atribuir a esse tipo de conduta ao contribuinte (não constituição e não pagamento) a modalidade de exceção aludida pela última parte do art. 150, § 4° do CTN (pelos motivos que mencionamos no item 7.6.1). Caso contrário, se entendêssemos que a simples não constituição do crédito permite o deslocamento da contagem do prazo de decadência para o art. 173, I do CTN, estaríamos equiparando a conduta da não constituição e do não pagamento à conduta dolosa, fraudulenta e simulada. Pode ocorrer, v.g, que o contribuinte não tenha constituído o crédito por meio de sua Declaração Mensal dos Débitos/Créditos de ICMS, mas mantém todo o controle por meio de seus livros de apuração, livro de notas fiscais etc., não há conduta dolosa apenas falta de entrega de dever instrumental de constituição de crédito (vide item 7.7.4.4). O artigo apenas excepciona a regra nos casos de conduta dolosa, fraudulenta e simulada, e uma simples falta de entrega de dever instrumental não pode assim ser interpretada. [...]. A despeito do posicionamento acima vesgartado, reconheço que o Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos representativos de controvérsia (art. 543C, do CPC/73), fixou o entendimento no sentido de que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase: a) Do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas ele inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; b) A partir da ocorrência do fato gerador, nos casos em que ocorre o pagamento antecipado previsto em lei. É conferir a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 344 7 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 345 8 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No mesmo sentido, em acórdão mais recente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. PRAZO DECADENCIAL DE TRIBUTO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO PARCIAL. DECLARAÇÃO SEM O RESPECTIVO PAGAMENTO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. (...) III Nos casos em que ocorre o pagamento parcial, o prazo decadencial para o lançamento suplementar do tributo sujeito a homologação é de cinco anos contados do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. (...) (STJ AgRg no REsp: 1355722 PR 2012/02497227, Relator: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Julgamento: 26/04/2016, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 11/05/2016) Conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a interpretação adotada pelo Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, aplicando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça ao caso em questão, que trata da exigência de ITR, referente ao exercício de 2004, verifico que o fato gerador ocorreu em 01/01/2004, de modo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, no caso, é o dia 01º/01/2005, por ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, (regra geral do art. 173, I, do CTN). Dessa forma, a autoridade administrativa tem até o dia 31/12/2009 para expressamente homologar o pagamento feito ou constituir crédito tributário suplementar. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10530.720198/201097 Acórdão n.º 2401005.656 S2C4T1 Fl. 346 9 Assim, tendo em vista que o contribuinte autuado teve ciência da Notificação de Lançamento apenas em 28/01/2010 (fls. 178), não restam dúvidas de que o direito de efetuar o lançamento já havia decaído. Decerto, o lançamento considerase realizado e só se perfectibiliza com a intimação do sujeito passivo acerca do ato de lançamento, sendo indiferente eventuais intimações anteriores em sede de procedimento de apuração de regularidade fiscal, tais como as intimações para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, por serem são atos meramente preparatórios. Assim, compreendo que agiu com acerto a decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), pois há que se reconhecer que o crédito tributário em questão foi constituído após o prazo decadencial legalmente previsto, de acordo com o art. 173, I, do CTN, tornandose desnecessária a apreciação de qualquer questão de mérito, inclusive nesta instância recursal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, tendo em vista a ocorrência do lustro do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 346DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.003608/2004-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1998
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
ATIVIDADE VEDADA. CNAE FISCAL LIGADO A CAUSA IMPEDITIVA LEGAL.
No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação não pode a autoridade competente desconsiderar, sem as provas suficientes, as informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte, dentre elas o CNAE Fiscal, para efeito de enquadramento no SIMPLES, sob pena de responsabilidade funcional. Os serviços profissionais de jornalista, publicitário ou assemelhados impedem a validação da opção da pessoa jurídica pelo SIMPLES.
ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESE DIVERSA DA TRATADA NOS AUTOS.
Não cabe falar em suspensão de exigibilidade de crédito tributário quando a matéria discutida nos autos não comporta exigência de crédito tributário.
LEI TRIBUTÁRIA. NATUREZA CONFISCATÓRIA DE TRIBUTO. RECONHECIMENTO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
O comando do art. 150, IV, da CF/88 dirige-se ao legislador, não havendo amparo legal para a autoridade administrativa proceder ao juízo quanto à natureza confiscatória ou não da legislação tributária.
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. MATÉRIA ALHEIA A DOS AUTOS.
Para que se examine a compensação de tributos e contribuições é preciso que exista pedido de compensação pendente de análise e crédito líquido e certo ao qual o contribuinte tenha direito.
Numero da decisão: 1002-000.250
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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Recorrente ROGÉRIO GONÇALVES PASSOS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1998 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. ATIVIDADE VEDADA. CNAE FISCAL LIGADO A CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação não pode a autoridade competente desconsiderar, sem as provas suficientes, as informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte, dentre elas o CNAE Fiscal, para efeito de enquadramento no SIMPLES, sob pena de responsabilidade funcional. Os serviços profissionais de jornalista, publicitário ou assemelhados impedem a validação da opção da pessoa jurídica pelo SIMPLES. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESE DIVERSA DA TRATADA NOS AUTOS. Não cabe falar em suspensão de exigibilidade de crédito tributário quando a matéria discutida nos autos não comporta exigência de crédito tributário. LEI TRIBUTÁRIA. NATUREZA CONFISCATÓRIA DE TRIBUTO. RECONHECIMENTO. FALTA DE COMPETÊNCIA. O comando do art. 150, IV, da CF/88 dirigese ao legislador, não havendo amparo legal para a autoridade administrativa proceder ao juízo quanto à natureza confiscatória ou não da legislação tributária. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. MATÉRIA ALHEIA A DOS AUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 36 08 /2 00 4- 49 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10675.003608/200449 Acórdão n.º 1002000.250 S1C0T2 Fl. 56 2 Para que se examine a compensação de tributos e contribuições é preciso que exista pedido de compensação pendente de análise e crédito líquido e certo ao qual o contribuinte tenha direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 44 a 50) interposto contra o Acórdão n.° 0321.250, proferido pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (efls. 30 a 32), que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora recorrente, decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1998 Ementa: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação Indeferida Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10675.003608/200449 Acórdão n.º 1002000.250 S1C0T2 Fl. 57 3 Por bem descrever os fatos até este momento processual, adoto o relatório produzido pela instância a quo em sede de impugnação (in verbis): A inclusão da interessada na sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3° da Lei 9.317/96, denominada Simples, não foi efetuada por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XIII do art. 9° da referida lei. A manifestante contesta, em síntese, sua exclusão do Simples sob os seguintes argumentos: Não se enquadra em nenhuma atividade impeditiva. Há ofensa a princípios constitucionais. Assim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua não inclusão. No Recurso Voluntário o recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação (efls. 44 a 50), pugnando pela reforma da decisão de 1.ª instância, pela "suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional", e pela produção de provas "por todos os meios admitidos, especificamente a documental e sustentação oral". Alega ter recolhido os tributos indevidamente sob outras modalidades de apuração que não o SIMPLES, e pede a compensação de ofício das diferenças que teriam sido pagas a maior. É o Relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. 1. Da produção de provas por todos os meios admitidos, especialmente documental e sustentação oral. O momento para apresentação das provas no processo administrativo tributário encerrase no prazo para impugnação, como determina o art. 16, § 4.º, do Decreto n.º 70.235/72, transcrito a seguir, com a redação vigente à época da interposição da impugnação, verbis: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10675.003608/200449 Acórdão n.º 1002000.250 S1C0T2 Fl. 58 4 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Como determina o dispositivo, a não ser sob as circunstâncias das alíneas "a", "b" e "c" o direito da impugnante apresentar as provas documentais preclui após a apresentação da impugnação. Na impugnação o contribuinte ou seu representante deve formalizar por escrito todas as teses de defesa e instruíla com todos os documentos ligados à fundamentação, sob pena de preclusão. Portanto, não constatada nenhuma exceção legal, não há como considerar o pedido contido no recurso voluntário de apresentação de prova documental em momento posterior ao da interposição da impugnação. Quanto ao pedido de sustentação oral de suas razões de defesa, a recorrente deve seguir o § 2.º, do art. 61A, do RICARF Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe da forma e do momento oportuno para tal, verbis: § 2º (...) eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, (...). (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 2. Do não enquadramento em atividade vedada. Sustenta o recorrente que não se enquadra em qualquer das atividades vedadas listadas no art. 9.º, XIII, da Lei n.º 9.317/96, pois sua atividade atual seria "Serviços de filmagem de festas e eventos" e não mais "Edição de vídeos para televisão". Informa que em 2004 já havia modificado o objeto da empresa para "Serviços de filmagem, produção e edição de vídeos", e que nenhum destes objetos contratuais exige habilitação profissional. Acrescenta que não atua na atividade vedada, e que o acórdão da DRJ contraria os documentos acostados. Em exame dos autos, percebese que o recorrente não acrescentou qualquer documento que pudesse fazer prova das suas alegações de que a atividade de "Edição de vídeos para televisão" não configuraria serviço profissional de jornalista, publicitário ou assemelhado, motivo da não inclusão no SIMPLES. Ou seja, o único elemento que faz referência à atividade da empresa é o CNAE Fiscal preenchido pelo próprio contribuinte na ficha "Declaração de Firma Individual", cópia à efl. 4, e, ao contrário do que afirma o recorrente, a decisão Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10675.003608/200449 Acórdão n.º 1002000.250 S1C0T2 Fl. 59 5 recorrida demonstra correlação e coerência com o referido documento e os dados ali informados. Em sede de impugnação o contribuinte sequer anexou o contrato social e alterações, restringindose a apontar que nos anos 2004 e 2005 promovera alteração do objeto social da empresa. Noutra linha, insiste o recorrente em atribuir como causa do indeferimento de pedido de inclusão no SIMPLES o fato de a atividade da empresa exigir habilitação profissional. Esse ponto esclarece bem a decisão recorrida quando especifica que a causa da exclusão é a atividade desenvolvida pelo recorrente configurar prestação de serviço profissional de jornalista, publicitário ou assemelhado, hipótese contida no inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96. O fato de o contribuinte ter providenciado alteração do objeto social a partir de fins de 2004 não é capaz de produzir efeito com relação ao mérito deste processo, uma vez que aqui se discute a inclusão no SIMPLES retroativa a 1998 e anos seguintes. A decisão recorrida limitouse acertadamente a concluir sobre o período a que se refere a petição de efl. 4, adstrita aos elementos probatórios conhecidos pertinentes àquele pedido. Para o período posterior, se houve de fato alteração no objeto social da empresa, nenhum item probante relativo a isso foi juntado para que se pudesse decidir de maneira diversa da referente ao período de 2004 para trás. Não havendo prova suficiente para sustentar e justificar as proposições do recorrente, a autoridade competente fica impedida de desconsiderar — sob pena de responsabilização funcional — os elementos probatórios constituídos até o momento e produzidos pelo próprio contribuinte, como é o caso do Declaração de Firma Individual que contém o CNAE Fiscal declarado na oportunidade de seu preenchimento. Em momento algum o recorrente apresentou prova que pudesse desconstruir as informações que forneceu para seu cadastro na RFB. Nenhum reparo há então a ser feito relativamente à decisão recorrida. 3. Da solicitação de compensação dos valores pagos a maior em decorrência da não inclusão no SIMPLES. Discorre o recorrente acerca da compensação dos valores que teria recolhido a maior, razão da não inclusão no SIMPLES que considera indevida. De início se diga que por concluir correta a não inclusão, entendo prejudicado este tópico do recurso voluntário, pois, diante das razões postas pelo recorrente para demonstrar seu desejo de ver compensados os tributos eventualmente pagos a maior, seria imprescindível este relator reconhecer necessária a reforma da decisão recorrida no que diz respeito à vedação da atividade para opção pelo SIMPLES. Não implementada essa condição, por força dos fundamentos e conclusões do item "2" deste voto, não cabe qualquer consideração sobre compensação de pagamentos indevidos ou a maior. Não obstante, ainda que fizesse sentido adentrar ao exame da solicitação para compensar os valores na forma genérica como disposta no recurso, o instituto da compensação, salvo exceções legais, exige manifestação expressa do contribuinte mediante entrega de declaração que defina os créditos e os débitos envolvidos (DCOMP), e que estes créditos sejam Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10675.003608/200449 Acórdão n.º 1002000.250 S1C0T2 Fl. 60 6 líquidos e certos. Assim balizam os artigos 74, § 1.º, da Lei n.º 9.430/96, e 170 do CTN, abaixo: Lei n.º 9.430/96. (...) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) Lei n.º 5.172/66 (CTN). (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Assim, fica sem objeto a discussão sobre os argumentos e jurisprudência relativos à compensação pretendida pelo recorrente, e, mesmo que houvesse objeto, não teriam sido atendidos os requisitos da legislação tributária para processamento do pedido. 4. Da tributação com efeito de confisco. Alega o recorrente que teria ocorrido ofensa a princípios do direito e ofensa ao que determina o art. 150, IV, da CF/88, por que teria pago tributos indevidamente à margem da apuração pela metodologia do SIMPLES. Pretende caracterizar como uso dos tributos com efeito de confisco a obrigatoriedade de apuração por outras metodologias que não a do SIMPLES, uma vez que teria direito à opção. Novamente perde o objeto a análise. Dado que foi mantido o Despacho Decisório de indeferimento do pedido, submetese o contribuinte recorrente às normas de apuração sob as quais estão sujeitos todos os demais contribuintes que não gozam de benefícios específicos. Caso contrário, seria dizer que as regras legais de apuração que não o SIMPLES afrontam o art. 150, IV, da CF/88, e a manifestação sobre inconstitucionalidade de normas extrapola a competência desta instância de julgamento, na forma como dispõe a Súmula CARF n.º 2: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10675.003608/200449 Acórdão n.º 1002000.250 S1C0T2 Fl. 61 7 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Uma vez que a lei não autoriza, não pode o órgão julgador administrativo exercer juízo acerca da natureza confiscatória ou não de determinada norma tributária, manobrando/ampliando ilegalmente a interpretação de um comando constitucional dirigido ao legislador, como o é o art. 150, IV, da CF/88. Diante do exposto, não assiste razão ao recorrente quanto à possibilidade de compensação. 5. Do pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O recorrente pede ainda a suspensão do crédito tributário decorrente dos recolhimentos eventualmente reconhecidos a menor em razão da não inclusão no SIMPLES e a metodologia de apuração utilizada ter sido a do SIMPLES. A suspensão do crédito tributário está prevista nas hipótese do art. 151 do CTN, abaixo reproduzido: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; ; VI – o parcelamento. A matéria tratada nos presentes autos não traz qualquer correspondência com alguma das hipóteses legais previstas, acima, como se pode observar. O receio do recorrente relativamente a eventuais tributos não recolhidos deve ser tratado em outro processo administrativo, com elementos de prova próprios e fundamentos de fato e de direito específicos e particulares. Conclusão Com tudo o que foi deliberado nos tópicos anteriores, resta concluir que os argumentos trazidos pelo recorrente não merecem prosperar. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10675.003608/200449 Acórdão n.º 1002000.250 S1C0T2 Fl. 62 8 Fl. 71DF CARF MF
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