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Numero do processo: 15586.000298/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2007
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). COMPETÊNCIA PARA A EMISSÃO. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL. AUTORIDADE COMPETENTE PARA O LANÇAMENTO.
Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. O Auditor-Fiscal da Receita Federal é a autoridade legalmente competente para efetuar o lançamento de contribuições previdenciárias. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento administrativo que não suprime e nem limita a autoridade fiscal. É válido o MPF emitido por unidade diferente da que jurisdiciona o sujeito passivo.
PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA.
Nos termos do art.,28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91, integra o salário de, contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a lei 10.101/2000.
TAXA SELIC.
A utilização da taxa selic para cobrança os juros moratórios incidentes sobre os créditos constituídos está pacificada nos termos da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF conforme a íntegra de sua edição: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, c, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei.
MULTA
É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso.
Numero da decisão: 2301-005.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403-002.381, de 12/02/2015, rerratificá-lo e fazer constar em seu dispositivo: "(...) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se aplique a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008".
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). COMPETÊNCIA PARA A EMISSÃO. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL. AUTORIDADE COMPETENTE PARA O LANÇAMENTO. Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade legalmente competente para efetuar o lançamento de contribuições previdenciárias. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento administrativo que não suprime e nem limita a autoridade fiscal. É válido o MPF emitido por unidade diferente da que jurisdiciona o sujeito passivo. PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. Nos termos do art.,28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91, integra o salário de, contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a lei 10.101/2000. TAXA SELIC. A utilização da taxa selic para cobrança os juros moratórios incidentes sobre os créditos constituídos está pacificada nos termos da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF conforme a íntegra de sua edição: “ A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais ” RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 98 /2 00 8- 57 Fl. 446DF CARF MF 2 Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, “c”, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403 002.381, de 12/02/2015, rerratificálo e fazer constar em seu dispositivo: "(...) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se aplique a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008". (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratamse de embargos interpostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 2403002.381 (efls. 383 a 395). A embargante sustenta que teria havido omissão no julgado, porquanto não foi apreciada matéria impugnada e constante do recurso voluntário, correspondente à preliminar de incompetência da Delegacia da Receita Federal em Vitória para promover a ação fiscal. O presidente desta turma admitiu os embargos por vislumbrar a omissão apontada (efl. 444) e, a despeito das considerações do relator (efls. 440 a 443), entendeu que somente o colegiado possui competência para se manifestar sobre questões preliminares e de mérito conduzidas no recurso. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15586.000298/200857 Acórdão n.º 2301005.565 S2C3T1 Fl. 447 3 É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Verificase, de fato, que o acórdão embargado não fez qualquer menção à questão trazida na impugnação e no recurso voluntário afeta à competência para proceder à ação fiscal. Diante disso, passo a discorrer sobre o tópico omisso e deixo de apreciar as matérias já decididas pela turma. Em razão de se enquadrar na classificação de instituição financeira, a recorrente alegou que a Delegacia da Receita Federal em Vitória seria incompetente para promover a fiscalização tributária, que somente poderia ser levada a efeito pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras, única unidade do Fisco que poderia ter emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A matéria foi apreciada pelo colegiado de primeira instância e a recorrente não aduziu novas razões de defesa, razão pela qual, nos termos do § 3º do art. 57 do Regimento Interno do Carf (Ricarf), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, proponho, no que se refere exclusivamente à matéria em apreço, a confirmação e adoção da decisão recorrida, que assumo como minhas próprias razões de decidir e abaixo transcrevo: DA COMPETÊNCIA DA DRF VITÓRIA: 11. Requer a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal n° 07.2.01.002008 000751 e os atos dele decorrentes, inclusive a presente NFLD, por serem atos praticados por autoridade incompetente. Considera que a DRF Vitória não tinha competência para fiscalizar e autuar instituições financeiras, uma vez que, os atos pertinentes à fiscalização e autuação da impugnante, estão em desacordo com a Portaria 23, do Ministério da Fazenda, de 30/01/2008, com efeitos retroativos a 02/01/2008. 12. Tal alegação não cabe pelos motivos abaixo expostos: 12.1. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, foi devidamente emitido em 14 de janeiro de 2008, nos termos da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, vigente na época da emissão do MPF; 12.2. O Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, documento através do qual o sujeito passivo foi notificado de que se encontrava sob ação fiscal, conforme o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei 11.457/2007, foi emitido e cientificado em 28 de janeiro de 2008; 12.3. O Decreto n° 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal, dispõe em seu art. Art. 7°: O procedimento fiscal tem inicio com: (Vide Decreto n" 3.724, de 2001) Fl. 448DF CARF MF 4 1 o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (grifei) 12.4. Ora, não há que se questionar que à época do início do procedimento fiscal, foram respeitadas todas as exigências legais. No presente caso, temos servidor competente, à época do início da ação fiscal e, portanto, não há que se falar em nulidade de ato quando despido de qualquer vício. Os procedimentos acima citados demonstram claramente que em momento algum foram tomadas atitudes contrárias aos procedimentos legais exigíveis à época da transição. 12.5. Tais fatos são corroborados pelo disposto na Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB, dispõe: Art. 4° O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. (grifei) Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 14. O MPF se extingue: 1 pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. (...) Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. 12.6. Cabe salientar que a Portaria 23 veio alterar o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente o disposto no art. 169. De acordo com a Fl. 449DF CARF MF Processo nº 15586.000298/200857 Acórdão n.º 2301005.565 S2C3T1 Fl. 448 5 redação anterior, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da previdência social, não integravam a competência das Delegacias Especiais de Instituições Financeiras. Tal contribuição deixou de ser exceção com as alterações da Portaria 23, de 30/01/2008, que dispõe em seu artigo 2°: Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data da sua publicação, retroagindo seus efeitos a 2 de janeiro de 2008. 12.7. A Portaria foi publicada no DOU de 31/01/2008, e, portanto, seus efeitos retroativos só poderiam ter aplicabilidade para os casos em que não ocorreu o início da ação fiscal, conforme dispositivo legal, mesmo porque passou a vigorar a partir de 31/01/2008, conforme disposto no próprio texto. 12.8. Atentese ainda para o fato de que a Portaria 23 trata de Regimento Interno, ou seja, gerenciamento de procedimentos e, portanto, não tem o condão de anular os atos válidos, ou seja, procedimentos embasados no ordenamento legal aplicável à época de seu início. Às razões contidas no acórdão recorrido aduzo que as nulidades no processo administrativo fiscal são as que contam do art. 59 do Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972, e se resumem a apenas duas hipóteses: 1) termos e atos lavrados por autoridade incompetente e 2) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não vejo, pois, qualquer das hipóteses de nulidade que tenha viciado o lançamento em razão de o MPF ter sido expedido pela DRF/Vitória. Inicialmente, constatase que não consta dos autos nenhum despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente e o sujeito passivo exerceu plenamente o seu direito de defesa. A notificação de lançamento foi lavrada por AuditorFiscal da Receita Federal, que é a autoridade competente para efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias, como dispõe a alínea a do inc. I do art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. O Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, instituiu o MPF como mecanismo de controle administrativo, mas não tem o condão de suprimir ou limitar a competência legal atribuída ao cargo público. Eventual inobservância do controle administrativo poderá acarretar consequências funcionais, mas não macula o lançamento efetuado nos limites da competência legal e com a observância dos artigos 7º a 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Ademais, como já decidido por esta turma inúmeras vezes, o MPF é apenas um instrumento de controle administrativo, que também permite ao contribuinte fiscalizado certificarse se a ação fiscal em curso foi regularmente instaurada, bem como identificar as Autoridades Fiscais responsáveis pela condução do inquérito fiscal. Eventuais irregularidades no MPF, que no caso sequer foram demonstradas, não prejudicariam o lançamento. Fl. 450DF CARF MF 6 O lançamento, enquanto atividade plenamente vinculada, não decorre do MPF, mas da lei. Invoco o Acórdão nº 9303003.876, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que bem ilustra o entendimento predominante no Carf sobre a matéria: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Conclusão Voto por acolher os embargos e rerratificar o acórdão embargado para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que se aplique a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720338/2017-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF.
Numero da decisão: 2402-006.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 86/94) em face do Acórdão n. 12 96.234 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 (efls. 69/75), que julgou improcedente a impugnação de efls. 52/59 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 03 38 /2 01 7- 80 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10680.720338/201780 Acórdão n.º 2402006.608 S2C4T2 Fl. 102 2 manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 02/01/2017 (efl. 18) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2015/915441630460931 Exercício 2015 no valor total de R$ 91.019,39 sendo R$ 64.156,90 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 12.831,38 de multa de mora não passível de redução; e R$ 14.031,11 de juros de mora calculados até 29/12/2016 (efls. 11/14), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de efls. 52/59, julgada improcedente pela DRJ/RJ1, nos termos do Acórdão n. 1296.234 (efls. 69/75), de cujo teor tomou ciência em 05/03/2018 (efls. 79/80), havendo interposto recurso voluntário na data de 04/04/2018 (efl. 81). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. O Recurso Voluntário (efls. 86/94) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que, no entendimento do Recorrente, a responsabilidade pelo não recolhimento do tributo é exclusiva da fonte pagadora, tendo em vista que o IRRF consta de DIRF. É oportuno ressaltar que no Recurso Voluntário (efls. 86/94) o Recorrente não aduz novas razões de defesa. Muito bem. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2015 ND 06/73.803.293 Data de Entrega: 27/04/2015 informando rendimentos tributáveis de R$ 314.354,53 e IRRF de R$ 65.057,64, configuração que lhe conferia imposto a pagar de R$ 5.496,57. Todavia, em razão da glosa de IRRF R$ 64.156,90 decorrente do trabalho de Malha Fiscal, resultou um lançamento com fulcro em compensação indevida de IRRF de R$ 91.019,39, conforme discriminado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2015/915441630460931 (efls. 11/14). O Recorrente, ressaltese, é sócioadministrador (diretor) da fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138 que declarou em DIRF o IRRF no valor de R$ 64.156,90, objeto de glosa pela Fiscalização da RFB. Com relação a este fato, assim se pronuncia a decisão recorrida: No caso, e como já exposto, a autoridade fiscal verificou que o contribuinte é sócio administrador (diretor) da fonte pagadora Estamparia S/A (CNPJ 19.791.987/0001 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.720338/201780 Acórdão n.º 2402006.608 S2C4T2 Fl. 103 3 38), como se observa da “tela” de fl. 42, devidamente confirmada. Notese constar dos sistemas da RFB Termo de Intimação Fiscal (fls. 66/67), solicitando ao interessado, na hipótese de ser proprietário ou administrador da fonte pagadora, o comprovante de recolhimento do IRRF, pedidos de compensação e DCTF. O referido Termo foi recepcionado em 19/10/2016 (fl. 68). No entanto, não foram apresentados, na ocasião, tais documentos, daí a glosa efetuada. Assim, na condição de sócioadministrador, o Recorrente é responsável solidário com a empresa pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IRRF (art. 8°. do DecretoLei n. 1.736/1979 e art. 723 do RIR/99), o que condiciona a compensação do IRRF em seu desfavor do imposto devido apurado na declaração de ajuste anual, à comprovação do devido recolhimento do valor retido (no caso concreto, R$ 64.156,90), não sendo prova bastante a DIRF emitida pela fonte pagadora, nem muito menos o comprovante de rendimentos pagos e de IRRF, quando desacompanhadas do referido comprovante de recolhimento. É oportuno ressaltar que o Recorrente, na peça recursal de efls. 86/94, ou em qualquer outro momento processual, não ilide a natureza de seu vínculo com a fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138. No tocante à alegação do Recorrente de que os tributos devidos teriam sido objeto de compensação, via Per/Dcomp, é esclarecedor o arremate da decisão recorrida: Quanto à alegação de que os tributos retidos teriam sido objeto de compensação, via pedido de compensação, informação esta que, segundo o contribuinte, poderia ser facilmente identificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, há que se esclarecer, inicialmente, que é dever dos contribuintes em geral instruir a impugnação / defesa com os elementos necessários e suficientes à comprovação do direito que pleiteia, observada a legislação de regência da matéria e nos termos dos art. 15 e inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. É de se ressaltar, entretanto, que a autoridade revisora, antes de lavrar o Despacho Decisório, efetuou pesquisas junto aos sistemas da RFB para fins de localizar recolhimentos sob o código de receita 0561 (rendimentos do trabalho assalariado), efetuados pela empresa Estamparia S/A (CNPJ 19.791.987/000138), como se observa da "tela" de fl. 43, sendo que não obteve registro nesse sentido, daí a manutenção da glosa do IRRF. Igualmente, pesquisas aos sistemas da RFB, efetuadas por este julgador, resultaram infrutíferas. É cediço que é ônus do Recorrente em fazer acompanhar do recurso voluntário todo o conjunto probatório necessário a amparar as suas alegações (arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, o Recorrente não traz aos autos nenhum elemento de prova com força probatória suficiente a respaldar as suas alegações, observandose ser esta a terceira oportunidade que lhe é concedida para provar o efetivo recolhimento do IRRF informado em DIRF e no comprovante de rendimentos (efls. 15/16 e 38/39), vez que, por força do rito processual estabelecido na Instrução Normativa RFB n. 958/2009, pode se defender do lançamento em lide diretamente junto à autoridade lançadora (impugnação efl. 02), bem assim impugnar a decisão consubstanciada no Despacho Decisório em sede de revisão de ofício (efls. 46/48) junto ao órgão julgador de primeira instância, e, por fim, apresentar recurso voluntário à segunda instância em face da decisão de primeira instância de julgamento, sem que em nenhuma dessas oportunidades fizesse prova de suas alegações. Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.720338/201780 Acórdão n.º 2402006.608 S2C4T2 Fl. 104 4 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 86/94) para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722888/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE DA DECISÃO A QUO.
É nula a decisão que deixou de analisar os argumentos da Impugnação, devendo ser proferida nova decisão, referindo-se expressamente aos fundamentos invocados pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, determinando-se o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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É nula a decisão que deixou de analisar os argumentos da Impugnação, devendo ser proferida nova decisão, referindose expressamente aos fundamentos invocados pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, determinandose o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 28 88 /2 01 6- 17 Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativos aos anos calendário 2011 e 2012, bem como multa isolada por falta de recolhimento de estimativas devidas, multa de ofício e juros de mora. No âmbito da mesma ação fiscal, foram identificadas pela fiscalização, adicionalmente, operações apontadas como sujeitas à incidência do IOF, o qual foi objeto de autuação em separado, controlada pelo processo 10480.722891/201622, o qual se encontra atualmente na DRJ. Por bem relatar os fundamentos da autuação, reproduzo trechos do relatório fiscal de fls. 36 e seguintes: 2. DOS FATOS IDENTIFICADOS 2.1 DAS “OUTRAS EXCLUSÕES” AO LUCRO LÍQUIDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DOS ANOS CALENDÁRIO DE 2011 E 2012 10. A empresa informou em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e em suas DIPJ dos anoscalendários de 2011 (linha 78) e 2012 (linha 87), da ficha 09A, à título de “outras exclusões”, os valores de R$ 5.522.933,21 e R$ 4.658.826,36, respectivamente. 11. Intimada a detalhar a composição conforme o plano de contas e escrituração, e a comprovar documentalmente tais valores, através do Termo de Início de Fiscalização cientificado em 20/02/2015 e do Termo de Reintimação Fiscal cientificado em 22/06/2015; a empresa limitouse a informar que tais valores teriam sido “provenientes de juros de atualização de mútuos”; não apresentando nenhuma documentação comprobatória que justificasse tais exclusões. 12. Da mesma forma, quando da apuração da base de cálculo da CSLL, nos seus livros de apuração (LALUR) e nas fichas 17 das DIPJ dos anos calendário de 2011 (linha 61) e 2012 (linha 63), a empresa também registrou a exclusão de tais valores. 13. Do exposto, por não terem sido devidamente comprovadas e justificadas pelo contribuinte, através de documentação hábil e idônea, tais exclusões serão objeto de glosa por esta fiscalização, através do lançamento de autos de infração do IRPJ e da CSLL. 2.2 DOS “AJUSTES DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO (RTT)” NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DOS ANOS CALENDÁRIO DE 2011 E 2012 14. A empresa informou em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e em suas DIPJ dos anoscalendários de 2011 e 2012, na ficha 09A, linha 02, à título de “Ajuste do Regime Tributário de Transição (RTT)”, os valores de ajustes negativos de R$ 47.857.104,86 e R$ 9.483.651,00, respectivamente. 15. A mesma foi intimada, através do Termo de Início de Fiscalização cientificado em 20/02/2015, e reintimada, através do Termo de Reintimação Fiscal cientificado em 22/06/2015, a detalhar a composição, conforme o plano de contas e escrituração, e a comprovar documentalmente tais valores. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 4 3 16. Decorridos os prazos estipulados, o mesmo apenas apresentou a esta fiscalização a informação de que tais valores teriam sido provenientes do “resultado da consolidação do REFIS”, não apresentando nenhuma documentação comprobatória que justificasse tal exclusão. 17. Da mesma forma, quando da apuração da base de cálculo da CSLL no seu Livro de apuração (LALUR) e nas suas DIPJ dos anos calendários de 2011 e 2012, a empresa excluiu indevidamente estes mesmos valores, conforme consta na linha 02, da ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). 18. Destacamos que, em relação ao anocalendário de 2012, na Demonstração do Lucro Real no LALUR, a empresa informou o ajuste negativo do RTT sob o título de “Consolidação REFIS” e “IRPJ + CSLL Diferido”, considerando como exclusões da Parte A do referido Livro Fiscal. Tal procedimento, apesar de divergente daquele informado em sua DIPJ, não altera a forma de tributação ou o resultado apurado de ofício. 19. Portanto, tais ajustes negativos, por não terem sido justificados e comprovados pelo contribuinte, serão objeto de glosa por esta fiscalização, através de lançamento de autos de infração do IRPJ e da CSLL. (...) 3. DA TRIBUTAÇÃO DOS FATOS 3.1. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OUTRAS EXCLUSÕES AO LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO E DOS AJUSTES (NEGATIVOS) DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO (RTT) NA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL Ô TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL DOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2011 e 2012 29. Conforme exposto nos itens 2.1 e 2.2, nos anos calendários de 2011 e 2012, a empresa, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, deixou de comprovar os valores lançados à título de “outras exclusões” e dos “ajustes do regime tributário de transição (RTT)”, apurados em sua DIPJ e no Livro de Apuração do Lucro Real . 30. A apuração do IRPJ devido no Ajuste Anual dos anos calendário de 2011 e 2012, encontrase no demonstrativo de apuração do IRPJ – “Quadro C –Apuração do IRPJ no Ajuste Anual”. 31. A apuração da CSLL devida no Ajuste Anual dos anos calendário de 2011 e 2012, encontrase no demonstrativo de apuração da CSLL “Quadro C –Apuração da CSLL no Ajuste Anual”. 32. Na apuração dos valores devidos com os ajustes decorrentes das infrações identificadas por esta fiscalização, foram efetuadas, de ofício, as compensações de prejuízos fiscais de períodos anteriores e de base de cálculo negativa da CSLL, limitadas a 30% dos valores devidos ajustados e à existência desses saldos, conforme valores controlados no sistema – SAPLI, da RFB. 3.2. FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL MULTA ISOLADA PELA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL DEVIDAS POR ESTIMATIVA MENSAL TRIBUTAÇÃO DOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2011 e 2012 33. Tendo em vista que, nos anos calendários de 2011 e 2012, a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 5 4 sujeitas ao pagamento das estimativas mensais, e, em considerando as infrações apuradas por esta fiscalização, conforme exposto nos itens 2.1 e 2.2, que alteraram os resultados fiscais dos períodos, apuramos que a fiscalizada deixou de efetuar o pagamento do IRPJ e da CSLL a título de estimativas mensais. 35. No cálculo das estimativas mensais, foram considerados os valores apurados conforme o LALUR e a DIPJ apresentado pelo contribuinte. 36. Diante do exposto, calculamos as multas devidas, cujos valores se encontram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do IRPJ – Quadro ‘A’ – Apuração das Estimativas Mensais e da Multa Isolada por Falta de Pagamento” e no “Demonstrativo de Apuração da CSLL –Quadro ‘A’ – Apuração das Estimativas Mensais e da Multa Isolada por Falta de Pagamento”, onde estão detalhados os valores das estimativas mensais devidas, decorrentes dos ajustes efetuados pelas infrações apuradas e não pagas, assim como, as multas devidas pelos seus não recolhimentos. Notificado, o Contribuinte apresentou, em 19/04/2016, Impugnação aduzindo: I) preliminarmente: a) indeterminação em relação ao sujeito passivo do IOF; b) utilização de critério diverso na fixação da base de cálculo do IOF; II) no mérito: a) que não se trata de operações de mútuo, mas sim de um fluxo de caixa entre empresas vinculadas; b) impossibilidade de incidência de IOF em operações não realizadas por instituições financeiras e seguradoras; c) erro na metodologia de apuração da base de cálculo do IOF. Em razão de erro do contribuinte, a Impugnação que versava sobre os tributos cobrados nesse processo foi juntada no processo 10480.722891/201622, referente ao IOF, e viceversa, questão que foi saneada posteriormente. Em 14/02/2017, foi lavrado termo de solicitação de juntada de documentos (fl. 433), indicando como justificativa "Saneamento por erro de referência do contribuinte", juntado aos autos nova Impugnação, que aduziu: a) que os valores R$5.522.933,21 de 2011 e R$4.658.826,36 de 2012, são referentes a juros de atualização de mútuos entre empresas coligadas; b) Os valores R$47.857.104,86 de 2011 e R$9.483.651,00 de 2012, são referentes ao resultado da consolidação do Refis conforme determina a Lei 11.941 de 2009; c) da ilegalidade da concomitância da multa de ofício com a multa isolada; d) por fim, solicitou a realização de perícia contábil. A DRJ julgou improcedente a Impugnação apresentada, através do Acórdão nº 1464.778 (fls. 528541), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 6 5 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. O artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração ou penalidade. Ao tipificar essas infrações o artigo 44 da Lei nº.9.430, de 1996, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não se excluem. DESPESAS DIVERSAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. Constatado que as despesas objeto da autuação se configuram desnecessárias aos objetivos sociais desta última, não é permitida sua dedução para fins de imposto de renda. PARCELAMENTO ESPECIAL LEI 11.941/09. REDUÇÕES. DEDUTIBILIDADE. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal. RTT. AJUSTES. Os ajustes ao RTT buscam neutralidade tributária frente às alterações contábeis instituídas pela Lei nº 11.638/07, não se enquadrando no que seriam ajustes regulares ao Lucro Real. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. NECESSIDADE. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 7 6 A impugnação deve ser instruída com os elementos de provas das alegações nela contidas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando as razões de sua Impugnação, e alegando também a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, ao rejeitar o pedido de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O fundamento da autuação é, basicamente, insuficiente comprovação documental de exclusões e ajustes feitos na apuração do IRPJ e CSLL cobrados no ano calendário 2011 e 2012. Quanto a preliminar de nulidade por negativa da realização de diligências e perícias, define o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) O procedimento de diligência e/ou perícia, na esfera de julgamento, prestase, pois, a solucionar dúvidas eventualmente levantadas na análise da documentação probatória já acostada ao processo. Demais disso, devem ser observados os requisitos para sua formulação, sob pena de indeferimento. Não se justifica a sua realização, porém, quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Desse modo, não vislumbro a nulidade arguida. I) Das "outras exclusões" Atualização de mútuo Aduz a Recorrente que os valores excluídos de R$5.522.933,21 de 2011 e R$4.658.826,36 de 2012, como dito na impugnação, são referentes a juros de atualização de mútuos, motivo pelo qual a fiscalização não poderia têlos glosado através do lançamento de auto de infração do IRPJ e da CSLL. Afirma que em sendo coligadas ou controladas as empresas que realizaram operação de mútuo com a Recorrente, não é exigido o reconhecimento de nenhuma receita Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 8 7 financeira por parte da mutuante nos contratos de mútuo, ou seja, não é exigida a cobrança de encargos em mútuos entre empresas ligadas. A Recorrente juntou cópias dos contratos de mútuo estabelecidos com outras empresas do mesmo grupo econômico, para justificar que as receitas financeiras seriam oriundas de mútuos entre partes ligadas, justificando o montante excluído da apuração do Lucro Real. Pois bem, qual não foi a surpresa deste relator quando leu a decisão recorrida, versada nos seguintes termos (fls. 536 e ss.): Considerase sólido o argumento do impugnante de que os valores pagos como juros em contratos de mútuo entre empresas ligadas podem ser considerados despesas dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Acresçase que tal dedutibilidade escorase em três condições: A existência de contrato; a previsão do pagamento de juros; e a correta destinação dos recursos para persecução das atividades da empresa, mostrandose necessária. (...) Analisando os quadros acima, tornase óbvia a conclusão de que as despesas das grandezas de R$5.522.933,21 em 2011 e R$4.658.826,36 em 2012 não são decorrentes ou tampouco destinadas à manutenção das atividades objeto da sociedade. Por conseguinte, indedutíveis de pronto tais valores pretendidos pelo impugnante. Ora, a discussão não versa sobre dedutibilidade de despesas, na apuração do lucro real, e sim sobre a exclusão de receitas advindas de juros recebidos em contratos de mútuos com empresas ligadas. A decisão recorrida, portanto, claramente deixou de analisar os fundamentos alegados pela Recorrente, razão pela qual reconheço, de ofício, a sua nulidade, devendo ser proferida nova decisão, adequada à matéria sob julgamento. Prejudicada a análise dos demais pontos suscitados. IV) Conclusão Ante o exposto, voto por reconhecer de ofício a nulidade do acórdão recorrido, determinando que seja realizado novo julgamento, considerando o conteúdo da impugnação do Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10480.722888/201617 Acórdão n.º 1301003.356 S1C3T1 Fl. 9 8 Fl. 632DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002619/2009-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 26 19 /2 00 9- 83 Fl. 1018DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2301002.679, proferido na Sessão de 14 de março de 2012, e que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 SOBRESTAMENTO. ART. 62A DO RICARF E PORTARIA CARF 001/2012. O sobrestamento previsto no §1º do art. 62A do RICARF somente é de ser aplicado quando o Supremo Tribunal Federal (STF) tiver determinado o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral, conforme prevê a Portaria CARF 001/2012. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária. Ausentes provas que infirmem os fatos apontados pela fiscalização, o lançamento deve prevalecer. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 11 3 anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. A Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos, ensejando a prolação do Acórdão de Embargos nº 2301004.026, na Sessão de 13 de maio de 2014, cuja decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Fl. 1020DF CARF MF 4 Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. O recurso visa rediscutir a retroatividade benigna das multas em razão da mudança legislativa introduzida pela MP/449 (cesta de multas). O Presidente da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. nº 921 a 925. Em seu apelo a Fazenda Nacional aduz que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido; que esta lei, ao mesmo tempo em que alterou a redação do art. 35 da lei nº 8.212, de 1991, introduziu o art. 35 A pelo qual instituiu uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais, adotando a mesma sistemática da aplicada aos demais tributos; que à semelhança do que acontece com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento dos tributos devidos e não declarou na GFIP todos os dados relacionados aos fatos geradores, cumpre à Fiscalização aplicar a multa prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; que a incidência da multa de mora deve ocorrer naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Sustenta a Fazenda Nacional que: “...no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941/09. É o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei nº 8.212,...” E acrescenta à guisa de conclusão: Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 12 5 Cientificado dos Acórdãos nºs 2301002.679 e 2301004.026, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme se atestou no Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 921 a 925, o qual não merece reparos. Conheço, portanto, do recurso. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício, quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, nos lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata os incisos “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Fl. 1022DF CARF MF 6 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 13 7 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, segundo entendimento consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 1024DF CARF MF 8 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duascondutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas anteriormente (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidado deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 14 9 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 1026DF CARF MF 10 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 15 11 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1028DF CARF MF 12 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 11020.002619/200983 Acórdão n.º 9202007.036 CSRFT2 Fl. 16 13 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Em face do exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1030DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900236/2008-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/03/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 36 /2 00 8- 97 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10865.900236/200897 Acórdão n.º 9303007.055 CSRFT3 Fl. 469 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3401001.947, que deu provimento parcial ao recurso, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2000 BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de desconto incondicional. Para comprovar a divergência, aponta paradigma o acórdão nº 204 03.303. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 428/430. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 428/430, pugna pelo não conhecimento do Recurso interposto, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10865.900236/200897 Acórdão n.º 9303007.055 CSRFT3 Fl. 470 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de processo que retorna de julgamento em face da conclusão da diligência deliberada pelo Colegiado a quo por meio da Resolução nº 340100.083,de 27/10/2010. Após a conclusão de diligência, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que: “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. Com efeito, a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, por entender que as bonificações para serem excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de serem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos, assim definidos na INSRF n° 51, de 1978, devendo atender duas condições: constar em nota fiscal de venda dos bens, e não depender de evento posterior à emissão desse documento. A partir do resultado de diligência empreendida por requisição do Colegiado recursal, constatou que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração seqüencial imediata, envolveu Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10865.900236/200897 Acórdão n.º 9303007.055 CSRFT3 Fl. 471 4 o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, concluiu que a operação não dependia de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, concluindo que as mercadorias recebidas em bonificação configuravam descontos incondicionais concedidos”, considerando ainda irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. Por sua vez, a Fazenda Nacional aduz divergência á respeito da conceituação de desconto incondicional. Visando comprovar o dissenso aponta como paradigma, o Acórdão nº 204.03.303, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2003. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. DESCARACTERIZAÇÃO. Somente se configura o recebimento de bonificação em mercadorias, cujo valor não é computado como receita para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins na forma definida na Lei n 9.718/98, quando constem discriminadas na própria nota fiscal de venda das mercadorias sobre a qual se concedeu a bonificação. Mercadorias recebidas gratuitamente, em nota fiscal própria, configuram doações, cuja contrapartida é obrigatoriamente registrada a conta de receita e tributada pelas contribuições na vigência daquela Lei. Recurso Voluntário Negado Relatório Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 09 e 10 dos autos, a autoridade fiscal esclarece a divergência ocorrida entre os meses de fevereiro de 1999 e dezembro de 2000: "não inclusão das demais receitas auferidas" e não inclusão da totalidade das mercadorias recebidas em bonificação. No termo não há qualquer esclarecimento acerca das divergências verificadas nos demais meses, limitandose a autoridade a afirmar que os créditos utilizáveis pelo contribuinte na sistemática nãocumulativa já estavam considerados no lançamento.A ele se seguem planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo adotada pela fiscalização, mês a mês, desde fevereiro de 1999. Delas, percebese que as contas adicionadas são as mesmas, seja na sistemática cumulativa, seja na não cumulativa. A DRJ em Ribeirão Preto/SP houve por bem determinar a realização de diligência na qual a autoridade fiscal promovesse a juntada de cópias dos livros contábeis (razão e diário) que demonstrassem a contabilização das operações com mercadorias recebidas em bonificação e destinadas à Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10865.900236/200897 Acórdão n.º 9303007.055 CSRFT3 Fl. 472 5 revenda, "... ou seja, (das contas) de "Mercadorias Bonificadas e Mercadorias para revenda, bem como das respectivas contas de encerramento (contas para as quais foram transferidos os saldos daquelas)...verificando, na oportunidade, se os valores contabilizados são iguais aos tributados". Não houve determinação expressa para novos procedimentos, nem mesmo para ciência da interessada. Em suma, procurou demonstrar que as bonificações aqui tributadas não atenderiam às exigências constantes nos diverSos atos da SRF sobre o assunto (inclusive a publicação "perguntas e respostas citada pela impugnante em sua peça de defesa) para que possam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, qual seja a de figurarem nas notas fiscais de vendas, quais descontos incondicionais, como redutores do preço cobrado. No caso em discussão, seriam mercadorias recebidas por meio de notas fiscais próprias com a inserção do código fiscal de operações 5.99. Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido o dissenso, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, não se comprova divergência. A decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com base em perguntas e respostas da Receita Federal do Brasil (RFB) reconhecendo a existência de pagamento a maior no recolhimento da Contribuição, advindo da inclusão na base de cálculo do valor das mercadorias recebidas em bonificação. Já o acórdão paradigma apontado pela Fazenda Nacional, o qual foi objeto de Embargos de Declaração, acolhido com efeito infringente ( acórdão nº 220200.124) tendo o Colegiado excluído o valor das bonificações da base de cálculo das contribuições por entender que á luz da inconstitucionalidade declarada pelo STF ao disposto pelo parágrafo 1º do artigo 3º da lei nº 9718, em que essa cobrança, não caberia tributação do PIS e da COFINS. Como se vê, o paradigma apresentado, não demonstra nenhuma divergência, a tese encampada pela Fazenda Nacional, demonstra entendimento favorável a Contribuinte, pois prestam à demonstrar dissenso favorável, considerando a tributação do PIS/COFINS sobre bonificações concedidas, independente de seu enquadramento em "desconto incondicional". No acórdão recorrido, foi conferido a Contribuinte o direito de excluir as bonificações em que estivesse caracterizado o desconto incondicional, ou seja, mesmo não sendo as bonificações objeto da mesma nota fiscal, nas quais, em diligência, restou comprovada a emissão conjuntamente á nora fiscal de venda, estaria reconhecido o direito de excluir o montante correspondente ás bonificações de cálculo das contribuições. O paradigma, por meio dos Embargos de Declaração entendeu que a Contribuinte tinha o direito de excluir toda e qualquer receita "bonificação", visto que esta não se enquadra no conceito de faturamento ( base de cálculo constitucionalmente eleita para o PIS e COFINS) conforme entendimento do STF. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10865.900236/200897 Acórdão n.º 9303007.055 CSRFT3 Fl. 473 6 estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Fl. 473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901237/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.901237/201332 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.330 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2018 Matéria CSLL PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente RESENDE ARMAZÉNS GERAIS E LOGISTICA DA AMAZONIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 37 /2 01 3- 32 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10073.901237/201332 Acórdão n.º 1301003.330 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10073.901237/201332 Acórdão n.º 1301003.330 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao período de apuração de 31/10/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10073.901237/201332 Acórdão n.º 1301003.330 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10073.901237/201332 Acórdão n.º 1301003.330 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721650/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verifique a legitimidade dos créditos de aquisição de bens importados como insumos e para revenda, assim como serviços importados como insumos, informados no arquivo não paginável de e-fls. 2544, adotando as premissas do conceito de insumo expostas no voto condutor, além de outras condições impostas pela legislação e a legitimidade dos créditos relativos a despesas de armazenagem e fretes sobre vendas informados no arquivo não paginável de e-fls. 2608, vencidos o Conselheiro Jorge Lima Abud que negava provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros Walker Araújo e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) que negavam provimento quanto ao conhecimento da planilha de despesas de armazenagem e fretes sobre venda de e-fls. 2608. Designado o Conselheiro Diego Weis Jr para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Redator
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araújo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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GRUPO ITAUTEC Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verifique a legitimidade dos créditos de aquisição de bens importados como insumos e para revenda, assim como serviços importados como insumos, informados no arquivo não paginável de efls. 2544, adotando as premissas do conceito de insumo expostas no voto condutor, além de outras condições impostas pela legislação e a legitimidade dos créditos relativos a despesas de armazenagem e fretes sobre vendas informados no arquivo não paginável de efls. 2608, vencidos o Conselheiro Jorge Lima Abud que negava provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros Walker Araújo e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) que negavam provimento quanto ao conhecimento da planilha de despesas de armazenagem e fretes sobre venda de efls. 2608. Designado o Conselheiro Diego Weis Jr para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Redator (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araújo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 65 0/ 20 13 -4 3 Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.719 2 Relatório Em 15.8.2013, a Recorrente foi intimada dos presentes Autos de Infração, lavrados pela D. Fiscalização em razão de supostas irregularidades na apuração de créditos de PIS e COFINS realizada pela Recorrente no 1° Trimestre de 2008, decorrente de: a) aquisições de bens para revenda no mercado interno e importados (itens 29 a 32 e 52 do Termo de Verificação Fiscal); b) aquisições de bens utilizados como insumos no mercado interno e importados (itens 33 a 37 e 52 do Termo de Verificação Fiscal); c) contratação de serviços utilizados como insumos no mercado interno e importados (itens 49 a 52 do Termo de Verificação Fiscal); d) despesas com energia elétrica; e) despesas com aluguéis de prédios (itens 38 a 41 do Termo de Verificação Fiscal); f) despesas com armazenagem e fretes em operações de venda (itens 53 a 56 do Termo de Verificação Fiscal); g) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (itens 57 a 60 do Termo de Verificação Fiscal); h) despesas com alugues de máquinas e equipamentos locados (itens 61 a 63 do Termo de Verificação Fiscal); e i) devoluções de vendas tributadas (itens 64 a 66 do Termo de Verificação Fiscal). Após efetuar as glosas dos créditos de PIS e COFINS seriam indevidos, a fiscalização verificou que os créditos remanescentes não seriam suficientes para quitar débitos de PIS e COFINS relativos ao 1° Trimestre de 2008, lavrando, assim, os Autos de Infração para formalizar exigência tributária dessas contribuições no montante de R$ 26.826.577,24, sendo R$ 11.794.525,38 de principal (R$ 2.103.888,31/PIS e R$ 9.690.637,06/COFINS), R$ 8.845.894,03 de multa, e R$ 6.186.157,84 de juros. Aroveitase o Relatório apresentado no Acórdão de Impugnação: Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 9.690.637,06, referente a fatos geradores entre 31/01/2008 e 31/03/2008. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 15/08/2013 (Termo de fl. 1.659); Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.720 3 b) o segundo formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.103.888,31, referente a fatos geradores entre 31/01/2008 e 31/03/2008. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 15/08/2013 (Termo de fl. 1.659). Foi produzido longo Termo de Verificação Fiscal, de onde se transcreve os seguintes itens (excertos): Em 08/04/2013 o contribuinte compareceu a essa equipe e apresentou as planilhas de bens utilizados como insumos e de bens para revenda adquiridos no mercado interno, energia elétrica e de fretes revisadas (fl. 303). Nessa mesma data solicitou a prorrogação do prazo para apresentação do restante dos documentos por mais 20 dias, no que foi atendido (fl. 305). Findo esse prazo nenhum outro documento foi apresentado. No caso, consoante Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) do período, o interessado possui receitas tributadas e não tributadas no mercado interno e receitas de exportação (fls. 04 a 96). A parte não tributada da receita é fundamentada no programa de inclusão digital, instituído pela Lei n° 11.196/2005, que em seu art. 28 reduziu a zero, a partir de dezembro de 2005, as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins decorrente da venda no mercado interno de determinados produtos (...). Da análise do crédito Bens para revenda Nessa rubrica o contribuinte havia incluído a aquisição no mercado interno de licença de software para revenda. Contudo a legislação prevê em seu art. 10, XXV, que as receitas de venda de licença de software adquiridas no mercado interno não estão abrangidas pela legislação do PIS e da Cofins não cumulativos, sendo assim, glosamos essas operações (...) Bens utilizados como insumos Excluímos da base de cálculo as operações de aquisição de licença de software, que como vimos acima são operações que estão excluídas da apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e a Cofins. Também glosamos as operações cuja descrição remetia a Pesquisa e Desenvolvimento de produtos (P&D), tendo em vista que a legislação não prevê a apuração de crédito sobre essas atividades. (...), excluímos da base de cálculo considerada as operações que tinham como descrição: frete, nf. compl. de preço, nf. compl. de ICMS e nf. compl. de IPI, pois essas operações não podem ser configuradas como aquisição de insumos. Aluguéis de prédios Com base nos contratos de aluguel apresentados (fls. 664 a 1095), fizemos alguns ajustes nos valores declarados como base de cálculo para adequálos ao valor que efetivamente deveria ser pago no período analisado, sem considerar os reajustes posteriores. Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.721 4 Glosamos os valores dos aluguéis pagos à pessoa física, tendo em vista que a legislação apenas prevê o creditamento com base nos pagamentos efetuados a pessoa jurídica. Glosamos também o valor do contrato de aluguel n° 619, com o locador Participações Morro Vermelho S.A. CNPJ 43.080.225/000108, pois a interessada não era locatária à época dos fatos. Apenas passou a ser a locatária em 01/09/2008, conforme o 3° aditivo do contrato. Até então a locatária era a empresa Itautec Com. Serviços S.A. Glosamos ainda diversos contratos que tiveram inicio de vigência em data posterior a analisada no presente despacho, e outros contratos que não foram apresentados. Falta de apresentação de documentos O contribuinte não logrou êxito em apresentar no formato correto os demonstrativos de crédito de serviços utilizados como insumos advindos do mercado interno, despesas de armazenagem e fretes, bens para revenda, serviços e bens utilizados como insumos advindos do mercado externo. Mister frisar que a comprovação da existência do crédito deve ser feita por quem a invoca, ou seja, o contribuinte. A mera alegação pelo contribuinte da existência de um direito creditório, não comprova a sua liquidez e certeza. Para tal comprovação, deveria ter sido apresentada a documentação solicitada, que permitiria que conferíssemos a existência do crédito alegado. Frisou que planilhas apresentadas fora do formato determinado impediam a correta verificação da procedência do crédito quanto a: Ø Serviços utilizados como insumos; Ø Bens para revenda, serviços e bens utilizados como insumos advindos do mercado externo; Ø Despesas de armazenagem e fretes; Ø Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; Ø Aluguel de máquinas e equipamentos; Ø Devoluções de vendas. Por fim, referiu aos Autos de Infração: Do Auto de Infração Além disso, o crédito apurado no trimestre não foi suficiente para se fazer o desconto do valor do débito apurado, sendo assim, nesses meses procederemos ao lançamento do valor remanescente dos débitos como segue: Período de ApuraçãoPIS devidoCofins devida Janeiro08665.607,693.065.829,36 Fevereiro08675.385,943.110.868,55 Março08762.894,683.513.939,15 Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.722 5 Na situação de os créditos reconhecidos serem insuficientes para realizar as deduções pretendidas, fazse necessária a constituição, de ofício, do valor não declarado em DCTF por meio de auto de infração, acompanhado da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. (...) Em 13/09/2013 a contribuinte apresentou, através de procuradores, arrazoado impugnatório referente aos lançamentos (PIS/COFINS) onde alegou (em síntese): Os fatos • referiu o Fisco que a empresa não teria apresentado grande parte dos documentos solicitados ao longo da fiscalização, de forma que foi determinada a glosa dos créditos vinculados às contas contábeis em relação às quais supostamente não teria sido enviada documentação. Em relação aos documentos que foram apresentados, a Fiscalização entendeu que seriam incompletos ou inconsistentes, determinando a glosa de supostas diferenças de créditos apuradas; • a empresa ressalta que a apuração de créditos realizada não levou em consideração todos os documentos e informações que forneceu ao longo da fiscalização, o que afetou o seu direito de defesa, visto que não conseguiu entender de forma clara as razões pelas quais uma parte do seu crédito foi desconsiderada; Decadência do crédito tributário • o crédito tributário exigido encontrase extinto por decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram mais de cinco anos antes da ciência da lavratura da referida autuação, em 15/08/2013. Considerando que a empresa teve ciência da autuação naquela data, o Fisco não poderia exigir débitos com fatos geradores anteriores a essa data, de forma que a exigência fiscal objeto do Auto de Infração, relativa ao período de janeiro a março de 2008, encontrase extinta; • conforme reconhecido nos Despachos Decisórios proferidos nos processos n°s 12585.000548/201095 e 12585.000547/201041, que decorrem de indeferimento de Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS/COFINS (1° trimestre de 2008), a empresa efetuou compensações das contribuições no período em discussão, de forma que não há dúvidas acerca da aplicação do art. 150, § 4°, do CTN no presente caso. Supostos creditamentos indevidos de PIS/COFINS os créditos aproveitados pela empresa são válidos e decorrem de custos e despesas essenciais e imprescindíveis para a manutenção da sua produção e prestação de serviços, razão pela qual são passíveis de gerar crédito de PIS e COFINS. Ou, em outros casos, referemse a bens adquiridos para revenda, do que resulta o direito ao crédito de PIS e COFINS. Conceito de insumos o conceito de insumo, para fins de creditamento de PIS/COFINS, deve ser entendido como correspondente a todos os gastos, custos ou Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.723 6 despesas que sejam indispensáveis (essenciais) para a comercialização de mercadorias. Ou seja, são insumos aqueles gastos, custos ou despesas sem os quais não seria possível para a empresa fabricar e comercializar suas mercadorias ou ainda prestar serviços. Em síntese, conceitualmente, identificase um insumo a ser utilizado na fabricação e comercialização de produtos quando restar demonstrada a essencialidade ou imprescindibilidade desse custo ou despesa para a respectiva operação. Direito à manutenção dos créditos glosados Utilização de créditos em aquisições de bens para revenda o Fisco considerou indevida a utilização de créditos de PIS/COFINS decorrentes da aquisição no mercado interno de licença de softwares para revenda (art. 10, inciso XXV, da Lei n° 10.833/2003. A empresa esclarece que analisou seus documentos fiscais e verificou que, por um equívoco, efetivamente aproveitou os créditos indevidos apontados, razão pela qual não contesta a glosa efetuada. No entanto, em que pese ter aproveitado indevidamente o crédito, incorretamente submeteu as referidas operações à tributação estabelecida pelo regime não cumulativo do PIS/COFINS (alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente), embora a lei vigente determinasse que tais softwares fossem tributados no regime cumulativo (alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente); A empresa entende que não houve recolhimento a menor de PIS/COFINS em decorrência do equívoco que cometeu, pois tributou incorretamente as operações, possuindo direito ao crédito incidente na saída das mercadorias. Pleiteia que os valores recolhidos de PIS/COFINS sobre essas operações, pela sistemática não cumulativa, sejam ao menos abatidos da exigência fiscal do Auto de Infração, a fim de evitar exigência em duplicidade dos tributos. Utilização indevida de créditos de PIS/COFINS em aquisições de bens utilizados como insumos • o Fisco entendeu que determinadas despesas com aquisição de insumos não seriam passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS. Contudo, as glosas não devem ser mantidas: a) Licença de softwares nacionais: a empresa reitera os argumentos já expostos, reconhecendo a utilização indevida dos créditos apontados. Mas ressalta que as respectivas operações foram submetidas à tributação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/COFINS, não tendo havido falta de recolhimento das contribuições no 1° trimestre de 2008. Ainda que mantida a glosa dos créditos, devese reconhecer que não houve falta de recolhimento das contribuições sobre as operações de aquisição de licença softwares como insumo, devendo ser reduzida a exigência fiscal, abatendose os valores já recolhidos das contribuições; b) Pesquisa e desenvolvimento de produtos: o conceito de insumo passível de gerar crédito de PIS/COFINS deve ser interpretado de forma extensiva, levandose em consideração, no caso concreto, a essencialidade e imprescindibilidade dos gastos para o desenvolvimento das atividades da empresa. As atividades desta são Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.724 7 bastante específicas e demandam grande conhecimento na área de tecnologia. É natural que a empresa necessite promover grandes gastos em pesquisa e desenvolvimento para se manter atualizada no mercado, bem como desenvolver novos produtos. Em que pese a inexistência de previsão legal expressa, percebese a obrigatoriedade e essencialidade dos gastos incorridos com pesquisa e desenvolvimento, visto que essa despesas estão intimamente relacionadas com a geração de receita tributável pelo PIS/COFINS. Ao contrário do entendimento do Fisco, tais despesas devem ser descontadas na apuração das contribuições; c) Despesas lançadas em NFs de complemento de preço: os Autos de Infração consideraram indevidos os créditos aproveitados pela empresa relacionados a NFs de complemento de preço, as quais foram emitidas em situações em que a NF original da operação foi emitida com valor equivocado e, por essa razão, foi necessária a emissão de outra nota em complementação ao montante indicado na primeira. Não se pode aceitar que a Fiscalização desconsidere crédito relativo à NF complementar, única e exclusivamente por se tratar de complementação de preço, sendo que os créditos decorrentes das NFs originais (posteriormente complementadas) foram devidamente validados. Ainda que a legislação não estabeleça expressamente o direito a crédito relativo à complementação de preço, devese reconhecer que, na realidade, não se trata de operação distinta, mas sim de uma só operação, para a qual apenas foi necessária a emissão de novo documento fiscal para sua regularização; d) Utilização indevida de créditos de PIS/COFINS relativos a despesas com aluguéis de prédios: grande parte das alegações do Fisco não condiz com a realidade, o que pode ser confirmado em sede de diligência, momento em que será possível analisar todos os contratos de aluguéis firmados pela empresa. Em relação ao contrato n° 619, cujo crédito foi glosado por supostamente não se tratar de contrato firmado pela empresa, mas sim pela Itautec Com. Serviços S.A., esclarece que aquela empresa foi incorporada pela ora autuada, conforme contrato em anexo (doc. n° 9), o que inclusive foi objeto de posterior aditivo (doc. n° 10), de forma que o respectivo crédito é válido. No que diz respeito ao contrato n° 2100, em que o Fisco apontou que há divergência quanto ao valor do aluguel previsto em contrato e montante creditado, a empresa esclarece que essa divergência decorre do fato de ter aproveitado crédito sobre o valor do aluguel, acrescido do montante do respectivo IPTU devido (doc. n° 11). Além disso, a localizou alguns contratos de aluguéis que não foram identificados durante a fiscalização e que comprovam o seu direito à manutenção dos créditos. Acosta aos autos os contratos n°s 5039, 5041, 5036, 5035, 5040, 2120, 2109, 2122, 2116, 3046, 3047, e 3048, apenas por amostragem (doc. n° 12), e informa que os demais contratos localizados estão disponíveis para análise em sede de diligência. A fim de comprovar essas alegações e tendo em vista o volume de documentos, pleiteia seja convertido o julgamento em diligência para que sejam analisados os contratos firmados e reconhecido o seu direito à manutenção dos créditos glosados; e) Utilização indevida de créditos de COFINS decorrentes da utilização de serviços como insumos: esclarece que apresentou os Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.725 8 documentos necessários para análise da validade dos créditos, os quais sequer foram analisados. Os demonstrativos consolidados mencionados pelo agente fiscal, que foram entregues em arquivo digital devidamente validado, possuem anexos que detalham cada uma das contas contábeis relacionadas aos serviços que originaram os créditos aproveitados, com descrição da atividade e indicação de valores. Caberia ao Fiscal analisar esses documentos (o que não foi feito) e, em caso de eventuais dúvidas, solicitar esclarecimentos à empresa, que possui a documentação suporte das operações detalhadas na tabela enviada. Ao tentar efetuar a juntada desses arquivos em meio digital nos autos dos processos n°s 12585.000548/201095 e 12585.000547/201041 (discutem o indeferimento de Pedidos de Ressarcimento de créditos do 1° trimestre de 2008), o protocolo não foi aceito pelo atendimento presencial no Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC), pelo fato de referidos arquivos ultrapassarem o limite de 15 megabytes previsto para protocolo eletrônico. Ocorre que estes arquivos, além de serem muito pesados, contém demonstrativos que não podem ser subdivididos sob o risco de prejudicar a sua compreensão. Ademais, esses documentos não podem ser impressos, pois as abas de cada tabela possuem interação entre si, o que será perdido caso os documentos sejam impressos, o que, além de tudo, implicaria um volume inconcebível de papel. Importante destacar que não consegue enviar os arquivos eletronicamente via ECAC, em razão de uma falha no sistema interno da Receita Federal, conforme se verifica das anexas telas extraídas ao tentar juntar documento via E CAC aos presentes autos (doc. n° 13). Pleiteia a conversão do julgamento em diligência, para que o agente fiscal analise os anexos dos demonstrativos que foram desconsiderados e que demonstrarão a validade dos créditos glosados. A fim de comprovar a existência desses anexos, que deverão ser analisado em sede de diligência, acosta cópia da tela de um dos demonstrativos entregues (referente a janeiro de 2008), por meio da qual é possível identificar os anexos mencionados (doc. n° 14); f) Comprovação do direito aos créditos: ainda que algumas despesas não estejam expressamente previstas na legislação como passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS, no caso concreto constituem custos e despesas essenciais e imprescindíveis para a manutenção das atividades responsáveis pelo faturamento: f.1) cursos e treinamento: a qualificação dos funcionários é imprescindível e essencial para o desenvolvimento das atividades, visto que, caso de um de seus funcionários não detenha conhecimento tecnológico, não poderá desenvolver a sua função. Assim, os custos e despesas incorridos em cursos voltados para treinamento dos funcionários são essenciais para o desenvolvimento de suas atividades, devendo ser considerados insumos passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS; f.2) gastos com material: materiais que sejam imprescindíveis para o processo produtivo dos contribuintes devem ser caracterizados como insumos. Os créditos glosados se referem a materiais que são necessários para o desenvolvimento das atividades da empresa. Esses devem gerar créditos de PIS/COFINS; Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.726 9 f.3) assistência técnica e viagem nacional: a empresa oferece serviços de assistência e assessoria técnica aos seus clientes. Essas atividades demandam a movimentação dos funcionários que, na grande maioria das vezes, locomovemse até onde seus clientes estão localizados. A locomoção dos funcionários para atendimento dos clientes é uma das principais características de suas atividades, de forma que os gastos com transporte para prestação dos referidos serviços, tais como combustíveis e óleos lubrificantes, são passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS. Os gastos com viagens e assistência técnica indicados pelo agente fiscal são despesas que devem ser incorridas para a geração da receita tributável e, portanto, geram créditos de PIS/COFINS; f.4) mão de obra temporária: as despesas glosadas relativas à conta de mão de obra temporária se referem a gastos com cursos e treinamento de seus funcionários. Tratamse de despesas imprescindíveis para o processo produtivo e prestação e serviços desenvolvidos pela empresa, bem como para a manutenção de suas atividades, de forma que tais despesas devem ser descontadas da apuração do PIS/COFINS. f.5) manutenção de equipamentos: conforme jurisprudência atual do CARF, despesas com manutenção de máquinas e equipamentos possuem o condão de gerar créditos de PIS/COFINS; f.6) serviços especializados: considerando a atividade da empresa (basicamente produz e comercializa softwares), devese reconhecer que as despesas incorridas com serviços especializados, como a manutenção de softwares, são imprescindíveis e essenciais ao desenvolvimento dessas atividades. Utilização indevida de créditos de COFINS decorrentes da utilização de bens para revenda, serviços e bens utilizados como insumos advindos do mercado externo • o Fisco determinou a glosa de créditos decorrentes de operações de importação realizadas pela empresa no 1° trimestre de 2008. Mas estes créditos são regulares: a) Aquisição de bens do exterior para revenda: a justificativa do Fisco para a glosa foi a impossibilidade de análise das operações, tendo em vista que a empresa não teria apresentado o demonstrativo solicitado durante a fiscalização. Mas a empresa elaborou demonstrativos consolidados de todas as operações de importação realizadas no 1° trimestre de 2008, dentre elas as operações de aquisição de bens do exterior para revenda (CFOP 3102). Nesses demonstrativos, é possível verificar informações relativas aos bens adquiridos, tais como sua descrição, respectiva nota fiscal, e valores da operação. Já tentou fazer anexação destes documentos, o que foi rejeitado pelo atendimento presencial do CAC, pelo fato de referidos arquivos ultrapassarem o limite de 15 megabytes previsto para protocolo eletrônico. Reitera seu pedido de conversão do julgamento da defesa em diligência, a fim de que seja possível analisar os demonstrativos elaborados, que comprovam o direito ao crédito. b) Aquisição de bens do exterior como insumo: a justificativa para a glosa foi o fato de a empresa não ter apresentado documentos que Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.727 10 comprovassem a origem dessas operações. Foi elaborado demonstrativo detalhando todas as operações de aquisição de bens do exterior para revenda (CFOP 3101), no qual é possível verificar informações relativas aos bens adquiridos, tais como sua descrição, respectiva nota fiscal, e valores da operação. A juntada desses demonstrativos em CD não foi anteriormente autorizada pelo atendimento presencial do CAC, razão pela qual o julgamento deverá ser convertido em diligência, para possibilitar a sua análise. c) Utilização de serviços do exterior como insumo: a única justificativa para a glosa foi o fato de a empresa não ter apresentado documentos que comprovassem essas operações. Mas as operações de importação de serviços utilizados como insumo, que geraram os créditos glosados, foram detalhadas em demonstrativo elaborado, cuja juntada, contudo, não foi aceita pelo atendimento presencial do CAC. Isso poderá ser confirmado em sede de diligência. A fim de confirmar a regularidade do aproveitamento dos créditos, a empresa acosta aos autos cópia das notas (Invoices) relativas às operações de importação de serviços discriminadas na tabela e que geraram o crédito questionado (doc. n° 16). Reitera seu pedido para que seja determinada a conversão do julgamento em diligência para análise do demonstrativo elaborado, bem como de sua documentação capaz de comprovar a origem da integralidade dos créditos glosados. Utilização indevida de créditos de PIS/COFINS decorrentes de despesas com armazenagem e frete • o Fisco desconsiderou os anexos ao demonstrativo enviado em arquivo digital, que detalha todas as despesas relativas a frete e armazenamento que foram creditadas pela empresa. Reitera seu pedido para que seja determinada conversão do julgamento em diligência, para que o agente fiscal analise os documentos que foram desconsiderados e que demonstrarão a validade dos créditos glosados. Além de comprovar que disponibilizou a documentação necessária para análise da validade dos créditos que indevidamente foram glosados, a empresa demonstrará seu direito à manutenção dos créditos decorrentes de despesas com armazenagem e frete em operações de venda, tendo em vista sua a expressa previsão no art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003, também aplicável ao PIS for força do art. 15, inciso II da mesma Lei. • Utilização indevida de créditos de PIS e COFINS decorrentes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado com a finalidade de comprovar a regularidade da apropriação dos créditos decorrentes da depreciação de bens do ativo imobilizado, a empresa elaborou demonstrativo consolidado, segregado entre os meses em análise, que detalha os bens que compuseram essa rubrica. Contudo, o protocolo do CD contendo esse demonstrativo não foi aceito no atendimento presencial do CAC, sendo que a empresa não consegue apresentar essa documentação via ECAC, em razão de falha no sistema interno da RFB (doc. n° 13). Dessa forma, reitera seu pedido de conversão do julgamento em diligência para análise dos demonstrativos que elaborou, bem como do restante da sua documentação fiscal. Além disso, verificou que possuía mais créditos de PIS/COFINS decorrentes de encargos com depreciação do que o montante declarado em Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.728 11 DACON. Pleiteia seja convertido o julgamento em diligência, para que seja comprovado o seu direito à manutenção dos créditos apurados em razão de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Utilização indevida de créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas com aluguel de máquinas e equipamentos locados • o agente fiscal desconsiderou os anexos ao demonstrativo enviado pela empresa em arquivo digital, nos quais estão detalhadas todas as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos no 1° trimestre de 2008. As máquinas e equipamentos envolvidos nas operações que geraram os créditos em discussão estão discriminados no Anexo 7 das planilhas elaboradas pela empresa (fl. 303 do processo administrativo) e que foram desconsideradas pelo Fisco. Devese converter o julgamento em diligência para análise da documentação fiscal, a fim de que seja reconhecido o direito de utilizar os créditos apurados sobre aluguéis de máquinas e equipamentos, pois os bens foram utilizados nas atividades da empresa. Utilização indevida de créditos de PIS e COFINS decorrentes de devoluções de vendas • a justificativa do Fisco para a glosa desses créditos foi o fato de a empresa não ter apresentado documentos que comprovassem a origem das operações. No entanto, nos demonstrativos que elaborou, cuja juntada não foi aceita pelo CAC, é possível verificarse a regularidade das operações de devolução de vendas que geraram a apropriação dos créditos glosados. Além disso, conforme será possível comprovar em sede de diligência, os valores que constam no Razão da empresa (cuja juntada em CD não foi permitida em outra situação) são, inclusive, superiores aos valores detalhados no demonstrativo. Reitera seu pedido para que seja determinada a conversão do julgamento em diligência para análise de sua documentação fiscal, capaz de comprovar a origem da integralidade dos créditos glosados. Conclusão e pedidos • os AI deverão ser cancelados, tendo em vista a ocorrência de decadência do crédito tributário em cobrança, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; • não houve falta de recolhimento de PIS/COFINS em decorrência da utilização indevida de créditos sobre a aquisição de softwares, visto que a empresa, ainda que por um equívoco, tenha utilizado o crédito, submeteu essas operações à tributação pela sistemática não cumulativa dessas contribuições, aplicando alíquotas superiores às devidas; • os créditos utilizados pela empresa referemse a despesas essenciais e imprescindíveis para a manutenção de suas atividades e que, portanto, geram direito a crédito de PIS/COFINS; • nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.232/1972, a empresa reitera seu pedido de conversão do julgamento em diligência, para que sejam analisados os documentos capazes de comprovar a legitimidade dos créditos glosados, sobretudo os documentos que não Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.729 12 foram acostados à defesa pelo fato de o respectivo protocolo ter sido recusado pelo atendimento presencial do CAC, bem como em razão da falha do sistema do E CAC, que impossibilitou a juntada de documentos aos autos (doc. n° 13); • indica seu assistente técnico; • tem como plenamente demonstrada a total improcedência dos Autos de Infração impugnados, motivo pelo qual requer seja integralmente acolhida sua impugnação para que seja reconhecida a decadência dos lançamentos, bem como seja cancelada a exigência fiscal, com o consequente arquivamento do processo administrativo; • protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos, bem como pela realização de outras diligências que se entendam necessárias para o esclarecimento dos fatos descritos. Anexou rol de quesitos. A repartição de origem atestou a tempestividade da peça impugnatória (fl. 2.458). Remetido o processo a esta DRJ, foram os autos analisados. Em 17/12/2013 emitiuse Resolução (fls. 2.460 a 2.466) para que fossem verificados alguns itens, conforme descrito no Relatório daquela. Em atendimento, o Órgão preparador anexou Termos, planilhas, documentos e Informação Fiscal. Nessa, manifestouse, de forma clara e objetiva, acerca dos itens apontados na Resolução. Cientificada da Informação Fiscal a contribuinte contraditou, tendo apresentado o documento de fls. 2.583 a 2.587 onde disse, inicialmente, que parte da redução imposta pelo Fisco decorreu de créditos de PIS/COFINS originalmente glosados sobre despesas com devolução de vendas e aluguel de imóveis. Continuou assim (em síntese): devoluções de vendas: disse ter havido exclusão da base de cálculo dos AI de vendas de produtos com NCM sujeitos à alíquota zero (Lei n° 11.196/2005), bem como de produtos sem indicação de NCM. Não houve destaque de nenhuma deficiência nos documentos apresentados, sendo que a discussão a respeito do restante da exigência fiscal deste item referese apenas à discussão jurídica, e não à comprovação da origem dos créditos, esses devidamente comprovados. Entende que todas as glosas deveriam ter sido revertidas, visto que, de acordo com a legislação qualquer bem devolvido, cuja receita de venda tenha integrado o faturamento, gera direito a crédito de PIS/COFINS. Pleiteia o cancelamento do restante da exigência fiscal relativa a esse item; aluguel de imóveis: disse que apresentou cópias de contratos de alugueis, sendo que o autuante cancelou praticamente a integralidade da exigência fiscal decorrente da glosa de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com alugueis de imóveis. Manteve pequena parte da cobrança relativa a janeiro de 2008. Mas aqui houve equívoco na análise de vigência do contrato relativo ao mês de janeiro, tendo se entendido que o contrato de aluguel 2111 teria se iniciado em Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.730 13 20/08/2008. Entretanto, para que essa exigência seja totalmente cancelada, a empresa anexa documentação que demonstra que essa locação foi iniciada em 19/02/2004 e renovada até agosto de 2008, donde se justificam os créditos remanescentes; demais despesas: registrou ter entendido o Fisco que os documentos juntados na Impugnação seriam insuficientes para comprovar a origem das respectivas despesas, tendo mantido as glosas efetuadas. Mas a empresa pleiteia, em relação aos créditos aproveitados sobre despesas com serviços e bens adquiridos como insumos do mercado nacional e externo, bem como despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, a juntada de memórias de cálculos refeitas com a inclusão das informações solicitadas, necessárias para comprovação da origem dos créditos, devendo a glosa ser revertida. Em relação às demais despesas cuja documentação foi considerada insuficiente, em razão do grande volume a empresa informa que ainda está providenciando a complementação das memórias de cálculo e as apresentará aos autos no prazo de 30 dias; despesas em NFs de complemento de preço: disse que o Fisco reforçou seu posicionamento inicial de que não poderia haver aproveitamento créditos de PIS/COFINS relacionados a NFs de complemento de preço, pelo fato de não haver variação nos preços de seus produtos. Mas esses créditos foram aproveitados em situações em que a NF original da operação foi emitida com valor equivocado, sendo necessária a emissão de outra nota em complementação ao montante indicado na primeira. O crédito foi validado pela RFB, não havendo razão para indeferimento de crédito decorrente de nota complementar de aquisição. Tratase de operação única, para a qual foram emitidas duas NFs em razão da necessidade de complementação do preço indicado no primeiro documento, sem que isso cause qualquer impacto na essencialidade da operação. O direito ao crédito, ou mesmo a necessidade de emissão de NF de complemento de preço, não possui qualquer relação com a variação do preço do produto, mas sim com o caso concreto da operação; ratificou sua Impugnação, informando que apresentará a documentação pendente no prazo de 30 dias. Pediu o cancelamento integral da exigência fiscal, reiterando que parte da cobrança já foi reduzida, de forma que a necessidade de seu cancelamento tornouse incontroversa. O processo retornou a esta DRJ. Em 05/07/2016 a contribuinte protocolou petição no sentido da juntada de planilhas buscando complementar a comprovação da origem dos créditos de PIS/COFINS relativos a fretes, serviços adquiridos no mercado interno e ativo imobilizado. Em 19 de janeiro de 2017, através do Acórdão n° 1057.757, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre/RS por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente os lançamentos em litígio (PIS/COFINS). Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.731 14 Entendeu a Turma que: ü Não procede a alegação de cerceamento de defesa, eis os AI se encontram revestidos das formalidades legais, neles estando discriminados os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, tendo sido emitidos de modo que a contribuinte tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, podendo exercer seu direito à ampla defesa. Atentese que a contribuinte teve a perfeita percepção dos motivos que levaram à lavratura dos AI, tendo se pronunciado sobre os temas em litígio, abrangendo as questões de mérito e demonstrando seu conhecimento dos fatos apontados; ü O momento para juntada de documentos comprobatórios seria o da impugnação. Observese que teve a empresa outra oportunidade não aproveitada (quando da realização da diligência). Transcorridos estes prazos, apenas seria possível a juntada de tais elementos ao processo administrativo se, e somente se, ocorresse algum dos eventos descritos na norma legal. Como a empresa não demonstrou enquadrarse nos casos de excepcionalidade elencados no citado artigo, temse por prejudicado seu pleito; ü Verificandose a ausência de pagamentos a título de PIS/COFINS nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008 (FGs em 31/01/2008, 28/02/2008 e 31/03/2008, respectivamente), devese aplicar, para fixação do dies a quo do prazo decadencial, a norma prevista no art. 173, inciso I, do CTN, contandose o prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, a contagem decadencial iniciase em 01/01/2009 e termina em 31/12/2013, sendo que a contribuinte foi cientificada em 15/08/2013 (fl. 1.659), donde não há que se falar em decadência para os valores lançados a titulo de PIS/COFINS, vez que não haviam sido ultrapassados mais de cinco anos do exercício seguinte ao que poderia ter sido exigido o cumprimento das obrigações tributárias em relação ao citado período; ü No caso de insumos em que o fornecedor é pessoa física, não cabe apuração dos chamados créditos básicos, eis que o direito àquele crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País (arts. 3°, § 3°, incisos I e II das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003); ü Quanto a eventual direito de crédito decorrente da revenda de mercadorias, de regra o reconhecimento de direito creditório implica na apuração de sua liquidez e certeza, devendo o pedido ser efetuado através de procedimento específico, que não se confunde com o procedimento relativo à impugnação contra lançamento de ofício regularmente feito; Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.732 15 ü Para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS na forma da legislação de regência, eventuais despesas relativas à pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, donde correto o lançamento neste aspecto; ü Não haveria motivação para que os fornecedores da empresa percebessem eventual adicional calculado em função de complementação de preço. Nesse sentido, entendese que as mercadorias consumidas pela empresa (componentes eletrônicos) não sofreram variações tais como peso, quantidade, etc que permitissem a emissão de NFs de complementação de preço. Além disso, equivocar se no valor de uma ou outra NF pode até ser aceitável, mas não na quantidade de NFs relacionadas nas fls. 1.557 a 1.558. Dessa forma, entendese correta a abordagem feita pelo Fisco; ü Conforme se depreende da Informação Fiscal (fls. 2.576 a 2.577) a Fiscalização reviu seu entendimento inicial, tendo refeito a base de cálculo para apuração de créditos referentes a aluguéis de imóveis. Essa base de cálculo está demonstrada na fl. 2.577, sendo praticamente igual ao que a contribuinte informou em DACON, tendo sido desconsiderados apenas três contratos em que a empresa constava como locadora e não como locatária. Portanto, não procede a alegação de desconsideração do contrato de aluguel n° 2111, eis que, se tivesse sido desconsiderado no todo, não alteraria apenas a base de cálculo no mês de janeiro de 2008, mas sim no trimestre todo. Entendese pela correção do procedimento fiscal relativamente a este item; ü De forma clara e objetiva registrou a Fiscalização acerca da forma inapropriada de apresentação dos demonstrativos/planilhas, o que continuou a ocorrer quando da realização da diligência. Ainda que a contribuinte tenha anexado demonstrativos junto à nova impugnação (essa nas fls. 2.583 a 2.587), podese perceber que aqueles não amparam suas alegações; ü Embora algumas informações tenham sido postas, não há comprovação do recolhimento das contribuições, conforme requisito indispensável constante do § 1° do art. 15 da Lei n° 10.865, de 2004. Dessa forma, apenas os recolhimentos que fossem comprovados poderiam ser admitidos neste julgamento, razão pela qual se entende que os pretensos créditos de importação foram corretamente glosados pela Fiscalização, donde também correto o lançamento neste aspecto; ü Do memorial descritivo apresentado pela contribuinte não foi possível discriminar as operações que supostamente compuseram a base de cálculo dessa rubrica. Nem mesmo do demonstrativo apresentado após a realização da diligência podese deduzir tais créditos, eis que naquele informativo (Aluguel Maquinas) não consta qual a finalidade do eventual aluguel, além de estarem relacionadas despesas, dentre Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.733 16 outras, com veículos (reembolsosparticipação em eventos), serviço de locação de espaço, cobrança de multa de trânsito, despesas com serviços, serviço de comunicação de rádio e serviços de gestão de impressão; ü No que tange a despesas de armazenagem e fretes, a contribuinte não forneceu ao Fisco, dentro de prazo razoável, as informações necessárias à verificação de eventuais créditos, devese manter o lançamento neste aspecto; ü Em relação aos encargos de depreciação do ativo imobilizado, também não houve, por parte da contribuinte, o fornecimento ao Fisco, dentro de prazo razoável, das informações necessárias à verificação de eventuais créditos. Assim, devese manter o lançamento neste aspecto; ü A análise do demonstrativo Devoluções de vendas (elaborado pela Fiscalização Termo na fl. 2.552), permite inferir pela correção do procedimento do Fisco, eis que nem todos os produtos cujos NCM foram informados são passíveis de apuração de créditos, bem como não se pode considerar aqueles cujos NCMs não foram informados; ü No caso em tela, a contribuinte, em regra, não conduziu aos autos os elementos necessários à comprovação de suas alegações, limitando se, em muito, a não apresentar os documentos/demonstrativos/planilhas necessárias à verificação fiscal, ou, se o fez, foi de forma parcial. Assim, não tendo a contribuinte carreado aos autos, de forma integral, os elementos comprobatórios de seu alegado direito, devese manter, ainda que parcialmente, o entendimento da Fiscalização expressado no TVF, nos Autos de Infração e na Informação Fiscal lavrada após a realização da diligência. A empresa ITAUTEC foi cientificada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 10/03/2017, às folhas 2.643. A empresa ITAUTEC ingressou com Recurso Voluntário em 10/04/2017, de folhas 2.647 a 2.696. Foi alegado que: ü Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material; ü Decadência do crédito tributário; ü O conceito de insumo; ü Créditos de PIS e COFINS em aquisições de bens utilizados como insumos; Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.734 17 Ø Licença de softwares nacionais; Ø Pesquisa e Desenvolvimento de produtos (“P&D”); Ø Despesas lançadas em notas de fiscais de complemento de preço; ü Créditos de PIS e COFINS relativos a despesas com aluguéis de prédios; ü Créditos de COFINS decorrentes da utilização de serviços como insumos; Ø Cursos e Treinamento; Ø Gastos com Material; Ø Assistência Técnica e Viagem Nacional; Ø Mão de Obra Temporária; Ø Manutenção de Equipamentos; Ø Serviços Especializados; ü Créditos de COFINS decorrentes da utilização de bens para revenda, serviços e bens utilizados como insumos advindos do mercado externo; Ø Aquisição de bens do exterior para revenda; Ø Aquisição de bens do exterior como insumo; Ø Utilização de serviços do exterior como insumo; ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas com armazenagem e frete; ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas com aluguel de máquinas e equipamentos locados; ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de devoluções de vendas. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Portanto, a Recorrente entende ter comprovado que: Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.735 18 a) o V. Acórdão é nulo, tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material, na medida em que não foi analisado todo o conjunto probatório essencial à resolução da lide. b) a decadência do crédito tributário referente, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN; c) não houve falta de recolhimento de PIS e COFINS em decorrência da utilização indevida de créditos sobre a aquisição de softwares, visto que a Recorrente, ainda que, por um equívoco, tenha utilizado o crédito, submeteu essas operações à tributação pela sistemática não cumulativa dessas contribuições, aplicando alíquotas superiores às devidas; d) os créditos utilizados pela Recorrente estão comprovados documentalmente e referemse a despesas essenciais e imprescindíveis para a manutenção de suas atividades e que, portanto, geram direito a crédito de PIS e COFINS. Diante do exposto, a Recorrente pleiteia seja dado INTEGRAL PROVIMENTO ao seu Recurso Voluntário, declarandose a nulidade do V. Acórdão recorrido, tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material, determinandose novo julgamento da Impugnação. Caso assim não se entenda, a Recorrente pleiteia seja dado INTEGRAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, reformandose parcialmente o V. Acórdão recorrido para que seja reconhecida a decadência da cobrança, bem como sejam canceladas integralmente as exigências fiscais dos Autos de Infração, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Por fim, a Recorrente reitera seu pedido de realização de sustentação oral perante este E. CARF, nos termos do artigo 58 do Regimento Interno deste Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 10 de março de 2017, por via eletrônica, às folhas 2.643 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 10 de abril de 2017, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.736 19 ü Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material; ü Decadência do crédito tributário; ü O conceito de insumo; ü Créditos de PIS e COFINS em aquisições de bens utilizados como insumos; Ø Licença de softwares nacionais; Ø Pesquisa e Desenvolvimento de produtos (“P&D”); Ø Despesas lançadas em notas de fiscais de complemento de preço; ü Créditos de PIS e COFINS relativos a despesas com aluguéis de prédios; ü Créditos de COFINS decorrentes da utilização de serviços como insumos; Ø Cursos e Treinamento; Ø Gastos com Material; Ø Assistência Técnica e Viagem Nacional; Ø Mão de Obra Temporária; Ø Manutenção de Equipamentos; Ø Serviços Especializados; ü Créditos de COFINS decorrentes da utilização de bens para revenda, serviços e bens utilizados como insumos advindos do mercado externo; Ø Aquisição de bens do exterior para revenda; Ø Aquisição de bens do exterior como insumo; Ø Utilização de serviços do exterior como insumo; ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas com armazenagem e frete; ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas com aluguel de máquinas e equipamentos locados; Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.737 20 ü Créditos de PIS e COFINS decorrentes de devoluções de vendas. Passase à análise. Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material Foi alegado no Recurso Voluntário, a partir do item 31: Como se vê, a aplicação do princípio da verdade material, intrínseco e fundamental ao processo administrativo fiscal, determina que cabe às autoridades julgadoras analisar todos os elementos determinantes à devida resolução do litígio administrativo (isto é, a própria verdade material), independente do momento processual em que estes forem trazidos aos autos. Portanto, a recusa do V. Acórdão em analisar os documentos trazidos pela Recorrente em sede de diligência que comprovavam a origem de grande parte dos créditos glosados pelos Autos de Infração ofende diretamente o princípio da verdade material, além dos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa previstos no art. 5°, LV, da Constituição Federal. Diante disso, a Recorrente pleiteia seja reconhecida a nulidade do V. Acórdão recorrido e determinado novo julgamento da Impugnação, considerandose a integralidade do conjunto probatório trazido aos autos pela Recorrente, que sempre demonstrou sua boafé em atender as fiscalizações e as intimações do I. Agente Fiscal, tanto que, inclusive, o prazo adicional para juntada dos documentos não analisados deveuse exatamente à dificuldade de ajustar as memórias de cálculos comprobatórias dos créditos glosados aos moldes solicitadas por ele. O Acórdão de Impugnação trata a questão da seguinte forma, às folhas 14 e 15 daquele documento: Em suas impugnações a contribuinte questiona o fato de que o Fisco não se ter pautado em documentos por ela fornecidos. Entretanto, consoante narrativa constante do TVF, a empresa não apresentou arquivos magnéticos solicitados em conformidade com os requisitos previstos na legislação de regência. Em conseqüência, a auditoria fiscal não tomou como base tais arquivos. Isso não significa que o Fisco não se valeu de informações obtidas junto a contribuinte. Ao contrário, a autoridade fiscal tomou como base informações constantes de DACONs, planilhas e diversos documentos apresentados no curso do procedimento fiscal. Notese que a empresa foi intimada, por algumas vezes, a apresentar a documentação julgada imprescindível à apuração de créditos de PIS/COFINS (Pedido de Ressarcimento 1° trimestre de 2008), não tendo havido o atendimento satisfatório das intimações, sendo que ela também não o fez na fase impugnatória. Consoante disposto na fl.2.566 (Informação Fiscal produzida quando da realização da diligência), (...) os arquivos digitais entregues (...) em sua maioria não continham Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.738 21 diversas informações imprescindíveis para a correta análise do crédito (...), sendo que a contribuinte teve mais de dois anos para elaborar os arquivos no formato correto (os memoriais de cálculo foram entregues incompletos). Ao longo da referida Informação Fiscal restou frisado o não atendimento das intimações feitas pelo Fisco para apresentação de documentos/planilhas. Não procede a alegação de cerceamento de defesa, eis que os Autos de Infração se encontram revestidos das formalidades legais, neles estando discriminados os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, tendo sido emitidos de modo que a contribuinte tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, podendo exercer seu direito ao contraditório. Trata o presente caso do momento limite para apresentação de provas no processo administrativo fiscal. De acordo com as regras processuais, provas juntadas depois do momento oportuno não são conhecidas. Na legislação fiscal administrativa, esse momento limite é o da impugnação. Não obstante, os contribuintes apresentam novas provas em sede de recurso fiscal à 2ª Instância, arguindo o princípio da busca da verdade real ou, em alguns casos, nada alegando, limitandose a juntar novas provas e fundamentos. Por outro lado, entendese que a impugnação deve abranger todos os assuntos tratados no lançamento impugnado, os quais o contribuinte espera ver modificados. Assim, matéria não suscitada pelo contribuinte na instância a quo não poderá ser apreciada em grau de recurso em face da preclusão do seu direito de contestála, exceto nos casos em que a lei permita apresentação posterior. O mesmo se dá com as provas. Tratase do fenômeno da preclusão, que é justamente a perda pela parte da faculdade processual de praticar um ato. A legislação determina o momento processual para juntar a prova documental sob pena de ocorrer preclusão consumativa – perda da faculdade de praticar o ato de maneira diversa, se o mesmo já foi praticado por uma das formas previstas em lei. No caso, impugnando o lançamento dentro do prazo de 30 dias, não mais pode o contribuinte juntar qualquer outro documento posteriormente. Consoante os arts. 16, III, § 4º, e 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a prova documental, assim como a matéria a ser contestada, deverão ser apresentadas no momento da impugnação, que é quando se instaura o litígio, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Dispõe o Decreto no 70.235/1972, o qual regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, que: Art. 16 – A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir. Art. 17 – Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.739 22 O ônus de arguir na impugnação toda matéria de defesa é a consagração do princípio da eventualidade ou da concentração. Tal princípio consiste na preclusão do direito de invocar, em fases posteriores do processo, matéria de defesa não manifestada na impugnação. Assim, levando em consideração que é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, argumentase que não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser, como dito, nas situações legalmente excepcionadas. Tais situações estão expressamente previstas no § 4o do referido art. 16, do Decreto no 70.235/1972, o qual dispõe a respeito da juntada de documentos na fase processual de julgamento e em segunda instância do processo administrativo fiscal: Art. 16 (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. As alíneas mencionadas tratam de situações excepcionais que podem ocorrer no desenvolvimento do processo e suas várias fases. Portanto, apenas nessas três situações é que poderá ser aceita a apresentação posterior de provas documentais. Os §§ 5o e 6o do art. 17 complementam as disposições a respeito da apresentação de prova após a impugnação: § 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6o Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Assim, é necessária petição fundamentada – que demonstre claramente a ocorrência de uma das situações autorizadas pela legislação, para que seja aceita a juntada posterior de documentos. Em obediência ao princípio da verdade material, não poderá a autoridade, nesse caso, furtarse a apreciar prova que esclareça o litígio instaurado. Entretanto, não se pode esquecer que a regra é a da apresentação de toda a matéria de defesa no momento da impugnação. O silêncio quanto a qualquer matéria formadora do conteúdo da peça impugnada será considerado aquiescência por parte do sujeito passivo, Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.740 23 gerando preclusão do direito de impugnála posteriormente. Obedecese, assim, aos princípios da oficialidade e da celeridade processual. Em conclusão, entendese que argumentos apresentados extemporaneamente, salvo as exceções legais, não podem ser apreciados em segunda instância, sob pena de contrariar as regras do processo administrativo fiscal. Entretanto, posição contrária, fundada no princípio da verdade material e da ampla defesa, defende que a preclusão não seria irrestrita, havendo casos em que deveria ser afastada, posto que está em discussão a legitimação da tributação. Considera que o princípio da verdade material permite que a Administração Pública conheça qualquer prova carreada aos autos do processo administrativo, cuja existência seja do conhecimento da autoridade julgadora. Assim, entende que a não apreciação das provas trazidas aos autos na fase recursal feriria o princípio da instrumentalidade processual previsto no artigo 244 do Código de Processo Civil e a busca da verdade material. Nesse sentido, os acórdãos do Conselho de Contribuintes nº 10809.622/2008, 10809.655/2008, 30239.947/2008 e o Acórdão CSRF/03 04.371. Para essa corrente, o princípio da liberdade da prova e o princípio do informalismo são pilares do processo administrativo fiscal, que o diferem do procedimento judicial. O princípio da verdade material que governa o processo administrativo opõese ao princípio da verdade formal, pois este último prioriza a formalidade processual probatória, enquanto no processo administrativo prevalece o princípio do impulso oficial. Quanto ao tema, o antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998) previa a possibilidade de apresentação de documentos por parte do sujeito passivo enquanto o processo ainda estivesse com o relator (art. 17, § 7o). Tal previsão, entretanto, foi retirada da nova versão do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes (Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007) e do atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). B JURISPRUDÊNCIA B.1 ADMINISTRATIVA O posicionamento majoritário da 2ª instância do Contencioso Administrativo é no sentido de aplicar o disposto no art. 16 e 17 do Decreto no 70.235/1972, ou seja, não se aceita a apresentação de novas provas após o prazo de impugnação, caso não tenha sido demonstrada a ocorrência de uma das exceções previstas legalmente. Encontramse também decisões em sentido contrário, considerando que a busca da verdade material autoriza a produção de provas em momento posterior à impugnação. Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2000 a 30/06/2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.741 24 primeira instância. Recurso voluntário não conhecido, por preclusão. (Acórdão CC nº 20181.453, sessão de 7/10/2008) Trecho de Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÕES EPROVASAPRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO PRECLUSÃO Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos eprovasnão submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal, que não atendam aos requisitos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão CC nº 19500.022, sessão de 16/9/2008) Trecho de Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. Período de apuração: 01/11/2002 a 30/09/2003. PRECLUSÃO. Matéria não suscitada pelo contribuinte na instância a quo não poderá ser apreciada em grau de recurso em face da preclusão do seu direito de contestála. (Acórdão CC nº 20219.095, sessão de 4/6/2008) Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ. Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005. NORMAS PROCESSUAIS – PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede a sua apreciação em sede de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (Acórdão CC nº 101 96.648, sessão de 16/4/2008) Trecho de Ementa: PAF. PROVAS PRECLUSÃO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo odireitodo impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de suaapresentaçãooportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato oudireitosuperveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(Acórdão CC nº 10809.511, sessão de 6/12/2007) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNICA DE JULGAMENTO – PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. “No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento” (Acórdão nº 30239.947, sessão de 13/11/2008) Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.742 25 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO – PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E DA VERDADE MATERIAL – A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. (Acórdão nº 10809.655, sessão de 27/6/2008) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Acórdão CSRF nº 0304.371, de 16/5/2005) Direito à ampla defesa. Atentese que a contribuinte teve a perfeita percepção dos motivos que levaram à lavratura dos AI, tendo se pronunciado sobre os temas em litígio, abrangendo as questões de mérito e demonstrando seu conhecimento dos fatos apontados. (...) Como referido no Acórdão de Impugnação, a contribuinte teve mais de dois anos para produzir os arquivos necessários à verificação das operações das quais eventualmente resultariam créditos das contribuições. Ainda assim, nem mesmo na fase de diligência os apresentou (tampouco após a impugnação inicialmente apresentada). Decadência do crédito tributário. É alegado nos itens 34 a 37 do Recurso Voluntário: Inicialmente, cumpre ressaltar que o crédito tributário exigido nos Auto de Infração encontrase extinto pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram mais de cinco anos antes da ciência da lavratura da referida autuação, em 15.8.2013. Isso porque, o artigo 150, § 4°1, do CTN estabelece que, para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do PIS e COFINS, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após “cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador”. Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.743 26 Nesse sentido, considerando que a Recorrente teve ciência das autuações em 15.8.2013, a D. Fiscalização não poderia exigir débitos com fatos geradores anteriores a 15.8.2008, de forma que a exigência fiscal objeto dos Autos de Infração, relativa ao período de janeiro a julho de 2008, está extinta pela decadência, abarcando integralmente o primeiro trimestre de 2008. Além disso, conforme reconhecido nos Despachos Decisórios proferidos nos Processos Administrativos n° 12585.000548/201095 e 12585.000547/201041 (docs. n° 6 e 7 da Impugnação e fls. 233), que decorrem do indeferimento de Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS do 1° Trimestre de 2008, a Recorrente efetuou compensações de PIS e COFINS no período em discussão, de forma que, ao contrário do entendimento do V. Acórdão, não há dúvidas acerca da aplicação do artigo 150, §4° do CTN no presente caso. (Grifo e negrito próprios do original) E conclui no item 41: 41. Ou seja, ao contrário do entendimento do V. Acórdão, a compensação, tal como o pagamento, é forma de extinção do crédito tributários, nos termos do art. 156, II, do CTN, de forma que deve ser considerada antecipação de pagamento de tributo. Ora, admitir esse entendimento penalizaria contribuintes que possuem créditos e realizam compensações ao invés de pagar em dinheiro seus tributos, evitando que eles possam usufruir da contagem do prazo do artigo 150, §4° do CTN. A data de início da contagem do prazo decadencial dos tributos se regram por dois entendimentos: O primeiro entendimento, defendido principalmente pelos contribuintes, é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício deve obedecer ao prazo decadencial estabelecido pelo art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, contado a partir da data de ocorrência do fato gerador, independentemente de haver ou não pagamento, salvo se constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipótese em que a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, do mesmo diploma legal, ou seja, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Argumentase que o importante é que a modalidade de lançamento seja por homologação, ou seja, aquela na qual a lei atribui ao sujeito passivo o dever de pagar sem prévio exame da autoridade administrativa. Segundo esse entendimento, se a modalidade do lançamento é por homologação, não interessa se houve algum pagamento, ou mesmo se o sujeito passivo descumpriu algum outro dever. Alegase que o artigo 150, § 4º, do CTN, estabelece norma de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e que cabe ao contribuinte identificar o fato gerador, apurar o montante devido e efetuar o “autolançamento”. Entendese que o pagamento, realizado ou não pelo sujeito passivo, não integra a constituição do crédito tributário, mas sim a extinção, e que não se homologa pagamento, que é causa de extinção do Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.744 27 crédito tributário, mas a atividade exercida pelo sujeito passivo, regra esta que expressamente decorre da segunda parte do artigo 150, na qual se encontram as expressões “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Interpretase que a atividade a que se refere a lei são os atos realizados pelo sujeito passivo para o “autolançamento”. Assim, nos casos em que a autoridade fiscal mantémse inerte em relação às ações ou omissões do sujeito passivo, decorridos cinco anos a contar do fato gerador, temse a decadência. Ainda, entendese que o artigo 173, I, do CTN, ao prever que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, trata dos casos de lançamento por declaração, que ocorre quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que a Fazenda, com base nas informações prestadas, constitua o crédito tributário. É por esta razão que, nesse caso, o prazo decadencial começaria a contar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em outras palavras: nos tributos por declaração, uma vez prestadas as informações, cabe ao sujeito ativo, no exercício de seupoder/dever, constituir o crédito tributário pelo lançamento. Decorrido o exercício em que as informações foram prestadas, sem que o lançamento tenha sido efetuado, iniciase o prazo decadencial. O segundo entendimento é o de que o lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Não havendo pagamento, não se cumpre o requisito básico disposto no mencionado artigo, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Dessa forma, conforme se observa na transcrição acima, entendese que a lei atribuiu requisito ao lançamento por homologação, qual seja, a antecipação do pagamento. Assim, não basta que a legislação determine o pagamento antecipado do tributo para que se caracterize o lançamento por homologação, mas sim, que haja efetivamente o pagamento. Não atendida a condição, não se pode configurar o lançamento por homologação e, neste caso, aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, a contagem do prazo tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.745 28 A interpretação da Receita Federal do Brasil foi manifestada pela Cosit nas Soluções de Consulta Interna nº 16, de 5 de junho de 2003; 23, de 24 de agosto de 2004; e 26, de 1º de novembro de 2005. Em suma, havendo pagamento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150 do CTN; não havendo pagamento, aplicase a regra do art. 173 do mesmo Código. Nesse mesmo sentido concluiu a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, ao analisar a decadência das contribuições previdenciárias. No referido parecer, a PGFN registra entendimentos dos então Conselhos de Contribuintes no sentido de que “se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldase à sistemática de lançamento denominada homologação, onde a contagem do prazo decadencial dáse com a ocorrência do fato gerador, na forma disciplinada pelo § 4º do art. 150 do CTN (...)”. Ressaltase que consta do item 36 desse parecer, a seguir transcrito, que os Conselhos estariam começando a mudar o entendimento: (...) 36. Os Conselhos de Contribuintes, no entanto, começam a mudar o entendimento. Aplicouse recentemente o art. 173, I, do CTN, em caso de lançamento de ofício, no qual não houve pagamento. Refirome ao Recurso RP/ 203123287. Entendeu o Conselho que deve se verificar se o contribuinte recolheu valores no período fiscalizado. Na existência do recolhimento, deve se aplicar o § 4º do art. 150 do CTN. Na inexistência de recolhimentos, deve ser aplicado o art. 173, I, do mesmo CTN. De igual modo, decidiuse no Recurso RD/204130232, bem como no RD/203115797. (...) Ao final conclui o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008: (...) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...) Em que pese o entendimento da Receita Federal do Brasil e o da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional sobre o tema, observase, nos julgados do Conselho de Contribuintes (CC), atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que o posicionamento predominante nesse órgão é no sentido de se contar o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação a partir da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.746 29 Não obstante, em recente apreciação de recurso impetrado pela PGFN contra o acórdão CC nº 10514777, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, deu provimento ao mencionado recurso, com a publicação do acórdão CSRF nº 910100460, no sentido de aplicar a regra do art. 173, I do CTN, no caso de inexistência de pagamento. Prescreve o art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifei). O artigo 173 do Código Tributário Nacional estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário via lançamento extinguese após 5 (cinco) anos. Estabelecido o quantum do prazo, é curial verificar seu dia de início. Podese destacar três hipóteses: (i) primeiro, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, forte no artigo 173, inciso I, do CTN; (ii) segundo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, forte no artigo 173, inciso II, do CTN; (iii) terceiro, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em a Fazenda deveria ter homologado o lançamento, forte no artigo 150, §4º, do CTN; Jurisprudência Judicial. Coincide com o entendimento da Receita Federal do Brasil e o da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reiterado recentemente nos autos do Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, julgado como representativo da controvérsia, sob o rito do art. 543C, do CPC ("recurso repetitivo"[2]), no qual a Primeira Seção decidiu que "o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.747 30 crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. De acordo com o STJ, a regra jurídica da decadência aplicável nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, é aquela regida pelo disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. No julgamento do referido recurso, a Primeira Seção do STJ destacou, ainda, que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação”. (grifouse) O posicionamento do STJ sobre a matéria pode ser observado também nas seguintes decisões REsp 216.758/SP, DJ 10.04.2006, (Primeira Seção); REsp 674.497/PR, DJe 08/09/2009, (Segunda Turma); REsp 766.050/PR, DJ 25.02.2008 (Primeira Seção); REsp 749.446/PR, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1.044.953/SP, DJe 03/06/2009; REsp 989.421/RS, DJe 10/12/2008 (Primeira Turma); REsp 957.682/PE, DJe 02/04/2009 (Segunda Turma). Assim temos que: ü Regra geral – prevista no artigo 173, inciso I do CTN que prevê que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ü Regra especial – é retirada do artigo 150, parágrafo quarto e utilizada para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação e nos casos em que tenha ocorrido efetivamente a antecipação do pagamento. Determina que o início da contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Ocorrendodolo,fraudeousimulaçãonos casos delançamento por homologação, aplicase a regra geral. ü Regra do lançamento anulado – estabelece que, quando existir lançamento anulado por vício formal, o início da contagem do prazo decadencial darseá na data em que se tornar definitiva a decisão que anulou o lançamento anteriormente efetuado (art. 173, II, CTN). No presente caso, está afastada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tendo em vista que tal aspecto não foi apontado pela fiscalização. Também não há dentre as peças processuais qualquer informação de que tenha havido pagamentos de PIS/COFINS para o período lançado. Por isso tomo como adequada, a conclusão esposada pelo Acórdão de Impugnação, folhas 17 daquele documento: Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.748 31 No caso em tela, verificandose a ausência de pagamentos a título de PIS/COFINS nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008 (FGs em 31/01/2008, 28/02/2008 e 31/03/2008, respectivamente), devese aplicar, para fixação do dies a quo do prazo decadencial, a norma prevista no art. 173, inciso I, do CTN, contandose o prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, a contagem decadencial iniciase em 01/01/2009 e termina em 31/12/2013, sendo que a contribuinte foi cientificada em 15/08/2013 (fl. 1.659), donde não há que se falar em decadência para os valores lançados a titulo de PIS/COFINS, vez que não haviam sido ultrapassados mais de cinco anos do exercício seguinte ao que poderia ter sido exigido o cumprimento das obrigações tributárias em relação ao citado período. O conceito de insumo O assunto encontrase disciplinado no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, especialmente, nos preceitos que seguem transcritos extraídos do último diploma legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.749 32 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) É certo que a jurisprudência e a doutrina ainda tateiam na burilação desse conceito. Nessa mesma toada, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF vem apresentando sua humilde contribuição, na figura do seu preclaro Presidente, Paulo Guilherme Déroulède, ao se pronunciar assim sobre o tema, conceito o qual também abraço: Duas correntes divergem sobre a extensão do conceito de insumo previsto no referido preceito legal. Para a Administração tributária, insumo compreende apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens utilizados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, que se assemelha, em termos gerais, a definição de insumo da legislação do IPI. Já para parte relevante da doutrina, insumo compreende os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação, assim como aqueles bens e serviços necessários à manutenção da atividade da pessoa jurídica, conforme definição veiculada na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem, em parte, aos custos indiretos de produção ou fabricação. No entendimento deste Relator, além das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem aplicados na produção (insumos diretos de produção), também estão alcançados pelo conceito de insumo os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação e os demais bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de forma indireta (insumos indiretos de produção), a exemplo dos bens e serviços agregados aos bens ou serviços aplicados no processo produtivo. De outra parte, o conceito de insumo não compreende os demais bens e serviços não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação ou que a estes não se agregam, bem como todos os demais bens e Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.750 33 serviços utilizados antes e após a conclusão do processo produtivo, que compreendem os bens e serviços utilizados na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, representam os gastos ou despesas préindustriais, e na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, constituem as despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica, tais como: as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc. (Grifo e negrito nossos) Sob essa ótica que serão analisados os tópicos vindouros. Créditos de PIS e COFINS em aquisições de bens utilizados como insumos. Licença de softwares nacionais. É alegado nos itens 77 e 78 do Recurso Voluntário: Em relação a esse item, a Recorrente reitera os argumentos expostos no item acima, reconhecendo a utilização indevida dos créditos apontados pelo I. Agente Fiscal, por um equívoco da Recorrente, mas ressaltando que as respectivas operações com softwares nacionais foram, por um lapso, submetidas à tributação aplicável ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS (quando o correto seria regime cumulativo, com alíquotas inferiores) e, portanto, não houve falta de recolhimento dessas contribuições no 1° Trimestre de 2008. Dessa forma, ainda que mantida a glosa dos créditos efetuados, deve se reconhecer que não houve falta de recolhimento de PIS e COFINS sobre as operações de aquisição de licença softwares como insumo e reduzida a exigência fiscal ora em discussão, abatendose os valores já recolhidos dessas contribuições pela Recorrente. O assunto foi abordado no Acórdão de Impugnação, às folhas 18 do documento: Analisandose o TVF (fls. 1.627 a 1.628) resta claro que nada foi lançado a título desta rubrica, eis que tais operações não estão abrangidas pelo PIS/COFINS nãocumulativos (art. 10, inciso XXV, da Lei n° 10.833, de 2003), ficando sem razão a argumentação posta pela contribuinte quanto ao item. Ademais, quanto a eventual direito de crédito decorrente da revenda de mercadorias, de regra o reconhecimento de direito creditório implica na apuração de sua liquidez e certeza, devendo o pedido ser efetuado através de procedimento específico, que não se confunde com o procedimento relativo à impugnação contra lançamento de ofício regularmente feito. Irretocável o entendimento esposado pela autoridade julgadora de 1a instância. Se a empresa ITAUTEC entende que lhe assiste o crédito decorrente da revenda de mercadorias, que ingresse com o procedimento específico. Pesquisa e Desenvolvimento de produtos (“P&D”). Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.751 34 É alegado nos itens 79 a 82 do Recurso Voluntário: O V. Acórdão manteve a glosa dos créditos de PIS e COFINS aproveitados pela Recorrente sobre despesas com P&D, sob o argumento de que inexiste previsão legal expressa para desconto das referidas despesas como insumo. Contudo, como visto, o conceito de insumo passível de gerar crédito de PIS e COFINS deve ser interpretado de forma extensiva, levandose em consideração, no caso concreto, a essencialidade e imprescindibilidade dos gastos para o desenvolvimento das atividades do contribuinte. No caso em questão, a Recorrente é empresa destinada ao desenvolvimento e comercialização de diversos tipos de equipamentos de informática. Além disso, na época dos fatos geradores, a Recorrente oferecia aos seus clientes serviços de assessoramento e assistência técnica, bem como serviços de processamento de dados e congêneres, monitoramento, limpeza, e integração de sistemas eletrônicos de automação. Percebese que as atividades da Recorrente são extremamente específicas e demandam grande conhecimento na área de tecnologia. Por essa razão, é natural que a Recorrente necessite promover grandes gastos em pesquisa e desenvolvimento para se manter atualizada no mercado, bem como desenvolver novos produtos. Diferentemente do que ocorre em outros setores, as constantes atualizações e aprimoramentos são imprescindíveis para que os produtos e serviços oferecidos pela Recorrente mantenhamse competitivos no mercado. O assunto foi abordado no Acórdão de Impugnação, às folhas 18 e 19 do documento: Em face dos aspectos legais postos no item 3. Conceituação de insumos antes abordado, fica claro que, para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS na forma da legislação de regência, eventuais despesas relativas à pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, donde correto o lançamento neste aspecto. Como visto em tópico anterior, o entendimento esposado pela autoridade julgadora de 1a instância comunga com o entendimento da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF sobre o conceito de ‘insumo’ para fins de Contribuições referentes ao PIS e da COFINS: despesas relativas à pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesas lançadas em notas de fiscais de complemento de preço. É alegado nos itens 87 a 94 do Recurso Voluntário: Ademais, o I. Agente Fiscal considerou indevidos os créditos aproveitados pela Recorrente relacionados a notas fiscais de complemento de preço, as quais foram emitidas pelos fornecedores da Recorrente em situações em que a nota fiscal original da operação foi Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.752 35 emitida com valor equivocado e, por essa razão, foi necessária a emissão de outra nota em complementação ao montante indicado na primeira. No entanto, não se pode aceitar que a D. Fiscalização desconsidere crédito relativo à nota fiscal complementar, única e exclusivamente por se tratar de complementação de preço, sendo que os créditos decorrentes das notas fiscais originais (posteriormente complementadas) foram devidamente validados pelo I. Agente Fiscal. A esse respeito, a Recorrente transcreve manifestação da própria Receita Federal do Brasil (“RFB"): (...) Em sede de diligência, a Recorrente esclareceu que se trata de operação única, para a qual foram emitidas duas notas fiscais em razão da necessidade de complementação do preço indicado no primeiro documento, sem que isso cause qualquer impacto na essencialidade da operação, que é o que efetivamente garante o direito ao crédito à Recorrente. Basicamente, a primeira nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor da Recorrente cujo crédito não foi contestado pelo I. Agente Fiscal foi emitida em valor inferior ao montante efetivamente devido pela quantidade de produtos constantes da nota, de forma que foi necessária a emissão de nota fiscal complementar para corrigir esse equívoco e fazer com que o valor correto da operação e consequentemente o direito ao crédito sobre o valor correto fosse registrado. O assunto foi abordado no Acórdão de Impugnação, às folhas 19 do documento: De regra a NF Complementar é a nota emitida para acrescentar dados e valores que não foram antes informados no documento fiscal original. Ela pode ser complementar de valor, quantidade ou ICMS, devendo ser emitida nos seguintes casos: a) reajuste do preço em qualquer circunstância que implique em aumento do valor original pago; b) quando o valor do contrato de câmbio de uma exportação acarretar aumento do valor da operação na nota; c) para regularizar uma nota por alguma diferença de preço ou de quantidade de mercadoria no período de apuração do imposto daquela operação. Ou seja, a NF Complementar deverá ser emitida nos casos de reajustamento de preço em razão de contrato escrito ou de qualquer outra circunstância que implique aumento no valor original da operação ou prestação; na exportação, se o valor resultante do contrato de câmbio acarretar acréscimo ao valor da operação constante na nota fiscal; na regularização em virtude de diferença no preço, em operação ou prestação, ou na quantidade de mercadoria, quando efetuada no período de apuração do imposto em que tiver sido emitido o documento fiscal original ou para lançamento do imposto não efetuado em época própria, em virtude de erro de cálculo. Consoante verificado pela Fiscalização, não haveria motivação para que os fornecedores da empresa percebessem eventual adicional calculado em função de complementação de preço. Nesse sentido, Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.753 36 entendese que as mercadorias consumidas pela empresa (componentes eletrônicos) não sofreram variações tais como peso, quantidade, etc que permitissem a emissão de NFs de complementação de preço. Além disso, equivocarse no valor de uma ou outra NF pode até ser aceitável, mas não na quantidade de NFs relacionadas nas fls. 1.557 a 1.558. Dessa forma, entendese correta a abordagem feita pelo Fisco. Somase a isso, o fato de que a legislação não prevê o direito ao crédito relativo à complementação de preço. Portanto, a pretensão da Recorrente não encontra respaldo no ordenamento jurídico. Créditos de COFINS decorrentes da utilização de serviços como insumos. Cursos e Treinamento. É alegado nos itens 113 e 114 do Recurso Voluntário: O I. Agente Fiscal contestou créditos aproveitados pela Recorrente sobre despesas com cursos e treinamentos, por entender que não são consideradas insumos nos termos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Contudo, é importante ressaltar que a Recorrente é empresa que, dentre outras coisas, desenvolve e comercializa softwares e outros equipamentos de informática, bem como presta de serviços de instalação, assistência técnica, assessoramento técnico e processamento de dados. Percebese que a qualificação de seus funcionários é imprescindível e essencial para o desenvolvimento de suas atividades, visto que, caso de um de seus funcionários não detenha conhecimento tecnológico, não poderá desenvolver a sua função. O assunto foi abordado no Acórdão de Impugnação, às folhas 20 do documento: a) serviços advindos do mercado interno: tais serviços não se enquadram no conceito de insumo antes abordado, pois não se tratam de serviços diretamente utilizados no processo produtivo da empresa. Observese constarem, dentre outros, |cursos de especialização liderança de equipes/curso de inglês, recebimento inspeção Jundiaí, recebimento de mercadorias, montagem informática, movimentação de estoques, recebimento de mercadorias, folha de pagamento, pagamento de multa de trânsito, reembolso de pagamento de estacionamento, pagamento de gasolina, pagamento de pedágio, viagens nacionais, passagens aéreas, despesas de honorários advocatícios, pagamento de acordo judicial, pagamentos de serviços de táxi e lavagens de veículos. Dessa forma, entendese correto o entendimento da Fiscalização. Como visto em tópico anterior, o entendimento esposado pela autoridade julgadora de 1a instância comunga com o entendimento da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF sobre o conceito de ‘insumo’ para fins de Contribuições referentes ao PIS e da COFINS: despesas relativas à cursos de cursos de especialização liderança de equipes/curso de inglês, recebimento inspeção Jundiaí, recebimento de Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.754 37 mercadorias, montagem informática, movimentação de estoques, recebimento de mercadorias, folha de pagamento não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Gastos com Material. É alegado nos itens 117 a 119 do Recurso Voluntário: Conforme já mencionado, conforme a atual desse E. CARF acerca do tema, materiais que sejam imprescindíveis para o processo produtivo do contribuinte devem ser caracterizados como insumos. Contudo, o I. Agente Fiscal determinou a glosa de créditos decorrentes de gastos com materiais essenciais para o desenvolvimento das atividades da Recorrente, tais como cabos elétricos, cartuchos, pilhas alcalinas, brocas, ferramentas em geral, fita adesiva, lâmpadas, baterias, parafusos, entre outros. A natureza das despesas glosadas pelo I. Agente Fiscal pode ser verificada no Anexo 5 dos demonstrativos apresentados pela Recorrente durante a fiscalização e que foram desconsiderados pelo I. Agente Fiscal(fls.303 do processo administrativo). Ressaltese que o V. Acórdão sequer analisou individualmente esses materiais. Tais materiais são necessários para o desenvolvimento das atividades da Recorrente e, portanto, geram créditos de PIS e COFINS. A esse respeito, a Recorrente transcreve abaixo trecho de decisão desse E. CARF: (...) De fato, o assunto não foi abordado especificamente pelo o Acórdão de Impugnação. Contudo, podese entender que a autoridade julgadora de 1a instância considerou que os materiais listados na se encaixam no conceito de ‘insumo’, já delineado em tópico anterior. Nessa toada, de igual sorte, já que o entendimento do referido conceito é o mesmo tanto para a autoridade julgadora de 1a instância quanto para a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, entendese que a pretensão Recorrente não deve prosperar. Assistência Técnica e Viagem Nacional. É alegado nos itens 122 a 124 do Recurso Voluntário: Além disso, mantevese a glosa de créditos aproveitados pela Recorrente sobre despesas com transporte de seus funcionários, tais como os gastos com veículos, reembolso de kilometragem, combustível, dentre outros gastos com viagens de funcionários para prestação de serviços de assistência técnica. A natureza das despesas glosadas pelo I. Agente Fiscal pode ser verificar no Anexo 5 dos demonstrativos Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.755 38 apresentados pela Recorrente durante a fiscalização e que foram desconsiderados pelo Fiscal (fls. 303 do processo administrativo). Ressaltese que o V. Acórdão sequer analisou individualmente essas despesas. Cumpre ressaltar que a Recorrente oferece serviços de assistência e assessoria técnica aos seus clientes. Percebese que essas atividades demandam a movimentação dos funcionários da Recorrente que, na grande maioria das vezes, locomovemse até onde seus clientes estão localizados. É importante destacar que a locomoção dos funcionários para atendimento dos clientes da Recorrente é uma das principais características de suas atividades, de forma que os gastos com transporte para prestação dos referidos serviços, tais como combustíveis e óleos lubrificantes, são passíveis de gerar créditos de PIS e COFINS. O assunto foi abordado no Acórdão de Impugnação, às folhas 20 do documento, trecho já transcrito em tópico anterior. Pelos motivos já abordados, despesas relativas à assistência técnica e viagem nacional não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Esse mesmo argumento é válido para os seguintes itens: Ø Mão de Obra Temporária; Ø Manutenção de Equipamentos; e Ø Serviços Especializados Créditos de COFINS decorrentes da utilização de bens para revenda, serviços e bens utilizados como insumos advindos do mercado externo. Aquisição de bens do exterior para revenda. É alegado nos itens 138 a 141 do Recurso Voluntário: O I. Agente Fiscal determinou a glosa de créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisições realizadas pela Recorrente de bens do exterior para revenda, o que, como já abordado acima, é passível de gerar créditos. A base de cálculo dos créditos glosados, tanto para o PIS quanto para COFINS, corresponde a R$ 8.383.451,98. A justificativa do I. Agente Fiscal para a glosa foi a impossibilidade de análise das operações, tendo em vista que a Recorrente não teria apresentado o demonstrativo solicitado durante a fiscalização. No entanto, em sede de diligência, a Recorrente acostou, às fls. 2542/2564, demonstrativo consolidados de todas as operações de importação realizadas no 1° Trimestre de 2008, dentre elas as operações de aquisição de bens do exterior para revenda (CFOP Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.756 39 3102). Nesses demonstrativos, é possível verificar informações relativas aos bens adquiridos, tais como sua descrição, respectiva nota fiscal, e valores da operação. Demonstrando sua boafé, a Recorrente inclusive esclareceu na petição de fls. 2542/2564, que, do total de R$ 8.383.451,98 de créditos informados no DACON, a anexa planilha comprovava a origem de R$ 8.094.030,96. Essa documentação, contudo, pelo simples fato de não ter sido considerada apta pelo I. Agente Fiscal, em que pese comprovar plenamente a origem dos créditos, sequer fez com que o V. Acórdão recorrido tratasse desse item em seu teor, simplesmente mantendo a exigência fiscal. Adequado o posicionamento da autoridade julgadora de 1a instância. Os motivos já foram aqui abordados no tópico “ Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material “, onde se evidencia que que é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, argumentase que não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser, como dito, nas situações legalmente excepcionadas. Aquisição de bens do exterior como insumo. É alegado nos itens 143 a 147 do Recurso Voluntário: Também mantevese a glosa de créditos de PIS e COFINS decorrentes de aquisições realizadas pela Recorrente de bens do exterior utilizados como insumos, o que, como já abordado acima, é passível de gerar créditos. A base de cálculo dos créditos glosados, tanto de PIS quanto de COFINS, corresponde a R$ 98.723.509,23 e engloba produtos que claramente se enquadram no conceito de insumo aplicável à Recorrente por serem bens de informática, conforme se verifica pela memória de cálculo acostada à fls. 2583/2587, tais como placas de computadores, cabos, painéis, baterias, adaptadores, monitores, entre outros. A justificativa utilizada pelo I. Agente Fiscal para a glosa foi o fato de a Recorrente não ter apresentado documentos que comprovassem a origem dessas operações. Contudo, às fls. 2542/2564 a Recorrente apresentou relação das notas fiscais de compras de bens utilizados como insumos importados que compuseram a base de cálculo informada no DACON do período. Destaquese que, do total de R$ 98.723.509,23 de créditos informados no DACON, a planilha apresentada comprova a origem de R$ 93.996.416,96, ou seja, praticamente a integralidade do crédito. Adequado o posicionamento da autoridade julgadora de 1a instância. Os motivos já foram aqui abordados no tópico “ Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material “, onde se evidencia que que é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, argumentase que não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser, como dito, nas situações legalmente excepcionadas. Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.757 40 Utilização de serviços do exterior como insumo. É alegado nos itens 148 a 152 do Recurso Voluntário: Ademais, o I. Agente Fiscal determinou a glosa de créditos de PIS e COFINS decorrentes da utilização de serviços do exterior como insumo. A base de cálculo dos créditos glosados corresponde a R$ 18.993.982,43. Nos termos dos itens anteriores, a única justificativa do Fiscal para a glosa foi o fato de a Recorrente não ter apresentado documentos que comprovassem essas operações. Em sua Impugnação, a fim de confirmar a regularidade do aproveitamento dos créditos, a Recorrente acostou aos autos cópia das notas (Invoices) relativas às operações de importação de serviços discriminadas na tabela e que geraram o crédito questionado (doc. n° 16 da Impugnação). Além disso, requereu a conversão do julgamento em diligência para análise de suas memórias de cálculos as quais não eram possíveis de serem juntadas na época à Impugnação em razão do grande volume. Adequado o posicionamento da autoridade julgadora de 1a instância. Os motivos já foram aqui abordados no tópico “ Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material “, onde se evidencia que que é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, argumentase que não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser, como dito, nas situações legalmente excepcionadas. Créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas com armazenagem e frete. É alegado nos itens 155 a 158 do Recurso Voluntário: Em relação à comprovação dos valores, ainda em sede de diligência, a Recorrente acostou à petição de fls. 2542/2562 planilha discriminando as despesas de armazenagem e de frete na operação de venda que compuseram a base de cálculo do crédito de PIS e COFINS no 1° trimestre de 2008 declarada no DACON, em cumprimento à solicitação do I. Agente Fiscal. Destaquese que, do total de R$ 4.547.408,22 de créditos informados no DACON, a planilha comprova a origem de R$ 3.578.376,11. Contudo, após analisar os documentos, o I. Agente Fiscal, em suas Informações de fls. 2565/2577, indicou uma séria de alterações a serem efetuadas na planilha apresentada, razão pela qual, na petição de fls. 2583/2587, a Recorrente esclareceu que apresentaria a nova memória de cálculo em relação a esse item no prazo de 30 dias, o que de fato foi realizado (fls. 2608). No entanto, já que toda a documentação apresentada após a petição de fls. 2583/2587 foi totalmente desconsiderada pelo V. Acórdão recorrido, as glosas de créditos sobre despesas com armazenagem e frete foram mantidas apenas por suposta falta de comprovação dos créditos, o que, como visto, não é realidade, já que a memória de cálculo nos moldes solicitado pelo I. Agente Fiscal foi juntada aos autos. Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.758 41 Dessa forma, caso não reconhecida a nulidade do V. Acórdão por ter desconsiderado os documentos relativos às despesas com armazenagem e frete acostados pela Recorrente, devese ao menos analisar essa documentação e, assim, confirmar que a origem dos créditos de PIS e COFINS aproveitados está comprovada, determinandose a sua manutenção e cancelamento da respectiva exigência fiscal. O assunto foi abordado no Acórdão de Impugnação, às folhas 21 e 22 do documento: Quanto a este item, pertinente a transcrição parcial do informado pela Fiscalização em sua Informação Fiscal, feita quando da realização da diligência: (...) 34. Frisese que o contribuinte teve mais de dois anos para elaborar o demonstrativo no formato demandado por essa fiscalização e, mesmo assim, em 26/05/2015 entregou o memorial de cálculo incompleto (anexo da fl. 2544), sem as informações referentes a remetente e destinatário da mercadoria. Como mencionamos anteriormente, essas informações são fundamentais para apurarmos o tipo de operação ocorrida (frete na compra, na venda ou entre estabelecimentos), de modo que a análise do crédito restou impossibilitada. 35. Assim, tendo em vista que a planilha não foi apresentada no formato determinado, que as informações contidas na planilha apresentada não eram suficientes para se atestar se os fretes ali relacionados se tratavam efetivamente de fretes na operação de venda, e que o contribuinte teve mais de dois anos para elaborar o memorial de cálculo no formato correto, a glosa da base de cálculo do crédito de fretes foi mantida. Observandose que a contribuinte não forneceu ao Fisco, dentro de prazo razoável, as informações necessárias à verificação de eventuais créditos, devese manter o lançamento neste aspecto. Ademais, informou a contribuinte em sua segunda impugnação (após a realização da diligência) que (fl. 2.586): Em relação às demais despesas cuja documentação foi considerada insuficiente pelo I. Agente Fiscal para comprovação da origem do crédito, em razão do grande volume, a Requerente informa que ainda está providenciando a complementação das memórias de cálculo e as apresentará aos autos no prazo de 30 dias. No entanto, a propósito do limite temporal para juntada de provas/documentos, temse que eles devem ser apresentados junto a impugnação, precluindo o direito de juntálos em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Adequado o posicionamento da autoridade julgadora de 1a instância. Os motivos já foram aqui abordados no tópico “ Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.759 42 princípio da verdade material “, onde se evidencia que que é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, argumentase que não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser, como dito, nas situações legalmente excepcionadas. Créditos de PIS e COFINS decorrentes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. É alegado nos itens 159 a 162 do Recurso Voluntário: Ademais, o V. Acórdão recorrido manteve a glosa integral de créditos decorrentes de despesas com bens incorporados ao ativo imobilizado da Recorrente, direito expressamente previsto no artigo 3°, inciso VI11, das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. De acordo com o disposto no artigo 179 da Lei n°. 6.404, de 15.12.1976 (“Lei das S.A.”), são classificados na conta de ativo imobilizado “os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”. Nos termos do Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (“CPC”) n°. 27, “ativo imobilizado é o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período”. Em sua Impugnação, a Recorrente pleiteou a conversão do julgamento em diligência para análise de suas memórias de cálculo que, à época, não poderiam ser juntadas à defesa em razão do volume, pois, pela análise desses documentos, seria demonstrado que os bens que originaram os créditos glosados pelos Autos de Infração (equipamentos de processamento de dados, softwares, entre outros) são passíveis de contabilização pela Recorrente como bens de seu ativo imobilizado, na medida em que: estão direta ou indiretamente relacionados à atividade fim da Recorrente (que compreende, principalmente, a produção e comercialização e a distribuição de softwares e de equipamentos de informática); e não são imediatamente consumidos no contexto dessa atividade, sendo utilizados ao longo de sua vida útil. O assunto foi abordado no Acórdão de Impugnação, às folhas 21 e 22 do documento: Quanto a este item, também pertinente a transcrição parcial do informado pela Fiscalização em sua Informação Fiscal, feita quando da realização da diligência: É importante notar que as informações solicitadas na intimação enviada em 29/04/2015 e na intimação inicial enviada em 10/01/2013 Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.760 43 são idênticas (fls. 234 a 238). Apesar de o contribuinte ter tido mais de 2 anos para elaborar o demonstrativo no formato correto, a planilha entregue em 26/05/2015 (anexo da fl. 2544) não continha as colunas de CNPJ do fornecedor, data da aquisição do bem e valor total do bem. A ausência da data de aquisição do bem nos impede de conferir o período de tempo que esse bem já está no ativo imobilizado do contribuinte e se ele eventualmente já foi totalmente depreciado. Além disso, é proibida a apuração de crédito sobre bens adquiridos antes de 01/05/2004, e seria necessário sabermos a data de aquisição do bem para podermos conferir essa informação. O memorial de cálculo também não continha a informação sobre quais bens são utilizados no processo produtivo da empresa e quais estão alocados nas demais atividades. Essa informação é imprescindível posto que, só podem compor a base de cálculo do crédito os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços conforme art. 3°, VIdas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica). Repisese que o contribuinte teve duas oportunidades de apresentar o memorial de cálculo no formato especificado e não o fez. Dessa forma não é possível atestar se os bens que compuseram essa rubrica estão de acordo com a legislação de regência das contribuições, e, por isso, mantivemos a glosa em sua totalidade. Aqui também não houve, por parte da contribuinte, o fornecimento ao Fisco, dentro de prazo razoável, das informações necessárias à verificação de eventuais créditos. Assim, devese manter o lançamento neste aspecto. Adequado o posicionamento da autoridade julgadora de 1a instância. Os motivos já foram aqui abordados no tópico “ Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material “, onde se evidencia que que é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, argumentase que não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser, como dito, nas situações legalmente excepcionadas. Créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas com aluguel de máquinas e equipamentos locados. É alegado nos itens 170 a 172 do Recurso Voluntário: Ressaltese que as máquinas e equipamentos envolvidos nas operações que geraram os créditos ora em discussão estão discriminados no Anexo 7 das planilhas elaboradas pela Recorrente (fls. 303 do processo administrativo) e que foram desconsideradas pelo I. Fiscal. Ressaltese que o V. Acórdão não analisou individualmente essas despesas. Considerando a expressa previsão legal e entendimento pacífico da RFB validando o direito aos créditos de PIS e COFINS, coube à Recorrente comprovar a origem das despesas dos valores glosadas pela D. Fiscalização. Assim, a Recorrente acostou à petição de fls. 2542/2564 planilha discriminando as despesas de aluguéis de Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.761 44 máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica que compuseram a base de cálculo do crédito declarada no DACON no 1° trimestre de 2008. Destaquese que a planilha acostada comprova integralmente o valor total lançado no DACON. Considerando que o I. Agente Fiscal rejeitou essa planilha durante a diligência, a Recorrente ainda apresentou nova memória de cálculo por meio da petição de fls. 2583/2587, com as alterações solicitadas, para comprovar a origem dos créditos de PIS e COFINS aproveitados. Adequado o posicionamento da autoridade julgadora de 1a instância. Os motivos já foram aqui abordados no tópico “ Nulidade do v. acórdão recorrido: Violação ao princípio da verdade material “, onde se evidencia que que é na impugnação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, argumentase que não se permite, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser, como dito, nas situações legalmente excepcionadas. Esse mesmo argumento também se aplica ao tópico “ Créditos de PIS e COFINS decorrentes de devoluções de vendas ’. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmnte) Jorge Lima Abud. Voto Vencedor Conselheiro Diego Weis Junior, Redator Designado. Com a devida vênia, ouso divergir do ilustre relator no que diz respeito à desconsideração dos documentos e planilhas juntados pela recorrente após 26 de maio de 2015. Conforme já explicitado pelo nobre colega, segundo inteligência dos arts. 16, III, § 4º, e 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a prova documental, assim como a matéria a ser contestada, deverão ser apresentadas no momento da impugnação, que é quando se instaura o litígio, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. De outro norte, dispõe o art. 29 do mesmo diploma legal, que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Outrossim, o art. 38 da Lei nº 9.784/1999 prevê expressamente a possibilidade de o interessado juntar documentos e pareceres, bem como produzir alegações inerentes à matéria em litígio antes da tomada de decisão, in verbis. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.762 45 § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. O parágrafo segundo do supracitado dispositivo prevê, ainda, que somente poderão ser desconsideradas ou recusadas as provas ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. No caso em tela, desde o início do procedimento de fiscalização o contribuinte tem apresentado documentos e planilhas, tendo ocorrido divergências entre o formato exigido pela fiscalização e aquele apresentado pela recorrente. Destacase que houve juntada de documentos e planilhas em data anterior à decisão de primeira instância (vide fls. 2.582 a 2.608), mas que foram por esta desconsideradas. Frisese que não há qualquer alegação ou indício de que tais provas sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, bem como que a analise destes documentos e planilhas revela indícios da existência de direito creditório em favor do contribuinte. Assim, em atenção ao disposto no art. 38 da Lei nº 9.784/1999, devem tais provas ser analisadas pela autoridade competente. Ademais, a fiscalização e a DRJ negaram o direito creditório sobre bens importados como insumo e para revenda, informados no arquivo não paginável de efls. 2544, sob o argumento de que estariam eles incompletos de informações imprescindíveis à comprovação da certeza e liquidez, tal como a comprovação do recolhimento das contribuições sobre as aludidas importações. Segundo inteligência do art. 37 da Lei nº 9.784/1999, por se tratarem de informações vinculadas a operações de importação, existentes na base de dados da própria administração, poderia o fisco ter analisado as alegações do contribuinte em cotejo com as informações de que dispõe em sua base sobre as referidas operações, ao invés de indeferilas de plano. Destarte, devem as informações prestadas pelo contribuinte sobre créditos decorrentes de importações de bens utilizados como insumos e para revenda ser verificadas pela fiscalização a fim de comprovar a sua legitimidade. Também foram glosados créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos de procedência do mercado externo e do mercado interno. As razões para a manutenção de tais glosas residem no conceito de insumos adotado pela fiscalização e pela DRJ, segundo a qual os créditos das contribuições ao PIS e a COFINS são apenas aqueles expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo, sendo que os serviços glosados não se enquadrariam no conceito de insumos abordado no voto condutor da decisão recorrida. Consoante ao já exposto pelo ínclito relator, o conceito de insumos que tem sido adotado por esta turma é aquele intermediário entre a visão restritiva da legislação do IPI e a visão extensiva da legislação do IRPJ, in verbis. Duas correntes divergem sobre a extensão do conceito de insumo previsto no referido preceito legal. Para a Administração tributária, insumo compreende apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens utilizados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, que se Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.763 46 assemelha, em termos gerais, a definição de insumo da legislação do IPI. Já para parte relevante da doutrina, insumo compreende os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação, assim como aqueles bens e serviços necessários à manutenção da atividade da pessoa jurídica, conforme definição veiculada na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem, em parte, aos custos indiretos de produção ou fabricação. No entendimento deste Relator, além das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem aplicados na produção (insumos diretos de produção), também estão alcançados pelo conceito de insumo os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação e os demais bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de forma indireta (insumos indiretos de produção), a exemplo dos bens e serviços agregados aos bens ou serviços aplicados no processo produtivo. De outra parte, o conceito de insumo não compreende os demais bens e serviços não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação ou que a estes não se agregam, bem como todos os demais bens e serviços utilizados antes e após a conclusão do processo produtivo, que compreendem os bens e serviços utilizados na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, representam os gastos ou despesas préindustriais, e na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, constituem as despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica, tais como: as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc. Na mesma linha de raciocínio decidiu o STJ no REsp 1.221.170, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC/73 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015). Nesse sentido, os serviços considerados pela recorrente como sendo insumos, devem ser analisados pela fiscalização segundo a corrente intermediária, de modo a levar em consideração os serviços direta ou indiretamente empregados ao processo produtivo, nos termos do voto proferido pelo relator. Assim, com fulcro no art. 38 da Lei nº 9.784/1999, e a fim de perscrutar a verdade material, entendo ser o caso de conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem verifique a legitimidade dos créditos de aquisição de bens importados como insumos e para revenda, assim como serviços importados como insumos, informados no arquivo não paginável de efls. 2544, adotando as premissas do conceito de insumo expostas no voto condutor, além de outras condições impostas pela legislação e a legitimidade dos créditos Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 19515.721650/201343 Resolução nº 3302000.877 S3C3T2 Fl. 2.764 47 relativos a despesas de armazenagem e fretes sobre vendas informados no arquivo não paginável de efls. 2608. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Redator Designado. Fl. 2812DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.902201/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.902201/201275 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.873 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Recorrente MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 22 01 /2 01 2- 75 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 3 2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 4 3 deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0947.313. O fundamento adotado, em síntese, foi pela inexistência nos autos de documentação comprobatória do direito alegado. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.872, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.872): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543 B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 5 4 I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 6 5 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 7 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 8 7 Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 9 8 rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10660.902201/201275 Acórdão n.º 3301004.873 S3C3T1 Fl. 10 9 da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 10569.000381/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada com base nos extratos bancários.
SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão de receitas a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, se aplicável.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO.
A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida.
Numero da decisão: 1201-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada com base nos extratos bancários. SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão de receitas a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, se aplicável. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10569.000381/201035 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.346 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2018 Matéria SIMPLES OMISSAO DE RECEITAS Recorrente LUCCA Y NORONHA C DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada com base nos extratos bancários. SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão de receitas a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, se aplicável. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 03 81 /2 01 0- 35 Fl. 613DF CARF MF 2 A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples (fls. 214/261), referentes ao anocalendário de 2006, em razão da apuração de omissão de receitas. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 189/193), a auditoria fiscal descreve o que concluiu: a) A escrituração foi solicitada desde o inicio da fiscalização, na data de 06/11/2009, sendo que o livro razão só foi apresentado em 25/08/2010, ou seja, quase 10 meses após solicitado. b) Conforme verificado por esta fiscalização, as contas contábeis "1.1.01.02.01 (315) — Banco do Brasil S/A" e 11 1.1.01.02.05 (343) — Banco Itau S/A expressam a real movimentação bancária do contribuinte, de acordo com os extratos referentes as contas correntes n° 11.1368, agência n° 15644, no Banco do Brasil S/A e n° 28.6632, agência n° 0563, no Banco Itau S/A, apresentados pelo contribuinte à fiscalização. c) Através dos Termos de Intimação n°s 04, 05 e 06, anteriormente citados, esta fiscalização relacionou individualmente os depósitos das contas bancárias do contribuinte (já excluídos aqueles que não representaram ingressos de recursos — resgate de aplicações, transferências, estornos, etc.), os quais totalizaram o montante de R$ 1.576.856,05 ( R$ 1.357.255,71 — anexos 1 e 2 + R$ 219.600,34 — anexo 3). Observar que o contribuinte, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou qualquer documento Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10569.000381/201035 Acórdão n.º 1201002.346 S1C2T1 Fl. 3 3 que comprovasse a origem destes valores. Entretanto, em sua escrituração, posteriormente apresentada, o contribuinte considerou esses valores como vendas de mercadorias. d) O contribuinte escriturou ainda o total de vendas em espécie, no valor de R$ 218.537,76, na conta "1.1.01.01.01(301) — Caixa" (fls. 122/128). Considerandose a atividade comercial da empresa, este valor está perfeitamente compatível. e) Assim se somarmos o total das vendas em espécie, escriturados na conta "1.1.01.01.01(301) — Caixa" (R$ 218.537,76), que não transitou pelas contas bancárias do contribuinte, com o total de depósitos nas contas bancárias do contribuinte (R$ 1.576.856,05), relacionados pela fiscalização conforme item "c" acima, chegamos ao montante de R$ 1.795.393,81, que corresponde a 99,8 % do valor de receita escriturado pelo contribuinte na conta "3.1.01.04.01 (1071) — Vendas de Mercadorias Estabelecimento Único". Por todo o exposto, concluímos que não há qualquer divergência entre os elementos apresentados pelo contribuinte à fiscalização, inclusive sua escrituração. 002 — INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Tendo em vista que a receita bruta declarada pelo contribuinte em sua DSPJ 2007 foi inferior a base de cálculo mensal apurada por esta fiscalização, as alíquotas aplicadas mensalmente pela empresa sobre esta receita bruta declarada foram inferiores as alíquotas reais devidas, acarretando, portanto, um saldo mensal a recolher de impostos e contribuições devidas. A empresa apresentou defesa tempestiva (fls. 274/299). Pede perícia e alega, em síntese, que o procedimento fiscal é eivado de nulidade; não há motivação e fundamentação legal apropriados; tratase de autuação por presunção e arbitramento indevidos; depósito bancário não tipifica receita; há afronta a garantias e princípios constitucionais; e a multa de ofício é confiscatória. Em Sessão de 10 de Maio de 2013, a 9a Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, julgou a defesa integralmente improcedente por meio de Acórdão de fls. 487/495 que restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caso o interessado deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos seus depósitos bancários, os mesmos serão tratados como receita omitida, em virtude de presunção legal. Fl. 615DF CARF MF 4 Cientificado da decisão de piso em 22/05/2014 (fls. 566), o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 569/598), reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Nulidade Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente basicamente se concentrou em argumentos de nulidade da autuação, sob os argumentos de ocorrência de cerceamento de direito de defesa e ausência de motivação e indicação inadequada da fundamentação legal da autuação. Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10569.000381/201035 Acórdão n.º 1201002.346 S1C2T1 Fl. 4 5 Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. O Auto de Infração foi emitido com observância de seus requisitos formais e essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A fiscalização, após instauração de regular procedimento fiscalizatório, identificou depósitos bancários correspondentes à receitas de vendas, mas que indevidamente deixaram de ser incluídas na base de cálculo. Ou seja, o fisco conseguiu demonstrar que a Recorrente omitiu receitas na sua DIPJ, razão pela qual corretamente cobrou de ofício os tributos devidos. Inconstitucionalidade Atinente aos princípios e garantias considerados violados pela Recorrente, assim como o dito caráter confiscatório e desproporcional da multa de ofício, matérias esta notoriamente de cunho constitucional, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio acusar de confiscatória ou desproporcional a sanção em exame, matéria esta cuja apreciação cabe tão somente ao Poder Judiciário. Carece ao presente Julgador, portanto, competência para enfrentar o mérito dos argumentos de cunho constitucional invocados Da multa de ofício de 75% Fl. 617DF CARF MF 6 Quanto à incidência da multa de ofício no percentual de 75%, dispõe o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” No presente caso, uma vez que a fiscalização apurou diferença de tributo pago a menor, exigiu também a correspondente multa de ofício, no percentual de 150%, posteriormente reduzido para 75% como determina a lei. A multa de ofício de 75%, portanto, possui previsão legal e foi devidamente aplicada na hipótese dos autos. Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004131/2007-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, é conhecido o recurso especial.
GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. DESPESA DESNECESSÁRIA.
A falta de comprovação do fundamento econômico capaz de justificar a aquisição de ações por valor muito superior ao normal configura mera liberalidade e autoriza a qualificação das despesas relativas ao ágio como desnecessárias e, por decorrência, indedutíveis na apuração do lucro real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes de único processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 9101-003.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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RECURSO ESPECIAL. Tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, é conhecido o recurso especial. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. DESPESA DESNECESSÁRIA. A falta de comprovação do fundamento econômico capaz de justificar a aquisição de ações por valor muito superior ao normal configura mera liberalidade e autoriza a qualificação das despesas relativas ao ágio como desnecessárias e, por decorrência, indedutíveis na apuração do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes de único processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 31 /2 00 7- 79 Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.563 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL quanto ao ano de 2004, com imposição de multa de 75% sobre o crédito tributário, relacionada a amortização de ágio; além de multa isolada sobre estimativas mensais. Ressaltese trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 840, volume 5) 2.1. DA NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE DAS DESPESAS: Determina o artigo 13, III da Lei nº 9.249/95 (...) 2. No mesmo sentido, dispõe os, abaixo reproduzidos, artigos 299, 300 e 324 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, que são dedutíveis apenas as despesas necessárias às atividades da empresa (...) 3. Está claro no mencionado "Contrato de Subscrição" que a CAMIL HOLDINGS, a GARIAL e a RICE eram empresas recém constituídas para participar da operação. O instrumento previa a capitalização da GARIAL pela ARFEI e a capitalização da CAMIL HOLDINGS pela GARIAL, através da transferência das Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.564 3 ações representando metade do capital social da CAMIL ALIMENTOS e dos direitos de preferência na aquisição de outras ações do capital desta, bem como o repasse de tais direitos para a RICE. Também previa a capitalização da CAMIL HOLDINGS pelo Grupo TCW, a capitalização da RICE pela CAMIL HOLDINGS e a capitalização da CAMIL ALIMENTOS pela RICE, todas no montante de US$ 31 milhões. 4. Também estava previsto no contrato que, logo após a capitalização da CAMIL ALIMENTOS, a RICE iria adquirir a participação societária desta em poder da COOPERATIVA, "dependendo da obtenção dos financiamentos necessários no Brasil" (fl. 243). É claro que a RICE, empresa criada única e exclusivamente para participar da operação, não tinha recursos para a referida aquisição, haja vista que o valor recebido do exterior a titulo de capitalização foi imediatamente reinvestido na subscrição de novas ações da CAMIL ALIMENTOS com ágio. 5. Para contornar esse "empecilho", foi criado o esquema dos mútuos entre a própria CAMIL ALIMENTOS e a PALMEIRA e entre esta e a RICE, ambos no valor exato da venda da citada participação societária (R$ 25.305.000,00), com vencimento em 365 dias e sem incidência de juros ou correção monetária. 6. A PALMEIRA foi extinta em setembro de 1999, com sua incorporação à CAMIL ALIMENTOS, sem terem sido registradas alterações contratuais no período. Contudo, no ato de sua incorporação, ficou evidenciado que a empresa era controlada de fato pela RICE, sua única acionista. 7. Os livros e documentos contábeis e fiscais e as DIPJs (fls. 282 a 547) demonstram que a RICE e a PALMEIRA, enquanto existiram, realizaram apenas atos relativos reestruturação societária da CAMIL ALIMENTOS. Não realizaram nenhuma operação com empresas diferentes daquelas envolvidas no processo. Nunca auferiram receitas nem tiveram empregados ou funcionários. Não compraram ou alugaram imóveis para o desempenho de suas atribuições. Nem, ao menos, adquiriram móveis e utensílios para realização de atividades básicas. Também nunca recolheram impostos ou contribuições federais. 8. Praticamente todas as transações executadas no processo de reestruturação societária eram contratualmente previstas, de forma que não houve independência entre as partes nem comutatividade. Tratase de operações seqüenciais totalmente interdependentes, acertadas por entes interligados. 9. A CAMIL HOLDINGS poderia ter efetuado seu investimento diretamente na CAMIL ALIMENTOS. Ou poderia comprar os cinqüenta por cento do capital social dela diretamente da COOPERATIVA. Contudo, preferiu realizar tais operações de forma indireta através da recémconstituída RICE. 10. Se executasse as operações diretamente, sem a intermediária RICE, não se formaria o ágio na subscrição de novas ações nem Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.565 4 o ágio gerado na aquisição das ações em poder da COOPERATIVA. 11. Ao ser questionada, a CAMIL ALIMENTOS não soube explicar porque a investidora preferiu agir através da RICE em vez de agir diretamente. Tampouco, conseguiu comprovar que era necessário, para o desempenho de suas atividades, que as operações fossem executadas da forma como foram. 12. A contribuinte também não conseguiu comprovar a necessidade das despesas que a RICE despendeu na subscrição de ações com ágio. Embora tivesse a opção de comprar diretamente da COOPERATIVA as ações da coligada CAMIL ALIMENTOS, a RICE preferiu subscrever e integralizar novas ações de seu capital, pagando valores bem mais elevados por ação integralizada. 13. Da mesma forma, não conseguiu a fiscalizada comprovar a necessidade, para a execução de suas atividades, do empréstimo que fez à PALMEIRA sem cobrar juros ou exigir garantias. Concluise, portanto, que a contribuinte assim agiu por mera liberalidade. 14. É óbvio que, se a CAMIL ALIMENTOS não tivesse efetuado esse empréstimo, a RICE não teria recursos para adquirir as ações em poder da COOPERATIVA e a reestruturação societária não poderia ser executada da forma como foi planejada. 15. Foi muita estranha a justificativa apresentada pela fiscalizada quando intimada a comprovar a necessidade das incorporações da RICE e da PALMEIRA. Como poderiam as incorporações de empresas que não possuíam investimentos (exceto o investimento da RICE na própria CAMIL ALIMENTOS), recursos ou bens e não exerciam atividade alguma, promover, como alegou a contribuinte, economia de esforços, investimentos ou recursos financeiros para a incorporadora? Para as atividades da CAMIL a reunido das três empresas em uma só não traria vantagem nenhuma, eis que as incorporadas nada lhe acrescentariam. As incorporações eram, portanto, totalmente desnecessárias para a fiscalizada. 16. Em vez de apresentar documentos e elementos que comprovassem a necessidade dos atos praticados e das elevadas despesas despendidas, a CAMIL informou apenas que as operações realizadas foram comutativas e decorreram de contratos em que efetivamente houve prestação das partes envolvidas. 17. Todos os elementos de prova reunidos no curso da fiscalização demonstram que as despesas com ágio na subscrição e aquisição de ações do capital social da CAMIL ALIMENTOS não eram necessárias para as atividades da RICE nem para a execução das atividades da fiscalizada. 2.2 DA ADIÇÃO DAS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.566 5 Os artigos 249 e 251 do RIR199 estabelecem: (...) 2. Por todo o exposto no presente termo, glosamos as despesas referentes A amortização do ágio referente A subscrição e aquisição de ações do capital social da auditada nos períodos em que foram deduzidas na apuração do lucro real — os anos bases 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. (...) 4. Assim sendo, foram adicionados ao lucro real de cada período de apuração os valores seguintes (fls. 6 a 8): (...) 2004 O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo pela manutenção integral do lançamento, conforme acórdão do qual se destaca ementa (fls. 954, volume 5, pdf 141): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Em que pese a lei permitir a dedução de amortização de ágio absorvido em incorporação, não restou comprovado pelo contribuinte o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela empresa incorporada com ágio assaz elevado, o que autoriza considerar tal despesa desnecessária e, por conseguinte, indedutivel para fins de apuração do lucro real. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO PERÍODO DE APURAÇÃO. CABIMENTO. A multa isolada legalmente estatuída em face da ausência de recolhimento por estimativa pode ser regularmente exigida após o encerramento do respectivo período de apuração, vez que não se confunde com a multa de oficio incidente sobre a ausência de recolhimento do imposto apurado no ajuste anual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO BASEADO NO MESMO SUPORTE FÁTICO DO IRPJ. A ocorrência de eventos que impactam, ao mesmo tempo, a apuração de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO PERÍODO DE APURAÇÃO. CABIMENTO. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.567 6 A multa isolada legalmente estatuída em face da ausência de recolhimento por estimativa pode ser regularmente exigida após o encerramento do respectivo período de apuração, vez que não se confunde com a multa de , oficio incidente sobre a ausência de recolhimento do imposto apurado n o ajuste anual. Em recurso voluntário (fls. 980, volume 5, pdf 167), o contribuinte alega: (i) nulidade da decisão da DRJ por modificação do enquadramento legal; (ii) legitimidade da amortização do ágio; (iii) insubsistência da multa isolada, calculada sobre estimativas mensais. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se reproduz a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes de apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97). A premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96, visto a existência de regra específica que tratou a dedutibilidade do ágio. Os laudos não contestados pela Fazenda e a ausência de apontamento de dolo na operação não permite que o ágio apurado sobre rentabilidade futura e deduzido pelo contribuinte para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL seja glosado pela Receita Federal. Devese ter em mente que as operações tributárias e societárias (planejamentos tributários) fundadas em negócios jurídicos indiretos não configura simulação, dissimulação ou evasão fiscal, ainda mais quando se tem uma operação aberta, transparente, mesmo com a utilização de empresa veículo. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicação reflexa dos fundamentos tratados no IRPJ. Cancelamento da cobrança em razão da legalidade quanto à dedução do ágio. MULTA ISOLADA. INSUSTENTABILIDADE E CONCOMITÂCIA. Insustentabilidade em razão da inexistência de falta de pagamento de IRPJ pelo regime de estimativa, visto que a dedutibilidade da despesa do ágio foi acolhida. Aplicação da Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.568 7 teoria da consunção em razão da concomitância com a multa de ofício. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 26/06/2012 (fls. 1123), que interpôs recurso especial em 07/08/2012 (fls. 1.124), no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997, constando como paradigma o acórdão 140100.584. O Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial, em decisão da qual se reproduz trecho a seguir: Em seu recurso especial, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à dedutibilidade de despesa de amortização de ágio No que toca à admissibilidade do recurso, a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: há nítida divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão ora adotado como paradigma, proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.584) (...) Vêse que o acórdão recorrido e o paradigma trataram da mesma contribuinte e das mesmas operações societárias que geraram o ágio glosado pela fiscalização. A única diferença é que o acórdão recorrido trata da glosa da despesa de amortização de ágio no anocalendário de 2004, enquanto que o acórdão paradigma abrange os anoscalendário de 1999 a 2003. O acórdão recorrido entendeu que a premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96; e que se não há simulação e a natureza jurídica do ágio não foi contestada, sendo apenas tomada como despesa indedutível por suposta ausência de fundamento econômico e esse fundamento está no laudo, não há como manter o lançamento fiscal sob essas premissas. Já o acórdão paradigma entendeu que a ausência de comprovação do fato econômico que justificasse a anterior aquisição das ações, pela pessoa jurídica incorporada, com ágio elevado, autorizava considerar desnecessária a mesma despesa e, por conseguinte, indedutível para fins de apuração do lucro real. Diante da mesma contribuinte e das mesmas operações societárias, realmente houve decisões divergentes no que toda à dedutibilidade da despesa de amortização de ágio. Conclui Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.569 8 Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, e tendo sido comprovada a divergência de interpretação da legislação tributária, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Em 04/03/2016 o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão do recurso voluntário, recurso especial e sua admissibilidade (fls. 1165), apresentando contrarrazões ao recurso, em 14/03/2016, nas quais alega: (i) Equívoco na interpretação da decisão recorrida pela Procuradoria, pois “a decisão recorrida jamais sustentou que a lei autoriza a dedutibilidade de ágio criado e sem fundamento econômico. Ao revés, a decisão sustentou que foi plenamente comprovado o fundamento econômico por meio do laudo juntado pela Recorrida” (trecho das contrarrazões ao recurso, fls. 1180); (ii) A legitimidade das operações societárias e da formação do ágio e a necessidade de manutenção do acórdão recorrido; (iii) Haveria preclusão quanto à multa isolada sobre estimativas mensais (relacionadas a 2004), por não ter sido apresentado recurso especial a esse respeito. Em 28/05/2018 o contribuinte apresentou razões complementares, reiterando as razoes anteriormente apresentadas, como também apresentado dois documentos, demonstrativo da efetiva rentabilidade alcançada com o negócio jurídico analisado nos autos e Parecer elaborado pela Apsis. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo sido indicado um acórdão paradigma: 140100.584. O contribuinte não questiona o conhecimento do recurso especial. Adoto, assim, as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial. Dedutibilidade do ágio Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.570 9 O Termo de Verificação Fiscal, em síntese, entendeu pela necessidade de adição da amortização do ágio, por se tratar de despesa desnecessária, interpretando fundamentalmente o artigo 13, III, da Lei 9249 e artigo 299, do RIR/99 (fls. 840, volume 5). Lembro, inicialmente, o teor dos principais dispositivos da legislação federal mencionados como fundamento do Auto de Infração: Lei 9.249/1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; RIR/1999 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Pondero que o TVF faz menção genérica ao artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/1997: Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.571 10 3. Já a Lei n° 9.532/97, artigo 7°, inciso III, assim dispõe: "Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n.° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea `b' do 5S' 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração;" 4 Não obstante isso, no tópico “Do direito e da base legal” referese apenas aos artigos 13, III, da 9.249/1995 e dispositivos do RIR que tratam da adição de despesa desnecessária (artigos 299, 300, 324), subdividindo o tópico em dois subtópicos “2.1. da não comprovação da necessidade de despesa” e “2.2. da adição das despesas não necessárias”. Nesse panorama, decidiu a Turma Ordinária em acórdão recorrido, conforme voto do Relator, acompanhado pela maioria do Colegiado: O certo é que errou também a autoridade autuante, na medida em que deixou de trazer como fundamento do lançamento a questão dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.430/96. Como o objeto do lançamento fiscal foi a indedutibilidade da despesa do ágio; provando que tal despesa seria dedutível, é certo dar provimento ao apelo do contribuinte quanto ao mérito. (...) Em meu entender, a despeito da decisão da DRJ ter extrapolado os limites do lançamento, já corrigido nesse acórdão, podemos constatar que não houve em nenhum momento prejuízo à defesa, pelo contrário, reforça a sua tese, pois a empresa apresentou ao Sr. Auditor Fiscal o laudo que demonstra o fundamento econômico do ágio, qual seja o valor da rentabilidade futura da empresa, que não foi questionado e muito menos comentado. (...) Assim, investigaremos a questão da dedutibilidade do ágio, como despesa e as operações societárias adotadas pela Recorrente para fins de apuração do ágio. O ponto a ser investigado está ligado à restruturação societária da empresa e seus reflexos e questionamentos. Pelos argumentos do contribuinte a reestruturação societária foi feita porque a Cooperativa, sócia detentora de 50% da Camil, se encontrava em meio a problemas financeiros que inviabilizava o poder de reestruturação e decisão da empresa. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.572 11 Assim, num primeiro momento podemos afirmar que as alterações societárias ocorridas visava excluir a Cooperativa do negócio, profissionalizar a empresa e centralizar a administração apenas num grupo econômico é plausível, em razão dos resultados atuais da empresa no mercado, sendo inclusive apurado e cobrado pela fiscalização ganho de capital na transação da venda de ações da cooperativa, o que reforçaria ainda mais a justificativa do ágio apurado na ponta final na empresa Recorrente, pois as operações foram consideradas independentes e possíveis de serem realizadas (...) Outro ponto está na criação uma empresa utilizada na apuração do ágio para fins de aproveitamento pela empresa autuada e fundada na economia fiscal, que em meu ver, não se trata de ilegalidade dada a inexistência da Lei Complementar n° 104/2001, que necessita ainda de regulamentação. Verdade é que a Rice foi constituída com a finalidade específica de gerar ágio, pautada em rentabilidade futura, possibilitando inclusive operações financeiras com o exterior. Assim, originaramse recursos financeiros, além de empréstimos com a empresa Palmeira, valores esses vindos do exterior para fins de investimentos, sendo que ambas as empresas (Rice e Palmeira) foram incorporadas pela Camil. Nesse aspecto, se pagou o ágio com dinheiro vindo do exterior. (...) Contudo, não vislumbro que tais atos sejam ilícitos e simulados. Vejo que estamos diante de planejamento tributário lícito e fundado em operações indiretas que buscou através do planejamento fiscal economia tributária respaldada em autorização legal em relação a dedutibilidade do ágio. É notório nos autos que o contribuinte não esconde se tratar de uma empresa com fins específicos. Tal operação societária desde o início teve seus objetivos e impactos fiscais reconhecidos, como o ocorrido no caso da atuação da Cooperativa, permitindo afirmar que estamos diante de uma operação transparente de aproveitamento de ágio, pautada em laudo não contestado com metodologia apropriada e não questionada, atestado por parecer, constituído sob o fundamento do artigo 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97. No caso em apreço em nenhum momento o laudo sequer foi questionado e a natureza jurídica do ágio, muito menos, e também não há simulação, visto que o próprio relatório fiscal atesta essa inexistência. (...) A fiscalização agiu de forma equivocada no momento em que adotou as regras genéricas de dedutibilidade para avaliar o ágio como despesa, pois o ágio possui tratamento de dedutibilidade específica, não sendo Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.573 12 inserido no artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95 e artigos 249, inciso I, 251, 299, 300 e 324 do RIR/99. Portanto, é incontestável, sob o ponto de vista do direito, que a despesa do ágio fundada em valor da rentabilidade com base em previsão de resultados futuros é dedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97. (...) Portanto, se não há simulação e a natureza jurídica do ágio não foi contestada, sendo apenas tomada como despesa indedutível por suposta ausência de fundamento econômico e esse fundamento está no laudo, não vejo como manter no sistema jurídico o lançamento fiscal sob essas premissas. A declaração de voto (vencido) do exConselheiro Marcelo Cuba Neto também trata da inadequação do artigo 13, III, da Lei n. 9.249 para justificar o lançamento tributário. Não obstante isso, manifestou entendimento sobre a inexistência de nulidade do lançamento ou da decisão da DRJ, em especial diante da fundamentação pelo artigo 299 e do conhecimento dos fatos pelo contribuinte: Quanto a isso há que se dizer que embora o enquadramento legal da infração contido tanto no auto (fl. 894) como no TVF (fls. 926/927) faça menção ao citado art. 13, III, da Lei nº 9.249/95, o fato é que em nenhum momento, tanto no auto como no TVF, o fiscal afirma que a glosa tenha se dado em razão de uma suposta falta de relação intrínseca entre a despesa com amortização do ágio e as operações de produção ou comercialização de bens e serviços. Ao contrário, a autoridade insiste ao longo de todo o TVF que a razão da glosa na amortização do ágio advém do fato, incontestável, de que a participação de 50% no capital de Camil poderia ter sido adquirida por um valor inferior àquele decorrente do conjunto de negócios jurídicos levados a efeito pelas partes. (...) Conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, o erro no enquadramento legal da infração não é causa de nulidade do lançamento quando, pela correta descrição dos fatos, seja possível compreender a acusação fiscal. E essa é justamente, a hipótese que se vislumbra nos presentes autos. Também não deve prosperar a alegação de nulidade da decisão de primeiro grau, uma vez que, ao contrário do alegado pela recorrente, não houve inovação. Assim, apurase que o Colegiado entendeu que o artigo 7º, III, da 9.532/1995 efetivamente não fundamentava – expressamente o Auto de Infração mas que o enfrentamento deste dispositivo legal pela DRJ não configuraria inovação do lançamento. Tanto assim que o voto vencedor, do Relator, avalia o Auto de Infração à luz do artigo 7º, III, da 9.532, para concluir pela dedutibilidade da despesa com amortização do ágio. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.574 13 Com efeito, o lançamento tributário referese à aquisição de participação societária (na Camil Alimentos) com a utilização de empresas recém criadas (Camil Holdings, Garial e Rice): 3. Está claro no mencionado "Contrato de Subscrição" que a CAMIL HOLDINGS, a GARIAL e a RICE eram empresas recém constituídas para participar da operação. O instrumento previa a capitalização da GARIAL pela ARFEI e a capitalização da CAMIL HOLDINGS pela GARIAL, através da transferência das ações representando metade do capital social da CAMIL ALIMENTOS e dos direitos de preferência na aquisição de outras ações do capital desta, bem como o repasse de tais direitos para a RICE. Também previa a capitalização da CAMIL HOLDINGS pelo Grupo TCW, a capitalização da RICE pela CAMIL HOLDINGS e a capitalização da CAMIL ALIMENTOS pela RICE, todas no montante de US$ 31 milhões. 4. Também estava previsto no contrato que, logo após a capitalização da CAMIL ALIMENTOS, a RICE iria adquirir a participação societária desta em poder da COOPERATIVA, "dependendo da obtenção dos financiamentos necessários no Brasil" (fl. 243). É claro que a RICE, empresa criada única e exclusivamente para participar da operação, não tinha recursos para a referida aquisição, haja vista que o valor recebido do exterior a titulo de capitalização foi imediatamente reinvestido na subscrição de novas ações da CAMIL ALIMENTOS com ágio. Diante disso, tratarei no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio com a utilização de holding de investimento, denominada informalmente de "empresa veículo", à luz do citado artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997, dispositivo aplicado expressamente pelo acórdão recorrido, como também tratado pela Procuradoria em seu recurso especial. Lembro o teor do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.575 14 à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. E a previsão do artigo 8º, da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Em comentários aos citados dispositivos legais, Marcos Vinicius Neder e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira tratam da possibilidade de holding e incorporação reversa, sem prejuízo do reconhecimento do ágio dedutível: Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.576 15 A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução do ágio, no caso da "incorporação reversa", algo que não estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a ser dedutível também no momento em que a investida incorpora a investidora. Tratase, claramente, da incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa que autoriza deduzir o ágio na "incorporação reversa" teve como objetivo estimular o interesse da iniciativa privada na aquisição de participação societária em empresas públicas em fase de privatização. (...)" A Lei não proibiu o aproveitamento do ágio no caso de incorporação de empresas holdings, constituídas pelos controladores indiretos com o propósito de adquirir, consolidar e gerir a participação na empresa investida. Não apenas isso não foi proibido como foi expressamente autorizado, na medida em que a Lei permitiu a dedução do ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida na empresa que nela detém a participação acionária e estimulou os processos de privatização (...) A norma tributária, ao conceder o incentivo tributário de aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não fez restrição ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como comentamos anteriormente, inclusive ao permitir a dedução do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da Instrução CVM 349/2001, que dispõe sobre o tratamento contábil do ágio na incorporação reversa de holdings em empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...) A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio quando a empresa incorporada, adquirente do investimento, fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse recebido recursos de seu sócio ou acionista em aumento de capital, ou ainda quando tivesse recebido a participação acionária em subscrição de ações de sua emissão. Logo, o tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela Lei" (Análise do Tratamento Contábil e Fiscal do Ágio em Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto há a Interposição de Holding, in Controvérsias JurídicoContábeis, 4ª Volume, São Paulo, Dialética, 2013, fls. 161, 162 e 179). Adoto as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade do ágio tratado nos autos, sem que se vislumbre artificialidade na criação das empresas acima citadas (Camil Holdings, Garial e Rice), como tampouco na aquisição de participação societária pela RICE, a despeito de esta necessitar de empréstimo mencionado no TVF. Na origem, o ágio é legitimo, tendo partes independentes, dispêndio e expectativa de rentabilidade futura. A forma societária utilizada pelo contribuinte não impede a dedutibilidade assegurada por lei. Pondero, ainda, que é usual que holdings de investimento tenham aportes efetuados por empresas do grupo, ou empréstimos assegurados Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.577 16 pelas empresas operacionais, sem que estes fatos deslegitimem as operações societárias e os efeitos fiscais destas. Lembro que o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos, regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.578 17 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 tratam indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original". A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Por fim, entendo que o lançamento tributário não questionou expressamente o laudo apresentado à fiscalização. O voto vencedor do acórdão também é claro sobre não ter sido questionado o laudo do contribuinte pela fiscalização: Entendo que o contribuinte tem total razão quando alega que a DRJ confirmou o lançamento fiscal sobre outro fundamento, não sendo aquele trazido pelo Auditor Fiscal, inovando nos autos, na medida em que o laudo trazido pela empresa (que se trata do fundamento econômico do ágio) sob rentabilidade futura, em nenhum momento foi questionado pela autoridade lançadora, que teve oportunidade para tanto, conforme se constata às fls. 548 e seguintes dos autos (documento juntado antes do relatório fiscal). (...) Portanto, o que remanesce nesse processo a ser julgado, após superada a questão da DRJ ter inovado nos autos, são: a) a dedutibilidade do ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL pela empresa incorporadora, sem questionar a natureza do ágio, visto que se trata de rentabilidade futura em razão da ausência de questionamentos do laudo pela fiscalização, e se esse ágio é ou não considerado uma despesa dedutível; e (...) No caso em apreço em nenhum momento o laudo sequer foi questionado, e a natureza jurídica do ágio, muito menos, e também não há simulação, visto que o próprio relatório fiscal atesta essa inexistência. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.579 18 Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria. No mérito, voto por negar provimento ao recurso especial, mantendo o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada Sem prejuízo dos argumentos apresentados pela ilustre relatora, peço vênia para divergir quanto à sua opinião, pois vislumbro solução jurídica distinta para o caso em tela. Como visto, tratase de autuações de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesas de amortização de ágio que foram consideradas desnecessárias pela autoridade fiscal. Por outro lado, durante todo o processo o contribuinte procurou demonstrar que as operações de reorganização societária empreendidas pela Camil Alimentos S/A, em conformidade com o "Contrato de Subscrição" e o "Contrato de Compra e Venda de Ações" representaram negócios jurídicos lícitos, perfeitos e acabados, com propósito negocial econômico e empresarial legítimo. Destaco que tive a oportunidade de participar e presidir o julgamento da mesma matéria e contribuinte formalizado no processo nº 19515.003259/200472, relativo à dedução do ágio efetuado nos anoscalendário entre 1999 e 2003, que ensejou o acórdão 1401 00.584 (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara), no qual foi negado provimento ao recurso voluntário ante a constatação da desnecessidade das despesas incorridas. Tendo em vista que o presente processo cuida das despesas amortizadas no anocalendário subsequente (2004), apresentarei neste voto os fundamentos para a manutenção da autuação fiscal, na esteira do entendimento já esposado naquela oportunidade. No que se refere à desnecessidade das despesas oriundas das operações realizadas pelo contribuinte, convém destacar que este, já ao tempo da fiscalização, não apresentou argumentos e provas suficientes para a comprovação do caminho trilhado, como evidenciam as respostas aos questionamentos formulados pela autoridade fiscal (fls. 850/851). A título de exemplo, convém reproduzir a primeira resposta aos esclarecimentos solicitados pela fiscalização: "Em atenção às indagações formuladas no Termo de Intimação em referência, tempestivamente, vem, a empresa CAMIL Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.580 19 ALIMENTOS SA, tecer as informações requeridas, logo abaixo da transcrição dos quesitos, conforme segue: I Informar por que a CAMIL HOLDINGS LLC no ano de 1998, em vez de fazer seu investimento diretamente na CAMIL ALIMENTOS S/A., preferiu fazêlo indiretamente através da RICE S/A. ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES. Deve ser comprovada a necessidade de a operação ter sido efetuada desta forma: Resposta 1 Cumpre referenciar que a indagação formulada no Termo de Intimação não pode ser respondida pela Camil Alimentos S/A, diante da ausência de elementos a precisar a motivação da operação realizada. A Camil Alimentos S/A possui as informações que estão subscritas nos documentos societários já em poder dessa r. Fiscalização e ali encontramse os elementos necessários a demonstrar e justificar a operação. Supõe a Camil Alimentos S/A que o investimento na RICE S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES ocorreu por decisão do acionista desta. (grifouse) Verificase que o próprio interessado teve dificuldade em apresentar a motivação e o substrato econômico da operação. Nesse contexto, vale destacar que nas respostas seguintes a empresa apenas afirma que os negócios jurídicos foram "comutativos e independentes". A ausência de fundamentos para o reconhecimento do ágio, na forma em este foi produzido, levou a autoridade fiscal a concluir, acertadamente, pela sua indedutibilidade, nos seguintes termos (TVF fls. 853/854): A CAMIL HOLDINGS poderia ter efetuado seu investimento diretamente na CAMIL ALIMENTOS. Ou poderia comprar os cinqüenta por cento do capital social dela diretamente da COOPERATIVA. Contudo, preferiu realizar tais operações de forma indireta através da recémconstituída RICE. Se executasse as operações diretamente, sem a intermediária RICE, não se formaria o ágio na subscrição de novas ações nem o ágio gerado na aquisição das ações em poder da COOPERATIVA. Ao ser questionada, a CAMIL ALIMENTOS não soube explicar porque a investidora preferiu agir através da RICE em vez de agir diretamente. Tampouco, conseguiu comprovar que era necessário, para o desempenho de suas atividades, que as operações fossem executadas da forma como foram. A contribuinte também não conseguiu comprovar a necessidade das despesas que a RICE despendeu na subscrição de ações com ágio. Embora tivesse a opção de comprar diretamente da COOPERATIVA as ações da coligada CAMIL ALIMENTOS, a RICE preferiu subscrever e integralizar novas ações de seu capital, pagando valores bem mais elevados por ação integralizada. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.581 20 Da mesma forma, não conseguiu a fiscalizada comprovar a necessidade, para a execução de suas atividades, do empréstimo que fez à PALMEIRA sem cobrar juros ou exigir garantias. Concluise, portanto, que a contribuinte assim agiu por mera liberalidade. É óbvio que, se a CAMIL ALIMENTOS não tivesse efetuado esse empréstimo, a RICE não teria recursos para adquirir as ações em poder da COOPERATIVA e a reestruturação societária não poderia ser executada da forma como foi planejada. Foi muita estranha a justificativa apresentada pela fiscalizada quando intimada a comprovar a necessidade das incorporações da RICE e da PALMEIRA. Como poderiam as incorporações de empresas que não possuíam investimentos (exceto o investimento da RICE na própria CAMIL ALIMENTOS), recursos ou bens e não exerciam atividade alguma, promover, como alegou a contribuinte, economia de esforços, investimentos ou recursos financeiros para a incorporadora? Para as atividades da CAMIL a reunião das três empresas em uma só não traria vantagem nenhuma, eis que as incorporadas nada lhe acrescentariam. As incorporações eram, portanto, totalmente desnecessárias para a fiscalizada. Em vez de apresentar documentos e elementos que comprovassem a necessidade dos atos praticados e das elevadas despesas despendidas, a CAMIL informou apenas que as operações realizadas foram comutativas e decorreram de contratos em que efetivamente houve prestação das partes envolvidas. Todos os elementos de prova reunidos no curso da fiscalização demonstram que as despesas com ágio na subscrição e aquisição de ações do capital social da CAMIL ALIMENTOS não eram necessárias para as atividades da RICE nem para a execução das atividades da fiscalizada. (grifouse) A análise dos autos nos permite concluir que o resultado desejado pelas partes sempre foi a aquisição, pelo fundo de investimento TCW, da participação de 50% que a Cooperativa detinha no capital da Camil Alimentos S/A. Constatase que tal propósito poderia ser obtido pelo fundo TCW com a simples celebração de um negócio jurídico, representado pela compra e venda das ações respectivas, ao valor unitário de R$ 4,40. Contudo, em vez de adotarem uma solução única, direta e transparente, as partes realizaram diversos negócios jurídicos que, ao cabo, resultaram na aquisição pelo fundo TCW da mesma participação de 50% desejada no capital da CAMIL, só que pelo valor de R$ 10,91 por ação. Como bem destacado pelo exconselheiro Marcelo Cuba Neto na declaração de voto anexa ao acórdão recorrido, a desnecessidade das despesas se mostra patente quando se constata que a Rice S/A empresa que foi criada apenas para a realização das operações Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.582 21 questionadas, com posterior extinção por incorporação adquiriu ações da CAMIL em duas oportunidades: a) primeiro, em 22/12/1998, pelo valor de R$ 10,91 por ação, mediante aumento de capital de Camil, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de fls. 104/106; b) segundo, em 24/12/1998, apenas dois dias depois da aquisição acima mencionada, pelo valor de R$ 4,40 por ação, quando adquiriu a participação societária que a Cooperativa detinha junto à Camil (fl. 409). Digno de nota ainda é o fato, também não contestado pela defesa, de que do total do aumento no capital de Camil, no valor de R$ 46.690.084,00, verificado entre o início e o término dos negócios jurídicos sob exame, apenas R$ 12.050.000,00 referem se a dinheiro que efetivamente serviu a esse propósito. Na forma e na sequência em que foram realizadas as transações, parte daquele aumento de capital, no valor de R$ 25.305.000,00, serviu para que a Camil pagasse a Cooperativa pela compra, por Rice, das ações da própria Camil. Só isso já reduziria o ágio de R$ 29.610.678,00 para R$ 4.305.678,00. Assim, não há como discordar da fiscalização quando esta afirma que a aquisição de 50% do capital da CAMIL pelo valor de R$ 10,91 por ação constitui mera liberalidade, cuja contrapartida óbvia é a desnecessidade das despesas relativas ao ágio, pois a mesma operação poderia ser feita diretamente com a Cooperativa, pelo valor de R$ 4,40. Ademais, inexiste qualquer argumento econômico ou de mercado para a variação observada no preço das ações no intervalo de apenas dois dias. E disso também decorre o fato de que, independentemente de qualquer apreciação relativa ao laudo apresentado pelo contribuinte, o valor de aquisição poderia ser de R$ 4,40, razão suficiente para a manutenção dos lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL, objeto do recurso fazendário, visto que o preço pago a maior caracteriza mera liberalidade, sendo desnecessária a despesa com a amortização desse ágio. A simples menção, no bojo do racional desenvolvido pela fiscalização, ao art.13, III, da Lei nº 9.249/95, em nada desqualifica os argumentos formulados ou invalida as conclusões adotadas. De se notar que a autoridade fiscal utilizou, além do citado art.13, diversos outros dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, como os arts. 299, 300 e 324 (TVF fls. 851/852). Com efeito, a legislação de regência (art. 299 do Decreto nº 3.000/99), indicada pela autoridade fiscal, assim estabelece o conceito de despesas necessárias: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.583 22 §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (grifamos) Entendo correta a capitulação legal indicada pela fiscalização, posto que em nenhum momento a autoridade afirma que a glosa tenha ocorrido pela falta de relação entre as despesas com amortização do ágio e as operações de produção ou comercialização de bens e serviços, pois resta evidente que o fundamento da autuação foi a desnecessidade de se adquirir a participação de 50% no capital da CAMIL pelo sobrepreço resultante de todos os negócios jurídicos praticados. Ademais, é certo que "a amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade" (Acórdão nº 9101.002301, de 06/04/2016). Descabe, portanto, o argumento de defesa relacionado à suposta ocorrência de nulidade ou inovação de fundamentos no processo, pois na medida em que a aquisição das ações, nos moldes praticados, ensejou ágio calcado em mera liberalidade, as despesas em nada contribuíram para a manutenção das fontes produtoras, como exige a legislação. Salta aos olhos a ausência de qualquer fundamento econômico capaz de abonar o ágio, circunstância que o próprio contribuinte não conseguiu esclarecer durante os trabalhos de fiscalização, como já demonstrado. Nada justifica que em apenas dois dias as ações pudessem apresentar uma diferença de valor tão grande, sem qualquer relação com as cotações de mercado ou a expectativa de rentabilidade futura, sendo forçoso concluir pelo acerto das conclusões fiscais, com a glosa das despesas relativas ao ágio, por desnecessárias. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso fazendário e, no mérito, por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1328DF CARF MF
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