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Numero do processo: 15983.001192/2009-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 92 /2 00 9- 79 Fl. 1988DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n°2301 003.159, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 18/10/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre todas as remunerações pagas aos segurados que lhe prestam serviços. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 9202005.554 CSRFT2 Fl. 1.988 3 BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Trata‑ se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados a seu serviço, e a destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 39), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remuneração aos segurados, empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à empresa, e integram o presente lançamento, além dos acréscimos legais – DAL (10/2006), a diferença de contribuição devida e não recolhida, incidente sobre valores constantes das folhas de pagamentos e sobre base de cálculo aferida indiretamente, relativa à auxílio alimentação in natura, sem o PAT. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil/CPS (fls. 1.909) julgado a autuação procedente, mantendo o crédito tributário, tendo como resultado o acórdão supra. A Fazenda Nacional teve seu recurso admitido para, esta CSRF manifestarse sobre à aplicação do art. 35A da Lei 8.212/91, também introduzido pela MP 449/2008 (convertida na Lei 11.941/09), em relação às penalidades por descumprimento de obrigações principal e acessória. O contribuinte, não apresentou contrarrazões. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Neste caso a controvérsia é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 1990DF CARF MF 4 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 9202005.554 CSRFT2 Fl. 1.989 5 A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 1992DF CARF MF 6 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 9202005.554 CSRFT2 Fl. 1.990 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 1994DF CARF MF 8 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 15983.001192/200979 Acórdão n.º 9202005.554 CSRFT2 Fl. 1.991 9 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1996DF CARF MF 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1997DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900473/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.902
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 04 73 /2 01 3- 86 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14054.555, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.900473/201386 Acórdão n.º 3201002.902 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.905105/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
Declaração de Compensação. Retenções na Fonte. Direito ao Crédito. Comprovação.
O direito creditório informado na declaração de compensação deve ser reconhecido, mesmo na ausência de comprovante de retenção, se a prova de sua existência puder ser feita por outros elementos, inclusive pela DIRF.
Numero da decisão: 1301-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETENÇÕES NA FONTE. DIREITO AO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. O direito creditório informado na declaração de compensação deve ser reconhecido, mesmo na ausência de comprovante de retenção, se a prova de sua existência puder ser feita por outros elementos, inclusive pela DIRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 51 05 /2 01 1- 42 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10283.905105/201142 Acórdão n.º 1301002.574 S1C3T1 Fl. 165 2 Relatório Tratase de recurso interposto por YAMAHA MOTOR DA AMAZÔNIA LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0646.133 (fls. 119 a 123), da 1ª Turma da DRJ Curitiba, que, dando parcial provimento à manifestação de inconformidade, reconheceu em favor da recorrente, a par do direito já admitido pela DRF Manaus, o crédito de R$ 36.120,80, mas deixou de reconher o valor de R$ 16.588,70. A recorrente havia apresentado a declaração de compensação dcomp nº 16666.26809.310507.1.3.038542, apontando como crédito o saldo negativo de CSLL do ano base 2006, no montante de R$ 145.926,69. A DRF Manaus, no despacho de fl. 106, por falta de confirmação de algumas retenções, glosou o valor R$ 52.709,50, reconhecendo como crédito em favor da recorrente o montante de R$ 93.217,19. Contra o despacho decisório, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 9, a que a DRJ CTA deu parcial provimento, em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PARTE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovada a existência de parte da diferença do direito creditório reclamada, é de se determinar a homologação complementar da compensação declarada nos autos, até o limite do valor adicional reconhecido. O acórdão recorrido, embora reconhecendo parte do direito creditório em discussão, manteve a decisão da DRF Manaus relativamente à glosa de R$ 16.588,70. Não resignada, a recorrente interpôs recurso, afirmando que as informações constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, do ano base 2006, comprovariam o montante de tributos retidos no período. Disse ter demonstrado documentalmente as retenções, por meio de comprovantes emitidos pelas respectivas fontes. Aduziu que, de acordo com a Solução de Consulta nº 19, da Superintendência Regional da 5ª Região Fiscal, se poderia fazer a prova das retenções mediante registros contábeis, acompanhados de nota fiscal ou fatura, e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora. Invocou o princípio da verdade material e ressaltou que o escopo do processo administrativo é o controle de legalidade dos atos da Administração. Por fim, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e pela homologação das compensações. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10283.905105/201142 Acórdão n.º 1301002.574 S1C3T1 Fl. 166 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A recorrente havia apresentado dcomp, na qual fora informado um crédito relativo a saldo negativo de CSLL, do ano base 2006, no valor de R$ 145.926,69. A unidade local reconheceu, desse montante, o crédito de R$ 93.217,19, glosando R$ 52.709,50 ao argumento de que as retenções não haviam sido confirmadas. A DRJ, consultando as DIRFs em que constava a recorrente como beneficiária, e comparando os dados assim obtidos com as informações inseridas na dcomp, entendeu que deveria afastar parte da glosa e restabelecer o crédito de R$ 36.120,80. Assim, após tal decisão, remanesceu a glosa de R$ 16.588,70, referente às retenções do Ministério da Justiça (CNPJ 00.394.494/000116), da Polícia Militar do DF (CNPJ 00.394.718/000371) e da Eletronorte (CNPJ 00.357.038/000116). A controvérsia, pois, gira em torna da glosa desse valor, como evidencia o quadro abaixo: RETENÇÕES DE CSLL INFORMADAS NA DCOMP NOME DA FONTE PAGADORA CNPJ GLOSADO NA DRF GLOSA MANTIDA DA DRJ MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/017584 2.658,10 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/017746 5.176,30 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/017827 3.253,89 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/017908 209,85 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/018041 139,90 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/018203 8.463,95 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/018394 69,95 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/018475 839,40 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/018637 279,80 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/018718 3.007,85 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/018980 2.518,20 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/019013 349,75 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/019102 69,95 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/019366 69,95 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/019528 4.975,53 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/019609 1.380,33 0,00 MINISTÉRIO DA SAÚDE 00.394.544/020020 2.658,10 0,00 ELETRONORTE 00.357.038/000116 1.128,10 1.128,10 MINISTÉRIO DA JUSTIÇA 00.394.494/001370 290,60 290,60 POLÍCIA MILITAR DO DF 00.394.718/000100 12.210,00 12.210,00 POLÍCIA MILITAR DO DF 00.394.718/000371 2.960,00 2.960,00 TOTAL 52.709,50 16.588,70 A recorrente, para provar as retenções de CSLL, trouxe os documentos de fls. 64 a 94. Porém, entre eles, não se encontra nenhum comprovante de retenção emitido por qualquer uma daquelas fontes pagadoras, relativo ao período em exame. A DIRF de fl. 118, com base na qual a 1ª Turma da DRJ CTA restabeleceu parte das retenções glosadas, foi trazida, de ofício, aos autos pelo próprio órgão julgador, na busca da verdade material. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10283.905105/201142 Acórdão n.º 1301002.574 S1C3T1 Fl. 167 4 O mesmo extrato de fls. 118, além de comprovar as retenções do Ministério da Saúde, como corretamente entendeu a DRJ, comprova também as retenções da Polícia Militar do Distrito Federal. Observese que consta, no documento de fl. 118, a referência a uma DIRF apresentada pelo Fundo Constitucional do Distrito Federal, a qual contém valores de receita e de retenção correspondentes às glosas feitas pela DRF Manaus. Foram desconsideradas as seguintes retenções R$ 12.210,00 e R$ 2.960,00, que totalizam R$ 15.170,00. A DIRF indica um valor de receita de R$ 1.517.000,00. Considerando que o percentual aplicado para fins de retenção foi de 2,2%, dos quais 1% corresponde à CSLL, concluise que o valor da contribuição retida é exatamente R$ 15.170,00, como mostram os quadros abaixo: FONTE PAGADORA RETENÇÕES GLOSADAS POLÍCIA MILITAR DO DF 12.210,00 POLÍCIA MILITAR DO DF 2.960,00 TOTAL 15.170,00 DIRF (FL. 118) VALORES REND TRIBUTÁVEL 1.517.000,00 ALÍQUOTA DA RETENÇÃO 2,2% 33.374,00 RECEITA RECOLHIDA (2,2%) IRPJ 1.2% 18.204,00 CSLL 1% 15.170,00 TOTAL 33.374,00 Frisese que os extratos de fls. 73 e 74, extraídos do SIAF, confirmam os recolhimentos das quantias acima indicadas, no código de receita 8767. Portanto, é lícito restabelecer em favor da recorrente os valores de R$ 12.210,00 e R$ 2.960,00 a título de CSLL retida na fonte. Solução idêntica, entretanto, não cabe para os demais valores glosados, em face da ausência de qualquer elemento de prova da efetiva retenção. Ressaltase que os extratos bancários trazidos pela recorrente não provam a origem das quantias movimentadas. É impossível pelo exame de tais documentos saber quem depositou os valores e a que título o fez. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento, para reconhecer em favor da recorrente, a par do direito creditório já admitido pela DRF Manaus e pela 1ª Turma da DRJ CTA, o crédito de R$ 15.170,00, homologando até esse limite as compensações declaradas. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10283.905105/201142 Acórdão n.º 1301002.574 S1C3T1 Fl. 168 5 Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722332/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
CERCEAMENTO DE DEFESA.
Descabe a reclamação se o contribuinte tem seu direito de defesa garantido mediante a ciência dos termos de intimação e autos de infração, e oportunidade de apresentar contestação.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/12/2009
PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITA.
O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a presunção de omissão de receita decorrente da constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pela Recorrente, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, no sentido de reconhecer a omissão de receita face à existência de obrigações mantidas no balanço contábil desacompanhadas das respectivas comprovações.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1201-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. Descabe a reclamação se o contribuinte tem seu direito de defesa garantido mediante a ciência dos termos de intimação e autos de infração, e oportunidade de apresentar contestação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/12/2009 PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITA. O passivo fictício é aquele valor que figura no passivo da empresa sem representar uma dívida efetiva; a presunção de omissão de receita decorrente da constatação de passivo fictício não tendo sido ilidida pela Recorrente, deve prevalecer a conclusão da autoridade fiscal, no sentido de reconhecer a omissão de receita face à existência de obrigações mantidas no balanço contábil desacompanhadas das respectivas comprovações. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 23 32 /2 01 3- 88 Fl. 6270DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 3 2 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 2.242/2.274, que exigem: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no regime lucro real trimestral, no montante de R$4.863.163,29, relativo às infrações: 0001 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Passivo Fictício, com fatos geradores em 31/03/2009 e 31/12/2009; 0002 Despesas não comprovadas, fato gerador em 31/12/2009; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$1.752.716,07, reflexo das infrações 001 e 002 descritas; Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$1.422.736,95, regime não cumulativo reflexo da infração 001; Contribuição para o PIS, R$308.883,67, reflexo da infração 001; todas infrações foram apenadas com multa de ofício 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, págs. 2.203/2.241. 2. No TVF, o Autuante relata que as contribuições ao PIS e à Cofins decorrentes da omissão de receitas descrita constam dos autos de infração deste processo; e que exigências de PIS e Cofins sobre receitas de créditos presumidos de ICMS não tributados, foram autuadas em outro processo de nº 11516.722333/201222. 3. Cientificado em 23/07/2013, pág. 2.275, o contribuinte apresentou impugnação e documentos, julgados pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fl. 6271DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 4 3 Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, que proferiu o Acórdão nº 1450.077, em 29 de abril de 2014, págs. 6.081/6.103, que a julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/12/2009 PASSIVO FICTÍCIO GLOSA DE DESPESA NÃO COMPROVADA SELIC Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A regra de experiência que inspirou a presunção de omissão de receitas com base em passivos fictícios consiste no fato de que os passivos já pagos com receitas omitidas não são baixados para não evidenciar essa omissão com a sangria de recursos do caixa, que poderia ensejar a ocorrência inclusive de saldo credor de caixa. Devem os passivos ser baixados quando da ocorrência dos fatos que afetam a composição do patrimônio da pessoa jurídica, afetando nesse mesmo momento a respectiva contrapartida. Somente assim é possível aferir se os recursos utilizados para pagamento da dívida foram oferecidos à tributação. Nos termos do art. 251 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR), é dever da pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real manter escrituração com base nas leis comerciais e fiscais. Com base no art. 264 do RIR, deve o contribuinte conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Cabe ao contribuinte escriturar suas despesas financeiras com base em documentos hábeis e idôneos a comproválas. Selic exigida nos termos da lei. (...) 4. O contribuinte cientificado em 16/06/2014, pág. 6.114, apresentou Recurso Voluntário, págs. 6.117/6.219, sem documentos adicionais, tempestivo, em 07/07/2014, a seguir resumido. 5. Resume a impugnação apresentada: Preliminarmente a): a nulidade do lançamento fiscal em razão dos ajustes contábeis realizados antes do início do procedimento fiscal; b) nulidade do ato fiscal pelo erro na base de cálculo; c) a possibilidade de ajustes de erros de lançamentos e sua validação como retificação legal; No Mérito: a) o lançamento do crédito tributário pautado em presunção legal; b) ausência de comprovação das características fundamentais do passivo fictício; c) dos fatos geradores lançados como base para a exigência fiscal; d) das supostas despesas não comprovadas; e) o caráter confiscatório das multas aplicadas; f) a ilegalidade da aplicação da taxa Selic. 6. Aponta a tempestividade do recurso voluntário e requer nulidade por cerceamento de defesa, do julgamento em 1ª instância que não apreciou a totalidade dos fatos e argumentos Fl. 6272DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 5 4 que apresentou na impugnação, pois o decisum versou apenas sobre o saldo das contas em 01/01/2009 e não se manifestou sobre erro na base de cálculo, nem sobre ausência de desconsideração da contabilidade; requer o retorno dos autos para nova decisão da DRJ. 7. Pleiteia a nulidade dos autos de infração: a. "3.1 DOS AJUSTES CONTÁBEIS REALIZADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL " explica que 2 anos antes da fiscalização, realizou a compensação de contas do ativo e passivo de empresas que atuavam concomitantemente com seus clientes e fornecedores, realizando ajuste/baixas autorizadas pelas próprios envolvidos, isto é, se uma dessas empresas fosse credora e outra devedora do mesmo fornecedor ou cliente, então poderiam, após prévio consentimento da terceira empresa, realizar a compensação e baixa; assim encerrou 2009, corrigindo os saldos relativos a períodos anteriores, de várias contas no passivo e ativo, após o que registrou os livros; discorda da DRJ que afirmou que "basta comprovar que consta da contabilidade do contribuinte, em dado momento, a manutenção de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não fosse comprovada", para de concretizar a presunção de omissão; questiona como pode a fiscalização de 2012, se pautar em saldo em 01.01.2009, para presumir omissão de receitas, se as correção das contas foi em 31.12.2009 e o suposto saldo em 01.01.2009 deixou de existir? Destaca que em sua quase totalidade, as correções não foram utilizadas para baixar saldos da conta "caixa" de valores já quitados anteriormente, maculando o lançamento fundado nessa presunção; que o Julgador analisar o razão da conta "Caixa" no período autuado, constatar que Recorrente mantinha saldo suficiente para as baixas de valores não lançadas na época correta, e cita e argumenta que o posicionamento do judiciário é de que se o caixa dispunha de recursos para baixar valores na época de seus pagamentos cabe para cancelar a presunção da omissão de receitas pelo passivo fictício; assim, a conta "caixa" disponível no arquivo do ECD é prova mais que suficiente de que inexiste qualquer omissão de receita, posto que seu saldo demonstra a inocorrência de passivo fictício; no caso dos autos, havendo correções em 31.12.2009, somente poderia o fisco presumir passivo fictício após a respectiva data e, não como a realizou, com base em 01.01.2009, caracterizando possível fato gerador diverso do período do lançamento, merecendo seu cancelamento; assim, não desqualificando a contabilidade ou não a tornando expressamente imprestável para fins de prova, mantendose válidas as correções realizadas; conclui que o lançamento pautado em saldo contábil no dia 01.01.2009, e os ajustes/correções no dia 31.12.2009, que não foram descaracterizadas pela Autoridade Fiscal, justificam nulidade do lançamento; b. "3.2 ERRO NA BASE DE CÁLCULO" é corolário do item precedente que se o lançamento exige crédito tributário com a presunção de passivo fictício em 01.01.2009 pautado em saldo que se tornou inexistente pelos ajustes realizados em 31.12.2009, há erro na base de cálculo; que a ausência de qualquer desconsideração expressa da contabilidade apresentada como prova capaz de reverter o lançamento, também interfere, ainda que indiretamente, na nulidade do crédito tributário mantido; invoca os arts. 10, III e V e 11, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, e art. 142 do CTN; erro de direito não autoriza revisão, por isso, nulidade; Fl. 6273DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 6 5 c. "3.3 DA POSSIBILIDADE DE AJUSTES DE ERROS DE LANÇAMENTO E SUA VALIDAÇÃO COMO RETIFICAÇÃO LEGAL" argumenta que a legislação prevê a correção de erros na contabilidade, art. 269, § 2º do RIR de 1999, e destaca que lançamento de transferência regulariza conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do registro para a conta adequada, e foi efetuado várias vezes no presente caso; o Julgador se baseou na Resolução CFC n. 1.087/2006, inclusive para os fatos diagnosticados posteriormente ao exercício do lançamento, de que as baixas dos pagamentos já realizados deveriam ocorrer no momento da respectiva contrapartida, ou lançadas com contrapartida da conta "ajustes de exercícios anteriores" se sua verificação foi posterior ao encerramento do exercício; ocorre que os lançamentos corrigidos se referem, na grande maioria, a retificações de lançamento de transferência, assim, não há a necessidade de lançar na conta de ajuste de exercícios anteriores, posto que o lançamento sempre terá como contrapartida a conta que deveria ter sido lançada e não foi; houve a comprovação de simples erro, ocorreu a devida retificação das contas em período anterior ao início fiscal, portanto, inválido o saldo em 01.01.2009. 8. No mérito, argumenta conforme a seguir: 9. "4.1. DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAUTADO EM PRESUNÇÃO DE PASSIVO FICTÍCIO" Reitera que os pagamentos que não foram, equivocadamente, lançados na época de sua quitação, não caracterizam presunção de omissão de receitas pelo passivo fictício, pois a conta "caixa" possuía saldo; que o Passivo Fictício deve ser analisado sob aspectos: contábil que diz respeito à demonstração de irregularidades contábeis provocadas por omissão de receita, e o aspecto fiscal baseiase na possibilidade de caracterizar o fato como infração à legislação tributária; no presente caso, não restou comprovado sequer o passivo fictício, haja vista que a baixa da maioria dos valores foi via compensação entre contas, descaracterizando a sua exigência pela presunção de suprimento de caixa; inexiste passivo fictício nem presunção de omissão de receitas. 10. "4.2. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DO PASSIVO FICTÍCIO" afirma que não ocorreram a acumulação e aumento contínuo, tampouco máfé. 11. "5 DOS FATOS GERADORES LANÇADOS COMO BASE PARA A EXIGÊNCIA FISCAL" descreve as justificativas relativas a empresas que muitas eram tanto fornecedores como clientes, tendo ocorrido as compensações descritas, e em alguns casos, erros formais, corrigidos: a) "5.1 Fornecedor Incasa S/A", R$1.378.855,51; b) "5.2 Fornecedor Terracor Ind. E Com. Ltda", R$723.860,00; c) "5.3 Fornecedor Bio Soja Fertilizantes Ltda", R$2.950.000,00; d) "5.4 Fornecedor Isoalloys Ind. E Com. De Metais Ltda", R$8.324.742,8; e) "5.5 Fornecedor Minas Chemicals do Brasil Ltda", R$1.364.504,49; f) "5.6 Fornecedor Metalloys & Chemicals Comercial Ltda, R$3.243.232,56" , g) "5.7 Das Supostas Despesas Não Comprovadas", R$735.027,47. 12. "6. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS APLICADAS" reitera a reclamação de exorbitante e confiscatória, verdadeiro tributo disfarçado e inconstitucional e deve ser reduzida a patamar razoável; transcreve decisões judiciais. Fl. 6274DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 7 6 13. "7. DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC PARA O CALCULO DOS JUROS DE MORA" ilegal, ilegítima, fere o princípio da anterioridade, inconstitucional, transcreve decisões judiciais. Voto Conselheira Eva Maria Los Relatora 1 Preliminar de nulidade. 14. Argui a nulidade do lançamento fiscal, porque o saldo de 01/01/2009 foi corrigido em 31/12/2009, devido a erro de base de cálculo; e nulidade do Acórdão DRJ por cerceamento de defesa. 15. No caso dos Autos de Infração as alegações não se inserem na previsão da legislação de se considerar nulos os autos de infração, pois, de acordo com o art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), que não foi o caso. 16. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 17. Em se tratando do Acórdão de primeira instância, o art. 59, II, prevê nulidade se este for proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; cabe analisar esses dois aspectos: a. Acórdão DRJ/RPO, foi proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, decisão colegiada, em sessão de julgamento, de turma regularmente composta por Auditores Fiscais, portanto, autoridade competente; b. A alegação de cerceamento de defesa é que a DRJ deixou de apreciar a totalidade dos fatos e argumentos que apresentou na impugnação, pois o decisum versou apenas sobre o saldo das contas em 01/01/2009 e não se manifestou sobra erro na base de cálculo, nem pela ausência de desconsideração da contabilidade; requer o retorno dos autos para nova decisão da DRJ. 18. No que tange aos argumentos que embasaram o pedido de nulidade por cerceamento no direito de defesa, não se pode aceitar, pois o contribuinte teve acolhida a impugnação apresentada e esta foi objeto do Acórdão DRJ/RPO; o contribuinte foi cientificado regularmente do feito e, segundo prevê a legislação relativa ao processo administrativofiscal, apresentou Recurso Voluntário, que foi acolhido e que é objeto do presente voto; dessa forma, não se identifica cerceamento no direito de defesa, dado que os argumentos e documentos de prova estão sendo reexaminados, suprindo dessa forma, eventual omissão da 1ª instância de julgamento; à vista disso, descabe o pleito de se anular a decisão de piso e de se retornar os autos à DRJ para novo julgamento. Fl. 6275DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 8 7 19. Pelo exposto, não devem ser acolhidas a preliminares de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. 2 Passivo Fictício. 2.1 ARGUMENTOS INICIAIS 2.1.1 Dos Ajustes Contábeis Realizados Antes Do Início Do Procedimento Fiscal. 20. Argumenta que havia erros na contabilidade, porém, antes do procedimento fiscal, providenciou as correções, em 30/12/2009, assim como a quitação de débitos em aberto, via compensações por triangulação com devedores e credores; por isso, suposto passivo fictício detectado em 01/01/2009, já havia deixado de existir, descabendo a acusação de omissão de receitas; que, uma vez que a contabilidade não foi desqualificada, as correções em 30/12/2009 restaram reconhecidas; que o saldo de Caixa constante da contabilidade evidencia que dispunha de recursos para quitar os débitos, não sendo justificada a conclusão de que teria quitado débitos com receitas omitidas, pois ou quitou via bancos, ou via a descrita compensação. 21. Os argumentos não procedem; se os passivos em 01/01/2009 resultaram de erros e somente foram baixados, para fins de regularizar os registros, em 30/12/2009, o fato de que constavam da contabilidade e não eram exigíveis no começo do ano, só vem a confirmar que eram fictícios, e o montante apurado de R$17.785.195,44 em 01/01/2009, mais o de R$735.027,57, em 30/12/2009, não são pequenos valores que poderiam passar desapercebidos na contabilidade, a qual se rege pelo método das partidas dobradas, que impede tais erros. 22. Se, por outro lado, eram exigíveis no começo do ano e foram quitados em 30/12/2009, mediante compensação com créditos via triangulação com credor e devedor, como se vê adiante, o contribuinte não logrou documentar essas alegações. 23. Quanto à argumentação de que dispunha de recursos no caixa em montante que quitaria tais passivos, verificase na pág. 167, que o Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2008, portanto o mesmo valor é o de 01/01/2009, aponta Ativo Circulante Disponível, entre Caixa e depósitos bancários e aplicações de liquidez imediata no montante de R$1.026.127,46; e à pág. 172, o Balanço Patrimonial em 31/12/2009, aponta o montante de R$681.371,24, sendo que o passivo fictício detectado em 01/01/2009 foi de R$17.785.195,44 e o de 30/12/2009, de R$735.027,57. 2.1.2 Erro na base de Cálculo. 24. O argumento deriva do anterior, portanto foi analisado no item precedente. 2.1.3 Da possibilidade de Ajustes de Erros de Lançamento e sua Validação Como Retificação Legal. 25. Argumenta que a legislação prevê a correção de erros na contabilidade, que devem ser e lançadas com contrapartida na conta "ajustes de exercícios anteriores" se sua verificação foi posterior ao encerramento do exercício; mas que, no caso, os lançamentos corrigidos se referem, na grande maioria, a retificações de lançamento de transferência, assim, não há a necessidade de lançar na conta de ajuste de exercícios anteriores, posto que o lançamento sempre terá como contrapartida a conta que deveria ter sido lançada e não foi; houve a Fl. 6276DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 9 8 comprovação de simples erro, ocorreu a devida retificação das contas em período anterior ao início fiscal, portanto, inválido o saldo de passivo fictício em 01.01.2009. 26. As análise a seguir apresentadas evidenciaram que não se tratava de meros erros que não afetaram as bases de cálculo do IRPJ e das contribuições, nos períodos autuados. 2.2 NO MÉRITO 2.2.1 Do Lançamento do Crédito Tributário Pautado em Presunção de Passivo Fictício. 27. Reitera que a conta "caixa" possuía saldo; que a baixa da maioria dos valores via compensação entre contas, descaracterizou a sua exigência pela presunção de suprimento de caixa, e inexiste passivo fictício nem presunção de omissão de receitas. 28. Ambos argumentos já analisados. 2.2.2 Da Ausência de Comprovação das Características Fundamentais do Passivo Fictício. 29. Afirma que não ocorreram duas características d o Passivo Fictício: a acumulação e aumento contínuo, e tampouco máfé. 30. A acumulação e aumento contínuo do passivo indicam a habitualidade desta prática ilegal. 31. No caso, o passivo fictício foi identificado apenas no 1º e 4º trim/2009. 32. No que tange à alegação de inexistência de máfé, cabe destacar que a multa aplicada não foi qualificada e que o art. 136 do CTN pontifica: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 2.2.3 Análise individual dos componentes do Passivo considerado Fictício: a. Incasa S/A, R$1.378.855,51, págs. 10/11 do TVF a Recorrente alega que, ao final do ano, a auditoria identificou as notas fiscais em aberto que já haviam sido quitadas: NF 38805, R$297.333,26, paga em 03/03/2008; NF 39337, R$362.535,90, paga em 15/04 e 30/04/2008, da qual R$154.170,90 foi devolução, restando R$208.365,00; as NF 38530, R$211.397,50, em 28/02/2008; NF 38674, R$282.480,00, em 28/02/2008 restando o saldo em aberto de R$28.606,74, pagas pela Metalloys, em função do Contrato de Cooperação Financeira; NF 37569, R$379.280,00 compensada via conta corrente ; a DRJ aduziu ainda: O mesmo raciocínio se aplica às Notas Fiscais n° 38530 (R$ 211.397,25) e n° 38674 (R$ 282.480,00), que, segundo alega a impugnante, foram pagas pela METALLOYS, em 28/02/2008, com base no Contrato de Cooperação Financeira, tendo em vista que esta empresa era, simultaneamente, devedora da CCQM e credora da INCASA. Nesse caso, o encontro de contas entre débitos e créditos deveria ter ocorrido, na contabilidade da Fl. 6277DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 10 9 CCQM, em 28/02/2008, já que nesta data deixou de existir a obrigação perante a INCASA. A realização de lançamentos contábeis de ajuste somente em 31/12/2009 não tem o condão de afastar a presunção de omissão de receitas fundada na constatação de que, em 01/01/2009, havia na contabilidade da CCQM passivos junto à INCASA já pagos. O mesmo ocorre no caso da Nota Fiscal n° 37569, no valor de R$ 379.280,00, que a impugnante afirma haver baixado no "conta corrente", tendo em conta que a INCASA, além de fornecedora, eram também sua cliente. Invoca o Contrato de Cessão de Crédito de fls. 24852490, firmado em 13/12/2007, por meio do qual a INCASA cedeu à METALLOYS o crédito junto à CCQM decorrente desta Nota Fiscal. Assim, já que 13/12/2007 a contabilidade da CCQM deveria refletir essa operação, sendo descabida a alegação de que o lançamento de ajuste realizado em 31/12/2009 afasta a presunção de omissão de receitas. Reiterese: para a aplicação da presunção de omissão de receitas com base em passivo fictício, basta a comprovação da manutenção no passivo de obrigações já pagas. Eventuais equívocos na escrituração devem sensibilizar as demonstrações financeiras relativas ao período em que os equívocos foram cometidos. i. Análise neste voto: o Autuante, acertadamente, conclui que as datas de pagamentos em 2008 evidenciam que estes valores no passivo, em 01/01/2009, não eram exigíveis, pois já pagos, o que a Autuada reconheceu, e tais valores caracterizaram passivo fictício, segundo a presunção legal; b. Terracor Ind. E Com. Ltda, R$723.860,00, pág.11 do TVF alega que as NF 7010 e 7048 referentes a R$(144.000,00+112.310,00) ambas emitidas em 2006, já haviam sido incineradas; quanto às demais, NF 7353, de 26/02/2007, R$244.530,00; NF 7359, de 28/02/2007, R$163.020,00; NF 8854 de 19/02/2008, R$30.000,00 e NF 8888 de 29/02/2008, R$30.000,00, diz que existem dois lançamentos de R$21.293,64 e R$37.832.84, recebimentos por meio do banco Bradesco, na conta errada porque deveriam estar na conta cliente e não na de fornecedor, tratandose de correção de erro; e que fora requerida carta de quitação para fundamentar as baixas em 31/12/2009, pois existiam erros de lançamentos, que foram então corrigidos mediante compensação de contas de ativos e passivos da mesma empresa, que atuava como cliente e fornecedor; portanto, as baixas realizadas não se vinculam a pagamentos que não teriam sido baixados por falta de caixa na época da quitação. i. A DRJ avaliou: De início, é preciso esclarecer que a autoridade autuante reputou receitas omitidas apenas os valores das Notas Fiscais n° 7010, 7048, 7353, 7359, 8854 e 8888, que, somadas, atingem o montante de R$ 723.860,00. Os lançamentos na conta de fornecedor, nos valores de R$ 21.293,64 e R$ 37.832,84, que a impugnante afirma serem fruto de equívoco na contabilização, não foram reputadas receitas omitidas na autuação. No caso das Notas Fiscais n° 7010, 7048, 7353, 7359, 8854 e 8888, a impugnante se limita a afirmar que houve erros de Fl. 6278DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 11 10 lançamentos que foram corrigidos, em 31/12/2009. Apresenta apenas "Carta de Quitação" (fl. 2499), datada de 31/12/2009, por meio da qual a TERRADOR afirma não possuir qualquer valor a receber da CCQM com base nas referidas Notas Fiscais, considerando extinta qualquer obrigação relativamente a elas e dando quitação. A despeito de intimada a tanto, a CCQM não apresentou comprovação do pagamento dos valores e, conforme admitido por ela, constavam eles da contabilidade por equívoco. Fica, assim, demonstrado, que, em 01/01/2009, mantinha a CCQM, em seu passivo, obrigações junto à TERRACOR já pagas ou com exigibilidade não comprovada, razão pela qual correta é a aplicação da presunção de omissão de receitas com base em passivo fictício no valor total de R$ 723.860,00. ii. Análise neste voto: novamente, a Autuada reconhece que os valores se encontravam indevidamente no passivo, só tendo corrigido tal situação em 31/12/2009, portanto procede a constatação de passivo fictício em 01/01/2009; c. Bio Soja Fertilizantes Ltda, R$2.950.000,00; pág. 12 alega que tais notas se encontravam em aberto na contabilidade, por equívoco, e conforme Carta de Quitação, apresentavamse devidamente pagas, restando inexistente o saldo em 30/12/2009, data do ajuste; que somente poderia ser passivo fictício se não restasse comprovada a baixa em 31/12/2009, por isso, o passivo fictício não está provado o Autuante relata que a empresa, intimada a apresentar comprovantes dos seus pagamentos, TI 04/2013, se omitiu e novamente intimada pelo TI 05/2013, reafirmou que houve erro de lançamento sem apresentar comprovantes dos pagamentos. i. A DRJ constatou: O documento a que se refere a impugnante para comprovar a quitação dos passivos é a "Declaração" de fl. 2521, firmada em 29/01/2013, na qual são relacionadas as notas fiscais referidas, constando a declaração de que elas "encontramse devidamente baixadas". No curso da ação fiscal, por meio do "Termo de Intimação 04/2013" (fls. 19421953), foi alertado de que o documento por ela apresentado não informa as datas de quitação dos passivos e não comprova, por si só, a efetiva transferência de recursos da CCQM para a BIO SOJA, razão pela qual foi instado a apresentar os comprovantes de pagamentos das notas fiscais. Nada foi apresentado, razão pela qual os mesmos documentos foram solicitados no "Termo de Intimação 05/2013" (fls. 1995 1997). Na resposta, a CCQM limitouse a afirmar que os passivos em aberto junto à BIO SOJA decorrem de equívocos contábeis que foram constatados com a declaração do fornecedor de que as notas fiscais já haviam sido liquidadas, de modo que a baixa dos passivos, em 31/12/2009, foi realizada com o fim de corrigir ausências nos lançamentos de quitação. Também nesse caso, os documentos e esclarecimentos apresentados pela CCQM confirmam que ela mantinha em seu passivo, em 01/01/2009, obrigações já pagas ou cuja Fl. 6279DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 12 11 exigibilidade não foi comprovada, de modo que correta é a aplicação da presunção de omissão de receitas com base em passivos fictícios, no montante de R$ R$ 2.950.000,00. ii. Análise neste voto: concluise que a própria Autuada reconhece que os valores já estavam quitados e que teria corrigido o erro em 31/12/2009; que restou não comprovado que o pagamento tivesse se efetivado somente em 31/12/2009; procede o lançamento fiscal. d. Isoalloys Ind. E Com. De Metais Ltda, R$8.324.742,88; págs. 12/13 alega que o saldo do fornecedor Isoalloys fora baixado em 31/12/2009, conforme o Contrato de Compensação de Crédito entre as empresas Isoalloys, Metalloys e a Recorrente, onde a primeira era detentora de um crédito perante a Recorrente e devedora da empresa Metalloys; que alguns dos valores baixados contra a conta Isoalloys encontravamse com erros, portanto, revertendo os lançamentos equivocados, resta um saldo a crédito na conta 16515 da Isoalloys que deveria ter sido baixada contra a conta Metalloys, nos exatos termos do contrato de triangulação firmado entre as partes, o que não ocorreu por erro de escrituração contábil; que as baixas realizadas, desde que não interfiram na conta caixa, não podem servir de presunção de omissão de receitas, posto que sua baixa se deu por meio de instrumento particular de cessão de crédito e a recorrente documentou que existiam saldos nas contas compensadas além do Contrato, muitas outras notas quitadas através da rede bancária. o Autuante relatou que os contratos Instrumento Particular de Compensação de Créditos e Instrumento Particular de Cessão de Crédito foram firmados em 22/07/2008, portanto os débitos no total de R$1.736.736,53 não deveriam estar no passivo em 01/01/2009; quanto às alegadas triangulações entre a Autuada, a Isalloy e terceiras empresas, não foram comprovadas; que os extratos evidenciam a permanência no Ativo de contas já quitadas, tendo sido baixadas só em 30/12/2009, no total de R$1.829.093,83; tampouco em relação às triangulações entre Isalloys, a Autuada e Terracor e Incasa, no total de R$1.681.612,89; e tampouco as compensações entre Isalloys e a Autuada, no valor de R$3.077.299,63; i. A DRJ analisou, citese: Para comprovar a compensação de passivos em decorrência da triangulação entre CCQM, METALLOYS e ISOALLOYS, foram apresentados os seguintes documentos: 1 "Instrumento Particular de Cessão de Crédito" (fls. 25442547), firmado em 22/07/2008, por meio do qual a METALLOYS transfere à CCQM créditos junto à ISOALLOYS no montante de R$ 4.974.370,00, decorrentes de títulos listados no Anexo I ao instrumento, recebendo, em troca, o mesmo valor em mercadorias da CCQM; 2 Também em 22/07/2008, ISOALLOYS, CCQM e METALLOYS firmaram o "Instrumento Particular de Compensação de Créditos" (fls. 25352543), mediante o qual convencionaram as partes que o crédito da ISOALLOYS junto à CCQM, no montante de R$ 4.921.416,47, cuja origem está nos títulos discriminados no Anexo II ao instrumento, são extintos por compensação com os créditos junto à ISOALLOYS adquiridos pela CCQM com base no contrato referido em "1". Fl. 6280DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 13 12 Também nesse caso, a baixa dos passivos na escrituração, realizada somente em 31/12/2009, deveria ser refletida nas demonstrações contábeis do período em que teria ocorrido a extinção dos débitos, ou seja, em 2008. Deveria o contribuinte ter demonstrado que, à época da ocorrência dos fatos, tinha nas contas representativas de mercadorias em estoque ativos suficientes para celebrar o "Instrumento Particular de Cessão de Crédito" referido em "1", já que a cessão de créditos foi paga à METALLOYS em mercadorias. Registrese, ainda, que a autoridade autuante constatou que os extratos trazidos pelo contribuinte demonstram a permanência de contas no Ativo que já estavam quitadas, mas que continuavam fazendo parte dela, respaldando assim os seus passivos fictícios, baixados de forma abrupta, em 31/12/2009, com créditos que, por essa razão, não existiam, perfazendo essas fictícias compensações/triangulações o total de R$ 1.829.093,83. A propósito das alegadas compensações entre ativos e passivos recíprocos da ISOALLOYS e da CCQM, nenhuma comprovação foi apresentada. A afirmação de que uma parte das baixas realizadas na conta da ISOALLOYS, em 31/12/2009, decorre de equívocos, pois estas baixas deveriam ter sido realizadas contra a conta METALLOYS, com base no contrato de triangulação firmado entre as partes, tampouco veio acompanhada de comprovação. Também nessa hipótese, deveria a impugnante comprovar documentalmente os créditos junto à METALLOYS que dariam fundamento à compensação dos débitos junto à ISOALLOYS, discriminando os títulos envolvidos no eventual encontro de contas. Em resumo, a impugnante limitase a alegar, mas não apresenta provas. ii. Análise neste voto: resta evidente que os valores se encontravam já quitados antes de 01/01/2009; procede a autuação; e. Minas Chemicals do Brasil Ltda, R$1.364.504,49, pág. 13 do TVF alega que as notas fiscais de 2005, constavam em aberto, por equívoco e foram baixadas após a auditoria. i. Análise neste voto: Autuante, acertadamente, concluiu que a Autuada admitiu que tal passivo era fictício, em 01/01/2009 f. Metalloys & Chemicals Comercial Ltda, citado pela Recorrente como R$3.243.232,56 , sendo o valor correto R$3.978.260,13 (R$3.243.232,56 no 1º trim/20009 e R$735.027,57 no 4º trim/2009), pág. 13 alega que a Autuada e Metalloys possuíam em comum um dos sócios no ano de 2009 e firmaram o Contrato de Cooperação Financeira, onde ambas autorizavam a compensação entre si de valores credores e devedores, e, se uma delas fosse credora e a outra devedora de terceiros, poderiam, após análise e prévio consentimento da terceira envolvida, amortizar a dívida em contrapartida da conta ativa ou passiva da Recorrente e da Metalloys, por isso, em 2009, foi realizada a baixa de vários valores da empresa Metalloys & Chemicals Comercial Ltda; assevera possuir registros de diversos pagamentos via movimentação bancária, por exemplo, em 23/01/2009, das NF 15739, 16076, 17438 e 16134, e ainda, em 25/02/2009, das Fl. 6281DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 14 13 NF 16134 e 16448, emitidas em 2008; que do total das entradas na conta da fornecedora Metalloys & Chemical, até 31/12/2009, R$1.669.473,57 foi quitado via conta 1637 do Banco do Brasil, e conta 4239, do Banco Safra, portanto, parte do saldo de passivo chamado de fictício em 31/12/2009, também é inexistente, pois já quitado com recursos que saíram dos bancos e não de "receita omitida" e foram e corretamente escriturados, portanto, se pagas após 01/01/2009, não poderiam ser fictícios naquela data; que caso o Relator do CARF não entenda pela improcedência na manutenção de passivo fictício em 01.01.2009, temse a obrigatoriedade de exclusão do respectivo saldo em 31.12.2009; que do suposto passivo fictício, muitas notas foram quitadas em 2010: NF 30333, 38783, 34541, 40444, 38371, entre outras, conforme sua escrituração; que de acordo com o Razão, em 31/12/2009, há um saldo acumulado de R$5.966.625,97 de entradas a crédito e R$1.669.473,57 de débitos, e R$3.657.839,41 devem ser abatidos pelo Encontro de Contas, já analisado e aceito pelo Autuante, restando o saldo de R$639.312,99, como supostamente passivo fictício, mas que muitos pagamentos foram efetuados em 2010, o que sequer foi analisado; aduz: Se o passivo fictício tem por conceito a máfé do contribuinte na manutenção de valores em sua escrita contábil de contas que outrora foram quitadas e que não fora realizada a baixa sob o entendimento de que esse pagamento fora confeccionado com valores omitidos, ou seja, que não transitaram no banco ou no caixa da empresa, é nítido que, no presente caso, apesar de todos os erros de escrituração verificados ao longo da fiscalização, muitos inclusive já corrigidos antes da própria fiscalização, 31.12.2009, não pode prosperar a suposta omissão de receitas baseada em presunção de passivo fictício, quando não restaram cabalmente comprovados sua manutenção fraudulenta, pois as baixas envolvendo valores foram todas quitadas via instituição bancária, que estava devidamente escriturada na respectiva época. i. O Autuante consignou no TVF: O passivo fictício apurado na contabilidade da CCQM, em 01/01/2009, referente à conta da empresa Metalloys & Chemicals Comercial Ltda Cotia (SP) é de R$ 3.243.232,56. Já o passivo apurado na mesma conta, em 31/12/2009, é de R$ 735.027,57. O total de passivo apurado na conta Metalloys & Chemicals Comercial Ltda Cotia (SP) é de R$ 3.978.260,13; como a empresa tributou, no ano base de 2009, seus rendimentos trimestralmente, tais valores serão lançados no período em que se apurou o passivo fictício, e ainda: O Contrato de Cooperação Financeira entre a CCQM e a Metalloys teria sido firmado em 03 de fevereiro de 2005. Em 31 de dezembro de 2009 teria sido formalizado o Encontro de Contas entre as duas empresas, conforme copias apresentadas ao fisco. De início, relembramos que este Encontro de Contas de 31/12/2009 não se refere ao saldo de abertura em 01/01/2009, mas tãosomente às operações efetuadas ao longo de 2009. Destarte, é sobre os lançamentos a crédito da conta de passivo realizados em 2009 que ora nos debruçamos. Fl. 6282DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 15 14 A questão que resta é saber se o "Encontro de Contas" comprova a existência e a exigibilidade do passivo da CCQM com a Metalloys incorrido ao longo de 2009. Uma primeira resposta pode ser dada de pronto: parte do passivo de 2009 não pode ser comprovado pelo "Encontro de Contas", pois houve em 2009 lançamentos a crédito na conta de passivo Metalloys & Chemicals Comercial Ltda Cotia (SP) na ordem de R$ 4.392.866,98, enquanto o "Encontro de Contas" soma apenas R$ 3.657.839,41. A diferença de R$ 735.027,57 não está comprovada e caracteriza passivo fictício. Em síntese, o "Encontro de Contas" seria a consolidação de débitos e créditos da CCQM com a Metalloys. Para tanto, a CCQM teria levado em consideração os valores a receber da Metalloys que constavam em seu ativo. No entanto, constatouse, ao analisar o encontro de contas, que várias notas fiscais relacionadas no referido documento já estariam total ou parcialmente quitadas pela Metalloys, conforme demonstrado nos extratos do razão transcritos abaixo: ii. E detalha os lançamentos fiscais relativos às NF emitidas para a Metalloys, págs. 2.216/2.222: NF nºs 8422, 8442, 8444, 8448, 8471, (...), 8527, 8428, 8533, 8589, 8600, 8615, 8617, 8620, 8622, 8631, 8644, 8645, 8469 (Obs do Autuante: "No presente caso o documento de acerto de conta dá um saldo de R$ 137.900,55 a ser compensado, mas verifica se que a dívida já havia sido totalmente quitada. "), 8674, 8680, e pagamentos parciais da NF 8481, num total de Notas Fiscais emitidas para a Metalloys durante o ano 2009, recebidas via banco Santander e Banco do Brasil, de R$1.008.581,46 e aduz: Ora, se tais valores haviam sido quitados pela Metalloys, nao poderiam mais constar como "Valores a Receber" e, portanto, não poderiam ter sido usados pela CCQM para quitar parte dos passivos com a Metalloys. Desta forma, concluise que a CCQM não comprova a exigibilidade desta parte dos créditos que ela afirmou ter "quitado" em 31/12/2009 por meio do "Encontro de Contas". Assim, depreendese que esta parte dos passivos da CCQM com a Metalloys incorridos ao longo de 2009 não tem a sua exigibilidade comprovada em 31/12/2009. O montante do passivo fictício equivale exatamente ao montante de "valores a receber" que já haviam sido recebidos em datas anteriores e, portanto, não poderiam ter sido usados no "Encontro de Contas": R$ 1.008.581,46. É preciso destacar que estes passivos fictícios apurados em 31/12/2009 não se confundem com o saldo em 01/01/2009, pois, como dito anteriormente, o "Encontro de Contas" não se refere ao saldo em 01/01/2009, mas apenas aos passivos que surgiram ao longo de 2009. iii. A DRJ analisou: Os argumentos apresentados pela impugnante não procedem. De início, é preciso esclarecer que foi ela intimada a apresentar a documentação comprobatória do saldo do passivo constante da escrituração, em 01/01/2009, para o fornecedor METALLOYS. Esta é uma prova que, conforme já referido, compete ao Fl. 6283DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 16 15 contribuinte produzir, já que é seu dever manter escrituração regular, bem como os documentos que fundamentam os lançamentos contábeis. Ocorre que, ao responder às intimações nesse sentido, a CCQM limitouse a apresentar o "Contrato de Cooperação Financeira" de fl. 1869, firmado entre ela e a METALLOYS por meio do qual autorizaram a compensação entre si de valores credores e devedores, havendo, ainda, ajuste no sentido de que, caso uma delas fosse credora e a outra devedora de terceiros, poderiam, após análise e prévio consentimento da terceira envolvida, amortizar a dívida contra a conta ativa ou passiva da CCQM e da METALLOYS. Além desse "Contrato", apresentou a CCQM "Encontro de Contas" (fls. 18701885), firmado entre elas em 31/12/2009, no qual consta listagem de títulos, no valor total de R$ 3.657.839,41, em que a METALLOYS era credora da CCQM, e listagem de títulos, no mesmo valor, em que a CCQM era credora da METALLOYS. Ao apreciar o referido Encontro de Contas, inferiu a autoridade autuante, a partir do exame dos números e das datas das notas fiscais emitidas pela METALLOYS contra a CCQM, que ele alcançou apenas os fornecimentos efetuados por aquela ao longo do ano de 2009. Diante disso, o Encontro de Contas não se presta a comprovar o saldo da conta do passivo da CCQM com a METALLOYS em 01/01/2009, já que nele estão incluídos fornecimentos ocorridos até 31/12/2008. Portanto, a CCQM não apresentou, no curso da ação fiscal, a comprovação do saldo do passivo mantido em sua escrituração, em 01/01/2009. junto ao fornecedor METALLOYS. Tampouco na impugnação foi apresentada prova nesse sentido. Não basta alegar que há títulos emitidos antes de 01/01/2009 que foram pagos durante o ano de 2009. É preciso que a contabilidade reflita esses fatos e, mais que isso, é necessária a apresentação de prova documental das alegações. O mesmo raciocínio aplica se aos lançamentos a crédito realizados nessa conta no curso do ano de 2009. A singela afirmação de que há notas fiscais emitidas em 2009 que foram pagas em 2010 não afasta a conclusão de que, por falta de comprovação dos passivos escriturados durante o ano de 2009, caracterizamse eles como passivos fictícios, autorizando a aplicação da presunção de omissão de receitas. iv. Análise neste voto: A alegação da Autuada de que os valores autuados devidos à Metalloys, estavam pendentes durante o ano 2009, só tendo sido extintas pelo "Encontro de Contas" em 30/12/2009, não veio acompanhada da identificação das Notas Fiscais/faturas a que se referiam os passivos, e tampouco das Notas Fiscais/faturas cujos créditos alegadamente detinha junto à Metalloys, e o Autuante demonstrou que as contas constantes do Razão se referiam a NF da Metalloys emitidas durante o ano 2009; por isso, procedente a autuação. Fl. 6284DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 17 16 3 Despesas Não Comprovadas. 33. Citada pela Recorrente como R$735.027,47, porém o valor correto é R$754.400,00 alega que este valor estava na conta "valores a identificar", usada para valores para os quais não haviam sido identificadas as corretas contrapartidas; mas cujo histórico o identificava claramente como variação cambial; este valor é o saldo de diversos processos de importações, em que os pagamentos são registrados com base na taxa cambial do dia do registro da DI e, quando do pagamento, há necessidade de ajuste das variações cambiais ativas e passivas e foi lançado, por erro, nesta conta transitória, sendo que o lançamento correto é na conta 1927 Importação, cujo saldo em 31/12/2009 era R$9.924.378,14, que o Autuante não analisou a documentação que juntou; 34. O Autuante relata de forma diferente, à pág. 23 TVF, consta: O contribuinte contém em. seu registro contábil na sua conta VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA o lançamento de uma despesa financeira decorrente de variação cambial passiva, no valor de R$ 754.400,00, em 31/12/2009, cuja contrapartida é a conta VALORES A IDENTIFICAR, enquanto que outro lançamento no valor de R$1.716.688,50, teve como contrapartida a conta RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO; que nesta conta VALORES A IDENTIFICAR foram encontrados diversos lançamentos, em relação aos quais, intimada, a contribuinte apresentou justificativa e documentos de alguns. Sendo novamente intimada, TI 05/2013, quanto ao lançamento dos R$754.400,00 a CCQM, deixou de comprovar este lançamento; sendo assim, glosou a despesa de R$ 754.400,00, realizado no dia 31/12/2009, por falta de comprovação. a. Análise neste voto: às págs. 1.942/1.953, no Termo de Intimação TIF04/2013, a Autuada foi intimada a identificar os lançamentos da conta 1011 Valores a Identificar, onde se inclui o lançamento em discussão; nas respostas de págs. 1.954/1.994, não consta qualquer referência; reintimada no TIF 05/2013, págs. 1.995/1.997, nas respostas de págs. 1.998/3.032,também não há menção; tampouco anexou qualquer documento comprobatório junto com o recurso voluntário resta evidente a procedência do lançamento fiscal de despesa de Variação Cambial Passiva deduzida e não comprovada. 4 Multa de ofício de 75%. 35. Reclama da multa de ofício de 75%, que classifica como de exorbitante e confiscatória, verdadeiro tributo disfarçado e inconstitucional e deve ser reduzida a patamar razoável; transcreve decisões judiciais. 36. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 37. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito Fl. 6285DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 18 17 administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 38. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 39. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 5 Juros de Mora. Taxa Selic. 40. Classifica de ilegal, ilegítima, que fere o princípio da anterioridade, inconstitucional; transcreve decisões judiciais. 41. Quanto aos percentuais de juros com base na taxa Selic, o Código Tributário Nacional CTN, em seu art. 161, § 1o, abaixo transcrito, permite, por autorização legal, exigência de juros de mora em valor superior a 1% ao mês: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (Grifouse). 42. A lei dispôs de modo diverso, ao prever, no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguinte disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 6286DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 19 18 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 43. Assim, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sujeitamse, a partir de 1º de janeiro de 1997, a juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento. Dessa forma, a taxa referencial Selic para títulos federais, por refletir o custo de rolagem da dívida interna pelo Tesouro Nacional, foi escolhida pelo legislador para o cálculo dos juros moratórios decorrentes da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, a partir de 01/01/1997. 44. Nestes termos, o lançamento seguiu estritamente o que determina a legislação em vigor, devendo a autoridade lançadora, por dever de ofício, agir na forma que dispõe a legislação tributária, sob pena de, em não assim procedendo, sofrer responsabilização funcional. 45. A validade da aplicação da taxa Selic é entendimento pacífico na jurisprudência do CARF, conforme a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 5.1.1 Inconstitucionalidade. Ilegalidade. 46. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CARF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 5.1.2 Citações de acórdãos administrativos e decisões judiciais. 47. No que se refere às citações de decisões judiciais, em que o contribuinte interessado não figura em qualquer dos pólos da relação jurídica, as mesmas somente têm efeito entre as partes componentes dos respectivos processos judiciais. 48. A Administração Tributária deve obediência a ato do Senado Federal, dando efeito erga omnes à decisão do Supremo Tribunal Federal lei ou ato normativo declarado inconstitucional com efeito erga omnes, o que só ocorre após a publicação do Senado ou na hipótese prevista no art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. 6 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 6287DF CARF MF Processo nº 11516.722332/201388 Acórdão n.º 1201001.823 S1C2T1 Fl. 20 19 (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 6288DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001372/2006-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador, 31/12/2000
PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
Considerando a discussão trazida em Recurso Especial - contagem do prazo decadencial disposto no art. 173, inciso I, do CTN - haja vista que, no presente caso, o auto de infração foi lavrado em 3.8.06, tem-se que o período de 31.12.2000, objeto do recurso, não estaria abarcado pela decadência.
Numero da decisão: 9303-005.443
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CONTAGEM. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Considerando a discussão trazida em Recurso Especial contagem do prazo decadencial disposto no art. 173, inciso I, do CTN haja vista que, no presente caso, o auto de infração foi lavrado em 3.8.06, temse que o período de 31.12.2000, objeto do recurso, não estaria abarcado pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 72 /2 00 6- 85 Fl. 910DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3402002.129, da 2ª Turma Ordinária na 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/03/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/10/2005 a 31/10/2005 LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. A inocorrência de infração à legislação tributária não obriga a constituição do crédito tributário em Notificação de Lançamento e, portanto, não macula, por si só, o auto de infração com vício de nulidade. TUTELA JURISDICIONAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DISPOSIÇÕES LEGAIS. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AFASTAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO ADMINISTRATIVO. SÚMULACARF nº 2: A não aplicação de lei por afronta a dispositivos constitucionais configura reconhecimento da inconstitucionalidade da lei não aplicada e o CARF não Fl. 911DF CARF MF Processo nº 19515.001372/200685 Acórdão n.º 9303005.443 CSRFT3 Fl. 911 3 é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL JULGADO NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO. No julgamento de processo administrativo fiscal pelos colegiados do CARF, deve ser reproduzida a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática do recurso repetitivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/03/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/10/2005 a 31/10/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DEFINITIVA DO RESP 973.733SC. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O termo inicial para contagem do prazo decadencial de tributo sujeito ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver pagamento, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO NA DATA DE VENCIMENTO. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Fl. 912DF CARF MF 4 Insatisfeito, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando contradição contida no acórdão ao trazer, entre outros que: · Embora a embargante tenha amplamente demonstrado na impugnação e no recurso voluntário a decadência do direito de o Fisco constituir parte do crédito tributário, relativamente aos períodos de 30.9.00, 30.11.00, 31.12.00, 31.3.01 e 30.6.01, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, esse CARF ao confirmar o entendimento equivocado, reconheceu apenas a decadência dos fatos geradores ocorridos em 30.9.00 e 30.11.00; · Contudo o entendimento é contraditório, uma vez que se aplica o art. 173, inciso I, do CTN e não o art. 150, § 4º, do CTN – o fato gerador ocorrido em 31.12.00 também foi extinto pela decadência. Apreciados os Embargos de Declaração, o colegiado, por unanimidade de votos, conheceu e acolheu os embargos, com efeitos infringentes, para sanear a contradição do acórdão 3402002.129 e dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência da exigência ao mês de dezembro de 2000 – consignando, assim, acórdão 3402 002.502 com seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/03/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/10/2005 a 31/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, DO CTN. CRITÉRIOS. ACOLHIMENTO. Em havendo julgamento contradição quanto a aplicabilidade da decadência do direito do Poder Público lavrar o lançamento, no caso do art. 173, I, do CTN, devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanear referido vício. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 19515.001372/200685 Acórdão n.º 9303005.443 CSRFT3 Fl. 912 5 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação e inexistindo pagamento antecipado, ainda que parcial, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do 1º dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fator gerador, nos termos do art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, segundo entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 973.733 (Rel. Min. Luiz Fux, Dt. Jul. 12/08/2009), nos termos do art. 62A, do RICARF.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Com base no art. 173, inciso I, do CTN, o colegiado declarou a decadência em relação ao fato gerador ocorrido em 31/12/2000, conforme se lê no voto condutor, com fundamento no acórdão proferido pelo STJ no Recurso nº 973.733; · Cumpre esclarecer que a controvérsia não diz respeito à norma aplicável ao caso, pois o acórdão corretamente se fundamentou no art. 173, I, do CTN, incidente à espécie; · Contudo, a decisão recorrida, data vênia, aplicou de modo equivocado a aludida norma na contagem do prazo decadencial, à luz do Recurso Especial Repetitivo 973.733. Como se vê, a questão controvertida reside na forma de aplicação da regra prescrita pelo art. 173, inciso I, do CTN quanto ao fato gerador ocorrido em dezembro; · Voltandose a atenção para o caso em concreto, verificase que o lançamento do PIS apurado em 31/12/2000, cientificado ao sujeito Fl. 914DF CARF MF 6 passivo em 03/08/2006, foi tempestivo, pois o prazo decadencial inicia a ser contado em 01.01.2002, primeiro dia do exercício seguinte a 2001 quando o imposto poderia ter sido exigido, encerrandose em 31/12/2006. Requer, assim, a Fazenda Nacional que seja admitido o presente recurso e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o r. acórdão recorrido, no ponto impugnado, afastandose a decadência em relação a dezembro de 2000. Em Despacho às fls. 638 a 640, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, requerendo que seja inadmitido o recurso especial e, na remota hipótese da sua admissão – que se consente a negativa do provimento para se confirmar o cancelamento do crédito tributário relacionado ao período de apuração de 12/00. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos autos do processo, especialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos do art. 67 do RICARF/2015. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, o aresto paradigma acentuou que, aplicadas as disposições do art. 173, inciso I do CTN, o termo inicial da decadência relativa ao período de apuração dezembro não recai no exercício imediatamente seguinte, como entendeu a decisão recorrida, dada que sua exigência somente é possível a partir do mês de janeiro subsequente, o que posterga o início da decadência em 01 (um) ano, como restou fixado na seguinte passagem do voto vencedor (Grifos meus): Fl. 915DF CARF MF Processo nº 19515.001372/200685 Acórdão n.º 9303005.443 CSRFT3 Fl. 913 7 “Divirjo do entendimento adotado pelo ilustre relator quanto ao alcance da decadência quinquenal aplicada a luz do art. 173, I do CTN abordada no Recurso Repetitivo, REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), donde o relator entendeu que a aplicação do art. 173, I do CTN determinaria a contagem do prazo decadência de 5 anos, a partir do fato imponível, o que resultou na exclusão por decadência também da competência dezembro. No caso, entendo que a divergência reside simplesmente na exclusão da competência 12/2001, por entender que a tese esboçada no referido recurso repetitivo, quando estabelece que a aplicação do art. 173, I do CTN, teria por início da data do fato imponível, não quis estabelecer nova contagem do prazo decadencial, mas tão somente rechaçar a tese à época defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional de que a contagem do prazo decadencial obedeceria a teoria cumulativa/concorrente dos prazos do art. 150, § 4º, e 173, I do CTN (teoria dos 5 mais 5 anos). Dita conclusão nos parece clara ao ler o próprio texto do voto do ilustre ministro, REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux, senão vejamos: (...) É sabido que a contagem do art. 173, I do CTN, tem por início o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Neste caso, a competência 12 (dezembro), só pode ser exigida a partir do seu vencimento, que dáse em janeiro do ano subsequente. Assim, a contagem para aplicação da decadência na competência 12/2001, só teve início em 1º de janeiro de 2003, findando em 31/12/2007.” Este entendimento apresenta divergência frente ao raciocínio engendrado no julgamento reclamado, cuja tese é a seguinte: “Analisando o mérito da contradição apontada pela Embargante, tenho que de fato assiste razão ao sujeito passivo no tocante a decadência do direito da Fazenda Pública efetivar o lançamento tributário quanto ao fato gerador ocorrido em 31.12.2000, cientificado ao contribuinte em agosto de 2006, mesmo com a aplicação do inciso I, do art. 173, do CTN. Fl. 916DF CARF MF 8 E isto porque, tendo ocorrido o fato gerador em 31.12.2000, o prazo decadencial para a lavratura do lançamento se iniciou em 01.01.2001 (primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador), tendo se encerrado em 31.12.2005, de modo que o lançamento quanto ao período em questão também encontrase decaído, assim como já reconhecido quanto aos meses de setembro e novembro de 2000.” Em vista do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 19515.001372/200685 Acórdão n.º 9303005.443 CSRFT3 Fl. 914 9 O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. A priori, depreendendose da análise dos autos, recordase que o Recurso Especial não traz discussão acerca da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN ou art. 173, inciso I, do CTN, mas apenas em relação à contagem do prazo na aplicação do art. 173 e ainda somente em relação ao período de 12/00. No caso vertente, o auto de infração foi lavrado em 3.8.06 – o que, aplicando se a contagem do prazo do art. 173, inciso I, do CTN, temse o período de 31.12.2000 não estaria abarcada pela decadência. Isto posto, dou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 918DF CARF MF
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Numero do processo: 10952.720348/2011-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
Incabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, de valores que, a despeito de constarem na Declaração de Ajuste Anual correspondente, não há comprovação de que foram efetivamente tributados.
Numero da decisão: 9202-005.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Incabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, de valores que, a despeito de constarem na Declaração de Ajuste Anual correspondente, não há comprovação de que foram efetivamente tributados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Incabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, de valores que, a despeito de constarem na Declaração de Ajuste Anual correspondente, não há comprovação de que foram efetivamente tributados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 2. 72 03 48 /2 01 1- 82 Fl. 857DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Em sessão plenária de 16/02/2016, foi negado provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.172 (fls. 706 a 726), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS SEM CARÁTER DE NORMA GERAL. APLICAÇÃO SOMENTE ÀS PARTES LITIGANTES. As decisões administrativas e judiciais não têm caráter de norma geral e seus efeitos se restringem às partes do litígio, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de norma legal ou pelos STF e STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), que deve ser seguida por este Conselho, por força do art. 62A do RICARF. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Fazse necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 25. Aplicação da Súmula CARF nº 25: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” A decisão foi assim resumida: Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10952.720348/201182 Acórdão n.º 9202005.746 CSRFT2 Fl. 858 3 “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) conhecer do recurso de ofício para negarlhe provimento; b) em relação ao recurso voluntário, não conhecer do pedido de arquivamento da Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), pela aplicação da Súmula CARF nº 28; na parte conhecida, negar provimento ao recurso.” Cientificado em 16/05/2016 (Termo de Ciência eprocesso de fls. 732), o Contribuinte interpôs, em 30/05/2016 (carimbo aposto às fls. 733), o Recurso Especial de fls. 733 a 753, disciplinado pelo Art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. O Recurso Especial visava rediscutir as seguintes matérias: a) exclusão dos rendimentos declarados da atividade rural da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, independentemente de coincidência de datas e valores; b) omissão do acórdão recorrido por não ter analisado todos os pedidos constantes do recurso voluntário; c) exclusão da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, a título de rendimentos da atividade rural declarados, da quantia de R$1.096.174,46 informada na DIRPF do anocalendário 2008 como adiantamentos recebidos em 2008 por conta de venda para entrega futura; d) possibilidade de o saldo em caixa da atividade rural comprovar a origem dos depósitos bancários, no lançamento fundamentado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; e) nulidade do lançamento em virtude de o sujeito passivo ter o hábito de movimentar recursos em espécie da atividade rural; f) nulidade do lançamento em virtude de o sujeito passivo ter indicado a origem dos recursos movimentados em contas correntes e tal fato ter sido ignorado pela Fiscalização e as decisões terem sido pessoais e desvinculadas da legislação tributária; g) nulidade do lançamento em virtude da omissão da Fiscalização em realizar a diligência solicitada; h) nulidade do lançamento em virtude de a decisão de primeira instância não ter enfrentado todas as questões levantadas pelo impugnante; e i) caso não se entenda ser nulo o lançamento, realização de diligência para averiguação dos fatos relatados pelo sujeito passivo e para assegurar os direitos e garantias fundamentais do cidadão; e j) nulidade do lançamento por erro no enquadramento legal. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas em relação à matéria do item "a" exclusão dos rendimentos declarados da atividade rural da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, Fl. 859DF CARF MF 4 independentemente de coincidência de datas e valores, conforme o despacho de 30/09/2016 (fls.815 a 830). Relativamente à matéria que obteve seguimento, o Contribuinte alega, em síntese: sucintamente; o Contribuinte demonstrou, e foi acatado pela autoridade fiscal como origem de recursos, o valor da receita da atividade rural informada na declaração de ajuste anual do exercício 2009 anocalendário de 2008, qual seja, R$ 5.231.391,36 (fls. 10 da DIRPF/2009, anexada ao processo), de modo que tal importância não pode fazer parte (ou deve ser excluída da base de cálculo) da exigência fiscal indevidamente fundamentada no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996; a autoridade fiscal lançou, por presunção, como omissão de receita da atividade, em decorrência de movimentação financeira, o montante de R$ 5.148.200,84 (Auto de Infração lavrado anexado ao processo); o fiscal autuante corretamente constatou que o Contribuinte, no ano calendário de 2007: auferiu receita da atividade rural no valor de R$ 9.658.112,56 e incorreu em despesas desta atividade no total de R$ 6.194.714,00, portanto obteve lucro de R$ 3.463.397,75; no caso do Acórdão nº 10249.421, em situação semelhante, foi decidido de forma diversa, ou seja, os rendimentos da atividade rural foram considerados como origem para os depósitos bancários; o Contribuinte provou exaustivamente/robustamente que a origem dos recursos movimentados em contas de depósitos eram da atividade rural, portanto excluindose os rendimentos dessa atividade, da base de cálculo dos depósitos, implicará em lançamento zero; somente é possível a presunção legal de omissão de rendimentos quando o titular da conta bancária não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito, o que não foi o caso; o Contribuinte tem como origem os recursos na atividade rural, que superam os valores movimentados em contas de depósitos, portanto não há necessidade de se falar em coincidência de data e valores, e mais, todos os valores foram devidamente contabilizados e aceitos pela autoridade fiscal quando do lançamento (Acórdão nº 10249.421, fls. 1); a fiscalização em nenhum momento desconsiderou os valores informados pelo Contribuinte como oriundos da atividade rural, portanto há possibilidade de se considerar a receita da atividade rural como suficiente para justificar os depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias, ainda que em datas e valores não coincidentes; a posição do CARF tem sido no sentido de entender que quando existe prova (notas fiscais de produtor, controles estaduais, etc..) de que o contribuinte exerça, efetivamente, atividade rural, deve considerála como origem dos créditos/depósitos lançados em sua conta corrente, portanto prestamse como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de datas e valores (Acórdão nº 10249.421, fls. 16); em complemento ao Acórdão nº 10249.421, o Acórdão n° 920201.828, da 2ª Turma da CSRF dá o mesmo entendimento (em anexo); Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10952.720348/201182 Acórdão n.º 9202005.746 CSRFT2 Fl. 859 5 os recursos com origem comprovada, informados pelo Contribuinte nas Declarações de Ajuste Anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996; apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que deve ser aplicada com razoabilidade (Acórdão nº 920201.828, fls. 1, fls. 559 do processo nº 19515.004084/200330); a presunção de omissão de rendimentos em apreço tem sido utilizada com muita freqüência pelas autoridades fiscais e, em vários desses casos, os recursos que chegam ao CARF geram acaloradas discussões sobre a correta interpretação da legislação que rege a matéria (Acórdão 920201.828, fls. 6, fls. 564 do processo); o relator aduz ainda que a documentação apresentada pelo Contribuinte e as informações expressas em extratos bancários ilidem a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996 (Acórdão 920201.828, fls. 6, fls. 564 do processo); a necessidade de coincidência de datas e valores não está prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996 (fls. 6 do Acórdão 920201.828, fls. 564 do processo); segundo a norma legal, o Contribuinte precisa comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias (fls. 6 do Acórdão 920201.828, fls. 564 do processo); não tenho dúvidas em asseverar que tal valor deve ser subtraído do total de depósitos bancários sem origem comprovada (fls. 6 a 9 do Acórdão 920201.828, fls. 564 do processo); é bastante razoável que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, tenham transitado pelas contas bancárias do Contribuinte; sob minha ótica, não há fundamento legal que justifique a não aceitação, como origem de recursos, dos rendimentos informados pelo Contribuinte nas Declarações de Ajuste Anual, em relação aos quais não houve nenhum questionamento por parte da autoridade lançadora; apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, que deve ser aplicada com razoabilidade; comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, devese fazer a competente exclusão da base de calculo do imposto lançado, afastandose a presunção do art. 42 da Lei n° 42 da Lei n° 9.430, de 1996; no item 4.1 do Termo de Verificação Fiscal (fls.13), a fiscalização informa que efetuou auditoria fiscal, por amostragem, da escrituração do Livro Caixa, confrontou com os comprovantes de receitas e despesas apresentados pelo Contribuinte, bem como com as informações prestadas no anexo da atividade rural da DIRPF, observandose correlação entre eles; Fl. 861DF CARF MF 6 é estranho que os rendimentos de atividade rural não tenham sido levados em consideração para efeito de lançamento, portanto o enquadramento legal de acordo com o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 foi indevido, pois não há que se falar em presunção; apesar de tudo o que foi constatado no andamento da ação fiscal, a autoridade fiscal ignorou a verdade real dos fatos, não considerando, em sua totalidade, as receitas da atividade rural do fiscalizado, e muito menos ousou mencionar, que se não foram utilizadas em suas atividades rurais, para onde foram encaminhados os recursos dessa atividade; a fiscalização não desconstituiu os registros constantes do Livro Caixa da Atividade Rural (fls. 568) e Mapas Demonstrativos (fls. 569 a 588), fato é que os registros ora mencionados foram, todos, declarados, aceitos e devidamente homologados pelo Fisco Federal, de acordo lei vigente; a fiscalização não se concentrou nos Livros Caixa da Atividade Rural inerentes aos anoscalendários 2007 e 2008, deles glosando qualquer registro, que de acordo com suas convicções fossem fictícios e que pudessem desnudar a omissão de receita. O processo foi encaminhado à PGFN em 31/03/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 846). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreu em 30/04/2017, e, em 02/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls.856), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 847 a 855, contendo os seguintes argumentos: defende o recorrente que devem ser excluídos os rendimentos declarados da atividade rural da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, independentemente de coincidência de datas e valores; o fato é que não é explicitado no recurso especial quais depósitos bancários, especificadamente, foram considerados como de origem comprovada pelo valor declarado como rendimento de atividade rural; o dispositivo legal que cria a presunção de omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada é preciso quanto à presunção que cria; não se presume como renda omitida a soma dos valores depositados na conta bancária no anocalendário, porém, cada depósito é considerado individualizadamente; como se vê, o que se presume como omissão de rendimentos é um valor determinado (específico) creditado em conta, e não um somatório de valores para um período; cumpre ao sujeito passivo demonstrar que os valores individualmente especificados ali depositados não são receita omitida, a partir de explicação de origem para cada um dos depósitos; ainda que se admita uma certa discricionariedade quanto a valores e datas, que para alguns julgadores não precisam ser exatos, mas aproximados, pela aplicação do princípio da razoabilidade, não se pode, por isso, aceitar uma explicação deveras genérica, que englobe todo o anocalendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar; foi esse o posicionamento tomado pela Colenda Câmara a quo, isto é, aceitou como justificação de origem de depósitos bancários valor global declarado como Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10952.720348/201182 Acórdão n.º 9202005.746 CSRFT2 Fl. 860 7 rendimento em DAA, sem especificar qual seria o respectivo depósito bancário por ele justificado; pela redação do texto legal esse posicionamento não é possível, vez que mister a identificação de cada um dos depósitos listados pelo fiscal cuja origem foi considerada como comprovada; nesse sentido é o Acórdão nº 10617030, cuja ementa ora se transcreve: DEPÓSITOS BANCÁRIOS – COMPROVAÇÃO – NECESSIDADE DE ESPECIFICAR A ORIGEM DE CADA DEPÓSITO – INOCORRÊNCIA – A origem dos depósitos presumidos como rendimentos omitidos deve ser especificada individualizadamente. Ausente a justificativa um a um, devese rechaçar a mera repetição dos depósitos, como se os saques em espécie pudessem, por si só, justificar a origem dos depósitos. diante disso, não podem ser simplesmente excluídos da base de cálculo do IRPF determinados valores que não foram associados a depósitos bancários específicos, sobre os quais vige presunção de rendimentos omitidos; ademais, lembrando que o ônus da prova é do sujeito passivo, teria ele facilidade em demonstrar a correlação entre os rendimentos declarados e depósitos bancários, e se não o fez, é muito provável que os depósitos a eles não correspondam e, na dúvida, prevalece a presunção legal; por isso, se há dúvida com relação ao fato de o valor declarado justificar algum depósito bancário, prevalece o auto de infração neste ponto, certo que calcado numa presunção legal, que só pode ser afastada por efetiva demonstração concreta, isenta de dúvida, de que não há omissão de rendimentos; com efeito, a presunção opera a dúvida a favor do Fisco, e não do sujeito passivo, como entende o recorrente, desse modo deve prevalecer o entendimento exarado no acórdão recorrido. Ao Final, a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, mantendose o acórdão recorrido Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, no que tange à matéria que obteve seguimento exclusão dos rendimentos declarados da atividade rural da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, independentemente de coincidência de datas e valores atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, nesta parte. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2009, anocalendário de 2008, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Fl. 863DF CARF MF 8 No acórdão recorrido, não foram excluídos os rendimentos constantes da Declaração de Ajuste Anual, visto que o colegiado entendeu que a mera confissão de rendimentos na declaração não é meio hábil, por si só, a comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda, sendo necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Na parte do apelo que teve seguimento, o Contribuinte requer, em relação ao ano calendário de 2008, seja excluída da base de cálculo dos depósitos bancários o valor declarado correspondente a receitas da atividade rural. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que tal exclusão não pode ser efetuada de forma genérica, e sim observar a coincidência de datas e valores. A jurisprudência do CARF é no sentido de que, apesar da não identificação individualizada dos depósitos com os rendimentos tributados na declaração, é cabível a exclusão do valor a eles correspondente da base de cálculo do lançamento, sob o fundamento lógico de que, se o Contribuinte movimenta os rendimentos omitidos nas suas contas bancárias, não haveria de deixar de movimenta os rendimentos declarados. Nesse passo, obviamente que não é admissível a exclusão de valores que, a despeito de constarem da Declaração de Ajuste Anual, não há comprovação de que efetivamente tenham sido tributados, como é o caso do total das receitas de atividade rural, mormente quando estas foram totalmente absorvidas por despesas que também não foram objeto de verificação, como ocorreu no presente processo (Auto de Infração, efls. 68) . Com efeito, o objetivo da exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores tributados na Declaração de Ajuste Anual é evitar que haja dupla tributação. Entretanto, na situação em tela, a exclusão das receitas da atividade rural, totalmente absorvidas por despesas não verificadas, termina por conferir o efeito contrário, ou seja, a total ausência de tributação, seja como depósitos bancários, seja como rendimentos de atividade rural. Quanto ao argumento do Recorrente, no sentido de que a Fiscalização não contestou os valores relativos à atividade rural, constantes de sua Declaração de Ajuste Anual, isso nada tem a ver com a autuação com base em depósitos bancários, já que não há como atribuirse aos depósitos uma origem em atividade rural que efetivamente não foi comprovada. Afinal, declarar receitas da atividade rural, principalmente quando estas foram totalmente absorvidas por despesas, não tem de forma alguma o condão de automaticamente vincular tais receitas aos depósitos bancários. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10952.720348/201182 Acórdão n.º 9202005.746 CSRFT2 Fl. 861 9 Fl. 865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.904087/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que deu provimento parcial à manifestação de inconformidade apresentada em contestação a Despacho Decisório, que não homologou as compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 26470.09875.140510.1.7.038987 e 39743.59520.240310.1.3.034552, com vistas à efetivação do encontro de contas entre débitos tributários e o saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre de 2005, no valor de R$ 64.939,46. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 04 08 7/ 20 14 -2 0 Fl. 811DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 812 2 Alega a recorrente que o saldo negativo supracitado é o resultado da diferença entre o total da CSLL retida na fonte, no valor de R$ 112.328,02, e o montante da mesma contribuição calculada na DIPJ, de R$ 47.388,56, para o referido trimestre. Todavia, consta no Despacho Decisório, à fl. 08, que a autoridade fiscal só confirmou a importância de R$ 35.919,76, a título de CSLL retida na fonte. Nesses termos, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre de 2005 igual a zero, o que obstou as compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 26470.09875.140510.1.7.038987 e 39743.59520.240310.1.3.034552. Com o julgamento da manifestação de inconformidade, proclamouse que o total de retenções na fonte alcançou a importância de R$ 88.227,58, por força do reconhecimento do crédito adicional de R$ 52.307,82, uma vez acolhidos “os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Assim, deduzindose a CSLL devida no período (R$ 47.388,56), determinouse que a recorrente dispunha de saldo negativo de CSLL, para o 1º trimestre de 2005, no valor de R$ 40.839,02 (R$ 88.227,58 – R$ 47.388,56). Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de CSLL, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 20/10/2015, à fl. 519. Recurso a este Colegiado às fls. 522/544, com entrada na repartição de origem no dia 19/01/2015, conforme fl. 522. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no 1o trimestre de 2005, saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 64.939,46, oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ 112.328,02, subtraído o valor devido de CSLL, na quantia de R$ 47.388,56, conforme o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 26470.09875.140510.1.7.038987, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo negativo disponível de CSLL do 1º trimestre de 2005 ao valor de R$ 35.919,76, sob a a justificativa de que inexistia comprovação suficiente das retenções na fonte; Fl. 812DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 813 3 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 52.307,82, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre a CSLL retida na fonte, provavelmente em decorrência de erro de preenchimento cometido pelas próprias fontes pagadoras das receitas que recebera; 5) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; 6) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 7) malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 52.807,32, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois deixou de explicar o modo pelo qual apurou o valor do antedito adicional, já que se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos; 8) a respeito do subitem anterior, chama a atenção o fato de ter declarado crédito proveniente de retenções de CSLL, efetuadas pela fonte inscrita no CNPJ sob o nº 33.781.055/001611, no valor total de R$ 52.612,28, enquanto o julgador a quo só reconheceu o montante de R$ 51.007,52, sem justificar o critério e a metodologia de apuração do valor encontrado; 9) pelas DIRF juntadas aos autos pelo julgador a quo, verificase que os valores por elas indicados se referem ao total das retenções de tributos durante todo o anocalendário de 2005, sem evidenciar a parcela relativa ao período de apuração em exame (1º trimestre de 2005); 10) assim, a glosa de crédito com o pretenso suporte na não confirmação da CSLL/Fonte é um descompasso com a realidade, pois a CSLL lhe foi retida como forma de antecipação da contribuição social devida ao final do trimestre; 11) desse modo, resta efetivamente comprovado que detém crédito no montante de R$ 112.328,02, relativos à CSLL retido na fonte no 1º trimestre/2005. Tal valor integra incontestavelmente a composição do crédito do saldo negativo de CSLL do 1º trimestre/2005, sendo que as provas ora apresentadas se sobrepõem a quaisquer discussões; 12) em casos semelhantes, a jurisprudência administrativa pátria tem reiterado o entendimento de que, uma vez demonstrado o erro no preenchimento de documentos fiscais e constatada a existência de crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a verdade formal; Fl. 813DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 814 4 13) outrossim, mesmo quando o CARF não homologa diretamente as compensações transmitidas com equívocos materiais, determina o retorno dos autos à DRF de origem para que seja reapreciado o crédito postulado em PER/DCOMP; 14) o procedimento de compensação deve ser pautado pela imparcialidade, cabendo à autoridade julgadora buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independentemente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados; 15) uma vez atribuída à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento da CSLL, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento da contribuição já retida pela fonte pagadora, podendo deduzir o valor da contribuição retida em sua declaração de rendimentos, consoante o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, a qual dispõe no sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”; 16) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação da contribuição retida pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar a contribuição em dobro, considerando que esta já foi retida na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 17) caso o Colegiado entenda pela impossibilidade de apreciar o mérito, a recorrente deve ser chamada a demonstrar a legitimidade do crédito, porquanto a autoridade fiscal deixou de intimála para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, incorrendo em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 18) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve previamente intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 19) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, em consonância com o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 20) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 21) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos Fl. 814DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 815 5 normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 22) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, motivos que impelem a conversão do julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a provar a legitimidade da parcela do crédito vindicado não reconhecida pelo acórdão recorrido; 23) por todo o exposto, a recorrente requer: a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, com a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de CSLL do 1º trimestre/2005, mormente aqueles dos processo de cobranças nº 12448.904.829/201417 e 12448.904437/201458; b) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de que se reconheça o direito creditório ora discutido, homologandose integralmente as compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 26470.09875.140510.1.7.038987 e 39743.59520.240310.1.3.034552, cancelandose os valores apontados como devidos nos processos de cobrança nº 12448.904.829/201417 e 12448.904437/201458; c) e caso se entenda pela impossibilidade de julgamento do mérito, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para o efetivo exame dos documentos juntados aos presentes autos, relativamente à parcela do crédito não reconhecido pelo acórdão recorrido e, em cumprimento à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/CACAJ/ COTEC Nº 6/ 2007, seja convertido em diligência o presente julgamento, de forma que haja intimação da recorrente para demonstrar a legitimidade dos créditos, declarandose parcialmente nulo o acórdão recorrido na parcela que não reconhece o direito do crédito da recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Primeiramente, a questão referente à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a Fl. 815DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 816 6 autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: "§ 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9oe 10 obedecerão ao rito processual doDecreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto noinciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: “Art.119.É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no10.833, de 2003, art. 17). §1oDa decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no10.833, de 2003, art. 17;Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no11.941, de 2009, art. 25). §2oA manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam ocapute o § 1oobedecerão ao rito processual doDecreto no70.235, de 1972(Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto noinciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional,relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no10.833, de 2003, art. 17). Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no Fl. 816DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 817 7 esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não suge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 5oO prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores do crédito, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às determinações legais que fixaram o contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa. Na questão subsequente, a recorrente salienta que, malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 52.307,82, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos. A tal respeito, examinando a decisão recorrida, à fl. 507, vislumbrase o seguinte trecho do voto onde o relator da instância a quo conecta os fatos apurados à decisão Fl. 817DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 818 8 tomada em relação a cada uma das fontes pagadoras, registrando, no quadro anexo, o resultado da análise por ele efetuada: “Tendose (sic) em vista as “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” constantes do detalhamento da análise de crédito referido no parágrafo anterior e em face da manifestação, fezse a comparação dos valores nela indicados e que não foram confirmadas ou o foram parcialmente no despacho decisório, com as Dirfs apresentadas pelas fontes pagadoras informadas (fls. 499 a 504). O valor efetivamente comprovado, já deduzido do reconhecido parcialmente no despacho decisório (considerado o valor zero para o caso de valor reconhecido nesse despacho ser maior do que o confirmado em Dirf), consta na última coluna de quadro ao final deste voto (fl. 508). Conforme destacado no referido quadro, foram aceitos os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Com o trecho acima reproduzido, o relator da instância a quo expôs os critérios e a metodologia empregados na elaboração do quadro anexo ao acórdão recorrido, que apresenta a configuração abaixo: Fl. 818DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 819 9 Está claro que o acórdão recorrido admitiu todos os valores declarados em DIRF, independentemente (i) do código de retenção e (ii) da distinção entre CNPJ da matriz e CNPJ de filial. Também não há dúvida de que, confirmandose a retenção em DIRF, o acórdão recorrido limitouse ao valor que fora aposto no PER/DCOMP, quando este era inferior ao valor confirmado em DIRF, o que está correto, pois o julgador não pode alterar o planejamento do contribuinte, aumentando, ex officio, o Fl. 819DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 820 10 montante do crédito a ser compensado, cujo aproveitamento se submete a prazo prescricional. Perceba se, nesses termos, a aglutinação de todas as retenções, independentemente de código, no que toca ao CNPJ com raiz nº 33.781.055, a traduzir um bloco de um mesmo CNPJ. Por todas essas razões, o acórdão recorrido autorizou o crédito de R$ 51.007,52, em relação a este CNPJ com raiz nº 33.781.051. Em face do exposto, está patente que não há o alegado vício de transparência. Agora, a questão de mérito. Segundo a recorrente, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 52.307,82, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre a CSLL retida na fonte, provavelmente em decorrência de erro de preenchimento cometido pelas próprias fontes pagadoras das receitas que recebera. Nesse contexto, menciona que, além dos documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado. Assim, à luz do extrato da conta corrente, também em anexo, seria possível verificar que o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, motivo por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário. Ocorre que as cópias de notas fiscais inseridas nos autos no recurso voluntário, às fls. 21/841 e 420/569, não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente da CSLL retida na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação da CSLL na DIPJ. A recorrente ainda adverte que as consequências das omissões das fontes pagadoras de rendimentos, quanto à entrega de DIRF, devem ser a estas imputadas, jamais aos beneficiários dos pagamentos, porquanto, uma vez atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da CSLL a terceiro, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento da contribuição já retida pela fonte pagadora. Em tal circunstância, defende que o contribuinte pode deduzir o valor da contribuição retida em sua declaração de rendimentos, consoante o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, a qual dispõe no sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”. De acordo com tal óptica, a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação da contribuição retida pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar a contribuição em dobro, considerando que esta já foi retida na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora). Seja como for, a recorrente acrescenta que o procedimento de compensação deve ser pautado pela imparcialidade, cabendo à autoridade julgadora buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independentemente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados. A CSLL retida na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais Fl. 820DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 821 11 se inclui a CSLL retida na fonte), em relação à CSLL devida, apurada na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, da CSLL retida na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação da CSLL na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento da CSLL retida na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte à CSLL apurada na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de contribuição incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedandose a restituição de qualquer valor a título de CSLL excedente, se não restar comprovado que ocorreu a tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Entretanto, tal pressuposto não constituiu fundamento do acórdão recorrido ou do despacho decisório. Nesses termos, para evitar a prolação de decisão com fundamentação surpreendente sobre matéria fática, de modo a excluir a impressão de que o Estado Administração, na dicção do direito a reger o caso concreto, atua como um prestidigitador que esconde uma carta nas mangas para iludir o administrado e, com isso, negarlhe direitos, proponho, com os olhos voltados para a construção democrática de uma decisão administrativa apta a repercutir na esfera jurídica da recorrente, a descida dos autos à delegacia de origem para que a autoridade fiscal verifique: a) se as receitas constantes das notas fiscais às fls. 21/841 e 420/569 estão contabilizadas e oferecidas à tributação da CSLL, na DIPJ do anocalendário de 2005; b) qual é o montante das receitas do item anterior; c) se a CSLL retida na fonte que incidiu sobre as receitas constantes das notas fiscais às fls. 21/841 e 420/569 está registrada na contabilidade; d) qual é o montante da CSLL retida na fonte da questão anterior; e) se a totalidade da CSLL retida na fonte da questão anterior consta no balanço de 31/03/2005. Rogase à autoridade fiscal a elaboração de relatório circunstanciado, acrescentando considerações que julgar necessárias, dandose ciência à recorrente do relatório e dos demais dados que forem coligidos na diligência, abrindolhe o prazo de 30 dias para se manifestar. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 821DF CARF MF Processo nº 12448.904087/201420 Resolução nº 1301000.440 S1C3T1 Fl. 822 12 Flávio Franco Corrêa Fl. 822DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.721521/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão 0954.404, de 12/09/2014 (fls. 81 a 83). A notificação de lançamento (fls. 5 a 9) exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário de R$ 5.013,53, assim composto: R$ 2.480,97 de imposto suplementar, R$ 1.860,72 de multa de ofício (passível de redução) e R$ 671,84 (calculados até 30/04/2014). O lançamento originouse da revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA)/2011retificadora (entregue em 24/12/2013), sendo apuradas as seguintes infrações: à fl. 6, a omissão de rendimentos pagos pelo INSS no valor de R$ 145,14; e, à fl. 7, a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 85 .7 21 52 1/ 20 14 -0 8 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 19985.721521/201408 Resolução nº 2301000.667 S2C3T1 Fl. 3 2 PGBL e FAPI, pagos pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros, na monta de R$ 8.876,57. Em sua impugnação (fls. 2 a 3), o notificado aduziu, em síntese, que: ⇒ a declaração retificadora, entregue em 24/12/2013, foi equivocada, uma vez que, por lapso, o contribuinte esqueceu de que já havia recebido o valor pleiteado em restituição, equivalente a R$ 8.876,57, em face de processo judicial; ⇒ quando tomou ciência do equívoco, dirigiuse à unidade da Receita Federal visando ao cancelamento da declaração retificadora, em 28/02/2014; ⇒ na declaração original foi apurado imposto a pagar de R$ 6.724,28, o que acarretou multa e juros, totalizando R$ 8.859,00, conforme termo de parcelamento, o que significa dizer que a notificação de lançamento deverá ser cancelada, pois o respectivo valor está sendo pago. Para amparo de suas alegações, o interessado fez colacionar os elementos de fls. 11 a 44. Transcrevo aqui o voto do acórdão recorrido: "De plano, cabe revelar, em que pese a contestação do contribuinte se reportar à notificação de lançamento como um todo, a ausência de reclamo específico acerca da omissão de rendimentos pagos pelo INSS no valor de R$ 145,14, uma vez que, tanto na DAA original quanto na retificadora, o interessado consignou o valor de R$ 68.833,47, ao passo que nos sistemas da Receita Federal constam informações da aludida autarquia de pagamentos no total de R$ 68.978,61. Em assim sendo, cabe a manutenção da infração em comento, considerando que não fora ilidida nos termos da redação atualizada do art. 17 do Decreto n. 70.235/1972. Quanto à omissão de rendimentos pagos pela Petros, equivalente a R$ 8.876,57, o impugnante reconhece a infração apontada, contudo esclarece haver requerido o cancelamento da DAA retificadora que gerou o lançamento, bem como afirma que o valor indicado em sua DAA original esteja sendo pago por parcelamento. Há que se estabelecer alguns fatos, para efeito de melhor dissecar as questões oferecidas pelo impugnante. O requerimento para o cancelamento da declaração retificadora, à fl. 37, deuse em 28/02/2014; posterior, então, à ciência do início do procedimento fiscal, representado pelo Termo de Intimação de fl. 44, em 20/02/2014, às fls. 46/47. Em face disso, observase que o pedido do sujeito passivo não resguarda a espontaneidade para o seu acolhimento. Na DAA/2011 original, entregue em 27/04/2011, o contribuinte apurou o saldo de imposto a pagar equivalente a R$ 6.724,28. Não ocorreu o pagamento dessa importância, aduzindo o interessado que solicitou parcelamento, com início em 25/05/2012, conforme documentos de fls. 18/20. Não há nos autos comprovação da regularidade de algum Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19985.721521/201408 Resolução nº 2301000.667 S2C3T1 Fl. 4 3 pagamento posterior, ou mesmo da adimplência de outras prestações. De toda sorte para deslinde da discussão o fato não assume maior proporção. A declaração retificadora substitui integralmente a originalmente apresentada, sendo que, no caso em concreto, o contribuinte desconsiderou aquele saldo de imposto a pagar para revelar que esse valor retificado corresponderia a R$ 4.283,22. Em suma, firmou o sujeito passivo de que sua obrigação principal, em termos de imposto, seria R$2.441,06 a menos do que a inicialmente declarada (R$ 6.724,28 – R$ 4.283,22). Ao se apurar em sede de revisão da DAA que tal diferença, bem como aquela atinente aos rendimentos pagos pelo INSS, efetivamente era devida, não poderia a Fiscalização exigila de outra forma, senão mediante o lançamento, fazendose o imposto acompanhar da indissociável multa de ofício e dos juros de mora pertinentes, assentados na legislação exposta à fl. 9". Como se vê, não houve contestação acerca da omissão de rendimentos pagos pelo INSS no valor de R$ 145,14, de forma que o Acórdão do DRJ manteve tal lançamento. No tocante à omissão de rendimentos pagos pela Petros, equivalente a R$ 8.876,57, o Acórdão da DRJ assinala que o próprio impugnante reconhece a infração apontada, o que pode ser comprovado pelo pedido de requerimento de cancelamento da DAA, que não mereceu ser acolhido, uma vez que tal pedido se deu após início do procedimento fiscal, que resultou no presente processo administrativo. Por fim, com relação à informação sobre o parcelamento, o Acórdão da DRJ assevera que não há comprovação do adimplemento das prestações do parcelamento, de modo que o lançamento também é mantido. Em 07/11/2014, foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 89 a 91), trazendo comprovação de que o contribuinte já havia pago 30 parcelas do parcelamento e estava adimplente (fls. 106 e 108), assim como alega que os créditos tributários objeto do presente processo administrativo já estão sendo pagos no âmbito do parcelamento tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em primeiro lugar, vale ressaltar que o recurso voluntário envolve somente a omissão de rendimentos pagos pela Petros, equivalente a R$ 8.876,57, sendo que a omissão de rendimentos pagos pelo INSS no valor de R$ 145,14 também objeto do presente processo administrativo já não havia sido contestada na impugnação, de forma que o Acórdão do DRJ já havia decidido pela manutenção dessa parte do lançamento. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19985.721521/201408 Resolução nº 2301000.667 S2C3T1 Fl. 5 4 Assim, em relação à omissão de rendimentos pagos pela Petros, o Recorrente já havia apresentado o pedido de parcelamento de débitos na impugnação. Ocorre que no Acórdão da DRJ, o referido pagamento não foi considerado conforme pode ser observado no trecho abaixo: "Na DAA/2011 original, entregue em 27/04/2011, o contribuinte apurou o saldo de imposto a pagar equivalente a R$ 6.724,28. Não ocorreu o pagamento dessa importância, aduzindo o interessado que solicitou parcelamento, com início em 25/05/2012, conforme documentos de fls. 18/20. Não há nos autos comprovação da regularidade de algum pagamento posterior, ou mesmo da adimplência de outras prestações. De toda sorte para deslinde da discussão o fato não assume maior proporção.. Diante de tal ponto do acórdão da DRJ, o Recorrente trouxe como anexo ao Recurso Voluntário a comprovação de que o contribuinte já havia pago 30 parcelas do parcelamento e estava adimplente (fls. 106 e 108), assim como reafirma que os créditos tributários objeto do presente processo administrativo já estão sendo pagos no âmbito do parcelamento tributário, de modo que requer o acolhimento do Recurso e cancelamento do auto de infração. Ocorre que não fica claro se o crédito tributário, que está sendo discutido no âmbito do presente processo administrativo, é o mesmo crédito tributário objeto de parcelamento tributário. Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a origem verifique se há coincidência entre o débito objeto do parcelamento indicado pela Recorrente é o mesmo do presente processo administrativos É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000170/2006-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). GLOSA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PROTOCOLO ANTERIOR À AÇÃO FISCAL.
Cabível o acolhimento de Área Preservação Permanente (APP) cujo Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi protocolado após o prazo estabelecido pela Administração Tributária, porém antes do início da ação fiscal.
Numero da decisão: 9202-005.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). GLOSA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PROTOCOLO ANTERIOR À AÇÃO FISCAL. Cabível o acolhimento de Área Preservação Permanente (APP) cujo Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi protocolado após o prazo estabelecido pela Administração Tributária, porém antes do início da ação fiscal.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARMANDO LUIZ MALAN DE PAIVA CHAVES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). GLOSA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PROTOCOLO ANTERIOR À AÇÃO FISCAL. Cabível o acolhimento de Área Preservação Permanente (APP) cujo Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi protocolado após o prazo estabelecido pela Administração Tributária, porém antes do início da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 70 /2 00 6- 01 Fl. 119DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Precedeu o lançamento, intimação para que o contribuinte apresentasse laudo técnico comprovando a existência da área de preservação permanente, certidão do imóvel com a averbação da área de reserva legal, cópia do Ato Declaratório Ambiental, entre outras provas. Segundo a descrição feita pela autoridade fiscal (fls. 17) a autuação foi assim ser resumida: 001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. O contribuinte declarou na DITR/2002 o valor de 627,0 hectares como Área de Preservação Permanente e 15,0 hectares como Área de Utilização Ltda. Em resposta datada de 04/09/2006, ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/08/2006, onde foi intimado a comprovar os valores declarados, alegou não está obrigado a apresentação da documentação solicitada. (sic) Intimado o contribuinte apresentou impugnação no sentido de não estar obrigado a apresentação do ADA, tal exigência somente existiria para imóveis cujas áreas tenham sofrido, a partir de 2001, alterações ou tenham sido declaradas pela primeira vez. Considerando que o contribuinte declarou tais áreas ao longo dos anos anteriores ao da autuação, comprovado estaria o seu direito. A Delegacia de Julgamento, julgou improcedente a impugnação e manteve na íntegra o lançamento. Na parte que nos interessa concluiu que para a exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao seu reconhecimento pelo IBAMA ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 9202005.753 CSRFT2 Fl. 120 3 Em Recurso Voluntário (fls. 55/66) o Contribuinte ratificando os termos da impugnação reitera a existência das áreas declaradas e requer a anulação do débito fiscal. Por meio do acórdão nº 2102002.452 a 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a APP descrita no ADA apresentado pelo contribuinte em 15/09/2005. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóvel competente, de sorte que a falta de averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de exclusão das áreas de preservação permanente da área tributável do ITR. Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos para sua interposição razão pela qual, reiterando o respectivo despacho de admissibilidade, dele conheço. Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural Fl. 121DF CARF MF 4 ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 9202005.753 CSRFT2 Fl. 121 5 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Fl. 123DF CARF MF 6 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 9202005.753 CSRFT2 Fl. 122 7 IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 125DF CARF MF 8 § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em se tratando de Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Para tanto basta ao Contribuinte apresentar provas robustas sobre a condição do seu imóvel. Mesmo diante da clareza da norma, há quem discuta acerca da necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente. Tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97; nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins de constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 9202005.753 CSRFT2 Fl. 123 9 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentouse na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. A discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 127DF CARF MF 10 § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa passouse a discutir se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Destaco que, o embora essa Relatora entenda que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR, no presente caso, quanto ao cumprimento dos requisitos acima, destaco que não foi juntado aos autos qualquer comprovação da existência da área de preservação permanente declarada, o contribuinte mesmo intimado para tanto não logrou em apresentar qualquer prova acerca das características da área em questão. Assim, diante do exposto e face a ausência de provas, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Fl. 128DF CARF MF Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 9202005.753 CSRFT2 Fl. 124 11 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora designada O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional visa rever a necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para exclusão da Área de Preservação Permanente (APP) da tributação do Imposto Territorial Rural (ITR) do exercício de 2002. Dita área foi glosada pela fiscalização, glosa esta mantida em Primeira Instância e revertida pelo acórdão recorrido. Examinandose a legislação de regência, verificase que, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1º do art. 17O, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, tal exigência passou a ter previsão legal, portanto é legítima, conforme a seguir: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. (grifei) É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. No presente caso, tratase do exercício de 2002, e o Ato Declaratório Ambiental (ADA) foi protocolado em 15/09/2005 (fls. 22), sendo que a ação fiscal teve início em 29/08/2006 (AR Aviso de Recebimento de fls. 05). Assim, uma vez que o protocolo do ADA foi anterior ao início da ação fiscal, a Área de Preservação Permanente (APP) de 627,0 hectares deve ser restabelecida. Nesse ponto, discordo do posicionamento da Ilustre Conselheira Relatora, que exige a comprovação da área em testilha por meio de Laudo Técnico. A discordância Fl. 129DF CARF MF 12 reside no fato de tratarse de Recurso Voluntário contra decisão de Primeira Instância que sequer exigiu a comprovação da materialidade da APP. Confirase trecho do voto do acórdão da DRJ: "Assim, não se discute, no presente processo, a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação. Ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR. Ainda em consonância com o dispositivo retro transcrito, como condição para exclusão das áreas não tributáveis da incidência do ITR, o sujeito passivo deverá informar, obrigatoriamente, as áreas de preservação permanente e as de utilização limitada em ADA, protocolado no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir de término do período de entrega da declaração." (grifei) Assim, constatase que a única motivação para manutenção da glosa da APP pela DRJ foi a intempestividade do ADA, registrandose expressamente na decisão a desnecessidade de comprovação da materialidade da APP. Nesse passo, não há que se falar na apresentação de Laudo Técnico como condição para o reconhecimento do benefício. Acrescentese que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional também não faz qualquer menção a eventual necessidade de comprovação da materialidade da APP, restringindose, tal como a DRJ, à tempestividade do ADA. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909449/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. OMISSÃO.
NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
É nulo o Acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em 1ª Instância, impondo anulação do aresto recorrido e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1402-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação das razões de defesa não analisadas no acórdão original, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação das razões de defesa não analisadas no acórdão original, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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DIREITO CREDITÓRIO. OMISSÃO. NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É nulo o Acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em 1ª Instância, impondo anulação do aresto recorrido e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação das razões de defesa não analisadas no acórdão original, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 94 49 /2 01 2- 34 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 542 2 Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 543 3 Relatório O litígio remonta ao Despacho Decisório (DD) da DEINF/SP, nº de Rastreamento 041082401, de 05/12/2012, que não reconheceu parte do direito creditório pleiteado pelo contribuinte – R$ 722.637,25 , conforme reprodução abaixo (fls. 2): Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 8/29) requerendo o deferimento integral do direito creditório remanescente não reconhecido pelo DD (R$ 722.637,25). Em 19 de novembro de 2014, a 8ª Turma da DRJ/SPO prolatou decisão negando provimento ao pleito e mantendo o quanto decidido no DD. (Acórdão fls. 404/415)1. Referido valor – que representa o litígio aqui trazido – compõese de IRRF retido e não confirmado e estimativas igualmente não confirmadas, estando assim resumido: 1. IRRF 1 A numeração referida, quando não houver indicação em contrário, será sempre a digital. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 544 4 2. ESTIMATIVAS 3. RESUMO DO LITÍGIO 3.1 IRRF não confirmado R$ 28.324,02 3.2 Estimativas Insuficientes R$ 694.313,23 Em relação ao item primeiro, o aresto combatido entendeu não ter havido comprovação documental suficiente e necessária dos montantes apontados como retidos, por isso indeferiu inteiramente o pedido. Já acerca das estimativas não confirmadas, fragmentos da decisão contestada mostram as razões de decidir da Turma a quo (fls. 429/435): “8. A contribuinte interessada também discorda do entendimento da autoridade administrativa fiscal que apreciou Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 545 5 o direito creditório em relação à não confirmação das parcelas de CSLL estimativa mensal dos períodos de apuração 31/03/2006 e 31/01/2006, nos valores de R$ 40.136,01 e R$ 185.307,13. A autoridade detectou a diferença em decorrência do pagamento após o vencimento das estimativas (recolhimentos efetuados em junho de 2006) sem o recolhimento da multa de mora. A contribuinte por sua vez defende que o recolhimento fora feito com base em denúncia espontânea, ao abrigo do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, o que afastaria a aplicação da multa de mora. 8.1. Conforme relatado, a contribuinte traz aos autos peças do processo judicial nº 2006.61.00.0250652 em que realmente demonstra terem sido levadas à discussão judicial as parcelas do crédito de estimativa mensal glosadas pela autoridade fiscal (vide petição às fls. 286 a 289 – itens c.5 e c.6). 8.2. O protocolo da petição inicial (fls. 264) indica que o início da ação ocorreu em 17/11/2006, de forma que, em 18/05/2007, a data em que apresentada a PerDcomp 19966.77918.180507.1.3.030389 (declaração original retificada pela PerDcomp 17176.90494.161208.1.7.03 6457), a discussão sobre a procedência, ou não, da exigência dos valores de R$ 40.136,01 e R$ 185.307,13 (multa de mora) já havia sido levada ao crivo do Poder Judiciário. 8.3. Não é demais lembrar que o art. 170 do CTN autoriza, nas condições e sob as garantias que a lei estipular “a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública” e o art. 170A do mesmo Código veda expressamente o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da decisão judicial: (...) 8.4. Convém, neste ponto, assinalar que a contribuinte informa na peça de defesa que “Atualmente, o processo encontrase aguardando manifestação da União Federal quanto ao prosseguimento do recurso especial interposto (o qual, frisese, não possui efeito suspensivo, portanto, a decisão proferida pelo E. TRF da 3a Região está em pleno vigor), tendo em vista a edição dos Atos Declaratórios PGFN 4/2011 e 8/2011”. Até a presente data não consta informação alguma no presente processo sobre o trânsito em julgado da decisão proferida no processo judicial nº 2006.61.00.0250652 8.5. Portanto também em relação a essas parcelas de estimativas mensais glosadas não cabe qualquer retificação ao despacho decisório proferido. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 546 6 8.6. Cumpre ainda consignar que em relação aos argumentos quanto à adequação do caso aos Atos Declaratórios 4/2011 e 8/2011, que essa Turma de Julgamento não pode se pronunciar porquanto, como restou demonstrado, o assunto encontrase em discussão na esfera judicial, de forma que, em conformidade com o Parecer Normativo nº 7, de 22/08/2014 (cuja ementa abaixo se transcreve), não cabe qualquer manifestação administrativa a esse respeito. Também não se pode inferir que o processo tenha transitado em julgado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: (...) 8.7. Como se vê, o despacho decisório deve, à luz dos documentos apresentados pela contribuinte, permanecer incólume. 9. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade sob análise, mantendose incólume o despacho decisório de fl. 396”. O Acórdão guerreado encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 DCOMP. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. Os argumentos e documentos apresentados para comprovar a existência do valor do saldo negativo glosado pela autoridade administrativa fiscal na análise do PerDComp com demonstrativo do crédito revelaramse ineficazes para afastar o valor de saldo negativo reconhecido no Despacho Decisório combatido. RESTITUIÇÃO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. É vedada a restituição/compensação mediante aproveitamento de tributo/contribuição que não possua o atributo de liquidez e certeza a que alude o artigo 170 do Código Tributário Nacional. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado, o interessado interpôs perante a Turma a quo, peça recursal que nominou de “embargos de declaração” (fls. 448/450) questionando o Acórdão embargado em relação ao enfrentamento da matéria que se encontrava sob discussão judicial (espontaneidade – multa de mora – artigo 138 do CTN), alegando ter havido trânsito em julgado (favorável ao recorrente) e a desistência da União no litígio. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 547 7 Ainda que não previsto no PAF “embargos” em relação às decisões de 1º Piso, o presidente da Turma Julgadora a quo entendeu por receber a peça recursal e apreciar os argumentos do contribuinte, concluindo pelo indeferimento do pedido (fls. 478/480). Cientificado do despacho retro, o contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 492/509) basicamente reproduzindo as argumentações anteriores e reafirmando o trânsito em julgado da decisão judicial sobre os pagamentos de tributos com fulcro no artigo 138, do CTN. Mais ainda, reclamou expressamente que a decisão recorrida ignorou parte de sua manifestação de inconformidade. Vejase (RV fls. 504): É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 548 8 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do despacho de “embargos” em 06/08/2015 – fls. 490 – protocolização do RV em 13/08/2015 – fls. 492), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 510/518) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. O indeferimento do direito creditório requerido pelo contribuinte soma R$ 722.637,25 e tem duas variáveis: 1. Retenções não confirmadas – R$ 28.324,02; e 2. Estimativas não confirmadas (insuficientes) – R$ 694.313,23. Antes de qualquer análise, há que se reconhecer o reclamo da defesa de que um dos itens de sua impugnação (repetido no recurso voluntário), não foi apreciado pela Turma a quo. Trata se do tópico abaixo (MI – fls. 24): Item que se repetiu no recurso voluntário (fls. 504): De fato, a leitura do voto condutor mostra que somente foram analisadas as argumentações expendidas nos dois itens precedentes, revelando valores não confirmados de R$ 28.324,02 e R$ 225.443,14 (R$ 40.136,01 + R$ 185.307,13), omitindo o aresto recorrido em relação ao item supra referido e que atingiu montante não deferido de R$ 468.637,25. Deste modo, omitindose o Acórdão em apreciar item especificamente aventado pela defesa, impõese anular o aresto, com retorno à Turma de origem para que nova decisão seja exarada. É como voto. Brasília (DF), em 27 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16327.909449/201234 Acórdão n.º 1402002.707 S1C4T2 Fl. 549 9 Fl. 549DF CARF MF
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