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Numero do processo: 13642.720125/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ISENÇÃO.
São isentos os proventos de aposentadoria e/ou pensão percebidos por portador de moléstia grave, quando comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
Numero da decisão: 2401-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Ausente o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria e/ou pensão percebidos por portador de moléstia grave, quando comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA TELLES D ÁVILA MENDONCA (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria e/ou pensão percebidos por portador de moléstia grave, quando comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao anocalendário a que se referem os rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 01 25 /2 01 5- 31 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13642.720125/201531 Acórdão n.º 2401005.085 S2C4T1 Fl. 60 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Ausente o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13642.720125/201531 Acórdão n.º 2401005.085 S2C4T1 Fl. 61 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0440.137 (fls. 25/28): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos os rendimentos de aposentadoria, reforma e pensão recebidos por pessoa portadora das doenças indicadas pela legislação tributária, quando reconhecido por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 2. Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2014/407591347806219, relativa ao anocalendário 2013, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica na importância de R$ 114.525,89, provenientes da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (fls. 6/9). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor da restituição pleiteada pelo contribuinte. 3. Com ciência da notificação por via postal em 26/05/2015, às fls. 13, o inventariante impugnou a exigência fiscal (fls. 2/3). 4. Intimado em 04/12/2015, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 31/33, o inventariante apresentou recurso voluntário no dia 17/12/2015 (fls. 34/35). 4.1 Com base nos motivos elencados pela decisão de piso para não aceitar as razões expostas na impugnação no sentido da improcedência da exigência fiscal, providenciou os seguintes documentos e/ou informações: (i) anexou aos autos recibos de pagamento ao médico responsável pela emissão do Laudo Pericial, que atestou a moléstia grave da contribuinte, com a finalidade de comprovação do vínculo do profissional de saúde com a Administração Municipal; e Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13642.720125/201531 Acórdão n.º 2401005.085 S2C4T1 Fl. 62 4 (ii) informou que a contribuinte passou a condição de aposentada [sic] desde o falecimento de seu cônjuge, em 15/10/2003, data em que a fonte pagadora reconheceu o direito ao benefício previdenciário. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13642.720125/201531 Acórdão n.º 2401005.085 S2C4T1 Fl. 63 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Desde logo é importante realçar que tratouse de impugnação do sujeito passivo à Notificação de Lançamento efetuada sem intimação prévia, ou sem atendimento à intimação para prestar esclarecimentos à fiscalização. 7. Por isso, o recorrente, na sua peça recursal, atevese exclusivamente aos motivos da decisão de piso para justificar a manutenção da pretensão fiscal e negarlhe o direito creditório pretendido. Transcrevo o correspondente trecho do acórdão recorrido (fls. 28): (...) Para comprovar a portabilidade da doença grave, o contribuinte traz aos autos o Laudo Médico Pericial de fls. 10, emitido pelo médico Xisto Rolim da Silva, no qual se informa que o sujeito passivo é portador de doença de Alzheimer CID G 30.9, desde 07/2010, a qual se enquadraria, na condição de alienação mental, dentre aquelas doenças arroladas no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988. Para fins de obtenção da isenção por moléstia grave a legislação tributária estabelece que: “a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. Da análise do Laudo Pericial de fls. 10 não é possível concluir que este foi emitido por serviço médico oficial, pois apesar de constar um carimbo do Hospital Municipal Dr. José Gustavo Alves, não foi juntado aos autos nenhum documento que comprove que o médico Xisto Rolim da Silva é integrante do serviço médico oficial do Município de Andrelândia, e que está autorizado à realização de perícias médicas. Também não consta dos autos documento que comprove a partir de quando a contribuinte passou à condição de aposentada, condição de comprovação obrigatório para fins de reconhecimento da isenção pleiteada. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13642.720125/201531 Acórdão n.º 2401005.085 S2C4T1 Fl. 64 6 Assim, ante a ausência de cumprimento dos requisitos estabelecidos pela legislação tributária, não há como reconhecer a isenção pleiteada. (...) (GRIFEI) 8. Pois bem. Segundo prescreve o art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, nos incisos XXXI e XXXIII, e §§ 4º a 6º, são isentos do imposto sobre a renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão1 recebidos por portador de moléstia grave, quando devidamente comprovada a doença por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Transcrevo a redação dos dispositivos mencionados: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13642.720125/201531 Acórdão n.º 2401005.085 S2C4T1 Fl. 65 7 § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (...) (GRIFEI) 9. Como já reconhecido no acórdão recorrido, existe prova que a autuada era portadora de doença de Alzheimer (CID: G 30.9), desde o mês de julho/2010, caracterizando, de acordo com o Laudo Pericial emitido pelo médico neuro psiquiatra Dr. Xisto Rolim da Silva, datado de junho/2014, integrante do Hospital Municipal Dr. José Gustavo Alves, em Andrelândia, estado de Minas Gerais, a moléstia denominada de "alienação mental", a qual está incluída expressamente em lei no rol de patologias que dão direito à isenção do imposto sobre a renda (fls. 10). 9.1 Na fase recursal, o inventariante juntou aos autos cópias de recibos de pagamentos a autônomo, relativos ao ano de 2014, pela prestação de serviços médicos, em nome do Dr. Xisto Rolim da Silva, CPF 093.619.287/91, emitidos pela Prefeitura Municipal de Andrelândia (fls. 38/47). 9.2 A exigência feita pela decisão de piso quanto à comprovação de autorização para realização de perícias médicas afigurase desnecessária e desprovida de amparo na legislação tributária, visto que o médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina pode exercer, via de regra, as atividades periciais, independentemente da investidura na função de perito. 9.3 Destarte, considero comprovada nos autos, a partir de julho/2010, a moléstia grave do contribuinte mediante Laudo Pericial, emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante do serviço oficial do município de Andrelândia. 10. No que tange à natureza dos rendimentos, com base no próprio "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte AnoCalendário 2013 Exercício 2014", emitido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, é possível verificar a condição de aposentada e/ou pensionista da contribuinte, relativamente ao anocalendário de 2013, que à época dos fatos contava com a idade de 84/85 anos. 10.1 Tal conclusão é consequência da existência de parcela de rendimentos isentos indicada pela fonte pagadora no campo "1. Parcelas isentas dos proventos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão (65 anos)", no valor de R$ 22.240,14 (fls. 11 e 15). Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13642.720125/201531 Acórdão n.º 2401005.085 S2C4T1 Fl. 66 8 10.2 Inclusive, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, por meio do documento de fls. 12, reconheceu a vigência da isenção desde 1º de julho de 2010, conforme atestado no Laudo Médico. 10.3 Além do mais, é sabido que a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil é uma entidade que mantém convênio com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para pagamento dos benefícios da Previdência Oficial a pessoas físicas a ela vinculadas. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente a revisão da declaração consubstanciada na Notificação Fiscal nº 2014/407591347806219, relativamente ao anocalendário 2013. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979249/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979249/200981 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.698 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 49 /2 00 9- 81 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.979249/200981 Acórdão n.º 1201001.698 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.979249/200981 Acórdão n.º 1201001.698 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979249/200981 Acórdão n.º 1201001.698 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979249/200981 Acórdão n.º 1201001.698 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.007991/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/08/2008
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE CARGA TRANSPORTADA DE FORMA INTEMPESTIVA. SISCOMEX CARGA. INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO. INFRAÇÃO CARACTERIZADA.
Comete infração a transportadora que não presta informações dentro do prazo estipulado no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007.
Numero da decisão: 3401-003.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
André Henrique Lemos - Relator.
MARA C. SIFUENTES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson Bayerl, Augusto Fiel D'Oliveira, Mara C. Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Thiago Guerra Machado. Ausente ocasionalmente o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/08/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE CARGA TRANSPORTADA DE FORMA INTEMPESTIVA. SISCOMEX CARGA. INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. Comete infração a transportadora que não presta informações dentro do prazo estipulado no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROSALDO TREVISAN Presidente. André Henrique Lemos Relator. MARA C. SIFUENTES Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 79 91 /2 00 8- 54 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 190 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson Bayerl, Augusto Fiel D'Oliveira, Mara C. Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Thiago Guerra Machado. Ausente ocasionalmente o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX Carga, em 06/08/2008 às 11h58'41'', infringindo o prazo estabelecido nos artigos 22 e 50, da Instrução Normativa 800/2007, da Secretaria da Receita Federal, ensejando na penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, a embarcação que trouxe a mercadoria importada atracou em São Francisco do Sul, em 01/08/2008, às 15h50'. A embarcação seguiu para o Porto do Rio de Janeiro, seu destino final, atracando em 06/08/2008 às 08h07', vindo, então, a consignatária (Recorrente), a prestar as informações perante o SISCOMEX Carga em 06/08/2008 às 11h58'41''. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, tecendo os seguintes argumentos: a) a autuação mais se trata do que um excesso de zelo da fiscalização, pois a Impugnante apresentou o CE Eletrônio 130.805.150.051.870, em 06/08/2008 às 15h58'41'', ou seja, aproximadamente 3h após o limite para a apresentação e a atracação do navio, contendo todas as informações relativas às desconsolidação da carga sob sua responsabilidade, sendo, as mercadorias, liberadas sem a conferência aduaneira, inclusive. b) que o ínfimo atraso nas informações se deu pelo fato da falta de prudência do sub agente da Impugnante, contratado para atuar perante o Porto do Rio de Janeiro, porém, todas as informações foram prestadas, comprovando que a Autuada não agiu com o intuito de cometer qualquer infração. c) ocorreu a denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN, na medida em que os lançamentos dos dados do embarque foram efetuados pela Impugnante antes de receber qualquer notificação ou lançamento por parte do órgão fiscalizador, portanto, o instituto não comporta o pagamento de nenhum tributo e muito menos qualquer multa. c) os prazos previstos no artigo 22 da IN/SRF 800/2007 somente serão obrigatórios a partir de 01/01/2009, nos termos do artigo 50 da referida IN, razão pela qual não devem incidir no caso concreto. A DRJ/FLN apreciando todos os argumentos da contribuinte, manteve a autuação. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 191 3 Irresignada com a referida decisão, interpôs a contribuinte, recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos asseverados em sua impugnação, acrescentando: a nulidade do lançamento, posto que foi descumprido o artigo 24 da Lei 11.457/2007, o qual fixa o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias para os órgãos de julgamento da Receita Federal do Brasil apresentarem suas decisões, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos. Como no caso dos autos a impugnação foi protocolizada dia 17/12/2008 e julgada somente em 21/11/11, o referido prazo foi ultrapassado, ocorrendo a nulidade da autuação. a violação ao princípio da irretroatividade, bem como o art. 106 do CTN, no tocante ao artigo 50 da IN/SRF 800/2007, alterado pela IN/RFB 899/2009, o qual dispôs que "os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de abril de 2009". Julgando o feito, a E. Turma deu provimento ao recurso voluntário, afastando a preliminar de nulidade do lançamento, pois embora a disposição do art. 24 da Lei 11.457/2007, não previsão legal no sentido de que o seu descumprimento implique em nulidade do lançamento, e no mérito, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. A matéria submetida à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF restringiuse, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Em sede do recurso excepcional, aplicouse a sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos), dandose provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, por voto de qualidade, para considerar inaplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea ao caso concreto (art. 138 do CTN e art. 102 do DL 37/66), pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Citou o voto vencedor, a Súmula CARF 49, precedente da 2a Turma do STJ, nos autos do AgRg nos EDcl no AREsp. 209663/BA e o acórdão 310200.988, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção, acórdão 310200.988, bem como o proferido no acórdão 3802002.314. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 192 4 Ato contínuo, decidiu que a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impedindo o julgamento das demais questões, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação da E. CSRF. Em razão disso, deuse ciência da decisão ao contribuinte, e após, ascenderam os autos para manifestação do Colegiado desta 3a Seção quanto aos demais argumentos expendidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe autuação fiscal, por ter a Recorrente, supostamente, infringido o art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010, ou seja, tivera a Recorrente prestado informações no Siscomex, de forma intempestiva, e por conta disso, deve pagar a multa que lhe foi imposta pela fiscalização. Como se viu, a preliminar de nulidade e o argumento da denúncia espontânea foram enfrentados e julgados em desfavor do contribuinterecorrente por decisão da E. CSRF, restando a análise de apenas um único tema, qual seja: 1) a violação ao princípio da irretroatividade, bem como o art. 106 do CTN, no tocante ao artigo 50 da IN/SRF 800/2007, alterado pela IN/RFB 899/2009, o qual dispôs que "os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de abril de 2009". Os artigos 22 e 50, ambos da IN/RF 800/2007, citados nas fls. 0708, estabelecem a data/hora como o limite para que a agente de navegação preste as informações de sua responsabilidade da carga constante a bordo da embarcação, tendo como porto de destino final o Rio de Janeiro. A Recorrente consta como consignatária de uma das cargas (fl. 17), vindo a atracar no Poro do Rio de Janeiro, RJ, no dia 06/08/2008 às 08h07' (fl. 18), sendo esta data/hora limite para que a Recorrente prestasse as informações de sua responsabilidade, a teor dos artigos 22 e 50, da IN/RFB 800/2007, porém, procedeu a desconsolidação da carga por meio do Conhecimento Eletrônico CEMercante Agregado (Filhote) nº 130.805.150.051.870, no dia 06/08/2008 às 11h58'41'', logo, de modo extemporâneo (fls. 1920). Portanto, diante deste cenário, em tese, a Recorrente descumpriu, à época, o prazo para prestar informações, nos termos dos artigos 22 e 50, ambos da IN/RFB 800/2007. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 193 5 Disse em tese, porque, por outro lado, a IN/RFB 899, de 29/12/2008, deu nova redação ao artigo 50 da IN/RFB 800/2007, nos seguintes termos: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril 2009." Entendo que a própria Administração Pública criou uma exceção por meio do referido dispositivo, o qual deve ser aplicado no caso concreto, vez que o fato gerador é de 06/08/2008, cuja retroatividade é admitida por força do art. 106, I do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados." Tenho conhecimento de que os artigos 37 e 107, IV, "e", ambos do DL 37/66 (redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, prescrevem: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (grifei) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;" (grifei) Também tenho conhecimento dos precedentes deste E. Tribunal (Ac. 3803 006.946, 3802001.643, 380200.973, estes dois últimos específicos para casos em que figura como parte a Recorrente). Num primeiro olhar, poderseia entender que o Recorrente estaria obrigado, diante do referido artigo 37 do DL 37/66, porém, se os prazos para prestar as informações foram alterados pela própria Secretaria da Receita Federal, sendo obrigatório seus Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 194 6 cumprimentos somente a partir de 1/04/2009, a sua não aplicação faria com que o texto advindo da própria Administração Pública Federal fosse uma letra morta, ficando a indagação do porquê fora criado; afinal, "as normas existem pelo único fato de terem sido estabelecidas" (Norberto Bobbio, Teoria do Ordenamento Jurídico, Editora UNB, 10a edição, 1999, p. 104). Demais disso, há "uma regra geral no Direito em que a vontade posterior revoga a precedente, e que de dois atos de vontade da mesma pessoa vale o último no tempo" (op. cit., p. 93). Deste modo, tenho que o sentido coerente da norma é este: fez com que os prazos de antecedência previstos no artigo 22 da IN/RFB 800/2007 somente fossem obrigatórios a partir de 1/04/2009, e neste caso, repito, criouse uma excepcionalidade, devendo ser aplicada ao caso concreto (agosto de 2008), por força do art. 106, I do CTN. Acrescento ainda, que o transportador (CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda.), prestou as informações tempestivamente, seja do Manifesto 1308501354190, seja do Conhecimento Eletrônico (CEMercante) Genérico (Máster) 130.805.140.658.608, conforme extrato do CEMercante do SISCOMEX Carga (fls. 1516), afirmado pela autoridade fiscal à fl. 10. Diante disso, entendo que o transportador cumpriu a exigência do artigo 50, parágrafo único, II, da IN/RFB 800/2007: “Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente sernao obrigatórios a partir de 1o de abril de 2009. (Redação dada pela IN/RFB 899, de 29/12/2008). Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: II – as carga transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.” Deste modo, havendo o cumprimento por parte do transportador, como exige o art. 50, parágrafo único, II, da IN 800/2007 e sobrevindo redação nova ao artigo 22 da referida IN 800, dada pela IN 899/2008, determinando que os prazos de antecedência voltados para a Recorrente somente seriam obrigatórios a partir de 1/04/2009 , tenho que as duas normas se compatibilizam e harmonizam entre si. Por estas razões excepcionais, a autuação deve ser cancelada. Dispositivo Neste contexto, voto em conhecer do recurso e lhe dar provimento para cancelar o auto de infração. André Henrique Lemos Relator Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 195 7 Voto Vencedor Em que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir. Fazendo um breve resumo dos trâmites no CARF, o Recurso Voluntário foi objeto do acórdão 310101.194, de 18 de julho de 2012, que por unanimidade de votos lhe deu provimento para aplicar a denúncia espontânea do art. 102, §2º do DecretoLei nº 37/66 à multa de natureza administrativa aduaneira por informação a destempo relativa às cargas transportadas. O acórdão afasta a aplicação da penalidade por força da retroatividade da norma mais benigna, prevista no art. 106 II “a” do CTN. Em seguida, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial que foi julgado pela CSRF no acórdão 9303003.560, de 26 de abril de 2016, em que por voto de qualidade considerou inaplicável ao caso a denúncia espontânea, e determinou o retorno do processo à instância “a quo” para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação. No acórdão da 3ª Turma da CSRF consta: Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Como bem informou o ilustre relator do voto vencido: A questão se restringe a autuação fiscal, por ter a Recorrente, supostamente, infringido o art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010, ou seja, tivera a Recorrente prestado informações no Siscomex, de forma intempestiva, e por conta disso, deve pagar a multa que lhe foi imposta pela fiscalização. Como se viu, a preliminar de nulidade e o argumento da denúncia espontânea foram enfrentados e julgados em desfavor do contribuinterecorrente por decisão da E. CSRF, restando a análise de apenas um único tema, qual seja: 1) a violação ao princípio da irretroatividade, bem como o art. 106 do CTN, no tocante ao artigo 50 da IN/SRF 800/2007, alterado pela IN/RFB 899/2009, o qual dispôs que "os prazos de Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 196 8 antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009". Portanto, cabe a esse colegiado o enfrentamento da questão sobre a violação ao princípio da irretroatividade, bem como o art. 106 do CTN, no tocante ao artigo 50 da IN/SRF 800/2007, alterado pela IN/RFB 899/2009, o qual dispôs que "os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009". O artigo 37 do DL 37/66 (redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003), prescreve o dever do transportador de prestar informações sobre as cargas que transportar: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. E o art. 107 do mesmo diploma legal traz a sanção a ser aplicada no caso de descumprimento dos prazos estabelecidos pela RFB: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A RFB, com a finalidade de preencher a lacuna legal e com autorização legislativa, estabeleceu os prazos de prestação de informação sobre o veículo ou carga na IN RFB nº 800/2007, conforme texto vigente à época dos fatos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 197 9 caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2o As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4o O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Relembrando os fatos a embarcação atracou inicialmente em São Francisco do Sul/SC em 01/08/2008 seguindo viagem para o Porto do Rio de Janeiro onde atracou em 06/08/2008 as 08:07:00h. A informação foi prestada no Siscomex em 06/08/2008 as 11:58:41h. A IN RFB nº 800/2007, art. 50, estipulava que o transportador estava obrigado a prestar informações sobre a escala com antecedência mínima de 5 horas e sobre as cargas transportadas a informação deveria ser prestada antes da atracação, o que não ocorreu: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 198 10 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Em 29/12/2008, foi publicada a IN RFB nº 899, ou seja, quase um ano após a edição da IN RFB nº 800, de 27/12/2007, estipulando que os prazo do art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1ºde abril de 2009. Observese que a norma estipulava que a partir de 01/01/2009 o prazo não seria mais antes da atracação, mas sim, 48 horas antes da chegada da embarcação, ou seja, o transportador teria que ser mais diligente para prestar as informações. A mudança vinha de encontro à implantação de novos controles no Siscomex módulo Carga que iriam facilitar o gerenciamento de risco aduaneiro e agilidade na liberação das cargas, por após a implantação dessa funcionalidade ser possível uma análise prévia da aduana das cargas que estavam sendo desembarcadas em determinado porto do país. Veja que o prazo foi posteriormente alterado para 01/04/2009 pelo atraso na implantação da nova funcionalidade no sistema que iria beneficiar todos os intervenientes no comércio exterior. Então, se havia uma determinação de se informar a carga antes da atracação era porque o tipo de controle que era realizado era outro, que aquela época necessitava ser efetuado nesse lapso temporal, não faz sentido dizer que deveria ser aplicado a retroatividade da norma, como quer a recorrente. Resta claro ao ler o comando do art. 50 c/c art. 22 da IN RFB nº 800/2007 que à época dos fatos era aplicado o teor do parágrafo único para prestação de informações sobre as cargas: Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Afastada a aplicação da denúncia espontânea pelo acórdão da CSRF , restou que a retroatividade da norma mais benigna não se aplica ao fato, visto que conforme explicado, a recorrente não prestou as informações dentro do prazo estipulado no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007. Pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mara Cristina Sifuentes – Relatora voto vencedor Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10711.007991/200854 Acórdão n.º 3401003.858 S3C4T1 Fl. 199 11 Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.908056/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.950
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 6/ 20 11 -2 8 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.908056/201128 Resolução nº 3201000.950 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10183.908056/201128 Resolução nº 3201000.950 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10183.908056/201128 Resolução nº 3201000.950 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10183.908056/201128 Resolução nº 3201000.950 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001516/2002-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF.
Numero da decisão: 2202-004.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por desistência.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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RENÚNCIA. Importa renúncia ao processo administrativo fiscal o pedido de parcelamento do débito em discussão, nos termos do art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por desistência. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 15 16 /2 00 2- 25 Fl. 405DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 1998, no valor total de R$ 185.779,90 compreendendo imposto, multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme se verifica pelo Termo de Constatação Fiscal de fls. 08/11, a ação fiscal foi levada a efeito junto à contribuinte AURORA RODRIGUES PENTEADO, avó do autuado que constava formalmente como titular da conta bancária mantida junto ao Banco Itaú. Intimada a justificar a origem dos depósitos efetuados na referida conta corrente, a então fiscalizada, por intermédio de procurador, esclareceu serem os depósitos fruto de operações de cobrança efetuados para algumas empresa que não dispunham de crédito junto aos bancos. Alegou, também, que recebia pela prestação de serviço uma taxa de 10%. A fiscalização intimou o Banco Itaú a apresentar cópia dos cheques emitidos em valor superior a R$ 1000,00 para identificar os beneficiários. A partir dessa identificação, a fiscalização intimou os beneficiários para confirmar o tipo de negócio firmado entre eles e a Sra. Aurora. Nenhum deles confirmou ter vínculo com a fiscalizada, desconhecendo o motivo de terem recebidos cheques cuja titularidade a ela pertencia. Todavia, alguns dos beneficiários apontaram operações entre eles e o Sr. Laércio José de Lucca, neto da contribuinte. A fiscalização constatou, ainda, que a assinatura constante dos cheques examinados não coincidia com a da titular da conta. Diante desse fato, intimou a instituição financeira para apresentar a procuração das pessoas autorizadas a movimentar a conta corrente. Em atendimento forma apresentadas cópias de procurações tendo como outorgado o Sr. Laércio José de Lucca. Diante do exposto, concluiu a fiscalização que Laércio José de Lucca era o detentor dos recursos depositados e movimentados na conta examinada o que motivou a instauração de procedimento fiscal junto a ele. Intimado a justificar a origem dos valores depositados na conta corrente, o interessado apresentou o demonstrativo mensais dos depósitos efetuados sem, contudo, comprovar as justificativas por ele alegadas o que ensejou o presente lançamento. O contribuinte tomou ciência do auto de infração por via postal em 19/09/2002 (fls. 130) e apresentou a impugnação de fls. 145/179, na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista que não recebeu cópias dos documentos a que faz referência explícita o Termo de Constatação Fiscal que acompanhou o auto de infração o que teria impossibilitado uma defesa ampla e irrestrita. b) nulidade do lançamento por meio de mera presunção legal; c) que não há correlação lógica entre depósitos e rendimentos omitidos e que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda, uma vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial dela decorrente. d) que o artigo 42 da Lei 9.430/96 é inconstitucional, pois o fato gerador de imposto de renda há de ser o ingresso de riqueza nova que aumente o patrimônio da pessoa física ou jurídica. f) que o artigo 42 alude apenas ao titular da conta corrente ou de depósitos para definir o sujeito passivo na tributação dos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10865.001516/200225 Acórdão n.º 2202004.093 S2C2T2 Fl. 400 3 Diante disso, entende ser ilegal a imputação de responsabilidade tributária sem que lei específica para tanto. g) que, ao contrário do que consta no Termo de Constatação Fiscal, a procuração a ele conferida não lhe dava os mais "amplos, gerias e ilimitados poderes", mas simplesmente o autorizava a representar a Sra Aurora perante instituições financeiras, emitindo em nome da mesma os cheques que fossem necessários. h) que não conhecia todos os depósitos na conta corrente e que, por esse motivo, deixou de mencionar a origem dos depósitos realizados em razão da cobrança e outros empréstimos. Todavia, na qualidade de neto da Sra. Aurora, utilizou empréstimo alguns numerários existentes na conta corrente. i) que alguns dos depósitos bancários foram efetuados pela Sra. Aurora na conta corrente em questão tiveram como origem a venda de veículos que foram adquiridos anteriormente pelo Recorrente, com recursos financeiros emprestados pela titular. j) que a fiscalização valeuse de declarações constantes do Termo de Constatação Fiscal para concluir que o ora Recorrente era detentor dos recursos depositados na conta e que tais declarações não conduzem a essa conclusão. l) impossibilidade de aplicação da taxa SELIC tendo em vista sua natureza remuneratória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação (fls 337/355) em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINARES. NULIDADE Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente , com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, afastamse as preliminares de nulidade argüidas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus para o contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. Configurada nos autos a presença de interposição de pessoa e comprovada a titularidade de fato, correta a determinação dos rendimentos ou receitas em relação ao titular de fato da conta corrente. Fl. 407DF CARF MF 4 TAXA SELIC. A apuração do crédito tributário, incluindo a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei. Tendo o lançamento observado estritamente o disposto na legislação pertinente, não cabem reparos. Cientificado da referida decisão (AR fls. 357) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 358/393, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação. É relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Constatase, entretanto, que a Contribuinte renunciou ao PAF quando aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, conforme art. 78, §2º, do Anexo II ao RICARF. Em suma, tendo havido parcelamento do débito, há renúncia tácita ao direito em que se baseou a defesa, sendo impossível conhecer do Recurso Voluntário. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do recurso, por desistência. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904873/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.988
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 87 3/ 20 11 -1 0 Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10530.904873/201110 Resolução nº 3201000.988 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10530.904873/201110 Resolução nº 3201000.988 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10530.904873/201110 Resolução nº 3201000.988 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10530.904873/201110 Resolução nº 3201000.988 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902991/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O recurso protocolado no primeiro dia letivo seguinte ao feriado previsto em Portaria expedida pelo Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, é tempestivo.
ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DIPJ E DO PERD/COMP.
Os erros materiais no preenchimento dos documentos fiscais podem ser superados por este C. Tribunal, quando restar comprovado nos autos por outros meios de prova a certeza e a liquidez do crédito tributário para o seu reconhecimento e homologação dos pedidos de compensação.
Numero da decisão: 1402-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) dar provimento aos embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário; e ii) na apreciação do recurso voluntário, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O recurso protocolado no primeiro dia letivo seguinte ao feriado previsto em Portaria expedida pelo Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, é tempestivo. ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DIPJ E DO PERD/COMP. Os erros materiais no preenchimento dos documentos fiscais podem ser superados por este C. Tribunal, quando restar comprovado nos autos por outros meios de prova a certeza e a liquidez do crédito tributário para o seu reconhecimento e homologação dos pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) dar provimento aos embargos de declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário; e ii) na apreciação do recurso voluntário, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 29 91 /2 00 8- 57 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 150 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 151 3 Relatório Trata o presente de julgamento de Embargos Inominados, opostos face v. acórdão que não conheceu o Recurso Voluntário por considerálo intempestivo. A matéria dos autos é relativa a processo de PER/DCOMP, protocolada sob o nº 08929.25315.281103.1.3.024843 e transmitido em 28/11/2003, em que é pleiteado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2000, no valor original de R$ 45.853,30. Ao crédito requerido foram vinculados os débitos constantes da DCOMP nº 11255.13953.270404.1.7.020990 que não consta nos autos. O despacho decisório eletrônico datado de 23/10/2008 não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou as compensações efetuadas, gerando a cobrança dos valores indevidamente compensados nos valores de R$ 299.417,83 de principal, R$ 59.883,56 de multa e R$ 211.776,36 de juros. Segundo a autoridade fiscal, ao invés de saldo negativo de IRPJ, no período informado o contribuinte havia apurado imposto a pagar no valor de R$ 1.931.247,46 conforme informado em sua DIPJ. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a Recorrente alega o seguinte: 1) Com relação ao PER/DCOMP 11255.13953.270404.1.7.020990 (retificador), 40475.84512.231203.1.3.028155 (original), quando do preenchimento do documento, a Recorrente informou equivocadamente que o crédito era oriundo de "saldo negativo de Imposto de Renda", quando o correto seria informar que o crédito referiase a "pagamento indevido ou a maior". 2) Conforme demonstrado na ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ ano calendário 2000, exercício 2001, foi declarado saldo devedor no valor de R$ 1.931.247,46. 3) Os valores informados na DIPJ 2001 foram corretamente declarados, o que gerou imposto a pagar no valor de R$ 1.931.247,46, contudo, quando do recolhimento, a Recorrente efetuou pagamento a maior, no valor principal de R$ 2.735.721,10, o que comprova que o crédito é oriundo de pagamento indevido ou a maior de DIPJ 2001 (Ano Calendário 2000), e que deste pagamento a maior no valor de R$ 2.735.721,10, gerou um crédito para a recorrente de RS 804.473,64. 4) Com relação ao PER/DCOMP 08929.25315.291103.1.3.024843, tratase de pagamento indevido ou a maior de DIPJ 2002 (Anocalendário 2001). e não saldo negativo de IRPJ, referente ao exercício 2001, conforme informado incorretamente, o que ocasionou o entendimento equivocado das autoridades fiscais. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 152 4 5) Tal compensação também não poderia ser questionada, por ser evidente que no momento da compensação existia um crédito decorrente da DIPJ 2002 (e não DIPJ 2001, como entendimento das autoridades fiscais), tendo em vista ter sido apurado imposto a pagar no valor de R$ 5.522.173,71, imposto este recolhido por DARF código 2362, em 15/07/2003. 6) Entretanto, na elaboração da ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, constante na DIPJ 2002, ano calendário 2001, a empresa deixou de deduzir o Imposto de Renda Retido na Fonte pelo JP Morgan, no valor de R$ 159.075,65. Deste modo, o valor real do Imposto de Renda a pagar seria de R$ 5.363.098,06, contudo foi recolhido a maior, o valor de R$ 5.522.173,71, gerando assim, um crédito passível de utilização no valor de R$ 159.075,65. 7) Desta forma, seria necessária a retificação da DIPJ 2002, para inclusão do valor de R$ 159.075,65 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte pelo JP Morgan, na ficha 12A. 8) Contudo, o equívoco cometido não seria suficiente para alterar a verdade dos fatos, que em última análise validariam as compensações efetuadas pela Recorrente. 9) Assim, as compensações teriam sido efetuadas nos termos da legislação vigente (art. 26 da Instrução Normativa n. 600/2005). 10) Conforme se verifica, a Recorrente, ao elaborar as citadas PER/DCOMPs, informou por equívoco que a origem do crédito era decorrente de saldo negativo de IRPJ, quando o correto seria informar como origem do crédito pagamento indevido ou a maior. 11) Desta forma, restaria claro que os créditos referentes aos Exercícios de 2001 e 2002 existem, são legítimos e passíveis de utilização pela Recorrente, bastando apenas a retificação das informações de origem dos saldos credores nas referidas Declarações de Compensação apresentadas para pagamento indevido ou a maior, e ainda, com relação ao PER/DCOMP 08929.25315.291103.1.3.024843, também se faria necessária a retificação do campo referente ao Exercício, onde consta como 2001 e o correto é 2002, para que estas compensações sejam validadas e homologadas. 12) Conforme estabelecido no artigo 56, da Instrução Normativa n. 600/2005, a retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF. 13) A Recorrente verificou a necessidade de retificação em PER/DCOMP, contudo, precisaria de autorização desta r. Secretaria da Receita Federal, uma vez emitido Despacho Decisório, o Contribuinte fica impossibilitado de efetuar qualquer Retificação. 14) Diante desses fatos, a Requerente solicita autorização para retificar as Declarações de Compensação: 1255.13953.270404.1.7.020990 (retificador), 40475.84512.231203.1.3.028155 (original) e 08929.25315.291103.1.3.024843, bem como as DIPJs 2001, 2002 e demais obrigações acessórias. Estas retificações seriam necessárias para eliminar o equívoco cometido, que resultará no cancelamento da Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 153 5 cobrança indevida do débito no valor Principal de R$ 299.417,83, tendo em vista a existência do crédito do contribuinte. 15) O Código Tributário Nacional, na Seção III, do Pagamento Indevido, em seu artigo 165, estabelece que o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo que houver pago indevidamente. 16) Além disso, o artigo 170 do CTN estabelece sobre a modalidade de compensação como uma das formas de extinção do crédito tributário. 17) A compensação tributária é regulamentada pelos art. 74, da Lei 9.430/96, com redação dada pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04. 18) Este Conselho Administrativo seguiria o mesmo entendimento, no sentido de que erros de preenchimento de documentação não poderiam alterar a verdade material dos fatos. Citou decisões proferidas nos Recursos 131289 e 132269. 19) Face ao exposto, tendo sido demonstrado que os créditos utilizados estão em conformidade com o estabelecido na legislação e entendimento doutrinário e jurisprudencial, restaria evidenciada a improcedência de qualquer exigência fiscal, razão pela qual a Recorrente requereu autorização para retificar as Declarações de Compensação 1255.13953.270404.1.7.020990 (retificadora), 40475.84512.231203.1.3.028155 (original) e 08929.25315.291103.1.3.024843, bem como as DIPJs 2001 e 2002 e demais obrigações acessórias (ou que estas sejam retificadas de ofício pelas autoridades fiscais), o que teria como consequência a homologação das compensações efetuadas e o cancelamento da cobrança. O contribuinte junta à sua defesa os seguintes documentos: (i) cópia dos PER/DCOMPs nos 08929.25315.281103.1.3.024843 e 11255.13953.270404.1.7.020990, (ii) folha 12A da DIPJ 2001, (iii) DARF referente ao IRPJ do período de apuração 31.12.2000 no valor total de R$ 4.507.100,51 (R$ 2.735.721,10 de principal), (iv) DARF referente ao IRPJ do período de apuração 31.12.2001 no valor total de R$ 5.522.173,71 (R$ 1.104.434,74 de principal), (v) extrato de aplicação financeira emitido pelo Banco JP Morgan referente ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001 e (vi) ficha 12A da DIPJ 2002. Os autos foram então encaminhados à DRJ de Belém para a análise da manifestação de inconformidade. Em 31 de janeiro de 2011 foi proferida a decisão da DRJ/BEL, que adotou a seguinte ementa: ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Para fins de restituição/compensação, o pagamento a maior deve estar revestido dos requisitos de liquidez e certeza, o que não restou caracterizado pela ausência de retificação da DIPJ correspondente. DIPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 154 6 A retificação de declarações referentes a impostos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil pode ser efetuada pelo contribuinte independentemente de autorização da autoridade administrativa. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. NÃO VINCULAÇÃO. São improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo por não constituírem normas complementares do Direito Tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Abaixo a fundamentação da decisão: E verdade a alegação do contribuinte de que o crédito em questão não se refere a saldo negativo IRPJ, mas sim a pagamento indevido ou a maior. Corrobora esse entendimento o fato do contribuinte ter apurado IRPJ a pagar nos exercícios 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, respectivamente. Por outro lado, é correto afirmar que o crédito pretendido pela interessada não se reveste das características de liquidez e certeza para fins de restituição e compensação. É que este se encontra amparado em suposição, senão vejamos: Para justificar a existência do pagamento a maior no total de R$ 159.075,65, o contribuinte afirma que na elaboração da Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real DIPJ exercício 2002), deixou de deduzir retenção na fonte nesse valor. Prosseguindo, diz que caso tivesse considerado a retenção em tela o valor do IRPJ a pagar seria de R$ 5.363.098,06 e que, sem a retenção, apurou R$ 5.522.173,71. Entretanto, o que se vê é que o contribuinte sequer efetuou a retificação de sua DIPJ/2002, anocalendário 2001, para fins de materialização do direito creditório pleiteado. Assim, não faz sentido reconhecer direito creditório que na verdade não existe uma vez que o valor apurado na DIPJ permaneceu inalterado. No que se refere à solicitação de autorização para fins de retificação da DIPJ e DCOMP, temos que o artigo 18 da MP 2.18947, DOU 29/06/2001, assim dispõe: (...) Logo, não procede a solicitação do contribuinte para fins de retificação de suas declarações. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 155 7 Inexistindo a retificação das DIPJ"s exercícios 2001 e 2002 para fins de alteração do IRPJ a pagar, não há que se falar em pagamento a maior. Das Decisões Administrativas Citadas São improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo, porque essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente aplicamse sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Nesse sentido, determina o inciso II do art. 100 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional): (...) Vejase também os dizeres do Parecer Normativo CST n° 390, de 1971: "Entendase aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado”. Da Conclusão Isto posto, voto no sentido de não reconhecer o direito creditório no valor de RS 45.853,30 referente a pagamento a maior de IRPJ e declaro não homologadas as compensações. Contra tal decisão, a Recorrente protocolou o recurso voluntário de efls. 80/88, sustentando: 1) Na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do anocalendário 2000 (DIPJ/2001) a Recorrente apurou saldo a pagar de Imposto de Renda no valor de R$1.931.247,16, montante esse recolhido intempestivamente e a maior por meio de DARF (com o acréscimo dos respectivos juros e multa), já que por um lapso recolheu se de principal o valor de R$2.735.721,10. 2) A diferença entre R$2.735.721,10 e R$1.931.247,16, no valor de R$804.473,94, refere se a pagamento a maior de IRPJ, ou seja, crédito compensável em favor da Recorrente. 3) Como se não bastasse a existência desse crédito de R$804.473,94, na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do anocalendário 2001 (DIPJ/2002) a Recorrente apurou saldo a pagar de Imposto de Renda (IRPJ) no valor de R$5.522.173,71, montante esse recolhido intempestivamente por meio de DARF, com o acréscimo dos respectivos juros e multa. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 156 8 4) Contudo, ao revisar seus lançamentos fiscais, a Recorrente constatou que apurou seu imposto de renda do anocalendário de 2001 de forma equivocada, já que, por um lapso, deixou de indicar na Ficha 12A da DIPJ/2002 o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), retido pelo "Banco JP Morgan S.A." no importe de R$ 159.075,65. 5) Considerando que a Recorrente havia recolhido R$5.522.173,71 a título de IRPJ do anocalendário 2001 e que o valor do imposto apurado após a revisão de seus lançamentos fiscais passou a ser a R$5.363.098,06 (com a dedução do montante de IRRF acima indicado), a diferença recolhida a maior de IRPJ no valor de R$159.075,65 tornouse crédito passível de compensação. 6) Em que pese o fato da Recorrente equivocadamente não ter apresentado suas DIPJ Retificadora, uma vez ciente da existência dos créditos de IRPJ pagos indevidamente ou a maior, nos termos da legislação vigente (IN SRF 600/2005, artigo 26), passou a utilizar esse crédito para compensação. 7) Contudo, quando do preenchimento das PER/DCOMP, a Recorrente erroneamente informou que o crédito a compensar decorria de saldo negativo de IRPJ, ao invés de indicar que o crédito tem origem em pagamento a indevido ou a maior, conforme verificado anteriormente. 8) É evidente que tal equívoco não macularia os créditos existentes em favor da Recorrente, tampouco as compensações efetuadas por meio das PER/DCOMP, pois se trata de mero erro material incapaz de alterar a realidade dos fatos, que sempre deve ser buscada pela Administração Pública, pois assim determina o princípio da verdade material, um dos pilares do processo administrativo fiscal. 9) Sabese que sob a égide do princípio da verdade material as autoridades fiscais devem atuar com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, desprezandose as presunções tributárias, as ficções legais ou outros procedimentos que atendam tão somente à formalidade; é dever das autoridades administrativas investigar os fatos para elucidação da verdade material. 10) A verdade dos fatos é uma só e somente ela deve pautar a atividade da Administração Pública: a Recorrente tem créditos de IRPJ decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e pouco importa se efetuou a retificação da DIPJ/2002 e das PER/DCOMP. A realidade é que o crédito existe. 11) O fato de não ter o contribuinte retificado sua DIPJ/2002 e de ter ele indicado erroneamente em sua PER/DCOMP que a origem do crédito era de saldo negativo de IRPJ não prejudica e tampouco obsta a compensação desses créditos com outros tributos, pois se trata de mero erro material que de forma alguma se sobressai e se impõe à realidade dos fatos. 12) A decisão vergastada abstraiu a realidade dos fatos, de que houve pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e se ateve ao fato de não ter o contribuinte retificado sua DIPJ/2002, alijandose ao princípio da verdade material que, no caso, cingese à existência de crédito ou não em favor da Recorrente. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 157 9 13) Diferentemente do que consta da decisão recorrida, a verdade material busca aquilo que efetivamente aconteceu, ou seja, a realidade dos fatos. Tal princípio impõe a obrigação de se averiguar a realidade dos fatos, independentemente de nomenclaturas, denominações e informações prestadas. No presente caso, percebese que o julgador se prendeu ao fato de não ter sido retificada a DIPJ/2002, e não ao próprio crédito (e ao direito a esse crédito) reconhecidamente existente em favor da Recorrente. 14) Inúmeros são os julgados administrativos no sentido de que é dever das autoridades administrativas investigar os fatos para elucidação da verdade material. Cita os recursos 144.206, 140.876, 148.038 e 139.995. 15) Assim sendo, o não reconhecimento do direito creditório no presente caso deve ser repugnado, pois na realidade o crédito em questão tem origem em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ (em que pese o fato de não ter sido retificada a DIPJ/2002) e, a partir das informações prestadas pelo contribuinte, tornase evidente que tal crédito fora utilizado nas PER/DCOMP 08929.25315.291103.1.3.024843 e 40475.84512.231203.1.3.028155, retificada pela 11255.13953.270404.1.7.020990, em que pese o equívoco no preenchimento das mesmas ao informar que se tratava de crédito de saldo negativo de IRPJ. 16) Em síntese, temse que: a Recorrente apresentou a DIPJ/2001, na qual apurou o imposto devido de R$1.931.247,16, porém recolheu o IRPJ no valor de R$2.735.721,10, ou seja, recolheu a maior R$804.473,94; a Recorrente apresentou a DIPJ/2002 e recolheu o IRPJ apurado no valor de R$5.522.173,71; a Recorrente averiguou que o imposto apurado na DIPJ/2002 fora calculado de forma equivocada, pois não fora indicado o montante de IRRF retido pelo Banco JP Morgan S.A., de tal forma que o IRPJ devido naquele período passou a ser de R$5.363.098,06; a diferença entre o valor de IRPJ recolhido (R$5.522.173,71) e o efetivamente devido (R$5.363.098,06) referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$159.075,65; tais valor de IRPJ pago indevidamente ou a maior foram utilizado para compensação por meio das PER/DCOMP 08929.25315.291103.1.3.024843 e 40475.84512.231203.1.3.028155, retificada pela 1255.13953.270404.1.7.020990; as PER/DCOMP foram preenchidas equivocadamente, pois indicaram que o crédito compensável tinha origem em saldo negativo de IRPJ, quando na realidade decorriam de pagamento indevido ou a maior de IRPJ; e, em razão do princípio da verdade material deveriam as autoridades fiscais ter buscado a realidade dos fatos, ou seja, deveriam ter apurado a verdadeira origem do crédito utilizado para compensação, independentemente de retificação da DIPJ/2002 e de nomenclaturas dos créditos informados nas PER/DCOMP. 17) Diante do exposto, demonstrado que os créditos utilizados para compensação decorrem de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, em que pese a não apresentação de retificação da DIPJ/2002 e o equívoco no preenchimento das PER/DCOMP, que indicavam tratarse de saldo negativo de IRPJ, com base no princípio da verdade material pede sejam acolhidas as razões recursais para que sejam homologadas as compensações realizadas por meio das PER/DCOMP 08929.25315.291103.1.3.024843 e 40475.84512.231203.1.3.028155 (retificada pela 11255.13953.270404.1.7.020990), o que resultará na extinção do crédito tributário dos valores compensados e no consequente cancelamento da cobrança dos mesmos. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 158 10 Inicialmente, a 1ª Turma Especial desta 1ª Seção de Julgamento não conheceu do Recurso Voluntário em razão da sua suposta intempestividade, decisão esta questionada pelo contribuinte em embargos inominados de efl. 129. Ato contínuo, a E. Conselheira Presidente da 3ª Câmara desta 1ª Seção reconheceu a inexatidão material da decisão e admitiu os embargos. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 159 11 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Os Embargos são tempestivo e preenchem todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual devem ser conhecidos. O pedido principal dos Embargos Inominados é relativo a reforma do v. acórdão embargado para o reconhecimento da tempestividade do Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário não foi conhecido devido a C. Turma ter entendido que seu protocolo foi feito fora do prazo, no dia 25 de abril de 2011, sendo que o prazo fatal seria no dia 22 de abril de 2011, uma sextafeira. Ocorre que 22/04/2011 foi feriado (Paixão de Cristo), sendo dia facultativo para as repartições e órgãos da Administração Pública, segundo a Portaria do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão 735/2010 abaixo colacionada. Art. 1º Divulgar os dias de feriados nacionais e de pontos facultativos no ano de 2011, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais: I 1º de janeiro, Confraternização Universal (feriado nacional); II 7 de março, Carnaval (ponto facultativo); III 8 de março, Carnaval (ponto facultativo); IV 9 de março, quartafeira de Cinzas (ponto facultativo até às 14 horas); V 21 de abril, Tiradentes (feriado nacional); VI 22 de abril, Paixão de Cristo (ponto facultativo); VII 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional); VIII 23 de junho, Corpus Christi (ponto facultativo); IX 7 de setembro, Independência do Brasil (feriado nacional); X 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional); XI 28 de outubro, Dia do Servidor Público art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (ponto facultativo); XII 2 de novembro, Finados (feriado nacional); Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 160 12 XIII 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional); XIV 25 de dezembro, Natal (feriado nacional). (*) destaquei Devido ao feriado, a Embargante protocolou o Recurso Voluntário no próximo dia útil, que caiu em uma segundafeira, dia 25/04/2011. Sendo assim, entendo que o Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido, eis que preenche todos os requisitos previstos na legislação. Desta forma, acolho os Embargos Inominados e dou provimento com efeitos infringentes para reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário. Passo ao julgamento do Recurso Voluntário. Em síntese, temse que: a Recorrente apresentou a DIPJ/2001, na qual apurou o imposto devido de R$1.931.247,16, porém recolheu o IRPJ no valor de R$2.735.721,10 (DARF fl. 56), ou seja, recolheu a maior R$804.473,94; a Recorrente apresentou a DIPJ/2002 e recolheu o IRPJ apurado no valor de R$5.522.173,71; a Recorrente averiguou que o imposto apurado na DIPJ/2002 fora calculado de forma equivocada, pois não fora indicado o montante de IRRF retido pelo Banco JP Morgan S.A., de tal forma que o IRPJ devido naquele período passou a ser de R$5.363.098,06; a diferença entre o valor de IRPJ recolhido (R$5.522.173,71) (DARF fl. 57) e o efetivamente devido (R$5.363.098,06) referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$159.075,65; tais valores de IRPJ pago indevidamente ou a maior foram utilizado para compensação por meio das PER/DCOMP 08929.25315.291103.1.3.02 4843 (fls. 1/6 exercício de 2001 transmitida em 28/11/2003) e 40475.84512.231203.1.3.02 8155 (exercício 2003 transmitida em 23/12/2003), retificada pela 1255.13953.270404.1.7.02 0990 (fls. 45/49 transmitida em 27/04/2004 onde se pretende compensar crédito de R$ 177.030,48 de IRRF código 3277 com R$ 245.098,70); as PER/DCOMP foram preenchidas equivocadamente, pois indicaram que o crédito compensável tinha origem em saldo negativo de IRPJ, quando na realidade decorriam de pagamento indevido ou a maior de IRPJ; e, em razão do princípio da verdade material deveriam as autoridades fiscais ter buscado a realidade dos fatos, ou seja, deveriam ter apurado a verdadeira origem do crédito utilizado para compensação, independentemente de retificação da DIPJ/2002 e de nomenclaturas dos créditos informados nas PER/DCOMP. Após a análise dos documentos dos documentos constantes nos autos, entendo que para a alegação da Recorrente que teria deixado de apurar o IRRF recolhido pelo JP Morgan, não deve ser provida. No Extrato de movimentações financeiras do referido banco (doc. 8 fl. 58), não é possível constatar que de fato o imposto retido foi recolhido em nome da Recorrente. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10283.902991/200857 Acórdão n.º 1402002.730 S1C4T2 Fl. 161 13 Também não constam nos autos as DIRFs, informes de rendimentos ou comprovantes que permitam verificar com precisão que o IRRF foi recolhido em nome da Recorrente. Assim não encontrei provas do recolhimento referente ao IRRF de R$ 159.075,65 (diferença entre R$ 5.522.173,71 R$ 5.363.098,06 relativa a IRRF retido pelo Banco JP Morgan S.A.) Desta forma, deixo de acolher o pedido da Recorrente devido a falta de comprovação dos créditos ora apontados e não pelo motivo de falta de retificação das DIPJs e PER/DCOMPs, ou seja, por mero erro material de escrituração do documento, sendo que deveria ter indicado nos PER/DCOMPs pagamento indevido ou a maior e não saldo negativo de IPRJ. A fundamentação do meu voto em relação ao crédito de IRRF vai no sentido de falta de comprovação da existência do crédito que se pretendia compensar. (falta de documentos/provas nos autos). Em relação a alegação do pagamento indevido ou à maior apontado na manifestação de inconformidade e repetidos no Recurso Voluntário, relativo ao valor de R$ 804.473,94, entendo que a Recorrente não conseguiu comprovar nos autos que este valor se refere a diferença entre o pagamento do imposto no valor de R$ 2.735.721,10, com o que foi apurado na DIPJ, no valor de R$ 1.931.247,16. Assim, como não consigo fazer a correspondência deste crédito com o valor de crédito escriturado na PER/DCOMP de R$ 45.853,30, entendo que não restou caracterizado a liquidez e a certeza do crédito ora em discussão. Desta forma, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário, para negar provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.726649/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011
GLOSA DE COMPENSAÇÃO REPUTADA INDEVIDA. EXIGÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO.
A glosa de compensação deve ser seguida da cobrança do crédito que deixou de ser pago. Assim, é de rigor a instauração de procedimento administrativo a fim de conceder ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório inerentes.
Eventual contencioso decorrente da decisão da Administração Tributária de considerar a compensação indevida segue o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972.
DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO APRECIOU MÉRITO DA DEMANDA. RETORNO DOS AUTOS PARA NOVO JULGAMENTO A FIM DE EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Não pode este Tribunal Administrativo adentrar no mérito da questão que deixou de ser apreciada no julgamento de primeira instância, a fim de evitar prejuízo às partes e nulidade do julgamento decorrentes da supressão de instância.
Numero da decisão: 2201-003.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 GLOSA DE COMPENSAÇÃO REPUTADA INDEVIDA. EXIGÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. A glosa de compensação deve ser seguida da cobrança do crédito que deixou de ser pago. Assim, é de rigor a instauração de procedimento administrativo a fim de conceder ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório inerentes. Eventual contencioso decorrente da decisão da Administração Tributária de considerar a compensação indevida segue o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972. DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO APRECIOU MÉRITO DA DEMANDA. RETORNO DOS AUTOS PARA NOVO JULGAMENTO A FIM DE EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Não pode este Tribunal Administrativo adentrar no mérito da questão que deixou de ser apreciada no julgamento de primeira instância, a fim de evitar prejuízo às partes e nulidade do julgamento decorrentes da supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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EXIGÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. A glosa de compensação deve ser seguida da cobrança do crédito que deixou de ser pago. Assim, é de rigor a instauração de procedimento administrativo a fim de conceder ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório inerentes. Eventual contencioso decorrente da decisão da Administração Tributária de considerar a compensação indevida segue o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972. DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO APRECIOU MÉRITO DA DEMANDA. RETORNO DOS AUTOS PARA NOVO JULGAMENTO A FIM DE EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Não pode este Tribunal Administrativo adentrar no mérito da questão que deixou de ser apreciada no julgamento de primeira instância, a fim de evitar prejuízo às partes e nulidade do julgamento decorrentes da supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 66 49 /2 01 4- 55 Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.199 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso de Ofício apresentado em face decisão da DRJ em Florianópolis/SC, de fls. 1084/1105, que julgou improcedente o lançamento de contribuições patronais devidas à Seguridade Social decorrente da glosa de compensação, supostamente objeto de contestação judicial, sem que a respectiva decisão judicial tenha transitado em julgado, e até mesmo sem qualquer decisão judicial respaldando a compensação de algumas rubricas. A compensação indevida foi relativa às competências de 11/2009 a 12/2011, e originou o crédito tributário da contribuição previdenciária objeto do DEBCAD 51.059.0241 no valor total de R$ 10.275.951,84, já inclusos juros e multa de mora (até o mês da lavratura), apurado com base nos valores efetivamente compensados pelo contribuinte, por meio de declaração em GFIP. Além disso, foi efetuado o lançamento da multa isolada de 150%, com base no art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91, por falsidade na declaração nas competências de 12/2009, 01/2010 a 10/2010, objeto do DEBCAD 51.059.0250, cujo valor é de R$ 10.011.104,12. Os autos de infração encontramse acostados às fls. 03/43, com ciência da contribuinte em 28/08/2014 (fls. 04 e 25). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 44/61, “O objeto do presente levantamento são as contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, destinadas à Seguridade Social (incisos I, II e III do artigo 22 da Lei 8.212/91), compensadas indevidamente conforme quadros demonstrativos constantes das planilhas anexadas ao presente". A autoridade lançadora acrescenta ainda: "(...) o Contribuinte informou tratarem de compensações realizadas com amparo em decisão judicial prolatada no Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.200 3 Processo Judicial (Mandado de Segurança Individual n° 2009.35.00.0045739), impetrado em 16/03/2009. De seu pedido inicial, o contribuinte buscou, em caráter provisório a suspensão da exigibilidade de crédito tributário, e em segurança definitiva para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos de remuneração a empregados, a título de salário maternidade, licença por motivo de doença ou acidente, férias e adicional de férias, bem como o direito a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título. (...) Em sentença, o juízo de primeiro grau concedeu: a a inexigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de ausência ao trabalho por motivo de doença ou de acidente, bem como da remuneração paga a título de adicional de um terço de férias, e b – declarou o direito de a parte impetrante compensar os valores recolhidos indevidamente nos últimos 10 (dez) anos a tal título, somente dos valores que tenha a parte recolhido como contribuinte de fato, ou seja, sem o desconto posterior da remuneração de seus empregados, nos termos dos arts. 20 e 30, inciso I, da Lei 8.212/91, respeitada a restrição imposta pelo art 170A do CTN, de forma que a compensação deferida só poderia ocorrer após o trânsito em julgado da sentença.(cópia da decisão encontrase em anexo) (...)foi interposto recurso de apelação (...) O Presidente do TRF1 suspendeu os referidos recursos interpostos pela União, nos termos dos artigos 543B, § 1° e 543C, § 1° do Código de Processo Civil, logo, ainda não ocorreu o trânsito em julgado da sentença proferida na ação mandamental, na forma do art 467 do Código de Processo Civil, porquanto pairam recursos a serem apreciados, cujo julgamento poderá vir a alterar o conteúdo da sentença recorrida. (consulta anexa) (...) foi realizada consulta à Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de Goiás, que emitiu as seguintes considerações a respeito do processo, que embasaram e fundamentaram o presente levantamento fiscal: “ O recurso de apelação foi recebido apenas no efeito devolutivo, de forma que subsiste os efeitos da suspensão da exigibilidade da contribuição social incidente sobre os valores pagos pela Impetrante, nos primeiros quinze dias de afastamento de seus empregados por motivo de doença ou acidente, e adicional de um terço de férias. Com a edição da Lei Complementar n° 104/2001, que introduziu o art. 170A no CTN, restou expressa a impossibilidade de pleitearse a compensação, mediante o aproveitamento de Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.201 4 tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (...) Esclarecidas essas questões, inferese que é indevida a compensação feita pelo sujeito passivo amparada em provimento jurisdicional liminar, por descumprir os arts 170 e 170A do CTN, bem como o art. 74 da Lei n° 9.430/96, com alterações posteriores, devendo a Administração Tributária proceder ao do lançamento com a exigibilidade do crédito tributário suspensa, com o fito de prevenir decadência. Considerando que a decisão de primeira instância, reconheceu o direito à compensação apenas das rubricas relativas aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de auxílio a doença e acidente e ao abono constitucional de férias, a auditoria constatou que os valores compensados não são compatíveis com créditos relativos às rubricas acima descritas, havendo valores compensados amparados por decisão judicial ainda não transitada em julgado, e valores compensados sem qualquer autorização judicial ou crédito correspondente. (...) o contribuinte respondeu aos questionamentos elencados pela auditoria fiscal, e afirmou estar utilizando créditos com pagamentos de rubricas com as quais inexiste decisão judicial suspendendo a sua exigibilidade, e informou não constar das compensações realizadas, créditos com sobras de retenções sofrida na emissão de notas fiscais/fatura de prestação de serviço. (ver justificativas apresentadas por escrito)(DOC06) Planilhas demonstrativas, relacionando os créditos utilizados pela empresa, foram apresentadas à auditoria fiscal. Nestas, constavam relacionados pagamentos de rubricas como: férias, 1/3 de férias, salário maternidade, auxílios (doença e acidente), e décimo terceiro salário, efetuados desde 062000. (cópias das planilhas apresentadas à fiscalização foram anexadas ao presente)(DOC04) As compensações realizadas com fulcro em pagamentos ocorridos com férias, salário maternidade, e décimo terceiro salário, não possuem qualquer amparo legal, pois não foram concedidos em decisão judicial, sendo tais pagamentos objetos de glosa imediata pela auditoria fiscal em processo em separado. Apenas os créditos oriundos com pagamentos realizados nos15 primeiros dias de ausência ao trabalho por motivo de doença ou de acidente, bem como a título de adicional de um terço de férias pagos pela empresa em demanda na justiça mas ainda não transitado em julgado foram considerados pela auditoria, cujos valores discriminados em planilhas foram atualizados, sendo créditos previdenciários que devam ficar sobrestados até o trânsito em julgado do processo judicial em referência. Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.202 5 A decisão de primeira instância, ainda declarou o direito da parte impetrante de compensar os valores recolhidos, e considerados indevidos, nos últimos 10 (dez) anos. Ressaltese que foi objeto de recurso de apelação fazendária a prescrição tal como deferida. O entendimento consolidado do STF, é da prescrição quinquenal para as ações ajuizadas após 08/06/2005. (...) Como a ação foi ajuizada em 16/03/2009, data posterior à vigência da LC n° 118/2005, os recolhimentos indevidos efetuados antes de 16/03/2004 estão prescritos, em observância aos julgados do STF (...) Na hipótese, os créditos anteriores à competência de origem 022004, ocorreram após o transcurso do prazo legal estabelecido para a repetição do indébito, e já haviam alcançado a prescrição, (...) Após a atualização dos possíveis créditos existentes a partir de 022004 (...) os créditos demonstraram ao final serem insuficientes, e houve valores a serem glosados, como encontra se discriminado por estabelecimento nas planilhas DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS PELO CONTRIBUINTE .(PLAN01 a 05) (...) Restou comprovado portanto, que o sujeito passivo, ao arrepio da lei e sem sequer observar o que fora concedido em decisão de primeira instância, compensou indevidamente os valores demonstrados nas planilhas anexas, utilizandose de valores não definitivamente julgados, além de valores sem qualquer autorização judicial para tanto e utilizandose ainda de créditos atingidos pela prescrição. De todo o exposto, foi efetuada a glosa dos valores compensados no período de 11/2009 e 12/2011, realizados sem autorização judicial para tanto, conforme quadros demonstrativos anexos, com o consequente lançamento dos mesmos nos presentes Autos de Infração. (...) DA MULTA ISOLADA O sujeito passivo, ao fazer inserir em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura a conduta ilegal do mesmo. (...) Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.203 6 Tendo sido constatada a falsidade nas GFIP apresentadas pelo Sujeito Passivo, consubstanciada na inserção de créditos inexistentes de fato, será aplicada a multa isolada de 150% sobre o total do crédito compensado indevidamente, conforme prevê o artigo 46 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008: (...) DOS CORESPONSÁVEIS Os coresponsáveis encontramse relacionados de acordo com período de atuação no Relatório de Vínculos. A empresa sob auditoria fiscal, FORTESUL SERVIÇOS ESPECIAIS DE VIGILÃNCIA E SEGURANÇA LTDA, consta como co responsável das empresas: FORTESUL – SERVIÇOS CONSTRUÇÕES E SANEAMENTO LTDA – CNPJ 03.059.584/000169 e FORTESUL MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA – CNPJ 12.796.829/000121, no cadastro da SRFB. Além das participações societárias e denominação social, as participações de uma ou outra na administração de cada empresa citada, evidenciam relações jurídicas e comerciais entre si, como foi relatado pela auditoria realizada na empresa FORTESUL – SERVIÇOS CONSTRUÇÕES E SANEAMENTO LTDA – CNPJ 03.059.584/000169, MPF 01.2.01.002014 001066, em que a auditoria constatou coincidência de sócios e administradores, empresas sediadas em um mesmo endereço/quadra e com vinculação gerencial, o que constitui grupo econômico, nos termos do inciso IX do Art. 30 da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pelo artigo 2º, § 4º da Lei nº 9.719/98) e, portanto, solidárias no cumprimento das obrigações sociais, nos termos da legislação supramencionada e do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. (...) Em decorrência desta ação fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração – AI: Da leitura do Relatório Fiscal, observase que a autoridade fiscal manteve, no presente processo, apenas a parcela das compensações que se refere a recolhimentos de Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.204 7 contribuições sociais previdenciárias relativos às competências 02/2004 a 12/2011 (5 anos antes do ajuizamento da ação pelo contribuinte) efetuados sobre valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado e sobre valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço). Ainda de acordo com a autoridade fiscal, referidos créditos foram glosados em outro auto de infração (DEBCAD nº 51.059.0233 – Processo nº 10120.726648/201419), cujo sobrestamento foi determinado até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte. É que, conforme acórdão proferido pelo TRF1 quando do julgamento das apelações da contribuinte e da UNIÃO nos autos do mencionado MS (publicado em 03/11/2011, foi dado "parcial provimento ao recurso da impetrante, para reconhecer o direito de compensação, com débitos vencidos ou vincendos, sem a limitação imposta pelos arts. 170 A, do CTN e 89, §3º, da Lei nº 8.212/91 e nego provimento à apelação da União Federal (Fazenda Nacional) e à remessa oficial, mantendose o julgado recorrido em seus ulteriores termos". A contribuinte apresentou sua Impugnação de fls. 600/646 em 16/09/2014. Neste ponto, adoto o relatório da DRJ por bem relatar os termos de defesa apresentados pela devedora principal (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda), e pelas solidárias (Fortesul Manutenção e Serviços Ltda e Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda): "Alega que a exigência dos créditos tributários lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.025 0 é totalmente desprovida de qualquer fundamento legal. Afirma que é prescindível a autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes do trânsito em julgado da decisão. Aduz que os artigos 66 da Lei nº 8.383/1991 e 74 da Lei nº 9.430/1996 prevêem a modalidade de compensação denominada sponte propria, de iniciativa exclusiva do contribuinte. Assevera que não há que se falar em ilegalidade ou ardil, já que estava autorizada a pela legislação tributária a efetuar as compensações glosadas. Ao tratar do disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, diz que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico no sentido de que os valores pagos a título de salário maternidade, bem como a título de férias e 13º salário, não integram o campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Diz que “o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que a ilegalidade/inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito”. Alega que, ao contrário do que entendeu a autoridade fiscal, tinha o direito de efetuar a compensação de recolhimentos de Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.205 8 contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre férias, terço constitucional de férias, salário maternidade e 13º salário, já que tais verbas não integram o campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Afirma que a não incidência da contribuição social previdenciária sobre tais verbas é inequívoca, “seja diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso, seja diante do assentado no julgamento do REsp nº 1.230.957RS, apreciado sob a sistemática do artigo 543C, e cuja decisão deve ser obedecida por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Colendo Conselho”. Aduz que estas verbas não correspondem a contraprestação por serviços prestados. Cita julgado da 1ª Seção do STJ onde restou afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre o salário maternidade e as férias usufruídas (REsp 1322945/DF). Assevera que é ilegal e inconstitucional a exigência de contribuição social previdenciária sobre valores pagos a título de salário maternidade. Alega que o saláriodecontribuição, mencionado no §2º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, é a base de cálculo da contribuição social previdenciária devida pelos segurados, e não a base de cálculo da contribuição patronal, conforme previsto no artigo 20 da Lei nº 8.212/1991. Cita julgado da Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região onde restou declarado que não incidem contribuições previdenciárias patronais sobre o valor do salário maternidade (AI nº 2001.05.00.0478344). Afirma que o disposto no §1º do artigo 57 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 fere o princípio da legalidade. Alega que o disposto no artigo 52, inciso III, alínea “i”, e no artigo 57, §8º, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, é ilegal e inconstitucional. Cita julgado do Tribunal Regional Federal da 5ª Região onde restou declarado que não incide contribuição social previdenciária patronal sobre as verbas referentes ao salário maternidade, às férias e ao respectivo adicional de um terço (AC nº 8.627/CE). Cita julgado da 1ª Turma do STJ onde restou reconhecido que não há efetiva prestação de serviços pelo empregado tanto no saláriomaternidade quanto nas férias (AgRg no AI nº 1.420.247/DF). Diz que a Súmula 688 do STF foi editada à luz da redação original dos artigos 195, inciso I, e 201, § 4º, ambos da Constituição Federal, de que deveria incidir a contribuição Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.206 9 previdenciária sobre o 13º salário em razão de se tratar de verba habitual. Afirma que é justamente a habitualidade da gratificação natalina e suas respectivas peculiaridades que afastam, sob pena de inconstitucionalidade e ilegalidade, a incidência das contribuições sociais previdenciárias. Alega que não há que se falar em incidência da contribuição social previdenciária sobre o 13º salário, já que esta verba, apesar de habitual, não é considerada para fins previdenciários (artigo 201, §§ 3º e 11, da CF, c/c o artigo 29, §3º, da Lei nº 8.213/1991). Diz que pensamento diverso deste acarretaria em indevida fonte de custeio sem a respectiva destinação (artigo 195, §5º, da CF). Assevera que o próprio STF, a despeito da Súmula 688, abriu a possibilidade de rediscussão da matéria (incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre 13º salário). Cita que a legislação previdenciária preceitua que o 13º salário não deve ser considerado para fins de cálculo do salário de benefício. Frisa que tanto o §5º do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal como o artigo 125 da Lei nº 8.213/1991 determinam que “nenhum benefício ou serviço da Previdência Social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio”. Alega que “se não pode haver a criação, majoração ou extensão de benefício previdenciário sem a respectiva fonte de custeio, do mesmo modo, ainda que via inversa, não se pode admitir que haja fonte de custeio (no caso a incidência da contribuição sobre o 13º salário) sem o correspondente benefício”. Aduz que não há que se invocar os princípios da solidariedade e da universalidade para exigir contribuições sociais previdenciárias sobre o 13º salário, “visto que até mesmo os meios de financiamento da Seguridade Social estão adstritos, obviamente, aos demais princípios e normas constitucionais”. Requer a conversão do julgamento em diligência, com esteio no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, para que se verifique “se os créditos tomados e cuja compensação restou glosada referemse aos valores pagos a título de salário maternidade, férias e décimo terceiro salário”. Diz que, ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de dolo, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e abusiva. Alega que agiu de boafé, pois submeteu todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Judiciário e do próprio Fisco. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.207 10 Afirma que “a realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizada pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo”. Diz que sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal e que em todas estas hipóteses deverá estar presente o dolo. Cita todos os requisitos que, no seu entendimento, são necessários para a configuração de sonegação fiscal, fraude e conluio. Frisa que o dolo não se presume, deve ser provado. Aduz que não existe fundamento legal para aplicação da multa isolada de 150%, já que o suporte normativo utilizado para fundamentar a decisão está sedimentado em meras instruções normativas. Assevera que no Sistema Tributário Brasileiro não há lugar para a imputação das chamadas infrações presumidas. Alega que a multa isolada de 150% viola o direito de petição, a garantia do devido processo legal, e os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Afirma que a multa isolada de 150% deve ser afastada ou no mínimo reduzida para 20%. Cita julgado do CARF (Acórdão nº 2401002.866) onde restou decidido que é “inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado”. Aduz que a multa isolada de 150% feriu o princípio constitucional do não confisco. Lembra que o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) preceitua que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Alega que “cabe à toda Administração Pública, ao decidir questões fiscais e recursos dos contribuintes, se pautar e orientar, de forma geral, pela jurisprudência emanada dos Tribunais, com o objetivo precípuo de evitar danos irreversíveis aos contribuintes e, no futuro, poupar o Erário do pagamento de altíssimos valores a título de ressarcimento e indenizações”. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.208 11 Assevera que a autoridade fiscal não deveria ter efetuado arrolamento de bens visto que o valor do crédito tributário exigido é inferior a 30% do seu patrimônio. Aduz que não há nos autos qualquer indício de que não teria condições de quitar os créditos tributários lançados e de que seu patrimônio não é suficiente para tanto. Requer que seja cancelado “todo e qualquer termo de arrolamento de bens formalizado ou tendente a ser expedido”. Afirma que o artigo 64 da Lei nº 9.532/1996, ao prever a figura do arrolamento de bens e direitos dos contribuintes, atentou contra a garantia do sigilo fiscal e o direito de propriedade (artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal). Diz que o arrolamento de bens representa também uma forma de coação ilegal para tentativa de satisfação forçada do crédito tributário. Alega que o arrolamento de bens causa enorme constrangimento moral e financeiro, já que, com o registro “do termo de arrolamento perante o cartório, órgão ou entidade competente e a menção na certidão de regularidade fiscal quanto à existência deste ônus, o contribuinte adquirirá, de forma antecipada, a pecha de inadimplente”. Assevera que “a imposição dirigida ao contribuinte acerca da obrigatoriedade da comunicação de todos e quaisquer atos de alienação, transferência ou oneração de bens à autoridade administrativa, sob pena da propositura da medida cautelar fiscal, constituise em nítido constrangimento à realização de negócios com terceiros”. Diz que “não há como negar que tal arrolamento, mesmo que de forma indireta, constituise em verdadeiro ato de constrição do patrimônio do sujeito passivo, constrangimento este que, ainda que destinado à garantia de futura satisfação do crédito fiscal, não está a autoridade administrativa autoriza a pratica, na medida em que seus atos são desvestidos do atributo da autoexecutoriedade, sendo portanto, ato privativo da autoridade judicial”. Aduz que a previsão de registro do termo de arrolamento desrespeita o direito constitucional da privacidade. Afirma que o direito a privacidade está também protegido pelo artigo 198 do Código Tributário Nacional. Alega que o arrolamento de bens e direitos só tem lugar quando o crédito tributário estiver definitivamente constituído. Assevera que “enquanto não houver conclusão do processo administrativo que apura eventual ilícito tributário não se pode, de modo algum, atribuirse ao contribuinte a prática de algum crime fiscal”. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.209 12 Cita o teor da Súmula Vinculante nº 24 do STF e diz que a mesma se aplica a todos os crimes tributários, já que, havendo a mesma razão, deve ser aplicado o mesmo direito. Diz que a representação fiscal para fins penais, quando pendente recurso administrativo, sequer pode ser encaminhada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ao Ministério Público Federal, conforme disposto no artigo 83, caput, da Lei nº 9.430/1996, e no artigo 3º da Portaria RFB nº 665/2008. Lembra que “mesmo futuramente constituído de forma definitiva o tributo, ainda se abrirá ao contribuinte a possibilidade de parcelamento ou pagamento integral, o que implica, respectivamente, suspensão da pretensão punitiva ou extinção da punibilidade (§§ 1º a 6º do citado artigo 83 da Lei nº 9.430/96”. Requer que a representação fiscal para fins penais seja mantida no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil até o esgotamento da via administrativa e do prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o crédito eventualmente mantido. Requer, por fim, a anulação dos autos de infração hostilizados. Devidamente intimada dos lançamentos fiscais, a sociedade empresária Fortesul Manutenção e Serviços Ltda apresentou a impugnação de fls. 661 a 714, instruída com os documentos de fls. 715 a 724. Além de repetir todas as alegações e pedidos da Autuada (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda), a sociedade empresária Fortesul Manutenção e Serviços Ltda assevera que deve ser anulada a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, visto que não teria se configurado grupo econômico. Alega, ainda, que o simples fato de existir grupo econômico de fato não tem o condão de fundamentar a imputação de responsabilidade solidária por crédito previdenciário. Devidamente intimada dos lançamentos fiscais, a sociedade empresária Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda apresentou a impugnação de fls. 727 a 780, instruída com os documentos de fls. 781 a 797. Além de repetir todas as alegações e pedidos da Autuada (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda), a sociedade empresária Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda assevera que deve ser anulada a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, visto que não teria se configurado grupo econômico. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.210 13 Alega, ainda, que o simples fato de existir grupo econômico de fato não tem o condão de fundamentar a imputação de responsabilidade solidária por crédito previdenciário. Devidamente intimados dos lançamentos fiscais, a senhora Marly de França Eugênio e o senhor Odílio de França Filho deixaram transcorrer in albis o prazo para impugnação." Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 1084/1105, dos autos, julgou improcedente o lançamento em prejudicial de mérito. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. DÉBITO CONFESSADO. É incabível a formalização, por meio de lançamento, de crédito tributário já confessado, visto que tal procedimento não é condizente com a disciplina normativa vertida pela legislação de regência cuja observância é, aliás, obrigatória, dada a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. A decisão da autoridade competente declarando a ocorrência de compensação indevida e não homologando a mesma, na forma estabelecida nos atos normativos da Receita Federal do Brasil, é pressuposto essencial para o lançamento legítimo da multa isolada de 150% prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em suas razões, adotou integralmente o teor da Solução de Consulta Interna COSIT (CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil) nº 3, de 5 de fevereiro de 2013, para concluir o seguinte: É dizer, dado que o crédito tributário sob apreço (auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0241) já fora constituído por meio da GFIP, o presente lançamento, além de incorrer em evidente duplicidade, não condiz com o regramento jurídico que, disciplinando os casos de compensação indevida informada por meio da citada guia (GFIP), determina a imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação de regência. No caso dos autos, portanto, entendo que a formalização do crédito tributário sob exame (auto de infração de DEBCAD nº Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.211 14 51.059.0241) não pode prosperar porque afronta a disciplina normativa vertida pela legislação de regência cuja observância é, aliás, obrigatória, dada a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento, assim definida nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Em razão do exposto, a decisão foi objeto de Recurso de Ofício. Apesar da exoneração total do crédito tributário, houve apresentação de Recursos Voluntários por parte da contribuinte e responsáveis solidários (fls. 1122/1130, 1147/1155 e 1166/1170), tidos como "Embargos" por parte da Unidade Preparadora de origem (fl. 1196). Este recurso de ofício compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso de ofício atende aos requisitos legais, razão por que dele conheço. Verifico que a DRJ de origem não analisou o mérito do presente caso, extinguindo o feito em preliminar por entender, com base na Solução de Consulta Interna COSIT nº 3, de 5 de fevereiro de 2013, que o presente lançamento não deveria prosperar na medida em que os débitos já haviam sido confessados pela contribuinte em GFIP. Portanto, entendeu que, ao efetuar a glosa da compensação indevida, deveria ter ocorrido a imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação de regência. Com a devida vênia ao posicionamento adotado quando do julgamento de primeira instância, entendo que decisão recorrida não merece prosperar. É evidente que a GFIP é meio hábil para a confissão de débitos e, consequentemente, constituição de dívida, nos termos dos arts. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c o art. 225 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, e com os arts. 47, 456 e 460, da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, in verbis: Lei nº 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.212 15 IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; Decreto nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; IN RFB nº 971/2009 Art. 47. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: V fornecer ao contribuinte individual que lhes presta serviços, comprovante do pagamento de remuneração, consignando a identificação completa da empresa, inclusive com o seu número no CNPJ, o número de inscrição do segurado no RGPS, o valor da remuneração paga, o desconto da contribuição efetuado e o compromisso de que a remuneração paga será informada na GFIP e a contribuição correspondente será recolhida; Art. 456. O crédito tributário relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, será constituído nas seguintes formas: I pelo lançamento por homologação expressa ou tácita, mediante declaração do ARO, na forma do art. 340, ou da GFIP, comunicando a existência de crédito tributário; Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.213 16 instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; Contudo, s.m.j., ao declarar um débito e informar uma compensação em GFIP, o contribuinte não está constituindo qualquer crédito. Ele está confessando a dívida, é verdade. Mas, ao mesmo tempo, está compensado a dívida confessada com um crédito que alega possuir. Ora, se a RFB constatar a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte para a compensação, deverá efetivar a glosa, comunicar ao contribuinte as razões da glosa e cobrar o tributo que deixou de ser recolhido. No meu entendimento, este ato não se reveste de novo lançamento. As autoridades fiscais utilizamse das informações prestadas pelo contribuinte nos documentos fiscais (no caso, a GFIP) e cobra o débito já confessado, mas que deixou de ser pago em razão da compensação informada (apurada como indevida). Não vejo outro caminho para a cobrança do crédito tributário a não ser o acima descrito de forma resumida. Ora, a glosa de compensação deve ser seguida da cobrança do crédito que deixou de ser pago, e não simplesmente inscrevêlo em dívida ativa sem a comunicação ao contribuinte da glosa de compensação e, consequentemente, da existência de valor que deverá ser pago. Não enxergo o ato da autoridade fiscal, no presente caso, como lançamento de ofício, mas sim uma cobrança decorrente da glosa de compensação indevida. A existência do débito é inegável; no entanto, o que está em jogo nesses casos é a real existência do crédito informado pelo contribuinte como suficiente para quitar o débito confessado. Se a fiscalização entende que o crédito é inexistente ou insuficiente, deve conceder ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório inerentes ao procedimento administrativo fiscal. Tanto que a própria Solução de Consulta Interna COSIT nº 03/2013 afirma: 17. No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, seguese o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata. Conclusão 19. Ante o exposto, solucionase a Consulta Interna no 7, de 2009, respondendo à Disit /SRRF01 que: (...) e) No caso de ser a compensação de contribuições previdenciárias através da GFIP considerada indevida, pode a autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados, glosálos total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2201003.794 S2C2T1 Fl. 1.214 17 f) Eventual contencioso decorrente da decisão da Administração Tributária de considerar a compensação indevida segue o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do § 11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata, e dos arts. 77 a 80 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Assim, não há que se falar em duplicidade da cobrança, pois o débito aqui cobrado é justamente aquele declarado em GFIP pela contribuinte e não "outro" débito originado em novo lançamento de ofício. Também não deve prosperar afirmação de que, após a glosa, caberia a imediata inscrição em Dívida Ativa da União.do débito confessado em GFIP, nos exatos termos da própria Solução de Consulta Interna COSIT nº 03/2013. Portanto, entendo que encontrase equivocada a decisão recorrida, pois não enxergo defeito na cobrança do crédito tributário promovida nos presentes autos, haja vista a origem em glosa de compensação indevida, oportunidade em que deve ser de rigor a abertura do contraditório ao contribuinte e a instauração do processos administrativo previsto no Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, para evitar a supressão de instância, devem os autos retornarem para a primeira instância de julgamento a fim de que sejam analisas as questões de mérito apresentadas pela contribuinte (devedora principal) e pelas responsáveis solidárias. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício para determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância a fim de que sejam apreciadas e julgadas as questões de mérito apresentadas pela contribuinte e demais responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1214DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.000917/2003-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
Decadência. IRPJ e CSLL. Lançamento por Homologação.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Se não houver apuração de tributo devido, nem pagamento antecipado, a regra aplicável é aquela prevista no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TEGAL TERMINAL DE GASES LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Se não houver apuração de tributo devido, nem pagamento antecipado, a regra aplicável é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 09 17 /2 00 3- 35 Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 968 2 Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 900 a 906, com fundamento no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, contra o Acórdão nº 110200.273 (efls. 892 a 896), que, por maioria de votos, acolheu preliminar de decadência. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTS. 150, §4º E 173, I, DO CTN. O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é quinquenal e tem termo inicial com a ocorrência do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo e fraude. Inteligência do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Alega a Fazenda Nacional divergência jurisprudencial quanto à contagem do prazo de decadência para a constituição de créditos tributários referentes a tributos sujeitos à lançamento por homologação, quando não há antecipação de pagamento. Com relação à divergência suscitada, transcrevese as ementas dos acórdãos indicados como paradigma: Acórdão nº 20181.461 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 COFINS. DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante nº 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, há que se reconhecer a decadência, em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. Consoante o art. 156, II, do CTN, há que ser reconhecida a extinção do crédito tributário quando comprovada sua regular compensação. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 969 3 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É devido o lançamento de ofício pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições. Acórdão nº 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Defende a Procuradoria, em síntese, que na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, e não no art. 150, §4º. Nesse sentido, colaciona decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e doutrina do tributarista Luciano Amaro. Na sequência, aplicando o artigo 173, I, do CTN, ao caso em análise, afirma que para os tributos com fato gerador no dia 31/12/1997 o tributo só poderia ser cobrado em 1998. Assim, o termo inicial do prazo decadencial se deu em 01/01/1999 e o termo final em 31/12/03. No caso, tendo a Contribuinte sido notificada do lançamento em 14/02/2003, sustenta que não há se falar em decadência. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso especial, para que seja reformado o acórdão recorrido, afastando a decadência do direito de constituição do crédito tributário. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 940 a 942. A Contribuinte apresentou contrarrazões às efls. 922 a 931. Alega a Contribuinte, preliminarmente, que (i) a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, não faz o confronto analítico exigido pelo artigo 67, §6º, do Regimento Interno do CARF, não transcrevendo qualquer trecho do acórdão recorrido que pudesse comprovar a divergência jurisprudencial alegada; (ii) não há identidade fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, tendo em vista que não há coincidência dos tributos discutidos; (iii) a conclusão dos precedentes apontados não diverge da tese adotada pelo acórdão recorrido; (iv) a tese formulada pela Fazenda Nacional não se adequa aos fatos concretos, uma vez que no anocalendário de 1997 reduziu seu saldo negativo acumulado em períodos anteriores por meio de compensação, que entende ser uma forma de pagamento. No mérito, sustenta que a jurisprudência do CARF é pacífica quanto à aplicação do art. 150, §4º, do CTN na contagem do prazo decadencial para que a Receita Federal proceda à glosa de IRPJ. Nesse sentido, colaciona decisões do Conselho. Afirma ainda que a aplicação do art. 150, §4º, do CTN aos tributos sujeitos a lançamento por homologação prevalece ainda mais a casos em que o contribuinte procedeu à compensação de saldo negativo acumulado em períodos anteriores. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 970 4 Alega a Recorrida que mesmo que fosse aplicável ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN, teria ocorrido a decadência. Isso porque entende que tratandose de IRPJ e CSLL, o lançamento poderia ter sido feito desde que cada despesa foi considerada pela Recorrida para fim de apuração das estimativas mensais. Ou seja, entende que a partir do próprio ano calendário de 1997 já era possível à autoridade fiscal glosar os custos deduzidos pela Recorrida. Logo, aplicandose a regra do art. 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial teria início em 1º de janeiro de 1998, findando, portanto, em 31/12/2002. Conclui dizendo que como os autos de infração datam de 2003, não há dúvida de que o direito da Fazenda Nacional, a esta altura, já estava caduco. Colaciona decisão do STJ sobre o tema. Pede, ao final, que o recurso especial da Fazenda Nacional seja NÃO conhecido. Caso contrário, pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose inalterado o acórdão recorrido. Por fim, sustenta que na remota hipótese do recurso especial da Fazenda Nacional vir a ser provido, deverá o feito ser novamente julgado, com a apreciação das demais considerações formais e de mérito suscitadas no recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora 1 Preliminarmente. O recurso é tempestivo porque a PFN foi cientificada do acórdão do colegiado a quo, em 28/09/2010 (efls. 879 do volume 4 digitalizado) e manejou o apelo especial em 29/10/2010. Como a recorrida apresenta em sede de contrarrazões argumentos no sentido de que seja não conhecido o Recurso Especial da PFN, passo a analisálos. Como primeira arguição afirma que a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, não fez o confronto analítico exigido pelo artigo 67, §6º, do Regimento Interno do CARF, não transcrevendo qualquer trecho do acórdão recorrido que pudesse comprovar a divergência jurisprudencial alegada. À época em que foi aviado o Recurso Especial, vigorava o Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria nº 256, de 2009, que dispunha o seguinte no art. 67, § 6º, do Anexo II: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 971 5 Ao efetuar o cotejo entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados a PFN destacou os pontos divergentes entre as decisões, a partir da comparação entre as ementas, sublinhando inclusive a parte em que os paradigmas contrastam com o entendimento do recorrido, o que foi suficiente para demonstrar devidamente a divergência. Com efeito, no acórdão recorrido assentouse o seguinte entendimento em ementa: IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTS. 150, §4º E 173, I, DO CTN. O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é quinquenal e tem termo inicial com a ocorrência do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo e fraude. Inteligência do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, os paradigmas deduziram a seguinte tese (com os sublinhados pela Recorrente): Acórdão nº 20181.461 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 COFINS. DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante nº 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, há que se reconhecer a decadência, em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. Acórdão nº 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Da leitura dessas ementas já é possível verificar que, enquanto o colegiado a quo entendeu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve sempre incidir a regra de contagem de prazo decadencial erigida no art. 150, § 4º, do CTN, exceto nos casos de dolo, fraude ou simulação, quando deve incidir a regra prevista no art. 173, I do mesmo diploma, os colegiados que proferiram os votos paradigmas deduziram entendimento no sentido de que somente se aplica a regra de prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação quando houver pagamento Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 972 6 antecipado. Do contrário, na ausência de pagamento antecipado, devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN. Portanto, a mera comparação entre as ementas já demonstrou, devidamente, a divergência de conclusões entre os colegiados, razão pela qual afasto a alegação da defesa. Como segundo ponto questionando o conhecimento do REsp da PFN, a interessada afirma não haver identidade fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido. Isto porque, segundo alega, os julgados contrapostos não teriam tratado dos mesmos tributos. De fato, o primeiro paradigma apresentado pela PFN tratou de incidência de PIS. Contudo, a legislação que recebeu interpretação divergente não foi a que regula o PIS, mas a que regula o prazo decadencial para constituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Assim, sob o aspecto da similitude fática, ambos os julgados o primeiro paradigma e o acórdão recorrido trataram de analisar e deduzir conclusões a respeito de uma norma geral de Direito Tributário e que se refere, justamente, ao prazo decadencial. O segundo paradigma, além de também tratar de normas gerais de Direito Tributário, que afinal é o ponto divergente suscitado pela recorrente, tratou especificamente do tributo IRPJ, o que demonstra a similitude de fatos tratados. Afasto, portanto, a argüição da defesa. A terceira alegação pelo não conhecimento do Recurso Especial da PFN se dirige à falta de divergência entre as conclusões deduzidas pelo colegiado recorrido e pelos colegiados que proferiram os paradigmas, o que, viuse anteriormente, não é verdade, já que a divergência de conclusões restou devidamente demonstrada, o que leva mais uma vez a rechaçar a argüição da defesa. Por último, assinala a recorrida que a tese formulada pela Fazenda Nacional não se adequa aos fatos concretos, uma vez que no anocalendário de 1997 reduziu seu saldo negativo acumulado em períodos anteriores por meio de compensação, que entende ser uma forma de pagamento. Esta última alegação, contudo, se refere à própria questão meritória e assim será analisada em tópico próprio. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PFN. Passo ao exame de mérito. 2 Mérito. 2.1 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL: REGRA DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para melhor análise do mérito, contextualizo os fatos tratados nos presentes autos. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 973 7 Tratamse de autos de infração para exigência de IRPJ e de CSLL, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 1997, tendo em vista a glosa de valores declarados a título de custos de depreciação e de amortização sobre serviços vendidos, sem a apresentação dos documentos fiscais comprobatórios das aquisições e construções dos bens depreciados. Ao analisar o mérito do litígio, o colegiado a quo declarou a decadência dos lançamentos de IRPJ e de CSLL para os fatos geradores ocorridos anualmente, em 31/12/1997, por aplicar ao caso o prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. A recorrente aduz que o acórdão recorrido teria dado interpretação divergente daquela dada por outras decisões proferidas por este órgão, relativamente às regras de contagem do prazo decadencial para lançamento do IRPJ, afirmando que, in casu, deveria ter sido aplicada a regra prevista no art. 173, I, do CTN, em face da ausência de pagamento prévio desses tributos no anocalendário 1997. Com efeito, o acórdão recorrido declarou a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL, para ambos os fatos geradores ocorridos 31/12/1997, fiandose na regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, como se verifica à página 4 da referida decisão (fl. 875, verso, do volume 4 digitalizado): [...] A Recorrente foi cientificada da lavratura dos Autos de Infração que exigem o IRPJ e a CSLL, relativos ao anocalendário 1997, em 14 de fevereiro de 2003, após o transcurso do prazo decadencial de 5 anos, cujo termo inicial é a data do fato gerador 31/12/1997, conforme disciplina o art. 150, § 4º, do CTN, verbis: [...] Considerando que transcorrido o prazo qüinqüenal encartado no § 4º do art. 150, do CTN, e ausente o intuito de fraude, reconheço a decadência amparada em precedentes do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: [...] O prazo decadencial para lançamento de tributos federais encontrase disciplinado no Código Tributário Nacional – Lei n o. 5.172, de 1966, como regra geral no artigo 173, e é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, § 4º a respeito de prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 974 8 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para que referida regra seja aplicada é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento antecipado de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura tributo devido e nos casos em que apesar de apurar, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Assim, quando não há apuração de tributo devido, como é o caso de apuração de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, ou quando há apuração mas não há pagamento antecipado, ao menos em parte, do tributo, se aplica a regra de contagem de prazo decadencial contida no art. 173, I, do CTN. Esse entendimento, além de pacificado nas esferas administrativas de julgamento, encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, deduzida em julgamentos de recursos representativos de controvérsia como, por exemplo, o Acórdão proferido no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 975 9 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso, o sujeito passivo optou, no anocalendário 1997, por apurar o IRPJ e a CSLL de acordo com as regras do Lucro Real Anual. Assim sendo, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL nesse anocalendário ocorreram em 31/12/1997. Como se verifica da cópia da DIRPJ (fls. 19 e ss do volume 1 digitalizado), não foi apurado IRPJ e CSLL devidos nesse ano, em virtude de ter sido experimentado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Ocorre que a regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º somente se aplica quando há apuração e pagamento, prévio e antecipado, ainda que parcial do tributo. É esta a atividade exercida pelo sujeito passivo a ser homologada. Assim, não há que se falar apuração de IRPJ e de CSLL no anocalendário 1997, e, portanto, não havia para esses períodos atividade a ser homologada. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10580.000917/200335 Acórdão n.º 9101003.058 CSRFT1 Fl. 976 10 Diante da ausência de apuração e pagamento para esses períodos, a regra de contagem de prazo decadencial aplicável é a do art. 173, I, do CNT, ou seja, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, para os fatos geradores anuais ocorridos em 31/12/1997, o lançamento dos tributos complementares de IRPJ e de CSLL somente poderia ter sido efetuado no ano de 1998. Assim, temse como primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, o dia 01/01/1999, tendose expirado o prazo decadencial em 31/12/2003. Como o sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos em 14/02/2003, temse que no presente caso não se operou a decadência do IRPJ e da CSLL. No entanto, fazse necessário que o colegiado a quo aprecie as demais matérias trazidas no Recurso Voluntário cuja análise ficou prejudicada em razão do reconhecimento da decadência. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PFN e, no mérito, darlhe provimento para afastar a decadência, restabelecer as exigências de IRPJ e de CSLL, para os fatos geradores ocorridos em 31/12/1997, determinandose ainda o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais matérias aduzidas no Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 976DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.908054/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.948
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 4/ 20 11 -3 9 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10183.908054/201139 Resolução nº 3201000.948 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
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