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Numero do processo: 19515.001690/2004-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCEDIMENTO INSTAURADO NA PENDÊNCIA DE SOLUÇÃO DE PROCESSO DE CONSULTA FORMULADA PELO SUJEITO PASSIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A formulação de consulta pelo sujeito passivo não tem o condão de suspender a exigibilidade dos tributos devidos, pois visa tão somente a proteger o consulente da imposição de penalidades enquanto a dúvida quanto à correta aplicação da legislação tributária, não é devidamente dirimida pelo Fisco. A declaração de ineficácia da consulta formulada pela autoridade consultada pelo não preenchimento aos seus requisitos, nos termos do art. 52 do Decreto nº 70.235/1972, dado o seu caráter meramente declaratório, tem efeito ex tunc, ou seja, extirpa quaisquer efeitos no mundo jurídico. Inocorrência de nulidade do lançamento.
IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. FATO GERADOR X PERÍODO DE APURAÇÃO.
O fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins é complexivo, iniciando-se no primeiro dia de cada período de apuração e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados no transcurso do período definido em lei para a apuração da ocorrência do fato gerador. Não há qualquer defeito no lançamento que apura as diferenças dos tributos lançados, uma vez respeitados os respectivos períodos de apuração (mensal ou trimestral, conforme o caso), e apurando o quantum devido ,nos termos previstos na legislação de regência.
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA EM AÇÃO FISCAL NO EXERCÍCIO ANTERIOR. LIMITE PARA OPÇÃO. INCLUSÃO NO CÁLCULO.
Constatada a omissão de receita em ação fiscal, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Ultrapassado o limite legal para a autuação pelo lucro presumido, correta a autuação pelo lucro arbitrado, não tendo sido possível apurar as diferenças devidas pelo lucro real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de infrações apuradas em decorrência de apuração de omissão de receitas e do arbitramento de lucros levados a efeito para a apuração do IRPJ, mantida aquela exigência, idêntica decisão deve ser aplicada àquelas contribuições.
Numero da decisão: 1302-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrente AÇOS TREFITA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCEDIMENTO INSTAURADO NA PENDÊNCIA DE SOLUÇÃO DE PROCESSO DE CONSULTA FORMULADA PELO SUJEITO PASSIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A formulação de consulta pelo sujeito passivo não tem o condão de suspender a exigibilidade dos tributos devidos, pois visa tão somente a proteger o consulente da imposição de penalidades enquanto a dúvida quanto à correta aplicação da legislação tributária, não é devidamente dirimida pelo Fisco. A declaração de ineficácia da consulta formulada pela autoridade consultada pelo não preenchimento aos seus requisitos, nos termos do art. 52 do Decreto nº 70.235/1972, dado o seu caráter meramente declaratório, tem efeito ex tunc, ou seja, extirpa quaisquer efeitos no mundo jurídico. Inocorrência de nulidade do lançamento. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. FATO GERADOR X PERÍODO DE APURAÇÃO. O fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins é complexivo, iniciandose no primeiro dia de cada período de apuração e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados no transcurso do período definido em lei para a apuração da ocorrência do fato gerador. Não há qualquer defeito no lançamento que apura as diferenças dos tributos lançados, uma vez respeitados os respectivos períodos de apuração (mensal ou trimestral, conforme o caso), e apurando o quantum devido ,nos termos previstos na legislação de regência. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA EM AÇÃO FISCAL NO EXERCÍCIO ANTERIOR. LIMITE PARA OPÇÃO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 90 /2 00 4- 84 Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.664 2 Constatada a omissão de receita em ação fiscal, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Ultrapassado o limite legal para a autuação pelo lucro presumido, correta a autuação pelo lucro arbitrado, não tendo sido possível apurar as diferenças devidas pelo lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de infrações apuradas em decorrência de apuração de omissão de receitas e do arbitramento de lucros levados a efeito para a apuração do IRPJ, mantida aquela exigência, idêntica decisão deve ser aplicada àquelas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.665 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1613.886, proferido pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (SPOI), em 26 de junho de 2007, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente, em face de autos de infração lavrados para a constituição de créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS, e Cofins, conforme consubstanciado na seguinte ementa, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CONSULTA INEFICAZ. EFEITOS. A consulta ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ sendo complexivo se inicia no primeiro dia de cada trimestre e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados no transcurso de cada trimestre. LUCRO PRESUMIDO. LIMITE. Constatada a omissão de receita em ação fiscal, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Ultrapassado o limite legal para a autuação pelo lucro presumido, correta a autuação pelo lucro arbitrado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. A procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ implica a manutenção das exigências fiscais dele decorrentes. Por bem descrever o feito até a presente data, transcrevo excertos do relatório do acórdão recorrido que descrevem a matéria objeto da autuação e apresenta as razões da impugnação apresentada pelo contribuinte, verbis: Conforme o Termo de Constatação Fiscal de fls. 2347/2351, a ação fiscal iniciouse em decorrência de Representação Fiscal do Sr. Inspetor da Receita Federal de São Paulo, datada de 29/01/2004, formalizada no PAF nº 10314.000597/200444, para auditoria de compras possivelmente não contabilizadas nos períodos de 1999 a 2003. Os fornecedores indicados na Representação Fiscal foram as empresas Aços Vilares S/A, CNPJ 60.664.810/000174 e Gerdau S/A, CNPJ 33.611.500/000119. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.666 4 Foram intimadas, por meio de MPF Extensivo, a apresentar a relação de todas as notas ficais e entre outros dados as datas de pagamentos de suas vendas para a empresa Aços Trefita Ltda. As empresas intimadas apresentaram os demonstrativos devidamente assinados que acusavam as datas e valores pagos nas compras efetuadas. Com esses documentos em mãos, a fiscalização iniciou a conferência no Livro Registro de Entradas nº 06, registrado na JUCESP sob o nº 220691, em 18/12/2002. No exame, foi constatado que várias notas fiscais das empresas Aços Vilares S/A e Gerdau S/A não estavam registradas no Livro Registro de Entradas nº 06 e o livro Caixa não estava acusando os seus pagamentos. Foi solicitado as referidas empresas fornecedoras da Aços Trefita Ltda. que enviassem cópias autenticadas de todas as notas fiscais cuja relação consta anexa ao termo de fls. 2347/2351. Após nova conferência das referidas notas, foi apurado com base nelas a matéria tributável do IPRJ e reflexos, por entender a fiscalização que a autuada regularmente intimada deixou de comprovar a origem dos recursos dos pagamentos nas aquisições de mercadorias para revenda. A falta de comprovação da origem dos recursos dos pagamentos ensejou a presunção de omissão de receitas consoante o art. 40 da Lei nº 9.430/1995. Esclareceu o autuante que para os anoscalendário 2002 e 2003, pelo fato de a soma da Receita Declarada nas respectivas DIPJ acrescida da Omissão de Receita apurada na ação fiscal, ter ultrapassado os limites estabelecidos na legislação para a tributação com base no Lucro Presumido, para esses anos calendário procedeu ao arbitramento do lucro. O contribuinte foi cientificado nos próprios autos de infração, em 02/09/2004, e apresentou em 28/09/2004, a impugnação de fls. 2427/2433 com as seguintes alegações: Preliminar a fiscalização não teria observado o art. 48, do Decreto nº 70.235/72, pois o contribuinte teria protocolizado, em 12/03/2004, antes do início do procedimento de diligência datado de 17/03/2004 e de fiscalização de 16/04/2004, consultas (docs. de nºs 01 a 04) que versariam sobre a orientação de regularização das matérias objeto dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; os processos de consultas, que objetivariam saber sobre a espontaneidade e recolhimento dos tributos sem a multa de mora receberam os seguintes números: IRPJ ..............................10314.001356/200412 CSLL.............................10314.001352/200434 COFINS........................10314.001354/200423 PIS................................10314.001355/200478; até a data da entrega da impugnação o contribuinte não teria recebido nenhuma resposta sobre a matéria consultada; Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.667 5 as referidas consultas suspenderiam qualquer procedimento fiscal destinado a apuração de infrações relacionadas com a matéria consultada; a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência de decisão de primeira instância, nenhum procedimento fiscal poderia ser instaurado sobre a matéria objeto da consulta; o auto seria nulo por ferir o art. 48 do Decreto nº 70.235/72. Mérito a ocorrência do fato gerador teria sido a data dos pagamentos que seriam as mais diversas durante os meses de março de 1999 a dezembro de 2003 e não ao final de cada mês, como consta nas folhas de continuação dos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; o erro na data da ocorrência do fato gerador acarretaria erro na base de cálculo dos referidos tributos; como conseqüência os autos seriam nulos; o contribuinte teria apurado o IRPJ nos anoscalendário de 2002 e 2003 pelo lucro presumido, a fiscalização não teria observado para esses anoscalendário o disposto pelo art. 24, da Lei nº 9.249/95. Não existiria nenhum dispositivo legal que obrigaria adicionar a receita apurada em ação fiscal à receita declarada para se verificar o limite para a opção pelo lucro presumido, seria nula a exigência nos referidos anos com base no lucro arbitrado; Intimada do acórdão recorrido em 24/08/2007 (AR, efls. 2632), a interessada apresentou recurso voluntário em 19/09/2007 (efls. 2633/2646), no qual repisa as razões trazidas na impugnação e refuta as conclusões da decisão recorrida, trazendo citações à jurisprudência administrativa e judicial e à doutrina como suporte à suas teses. Em síntese: 1 pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação sob a alegação de que se encontrava ao abrigo de Solução de Consulta formulada, ainda não solucionada, quando da instauração do procedimento fiscal; 2 defende o cancelamento do lançamento, com base no art. 142 do CTN, uma vez que a autoridade fiscal teria incorrido em erro na data da ocorrência dos fatos geradores e, portanto, erro nas bases de cálculo dos tributos lançados; e 3 sustenta que os lucros relativos aos períodos de apuração de 2002 e 2003 não poderiam ter sido arbitrados, uma vez que não existiria suporte legal para a inclusão das receitas omitidas junto com as receitas declaradas com vistas à apuração do limite para a opção pelo lucro presumido, de modo que a atuação desses períodos deveria ter sido feita nesse regime, por ela adotado, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Neste último ponto, no qual questiona o arbitramento do lucro levado a efeito pela autoridade fiscal nos anos 2002 e 2003, a recorrente inova em relação aos argumentos de mérito trazidos na impugnação. Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.668 6 Desta feita aduz uma segunda alegação no sentido de que faltaria base legal, para a inclusão das receitas omitidas apuradas por presunção pela autoridade fiscal, juntamente com as receitas declaradas, no montante da "receita conhecida" utilizado para a apuração do lucro arbitrado, em face do que dispõe o art. 51 da Lei 8.981/1995. Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.669 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim dele conheço. 1 Da alegação de nulidade da autuação A recorrente requer o reconhecimento da nulidade da autuação sob a alegação de que se encontrava ao abrigo de Solução de Consulta formulada, ainda não solucionada, quando da instauração do procedimento fiscal, o que contrariaria o disposto no art. 48 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe, verbis: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. O acórdão recorrido rejeitou a preliminar suscitada, nestes termos: A impugnante argüiu, em preliminar, que improcederia a ação fiscal, em vista de ter apresentado, anteriormente, perante a Receita Federal, consultas nos autos dos PAF 10314.001356/200412, 10314.001352/200434, 10314.001354/200423, 10314.001355/200478, com o objetivo de saber sobre a espontaneidade e recolhimento dos tributos sem a multa de mora, e que não teria recebido, até a data da entrega da impugnação, nenhuma resposta sobre a matéria consultada. O sistema de controle processual da RFB, COMPROT, cujos relatórios foram juntados em fls. 2476/2479, informa que os referidos processos, no decorrer do ano calendário de 2005, foram encaminhados para o Arquivo Geral da GRASP, denotando terem sido concluídas as referidas consultas e sido cientificado o contribuinte. Foram solicitadas e obtidas cópias dos Despachos Decisórios da SRRF08/DISIT, exarados nos autos dos referidos processos, que foram juntadas em fls. 2480/2487. Os referidos despachos foram assim ementados: É ineficaz a consulta que não identifique o dispositivo da legislação tributária sobre o qual haja dúvida referindose a fato genérico. Quanto à supra mencionada preliminar, ou seja, impossibilidade de instauração de procedimento de ofício pela existência dos referidos processos de consulta cabe esclarecer que não há que se falar em efeitos da consulta fiscal, muito Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.670 8 menos em nulidade do lançamento em tela, haja vista que a consulta ineficaz não produz efeitos, não gerando nenhum direito ao contribuinte. Corroborando o entendimento exposto, em 24 de julho de 1998, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, visando esclarecer o tema em questão consulta declarada ineficaz , exarou o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG no 45, cuja conclusão, em suma, foi de que: “24. [...]. Salientese, por fim, que, a despeito da autuação ter ocorrido antes da declaração de ineficácia à consulta, tal fato não encontra vedação na legislação tributária, pois a decisão na consulta tem caráter meramente declaratório, ou seja, se declarada ineficaz, isto significa que a consulta não produz qualquer efeito: é como se nunca tivesse existido.” Pelo então exposto, não há falarse em desobediência ao disposto pelo art. 48, do Decreto nº 70.235/72, e rejeitarse a preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte. A recorrente refutou as conclusões do acórdão recorrido, verbis: [...] Data máxima vênia. o entendimento alcançado pelo órgão julgador de primeiro grau não está correto. não espelhando a melhor interpretação para o dispositivo legal aplicado Art. 48. do Decreto n° 70.235, de 1972 e artigo 161 do CTN. Não existe qualquer indicação nesse sentido. Observese. pelos incisos I e II do artigo 48 do PAF. que a limitação de lançamento tributário pelo Fisco permanece em vigor desde o momento da apresentação (protocolização) da consulta. até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso: II de decisão de segunda instância. Nada, absolutamente nada. foi dito sobre a não aplicação das limitações indicadas no caput do art. 48 quando a consulta é considerada ineficaz. As limitações impostas ao Fisco, por determinação expressa do art.48 do Decreto n°. 70.235/72 são pertinentes, pois que o procedimento fiscal instaurado contra o contribuinte que está com processo de consulta junto ao órgão competente, vem a caracterizar com certeza. preterição de seu direito à ampla defesa, pois que o resultado da consulta pode ser fundamental sobre a matéria objeto do procedimento. Com efeito, o lançamento tributário envolvendo matéria submetida a processo de consulta. enquanto não ocorridas as hipóteses estabelecidas nos inciso l e ll. do art. 48. do Decreto n°. 70.235/72, configura nulidade por preterição do direito de defesa do sujeito passivo. E a limitação do Fisco ocorre, certamente, mesmo que a Consulta venha a ser considerada ineficaz pois que não existe qualquer determinação legal em contrário. A matéria já conta com jurisprudência assentada no âmbito dos EE, Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes. valendo reprisar as Ementas seguintes: [...] Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.671 9 Muitos outros arestos poderiam ainda ser aqui citados. em socorro da tese defendida pela Recorrente. a respeito da nulidade, “ab initio”. do procedimento fiscal em comento. Para concluir o raciocínio em tomo da preliminar de nulidade supra. é fato incontroverso que à época dos lançamentos tributários de que se trata estava em curso um processo de consulta iniciado pela Autuada e ora Recorrente. exatamente sobre a matéria objeto da referida exação fiscal. Outro fato de suma importância é que o artigo 48 da Lei 9.430/96 processo de regulamentou o consulta no âmbito da Receita Federal do Brasil, "in verbis" : [...] Os senhores Conselheiros podem constatar que o Contribuinte não tem muito o que fazer quando a autoridade entende que a consulta é ineficaz. mesmo que não concorde. Assim, o Contribuinte fica a mercê do entendimento da autoridade administrativa. No caso em questão, o procedimento correto seria a autoridade fiscalizadora procurar saber se o fiscalizado estava sob efeito de consulta sobre a matéria objeto do procedimento fiscal e comunicar sua chefia imediata, para que tomasse as providências em apressar a solução da consulta. Aceitando a tese da autoridade julgadora “a quo” criase um fato novo: lavra o auto de infração e o julgamento do mesmo fica “suspenso” até decisão da consulta. Caso ela seja favorável ao contribuinte o auto é cancelado caso contrário não. Em nosso ordenamento jurídico não existe esta pretensa “suspensão” praticada pela autoridade “a quo". É muito interessante que as autoridades que analisam a CONSULTA e a IMPUGNAÇÃO pertencem ao mesmo Órgão SRFB, podendo criar esta pretensa “suspensão” enquanto aguarda a decisão da consulta. Senhores Conselheiros. apesar da legislação vigente ser cristalina e a vasta jurisprudência deste Conselho ser unânime sobre o argüido. a autoridade “a quo" não tomou conhecimento da preliminar infringindo o principio da legalidade. Por todo exposto. requer seja declarado “nulo o auto de infração” ab initio”, com base no direito vigente. Com efeito pelo que se depreende dos autos, a recorrente havia formulado quatro consultas à RFB, que se encontravam pendentes de solução por ocasião da instauração do procedimento fiscal. O teor de tais consultas é relatado nos despachos decisórios que declararam sua ineficácia, exarados pela SRRF/08/Disit (efls. 2598 a 2613), verbis: Tratase de consulta protocolizada em 12/03/2004, efetuada por pessoa jurídica, cujo ramo de atividade e o comércio atacadista de aços para fins industriais. 2. Informa por intermédio de seu representante legal que a empresa foi intimada pela SRF a prestar esclarecimentos conforme documento GRURED n° 490, datado de 25/07/2003. Aduz ainda que. posteriormente. recebeu uma nova intimação GRURED n° 521. datada de 05/08/2003. na qual lhe é solicitada a apresentação de documentos de importação, notas fiscais. livros de entradas e inventário etc., tendo os mesmos sido entregues sob protocolo em 13/08/2003. 3. A consulente relata que ao realizar a revisão das DIPJ dos anos calendários de 1999, 2000. 2001, 2002 e 2003, constatou a presença de erros na base Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.672 10 de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) que redundou em insuficiência de pagamento. 4. Diante de tais fatos a consulente indaga sobre a possibilidade de apresentar novas declarações do IRPJ e DC'I`F´s, visando a retificar as anteriormente apresentadas. Questiona outrossim sobre a possibilidade de efetuar o pagamento das diferenças apuradas sem a multa moratória. 5. O pedido vem acompanhado de arrazoado no qual a consulente invoca a espontaneidade tendo por fundamento os artigos 138 e 210 do CI'N; o artigo 5° e parágrafo único e artigo 7°, § 2°. do Decreto 70.235/ l972. Ao apreciar a consulta, a autoridade responsável pela sua solução considerou que não foram atendidos os requisitos previstos na legislação e declarou a ineficácia da mesma, verbis: [...] 8. Com base nos dispositivos anteriormente citados, dessumese que a consulta sobre legislação tributária federal é aplicável a fato determinado. devendo a petição do interessado expor minuciosamente a hipótese consultada, bem como os fatos concretos a que visa atingir. A propósito. orienta o Parecer Normativo CST n° 342/1970 (DOU de 22/10/1970) que, para produzir efeitos. a consulta deve conter uma exposição detalhada e completa dos fatos enfrentados pelo contribuinte. devidamente correlacionada ao direito que lhes seja aplicável, ou seja, aos dispositivos da legislação tributária que os regem, e cuja correta interpretação, conforme adotada pela Secretaria da Receita Federal, deseja obter. Assim, não basta indicar um fato e indagar qual a repercussão que o mesmo poderá provocar em confronto com a legislação de um determinado tributo, é necessário que o interessado examine a questão em face do preceito legal que lhe é pertinente. 9. Fazse necessário consignar que a postulação em apreço não atende a tal requisito, pois a consulente não indica, em nenhum momento, os dispositivos da legislação tributária que ensejaram a sua dúvida, na forma determinada pelo art. 3°, § 1°, incisos III e IV, da Instrução Normativa SRF nº 230/2002. 10. A consulente reconhece por fruto de sua própria constatação, ser devedora do fisco por erros cometidos na apuração da base de cálculo do tributo. Não informa, contudo, a natureza do erro cometido e o dispositivo da legislação tributária a ele relacionado, de forma a apresentar uma dúvida convenientemente delimitada a ser apreciada pela Administração. Ao mencionar simplesmente erro na base de cálculo, a consulente relata o fato de forma imprecisa, pois a base de cálculo do IRPJ reflete a somatória do conjunto das transações realizadas pela consulente. 11. A análise individualizada das transações, que repercutem na composição do valor da base de cálculo. advinda do confronto com toda a legislação do tributo, demandaria uma explicação didática exaustiva sobre as várias hipóteses possíveis de erros, propósito para o qual o instituto da consulta não se presta. 12. Quanto ao pagamento dos tributos devidos sem as penalidades cabíveis informamos não restar dúvida, uma vez que a matéria relativa à incidência dos acréscimos legais foi disciplinada pelo artigo 61 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996 “ in verbis": [...] Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.673 11 13. Diante do exposto. tendo em vista que o presente pleito foi efetuado com inobservância das disposições contidas na Instrução Normativa SRF n° 230/2002. mais precisamente em relação aos incisos I, II, IX e XI de seu art. 15. declarase INEFICAZ a consulta, não podendo a mesma produzir efeitos. 14. Na forma do disposto no artigo 48 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os processos administrativos de Consulta são solucionados em instância única. Assim, do presente Despacho Declaratório de Ineficácia. não cabe recurso de oficio ou voluntário e nem pedido de reconsideração. Examinando a situação, em que pese que a literalidade do art. 48 do Decreto 70.235/1972 pareça favorecer à tese da recorrente, penso que este não pode ser examinado sem considerar o que dispõe o art. 52 do mesmo diploma, verbis: Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: I em desacordo com os artigos 46 e 47; II por quem tiver sido intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; III por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada; IV quando o fato já houver sido objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte o consulente; V quando o fato estiver disciplinado em ato normativo, publicado antes de sua apresentação; VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; VII quando o fato for definido como crime ou contravenção penal; VIII quando não descrever, completa ou exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução salvo se a inexatidão ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora. Ora, quando tal dispositivo determina a ausência de efeitos à consulta, nas situações que específica, não faz qualquer restrição quanto ao alcance da sua ineficácia, abarcando, por certo, inclusive aos efeitos assegurados no art. 48 do mesmo diploma. Notese que ao considerar a consulta ineficaz a autoridade consultada o faz em caráter declaratório, ou seja ex tunc extirpando quaisquer efeitos no mundo jurídico, de modo que não há que se inquinar de nulidade o auto de infração lavrado. Em que pese a recorrente tenha trazido à colação alguns julgados deste tribunal administrativo no sentido de sua tese, colhese da jurisprudência mais recente, diversos julgados que afastam a alegação de nulidade do ato de lançamento realizado ante à declaração de ineficácia da consulta, verbis: Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.674 12 PROCESSUAL LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO EFETUADO NO CURSO DE PROCESSO DE CONSULTA FORMULADA PELO SUJEITO PASSIVO NÃO SOLUCIONADA PRELIMINAR DE NULIDADE. Se a consulta foi declarada ineficaz, ou seja, não produziu o efeito desejado, não há o que se falar na garantia prevista no citado art. 48, porque este somente teria eficácia, se não houvesse ocorrido qualquer das hipóteses previstas no art. 52, do referido Decreto 70.235/72. Preliminar afastada. (Acórdão nº 30236941, 06/07/2005, 2ª C/3ºCC) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CONSULTA INEFICAZ. Não há impedimento para lavratura do Auto de Infração quando a consulta formulada pela contribuinte é declarada ineficaz, vez que esta não produz efeitos. (Acórdão nº 3202000.397, de 21/11/2011, 2ª TO/2ªC/3ª SEÇÃO/CARF) CONSULTA INEFICAZ. Não produz efeitos a consulta em que não são atendidos os requisitos legais para a sua formulação. (Acórdão nº 3802004.287, de 19/03/2015, 2ª TE/3ª SEÇÃO/CARF) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exigese, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Demonstrado que a consulta ineficaz não tem o condão de obstar o lançamento de ofício, a exigência fiscal não padece de nulidade por ter o sujeito passivo formulado indigitada consulta antes do início do procedimento de ofício. (Acórdão nº 9303002.624015, de 12/11/2013, 3ª Turma/CSRF) Não me parece que possa existir outra possibilidade de aplicar o art. 52 do Decreto nº 70.235/1972, sob pena de subverterse a própria finalidade do processo de consulta, pois, se assim não fosse, bastaria ao contribuinte, para se proteger de qualquer ação do Fisco, efetuar questionamentos sobre quaisquer fatos tributáveis, plenamente definidos na legislação apenas com o fito de criar um escudo, uma barreira inexpugnável, ainda que temporária, para se furtar ao cumprimento de suas obrigações fiscais. É óbvio que num caso isolado, bastaria ao Fisco ter suficiente agilidade na solução da consulta para derrubar a barreira, mas imaginese tal efeito com uma avalanche de consultas de muitos contribuintes, sabedores que estariam amparados por esta proteção. O caso em apreço, tal o teor da citada consulta, aproximase muito da situação imaginada acima. Senão vejamos: O contribuinte apresentou quatro consultas idênticas, uma para cada tributo federal, informando que apurou a existência de erro em cinco exercícios consecutivos (1999 a 2003) nas quais singelamente questiona 1 se é possível retificar suas declarações; e 2 se pode recolher as eventuais diferenças devidas sem multa. Ora, além da vagueza dos fatos por ela relatado, como bem apontado nas soluções de consulta, as supostas dúvidas são cristalinamente definidas na legislação ordinária Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.675 13 e normativa dos tributos mencionados, inexistindo qualquer traço de dúvida para a sua correta aplicação. E, mais, notese que a própria consulente, ora recorrente, afirmava ser devedora dos tributos que adviriam das divergências encontradas nas apurações anteriores. Então, bastaria recolhêlos, aplicandose, se fosse o caso, o instituto da denúncia espontânea, ainda que sujeita a eventuais entendimentos divergentes do Fisco. Embora seja óbvio, vale ressaltar que a possibilidade de realização de consulta, prevista na legislação, não tem o condão de suspender a exigibilidade dos tributos devidos, mas tão somente a proteger o consulente da imposição de penalidades enquanto a dúvida quanto à correta aplicação da legislação tributária, não é devidamente dirimida pelo Fisco. É esta a inteligência correta do disposto no art. 48 do Decreto nº 70.235/1972. E com esta análise, não se está pretendendo, é bom que se registre, discutir o teor e a validade das consultas apresentadas, posto que já solucionadas pelo órgão competente, mas tão somente demonstrar a incongruência da interpretação defendida pela recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. 2. Da alegação de erro na apuração do período de apuração A recorrente alega que a autoridade fiscal teria incorrido em erro na data da ocorrência dos fatos geradores e, portanto, erro nas bases de cálculo dos tributos lançados, para defender o cancelamento do lançamento, com base no art. 142 do CTN. A questão foi bem enfrentada no acórdão recorrido, verbis: No mérito, a questão central desta autuação se refere às datas dos pagamentos e as datas dos fatos geradores. A respeito da base de cálculo e da determinação do período de apuração do IRPJ, assim dispõe ao art. 1º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Sendo assim o fato do gerador do IRPJ é complexivo e se inicia no primeiro dia de cada trimestre e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados, vindo a se aperfeiçoar no último dia de cada trimestre. Portanto, correto o procedimento da fiscalização. Não há qualquer reparo a ser feito às conclusões do acórdão recorrido. Não há qualquer defeito no lançamento ao apurar as diferenças dos tributos lançados, tendo sido respeitados os respectivos períodos de apuração (mensal ou trimestral, conforme o caso), apurandose o quantum devido nos termos previstos na legislação de regência. Assim, rejeito também a alegação. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.676 14 3. Do arbitramento do lucro nos anoscalendário 2002 e 2003. A recorrente contesta o arbitramento dos lucros relativos aos períodos de apuração de 2002 e 2003, uma vez que não existiria suporte legal para a inclusão das receitas omitidas junto com as receitas declaradas com vistas à apuração do limite para a opção pelo lucro presumido, de modo que a atuação desses períodos deveria ter sido feita nesse regime, por ela adotado, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. O acórdão recorrido assim se pronunciou sobre a alegação: Quanto à autorização para a opção pelo lucro presumido, o art. 516 do RIR/1999 estatui que: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). Consta no Termo de Constatação Fiscal (fls. 2350), a apuração das seguintes receitas: ANO DIPJ+TOTAL OMITIDO (R$) LIMITE (R$) 2001 29.632.011,25 24.000.000,00 2002 41.196.220,83 24.000.000,00 2003 59.229.915,85 48.000.000,00 Os limites foram duplicados pela Lei nº 10.637/02, passando a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2003. Sendo assim, constatada a omissão de receita, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Correto, pois, o entendimento da fiscalização ao apurar o IRPJ nos anoscalendário de 2002 e 2003 pelo lucro arbitrado, pois o contribuinte nos anos anteriores (2001 e 2002) se não tivesse omitido receitas, estaria obrigado à apuração do IRPJ pelo Lucro Real, pois superado o limite para a tributação pelo Lucro Presumido, estando certa a apuração pelo lucro arbitrado no auto de infração. Com efeito, não tem razão a recorrente. O art. 24 da Lei nº 9.249/1995 tão somente determina que seja acrescida à base de cálculo apurada pelo sujeito passivo, o valor da omissão de receitas apurada pelo Fisco, de acordo com o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica. Evidentemente, se o contribuinte opta por um regime de apuração que lhe é vedado, cabe ao Fisco apurar os montantes devidos pelo regime de apuração cabível. Não sendo possível apurar as diferenças pelo lucro real é cabível o arbitramento do lucro. No caso concreto, o Fisco identificou a ocorrência de omissão de receitas nos anos de 2001 e 2002 que, somadas às receitas declaradas, ultrapassaram o limite anual previsto na lei para a opção pelo lucro presumido nos anos subsequentes (2002 e 2003). Assim, não sendo possível apurar as diferenças devidas pelo lucro real, revelase correto o arbitramento dos lucros nos anoscalendário 2002 e 2003. Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.677 15 Assim, não há como acatar esta alegação da recorrente. A recorrente, no entanto, inova em suas alegações recursais, trazendo um outro argumento no sentido de que faltaria base legal, para a inclusão das receitas omitidas apuradas por presunção pela autoridade fiscal, juntamente com as receitas declaradas, no montante da "receita conhecida" utilizado para a apuração do lucro arbitrado, em face do que dispõe o art. 51 da Lei 8.981/1995. Tratase, à toda evidência, de matéria nova, que não constou da impugnação da recorrente, estando precluso o seu direito de trazêla no âmbito recursal, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, voto no sentido de não conhecer desta alegação. 4. Lançamentos reflexos: CSLL, PIS e Cofins Com relação às exigências da CSLL, PIS e a Cofins, tratandose de infrações apuradas em decorrência de apuração de omissão de receitas e do arbitramento de lucros levados a efeito para a apuração do IRPJ, mantida aquela exigência, idêntica decisão deve ser aplicada àquelas contribuições. 5. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 2677DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.720272/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014
DECADÊNCIA. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO E ANUAL.
O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, se completando em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas.
ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Toda a tese desenvolvida pela Fiscalização, desde a motivação inicial, passando pelo desenvolvimento da ação fiscal - intimações, depoimentos e diligências - e sua conclusão, foi apreciada de forma bastante aprofundada pelo acórdão recorrido, fazendo com que os pontos destacados pelo autuado fossem, pela fundamentação do julgado, absorvidos de forma lógica e, em última análise, enfrentados.
AUTUADO PRESO. INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE.
Não há imposição legal a que se promova a intimação pessoal de autuado preso, sobretudo se regularmente exerceu seu direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS.
Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anos-calendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada.
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco Federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer.
CONDENAÇÃO PENAL. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA.
A sentença penal não repercute na exigência tributária, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei.
GANHO DE CAPITAL. ESCRITURA DE COMPRA E VENDA. FATO GERADOR.
A alienação configura hipótese de incidência tributária do IRPF sobre ganho de capital, sendo irrelevante o fato de não haver registro no cartório de imóveis.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador.
Numero da decisão: 2402-006.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, indeferir os pedidos de diligência e de suspensão do processo administrativo e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o conselheiros Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini que votaram por pelo aproveitamento, de ofício, do Imposto de Renda Retido na Fonte destacado na DIRF.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 DECADÊNCIA. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO E ANUAL. O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, se completando em 31 de dezembro de cada ano-calendário. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Toda a tese desenvolvida pela Fiscalização, desde a motivação inicial, passando pelo desenvolvimento da ação fiscal - intimações, depoimentos e diligências - e sua conclusão, foi apreciada de forma bastante aprofundada pelo acórdão recorrido, fazendo com que os pontos destacados pelo autuado fossem, pela fundamentação do julgado, absorvidos de forma lógica e, em última análise, enfrentados. AUTUADO PRESO. INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE. Não há imposição legal a que se promova a intimação pessoal de autuado preso, sobretudo se regularmente exerceu seu direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anos-calendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. CONDENAÇÃO PENAL. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA. A sentença penal não repercute na exigência tributária, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. GANHO DE CAPITAL. ESCRITURA DE COMPRA E VENDA. FATO GERADOR. A alienação configura hipótese de incidência tributária do IRPF sobre ganho de capital, sendo irrelevante o fato de não haver registro no cartório de imóveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador.
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IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO E ANUAL. O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, se completando em 31 de dezembro de cada anocalendário. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Toda a tese desenvolvida pela Fiscalização, desde a motivação inicial, passando pelo desenvolvimento da ação fiscal intimações, depoimentos e diligências e sua conclusão, foi apreciada de forma bastante aprofundada pelo acórdão recorrido, fazendo com que os pontos destacados pelo autuado fossem, pela fundamentação do julgado, absorvidos de forma lógica e, em última análise, enfrentados. AUTUADO PRESO. INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE. Não há imposição legal a que se promova a intimação pessoal de autuado preso, sobretudo se regularmente exerceu seu direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 72 /2 01 5- 84 Fl. 1420DF CARF MF 2 É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. CONDENAÇÃO PENAL. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA. A sentença penal não repercute na exigência tributária, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. GANHO DE CAPITAL. ESCRITURA DE COMPRA E VENDA. FATO GERADOR. A alienação configura hipótese de incidência tributária do IRPF sobre ganho de capital, sendo irrelevante o fato de não haver registro no cartório de imóveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, indeferir os pedidos de diligência e de suspensão do processo administrativo e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o conselheiros Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini que votaram por pelo aproveitamento, de ofício, do Imposto de Renda Retido na Fonte destacado na DIRF. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. Relatório Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 3 3 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para constituição de IRPF no valor principal de R$ 1.596.924,78, acrescido da multa de ofício e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Omissão de Rendimentos do Trabalho COM vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica exercício 2015 multa de oficio em 75%; 2 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica exercícios 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015 multa de oficio em 150%; 3 Ganhos de Capital na alienação de Bens e Direitos Omissão de ganho de capital na alienação de bens imóveis adquiridos em Reais multa de oficio em 75%. Para o relato dos fatos constatados pela Fiscalização, sirvome de parte do relatório da Resolução de fls. 1383/1385. Fl. 1422DF CARF MF 4 Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 4 5 Fl. 1424DF CARF MF 6 Regulamente intimado da autuação, apresentou Impugnação, que, como já dito, foi julgada procedente em parte pela competente Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Em seu Recurso Voluntário de fls. 1.342/1372 aduz, em síntese: 1 Nulidade da intimação acerca do acórdão recorrido, na medida em que, segundo alega, a intimação do autuado deveria ter sido pessoal, eis que estaria preso no Complexo MédicoPenal do Paraná, cerceando, desta feita, seu direito de defesa. 2 Nulidade do acórdão recorrido, por suposta ausência de apreciação de pontos suscitados na Impugnação. a) Insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente; b) Ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao contribuinte; Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 5 7 c) Nulidade do auto de infração por deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal; d) Violação ao art. 42, § 50, da Lei no 9.430/96; e) Inexistência de identificação do recorrente como sujeito passivo dos rendimentos auferidos pelas empresas Limiar e LSI; e f) Incorreta apuração da matéria tributável. Pontos alegadamente essenciais e que teriam sido apenas tangenciados no acórdão de piso: a) Da inexistência de provas idôneas de que as empresas Limiar e LSI não prestaram serviços; b) Inexistência de prova da relação entre as empresas Limiar e LSI e a empresa Borghi Lowe Propaganda e Marketing Ltda; c) Inexistência de recebimentos da empresa IT7 Sistemas Ltda. e ausência de prova quanto às declarações do Sr. Alberto Youssef; d) Inexistência de correspondência entre as Declarações Anuais de Ajuste e depósitos bancários do em favor do recorrente e a suposta existência de outras origens de receitas; e) Inocorrência de fato gerador; f) Bis in idem; e g) Não incidência de tributo como forma de sanção de ato ilícito. Que o acórdão deveria enfrentar ponto a ponto a Impugnação, tais como a ausência de intimação em violação ao artigo 42, § 5º da Lei 9.430/96 (e Súmula CARF nº 29) e inexistência de identificação do recorrente como sujeito passivo dos rendimentos auferidos pelas empresas LIMIAR e LSI e a incorreta apuração da matéria tributável. 3 Nulidade do acórdão recorrido, por suposto cerceamento de defesa quando do indeferimento do pedido de produção de provas. 4 Decadência parcial do crédito tributário. 5 Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal. Que os MPF/TDPF não indicaram os terceiros que também foram fiscalizados. Que houve a ampliação do período fiscalizado, sem que o autuado tivesse tomado ciência. Que parte das diligências se deu em outro Estado, sem a prévia autorização do Cofis. Assim, teria havido violação ao princípio da legalidade. Fl. 1426DF CARF MF 8 6 Nulidade do Auto de Infração Insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente e ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao impugnante. Que a ação teria iniciado para verificar a regularidade dos valores informados como isento na DAA, em função da distribuição de lucros na empresa LIMIAR. E, em seguida, passaram a concluir que tanto a LIMIAR, quanto a LSI, cujos sócios são o contribuinte e seus irmãos, haviam recebido remuneração por serviços prestados a idênticas tomadoras de serviços. 7 Nulidade do Auto de Infração Há um "vazio" entre o fato objeto da fiscalização do qual o contribuinte foi intimado (DAAs) e os fatos que foram efetivamente fiscalizados (recebimentos de serviços prestados pelas empresas Limiar e LSI). Que após a Fiscalização concluir que o autuado seria o contribuinte direito das receitas advindas da prestação de serviços da LIMIAR e LSI, deveria têlo intimado a prestar esclarecimentos, como lá sugerido em seu recurso voluntário. 8 Inexistência de provas hábeis suficientes a comprovar a suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O recorrente jamais recebeu os mencionados valores das referidas fontes. As "provas" que fundamentam a conclusão exarada são imprestáveis à comprovação da ocorrência do fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas por parte do recorrente, nos termos do art. 142, do CTN. Além de as auditoras fiscais terem utilizado exclusivamente a prova testemunhal, fizeram a "seleção" de quais oitivas e declarações de testemunhas interessavam ao fim de imputar, ao recorrente, infrações à legislação tributária, desconsiderando as provas documentais em sentido contrário às oitivas selecionadas. Que as auditoras fiscais simplesmente afastaram as declarações e documentos — notas fiscais, comprovantes de pagamento, contratos de prestação de serviços — em sentido contrário ao que pretendiam demonstrar nos autos. Que especificamente quanto à empresa Borgui Lowe, afastaram a declaração e documentos acostados pelo sócio da empresa, porque tiveram conhecimento pela "mídia nacional" de que o diretor da empresa, Sr. Ricardo Hoffman, teria declarado o repasse de valores às empresas Limiar e LSI. Assim, notícia veiculada na imprensa nacional afastou a declaração da empresa constante dos autos, acompanhada de documentação idônea, sendo que não há sequer a fonte da notícia que foi transcrita. Que tal "prova" não é legal, não está prevista como meio adequado à demonstração de fatos, assim como não é moralmente legítima, uma vez que se transcreve trecho aleatório, pinçado seletivamente, sem indicação da fonte. Que as provas inexistiram no caso dos autos, pois: a) Os extratos bancários do recorrente e suas DAA não atestam qualquer omissão de rendimentos ou saldo patrimonial a descoberto; b) Não consta a juntada dos extratos bancários, livros contábeis, declarações fiscais das empresas Limiar e LSI; c) Não constam as notas fiscais de serviços prestados pela empresa (apenas o rol constante em planilha acostada sem nenhuma formalidade); Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 6 9 d) Não há documentação hábil (recibo, nota fiscal, cheque, extrato bancário) vinculada aos supostos recebimentos de valores pelo recorrente das empresas Limiar e LSI. 9 Nulidade do auto de infração por deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal. Que haveria ausência da objetiva subsunção do fato à norma e de específica tipificação do fato tributado. 10 Inexistência de identificação válida do sujeito passivo. Que a fim de atribuir os rendimentos por estas auferidos ao recorrente, noutro lado afirma que não houve desconsideração da personalidade jurídica, sendo considerada a existência lícita da pessoa jurídica, razão pela qual não poderia modificar a titularidade dos recolhimentos da pessoa jurídica. Que quanto a LIMIAR, o recorrente poderia ser responsabilizado, por sucessão, por eventuais débitos em nome da empresa, constituídos após sua extinção; Já com relação a LSI, com a qual o contribuinte não mantém qualquer vínculo, não poderia ser responsabilizado por qualquer débitos eventualmente constituídos sobre ela. Que o recorrente foi qualificado como contribuinte das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sem qualquer Termo de Sujeição Passiva lavrado para caracterizar a responsabilidade pelo crédito tributário. Que não seria hipótese de solidariedade prevista no artigo 121, tampouco no 124, ambos do CTN. Da mesma forma, incabível a responsabilização à luz do artigo 135, III do CTN, qualquer infração ao contrato social ou à lei por parte do recorrente. 11 Da inexistência de demonstração do efetivo acréscimo patrimonial do recorrente em relação aos rendimentos das empresas Limiar e LSI em relação. Violação ao art. 42, § 50, da Lei no 9.430/96 e ao artigo 43, do Código Tributário Nacional. Que se afirma que todos os recebimentos pelas empresas Limiar e LSI são de fato receitas auferidas pelo recorrente, mas não se identificou nenhuma disponibilidade por parte deste em relação às respectivas quantias. 12 correta apuração da matéria tributável. Que houve a exigência do valor total das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sem dedução de despesas escrituradas e tributos recolhidos, o que resulta em obrigação tributária dúplice e confiscatória, pois se exige, em duplicidade, valores já recolhidos pelas empresas e em importância muito superior ao que efetivamente foi aferido, já que para cada prestação de serviços há as despesas correspondentes, as quais não foram deduzidas. Que o acórdão seria contraditório, pois afirma que "não tem como considerar como doações porque ficou caracterizado o caráter remuneratório dos recebimentos (art. 55, X, RIR/99)"; todavia, a própria acusação fiscal afirma que restou descaracterizada a prestação de serviços. Fl. 1428DF CARF MF 10 13 Não incidência de tributo como forma de sanção de ato ilícito. Da necessária suspensão do processo administrativo fiscal até o julgamento definitivo da ação penal. Que sendo o fato gerador decorrente do resultado do ilícito penal, é absolutamente ilegal que seja o acréscimo patrimonial vultuosamente superior ao próprio proveito econômico resultante do ilícito penal. 14 XIV. Omissão de rendimentos do trabalho. Que a multa de 75% relativa ao exercício 2015 deve ser anulada, pois estaria preso desde 10.04.2015. 15 Infração: ganho de capital. Que com relação ao imóvel situado em Ibiporã/PR, não teria havido o fato gerador da alienação, uma vez que a operação não foi registrada na matrícula do imóvel e que o mesmo teria sido objeto de posterior seqüestro judicial. 16 Juros e Multas aplicadas. Quanto à aplicação da multa qualificada de 150% em relação à suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, não haveria prova nos autos das supostas omissões de rendimentos. Ao final, requereu a suspensão dos autos até o transito em julgado das ações penais ajuizadas em face do recorrente, conforme requerido no item XIII; o atendimento aos pedidos de diligências já constantes da impugnação, assim como que seja diligenciado junto ao Complexo Médico Penal, a fim de aferir as condições de acesso à informações pelo recorrente, como exemplo o recebimento de correspondências e acesso à internet. Na Sessão de 21.09.2016, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem atendidos os pontos a seguir: Em atendimento à Diligência, a fiscalização produziu a Informação Fiscal de fls. 1.393/1.404. É o relatório. Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 11.04.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 11.05.2016. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Antes de passar à análise propriamente dita do recurso, cumpre destacar o requerimento acostado às fls. 1.419, no sentido de que fosse suspenso o processo, até a decisão definitiva no processo penal, eis que estaria, em função de estar preso, sem uma defesa no processo. O fato de estar preso, em especial pelo extenso, abrange e tempestivo Recurso Voluntário apresentado, não é questão prejudicial ao prosseguimento do julgamento administrativo, posto que os interesses que se busca tutelar difere aqui, do de lá, tampouco haveria a possibilidade de que, uma vez prosseguindo o julgamento, estarseia cerceando seu direito à defesa. Com efeito, encaminho pelo prosseguindo do julgamento. Das preliminares: De nulidade do lançamento: Alega o contribuinte vícios e desconhecimento nas alterações no MPF/TDPF, que, por si só, teriam maculados, definitivamente, o procedimento fiscal. Quanto a esse ponto, cumpre destacar que o MPF e, posteriormente, o TDPF são instrumentos de mero controle administrativo, não protraindo efeitos no que toca à legalidade da constituição do crédito tributário. Nesse mesmo sentido caminha a Jurisprudência deste Colegiado: Acórdão 3201003.145 Sessão de 25.09.2017 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Ainda com relação a este tópico, compartilho do assentado no acórdão recorrido, tanto no que se refere à extensão dos Procedimentos de Diligência em outro Estado, quanto à amplitude do período fiscalizado. Confirase: O TDPF que controlou o procedimento fiscal em análise permaneceu com o mesmo número do MPF emitido e mesmo código de acesso (fls. 1.308/1.309), nele constando suas prorrogações e alterações, inclusive a efetuada em Fl. 1430DF CARF MF 12 20/04/2015, que incluiu para serem fiscalizados os anos calendário 2013 e 2014. Deve ser salientado também que foi cumprido o disposto no art. 5º, § 2º da Portaria nº 1.687/2014, que estabelece que a ampliação do período a ser fiscalizado, registrada no TDPF, deve ser consignada no primeiro termo de ofício emitido pelo AuditorFiscal após a alteração, o que foi efetuado no Termo de Intimação Fiscal emitido em 20/04/2015, recebido pelo impugnante em 22/04/2015 (fls. 172/176). Os diversos procedimentos fiscais constantes do processo, que foram realizados pelas AuditorasFiscais da DRF Londrina que lavraram o Auto de Infração, fora de sua Região Fiscal, foram os “de diligência”, para coletar informações, e não “de fiscalização”, não sendo necessária, portanto, a prévia autorização disciplinada no art. 7º da Portaria. Em prosseguimento, desta feita no que diz respeito ao lançamento em si, sustenta o recorrente: Que haveria insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente e ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao impugnante Que a ação teria iniciado para verificar a regularidade dos valores informados como isento na DAA, em função da distribuição de lucros na empresa LIMIAR. E, em seguida, passaram a concluir que tanto a LIMIAR, quanto a LSI, cujos sócios são o contribuinte e seus irmãos, haviam recebido remuneração por serviços prestados a idênticas tomadoras de serviços. Que haveria um "vazio" entre o fato objeto da fiscalização do qual o contribuinte foi intimado (DAAs) e os fatos que foram efetivamente fiscalizados (recebimentos de serviços prestados pelas empresas Limiar e LSI). Que após a Fiscalização concluir que o autuado seria o contribuinte direto das receitas advindas da prestação de serviços da LIMIAR e LSI, deveria têlo intimado a prestar esclarecimentos, como lá sugerido em seu recurso voluntário. Que haveria deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal. As hipóteses de nulidade, aí incluídas as do lançamento, são aquelas textualmente previstas no artigo 59 do Decreto 70.235/72, somadas aos casos de omissão de qualquer dos elementos listados no artigo 10 daquele mesmo diploma. São eles: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 8 13 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Ademais, a prévia intimação do contribuinte não é, à exceção dos casos exigidos em lei, imprescindível à lavratura do auto. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." O Auto de Infração e o correspondente Termo de Verificação de Ação Fiscal de fls. 2/24 são suficientemente claros ao descrever a infração imputada ao recorrente, o que se confirma pela abrangente e extensa peça impugnatória com 26 laudas. Definitivamente se defendeu o autuado. Apenas a título de registro, não raras as vezes a ação fiscal se inicia com um propósito específico e, a depender das informações prestadas pelo fiscalizado ou por terceiros, é concluída com a identificação de infrações outras que não as que foram inicialmente programadas. É dizer: por vezes a realidade fática, verificada no curso da ação fiscal, não coincide com a expectativa que se tinha antes de o início do procedimento. Esse, sim, é o papel da Auditoria Fiscal conformar a expectativa à realidade fática. Ao trazer como razão de recurso a inobservância à Súmula CARF nº 29, equivocase o autuado ao pretender fazer crer que teria sido autuado em função de depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Li 9.430/96). Não foi o caso. A menção aos valores depositados na conta de sua dependente, em especial os diversos depósitos em dinheiro, teve com condão robustecer a assertiva de que os valores que, em tese, seriam devidos às empresas LIMIAR e LSI, os eram, em verdade, ao autuado. Alega ainda o suplicante, que parte dos créditos tributários teria sido atingida pela decadência. À luz do lançamento, pôdese notar que a competência mais remota recai no anocalendário 2010, mais precisamente, no dia 31.12.2010, posto tratarse omissão de rendimentos levados ao ajuste anual e a ciência do lançamento deuse em 17.08.2015 (fls. 1.263). Posto isso, seja qual for a sistemática que deva ser adotada, se a do §4º do artigo 150 (31.12.2015) ou a do 173, I (31.12.2016), ambos do CTN, temse que os créditos tributários estão a salvo da decadência. Por fim, não há que se falar que a tributação pretendida pela Fiscalização tenha natureza de sanção pela prática de ato ilícito. Esta se dará, se for o caso, na seara criminal. O que se tem aqui é a percepção de que o autuado aferiu renda tributável e não a ofereceu à tributação em violação à legislação tributária. Nesse sentido, ainda que os fundamentos e as conclusões tomadas no âmbito penal possam coincidir com os de aqui, não quer dizer, necessariamente, que se deva suspender Fl. 1432DF CARF MF 14 a tramitação do processo fiscal até o julgamento definitivo da ação penal. Esta não é, a meu ver, questão prejudicial àquela. Uma vez que os elementos trazidos aos autos o conjunto indiciário são capazes de formar, acima de qualquer dúvida razoável, a convicção do julgador administrativo acerca da ocorrência do fato gerador e da identificação do correspondente contribuinte, imperioso o prosseguimento do julgamento, observado o rito próprio a ele aplicado. Indefiro, desta feita, o pleito de suspensão aduzido pelo autuado. De nulidade do acórdão recorrido: A primeira alegação diz respeito à suposta ausência de apreciação de pontos suscitados na impugnação e de pontos que teriam sido apenas tangenciados no acórdão. Quanto aos que não teriam sido apreciados, elenca: a) Insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente; b) Ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao contribuinte; c) Nulidade do auto de infração por deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal; d) Violação ao art. 42, § 5º, da Lei no 9.430/96; e) Inexistência de identificação do recorrente como sujeito passivo dos rendimentos auferidos pelas empresas Limiar e LSI; e f) Incorreta apuração da matéria tributável. Inicialmente cumpre destacar que o julgador não precisa enfrentar todos os pontos questionados pelo impugnante, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que tais questões sejam fundamentais para o julgamento da lide e a falta de discussão de outros pontos não permita violação ao direito de defesa da empresa. Como relatado acima, a Fiscalização imputou ao recorrente rendimentos (sua omissão) provenientes de pessoas jurídicas que seriam devidos, quis fazer crer o autuado, a empresas sem capacidade operacional. Toda a tese desenvolvida pela Fiscalização, desde a motivação inicial, passando pelo desenvolvimento da ação fiscal intimações, depoimentos e diligências e sua conclusão, foi apreciada de forma, a meu ver, bastante aprofundada pelo acórdão recorrido, fazendo com que os pontos destacados pelo autuado fossem, pela fundamentação do julgado, absorvidos de forma lógica e, em última análise, enfrentados. Em outras palavras: as conclusões do relator, que externaram sua convicção, acabaram, ainda que por decorrência lógica, por rechaçar as alegações do contribuinte. A título de exemplo, reproduzo excerto daquele acórdão: Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 9 15 Além de tais diligências, outro elemento formador de convicção é a documentação apreendida na residência do contribuinte pela Polícia Federal em 10/04/2015, na 11ª fase da Operação Lava Jato, que tem como objetivo apurar esquema de lavagem de dinheiro, consistindo em planilhas contendo número de notas fiscais, datas, nome dos contratantes e respectivos CNPJ, bem assim valores pagos às empresas Limiar e LSI, o que demonstra o envolvimento e interesse do contribuinte em seu recebimento e administração. Evidenciado que não houve a efetiva prestação de serviços por parte das empresas Limiar e LSI, concluise que as mesmas foram constituídas para dar aparência de legalidade a recebimentos de origem e natureza desconhecidas, que o autuado não teria como comprovar se os tributasse em sua pessoa física, no total de R$ 4.304.559,26 nos anos calendário 2010 a 2014. O farto conjunto probatório anexado aos autos demonstra que, por intermédio de operações simuladas, houve aquisição de disponibilidade econômica e/ou financeira de renda pelo autuado, sendo, em conseqüência, fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Na seqüência de seu recurso, o autuado sustenta a nulidade do acórdão recorrido, por suposto cerceamento de defesa quando do indeferimento do pedido de produção de provas. Não assiste razão ao recorrente. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a produção de prova tem, como momento oportuno e peremptório, o da apresentação da impugnação, ressalvadas situações previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, verbis: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Por outro lado, a realização de diligências ou perícias são determinadas, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando o julgador entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Com efeito, assim se pronunciou o julgador de piso para indeferir o pedido de diligências e perícia contábil: Fl. 1434DF CARF MF 16 Quanto ao pedido do interessado de que fossem juntadas declarações e cadastros, assim como de realização de perícia contábil, cabe esclarecer que diligências ou perícias adicionais são desnecessárias, pois se encontram presentes circunstâncias fáticas das infrações à legislação tributária suficientemente caracterizadas e legalmente tipificadas na peça de autuação. As provas acostadas nos autos reputamse aptas a formar a convicção do julgador, assim,. diligências ou perícias apenas procrastinariam a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica De nulidade da intimação do acórdão recorrido: Diligentemente, sustenta a nulidade da intimação acerca do acórdão recorrido, na medida em que, segundo alega, a intimação do autuado deveria ter sido pessoal, eis que estaria preso no Complexo MédicoPenal do Paraná, cerceando, desta feita, seu direito de defesa. Ora, não há qualquer previsão no artigo 23 do Decreto 70.235/72 que excetue a intimação do sujeito passivo pelo fato de estar encarcerado. No caso em tela, a intimação, ao que tudo indica às 1.335, foi encaminhada ao domicílio tributário do autuado, que foi regularmente lá recebida em 11.04.2016, com substancial recurso apresentado tempestivamente e por ele assinado. Do mérito: Da omissão de rendimentos sem vínculo empregatício: Superadas as preliminares, passo a analisar o mérito. Interpostas Pessoas LSI e LIMIAR: Com já posto alhures, o lançamento, naquilo que se aplica à infração de omissão de rendimentos de pessoa jurídica, concluiu, após diversas diligências, oitivas e análise documental, por atribuir ao recorrente Deputado Federal à época do procedimento fiscal a condição de contribuinte, e não de responsável, pelos rendimentos supostamente percebidos pelas empresas LIMIAR e LSI, o que afastaria a aplicação dos artigos 121, II e 135, ambos do CTN. Após o encerramento do procedimento fiscal, o recorrente teve cassado seu mandato por quebra de decoro parlamentar. E, ainda neste ano, conforme amplamente noticiado, teve uma condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro mantida em segunda instancia (TRF4), com pena de aproximadamente 14 anos de reclusão. 1 Quanto à primeira empresa, temse o autuado como sócio; quanto à segunda, apurouse um liame entre ambos, em função objetivamente de apresentar como sócio dois irmãos do autuado e da farta documentação apreendida pela Polícia Federal em sua residência em 10.04.2015, que fez demonstrar a administração e controle das operações lá reveladas. 1 https://g1.globo.com/rs/riograndedosul/noticia/tribunalfederalconfirmacondenacaodoexdeputadofederal andrevargas.ghtml Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 10 17 Dentre os documentos apreendidos, consoante registrado pelo Fisco, estavam planilhas contendo número de notas fiscais, datas, nomes dos contratantes e respectivos CNPJ, bem como valores pagos às referidas empresas. Cumpre destacar, no que toca ao compartilhamento de informações/documentos relacionados ao recorrente e às empresas citadas no relatório fiscal, que a Receita Federal, por meio de seus Agentes Fiscais, integra, juntamente com o MPF e PF, uma Força Tarefa destinada à apuração dos ilícitos penais e tributários no âmbito da Operação LavaJato. Em termo de enquadramento legal, trago à colação os artigos a seguir, extraídos do RIR/99. Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância. Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Art. 55. São também tributáveis: (...) IX a multa ou qualquer outra vantagem recebida de pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato, ressalvado o disposto no art. 39, XX; X os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; Fl. 1436DF CARF MF 18 XI os interesses e quaisquer outros rendimentos de partes beneficiárias ou de fundador e de outros títulos semelhantes; XII o valor do resgate dos títulos a que se refere o inciso anterior, quando recebidos gratuitamente; Percebese dos dispositivos acima, a abrangência do conceito de renda para fins de tributação. Vale dizer: é a disponibilidade jurídica ou econômica de todo e qualquer produto do capital e do trabalho, independentemente de sua denominação, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Incluemse aí os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem. Notese que para fins de incidência não se faz necessário o recebimento em espécie da renda (disponibilidade econômica), bastando que sobre ela possua disponibilidade jurídica, assim entendida a possibilidade de dela dispor da forma que melhor lhe aprouver. Assim, pouco importa para se determinar aquele que aferiu a renda, a destinação que de forma livre e consciente decidiu dar ao recurso ou ao proveito; se doou, se adquiriu bens, se repartiu com outrem ou mesmo se o inutilizou. Não interessa. E tal circunstância, a meu ver, afigurase solidamente evidenciada, seja por estar revestido de inegável poder e prestigio decorrente do exercício do mandato de Deputado Federal, seja por estar sob seu domínio todo o controle das operações engendradas envolvendo referidas empresas, como se observou na busca e apreensão em sua residência. Dito isso, considerando que com relação a LIMIAR, o contribuinte não era seu sócio administrador e com relação a LSI, sequer figurava formalmente como sócio, a questão que assim se pondera seria: qual a razão para se encontrar sob seu o domínio, controles relativos a "operações" envolvendo tais empresas ? Ainda com relação à LSI, registrese que a Fiscalização, após infrutíferas diligencias junto aos sócios (LEON e MILTON), irmãos do autuado, não logrou êxito na obtenção dos documentos fiscais a ela relacionados. O Sr Leon, embora intimado, não atendeu ao Fisco; enquanto o Sr Milton estaria residindo nos Estados Unidos já há algum tempo. Da mesma forma, foram infrutíferas a tentativas junto aos excontadores e exfuncionários da empresa. Note os excertos dos depoimentos a seguir: SIMONE IMAMURA EXSÓCIA. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 11 19 RODRIGO KAZUO YOSHITANI EXFUNCIONÁRIO: DANIELA TAVARES DA SILVA ANDROTTO EXFUNCIONÁRIA. ALESSANDRA GONÇALVES SASAKI EXFUNCIONÁRIA: Diferentemente do que quis fazer crer o recorrente, os valores percebidos pelas empresas acima, pretensamente a titulo de serviços prestados relacionados ao seus objetos sociais, foram a ele atribuídos não com essa mesma natureza intentada, mas em função da possível prática de atos criminalmente reprováveis. É dizer, concretamente, não em função do exercício da atividade empresarial por meio da qual pretendeu justificar aqueles ingressos e notas emitidas, mas em "retribuição" à prática de possíveis atos ilícitos apurados nos autos das Fl. 1438DF CARF MF 20 competentes Ações Penais em curso. Uma delas, inclusive, com condenação por corrupção já mantida em segunda instância de julgamento (TRF4). A documentação trazida, em especial os depoimentos colhidos e as constatações acerca da falta de capacidade técnica das empresas para a realização do respectivo objeto social, conduzme à conclusão de que os serviços que pretendeu fazer crer existir, não foram, indubitável e efetivamente, prestados. Destaquese, ademais, a assertiva da Fiscalização, não refutada pelo autuado, de que as empresas haviam sido constituídas para dar aparência de legalidade a recebimentos de recursos de origem e natureza jurídica desconhecidas. E prosseguiu a autoridade autuante ao concluir: "Ficou evidente trataremse de empresas de fachada, uma vez que essas não tinham capacidade operacional, tampouco quadro de funcionários qualificados para o desenvolvimento das atividades pretendidas por elas.". Em momento algum o autuado apresentou elementos capazes de infirmar a tal colocação. E mais, a criação de empresas com objeto social2 3praticamente voltado à execução de serviços relacionados a consultoria, assessoria e agenciamento, supostamente prestados a um mesmo grupo de contratantes, de titularidade o autuado (LIMIAR) com notória influência política à época e de seus irmãos (LIMIAR e LSI) induz à primeira impressão de que algo poderia estar sendo encoberto. A rigor são atividades que, por sua própria natureza, são adotadas para encobrir crimes de lavagem de dinheiro, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, dentre outros. E, por óbvio, aqueles serviços lícitos não devem, sob o ponto de vista formal, ser prestado pelo agente público a quem interessa, mas sim por alguém de sua inquestionável confiança. Vejamos alguns exemplos de depoimentos/informações contundentes acerca da suposta prestação de serviços por aquelas duas empresas: CORONÁRIO EDITORA GRÁFICA LTDA (CNPJ 00.119.123/000146) 2 LIMIAR Conforme contrato social, a empresa foi constituída em 05/05/2009, tendo por objeto a prestação de serviços de consultoria e assessoria na área de comunicação; consultoria em publicidade e propaganda; design gráfico; Propaganda e publicidade; pesquisa de mercado; marketing de relacionamento; atividade de disponibilização de infraestrutura para os serviços de tratamento de dados e hospedagem da internet; organização e promoção de feiras, congressos e festas 3 LSI Conforme instrumento particular de constituição de sociedade empresária limitada de 25/07/2011 e contrato social de 21/03/2012, empresa tem por objeto análise, exame, pesquisas, compilação de informações e coletas de dados de qualquer natureza; agenciamento de publicidade e propaganda, inclusive o agenciamento de veiculação por quaisquer meios; planejamento, organização e administração de feiras, exposições, congressos e congêneres; serviços de apoio administrativos prestados principalmente a empresas; intermediação e agenciamento de negócios; atividades de ASsessoria em comunicação Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 12 21 JBS S/A (CNPJ 02.916.265/002707) SAGAZ DIGITAL PRODUÇÃO DE VÍDEOS LTDA (CNPJ 05.589.859/0001 00) Fl. 1440DF CARF MF 22 MPV7 COMERCIO E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 73.291.817/000130) CONCESSIONARIA ECOVIAS DOS IMIGRANTES S/A (CNPJ 02.509.491/000126) Assim, a existência de notas fiscais emitidas, de um ou outro contrato de prestação de serviços ou mesmo de escrita contábil/fiscal não é capaz de afastar a verdade material dos fatos então trazida a lume pela Fiscalização, sobretudo, frisase, pela coerência e Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 13 23 importância dos vários e vários depoimentos/informações que, em essência convergem para o mesmo sentido, a saber: que não teria havido prestação de serviços por tais empresas. Nesse aspecto, trago à colação o sintetizado das conclusões contundentes as que chegou a Fiscalização, a partis dos depoimentos/informações colhidos: • A falta de qualificação dos funcionários para a realização dos supostos serviços, inclusive do Sr. Leon. • Os funcionários não sabiam dizer quem eram os clientes da empresa; • Ausência de contratos de prestação de serviços, “ contratos verbais”; • Serviços não especificados; • Ausência de contatos com as empresas LIMIAR e LSI (indicavam contatos com a empresa BORGHI LOWE); • Ausência de relatórios de realização e conclusão de serviços; • Ausência de controle dos pagamentos efetuados às empresas LIMIAR e LSI, apesar dos valores expressivos, seja por troca de funcionários, seja pela quantidade de prestadores de serviços ou falta de registros contábeis; • A falta de capacidade operacional das empresas LIMIAR e LSI; • Negativa expressa de prestação de serviços a despeito do pagamento ser efetuado (CONCESSIONÁRIA ECOVIAS); • Intermediação das transações por meio da empresa BORGHI LOWE, a qual indicava as contas bancárias das empresas LIMIAR e LSI para depósitos de valores; • Notícias na mídia (sites de busca disponíveis na internet) davam conta da ligação do Sr. Ricardo Hoffman, diretor da empresa BORGHI LOWE, com o contribuinte, • E, sobretudo, a empresa BORGHI LOWE que se limitou a responder que não havia celebrado contratos com as empresas LIMIAR e LSI. O que se tem, em verdade, não é a desconsideração da personalidade jurídica daquelas duas empresas, que ao menos formalmente existiram, mas sim o reposicionamento do autuado como sujeito passivo no pólo da obrigação tributária na condição de contribuinte, em função do afastamento do ato simulado, consubstanciado na sugerida e irreal prestação de serviços pelas empresas LIMIAR e LSI. Vale dizer: foi o autuado o titular da disponibilidade, ao menos jurídica, retratada pelas notas fiscais de emissão das empresas LIMIAR e LSI. Fl. 1442DF CARF MF 24 E como bem colocado pelo acórdão recorrido...: É importante ressalvar que a tributação deve alcançar situações reais e objetivas, independentemente da forma atribuída, de modo que a capacidade contributiva revelada decorra da situação efetiva dos contribuintes, excluindose qualquer relevância à representação exterior. A simulação pretende justamente o contrário, porquanto atribui ao interposto fictício a titularidade da capacidade contributiva, quando na realidade a obtenção de riqueza é auferida pelo interponente. Com isso, o que se verifica é uma fraude à lei, com a finalidade de omitir o verdadeiro negócio jurídico, que é realizado sob a forma de um outro, ao substituir o real titular do direito por um titular aparente. Perceba que se há o entendimento de que a prova testemunhal, de per si, por vezes não é suficiente a comprovar a ocorrência do fato que se propõe evidenciar, inegável que em casos como o que se tem sob exame tal orientação deve ser relativizada. Não esperemos a apresentação de recibo em nome do autuado, de valores expressivos transitando por sua conta bancária, de operações "comerciais" diretamente por ele tratadas ou de transações bancárias por meio de cheques, TED, DOC ou de outra forma que se possa rastrear o fluxo financeiro. O que se apresenta na prática, e para isso não se pode fechar os olhos, é que o proveito e o modus operandi, em praticamente quase todos os casos bem arquitetados, não se mostra totalmente exteriorizado no patrimônio material do próprio contribuinte ou com a origem devidamente identificada, mas sim, ora em conta bancária de dependente ou de pessoa de quem detenha procuração; ora no fretamento de vôos para transporte de família4; ora a partir de vários e vários depósitos em espécie 5 em sua conta e de seu dependente; ora demonstrado por meio de aquisições com pagamento de valor expressivo em espécie e por valor superior ao declarado6; ora ainda pela justificativa de que recebera distribuição de lucros de empresa de fachada da qual seria sócio 7. E por aí vai. E por qual motivo os pagamentos teriam sido efetuados na conta das empresas e lá tributados e não na conta do próprio autuado e por ele tributado ? A razão, compartilhando da ilação fiscal, afigurame simples, qual seja: "caso o contribuinte tributasse tais recursos em sua pessoa física, ele não teria como comprovar a origem e a natureza jurídica de tais valores. Por isso, utilizouse de tal artifício." 4 Vide depoimento de MARLI DE MOURA BARBOSA fls. 51/52. 5 Vide Termo de Intimação Fiscal de fls. 172 e ss. Depósitos em espécie identificados nos extrados que eram do conhecimento da Fiscalização. 6 Fls. 59/60 Aquisição de imóvel por R$ 980.000,00, mas declarou por R$ 500.000,00. Sendo que R$ 136.074,98 teria sido pago em espécie; Fls. 60/61 Aquisição de imóvel por R$ 450.000,00, mas declarou R$ 150.000,00. Sendo que R$ 150.000,00 teria sido pago em espécie. 7 O recorrente pretendeu justificar rendimentos declarados como isentos, nos valores de R$ 160.000,00 e R$ 144.000,00, como distribuição de lucros da empresa LUMIAR, da qual seria sócio. Entretando, a Fiscalização concluiu que tratavase de empresa de "fachada". . Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 14 25 Prosseguindo, como consignado naquele relatório fiscal, foram considerados como rendimentos tributáveis os valores que constaram das notas fiscais especificadas nas planilhas de fls. 77/83, de emissão das empresas em questão, que foram apreendidas na residência do autuado. Notese que tais planilhas especificam o número, data e valor das notas fiscais, além do nome e CNPJ dos respectivos contratantes. Frisese que os valores, conforme assentaram as autuantes, foram confrontados, por amostragem, com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) entregues pelas empresas remetentes dos valores em questão nos respectivos anos calendário, com as notas fiscais apresentadas pela empresa LIMIAR, e com as repostas dos diligenciados. Registrese que, intimada, a empresa LSI não teria apresentado os documentos fiscais solicitados. Sem reparos, a meu ver, no procedimento adotado. No mesmo sentido, não assiste razão ao autuado quando alega que teria havido a exigência do valor total das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sem dedução de despesas escrituradas e tributos recolhidos, o que resulta em obrigação tributária dúplice e confiscatória, pois se exige, em duplicidade, valores já recolhidos pelas empresas e em importância muito superior ao que efetivamente foi aferido, já que para cada prestação de serviços há as despesas correspondentes, as quais não foram deduzidas. Nesse aspecto e quanto ao aproveitamento de despesas no âmbito da apuração do IRPF, tenho que a legislação não lhe socorre, na medida em que, como exaustivamente mencionado, os valores foram tributados na pessoa física, sendo certo que a apuração regese, então, segundo essa sistemática, valendose das deduções lá permitidas, o que não o autorizaria valerse de eventuais despesas típicas das atividades empresariais. Voltando, ainda, à questão atinente aos "clientes/tomadores de serviços" das empresas LIMIAR e LSI, mereceu atenção especial à "intermediações" realizadas pela BORGHI LOWE PROPAGANDA e MARKETING LTDA. À vista de alguns dos depoimentos colhidos, pôdese notar que determinadas empresas teriam efetuado transferências à LIMIAR e LSI, a partir de notas fiscais por estas emitidas, não em função de serviço por elas prestado, mas sim por orientação da administração da empresa encimada, que, em atenção à intimação fiscal, informou que não teria celebrado contrato com as empresas LIMIAR e LSI. O excerto de fls 48, extraído do relatório fiscal abaixo reproduzido, elucida o modus operandi . Confirase: Digno de nota que, conforme notícias veiculadas na imprensa nacional, em depoimento à Justiça Federal do Paraná, no dia 12/08/2015, o Sr. Ricardo Hoffman (vice presidente e diretor geral da filial Brasília da empresa BORGHI LOWE) “admitiu que coordenou repasse de dinheiro para empresas de André Vargas. Ainda conforme o Sr. Hoffman, foi o Sr. André Vargas quem o procurou pela primeira vez, para pedir doações de campanha. O Fl. 1444DF CARF MF 26 publicitário disse que levou o pedido à Presidência da BORGHI LOWE, que informou que a agência não fazia doações para partidos ou candidatos, mas que Hoffman poderia repassar para André Vargas os Bônus de Volume que até então não eram recebidos pela agência. ” Assim, depreendese dos acontecimentos, que o Sr Ricardo Hoffman rigorosamente intermediou valores que decorreriam de Bônus de Volume de sua empresa (BORGHI), que teriam sido repassados às empresas LIMIAR e LSI, a partir de notas fiscais graciosas por estas emitidas, a fim de que chegassem às mãos do autuado. O que se vislumbra, no meu sentir, é que as notas fiscais emitidas pelas empresas LIMIAR e LSI, relacionadas nas planilhas apreendidas na residência do autuado, mais do que meramente acobertar a transferência de recursos dos supostos "tomadores", prestavam a viabilizar o controle e administração, por parte do autuado, do fluxo financeiro a ele destinado, na medida em que, por vezes, aqueles que transferiram o numerário não detinha relação direta com o autuado, o que se percebeu dos depoimentos/informações colhidos. Vale frisar, que o Sr Ricardo Hoffman, da mesma forma como o autuado, teve neste ano sua condenação confirmada em segunda instancia pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro 8, consoante amplamente noticiado pela imprensa nacional. Após consulta pública ao sitio do TRF49, em especial no julgamento da apelação criminal nos autos do processo 502312147.2015.4.04.7000/PR, 10 de 31.05.2017 indicado pelo recorrente em seu recurso, extraemse as seguintes passagens, quando da análise da materialidade pelo Magistrado: Da análise dos autos, não restam dúvidas de que a Borghi Lowe Propaganda e Marketing Ltda. foi efetivamente contratada pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério da Saúde para a prestação de serviços de publicidade. Em 22/08/2008, a Borghi Lowe celebrou contrato com a Caixa Econômica Federal (contrato nº 4138). O valor original a ser pago pela empresa pública era de R$ 260.000.000,00 para pagamento em 12 meses; após 11 aditivos contratuais, chegou ao montante de R$ 736.704.955,54 (evento 1, CONTR69 e CONTR76, da ação penal originária). No dia 31/12/2010, a Borghi Lowe firmou contrato com o Ministério da Saúde (contrato nº 314), com pagamento de R$ 120.224.832,45 àquela empresa (evento 1, OUT12, CONTR19, OUT 27 e OUT30, da ação penal originária)." Já em 22/04/2014, novo contrato foi firmado entre Borghi Lowe e Caixa Econômica Federal (contrato nº 1027), com previsão inicial de gastos de R$ 114.866.021,59 e, após aditivos, totalizou R$ 231.567.642,02 (evento 1, CONTR70 e CONTR74, da ação penal originária). Também está comprovado que, por ordem do acusado RICARDO HOFFMANN, as empresas Enoise, Luiz Portela Produções, Conspiração 8 https://oglobo.globo.com/brasil/tribunalconfirmacondenacaodeexdeputadofederaldoptnalavajato 21420301 9 https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&documento=8671112&termosPesquisados= 10 https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/resultado_pesquisa.php Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 15 27 Filmes, Sagaz Digital e Zulu Filmes realizaram pagamentos em favor das empresas LSI e Limiar, sem qualquer motivo lícito que os justificasse. Depreendese, portanto, que tais empresas, além de não integrarem o grupo econômico da Borghi Lowe, possuíam existência meramente formal. Valho me das considerações tecidas na sentença a respeito: 200. A LSI Soluções em Serviços Empresariais, CNPJ 14.262.618/00021 34, iniciou as suas atividades em 19/08/2011 e está situada na Rua Afonso Celso, 1221, sala 136, Vila Mariana, São Paulo/SP. 201. O seu quadro societário é composto por Leon Denis Vargas Ilário, com 99,00 de participação desde 19/08/2011 e Milton Vargas Ilário, com participação de 1,00 desde 18/09/2013. No período compreendido entre 19/08/11 a 18/09/13, Simone Imamura, então esposa de Leon Vargas participou da sociedade com 15,00 (inf68, evento 1). 202. A Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação Ltda, CNPJ 10.874.328/000190, iniciou as suas atividades em 26/05/2009 e foi baixada em 19/04/2012. A sua sede era localizada na Avenida Santos Dumont, 500, sala 204, Boa Vista, Londrina/PR. Entre os anos de 2009 e 2010 ficou localizada na Rua Nicolau Maeder, 10, Alto da Glória, Curitiba/PR. 203. O quadro societário era composto por Leon Denis Vargas Ilário, com 10,00 de participação, e André Luiz Vargas Ilário, com 90,00 de participação (inf7, evento 1). 3.2.4. Frisese que, apesar de ANDRÉ VARGAS não figurar no contrato social da LSI, não restam dúvidas de que ele dela era sócio e administrador de fato, possuindo total ingerência sobre a empresa e sobre sua movimentação financeira. Senão vejamos. Inicialmente, insta destacar que o próprio RICARDO HOFFMANN afirmou em seu interrogatório que os depósitos eram feitos nas contas das empresas indicadas por ANDRÉ VARGAS, conforme se depreende dos seguintes excertos (evento 246, TERMO1): Outro indício de que ANDRÉ VARGAS era sócio e administrador de fato da LSI, bem apontado pela sentença, é a diligência fiscal encetada pela Receita Federal por meio da qual se verificou que muito embora a LSI tenha declarado a distribuição do valor de R$ 1.196.683,49 em 2012 aos sócios Leon Vargas (R$ 1.016.749,40) e Simone Imamura (R$ 179.426,43), a título de dividendos, referido numerário não circulou nas contas correntes de Leon e Simone naquele ano, havendo ambos apresentado movimentação financeira de cerca de R$ 358 mil no período (inf8, evento 1). Em outras palavras, os lucros tiveram outro destino que não as contas dos sócios formais da empresa. Fl. 1446DF CARF MF 28 Também fora encontrada na residência de ANDRÉ VARGAS uma planilha, em cujo cabeçalho consta a inscrição "LIMIAR CONSULTORIA E ASSESSORIA EM COMUNICAÇÃO LTDA.", também contendo uma relação de datas, "contratantes", respectivos CNPJ e valores, e aponta que referida empresa teria recebido, entre 10/08/2009 e 18/11/2011, um total de R$ 1.055.988,00 (evento 16, INF4, do IPL nº 500997281.2015.404.7000). Sendo assim, são suficientes os elementos dos autos para comprovar que as empresas LSI e Limiar eram mantidas por ANDRÉ VARGAS e LEON, para, por meio delas, receber recursos de origem ilícita. 3.2.5. No caso específico dos autos, essas empresas foram utilizadas para ocultar e dissimular a natureza de R$ 1.103.950,12 recebidos a título de propina pelo então Deputado Federal ANDRÉ VARGAS pela utilização de sua influência política para a contratação da Borghi Lowe em contratos de publicidade pela CEF e pelo Ministério da Saúde. Além de inexistir qualquer razão lícita para o recebimento de parte dos valores dos contratos publicitários com a CEF e o Ministério da Saúde pela LSI e pela Limiar, o conjunto de indícios existentes nos autos demonstra, acima de qualquer dúvida razoável, que RICARDO HOFFMANN ofereceu vantagem indevida ao então Deputado Federal ANDRÉ VARGAS em troca de uso de sua influência e prestígio político para a contratação da agência Borghi Lowe nos referidos contratos. Como já mencionado no tópico em que se inicia a análise do mérito, um conjunto de indícios que se conjugam e convergem para o mesmo resultado, é suficiente a justificar um juízo condenatório, porquanto tem valor jurídico assim como a prova direta. No caso dos autos, somandose (i) o fato de ANDRÉ VARGAS ter recebido dinheiro de RICARDO HOFFMANN sem qualquer outra justificativa plausível, (ii) a existência da inegável influência política do exparlamentar sobre a CEF e o Ministério da Saúde, (iii) a contratação da Borghi Lowe pelas referidas entidades, ficando tal agência com as maiores fatias dos contratos mesmo sem ter ficado em primeiro lugar nas licitações, (iv) o recebimento por RICARDO HOFFMANN de bônus milionário anual pela manutenção dos contratos com as pessoas da Administração Pública e (v) o repasse de parte do valor dos contratos a ANDRE, podese concluir com tranqüilidade pela presença do delito em questão. No caso dos autos, não se verifica qualquer contraindício a fragilizar a conclusão supramencionada. Desse modo, comprovado o oferecimento de vantagem indevida por RICARDO HOFFMANN ao então Deputado Federal ANDRÉ VARGAS em troca da utilização de sua influência política para a contratação da agência Borghi Lowe pela CEF e pelo Ministério da Saúde para a prestação de serviços publicitários, rechaçandose as teses defensivas de ausência de provas. Recebimento de numerário movimentando por meio de empresas do grupo de Alberto Youssef: Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 16 29 No que toca ao valor de R$ 1.500.000,00 recebido da empresa IT7, vale destacar que já fora objeto de diligência anteriormente determinada por este Colegiado, nos seguintes termos: Naquela oportunidade, pretendeuse, imagina este Relator, fosse trazido aos autos elementos outros que não o depoimento do Sr Alberto Youssef, com vistas a demonstrar um robusto liame entre o valor sacado e o autuado. Quanto ao item II encimado, assim se manifestou a Fiscalização: Esta informação foi extraída do Pedido de Busca e Apreensão Criminal n°501449709.2015.4.04.7000/Pr em nome do contribuinte. A referida informação foi o ponto de partida para iniciarmos as diligências relacionadas ao pagamento efetuado pela empresa 1T7 Sistemas Ltda ao contribuinte (item 11.2 do Termo de Verificação de Ação Fiscal) Quanto ao item III, da seguinte forma, após reproduzir o depoimento da Sra Marli de Moura Barbosa, fls 51 e ss: Conforme detalhado no Termo de Verificação de Ação Fiscal, foi objeto de diversas diligências fiscais a entrega de R$ 2.399.511,60 efetuada pelo Sr. Alberto Youssef ao contribuinte. As empresas ARBOR Consultoria e Assessoria Contábil Ltda e AJPP Serviços Administrativos e Educacional Ltda — ME emitiram notas fiscais em favor da empresa 1T7 Sistemas Ltda, por serviços que não foram prestados. Segundo irlformações dos sócios das empresas ARBOR e AJPP, Sra. Meire Bomfim da Silva Poza e Sr. Marcelo Ananias Notar°, respectivamente, não houve prestação dos serviços especificados nas referidas notas fiscais e o que Fl. 1448DF CARF MF 30 deu causa à transação foi a utilização de contascorrentes bancárias das empresas pelo Sr. Alberto Youssef. Disseram ainda, que a utilização dos valores foi realizada conforme orientação do Sr. Alberto Youssef. As empresas ARBOR e AJPP, na pessoa de seus sócios, apresentaram documentos que demonstravam a destinação dos recursos depositados nas contas correntes das empresas. De posse dessa documentação, efetuamos diligências em pessoas físicas/jurídicas que receberam recursos das empresas ARBOR e AJPP, conforme Termo de Verificação de Ação Fiscal. Esses recursos foram transferidos para outras empresas e devolvidos para o Sr. Alberto Youssef, o qual efetuou os pagamentos, de acordo com o estabelecido pelo Sr. Lean Vargas, irmão do contribuinte. Além do depoimento do Sr. Alberto Youssef, corroborado pela documentação colhida no curso da fiscalização (item 11.2.1 DILIGÊNCIAS RELACIONADAS ÀS EMPRESAS ARBOR E AJPP), e relatado no Termo de Verificação de Ação Fiscal, esta auditoria concluiu que, apesar do dinheiro ter sido movimentado por diversas pessoas jurídicas, no final, foi entregue ao contribuinte o valor de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) em espécie, no início do anocalendário de 2014. Sustenta a Fiscalização, a partir de depoimento prestado pela contadora do Sr Youssef, Sra Meire Bonfim, que ela teria emitido notas fiscais de suas duas empresas ARBOR, no valor de R$ 1.435.500,00 e AJPP, no de R$ 964.350,00 em favor da empresa IT7, apenas no intuito de acobertar a transferência de numerário desta última para aquelas duas, na medida em que suas empresas não teriam prestado qualquer serviço que justificasse a emissão das notas. E ainda, segundo aquela contadora, os valores que então transitaram por tais empresas, teriam como intermediário o Sr Leon, sendo entregue definitivamente para o autuado em seu apartamento funcional, seguindo orientação de seu cliente, o Sr Youssef. Corroborando o esclarecido pela contadora, o Sr Marcelo Simões, sócio da então empresa IT7, além de confirmar os valores (R$ 1.435.500,00 e R$ 964.350,00) e destinatários direitos dos recursos (ARBOR e AJPP), informou que os pagamentos foram assim efetuados a pedido do Sr Leon, eis que teria prestado serviço de identificação do valor de mercado e prospectar possíveis compradores para a IT7. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 17 31 E prossegue no depoimento, ao esclarecer a forma de pagamento daqueles R$ 2.399.511,60 às empresas da Sr Meire, a saber: 3 transferências bancárias em janeiro de 2014, de emissão da IT7. Ao final, informou conhecer o autuado apenas de passagem, por encontros em aeroportos e outros locais públicos. Na linha do fluxo financeiro, os valores ainda transitariam por outras empresas, após deixar o patrimônio das empresas da Sra Meire até chegar as mãos do autuado. E aí se torna decisivo o depoimento do Sr Youssef. Confirase: Que foi procurado por Leon Vargas para que indicasse uma forma de receber uma quantia de dinheiro. O Sr. Leon não especificou a origem deste recurso, mas disse que não queria recebêlos diretamente na sua empresa. Então, o Sr. Alberto indicou a sua contadora, Sra. Meire Poza, para criar um caminho para que o dinheiro fosse recebido por Leon Vargas, usando transações fictícias. Após os recursos passarem por estas empresas, parte do dinheiro foi sacado por Meire, em benefício do Sr. Alberto Youssef, e parte foi transferida a outras empresas, tudo com o objetivo de mascarar o recebimento dos valores por parte do contribuinte. Os recursos foram então transferidos para as empresas MERCEARIA ARAÇARI BAR E RESTAURANTE LTDA (de propriedade de uma amiga do Sr. Alberto), EXPANDIR PARTICIPAÇÕES S/A (empresa de turismo participante do grupo do Sr. Alberto), KAIZEN – COMERCIO EXTERIOR LTDA e ALTEX COMERCIAL IMPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI – EPP (com as quais o Sr. Alberto efetuou troca de reais), pois o Sr. Alberto também utilizava as contas da AJPP e Arbor para fins particulares. Posteriormente, as empresas MERCEARIA ARAÇARI, EXPANDIR, KAIZEN e ALTEX sacaram os valores de suas contas bancárias, e estas quantias foram entregues ao Sr.Alberto, o qual efetuou os pagamentos, de acordo com o estabelecido por Leon Vargas. Sendo parte destes recursos pagos diretamente pelo Sr. Alberto a André Vargas, em espécie, no apartamento funcional do então deputado, ocorrendo neste imóvel vários pagamentos, no início do ano de 2014. Relatou que no total foram repassados para André Vargas, aproximadamente, R$ 1.500.000,00 em espécie (o que corresponde a R$ 2.399.511,60 dividido por 0,8 (descontando a comissão do Sr. Alberto) menos R$ 380.000,00 entregues a um terceiro.) Fl. 1450DF CARF MF 32 Na seqüência, os valores ingressaram nas contas daquelas empresas e assim se procedeu: ALTEX: o valor de R$ 170.000,00 recebido da AJPP referese a uma Negociação para a importação de produtos, a qual não se concretizou, resultando na devolução do dinheiro. Ocorre que, essa devolução foi realizada por meio de transferências bancárias, conforme solicitação do cliente, para outras empresas, a quais eram suas credoras. Com relação ao valor de R$ 600.000,00 recebidos da empresa ARBOR, esclareceu que tal valor não decorreu de nenhuma negociação e não havia motivo algum para ser depositado em sua conta. Informou, ainda, que o crédito foi efetuado em sua conta por um equívoco, tendo devolvido, a pedido da empresa ARBOR, para contas de outras empresas. As empresas KAIZEN, EXPANDIR e MERCEARIA AÇARI não atenderam à demanda fiscal. JETCENTER AVIAÇÃO EXECUTIVA o valor recebido referese a pagamento por conta de contratação de transporte aéreo particular. A mesma fez a intermediação para o fretamento da aeronave Learjet 45, prefixo BFM. A empresa responsável pelo voo foi a ELITE AVIATION TAXI AEREO LTDA (CNPJ 11.074.327/000124), que recebeu no dia 16/01/2014, a quantia de R$ 100.547,50. O voo solicitado ocorreu no dia 03/01/2014, trajeto São Paulo (Congonhas)LondrinaJoão PessoaCongonhas. Esclareceu ainda que a JETCEN TER pagou no dia 16/01/2014 o referido valor para a empresa ELITE AVIATION. No início de fevereiro de 2014, a Sra. Marli recebeu uma ligação para receber o pagamento que lhe era devido. No dia 03/02/2014, recebeu da empresa ARBOR R$ 115.000,00. A diferença entre o valor recebido e o pagamento efetuado configurou remuneração devida pela intermediação do vôo. Após os esclarecimentos acima, aduziu a Fiscalização: "De acordo com notícias veiculadas na internet, documentos revelam que o aluguel do Learjet 45 fretado para transportar a família do contribuinte de Londrina/PR para João Pessoa/PB teria custado em torno de R$ 100.000,00. Ainda conforme as notícias, de acordo com interceptação telefônica, a Polícia Federal estabeleceu o vínculo do contribuinte com o Sr. Alberto Youssef, pois no dia 02/01/2014, véspera da viagem, o contribuinte e o Sr. Alberto trocaram vinte mensagens sobre o avião." A seqüência dos acontecimentos, valores e detalhes que aparentam sincronizados nos depoimentos prestados por pessoas que diretamente teriam participado das operações fictícias mostram, a meu ver, o acerto do procedimento fiscal neste ponto. Da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício. Quanto à matéria em destaque, aduz que a multa de 75% relativa ao exercício 2015 deve ser anulada, pois estaria preso desde 10.04.2015. O lançamento foi perfectibilizado em 17.08.2015, após o prazo para o pagamento do IR devido para o exercício 2015. A multa em tela foi aplicada à luz do artigo 44, I, da Lei 9.430/96, em função da falta de pagamento e de declaração do imposto. Assim, o fato de estar preso, sobretudo por não se tratar de um ato de natureza personalíssimo, não teria o condão de impedir o adimplemento da obrigação. Do ganho de capital. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 18 33 Que com relação ao imóvel situado em Ibiporã/PR, não teria havido o fato gerador da alienação, uma vez que a operação não foi registrada na matrícula do imóvel e que o mesmo teria sido objeto de posterior seqüestro judicial. Neste ponto, valhose do assentado no acórdão recolhido. Vejase: As provas trazidas aos fatos demonstram com segurança a ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Pela simples leitura da norma acima, percebese que a alienação de imóvel configura hipótese de incidência tributária. Assim, tornase irrelevante o registro de sequestro do imóvel efetuado na matrícula do imóvel determinado pela Justiça Federal do Paraná (fls. 112), pois, conforme a regra acima, a alienação comprovada pela Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 115/118 e sua quitação configuram o ganho de capital. O sequestro do bem não tem o condão de alterar o fato gerador, pois já incidira a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, na forma do artigo 114 do CTN. Por força do artigo 117, inciso II, do CTN, o ato ou negócio jurídico de alienação do imóvel reputase perfeito e acabado, para os efeitos fiscais, a partir da data do instrumento particular ou público de promessa de compra e venda celebrado entre as partes. O registro no Cartório de Registro de Imóveis disposto no artigo 1.417 do Código referese tão somente a condição de eficácia do negócio jurídico para terceiros, não interferindo em nada nos seus requisitos de validade, pelo que o negócio jurídico para fins tributários continua plenamente válido. Dos Juros e Multas aplicadas. Quanto à aplicação da multa qualificada de 150% em relação à suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, sustenta não haveria prova nos autos das supostas omissões de rendimentos. Por todo o fundamentado no tópico atinente ao mérito da lide, mais precisamente no que tange à infração decorrente da omissão de rendimentos de pessoa jurídica, forçoso reconhecer presentes as circunstâncias que determinam a duplicação do percentual fixado naquele inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, em especial por ter restado configurada a pratica de sonegação e fraude fiscal. Sem reparos quanto à qualificação da multa. Ao final, requereu i) o atendimento aos pedidos de diligências já constantes da impugnação, assim como ii) que seja diligenciado junto ao Complexo Médico Penal, a fim de aferir as condições de acesso à informações pelo recorrente, como exemplo o recebimento de correspondências e acesso à internet. Fl. 1452DF CARF MF 34 Quanto às diligências do primeiro item, compartilho dos fundamentos e conclusão do acórdão recorrido, nos seguintes termos: Quanto ao pedido do interessado de que fossem juntadas declarações e cadastros, assim como de realização de perícia contábil, cabe esclarecer que diligências ou perícias adicionais são desnecessárias, pois se encontram presentes circunstâncias fáticas das infrações à legislação tributária suficientemente caracterizadas e legalmente tipificadas na peça de autuação. As provas acostadas nos autos reputamse aptas a formar a convicção do julgador, assim,. diligências ou perícias apenas procrastinariam a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Quanto a do segundo, vejo que a constatação pretendida pelo recorrente em nada lhe socorrerá. Houve apresentação tempestiva de seu Recurso Voluntário, que se mostra extenso e bastante abrangente e que foi regularmente processado pela unidade preparadora. Tenho que, assim, assegurado amplamente ao autuado seu direito à defesa. Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso, REJEITAR as preliminares suscitadas, INDEFERIR os pedidos de diligência e de suspensão do processo administrativo e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000923/99-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1999
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. No caso concreto, valores referentes a pagamentos de setembro de 1989 foram utilizados para compor saldos a partir de agosto de 1995, refletindo-se em lançamento realizado até março de 1999, não se consideram prescritos os valores utilizados.
Súmula CARF 91.
Numero da decisão: 9303-007.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1999 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. No caso concreto, valores referentes a pagamentos de setembro de 1989 foram utilizados para compor saldos a partir de agosto de 1995, refletindo-se em lançamento realizado até março de 1999, não se consideram prescritos os valores utilizados. Súmula CARF 91.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1999 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. No caso concreto, valores referentes a pagamentos de setembro de 1989 foram utilizados para compor saldos a partir de agosto de 1995, refletindose em lançamento realizado até março de 1999, não se consideram prescritos os valores utilizados. Súmula CARF 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 23 /9 9- 58 Fl. 2038DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de auto de infração de contribuições para a Cofins de efls. 1075 a 1081, lavrado contra a contribuinte em 31/08/1999, por ter a fiscalização constatado que a empresa apurou valores inferiores ao devido, tendo em conta que os valores de Finsocial e PIS compensados com aquela contribuição não foram suficientes para quitála nos períodos objeto da exação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, às efls. 1083 a 1100. O montante da Cofins lançada foi de R$ 649.171,39, que acrescida de multa de ofício de R$ 486.878,49 e juros de mora, de R$ 279.678,86, calculado até 30/07/1999, totalizaram o crédito de R$ 1.415.728,74. A contribuinte foi cientificada da autuação em 03/09/1999 e apresentou impugnação às efls. 1102 a 1116, em 04/10/1999. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, analisando a contestação, em 30/09/2002, prolatou o acórdão de nº 1.483, às efls. 1235 a 1246, no qual julgou o lançamento procedente. Intimada (efl. 1248) do acórdão da DRJ/FNS, a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 13/11/2002, às efls. 1255 a 1274. Repisou sua argumentação de impugnação e trouxe ainda as seguintes contestações: preliminarmente, houve decisão judicial que reconheceu o direito à compensação e que a referida decisão judicial transitou em julgado em 17/12/1999; a decisão da DRJ/FNS há de ser nula no que tange a decadência dos créditos utilizados na compensação e aos índices de correção aplicados sobre os créditos em face da Fazenda Nacional, em razão da análise indevida de matéria já discutida e decidida na esfera judicial; que a base de cálculo para o recolhimento do PIS esta prevista no artigo sexto, parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70 e determina que seja apurado sobre o sexto mês, anterior ao fato gerador; ilegalidade da norma; não incidência de correção monetária na base de cálculo. Em face do recurso apresentado pela autuada, os membros da 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 08/11/2005, unanimemente, resolveram (efls. 1364 a 1366) converter o julgamento em diligência, para que fosse juntado aos autos fotocópia da decisão proferida em ação judicial que impediria a análise do processo na esfera administrativa. Cumprida a diligência, o recurso voluntário foi apreciado pela 4ª Câmara da do Segundo Conselho de Contribuintes, em 24/05/2007, resultando no acórdão nº 20402.475, às efls. 1539 a 1545, que tem as seguintes ementas: COFINS COMPENSAÇÃO FINSOCIAL COMPENSAÇÃO — O Parecer COSIT nº 58, de 27/10/1998, em relação ao Finsocial, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota excedente a 0,5%, começa a contar da data da edição da Medida Provisória nº 1.110/95, ou seja, em 31/05/95. Entendimento esse da administração tributária que vigia quando da feitura e ciência do lançamento. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 13971.000923/9958 Acórdão n.º 9303007.427 CSRFT3 Fl. 2.039 3 PIS SEMESTRALIDADE A base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Precedentes da Primeira Seção STJ REsp 144.708 RS e CSRF. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição dos créditos de Finsocial, e também, para reconhecer a semestralidade do PIS.. No voto do i. relator ficou claro que se tratavam de compensações de dois tributos que importaram na redução dos valores devidos pela contribuinte, Finsocial e PIS. Em relação aos créditos de Finsocial, ele afirma que: duas questões foram controvertidas, a saber, o prazo para utilização dos mesmos em compensação e quais os incides de correção monetária a ser aplicado. Aponta a seguinte solução para o litígio quanto a esse tributo (efl. 1543): Assim, neste ponto, dou provimento ao recurso para que os cálculo sejam refeitos aceitando como compensação à Cofins todos os pagamento de Finsocial com alíquota acima de meio por cento, independentemente da data de sua efetivação. Quanto aos índices de correção monetária, entendo escorreito o entendimento da fiscalização que não acatou os expurgos inflacionários, uma vez que não arrimados em lei ou em decisão judicial inter partes. Nada obstante, esse vem sendo o entendimento deste Segundo Conselho, que determina a aplicação da Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR 08/97. Já com relação ao PIS utilizado na compensação, afirma que o cerne da discussão seria (efl. 1543): No que tange à qual base imponível que deva ser usada para o cálculo do PIS nos termos da Lei Complementar nº 07/70, se ela correspondente ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, entendimento esposado pela recorrente, ou se ela é o faturamento do próprio mês do fato gerador, posição perfilhada pela DRJ, sendo de seis meses o prazo de recolhimento do tributo (...) Para solução desta contenda, apesar de inicialmente se alinhar à posição defendida pela DRJ, o relator se dobrou à jurisprudência então predominante na CSRF e no STJ, considerando como base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso especial da Fazenda Fl. 2040DF CARF MF 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 20402.475 em 22/10/2007 (efl. 1546), e interpôs recurso especial de divergência em 22/10/2007, às efls. 1549 a 1559. Invoca a divergência apenas em relação à contagem do prazo de prescrição para pedidos de restituição, relativamente ao Finsocial, com base no acórdão paradigma nº 302 35.782, que defende ser esse prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário, consoante ao art. 168 do CTN. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 1597 a 1599, em exame de admissibilidade do recurso, com base nos arts. 67 §§ do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, reconheceu existir a divergência e deu seguimento ao recurso especial de divergência da Fazenda. Outrossim, no despacho há ordem de encaminhamento à unidade local da RFB, a fim de dar ciência do acórdão recorrido e deste despacho, para oportunizar contrarrazões ao recurso especial do Procurador e/ou recurso especial da parte em que a contribuinte restou vencida. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional nada opôs (efl. 1601). Já a Seção de Acompanhamento e Controle Tributário da unidade de jurisdição da contribuinte, por meio do despacho de efls. 1605 e 1606, preliminarmente, o encaminhou a sua Seção de Fiscalização, para refazimento das apurações propostas no acórdão. O resultado do trabalho foi o Parecer Fiscal DRF/BLU/SACAT/EAC1 nº 33/2016, que informa intercorrências relativamente ao PIS, em razão de novos critérios de correção dos créditos, aplicados pela RFB, e pedido de parcelamento posteriores ao julgamento, mas conclui que ainda haveria valores a serem exigidos no processo. A contribuinte foi intimada (efl. 1969) do resultado do julgamento de seu recurso voluntário, bem como do recurso especial da Fazenda, em 04/07/2016 (efl. 2028), e não se manifestou nos prazos regimentais. É o relatório. Voto O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. A divergência se pauta apenas sobre prazo para a repetição de indébito, relativo a valores de Finsocial pagos em alíquota superior a 0,5%, para utilização nas compensações com a Cofins devida. Há que se observar que o recurso especial de divergência do Procurador traz como fundamento ter havido errônea interpretação no uso da MP nº 1.110/1995 no acórdão recorrido, pois esta não autorizava a contagem do prazo prescricional a partir de sua vigência. Na verdade deveria ser seguido o Ato Declaratório SRF nº 96/1999, que utilizava a contagem de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário, com base nos arts. 165 e 168 do CTN. Utilizase o Procurador do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ao determinar a interpretação do art. 168 do CTN. Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 13971.000923/9958 Acórdão n.º 9303007.427 CSRFT3 Fl. 2.040 5 Analisandose o Termo de Verificação e encerramento de Ação Fiscal, verificase que o crédito pretendido pela contribuinte, relativamente às contribuições para o Finsocial, referese a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1989 e fevereiro de 1992 (efl. 1087), e que o primeiro período em que houve compensação da Cofins foi agosto de 1995 (efl. 1087), sendo que os valores lançados no auto de infração abrangem no máximo março de 1999. Assim, se a contagem prescricional for de 10 anos, inexistiria prescrição quanto ao aproveitamento dos créditos pela contribuinte. Esclarecidos esses pontos, saliento que esta 3ª Turma temse deparado com esta questão, contagem do prazo de prescrição, em diversas oportunidades e o posicionamento tendo em vista decisão do STJ em sede de recursos repetitivos relativamente à tese dos "cinco mais cinco" combinado com o posicionamento posterior do STF em sede de repercussão geral relativo ao alcance temporal da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005 pode ser traduzido pelo voto da i. conselheira Tatiana Midori Migiyama, no acórdão nº 9303003.452, de 23/02/2016, com a seguinte dicção: No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 Fl. 2042DF CARF MF 6 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 13971.000923/9958 Acórdão n.º 9303007.427 CSRFT3 Fl. 2.041 7 às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Como inicialmente esclarecido, no caso presente, dentro da escrituração da contribuinte foram aproveitados créditos a partir de setembro de 1989, que passaram a ser utilizados nas compensações de Cofins a partir de agosto de 1995, com saldos sujeitos a lançamentos até março de 1999. Logo, tendo em vista o art. 62, § 2º (com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, afastase a prescrição para aproveitamento dos créditos de Finsocial utilizados pela contribuinte em suas compensações. Aliás, esse é o disposto na recente Súmula CARF 91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para negarlhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, para verificação da higidez dos valores utilizados na compensação. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2044DF CARF MF 8 Fl. 2045DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900304/2006-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE.
À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.735
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 105 2 Fl. 110DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 106 3 Relatório BOM PEIXE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Piracicaba, São Paulo Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2002. Em conformidade com o Despacho Decisório de fls. 09, o referido direito creditório foi formado pelas seguintes parcelas: Imposto Devido.....................................R$ 139.711,00 Imposto de Renda Retido na Fonte........R$ 61.119,82 Estimativas.............................................R$ 585.463,88 Contudo, analisadas tais informações, o imposto de renda retido na fonte foi alterado para R$ 54.543,54, resultando, assim, em um saldo negativo de R$ 500.296,42, insuficiente para que fossem homologadas, na integralidade, as compensações requeridas. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/08), por meio da qual argumentou, em síntese, que a alegada insuficiência de crédito se deu em razão da valoração dos débitos de janeiro, março e abril de 2003, que foram compensados em 30 de setembro de 2003. Contra tal procedimento, qual seja, a exigência de encargos legais (“valoração”), alegou que se tratava de denúncia espontânea, circunstância que impediria a cobrança de referidos encargos. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 1232.489, de 05 de agosto de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138 do CTN, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta a multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição.. Ciente da Decisão de primeira instância em 11 de janeiro de 2011, conforme aviso de recebimento de folha 72, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09 de fevereiro de 2011, conforme registro de recepção de folha 73, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 107 4 É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 108 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. No presente processo, o direito creditório indicado pela contribuinte para fins de compensação foi reduzido de R$ 506.872,70 para R$ 500.296,42, em virtude da redução do montante de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do saldo negativo de imposto de renda do ano de 2002 (de R$ 61.119,82 para R$ 54.543,54), resultando daí, insuficiência de crédito para que fosse homologada, na integralidade, a compensação pleiteada. Não obstante, a controvérsia não gravita em torno de tal fato, pois o que a contribuinte alega é que a insuficiência do crédito se deu em razão da valoração dos débitos apontados para o encontro de contas, isto é, pela incidência de encargos legais sobre os referidos débitos, sendo que, para ela, não poderia incidir multa moratória, vez que presente a denominada denúncia espontânea. Sustenta a Recorrente que, com a edição do art. 138 do CTN, a intenção do legislador foi prestigiar, com o afastamento de qualquer tipo de penalidade que eventualmente pudesse incidir sobre o débito, o contribuinte que espontaneamente denuncia ou quita seus débitos anteriormente à instauração de qualquer procedimento administrativo, em detrimento daquele que é compelido pelo Fisco a proceder a tal quitação. Alega que efetuou o recolhimento do valor atualizado do tributo (IRPJ), acrescido de juros de mora, independentemente da instauração de qualquer procedimento fiscal, fato este que, por si só, já autorizaria a abstenção do Fisco de cobrar a multa moratória. Destaco, primeiramente, que não estamos diante de denúncia espontânea acompanhada de PAGAMENTO, circunstância em que, nos exatos termos do disposto no caput do art. 138 do Código Tributário Nacional, poderseia apreciar se a responsabilidade pela infração poderia ser excluída. O presente processo trata de COMPENSAÇÃO, instituto que, em que pese o fato de se revelar também como forma extintiva de crédito tributário (CTN, art. 156, II,), com PAGAMENTO não se confunde (CTN, art. 156, I). Não obstante, ainda que se empreste interpretação extensiva ao dispositivo autorizador da exclusão da penalidade, penso, em consonância com manifestações advindas do Superior Tribunal de Justiça, que o instituto da denúncia espontânea não alcança tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, eis que, neste caso, o dever de apurar o montante devido e efetuar o seu recolhimento é transferido para o sujeito passivo, independentemente de prévio exame por parte da autoridade administrativa. Nessa linha, o contribuinte, ao apurar o tributo devido, prestar ao Fisco a informação devida e providenciar a extinção do crédito tributário correspondente, nada mais Fl. 113DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 109 6 fez que cumprir com o determinado pela legislação de regência, não havendo que se falar que tais providências possam revelar DENÚNCIA ESPONTÂNEA de infração. Aditese que, no caso vertente, não existe nos autos qualquer indicação de que os débitos apontados pela Recorrente para compensação eram desconhecidos da Administração Tributária, o que, também por essa razão, afasta a tese de que estamos diante de infração denunciada espontaneamente. Transcrevo, abaixo, manifestações em segunda instância administrativa na linha do entendimento aqui esposado. Acórdão nº 20181545, de 06/11/2008 COMPENSAÇÃO EFETUADA APÓS VENCIMENTO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. A compensação condicionada a ulterior homologação da autoridade fiscal não caracteriza o pagamento do montante devido na forma prevista no art. 138 do CTN, não caracterizando denúncia espontânea Acórdão nº 29100014, de 29/10/2008 COMPENSAÇÃO. Incidem acréscimos moratórios sobre os débitos, objeto de Declaração de Compensação, quando estiverem vencidos na data de apresentação/transmissão da declaração. Acórdão nº 19700037, de 20/10/2008 COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. O procedimento do sujeito passivo por meio do qual confessa a existência de débito e requer compensação não corresponde à denuncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que compensação não é pagamento. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 114DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 18471.001586/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 86 /2 00 8- 12 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 9 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; Fl. 510DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 10 3 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja Fl. 511DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 11 4 cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 12 5 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Fl. 513DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 13 6 Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." Fl. 514DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 14 7 O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão Fl. 515DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 15 8 paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 16 9 O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do Fl. 517DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 17 10 CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a Fl. 518DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 18 11 comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou Fl. 519DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 19 12 compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 20 13 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de Fl. 521DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 21 14 legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de Fl. 522DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 22 15 interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 23 16 reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 24 17 Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 25 18 Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Fl. 526DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 26 19 Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento Fl. 527DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 27 20 esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 28 21 dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 29 22 E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 530DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 30 23 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 531DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 31 24 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Fl. 532DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 32 25 Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 33 26 autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 34 27 Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Fl. 535DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 35 28 Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.720620/2017-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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Numero do processo: 13889.720162/2017-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 72 01 62 /2 01 7- 18 Fl. 35DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Não apresentou o Laudo expedido por serviço médico oficial com o enquadramento da doença para fins de isenção de imposto de renda. Não cabe à autoridade lançadora ou à autoridade de trânsito proceder ao enquadramento da patologia." 0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RECIFE: Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 26. Em síntese, alega ser portadora de moléstia. Informa que recebe proventos de aposentadoria e solicita o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13889.720162/201718 Acórdão n.º 2001000.313 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 37DF CARF MF 4 Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento de f. 27. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Importante frisar acerca da documentação apresentada, que, conforme já explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos exigidos para aceitação. Vejase, por exemplo, das três assinaturas apostas no documento, à exceção da primeira, não é possível sequer identificar os profissionais emitentes do documento. Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13889.720162/201718 Acórdão n.º 2001000.313 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 39DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.721498/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.896
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12689.721498/201368 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.896 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de setembro de 2018 Assunto PEDIDO DE DILIGÊNCIA Recorrente CMA CGM DO BRASIL AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 08 38.647, da 7ª Turma da DRJ/FOR, proferido na sessão de 20 de abril de 2017: Tratase de auto de infração referente à multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação referente ao transporte internacional de carga, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal. O lançamento, que totalizou R$ 55.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pelo sujeito passivo, dando origem ao litígio a ser apreciado no presente julgamento. Da Autuação Consta na descrição dos fatos do auto de infração que a multa aplicada foi decorrente do atraso no fornecimento de dado(s) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 89 .7 21 49 8/ 20 13 -6 8 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 3 2 relativo(s) à(s) carga(s) ali indicada(s), cuja responsabilidade pela prestação das informações legalmente exigidas era da empresa autuada. Foi esclarecido pela fiscalização que as informações a serem prestadas no âmbito do transporte internacional de mercadorias, bem como os respectivos prazos para esse fim, foram definidos na Instrução Normativa (IN) RFB nº 800/2007, editada com fundamento legal no artigo 37 do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. A autoridade autuante destacou a importância da obrigação em foco para aprimorar o controle das operações de comércio exterior, de forma a proporcionar maior agilidade no despacho aduaneiro, e discorreu sobre a responsabilidade da empresa autuada pela irregularidade apurada. Com base nos exames realizados a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali fixada. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 10/09/2013 e, em 04/10/2013, apresentou impugnação (fls. 5682) na qual aduz os seguintes argumentos. a) Ilegitimidade passiva. A impugnante não é parte legítima para figurar no pólo passivo do lançamento, uma vez que atuou apenas como agência de navegação marítima, que não se equipara a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos. Para reforçar sua tese, a defesa cita doutrina e decisões dos tribunais superiores (STF, exTFR, STJ), relativas às funções e à responsabilidade por indenização e tributária do agente marítimo. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, a informação foi prestada pela própria impugnante, antes do início de qualquer procedimento fiscal. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, bem como o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) Cerceamento do direito de defesa devido a falha na descrição dos fatos. Não constam no corpo do Auto de Infração elementos importantes para a perfeita compreensão da acusação, tais como a identificação do(s) navio(s) envolvido(s) e a data em que as informações foram apresentadas e aquela em que deveriam ter sido prestadas. Tal omissão caracteriza a inobservância de requisito essencial na lavratura do referido ato e acarreta prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo. d) Duplicidade de pena pela mesma conduta. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma suposta infração, pois o lançamento guerreado não levou em consideração que a multa em foco Fl. 294DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 4 3 é aplicável apenas uma vez a cada navio/viagem, como já decidiu a própria Receita Federal. e) Ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A multa aplicada pela fiscalização deve ser afastada em atendimento aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que são de observância obrigatória no âmbito do processo administrativo federal, consoante art. 2º da Lei nº 9.784/1999, eis que a penalidade imposta é excessivamente gravosa em relação ao possível dano causado pela suposta infração. Ao final a impugnante requer a nulidade do Auto de Infração e, sucessivamente, que o mesmo seja julgado improcedente. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose a cobrança da penalidade, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/02/2012, 08/06/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. DESCRIÇÃO SINTÉTICA DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento cuja descrição dos fatos não contemple todas as informações relacionadas com a infração apurada, mas apresente elementos suficientes para o perfeito entendimento da acusação, de forma a possibilitar o pleno exercício do direito de defesa pelo autuado. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO DE NORMA EM PLENO VIGOR A PRETEXTO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A atuação do julgador administrativo é estritamente vinculada aos ditames legais, sendolhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/02/2012, 08/06/2012 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na Fl. 295DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 5 4 prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/02/2012, 08/06/2012 INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA EM DESACORDO COM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. O descumprimento da obrigação de prestar as devidas informações referentes ao transporte internacional de cargas é punido com multa específica, que é aplicável em relação a cada registro exigido realizado fora do prazo ou em desacordo com a realidade dos fatos, independente da quantidade de vezes que a referida infração seja constatada numa mesma escala ou viagem do veículo transportador. A citada multa é aplicável uma vez em relação a cada registro, ainda que mais de um campo tenha sido informado com erro ou atraso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na oportunidade de sua impugnação, fazendo juntar ao processos documentos relacionados a outro processo em que figurou como parte, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: I Da Concomitância A DRJ analisando memorando enviado pela Procuradoria da Fazenda Nacional solicitando providências à COANA a respeito de decisão judicial que versava sobre a multa em discussão no presente processo, entendeu por bem ter havido a renuncia da instância administrativa da matéria. Vale ressaltar que a recorrente em sua peça impugnatória não informa a existência da ação noticiada pela PGFN. Verificase que o processo judicial tem como parte autora o Centro Nacional de Navegação Transatlântica CENTRONAVE, da qual a recorrente é associada, fato esse incontroverso, tendo em visa ter a própria recorrente afirmado tal situação. No entanto, a recorrente alega em sua defesa não ter expressamente autorizado a CENTRONAVE a contender em seu nome, no que se refere a possibilidade de se ter a aplicação da denúncia espontânea em seu favor, uma vez ter a recorrente trazido as informações imputadas como não feitas antes de qualquer inicio de procedimento fiscal por parte da Aduana. Pois bem. Em que pese a recorrente ser associada da CENTRONAVE, o que em tese permite à segunda representar a primeira judicialmente em assuntos de relevância para a Fl. 296DF CARF MF Processo nº 12689.721498/201368 Resolução nº 3302000.896 S3C3T2 Fl. 6 5 categoria, não há nos autos documentos que comprovem a expressa autorização para tal representação, vale dizer, não há documentos que comprove a filiação da recorrente à entidade de classe e/ou que indique quais os poderes dispensados a CENTRONAVE na defesa de seus associados. Conforme se vê não restam dúvidas quanto ser a recorrente associada da CONTRONAVE, autora do processo judicial sobre o qual recai a alegação de concomitância, resta dúvida, no meu sentir, quanto a extensão de sua representatividade, tendo em vista a inexistência de documentos nos autos que indiquem referida informação. Desta feita, entendo ser necessária a realização de diligência para que seja oportunizado à requerente a juntada de documentos que demonstrem a extensão da representatividade garantida a CENTRONAVE na esfera judicial, fato este que pode interferir no resultado do presente julgamento. Assim, proponho a realização de diligência para que: a) a Autoridade Fiscal Aduaneira oficie a CENTRONAVE para que a mesma informe se a recorrente expressamente lhe autorizou a representála judicialmente junto ao processos noticiado pela PGFN à COANA, e em caso positivo, juntar ao processo documento que comprove a autorização; b) a Recorrente junte ao processo as cópias do processo judicial noticiado pela PGFN, notadamente peça inaugural da demanda, atos constitutivos da CENTRONAVE, lista de seus associados, outros documentos que comprovem a expressa autorização dos associados para a representação judicial, e particularmente, se houver, cópia de correspondência desautorizando a CENTRONAVE a representála. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.952206/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 52 20 6/ 20 09 -9 2 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, Fl. 439DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 4 3 do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de Fl. 440DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 5 4 dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) Fl. 441DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 15374.952206/200992 Resolução nº 3401001.451 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 443DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720868/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO/ DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE/ VINCULAÇÃO
É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI.
Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento
Numero da decisão: 3201-004.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 68 /2 01 1- 07 Fl. 5867DF CARF MF 2 Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão proferido pela DRJ, que assim relatou o feito: (...)Tratase de Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – DEMAC/RJO, que não reconheceu direito de crédito relativo ao 3º trimestre de 2007, pleiteado com fundamento no art. 11 da Lei 9.779, de 1999, através do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 35686.27411.181007.1.1.014570, transmitido em 18/10/2007, no valor de RS 1.585.278,88 e não homologou as compensações vinculadas. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, que integra o Despacho Decisório, foi realizada auditoria para análise conjunta de PER/DCOMP relativos a créditos do 3º trimestre de 2007 ao 1º trimestre de 2008, protocolizados pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga – CBPI – tendo por objeto créditos apurados pela filial inscrita no CNPJ sob nº 33.069.766/000343, a qual, com a incorporação pela empresa IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A –IPP, foi sucedida pela filial da IPP inscrita no CNPJ sob n° 33.337.122/014187. No curso da auditoria foram detectadas dois tipos de infrações, a saber: erro na classificação fiscal de produtos, resultando em falta de lançamento de imposto e aproveitamento de crédito básico indevido. O motivo da glosa de créditos foi em síntese, o fato de decorrerem de aquisições de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) empregados em “óleos lubrificantes”, produtos nãotributados (“NT”) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovada pelo Decreto n° 6.006/2006 – TIPI/2007, o que não foi aceito, conforme fundamentação exposta no citado TVF. Também foram glosados créditos extemporâneos cujo aproveitamento não observou a legislação de regência. A reconstituição da escrita resultou na apuração de saldos devedores em todos os períodos de apuração relativos aos pedidos analisados, indicando a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que levou ao seu indeferimento, dada a inexistência de saldo credor a ressarcir. Também foi lavrado auto de infração objeto do processo administrativo 16682.720900/201227. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, assinada por procuradores habilitados, na qual alega, em síntese: que industrializa e comercializa óleos lubrificantes, os quais são derivados de petróleo, imunes por força do art. 155, §3º, da Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 16682.720868/201107 Acórdão n.º 3201004.004 S3C2T1 Fl. 615 3 Constituição Federal de 1988 e que lançou os créditos decorrentes de insumos neles empregados com base em resposta favorável obtida através na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT 248/2000; a definição dos referidos óleos como derivados de petróleo teria fundamento no art. 6o, inciso III, da Lei n°. 9.478/1997 Lei do Petróleo bem como nas definições da Portaria n° 17/2009 da Agência Nacional do Petróleo ANP, órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos biocombustíveis no Brasil e que o autuante estaria equivocado ao insistir que seriam derivados de petróleo apenas as Fl. 5700 RS PORTO ALEGRE DRJ Processo 16682.720868/2011 07 Acórdão n.º 1053.393 DRJ/POA Fls. 3 3 substâncias que decorrem do refino; ou seja, da operação física ou química diretamente realizada sobre o petróleo para a sua decomposição; a TIPI/2007 não faz distinção entre os óleos lubrificantes obtidos imediatamente após o refino (sem aditivos) ou em etapas subsequentes (com aditivos), sendo todos classificados no item 2710.1 e que os óleos lubrificantes produzidos são compostos por mais de 70% de óleos de petróleo, conforme documentação que anexa; não teria sido intimada da revogação da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT nº. 248/2000, e que a mudança repentina e injustificada do entendimento fazendário teria violado a segurança jurídica; questiona a possibilidade de um ato infralegal, como o ADI nº 05/2006 sobreporse ao Decreto n° 4.544/ 2002 – Regulamento do IPI, norma hierarquicamente superior; a vedação ao aproveitamento de créditos em relação às aquisições de insumos aplicados em produtos NT seria cabível apenas nos casos de não incidência em sentido estrito, onde não há processo de industrialização; é questionável a aplicação da Súmula 20 do CARF, pois nenhum de seus precedentes decorreria de hipóteses de imunidade ou isenção, mas tão somente de não incidência em sentido estrito, sendo que nem mesmo as súmulas vinculantes, aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, poderiam ser aplicadas a situações distintas de seus precedentes; relaciona decisões favoráveis proferidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, reconhecendo a imunidade de seus produtos e manutenção dos efeitos da antes citada Solução de Consulta..(...) Seguindo a marcha processual normal, irresignado com a r. decisão, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, querendo reforma, sob a seguinte argumentação: Fl. 5869DF CARF MF 4 · Preliminarmente – inexistência de decadência parcial; cerceamento de defesa; · Mérito: possibilidade de usufruir os créditos; não poderia existir interpretação restritiva pelas Autoridades Fazendárias; inaplicabilidade da súmula 20/CARF; aplicação da NT aos produtos Recorrentes; aplicabilidade de consulta fiscal – SRRF/ 7ª. RF/DIST, no. 248/00; aplicação da decisão TRF 1ª. Região – 000632620.2014.4.01.0000/DF; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Em relação ao pedido preliminar para que se oportunize a ampla defesa, não merece prosperar tal pleito, uma vez, que foi oportunizado a ampla, ao mais, não foi demonstrado qual prejuízo sofreu ou qual produção de prova foi cerceada. Já em razão da decadência faço analise com o mérito, pois, o resultado é dependente da conclusão do Julgado. O Recorrente busca a compensação de crédito por meio de PER/DCOMP relativo ao IPI nas aquisições de insumo na fabricação de produtos NT na TIPI. Contudo, é de ressaltar que tal matéria já teve o assunto enfrentado por essa Turma com Relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Moreira, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuracã̧o: 01/07/2009 a 31/07/2009 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE. VINCULAÇAÕ. É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula no 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisicõ̧es de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito reconhecido em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 16682.720868/201107 Acórdão n.º 3201004.004 S3C2T1 Fl. 616 5 dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensacã̧o/ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Direito crédito não reconhecido (J.25/04/17) Ainda em recentes julgados neste Conselho adotou o mesmo o mesmo posicionamento, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. OBSERVÂNCIA DE SÚMULA. Nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, é obrigatória a observância pelos Conselheiros membros deste Órgão das Súmulas aprovadas pelo seu Pleno bem como daquelas baixadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes. IPI. CREDITAMENTO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS 13 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E 20 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes ratificada pelo Pleno do CARF como Súmula nº 20: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. Acórdão: 9303006.520 Número do Processo: 13710.000165/200378 Data de Publicação: 23/05/2018 Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores Fl. 5871DF CARF MF 6 da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação. Recurso negado. Número do Processo: 10882.002150/200627 Data de Publicação: 02/04/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. OBRIGATORIEDADE. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, inequivocamente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo do IPI (Adoção da jurisprudência do STJ, por força do disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015) Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 16682.720868/201107 Acórdão n.º 3201004.004 S3C2T1 Fl. 617 7 GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicamse somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria. Recurso Voluntário Negado. Número do Processo: 16682.720900/201227 Data de Publicação: 15/03/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Diante desse fato, ̧ reconhecese o acerto do procedimento da fiscalizaçaõ que apontou o aproveitamento indevido de créditos informado na PER/DCOMP, objeto de compensação neste processo , além da falta de recolhimento do IPI devido conforme restou decidido. Assim, no curso da auditoria fiscal promovida em decorren̂cia da compensação declarada, foram os créditos glosados, pois que se revelaram indevidos após a reconstituiçaõ da escrita fiscal. Correta a decisão da DRJ/Porto Alegre, pois o crédito levado à compensação e submetido a julgamento naquela instância naõ gozava dos requisitos de liquidez e certeza necessária à homologação da compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Ademais, no presente caso não se vislumbra fatos necessários para o afastamento da Súmula 20 do CARF, devendo ser aplicada ao caso conforme ementada: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ademais a mais, deve ser afastada a prescrição, uma vez, da transmissão da PER/DCOMP ao despacho decisório, e da ciência do, com isso não decorrendo os 5 (cinco) anos para reconhecimento da homologação tácita (prescrição) nos termos doa art. 74, §5º da Lei 9430/96. Com isso, o voto é no sentido de conhecer do Recurso, e negar provimento. Relator Laércio Cruz Uliana Junior Relator (assinado digitalmente) Fl. 5873DF CARF MF 8 Fl. 5874DF CARF MF
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