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Numero do processo: 10480.905177/2010-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.694
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 77 /2 01 0- 82 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10480.905177/201082 Acórdão n.º 9303005.694 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.354, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10480.905177/201082 Acórdão n.º 9303005.694 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10480.905177/201082 Acórdão n.º 9303005.694 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10494.000440/2009-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/06/2007 a 27/05/2009
EFEITOS DA CONSULTA FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. ARTIGO 48 DO DECRETO Nº 70.235/72. POSSIBILIDADE.
O sujeito passivo tem o direito de não ter instaurado contra si nenhum procedimento fiscal relativo à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência.
O Lançamento é nulo, decorrente de vício material, carente de motivação válida, afronta a expressa disposição legal, contida no artigo 48 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9303-005.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/06/2007 a 27/05/2009 EFEITOS DA CONSULTA FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. ARTIGO 48 DO DECRETO Nº 70.235/72. POSSIBILIDADE. O sujeito passivo tem o direito de não ter instaurado contra si nenhum procedimento fiscal relativo à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência. O Lançamento é nulo, decorrente de vício material, carente de motivação válida, afronta a expressa disposição legal, contida no artigo 48 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. ARTIGO 48 DO DECRETO Nº 70.235/72. POSSIBILIDADE. O sujeito passivo tem o direito de não ter instaurado contra si nenhum procedimento fiscal relativo à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência. O Lançamento é nulo, decorrente de vício material, carente de motivação válida, afronta a expressa disposição legal, contida no artigo 48 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 04 40 /2 00 9- 52 Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.419 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3202000.622, proferido pela 2º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu , por maioria de votos, anular o auto de infração por vício material. Transcrevo, inicialmente, parte que interessa do excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente processo sobre Autos de Infração (fls. 01 a 113) lavrados com vistas à constituição de crédito tributário referente a falta de recolhimento de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação, exigências essas acrescidas de multa de oficio proporcional a 75% do valor não recolhido e juros moratórios, além de multa regulamentar e proporcional a 1% do valor aduaneiro, em virtude de o interessado em epígrafe ter importado, no período entre 08/06/2007 a 27/05/2009, através das diversas declarações de importação listadas à fl. 29, conjuntos de baldeespremedor de diversos modelos, e suas partes, marca WAVEBRAKE, e classificado esses produtos no código NCM 8451.80.00 da TEC, ao passo que a classificação tarifária correta dáse no código NCM 3926.90.90 da TEC. Regularmente cientificado da exação em 11/09/2009 (fl. 04), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 13/10/2008, os documentos colacionados às fls. 1152 a 1179 e a impugnação de fls. 1149 a 1151, onde, em síntese: Argúi a nulidade do Auto de Infração hostilizado, ao argumento de que, em razão de existir fundada dúvida acerca da classificação fiscal das mercadorias que importa, apresentou requerimento para solução de consulta à Receita Federal do Brasil, em 30/06/2009, tendo sido, então, surpreendido pela cobrança das exigências formalizadas no presente lançamento, e que dizem respeito à mesma matéria que foi objeto do processo consultivo, quando, ainda, não haviam sido ultrapassados trinta dias da ciência da Solução de Consulta n° 37/09, o que é vedado pelo art. 48 do Decreto n.° 70.235, de 1972. O acórdão da decisão recorrida restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/06/2007 a 27/05/2009 Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.420 3 CONSULTA FISCAL. EFEITOS. ALCANCE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ART. 48 DO DECRETO Nº 70.235/72. O sujeito passivo tem direito subjetivo de não ter instaurado contra si nenhum procedimento fiscal relativamente à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência da decisão definitiva da consulta. Por conseguinte, em decorrência de vício material, é nulo o auto de infração, lavrado para exigir tributo sobre a matéria objeto de consulta, em desrespeito às balizas temporais do art. 48 do Decreto nº 70.235/72. Precedente: Acórdão nº 20177.473 da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, proferido no Processo nº 10920.000773/200238, em 16/02/2004. Recurso Voluntário provido. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "efetuandose uma interpretação sistemática da legislação referente a Consulta bem como quanto a sua finalidade, qual seja, a de resguardar o contribuinte em dúvida quanto a correta posição a ser adotada, o que a investe de um caráter nitidamente preventivo e não retroativo, notase que os efeitos desta consulta apenas podem ocorrer a partir da decisão, admitindo se somente e por força de lei, sua aplicação a partir do protocolo da mesma". Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 30131.709 e 310200.568. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 2º Câmara, deu seguimento ao recurso, fls. 1399/1400. A Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo a inadmissibilidade do recurso, por ausência de pressupostos de admissibilidade, conforme previsto no artigo 68 da Portaria nº 256/09. É o relatório. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.421 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente pela possibilidade ou não da autoridade lançadora instaurar procedimento fiscal em relação à matéria objeto de consulta fiscal antes de transcorridos o prazo de 30 dias da ciência da solução de consulta, nos termos do que prescreve o artigo 48 do Decreto nº 70.235/72. No caso em espécie, a Contribuinte protocolizou junto ao Fisco pedido de Consulta Fiscal sobre legislação tributária em 30/06/2009 e a resposta da solução de consulta foi exarada em 12/08/2009 (fl. 1.135). A Autoridade Fiscal iniciou procedimento de fiscalização e lançamento em 06/07/2009 (fl. 1.132) a ciência da autuação fiscal ocorreu em 11/09/2009 (fl. 04). Neste sentido, o artigo 48 do Decreto 70.235/1972, assim dispõe: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário por entender que o sujeito passivo tem direito subjetivo de não ter instaurado contra si nenhum procedimento fiscal relativamente à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente a data da ciência da decisão definitiva da consulta. Antes do julgamento da lide, conveniente se faz, trazer algumas considerações acerca do instituto da Consulta Fiscal Tributária. O processo de consulta no âmbito Federal foi instituído pelo Decreto nº 70.235/72, até 1996, o instituto da consulta na Secretaria da Receita Federal era regido pelos artigos 46 a 58 do mesmo diploma. O Decreto nº 70.235/72 foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, ou seja, sendo norma anterior materialmente compatível com a nova Constituição, foi esta acolhida, ficando confirmadas sua vigência, validade e eficácia. Salientase ainda que, sendo ato normativo exarado pelo Poder Executivo, foi recepcionado pelo ordenamento jurídico com força de lei ordinária em razão da matéria, em virtude da norma inserida no art. 22, I, da Constituição, que estabelece a competência da União para legislar sobre o processo. Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.422 5 Em pleno vigor o Decreto 70.235/72, é composto de quatro capítulos: o primeiro e o segundo tratam do processo administrativo e do processo de consulta; cuida das nulidades no capítulo terceiro; ficando o quarto com as disposições finais. O processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal foi regulado pela lei n° 9.784, de 29/1/1999, com a seguinte ressalva, no art. 69: “continuarão a regerse por lei própria, aplicando se lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta lei”. Assim, mesmo com o advento desta lei, prevalecem as regras do Decreto nº 70.235/72, para os processos Administrativos de Consulta Fiscal . A lei nº 9.884/99 contém os princípios e preceitos que complementam o Decreto nº 70.235/72, e norteiam a conduta dos agentes públicos investidos das funções inerentes à Administração Pública.Transcrevo o art. 2º da referida lei: Art. 2º. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.423 6 XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode em princípio, formular consulta tributária junto à Secretaria da Receita Federal, pois o direito de petição é uma garantia constitucional, entretanto, para a consulta ser respondia por meio de uma solução, isto é para que seja considerada eficaz, deve ser formulada dentro dos ditames da legislação que rege a matéria. Como visto, a Contribuinte com objetivo de dirimir suas dúvidas da correta aplicação da legislação tributária, formalizou junto a Secretária da Receita Federal consulta fiscal sobre qual NCM utilizar em seus produtos. Por outro lado, passados 7 dias do protocolo, a Autoridade Fiscal lavrou Auto de Infração. Ao meu sentir, o Auto de Infração é nulo, em detrimento do artigo 48 do Decreto 70.235/1972. Essa assertiva, vai ao encontro do que o Ilustre Julgador da DRJ/SC Gustavo Lima Santos Souza, apresentou em sua declaração de voto . Vejamos: "Discordo do Voto do eminente relator por entender que: 1) por entender que os efeitos da consulta se aplicam tanto a fatos geradores pretéritos quanto a futuros, e 2) à época da autuação fiscal, a contribuinte ainda estava no lapso temporal do artigo 48 do Decreto 70.35/1972. O Voto vencedor cita como fundamento da decisão o artigo 48 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.35/1972) para limitar os efeitos da consulta somente para fatos geradores futuros à protocolização da consulta. Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. No entanto, o artigo acima citado não estabelece qualquer limitação temporal aos fatos geradores abarcados pela consulta, ou seja, o artigo acima não determina qualquer termo inicial de forma a afastar atos pretéritos dos efeitos da consulta. Assim, diante de consulta regularmente formulada, a contribuinte consulente tem a garantia de não instauração de qualquer procedimento fiscal e tem a prerrogativa da espontaneidade para adimplir eventual crédito tributário em até trinta dias da intimação da decisão final do processo de consulta. Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.424 7 Conforme exposto no relatório, a contribuinte protocolou pedido de consulta em 30/06/2009, cuja decisão foi exarada em 12/08/2009 (fl. 1135), sendo que, em 06/07/2009 (fl. 1132), houve início de procedimento fiscal que resultou em autuação fiscal cuja intimação se deu em 11/09/2009 (fl 04). Uma vez que a consulta foi protocolada em 30/06/2009 e a decisão administrativa foi exarada em 12/08/2009, somente poderia ser iniciado procedimento fiscal contra a contribuinte a partir de 12/09/2009, e não como ocorreu no presente caso: procedimento em 06/07/2009 com intimação de auto de infração em 11/09/2009. Ademais, provavelmente, a contribuinte não foi intimada no dia da decisão da consulta (12/08/2009), o que postergaria o prazo para início de procedimento fiscal. Logo, diante da ausência de comando legal que expressamente afaste dos benefícios da consulta fatos geradores pretéritos, devese interpretar o comando legal de forma a incluir os mesmos, ainda que tal interpretação seja na forma in dúbio pro reo ou contribuinte, prevista no artigo 112 do Código Tributário Nacional. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Como extensão do artigo 112 acima, devese perquirir o significado da expressão "espécie consultada" presente no artigo 48 do Decreto 70.35/1972 (PAF). O Decreto 70.35/1972 não define o que seja a "espécie consultada" citada no artigo 48. Ademais, não se pode ignorar que, ao tratar das mercadorias importadas (fls. 35), a fiscalização expressamente cita o processo de consulta como elemento acusatório, informando explicitamente que diversas mercadorias objetos da autuação fiscal são similares à mercadoria especificada na consulta e que eventuais diferenças são irrelevantes para efeito de classificação fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de julgar procedente a impugnação". Com efeito, tratase, portanto, de lançamento carente de motivação válida, afronta a expressa disposição legal, contida no artigo 48 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.425 8 Neste sentido, a doutrina bem elucida a questão referente aos pressupostos de motivação do lançamento, merecendo a transcrição dos seguintes excertos: "A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. É, assim, elemento fundamental do material probatório coletado pela autoridade lançadora, posto que uma minudente descrição dos fatos pode suprir até eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no auto de infração (...). De se lembrar, ainda, que o auto de infração, depois de lavrado, passa a ser, antes de qualquer outra coisa, uma peça jurídica, e como tal, deve seu objeto estar juridicamente traduzido, independentemente de seus fundamentos de fato terem sido aferidos a partir de uma auditoria contábil ou de uma apreensão de mercadorias; seja qual for o método investigativo, ao final suas conclusões devem estar juridicamente validadas. 1 Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez, sustentam que: “a errônea compreensão dos fatos ocorridos ou do direito aplicável é vício que dificilmente poderá ser sanado no curso do processo, pois incide no motivo do ato. Não é vício formal na descrição, mas no próprio conteúdo do ato. Não adianta a repetição do lançamento pela autoridade com a finalidade de aproveitamento do ato anterior pela sua convalidação, pois remanesce na nova norma individual e concreta introduzida a mesma anomalia. A correção só poderá ser empreendida por meio da invalidação do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 2. Como visto, para se formalizar o Auto de Infração, se faz necessário obedecer os seguintes requisitos: (i) necessária subsunção dos fatos apurados, identificados no auto de infração, à hipótese abstrata presente na norma jurídica instituidora do tributo; (ii) a descrição dos fatos é elemento fundamental do material probatório; (iii) as conclusões do auto de infração devem estar juridicamente validadas. Tais requisitos, vão ao encontro do que dispõe o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 1 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto nº 70.235, de 06/03/1972, versão 11, dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Decreto/ProcAdmFiscal/PAF.Pdf. 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.426 9 Sem embargo, o procedimento administrativo que culmina na lavratura do auto de infração deve se pautar na verificação da efetiva obrigação tributária, sem o quê temse um lançamento desprovido de fundamentação legal e, por conseguinte, desprovido de motivo. Recorrendo a literatura administrativista, temse que a validade do ato administrativo pressupõe a configuração de todos os seus elementos constitutivos, sem os quais inexistirá o próprio ato, quais sejam, sujeito (pressuposto subjetivo), motivo e requisitos procedimentais (pressupostos objetivos), finalidade (pressuposto teleológico), causa (pressuposto lógico) e formalização (pressupostos formalísticos) 3. Com fundamento nesta classificação, é possível distinguir os pressupostos formalísticos ou de formalização dos elementos objetivos e lógicos motivo, requisitos procedimentais e causa. Celso Antônio Bandeira de Mello4, leciona que o motivo “é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato”, não podendo o agente administrativo praticar o ato se não houver ocorrido a situação prevista em lei, pois, nessa hipótese, o motivo não se revela prestante em razão da inexistência de “pertinência lógica” ou de “adequação racional ao conteúdo do ato”, tornandose viciado o ato em que “o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal”. Neste contexto, não se está diante de um mero exercício lógicoracional de natureza argumentativa, tendente à elucidação ou a complementação de um procedimento anterior, mas de alteração do conteúdo do próprio ato administrativo, o que não se coaduna com a disciplina do art. 142 do CTN acima reproduzido. Leandro Pausen, aborda a matéria no mesmo sentido. in verbis: Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei. 5 Aqui, também, se discriminam os requisitos configuradores dos vícios formal e material; aquele atinente ao procedimento e ao documento e este relativo à validade da aplicação da norma tributária. Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 do CTN abarcam os elementos essenciais à sua constituição, cuja ausência, ainda que apenas de um deles, acarreta a invalidade da autuação e não a mera anulação por vício formal. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, anulando o lançamento por vício material. É como voto. 3 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 359. 4 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 363364. 5 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10494.000440/200952 Acórdão n.º 9303005.794 CSRFT3 Fl. 1.427 10 (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721989/2015-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. (i)LEGITIMIDADE. (in)OBSERVÂNCIA ESCRITURAÇÃO NOS TERMOS ART.254, RIR.
Muito embora a existência da sociedade em conta de participação independa de qualquer formalidade e possa provar-se por todos os meios de direito tem-se que para fins tributários é imprescindível que as operações estejam devidamente contabilizadas de forma a identificar que se referem a essa sociedade não personificada; ônus do qual o contribuinte não de desincumbiu pela simples juntada de balancetes que não permitem identificar precisamente a contabilidade de cada uma das SPCs indicadas no "Termo de Ratificação de Constituição de SCP."
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS- PERMUTA VIA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA "CASA-E-SEPARA"- SIMULAÇÃO.
Não há "propósito negocial" na integralização de capital social, por meio de imóveis, em empresa integrante do mesmo grupo econômico, tributada pelo lucro presumido, em sucessivas operações cujo único fim foi a redução da carga tributária incidente sobre operações imobiliárias.
SIMULAÇÃO. PROVA ROBUSTA.
Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. A não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN não constitui óbice para o lançamento fiscal decorrente da prática da simulação. Antes das alterações normativas implementadas pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o CTN já previa a hipótese da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados (art. 149, VII). A dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, é uma hipótese nova e distinta da simulação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL
Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende ao reflexo.
Numero da decisão: 1402-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram pela ilegalidade do Parecer Normativo Cosit nº 09/2014 e, com base nesse entendimento, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à omissão de receitas na alienação de imóveis. O Conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. (i)LEGITIMIDADE. (in)OBSERVÂNCIA ESCRITURAÇÃO NOS TERMOS ART.254, RIR. Muito embora a existência da sociedade em conta de participação independa de qualquer formalidade e possa provar-se por todos os meios de direito tem-se que para fins tributários é imprescindível que as operações estejam devidamente contabilizadas de forma a identificar que se referem a essa sociedade não personificada; ônus do qual o contribuinte não de desincumbiu pela simples juntada de balancetes que não permitem identificar precisamente a contabilidade de cada uma das SPCs indicadas no "Termo de Ratificação de Constituição de SCP." ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS- PERMUTA VIA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA "CASA-E-SEPARA"- SIMULAÇÃO. Não há "propósito negocial" na integralização de capital social, por meio de imóveis, em empresa integrante do mesmo grupo econômico, tributada pelo lucro presumido, em sucessivas operações cujo único fim foi a redução da carga tributária incidente sobre operações imobiliárias. SIMULAÇÃO. PROVA ROBUSTA. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. A não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN não constitui óbice para o lançamento fiscal decorrente da prática da simulação. Antes das alterações normativas implementadas pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o CTN já previa a hipótese da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados (art. 149, VII). A dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, é uma hipótese nova e distinta da simulação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende ao reflexo.
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(i)LEGITIMIDADE. (in)OBSERVÂNCIA ESCRITURAÇÃO NOS TERMOS ART.254, RIR. Muito embora a existência da sociedade em conta de participação independa de qualquer formalidade e possa provarse por todos os meios de direito tem se que para fins tributários é imprescindível que as operações estejam devidamente contabilizadas de forma a identificar que se referem a essa sociedade não personificada; ônus do qual o contribuinte não de desincumbiu pela simples juntada de balancetes que não permitem identificar precisamente a contabilidade de cada uma das SPCs indicadas no "Termo de Ratificação de Constituição de SCP." ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS PERMUTA VIA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA "CASAESEPARA" SIMULAÇÃO. Não há "propósito negocial" na integralização de capital social, por meio de imóveis, em empresa integrante do mesmo grupo econômico, tributada pelo lucro presumido, em sucessivas operações cujo único fim foi a redução da carga tributária incidente sobre operações imobiliárias. SIMULAÇÃO. PROVA ROBUSTA. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. A não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN não constitui óbice para o lançamento fiscal decorrente da prática da simulação. Antes das alterações normativas implementadas pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o CTN já previa a hipótese da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados (art. 149, VII). A dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, é uma hipótese nova e distinta da simulação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 19 89 /2 01 5- 90 Fl. 1012DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende ao reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram pela ilegalidade do Parecer Normativo Cosit nº 09/2014 e, com base nesse entendimento, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à omissão de receitas na alienação de imóveis. O Conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Fortaleza/CE que por unanimidade de votos julgou a improcedência da impugnação apresentada por EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICACOES LTDA. dada lavratura de auto de infração por falta/insuficiência de recolhimento de imposto de renda adicional no anocalendário de 2010, ante a (i)legitimidade das SCPs, e por omissão de receitas na alienação de imóveis. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que for necessário: Contra o contribuinte em epígrafe, doravante denominado simplesmente de Embraed, foram lavrados os autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (R$ 5.523.819,15); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (R$ 2.972.916, 91); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (R$ 8.308.654,87) e Contribuição para o PIS/Pasep (R$ 1.800.208,56), perfazendo um crédito tributário total de R$ 18.605.599,49 na data do lançamento, já incluídos multas e juros. INFRAÇÕES IMPUTADAS. As infrações imputadas ao contribuinte, detalhadas nos itens 2.1 e 2.2 do Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls 890 a 909. Seguese uma descrição resumida do conteúdo das infrações. 1. RECEITAS ATRIBUÍDAS INDEVIDAMENTE A SCP A infração está assim sintetizada no auto de infração: APURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO ADICIONALINFRAÇÃO: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO ADICIONAL DO IMPOSTO Apuração incorreta do adicional de imposto, em face de considerar receitas da atividade como se fossem de Sociedade em Conta de Participação SCP, sem observar os requisitos destas, infração caracterizada na forma das circunstâncias fáticas expendidas no subitem "2.1 – Receitas Atribuídas Indevidamente a SCP´s", do Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, ato que passa a integrar o presente Auto de Infração. Entendeu o Auditor Fiscal que os empreendimentos “Villa Serena”, “Nottinng Hill” e “Four Seasons” não apresentavam os requisitos para admitirem o tratamento de Sociedades em Conta de Participação – SCP. As razões em que se sustenta o Auditor Fiscal para desconsiderar as SCP foram basicamente as seguintes: a) o documento apresentado pela fiscalizada para comprovar sua relação com a SCP (fls. 129/143) é um "Termo de Ratificação de Constituição de Sociedade em Conta de Participação", que diz respeito à sua relação com a RTDR Participações, sua holding e controladora, nada tendo a ver com os empreendimentos Villa Serena”, “Nottinng Hill” e “Four Seasons”; b) os empreendimentos a que foi atribuída a condição de SCP já se encontravam em execução por ocasião da constituição, inclusive em estágio avançado, como no caso do Villa Serena; c) no que tange à escrituração, os requisitos do inciso I do art. 254 do RIR/99 não foram cumpridos; d) consoante balanço de fls. 492/516, levantado em 31/12/2010, informações essenciais como capital integralizado, investimento realizado, despesas comuns incorridas, não se encontram representadas; Fl. 1014DF CARF MF 4 e) já os balanços acostados às fls. 144/274 não se conformam com a escrita oficial mantida pela fiscalizada; f) também não foram cumpridos os requisitos do inciso III do art. 254 do RIR/99, notadamente no que concerne a indicação da condição de SCP, em documentos como: contratos de vendas de unidades, registro de Patrimônio de Afetação, averbação de transações imobiliária, dentre os anexados às fls. 144/247. Com base nesses fundamentos, concluiu o Auditor Fiscal que o que ocorreu foi o fatiamento da receita, com o propósito de reduzir o pagamento dos tributos, no caso, pela permanência no regime de tributação do lucro presumido. Em conseqüência da desclassificação das SCP, seus faturamentos foram atribuídos à Embraed, que assim superaram em 2010 o limite de R$ 48.000.000,00 para opção pelo lucro presumido, fazendo excluir do regime a empresa a partir do ano calendário seguinte. Dentro do próprio ano calendário da extrapolação da receita em 2010, a conseqüência foi o pagamento a menor do adicional do lucro presumido, nos valores apurados pelo Auditor Fiscal conforme a tabela abaixo: 2. RECEITA DA ATIVIDADE DE ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS NÃO ESCRITURADA. A infração está assim sintetizada no auto de infração: OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA MENSAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS Deixar de escriturar e submeter receitas da atividade a incidência da exação, em face de operação de alienação de imóveis dissimulada na escrituração, infração caracterizada na forma das circunstâncias fáticas expendidas no subitem "2.2 Receita da Atividade de Alienação de Imóveis Não Escriturada", do Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, ato que passa a integrar o presente Auto de Infração. Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2010 a 31/12/2010. Sustenta o Auditor Fiscal que a Embraed, através da constituição da Embraed Setai Participações Ltda, Sociedade de Propósito Especifico – SPE, doravante denominada simplesmente de Setai, e de uma série de operações societária subseqüentes, teria se utilizado desse artifício para dissimular uma operação de venda de apartamentos para a empresa Vila do Farol Hotéis e Turismo Ltda, doravante denominada simplesmente Vila do Farol, visando ocultar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda e tributos reflexos, incidentes nessas vendas. Operações societárias. As operações societárias que o Auditor Fiscal afirma haverem sido perpetradas pelo contribuinte visando a dissimulação das vendas, conhecidas no jargão da doutrina do planejamento tributário como do tipo “casa e separa”, foram as seguintes. Em 10/05/2010, a Embraed constituiu a empresa Embraed La Marina SPE – Sociedade de Propósito Específico, com a seguinte composição societária (fl. 517/526). Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.113 5 Em 11/10/2010, através da Primeira Alteração Contratual (fl. 527/550), a Embraed La Marina (SPE) teve sua razão social alterada para Embraed Setai Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda e o seu capital social aumentado para R$ 50.000.000,00. Nessa operação, a Vila do Farol Hotéis entrou na sociedade integralizando R$ 15.000.000,00 com os bens móveis e imóveis descritos no anexo II ao contrato de fls. 316/332. Na mesma data a Embraed e a RTDR aumentaram suas participações de R$ 700,00 e R$ 300,00 para R$ 22.000.000,00 e 13.000.000,00 respectivamente, mediante promessa de integralização em moeda corrente até 31/12/2020. A nova composição societária ficou assim definida: Em 11/10/2010, paralelamente à operação societária retro descrita, a Embraed integralizou R$ 21.263.995,00 no capital social da VOS Construtora e Incorporadora Ltda, doravante denominada simplesmente de VOS Construtora, empresa controlada pela Vila do Farol, aportando 49 apartamentos e respectivas garagens. Com a alteração contratual em causa (fls. 755/807), a VOS Construtora passou a ter a seguinte composição societária: Em 22/12/2010, através da Segunda Alteração Contratual (fls. 551/562), a Vila do Farol Hotel retirouse da Setai (SPE), cedendo suas cotas para a Embraed e recebendo em contraprestação as cotas que esta possuía na VOS Construtora. Com a alteração, a Setai (SPE), voltou a ter como únicos sócios a Embraed e a RTDR Participações, com a seguinte composição: Em 10/12/2010, através da 10ª Alteração (fls. 808/813), a Embraed retirouse da Vos Construtora, com a entrega de suas cotas à Vila do Farol, recebendo em contraprestação, as cotas que esta possuía na Setai (SPE). Com a alteração, o capital da VOS Construtora voltou a ter os mesmos sócios de antes da integralização da Embraed, a saber: Como justificativas para desconsiderar as operações societárias acima, o Auditor Fiscal elenca uma série de situações, que segundo ele, representariam evidências de que tais operações societárias não refletiriam a realidade dos fatos, a saber. Fl. 1016DF CARF MF 6 Distrato supostamente fictício. O Auditor Fiscal chama a atenção para a existência de um "Instrumento Particular de Distrato Contratual", datado de 30/09/2010 (fls. 598 a 600), que afirma estar desalinhado com os eventos reportados. Na forma consignada no aludido distrato, o mesmo se prestou a desfazer um "Instrumento Particular de Permuta de Imóvel por Área Construída no Local", datado de 20/09/2007. Contudo, tal Instrumento de Permuta jamais foi apresentado à fiscalização. Em resposta à fiscalização (fls. 46 e 64/65) o contribuinte afirmou que a data de 20/09/2007 referenciada no Distrato corresponde na realidade ao inicio das tratativas entre as partes e que o Instrumento de Permuta a que se refere somente veio a formalizarse em 20/01/2008. Contudo, observa o Auditor Fiscal, o Instrumento de Permuta em causa foi objeto de novação na Cálusula 6.9 do “Instrumento Particular de Contrato de Parceria para a Construção e Incorporação de Edifícios Residenciais e Outras Avenças”, firmado em 19/05/2010 (fl. 316/332). Documentos contraditórios sobre a rescisão do contrato de parceria. Relata o Auditor Fiscal que durante a fiscalização foram identificados dois documentos distintos e contraditórios, referentes à rescisão do contrato de parceria entre a Embraed e a Vila do Farol, celebrado em 19/05/2010: um, apresentado pela Vila do Farol (fl. 708), com data de emissão e recebimento em 07/12/2010 e outro, apresentado pela Embraed (fl. 333), que consigna como emissão 23/11/2010 e recebimento em 24/11/2010. Ausência de propósito negocial e substrato econômico. Instado a informar o propósito negocial do investimento no capital da VOS Construtora, o contribuinte afirmou que se deu em função do negócio firmado com a Vila do Farol no contrato de parceria celebrado em 19/05/2010, consistente na “construção de empreendimentos imobiliários e exploração de complexo de hotelaria e turismo”. Segundo o Auditor Fiscal, a avença firmada no contrato de parceria em causa suscita dúvidas, levandose em consideração o fato de que, contraditoriamente às dificuldades de implementação do projeto inicial, o novo contrato amplia consideravelmente a abrangência, o porte e até o objeto de exploração. Observa ainda o agente autuante que a Setai não exerceu qualquer atividade, prestandose apenas a funcionar como empresa "veículo", na medida em que, afora os eventos da subscrição e integralização de capital, sua escrita registra apenas dois fatos contabilizados, sob valores pífios e não relacionados à execução de atividade do objeto social. Por fim, consigna o Auditor Fiscal que, embora os apartamentos tenham sido aportados à VOS Construtora sob a natureza formal de integralização de capital, a transferência se deu na realidade a título de garantia, consoante avençado pelo item 4, do instrumento de parceria firmado em 19 de maio de 2010. Valores atribuídos aos bens integralizados. Sobre esse tema, o autor do feito afirma que “a mensuração dos bens integralizados pelo custo registrado revelase absolutamente desarrazoada, notadamente em face de o valor de mercado ser muito superior”. Para corroborar sua afirmação, o agente autuante observa que os “terrenos urbanos” (conta "44011.2.2.02.01.0001 fls. 643) integralizados na Setai pelo valor de R$ 2.120.324,71 foram reavaliados em quatro anos para R$ 392.687.000,00 (185 vezes!), conforme Laudos de Avaliação às fls. 611 a 641. Acrescenta ainda a autoridade fiscal que no investimento da Embraed no capital da VOS Construtora, consoante evidencia o Razão (fls. 472 a 481), o valor atribuído aos apartamentos na integralização foi de R$ 21.263.995,00, inferior ao custo escriturado, R$ 21.858.704,76. Finalizando sua tese de desconformidade de valores, o autor do feito indica também como elementos de convicção contratos de vendas ulteriores, realizadas pela VOS Construtora (fls. 820 a 840) e pela Embraed, neste último caso, com as respectivas tabelas de preço (fls. 334 a 341). Lapso de tempo entre as operações contratuais processadas. Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.114 7 Sobre esse tema, o Auditor Fiscal consigna que “no período inferior a 60 (sessenta) dias concretizouse toda a trama de "casa e separa". E acrescenta: “por ocasião da celebração da retirada e cessão de quotas pela Embraed (10/12/2010), consoante instrumento da 10ª Alteração da VOS Construtora, o instrumento pelo qual a Vila do Farol promoveu o investimento na Embraed Setai Primeira Alteração sequer estava registrado (14/12/2010).” Ajuste prévio de todo o rito para a concretização do negócio Sustenta o Auditor Fiscal que o contrato de parceria celebrado em 19 de maio de 2010 (fls. 316 a 332), estabelecendo previamente todo o rito, fundamentalmente no que concerne à retirada da sociedade, com a opção por permanecer com os bens integralizados, na verdade revela o negócio dissimulado. Nesse sentido, afirma o agente autuante que a definição dos bens a serem integralizados, de forma que os alienados/transferidos pela Vila do Farol equivalessem exatamente aos da Embraed, denota circunstanciada negociação, com o fito fundamental de implementar a troca dos ativos e que, ademais, em momento algum, foram levados em consideração substratos econômicos inerentes aos propalados investimentos, fato que denota a ausência de interesse/propósito nesse sentido, e sim na alienação dos ativos. Clausulas avençadas desalinhadas com a aparência dada. O Auditor Fiscal aponta as seguintes inconsistências nas clausulas dos instrumentos objeto de análise: I) Item 2, da 9ª Alteração do Contrato Social, da empresa VOS Construtora pelo aludido dispositivo foi constituído usufruto pleno sobre as quotas sociais subscritas pela Embraed, em favor de Vilmar de Oliveira Schurmann, responsável pelas empresas VOS Construtora e Vila do Farol. Assim, a despeito de ser a sócia majoritária, a Embraed, de fato, abriu mão de todo o bônus decorrente, circunstância nada usual para investimentos dessa natureza; II) Subitem 4.1, do "Instrumento Particular de Contrato de Parceria para a Construção e Incorporação de Edifícios Residenciais e Outras Avenças", firmado em 19/05/2010 revela que a integralização efetivada pela Embraed na VOS Construtora não tinha o propósito negocial de investimento, mas apenas constituiu garantia; III) Subitem 2.4, também do instrumento referido no item anterior na forma dessa avença, a proprietária (Vila do Farol) eximiuse de todo o passivo decorrente de Ação Pública que afeta imóveis integralizados, a despeito da natureza personalíssima da Ação, fato que revela, mais uma vez, o propósito de se desfazer dos mesmos, ao invés da anunciada parceria ampliada; IV) No mesmo sentido do subitem precedente, diversas avenças atribuem direitos ou responsabilidades que não se conformam com a propalada parceria, a exemplo do item "5. Do Direito de Rescisão Unilateral por Parte da Vila do Farol e/ou VOS Construtora", bem como do subitem 6.7, que atribui todo encargo tributário para a Embraed, mesmo não sendo ela a contribuinte, todos do instrumento firmado em 19/05/2010. Inconsistências na escrituração dos eventos. Por fim, no que diz respeito à escrituração dos eventos, o Auditor Fiscal aponta a seguinte inconsistência: no aumento de capital da VOS Construtora, a Embraed integralizou apartamentos no valor total de R$ 21.263.995,00 e por ocasião da retirada desta sociedade recebeu a participação que a Vila do Farol possuía na empresa Embraed Setai, valorada em R$ 15.000.000,00. No registro deste fato (Razão fls. 471 a 481), a Embraed procedeu à baixa do investimento representado sob a rubrica "23797 1.3.1.01.03.0003 VOS Construtora e Incorporadora Ltda", pelo valor de R$ 21.858.704,76 e consignou débito no mesmo valor na conta ativa de investimento intitulada "41594 1.3.1.01.03.0007 Embraed Setai Empreend. Imob. SPE Ltda". Fl. 1018DF CARF MF 8 Assim, concluiu o Auditor Fiscal que “o fato não está devidamente representado, considerando que a participação que recebeu em troca ostenta o valor de R$ 15.000.000,00. Sob esta configuração existiria uma perda de R$ 6.263.995,00, fato que não está repercutido na escrita comercial.” Após as constatações acima relatadas, o Auditor Fiscal conclui: Sob o delineamento demonstrado, o que restou efetivado, ao final, foi a transferência de 49 (quarenta e nove) unidades imobiliárias e respectivas garagens, integrantes do estoque e com margem de lucro potencialmente elevada, sem o devido reconhecimento no resultado econômico e fiscal. A estruturação concebida, na forma suso detalhada, intenta dissimular o negócio jurídico verdadeiro, consistente na alienação, por venda, de diversos bens relacionados ao seu objeto social, recebendo em contraprestação outros ativos. Conforme demonstrado, sobejam aspectos que corroboram esta conclusão, infirmando a aparência dada à negociação. De todo o exposto depreendese, facilmente, que estamos diante de uma operação de alienação/venda de unidades imobiliárias, do objeto social da empresa, matéria suscetível ao gravame do imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ). (grifei) Firmada essa conclusão, o autor do feito partiu para a apuração do montante dos tributos devidos. Para tanto, adotou como mês da ocorrência do fato gerador outubro de 2010, momento da integralização dos apartamentos da Embraed no capital da Vos Construtora. Já a base de cálculo, “receita omitida na venda dos apartamentos”, foi estimada a partir de uma média aritmética dos valores das vendas efetivamente realizadas para outros adquirentes, nos mesmos empreendimentos (Alexandria e Renaissence). A receita omitida foi assim estimada em R$ 94.138.396,32 e tributada pela sistemática do lucro presumido. Tendo em vista a acusação de prática de simulação, foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Foi também formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, contra o Sr. Rogério Rosa, sócio administrador da Embraed. IMPUGNAÇÃO Ciente das autuações em 30/06/2015 (fl. 912), o contribuinte apresentou em 30/07/2015 a impugnação de fls. 916/933, trazendo, em síntese, as seguintes alegações. 1. SÍNTESE DO CASO: a Impugnante foi autuada supostamente por duas infrações: 1) omissão de receita na alienação de imóveis, e 2) falta/insuficiência de recolhimento de imposto de renda adicional; segundo o entendimento do Auditor Fiscal responsável, no caso da omissão de receita decorrente da alienação de imóveis, a Impugnante supostamente promoveu "negócio simulado" com o intuito de dissimular o fato/negócio jurídico" de venda de unidades imobiliárias; quanto à segunda autuação, o Auditor Fiscal afirma que identificou o "descumprimento dos requisitos inerentes" às Sociedades em Conta de Participação SCP, motivo pelo qual as desconsiderou, computando, conjuntamente, as receitas das SCPs com a da Impugnante, como se fosse um negócio único, gerando, assim, imposto de renda adicional a ser recolhido. 2. CONTEXTO FÁTICO: o caso concreto envolve empresas integrantes de dois grupos empresariais: o grupo Embraed, representado pela Impugnante e pela Setai e de outro lado, o grupo da família do Sr. Vilmar de Oliveira Schurmann, representado pela Vila do Farol e VOS Construtora; a Impugnante é uma tradicional construtora e incorporadora de imóveis de alto padrão na região do litoral norte catarinense, especialmente em Balneário Camboriú, enquanto a Vila do Farol é uma tradicional empresa hotelaria e Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.115 9 turismo, proprietária de vários empreendimentos hoteleiros em Santa Catarina; dentre os empreendimentos da Vila do Farol, encontravase o Hotel Recanto das Águas, localizado no município de Balneário Camboriú; vislumbrando uma oportunidade de negócio, a Impugnante propôs (e a Vila do Farol aceitou) firmar, em 21/01/2008, o "INSTRUMENTO PARTICULAR DE PERMUTA DE IMÓVEL POR ÁREA A SER CONSTRUÍDA NO LOCAL" (fls. 590597), pelo qual, a Vila do Farol transferiria, por permuta, parte da propriedade dos imóveis que compunham o complexo hoteleiro Recanto das Águas para a Impugnante, que em troca, transferiria, por permuta, parte das unidades imobiliárias que seriam construídas na referida área; entretanto, logo que a Impugnante iniciou as obras de construção civil na área, em 29/09/2009, o Ministério Público Federal ingressou com Ação Civil Pública (fls. 719746) contra a Vila do Farol, requerendo a paralização da construção das obras, no que foi atendido pela Justiça Federal de Itajaí; em face dessa demanda judicial, a Vila do Farol, na pessoa do seu proprietário, Sr. Vilmar Schurmann, passou a demonstrar preocupação com os efetivos riscos de inviabilidade do negócio avençado com a Embraed; de outro lado, a Embraed, na pessoa do seu sócio administrador à época, Rogério Rosa, hoje falecido, não cogitava a hipótese de desistir do projeto; diante desse impasse, em 19/05/2010, os dois Grupos Empresariais aceitaram rever os termos do negócio, formalizando novas condições negociais, o que foi feito através do "INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE PARCERIA PARA A CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO DE EDIFÍCIOS RESIDENCIAIS E OUTRAS AVENÇAS" (fls. 316332); pela nova avença, foram ampliadas as possibilidades de implementação de projetos imobiliários na área do hotel por parte do Grupo Embraed, em contra partida de o Grupo Embraed disponibilizar, para o Grupo do Sr. Schurmann, um conjunto de imóveis (apartamentos) em volume suficiente para servir de garantia real, caso o Grupo Hoteleiro passasse a não mais confiar na viabilidade jurídico ambiental de implementação dos projetos pretendidos pela Embraed; pelo referido instrumento, os projetos foram centralizados na Setai (Sociedade de Propósito Específico), incluindo a transferência para a referida empresa, da propriedade dos imóveis onde se encontrava o Hotel Recanto das Águas, a fim de que a Vila do Farol e a Impugnante não tivessem que se envolver diretamente com as questões jurídico ambientais que viriam pela frente; por outro lado, a Impugnante ficou responsável por integralizar um conjunto de imóveis (apartamentos) numa das empresas do Sr. Schurmann (nesse caso, a VOS Construtora), gravando as respectivas cotas com cláusula de usufruto em favor do referido Senhor, no sentido de protegêlo, por meio de garantia real (apartamentos), contra eventuais intempéries decorrentes das questões jurídico ambientais; mesmo com a disponibilização dos referidos imóveis (apartamentos) em garantia, o Grupo do Sr. Schurmann exigiu o direito de poder rescindir unilateralmente o negócio com o Grupo Embraed, podendo, ao seu exclusivo critério: (a) reverter a propriedade dos imóveis do Hotel Recanto das Águas ou (b) tornar definitiva a propriedade sobre os apartamentos dados em garantia; nesse sentido, o Contrato de Parceria criou três caminhos possíveis para o desenrolar do negócio havido entre o Grupo Embraed e o Grupo Schurmann: a) o Grupo Embraed sairia vitorioso das ações judiciais ambientais, viabilizando o projeto de incorporação e dando andamento ao empreendimento econômico em conjunto com o Grupo Schurmann; Fl. 1020DF CARF MF 10 b) o Grupo Schurmann poderia decidir rescindir unilateralmente o negócio a qualquer momento e assumir novamente a propriedade dos imóveis onde se encontrava o Hotel Recanto das Águas, pondo fim, definitivamente, às expectativas do Grupo Embraed em relação ao projeto previsto para a região; e, c) o Grupo Schurmann poderia decidir rescindir unilateralmente a parceria a qualquer momento, abrindo mão da propriedade dos imóveis do Hotel Recanto das Águas em favor do Grupo Embraed, em troca de ficar com a propriedade dos imóveis (apartamentos) dados em garantia através da integralização e usufruto na VOS. no primeiro caso, terseia uma sociedade de propósito específico para investimento conjunto em projeto de incorporação imobiliária; no segundo, não haveria a conclusão de qualquer negócio jurídico, tendo em vista que ambas as partes retornariam à exata situação anterior e, por fim, no terceiro caso, ocorreria, como, de fato, ocorreu, uma permuta de ativos entre o Grupo Embraed e o Grupo Schurmann; nesse sentido, o Grupo Schurmann notificou e ratificou (dois momentos) sua decisão de rescisão unilateral do Contrato de Parceria, com a opção pela efetivação da transferência definitiva da propriedade dos imóveis que haviam sido dados em garantia (apartamentos); assim, fica claro que todo o contexto negocial, caracterizado e comprovado pela documentação espontaneamente entregue pela Impugnante, redundou numa simples troca de ativos entre grupos empresariais, exatamente como descrito e contratado nos respectivos instrumentos jurídicos; o negócio em causa tratase de mero fato permutativo que, em nenhuma hipótese, pode ser caracterizado como fato gerador tributário, haja vista que não há qualquer sombra de acréscimo patrimonial ou aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (artigo 43 do CTN); todas as operações de transferência de ativos que ocorreram neste caso foram consideradas e escrituradas pelos seus respectivos valores originais (custo de aquisição contabilizado); não houve qualquer tipo de reavaliação, ágio, valor justo, ou coisa do gênero, o que, por si só, já põe por terra a equivocada afirmação do Auditor Fiscal acerca de uma suposta operação "casa e separa", mormente por inexistir qualquer tipo de movimentação financeira de pagamento, torna, ou coisa parecida 3. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO: o Auditor Fiscal não demonstrou que existiam (ou existem) pessoas ocultas diversas daquelas que firmaram os instrumentos jurídicos, ou que qualquer uma das declarações ou condições contidas no contrato não eram verdadeiras (ou que não representaram o que ocorreu de fato), ou, ainda, que os instrumentos foram antedatados ou pósdatados, logo, ele não pode falar em "simulação". alienação de bens imóveis que recebe "em contraprestação outros ativos" (SEM TORNA), no direito tributário brasileiro, é denominada de PERMUTA e não de venda; o negócio jurídico caracterizado pelos eventos ocorridos e pelos instrumentos contratuais formalizados neste caso concreto redundou, na verdade, numa operação de PERMUTA DE ATIVOS e não numa "venda dissimulada"; quem, em sã consciência, iria acreditar que uma empresa como a Embraed, com o suposto intuito de "dissimular a venda" de apartamentos de altíssimo padrão, prontos para morar, de frente para o mar em Balneário Camboriú, iria se sujeitar a aceitar, em troca (SEM TORNA), um terreno cheio de problemas judiciais em relação à questões ambientais, com um enorme risco de virar um Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.116 11 "mico", por eventualmente ser proibida qualquer construção em sua área, simplesmente para "enganar o fisco"?! se aceitarmos a falácia do Auditor Fiscal, estaríamos nos prestando a acreditar que, apenas para "enganar" o fisco, a Impugnante trocou belos apartamentos, com altíssima liquidez comercial, facilmente vendáveis, por um terreno incrustrado na mata atlântica, praticamente impossível de vender, e que demandaria (como vem demandando) um enorme esforço de investimento jurídico e econômico para viabilizar qualquer eventual possibilidade de aquisição jurídica e/ou econômica de renda num futuro BEM distante. houve, de fato, uma permuta de ativos, caracterizada pela troca de participações societárias, onde a Impugnante abriu mão de suas cotas na VOS Construtora, em troca de receber as cotas que a Vila do Farol detinha em relação ao capital social da Setai. mesmo que essa Autoridade Julgadora consiga descobrir uma eventual justificativa para acatar o argumento de "simulação" neste caso concreto, por mais absurda que possa vir a ser essa tal justificativa, ainda assim, no máximo, poderseia desconsiderar o Contrato de Parceria e, consequentemente, a permuta de cotas. Nesse caso, restaria a permuta dos apartamentos da Impugnante pelo terreno do Hotel Recanto das Águas da Vila do Farol, ou seja, inevitavelmente ainda seria uma permuta de ativos sem torna. 4. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR TRIBUTÁRIIO: para toda a doutrina, a jurisprudência, e a legislação, a mera movimentação permutativa de ativos sem torna não pode ser considerada receita para efeito de tributação do imposto de renda no âmbito do lucro presumido, em que pese a existência do Parecer Normativo COSIT no 9/2014, em sentido contrário; 5. LEGITIMIDADE DAS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO: as Sociedades em Conta de Participação analisadas pelo Auditor Fiscal têm como sócias a Impugnante e a RTDR Participações Ltda, que também é a sócia controladora da Impugnante; a ideia de constituir Sociedades em Conta de Participação com a RTDR para cada uma das obras empreendidas pela Impugnante surgiu inicialmente com o objetivo específico de preparar e facilitar a operacionalização dos empreendimentos para a possível entrada de outros investidores ao longo das obras; o instituto jurídico da Sociedade em Conta de Participação acabou se mostrando extremamente prático no sentido de agilizar os aportes e retiradas de capital da RTDR para cada empreendimento específico, sem que houvesse a necessidade de formalização via instrumentos contratuais perante o registro de comércio; o Código Civil brasileiro estabelece que "Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito"; o propósito específico e finito de cada SCP é indiscutível, pois se refere a obras de incorporação (prédios) determinadas com início, meio e fim. não faria sentido a RTDR aumentar o capital da Embraed e formalizar burocraticamente integralizações apenas para suprir os investimentos eventualmente demandados para cada obra específica; os balanços e balancetes auxiliares que foram entregues (fls. 144/154, 194/199 e 244/251) não deixam qualquer dúvida acerca da especialização patrimonial de cada uma das SCP; os balanços e balancetes também mostram que a RTDR não aportou valores ao longo de 2010, motivo pelo qual não há saldo consolidado em seu favor no Fl. 1022DF CARF MF 12 balanço geral da Impugnante, conforme bradou o Auditor Fiscal a título de suposta ilegitimidade das SCPs; os aportes da RTDR se deram a partir de 2011, conforme as fichas de razão que seguem como anexo 02 desta petição, as quais poderão ser integralmente auditadas a qualquer tempo; a variação percentual das participações de cada uma das sócias é irrelevante para efeito de "descaracterização da SCP". A dinâmica da demanda por recursos em empreendimentos do porte das incorporações em questão é enorme. Não há como prever a fixação e o cumprimento de percentuais muito específicos, assim como a eventual entrada e saída de outros sócios participantes; os valores foram aportados na medida da necessidade e retirados quando possível. Esse é apenas mais um motivo para que a Impugnante tenha se apoiado na SCP, tendo em vista a sua flexibilidade em relação a pouca exigência acerca das formalidades constitutivas (art. 992 do CC); os documentos de fls. 178/193 e 265/274, bem como as planilhas de apuração e os comprovantes de recolhimento de tributos disponíveis nas fls. 275/315, dão conta de explicitar inequivocamente o extremo cuidado da Impugnante com a especialização das operações de cada uma das SCPs; o Auditor Fiscal apresenta argumentos meramente retóricos, apoiandose em expressões de efeito, porém, vazias de conteúdo. 6. ERRO NA DEFINIÇÃO DO FATO GERADOR: o Auditor Fiscal afirma que o fato gerador se deu com a 9ª alteração do contrato social da VOS Construtora, ocorrido em 11/10/2010, com isso determinou o 31/10/2010, como sendo a data da ocorrência do fato gerador; ocorre que no momento da formalização da 9ª alteração do contrato social da VOS Construtora, a única coisa que a Impugnante fez foi subscrever e integralizar cotas com a entrega de bens imóveis (apartamentos). Nesse sentido, não há como afirmar que a Impugnante tenha recebido qualquer tipo ativo em troca dos apartamentos no momento da referida alteração contratual; essa falha na determinação do momento da ocorrência do fato gerador contamina o lançamento de nulidade por vício material. 7. ERRO NA DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. todas as operações realizadas neste caso concreto formam formalizadas e escrituradas por seus respectivos custos de aquisição (valores contabilizados). Logo, mostrase totalmente descabido o arbitramento da base de cálculo do suposto fato gerador a partir de "valores de mercado" dos bens permutados. esse arbitramento indevido da base de cálculo, a exemplo do erro na definição do fato gerador, configura igualmente causa de nulidade do lançamento por vício material. 8. PEDIDO. Ao final, solicita o cancelamento dos presentes autos de infrações, enumerando os seguintes motivos: 1) Inexistência de qualquer tipo de negócio simulado e, consequentemente, de fato gerador tributário em relação à permuta de ativos sem torna realizada pela Impugnante; 2) Inexistência de imposto de renda adicional a ser recolhido, tendo em vista a demonstração da plena legitimidade das sociedades em conta de participação integradas pela Impugnante; 3) Nulidade por vício material do ato fiscal em relação à suposta omissão de receita, caracterizada por erro na indicação do momento da ocorrência do fato gerador; 4) Nulidade por vício material do ato fiscal em relação à suposta omissão de receita, caracterizada por erro na definição da base de cálculo da pretendida exação; e, Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.117 13 Subsidiariamente, 5) Descabimento da multa qualificada, tendo em vista a evidente inexistência de qualquer indicio de dolo, fraude ou simulação. Em julgamento a DRJ entendeu, por unanimidade, não assistir razão a recorrente nos argumentos veiculados julgando, assim, pela improcedência da impugnação restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SIMULADOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização deve desconsiderar os atos e negócios jurídicos simulados, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, em buscar a verdade material, com prevalência da substância sobre a forma. LUCRO PRESUMIDO. FRACIONAMENTO DE RECEITA ATRAVÉS DE CRIAÇÃO ARTIFICIAL DE SCP. O fracionamento da receita da pessoa jurídica, por meio da criação artificial de SCP, tendo como sócio oculto o próprio sócio controlador e como exclusivo propósito o de permitir a opção pelo lucro presumido caracteriza simulação, autorizando a autoridade fiscal a desconsiderar de ofício a opção pelo regime e aplicar as conseqüências tributárias cabíveis. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. PERMUTA DE IMÓVEIS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO. Na operação de permuta de imóveis com ou sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica que apura o imposto sobre a renda com base no lucro presumido, dedicada a atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, constituem receita bruta tanto o valor do imóvel recebido em permuta quanto o montante recebido a título de torna. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão a contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário em que inicialmente sustenta a legitimidade das SCP, sob o fundamento de que a participação de uma holding (RTDR Participações LTDA) em SCPs em conjunto com a recorrente, empresa em que também detém participação societária, não influi na personalidade jurídica daquelas, que a utilização dessa estrutura jurídica surgiu inicialmente com o objetivo específico de preparar e facilitar a operacionalização dos empreendimentos para a possível entrada de outros investidores ao longo das obras. Reiterando que não faria sentido a RTDR aumentar o capital da Embraed e formalizar burocraticamente integralizações apenas para suprir os investimentos eventualmente demandados para cada obra específica. Afirma ainda que não haveria vantagem tributária em submeter seus empreendimentos à apuração do IRPJ pelo lucro presumido, dado que seus empreendimentos imobiliários são tributados em conformidade com o RET, previsto na Lei n. 10.931/04, que seria muito mais vantajoso que o lucro presumido. Em relação ao não cumprimento das formalidades para adoção do regime de SCP, a contribuinte assevera que os balanços e balancetes auxiliares que foram entregues (fls. 144/154, 194/199 e 244/251) não deixam Fl. 1024DF CARF MF 14 qualquer dúvida acerca da especialização patrimonial de cada uma das SCP; e que os documentos fiscais contidos nas folhas 178193 e 265274, bem como as planilhas de apuração e os comprovantes de recolhimento de tributos disponíveis nas folhas 275315, dão conta de explicitar inequivocamente o extremo cuidado da recorrente com a especialização das operações de cada uma das SCPs. Quanto à existência de simulação, alega que o próprio relator do acórdão reconheceu que se trata de permuta de imóveis e não dissimulação de compra e venda. Nessa linha, passase então a impugnar a aplicação do Parecer Normativo n. 9/2014 que equiparou a permuta a compra e venda para fins de identificação de renda tributável, o que a seu ver violaria os arts. 121, II, 123, §3 e 128, §§4 e 5, todos do RIR/99. Alega ainda a nulidade por vício material por erro na identificação do fato gerador e por definição da base de cálculo. Para ao fim, reiterar seus pedidos. É o relatório. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.118 15 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso é tempestivo e foi interposto por advogado com procuração nos autos. 2. DO MÉRITO Inicialmente, cumpre esclarecer que a análise não será adstrita ao decidido em sede de DRJ. Como já nos posicionamos anteriormente pelo amplo efeito devolutivo do Recurso Voluntário que confere ao CARF cognoscibilidade exauriente serão analisados não apenas as premissas delimitadas pela r. DRJ, mas o auto de infração desde sua concepção pelo fiscal em sede de TFV. 2.1. DA (i)LEGITIMIDADE DAS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO: Quanto às sociedades em conta de participação, o fiscal responsável por lavrar o auto entendeu que não estavam presentes os requisitos para configuração das SCP em litígio. Alegando para infirmar sua existência que: Na forma dos instrumentos acostados às fls. 129 a 140, intitulados “Termo de Ratificação de Constituição de Sociedade em Conta de Participação”, produzidos no curso da presente fiscalização, as SCP são entre EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICAÇÕES LTDA. (EMBRAED) e RTDR PARTICIPAÇÕES LTDA. (RTDR), sendo aquela a sócia ostensiva. A RTDR, por sua vez, detém 98% (noventa e oito por cento) das quotas sociais da EMBRAED. Assim, sob o aspecto do quadro societário, é absolutamente estranha a constituição das mesmas, uma vez que, na prática, representa a constituição de sociedade com o próprio sócio controlador, sendo que o sócio minoritário de ambas também se confunde. Sob o viés da participação societária, os aludidos instrumentos consignam que é de 50% (cinquenta por cento) para cada, informação que não se conforma com escrita comercial que mantém, vide Balanço de 31/12/2010, acostado às fls. 492 a 516. Ademais, empreendimentos a que foi atribuída a condição de SCP encontravamse em execução por ocasião da constituição, inclusive em estágio avançado, como o “Villa Serena”, cenário em que não se vislumbra a participação na forma informada, mesmo porque a escrita comercial assim não o reflete. No que tange à escrituração, consoante disposto no artigo 254 do RIR/99, os requisitos necessários também não restam cumpridos. Em nível de livros, considerando que são utilizados os do sócio ostensivo, os registros não observam o disposto no inciso I do aludido artigo, considerando que aspectos elementares não restam evidenciados. Consoante revela o Balanço acostado às fls. 492 a 516, levantado em 31/12/2010, informações essenciais como do Fl. 1026DF CARF MF 16 capital integralizado, investimento realizado, despesas comuns incorridas, não se encontram representadas. Já os balanços/balancetes apresentados na esteira do item 2, da Intimação Fiscal n° 01 (fls. 29 a 31), compendiados entre os documentos acostados às fls. 144 a 274, não se conformam com a escrita oficial mantida. Naqueles constam rubricas que não figuram nesta, fato que denota cabalmente a desconformidade, dispensando maiores comentários. Em relação aos preceitos relacionados aos documentos, insculpidos no inciso III do aludido artigo 254, a norma também resta não cumprida, notadamente no que concerne a indicação da condição de SCP. Documentos dentre os acostados às fls. 144 a 274, a exemplo dos instrumentos firmados na venda de unidades, instituição e registro de Patrimônio de Afetação, registro/averbação de transações imobiliárias, revelam o descumprimento. A r. DRJ acatou o posicionamento do fiscal salientando que não estariam cumpridos os requisitos para configuração de uma SCP, a saber, a) a captação informal de recursos de terceiros, por parte do sócio ostensivo; b) isenção da responsabilidade do sócio oculto perante terceiros; c) não participação do sócio oculto na administração dos negócios da SCP e d) anonimato do sócio oculto perante terceiros. O contribuinte desde a impugnação e reitera em seu Recurso Voluntário que a utilização da SCP visa dar maior flexibilidade ao empreendimento permitindo a captação e integralização de capital de uma forma mais célere. Afirma ainda que não se beneficia do lucro presumido, pois teria submetido a receita dos seus projetos ao RET previsto na Lei. n. 10.931/2004. Alega ainda que todos os documentos entregues ao longo do procedimento e/ou indicados pela fiscalização contradizem o Auditor Fiscal. A controvérsia demanda enfrentar se no caso concreto a utilização das SCP é oponível ao fisco e se os documentos acostados aos autos pelo recorrente são suficientes para demonstrar se a escrituração de suas operações são legítimas. Incumbe esclarecer, desde já, que o mero fato do contribuinte ter estruturado sua atividade imobiliária mediante SCPs não há prática evasiva alguma, tratandose de estruturação usual no setor imobiliário reconhecida, inclusive, pela legislação tributária que recentemente, inclusive, demandalhe inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). (IN/RFB n.1634/2016) A SCP é um instituto jurídico atualmente regulamentado pelos arts. 991 a 996 do Código Civil de 2002, que autoriza maior flexibilidade a seus sócios, como se percebe inclusive da leitura dos art. 992, a saber, que prescreve que a constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Verificase ainda que o art. 993 do CC/02 prescreve a responsabilidade do sócio ostensivo, atribuindo responsabilidade solidária aos demais sócios pela obrigação em que intervierem. Ao fato do controlador de sociedade empresária (RTDR) que configura como sócia ostensiva (EMBRAED) participar como sócia oculta da SCP há um indício de (i)legitimidade pois quais razões justificariam sua constituição. Há afirmação de que a SCP tem por propósito flexibilizar os aportes de capital para realização dos empreendimentos realizados pela Recorrente, o que, no entanto não se sustenta na medida em que a contribuinte não conseguiu relatar uma só operação de investidor que tenha justificado a concepção de tal estrutura. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.119 17 Argumenta a contribuinte que a legislação cível não veda que controladora participe de SCP juntamente com controlada, o que é verdade, e que nem mesmo demandase forma específica ao que não haveria mácula alguma no "Termo de Ratificação de Constituição de Sociedade em Conta de Participação." Em obra coletiva dedicada sobre a estruturação de operações imobiliárias Renato Faria ao discorrer acerca do Regime Tributário das SCPs esclarece que a constituição de SCPs de fato "independe de registro podendo ser provada por qualquer modo." (FARIA &CASTRO, Renato e Leonardo. Operações imobiliárias estruturação e tributação. São Paulo: Saraiva, 2016, p.546.) Ainda que presentes fundamentos econômicos e previsão legal para SCP, temse que a forma como foi estruturada a operação não há como não conferir razão à autoridade fiscal. Entendeu a autoridade fiscal que o "Termo de Ratificação de Sociedade em Conta de Participação" apresentado pela recorrente não é documento suficiente para demonstrar a existência, além do que sua operação não observou o que prescreve a legislação tributária. Vale considerar que ainda que a legislação brasileira não demande forma específica para o ato, independentemente se considere a natureza jurídica da SCP de sociedade ou contrato, temse que isso não implica imediatamente o reconhecimento de sua legitimidade para fins tributários ao que importante verificar qual tratamento tributário dispensado a tal instituto. Conforme antes visto hoje a RFB prevê, inclusive, CNPJ para as SCPs; o que inexistente há época das operações da recorrente. No entanto, a operação das SCPs regulada pela IN31 por meio da qual já previase que sua escrituração deve observar a seguinte disposição do RIR/99: Art. 254. A escrituração das operações de sociedade em conta de participação poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios, observandose o seguinte: I quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à sociedade em conta de participação; II os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros; III nos documentos relacionados com a atividade da sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade. No presente caso, os meros balancetes juntados aos autos não observam o regramento legal antes prescrito, o que aliado à fragilidade da demonstração das operações das SCPs, não há como reconhecer a legitimidade da existência das SCPs que não seguiram os critérios da legislação referida ao que voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em relação a esse item. Fl. 1028DF CARF MF 18 2.2. DA RECEITA DA ATIVIDADE DE ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS NÃO ESCRITURADA. O fiscal que lavrou o auto de infração entendeu que o conjunto de operações realizadas pelo contribuinte, retratadas no relatório, visava à alienação de diversos ativos do estoque da empresa ora sob fiscalização (Embraed) e diversos bens do ativo não circulante pela Vila do Farol, tudo sem qualquer ônus no que concerne a exações federais administradas pela Receita Federal do Brasil. Estarseia, portanto, diante de operação casa separa dado que: (a) haveria Ausência de Propósito Negocial e Substrato Econômico; (b) atribui aos bens valores inferiores aos que teriam no mercado; (c) lapso de tempo entre as operações processadas de apenas 60 dias; (d) Ajuste Prévio de Todo o Rito para a Concretização do Negócio; (e) a presença de Cláusulas Avençadas Desalinhadas com a Aparência Dada; e Inconsistências na Escrituração dos Eventos. Calculou então o preço médio das unidades vendidas até então em cada empreendimento para definir os valores omitidos da base de cálculo dos tributos, chegando às tabelas abaixo: Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.120 19 Os fiscais, por fim, qualificaram a multa nos termos do art. 44, I e §1 da Lei n. 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de “evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964”. O contribuinte sustentou em sua impugnação que não se trataria de simulação, mas caso se configurasse a simulação, o negócio dissimulado seria uma permuta sem torna (dos apartamentos da Recorrente pelo terreno do Hotel Recanto das Águas da Villa do Farol) e não uma compra e venda. O que acabou sendo acatado pela r. DRJ, conforme se transcreve: Na realidade, o que aconteceu foi a permuta de 49 apartamentos de luxo, prontos para morar, pertencentes a Embraed, e contabilizados no seu estoque, os quais foram permutados pelo Hotel Recanto das Águas, com todo seu ativo imobilizado, e mais 8 terrenos, com área total de aproximadamente 667.000m2, de propriedade da Vila do Farol. (...) Diante do quadro acima, dúvidas não restam de que o que houve de fato foi uma permuta de ativos entre a Embraed e Vila do Farol, travestida de contrato de parceria. Ocorre que a permuta dos imóveis, caso fosse exteriorizada desde o início como tal, sujeitaria as partes à incidência do imposto de renda e contribuições: a Vila do Farol, sob forma de ganho de capital na realização de ativos imobilizados e a Embraed, na forma de receita da alienação de bens do ativo circulante, sujeita à tributação pelo lucro presumido. Nessa linha, aplicou o Parecer Normativo Cosit n. 9/2014, afirmando ainda que a permuta se equipara a compra e venda nos termos do art. 533 do CC/2002, mantendose o auto em sua inteireza, inclusive no tocante à base de cálculo, que teria sido arbitrada nos termos do art. 20 da Lei 7.713/88. Em seu RV, a Recorrente aceita a premissa da r. DRJ afirmando que não há dissimulação de compra e venda, mas uma simples troca de ativos, o que estaria evidente no Instrumento Particular de Permuta de imóvel por Área a ser construída no local (fls. 590597). O que teria sido alterado pelo embargo da obra pelo MP, de forma que a operação seria então garantida por imóveis construídos. Que a interpretação veiculada no Parecer Normativo Cosit n. 9/2014 subverteria o conceito de renda previsto no art. 43 do CTN, que a tributação de permuta sem torna pelo IR violaria os artigos 121, II, 123§3 e 128, §§ 4 e 5 do RIR, bem comoo item 2.1.1 da IN SRF nº 107/88. Alegou ainda o erro na indicação do fato gerador e na definição da base de cálculo. O primeiro aspecto que gostaria de pontuar são os as supostas ausência de Propósito Negocial e Substrato Econômico. Como já registrado ao longo do voto e venho defendendo, o propósito negocial não tem previsão legal e serve apenas como indício para que se verifique um dolo, fraude ou simulação nos termos do art. 149 do CTN. Mas ainda que se aceitasse a necessidade de um propósito negocial, as operações realizadas se justificariam no contexto em que ocorreram. Afinal, o embargo judicial da obra que acabou por frustrar a operação inicial seria causa aceitável para que as partes buscassem outro meio para garantir o contrato, porém, jamais seriam suficientes e legítimos para montagem de toda uma operação casaesepara com vistas a furtarse do recolhimento de impostos. Fl. 1030DF CARF MF 20 Fora só a suposta ausência de propósito negocial e de substrato econômico a razão que motivou a lavratura do auto, não haveria razão para sua manutenção, mas os fiscais que o lavraram apontaram ainda como fundamento, lastreados em análise da documentação apresentada pela Recorrente, para verificação da simulação, e que não foram em nenhum momento impugnados pelo ora Recorrente: (a) atribuição aos bens de valores inferiores aos que teriam no mercado; (b) lapso de tempo entre as operações processadas de apenas 60 dias; (c) Ajuste Prévio de Todo o Rito para a Concretização do Negócio; (d) a presença de Cláusulas Avençadas Desalinhadas com a Aparência Dada; e (e) Inconsistências na Escrituração dos Eventos. A questão que permanece é se o fato dissimulado é uma compra e venda como apontado pelos fiscais que apontaram o auto ou uma permuta de imóveis sem torna, como alegado pelo contribuinte e acatado pela r. DRJ. Particularmente, entendo que o resultado final da operação foi a troca de 49 apartamentos por um terreno, o que me leva, então, a análise da aplicação do Parecer Normativo Cosit n. 9/2014 ao caso concreto, a permuta de um bem do ativo imobilizado (o terreno) por unidades do estoque (os apartamentos), que restou assim sintetizado: Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ. PESSOAS JURÍDICAS. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. LUCRO PRESUMIDO. Na operação de permuta de imóveis com ou sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica que apura o imposto sobre a renda com base no lucro presumido, dedicada a atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, constituem receita bruta tanto o valor do imóvel recebido em permuta quanto o montante recebido a título de torna. A referida receita bruta tributase segundo o regime de competência ou de caixa, observada a escrituração do livro Caixa no caso deste último. O valor do imóvel recebido constitui receita bruta indistintamente se tratase de permuta tendo por objeto unidades imobiliárias prontas ou unidades imobiliárias a construir. O valor do imóvel recebido constitui receita bruta inclusive em relação às operações de compra e venda de terreno seguidas de confissão de dívida e promessa de dação em pagamento, de unidade imobiliária construída ou a construir. Considerase como o valor do imóvel recebido em permuta, seja unidade pronta ou a construir, o valor deste conforme discriminado no instrumento representativo da operação de permuta ou compra e venda de imóveis. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 14; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), art. 533; RIR/1999, arts. 224, 518 e 519; IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1988. Nesse ponto, entendo que não merece guarida o pleito do contribuinte, os dispositivos do RIR que foram apontados como violados, dizem respeito a apuração de ganho de capital da Pessoa Física, que está submetido a regime de apuração diverso daquele ao qual a Recorrente está submetida; lucro presumido. Bem explica o Conselheiro Luís Flávio Neto, em estudo dedicado às conseqüências tributárias de permutas de bens imóveis realizadas por empresas optantes pela sistemática do lucro presumido que "operações de permuta sem torna de bens imóveis do ativo circulante ensejam receitas operacionais ao contribuinte." (FARIA &CASTRO, Renato e Leonardo. Operações imobiliárias estruturação e tributação. São Paulo: Saraiva, 2016, p.713.) O Acórdão, ora hostilizado, compartilha igual entendimento com fundamento, inclusive, em entendimento anterior da RFB nos termos da Solução de Divergência n.5, de 1º de dezembro de 2010 (COSIT): LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 11516.721989/201590 Acórdão n.º 1402002.685 S1C4T2 Fl. 1.121 21 torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. Dispositivos legais: art.533, da Lei n.10406/2002 (CC); arts.224, 518 e 519 do Decreto n.3000/1999. Entendo ainda que o auto de infração não está maculado pelos vícios materiais alegados pela Recorrente, quanto a eventual erro na indicação do fato gerador e na apuração da base de cálculo adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos apontados pela r. DRJ. 2.3 DA MULTA QUALIFICADA EM 150%: A autoridade fiscal imputou multa qualificada ante a confirmação da simulação que pelas razões antes lançadas de toda estruturação contratual montada pela recorrente com vistas a dissimular situação fiscalmente lhe era mais onerosa operou em simulação devendo, assim, ser mantida a multa qualificada prevista no art. 44, I da Lei 9.430/96, por coerência. Este E. CARF por meio do CSRF já teve oportunidade de julgar caso símile de operações societárias simuladas com vistas a furtarse ao recolhimento de impostos decorrentes de operações imobiliárias consagrando entendimento pela aplicação da multa qualificada em 150% restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 e 2008 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INADMISSIBILIDADE. Não se pode admitir, à luz dos princípios constitucionais e legais entre eles os da função social da propriedade e do contrato e da conformidade da ordem econômica aos ditames da justiça social , que, a prática de operações de reorganização societária, seja aceita para fins tributários, pelo só fato de que há, do ponto de vista formal, lisura per se dos atos quando analisados individualmente, ainda que sem propósito negocial. GANHO DE CAPITAL. CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. O sólido e convergente acervo probatório produzido nos autos demonstra que o contribuinte valeuse da criação de uma sociedade, para a alienação de bens classificados em seu ativo permanente, evadindose da devida apuração do respectivo ganho de capital, por meio de simulação, que é reforçada pela ausência propósito negocial para sua realização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Comprovadas a simulação e o intuito fraudulento, caracterizado pelo dolo específico, impõese a aplicação da multa de 150%. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão n.9101002.429, Rel. Conselheiro Marcos Valadão) Fl. 1032DF CARF MF 22 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto mantendo assim o crédito tributário. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 1033DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902182/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 82 /2 00 9- 22 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902182/200922 Acórdão n.º 1302002.496 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902182/200922 Acórdão n.º 1302002.496 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902182/200922 Acórdão n.º 1302002.496 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902182/200922 Acórdão n.º 1302002.496 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902182/200922 Acórdão n.º 1302002.496 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904447/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.065
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 44 7/ 20 11 -7 5 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10280.904447/201175 Resolução nº 3402001.065 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10280.904447/201175 Resolução nº 3402001.065 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10280.904447/201175 Resolução nº 3402001.065 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10280.904447/201175 Resolução nº 3402001.065 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000509/2010-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.175
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja juntado por apensação aos processos nºs 13864.000536/2010-97 e 13864.000523/2010-18, com posterior retorno à relatora para julgamento em conjunto, por conexão, se for o caso.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja juntado por apensação aos processos nºs 13864.000536/2010-97 e 13864.000523/2010-18, com posterior retorno à relatora para julgamento em conjunto, por conexão, se for o caso. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 784 1 783 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13864.000509/201014 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.175 – 2ª Turma Data 13 de dezembro de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Secretaria de Câmara, para que este processo seja juntado por apensação aos processos nºs 13864.000536/201097 e 13864.000523/201018, com posterior retorno à relatora para julgamento em conjunto, por conexão, se for o caso. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 50 9/ 20 10 -1 4 Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 785 2 PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 13864.000512/201038 37.291.7162 (AI 34) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000509/201014 37.311.3722 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial em julgamento 13864.000513/201082 37.311.3730 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000511/201093 37.311.3749 (AI 69) Obrig. Acessória Agravo 13864.000510/201049 37.311.3757 (AI 38) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000508/201070 37.311.3765 (AI 22) Obrig. Acessória Recurso Especial em pauta 13864.000534/201006 37.311.3773 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000525/201015 37.311.3781 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000536/201097 37.311.3790 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000519/201050 37.311.3803 (Terceiros) Obrig. Principal Desistência 13864.000522/201073 37.311.3811 (Seg.) Obrig. Principal Desistência 13864.000520/201084 37.311.3820 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000518/201013 37.311.3838 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000517/201061 37.316.8195 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000528/201041 37.316.8209 (Emp. e SAT) Obrig. Principal REsp da Cont. não admitido 13864.000527/201004 37.316.8217 (Seg.) Obrig. Principal Liquidado 13864.000526/201051 37.316.8225 (Terceiros) Obrig. Principal Liquidado 13864.000523/201018 37.316.8233 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000521/201029 37.316.8241 (Seg.) Obrig. Principal Desistência 13864.000524/201062 37.316.8250 (Terceiros) Obrig. Principal Desistência Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 786 3 13864.000516/201016 37.316.8268 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000515/201071 37.316.8276 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000514/201027 37.316.8284 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta 13864.000535/201042 37.318.2872 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial em pauta O presente processo trata do Debcad 37.311.3722 AI68, lavrado em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em sessão plenária de 17/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.467 (efls. 619 a 625), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A revogação de dispositivo que serve de fundamento legal ao auto de infração não torna este nulo (tempus regit actum), mas tão somente permite a aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte, se o ato não foi definitivamente julgado, uma vez existente autorização expressa do art. 106, II, “c” do CTN. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 787 4 Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32 A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).” O processo foi encaminhado à PGFN em 27/06/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 626) e, em 24/07/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 627 a 636 (Despacho de Encaminhamento de efls. 651). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Nesse passo, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 25/07/2016 (efls. 660 a 663). Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 24/08/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 670), a Contribuinte, em 08/09/2016, ofereceu as Contrarrazões de efls. 680 a 699 (Termo de Solicitação de juntada de efls.679), contendo os seguintes argumentos: Da negativa de seguimento do Recurso Especial por falta de comprovação de requisito de admissibilidade Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 788 5 ainda que, no despacho do exame de admissibilidade, se tenha entendido pelo seguimento do recurso especial quanto à divergência da multa aplicável ao caso, pois, supostamente, haveria similitude das situações fáticas entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, fato é que, além de a recorrente não ter apontado analiticamente a divergência entre os acórdãos, a Contribuinte, ao fazer essa análise, não identificou similitude fática entre os casos; quanto à questão da aplicação da punição da Contribuinte pelo artigo 35A da Lei 8.212, de 1991, o acórdão paradigma não serve para confirmar a divergência jurisprudencial pretendida pela recorrente; a Contribuinte ao analisar com profundidade o acórdão trazido como paradigma pela recorrente, constatou que as informações e situações fáticas presentes nos referidos acórdãos são totalmente diversas do que ocorre no presente caso; no acórdão paradigma nº 2401002.472, verificase que a empresa autuada foi multada, somente, em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212, de 1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999; segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (segundo às fls. 360 daqueles autos); no relatório do presente caso, observase que há diferenças na autuação da Contribuinte, tendo em vista ter ela, supostamente, infringido os parágrafos 3° e 5° do artigo 32, IV, Lei 8.212, de 1991; com efeito, na lavratura dos Autos de Infração já há diferenças quanto aos artigos infringidos pelas partes, o que macula a similaridade que a recorrente busca criar sobre o seu paradigma; também, as situações fáticas de cada acórdão são diversas entre si, pois observase que a autuação, no acórdão paradigma, referese a benefícios aos empregados, que não foram considerados pela empresa como base de cálculo de contribuição previdenciária: transporte (dinheiro, combustível e pedágio); planos de saúde diferenciados para alguns empregados; ajuda de custo (aluguel, escola, e outros), participação nos resultados (prêmios); comissões e outros pagamentos; já no caso ora recorrido, a autuação referese a situações que não têm natureza salarial (que estão sendo discutidas em diversos processos administrativos ainda não definitivamente julgados) e, por isso, não poderiam ser consideradas pela Contribuinte como sendo base de cálculo para contribuições previdenciárias; ou seja, no acórdão recorrido a Contribuinte não foi autuada por omitir benefícios aos empregados e sim por ter presumido a Autoridade Fiscal que os valores declarados em DIRF seriam remunerações a segurados empregados ou contribuintes individuais, enquanto se tratam de pagamentos que sequer são fatos gerados de contribuições previdenciárias, tanto é assim que já foi reconhecido, na decisão de primeira instância administrativa, que alguns itens do relatório fiscal não são fatos geradores das referidas Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 789 6 contribuições e, por isso, não haveria que se falar em multa por descumprimento de obrigação acessória (fls. 504); assim, no acórdão paradigma, os fatos geradores de contribuições previdenciárias foram constatados e, como consequência, foi constituída uma penalidade condizente com a infração cometida; no caso do recorrido, as Contribuições Previdenciárias foram indicadas sobre fatos questionáveis (questionável, também, pois, a multa por descumprimento de obrigações acessórias); portanto, dito paradigma não possui qualquer correspondência com o presente caso e, por isso, ele não poderia ser utilizado para a admissão do Recurso Especial da Fazenda Nacional; em vista disso, embora o recurso especial interposto tenha sido admitido, é de rigor que seja revista a presença do requisito de admissibilidade, no que tange à necessária constatação de que o acórdão recorrido tenha dado interpretação à lei tributária diversa daquela dada por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, já que manifestamente ausente. Do mérito no caso dos autos, observase que a infração foi lavrada por suposta omissão de fatos geradores na GFIP (obrigação acessória), sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, na redação vigente à época do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada; em 2009, com o advento da Lei nº 11.941, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I; diante da existência de uma nova legislação, dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco indicar qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN; nesse sentido, a Lei nº 8.212, de 1991, é específica para disciplinar as questões envolvendo Contribuições Previdenciárias (entre elas as obrigações acessórias, como a GFIP); somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212, de 1991, fizer remissão para outras normas, é que estas serão aplicáveis (como, por exemplo, ocorre com os seus artigos 35 e 35A, ao se referirem a artigos da Lei nº 9.430, de 1996); por isso, quando das autuações fiscais, o fisco deve se ater à legislação específica previdenciária para entender qual a melhor maneira de punir e de aplicar as sanções, pois é a Lei específica que expõe o que deve ocorrer; o artigo 32A é claramente a norma aplicável, nos casos em que há o descumprimento da obrigação acessória, independentemente de haver ou não recolhimento da contribuição previdenciária; Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 790 7 por outro lado, o próprio artigo 35A, que a recorrente reputa aplicável ao presente caso, é expressamente aplicável quando se verificar o lançamento das contribuições previdenciárias previstas no artigo 35, da Lei 8.212, de 1991; ou seja, no lançamento principal, em que se der a constituição das contribuições previdenciárias previstas no art. 35, da Lei 8.212, de 1991, a multa aplicável é de 75% da totalidade das contribuições não recolhidas, como de fato ocorreu, por exemplo, no lançamento originário do processo 13864.000528/201041 (Debcad 37.316.8209). Nesse sentido, confirase: No caso da presente autuação, Auto de Infração n°. 37.117.5160, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n°8.212/1991 e do art. 32, § 5°, da Lei n° 8212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei n° 8212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n°8.212/1991 c/c o art. 32, § 5°, Lei IV 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 1 L941/2009.(Processo n° 15889.000365/2007 48 Acórdão n.° 2403 00.266 e Processo n°13688.000394/200821 – Acórdão n.° 240300.275) portanto, pretender a aplicação do artigo 35A, no caso concreto, é fugir ao que a legislação prevê para punição de situações relativas às obrigações acessórias; e mais, é penalizar o Contribuinte duas vezes, na mesma medida, pela prática de ilícitos conexos (aqui, a ausência de declaração em GFIP e, nos autos principais, a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias); assim, para a aplicação do art. 106 do CTN, é necessário analisar qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, de acordo com o caso concreto; se constatada alguma irregularidade, a multa aplicável é a prevista no artigo 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, por ser específica às obrigações acessórias das contribuições previdenciárias, e não o artigo 35A, da mesma lei, que é específica para o descumprimento das obrigações principais; além disso, como já citado, permanecem em andamento diversos processos administrativos questionando as autuações fiscais relativas às contribuições previdenciárias, havendo, inclusive, decisões favoráveis à Contribuinte nos processos nºs 13864.000525/2010 15, 13864.000535/201042 e 13864.000534/201006, para os quais sequer haveria que se falar em descumprimento de obrigação acessória; portanto, as relações jurídicas discutidas nestes autos e nos processos relativos às contribuições previdenciárias podem ser distintas, mas vinculadas por prejudicialidade, pois a solução quanto à natureza dos pagamentos realizados refletirá no crédito ora discutido, e, por Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 791 8 essa razão, o julgamento do presente processo deve ser suspenso até que resolvidas as discussões integrantes das NFLDs pendentes de julgamento (apresenta relação de processos). diante do exposto, também no mérito não se sustenta o Recurso Especial interposto, devendo ser mantida a decisão recorrida. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O apelo visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Tratase do Debcad 37.311.3722 AI68, lavrado em razão de a empresa apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o sobrestamento do julgamento do presente processo, tendo em vista que há discussões integrantes de NFLDs pendentes de julgamento, vinculadas por prejudicialidade ao Debcad ora em julamento. O mesmo procedimento fiscal gerou os Debcads a seguir relacionados, que tratam das obrigações principais, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF de fls. 256/257: 01 37.311.3730 (processo nº 13864.000513/201082) em pauta 02 37.311.3773 (processo nº 13864.000534/201006) em pauta 03 37.311.3781 (processo nº 13864.000525/201015) em pauta 04 37.311.3790 (processo nº 13864.000536/201097) 05 37.311.3803 (processo nº 13864.000519/201050) desistência 06 37.311.3811 (processo nº 13864.000522/201073) desistência 07 37.311.3820 (processo nº 13864.000520/201084) em pauta 08 37.311.3838 (processo nº 13864.000518/201013) em pauta 09 37.316.8195 (processo nº 13864.000517/201061) em pauta 10 37.316.8209 (processo nº 13864.000528/201041) REsp da Contribuinte não admitido Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13864.000509/201014 Resolução nº 9202000.175 CSRFT2 Fl. 792 9 11 37.316.8217 (processo nº 13864.000527/201004) Liquidado 12 37.316.8225 (processo nº 13864.000526/201051) Liquidado 13 37.316.8233 ( processo nº 13864.000523/201018) 14 37.316.8241 (processo nº 13864.000521/201029) desistência 15 37.316.8250 (processo nº 13864.000524/201062) desistência 16 37.316.8268 (processo nº 13864.000516/201016) em pauta 17 37.316.8276 (processo nº 13864.000515/201071) em pauta 18 37.316.8284 (processo nº 13864.000514/201027) em pauta 19 37.318.2872 (processo nº 13864.000535/201042) em pauta Assim, os únicos processos cujos resultados pendentes poderiam afetar o julgamento do presente processo seriam aqueles que se encontram negritados. Destarte, constatase que a exigência é relativa a multa por descumprimento de obrigação acessória, associada a obrigações principais cujos processos nºs 13864.000536/201097 e 13864.000523/201018 tramitam em separado, encontrandose na fase de ciência à Contribuinte do Acórdão de Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à Secretaria da Câmara, para que este processo seja juntado por apensação aos processos nºs 13864.000536/201097 e 13864.000523/201018, com posterior retorno a esta Relatora para, se for o caso, julgamento em conjunto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 792DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.902148/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 02 14 8/ 20 08 -1 6 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11065.902148/200816 Resolução nº 1201000.296 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11065.902148/200816 Resolução nº 1201000.296 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.658699/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 86 99 /2 01 2- 39 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.658699/201239 Acórdão n.º 1401001.945 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.658699/201239 Acórdão n.º 1401001.945 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.658699/201239 Acórdão n.º 1401001.945 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720816/2010-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-006.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Recorrente CODIL ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 16 /2 01 0- 73 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3802001.319, que decidiu por não reconhecer o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpõe o presente Recurso. Requer a reforma do acórdão recorrido para que seja reconhecido o crédito pleiteado, uma vez que os valores relativos aos fretes de transferência estão contemplados no artigo 3º, inciso II e IX, da lei nº 10.833/03. O recurso foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.110, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001230/200597, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.110): Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 4 3 "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito exclusivamente ao direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não cumulativos, sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Sem embargo, a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário, por entender de que seria impossível o creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se relacionar com operação de venda. Para melhor compreensão dos fatos, verifico que a Contribuinte é uma sociedade que se dedica à industria e ao comércio , exercendo também atividade de exportação de madeira. Nada obstante, verifico que os fretes relacionados a transferência entre filiais, ocorrem em razão da Contribuinte possuir unidades produtivas em diversas localidades do Brasil, embora, para se fazer a exportação necessita transferir as mercadorias para as filiais localizadas junto aos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande. A transferência se faz necessária para a formação de lotes para a exportação (venda). Há também uma unidade produtiva destinada ao mercado interno, localizada distante do mercado consumidor, no município de Bom Jesus, interior do Estado do Rio Grande do Sul, desta unidade as mercadorias são transferidas para a matriz localizada em Caxias do Sul, de onde são feitas as vendas, uma vez que a matriz está localizada próxima do mercado consumidor. Dessa forma, os fretes de transferência ocorrem unicamente por questão de logística. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303005.116, de 17 de maio de 2017, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, de Relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 5 4 O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF nº 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 7 6 produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 8 7 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 9 8 Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 10 9 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: ∙ Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 9303006.120 CSRFT3 Fl. 11 10 devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito de COFINS sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para reconhecer o direito ao crédito das contribuições não cumulativas sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 488DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.721604/2015-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
CUSTOS E DESPESAS. DEDUÇÃO.REQUISITOS.
Os custos e despesas são dedutíveis na apuração do resultado do período desde que acobertados por documentação hábil e idônea e que seja necessários e usuais às atividades da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. DETALHAMENTO. NULIDADE.
Não procede a arguição de nulidade do procedimento por ausência de detalhamento do Termo de Verificação Fiscal, eis que esse documento deixa claras as razões pelas quais os custos /despesas foram glosados.
Numero da decisão: 1402-002.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas no montante de R$ 12.651.414,46 (R$ 5.658.892,85 + R$ 4.325.156,91 + R$ 558.198,89 + R$ 2.109.165,81 ). Vencido o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votou por converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheito Marco Rogério Borges.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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DEDUÇÃO.REQUISITOS. Os custos e despesas são dedutíveis na apuração do resultado do período desde que acobertados por documentação hábil e idônea e que seja necessários e usuais às atividades da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. DETALHAMENTO. NULIDADE. Não procede a arguição de nulidade do procedimento por ausência de detalhamento do Termo de Verificação Fiscal, eis que esse documento deixa claras as razões pelas quais os custos /despesas foram glosados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas no montante de R$ 12.651.414,46 (R$ 5.658.892,85 + R$ 4.325.156,91 + R$ 558.198,89 + R$ 2.109.165,81 ). Vencido o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votou por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 16 04 /2 01 5- 75 Fl. 3746DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheito Marco Rogério Borges. Fl. 3747DF CARF MF Processo nº 10120.721604/201575 Acórdão n.º 1402002.782 S1C4T2 Fl. 3.743 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL como decorrência da glosa de despesas não comprovadas registradas nas contas Energia Elétrica (conta de resultado); 4.02.02.01.04.34 – Outras Despesas Administrativas (TAC); 4.02.02.01.06.36 – Outras Despesas Administrativas; 6.01.02.01.01.07 – Juros FINEM; 6.01.02.01.01.02 – Juros FINAME; 6.01.02.01.01.10 – Garantias e Avais; e 6.01.02.01.01.04 – Juros Sobre Capital de Giro. De acordo com o Fisco, os documentos apresentados seriam insuficientes para comprovar as despesas e, além disso, não teria sido demonstrada a liquidação financeira. O sujeito passivo apresentou impugnação em que alega que ao tomar ciência dos autos de infração de IRPJ e CSLL via eCac em 16/03/2015 verificou que a Fiscalização não havia anexado ao Processo Administrativo o Termo de Verificação Fiscal, requerendo a reabertura do prazo de impugnação, que foi concedido. Posteriormente, apresentou impugnação complementar. Suscita a nulidade do feito pelo fato de a autoridade fiscal não ter disponibilizado o TVF na data da lavratura do auto de infração. Ainda como nulidade, aduz que o TVF conteria vício de motivação, vez que não foi detalhado o suficiente para explicitar as razões que fundamentaram o entendimento da fiscalização quanto à indedutibilidade das despesas glosadas. No mérito, apresenta os seguintes questionamentos em relação a cada item: Despesas com energia elétrica: Alega que inexiste previsão legal estabelecendo a liquidação financeira de operações como condição para que a respectiva despesa seja contabilizada e dedutível para fins da apuração de IRPJ e CSLL. Cita a Norma e Procedimento de Contabilidade (NPC) nº 14 do IBRACON pelo qual o reconhecimento de uma despesa estaria relacionada com a existência de uma obrigação (e com a sua liquidação), por esse pronunciamento o registro contábil da despesa não irá depender da respectiva liquidação financeira, pois o reconhecimento contábil da despesa deve ser o regime de competência e não o regime de caixa. Cita nesse mesmo sentido o CPC 30. Por fim, conclui, sobre esse tema, que de acordo com as regras contábeis, a dedutibilidade de uma despesa não tem como requisito a sua liquidação financeira, para os contribuintes aderentes ao regime de competência. Em relação à despesa com energia elétrica, explica que a impugnante adquire energia elétrica por meio de contratações globalizadas, em grandes volumes e valores expressivos, junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), na qual a liquidação das operações é realizada de modo multilateral, não individualizado. Para comprovar o alegado, junta documento comprobatório de que é participante da CCEE e traz Fl. 3748DF CARF MF 4 planilhas anexas disponibilizadas pela CCEE de acordo com o art. 16, incisos II e V da Resolução Normativa ANEEL nº 109 de 2004. Traz também as respectivas notas fiscais e livro razão da referida conta detalhando os lançamentos. Na impugnação complementar apresentada em 15/05/2015 anexa contrato de venda de energia elétrica celebrado com a CCEE para comprovar a relação jurídica que ensejou o registro contábil das referidas despesas de energia elétrica. Despesas com juros FINAME : Para comprovar os valores lançados na conta Despesa com Juros Finame, junta ao processo os documentos que comprovariam a sua dedutibilidade, sendo: Livro Razão, relativamente à conta contábil 6.1.2.1.01.02 que demonstrariam a contabilização das despesas questionadas; escritura pública de contrato celebrado entre o impugnante e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 16.04.2010, com abertura de crédito no valor de R$ 288.548.000,00; instrumentos aditivos ao contrato mencionado anteriormente; e planilha de cálculo detalhando a composição dos valores registrados no livro razão. Em relação à necessidade de liquidação financeira, remete aos argumentos utilizados na argumentação sobre a dedutibilidade das despesas com energia elétrica. Despesas com juros FINEM: Para comprovar os valores lançados na conta Despesa com Juros Finem junta ao processo os documentos que comprovariam a sua dedutibilidade, sendo: Livro Razão, relativamente à conta contábil 6.1.2.1.01.07 que demonstrariam a contabilização das despesas questionadas; escritura pública de contrato celebrado entre o impugnante e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 17.12.2008, com abertura de crédito no valor de R$ 418.791.000,00; instrumentos aditivos ao contrato mencionado anteriormente; e planilha de cálculo detalhando a composição dos valores registrados nos lançamentos indicados. Em relação à necessidade de liquidação financeira, remete aos argumentos utilizados na argumentação sobre a dedutibilidade das despesas com energia elétrica. Despesas com Garantias e Avais: Para comprovar os valores lançados na conta Despesa com Garantias e Avais, junta ao processo os documentos que comprovariam a sua dedutibilidade, sendo: Livro Razão, relativamente à conta contábil 6.1.2.1.01.10 que demonstram a contabilização das despesas questionadas; contrato de remuneração de garantia, celebrado entre a Odebrecht S.A e a Odebrecht Agroindustrial Participações S.A, formalizando, em 10/10/2007 as operações de garantias de seguros e avais dentro do grupo Odebrecht e 2ª aditivo a esse contrato celebrado em agosto de 2010 incluindo os sócios das referidas empresas contratantes, demonstrando que o impugnante integra o grupo Odebrecht; instrumentos aditivos ao contrato acima mencionado; planilhas de cálculo detalhando os valores registrados nos lançamentos contábeis acima indicados; e notas de débitos mencionadas no Livro Razão, por meio das quais foram formalizadas as cobranças das retribuições pecuniárias relativas às garantias e avais. Em relação aos valores de R$ 158.904,75 de 07/06/2010 e R$ 1.692,94 de 10/06/2010, esclarece que são repasses de despesas decorrentes do Acordo de Rateio de Custos e Despesas, portanto, reembolso de pagamento de funcionários e apólice de risco de engenharia e obras civis em construção. Em relação à necessidade de liquidação financeira, remete aos Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 10120.721604/201575 Acórdão n.º 1402002.782 S1C4T2 Fl. 3.744 5 argumentos utilizados na argumentação sobre a dedutibilidade das despesas com energia elétrica. Despesas Administrativas: A impugnante alega que celebra com empresas do mesmo grupo econômico contratos de rateio de despesas comuns com o objetivo de administrar o interesse das empresas contratantes e a redução de custos. Tal rateio estaria amparado pela Solução de Divergência da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 23/2013 e jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Dessa forma, seria possível a dedução de valores pagos a título de rateio de despesas administrativas e de infraestrutura entre empresas do mesmo grupo econômico. Para corroborar o alegado, apresenta Contrato de Rateio Firmado entre as empresas do Grupo Odebrecht. Faz ressalva de que a Fiscalização não questionou em nenhum momento os critérios utilizados pela Impugnante para o rateio das despesas compartilhadas, portanto, não se discute se seriam válidos ou não. O auto de infração foi baseado na não comprovação das despesas, e em consonância com o lançamento, traz provas para comproválas a sua dedutibilidade. Junta ao processo os documentos que comprovariam a dedutibilidade dos valores pagos a título de Despesas Administrativas, sendo: Livro Razão, relativamente à conta contábil 4.01.02.01.06.36 que demonstram a contabilização das despesas questionadas; contrato de Rateio, celebrado entre as empresas do Grupo Odebrecht; planilhas de cálculo com o detalhamento da composição dos valores registrados nos lançamentos contábeis acima indicados; e notas de débitos mencionadas no Livro Razão, por meio das quais foram formalizadas as cobranças objeto do contrato de rateio de despesas do Grupo Odebrecht. Em relação à necessidade de liquidação financeira, remete aos argumentos utilizados na argumentação sobre a dedutibilidade das despesas com energia elétrica. Despesas com Juros de Capital de Giro: Para comprovar as Despesas com Juros de Capital de Giro junta ao processo os documentos que comprovariam a sua dedutibilidade, sendo: Livro Razão, relativamente à conta contábil 6.1.2.1.01.04 que demonstrariam a contabilização das despesas questionadas; contrato e aditivos celebrados com as instituições financeiras Banco do Brasil, Banco Bradesco e Banco Pine S.A a respeito dos empréstimos relativos a capital de giro; planilhas de cálculo com apuração dos valores registrados nos lançamentos indicados na conta contábil acima no anocalendário 2010; e extratos bancários expedidos pelo Banco do Brasil, Banco Bradesco e Banco Pine S.A demonstrando os pagamentos referentes aos juros de capital de giro. Em relação à necessidade de liquidação financeira, remete aos argumentos utilizados na argumentação sobre a dedutibilidade das despesas com energia elétrica. Ainda alega a impugnante que os juros glosados pela fiscalização são incorridos com o transcurso do prazo do respectivo contrato, portanto, a exigência de prova da sua liquidação financeira seria um mero elemento de reforço. Fl. 3750DF CARF MF 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP prolatou o Acórdão 1673.828 pelo qual deu provimento parcial à impugnação e restabeleceu a dedução de parte dos valores contabilizados a título de juros sobre capital de giro. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário contra a exigência mantida, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Quanto à exigência cancelada, foi objeto de recurso de ofício, tendo em vista as implicações na utilização do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL. É o Relatório. Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 10120.721604/201575 Acórdão n.º 1402002.782 S1C4T2 Fl. 3.745 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Tendo em vista que a autuação envolve glosa de despesas por ausência de comprovação, o julgamento consiste fundamentalmente num juízo de valoração frente aos elementos de prova trazidos pela autuada. Na apreciação das provas o julgador deve atuar nos autos sob o princípio do livre convencimento motivado ou da persuação racional, com liberdade para valorizálas, desde que exponha as razões de seu convencimento. Ainda que respeitando opiniões doutrinárias em sentido contrário, filiome àqueles para os quais a aplicação de tal princípio não foi mitigada na nova ordem processual pátria. Sob essa ótica, presto minhas homenagens à decisão recorrida que agiu sob o aspecto processual exatamente da forma como deveria fazêlo, acatando ou não os elementos de prova apresentados pela defesa e, nesse última hipótese, justificando a não aceitação. Em relação ao recurso de ofício, o acórdão recorrido restabeleceu parte da dedução referente aos encargos sobre empréstimos para capital de giro tendo como base as operações em relação as quais foram apresentados os contratos. A análise meticulosa do voto condutor não merece qualquer crítica, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. O recurso voluntário foi tempestivo e interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A questão da nulidade pela ausência de entrega do TVF foi suprida pela concessão de novo prazo para impugnação. Quanto ao vício de fundamentação do TVF, a defesa não merece melhor sorte. Em relação aos valores glosados que, foram objeto de mais de um Termo de Intimação, o TVF assim se manifestou: ......No dia 02/02/2015, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 7, o contribuinte respondeu as informações a que fora intimado, porém, não apresentando todos os documentos solicitados. A fiscalização recebeu com ressalvas os documentos. Foram apresentadas apenas as notas fiscais nºs 2630, 4713, 5363, 5110, 6569, 6998 e 9473 (258/264). Não foram apresentadas as notas fiscais nºs 2629, 295, 351 e 7374. Não foram apresentados nenhum comprovante de liquidação das notas fiscais citadas. Além disso, todas as notas fiscais apresentadas foram emitidas pela própria contribuinte, sem identificação do vendedor. Já em relação ao item 2, foi apresentado apenas cópia do Termo de Acordo de Rateio de Custos e Despesas. Em relação aos itens 3, 4, 5 e 7, foram apresentados somente a composição e memória de cálculo dos valores registrados na contabilidade.... Vejase que a autoridade lançadora manifestase pela insuficiência dos documentos seja pela ausência de notas fiscais (ou contratos, conforme o caso), seja pela Fl. 3752DF CARF MF 8 ausência do comprovante de liquidação. Tal fato foi devidamente compreendido pela interessada que preocupouse na peça impugnatória a trazer contratos e sustentar a desnecessidade de comprovação da liquidação dos valores. Antes de adentrar no mérito de cada dos itens objeto da glosa, cabe ressalvar duas questões que se aplicam a todos os itens que serão tratados em seguida: O registro contábil só tem valor como prova se apoiado em documentação hábil e idônea. Em outras palavras, o registro na escrituração da pessoa jurídica não pode de per si ser apresentado como elemento de prova da realização da operação a que se refere; e: Planilhas não são elementos de prova. Na maior parte das vezes representam instrumentos auxiliares para resumo e visualização de informações extraídas de documentos ou outra fonte de dados. De qualquer forma, não são hábeis e idôneas para atestar a veracidade do conteúdo sem o suporte do documento que lhes deu origem. No mérito, seguindo a ordem da peça recursal temse: 1) Despesas com energia elétrica: A questão da nulidade do TVF já foi dirimida em momento anterior deste voto. Quanto às razões da Fiscalização, pareceme ter ficado claro que a razão para a glosa foi a não aceitação das notas fiscais. A decisão recorrida por sua vez entendeu pela regularidade desses documentos mas manteve a autuação por entendêlos insuficientes. Nesse caso, penso que assiste razão à recorrente. Reconhecido que as notas fiscais foram emitidas de acordo com as formalidades inerentes às operações a que se referem e na ausência de qualquer outro questionamento quanto à idoneidade desses documentos, tais notas fiscais fazem prova a favor da interessada. As restrições colocadas pela decisão recorrida, em tese absolutamente pertinentes, não podem ser suscitadas no presente caso quando o Fisco limitous a questionar a legitimidade da nota fiscal. Sendo assim, dou provimento ao recurso voluntário nesse item para restabelecer a dedução no valor de R$ 5.658.892,85. 2) Juros Finame e Juros Finam: A questão da nulidade do TVF já foi dirimida em momento anterior deste voto. Conforme salientado na introdução às questões de mérito deste voto, lançamentos contábeis e planilhas só podem ser tido como elementos de prova insofismável se acompanhados de documentos hábeis e idôneos que os amparem. No presente caso, conforme ressaltado pela decisão recorrida, sequer existe uma correspondência plena entre o Livro Razão e os valores indicados nas planilhas, inclusive na indicação dos códigos das operações a que se referem. Tal ressalva no acórdão recorrido mereceria uma explicação da defesa em sede de recurso voluntário. Entretanto, não houve qualquer tentativa de justificar o fato. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 10120.721604/201575 Acórdão n.º 1402002.782 S1C4T2 Fl. 3.746 9 Em relação aos contratos, o valor do crédito estipulado (dividido em sub créditos) também não guarda consonância com aqueles indicados na planilha e suas cláusulas não contém informações suficientes que permitam vinculálo aos valores dos encargos lançados na contabilidade. A insistência da interessada em simplesmente afirmar que o Livro Razão, a planilha e os contratos deveriam ser aceitos como prova irrefutável sem ao menos tentar justificar o porquê das discrepâncias entre as informações neles contidas, levame a concordar com o entendimento da decisão recorrida. Ainda que a defesa conteste com veemência a necessidade da comprovação da liquidação financeira para efeito de acatar a dedução das despesas sob exame, penso que no presente caso seria essa a melhor forma de atestar a veracidade dos dados contabilizados. Mesmo que se pudesse aventar a possibilidade de alguma(s) parcela(s) do financiamento não ter(em) sido paga(s), seria de esperar que a recorrente pudesse conseguir junto ao agente financeiro um demonstrativo dos encargos incorridos. É inconcebível que o credor não tenha uma sistemática de controle dos financiamentos concedidos com lançamento do crédito disponibilizado bem como dos encargos. Do exposto, nego provimento ao recurso nesse item. 3) Garantias e avais: Diversamente do item anterior, nesse item há uma perfeita consonância entre os lançamentos no Livro Razão e as informações constantes da planilha que indicam a apuração do valor deduzido. O contrato de remuneração de garantia firmado entre a ETH e a Odebrecht, em conjunto com os aditivos, estabelece o percentual de remuneração e a sistemática de apuração e prevê a inclusão de subsidiárias da ETH o que incluiria a interessada. Não partilho do rigor da decisão recorrida nessa questão no sentido de desqualificar as cláusulas de aditamento por não ter localizado o termo de adesão. A existência de contratos de financiamento ou equivalentes firmados pela interessada nos quais a Odebrecht fosse garantidora, em conjunto com as circunstâncias mencionadas no parágrafo anterior, forneceria presunção de veracidade aos argumentos da defesa. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso, eis que apresentados os tais contratos. Aqui, pareceme que a decisão recorrida não atentou para a existência do cédulas de crédito bancário Finame formalizadas com o ItaúUnibanco e contrato Finam com o BNDES nos quais a Odebrechet foi garantidora. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso neste item e restabelecer a dedução no valor de R$ 4.325.156,91. 4) Despesas administrativas: Nesse item, importa deixar claro que a possibilidade de rateio de despesas administrativas por empresas do mesmo grupo econômico bem como o critério de rateio não está em discussão. O cerne da querela é a comprovação da efetiva ocorrência das despesas. Fl. 3754DF CARF MF 10 Nesse ponto, importa ressaltar que a Fiscalização foi clara ao estabelecer quais documentos seriam aptos a demonstrar o valor deduzido, conforme Termo de Intimação que , inclusive, foi transcrito na peça de defesa: A intimação é clara em solicitar os documentos fiscais que envolvem as mercadorias ou serviços rateados. O sujeito passivo, por sua vez, insiste em apresentar como prova apenas o Livro Razão e os documentos que tratam do rateio, conforme por ele mesmo enumerados: (i) Livro Razão, relativamente às contas contábeis 4.01.02.01.06.36 e 4.02.02.01.04.34, que demonstram a contabilização das despesas questionadas (DOC. 26 da Impugnação); ii) Contato de rateio de despesas entre as empresas do grupo Odebrecht (DOC. 24 da Impugnação); (iv) Planilhas de cálculo, com a apuração dos valores registrados nos lançamentos contábeis acima indicados (DOC. 25 da Impugnação); (v) Notas de débitos mencionadas no Livro Razão, por meio das quais foram formalizadas as cobranças objeto contrato de rateio de despesas do Grupo Odebrecht (DOC. 27 da Impugnação). Como já afirmado em momento anterior deste voto, o registro contábil só tem valor como prova se apoiado em documentação hábil e idônea. Em outras palavras, o registro na escrituração da pessoa jurídica não pode de per si ser apresentado como elemento de prova da realização da operação a que se refere. Ressaltese ainda que não se trata, como alega a recorrente, de questionamento específico quanto à necessidade e usualidade da despesa para efeito de dedução. De fato tal análise não ocorreu. Mas isso, simplesmente pelo fato de inexistirem documentos que identifiquem perfeitamente a que se refere a despesa deduzida, inexistindo destarte subsídios para se avaliála quanto à necessidade e usualidade. Do exposto, nego provimento ao recurso neste item. 5) Despesas com juros de capital de giro: Na comprovação das despesas de que trata esse item a interessada foi um pouco além dos documentos trazidos para demonstrar os juros Finame e Finam abordados no item 2 deste voto. Isso porque, para boa parte dos valores deduzidos, foram trazidos os extratos bancários indicando a liquidação financeira. Com isso, a decisão recorrida pôde estabelecer o Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 10120.721604/201575 Acórdão n.º 1402002.782 S1C4T2 Fl. 3.747 11 critério de acatar os valores que tivessem albergados por contrato de financiamento e respectivos aditivos. No recurso voluntário, a interessada traz os aditivos ao contratos 3.562.377 e 36477033 firmados com o Bradesco. Pelo exame dos documentos, entendo que cabe acatar os valores remanescentes relativos a esses contratos. Do exposto dou provimento parcial ao recurso nesse item para restabelecer a dedução no valor de R$ 558.198,89 ( contrato 3.562.377) e R$ 2.109.165,81 (contrato 36477033). 6) Resumo: Em resumo do meu posicionamento, conduzo o voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas no montante de R$ 12.651.414,46 (R$ 5.658.892,85 + R$ 4.325.156,91 + R$ 558.198,89 + R$ 2.109.165,81 ). (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 3756DF CARF MF
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