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Numero do processo: 10580.727427/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara
que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta
após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.727427/2009-75 Resolução n.º 2202-00.206 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 10, pelo qual se exige a importância de R$8.262,81, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7, na qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor - URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia no 8.730, de 08 de setembro de 2003. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 33 a 67, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 73 e 74): O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra-se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5° da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Público do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.727427/2009-75 Resolução n.º 2202-00.206 S2-C2T2 Fl. 3 3 f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa-fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado-se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa-fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado-Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 15-27.162 (fls. 72 a 77), de 18/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 26/07/2011 (vide AR de fl. 81), o contribuinte interpôs, em 04/08/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 82 a 120, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 69), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 13, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 1211. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.727427/2009-75 Resolução n.º 2202-00.206 S2-C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Importa registrar que este Colegiado, em outros processos em que foi apreciada a mesma matéria de fato, decidiu pelo sobrestamento do julgamento. Trata-se de lançamento de rendimentos recebidos acumuladamente, por pessoa física, em virtude de decisão judicial, a título de diferenças salariais recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, relativo aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006, conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento dos Recursos Especiais nos 614.232/RS e 614.406/RS, de 20/10/2010, em que o Superior Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A do Código de Processo Civil, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que trata dos rendimentos recebidos acumuladamente. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram- se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.727427/2009-75 Resolução n.º 2202-00.206 S2-C2T2 Fl. 5 5 Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 15504.724904/2012-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACT ASSINADO NO EXERCÍCIO QUE SE ATRIBUI A PLR. LEGALIDADE. PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA PREVISTA NO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72.
O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho - ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa.
Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei.
Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR.
No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos.
Os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e não declarados em folhas de pagamento e nem em GFIP, cujos recolhimentos foram feitos a menor, ou seja, a outra verba discutida nestes autos, tendo em vista que o contribuinte não apresentou impugnação em relação a essa matéria, aplicar-se-á a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.424
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento relacionado aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais deve ser mantido. Sustentação oral Advogado Dr Modesto Justino de Oliveira Neto, OAB/MG nº 115.931.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACT ASSINADO NO EXERCÍCIO QUE SE ATRIBUI A PLR. LEGALIDADE. PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA PREVISTA NO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho - ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa. Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei. Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos. Os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e não declarados em folhas de pagamento e nem em GFIP, cujos recolhimentos foram feitos a menor, ou seja, a outra verba discutida nestes autos, tendo em vista que o contribuinte não apresentou impugnação em relação a essa matéria, aplicar-se-á a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento relacionado aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais deve ser mantido. Sustentação oral Advogado Dr Modesto Justino de Oliveira Neto, OAB/MG nº 115.931. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACT ASSINADO NO EXERCÍCIO QUE SE ATRIBUI A PLR. LEGALIDADE. PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA PREVISTA NO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. 1. O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa. 2. Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei. 3. Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR. 4. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos. 5. Os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e não declarados em folhas de pagamento e nem em GFIP, cujos recolhimentos foram feitos a menor, ou seja, a outra verba discutida nestes autos, tendo em vista que o contribuinte não apresentou impugnação em relação a essa matéria, aplicar seá a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 04 /2 01 2- 72 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 2803003.424 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento relacionado aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais deve ser mantido. Sustentação oral Advogado Dr Modesto Justino de Oliveira Neto, OAB/MG nº 115.931. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 2803003.424 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuição social destinada à Seguridade Social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros (em desacordo com a lei) e pagamentos efetuados a contribuintes individuais, não declarados em GFIP, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 20/41. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de junho de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. MULTA. As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a multa de caráter irrelevável. SOLIDARIEDADE. GRUPO. ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Impugnação apresentada contra o auto de Infração DEBCAD 37.334.8614 (COMPROT 15504.724904/201272) e respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária, no qual foi efetuado o lançamento de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados por Rosal S/A a seus empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR ordinária / extraordinária) durante os exercícios fiscais de 2007 e 2008. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 2803003.424 S2TE03 Fl. 5 4 Conforme consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração, houve eventual pagamento de PLR “em desacordo com a Lei 10.101/2000” (fl. 02). A suposta infração cometida pela Interessada foi caracterizada como ter pago a PLR em data posterior àquela em que foi celebrada o acordo. Tal fato, segundo o entendimento do Agente Fiscal que subscreveu o ato administrativo de lançamento, constitui infração capaz de descaracterizar os valores como PLR, a ponto de serem considerados como “saláriodecontribuição” para os fins da incidência da contribuição patronal, nos termos do art. 28, § 9º, alínea “j”, in fine, da lei nº 8.212/91. Assim consta da motivação do ato administrativo de lançamento impugnado. O lançamento foi objeto de impugnação a tempo e modo próprios, na qual constam argumentos bastantes para anular o ato administrativo por vício de ilegalidade. O lançamento deve ser anulado por ilegalidade da autuação, tendo em vista efetiva ofensa à legalidade administrativa. Inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletivo de trabalho no exercício anterior ao que se paga a PLR. Cultos Conselheiros, as razões expostas acima são aplicáveis a todos os pagamentos feitos a título de PLR feito por Rosal Energia S/A, seja ordinária ou extraordinária. Todos os requisitos estabelecidos pelo art. 2º da Lei nº 10.101/00 foram atendidos, conforme as razões acima expendidas. Não existem os requisitos necessários para a configuração da responsabilidade solidária atribuída à CEMIG S/A por eventuais débitos de Rosal energia S/A. Nos termos do que acima relatado, as Recorrentes entendem que não foi caracterizada a prática de qualquer ato irregular que ensejasse a aplicação da sanção pecuniária infligida. Ex positis, considerandose que não existe norma legal válida que determine que a PLR deve ser paga no exercício fiscal posterior ao ano da assinatura do acordo coletivo de trabalho, as Recorrentes requerem a este egrégio CARF: a) A reforma do Acórdão recorrido por manter a restrição indevida ao exercício de imunidade constitucional mediante ato administrativo autônomo, lavrado por autoridade desprovida de atribuições legais para analisar o conteúdo das cláusulas constantes nos ACT`s, e, invocando o Acórdão nº 9202002.484/CSRF, a Súmula 473, STF, e o princípio da legalidade administrativa, requerem o provimento do presente recurso, anulandose integralmente o auto de infração nº 37.334.8614 e autuações conexas. b) A reforma do Acórdão recorrido para que seja desconstituída a responsabilidade tributária solidária imposta por eventuais débitos de Rosal Energia S/A à CEMIG S/A, tendo em vista que não foi demonstrada a sua vinculação com o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 128 do CTN, e conforme as razões aduzidas no ite, 3.3, acima. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 2803003.424 S2TE03 Fl. 6 5 c) Eventualmente superadas as razões jurídicas que embasam o pedido anterior, requerem seja anulada a multa infligida por ser desproporcional à conduta descrita no auto de infração, conforme razões expendidas nos itens 3.3 e 4, acima, ou seja, a mesma reduzida a uma única sanção máxima de 20%, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN e do art. 61 da Lei 9.430/96. Solicitam as Recorrentes, que os atos processuais sejam informados às suas procuradoras. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 2803003.424 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O cerne da discussão entre o Fisco e o contribuinte ora recorrente está condicionado à validade ou não de Acordo Coletivo de Trabalho – ACT ser assinado seis meses depois do início do exercício que se atribui a PLR a ser distribuída aos empregados da empresa. Sob a ótica da autoridade administrativa lançadora, bem como dos julgadores de primeira instância administrativa, os procedimentos levado a efeito pelo contribuinte não atendem aos requisitos da lei. Por seu turno, o contribuinte assevera que inexiste motivo legal que justifique a exigência da assinatura de acordo coletiva de trabalho, no exercício anterior ao que se paga a PLR. No ponto, com razão o contribuinte, tendo em vista que a lei de regência sobre o assunto (Lei nº 10.101/00), em ponto algum do seu texto, ampara a pretensão do Fisco, situação que afasta qualquer hipótese de incidência relacionada à matéria discutida nestes autos. Há que se destacar, por oportuno, que a apuração de lucro ou resultados, em regra, ocorrerá somente após o término do exercício social, que na maioria dos casos, ocorre no dia 31 de dezembro. Destarte, a assinatura de ACT na forma em que foi assinado, em nada atrapalhará a discussão sobre as metas a serem alcançadas pelos trabalhadores, para que eles possam fazer jus ao beneficio de que trata o inciso XI do art. 7º da Constituição da República. Notase, então, que a questão da assinatura de ACT no decorrer do ano em que se apurarão as metas da PLR, não tem fundamento legal para afastar o benefício do trabalhador e muito menos para transformar tal benefício em saláriodecontribuição como pretende o Fisco. Assim sendo, no que diz respeito a PLR dou provimento ao recurso do contribuinte e afasto a possibilidade da responsabilidade solidária em relação à CEMIG S/A. Por questões óbvias, a multa aplicada, neste ponto, deve também ser afastada. Contudo, em relação aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais e não declarados em folhas de pagamento e nem em GFIP, cujos recolhimentos foram feitos a menor, ou seja, a outra verba discutida nestes autos, tendo em vista que o contribuinte não apresentou impugnação em relação a essa matéria, aplicarseá a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.724904/201272 Acórdão n.º 2803003.424 S2TE03 Fl. 8 7 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Mantenho, pois, o lançamento em relação aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, conforme anteriormente exposto. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. O lançamento relacionado aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais deve ser mantido. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923595/2009-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/06/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/06/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/06/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 95 /2 00 9- 87 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinandose o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 25): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/06/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 26): Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842574143), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 37642.60916.300506.1.3.041712, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 16,95, pois o pagamento informado de R$ 11.909,78, sob o código 8109, efetuado em 14/06/2002, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 05/2002. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923595/200987 Acórdão n.º 3802002.942 S3TE02 Fl. 48 3 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 32 e ss., sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 22/10/2011 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 10/11/2011 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência do regime nãocumulativo, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre as demais receitas, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, por meio de seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923595/200987 Acórdão n.º 3802002.942 S3TE02 Fl. 49 5 Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão de outras receitas na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.005503/2002-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/1997 a 31/10/1997
NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO DE DÉBITO DECLARADO COMO COMPENSADO QUANDO A COMPENSAÇÃO NÃO SE MOSTRA ACOBERTADA PELA DECISÃO JUDICIAL INFORMADA EM DCTF. CABIMENTO.
É procedente lançamento de ofício de valores declarados em DCTF como compensados com direito creditório reconhecido em ação judicial se os débitos se referem a tributos não alcançados pela decisão judicial, mormente quando esta se torna definitiva em data em que já se encontra vigente norma legal que amplia o direito anteriormente restrito.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Antônio Lisboa Cardoso; e II) no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1997 a 31/10/1997 NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO DE DÉBITO DECLARADO COMO COMPENSADO QUANDO A COMPENSAÇÃO NÃO SE MOSTRA ACOBERTADA PELA DECISÃO JUDICIAL INFORMADA EM DCTF. CABIMENTO. É procedente lançamento de ofício de valores declarados em DCTF como compensados com direito creditório reconhecido em ação judicial se os débitos se referem a tributos não alcançados pela decisão judicial, mormente quando esta se torna definitiva em data em que já se encontra vigente norma legal que amplia o direito anteriormente restrito. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade do auto de infração. 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Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 55 03 /2 00 2- 78 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de Recurso Especial interpostos por AUTO PEÇAS PADRE CÍCERO LTDA. (fls. 69 a 80), contrarrazoado pela Fazenda Nacional (fls. 99 a 105), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 58 a 64), que negou provimento ao seu recurso voluntário (fls. 43 a 51), indeferindo compensação de débitos decorrentes de COFINS com créditos oriundos de PIS (semestralidade), em respeito a decisão judicial transitada em julgado que deferiu a compensação de créditos de PIS com débitos da mesma espécie. O v. acórdão foi assim ementado: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins” Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997. DCTF. AUDITORIA INTERNA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. A compensação indevida de débitos informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) implica no lançamento de ofício dos valores indevidamente compensados, acrescidos de juros de mora. CRÉDITOS FINANCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. COMPENSAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Os limites da discussão judicial, em tema de compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, devem ser criteriosamente observados pelo sujeito passivo, sob pena de nãohomologação das compensações declaradas e também pela autoridade administrativa sob pena de desobediência à decisão judicial transitada em julgado. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, versando sobre idêntica matéria, importas em renúncia às instâncias administrativas, prejudicando a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente Recurso negado. (grifos nossos) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005503/200278 Acórdão n.º 9303002.016 CSRFT3 Fl. 110 3 À vista do Auto de Infração, o contribuinte foi intimado a comprovar o pagamento de débitos de PIS e COFINS da competência julho de 1997 a setembro de 1997. Em sua impugnação, a Recorrente alega que o pagamento dos débitos foi compensado parte com o Processo Judicial nº 97.175286, em que obteve sentença deferindo créditos decorrentes de pagamento indevido de PIS (semestralidade), e parte pago através de DARF. Como se lê na ementa transcrita acima, o Colendo Colegiado a quo, na esteira do voto vencedor proferido pelo Ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, entendeu que a glosa das compensações deverá ser mantida, tendo em vista que a decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo n 97.175286 não reconheceu o direito de compensar créditos tributários decorrentes de pagamentos indevidos e/ou a maior, a título de PIS, com débitos fiscais de COFINS. A decisão judicial autorizou somente a compensação de créditos do PIS com débitos do próprio PIS. Outrossim, apontou que, face à Recorrente ter optado pela esfera judicial para discutir seu direito à compensação de possíveis indébitos decorrentes de pagamentos a maior da contribuição para o PIS, cabe à autoridade administrativa competente acatar a decisão judicial transitada em julgado que restringiu a compensação somente com débitos dessa mesma contribuição, ou seja, créditos de PIS com débitos dessa mesma contribuição, sob pena de desobediência à ordem judicial. De seu turno, a Recorrente interpôs recurso especial (fls. 69 a 80), aduzindo pela possibilidade de compensação de débitos com créditos provenientes de tributos de espécies diferentes, haja vista a nova redação do art. nº 74 da Lei nº 9.430/96. Contrarrazões às fls. 99 a 105, onde a Fazenda Nacional requereu o desprovimento do recurso especial interposto haja vista a existência de decisão judicial transitada em julgado sobre o referido tema determinando a compensação de débitos de PIS somente com créditos dessa mesma contribuição. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fl. 96. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, fazse mister destacar que a presente exigência, ao meu ver, encontrase maculada de nulidade, não podendo subsistir. Com efeito, antes de mais nada, é de se ressaltar que a exação se cristalizou através do auto de infração eletrônico de fls. 14 a 21, lavrado em virtude de erros ou inconsistências verificadas na DCTF do terceiro trimestre de 1997 (fls. 16 e 17), em que se apontou “CRÉDITO VINCULADO TOTAL/PARCIALMENTE NÃO CONFIRMADO – Comp s/ DARFOutrosPJU”. Tal declaração, por sua vez, decorreu da ocorrência “Proc jud não comprovad”, especificamente quanto ao processo 97.135322. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 A Colenda DRJ de Fortaleza CE, ao prolatar a r. decisão de primeira instância (fls. 38 a 43), ao seu turno, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, mantendoo para prevenir a decadência. O fundamento do v. acórdão de primeira instância, em síntese, foi de reconhecimento da existência da ação ordinária nº 97.135322, inclusive que a empresa estava amparada desde 10 de julho de 1997 por liminar e decisão favorável com trânsito em julgado, razão pela qual julgou procedente em parte o lançamento para excluir a multa por lançamento de ofício. O lançamento se justificaria, assim, apenas para prevenção da decadência. Verificase, portanto, no presente caso, que se impõe o cancelamento do auto de infração, visto que o seu fundamento não se mostrou verdadeiro. Com efeito, não se mostrando verdadeiro o fundamento do lançamento, (“proc jud não comprovad”), notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos, não deve ele subsistir. Além disso, restou claro que a r. decisão de primeira instância tentou aditar a motivação do lançamento, fundamentandoo em bases distintas daquela invocada originalmente pela autoridade administrativa, qual seja, não a existência da ação judicial em si, mas sim a necessidade de lançamento para prevenção da decadência. A inovação na fundamentação do lançamento, tendo restado comprovada a improcedência na sua motivação original, implica no cerceamento do direito de defesa do contribuinte. De fato, não cabia à DRJ modificar a fundamentação do lançamento a fim de legitimálo. Referida modificação significa alterar de maneira patente um dos critérios jurídicos do lançamento, em completa dissonância com o artigo 146 do Código Tributário Nacional e em descompasso com a doutrina e jurisprudência pátria. Deveras, os antigos Conselhos de Contribuintes, por diversas vezes, se manifestaram nesse sentido em situações análogas à presente. Dentre vários julgados, destacamse os seguintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (CSRF/0104.535 – Relator Candido Rodrigues Neuber DOU 09.06.2003) IRPJ/IRF A mudança dos fundamentos legais que embasaram a exigência caracteriza inovação e aperfeiçoamento do lançamento, requerendo a lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, e ao Òrgão julgador não foi dado esse poder. Recurso negado. (CSRF/0104.490– Relator Verinaldo Henrique da Silva DOU 14.04.2003) (grifos nossos) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005503/200278 Acórdão n.º 9303002.016 CSRFT3 Fl. 111 5 Impõese, portanto, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade e o cancelamento da autuação por falta de motivação legal. Por outro lado, caso reste vencido quanto à preliminar de nulidade, mister ressaltar que, nos termos do relatório acima, verificase que a exação em pauta originouse do fato de se ter realizado compensações de tributos de diferentes espécies, quando a decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação ordinária teria autorizado a compensação apenas de tributos de mesma natureza e destinação, nos termos do § 1º do art. 66 da Lei nº 8.383/1991. O acórdão a quo deu a seguinte interpretação à questão da compensação dos débitos de COFINS com créditos de PIS: Ao contrário do entendimento da requerente, a decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo n. 97.175286 não lhe reconheceu o direito de compensar créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos e/ou maior, a título de PIS nos termos dos indigitados DecretosLeis nº 2445 e n. 2499, ambos de 1988, em relação aos valores devidos com base nas LCs nº 07, de 1970, e nº 17 de 1973, com débitos fiscais de Cofins. Consulta efetuada aos acórdãos do TRF da 5 Região disponibilizados em seu “site”, bem como os extratos às fls. 24/36 comprovam que a decisão judicial transitada em julgado autorizou somente a compensação de créditos financeiros do PIS com débitos do próprio PIS. Dessa forma, em relação aos débitos de Cofins, objeto do lançamento em discussão, compensados com créditos financeiros do PIS, devese manter a glosa das compensações e suas exigências por meio do lançamento contestado. Tendo a Recorrente optado pela esfera judicial para discutir seu direito à compensação de possíveis indébitos decorrentes de pagamentos a maior a título de contribuição para o PIS, efetuados nos termos dos indigitados DecretosLei nº 2445 e nº 2449, ambos de 1988, em relação aos valores devidos segundo as LCs nº 07, de 1970, e nº 17, de 1973, cabe à autoridade administrativa competente acatar a decisão judicial transitada em julgado que restringiu a compensação somente com débitos dessa mesma contribuição, ou seja, créditos financeiros de PIS com débitos do próprio PIS, sob pena de desobediência à ordem judicial. No v. acórdão recorrido foi negado provimento ao recurso do contribuinte, fazendoo pretensamente em respeito à decisão judicial transitada em julgado, restringindo a compensação de créditos de PIS somente com débitos do próprio PIS. Como se vê, a decisão em apreço reportase ao comando do §1º do artigo 66 da Lei nº 8.383/1991, que determina apenas a compensação de tributos de mesma espécie e destinação. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Com o advento do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, ocorreu intensa modificação no instituto da compensação tributária, eliminandose, a partir do advento desse diploma legal, a exigência de que a compensação somente se fizesse entre tributos de mesma espécie e destinação. A atual redação do referido dispositivo assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” Verificase, portanto, que a atual roupagem da compensação tributária admite compensação de tributos de espécies e destinação diferentes. Não se olvida que a coisa julgada faz lei entre as partes no limite das questões decididas. Todavia, conforme já decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a imutabilidade conferida à coisa julgada não pode eternizála quando a legislação que a pautou experimentou substanciais modificações a ponto de desfigurar o quadro jurídico que a emoldurou. Na presente hipótese, a atual redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 disciplinou o oposto da legislação abraçada pela coisa julgada, ou seja, enquanto que no regime do § 1º do artigo 66 da Lei nº 8.383/91 a compensação tributária era admitida somente entre tributos de mesma espécie e destinação, a redação atual do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 passou a admitir a compensação de débitos próprios de quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Vejase ainda que o Supremo Tribunal Federal, examinando os direitos e garantias individuais arrolados no artigo 5º, tem afirmado que referidos direitos não têm caráter absoluto: “Os direitos e garantias individuais não têm caráter absoluto. Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do princípio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição. O estatuto constitucional das liberdades públicas, ao delinear o regime jurídico a que estas estão sujeitas – e considerado o substrato ético que as informa – permite que sobre elas incidam limitações de ordem jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros.” (MS 23.452, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1691999, Plenário, DJ de 1252000.) Vide: HC 103.236, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 1462010, Segunda Turma, DJE de 392010. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005503/200278 Acórdão n.º 9303002.016 CSRFT3 Fl. 112 7 Por outro lado, importante destacar que a própria Receita Federal, através da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, ao examinar o contraste entre os conceitos de compensação tributária do § 1º do artigo 66 da Lei nº 8.383/91 e do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, publicou a Nota Cosit 141/2003, cujo teor é o seguinte: “(...) 3 – No entanto, a questão que tem gerado dúvidas às unidades da SRF diz respeito à observância, na homologação de procedimento de compensação efetuado pelo sujeito passivo, nos exatos termos da decisão judicial que reconheceu seu direito creditório e que dispôs sobre a forma de utilização de seus créditos na compensação de seus débitos para com a Fazenda Nacional, na hipótese de a legislação superveniente (editada posteriormente à decisão judicial e antes da efetivação da compensação) tratar a compensação de forma mais benéfica ao sujeito passivo do que a norma na qual a decisão judicial foi fundamentada, por vezes revogandoa expressa ou tacitamente. (...) 7 – Diante disso, como é que a Administração Fazendária deveria proceder se, em 1° de dezembro de 2002 – portanto, após a edição da Processo n.° 10680.019436/9909 CCO3/CO2 Acórdão n.° 30238.029 Fls. 618 Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, cujo art. 49 alterou o art. 74 da Lei n° 9.430, de 28 de dezembro de 1996, de modo a estabelecer a possibilidade de o sujeito passivo compensar, independentemente de requerimento, seus créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão, mediante a entrega de declaração de compensação – o sujeito passivo entregasse à SRF declaração de compensação de saldo negativo de IRPJ apurado em 1997 com débito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do 2° decêndio de novembro de 2002 ? A Administração Fazendária homologaria ou não a aludida compensação ? (...) 9 – Acerca do tema cumpre lembrar que a questão da eficácia ao longo do tempo da coisa julgada em matéria tributária já foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao analisar no Recurso Especial n° 38.8155 a incidência, no Estado de São Paulo, de Imposto sobre Circulação de Mercadoria (1CM) sobre as vendas promovidas por cooperativas de consumo a seus cooperados, conforme verificado na ementa de acórdão transcrita a seguir: ‘As cooperativas estão sujeitas ao recolhimento do ICM, mesmo sobre as operações realizadas com seus cooperados. Diante das profundas alterações na legislação que rege a espécie, já não tem mais reflexo nos dias atuais a sentença proferida na ação declaratória, há mais de vinte anos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 A coisa julgada não impede que a lei nova passe a reger diferentemente fatos ocorridos a partir de sua vigência.’ (...) 12 – A adoção do procedimento acima esposado não implica, de modo algum, descumprimento da decisão judicial transitada em julgado, mas, sim, a implementação da decisão mediante sua necessária integração à legislação superveniente e mais favorável ao sujeito passivo, na hipótese de a implementação vir a ocorrer em data na qual a norma que fundamentou a decisão e que orienta sua execução não mais se mostrar aplicável. 13 – Referida exegese merece acolhimento inclusive nas hipóteses em que a compensação do crédito na forma prevista na legislação superveniente à decisão judicial tenha sido pretendida pelo sujeito passivo e denegada pelo Poder Judiciário, haja vista que tal denegação somente ocorreu em face da ausência de base normativa à data do reconhecimento judicial do direito creditório, situação modificada com a edição da legislação que permitiu a compensação na forma pretendida pelo sujeito passivo e na qual a própria Administração Tributária vem se orientando na homologação de compensações de tributos e contribuições sob sua administração. (...) 15 – Por fim, convém registrar que o entendimento ora esposado encontra respaldo no Acórdão n° 2176511 proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme se pode verificar na ementa transcrita a seguir: ‘PIS – PEDIDO DE COMPENSAÇÃO – DECISÃO JUDICIAL – RECURSO PARCIAL – COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. A interpretação sistemática do art. 66 da Lei n° 8.383/91, c./c os arts. 39 da Lei n°9.250/95, 73 e 74 da Lei n°9.430/96 e 12 da IN n° 21/97, nos leva a concluir ser possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Provido.’ À consideração superior. Paulo Antonio Gama de Paiva. AFRF (.) Aprovo o teor da presente Nota. Encaminhese às Superintendências Regionais da Receita FederaL Regina Maria F. Barroso Coordenadora Geral da COSIT.” (grifos e destaques nossos) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005503/200278 Acórdão n.º 9303002.016 CSRFT3 Fl. 113 9 Dessa forma, conforme entendimento da própria Receita Federal, não há que se falar em descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, mas, sim, na implementação da decisão mediante sua necessária integração à legislação superveniente, na hipótese de a implementação vir a ocorrer em data na qual a norma que fundamentou a decisão e que orienta sua execução não mais se mostrar aplicável. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de, preliminarmente, reconhecer a NULIDADE do auto de infração por falta de fundamentação legal e cerceamento de defesa. Caso reste vencido na preliminar, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial para reformar o v. acórdão recorrido, admitindo a compensação de créditos de PIS com débitos de COFINS, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/06. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Tendo o colegiado considerado válido o lançamento, fui incumbido de redigir o acórdão dado que o i. relator, preliminarmente, o considerara nulo e, se vencido quanto a essa preliminar, como de fato foi, julgava improcedente a autuação. Começo, então, pela preliminar de nulidade. O que motivou a maioria qualificada a não acompanhar o voto do relator foi a constatação de que tal nulidade, decorrente de eventual cerceamento do direito de defesa, somente poderia ser examinada se argüida pela recorrente. Ao se examinarem a impugnação e o recurso voluntário observase, no entanto, que, na primeira peça de defesa, não postulou o autuado tal nulidade, seja pelo motivo apontado pelo dr. Rodrigo ou por qualquer outro. Em verdade, a impugnação ao lançamento consistiu numa única folha, podendo se aqui transcrita na íntegra para comprovação do que aduzo: AUTO PECAS PADRE CICERO LTDA, pessoa jurídica inscrita no CNPJ sob No 07.965.809/000369, estabelecida a Av. Antonio Sales, 16 – Fortaleza/Ce, vem, tempestivamente, por conduto de seu representante legal, IMPUGNAR O AUTO DE INFRAÇÃO no. 0002138, pelas razões que segue: A requerente ingressou com Ação Cautelar (Processo No. 97.135322) e posteriormente obtendo sentença no. 546/98 conforme processo No. 97.175286, pleiteando a compensação das quantias pagas indevidamente a título de PIS(semestralidade), com os valores devidos a título do PIS e COFINS (conforme fazem prova as cópias das decisões , bem como planilha em anexo). Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Segue copia do acórdão do Superior Tribunal de Justiça, encerrando definitivamente o litígio da semestralidade do PIS. Com efeito, vislumbrase que o instituto da compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário, à luz do disposto art. 66 da Lei No. 8.383/94, bem como em consonância com o previsto no art. 170 do CTN, portanto não se antolha mais cabível qualquer cobrança no presente caso. Diante do exposto, a peticionante roga a V. Sa. que declare a insubsistência da presente cobrança, e conseqüente o cancelamento do auto em tela. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente juntada posterior de documentos e perícia contábil com o fito de comprovar as alegativas acima citadas. Nestes Termos. Pede Deferimento. É certo que, após a ciência da decisão da DRJ, o contribuinte procurou melhorar a sua defesa, consistindo o recurso voluntário numa peça já bem mais elaborada, que inclui tópico específico postulando a nulidade do auto de infração, não argüida antes (fls. 50 a 55). Aí, porém, toda a extensa exposição procura demonstrar a suposta nulidade com base na ausência de participação do autuado durante a fase de elaboração do lançamento, a qual, segundo a defesa, teria sido enfrentada pela decisão da DRJ. Ocorre que não houve qualquer pronunciamento da instância de piso acerca de tal suposta causa de nulidade. E nem poderia ser diferente na medida em que, como já dito, nenhuma argüição fora feita em sua impugnação. Destarte, em meu entender, a alegação aposta no recurso voluntário sequer deveria ser objeto de pronunciamento pela turma ordinária, preclusa que se encontrava a matéria. Ocorre que o voto vencido, da lavra do i. exconselheiro Erick Morais de Castro, sem analisar aquela alegação do contribuinte, declarava, ao mesmo tempo, nulo e improcedente o lançamento – exatamente como feito aqui pelo dr. Rodrigo – porque, primeiro, o processo Judicial teria sido comprovado e segundo, teria sido comprovado até mesmo o direito à compensação indicado na DCTF. Ocorre que, muito bem apontado no voto vencedor, a segunda das premissas não procede. Isso porque o processo judicial não amparava a compensação entre tributos diversos; tudo ao contrário, nele essa compensação fora expressamente negada, apenas subsistindo entre créditos de PIS e débitos do mesmo PIS. É fundamental o aspecto de que este lançamento se estriba exclusivamente nas informações apostas pelo contribuinte em sua DCTF. Foi ele quem disse, pois, que a compensação realizada se amparava na decisão prolatada naquele processo judicial, o que não procede. Ou seja, ele não aduziu nem em sua impugnação, nem no recurso voluntário, que, embora a decisão judicial não lhe amparasse, legislação superveniente lhe dava suporte, como pretende agora em seu recurso especial. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005503/200278 Acórdão n.º 9303002.016 CSRFT3 Fl. 114 11 Por fim, nem mesmo esse último argumento procede. De fato, é o próprio recorrente quem afirma que a decisão judicial que limitou a compensação transitou em julgado em junho de 2002. Para o recorrente, nessa data não haveria disposição legal que permitisse a compensação entre tributos diversos, a qual somente teria surgido com a edição da Medida Provisória 66, ocorrida quatro meses depois. Assim, o magistrado não a poderia mesmo reconhecer quando proferiu a decisão. Acontece que, desde 1996, com a edição da Lei 9.430, tal compensação entre tributos diversos já era permitida. Tratase, como bem sabido, de seu art. 74 cuja redação original já previa: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Indubitável, me parece, que não havia mais, desde 1996, a restrição imposta pelo art. 66 da Lei 8.383, alargado que fora o instituto da compensação para alcançar quaisquer tributos e não mais apenas o mesmo tributo que gerara o indébito ou o direito de ressarcimento. Nesses termos, a restrição imposta pela decisão judicial – lei entre as partes – somente pode ter como conseqüência a impossibilidade determinada na decisão recorrida. Notese, ademais, em reforço do que se disse acima, que não estamos discutindo compensação postulada administrativamente nos termos da Lei 9.430 e respectiva IN 210 ou declarada nos termos da Lei 10.637. O que este lançamento discute é compensação informada em DCTF com créditos reconhecidos em decisão judicial e que, sequer, foi objeto de qualquer pedido administrativo. Assim sendo, não vemos como se possa atrair as disposições da Nota Cosit 141, mencionada pelo recorrente. É que esta se aplica exatamente a esta última hipótese: compensação postulada ou declarada administrativamente que busca utilizar créditos reconhecidos judicialmente em compensação de débitos de outros tributos (com base, portanto, na Lei 9.430 seja em sua redação original ou após a alteração introduzida pela Lei 10.637). Com essas considerações, entendeu o colegiado por manter a decisão recorrida, sendo este o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10073.902544/2012-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/02/2010
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/02/2010 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 44 /2 01 2- 50 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902544/201250 Acórdão n.º 3801003.540 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902544/201250 Acórdão n.º 3801003.540 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$26.503,91. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2010 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902544/201250 Acórdão n.º 3801003.540 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 28/02/2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902544/201250 Acórdão n.º 3801003.540 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 28/02/2010 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902544/201250 Acórdão n.º 3801003.540 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902544/201250 Acórdão n.º 3801003.540 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10209.001030/2001-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 22/01/1997 a 30/12/1997
PARCELAMENTO. RENÚNCIA DE DIREITO. DISCUSSÃO DE MÉRITO NA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Lei nº 9.964, de 2010, a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado, não sendo possível a este CARF decidir sobre débitos nessa situação.
Numero da decisão: 3201-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
EDITADO EM: 04/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 22/01/1997 a 30/12/1997 PARCELAMENTO. RENÚNCIA DE DIREITO. DISCUSSÃO DE MÉRITO NA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Lei nº 9.964, de 2010, a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado, não sendo possível a este CARF decidir sobre débitos nessa situação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. Daniel Mariz Gudiño - Relator. EDITADO EM: 04/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
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RENÚNCIA DE DIREITO. DISCUSSÃO DE MÉRITO NA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Lei nº 9.964, de 2010, a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado, não sendo possível a este CARF decidir sobre débitos nessa situação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 04/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 10 30 /2 00 1- 40 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o momento, adoto o relatório do órgão julgador de 1ª instância: Trata o presente processo dos lançamentos consubstanciados nos autos de infração às fls. 02/42 e 43/83, por meio dos quais foram formalizadas, respectivamente, as seguintes exigências: a) Imposto de Importação (II) no valor de R$ 1.425.927,54, acrescido dos juros de mora no valor de R$ 1.269.526,71 (calculados até 30/11/2001) e da multa de oficio equivalente ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido, no valor de R$ 1.069.445,66; b) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado à importação no valor de R$ 213.889,09, acrescido dos juros de mora no valor de R$ 189.652,59 (calculados até 30/11/2001) e da multa de oficio equivalente ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto devido, no valor de R$ 160.416,82. Segundo a descrição dos fatos constante das peças de autuação, por meio de 49 (quarenta e nove) declarações de importação registradas no decorrer do ano de 1997, a empresa acima qualificada promoveu a importação de 61.779 (sessenta e um mil, setecentos e setenta e nove) impressoras, sendo 58.464 do tipo "com impressão a jato de tinta" e 3.315 do tipo "com impressão a laser", sendo tais mercadorias das marcas XEROX, CANON E LEXMARK, de diversos modelos (anexo II — fls. 100/102). Na ação fiscal foram observadas as características das impressoras tais como largura de impressão e resolução de impressão, assim como a classificação fiscal da TEC/NCM declarada pela empresa para as referidas impressoras, onde restou constatado que as mencionadas impressoras "a jato de tinta" e "a laser" haviam sido classificadas pela contribuinte, respectivamente, nos códigos 8471.60.26 e 8471.60.23 da Tarifa Externa Comum (TEC), não havendo recolhimento a título de II para as importações destas impressoras efetuadas até a data de 05/11/1997, face à alíquota de 0% então vigente para o tributo; no entanto, para as importações registradas no período de 17/11/1997 a 31/12/1997 a empresa efetuou o recolhimento do II, onde, no cálculo, foi utilizada a alíquota de 3% (obs: a alíquota do imposto sofreu alteração de 0% para 3%, esta última passando a vigorar de 13/11/1997 a 31/12/1997). Após a análise das referidas declarações, a fiscalização constatou que a empresa, ao declarar as mercadorias, não as descreveu corretamente, pois deixou de informar elementos fundamentais para sua correta classificação, tais como: marca, modelo, e demais especificações técnicas. Destaca ainda a fiscalização em seu relatório de auditoria (fls. 95/98) documento que é parte integrante dos autos de infração Fl. 836DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10209.001030/200140 Acórdão n.º 3201000.635 S3C2T1 Fl. 814 3 os seguintes elementos que serviram de fundamentação para a autuação: (...) Os códigos utilizados para a classificação fiscal declarada pela firma para as impressoras são, conforme descrição da TEC/NCM, para as impressoras a laser com características de "!argura de impressão superior a 230 mm e resolução superior ou igual 600X600 pontos por polegada (dpi)" 8471.6023 e, para as impressoras a jato de tinta "outras com largura superior a 420 mm" 8471.6026 (anexo III). A ação dos agentes fiscais foi dificultada em razão da firma ao declarar as mercadorias não descrevêlas corretamente conforme determina a legislação fiscal, fazendo tão somente a descrição como a constante da posição da TEC/NCM, não informando a marca do produto, modelo e demais especificações técnicas. A dificuldade do trabalho fiscal foi aumentada uma vez que a documentação exigida do contribuinte no Termo de Inicio da Ação Fiscal não foi entregue aos fiscais, argumentando que os documentos fiscais exigidos foram extraviados, apresentando à fiscalização documentos da publicação do fato em Diário Oficial do Estado e ocorrência policial (anexo IV). A não obtenção dos documentos fiscais necessários prejudicou a identificação das impressoras. Diante dessa situação os AFRF buscaram outra alternativa para identificar os produtos, o que o fizeram através do P/N part number (código do produto) constante das faturas comerciais (invoices), notas fiscais de entrada e saída e nas próprias declarações de importação (anexos V a LIII) à disposição da fiscalização obtidas em diligência executada anteriormente a esta fiscalização. Tal procedimento permitiu a identificação de marcas e modelos, conforme demonstrativos (anexo LIV e LV). Todavia, não foi possível a identificação de algumas impressoras em razão da escassa documentação em poder dos AFRF’s. Após o trabalho da identificação das impressoras, os agentes fiscais solicitaram laudo técnico com o objetivo de obter as especificações técnicas de cada produto como largura de impressão, resolução de impressão, tipo da impressora etc., e consequentemente verificar se a classificação fiscal (TEC/NCM) declarada pelo contribuinte estava de acordo com as especificações do laudo. Os laudos técnicos expedidos por perito credenciado pela Alfândega do Porto de Belém, na sua conclusão, afirmam que as impressoras importadas são quanto a largura de impressão: no máximo de 289mm para as impressoras a jato de tinta e de 216mm para as impressoras a laser, conforme laudos (anexos LVI a LXI). Diante da conclusão dos laudos técnicos os Auditores Fiscais procederam a correção da classificação fiscal conforme tabela a seguir: Fl. 837DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Impressora Código de Classificação Fiscal TEC/NCM Alíq. Vigência 30% 01/01/97 a 12/11/97 Jato de Tinta 8471.6021 33% 13/11/97 a 31/12/97 29% 01/01/97 a 12/11/97 A laser 8471.6025 32% 13/11/97 a 31/12/97 30% 01/01/97 a 12/11/97 Não Identificadas 8471.6029 33% 13/11/97 a 31/12/97 As impressoras não identificadas foram classificadas na posição 8471.60.29, "Outras" da TEC/NCM, de acordo com o que dispõe as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e do artigo 85 da Medida Provisória 2.15835. (...) DAS INFRAÇÕES: A fiscalização constatou que o contribuinte ao registrar suas declarações de importação utilizou os códigos 8471.60.23 (impressoras a laser com largura de impressão superior a 230mm) e 8471.60.26 (impressoras a jato de tinta com largura de impressão superior a 420mm) da TEC/NCM classificação fiscal quando na verdade as larguras de impressão das impressoras objeto das importações realizadas não seriam superiores a 216mm para as impressoras a laser e 289mm para as impressoras a jato de tinta, em conformidade com os laudos técnicos supracitados. Portanto, os códigos declarados não são os corretos para as impressoras importadas pela empresa, e consequentemente as alíquotas do Imposto de Importação também estavam incorretas uma vez que a alíquota aplicável é conhecida pelo posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum TEC. Assim o contribuinte declarou uma classificação fiscal indevida com uma alíquota correspondente ao imposto de importação também indevida. (...) (grifos originais) E assim, com base em laudo pericial, em faturas comerciais (invoices) e notas fiscais de entrada e saída, e nas próprias declarações de importação abraçadas pela ação fiscal, os agentes do fisco procederam a correta classificação dos modelos Fl. 838DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10209.001030/200140 Acórdão n.º 3201000.635 S3C2T1 Fl. 815 5 de impressoras a jato de tinta e a laser identificadas, resultando na alteração da classificação fiscal destes bens para, respectivamente, o código 8471.60.21 e 8471.60.25 (posicionamento das mercadorias na (TEC) Tarifa Externa Comum). Quanto às demais impressoras declaradas pela empresa e que não foram identificadas, por força do artigo 85 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, foram classificadas na NCM 8471.60.29 — "Outras". Portanto, em razão da alteração na classificação tarifária das impressoras apontadas no citado relatório de auditoria fiscal, os autuantes formalizaram os presentes lançamentos para exigência tanto do Imposto de Importação que deixou de ser recolhido pela empresa por ocasião da importação destes bens, como do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação face à reconstituição da base cálculo deste tributo, originando o presente processo. A interessada foi cientificada dos lançamentos em 14/12/2001 (fls. 03 e 44 dos autos). Na seqüência, discorrendo acerca do andamento processual, verificase a lavratura, em 26/03/2002, de termo de revelia, que resultou na emissão de carta cobrança destinada à autuada (fls. 440/441) e posterior encaminhamento dos débitos à Procuradoria da Fazenda Nacional — PFN do Estado do Pará/PA para inscrição na Dívida Ativa da União. Porém, em 28/03/2006, a unidade preparadora constatou a existência de impugnações apresentadas pela contribuinte (objeto dos processos administrativos nºs 10280.000440/200291 e 10280.000441/200236, anexados a este em 19/04/2006, conforme despacho à fl. 518), restando, por conseguinte, anulados/cancelados os procedimentos relativos à execução judicial do crédito tributário (fls. 512/517). Denotase que a autuada insurgiuse contra a exigência em 10/01/2002, apresentando sua defesa aos autos de infração por meio das peças impugnativas às fls. 521/530 e 571/580, com idêntico teor, oportunidade em que, após apresentar breve resumo acerca dos fatos descritos nas peças de autuação, expõe suas razões de defesa, conforme resumidas a seguir: de início, destaca a tempestividade de sua defesa contra os lançamentos formalizados nos autos, com a suspensão da exigibilidade dos mesmos, diante do que estabelece o art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional — CTN; ainda como preliminar alega que o "procedimento de verificação de obrigações tributárias em apreço" se encontra revestido de vício insanável, por ter sido elaborado "sob incompetência funcional", uma vez que os fatos geradores do II e do IPI elencados pela fiscalização constituem períodos de apuração de valores consolidados no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, sendo incumbência exclusiva do Comitê Gestor deste programa expedir as normas de fiscalização, consolidação Fl. 839DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 e pagamento de todos os débitos incluídos pela pessoa jurídica optante, dentre os quais, aqueles objeto dos lançamentos formalizados no presente processo; no mérito, ressalta que os fatos geradores constantes dos lançamentos ora impugnados correspondem "precisamente aos mesmos fatos imponíveis que formam o saldo consolidado" no REFIS, programa instituído pela Lei n° 9.964, de 10/04/2000, carecendo da presunção de certeza e liquidez o crédito tributário lançado; alega que suficiente é a análise do demonstrativo dos débitos consolidados no âmbito do REFIS, para claramente se verificar a compatibilidade de fatos geradores, restando demonstrada, assim, de forma incontroversa a duplicidade na cobrança dos tributos; assevera que o atual ordenamento jurídico veda de forma absoluta a "bitributação", e no caso concreto, os valores lançados pela fiscalização já integram o saldo consolidado de seus débitos tributários no âmbito do REFIS, redundando, deste modo, na "injuridicidade dos lançamentos"; citando o art. 150, inciso, IV, da Constituição Federal, e o art. 59 da Lei n° 8.383/91, bem como doutrina e jurisprudência acerca do tema, sustenta que as multas de oficio lançadas nos autos de infração do II e do IPI possuem efeito confiscatório, na medida em que ocorreu o devido cumprimento da obrigação tributária, muito embora, com recolhimento a menor, o que desautorizaria a punição no percentual de 75%, devendo tal cominação atender ao critério da razoabilidade, sem qualquer indício de confisco; invoca os atos legais pertinentes à matéria e argúi que sob qualquer ângulo que se analise a questão da taxa SELIC como índice de juros aplicáveis aos tributos, não se encontra qualquer respaldo legal para se exigir a sua cobrança; Ao final, além de protestar por todos os meios de prova em direito admitidos, requer a impugnante, face às razões expostas em sua defesa tanto em caráter preliminar como aquelas de cunho meritório, que sejam julgados nulos, ou mesmo improcedentes, os lançamentos do II e do IPI constantes dos autos. Do exame das peças impugnativas, verificase que a autuada baseou sua defesa no argumento de que os débitos oriundos dos fatos geradores relacionados ao crédito tributário apurado no presente processo teriam sido incluídos no Programa de Recuperação Fiscal REFIS. Como prova de sua afirmação, juntou aos autos cópias do "Demonstrativo dos Débitos Consolidados" no âmbito do referido Programa. (fls. 548/563 e 598/613). Assim, em observância aos fatos que culminaram com o lançamento do crédito tributário em litígio, considerando a descrição contida nos autos, os demonstrativos e termos anexos, além da impugnação apresentada e documentos complementares, decidiu este órgão julgador converter o Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10209.001030/200140 Acórdão n.º 3201000.635 S3C2T1 Fl. 816 7 julgamento do feito em diligência, devolvendo o presente processo à unidade de origem por meio do expediente às fls. 621/624, para que fossem adotadas pela fiscalização as seguintes providências: informar se a empresa fez opção pelo REFIS e, em caso positivo, efetuar a juntada ao processo dos extratos do sistema que comprovem a sua adesão ao Programa (data da opção, situação atual), relacionando todos os débitos de Imposto de Importação e de IPI vinculado à importação declarados pela contribuinte (por fato gerador e valor); identificar, junto aos sistemas informatizados da SRF, todas as DI's registradas pela empresa nas seguintes datas: 22/01/1997, 04/04/1997, 08/04/1997, 09/04/1997, 11/04/1997, 24/04/1997, 29/04/19997, 30/04/1997, 20/05/1997, 30/05/1997, 24/06/1997, 26/06/1997, 02/07/1997, 23/07/1997, 05/08/1997, 06/08/1997, 07/08/1997, 08/08/1997, 11/08/1997, 22/08/1997, 28/08/1997, 15/09/1997, 24/09/1997, 29/09/1997, 06/10/1997, 10/10/1997, 28/10/1997, 05/11/1997, 17/11/1997, 27/11/1997, 28/11/1997, 11/12/1997, 17/12/1997 e 30/12/1997, trazendo à colação os resultados desta pesquisa; ficando comprovada a adesão da empresa ao REFIS, e caso as providências enumeradas nos itens 11.1 e 11.2 se configurem insuficientes para firmar convicção da autoridade lançadora quanto à inclusão desses valores, pela empresa, no referido Programa, solicitamos que seja apurado se o contribuinte registrou, à época, em seus livros contábeis ou fiscais, por meio de lançamentos individualizados, a inclusão dos tributos ora lançados (Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculado à importação, referentes às DI's e respectivas adições) na declaração de débitos apresentada no âmbito do referido Programa, anexando, aos autos, cópia desta documentação; informar a data de início da ação fiscal que resultou nos lançamentos constantes do presente processo, juntando a documentação pertinente (Termo deInício de Fiscalização, MPF, ...); ao final, elaborar relatório circunstanciando os fatos apurados na diligência, com parecer conclusivo acerca da inclusão no REFIS, pela empresa, dos valores exigidos no presente processo. (grifos originais) Em atenção ao solicitado na diligência, a Seção de Fiscalização Aduaneira SAFIA da Alfândega do Porto de Belém manifestou se através do relatório acostado às fls. 745/748. Após análise dos documentos solicitados à contribuinte, as autoridades fiscais responderam aos questionamentos formulados pela DRJ/Fortaleza/CE, nos termos a seguir transcritos: ltem 11. 1 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Conforme resposta do contribuinte (item 1) à fiscalização, a data de opção ao programa Refis ocorreu em 28/11/2000 e que está pagando as parcelas mensais em dia (fls. 628). Por outro lado os documentos fornecidos pela DRF/BLM os extratos do REFIS informam dados do contribuinte tais como: N° da Conta 780000130333, data de adesão em 28/11/2000, a situação RESCINDIDA; Data Efeito EXCLUSÃO em 01/01/2002; motivo INADIMPLÊNCIA DE PAGAMENTO RFB, tendo como processo de exclusão o n° 10166015.559/200194. Os AuditoresFiscais observaram haver divergência entre a resposta do contribuinte e os extratos do REFIS onde consta que o autuado foi excluído daquele programa em 01/01/2002, por inadimplência de pagamento das parcelas. Quanto ao total dos débitos do Imposto de Importação e do IPI vinculado a importação declarado pelo contribuinte está contido em planilha às fls. 749 e 750. Item 11.2 Foi elaborada planilha onde estão relacionadas todas as DI's registradas pelo contribuinte nas datas solicitadas, com indicação dos produtos importados, quantidades, independente de serem ou não impressoras (fls. 719 a 734). As informações constante em p1anilha são mera reprodução da fonte pesquisada junto ao sistema DW Aduaneiro. Item 11.3 A fiscalização solicitou cópia dos registros contábeis e fiscais referente ao registro dos tributos lançados no Refis conforme item 4 do Termo de Intimação (fls. 627). Em resposta, o contribuinte afirmou não ter mais em seus arquivos os documentos solicitados, haja vista os referidos documentos anteriores aos exercícios de 2002 já terem sidos incinerados. Item 11.4 Os AuditoresFiscais deram continuidade à fiscalização, iniciada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF N° 0217600/2000/000018, de 07/04/2000 (fls. 735). O Termo de Inicio de Fiscalização foi assinado pelo representante do contribuinte em 19/05/2000 (fls. 738 e 739). O Mandado de Procedimento Fiscal MPF N° 0217600/2000/00018 foi substituído por outro Mandado de N° 0217600/2001/00004, de 23/01/2001 (fls.740), portanto, a ação fiscal levada a efeito no contribuinte foi continuada e sem interrupção dos trabalhos. É necessário esclarecer que a ação fiscal ocorreu dessa forma em virtude de haver expressivo volume de Declarações de Importação registradas e ainda, em razão das irregularidades fiscais verificadas se repetirem no decorrer das fiscalizações realizadas. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10209.001030/200140 Acórdão n.º 3201000.635 S3C2T1 Fl. 817 9 Dessa forma, o Termo de Início da fiscalização que resultou nos lançamentos do presente processo data de 19/05/2000 (fls. 738 e 739). Item 11.5: DA CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA I) O contribuinte fez OPÇÃO pelo REFIS em 28/11/2000; 2) A situação atual da conta REFIS está RESCINDIDA POR INADIMPLÊNCIA PELA FALTA DE PAGAMENTO, com efeitos a partir de 01/01/2002, conforme informou a DRF/BLM (fls. 718); 3) Os valores exigidos no presente processo foram quase na sua totalidade incluídos no Demonstrativo dos Débitos Consolidados REFIS, informados pelo contribuinte. Entretanto alguns Créditos Tributários formalizados neste processo não foram incluídos naquele Demonstrativo, como indicado em planilha (fls. 751 a 758). As diferenças entre os valores apurados no Auto de Infração e os declarados pelo contribuinte ao REFIS são decorrentes de aplicação de alíquotas diferentes utilizadas pelo contribuinte; 4) Foram identificadas todas as Declarações de Importação registradas pelo contribuinte, solicitadas pela DRJ/FOR, no período em que se refere o crédito tributário formalizado neste processo, por meio do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil DW Aduaneiro (fls. 719 a 734); 5) O contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização para esta se certificar da escrituração contábil fiscal dos valores declarados ao REFIS; 6) A data de início da ação fiscal ocorreu em 19/05/2000, através de Termo de Início de Ação Fiscal, sendo autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0217600/2000/00018 de 07/04/2000, posteriormente prorrogado e substituído. Na ocasião, a unidade lançadora efetuou, ainda, a juntada aos autos dos seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal (MPF)/Diligência n° 02176.002007001200 (fl. 626) e Termo de Intimação Fiscal (fls. 626/627); resposta ao Termo de Intimação Fiscal (fl. 628), e anexos apresentados pela contribuinte: i) cópia do Termo de Opção ao REFIS (fls. 629/630); ii) planilha com a relação das declarações de importação cujos valores do II e IPI teriam sido informados no REFIS (fls. 631/639); e iii) cópias de extratos e declarações (fls. 640/683); telas de consultas ao sistema REFIS (fls. 686/716); planilha com a relação das declarações de importação registradas pela contribuinte no período a que se refere o crédito tributário lançado nos autos (fls. 719/734); Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Termo de Início de Fiscalização e MPF (fls. 735/744); planilha com a relação dos débitos do Imposto de Importação e do IPI vinculado declarados no REFIS (fls. 749/750); planilha comparativa (fls. 751/758). Cientificada do inteiro teor da diligência e instada a manifestar se acerca do seu resultado, a contribuinte apresentou o documento às fls. 760/761, destacando, em síntese, que: apesar de ter sido excluída do REFIS, esclarece que, por discordar da metodologia de cálculo dos créditos tributários aplicada pelo Comitê Gestor do Programa, ingressou com ação judicial e vem recolhendo na Justiça Federal o valor mensal das parcelas que entende serem devidas; os valores exigidos nos autos de infração estão todos confessados no REFIS, inexistindo em sua contabilidade pendências de quaisquer outros a serem imputados, sendo precipitada a conclusão de que existem diferenças entre os valores apurados pela fiscalização e aqueles declarados no programa; embora acusada de não ter apresentado a escrituração contábilfiscal dos valores declarados no REFIS, tal afirmação não é verdadeira, visto que em resposta à intimação da fiscalização foi entregue pela empresa cópia de Boletim de Ocorrência Policial e de página do Diário Oficial do Estado com a publicação do ocorrido, documentos comprobatórios do fato impeditivo do repasse do que foi solicitado. Na seqüência, o processo foi encaminhado a esta DRJ/Fortaleza para julgamento. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 29/10/2009, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou o lançamento parcialmente procedente, conforme Acórdão n° 0816.413 de fls. 787 a 797: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 22/01/1997 a 30/12/1997 FATO GERADOR. IRRETROATIVIDADE DA NORMA APLICADA. Em respeito ao princípio da irretroatividade das normas legais, o art. 85 da MP n° 2.15835 somente pode ser aplicado aos fatos geradores ocorridos após a sua vigência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Período de apuração: 22/01/1997 a 30/12/1997 INCLUSÃO DE DÉBITOS NO REFIS. PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. EXCLUSÃO DE ESPONTANEIDADE. A opção pelo REFIS e a inclusão de débitos no programa de parcelamento durante o curso de ação fiscal não é razão Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10209.001030/200140 Acórdão n.º 3201000.635 S3C2T1 Fl. 818 11 oponível à lavratura do auto de infração, em face da exclusão de espontaneidade, cabendo à autoridade administrativa apenas evitar a cobrança em duplicidade da parte dos valores lançados, e mantidos na presente decisão, que já se encontrem parcelados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 22/01/1997 a 30/12/1997 IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. Os fundamentos adotados para o Imposto de Importação, multa e juros, aplicamse, mutatis mutandis, ao Imposto sobre Produtos Industrializados, cujo lançamento decorre dos mesmos fatos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi cientificado do teor da Intimação ALF/BEL/SARAC n° 72/2009, em 02/12/2009 (f1.805). Assim, o prazo regulamentar para pagamento ou interposição de recurso expirou em 04/01/2010 sem que o contribuinte tenha tomado qualquer providência. Diante disso, nos termos da legislação em vigor, a turma de julgamento a quo recorreu de ofício a este Conselho em relação aos débitos que foram exonerados, instaurando o processo nº 10209.000.069/201031 para a cobrança dos débitos mantidos. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 30/07/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A partir do momento em que o contribuinte aderiu ao REFIS para efetuar o parcelamento dos débitos em discussão no presente contencioso, a discussão de mérito no âmbito administrativo resta inviável, devendo ser cobrado o débito integral na forma preconizada na legislação. Isso porque, para exercer o direito de parcelar os débitos no REFIS, a condição sine qua non era o contribuinte renunciar ao direito de defesa, confessando a dívida automaticamente. A posterior exclusão do contribuinte do REFIS não reabre a possibilidade de defenderse dos débitos já confessados, os quais – repitase – devem ser cobrados na forma da legislação. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 O recurso de ofício interposto com o objetivo de rediscutir a retroatividade da lei que embasou o lançamento do crédito tributário em litígio caracteriza a reabertura da discussão de mérito no âmbito administrativo, razão pela qual não pode ser conhecido. Com efeito, NÃO CONHEÇO o recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000817/00-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA As declarações de compensação resultantes da conversão de pedidos de compensação por expressa determinação legal, considerar-se-ão homologadas tacitamente se transcorrido o prazo de cinco anos, desde a data da protocolização do pedido, sem que a autoridade administrativa se pronuncie.
Recurso Especial Negado Provimento.
Numero da decisão: 9101-001.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA As declarações de compensação resultantes da conversão de pedidos de compensação por expressa determinação legal, considerar-se-ão homologadas tacitamente se transcorrido o prazo de cinco anos, desde a data da protocolização do pedido, sem que a autoridade administrativa se pronuncie. Recurso Especial Negado Provimento.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA As declarações de compensação resultantes da conversão de pedidos de compensação por expressa determinação legal, considerarseão homologadas tacitamente se transcorrido o prazo de cinco anos, desde a data da protocolização do pedido, sem que a autoridade administrativa se pronuncie. Recurso Especial Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 08 17 /0 0- 77 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10850.000817/0077 Acórdão n.º 9101001.514 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 10809.702 (cópia à fl. 208 e seguintes), proferido na sessão de 15/08/2008 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 7o, inciso II, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da decisão. A recorrente contesta a decisão do colegiado quanto a matéria “Data de inicio da contagem do prazo para homologação tácita do Pedido de Compensação/Restituição formulado pelo contribuinte ”. No acórdão recorrido decidiuse que a contagem iniciouse na data da interposição do Pedido, ainda que anterior à vigência da nova redação do art. 74 da lei 9.430/1996. Por sua vez, no paradigma, o termo inicial foi fixado em 30/10/2003 para os pleitos interpostos antes dessa data (Acórdão 20311.648). Inicialmente, o aludido Recurso, às fls. 220229, teve SEGUIMENTO NEGADO conforme Despacho 1080132009, de 2/2/2009 (fls. 231), tendo em vista que a recorrente deixou de juntar copia do inteiro teor ou publicação da ementa da decisão paradigma. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN interpôs Agravo, fls. 233 e seguintes, aduzindo que reproduziu no corpo do recurso a ementa do acórdão paradigma, citando precisamente o número do aresto e sua publicação, atendendo assim os pressupostos regimentais. Mediante despacho 91012010208, de 16/10/2009 (fls. 239), o então presidente substituto da CSRF acolheu o agravo e DEU SEGUIMENTO ao Recurso, uma vez que o dissídio jurisprudencial restou configurado e a transcrição integral e exata da ementa atende os pressupostos regimentais, consoante reiteradas decisões da CSRF. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões em 14/05/2010, às fls. 244 e seguintes, pleiteando seja negado provimento ao recurso da PFN. É o breve relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10850.000817/0077 Acórdão n.º 9101001.514 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, logo deve ser admitido e apreciado. Inicialmente, registro que o Recurso Especial de Divergência tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as Turmas Ordinárias e Especiais deste Conselho. Não se trata de uma terceira instância administrativa. Nesse sentido, dispõe o Regimento Interno do CARF em seu art. 67 (anexo II) que a divergência jurisprudencial ocorre quanto a “decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. No presente litígio, a recorrente questionase o entendimento do acórdão recorrido quanto ao termo inicial para contagem do prazo de homologação tácita de pedidos compensação/restituição, em face do disposto no art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pela Lei 10.637/2002. A ementa do acórdão recorrido reflete o entendimento adotado de ofício pelo Colegiado Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes à unanimidade de votos (fl. 208, verbis) . “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS INDEVIDOS PRAZO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Os pedidos de compensação que em 01/10/2002 encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF são considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. A data de início da contagem do prazo de 5 (cinco) anos, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido.” (Grifei) A Recorrente apontou como paradigma o Acórdão 20311.648, que traz a seguinte ementa na parte que interessa ao litígio: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10850.000817/0077 Acórdão n.º 9101001.514 CSRFT1 Fl. 5 4 “COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 50 do artigo 74 da Lei n o 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória No. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. (...)” (Grifei) Pois bem, a Medida Provisória nº 135, publicada em 30/10/2003 e posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, introduziu o § 5º ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que se expressa nos seguintes termos: “Art. 74.(...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” O acórdão paradigma entendeu que a fixação do prazo de cinco anos para a homologação da compensação não pode ser aplicada retroativamente. Ocorre que na Sessão de 5/06/2012 este Colegiado da 1a. Turma da CSRF apreciou essa matéria, inclusive em face de mesmo aresto e decidiu no Acórdão 9101001.385 (verbis): “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA As declarações de compensação resultantes da conversão de pedidos de compensação por expressa determinação legal, considerarseão homologadas tacitamente se transcorrido o prazo de cinco anos, desde a data da protocolização do pedido, sem que a autoridade administrativa se pronuncie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.” Acompanhei o ilustre conselheiro Relator daquele julgado, conselheiro Valmir Sandri, a quem peço vênia para adotar seus fundamentos, a seguir transcritos como razões de decidir: “(...) O acórdão vergastado entendeu que a fixação do prazo de cinco anos para a homologação da compensação não pode ser aplicada retroativamente, por não estar compreendida nas hipóteses tratadas no art. 106 do CTN. Assim, segundo seu entendimento, os pedidos de compensação entregues em data anterior a 30 de outubro de 2003, convertidos Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10850.000817/0077 Acórdão n.º 9101001.514 CSRFT1 Fl. 6 5 em declaração de compensação, não seriam homologados tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos. Essa interpretação, contudo, carece de lógica, foge à coerência do sistema e fere o princípio da segurança jurídica, senão vejamos. A partir do momento que a lei atribuiu ao contribuinte proceder à compensação independentemente de autorização prévia, dando efeitos de extinção do crédito sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não admite, o sistema, que a administração não tenha um prazo para homologar a compensação. O contribuinte não pode ficar ad aeternum, sem saber se seu débito encontrase ou não extinto. A inexistência de prazo para homologação representa violação ao princípio da segurança jurídica. Os princípios, como se sabe, são vetores de interpretação de todas as normas. Vejase que a interpretação dada pelo acórdão paradigma deixaria sem prazo para homologação, inclusive, Declarações de Compensação que não resultaram de conversão de pedidos de compensação (as encaminhadas à Secretaria da Receita Federal entre outubro de 2002 e outubro de 2003). Ora, é regra elementar da hermenêutica que na interpretação devese sempre preferir a inteligência que faz sentido à que não faz, sendo incorreta a interpretação que conduz ao vago, inexplicável, contraditório ou absurdo. O acórdão vergastado, tendo em conta que o CTN já prevê um prazo de cinco anos para a homologação de extinção condicional de crédito (art. 150), aplicouo às Declarações de Compensação anteriores à previsão expressa introduzida pela Lei 10.833/2003. Essa também foi a interpretação dada pela própria Secretaria da Receita Federal, que, ao disciplinar as compensações, previu expressamente, na IN SRF nº 460/2004: (...) Notese que a Relatora do acórdão paradigma não desconhecia o disciplinamento dado à matéria pela Instrução Normativa, tendo feito menção a ele no seu voto. Apenas, afastou a norma complementar de legislação tributária produzida pela Secretaria da Receita, ao argumento que a lei não poderia retroagir. Na interpretação de uma norma deve se sempre aplicar a inteligência que faz sentido, em detrimento da que não faz, da que conduz ao absurdo. E por absurdo deve ser entendida a interpretação que conduz a uma colisão com princípios Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10850.000817/0077 Acórdão n.º 9101001.514 CSRFT1 Fl. 7 6 constitucionais ou regentes do subsistema a que se refere à norma. (...).” Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720777/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 07 77 /2 01 2- 13 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORINEA contra Acórdão nº 1440.107 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações AIOP nº 37.354.1287e AIOA nº 37.307.6410. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: i) AIOP/DEBCAD nº 37.354.1287: Constitutivo de contribuições destinadas à Seguridade Social, quota correspondente à parcela patronal incidentes sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, importando em crédito na monta de R$ 16.417,09 (Dezesseis mil, quatrocentos e dezessete reais e nove centavos), valor consolidado em 22/03/2012 composto pelo valor atualizado das contribuições suprimidas e devidas, corrigido pelos juros e pelas multas de mora e de ofício; ii) AIOA/DEBCAD nº 37.307.6410: Decorrente do descumprimento da obrigação acessória de apresentar GFIP com dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária (CFL 68), importando em crédito na monta de R$ 6.294,47 (Seis mil, duzentos e noventa e quatro reais e quarenta e sete centavos). Em relação ao lançamento fiscal, informa o Relatório da decisão de primeira instância: De acordo com o relato fiscal, concernente à obrigação tributária dita principal constatouse que o contribuinte contratou a empresa UNIMED de Assis –Cooperativa de trabalho médico, CNPJ nº 54.991.211/000162 – para a prestação de serviços médicos e hospitalares a seus empregados e que não foram recolhidas as contribuições previdenciárias decorrentes, sequer declarando suas bases imponíveis nas respectivas GFIPs. No tocante à obrigação acessória inadimplida, destacase que foram efetuadas as comparações das penalidades passíveis de aplicação, consoante as legislações então vigente e aquela introduzida pela MP 449/2008 (posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009), em homenagem ao princípio da retroatividade benigna ínsito no art. 106, II, ‘c’ do Código Tributário Nacional, resultando em situações distintas, conforme se revelaram mais favoráveis ao sujeito passivo, quais sejam: a aplicação da legislação anterior nas competências 03 a 08/2007 e 01 a Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720777/201213 Acórdão n.º 2403002.408 S2C4T3 Fl. 206 3 11/2008, a aplicação da legislação superveniente de 09 a 12/2007 e em 12/2008, essa por já ser a legislação vigente à época dos fatos. Todos tais cálculos encontramse minuciosamente demonstrados nos anexos I e II do Relatório Fiscal. A ciência do AIOP ocorreu em 28.03.2012, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 134. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Fiscal, é de 03/2007 a 12/2008. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O contribuinte apresentou impugnação na qual contesta os lançamentos estribados nos seguintes argumentos, em síntese: i) Entende que a contribuição não encontra amparo constitucional; nessa esteira, analisa o dispositivo legal que a introduziu no ordenamento jurídico, reputandoa afastada do fundamento do art. 195, I, ‘a’ da Constituição Federal. Discorre longa e minuciosamente acerca do tema para concluir necessário que sua criação observasse o rito destinado às Leis Complementares; ii) Acrescenta que tal comando inviabiliza o apoio ao cooperativismo, uma vez que sujeita a contratante ao pagamento de tributo que não existiria caso a contratada não fosse cooperativa. iii) Ataca a cobrança dos juros e da multa propugnando pela ocorrência da denúncia espontânea – hipótese prevista no art. 138 do CTN – de maneira a não incidir a multa de mora e os juros no crédito constituído; na mesma linha, impugna a utilização da taxa SELIC e reputa confiscatória à multa aplicada, ferindo diversos princípios constitucionais. iv) Quanto aos valores atinentes a diferenças no recolhimento do RAT, temse que a Câmara Municipal não poderá ser considerada como de risco médio, uma vez que não tem nenhuma atividade no quadro de funcionários que assim o justifique; também, foi cobrado integralmente da Câmara, quando o deveria ser do Município. Posto nesses argumentos requer a nulidade do lançamento e a improcedência do Auto de infração. Em análise preliminar do processo e da defesa entendeu por bem este Relator retornar os autos à origem para a perfeita identificação do signatário da impugnação apresentada, de maneira que assim foi feito e retornam os autos, para prosseguimento. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1440.107 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO DA TOMADORA DE SERVIÇO. A empresa é obrigada a recolher quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada e manter integralmente os lançamentos aqui constituídos, conforme relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientifiquese o Contribuinte do teor do presente Acórdão, nos termos da legislação vigente. Sala de Sessões, em 30 de janeiro de 2013 O Prefeito do Município de Florínea (Dr. Rodrigo Siqueira da Silva) foi cientificado pessoalmente em 28.02.2013 do Acórdão nº 1440.107 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP conforme a Intimação nº 015/2013, às fls. 180. Foi lavrado em 03.04.2013 Termo de Perempção, às fls. 182: PROCESSO: 13830.720.777/201213 INTERESSADO: FLORÍNEA PREFEITURA CNPJ: 44.493.575/000169 TERMO DE PEREMPÇÃO Transcorrido o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33, do Decreto nº 70.235/72 e não tendo o interessado apresentado recurso voluntário à instância superior contra a Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720777/201213 Acórdão n.º 2403002.408 S2C4T3 Fl. 207 5 decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este Termo de Perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para cobrança executiva, nos termos do § 3º, do art. 21, do Decreto nº 70.235/72. Assis, 03 de abril de 2013. Foi interposto Recurso Voluntário, em 23.04.2013, às fls. 183, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação e combate a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Da inexistência de fundamentação constitucional. (ii) Da cobrança da multa e juros (iii) Da multa confiscatória A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo em vista Recurso Voluntário intempestivo apresentado pelo contribuinte (ciência pessoal às fls.314), propomos, nos termos do art. 35 do Decreto nº 70.235/72, o encaminhamento do presente processo à GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF em Receber Processo/Triagem/Complementação para apreciação e prosseguimento. DATA DE EMISSÃO : 23/04/2013 É o Relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Na verificação dos requisitos de admissibilidade, devese analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. A ciência do AIOP ocorreu em 28.03.2012, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 134. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Fiscal, é de 03/2007 a 12/2008. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1440.107 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, O Prefeito do Município de Florínea (Dr. Rodrigo Siqueira da Silva) foi cientificado pessoalmente em 28.02.2013 do Acórdão nº 1440.107 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP conforme a Intimação nº 015/2013, às fls. 180, Foi lavrado em 03.04.2013 Termo de Perempção, às fls. 317: PROCESSO: 13830.720.777/201213 INTERESSADO: FLORÍNEA PREFEITURA CNPJ: 44.493.575/000169 TERMO DE PEREMPÇÃO Transcorrido o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33, do Decreto nº 70.235/72 e não tendo o interessado apresentado recurso voluntário à instância superior contra a decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este Termo de Perempção na forma da legislação vigente. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720777/201213 Acórdão n.º 2403002.408 S2C4T3 Fl. 208 7 Esgotado o prazo da cobrança amigável sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para cobrança executiva, nos termos do § 3º, do art. 21, do Decreto nº 70.235/72. Assis, 03 de abril de 2013. Foi interposto Recurso Voluntário, em 23.04.2013, às fls. 183, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação e combate a decisão de primeira instância. A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo em vista Recurso Voluntário intempestivo apresentado pelo contribuinte (ciência pessoal às fls.314), propomos, nos termos do art. 35 do Decreto nº 70.235/72, o encaminhamento do presente processo à GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF em Receber Processo/Triagem/Complementação para apreciação e prosseguimento. DATA DE EMISSÃO : 23/04/2013 Deste modo, resta evidenciado que a Recorrente, cientificada do Acórdão nº 1440.107 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP em 28.02.2013, interpôs Recurso Voluntário apenas em 23.04.2013, portanto após o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário em face de sua intempestividade. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.720981/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão.
ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS - INAPLICABILIDADE.
Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSA R$ 80.000,00 NO ANO-CALENDÁRIO - SÚMULA CARF Nº 61.
Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA - ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2202-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$163.148,79.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS - INAPLICABILIDADE. Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSA R$ 80.000,00 NO ANO-CALENDÁRIO - SÚMULA CARF Nº 61. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA - ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96 Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2292; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 284 1 283 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.720981/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.645 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente LUIZ SERGIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS INAPLICABILIDADE. Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 09 81 /2 00 9- 19 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSA R$ 80.000,00 NO ANO CALENDÁRIO SÚMULA CARF Nº 61. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96 Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$163.148,79. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Fl. 285DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 285 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em 12/06/08, iniciouse o procedimento de fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.1.01.002008009361) em nome recorrente, com o escopo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias referente ao anocalendário de 2005. Na ocasião, o contribuinte restou intimado a apresenta cópias de extratos bancários das instituições: Unibanco; ItauBank; Bradesco; Sudameris e Corretora Souza Barros Cambio e Títulos, e informes de rendimentos financeiros de imposto de renda (fls. 0709). O recorrente ofereceu resposta (fls. 1065), juntando Informe de Rendimentos Financeiros de Imposto de Renda dos Bancos: Unibanco, Itaú, Bradesco, Sudameris, bem como extratos de conta corrente da Corretora Souza Barros Cambio e Títulos S.A, do Banco Bradesco e do Unibanco. Em razão da não apresentação de todos os extratos bancários solicitados, a Fiscalização optou por lavrar Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 6667 e fl. 95), para as instituições Sudameris e Bradesco. A primeira ofereceu documentos juntados às fls. 6893, e a segunda de fls. 96122. O recorrente, em 13/08/08, foi intimado a comprovar, mediamente documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos colacionados em lista anexa (fls. 123 128). Sem resposta, a Fiscalização intimou novamente o contribuinte em 17/09/08 (fls. 129 134). Na data de 16/10/08, o recorrente apresentou manifestação sustentando que: (a) em relação à Planilha I, todos os depósitos são frutos de mútuos celebrados entre ele e a sociedade empresarial que administra, a empresa Insol Intertrading do Brasil Indústria e Comércio S/A; (b) quanto às demais planilhas, solicitou a prorrogação do prazo para apresentação de documentos (fls. 136195). Posteriormente, em 24/11/08, o recorrente foi intimado a apresentar cópia dos contratos de mútuo firmados entre ele e a empresa Insol Intertrading do Brasil Indústria e Comércio S/A, e a comprovar a origem e efetivo repasse dos valores devolvidos à empresa em pagamento aos mútuos (fls. 196202). Em resposta, a empresa Insol e o recorrente juntaram aos autos o contrato de mútuo e o livro razão, referente aos anoscalendário 2004 e 2005 (fls. 205 213). 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 144/05/09 (fls. 214223), Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anocalendário 2007, o qual apurou o crédito tributário no valor de R$ 678.975,08, incluindo imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 Os valores comprovados como mútuo contraído em relação à empresa Insol Intertrading do Brasil Indústria e Comércio S/A não foram incluídos no Auto de Infração, pois considerados comprovados após as diversas diligências realizadas. 3 Impugnação Inconformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 234242), esgrimindo os seguintes argumentos: a) há apenas elementos que supõem a circulação de valores pelas contas correntes, porém não há qualquer referência às implicações que esses valores teriam representado no patrimônio do contribuinte; b) é dever do contribuinte declarar os saldos existentes nas contas correntes de depósito, ao tempo da prestação de informação. Não tem o contribuinte o dever legal de descrever o conteúdo da conta corrente havida com cada um dos bancos, nos termos do art. 25, § 1º, III, da Lei nº 9.250/95; c) a Lei nº 7.713/88 impõe a incidência do IRRF em relação aos valores recebidos pela pessoa física em decorrência de rendimentos de trabalho assalariado, de modo que os demais rendimentos não se sujeitam à tributação exclusiva; d) o ingresso de recursos na conta corrente do contribuinte não significa acréscimo patrimonial, devese examinar o saldo final das contas correntes depois do cômputo do lançamento. No final do ano, o saldo em conta do recorrente era negativo; e) quanto ao valor de R$ 3.500,00, de 19/12/05, esse corresponde a um cheque em nome do recorrente que foi devolvido por falta de fundos, não configurando crédito; f) os valores recebidos pela Insol, nos dias 18/05/05, 25/07/05, 02/08/05, 04/10/05, 04/11/05 e 08/11/05, representam reembolso de despesas havidas pelo impugnante na sua atividade profissional; g) quanto aos dois financiamentos obtidos pelo contribuinte junto ao Banco Sudameris, esses não configuram, uma vez que têm origem de empréstimos; h) todos os valores computados até o limite de R$ 80.000,00 devem ser excluídos do montante em hipótese de averiguação de omissão de receitas; i) não pode ser considerada omissão de rendimentos a omissão de valores que circularam entre contascorrentes e poupanças do próprio contribuinte; j) as intimações não foram claras quanto ao seu conteúdo. 4 Impugnação Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 286 5 A impugnação foi julgada parcialmente procedente, por unanimidade, pela 4ª Turma da DRJ/CTA (fls. 245253), mantendo, em parte, o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) conjugandose o art. 42 da Lei nº 9.430/96 com o art. 43 do CTN, temse que o fato gerador do Imposto de Renda não é o crédito em conta bancária ou de investimento, mas a aquisição de disponibilidade por esses materializada, que a lei autoriza considerar rendimento omitido na hipótese de restar não comprovada, por documentação hábil e idônea, sua origem; b) a comprovação da origem aludida pela norma legal não é satisfeita, por exemplo, pela alegação de inexistência de saldo credor ao final dos períodos fiscalizados, mas pela comprovação da operação específica que teria dado origem aos recursos creditados, acompanhada da documentação indispensável que a descaracteriza como sendo uma aquisição de disponibilidade econômica na acepção que a lei elegeu como fato gerador do Imposto de Renda; c) a respeito da jurisprudência do Tribunal Federal de Recursos – TFR alegada (Súmula nº 1.820), essa referese a período pretérito à legislação então existente; d) quanto ao cheque devolvido de R$ 3.500,00, assiste razão ao impugnante, em razão do próprio extrato bancário comprovar mera devolução de cheque emitido; e) quanto aos valores obtidos por meio de financiamento, não merece prosperar o lançamento, uma vez que configuram operação de crédito comum praticada com instituições bancárias; f) quanto aos créditos classificados como decorrentes de reembolso da empresa Insol, o próprio recorrente reconhece não dispor de comprovação do fato, inviabilizando o acolhimento da insurgência suscitada. O interessado aventou escassez de tempo para produzir prova, porém, decorridos mais de dois anos, não consta que tenha apresentado novos documentos, descabendo modificar o lançamento com base em meras alegações não comprovadas; g) os depósitos bancários que o contribuinte alegou, no curso da ação fiscal, serem decorrentes de mútuos com a empresa Insol, não foram inseridos na base de cálculo do lançamento e não se encontram em litígio, uma vez que a fiscalização considerou sua origem comprovada (fl. 215); h) quanto aos créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, a soma ultrapassa o valor de R$ 80.000,00, atingindo o montante de R$ 126.648,79, de modo que o critério não pode ser utilizado; i) no caso em análise, não foi identificado e nem qualificado o perito da parte interessada, tampouco expostos motivos que justificassem a Fl. 288DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 produção de prova pericial ou formulados quesitos referentes aos exames desejados, devendose considerar não formulado o pedido de perícia; j) no tocante à produção de provas por parte do contribuinte, o § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que deve ocorrer juntamente com a impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade, por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente, ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. 5 Recurso Voluntário Ciente em 21/10/11 (fl. 257), o recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente em 21/11/11 (fls. 263269), repisando os argumentos da impugnação e acrescentando os seguintes: a) o conceito de renda é constitucional, caracterizado por acréscimo patrimonial obtido pelo contribuinte, e no mesmo sentido, dispõe o art. 43 do CTN. Nesse contexto, a mera movimentação financeira não representa um necessário acréscimo patrimonial, configurando mero trânsito de valores que não agregam necessariamente ao seu patrimônio, tampouco representam a sua capacidade contributiva. Ilegal, portanto, o lançamento; b) houve, durante a fiscalização, quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, a revelia do disposto no art. 5º, XII, CF, o que torna o lançamento absolutamente nulo. O STF possui jurisprudência consolidada nesse sentido; c) quanto aos valores recebidos de corretoras de valores imobiliários e outras instituições financeiras, eles representam mera devolução de valores eventualmente utilizados em aplicações financeiras, e já foram submetidos à tributação definitiva na fonte; d) os valores repassados pela empresa Insol Intertrading do Brasil Indústria e Comércio S/A são ressarcimentos de despesas e adiantamentos, para fazer frente a pequenos gastos necessários à viabilização das operações comerciais, uma vez que o recorrente exerce cargo de gerência; e) quanto às transferências entre contas do mesmo titular, tais valores não podem ser considerados renda, pois a própria legislação exige a exclusão dos referidos valores; f) o lançamento foi arbitrário, não estando dotado de liquidez e certeza que devem nortear os procedimentos administrativos de exigência de IRPF. 6 Sobrestamento Em 19/06/13, através da Resolução nº 2202000.500 (fls. 275283 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase Fl. 289DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 287 7 em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR: 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 6667 e 9495), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ressalto que a fiscalização utilizou os dados de RMF apenas referentes ao Banco Sudameris (ao longo de todo o anocalendário 2005) e ao Banco Bradesco (do período de 01/01/05 a 28/04/05), pois o contribuinte apresentou, voluntariamente, extratos bancários das seguintes instituições financeiras: Banco Unibanco, Banco Itaú, Banco Bradesco (do período de 29/04/05 a 29/12/05) e Corretora Souza Barros Cambio e Títulos S.A. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 288 9 XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá Fl. 293DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 289 11 como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição de parte do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Assim, entendo que deve ser acolhida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que sejam excluídas do Auto de Infração todas as informações referentes ao Banco Sudameris e ao Banco Bradesco (período de 01/01/05 a 28/04/05). 2. DO MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais argumentos suscitados pelo recorrente. 2.1 Da Omissão de Rendimentos Quanto à omissão de rendimentos constatada com base em depósitos bancários sem origem comprovada, sustenta o recorrente que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não obstante, a jurisprudência 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 290 13 Ocorre que a análise da planilha anexa ao relatório fiscal revela que os depósitos abaixo alinhados tiveram sua origem identificada no campo “histórico do extrato”: Banco Conta Data Histórico Valor Bradesco 1670/5.0008 06/01/05 TedTransf Elet Dispon Remet Adriano Pimentel Marcovici 50.000,00 Bradesco 1670/5.0008 23/03/05 Recebimento fornecedor Gradual Corr de Mercadorias & Fu 9.513,06 Bradesco 1670/5.0008 13/04/05 Recebimento fornecedor Insol Intertrading do Brasil Ltda 1.317,52 Bradesco 1670/5.0008 18/05/05 Recebimento fornecedor Insol Intertrading do Brasil Ltda 144,60 Bradesco 1670/5.0008 17/06/05 TedTranf Elet Dispon Remet. Finanbank CCTBVM Ltda 133,90 Bradesco 1670/5.0008 25/07/05 Recebimento fornecedor Insol Intertrading do Brasil Ltda 538,57 Bradesco 1670/5.0008 02/08/05 Recebimento fornecedor Insol Intertrading do Brasil Ltda 1.786,14 Bradesco 1670/5.0008 26/08/05 Transf CC para CC PJ TOP 2000 Editora e Publicidade L. 611,80 Bradesco 1670/5.0008 29/08/05 Doc Credito Automatico* Joao Batista e Jr. 1.000,00 Bradesco 1670/5.0008 29/08/05 Doc Credito Automatico* Joao Batista Evagelista Jr. 100,00 Bradesco 1670/5.0008 06/09/05 TedTransf Elet Dispon Remet. Itaim Com de Veículos Ltda 9.000,00 Bradesco 1670/5.0008 27/09/05 Saúde/Vida 6.543,89 Bradesco 1670/5.0008 28/09/05 Doc Credito Automatico* João Batista Evangelista Jr 1.100,00 Bradesco 1670/5.0008 04/10/05 Recebimento fornecedor Insol Intertrading do Brasil Ltda 232,61 Bradesco 1670/5.0008 04/11/05 Recebimento fornecedor Insol Intertrading do Brasil Ltda 241,51 Bradesco 1670/5.0008 08/11/05 Doc Credito Automatico* João B. 1.100,00 Bradesco 1670/5.0008 08/11/05 Recebimento fornecedor Insol Intertrading do Brasil Armazens Gerais 144,50 Bradesco 1670/5.0008 18/11/05 Doc Credito Automatico Luis Tedesco Filho 3.750,00 Bradesco 1670/5.0008 01/12/05 Doc Credito Automatico* João Batista Evangelista Jr 1.100,00 Sudameris 1574/10330701 31/03/05 Transf. De Sudameris Gener 16,65 TOTAL 88.374,75 Desse modo, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Esclareçase, ainda, que no presente caso houve violação do sigilo bancário do contribuinte, de modo que poderia a fiscalização ter obtido, através de solicitação à instituição financeira, informações quanto aos contribuintes que efetuaram os depósitos identificados na conta corrente do recorrente. Assim, relativamente aos depósitos acima transcritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válidas, pois deveriam ter sido enquadradas como omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Entendo, portanto, que o total de R$ 88.374,75 deve ser excluído da base de cálculo do imposto de renda, pois comprovada sua origem. 2.2 Dos Limites para a Autuação e da Súmula CARF nº 61 Considerandose os valores excluídos no item anterior, no total de R$ 88.374,75, pois comprovada sua origem, verificase, da análise dos depósitos bancários que compuseram parte da base de cálculo utilizada no lançamento de ofício, que deixou de ser observada a regra inscrita no inciso II, do §3º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, combinado com o art. 4º, da Lei nº 9.841/97, que assim dispõem: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 291 15 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).” “Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.” A desconsideração dos depósitos dentro dos limites legais acima transcritos configura matéria cristalizada no âmbito do Conselho, como revela a Súmula nº 61, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” A jurisprudência do CARF trilha o caminho fixado pela Súmula, conforme revela o precedente abaixo: No tocante aos limites do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, no caso de fiscalizado pessoa física, devem ser desconsiderados todos os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório destes, no anocalendário, não ultrapasse R$ 80.000,00, hipótese que deve ser reconhecida até de oficio, como se viu no Acórdão n° 106 16.177 (Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 1°/03/2007, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, unânime, que acolheu de oficio tal benesse legal, antes da análise dos argumentos expendidos pelo sujeito passivo. Aqui, devese registrar que, caso haja depósito de origem não comprovada de valor superior a R$ 12.000,00 no anocalendário, todos aqueles de valores inferiores a este limite citado, cujo somatório não excedam R$ 80.000,00, devem ser excluídos da tributação, remanescendo apenas a omissão de rendimentos dos depósitos que excedam R$ 12.000,00. (CARF – RV – Rel. Giovanni Christian Nunes Campos – Acórdão 210200.210 – Processo 10540.001174/200630) Grifei. Ainda que a matéria tenha sido suscitada apenas em sede de impugnação pelo contribuinte, a adequação do ato vinculado de lançamento ao enunciado sumular é corolário do poderdever de revisão dos atos administrativos, reforçado pelo inciso I do art. 2º da Lei 9784/99 e pelo art. 72, §4º, do Regimento Interno do CARF. Sendo assim, tornase necessária a exclusão, da base de cálculo do IRPF utilizada no auto de infração, dos depósitos bancários inferiores ao valor de R$ 12.000,00, até o limite de R$ 80.000,00 no anocalendário, e que se encontram na tabela abaixo: Banco Conta Data Histórico Valor Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 Bradesco 1670/5.0008 28/01/05 Tranf. Entre agen, cheque 634,94 Bradesco 1670/5.0008 10/03/05 Tranf. Entre agen, cheque 9.533,00 Bradesco 1670/5.0008 29/03/05 Cartão Credito/Debito 112,50 Bradesco 1670/5.0008 16/05/05 Deposito em cheque 300,00 Bradesco 1670/5.0008 24/06/05 Transf. Entre agen. Cheque 1.320,00 Bradesco 1670/5.0008 12/07/05 Transf entre agen. Dinh 3.300,00 Bradesco 1670/5.0008 28/07/05 Deposito em cheque 5.000,00 Bradesco 1670/5.0008 02/09/05 Recebimento de fornecedor 444,84 Bradesco 1670/5.0008 06/09/05 Deposito em cheque 3.600,00 Bradesco 1670/5.0008 14/09/05 Depos CC autoat AG00065MAQ03320SEQ02792 1.650,00 Bradesco 1670/5.0008 05/10/05 Depos CC autoat AG03436MAQ011964SEQ02776 6.500,00 Bradesco 1670/5.0008 10/10/05 Depos CC autoat AG03440MAQ017598SEQ02669 600,00 Bradesco 1670/5.0008 19/10/05 Transf entre agenc dinh 1.650,00 Bradesco 1670/5.0008 10/11/05 Transf entre agenc chq/dinh 300,00 Bradesco 1670/5.0008 11/11/05 Transf entre agen. Cheque 6.500,00 Bradesco 1670/5.0008 14/11/05 Transf entre agenc dinh 1.650,00 Bradesco 1670/5.0008 14/12/05 Transf entre agenc dinh 1.650,00 Bradesco 1670/5.0008 26/12/05 Deposito em cheque 11.000,00 Bradesco 1670/5.0008 29/12/05 Depos CC autoat AG03440MAQ017598SEQ0397 300,00 Sudameris 1574/10330701 23/05/05 Financiamento 28,76 Sudameris 1574/10330701 18/05/05 Dep. Poup. Corr. Cheque 10.000,00 Sudameris 1574/10330701 12/07/05 Dep dinh poup. corr 8.700,00 Quanto aos depósitos remanescentes, saliento que o recorrente não logrou êxito ao buscar comprovar sua origem, pois conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). No caso, o contribuinte alegou que alguns créditos decorreriam de transferência entre contas do mesmo titular, de valores recebidos de corretoras de valores imobiliários e outras instituições financeiras, e de valores repassados pela empresa Insol Intertrading do Brasil Indústria e Comércio S/A. Ocorre que o recorrente, além de não informar individualizadamente que valores seriam esses, não apresenta qualquer documentação que possa comprovar que, de fato, ocorreram transferências entre contas de mesma titularidades, ou Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 292 17 que os valores recebidos decorrem de corretoras ou da empresa Insol Intertrading do Brasil Indústria e Comércio S/A. Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR, voto para que seja DADO PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o total de R$ 163.148,79 (R$ 88.374,75 em decorrência do equívoco na tipificação e R$ 74.774,04 em decorrência da aplicação da Súmula CARF nº 61). (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10980.720981/200919 Acórdão n.º 2202002.645 S2C2T2 Fl. 293 19 protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 19311.720417/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.
Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado.
CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES.
O Fisco tem o ônus-dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cooperativa de trabalho, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cooperativa de trabalho, o que não aconteceu. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 17 /2 01 1- 78 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos Henrique de Oliveira apresentará declaração de voto. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999, para as competências 01/2009 a 12/2010. O Relatório Fiscal informa que os valores apurados decorrem de ação fiscal realizada junto ao Município de São Paulo (Secretaria Municipal de Transportes). Esclarece que a constituição do crédito equivale a 15% dos valores pagos à empresa Consórcio Aliança Paulistana, pela prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 3, no município de São Paulo. Esse Relatório informa ainda que a Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Transportes, representada neste ato pelo Secretário Municipal de Transportes, senhor Jilmar Augustinho Tatto, firmou TERMO DE PERMISSÃO PARA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DE OPERAÇÃO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS, NA ÁREA 03 DO SUBSISTEMA LOCAL, NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, em 18 de julho de 2003, com o Consórcio Aliança Paulistana, pessoa jurídica constituída sob a forma de Consórcio, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 05.759.347/000136 (ANEXO VII). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. a incidência da contribuição social prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é sobre o valor pago pelo tomador quanto aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, de modo que, para a incidência da contribuição lançada no auto de infração ora impugnado, seria necessária a contratação das cooperativas de trabalho para a prestação de serviços à Administração e que o custo de tais serviços fosse ônus da própria Administração. Porém, no caso em tela, a contratação das cooperativas teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários, nos termos do artigo 175 da CF, o qual estabelece que incumbe ao Poder Público diretamente ou sob regime de concessão ou permissão a prestação dos serviços públicos; 2. é certo que o serviço de transporte público municipal, de titularidade do Poder Público não se desnatura quando sua execução é delegada aos permissionários, pelo que não se está diante de terceirização mediante contrato de prestação de serviço, mas sim de delegação de serviço público, por meio de permissão, decorrente de licitação, no qual é o usuário o verdadeiro tomador do serviço público, custeando o. É fato notório que o Sistema de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros do Município de São Paulo e sua política tarifária adotada Fl. 814DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 para manutenção, é calcada em um complexo Sistema de Bilhetagem Eletrônica, o "Bilhete Único", no qual o beneficiário pode antecipar o custo da utilização. Todavia, a possibilidade do usuário poder se dirigir a um dos postos de venda do "Bilhete Único" e com seu cartão creditarse, pagando a tarifa antecipadamente, que será descontada quando for registrada na catraca do coletivo a efetiva utilização do serviço de transporte, não descaracteriza a permissão do serviço público. Ocorre que é esse repasse dos custos (valores antecipados pelos usuários) aos permissionários que está servindo de hipótese de incidência e base de cálculo, por isso, a ilegalidade e inconstitucionalidade da tributação. Assim, verificase que na situação acima transcrita não há que se falar em contribuição social prevista no artigo 22, inciso IV da Lei Federal 8.212/91, pois o referido tributo não incide sobre os valores repassados aos permissionários do serviço de transporte coletivo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 05039.657 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 747/775) – considerou o lançamento fiscal improcedente, eis que exonerou os valores lançados, e interpôs o reexame necessário (recurso de ofício). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária em São Paulo/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO RECURSO DE OFÍCIO: O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em questão, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendese que a decisão recorrida não merece reparo. O Fisco afirma que o Interessado (Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Transportes) firmou termo de contrato de permissão do serviço de transporte coletivo urbano de passageiros, na cidade de São Paulo, com o Consórcio Aliança Paulistana, pessoa jurídica constituída sob a forma de Consórcio, designada de permissionária de serviço público (itens 4 a 6 do Relatório Fiscal). A partir disso e da leitura isolada do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, o Fisco entende que a execução desses serviços de transporte coletivo urbano de passageiros seria realizada por meio de cooperados, mediante cooperativas de trabalho, e executados diretamente pelo Município de São Paulo/SP. Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de Fl. 816DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (g.n.) Ocorre, contudo, que compete ao Fisco demonstrar a caracterização de que o serviço foi prestado por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, diretamente ao sujeito passivo, pois este tem que se defender dos fatos que lhe são imputados e não da tipificação jurídica que lhe é dada, no presente caso a regra estampada no inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991. Constatase, por meio dos elementos probatórios juntados aos autos, que o Interessado (Município de São Paulo/SP) contratou a empresa privada para a execução dos serviços de transporte coletivo urbano da cidade de São Paulo, mediante a permissão de serviços públicos, prevista no inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, que consiste numa forma de transferência para a prestação de serviços públicos, denominada delegação. Tal transferência é realizada pelo poder concedente (Município de São Paulo/SP) à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Lei 8.987/1995: Art. 2º (...) II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; (...) IV permissão de serviço publico: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Com relação à colocação de segurados para a prestação de serviço ao contratante (Município de São Paulo/SP), um dos pressupostos da caracterização do serviço executado mediante cooperativa de trabalho, o Fisco afirma: “[...] CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR 5.1. Tratase o presente procedimento fiscal de apuração e levantamento das contribuições devidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, destinadas à Previdência Social, a cargo da empresa, correspondentes a 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação dos serviços de transporte coletivo público de passageiros do município de São Paulo, que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, relativos à permissão delegada para prestação de serviços na ÁREA 3 do Subsistema Local, prestados CONSÓRCIO ALIANÇA PAULISTANA, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 05.759.347/0001 36, pelas quais o sujeito passivo fica obrigado, conforme previsto no art.22, da Lei nº 8.212/91, em seu inciso IV, incluído pela Lei nº9.876/99. [...]” (g.n.) Fl. 817DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 5 7 Depreendese que o simples fato da empresa contratada não fazer uso de sua força laboral enquanto o serviço de transporte urbano coletivo é executado, isso, por si só, não tem o condão de caracterizar que os trabalhadores estavam a disposição do Interessado (Município de São Paulo/SP), prestandolhe serviços diretamente com o seu poder de comando. Dentro desse contexto fático, a previsão contratual dos percursos e dos horários a serem respeitados retira a necessidade de orientação do contratante, já que o comportamento do trabalhador decorrerá de ordens emanadas pelo seu empregador, visando cumprir as cláusulas contratuais fixadas pelo Poder Público. Como bem explicado na decisão de primeira instância, também não há que se confundir o poder que a Administração Pública tem de fiscalizar o bom cumprimento do serviço delegado com o instituto da cessão de mão de obra, pois a obrigação contratual da empresa delegatária de prestar as informações acerca da realização do serviço público não equivale a colocar seus empregados à disposição do Poder Público. No contrato de concessão ou permissão, haverá a transferência da prestação do serviço público para uma pessoa jurídica ou consórcio de empresas, passando a desempenhar a execução do serviço público por sua conta e risco. Nesse tipo de contrato administrativo, não há a transferência da titularidade do serviço para o concessionário ou permissionário, já que esta permanecerá com o poder público concedente em razão de previsão constitucional ou legal. Assim, no presente caso, o fato de a concessionária ou permissionária prestar o serviço de transporte coletivo urbano de passageiros em seu próprio nome, conforme inciso IV do art. 2º da Lei 8.987/1995, isso representa um ponto diferenciador dos contratos de prestação de serviços propriamente ditos, em que a contratada presta o serviço em nome do poder público concedente, contratante (Município de São Paulo/SP), esta última hipótese configura os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ademais, deixo consignado que, no contrato de prestação de serviço executado por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, o prestador desse serviço é um mero executor material contratado pelo Poder Público que continua diretamente relacionado com os usuários do serviço de transporte urbano coletivo, não havendo transferência da titularidade da prestação do serviço, e os trabalhadores ficam submetidos ao poder de comando da própria contratante (no caso em tela o interessado, Município de São Paulo) – tais como o comando técnico, gerencial ou qualquer outro poder de comando que materialize a intermediação de mão de obra entre a contratada e a contratante. Nesse contrato, o Poder Público concedente será o responsável direto pela prestação do serviço de transporte urbano coletivo, assim, o prestador não mantém relação jurídica alguma com os usuários desse serviço e recebe a sua remuneração do valor avençado com o contratante governamental, já que o serviço de transporte urbano coletivo continua sendo prestado pela entidade pública. Esse entendimento não está consubstanciado nos autos, portanto, não há que se falar em execução de serviços de transporte urbano coletivo executados por cooperados de cooperativas de trabalho diretamente ao Poder Público. Esse fato de que a prestação do serviço executado por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, não se deu como um mero executor material contratado pelo Poder Público (Município de São Paulo), fora do campo da intermediação de mão de obra (terceirização), também foi evidenciado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), no julgamento dos Embargos em Recurso de Revista ERR 29100023.2005.5.02.0073 (julgado em 25/10/2013), que responsabilizou subsidiariamente a São Paulo Transporte (SPTrans) – Fl. 818DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 empresa que gerencia o sistema de transporte na capital paulista – a pagar débitos trabalhistas do Consórcio Trolebus Aricanduva, em virtude de expressa disposição nesse sentido, constante em acordo coletivo, nos seguintes termos: “[...] II – MÉRITO Discutese, no caso, a responsabilidade da São Paulo Transportes – SPTrans nos débitos trabalhistas do reclamante, contratado pela primeira reclamada. A despeito de a jurisprudência desta Corte, consubstanciada na Orientação Jurisprudencial nº 66 da SBDI1 do TST, posicionar se no sentido de que a SPTrans não responde pelos direitos trabalhistas dos empregados contratados pela primeira reclamada, a Turma reconheceu a responsabilidade da SPTrans pelo pagamento das verbas trabalhistas postuladas em face do acordo coletivo firmado entre as partes, prevendo a sua responsabilidade subsidiária, cuja observância se torna obrigatória, consoante o disposto no artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal. Vale ressaltar que não se trata, aqui, de hipótese de terceirização de serviços, mas de obediência à previsão normativa. (g.n.) Esse entendimento já foi adotado reiteradas vezes por esta Corte, conforme se extrai dos precedentes a seguir transcritos: "RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 11.496/2007. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SPTRANS. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. Consignando expressamente o Tribunal Regional que a responsabilidade subsidiária da SPTrans decorreu de previsão expressa em norma coletiva, e não da aplicação da Súmula n.º 331, IV, desta Corte superior, subsiste fundamento para a manutenção da sua condenação, na qualidade de devedora subsidiária. Precedentes da Corte. Recurso de embargos conhecido e não provido." (ERR 10980003.2005.5.02.0035, Relator Ministro: Lelio Bentes Corrêa, data de julgamento: 29/4/2010, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, data de publicação: 7/5/2010) "AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. Havendo previsão em norma coletiva de que a concessionária de serviços públicos será responsabilizada pelo adimplemento das verbas trabalhistas não pagas pela prestadora de serviços, não há como afastar tal responsabilidade, em respeito ao disposto no art. 7º, XXVI, da Carta Magna. Agravo de instrumento desprovido." (AIRR 285340 72.2005.5.02.0065, Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, data de julgamento: 15/9/2010, 1ª Turma, data de publicação: 24/9/2010) Fl. 819DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 6 9 "RECURSO DE REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SPTRANS. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. No caso em exame, a Corte Regional reconheceu ser a segunda reclamada SPTRANS mera fiscalizadora dos serviços de Transporte Coletivo do Município de São Paulo, mas, ainda assim, condenoua subsidiariamente pelas verbas deferidas, em virtude de expressa disposição nesse sentido, constante em acordo coletivo. Logo, percebese que a decisão regional foi proferida levando se em conta o disposto no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, que reconhece plena validade às convenções e acordos coletivos de trabalho, e não teve como fundamento a Súmula nº 331, IV, de forma a ser inaplicável ao caso o teor da Orientação Jurisprudencial Transitória nº 66 da SBDI1, a qual permanece incólume. Recurso de revista não conhecido." (RR 22000 73.2006.5.02.0043, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, data de julgamento: 29/9/2010, 2ª Turma, data de publicação: 8/10/2010) [...]” (g.n.) (TST, ERR29100023.2005.5.02.0073, julgado em 25/10/2013) Extraise dessa decisão do TST (ERR29100023.2005.5.02.0073) que a responsabilidade subsidiária imputada à empresa São Paulo Transporte (SPTrans), vinculada ao Município de São Paulo, a pagar débitos trabalhistas das empresas concessionárias ou permissionárias do serviço público de transporte de passageiros – incluído os consórcios de empresas –, decorre de cláusula constante em convenção ou acordo coletivo de trabalho, com fundamento no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal. Por outro lado, em matéria tributária não se pode imputar responsabilidade tributária oriunda exclusivamente de convenção ou acordo coletivo de trabalho (convenção particular), já que a contribuição previdenciária é compulsória, configurada como tributo, sendo necessário que haja explícita previsão legal ou constitucional determinando a sua responsabilidade, conforme preconiza o art. 97, inciso III (parte final), c/c o art. 123, ambos do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; ......................................................................................................... Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 820DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (g.n.) No que tange ao aspecto dos pagamentos efetuados aos concessionários ou permissionários, constatase que a empresa São Paulo Transportes S/A (SPTrans), entidade da Administração Pública indireta municipal, era a responsável pela gestão financeira das receitas e despesas do serviço de transporte coletivo de passageiros – conforme o art. 39 da Lei 13.241/2001 (lei municipal – São Paulo) –, já que ela assumia os pagamentos concedidos às concessionárias/permissionárias que operavam no sistema de transporte coletivo. Isso poderia sinalizar (suspeitar) que a empresa SPTrans teria assumido diretamente a prestação do serviço de transporte coletivo no Município de São Paulo e, para realizar tal intento, teria contratado as empresas privadas (ou consórcios), sendo que estas, por sua vez, não assumiriam risco no desenvolvimento dessa atividade e somente colocariam os cooperados à disposição da empresa SPTrans. Ocorre, entretanto, que o lançamento foi realizado em face do Município de São Paulo (Secretaria Municipal de Transportes SMT), que tem personalidade jurídica distinta da empresa SPTrans. Diante desse fato, a análise da incidência ou não da contribuição Previdenciária, oriunda dos serviços realizados por cooperados e por intermédio de cooperativas de trabalho, foi realizada perante Município de São Paulo, apontado pelo Fisco como o suposto sujeito passivo da relação obrigacional tributária ora lançada. Esse entendimento é extraído dos seguintes fatos evidenciados no Relatório Fiscal: “[...] 4.22. Permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A – SPTrans – a gestão financeira das receitas e despesas do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros, com base no art. 39 da Lei nº13.241/2001, devendo a empresa manter contas bancárias específicas, destinadas exclusivamente a este fim. Também são firmados contratos entre a Prefeitura do Município de São Paulo, representada pela Secretaria Municipal de Transportes – SMT e a SPTrans, para prestação de serviços especializados de gerenciamento, fiscalização, administração e engenharia de transporte, compreendendo a manutenção do sistema de pagamento aos operadores do sistema de transporte coletivo urbano de passageiros (ANEXO IX). 4.23. A SPTrans é responsável pelo pagamento das remunerações das concessionárias que operam no sistema de transporte coletivo, sendo que os valores são publicados mensalmente nos “Relatórios das Receitas e Despesas – Sistema de Transporte Coletivo” , em obediência à Lei nº11.379, de 17/06/93, e podem ser consultados no sítio da SPTrans na internet. 4.24. Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. 4.25. Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. 4.26. Os pagamentos às Concessionárias que prestam os serviços de transporte coletivo público de passageiros no município de São Paulo eram lançados na contabilidade da Fl. 821DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 7 11 SPTrans, na conta “Sistema Municipal de Transportes Coletivos”, identificada pelo código 2.1.52.01. À partir de 10/2006, tais pagamentos passaram a ser lançados na conta “STCUP Sistema de Transportes Coletivo Urbano de Passageiros”, identificada pelo código 2.1.53.01. O valor de cada consorciada, a ser depositado nas respectivas contas bancárias, está discriminado nos “Demonstrativos de Valores Remunerados por Serviços Prestados”, juntados, por amostragem, no ANEXO XII. 4.27. Também foram apresentados os arquivos digitais (planilhas) demonstrando o valor das remunerações pagas mensalmente a cada um dos consórcios (ANEXO X), devidamente autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – SVA, conforme recibo de 20/09/2011 (recibos no ANEXO XI). As planilhas serão tratadas no próximo item, referente à apuração do crédito. 4.28. A forma de remuneração das concessionárias foi distinta em etapas ou períodos determinados, em função da vigência dos dispositivos contratuais, que foram sendo alterados ao longo do tempo, conforme disposto na Cláusula SÉTIMA do Contrato de Concessão e Termos de Aditamento subseqüentes, que tratam da remuneração (Contrato nº 701/03 – SMT.GAB, assinado em 21/07/2003 e aditivos – ANEXO VI): 4.28.1. O valor da remuneração nos serviços regulares corresponde ao produto de dois fatores: a) o valor da remuneração ofertada em sua proposta comercial; b) o número de passageiros registrados. Tais valores são ajustados, nos termos do contrato e seus aditivos, considerando o Índice de Integração e o Índice de Gratuidade, dentre outros critérios contratualmente e legalmente previstos. 4.28.2. O número de passageiros transportados deve ser registrado em sistema de controle das permissionárias, aferido pela SPTrans (validadores e catracas eletrônicas nos veículos e sistemas de transmissão dos dados). 4.28.3. Os Termos de Aditamento determinam, dentre outras coisas, a instalação de equipamentos de monitoramento embarcado – AVL, em toda a frota. Definem, também, o atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, bem como plano para obtenção da certificação de qualidade. 4.28.4. As operações são remuneradas considerando, além da remuneração por passageiro, um complemento em função da renovação de frota com idade superior ao limite contratual. Em relação à quantidade de passageiros, além dos pagantes registrados, considerouse, também, na fórmula da remuneração, os passageiros integrados e os gratuitos registrados. Assim sendo, passaram a ser considerados, para a obtenção do valor total da remuneração, o “Fator de Integração – FI” e o “Fator de Gratuidade – FG”. [...]” Fl. 822DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Neste particular referente aos pagamentos realizados pela empresa São Paulo Transportes S/A (SPTrans), evidenciase ainda que faltou o requisito material da hipótese de incidência da contribuição previdenciária, incidente sobre a prestação dos serviços realizados por meio de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, já que o Município de São Paulo (Recorrente) não realizou diretamente os pagamentos aos prestadores de serviços, visto que ele não estava obrigado a realizar tal intento. Logo, não estão materializados os elementos (requisitos) suficientes para caracterizar o instituto da prestação de serviços por cooperados ao Interessado (Município de São Paulo/SP), prevista no inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, eis que não ficou comprovado nos autos que os trabalhadores estariam submetidos a execução direta de serviços do próprio Interessado (Município de São Paulo/SP), e não do cedente (empresa privada ou consórcio de empresas, designados de permissionários). Ou de outra maneira, não houve a materialização de que os trabalhadores foram colocados à disposição do poder público contratante (Município de São Paulo/SP), para a prestação do serviço público de transporte urbano coletivo, previsto no contrato administrativo de permissão, diretamente pelo Município de São Paulo. Por sua vez, a meu ver, nem mesmo a simples indicação de que o serviço está relacionado como prestado por intermédio de cooperativa de trabalho, seja pela Lei, seja pelo Decreto (no caso em tela o inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991), retira a necessidade de o Fisco agir em conformidade com o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), demonstrando a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição, mediante a caracterização clara e precisa da presença da cessão de mão de obra na prestação dos serviços de transporte urbano coletivo. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Com isso, percebese que o Fisco deixou de fundamentar a execução de serviços por meio de cooperados no Relatório Fiscal, eis que neste documento não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo o que deve se defender. Logo, não vejo outra solução, senão concorda com a decisão de primeira instância, pois não restou devidamente configurada a ocorrência do fato gerador, conforme ficou consignado no Voto do Relator. Diante do exposto, no que tange ao reexame necessário (recurso de ofício), a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, eis que ela está em conformidade com a legislação jurídicotributária de regência. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 8 13 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Tratase de auto de infração com base no disposto no artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social, que determina que o contratante de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve recolher 15% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação desses serviços. No caso, discutese a obrigatoriedade da Secretaria Municipal de Transporte do Município de São Paulo em efetuar o recolhimento da contribuição substitutiva da quota patronal das cooperativas, representada pelos 15% sobre os valores por ela, contratante, pagos às cooperativas de trabalho que prestam serviço público de transporte coletivo de passageiros, tudo conforme o relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Do exame do auto de infração, do acórdão da impugnação ao lançamento e do recurso de ofício acostado aos presentes autos, entendemos que o cerne da questão a ser debatido se desdobra em um ponto principal: o cabimento da prestação de serviços por meio de cooperados de trabalho na concessão ou permissão de serviços públicos, transporte coletivo de passageiros no caso em concreto do presente processo administrativo tributário. Diante dessa premissa, e partilhando da opinião que o Direito Tributário é um direito de superposição, encaminharemos o presente voto com a preliminar análise jurídica do contrato de concessão de serviços públicos e sua compatibilidade com o instituto da prestação de serviços terceirizados. Na seqüência, partindo da cópia de instrumento da concessão acostado aos autos, analisaremos se as premissas jurídicas que embasam o contrato de concessão de serviços públicos compatibilizam com as disposições do artigo 22, inciso IV, da Lei de Custeio da Previdência Social e se aplicam ao contrato em apreço. Em caso positivo, avançaremos na verificação fática, para, enfim, concluir ou não pela procedência do lançamento, consoante as provas acostadas pelo Fisco aos autos. A concessão e a permissão de serviços públicos, previstas no artigo 175 da Constituição Federal, foi regulamentada pela Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, que em seu artigo 2º, apresenta os conceitos legais sobre os institutos: Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; III concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante Fl. 825DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 9 15 licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; IV permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. (sublinhamos) Depreendese, do texto legal, que a concessão e a permissão de serviço público são a transmissão para que o particular preste esse serviço, por sua conta e risco, durante prazo determinado. Tal outorga deve se dar sempre por contrato (artigo 4º da Lei nº 8.987), e ser precedida de licitação. O contrato de concessão de serviço público deve conter as cláusulas essenciais arroladas no artigo 23, dentre as quais destacamos: o objeto e a área da prestação; o prazo da concessão; a forma e condições de prestação do serviço; os critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; o valor e os critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; os direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; etc. Importa ressaltar que, por força do artigo 40 da mesma Lei nº 8.987/95, tais disposições igualmente se aplicam ao contrato de permissão. As cláusulas essenciais mencionadas, dentre tantas outras, são exemplos dos poderes reservados pela lei à Administração Pública quando da concessão de serviços que por ela poderiam, ou deveriam, ser prestados por serem “necessidade de interesse geral dos administrados”1, em face de seu caráter de serviço público. Maria Sylvia Zanella Di Pietro2 ensina que “é o Estado, por meio da lei, que escolhe quais as atividades que, em determinado momento, são consideradas serviços públicos” e que, no caso brasileiro, por vezes a própria Carta escolhe, como o faz quanto ao transporte coletivo (CF, artigo 30, V). Assim, podemos afirmar que decorre do interesse geral na fruição dos serviços e do fato de ser prestado pela Administração Pública, que os contratos de concessão, ou de permissão, dos serviços públicos ao particular possuam cláusulas e condições que exorbitam àqueles firmados no âmbito privado, entre particulares. Essas condições e cláusulas são chamadas de exorbitantes. Tratando das cláusulas exorbitantes Maria Sylvia Di Pietro explicita que estas “conferem ao concedente os poderes de alterar e rescindir unilateralmente o contrato, fiscalizar a sua execução, aplicar penalidades...”3, isto é, caracteriza o poder contratual exorbitante a unilateralidade das decisões, no limite da lei e do contrato referente à concessão. 1 Serviço público, segundo Diógenes Gasparini, no sentido material é “uma função, uma tarefa uma atividade da Administração Pública, destinada a satisfazer as necessidades de interesse geral dos administrados” (GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 293) 2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 20 ed. São Paulo: Ed. Atlas, 2007. p.89. 3 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. ob. cit. p. 273. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Apoiados nos conceitos acima expostos, podemos dizer que o contrato de concessão de serviço público é aquele que enseja a delegação da prestação de determinado serviço – previsto na lei como público – ao particular, para que este o execute, por sua conta e risco , durante todo o prazo contratualmente previsto, mediante retribuição por meio de tarifa (paga pelo usuário do serviço público). Os contratos administrativos de concessão e o de permissão, outorgam à Administração Pública poderes para – unilateralmente – alterar ou rescindir o contrato e ainda fiscalizar sua execução, aplicando, ela própria, penalidades quando for o caso. Perquirindo os pontos essenciais da definição acima, encontramos a questão da execução e a assunção dos riscos pelo concessionário/permissionário dos serviços públicos, e a forma de remuneração (tarifa paga diretamente pelo usuário). Dito de maneira diversa: cabe ao concessionário/permissionário a execução do serviço público, assumindo ele, todos os riscos desta execução e sendo remunerado por tarifa, que lhe é paga diretamente pelo usuário do serviço que ele presta em nome da Administração. Completa nossa identificação dos pontos essenciais, o entendimento de Lucas Rocha Furtado4 sobre os requisitos necessário à prestação de serviços públicos sob regime de concessão, que transcrevemos pela clareza: “1. deve tratarse de serviço privativo do Estado, definido na Constituição Federal ou em lei como serviço público 2. o serviço a ser delegado deve admitir a sua exploração em caráter empresarial, em que as receitas auferidas pelo concessionário sejam suficientes para cobrir as despesas necessárias à prestação; 3.o serviço deve ser prestado à população, sendo o concessionário remunerado pelo usuário por meio de tarifa; 4. devese tratar de serviço ‘uti singuli”; e 5.a existência de lei ou dispositivo constitucional que autorize a delegação do serviço à concessionária.” (negritamos) Cotejando as características do contrato de concessão, ou de permissão, de serviços públicos com os requisitos essenciais para a concessão/permissão, encontramos a execução dos serviços pelo concessionário/permissionário (assim entendida a prestação por sua conta e risco), e a remuneração por tarifa, paga diretamente pelo usuário. Ao se analisarmos a concessão, ou a permissão, de serviços de transporte público municipal, veremos que, em tese, tal concessão atende aos requisitos essenciais, extraídos da lei, acima observados. Observase que há disposição constitucional (CF, art. 30, V) que definindo o transporte público urbano com serviço público, permite que ele seja prestado por meio de contrato de concessão ou de permissão. O concessionário/permissionário teria condições de prestar o serviço sob sua conta e risco, sendo remunerado por tarifa. Mas, será que é isso que ocorre no caso em apreço? Vejamos. O termo de permissão, acostado aos autos, dispõe em sua cláusula QUARTA que os serviços serão prestados pelos operadores autônomos, indicados pelo licitante. Após descrever as obrigações ordinárias de um típico contrato de permissão, determina que o 4 FURTADO, Lucas Rocha. Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2007. p.553. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.720417/201178 Acórdão n.º 2402003.885 S2C4T2 Fl. 10 17 permissionário deverá se compor com o concessionário da mesma área para garantir a integração operacional entre as linhas estruturais e as locais, estas de responsabilidade de operação dos permissionários. A leitura atenta desta cláusula nos comprova que a operação do sistema de transporte público local se desenvolve sob a responsabilidade do permissionário, cabendo à Administração Pública, por meio da SPTrans, gerenciadora dos serviços por delegação da SMT. Com essa verificação, nos resta analisar a forma de remuneração, uma vez que, segundo visto acima, a execução dos serviços na permissão ou concessão de transporte público deverá ocorrer por conta e risco do permissionário ou concessionário, conforme o caso. A forma da remuneração está estabelecida na cláusula quinta do termo de permissão (fls 130 do DOCC 1 do processo digitalizado), e é calculada somente pela quantidade de passageiros catracados multiplicada pelo valor da tarifa estipulada. Ora, tal forma de remuneração demonstra que o risco da prestação de serviços de transporte público é imputado ao permissionário, uma vez que ele está adstrito ao cumprimento da prestação do serviço de transporte de passageiros dentro da área da cidade denominada área local, nas condições constantes do termo de permissão, percebendo por esses serviços tarifa, determinada em contrato, por passageiro efetivamente transportado. Importa, para firmarmos nossa convicção, a existência do risco inerente ao serviço público delegado ao particular no contrato de concessão ou permissão especificamente quanto à relação entre o poder concedente e o permissionário, uma vez que este está substituindo aquele, no sentido da efetiva (total e completa) prestação do serviço ao particular, ao usuário. Nessa hipótese, o que ocorre de fato é que a Administração Pública se socorre do particular para a realização do serviço, restando à Administração Pública o gerenciamento, fiscalização e organização do serviço. É isso o que se verificou no termo de permissão acostado. Por meio da Secretaria Municipal de Transportes, houve a contratação de cooperados para a prestação de serviços do transporte coletivo, por intermédio de uma cooperativa de trabalho, porém seguindo as determinações do poder público, que gerencia, fiscaliza, administra. Agora, por todo o exposto, e pelo que se observa e se comprova pelos documentos acostados ao presente processo administrativo tributário, é que – no caso em apreço –há a efetiva substituição do Poder Público Municipal na prestação de serviços de transporte público de ônibus em São Paulo. Logo, verificado que na presente permissão de serviços públicos o permissionário substitui o concedente, ou seja, presta o serviço assumindo o risco e sendo remunerado diretamente pelo usuário, por tarifa, tornase incabível, a substituição tributária incidente na contratação de serviços por meio de trabalho cooperado, uma vez que a efetiva prestação, no caso em concreto, foi realizada para o usuário. Por todo o exposto, e pelas provas acostadas ao Auto de Infração, concluise que a Administração Pública contratou, por meio de permissão de serviço público, Fl. 828DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 cooperativas de trabalho para que estas prestassem diretamente aos usuários os serviços especificados no termo de permissão. Em conclusão, entendo ser indevida a contribuição de 15% sobre os valores da nota fiscal/fatura de serviços prestados por meio de cooperativa de trabalho no caso da contratação, por meio do contrato de permissão anexado, de empresa prestadora de serviços de transporte público de passageiros. Por fim, em conclusão, voto no sentido de CONHECER o recurso de ofício para negarlhe provimento. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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