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Numero do processo: 14074.000946/2008-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa.
Numero da decisão: 1003-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para redução do valor da multa aplicada, nos termos do art. 30 da Lei nº 11.727/2008.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa.
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DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. BENEFÍCIO DO DA LEI N.º 11.727, DE 2008. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. É requisito para redução da multa, na forma do art. 30 da Lei n.º 11.727, de 2008, que a declaração fosse entregue, pela associação sem fins lucrativos, até 31/12/2008. Cumprida tal condição, até o limite temporal fixado na norma, se configura o direito à redução à 10% (dez por cento) do valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para redução do valor da multa aplicada, nos termos do art. 30 da Lei nº 11.727/2008. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 07 4. 00 09 46 /2 00 8- 82 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 14074.000946/200882 Acórdão n.º 1003000.333 S1C0T3 Fl. 42 2 (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 0331.032, de maio 2009, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSA, às fls. 2425, julgando procedente o lançamento (fls. 16) da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, do ano calendário de 2006, no valor de R$ 200,00 nos moldes da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCFT na forma em que foi consignada no auto de infração.. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, às fls. 2932, argumentando, em síntese: (i) que faz jus ao desconto de 50% (cinquenta por cento) aplicado sobre o valor da multa mínima (R$ 200,00), para pagamento à vista, correspondendo a mesma a R$ 100,00 (cem reais), e, (ii) ainda, à redução dessa quantia ao montante de 10% (dez por cento), benefício de previsto na Lei nº 11.727/2008, ou seja, o crédito tributário, efetivamente devido, seria de apenas 10,00 (dez reais), cujo, recolhimento, inclusive, já fora efetuado (fls. 15). É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 14074.000946/200882 Acórdão n.º 1003000.333 S1C0T3 Fl. 43 3 O recurso voluntário, de fls. 29/32, apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Ademais, conforme mencionado no relatório, versam os autos sobre a aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao ano calendário de 2006. Tal penalidade pecuniária aplicada foi de R$ 200,00, multa mínima prevista no art. 7°, § 3°, inciso I da Lei n° 10.426/20021. Cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, mas sim o montante devido, o qual seria, em seu entendimento, somente 10% do valor para pagamento à vista (desconto de 50%, vide fls. 16), ou seja, R$ 10,00, visto ser ela pessoa jurídica inativa, com fulcro na Lei n° 11.727/2008, art. 30, que assim reza: "Até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o § 3o do art. 7o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, quando aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o disposto em um dos incisos do § 2o do mesmo artigo, será reduzida a 10% (dez por cento)".(Grifouse). Analisando a legislação, entendo que assiste razão à Recorrente no tocante à redução a 10% do valor lançado, pois os requisitos para gozo deste benefício foram por ela cumpridos, quais sejam: a) ser associação sem fins lucrativos (vêse pelo estatuto a fl. 07); b) que o anocalendário de declaração entregue em atraso seja até 31.12.2008 ( caso em análise a DCTF referese ao ano calendário de 2006), e, c) apresentada após o prazo legal, mas antes de qualquer procedimento de ofício (DCTF enviada em10/11/2008, fls. 17). . Ademais, em que pese a penalidade tributária aplicada ser referente ao ano calendário de 2006, portanto, anterior à data da vigência da Lei n° 11.727/08), é certo que art. 106, II, "c" do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados, como o presente, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a fato ou ato perfeito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como indicação; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 1 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 14074.000946/200882 Acórdão n.º 1003000.333 S1C0T3 Fl. 44 4 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(Destacouse) Dessa forma, o mencionado dispositivo possibilita que a penalidade mais severa decorrente da lei vigente na data da ocorrência do fato gerador, seja substituída por uma menos severa, advinda da lei nova, como caso em voga. Assim, a Recorrente tem direito à redução do valor da multa, objeto do lançamento, na forma disposta no art. 30, da Lei n° 11.727/2008. Logo, a Recorrente, faz jus a tal benefício que deve incidir sobre o valor formalizado originalmente no lançamento, levandose em consideração a redução de 50% (cinquenta por cento). para pagamento à vista, prevista no próprio auto de infração (vide fls. 16). Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para redução do valor da multa aplicada, nos termos do art. 30 da Lei nº 11.727/2008. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901701/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2009
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2009
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/06/2009 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/06/2009 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 17 01 /2 01 3- 61 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte afirmou que o direito creditório decorria do alargamento da base de cálculo da Contribuição (PIS/Cofins) introduzido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o então Manifestante, no recolhimento da contribuição devida no período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento, relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.145, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação do direito creditório compensado, cujo ônus recai sobre o interessado, a quem cabe a demonstração da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em breve síntese, o que segue: a) a discussão sobre a existência de direito de créditos da contribuição incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada; b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972; c) foi apresentado documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.417, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10580.900074/201341, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.417): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 5 4 posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 6 5 Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manifestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 7 6 identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10580.901701/201361 Acórdão n.º 3301005.422 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.000268/97-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 00 26 8/ 97 -6 1 Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 509 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Mediante petição de fls. 01 do presente processo, protocolizada em 31/03/97, pleiteia a contribuinte a compensação de créditos de IRRF sobre aplicações financeiras (código 3426), no valor de R$ 143.002,91, com débitos dos tributos de código 2484 e 2362, dos períodos de apuração 1996 e 02/97. Em atendimento à solicitação de fl. 9, a interessada instruiu os autos com documentos de fls. 10/42, esclarecendo, à fl. 17, que o valor do crédito se origina do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, no valor de R$ 269.205,51, cujo saldo, após compensação com o IR devido, perfaz o montante de R$ 240.310,96, nos termos do Balanço Patrimonial de 31/12/96 e da DIRPJ/97, em anexo. Na oportunidade, apresentou novos pedidos de compensação (fls. 10/15), protocolizados em 18/08/97, para extinção de débitos dos tributos de código 2362, 2484, 8109 e 2172, dos períodos de apuração 01/97 a 07/97, com crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, no valor total de R$ 75.763,38. Em 19/08/97, protocoliza outro pedido de compensação, para extinção de débitos dos tributos de código 2362 e 2484, do período 07/97, com crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, no valor de R$ 8.120,67 (fls. 43/44). Em atendimento à intimação de fl. 47, expedida para fins de comprovação do IRRF de R$ 269.205,51, lançado na DIRPJ/97, Ficha 08, item 15, a interessada anexa os documentos de fls. 52/96 e novamente apresenta pedido de compensação, protocolizado em 10/09/97, para extinção de débitos dos tributos de código 2172, 8109, 2362 e 2484, do período 08/97, também com crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, no valor de R$ 9.132,95 (fl. 49). Em 27/10/97, 10/11/97, 27/11/97, 17/12/97 e 03/02/98, protocoliza mais pedidos de compensação (fls. 99/111), para extinção de débitos dos tributos de código 2172, 8109, 2362 e 2484, dos períodos 09/97 a 12/97, ainda com crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, no valor total de R$ 166.776,79. Intimada a apresentar os esclarecimentos constantes do Relatório Fiscal de fls. 113/138, prestou a contribuinte as informações de fls. 142/185, as quais abrangem a retenção de imposto na fonte desde o anobase de 1991. Por força da intimação n° 44/2002 (fl. 199), a interessada apresentou a certidão de fl. 207, para regularização do CNPJ n° 65.030.934/000111. E, em atendimento à intimação de fl. 209, procedeu à juntada aos autos dos Pedidos de Restituição de fls. 211/216, protocolizados em 23/07/02, relativo ao valor líquido do IRRF sobre aplicações financeiras dos anoscalendário de 1990 a 1993, 1995 e 1996, nos valores respectivos de R$ 0,29; R$ 2,96; R$ 1,52; R$ 12.286,80; R$ 265.037,50 e R$ 166.993,40. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 510 3 Conforme Parecer SEORT/DRF/OSA n° 0111/2002, de fls. 254/257, a solicitação da contribuinte foi deferida em parte pelo chefe do Seort Serviço de Orientação e Análise Tributária, com base nos seguintes fundamentos, em síntese: "(...) 1.DO HISTÓRICO DO PLEITO No pedido de compensação de fl. 01 temos que foi solicitado crédito no valor de R$ 143.002,91 tendo como origem IR retido na fonte sobre aplicações financeiras. Nenhum demonstrativo ou comprovação foi apresentado. À fl. 09 temos que o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo e a comprovar a origem do crédito, sendo que em 19/08/97 o contribuinte esclarece que o crédito pleiteado é parte do saldo negativo de IR apurado na DIRPJ Exercício 97 que teve como período de apuração 01/05/96 a 31/12/96 (fls. 17 e 19). O contribuinte apresentou nesta data apenas cópia desta DIRPJ, demonstrando que a origem do crédito pretendido é o saldo de IR negativo apurado nesta DIRPJ. Novamente intimado a comprovar a origem do crédito pleiteado (fl. 47), o contribuinte por fim apresenta cópias dos comprovantes de retenção de IR na fonte e outros documentos, todos referentes ao ano calendário 1996, anexos às fls. 54 a 96. Considerando ter sido o presente processo protocolizado em 31/03/97, portanto já na vigência da IN SRF 21, de 10/03/97, foi o contribuinte intimado a formalizar pedido de restituição, conforme Intimação Seort/DRF/OSA n° 65, de 1°/07/02 acostada à fl. 209, tendo apresentado o documento de fl. 211, no qual retifica o valor do crédito solicitado inicialmente para R$ 166.993,40. Por ocasião da intimação acima citada, que visou o saneamento formal, o contribuinte apresentou os pedidos de restituição de fls. 212 a 216 que deixo de analisar por serem estranhos ao pleito objeto do presente processo uma vez que não estão contidos no pleito/demonstrativo/comprovações acima referidos. Por oportuno observo que tais pedidos são intempestivos pois datam de 23/07/2002 e versam sobre os períodos de apuração 1990, 1991, 1992, 1993 e 1995. Abaixo transcrevo o Ato Declaratório SRF n° 96/99, de 26/11/99, que com base no Parecer PGFN/CAT/n° 1.538/99 reitera em seu inciso I o termo inicial do prazo decadencial/qüinqüenal determinado pelo CTNpara pleito de restituição: (citação) 2.DA ANÁLISE DO PLEITO Inicialmente relato que os comprovantes de retenção apresentados para o período de apuração 01/05/96 a 31/12/96 têm como beneficiários a empresa solicitante e as empresas incorporadas por esta em 02/01/96 conforme consta de suas DIRPJ de incorporação: USINA MACAUBAL LTDA, CNPJ 61.030.276/000107 (fls. 186 a 189), DANESI AGROPECUÁRIA LTDA, CNPJ 44.796.704/000198 (fls. 190 a 192) e NLE EMPREENDIMENTOS E ADMINISTRAÇÃO S/C LTDA, CNPJ 65.030.934/000111 (fls. 193a 205). Sobre esta última empresa cabe informar que foi procedida à Intimação Seort/DRF/OSA n° 44, de 08/05/02, para regularização da empresa perante o cadastro CNPJ, sendo que a regularização confirmou a incorporação. Observo ainda que alguns dos comprovantes apresentados não contêm informação sobre o período de apuração em questão e ainda que outros estão em duplicidade. Considerando que anexo às fls. 226 a 252 telas do sistema IRF/CONS que apresentam as informações declaradas em DIRFpelas empresas retentoras a fim de confirmar as informações das cópias dos comprovantes de retenção de IR apresentados, à exceção da cópia de fl. 79 (vide cópia do Memorando n° 56, de 09/08/2002 acostada à fl. 253). (demonstrativos) CONSOLIDAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DOS COMPROVANTES DE IR RETIDO NA FONTE (referente ao período de apuração 01/05/96 a 31/12/96) REND.BRUTO IRRFONTE DANESI AGRO 133.857,26 17.795,82 USINA MACAUBAL 19.335,98 2.903,39 NLE 92.425,68 12.757,90 Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 511 4 DANESI 1.649.820,17 231.816,69 TOTAIS 1.895.459,09 265.273,80 Observandose a Ficha 08 Cálculo do Imposto de Renda referente ao período de apuração 01/05/96 a 31/12/96 acostada à fl. 26 e a consolidação constante na planilha acima temos o demonstrativo do saldo do IR apurado no período em questão, uma vez que o valor das receitas financeiras oferecidas à tributação no período é compatível com a somatória dos rendimentos brutos dos comprovantes apresentados (fl. 24). DEMONSTRATIVO DO SALDO DE IR (referente ao período de apuração 01/05/96 a 31/12/96) IR DEVIDO (25% + ADICIONAL) 31.158,15 DeduçãoPAT 1.131,80 DeduçãoVale Transporte 1.131,81 IRFONTE 265.273,80 SALDO DE IR () 236.379,26 Concluindo temos que foi comprovado saldo de IR negativo referente ao período de apuração maio a dezembro de 1996 em montante superior ao valor pleiteado pelo que proponho o reconhecimento do direito creditório conforme solicitado no presente processo. (carimbo) Despacho Decisório SEORT/DRF/OSA Com base no Parecer supra que aprovo, DECIDO reconhecer à ARTEFATOS DE BORRACHA DANESI LTDA o direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor de R$ 166.993,40 (cento e sessenta e seis mil, novecentos e noventa e três reais e quarenta centavos) referente a parte do saldo negativo de IR apurado no período de 01/05/96 e 31/12/96. (...) "(destaques acrescidos) Ciente em 02/10/2002, conforme Comunicado de fl. 258 e respectivo AR de fl. 259, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade de fls. 262/264, em 31/10/02, acompanhada dos documentos de fls. 265/544, contra o mencionado Parecer que deferiu parcialmente o pleito. Entende que os pedidos de compensação foram decididos parcialmente, desconsiderando parcelas importantes do pleito, "não constituindo os direitos líquidos e certos aos créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte no ano de 1995, no período de Janeiro a Abril de 1996 e saldos de retenções ocorridas constantes de nossa posição em 31/12/94" Justifica, em suas palavras: "Em 31/03/97 foi apresentado, recepcionado e protocolado pela Agência da Receita Federal em Barueri, nosso Pedido de Compensação no valor de R$ 143.002,91, o qual mesmo estando em desacordo com a IN.SRF. 21 de 10/03/97, recebeu o número de identificação 13896.000268/9761, posteriormente em 10.09.97; 27.10.97; 10.11.97; 27.11.97; 17.12.97 e 03.02.98 novos pedidos de compensação foram recepcionados relativos a pedidos de compensações dos tributos IRPJ, CSSL, PIS e COFINS do período de apuração do ano calendário de 1997, anexados que foram ao processo acima mencionado, demonstrativo e cópias dos referidos estão em anexo, os quais identificamos para sua análise como ANEXO 01 que totalizam R$ 402.796,73. No acompanhamento do julgamento dos Pedidos de Compensação mencionados no item anterior junto ao Setor de Tributação na Delegacia da Receita Federal em Osasco, foi por este solicitado a apresentação de demonstrativos de origem para os créditos pleiteados, bem como toda a documentação e informes de rendimentos das retenções na fonte, apresentados que foram, conforme protocolo do AFTN Sr. AMAURY MACIEL em 23.03.1999, cópias dos referidos demonstrativos estão em anexo, os quais identificamos para sua análise como ANEXO 02, salientamos que deixamos de juntar os comprovantes de retenções por ser um volume considerável de documentos e em razão dos mesmos terem sido objeto de análise conforme especificado item a seguir. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 512 5 Da análise de toda a documentação efetuada pelo setor de Tributação da Delegacia da Receita Federal em Osasco, apresentada conforme mencionado no item anterior, resultou o RELATÓRIO FISCAL de 20.09.1999 elaborado pelo AFTN Sr. Amaury Maciel, que nos foi encaminhado por intermédio da INTIMAÇÃO do Chefe do Serviço de Tributação para apresentação de esclarecimentos adicionais, juntamos cópia do referido relatório e identificamos para sua análise como ANEXO 03. Em 25.11.1999, após duas solicitações de prorrogação de prazo para cumprimento da Intimação tendo em vista o volume de esclarecimentos solicitados, concedidos pela Chefia do Setor de Tributação da Receita Federal em Osasco, foram apresentados os esclarecimentos solicitados no referido Relatório Fiscal, bem como juntados novos documentos e demonstrativos para esclarecimentos que comprovavam as respectivas retenções de Imposto de Renda ocorridas desde o ano base 1991 exercício 1992 até o exercício 1997 ano base 1996, os quais juntamos a presente e identificamos para sua análise como ANEXO 04. " (destaques acrescidos) Ainda, esclarece ter procedido, nos termos das intimações recebidas, à regularização da baixa do CNPJ de uma de suas incorporadas e formalizado Pedido de Restituição individual para cada ano calendário, conforme ANEXO 05. Por tais razões, protesta pelo reexame da matéria, visando o reconhecimento do direito ao crédito Tributário não atingido pelo Parecer recorrido, assim discriminado: a)R$ 12.291,57 relativo ao saldo de IRRF a compensar em 31.12.1994,retenções comprovadas que foram; R$ 265.037,50 relativo ao líquido dos valores das retenções ocorridas no ano de 1995 no total de R$ 350.729,50, incluído suas atualizações monetárias e deduzido do IRPJ devido no ano calendário no total de R$ 85.692,00 compensado na DIPJ; R$ 224.991,24 relativo as retenções do período de janeiro a abril de 1996, uma vez que a Decisão dada pelo Parecer 0111 / 2002 contempla e reconhece apenas o líquido das retenções havidas no período de maio a dezembro de 1996 e que seja acatado o Pedido de Restituição complementar ao apresentado. Por fim, contrapõese à decisão que considera intempestivo o pedido de restituição feito em 23.07.2002, em relação aos itens "a", "b" e "c", acima mencionados, por entender que se trata de um processo em análise na Delegacia de Osasco desde seu protocolo inicial, em março de 1997, isto é, dentro da validade de seus direitos. Os Pedidos de Compensação de fls. 01 e 111 foram desentranhados dos autos e anexados aos processos de representação n°s 10882.003055/200306 e 10882.003056/200342 (fl. 597). Encaminhados os autos para julgamento, propôsse a realização de diligência para juntada de documentos não localizados no processo e que teriam sido anexados ao mesmo pela fiscalização, como mencionado no Relatório Fiscal de fls. 113/138, abaixo parcialmente colacionado: Nos termos do despacho de fl. 617, o solicitado em diligência não logrou ser atendido, mediante o seguinte fundamento: "relativamente aos Anexos "A" a "G", foram verificados os processos n°s 13896.000839/9650, 13896.000281/9720, 13896.000336/9710 e 13896.000114/9879 e constatamos que os mesmos não se encontram juntados". Mediante Acórdão DRJ/CPS n° 0514.986 4a Turma, de 24/10/2006, acolheuse a existência de erro material nos Pedidos de Restituição / Compensação, afastandose a decadência declarada pela autoridade fiscal relativa aos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 1994, 1995 e 1996 (este último, correspondente ao período de jan/96 a abr/96), diante da aceitação da formalização do pedido na data da entrega do Pedido de Compensação Original, em 31/03/1997, determinandose, em decorrência, a elaboração de Parecer Conclusivo pela autoridade competente acerca da existência dos créditos em questão: " Voto Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 513 6 A manifestação de inconformidade é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. À análise dos autos, depreendese que a interessada, em verdade, pretendia realizar compensação de débitos tributários mediante a utilização de crédito de IRRF sobre aplicações financeiras e não, propriamente, mediante utilização de saldo negativo de IR. Vejase excerto da resposta à intimação, constante de fls. 17: "Em atendimento à solicitação de V.Sas., vimos através desta informar que, a composição do crédito constante do processo em referência, no valor de R$ 143.002,91, originase de Imposto de Renda Retido na Fonte s/ nossas aplicações financeiras em vários meses, que resultou por ocasião do levantamento do nosso Balanço Patrimonial em 31.12.96, no valor total de R$ 269.205,51, que, após deduzido o imposto de renda devido relativo a este Balanço citado, ainda permanece a nosso favor, saldo de Imposto de Renda Retido na Fonte s/ aplicações financeiras no valor de R$ 240.310,96, conforme cópia da nossa Declaração Imposto Renda/97 Ano Calendário 1996 anexa à esta. Com base neste saldo demonstrado em nossa Declaração de Rendimentos, é que estamos solicitando a compensação dos impostos e contribuições discriminados no processo acima em referência. (...)."(negrejouse) Com efeito, compulsandose a DIRPJ/97, anocalendário 1996 (período 01/05/96 a 31/12/96 fls. 19/42), notase que a contribuinte incluiu na linha 15 da Ficha 08 Cálculo do Imposto de Renda PJ em Geral, o valor de R$ 269.205,51, o qual corresponde ao saldo acumulado, desde anteriormente ao anobase de 1991, do IRRF sobre aplicações financeiras, conforme se depreende dos demonstrativos acostados às fls. 52/53, fls. 143/185 e fls. 290/305. A constatação acima evidencia que a requerente fazia uso de um "contacorrente" de IRRF, deixando de observar ao regime de competência, a que se sujeitam as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, em flagrante equivoco de preenchimento da declaração, denotando incompreensão inconteste quanto à sistemática de apuração de crédito de imposto de renda. A própria fiscalização atentou para o detalhe, conforme se depreende do Relatório Fiscal de fls. 113/138: "3. Considerando que os créditos tributários consignados nas demonstrações contábeis do interessado e Constantes das declarações de rendimentos apresentadas nos exercícios acima elencados, datam de períodos anteriores a 1990, procedi um exame criterioso e minudente da evolução dos mesmos no curso do período de 1991 a 1997. (...)." (negrejouse) Em mencionado Relatório, observase que, para os anoscalendário onde se apurou prejuízo fiscal, a interessada deixou de consignar a retenção do imposto na fonte correspondente, deixando, portanto, de indicar a existência de possível saldo negativo de imposto de renda, denotando, aqui também, erro no preenchimento das declarações. O documento supra citado ainda contraria as afirmações contidas no Parecer recorrido, de que a interessada somente teria fornecido documentação comprobatória relativa ao período de 1996. Vejase o seguinte excerto do Relatório Fiscal: "Preliminarmente, e a fim de sanear o presente procedimento administrativo procedi a juntada, por anexação, dos documentos constantes dos anexos contendo demonstração da origem dos créditos, cópias das declarações de rendimentos IRPJ, documentos comprobatórios do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras, extratos da contabilidade comprovando a contabilização do IRRF retido, trazidos aos autos do processo pela interessada e NOTA TÉCNICA com informações e esclarecimentos que serão descritos neste relatório: Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 514 7 A)ANEXO "A"— Exercício de 1992 —Ano Base de 1991 numerado de 01 a 46; B)ANEXO "B" —Exercício de 1993 —Ano Base de 1992 numerado de 01 a 46; C)ANEXO "C" — Exercício de 1994 — Ano Base de 1993 numerado de 01 a 44; D)ANEXO "D" — Exercício e 1995 —Ano Base de 1994 numerado de 01 a 26; E)ANEXO "E" — Exercício de 1996 — Ano Base de 1995 numerado de 01 a 137; F)ANEXO "F" — Exercício de 1997— Ano Base de 1996 numerado de 01 a 189; G)ANEXO "G" — Exercício de 1998 — Ano Base de 1997 numerado de 01 a 91." (grifouse) Da simples leitura, verificase que a documentação foi apresentada e procura demonstrar a origem do crédito proveniente do IRRF sobre aplicações financeiras, desde o períodobase de 1991, mediante os respectivos comprovantes de retenção, inclusive. Contudo, não se encontram nos autos referidos documentos, em que pese a informação, feita pelo fiscal responsável por aquela análise, de terem sido juntados ao presente processo. Este fato, aliado à argumentação da contribuinte quanto ao regular oferecimento das provas, motivou a diligencia proposta às fls. 613/615. O imposto retido na fonte a ser compensado na declaração deve ser unicamente aquele correspondente aos rendimentos oferecidos à tributação, em mesmo período de apuração, obedecida a modalidade escolhida de tributação (mensal, trimestral ou anual), pois se trata de mera antecipação do imposto devido na competência que se encerra. Nesse contexto, o crédito de imposto de renda somente resta configurado após o confronto, ao final do período tomado como referencia, entre o valor calculado (seja positivo ou zero) e aquele efetivamente pago e/ou retido. Em razão de a pretensão da contribuinte não encontrar guarida na legislação tributária, a decisão da autoridade administrativa preparadora foi no sentido de interpretar o crédito pleiteado como sendo aquele correspondente ao saldo negativo de imposto de renda, relativo ao anocalendário de 1996, à vista da resposta oferecida à intimação, apresentada em 19/08/97, quando a interessada explicitou a origem do crédito. A determinação para o cumprimento da Instrução Normativa SRFn° 21, de 10 de março de 1997, e alterações posteriores, quanto ao preenchimento do formulário "Pedido de Restituição", visou observância de formalidade processual, tãosomente, pois do contrário, época em que implementada a condição (23/07/2002), também já se encontraria decaído o direito de reclamar o crédito objeto de deferimento (exercício 1997, anocalendário 1996 —período 01/05/96 a 31/12/96). Considerado o equivoco quanto à sistemática de apuração do crédito por parte da requerente e o critério de mera formalidade processual adotado pela autoridade preparadora, quanto ao preenchimento do formulário "Pedido de Restituição", impõese reconhecer que o crédito objeto da demanda se origina para aquém do anocalendário de 1996, restando configurada a formalização do pleito desde o nascimento do presente processo, ou seja, desde 31/03/1997, data em que formalizada a pretensão inicial da contribuinte. E é com relação a tal marco inicial, portanto, que se passa a considerar a extensão dos efeitos da decadência do direito de pleitear o reconhecimento de crédito tributário em favor da contribuinte. Nesse contexto, a DIRPJ/97 foi documento que teve, apenas, o condão de demonstrativo a instruir o pleito, onde se apôs, indevidamente, o saldo acumulado de IRRF sobre aplicações financeiras, desde anteriormente ao anocalendário de 1991. Ressaltese que no Parecer Recorrido não consta que os créditos de imposto de renda (saldo negativo), anteriores ao anocalendário de 1996, tenham sido objeto de solicitação em outro procedimento administrativo, a despeito da existência dos processos n°s 13896.000336/9710, 13896.000281/9720, 13896.000114/9879 e 13896.000839/9650. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 515 8 O direito de o sujeito passivo pleitear a restituição do tributo pago a maior extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 165, inciso I, combinado com o artigo 168, caput e inciso I, ambos do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966). E na hipótese de lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário operase com o pagamento antecipado, segundo expressamente preceitua o CTN, artigo 150, §1 °. Assim sendo e, considerandose que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação os efeitos da extinção do crédito tributário operamse desde o pagamento antecipado pelo sujeito passivo, inclusive o de iniciar à contagem do prazo qüinqüenal para repetição do indébito, tendo sido protocolizado o pedido em 31/03/97, forçoso reconhecer que já havia decaído o direito de pleitear a restituição do crédito de imposto de renda (saldo negativo) relativo ao ano calendário de 1991 e anteriores. A conclusão alcançada é a mesma, ainda que se adote posição mais conservadora, segundo a qual se considera a formalização do pedido de restituição quando da regular demonstração da origem do crédito, em 19/08/97. Merece guarida, portanto, o pleito da contribuinte, para reexame da matéria relativa aos períodos 31/12/1994, 31/12/1995 e 01/01/1996 a 30/04/1996, sendo este o único ponto do Parecer contestado pela recorrente, já que nada contrapôs, na defesa apresentada, com relação ao crédito concedido pela autoridade recorrida relativo ao período 01/05/1996 a 31/12/1996. Diante de todo o exposto, voto no sentido de receber a manifestação de inconformidade, por tempestiva, para DEFERIR A SOLICITAÇÃO, unicamente para AFASTAR A DECADÊNCIA do direito de pleitear a restituição do saldo negativo de imposto de renda relativo aos anoscalendário de 1994 e 1995 e ao período de apuração 01/01/1996 a 30/04/1996, determinandose o retorno do processo à DRF de origem, para elaboração de Parecer Conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório dos períodos citados, bem como quanto às demais compensações pleiteadas pela contribuinte, à vista dos elementos de prova já fornecidos, discriminados no Relatório Fiscal de fls. 113/138, constantes dos Anexos "D " a "F ", os quais devem ser devidamente acostados ao presente processo. " Em atendimento, elaborouse a Informação Fiscal, abaixo, devolvendose os autos para julgamento: Sr. Chefe Em atendimento ao Acórdão n° 0614.986 da 4a Turma cia DRJ/CPS e ao Oficio n0 24/PSFN/OSA/DiDE, procedemos á verificação dos processos físicos para localizar os documentos referentes aos anexos "D" a F conforme relatado á fl. 712 do processo em: epígrafe, para a conclusão da análise solicitada. Em consonância com o Despacho de fls, 817 do processo em epígrafe, exarado peia DRF Qsasco, constatamos que os mesmos não se encontram de fato juntados ao processo em epígrafe ou aos processos 13898.000839/9650, 13896.000281/9720, 13896.000336/9710 e 13898.000114/9879, seja em meio digital ou físico.. Sendo assim, foi expedida intimação (fL 773/774 do processo digitai em epigrafei na tentativa de suprir a ausência dos referidos documentos, para a qual não obtivemos resposta do interessado. Tendo em vista a ausência dos documentos e que não há dados sobre retenções em nossa base de dados para o período a ser analisado, não dispomos de informação suficiente para emitir parecer conclusivo sobre o processo 13896.000268/976, relacionado a inscrições em Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 516 9 Dívida Ativa que constam nos processos 10882.003055/200306 e 10882.003056/200342, Ante o exposto, proponho o encaminhamento do processo em epígrafe para a DRJ Campinas, bem como encaminhamento á PSFN Osasco dos dossiês n° 10010.020354/011474, 10010.028000/061491, 10010. 034389/081430, bem corno dos processos n° 10882.003055/200306 e 10882.003056/200342, para prosseguimento. À fl. 781 consta ofício da ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em Osasco, determinando a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial (Mandado de Segurança n° 2004.61.00.011588), bem como seja ela informada quando findo o presente trâmite administrativo. A 15ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão que recebeu a ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1994, 1995, 1996 DCOMP. SALDO NEGATIVO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os Pedidos de Compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos na legislação tributária vigente. Considerandose que a data de início da contagem do prazo qüinqüenal é a data da protocolização do pedido na RFB, reconhecese o transcurso do prazo de homologação tácita em relação aos Pedidos de Compensação protocolizados entre 31/03/97 a 10/09/97, à vista da ciência do Despacho Decisório em 02/10/2002, devendose utilizar o direito creditório reconhecido na extinção dos débitos neles declarados, não se podendo cobrar eventual saldo de débito remanescente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1994, 1995, 1996 DCOMP. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÃO. IRRF. As retenções relativas a rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, iniciadas em 1º/01/1993 e existentes em 31/12/1994, são tributadas exclusivamente na fonte. A partir de 1º/01/1995 as retenções incidentes sobre rendimentos de aplicações financeiras constituem antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, somente sendo dedutíveis quando oferecidos os rendimentos correspondentes à tributação no período de apuração Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 517 10 competente e desde que apresentado o “Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados”. À falta de escrituração regular indicativa da tributação dos rendimentos de aplicação financeira e/ou à vista do registro do valor do rendimento líquido do imposto, não se admite a dedução do IRRF na composição do saldo negativo do anocalendário 1995. Verificada a compensação sem processo para extinção de débitos de IRPJ mediante utilização de crédito de saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, cujo ano de origem do indébito utilizado deixou de ser informado, não se confirma a disponibilidade do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1996 (cisão período 01/01/96 a 30/01/96). Indeferido o direito creditório, não se homologam as compensações dele decorrentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão em 15/02/2007 (fls. 125), a interessada interpôs o recurso no dia 16/03/2007 (fls. 182), É o relatório. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 518 11 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. Fatos Em 1997, a Recorrente verificou a existência de créditos de IRRF sobre aplicações financeiras, não aproveitados, lançados em sua contabilidade. A Recorrente, então, realizou diversas compensações para liquidação desse crédito, mediante protocolo de 9 (nove) pedidos de compensação com diversos débitos correntes, entre 31/03/1997 e 03/02/1998, que totalizavam, o montante geral de R$ 402.796,70, conforme demonstra a planilha a seguir reproduzida: Entre a data do primeiro e do último protocolo, a Recorrente foi diversas vezes intimada pela Fiscalização, a fim de apresentar documentos que comprovassem o direito creditório e esclarecessem sua origem, inclusive a transferências de créditos de IRRF realizadas em 1996, face a realização de cisão e a incorporação de outras 3 empresas do mesmo grupo econômico. Esclareceuse, ainda, que os valores de IRRF pretendido eram, a bem da verdade, a soma das retenções sofridas entre aos anos calendários de 1991 e 1996; não utilizados anteriormente pela Recorrente e registrados em sua contabilidade. Cumpre destacar que, após a apresentação desses documentos e de diversos outros, houve elaboração de Relatório Fiscal de fls. 119 e segs, fruto de análise criteriosa e que exaustivamente concluiu pela existência de grande parte do direito creditório da Recorrente, mas não pela integralidade diante da constatação de certas divergências entre os registros contábeis e alguns extratos bancários apresentados pela Recorrente. Feitos novos esclarecimentos e diante da atipicidade do procedimento adotado para apuração do crédito, já que a Recorrente o acumulou ao longo dos anos e o pleiteou sem Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 519 12 segregar o IRRF por competência, o Fisco restou por intimar a Recorrente (fls. 215) para sanar a irregularidade, mediante protocolo de pedidos de restituição dos mesmos créditos, conforme tabela abaixo, apenas para lastrear as compensações já requeridas entre 31/03/1997 e 03/02/1998 (valores em CR$ foram convertidos para Reais): Muito embora tenha atendido à exigência de protocolar os pedidos de restituição e de ter apresentado à Fiscalização todos os documentos e informações que dão suporte ao seu direito creditório, a Fiscalização (fls. 261 e segs) restou por reconhecêlo até o limite de R$ 166.993,40 (Parecer SEORT/DRF/OSA nº: 0111/2002). Contudo, a Recorrente afirma que o crédito apurado de maneira estanque entre maio e dezembro de 1996 (após a cisão), seria nesse valor, mas que adicionado às retenções sofridas em anos anteriores, até abril de 1996, resultaria o montante de R$ 669.308,94, assim cindido: Diante do reconhecimento parcial do direito creditório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade cujo julgamento, realizado pela 4a Turma da DRJ/CPS, restou convertido em diligências, inclusive para que fossem acostados aos autos todos os documentos entregues pela Recorrente à fiscalização, que embasaram o Relatório Fiscal de fls. 113 a 138 e que anexados ao relatório pelo próprio AFNT que o redigiu (denominados anexos "A" a "G"). Retomado o julgamento da Manifestação de Inconformidade, a 4 a Turma da D RJ/CPS reconheceu a existência de erro material cometido pela Autoridade responsável pelo Parecer SEORT / DRF / OS A n.° 111/2002 (fls. 261 e segs.), já que equivocadamente partiu da premissa que a Recorrente estaria discutindo apenas o montante de R$ 166.993,40, crédito de IRRF apurado entre maio e dezembro de 1996. Em razão disso, afastou a conclusão de decadência dos créditos apurados em 1991 a abr/96. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 520 13 A 4a Turma, contudo, ordenou a remessa dos autos à Autoridade competente, para elaboração de parecer conclusivo, considerando o afastamento da decadência do direito da Recorrente em pleitear os créditos pertinentes a anos anteriores. Em resposta, a Autoridade Fiscal apenas informou que não foi possível concluir se a Recorrente faz ou não jus ao total dos créditos apurados e acumulados entre o ano calendário de 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 e janeiro a abril de 1996; já que os documentos que deram suporte ao Relatório Fiscal de fls. 119 e segs não foram localizados pela repartição competente. Os autos foram então enviados à 15a Turma da DRJ/RPO, para conclusão do julgamento da Manifestação de Inconformidade que, ao final, foi julgada parcialmente procedente, já que os Julgadores entenderam que as compensações requeridas entre 31/03/1997 e 10/09/1997 estariam homologadas tacitamente (Art. 97 MP 66/02 considerando a ciência do Despacho Decisório em 02/10/2002, impõese reconhecer que os Pedidos de Compensação foram convertidos em Declaração de Compensação, tendo havido o transcurso do prazo de homologação tácita em relação aos Pedidos de Compensação protocolizados no período entre 31/03/97 até 10/09/97, devendose utilizar o direito creditório reconhecido na extinção dos débitos neles declarados, como, de fato, foi feito, conforme acusa demonstrativo de compensação fls. 561/563, não se podendo cobrar eventual saldo de débito remanescente), mas que as compensações subsequentes deveriam ser não homologadas, pois a Recorrente não teria comprovado a suficiente de crédito para suportálas. Ao final, ainda restou afirmado que a Recorrente faria jus apenas ao montante de R$ 67.654,76, a título de saldo negativo de IRPJ, remanescendo assim débitos não liquidados ora exigidos. Destacase que a questão referente ao procedimento adotado pela Recorrente para apuração do crédito, que foi acumulado entre os exercícios de 1992 a 1997, restou superada, não apenas pelo V. Acórdão ora atacado, como também por aquele proferido pela 4a Turma da DRJ/CPS, que afastou as conclusões expostas no Parecer SEORT/DRF/OSA n.° 111/2002, conforme extraise dos trechos a seguir transcritos: "Mediante Acórdão DRJ/CPS n° 0514.986 4a Turma, de 24/10/2006, acolheu se a existência de erro material nos Pedidos de Restituição/Compensação, afastandose a decadência declarada pela autoridade fiscal relativa aos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 1994, 1995 e 1996 (este último, correspondente ao período de jan/96 a abr/96), diante da aceitação da formalização do pedido na data da entrega do Pedido de Compensação Original, em 31/03/1997, determinandose, em decorrência, a elaboração de Parecer Conclusivo pela autoridade competente acerca da existência dos créditos em questão." (fls. 886) "Considerando o equívoco quanto à sistemática de apuração do crédito por parte da requerente e o critério de mera formalidade processual adotada pela autoridade preparadora, quanto ao preenchimento do formulário 'Pedido de Restituição', impõese reconhecer que o crédito objeto da demanda se origina para aquém do anocalendário de 1996, restando configurada a formalização do pleito desde o nascimento do presente processo, ou seja, desde 31/03/97, data em que formalizada a pretensão da inicial da contribuinte. E é com relação ao marco inicial, portanto, que se passa a considerar a extensão dos efeitos da decadência do direito de pleitear o reconhecimento de crédito tributário em favor da contribuinte."(fls. 888) Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 521 14 "Diante de todo o exposto, voto no sentido de receber a manifestação de inconformidade, por tempestiva, para DEFERIR A SOLICITAÇÃO, unicamente para AFASTAR A DECADÊNCIA do direito de pleitear a restituição do saldo negativo do imposto de renda relativo aos anoscalendários de 1994 e 1995 e ao período de 01/01/1996 a 30/04/1996, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem, para elaboração de Parecer Conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório dos períodos citados, bem como quanto às demais compensações pleiteadas pela contribuinte, à vista dos elementos de prova já fornecidos, discriminados no Relatório Fiscal de fls. 113/138 constantes dos Anexos 'D' a 'F', os quais devem ser devidamente acostados ao presente processo." (fls. 889) No tocante aos créditos de IRRF de 1991 a 1993, dada a imaterialidade dos montantes apurados, a Recorrente não mais os questiona. Nessa mesma linha, considerando que o crédito relativo ao anocalendário de 1994 se refere tão somente a atualização monetária do crédito de 1993, de igual forma o acréscimo da correção monetária registrada em 1994 a Recorrente decidiu não questionar essa parcela da glosa. Isto posto, resta claro que permanecem em discussão apenas os valores compensados entre 27/10/1997 e 03/02/1998 e os créditos de IRRF dos anos calendários de 1995 e 1996, conforme estampado nas tabelas a seguir produzidas: Narrados os fatos, passase a analise dos os créditos pertinentes a 1995 e janeiro a abril de 1996 que foram considerados não comprovados pela DRJ. Os argumentos da Recorrente em relação a estes itens são baseados nas alegações que a DRJ errou pois: Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 522 15 (i) Considerou não comprovada a tributação das receitas financeiras do ano de 1995 que dão lastro ao IRRF do mesmo período; (ii) Desconsiderou DARFs de estimativas de IRPJ dos anoscalendário de 1995 e 1996 efetivamente pagos pela Recorrente; (iii) Desconsiderou os comprovantes de rendimentos do anocalendário de 1996 da própria Recorrente e das empresas incorporadas; e (iv)Supôs indevidamente que os créditos "poderiam" ter sido compensados nos anos subseqüentes de 1997 a 2001, uma vez que nas DCTFs correspondentes, a Recorrente teria apenas declarado "compensação sem processo"; pois a Fiscalização não se atentou para o fato de que nos anoscalendários subseqüentes também foram apurados Saldos Negativos de IRPJ que, somados aos créditos em discussão, resultam em montante muito superior aos valores das compensações não homologadas . Diligência Conforme alegado pela Recorrente e confirmado pela decisão de primeira instancia, apesar de um esforço das autoridades fiscais em reconstituir os autos com os documentos utilizados pelo fiscal para elaborar o Relatório Fiscal de fls. 119 e segs., os documentos originalmente apresentados pela Recorrente em 1999 não mais se encontram nos autos. Vejamos o mencionado no acórdão de primeira instancia: Prosseguindo, como dito no relatório, não se encontra mais no processo toda documentação comprobatória das retenções que teriam sido sofridas nos anoscalendário aqui em questão e da respectiva contabilização, a qual subsidiou a elaboração pela autoridade competente do Relatório Fiscal de fls. 113/138. Devolvidos os autos em diligência, não foi possível localizar a documentação citada. E, ao ser intimada a reapresentar a referida documentação, nada respondeu a contribuinte, razão porque, em atendimento ao Acórdão DRJ/CPS nº 0514.986 – 4ª Turma, de 24/10/2006, a autoridade competente não confirmou a apuração do saldo negativo dos anoscalendário de 1994 a 1996 (cisão), diante de falta de prova. Tendo em vista a falta documental, o voto condutor assim procedeu "Assim, a presente decisão toma por base a documentação acostada ao processo, bem como consulta aos sistemas informatizados da RFB. (fl. 893)" A manifestação de inconformidade foi, por fim, considerada improcedente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente alega prejuízo por negligencia do Poder Público, pois além de ter extraviado os documentos acostados, não considerou em sua analise as conclusões do Relatório Fiscal que havia analisado tais documentos. Em sua defesa junta então mais de 200 páginas em que tenta, novamente, comprovar a origem dos créditos tributários pleiteados sobre a matéria que restou em discussão por esta instancia (valores compensados entre 27/10/1997 e 03/02/1998 e os créditos de IRRF dos anos calendários de 1995 e 1996). Considerando que não foi a Recorrente que deu causa ao extravio dos documentos, entendo que, em nome dos princípios do contraditório e ampla defesa, deve ser o Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 13896.000268/9761 Resolução nº 1301000.643 S1C3T1 Fl. 523 16 presente processo convertido em diligencia para que sejam, pela unidade de origem, analisados os argumentos levantados e documentos juntados ao autos em sede de Recurso Voluntário em relação aos fundamentos e documentos citados na decisão recorrida. A autoridade fiscal deve, ainda, requerer toda e qualquer documentação adicional que achar necessário em um esforço de reconstituir as conclusões propostas no Relatório Fiscal de 1999 em relação aos itens ainda em discussão. As conclusões da autoridade fiscal devem compor relatório fiscal circunstanciado com posterior intimação do Recorrente para manifestação final dentro do prazo legal. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1171DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900149/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Se a razão do pagamento indevido ou a maior foi o equívoco em relação ao regime de apuração da contribuição (cumulativo ou não-cumulativo), tal fato deve restar comprovado. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF e do DACON para a devida comprovação do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator (Conselheiro Cássio Schappo), e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que acompanharam o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antonio Souza Soares - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Se a razão do pagamento indevido ou a maior foi o equívoco em relação ao regime de apuração da contribuição (cumulativo ou nãocumulativo), tal fato deve restar comprovado. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF e do DACON para a devida comprovação do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator (Conselheiro Cássio Schappo), e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que acompanharam o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 49 /2 00 9- 06 Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10166.900149/200906 Acórdão n.º 3401005.333 S3C4T1 Fl. 777 2 Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 25929.27186.200705.1.3.041915 a compensação de débito de IRPJ (cód.2362) do período de apuração 03/2004 no valor de R$14.589,65 com crédito de PIS/PASEP (cód.8109) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 49.368,17 do período de apuração 08/2003, arrecadado na data de 15/09/2003. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 11.444,66. Do Despacho Decisório A DRF de Brasília em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 18/02/2009, rastreamento nº 820976882 (efls.8), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito de PIS/PASEP do Período de Apuração 31/08/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), requer a anulação do Despacho Decisório por preterição do direito de defesa. Alega de realizou pagamento de PIS/PASEP em valor maior que o devido e o crédito decorrente desse pagamento é passível de compensação, independentemente de requerimento, nos termos da IN SRF nº 21/97, art. 14. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/BSB, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em sessão de 16 de setembro de 2016, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2003 NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA DO DÉBITO. Diante da não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, cabe à Fazenda Nacional efetuar a cobrança do débito informado na declaração de compensação, que constitui de confissão de dívida, se m a necessidade de formalizar notificação de lançamento. Do Recurso Voluntário Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10166.900149/200906 Acórdão n.º 3401005.333 S3C4T1 Fl. 778 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.41) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação declarada, esclarecendo que: (a) inicialmente apurou e recolheu a Contribuição para o PIS do mês de agosto/2003 no regime cumulativo, no valor de R$ 49.368,17 e declarou esse mesmo valor em DCTF do 3º Trimestre de 2003; (b) posteriormente constatou o equívoco cometido, pois sendo empresa enquadrada no Lucro Real, estava obrigada, no anocalendário de 2003, apurar e recolher o PIS no regime nãocumulativo, em atendimento do disposto nos artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 10.637/2002; (c) dessa forma, refez os cálculos e o valor correto a recolher passou para R$ 20.719,13; (d) junta aos autos demonstrativo de apuração do PIS, balancete e livro razão do período, para comprovar o que fora afirmado; (e) que um simples erro de fato no preenchimento da DCTF não tem o condão de retirar da Recorrente seu direito de reaver o que pagou além do devido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte apresenta como causa do indébito fiscal o recolhimento de PIS em valor a maior que o devido, pelo fato de ter havido mudança do sistema de apuração e recolhimento do PIS de cumulativo para não cumulativo, por força da vigência da Lei nº 10.637/2002. O recolhimento inicialmente feito foi pelo regime cumulativo, quando ao certo deveria ter sido feito no regime não cumulativo, em razão de ser pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real. Reconhece que errou ao não proceder em época própria a transmissão de DCTF retificadora, cujo direito de pleitear a retificação da DCTF independe de autorização administrativa e extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. De outra forma, disponibilizou sua Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10166.900149/200906 Acórdão n.º 3401005.333 S3C4T1 Fl. 779 4 contabilidade para comprovar o que foi alegado, deixando evidente a redução do valor da contribuição ao PIS/PASEP para o mês de agosto de 2003. A liquidez e certeza do crédito tributário não se encerram com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração inicialmente cometido. Quanto a forma de analisar os pedidos do contribuinte em Declaração de Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: 1 Confirmar com base na documentação carreada aos autos (Livro Razão e relatórios contábeis), a procedência dos cálculos de apuração para o PIS do mês de agosto/2003, conforme demonstrativo de fls.105; Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10166.900149/200906 Acórdão n.º 3401005.333 S3C4T1 Fl. 780 5 2 Confrontar o valor apurado no item 1, com o pagamento efetuado em DARF na competência agosto/2003, indicado às fls. 101; 3 Após o confronto do item 2, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP nº 25929.27186.200705.1.3.041915. 4 Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Por fim, dêse ciência do relatório a recorrente concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse. Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares, Redator designado Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator Cássio Schappo, ouso dele discordar em relação à solicitação de diligência à unidade de origem para que seja confirmada a procedência dos cálculos de apuração para o PIS e a efetiva existência dos saldos credores pleiteados no PER/DCOMP nº 25929.27186.200705.1.3.041915. Conforme Despacho Decisório à fl. 08, emitido em 18/02/2009, todo o valor pago através do DARF indicado no PER/DCOMP sob análise foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte (sob código de receita 8109), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no referido PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, às fls. 02 a 05, afirmando que a compensação pleiteada se referia a valores considerados pagos a maior no período de setembro de 2003 e compensado em março de 2004, no montante total de R$14.589,65, e que a Fiscalização deixou de considerar tais saldos credores sem fundamentação alguma. Alega também que teve ferido o seu direito de defesa e contraditório, configurando expressamente o cerceamento ao referido princípio constitucional e, portanto, requereu a anulação da "notificação de lançamento", tendo em vista os vícios contidos em razão da inobservância dos preceitos estabelecidos para a constituição da presente exação. Destaquese que nenhuma documentação comprobatória da existência do crédito pleiteado foi apresentada juntamente com a Manifestação. Em 16/11/2011 sobreveio decisão da DRJ Brasília, inicialmente esclarecendo que o despacho denegatório da homologação de compensação não se trata de notificação de lançamento, e, em seguida, julgando improcedente o argumento de cerceamento Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10166.900149/200906 Acórdão n.º 3401005.333 S3C4T1 Fl. 781 6 de defesa e de consequente nulidade do procedimento fiscal. Por fim, ressaltou que a compensação não foi homologada por inexistência do crédito, e que o contribuinte poderia, em sua petição, diante do fato esclarecido pelo Fisco, ter trazido aos autos argumentos e provas que pudessem deixar patente a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, o que não fez. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário esclarecendo que apurou a contribuição para o PIS pelo regime cumulativo de forma equivocada, pois, sendo optante da apuração do IRPJ pelo Lucro Real, estaria submetida, obrigatoriamente, ao regime não cumulativo. Ao refazer os cálculos, e descontar os valores retidos na fonte por órgãos públicos, bem como os créditos da nãocumulatividade, alega ter apurado que o pagamento do PIS foi realizado a maior. Ocorre, entretanto, que o Recorrente não fez qualquer prova de que teria feito a opção pela apuração no regime do Lucro Real. Nem mesmo a DIPJ foi apresentada, ou qualquer comprovante de recolhimento do IRPJ segundo este regime. Da mesma forma, não apresentou prova de ter, mesmo fora do prazo, retificado a DCTF e o DACON. Nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 28/08/2015, admitese que a DCTF possa ser retificada mesmo após a emissão do Despacho Decisório referente ao PER/DCOMP, mas esta retificação é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior: RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares Redator designado. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10166.900149/200906 Acórdão n.º 3401005.333 S3C4T1 Fl. 782 7 Fl. 782DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003507/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA.
Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF.
O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO.
A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poder-dever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas.
Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
MULTA QUALIFICADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO
A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02.
Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2301-005.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF. O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO. A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poderdever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 07 /2 01 0- 83 Fl. 1348DF CARF MF 2 Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. MULTA QUALIFICADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela MÓVEIS E ARTESANATO MADREARTES LTDA E OUTROS., contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Porto AlegreRS (6ª Turma da DRJ/POA), que julgou a impugnação improcedente. Conforme relatório fiscal, (fls. 127 e seguintes do eprocesso,) o Auto de Infração, registrado sob o DEBACD 37.269.7720 referese ao lançamento nas competências 01/2005 a 13/2009 das contribuições da empresa correspondentes à quota patronal de 20% e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relatório do Acórdão recorrido (fls. 1.287, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 3 3 "A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, All War Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudoempresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na Fl. 1350DF CARF MF 4 outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. As bases de cálculo foram obtidas por meio do resumo das folhas de pagamento destas empresas e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs por elas elaboradas e transmitidas. O Levantamento “15 – Salários Por Fora Patronal” abrange as competências 01/2005 a 11/2005 e, de acordo com a autoridade lançadora, foi originado por várias correspondências da Justiça do Trabalho e do Ministério Público Federal, dando conta de pagamento de salários sem a realização dos registros previstos na legislação, o que foi confirmado no procedimento de fiscalização. Foi aplicada a multa de ofício de 75% no período de 01/2005 a 11/2008, por se revelar a menos severa ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN. A partir da competência 12/2008, o lançamento foi efetuado com aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do artigo 35A da Lei nº Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 4 5 8.212/1991, combinado com o artigo 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/1996. O sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais). Conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 1.108 a 1.111, foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário às empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda nos termos do artigo 124 do CTN. O montante do crédito, consolidado em 25/11/2010, corresponde a R$ 3.544.478,22 (três milhões, quinhentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e oito reais e vinte e dois centavos). Cientificadas pessoalmente da autuação em 29/11/2010, as empresas Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e AllWar Móveis Ltda apresentaram impugnação conjunta em 29/12/2010 por meio do instrumento de fls. 1.115 a 1.144". Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos rejeitados, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 3.422, e seguintes do eprocesso, produzindo as mesmas alegações de primeira instância, as quais reproduzo também do relatório da DRJ de origem, por serem exatamente iguais em seu recurso de segunda instância: Em preliminar a) Legitimidade para impugnar. Entendem que na qualidade de sujeitos passivos solidários, as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e AllWar Móveis Ltda estão legitimadas para impugnar os Autos de Infração, uma vez que foram arroladas como coresponsáveis pelos lançamentos efetuados. b) Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Sustentam que deve ser determinado o sobrestamento do presente feito até o julgamento definitivo das contestações da empresa Móveis e Artesanato Madreartes Ltda à sua exclusão do Simples e do Simples Nacional, ou, alternativamente, que os julgamentos sejam realizados de forma simultânea, sob pena de ocorrerem decisões contraditórias e de se caracterizar cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa das impugnantes. c) Decadência. Afirmam que, de acordo com o § 4º do artigo 150 do CTN, os fatos geradores anteriores a 29/11/2005 estão fulminados pela Fl. 1352DF CARF MF 6 decadência e não podem mais ser exigidos. Alegam que não há nos autos elementos legítimos e suficientes para configurar a ocorrência de fraude ou simulação. d) Nulidades. d1) Cerceamento de defesa. Insurgemse contra o prazo de trintadias para apresentarem suas impugnações, argumentando que é injusto, cerceia seu direito à defesa e caracteriza violação ao princípio da isonomia processual, já que a fiscalização pode prorrogar indefinidamente seu prazo de apuração. Sustentam que somente tiveram acesso aos autos originais do processo em 16/12/2010, data em que aportaram na Agência da RFB em Canela, unidade apontada como preparadora do processo e local para onde deveriam se dirigir para poder acessálo, conforme informação retirada do site da própria RFB. Afirmam que a cópia do processo recebido pela Madreartes estava incompleto, e que os documentos faltantes foram obtidos em 16/12/2010, conforme solicitação de cópias protocolada na Agência da RFB em Canela e anexadas ao feito. d2) Irregularidade na obtenção de provas. Sustentam que a fiscalização agiu de forma abusiva ao produzir “Termos de Constatação” sem a presença das fiscalizadas, induzindo e coagindo seus funcionários a firmar termos dos quais não tiveram acesso. Rechaçam as conclusões baseadas nestas declarações, que não condizem com a verdade dos fatos e foi construída à revelia da fiscalizada. Requerem, caso se entenda que tais documentos possuem valor, a oitiva das pessoas supostamente entrevistadas, entre outras conhecedoras dos fatos, para que apresentem sua versão, conforme rol de testemunhas que apresentam. d3) Obtenção ilegal de dados sigilosos. Alegam que a fiscalização extrapolou os limites de sua competência ao obrigar as fiscalizadas a entregarlhes documentos relativos à sua movimentação bancária, eis que sujeitos ao sigilo de dados garantidos pela Constituição Federal e confirmado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, e que foram acessados dados bancários de terceiros que sequer estão envolvidos na fiscalização. Argumentam que em obediência à Lei Maior do país, bem como em respeito às decisões da Corte Suprema, devem ser anulados os Autos de Infração lavrados com base em informações obtidas de forma ilícita pela fiscalização. d4) Afronta ao princípio da legalidade. Afirmam que ao agir de forma abusiva e sem observância à legalidade exigida em seus atos, o agente fiscalizador desrespeitou o princípio da estrita legalidade inerente às atividades da Administração Pública. No mérito Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 5 7 Discorrem sobre os motivos pelos quais entendem que descabe a exclusão da Madreartes do Simples e do Simples Nacional, não devendo ser mantida diante da realidade fática apresentada, seja quanto ao faturamento compatível, falta de identidade de sócios e legal constituição de sua personalidade jurídica. Entendem que não se mostra criteriosa a imputação de toda a responsabilidade sobre os Autos de Infração à impugnante Madreartes por ter sido ela a pessoa jurídica constituída há mais tempo. Sustentam que a desconsideração da personalidade jurídica das demais impugnantes com fundamento no artigo 116, parágrafo único do CTN, não pode prosperar, pois além do dispositivo legal não ser autoaplicável, eis que ainda não foi regulamentado por lei ordinária, também é alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade que tramita perante o STF – ADIn nº 24469/600DF. Requerem que sejam desconstituídos os Atos que determinaram a exclusão da Madreartes do sistema Simples, devendo ser mantida a sua tributação por este sistema, uma vez que apresenta os requisitos exigidos para tanto, e que sejam consideradas as personalidades das demais pessoas jurídicas desconsideradas neste processo, incumbindo a cada uma delas individualmente a receita por elas auferida, bem como a tributação porventura incidente e a responsabilidade por seus empregados. Base de cálculo dos alegados pagamentos “por fora”. Afirmam que a fiscalização chegou à conclusão de que as empresas Móveis Stancieli Ltda e Móveis San Remy Ltda realizaram pagamentos de salário “por fora” em 2005 com base em documentos bancários sigilosos das empresas, aos quais obteve acesso de forma ilegal, uma vez que obrigou as fiscalizadas a lhe entregar tais documentos por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, sem observar que havia prévia necessidade de obter ordem judicial para acessar estes documentos. Por este motivo, requerem que seja desconstituída a base de cálculo apresentada na planilha de fls. 482, devendo ser excluída dos Autos de Infração a tributação incidente sobre esta base. Multas qualificadas. Alegam que a multa no lançamento de ofício somente poderá ser agravada quando configurado o evidente intuito de fraude, com a clara comprovação da vontade livre do contribuinte de cometer o ilícito, ou seja, o dolo, o que não foi demonstrado pela fiscalização no Relatório Fiscal. Sustentam que se para a constituição dos créditos tributários a fiscalização tomou por base as próprias declarações das impugnantes – folhas de pagamento, GFIPs e guias do FGTS – não se mostra adequado nem equânime agravar sua tributação, sob a perspectiva de ter havido fraude. d) Da inviabilidade das penalidades aplicadas. Fl. 1354DF CARF MF 8 d1) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7755. A Madreartes alega que não registrou os empregados pois estes estavam regularmente registrados nas outras empresas. Afirmam que foi aplicada a multa genérica do artigo 92 por infração inexistente ao artigo 32, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, pois a Madreartes não deixou de elaborar sua folha de pagamento na forma exigível, assim como as demais empresas. Entendem que não pode a fiscalização entender, com base em mera ficção, que o quadro funcional individual de cada empresa desconsiderada seja de responsabilidade apenas da Madreartes e com isso imputarlhe conduta que não praticou. Requerem a nulidade deste Auto de Infração. d2) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7747. Afirmam que os alegados vícios na escrituração contábil, caso existissem, já são objeto do processo nº 11020.003510/20105, no qual as impugnantes tiveram o seu lucro arbitrado para efeitos de apuração do IRPJ e tributos decorrentes, justamente com fundamento na deficiência da contabilidade. Com base nisso, as multas arbitradas naquele processo em que se discutem outros tributos foram fixadas pelo Auditor Fiscal responsável em seu patamar máximo, agravadas para o equivalente a 150%. Entendem que a fiscalização pretende punir as contribuintes duas vezes com base na mesma circunstância, o que caracteriza o “bis in idem” da exigência, que não pode persistir, nem mesmo sob a alegação de que se trata de tributos diferentes. Alegam que, ainda que a fiscalização não tenha ficado satisfeita com suas explicações sobre a linha telefônica, não pode concluir que houve negativa de apresentar o documento solicitado, e que o dispositivo apontado como infringido referese exclusivamente a documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei, o que não é o caso do contrato de locação de telefone. Sustentam que tinham em seu benefício o direito constitucional de não se autoincriminar, ou não auxiliar na produção de prova contra si elaborada, prevista nos artigos 5º, LXIII da Constituição Federal, e 186 do Código do Processo Penal, ou seja, o exercício regular de direito como causa da exclusão da ilicitude. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento do artigo 292, II do RPS, já que não há comprovação de conduta dolosa das impugnantes para o cometimento de fraude, simulação ou conluio. d3) Do Auto de Infração Debcad nº 37.311.5512. Afirmam que os empregados que prestam serviços a cada uma das impugnantes foram devidamente registrados, em cada um dos estabelecimentos em que prestam efetivamente seus serviços, mediante o competente contrato de trabalho. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento da multa original em três vezes, já que não há comprovação da existência das condutas do artigo 292, II do RPS". Diante dos fatos narrados, é o relatório. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. I DAS PRELIMINARES DE NULIDADE 1. CERCEAMENTO DE DEFESA As causas de nulidades no processo administrativo fiscal se limitam as que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, as recorrentes alegam cerceamento de defesa em razão do prazo que não tiveram prazo hábil para realizar sua manifestação. Ocorre que os prazos são iguais para todos os contribuintes e não guarda relação subjetiva. Em havendo diversos responsáveis a serem intimadas, o prazo conta sempre do dia posterior daquele que restou intimada a pessoa jurídica ou física interessada, nos termos do PAF. Nesse sentido, não restou comprovado nos autos que as empresas tiveram prazos menores para realizar sua defesa. Assim, caso tivessem tido algum prazo a menor, era dever das recorrentes apresentarem suas provas, como por exemplo alguma declaração da Receita Federal de que só teve acesso ao processo administrativo fiscal com tempo menor do qeu o previsto em lei. Ainda, restou comprovado também que da capa do Auto de Infração que a contribuinte, na pessoa do seu representante, Sr. Lairton Wolff, declarou que recebeu segunda via do Auto de Infração e demais documentos relacionados. Fl. 1356DF CARF MF 10 Ressaltase que, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos solicitados para as conclusões do lançamento. Portanto, afasto a alegação de cerceamento de defesa. 2. DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL SEM ORDEM JUDICIAL Quanto a essa matéria, sem reparos a decisão da DRJ de origem. Após amplo debate sobre o tema perante os Tribunais administrativo e judicial brasileiro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. A Suprema Corte lançou o entendimento no RE n.º 601.314/SP 1, decidido sob o rito da repercussão geral, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Assim, não assiste razão o recorrente. 3. DAS DEMAIS PROVAS ALEGADAS COMO IRREGULARES Alega a recorrente que a fiscalização obteve dados e informações de seus funcionários de forma ilegal, deixando de apontar qual seria a forma ilegal. Porém, o PAF– processo administrativo fiscal se inicia pelo ato da fiscalização realizada pela autoridade administrativa, contemplada pelo artigo 196 do CTN, conforme transcrição abaixo: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas”. Por meio desse dispositivo é que a autoridade fazendária realiza a devida fiscalização. Com isso, a autoridade administrativa tem o direito e o dever de realizar diligências que entender devido para verificar o levantamento de todas as informações necessárias, desde que permitidas em lei, para a respectiva busca da verdade material sobre os fatos em relação a obrigação tributária a ser cumprida, podendo examinar mercadorias, livros, 1 No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 7 11 arquivos, documentos, movimentações financeiras, papéis e feitos comerciais ou fiscais dos contribuintes. Ainda, como bem ressaltado pela DRJ de origem, "essas atividades são desenvolvidas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, os quais, nos termos do artigo 6º, inciso I da Lei n.º 10.593/2002, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 11.457/2007, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo, possuem, dentre outras atribuições, as de executar procedimentos de fiscalização e de constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições". Verificase dos autos que os procedimentos administrativos foram devidamente realizados sem mácula ou nulidade, dentro do processo administrativo (rito processual). Assim, não há falar em nulidade. II. DO MÉRITO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Conforme consta do relatório fiscal, as empresas envolvidas no auto de infração, foram excluídas do simples: "o sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais)".] As razões segundo o REFISC foram: A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, AllWar Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Fl. 1358DF CARF MF 12 Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudo empresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 8 13 de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. Conforme se observa acima, foram diversas as situações que levaram a concluir que haveria uma simulação capaz de levar a autoridade fiscal para a exclusão do SIMPLES, bem como os elementos (destacados ou não acima) configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários. Nesse aspecto, as recorrentes trazem aos autos alguns argumentos contrários, mas deixaram de rebater praticamente quase todos os elementos trazidos pela fiscalização. As recorrentes alegam, por exemplo que, como os sócios entraram em conflito litigioso onde tiveram embate judicial com ação de dissolução de sociedade seria causa suficiente para afastar uma a caracterização de se tratar de uma espécie de conluiou. Entretanto, somente esse elemento não tem o condão de afastar a constatação da engenharia tributária montada para evitar o recolhimento devido das contribuições previdenciárias. No que diz respeito ao faturamento das empresas, alegado pelas recorrentes, boa parte deles não foram considerado para a exclusão do simples pela faixa limite imposta pela Lei Complementar 123/2006. Isso porque a simulação seria a causa mais relevante para a o procedimento fiscal entender a descaracterização regular dos atos jurídicos praticados entre as empresas envolvidos no evento danoso ao erário. Ainda, sobre os vícios de inconstitucionalidade apresentados pelas recorrentes quanto ao dispositivo do art. 116 do CTN, não pode ser apreciado por este colegiado, uma vez que a súmula CARF 02 não permite apreciar matéria inconstitucional. Por fim, em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 1360DF CARF MF 14 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, as recorrentes não obraram afastar as alegações da fiscalização. DA BASE DE CÁLCULO Sobre o preceito da primazia da realidade, o fisco analisou todas as movimentações e valores incidentes nas operações que culminam no fato gerador das contribuições previdenciárias. A questão dos documentos ditos como adquiridos de forma ilícita pela recorrente, são na verdade decorrentes da própria competência de fiscalizar do agente público da administração da estrutura Fazendária. Nesse sentido, cito a Súmula do STF n.º 439, in verbis: "Súmula 439. Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação". Ademais, os documentos que o fisco teve acesso foram exatamente aqueles fornecidos pela autuada. Assim, sem reparos o auto de infração quanto à base de cálculo identificado. DA MULTA QUALIFICADA Foi aplicada a multa qualificada de 150% aplicada nas competências 12/2008 a 13/2009 está definida na legislação tributária, com base no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, em razão da caracterização dos elementos descritos nos artigos Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. No presente processo foram vastas as provas para qualificar a multa nos termos da autuação fiscal, provas essas que deveriam ter sido afastadas pelas recorrentes. Registrase que não há multa agravada ao presente caso. DA MULTA MAIS BENÉFICA O CARF consolidou entendimento nas novas súmulas editadas pelo Tribunal. A Súmula 119 consta o seguinte: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 9 15 Por outro lado,a multa benéfica já foi proporcionada ao caso, tendo em vista o período de autuação ser posterior a aplicação da retroatividade benigna ao tema. DA DECADÊNCIA Cumpre destacar que, como visto acima, as questões preliminares não guardam relação com a matéria de decadência. Portanto, ela é considerada matéria de mérito. Assim passo a analisar. A recorrente alega que recebeu ciência do auto de infração em 29.10.2010. Diz que as contribuições que foram lançadas anteriores a 29.10.2005 estariam decaídas em razão da aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Ocorre que, O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Conforme se constatou dos autos, houve simulação praticada. Logo, afasta a incidência do disposto citado no art. 150, §4º,do CTN. Ademais a Súmula CARF n.º 72, assim prescreve: "Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN". Assim, sem razão a recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para não apreciar matérias tidas como inconstitucionais, não acolher a preliminar e no mérito negar provimento, realizando a manutenção da decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1362DF CARF MF 16 Fl. 1363DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.900206/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO.
É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o valor e a origem a que se refere o direito creditório quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1202-000.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o valor e a origem a que se refere o direito creditório quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 92 2 Relatório Tratase do exame do PER/DCOMP eletrônico transmitido em 30/04/2004, de número 00628.45190.300404.1.3.040710, visando utilizar crédito da CSLL decorrente de “pagamento indevido ou a maior” com data de arrecadação informada de 30/04/2003, no valor original de R$ 14.566,97, para compensação com débito próprio da CSLL, no valor original de R$ 860,46 e atualizado pela taxa Selic, até 30/04/2004, no valor de R$ 1.019,13, fls. 01 a 05. Em 24/04/2008, a DRF/Bauru emitiu o Despacho Decisório Eletrônico, de fls. 06, não homologando a compensação pleiteada, sob o fundamento de que o valor do pagamento da CSLL informado no PER/DCOMP já teria sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, de acordo com os seguintes termos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 860,46 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada do Despacho em 05/05/2008, fls. 10, a empresa interessada apresentou, em 04/06/2008, manifestação de inconformidade, de fls. 11 a 18, na qual apresenta as alegações a seguir resumidas no relatório do Acórdão nº 1424.187 da DRJ/Ribeirão Preto,de fls. 55 a 61, o qual adoto e passo a transcrever: "(...) a) que compensou CSLL devida por estimativa, do mês de março de 2004, com saldo negativo de CSLL decorrente do anocalendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no anocalendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL. no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela taxa Selic; f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu em equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, ao invés de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, anobase 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 36.843,49, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003 devem ser apensadas em um único processo administrativo. Ao final, requer que seja concedido total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de n° 00628.45190.300404.1.3.040710, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação.” Após a análise da manifestação de inconformidade, foi emitido o Acórdão nº nº 1424.187 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 55 a 61, com o seguinte ementário: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 93 3 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro líquido devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sualiquidez e certeza pela autoridade administrativa. Solicitação Indeferida Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do Acórdão recorrido, são a seguir transcritos: “(...) Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de março de 2003, no valor de R$ 14.566,97, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de março de 2003, no valor de R$ 14.566,97. (...) Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurada no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social sobre o lucro líquido devida. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, traz como prova desse crédito cópia da declaração de rendimentos de fls. 36/48, retificada em 03/06/2008, informando a existência de saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 67.587,56, bem como "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATE Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 94 4 31/12/04" (fl. 50), informando saldo de CSLL a recuperar no montante de R$ 102.019,26. Dos documentos apresentados pela contribuinte, cabem as seguintes observações: a) na DIPJ original, apresentada em 30/06/2004, não há informação de saldo negativo de CSLL, ou seja, a contribuição a pagar informada foi R$ 0,00 (zero); b) em 03/06/2008, a contribuinte apresentou DIPJretificadora, informando saldo negativo de CSLL no valor de R$ 67.587,56; d) o formulário denominado "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATE 31/12/04", de fls. 49/50, não apresenta Termo de Abertura, nem Termo de Encerramento. (...) Quanto à DIPJretificadora, externando saldo negativo de CSLL, cabe observar que a DIPJ tãosomente indicia que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido. Todavia, resumese à esfera do indício, vez que a declaração desacompanhada da escrita, não produz o efeito desejado. (...) No que diz respeito ao pedido final da contribuinte de apensamento dos processos n° 10825.900725/200815, 10825.900759/200818, 10825.900710/2008 57, 10825.900705/200844, 10825.900695/200847, 10825.900232/200885, 10825.900178/200878, 10825.900248/200898, 10825.900177/200823, 10825.900732/200817, 10825.900263/200836 e do presente processo, por se tratar de PER/Dcomps vinculados ao mesmo indébito, impende observar que em nada prejudicou a análise do direito creditório pleiteado, tendo inclusive referidos processos sido julgados nessa mesma Sessão de Julgamento. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN).” Irresignado com a decisão, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário, de fls. 66 a 74, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça o argumento de que efetivamente é detentor do crédito relativo ao saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2003, no valor de R$ R$ 67.587,56, conforme consta em sua DIPJ. Aduz, ainda, fls. 72: “Destarte, a Requerente ao preencher a Per/Dcomp ocorreuse em equívoco, quando ao completar a ficha de origem do crédito, informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, vinculando o Darf recolhido a título de estimativa de CSLL devido em abril 2003, com vencimento em 30/05/2003, ao invés de informar saldo negativo total de CSLL do anocalendário 2003” (...) Por outro lado, importante é ressaltar novamente, que o crédito para satisfazer a compensação existe, e pode ser identificado na DIPJ do exercício 2004, anobase 2003, tendo ocorrido, apenas, um mero engano no preenchimento da Per/Dcomp.” Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 95 5 Em síntese, menciona que encontrase suficientemente provado nos autos a existência do direito creditório, requerendo, ao final, o seu regular reconhecimento, a homologação das compensações pleiteadas, retificando de ofício o PER/DCOMP transmitido. Requer também sejam apensados os outros processos vinculados ao mesmo direito creditório. Junta com o recurso, cópias de parte dos seus livros Diário e Razão. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à possibilidade de retificação da DIPJ e do PER/DCOMP após a ciência do Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP e, por conseqüência, não homologou as compensações pleiteadas. Alega a interessada que incorreu em erro de preenchimento do PER/DCOMP. Ao invés de informar que o crédito seria originário do saldo negativo da CSLL apurado na DIPJ do anocalendário 2003, indicou que o crédito seria de “pagamento indevido ou a maior” da estimativa da CSLL, relativo ao mês de março de 2003. Menciona, ainda, que o crédito efetivamente existe, porém, por força de erro material, o direito creditório não foi reconhecido. Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, resta consignar que, nos termos do voto condutor do acórdão recorrido, fls. 60, resta incontroverso nos autos a inexistência de saldo negativo da CSLL na DIPJ original, entregue em 30/06/2004 e relativo ao ano calendário de 2003. Somente com a entrega da DIPJ retificadora, transmitida em 03/06/2008, foi que surgiu um saldo negativo da contribuição no valor de R$ 67. 587,56, fls. 36 e 48. Além da inexistência de saldo negativo na declaração original, verificase que a origem do crédito informado pela interessada em seu PER/DCOMP, seria proveniente do “pagamento indevido ou a maior” da estimativa da CSLL de março/2003, fls. 03 e 05. Já em sua manifestação de inconformidade (e no recurso voluntário) diz a defesa que a empresa teria incorrido em erro no preenchimento do PER/DCOMP e que o crédito se originaria do saldo negativo da CSLL informado na DIPJ (retificadora). Já o Despacho Decisório fundamentou sua decisão exatamente nesse fato, ou seja, não ter constatado a apuração de crédito no valor informado pela interessada. Isso se deve, primeiramente, porque o contribuinte informou no PER/DCOMP um crédito relativo a estimativa da CSLL de março/2033 que já havia sido utilizado, admitindo, expressamente, que preencheu o PER/DCOMP de forma errônea. Em segundo lugar, porque a interessada, não apurou saldo negativo da CSLL na DIPJ originalmente entregue. Somente com a entrega de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 96 6 DIPJ retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório, é que a interessada teria apurado um pretenso crédito. Dessa forma, de acordo com as constatações acima expostas, forçoso concluir que o Despacho Decisório encontrase correto, uma vez que o crédito, da forma como informado originalmente na DIPJ e no PER/DCOMP, não existia, e a compensação, no âmbito tributário, somente pode ocorrer com crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). O alegado equívoco no preenchimento da origem do pretenso direito creditório não encontra amparo, na doutrina e na jurisprudência, para que se proceda na sua correção, seja ela de ofício, ou a requerimento de sujeito passivo, após o exame do direito creditório pela autoridade fiscal competente. A indicação da origem a que se refere o crédito é informação substancial, porque manifesta a própria vontade do declarante, a qual tem suprema importância para o exame do seu direito. No caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Como já mencionado, não resta dúvida de que no momento da transmissão, e da análise da DIPJ e do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito da CSLL relativo a “pagamento indevido ou a maior”, efetivamente não existia, de modo que está correta a decisão proferida no Despacho Decisório da fl.06. No caso da transmissão do PER/DCOMP, em que se pretende ver reconhecido um crédito contra a Fazenda, ao mesmo tempo que se pleiteia a extinção de um ou mais débitos, a retificação pretendida somente pode ocorrer antes de qualquer procedimento de ofício. Isso ocorre, antes de tudo, em decorrência da forma como o rito processual se desenvolve. Uma vez efetuado o pedido de restituição, com a informação da origem do crédito e, comprovado que esse crédito não existe, não se poderia agora, após o exame da autoridade administrativa, querer modificar o pedido original, já que as informações contidas na DIPJ e no PER/DCOMP foram corretamente analisadas pel a autoridade fiscal ao emitir o Despacho Decisório. Em outras palavras, não se pode querer alterar uma situação fática que existiu no momento da transmissão do PER/DCOMP após o exame dessa situação pela autoridade competente, que foi efetuado de forma correta com os fatos que se apresentavam no momento desse exame. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do extinto Conselho de Contribuintes, proferido pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sessão de 09/08/2007, sobre a possibilidade de alteração do pedido de compensação após a ciência do Despacho Decisório: “Não pode ser considerado erro material, (reiterese: susceptível de retificação), o fato de a Recorrente ter pleiteado a compensação de débito com crédito de um determinado período (ao invés de outro desejado) quando ela anexa à declaração vários documentos relativos ao período indesejado Em verdade, sob a alcunha de "retificação de erro material" pretende a Recorrente formular novo pedido de compensação (do mesmo débito, mas com outro crédito) aproveitandose da data do pleito originário para afastar a incidência dos encargos de mora. (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 97 7 Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” A alteração da origem do crédito e do valor desse crédito originalmente preenchidos no PER/DCOMP significa trazer um outro crédito, de período distinto daquele originalmente oposto, cuja retificação também não pode ser feita de ofício, sob pena de se alterar a própria essência do crédito, cuja origem só pode ser informada pelo contribuinte. Esclareçase que não se trata aqui de negar um direito do contribuinte em solicitar o crédito que julga ter como seu. Entretanto, esse pedido deverá ser formulado e enviado à Receita Federal do Brasil em novo PER/DCOMP (caso não prescrito), que terá um período distinto e será novamente processado e examinado pela autoridade competente em processo diverso do aqui discutido. Essa também é a orientação da Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe foi outorgada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alterações, ao disciplinar a apreciação dos processos de restituição/compensação por meio da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da emissão do Despacho Decisório, informando nos seus artigos 56 e seguintes que a retificação do PER/DCOMP só poderá ocorrer antes de decisão administrativa e na hipótese de inexatidão material no preenchimento do documento sustentador do pedido. "Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59." (grifei) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 98 8 Registrese que essa matéria encontravase pacificada no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com os Acórdãos números 10809.604, sessão de 17/04/2008 e nº 10517.130, sessão de 13/08/2008, cuja ementa abaixo se transcreve, dentre outros: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO – É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas, pautado nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e normas complementares, porquanto, incabível a retificação de ofício do PER/DCOMP e vedado ao contribuinte incluir neste processo outro crédito da CSLL (DIPJ retificadora), surgido após decisão administrativa que analisou o PER/DCOMP formulado. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000126/2005-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 26 /2 00 5- 79 Fl. 41DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 06/13) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2001, onde se apurou Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. O contribuinte ingressou com impugnação contestando apenas a glosa das despesas médicas com Djalma Mário Vieira e indicando a juntada dos documentos comprobatórios correspondentes (efls. 02). O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/FNS (efls. 23/28). Cientificado da decisão de piso em 19/07/2008 (efls. 31), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/08/2008 (efls. 32/35) com os argumentos a seguir sintetizados: Expõe que toda a questão está enfocada tão somente no fato de que os comprovantes de pagamento das despesas não indicam o endereço do profissional. Defende que todos os outros dados contidos nos recibos, tais como nome, CPF, CRO e telefone, levam, mediante simples consulta, ao endereço do profissional. Indica a juntada de cópia de página de lista telefônica com o endereço de Djalma Vieira. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a dedução de despesas médicas de R$ 5.500,00 referente ao profissional Djalma Mário Vieira. O assunto encontrase disciplinado pelo art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Equivocase o recorrente ao entender que toda a questão está enfocada tão somente na ausência de endereço nos recibos apresentados na impugnação. Extraise do Auto de Infração (efls. 12) que a autoridade lançadora glosou o valor declarado para Djalma Mário Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10920.000126/200579 Acórdão n.º 2002000.500 S2C0T2 Fl. 42 3 Vieira por falta de comprovação de seu efetivo pagamento, conforme solicitado em Intimação Fiscal, não sendo suficiente a apresentação dos recibos de efls. 03/05 para tal finalidade. Cumpre ressaltar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Assim, havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. O pagamento em dinheiro serve muito bem para quitar um débito, mas para comproválo, ainda mais junto a terceiros, pode se tornar tarefa árdua. Importa salientar, por fim, que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.905087/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 50 87 /2 01 3- 66 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 208 2 Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Dcomp) nº 30811.62540.080313.1.3.043404 visando compensar os débitos ali declarados, informando como crédito o valor de R$ 42.519,15, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS de entidades financeiras e equiparadas (cód. 4574) do período de apuração abril de 2012, arrecadado em 18/05/2012. O Darf em questão foi recolhido no valor total de R$ 198.150,62. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRF/RJO), através do Despacho Decisório da fl. 14, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, por ausência de crédito. É informado que o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior teve seu valor integralmente aproveitado na amortização do crédito tributário a que se refere, confessado pela empresa na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A empresa foi cientificada em 17/06/2013 (fls. 32 e 33). Em 17/07/2013, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 17 a 31). Alega que o crédito em questão foi descrito na DCTF de abril de 2012, retificada em 17/07/2013. Anexa mapa demonstrativo do crédito. Requer a revisão para homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação de DRJ. É o relatório. 2. Em 06/06/2015, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1055.300, situado às fls. 38 a 41, de relatoria do AuditorFiscal Marcelo Enk de Aguiar, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 208DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 209 3 Direito Creditório Não Reconhecido 3. Em 05/08/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 48, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 50 a 60, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevo abaixo, por irreprochável, o pedagógico voto da decisão recorrida: Nos sistemas internos da RFB, é possível verificar que o valor do débito confessado em DCTF, afora eventuais outras extinções, correspondia ao valor pago. Em 17/07/2013, foi entregue retificadora para alterar o valor devido de PIS de abril de 2012 para R$ 155.631,47. Também, constatase que o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) foi alterado, com apresentação de retificadora em 23/07/2013. Desse modo, não havia nenhuma informação anterior ao despacho decisório que justificasse ao indébito. Tampouco foi apresentado qualquer registro anterior, contábil ou fiscal, na manifestação. A Dcomp foi criada a partir da Lei 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei 9.430/96. A empresa poderia ter se beneficiado da Dcomp entregue caso tivesse ficado inerte a administração tributária, do mesmo modo que poderia ter se beneficiado da declaração dos débitos em questão via DCTF, evitando qualquer procedimento fiscalizatório sobre os mesmos. A Dcomp não é um pedido, nem produz efeitos similares ao de um pedido administrativo de restituição ou de ressarcimento. Pelo contrário, a apresentação desta declaração é um ato jurídico unilateral que o sujeito passivo pratica por sua conta e risco e que, desde logo, extingue o débito tributário que está sendo compensado. A manifestação da empresa se resume a alegação de erro. Nenhum documento contábil ou fiscal foi apresentado. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 210 4 Ademais, a apuração detalhada da contribuição era registrada, na época, pelos contribuintes para a Receita Federal no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). Embora não tenha sido alegado, tampouco este demonstrativo foi alterado espontaneamente, no que respeita ao despacho decisório. A manifestação de inconformidade era a oportunidade para a empresa fornecer a devida comprovação do direito creditório e/ou do erro em que se fundou a DCTF transmitida. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (aplicável tanto a impugnações quanto a manifestações de inconformidade, por força dos §§ 9° a 11 do art. 74 da Lei 9.430/96 – redação atual), cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa. (...) Para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, necessário que o interessado demonstrasse que suas alegações encontramse fundamentadas em sua escrituração. No presente processo, nenhuma comprovação da apuração da base de cálculo foi ofertada, seja por meio do Livro Diário ou do Razão. Não se pode acolher a argumentação de que a confirmação da existência do pagamento do tributo, em dissonância com a DCTF, seja suficiente para comprovação do indébito, nem tampouco que a retificadora posterior, reduzindo o valor de modo a justificar o indébito, seja comprovação suficiente. Para a situação em comento, esta DRJ tem admitido a demonstração do erro em que se fundou a declaração original, acompanhada de sua comprovação taxativa, o que poderia justificar uma reforma do despacho ou uma diligência com realização de auditoria fiscal na interessada. Não é possível reconhecer o direito se o contribuinte não traz dados fidedignos aptos a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil (...). Isso posto, VOTO para que seja julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. 6. Como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 211 5 pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, sempre por unanimidade de votos, como no Acórdão CARF nº 3401004.923, proferido em sessão de 21/05/2018, acórdão paradigma de lote de recursos repetitivos de minha relatoria: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 7. E, neste sentido, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução, tem reiteradamente este colegiado decidido que "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito", trecho que se extrai do Acórdão CARF nº 3401003.204, proferido em sessão de 23/08/2016, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Transcrevo, ainda, as razões do Acórdão CARF nº 3401004.146, de idêntica relatoria: "Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 212 6 maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação (...). Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente" (seleção e grifos nossos). 8. Assim, não se trata de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte da contribuinte recorrente, o que, em pedidos de compensação ou de restituição, milita em seu desfavor. 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 212DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 213 7 Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903141/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 41 /2 00 9- 36 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.400, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726777/2016-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 67 77 /2 01 6- 70 Fl. 143DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.000,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora de f. 115/119. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 125/126. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15504.726777/201670 Acórdão n.º 2001000.456 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam o total das despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 145DF CARF MF 4 José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15504.726777/201670 Acórdão n.º 2001000.456 S2C0T1 Fl. 4 5 diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 147DF CARF MF
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