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Numero do processo: 15374.917121/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.320
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Interessado POWERPACK REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 3102 00.940, de 02 de março de 2011, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração/fato gerador: 01/11/2002 a 30/11/2002 EMENTA: COMPENSAÇÃO O Contribuinte não desconstituiu a afirmativa da Administração de que os créditos solicitados já teriam sido compensados com outros débitos fiscais, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. Recurso voluntário desprovido. Direito creditório não reconhecido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 17 12 1/ 20 08 -8 7 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 186 2 O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. O presente processo cuida de Declaração de Compensação – DCOMP de créditos relativos ao PIS e COFINS decorrentes de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior (no caso, serviço de representação comercial), com ingresso de divisas no País. Por bem resumir a controvérsia, tratando do direito e dos fatos que envolvem a lide, adoto parte do relatório do r. acórdão proferido pela DRJ de origem (fls. 37 verso e 38): 2. Por meio do Despacho Decisório n° 781168688, (emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não reconheceu o crédito informado no PER/DCOMP apreciado, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3. Cientificada, em 22/08/2008 (11.08), a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 19, na qual alega, em síntese, que: 3.1 A Interessada representa no Brasil empresas estrangeiras que comercializam simuladores de vôo, motores aeronáuticos, helicópteros, turbinas, entre outros equipamentos, recebendo comissões por essa representação comercial; 3.2 As comissões são percebidas em moeda estrangeira (dólares norteamericanos), sendo o contrato de câmbio fechado regularmente; 3.3 Conforme dispõe a MP n° 1.8586, de 29/06/1999 (atual MP n° 2.15835, de 24/08/2001), em seu art. 14, III, § 1°, com efeitos retroativos a 01/02/1999, e a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, em seu art. 5, II (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), tais receitas são isentas da Cofins e da Contribuição para o PIS, já que decorrem de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliaria no exterior (no caso, serviço de representação comercial) e há ingresso de divisas no Pais; 3.4 Não obstante tal isenção, por equivoco, a Interessada continuou a realizar os pagamentos da Cofins (código 2172) e da Contribuição para o PIS (código 8109 e 6912), até o período de apuração de 31/12/2003; 3.5 Verificados tais pagamentos indevidos, a Interessada protocolizou "Declarações de Compensação" nas quais utilizou os referidos créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS para quitar, por compensação, seus débitos junto à RFB; 3.6 O Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte; 3.7 Os valores da Cofins e da Contribuição para o PIS informados nas DCTF estão incorretos; 3.8 Ainda que a entrega da DCTF assuma caráter de confissão de dívida, a obrigação tributária decorre exclusivamente da lei, conforme dispõem os artigos 113 e 114 do CTN; 3.9 Havendo erro quanto ao fato confessado, e comprovado inequivocamente que o fato confessado não corresponde ao efetivamente ocorrido, tem se de admitir a prevalência do verdadeiro sobre o confessado; 3.10 Desde que comprovado a não ocorrência do fato gerador, o contribuinte tem direito à restituição do tributo que pagou indevidamente; e 3.11. Pelas razões acima expostas, deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e reformado o despacho decisório recorrido. 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 187 3 5. Foram por mim anexados às fls. 32 a 36, os extratos de pesquisas efetuadas no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF (fls. 32 a 35), e cópia da DIPJ (fl. 36). A DRJ julgou improcedente o pedido, conforme acórdão assim ementado (fl.37): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 1 11/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 ÓNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera as razões já expostas na impugnação. As omissões acusadas pela Embargante podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. 2.1 Conforme se verifica pela leitura do Acórdão n° 310200.940, esta E. 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pela EMBARGANTE, sob o único fundamento de que a EMBARGANTE não teria comprovado que o crédito por ela utilizado na DCOMP, ora em discussão, não teria sido objeto de outra compensação. 2.2 Eis o que sustenta o Acórdão n° 310200.940 como fundamento para a não homologação da DCOMP: "Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal." 2.3. Ora, pela simples leitura do recurso voluntário e do Acórdão n° 310200.940, não resta dúvida de que este foi omisso em relação ao principal fato trazido pela EMBARGANTE em seu recurso voluntário, qual seja, o de que as receitas de comissões recebidas pela EMBARGANTE decorrem da prestação de serviços de representação comercial a empresas estrangeiras e que, por conseguinte, não integram a base de cálculo da COFINS, não tendo analisado toda a documentação anexada aos autos (DOCs. 01 a 05 do recurso voluntário). (...) 3. DA APRECIAÇÃO DOS FATOS TRAZIDOS PELA EMBARGANTE EM SEU RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1. A DRJ/RJ2 ao julgar a manifestação de inconformidade da EMBARGANTE reconheceu que, para a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, deveria ser demonstrado documentalmente que parte das receitas sobre as quais incidiu a COFINS referente ao período de apuração de novembro de 2002, era decorrente da prestação de serviços à pessoa jurídica domiciliada no exterior. (...) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 188 4 3.3 Notese que essa foi a única razão para a nãohomologação da DCOMP pela DRJ/RJ2. 3.4. Tendo em vista a alegação da DRJ/RJ2 para a nãohomologação da DCOMP e para que não mais pairassem dúvidas acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado em sua DCOMP, a EMBARGANTE apresentou em seu recurso voluntário os seguintes documentos: (...) É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Creio que assista razão à Embargante. Compulsando os autos, no intento de identificar, na decisão proferida por este Colegiado, alguma manifestação a respeito das provas carreadas aos autos pela Parte, fosse para recusálas por considerar precluso o direito a sua apresentação, fosse para negarlhes aptidão para provar o fato, não logrei êxito em encontrar qualquer comentário a respeito. De fato, o que há no corpo do decisum que se possa identificar como razão de decidir é pouco mais do que as cinco linhas transcritas no Relatório que precede o vertente Voto. Depois de rememorar os fatos em breves palavras, nas quais não foi mencionada a ausência de provas como razão de decidir da instância a quo, a i. Conselheira Relatora conclui. Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Por outro lado, o indeferimento da compensação foi motivado pela Autoridade Fiscal, que inclusive indicou o documento ou pagamento que já teria sido realizado com os supostos créditos indicados na PER/DCOMP ora em exame. Não houve, portanto, cerceamento de defesa. Por fim, cumpre verificar que a DCTF tem caráter de confissão de dívida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante destacar que as provas que acima são mencionadas dizem respeito à comprovação de outro fato. É que, segundo entendimento da Autoridade Administrativa, o contribuinte não fazia jus ao crédito pretendido, porque, nas suas palavras, o pagamento do qual seria oriundo já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Essa situação ocorre toda a vez que o administrado faz um pagamento indevido, mas não retifica a Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF anteriormente emitida. A informação nela contida continua retratando um pagamento devido, razão pela qual a pretensão Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 189 5 do contribuinte é de pronto rejeitada. O que a Relatora diz não ter sido provado, é, justamente, a indevida alocação do pagamento ou, nas suas palavras, que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Mas o que o contribuinte alega é que esse pagamento, a despeito de ter se esquecido de retificar a DCTF, foi indevido, pois decorre de receitas isentas. A decisão de primeira instâncias, por sua vez, entendeu que o contribuinte, que então já havia retificado a DCTF, não fez prova de que essas receitas eram de fato isentas. Como foi dito pela Embargante, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentadas provas de que as receitas corresponderam a serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Sobre essas provas é que nada foi dito. Nem, como disse acima, para rejeitálas por não serem aptas à comprovação do fato nem para desconsiderálas, por preclusão do direito. Com efeito, como também já disse acima, a questão específica dessas provas não foi sequer mencionada no corpo da decisão embargada. Necessário suprir a omissão e adentrar ao exame de mérito. Inicio pela admissibilidade das provas apresentadas só em sede de Recurso Voluntário. É cediço que o direito de apresentação de provas no Processo Administrativo Fiscal, observadas as situações excepcionadas pela norma legal, preclui com o transcurso do prazo fixado para apresentação da impugnação ao lançamento. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) A partir desse balizamento, me inclino em decidir que, no caso concreto, a situação se enquadra perfeitamente na hipótese especificada na alínea "c", acima. Explico A razão do indeferimento inicial, consta à folha 09 do Processo, no Despacho Decisório, foi, simplesmente, o fato de o crédito do contribuinte utilizado na compensação do débito declarado na PER/DCOMP corresponder a um valor alocado no pagamento de outro débito declarado em DCTF1. Até aí, nada falouse a respeito de provas. 1 Explica o i. Julgador da instância "a quo" no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 190 6 De fato, foi por ocasião da decisão tomada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento que foi apontado o problema da falta de comprovação de que a receita sobre a qual o contribuinte fez incidir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins era isenta. Ora, se até então a falta de provas não era razão de decidir da autoridade administrativa, por certo é esse um fato ou razão trazida posteriormente aos autos, enquadrandose, desta forma, na hipótese prevista na alínea "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.325/72. A respeito dessa tema, é pertinente acrescentar que, até por uma questão de bom senso, é absolutamente despropositado cogitarse de considerar que o administrado, em situações como a que aqui se trata, tenha negligenciado o seu dever comprovar os fatos alegados. Ora, em qual momento lhe foi solicitado que apresentasse as provas do seu direito? Como se sabe, a legislação que regulamenta o pedido de ressarcimento/restituição e o pedido de compensação a ele vinculado não exige do contribuinte a instrução probatória prévia. Adiante, ao processar automaticamente o pedido, os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil identificaram outro problema, não a falta de provas. Uma vez que se reconheça a necessidade de que todo e qualquer litígio que se estabelece entre partes com interesses opostos deva comportar um processo dialético minimamente eficaz, capaz de oferecer oportunidade aos litigantes de demonstrar a procedência de suas alegações, não haveria como negar ao contribuinte o direito de suprir a falta no momento em que dela tomou conhecimento. Repito, até a decisão de primeira instância, o direito reclamado pela Parte havia sido negado única e exclusivamente porque a DCTF ativa para o período informava a existência de um débito quitado com o crédito alegado. Nada a respeito da prova de que as receitas auferidas no período eram isentas das Contribuições. Por essa razão, tomo conhecimento das provas encartadas ao Recurso Voluntário. Na decisão recorrida, o i. Julgador manifestase a respeito das provas que deveriam ter sido apresentadas pela Requerente. Para que essas fossem comprovadas, a Contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo da base de cálculo da Cofins referente ao mês 11/2002, onde constassem discriminados os seguintes valores: total das receitas auferidas no mês, receitas diferidas em períodos anteriores, receitas isentas e as exclusões e deduções legalmente permitidas. Esse demonstrativo deveria vir acompanhado da documentação contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. No que se refere às receitas isentas, deveria ser comprovado que seriam decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, e que houve ingresso de divisas. "9.1 A Contribuinte informou na DCTF ativa à época em que foi proferido o Despacho Decisório impugnado (fls. 32/33), que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002 seria R$ 11.795,09, e que esse teria sido quitado integralmente por pagamento efetuado no valor de RS 11.795,09; 9.2 Na DIPJ (fl. 36), a Contribuinte não informou sobre a existência de receitas isentas, ratificando o valor da Contribuição informado na DCTF mencionada no subitem anterior; e 9.3 Após ter tomado ciência do Despacho Decisório recorrido, a Interessada apresentou DCTF retificadora(s) (fls.34/35), informando que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002seriaR$ 1.319,26 eR$ 1.147,67." Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917121/200887 Resolução nº 3102000.320 S3C1T2 Fl. 191 7 De fato, penso que seja essa a documentação hábil a demonstrar a origem das receitas auferidas pela empresa. Quanto a isso, junto ao Recurso Voluntário foi apresentado um demonstrativo denominado Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins, no qual é indicada uma receita oriunda de Serviços Prestados Mercado Externo no valor de R$ 349.194,36. Também Balancete Sintético, Livro Razão, Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, correspondências trocadas entre o banco e a empresa avisando o crédito de valores em moeda estrangeira e contratos de câmbio assinados em data próxima a essas correspondências. O valor em moeda nacional expresso nos contratos de câmbio encartados ao Recurso Voluntário é de R$ 427.512,45, R$ 78.318,09 maior do que o valor de R$ 349.194,36 informado no Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins como sendo a receita decorrente de Serviços Prestados Mercado Externo. Também não identifiquei no Balancete Sintético o valor de R$ 349.194,36, mas o de R$ 361.651,91, a título de Receita Operacionais, Comissões Conta 3.1.1.01. O Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, folha 81 do eProc, relaciona cinco empresas responsáveis pelo pagamento de R$ 349.194,36 correspondente aos serviços prestados. Tratase de uma planilha elaborada pela própria litigante, desacompanhado de qualquer documento comercial que demonstre a veracidade das informações prestadas. Com efeito, não foi apresentado nenhum contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação semelhante que especificasse com clareza a prestação que deu azo aos pagamentos retratados nos contratos de câmbio. Para que seja reconhecido o direito da empresa, essencial que os valores estejam expressos de forma precisa e exata nos registros contábeis e documentos que lhes dão suporte e que sejam acompanhados de documentação comercial capaz de atestar trataremse de pagamentos por serviços prestados a empresas sediadas no exterior. De outra forma, impossível determinar com certeza a origem dos ingressos especificados nos contratos câmbio trazidos aos autos. VOTO pelo acolhimento dos Embargos de Declaração, para determinar a conversão do julgamento em diligência, a fim de que sejam sanadas/justificadas as imprecisões acima descritas e sejam carreados aos autos os documentos comerciais (contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação análoga), que retratam as operações cambiais comprovadas no processo. Sala das Sessões, 18 de setembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000898/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005
A COOPERATIVA EQUIPARA-SE A EMPRESA EM GERAL PARA FINS DO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL E ASSIM DEVE CONTRIBUIR COM A PARTE PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO/RETRIBUIÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL PESSOA FÍSICA, BEM COMO DO COOPERADO QUE EXERCE CARGO DE ADMINISTRAÇÃO DA COOPERATIVA, POIS NESSA QUALIDADE, TAMBÉM, O COOPERADO, ENQUADRA-SE COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 - A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente COOSENGE COOPERAIVA DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 A COOPERATIVA EQUIPARASE A EMPRESA EM GERAL PARA FINS DO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL E ASSIM DEVE CONTRIBUIR COM A PARTE PATRONAL SOBRE A REMUNERAÇÃO/RETRIBUIÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL PESSOA FÍSICA, BEM COMO DO COOPERADO QUE EXERCE CARGO DE ADMINISTRAÇÃO DA COOPERATIVA, POIS NESSA QUALIDADE, TAMBÉM, O COOPERADO, ENQUADRASE COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 08 98 /2 00 9- 18 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 235 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 236 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.237.4190, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de contribuintes individuais – prólabore, bem como em razão da existência de diferença de acréscimos legais, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 74 a 79, com período de apuração de 01/2004 a 12/2004, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 19 e 20. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/10/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa, em 13/11/2009, as fls. 92 a 102, acompanhada dos documentos, de fls. 103 e 136. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 138. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1230.368 13ª, Turma DRJ/RJ1, em 06/05/2010, fls. 140 a 146. No qual a impugnação foi considerada procedente em parte, sendo excluído do crédito o período de 01/2004 a 09/2004, em razão da decadência. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 14/06/2010, conforme AR, de fls. 157, sem informação da data de recebimento, contendo apenas as da postagem. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 152 a 161, recebido, em 29/06/2010, conforme carimbo de recepção, de fls. 152, acompanhado dos documentos, de fl.s 162 a 193. Mérito. · que os valores foram pagos de forma individual pelas pessoas que o receberam; · que a recorrente é cooperativa instituída na forma da Lei 5.764/71, não se confundido com empresas de caráter econômico, pois a cooperativa é quem presta serviços ao cooperado, sendo a ausência de fins lucrativos que possibilita a cooperativa ser uma entidade diferenciada para fins fiscais; · Dos requerimentos: a) recebimento do presente recurso; b) que seja acolhido e julgado procedente; c) anulandose os créditos lançados. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, sugerindo sua remessa ao CARF, fls. 194. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 237 4 Consta, as folhas 230; 231 e 232, Termos de Juntada por Apensação (1), os quais informam a juntada por apensação a estes PAF, dos autos dos processos 16832.000895/200976; 16832.000897/200965 e 16832.000896/200911, em 22/05/2013. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 238 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O fato dos valores terem sido pagos individualmente pelos supostos cooperados em nada altera o lançamento, pois não se está a exigir nesses autos a contribuição pessoal do contribuinte individual onze por cento dos seus rendimentos mensais, e, ainda, que assim o fosse a responsabilidade tributária pela arrecadação e recolhimento é da cooperativa. O presente lançamento exige a parte patronal devida pela tomadora dos serviços de pessoas físicas – contribuintes individuais – como determinado no artigo 195, I “a”, da CRFB/88, veja a transcrição. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (o realce foi feito por mim) Neste linha de raciocino o artigo 15 e seu parágrafo único, da Lei 8.212/91 equiparam a cooperativa as empresa em geral, para fins do sistema de custeio da seguridade social e proteção ao trabalhador, vejo o artigo. Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (o grifo é meu) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 239 6 O agente fiscal em seu Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, de fls. 74 a 79, itens 6; 8; 9 e 13, deixa claro em diversos momentos que o lançamento objeto desses autos e que resultou no respectivo crédito, decorre da utilização da prestação de serviços de pessoas físicas, assim consta do citado REFISC. Contribuição patronal (20%) incidente sobre a remuneração de segurados Contribuintes Individuais CIs (pro labore e prestadores de serviço sem vínculo empregatício). Os pagamentos a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício constam das contas 2036 DIVERSOS, 4085 CONSERVAÇÃO E LIMPEZA, 4246 HONORÁRIOS DE ADVOGADOS PF e 4295 SERVIÇOS PRESTADOS PF. As retenções feitas foram lançadas na conta 1792 INSS DESCONTADO COOPERADOS SI PRODUÇÃO (tal conta deveria receber somente os valores descontados dos cooperados filiados mas foram feitos lançamentos de desconto de prestadores na mesma). Os pagamentos a título de pro labore foram apurados nas contas 2336 REPASSE COOPERADOS e 3505 PRODUÇÃO COOPERATIVISTAS A PAGAR. Embora tais contas refiramse a valores pagos a cooperativados filiados, a cooperativa, erroneamente, lançou os valores de honorários nesta conta. Nos livros "Demonstrativo de Repasses", elaborados um por mês e onde constam os valores repassados a filiados cooperados, não há registro dos valores aqui apurados como honorários. A cooperativa também confirmou que tratamse de honorários da diretoria. Em virtude de os diretores também serem filiados cooperados, no cálculo dos 11% (parte dos segurados) foi observada a remuneração global recebida, ou seja, o pro labore somado a eventual rateio de produção. Abaixo os valores apurados de pro labore: G2 Valores pagos a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício; G3 Valores pagos a título de pro labore da diretoria; Z1 e Z2 Correspondem aos levantamentos G2 e G3, respectivamente, e são utilizados em substituição a estes nas competências onde ouve o lançamento da multa de oficio de 75%. (fiz o texto sobressair) No presente crédito não há a exigência de contribuição dos cooperados como demonstrado, salvo o lançamento em relação aos dirigentes da cooperativa, que apesar de cooperados atuam como contribuintes individuais prestadores de serviços, pois nessa qualidade não exercem atos de cooperados, mas sim de administradores da entidade, haja vista que nessa função enquadramse no artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei 8.212/91, observese a transcrição. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 240 7 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (o destaque é meu). No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria do levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 14/10/2009, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2004 a 12/2004,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 19 e 20. Desta forma, para esse período, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16832.000898/200918 Acórdão n.º 2803003.616 S2TE03 Fl. 241 8 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações realizadas em mérito, suscitadas pela recorrente, salvo quanto ao recebimento deste recurso que o fiz. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que seja aplicada a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99, devendo caso tal multa ultrapasse o limite de setenta e cinco por cento ser limitada a esse percentual em razão do artigo 35 – A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900728/2010-48
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
SALDO NEGATIVO IRPJ. INEXISTÊNCIA. RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ENCONTRADO.
Estando o direito creditório lastreado em retenções na fonte e pagamentos e tendo sido glosadas parte dessas por falta de comprovação e não localizado o pagamento, o crédito revela-se inexistente.
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sendo o crédito inexistente, a compensação resulta não homologada.
Numero da decisão: 1803-001.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 SALDO NEGATIVO IRPJ. INEXISTÊNCIA. RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ENCONTRADO. Estando o direito creditório lastreado em retenções na fonte e pagamentos e tendo sido glosadas parte dessas por falta de comprovação e não localizado o pagamento, o crédito revela-se inexistente. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sendo o crédito inexistente, a compensação resulta não homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
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INEXISTÊNCIA. RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ENCONTRADO. Estando o direito creditório lastreado em retenções na fonte e pagamentos e tendo sido glosadas parte dessas por falta de comprovação e não localizado o pagamento, o crédito revelase inexistente. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sendo o crédito inexistente, a compensação resulta não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Ferreira da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 07 28 /2 01 0- 48 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 24820.75681.290905.1.3.025439 (fls.1/10) em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo IRPJ ano calendário 2004 no valor de R$ 388.035,82 para compensar débito de CSLL, 2484, agosto/2005, vencimento 30/09/2005, R$ 74.117,24. Ainda segundo consta das declarações de compensação, o crédito em questão seria constituído por IRPJ Retido na Fonte, Pagamentos de Estimativa e Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores. Por intermédio do Despacho Decisório de 07/06/2010, nº 863945750 e anexos (fls.11/24), o direito creditório não foi reconhecido. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “...a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo”. A compensação, por conseguinte, resultou não homologada. Devidamente notificada da decisão, a empresa Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 12/07/2010 (fls.32/47), alegando em síntese que: 1) O Despacho Decisório 863945750 deverá ser reformado uma vez que o fundamento adotado – inexistência de crédito – não encontra suporte no Direito e na realidade fática; 2) Não houve a conversão do julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos pela recorrente no que tange à identificação e comprovação do valor exato do crédito; 3) O Despacho Decisório deixou de considerar o IR efetivamente retido na fonte e suportado pela recorrente no valor de R$ 1.339.430,13, os pagamentos no total de R$ 320.949,12 e as compensações das estimativas envolvendo saldo negativo IRPJ ano calendário 2003 no montante de R$ 7.835,05; 4) A recorrente informou em sua DIPJ/2005 ano calendário 2004 Saldo Negativo IRPJ no valor de R$ 388.035,82, que corresponde à diferença entre o IRPJ Devido de R$ 1.272.343,43 e a quantia de R$ 1.660.379,25, atinente ao tributo satisfeito no decorrer de 2004; 5) A Receita Federal excluiu R$ 426.022,11 do montante satisfeito de R$ 1.339.430,13 a título de Retenções na Fonte; 6) Quanto aos pagamentos, foram reconhecidos R$ 313.408,02 em detrimento do correto (R$ 320.949,12); 7) Foi desconsiderada a estimativa compensada no valor de R$ 7.835,05; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 4 3 8) A retenção não confirmada pelo Fisco é comprovada pela Ficha 53 da DIPJ/2005 (Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte), pelas cópias de parcelas dos respectivos informes e comprovantes bancários de retenção; Em sede de cognição ampla, a DRJ manteve a decisão impugnada sob o fundamento de que a Recorrente não logrou êxito em comprovar o alegado, acrescentando ainda, que cabe tãosomente a demandada comprovar o direito a crédito almejado, fato esse que inocorreu no caso em apreço. Inconformada com a r. decisão, a empresa contribuinte interpõe Recurso Voluntário sustentando as mesmas questões suscitadas na impugnação, requerendo para tanto, a sua reforma. É o simples relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. No tocante as glosas de créditos referentes ao IRPJ Retido na Fonte, sustenta a Recorrente de que as mesmas referemse ao IRPJ que teria sido retido pelas seguintes instituições financeiras: Banco Bilbao Vizcaya, Banco BCN e Banco Mercantil de São Paulo. A esse respeito, vale ressaltar que as DIRF`s constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB (fls.213/222) não indicam retenção na fonte de IRPJ por essas pessoas jurídicas tendo como beneficiário o contribuinte em questão. Além disso, o contribuinte juntou comprovantes (fls.181/187) dos bancos Lloyds Bank, Unibanco, Safra e Real, em relação aos quais não houve glosa de retenção. Portanto, cai por terra a alegação da nulidade da decisão recorrida por não analisar os documentos acostados pela Recorrente, uma vez que, repitase, conforme consta dos aludidos fundamentos, tratamse de comprovantes de instituições financeiras em que não houve a respectiva glosa. Dessa maneira, o contribuinte não logrou êxito de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as retenções de IRPJ aproveitadas na DIPJ/2005 ano calendário 2004, razão pela qual, nos moldes da decisão recorrida, as glosas devem ser mantidas. Quanto a glosa referente o pagamento de estimativa IRPJ via DARF, o contribuinte indicou no PER/DCOMP que teria efetuado pagamento de R$ 7.835,05 em relação à estimativa IRPJ de dezembro/2004, pagamento este supostamente realizado em 18/01/2005. A tela de fl.223 lista todos os pagamentos de estimativa IRPJ efetuados pelo contribuinte relativamente ao ano calendário 2004, inexistindo referido pagamento. Aliás, conforme consta dos fundamentos da r. decisão recorrida, tratase de equívoco do contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP, haja vista que na DCTF (fls.209/212) foi declarado débito de estimativa IRPJ dezembro/2004 de R$ 7.835,05, o qual foi compensado como informado pelo contribuinte no PER/DCOMP 24820.75681.290905.1.3.025439 (vide fl.8). E, mesmo que equivocado o preenchimento do PER/DCOMP a empresa Recorrente não logrou êxito em demonstrar o direito ao crédito. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900728/201048 Acórdão n.º 1803001.691 S1TE03 Fl. 6 5 Portanto mantenho a r. decisão recorrida uma vez considerar escorreita a glosa em questão. Diante de todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário a fim de manter a decisão recorrida. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 318DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990667/2009-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 67 /2 00 9- 20 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 22,93, ocorrido em 15/03/2004, com débito próprio de IRPJ — cód. 2089.. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 19/01/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 06, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 3013 7. 65382241105. 1.2. 043075,, relativo ao período de apuração fev/2004. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.528,20,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990667/200920 Acórdão n.º 3801004.570 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10530.004265/2008-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
ESTÁGIO. PAGAMENTO DE BOLSA DE FORMA IRREGULAR. VIGÊNCIA DA LEI 6.494/77.
O pagamento de bolsa a estagiário em desacordo com os requisitos formais e materiais da Lei de regência da relação especial de trabalho, enseja o lançamento de contribuições previdenciárias.
TAXA SELIC. SÚMULA 03.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ESTÁGIO. PAGAMENTO DE BOLSA DE FORMA IRREGULAR. VIGÊNCIA DA LEI 6.494/77. O pagamento de bolsa a estagiário em desacordo com os requisitos formais e materiais da Lei de regência da relação especial de trabalho, enseja o lançamento de contribuições previdenciárias. TAXA SELIC. SÚMULA 03. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 42 65 /2 00 8- 16 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 2 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004265/200816 Acórdão n.º 2403002.695 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD nº 37.147.8901, referente ao período 01/2004 a 12/2004, com ciência pelo contribuinte em 31/12/2008, no montante de R$ 455.574,06 (quatrocentos e cinquenta e cinco mil quinhentos e setenta e quatro reais e seis centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias referentes à cota dos segurados, desdobrandose nos seguintes levantamentos: 1. GFI – Remuneração declarada em GFIP: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais relativas ao atendimento de intimação para retificação da GFIP, por parte do contribuinte; 2. DOC – Remuneração de Contribuintes Individuais: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais apuradas em documentos apresentados pelo contribuinte visando esclarecer as informações contábeis nas contas PRESTADORES DE SERVIÇOS; 3. DIR – Divergência DIRF x GFIP: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais apurados em DIRF apresentado pelo contribuinte; 4. OUT – Remunerações identificadas em Outros Documentos: parcelas decorrentes da auditoria básica na remuneração de contribuintes individuais apuradas em relações de pagamentos apresentados pelo contribuinte visando esclarecer as informações contábeis nas contas PRESTADORES DE SERVIÇOS: a. AJUDA DE CUSTO: neste caso, o contribuinte efetua pagamentos indevidamente sob a rubrica ajuda de custo a segurados contribuintes individuais prestadores de serviços, com a possível intenção de driblar a contribuição incidente sob a remuneração do trabalhador. Desta forma, o pagamento efetuado a prestadores de serviços a título de ajuda de custo foram considerados como remuneração, haja vista que também não há qualquer indício de comprovação de despesas vinculadas a ajuda de custo na contabilidade, confirmado pelo contribuinte que tais pagamentos eram efetuados diretamente aos prestadores sem qualquer exigência do contribuinte. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 4 b. ESTÁGIO – BOLSA AUXÍLIO: condições para caracterização do estágio não atendidas: instrumento jurídico entre a instituição de ensino e a empresa concedente do estágio; celebração de termo de compromisso entre o estudante e a concedente, com intermediação obrigatória da instituição de ensino; seguro contra acidentes pessoais em favor do estagiário. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou defesa por meio de instrumento de fls. 49/75. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão nº 15 28.125, fls. 174/187, o qual julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito previdenciário ali consubstanciado, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A partir de 1º de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e recolhêla juntamente com a contribuição a seu cargo, conforme prevê o art. 4º da Lei nº 10.666, de 2003. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa uma vez que o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o presente Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ESTAGIÁRIO. INCIDÊNCIA. As importâncias pagas destinadas à manutenção de estagiários em desconformidade com Lei nº 11.788/2008 constituem fato gerador de contribuição previdenciária. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AJUDA DE CUSTO. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004265/200816 Acórdão n.º 2403002.695 S2C4T3 Fl. 4 5 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar, em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, a legislação vigente. JUROS SELIC. LEGALIDADE. É lícita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco Federal. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal. MULTA DE MORA. LIMITE DE 20%. O limite de 20% de multa previsto no art. 61 da Lei 9.430, de 1996 aplicase para contribuições pagas em atraso, mas não incluídas em auto de infração, já que nos lançamentos de ofício deve ser aplicado o art. 44 dessa Lei. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos exigidos pelo decreto nº 70.235/72. Desnecessária a perícia quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 192/218, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Ausência de clara fundamentação da autuação o que enseja cerceamento do direito de defesa; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 6 2. Detalha, por competência, inconsistências verificadas no lançamento, concernentes nas rubricas estagiários, prestadores de serviços pessoa física, ajuda de custo e bolsa auxílio; 3. Relevação da multa e caráter confiscatório, devendo ser aplicada a retroatividade benigna; 4. Ilegalidade da cobrança concomitante de juros e multa moratória; 5. Indevida inclusão da SELIC como taxa de juros; 6. Necessidade de realização de perícia. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004265/200816 Acórdão n.º 2403002.695 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documento de fl. 238, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A Recorrente pretende a nulidade do lançamento em epígrafe por violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, em razão da ausência de fundamentos legais do débito, posto não haver ser possível identificar claramente os fundamentos que culminaram na autuação, preterindo o direito de defesa da contribuinte. Entretanto, conforme pode ser verificado nos autos, o Relatório Fiscal é rico na indicação dos fundamentos legais e na descrição dos fatos que culminaram na autuação. Inclusive, ainda é possível constatar os Fundamentos Legais do Débito – FLD, segundo fls. 36/37. Portanto, é plenamente possível a identificação de todos os requisitos descritos no art. 142 do CTN, assim como o art. 10 do Decreto 70.235/72. Vêse, pois, que não encontra guarida quaisquer das alegações acerca de suposto cerceamento do direito de defesa, razão pela qual não há que se falar em nulidade da autuação. ALEGAÇÕES DE INCONSISTÊNCIAS DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS A Recorrente suscita, para cada competência, inconsistências nos lançamentos contábeis realizados. Entretanto, não faz juntar nos autos quaisquer elementos probatórios que atestem as inconsistências supostamente verificadas pela contribuinte. Ocorre que, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder, quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 8 falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (NEDER, Marcos Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de; FERRAGUT, Maria Rita. coord. A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 19). Portanto, alegações desacompanhadas da devida instrução probatória carecem de respaldo que lhe confira legitimidade, razão pela qual devem ser consideradas improcedentes. Ademais, todos os valores, indicados pela contribuinte, foram combatidos pela DRJ que à cada competência verificou sua improcedência através da análise dos Discriminativos e anexos colacionados à autuação em epígrafe. Deste modo, temse improcedentes as inconsistências alegadas. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente alega que as multas aplicadas revestemse de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV, da Carta Magna. Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima, portanto, não subsistem tais argumentos. LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado, na contramão do entendimento pacificamente esposado por este Conselho, inclusive consolidada na Súmula nº 03 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. AJUDA DE CUSTO Um dos levantamentos verifica que a autuação se deu, também, em razão da autuação de valores pagos a segurados contribuintes individuais a título de ajuda de custo. É sabido que tais rubricas não sofrem a incidência de contribuição previdenciária, uma vez que não integram ao salário de contribuição, nas hipóteses especificadas no art. 28, § 9º, “g”, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004265/200816 Acórdão n.º 2403002.695 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97. Vêse, pois, que a ajuda de custo prevista em lei como exceção à incidência de contribuição previdenciária é aquela paga a segurado empregado em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado quando o empregador arca com as despesas resultantes da transferência. In casu, a Recorrente não fez prova de que os valores autuados sob tal rubrica corresponderia à ajuda de custo, situação em que ensejaria a aplicação das exceções legais acima, de modo que se aplica o mesmo entendimento quanto a insuficiência probatória na alegação dos fatos, esposado anteriormente. Dessa forma, merece manutenção a procedência do crédito tributário atinente. BOLSA ESTÁGIO Segundo a Lei 8.212/91, está excluído do conceito de salário de contribuição a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da respectiva Lei, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; A Lei nº 6.494/77, que regia as relações de estágio à época dos fatos geradores, logo a aplicável, era de redação bastante simples e de poucos artigos, por tal razão, colacionase abaixo seus dispositivos pertinentes¸ in verbis: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 10 em cursos vinculados ao ensino público e particular. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) § 2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. (Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. (Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Art. 2º O estágio, independentemente do aspecto profissionalizante, direto e específico, poderá assumir a forma de atividade de extensão, mediante a participação do estudante em empreendimentos ou projetos de interesse social. Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Art. 5º A jornada de atividade em estágio, a ser cumprida pelo estudante, deverá compatibilizarse com o seu horário escolar e com o horário da parte em que venha a ocorrer o estágio. Parágrafo único. Nos períodos de férias escolares, a jornada de estágio será estabelecida de comum acordo entre o estagiário e a parte concedente do estágio, sempre com interveniência da instituição de ensino. Do texto acima, extraise que existem aspectos formais e materiais para configuração da relação especial de estágio. Pelo fato de a matéria encontrar relação bastante próxima com a seara trabalhista, o TST entende que no caso de ausência de um dos requisitos acima elencados, está a relação desvirtuada. Para tanto, vejase os precedentes abaixo trazidos à colação: (...) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004265/200816 Acórdão n.º 2403002.695 S2C4T3 Fl. 7 11 3. DESVIRTUAMENTO DOS CONTRATOS DE ESTÁGIO. Na composição do tipo legal do estágio, é essencial que compareçam os requisitos formais e materiais específicos ao delineamento da figura sem os quais não se considera tipificada essa relação jurídica especial e excetiva de trabalho intelectual não empregatício. Se, diante do minucioso delineamento dos fatos no acórdão regional, constatase a ausência dos requisitos legais obrigatórios formais e materiais , ocorrendo desvirtuamento do contrato de estágio, impõese o consequente reconhecimento do vínculo empregatício. Ressalte se que a jurisprudência desta colenda Corte Superior considera desvirtuado o contrato de estágio quando inexiste correlação entre as atividades desempenhadas pelo estudante no estágio e o seu curso de formação, entendendo, então, pela caracterização do vínculo de emprego, caso presentes os requisitos para tanto. Precedentes. Recurso de revista não conhecido. Recurso de revista conhecido por divergência jurisprudencial, porém não provido. (RR 19750059.2001.5.15.0014 , Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 18/12/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 01/02/2013) **************************************************** AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONTRATO DE ESTÁGIO. DESVIRTUAMENTO. O Regional destacou, com base na prova produzida, a ausência de registro formal válido de que as partes firmaram termo de compromisso de estágio, com interveniência da instituição de ensino em que estivesse matriculada a reclamante. Consignou, ainda, que as atividades desenvolvidas pela autora, estudante de Ciências Contábeis, não estavam relacionadas com a contabilidade da reclamada. Assim, concluiu que não foi atendido o disposto no artigo 3°, caput e § 1º, da Lei nº 6.494/1977, que versava sobre a necessidade de celebração de termo de compromisso de estágio, com interveniência da instituição de ensino e a complementação do ensino e da aprendizagem, razão pela qual entendeu que houve o desvirtuamento do estágio e o consequente reconhecimento do vínculo de emprego. Para se concluir de forma diversa, seria imprescindível a reapreciação da prova coligida nos autos, procedimento vedado nesta fase recursal de natureza extraordinária, nos termos da Súmula nº 126 do TST. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 1317749.2010.5.04.0000 , Relator Ministro: José Roberto Freire Pimenta, Data de Julgamento: 11/05/2011, 2ª Turma, Data de Publicação: 20/05/2011) No mesmo sentido: AIRR 7210073.2009.5.05.0033 , Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 07/11/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 09/11/2012; AIRR 970023.2009.5.19.0004 , Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 19/09/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 21/09/2012. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 12 A norma previdenciária, acima exposta, informa que a bolsa paga aos estagiários serão excluídas do conceito de salário de contribuição caso pagas de acordo com a Lei do estágio. Para tanto, devem ser obedecidas cumulativamente todos os pontos ali constantes, sejam eles formais ou materiais, independentemente da caracterização da relação de emprego, o que o artigo manda observar é o cumprimento da Lei 6.494/77 apenas, sem influenciar em momento algum o âmbito das relações de trabalho. Ocorre que, segundo relata a autoridade fiscal, três foram os requisitos inobservados pela empresa: 1. Instrumento jurídico entre a instituição de ensino e a empresa concedente do estágio; 2. Celebração de termo de compromisso entre o estudante e a concedente, com intermediação obrigatória da instituição de ensino; 3. Seguro contra acidentes pessoas em favor do estagiário. Não havendo a apresentação de tais documentos, tornase inevitável o enquadramento das vergas pagas no conceito de salário de contribuição, uma vez que são formalidades de cumprimento obrigatório, vinculada à Lei nº 6.494/77. A empresa, por outro lado, não apresentou quaisquer dos documentos, o que atesta a irregularidade das verbas pagas sob esta rubrica. Portanto, comprovado que houve o descumprimento de requisitos constantes na Lei 6.494/77, acima elencados, há de ser considerado como salário de contribuição, os valores pagos a título de bolsa/auxílio estágio, mantida a autuação. COBRANÇA CONCOMITANTE DE MULTA E JUROS DE MORA Não há que se falar em bis in idem na cobrança concomitante de multa e juros de mora, uma vez que aquela revestese de caráter punitivo a fim de coibir a prática de infrações pelos contribuintes, enquanto que os juros adquire caráter indenizatório, com o intuito de recompensar monetariamente o Fisco pela ausência do recolhimento no dia do vencimento de determinado tributo. Ambos acréscimos legais encontramse previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004265/200816 Acórdão n.º 2403002.695 S2C4T3 Fl. 8 13 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Dessa forma, temse por devidos os acréscimos legais a qual a autuação em epígrafe foi submetida. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem à multa aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO 14 desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO Processo nº 10530.004265/200816 Acórdão n.º 2403002.695 S2C4T3 Fl. 9 15 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/11 /2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO
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Numero do processo: 10680.725386/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL.
O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.443
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 53 86 /2 01 0- 98 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725386/201098 Acórdão n.º 2302003.443 S2C3T2 Fl. 524 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde, nas competências de 01/2006 a 12/2007. O Auto de Infração foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 29/12/2010. Após a impugnação, Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG às fls. 471/477, julgou o lançamento procedente em parte para excluir o lançamento em duplicidade relativo à fatura da Cooperativa dos Médicos do Instituto Materno Infantil de Minas Gerais, na competência 04/2006. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em apertada síntese: a) o cerceamento de defesa, porquanto a decisão recorrida não se pronunciou em todos os pontos abordados na peça de defesa; b) a suspensão da exigibilidade deste auto de infração, porque ajuizou ação ordinária n.º 33.095 192011.4.01.3800, para afastar a cobrança da exação, na 7ª Vara Federal de Minas Gerais, cuja antecipação de tutela foi deferida em 08/11/2012; c) que a cobrança de tal contribuição é indevida; d) que há valores lançados indevidamente por se referirem a despesas. Requer que seja reconhecida a nulidade do auto de infração e cancelada a cobrança por ser inconstitucional. Alternativamente, que sejam revistos os lançamentos e cancelada a exigência fiscal, ou que sejam excluídos os valores relativos a despesas, comprovados com os documentos juntados, ou que seja determinada diligência ou perícia para sanar as irregularidades. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos, é de se ver que o levantamento referese exclusivamente à contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, relativa aos valores pagos às cooperativas de trabalho: Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, tal dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida., não havendo base jurídica para a manutenção da autuação. Ainda é de ser observado que os termos art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Regimento Interno do CARF (Portaria n° 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso voluntário. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.725386/201098 Acórdão n.º 2302003.443 S2C3T2 Fl. 525 5 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.012693/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter, novamente, o julgamento em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte de Resolução anteriormente proferida, bem como do resultado da diligência efetuada.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter, novamente, o julgamento em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte de Resolução anteriormente proferida, bem como do resultado da diligência efetuada. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 69 3/ 20 10 -4 4 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.012693/201044 Resolução nº 2302000.330 S2C3T2 Fl. 249 2 Relatório e Voto Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 16/09/2010, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 29/09/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, parte da remuneração paga aos segurados a título de prêmios/utilidade alimentação e valores pagos a segurados constantes das folhas de pagamento e da contabilidade relativos a cartões de premiação, no período de 01/2006 a 12/2006, 03/2007 e 04/2007. O relatório fiscal de fl. 06, diz que as demais competências de 2007 foram lançadas em outro auto de infração, de Código de Fundamento Legal – CFL 78, em virtude da aplicação da multa ter se mostrado mais benéfica, conforme quadro comparativo de multas à fl. 09, que considerou o somatório das multas dos Autos de Infração de Obrigação Principal e Auto de Infração de Obrigação Acessória. Após impugnação, Acórdão de fls.123/129, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário arguindo em síntese: a) cerceamento de defesa devido a falha na descrição do fato gerador; b) bis in idem com o AI 37.286.5518, já que a autuação se refere aos mesmos fatos geradores; c) que os valores não declarados são indenizatórios e as NFLD’s relativas a obrigação principal são ilegais; d) que os valores pagos se prestavam a ressarcir despesas com veículos, cujo entendimento é pacífico nos tribunais quanto a não incidência de contribuição previdenciária; e) que a multa é confiscatória e deveria ter sido aplicada a do artigo 32 A, caput, inciso I,§§ 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91; f) que não foi dito quantas infrações foram cometidas e a multa estaria limitada a R$500,00. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.012693/201044 Resolução nº 2302000.330 S2C3T2 Fl. 250 3 Requer a suspensão do julgamento até a decisão final das NFLD’s e o apensamento do AI 37.286.5518. Requer a reforma do Acórdão recorrido para determinar a nulidade do auto de infração e o cancelamento do lançamento, ou que a multa seja reduzida a R$ 500,00. Aduz que as intimações sejam feitas ao seu patrono. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Da análise dos autos e das alegações recursais, tive o entendimento de que as obrigações principais, relativas aos pagamentos que não foram informados em GFIP, estavam sendo discutidas em outros processos e somente após o julgamento daqueles é que se poderia julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória. Por este motivo, Resolução 2302000.118, de 27/10/2011, converteu o julgamento em diligência para que fosse julgado conjuntamente com os processos que tratam das obrigações principais conexas a este auto de infração. Em resposta à diligência solicitada, informação de fls. 243, traz que: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, capitulado no código de fundamentação Legal n°. 68 DEBCAD 38.286.5526, lavrado em decorrência da empresa não ter informado em GFIP a totalidade de seus trabalhadores, bem como parte da remuneração (prêmios/utilidade alimentação), identificados através da contabilidade, Folhas de pagamento e demais documentos apresentados pela empresa ora fiscalizada e discriminados nos Anexos I a VI e no “relatório de Lançamentos –RL” do Auto de Infração AI DEBCAD 37.286.5577, nas competências 01/2006 a 12/2006, 03/2007 e 04/2007. As contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a estes trabalhadores também não foram recolhidas pela empresa, o que deu origem à constituição do crédito previdenciário lavrado através dos Autos de Infração de Obrigações Principais constantes dos Processos Administrativos Fiscais n°s: 10830.012696/201088 DEBCAD 37.286.5550 10830.012695/201033 DEBCAD 37.286.5542 10830.012697/201022 DEBCAD 37.286.5569 10830.012699/201011 DEBCAD 37.286.5585 10830.012698/201077 DEBCAD 37.286.5577 10830.012700/201016 DEBCAD 37.286.5593 Salientamos que os processos acima estão sendo analisados e julgados por este CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS MFDF, conforme telas do COMPROT anexadas aos autos. Analisando a informação prestada e em consulta ao sítio do CARF na Internet, pude vislumbrar que o Processo Administrativo Fiscal 10830.012698/201077, relativo aos créditos lançados na NFLD 37.286.5577, referentes à alimentação sem inscrição no PAT e aos pagamento de prêmio incentivo, cuja obrigação acessória de informar tais valores em GFIP Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.012693/201044 Resolução nº 2302000.330 S2C3T2 Fl. 251 4 está sendo discutida no presente auto de infração, foi julgada em 12/03/2013, através do Acórdão 2403001.937, da 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, com provimento parcial do recurso voluntário, com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Entretanto, segundo consta do sítio do CARF, o referido PAF encontrase com a interposição de Recurso Especial, que aguarda análise. Desta forma, entendo que não há decisão definitiva de mérito no processo relativo à obrigação principal que permita o julgamento do auto de infração de obrigação acessória, devendo o julgamento ser convertido em diligência para aguardar a decisão final. Ainda, deve ser observado que, em atendimento ao princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99 Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.012693/201044 Resolução nº 2302000.330 S2C3T2 Fl. 252 5 (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Pelo exposto, converto novamente o processo em diligência para aguardar a decisão definitiva no PAF 10830.012698/201077, devendo ser conferida ciência à recorrente desta Resolução, da Resolução de fls. 225/226, bem como da Informação de fls.243, com a abertura de prazo para manifestação. Somente após o cumprimento da diligência retornem os autos a este Colegiado para julgamento. Liege Lacroix ThomasiRelatora Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11634.720600/2011-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2010
DEPENDENTE MAIOR DE IDADE. DOENÇA CONGÊNITA INCAPACITANTE PARA O TRABALHO. COMPROVAÇÃO.
Atestada a condição de maior de idade portadora de doença congênita incapacitante para o trabalho, devem ser restabelecidas as deduções glosadas a ela relacionadas dado o vínculo de dependência.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VÍCIOS FORMAIS DOS RECIBOS SANADOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DESNECESSÁRIA NA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA.
Nos casos em que os vícios formais apontados pela fiscalização são sanados na instância recursal, a alegada falta de comprovação dos pagamentos, desacompanhada de motivação que justifique a não aceitação dos recibos como aptos para esse fim, é insuficiente para a manutenção da glosa.
DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. SÚMULA CARF Nº 40.
Havendo sido emitido o recibo de despesas médicas por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente ineficaz, é encargo do contribuinte comprovar a realização do pagamento por outro meio, assim como a efetiva prestação de serviços, sob pena de glosa da despesa e qualificação da multa de ofício. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 40.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de dependente referente a Andreza Soter nos ano-calendários 2006, 2007 e 2009; de depesas médicas de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), no ano-calendário 2006, de R$ 6.897,44 (seis mil, oitocentos e noventa e sete reais e quarenta e quatro centavos), no ano-calendário 2007 e de R$ 10.063,88 (dez mil e sessenta e três reais e oitenta e oito centavos) no ano-calendário 2009, e de despesas com instrução de R$ 281,03 (duzentos e oitenta e um reais e três centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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DOENÇA CONGÊNITA INCAPACITANTE PARA O TRABALHO. COMPROVAÇÃO. Atestada a condição de maior de idade portadora de doença congênita incapacitante para o trabalho, devem ser restabelecidas as deduções glosadas a ela relacionadas dado o vínculo de dependência. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. VÍCIOS FORMAIS DOS RECIBOS SANADOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DESNECESSÁRIA NA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA. Nos casos em que os vícios formais apontados pela fiscalização são sanados na instância recursal, a alegada falta de comprovação dos pagamentos, desacompanhada de motivação que justifique a não aceitação dos recibos como aptos para esse fim, é insuficiente para a manutenção da glosa. DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. SÚMULA CARF Nº 40. Havendo sido emitido o recibo de despesas médicas por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente ineficaz, é encargo do contribuinte comprovar a realização do pagamento por outro meio, assim como a efetiva prestação de serviços, sob pena de glosa da despesa e qualificação da multa de ofício. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 40. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 06 00 /2 01 1- 19 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de dependente referente a Andreza Soter nos anocalendários 2006, 2007 e 2009; de depesas médicas de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), no anocalendário 2006, de R$ 6.897,44 (seis mil, oitocentos e noventa e sete reais e quarenta e quatro centavos), no anocalendário 2007 e de R$ 10.063,88 (dez mil e sessenta e três reais e oitenta e oito centavos) no anocalendário 2009, e de despesas com instrução de R$ 281,03 (duzentos e oitenta e um reais e três centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 29.937,61 relativo aos anoscalendário 2006, 2007 e 2009. Por bem descrever os fatos sob exame, passo a reproduzir, com a devida vênia, o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, de fls. 02/12, referente aos anoscalendário 2006, 2007 e 2009, exercícios 2007, 2008 e 2010, resultante de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, em que se exige o crédito tributário de R$ 29.937,61, incluídos juros e multa, tendo em vista glosa de deduções com dependente, dedução indevida de despesas médicas (em relação às despesas com o cirurgião dentista Munir Abujamra a multa foi qualificada, lavrandose Representação Fiscal para Fins Penais) e com instrução, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/23) e, a seguir, explicitado em apertada síntese: Anocalendário 2006 1. Dependente: Andreza Storer (R$ 1.516,32) Motivo: ausência de prova da dependência 2. Despesas Médicas Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.720600/201119 Acórdão n.º 2802003.179 S2TE02 Fl. 378 3 2.1. Ana C S Sorace, CPF n° 807.105.06953 (R$ 4.000,00) Motivos: falta da comprovação de forma inequívoca dos pagamentos e tratamento de Andreza Storer. 2.2. Munir Abujamra, CPF n° 042.800.40915 (R$ 15.070,00) Motivos: falta da comprovação de forma inequívoca dos pagamentos e Ato Declaratório Executivo DRF/LON n° 008, de 01/03/2011. Anocalendário 2007 1. Dependente: Andreza Storer (R$ 1.584,60) Motivo: ausência de prova da dependência 2. Despesas Médicas: 2.1. Ana C S Sorace, CPF n° 807.105.06953 (R$ 5.000,00) Motivos: falta da comprovação de forma inequívoca dos pagamentos e tratamento de Andreza Storer. 2.2. CASSI, CNPJ n° 33.719.485/000127 (R$ 1.897,44) Motivo: despesa de Andreza Storer 2.3. Munir Abujamra, CPF n° 042.800.40915 (R$ 6.000,00) Motivos: falta da comprovação de forma inequívoca dos pagamentos e Ato Declaratório Executivo DRF/LON n° 008, de 01/03/2011. 3. Instrução (R$ 281,03) Motivo: despesa de Andreza Storer Anocalendário 2009 1. Dependente: Andreza Storer (R$ 1.730,40) Motivo: ausência de prova da dependência 2. Despesas Médicas: 2.1. Josiani di Carla Pelegrini Fermino, CPF n° 878.933.12904 (R$ 2.700,00) Motivo: falta da comprovação de forma inequívoca do pagamento. 2.2. Josiani di Carla Pelegrini Fermino, CPF n° 878.933.12904 (R$ 1.300,00) Motivo: falta da comprovação de forma inequívoca do pagamento, irregularidade na numeração do recibo e tratamento de Andreza Storer. 2.3. Dayane R de Marchi, CPF n° 004.329.27980 (R$ 2.850,00) Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Motivos: recibos sem endereço e sem CPF profissional e falta da comprovação de forma inequívoca dos pagamentos. 2.4. Dayane R de Marchi, CPF n° 004.329.27980 (R$ 1.150,00) Motivos: recibos sem endereço e sem CPF profissional, falta da comprovação de forma inequívoca dos pagamentos e tratamento de Andreza Storer. 2.5. CASSI, CNPJ n° 33.719.485/000127 (R$ 2.063,88) Motivo: despesa de Andreza Storer 2. Cientificado do lançamento em 01/09/2011 (fl. 256), o interessado tempestivamente a impugnação de fls. 259/268 em 26/09/2011 (fl. 259), acompanhada dos documentos de fls. 269/314, alegando, em síntese, que: a) A fiscalização glosou todas as despesas declaradas com a dependente Andreza Storer (consta das DAA como dependente desde o nascimento em 09/06/1981), alegando que o impugnante não comprovou a filiação e nem a incapacitada para o trabalho e que tal prova fora solicitada no item VI da intimação de 10.05.2011. O impugnante não apresentou comprovante de dependência, porque nunca lhe foi solicitado, como se comprova no contido no item VI da intimação de 10.05.2011: VI ELEMENTOS SOLICITADOS DESPESAS COM INSTRUÇÃO, COM DEPENDENTES E PLANOS DE SAÚDE": Apresentar comprovantes de DESPESAS COM INSTRUÇÃO, COM DEPENDENTES e PLANOS DE SAÚDE, efetuadas nos exercício de 2007, 2008 e 2010, anoscalendário 2006, 2007 e 2009. Portanto, não foi solicitado comprovação de dependência. b) A Fiscalização intimou o Impugnante "a apresentar os recibos de despesas médicas com o profissional Munir Abujamra" "e esclarecimentos acerca dos tratamentos realizados tais como nome do paciente, local e data em que os tratamentos foram realizados, forma de pagamento e comprovante do efetivo pagamento". O impugnante cumpriu tais exigências: apresentou recibos originais, os nomes dos pacientes (Impugnante e sua esposa) e que os recibos referemse a tratamento odontológico. Calcada na Súmula Carf n° 40, a fiscalização invocou Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, "cujo Ato Declaratório Executivo n° 008, em 01 de março de 2011 declarou a inidoneidade dos recibos de tratamentos odontológicos emitidos por MUNIR ABUJAMRA, CPF 042.800.40915 no período entre 01/01/2005 a 31/12/2009". Assim, para a fiscalização, o impugnante não comprovou os pagamentos de forma inequívoca, bem como a realização dos tratamentos odontológicos, de modo que, inclusive, o Auto de Infração deveria ser acompanhado por multa qualificada. O art. 8°, II, alínea "a" da Lei n° 9.250, de 1995, estabelece o direito dos contribuintes à dedução das despesas médicas. Não há lei que obrigue o contribuinte a comprovar a realização do tratamento médico. Porque há tratamentos que o contribuinte não tem como comprovar a sua realização, a não ser pela apresentação do recibo (tratamento psicológico, fisioterápico e odontológico). Portanto, o contribuinte tem o direito de realizar a dedução de tais despesas, mas a lei supracitada e o RIR (art. 80) não estipulam que ele deve guardar provas de que realizou tratamento Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.720600/201119 Acórdão n.º 2802003.179 S2TE02 Fl. 379 5 de cárie ou determinada troca de obturação (princípios da legalidade, e da proteção da confiança legítima ou da boafé). Se a inexistência de prova do tratamento dentário é indício de fraude, isso deve estar amparado em lei. O contribuinte não pode ser tomado de surpresa, tendo provado a despesa por meio de recibo. O argumento da Fiscalização é ilegal quando diz que: Cabe ressaltar que a mera apresentação dos recibos de despesas médicas não são suficientes para concluir que os elementos constantes do mesmo correspondem à realidade, haja vista que os recibos foram considerados para todos os efeitos tributários INIDÔNEOS, consoante com o Ato Declaratório Executivo DRF/LON n9 008. Para justificar a dedução das despesas odontológicas a que se referem os recibos, o contribuinte deve comprovar de forma inequívoca a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento, fatos estes não verificados no presente caso. Antes de autuar, o Fisco deveria ter requerido a realização de perícia odontológica e não simplesmente inverter o ônus da prova, com base em presunção generalizada, a partir do Ato Declaratório Executivo n° 008, em 01 de março de 2011, mas sem respaldo legal. d) Quanto à questão da comprovação do efetivo pagamento, também, não há na lei qualquer obrigação de que os pagamentos para efeito de dedução não podem ser realizados em dinheiro. Notese que o art. 11, §1°, "c" da Lei n° 8.383, de 1991, somente exige a apresentação do cheque quando ausente da documentação a indicação dos dados do médico que recebeu o pagamento. Esse entendimento é respaldado pela jurisprudência do Carf (Acórdão n° 10420605). O contribuinte indicou que pagou o médico, então o imposto de renda deve ser exigido do médico e não daquele. A Fiscalização deve exigir que o médico pague o imposto sobre o que recebeu do Impugnante. e) Requer a produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive, se for o caso, de prova pericial odontológica no Impugnante e sua dependente (esposa), em sua filha dependente, bem como a prova testemunhal, com a oitiva do médico dentista Dr. Munir Abujamra, para comprovar o que a Fiscalização deveria ter comprovado, isto é, a não realização dos serviços. Por fim, pede a improcedência total do lançamento Mantido o lançamento pela instância recorrida, o autuado interpôs recurso voluntário em 17/5/2012, pedindo a anulação do acórdão da DRJ/CTA por ofensa ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e ao princípio da ampla defesa. No mérito, demanda o cancelamento da exigência, alegando, em síntese: as declarações médicas juntadas atestam a relação de dependência de sua filha; foram supridas, mediante declaração da profissional, as falhas apontadas nos recibos emitidos por Daiane R. de Marchi; não existe amparo legal para a exigência de comprovação do pagamento e da prestação de serviços no tocante à dedução de despesas médicas, tampouco impedimento para que esse pagamento se dê em dinheiro; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 alega que a única maneira de comprovar a prestação de serviços é por intermédio da realização de perícia médica; não é porque o "Dr. Abujamra pode ter cometido algum ilícito que se vai generalizar e glosar todas as despesas que seus pacientes tiveram com ele", pois isso violaria a proteção da boafé e da confiança. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da nulidade. Diversamente do que aduz o contribuinte, não houve qualquer violação ao art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, mas sim o correto atendimento aos seus preceitos, pois nesse dispositivo assim consta: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Vejase que o acórdão de primeira instância indeferiu de maneira devidamente fundamentada os pedidos de perícia e de diligência, conforme abaixo transcrito: Nos termos do art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, consideramse não formulados os pedidos de perícia por não atenderem aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, vale ressalvar que o escopo das diligências e perícias era, basicamente, produzir provas que eram do encargo do autuado, como mais adiante se verá, não havendo falar, portanto, em violação do princípio da ampla defesa no particular. Da dedução com dependente. A matéria é regrada pelo art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.720600/201119 Acórdão n.º 2802003.179 S2TE02 Fl. 380 7 III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. (grifei) Observese que, ao contrário do que acontece, por exemplo, com os portadores de moléstia grave, não há exigência de laudo médico oficial para fins de comprovação da incapacidade física ou mental para o trabalho, apta a gerar a relação de dependência entre os filhos e seus pais, nos termos da legislação do imposto de renda. A DRJ/CTA afirmou não haver prova da incapacidade física ou mental para o trabalho de Andreza Storer, filha do contribuinte, no que se refere os anoscalendário 2006, 2007 e 2009. Merece reparos tal assertiva. A instância recorrida apontou, primeiramente (fl. 329), que os documentos de fls. 303/304 (fls. 364/365 do recurso voluntário) e 313/314 não possuem o ateste com o original, mera circunstância de cunho formal que não prejudica a verossimilhança do conteúdo do documento, na ausência de motivos diversos, dado o disposto no § 2º do art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999,1e no art.31 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965. 1 Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Também foi mencionado que no atestado de fl. 304 não era legível o carimbo de profissional médico, o que foi sanado nesta instância recursal com a apresentação do atestado de fl. 369. Já no tocante ao conteúdo dos documentos trazidos quando da impugnação, foi referido que a declaração de fl. 303 não conclui pela incapacidade para o trabalho, apenas afirmando a dependência de supervisão dos pais, o que é correto. Também foi dito que os laudos, resultados de exames e encaminhamento evidenciado nas fls. 305/314 não atestam a incapacidade para o trabalho, nem o início dessa condição. No entanto, o contribuinte trouxe junto com seu recurso voluntário atestado médico nos seguintes termos (fl. 370): Atesto para os devidos fins que a paciente Andrea Storer está impossibilidade para o trabalho definitivamente, incapaz de gerir seus proventos. Dependente economicamente dos pais, informo que a requerente foi submetidas a primeira cirurgia para colocação de válvula meningo peritonial quando com 01 ano de idade. CID: Q 03.9 HIDROCEFALIA CONGÊNITA NÃO ESPECIFICADA (congênita = desde o nascimento) F 72 DEFIC. MENTAL. Ora, sendo a dependente portadora de problema de saúde congênito, bem como de doença mental grave (CID F72), não é razoável a exigência de discriminação da data de início de sua incapacidade para o trabalho. De resto, vale realçar que a descrição das enfermidades e condições de saúde que afligem a referida, realizadas nesse atestado, é plenamente coerente com os demais documentos carreados aos autos pelo contribuinte, mais acima citados, razão pelo qual impende reconhecer sua incapacidade para o trabalho e a condição de dependente do autuado nos anoscalendário sob exame. Por conseguinte, devem ser restabelecidas as seguintes deduções informadas nas Declarações de Ajuste Anual do contribuinte, em relação as quais as glosas foram mantidas no julgamento de primeiro grau unicamente por estarem relacionadas à dependente Andreza Storer: Anocalendário 2006: R$ 1.516,32 (dedução com dependente); Anocalendário 2007: R$ 1.584,60 (dedução com dependente); R$ 1.897,44 (despesa médica com a CASSI); R$ 281,03 (despesa com instrução); Anocalendário 2009: R$ 1.730,40 (dedução com dependente); R$ 2.063,88 (despesas médica com a CASSI). Das despesas médicas. (...) § 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.720600/201119 Acórdão n.º 2802003.179 S2TE02 Fl. 381 9 A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) A análise das despesas médicas a seguir realizada tem como pressuposto já estar comprovada a condição de dependente de Andreza Storer, de acordo com o examinado no item anterior deste Voto. Anocalendário 2006 Foram glosadas despesas médicas correspondentes aos recibos emitidos pela fonoaudióloga Ana Cláudia Sorace (fls. 109/116, no total de R$ 4.000,00, por falta de comprovação dos pagamentos), e pelo odontólogo Munir Abujamra (fls. 33/39, no total de R$ Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 15.070,00, por falta de comprovação dos pagamentos e Ato Declaratório DRF/LON nº 008, de 01/03/2011). No que se refere à despesa médica com Ana Cláudia Sorace, o contribuinte trouxe declaração da referida em que, além de ser confirmado o teor dos recibos apresentados pelo contribuinte, há a descrição dos serviços prestados e dos valores cobrados (fl. 368). Em que pese o valor probatório relativo que documentos do gênero possuem, deve ser registrado que os serviços prestados são congruentes com as patologias que acometiam a dependente do autuado, e as quantias pagas não extrapolam o que o mercado usualmente cobra por procedimentos do gênero. À míngua de evidências que desabonem tal declaração, bem como os recibos, deve ser restabelecida a correspondente dedução. Tal consideração não aproveita, contudo, no que tange às pagamentos realizados ao dentista Munir Abujamra, glosados pela fiscalização com a imposição de multa qualificada, contra a qual, anotese, não foi vertida irresignação específica no recurso voluntário. A inidoneidade dos recibos emitidos por Munir Abujamra, CPF n° 042.800.04915, no período de 1/1/2005 a 31/12/2009, está assentada em face da existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/LON n° 008, de 1º/3/2011 (fl. 42), publicado no Diário Oficial da União de 11/3/11. Incide no particular, os termos da Súmula CARF nº 40: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Decerto a aplicação desse enunciado requer a devida ponderação, pois é factível que nem todos os recibos emitidos por profissionais enquadrados na situação nela prevista estejam vinculados a serviços que não tenham sido, efetivamente, realizados, malgrado a presunção relativa de sua inexistência estabelecida nessa Súmula. Não obstante, suas prescrições, de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do seu Regimento Interno (RICARF Portaria MF nº 256, de 22/6/2009), impõem dever de rigorosa cautela por parte do intérprete. No caso concreto deve ser frisado que o contribuinte não comprovou os pagamentos em tese realizados, alegando simplesmente que foram feitos em pecúnia com "valores sacados junto ao banco, somado com outros pagamentos de vários compromissos, oriundos de uma indenização recebida do Banco Brasil, e constado na respectiva IRPF" (fl. 47). Cabe consignar que os pagamentos alegadamente realizados em dinheiro foram todos de valores elevados: R$ 3.500,00 em 17/4/2006, R$ 2.400,00 em 15/10/2006, R$ 2.150,00 em 28/10/2006), R$ 1.000,00 em 20/3/2006, R$ 2.800,00 em 24/6/2006, R$ 1.900,00 em 25/7/2006 e R$ 1.320,00 em 12/12/2006. Causa espécie que todos esses pagamentos tenham sido realizados por essa via, e não com emissão de cheque ou documento similar, tanto mais quando é afirmado que tais montantes foram sacados no banco, ou seja, estavam neste disponíveis. Aliás, deve ser Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.720600/201119 Acórdão n.º 2802003.179 S2TE02 Fl. 382 11 ressalvado que o mero apontamento de saques em extratos bancários, sem coincidência nem sequer proximidade, seja em data, seja em valores, com os registros constantes nos recibos, não se consubstancia sequer em indício da existência dos aventados pagamentos. A postulação do contribuinte no sentido de que caberia à fiscalização ou ao órgão julgador promover diligências ou perícias para verificar a efetividade dos serviços queda descabida, não só por ser ônus seu comprovar as deduções que pleiteia nas suas Declarações de Ajuste, mas também porque ele próprio trouxe no seu recurso voluntário (fls. 371/373) prontuário de odontóloga relativo a outras despesas que declarara, denotando, assim, a possibilidade fática de serem comprovados serviços congêneres. Portanto, cabe a aplicação da Súmula CARF nº 40 ao caso em comento, inclusive no tocante à imposição de multa qualificada, pois os recibos inidôneos, e de montantes individuais elevados, não foram acompanhados de quaisquer indícios da realização dos serviços a que se referem, tampouco de evidências da efetivação concreta dos pagamentos. Nesse passo, mantémse a glosa das deduções a eles correspondentes. Anocalendário 2007 Foram glosadas despesas médicas correspondentes aos recibos emitidos pela fonoaudióloga Ana Cláudia Sorace (fls. 77/84), no total de R$ 5.000,00, por falta de comprovação dos pagamentos), relacionado à dependente Andreza Storer, e por Munir Abujamra (fl. 57, no total de R$ 6.000,00, por falta de comprovação dos pagamentos e Ato Declaratório DRF/LON nº 008, de 01/03/2011). As razões expendidas quanto aos recibos médicos emitidos por Ana Cláudia Sorace relativamente ao anocalendário 2006 são perfeitamente aplicáveis, mutatis mutandi, ao ano em comento, motivo pelo qual deve ser restabelecida a dedução de R$ 5.000,00 referente a essa profissional. Também reportome aos fundamentos do anocalendário 2006 para manter a glosa e a qualificação da multa no que diz respeito aos pagamentos efetuados a Munir Abujamra no anocalendário 2007. Vale mencionar, de todo modo, que para o ano em foco, o contribuinte disse que "os pagamentos foram efetuados em espécie várias vezes, conforme os tratamentos iam sendo executados pelo profissional, de acordo com os saques efetuados no Banco do Brasil, assinalados no extrato anexo, sendo emitido um único recibo ao final do tratamento e pagamentos" (fl.56). Melhor sorte não favorece o contribuinte mediante tal arrazoado. É inviável estabelecer qualquer liame convincente entre pagamentos de valores indefinidos, realizados em datas não especificadas, com os saques que o autuado assinalou nos extratos apresentados às fls. 58/67. De toda sorte, por conseguinte, cabe manter, repitase, a glosa levada a efeito pela fiscalização no particular. Anocalendário 2009 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Foram glosadas despesas médicas correspondentes aos recibos emitidos pela odontóloga Josiane Fermino, R$ 2.700,00 por falta de comprovação do pagamento, e R$ 1.300,00 por falta de comprovação do pagamento e irregularidade na numeração (fls. 193/194), bem como as atreladas aos recibos emitidos por Dayane Marchi, R$ 4.000,00 por falta de endereço, CPF e comprovação do pagamento (fls. 195/206). As irregularidades formais apontadas pela fiscalização e que deram azo à glosa dos recibos emitidos por Josiane Fermino foram devidamente sanadas e explanadas mediante a declaração de fl.371, e, na ausência de evidências que restem desabonando o teor dessa declaração e dos recibos, deve ser restabelecido como dedução o total de R$ 4.000,00 pagos a essa profissional, ainda que se admita o valor relativamente alto constante nesses recibos. No mesmo rumo seguem as deduções vinculadas a Dayane Marchi, para os quais os vícios formais constantes nos recibos foram superados tendo em vista o declarado por essa profissional no documento de fl. 367, o qual é acompanhado, merece realce, do prontuário do contribuinte e da dependente Andreza Storer (fls. 372/373). Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer dedução de dependente referente a Andreza Soter nos anocalendários 2006, 2007 e 2009; de depesas médicas de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), no anocalendário 2006, de R$ 6.897,44 (seis mil, oitocentos e noventa e sete reais e quarenta e quatro centavos), no anocalendário 2007 e de R$ 10.063,88 (dez mil e sessenta e três reais e oitenta e oito centavos) no anocalendário 2009, e de despesas com instrução de R$ 281,03 (duzentos e oitenta e um reais e três centavos). (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13603.001929/2004-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003
PIS SOBRE O ICMS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 19 29 /2 00 4- 41 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de Belo Horizonte, abaixo transcrito: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 05/11, relativo à Contribuição para o PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 107.152,35, incluindo multa de ofício e juros Moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls.06/07. A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 07. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 12/13 consta que o faturamento foi determinado a partir dos valores registrados no Livro de Registro de Apuração de ICMS (fls. 37 a 70), tendo sido confrontado com a DCTF, apurandose as diferenças de fls. 31 e 32. Cientificado em 14/12/2004 (fls. 75), o interessado apresentou, em 11/01/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 77/106, acompanhado dos documentos de fls. 107/112, com as suas razões de defesa, assim resumidas: Ocorreu arbitramento de receita/faturamento determinado mediante a receita conhecida consignada nos Demonstrativos de Apuração e Informação do ICMS, sob o fundamento de que não foram apresentados os valores corretos nas DCTF's. Ressaltese, que, em sendo o auto de infração um ato administrativo sempre regrado e vinculado, para merecer validade administrativa e eficácia jurídica, deve preencher os requisitoscondição que lhe dão embasamento e suporte, a fim de se constituir numa peça séria, segura, com retidão e lisura. Constatase que o lançamento tributário atropelou como um rolo compressor as normas de estrutura do nosso ordenamento legal tributário, estando viciado e fadado à total nulidade. O Fisco não excluiu da receita bruta os tributos incidentes sobre a operação, nem os custos, nem as despesas, ou seja, não considerou as deduções previstas pela legislação federal. Ocorre que somente após as deduções permitidas e estabelecidas em lei é que se encontra a real receita, que após deduzidas as despesas e os custos, compõe a base de cálculo para apuração da Cofins. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001929/200441 Acórdão n.º 3801004.369 S3TE01 Fl. 12 3 Os agentes fiscais utilizaram como base de cálculo simplesmente a soma de todas as notas fiscais de vendas, desconsiderando que sobre tais operações, para fins de apuração da base de cálculo dos impostos, devem ser excluídos os impostos incidentes sobre vendas e o custo das mercadorias. De acordo com os ditames do art. 225 do Regulamento do Imposto de renda, o lucro bruto corresponde à diferença entre a receita liquida das vendas e o custo dos bens vendidos. É óbvio e ululante que se as mercadorias foram vendidas e o resultado das vendas foi considerado pelos agentes fiscais na apuração da Cofins, deve ser admitido e considerado o correspondente custo. Além disso, para obtenção do lucro liquido, devem ser computadas todas as despesas necessárias para a obtenção da receita. Se assim não proceder, será tributada a receitas das vendas, incluindo o capital, e não o lucro decorrente das operações, com violação ao art. 43 do CTN. Foi em decorrência da ausência destas exclusões (imposto s/ vendas; custo das mercadorias vendidas; despesas gerais) que o fisco concluiu pela omissão de receita. Tivesse computado todas as exclusões permitidas em lei e não teria encontrado a omissão de receitas. A C.F. autoriza a Unido a cobrar o Imposto de Renda sobre o acréscimo patrimonial, mas não a tributar o somatório de toda a receita bruta auferida pela empresa, como se para auferila não tivesse havido nenhum dispêndio de despesa ou custo. Isso significa tributar o próprio patrimônio e não o lucro. Pelos motivos expostos temse que ocorreu nulidade de lançamento, devendo ser julgado improcedente o lançamento. A Lei n° 9.718/98 violou diversos dispositivos constitucionais, o que não pode ser mantido, havendo que ser reconhecida a inexigibilidade do PIS incidente sobre todas as receitas (e não apenas a receita bruta) da empresa. Não pode a EC 20/98 retroagir e atingir período em que foi editada a lei n° 9.718/98, somente podendo ter efeitos para o futuro. Pelo principio da eventualidade, apenas ad argumentadum tantum, cumpre ressaltar que ainda que por absurdo se cogitasse de sua eficácia, deve ser respeitado o principio da anterioridade nonagesimal, o que foi violado ao determinar seus efeitos para 012.02.99. Diante da inconstitucionalidade manifestada pelas eivas ora apontadas, provocada pelos contribuintes lesados, e em face do não reconhecimento da mesma pelo V. acórdão, em afronta direta Fl. 147DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 aos dispositivos constitucionais invocados, cabe a este conspícuo tribunal declarar a inconstitucionalidade da exigência do PIS com base na Lei n° 9.718/98, bem como reconhecer o direito à compensação dos valores que a recorrente, indevidamente e compulsoriamente, recolheu aos cofres públicos. Um percentual de multa de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário é extremamente exorbitante, sendo que o percentual aplicado acaba por arrancar uma parcela do patrimônio dos contribuintes. Este é o caráter confiscatório da multa exigida. Latente é a impossibilidade de a Taxa Selic incidir sobre os débitos fiscais pois, em razão de sua natureza remuneratória, esta não pode ser adotada validamente como taxa de juros de mora, sendo que neste sentido vem sendo o entendimento de nossos tribunais superiores. Se absurdamente considerarse que são devidos juros e a multa moratórios, incontestável é o direito do contribuinte à utilização de juros de mora de 1% ao mês para atualização dos seus débitos, pois a Taxa Selic que a lei pretende equiparar a juros moratórios possui natureza remuneratória e a sua utilização, naqueles moldes, desobedece a regra contida nos artigos 161, § 10 do CTN e 192, § 3° da CF/88, bem como a redução da multa, posto seu caráter nitidamente confiscatório, em ofensa ao art. 150, IV da CF/88. Requer a improcedência do lançamento. Analisando o litígio, a DRJ de Belo Horizonte entendeu por bem manter parcialmente o lançamento realizado, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 Nulidade Descabe a arguição de nulidade quando se verifica que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e, em consonância com a legislação de regência. Base de cálculo De acordo com a Lei no 9.718, de 1998, aplicável a partir de 10 de fevereiro de 1999, a base de cálculo da Cofins e do PIS é o faturamento. Lançamento Procedente em Parte. Consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: . O valor tributado pelo PIS não pode ser, única e exclusivamente, a receita bruta auferida pela totalidade das vendas efetuadas, sem quaisquer descontos. . O fisco utilizou dados fornecidos pelo fisco estadual, que dizem respeito unicamente com a apuração do ICMS. . Depois de receber estas informações, deveriam os fiscais fazer intimações para a empresa prestar esclarecimentos a respeito dos valores lançados nos DAPI's, pois existem hipóteses legais em que o ICMS é devido, sem que se configure hipótese de Fl. 148DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001929/200441 Acórdão n.º 3801004.369 S3TE01 Fl. 13 5 incidência de PIS, como, por exemplo, as transferências de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, em que existe a regra matriz de incidência do ICMS e não está presente a do PIS. . Os agentes fiscais utilizaram como base de cálculo os valores informados em DAPI's, sem conceder nenhuma oportunidade de se comprovar e fornecer informações pertinentes ao PIS, como devoluções, transferências, vendas canceladas, e outros fatos que interferem diretamente na apuração dos tributos em questão. . Dentre os valores incluídos indevidamente na base de cálculo da contribuição exigida no auto de infração, encontrase o próprio ICMS. A inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, além de implicar exigência de contribuição sobre imposto, distorce a base imponível das exações na medida em que valores estranhos ao faturamento, consistente na totalidade das receitas decorrentes de venda de mercadorias e prestações de serviços, são, indevidamente, a ele (faturamento), agregados. Requer a reforma da decisão recorrida na parte em que foi desfavorável, mantendo a decisão na parte que foi favorável e julgando improcedente o lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Afirma a Recorrente que o agente fiscal, em sua apuração, utilizou dados fornecidos pelo fisco estadual, que dizem respeito unicamente com a apuração do ICMS. E que deveria a Recorrente ter sido intimada a prestar esclarecimentos a respeito dos valores lançados nos DAPI's, pois existem hipóteses legais em que o ICMS é devido, sem que se configure hipótese de incidência de PIS. Destaca a hipótese de transferências de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, em que existe a regra matriz de incidência do ICMS e não está presente a do PIS. Argui também não ter tido nenhuma oportunidade de comprovar e fornecer informações pertinentes ao PIS, como devoluções, transferências, vendas canceladas, e outros fatos que interferem diretamente na apuração dos tributos em questão. Quanto às vendas canceladas, a DRJ procedeu à sua exclusão da base de cálculo do PIS em comento, quanto aos meses em que houve registro de devoluções de vendas, considerando as informações dos Demonstrativos de Apuração e Informação do ICMS. E, quanto aos valores correspondentes a transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente, estes não foram considerados na composição da base de cálculo do PIS, conforme se depreende da apuração fiscal. Descabe, portanto, tal argumento. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Alega que dentre os valores incluídos indevidamente na base de cálculo da contribuição exigida no auto de infração, encontrase o próprio ICMS. E que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, além de implicar exigência de contribuição sobre imposto, distorce a base imponível da exação. Com relação à incidência do PIS sobre o ICMS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS, já que esse valor, ainda que assim não entenda a Recorrente, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório da Recorrente. Em que pese os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em recente análise do Recurso Extraordinário nº. 240.785, tenham decidido pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, aquele julgamento apenas afetou a parte envolvida. Ademais, houve a propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento, que irá reexaminar a matéria, e que alcançará todos os contribuintes. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 19/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13827.000245/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2
Numero da decisão: 2802-000.015
Decisão: Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, RESOLVEM sobrestar o julgamento com fundamento no parágrafo único do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de
dezembro de 2010), nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Lucia Reiko Sakae
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