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Numero do processo: 10715.008368/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.
No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 83 68 /2 00 9- 60 Fl. 376DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 2/9), para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 45.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 9 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Segundo a Fiscalização, a Recorrente registrou intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos Despachos de Exportação (DDE) relacionados na planilha juntada às fls. 10/11 (informações extraídas do SISCOMEX EXPORTAÇÃO), descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra se estabelecida no art. 37 do Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Que o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE). Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do lançamento, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Na decisão de piso (prolatada pela DRJ em Florianópolis/SC), destacou o julgador administrativo que “a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, aumentou o prazo para o transportador registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque da mercadoria”, aplicandose retroativamente com base no disposto no art. 106, II, do CTN. Quanto às demais alegações, a DRJ afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 18/11/2010 e, não concordando, interpôs em 16/12/2010 o Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do Auto de Infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, resumida nas seguintes razões: 1) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 377 3 2) que a planilha com dados extraídos do SISCOMEX que integra o presente Auto de Infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no Sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no SISCOMEX; 3) o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; 4) que as mercadorias embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a Solução de Consulta n° 215/04 da RFB, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta. Por fim, acrescentou as seguintes razões: (i) o caráter confiscatório da multa e (ii) da possibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF, que após serem analisados, foi proferido o Acórdão nº 3803006.287 (3ª Turma Especial), sessão de 22/07/2014 (fls. 142/149), que no voto condutor, o Relator aduz que "em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. Contudo, dois dos argumentos trazidos pelo Recorrente na segunda instância mostramse cabíveis no presente julgamento". Ao final, decidem que no caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no SISCOMEX, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 142): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei) Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF (Acórdão nº 9303003.788, de 26/04/2016, fls. 288/296), deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela RFB para a prestação de informações à administração aduaneira. Fl. 378DF CARF MF 4 Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Turmas Ordinárias (TO) para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte em seu recurso. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, cabe informar que a Recorrente, lançou mão ao Poder Judiciário e a Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF01, proferiu decisão no Agravo de Instrumento nº 1005165 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 100696887.2016.4.01.3400), em que restou cassada a liminar concedida do MS 100696887.2016.4.01.3400, impetrante SOCIETE AIR FRANCE (fls. 325/374). Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do Acórdão proferido na Turma Especial, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do Relator têlos citados em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos aduzidos no recurso voluntário da Recorrente. Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e repisa no recurso que (i) ocorreu erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do SISCOMEX, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Acrescentou no recurso as seguintes alegações: (vii) caráter confiscatório da multa e (viii) impossibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas, matéria esta, já enfrentada e decidido pelo seu afastamento pela 3ª Turma da CSRF. 1. Da alegada Nulidade do lançamento Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento, ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria provas do cometimento da infração, entendo que nos dois argumentos não assiste razão à Recorrente, explico. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 378 5 Desta forma aduz a Recorrente, "(...) O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional". Pois bem. Verificase no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 5 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, na alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF nº 510/2005. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei) Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De outra forma, a multa em apreço é decorrente, tãosomente, da impontualidade da interessada quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, infração essa que, se não informada, seria passível de conhecimento pela autoridade aduaneira. Portanto, perfeitamente tipificada a infração. Quanto a alegação de que não haveria provas do cometimento da infração, resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados nos demonstrativos de fls. 10/11, separado por numero de DDE, sendo que tais informações foram extraídas do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas as informações relativas ao comércio exterior (incluindo o registro de embarque de mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a partir inclusive, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregados ou representantes legais. Alega também a Recorrente que, "(...) A planilha Siscomex que integra o presente auto de infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no Siscomex, conforme comprovado abaixo (...)". Fl. 380DF CARF MF 6 Ora, se houve alguma das informações relacionadas na planilha de forma incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido pela Fiscalização. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborada pela Fiscalização e anexada às fls. 10/11. Quanto ao alegado que o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto de Infração, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento de psio, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi observado, tanto no lançamento tributário, como no curso do devido processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade alegada pela Recorrente quanto ao possível erro de enquadramento legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o tipo infracional está perfeitamente descrito na norma e se coaduna com o fato ocorrido, qual seja, o atraso na prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verificase que as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX. 2. Da contagem do prazo para inserção dados de embarque retroatividade benigna Sustenta a Recorrente que, (...) As mercadorias descritas no item III, embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a solução de consulta n° 215/04 da Receita Federal, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta". Afirma que a redação da Solução de Consulta n° 215/04, é clara ao afirmar que não há justificativa para que se considere o início da contagem de prazos às sextasfeiras, sábados, domingos e feriados já que "tal procedimento apenas aumenta o Custo Brasil sem nenhum incremento visível de performance da fiscalização aduaneira". Quanto a contagem dos prazos, o Fisco acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Art. 210 Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 379 7 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (grifei). No entanto, neste caso, não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada, uma vez que a obrigação deve ser efetuada pela própria Recorrente em seu estabelecimento. Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Como se observa, o nosso entendimento é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT nº 215, de 2004. Contudo, alerto que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Desta forma, encontrase correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo, o que totalizou 09 vôos, no caso em apreço, resultando no valor de R$ 45.000,00. No entanto, há que se destacar que o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, desta forma dispunha na época dos fatos (redação dada pela IN RFB 510, de 2005): Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Considerando o teor do excerto supra e o fato de que a autuação se refere a embarques ocorridos no mês de julho de 2005, é possível constatar que, no momento da ocorrência das infrações apontadas pela Fiscalização, vigia a redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, dada pela IN SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que fixava o prazo de 2 (dois) dias para a prestação das informações no Siscomex. Contudo, posteriormente, foi editada a IN RFB n.º 1.096, de 13 de outubro de 2010, que alargou para 7 (sete) dias o prazo para a prestação das informações de embarque. Vejase: Art. 1º Os arts. 37, 41 e 52 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Grifei) Como se vê do artigo acima, a Instrução Normativa nº 1.096/2010 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no SISCOMEX os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque, e que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como Fl. 382DF CARF MF 8 infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados, não resta dúvidas quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração, a inserção de dados no SISCOMEX realizada anteriormente ao prazo de 07 dias da data de embarque. No mesmo diapasão, destacase que a aplicação da retroatividade benigna do prazo estabelecido pela IN RFB nº 1.096/2010, também já é matéria pacificada neste Colegiado. Mesmo que haja opiniões divergentes acerca da aplicação a fatos pretéritos das dilações de prazo introduzidas pelas Instruções Normativas que alteraram a IN SRF nº 28/94, o fato é que a própria Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14/02/2008, admitiu tal possibilidade. Vejase no trecho abaixo: “9. Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” Ante ao acima exposto, entendo que este Conselho não pode ignorar a interpretação que a própria Administração Tributária deu ao assunto, flagrantemente favorável ao administrado, mesmo que, em alguns casos, a retroação de prazos legais possa parecer indevida. Nesse diapasão, considerando os dados apurados pela Fiscalização presentes no Anexo do Auto de Infração (planilha de fls. 10/11), devem ser canceladas as parcelas da multa exigidas com base no prazo de 2 (dois) dias, que não excederem o prazo de 07 (sete) dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, alíneas "a" e "b" do Código Tributário Nacional (CTN), que trata da retroatividade benigna. Por conseguinte, da análise da tabela acostada aos autos de fls. 10/11, temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação DDE, cujos embarques foram efetuados e informados nos seguintes dias: 01/10, 07/10, 08/10, 12/10 e 15/10, todos de 2005, visto que ultrapassado o prazo de 07 dias estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010), sendo exoneradas as penalidades em que a prestação de informações ocorreu em prazo inferior. Como o critério estabelecido para aplicação da penalidade em considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo e, restaram 05 vôos sujeito à infração, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 25.000,00. 3. Da alegada prova imperfeita indisponibilidades do SISCOMEX Aduz em seu recurso que, "(...) O Siscomex inegavelmente apresenta falhas técnicas (comprovadas abaixo que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 380 9 ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa". No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado, tenhoo como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas descrevendo algumas que se teriam verificado inclusive em períodos distintos ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. Assim, a pretensão calçada nesse argumento não tem como prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada. No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que as datas informadas como sendo do registro dos dados de embarque seriam, na verdade, as datas das averbações ou que as mesmas não refletem as tentativas de registros por parte da transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos. Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e judicial trazidas aos autos para sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária comprovação das falhas no SISCOMEX. Quanto às alegações no tocante à aplicação da IN RFB n.º 835/2008, que trata de normas de contingência, é de se destacar que referida norma traz em seu bojo as situações em que se aplicaria e, principalmente, os ritos para que se contingenciassem problemas de origem técnica determinando procedimentos a serem cumpridos pelos interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que tais procedimentos tenham sido adotados no período da autuação em relação à autuada. Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993) Grifei 4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37, era entendida pela RFB como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003: Fl. 384DF CARF MF 10 “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". Posto isto, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela Administração Tributária para a apresentação dos dados relativos ao embarque. 5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade caráter confiscatório da multa O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes. Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade e da razoabilidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto e darlhe parcial provimento, para manter o lançamento referente aos embarques informados nos seguintes dias: 01/10, 07/10, 08/10, 12/10 e 15/10, todos de 2005, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 25.000,00 (conforme disposto no item "2" deste voto). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 381 11 Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688672/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/03/2005
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/03/2005 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 86 72 /2 00 9- 75 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.688672/200975 Acórdão n.º 3302005.940 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1631.133. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.688672/200975 Acórdão n.º 3302005.940 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.688672/200975 Acórdão n.º 3302005.940 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18019.000332/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 1201-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros).
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
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BERNARDO LEAL ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 01 9. 00 03 32 /2 00 9- 05 Fl. 449DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 450 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros). Relatório O acórdão nº 1133.433, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife, julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar e nulidade do procedimento fiscal. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA SIMPLES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. JUROS DE MORA COM BASE NA SELIC e LEI COMPLEMENTAR N°105/2001. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do mister de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. Impugnação Improcedente Fl. 450DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 451 3 Crédito Tributário Mantido O acórdão recorrido narrou os fatos com exatidão, que proporcionaram a imposição fiscal: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 194 a 262, para exigência de créditos tributários, referentes ao anocalendário de 2006, adiante especificados: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuado junto à contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, bem como do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal às fls.190/193 consta que, a fiscalização detectou que a receita bruta declarada pela empresa era bastante inferior à movimentação financeira efetuada em sua conta bancária junto ao Banco do Brasil S.A. Intimada A comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas mesmas, a contribuinte não comprovou através de documentação hábil e idônea, ensejando a presunção de omissão de receita de iguais valores de acordo com o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, a fiscalização procedeu A autuação apontando as seguintes irregularidades: 1) OMISSÃO DE RECEITA, nos meses de janeiro a dezembro de 2006, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), decorrente da diferença entre as bases de cálculo declaradas na PJS1/2007 e os valores creditados em conta corrente da contribuinte cujas origens não foram comprovadas através de documentação hábil e idônea, já expurgados as devoluções de cheques e estornos de depósitos bloqueado, aplicandose a alíquota apropriada a cada período de apuração. 2) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de janeiro a dezembro de 2006, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), decorrente da diferença apurada relativa à utilização de percentual inferior ao efetivamente aplicável sobre a receita bruta declarada na PJSI/2007. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 452 4 a sua peça impugnatória, às fls.267 a 288 na qual questiona integralmente os autos de infração, apresentando seus argumentos de defesa, abaixo descritos sucintamente. I Dos aspectos introdutórios e preliminares. Que a fiscalização deveria ter excluído, das receitas consideradas tributáveis, os custos usuais da atividade empresarial, desta forma resultando "num inchaço injusto da base de calculo dos tributos"(sic). Alega também que a fiscalização, tendo observado a existência de depósitos em contas bancárias da autuada bastantes superiores aos escriturados no Livro Caixa, teria o dever de proceder ao lançamento na forma de arbitramento do lucro, da mesma maneira que no caso do lucro presumido. Assevera ainda que, no presente caso, a forma de tributação pelo lucro presumido e pelo SIMPLES são similares pois exigem a mesma obrigação do Livro Caixa com o registro da movimentação bancária, cabendo, pois, a consideração da imprestabilidade da escrita contábil e conseqüente arbitramento do lucro. A autuada afirma em síntese que, existindo a convicção da imprestabilidade dos registros fiscais/contábeis (Livro Caixa, art. 190, parágrafo único, inciso I, do RIR199) existiria ao fisco exclusivamente a opção legal do arbitramento do lucro, independente do regime de tributação. Requer ainda a improcedência do lançamento sob a alegação da inexistência no lançamento da certeza da ocorrência da omissão de receita nos termos do art. 112 CTN, combinado com o art. 3° do mesmo dispositivo legal. A impugnante também se insurge contra a presunção de omissão de receita com base em depósitos bancários, afirmando que o que restou verificado foi apenas uma movimentação bancária mensal, a qual não teria a capacidade de ser tomada como base de incidência de tributos, antes da adoção dos procedimentos previstos no art. 849 e parágrafos doRIR/99. Assevera ainda que havia informado A. fiscalização de que tais depósitos, apesar de constarem da conta corrente da contribuinte, pertenciam a terceiros, cabendo ao fisco investigar em busca da verdade dos fatos. A autuada requer a nulidade dos autos em lide afirmando que os mesmos não se encontram formalizados de acordo com o disposto no art. 100 do Decreto n° 70.235/77, em face de não conterem à devida e clara discrição dos fatos ensejando a preterição do direito de defesa. Sobre o assunto transcreve entendimentos doutrinários, Acórdãos do CARF, e jurisprudência. Também se insurge contra o lançamento alegando ser desproporcional capacidade contributiva da pessoa jurídica, ferindo pois o disposto no art. 145, parágrafo único da CF. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 453 5 Sobre a capacidade contributiva transcreve entendimentos doutrinários. A impugnante também se insurge contra a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios. Alega ainda a impossibilidade de a fiscalização exigir da contribuinte o fornecimento da documentação comprobatória de sua movimentação bancária financeira, não podendo confundir se com renda/rendimento ou acréscimo patrimonial, estes únicos fatos geradores do IR e CSLL. Também se insurge contra o lançamento afirmando ter havido quebra do sigilo bancário alegando a inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105/2001. Afirma ainda a autuada que os depósitos bancários representariam um marco indiciário da investigação fiscal, não podendo sustentar a presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, sob a alegação de falta de correlação natural exigida sendo "o encargo probatório totalmente transferido para o contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida" (sic). II Das razões de mérito. A impugnante afirma não ter tido condição temporal e material para apresentar os documentos comprobatórios da regularidade de seu negócio (lavagem e tinturaria de tecidos), não lhe sendo garantido o direito de acompanhar devidamente a instrução processual, "já que nessa oportunidade, também deverá ser realizados os expedientes de provas que a referida norma legal exige" (sic) Ressalta mais uma vez o fato de a fiscalização não ter considerado os custos de suas atividades, representados pelos cheques emitidos (a débito da conta bancária), bem como se insurge contra o lançamento com base em presunção, alegando que o fisco deveria ter aprofundado as investigações no sentido de aferir com precisão a matéria tributável. Neste item a impugnante reafirma as razões apresentadas no item I alegando que a fiscalização não determinou com a indispensável precisão a matéria tributável, transferindo ilegalmente essa competência ao contribuinte, afrontando a previsão contida no art. 142 do CTN. III Do pedido. Diante das razões trazidas a impugnante requer a improcedências dos lançamentos em lide, e a adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem necessárias para o completo afastamento das suspeitas fiscais. Caso persistirem, seja levado em conta que o valor de R$ 2.156.924,48 seria logicamente suficiente para aniquilar o negócio da autuada. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 454 6 Requer ainda a nulidade dos lançamentos constantes do presente processo, em face de a fiscalização não ter utilizado o regime pelo lucro arbitrado, bem como das preliminares suscitadas, com fundamento no art. 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72. Caso ultrapassadas as preliminares suscitadas a impugnante requer a improcedência da exigência fiscal no que se refere à formulação da base de calculo dos tributos, visto que assentada em levantamento desprovido de qualquer consistência legal. O contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário (efls. 418 a 438), reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa, sem qualquer nova prova que infirmasse o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido confirmou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício: Inicialmente analisaremos à preliminar suscitada a respeito da falta de descrição dos fatos que ensejaria nulidade em face de cerceamento do direito de defesa. Constitui parte integrante dos autos de infração o "Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal" às fls. 190/193 onde consta minuciosamente descrita a ação fiscal em lide, juntamente com os Demonstrativos de Apuração dos Valores Não Recolhidos, (fls. 197/205) e de Apuração do Imposto/Contribuição Sobre as Diferenças Apuradas fls. 206/211. A fundamentação legal constante dos citados autos e as penalidades cabíveis estão corretamente discriminados tipificando perfeitamente a infração cometida em atendimento ao principio da legalidade, portanto, o pleno conhecimento dos valores lançados, das bases infringidas e da descrição dos fatos contidas nos autos de infração, garantiram o pleno direito de defesa da contribuinte, o qual foi exercido, quando contestou o mérito do lançamento analisado a seguir. Diante do acima exposto, e contendo o presente lançamento todos os requisitos prescritos no art. 10 do citado Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, Fl. 454DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 455 7 não há, pois, que se falar em nulidade do auto de infração em lide. (...) Quanto à nulidade do lançamento requerida em face de a fiscalização não ter utilizado a opção de arbitramento do lucro não assiste razão a impugnante pelo exposto a seguir. A autuada era optante pela tributação no SIMPLES Federal. A adoção por este regime de tributação implica no pagamento mensal unificado de seus tributos e contribuições mediante aplicação, sobre a receita bruta auferida, de percentuais previstos em lei, de acordo com a receita bruta mensal acumulada. Desta forma, não há que se falar em tributação sobre o lucro. Não cabendo as regras previstas para as demais pessoas jurídicas não optantes pelo sistema simplificado as quais poderão optar pela tributação sob o lucro real trimestral ou anual, presumido ou arbitrado. Vale ressaltar que, não existe previsão legal para "arbitramento do lucro" no caso de a contribuinte, optante pelo SIMPLES, não possuir o Livro Caixa, nem tampouco se ele não estiver devidamente escriturado. As hipóteses de arbitramento contidas no art. 530 do RIR/99 regulamentam a tributação para as pessoas jurídicas não optantes do SIMPLES. Outrossim, também não há que falar em custos na tributação pelo SIMPLES, visto que, o mesmo é presumido através dos percentuais aplicáveis as receitas brutas. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras do contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 455DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 456 8 época, possibilitou o acesso da movimentação financeira do sujeito passivo durante o procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece Fl. 456DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 457 9 requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras do contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 autorizou a requisição de informações pela autoridade fiscal diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração Fl. 457DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 458 10 tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento eficaz de fiscalização foi regulamentado pela Lei nº 10.174/2001 e pelo Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. MÉRITO De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 459 11 Consoante descrito no "Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal" às fls. 190/193, a fiscalização detectou depósitos bancários na conta corrente da contribuinte junto ao Banco do Brasil incompatíveis com a receita declarada na PJSI, explicitados através do demonstrativo de fl. 189. Intimada, a contribuinte não apresentou qualquer justificativa quanto à origem da diferença detectada pela fiscalização. Em sua impugnação a autuada se restringe a alegar que pertenciam a terceiros, não trazendo qualquer comprovação desta alegação. Quanto à falta de embasamento legal para a consideração de tais valores como omissão de receita alegada, também não prospera visto que o parágrafo 1º do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 assim dispõe: "Art 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira." Para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, o art. 18 da Lei n°9.317/96 assim dispõe: Art. 18 Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Quanto ao entendimento que a fiscalização não poderia obrigar a contribuinte fornecer documentação comprobatória de sua movimentação bancária por não se confundir com o fato gerador do imposto de renda também não prospera pelas razões que se seguem: Primeiramente, cumpre esclarecer que o lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico tributário. Ensina Maria Rita Ferragut, no livro Presunções no Direito Tributário, editora dialética, ano de 2001, que diversas são as razões que impedem ou tornam extremamente difícil que a ordem jurídica constate diretamente a ocorrência do fato social que, quando juridicizado, passa a produzir efeitos jurídicos. Com efeito, não podendo o direito manterse inerte diante dessa situação, desenvolveu técnicas que possibilitaram o alcance do conhecimento indireto do fato. Dentro dessas técnicas encontramse as presunções legais. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 460 12 A Constituição Federal de 1988, no § 7º do art.150, outorga competência para a criação de regra presuntiva, ao autorizar as pessoas políticas cobrarem impostos e contribuições com base em fatos jurídicos indiciários de eventos de provável ocorrência. As presunções, classicamente, têm sido classificadas segundo dois critérios: o da procedência e da força probante. No primeiro, as presunções classificamse em (i) legais (juris), se elaboradas pelo legislador e impostas como enunciados jurídicos gerais e abstratos, e (ii) hominis (judiciais, ou, ainda, comuns), se construídas pelo aplicador da norma, segundo sua própria convicção. Quanto à força probante, dizemse relativas (juris tantum), quando admitirem prova em contrário, absolutas (juris et de jure), quando não admitirem essa comprovação e, finalmente, mistas, quando admitirem somente algumas provas. A previsão legal para consecução de exigências de natureza tributária, com base em depósitos bancários de origem incomprovada, como no presente caso, tratase de uma presunção legal "juris tantum" autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fundamento da exação ora sob análise, conforme consta da Descrição dos Fatos às fls.13, que assim disciplina a matéria. Não logrando a titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, a contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável. Quanto à alegação de que não lhe foi garantido o direito de acompanhar a instrução processual, isto é, não ter tido condição temporal e material para apresentar os documentos comprobatórios verificamos também não assistir razão a autuada pelas observações que se seguem. A Ação fiscal teve início em 12/05/2009 (fls. 02/03). Intimada em 23/07/2007 a comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária, a empresa não o fez, ensejando no lançamento em lide em 21/08/2009, cientificado em 01/09/2009 (AR fl.266). Importante ressaltar que nesta fase impugnatória a defesa também não apresenta qualquer documentação capaz de elidir a presunção legal, não produzindo, portanto, qualquer prova a seu favor. Vale ressaltar que a ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase na qual os agentes da Administração Tributária, imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias. Nesta fase a contribuinte tem uma participação de natureza passiva, devendo cooperar e atender à fiscalização, Fl. 460DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 461 13 quando solicitada, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Nessa etapa, ainda não há exigência de crédito tributário formalizada por parte da Fazenda Pública, nem há também, conseqüentemente, resistência a ser oposta pela pessoa fiscalizada. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há o que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. Quando encontradas infrações à lei tributária, a autoridade fiscal lavra auto de infração para formalização da exigência. A partir da lavratura do auto de infração, na hipótese de discordar da exigência, é que a contribuinte, respaldada pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário para apresentar razões e provas sobre as quais esta fundamentada a sua discordância. Diante da análise acima exposta não assiste razão a impugnante de alegar que os depósitos bancários não configuram fato gerador do imposto de renda, e que caberia ao fisco investigar com mais profundidade a origem dos depósitos bancários. Contesta ainda a contribuinte a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC, contestando assim, determinação legal plenamente em vigor. Como já mencionado anteriormente, a atividade administrativa é plenamente vinculada. Com efeito, o julgador administrativo deve limitar seu pronunciamento à legalidade dos atos administrativos trazidos à sua apreciação. A nossa tarefa esgotase em declarar se o ato administrativo questionado encontra — ou não — fundamento de validade na legislação de regência. Por essa razão, encontramonos vinculados à letra da lei e não nos é licito desviar o foco da análise do ato administrativo para a legislação que lhe confere supedâneo. Em face das razões expendidas, deixamos de analisar a suposta inconstitucionalidade da aplicação dos juros de mora, intentada pela interessada, tendo em vista que a legislação subsunsora, indigitada nos Autos sob análise, era vigente e eficaz, ao tempo de sua aplicação. Neste mesmo sentido, estando os autos de infração fundamentados em leis vigentes e eficazes ao tempo de sua aplicação não há como acatar a alegação de serem desproporcionais à capacidade contributiva , ferindo o disposto no art. 145, parágrafo único da Carta Magna. Quanto à aplicação do artigo 112 do CT'N temos a destacar que os benefícios do "in dúbio pro réu", determinados no citado artigo, só se aplicam ao caso de dúvidas quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias material do fato, ou natureza dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade ou Fl. 461DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 462 14 punibilidade, ou à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação, o que não é o caso do presente processo, como demonstrado anteriormente. Relativamente à adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem necessárias para o completo afastamento das suspeitas fiscais requeridas temse que: Depreendese das alegações apresentadas pelo sujeito passivo que a necessidade de existência de perícia ou diligência tratariam apenas da produção de provas que deveriam ser trazidas à colação junto com a peça impugnatória. Sob esse aspecto, a prova pericial não se presta à produção de prova que o sujeito passivo tinha o dever de apresentar junto com a impugnação. Se não o fez, deixou de exercer o seu direito legal. Em decorrência do exposto, denego tais pedidos por serem desnecessários para a solução da lide, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores, transcrito a seguir: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligencias ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.° 8.748/1993). Conclusão. Diante da análise procedida, voto no sentido de manter integralmente os autos de infração que compõem o presente processo. O Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova que lhe é própria, nem qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas. A presunção relativa de omissão de receita é impugnável pelo Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 462DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 463 15 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para o contribuinte. O atual Código de Processo Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Não obstante, quanto à valoração da multa de ofício, não qualificada, assim como a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), havendo previsão normativa expressa, novamente, o presente rito não é competente para declarar sua eventual inconstitucionalidade, como impõe a citada Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Finalmente, a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) estabeleceu que "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." As considerações acima são bastante para meu convencimento, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 463DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 464 16 Fl. 464DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.000345/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.854 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 03 45 /2 00 8- 31 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.854 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de PIS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de PIS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de PIS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001222/2005-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
MULTA POR ATRASO DCTF.
A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1003-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 MULTA POR ATRASO DCTF. A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 19740.720017/2010-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F.
A desmutualização da BM&F, da maneira peculiar em que foi realizada, implicou a extinção fática dessa associação civil sem fins lucrativos. Extinta faticamente a BM&F, o patrimônio da entidade foi devolvido a seus associados que, assim, submeteram-se ao disposto no art. 17 da Lei n° 9.532/97.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2007
IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora. Precedentes de ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ.
Numero da decisão: 1201-000.934
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco, que apresentarão declaração de voto, e Luis Fabiano Ajves Penteado
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. A desmutualização da BM&F, da maneira peculiar em que foi realizada, implicou a extinção fática dessa associação civil sem fins lucrativos. Extinta faticamente a BM&F, o patrimônio da entidade foi devolvido a seus associados que, assim, submeteram-se ao disposto no art. 17 da Lei n° 9.532/97. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2007 IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora. Precedentes de ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ.
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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - 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Numero do processo: 10803.000018/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
ESPÉCIES DE PROVAS. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. DOCUMENTOS.
MOMENTO PARA REQUERER OU APRESENTAR. IMPUGNAÇÃO.
O processo administrativo fiscal federal prevê a prova pericial, a diligência e a prova documental, devendo as primeiras serem formuladas e justificadas na impugnação e a última, em regra, ser apresentada juntamente com a mesma impugnação.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EM PRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO
SIMPLES. ANO-CALENDÁRIO SUBSEQÜENTE.
O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano-calendário subsequente ao que ocorrer o excesso de receita
Numero da decisão: 1202-000.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 ESPÉCIES DE PROVAS. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. DOCUMENTOS. MOMENTO PARA REQUERER OU APRESENTAR. IMPUGNAÇÃO. O processo administrativo fiscal federal prevê a prova pericial, a diligência e a prova documental, devendo as primeiras serem formuladas e justificadas na impugnação e a última, em regra, ser apresentada juntamente com a mesma impugnação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EM PRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANO-CALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano-calendário subsequente ao que ocorrer o excesso de receita
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PERÍCIA. DILIGÊNCIA. DOCUMENTOS. MOMENTO PARA REQUERER OU APRESENTAR. IMPUGNAÇÃO. O processo administrativo fiscal federal prevê a prova pericial, a diligência e a prova documental, devendo as primeiras serem formuladas e justificadas na impugnação e a última, em regra, ser apresentada juntamente com a mesma impugnação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EM PRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano calendário subsequente ao que ocorrer o excesso de receita Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório O presente processo teve origem em Representação Fiscal – Exclusão do Simples na qual foi apurado que a Recorrente nos anos calendário de 2004 e 2005 teve movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, nos valores de R$ 1.232.921,97 e R$ 1.509.475,15. A matéria tributável relativa ao ano calendário de 2004 foi lançada de ofício nos moldes do Simples, posto que este sistema era o que a Recorrente havia optado desde 2001, tendo sido formalizado no processo administrativo nº 10.803.000049/200917, tendo a Recorrente pago os tributos e parte dos juros de mora com os benefícios da Lei nº 11.941/2009. Ante a existência desta Representação Fiscal, a Recorrente foi excluída do Simples pelo Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO/DIOR/EQPIR nº 052, de 01 de junho de 2009, por ter ultrapassado o limite legal para a receita bruta no anocalendário 2004, infringindo o disposto no artigo 9º, inciso II, da Lei nº 9.317/96, coma redação vigente para aquele ano calendário. Os efeitos da exclusão do Simples se deram a partir de 1º de janeiro de 2005, nos termos do inciso IV, do artigo 15 do mesmo diploma legal. A Recorrente foi intimada de sua exclusão em 8 de setembro de 2009, e apresentou manifestação inconformidade, alegando em síntese: Nulidade do Ato Declaratório Executivo, pois deveriam ser excluídos os “10% de Repique” repassados integralmente aos garçons, de acordo com o sistema de pontuação definido pelos próprios garçons, consoante documentos de fls. 334 a 337, já que tais valores não podem ser incluídos no conceito de receita bruta. Uma vez excluídos os valores que representam as “gorjetas”, a real movimentação do anocalendário 2004 é de R$ 1.199.543,09, portanto inferior ao limite do Simples, de R$ 1.200.000,00. Ainda que tais valores não fossem excluídos, o Ato Declaratório é nulo posto que o limite para o enquadramento no Simples, no período de 1º de abril de 2004 a 31 de dezembro de 2005 era de R$ 2.133.222,00, consoante o artigo 1º do Decreto nº 5.028/2004; Aponta que tal entendimento foi adotado pelo juízo da 4ª Vara da Justiça federal em São Paulo em liminar concedida no Mandado de Segurança Coletivo nº 2004.61.00.0167065, impetrado pela CIESP. Destaca que ainda que eventualmente tenha excedido o limite do regime, os efeitos do Ato Declaratório Executivo são restritos até o dia 1º de julho de 2007, data em que deixou de existir o Simples Federal. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 3 3 Em 1º de julho de 2007, a Lei Complementar nº 123/2006 instituiu o Simples Nacional, que se trata de regime jurídico diverso do Simples Federal, não podendo sua exclusão de um sistema afetar o outro. Assevera que a opção pelo Simples Nacional se deu de forma automática, nos termos do §4º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006, em razão de à época a impugnante se considerar optante do Simples Federal, não podendo, assim, àquela exclusão afetar o novo regime jurídico. Não houve por parte da Recorrente nenhuma infração a legislação do Simples Nacional, e sua opção por tal regime é ato jurídico perfeito, nos moldes do inciso XXXVI, do artigo 5º da Constituição Federal. Por fim, requer a realização de diligencia para permitir a ampla produção de prova, em especial a juntada de novos documentos e oitiva de testemunhas. Promovida a exclusão do Simples Nacional, a Recorrente foi autuada em 1º de outubro de 2009 e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, multa proporcional e juros de mora, relativos ao ano calendário de 2005. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação de Infração (fls. 249 a 268), a contribuinte teve, em face de sua exclusão do Simples desde 01/01/2005, da falta de manifestação sobre novo regime de tributação e regularização de sua escrituração de acordo com as leis comerciais, seu lucro arbitrado com base na receita omitida caracterizada por créditos e depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, com documentação hábil e idônea, pela contribuinte, regularmente intimada (presunção legal de omissão de receitas). Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: IRPJ (fls. 245 a 248) com base nos artigos 530, inciso I, 532 e 532 do Decreto n° 3.000, de 26 de mat go de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999), e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, formalizando crédito tributário calculado até 31/08/2009 no montante de R$70.850,44; PIS (fls. 272 a 275) com base nos artigos 1° e 3° da Lei Complementar (LC) no 07, de 07 de setembro de 1970, e 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2009, no montante de R$32.133,28; COFINS (fls. 280 a 283) com base nos artigos 2°, inciso II, e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2009, no montante de R$148.308,42; e CSLL (fls. 288 a 291) com base nos artigos 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 20 da Lei no 9.249/1995, 29 da Lei n° 9.430/1996, e 37 da Lei n° 10.637/2002, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2009, no montante de R$53.137,85. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 4 4 O enquadramento legal das multas de ofício aplicadas no percentual de 150% é o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (fls. 271, 279, 287 e 294). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996 (fls. 271, 279, 287 e 294). De acordo com os extratos de fls. 339 a 353, confirmados pelo despacho de fl. 354, observase que a autuada também pagou os tributos e parte dos juros de mora contidos no presente processo administrativo, com os benefícios instituídos pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, e, consequentemente, também não impugnou estes lançamentos. Ante tais fatos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ESPÉCIES DE PROVAS. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. DOCUMENTOS. MOMENTO PARA REQUERER OU APRESENTAR. IMPUGNAÇÃO. O processo administrativo fiscal federal prevê a prova pericial, a diligência e a prova documental, devendo as primeiras serem formuladas e justificadas na impugnação e a última, em regra, ser apresentada juntamente com a mesma impugnação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EM PRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano calendário subsequente ao que ocorrer o excesso de receita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Tal decisão teve por fundamento os seguintes argumentos: No tocante a conversão do julgamento em diligência para que fossem juntadas novas provas documentais e realizadas oitivas de testemunhas pela Recorrente, considerou a Autoridade Julgadora a inexistência de previsão legal para tal procedimento, considerando os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Assevera que a prova documental deve observar as normas jurídicas dispostas naqueles dispositivos, devendo ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, salvo demonstrada a ocorrência das hipóteses legalmente previstas para sua postergação. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 5 5 De outro lado, a diligencia requerida deveria observar s requisitos do inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Assim, entendeu suficientes as provas já produzidas nos autos para negar a conversão do julgamento em diligência. No tocante aos valores relativos as gorjetas, assevera que tais argumentos deveriam ter sidos levados em sede de impugnação contra os lançamentos que tornaram o montante de R$ 1.232.921,97 como valor total da receita omitida em 2004, e que foram formalizados no processo administrativo nº 10803000049/200917, estando assim precluído o direito de apresentar tal alegação no momento atual. A Recorrente efetuara os pagamentos, comprovados pelos estratos do sistema Sief Pagamentos, com os benefícios da Lei nº 11.941/2009. O pagamento à vista demonstra de forma inquestionável a concordância do sujeito passivo com o débito tributário que lhe foi cobrado e que já foi extinto. Aponta ainda a Autoridade Julgadora que ao pagar, também à vista, os tributos relativos aos fatos geradores ocorridos no ano de 2005, que foram lançados de ofício de acordo com o lucro arbitrado, portanto fora do Simples, formalizados no presente processo administrativo, a Recorrente concordou não só com o estorno da receita de 2004 e sua exclusão do Simples a partir de 2005, mas também com ser tributada no ano calendário 2005 fora do Simples, inclusive sobre valores que alega serem de gorjetas de garçons. Ressalta que os documentos trazidos pela Recorrente não são hábeis e idôneos para comprovar a origem de parte dos depósitos bancários de 2004 como gorjetas, posto que são extratos internos e litas com valores e rubricas que não identificam com exatidão a que título e a quem os valores nestes documentos contidos estão sendo pagos e que se referem a algumas semanas dos anos de 2006, 2008 e 2009. No tocante a segunda linha de defesa, qual seja, de que no ano calendário de 2004 o limite para a permanência no Simples seria de R$ 2.133.220, também não merece prosperar. Isso porquanto o caput do artigo 1º da Lei nº 9.841/99 expressamente afirma que o tratamento jurídico diferenciado assegurado às microempresas é regido pela própria Lei nº 9.841/99 e pela Lei nº 9.317/96. De tal sorte, não há que se falar em revogação tácita, posto que a Lei nº 9.317/96 regula especificamente o regime tributário diferenciado, enquanto a Lei nº 9.841/99 rege os outros aspectos jurídicos das microempresas e empresas de pequeno porte. Tanto é assim, que a Lei nº 9.841/99, em seu artigo 2º ao estabelecer os limites de receita bruta, restringe a validade de tais limites para efeitos da própria lei. Ao final no tocante aos argumentos de que o Ato Declaratório Executivo não pode também excluíla do Simples Nacional, aponta que tal fato não se deu, pois a ementa e o artigo 1º do referido ato determina expressamente a exclusão do Simples Federal, não ultrapassando a existência do regime e tão pouco atingindo o Simples Nacional, que é outro sistema de tributação. No caso em análise, a Recorrente não fora excluída do Simples Nacional, sendo desnecessário combater e apreciar exclusão que não se deu. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 6 6 A Recorrente tomou ciência da decisão em 21 de maio de 2010, e com ela não se conformando interpôs Recurso Voluntário a este E. Conselho em 21 de junho de 2010, alegando em síntese: Cerceamento do seu direito de defesa, ante a possibilidade de produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sendo necessária a observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, além da razoabilidade e da proporcionalidade, posto que houve violação ao artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, uma vez que a ausência de previsão legal, bem como a não apresentação das provas juntamente com a manifestação de inconformidade violariam o princípio do contraditório e da ampla defesa, além dos demais princípios já expostos. Aponta a inafastabilidade do princípio da verdade material, razão pela qual deveria ter sido deferido o pleito da diligência. Ressalta ainda que não se trata de questionamento ao lançamento do crédito tributário, mas sim apenas em relação à exclusão, não havendo que se falar em preclusão, podendo, assim, alegar qualquer matéria, caracterizando a omissão do julgador a quo quanto a matéria de mérito verdadeiro cerceamento ao direito de defesa. No mérito, reitera a necessidade de exclusão dos valores referentes às gorjetas, como busca da verdadeira receita bruta, posto que não ultrapassou, nesses termos, os limites impostos pela legislação tributária, reiterando os argumentos já trazidos em sede de manifestação de inconformidade. Reitera ainda a aplicabilidade da alteração dos limites do simples federal pelo Decreto nº 5.028/2004, ante a revogação tácita da Lei nº 9.317/96 pela Lei nº 9.841/99, posto que tratase de lei posterior que regula matéria idêntica, o que implica em revogação tácita. Por fim, quanto a limitação dos efeitos da exclusão, protesta pela manutenção da decisão a quo em seus exatos termos. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso preenche todos requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De plano cumpre analisar as preliminares trazidas em sede de Recurso Voluntário. No tocante ao cerceamento do direito de defesa, é de se afastar a pretensão suscitada. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 7 7 A possibilidade da produção de todos os meios de prova admitidos em direito, bem como o contraditório e a ampla defesa, além da razoabilidade e proporcionalidade, previstos, como bem aponta a Recorrente, no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, deve ser analisada sob a luz de todo o ordenamento jurídico. Não se tratam de cânones ilimitados, que por diversas vezes sofrem limitações pelo Poder Legislativo. O contraditório, a ampla defesa e a produção de provas são regras derivadas do princípio do devido processo legal, que de seu turno ilumina os ritos processuais determinados na legislação. O rito é responsável por determinar a marcha do processo, regulando os atos processuais, seu tempo, sua forma, entre outros. O momento da produção da prova, bem como sua forma, e quais as provas admitidas são reguladas por Lei. Podese citar como exemplo meramente ilustrativo, O Código de Processo Penal prevê em seu artigo 397 a possibilidade de juntada de prova documental a qualquer tempo quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapelos aos que foram produzidos nos autos. De outro lado o Código de Processo Civil, ao tratar do momento de apresentação do rol de testemunhas, estabelece momentos distintos de acordo com o rito, na petição inicial quando do rito sumário, ou do rito sumário, 10 dias antes da audiência, quando do rito comum ou ordinário. De mesma sorte, o processo administrativo fiscal tem seu rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72, que estabelece: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 8 8 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Tratase, pois, de terminação legal quanto a admissão de prova e momento de sua produção, matéria concernente ao rito. Não há que se falar em cerceamento, posto que houve oportunidade própria para a produção da prova. No tocante a produção da prova testemunhal, não há previsão para sua produção, contudo, não havia óbice ao Recorrente de reduzila a termo e terlhe carreado aos autos em momento oportuno, qual seja, quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, não havendo, portanto, violação de quaisquer dos princípios trazidos pela Recorrente, tão pouco ao da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste ponto, não há reparo a ser feito na decisão ora combatida. No tocante a busca pela verdade material, a busca pela realidade fática, tão fortemente argumentada pela Recorrente, também não restou violada. Os autos trazem elementos suficientes para a aferição da verdade, e por que não, da verdade confessada. Busca a Recorrente, por via obliqua, combater a apuração da “verdadeira receita bruta”. Como bem assentado, o lançamento relativo ao período em que houve sua permanecia no regime Simplificado, qual seja o anocalendário 2004, foi objeto de processo autônomo, o qual a Recorrente optou por pagar à vista, com os benefícios da Lei nº 11.941/2009. Naqueles autos houve a determinação da receita bruta, e consequentemente a apuração da matéria tributável. Houve a constituição do tributo e sua extinção. Eis verdadeiro ato jurídico perfeito, o “nascimento” da obrigação tributária e sua extinção, pelo pagamento. Agora, pretende revisitar àquele lançamento ao arguir que a Receita Bruta não é aquela já consolidada e extinta, mas sim outra, a qual não compreende os valores relativos à gorjeta. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 9 9 Não há que se falar em violação da busca da verdade material, posto que presentes nos autos todos os elementos necessários para que seja alcançada, não prosperando os argumentos da Recorrente. No mérito, quanto a necessidade de exclusão dos valores relativos à gorjetas do montante tido por receita bruta, a matéria é sim de preclusão, como bem aponta a autoridade a quo, porém não de preclusão temporal, mas sim de preclusão lógica. Resta bem demonstrado nos autos que a Recorrente concordou com a base de cálculo apurada quando do lançamento referente ao anocalendário 2004, efetuando o recolhimento do valor lançado. Como já dito, pretende agora por via obliqua se insurgir quanto a receita bruta, alegando que parte dos valores considerados eram relativos à gorjetas. Sustentando seu argumento aponta que toda a matéria de direito pode ser discutida em relação ao Ato Declaratório de Exclusão. Realmente toda a matéria de direito pode e deve ser trazida e analisada. Porém, no que se refere ao valor da receita bruta, houve, reiterese, concordância da Recorrente com o montante apurado, sendo o Ato Declaratório de Exclusão reflexo daquilo que restou apurado e que a Recorrente já concordou. Tratase de efeito lógico. Apurado o montante tributável, houve o lançamento. A Recorrente contra ele não se insurgiu, restando aquele lançamento definitivo, e consequentemente extinto pelo pagamento. A Receita Bruta restou definitivamente determinada, e em razão de exceder ao limite do Simples, houve o Ato Declaratório de Exclusão, ou seja, dado a existência incontroversa da existência de receita bruta no importe de R$ 1.232.921,97, e por ser este superior ao limite do Simples, é de ser sua exclusão. Não cabe agora combater a base tributável, posto que esta se tronou definitiva, não prosperando os argumentos da Recorrente. Por fim, quanto a revogação tácita da Lei nº 9.317/96 pela Lei nº 9.841/99, não prospera o Recurso interposto. A Recorrente aponta que no anocalendário 2004 o limite para permanência no Simples seria de R$2.133.222,00, já que os incisos I e II do artigo 2° da Lei n° 9.841/1999, com valores atualizados pelo Decreto n° 5.028/2004, teriam revogado tacitamente os limites estabelecidos na Lei n° 9.317/1996. Contudo, a Lei n° 9.841/1999 assim estabelece em seus artigos 1º e 2º, incisos I e II e § 3°: Art. 1º Nos termos dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, é assegurado às microempresas e às empresas de pequeno porte tratamento jurídico diferenciado e simplificado nos campos administrativo, tributário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial, em conformidade com o que dispõe esta Lei e a Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (...) Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 10 10 Art. 2º Para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 30, considera se: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a RS 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a RS 1.200.000,00 (uni milhão e duzentos mil reais). § 3º 0 Poder Executivo atualizará os valores constantes dos incisos I e II com base na variação acumulada pelo IGPDI, ou por índice oficial que venha a substitui lo. Resta claro que o artigo 1º da Lei nº 9.841/99 afirma que o tratamento jurídico diferenciado assegurado as microempresas é regido pela própria Lei n° 9.841/1999 e pela Lei n° 9.317/1996. Não houve revogação tácita da Lei n° 9.317/1996 a Lei n° 9.841/1999, posto que aquela regula de forma específica o regime tributário diferenciado, e esta rege os outros aspectos jurídicos das microempresas e empresas de pequeno porte. Neste sentido, o artigo 2° ao estabelecer os limites de receita bruta, restringe a validade dos mesmos limites apenas para efeitos da própria Lei n° 9.841/1999. Não obstante isso, a Lei nº 9.964/2000, dispõe de forma expressa tal entendimento em seu artigo 10: Art. 10. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei no 9.841, de 5 de outubro de 1999. De se destacar que este Conselho já se manifestou acerca da matéria no Acórdão nº 110200.236, da 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária: Processo n° 10930.003303/200479 Recurso n° 340.548 Voluntário Acórdão n° 110200.2361ªCâmara/2ª T urma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2010 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES Ex(s): 2003 Recorrente HOME OFFICE SYSTEM INFORMÁTICA LTDA. Recorrida 2 ª TURMA/DRJCURITIBA/PR EMENTA: INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF, SÚMULA N° 2, DO CARF, Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10803.000018/200966 Acórdão n.º 1202000.877 S1C2T2 Fl. 11 11 Nos exatos termos da Súmula n.° 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES, EXCLUSÃO, TETO DA LEI N° 9.317/96, NÃO APLICAÇÃO DA LEI N° 9.841/99. Não se aplica ao SIMPLES as normas constantes da Lei n° 9.841/99 em razão da previsão expressa do art. 10 da Lei n° 9.964/00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assim, não merece reforma a decisão a quo. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /10/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 12/10/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10880.678580/2009-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o despacho decisório rejeita o pedido de compensação por ausência de saldo credor e a decisão da DRJ mantém esta decisão por ausência de comprovação quanto à correção das retificações realizadas por meio da transmissão de DCTF retificadora.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito à compensação declarada.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3002-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao Recurso voluntário, vencido os conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que votou em dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
(assinado digitalmente).
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o despacho decisório rejeita o pedido de compensação por ausência de saldo credor e a decisão da DRJ mantém esta decisão por ausência de comprovação quanto à correção das retificações realizadas por meio da transmissão de DCTF retificadora. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito à compensação declarada. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando o despacho decisório rejeita o pedido de compensação por ausência de saldo credor e a decisão da DRJ mantém esta decisão por ausência de comprovação quanto à correção das retificações realizadas por meio da transmissão de DCTF retificadora. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito à compensação declarada. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem (relator) e, no mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao Recurso voluntário, vencido os conselheiro Alan Tavora Nem (relator) que votou em dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 85 80 /2 00 9- 87 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 227 2 (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. (assinado digitalmente). Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da 3ª Turma da DRJ/CTA (fls. 53/57) exarado nos seguintes termos: "Trata o presente processo da Declaração de Compensação – Dcomp nº 39125.16005.250309.1.3.049256, por meio da qual a contribuinte em epígrafe realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose do crédito no valor de R$ 42.240,40, relativo ao DARF de Cofins não cumulativa (código 5856), recolhido em 18/07/2008, no valor R$ 760.633,62. Em 23/10/2009, a DERAT São Paulo emitiu o despacho decisório de não homologação da compensação (rastreamento nº 849853187), pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins não cumulativa do período de apuração de junho de 2008, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito informado na Dcomp acima citada. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 09/11/2009 e apresentou, em 09/12/2009, manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Inicialmente, a interessada faz um breve relatos dos fatos e sustenta a tempestividade da manifestação apresentada. No mérito, a contribuinte alega que a contribuição do mês de junho de 2008 foi recolhida em valor a maior do que o devido (no montante de R$ 42.240,40, conforme solicitado na Dcomp). Diz que o referido crédito consta comprovado, tanto no Dacon como na DCTF, os quais foram retificados dentro do prazo legal. Para comprovar suas alegações juntou ao processo cópia da Dcomp e dos citados documentos retificadores. Em face do exposto, pugna pela aplicação dos princípios da legalidade e da verdade material e requer a homologação integral dos débitos declarados na Dcomp.". O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 10/13), alegando, em resumo, que deveria ser reconsiderado o r. Despachos Decisório uma vez que "para demonstrar a existência e suficiência do crédito. que extinguiu o débito compensado, a Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 228 3 Manifestante está anexando à presente todos os documentos pertinentes, quais sejam: comprovante de recolhimento gerador do crédito a ressarcir, PER/DCOMP com a respectiva declaração de compensação do débito, DACON e DCTF que evidenciam o montante que era efetivamente devido em contraposição ao quanto recolhido a maior." Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ votou por indeferir a manifestação de inconformidade, pois considerou que "pagamento (DARF de Cofins não cumulativa, recolhido em 18/07/2008, no valor R$ 760.633,62), o qual foi utilizado como crédito (parcial) na Dcomp, foi totalmente utilizado no débito de Cofins não cumulativa do período de apuração de junho de 2008, de acordo com confissão realizada anteriormente em DCTF." seguiu ainda argumentando que "não é porque a contribuinte simplesmente retificou a DCTF antes da ciência do despacho decisório que o direito ao crédito lhe está garantido automaticamente. Se fosse assim estaria instituído uma verdadeira fórmula mágica de proliferação de créditos de contribuintes para com a RFB." conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN).". O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 124/135) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista que: a) "a retificação da DCTF (e também da DACON) que comprova a origem do crédito ora pleiteado ocorreu anteriormente a não homologação da compensação em questão e não posteriormente" e, por fim que b) deve se valer "pela busca da verdade material" uma vez que "a Recorrente tem o direito ao crédito objeto da Dcomp em questão". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Cerceamento de defesa principio da verdade material Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 229 4 O contribuinte em seu Recurso Voluntário apresentou pedido de preliminar a fim de ser declarado nulo o Auto de Infração, tendo em vista "que o acórdão proferido pela DRJ comprometeu o direito de defesa da Recorrente". No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).". Considerando que a DRJ deixou de analisar os documentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. Dessa forma, acato a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito De inicio, é valido observar que a DRJ deixou de analisar a certeza e liquidez do crédito tributário alegando que "retificação de valores informados em DCTF não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido. Para tanto, devemse analisar as provas para verificar se houve erro material na elaboração da DCTF que foi utilizada para a emissão do Despacho Decisório." e alegou ainda que "a contribuinte simplesmente, como já se mencionou, juntou ao processo as cópias das retificações do Dacon e da DCTF, desacompanhadas de elementos comprobatórios do “dito” pagamento realizado a maior." À primeira vista, entendo que os documentos juntados pelo contribuinte são suficientes à comprovação do direito creditório pleiteado, ou seja, planilha de apuração da base de cálculo do tributo (fls. 68), Dacon (fls. 75/102) e a DCTF (104/123). Importante aqui esclarecer que a retificação da DCTF e da Dacon se deu anteriormente ao Despacho Decisório (23/10/2009 fls. 05), ou seja, em 21/10/2009 (fls. 47) e 22/10/2009 (fls. 40) respectivamente, portanto acerca da regularidade da correção ali realizada pelo contribuinte, entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 230 5 Por oportuno, é válido mencionar que ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho Decisório, o que não ocorreu no caso em tela, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Outrossim, por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/15, a administração tributária se manifestou favoravelmente quanto à possibilidade de retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação e depois do indeferimento do pedido, exarado nos seguintes termos: "RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. (...) Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010.". Corroborando com o entendimento acima disposto, conforme Acórdão nº 9303006.266 da CÂMARA SUPERIOR de 25/01/2018, "in verbis": "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).". Sendo assim, uma vez anexada aos autos, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Diante do acima exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que os autos sejam remetidos à unidade de origem para que esta analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Voto Vencedor Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 231 6 Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Redatora designada: Dada a devida vênia ao voto proferido pelo eminente Relator no caso concreto aqui analisado, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, o que faço com fulcro nas razões postas em sucessivo. 1. Da preliminar de nulidade De início, há de se analisar o argumento preliminar de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do seu direito de defesa, apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, cujos fundamentos encontramse transcritos a seguir: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 232 7 Ou seja, alegou a Recorrente que o acórdão recorrido não poderia ser negado o seu pleito de compensação apresentado com base em fundamento distinto do constante do despacho decisório, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa. Ao analisar o caso, é possível constatar que o despacho decisório, de fato, negou o pedido de compensação apresentado sob o fundamento de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins não cumulativa do período de apuração de junho de 2008, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito ali informado. Acontece que, tendo o contribuinte verificado que a inexistência de crédito decorreu, em verdade, de erro na DCTF apresentada, a sua retificação não é suficiente, por si só, à demonstração do equívoco incorrido. É necessário que seja anexado aos autos documentação fiscal/contábil apta a comprovar que àquela informação inicialmente enviada estava incorreta. Destaquese, inclusive, que a comprovação quanto às informações retificadas poderá ser exigida pela fiscalização, para fins de sua aceitação, independentemente de a DCTF retificadora ter sido enviada antes ou depois do despacho decisório. A única diferença relacionada aos casos em que a retificação se deu anteriormente ao despacho decisório é que, em tais casos, é possível que o sistema aceite a compensação automaticamente, caso as retificações já tiverem sido devidamente processadas. Não foi esta, contudo, a situação aqui analisada, em que a retificação da DCTF realizada, embora anterior ao despacho decisório, não foi considerada automaticamente pelo sistema. Nestas situações, em que o sistema acusa divergência, a análise passa a ser realizada pelos fiscais que compõem a DRJ, os quais poderão exigir documentação fiscal/contábil apta à comprovação da correção das retificações realizadas. Sendo assim, penso que a decisão da DRJ que negou provimento à impugnação apresentada sob o fundamento de que o contribuinte não logrou comprovar a correção das informações constantes da sua DCTF retificadora está em linha com o despacho decisório originalmente proferido. Isso porque, mantém a negativa quanto à homologação do pedido de compensação diante da inexistência de crédito tributário para fins de satisfação do débito declarado na DCOMP. De outro norte, argumenta o Recorrente no sentido de que cabia à DRJ, em observância ao princípio da verdade material, ter diligenciado para fins de averiguar a efetiva Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 233 8 existência do crédito. É o que se extrai da passagem a seguir transcrita, extraída do Recurso Voluntário interposto: Também neste ponto, entendo que não assiste razão à Recorrente, pois, como é cediço, o ônus probatório no presente caso, em que se analisa pedido de compensação, é do Recorrente. Sendo assim, cabia a ele ter trazido aos autos a documentação necessária à comprovação do seu direito, o que até o presente momento não o fez. Por fim, não é demais destacar que, diante da decisão da DRJ no sentido de inadmitir as retificações apresentadas, diante da ausência de comprovação acerca do seu conteúdo, foi oportunizado ao Recorrente, novamente, a possibilidade de apresentação de documentação comprobatória quando da interposição do Recurso Voluntário. Penso, portanto, que não houve cerceamento do direito de defesa da Recorrente in casu, apto a ensejar a aplicação do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Nesse contexto, entendo que deverá ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2. Do mérito Quanto ao mérito da presente contenda, entendo que melhor sorte não assiste à Recorrente em seu pleito recursal. Consoante acima narrado, a DRJ negou o pedido de homologação de DCOMP apresentado sob o fundamento de ausência de comprovação, por meio de documentação fiscal/contábil apta para este fim, quanto às informações constantes da DCTF retificadora apresentada. Acontece que, ainda que ciente das razões que levaram à tal negativa, a Recorrente limitouse a anexar aos autos, quando da interposição do Recurso Voluntário, os seguintes documentos: DCTF, DACON e planilha com a indicação do "revenues breakdown". Porém, no meu entender, estes documentos não são suficientes à comprovação da correção das retificações constantes da DCTF retificadora transmitida, pois não configuram documentação fiscal/contábil apta a este fim. A DACON e a DCTF, por si só, não são suficientes à comprovação das retificações realizadas, e a planilha anexada corresponde a documento unilateralmente produzido, sem que possua força probante quando desacompanhada da documentação fiscal/contábil relacionada. Nesse contexto, penso que o Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório. Sobre o assunto, não é demais trazer à colação a previsão disposta no art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.678580/200987 Acórdão n.º 3002000.437 S3C0T2 Fl. 234 9 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (grifado) Ainda sobre as provas, dispôs da seguinte maneira o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Logo, tendo restado não demonstrada a efetiva existência do crédito tributário alegado, não há como ser autorizada a compensação pleiteada, face à inexistência das características de liquidez e certeza essenciais à concessão de pedido desta natureza, nos moldes do que determina o art. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Nesse contexto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte também quanto ao mérito da presente contenda. 3. Da conclusão Diante das razões supra expendidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente). Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Redatora designada Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903008/2015-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF LIQUIDEZ E CERTEZA ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.902721/201513, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 30 08 /2 01 5- 89 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10875.903008/201589 Acórdão n.º 1302003.112 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação aviado pelo recorrente, objetivando o reconhecimento de um crédito decorrente de pretenso pagamento indevido concernente ao IRPJ, incorrido no anocalendário de 2014, pago, através de DARF específico, em três parcelas. Por meio de despacho decisório a DRF de Guarulhos houve por bem não homologar a citada compensação, fundamentando a sua decisão na inexistência de crédito em decorrência da vinculação de DARF à pagamento, sem qualquer sobra de crédito a compensação. Inconformado, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade, informando, de início, ter incorrido em erro no preenchimento da DCTF que teria originado o valor indevidamente pago, promovendo, em seguida, a sua retificação. Passo seguinte, traz longo arrazoado para justificar a possibilidade de se retificar a predita DCTF, mesmo após a prolação de despacho decisório, afirmando, outrossim, ter logrado demonstrar a origem e liquidez de seu direito creditório. Como argumento supletivo, sustentou que a Unidade de Origem não teria promovido a correta atualização do crédito pleiteado que, segundo entende, deveria ser corrigido pela variação da SELIC, acrescido de juros moratórios à ordem 1%, incidentes até a data da efetiva utilização do indébito em processo compensatório.Tendo em conta esta alegada irregularidade, conclui que o despacho decisório seria nulo. Juntou à sua peça de defesa, cópias do comprovante (DARF) de recolhimento do IRPJ, das DCTF retificadoras e respectivos recibos de transmissão e da DIPJ/AC2014. Instada a analisar o caso, a DRJ de Recife/PE, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mormente pela ausência de prova da liquidez e certeza. Após a ciência do acórdão acima, o contribuinte interpôs o seu recurso voluntário, por meio do qual reprisa os argumentos já despendidos em sua impugnação, à exceção de alegação nova concernente à inconstitucionalidade da multa isolada aplicada em razão de violação ao princípio do nãoconfisco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10875.903008/201589 Acórdão n.º 1302003.112 S1C3T2 Fl. 4 3 1302003.107, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.902721/2015 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.107): "O recurso é tempestivo e dele conheço em parte. Isto porque, no que toca ao argumento novo trazido com as razões de insurgência já se teria operado a preclusão, à luz dos preceitos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. Considerandose, neste passo, que o recurso devolve apenas a matéria impugnada, por interpretação dos preceitos do art. 33 do citado diploma normativo, e com espeque na regra encartada no art. 1.013 do CPC (aplicado ao processo tributário administrativo de forma supletiva) e, tendo em conta que este argumento não foi suscitado em momento apropriado, não como dele tomar conhecimento, ao menos não nesta instância. I Da prejudicial aventada pelo recorrente. Me permitam aqui inverter a ordem de análise dos argumentos do recorrente para tratar da, aparente, alegação de nulidade do despacho decisório por não aplicar, a seu ver, corretamente os critérios de atualização do crédito oriundo de indébito tributário. Dizse aparentemente porque o contribuinte, efetivamente, diz que o despacho deveria ser considerado insubsistente, única parte do arrazoado apresentado que justificaria, até mesmo, o conhecimento desta matéria. Isto porque, o despacho decisório não promoveu a atualização do crédito pretendido, porque, simplesmente, não reconheceu a sua existência. A alegada nulidade, digase, justificarseia acaso a Unidade Origem tivesse reconhecido parcialmente o direito creditório em decorrência, exclusivamente, de erro de atualização, mas, insistase, este não é o caso. Não há iliquidez, nulidade, insubsitência no despacho por conta de uma alegação etérea e desconectada da realidade dos autos, de que não se teria observado as regras de atualização do crédito postulado, porque, reprisese, a DRF não homologou, em toda a sua extensão, o direito creditório do contribuinte. A DRJ até se deu ao trabalho de esclarecer como se opera a atualização do indébito tributário, justificando a inocorrência de incidência concomitante da incidência de juros de mora 1% e da variação da SELIC... permissa venia, era, pelo que expus acima, de todo desnecessária semelhante explicação, já que o pedido do contribuinte não tem qualquer lógica dentro da estrutura do processo. Assim, voto por afastar esta "prejudicial". Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10875.903008/201589 Acórdão n.º 1302003.112 S1C3T2 Fl. 5 4 II Do mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não aproveita ao contribuinte. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTFs retificadoras, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica, sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Toda a alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é dispicienda; não me oponho, de forma alguma, à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10875.903008/201589 Acórdão n.º 1302003.112 S1C3T2 Fl. 6 5 quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.951077/2015-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
Numero da decisão: 1302-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Shirlei Schanaider Borelli Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.905520/201671, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 10 77 /2 01 5- 20 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.951077/201520 Acórdão n.º 1302003.196 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende quitar débitos próprios com suposto crédito, cuja origem seria um pagamento indevido ou a maior de IRPJ Lucro Presumido (código 2089). Em Despacho Decisório eletrônico proferido, houve o reconhecimento parcial do direito creditório, uma vez que foi identificada a utilização do crédito invocado no pedido de compensação para quitar outros débitos do contribuinte. Sendo assim, foi reconhecido um "saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação nos débitos informados no PER/DCOMP". Ao ser cientificado do despacho proferido, o contribuinte, ora Recorrente, Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda., apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que, "em razão da elevada carga tributária do país e das particularidades para apuração de todos os tributos que está obrigada a recolher mensalmente” efetuou recolhimento indevido e/ou a maior de IRPJ no período de 01/2010, razão pela qual possui o direito subjetivo à tomada de crédito. Como bem relatado no acórdão recorrido, a Recorrente alega que cumpriu todos os ditames impostos pela legislação para a formulação dos pedido de compensação. Invoca dispositivos do CTN, do Código Civil e da Constituição Federal para respaldar o seu direito subjetivo de utilizar créditos de tributos pagos indevidamente ou a maior. Para comprovar o seu direito, a Recorrente acostou aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o pedido de compensação, comprovante de arrecadação, DCTF e DIPJ. Ao final, requereu a procedência do pedido, para que reste reconhecido o direito creditório e, por consequencia, reste homologada a compensação pretendida. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.951077/201520 Acórdão n.º 1302003.196 S1C3T2 Fl. 4 3 depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Diante dos meios de prova ofertados e dos dados presentes nos sistemas informatizados da Administração Tributária, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado da decisão proferida em 05/10/2017, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 01/11/2017, no qual, em síntese, repisa os argumentos anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.193, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.905520/2016 71, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.193): "DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/10/2017 (fl. 104), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2017 (comprovante de fl. 106), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.951077/201520 Acórdão n.º 1302003.196 S1C3T2 Fl. 5 4 DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ Lucro Presumido. Para comprovar a totalidade do seu direito creditório, posto que no Despacho Decisório expedido foi identificada a utilização de parte do crédito no pagamento de outros débitos, do próprio contribuinte, este trouxe aos autos apenas as declarações que havia prestado ao fisco federal. Em brilhante trabalho, contudo, aquela DRJ de Ribeirão Preto demonstrou de forma irretocável que o direito creditório invocado foi utilizado em 03 diferentes pedido de compensação apresentados pelo contribuinte, sendo um deles o que discutido. Demonstrou ainda, o julgador a quo, que o contribuinte retificou a sua DIPJ e DCTF, ressalvando a disparidade entre o débito apurado na "DIPJ retificadora (R$ 1.237.522,71) e o débito declarado em DCTF (R$ 63.549,58), esta última também retificadora". Contudo, houve a constatação que o crédito invocado no presente pedido de compensação foi, de fato, alocado em parte no pagamento de outros débitos do próprio contribuinte. Vejase a conclusão que chegou aquela Turma de Julgamento, que analisou de forma detida as declarações e pagamentos apresentados pela Recorrente. Ressaltase, ainda, que se adota na presente decisão as razões de decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF: 26. Foram efetuados três recolhimentos pela interessada, referidos ao terceiro trimestre do ano calendário de 2010, entre os quais o que daria origem ao direito creditório sob apreciação, ou seja, recolhimento no valor de R$ 53.348,31, sob código de receita 2089: (...) 27. Do recolhimento no valor total de R$ 53.348,31, a quantia de R$13.288,90 encontrase alocada ao débito declarado em DCTF, para o 3º trimestre de 2010, conforme vinculação efetuada pela contribuinte nas informações complementares da DCTF. 28. Houve também a alocação da quantia de R$ 30.712,05 ao mesmo débito declarado em DCTF, valor este correspondente ao “Saldo a Pagar do Débito”. 29. O montante restante, de R$ 9.347,36, deu suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.951077/201520 Acórdão n.º 1302003.196 S1C3T2 Fl. 6 5 utilizado por meio da Dcomp sob apreciação (R$ 53.348,21 menos R$ 13.288,90 menos R$ 30.712,05 = R$ 9.347,36). Vejamse as alocaçõesefetuadas ao débito de IRPJ do terceiro trimestre, declarado em DCTF: (...) 30. Enfim, o recolhimento efetuado, no valor de R$ 53.348,41, indicado como origem do direito creditório, foi integralmente aproveitado, mediante: alocação parcial ao débito declarado em DCTF e como suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação objeto deste processo. Em conseqüência, o recolhimento efetuado já se esgotou integralmente, isto é, não há saldo residual, e, portanto, não há direito creditório adicional a ser reconhecido. 31. Portanto, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Devese pontuar que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe aos autos qualquer comprovação do direito creditório. Trouxe apenas argumentos genéricos que, data venia, em nenhum momento foram referendados com documentação comprobatória. Por outro lado, de forma temerária, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ "não apreciou a DCTF retificadora de 06/11/2013, a qual faz alusão rapidamente no item 23 do acórdão." Contudo, desde as premissas que foram fixadas previamente no acórdão proferido, o julgador a quo deixa claro que aquela Turma de Julgamento "tem reiteradamente se manifestado pela aceitação de provas e documentos a qualquer tempo, desde que apresentados antes de iniciado o julgamento". Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, a análise dos argumentos apresentados partiu das declarações da DIPJ e da DCTF retificadoras. Assim, caberia à Recorrente demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, eventual erro nas duas declarações, até mesmo porque, reiterese, toda a análise do direito creditório por parte da DRJ se deu com base nas declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte. E não há no apelo da Recorrente qualquer tentativa de se desconstruir o que restou demonstrado no acórdão proferido. Os argumentos apresentados são genéricos e sem qualquer lastro probatório. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.951077/201520 Acórdão n.º 1302003.196 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 92DF CARF MF
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