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Numero do processo: 10480.721571/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV contra Acórdão nº 0127.033, de 3 de setembro de 2013, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, cancelando o crédito tributário no valor de R$ 7.412,65, referente à multa isolada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 21 57 1/ 20 13 -1 1 Fl. 6966DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.968 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, no valor total de R$ 13.916.585,84 (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional e juros de mora), em que foi lançado IPI decorrente das seguintes infrações, conforme Relatório Fiscal de fls. 29/72: Revenda de insumos adquiridos de terceiros sem destaque do IPI: “O estabelecimento industrial que der saída a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, é considerado estabelecimento comercial de bens de produção e obrigatoriamente equiparado a industrial em relação a essas operações.” b) Aproveitamento indevido de créditos na compra de bebidas de outra filial da empresa: “Conforme mencionado no item ‘II – FUNDAMENTOS’ o IPI destacado nas notas fiscais de vendas de bebidas tributadas de acordo com a Lei nº 7.798/89 não pode ser apropriado como crédito, posto que o creditamento é indevido, por vários motivos, a saber: primeiro, porque os produtos da tabela 1 não se referem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem destinados à industrialização, mas a produtos acabados destinados à comercialização; segundo, o IPI incide nos produtos da ‘tabela 1’ uma única vez, na saída do estabelecimento industrial, ou do estabelecimento equiparado a industrial, o que significa dizer que uma vez pago não será mais devido na operação seguinte; terceiro, os produtos não foram industrializados pela AmBev Jundiaí sob encomenda da AmBev Cabo, que consistiria numa exceção à incidência única, hipótese em que o imposto incidiria na saída do produto do estabelecimento industrializador e na saída do estabelecimento encomendante, podendo o encomendante tomar como crédito o IPI pago pelo industrializador, conforme autoriza o artigo 143, §2º, combinado com o artigo 164, inciso IV, ambos do RIPI/2002, não sendo o caso ora analisado, conforme se verifica nas cópias da notas fiscais de compras de bebidas anexas, pois não existe a declaração ‘Remessa Fl. 6967DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.969 3 Simbólica de Produtos Industrializados por Encomenda’, conforme art 417, inciso II do RIPI/2002.” c) Aproveitamento indevido de créditos na compra de materiais para uso ou consumo: “O creditamento de compras de material para uso ou consumo, (CFOP 1.556 e 2.556), não enseja o direito ao crédito do IPI, por não serem créditos à luz da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, não devem ser registrados na escrita fiscal. ....... Verificase, de plano, que em vários dos itens especificados nas notas fiscais de entrada, descritos como: Aba cônica, Adaptadores, Amortecedores, Anéis, Arruelas, Bielas, Buchas, Chapas, Chaves, Diafragmas, Discos, Esferas, Esponjas, Gaxetas, Juntas, Lâmpadas, Mangotes, Mangueiras, Molas, O Ring, Parafusos, Perfis, Pinos, Polias, Refletores, Reparos, Retentores, Rolamentos, Roletes, Selos, Sensores, Tubos flexíveis, Tulipas, Válvulas; não poderiam ser considerados como matéria prima para os produtos fabricados pelo contribuinte (Refrigerantes e Cervejas), eis que não se incorporam a tais produtos. Também é facilmente verificável que esses itens não constituem material de embalagem. Quanto a serem produtos intermediários, também não podem ser assim considerados, por não estar caracterizada a ‘ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele’. Esses itens são, in facto, material de uso ou consumo ou peças de reposição das máquinas e equipamentos da empresa, não ensejando o direito ao crédito do IPI, consoante entendimento adotado pela administração tributária no Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação nº 65/79, especificamente para esses tipos de bens: (...)”Cabe ainda ressaltar que a norma prevista no art. 11, da Lei nº 9.779/1999 não ampara o saldo credor acumulado decorrente da aquisição dos bens tributados em questão (materiais para uso ou consumo). Como fica evidenciado pela simples análise do art. 11, da Lei nº 9.779/1999, a lei define o benefício fiscal do ressarcimento do saldo credor acumulado do IPI para as aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de Fl. 6968DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.970 4 embalagem aplicados na industrialização pelo estabelecimento industrial do contribuinte. Informamos então que as notas fiscais, escriturados nos Livros Registro de Apuração do IPI e Registro de Entradas de outubro/2009 a junho/2010 no campo ‘005 Outros Créditos – MATERIAL INTERMEDIARIO DE PRODUCAO – MIP’, (CFOP 1.556 e 2.556 Compra de material para uso ou consumo), além da própria empresa já classificar com os CFOP com crédito indevido do IPI, a mesma é referente a mercadorias que se caracterizam como ‘material de uso ou consumo ou peças de reposição’, sendo a mesma glosada neste auto de infração. .......” d) Aproveitamento indevido de créditos na transferência de bebidas: “A filial da AmBev localizada no município de Contagem/MG, CNPJ nº 02.808.708/005249, transferiu para comércio na AmBev Cabo, com destaque do IPI, os produtos relacionados na tabela 2. O imposto destacado nas transferências foi apropriado como crédito básico pela AmBev Cabo, (CFOP 2.152). Conforme mencionado no item “II – FUNDAMENTOS” o IPI destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas tributadas de acordo com a Lei nº 7.798/89 não pode ser apropriado como crédito, posto que o creditamento é indevido, por vários motivos, a saber: primeiro, porque os produtos da tabela 2 não se referem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem destinados à industrialização, mas a produtos acabados destinados à comercialização; segundo, o IPI incide nos produtos da “tabela 2” uma única vez, na saída do estabelecimento industrial, ou do estabelecimento equiparado a industrial, o que significa dizer que uma vez pago não será mais devido na operação seguinte; terceiro, os produtos não foram industrializados pela AmBev Contagem/MG sob encomenda da AmBev Cabo, que consistiria numa exceção à incidência única, hipótese em que o imposto incidiria na saída do produto do estabelecimento industrializador e na saída do estabelecimento encomendante, podendo o encomendante tomar como crédito o IPI pago pelo industrializador, conforme autoriza o artigo 143, §2º, combinado com o artigo 164, inciso IV, ambos do RIPI/2002, não Fl. 6969DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.971 5 sendo o caso ora analisado, conforme se verifica nas cópias das notas fiscais de transferências de bebidas anexas, pois não existe a declaração ‘Remessa Simbólica de Produtos Industrializados por Encomenda’, conforme art 417, inciso II do RIPI/2002.” e) Apuração indevida de crédito presumido incentivado na aquisição de concentrado para elaboração de bebida do capítulo 22 da Tipi: “Os produtos industrializados na ZFM (Zona Franca de Manaus) destinados à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional saem dessa região com a isenção prevista no artigo 69, inciso II, do RIPI/2002 e no artigo 81, inciso II, do RIPI/2010, desde que atendidos os requisitos ali previstos. Por outro lado, os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima), cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, saem com a isenção prevista no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002 e no artigo 95, inciso III, do RIPI/2010. ....... A AmBev Cabo adquiriu preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, classificadas no código TIPI 2106.9010 Ex 01. Os referidos concentrados, utilizados na elaboração dos refrigerantes, foram adquiridos das empresas AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA e PEPSICOLA INDUSTRIAL DA AMAZÔNIA LTDA, localizados na ZFM (Zona Franca de Manaus). Sobre o valor de todos os produtos adquiridos da ZFM a AmBev Cabo aplicou a alíquota do IPI prevista na TIPI e lançou o resultado no RAIPI (Registro de Apuração do IPI), como crédito incentivado. Conforme já esclarecido, somente os produtos adquiridos com a isenção prevista no artigo 82, inciso III, dão direito a crédito incentivado, ou seja: os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Fl. 6970DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.972 6 Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, destinados à industrialização pelo adquirente. ..... Na fiscalização realizada anteriormente na AmBev Cabo, (eprocesso de nº 10480.721144/201081, MPF nº 04101002009011510), para que fosse certificado de que os produtos provenientes da ZFM são elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção da Amazônia Ocidental, foram realizadas intimações aos fornecedores de concentrados para elaboração de refrigerante localizados na ZFM (Zona Franca de Manaus). As empresas AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA e PEPSICOLA INDUSTRIAL DA AMAZÔNIA LTDA., fornecedoras das preparações compostas utilizadas na elaboração dos refrigerantes, foram então intimadas a prestar estas informações a respeito do correto enquadramento legal da isenção de seus produtos, tendo em vista a omissão ou dúvida de que o dispositivo legal indicado na nota fiscal realmente se aplicava ao produto, conforme documentos anexos. Conforme mostra a documentação anexada ao eprocesso, a PEPSICOLA informou que os concentrados Pepsi Cola, Pepsi Cola Light, Pepsi Cola Twist, Pepsi Cola Twist Light, saem da ZFM com a isenção prevista no artigo 69, II. Nenhuma matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção da Amazônia Ocidental é utilizada na sua elaboração. Informou ainda que o corante caramelo utilizado como matériaprima é produzido e fornecido pela empresa D D WILLIAMSON DO BRASIL LTDA, de Manaus/AM. Esta empresa também foi intimada a informar a origem da matériaprima utilizada na elaboração do corante caramelo para bebidas não alcoólicas, manifestandose, em sua resposta, que inexiste matériaprima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional na elaboração do referido produto. A empresa AROSUCO informou que somente os concentrados Guaraná Antarctica e Guaraná Antarctica Diet saem da ZFM com a isenção do artigo 82, inciso III, pois contêm extrato de semente de guaraná, produzido na Amazônia Ocidental. Por outro lado, informou que a falta de destaque do IPI Fl. 6971DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.973 7 nas vendas dos concentrados: Soda Limonada Antarctica, Soda Limonada Antarctica Diet, Sukita, Sukita Uva e Tônica Antarctica estão amparadas na isenção prevista no artigo 69, inciso II, posto que estes concentrados não contêm matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção da Amazônia Ocidental. ........ À vista do exposto, os créditos calculados em relação aos produtos oriundos da ZFM com a isenção do inciso II do artigo 69 foram glosados da escrita fiscal do IPI. Consideramos como incentivados apenas os créditos calculados sobre o valor de aquisição dos concentrados de Guaraná Antarctica e Guaraná Antarctica Diet, por se adequarem ao estatuído no inciso III do art. 82, do RIPI/2002 e no inciso III, do artigo 95, inciso III, do RIPI/2010. ........” f) Apuração indevida de crédito presumido incentivado na aquisição de material de embalagem produzido na ZFM “A AmBev Cabo adquiriu materiais de embalagem: rolhas plásticas, filme contrátil e filme stretch, classificadas no código TIPI 3923.50.00 e 3920.10.99. Os referidos materiais de embalagem, utilizados na industrialização dos refrigerantes, foram adquiridos das empresas CROWN TAMPAS DA AMAZÔNIA S/A e VALFILM AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, todas localizadas na Zona Franca de Manaus. Na fiscalização realizada anteriormente na AmBev Cabo, (eprocesso de nº 10480.721144/201081, MPF nº 04101002009011510), para que fosse certificado de que os produtos provenientes da ZFM são elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção da Amazônia Ocidental, foram realizadas intimações aos fornecedores de materiais de embalagem localizados na ZFM (Zona Franca de Manaus). As empresas CROWN TAMPAS DA AMAZÔNIA S/A e VALFILM AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, fornecedoras dos materiais de embalagem folhas plásticas, filme contrátil e filme stretch, foram então intimadas a prestar estas informações a respeito do correto enquadramento legal da isenção de seus produtos, tendo em vista a omissão ou dúvida de Fl. 6972DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.974 8 que o dispositivo legal indicado na nota fiscal realmente se aplicava ao produto, conforme documentos anexos. Apenas a VALFILM afirma utilizar matéria prima agrícola extrativa da Amazônia na elaboração do filme stretch, no caso, o óleo de dendê. A documentação apresentada, anexada ao eprocesso, inclui cópia de nota fiscal de compra de óleo de dendê das empresas CAIAUE AGROINDISTRIAL S/A e EMBRAPA. Desta última há ainda um laudo técnico de conformidade de produção da matériaprima óleo de dendê, datado de 17/05/2009, no que é afirmado que o óleo de dendê produzido na unidade da EMBRAPA do Rio Urubu é fornecido a VALFILM. Quanto aos demais materiais de embalagem, todos saíram da ZFM com a isenção do artigo 69, inciso II, insusceptíveis de gerar créditos para o adquirente. ....... À vista do exposto, os créditos calculados em relação aos produtos oriundos da ZFM com a isenção do inciso II do artigo 69 foram glosados da escrita fiscal do IPI. Consideramos como incentivados apenas os créditos calculados sobre o valor de aquisição do material de embalagem filme stretch, por se adequarem ao estatuído no inciso III do art. 82, do RIPI/2002 e no inciso III, do artigo 95, inciso III, do RIPI/2010. .......” g) Utilização indevida de saldo credor de período anterior: “Em fiscalização realizada anteriormente na AmBev Cabo, (eprocesso de nº 10480.721144/201081, MPF nº 04101002009011510), onde a mesma abrangeu a análise do Imposto sobre Produtos Industrializados no período de janeiro de 2005 a junho de 2009, tendo ao seu final efetuado a lavratura de auto de infração no valor de R$ 32.552.542,91. Ao final da referida fiscalização o contribuinte foi intimado a promover o estorno do crédito de R$ 2.002.150,77 (dois milhões, dois mil, cento e cinquenta reais e setenta e sete centavos), mediante lançamento no RAIPI, no período de apuração correspondente à data da ciência daquele auto de infração, tendo em vista que o saldo reconstituído apurado no último mês de junho de 2009 é de R$ 1.688.855,06 e o saldo constante do RAIPI é de R$ 3.691.005,83 (3.691.005,83 1.688.855,06 = 2.002.150,77), conforme mostra Fl. 6973DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.975 9 a anexa planilha “RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DO IPI” e o auto de infração anteriormente lançado, anexo. Notamos que a AmBev Cabo não promoveu o devido estorno desta diferença de saldo credor anterior de IPI alocado em julho de 2009 em seu Livro RAIPI, (3.691.005,83 1.688.855,06 = 2.002.150,77), sendo que o saldo credor de junho/2009 (R$ 3.691.005,83), foi transferido para os períodos posteriores, sem que a AmBev Cabo providenciasse ao devido estorno de crédito no seu Livro RAIPI, conforme livro anexo. Portanto, em julho/2009 o saldo credor do período anterior encontra se com um valor indevido de R$ 2.002.150,77, motivo pelo qual estamos aqui neste auto de infração lançando esta diferença com o objetivo de efetuar o devido estorno de crédito. Neste caso o Saldo Credor do Período Anterior é Indevido, segundo a anexa planilha ‘RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DO IPI’ do auto de infração anteriormente lançado e cópia do auto de infração, também anexo ao presente eprocesso.” 2. Cientificada em 22.02.2013 (AR fl. 6723), a interessada apresentou, tempestivamente, em 25.03.2013, impugnação (6726/6854) na qual informa inicialmente haver efetuado o pagamento do imposto correspondente à primeira das infrações (revenda de insumos adquiridos de terceiros sem destaque do IPI), desistindo de contestar essa parte do auto. Com relação às demais, apresenta os seguintes argumentos: a) Glosa dos créditos sobre a aquisição de bens utilizados na produção: “A própria descrição da finalidade dos gastos revela ser incontroverso que os produtos em questão são utilizados ou consumidos no processo industrial da empresa. Ainda que eles não tenham contato físico com as mercadorias fabricadas, tal fato não impede a apropriação dos créditos, pois referida condição afigurase em desacordo com a legislação e, mais do que isso, contraria frontalmente a definição de produtos intermediários constante dos arts. 164,I, e 519, incisos II e V, ambos do RIPI/02, nos quais se fundamenta o creditamento havido pela Impugnante. Com efeito os dispositivos referidos exigem tão somente que os bens sejam utilizados ou consumidos no processo industrial e que não façam parte do tivo Fl. 6974DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.976 10 permanente, o que se verifica em relação a todos os materiais cujos créditos foram glosados pela fiscalização. Ora, é sabido que os atos expedidos pelas autoridades administrativas não podem criar ou restringir direitos sem base em norma legal e nem contrariar o respectivo regulamento (CTN, art. 99). Por conseguinte, as condições extralegais previstas nos PNs CST ns. 65/1979, 214/95 e 170/96 (contato físico do material com o produto e participação intrínseca na atividade industrial) não servem como fundamento para restringir o direito da Impugnante ao crédito do IPI em relação aos insumos que comprovadamente são utilizados em seu processo industrial e não fazem parte do seu ativo imobilizado, como se verifica no caso em tela. Todos os itens que tiveram os créditos glosados são consumidos na atividade industrial, ao serem empregados nas máquinas utilizadas na fabricação das bebidas produzidas pela Impugnante tributadas pelo IPI. São, portando, elementos indispensáveis para o funcionamento dos equipamentos industriais, pois sem eles não existe a fabricação dos produtos comercializados pela Impugnante. .....” b) Descabimento da cobrança do IPI a partir da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeitas ao regime monofásico: “A fiscalização alega que as bebidas prontas para o consumo recebidas pelo estabelecimento autuado de outras unidades da empresa ou de sociedade terceiras para revenda (ou para serem retransmitidas a outras filiais para que estas comercializassem) estariam sujeitas à tributação monofásica do IPI quando de sua saída primitiva dos estabelecimentos que as fabricaram, com fundamento no artigo 4° da Lei n. 7.798/89 (art. 143 do Decreto n. 4.544/02 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/ 02 aplicável até 31.12.2008) e nos artigos 58A, 58B, 58J, 58N e 58U da Lei n. 10.833/03 (a partir de 01.01.2009). Por essa razão, seria vedado o registro de crédito de IPI na entrada de tais produtos na filial autuada justificando a glosa dos valores creditados nessas operações. Acrescenta a fiscalização que o fato de, posteriormente à entrada e ao registro dos créditos sobre as bebidas recebidas, ter se dado a saída destes mesmos produtos com débito do imposto, não afastaria a conclusão pela Fl. 6975DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.977 11 obrigatoriedade de glosa dos créditos apropriados ao início, pois o: ‘pagamento do IPI na saída dos produtos dos estabelecimentos filiais (Centro de Distribuição) não foi demonstrado e mesmo que tivesse sido, não infirmaria a infração cometida, de utilização indevida de crédito. Aliás, o pagamento do imposto pelas filiais só comprovaria mais uma infração à legislação, punível com multa, conforme prevê o artigo 488, § 1º, inciso IV do RIPI/2002’. O entendimento exposto na peça fiscal, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, porque a constatação do pagamento do IPI na saída dos produtos dependia unicamente do exame da escrita contábil e fiscal da empresa, o que deveria ter sido feito no curso da fiscalização, por dever de ofício (CTN, art. 142, par. único). Como, todavia, o agente autuante não se dispôs a fazêlo, o trabalho fiscal deve ser cancelado, pois não foi provada a falta de recolhimento de IPI reclamado. De qualquer forma, os demonstrativos em anexo demonstram, inequivocamente, que as mercadorias revendidas pelo estabelecimento autuado saíram com débito do IPI, ao passo que as mercadorias transferidas a outras unidades foram por elas tributadas quando da ulterior saída a terceiros (doc. 4), podendo, se o caso, ser feita diligência para examinar toda a documentação existente e que comprova o alegado. Em segundo lugar, mesmo que fosse vedado o registro do crédito em função de as mercadorias sujeitaremse ao regime monofásico do IPI, jamais poderia haver o lançamento de ofício do tributo, pois o mesmo foi, ao final, recolhido pela Impugnante antes do início do procedimento de fiscalização. Haveria, quando muito, pagamento a destempo do IPI. No entanto, a postergação no recolhimento do imposto evidentemente não autoriza o procedimento adotado pela fiscalização, consistente na glosa dos créditos apropriados e a consequente exigência do mesmo tributo outrora já liquidado. Afinal, se aceito o trabalho da fiscalização, haveria bis in idem vedado pelo ordenamento. Por isso, em casos como o presente, em que, de acordo com a acusação, configurasse o cumprimento da obrigação tributária principal, só que após a data em que o crédito tributário deveria ter sido Fl. 6976DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.978 12 adimplido, a legislação prevê o lançamento apenas de juros de mora e multa isolados, nos termos do artigo 43 da Lei n. 9.430/96, procedimento cuja aplicação, aliás, encontra guarida igualmente no art. 488, I, § 1º, IV, do RIPI/02 ..........” c) Ilegitimidade da glosa dos créditos de insumos originários da ZFM: “...... Com efeito, parte dos produtos examinados pela fiscalização compreende concentrados das bebidas não alcoólicas ‘kits’ para a fabricação de Pepsi, Pepsi Lignt, Pepsi Twist e Pepsi Twist Light adquiridos junto a PepsiCola Industrial da Amazonia Ltda.. Tais concentrados são fabricados a partir de extrato de caramelo, insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada no Mato Grosso, atendendo assim ao requisito de matériaprima vegetal originária da região amazônica (‘Amazônia legal’, definida no art. 2º da Lei n. 5.173/66 e art. 45 da LC n. 31/77). Por essa razão, aliás, é que a Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, ao avaliar e aprovar o projeto apresentado pela Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda., reconheceu expressamente que ela faz jus ao artigo 6º do Decretolei n° 1.435/1975, que é justamente o artigos 82, III, e 175 do RIPI/02 (Resolução n. 356/2002 doc. 5) ..... A fim de que não restassem dúvidas acerca do direito à fruição da isenção prevista no artigo 6º do Decretolei n. 1.435/1975, a Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda. formulou consulta à SUFRAMA (Correspondência n. 4745 doc. 6), tendo a autarquia confirmado a correição do entendimento da consulente, ao concluir em resposta que: o açúcar de cana, utilizado na industrialização de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas, classificase como matériaprima originaria de extrato vegetal regional, até porque ‘admitese que a matériaprima regional seja originária de cultivo’ (Ofício n. 5637/SPR/CGAPECPIN, expedido pela SUFRAMA não é só. O Decretolei n. 1.435/1975 faz parte de um conjunto de diplomas legais que almejam fomentar a expansão econômica de uma parte do território brasileiro de Fl. 6736 doc. 7). Mas características comuns (região Fl. 6977DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.979 13 interior do País e economicamente menos desenvolvida). O histórico dos diplomas que, como ele, visam estimular a ocupação e a atividade econômica local revelam que a Amazônia não compreende apenas o Estado do Amazonas ou mesmo este e os Estados vizinhos com a mesma espécie de fauna e flora (Acre, Roraima e Rondônia). A definição da área incentivada é mais abrangente, o que â explicado não por contar com características naturais em comum, mas por opção política de desenvolver condições econômicas para que as pessoas se estabelecessem no local e, por consequência, ocupassem a região. Por essa razão, o termo ‘regional’ não pode ser restrito À área na ‘Amazônia Ocidental’, para efeito de interpretação do artigo 6º do Decreto lei n. 1.435/75. A Amazônia Ocidental compreende o local em que deve estar o estabelecimento industrial, pois já se fomentava a instituição de pólo industrial local, mal não o local de produção do extrato vegetal, que se estende pela região da ‘Amazônia Legal’. Por isso, é ilegal pretender limitar o direito de crédito apenas às mercadorias produzidas com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais da Amazônia Ocidental, tal como se tem por meio do lançamento ora impugnado. Nesse sentido, aliás, é a determinação constante da Portaria MICT/MCT n. 842/2007, que descreve o processo produtivo mínimo obrigatório para a fabricação de materiais de perfumaria e preparações cosméticas. Segundo ela: ‘Considerase matéria prima regional aquela proveniente da flora da fauna ou mineral que tenha sido extraída, coletada, cultivada, criada ou produzida na Amazônia Legal, definida como nativa, endêmica, ou aclimatada, conforme comprovação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia INPA. A questão relacionada à área em que podem ser produzidas as matérias primas agrícolas e extrativas vegetais para fins de fruição do incentivo foi igualmente objeto da Correspondência n. 4745, subscrita pela Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda. (doc. 6), e do Ofício n. Fl. 6978DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.980 14 5637/SPR/CGAPECPIN, expedido pela SUFRAMA (doc. 7). Neste, a autarquia federal consignou que o incentivo previsto no artigo 6° do Decretolei n. 1.435/1975 abrange insumos fabricados com extratos vegetais produzidos na área da Amazônia Legal, desde que a fabricante esteja na área da Amazônia Ocidental. É o que se verifica justamente com o açúcar de cana utilizado na prepara caramelo pela D.D. Williamson do Brasil Ltda., como expressamente consignado no Ofício da SUFRAMA. De fato, a cana e o açúcar dela resultante foram produzidos no Mato Grosso (portanto, na região da Amazônia Lega, alcançada pelo incentivo), tendo, ao final, após ser transformado em corante caramelo (por estabelecimento na Amazônia Ocidental), servido de insumo para a industrialização dos concentrados preparados pela Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda. para a Impugnante. Assim, diferentemente do quanto exposto pela fiscalização, as mercadorias adquiridas pela Impugnante se beneficiavam sim da isenção prevista no artigo 82,II, do RIPI/02. As mesmas razões são suficientes para afastar outras ilações que justificaram a glosa dos créditos, relacionadas à circunstância de que a Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda. teria informado durante o procedimento fiscal que originou o processo n° 10480.721144/201081 que ‘os concentrados Pepsi Cola, Pepsi Cola Light, Pepsi Cola Twist, Pepsi Cola Twist Light, saem da ZFM com a isenção prevista no artigo 69, II’. Ora, justamente em razão das dúvidas suscitadas pela legislação, foi que a Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda. formulou consulta à SUFRAMA (doc. 6) Nessa medida, tendo referida autarquia asseverado que o regime fiscal correto é o previsto no artigo 82, III, do RIPI/02, ao invés do veiculado no artigo 69, II, do mesmo regulamento, o eventual equívoco cometido quando do preenchimento dás notas fiscais não afasta o direito da Impugnante de adotar a regra cabível à hipótese. No máximo, se poderia cogitar de erro formal nos documentos fiscais. Fl. 6979DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.981 15 Jamais se negar o crédito à Impugnante na condição de adquirente, se a operação atende aos pressupostos para o seu registro como mencionado Ofício n. 5637/SPR/CGAPECPIN, expedido pela SUFRAMA. Ora, tendo em vista o entendimento oficial divulgado pela SUFRAMA, é vedado à Fl. 6739 fiscalização desqualificar o regime fiscal nele apontado para adotar tratamento jurídico distinto aos fatos, pois, ao assim fazer, invadiu a esfera de competência legalmente reservada a outro órgão federal. ........ Por outro lado, mesmo se, para argumentar, os produtos adquiridos pela Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda. não estivessem enquadrados nos arts. 82, III, e 175 do RIPI/02 (tal como são as mercadorias obtidas junto aos demais fornecedores localizados na ZFM que tiveram os créditos glosados), ainda assim reconhecer o direito da Impugnante ao crédito do IPI sobre todos eles por força tratamento tributário diferenciado preconizado pelo artigo 40 do ADGT (vigente até 2.023, conforme art. 92 do ADCT). Com efeito, embora o Supremo Tribunal Federal tenha definido que as aquisições de insumos isentos do IPI, em regra, não conferem ao destinatário ao produto o direito de apropriar créditos do imposto, tal entendimento não se aplica às aquisições de insumos produzidos na ZFM, conforme se extrai dos esclarecimentos prestados pelo Relator do RE 566.819/RS33, Ministro Marco Aurélio: (...) Para que os insumos adquiridos de fornecedores localizados na tratamento tributário mais benéfico do que aqueles tributados e provenientes de outras ZFM tenham regiões, é necessário que, além de não incidir o imposto, seja concedido o crédito do valor correspondente ao IPI que incidiria sobre a operação.” d) Lançamento do saldo credor apurado pela Impugnante em junho de 2009 e considerado indevido pela fiscalização. “No caso em exame, o ajuste na escrita fiscal que demandaria o estorno do crédito de R$ 2.002.150,77 por parte da Impugnante (doc. 9 cópia do termo de informação fiscal constante no processo n. 10480.721144/201081) foi contestado administrativamente sem que, até o Fl. 6980DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.982 16 presente, tal feito tenha sido encerrado (docs. 10 cópia do recurso voluntário, dos extrato do COMPROT e do CARF). Desse modo, não são definitivas as premissas das quais partiu a fiscalização para determinar o estorno dos créditos em questão pela Impugnante. Como consequência, ao contrário do que expõe o relatório fiscal do presente processo, o crédito supostamente indevido, somente poderá ser considerado inexistente se e quando lançamento promovido pela fiscalização (processo n. 10480.721144/201081) deixar de ter seus efeitos suspensos tornandose definitivo. (...) .... Na eventualidade de ser superado o argumento anteriormente aduzido, premissa aceita unicamente a título de argumentação, deve, ao menos, ser sobrestado o lançamento em questão até o deslinde do processo administrativo n. 10480.721144/201081.” e) Impossibilidade de exigência da multa isolada sobre o crédito cujo estorno havia sido determinado concomitantemente com a multa de ofício sobre débitos de IPI com o qual foi aproveitado. Imposição de dupla penalidade a um só fato: “Como se pode verificar dos demonstrativos que acompanharam o auto de infração ora impugnado, todos os valores de IPI apurados foram exigidos acrescidos da multa de ofício no percentual de 75%. No entanto, sem prejuízo da exigência imposto de ofício, acompanhado de multa de 75%, houve ainda a imposição da multa isolada prevista no art. 80 da Lei n. 4.502/64 , ao argumento de que o IPI não lançado a débito, por ter sido coberto pelos mesmos créditos antes referidos cuja glosa redundou na constituição da ora impugnada (períodos de apuração entre 28.02.2010 e 30.06.2010). Quer dizer, para o período identificado, além de ter glosado os créditos, com as consequentes exigências do imposto, dos juros e da multa correspondentes, a fiscalização lançou multa isolada, a pretexto de que teria havido saída de tributado, sem o registro a débito de IPI, por ser alegadamente acobertado por credito indevido. Tal fato pode ser verificado a partir do exame do demonstrativo dos débitos apurados de IPI não Fl. 6981DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.983 17 lançado, no qual é apontado expressamente que houve a cobrança da multa de ofício sobre os valores em comento e o demonstrativo da multa lançada com cobertura de crédito relacionado aos mesmos fatos gerador. Todavia, a imposição da multa isolada em comento de forma cumulativa com a multa de ofício mostrase descabida. A leitura do dispositivo legal que instituiu a multa isolada em questão (art. 80 da Lei n. 4.502/64) delimita sua imposição apenas aos casos em que há falta de lançamento do valor do IPI na nota fiscal OU quando é verificada a falta de recolhimento do imposto Nas hipóteses em que o imposto é lançado na nota de saída e regularmente apurado pelo sujeito passivo, a imposição da penalidade fica afastada. No caso concreto, não se verifica nenhuma das situações autorizadoras do lançamento da multa isolada. O valor do imposto foi destacado nas notas de saída e integrado ao cálculo do devido a cada período de apuração pela Impugnante.” f) Ao final, conclui: “Por todo o exposto, requer a Impugnante seja integralmente cancelada a autuação e reconstituída a sua escrita fiscal, pois: 3.1. Os créditos básicos glosados têm origem na aquisição de produtos aplicados na produção das mercadorias comercializadas pela Impugnante, sofrendo desgaste ou sendo consumidos no seu processo industrial, o que justifica o creditamento efetuado. 3.2. Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo sujeitas ao regime monofásico pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias. Quando muito, a Fiscalização poderia ter exigido acréscimos moratórios de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem). 3.3. Quanto aos créditos de mercadorias originárias da ZFM: 3.3.1 A SUFRAMA, órgão ao qual foi atribuída a competência legal para conceder, fiscalizar e avaliar os incentivos dos estabelecimentos instalados na ZFM, reconheceu que a Pepsi Cola Indústria da Amazônia Ltda. goza do benefício previsto no artigo 82, III, do RIPI/02, o qual admite Fl. 6982DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.984 18 que o adquirente registre crédito do IPI em relação aos insumos isentos por ela produzidos. 3.3.2. Por força do artigo 40 do ADCT, as mercadorias originárias da ZFM devem obrigatoriamente se sujeitar a regime fiscal mais vantajoso que os produtos produzidos nas demais regiões do País, o que exige a consideração de crédito correspondente ao IPI desonerado na operação com mercadoria isenta. A vedação ao direito de crédito sobre os insumos isentos originários da ZFM faz com que tais produtos sejam submetidos ao mesmo tratamento a que estão submetidas as mercadorias industrializadas nas demais localidades do Brasil o que torna improcedente a exação fiscal. 3.4. É descabido o lançamento do saldo credor de junho/2009 apurado pela Impugnante, uma vez que os atos que determinaram o seu estorno, objeto do processo n. 10480.721144/201081, estão com a exigibilidade suspensa. Quando menos, deve ser determinado o sobrestamento da demanda com relação a essa exigência até a solução definitiva da lide objeto do feito n. 10480.721144/201081. 3.5. Não é possível a cominação concomitante de multas de ofício e isolada sobre uma única infração imputada.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, cancelando o crédito tributário no valor de R$ 7.412,65 referente à multa isolada, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/06/2010 AMAZÔNIA OCIDENTAL. CRÉDITO. Por expressa disposição legal, estão isentos do IPI os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental com projeto aprovado pela Suframa. CRÉDITO. INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. CRÉDITO. MONOFÁSICO. Fl. 6983DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.985 19 A aquisição de produtos acabados sujeitos ao regime monofásico está fora das hipóteses geradoras de crédito do IPI. CRÉDITO. GLOSA. ATO ADMINISTRATIVO DEFINITIVO. Os atos administrativos são sempre definitivos podendo, em momento posterior, serem revistos parcialmente, anulados ou declarados nulos por outro ato competente para tal. Assim, caberá o estorno de crédito glosado, ainda que pendente de recurso administrativo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 14 de janeiro de 2014, apresentou recurso voluntário em 6 de fevereiro de 2014 ao Conselho Administrativo Fiscal – CARF, pleiteando a reforma parcial da decisão DRJ, com o cancelamento da integralidade do lançamento e constituída a escrita fiscal da recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 14 de janeiro de 2014, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 6 de fevereiro de 2014. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que o cerne da lide envolve a lavratura de Auto de Infração com a exigência de IPI, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, em decorrência da revisão da apuração do imposto por estabelecimento nos anos de 2009 e 2010. Fl. 6984DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.986 20 Insurge a recorrente, quanto aos fatos, que: · A fiscalização entende que a recorrente teria cometido 5 irregularidades na quantificação do IPI, redundando uma delas na ausência de destaque do imposto na saída de mercadorias, três na glosa de créditos e uma na exigência de multa isolada, nos seguintes moldes: o Ausência de lançamento do imposto nas notas fiscais de saídas de insumos sujeitos à tributação do IPI adquiridos de terceiros e revendidos; o Entrada de bens utilizados na produção, por não representarem insumos de acordo com a definição fixada pela legislação; o Glosa de créditos registrados na revenda ou transferência de bebidas prontas para o consumo recebidas de terceiros e de outros estabelecimentos da própria recorrente sujeitas à sistemática monofásica de apuração e recolhimento do imposto; o Glosa de créditos apropriados na compra de insumos isentos do imposto adquiridos junto a estabelecimentos produtores instalados na Zona Franca de Manaus (ZFM); o Multa isolada em razão do aproveitamento de créditos cujo estorno teria sido determinado por fiscalização anterior, que redundou em auto de infração que deu origem ao processo administrativo nº 10480.721144/201081. · A recorrente optou por recolher o crédito tributário decorrente do primeiro item acima descrito com os descontos previstos em lei, sendo os demais pontos contestados em sede de impugnação, posto que em desacordo com a legislação; · Sobreveio decisão de 1ª instância que manteve parcialmente o crédito, cancelando a multa isolada referente ao último item acima; Passada a descrição dos fatos, quanto à alegação de ilegitimidade da glosa de créditos de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus, argumenta a recorrente, em síntese, que: · Afirmou a fiscalização inexistir previsão legal para o registro de crédito de IPI nas aquisições de insumos feitas pela recorrente junto a Fl. 6985DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.987 21 fabricantes que os industrializaram na ZFM e que somente os bens produzidos a partir de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional proporcionariam o direito de crédito ao adquirente, nos termos dos art. 82, III e 175 do RIPI. Os demais insumos, tais como seriam os descritos na autuação que deu origem ao processo, embora desonerados do imposto na saída do estabelecimento fabricante, por força da isenção veiculada no art. 69, inciso II, do RIPI/02, não permitiriam ao destinatário o registro de crédito; · No entanto, os estabelecimento situados na ZFM são titulares de incentivo fiscal que lhes asseguram tratamento diferenciado, não sendo dado à Administração interpretálo como as isenções aplicáveis às demais unidades industriais em outras regiões, por força do tratamento tributário diferenciado preconizado pelo art. 40 do ADCT; Deveria ser reconhecido o direito ao crédito do imposto atinente às mercadorias provenientes de fornecedores que a própria SUFRAMA e os fabricantes reconhecem fazerem jus ao incentivo do art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, no qual se fundamentam os arts. 82, III, e 175 do RIPI/02; · Parte dos produtos examinados pela fiscalização compreende concentrados das bebidas não alcóolicas – “kits” para a fabricação de Pepsi e Pepsis Twist – adquiridos junto a Pepsi Cola Industrial da Amazonia Ltda. Tais concentrados são fabricados a partir de extrato de caramelo, insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada no Mato Grosso, atendendo assim ao requisito de matéria prima vegetal originária da região amazônica; · A SUFFRAMA ao avaliar e aprovar o projeto apresentado pela Pepsi Cola Industrial da Amazônia Ltda, reconheceu expressamente que ela faz jus ao incentivo previsto no art. 6º do Decretolei 1.435/1975, que é justamente o fundamento legal dos art. 82, III, e 175 do RIPI/02; · O exame detido da legislação de regência revela que inexiste obrigatoriedade de que o extrato vegetal integrante da mercadoria industrializada seja típico da região amazônica, havendo a necessidade somente de que seja produzido localmente; Fl. 6986DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.988 22 · Antecipandose às possíveis dúvidas acerca do direito à fruição da isenção prevista no art. 6º do Decreto lei 1.435/1975, a Pepsi Cola industrial da Amazônia Ltda formulou consulta à SUFRAMA, órgão da Administração competente para avaliar esta questão; · O que, em resposta, a Autarquia confirmou o direito à fruição do benefício fiscal, concluindo que o açúcar de cana utilizado na industrialização de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas classificase como matéria prima originária de extrato vegetal regional, até porque “admitese que a matériaprima regional seja originária de cultivo” – Ofício 5637/SPR/GCAPECPIN. Ademais, sustenta a recorrente, em síntese, que com a glosa do crédito apropriado pela recorrente, a fiscalização sujeitou os insumos isentos adquiridos na ZFM ao mesmo regime fiscal a que estão adstritos os insumos igualmente isentos que sejam produzidos em outro ponto do território nacional. E, ademais, que há violação do art. 40 do ADCT, que assegura às mercadorias originárias da ZFM tratamento fiscal diferenciado de operações semelhantes originárias das demais regiões do País. Relativamente a alegação da ilegalidade da glosa dos créditos relativos á aquisição de materiais de manutenção e peças de reposição, expõe a recorrente que: · Consta do Auto de Infração que a glosa dos créditos decorrentes da aquisição de materiais de manutenção e peças de reposição se deu porque a recorrente realizou “equivocada interpretação” do Parecer Normativo CST nº 65/79; · Não obstante, não houve equivoco de interpretação, pois todos os produtos relativos à apropriação de créditos foram utilizados diretamente na atividade produtiva, tendo se desgastado ou consumido na fabricação das mercadorias comercializadas, exatamente como prevê o item do PN CST 65/79, que foi destacado no voto condutor: “Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, strictu sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 6987DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.989 23 propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente”. · A própria finalidade dos gastos revela que os produtos em questão são objeto de utilização ou consumo no processo industrial. Ainda que não tenham contato físico com os produtos, isto não impede o registro de créditos, sob pena de ilegalidade e, mais do que isso, violação frontal à definição de produtos intermediários constantes dos arts. 164, I, e 519, incisos II e V, ambos do RIPI/02, nos quais se fundamenta o creditamento em questão; · Tais dispositivos exigem apenas que os bens sejam utilizados ou consumidos no processo industrial e que não façam parte do ativo permanente, requisitos esses presentes no caso concreto; · Os refletores prismáticos possuem função primordial no processo de produção, pois conforme laudo realizado, têm como finalidade o acionamento do dispositivo de parada do equipamento ou o seu acionamento automático; O mesmo laudo atesta que o material sofre desgaste durante o processo produtivo; · Ou seja, o sensor não só é consumido durante o processo produtivo como também exerce função importante na fabricação dos produtos; · Sendo assim, os itens cujos créditos foram glosados pela fiscalização inseremse na definição de produtos intermediários constantes da legislação do IPI, que autoriza o procedimento adotado pela recorrente; · Não se trata de meros materiais de uso e consumo ou peças de reposição como afirma a fiscalização e sim de verdadeiros produtos intermediários; · Repisese que todos os itens relativos aos créditos glosados são mercadorias consumidas na atividade industrial, pois empregados no maquinário utilizado na fabricação de tributadas pelo IPI ou em determinadas etapas produtivas. Fl. 6988DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.990 24 Quanto à alegação de descabimento da cobrança do IPI a partir da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeitas ao regime monofásico, traz a recorrente que: · A fiscalização asseverou que as bebidas prontas para o consumo recebidas pelo estabelecimento autuado de outras unidades da empresa (ou de terceiros) estariam sujeitas à tributação monofásica do IPI quando de sua saída primitiva dos estabelecimento que as fabricaram, conforme art. 4º da Lei nº 7.798/89; · Por essa razão seria vedado o registro de crédito de IPI na entrada de tais produtos na filial autuada, justificando a glosa dos valores creditados nessas operações; · Embora as mercadorias de que se cuida estivessem sujeitas ao monofásico, o que ocorreu no estabelecimento autuado foi o registro de débito relativo aos produtos pronto entrados na unidade e de débito quando os mesmos foram comercializados; · O que não houve recolhimento a menor de IPI; · A DRJ seguiu essa linha de raciocínio, concluindo que não há direito ao crédito nas operações, sendo que a impugnante deveria ter agregado aos custos das mercadorias vendidas o valor do IPI destacado nas notas fiscais de transferência. O que, na sequência, observou que “(...) se a impugnante, como alegado na peça de defesa, equivocadamente destacou o imposto nas notas fiscais de revenda das bebidas, só lhes resta a via de restituição administrativa do imposto pago indevidamente, respeitando o prazo decadencial. · A fiscalização e nem a decisão recorrida negam ter havido o recolhimento do IPI na saída dos produtos, do que resulta ser matéria incontroversa nos autos; · Não é razoável impor à recorrente o ônus de pagar o IPI creditado no recebimento das mercadorias e pleitear a restituição administrativa do tributo debitado nas ulteriores saídas. Quanto à alegação de irregularidade no procedimento de glosa do saldo credor relativo ao período de junho/2009, traz a recorrente que: Fl. 6989DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.991 25 · A fiscalização justifica o estorno de parte do saldo credor acumulado em junho/2009, no fato de ter notado que, apesar de ao final da auditoria que originou o processo administrativo 10480.721144/201081 a recorrente ter sido intimada a excluir o montante do RAIPI, “A AMBEV Cabo não promoveu o devido estorno desta diferença de saldo credor de IPI alocado em julho de 2009 (...), sendo que o saldo credor de junho/2009, foi transferido para os períodos posteriores”; · A determinação para reconstituição da escrita fiscal da recorrente foi imposta por meio do auto de infração que deu origem ao processo administrativo 10480.721144/201081. Tal fato foi reconhecido pela própria fiscalização que lavrou o auto de infração que deu origem ao presente processo; · Nessas circunstâncias, como a Administração Fiscal já havia determinado o estorno do montante considerado como registrado a maior em junho/2009, era vedada a realização de novo lançamento com o mesmo conteúdo Dada a manifesta exigência em duplicidade do estorno do crédito relativo ao período de junho/2009, deve ser cancelado o último e indevido lançamento feito, constante do item 7 do auto de infração – sob pena de a recorrente recolher duas vezes a mesma e única importância aos cofres públicos. Quanto à alegação de impossibilidade de estorno do saldo credor de junho/2009 apurado pela recorrente, haja vista que os atos que determinaram a sua anulação, objeto do processo estão com a exigibilidade suspensa, traz a recorrente que: · O IPI se sujeita à sistemática do lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN; · Isso significa que fica a cargo do sujeito passivo a apuração das bases de cálculo e o recolhimento dos tributos; · O fisco, de sua parte, tem o prazo de cinco anos contados do fato gerador para manifestar entendimento diverso acerca do procedimento adotado, hipótese em que deve promover o lançamento de ofício a fim de constituir o crédito devido; Fl. 6990DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.992 26 · Ultrapassado o prazo descrito sem qualquer manifestação fiscal, o procedimento adotado pelo sujeito passivo é tacitamente homologado; · Na hipótese em que o fisco discorda parcialmente do procedimento adotado pelo particular, promove o lançamento de ofício e este é contestado administrativamente, tal como se tem na hipótese em exame; · É de se concluir que incorreu em erro a DRJ ao trazer que o art. 151 do CTN relaciona as hipóteses em que haverá a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído, estando as impugnações nesse rol, mas que há que se deixar claro que a citada suspensão não alcança o ato administrativo do lançamento, mas sim o crédito tributário constituído através do mesmo; · Embora o art. 151, III do CTN mencione que as reclamações e os recursos previstos no processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário, o que a norma estabelece em verdade é a sua inexistência até o encerramento de referido procedimento; · O ajuste na escrita fiscal que demandaria o estorno do crédito de R$ 2.002.150,77 por parte da recorrente foi contestado administrativamente sem que até o presente tal feito tenha sido encerrado; · Desse modo, não são definitivas as premissas das quais partiu a fiscalização para determinar o estorno dos créditos em questão pela recorrente; · Como conseqüência, ao contrário do que asseverou a DRJ, o crédito supostamente indevido somente poderá ser considerado inexistente se e quando o lançamento promovidos pela fiscalização (processo 10480.721144/201081) deixar de ter seus efeitos suspensos, tornandose definitivo; · Afigurase improcedente o lançamento decorrente do ajuste na escrita fiscal determinado pela fiscalização, tão só porque indevidamente tida por inexistente parte dos créditos ali escriturados quando o tema é objeto de recurso administrativo dotado de efeito suspensivo, ainda pendente de decisão final na própria esfera administrativa devendo ser reformada a decisão da DRJ também nesse aspecto. Fl. 6991DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.993 27 Quanto a alegação de sobrestamento da demanda em referência até a solução definitiva da lide objeto do feito 10480.721144/201081, traz a recorrente que: · O lançamento de ofício que deu origem ao processo 10480.721144/201081 recepcionado em junho/2010, entre outras coisas, determinou que a recorrente realizasse o estorno do crédito de IPI no valor de R$ 2.002.150,77, que teria sido indevidamente escriturado pela contribuinte; · Por discordar da fundamentação e conclusão dos lançamentos, a recorrente apresentou a competente e tempestiva impugnação e posteriormente recurso voluntário, sendo que este último aguarda julgamento pelo CARF, como se depreende dos extratos do COMPROT e do CARF; · Conseqüentemente o estorno do crédito supostamente indevido passou a ficar condicionado à verificação da legitimidade dos fatos que deram origem à sua apuração, tema objeto do processo 10480.721144/201081; · Na hipótese de ser proferida decisão final naquele feio cancelando os lançamentos efetuados e convalidando os créditos apurados pela recorrente, o mesmo crédito lançado no presente processo como forma de suprir estorno não efetuado pela recorrente ser´automaticamente extinto, por força do disposto no art. 156, inciso IX do CTN; · As medidas a serem adotadas no presente processo, relativamente aos créditos do IPI mencionados neste tópico passaram a ser dependentes e condicionadas ao destino que venha a ser dado ao caso de número 10480.721144/201081; · Por esse motivos, deve ser declarado ao menos o sobrestamento do presente feito, dada a indefinição quanto à legitimidade do estorno do crédito do IPI pela recorrente para ajustar a escrita fiscal à realidade apurada pela fiscalização no processo nº 10480.721144/201081. m suma, dessa forma, suporta seu pedido de reforma da decisão da DRJ, com os seguintes argumentos: A.Quanto aos créditos de mercadorias originárias da ZFM, que: Fl. 6992DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.994 28 · A SUFRAMA, órgão ao qual foi atribuída competência legal para conceder, fiscalizar e avaliar os incentivos dos estabelecimentos instalados na ZFM, reconheceu que a Pepsi Cola Indústria da Amazônia Ltda goza do benefício previsto no art. 82, III, do RIPI/02, o qual admite que o adquirente registre crédito do IPI em relação aos insumos isentos por ela produzidos; · Por força do art. 40 do ADCT, as mercadorias originárias da ZFM devem obrigatoriamente se sujeitar a regime fiscal mais vantajoso que os produtos produzidos nas demais regiões do País, o que exige a consideração de crédito correspondente ao IPI desonerado na operação com mercadoria isenta. A vedação ao direito de crédito sobre os insumos isentos originários da ZFM faz com que tais produtos sejam submetidos ao mesmo tratamento a que estão submetidas as mercadorias industrializadas nas demais localidades do Brasil, o que torna improcedente a exação fiscal. b. Os créditos básicos glosados têm origem na aquisição de produtos aplicados na produção das mercadorias comercializadas pela recorrente, sofrendo desgaste ou sendo consumidos no seu processo industrial, o que justifica o creditamento efetuado; c. Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo; d. Ser descabido o estorno do saldo credor de junho/2009, apurado pela recorrente, uma vez que a glosa dos valores já havia sido realizada por meio do auto de infração que originou o processo 10480.721144/201081. Mesmo que assim não fosse, a glosa deve ser cancelada, pois os atos que determinaram o seu estorno, objeto do processo 10480.721144/201081, estão com a exigibilidade da demanda com relação a essa exigência até a solução definitiva da lide objeto do feito 10480.721144/201081. Em vista de todo o exposto e depreendendose da leitura dos autos do processo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: · Junte aos autos cópia da decisão administrativa definitiva de mérito proferida nos autos do processo nº 10480.721144/201081, que Fl. 6993DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10480.721571/201311 Resolução nº 3202000.322 S3C2T2 Fl. 6.995 29 contempla a discussão do estorno do crédito de IPI no valor de R$ 2.002.150,77 e verifique se o período correspondente é o mesmo que contempla esse processo administrativo; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 6994DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13827.000409/2009-09
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS E DECLARAÇÕES DO PRESTADOR DE SERVIÇOS. NECESSIDADE DA DEVIDA FUNDAMENTAÇÃO PARA A DEMANDA DE COMPROVAÇÃO ADICIONAL DOS PAGAMENTOS.
Acata-se a dedução de despesas médicas informadas na DIRPF comprovada por recibos e declaração do prestador de serviço formalmente aptos para esse fim, ressalvada a faculdade de ser fundamentadamente demandada a apresentação de elementos adicionais de prova, com base nos arts. 11, §§ 3º e 4º e 79, § 1º, do Decreto-Lei nº 5.844/43.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. FALTA DE INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. ENCARGO DO CONTRIBUINTE. RATEIO DE VALORES PELA INSTÂNCIA JULGADORA. DESCABIMENTO.
Quando o pagamento de despesas médicas é efetuado a plano de saúde, necessário ser esclarecido quais são os respectivos beneficiários e os valores pagos a eles correspondentes, ônus do contribuinte que não cabe ser suprido mediante rateio efetuado pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 12.530,00 (doze mil quinhentos e trinta reais) no curso do ano-calendário 2006, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS E DECLARAÇÕES DO PRESTADOR DE SERVIÇOS. NECESSIDADE DA DEVIDA FUNDAMENTAÇÃO PARA A DEMANDA DE COMPROVAÇÃO ADICIONAL DOS PAGAMENTOS. Acata-se a dedução de despesas médicas informadas na DIRPF comprovada por recibos e declaração do prestador de serviço formalmente aptos para esse fim, ressalvada a faculdade de ser fundamentadamente demandada a apresentação de elementos adicionais de prova, com base nos arts. 11, §§ 3º e 4º e 79, § 1º, do Decreto-Lei nº 5.844/43. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. FALTA DE INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. ENCARGO DO CONTRIBUINTE. RATEIO DE VALORES PELA INSTÂNCIA JULGADORA. DESCABIMENTO. Quando o pagamento de despesas médicas é efetuado a plano de saúde, necessário ser esclarecido quais são os respectivos beneficiários e os valores pagos a eles correspondentes, ônus do contribuinte que não cabe ser suprido mediante rateio efetuado pela instância julgadora. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS E DECLARAÇÕES DO PRESTADOR DE SERVIÇOS. NECESSIDADE DA DEVIDA FUNDAMENTAÇÃO PARA A DEMANDA DE COMPROVAÇÃO ADICIONAL DOS PAGAMENTOS. Acatase a dedução de despesas médicas informadas na DIRPF comprovada por recibos e declaração do prestador de serviço formalmente aptos para esse fim, ressalvada a faculdade de ser fundamentadamente demandada a apresentação de elementos adicionais de prova, com base nos arts. 11, §§ 3º e 4º e 79, § 1º, do DecretoLei nº 5.844/43. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. FALTA DE INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. ENCARGO DO CONTRIBUINTE. RATEIO DE VALORES PELA INSTÂNCIA JULGADORA. DESCABIMENTO. Quando o pagamento de despesas médicas é efetuado a plano de saúde, necessário ser esclarecido quais são os respectivos beneficiários e os valores pagos a eles correspondentes, ônus do contribuinte que não cabe ser suprido mediante rateio efetuado pela instância julgadora. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 12.530,00 (doze mil quinhentos e trinta reais) no curso do ano calendário 2006, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 04 09 /2 00 9- 09 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 11.105,44 relativo ao anocalendário 2006. A autuação decorreu da glosa de despesas médicas por falta de comprovação, em virtude do não atendimento ao Edital nº 004 de 24/10/2008, tendo sido glosadas as deduções relacionadas aos seguintes prestadores de serviços (fls. 39/41): Maria Cristina Sanchez Martins Coimbra R$ 12.530,00; Unimed Paulistana R$ 11.958,89; Caixa de Assistência aos Advogados do Brasil R$ 164,00. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou cerceamento de defesa tendo em vista a notificação editalícia, e juntou documentos referentes aos dispêndios em comento (fls. 2/28). A decisão recorrida, após afastar a alegação de prejuízo à defesa, restabeleceu as deduções dos pagamentos declarados à Unimed Paulistana no valor de R$ 1.841,35, correspondentes às mensalidades dos meses de agosto a dezembro de 2006 vinculadas ao interessado, e mantendo as demais glosas. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 28/9/2012, aduzindo, em síntese: que os documentos trazidos podem comprovar com precisão matemática, mediante proporcionalidade, as contribuições Unimed Paulistana realizadas em seu benefício; que os recibos emitidos pela fisioterapeuta Maria Cristina Sanchez Martins Coimbra e pela Caixa de Assistência aos Advogados do Brasil são hábeis a atestar os gastos realizados. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000409/200909 Acórdão n.º 2802003.303 S2TE02 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2007 gastos com Maria Cristina S. M. Coimbra no valor de R$ 12.530,00 (fls. 28/32), não havendo apresentado a correspondente documentação comprobatória no curso do procedimento fiscal face ao não atendimento da intimação que lhe foi dirigida (fls. 34/36). Em sede de impugnação, entregou os documentos de fls. 8 e 9, respectivamente recibo e declaração daquela profissional noticiando a realização de tratamento de fisioterapia no curso do anocalendário 2006 nos termos informados na DAA. Tais documentos não foram acatados pela DRJ/SP1, sob os seguintes argumentos (fl. 56): Deve o impugnante, com a finalidade de lograr êxito no restabelecimento das deduções pleiteadas, carrear aos autos documentos que comprovem que de fato houve a prestação dos serviços correspondentes, com a identificação do beneficiário (paciente), bem como o seu efetivo pagamento (transferência de recursos financeiros). A declaração emitida pela prestadora de serviços médicos Maria Cristina Sanchez Martins Coimbra, fls. 13, não pode ser acolhida em sua integralidade, posto que além de extemporânea, casuística e elaborada com o fito único de produzir prova neste processo administrativo fiscal, não comprova o efetivo pagamento dos serviços contratados (transferência de recursos). Esta atesta, tão somente o serviço prestado no contribuinte fiscalizado. Jamais o pagamento. Mantémse a glosa quanto a esta despesa. (destaque do original) Consoante já manifestei em oportunidades anteriores perante este Colegiado, dissinto desse entendimento. Devese reconhecer que a própria legislação tributária conferiu a documentos do gênero o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, supra transcrito anotese que um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de outros elementos para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. É certo que a fiscalização bem como o julgador de primeiro grau, no caso de documentos apresentados em primeira mão nessa instância recursal tem a faculdade de demandar elementos adicionais com vistas à atestar a efetividade dos pagamentos, forte nos nos §§ 3º e 4º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 (respectivamente, §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). Convém atentar, todavia, ser necessário que essas normas sejam lidas e interpretadas em conjunto com o art. 79, § 1º (art. 845, § 1º do RIR/99) desse mesmo diploma, o qual estabelece: Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: (...) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000409/200909 Acórdão n.º 2802003.303 S2TE02 Fl. 123 5 § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...) No caso concreto, temse que o recorrente juntou declaração e recibo emitido pela profissional que atendem os requisitos legais para a comprovação das despesas deduzidos, não havendo sido formulada pela instância a quo justificativa suficiente para infirmar tais provas documentais. Sendo assim, deve ser restabelecida a dedução de R$ 12.530,00 vinculada à Maria Cristina S. M. Coimbra. Igual sorte não favorece à dedução de R$ 164,00 lançada na DAA como pagamento efetuado à Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo. A DRJ/SP1 não aceitou a dedução, por ausência de indicação de beneficiário e de comprovação do pagamentos dos serviços contratados. Em que pese ser superável a ausência de indicação de beneficiário da prestação de serviços, o fato é que sequer fica claro no recibo de fl. 18 se o serviço ali aludido se consubstancia realmente em despesa de natureza médica. A assinatura ali constante não está associada a qualquer profissional médico identificável, não se tratando tampouco o documento de nota fiscal emitida pela pessoa jurídica. Na inexistência de elementos aptos a permitir a vinculação de tal recibo à efetiva prestação de serviços médicos, cabe então manter a glosa, em observância do princípio da legalidade. No que tange aos pagamentos efetuados à Unimed Paulistana, CNPJ nº 43.202.472/000130, notese que o acórdão contestado reconheceu as deduções correspondentes a mensalidades dos meses de agosto a dezembro de 2006 no valor total de R$ 1.841,35 (5 x R$ 368,27, fls. 14/18), destinadas à manutenção do plano para o interessado, dado que os demais beneficiários não constam como seus dependentes. Quanto às contribuições relativas aos meses de janeiro a julho de 2006 (fls. 19/26), os comprovantes apresentados não trazem especificam os valores correspondentes a cada um dos beneficiários, razão pela qual foi mantida a glosa para esses períodos. Na prática, o que ocorreu foi o seguinte: de agosto a dezembro, o contribuinte pagou o montante global de R$ 1.031,18 mensalmente à Unimed, sendo que foi possível identificar a parcela atinente a cada beneficiário compulsando o documento de fl. 17, que trouxe as discriminações pertinentes a esse valor. Já de janeiro a junho de 2006 foram pagos R$ 915,94 mensais, entretanto não consta nos autos aquela discriminação, o mesmo acontecendo com o mês de julho, quando foi pago o valor de R$ 995,72 (fl. 19). Postula o recorrente que para esses meses seja realizado rateio com base nas proporções associadas a cada beneficiário nos meses de agosto a dezembro de 2006, não considerando crível que seja desconsiderado um pagamento comprovado por não estar individualizado. Não lhe assiste razão. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Seu argumento, aparentemente razoável, pode ser ilidido se cogitarmos de diversas situações. Por exemplo, é perfeitamente possível que no decorrer dos primeiros meses de 2006 o número de dependentes fosse diverso. Também pode ter ocorrido de o valor do plano ter sido reajustado posteriormente em proporções distintas no que toca a cada um de seus diferentes beneficiários. Ou ainda, que os beneficiários do plano fossem outros no período em questão, visto que a documentação apresentada nada esclarece a respeito. Na verdade, deveria ter o contribuinte trazido documentação que especificasse quais eram os beneficiários no decorrer desse período e os respectivos valores de contribuição, ainda que tivesse de demandar junto à operadora do plano de saúde, e não querer imputar ao julgador administrativo o dever de estabelecer critério de rateio com base no que entende ser o mais razoável. O ônus de carrear a prova era, portanto, do contribuinte, que dele não se desincumbiu, sendo descabido suprir tal carência por meio de rateios firmados sem parâmetros confiáveis e previsão normativa. Desse modo, de rigor manter a glosa realizada no particular pela fiscalização, nos termos decididos pela instância de primeiro grau. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer as deduções de despesas médicas correspondentes aos pagamentos efetuados à profissional Maria Cristina Sanchez Martins Coimbra no valor de R$ 12.530,00 no curso do anocalendário 2006 (doze mil quinhentos e trinta reais). (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10945.002602/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por João Carlos Portela.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldsmith Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por João Carlos Portela. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldsmith Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldsmith Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 02 60 2/ 20 08 -5 1 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 97 ___________ RELATÓRIO Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2006, para exigência de crédito tributário, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação tempestivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – DRJ/CTA, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 0631.258, de 15 de abril de 2011. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10945.002602/200851 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.533 S2C2T2 Fl. 98 3 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. O processo administrativo, versa sobre autuação omissão de rendimentos, onde há a discussão de rendimentos recebidos de forma acumulados decorrentes de processo judicial. Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 586, de 2010 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, que é o caso dos autos, conforme podemos observar na decisão abaixo transcrita: REPERCUSSÃO GERAL EM AG. REG. NO RE N.614.232RS RELATORA: MIN. ELLEN GRACIE TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10945.002602/200851 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.533 S2C2T2 Fl. 99 4 competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. . A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria 3. .Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900011/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.500
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 00 11 /2 01 0- 04 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900011/201004 Acórdão n.º 3202001.500 S3C2T2 Fl. 367 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720111/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
Numero da decisão: 1401-001.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMPs.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
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Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não for omissa na matéria apontada. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou DE FORMA CONJUNTA os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração do processo do autos de infração e dos processos de todas as PER/DCOMP’s. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 11 /2 00 7- 07 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720111/200707 Acórdão n.º 1401001.393 S1C4T1 Fl. 3 2 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720111/200707 Acórdão n.º 1401001.393 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Conforme se extrai do relatório do julgamento realizado por esta Turma em 08 de agosto de 2013, “O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. Disso se extrai que, para evitar contradição nas decisões e coerência no julgamento, tanto o auto de infração quanto as negativas de compensação foram julgadas conjuntamente, tanto assim que os votos constantes de cada um dos processos possui o mesmo conteúdo. Em sede de embargos de declaração, os mesmos processos voltaram à apreciação desta Turma em 27 de agosto de 2014, sendo que este Relator fez consignar, naquela oportunidade que “Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta”. Interpõe, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, novos embargos de declaração, apenas para os processos nº 19404.000358/200298, 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720030/200707, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43 e 10725.720113/200798, em que aduz o seguinte: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sem o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 15521.000140/200751, rejeitou as ponderações contidas nos Embargos de Declaração. Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (...) deveria aguardar a solução definitiva do processo nº 15521.000140/200751, pois ainda há a possibilidade deste ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que modificaria a posição adotada nesses autos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, Fl. 403DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720111/200707 Acórdão n.º 1401001.393 S1C4T1 Fl. 5 4 já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401 001.250. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado Tendo em vista a identidade de matérias e dos fatos, os embargos serão analisados em conjunto. É o relatório, no necessário. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720111/200707 Acórdão n.º 1401001.393 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos, pelo que deles conheço. Argumenta, a Fazenda Nacional, que teria havido omissão nos julgados dos recursos voluntários e dos embargos de declaração, uma vez que “sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401001.250”. Permissa venia, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Não há dúvidas que o mérito de todos os processos supra relacionados estão interligados, sendo que os mesmos somente não foram apensados por conexão nessa instância por ausência de instrumentos hábeis a fazêlo. Não existe, assim, a omissão arguida. Muito ao contrário, atento a relação entre os feitos foi que, nos recursos voluntários foram “todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. E o mesmo se deu com relação aos embargos de declaração, que “feitos de forma conjunta”. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002040/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO.
É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso voluntário, “ex vi” do art. 33, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-000.669
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempção.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso voluntário, “ex vi” do art. 33, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempção. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.002040/200590 Acórdão n.º 130200.669 S1C3T2 Fl. 1.218 2 GOLFO BRASIL PETRÓLEO LTDA., devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Tratase dos autos de infrações relativas ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social — PIS e para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, no valor total de R$ 7.035.176,14. As irregularidades descritas pela autoridade fiscal podem ser assim resumidas: a) Omissão de Receitas. Suprimento de Numerário. Aumento de Capital em Moeda Corrente. Não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega. b) Omissão de ReceitaS. Depósitos bancários não contabilizados. Falta de comprovação da origem de depósitos/créditos bancários. c) Omissão de Receitas. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade. Valores pagos e nãoescriturados. d) Omissão de Receitas da atividade. A partir do AC 93. Omissão de Receitas da atividade. Valores pagos e nãoescriturados. e) Depósitos Bancários não contabilizados. Depósitos Bancários não contabilizados. Falta de comprovação da origem de depósitos/créditos bancários. f) Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Receitas da Atividade.Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (Verificações Obrigatórias). Cientificada da exigência fiscal, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 989/1057, instaurando o contencioso administrativo. A Quarta Turma da DRJ em Campinas(SP) julgou procedente a ação fiscal nos termos do Acórdão nº 0514.332 (fls. 1.082/1.108). a) Cientificada da decisão (fls. 1.129), a interessada, interpôs o recurso voluntário de fls. 1.130/1.204, reafirmando os termos da impugnação. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.002040/200590 Acórdão n.º 130200.669 S1C3T2 Fl. 1.219 3 Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso é intempestivo. O sujeito passivo foi cientificado da decisão no dia 18 de setembro de 2006, segundafeira, consoante o AR de fls. 1129vº. Portanto, o trintídio legal iniciou em 19 de setembro e findou no dia 18 de outubro, enquanto que o recurso voluntário foi protocolado na data de 20 de outubro, ou seja, dois dias após o transcurso do prazo. DIANTE DO EXPOSTO, oriento meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 3 de agosto de 2011. IRINEU BIANCHI – Relator “documento assinado digitalmente” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720747/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/05/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE.
A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação.
PROVAS. COLHIMENTO.
Para instruir procedimento fiscal, o Auditor-Fiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário.
SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jonathan Barros Vita, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudio Monroe Massetti, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 15/05/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o Auditor-Fiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária. Recurso Voluntário Negado.
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DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o AuditorFiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jonathan Barros Vita, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudio Monroe Massetti, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 47 /2 01 3- 75 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 04/04/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 42.389,18, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através da Declaração de Importação nº 08/07188438, registrada em 15/05/2008, em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Foram autuados como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 09/04/2013 (fls. 471 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 09/05/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 475 à 533, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. · ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 4 3 Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. · COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias as quais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPF F menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no Fl. 965DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 5 4 despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um prédio comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L Debossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, sala 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar térreo. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro Fl. 966DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 6 5 na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processomãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. Estáse diante de uma verdadeira inversão das garantias fundamentais do cidadão, insculpidas no art. 5º da Constituição Federal, o que jamais poderá prosperar, devendo ser reconhecida desde já por esse ilustre julgador, ainda que em sede administrativa. Não é admissível que uma quebra de sigilos e garantias, com finalidade específica diante do objeto próprio do processo investigatório em curso, seja deturpada a ponto de chegarse a uma divulgação maior, fora dos parâmetros desse processo, para alcançar infrações administrativas que nenhuma relação possuem com o alvo inicial a que se destinava. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar Fl. 967DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 7 6 caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. Desde o início do procedimento criminal, as quebras dos sigilos da Impugnante, bem como o Mandado de Busca e Apreensão, foram baseados em supostos crimes contra a ordem tributária, praticados pela empresa D&A. É sabido que a propositura de ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório de crimes somente pode ser admitido após ocorrido o lançamento definitivo do tributo, assim entendido aquele que não comporte mais qualquer recurso na fase administrativa. Tratase, portanto, de expedientes próprios da investigação criminal sendo claramente utilizados de forma indevida para a definição de infrações de cunho administrativo ou créditos tributários. Impossível se referendar tal prática, devendose reconhecer a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, vez que não guardam qualquer relação com os crimes para os quais as quebras das garantias constitucionais foram autorizadas, determinandose o cancelamento do Auto de Lançamento ora impugnado. · AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Já os praticados posteriormente, são igualmente nulos, pois decorrem de atos nulos praticados anteriormente (observância da teoria dos frutos da árvore envenenada). Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 11.371/2007. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 3.014/2011. Portanto, necessitavam as Autoridades Fiscais, desde o início do procedimento fiscal, de um mandado de procedimento fiscal de fiscalização, nos Fl. 968DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 8 7 termos dos arts. 2º e art. 3º de ambas as portarias, acima transcritas, o que não ocorreu, gerando inequívoca ilegalidade, passível de anulação do Auto de Infração. Dessarte, muito mais do que um mero instrumento de controle interno é uma garantia do contribuinte, para que, mediante a apresentação do MPFF lavrado contra si, possa invocar desde o início da fiscalização todos os princípios que a norteiam, notadamente o da ampla defesa e do contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPFFiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. É certo que, se por um lado é dado à autoridade fiscal o poder de fiscalizar, por outro lado tal poder está submetido a certos limites, dentre os quais, o prazo para a conclusão dos seus atos. Certamente o contribuinte não pode ser submetido a um procedimento de fiscalização eterna. No caso concreto, portanto, evidenciouse verdadeiro abuso do poder fiscalizatório. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Além do mais, verificase que houve diversas prorrogações do prazo do MPF, sem que, contudo, os Impugnantes fossem cientificados a respeito, em total afronta ao disposto no art. 9º, parágrafo único, da então vigente Portaria RFB 11.371/2007. Aliás, os Impugnantes solicitaram expressamente que, caso ocorressem prorrogações desta natureza, fossem estes expressamente notificados a respeito. No entanto, o pleito foi negado ao errôneo argumento de que não haveria previsão legal para tal pedido. No entanto, consoante se pôde ver da leitura do parágrafo único do art. 9º da Portaria que regulamente o MPF, o pleito dos Impugnantes tinha, sim, base legal, razão pela qual devia ter sido atendido. Assim, ao negar o pedido dos Impugnantes, incorreu a Autoridade Fiscal em novo ato ilegal, que acarreta em nulidade todos os atos praticados, mormente porque agiram em total afronta aos princípios Fl. 969DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 9 8 constitucionais da publicidade dos atos administrativos, ao direito de informação, da ampla defesa e do contraditório. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. · ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante) O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Portanto, embora o foco da empresa D&A tenha mudado, iniciando como uma empresa prestadora de serviços de despacho aduaneiro (em 2003) e consolidandose como uma empresa comercial importadora (a partir de Jun/2005), a sua motivação negocial foi sempre muito bem definida. Todas as alterações contratuais foram realizadas conforme os ditames da lei vigente, sempre administrada pela sua sócia Josiane Denise dos Santos Debossan, essa, aliás, quem deu verdadeira guinada nas atividades da empresa, colocandoa no rumo em que se encontra hoje, não havendo qualquer irregularidade a ser apontada. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert como Responsáveis Solidários. Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros 1 (Sr. Caio Debossan e Érica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários do presente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data vênia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. A Autoridade Fiscal sustenta que Caio e Érica teriam "tentando ocultarse do quadro societário da empresa D&A com o uso de seus cônjuges na sociedade de direito", e que apesar de a legislação ter desvinculado funcionalmente a profissão de despachante aduaneiro da administração pública, dotoua de múnus público com a impossibilidade de comercializar mercadorias estrangeiras, pois se isso fosse possível "colocaria o despachante aduaneiro em franca vantagem concorrencial, ante as informações de que dispõe em razão de sua profissão, mutatis mutandis, o que o assemelha a um servidor público". Caso a premissa adotada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, então nenhum servidor público poderia ter seu cônjuge sócio de uma empresa privada. Para se demonstrar que a premissa adotada pela Autoridade Fiscal é falha, tomase como exemplo os inúmeros auditores fiscais cujos cônjuges fazem parte do quadro societário de empresas privadas (muitas vezes de empresas importadoras). No caso hipotético, então, esses funcionários públicos teriam que ser considerados Fl. 970DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 10 9 "sócios ocultos daquelas empresas visando obter franca vantagem concorrencial ante as informações de que dispõe". Tal linha de raciocínio, evidentemente, não pode prosperar. Além disso, interessante abrir um parêntesis nesse ponto para uma argumentação sob o plano hipotético, a fim de se demonstrar, sob outro ângulo, que as premissas tomadas pela Autoridade Fiscal são equivocadas. É que, caso a vedação do art. 10, I do Dec. 646/92 pudesse ser considerada válida, mesmo assim ela não atingiria o despachante aduaneiro sócio de uma empresa atuante na importação por conta e ordem. Se por um lado a empresa D&A Comércio Exterior Ltda. sempre foi gerenciada e administrada pela Josiane dos Santos Debossan (conforme pode ser comprovado pelo simples constatação de que é ela quem assina todas as procurações da empresa, livros fiscais, contratos com terceiros, negocia valores, etc.), por outro lado, Caio e Érica Debossan sempre atuaram como sócios e despachantes da empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Érica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. A empresa D&A se consolidou na prestação serviços de importação por conta e ordem de terceiros. Todo e qualquer outro serviço atrelado ao comércio exterior, como agenciamento de frete, preparação de documentos, desembaraço aduaneiro, etc. era prestado e cobrado pela Debossan Despachos Aduaneiros. Portanto, esse é o motivo para que Caio e Érica (sócios de fato e de direito Debossan Despachos) recebessem o percentual maior das comissões, repar do restante aos demais. Ou seja, mais um grande equívoco da autoridade fiscal. Érica Debossan, assim como inúmeros outros despachantes aduaneiros que trabalhavam para a D&A Comércio Exterior Ltda., eram apenas mandatários daquela empresa. Érica ao fazer contato com a ANP e buscar subsídios para realizar o cadastro de um dos seus clientes junto àquele órgão estatal, estava simplesmente exercendo seu mister. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 11 10 Como se sabe, a ANP é um dos inúmeros órgãos anuentes de licenciamentos de importação para determinadas mercadorias, razão pela qual Érica Debossan, na qualidade de despachante da D&A, estava angariando informações e procedimentos para que Josiane Debossan realizasse o cadastro de sua empresa junto àquele órgão. Érica Debossan representava, então, a empresa D&A, por força do Mandato que lhe havia sido conferido. O que parece é que a autoridade fiscal pretende fazer crer que a sócia administradora de sua empresa não poderia terceirizar nenhum serviço, devendo pessoalmente tratar de todas as questões burocráticas, e, quiçá, cuidar pessoalmente do desembaraço aduaneiro. Um total desconhecimento da realidade empresarial. Merece destaque esse ponto, para se frisar que a importação por conta e ordem em Santa Catarina é regra, não exceção. Somente as empresas que possuem seus próprios benefícios fiscais de ICMS é quem realizam importações diretas. Sendo assim, despachantes aduaneiros da região invariavelmente firmam parcerias com empresas importadoras de sua confiança, pois se assim não o fizerem, o importador buscará outra comercial importadora e, consequentemente, irá desembaraçar suas mercadorias com outro despachante aduaneiro. Logo, a indicação de empresas comerciais importadoras/exportadoras (assim como empresas de outros ramos, como as de transporte nacional, agentes de carga internacional, inspetores de qualidade, corretores de seguros, tradutores e intérpretes, especialistas em classificação aduaneira, agências bancárias, despachantes aduaneiros dentre outras várias que gravitam a atividade de comércio exterior) é prática comum comercial, eis que se depende de vários prestadores de serviços terceirizados para a internação de mercadorias ou seu envio para o exterior. Contudo, a simples indicação da empresa D&A pela Érica Debossan não pode conduzir ao entendimento de que essa a gerenciava. Fosse assim, Érica e Caio Debossan teriam que ser considerados "sócios ocultos" de inúmeras outras empresas, tais como a ES Logística (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros no transporte internacional); Torre Corretora de Seguros (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros nos seguros internacionais de carga), dentre inúmeros outros. A fim de se esclarecer o imbróglio causado pela autoridade fiscal, vejase que em verdade, o site www.deacomex.com.br é destinado ao "Grupo D&A", ou seja, à todas as empresas pertencentes à família Debossan que atuam no comércio exterior. São ao todo três empresas distintas (D&A Com. Serv. Imp. Exp. Ltda.; Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. e; Confiança Comércio Exterior Ltda.), com motivos negociais específicos a cada uma delas. Não se confundem nem se misturam. Atuam individualmente e livremente, cada qual no seu segmento de mercado. Vejase, portanto, que embora se tratem de empresas distintas, com o passar dos anos, por serem da mesma família, passouse a chamálas apenas como "D&A". Isso, contudo, não quer dizer que esteja se falando apenas da D&A Comércio Serviços Importação Exportação Ltda. (ora Impugnante), mas sim do Grupo de Empresas D&A (Confiança; Debossan e D&A). Por fim, cumpre lembrar que somente poderia a autoridade fiscalizadora incluir os sócios Caio Debossan e Érica Debossan como solidariamente responsáveis no presente auto de infração, caso tivesse comprovado que os mesmos tiveram agido Fl. 972DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 12 11 com excesso de poderes, infração de lei, ou em caso de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135 do CTN. Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorreu conforme amplamente demonstrado na presente peça impugnatória. Ainda que ao final da presente Impugnação se entenda que alguma infração tenha ocorrido, certo é que isso não terá o condão de desconsiderar a personalidade jurídica limitada da empresa Impugnante, ao ponto de alcançar qualquer pessoa física que seja, muito menos terceiros que em nada contribuíram para tal infração, tampouco puderam se beneficiar dela. · ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei 11.488, sob pena de estarse ferindo o princípio do non bis in idem. Transcreve o art. 100 do DecretoLei 37/66. Não bastasse o erro de tipificação legal, é certo que a manutenção da multa de conversão da pena de perdimento em face da D&A causará inegável bis in idem, pois tal empresa já está respondendo a outro Auto de Infração, de n° 13971.722508/201198, no qual lhe fora aplicada justamente a pena de 10% pela cessão de nome. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que a D&A deve ser multada apenas em 10% do valor da operação pela cessão de nome para a importação, não pode figurar, concomitantemente, como sujeito passivo na aplicação da pena de perdimento das mercadorias nem suportar a multa de conversão, no valor aduaneiro das mesmas, pois estaria sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. Face ao exposto, o presente Auto de Infração deve ser integralmente anulado ou julgado integralmente improcedente, por erro de tipificação legal. · AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 13 12 É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. Do extenso relatório do Auto de Infração impugnado não se extrai qualquer prova de que a Receita Federal tenha buscado 'localizar' a mercadoria em questão. E foi exclusivamente com base neste suposto 'consumo da mercadoria' que a Autoridade Fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Não bastasse a flagrante ilegalidade acima apontada, é de se reconhecer também a existência de FLAGRANTE CERCEAMENTO DE DEFESA da D&A, pois esta sequer foi intimada a prestar informações ou esclarecimentos a respeito da localização das mercadorias que envolvem este Auto de Infração. Ora, se a D&A é quem foi autuada pela pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, necessariamente deveria ser intimada a prestar esclarecimentos, informar o paradeiro/situação das mercadorias ou, pelo menos, se defender. Dessa forma, ante a ausência de intimação da D&A, necessária se mostra a completa anulação do Auto de Infração ora impugnado, notadamente porque se está diante de inegável afronta a princípios basilares do Estado Democrático de Direito: ampla defesa e contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Da mesma forma, face à ausência de intimação da D&A, para que esta pudesse apresentar as mercadorias destinadas à pena de perdimento ou, no mesmo prazo, esclarecimentos a respeito das mesmas, resta igualmente prejudicada a aplicação da pena de perdimento e da multa de conversão dela decorrente, inclusive por violação direta aos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório (CF 5º LV), motivos pelos quais deve ser decretada a nulidade deste Auto de Infração. · INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da DI, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que Fl. 974DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 14 13 evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. Transcreve o artigo 73 da Lei n° 4.502/64. Nessa toada, mero juízo de delibação é suficiente para verificar que o conluio só existirá se houver a presença de sonegação e/ou fraude. No entanto, restou sobejamente demonstrado que em momento algum a D&A agiu de forma dolosa, a fim de praticar sonegação ou fraude, mormente porque todos os tributos foram regularmente recolhidos. Assim sendo, ante a inexistência de fraude ou sonegação, não há que se falar em conluio com a D&A. · INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta "quebra da cadeia do IPI", não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis pelo IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. Já no que se refere à suposta "burla aos controles aduaneiros" e à suposta "interposição fraudulenta", estas, de igual forma, não ocorreram. A Autoridade Fiscal quer fazer crer que a Impugnante ocultou dolosamente o real encomendante das mercadorias, ao argumento de que não teria informado o CNPJ deste no "campo próprio". Ocorre que este "campo próprio" não existia (e ainda não existe). Fl. 975DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, as importações em questão se tratam de importações diretas para revenda. A importação direta diferese da importação por conta e ordem de terceiros, basicamente porque nesta (conta e ordem), a mercadoria continua sendo de propriedade do adquirente por conta e ordem, enquanto naquela (direta) a mercadoria é de propriedade do próprio importador, que, depois de desembaraçada, irá revendêla no mercado nacional. A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar "às claras" o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em "simulação", como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Ademais, o negócio concretizado obedeceu todos os requisitos normatizados pela Receita Federal para que a mercadoria seja considerada de propriedade do importador, como é o caso na importação direta para revenda. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e ordem de terceiros ou encomenda e, conseqüentemente, qualquer hipótese de "interposição fraudulenta". Desta feita, a Ré não pode negar vigência à normativa da RFB a qual está diretamente vinculada, para concluir que a operação realizada tenha sido meramente uma prestação de serviços. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. · DA PLENA CAPACIDADE FINANCEIRA DA IMPUGNANTE PARA REALIZAÇÃO DA IMPORTAÇÃO ORIGEM DE RECURSOS PRÓPRIA Para a aplicação da penalidade de perdimento com base na nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, era preciso que a autoridade aduaneira comprovasse que a importadora não detinha disponibilidade financeira para realizar a compra no exterior. Somente dessa forma, poderia 'presumir' haver um terceiro importador. Fato é que a Impugnante detinha PLENA capacidade financeira e disponibilidade de recursos para realizar a importação em questão no valor de pouco mais de R$40.000,00 (quarenta mil reais). Ora, na época dos fatos, a Impugnante detinha capacidade financeira no RADAR com estimativa de importações de mais de um milhão de dólares. Sua capacidade financeira para financiar importações próprias provinham dos lucros emanados da sua própria atividade comercial, bem como de empréstimos e financiamentos bancários, cujos limites são comprovados pelos documentos anexos (cartas de limites de crédito bancário anexas). Portanto, o que a autoridade aduaneira deveria ter em mente é o sentido da expressão "recursos próprios", ou seja, a importadora deve possuir "capacidade econômicofinanceira" para suportar a operação. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 16 15 Portanto, o que a autoridade aduaneira deveria ter em mente é o sentido da expressão "recursos próprios", ou seja, a importadora deve possuir "capacidade econômicofinanceira" para suportar a operação. Assim, para se saber se importação foi realizada com "recursos próprios" do importador, devese fazer a seguinte indagação: Caso não houvesse pagamentos antecipados, a importadora teria conseguido realizar a importação? Se a resposta desta pergunta por positiva, então não há o que se falar em interposição fraudulenta, pois, a importação foi realizada com recursos próprios do importador. O AFRFB apenas limitase a tentar estabelecer uma ligação entre as contas contábeis, para chegar a conclusão de que, na realidade, não se trataria de ‘mportação por encomenda mas de importação por conta e ordem, em função dos adiantamentos verificados. Ocorre que, em momento algum, consegue comprovar, eficazmente, que sem aqueles depósitos, a Impugnante não teria condições de ter realizado a importação. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (TRF4, AC 2006.70.08.0013033, Primeira Turma, Relator Viison Darós, D.E. 14/10/2008), (TRF4, AMS 2006.72.08.0012938, Segunda Turma, Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira, DJ 08/11/2006) e (acórdão em AMS 2006.72.08.0012938, TRF4) O julgado mencionado se amolda perfeitamente ao caso em análise, pois a D&A não necessita utilizarse de interposição fraudulenta de terceiros para desenvolver suas atividades. Pelas argumentações expostas, aliadas às peculiaridades do caso concreto, concluise que não houve nenhuma ocultação. Quando muito, poderia se entender que houve irregularidades meramente formais na operação de importação realizada. · AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 17 16 Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. · NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. Conforme demonstrado, ao se confrontar a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. DOS PEDIDOS. DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: · Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.2); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.2); · Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.4); Fl. 978DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 18 17 · Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tãosomente ao real encomen dante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.5); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro (tópico 2.6); · Decretar a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, consistente na ausência de intimação da D&A para apresentar as mercadorias a serem destinadas ao perdimento (tópico 2.6); No mérito, os Impugnantes ainda requerem: · Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação e/ou conluio que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta (tópico 2.7); · Seja declarada a inocorrência de ocultação dolosa do real adquirente/encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão (tópico 2.8); · Seja reconhecida a plena capacidade financeira da Impugnante para a realização da importação em questão, afastandose, por conseqüência, a não comprovação da disponibilização dos recursos (Tópico 2.9); · Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. (tópico 2.10); · Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável (tópico 2.11). A 23a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – SP julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 16050.662, de 25/09/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/05/2008 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 19 18 Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. A empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA tomou ciência da referida decisão no dia 21/10/2013 e responsáveis pessoais CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT tomaram ciência desse decisão no dia 19/10/2013. No dia 20/11/2013 os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram recurso voluntário conjunto, no qual renovam os argumentos da impugnação, acima resumido, e acrescentam argumentos sobre a inexistência de quebra da cadeia do IPI. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os recursos voluntários apresentados por D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT são tempestivos e atendem aos demais requisitos legais e regimentais. Deles se conhece. Como relatado, contra a empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Primeiro: as mercadorias objeto da aplicação da pena de perdimento, convertida em multa pelo valor aduaneiro, foram desembaraçadas por meio da DI nº 08/07188438, registrada no dia 15/05/2008. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 20 19 Segundo: a D&A não logrou provar, com documentos idôneos, a origem dos recursos depositados em sua conta corrente no BB (R$ 21.000,00 no dia 11/03/2008 e R$ 31.191,15, no dia 12/05/2008), contabilizados na conta "Adiantamento Importação por Conta e Ordem". Esses depósitos foram feitos no caixa do BB na agência de Valinhos/SP. A D&A afirmou, e depois negou, que os depósitos foram realizados pela empresa CAJOVIL. Terceiro: as mercadorias importadas (válvulas de diversos tipos) são tributados pelo IPI com alíquota de 5%; Quarto: a empresa D&A não realizou importação direta (por conta própria) das mercadorias em tela e depois as revendeu no mercado, como formalmente se apresenta a operação. Por presunção legal (art. 27 da Lei nº 10.637/02), as mercadorias foram importadas pela D&A por conta e ordem de terceiro. Quinto: a DI nº 06/14742476 foi registrada no dia 05/12/2006 como importação direta e não como importação por conta e ordem de terceiro. No campo próprio da DI não consta o nome do importador de fato como adquirente e destinatário da mercadoria. Sexto: a empresa D&A efetuou remessas de divisas para o exterior, supostamente ilegais, por meio da empresa ROGER TUR. Independente de serem ilegais ou não, tais remessas não constam da escrituração contábil da D&A. Aparentemente, tais remessas não estão relacionadas com as importações objeto deste processo; Sétimo: a empresa D&A possuía em seu estabelecimento, ao menos, 43 (quarenta e três) carimbos de fornecedores e autoridades estrangeiros. Esses carimbos foram confeccionados em BlumenauSC pela empresa Carimbos Guido Ltda. Oitavo: no dia 09/04/2013 a D&A tomou ciência do encerramento do MPF D nº 0920400201100512 e da abertura do MPFF nº 0920400201300087. A ciência do Auto de Infração ocorreu no mesmo dia 09/04/2013. Dito isso, passemos à apreciação das demais razões do recurso. As matérias postas para apreciação do Colegiado são: 1 em sede de preliminar: 1.1 Ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas ausência de provas nulidade do Auto de Infração; 1.2 Compartilhamento de provas inobservância do contraditório e da ampla defesa inobservância de condição para o compartilhamento nulidade do procedimento fiscal; 1.3 Apreensão de documentos empresa diversa da investigada ausência de mandado judicial específico ilicitude das provas – nulidade; 1.4 Apreensão de documentos investigação criminal inexistência de correlação entre os crimes investigados e as infrações apuradas ilicitude das provas nulidade; 1.5 Ausência de mandado de procedimento fiscal de fiscalização (MPFF) fiscalização irregular nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração; Fl. 981DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 21 20 1.6 Excesso de prazo na conclusão procedimental ausência de notificação sobre as prorrogações do MPFF nulidade do auto de infração; 2 no mérito: 2.1 Ilegitimidade de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurarem solidariamente no pólo passivo do auto de infração; 2.2 Ilegitimidade passiva da D&A para aplicação da pena de perdimento e multa de conversão; 2.3 Ausência de prova do consumo das mercadorias mera presunção cerceamento de defesa impossibilidade de conversão da pena de perdimento em multa; 2.4 Inexistência de sonegação, fraude e conluio; 2.5 Inexistência da quebra da cadeia do IPI; 2.6 Inocorrência de ocultação ou de simulação inexistência de burla aos controles aduaneiros importação direta para revenda regularmente caracterizada; 2.7 Da plena capacidade financeira da impugnante para realização da importação origem de recursos própria. 2.8 Ausência do elemento danoso relevação da pena de perdimento; 2.9 Necessidade de aplicação da penalidade mais favorável; Sobre a preliminar de licitude das provas acostadas aos autos (subitens 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4, acima), ratifico os fundamentos da decisão recorrida para acrescentar que o conjunto probatório destes autos não foi colhido para instruir única e exclusivamente o presente processo. Ao contrário, as provas foram colhidas para instruir diversos lançamentos fiscais efetuados contra a empresa D&A, nas importações diretas, e contra a D&A e os verdadeiros importadoras, nas operações de importação por conta e ordem registradas pela D&A como importação direta. Parte das referidas provas foram coletadas, com expressa autorização judicial, em inquérito policial regularmente instaurado. Também foram coletadas mediante apresentação pelas empresas vinculadas ao lançamento, em cumprimento a intimações expedidas pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB) e, por último, foram coletadas nos controles internos da Receita Federal do Brasil. As provas coletadas do inquérito policial, que foram compartilhadas com a RFB por expressa ordem do Poder Judiciário (vigente à época do lançamento e, pelo que consta dos autos, não revogada até a presente data) podem e devem ser usadas para instruir os lançamentos realizados contra as empresas que violaram a legislação tributária e aduaneira (no entender da RFB). Isso porque o compartilhamento de provas, autorizada pelo Poder Judiciário, somente se justifica se for para instruir procedimento fiscal de exigência de tributos e penalidades por parte da RFB. É o caso dos autos. Portanto, a legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem Fl. 982DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 22 21 judicial de compartilhamento de provas. Em razão disso, se os Recorrentes quiserem contestar o conteúdo da referida decisão judicial, deverão fazêlo no âmbito do Poder Judiciário e não no âmbito administrativo, que não tem competência para afastar legítima e vigente decisão judicial. Além das provas compartilhadas, como prova da infração atribuída aos Recorrentes, a Fiscalização juntou, no curso da ação fiscal, documentos coletados nos controles internos da própria RFB e, também, apresentados pelas empresas autuadas em resposta à intimações da Fiscalização da RFB. Estas provas são suficientes para atestar que a operação de importação, objeto da autuação, não foi uma operação de importação direta, como consignado na DI, mas sim uma operação de importação por conta e ordem de terceiro, tendo ocorrido a adulteração da documentação que instruiu a operação de importação e o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Sobre a alegada ausência de contraditório, como bem disse a decisão recorrida, este se estabelece com a impugnação do lançamento, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestar todos os fatos a ele atribuídos e apresentar todas as provas que entender importante. O procedimento preparatório do lançamento, e o próprio lançamento, é ato inquisitório, não havendo que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nessa fase pela não manifestação do contribuinte sobre as provas colhidas nessa fase do procedimento fiscal. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 46, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Quanto as alegações relacionadas ao MPFF, preliminarmente, registrese que a competência para o agente fiscal efetuar o lançamento decorre da lei e não de ato do dirigente da repartição fiscal (art. 7º da Lei nº 2.354/54 e art. 143 do CTN), existindo farta jurisprudência no CARF no sentido de que irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. É o caso dos Acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014. No caso vertente, o MPFF foi emitido antes da lavratura do auto de infração e em substituição em MPFD em curso. O fato da D&A ter tomado ciência do MPFF no mesmo dia da ciência do Auto de Infração não representa infração às normas de regência do MPF, posto que o Auto de Infração encontrase acobertado por MPFF. Não há, portanto, nenhuma irregularidade procedimental por parte da administração da RFB. Isto posto, rejeito as preliminares de nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração suscitadas pelas Recorrentes e acima referidas. Quanto ao mérito, a multa em tela foi imposta à empresa Recorrente em face da comprovação inequívoca da prática de interposição fraudulenta na importação de mercadorias, conforme autoriza o art. 689 do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido, e da participação dos nomeados responsáveis na prática do ilícito tributário que ensejou a autuação. Art.689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Fl. 983DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 23 22 Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). A redação atual do parágrafo 1º, acima, é: § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) A doutrina nos ensina que interposta pessoa, o mesmo que ‘interposta persona’, é a pessoa que se interpõe, em negócio de outrem, para realizálo em substituição da que tinha a incumbência de fazêlo. É o mesmo que ‘prestanome’. É aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindoo e encobrindoo. A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, punível com a aplicação da pena de perdimento, nos termos do art. 689 do RA/09, acima reproduzido, independente de ter ocorrido ou não falta de recolhimento de tributos. No caso dos autos, está sobejamente provado a prática, pela empresa Recorrente, com a participação efetiva dos nomeados responsáveis (Caio e Érica), de interposição fraudulenta na importação, sendo inequívoca a imposição da penalidade objeto deste processo e a legitimidade passiva de ambas (art. 95, inciso V, do DL nº 37/66). Portanto, não procede a alegação da Recorrente D&A de que a multa no valor aduaneiro da mercadoria deve ser aplicada contra terceiro (e não contra ela), proprietária de fato das mercadorias. E não procede exatamente porque quem fraudou a DI objeto destes autos foi a D&A. Quem é o contribuinte nas operações de importação é o importador ostensivo e não Fl. 984DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 24 23 o importador oculto. Por ter se beneficiado da fraude e dela ter participado, quando identificado, o importador de fato deve ser nomeado sujeito passivo responsável pelo crédito tributário lançado. Sobre a ausência de prova do consumo, para aplicação da penalidade dos autos, a lei não exige que a mercadoria seja, obrigatoriamente, consumida: basta que ela não seja localizada para haver a conversão em multa a que se refere o § 1º, do art. 689 do RA/09, acima reproduzido. A D&A não logrou provar que a mercadoria estava em seu poder, ou seja, não apresentou a mercadoria à Fiscalização, até porque ela não possui instalações para armazenar mercadorias, posto que está instalada em uma sala comercial. Mais ainda, em visita ao estabelecimento da D&A, a Fiscalização constatou, in loco, que lá não existia as mercadorias importadas por ela D&A. Também não procede a alegação dos Recorrentes de inocorrência de sonegação, fraude, conluio, ocultação, simulação ou burla aos controles aduaneiros e de que ocorreu importação direta para revenda, devidamente caracterizada. As provas dos autos são no sentido oposto, conforme já dito no início deste voto que a importação não foi direta, lastreado em vasta prova. Não desconstituiu a D&A as provas relativas aos carimbos encontrados em seu estabelecimento, às remessas de divisas feitas por meio da Roger Tur, as tratativas do Sr. Caio e da Sra. Érica da importação das mercadorias para diversos clientes dela D&A e, no caso específico, os dois depósitos realizados, em Valinhos/SP, na sua conta corrente no BB e contabilizados na conta "Adiantamento Importação por Conta e Ordem". Quanto a alegação de ilegitimidade do Sr. Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurar no pólo passivo do auto de infração, conforme demonstrado na Descrição dos Fatos que levaram à autuação, devidamente comprovado no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica", os irmãos e Despachantes Aduaneiros, Sra. Érica e Sr. Caio, efetivamente dirigiam a empresa D&A, praticando atos típicos de gerência da empresa, que vai desde a negociação com clientes à ascendência sobre os empregados, passando por propaganda onde eles se apresentam como executivos e sócios da D&A, inclusive no site da própria D&A (www.deacomex.com.br). Eventuais negociações com empresas e órgãos intervenientes no comércio, que poderiam ser terceirizadas e que foram efetuadas pelos referidos Despachantes Aduaneiros, não são suficientes para desconstituir os demais atos de efetiva gestão consignados no Auto de Infração, ainda mais quando desacompanhado de contrato específico de prestação desses serviços especializados e da respectiva nota fiscal relativo ao preço do serviço contratado. Por outro lado, a farta documentação probatória juntada aos autos reflete, indubitavelmente, uma intensa atividade de gestão dos negócios da D&A pelos sócios e gestores de fato, Sra. Érica e Sr. Caio. Portanto, está sobejamente provado nos autos que os ditos responsáveis solidários conduziam tanto os negócios da empresa D&A como da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e, externamente, as duas empresas se apresentavam como sendo do "Grupo D&A", sendo que as ações de ambas eram sobrepostas, como bem ficou provado na Descrição dos Fatos e no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica". Formalmente, na qualidade de sócios da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, os dois atuavam Fl. 985DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 25 24 pessoalmente também como despachante aduaneiro nas importações realizadas pela empresa D&A. Portanto, sem reforma a decisão recorrida que manteve a Sra. Érica e o Sr. Caio como responsáveis solidários do crédito tributário lançado. Também não procede o argumento da Recorrente de que não houve quebra da cadeia do IPI porque as mercadorias importadas são tributadas pelo IPI com alíquota zero e, também, que inocorreu ocultação do real importador ou simulação de importação direta, não tendo ocorrido burla aos controles aduaneiros. Antes de entrar nessa matéria, há que se esclarecer que, no comércio exterior e de acordo com as disposições do art. 689 do RA/2009, a interposição fraudulenta caracteriza dano ao erário, que independe de haver ou não insuficiência de recolhimento de tributos, porque o dano ao erário envolve outras variáveis, a exemplo da evasão de divisas e da concorrência desleal. Portanto, a ocorrência ou não da quebra da cadeia do IPI é irrelevante para a caracterização de ocorrência do delito fiscal "dano ao erário". Retornando ao caso concreto destes autos, embora irrelevante para caracterizar o dano ao erário, não procede o argumento dos Recorrente, a uma porque na DI objeto da autuação existem mercadorias tributadas com alíquota de 5% e, a duas, porque na operação apurada pelo Fisco, onde ficou provado a simulação de importação direta, uma das conseqüências dessa simulação é que o importador de fato da mercadoria perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial, posto que passa à condição de comerciante de mercadoria importada por terceiros. Por evidente, nesse caso, como a operação de compra e venda da mercadoria importada foi simulada, conforme largamente provado nos autos, o seu preço de venda foi arbitrado pelas partes. Em consequência, o “preço de compra e venda”, assim estabelecido, é sempre inferior ao preço de venda praticado pelo real importador no mercado interno. Com essa simulação, a base de cálculo do IPI foi reduzida e, conseqüentemente, o valor recolhido a título de IPI foi inferior ao devido, com evidente prejuízo financeiro para os cofres da União. Portanto, no despacho aduaneiro da operação de importação realizada pela empresa Recorrente D&A houve a ocultação do real importador, incorrendo na infração do art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, punida com a multa prevista nos §§ 1º e 3º desse mesmo dispositivo legal. Quanto à alegação da D&A de que possuía plena capacidade financeira para realização da importação e que eram próprios os recursos depositados em sua conta corrente no BB, continua a Recorrente sem provar as suas alegações. Não trouxe a recorrente prova de que os ditos valores depositados na conta corrente do BB (R$ 21.000,00 e R$ 31.191,15) saíram do seu caixa e algum preposto seu viajou de Blumenau/SC a Valinhos/SP com os recursos em mãos com o objetivo de efetuar os referidos depósitos na boca do caixa da agência BB de Valinhos/SP. Registrese que a Fiscalização não acusou a D&A de não possuir recursos para efetuar importação direta de mercadorias, como quer fazer crer a Recorrente. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 26 25 Quanto ao pedido de relevação da pena de perdimento por ausência do elemento danoso, fundada no art. 737 do RA/2009, impende registrar que o CARF não tem competência para relevar penalidades, cabendo tal competência ao Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 736 do mesmo RA/2009, abaixo reproduzido. Art.736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (DecretoLei no 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4o, caput): [...] §2o O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (DecretoLei nº 1.042, de 1969, art. 4º, §2º). Art.737.A pena de perdimento decorrente de infração de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais poderá ser relevada com base no disposto no art. 736, mediante a aplicação da multa referida no art. 712 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 67). Relativamente à alegação de que devese aplicar a penalidade mais favorável porque houve mero erro formal na DI, enganase os Recorrentes porque o conjunto probatório dos autos leva à conclusão que eles Recorrentes (D&A, Caio e Érica) conheciam toda a operação de importação e que a mesma era por conta e ordem e, mesmo assim, o Despachante Aduaneiro, Sr. Caio Marcelo, registrou a DI como importação direta. Portanto, não ocorreu mero "erro formal" no preenchimento da DI que enseje a aplicação da multa do art. 711 do RA/2009. Tanto é que a D&A não apresentou o contrato de prestação de serviço dessa operação e a respectiva nota fiscal de prestação de serviços que prova o recebimento do preço do serviço contratado e que a operação de importação foi por conta e ordem, tendo ocorrido o referido erro no preenchimento da DI. Por fim, e para que não se alegue omissão no julgado, ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.720747/201375 Acórdão n.º 3302002.870 S3C3T2 Fl. 27 26 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13896.002766/2002-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, os produtos abaixo apresentam a seguinte classificação fiscal:
1)as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.90.91: Papéis para imprimir ou escrever, impresso, estampado ou perfurado, com tributação a 10%. RG-1, RG-6 e RGC TIPI-1, Decreto n° 4.070, de 28/12/2001.
2)os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 -Outros, com tributação a 15%. RG-1, RG-6 e RGC, Decreto n° 4.070, de 28/12/2001.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
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Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, conforme Súmula CARF nº 20. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. O direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, os produtos abaixo apresentam a seguinte classificação fiscal: 1)as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.90.91: Papéis para imprimir ou escrever, impresso, estampado ou perfurado, com tributação a 10%. RG1, RG6 e RGC TIPI1, Decreto n° 4.070, de 28/12/2001. 2)os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 Outros, com tributação a 15%. RG1, RG6 e RGC, Decreto n° 4.070, de 28/12/2001. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 27 66 /2 00 2- 11 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, à fl. 6, no montante de R$221.075,25, relativamente ao 1° trimestre de 2002, formalizado em 19/04/2002, com lastro no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, e IN SRF N° 33, de 1999. Vinculado ao ressarcimento foram apresentadas diversas Declarações de Compensação, conforme quadro a seguir, totalizando as compensações R$221.075,25. DCOMP Papel (P)/Eletrônica (E) Data Apres./Trans. Tributo Valor Período de Apuração Vencimento P (fl. 277) 15/08/2002 2172 12.000,00 07/2002 15/08/2002 8109 7.535,09 08/2002 13/09/2002 P (fl. 279) 13/09/2002 2172 34.777,36 08/2002 13/09/2002 8109 6.278,87 09/2002 15/10/2002 P (fl. 378) 18/10/2002 2172 28.979,42 09/2002 15/10/2002 8109 6.131,17 10/2002 14/11/2002 S^^t^ P (fl. 399) 14/11/2002 2172 28.297,73 10/2002 14/11/2002 8109 9.550,60 11/2002 13/12/2002 P (fl. 421) 13/12/2002 2172 44.079,71 11/2002 13/12/2002 W E (fls. 445/448) 35980.75846.110703.1.3.014559 11/07/2003 2172 42.000,00 12/2002 15/01/2003 E (fls. 449/452) 39511.72767.111104.1.3.01 4240 11/11/2004 5856 1.000,00 10/2004 12/11/2004 E (fls. 453/456) 04494.70608.151204.1.3.010377 15/12/2004 5856 445,30 11/2004 15/12/2004 A análise da petição se deu mediante o Despacho Decisório de fls. 458/466, de que resultou o indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, a não homologação das compensações declaradas. O ato decisório foi emitido nos seguintes termos: Com efeito, conforme formulário de ressarcimento de IPI acostado a fls. 01, o contribuinte traz baila, como fundamentação legal para o pedido em tela, o artigo 11 da lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com o artigo 4° da IN 33 SRF, de 04 de março de 1999, [...]: Ocorre que, conforme dispõe o 2° da IN 33, de 04 de março de 1999 devem ser estornados os créditos originários da aquisição de MP, PI e ME, quando destinados ã fabricação de produtos não tributados. Destarte, sendo a saída de apara de papel comum classificada como nãotributável, e tendo o contribuinte a elencado na relação de saídas do período, incabível o ressarcimento em Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 5 4 relação à proporção que esta operação representa em relação ao total de saídas do período. Em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos tributados à alíquota zero ou positiva, não restam dúvidas quanto à permissão legal para o aproveitamento dos créditos. Nada obstante, uma análise mais profunda sobre as saídas efetuadas pelo estabelecimento, no 1° trimestre de 2002, permite identificar algumas impropriedades cometidas na classificação fiscal dos produtos, o que reflete diretamente no direito creditório pleiteado. Conforme se depreende de fls. 279 as 280 e 282 a 283, o contribuinte classificou os papéis para impressão apresentados em bobinas e personalizados ou não como pertencentes ao capitulo 49. Contudo, a impressão constante em vários destes artigos (logomarca da empresa etc.) possui caráter acessório em relação à sua utilização inicial papel para impressão, devendo ser classificada no capitulo 48 da TIPI, conforme já explicitado no acórdão n° 1957, exarado pela 3a turma da DRJ/POA, em16 de janeiro de 2003. Vejase: ''Papel para imprimir, apresentado em bobinas, personalizado ou não, classificase no código 4823.51.0000 da TIPI/88 e no código 4823.51.00 da T1P1/96. "(Grifouse.) O mesmo equivoco foi observado na classificação dos formulários contínuos expedidos. Tais produtos tiveram tratamento similar expresso na solução de consulta da SRRF/ 7a Regido RF/DIANA/ N° 174, de 07 de maio de 2004. Apenas com o fito de corroborar as decisões préfaladas, merece destaque o texto da. notas explicativas do sistema harmonizado (base de interpretação das normas concernentes ã classificação de mercadorias), que determina a análise do texto ou da figura inserida no papel para a correta definição do código fiscal: "Estes artigos podem apresentarse revestidos com impressões ou ilustrações, mesmo de importância, desde que a utilização principal continue a ser de papéis para escrever... Outros artigos podem apresentarse revestidos com impressões ou ilustrações com caráter acessório relativamente sua utilização principal." (Nota do Capitulo 48.) "... este Capitulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham." (Nota do Capitulo 49.) Diante do acima exposto, resta claro, a partir da análise das amostras apresentadas, notadamente as acostadas a fls. 311, 314 e 339 (bobinas) e 310, 316, 317, 328/334 e 336 a 339 (formulários contínuos), tratarse tão somente de papel para impressão, ainda que personalizado, não ficando alterada sua Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 6 5 utilização principal pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. [...] Feitas as referidas modificações, desaparece o saldo credor pleiteado neste processo, tornando descabido o presente pedido, conforme demonstrado no quadro apresentado a seguir: Alíquota Valor das operações (R$) Valor de IPI a ser apurado 12 % 1.341.454,49 160.974,50 15 % 502.753,77 75.413,07 Por todo o acima exposto, entendese que o contribuinte não faz jus ao ressarcimento referente a saídas no 1° trimestre de 2002. Ciente do Despacho Decisório, em 27/03/2007, conforme AR Aviso de Recebimento, à fl. 468, o contribuinte, representado por procurador (fls. 470/471), apresentou, em 20/04/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 473/494, para alegar: Em que pese a lisura do procedimento adotado pela Impugnante, vale dizer, diversas vezes reconhecido pela Delegacia da Receita Federal, foi surpreendida, em 09/04/2007, com a denegação do presente pleito e compelida, indevidamente, a pagar os valores compensados a titulo de IPI referentes às saídas do 1° trimestre de 2002 de produtos não tributados e tributados à alíquota zero. A Impugnante adquire, mensalmente, inúmeros itens que compõem seu estoque de matériaprima, materiais intermediários e embalagens, os quais são devidamente registrados nos Livros Fiscais de entradas mantidos em seu estabelecimento. A atividade de transformação destes materiais se desenvolve numa fábrica, composta por máquinas de alta tecnologia que, utilizandose dos insumos principais e secundários, dão origem a produtos novos. Portanto, inconteste, "in casu", o processo de industrialização realizado pela Impugnante. A classificação das atividades registradas em nome da empresa Impugnante perante o CNPJ do Ministério da Fazenda (doc. 01), assim como a definição de suas atividades pela Comissão Nacional de Classificação, comprovam o alegado. Reconhecida a atividade exercida pela Impugnante como, tipicamente, "industrialização", convém aterse ao comando legal regulamentador do IPI e à sua sistemática dada pela Constituição Federal, precipuamente no que tange não cumulatividade, ou seja, o art. 153, inc. IV, §3°, da CR/1988, que é normaprincípio que informa todo o sistema jurídico desse imposto, devendo, face à sua relevância jurídica, ser observada pelas demais normas criadas pelo legislador ordinário. Qualquer medida tendente a restringir ou negar vigência a tal aplicação, seja pela criação e aplicação de normas Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 7 6 infraconstitucionais, seja por mero labor exegético, implicaria no malfadado manto da inconstitucionalidade. No que diz respeito ao alcance do termo "produto industrializado", o artigo 46 do Código Tributário Nacional CTN o define com precisão, para fins de incidência do IPI, com o qual se coadunam os tribunais pátrios. Demonstrada a natureza jurídica da atividade desempenhada pela empresa, qual seja, de industrialização, bem como restando cristalino que o Pedido de Ressarcimento formulado pela Impugnante encontrase plenamente adequado à legislação vigente, pugnase pelo reconhecimento dos créditos de IPI, sob pena de violação ao Principio Constitucional da Não cumulatividade. Outrossim, não merece prosperar o argumento constante no Parecer SEORT/DRF/OSA n° 278/2007, no sentido de que "o contribuinte classificou papéis para impressão apresentados em bobinas, personalizados ou não, como pertencentes ao capitulo 49 da TIPI, quando deveria têlos classificado no capitulo 48". Não agiu com o esperado acerto o Sr. Agente Fiscal, na medida em que não apenas valeuse de inverídica "presunção" no seu entendimento, como ignorou a classificação apresentada ao Fisco pela Impugnante desde o inicio de suas atividades, a qual sempre lhe conferiu o direito ao crédito pleiteado. Tendo em vista o caso concreto, a presunção do Sr. Agente Fiscal deveria ter sido comprovada, eis que se trata de uma presunção honinis, não apenas porque o instituto da presunção assim o exige, mas porque a motivação e um dos atributos de qualquer ato administrativo. Todo ato administrativo deve ser motivado, cabendo ao Fisco fazer prova contundente do que ocorreu, não podendo, mediante presunção, realizar o enquadramento legal do contribuinte. Os materiais declarados pela Impugnante são e sempre foram sujeitos à alíquota zero ou à nãotributação, não havendo que se falar em "caráter acessório" das impressões nestes presentes. Ao contrário, os papeis para impressão em destaque fazem parte dos produtos personalizados que a Impugnante industrializa, logo, classificados no capitulo 48 (sic) da TIPI. Neste sentido, imperioso destacar o quanto dispõe a Nota n°11 do Capitulo 48 da TIPI, "in verbis": 11. Com exclusão dos artefatos das posições 4814 e 4821, o papel, o cartão, a pasta de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente sua utilização original, incluemse no Capitulo 49." (destacou se). Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 8 7 Os materiais declarados pela Impugnante não podem, sob forma alguma, serem apontados como "acessórios", cumprindo classificálos, destarte, no Capitulo 49 da TIPI. As impressões realizadas nos produtos sob comento (contas telefônicas, etc.) não possuem qualquer caráter acessório, mas constituem o próprio objetofim do material industrializado. Inegável que os produtos (bobinas, formulários contínuos e formulários tamanho próprio) industrializados pela Tecnoformas Indústria Gráfica Ltda constituemse plenamente, independentemente da destinação que lhes é dada por seus adquirentes. Ou seja, quando a empresa entrega seus produtos aos adquirentes, todas as informações fins referentes às suas destinações encontramse inseridas. Eventualmente, não obstante finalizados, determinados produtos são utilizados pelos adquirentes para inclusão de informações, tal como ocorre nos casos de formulários contínuos e tamanho padrão . Referida utilização não implica, sob hipótese alguma, na descaracterização do produto oferecido, uma vez ter por função se valer das variadas matériasprimas à sua disposição para dar origem, por meio do competente processo, a um produto completamente novo e acabado. É o que ocorre, por exemplo, com a "Nota Fiscal", ou com o denominado "Papel de Carta", comumente encontrados no comércio, e cujas alíquotas para incidência do IPI são de 0% (zero por cento). Tais produtos, assim como aqueles criados pela Tecnoformas Indústria Gráfica Ltda, bastamse por si, independentemente do uso que terão por seus adquirentes, no havendo que se falar em acessoriedade. Tamanha é a importância da impressão presente neste produtos que, uma vez retirada, não mais subsistir qualquer característica sua. É PRINCIPAL e ÚNICO. Assim, em respeito as reiteradas decisões proferidas no âmbito administrativo a favor da homologação dos créditos requeridos, merece ser aplicado o comando previsto no artigo 100, inciso III, do Código Tributário Nacional. Finalizou o contribuinte a manifestação de inconformidade com pedidos de reforma da decisão constante do Parecer n° 397/2007 e do reconhecimento da procedência do pedido de ressarcimento/compensação formulado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI SALDO CREDOR. INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. ESTORNO. Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Tendo em vista que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, devem ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Alternativamente, tais créditos poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, se o montante das entradas de MP, PI e ME, for empregada indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PRÁTICAS REITERADAS. CONCEITUAÇÃO Segundo o art. 100, inc. III, do CTN as práticas reiteradas devem ser entendidas como um posicionamento da Administração Tributária que acata determinado proceder dos contribuintes de forma generalizada. A decisão sobre ressarcimento de IPI a um certo contribuinte não determina o seu direito irrestrito de obter o ressarcimento, independentemente de análise da autoridade administrativa, sob o pretexto de teriamlhe sido sempre deferidas quantias que solicitou anteriormente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CLASSIFICAÇÃO MERCADORIAS Segundo as amostras apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, classificamse: 1) as BOBINAS na EX 02 do Código 4823.90.91: Papéis para imprimir ou escrever, impresso, estampado ou perfurado, com tributação a 10%. RG1, RG6 e RGC TIPI1, Decreto n° 4.070, de 28/12/2001. 2) os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS no Código 4820.90.00 Outros, com tributação a 15%. RG1, RG6 e RGC, Decreto n° 4.070, de 28/12/2001. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 10 9 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese: · Da omissão do v. acórdão aquo quanto aos créditos relacionados aos produtos que tiveram suas classificações fiscais inalteradas; · Da impossibilidade de alteração da tributação das saídas em pedido de ressarcimento e após o prazo decadencial para lançamento; · Das corretas classificações fiscais adotadas pela recorrente. É o Relatório. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente, quanto a alegação de omissão quanto aos créditos relacionados aos produtos que tiveram suas classificações fiscais inalteradas, esta não é pertinente pois, conforme consignado no Despacho Decisório, aplicandose as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal dos produtos discordantes, restou absorvido totalmente pelos débitos, o saldo credor requerido pelo contribuinte. Quanto a alegação de impossibilidade de alteração da tributação das saídas em pedido de ressarcimento e após o prazo decadencial para lançamento, entendo que não assiste razão à recorrente. Nos termos do artigo 170 do CTN, é autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos e essa liquidez e certeza é verificada pela autoridade administrativa, a quem cabe essa autorização, podendo o contribuinte contestar tal procedimento caso não concorde com os valores apurados, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, preservando, dessa forma, o seu direito de defesa.. Ademais, o direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de ressarcimento cumulado com compensação. Entendo, portanto, correto o procedimento da autoridade administrativa quando da análise da petição que se deu mediante o despacho decisório pois este é justamente para se apurar o valor devido e verificar o credito pleiteado, podendo o contribuinte discordar dos cálculos, o que o fez com a apresentação do recurso. Quanto a glosa no aproveitamento dos os créditos originários da aquisição de MP, PI e ME, quando destinados ã fabricação de produtos não tributados, tal questão se encontra sumulada no âmbito do CARF devendo ser observada pelos membros desse conselho, conforme abaixo: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Em relação as saídas de produtos tributados à aliquota zero ou positiva a fiscalização discordou da classificação fiscal adotada pelo contribuinte para diversos produtos o que refletiu diretamente no direito creditório pleiteado. O contribuinte classificou os papéis para impressão apresentados em bobinas e personalizados ou não como pertencentes ao capitulo 49. Contudo a fiscalização Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 12 11 considerou que a impressão constante em vários destes artigos (logomarca da empresa etc.) possui o caráter acessório em relação a. sua utilização inicial — papel para impressão, devendo ser classificada no capitulo 48 da TIPI. O mesmo foi observado na classificação dos formulários contínuos expedidos. A fiscalização chegou a conclusão de que, a partir da análise das amostras apresentadas, notadamente as acostadas a fls. 311, 314 e 339 (bobinas) e 310, 316, 317, 328/334 e 336 a 339 (formulários contínuos),, tratarse tão somente de papel para impressão,ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. Foram listados os produtos cuja alteração de classificação fiscal resultaram na alteração do montante pleiteado, sendo incontroversos a classificação dos demais produtos. A recorrente alega que o código NCM 4911.99.00, adotado pela Recorrente, incluído no Capítulo 49 da TIPI, foi o correto para classificar os produtos elencados, uma vez que os códigos adotados pela fiscalização e pela DRJ são mais genéricos do que o utilizado pela Recorrente, sendo, no caso em análise, estes produtos personalizados para um banco específico e que estão prontas para uso pelo banco, com o logo do próprio banco. Conclui que “Os códigos NCM 4823.51.00 e 4820.90.00, utilizados no v. Acórdão recorrido mostramse, portanto, totalmente inadequados para abranger as "bobinas" bem como os "formulários contínuos" elencados às fls. 10/11 da decisão recorrida, cabendo ser considerado o código NCM 4911.99.00 para ambos, na medida em que se tratam de impressos reproduzidos mediante duplicador, obtido por processo comandado por computador, nos exatos termos em que define o Capítulo 49 da TIPI.” A questão cingese então a correta classificação fiscal dos produtos listados acima. Das amostras acostadas aos autos verificase que se tratam de fls. 311, 314 e 339 (bobinas) e 310, 316, 317, 328/334 e 336 a 339 (formulários contínuos), que se apresentam basicamente com as logomarcas dos bancos, ou com endereço dos adquirentes, ou com impressões “Para Uso do Correio”ou ilustrações de fundo. De acordo com as Regras Gerais Para Interpretação Do Sistema Harmonizado: 1.Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes. 2.a)qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 13 12 termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b)qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. a classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na regra 3. 3.quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a)a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b)os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c)nos casos em que as regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4.as mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. (...) 6.a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de suposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Regra Geral Complementar (RGC) 1.(RGC1)as regras gerais para interpretação do sistema harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 14 13 dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) fornecem esclarecimentos e interpretam o Sistema Harmonizado, estabelecendo, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura, auxiliando no correto enquadramento do produto. O Capítulo 49, sustentado pela Contribuinte trata de “livros, jornais, gravuras e outros produtos das indústrias gráficas; textos manuscritos ou datilografados, planos e plantas”. A posição 49.11 é aplicada aos “Outros impressos, incluindo as estampas, gravuras e fotografias” e o código 4911.99.00 é relativo a “Outros”. Nas Notas de Capítulo consta: 2.Na acepção do Capítulo 49, o termo "impresso" significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por computador, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do cap 49 dispõe: Ressalvadas as raras exceções adiante mencionadas, este Capítulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham. Pelo contrário, além dos produtos das posições 48.14 e 48.21, o papel, cartão, pasta (ouate) de celulose e respectivas obras, que apresentem impressões cuja função seja meramente secundária em relação à sua utilização (por exemplo, papéis para embalagem, artigos de papelaria), incluemse no Capítulo 48. Da mesma forma, os artefatos de matérias têxteis, tais como lenços e echarpes que apresentem impressões decorativas ou de fantasia que não lhes afete o caráter essencial, os tecidos próprios para bordar e as talagarças próprias para tapeçarias à agulha, revestidos de desenhos impressos, incluemse na Seção XI. Os artefatos das posições 39.18, 39.19, 48.14 e 48.21 também estão excluídos deste Capítulo, mesmo quando revestidos de impressões ou ilustrações que não tenham um caráter acessório relativamente à sua utilização inicial. Quanto à posição 4911, as NESH dispõem o seguinte: Esta posição compreende todos os artigos impressos (incluídas as fotografias tiradas diretamente), do presente Capítulo (ver as Considerações Gerais), que não se encontrem incluídos nas posições precedentes deste mesmo Capítulo. Certos impressos destinados a ser completados com indicações manuscritas ou datilográficas no momento da sua utilização, estão incluídos aqui, desde que apresentem o caráter essencial Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 15 14 de artigos impressos (ver a Nota 11 do Capítulo 48). Por conseguinte, os formulários (formulários de aquisição de uma revista, por exemplo), os bilhetes de passagens virgens contendo vários cupons (bilhetes de avião, de trem e ônibus, por exemplo), as cartas circulares, os documentos e carteiras de identidade e outros impressos contendo um texto, uma notícia, etc. sobre os quais as informações devem ser indicadas (data e nome, por exemplo) incluemse na presente posição. Todavia, os certificados de valores mobiliários, os certificados documentários análogos e os talonários de cheques, que devem igualmente ser completados e validados, incluemse na posição 49.07. Pelo contrário, certos artigos de papelaria revestidos de impressões que apresentam um caráter acessório em vista da sua utilização inicial e que são destinados a escrita ou a datilografia classificamse no Capítulo 48 (ver nota 11 do Capítulo 48 e especialmente as Notas Explicativas das posições 48.17 e 48.20). Os formulários contínuos e bobinas, relacionados pela fiscalização, foram por ela classificados em códigos, segundo a TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 1996: 4823.51.00 (BOBINAS): 48.23 Outros papéis, cartões, pasta (ouate) de celulose e mantas de fibras de celulose, cortados em forma própria; outras obras de pasta de papel, papel, cartão, pasta (ouate) de celulose ou de mantas de fibras de celulose. Alíquota % 48.23.1 Papel gomado ou adesivo, em tiras ou em rolos 48.23.11.00 Auto adesivos 15 48.23.19.00 Outros 12 48.23.20.00 Papelfiltro e cartãofiltro 15 48.23.40.00 Papéisdiagrama para aparelhos registradores, em bobinas, em folhas ou em discos 15 48.23.5 Outros papéis e cartões do tipo utilizado para escrita, impressão ou outras finalidades 48.23.51.00 Impressos, estampados ou perfurados 12 Ex 01 Papel de carta em folha solta, com dizeres impressos 0 Ex 02 Papel para imprimir ou escrever 10 Ex 03 Papel de carta em folha solta, exceto com dizeres impressos 15 4820.10.00, 4820.90.00 (FORMULÁRIOS CONTÍNUOS): 48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluindo os formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão. Alíquota % 4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes 15 Ex 01 Blocos de papéis para cartas, com dizeres impressos 0 4820.20.00 Cadernos 15 Ex o E scolares 0 4820.30.00 Classificadores, capas para encadernação (exceto as capas para livros) e capas de processos 15 4820.40.00 Formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono (papel químico) 15 Ex 01 Formulários contínuos, com dizeres impressos 0 Ex 02 Formulários contínuos, exceto com dizeres impressos 12 4820.50.00 Álbuns para amostras ou para coleções 15 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 16 15 4820.90.00 Outros 15 Nas Notas de Capítulo consta: 11.Com exclusão dos artefatos das posições 4814 e 4821, o papel, o cartão, a pasta (ouate) de celulose e as obras destas matérias, impressos com dizeres ou ilustrações que não tenham caráter acessório relativamente à sua utilização original, incluemse no Capítulo 49. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do cap 48 dispõe: Papéis e cartões coloridos ou impressos Incluemse neste grupo os papéis revestidos de uma ou mais cores, aplicadas por qualquer processo, incluídos os papéis que comportem riscos, motivos decorativos, desenhos, etc. Entre estes, devem distinguirse, especialmente, os papéis indianos e os papéis marmorizados ou jaspeados à superfície. Estes papéis utilizamse em diversos usos, tais como revestimento de caixas, encadernações, etc. Os papéis podem encontrarse impressos com tinta de qualquer cor, formando linhas dispostas paralelamente ou não, ou então cruzadas. Estes papéis utilizamse, especialmente, para a fabricação de livros de contabilidade, cadernos escolares ou de desenhos, papel ou cadernos de música, papel para esquemas de tecidos ou para diagramas, papel de carta, agendas, etc. Incluemse neste Capítulo os papéis impressos tais como papéis de embrulho utilizados no comércio, com a razão social, marca, desenho ou modo de emprego da mercadoria, etc., ou outra característica acessória que não seja capaz de modificarlhes o destino inicial nem os faça serem considerados artefatos abrangidos pelo Capítulo 49 (ver a Nota 11 deste Capítulo). Quanto à posição 4820, as NESH dispõem o seguinte: Esta posição abrange os diversos artigos de papelaria, com exclusão dos artigos para correspondência da posição 48.17 e dos artigos referidos na Nota 9 do presente Capítulo. Compreende especialmente: 1)Os livros de registro e de contabilidade; os blocos de notas de qualquer natureza; os blocos de encomendas, os blocos de recibos, os blocos de papel de cartas, os blocos de apontamentos, agendas, os índices telefônicos, etc. 2)Os cadernos. Os cadernos podem simplesmente conter folhas de papel pautado, mas podem, também, comportar modelos de escrita para serem reproduzidos a mão. Todavia, os cadernos destinados a trabalhos educativos, às vezes chamados cadernos de escrita, com ou sem textos narrativos, que contenham questões ou exercícios baseados nos textos que se reveste de um caráter acessório em razão de sua utilização inicial como caderno de exercícios e que contenham espaços a Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 17 16 serem completados manualmente, estão excluídos da presente posição (posição 49.01). Os cadernos de exercícios para crianças compreendendo essencialmente ilustrações acompanhadas de textos de caráter complementar e servindo de exercícios de escrita ou outros estão igualmente excluídos (posição 49.03). 3)Os classificadores (exceto as caixas classificadoras), as capas para encadernação concebidas para agrupar folhas soltas, revistas e artigos semelhantes, tais como as capas para encadernação de pressão, de molas, de hastes ou de argolas, bem como as capas e coberturas de processos ou dossiês. 4)Formulários em blocos tipo manifold: são constituídos por vários jogos de formulários de escritório impressos em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono (papel químico*). Estes impressos são utilizados para obter múltiplas cópias e podem apresentarse em forma contínua ou descontínua. Eles possuem campos impressos a serem preenchidos com informações adicionais. 5)Os blocos que contêm folhas de papelcarbono (papel químico*): são semelhantes aos formulários em bloco tipo manifold mas distinguemse destes por não possuirem texto impresso ou só apresentarem impressas marcas de identificação tais como timbres. São muito utilizados para obter várias cópias e, tal como a maior parte dos formulários em blocos tipo manifold, as folhas que os compõem estão reunidas num canhoto (cepo*) colado e perfurado. 6)Os álbuns para amostras ou para coleções (selos, fotografias, por exemplo). 7)Outros artigos de papelaria, tais como pastas para escrivaninha (secretária), dobráveis ou não. 8)As capas de livros (incluídos os protetores e as sobrecapas), mesmo com impressões (títulos, etc.) ou ilustrações. Alguns artigos da presente posição podem, freqüentemente, ser revestidos de impressões ou de ilustrações, mesmo bastante importantes, e permanecem classificados na presente posição (e não no Capítulo 49) desde que as impressões e as ilustrações tenham um caráter acessório em relação a sua utilização inicial, como, por exemplo, as impressões que figuram nos formulários (destinados essencialmente a serem completados à mão ou à máquina) e nas agendas (destinadas essencialmente à escrita). Estas obras podem, além disso, apresentarse encadernadas de couro, tecido ou outras matérias e providas de dispositivos ou reforçadas de metal, plásticos, etc. Conforme as regras precedentes foram reclassificados apenas os produtos, sejam no formato de bobinas ou formulários, que se caracterizavam como papel para Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 18 17 impressão, ainda que personalizado, não ficando alterada sua utilização principal pela simples inclusão da logomarca da empresa encomendante ou de qualquer outra informação similar. Para os demais produtos descritos os quais a fiscalização, em vista das amostras acostadas aos autos, considerou que apresentavam impressos com dizeres ou ilustrações que não tem um caráter acessório relativamente à sua utilização original, foi mantida a classificação adotada pelo contribuinte no capitulo 49, em obediência as regras precedentes as quais os incluem neste Capítulo. Para os produtos descritos como BOBINAS, apesar da fiscalização ter classificado no código 4823.51.00, este foi suprimido da TIPI a partir de 01/01/2002, mas, aplicandose as precedentes Regrais Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nos 1 e 6 e a REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI), o código que melhor descreve o produto em análise é o 48.23.90.91, no EX 002, Papel para imprimir ou escrever, impresso, estampado ou perfurado, cuja alíquota aplicável, segundo o Decreto n° 4.070, de 28/12/2001, com vigência a partir de 01/01/2002, é de 10%: 4823 OUTROS PAPÉIS, CARTÕES, PASTA ("OUATE") DE CELULOSE E MANTAS DE FIBRAS DE CELULOSE, CORTADOS EM FORMA PRÓPRIA; OUTRAS OBRAS DE PASTA DE PAPEL, PAPEL, CARTÃO, PASTA ("OUATE") DE CELULOSE OU DE MANTAS DE FIBRAS DE CELULOSE 4823.90 Outros 4823.90.9 Outros 4823.90.91 Em tiras ou rolos de largura superior a 15cm mas não superior a 36cm Ex 01 Papel de carta, em folha solta, com dizeres impressos Ex 02 Papel para imprimir ou escrever, impresso, estampado ou perfurado 4823.90.99 Outros Para os FORMULÁRIOS CONTÍNUOS aplicandose as precedentes Regrais Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nos 1 e 6 e a REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC), a classificação em que melhor se enquadra o produto é o código 4820.90.00, cuja tributação é de 15% (quinze por cento). Assim, com as observações feitas no acórdão recorrido, mantémse a classificação dos formulários contínuos no código 4820.90.00, cuja tributação vigente à época era de 15%, segundo o Decreto n° 4.070, de 28/12/2001 e dos produtos descritos como BOBINAS no código 48.23.90.91, no EX 002, cuja alíquota aplicável, segundo o Decreto n° 4.070, de 28/12/2001, com vigência a partir de 01/01/2002, é de 10%. Conforme o demonstrativo utilizado para denegação do pleito do contribuinte no Despacho Decisório, aplicandose as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal dos produtos acima, restou absorvido totalmente pelos débitos, o saldo credor requerido pelo contribuinte. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 755DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.002766/200211 Acórdão n.º 3801004.940 S3TE01 Fl. 19 18 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.909655/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 55 /2 00 9- 16 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909655/200916 Acórdão n.º 3202001.532 S3C2T2 Fl. 397 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10831.002817/2001-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 20/02/2001
Extinção do crédito tributário. Pagamento.
Comprovado o recolhimento de todas as adições da DI em referência, bem como atestada a duplicidade do crédito; em resposta à diligência demandada. Logo, cancela-se o presente lançamento, por conta da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, nos termos do art. 156, inc. I do CTN. Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento o Dr. Blader Henrique de Lira Soares, AOB/DF 39.527.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 20/02/2001 Extinção do crédito tributário. Pagamento. Comprovado o recolhimento de todas as adições da DI em referência, bem como atestada a duplicidade do crédito; em resposta à diligência demandada. Logo, cancela-se o presente lançamento, por conta da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, nos termos do art. 156, inc. I do CTN. Recurso a que se dá provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento o Dr. Blader Henrique de Lira Soares, AOB/DF 39.527. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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IND E COM. LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/02/2001 Extinção do crédito tributário. Pagamento. Comprovado o recolhimento de todas as adições da DI em referência, bem como atestada a duplicidade do crédito; em resposta à diligência demandada. Logo, cancelase o presente lançamento, por conta da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, nos termos do art. 156, inc. I do CTN. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento o Dr. Blader Henrique de Lira Soares, AOB/DF 39.527. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 28 17 /2 00 1- 82 Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 10/04/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados , acrescidos de juros de mora e multa proporcional, no valor de R$ 112.081,24, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação No. 01/01791946, de 20/02/2001, partes para aparelhos de telefonia/telegrafia, com classificação fiscal 8517.90.99; Invocando a Regra No. 1 das Regra Gerais do Sistema Harmonizado, Nota 2 a) da Seção XVI do Capítulo 85, a fiscalização procedeu a desclassificação fiscal das mercadorias para a posição NCM 8536.90.90, com incidência da alíquota de 18,5 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 15% para o Imposto de Produtos Industrializados, reclamada pela fiscalização; Não obstante isso, a não inclusão das mercadorias na posição 8517 é reforçada pela própria Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – item g) relativa a esta posição; As mercadorias relativas a adição 004 – item 1 e 9, devem ter classificação fiscal na posição NCM 8547; Os produtos descritos tanto pelo fabricante como pelo laudo técnico como dispositivo metálico de conexão para uso em blocos de conexão. Pode assim ser definido como parte de circuito elétrico cuja função é atuar como elemento de conexão. O texto da Normas Explicativas do Sistema Harmonizado para a posição NCM 8517, letra “g”, exclui da posição os aparelhos de conexão. Conjugando as Regra Gerais do Sistema Harmonizado 1, 2 a e 2 b a fiscalização entendeu ser correta a classificação tarifária referente a posição NCM 8536 já que o texto da posição cita literalmente “conexão de circuitos elétricos”. Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados , acrescidos de juros de mora e multa proporcional, no valor de R$112.081,24 Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 12/04/2001 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10831.002817/200182 Acórdão n.º 3802004.039 S3TE02 Fl. 1.636 3 15 do Decreto 70.235/72, em 14/05/2001, de fls. 151 à 170, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: A impugnante obteve medida liminar no Mandado de Segurança No. 2001.64.05.0025083 o direito ao desembaraço aduaneiro das mercadorias; A fiscalização não embasou suas conclusões em laudo de assistência técnica próprio, tomando emprestado aquele feito por outra repartição, devendo ser cancelada a exigência, conforme decisões reiteradas do Conselho de Contribuintes; Descabida a multa de ofício por ter natureza punitiva, sendo própria a multa moratória em função do pagamento fora do prazo fixado em Lei; Apresentou parecer do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT indicando que os materiais importados se destinam à proteção circuitos elétricos e equipamentos de telecomunicação ou transmissões de dados, contrariando o laudo técnico que indica que os dispositivos inspecionados são de conexão elétrica; Os produtos importados não viabilizam fluxo de elétrons em materiais condutores e semicondutores, destinandose apenas e tão somente a proteção; Seriam assim circuitos de telefonia de proteção; Circuitos elétricos difundem energia elétrica. Circuitos de telefonia difundem ondas vibratórias; Aparelhos telefônicos utilizam energia elétrica para o seu funcionamento mas não a propagam; A fiscalização erra em entender que aparelhos que dependem de energia elétrica para o seu funcionamento não podem ser considerados circuitos elétricos; Na descrição dos produtos presente na Declaração de Importação, nada aponta para que sejam considerados circuitos elétricos; O laudo técnico teve um enfoque exclusivo para a área de eletricidade e o ramo de atuação da impugnante é a telefonia; A alegação da fiscalização quanto o fato do texto da Normas Explicativas do Sistema Harmonizado para a posição NCM 8517, letra “g”, exclui da posição os aparelhos de conexão, cai por terra pelo simples motivo de que os equipamentos importados não são elementos de conexão; Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Para justificar a posição NCM da fiscalização deveria haver a qualifiicação “elétrica” no texto citado das Normas Explicativas do Sistema Harmonizado; A posição 8517, de acordo com a Normas Explicativas do Sistema Harmonizado leva a conclusão que é esta a classificação tarifária adequada para os produtos. A posição NCM 8547.20.20 é adequada para os produtos da adição 004; Solicita a realização de perícia técnica, formulando quesitos e indicando assistente; Propugna a insubsistência do Auto de Infração. Pela Resolução DRJ/SPOII No. 743, de 25/09/2007, foi solicitado à autoridade preparadora que fornecesse cópia da inicial do Mandado de Segurança No. 2001.61.05.0025083, distribuído na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Campinas, para a adequada identificação do bem da vida.. Intimado, interessado não se manifestou. Uma vez juntada a cópia da exordial do Mandado de Segurança (fls.265 à 274) e com a manifestação do interessado, o processo retornou à DRJ/SPO II. É o Relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1723.128, de 14/02/2008, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, às fls. 306/313, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 20/02/2001 Invocando a Regra No. 1 das Regra Gerais do Sistema Harmonizado, Nota 2 a) da Seção XVI do Capítulo 85 e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado item g) relativa a posição NCM 8517, a fiscalização procedeu a desclassificação fiscal das mercadorias para a posição NCM 8536.90.90. A Nota Explicativa do Sistema Harmonizado item g) relativa a posição 8517, em nenhum momento faz referência a aparelhos de “conexão elétrica”, definindo sua especificidade no que tange a sua utilização em centrais telefônica. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, tendo em vista que os circuitos de telefonia funcionam como aparelhos de conexão para centrais telefônicas. Ou melhor, a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado – item g) relativa à posição NCM 8517 é imperativa. Bem como, deve se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitandose a contestação de que não haveria previsão legal para tanto. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10831.002817/200182 Acórdão n.º 3802004.039 S3TE02 Fl. 1.637 5 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário e anexou documentos, no qual, ressalta que houve duplicidade de lançamento, conforme processo de n° 10314.000445/200522, em relação às adições 004, 007 e 008 da DI, objeto do presente caso e que já efetuou o pagamento em relação às adições de n°s 001,002,003,005, 006 e 009 da DI de n° 01/01791946. Como a recorrente argumentou que houve duplicidade de lançamento, conforme processo de n ° 10314.000445/200522, em relação às adições 004, 007 e 008 da DI, objeto do presente caso e que já efetuou o pagamento. Assim como, em relação às demais (outras) adições, as de n°s 001,002,003,005, 006 e 009 da DI de n° 01/01791946, da mesma forma, também, realizou o seu recolhimento. Conclui, solicitando arquivamento dos autos. Assim sendo, por conta do argumento apresentado pela recorrente de que efetuou o pagamento de todas as adições; o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia verificasse o recolhimento, bem como se pronunciasse a respeito, inclusive no tocante à duplicidade de lançamento, conforme menção ao processo de n° 10314.000445/2005 22, em relação às adições 004, 007 e 008. Resposta ao indagado: Quanto ao primeiro item, verifiquei que de fato ocorreu duplicidade de lançamento em relação às adições 004, 007 e 008 da DI 01/01791946. Estas três adições estão relacionadas nos campos "descrição dos fatos e enquadramentos legais" As fls 02 para o Auto de Infração contido no PAF 10831.002817/200182, bem como As fls. 359 para o Auto de Infração contido no PAF 10314.000445/200522. Quanto ao segundo item, tendo em vista ser da competência da Equipe de Arrecadação e Cobrança, conforme dispõe o art 21, VI, da Portaria ALFNCP n°252 e subseqüentes alterações, proponho o encaminhamento dos autos à Eqoar/ALF/VCP para prosseguimento, que responde assim: Quanto aos pagamentos de fls. 324/325 informo que foram alocados ao processo n° 10314000445/2005225, extrato de fls. 630 e 631, objeto da duplicidade do lançamento. Através da Resolução de n° 320100.459, de 28/11/2013, curveime ao discutido e aprovado em sessão de julgamento para complementar a diligência, ou seja, retornar à Delegacia de origem, para anexar cópia do processo de n° 10314.000445/200522, tendo em vista que o mesmo encontrase arquivado na SAMFSP, conforme tela abaixo: Dados do Processo Número : 10314.000445/200522 Datade Protocolo : 19/01/2005 Documento de Origem : RQSN Procedência : Assunto: AUTO DE INFRACAOII/IPI Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Nome do Interessado: KRONE TELECOMUNICACOES IND E COM LTDA CNPJ : 66.678.517/000142 Tipo: Papel Sistemas Profisc: Sim EProcesso :Não SIEF:Não Controlado SIEF Localização Atual Órgão Origem: ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Órgão: ARQUIVO GERAL DA SAMFSP Foi providenciado o solicitado. O processo foi redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. Em sessão de dezembro de 2014, a recorrente pediu retirada de pauta e retornando nesta sessão de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de divergência de classificação fiscal de partes para aparelhos de telefonia/telegrafia. Conforme o narrado, foi convertido o julgamento do processo em diligência, para que a Delegacia verificasse o recolhimento, bem como se pronunciasse a respeito, inclusive no tocante à duplicidade de lançamento, conforme menção ao processo de n° 10314.000445/200522, em relação às adições 004, 007 e 008. Neste, foi anexada cópia em diligência complementar. Já no relato, historiei que: Quanto ao primeiro item, verifiquei que de fato ocorreu duplicidade de lançamento em relação às adições 004, 007 e 008 da DI 01/01791946. Estas três adições estão relacionadas nos campos "descrição dos fatos e enquadramentos legais" As fls 02 para o Auto de Infração contido no PAF 10831.002817/200182, bem como As fls. 359 para o Auto de Infração contido no PAF 10314.000445/200522. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10831.002817/200182 Acórdão n.º 3802004.039 S3TE02 Fl. 1.638 7 Quanto ao segundo item, tendo em vista ser da competência da Equipe de Arrecadação e Cobrança, conforme dispõe o art 21, VI, da Portaria ALFNCP n°252 e subseqüentes alterações, proponho o encaminhamento dos autos à Eqoar/ALF/VCP para prosseguimento, que responde assim: Quanto aos pagamentos de fls. 324/325 informo que foram alocados ao processo n° 10314000445/2005225, extrato de fls. 630 e 631, objeto da duplicidade do lançamento. Percebo que, por conta da verdade dos fatos, inclusive comprovados através de diligências, resta comprovado o recolhimento de todas adições da DI em referência, bem como atestada a duplicidade do crédito; logo, cancelase o presente lançamento, por conta da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, nos termos do art. 156, inc. I do CTN. (Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento). Conclusão Assim, voto por dar provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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