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Numero do processo: 10580.726232/2011-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008
BÔNUS - ANUIDADE. ABONO SOCIAL. VERBAS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. SITUAÇÃO QUE ENSEJA SUBSUNÇÃO À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. VALORES PAGOS PARA CURSOS, TREINAMENTOS E INSTRUTORIA, BEM COMO DESPESAS PESSOAIS DE SÓCIOS REPRESENTAM REMUNERAÇÃO E ASSIM DEVEM SER TRIBUTADAS. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE VEDADA NA SEARA ADMINISTRATIVA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS OU AUTÔNOMOS. EXAÇÃO INSTITUÍDA POR LEI. SAT. DECRETO QUE ESTÁ DENTRO DE SUA ÁREA DE ATUAÇÃO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO QUE PERMANECE HÍGIDA. MULTA PUNITIVA. MULTA MORATÓRIA E JUROS MORATÓRIOS. APLICADOS DENTRO DOS PATAMARES E VALORES DETERMINADOS EM LEI. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE RECONHECIDOS. INEXISTÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerando-se o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, ao DEBCAD 37.327.687-7 e ao DEBCAD 37.327.688-5, para o período de 01/2007 a 12/2007. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima e Ricardo Magaldi Messetti quanto à multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 BÔNUS - ANUIDADE. ABONO SOCIAL. VERBAS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. SITUAÇÃO QUE ENSEJA SUBSUNÇÃO À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. VALORES PAGOS PARA CURSOS, TREINAMENTOS E INSTRUTORIA, BEM COMO DESPESAS PESSOAIS DE SÓCIOS REPRESENTAM REMUNERAÇÃO E ASSIM DEVEM SER TRIBUTADAS. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE VEDADA NA SEARA ADMINISTRATIVA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS OU AUTÔNOMOS. EXAÇÃO INSTITUÍDA POR LEI. SAT. DECRETO QUE ESTÁ DENTRO DE SUA ÁREA DE ATUAÇÃO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO QUE PERMANECE HÍGIDA. MULTA PUNITIVA. MULTA MORATÓRIA E JUROS MORATÓRIOS. APLICADOS DENTRO DOS PATAMARES E VALORES DETERMINADOS EM LEI. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE RECONHECIDOS. INEXISTÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente SYSDESIGN CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2008 BÔNUS ANUIDADE. ABONO SOCIAL. VERBAS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. SITUAÇÃO QUE ENSEJA SUBSUNÇÃO À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. VALORES PAGOS PARA CURSOS, TREINAMENTOS E INSTRUTORIA, BEM COMO DESPESAS PESSOAIS DE SÓCIOS REPRESENTAM REMUNERAÇÃO E ASSIM DEVEM SER TRIBUTADAS. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE VEDADA NA SEARA ADMINISTRATIVA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS OU AUTÔNOMOS. EXAÇÃO INSTITUÍDA POR LEI. SAT. DECRETO QUE ESTÁ DENTRO DE SUA ÁREA DE ATUAÇÃO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO QUE PERMANECE HÍGIDA. MULTA PUNITIVA. MULTA MORATÓRIA E JUROS MORATÓRIOS. APLICADOS DENTRO DOS PATAMARES E VALORES DETERMINADOS EM LEI. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE RECONHECIDOS. INEXISTÊNCIA DE EFEITO CONFISCATÓRIO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerandose o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 32 /2 01 1- 22 Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.200 2 DEBCAD 37.327.6877 e ao DEBCAD 37.327.6885, para o período de 01/2007 a 12/2007. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima e Ricardo Magaldi Messetti quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.201 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.327.6877, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.327.6885, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados e contribuintes individuais – parte descontada do trabalhador, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.327.6893, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.327.6907 – CFL.30, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, assim como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.327.6915 CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, e por fim o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.327.6923, CFL.59, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 58 a 74, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 152 e 153. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 08/06/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 02; 21 e 36, e, ainda, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 53; 54 e 55. O contribuinte apresentou suas defesas/impugnações, petições com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 548 a 559; 827 a 835; 865 a 870; 871 a 876; 877 a 882; 883 a 898, recebidas, em 08/07/2011, conforme carimbo de recepção, de fls. 548; 827; 865; 871; 877 e 883, estando acompanhada dos documentos, de fls. 560 a 826; 836 a 855. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 1.147. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.202 4 O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1445.169 10ª, Turma DRJ/RPO, em 26/09/2013, fls. 1.149 a 1.170. As impugnações foram consideradas procedentes em parte e o crédito referente ao DEBCAD 37.327.6915 foi excluído. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.173 a 1.195, recebido, em 25/02/2014, conforme carimbo de recepção, de fls. 1.173, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Mérito. · que a empresa pagou bônus, anuidade de 6% sobre os salários em razão de Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2008, não sendo verba salarial e assim não integrante da contribuição previdenciária, cita artigo 22 e 28, da Lei 8.212/91, sendo o bônus um ganho eventual (não habitual) não integra o salário de contribuição, ocorrendo o mesmo com o abono social regulado pela Convenção Coletiva de Trabalho, referindose tal abono a dias de folga, não sendo pago em espécie; · que as bonificações em verdade são empréstimos feitos aos empregados erroneamente classificados como “despesas bonificação”, conforme planilhas e contratos de mútuo anexos; · que os valores empregados em cursos, treinamentos de pessoal e instrutor, não deveriam sofrer a incidência de contribuição, pois pagos a terceiros, conforme contratos de prestação de serviços e notas fiscais, uma vez que o fisco jamais poderia enquadrálos, no artigo 22, I, da Lei 8.212/91, pois tais verbas não eram destinadas a empregados ou trabalhadores avulsos, sendo que mais uma vez houve equivoco na classificação da despesas, pois realmente pagos a INGRAM MICRO BRASIL LTDA devido a aquisição e compras de sistemas e licenças de uso para o cliente BAHIA PULP S/A, juntandose a documentação necessária; · que as despesas com viagens, hospedagem e cartões de crédito tidas como de cunho particular do sócio foram enquadradas como pró labore, sendo mais um equivoco do fisco, pois quando particulares foram retiradas como antecipação da distribuição de lucros, o que não integra a contribuição previdenciária, artigo 28, §9º, “j”, da Lei 8.212/91; · que as verbas de viagens, hospedagem e cartões de crédito (refeição) foram gastos com clientes, especificamente a compra na loja TOK STOCK, sendo que este gasto com cartão não é base de cálculo da contribuição, pois não existe lei que preveja tal incidência, sendo que sua caracterização como prólabore fere a legalidade e estrita Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.203 5 legalidade tributária, cita Celso Antônio Bandeira de Mello, Paulo de Barros Carvalho; · que a contribuição para contribuintes individuais e trabalhadores autônomos é inconstitucional, pois a lei ordinária 9.876/99 não poderia revogar dispositivo da LC 84/96, cita decisões do STJ, e o Profº. Ives Gandra da Silva Martins, Celso Ribeiro Bastos, Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Hugo de Brito Machado, sendo assim inconstitucional a exação; · que o SAT é inconstitucional, pois a Lei 8.212/91 é omissa em relação a atividade preponderante e grau de risco, sendo necessário o Decreto 612/92 para disciplinar o assunto, substituído pelo Decreto 2.173/97, sendo que só a lei poderia estabelecer a alíquota art. 97, do CTN e 150, da CF/88, sendo os decretos inconstitucionais, invalida é a exação; · que a contribuição para o INCRA é ilegal, pois com o advento do artigo 3º, §1º, da Lei 7.787/89 a contribuição para o FUNRURAL e para o INCRA, cita decisão do STJ foram extintas, caso esse não seja o entendimento após o surgimento da Lei 8.212/91 e 8.213/91 não há dúvidas da extirpação da contribuição para o INCRA do mundo jurídico, volta a citar decisões do STJ, devendo o entendimento deste corte prevalecer, estando tal cobrança prejudicada; · que o fisco lançou três autos de infração de obrigação acessória, porém tais cobranças não procedem, pois a multa é confiscatória e abusiva, ocorrendo mais de uma cobrança de multa isolada de obrigação acessória e a cobrança de multa de ofício nas obrigações principais, havendo duplicidade de cobrança, o que configura bis in idem, revelando o caráter confiscatório da multa, o que é vedado pelo artigo 150, inciso IV, da CF/88; · que a multa não é adequada ao nossa sistema jurídico, pois o fisco já é reparado pelo juros moratórios e correção monetária, tendo a multa apenas o efeito de penalizar o contribuinte por não obedecer à legislação vigente, sendo verdadeiro confisco a imposição de multa elevada, ocorrendo confisco sempre que houver afronta aos princípios da liberdade de iniciativa, ou de trabalho, de ofício e profissão, bem como quando o tributo acarretar a impossibilidade da atividade econômica, evidenciandose o confisco pelo vulto da multa imposta, o que implica subtrair o patrimônio privado por ato estatal, cita Aliomar Baleeiro, Bilac Pinto, no RE 80.093 – SO, recomendando a equidade a exclusão da multa, confiscatória, pois ferem de morte a razoabilidade e a proporcionalidade; · que a multa e o juros são confiscatórios, pois aplicados em percentuais altíssimos e que quando somados ultrapassam em muito o valor principal, o que se revela confiscatório, pois aplicada multa de 75%; Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.204 6 · Dos pedidos e requerimentos: a) acolhimento das razões recursais; b) reforma da decisão a quo; c) exclusão da tributação indevida; d) exclusão da multa de 75% com aplicação de 20%; e) julgando o recurso totalmente procedente. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 1.197. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 1.197. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 11/09/2014, Lote 09, fls. 1.198. É o Relatório. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.205 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O pagamento do bônus – anuidade de 6% não pode ser considerado eventual, pois o mesmo é fixado na convenção coletiva de trabalho 2006/2008, cláusula VI para ser pago em outubro/2006; março/2007; outubro/2007 e março de 2008, sendo tal pagamento e o valor conhecido e esperado pelo trabalhador, perdendo assim o caráter de eventual. Desta forma, como previsto no artigo 201, parágrafo 11, da CRFB/88 tal verba integra o salário de contribuição. A alegação de que tais valores seriam em verdade empréstimos e que esses teriam sido contabilizado sobre rubrica incorreta, não encontra respaldo nos autos, uma vez que os documentos anexados, as fls. 632 a 651, notadamente notas promissórias e um contrato de mútuo, não permitem essa conclusão, pois os valores neles representados não correspondem aos valores lançados na contabilidade, tomando como exemplo a competência setembro/2007, pois relativa a primeira nota promissória encontrada, verifiquei o seguinte: valor da nota R$ 298,67, fls. 632; valor da nota R$ 201,12, fls. 636; valor da nota R$ 332,27, fls. 645, o que totaliza para a competência R$ 832,06, mas no Livro Caixa, fls. 21, do livro e fls. 203, dos autos, registro 478, dia 30/09/2007 – DESPESAS BONIFICAÇÃO R$ 2.933,62. No que tange ao Abono Social incluindo no levantamento FP1 – FOPAG NÃO DECL GFIP apesar de constar da convenção coletiva de trabalho de tratarse de um folga de um ou dois dias por ano a depender da carga horária diária do trabalhador. O agente fiscal verificou que tal benefício foi convertido em pecúnia, representando um plus na remuneração do trabalhador e que esta não foi oferecida a tributação, mais uma vez cabendo a aplicação do artigo 201, § 11, da CRFB/88. Equivocase a recorrente os valores pagos a terceiros pessoas físicas em razão da prestação de serviços, são base de cálculo da contribuição social previdenciária nos termos do artigo 195, I , “a”, da CRFB/88, estando definido no artigo 22, I e III, da Lei 8.212/91 e artigo 4º, da Lei 10.666/2003, pois tais prestadores podem se enquadrar da condição de empregados ou contribuintes individuais. No caso tendo em vista a falta de esclarecimentos à fiscalização sobre a rubrica, o agente fiscal lançou tais contribuições por aferição indireta e caracterizou os trabalhadores como empregados, situação mais benéfica a empresa, pois, assim, a exação limitase a parte patronal 20%; SAT 1% e parte pessoal 8%, o que totaliza 29%, do contrário enquadrado como contribuinte individual a exação seria 20% parte patronal e 11% parte Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.206 8 descontada, o que totalizaria 31%. Assim sendo, na forma em que lançado é mais vantajoso ao contribuinte. A questão da aquisição de sistemas e licenças junto à empresa INGRAM foi desmistificada no Acórdão da DRJ, observase as passagens. Por outro lado, nenhum contrato com a INGRAN foi apresentado, seja para aquisição de sistemas e licenças de uso, seja para prestação de serviços de treinamento. Há também boletos bancários em que ela (Ingran) figura como cedente e a empresa autuada como sacado, acompanhados das respectivas Notas Fiscais, porém nada que remonte aos valores autuados. Por outro lado não temos aqui contratos nem valores que caracterizem a aquisição de sistemas e licenças junto à empresa INGRAN em detrimento daquilo que se encontra lançado na contabilidade como ‘curso e treinamento de pessoal’, em que pese a declaração do contador responsável nesse sentido. No que pertine, ao levantamento PC1 – PRÓLABORE NA CONTABILIDADE, referentes as despesas com viagens, hospedagens e despesas pessoais do sócio pagas por intermédio de cartão de crédito (corporativo), não existe comprovação nos autos de que tal seja realmente antecipação da distribuição dos lucros e resultados a que supostamente teria direito o sócio, pois não há contabilização de tal situação e isso foi esclarecido pela DRJ, conforme transcrição a seguir. Ocorre que a distribuição de lucros, ainda que antecipada, não basta ser alegada, precisa ser provada. Para tanto esses pagamentos aos sócios precisam ser escriturados nos Livros contábeis – Diário e Razão , bem como na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), que precisa ser mensal, porquanto há que se provar a existência do lucro a ser distribuído. Também é necessário que tal pagamento seja feito mediante recibo onde conste os dados da empresa e do beneficiário, o valor pago e o histórico da antecipação. A forma de pagamento é irrelevante para o sistema tributário, o que interessa é a natureza jurídica do que se está pagando e o artigo 195, I, “a”, da CRFB/88 c/c o artigo 22, I e III, da Lei 8.212/91 não deixam dúvidas sobre isso, pois se a assertiva da recorrente fosse plausível, bastava começar a pagar todos os trabalhadores por cartão de crédito que a empresa não mais recolheria qualquer contribuição social previdenciária. Destarte, não há mácula a nenhum princípio constitucionaltributário na exigência em foco. O alegado estorno da despesa efetuada com o cartão junto a loja TOK STOCK não foi comprovado e a DRJ sobre isso já se debruçou, assim se posicionando. Curioso é que nessa seara dos pagamentos de interesse pessoal do sócio feitos com o cartão corporativo da empresa há, na contenda, uma compra efetuada na loja Tok Stok que, segundo o Defendente, teria sido estornado. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.207 9 Provavelmente o lançamento em testilha (que não foi especificamente destacado pelas partes) reportase a dois débitos de R$ 636,50 ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro de 2007e constantes das faturas do cartão empresarial junto ao banco Bradesco. Ocorre que, à guisa de comprovar o alegado estorno, o contribuinte anexa aos autos apenas dois comprovantes de depósito em cheque na contacorrente da empresa autuada, naqueles mesmos valores. Um teria sido feito em 15 de janeiro, o outro em 15 de fevereiro daquele ano, sem identificar, entretanto, quem seria o emitente. Ora, convenhamos, essa não é a melhor forma de se estornar um lançamento no cartão de crédito. Do jeito que a coisa está posta, é de se entender que alguma pessoa física estaria ressarcindo a empresa pela despesa pessoal efetuada com o cartão corporativo e, em sendo assim, esta é exatamente a hipótese da fiscalização, qual seja, há remuneração indireta encoberta pelo uso do cartão empresarial. No entanto, quem? Quem emitiu o cheque que supostamente teria ressarcido a empresa pela utilização indevida, para atender a interesse pessoal, do deu cartão de crédito? Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.208 10 Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Porém, o contrário não é vedado, isto é, demonstrar a constitucionalidade da exação. Equivocase a recorrente a regulação da contribuição para os contribuintes individuais, realizada pela Lei 9.876/99 não tem nada de inconstitucional. A aludida contribuição foi criada pela LC 84/96 em razão dos seguintes contribuintes: empresários, autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, pois naquela ocasião o texto constitucional em vigor sobre o tema datava da sua promulgação, ou seja, 05/10/1988 e assim demandava a técnica da competência residual. Porém, como o advento da EC 20/1998 o texto foi alterado e alargada a base de incidência do artigo 195, I, “a”, da CRFB/88, deixando, assim, de demandar a técnica da competência residual e passando a da competência plena que independe de LC, mas sim e apenas de LO, situação em que a LO pode revogar LC, pois a matéria não lhe é mais reservada. EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. CONCESSÃO POR LEI COMPLEMENTAR. REVOGAÇÃO POR LEI ORDINÁRIA. HIERARQUIA ENTRE LEIS. SIMETRIA DAS FORMAS. MATÉRIA DECIDIDA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MODULAÇÃO TEMPORAL. INADMISSÃO PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por ocasião do julgamento do RE 377.457 e do RE 381.964 (rel. min. Gilmar Mendes, DJe de 29.09.2008), o Plenário do Supremo Tribunal Federal considerou constitucional o art. 56 da Lei 9.430/1996, que revogou dispositivo da Lei Complementar 70/1991 concessivo de isenção, do pagamento da Cofins, às sociedades civis de profissão regulamentada. Na mesma oportunidade, a Corte rejeitou pedido de modulação temporal dos efeitos da decisão (aplicação meramente prospectiva de efeitos). Existência de precedentes dos órgãos fracionários do STF relativos à Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.209 11 modulação temporal. Agravo regimental a que se nega provimento. (REAgR 518672, JOAQUIM BARBOSA, STF.) (destaquei). A questão da constitucionalidade e legalidade da contribuição para o SAT já foi definida pelo Supremo Tribunal Federal – STF e pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, nos termos das decisões transcritas. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. SAT. CONSTITUCIONALIDADE. 1. A decisão agravada fundouse em precedente do Plenário que resolveu a controvérsia referente à cobrança da contribuição para o custeio do SAT (RE 343.446). Nesse julgamento, afastouse a alegação de ofensa ao princípio da legalidade, bem como se ressaltou que eventual conflito entre a lei instituidora da contribuição ao SAT e os decretos que a regulamentaram é questão de índole ordinária, insuscetível de apreciação em sede de apelo extremo. 2. Agravo regimental improvido. (REAgR 473793, ELLEN GRACIE, STF) EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, CARLOS VELLOSO, STF) “Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT: Lei 7.787/1989, art. 3º, II; Lei 8.212/1991, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, CF, art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT.” (RE 343.446, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 203 2003, Plenário, DJ de 442003.) No mesmo sentido: AI 736.299 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.210 12 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 2222011, Segunda Turma, DJE de 1132011; AI 809.496AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 2122010, Primeira Turma, DJE de 1º22011; AI 625.653AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 30112010, Segunda Turma, DJE de 1º22011; AI 744.295AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 27102009, Primeira Turma, DJE de 27112009; RE 567.544AgR, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 2810 2008, Primeira Turma, DJE de 2722009; AI 592.269AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 882006, Segunda Turma, DJ de 892006. Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE 0,2% SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESTINADA AO INCRA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. Os embargos de declaração opostos objetivando reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. Precedentes: Pet 4 .837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525 ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.20 11). 2. A controvérsia referente à constitucionalidade da exigência de contribui ção social de 0,2% sobre a folha de salários das empresas urbanas destinada ao INCRA teve a sua repercussão geral rejeitada pelo Plenário desta Corte Suprema, uma vez que a matéria está restrita ao interesse das empresas urbanas eventualmente contribui ntes desta exação, não alcançando, portanto, a sociedade como um todo (RE 578.6 35AgR, Relator o Ministro Menezes Direito, DJ de 17.10.08). Precedentes: RE 63 4.074ED, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 26.05.2011; RE 598.180Ag R, Primeira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 11.02.2011; AI 700.833AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJe de 03.04.2009. 3. In casu, o acórdão originalmente recorrido assentou: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA, PARA O SEBRAE E PARA O SAT. MULTA. TAXA SELIC. MULTA MORATÓRIA. 1. A contribuição para o INCRA não foi extinta pelas LL 7.789/1989 e 8.212/1991, ambas reguladora do custeio previdenciário. 2. As contribuições ao SEBRAE devem ser suportadas por toda coletividade independentemente de qualquer identidade com o fomento a que objetiva a instituição beneficiada com o tributo. 3. A jurisprudência do STF reconhece a constitucionalidade da Contribuição Social do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT. 4. Multa aplicada nos termos do art. 35 da L 8.212/1991, com a observância do disposto na letra “c” do inc. II do art. 106 do CTN, que admite retroatividade da lei tributária quando comine ao fato pretérito penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 5. A Taxa Selic não padece de mácula de ilegalidade ou inconstitucionalidade” 4. Agravo Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.211 13 regimental a que se nega provimento. (AIED 849045, LUIZ FUX, STF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SÚMULA 126/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. SAT. PARÂMETROS ESTABELECIDOS POR DECRETO. LEGALIDADE. SÚMULA 83/STJ. 1. Afastase a aplicação da Súmula 126/STJ, no caso, ante a ausência de intimação da recorrente da decisão que não admitiu o recurso extraordinário. 2. Pacífico o entendimento em relação à legalidade da cobrança da contribuição ao SAT, no sentido de que o decreto que estabeleça o que venha a ser atividade preponderante da empresa e seus correspondentes graus de risco leve, médio ou grave não exorbita de seu poder regulamentar. Incidência da Súmula 83/STJ. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos.(EARESP 201001073930, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:14/02/2011.) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS AO SEBRAE E AO SALÁRIOEDUCAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SAT LEGALIDADE DA REGULAMENTAÇÃO DOS GRAUS DE RISCO ATRAVÉS DE DECRETO. PRECEDENTES. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. Contribuições relativas ao SEBRAE e ao Salário Educação fundamentadas em argumentações constitucionais. Impossibilidade de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção desta Corte, em 22.10.2008, apreciando o REsp 977.058/RS em razão do art. 543C do CPC, introduzido pela Lei n. 11.672/08 Lei dos Recursos Repetitivos, à unanimidade, ratificou o entendimento já adotado por esta Corte no sentido de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91. Isso porque a referida contribuição possui natureza de CIDE contribuição de intervenção no domínio econômico destinandose ao custeio dos projetos de reforma agrária e suas atividades complementares, razão pela qual a legislação referente às contribuições para a Seguridade Social não alteraram a parcela destinada ao INCRA. 3. É pacífica a jurisprudência desta Corte, que reconhece a legitimidade de se estabelecer por decreto o grau de risco (leve, médio ou grave) para determinação da contribuição para o SAT, partindose da "atividade preponderante" da empresa. 4. Legalidade da aplicação da taxa Selic pela sistemática do art. 543C, do CPC, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AGA 200900679587, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:28/09/2010.) Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.212 14 As alegações em razão da contribuição para o INCRA não sofrem melhor sorte, uma vez que o Supremo Tribunal Federal – STF e o Superior Tribunal de Justiça – STJ reconhecem a legalidade e legitimidade da exação, observese o que a seguir consta. EMENTA: CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA: EMPRESAS URBANAS. O aresto impugnado não diverge da jurisprudência desta colenda Corte de que não há óbice à cobrança, de empresa urbana, da referida contribuição. Precedentes: AI 334.360AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence; RE 211.442AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; e RE 418.059, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Agravo desprovido.(AIAgR 548733, CARLOS BRITTO, STF) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. DECISÃO EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CONTRIBUIÇÃO AO SESC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE ENSINO/EDUCAÇÃO. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. COMPENSAÇÃO COM CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. ART. 66 DA LEI N. 8.383/91. IMPOSSIBILIDADE. SOMENTE COM EXAÇÃO DA MESMA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO. 1. A antiga controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição destinada ao Incra há muito está pacificada nesta Corte, inclusive com o julgamento do REsp 977.058/RS, da relatoria do Rel. Min. Luiz Fux, mediante a sistemática do art. 543C do CPC e da Res. 8/08 do STJ. Na ocasião, a Primeira Seção decidiu que a referida exação não fora extinta pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, permanecendo lídima sua cobrança até os dias atuais. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência formada no sentido de que as empresas prestadoras de serviço estão enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac. Esse entendimento também alcança as empresas prestadoras de serviços de ensino/educação. Precedentes da Primeira e Segunda Turmas e da Primeira Seção. 3. O art. 66 da Lei n. 8.383/91 não admite a compensação das contribuições devidas ao Sebrae com as demais contribuições patronais recolhidas ao INSS, porque a referida autorização legal permite tal operação apenas entre tributos da mesma espécie e destinação. Precedentes. 4. Recursos especiais do Incra, INSS e Sesc providos e recurso especial da empresa não provido. (RESP 200601909339, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 01/09/2010) (os grifos são deste conselheiro).contabilidade faz prova a favor e contra Assim sendo, nenhuma alegação sobre esse ano será analisada por se constituir em hipótese de divórcio ideológico. Podese verificar dos lançamentos, de fls. 53 e 55, que o valor das autuações decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias são idênticas e representam um importe de R$ 1.523,57, para cada auto de infração. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.213 15 O fato de estar sendo exigida duas multas decorre do fato de ter a recorrente praticado duas infrações como ficou amplamente demonstrando, basta ler a descrição sumária de cada infração e os dispositivos infringidos, conforme consta, as fls. 53 e 55, para verificar que são multas decorrentes de infrações distintas, ou seja, violação a mais de um dever instrumental. Não há duplicidade de cobrança, pois o fato gerador da multa sanção é o descumprimento ao dever instrumental e a infração a lei tributária. Contudo, o fato gerador da multa de ofício é o não recolhimento a tempo e a modo da obrigação principal, ou seja, do tributo propriamente dito, que é lançado pelo fisco. Verificase, assim, que a origem, finalidade e objetivo das multas são distintas não havendo que se falar em bis in idem em relação a elas, bem como o módico valor cobrado R$ 1.523, 57, em razão das autuações por descumprimento do dever instrumental, não tem o condão de tomar a multa em confiscatória. No ordenamento jurídico brasileiro após a implantação do Plano Real a correção monetária foi extinta, não havendo aplicação desse indexador nesse processo administrativo fiscal. A função do juros moratórios é absolutamente distinta da função da multa moratória, pois essa última tem caráter punitivo, de modo a penalizar o contribuinte infrator e evitar a proliferação da inadimplência, mas os juros de mora tem a função de reparação dos cofres públicos pelos danos causados pela demora do contribuinte em quitar a respectiva obrigação tributária privando o Estado dos meios financeiros para cumprimento de suas obrigações. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. PERÍCIA REALIZADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO E NÃO PAGO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 360/STJ. REPETITIVO: RESP PARADIGMA 962.379/RS. SÚMULA 7/STJ. MULTA. INCIDÊNCIA DEVIDA. EFEITO CONFISCATÓRIO AFASTADO. PRECEDENTES DO STF. INVIABILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. REPETITIVO: RESP PARADIGMA 1.111.175/SP. HONORÁRIOS. SÚMULAS 7/STJ E 284/STF. MULTA. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. A aplicabilidade da Súmula 7 do STJ impõese a inúmeras questões levantadas pela parte: prova pericial, denúncia espontânea e honorários advocatícios. 3. Se as Instâncias ordinárias firmam que foi designada prova pericial, com formulação de quesitos, nomeação de perito e oportunidade às partes para manifestação, concluir em sentido diametralmente oposto, como aduz a agravante ao apontar violação do art. 420 do CPC, asseverando que somente perícia realizada por profissional da área contábil seria apta a dirimir dúvidas quanto aos valores cobrados, demandaria reexame de todo o acervo fáticoprobatório dos autos, inviável em sede de Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.214 16 recurso especial. 4. Há de se ressaltar que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o livre convencimento, utilizandose dos fatos, provas e aspectos pertinentes à lide, conforme dispõe o art. 131 do CPC, sendo que a violação do referido normativo não se faz presente pelo simples fato de a prova não ter sido valorada conforme almejava a parte. 5. Outrossim, se a Corte de origem concluiu que "a denuncia espontânea só pode eximir da multa moratória quando acompanhada do imediato pagamento do tributo, o que não ocorreu no caso" (eSTJ fls. 701), insuscetível de revisão a referida conclusão, por demandar apreciação de matéria fática. 6. A denúncia espontânea não fica caracterizada, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando declarados pelo contribuinte e pagos a destempo. Súmula 360/STJ e REsp 962.379/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 7. A Corte de origem afastou o efeito confiscatório da multa com base em entendimento jurisprudencial da STF, o que inviabiliza a modificação do julgado por esta Corte, sob pena de usurpação de competência constitucionalmente outorgada àquela Corte Suprema. 8. Pacífica a jurisprudência desta Corte quanto à possibilidade de cumulação de multa e juros moratórios, bem como à legalidade da incidência da taxa SELIC para fins tributários, sendo que, quanto à SELIC, o entendimento fora reafirmado em sede de repetitivo, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, Relatora Min. Denise Arruda. 9. "Não se conhece do especial que, por deficiência na fundamentação, não demonstra violação de dispositivo infraconstitucional (Súmula 284), ademais o reexame da condenação a título de honorários advocatícios arbitrados com base no art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC demandaria revolvimento de matéria fática, obstado pela Súmula 7 desta Corte" (REsp 986.951/PR, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 20.11.2007, DJ 28.11.2007, p. 212). 10. Aplicase ao caso a multa do art. 557, § 2º, do CPC no percentual de 2% (dois por cento) sobre o valor da causa, por questionamento de matéria já decidida em recurso repetitivo. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1266991/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/03/2012, DJe 19/03/2012) (realcei). A equidade não é apta a dispensar o pagamento de tributo devido e assim por óbvio não se aplica aos consectários legais, artigo 108, parágrafo 2º, da Lei 5.172/66. Aliás, o artigo 150, parágrafo 6º, da CRFB/88 só admite a isenção, anistia ou remissão por meio de lei específica, veja a transcrição. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.215 17 regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Ou seja, inexistindo lei que regule a matéria não é possível a exclusão da multa e muito menos em razão da equidade. A multa de ofício e os juros moratórios foram aplicados nos percentuais e limites estabelecidos em lei pelo legislador ordinário, não havendo violação ao não confisco, pois admitida pelos tribunais superiores, observese os excertos transcritos. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). (grifei). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.216 18 Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) (destaquei). EMEN: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ART. 74, §12, "A" E "B", DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.051/2004). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE AO TEMPO DO AJUIZAMENTO DA DEMANDA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. ART. 18, §2º, DA LEI N. 10.833/2003 (REDAÇÃO DADA TAMBÉM PELA LEI N. 11.051/2004). 1. Segundo a jurisprudência do STJ, aplicase aos pedidos de compensação a legislação vigente na data do ajuizamento da demanda. Em se tratando de PER/DCOMP transmitida em 14.01.2005 já estava em vigor art. 74, §12º, II, "a" e "b", da Lei n. 9.430/96 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que considerou não declaradas as compensações efetuadas com crédito de terceiros. 2. Cabível a multa de ofício para o caso, a teor do também vigente (em 14.01.2005) art. 18, §2º, da Lei n. 10.833/2003 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que trazia completa a hipótese de incidência da multa, mencionando a violação ocorrida (compensação não declarada) e o percentual da multa aplicável (150%). 3. Recurso especial não provido. EMEN: (RESP 201100395684, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:16/05/2011 ..DTPB:.) (negritei). Todavia, no tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada nos levantamentos do DEBCAD 37.327.6877 e no DEBCAD 37.327.6885 não é adequada, uma vez que tal multa foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 08/06/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2007 a 12/2007,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 152 e 153. Desta forma, para o período de 01/2007 a 12/2007, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.726232/201122 Acórdão n.º 2803004.177 S2TE03 Fl. 1.217 19 Expostos os argumentos acima rejeito todos os pedidos da recorrente, salvo quanto a aplicação da multa de mora do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/07 c/c a Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, ainda, que por motivos diversos do que foi suscitado pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pelas Leis 9.528/07 e 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerandose o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, ao DEBCAD 37.327.6877 e ao DEBCAD 37.327.6885, para o período de 01/2007 a 12/2007. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10830.900369/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova da existência do direito ao crédito alegado para que seja homologada a compensação.
PER/DCOMP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO.
Sem comprovação de pagamento indevido ou a maior, inexiste suporte fático para pedido de restituição no bojo de PER/DCOMP, sendo indevidas as compensações de débitos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova da existência do direito ao crédito alegado para que seja homologada a compensação. PER/DCOMP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Sem comprovação de pagamento indevido ou a maior, inexiste suporte fático para pedido de restituição no bojo de PER/DCOMP, sendo indevidas as compensações de débitos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova da existência do direito ao crédito alegado para que seja homologada a compensação. PER/DCOMP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Sem comprovação de pagamento indevido ou a maior, inexiste suporte fático para pedido de restituição no bojo de PER/DCOMP, sendo indevidas as compensações de débitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 69 /2 00 8- 61 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.900369/200861 Acórdão n.º 3801004.931 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.900369/200861, contra o acórdão nº 1437.362, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Em” 24/04/2008, foi emitido Despacho Decisório eletrônico (fl. 8) referente ao PERDCOMP nº 39162.61584.311003.1.3.047123, transmitido em 31/10/2003, em que há o pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior (DARF de 28/03/2002 no valor de R$ 17.219,62; período de apuração: 20/03/2002), sendo o limite do crédito analisado de R$ 17.219,62 e o montante compensado na declaração de R$ 18.755,49. A requerente, inconformada com a decisão administrativa, apresentou, em 29/05/2008, após ciência em 30/04/2008 conforme “histórico do objeto” nos autos, manifestação de inconformidade (fls. 02/03) subscrita pelo representante legal que consta da alteração de contrato social com cópia nos autos, em que, em síntese, aduz que o processo de compensação alusivo a recolhimento indevido, apresentado em 31/10/2003, foi analisado e não homologado somente em 24/04/2008; por falha, não fora mencionada a utilização do mesmo crédito em PER/DCOMP anterior e, assim, o sistema deixou de considerar o crédito pelo DARF, pois aquele já estava vinculado a outro processo; foi informado o valor de R$17.219,62, sendo o correto R$ 12.686,81; o DARF citado no processo, recolhido a maior em 28/03/2002, já havia sido informado no PER/DCOMP nº 23280.30123.280703.1.3.044000, transmitido em 28/07/2003, tendo restado o saldo de crédito original de R$ 12.686,81. Requer, por fim, a retificação e a homologação da compensação, pois não há como retificála para a inclusão da informação acerca dos outros processos de compensação vinculados ao DARF já que há Despacho Decisório proferido; concorda com o recolhimento da diferença de R$ 4.532,81, compensada a maior; se não for concedido, a interessada não teria outro meio para recuperar a outra parte do crédito em virtude da prescrição, haja vista o prazo de 5 anos desde a data do recolhimento.” A DRJ de Ribeirão Preto (DRJ/RPO) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa abaixo: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002 PER/DCOMP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Sem comprovação de pagamento indevido ou a maior, inexiste suporte fático para pedido de restituição no bojo de PER/DCOMP, sendo indevidas as compensações de débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário fl. 54/56, em que expõe: 1 – Para fins de compensação seria necessária a existência de crédito, a presença da união e lei disciplinadora; 2 Afirma ser lícita e possível a compensação, posto que se operaria com tributos de mesma espécie; 3 Colaciona um quadro explicativo contendo uma escala de utilização do suposto crédito, na qual tem como saldo final os R$12.686,81 que alega ter restado, e que por um equívoco teria pedido a compensação pelo valor de R$17.219,62 ao invés do remanescente de R$12.686,81, sem fazer a juntada de documentação hábil a comprovar a origem do crédito. É o sucinto relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.900369/200861 Acórdão n.º 3801004.931 S3TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente alega que possui crédito no valor de R$12.686,81, remanescente da compensação informada pela PER/DCOMP Nº 23280.30123.280703.1.3.044000 que pretendia compensar nos termos da PER/DCOMP 39162.61584.311003.1.3.047123. Afirma que por equivoco apresentou em DCTF o valor de R$17.219,62. Tenho defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, como a Recorrente não foi intimada previamente a provar a existência do crédito pleiteado, a decisão da autoridade da RFB fundouse unicamente nas informações constantes e, por elas, concluiu que não há indébito. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo restituição o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e à compensação, se for o caso. A contribuinte não comprovou satisfatoriamente o seu direito, visto que a mera juntada de planilha de cálculos e DARF não são suficientes para comprovar a origem do crédito, visto que não se comprova a origem dos valores alegados, tampouco se determina a relação entre a DARF e o indébito, nem se o crédito não foi apurado escrituralmente. Desta forma, em especial pela falta de juntada pela contribuinte de documentos hábeis a comprovar o seu direito, assim como não ter rebatido satisfatoriamente os argumentos do acórdão recorrido, entendo que deve ser negado provimento a presente alegação. Em face do exposto, encaminho o voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13654.001283/2008-20
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 28/02/2007
ABONO FAMÍLIA. SERVIDORES CONTRATADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Valores pagos a título de benefício previdenciário em desacordo aos termos e limites legais previstos na legislação integram o salário de contribuição.
A argumentação sem comprovação nos autos não é suficiente para a desconstituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 28/02/2007 ABONO FAMÍLIA. SERVIDORES CONTRATADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Valores pagos a título de benefício previdenciário em desacordo aos termos e limites legais previstos na legislação integram o salário de contribuição. A argumentação sem comprovação nos autos não é suficiente para a desconstituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 638 1 637 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13654.001283/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.222 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de março de 2015 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. Recorrente MUNICÍPIO DE ALFENAS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 28/02/2007 ABONO FAMÍLIA. SERVIDORES CONTRATADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Valores pagos a título de benefício previdenciário em desacordo aos termos e limites legais previstos na legislação integram o salário de contribuição. A argumentação sem comprovação nos autos não é suficiente para a desconstituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 12 83 /2 00 8- 20 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração (DEBCAD 37.151.8920/2008) relativo às contribuições sociais devidas pela empresa parte patronal, sobre a remuneração e o pagamento de parcela de abono família pago pelo ente público, constante da folha de pagamento de servidores contratados, competências 11/2003 a 02/2007. DA CIÊNCIA O ente público foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação intempestiva. Foi emitido relatório fiscal complementar reabrindo prazo para contestação. O ente público foi cientificado e apresentou contestação tempestiva. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O ente público foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: excluise do salário de contribuições o saláriofamília pago por ser benefício previdenciário, bem como, os ganhos eventuais desvinculados dos salários, nos termos do art. 28, § 9o, alínea “e”, item 7, da Lei 8212/91, independente do vínculo que os trabalhadores tenham com o poder público. Assim, não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos servidores municipais contratados; por fim, requer a anulação do crédito tributário por falta de respaldo legal. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13654.001283/200820 Acórdão n.º 2803004.222 S2TE03 Fl. 639 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Consta do relatório fiscal, fls 33/35, que o crédito tributário se refere a pagamento de valores a título de abono família, constante da folha de pagamento, demonstrados nos anexos I a V dos autos, contendo o mês de competência, nome do contratado, valor do abono família, período de 11/2003 a 02/2007, pagas em desacordo com a legislação previdenciária, fls. 36/520. O relatório fiscal complementar, fls. 542/543, esclarece que se trata de valores pagos a título de abono família a servidores contratados em desacordo com art. 28, § 9o, da Lei 8.212/91; art. 214, § 9o, do Decreto 3.048/99 e art. 65 da Lei 8.213/91. Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Lei 8.213/91 Art.65. O saláriofamília será devido, mensalmente, ao segurado empregado, exceto ao doméstico, e ao segurado trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados nos termos do § 2º do art. 16 desta Lei, observado o disposto no art. 66. Parágrafo único. O aposentado por invalidez ou por idade e os demais aposentados com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais de idade, se do sexo masculino, ou 60 (sessenta) anos ou mais, se Fl. 640DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 do feminino, terão direito ao saláriofamília, pago juntamente com a aposentadoria. Art. 66. O valor da cota do saláriofamília por filho ou equiparado de qualquer condição, até 14 (quatorze) anos de idade ou inválido de qualquer idade é de: I Cr$ 1.360,00 (um mil trezentos e sessenta cruzeiros), para o segurado com remuneração mensal não superior a Cr$ 51.000,00 (cinqüenta e um mil cruzeiros); Atualizações decorrentes de normas de hierarquia inferior II Cr$ 170,00 (cento e setenta cruzeiros), para o segurado com remuneração mensal superior a Cr$ 51.000,00 (cinqüenta e um mil cruzeiros). Atualizações decorrentes de normas de hierarquia inferior Art.16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do segurado: (...) § 2º. O enteado e o menor tutelado equiparamse a filho mediante declaração do segurado e desde que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida no Regulamento.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Como se pode notar dos autos, a fiscalização efetuou o lançamento fiscal relativo aos valores pagos a título de abono família a servidores contratados em desacordo a legislação previdenciária, ou seja, o benefício do saláriofamília foi pago em dissonância aos termos e limites legais previstos na legislação. Destarte, considerou os valores pagos como salário de contribuição, nos termos do art. 28 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos legais constantes dos autos. O contribuinte apenas menciona que o saláriofamília por ser benefício da previdência social e os ganhos eventuais desvinculados dos salários não são bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias por falta de respaldo legal. Todavia, não prova seus argumentos. As argumentações sem comprovação nos autos não são suficientes para a desconstituição do crédito tributário. A fiscalização demonstra nos anexos I a V, o mês de competência, nome do contratado, valores do abono família, pagos em desacordo com a legislação previdenciária, fls. 36/520. O contribuinte não contesta as informações dos anexos I a V constantes nos autos. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal – REFISC, Discriminativo Analítico do Débito DAD, as Instruções para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13654.001283/200820 Acórdão n.º 2803004.222 S2TE03 Fl. 640 5 (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10715.000175/2010-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 01 75 /2 01 0- 02 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.000175/201002, contra o acórdão nº 0728.208, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 75.000,00 para R$ 40.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/03/2006 a 31/03/2006 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 77/94, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 09/03/2006, 15/03/2006, 17/03/2006, 18/03/2006, 20/03/2006, e 27/03/2006 devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$70.000,00, para R$30.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 7 6 Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.000175/201002 Acórdão n.º 3801004.880 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10283.909710/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 10 /2 00 9- 78 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909710/200978 Acórdão n.º 3202001.569 S3C2T2 Fl. 372 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 11176.000308/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/03/2007
AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP SEM A INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente apresentou GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de de contribuições previdenciárias, verifica-se a ofensa ao art. 32, IV, da Lei 8.212/91, sobretudo quando os lançamentos principais já foram objeto de julgamento e as contribuições não informadas já foram julgadas como procedentes.
PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente não demonstrou ter levado a efeito o devido cumprimento da falta dentro do prazo de defesa, nos termos do art. 291, §1o do Decreto 3.048/99, a multa aplicada não merece ser relevada.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores deve-se comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial de modo que a multa remanescente fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nos AIOP (NFLD) correlatas, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/1999 a 30/03/2007 AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP SEM A INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente apresentou GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de de contribuições previdenciárias, verifica-se a ofensa ao art. 32, IV, da Lei 8.212/91, sobretudo quando os lançamentos principais já foram objeto de julgamento e as contribuições não informadas já foram julgadas como procedentes. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente não demonstrou ter levado a efeito o devido cumprimento da falta dentro do prazo de defesa, nos termos do art. 291, §1o do Decreto 3.048/99, a multa aplicada não merece ser relevada. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores deve-se comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FATOS GERADORES Recorrente COLORADO COUROS COMPANY INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/03/2007 AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP SEM A INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente apresentou GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de de contribuições previdenciárias, verificase a ofensa ao art. 32, IV, da Lei 8.212/91, sobretudo quando os lançamentos principais já foram objeto de julgamento e as contribuições não informadas já foram julgadas como procedentes. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que a recorrente não demonstrou ter levado a efeito o devido cumprimento da falta dentro do prazo de defesa, nos termos do art. 291, §1o do Decreto 3.048/99, a multa aplicada não merece ser relevada. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores devese comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 03 08 /2 00 7- 44 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial de modo que a multa remanescente fique limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nos AIOP (NFLD) correlatas, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11176.000308/200744 Acórdão n.º 2401003.909 S2C4T1 Fl. 2.401 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COLORADO COUROS COMPANY INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, irresignado com o acórdão de fls.104/107, por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.045.8605, lavrado para a cobrança de multa aplicada por ter a empresa apresentado GFIP´s omitindo fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, os valores de comercialização de produção rural pessoa física, pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço e pagamentos a diretores não empregados. A multa lançada compreende o descumprimento de obrigações acessórias no período de 09/2002 a 02/2004, 04/2004, 01/2005 a 02/2006, 04/2006 e 06/2006 a 09/2006, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 22/11/2006 (fls. 01). Em seu recurso, alega a recorrente, em sede preliminar, ter sido cerceado o seu direito de defesa na medida em que o acórdão de primeira instância não apreciou toda a matéria de defesa apresentada em sua impugnação, além de entender que não constou do relatório fiscal e do procedimento de fiscalização a certeza e clareza necessárias ao exercício amplo do contraditório e de seu direito de defesa. Afirma, ainda, não ter sido notificada para defenderse antes da lavratura do Auto de Infração, situação que também acarreta sua nulidade. Por fim, sustenta que a multa é confiscatória e que até ser proferida a r. decisão notificação fará a juntada das GFIPs, comprovando a correção da falta. É o relatório. . Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Vencido Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Antes de se adentrar às razões do recurso, fazse necessário tecer algumas breves considerações. Através da resolução de fls. 136/138 solicitei diligência para que os autos fossem remetidos à origem e a autoridade competente informasse, em quais NFLD/LCD lavrados foram lançadas as obrigações principais que geraram a aplicação da multa pela não apresentação das GFIP’s, objeto do caso sub examine, bem como o número dos processos administrativos respectivos, seu andamento e eventuais decisões. A autoridade fiscal informou que no LDC nº 37.045.8630 e na NFLD nº 37.045.8648 foram lançadas as obrigações principais. No LDC foram lançados os débitos do período de 09/2002 a 09/2006 pertinentes à comercialização de produção rural de pessoas físicas, bem como o débito referente a pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Fora informado que referido LDC foi incluído em parcelamento de débito. Já na NFLD, período de 01/2003 a 12/2005, foram lançados os débitos relativos à contribuição sobre o prólabore. Embora escassa a informação fornecida pelo auditor fiscal, constatamos que referido NFLD encontrase em discussão no CARF sob o nº 11176.000306/200755. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, ao julgar o Recurso Voluntário do contribuinte naqueles autos, proferiu o acórdão nº 2403001.394, que manteve, no mérito, o decidido pelo r. acórdão recorrido, determinando apenas o recálculo da multa de mora para que fosse aplicada a mais benéfica ao contribuinte nos termos do art. 106, II, “c” do CTN. Frisase que referido processo encontrase em sede de recurso especial, ou seja, ainda não definitivamente julgado. A propósito, trago a colação os fundamentos de decidir adotados naquela oportunidade: DAS PRELIMINARES DO LOCAL DA APURAÇÃO DO CRÉDITO – BANCO DE DADOS DO INSS A Recorrente alega que nos procedimentos fiscalizatórios o ente tributante somente é autorizado a apurar o crédito tributário dentro do estabelecimento fiscalizado. Ocorre que é prerrogativa do fiscal verificar as informações fiscais prestadas pela empresa, através das obrigação acessória (documentação fornecida pelo contribuinte), como é o caso da apresentação da GFIP. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11176.000308/200744 Acórdão n.º 2401003.909 S2C4T1 Fl. 2.402 5 Ademais, não há nenhuma vedação legal na atitude do Fiscal, sendo, inclusive, matéria pacificada no âmbito administrativo, nos termos da Súmula n. 6 do CARF, verbis: “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” Assim, não existe a necessidade da lavratura do auto ocorrer nas dependências da empresa fiscalizada, quando verificada a declaração da tributação devida em GFIP e não verificado o pagamento correspondente. Razão pela qual não deve prosperar a alegação da Recorrente de nulidade da NFLD combatida. DA FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODA A MATÉRIA EXPOSTA, BEM COMO DA CLAREZA DOS SUPOSTOS FATOS ENSEJADORES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO A Recorrente sustenta que a NFLD em tela não trouxe a discriminação clara e objetiva das infrações cometidas pela Recorrente. Ocorre que, o processo foi perfeitamente instruído, detalhando todas as circunstâncias ensejadoras da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD. A Fiscalização não fugiu às suas regras e normas de fiscalização e imputação de crédito tributário. Em relação aos demais casos não houve em detrimento deste qualquer diferença capaz de ensejar a anulação do auto por lhe faltar qualquer das prerrogativas constituidoras de crédito em favor do fisco. Nesse diapasão, por ausência de previsão legal, não merece prosperar a alegação da Recorrente de falta de descrição pormenorizada das ocorrências e fundamentações legais das rubricas exigidas. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO A Recorrente questiona o fato de não ter sido cientificada de todos os atos da Fiscalização. Ocorre que, a ação fiscal é um procedimento inquisitório, de investigação, durante o qual não há obrigatoriedade de abertura de nenhum tipo de prazo para o Contribuinte, nem há obrigatoriedade em efetuar notificações informando o andamento da ação para ser acompanhada pelo sujeito passivo. Isso porque o contraditório e a ampla defesa só são de observância obrigatória na fase litigiosa do processo, que tem início apenas com a impugnação ao lançamento, conforme art. 14 do Decreto 70.235, de 06/03/1972, combinado com o art. 5º, LV, da Constituição Federal, verbis: Decreto 70.235/72: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Constituição Federal: Art 5.° (...) (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifo nosso) Não há que se falar em cerceamento a ampla defesa e ao contraditório, pois nos autos é verificado na fl. 24, a assinatura do Mandado de Procedimento Fiscal, em 23/08/2006, pelo sócio gerente da empresa, o sr. Denival Sena de Lima e, portanto, tinha ciência de que a empresa estava sob fiscalização. A formalidade obrigatória durante a ação fiscal, portanto, foi observada. Após a lavratura da NFLD, cópia da mesma foi enviadas à empresa, sendo aberto o prazo para impugnação previsto em lei, de forma a propiciar o exercício de direito à ampla defesa e afastar a possibilidade de alegação de ofensa ao princípio do contraditório. Logo, não devem prosperar as alegações da Recorrente. Fato é que toda a matéria de defesa trazida pela recorrente em seu recurso voluntário já fora objeto de análise quando de referido julgamento, de modo que peço licença ao Em. relator por adotar tais fundamentos como razões de decidir, tendo em vista compartilhar de referido entendimento. Pedido de Relevação da Multa Pugna a recorrente pelo reconhecimento da relevação da multa aplicada, em robservância ao que determinado pelo art. 291, §1o do Decreto 3.048/99. Sobre o assunto, assim se manifestou o v. acórdão de primeira instância: Considerando que a autuada não atendeu aos requisitos previstos no dispositivo legal retro mencionado, que pudessem levar ao relevamento da pena, ou seja, não há nos autos qualquer prova de que tenha sido cumprida a condição essencial para gozo do beneficio requerido relevamento, qual seja a correção da falta praticada. Em seu recurso nada trouxe a justificar qualquer modificação nas conclusões apontadas pelo v. acórdão recorrido. Alterações trazidas pela Lei 11.941/09 No caso dos autos, mesmo em não tendo sido objeto de discussão trazida no bojo do recurso voluntário, tenho que, em razão das alterações trazidas a lume pela Lei 11.941/09, existe matéria de ofício a ser analisada por esta Eg. Turma. E tal reconhecimento se justifica tão somente pelo fato de que no caso dos autos, seja o lançamento, quanto o acórdão e o recurso voluntário, foram produzidos e/ou Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11176.000308/200744 Acórdão n.º 2401003.909 S2C4T1 Fl. 2.403 7 interpostos antes da vigência da Lei supracitada, de modo que não se trata de caso no qual a sistemática de aplicação e recálculo da multa veio a ser aplicada e tal questão deixou de ser objeto de recurso da parte. Logo, sobre o assunto, a Lei 11.941/09 acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa à apresentação de GFIP’s com Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estaria sujeito o contribuinte. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões apuradas pela fiscalização, assim devendo ser consideradas as informações relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso tão somente para determinar, de ofício, o recálculo da multa aplicada pelo art. 32A, da Lei 8.212/91. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11176.000308/200744 Acórdão n.º 2401003.909 S2C4T1 Fl. 2.404 9 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Ouso divergir do bem fundamentado voto do Relator no tocante à aplicação da multa mais benéfica, tendose em vista alterações na legislação que disciplina a aplicação da multa nos casos de infração decorrente da declaração da GFIP como erros/omissões. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como encaminhou o Relator, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Nessa toada é cabível a verificação, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas, resulta em valor mais benéfico ao contribuinte, tendose em conta que, em algumas competências, a penalidade aplicada foi limitada ao teto legal, nos termos do demonstrativo de fls. 46/47. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11176.000308/200744 Acórdão n.º 2401003.909 S2C4T1 Fl. 2.405 11 Voto então pelo provimento parcial do recurso para que a multa fique limitada ao valor calculado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 deduzidas as multas aplicadas sobre as contribuições previdenciárias nos lançamentos para exigência da obrigação principal correlatos ao presente AI. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 15956.720080/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES.
Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I - co-responsabilidades cedidas; II - a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III - o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.
TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. PROVISÕES TÉCNICAS As Provisões Técnicas passíveis de dedução na apuração do PIS/COFINS são as provisões específicas constituídas pelos Planos de Saúde, conforme regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL.
As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo do PIS/Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora, por interpretação dada pelo §9º-A do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.235-1/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3302-002.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte o recurso voluntário, face a concomitância declarada e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de deduzir as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, bem como excluir da base de cálculo das COFINS, as receitas financeiras, bonificações e outras receitas acrescidas pela Lei nº 9.718/98.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO DO VALOR DEVIDO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Mediante lançamento de ofício, devem ser exigidas as diferenças entre os valores da contribuição devida apurados e os valores pagos, mediante recolhimento ou retenção pela fonte pagadora a título de antecipação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. PROVISÕES TÉCNICAS As Provisões Técnicas passíveis de dedução na apuração do PIS/COFINS são as provisões específicas constituídas pelos Planos de Saúde, conforme regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 80 /2 01 2- 43 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 2 TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo do Pis/Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora, por interpretação dada pelo §9ºA do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. PROVISÕES TÉCNICAS As Provisões Técnicas passíveis de dedução na apuração do PIS/COFINS são as provisões específicas constituídas pelos Planos de Saúde, conforme regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. INDENIZAÇÕES EFETIVAMENTE PAGAS. INTERPRETAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo do PIS/Cofins os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora, por interpretação dada pelo §9ºA do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235 1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 963 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte o recurso voluntário, face a concomitância declarada e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de deduzir as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, de que trata o inciso III do § 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, bem como excluir da base de cálculo das COFINS, as receitas financeiras, bonificações e outras receitas acrescidas pela Lei nº 9.718/98. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti, João Alfredo Eduão Ferreira e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Na origem tratase de auto de infração às efls. 654 a 719, exigindolhe contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e Cofins incidentes sobre os fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração mensais de competência de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, tendo o Auditorfiscal autuante constatado que a contribuinte não declarou as referidas contribuições e nem as recolheu. Por bem retratar os fatos, extraise trechos do relatório do Acórdão ora recorrido: "A Autoridade fiscal constatou que a fiscalizada ajuizou as seguintes ações judiciais: AÇÁO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA, por intermédio do Processo n°. 2000.61.02.0000160, cuja cópia encontrase anexada às fls. 146/297, para afastar a exigência legal que obriga a cooperativa a recolher a COFINS sobre suas receitas, com o argumento de que a Lei Complementar n°. 70/91 conferiu isenção a este tipo de sociedade ; e Processo n°. 2000.61.02.0000171, AÇAO DECLARATÓRIA visando afastar a exigência legal que obriga a sociedade a recolher o PIS instituído pela Lei n°. 9.718/98 e a Medida Provisória n°. 1.858/99, com o argumento de que o faturamento é elemento estranho às cooperativas (vide cópia anexada às fls. 298/412). Após examinar as referidas ações e o andamento, constatou que a empresa não tem amparo legal para deixar de pagar as contribuições objeto deste processo. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Nas informações coletadas, a autoridade fiscal constatou que a contribuinte efetuou depósitos judiciais, conforme consta às fls. 690/691 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal: 24. A contribuinte efetuou, conforme relatado no item 8 deste termo, depósitos judiciais de PIS e COFINS dos períodos de apuração de abril a dezembro de 2009, correspondentes aos valores que considerava corretos segundo o disposto na Instrução Normativa n°. 635/06. Entretanto, a fiscalizada, na apuração dos valores das contribuições utilizadas nos depósitos, excluiu, indevidamente, das bases de cálculos, despesas não previstas na legislação destas contribuições (itens 17, 18, 48, 49, 50) e deixou de incluir receitas tributadas (item 53). Concluise, assim, que os referidos depósitos não foram feitos em seu montante integral e, consequentemente, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, pois somente o depósito do montante integral do crédito tributário suspende a exigibilidade deste, de acordo com o disposto no artigo 151, inciso II da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Na análise dos valores que devem compor a base de cálculo para a apuração da contribuição para o PIS e para a Cofins, o Auditorfiscal constatou que: (...) que a contribuinte excluiu das bases de cálculo do PIS/PASEP e COFINS todas as despesas classificadas como eventos ocorridos para o atendimento de seus clientes titulares de planos de saúde, relacionadas no código "1.06.13 (a)" da coluna "REFERÊNCIA" das referidas planilhas, que albergam os repasses efetivados a médicos cooperados, médicos não cooperados, clínicas, hospitais, laboratórios, outras cooperativas (intercâmbio) e outros prestadores de serviços credenciados. (...) A contribuinte excluiu das bases de cálculo de todos os períodos de apuração de 2008 e 2009, nos demonstrativos utilizados para apuração das contribuições parceladas/depositadas (fls. 28/31 e 32/35), valores identificados com o título "Variação da Provisão para Devedores Duvidosos", que foram efetivamente escriturados na conta 44190 ("PROVISÃO PARA PERDAS DE CRÉDITOS"). Verificamos que tal conta representa uma provisão constituída pela UNIMED. (...) Com relação aos valores dos "Ingressos" constantes nas bases de cálculo apuradas pela contribuinte em seus demonstrativos, observamos que a empresa inseriu, indevidamente, em sua apuração, valores correspondentes às alienações do ativo imobilizado. Entretanto, tais receitas são excluídas da apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS em função do disposto no inciso IV do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei n° 9.718/99. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 964 5 (...) Por outro lado, verificamos que a contribuinte não inseriu em sua apuração os valores correspondentes às receitas escrituradas nas seguintes contas: 34111.9.3.0.0.0.0.01 (Juros de Aplicação de Títulos de Renda Fixa), 34211.9.0.0.1.0.0.01, 34211.9.0.0.2.0.0.01, 34211.9.0.0.0.1.0.01 e 34211.9.0.0.0.2.0.01 (Receitas por Recebimento em Atraso); 34431.9.0.0.0.0.0.01 (Juros Depósitos Judiciais); 34499.9.0.0.1.0.0.01, 34499.9.0.0.2.0.0.01, 34499.9.0.0.0.1.0.01 e 34499.9.0.0.0.2.0.01 (Descontos Obtidos); 34499.9.0.0.1.0.0.02, 34499.9.0.0.2.0.0.02 e 34499.9.0.0.0.1.0.02 (Bonificações). Estas receitas eram normalmente tributadas à época dos fatos geradores relativos a todos os meses do ano de 2008 e, no ano de 2009, até o dia 27/05/2009. Entretanto, a partir de 28.05.2009, por força do artigo 79 da Lei 11.941/2009, que revogou o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, entendese que a base de cálculo é a receita bruta da pessoa jurídica, e não mais a totalidade das receitas auferidas. (...) 54. Observamos, ainda, que a fiscalizada incluiu em sua apuração diversos itens agrupados sob o título "Outras Receitas Não Operacionais", que foram extraídos das seguintes contas de código contábil 36199: "Inscrição de Cooperados"; "Inscrição de Prestadores"; "Doações"; "Comissão Convênio Odontológico"; "Reembolso de Despesas c/ Publicidade" e "Seguros". Entendemos que os valores registrados sob os códigos "Inscrição de Cooperados"; "Inscrição de Prestadores"; "Comissão Convênio Odontológico" e "Seguros", que corresponde à comissão recebida sobre vendas de seguro de vida a adquirentes de planos de saúde, são normalmente tributados, pois correspondem a receitas auferidas no exercício da atividade da fiscalizada. A receita contabilizada sob o título "Doações", que corresponde a doações de artistas que utilizam o espaço disponibilizado pela UNIMED para expor seu trabalho, correspondem a outras receitas e devem ser tributados até a data de 27/05/2009, conforme exposto no item anterior. Assim também é tributada a receita registrada sob o título "Reembolso de Despesas c/ Publicidade", que não corresponde a um efetivo reembolso, mas, tratase, sim, de valores recebidos de empresa terceirizada que efetua as vendas dos planos para a UNIMED. Neste caso, a contribuinte arca com toda a despesa de publicidade, que é integralmente reconhecida em sua contabilidade sem qualquer dedução. Por conseguinte, os valores recebidos da empresa de vendas correspondem a receitas que devem ser tributadas nos mesmos moldes que a receita contabilizada sob o título v "Doações" e as receitas referidas no item anterior. (...) Fl. 966DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 6 55. Constatamos, ainda, que a fiscalizada não deduziu, das contribuições mensais de PIS è COFINS, os montantes das contribuições retidas por fontes pagadoras (Pessoas Jurídicas e Órgãos Públicos) nos pagamentos efetuados à fiscalizada, cujos códigos correspondem a 5960 e 6243 para a COFINS e 5979 e 6230 para o PIS. (...)" Devidamente cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 721/754, nos seguintes termos: Preliminarmente, entende que a controvérsia se refere à possibilidade de exclusão dos rapasses efetivados pela impugnante aos seus médicos cooperados, bem como a toda sua rede credenciada. No mérito, afirma que a fiscalização demonstra total desconhecimento com relação à atividade desenvolvida pela impugnante em prol de seus sócios cooperados e afirma que o ato cooperativo, desenvolvido por ela, não está sujeito a qualquer tipo de tributação. Na mesma esteira discute a compreensão de receita e faturamento, entendendo que não se tributa o ingresso, que é apenas uma das espécies de “entrada” e afirma que as cooperativas, como é ocaso da impugnante, não possuem capacidade contributiva. Discorda dos cálculos e da interpretação do Auditorfiscal quanto à glosa da exclusão "Eventos em CoResponsabilidade assumida" e “Constituição de Provisões Técnicas”, citando entendimento da Agência Nacional de Saúde – ANS. Alça a contribuinte ao regime de incidência nãocumulativo e entende que a incidência sobre Receita e não Faturamento está equivocada, além de discordar da revogação da isenção para cooperativas da Lei Complementar 70/91 e entende (fl.748) a inconstitucionalidade da legislação aplicável, inclusive a Lei nº 9.718/98. Por fim, entende ilegal o ato da fiscalização que efetuou a compensação de ofício das contribuições mensais de PIS e COFINS retidas por fontes pagadoras (pessoas jurídicas e órgãos públicos) e pede: ‘Face ao exposto, requer seja cancelado o Auto de Infração e respectivo débito ali consubstanciado, em respeito à especialidade do ato cooperativo e à sua condição de não gerador de receita, faturamento e lucro, bem como em virtude da isenção instituída pelo art. 6o, inciso I, da Lei Complementar 70/91. Caso assim não entenda V. Sa., e tendo em vista o princípio da eventualidade, requerse seja cancelada a autuação em razão da ausência de segregação dos valores repassados a médicos cooperados e demais pessoas jurídicas credenciadas. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 965 7 Caso esse o entendimento não seja acatado, requer o cancelamento da cobrança em respeito ao que dispõe a IN SRF 635/2006, que regulamentou o artigo 3º, parágrafo 9º da Lei 9.718/98, com redação conferida pela Medida Provisória n° 2.15835/01, reconhecendose o direito à exclusão dos repasse efetuados aos cooperados, outras cooperativas e rede credenciada, na apuração da base de cálculo do PIS/COFINS. iRequer, ainda, sejam excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS os ingressos que não se enquadrem no conceito de faturamento, tais como juros de aplicação de títulos da renda fixa, receita por recebimento em atraso, juros depósitos judiciais, descontos obtidos, bonificações, comissões, entre outros, anteriores a 27/05/2009, em razão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98 (lei anterior à EC n° 20/98). Por fim, requer seja declarada nula a compensação de ofício realizada, liberandose, consequentemente, os créditos tributários bloqueados.’ Os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por meio do Acórdão nº 1438.556, de 06 de setembro de 2012, por unanimidade de votos, julgar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido, consoante se demonstra com a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A partir de 01/11/1999, a base de cálculo da Cofins das cooperativas é a mesma aplicada às demais sociedades, com as exclusões a elas pertinentes. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I co responsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 8 A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. RETENÇÃO NA FONTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Mediante lançamento de ofício, devem ser exigidas as diferenças entre os valores da contribuição devida apurados e os valores pagos, mediante recolhimento ou retenção pela fonte pagadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A partir de 01/11/1999, a base de cálculo da Cofins das cooperativas é a mesma aplicada às demais sociedades, com as exclusões a elas pertinentes. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I co responsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. RETENÇÃO NA FONTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Mediante lançamento de ofício, devem ser exigidas as diferenças entre os valores da contribuição devida apurados e os valores pagos, mediante recolhimento ou retenção pela fonte pagadora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 966 9 A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da decisão de 1ª Instância Administrativa pela Intimação nº 600/2012 (efl 836) em 12/10/2012, conforme Despacho de efl. 841, a contribuinte inconformada apresenta Recurso Voluntário (efls.842 a 874) em 25/10/2012, acompanhado de cópia de Parecer do ANS acerca dos conceitos de coresponsabilidade cedidas e eventos indenizáveis ( efls 875 a 880 ); cópias de Decisões Judiciais, nas quais abordamse os conceitos de coresponssabilidades cedidas e eventos indenizáveis (efls 881 a 928) e cópias de manifestações da Procuradoria da Fazenda acerca do conceito de atos cooperados ( efls. 929 a. 952). Fundamenta seus argumentos de defesa segundo os itens e subitens a seguir destacados: 1. DOS FATOS 2. MÉRITO 2.1. BASE DE CÁLCULO PIS e COFINS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE Lei 9.718/98 (art. 3°, parágrafo 9°) e IN n° 635/06 (art. 17) exclusão dos repasses efetivados aos médicos cooperados, clínicas, hospitais, laboratórios, outras cooperativas (intercâmbio) e outros prestadores de serviços credenciados. 2.2. DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DAS CONTRAPRESTAÇÕES PECUNIÁRIAS DESTINADAS À CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES TÉCNICAS. 2.4. OUTROS INGRESSOS INCONSTITUCIONALIDADE, já declarada pelo Eg. STF, DO AUMENTO DA BASE DE CÁLCULO PELA LEI Nº 9.718/98 – impossibilidade de tributação de receitas não operacionais 2.4. DA NAO INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS PIS e COFINS SOBRE A ATIVIDADE PRATICADA PELA RECORRENTE ENQUADRADA COMO ATO COOPERATIVO. 2.6. DA IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS (ITEM 55 DO RELATÓRIO FISCAL) DO PEDIDO O Pedido é assim formulado: "Pelas razões declinadas, tem o presente, a finalidade de reiterar o pedido de cancelamento integral da autuação fiscal, corroborados pelas recentes decisões dos Tribunais Superiores, devidamente exibidas em anexo." Fl. 970DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ A empresa UNIMED DE RIBEIRÃO PRETO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO apresentou, tempestivamente e com representatividade válida, o Recurso Voluntário, motivo pelo o qual o mesmo deve ser conhecido. A UNIMED DE RIBEIRÃO PRETO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO foi organizada sob a forma de cooperativa de trabalho médico, tendo por objetivo a "congregação dos integrantes da profissão médica, para a sua defesa econômicosocial promovendolhes condições para o exercício de suas atividades e aprimoramento do serviço de assistência médica" (CNAE fiscal 65.502/00 Planos de Saúde). Da análise dos autos constatase que os lançamentos de ofício do PIS e COFINS foram motivados pela ocorrência das seguintes infrações apontadas pela fiscalização: 1. Para os períodos de apuração de janeiro de 2008 a junho de 2009, diferentemente do que fez nos períodos de apuração de julho a dezembro de 2009, a UNIMED utilizou, nas bases de cálculo para a apuração de PIS/COFINS os valores totalizados sob o título "Variação da Provisão de Ingressos Operacionais", que corresponde à conta 33119 (PROVISÃO DE INGRESSOS OPERACIONAIS) alocada nos "Ingressos", e "Variação da Provisão Assistencial com Eventos a Liquidar", correspondente à conta 44139 (PROVISÕES OPERACIONAIS), alocada nos "Dispêndios; 2. a fiscalizada excluiu das bases de cálculo do PIS e da COFINS, em todos os meses dos anos de 2008 e 2009, as despesas classificadas como "eventos ocorridos", albergando os repasses efetivados a médicos cooperados, médicos não cooperados, clínicas, hospitais, laboratórios, outras cooperativas (intercâmbio) e outros prestadores de serviços credenciados, para o atendimento de seus clientes titulares de planos de saúde (vide os dados da coluna "REFERÊNCIA" com o código "1.06.13 (a)" dos demonstrativos apresentados pela empresa) (item 18 do Termo de Verificação fl.688); 3. a contribuinte excluiu das bases de cálculo de todos os períodos de apuração de 2008 e 2009, nos demonstrativos utilizados para apuração das contribuições parceladas/depositadas (fls. 28/31 e 32/35), valores identificados com o título "Variação da Provisão para Devedores Duvidosos", que foram efetivamente escriturados na conta 44190 ("PROVISÃO PARA PERDAS DE CRÉDITOS"). 4. a contribuinte não inseriu em sua apuração os valores correspondentes às receitas escrituradas nas seguintes contas: 34111.9.3.0.0.0.0.01 (Juros de Aplicação de Títulos de Renda Fixa), 34211.9.0.0.1.0.0.01, 34211.9.0.0.2.0.0.01, 34211.9.0.0.0.1.0.01 e 34211.9.0.0.0.2.0.01 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 967 11 (Receitas por Recebimento em Atraso); 34431.9.0.0.0.0.0.01 (Juros Depósitos Judiciais); 34499.9.0.0.1.0.0.01, 34499.9.0.0.2.0.0.01, 34499.9.0.0.0.1.0.01 e 34499.9.0.0.0.2.0.01 (Descontos Obtidos); 34499.9.0.0.1.0.0.02, 34499.9.0.0.2.0.0.02 e 34499.9.0.0.0.1.0.02 (Bonificações). Vêse ainda pelo o que consta dos autos e conforme relatado que a contribuinte impetrou as seguintes ações judiciais: 1. AÇÁO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA, por intermédio do Processo n°. 2000.61.02.0000160, cuja cópia encontrase anexada às fls. 146/297, para afastar a exigência legal que obriga a cooperativa a recolher a COFINS sobre suas receitas, com o argumento de que a Lei Complementar n°. 70/91 conferiu isenção a este tipo de sociedade. Em consulta ao andamento do referido processo, constatouse que a Unimed apresentou Recursos Extraordinário e Especial em face do Acórdão da TRF3, que lhe foi desfavorável, e que referidos recursos, desde a data de 14/11/2013, encontramse suspensos/sobrestados por decisão da vicepresidência e cujos motivos de suspensão são os STF RE 598.085/RJ, STF RE 599.362/RJ, STJ RESP 1.141.667/RS e STJ RESP 1.164.716/MG, submetidos aos regimes de Repercussão Geral e Recursos Repetitivos, respectivamente. O Acórdão do TRF3 que julgou a Apelação da Unimed relata que: "Cuidase de ação ordinária pela qual se busca assegurar a inexigibilidade da COFINS, nos termos da Lei 9.718/98, a qual não tem o condão de revogar a isenção prevista no art. 6º, I, da Lei Complementar 70/91. Subsidiariamente, a autora requer que sejam excluídos da base de cálculo do tributo os valores repassados aos associados, tributandose somente as receitas decorrentes de atos não cooperados se e quando praticados. (...) A autora alega que a Lei 9.718/98 e a medida provisória 1.858 11 não poderiam ter revogado a isenção de que gozam as cooperativas, estipulada no art. 6º, I, da Lei Complementar 70/91, sob pena de ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Afirma, outrossim, que a COFINS não pode atingir as receitas decorrentes dos atos cooperados. Argui também que não pratica atos com terceiros, estranhos à sociedade. Aponta, por fim, a violação ao princípio da isonomia pela medida provisória 1.858 11 por excluir da incidência tributária alguns atos cooperados, deixando de permitir a exclusão de outros. (...)" E assim decide: Fl. 972DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 12 "EMENTA TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS. COFINS. LEI COMPLEMENTAR 70/91. ISENÇÃO. MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835. LEI 9.718/98. REVOGAÇÃO. 1. Rejeitada a preliminar de não conhecimento do recurso adesivo, por falta de interesse recursal, já que os honorários advocatícios foram destinados ao ente público, vencedor em primeira instância, motivo pelo qual ele pode questionar a justiça do percentual arbitrado. 2. Em rigor, não podemos falar em revogação da isenção previamente expressa na lei complementar, pois os atos cooperativos não passaram a ser imponíveis. Se há faturamento a ser tributado, ele só pode ser decorrente de atos não cooperativos, estes sim tributados porque celebrados com terceiros. 3. A lei que instituiu a isenção (Lei Complementar 70/91), embora formalmente complementar, já foi reconhecida como materialmente ordinária pelo Supremo Tribunal Federal. 4. Ainda que se argumente que as cooperativas mereçam tratamento diferenciado, nos termos dos artigos 146, III, c, e 174, § 2º, da Constituição, tal lei ainda não foi editada, não tendo a Lei 5.764/71 sido recepcionada como lei complementar. E, no que tange à instituição de isenções, o Código Tributário Nacional não impõe que o seja por meio de lei complementar (artigos 176 e 178), o que afastaria a tese de que o inciso I do art. 6º da Lei Complementar 70/91, especificamente ele, seria materialmente complementar. 5. Ainda que desprovida de fins lucrativos, a cooperativa obtém faturamento ou receita em suas atividades rotineiras, o que dá ensejo à tributação. 6. Preliminar de contrarazões rejeitada. Recursos desprovidos. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, rejeitar a preliminar arguida em contrarazões e negar provimento aos recursos, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.” Portanto, tal ação judicial ainda não se encontra conclusa. 2. AÇÃO DECLARATÓRIA, por meio do Processo n°. 2000.61.02.0000171, visando afastar a exigência legal que obriga a sociedade a recolher o PIS instituído pela Lei n°. 9.718/98 e a Medida Provisória n°. 1.858/99, com o argumento de que o faturamento é elemento estranho às cooperativas (vide cópia anexada às fls. 298/412). Também, tal ação está pendente de solução, posto que o Recurso Especial interposto pela União em face do Acórdão do TRF3, desde a data de 17/12/2013, encontrase Fl. 973DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 968 13 conclusos pela guia nº 2013266411 com destino para a Assessoria Judiciaria da Vice Presidencia. O Acórdão do TRF3 de Apelação relata e decide, conforme trechos e ementa a seguir transcritos: "RELATÓRIO O Exmo. Sr. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO: Tratase de ação declaratória, na qual a parte autora pretende ver declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre as partes, no que concerne à incidência do PIS, na forma dos artigos 1º, 2º e 3º da Lei n. 9.718/1998, que entende não incidir sobre a receita decorrente dos atos cooperados praticados pela autora com seus associados, pois não integram o faturamento daquela, bem como o afastamento da determinação contida na Instrução Normativa n. 145/1998 da Delegacia da Receita Federal. A autora formula, ainda, pedido em ordem sucessiva, consistente na declaração de seu direito de excluir da base de cálculo os valores repassados aos associados, decorrentes da prestação de serviços a eles dirigida, tal como permitido às cooperativas comerciais e rurais (artigo 15 da Medida Provisória n. 1.85811/1999), porquanto tais receitas são dos cooperados e não da autora, sustentando o fundamento de tal pedido no artigo 150, inciso II da Constituição Federal. (...) VOTO Cuidase, no mérito, de ação ajuizada para que seja suspensa a exigibilidade do PIS sobre a receita da autora, sociedade cooperativa. (...) Nem todos os atos praticados por uma cooperativa são atos cooperados. O ato cooperado é definido em lei como praticado 'entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais' (art. 79, caput, Lei 5764/71). O ato celebrado entre a cooperativa e terceiros, estranhos a ela ou seus associados, que não sejam também cooperativas, porém, não está contido nesse dispositivo legal e não conseguimos imaginar uma cooperativa prestadora de serviços que não se relacione com o público em geral, quem recebe o serviço. (...) Não procede, outrossim, a alegação de que as cooperativas não possuem receita ou faturamento. A própria Lei n. 5.764/1971 previu tal hipótese, disciplinando que as cooperativas deverão contabilizar em separado os resultados das operações de Fl. 974DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 14 fornecimento de bens e serviços a não associados, de modo a permitir o cálculo para a incidência de tributos (artigos 86 e 87). Se auferem receita e a tributação recai sobre ela, não há que se falar em tributação do patrimônio da sociedade ou em ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Estando a cooperativa submetida ao mesmo tratamento conferido às sociedades empresariais de uma forma geral, que também recolhem tributo sobre suas receitas, não há motivo, outrossim, para se argüir mácula ao princípio da igualdade. Válida, portanto, a tributação pelo PIS com base na medida provisória 2.15835. No entanto, deve ser afastada a Lei n. 9.718/1998 na parte em que alterou a base de cálculo dessas contribuições, legislação citada na medida provisória n. 2.158 35. A constitucionalidade da ampliação da base de cálculo desse tributo pela Lei n. 9.718/98 foi avaliada pelo Supremo Tribunal Federal, que se pronunciou da seguinte forma: (...) Acompanho neste voto os precedentes da Corte Guardiã da Constituição da República, que declararam a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998 que definia como receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e da classificação contábil , em homenagem aos princípios da segurança jurídica e da economia processual, permitindo o recolhimento das contribuições sociais em tela de acordo com a previsão das legislações anteriores (Lei Complementar n. 70/1991 e Lei n. 9.715/1998). (...) EMENTA TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA. PIS. MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835 E LEI 9.718/98. ATOS NÃO COOPERATIVOS. CONSTITUCIONALIDADE. Ainda que se argumente que as cooperativas mereçam tratamento diferenciado, nos termos dos artigos 146, III, c, e 174, § 2º, da Constituição, tal lei ainda não foi editada, não tendo a Lei 5.764/71 sido recepcionada como lei complementar. As cooperativas já sofriam a tributação do PIS pela medida provisória 1212, que entrou em vigor em março de 1996 (RE 232896) e posteriormente foi convertida na Lei 9.715/98. A contribuição ao PIS, instituída pela Lei Complementar 7/70, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988, expressamente pelo artigo 239. Após o delineamento pela Constituição Federal, o tributo pôde sofrer alterações por meio de lei ordinária. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 969 15 O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da ampliação promovida na base de cálculo da contribuição ao PIS pela Lei 9.718/98. Preliminar de litispendência rejeitada. (...).” Em face da existência de tais ações é que a decisão da 1ª instância de Julgamento administrativo declarou a concomitância de iguais matérias trazidas na impugnação, posto que se encontra caracterizada a renúncia da interessada à esfera administrativa, na forma do parágrafo Único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 22/09/1980. Com essas anotações iniciais, passase à análise dos argumentos de defesa, na mesma ordem trazida no Recurso Voluntário: 2. MÉRITO 2.1. BASE DE CÁLCULO PIS e COFINS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE Lei 9.718/98 (art. 3°, parágrafo 9°) e IN n° 635/06 (art. 17) exclusão dos repasses efetivados aos médicos cooperados, clínicas, hospitais, laboratórios, outras cooperativas (intercâmbio) e outros prestadores de serviços credenciados Sob este título a recorrente contesta a infração apontada pela fiscalização acerca da dedução de despesas classificadas como "eventos ocorridos", albergando os repasses efetivados a médicos cooperados, médicos não cooperados, clínicas, hospitais, laboratórios, outras cooperativas (intercâmbio) e outros prestadores de serviços credenciados, para o atendimento de seus clientes titulares de planos de saúde. De antemão, registrese que tal discussão não se encontra abrangida nas ações judiciais impetradas pela recorrente e que foram acima mencionadas, motivo pelo o qual submetese à análise neste julgamento. Aduz a recorrente que "Equivocase, data vénia, a Delegacia de Julgamento ao ratificar a tese da fiscalização no sentido de que os conceitos "corresponsabilidade cedidas" e "eventos indenizáveis", previstos na legislação, estão restritos aos atendimentos que os cooperados e credenciados da recorrente prestarem a usuários/pacientes de outras operadoras de plano de saúde." Discorda veementemente a recorrente, alegando a inexistência de qualquer menção, neste sentido, nos dispositivos legais invocados (parágrafo 9º do art. 3º da Lei 9.718/98 e artigo 17 da IN 635/06). Baseiase no parecer da ANS, juntado ao Recurso, afirmando que esta, cumprindo sua função regulamentar, esclareceu o conceito de "indenizações correspondentes aos eventos ocorridos", e defende que as expressões utilizadas pela legislação (corresponsabilidade cedida" e "indenização correspondentes aos eventos ocorridos") decorrem do PLANO DE CONTAS CONTÁBIL seguido pelas operadoras de plano de saúde, de observância obrigatória por imposição da Agência Nacional de Saúde (ANS), órgão governamental que regulamenta o segmento. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Afirma que a própria ANS fornece subsídios necessários à sustentação da tese defendida pela recorrente, reconhecendo que se enquadram como corresponsabilidades cedidas os valores repassados a outras operadoras de plano de saúde (intercâmbio) e como eventos indenizáveis os dispêndios com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora; tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, terapias, hospitalização, etc. Conclui ser completamente equivocadas as premissas utilizadas pela fiscalização, ao restringir a possibilidade de dedução apenas com relação à indenização repassada aos seus cooperados e ou credenciados por atendimentos realizados em usuários/pacientes de outras operadoras de plano de saúde. Alega que tais conceitos ("corresponsabilidade cedidas" e "indenização de eventos ocorridos") estão em perfeita consonância aos ditames contidos no parágrafo 9° do art. 3° da Lei 9.718/98, bem como no art. 17 da IN 635/06, que o regulamenta. E que a fiscalização e a Delegacia de Julgamento simplesmente deturparam referidos conceitos. Ou seja, desconsideraram o verdadeiro escopo da IN 635/06, em especial seu art. 17 que regulamenta o art. 3º, parágrafo 9º da Lei 9.718/98. As deduções previstas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido pela MP no 2.15835, de 2001, são, in verbis: "Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." Realmente, a fiscalização considerou dedutível apenas o valor dos desembolsos efetivamente realizados por uma operadora de planos de saúde para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados de outra operadora, subtraído dos repasses, oriundos da segunda, recebidos pela primeira operadora. A Autoridade julgadora de 1ª Instância Administrativa, por sua vez, concordando com a fiscalização, fundamenta sua decisão na Solução de Consulta nº 20, de 2003, da 3ª Região Fiscal da RFB:, transcrevendo os seus itens 12 a 15 , para concluir: " Como bem esclarece a solução de consulta, o inciso em análise se aplica apenas aos casos de transferência de responsabilidade, isto é, aos casos em que uma operadora de planos de saúde indeniza os seus conveniados por atenderem a associados de outra operadora e recebe da operadora a quem cabia a responsabilidade original pelos eventos uma remuneração para ressarcila dos desembolsos. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 970 17 Assim, o referido comando legal autoriza a dedução do valor dos gastos realizados pelas operadoras de saúde com os seus conveniados para indenizálos dos custos com atendimentos a clientes de outras operadoras, diminuídos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade da operadora cedente." Igual matéria foi submetida à julgamento no processo nº 10830.723729/2013 61, na sessão de 25/02/2015, tendo esta Turma julgado de acordo com o voto proferido pelo o Relator no Acórdão nº 3302002.851, cujo trecho abaixo se transcreve, adotandoo como fundamento deste voto: " Entretanto, com a introdução do §9ºA no artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a interpretação dada pela solução de consulta no sentido de não considerar os eventos ocorridos decorrentes do atendimento aos beneficiários da própria operadora foi superada, como concluise pela redação dada ao referido parágrafo: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) [...] § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Assim, as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 abrangem os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos Fl. 978DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 18 beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora." 2.2. DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DAS CONTRAPRESTAÇÕES PECUNIÁRIAS DESTINADAS À CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES TÉCNICAS. Foi mantida pela decisão ora recorrida, por falta de previsão legal, ratificando as premissas da fiscalização, as glosas relacionadas às exclusões efetivadas pela recorrente com relação às contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de PROVISÕES DE INGRESSOS OPERACIONAIS (variação da provisão de ingressos operacionais), PROVISÕES OPERACIONAIS (variação de provisão Assistencial com Eventos a Liquidar), bem como a PROVISÃO PARA PERDAS DE CRÉDITOS. No Item 17 do Termo de Verificação, assim explicita a fiscalização: "17. Entretanto, ao fazer uma análise mais acurada dos referidos demonstrativos, constatamos que a UNIMED utilizou, nas bases de cálculo dos períodos de apuração de janeiro de 2008 a junho de 2009, fórmula de cálculo diferente daquela que foi adotada nos períodos de apuração de julho a dezembro de 2009. Observamos que, a partir de julho de 2009, a contribuinte excluiu de sua apuração os valores totalizados sob o título "Variação da Provisão de Ingressos Operacionais", que corresponde à conta 33119 (PROVISÃO DE INGRESSOS OPERACIONAIS) alocada nos "Ingressos", e "Variação da Provisão Assistencial com Eventos a Liquidar", correspondente à conta 44139 (PROVISÕES OPERACIONAIS), alocada nos "Dispêndios. Verificamos que tais contas correspondem efetivamente a lançamentos contábeis efetuados para ajuste de competência. A primeira corresponde à provisão de receita relativa a serviços prestados em um mês, mas que serão faturados no mês seguinte. Ocorre nos casos de serviços prestados a outras operadoras (intercâmbio). É o caso, também, dos atendimentos a clientes enquadrados em planos de custo operacional (planos póspagamento), em que o usuário opta por um plano com direito a apenas parte dos serviços assistenciais e arca com custos extras em caso de atendimento. Nestes casos, como o valor do custo do atendimento depende de análise de auditoria, o faturamento será efetuado no mês seguinte. Já a "Provisão Assistencial com Eventos a Liquidar" referese ao custo assistencial cujas contas (guias médicas, laboratoriais, hospitalares) foram apresentadas à operadora, mas ainda se encontram em análise de auditoria e processo e serão reconhecidas no mês seguinte. Esta fiscalização entende que os valores correspondentes a estas contas não podem ser computados na apuração das contribuições, pois as referidas provisões não se enquadram no conceito de "provisão técnica" passível de exclusão, estipulada no item II do parágrafo 9o do artigo 3o da Lei n°. 9.718/98 e no item III do artigo 17 da Instrução Normativa SRF n°. 635/2006, conforme relatado a seguir nos subitens 31.3, 31.3.1 e 31.3.2 deste Termo. Na apuração fiscal efetuada, esta fiscalização efetuou os ajustes necessários para excluir estas duas contas da apuração das contribuições devidas nos períodos de apuração de janeiro de 2008 a junho de 2009. Reiteramos que a própria fiscalizada excluiu estas contas das apurações relativas aos meses de julho a dezembro de 2009." Fl. 979DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 971 19 No que tange à PROVISÃO PARA PERDAS DE CRÉDITOS, em item "III.4.5 Da Exclusão Indevida da Despesa denominada Variação da Provisão para Devedores Duvidosos" do Termo de Verificação, esclarece a fiscalização que tal conta representa uma provisão constituída pela UNIMED para minimizar os efeitos da inadimplência no pagamento dos planos de saúde. Esta despesa corresponde na verdade à despesa de natureza semelhante contabilizada pelas empresas em geral intitulada "Provisão para Devedores Duvidosos", de suma importância, devido à inevitável inadimplência de parte de seus clientes, mas que não se pode enquadrar a referida provisão no conceito de "Provisão Técnica" definido no Item II do parágrafo 9o do artigo 3o da Lei n°. 9.718/98 e no item III do artigo 17 da Instrução Normativa SRF n°. 635/2006, pois a referida exclusão, referese às provisões técnicas específicas dos planos de saúde, conforme descrito nos subitens 31.3, 31.3.1 e 31.3.2. Acrescenta que, mesmo se a contribuinte estivesse sujeita à apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, a UNIMED não poderia efetuar tal exclusão, pois, também, não há previsão legal para a dedução da "Provisão para Devedores Duvidosos" das bases de cálculo de PIS e COFINS das empresas submetidas a este tipo de apuração. Tal discussão, também, não se encontra abrangida pelas ações impetradas pela ora recorrente. Não merece reforma o Acórdão recorrido. Acerca de tais deduções de "Provisões Técnicas", estabelecidas no parágrafo 9o do artigo 3o da Lei n°. 9.718/99 e no artigo 17 da Instrução Normativa n°. 635/2006, corroboro com o entendimento da fiscalização sobre tais exclusões específicas das bases de cálculo de PIS e COFINS das Cooperativas de Médicos, manifestado no sub item "III.4.2 Das exclusões das bases de cálculo de PIS e COFINS específicas para as operadoras de Plano de Saúde permitidas pela legislação", o qual se transcreve a seguir: "31.3 dedução das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas: são provisões específicas constituídas pelos Planos de Saúde, conforme regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 31.3.1. Nos períodos de apuração relativos aos anos de 2008 e 2009, a constituição de Provisões Técnicas pelas Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde (OPS) foi regulamentada pela ANS por meio da RESOLUÇÃO NORMATIVA RN n°. 160, de 03 de Julho de 2007, cujo artigo 12 assim dispôs: 'Art. 12 As OPS deverão constituir, mensalmente, atendendo às boas práticas contábeis, as seguintes provisões técnicas: I Provisão de Risco, para garantia da parcela das contraprestações cuja vigência do risco ainda não tenha findado; II Provisão para Remissão, para garantia das obrigações decorrentes das cláusulas contratuais de remissão dascontraprestações pecuniárias referentes à cobertura de assistência à saúde, quando existentes; III Provisão para Eventos Ocorridos e Não Avisados PEONA, estimada atuarialmente para fazer frente ao pagamento dos eventos que já tenham ocorrido e que não tenham sido registrados contabilmente pela OPS; Fl. 980DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 20 IV Outras provisões técnicas que a OPS julgue necessárias visando a manutenção de seu equilíbrio econômicofinanceiro, desde que consubstanciadas em Nota Técnica Atuarial de Provisões NTAP e aprovadas previamente pela DIOPE, sendo de constituição obrigatória a partir da data da efetiva aprovação.'" Consoante se constata, as provisões glosadas, de fato, não se enquadram no rol taxativo da norma acima transcrita. Poderseia até se enquadrar como provisão técnica, desde que atendessem às condições estabelecidas no inciso IV do art. 12 da RESOLUÇÃO NORMATIVA RN n°. 160, de 03 de Julho de 2007, quais sejam, " que consubstanciadas em Nota Técnica Atuarial de Provisões NTAP e aprovadas previamente pela DIOPE", o que não restou comprovado nos autos. Apenas para registrar, conforme consta do sub item 31.3.2 do Termo de Verificação, a fiscalização detectou a existência de duas provisões escrituradas pela UNIMED que se enquadram neste conceito, quais sejam: a "Variação da Provisão de Risco", que é uma conta redutora de receita registrada sob o número 31211 (PROVISÃO DE RISCO), e a Provisão PI Eventos Ocorridos e Não Avisados PEONA, que corresponde à conta de despesa de número 41411 (PROVISÃO DE EVENTOS / SINISTROS OCORRIDOS). Desta forma, temse que as demais provisões que a contribuinte inseriu em sua apuração foram devidamente glosadas pelo Fisco. 2.4. OUTROS INGRESSOS INCONSTITUCIONALIDADE, já declarada pelo Eg. STF, DO AUMENTO DA BASE DE CÁLCULO PELA LEI Nº 9.718/98 – impossibilidade de tributação de receitas não operacionais. Aqui, alegando a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 conforme já reiteradamente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (REAgR 330226 PARANÁ), a recorrente contesta a incidência das contribuições do PIS/COFINS lançadas pela fiscalização sobre as receitas decorrentes das seguintes contas: 34111.9.3.0.0.0.0.01 (Juros de Aplicação de Títulos de Renda Fixa), 34211.9.0.0.1.0.0.01, 34211.9.0.0.2.0.0.01, 34211.9.0.0.0.1.0.01 e 34211.9.0.0.0.2.0.01 (Receitas por Recebimento em Atraso); 34431.9.0.0.0.0.0.01 (Juros Depósitos Judiciais); 34499.9.0.0.1.0.0.01, 34499.9.0.0.2.0.0.01, 34499.9.0.0.0.1.0.01 e 34499.9.0.0.0.2.0.01 (Descontos Obtidos); 34499.9.0.0.1.0.0.02, 34499.9.0.0.2.0.0.02 e 34499.9.0.0.0.1.0.02 (Bonificações). Acusa que a questão sequer foi apreciada pela Delegacia de Julgamento. É inverídica tal acusação. O Acórdão da DRJ manifestase sobre tal arguição, consoante a síntese a seguir transcrita, a qual se adota neste voto: “a jurisprudência administrativa é absolutamente pacificada quanto à incompetência da autoridade administrativa afastar a aplicação de norma vigente a pretexto de alegados vícios de ilegalidade ou inconstitucionalidades. Tanto é assim que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais já editou a Súmula nº 2, vazada nos seguintes termos: 'Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.'” Fl. 981DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 972 21 A recorrente também afirma que diante do julgamento de inconstitucionalidade do STF, cuja ementa transcreve, aplicase ao caso o disposto no artigo 26A, da lei 11.941/09, que permite ao CARF deixar de aplicar. Tal assertiva é verdadeira para o lançamento da COFINS, haja vista que a AÇÁO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA, por intermédio do Processo n°. 2000.61.02.0000160 não abarca tal questão específica, inexistindo, pois, identidade de objeto. Mas, para o lançamento do PIS, não é o caso dos autos, haja vista que a contribuinte impetrou a AÇÃO DECLARATÓRIA, por meio do Processo n°. 2000.61.02.0000171, já mencionada acima, que trata dessa questão e que, em face da concomitância, não pode ser analisada na esfera administrativa. Sabese que a propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Esta questão já foi pacificada neste Conselho, tendo sido emitida Súmula: “SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Neste sentido, a Autoridade julgadora de 1ª Instância Administrativa bem se pronunciou, destacando que em face da propositura de ação judicial que importa renúncia à esfera administrativa, tendo em vista a unidade de jurisdição e a orientação contida no ADN Cosit nº 03, de 1996, é de se observar o que for determinado pela decisão judicial definitiva, ficando prejudicada a análise do mérito, na esfera administrativa. E destacou ainda sobre a inexistência de medida liminar ou antecipação de tutela que pudesse suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, V, do CTN. Assim, especificamente nesta questão, é se dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo apenas do lançamento da COFINS as receitas decorrentes das seguintes contas: 34111.9.3.0.0.0.0.01 (Juros de Aplicação de Títulos de Renda Fixa), 34211.9.0.0.1.0.0.01, 34211.9.0.0.2.0.0.01, 34211.9.0.0.0.1.0.01 e 34211.9.0.0.0.2.0.01 (Receitas por Recebimento em Atraso); 34431.9.0.0.0.0.0.01 (Juros Depósitos Judiciais); 34499.9.0.0.1.0.0.01, 34499.9.0.0.2.0.0.01, 34499.9.0.0.0.1.0.01 e 34499.9.0.0.0.2.0.01 (Descontos Obtidos); 34499.9.0.0.1.0.0.02, 34499.9.0.0.2.0.0.02 e 34499.9.0.0.0.1.0.02 (Bonificações), em face da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 já reiteradamente reconhecido pelo Supremo TribunalSTF, jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF, aplicação do artigo 62A do RICARF, tendo em conta não haver concomitância de objetos entre esta mátéria contida nestes Fl. 982DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 22 autos e as contidas na Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária, por intermédio do Processo n°. 2000.61.02.0000160. 2.4. DA NÃO INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS PIS e COFINS SOBRE A ATIVIDADE PRATICADA PELA RECORRENTE ENQUADRADA COMO ATO COOPERATIVO. Neste sub item de seu recurso pretende ver reconhecido o seu entendimento de que as cooperativas, como se extrai da própria lei federal, não revestem a qualidade de prestadoras de serviços a terceiros; bem como que as cooperativas, por imposição legal dos artigos 3º e 4º da Lei 5.764/71, objetivam, única e exclusivamente, o proveito comum de seus cooperados, visando proporcionar ocasiões de trabalho aos seus médicos cooperados, auxiliandoos no exercício de sua profissão . Desta forma, afirma que todas as suas atividades constituem "atos cooperados" e que nesta situação, não possui faturamento, haja vista ser mera Mandatária, que age por conta dos seus associados. Menciona e transcreve o artigo 2º de seu Estatuto Social, ressaltando que o Estatuto Social foi aprovado, quando de sua criação, por todas as repartições públicas e órgãos de fiscalização (OCB Organização das Cooperativas Brasileiras, INCRA, etc, ..), traça os contornos de suas atividades, da razão de sua existência. Aduz que estes serviços prestados pela recorrente aos seus cooperados, cujos contornos estão definidos no art. 2º do Estatuto Social, são atos cooperativo puros, tal qual definido no art. 79 da Lei n 5.764/71. E, este ato cooperativo, segundo a mensagem dos arts. 85, 86, 87, 88 e 111, da mesma lei, não está sujeito a qualquer tipo de tributação, o que demonstra a inconsistência das premissas utilizadas pela Fiscalização. Pois bem, consoante se constata, tal discussão igualmente encontrase inserida em ambas ações declaratórias interpostas pela contribuinte, ora recorrente e, por tal motivo, devese aplicar a Súmula CARF nº 1: “SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” 2.6. DA IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS (ITEM 55 DO RELATÓRIO FISCAL) Reitera a recorrente seus argumentos quanto à ilegalidade da compensação de ofício realizada pela fiscalização quanto às contribuições mensais de PIS e COFINS retidas nas faturas emitidas junto às fontes pagadoras (pessoas jurídicas e órgãos públicos). Alega que a compensação de ofício só pode ser admitida quando o crédito tributário está definitivamente constituído, o que não o caso, pois o crédito ora exigido está suspenso nos termos do que dispõe o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Transcreve o art. 31 da IN SRF n° 210/021, para, em seguida, destacar: 1 Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do Fl. 983DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 973 23 "A legislação federal, portanto, prevê a figura da compensação de oficio apenas para direitos creditórios reconhecidos pela autoridade fiscal, não admitindo tal figura quando se tratar de contribuições mensais de PIS e COFINS retidas por fontes pagadoras (pessoas jurídicas e órgãos públicos), que não sejam objeto de pedido de restituição. Mesmo porque, a cobrança do crédito tributário, no presente processo, não é líquida e certa, estando sujeita a litígio e, portanto, podendo ser cancelada por meio de decisão administrativa. E caso o auto de infração seja cancelado, os créditos da recorrente (valores retidos em suas faturas) poderão estar sujeitos à decadência, prejudicando, portanto, seu direito. Nestes termos, requer seja declarada nula a compensação de ofício realizada, liberandose, consequentemente, os créditos tributários bloqueados." Tem razão a contribuinte quanto à premissa defendida de que a compensação de ofício só pode se dar com créditos líquidos e certos, uma vez que o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) dispôs, em seu art. 156, inciso II, que a compensação é modalidade de extinção de crédito tributário, no caso em que o fisco e a contribuinte forem credores e devedores entre si. Para que se realize a compensação de créditos tributários, o CTN estabeleceu a necessidade de que haja lei ordinária específica do poder tributante, de qualquer esfera da Federação, autorizadora de sua aplicação, a qual fixará todos os pressupostos e requisitos do ato administrativo autorizado, exigindo o CTN, porém, que a compensação seja efetuada com a utilização de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública e, portanto, incontrovertido, reconhecido pela administração pública. Repitase, créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. É o que se depreende dos artigos abaixo transcritos: CTN “ Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...). II. a compensação (...)”. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir á autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifouse) Equivocase, contudo, quando entende que o caso dos autos se refere à compensação efetuada de ofício, mencionando, inclusive, o art. 31 da IN SRF n° 210/02. Vejamos: reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003). Fl. 984DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 24 A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu artigo 64 dispõe sobre a obrigatoriedade de retenção na fonte, determinando que o valor retido o imposto e contribuições será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições: “Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, a contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. (...) § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago." (grifos nossos). Como demonstrado, tratase de instituto diverso do da "compensação", ou seja, a situação dos autos tratase de "antecipação do que for devido" pela contribuinte. Por assim se tratar, é que o art. 76 do Regulamento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Decreto 4.524/2002) e o art. 7º da IN SRF 480/2004 estabelecem in verbis: "Art. 76. A pessoa jurídica poderá deduzir, do valor a pagar, a importância referente às contribuições efetivamente retidas na fonte, na forma dos arts. 6º e 7º, até o mês imediatamente anterior ao do vencimento. (...) Art. 7º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser deduzido, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor do documento fiscal, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção." Fl. 985DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15956.720080/201243 Acórdão n.º 3302002.861 S3C3T2 Fl. 974 25 Desta forma, por se tratar as retenções na fonte antecipações do valor devido é que a fiscalização na apuração do valor devido deduziu os valores retidos na fonte. Tal procedimento em nada prejudicou a contribuinte, não merecendo, pois, alterar a decisão recorrida, nesta questão. CONCLUSÃO Com base nos fundamentos acima postos, conduzo o meu voto no sentido de não conhecer em parte o recurso voluntário, face a concomitância declarada e, na parte conhecida, dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de deduzir as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do §9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 que também abrangem os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde da própria operadora, bem com excluir da base de cálculo apenas das COFINS, as receitas decorrentes das seguintes contas: 34111.9.3.0.0.0.0.01 (Juros de Aplicação de Títulos de Renda Fixa), 34211.9.0.0.1.0.0.01, 34211.9.0.0.2.0.0.01, 34211.9.0.0.0.1.0.01 e 34211.9.0.0.0.2.0.01 (Receitas por Recebimento em Atraso); 34431.9.0.0.0.0.0.01 (Juros Depósitos Judiciais); 34499.9.0.0.1.0.0.01, 34499.9.0.0.2.0.0.01, 34499.9.0.0.0.1.0.01 e 34499.9.0.0.0.2.0.01 (Descontos Obtidos); 34499.9.0.0.1.0.0.02, 34499.9.0.0.2.0.0.02 e 34499.9.0.0.0.1.0.02 (Bonificações), em face da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema. Aplicação do art. 62A do RICARF. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 986DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19509.000198/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2001
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
A relação apresentada no anexo "CORESP - RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
MANDATÁRIOS. SÓCIOS DE FATO. INCLUSÃO NO RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS.
É válida a inclusão dos mandatários no Relatório "CORESP", na condição de sócios-gerentes, quando o fisco demonstra que essas pessoas de fato eram proprietárias e geriam a empresa.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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COM. DE CARNES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2001 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo "CORESP RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS" não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. MANDATÁRIOS. SÓCIOS DE FATO. INCLUSÃO NO RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. É válida a inclusão dos mandatários no Relatório "CORESP", na condição de sóciosgerentes, quando o fisco demonstra que essas pessoas de fato eram proprietárias e geriam a empresa. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 50 9. 00 01 98 /2 00 8- 02 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000198/200802 Acórdão n.º 2401003.906 S2C4T1 Fl. 530 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação DN n.º 06421.4/056/2003 de lavra da Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva do INSS em Dourados (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 35.201.2145. A lavratura em questão referese a exigência da contribuições destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. De acordo com o relatório fiscal, fls. 27/31, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as diferenças de remunerações pagas a título de 13.º salário, aferidas indiretamente, e as divergências entre os valores constantes nas folhas de pagamento e aqueles declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Consta ainda do relatório que os senhores Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci foram incluídos como coresponsáveis pelo débito devido à constatação de que eram sócios de fato da empresa. Afirmase que a configuração societária aparecia disfarçada em procurações, que designavam as referidas pessoas como mandatários, todavia, estas eram os proprietários da autuada. Para fazer valer esta imputação o fisco acostou o documento denominado "Histórico e Pontos Relevantes da Auditoria Fiscal" (fls. 32/53), cujo conteúdo foi sintetizado na decisão de primeira instância da seguinte forma: "7.1. A paralisação da empresa Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda teria sido repentina, em agosto de 1999, segundo teria informado um de seus sócios, Luiz Carlos Rodrigues Palloni. Inúmeras dívidas trabalhistas teriam sido deixadas, além de dívidas com os fornecedores (pecuaristas) e dívidas bancárias. Também segundo informações do sócio em comento, constantes do relatório, os "irmãos Capuci" teriam firmado acordo com o Sr. Dory Grando, um dos sócios do Friporã, assumindo as dívidas trabalhistas, as dívidas com os pecuaristas fornecedores e as dívidas bancárias. As dívidas com os pecuaristas teriam sido quitadas pelos Capuci, as trabalhistas assumidas pelo Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, na condição de sucessor do Friporã, e as dívidas bancárias continuariam pendentes. Várias ações trabalhistas movidas por exfuncionários da Friporã, de fato foram assumidas pelo Frigonostro, conforme demonstram cópias de partes de processos trabalhistas, mandados de notificação de audiências, certidões de notificação e contestações, anexadas aos autos pela fiscalização. 7.2. Foram lavradas duas "Escrituras Públicas de Confissão de Dívida cumulada com Dação em Pagamento" (fls. 118/125), datadas de 16/08/1999 e 25/08/1999, firmadas pelos sócios da empresa Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda, confessando serem devedores e saldando a dívida com os Srs. Antônio Carlos Fl. 531DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Capuci e João Martins Casavechia, entregando como dação em pagamento todo o maquinário da unidade industrial frigorífica e um imóvel, ambos localizados na Rodovia Alcides Saovesso Km 08, nos valores de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), respectivamente. 7.3. Em 20/09/1999, foi lavrado o contrato de arrendamento do complexo industrial frigorífico (fls. 135/141), firmado pelos Srs. Antônio Carlos Capuci e João Martins Casavechia, ao Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, cujos sócios são Ademar Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto. Destaquese que a pessoa jurídica Frigonostro somente foi constituída em 22/09/1999, dois dias, portanto, após a data do arrendamento. Os sócios do empreendimento, na data de assinatura do arrendamento, eram empregados de Frigocap Comércio de Carnes Ltda e de Prudenfrigo Prudente Frigorífico Ltda, com salários médios de R$ 349,06 e R$ 396,51, respectivamente (fls. 55/89). O sócio Antônio Lourenço de Lima Neto rompeu seu vínculo de trabalhador empregado com o Prudenfrigo em 22/11/1999, dois meses, portanto, após a constituição do Frigonostro. Não obstante as baixas remunerações, cada um concorreu com R$ 75.000,00 para a integralização do capital do Frigonostro. O prazo de arrendamento foi avençado em 15 anos, com valor total de R$ 1.080.000,00, o que equivale a R$ 6.000,00 mensais, quantia muito abaixo da realidade, segundo a fiscalização, haja vista que o complexo industrial tem capacidade para abater e processar mais de 20 mil cabeças de gado por mês. 7.4. Em 15/10/1999, menos de um mês após a constituição da empresa, a Frigonostro, representada pelos sócios Ademir Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto, outorgou procuração aos Srs. José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci (fls. 142/143), conferindo a estes amplos e gerais poderes para gerir todos os negócios, direitos e interesses da firma outorgante. Salientese a ocorrência de situação peculiar, qual seja, o endereço residencial e domicílio constantes respectivamente do instrumento de procuração e do contrato social da Frigonostro (fls. 94/105) dos Srs. Antônio Lourenço de Lima Neto e José Clarindo Capuci são os mesmos, Rua Emílio Trevisan, 626, apartamento 83, Presidente Prudente. Entretanto, os bairros são diferentes, constando para o primeiro "Vila Bela Daria" e para o segundo, "Vila Cristina". 7.5. Em 05/06/2000, o sócio Antônio Lourenço de Lima Neto retirouse da sociedade comercial, transferindo suas cotas para a empresa "Deraplus Sociedad Anonima", que tem como sócias Marta Otero Bergonzoni e Judith Vieira Garola, e como procurador, o Sr. Roberto Cláudio Capuci (fls. 94, 106/117). O sócio Ademir Filaz também transferiu 74 cotas a essa sociedade. Assim, a Deraplus passou a deter 149 cotas da Frigonostro e o sócio Ademir Filaz 1 cota. Ressaltese que, inobstante deter apenas 1 cota da sociedade, Ademir Filaz manteve a condição de único sócio gerente do empreendimento. 7.6. O Frigonostro possui uma filial localizada na Rodovia Assis Chateaubriand, Km 476, sala 03 Zona Rural, Pirapozinho SP. Neste endereço, sala 03, funciona a empresa Lovitha Transportes Ltda, cujos sócios são Alberto Sérgio Capuci, Malvina Regina Capuci Gasparim e Francisco Claudinei Capuci, tendo como empregado o Sr. Antônio Lourenço de Lima Neto, exsócio da Frigonostro, desde 01/02/2000 (fl. 71). 7.7. Em 28/08/2001 e 26/10/2001, respectivamente, João Martins Casavechia vendeu 16,5% do imóvel onde funciona o Frigonostro para Fábio Pablo Capuci e 16,5% para Carlinho Grando (fls. 126/133). Estes, junto, com Antônio Carlos Capuci, constituíram a Comanche Assessoria de Bens Ltda (fls. 230/235), integralizando o capital desta com o imóvel onde funciona o Frigonostro e funcionava o Friporã. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000198/200802 Acórdão n.º 2401003.906 S2C4T1 Fl. 531 5 7.8. Assevera a fiscalização que os Srs. Alberto Capuci, Luiz Paulo Capuci, José Clarindo Capuci, Osmar Capuci e Mauro Martos eram sóciosgerentes (proprietários) da empresa Prudenfrigo Prudente Frigorífico Ltda até 12/03/1993, data em que se retiraram da sociedade. Em 14/02/1993, assumiram a empresa na condição de sóciosgerentes os Srs. José Filaz (mesmo sobrenome de Ademir Filaz, sócioproprietário do Frigonostro) e Luiz Carlos dos Santos. Informa que o Sr. Ademir Filaz manteve vínculos empregatícios com o Prudenfrigo no período de 06/09/1988 a 20/05/1998. (fls. 55) 7.9. Também conforme o relatório "Histórico e Pontos Relevantes da Auditoria Fiscal", o Sr. Deusdete Filaz, irmão de José Filaz (sócio do Prudenfrigo), mantém vínculo empregatício com o Frigonostro, desempenhando a função de motorista, com salário de R$ 412,00 (fl. 149). Assim, os Filaz ora aparecem como proprietários de indústrias frigoríficas que movimentam milhões de reais, ora como meros empregados com baixas remunerações. 7.10. Foi constatado também que, além do Sr. Francisco Claudinei Capuci, mandatário da Frigonostro, que ocupa o cargo de gerente administrativo e financeiro de tal empresa, também atuam no frigorífico o Sr. Ademar Capuci, no cargo de gerente administrativo e financeiro, o Sr. Fabrizzio Capuci, no cargo de auxiliar administrativo de vendas e a Sra. Aparecida Capuci Ribeiro, no cargo de encarregada financeira. (fls. 145/148) 7.11. Quanto às transações comerciais efetuadas pela Frigonostro, não obstante o montante de seu capital social (R$ 150.000,00), já no primeiro mês de funcionamento, foi registrado alto volume de compras, basicamente aquisição de gado para abate, em valor total de R$ 3.870.211,17. 7.12. Destaquemse alguns pontos levantados pela fiscalização ao pretender demonstrar que os mandatários do Frigonostro seriam os verdadeiros proprietários do empreendimento: 7.12.1. O Sr. Francisco Claudinei Capuci ofereceu bens integrantes da unidade industrial locada à penhora, no valor de R$ 30.000,00, como garantia de débitos em ação trabalhista (fls.158/180). Não obstante, conforme a cláusula décimaprimeira do contrato de arrendamento (fls. 154/177), a unidade industrial locada não pode ser objeto de penhor ou onerada de qualquer outra forma. 7.12.2. No local onde funciona a sede da Comanche, funciona um escritório denominado "Irmãos Capuci". Segundo diligência efetuada pelos auditoresfiscais notificantes, os proprietários do negócio seriam António Carlos Capuci (sócio da Comanche e arrendante/locador do terreno e da unidade industrial onde funciona o Frigonostro) e Roberto Cláudio Capuci (procurador com amplos poderes da "Deraplus", sócia do Frigonostro com 149 cotas (99,33% do total). De acordo com as informações fiscais, consta no cartão comercial do escritório a denominação "Irmãos Capuci" e o nome de fantasia e o logotipo comercial do Frigonostro. 7.12.3. A Fazenda Paquetá Ltda figura dentre os maiores fornecedores de gado bovino do Frigonostro. Segundo seu diretor, as vendas para o Frigonostro eram negociadas com o Sr. Ademar Capuci, e as notas promissórias rurais pelos Srs. José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, assim como os cheques utilizados para pagamento do gado. (fls. 236/304). 7. Conclui a fiscalização asseverando que há evidências cristalinas que indicam uma simulação, engendrandose uma aparência artificiosa dos negócios com o intuito de se esquivar do pagamento das contribuições previdenciárias. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 Elenca, a final, alguns motivos que levaram a tal conclusão: a pessoa jurídica não possui quaisquer bens, pois suas instalações comerciais são arrendadas; os sócios gerentes não possuem capacidade financeira ou quaisquer bens; deixouse de recolher sistematicamente as contribuições previdenciárias relativas à cota patronal incidente sobre a folha de salários e aquelas devidas por subrogação na aquisição de produção rural (gado para abate), prática adotada desde o início de suas atividades; outra empresa já ocupa o complexo industrial frigorífico, uma vez que o mesmo foi novamente arrendado. Segundo o Relatório Fiscal, a prevalecer tal simulacro ardiloso, a Previdência Social jamais logrará êxito no efetivo recebimento dos créditos previdenciários apurados." Cientificada do lançamento em 22/07/2002, a notificada ofertou duas peças de impugnação de fls. 327/335 e 344/357, onde questionou a inclusão de Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci na condição de coresponsáveis pelo crédito lançado. Alegou que o fisco deixou de comprovar quais os meios ardilosos foram utilizados para esconder fatos geradores de contribuições previdenciárias. Advogou que na espécie não há o que se falar em sonegação fiscal ou mesmo máfé do sujeito passivo, na verdade, a falta de pagamento dos tributos ocorreu em razão de dificuldades financeiras. Também impugnaram a NFLD os coresponsáveis Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci, afirmando que não há base legal para sua inclusão na condição de responsáveis pelos valores lançados, posto que não houve comprovação de que detinham a capacidade econômica do empreendimento, além de não figurarem no quadro social da empresa. Esclareceram ainda que sempre agiram na condição de mandatários, cumprindo fielmente os poderes que lhes foram outorgados, sem cometerem excesso que os enquadre no artigo 135 do CTN, bem como nunca foram sequer mandatários da empresa Friporã. Alegaram que inexistiu sonegação e que devem ser excluídos em definitivo do rol de coresponsáveis. Todos os argumentos foram rejeitados pelo órgão de julgamento de primeira instância (ver fls. 361/282), motivo pelo qual foram apresentados recursos voluntários de fls. 388/393 (empresa), 396/403 (José Clarindo Capuci) e Francisco Claudinei Capuci 410/417. Além desses, recorreu também o sócio de direito Ademir Filaz, fls. 424/431. No recurso da empresa sustentase que a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios e aos mandatários representa ato arbitrário da fiscalização, o qual foi chancelado pela decisão de primeira instância. O julgamento de segunda instância deve rever a decisão do INSS, posto que esta feriu os princípios constitucionais da legalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. Os coresponsáveis apresentaram recursos de igual teor, nos quais alegam que os mandatários nunca foram gestores de negócios da empresa, mas apenas assinavam documentos condizentes a direitos e obrigações adquiridos e assumidos pela direção da empresa. Assim não há base legal para responsabilização dessas pessoas. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000198/200802 Acórdão n.º 2401003.906 S2C4T1 Fl. 532 7 Advogaram que a empresa notificada não foi constituída com o propósito de sonegar contribuições previdenciárias; pois, a sua constituição foi como a de qualquer outra empresa, ou seja, um risco de capital, onde o objetivo principal é o resultado positivo; porém, também, correse o risco de obter resultado negativo. Afirmaram que os débitos levantados pelos Auditores da Previdência são originados de inevitável inadimplência, em razão de dificuldades por que passa todo o setor de frigoríficos. Não há razão para se atribuir a ocorrência de crime tributário. Asseguraram que também inexistiu a apropriação indébita, posto que as contribuições dos segurados apurada na NFLD n.º 35.201.0908 foram integralmente quitadas. A falta de declaração das compras de gado ocorreu por desinformação do setor responsável pela preparação da GFIP, jamais por intuito de sonegar as contribuições, até porque as operações foram documentadas em notas fiscais e nos livros de entrada de mercadorias. Alegaram que foi nítida a intenção da empresa de colaborar com a fiscalização, tanto que há o registro de que durante a ação fiscal não houve circunstâncias agravantes. Ao final pedem que seja reformada a decisão a quo e que os mandatários sejam excluídos da relação de coresponsáveis. O INSS apresentou contrarazões, fls. 439/442. A 4.ª Câmara de Julgamento do CRPS não conheceu do recurso em razão da não instrução do mesmo com o depósito no valor de 30% da exigência fiscal (fls. 443/445). A empresa foi beneficiada com decisão judicial garantindo o processamento dos recursos independentemente de depósito prévio, por isso, os autos foram encaminhados ao CARF. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão da lista de coresponsáveis do sócio Ademir Filaz O pedido para exclusão do sócio de direito Ademir Filaz do passivo da relação tributária não merece acolhida. Ele figura na relação de coresponsáveis como sócio gerente, mas nem por isso há a sua vinculação na condição de devedor. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da entidade autuada. Os sócios, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada à NFLD apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo. O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, o recorrente carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais da lista de coresponsáveis, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Esse entendimento inclusive consta de Súmula do CARF: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Coresponsabilidade dos senhores Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci Para estas pessoas cabenos apreciar se foi correta a inclusão de seus nomes no Relatório "CORESP". É que pessoas formalmente atuavam apenas como mandatários da empresa, não figurando no seu quadro societário. O fisco porém detectou que o verdadeiro comando da notificada estava nas mãos destas duas pessoas, sendo os sócios de direito meros "laranjas", utilizados para encobrir os reais proprietários do empreendimento. É de se ressaltar, todavia, que mesmo com essa imputação não estão estas pessoas sendo responsabilizadas pelo débito. Todos ali listados poderão numa futura execução judicial serem chamados a responder pelas contribuições não recolhidas, caso o juízo da execução entenda estarem presentes os requisitos do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000198/200802 Acórdão n.º 2401003.906 S2C4T1 Fl. 533 9 E por falar nesse dispositivo, é de se salientar que ele permite a responsabilização dos mandatários, como se pode ver da redação do seu inciso II: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, ainda que o fisco não tivesse identificado que a gerência da empresa era de fato dessas pessoas, mesmo assim seria justificável a sua inclusão no Relatório "Coresp", haja vista que os mandatários podem ser responsabilizados pessoalmente pelo crédito tributário em caso de ocorrência atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Mas não me furtarei de apreciar as alegações acerca da impossibilidade de arrolar os mandatários como potenciais responsáveis pelas contribuições lançadas, na condição de gerentes. Para mim são muito robustas as evidências apresentadas pelo fisco de que Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci detinham de fato o controle da empresa autuada. Um primeiro aspecto que deixa transparecer claramente a operação montada no intuito de esconder os verdadeiros proprietários da empresa é a capacidade econômica dos sócios constantes no contrato social. A empresa Frigonostro, constituída em 22/09/1999, tinha inicialmente em seu quadro societário Ademir Filaz e Antonio Lourenço de Lima Neto, como sócios gerentes, com 75 cotas cada um, representando R$ 75.000,00. Consta dos autos que as pessoas referidas sempre laboraram como empregados em empresas frigoríficas, como demonstrado no quadro de fls. 77/80, com remuneração de pouca monta e ocupando cargos auxiliares. Não há na defesa, tampouco no recurso, qualquer fato que pudesse justificar como essas pessoas amealharam recursos suficientes para se tornarem proprietários de uma empresa com grande movimentação financeira. Observese que esses sócios de fachada, em 15/10/1999, outorgaram procuração (fls. 169/170) a José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, conferindo lhes amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar todos os negócios, direitos e interesses da firma outorgante, representandoa em todos os atos, contratos, negócios e transações que por sua natureza dependa da presença, assistência, manifestação e assinatura. Com os poderes conferidos, os mandatários passaram verdadeiramente a exercer a gerência da empresa notificada. Outro fato curioso envolvendo um dos sócios de direito da empresa é que no cotejo entre o contrato social e o instrumento de procuração, notase a coincidência de Fl. 537DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 endereço de Antonio Lourenço de Lima Neto e José Clarindo Capuci, ambos residentes na rua Emilio Trevisan, 626, ap. 83, em Presidente Prudente. Destaquese ainda que membros da família Capuci laboravam na empresa Frigonostro em cargos de relevância como foi relatado pela autoridade lançadora. Francisco Claudinei Capuci — Gerente administrativo e financeiro, Ademar Capuci Gerente administrativo e financeiro, Fabrizzio Capucci Auxiliar administrativo de vendas e Aparecida Capuci Ribeiro Encarregada Financeira. (fls. 172/175). Por outro lado, a estrutura física para criação da empresa Frigonostro teve origem em transações financeiras realizadas por membros da família Capuci, como se pode ver de excerto da decisão recorrida, citando passagens do relatório fiscal: "21.3. A empresa Friporã, através de Escritura Pública de Confissão de Dívida cumulada com Dação em Pagamento, confessa ser devedora de Antonio Carlos Capuci e João Martins Casavechia na quantia de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), entregandolhes como dação em pagamento todo o maquinário da unidade industrial frigorífica e o imóvel onde está instalada. (16/08/99 e 25/08/99). Desta feita, Antonio Carlos Capuci e João Martins Casavechia em 20/09/99 arrendam à empresa Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda, constituída somente dois dias após, ou seja, em 22/09/99, o complexo industrial, visando, como já analisado no tocante à sucessão, à continuidade das atividades da Friporã, desta vez, livre de qualquer dívida que pudesse restringir sua ampla atuação mercantil." Chama atenção também o fato de que integrantes do clã dos Capuci viabilizaram também a continuidade das operações do Frigonostro assumindo dívidas da falida empresa Friporã. Vejam o que disso sobre a questão o Auditor Fiscal, conforme consta da decisão recorrida: "21.2. Importante ainda ressaltar a afirmação contida no Relatório Fiscal do débito de que o sóciogerente da empresa Friporã, Luis Carlos Rodrigues Palloni, informou que os irmãos Capuci negociaram e firmaram acordo com o Sr. Dory Grando (sócio da Friporã) onde assumiram as dívidas trabalhistas, as dívidas com os pecuaristas fornecedores e as dívidas bancárias. Informa ainda que as dívidas com os pecuaristas foram de fato quitadas pelos Capuci, as dívidas trabalhistas foram assumidas pelo Frigonostro e que as dívidas bancárias continuam pendentes. Evidentemente, para que o empreendimento pudesse continuar, os créditos dos fornecedores de bovinos deveriam ser quitados e para que os empregados continuassem em suas atividades, embora em nova empresa, com novo nome, a quitação dos créditos trabalhistas também se fazia imprescindível. O que transparece é que os irmãos Capuci asssumem as dívidas trabalhistas, mas quem as quita é a empresa Frigonostro. Tal fato não foge à normalidade, já que, como mencionado pelos auditoresfiscais, os empreendimentos Friporã e Frigonostro eram de propriedade de Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci, sendo por eles administrados. A pessoa jurídica (Friporã/Frigonostro) era o que menos importava; o que, realmente, levavase em consideração era a capacidade de se operar a exploração econômica, gerando os lucros esperados." Outra evidência de que os Capuci eram de fato quem geriam a empresa é que todas as negociações com o principal fornecedor Fazenda Paquetá eram efetuadas por Ademar Capuci, sendo todos os documentos relativos às operações assinados por José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19509.000198/200802 Acórdão n.º 2401003.906 S2C4T1 Fl. 534 11 A partir de 05/06/2000 a empresa Deraplus Sociedad Anonima passou a condição de maior participante do empreendimento Frigonostro possuindo 149 das 150 cotas do capital social. A empresa Deraplus é gerida por Roberto Cláudio Capuci, que detém procuração com amplos poderes de administração. Esse fato também demonstra que o comando da notificada de fato estava nas mãos da família Capuci Essas evidências para mim já são suficientes para concluir que de fato Francisco Claudinei Capuci e José Clarindo Capuci eram os administradores da empresa Frigonostro, não tendo os argumentos lançados no recurso a força necessária para afastar essa imputação do fisco. Nessa toada devem ser mantidos no Relatório "CORESP" o nome dessas pessoas na condição de sócios gerentes. Afronta da decisão recorrida a princípios constitucionais Não vislumbrei na decisão do INSS qualquer atropelo a princípios consagrados na Constituição Federal. Observo que o julgador monocrático apreciou satisfatoriamente todos os pontos trazidos na peça de defesa. As conclusões do órgão de primeira instância foram obtidas a partir do confronto entre os elementos constantes dos autos e o direito aplicável, onde se observa que todas as questões tratadas foram apreciadas a contento, não tendo o julgador deixado um só aspecto da impugnação sem a devida análise. O fato do sujeito passivo não concordar com o entendimento expresso na decisão recorrida não a autoriza a conclusão de que esta foi exarada em afronta à Carta Magna. Vejamos: a) Princípio da Legalidade: toda a fundamentação legal que embasou a apreciação das questões preliminares e de mérito foram mencionadas na decisão; b) Princípio da Motivação: as conclusões do órgão recorrido foram claramente explicitadas, fundandose nos fatos narrados, nos argumentos da defesa, nas provas colacionadas e no direito aplicável; c) Princípio da Razoabilidade: ao contrário do que afirmou a recorrente, o julgador de primeira instância aprofundouse na apreciação da lide, não tendo ficado preso apenas a aspectos formais da lavratura; d) Princípio da Verdade Real: a decisão está em consonância com os elementos constantes nos autos, não tendo em nenhum momento deixado de lado a apreciação das provas, além de que os dados presentes no processo são suficientes para que se chegue a uma conclusão segura sobre a contenda; e) Princípio da Ampla Defesa: o decisório do INSS foi redigido de forma a possibilitar à notificada plena compreensão das razões de decidir, além de que o prazo para impugnar foi aquele prevista na legislação: Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 f) Princípio da Segurança Jurídica: inexistiu qualquer prejuízo à segurança jurídica, posto que ao administrado foram ofertadas todas as prerrogativas previstas na legislação e a decisão pautouse nos fatos e no direito aplicável; g) Princípio do Interesse Público: esse princípio foi respeitado na medida que o órgão de julgamento do INSS apreciou os motivos de inconformismo do sujeito passivo e ofereceu uma decisão voltada o para controle da legalidade do ato administrativo do lançamento. Assim, afasto a tese da afronta da decisão do INSS aos princípios apontados no recurso. Da inexistência de crimes Quanto a alegação da inocorrência de crimes, feita no intuito de cancelar a Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 37172.002198/2005-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 28/02/2004
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 99.
Recurso especial conhecido em parte e provido.
Numero da decisão: 9202-003.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento para declarar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1999, inclusive.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 02/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 99. Recurso especial conhecido em parte e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento para declarar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1999, inclusive. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 17 2. 00 21 98 /2 00 5- 17 Fl. 6441DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 02/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face da Companhia Tecidos Santanense, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 140/349, para a cobrança de contribuições previdenciárias relativas às seguintes rubricas: alíquota adicional por exposição de trabalhadores a riscos ocupacionais (Período 04/99 a 02/04); abono em acordos coletivos de trabalho (Período 06/99 a 08/02); acordos trabalhistas (Período 08/96 a 01/98); diferença de recolhimentos de contribuição rural (Competência 08/98); prêmio de assiduidade indenizado até dezembro de 1998 (Período 02/97 a 12/98); prêmio de assiduidade indenizado a partir de janeiro de 1999 (Período 01/99 a 02/04); e, vínculos empregatícios (Período 03/01 a 02/04). A Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 230102.014, que se encontra às fls. 6226/6254 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 28/02/2004 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO ATO FISCALIZATÓRIO. VINCULO EMPREGATÍCIO. Nos termos do artigo 12, inciso I, letra “a”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado.” DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. Fl. 6442DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 37172.002198/200517 Acórdão n.º 9202003.572 CSRFT2 Fl. 10 3 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, não existem pagamentos em relação aos fatos geradores lançados, o que impõe a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I. ALÍQUOTA ADICIONAL DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXPOSIÇÃO DE TRABALHADORES A RISCO OCUPACIONAL. A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes, que, comprovadamente, seja prejudicial à saúde ou à integridade física, e que enseje a concessão de aposentadoria especial, está sujeita ao pagamento da alíquota adicional da contribuição previdenciária. PRÊMIOS POR ASSIDUIDADE. CARÁTER DE GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. O prêmio pago habitualmente ao empregado todo ano, desde que não possua faltas, assume a natureza de gratificação ajustada, o que o inclui no gênero remuneração e impõe a incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, pelo voto de qualidade, deu parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das contribuições apuradas até a competência de 12/1998, aplicando a regra decadencial expressa no art. 173, I, do CTN, negando provimento ao recurso nas demais questões apresentadas pela contribuinte. Intimada do acórdão em 10/02/2012 (fls. 6316), a contribuinte interpôs recurso especial (fls. 6317/6338), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n.º 920200.495 e 920200.906, no tocante à decadência das contribuições em razão da inexistência de antecipação de pagamento em caso de recolhimento sob rubricas diversas, bem como a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n.° 20600.479 e 9202 00.485, no tocante à incidência de contribuições previdenciárias sobre “prêmio assiduidade” concedido aos empregados. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 169/2012, de 10/04/2012 (fls. 6391/6392). Fl. 6443DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 6395/6405). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do recurso especial interposto. No tocante à decadência o recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos nº 920200.495 e 920200.906. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 920200.495 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE' s n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, por unanimidade de votos, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relator em virtude de aludido fato.” Acórdão nº 920200.906 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – DECADÊNCIA – SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassando esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do art. 150, §4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Fl. 6444DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 37172.002198/200517 Acórdão n.º 9202003.572 CSRFT2 Fl. 11 5 No período autuado, inclusive, a empresa efetuou recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, sendo que a NFLD envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Aplicabilidade ao caso da Súmula Vinculante n.º 08 do Egrégio STF. Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 05/1998. (...)” No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação do art. 173, I, do CTN, pois adotou entendimento segundo o qual a ocorrência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias para fins de determinação do regime jurídico de decadência (art. 150, §4º, ou art. 173, I, ambos do CTN) deve ser verificada com relação à rubrica objeto do lançamento. Os paradigmas colacionados, no entanto, manifestam entendimento de que o prazo decadencial previsto no §4º do artigo 150 do CTN deve ser utilizado nos casos em que verificada a existência de pagamento, ainda que sob rubricas que não foram objeto do lançamento. Dessa forma patente a divergência em relação à decadência. Sustenta, ainda, divergência em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre o prêmio/abono assiduidade pago, apresentados como paradigmas os acórdãos n.º 20600.479 e 920200.485, assim ementados: Acórdão nº 20600.479 “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO ABONO DE FÉRIAS NOS MOLDES DO ART. 144 DA CLT NÃO INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho. A lei 8.212/91 dispõe em seu art. 28, § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, as importâncias recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144. Nesse caso a única exigência legal é a previsão em contrato de trabalho, regulamento ou acordo ou convenção coletiva. Dessa forma, os critérios a serem utilizados para a concessão do beneficio podem ser estabelecidos dentro do poder diretivo do empregador ou pela vontade das partes. Não cabe a autoridade previdenciária fixar critérios para a eficácia do dispositivo, se nem mesmo a legislação trabalhista ou previdenciária o fez. Fl. 6445DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, as importâncias recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT.” Acórdão nº 920200.485 “ABONO DE FÉRIAS. O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho.” Destaco, inicialmente, que os valores relativos ao prêmio/abono foram originalmente considerados como rendimentos tributáveis pela própria Recorrente quando pagos aos seus empregados “ativos”. O lançamento em relação a esta verba abarcou somente valores relativos ao prêmio/abono pagos juntamente com férias indenizadas para empregados que tiveram seus contratos de trabalho rescindido, conforme se verifica do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento (fls.338): “A empresa paga a seus empregados segurados uma parcela de prêmio assiduidade, previsto em acordo coletivo de trabalho, no momento das férias, e sobre ela faz incidir contribuições previdenciárias normalmente. O recebimento desse prêmio está vinculado a certas regras em relação às faltas ao trabalho. O Procedimento está correto até este ponto, porém na demissão do empregado a empresa não faz as contribuições alegando que a parcela é indenizatória. Entendemos que o Prêmio Assiduidade e as férias são verbas totalmente distintas, tendo cada uma essência própria, portanto imiscíveis. Pagar o prêmio junto com as férias é determinação da letra “c” da cláusula 3 do acordo coletivo de trabalho da empresa, o que não o transforma em parcela indenizatória, como são as férias na rescisão contratual. Nas competências de novembro de dezembro de 1997, provavelmente por determinação da Medida Provisória 1523 7/1997, a empresa fez o recolhimento referente aos valores pagos a título de Prêmio Assiduidade Indenizado. Porém em 11/2003 e 12/2003 fez compensações relativas a esses recolhimentos nos valores de R$4.182,61 e R$5.081,76, respectivamente. Dessa forma foi feito, na presente notificação, o levantamento de débito referente às contribuições não realizadas sobre pagamento de prêmio assiduidade (PI8 e PI9) para o período fiscalizado, por não constarem de qualquer questionamento judicial. Porém as competências de 11 e 12/97, foram glosadas sob o código de levantamento CPA e notificadas a parte na NFLD 35.761.6324. Tal procedimento foi realizado, apesar da essência remuneratória da verba, devido à existência de liminar impedindo o INSS de cobrar contribuições sobre parcelas que a empresa julga indenizatórias para o período de vigência da MP 15237/97. (...) Fl. 6446DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 37172.002198/200517 Acórdão n.º 9202003.572 CSRFT2 Fl. 12 7 Temos também nesse caso uma verba remuneratória cujo pagamento é mantido anualmente através de acordo coletivo de trabalho. A empresa considera esse prêmio como saláriode contribuição quando o pagamento é feito para os empregados ativos da empresa, quando o nome da verba é “Prêmio Assiduidade”, porém na rescisão ela dá para o prêmio assiduidade o mesmo tratamento de férias classificandoo como indenizatório. Esse procedimento é um equívoco, pois um prêmio não assume a essência de férias apenas por ser pago junto com estas. Entendemos que independentemente do momento do pagamento do prêmio, ele deverá manter sua natureza remuneratória, mesmo na rescisão do contrato de trabalho quando é pago junto com outras parcelas, inclusive indenizadas.” (original sem grifos) Em sua impugnação a Recorrente sustenta que os valores em questão não são rendimentos tributáveis posto que teriam natureza indenizatória. O acordão recorrido, porém, consignou em seu voto vencedor que o “prêmio é pago habitualmente ao empregado todo ano, desde que não possua faltas” concluindo que as verbas são rendimentos habituais e, portanto, tributáveis para fins previdenciários. Até a prolação do acórdão recorrido a Recorrente não procurou demonstrar nem alegou tratarse o abono assiduidade daquele adicional de férias a que se refere o artigo 144 da CLT, segundo o qual “O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998)”. No recurso especial invoca para demonstrar a divergência paradigmas que enfrentaram situações fáticas nas quais as autoridades fiscais consideraram o abono de férias pago em conformidade com o artigo 144 da Consolidação das Leis Trabalhistas como rendimento sujeito à tributação seja por estar condicionado à assiduidade do empregado (representando complementação salarial) ou por não serem concedidos à totalidade dos empregados. Assim, os acórdãos paradigma enfrentaram questão fática relativa às exigências legais para que abonos pagos em conformidade com o artigo 144 da CLT estivessem ou não sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. Destaquese, por oportuno, que nos paradigmas, diversamente do que se verifica no presente processo, os valores sempre foram tratados como “abonos” não sujeitos à tributação nos termos do artigo 28, § 9º da Lei 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) Fl. 6447DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT;” Para fins de clareza transcrevo também a redação dos artigos 143 e 144 da CLT: “Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes.” “Art. 144 O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho.” Os paradigmas adotaram como fundamento para afastar a incidência de contribuições previdenciárias o fato de que os abonos de férias analisados foram pagos nos termos e condições do que determina o artigo 144 da CLT. Tal matéria fática, estar ou não caracterizado o abono de que trata o artigo 144, que tem requisitos específicos (como não exceder a vinte dias de trabalho), não foi prequestionada ou aventada até a segunda instância pela Recorrente. No presente caso, no entanto, a própria Recorrente entende que os abonos pagos correspondem a rendimentos tributáveis, discordando da tributação somente no caso de pagamento de abonos no momento da rescição contratual, o que seria incoerente com o tratamento dos abonos do artigo 144 do CLT, que quando caracterizados são isentos de tributação quando pagos durante a vigência do contrato de trabalho. Não houve assim préquestionamento necessário à caracterização da divergência, tudo a indicar que as situações fáticas não são comparáveis, pelo que encaminho meu voto no sentido de não conhecer do recurso nesta parte. Decadência – Aplicação do artigo 173, I ou 150, §4º do CTN No tocante à decadência a questão posta já foi enfrentada por esta C. Câmara Superior, sendo objeto da súmula CARF n. 99, in verbis: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. No presente caso, pela análise do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal é possível inferir que houve o recolhimento, ainda que parcial, das contribuições devidas pelo sujeito passivo (fls. 298), valor que foi inclusive deduzido na apuração do valor do crédito tributário lançado na autuação. Fl. 6448DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 37172.002198/200517 Acórdão n.º 9202003.572 CSRFT2 Fl. 13 9 Com base na referida súmula, aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 24/12/2004 (fls. 140), deve ser reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1999, inclusive este. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial da contribuinte para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para declarar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1999, inclusive este. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6449DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 13603.723649/2011-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo.É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social.
PREVIDENCIÁRIO. PREVIDENCIÁRIO.OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO .LANÇAMENTO. LEI VIGENTE.
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , eis que assim resta determinado na previsão do art. 144 do Código tributário Nacional- CTN.
PREVIDENCIÁRIO .DA MULTA.
Às penalidades de infrações imputadas em razão de inadimplementos de obrigações acessórias cujas fatos geradores, à época das ocorrências, verificavam-se submetidos ao comando do inciso IV do caput do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o legislador claramente introduziu nova determinação na forma do art. 32-A da sobredita Lei.
PREVIDENCIÁRIO. CAPITULAÇÃO NOVA.PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA.
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, contemplando o Princípio da Retroatividade Benigna , o art. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN, determina a aplicação retroativa da lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da exclusão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo.É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. PREVIDENCIÁRIO. PREVIDENCIÁRIO.OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO .LANÇAMENTO. LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , eis que assim resta determinado na previsão do art. 144 do Código tributário Nacional CTN. PREVIDENCIÁRIO .DA MULTA. Às penalidades de infrações imputadas em razão de inadimplementos de obrigações acessórias cujas fatos geradores, à época das ocorrências, verificavamse submetidos ao comando do inciso IV do caput do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o legislador claramente introduziu nova determinação na forma do art. 32A da sobredita Lei. PREVIDENCIÁRIO. CAPITULAÇÃO NOVA.PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 36 49 /2 01 1- 16 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Tratandose de ato não definitivamente julgado que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, contemplando o Princípio da Retroatividade Benigna , o art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional CTN, determina a aplicação retroativa da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da exclusão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 2403002.415 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que compulsei com os autos, anui e transcrevo na íntegra: “Tratase de Auto de Infração, consolidado em 27/9/11, referente a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, não declarados em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 25/27) o município deixou de recolher e informar em GFIP os valores pagos a título de proventos ao prefeito e viceprefeito mais alguns segurados empregados e trabalhadores autônomos por serviços prestados.A interessada foi cientificada do auto de infração em 29/9/11, conforme assinatura à fl. 2, e apresentou a defesa de fls. 41/47, que contém, em síntese: Diz que o auto de infração referese a ausência de recolhimento da contribuição de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP, além das contribuições previdenciárias incidentes sobre o subsídio pago ao prefeito e viceprefeito e sobre remuneração paga a autônomos. Afirma que recolheu regularmente o PASEP. Alega que o não recolhimento das verbas previdenciárias referentes ao prefeito e ao viceprefeito estava sustentado por decisão judicial proferida em 17/1/05, pelo Juízo da 32a vara da Justiça Federal em Minas Gerais. Diz que referida decisão legitima o não recolhimento dos agentes políticos no período inspecionado vez que prevê medida acautelatória para determinar a suspensão dos descontos previdenciários dos agentes políticos do Poder Executivo. Quanto ao recolhimento dos trabalhadores autônomos, diz que fez os recolhimentos devidos conforme documentos juntados aos autos (documento 4). Pede a anulação do auto de infração. Às fls. 222/232 juntou aos autos folhas contendo a relação de trabalhadores constantes no arquivo SEFIP, onde aparece o nome das seguradas listadas na planilha elaborada pela fiscalização. Tendo em vista os argumentos de fato apresentados pelo sujeito passivo, os autos foram baixados em diligência para Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 manifestação do Auditor Fiscal Autuante, conforme despacho de fl. 234. Em Informação Fiscal de fl.237, o auditor fiscal autuante esclarece que quanto à segurada Andréia Jaqueline G. Santos Lemos, nos meses de fevereiro a novembro/2008, os valores constam na íntegra declarados na GFIP, sendo indevidas as contribuições lançadas. Permanecem os valores devidos e lançados referentes à segurada Cristina S. Castro. Mantidos os demais valores lançados. Assim, o débito deve ser retificado conforme proposto pelo fiscal autuante à fl. 238, descrito na Tabela 1 – Retificação do lançamento. Tabela 1 – Retificação do lançamento. Competência Cód. Lev. BC lançada BC excluída BC mantida 02/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 03/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 04/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 05/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 06/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 07/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 08/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 09/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 10/08 AU1 1.300,00 1.300,00 0,00 11/08 AU1 1.714,00 1.300,00 414,00 12/08 AU1 5.360,00 2.600,00 2.760,00 Cópia da Informação Fiscal foi encaminhada ao sujeito passivo com abertura do prazo de 30 dias para manifestação. No prazo assinalado o contribuinte se manifestou reiterando os termos da impugnação anteriormente apresentada no que concerne às contribuições incidentes sobre o subsídio do prefeito e viceprefeito, matéria que não foi objeto da diligência fiscal. Quanto aos recolhimentos sobre os valores pagos a autônomos, afirma que foram regulares” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.250, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – Mina Gerais – MG DRJ/BHE, em 26 de fevereiro de 2013, exarou o Acórdão n° 0242.798, concedendo PARCIAL PROVIMENTO anuindo a proposta de retificação resultado da diligência em sede de impugnação. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.262, quando se utilizando de argumentação genérica sequer reiterou as alegações enfrentadas pela instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 2403002.415 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Não há prejudicial para ser analisada. DO MÉRITO Observando que sob o comando do art. 16, III, do Decreto 70.235/72 a impugnação A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, aduz que com desprezo ao preceituado, tanto a impugnação de fls. 41 bem como o Recurso às fls. 262 são extremamente econômicos na argumentação contendo simplesmente genéricas e precárias alegações colacionando inclusive documentos desvinculados. Para efeito demonstração, a ação judiciária no processo 2004.8.00.735.9092 citada na impugnação como documento legal para lhe habilitar ao não recolhimento, colacionada às fls.218, sequer tem o contribuinte como autor ou litisconsorte. Inconcebível. Assim, tendo presente que o recorrente fora autuada em razão de descumprimento do comando do artigo 12, inciso I, alínea ‘j’, da Lei n ° 8.212/91, e não apresentou elementos fáticos e de direito que pudesse formar convencimento de que o lançamento em apreço não merece ser mantido, não há muito que analisar para se formar convencimento para decidir, verbis: “Os agentes políticos, prefeito e viceprefeito, eles são segurados obrigatórios da Previdência Social, nos termos da Lei 8.212/91, artigo 12, inciso I, alínea ‘j’: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: [...] j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004).” DA MULTA Na forma do registro de fls. 2, a recorrente sofreu multa de ofício. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Notificado da autuação em 09/09/2011, em razão de ocorrência de fatos geradores de pagamentos ocorridos nas competências 01/01/2007 a 31/12/2008, o relatório de Fundamentos Legais às fls. 12, registra que lhes fora imputado penalidade prevista no comando da Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n.° 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. , verbis: “ 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 02/2007 a 12/2007, 02/2008 a 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redacao da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” De plano há que se observar o contido no art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN , quando determina que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada., verbis: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido.” Conforme destacado alhures, o crédito foi constituído em razão de fatos geradores ocorridos nas competências 01/01/2007 a 31/12/2008. assim a MP n.° 449 de 04.12.2008 de se valeu a autoridade autuante para enquadrar a irregularidade nos ditames do art. 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), se mostra inadequada sendo nulos seus efeitos. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 2403002.415 S2C4T3 Fl. 5 7 DA NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N° 8.212 Nos termos da sobredita MP 449de 04/12/2008 e com a redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996verbis : “Art.35 . Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996” ( grifos do Relator) Eis que o caput e § 2º da Lei no 9.430/96 determina taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso limitada ao percentual da multa de vinte por cento, verbis: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Tudo isto exposto, entendo que não se trata de aplicação de multa de ofício posto que penalidade superveniente aos fatos geradores. Nas circunstâncias, caberia aplicar o prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. No que concerne a competência 12/2008, tendo sido notificada da autuação em 09/09/2011, é pertinente observar o art. 35A. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA.CAPITULAÇÃO NOVA. Tratandose de ato não definitivamente julgado que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática , com albergue no Princípio da Retroatividade Benigna, é compulsório observar o comando do artigo 106, II, “c” , do CTN. MULTA MENOS SEVERA O art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional CTN, determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, verbis: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim, impõese o cálculo da multa nos termos do art. 35A da Lei n° Lei 8.212/91, de modo que comparandose o resultado obtido com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 , prevaleça a multa menos severa. Definido pertinente o recálculo da multa, este se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que se apliquem multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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