Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10283.900014/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10283.900014/2010-30
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446715
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-001.502
nome_arquivo_s : Decisao_10283900014201030.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10283900014201030_5446715.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5878485
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703472046080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 366 1 365 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900014/201030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.502 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 00 14 /2 01 0- 30 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900014/201030 Acórdão n.º 3202001.502 S3C2T2 Fl. 367 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720092/2012-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza- Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10950.720092/2012-12
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436405
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-000.283
nome_arquivo_s : Decisao_10950720092201212.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10950720092201212_5436405.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza- Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5842390
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703481483264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1275; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.720092/201212 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.283 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 08 de outubro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CRESTAN & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 20 09 2/ 20 12 -1 2 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10950.720092/201212 Resolução nº 2403000.283 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório A presente exigência decorre da emissão do Ato Declaratório Executivo nº 02, de 13/01/2012 (fl. 188), expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maringá/PR, por meio do qual foi a requerente excluída de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou defesa administrativa fls.225/239, na qual, entre outras alegações, afirma que : a autoridade fiscal considerou como receita bruta a movimentação financeira da impugnante, quando muitos dos valores não correspondem a receitas; que como outras empresas, utiliza de vários mecanismos para manter as contas bancárias sempre no positivo; tomava empréstimos bancários e, fazia transferências entre contas de sua titularidade, a fim de fugir dos juros; e apesar de ter sido intimada a comprovar a natureza e origem dos depósitos não houve tempo hábil suficiente para tamanha diligência, uma vez que tal esforço não demanda apenas documentos em posse da empresa, como também de parecer de bancos e de um perito que averigúe os depósitos individual e separadamente. Indica perito. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da Impugnante, na forma do registro de fls. 322, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, em 22 de agosto de 2013, exarou o Acórdão n° 7332. 281, MANTENDO O CRÉDITO LANÇADO. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente, interpôs Recursos Voluntários onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10950.720092/201212 Resolução nº 2403000.283 S2C4T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator O Recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto dele tomo conhecimento. Na condução do voto a quo o i. Julgador registra que: " Esclareço que estes mesmos questionamentos constam em processo administrativo especifico de manifestação de inconformidade ao Ato Declaratório Executivo nº 02, de 13/01/2012, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maringá/PR. A manifestação de inconformidade, na qual questiona sua exclusão do Simples Nacional foi objeto de julgamento pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Curitiba/PR, que emitiu o acórdão 38.920, em 20/12/2012, que a considerou improcedente, por unanimidade de votos, tendo sido mantidas a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009. Desta forma, deixo de apreciar neste processo administrativo matéria que diretamente ensejaram a exclusão da empresa do Simples, posto que já foram objeto de julgamento administrativo, tais como a quebra do sigilo bancário, autorização judicial para exame das contas correntes bancárias, origens dos depósitos bancários e a competência da autoridade fazendária para intimar a apresentação de extratos bancários. " ( grifos de minha autoria ) DA DILIGÊNCIA Como se nota, do encimado não se tem notícias sobre o trânsito em julgado da manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte. Neste sentido determino o retorno em DILIGÊNCIA para informações. CONCLUSÃO Conheço do Recurso ao tempo que determino DILIGÊNCIA para que seja informado o número do processo referente ao Acórdão 38.920, exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Maringá/PR, em 20/12/2012. Em complemento, que se faça registro do trâmite do aludido processo. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.004681/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
INTIMAÇÃO POR EDITAL - VALIDADE - REQUISITOS - Para que a intimação por edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação pessoal ou por via postal. Inteligência do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso provido.
Acórdão de primeira instância anulado.
Numero da decisão: 2202-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator..
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 INTIMAÇÃO POR EDITAL - VALIDADE - REQUISITOS - Para que a intimação por edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação pessoal ou por via postal. Inteligência do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72. Recurso provido. Acórdão de primeira instância anulado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10882.004681/2008-16
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435130
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-003.003
nome_arquivo_s : Decisao_10882004681200816.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10882004681200816_5435130.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5838756
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703495114752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.004681/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.003 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente ANDRE INCONTRI NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 INTIMAÇÃO POR EDITAL VALIDADE REQUISITOS Para que a intimação por edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação pessoal ou por via postal. Inteligência do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72. Recurso provido. Acórdão de primeira instância anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 46 81 /2 00 8- 16 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, ANDRE INCONTRI NETO, foi lavrado o Auto de Infração dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009 (fls. 1.657 a 1.667), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 2.466.214,44, sendo R$ 785.743,92 de imposto, R$ 501.854,64 de juros de mora (calculados até 28/11/2008) e R$ 1.178.615,88 de multa proporcional. O auto de infração apurou omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 138 a 149), com aplicação da multa qualificada de 150% (cento e setenta por cento). O contribuinte foi intimado do lançamento por meio do Edital n° 85/2008, afixado em 15/12/2008 e desafixado em 30/12/2008 (fls. 150 e 151), sendo que sua impugnação somente foi apresentada em 17/05/2010 (fls. 172/199 e 202/221), alegando, em síntese, o que passamos a relatar a seguir. DOS FATOS INSERIDOS NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Inicia alegando que foi impedido de tomar ciência do auto de infração e que tal fato o impediu de impugnálo adequadamente. Alega também que o Termo de Encerramento de fl. 137, foi datado de 09 de dezembro de 2008 e o Termo de Verificação Fiscal somente foi elaborado em 10 de dezembro de 2008, motivo pelo qual entende que o auto de infração somente teria sido concluído no dia 10 de dezembro de 2008. Discorda da intimação realizada por meio do Edital n° 85/2008, fixado nas dependências da própria Repartição Fiscal, considerando que o referido ato é nulo e sem efeitos jurídicos. Considera que os requisitos legais para a intimação por edital deveria ser sua situação cadastral junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil que na época encontravase regularizada. DOS REQUISITOS LEGAIS AUTORIZADORES DA NOTIFICAÇÃO E DA INSUFICIÊNCIA DE MOTIVOS PARA SUA INTIMAÇÃO EDITALÍCIA Aduz que poderia ter sido localizado no seu domicilio tributário e insiste ter ocorrido a falta de vários elementos necessários para a validade do lançamento, tais como motivo, finalidade e forma quanto ao conteúdo, o que toma o lançamento nulo por estar maculado de defeito. DA RECUSA EM DATA POSTERIOR Reconhece que o Edital n° 85/2008 justificase pelo fato de seu domicilio tributário não ter sido localizado e de sua recusa no Aviso de Recebimento (AR), já que o referido edital é datado de 12 de dezembro de 2008 e a recusa ocorrera somente em 15 de dezembro daquele ano, pois entende que um ato jurídico posterior jamais poderia motivar a prática de um ato jurídico Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.004681/200816 Acórdão n.º 2202003.003 S2C2T2 Fl. 3 3 anterior, o que seria suficiente para tornar o referido edital nulo e todos os atos processuais administrativos subseqüentes desconsiderados. DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO Argumenta que em 12 dezembro de 2008, quando foi elaborado o Edital 85/2008, seu endereço e domicilio tributário A. Receita Federal do Brasil já tinha sido declinado e era diverso daquele que consta na correspondência enviada para fins de notificação do presente processo administrativo. Admite que só eventualmente era encontrado no endereço localizado na Rua Alexandre de Gusmão n° 429 CEP. 06.706 900, porém afirma que em dezembro de 2008 seu endereço tributário era o da Rua Dona Maria Pêra n° 169, CEP 04.303 140, e não o endereço apontado anteriormente, dai porque considera que a notificação enviada no primeiro endereço é inválida e o edital merece ser anulado. DOS REQUISITOS PARA A VALIDADE DA INTIMAÇÃO EDITALÍCIA Considera que a intimação efetuada por edital encontrase eivada de vicio de nulidade, embora reconheça expressamente que "A via da intimação da parte interessada por meio de edital é utilizada, tanto nos processos administrativos como nos processos judiciais, somente como meio de contorno, pois uma vez frustrados os demais modos de intimação, o regular andamento dos processos poderia ficar prejudicada, por falta de meios hábeis de intimação da parte interessada, por conseguinte, ela poderia vir a ser beneficiada por sua própria desidia". Reforça, ainda, que a existência da previsão legal da intimação por meio edital somente é valida e justificável quando não houver nenhuma outra forma de intimar o contribuinte. DO DESVIO DE FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO Afirma que ao contrário do que foi relatado pelo fiscal, a notificação poderia ter sido realizada pessoalmente, tendo em vista que durante o curso do procedimento fiscal sempre que era solicitado comparecia à Repartição administrativa. Confirma também ter recebido do Fiscal autuante a devolução de documentos dois dias antes da lavratura do presente auto de infração, motivo pelo qual entende que esse fato ensej aria a nulidade da intimação por edital. DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS DE VALIDADE DO CONTEÚDO DO EDITAL Aduz que o Edital n° 85/2008 como ato administrativo é nulo pela inobservância dos requisitos legais mínimos de validade ao seu conteúdo, nos termos do art. 11, do Decreto n° 70.235/72. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 DA POSSIBILIDADE JURÍDICA DE INTERPOSIÇÃO DE IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA, APESAR DO TERMO DE REVELIA Aponta vícios na intimação por edital e a considera passível de anulação, o que reabriria o prazo para a apresentação desta impugnação, já que o Termo de Revelia também se tomaria nulo. DA GARANTIA CONSTITUCIONAL AO DIREITO DE PETIÇÃO Enfatiza a importância da observância do principio do devido processo legal, o qual decorre da garantia de que o particular não pode ser privado de sua liberdade física ou de seus bens sem a ampla defesa e o contraditório. 0 direito de petição possibilita ao cidadão pleitear junto à Administração Pública a defesa de direitos e o afastamento de abusos de poder praticados. Ressalta, ainda, que o principio da legalidade exige que as autoridades administrativas pratiquem atos estritamente dentro dos ditames legais. Assim, entende que não deve haver ofensa a tais princípios nem violação dos direitos fundamentais, em conformidade com os art. 5°, incisos XXXIV e LIV e o art. 37, da Constituição Federal. DA DEVOLUÇÃO DO PRAZO RECURSAL Reitera sua pretensão de ver reconhecida sua peça de defesa, para que seja declarada a nulidade da intimação por edital e do Termo de Revelia e, por conseqüência, dos efeitos dos atos administrativos seqüenciais. DA DENÚNCIA QUE MOTIVA 0 AUTO DE INFRAÇÃO Reconhece que a origem do procedimento fiscal ocorreu em resposta a uma carta denúncia feita por sua irmã, na qual alega que em sua Declaração do IRPF/2004, relativa ao ano calendário 2003, foi declarado um falso empréstimo, no valor de R$ 95.000,00 ao seu irmão e impugnante André Incontri Neto. Mesmo assim discorda de ter sido o valor do empréstimo glosado e sumariamente excluído de qualquer consideração pela fiscalização, por entender que haveria recursos suficientes para a realização da suposta operação. DOS EMPRÉSTIMOS TOMADOS PELO IMPUGNANTE NO ANO DE 2003 Discorda também das glosas efetuadas dos demais empréstimos realizadas, uma vez que o Auditor Fiscal considerou os documentos apresentados como insuficientes para levar a cabo as verificações necessárias, por entender que houve falta de motivação adequada e fundamento legal na descrição feita pelo autuante, pois pretende que todos os empréstimos tomados sejam considerados já que eles estariam efetivamente comprovados. DO AUMENTO DE CAPITAL DA EMPRESA TUPY DISTRIBUIDORA DE PEÇAS PARA VEÍCULOS LTDA. Argumenta que ao contrário do alegado no Termo de Verificação, os documentos contábeis da empresa Tupy Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.004681/200816 Acórdão n.º 2202003.003 S2C2T2 Fl. 4 5 Distribuidora de Peps para Veículos Ltda. comprovam a adequada compatibilização, não apenas do aumento de capital daquela empresa efeito no decorrer do ano de 2003, como também o saldo em seu favor no valor de R$ 1.168.363,43, tal como lançado na sua Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício 2004, dai porque a autuação carece de real motivação e que tal fato mereceria ser anulado. DA DECADÊNCIA Suscita que a decadência deveria ser reconhecida até de oficio, já que o lançamento em questão somente foi consubstanciado com a lavratura realizada em 09 de dezembro de 2008, materializado sobre fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos e já decaídos, uma vez que imposto de renda inserese no rol dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme disciplina o parágrafo 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional — CTN. CONCLUSÃO — A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO IMPOSTO DE RENDA • PESSOA FÍSICA Insiste que o auto de infração é ilegítimo pela improbidade na formalidade do ato e sem a indispensável garantia legal do pleno exercício de seu direito de defesa e por tais razões entende que o lançamento deveria ser declarado nulo, com a baixa dos registros pertinentes e seu conseqüente arquivamento. DA MULTA MORATÓRIA DE 150% Insurgese contra a multa aplicada no percentual de 150% por considerála além de possuir caráter confiscatório tem aplicação inconstitucional. DOS REQUERIMENTOS Reitera seus pedidos já formulados nos itens anteriormente relatados e requer que a intimação da decisão administrativa objeto de sua petição seja feita no endereço fiscal declinado no inicio de sua petição, conforme determinam as normas de regência. Por fim, ainda, traz A colação, a transcrição de doutrina e de jurisprudência, no intuito de embasar seus argumentos de defesa. A DRJ não conhece da impugnação, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA NÃO CONHECIMENTO DAS QUESTÕES DE MÉRITO. • Expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido A DRJ ao apreciar a impugnação da recorrente, entendeu que a mesma não devia ser conhecida em face de sua intempestividade. Insatisfeita, o interessado interpõe recurso tempestivo, reiterando as razões da impugnação no que toca a citação por edital e questionando as matérias de mérito para afastamento do lançamento. É o relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.004681/200816 Acórdão n.º 2202003.003 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A matéria em análise é o não conhecimento da impugnação pela autoridade recorrida. De acordo com a autoridade recorrida: No caso em análise, verificase que o contribuinte foi intimado para ciência do lançamento por meio do Edital n° 85/2008, afixado em 15/12/2008 e desafixado em 30/12/2008 (fls. 150 e 151), em face da recusa do recebimento do Auto de Infração encaminhado, por via postal, para o seguinte endereço: Rua Alexandre de Gusmão n° 429 — Cond. Sao Paulo II — Cotia/SP — CEP 06.706900 (AR de fl.152). O impugnante alega que não foi notificado, uma vez que seu domicilio tributário eleito é outro: Rua Dona Maria Pêra no 169, cep 04.303140. Contudo, dois fatos devem ser observados no presente caso, o procedimento fiscal originouse da carta denúncia efetuada pela irmã do autuado, datada de 23/10/2007 (fls. 07/09), na qual acusou o contribuinte de abuso de confiança e de utilizarse de valores decorrestes de sua declaração para empréstimos inexistentes. Com efeito, a consistente denúncia ainda foi reforçada com a indicação do endereço para localização do ora impugnante (fl.10), uma vez que a correspondência enviada pela Receita Federal no domicilio cadastral deste não fora recebida pelo destinatário, tendo sido devolvida, fechada e sem rasura à Unidade da Receita Federal jurisdicionante. Sobreleva notar que pelo documento de fl. 11, o contribuinte declarou de próprio punho seu endereço residencial e também admitiu expressamente em sua petição que era encontrado no endereço localizado na Rua Alexandre de Gusmão n° 429 — Cond. São Paulo II — Cotia/SP — CEP 06.706900. Compulsandose os autos, verificase que o autuado recebeu no endereço acima mencionado as seguintes intimações desde o inicio e durante todo o procedimento fiscal:(i) Termo de Inicio de Fiscalização, lavrado em 27/05/2008, em que o interessado foi cientificado pela via postal em 02/06/2008 (fls. 02 e 03); (ii) Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, do qual o interessado foi cientificado pessoalmente no próprio corpo do documento, em 20/08/2008 (fl. 05); (iii); Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, em que o interessado também foi pessoalmente cientificado em 16/10/2008 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 (fl. 06). Assim, resta demonstrado que esse era de fato seu efetivo domicilio já que o interessado em nenhum momento alegou qualquer óbice em relação ao endereço por ele declarado. Dessa forma, o contribuinte somente apresentou sua petiO em 17/05/2010 (fls. 172/199 e 202/221), o que torna a impugnação intempestiva nos termos do artigo 15 do Decreto 70.235/1972, não se instaurando o litígio fiscal, o que impede o seu exame pelas autoridades julgadoras. Inobstante a criteriosa análise efetuada pela autoridade recorrida, não tenho como acompanhar a mesma, por entender que nas circunstâncias fáticas dos autos não há como reconhecer a validade da citação por edital. Segundo consta nos autos, a ciência teria sido realizada por edital publicado no dia 15/12/2008, efetivandose a ciência no dia 30/12/2008. Ocorre que da apreciação do art. 23 do Decreto No. 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, observase que a intimação por edital deve ser precedida, comprovadamente, de todos os meios possíveis tendentes à localização e intimação pessoal ou por via postal do contribuinte, e estes restarem improfícuos. Nos autos constatase que o auto de infração teria sido lavrado em 09/12/2008, tendo o mesmo sido encaminhado pelo correio para o recorrente no dia 11/12/2008 (fls.154), sendo que foi recusado no dia 15/12/2008, por “Tatiane”, tal como consta no doc de fls 153 e AR de fls 152. Não se tem conhecimento no autos em que momento exato a correspondência com o Auto de Infração retornou a Delegacia da Receita Federal, entretanto não poderia ser antes do dia 15/12/2008, data da recusa. Acrescentese, por pertinente, que a situação em cotejo não retrata a realidade descrita no edital de fls. 150 e 151, onde indica que após improfícuos o meios citados no inciso I e II do artigo 23 do Decreto No. 70.235/72, seria o caso da intimação por edital. Na realidade documento de fls. 153, indica que apenas a partir do dia 15/12/2005, poderia se ter conhecimento da recusa. O que revela que o edital foi solicitado sem ter, comprovadamente, naquele momento, esgotado nem ao menos a intimação por via postal. O edital foi solicitado no dia 12/12/2008, sendo que se indica na fls 151, que foi afixado no dia 12/12/2008 Diante do exposto, não há como acolher sem vícios a ciência por edital no dia 30/12/2005. Nesse sentido, igualmente, não é possível tratar a impugnação apresentada em 17/05/2010 (fls. 172/199 e 202/221) como intempestiva. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância e determinar a remessa dos autos à autoridade de primeira instância para apreciação da impugnação. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10882.004681/200816 Acórdão n.º 2202003.003 S2C2T2 Fl. 6 9 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915340/2009-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.915340/2009-79
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429191
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-000.620
nome_arquivo_s : Decisao_10880915340200979.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10880915340200979_5429191.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5823901
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703503503360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 97 1 96 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915340/200979 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.620 – 2ª Turma Especial Data 03 de fevereiro de 2015 Assunto Solicitação de diligência Recorrente AGÊNCIA ESTADO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 34 0/ 20 09 -7 9 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.915340/200979 Resolução nº 1802000.620 S1TE02 Fl. 98 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (efls. 64/66) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 52/61) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 17/07/2009 a Contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação Tributária nº 10459.50095.170709.1.3.042330 (efls. 02/03), informando compensação sob condição resolutória: a) débito (confessado): IRPJ, PJ – apuração do imposto com base no Lucro Real/Estimativa Mensal, código de receita 2362, PA junho/2009, vencimento 31/07/2009, assim discriminado: principal: R$ 397.022,45 ; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 397.022,45. c) crédito utilizado: aproveitamento de suposto crédito de R$ 377.397,77 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ – Lucro Real/Estimativa Mensal, código de receita 2362, do PA 31/12/2008, vencimento 30/01/2009, pagamento R$ 1.091.335,14, data de arrecadação de 30/01/2009, confome cópia do DARF (e fl. 29), e cópia tela Sinal (efl. 50). Saldo do pretenso crédito na data de transmissão da DCOMP R$ 377.397,77.. O Despacho Decisório da DRF/Vitória, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada (efl. 04), com base na seguinte fundamentação, in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 377.397,77. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.915340/200979 Resolução nº 1802000.620 S1TE02 Fl. 99 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 05/11/2009 (efl. 06), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 03/12/2009 de efls. 07/08, juntando documentos (efls. 09/46), aduzindo razões assim resumidas no relatório da decisão recorrida (efls. 53/54), in verbis: (...) 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 05/11/2009 (AR; fl. 04), e dele recorreu a esta DRJ, em 03/12/2009, (fls. 05 e 06), por meio de seu procurador (fls. 06 a 22), nos seguintes termos, resumidamente. 3.1.Apurou, em dezembro de 2008, IRPJ devido no valor de R$ 409.976,33, conforme DCTF (doc. 02). Contudo, recolheu DARF no valor de R$1.091.335,14 (doc. 03), ocorrendo pagamento a maior de R$681.358,81 (que atualizado pela Selic perfez R$716.789,57) 3.2.Em 14/07/2009, compensou, via PER/DCOMP n° 09326.984i3.140709.1.3.040147 (doc. 04), o crédito de R$716.789,57 com débitos, restando crédito original de R$377.397,77 (que atualizado pela Selic, perfez R$397.022,45). Em 17/07/2009, compensou o crédito de R$397.022,45 com débito de IRPJ (código 2362; mês jun/2009), valor de R$397.022,45, conforme DCOMP e DCTF anexas (doc. 05 e 06). Diante do exposto, requereu: (i) fosse homologada a compensação declarada no PER/DCOMP sob análise, no valor de R$397.022,45; e (ii) baixado o processo de cobrança n° 10880.975765/200937 (referente ao saldo devedor de IRPJ; jun/2009, valor R$397.022,45). (...) A DRJ/São Paulo I (4ª Turma), na mesma esteira do despacho decisório, entendendo pela inexistência de pagamento indevido, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão, de 14/07/2011 (efls. 50/61), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 ESTIMATIVA. PAGAMENTO PNDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.915340/200979 Resolução nº 1802000.620 S1TE02 Fl. 100 4 A Recorrente informou débito em DCTF, que representa confissão de dívida. Não foi comprovado pagamento indevido, razão pela qual não há direito creditório decorrente do pagamento apontado, que foi utilizado para quitar o débito confessado. Assim, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 05/09/2011 (efl. 63), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/10/2011 (efls. 64/66), juntando ainda documentos (efls. 67/94), aduzindo, em suas razões, o seguinte: que, quanto PA objeto do crédito pleiteado, consta da fundamentação do voto condutor da decisão recorrida um débito do IRPJ confessado na DCTF de R$ 1.125.450,06, respectiva arrecadação relativo aos 2 (dois) DARF de pagamentos (efls. 50/51) (R$ 1.091.335,14 e R$ 34.114,92), e que não há caracterização de pagamento indevido, pois os pagamentos estão integralmente vinculados e consumidos pelo referido débito confessado na DCTF; que, entretanto, a decisão a quo não levou em consideração a DCTF retiticadora apresentada após ciência do despacho decisório que, por primeiro, denegara o crédito pleiteado; que na DCTF retificadora, houve redução do débito do imposto do citado PA de R$ 1.125.450,06 para R$ 409.976,33, gerando o crédito pleiteado; que a retificação da DCTF primitiva foi de boa fé e com fundamento fático, cuja verdade material pode ser apurada mediante diligência fiscal; que procrastinar a análise da DCTF retificadora, que foi recepcionada pelo sistema, irá empurrar a discussão para o âmbito judicial, que já se encontra abarrotado de demandas; que, por fim, a recorrente pediu o reconhecimento do direito creditório e a extinção do débito, por homologação da compensação objeto dos autos. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.915340/200979 Resolução nº 1802000.620 S1TE02 Fl. 101 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida para acolhimento da DCTF retificadora, reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção do débito informado/confessado pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2008, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real , com obrigação de antecipação de pagamento por estimativa mensal. Em relação ao PA dezembro/2008, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido do imposto desse período de competência. Nesse sentido, a contribuinte juntou os seguintes elementos de prova do suposto pagamento a maior ou indevido do IRPJ do PA dezembro/2008: a) cópia do DARF de pagamento de imposto estimativa mensal no valor de R$ 1.091.335,14, data de arrecadação: 30/01/2009 (efls. 29 e 94); b) comprovante de confirmação de arrecadação de R$ 34.114,92, quanto ao imposto do PA dezembro/2008 (efls. 50/51); c) cópia de parte da DCTF primitiva, onde consta débito do IRPJ confessado de R$ 1.125.450,06, quanto ao PA dezembro/2008 (efl. 49); d) porém, não consta dos autos cópia da DIPJ 2009, anocalendário 2008 (PA objeto do crédito pleiteado); e) cópia da DCTF mensal (retificadora), transmitida em 01/12/2009 (data posterior à ciência do referido despacho decisório), reduzindo o valor do débito do imposto de R$ 1.125.450,06 para R$ 409.976,33.(efls. 25/28 e 90/93); f) porém, não juntou cópia da escrituração contábil de onde extraiu os dados de apuração informados na DCTF retificadora. Com base nesses documentos, a recorrente entende que tem crédito contra o fisco, uma diferença paga a maior de R$ 681.358,81 (valor original) = (R$ 1.091.335,14 – R$ 409.976,33); Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.915340/200979 Resolução nº 1802000.620 S1TE02 Fl. 102 6 a) parte dessa diferença paga a maior, ou seja, R$ 303.961,14 (valor original) já utilizou na DCOMP nº 09326.98413.140709.1.3.040147, transmitida em 14/07/2009 (efls. 30/37) – que não é objeto do presente processo; b) o restante do crédito, R$ 377.397,77 (valor original) foi utilizado na DCOMP objeto da lide destes autos. De plano, constato que os elementos de prova juntados aos autos são insuficientes para convicção do julgador quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. A legislação de regência da compensação tributária, estabelece que a contribuinte tem direito de pleitear restituição do imposto pago a maior ou indevidamente, e poderá utilizar esse crédito para compensação tributária, desde que reste comprovado, demonstrado, sua certeza e liquidez (CTN, arts. 165, 167, 168 e 170) e art. 74 da Lei nº 9.430/96). No caso, essas declarações transmitidas eletronicamente (entregues ao fisco), por si só, como elementos de prova, são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio, ou seja, quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado (CTN, art. 170), pois a contribuinte não juntou aos autos elementos de prova de sua escrituração contábil/fiscal de que houve equívoco, erro de fato, quanto ao débito do imposto confessado na DCTF primitiva relativa ao PA dezembro/2008 e que pudesse justificar a a DCTF retificadora apresentada após ciência do despacho decisório. Além disso, sequer consta dos autos cópia da DIPJ 2009, anocalendário 2008. Como visto, há falhas de instrução processual. Como autora do pedido de restituição de crédito e seu aproveitamento para compensação tributária nos autos, o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito creditório é da recorrente, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. Entretando, as falhas de instrução processual não podem somente ser atribuídas à recorrente que não produziu prova cabal da liquidez e certeza do crédito que demanda contra o fisco. Compulsando os autos, observase que sequer foram juntados aos autos cópia completa da DIPJ 2009, anocalendário 2008 (decalaração que consta dos sistemas eletrônicos internos da RFB). Há necessidade de instrução processual complementar. Tendo como escopo a resolução da lide, e com observância dos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, tornase necessário a complementação das provas. Propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/DERATSão Paulo para as seguintes providências: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.915340/200979 Resolução nº 1802000.620 S1TE02 Fl. 103 7 a) juntar cópia legível e completa da DIPJ 2009, anocalendário 2008, com respectivo comprovante da data de entrega; b) confirmar pagamentos do imposto, recolhimentos mediante DARF, do ano calendário 2008, para todos os meses; c) verificar a situação da DCOMP nº 09326.98413.140709.1.3.040147, transmitida em 14/07/2009 (efls. 30/37) – que não é objeto do presente processo e que utilizou direito creditório do anocalendário 2008, da competência dezembro/2008; d) intimar a contribuinte, para à luz da escrituração contábil/fiscal (livros Caixa, Razão, Diário, Balanços de suspensão/redução, Lalur), e respectivos documentos de suporte dos lançamentos contábeis, comprovar o alegado erro de fato na apuração do imposto e no preenchimento da DCTF primitiva que possa justificar a DCTF retificadora apresentada em 01/12/2009 (data posterior à ciência do referido despacho decisório), reduzindo o valor do débito do imposto de R$ 1.125.450,06 para R$ 409.976,33.(efls. 25/28 e 90/93); e) intimar a contribuinte, à luz da escrituração contábil/fiscal, comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Após concluído os trabalhos de fiscalização, a DRF/DERAT/São Paulo deverá elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação do débito informado/confessado na DCOMP objeto da lide destes autos. E, por fim, a DERAT/São Paulo deverá intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, em querendo, apresentar manifestação. Transcorrido esse prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720216/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica
Ano-calendário: 2002, 2003 e 2004
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL. Não se conhece de recurso voluntário na parte em que o contribuinte apresenta renúncia ao direito em que se funda o processo administrativo e a insere o débito correspondente em parcelamento.
DECADÊNCIA. Rejeita-se preliminar de decadência quando não transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos entre as datas de ocorrência do fato gerador e de ciência dos lançamentos.
COFINS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em vista da renúncia à matéria relativa à procedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL, ficam prejudicados todos os argumentos aduzidos pela Contribuinte quanto à procedência do arbitramento de lucros e à correção do procedimento de fiscalização e, por conseguinte, da regularidade do regime cumulativo adotado para a apuração da COFINS dos períodos de outubro a dezembro de 2004. Por sua vez, o pleito de exclusão de receitas não operacionais da base de cálculo da COFINS remanescente não pode ser acolhido em vista da ausência de prova, pela Contribuinte, de que a base de cálculo utilizada no lançamento contempla receitas dessa natureza.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Ano-calendário: 2002, 2003 e 2004 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL. Não se conhece de recurso voluntário na parte em que o contribuinte apresenta renúncia ao direito em que se funda o processo administrativo e a insere o débito correspondente em parcelamento. DECADÊNCIA. Rejeita-se preliminar de decadência quando não transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos entre as datas de ocorrência do fato gerador e de ciência dos lançamentos. COFINS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em vista da renúncia à matéria relativa à procedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL, ficam prejudicados todos os argumentos aduzidos pela Contribuinte quanto à procedência do arbitramento de lucros e à correção do procedimento de fiscalização e, por conseguinte, da regularidade do regime cumulativo adotado para a apuração da COFINS dos períodos de outubro a dezembro de 2004. Por sua vez, o pleito de exclusão de receitas não operacionais da base de cálculo da COFINS remanescente não pode ser acolhido em vista da ausência de prova, pela Contribuinte, de que a base de cálculo utilizada no lançamento contempla receitas dessa natureza. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10665.720216/2007-18
conteudo_id_s : 5453389
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.232
nome_arquivo_s : Decisao_10665720216200718.pdf
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10665720216200718_5453389.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5887561
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703597875200
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T01:23:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-18T01:23:12Z; Last-Modified: 2015-02-18T01:23:12Z; dcterms:modified: 2015-02-18T01:23:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-18T01:23:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T01:23:12Z; meta:save-date: 2015-02-18T01:23:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T01:23:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-18T01:23:12Z; created: 2015-02-18T01:23:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2015-02-18T01:23:12Z; pdf:charsPerPage: 2225; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T01:23:12Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 1 1 S1-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.720216/2007-18 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102-001.232 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria IRPJ - arbitramento - omissão de receitas Recorrente SBL Indústria e Comércio Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Ano-calendário: 2002, 2003 e 2004 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL. Não se conhece de recurso voluntário na parte em que o contribuinte apresenta renúncia ao direito em que se funda o processo administrativo e a insere o débito correspondente em parcelamento. DECADÊNCIA. Rejeita-se preliminar de decadência quando não transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos entre as datas de ocorrência do fato gerador e de ciência dos lançamentos. COFINS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em vista da renúncia à matéria relativa à procedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL, ficam prejudicados todos os argumentos aduzidos pela Contribuinte quanto à procedência do arbitramento de lucros e à correção do procedimento de fiscalização e, por conseguinte, da regularidade do regime cumulativo adotado para a apuração da COFINS dos períodos de outubro a dezembro de 2004. Por sua vez, o pleito de exclusão de receitas não operacionais da base de cálculo da COFINS remanescente não pode ser acolhido em vista da ausência de prova, pela Contribuinte, de que a base de cálculo utilizada no lançamento contempla receitas dessa natureza. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2 a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte – BH assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro real, devidamente intimado, não apresentar os livros Diário e Razão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O lançamento da Contribuição Social deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, referente ao IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2003, 2004, 2005 INCIDÊNCIA CUMULATIVA LUCRO ARBITRADO Segundo a legislação tributária pertinente, a partir de 10 de dezembro de 2002, estão sujeitas à incidência não-cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado continuam apurando a contribuição para o PIS pelo regime cumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2003, 2004, 2005 INCIDÊNCIA CUMULATIVA LUCRO ARBITRADO Segundo a legislação tributária pertinente, a partir de 10 de fevereiro de 2004, estão sujeitas a incidência não-cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado continuam apurando a Cofins pelo regime cumulativo. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10665.720216/2007-18 Acórdão n.º 1102-001.232 S1-C1T2 Fl. 2 3 Lançamento Procedente” O caso foi assim relatado pela instância a quo: “A documentação pertinente ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo constam das fls. 01/04. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 05/21 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de oficio e juros de mora calculados até 28/02/2007, no montante de R$5.982.192,17, abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2003, 2004 e 2005. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termos de intimação em anexo, deixou de apresentá-los. Informações complementares se encontram nos itens 16 e 17 do Termo de Verificação Fiscal (TVF), que integra o Auto de Infração. Enquadramento legal: art. 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/1999. 001 — Receitas operacionais (atividade não imobiliária) — Venda de produtos de fabricação própria e revenda de mercadorias: valor das vendas de produtos e de revendas de mercadorias, apuradas conforme descrito nos itens 12 e 13 e Anexos 1 e 2 do TVF. 002 — Outras receitas operacionais e lucro na atividade não operacional: valor das receitas operacionais e das diferenças positivas entre as receitas e despesas não operacionais apuradas, conforme descrito nos itens 14 e 15 do TVF. Foram também lavrados os autos de infração abaixo identificados, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de oficio e juros de mora calculados até 28/02/2007: • Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) - Falta/insuficiência de recolhimento do PIS - Fatos geradores compreendidos no exercício de 2005 - R$163.292,52 - fls. 22/26; • Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) - Falta/insuficiência de recolhimento da Cofins - Fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2003 e 2005 - R$1.082.808,62 - fls. 27/34; • Contribuição Social s/ Lucro Liquido (CSLL) - CSLL sobre o lucro arbitrado - Fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2003, 2004 e 2005 - R$2.547.479,60 - fls. 35/48. No citado TVF, anexado As fls. 49/54, foram relatados os procedimentos fiscais, com destaque para a ciência do Termo de Inicio de Ação Fiscal e do MPF, as intimações expedidas, além das respostas, documentos e declarações apresentados pelo contribuinte. Concluiu a autoridade fiscal que a única forma de apuração do lucro tributável era pelo arbitramento, com base nas receitas conhecidas, em consequência da falta de apresentação dos documentos exigidos pela legislação. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 Foi ressaltado que o arbitramento do lucro serviria de base tanto para o imposto de Renda quanto para a Contribuição Social. Com o arbitramento do lucro nos anos de 2002, 2003 e 2004, a forma de tributação do PIS e da Cofins deveria ser o regime cumulativo, conforme legislação especifica, sem direito a qualquer compensação de créditos. Ficaram ainda automaticamente canceladas as apurações de PIS e Cofins no regime não-cumulativo, como também cancelados todos os créditos a compensar e a ressarcir apurados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) apresentados referentes ao período de janeiro/2002 a dezembro/2004. Por sua vez, o levantamento dos tributos devidos foi consubstanciado nos Anexos 1 a 8, que acompanham o TVF (fls. 55/68). Os demais documentos que fundamentaram a exigência constam das fls. 9/390, além dos Anexos I, II e III. As fls. 391/393 foi anexada documentação pertinente à Alvará Judicial. Cientificado dos lançamentos em 26/03/2007, conforme consignado nos Autos de Infração e no TVF, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 395/625, em 24/04/2007, relativamente a cada um dos tributos exigidos no presente processo, conforme se passa a explicitar. Em relação ao IRPJ e à CSLL, a impugnação apresentada (doc. fls. 395/403 e 420/428) segue a mesma linha de argumentação, podendo o conteúdo ser assim sintetizado: - Os fatos Nesse tópico, o impugnante faz um resumo da autuação. - As razões que demonstram a total improcedência do lançamento. - O lançamento de IRPJ/CSLL realizado por meio de arbitramento — Medida excepcional, aceitável apenas caso não haja documentos mínimos do contribuinte que possam revelar seu lucro. Fazendo referência à jurisprudência administrativa, concluiu o autuado que o lançamento por meio do arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, devendo ser utilizada tão-somente quando ausentes documentos mínimos do contribuinte que possam determinar o resultado tributável, após ter o fisco empreendido todos os esforços a fim de fixar a base real do imposto. - Os documentos apresentados pelo impugnante no presente caso — Perfeita possibilidade de se chegar ao seu lucro por meio de tais documentos, sendo assim absurdo ter o fisco procedido ao arbitramento. O impugnante, citando trechos do TVF, ressalta que apresentou todos os documentos inicialmente solicitados pelo fisco, com exceção dos livros Diário, Razão e Balancetes Mensais do ano de 2002 que não foram encontrados. Prossegue o defendente, salientando que apresentou os seguintes documentos: livros registros de apuração do lucro real, livros registros de apuração do ICMS, memórias de cálculo do IRPJ e CSLL, balanços mensais de suspensão e redução, balancetes mensais, contratos de câmbio, documentos de exportação, exemplificação de lançamentos contábeis, demonstrativos de cálculo de variações cambiais e folhas do livro Razão. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10665.720216/2007-18 Acórdão n.º 1102-001.232 S1-C1T2 Fl. 3 5 Portanto, por meio dos documentos apresentados, é perfeitamente possível calcular o lucro da empresa nos anos de 2002, 2003 e 2004. - Ainda que o impugnante não tivesse apresentado documentos mínimos que permitissem a apuração do seu lucro no período fiscalizado, o que se admite tão- somente para argumentar, foi protocolado pedidos de ressarcimento de IPI relativos a todo o mencionado período, no qual constam diversas informações que ajudariam o fisco na apuração do citado lucro. Assevera o impugnante que, apesar dos pedidos de ressarcimento de IPI, estes não foram analisados pelo fisco; consequentemente, as informações que neles constam também não foram analisadas, provando-se assim, mais uma vez, a imprestabilidade do arbitramento realizado. - A insuficiência de prazo razoável para que o impugnante providenciasse os documentos complementares requisitados pelo fisco. Como o impugnante se encontrava sob intervenção judicial, sendo que o gestor nomeado, à época da requisição dos documentos complementares, sequer conhecia os funcionários, estando ainda se inteirando sobre a situação da empresa, deveria ter sido concedido prazo razoável para a apresentação de tais documentos, no mínimo de noventa dias, até porque diversos documentos estavam com o fisco de Minas Gerais, para fins de investigação. Cita ainda jurisprudência do Conselho de Contribuintes. - Conclusão Diante do exposto, requer o impugnante sejam julgados totalmente improcedentes os autos de infração, com a consequente extinção do crédito tributário neles consubstanciado. Relativamente à Cofins e ao PIS, os argumentos expressos na impugnação de fls. 404/411 e 412/419 podem ser resumidos conforme se segue. - Os fatos O impugnante faz um relato da autuação da Cofins e do PIS. - As razões que demonstram a total improcedência do lançamento. - A tese absurda do fisco da perda do direito ao regime não-cumulativo da Cofins e do PIS em função do arbitramento do lucro. Segundo o impugnante, com base na legislação pertinente à Cofins e ao PIS, remetendo-se à noção de norma tributária e à noção expressa pelo art. 114 do Código Tributário Nacional (CTN), pode-se verificar que a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do aspecto pessoal da hipótese de incidência dessas contribuições não-cumulativas é a situação de a pessoa jurídica ser tributada com base no lucro real. Fundamentado ainda no art. 116, caput e inciso II do CTN, combinado com a noção de norma tributária, pode-se dizer que se considera ocorrido o aspecto pessoal da hipótese de incidência da Cofins e do PIS não-cumulativos e existentes os seus efeitos desde o momento em que a pessoa jurídica for tributada pelo imposto de renda com base no lucro real. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 Ressalta o impugnante que, de forma incontroversa, era tributada pelo imposto de renda, no período fiscalizado, com base no lucro real, por imposição legal. Esse efeito é definitivo, imutável, tendo em vista o estabelecido no art. 140 do CTN. Sustenta ainda o impugnante que a situação apta a fazer nascer a obrigação de pagar a Cofins e o PIS na modalidade cumulativa é somente aquela em que a tributação pelo imposto de renda se da originalmente com base no lucro arbitrado e nunca quando o arbitramento do lucro ocorre posterior e circunstancialmente. E absurdo pensar que o arbitramento do lucro posterior ao fato gerador da Cofins e do PIS não-cumulativos possa ter o poder de transformar as contribuições originais em cumulativas. Acrescenta ainda que, no momento da ocorrência dos fatos geradores da Cofins e do PIS relativos ao período fiscalizado, o impugnante era, obrigado, por força de lei, tendo em vista o seu faturamento, a pagar o imposto de renda com base no lucro real. Esta situação jurídica vigente no momento da ocorrência 'dos fatos geradores entrou na compostura material das mencionadas contribuições, fazendo nascer a Cofins e o PIS não-cumulativos de forma imutável. Para que fosse válido o lançamento, a Cofins e o PIS não-cumulativos teriam que estar incluídos na categoria dos tributos que se enquadrassem na situação prevista no art. 117, I do CTN, ou seja, entre aqueles cujo fato gerador dependa de uma condição suspensiva, o que não 6, na verdade, o caso dessas contribuições. É inacreditável que se possa conceber que um contribuinte recolha hoje Cofins/PIS na modalidade não-cumulativa e tenha que, no futuro, pagá-los sobre os mesmos fatos de agora, na modalidade cumulativa, porque se extraviou algum livro fiscal. - Conclusão Diante do exposto, considerando que o fisco baseou o lançamento unicamente em uma tese completamente descabida, como se demonstrou, requer o impugnante sejam julgados totalmente improcedentes os Autos de Infração, com a consequente extinção do crédito tributário neles consubstanciado. À impugnação foram juntados documentos pertinentes ao instrumento de procuração, além de cópia do Alvará Judicial e de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF (doc. fls. 429/625).” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em seu recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminar de decadência parcial dos créditos tributários lançados, pois a intimação dos lançamentos teria se dado apenas em 26.03.2007, e, no mérito, reproduz suas alegações de impugnação, no sentido de que (a) não teria tido prazo suficiente para apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização; (b) o arbitramento é medida excepcional e não se justificaria no caso, ante a possibilidade de a Fiscalização apurar o lucro real diante dos elementos apresentados; e (c) os lançamentos de PIS e de COFINS seriam nulos, por erro no respectivo regime de apuração dessas contribuições. Supervenientemente, a Contribuinte transmitiu declaração de compensação para extinguir praticamente a totalidade dos créditos tributários lançados, desistindo, portanto, da respectivo recurso em relação a eles, restando tão somente sob análise os lançamentos de Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10665.720216/2007-18 Acórdão n.º 1102-001.232 S1-C1T2 Fl. 4 7 COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos em 10/2004, 11/2004 e 12/2004 (fl. 831/832 do PDF). É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento nos limites estabelecidos no último parágrafo do relatório supra. A preliminar de decadência merece ser rejeitada, considerando-se a data de intimação dos lançamentos (27.03.2007) e a data de ocorrência dos fatos geradores remanescentes (competências de outubro a dezembro de 2004). No mérito, o recurso não merece provimento. Em vista da renúncia à matéria relativa à procedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL, ficam prejudicados todos os argumentos aduzidos pela Contribuinte quanto à procedência do arbitramento de lucros e à correção do procedimento de fiscalização e, por conseguinte, da regularidade do regime cumulativo adotado para a apuração da COFINS dos períodos de outubro a dezembro de 2004. O pleito de exclusão de receitas não operacionais da base de cálculo da COFINS remanescente não pode ser acolhido em vista da ausência de prova, pela Contribuinte, de que a base de cálculo utilizada no lançamento desse período contempla receitas dessa natureza. Por tais fundamentos, orienta-se voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728031/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PIS E COFINS - CONTRIBUIÇÕES NÃO MENCIONADAS NO MPF - IRREGULARIDADE NO PROCEDIMENTO - INOCORRÊNCIA.
Descabe pretender discutir nulidade de auto de infração alegando suposto vício que não se concretizou. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - APURAÇÃO.
A Sociedade em Conta de Participação é uma sociedade não personificada, equiparadas às pessoas jurídicas para fins de tributação. Como o Sócio Ostensivo é o único que exerce objeto social, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, cabe a ele apurar os resultados da SPC, sendo também responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições por ela devidos.
NULIDADE DOS LANÇAMENTOS - FORMALIZAÇÃO EM AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS PARA O SÓCIO OSTENSIVO E PARA AS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - DESCABIMENTO.
Não é nulo o auto de infração que formaliza, num mesmo instrumento, e em nome do sócio ostensivo, a diferença de tributo devido pela sócia ostensiva, decorrentes de suas operações regulares e das operações das sociedades em conta de participação.
RECEITA BRUTA DA SCP - COMPROVAÇÃO.
É dever do sócio ostensivo, quando intimado, comprovar sua receita, com base em sua escrituração e documentos que a lastreiam, bem como a composição da parte referente às sociedades em conta de participação de que é sócia ostensiva. Da mesma, é seu dever comprovar a origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, presumindo-se oriundos de receitas omitidas aqueles que não forem comprovados. Se o contribuinte, atendendo intimação, presta declaração identificando a origem dos depósitos como de receitas da SCP, o Fisco só tem o ônus de desconstituir a declaração do contribuinte se suspeitar de sua inveracidade.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. A perícia só se justifica se os fatos litigiosos não puderem ser comprovados pelos meios ordinários de prova.
Numero da decisão: 1301-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas, indeferido o pedido de perícia, e negado provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Valmir Sandri
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 PIS E COFINS - CONTRIBUIÇÕES NÃO MENCIONADAS NO MPF - IRREGULARIDADE NO PROCEDIMENTO - INOCORRÊNCIA. Descabe pretender discutir nulidade de auto de infração alegando suposto vício que não se concretizou. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - APURAÇÃO. A Sociedade em Conta de Participação é uma sociedade não personificada, equiparadas às pessoas jurídicas para fins de tributação. Como o Sócio Ostensivo é o único que exerce objeto social, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, cabe a ele apurar os resultados da SPC, sendo também responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições por ela devidos. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS - FORMALIZAÇÃO EM AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS PARA O SÓCIO OSTENSIVO E PARA AS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - DESCABIMENTO. Não é nulo o auto de infração que formaliza, num mesmo instrumento, e em nome do sócio ostensivo, a diferença de tributo devido pela sócia ostensiva, decorrentes de suas operações regulares e das operações das sociedades em conta de participação. RECEITA BRUTA DA SCP - COMPROVAÇÃO. É dever do sócio ostensivo, quando intimado, comprovar sua receita, com base em sua escrituração e documentos que a lastreiam, bem como a composição da parte referente às sociedades em conta de participação de que é sócia ostensiva. Da mesma, é seu dever comprovar a origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, presumindo-se oriundos de receitas omitidas aqueles que não forem comprovados. Se o contribuinte, atendendo intimação, presta declaração identificando a origem dos depósitos como de receitas da SCP, o Fisco só tem o ônus de desconstituir a declaração do contribuinte se suspeitar de sua inveracidade. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. A perícia só se justifica se os fatos litigiosos não puderem ser comprovados pelos meios ordinários de prova.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.728031/2009-45
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442434
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.790
nome_arquivo_s : Decisao_10580728031200945.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Valmir Sandri
nome_arquivo_pdf_s : 10580728031200945_5442434.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas, indeferido o pedido de perícia, e negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5863831
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703613603840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728031/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.790 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria PIS e COFINS Recorrente CEEMA Construção e Meio Ambiente Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PIS E COFINS CONTRIBUIÇÕES NÃO MENCIONADAS NO MPF IRREGULARIDADE NO PROCEDIMENTO INOCORRÊNCIA. Descabe pretender discutir nulidade de auto de infração alegando suposto vício que não se concretizou. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO APURAÇÃO. A Sociedade em Conta de Participação é uma sociedade não personificada, equiparadas às pessoas jurídicas para fins de tributação. Como o Sócio Ostensivo é o único que exerce objeto social, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, cabe a ele apurar os resultados da SPC, sendo também responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições por ela devidos. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS FORMALIZAÇÃO EM AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS PARA O SÓCIO OSTENSIVO E PARA AS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO DESCABIMENTO. Não é nulo o auto de infração que formaliza, num mesmo instrumento, e em nome do sócio ostensivo, a diferença de tributo devido pela sócia ostensiva, decorrentes de suas operações regulares e das operações das sociedades em conta de participação. RECEITA BRUTA DA SCP COMPROVAÇÃO. É dever do sócio ostensivo, quando intimado, comprovar sua receita, com base em sua escrituração e documentos que a lastreiam, bem como a composição da parte referente às sociedades em conta de participação de que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 31 /2 00 9- 45 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 3 2 é sócia ostensiva. Da mesma, é seu dever comprovar a origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, presumindose oriundos de receitas omitidas aqueles que não forem comprovados. Se o contribuinte, atendendo intimação, presta declaração identificando a origem dos depósitos como de receitas da SCP, o Fisco só tem o ônus de desconstituir a declaração do contribuinte se suspeitar de sua inveracidade. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. A perícia só se justifica se os fatos litigiosos não puderem ser comprovados pelos meios ordinários de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas, indeferido o pedido de perícia, e negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em face de CEEMA Construção e Meio Ambiente Ltda. foram lavrados autos de infração com lançamento de ofício de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, alcançando fatos geradores ocorridos em 2003. Descreve o Relatório de Fiscalização que: “(...) após análise dos elementos apresentados, relativos ao ano calendário de 2005, constatei que o mesmo recolheu e/ou declarou em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributos Federais) a menor o Imposto de Renda e contribuições conforme descrito abaixo e demonstrativos anexos. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 4 3 As diferenças apuradas tiveram como base os dados escriturados nos livros RAZÃO, considerando o regime de caixa, segundo opção feita pelo contribuinte, que apresentou DIPJ pelo sistema do Lucro Presumido. Foram considerados os valores constantes da conta CLIENTES (códigos 112.10.116 a 112.10.999), referidos valores constam também dos balancetes e dos livros DIÁRIO números 16 e 17 (autenticação JUCEB números 06/0094869 e 06/00994877 de 28/04/2006, respectivamente) e do DIÁRIO AUXILIAR AO N° 17 (autenticação JUCEB n° 08/0507182 de 30/09/2008), relativo aos dados da Sociedade em Conta de Participação Barreiras (SCP2), cópias de folhas anexas, referidos valores foram utilizados para os cálculos das diferenças do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme demonstrativos anexos. Em relação às sociedades em conta de participação (SCP) ABRANTES e (SCP) MORADAS, tendo em vista que, embora tenha sido intimado, o contribuinte não apresentou livro CAIXA ou qualquer outro tipo de escrituração, as receitas tiveram por base os créditos em conta corrente, segundo os extratos bancários, cujos valores foram confirmados pelo representante do contribuinte e foram utilizadas para cálculo do PIS e COFINS, conforme planilhas e demais documentos anexos. E, quanto ao IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a apuração se fez pelo sistema do Lucro Arbitrado, conforme DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO, cujo resumo e consolidação encontramse no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS – ANO CALENDÁRIO 2005, quadros 1 a 7 anexos.” A acusação é de falta ou insuficiência de recolhimento. Em impugnação tempestiva não contesta os números apurados pela fiscalização. Suscitou preliminar de nulidade do lançamento e, caso não acolhida requereu a realização de perícia para deslinde da controvérsia e ainda, caso não acolhidas ambas as preliminares, seja deferida a impugnação em homenagem ao direito e como medida de justiça. A 1ª Turma de Julgamento da SRJ em Salvador, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a arguição de nulidade nos casos em que os Autos de Infração foram lavrados por autoridade fiscal competente e que o procedimento fiscal foi realizado em total consonância com a legislação vigente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 5 4 Restando comprovado que o contribuinte e os responsáveis tiveram acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo, proporcionandolhes o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa, consideramse irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. LITÍGIO. Devem ser negadas as solicitações de diligência e perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 Contribuição para o Programa de Integração Social PIS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. APURAÇÃO. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. Impugnação Improcedente A ciência por via postal deuse em 18 de julho, mas o contribuinte diz ter tomado ciência em 04 de julho, quando seu patrono requereu cópia dos autos. Em 03 de agosto foi protocolizado o recurso, no qual são abordados os seguintes pontos: 1 Nulidade do lançamento do PIS e da COFINS por irregularidade no MPF. A Recorrente diz que o MPF compreendia a fiscalização de IRPJ referente ao período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2005 e que, após diversas prorrogações de validade, em 16/11/2009 teve seu objeto ampliado para incluir os tributos CSLL, PIS e COFINS. Alega que, sem que lhe fosse dada ciência da ampliação do objeto, em 18/11/2009 foram lavrados os autos de infração, o quê, no seu entendimento, eivou de nulidade os lançamentos. Afirma, ainda, que o lançamento foi praticado por quem ainda não detinha legitimidade específica para tanto, pois a ampliação do objeto ainda não era eficaz, face à sua não comunicação ao contribuinte fiscalizado. 2 Nulidade dos lançamentos de PIS e COFINS. Necessidade de constituição em autos de infração distintos. Alega que o regime de responsabilidade fiscal do sócio ostensivo em relação à Sociedade em Conta de Participação não leva à conclusão de que as receitas da SPC se confundem com as do sócio ostensivo. Afirma que o agente fiscalizador formalizou em um único auto de infração os créditos de PIS e da COFINS constituído do somatório dos tributos supostamente devidos pelo sócio ostensivo (CEEMA) e pelas SCP Barreiras, Abrantes e Moradas. Argumenta que o fato de ser atribuído ao sócio ostensivo da sociedade em conta de participação o dever de efetuar o pagamento dos tributos a cargo da SPC não pode levar à conclusão de que tudo pode ser reunido como se se tratasse de uma única sociedade. Defende Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 6 5 que a obrigação principal do PIS e da COFINS da CEEMA não poderia ser apurada no mesmo auto de infração em que se apurou obrigação tributária das SPC Barreiras, Abrantes e Moradas. 3 Vícios no lançamento do PIS e da COFINS. Destaca que a autoridade fiscal não se desincumbiu do ônus probatório que lhe incumbe, contestando a omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários. Diz não haver a mais tênue vinculação das receitas ditas omitidas com as transações da autuada ou mesmo das SCP de que é sócia ostensiva. 4 Vícios no lançamento do PIS e da COFINS Contesta a apuração das receitas das SCP Abrantes e Moradas com base nos créditos em conta corrente, segundo os extratos bancários. Afirma que (i) os extratos não são prova suficiente mas mero elemento indiciário; (ii) a declaração do contribuinte não possui valor probante; (iii) a origem da base de cálculo utilizada no lançamento é desconhecida, pois os valores consignados no auto de infração não correspondem ao montante do crédito em conta corrente confirmado pelo contribuinte. (iv) a motivação do ato administrativo do lançamento é falsa, pois se confrontada a base de cálculo utilizada na autuação com os valores dos créditos em conta corrente confirmados pelo contribuinte constatarseá que os números discrepam entre si. Sobre esse último ponto, diz que o somatório das receitas apontadas pelo fisco no quadro 7 , fl. 4 do PAF, importa em R$ 34.073.980,71, , enquanto o somatório das receitas apontadas pelo contribuinte na declaração, fl. 170 do PAF, revela o montante de R$ 36.681.813,76. Pondera que, afora o Quadro 7, fl. 04m não há nos autos qualquer outro documento demonstrativo de como o fisco encontrou a base de cálculo dos lançamentos dos créditos do PIS e da COFINS. Exemplifica com o mês de janeiro, dizendo não estar explicado como o agente fiscalizador obteve o montante de R$ 6.232.771,99 apontado no quadro 7 como receita CEEMA + SCPs. Alega que, afora o vício de ordem formal de lavrar um único auto de infração para constituir lançamento tributário de sujeitos distintos, há outro vício no procedimento, pois considerouse que as SCPs, assim como a CEEMA apuraram o imposto com base no lucro presumido, quando, na verdade, no exercício autuado, foram tributadas pelo lucro real. Diz que o lançamento do PIS e da Cofins realizado pelo agente fiscalizador obedeceu a sistemática cumulativa quando, por expressa determinação legal, estavam submetidas ao regime não cumulativo. 5 Vícios no PAF nº 10580.728031/100945 Necessidade de realização de perícia. Repudia a motivação da decisão recorrida par indeferimento da perícia, verbos: “ (...) verificase incabível o pedido que visa a produzir prova documental que deveria ter sido apresentada no decorrer do procedimento fiscalizatório ou no momento da impugnação, Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 7 6 especialmente quando não foi demonstrada a impossibilidade de produzila por motivo de força maior, não se refira a fato ou direito superveniente e não se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) No caso sob análise, o pedido de perícia apenas transfere para terceiros a comprovação das alegações de defesa, questão de mérito a ser apreciada no decorrer deste voto. No caso específico, além dos prazos anteriores ao lançamento, poderia a Impugnante, até a data do julgamento, juntar qualquer documento que entendesse apto a comprovar as suas alegações, documentos estes que em função do princípio da verdade material, seriam acolhidos e analisados no julgamento. Assim, no presente caso a perícia revelase inteiramente desnecessárias para o deslinde da questão a ser apreciada neste PAF, que envolve a comprovação da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, que ensejaram o lançamento.” Argumenta que a perícia contábil tem como objetivo precípuo demonstrar a formação da receita bruta conhecida das SPC Abrantes e Morada para fins de arbitramento. E que, diferentemente do afirmado pela decisão recorrida, não visa a produzir prova documental, mas elucidar fatos que demandam a intervenção de agente dotado de conhecimentos técnicos. Requer a nulidade do acórdão por indeferimento injustificado da perícia contábil, prejudicando irremediavelmente o direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. I Nulidade dos lançamentos por irregularidade no MPF Não procede a alegação de nulidade dos lançamentos por terem sido lavrados os autos de infração sem que lhe tivesse sido dada ciência da inclusão do PIS e da COFINS no objeto do procedimento e fiscalização, originalmente alcançando apenas o IRPJ. O Mandado de Procedimento Fiscal é um documento instituído pela Portaria SRF nº 1.265/1999, que estabeleceu normas para a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal deverão ser promovidos em conformidade com a ordem específica – Mandado de Procedimento Fiscal expedida por uma das autoridades relacionadas em seu art. 6°, e dentro do prazo nela estipulado (artigos 12 e 13). Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 8 7 As normas de regência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foram sucessivamente alteradas, e o instrumento hoje é regido pela Portaria SRF nº 3014, de 2011. De acordo com as normas que o disciplinam, o Mandado de Procedimento deve ser emitido sempre que for necessária a instauração de procedimento fiscal de fiscalização (MPFF) e a efetivação de diligência (MPFD). Há, ainda, previsão de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPFE), a ser expedido nos casos em que o procedimento fiscal tenha se iniciado antes da emissão de MPF em razão da necessidade de preservação dos interesses da Fazenda Nacional, Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEx), para realizar diligência para coletar informações e documentos destinados a subsidiar procedimento de fiscalização relativo a outro sujeito passivo, e Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), que deve ser utilizado para proceder às alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão de AFRF responsável pela sua execução, ou pela supervisão, bem assim as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, ou, ainda, para constituição de crédito tributário relativo a período diverso do fixado, e deve ser emitido pela autoridade outorgante do MPF originário. A Portaria SRF nº 11.371/2007, vigente quando da emissão do MPF, dispõe: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997 pelo sujeito passivo darseá por intermédio da Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (...) Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Art. 9º. As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou pela supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.” Fl. 350DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 9 8 Portanto, conforme expressamente previsto no art. 8º acima transcrito, não havia necessidade de alteração do MPF originário para inclusão do PIS e da COFINS no objeto do procedimento, uma vez que as infrações apuradas em relação ao IRPJ também configuraram, com base nos mesmos elementos de prova, infração às normas do PIS e da COFINS e, portanto, esses tributos são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Rejeito a preliminar. II Nulidade dos lançamentos de PIS e COFINS. Necessidade de constituição em autos de infração distintos. Alega a Recorrente que os autos de infração são nulos porque o agente fiscalizador formalizou em um único auto de infração os créditos de PIS e COFINS constituído do somatório dos tributos supostamente devidos pelo sócio ostensivo (CEEMA) e pelas SCP Barreiras, Abrantes e Moradas. Defende que a obrigação principal da CEEMA não poderia ser apurada no mesmo auto de infração em que se apurou obrigação tributária das SPC Barreiras, Abrantes e Moradas. A Sociedade em Conta de Participação é uma sociedade não personificada, equiparadas às pessoas jurídicas para fins de tributação (Decretolei nº 2.303/86). Como o Sócio Ostensivo (ou Sócio Administrador) é o único que exerce objeto social, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, e somente ele se obriga perante terceiros (art. 991 do Código Civil), cabe a ele apurar os resultados da SPC, sendo também responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições por ela devidos. O art. 7º do Decretolei nº 2.303/87, que, para fins da legislação do imposto de renda, equiparou as sociedades em conta de participação às pessoas jurídicas, foi regulamentado pela Instrução Normativa SRF º 179/87, mais tarde complementada pela Instrução Normativa SRF 31/2001, que admitiu às SCP a opção pelo lucro presumido. A disciplina tributária prevista compreende as seguintes regras: Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação. A escrituração das operações da SCP poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios da referida sociedade. Quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à SCP. Os resultados e a base de cálculo do tributo correspondentes à SCP deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e da base de cálculo do tributo do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros. Nos documentos relacionados com a atividade da SCP, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade. Antes da Instrução Normativa SRF nº 1470, de 30/05/2014 (publicação 03/06/2014) não era exigida a inscrição da SCP no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ. A partir da edição da Instrução nº 1470/2014, com a revogação do item 4 da IN 179/87, a inscrição tornouse obrigatória. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 10 9 O Decreto nº 4.524, de 2002, estabelece, verbis: “Art. 81. O sócio ostensivo da sociedade em conta de participação (SCP) deve efetuar o pagamento das contribuições incidentes sobre a receita bruta do empreendimento, não sendo permitida a exclusão de valores devidos a sócios ocultos (Decretolei nº 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º). “ Por seu turno, a Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, determina: Art. 80. O sócio ostensivo da sociedade em conta de participação (SCP) deve efetuar o pagamento das contribuições incidentes sobre a receita bruta do empreendimento, não sendo permitida a exclusão de valores devidos a sócios ocultos. Parágrafo único. O pagamento a que se refere o caput deve ser efetuado juntamente com sua própria contribuição. Portanto, não procede a alegação de nulidade dos lançamentos por necessidade de constituição em autos de infração distintos para cada SCP. As sociedades em conta de participação não têm personalidade jurídica nem se sujeitavam, à época, à inscrição no CNPJ, não havendo como lavrar em seu nome autos de infração. E o procedimento fiscal obedeceu às normas vigentes: A autoridade fiscal apurou separadamente as bases de cálculo e os tributos de cada uma das SCP de que a Recorrente é sócia ostensiva, a adicionouos ao seu próprio, tal como determinam as normas vigentes. O pagamento das contribuições do PIS e da COFINS, que incidem sobre o faturamento, como determina o art. 80 da IN SRF 247/2002, deve ser efetuado pelo sócio ostensivo (a CEEMA) juntamente com a sua própria contribuição. III Vícios no lançamento do PIS e da COFINS A Recorrente contesta a apuração das receitas das SCP Abrantes e Moradas com base nos créditos em conta corrente, segundo os extratos bancários. A acusação fiscal é de que os valores recolhidos e/ou confessados em DCTF são inferiores aos apurados pela fiscalização com base nos dados escriturados no Razão. O auto de infração deixa bem claro que foram considerados os valores constantes da conta CLIENTES, e que esses valores constam também dos balancetes e dos livros DIÁRIO números 16 e 17, e do DIÁRIO Auxiliar ao n° 17, no qual constam os dados realtivos a SCP Barreiras (SPC2). Na DIPJ do anocalendário de 2005 (Lucro Presumido, Regime de Caixa), juntada ao processo matriz (IRPJ e CSLL) o contribuinte informou os seguintes valores de receita bruta: 1º Trimestre: R$ 4.679.928,15 2º Trimestre; R$ 4.042.208,25 3º Trimestre: R$ 1.077.884,51 4º Trimestre: R$ 2.2111.836,42 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 11 10 Esses valores divergem dos que constam como recebidos de clientes no Razão e nos balancetes analíticos. Para averiguar a consistência dos valores ofertados à tributação foi empreendida a investigação que assim se desenvolveu: O procedimento fiscal teve início em 13 de agosto de 2008, quando o contribuinte foi intimado a apresentar livros e extratos bancários. Em 20 de agosto o contribuinte apresentou livros Diários, Razão e de ISS. Foi lavrado termo de retenção do qual constam dois livros Diário (16 e 17) e dois volumes do Razão relativos ao ano de 2005. Em 25/08/2008 o contribuinte foi intimado a esclarecer como foi apurada a receita bruta declarada na DIPJ, apresentar demonstrativos com memória de cálculo dos valores mensais”(intimação datada de 25/08/2008). Em resposta datada de 27 de agosto o contribuinte esclareceu que “Receita Bruta é composto de recebimento de notas fiscais de serviços, emitidos pela empresa, com execução da obra Hospital de Barreiras, cujo contratante é a SUCAB Superintendência de Construções Administrativas, a qual foi executada como CSP – sociedade em cota de participação. (sic) Segue anexo memória de cálculo dos valores mensais .”(obs. Não consta dos autos a memória referida) Em 09 de setembro de 2008 o contribuinte foi reintimado a apresentar os extratos bancários. Em 06 de outubro de 2008 o contribuinte encaminhou o Diário auxiliar, referente à SCP – Obra Barreiras. Em 24 de abril de 2009 o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e documentação comprobatória relativos aos valores creditados em suas contas correntes em diversas instituições financeiras durante o anocalendário de 2005, no montante de R$ 93.299.932,42, conforme discriminado em planilha anexa, tendo em vista a divergência entre esse montante dos valores creditados e a Receita Bruta declarada (DIPJ) no valor de R$ 12.011.857,34, e tributada pelo ITPJ e CSLL pelo regime de caixa, no mesmo anocalendário. Em 02 de maio de 2009 o contribuinte prestou os esclarecimentos a respeito dos valores creditados em suas contas correntes, parte dos quais foi atribuída a receitas, conforme a seguir: R$ 17.516.605,50 – Receitas clientes diversos R$ 12.430.297,96 Receitas SCP Obra Barreiras R$ 1.668,253,16 – Receitas SCP Obra Abrantes R$ 26.135,52 – Receitas SCP Moradas do litoral. Em 08 de julho de 2009 o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos relativos às divergências verificadas em relação aos valores de sua Receita Bruta declarada em Fl. 353DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 12 11 DIPJ e DCTF, os valores apurados conforme sua movimentação financeira e valores escriturados no Razão e balancetes. Não consta atendimento. Em 12 de agosto de 2009 foi intimado a apresentar documentação contábil fiscal relativa às Sociedades em Conta de Participação e esclarecimentos relativos às mesmas (fl. 196). Em 13 de outubro de 2009 o contribuinte foi intimado a esclarecer como foram apurados os valores dos tributos devidos pelas SCP Barreiras, Abrantes e Moradas constantes da DIPJ e a apresentar escrituração ou livro Caixa das mesmas. Como não houve mais qualquer esclarecimento, as receitas da SCP Abrantes (quadro 3) foram determinadas com base nos depósitos bancários, e segundo a identificação feita pelo próprio contribuinte, e estão demonstradas na planilha de fls. 153/161, elaborada pela fiscalização, com identificação individual de cada depósito com data, valor e histórico. Já as receitas da SCP Barreiras foram apuradas a partir do Diário Auxiliar dessa sociedade, constante às fls. 127/150. As receitas da CEEMA foram apuradas com base nos livros Razão, Diário e balancetes apresentados. Aponta a Recorrente que o somatório das receitas apontadas pelo fisco no quadro 7, fl. 4 do PAF, importa em R$ 34.073.980,71, enquanto o somatório das receitas apontadas pelo contribuinte na declaração, fl. 170 do PAF, revela o montante de R$ 36.681.813,76. Essa divergência decorre do fato de as receitas da CEEMA e da Barreiras terem sido apuradas com base na escrituração contábil, e não a partir dos depósitos bancários, o que significa que as receitas apuradas com base em depósitos estão contidas nas contabilizadas. Confirase: Escrituração Depósitos originados de receitas (fls. 170) CEEMA 18.623.870,08 17.516.605,50 BARREIRAS 13.755.720,85 12.430.297,96 ABRANTES 1.668.253,16 MORADAS 26.135,52 Diz ainda a recorrente que, afora o Quadro 7, fl. 04, não há nos autos qualquer outro documento demonstrativo de como o fisco encontrou a base de cálculo dos lançamentos dos créditos do PIS e da COFINS. Exemplifica com o mês de janeiro, dizendo não estar explicado como o agente fiscalizador obteve o montante de R$ 6.232.771,99 apontado no quadro 7 como receita CEEMA + SCPs. Não há necessidade de nenhum demonstrativo específico para se explicar como se chegou a uma soma, se cada parcela está identificada. Conforme consta do Relatório de Fiscalização, todos os autos de infração (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), todas as apurações estão nos quadros 1 a 7 anexos ao relatório. Embora apenas o quadro 7 tenha sido transladado para este processo, as receitas mensais de cada uma das partes (CEEMA e SPCs) estão Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 13 12 individualizadas nos quadros 1 a 4 anexos ao relatório (constantes do processo de IRPJ), dos quais o contribuinte recebeu cópia. 1 Alega a recorrente que, afora o vício de ordem formal de lavrar um único auto de infração para constituir lançamento tributário de sujeitos distintos, há outro vício no procedimento, pois considerouse que as SCPs, assim como a CEEMA apuraram o imposto com base no lucro presumido, quando, na verdade, no exercício autuado, as SPC foram tributadas pelo lucro real. E que, naquele exercício, por determinação legal, estavam submetidas ao sistema não cumulativo. Tal alegação está desacompanhada de prova2, não podendo ser tomada em consideração. V Vícios no PAF nº 10580.728031/100945 Necessidade de realização de perícia. Argumenta a Recorrente que a perícia contábil tem como objetivo precípuo demonstrar a formação da receita bruta conhecida das SPC Abrantes e Morada para fins de arbitramento. E requer a nulidade do acórdão por indeferimento injustificado da perícia contábil, prejudicando irremediavelmente o direito de defesa. A perícia só se justifica quando o exame do fato litigioso não puder ser feito pelos meios ordinários de convencimento, dependendo de conhecimentos técnicos especializados. E esse não é o caso, sendo nítida é a intenção do contribuinte de atribuir ao fisco a prova que lhe cabe. De fato, é dever do contribuinte, quando intimado, comprovar, com base em sua escrituração (mesmo que não completa, como lhe assegura a condição de optante pelo lucro presumido) e documentos que a lastreiam demonstrar sua receita, bem a composição da parte referente às sociedades em conta de participação de que é sócia ostensiva. Da mesma forma, é seu dever comprovar a origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, presumindose oriundos de receitas omitidas aqueles que não forem comprovados. O fisco de desincumbiu das atribuições cujo ônus lhe cabia: demonstrou que as receitas ofertadas à tributação divergiam das apuradas com base nos livros apresentados e estavam em desacordo com a movimentação financeira, e intimou o contribuinte a esclarecer. A partir da identificação feita pelo sujeito passivo, alocou as receitas a cada uma das sociedades em conta de participação. Não cabe ao julgador deferir perícia para demonstrar a receita bruta conhecida das SPC Abrantes e Morada, cujo ônus é do contribuinte. Repetindo: se o contribuinte, não tendo apresentado os livros e documentos das SPCs, identificou os créditos em suas contas correntes que correspondiam a receitas das referidas sociedades em conta de participação, a menos que duvidasse dessa informação, não cabe ao fisco questionála. 1 De se atentar para o fato de que todos os autos de infração resultaram de um mesmo procedimento de fiscalização, relatado no Relatório de Fiiscalização contém, anexos, os quadros demonstrativos 1 a 7, e deles (autos de infração e Relatório) a Recorrente tomou ciência pessoal, recebendo cópia, no dia 01/12/2009. 2 Sequer foi apresentada escrituração completa, como exige a apuração pelo lucro real. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728031/200945 Acórdão n.º 1301001.790 S1C3T1 Fl. 14 13 Naturalmente, poderia o contribuinte, em impugnação, contestar a receita tomada pela fiscalização com base em sua informação. Contudo, teria que fazêlo mediante apresentação da prova documental, descabendo transferir para o fisco esse ônus. Pelas razões expostas, rejeito as preliminares, indeferido o pedido de perícia, para no mérito NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de março de 2015 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000054/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. DEPÓSITO.
O artigo 138 do Código Tributário Nacional estabelece que, para a exclusão da responsabilidade pela infração cometida, a denúncia deve vir acompanhada do respectivo pagamento do crédito tributário. Depósito, judicial ou administrativo, não produz os mesmos efeitos do pagamento e, portanto, sua realização não exclui a responsabilidade pela infração cometida.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL.
Presentes os seus pressupostos, aplica-se a multa de ofício no percentual legalmente definido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. DEPÓSITO. O artigo 138 do Código Tributário Nacional estabelece que, para a exclusão da responsabilidade pela infração cometida, a denúncia deve vir acompanhada do respectivo pagamento do crédito tributário. Depósito, judicial ou administrativo, não produz os mesmos efeitos do pagamento e, portanto, sua realização não exclui a responsabilidade pela infração cometida. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. Presentes os seus pressupostos, aplica-se a multa de ofício no percentual legalmente definido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16561.000054/2009-04
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5433974
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.770
nome_arquivo_s : Decisao_16561000054200904.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 16561000054200904_5433974.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5834173
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703623041024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000054/200904 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.770 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria CIDE AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SUN MICROSYSTEMS DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. DEPÓSITO. O artigo 138 do Código Tributário Nacional estabelece que, para a exclusão da responsabilidade pela infração cometida, a denúncia deve vir acompanhada do respectivo pagamento do crédito tributário. Depósito, judicial ou administrativo, não produz os mesmos efeitos do pagamento e, portanto, sua realização não exclui a responsabilidade pela infração cometida. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. Presentes os seus pressupostos, aplicase a multa de ofício no percentual legalmente definido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 54 /2 00 9- 04 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Em cumprimento ao mandado de procedimento fiscal nº 08.1.71.002008 001867, a autoridade fiscal lavrou auto de infração (AI) às fls. 643 a 646 (e anexos às fls. 625/642) visando a cobrança da contribuição de intervenção no domínio econômico devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior (CIDE), supostamente devidas nos anos calendários de 2004 e 2005, e acrescido de juros de mora e multa de ofício. Do Termo de Verificação Fiscal (fls.627 e segs), depreendese o seguinte: “A empresa, em 22/02/2005, protocolizou o processo judicial n° 2005.61.00.0022377, no qual figura como impetrado o Sr. Delegado da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (SP), com pedido de liminar objetivando a concessão de segurança para eximirse do recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico/Remessas para o exterior (CIDE), incidente sobre as remessas ao exterior a título de pagamento de royalties". Em 14/03/2005, foi indeferida a liminar com a notificação que a autoridade impetrada prestasse suas informações. Em 26/05/2006, foi julgada improcedente a ação de mandado de segurança, sendo extinto o processo com julgamento do mérito. Como constatado, já há a sentença julgando improcedente a ação de Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0022377 e extinguindo o processo com julgamento do mérito". Os depósitos judiciais só foram efetuados a partir de setembro de 2006 e sem a multa moratória devida, revelandose, então, insuficientes, conforme informação da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Tributário da Derat/SP . Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 4 3 Nos extratos da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), do 1° ao 4° trimestres do AC 2004 e de janeiro a dezembro do AC 2005, verificase que a empresa não declarou nenhum valor referente à CIDE. Considerando que há sentença julgando improcedente a ação de Mandado de Segurança e considerando que os depósitos judiciais são insuficientes, será constituído integralmente o crédito tributário sem qualquer suspensibilidade, em Auto de Infração do qual este Termo de Verificação Parcial e parte integrante (fl.630). (...) podemos concluir que no período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2005, os valores remetidos pela empresa Sun Microsystems do Brasil, Indústria e Comércio Lida, a beneficiário residente ou domiciliado no exterior — Sun Microsystems, Inc, sediada nos EUA — a titulo de remuneração pela licença de uso de programa de computador, software, ficaram sujeitos ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — Cide (fl. 636). Com base nos valores declarados nos contratos de câmbio, tidas cópias estão anexadas neste processo, a autoridade fiscal a quo apresentou os valores devidos relativos à CIDE: tal qual como consta na tabela às fl.637. Acrescenta ainda os termos do memorando, de 24/10/2008, da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito Tributário (Ecamj) da Delegacia de Administração Tributária (Derat) da Receita Federal do Brasil que assim se manifesta: “Apesar do contribuinte realmente ter obtido a antecipação de tutela em agravo, essa decisão já foi superada pela sentença no Mandado de Segurança, em que o MM juiz julgou improcedente a ação (publicado em 29/06/06). Inconformada, o contribuinte interpôs Recurso de Apelação, que foram recebidos unicamente no efeito devolutivo, e encontrase concluso para o relator na segunda instancia. Para a suspensão da exigibilidade dos débitos, o contribuinte efetuou depósitos judiciais, conforme cópia das guias e planilha anexa. Como os depósitos foram feitos apenas a partir de 20/09/06, e sem acréscimos de multa moratória, os depósitos são insuficientes para os débitos correspondentes. Relatados os fatos, o motivo deste memorando é para dar ciência de que o contribuinte declarou depósitos feitos para débitos da CIDE na planilha, que não foram objetos de declaração em DCTF.” A ciência do AI se deu em 10/7/2009 (fl. 648) e a interessada apresentou Impugnação em 10/08/2009, às fls. 678 a 698, onde dispôs que: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 5 4 A matéria tratada no mandado de segurança é diversa da tratada do referido processo administrativo, ocasião em que não se aplica o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3, de 1996; A exigência do valor do presente Auto de Infração, sem considerar o valor depositado pela Impugnante nos autos do Mandado de Segurança supracitado, torna essa prática em confisco, tendo em vista que o Fisco Federal pretende cobrar o imposto em duplicidade. É inexigível a multa de ofício em face da suspensão da exigibilidade da CIDE relativa aos períodos dos meses de agosto, setembro e novembro do ano calendário de 2004 e março, maio junho, agosto, setembro e dezembro do ano calendário de 2005, com fundamentação dada no artigo 63 da Lei 9.430/96, tendo em vista liminar concedida por efeito suspensivo em agravo de instrumento interposto pela Recorrente; O Fisco Federal jamais poderia ter lavrado o presente Auto de Infração com a imposição de multa de ofício, tendo em vista que este débito estava devidamente suspenso por conta de concessão de medida liminar, e por conta do posterior depósito do valor controvertido, demonstrando claramente que a Impugnante se antecipou a qualquer medida que prejudicasse o Fisco, promovendo o depósito dos valores controversos, evidenciando a intenção de não causar qualquer prejuízo ao erário. O depósito do montante do crédito tributário realizado nos autos do mandado de segurança foi conferido caráter de autêntico pagamento sob condição suspensiva da ulterior conversão em renda; É nulo o lançamento fiscal ora combativo pela não observância da verdade material e pela falta na identificação da matéria tributável, Houve inobservância do art. 163 do Código Tributário Nacional, na medida em que se fosse exigível o valor da CIDE deveria o Fisco Federal ter procedido à imputação do pagamento, com aqueles depósitos efetuados judicialmente, e excluindose a multa de ofício lavrada pela Fiscalização, ou considerandose tão somente a multa de mora àquelas competências, somente eventual saldo o remanescente estaria sujeito ao presente lançamento. a matéria tratada no mandado de segurança é diversa da tratada do referido processo administrativo, ocasião em que não se aplica a Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3, de 1996; A exigência do valor do presente Auto de Infração, sem considerar o valor depositado pela Impugnante nos autos do Mandado de Segurança supracitado, torna essa prática em confisco, tendo em vista que o Fisco Federal pretende cobrar o imposto em duplicidade. A DRJ de São Paulo, entretanto, julgou improcedente a impugnação da interessada nos seguintes termos: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE Não sendo cumpridos os requisitos para a dilação da formação probatória a que se refere o § 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72, prosseguese o julgamento, mediante a apreciação dos elementos já contidos nos autos. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 6 5 AUTO DE INFRAÇÃO. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO DO NÃO CONFISCO. OBSERVÂNCIA Não procede a alegação da inobservância por parte da autoridade fiscal do princípio constitucional tributário do não confisco. Ocorre que a vedação ao confisco emanada pela Constituição Federal de 1988 é dirigida ao legislador ordinário, cabendo apenas à autoridade fiscal aplicar a lei nos moldes da legislação que a instituiu. ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. CANCELAMENTO OU ANULAÇÃO. INOCORRÊNCIA Vez que satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, bem como verificada a inocorrência das hipóteses dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação do ato administrativo de lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE A existência de processo judicial não transitado em julgado, com ou sem medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de ofício, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo consoante dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS JUDICIAIS. EXIGÊNCIA DE MULTA MORA. INTERRUPÇÃO. ALCANCE DO § 2° DO ART. 63 DA LEI 9.430/96 Em se tratando de tributo não pago no vencimento, a incidência da multa de mora somente se interrompe no período entre a concessão da medida liminar e o trigésimo dia após sua cassação. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO Cabível a exigência de multa de ofício quando apurada insuficiência de recolhimento decorrente da não inclusão da multa de mora em depósitos judiciais realizados após o vencimento dos débitos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE É prescindível diligência ou perícia quando presentes, nos autos, elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para proferir sua decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Irresignada, a interessada interpôs Recurso Voluntário (fls. 798/831), onde reiterou as razões trazidas em sua Impugnação, voltandose para a parte da decisão da DRJ que manteve a multa de oficio, por entender que, antes mesmo da lavratura do Auto de Infração, Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 7 6 efetuara, espontaneamente (artigo 138 CTN), o depósito judicial do valor do suposto débito, devidamente acrescido dos juros de mora, de modo que não haveria que se falar na exigência de multa moratória e multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos pela lei, razão pela qual dele conheço. De início, necessário se faz delimitar a matéria em análise no presente recurso. Como bem lembrado pela Recorrente: “...A exigibilidade da CIDE é objeto de discussão através do mandado de segurança sob o n° 2005.61.00.0022377 atualmente em trâmite perante o E. Tribunal Regional Federal da 3' Região, aguardando julgamento do recurso de apelação interposto pela Recorrente.Em procedimento de fiscalização, o Fisco Federal entendeu que os depósitos judiciais relativos à CIDE não foram suficientes, por conta de não ter incluído a multa de mora, e por conseqüência estava sem a exigibilidade suspensa. Essa foi a razão de ser da lavratura do auto de infração, em que o Sr. Fiscal desconsiderou os depósitos judiciais para exigir a totalidade da CIDE relativo aos períodos de apuração em comento...” Assim, em que pese a questão acerca da inconstitucionalidade da CIDE seja mencionada nos presentes autos, a controvérsia que chega a este Colegiado se restringe a questão a cobrança da multa de mora quando da realização de depósitos judiciais feitos para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A matéria atinente ao tributo principal é concomitante com o mencionado mandado de segurança, razão pela qual não a conheço nos termos da Súmula CARF nº 1, mantendo a decisão administrativa neste particular, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A matéria conhecida referese à incidência da multa de ofício. Conforme relatado, a decisão recorrida concluiu pela manutenção da multa de ofício porque o valor depositado pela Recorrente seria insuficiente. Neste aspecto, vale destacar os termos da decisão da DRJ: Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 8 7 “...Destacase que, consoante o que informa o memorando à 11. 598, são insuficientes os valores relativos aos depósitos judiciais, vez que a impugnaste, em desatendimento à legislação pertinente, realizou os depósitos, considerando, tão somente, os juros de mora, tal como pode ser observado das informações extraídas às fls. 769 e 770...” Deste modo, a autoridade fiscal entendeu que, os depósitos judiciais acrescidos apenas dos juros de mora não foram suficientes para suspender a exigibilidade do crédito tributário. De acordo com este raciocínio, errou a Recorrente por não ter incluído no valor depositado a multa de mora gerando a conseqüência de não suspender a exigibilidade do crédito tributário. Por esta razão todo o valor lançado no período foi acrescido de multa de ofício. Em um primeiro momento, poderseia dizer que haveria a incidência de multa de mora e, conseqüentemente, multa de ofício. Isto porque a sentença de mérito que reverteu a tutela antecipada concedida em 15/04/2005, foi publicada em 29/06/2006, estabelecendo nessa data o marco inicial para a contagem de 30 (trinta) dias a que alude o parágrafo 2º do art. 63, de sorte que, quando efetuado o depósito judicial, em 26/09/2006, já havia se esgotado o prazo de interrupção da multa de mora de acordo com este dispositivo legal, sendo devida a multa de mora em razão do depósito extemporâneo. Neste particular, a hipótese em comento não estaria abrangida pelo § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” destacamos Conseqüentemente, estaria justificada a aplicação da multa de oficio, posto que os depósitos em discussão não poderiam ser considerados como integrais. Todavia, o caso em apreço se afasta da simples aplicação e interpretação do mencionado artigo 63 da Lei no 9.430/96. É que, conforme esclarece a Recorrente, a razão pela qual não realizou o recolhimento da multa de mora é porque entendeu seu procedimento como espontâneo, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, a saber: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 9 8 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” A interpretação do artigo 138 do CTN foi conferida pelo Superior Tribunal de Justiça em caráter vinculante a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força do artigo 62A1 do RICARF. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 1 As decisões proferidas em sede de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça são de observação obrigatória pelos julgadores administrativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF conforme artigo 62A do Regimento Interno: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 10 9 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424) – Ministro Luix Fux – destaquei) Em síntese, a Corte Superior conclui que a denúncia espontânea apenas se aplica à situação em que o contribuinte PRIMEIRO não realiza a declaração do tributo; SEGUNDO declara a destempo, TERCEIRO e sucessivamente, realiza o pagamento do tributo recém declarado. Passo a analisar a existência dos critérios exigidos pelo entendimento do STJ. No caso em análise, conforme comprovam as DCTFs acostadas às fls. 598/606, os valores referentes à CIDE em discussão no presente processo administrativo não foram declaradas2, portanto, não foram constituídas por meio de autolançamento. Atendido o primeiro requisito. Como os valores não foram declarados, a Fazenda apenas foi cientificada dos valores devidos por meio da realização dos depósitos, o que ocorreu a partir de Setembro/2006 2 TRECHO DO ACÓRDÃO RECORRIDO Fls. 630 (efls. 655) “Nos extratos da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), do 1° ao 4° trimestres do AC 2004 e de janeiro a dezembro do AC 2005, verificase que a empresa não declarou nenhum valor referente à CIDE.” Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 11 10 até Fevereiro/2007 (fls. 359/387). A meu sentir, atendido o segundo requisito. Lembro que a jurisprudência da Corte Superior analisou a possibilidade de o “ato de realizar o depósito judicial” constituir o crédito tributário à época em que diversos contribuintes pretendiam o levantamento de depósitos em seu favor, mesmo tendo perdido os processos judiciais, justamente porque os valores não haviam sido declarados. Nesta oportunidade, a decisão do STJ foi favorável à Fazenda Pública, a saber: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA. ADOÇÃO DE UMA DAS TESES JURÍDICAS SOBRE O TEMA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE LEGISLAÇÃO FEDERAL. OCORRÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA FAVORÁVEL À FAZENDA. SUPERVENIÊNCIA DE FATO RELEVANTE. INTERESSE NA DESCONSTITUIÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VIA JUDICIAL ADEQUADA PELO VENCIDO. DEPÓSITO JUDICIAL. DESNECESSIDADE DA FORMAL CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. 1. Embargos de declaração opostos por ADMINISTRADORA GAÚCHA DE CONSÓRCIOS LTDA. E OUTRA em face de acórdão que confirmou o deferimento para o levantamento de depósitos judiciais pela União, em razão do trânsito em julgado da sentença desfavorável à empresa embargante. Afirmase, em síntese, que os arts. 142 do CTN, 462, 467 e 471, I, do CPC foram prequestionados e que não houve lançamento tributário, sendo impossível a conversão em renda dos depósitos judiciais. 2. O acórdão recorrido não violou norma federal, mas apenas interpretoua conforme uma das correntes doutrinárias existentes. Ao julgar o recurso especial, o magistrado não é obrigado a responder questionários das partes, nem a posicionarse diante de todas as questões ou fatos discutidos nos autos. 3. Em relação aos arts. 462, 467 e 471, I, do CPC, de fato houve abordagem, ainda que extremamente sucinta, restando preenchido o requisito do prequestionamento. Contudo, conforme afirmado pelo Tribunal a quo, o questionamento a respeito do levantamento do depósito judicial ocorreu após a formação da coisa julgada material, e não antes dela, razão pela qual não têm aplicabilidade ao caso os supracitados artigos do CPC. 4. 'No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 12 11 conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito.' (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Livraria do Advogado, 7ª ed, p.1227) 5. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos infringentes." (EDcl no REsp n. 736.918/RS, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 3.4.2006 – destaquei) Por último, consta dos autos que os valores foram depositados bem como que não houve autorização judicial para o levantamento pelo contribuinte. Vale registrar que os depósitos judiciais, por determinação da Lei no 9.703/98, são transferidos para a conta única do Tesouro Nacional, onde ficam disponíveis para livre utilização da Fazenda Nacional, devendo ser devolvidos ao contribuinte apenas em caso de perda da ação judicial, a saber: Lei 9.703/98 “Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. § 1o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 13 12 § 4o Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição. § 5o A Caixa Econômica Federal manterá controle dos valores depositados ou devolvidos.” destaquei Ante a situação fática imposta pela Lei no 9.703/98, que transforma o depósito em “dinheiro da União” desde o primeiro dia em que o valor foi depositado, sendo certo que a decisão judicial final apenas passa a influenciar a definitividade deste fato, é de meu entendimento que o depósito judicial de tributos federais equiparase ao pagamento, sendo tal condição também para fins de aplicação do artigo 138 do CTN, hipótese de denúncia espontânea. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça coaduna com este entendimento: “PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA. DEPÓSITO JUDICIAL PARA DEFERIMENTO DE MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. POSSIBILIDADE. PRAZO DECADENCIAL. NÃOOCORRÊNCIA. 1. Nas hipóteses em que o acórdão proferido nos embargos de declaração dirime, de forma clara, expressa, congruente e motivada, as questões suscitadas nas razões recursais, não há por que falar em violação do arts. 458 e 535 do CPC. 2. Configurase como depósito judicial, e não caução, o montante em dinheiro e em valor igual ao débito tributário ofertado para fins de concessão de liminar em mandado de segurança. Por conseqüência, uma vez denegada a segurança pretendida e tendo o respectivo decisório transitado em julgado, é plenamente viável a conversão do valor depositado em renda com a finalidade de pagamento do débito fiscal. 3. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o depósito judicial equivale ao recolhimento da exação, tendo condicionada a sua conversão em renda no caso de improcedência da demanda. 4. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial 5. Recurso especial improvido.” (Resp nº 804.415 – RS, Min. João Otávio Noronha, j. 15/02/2007, destaquei) Desta forma, estando presentes os três requisitos entendidos como necessários pelo Superior Tribunal de Justiça, pareceme inevitável concluir pela ocorrência de denúncia espontânea, bem assim pela integralidade do depósito realizado pela Recorrente e conseqüente cancelamento das multas que lhe foram imputadas. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 14 13 Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reformando assim a decisão recorrida de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Redator Designado. Como bem disse a Ilustre Conselheira Relatora, a lide destes autos cingese ao lançamento da multa de ofício em razão dos depósitos judiciais realizados pela Recorrente (após a data do vencimento de cada parcela e antes de qualquer procedimento fiscal) terem sido considerados insuficientes pela Fiscalização por não ter sido incluído o valor da multa de mora. Por terem sido insuficientes, os depósitos judiciais não produziram os efeitos do art. 151, inciso II, do CTN, no entender da autoridade lançadora. O valor do principal está sendo discutido no âmbito do Poder Judiciário, aplicandose, ao caso, a Súmula CARF nº 1. A questão relativa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado em razão da liminar concedida na ação judicial também está superada, nos termos do voto do acórdão recorrido, que adoto. A solução da questão remanescente nos autos passa, necessariamente, pela conformidade dos depósitos judiciais com as disposições do inciso II, do art. 151, do CTN, abaixo reproduzido, ou seja, se foram realizados no montante integral. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] II o depósito do seu montante integral; A redação desse dispositivo não deixa margem de dúvida de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário somente ocorre se o depósito for no montante integral do débito. Depósito do montante parcial do débito não suspende a sua exigibilidade. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 15 14 A Recorrente defende que o depósito foi realizado antes de qualquer procedimento por parte do Fisco e no montante integral do débito, isso porque, no seu entender, ocorreu denúncia espontânea (art. 138 do CTN) na medida em que ao depósito realizado "foi conferido caráter de autêntico pagamento sob condição suspensiva da ulterior conversão em renda" Nas palavras da Recorrente: 18. Ao depósito do montante do crédito tributário realizado nos autos do mandado de segurança foi conferido caráter de autêntico pagamento sob condição suspensiva da ulterior conversão em renda , por ato da autoridade administrativa ou judicial, segundo a quem competir a decisão irrecorrível daquela demanda, cuidandose ai de um regime específico de equacionamento e liquidação de débitos fiscais que, inaugurado, afasta, até por simples incompatibilidade, a possibilidade de instauração e prosseguimento de ações paralelas objetivando a solução de mesma pendência. No particular do presente caso, assim, há de se lembrar que não autorizou, sua Excelência, o levantamento de valores antes solicitados, de modo que ficam todos eles destinados ao pagamento do crédito tributário lançado até o trânsito em julgado da ação judicial, se favorável à União Federal. 19. E por possuir o depósito judicial caráter de autêntico pagamento sob condição suspensiva da ulterior conversão em renda, não se pode aceitar a imposição de multa de oficio pelo não recolhimento da multa de mora, pois os depósitos judiciais foram realizados antes de qualquer procedimento fiscal, com a finalidade de anteceder a qualquer ato da Autoridade Fiscal. 20. Esse procedimento adotado pela Recorrente está previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, hipótese em que não se pode aceitar a exigência da multa de mora e, por conseguinte, a multa de ofício pelo não recolhimento da multa anterior, quando implementou a denúncia espontânea. É o que se pode observar do dispositivo em comento: Aqui começa minha discordância do entendimento da Recorrente, acompanhado que foi pela Ilustre Relatora. Por evidente, "depósito do valor do crédito tributário" não é sinônimo de "pagamento do valor do crédito tributário", a que se refere o CTN. Depósito e pagamento são instituto diferentes, com efeitos diferentes: o pagamento extingue o crédito tributário, o depósito não; o valor pago incorporase ao patrimônio do ente público (União, Estado ou Município), o depósito não; o pagamento indevido está sujeito ao instituto da restituição, o depósito indevido não, ele está sujeito a devolução ou levantamento; o depósito cria uma obrigação para o ente público de remunerar e de devolver, o pagamento não; o depósito no montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, o pagamento não. Ademais não existe, seguramente, na legislação tributária pátria, norma geral de direito tributário que confira caráter de "autentico pagamento, sob condição resolutória da Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 16 15 ulterior conversão em renda" a depósito judicial ou administrativo de tributo, a que se refere a Recorrente. Sendo "pagamento" de tributo e "depósito" de tributo institutos que produzem efeitos completamente distintos, não vejo como atribuir, no art. 138 do CTN, os mesmos efeitos para esses institutos, já que esse dispositivo legal faz exclusiva e expressa referência a pagamento, como se pode ver na sua literalidade: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Não é por outra razão que a decisão proferida pelo STJ no REsp 1.149.022/SP fala em pagamento, recolhimento e quitação e nunca em depósito, conforme se vê (destacado em negrito) na abaixo transcrita ementa do respectivo acórdão. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 17 16 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (os grifos são do original) Não vejo, sob pena de ferir as disposições do art. 3º, in fine, do CTN3, como atribuir os efeitos próprios de pagamento de tributos aos depósitos realizados pela Recorrente. Conseqüentemente, não há que se falar na ocorrência de denuncia espontânea pelo fato de a Recorrente ter realizado depósitos de CIDE após a data do vencimento da exação, sem a multa de mora devida e antes de qualquer procedimento por parte do Fisco. Os depósitos sem a multa de mora não são no montante integral do crédito tributário e, portanto, não suspendem a exigibilidade do crédito tributário lançado, conforme prevê o inciso II, do art. 151 do CTN. 3 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 16561.000054/200904 Acórdão n.º 3302002.770 S3C3T2 Fl. 18 17 Não estando o crédito tributário nem declarado em DCTF e nem com a exigibilidade suspensa, correto o lançamento do crédito tributário com a multa de ofício. Sobre a jurisprudência do CARF trazida à colação, embora respeite tais decisões, com elas não posso compartilhar, pelas razões acima expostas. Por fim, ratifico e adoto, como se aqui estivessem escritos, todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19994). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Redator Designado. 4 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008567/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010).
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-003.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como a correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). Recurso voluntário parcialmente provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.008567/2008-18
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5428305
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.357
nome_arquivo_s : Decisao_19515008567200818.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IVAN ALLEGRETTI
nome_arquivo_pdf_s : 19515008567200818_5428305.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como a correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5822496
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703634575360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 742 1 741 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.008567/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.357 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO RESSARCIMENTO DE IPI IPI Recorrente CARGILL AGRICOLA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito presumido em relação às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 85 67 /2 00 8- 18 Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como a correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento do crédito. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1433.684, de 11 de maio de 2011 (fls. 700/707), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ) cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELEC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes A taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário (fls. 715/740), o contribuinte sustenta que: 1) não procedem as glosas dos créditos, visto que todos os insumos que foram computados no cálculo do crédito presumido teriam sido exatamente aqueles autorizados pela Lei 9363/96, ou seja, as matériasprimas, os produtos intermediários, materiais de embalagem, o que incluiriam a energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha consumidos nos processos produtivos da Recorrente, argumentando que a amplitude do direito ao crédito presumido não poderia ser restringida aos conceitos estritos de Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008567/200818 Acórdão n.º 3403003.357 S3C4T3 Fl. 743 3 matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados pela legislação do IPI, não se podendo aplicar o critério de contato físico entre o insumo e o produto final; 2. que deve haver a inclusão, na base de caĺculo do incentivo fiscal, das aquisições de não contribuintes da contribuição ao PIS/Cofins, citando precedentes administrativos e judiciais neste sentido; 3. que deve ser reconhecido o direito à atualização pela Taxa Selic entre a data do pedido e o seu efetivo ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 10/08/2011 (fl. 715), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 19/07/2011 (fl. 713). Por ser tempestivo e por conter razões de reforma ao acórdão da DRJ, dele conheço. No mérito, são os seguintes os temas a serem enfrentados: 1) Conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Nos termos do § 2º do art. 21 da INSRF nº 69, de 2001, os conceitos de industrialização, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. A propósito, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI/1982), extraise o seguinte preceito: “Artigo 161. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes forem equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei nº 4502/64, artigo 25) “ Assim, não é qualquer insumo utilizado no processo produtivo que se caracteriza como MP, PI ou ME. Em sentido estrito, MP, PI e ME são os insumos que se integram ao produto em fabricação, consoante a inteligência do art. 25, I, da Lei nº 4.502, de 30 Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 de novembro de 1964. Entretanto, o próprio dispositivo estende essa definição, incluindo no conceito de MP, PI e ME os insumos que, “...embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. A interpretação do alcance da expressão “consumidos no processo produtivo” é controversa e demandou a edição de dois pareceres da Coordenação do Sistema de Tributação da então Secretaria da Receita Federal. Refirome ao PNCST nº 181, de 1974, e ao PNCST nº 65, de 1979, este último já alçado à condição de norma complementar da legislação tributária, consoante o inc. III do art. 100 do CTN, em face da reiteração da sua aplicação, já há quase cinqüenta anos. Nesse sentido, confesso surpreenderme com a controvérsia. Para maior clareza, vamos ao Parecer: “Parecer Normativo CST Nº 65, de 1979 (DOU de 06.11.79): 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma “matériasprimas” e “produtos intermediários” são empregados “stricto sensu”, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários “stricto sensu”,ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 1 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não 1 Nota do Relator: referência aps regramentos anteriores ao Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 83.263/79 (RIPI/79). Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008567/200818 Acórdão n.º 3403003.357 S3C4T3 Fl. 744 5 gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matériasprimas nem produtos intermediários “stricto sensu”, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “ ... e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual “a lei não deve conter palavras inúteis”, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão “incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização” é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários “stricto sensu” , geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos “que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários “stricto sensu” , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão “consumidos” sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...).” A leitura do Parecer acima em parte reproduzido demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que qualquer elemento consumido nas instalações do contribuinte, certamente necessário ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, seja considerado matériaprima ou produto intermediário com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito. Tornase claro, assim, que nem tudo que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Nesse mesmo sentido já havia se pronunciado a Coordenação do Sistema de Tributação através do Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, publicado no DOU de 23.10.74, que dispunha no seu item 13: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008567/200818 Acórdão n.º 3403003.357 S3C4T3 Fl. 745 7 equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc.”. Assim sendo, nos termos dos Pareceres retrocitados e em consonância com o inciso I do art. 161 do RIPI/2002, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários strictosensu e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação ou deste sobre o insumo, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Ou seja, devese considerar no conceito de MP e PI, em sentido amplo, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, guardando semelhança com as MP e os PI em sentido estrito, semelhança esta que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga à das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou desse sobre o insumo. Este mesmo entendimento foi cristalizado pela Súmula CARF nº 19, cujo texto é o seguinte "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário" O mesmo raciocínio se aplica à lenha, aos lubrificantes, à água e aos gastos com telefone, por não serem consumidos nem entrarem em contato físico diretamente com o produto. Por estas razões, deve ser mantida a glosa de tais aquisições, por não configurarem MP, PI e ME. 2) As aquisições de não contribuintes de PIS/Cofins. Em razão do disposto no art. 62A do RICARF, introduzido pela Portaria MF 586/2010, deve ser reproduzido neste caso o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justica, pela sistemática dos recursos repetitivos, a respeito da mesma questão jurídica. O dispositivo do RICARF estabelece o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” O entendimento firmado pelo STJ na sistemática do art. 543C do CPC, é resumido na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008567/200818 Acórdão n.º 3403003.357 S3C4T3 Fl. 746 9 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008567/200818 Acórdão n.º 3403003.357 S3C4T3 Fl. 747 11 Como visto, o STJ firmou em recurso repetitivo o entendimento de que assiste direito ao crédito presumido de IPI também na hipótese de aquisições de insumos de nãocontribuintes de PIS/Cofins, como é o caso de pessoas físicas e cooperativas. Assim, por força do art. 62A do RICARF, este Conselho deve obrigatoriamente reproduzir o entendimento do STJ para o caso concreto, reconhecendo o direito ao crédito presumido de IPI em relação às aquisições de nãocontribuintes. 3) Atualização pela taxa Selic. O recorrente pleiteia a atualização, pela Taxa Selic, em relação ao período decorrido entre o protocolo dos seus pedidos de ressarcimento de IPI e o seu efetivo pagamento. Na medida em que a questão da atualização não foi apreciada nas decisões que reconheceram o direito de crédito, a questão pode ser analisada mediante pedido subseqüente, feito em razão da verificação pelo contribuinte de que o ressarcimento não incluiu a atualização. Verifico que o presente pedido foi realizado em 2003, portanto, decorridos menos de 5 anos da concretização dos ressarcimentos pelo seu valor nominal, cujo pagamento mais antigo aconteceu em 2000. Entendo, por isso, que não houve prescrição do direito de pleitear a atualização, cujo prazo começou a correr a partir do pagamento havido sem tal atualização. Quanto ao mérito, sabese que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e deste Tribunal Administrativo como um todo, oscilou ao longo do tempo entre a possibilidade ou não da atualização no pedido de ressarcimento de IPI, indiferente ao fato de referirse a créditos básicos ou crédito presumido. Os precedentes que negavam o direito de atualizar faziamno, como ocorreu neste caso, sob o fundamento de que não existia previsão legal que autorizasse a correção, ou seja, que diante da falta de autorização expressa, não poderia ser aplicada a taxa Selic na atualização do ressarcimento do IPI. Os precedentes que autorizavam o direito de atualizar, por sua vez, assim o faziam apenas em relação ao período decorrido entre o protocolo do pedido e o pagamento do valor do ressarcimento, pelo fundamento de que a demora foi ocasionada pelo Estado, com o objetivo de recompor a perda do valor real do direito do contribuinte, que não poderia ser reduzido pela demora da Administração. Confirase, exemplificativamente, os seguintes julgados da Câmara Superior e de das Câmaras do antigo Segundo Conselho de Contribuintes: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 incidirá, também, sobre o ressarcimento..Recurso a que se nega provimento. (Recurso de Divergência n° 201112809, acórdão CSRF/02.01414, Relator Dalton Cordeiro de Miranda, j. 08.09.2003) IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso negado. (Recurso do Procurador n° 202113793, acórdão CSRF/0201.690, Relator Rogério Gustavo Dreyer, j. 11.05.2004) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos acolhidos para re ratificar o Acórdão nº 20173.987, passando a ementa a ter a seguinte redação: "IPI. INCENTIVO FISCAL. LEI Nº 8.387/91. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. OMISSÃO. Incide a correção monetária sobre o ressarcimento de créditos do IPI mediante a aplicação da Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/97 desde a data do protocolo do pedido até o efetivo pagamento. Recurso provido." Embargos acolhidos. (Recurso Voluntário 110.734, acórdão 20178670, Relator Conselheiro Sérgio Gomes Velloso, j. 12.09.2005) NORMAS PROCESSUAIS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 131.034, acórdão 20400818, Relator Flávio de Sá Munhoz, j. 05.12.2005) Foi neste último sentido que este Relator veio firmar convencimento, inclusive admitindo a possibilidade de requererse a atualização em pedido subseqüente (Acórdão 20312.003, Processo 13054.000278/200192, j. 25/04/2007). Aliás, a lógica deste raciocínio é a mesma do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do seguinte caso de ICMS, em que o direito do contribuinte foi postergado pela Administração e pelo próprio Poder Judiciário: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ICMS. MATÉRIAPRIMA E OUTROS INSUMOS. COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. SUSPENSÃO LIMINAR. CRÉDITO IMPOSSIBILITADO. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA POSTERIORMENTE. RETORNO DA SITUAÇÃO AO STATUS QUO ANTE. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. 1. Prequestionamento. Ausente o interesse de recorrer, por falta de sucumbência, basta para o atendimento do requisito que a tese jurídica suscitada como causa de pedir tenha sido objeto das contrarazões apresentadas pela parte por ocasião dos recursos de apelação e extraordinário, e também tratada nos embargos de declaração. 2. ICMS. Compensação autorizada pelo artigo 3º da Lei Complementar federal 65/91. Regra legal suspensa liminarmente. Julgamento de mérito superveniente que reconheceu a constitucionalidade do dispositivo (ADI 600, DJ 30/06/95). Efeitos extunc da decisão. 3. Créditos escriturais não realizados no momento adequado por óbice do Fisco, em observância à suspensão cautelar da norma autorizadora. Retorno da situação ao status quo anterior. Garantia de eficácia da lei desde sua edição. Correção monetária devida, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008567/200818 Acórdão n.º 3403003.357 S3C4T3 Fl. 748 13 4. Atualização monetária que não advém da permissão legal de compensação, mas do impedimento causado pelo Estado para o lançamento na época própria. Hipótese diversa da mera pretensão de corrigirse, sem previsão legal, créditos escriturais do ICMS. Acórdão mantido por fundamentos diversos. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 282120, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 15/10/2002, DJ 06122002 PP00075 EMENT VOL 0209402 PP00418) Esta mesma lógica levou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a adotar o mesmo entendimento em relação ao IPI, conforme se confere do seguinte precedente, proferido pela Primeira Seção em caráter de uniformização da jurisprudência das duas Turmas de direito público: TRIBUTÁRIO. IPI. MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO ISENTO, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA, JÁ QUE O APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO. 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero. 2. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Não teria sentido, ademais, carregar ao contribuinte os ônus que a demora do processo acarreta sobre o valor real do seu crédito escritural. Precedentes do STJ e do STF. 3. Embargos de divergência a que se dá provimento, para autorizar a correção monetária dos créditos escriturais durante o período compreendido entre (a) a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi por óbice estatal e (b) a data do trânsito em julgado da decisão judicial, que afasta o referido óbice. (EREsp 468926/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2005, DJ 02/05/2005, p. 150) Ocorreu, ainda, em relação especificamente ao IPI, o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em regime de recurso repetitivo, cujo entendimento foi resumido na seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) O mesmo entendimento foi reiterado no contexto dos créditos presumidos de IPI, também em recurso repetitivo, do qual se transcreve apenas o trecho pertinente da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.008567/200818 Acórdão n.º 3403003.357 S3C4T3 Fl. 749 15 contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida em recurso repetitivo, pelo STJ, o que exige a reprodução deste mesmo entendimento no âmbito do CARF, por força do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Assim, tem de ser reproduzido neste caso o mesmo entendimento, dandose provimento ao recurso do contribuinte para, reproduzindo o entendimento de mérito firmado em recurso repetitivo pelo STJ, reconhecer ao contribuinte o direito ao valor da atualização, correspondente à taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a data ou (a) em que se concretizou o ressarcimento do principal ou (b) em que houve o aproveitamento por meio de compensação. 4) Conclusão Pelas razões expostas, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito (1) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, e (2) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data do seu efetivo aproveitamento, ou seja, a data da apresentação da compensação. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004873/2009-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10715.004873/2009-35
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450419
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-005.360
nome_arquivo_s : Decisao_10715004873200935.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10715004873200935_5450419.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5886490
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703655546880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.004873/200935 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.360 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRACAO ADUANEIROADUANA Recorrente UNITED AIRLINES, INC. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. INs SRF 28/1994 E 510/2005. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 48 73 /2 00 9- 35 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004873/200935 Acórdão n.º 3801005.360 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004873/200935 Acórdão n.º 3801005.360 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 20.000.00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada registrou a destempo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados no mês de setembro de 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo de fl. 05, descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN SRF n° 28/1994, alterado pelo artigo I o da IN SRF n° 510/2005, tendo em conta que o inciso II do artigo 39 da mencionada norma (IN SRF n° 28/1994) considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada (fls. 12/13), a autuada apresentou impugnação às fls. 15 a 26. acompanhada dos documentos de fls. 27 a 58. para, ao final, "requerer seja declarado nulo por vício formal o Auto de Infração em referência face à ausência de fundamentação legal válida, em afronta ao art. 10 do decreto 70.235/72 ou, caso assim não entenda, seja, no mérito, julgado improcedente face: i) A inocorrência da hipótese legal da multa ora contestada; ii) Ao desrespeito aos princípios da legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade pela Autoridade impugnada; iii) As constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX e que isentam de culpa a Impugnante no atraso alegados; devendo ser canceladas as multas aplicadas". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão recorrido dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004: Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004873/200935 Acórdão n.º 3801005.360 S3TE01 Fl. 5 4 106. II. do Código Tributário Nacional e a aplicação de multa singular em virtude da continuidade delitiva. É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004873/200935 Acórdão n.º 3801005.360 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram em 2004, ou seja, no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004873/200935 Acórdão n.º 3801005.360 S3TE01 Fl. 7 6 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.004873/200935 Acórdão n.º 3801005.360 S3TE01 Fl. 8 7 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. À vista do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721582/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. PREÇO DETERMINÁVEL.
Em se tratando de contrato de compra e venda de ações com preço determinável, o valor de venda para efeito de apuração do ganho de capital decorrente da alienação é o valor de venda estabelecido no contrato, com os ajustes contratuais, sejam eles positivos ou negativos.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSULTA FISCAL. SUSPENÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. MULTA MORATÓRIA. INAPLICAVEL.
A Consulta Fiscal eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta.
Numero da decisão: 2201-002.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 28/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. GANHO DE CAPITAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. PREÇO DETERMINÁVEL. Em se tratando de contrato de compra e venda de ações com preço determinável, o valor de venda para efeito de apuração do ganho de capital decorrente da alienação é o valor de venda estabelecido no contrato, com os ajustes contratuais, sejam eles positivos ou negativos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSULTA FISCAL. SUSPENÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. MULTA MORATÓRIA. INAPLICAVEL. A Consulta Fiscal eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10855.721582/2013-97
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441158
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.660
nome_arquivo_s : Decisao_10855721582201397.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NATHALIA MESQUITA CEIA
nome_arquivo_pdf_s : 10855721582201397_5441158.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 28/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5859593
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703668129792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.721582/201397 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.660 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente ALEXANDRE SCHINCARIOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. GANHO DE CAPITAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. PREÇO DETERMINÁVEL. Em se tratando de contrato de compra e venda de ações com preço determinável, o valor de venda para efeito de apuração do ganho de capital decorrente da alienação é o valor de venda estabelecido no contrato, com os ajustes contratuais, sejam eles positivos ou negativos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSULTA FISCAL. SUSPENÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. MULTA MORATÓRIA. INAPLICAVEL. A Consulta Fiscal eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 15 82 /2 01 3- 97 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 28/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 156 e seguintes, lavrado em 22/05/2013, exigese do Contribuinte o montante de R$ 11.068.016,35 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRFP), R$ 8.301.012,26 de multa de ofício e R$ 1.557.269,90 de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 20.926.298,51 (atualizado até a data da autuação), referente ao ano calendário 2011, decorrente de Omissão/Apuração Incorreta de Ganho de Capital em face de ter diminuído, indevidamente, do preço de venda/alienação e falta de Recolhimento do Imposto Sobre Ganhos de Capital, em face de ter recolhido fora do prazo o imposto devido. O Relatório Fiscal, de fls.145 e seguintes, relata: · O Contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual de Imposto Sobre a Renda Pessoa Física do exercício de 2012 (DIRPF 2012), ano calendário de 2011, e, nessa DIRPF 2012, informou a alienação da participação societária na pessoa jurídica ALEADRISCHINNI PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES S/A, CNPJ Nº 58.648.759/000165. · No dia 01/08/2011, o Contribuinte firmou Contrato de Compra e Venda de Ações com a KUSUGA PARTICIPAÇÕES S.A., atualmente denominada Kirín Holding Investments Brasil Participações S/A (“Kirin”), onde consta como valor de venda o montante de 1.969.041.000,00. · A cláusula 2.3 do contrato, de fls. 23, prevê que o preço de aquisição estaria sujeito a um ajuste, para cima ou para baixo, em face de apuração posterior da diferença positiva ou negativa da dívida líquida no fechamento da operação. · No dia 29/09/2011, o Contribuinte formalizou junto à Receita Federal, o processo de Consulta nº 13876.720432/201144, dando notícia da publicação, em 05/08/2011, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, da decisão proferida pela Juíza da 1ª Vara da Comarca de Itu/SP, deferindo Medida Liminar em Medida Cautelar, movida pelos acionistas minoritários da Schincariol, para os fins de suspender a eficácia do Contrato de Compra e Venda firmado pelo Contribuinte. · Em face da medida liminar e, também, do processo de Consulta, o Contribuinte entendeu não estar obrigado a recolher, em 30/09/2011, o imposto devido sobre o ganho de capital apurado em relação à venda da participação societária ocorrida em 01/08/2011. · No dia 14/10/2011, o Contribuinte recolheu imposto incidente sobre o ganho de capital, código de receita 4600, pelo DARF, no valor de R$ 250.084.118,14, colocando como Data de Vencimento o dia 30/11/2011. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721582/201397 Acórdão n.º 2201002.660 S2C2T1 Fl. 3 3 · No dia 03/01/2012, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª RF proferiu decisão no processo de Consulta 13876.720432/201144 concluindo que: “a suspensão dos efeitos do contrato de compra e venda (negócio jurídico) indicada na petição da consulta não elide a ocorrência do fato gerador referente ao ganho de capital dele decorrente; vez que o art. 118, inciso II, do CTN expressamente determina a irrelevância dos efeitos ocorridos para a qualificação do fato gerador”. A decisão ainda dispõe que: “O fato imponível concretizou por ocasião da manifestação de vontade das partes no Contrato de Compra e Venda de Ações e recebimento do preço acordado pelo vendedor. Efeitos supervenientes a ocorrência do fato gerador, não tem o condão de alterálo” e “a suspensão dos efeitos do negócio jurídico tributável não faz desaparecer o fato gerador e sua correspondente obrigação tributária”. · A fiscalização apurou que há 03 (três) valores diferentes informados pelo Contribuinte como sendo o valor da venda/alienação e 02 (dois) valores do imposto devido sobre o ganho de capital, pois o apurado no Anexo de Apuração do Ganho de Capital é menor que o valor recolhido em 14/10/2011: (i) na ficha “Declaração de Bens e Direitos”: Discriminação da venda pelo valor de R$ 1.959.730.061,98; (ii) no Anexo de Apuração do Ganho de Capital: Valor de alienação de R$ 1.950.856.309,34; (iii) o valor recebido pelo contribuinte em 01/08/2011 foi de R$ 1.969.041.000,00; (iv) no Anexo de Apuração do Ganho de Capital: Apurado o Imposto Devido sobre o Ganho de Capital no valor de R$ 248.753.055,25 divergente do valor de R$ 250.084.118,14 pago em 14/10/2011. · O Contribuinte esclareceu informando que o valor da venda em 01/08/2011 foi de R$ 1.974.041.000,00, tendo a compradora retido o valor de R$ 5.000.000,00 resultando um valor de depósito em favor do Contribuinte no montante de R$ 1.969.041.000,00. · Tendo em vista que a apuração posterior de diferença negativa da dívida líquida no fechamento, por força da cláusula 2.3 do contrato de fls. 23, o Contribuinte devolveu à compradora o valor de R$ 3.873.752,64 em 26/04/2012, resultando em um valor efetivo de venda no montante de R$ 1.965.167.247,36. Do presente montante, o Contribuinte abateu o custo da comissão no montante de R$14.310.938, resultando um montante de R$ 1.950.856.309,34 que foi confrontado com o custo de aquisição das participações acionárias alienadas no montante de R$ 292.502.607,67, apurandose um ganho de capital de 1.658.353.701,67 gerando IRPF (15%) de 248.753.055,24. · A Autoridade Lançadora compreendeu estar correto a dedução do valor pago a título de corretagem, todavia, em relação ao valor de R$ 3.873.752,64 pago à Kirin, em 26/04/2012, por força do estipulado na Cláusula 2.3 do Contrato de Compra e Venda de Ações com a KUSUGA PARTICIPAÇÕES S.A., compreendeu não ser possível a sua diminuição do valor da alienação, uma vez que por força do art. 116, II do Código Tributário Nacional (CTN), a rescisão do contrato de alienação ou a redução de preço não importarão na restituição do imposto pago. Acrescenta que a referida conclusão já havia sido exposta na Solução de Consulta nº 1 – SRRF08/Disit, de 03 de janeiro de 2012, na qual o consulente/interessado é o Contribuinte. Assim apurouse um valor de venda líquido de comissão de R$ 1.954.730.061,98. · Em relação ao prazo de recolhimento (autuação 002 do Auto de Infração de fls. 158), os arts. 142 e 852 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) dispõem que o imposto devido sobre o ganho de Capital deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele em que os rendimentos ou ganhos forem percebidos. Como o Contribuinte recebeu o valor da venda em 01/08/2011, o prazo de recolhimento do imposto é até 30/09/2011, se dia útil. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Expõe que é defeso ao Contribuinte recolher o imposto devido, fora do prazo de recolhimento, sem os acréscimos legais (juros e multa de mora), baseandose nos efeitos do Processo de Consulta dispostos no caput do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº. 740/07, pois o § 5º do mesmo art. 14 dispõe claramente que a Consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo autolançado, que é o caso do imposto que está sendo fiscalizado. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 06/06/2013 (Doc. de fl. 164), tendo apresentado Impugnação, de fls. 167 e seguintes, em 24/06/2013, na qual trouxe as seguintes alegações: · Efetuou o recolhimento do imposto, em 14/10/2011, no valor de R$ 250.084.118,14, calculado com base no preço de venda conhecido em agosto de 2011, portanto, sem a redução do valor devolvido à empresa compradora, no montante de R$ 3.873.752,64, o que somente ocorrera em 26/04/2012. · A diferença entre o imposto recolhido, em 14/10/2011, no valor de R$ 250.084.118,14, e o efetivamente devido em decorrência do ajuste no preço de venda, no valor de R$ 248.753.055,24, gerou direito à realização de um pedido de restituição do imposto pago a maior, o que foi requerido mediante a apresentação do PER/DCOMP nº 27333.77209.291112.2.2.049361, em 29/11/2012. · O Auto de Infração seria nulo por afronta ao devido processo legal, vez que não poderia o auditor fiscal, por meio de auto de infração, contestar a apuração do imposto que se pretende ver restituído. A análise acerca do PER/DCOMP deveria seguir o rito processual previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, aplicável em caso de indeferimento pela autoridade competente, qual seja o titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio do contribuinte. · Desconsiderar o redutor do preço de venda previsto no contrato de compra e venda das ações, para fins de apuração do ganho de capital, desrespeita o art. 43 do CTN, vez que o fato gerador do imposto de renda, conforme definido no sistema tributário nacional, restringese, tão somente, ao acréscimo patrimonial. · O recolhimento do imposto realizado em 14/10/2011 não estaria sujeito a multa ou juros de mora, em razão da regularidade do processo de Consulta protocolado pelo Contribuinte antes do prazo de vencimento do tributo. Foram cumpridos todos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e na Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, e a Consulta foi recepcionada e apreciada pela Receita Federal do Brasil, não havendo dúvida de que se tratou de uma consulta eficaz. · Seria inaplicável ao presente caso o § 5º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, que prevê a não suspensão do prazo para recolhimento do tributo objeto de Consulta, quando se trata de imposto sujeito à retenção na fonte ou autolançamento. A referida norma somente se aplicaria a situações em que responsáveis tributários ou contribuintes de direito (e não de fato) pudessem se valer do instituto da Consulta para obter um benefício financeiro, quando o ônus do tributo já tivesse sido suportado pelo Contribuinte de fato, o que somente poderia ocorrer na sistemática de retenção na fonte, ou em relação a tributos chamados indiretos em que o ônus financeiro é repassado à pessoa seguinte na cadeia. Interpretar o § 5º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, de forma a ser aplicável ao presente caso, fere o § 2º do art. 161 do CTN, que confere ao contribuinte a garantia de não ser penalizado enquanto esteja pendente uma resposta definitiva do fisco a respeito da incidência ou não do tributo consultado. · O imposto foi recolhido na data em que o Contribuinte teve ciência sobre a revogação da medida liminar que suspendia os efeitos da alienação, em 14/10/2011, mas este Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721582/201397 Acórdão n.º 2201002.660 S2C2T1 Fl. 4 5 poderia ter aguardado 30 (trinta) dias da ciência da decisão administrativa do processo de Consulta para efetuar o recolhimento. Assim, resta demonstrada a inexistência de mora e a ausência de prejuízo ao Fisco. · Mesmo que não fossem considerados os efeitos da consulta administrativa, o fato gerador do tributo somente se materializara, nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88, no dia 14/10/2011, com a revogação da liminar que suspendera os efeitos da alienação. Assim, o prazo para recolhimento do imposto seria 30/11/2011. A 21ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 16/10/2013, pelo Acórdão nº 1260.460, de fls. 323 e seguintes, julgou a Impugnação improcedente, nos seguintes termos: SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO. Através da Solução de Consulta o consulente tem um pronunciamento formal da Administração Tributária acerca da aplicação da legislação tributária em relação a fato determinado, que o vincula e vincula também os agentes públicos, estes, porém, somente em relação ao consulente e no que tange à situação concreta objeto da consulta. GANHO DE CAPITAL. AJUSTE NO PREÇO DE ALIENAÇÃO. A redução do preço de alienação, face às eventuais dívidas futuras, não implica recálculo do ganho de capital para fins de apuração de nova relação percentual entre o ganho e o valor da alienação. PROCESSO DE CONSULTA. EFEITOS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. A apresentação de consulta não suspende o prazo para o recolhimento de tributo declarado (autolançado), cujo lançamento ocorre por homologação sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação, ficando a cargo desta no prazo legal, examinar e homologar o procedimento do sujeito passivo. O Contribuinte foi notificado do acórdão em 29/10/2013, conforme certidão de fls. 391, vindo apresentar Recurso Voluntário às fls. 340 e seguintes, em 29/10/2013, aduzindo: · Nulidade do Auto de Infração por violação ao devido processo legal. Uma vez que promoveu Pedido Eletrônico de Restituição (“PER/DCOMP”) em 29/11/2012, pelo que não poderia o Sr. Auditor Fiscal, por meio de Auto de Infração, pretender contestar a apuração do imposto. Assim, aponta que a análise da PER/DCOMP deveria observar o rito processual previsto na IN RFB nº 1.300/12. · Defende a regularidade da dedução do valor restituído pelo Contribuinte à compradora das ações. O valor sobre o qual o Contribuinte efetuou o recolhimento era um valor estimado, assim o valor de R$ 3.873.752,64 que restituiu ao comprador das ações não compõe o preço de venda, não podendo ser equiparado à preço contratual e quitação com desconto. · Requer a não imposição de penalidades moratórias, pois o prazo de pagamento estava suspenso visto que o prazo para recolhimento encontravase suspenso com base no caput do art. 14 da IN RFB nº 740/07, diante da formulação de consulta eficaz e protocolada antes do vencimento do prazo. · Argumenta que a impossibilidade de suspensão exposta no §5º do art. 14 da IN RFB nº 740/07 somente se aplica as hipóteses de retenção na fonte e tributos Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 indiretos, o que não é o caso em tela. Complementa apontando que entendimento diverso afrontaria o §2º do art. 161 do CTN. · Não ocorrência do fato gerador diante da medida liminar proferida em sede de ação cautelar. Desta feita argumenta que em vista da decisão judicial proferida, não há que se falar em operação que caracteriza efetiva alienação, nos termos do art. 3º, §3º da Lei nº 7.713/88, pois que, embora o Contribuinte tenha recebido os respectivos recursos financeiros, manteve, por força da medida liminar a titularidade jurídica sobre as ações objeto do contrato de alienação, logo, o fato gerador só se aperfeiçoou em 14/10/2011, quando publicada decisão cassando a medida liminar. A d. PGFN interpôs petição de fls. 394 informando estar ciente do despacho de encaminhamento e que não haverá a apresentação de contrarazões ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/10/2013 em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de 16/10/2013. Assim, temse por tempestivo o presente recurso, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. PRELIMINARES I.1. Da Nulidade do auto de infração por afronta ao devido processo legal O Contribuinte destaca que apresentou Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP) em 29/11/2012, pelo que não poderia o Auditor Fiscal, por meio de Auto de Infração, pretender contestar a apuração do imposto que se pretende ver restituído. Destaca que o acórdão recorrido afastou a presente preliminar sob a singela afirmação de que o art. 246 da Portaria MF nº 203/12 atribui ao Setor de Fiscalização da DRF a competência de rever “declarações, diligências e perícias”. Entretanto a análise acerca do direito pleiteado em PER/DCOMP deve ser apreciado pelo titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio do contribuinte e, em caso de indeferimento é garantido ao contribuinte apresentar manifestação de inconformidade no prazo de trinta dias. Portanto, uma vez que não há na IN RFB nº 1.300/12 qualquer previsão acerca da lavratura de auto de infração para questionamento acerca do valor a ser restituído, em processo paralelo aquele originado do pedido de restituição, o presente procedimento violou o devido processo legal. Dentre a documentação que forma o presente Procedimento Administrativo Tributário não se encontra qualquer pedido de restituição. O Relatório Fiscal, de fls. 145, em momento algum aborda deferimento ou indeferimento de pedido de restituição. No mesmo sentido não há no Auto de Infração, de fls. 156, qualquer referência ao indeferimento de pedido de restituição. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721582/201397 Acórdão n.º 2201002.660 S2C2T1 Fl. 5 7 O Auto de Infração apurou as seguintes infrações: 0001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas não negociadas em bolsa de valores, conforme Relatório Fiscal em anexo. 0002 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL Falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos de capital, tendo em vista que o fiscalizado, apesar de ter informado o referido imposto na Declaração de Ajuste Anual, informou incorretamente a data de vencimento e recolheu o imposto fora do prazo de vencimento, conforme demonstrado no Relatório Fiscal em anexo. Da leitura do Relatório Fiscal resta claro que a Autoridade Lançadora aborda base de cálculo do IRPF e o prazo de recolhimento e seus consectários. Diante do exposto, não se verifica a violação do devido processo legal, uma vez que o procedimento feito pela fiscalização não diz respeito ao valor pleiteado em PER/DCOMP, mas sim o elemento quantitativo do fato gerador da apuração do IRPF sobre o ganho de capital incidente na alienação a venda das ações. Preliminar rejeitada. II. DO MÉRITO II.1. Do Valor de Apuração do Ganho de Capital A fiscalização entendeu que em relação ao valor de R$ 3.873.752,64 pago pelo Contribuinte à Kirin, em 26/04/2012, por força do estipulado na Cláusula 2.3 do Contrato de Compra e Venda de Ações com a KUSUGA PARTICIPAÇÕES S.A., não seria cabível a sua diminuição do valor da alienação, vez que o fato gerador ocorrido em 01/08/2011 não pode ser alterado por evento futuro. O acórdão aquo acompanhou o entendimento da fiscalização apontando que o cálculo do IRPF sobre o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista, isto é, ocorre a predeterminação dos valores envolvidos na operação, ainda que eles venham a variar com a quitação das parcelas. Portanto, seria vedada a restituição de imposto pago no caso de dívida quitada com desconto. Não corroboro com a conclusão galgada pelas instâncias anteriores, pois adotam, para o valor de R$ 3.873.752,64, uma natureza distinta daquela que está no Contrato de Compra e Venda de Ações, de fls. 21. A cláusula 2.2 determina o preço de aquisição das ações, já a cláusula 2.3 determina que o referido preço poderá sofrer um ajuste tanto para mais quanto para menos conforme apuração futura da dívida líquida da Sociedade no fechamento. Confirase: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Cláusula 2.3. Ajuste do Preço de Aquisição. O Preço de Aquisição estará sujeito a um ajuste, para acima ou para baixo, com base na diferença entre o Preço de Aquisição e o Preço de Aquisição Ajustado, conforme abaixo definido: (a) Para os fins desta Cláusula 2.3: "Preço de Aquisição Ajustado" significa o Preço de Aquisição ajustado de acordo com a diferença, positiva ou negativa, entre (i) R$742.642.666,50; e (ii) a Dívida Líquida no Fechamento. (...) O cálculo da Divida Líquida no Fechamento será final, conclusiva e vinculante a cada urna das Partes do presente Contrato. Os Vendedores, de um lado, e a Compradora, de outro lado, deverão pagar os honorários e as despesas dos Contadores, em parte iguais. (...) (d)Caso o Preço de Aquisição (incluindo a Retenção) exceda o Preço de Aquisição Ajustado, (x) os Vendedores deverão efetuar o pagamento à Compradora da diferença, se existente, entre a Retenção e o Preço de Aquisição Ajustado em até 20 (vinte) dias da data em que o Contador Informar às Partes o valor da Dívida Liquida no Fechamento e do Preço de Aquisição Ajustado; ou (y) a Compradora deverá pagar aos Vendedores, em até 20 (vinte) dias da data em que o Contador informar às Partes os valores do Preço de Aquisição Ajustado e da Dívida Líquida no Fechamento, o saldo da Retenção descontado de quaisquer valores correspondentes à diferença entre o Preço de Aquisição (incluindo a Retenção) e o Preço de Aquisição Ajustado.” A redação das cláusulas contratuais é de clareza hialina apontando que o preço será ajustado. A redação do contrato afasta de plano a ilação de possível desconto no preço, uma vez que a causa do ajuste não aborda possível antecipação de pagamento, conduta do vendedor ou do comprador, mas sim reavaliação do bem alienado ao fim de determinado período. Diante da redação do contrato não resta dúvida de que o preço pago em 01/08/2011 não representava o efetivo preço do bem negociado, mas sim um preço aproximado que seria ajustado quando da reavaliação do bem negociado no fechamento do período com base no fechamento da dívida líquida da sociedade empresária a que as ações negociadas se referiam. A redação do contrato corrobora com argumentação do Contribuinte de que à época do recolhimento do IRPF o que se tinha disponível para fins do cálculo do imposto era um preço estimado, mas composto de parcelas que sequer havia disso liberada para os vendedores e ainda sujeito a indefinidos ajustes(como de fato veio a ocorrer com a parcela de ajuste) como é praxe de mercado em negociações semelhantes. Não há qualquer irregularidade na elaboração de contrato de compra e venda com preço determinável, vez que esta alternativa é inclusive previsto no art. 487 do CC/02: Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. A Autoridade Lançadora afasta a possibilidade do ajuste por ser fato superveniente ocorrência do fato gerador. Embora o ajuste tenha ocorrido após o fato gerador o Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721582/201397 Acórdão n.º 2201002.660 S2C2T1 Fl. 6 9 mesmo já estava previsto previamente. O fato gerador ocorrido em 01/08/2011 ocorreu sob uma base de cálculo provisória, já sendo possível, através do contrato, prever quando ocorreria a base de cálculo definitiva que poderia ocasionar tanto um complemento do recolhimento do tributo quanto uma possível restituição do que já tivesse sido recolhido. Diante do exposto, concluise que a devolução, em 26/04/2012, de parte do pagamento recebido quando da assinatura do contrato de compra e venda, em 01/08/2011, não decorreu de um fato superveniente à ocorrência do fato gerador, mas sim da quantificação do valor de venda das ações, que estava vinculado ao valor da “Dívida Líquida no Fechamento”, em 31/07/2011. Por esse motivo, o valor recebido a maior pelo alienante na data de ocorrência do fato gerador, no montante de R$ 3.873.752,64, posteriormente devolvido ao adquirente, não compõe o valor de venda das ações, e deve ser excluído do ganho de capital apurado pela autoridade fiscal. II.2. Das Penalidades Moratórias O Contribuinte defende que teria o direito à suspensão do prazo para recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital diante da apresentação de Consulta eficaz protocolada antes do vencimento do prazo para pagamento do imposto, nos termos do art. 14 da IN RFB nº 740/07. Tanto a Autoridade Lançadora quanto a 3ª Turma da DRJ/SDR compreenderam que o prazo para recolhimento não se quedava suspenso, assim o pagamento após o termo do prazo acarreta a incidência dos encargos moratórios. O Voto Vencedor da DRJ entendeu que: Pelo acima transcrito, temse que em relação aos tributos retidos na fonte ou declarados (autolançados) a apresentação de consulta não suspende o prazo para recolhimento. Em que pese parte da doutrina se opor à utilização do termo autolançamento, por entender que o lançamento é sempre atribuição privativa da autoridade fiscal, fato é que os tributos autolançados são aqueles cujo lançamento é realizado por homologação, na forma do art. 150 do CTN, que atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Fica a cargo da fiscalização, no prazo legal, examinar e homologar o procedimento do sujeito passivo. O lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física é do tipo por homologação, sendo as declarações prestadas pelo sujeito passivo em relação aos fatos geradores revisadas pela autoridade fiscal. A Fazenda homologa o pagamento efetuado antecipadamente pelo contribuinte, verificando se este se adequa às declarações por ele prestadas. Em que pese o Voto Vencedor da DRJ entender que no caso em questão o IRPF sobre o ganho de capital é autolançamento e, por isso, não afastaria a incidência de multa e juros de mora, o Voto Vencido da DRJ angariou entendimento contrário. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Pois bem. Com toda vênia ao entendimento que prevaleceu no âmbito da DRJ, acredito que essa não seja a melhor interpretação a ser ofertada ao caso em comento. De fato, o disposto no § 5º do art. 14 da IN/RFB nº 740/07 aplicase aos casos autolançamento, porém entendo que deve ser compreendido como autolançamento para o presente fim, o imposto já declarado pelo contribuinte. Isso porque se o contribuinte já declarou o imposto, já identificou o mesmo como devido, não devendo a Consulta se valer como expediente para suspender o prazo do pagamento do tributo. Se há dúvida quanto à incidência ou não do tributo, a formulação da Consulta deve ser prévia a sua declaração (autolançamento), sob pena de não haver a suspensão do prazo de vencimento do tributo. No caso em questão, entendo que não houve autolançamento, o Contribuinte não declarou o imposto, pelo contrário, formulou a Consulta antes do prazo de vencimento do mesmo. Assim, entendo inaplicável o disposto no § 5º do art. 14 da IN/RFB nº 740/07. Assim, entendo que ao caso em questão deve ser aplicada a regra geral contida no caput do art. 14 da IN/RFB nº 740/07, qual seja: Art. 14 A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Da leitura do referido dispositivo legal, verificase que a Consulta eficaz, protocolada antes do vencimento do tributo, afasta a aplicação de multa de mora e juros de mora em até trinta dias contados da data da ciência da Consulta pelo contribuinte. Neste diapasão, podese depreender que o contribuinte tem trinta dias para efetuar o pagamento do tributo sem multa e juros de mora em casos de Consulta eficaz e protocolada antes do prazo de vencimento do tributo. O § 2º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) afasta a incidência de juros de mora em caso de pendência de resposta a Consulta formulada antes de vencido o prazo para pagamento do tributo. Confirase: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A interpretação acima também se coaduna com os arts. 48 e 49 do Decreto nº 70.235/72, que determinam a impossibilidade de instauração de qualquer procedimento fiscal a partir da apresentação da Consulta, salvo nas hipóteses de tributo retido ou autolançamento: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721582/201397 Acórdão n.º 2201002.660 S2C2T1 Fl. 7 11 I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. Inclusive, assim o entendimento exarado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 17, de 03 de julho de 2003. Confirase: 7. Tendo em vista que, no que se refere a essa questão, o ordenamento jurídico não sofreu alteração, conforme arts. 161, § 2o, do CTN, 48 e 49 do Decreto no 70.235, de 1972, e 14, § 5o, da IN SRF no 230, de 2002, cabe ratificar o teor do Parecer Normativo CST no 67, de 1977, para consagrar o entendimento de que, relativamente aos tributos que se refiram à matéria consultada cujo vencimento do prazo para pagamento ocorra após a apresentação da consulta na unidade preparadora do processo, não se exigem os encargos decorrentes da mora nos pagamentos efetuados até o trigésimo dia da ciência da decisão que solucionar a respectiva consulta ou até o seu vencimento, se superior a esse prazo. 8. Registrese todavia que tal entendimento não se aplica na hipótese de tributos cujo ônus financeiro é suportado por ou repassado a outrem – “contribuinte de fato” –, mas a responsabilidade pelo recolhimento aos cofres públicos é legalmente atribuída ao consulente – “contribuinte de direito” –, que é o caso dos tributos “retidos na fonte” e dos “autolançados”. Também não encontra abrigo jurídico a suspensão, em virtude de formalização de processo de consulta, de prazo de entrega de declaração de rendimentos e de prazo para cumprimento de outras obrigações acessórias, vencidos no curso do referido processo. 8.1 Nesse ponto, considerando que atualmente a maioria dos tributos enquadramse na modalidade de lançamento por homologação, impropriamente denominada de autolançamento, convém esclarecer que os tributos “autolançados”, que constituem exceção ao entendimento acima esposado, não se confundem com os tributos sujeitos a modalidade de lançamento aqui referida. “Autolançados” são os tributos que, por determinação normativa, em virtude de sua forma de apuração, devem ser destacados no documento fiscal que ampare as movimentações ou as operações de compra e venda de produtos sujeitos a esses tributos. Neste sentido, compreendo que como o Contribuinte apresentou de Consulta, tida como eficaz, antes de vencido o prazo de recolhimento do tributo, diante expressa determinação do caput do art. 14 da IN RFB nº 740/07, afasta a imposição de multa e juros moratórios, restando também afastada a autuação 0002 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e direitos/ Falta de Recolhimento do Imposto Sobre Ganhos de Capital, prevista no Auto de Infração. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
