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Numero do processo: 15374.002195/99-10
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ. DEDUTIBILIDADE DE PRÓ-LABORE. A dedutibilidade das despesas pagas como pró-labore requer a comprovação da efetividade dos serviços prestados pelos sócios beneficiários dos pagamentos.
CSSL. JULGAMENTO EM CONFORMIDADE AO QUE SE DECIDIU QUANTO AO IRPJ. Não existindo disposição legal em contrário, o suporte fático acolhido, no julgamento da reclamação contra a exigência do IRPJ, enseja a incidência da CSSL, nos termos do artigo 57 da lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 103-22.486
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Flávio Franco Corrêa
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D~UTIBILlDADE DE PRÓ-LABORE. A dedutibilidade das despesas pagas como pró-labore requer a comprovação da efetividade dos serviços prestados pelos sócios beneficiários dos pagamentos. CSSL. JULGAMENTO EM CONFORMIDADE AO QUE SE DECIDIU QUANTO AO IRPJ. Não existindo disposição legal em contrário, o suporte fático acolhido, no julgamento da reclamação contra a exigência do IRPJ, enseja a incidência da CSSL, nos termos do artigo 57 da lei n° 8.981, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por POSTO DE GASOLINA CANÁRIO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. FORMALIZADO EM: 2 3 JUN 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO e LEONARDO DE ANDRADE COUTO. Ausente, por motivo justificado o Cons,elheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. \~\,\\.\ ....\. 141.546'MSR'19106J06 W Processo nO Acórdão nO Recurso n° Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 15374.002195/99-10 : 103-22.486 : 141.546 : POSTO DE GASOLINA CANÁRIO LTOA RELATÓRIO Trata o presente de recurso de voluntário contra a decisão da autoridade julgadora de primeira instâflfeia, que julgou procedentes as exigências de IRPJ e CSSL, relativamente a fato ocorrido nos anos-calendário de 1996. Ciência do auto de infração com a data de 24.11.1999, conforme fls. 100-verso. Reproduzo o relatório do órgão a quo, elaborado na apreciação da impugnação: "O presente processo tem origem nos autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, de fls. 88/92, no valor e R$ 3.375,00 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, de fls. 93/96, no valor de R$ 1.666,66, acrescidos da multa proporcional de 75% e demais encargos moratórios, lavrados pela DRF/Rio de Janeiro e cientificados à interessada em 24/11/1999, conforme AR de fls. 100v. Conforme a folha de continuação do auto de infração (fi. 92), a autuação decorreu de a interessada, após devidamente intimada em 13/09/1999, pelo termo de fls. 87, a comprovar a efetividade dos serviços executados pelos sócios para que a despesa respectiva de prÓ-labore fosse considerada dedutível (conforme determina o art. 245 do RIR/1994), não apresentou qualquer justificativa. Diante disso, a fiscalização considerou apenas os pagamentos efetuados ao sóGÍo Henrique Bernardo, que assinou os Termos apresentados e é responsável da empresa perante a Receita Federal, glosando as despesas de pró-labore com os três demais sócios. A infração foi enquadrada para o IRPJ nos arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1994, aprovado pelo Decreto nO1.041 de 11 de janeiro de 1994." A fiscalizada apresentou a sua impugnação às fls. 101/104. Ciência da decisão de primeira instância no dia 25.05.2004, à fI. 168, a~s~tJlementada: 141546'MSR'19/0&06 2 \~ 1) r Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 15374.002195/99-10 : 103-22.486 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: PAGAMENTOS AOS SÓCIOS. De conformidade com o art. 245 do RIR/1994, para dedutibilidade dos valores pagos a título de pró- labore, cabe à empresa a prova da efetividade do trabalho prestado pelos sócios beneficiados. Assunto: C6'1itribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996 Ementa: LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao lançamento decorrente ou reflexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum. Lançamento Procedente" Recurso voluntário às 368/385, com entrada na repartição no dia 03.06.2004. Depósito recursal à fl.156 e juízo de seguimento da autoridade preparadora à f/. 159. Nesta oportunidade, a recorrente aduz, em síntese, juntando os documentos de fls. 145/155, que o Fisco jamais comprovou que os sócios da autuada não prestaram serviços, no curso de 1996. Para o mister de comprovar o alegado, reúne, em sua defesa, cópias das declarações de imposto de renda das pessoas físicas dos sócios Henrique Bernardo, João Francisco Pimentel Pires e Celestino Teixeira de Souto, relativas ao exerCício de 1997, objetivando demonstrar que nenhum deles deixou de oferecer à tributação as retiradas a título de pró-labore, nos termos da legislação, o que seria suficiente para anular o feito, sob pena de incidir em bitributação, atingindo-se as pessoas físicas em lume e a própria recorrente. É o relatório. 141.546*MSR*19/06/06 3 Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 15374.002195/99-10 : 103-22.486 VOTO Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORRÊA - Relator Na interposição deste recurso, foram observados os pressupostos de recorribilidade. Dele conh~o. Na época dos fatos, assim dispunha o art. 245 do RIR/1994, com base no artigo 47, 9 5°, da lei nO4.506, de 1964: Art. 245. Os pagamentos, de qualquer natureza, a titular, sócio ou dirigente da pessoa jurídica, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela autoridade lançadora se o contribuinte não provar: I - no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; 1/- no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. De conformidade com a norma legal em referência, a dedutibilidade dos pagamentos a sócios, pela alegada prestação de trabalho, subordina-se ao sucesso da comprovação da efetividade do s.erviço por eles prestado. E mais: a norma em lume não deixa dúvidas de que tal ônus recai sobre a pessoa jurídica, que contabilizava e aproveitava as despesas em tela, na diminuição do resultado tributável. Recorde-se que o agente fiscal requisitou da autuada, à fI. 87, os comprovantes relacionados à dedutibilidade das despesas registradas como pró-labore, observando-se, à fls. 92, que a fiscalizada nada respondeu, nem se esforçou para exibir justificativas plausíveis. Como realçou o órgão a quo, as declarações de rendimentos dos sócios, juntadas ao recurso, são ineficientes ao fim pretendido, qual seja, o de evidenciar o trabalho efetivo. Nesse sentido, cite-se o seguinte julgado: "REEMBOLSO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - O reembolso de 141546'MSR"9/0&::spesase o pagamento P:' p,est\~,~\e seNiços a sóc;; sei Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 15374.002195/99-10 : 103-22.486 comprovados por documentos que demonstrem a efetividade dos gastos e discriminem o serviço prestado (acórdão nO 105-4.994/90, DOU 06.03.1991, in Regulamento do Imposto de Renda para 1995, volume I, Editora Resenha Tributária, Alberto Tebechrani e outros)" No que afeta à CSSL, não existindo disposição legal em contrário, o suporte fático acolhido, no julgamento da reclamação contra a exigência do IRPJ, enseja a incidência da CSSL, nos~rmos do artigo 57 da lei n° 8.981, de 1995. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É o meu VOTO Sala d,~sSe~es - DF, em 26 de maio de 2006'ti j) (1/1I V l L-j ,(\ FLÁVI FRANCO CORRÊA/,l':'\ \, I (I " ", ~ ' \; . I I \ I '/ I / \ 141.546*MSR*19/06/06 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001912/00-29
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Ementa: GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS-. Se a glosa decorreu da não apresentação da nota-fiscal à fiscalização, apresentada a prova com a impugnação, e não questionada sua autenticidade, descabe manter a exigência por falta de prova do pagamento, requisito não exigido para dedutibilidade da despesa.
GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS DE USO DA DIRETORIA, CARACTERIZADOS PELA FISCALIZAÇÃO COMO FRINGE BENEFITS Os valores considerados remuneração indireta são dedutíveis com base no art. 47 da Lei nº 6.404/64. A não individualização dos beneficiários implica tributação dos referidos valores exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - NÃO HOMOLOGAÇÃO DA ATIVIDADE PREPARATÓRIA EXERCIDA PELO SUJEITO PASSIVO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Se no curso da verificação, pela autoridade administrativa, da atividade preparatória exercida pelo contribuinte, não restar inequivocamente comprovado que o valor devido se encontra pago, cabe, para essa parcela, o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 101-96.884
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes,por unanimidade de votos DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar as parcelas da exigência relativas á glosa da despesa de R$10.261,55 e á glosa de despesas relacionadas com os veículos (itens 1,2e4do auto de infração do IRPJe seus correspondentes no auto de infração da CSLL),nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS-. Se a glosa decorreu da não apresentação da nota-fiscal à fiscalização, apresentada a prova com a impugnação, e não questionada sua autenticidade, descabe manter a exigência por falta de prova do pagamento, requisito não exigido para dedutibilidade da despesa. GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS DE USO DA DIRETORIA, CARACTERIZADOS PELA FISCALIZAÇÃO COMO FRINGE BENEFITS Os valores considerados remuneração indireta são dedutíveis com base no art. 47 da Lei nº 6.404/64. A não individualização dos beneficiários implica tributação dos referidos valores exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - NÃO HOMOLOGAÇÃO DA ATIVIDADE PREPARATÓRIA EXERCIDA PELO SUJEITO PASSIVO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Se no curso da verificação, pela autoridade administrativa, da atividade preparatória exercida pelo contribuinte, não restar inequivocamente comprovado que o valor devido se encontra pago, cabe, para essa parcela, o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Numero do processo: 10950.002349/99-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 106-01.128
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Luiz Antonio de Paula
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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de 10950.002349/99-96 123.630 IRPF - Ex(s): 1995 NEUZA MARIA DIAS FREITAS NAKAZATO DRJ em FOZ DO IGUAÇU - PR 22 DE FEVEREIRO DE 2001 R E S O L U ç Ã O NO. 106-1.128 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NEUZA MARIA DIAS FREITAS NAKAZATO. RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. £~U~ ~~S :MORAIS PRESIDENTE ~ LUIZ ANTONIO DE PAULA RELATOR FORMALIZADO EM: 1 9 ABR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ROMEU BUENO DE CAMARGO, THAISA JANSEN PEREIRA, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e EDISON CARLOS FERNANDES. Ausentes justificadamente os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES . • Processo nO. Resolução nO. Recurso nO. Recorrente MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10950.002349/99-96 106-1.128 123.630 NEUZA MARIA DIAS FREITAS NAKAZATO RELATÓRIO • Neuza Maria de Freitas Nakazato, já qualificada nos autos, recorre da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Foz de Iguaçu, por meio do recurso protocolado em 07/08/00 (fls. 27/29). A contribuinte protocolizou seu pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre verbas indenizatórias recebidas na rescisão de contrato de trabalho como incentivo à adesão ao Programa de Desligamento Voluntário adotado pelo seu empregador, que no seu entender, foi indevidamente retido e constante na declaração de rendimentos do exercício de 1995, ano- calendário 1994. Anexa os documentos de fls. 02/05. Ao mesmo tempo, junta ao presente processo original da Declaração de Ajuste Anual, devidamente assinalada como retificadora (f1s.06/07). A Delegacia da Receita Federal em Maringá apreciando o pleito, concluiu ser improcedente o pedido de restituição, devido à ocorrência da decadência. Embasou sua decisão nos incisos I dos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, no Parecer PGFN/CAT/N° 1538/99 e no Ato Declaratório SRF n' 96/99(Despacho N° 514/99 - f1s.12/16). Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 17/19), à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Foz do Iguaçu, aduz, em resumo, que: - como o rendimento foi recebido em 1994, somente no ano seguinte poderia ter de""ado, oomoo le,; t r\ , • Processo nO. Resolução nO. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10950.002349/99-96 106-1.128 3 •• - o prazo de cinco anos dever iniciar a partir da entrega da declaração de rendimentos e não da data do devido recolhimento; - o pedido de restituição foi formalizado em 20/10/99, ou seja, antes do Ato Declaratório SRF nO96/99; - pede a aplicação da analogia, fundamentado no disposto do art. 108, I do CTN, para que aplique o art. 168, II do CTN; - para situações idênticas não há como decidir de forma diversa. Menciona decisão proferida pela DRF-São Bernardo do Campo-SP, em caso análogo. A autoridade julgadora de primeira instância manteve o indeferimento, em decisão de fls. 21/25, que contém a seguinte ementa: "PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. RESTITUiÇÃO DO IR-FONTE SOBRE VERBA INDENIZATÓRIA. DECADÊNCIA". Extingue-se em cinco anos, contados da data do recolhimento, o prazo para pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte em razão de rescisão de contrato de trabalho, inclusive quando decorrente do Plano de Demissão Voluntária - PDV. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA". Dessa decisão tomou ciência, e ainda inconformada protocolou o recurso de fls. 27/29, onde argumenta, em síntese, que: - consta do relatório apresentado pela DRJ-Foz de Iguaçu que na declaração apresentada originalmente (fls. 05) que a recorrente incluiu tais rendimentos como tributáveis. E, na declaração retificadora os rendimentos foram incluídos como isentos (fls.06), alterando o resultado do imposto devido de 10.500,54 UFIR para 5.185,32 UFIR. Na verdade, ocorreu uma inversão dos fatos, ou seja, na declaração apresentada originalmente (31.05.95), extrato de fls. 05, a contribuinte declarou como rendimentos não-tributáveis o que 9f\ • Processo na. Resolução nO MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10950.002349/99-96 106-1.128 resultou no valor do imposto devido de 5.185,32 UFIR. Em 16.11.95 a SRF (extrato fls. 05), retificou sua declaração para considerar aqueles rendimentos como tributáveis e aumentando o imposto devido para 10.500,54 UFIR. Ressalta, que ela já havia pleiteado anteriormente (declaração original) o valor do imposto retido na fonte, dentro do prazo de 05 anos; - pleiteou pela segunda vez a restituição em 20.10.99, pois não havia tomado conhecimento do despacho de 17.11.98, baseado no Parecer PGFN/N0 1278/98, da não incidência do Imposto de Renda sobre verbas indenizatórias; - menciona que foram veiculadas na imprensa orientações da Receita Federal para que fosse apresentadas declarações retificadoras, para os contribuintes que receberam estas verbas até 1994; - contesta entendimento da Receita Federal sobre o prazo "prescricional" (início a partir do desconto do Imposto de Renda na Fonte). Entende que deve ser a partir de 01.01.95, quando a contribuinte teria condições de apresentar a declaração; - pleiteou a restituição em 20/10/99, data anterior ao Ato Declaratório SRF N0 96, de 26/11/99. E, reitera para seja dado o mesmo tratamento em casos idênticos, onde contribuintes receberam a devolução; - já havia solicitado em 31.05.95, a devolução do Imposto Retido na Fonte, através de documento legal, cuja documentação original está em poder da Receita Federal, e, pede reanálise deste itein já que o que consta na decisão DRJ é divergente. • É o Relatório. 13' ~\4 • Processo nO Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10950.002349/99-96 106-1.128 VOTO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator Da análise do presente processo, verifica-se que a lide versa sobre pedido de restituição de tributo concernente IRPF do Exercício 1995, ano-calendário 1994, com base em rescisão do contrato de trabalho por adesão ao Programa de Desligamento Voluntário - PDV. Inicialmente cabe esclarecer que a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, conforme Comunicado expedido pela Seção de Arrecadação da Delegacia da Receita Federal em Maringá de fls. 26, onde está ilegível a data ali aposta, não sendo possível afirmar com segurança que se trata do dia: 8, 18 ou 28 de junho de 2000. Entendo ser oportuno destacar que a Decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Foz do Iguaçu é de 29/05/2000(fls.25). Não consta dos autos, através de Termo de Juntada de Documento, o respectivo Aviso de Recebimento - "AR", nem tampouco consta informação do órgão preparador sobre a tempestividade do recurso apresentado pela contribuinte, protocolado em 07/08/2000(fls. 27/29). Sendo assim, não há afirmar se seu recurso foi apresentado em tempo hábil. Como se não bastasse, ainda constata-se algumas divergências de informações no presente processo, senão vejamos: a recorrente afirma às fls. 27, "recurso", que: ITEM 1. - "No Relatório apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Foz do Iguaçu - PR esta alega que: - Na declaração apresentada originalmente (extrato fI. 05) a contribuinte incluiu tais rendimentos como tributáveis. Já na declaração retificadora os rendimentos foram tratados como isentos (fls.06), alterando o resultado do imposto devido de 10.500,54 UFIR para 5.185,32 UFIR". 5 • Processo nO Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10950.002349/99-96 106-1.128 Continua ainda: - "Há uma inversão dos fatos nesta declaração: Na declaração apresentada originalmente em 31.05.95, (extrato fI. 06), a Requerente considerou e entendeu que os rendimentos não eram tributáveis, calculando desta forma, o valor do imposto devido, tratando-os como isentos, que resultou o valor do imposto devido de 5.185,32 UFIR. A RECEITA FEDERAL em 16.11.95, extrato (fls.05), retificou a declaração considerando como tributável e aumentando o imposto devido para 10.500,54 UFIR, ou seja, aumentando o imposto em 5.135,22UFIR. Isto evidencia que a Requerente, já havia pleiteado anteriormente a restituição do Imposto Retido na Fonte, dentro do prazo de 5 anos, isto é quando de sua Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Fisica, em 31.05.95, ano base de 1994". Apreciando os fatos apresentados pela contribuinte, e, confrontando- os com o documento de fls. 05, (cópia tela-consulta), leva a acreditar que realmente houve alteração na declaração de rendimentos originária (31.05.95), pois o número dado à declaração (ND: 090/7504324), equivale-se à retificação, bem como a informação ("Meio: FAR"). Entretanto, não há como constatar a veracidade dos fatos, uma vez que não consta do presente nos autos processo cópia da declaração de rendimentos apresentada, assim como, das alterações posteriores (FAR, etc). Entendo, que a matéria só poderá ser apreciada, ser for o caso, depois de complementadas as devidas informações neste processo. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em pedido de diligência para que a autoridade preparadora de origem adote as seguintes providências: - juntar o "AR", correspondente à ciência da Decisão de Primeira Instância, e/ou, pronunciar sobre a tempestividade do recurso apresentado; ~t1 6 • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10950.002349/99-96 106-1.128 • - juntar cópia da declaração de rendimentos apresentada pela contribuinte, referente ao exercício de 1995, ano-calendário 1994, e, todas as retificações posteriores; Dar ciência á recorrente da presente Resolução . Sala das Sessões - DF, em 22 de fevereiro de 2001 ~ LUIZ ANTONIO DE PAULA 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 12457.000423/2004-82
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/02/2001
MULTA PECUNIÁRIA DECORRENTE DE PENA DE PERDIMENTO. TRANSPORTE DE CIGARROS INTRODUZIDOS ILEGALMENTE NO PAÍS. PROPRIETÁRIO NÃO IDENTIFICADO - AS EMPRESAS TRANSPORTADORAS DE PASSAGEIROS SÃO RESPONSÁVEIS PELOS VOLUMES QUE TRANSPORTAM.
Nos estritos termos do parágrafo único do art. 519 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 91.030/1985 (RA /1985), dado a impossibilidade de identificação do proprietário da mercadoria estrangeira introduzida ilegalmente no país, é da sociedade transportadora de passageiros a responsabilidade sobre referida infração.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.272
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Nanci Gama
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DRJ-FLORIANOPOLIS/SC CC03/CO3 Fls. 97 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/02/2001 MULTA PECUNIÁRIA DECORRENTE DE PENA DE PERDIMENTO. TRANSPORTE DE CIGARROS INTRODUZIDOS ILEGALMENTE NO PAIS. PROPRIETÁRIO NÃO IDENTIFICADO - AS EMPRESAS TRANSPORTADORAS DE PASSAGEIROS SAO RESPONSÁVEIS PELOS VOLUMES QUE TRANSPORTAM. Nos estritos termos do parágrafo único do art. 519 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.° 91.030/1985 (RA /1985), dado a impossibilidade de identificação do proprietário da mercadoria estrangeira introduzida ilegalmente no pais, é da sociedade transportadora de passageiros a responsabilidade sobre referida infração. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE D DT PRIETO - Presidente CleNaGA - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto, Luis Marcelo Guerra de Castro e Tardsio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. 2 Processo n° 12457.000423/2004-82 Acórdão n.° 303-35.272 CC03/CO3 FLs. 98 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fls. 06/09, para cobrança de multa regulamentar, no valor de R$ 37.245,92, pelo fato da autuada estar transportando cigarros de procedência estrangeira introduzidas irregularmente no pais, previsto no Parágrafo único do art. 519 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.° 91.030/1985 ( RA /1985). Cientificado do lançamento, a interessada apresentou impugnação de fls. 15 a 21, alegando em síntese que: - "ainda que sempre atento e alerta as bagagens portadas pelos seus passageiros, somado aos avisos de transito de mercadorias sempre distribuído nas viagens, a impugnante nada mais poderia fazer além de alertar e fiscalizar superficialmente o que estava sendo transportado pelos seus clientes." - "... a própria Constituição Federal impede que a empresa impugnante abra, reviste ou viole qualquer pertence particular, ainda que transportada em veículos de sua propriedade..." - "em vista da infração autuada e da mercadoria apreendida, foi instaurado inquérito policial para apuração da autoria do ilícito, ocasião em que o sócio da empresa impugnante, ern seu depoimento, apresentou a delegacia de Policia Federal em Curitiba-PR a lista de todos os passageiros a bordo do ônibus, carta de advertência acerca da franquia das mercadorias, bem como a indicação dos possíveis proprietários da mercadoria irregular." - "imputar a empresa impugnante a obrigatoriedade do pagamento da penalidade acerca de infração que se desconhece a autoria extrapola todos os princípios vigentes no ordenamento jurídico pátrio, razão pela qual há que se afastar a penalidade ora imputada." - "caso persista a imposição da penalidade, faz necessária a redução da multa ora lançada, ern virtude de que a empresa impugnante não possui capacidade contributiva correlata a imputação." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis, proferiu decisão de fls. 50/54, no sentido de "considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido". Cuja decisão possui a seguinte ementa: Ementa: MULTA REGULAMENTAR Constitui infração as medias de controle fiscal o transporte de cigarros de procedência estrangeira sem documentação pro bante de sua regular importação, sujeitando-se ao infrator à multa legal. Lançamento Procedente. Processo n° 12457.000423/2004-82 Acórdão n.° 303-35.272 CC03/CO3 Fls. 99 Intimada da referida decisão, em 25.09.2006, a interessada apresentou Recurso Voluntário, requerendo a improcedência do lançamento tributário, e caso não sendo possível, a diminuição da multa em 90% e o seu parcelamento em 60 vezes. E o relatório. O 3 Processo n° 12457.00042312004-82 Acórdão n.° 303-35.272 CC03/CO3 Fls. 100 Voto Conselheira NANCI GAMA, Relatora Estão presentes os requisitos de admissibilidade, visto que tempestivo o Recurso Voluntário apresentado e competente o terceiro conselho para julgar a matéria objeto da lide. Trata-se de recurso voluntário apresentado pelo recorrente acima identi ficado, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis — SC, que julgou procedente a cobrança de multa regulamentar, em razão da entrada indevida de cigarros no pais, previsto no parágrafo único do art. 519 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.° 91.030/1985 (RA /1985). 0 recorrente (empresa transportadora) alega em seu recurso, que não é proprietário do produto transportador, portanto, não pode ser responsabilizado pela infração que não deu causa. Ocorre que no caso em que se desconhece o proprietário do produto irregularmente introduzido no pais, o transportador torna-se responsável pela falta, nos termos do artigo 18, § 2°, do Decreto Lei n° 1.593/77, que determina o seguinte: Art. 18. Consideram-se como produtos estrangeiros introduzidos clandestinamente no território nacional, para todos os efeitos legais, os cigarros nacionais destinados it exportação que forem encontrados no Pais, salvo se em trânsito, diretamente entre o estabelecimento industrial e os destinos referidos no art. 82, desde que observadas as formalidades previstas para a operação. § F Será exigido do proprietário do produto em infração deste artigo o imposto que deixou de ser pago, aplicando-se-lhe, independentemente de outras sanções cabíveis, a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) do seu valor. § 22 Se o proprietário lido for identificado, considera-se como tal, para os efeitos do ss' 1, o possuidor; transportador ou qualquer outro detentor do produto. A recorrente alega em seu recurso que seria impossível a verificação das mercadorias transportadas por ela, pois se trata de uma violação ao principio constitucional. Ocorre que, de acordo com o artigo 73 do Decreto n° 2.521/98, a empresa transportadora é responsável pela verificação dos volumes que transporta, sendo cabível também a solicitação aos passageiros da abertura de suas bagagens. Conclui-se, portanto, que havendo a impossibilidade de se verificar a proprietário da mercadoria estrangeira transportada, considera-se como responsável a própria empresa transportadora do produto. Conforme pacifico o entendimento desta Terceira Camara do Conselho de Contribuintes: EMENTA: 4 Processo n° 12457.000423/2004-82 Acórdão n.° 303-35.272 CC03/CO3 Fls. 101 NORMAS DO REGULAMENTO DO IPI - MULTA PECUNIÁRIA DECORRENTE DE PENA DE PERDIMENTO - TRANSPORTE DE CIGARROS INTRODUZIDOS ILEGALMENTE NO PAIS - PROPRIETÁRIO WO IDENTIFICADO - AS EMPRESAS TRANSPORTADORAS DE PASSAGEIROS SAO RESPONSÁVEIS PELOS VOLUMES QUE TRANSPORTAM Nos estritos termos do artigo 18 di Decreto Lei n° 1.593/77 e artigo 467 do Decreto n° 2.637/98 (Regulamento so IPA dado a impossibilidade de identificação do proprietário da mercadoria estrangeira introduzida ilegalmente no pais que era transportada sob responsabilidade da empresa transportadora de passageiros, considera-se como pertencente à recorrente. RECURSO VOLUNTÁ RIO DESPROVIDO. (RV 128.885, Acórdão 303-31961, Relator: Silvio Marcos Barcelos Fitiza, Sessão 13.04.2005). Quanto ao pedido do recorrente para que o valor da multa seja reduzido eis que não possui capacidade contributiva correlata à imputação, cabe destacar que o seu deferimento somente seria possível, ao menos na esfera administrativa, se houvesse lei que autorizasse o acolhimento de referido pedido, eis que a administração pública não tem disponibilidade sobre o produto da aplicação da multa, como não tem sobre qualquer bem público, e ainda em razão do principio da legalidade que rege os atos administrativos. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a cobrança da multa regulamentar. E corno voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2008 NCI G A - Relatora 5
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Numero do processo: 13899.001213/2005-56
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídica.
Ano-calendário: 2001
NULIDADE- Não padece de nulidade a decisão que enfrenta todas as matérias levantadas na impugnação e as decide motivadamente. Também não ostenta nenhum vício o lançamento que identifica com perfeição o sujeito passivo, o fato gerador, a matéria tributável e demonstra o cálculo do tributo devido e a penalidade aplicada.
PROVA – PERÍCIA- Considera-se não formulado o pedido de perícia sem apresentação de quesitos e indicação de perito. Além disso,.não se justifica a prova pericial quando o fato litigado pode ser provado mediante apresentação de prova documental.
PROVA DOCUMENTAL- A lei processual não prevê reabertura de prazo para apresentação de prova. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação e, no caso de impossibilidade de fazê-lo pelos motivos previstos nas alíneas a, b, e c do § 4º art. 16, deve ela acompanhar o requerimento de apresentação posterior dirigido ao julgador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 101-96.926
Decisão: ACORDAM, os Membros da /Primeira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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ementa_s : Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Ano-calendário: 2001 NULIDADE- Não padece de nulidade a decisão que enfrenta todas as matérias levantadas na impugnação e as decide motivadamente. Também não ostenta nenhum vício o lançamento que identifica com perfeição o sujeito passivo, o fato gerador, a matéria tributável e demonstra o cálculo do tributo devido e a penalidade aplicada. PROVA – PERÍCIA- Considera-se não formulado o pedido de perícia sem apresentação de quesitos e indicação de perito. Além disso,.não se justifica a prova pericial quando o fato litigado pode ser provado mediante apresentação de prova documental. PROVA DOCUMENTAL- A lei processual não prevê reabertura de prazo para apresentação de prova. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação e, no caso de impossibilidade de fazê-lo pelos motivos previstos nas alíneas a, b, e c do § 4º art. 16, deve ela acompanhar o requerimento de apresentação posterior dirigido ao julgador. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Ano-calendário: 2001 Ementa: NULIDADE- Não padece de nulidade a decisão que enfrenta todas as matérias levantadas na impugnação e as decide motivadamente. Também não ostenta nenhum vicio o lançamento que identifica com perfeição o sujeito passivo, o fato gerador, a matéria tributável e demonstra o cálculo do tributo devido e a penalidade aplicada. PROVA — PERÍCIA- Considera-se não formulado o pedido de perícia sem apresentação de quesitos e indicação de perito. Além disso,.ndo se justifica a prova pericial quando o fato litigado pode ser provado mediante apresentação de prova documental. PROVA DOCUMENTAL- A lei processual não prevê reabertura de prazo para apresentação de prova. A prova documental deve ser apresentada corn a impugnação e, no caso de impossibilidade de fazê-lo pelos motivos previstos nas alíneas a, b, e c do § 4" art. 16, deve ela acompanhar o requerimento de apresentação posterior dirigido ao julgador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os Membros da /Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termo s . do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Processo n° 13899.001213/2005-56 AcórdAo n.° 101-96.926 CCO I /CO I Fls. 2 ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO VICE-PRESIDENTE EM EXERCÍCIO SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 2 8 OUT 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente da Camara, na presidência da sessão). Ausentes, momentânea e justificadamente, os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Antônio Praga. Relatório Contra a empresa Not Boi Comércio de Carnes Ltda foram lavrados, em 13 de dezembro de 2005, autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas —IRPJ - e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Conforme consta do Termo de Verificação e Constatação de fls. 09, foi verificada a falta de recolhimento e de comprovação de diferenças de PIS e COFINS, bem como a apropriação a maior de R$ 4.696.852,69, a titulo de Custo de Vendas, reduzindo indevidamente o lucro tributável do ano-calendário de 2001, exercício de 2002, sujeitando o contribuinte ao lançamento de oficio para exigência do crédito tributário, mediante lavratura dos pertinentes Autos de Infração No item 2 do Demonstrativo de PIS e COFINS Recolhidos a Menor e Acréscimo Indevido de Custos das Vendas de fls. 08, constam os valores considerados indevidamente acrescidos ao custo das vendas, que se referem ao movimento da Matriz e filiais do contribuinte, e que foram extraídos pela auditoria do Livro Diário (não registrado) n° 02, tls. 40 e Razão contábil n" 2, fls. 31, 32, 33, 34, 35, 38 e 39, envolvendo a escrituração do período de 2001: "2- ACRÉSCIMO INDEVIDO AO CUSTO DAS VENDAS DE PARCELAS DE PIS/COFINS Valor Contabilizado Valor Efetivo (devido) Diferença a maior indedutivel do lucro real Mês PIS COFINS PIS COFINS Fey 42.328,61 42.320,61 8,00 Processo IV 13899.001213/2005-56 AcOrchlo 11. 0 101 -96.926 CCO1 /C01 Fls. 3 Abr 436.862,32 50.738,32 386.124,00 Mai 1.862.485,56 238.517,25 1.623.968,31 Ago 1.123.932,45 256.534,42 867.398,03 Set 709.895,74 50.313,71 659.582,03 Out 972.872,82 245.098,54 727.774,28 Dez 487.765,17 431.998,04 Total 4.696.852,69 Em impugnação ao lançamento do IRPJ a contribuinte alegou, em síntese, que a descrição dos fatos e enquadramento legal é apenas uni rol de datas, valores e percentuais de multas lançadas, sem qualquer detalhamento ou explieitação de critérios nos demonstrativos anexados, e pugnou pela declaração de nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa e inépcia. Registrou esperar, caso a autoridade julgadora entenda necessário, possa produzir provas de fatos alegados, inclusive levantamento pericial sobre o extenso período impugnado, juntada de outros documentos e inquirição de testemunhas. Na impugnação apresentada contra o lançamento da CSLL, além dos argumentos oferecidos na impugnação ao IRPJ, acrescentou que deve ser rejeitada a verificação por "amostragem" informada no auto, que não está contemplado em legalidade estrita. em decisão A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campinas manteve o lançamento, assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 Nulidade. Tendo sido o lançamento efetuado coin observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no Art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n" 70.235, de 1972, não Imã que se falar de nulidade do lançamento em questão. Cerceamento do Direito de Defesa Não fica caracterizado cerceamento do direito de defesa quando não se vishunbra, nos autos, que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. Perícia: Indefere-se o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando efetuado em desacordo coin pressupostos Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ 3 Processo no 13899.001213/2005-56 Acórd5o n.° 101-96.926 CCO 1 /C0 1 Hs. 4 Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 Custo/Despesas bidedutiveis - Impostos sobre Vendas Não são considerados dedutiveis, posto que não integram o custo das mercadorias vendidas, devendo ser adicionados ao lucro liquido para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, valores referentes as contribuições ao PIS e CORNS contabilizados em montantes superiores aos efetivamente devidos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 Custo/Devesas Indedutiveis - Impostos sobre Vendas Não são considerados dedutiveis, posto que não integram o custo das mercadorias vendidas, devendo ser adicionados ao lucro liquido para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, valores referentes as contribuições ao PIS e COFINS contabilizados em montantes superiores aos efetivamente devidos. A correspondência corn a intimação da decisão foi recebida em 19 de dezembro de 2006, e a interessada ingressou corn recurso em 19 de janeiro de 2007. Inicialmente, disse estar aguardando a devolução do prazo para recurso, urna vez que, embora da intimação por via postal tivesse constado o acompanhamento de cópia, tal não ocorreu, e a cópia só foi obtida em 08 de janeiro de 2007. Em seguida, alega nulidade da decisão por falta de motivação, e, ainda, cerceamento de defesa por indeferimento da prova pericial, uma vez que os quesitos e indicação de perito poderiam vir aos autos posteriormente. Finalmente, reitera as alegações da impugnação. o relatório. Voto Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora. Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Destaco, inicialmente, que a interessada não traz nenhuma razão de mérito corn o escopo de desconstituir o lançamento, restringindo-se a alegar nulidade dos atos processuais e a requerer produção posterior de provas Como preliminar, diz a Recorrente estar aguardando a devolução do prazo para recurso, por ter obtido a cópia da decisão em 08 de janeiro, a 10 dias do ten-no final do prazo. 4 Processo n° 13899.001213/2005-56 Acórd5o n.° 101 -96.926 CCOI 'CO I Fls. 5 Todavia, decorridos mais de 20 meses da protocolização do recurso, a Recorrente não mais compareceu aos autos, o que, se efetivamente se julgasse prejudicada, deveria ter feito ate 07 de fevereiro para apresentar razões aditivas de recurso. Na seqüência, alega falta de motivação e de adequado embasamento da decisão, sem apontar objetivamente tais defeitos. Todavia, a decisão recorrida não padece de qualquer vicio. A Turma, acompanhando o voto do relator, enfrentou todas as matérias levantadas na impugnação, demonstrou a correção do procedimento fiscal, em que o contribuinte teve amplo acesso as informações relativas as diferenças apuradas pela fiscalização, encontradas na própria escrita contábil e fiscal da contribuinte, bem como várias oportunidades de justificá-las. Demonstrou, também, a perfeita caracterização da efetiva ocorrência do fato gerador, da matéria tributável, da identificação do sujeito passivo. Rejeitadas as preliminares que procuravam invalidar o procedimento e, conseqüentemente, os lançamentos, manteve-os porque nenhuma razão de mérito foi apresentada para desconstitui-los. As alegações, reiteradas no recurso, de nulidade do lançamento, não merecem prosperar pelas razões já declinadas na decisão recorrida, que subscrevo. Finalmente, a interessada formula pedido genérico para nova oportunidade para produzir provas, inclusive pericial. 0 diploma que rege o processo administrativo fiscal (Decreto IV 70.235/72) contém regras próprias sobre provas e sobre o momento para sua apresentação, quais sejam: Art. 16. A impugnação mencionará: (-) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formula cão dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a quctlificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n" 8.748, de 1993) ,sç I" Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (incluído pela Lei n°8.748, (le 1993) ,sç 4° A prova documental será apresentada na impugnação, prechtindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) .fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior,.(Incluido pela Lei n°9.532, c/c 1997) b) reffira-se a fato ou a direito superveniente,.(Incluido pela Lei n" 9.532, c/c 1997) 5 Process() n° 13399.001213/2005-56 Acórdão n.° 101-96.926 CCO I/co 1 Fls. 6 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) § 5" A juntada de documentos após a impugnação devera ser requerida ã autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com .fundamentos, a ocorrência de unza das condições previstas nas alíneas do pai-ágrafo anterior. (incluído pela Lei II" 9.532, de 1997) § 6" Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instancia. (Incluído pela Lei n" 9.532, de 1997)" No presente caso, alem de o pedido ser considerado não formulado, nos termos da lei, a perícia não tem razão de ser. A perícia s6 se justifica quando o exame do fato litigioso não puder ser feito pelos meios ordinários de convencimento, dependendo de conhecimentos técnicos especializados, o que não é o caso, pois, tratando-se de glosa de custos, os elementos probatórios poderiam ser facilmente produzidos pela parte, mediante anexação de prova documental. Quanto ao pedido de nova oportunidade para produzir provas, não obstante tratar-se de prova documental, cujo direito à produção precluiu com a impugnação, não caberia, em hipótese alguma, ato processual de reabertura do prazo, cabendo ao contribuinte, se fosse o caso, apresentar a prova documental acompanhada do requerimento de que trata o § 5 0 do art. 16 do Decreto IV 70.235/72. Pelo exposto, rejeito as preliminares e, nada tendo sido trazido quanto ao mérito, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, em 18 de setembro de 2008. SANDRA MARIA FARONI 6
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000559/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Havendo dolo, fraude ou simulação, opera-se a decadência nos termos do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo dolo, fraude ou simulação, opera-se a decadência nos termos do art. 173, I, do CTN.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo dolo, fraude ou simulação, operase a decadência nos termos do art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Contra empresa acima identificada foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Contribuição para a Seguridade Social (INSS), acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa de ofício qualificada, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 04/83). A imposição tributária deuse no âmbito do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, calcada em omissão de receitas e insuficiência de recolhimentos. Segue quadro demonstrativo das importâncias lançadas: Tributo Lançado Multa Juros Total IRPJ 32.144,86 47.116,72 30.103,51 109.365,09 CSLL 56.089,37 82.440,87 53.319,60 191.849,84 Cofins 112.178,72 164.881,79 106.639,29 383.699,80 PIS/Pasep 35.193,53 51.689,72 33.300,97 120.184,22 IPI 24.726,83 36.243,64 23.156,52 84.126,99 INSS 229.205,33 336.527,58 216.603,20 782.336,11 Total 489.538,64 718.900,32 463.123,09 1.671,562,05 Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 62/68), em procedimento de auditoria de depósitos bancários efetuados em conta mantida pelo senhor Abner Araújo Pinheiro, à época sócio da contribuinte, este declarara que referidas importâncias pertenciam de fato à impugnante (fls. 134/135). Em decorrência da circunstância de que iniciara suas atividades antes do registro de seu contrato social na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), seu movimento financeiro deuse na conta de seu sócio, fato que continuou depois de regularizada sua situação na Junta. Consta dos autos declaração firmada por preposto da empresa que corrobora as alegações do exsócio (fl. 72). Instruem os autos cópia da intimação endereçada ao senhor Abner que relaciona os créditos efetuados em conta de depósitos, ao mesmo tempo em que o instou a comprovar a origem dos créditos efetuados (fls. 85/221). Conforme achase assentado, no decurso do procedimento fiscal a contribuinte procedeu a retificação de sua declaração anual simplificada com o objetivo de incluir na rubrica de receitas mensais as importâncias lançadas em conta de depósitos. Consta do termo quadro em que figuram os valores inicialmente declarados, bem assim as importâncias que resultaram após a retificação (fl. 66). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10825.000559/200511 Acórdão n.º 130200.494 S1C3T2 Fl. 318 3 Por entender que existiu crime contra a ordem tributária a autoridade fiscal lançou multa qualificada sobre os valores relativos aos depósitos bancários, objeto de inclusão na declaração retificadora, ao mesmo tempo em que deixou consignado que após a ação fiscal seria lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em consonância com a legislação. Regularmente intimada da imposição tributária a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 249/254 com alegação preliminar de que: houve ofensa ao princípio constitucional que veda utilizarse tributo com efeito de confisco e ao que impõe graduarse a cobrança de imposto segundo a capacidade contributiva; decaiu o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. No mérito arguiu que: é improcedente a imposição de juros com base na taxa Selic; inexistiu infração que justifique a imposição de multa de ofício ou multa de ofício qualificada, que devem situarse no patamar de 20% correspondente à multa moratória. Ao final, propugnou pelo acolhimento de suas alegações e afastamento da imposição tributária. A 5ª Turma da DRJ/RPO, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, considerar procedente em parte o lançamento, cancelando os valores de R$ 440.863,01 de tributo e R$ 646.734,05 de multa, correspondente aos períodos de janeiro a novembro de 1999, no total de R$ 1.087.597,06, com supedâneo nos seguintes fundamentos: Decadência Os fatos geradores do Simples aconteceram mensalmente no decorrer do ano calendário de 1999. Assim, o início da contagem do prazo decadencial principia no primeiro dia do exercício seguinte, isto é, 01/01/2000. Acrescentandose cinco anos temse como termo final o dia 01/01/2005, exceção para o período que se encerrou em 31/12/1999, pois, neste caso o lançamento somente poderia ser efetuado no dia seguinte ao encerramento do prazo, a saber, 01/01/2000, deslocando o início da contagem para o dia 01/01/2001. Acrescentandose cinco anos, obtémse o termo final em 01/01/2006. O contribuinte foi intimado do lançamento em 29/03/2005. Assim, decaíram todos os períodos lançados, à exceção do último, em que o fato gerador deuse em 31/12/1999. Segue demonstrativo do tributo remanescente, cujo fato gerador deuse em 31/12/1999: Espécie IRPJ PIS CSLL Cofins IPI INSS Total Dez 80,68 80,68 124,12 248,23 62,06 533,70 1.129,47 3.396,15 3.396,15 5.224,85 10.449,71 2.612,43 22.466,87 47.546,16 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 Multa 60,50 60,50 93,08 186,17 46,54 400,27 847,06 5.094,22 5.094,22 7.837,27 15.674,56 3.918,64 33.700,30 71.319,21 Total 8.631,55 8.631,55 13.279,32 26.558,67 6.639,67 57.101,14 120.841,90 Da ofensa aos princípios constitucionais No que diz respeito às inconstitucionalidades alegadas, a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Da taxa Selic Não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. Por outro lado, não há inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal contra a aplicação da taxa de juros Selic na cobrança dos juros de mora. As normas que amparam sua cobrança continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas. Da multa aplicada A multa de ofício, lançada nos percentuais de 75% (setenta e cinco por cento) e de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do tributo, é expressamente regrada na legislação tributária, afastando a possibilidade de alteração para o patamar de 20% (vinte por cento), de natureza moratória, decorrente de eventual atraso no pagamento. No caso em tela, o lançamento deuse de ofício após ter sido constatado que a contribuinte utilizouse de interposta pessoa, na figura de seu sócio, para realizar movimentação financeira de suas receitas e omitir tal informação ao Fisco, com a finalidade de subtrair aos cofres públicos o recolhimento de tributo devido. Tampouco há que se falar em procedimento espontâneo o fato de a contribuinte ter retificado a Declaração Anual Simplificada haja vista o procedimento fiscal a que estava submetido o sócio, diretamente envolvido na infração, que detinha a conta de depósitos com a movimentação financeira, cujo início deuse em 18/03/2004 (fl. 67), antes de ter sido expedido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) a que se refere o presente processo, em 30/11/2004. Recorreu de ofício ao Primeiro Conselho de Contribuintes/MF, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10825.000559/200511 Acórdão n.º 130200.494 S1C3T2 Fl. 319 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, e portanto, dele conheço. Não merece reparo o acórdão proferido pela DRJ. Com efeito, para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999, havendo dolo, fraude ou simulação, operase a decadência em 01/01/2005, à exceção do período de apuração encerrado em 31/12/99, cujo termo decadencial se dá em 01/01/2006. O contribuinte foi intimado do lançamento em 29/03/2005. Assim, ao tempo da constituição do crédito pelo lançamento já estavam decaídos todos os períodos lançados, à exceção do último, cujo fato gerador deuse em 31/12/1999. Isto posto, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício. Sala das Sessões, 22 de fevereiro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 30/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 15940.000242/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJAno-calendário: 2004, 2005NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA.Não há quebra do sigilo bancário, e conseqüentemente iliticitude das provas, quando o contribuinte autoriza a fiscalização a obter os extratos bancários junto às instituições financeiras.SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. HIPÓTESE NÃO CONFIGURADA.Não deve ser sobrestado o julgamento do recurso administrativo, se não há identidade entre a matéria do processo administrativo e aquela a ser apreciada na sistemática do artigo 543-B da Lei nº 5.869.OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM FOI COMPROVADA.Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.
Numero da decisão: 1803-000.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. Não há quebra do sigilo bancário, e conseqüentemente iliticitude das provas, quando o contribuinte autoriza a fiscalização a obter os extratos bancários junto às instituições financeiras. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. HIPÓTESE NÃO CONFIGURADA. Não deve ser sobrestado o julgamento do recurso administrativo, se não há identidade entre a matéria do processo administrativo e aquela a ser apreciada na sistemática do artigo 543B da Lei nº 5.869. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM FOI COMPROVADA. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.390 2 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração lhe exigindo o Imposto de Renda — Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 303.442,95 (fl. 1142),Contribuição para o PIS/PASEP de R$ 40.288,56 E R$ 16.360,46 (fl. 1159 e 1204),Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) de R$ 185.947,80 e R$ 75.513,11(fl. 1171 e 1219), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 94.125,93 (fl. 1183),acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.016.616,24 (fl. 01/02). A fundamentação legal consta dos respectivos autos de infração. Do Procedimento Fiscal. O procedimento fiscal iniciouse em 15/10/2008 com a ciência do Termo de Início de fls. 03 a 04, por meio do qual foi a empresa CODAUTO COMERCIAL DRACENENSE DE AUTOS LTDA intimada a comprovar, relativamente ao anocalendário de 2004, a origem dos recursos depositados/creditados na conta bancária n° 0128187 mantida na Agência 007 do Banco Banespa, conforme demonstrativo em anexo, aberta em nome de Juliano Cleber Biazini, tendo em vista que, consoante provas carreadas ao processo administrativo n° 10820.004109/200881, referida conta pertence de fato à empresa "CODAUTO". Exigiu lhe ainda a apresentação do contrato social e suas alterações e dos livros nos quais estariam escriturados a movimentação bancária e os documentos de prova, bem assim os livros Diário, Razão Analítico e Apuração do Lucro Real (LALUR). Acompanhouse ao Termo de Início um demonstrativo dos créditos cuja origem deveria ser comprovada (fls.05/34 e cópia do Termo de Constatação Fiscal lavrado pela DRF/Araçatuba (fls. 35/42) no qual estariam detalhados todos os fatos que levaram a conclusão quanto à titularidade da referida conta Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.391 3 bancária. Foi esclarecido à contribuinte que o processo completo das diligências, constituído do Anexo I, com 2 volumes, e Anexo II, com 8 volumes, estaria à disposição para vista da interessada. Em 19/11/2008 a contribuinte solicitou prorrogação de prazo por 20 (vinte) dias (fls. 113/114) e, em 01/12/2008, atendendo solicitação da empresa interessada, foi a ela entregue cópia integral do processo administrativo n° 10820.004109/200881, com 2000 folhas. Nas datas de 12/12/2008, 05/01/2009, 21/01/2009, 11/02/2009, 06/03/2009 a empresa solicitou prorrogação de prazo por 20 (vinte) dias, tendo todos os seus pedidos sido deferidos (fls. 122 a 131). Em 12/03/2009 a contribuinte apresentou vários documentos relacionados à fl.133, com o fim de comprovar a origem dos recursos depositados/creditados na referida conta bancária no anocalendário de 2004. Em 06/04/2009 foi a empresa intimada a apresentar os mesmos documentos solicitados no Temo de Início, só que em relação ao anocalendário de 2005 (fls.134/158), tendo a empresa, em 23/04/2009, apresentado os esclarecimentos de fls. 159/160, acompanhado de documentos, os quais segundo ela, comprovariam a origem dos recursos depositados na conta bancária nos anoscalendário de 2004 e 2005. Foram apresentados ainda, segundo cosnta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1074/ 1080), os livros contábeis e fiscais relativos ao anocalendário de 2005 e os que faltavam em relação ao ano calendário de 2004 (livro de Entrada e de Saída e de Prestação de Serviços). Ainda, segundo o mesmo Termo, os documentos apresentados com o fim de comprovar a origem dos recursos depositados referemse a Fichas de Veículos Usados (cópia de fls. 161/888) que são utilizadas como instrumentos de controle de operações de compra e venda de veículos novos e usados, sendo que neste caso, as operações foram realizadas sem emissão de notas fiscais. Das Irregularidades Apuradas e da Conclusão Fiscal. Após análise dos elementos carreados aos autos a Autoridade Fiscal concluiu, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1074/ 1080), que teria ficado comprovado e também reconhecido pela interessada (Esclarecimentos de fls. 159/160) que os recursos movimentados na conta bancária n° 0128187 mantida na Agência 007 do Banco Banespa, em nome de Juliano Cleber Biazini, foi utilizada para movimentar recursos pertencentes à empresa "CODAUTO" decorrentes da comercialização de compra e venda de veículos novos e usados, indicados nas respectivas fichas, sem emissão de documentos fiscais e à margem da escrituração oficial da empresa, cujos recursos foram movimentados na referida conta aberta em nome da interposta pessoa Juliano, com o fim de impedir o conhecimento por parte do Fisco e eximirse do pagamento de tributos e contribuições. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.392 4 Concluiu ainda que todos os depósitos bancários efetuados na referida conta, nos anoscalendário de 2004 e 2005, tiveram sua origem comprovada por receitas auferidas e omitidas pela empresa CODAUTO, ou seja, receitas não computadas na base de cálculo dos tributos e contribuições, e que estariam sendo consideradas auferidas no mês da realização da venda, que coincide com o mês do crédito efetuado pela instituição financeira do pagamento total ou parcelado, e estariam sendo tributadas segundo às normas de tributação específicas, conforme determina o §2° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Esclareceu a autoridade fiscal que embora tenha a empresa apurado o resultado dos anoscalendário de 2004 e 2005 com base no regime tributário do lucro real, o resultado tributável apurado de oficio, computandose as receitas omitidas, seria determinado utilizandose os critérios do lucro arbitrado, com base no art. 530, I e II do RIR/99, tendo em vista a desclassificação da escrita comercial e fiscal por conter deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e bancária (R$ 9.218.535,71 no ano calendário de 2004 e R$ 8.294.605,16 no anocalendário de 2005), ou determinar o lucro real. Da apuração do Resultado. Para a apuração do resultado a fiscalização elaborou as seguintes 4 (quatro) planilhas: Na planilha 1 (fls. 1081/1108) foram relacionados todos os depósitos bancários sujeitos à comprovação, com as exclusão dos valores que não representam receita, com a indicação de que os valores desses depósitos têm sua origem comprovada de acordo com a planilha 2. Na planilha 2 (fls. 1109/1122) foram relacionados todas as operações de compra e venda de veículos novos e usados sem emissão de notas fiscais, cujas operações constam das fichas de Veículos Usados apresentadas pela empresa como prova da origem dos depósitos bancários. Esta planilha foi elaborada com o fim de apurar a receita omitida e da base de cálculo do lucro arbitrado sobre a receita omitida. Esclareceu a autoridade fiscal que, nos casos das operações de venda de veículos usados, apurouse como base de cálculo do lucro arbitrado e das contribuições PIS e COFINS a diferença entre o valor da venda e o custo de aquisição, conforme Instrução Normativa (IN) — SRF n° 152/98, e quanto ao veículos novos a base de cálculo apurada corresponde ao valor total da venda, sem dedução do custo de aquisição. Destacou a autoridade fiscal que apesar da denominação "Ficha de Veículos usados, algumas fichas correspondem ao controle de compra e venda de veículos novos. Na planilha 3 (fls. 1123/1128) encontramse relacionadas todas as receitas declaradas pela empresa relativas às vendas de veículos usados, de mercadorias e de serviços. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.393 5 Esta planilha foi elaborada com o fim de apurar a base de cálculo do lucro arbitrado sobre as receitas declaradas. A base de cálculo do lucro arbitrado relativa à venda de veículos usados foi apurada tal como na planilha. 2 e a base de cálculo do lucro arbitrado relativa às demais operações de venda de serviços e mercadorias é o valor total da operação. Na planilha 4 (fls. 1129/1131) constam os valores mensais transportados das planilhas 2 e 3 e foi elaborada para apuração do resumo da base de cálculo do lucro arbitrado sobre a receita omitida e declarada. Esclareceu o Autuante que os coeficientes de arbitramento foram aplicados em conformidade com o art. 16 da Lei n° 9.249, de 1995, e art. 27 da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 41 da INSRF n° 93, de 1997, ou seja, 9,6 % sobre a revenda de mercadorias e 38,4% sobre a prestação de serviços em geral. No caso de operação de venda de veículos usados, por ser equiparada, para efeito tributário, como operação de consignação, o coeficiente aplicado foi de 38,4% aplicável sobre a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição, conforme instruções contidas no Parecer NormativoCosit n° 45, de 17/10/2003, ou seja, 32% aplicável sobre a base estimada ou presumida, acrescida de 20% no caso de arbitramento do lucro. Informou que em razão das irregularidades apuradas foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ e reflexo de Contribuição Social sobre o Lucro arbitrado (receitas omitidas e declaradas), bem assim PIS e COFINS de incidência cumulativa sobre receita omitida e, ainda, em razão de alteração do regime tributário, foram lavrados autos de infração para exigência do PIS e COFINS de incidência cumulativa sobre receitas declaradas. Sobre os valores dos tributos e contribuições apurados em decorrência de omissão de receita foi aplicada a multa de 150%, com fulcro no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, por entendejia autoridade fiscal que houve evidente intuito de fraude. Cientificada dos autos de infração em 22/05/2009, a interessada, inconformada, ingressou em 25/06/2009, por meio de seu sócio administrador Osvaldo Pacito Júnior, com as impugnações de fls. 12471257 (IRPJ), 1258/1269 (PIS), 1269/1279 (COFINS),1280/1291 (CSLL), 1292/1302 (PIS) e 1303/1313 (COFINS), uma para cada auto de infração, nas quais alegou, preliminarmente, nulidade do auto de infração sob a argumentação de que as provas que proporcionaram conhecer o registro de toda a movimentação da conta bancária investigada decorreram da quebra do sigilo bancário da suposta interposta pessoa (processo administrativo n° 10820.004109/200881), sem autorização judicial, o que constitui provas ilícitas, razão pela qual haveria de ser considerado nulo o auto de infração ou ser suspenso até que se ter julgamento definitivo da ADIN/4010 que Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.394 6 questiona no STF a constitucionalidade da LC n° 105, de 10 de janeiro de 2001, mantendoo na repartição de origem. Quanto ao mérito, em síntese, alegou que os valores depositados na conta bancária investigada foram obtidos com as vendas de veículos deixados sob consignação e que, posteriormente, eram repassados àqueles que deixaram os veículos para venda, os quais são os verdadeiros titulares dos recursos. Alegou que a empresa somente poderia ser autuada sobre suas receitas —comissões recebidas — e não sobre o montante de dinheiro que transitou pela conta bancária, pois os depósitos não são e nunca foram documentos suficientes para comprovar e fundamentar omissão de receita, citando Acórdãos do Conselho de Contribuintes. Após tecer algumas considerações a respeito do conceito de renda, alegou que sendo uma prestadora de serviços, uma intermediadora de negócios, a receita deve corresponder tão somente às comissões recebidas e não à venda ou os depósitos bancários. Acrescentou que a única irregularidade identificada foi de não escriturar os recursos movimentados, tratandose apenas de erro formal, cuja conduta levou ao arbitramento do lucro, não tendo sido apurado qualquer omissão real de receita na contabilidade.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos (fls. 1351/1355): a) A quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 10/01/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. b) Os lançamentos em discussão não foram, como alegou a impugnante, efetuados com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim em omissão de receita operacional comprovada mediante documentação fornecida pela própria contribuinte. Os depósitos/créditos bancários tiveram sua origem comprovada na/comercialização de veículos novos e usados, cujos valores não foram escriturados, nem computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estavam sujeitos, razão pela qual foram levados à tributação em conformidade com o que dispõe o art. 42, §2°, da Lei n° 9.430, de 1996. c) Dessa forma, reputamse impertinentes todas as alegações expendidas com o fim de contestar a tributação feita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, pois não é este o caso desses autos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.395 7 d) Há equiparação das operações de venda de veículos usados a operações de consignação. A equiparação implica considerarse como receita do revendedor de carros não a integralidade da sua receita de venda, mas o que seria a receita do vendedor, que nada mais é do que a diferença entre o valor da receita de venda e o valor do custo de aquisição do veículo. e) Como consequência da aludida equiparação, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como das contribuições ao PIS e à Cofins, é o resultado líquido da venda, assim entendida a diferença entre o valor da receita de venda do veículo usado e o valor do custo de aquisição, e foi exatamente assim que procedeu a autoridade fiscal, não havendo qualquer reparo a ser feito na apuração do resultado, inclusive no que se refere, à venda de veículos novos para os quais foram considerados como base de cálculo dos tributos o valor da venda, pois esta operação não se confunde com operação de consignação de mercadorias. Notase, portanto, que o autuante se restringiu a aplicar as leis que regulam a hipótese. f) O Parecer Cosit n° 45, de 2003, citado pelo Autuante, conclui que a consignação de que tratam o art. 5° da Lei n° 9.716, de 1998, e a Instrução Normativa SRF n° 152, de 1998, não é a consignação por vendas, mas a chamada consignação por comissão. Caracterizandose esta como prestação de serviços, os percentuais aplicáveis sobre a receita proveniente dessa atividade são de 32% para o lucro presumido, conforme art. 519, § 1°, III, "b", do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, e de 38,4% para o arbitramento. Portanto, correto o auto de infração também nesse ponto. g) Quanto às parcelas das exigências relativas a CSLL, a COFINS e ao PIS — decorrentes que foram do lançamento referente ao IRPJ — que não mereceram contestações específicas por parte da contribuinte, cumpre que se adote aqui o entendimento desde há muito esposado pela jurisprudência administrativa, no sentido de que os lançamentos decorrentes devem ter a mesma sorte do lançamento principal, desde que em relação àqueles não existam especificidades que infirmem o já prolatado em relação a este. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Os Julgadores da Delegacia de Ribeirão Preto defenderam a legalidade das provas, pois entendem permitidas pela LC n° 105/2001 e seu decreto regulamentador, e a manutenção dos autos de infração, dizendo que não lhes cabe o exame da constitucionalidade de lei, estando tal matéria restrita ao exame do Poder Judiciário. b) Diante da possibilidade da citada LC n° 105/2001 ser declarada inconstitucional e cair por terra os autos de infração, o mínimo que os Julgadores de Ribeirão Preto deveriam ter determinado era a suspensão dos autos de infração até o final julgamento das ADINs pelo STF. c) A ora Recorrente apresentou ao senhor Auditor Fiscal, provas documentais que comprovam que, em verdade, os recursos movimentados na conta bancária investigada, pertencem de fato e de direito aos seus clientes e não a Recorrente. Contudo, apesar da clareza que os documentos revelam, assim não entenderam os Julgadores de Ribeirão Preto, razão pela qual, respeitosamente, a Recorrente pede sejam devidamente analisados e consideradas por Vossas Senhorias no julgamento do presente recurso. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.396 8 d) Requer o seguinte: i) a declaração da nulidade dos autos, por se basearam em provas obtidas de forma ilícita; ii) subsidiariamente a suspensão dos autos até o julgamento da ADIN/4010, ou se assim não decidido, a improcedência do lançamento no mérito. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 26/02/2010 (AR de fls. 1372). O recurso foi protocolado em 23/03/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. I. Nulidade do auto de infração Aduz a recorrente que o lançamento é nulo por ter se baseado em provas obtidas ilicitamente. No seu entendimento, os extratos bancários da conta em corrente n° 0128187, em nome do sr. Juliano Cleber Biazini, não poderiam ter sido requisitados pela fiscalização, mas tão somente pelo Poder Judiciário. Somente este último tem o direito de requisitar a quebra do sigilo bancário. Ocorre porém, que no presente caso, não houve quebra do sigilo bancário, ou seja, a movimentação financeira utilizada como prova contra a recorrente não foi obtida contra a vontade do titular da conta. Ao contrário, consta nos autos autorização expressa do titular da conta para a fiscalização requerer os extratos junto à instituição financeira, in verbis: “Eu, Juliano Cleber Biazini, brasileiro, solteiro, coordenador de manutenção, portador do R.G. 30.695.8399 e do CPF(MF) 213.035.80802, residente a Rua Rui Barbosa, 2788 nesta cidade de DracenaSP, DECLARO, de acordo com a notificação de fiscalização n° 08102.002007002730 do Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal do Brasil, DRF de Araçatuba(SP), que o movimento bancário ocorrido na instituição financeira Banco Banespa CNPJ 61.411.633/0001 87, não foi realizado por mim, portanto não sou portador dos extratos da instituição bancaria acima citada. Autorizo desde já a fiscalização a requerer os extratos da conta corrente junto ao Banco Banespa.”(fls. 30 do processo administrativo n° 10820.004109/200881). Por conseguinte caem por terra as alegações de nulidade dos autos, uma vez, que as provas foram obtidas com autorização do titular da conta, não havendo que se falar em quebra do sigilo bancário. II. Da suspensão do processo até o julgamento da ADIN/4010 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.397 9 Primeiramente, cumpre transcrevermos o art. 62A do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Só há previsão regimental para o sobrestamento do julgamento de recursos administrativos no CARF, na hipótese em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Nos autos do Recurso Extraordinário n° 601314, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral da questão relativa ao fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Como já ressaltado anteriormente, no presente caso as informações não foram obtidas sem autorização do titular da conta bancária, ou seja, não houve quebra do sigilo bancário sem autorização do Poder Judiciário. Logo, a discussão não envolve a inconstitucionalidade do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001. Cabe lembrar, mais uma vez, que o próprio titular da conta bancária autorizou expressamente a obtenção dos extratos junto à instituição financeira, visto que não tinha em mãos a documentação para entregar diretamente à fiscalização. Ora, o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 não se refere à hipótese em que a fiscalização obtém os documentos com autorização do contribuinte, mas aos casos em que ele não as fornece. A matéria do presente caso não é a mesma daquela discutida no STF, não restando configurada a hipótese de sobrestamento prevista no § 1° , do art. 62A do Ricarf. A simples existência de uma ação direta de inconstitucionalidade, sem decisão com efeitos erga omnes, não é hipótese de suspensão de julgamento do recurso administrativo, devendo ser rejeitado o pedido formulado pela recorrente III. Do mérito No mérito, a recorrente limitouse a reproduzir os argumentos tecidos na impugnação, sem contestar os fundamentos da decisão recorrida. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.398 10 Afirma que os documentos apresentados comprovam que os recursos movimentados na conta bancária investigada pertencem de fato e de direito aos seus clientes. A fiscalização assim se manifestou sobre a documentação (fls. 1074/1080): “Como prova da origem dos valores depositados apresentou Fichas de Veículos Usados, onde são controladas as operações individualizadas de compra e venda de veículos novos e usados, vindo, com isto, confirmar todos os fatos relatados no Termo de Constatação Fiscal e demais peças integrantes do processo de representação fiscal n° 10820.004109/2008,81 (apensado), procedente da DRF/Araçatuba. Pois, segundo a representação da DRF/Araçatuba (fls. 42), "a movimentação financeira se refere à compra e venda de veículos — novos e usados, estando claro que as operações são, na realidade, de responsabilidade da empresa Codauto e não da pessoa física Juliano Cléber Biazini". Pois, tal afirmação tem base em robustas provas acostadas ao processo. As operações de compra e venda de veículos novos e usados, indicadas nas respectivas fichas, ocorreram sem emissão de documentos fiscais, e para impedir o conhecimento do Fisco, os recursos financeiros relacionados com tais operações eram movimentados na conta bancária em nome da interposta pessoa Juliano. Com isto, as referidas operações eram realizadas à margem da escrituração oficial da empresa, com o objetivo único e exclusivo de eximirse do pagamento de tributos e contribuições que incidem sobre as mesmas.” Ao contrário do que aduz a recorrente, as fichas constantes dos autos comprovam que os recursos depositados na conta bancário são provenientes do exercício das atividades descritas na cláusula segunda do contrato social, quais sejam, “o comércio de todo e qualquer tipo de veículo a motor, peças e acessórios para todos os usos, óleos, lubrificantes em geral, combustíveis, e intermediação de veículos novos e usados recebidos de terceiros”. O art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda assim define o termo receita bruta: “Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” A documentação coligida durante o procedimento fiscal demonstra que os recursos depositados são o produto da comercialização de veículos novos e intermediação da Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.399 11 venda de veículos usados, devendo ser aplicada a legislação pertinente, nos termos do § 2° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996: “§ 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” A fiscalização aplicou corretamente a legislação pertinente, como já salientado pela decisão recorrida (fls. 1354): “Como se depreende da legislação transcrita, há equiparação das operações de venda de veículos usados a operações de consignação. A equiparação implica considerarse como receita do revendedor de carros não a integralidade da sua receita de venda, mas o que seria a receita do vendedor, que nada mais é do que a diferença entre o valor da receita de venda e o valor do custo de aquisição do veículo. Por conseguinte, como conseqüência da aludida equiparação, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como das contribuições ao PIS e à Cofins, é o resultado líquido da venda, assim entendida a diferença entre o valor da receita de venda do veículo usado e o valor do custo de aquisição, e foi exatamente assim que procedeu a autoridade fiscal, não havendo qualquer reparo a ser feito na apuração do resultado, inclusive no que se refere, à venda de veículos novos para os quais foram considerados como base de cálculo dos tributos o valor da venda, pois esta operação não se confunde com operação de consignação de mercadorias. Notase, portanto, que o autuante se restringiu a aplicar as leis que regulam a hipótese. Não vejo qualquer mácula no seu procedimento.” Por conseguinte, é mister concluir que a fiscalização logrou comprovar a omissão de receitas, não tendo se utilizado da presunção prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/1996, e que apurou corretamente a base de cálculo do tributo, tendo arbitrado o lucro nos termos do art. 530, incisos I e II, do RIR/1999, aplicando corretamente os percentuais previstos na legislação. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15940.000242/200905 Acórdão n.º 180300.873 S1TE03 Fl. 1.400 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 07/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000453/2003-86
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
EXERCÍCIO: 1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa, sendo incabível a argüição da referida nulidade em auto de infração que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em quebra do sigilo bancário do contribuinte, quando este, após intimação, apresenta espontaneamente os extratos bancários solicitados.
RETROATIVIDADE DE LEI. AMPLIAÇÃO DE PODERES DE INVESTIGAÇÃO.
Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas.
MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS. DADOS DA CPMF.
Os dados relativos à CPMF em poder da Receita Federal, em face da competência legal administrativa, são meios lícitos de obtenção de provas tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE . Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 106-17.060
Decisão: ACORDAM os mebros da Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, vencidos os Conselheiros Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Ana Paula Locoselli Erichsen (suplente convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Sérgio Galvão Ferreira Garcia
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF EXERCÍCIO: 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa, sendo incabível a argüição da referida nulidade em auto de infração que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra do sigilo bancário do contribuinte, quando este, após intimação, apresenta espontaneamente os extratos bancários solicitados. RETROATIVIDADE DE LEI. AMPLIAÇÃO DE PODERES DE INVESTIGAÇÃO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS. DADOS DA CPMF. Os dados relativos à CPMF em poder da Receita Federal, em face da competência legal administrativa, são meios lícitos de obtenção de provas tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC. APLICABILIDADE . Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : ACORDAM os mebros da Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, vencidos os Conselheiros Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Ana Paula Locoselli Erichsen (suplente convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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Numero do processo: 10680.003181/92-04
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 105-01.069
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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RESOLUÇÃO N.o. 105-1.069 : 10680.003181/92-04 : 106.938 : IRPJ - EXS.: 1988 a 1990 : SIDERHOUSE S/A : DRF em BELO HORIZONTE/MG : 19 DE OUTUBRO DE 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NILTON PtSS, LUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA, ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, ÁLVARO BARROS BARBOSA LIMA, IVO DE LIMA BARBOZA e AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. FORMALIZADO EM: 1 4 OEZ 1'?)9 RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto porSIDERHOUSE S/A MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ," '(~ Processo n.o. Recurso n.o. Matéria Recorrente Recorrida , Sessãode MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES a julgamento. 2 : 106.938 : SIDERHOUSE S/A RELATÓRIO "Tendo em vista o cumprimento da diligência de fls. 429/434, do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme fls. 438/439 e, não havendo, até a presente data, nenhuma manifestação por parte do interessado, proponho o encaminhamento do processo à Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para prosseguimento, por intermédio da DRJ/BHE/SECA V. Ass. Ana Maria Rodrigues Moreira. De acordo. Encaminhe-se conforme proposto. Ass. M.a Lúcia Macedo Antunes" Para lembrança do S nhores Conselheiros, leio os relatórios anteriores. É o relatório. /!'" Segue-se aviso de recebimento dos correios, fls. 439, com assinatura de seu recebimento em 19.05.99. Por força da Resolução n° 105-1.039, o processo retornou à Repartição deorigem para cumprimento do estabelecido no teor da diligência determinada . Processon.o. : 10680.003181/92-04 Resolução n.O.: 105-1.069 .•... A fls. 438 consta Memorando endereçado ao Sr. Iracy Antunes Parreiras, informando estar remetendo cópia da diligência fiscal e da Resolução n° 105-1.39, referentes ao processo administrativo fiscal em nome de Siderhouse S/A. Recurson.O. Recorrente o documento seguinte, fls. 440, faz referência a ter sido cumprida a diligência, no seguinte teor: '\ 3 ostal foi assinado, em 19.05.99, por pessoa .•... Antes de mais nada, é de se ver a ação fiscal buscando cumprir a VOTO O recurso já teve sua admissibilidade aceita anteriormente . "Assim, considerando não ter sido eficaz a intimação intentada anteriormente e diante do que consta do processo, voto por converter o presente julgamento em diligência para que o processo retome à repartição de jurisdição da recorrente e que se processe a intimação anteriormente determinada, diretamente à pessoa jurídica no endereço em que se encontrar ou à pessoa física juridicamente representante ou responsável, nesse caso de forma pessoal e válida. Se for provada a impossibilidade da intimação pelos meios citados, poderá ser utilizada a forma prevista no inc. 111do art. 23 do Decreto n° 70.23Sfl2. " Processon.o. : 10680.003181/92-04 Resoluçãon.o. : 105-1.069 diligência. Para que se possa avaliar tal aspecto, repito, mesmo incorrendo em redundância, no caso necessária diante da teimosa atuação da autoridade local, a determinação contida na Resolução n° 105-1.039: cujonome pode ser "Eliana Monteiro MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES Como conseqüência da Resolução, a autoridade jurisdicional da recorrente se limitou a expedir por via postal, cópias da Resolução e do termo de diligência anteriormente procedida, para Siderhause sla, no endereço do Sr. Iracy Antunes Parreiras, Rua Inspetor José Aparecido, 251, São Bento, Belo Horizonte, MG. , CONSELHEIRO JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processon.o. : 10680.003181/92-04 Resoluçãon.O.: 105-1.069 É possível que tal pessoa tenha alguma grau de parentesco com o Sr. Irany,já que recebeu a correspondência no endereço de destino, mas nenhuma prova de tal relação se encontra no processo, nem de que tenha legítima representação da recorrente. o exame dos documentos existentes no processo, entre fls. 435 e 442.•.. (últimafolha do processo anterior ao presente voto), não indica qualquer indício de ter a fiscalização ou qualquer funcionário da Repartição procurado efetivar a intimação diretamente à empresa (pessoa jurídica) ou sequer pesquisar sobre seu paradeiro ou atualendereço. Consta apenas, a fls. 437, ficha de controle interno da Repartição, consultapelo CNPJ, onde está indicado o endereço da empresa como sendo Rua Ceará, 1566, 2° andar, com situação cadastral "inapta", e de Iracy Antunes Parreiras, Rua InspetorJosé Aparecido, 251, São Bento, Belo Horizonte, MG. o descumprimento ao que foi determinado na Resolução n° 105-1.039 é evidente. Não houve qualquer tentativa concreta em proceder a intimação à empresanem houve o cuidado de conferir se a intimação postal alcançou o destinatário. Não há como se considerar atendida a Resolução n° 105-1.039. Pior, não há como se comprovar se o rreu enas descuido decorrente daburocracia ou desinteresse em cumprir a determin ç- do Colegiado. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES Processon.o. : 10680.003181/92-04 Resoluçãon.o. : 105-1.069 De qualquer forma, a intenção contida nos procedimentos executados na Repartição não deve interferir na neutralidade do julgamento a ser procedido nesta Câmara. É fato inconteste, porém, que nem a diligência foi cumprida e nem se suprimiuo motivo do retorno do processo à Repartição lançadora, que era de afastar o cerceamento ao amplo direito de defesa da recorrente ..•.. Assim, não resta outro procedimento senão propor o retorno do processo à Repartição de origem, reiterando a determinação contida na Resolução n° 105-1.039, solicitando, agora, se possível, a atenção pessoal do Sr. Chefe da Repartição - Sr. Delegadoda Receita Federal em Belo Horizonte. É evidente que mais um descumprimento ao determinado na Resolução n° 105-1.039 forçará o julgamento nas condições em que se encontra o processo, mas . nãoé de se esperar que a autoridade lançadora insista em manter capenga a exigência, mesmoapós todo o esforço empregado na materialização do lançamento e ainda diante do vultuoso valor da exigência e no interesse do Colegiado de que se proceda a um julgamentomarcado pela ampla defesa, como pela adequada acusação. É de se lembrar que o julgamento deve ser marcado pelo equilíbrio de oportunidades entre as partes, pela racionalidade e cumprimento à lei, e isso seguramente norteará o procedimento desta Câmara. Caso a determinação contida na Resolução n° 105-1,039 não seja suficientepara motivar a autoridade administrativa tocai na sca da empresa autuada, é dese lembrar que caso a mesma não seja localizada orna-s inócuo o prosseguimento do processo de cobrança, o que implica na impossib 'dade de sua execução, fato que nãopode deixar de ser apreciado, por relevante. a ,", 5 ------------ 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.O. : 10680.003181/92-04 Resolução n.o. : 105-1.069 Ademais, é de se aguardar a manifestação formal do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, acerca dos fatos, na forma do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria n° 55, de 16/03/98. Por oportuno e apenas para lembrança, transcrevo o fecho da decisão..•... ensejadora da Resolução n° 105-1.039, assim produzida, em 23 de fevereiro de 1999: "Assim, considerando não ter sido eficaz a intimação intentada anteriormente e diante do que consta do processo, voto por converter o presente julgamento em diligência para que o processo retome à repartição de jurisdição da recorrente e que se processe a intimação anteriormente determinada, diretamente à pessoa jurídica no endereço em que se encontrar ou à pessoa física juridicamente representante ou responsável, nesse caso de forma pessoal e válida. Se for provada a impossibilidade da intimação pelos meios citados, poderá ser utilizada a forma prevista no inc. 111do art. 23 do Decreto n° 70.235í12. "" Assim, voto por converter o presente processo em diligência, na forma , do voto. 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 19515.001407/2002-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS -
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, quando não forem comprovados a sua origem.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA
CONJUNTA, INTIMAÇÃO. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÃO, DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00, LIMITE
DE R$80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80,000,00, dentro do ano-calendário.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.835
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação os créditos relacionados à conta bancária mantida no Citibank, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, quando não forem comprovados a sua origem. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA, INTIMAÇÃO. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO, DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00, LIMITE DE R$80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80,000,00, dentro do ano-calendário. Recurso provido em parte.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, quando não forem comprovados a sua origem, LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA, INTIMAÇÃO,. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÃO, DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00, LIMITE DE R$80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80,000,00, dentro do ano-calendário. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação os créditos relacionados à conta bancária mantida ne-Çitibank, nos termos do voto do Relajof--\ José RairnurikloTbsta Santos - Relator EDITADO EM: O 3 PEZ 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 17-26.730, proferido pela 8 Turma da DRI São Paulo II (fls. 182/186), que, por unanimidade de votos, manteve integralmente o lançamento, lavrado sob a acusação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com aplicação de multa de oficio de 75%. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO,' IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício 1999 SIGILO BANCÁRIO. DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE, É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições .financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, sobretudo quando os documentos . foram apresentados pelo contribuinte regularmente intimado, DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1,996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DILIGÊNCIA - Incabível diligência para verificar provas que ao contribuinte caberia apresentar com a impugnação, 2 Processo na 19515.001407/2002-52 52-C1T1 Acórdão n.' 2101-00,835 Fl 196 Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fis, 189/192. Argumenta que todos os seus bens se esvaíram em decorrência da falência de sua Drogaria e Farmácia e a movimentação se deu pela troca de cheques na vã tentativa de salvar seu negócio. Que foram considerados créditos os valores inferiores a RS 12.000,00 do giro normal, o que é contrário às disposições legais. O conceito de renda sujeita à tributação não está à disposição do legislador infraconstitucional e muito menos do aplicador da lei. A renda é o acréscimo patrimonial produto do capital ou do trabalho, e proventos são o acréscimo patrimonial decorrente de sua atividade que já cessou. O próprio art. 43 do CTN põe o acréscimo patrimonial corno elemento comum e nuclear do conceito de renda e de proventos. Assim, o núcleo intangível do conceito de fato gerador do imposto de renda na forma como este foi construído pelo legislador constitucional e complementar reside unicamente na idéia de acréscimo patrimonial disponível. Conclui que a exigência tributária em exame decorre de simples presunção de sonegação, que realmente não existiu. Colaciona doutrina e jurisprudência para robustecer a sua tese. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira-se: Art. 42, Caracterizain-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § I" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específica.s, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3 § 3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados.' I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês enz que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. ç 5" Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(íncluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6" Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Alfredo Augusto Becker i , alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. 'A presunção tem por ponto de partida a verdade de um .fato de um . fato conhecido se infere outro desconhecido. A .ficção, todavia, nasce de uma falsidade.. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um .fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso.. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um .fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável Ou I BECKER, Alfredo Augusto, Ieoria Geral do Direito Tributário, 3 n ed. — São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509 Ed. Lejus 4 Processo n° 19515001407/2002-52 S2-C1T1 Acórdão o ° 2101-00r835 Fl. 197 certa) falsidade é .ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legar A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência é certa, impõe-se a certeza jurídica da existência do .fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois/atos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseando-se no fato conhecido eido existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos Para Pontes de Miranda2 , presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em ittris et de hire (absolutas) e itiris talarem (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for liais tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratar-se de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. A propósito de presunções legais cabe aqui reproduzir o que diz José Luiz Bulhões Pedreira, (JUSTEC-RJ-1 979 - pag. 806), que muito bem representa a doutrina predominante sobre a matéria: 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol, IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. O gfèito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que o negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o .fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa), provar que o fato presumido não existe no caso, Este também é o entendimento manifestado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como fica evidenciado no Acórdão CSRF 01-01371, de 23/05/1980, da lavra do Conselheiro Urgel Pereira Lopes, do qual se destaca o seguinte trecho: O certo é que, cabendo ao Fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindo-se esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao . fisco infirmar a Presunção, pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o Fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao Fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto, No caso, o contribuinte, (Grifou-se) Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - SITUAÇÃO POSTERIOR Á LEI N° 9.430/96 - Com o advento da Lei n" 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3 0, do art, 42, do citado diploma legal. (Ac 106-13329). TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS, Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9,430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ÓNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos ii?formados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. (Ac 106-13188 e 106-13086), Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a 6 Processo n° 19515001407/2002-52 S2-CM Acórdão n. 2101-00.835 Fl 198 origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária," A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (conforme arestos colacionados no recurso) e artigo 9 0, inciso VII, do Decreto-Lei n o 2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de IV 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no cri, 42 da Lei n" 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Conforme dispõe o inciso II do § 30 do artigo 42 da Lei 9A30/96, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadarnente, observado que não serão considerados, no caso de pessoa fisica, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12,000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). No presente caso, os créditos nesta situação ultrapassam referido montante, ainda que se considere somente a conta bancária do Bradesco, que era movimentada apenas pelo autuado. Como a presunção representa uma prova indireta, partindo-se de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, os procedimentos estabelecidos em lei para que a presunção possa ser validamente aplicada deve ser rigorosamente observada pela fiscalização, por ser matéria de ordem pública que objetivam o controle da legalidade do lançamento. Do exame das peças processuais, verifica-se pelos extratos às fls, 12189 não deixam qualquer dúvida quanto a co-titularidade da conta bancária mantida no Citibank S/A e a autoridade fiscal, apesar de ter conhecimento deste fato, deixou de intimar o outro titular, conforme se depreende pela leitura do Termo de Verificação e Esclarecimento às fls. 150/151. O § 6° da Lei n° 9,430, de 1996, determina que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. É claro que tal divisão deve ser precedida da intimação de todos os titulares da conta bancária, pois a relação tributária obrigacional não pode ser dirigida contra quem não foi previamente intimado para comprovar a origem dos depósitos. O comando da lei tributária é específico para a presunção em comento. Se não houve a intimação prévia de todos os titulares, conforme determina o caput do referido artigo, também não poderá haver a divisão determinada no § 6', sendo inválida a exigência relacionada à conta co-titulada sem a comprovação da intimação destes. De se notar que a hipótese de haver declaração em conjunto ou separadamente se aplica justamente a pessoas com relações de dependência econômica, por isso a cautela da lei em mandar observar se há declaração em conjunto. Na DIRPF do exercício de 1999 às fls. 03/04 não há indicação desta situação. Cada pessoa fisica é contribuinte do imposto de renda e, portanto, passível de ser questionado a respeito da origem dos créditos que transitaram por sua conta bancária. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais co- titulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei n° 5,172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), A falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, exige para que a presunção possa ser validamente aplicada. Este entendimento já é pacífico no âmbito deste Conselho, nos termos dos Acórdãos de n's 104-19988, 102-47453, 102-48.880, sendo que deste último transcrevo do voto vencedor o seguinte excerto: Divido do ilustre relator apenas quanto ao seu entendimento no que diz respeito à conta-corrente conjunta, qual seja: Caixa Econômica Federal - Agência 143 - n°24379-1, Nesse sentido, deve-se examinar a aplicação do parágrafo 6° do art 42, da Lei n" 9.430, de 1996, abaixo transcrito, no presente lançamento. § 6" Na hipótese de contas de depósito ou de investimento manadas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos temos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo acima transcrito . foi acrescentado ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória n" 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n" 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, o citado parágrafo .já se encontrava em vigor desde 29/08/2002, portanto, deveria ter sido observado pela autoridade fiscal quando da lavratwa do presente Auto de Infração, Como sabido, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados é uma presunção legal. No entanto, para que se valide a presunção de omissão de 8 Processo tf 19515 001407/2002-52 S2-C1TI Acórao n° 2101-00.835 F1 199 rendimentos, o lançamento deve-se conformar aos moldes da lei. Reza o capta do art, 4.2, da Lei n" 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados.. Logo, é óbvio, que no caso de conta-corrente conjunta, torna-se imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depásito,s. Nas contas-correntes mantidas em conjunto, presume-se, obviamente, que os titulares possam utilizar-se das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares . Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n" 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos as titulares da conta-corrente. Dos extratos das contas-correntes, que motivaram o lançamento, acostados aos autos, verifica-se que esta circunstância (conta- corrente mantida em conjunto) era conhecida pela autoridade .fiscal Entretanto, mesmo conhecendo o fato, deixou a autoridade administrativa de intimar o outro titular da conta- corrente em questão. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei n" 5,172, de .25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário, Assim, não poderia o agente .fiscal ter deixado de intimar o outro titular daquela conta-corrente, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. É bem verdade que existe um estreito relacionamento entre o Recorrente e o outro titular (são cônjuges), mas tal circunstância não permite presumir que a intimação contra um deles tenha plenos efeitos em relação ao outro.. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais co-titulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos, Ora, a .falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. Banco Caixa econômica Federal - De sorte que, no que se refere aos valores creditados na conta-corrente - Agência 14.3 - 11° 24379-1, mantida em conjunto, deve-se afastar a presunção de omissão de rendimentos, 9 Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula n° 30 deste CARF: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavra tara do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em relação aos depósitos efetuados na conta bancária mantida no Bradesco não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a origem individualizada de cada depósito bancário. Não foram apresentados elementos de prova a relacionar os créditos aos fitos alegados pelo recorrente, até porque, conforme determina o § 2' do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, quando o crédito bancário tem sua origem comprovada, mas resulta de valores omitidos, que não foram computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estivavam sujeitos, submete-se às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos os rendimentos omitidos. Sem a comprovação da origem do crédito, prevalece a infração à legislação tributária imputada no lançamento em exame. Em face ao exposto, dou parcial provimento ao recurso, para excluir da tributação em exame os créditos bancários relacionados à conta co-titulada mantida no Citibank S/A, conforme relação à fl. 151. JOSÉ RAIMITNI)b TOSTA SANTOS 10
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