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Numero do processo: 19647.010655/2006-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OAB-DF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OAB-DF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OABDF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 06 55 /2 00 6- 12 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 9101002.671 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.493, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 9101002.671 CSRFT1 Fl. 4 3 O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19647.010655/200612 Acórdão n.º 9101002.671 CSRFT1 Fl. 5 4 Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.731894/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Constatadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, as alegações deverão ser recebidas como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A impugnação instaura o contencioso administrativo acerca da matéria. Logo, para a matéria não impugnada, é impossível conhecer o recurso voluntário, não podendo, o acórdão de segunda instância, pronunciar-se acerca dos fatos e autos de infração não impugnados.
Numero da decisão: 2402-005.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes para excluir da decisão recorrida a menção aos autos de infração no 37.324.021-0 e 37.324.026-0.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Constatadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, as alegações deverão ser recebidas como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A impugnação instaura o contencioso administrativo acerca da matéria. Logo, para a matéria não impugnada, é impossível conhecer o recurso voluntário, não podendo, o acórdão de segunda instância, pronunciar-se acerca dos fatos e autos de infração não impugnados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes para excluir da decisão recorrida a menção aos autos de infração no 37.324.021-0 e 37.324.026-0. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FORTALEZA/CE Interessado REGINA AGROINDUSTRIAL S A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Constatadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, as alegações deverão ser recebidas como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A impugnação instaura o contencioso administrativo acerca da matéria. Logo, para a matéria não impugnada, é impossível conhecer o recurso voluntário, não podendo, o acórdão de segunda instância, pronunciarse acerca dos fatos e autos de infração não impugnados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 18 94 /2 01 1- 71 Fl. 846DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes para excluir da decisão recorrida a menção aos autos de infração no 37.324.0210 e 37.324.0260. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402005.782 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta embargos inominados (fl. 839), interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (CE), contra o acórdão 2402004.973 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF (fls. 821/831), de 16/02/2016, no qual é apontado erro material consistente no fato de na decisão de primeira instância ter sido consignada a não impugnação de autos de infração, os quais no julgamento do CARF teriam sido objeto do julgamento, inclusive com provimento para alterar e excluir os débitos correspondentes. Nos embargos (fl. 839), a Delegacia de origem coloca a questão nos seguintes termos: Trata o processo de Autos de Infração referentes aos Debcad nº 37.324.0210, 37.324.0228, 37.324.0236, 37.324.0244, 37.324.0252 e 37.324.0260. Em resposta à impugnação apresentada pelo contribuinte, a DRJ/Fortaleza expediu acórdão declarando como não impugnados os Debcad nº 37.324.0210, 37.324.0228, 7.324.0252 e 37.324.0260 e mantendo integralmente os Debcad nº 37.324.0236 e 37.324.0244. Ato contínuo, os Debcad não impugnados, conforme decisão supra, foram objeto de cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União. De outro lado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em acórdão exarado a fls. 821 a 831, deu provimento parcial no sentido de excluir valores dos Debcad nº 37.324.0244 e 37.324.0260, bem como, excluir a multa aplicada aos Debcad nº 37.324.0210 e 37.324.0236. Ante a possível divergência apontada acima, proponho o envio do processo em epígrafe ao CARF para manifestação. À consideração superior. No despacho de admissibilidade (fls. 843/845), o feito foi assim relatado: Quanto à demonstração do erro, vejo que está claramente explicitada e isso pode se ver inclusive do próprio voto condutor do acórdão, onde na análise do mérito o Relator menciona os autos de infração que não teriam sido objeto de impugnação, como se vê deste trecho da sua fundamentação: "Passo ao mérito. Fl. 848DF CARF MF 4 Inicialmente, aponto que a recorrente, seja em sua impugnação ou mesmo em seu recurso voluntário, não impugnou os lançamentos constantes dos seguintes AI's: 1) AI 37.324.0228: tem como objeto as contribuições descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (Matriz e filiais), nas competências de 01/2007 a 12/2008, inclusive 13o salário do período. Tais valores foram extraídos dos Resumos de Folha de Pagamento fornecidos pela empresa e encontramse demonstrados no anexo "Resumo Folha de Pagamento Matriz/Filiais Levantamento "FP". 2) AI 37.324.0252: lavrado para a cobrança de contribuições dos segurados não descontadas (Contribuintes individuais e empregados). o objeto do lançamento são as contribuições que deveriam ter sido descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados (remuneração extra folha), contribuintes individuais e transportadores autônomos. Por tratarse de levantamento realizado por aferição indireta, as bases de cálculo utilizadas foram os salários de contribuição apurados conforme planilhas constantes dos autos Levantamento FC. 5) AI 37.324.0210: lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 6) AI 37.324.0236: lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com informações incompletas, inexatas ou omissas. Desse modo, quanto a tais lançamentos, os tenho por incontroversos, da forma como veio a ser apontado pelo julgamento de primeira instância, não havendo que se falar, também, em qualquer nulidade em razão de assim terem sido considerados, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72." Todavia na conclusão do voto, é determinada a alteração no auto de n.° 37.324.0210, como se vê: "Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para (i) julgar improcedente o levantamento PR nos autos de Infração AI 37.324.0244 (Patronal) e AI 37.324.0260 (Terceiros), bem como para (ii) determinar a exclusão do montante da multa aplicada pela não informação de tais fatos geradores em GFIP (AI 37.324.0210 3), e, (iii) por fim, para julgar improcedente o auto de infração pela indicação incorreta do código de terceiros (AI37.324.0236)" Como se observa é claro o equívoco consistente em ora admitir que não teria sido impugnado o AI n.° 37.324.0210 e ao mesmo tempo determinar a exclusão da multa nele contido. Mas não é só. O AI n.° 37.324.0260 não foi citado como não impugnado pelo Relator, mas se apreciando a decisão de Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402005.782 S2C4T2 Fl. 4 5 primeira instância, verificase que este débito não foi objeto de defesa, como pode se observar: "Como é a impugnação que instaura a fase litigiosa (Decreto n° 70.235/1972, art. 14), para os fatos não impugnados não resta instaurado o contencioso administrativo. Destarte, deve ser efetuada a cobrança da parte do crédito tributário correspondente, nos moldes do art. 21 do Decreto n° 70.235/1972. Destarte, considero não impugnados os Autos de Infração n°s 37.324.0210, 37.324.0228, 37.324.0252 e 37.324.0260." Verificase então que o Relator no CARF ao encaminhar pelo reconhecimento da improcedência do AI n.° 37.324.0260, acabou cometendo a mesma erronia. Diante de todo exposto, deve o processo retornar à Turma para apreciar os embargos inominados. Assim foram recebidos os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 850DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Admitidos como embargos inominados o despacho de fl. 839, passamos à análise do mérito. Temse em pauta o processo administrativo fiscal no 10380.731894/201171, composto dos seguintes autos de infração: DEBCAD nº 37.324.0210, 37.324.0228, 37.324.0236, 37.324.0244, 37.324.0252 e 37.324.0260. O sujeito passivo apresentou duas impugnações apontando, no cabeçalho de cada uma, especificamente o número do auto de infração ao qual se referia: no 37.324.0244 (fls. 496/542) e no 37.324.0236 (fls. 543/627). Dessa maneira, somente foi instaurado o contencioso administrativo contra estes dois autos de infração. Em decorrência, no voto vencedor do acórdão da DRJ (fls. 678/690), foram considerados não impugnados os autos de infração nº 37.324.0210, 37.324.0228, 37.324.025 2 e 37.324.0260. Não havendo sido instaurada a fase litigiosa, impossível o conhecimento de recurso voluntário contra estes autos de infração. Logo, o acórdão 2402004.973 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF (fls. 821/831) não poderia se pronunciar acerca dos autos de infração nº 37.324.0210, 37.324.0228, 37.324.0252 e 37.324.0260, visto que não estavam submetidos ao julgamento. Entretanto, considerando o princípio da legalidade, deve a unidade de origem verificar a oportunidade de realizar a revisão de ofício do lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher dos embargos inominados, com efeitos infringentes, para excluir da decisão recorrida a menção aos autos de infração no 37.324.0210 e 37.324.0260. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10380.731894/201171 Acórdão n.º 2402005.782 S2C4T2 Fl. 5 7 A decisão recorrida passa a ter a seguinte redação: "Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para (i) julgar improcedente o levantamento PR no auto de Infração AI 37.324.0244 (Patronal), bem como para (ii) para julgar improcedente o auto de infração pela indicação incorreta do código de terceiros (AI 37.324.0236)" (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 852DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003475/2005-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999.
Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL - 31/12/2000, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.858-6, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida.
ENTENDIMENTO SUMULAR. MULTA ISOLADA SOBRE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO.
Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostra-se desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Nesse contexto, mostra-se razoável aplicar de ofício a Súmula nº 105 do CARF para afastar as exações relativas a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais, que tratam de anos-calendário anteriores a 2007.
Numero da decisão: 9101-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento quanto à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio na sessão de 13/12/2016) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por maioria de votos, acordam em aplicar a Súmula CARF nº 105, de ofício, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que entendeu pela não aplicação da súmula. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento. Julgamento iniciado na sessão de 17/08/2016, teve continuidade em 13/12/2016 e foi concluído em 14/03/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL 31/12/2000, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida. ENTENDIMENTO SUMULAR. MULTA ISOLADA SOBRE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 75 /2 00 5- 07 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 542 2 Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostrase desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Nesse contexto, mostrase razoável aplicar de ofício a Súmula nº 105 do CARF para afastar as exações relativas a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais, que tratam de anoscalendário anteriores a 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento quanto à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio na sessão de 13/12/2016) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por maioria de votos, acordam em aplicar a Súmula CARF nº 105, de ofício, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que entendeu pela não aplicação da súmula. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento. Julgamento iniciado na sessão de 17/08/2016, teve continuidade em 13/12/2016 e foi concluído em 14/03/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 543 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre procedimento de compensação de base de cálculo negativa de Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL apurada por empresa sucedida. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1202000.892, de 06/11/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras coisas, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de admitir procedimento de compensação por ela realizado, utilizando base de cálculo negativa de CSLL apurada por empresa sucedida. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 RECURSO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2001 COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO. Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido. MULTA ISOLADA. Uma vez cancelada a glosa de compensações da base negativa da CSLL, fica sem efeito o lançamento da multa isolada, por estrita conexão causal para tanto, posto que restabelecida a situação fiscal sem recomposição da referida base de cálculo por estimativas mensais da aludida contribuição. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 544 4 DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL em caso análogo, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes chegou a conclusão inteiramente oposta em relação ao acórdão recorrido: Acórdão nº 10323404 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 2001 Ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. a fim de melhor aclarar a divergência jurisprudencial ora invocada, fazse necessária a transcrição de excertos do paradigma, de forma a demonstrar os pontos semelhantes das questões fáticas analisadas e a interpretação jurídica divergente (transcrição contida no recurso); no mesmo sentido, é o Acórdão nº 140100262, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA PELA EMPRESA INCORPORADORA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme a legislação tributária pertinente, somente há previsão legal para deduzir da base de cálculo da CSLL, a base negativa apurada pela própria pessoa jurídica em período anterior. Nos casos de incorporação, a sociedade sucessora não pode compensar a base de cálculo negativa de CSLL apurada pela sucedida. Antes de 1999, a proibição era extraída da análise sistemática da legislação tributária atinente à matéria. A partir de 1999, como é o caso, com o advento da Medida Provisória n° 1.8586, a vedação passou a ser por expressa determinação legal. COMPENSAÇÃO BASE NEGATIVA EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO ANOCALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do Decretolei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. restou plenamente demonstrada a similitude das molduras fáticas dos casos objetos de julgamento pelo acórdão recorrido e os paradigmas; Fl. 544DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 545 5 mesmo diante de contexto no qual o autuado promoveu incorporação de outra pessoa jurídica em data anterior ao advento da MP nº 1.8586 de 29/06/1999 e publicada em 30/06/1999 (no caso concreto, a incorporação ocorreu em 04/1999), ainda assim, os órgãos prolatores dos paradigmas entenderam que cabia a proibição de que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, pois a compensação ocorreu em momento posterior ao advento da MP citada; quanto à multa isolada, o voto vencedor vinculou o seu cancelamento ao afastamento da glosa da compensação, sem especificar qualquer argumento autônomo para seu cancelamento; como a própria decisão recorrida estipulou o cancelamento da multa como mera conseqüência da improcedência da glosa realizada pela fiscalização, uma vez acolhidos os pedidos formulados no presente recurso especial com a reforma do acórdão recorrido no que respeita à glosa da compensação, cabe, também, como imperiosa conseqüência o restabelecimento da multa isolada no patamar de 50%, tal como decidiu a DRJ de origem e o voto proferido pela ConselheiraRelatora, que, estes sim, indicaram fundamentos autônomos suficientes para a manutenção dessa penalidade; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO a regra disposta no artigo 16 da Lei nº 9.065, de 1995, só permite exclusões ou compensações previstas na legislação da Contribuição Social. Como não há previsão legal para a empresa compensar base de cálculo negativa e/ou prejuízos fiscais de empresa incorporada, referido dispositivo foi indiscutivelmente infringido pelo contribuinte; por força do comando contido no artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995, aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n9 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive, no que se refere ao disposto no artigo 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alteração introduzidas por lei; antes mesmo da edição da Medida Provisória nº 1.8586/99, já existia dispositivo que se reportava ao impedimento de uma pessoa jurídica sucessora por incorporação, de compensar prejuízos fiscais da sucedida (artigo 509 do RIR/94, aprovado pelo Decreto nº. 1.041/91 e 514 do RIR/99, cuja matriz legal é o artigo 33 do DecretoLei nº 2.341/97); ainda sobre a impossibilidade da empresa sucessora por incorporação de compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela empresa sucedida, cabe destacar, por encampar a melhor exegese da matéria, as preciosas considerações da DRJ em Fortaleza nos autos nº 10380.008934/200539, verbis: II Do Mérito. 1. Da Ausência de Normatização da Matéria Até a Edição da MP nº 1.8566, de 1999. Após discorrer sobre o disciplinamento legal da base de cálculo da CSLL, em sua versão original e a posterior autorização para a compensação das bases de cálculo negativas de períodos anteriores, e traçar um paralelo com as regras de compensação dos prejuízos fiscais na determinação da base Fl. 545DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 546 6 de cálculo do IRPJ, o autor do feito fez constar do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, a seguinte conclusão: "O acima exposto demonstra ilustrativamente que, em qualquer caso, os ajustes para fins de apuração da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões ou compensações) necessitam estar expressamente previstos na lei tributária. Se a lei prevê a base de cálculo da CSLL como sendo o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda com (os) ajustes expressamente nela indicados, ela impede qualquer ajuste da referida base de cálculo que não esteja previsto de maneira expressa na lei. Diversamente do que ocorre em outros ramos de direito, o mero fato de não existir lei que obste determinado ajuste base de cálculo de um tributo, não implica que este ajuste seja autorizado. Aqui vigora justamente o contrário, a lei tributária é que, ao disciplinar a base de cálculo de determinado tributo, autoriza os ajustes (adições, exclusões ou compensações) que devem ser observados tanto pelos contribuintes, quanto pelo Fisco". O raciocínio desenvolvido pela autoridade autuante nada tem de absurdo, que não mereça ser levada em consideração, no dizer da Impugnante. Ao contrário, é todo ele calcado na legitima interpretação do direito aplicável aos fatos de natureza tributária, o que constitui uma das atividades do Auditor Fiscal, no desenvolvimento de seu mister constitucional de verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte dos contribuintes administrados. E, nesse sentido, não ocorreu qualquer violação ao comando contido no inciso II, do artigo 5º, da CF/88, posto que não se trata de exigir um comportamento do contribuinte não previsto em lei; no caso, havia no ordenamento jurídico uma norma que conceituava a base de cálculo da CSLL, a qual não previa a compensação de bases negativas apuradas por empresas sucedidas, e que, por principio, obrigava o sujeito passivo à sua observância. Isso explica o fato de que, ate a edição da Lei no 8.383, de 1991, inexistia previsão legal para que as pessoas jurídicas pudessem compensar bases de cálculo negativas de períodos anteriores, na determinação da base de cálculo da CSLL e, ainda que alguns contribuintes tenham buscado este alegado direito nas esferas administrativa e judicial, a jurisprudência é amplamente majoritária no sentido de que tal compensação somente se tornou possível a partir dos períodos de apuração posteriores â publicação do aludido diploma legal, não se acatando a retroatividade de sua aplicação. Uma primeira ilação podese tirar da assertiva acima, qual seja a de que, não obstante inexistir norma que vedasse a compensação de que se cuida, a mesma não era possível, em face de a legislação posta à época não assegurar, expressamente, aquele pretenso direito, embora, já há algum tempo, fosse facultada a compensação de prejuízos fiscais na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas. Aplicavase, portanto, a base imponível prevista no artigo 2º, da Lei n° 7.689, de 1988, que não admitia compensações de quaisquer espécies. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 547 7 O mesmo dispositivo legal que passou a disciplinar a compensação da base de cálculo negativa da CSLL (artigo 44, da Lei n° 8.383, de 1991), previu em seu "caput", uma regra genérica, já consagrada em diplomas legais editados posteriormente (Leis n° 8.541, de 1992, artigo 38; e 8.981/1995, artigo 57, entre outros), de que "aplicamse a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (...)". Poderseia invocar tal regra para concluir que, como o artigo 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987, proibia a compensação de prejuízos fiscais da sociedade incorporada, pela pessoa jurídica sucessora, tal vedação alcançaria a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, ern período anterior à sua extensão, pelo artigo 20, da MP n° 1.8586, de 1999, pela ausência de disciplinamento próprio do instituto. Em razão disso, naquele período, o regramento da base imponível aqui tratada passaria a ser feito pela aplicação do artigo 2Q, da Lei n2 7.689, de 1988, combinado com o disposto no parágrafo único, do artigo 44, da Lei n° 8.383, de 1991, mas com a ressalva da norma contida no artigo 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987, aplicável à CSLL por força dos dispositivos legais citados em parágrafo precedente. Assim, a norma contida no artigo 20, da MP n° 1.8586, de 1999, teria apenas o caráter expletivo (como, aliás, lhe qualificou a Defendente, provavelmente por equivoco, considerando o teor da impugnação). Nesse contexto, e relevante trazer â baila o pronunciamento do Ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), ern seu votovista prolatado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.0846 PARANÁ, em sua assertiva de que "Não é incomum, no âmbito das normas tributárias, a tipificação de condutas de modo detalhado e, às vezes, redundante. 0 propósito é claro: evitar as controvérsias quanto à subsunção ou não de determinadas condutas à norma." Não obstante esse entendimento não se coadunar com a jurisprudência dominante na instância ad quem de acordo com os julgados trazidos à colação na peça impugnatória como bem acentuou a autoridade autuante, constitui fato indiscutível que inexistia na legislação que rege a base de cálculo da CSLL, norma expressa que autorizasse a compensação de bases negativas de sociedade sucedida por parte da incorporadora, que viesse a ser modificada com a edição da MP n° 1.8586, de 1999, como implicitamente alega a Defendente, ao invocar o principio da segurança jurídica e o da anterioridade nonagesimal, aplicável às contribuições para a seguridade social, nos termos do artigo 195, §6°, da CF/88, que passaremos a analisar. 2. Do Principio da Anterioridade Nonagesimal Aplicável à Norma Contida no Artigo 20, da MP nº 1.8586, de 1999. De inicio, é de se esclarecer que a base negativa da CSLL glosada no procedimento fiscal reportouse ao anocalendário de 2000, período para o qual a Autuada optou pela apuração anual do IRPJ e da contribuição social; e que aquela base negativa foi apurada no balanço de encerramento para fins de incorporação da sociedade que a controlava, fato ocorrido em 27/09/1999, tendo sido a Medida Provisória n° 1.8586, editada em 29/06/1999. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 548 8 O argumento da defesa é no sentido de que, aplicandose o prazo nonagesimal previsto no artigo 195, § 6°, da CF/88, a contribuição para a seguridade social somente pode ser exigida após o transcurso de noventa dias da publicação da lei que a houver instituído ou modificado; assim, a eficácia da norma aqui tratada somente se daria a partir do dia 28/09/1999, portanto, em data posterior a transformação societária ocorrida, não obstaculizando, dessa forma, o aproveitamento da base negativa da CSLL apurada pela empresa sucedida, sob pena de violação ao principio da segurança jurídica. Como não se trata de instituição de uma nova contribuição social, resta verificarmos se a norma em comento provocou uma modificação de uma contribuição social preexistente (no caso, a CSLL), para concluirmos pela procedência da alegação. Já foi dito neste voto que, do meu ponto de vista, aquela norma possui natureza expletiva, tendo sido editada apenas para "evitar as controvérsias quanto À subsunção ou não de determinadas condutas à norma", para usar as palavras do Ministro Cezar Peluso, do STF. Ainda que assim não fosse, verifiquemos se a CSLL restou modificada, com a edição da norma, considerandose os elementos constitutivos da correspondente obrigação tributária, a teor do que prescrevem o CTN e a lei instituidora da exação (Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações posteriores). Compulsandose a legislação citada, concluise, facilmente, que a regra contida no artigo 20, da MP nº 1.8586, de 1999, não modificou quaisquer daqueles elementos, permanecendo inalterados a hipótese de incidência ou o fato gerador da obrigação, o sujeito ativo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a alÍquota aplicável; nem ao menos foram alterados os prazos de vencimento da contribuição. Em razão disso tornase forçoso reconhecer que, também sob esse prisma, a regra constitucional não impede a eficácia imediata da norma, mesmo porque, como já vimos, a pretensa modificação na base de cálculo da CSLL que restaria onerada pela vedação motivadora da glosa não se efetivou pelo simples fato de o seu conceito legal jamais haver contemplado compensação de que se cuida, na redação original da sua lei instituidora, quer nas alterações que lhe seguiram. Por todo o exposto, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do feito suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, considerar procedente o lançamento. É o meu voto. em adendo à argumentação acima expendida, notese que, ainda que se entenda pela incidência do art. 20 da Medida Provisória nº 18586/199 somente em relação às incorporações realizadas posteriormente à sua vigência, não assiste razão ao sujeito passivo, pois o sistema de apuração dos impostos e contribuições, mesmo antes da expressa proibição legal, já não comportava a compensação dos prejuízos fiscais, nem das bases negativas da CSLL apurados pela empresa sucedida na incorporação; Fl. 548DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 549 9 assim como a empresa incorporada, os seus prejuízos fiscais e bases negativas desaparecem, tendo em vista o ajuste contábil e fiscal realizado durante o processo, quando há absorção do patrimônio de uma empresa pela outra. Logo, durante a operação societária em foco, já há a consideração de toda contabilidade da pessoa jurídica sucedida, pois é o seu patrimônio liquido que é vertido para a incorporadora, não havendo dúvidas quanto à repercussão dos prejuízos fiscais e das bases negativas na formação do acervo patrimonial da empresa resultante da incorporação; noutra linha de argumentação, cabe registrar que merece reforma o acórdão hostilizado, também porque o art. 20 da Medida Provisória nº 18586/1999 disciplina a compensação tributária, fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL; ainda como acréscimo, cumpre referir que a compensação é regida pela legislação vigente à época de efetivação do encontro de contas; este entendimento está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, confirmada em recurso repetitivo e, por isso, de reprodução obrigatória pelo CARE (art. 62A do RICARF). Sobre a matéria, o STJ confirmou que a compensação deve ser apreciada com base na legislação vigente no momento do encontro de contas. Confira se o acórdão proferido sob a sistemática do art. 543C do CPC: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE À DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08." (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) para o caso em foco, é cediço que a compensação não ocorreu em 04/1999, quando realizada a operação de incorporação, mas sim no anocalendário de 2000, e neste ano o autuado foi tributado pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/2000 como a data do fato gerador, tanto do IRPJ, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, isto é, quando efetivamente realizou o encontro de contas, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (principio da anterioridade nonagesimal para as contribuições); de toda forma, ad argumentandum tantum, ainda que em momento anterior à edição da MP nº 1.8586 pudesse se entender como autorizada a compensação de prejuízos fiscais da sucedida pela incorporadora, cabe lembrar que o eg. STF já decidiu em reiteradas oportunidades que não há direito adquirido a determinado regime jurídico. E, quando da Fl. 549DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 550 10 incorporação, somente havia por parte do contribuinte expectativa de direito. Expectativa essa que poderia ser frustrada de forma legitima em momento posterior, quando da efetiva realização da compensação, como de fato ocorreu no presente caso. O ordenamento jurídico, nesse contexto, seja por não existir coisa julgada, ato jurídico perfeito ou mesmo direito adquirido, não agasalha a pretensão do autuado; assim, sob qualquer ótica de argumentação, não merece reparo a autuação realizada pela fiscalização, que considerou indevida a compensação efetivada pela incorporadora em relação às bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) apuradas pela empresa incorporada: em resumo: a) inexistia na legislação que regia a base de cálculo da CSLL, à época, norma expressa que autorizasse a compensação de bases negativas de sociedade sucedida por parte da incorporadora; b) o artigo 44 da Lei n° 8.383, de 1991, previu em seu caput, que "aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (...)". Podese invocar tal regra para concluir que, como o artigo 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, proíbe a compensação de prejuízos fiscais da sociedade incorporada, pela pessoa jurídica sucessora, tal vedação alcança a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL; c) o art. 20 da Medida Provisória nº 18586/1999 disciplina a compensação tributária fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL. Logo, a aplicação temporal da referida norma deve se reger pela época da compensação e não da incorporação. No caso dos autos, o autuado realizou a compensação indevida no ano calendário de 2000, quando já estava em vigor a proibição legal veiculada na aludida Medida Provisória; d) o artigo 20 da MP n° 1.8586, de 1999, deve ser aplicado ao caso desde a data de sua publicação, em 30/06/1999, alcançando a incorporação em tela (27/09/1999), pois a regra constitucional não impede a eficácia imediata da norma, tendo em vista que a norma sob análise não modificou quaisquer dos elementos da obrigação tributária, permanecendo inalterados a hipótese de incidência ou o fato gerador da obrigação, o sujeito ativo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a alíquota aplicável; nem ao menos foram alterados os prazos de vencimento da contribuição. A pretensa modificação na base de cálculo da CSLL que restaria onerada pela vedação motivadora da glosa não se efetivou pelo simples fato de o seu conceito legal jamais haver contemplado a compensação de que se cuida, quer na redação original da sua lei instituidora, quer nas alterações que lhe seguiram; e) deve ser aplicado ao caso o disposto no art. 62A do RICARF, com a reprodução no caso vertente do entendimento do STJ em sede de julgamento de recurso especial repetitivo (REsp 1164452/MG) no sentido de que "A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte", e não da apuração de possíveis créditos (apuração de prejuízo fiscal pela sucedida). Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 551 11 00.034, de 12/05/2014, admitiu o recurso especial, reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigmas, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido concluiuse pela improcedência da glosa da compensação efetuada, pois até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992, enquanto que o acórdão paradigma nº 10323404 entendeu que a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada, conforme disposto na legislação supracitada. Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a questão discutida nos autos. Em 21/10/2014, a contribuinte foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 03/11/2014 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO o acórdão recorrido, acertadamente, acolheu a tese da ora Recorrida sob a ótica da possibilidade de compensação da base negativa de empresas incorporadas antes do advento da MP 18586/1999, seguindo a baila de inúmeras decisões desse Egrégio Conselho; insta destacar, que, o marco inicial para discussão da matéria é a data da incorporação que ensejou o aproveitamento da base negativa de CSLL das empresas incorporadas. E, conforme documentos colacionados nos autos, o evento especial de incorporação ocorreu em 28 de abril de 1999, ou seja, ANTES do advento da Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho de 1999, vigente 90 (noventa) dias após a sua edição, que vedou a compensação de bases de cálculo negativas, geradas a partir de 1992, em casos de sucessão; o que não pode ser ignorado é que até a edição da Medida Provisória n° 185806, de 29 de junho de 1999, inexistia previsão legal que impedisse o aproveitamento, pelas empresas incorporadoras, da base de cálculo negativa da Contribuição Social das companhias incorporadas; somente com a publicação da citada Medida Provisória 18586 é que passou a haver norma jurídica estendendo o tratamento já previsto para o Imposto de Renda; em obediência ao disposto no § 6º do artigo 195 da Constituição Federal, a regra prevista no artigo 20 da MP 18586 somente produziu efeitos a partir de 1º de outubro de Fl. 551DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 552 12 1999. Equivale dizer que todos os atos jurídicos praticados até a entrada em vigor do artigo 20, fez com que as empresas incorporadoras tivessem o direito de promover o aproveitamento da base de cálculo negativa da CSLL da sucedida; entendimento diverso afronta os mais basilares princípios do ordenamento jurídico, tais como (i) o direito adquirido, (ii) a segurança jurídica, (iii) da legalidade, (iv) da irretroatividade da legislação tributária, entre outros postulados e regras; não se pode olvidar que a Lei 6.404/76 (Lei das S/A), em seu art. 227, dispõe que no evento especial de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora sucede TODOS os direitos e obrigações da sucedida; ao ser analisado o artigo alhures, ficou mais que comprovado que com o ato de incorporação, a incorporadora assume os direitos e obrigações das empresas incorporadas. Isso leva a crer que se a empresa incorporada tiver direitos, esses passarão para a incorporadora, já se ela tiver deveres, também serão sucedidos pela incorporadora; a Ata de reunião que deliberou sobre a incorporação das citadas empresas foi realizada em 28 de abril de 1999, já a Medida Provisória 18586 somente passou a produzir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999, ou seja, os dispositivos da referida MP não poderiam retroagir e prejudicar o direito adquirido; em abril de 1999 a Recorrida adquiriu o direito de utilizar a base de cálculo negativa de CSLL da empresa sucedida, porquanto a norma que extirpou do ordenamento jurídico veio à lume somente em junho de 1999, quando a Recorrida já havia incorporado ao seu acervo patrimonial o lídimo direito à utilização; importante registrar que a matéria prequestionada pelo acórdão paradigma diz respeito apenas e tão somente à inexistência de norma proibitiva para que a contribuinte exercesse esse direito de utilizar a base de cálculo negativa de CSLL de empresa incorporada, sem adentrar na questão suscitada pela I. PGFN de que o caso deve ser apreciado sob a ótica da data da compensação e não a data da incorporação; nada mais equivocado, pois, conforme adiante se demonstrará, o direito à compensação da base negativa de CSLL nasceu com a incorporação da empresa sucedida (IBA NE), sendo irrelevante para o caso em apreço se no momento da compensação, postergada em razão da trava dos 30% (trinta por cento), havia norma vedando a sua utilização; este o atual posicionamento deste Egrégio Colegiado, inclusive, com posicionamento favorável ao Contribuinte pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PAF. NÃO CONHECIMENTO do Recurso Especial por ausência de paradigma tendo em vista que as razões de decidir do acórdão recorrido e do acórdão paradigma são as mesmas. COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO. Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. (CSRF 1ª Turma Proc. 10909.003921/200658 9101001.764 Sessão de 15.10.2013) Fl. 552DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 553 13 o acórdão paradigma citado pela PGFN já foi objeto de enfrentamento nesse E. Conselho, sendo prolatada decisão pela 1ª Turma da CSRF, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional perante o Processo n° 10380.008934/200539. Isso significa que a matéria discutida nos autos é a mesma que já foi enfrentada nesta Câmara Superior, pois, como mencionado, o acórdão paradigma utilizado naquele outro caso é o mesmo que está sendo utilizado neste caso; o Processo 10380.008934/200539, distribuído à CSRF, foi de relataria do Conselheiro Dr. Valmir Sandri, e a decisão prolatada, muito bem fundamentada, não encontrou óbices na tese defendida pela Recorrida, mantendose a decisão em sua íntegra, comprovando a identidade da divergência com os presentes autos, conforme se infere do voto do I. Relator: "(...) Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara, invocando como paradigma o acórdão nº 10323.404 (...) (...) Logo, não encontrei, quer no acórdão paradigma, quer nas considerações da Douta PGFN, qualquer argumento convincente no sentido de alterar a consagrada jurisprudência amplamente dominante deste tribunal administrativo, razão porque, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (...)" aliás, são inúmeros os julgados do antigo Conselho de Contribuintes que asseguram o direito à utilização da base negativa de CSLL de empresa sucedida, apurada a partir de janeiro de 1992, dede que o evento especial de incorporação tenha ocorrido ANTES da MP 1.8588/1999 (ementas transcritas); com acerto o entendimento exarado na atual composição do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes, tanto que encontra amparo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE LUCRO LÍQUIDO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS REFERENTES A BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO, PORÉM, NESSA PARTE, DESPROVIDO. (...) Decidiu com acerto o Tribunal de origem ao adotar o seguinte entendimento: "A proibição da compensação dos prejuízos fiscais pela sucessora (por incorporação, cisão ou fusão), existente para o IRPJ (art. 33 do DL 2.341/87), somente deve ser aplicada à CSLL após a edição da MP 1.8586, de 30 de agosto de 1999, que expressamente estende a referida vedação à contribuição. No presente caso, os processos de incorporação e de cisão ocorreram, respectivamente, em abril de 1999 e em 1997, e não foram atingidos pela nova restrição ao aproveitamento dos créditos de base de calado negativa da CSLL que passou a viger em novembro de 1999." Recurso especial parcialmente conhecido, porém, nessa extensão, desprovido. (REsp 949.117/RS, Rei. Min. DENISE ARRUDA, DJe: 11/12/2009) Fl. 553DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 554 14 desta forma, em que pese os argumento expostos pelo Ilustre Procurador da Fazenda Nacional, o r. acórdão recorrido não merece reparos, pois se coaduna com a jurisprudência da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça; DA INAPLICABILIDADE DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA AO CASO CONCRETO apesar de a Recorrente ter comprovado a divergência apenas em relação à tese circunscrita ao marco temporal para o aproveitamento da base negativa, isto é se existia vedação mesmo antes do advento da MP 1.858/1999, surpreendente e inauguralmente no presente processo, a PGFN tenta induzir em erro este Egrégio Colegiado, ao tentar a aplicação do quanto decidido pelo STJ no REsp 1164452/MG; isso somente demonstra o desespero da I. PGFN para tentar alterar o foco da discussão dos autos que está (e sempre esteve) em torno da aplicação temporal dos efeitos 1.858/1999; no caso dos autos, conforme será melhor explicitado, o argumento contido quanto ao decidido no REsp 1164452/MG não é aplicável, pois (i) tal fato não foi prequestionado no processo e o paradigma divergente encartado pela PGFN não enfrenta tal controvérsia, impedindo o seu conhecimento nesta Câmara Superior; (ii) ainda que fosse conhecida essa discussão, melhor sorte não teria a I. PGFN, eis que o entendimento firmado pelo STJ simplesmente não se coaduna com o caso em exame; DO NÃO CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO DO REsp 116452/MG a D. PGFN deliberadamente tenta incluir, nesta estreita via do Recurso Especial, uma questão que nunca foi discutida nos autos e que não foi sequer objeto do paradigma; o Recurso Especial somente pode ser conhecido nesta Câmara Superior com o prequestionamento da matéria comprovado através de julgados divergentes deste Colegiado; com a delimitação do acórdão divergente (Acórdão 10323404) à compensação de bases negativas pela edição da Medida Provisória 1.8586/1999, no que foi aceito pela Presidência da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, o que se depreende é que a Câmara Superior de Recursos Fiscais somente deverá apreciar a temática delimitada no acórdão divergente; isso significa que a única questão a ser discutida em sede de Recurso Especial é que até a edição da MP 1.8566/1999 inexistia qualquer impedimento para o aproveitamento, por parte da sucessora, da base negativa de CSLL verificada pela sucedida a partir de janeiro de 1992; este é o ponto fundamental. A I. PGFN não poderia ter suscitado qualquer outra questão no Recurso Especial, sob pena de não conhecimento da matéria que deixou de ser prequestionada, contudo, ainda assim o fez, conforme se constata dos itens "c" e "d" (fls. 353) da conclusão recursal da ora Recorrente; Fl. 554DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 555 15 inferese, assim, o descompasso, nesta parte, do Recurso Especial, sendo manifestamente incabível suscitar a aplicação do disposto no art. 62A do RICARF para pretender julgar, nesta CSRF, matéria não prequestionada e cuja divergência sequer foi articulada pela Recorrente; portanto, a medida que se impõe é o não conhecimento da inovadora questão argüida pela I. PGFN acerca do recurso especial repetitivo (REsp 1164452/MG), pela simples razão de ausência de prequestionamento e paradigma, não se amoldando aos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial elencados no art. 67 do RICARF; contudo, caso este Colegiado entenda pelo enfrentamento desta questão que sequer foi presquestionada, muito menos "demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido", ainda assim, o Recurso Especial não merece provimento, conforme se comprovará; DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO RECURSO REPETITIVO caso a matéria venha a ser conhecida neste Colegiado, o que se não se espera, melhor sorte não assiste à PGFN, pois, apesar de o art. 62A do RICARF prever a aplicação obrigatória dos julgamentos realizados na forma do art. 543B e art. 543C do CPC, o REsp 1164452/MG simplesmente é inaplicável à espécie; não se está negando o comando do Regimento Interno que prevê a obrigatória aplicação dos julgados do STJ e do STF, mas somente dizendo que o referido recurso em nada se amolda ao caso dos autos para ensejar a reforma do v. acórdão; ao contrário do que suscita, o REsp 1164452/MG não pode ser gene ricamente aplicado aos casos neste Egrégio Conselho, devendo o Julgador analisar o caso concreto para a verificação de sua compatibilidade e subseqüente aplicabilidade; o REsp 1164452/MG tratou de créditos decorrentes de controvérsia judicial, para vedar sua utilização após o trânsito em julgado da demanda judicial, por força do superveniente art. 170A do Código Tributário Nacional; o que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça não pode ser ignorado e mesmo omitido pela I. PGFN para pretender alterar o seu alcance. Aliás, o item 2 da própria ementa do julgado é bastante esclarecedor: 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. e, para que não paire qualquer sombra de dúvida, o Relator do REsp 1164452/MG, com a maestria que lhe é peculiar, houve por bem esclarecer este importantíssimo ponto, justamente para evitar interpretação destoante daquela atribuída pelo STJ: "(...) 4. Esse esclarecimento é importante para que se tenha a devida compreensão da questão agora em exame, que, pela sua peculiaridade, não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 556 16 data do encontro de contas. Aqui, com efeito, o que se examina é a aplicação intertemporal de uma norma que veio dar tratamento especial a uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial. É a essa modalidade de compensação que se aplica o art. 170A do CTN. O que está aqui em questão é o domínio de aplicação, no tempo, de um preceito normativo que acrescentou um elemento qualificador ao crédito que tem o contribuinte contra Fazenda: esse crédito, quando contestado em juízo, somente pode ser apresentado à compensação após ter sua existência confirmada em sentença transitada em julgado. (...)" (Destacouse) como se vê, no próprio julgado proclamado no REsp 1164452/MG, o Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI deixa a expressa advertência de que "para que se tenha a devida compreensão da questão agora em exame, que, pela sua peculiaridade, não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas"; esta justamente a hipótese dos autos, onde não é possível invocar cegamente o REsp 1164452/MG, sem a exata definição da controvérsia; no caso em exame, pouco importa se a Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho 1999 vedou o aproveitamento da base negativa de CSLL apurada a partir de janeiro de 1992 para a pessoa jurídica sucessora por incorporação, porquanto antes de sua edição a Recorrida já havia adquirido o direito à utilização da base negativa de CSLL da sucedida; isto é, ao contrário do que invoca cegamente a D. PGFN, o julgado proferido em recurso repetitivo, que tratava da impossibilidade de o art. 170A retroagir para alcançar as ações judiciais distribuídas anteriormente, em nada, repitase, absolutamente nada se assemelha com a discussão aqui tratada; mas não é só! Ainda que fosse aplicar o quanto decidido pelo REsp 1164452/MG, o mesmo seria aplicado favoravelmente à Contribuinte, exatamente como foi realizado em âmbito judicial; ora, grosso modo, o que se decidiu na Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça foi o fato de que a vedação da legislação superveniente (art. 170A do CTN, trazido pela LC 110/2001) "não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001". Ou seja, como o Contribuinte exerceu o seu direito à compensação, mediante a distribuição da ação, à legislação superveniente não é facultada alterar os fatos jurídicos ocorridos no momento em que este direito fora exercido, sob pena de afronta aos princípios mais comezinhos de direito; e no caso dos autos? A solução a ser dada só pode ser uma. Como o contribuinte exerceu o seu direito à utilização da base negativa de CSLL antes da edição da MP 1.8586/1999 mediante a sucessão por incorporação da IBA NE, não pode a legislação superveniente (MP 1.8586/1999) alterar o fato pretérito já consumado; neste particular, tanto isso é verdade que é amplamente sabido que inexiste prazo prescricional para a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para as pessoas jurídicas sucessoras por incorporação, sendo limitado apenas e tãosomente o seu aproveitamento escalonado, com a trava dos 30% (trinta por cento); Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 557 17 no caso em voga, no momento da incorporação (abril de 1999) a Recorrida (AmBev) incorporou ao seu patrimônio a base de cálculo negativa de CSLL da empresa sucedida (IBA NE), e apenas com a edição da MP 1.8586/1999 é que o exercício deste direito foi obstado, não sendo possível alcançar os fatos anteriores à sua edição; ou seja, quando do advento da MP 1.8586/1999, o crédito legitimamente aproveitado pela Recorrida não era mais base de cálculo negativa de sucedida (IBA NE) e sim crédito da própria sucessora (AmBev), cuja utilização foi apenas escalonada no tempo com o limitador dos 30% (trinta por cento); diante de tais fatos, não restam dúvidas de que (i) a decisão do REsp 1164452/MG, conforme mencionado pelo próprio Relator (Min. TEORI ALBINO ZA VASCKI), "não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas", como faz crer deliberadamente a PGFN; (ii) a questão de fundo do REsp 1164452/MG (aplicação do art. 170A para os créditos objeto de controvérsia judicial) não guarda qualquer compatibilidade com os autos e (iii) ainda que se queria usar a fundamentação jurídica decidida no REsp 1164452/MG, a mesma é favorável à Recorrida, porquanto a Primeira Seção do STJ vedou a aplicação do art. 170A para as demandas já ajuizadas, o que, aplicandose analogicamente seria o mesmo que vedar os efeitos da MP 1.8586, de 29.06.1999 para as incorporações ocorridas anteriormente à sua vigência; deste modo, a Recorrida requer, acaso conhecido o pedido quanto à aplicação da decisão do REsp 1164452/MG, como sua fundamentação "não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas" (Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI), que seja negado provimento, mantendo incólume o acórdão. É o relatório. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 558 18 Voto Vencido Voto Vencido em relação à apreciação de ofício Voto Vencedor quanto ao restante Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a contribuinte promoveu em 31/12/2000 a compensação de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Essa base negativa adveio de outras empresas, que foram incorporadas no mês de abril/1999, o que motivou a glosa da compensação pela fiscalização. A glosa da compensação de base negativa resultou na redução do valor do saldo negativo de CSLL apurado pela contribuinte em 31/12/2000, de R$ 8.561.587,87 para R$ 3.364.040,42. Além dessa redução no valor do saldo negativo em 31/12/2000, a autuação fiscal constante do presente processo abrangeu também a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de CSLL em alguns meses do anocalendário 2000. É que a contribuinte havia compensado estimativas do anocalendário de 2000 com o saldo negativo por ela apurado em 1999. Ocorre que também houve redução do saldo negativo de 1999, pelas mesmas razões mencionadas acima, ou seja, pela compensação de base negativa advinda de empresas incorporadas. A redução do saldo negativo de 1999, que é objeto do processo nº 19515.003484/200417, examinado nesta mesma sessão de julgamento da CSRF, implicou na falta de recolhimento de estimativas em 2000, e, por conseqüência, na aplicação da referida multa isolada. O acórdão recorrido admitiu o procedimento de compensação em que se utilizou base de cálculo negativa de CSLL advinda de empresas sucedidas/incorporadas, e restabeleceu o valor original do saldo negativo de CSLL em 31/12/2000, conforme havia sido apurado pela contribuinte. Naquela ocasião, a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF julgou da mesma forma o recurso voluntário contido no processo nº 19515.003484/200417, que tratava do saldo negativo de 1999. Como naqueles outros autos foi restabelecido o saldo negativo de 1999, conforme havia sido apurado pela contribuinte, o acórdão ora recorrido, por decorrência direta Fl. 558DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 559 19 do decidido naquele outro processo, também cancelou a multa isolada objeto dos presentes autos. Em seu recurso especial, a PGFN busca reverter essa decisão, defendendo o trabalho fiscal, no que toca à glosa da referida compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas e também à aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de CSLL. Quanto à glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, compartilho do mesmo entendimento manifestado no voto vencido contido no acórdão recorrido, da lavra da conselheira relatora Viviane Vidal Wagner, cujos fundamentos transcrevo: [...] Como relatado, tendo sido verificada a compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL, em 31/12/2000, no valor de R$ 2.374.358,71, pela sucessora Indústria de Bebidas Antarctica do NorteNordeste S/A, consideradas as base de cálculo negativa de períodos anteriores de pessoas jurídicas sucedidas por incorporação, efetuouse, em procedimento de ofício, a redução do saldo de CSLL a compensar ou a restituir, de ... para ... Considerandose que a sistemática de tributação adotada pela sucedida no ano calendário de 2000 foi o lucro real anual, por certo que o fato gerador da CSLL denominado "fato gerador complexivo", só se aperfeiçoou em 31 de dezembro do anocalendário de 2000. Na data da apuração da base de cálculo da CSLL vigia a Medida Provisória n.° 1.8586, de 29 de junho de 1999, dispondo: Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. O referido decreto, por sua vez, dispõe: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. De fato, como bem observou a DRJ, é indiferente ao deslinde do caso se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99, pois a legislação apenas explicitou a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora. Embora o ato de incorporação tenha ocorrido em abril de 1999, logo, antes da edição da medida provisória em comento, a compensação ocorreu em dezembro de 2000, quando já vigente a norma proibitiva. Nesse caso, sequer se faz necessário adentrar na discussão a respeito da existência ou não, antes da norma proibitiva, de impedimento legal para que Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 560 20 a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida. Adotase como razão de decidir a fundamentação contida no voto do ilustre conselheiro Antônio Bezerra Neto, proferido no acórdão unânime nº 1401 00262, de 09/07/2010, acompanhadas por esta relatora enquanto no exercício da presidência da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, consoante trecho abaixo transcrito: O argumento principal trazido pela recorrente no argumento empírico de que somente com o advento da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, é que passou a existir impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida. Entretanto alega que nem mesmo o advento da Medida Provisória que estendeu a vedação prevista no art. 33 do Decretolei n° 2.341/87 à base de cálculo negativa da CSLL, seria óbice para o aproveitamento das bases negativas apuradas pela sociedade incorporada, posto que referida MP somente passou a vigorar em 28/09/1999, sendo que a incorporação da empresa Geral do Comércio Empreendimentos Ltda pela recorrente ocorreu alguns dias antes da entrada em vigor da legislação em comento, 20/09/1999. Por consequência invoca ainda que está sendo ferido o princípio da irretroatividade, uma vez que tal princípio deve ser norteado pelo momento em que as base negativas foram apuradas, época em que a legislação não vedava o seu aproveitamento pela sociedade incorporadora. A referida MP tendo em vista seu caráter prospectivo, aplicase apenas quanto às bases negativas apuradas a partir de sua vigência. Tive oportunidade de analisar essa mesma questão enquanto presidente da 5ª Turma da DRJRecife, através do Acórdão nº 7.709, de 26/04/2002, de minha relatoria, que foi assim ementado: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Ano calendário: 1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CISÃO PARCIAL Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida." Naquela ocasião constatei que é indiferente ao deslinde de tais casos se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/ 99 ou depois dela, dado que cheguei à conclusão que a legislação apenas explicitou uma proibição apurada pela incorporada que já era ínsita ao ordenamento. É que a necessidade de vedação do art. 33 do Decreto lei nº 2.341/87, no âmbito do IRPJ, só faz sentido se analisada em paralelo com outro permissivo legal do IRPJ que concedia aquele aproveitamento em tais casos. Ora, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação. Mantenho ainda esse mesmo entendimento, a despeito de jurisprudência contrária, e vou demonstrar agora de forma mais analítica tal raciocínio. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 561 21 Quanto a essa questão, a princípio, cabe esclarecer que a base de cálculo da CSLL é a estabelecida pelo art. 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com suas alterações posteriores, que prevêem expressamente seus ajustes para mais ou para menos. O art. 44 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu, in verbis: "Art. 44 — Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.º 7.689, de1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único — Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real." O parágrafo único acima transcrito permitiu às pessoas jurídicas compensarem as suas próprias bases negativas e não as de terceiro ou as de empresas por ela incorporadas. Como se observa, não há no dispositivo reproduzido, qualquer autorização para que as sociedades incorporadoras pudessem compensar as bases negativas de CSLL de suas incorporadas, ao contrário do que fez expressamente o Decreto lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ao tratar de compensação de prejuízos fiscais, corno se observa a seguir : "Seção VI Compensação de Prejuízos Art. 64 — A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. ........................................ § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito de compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. ....” O parágrafo 5º acima reproduzido foi posteriormente revogado expressamente pelo art. 1°, inciso IX, do Decretolei n° 1.730, de 17 de outubro de 1979, para evitar a evasão ou postergação no pagamento do Imposto sobre a Renda que a cisão e a incorporação ensejavam. A partir de então, por falta de permissão legal, as sociedades resultantes de fusão e as que incorporassem outra pessoa jurídica ou parte do patrimônio de sociedade cindida não tiveram mais o direito de compensar os prejuízos das sociedades extintas, ainda que tal proibição só viesse a constar expressamente no art. 33 do Decretolei n° 1341, de 29 de junho de 1987, para eliminar definitivamente qualquer dúvida em relação à matéria, O que ocorreu com a compensação de prejuízos fiscais é ilustrativo, no sentido de comprovar que os ajustes da base de cálculo da CSLL (adições, Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 562 22 exclusões e compensações) têm de estar previstos na lei tributária para que o contribuinte possa efetuálos. Assim, o fato de não existir lei que proíba determinada exclusão da base de cálculo de um tributo não autoriza o contribuinte a fazêla. Ao contrário, se a lei indica como base de cálculo da contribuição o valor do resultado do exercício, antes da provisão do Imposto sobre a Renda, com ajustes expressamente nela previstos, não poderia o contribuinte retirar da base de cálculo determinado valor por compensação sem previsão legal expressa para fazêlo. A permissão legal restringiuse à compensação de base de cálculo negativa apurada pela própria interessada, a partir de 01 de janeiro de 1992, não sendo admissível a dedução da base de cálculo negativa proveniente de outra pessoa jurídica, mesmo que tenha sido por ela incorporada. Da mesma forma que o art. 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, para afastar qualquer dúvida que pudesse existir em relação à matéria, fez constar de modo expresso a proibição em relação à compensação de prejuízos de empresa incorporada ou cindida, também o art. 20 da MP n.° 1.8586, de 1999, e suas reedições fizeram constar expressamente a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora, para afastar qualquer dúvida que pudesse haver em relação à matéria. Novamente, repitase, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação, tendo vindo apenas para ficar de forma expressa e assim não pairar qualquer dúvida a respeito dessa proibição. Nessa perspectiva, considero que não havia previsão legal para que a interessada incorporasse a base de cálculo da CSLL oriunda de empresa incorporada. Dessa forma, os argumentos de irretroatividade e de direito adquirido levantados pela recorrente são totalmente impertinentes. De qualquer forma, acrescentese aquilo que a DRJ muito bem colocou e que faço minhas as suas palavras: "De qualquer forma, no anocalendário de 1999, a impugnante foi tributada pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/1999 como a data do fato gerador, tanto do IRPJ, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (princípio da anterioridade nonagesimal para as contribuições)." Ainda no contexto do que foi exposto no parágrafo anterior, ou seja, mesmo para aqueles que possam não concordar com a tese aqui sustentada, ou seja, para aqueles que porventura adotam a tese da CSRF, que abraçam o entendimento de que havia previsão legal para o aproveitamento da base negativa da CSLL até o advento da referida MP que trouxe a vedação, os argumentos trazidos à baila pela Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 563 23 recorrente em relação à direito adquirido e irretroatividade não se sustentam, é que a referida vedação do Decreto se dá no momento da compensação e não da apuração. É de se ver. Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (grifei) O art. 33 do Decreto deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. No caso dos autos, a situação é exatamente a mesma daquele processo. No momento da compensação, era plenamente vigente a norma proibitiva. Diante disso, a compensação não pode ser homologada e resta prejudicada a apreciação da juntada de documentos após o recurso. Neste ponto, portanto, votase por negar provimento ao recurso. Da Multa Isolada por falta de recolhimento de CSLL [...] Viviane Vidal Wagner Ainda em relação a essa segunda linha de argumentação que está acima transcrita, ou seja, de que a vedação legal se dá no momento da compensação e não da apuração da base negativa pela empresa sucedida (e nem no momento da incorporação desta), e de que no momento da compensação a norma proibitiva era plenamente vigente, transcrevo os fundamentos contidos no voto que orientou o Acórdão nº 180200.750, de 15/12/2010, proferido no processo nº 19515.003268/200463 pelo conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa: [...] A questão a ser examinada é se realmente a restrição introduzida pela MP nº 1.8586, de 30/06/99, proibindo a compensação, na sucessora, da base negativa que veio de empresa sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência desta MP. O texto legal apresenta o seguinte conteúdo: MP nº 1.8586, de 30 de junho de 1999 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 564 24 Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987 Art. 32. (...) Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Em relação ao caso concreto, não há dúvidas de que a incorporação ocorreu antes da vigência da referida MP, e que, portanto, a base negativa da sucedida passou a fazer parte do patrimônio da incorporadora antes também da vigência da norma restritiva. Isso não implica dizer, entretanto, que o prejuízo fiscal ou a base negativa acumulados no patrimônio de uma determinada empresa gere direito adquirido à compensação futura destes valores. Tanto é assim, que, ao analisar o estabelecimento da chamada trava de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal entendeu que prejuízos havidos em exercícios anteriores à vigência da Lei 8.981/1995 configuravam meras deduções, cuja projeção para exercícios futuros era autorizada nos termos da lei, a qual poderia, contudo, ampliar ou reduzir a proporção de seu aproveitamento (RE 344.944 e 545.308). Ainda de acordo com o STF, no que toca à compensação de prejuízos de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do imposto de renda, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Nestes termos, a limitação introduzida pela Lei 8.981/1995, a chamada trava de 30%, mesmo alcançando prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores à sua vigência, foi considerada constitucional. Nos julgados acima referidos, o STF concluiu que a lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal, e que o abatimento de prejuízos, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Penso que todas essas considerações vêm no sentido de afirmar o princípio da independência entre os exercícios, com o qual me alio, posto que ainda não vi Doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. Retomando ao caso concreto, cabe observar que na data de ocorrência do fato gerador anual da CSLL 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586. Nesta data, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de sucedida. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 565 25 Conclusão diferente eu chegaria se a compensação tivesse ocorrido nos anos anteriores, mas para a compensação realizada em 31/12/1999 não vislumbro qualquer problema atinente à retroatividade, na mesma linha do entendimento firmado pelo STF, conforme acima mencionado. Quanto ao argumento de que a base negativa não era mais da sucedida, porque havia sido incorporada ao patrimônio da sucessora antes da referida MP, considero que a expressão prejuízo fiscal ou base negativa “da sucedida” deve ser compreendida como prejuízo fiscal ou base negativa “advindos da sucedida”, uma vez que no momento da compensação, em quaisquer hipóteses, o prejuízo fiscal ou a base negativa é sempre da incorporadora, e não mais da sucedida. Basta verificar que se a incorporação tivesse ocorrido p/ ex. em 2001 (portanto já na vigência da norma restritiva em questão), com compensações realizadas nos anos subseqüentes, a questão seria exatamente a mesma. Ou seja, no momento da compensação a base negativa não seria mais “da sucedida”, mas sim da incorporadora, e assim a incidência da norma em questão estaria completamente inviabilizada. O que deve ficar claro é que a norma introduzida pela MP 1.8586/1999 não buscou atingir o fenômeno das incorporações, do ponto de vista societário, no sentido de desconstituir/alterar qualquer evento já ocorrido, ou modificar a característica dos eventos dessa natureza a serem realizados no futuro. As incorporações continuaram sendo regulamentadas pela lei societária, e as incorporadoras continuaram sucedendo as incorporadas em todos os direitos e obrigações, havendo da mesma forma a extinção daquelas últimas. Nesse contexto, os prejuízos, como item patrimonial, também continuaram sendo transferidos à sucessora, e não é o fato de terem sido incorporados antes ou depois da MP que lhes daria ou não o condão de gerar algum direito adquirido. Mais uma vez, como já decidiu o STF, não há direito adquirido à compensação de prejuízos, e o mesmo pode ser dito em relação à base negativa de CSLL. O escopo da MP 1.8586/1999 foi apenas de, no campo tributário, restringir a possibilidade de compensação de base negativa, especificamente quanto esta foi adquirida por sucessão (nos casos lá mencionados), e quanto a isso não vejo qualquer razão para distinguir incorporações ocorridas antes ou depois da MP. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. José de Oliveira Ferraz Corrêa Em resumo, os fundamentos contidos nos votos acima transcritos levam às seguintes conclusões: 1 antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria; Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 566 26 2 mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. São esses os fundamentos que acolho neste voto, para fins de considerar correta a glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas. Ainda em relação à matéria acima, deixo de examinar a controvérsia suscitada em torno do que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1164452/MG, porque lá se tratou de "uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial", situação que não se verifica nos presentes autos. Quanto à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de CSLL em alguns meses do anocalendário de 2000, ao contrário do que defende a PGFN em seu recurso especial, penso que não é o caso de simplesmente restabelecer a multa por decorrência direta do que restou decidido em relação à matéria anterior, lembrando que, no caso, a decorrência seria em relação ao processo nº 19515.003484/200417, onde se tratou do saldo negativo de 1999, que foi utilizado para quitar, por compensação, estimativas do ano calendário de 2000. O problema é que as matéria suscitadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, relativamente à multa isolada, embora tenham sido abordadas pelo voto vencido da conselheira relatora, não chegaram a ser examinadas pelo colegiado, porque o voto vencedor solucionou toda a controvérsia com o julgamento apenas da primeira matéria. É que ao se admitir a compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas e se restabelecer os saldos negativos apurados pela contribuinte (tanto no presente processo, quanto no processo nº 19515.003484/200417), tornouse desnecessário qualquer exame/debate, pelo colegiado, sobre as questões específicas da multa isolada por falta de estimativas no anocalendário de 2000. A análise do voto vencedor sobre a multa isolada, que foi objeto de aprovação pelo colegiado, se resume ao seguinte aspecto: [...] Neste sentido, no que se refere ao item multa isolada, uma vez reconhecida a validade e legitimidade da compensação da CSSL e afastandose a glosa realizada pela autoridade fiscal, deixa de existir a recomposição por períodos do saldo da referida contribuição social, razão pela qual, a acusação de falta de recolhimento das estimativas mensais, com aplicação da multa isolada, resta igualmente atingida pela inexigibilidade real e jurídica, uma vez restabelecida a compensação como de direito. Há questões que foram argüidas em sede de recurso voluntário, relativamente à multa isolada, cujo exame ficou prejudicado naquela fase processual, em razão do que restou decidido para a primeira matéria do recurso. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 567 27 Com efeito, o voto vencedor (e o colegiado que o aprovou) não precisou empreender nenhum exame sobre a argumentação contida no voto vencido da conselheira relatora sob o tópico intitulado "Da Multa Isolada por falta de recolhimento de CSLL". Assim, uma vez restabelecida a glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, deverá haver julgamento das questões específicas que abrangem a multa isolada por falta de estimativas mensais, fazendose necessário o retorno dos autos à Turma a quo, para essa finalidade. Desse modo, voto no sentido de: DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de considerar correta a glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, restabelecendo o saldo negativo de CSLL em 31/12/2000 conforme apurado pela fiscalização; e considerando o que restou decidido no Processo nº 19515.003484/200417, julgado nesta mesma sessão da CSRF, em que também se entendeu correta a glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, e se restabeleceu o saldo negativo de CSLL em 31/12/1999 conforme apurado pela fiscalização, DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para prolação de nova decisão quanto à exigência de multa isolada por falta de estimativas mensais de CSLL no período de abril a agosto de 2000. Quanto a apreciar de ofício concomitância de multa isolada por insuficiência de estimativa mensal e a multa de ofício, tema que surgiu durante as discussões do julgamento e que fiquei vencido sozinho, já que a turma optou por aplicar de ofício a Súmula CARF nº 105, o meu voto é no seguinte sentido: não deve ser feita essa apreciação em homenagem ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, bem como ao caput e § 1º do art. 1013 do Código de Processo Civil de 2015. Decreto nº 70.235/1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Lei nº 13.105/2015: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. E esse é o caso. O que o sujeito passivo trouxe na impugnação quanto à multa isolada foram alegações referentes à decadência e à retroatividade benigna, mas nada relativo à concomitância, tanto que sobre isso nada constou no acórdão da DRJ (fls. 201 a 212). Tampouco o Recurso Voluntário (fls. 250 a 279) trouxe essa tese de defesa, vide especialmente as fls. 268 a 279, que tratam da multa isolada, onde não se podem encontrar alegações sobre concomitância. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 568 28 É como voto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 569 29 Voto Vencedor Voto Vencedor em relação à apreciação de ofício Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado Rendo homenagens ao relator, pelo voto objetivo e preciso. Minha divergência é uma questão de ordem processual. A princípio, a orientação seria no sentido de promover o retorno dos presentes autos à turma a quo, para apreciação, de ofício, da concomitância de multa isolada por insuficiência de estimativa mensal e a multa de ofício. Há, por outro lado, aspecto que considero relevante sobre a matéria. Como se trata de autuação fiscal relativa a anocalendário anterior a 2007, a concomitância da multa de ofício com a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativas mensais já foi tratada na Súmula CARF nº 105, aplicável aos fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Questiono qual seria a efetividade de se retornar os autos, para que o turma a quo se pronuncie sobre matéria que já se encontra sumulada. Consumarseia um prolongamento injustificado do contencioso administrativo fiscal, com prejuízo evidente para as partes e para a sociedade. Reconheço que, num aspecto estritamente processual, o caminho seria o retorno dos autos para a câmara baixa, até porque se pode dizer que a matéria "concomitância entre multa de ofício e multa isolada sobre estimativas mensais" não teria sido objeto de divergência, requisito necessário para ser devolvida para este Colegiado1. Inclusive, em outras oportunidades no qual a matéria "concomitância entre multa de ofício e multa isolada sobre estimativas mensais" não havia sido apreciada, foi processado o retorno à turma a quo, mas, nesses casos, além da matéria sumulada, haviam outras matérias que deveriam ser julgadas, e que não eram objeto de súmula. Assim, como os 1 RICARF, Anexo II, Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 570 30 autos retornariam, de qualquer maneira, para a câmara baixa, em razão das outras matérias, a aplicação da súmula de ofício não teria efeitos práticos. Por outro lado, diante da situação posta, no qual remanesce exclusivamente matéria sumulada, entendo que a interpretação da norma processual pode ser relativizada. Isso porque o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância. E, no presente caso, sendo a matéria sumulada, o valor supressão de instância tornase superado. Isso porque o retorno dos autos para a instância anterior implicaria na obrigatória aplicação do entendimento sumular, e tal decisão não poderia ser objeto de recurso especial, conforme RICARF2 . O retorno dos autos, nesse contexto, só provocaria um prolongamento desnecessário na tramitação dos autos, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e da economicidade. Por isso, entendo que não há óbice para que se possa, de ofício, aplicar a Súmula nº 105, e afastar a exigência relativa a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 2 Vide Anexo II do RICARF: Seção II Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.003475/200507 Acórdão n.º 9101002.586 CSRFT1 Fl. 571 31 Fl. 571DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.003825/2004-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta retifique a identificação do recorrente para Issac Benayon Sabbá - espólio e o cientifique do despacho que deu seguimento parcial a seu recurso especial, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta retifique a identificação do recorrente para Issac Benayon Sabbá espólio e o cientifique do despacho que deu seguimento parcial a seu recurso especial, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 03 82 5/ 20 04 -4 2 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10283.003825/200442 Resolução nº 9202000.079 CSRFT2 Fl. 1.642 2 RELATÓRIO Em sessão plenária de 07/02/2012, foi realizado o julgamento do Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 210201.783 (efls. 203/214), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995, 1996 ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ZONEAMENTO SÓCIOECONÔMICOECOLÓGICO DE RONDÔNIA. A Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, que instituiu o zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, não declarou áreas de interesse ecológico, nos termos em que estabelecido no art. 10, § 1º, inciso II, alínea b da Lei nº 9.393, de 1996. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO DO VALOR MÍNIMO. REQUISITOS. O valor do terra nua (VTN) mínimo por hectare, fixado pelo fisco para os exercícios 1995 e 1996, poderá ser revisto, desde que seja apresentado Laudo Técnico de avaliação, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas (Súmula CARF nº 23, em vigor desde 22/12/2009). ALÍQUOTA DO ITR. DUPLICAÇÃO. O percentual da alíquota para a apuração do valor do ITR deve ser duplicado no segundo ano consecutivo e seguintes em que o percentual de utilização efetiva da área aproveitável for igual ou inferior a trinta por cento. Cientificada do acórdão em 23/05/2012 (efls. 231), que por maioria dos votos negou provimento ao recurso, o Contribuinte interpôs, no dia 06/06/2012, o Recurso Especial de efls. 238/249, com fundamento nos art. 64, inciso II e art. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do CARF, visando rediscutir o VTN adotado pela fiscalização para cálculo do imposto, bem como o não reconhecimento de 50% da propriedade “Seringal São João” como área de interesse ecológico. Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial, conforme o Despacho s/n, de 19/10/2015 (efls. 266/270), para rediscutir a matéria acerca do reconhecimento de 50% da área do imóvel rural como de interesse ecológico. A rediscussão acerca do VTN arbitrado pelo Fisco foi inadmitida por absoluta falta de indicação de acórdão paradigma. Quanto a temática admitida no Recurso Especial, o Contribuinte alega, em síntese que: Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10283.003825/200442 Resolução nº 9202000.079 CSRFT2 Fl. 1.643 3 a regra de isenção estabelecida no art. 11, da Lei n.° 8.847/94 é um benefício concedido em razão da restrição de uso imposta ao imóvel sob a declaração da área para proteção dos ecossistemas; ou seja, a isenção é conferida por força de uma restrição, que nesse caso, concretizase por meio da instituição das areas de reserva legal, preservação permanente e/ou interesse ecológico; tais restrições, como é notório, tem o objetivo precípuo de proteger o meio ambiente. Assim, uma vez instituídas devem ser observadas e respeitadas por aqueles sobre quem elas recaem, isso é, o contribuinte do ITR; nesse sentido, a criação de quaisquer umas das restrições ao direito de uso e gozo da propriedade só depende da lei, e, no caso em tela, instituída pela Lei n.° 8.847/94 e regulamentada pela LCE n.° 52/1991; ao tratar do assunto, a União, nos termos do seu art. 11, a Lei n.° 8.847/94 delegou a competência quanto à matéria de isenção do ITR para que os órgãos federais e/ou estaduais regulamentassem por ato próprio, e o Estado de Rondônia, por sua vez, o fez mediante a edição da LCE n.° 52/1991; ora, se a isenção é consequência lógica da restrição, essa, uma vez devidamente instituída, como é o caso dos autos, independe a isenção de qualquer outro ato para que seja aplicada; isto porque os requisitos (ato competente e ampliação da restrição de uso) são objetivos, não necessitando de divagações a seu respeito. Assim, uma vez cumpridos, a isenção deve ser concedida; assim, a questão fulcral, que é a restrição do direito de uso do imóvel sob a declaração da área como de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, estabelecida no Zoneamento Sócioeconômicoecológico (ZSEE), com a LCE 52/91 (1a. Aproximação), não foi observada pela i. decisão recorrida, negando ao Recorrente o direito iâ isenção do ITR; ressaltese que inexiste qualquer regra que exija a declaração especifica, mediante expedição de diploma legal ou ato similar, de imóvel de determinada matricula ou transcrição como de interesse ecológico, para a concessão da isenção do ITR; desta forma, a decisão constante no voto vencedor é contrária aos termos da legislação aplicável, uma vez que o direito à isenção do ITR não demanda nem exige ato especifico e individualizado a classificar o imóvel rural como de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, mas sim, e tãosomente basta a restrição de uso do imóvel, o que, no caso concreto, se efetivou mediante a instituição do Zoneamento SócioEconômico Ecológico do Estado de Rondônia, pela Primeira Aproximação (LCE no 52/91); aí está o equívoco da esfera administrativa, qual seja, inovar a legislação, mediante decisão proferida, para exigir cumprimento de obrigação que não consta da Lei, violando o princípio da estrita legalidade, que pauta o processo administrativo tributário; desta feita, qualquer exigência não contida nos ditames legais, qual seja, art. 11, da Lei n.o 8.847/94, extrapola a regra de isenção, desde que, para o caso em concreto não Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10283.003825/200442 Resolução nº 9202000.079 CSRFT2 Fl. 1.644 4 há necessidade de ato especifico, que declare de forma individualizada o imóvel como de declarado interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. Isto 6, o caso dos autos implica em violação à própria lei que instituiu a proteção ambiental; o que ficou provado nos autos, porém não admitido na decisão recorrida, é que, basta o ZSEE (LCE n.° 52/91) para excluir o imóvel "Seringal São João", que é uma área de uso restrito, por se tratar de área de interesse ecológico, nos termos do ZSEE, Zona 4, da tributação do ITR, por expressa disposição legal (art. 11, da Lei n.° 8.847/94 c.c. LCE n.° 52/1991), independentemente de qualquer procedimento acessório, como a obrigatoriedade de ato especifico estabelecida pelo acórdão recorrido, isto porque a obrigação acessória não têm o condão de impor a tributação. Ao final, o Contribuinte pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para declarar a insubsistência do lançamento tributário contestado, afastandose a exigência tributária. Intimada do despacho de admissibilidade a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao recurso (efls. 272/281), na qual aduz que o contribuinte não cumpriu com os requisitos exigidos pela legislação para gozar da isenção em discussão, razão pela qual deve ser mantido o acórdão recorrido. É o relatório. VOTO Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial do Contribuinte, contra decisão por maioria dos votos, proferida em 06/06/2012, foi interposto na modalidade de divergência jurisprudencial, com fundamento nos art. 64, inciso II e art. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Destarte, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta retifique a identificação do recorrente para Issac Benayon Sabbá espólio e o cientifique do despacho que deu seguimento parcial a seu recurso especial, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 286DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.000269/98-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. REFORMA DO ACÓRDÃO PARADIGMA. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o recurso especial de divergência quando o acórdão indicado como paradigma, na data da interposição do recurso, foi anulado e/ou reformado na matéria que aproveitaria ao Recorrente, nos termos do §15º, do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-004.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ADMISSIBILIDADE. REFORMA DO ACÓRDÃO PARADIGMA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso especial de divergência quando o acórdão indicado como paradigma, na data da interposição do recurso, foi anulado e/ou reformado na matéria que aproveitaria ao Recorrente, nos termos do §15º, do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 02 69 /9 8- 67 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 9303004.632 CSRFT3 Fl. 1.356 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.301 a 1.309) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3201001.034 (fls. 1.259 a 1.274) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 17/07/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE EM RAZÃO DA NÃO INCLUSÃO DE “COMISSÃO PELO USO DA MARCA”. INAPLICABILIDADE. Os pressupostos para a aplicação do ajuste previsto no art. 8º, I, “c”, do Acordo de Valoração Aduaneira não foram preenchidos no caso concreto, quer seja porque não havia motivos para a fiscalização duvidar do valor aduaneiro praticado entre o exportador e o importador, quer seja porque não houve pagamento de royalties ao exportador, conforme atestou o próprio Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, ou ainda porque o pagamento de royalties havido no Brasil não foi condição imposta pela exportadora para a venda das mercadorias. Precedentes. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO OCORRÊNCIA. Em que pese a má redação do auto de infração, que não deixa claro exatamente qual é o fundamento legal do ajuste que aplicou para lançar o crédito tributário, é notório que “comissão pelo uso da marca” não é uma comissão de venda, pois, se o fosse, as concessionárias teriam legitimidade para cobrála, e não a licenciada da marca no País, nos termos dos arts. 693 e 701 do Código Civil. Logo, se a “comissão pelo uso da marca” confundese com royalties, o fundamento da decisão recorrida é o mesmo daquele empregado pelo auto de infração, ainda que de forma obscura. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Não tendo a importadora descumprido as obrigações tributárias exigíveis na importação de mercadorias, não há de quê ser responsabilizada solidariamente a licenciada da marca no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 9303004.632 CSRFT3 Fl. 1.357 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fábio Miranda Coradini e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Por bem retratar o desenrolar dos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] Tratase de Recurso Voluntário interposto pelas contribuintes contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, em face de aplicação da legislação relativa à valoração aduaneira, por entender que houve exclusão na base de cálculo desses tributos de valores pagos à exportadora a título de “comissão pelo uso da marca”. O lançamento dos tributos teve como premissa, entre outras, a vinculação entre a Companhia Importadora e Exportadora – COIMEX, importadora de produtos da Mitsubishi Motors Corporation – MMC, exportadora, e a MMC Automotores do Brasil Ltda. – MMCB, distribuidora não exclusiva dos produtos da MMC no Brasil, conforme explicita o relatório do auto de infração. Segundo o entendimento da fiscalização, os valores declarados nas importações realizadas pela COIMEX devem ser acrescidos da “comissão pelo uso da marca” paga à MMCB pelas concessionárias de automóveis da marca Mitsubishi, tendo em vista o disposto no art. 8, 1, “c”, do Acordo sobre a implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Acordo de Valoração Aduaneira), promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16.07.86. Intimadas do lançamento, as Recorrentes interpuseram suas respectivas impugnações, as quais foram julgadas improcedentes pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, em sessão de julgamento realizada em 10/05/2002. Confirase a ementa do Acórdão nº 0.844 (fls. 814/831): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Atendidas as determinações contidas no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e reunidos nos autos todos os elementos garantidores do amplo direito de defesa, não ha que se falar de nulidade. ADITAMENTO DA IMPUGNAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 9303004.632 CSRFT3 Fl. 1.358 4 Em face de vedação legal, é inadmissível a apreciação de razões de defesa apresentadas intempestivamente, ainda que oferecidas como aditamento de impugnação anteriormente interposta. PROVA PERICIAL. Despicienda a realização de Perícia, quando integram os autos elementos suficientes ao deslinde do litígio. Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 29/11/1993 a 02/09/1994 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE NO PREÇO PRATICADO. Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de "direitos de licença", como condição de venda dessas mercadorias, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Para fins do ajuste de que trata o artigo 8° do Código de Valoração Aduaneira é prescindível a comprovação do vínculo de que trata o artigo 15 classe mesmo Diploma Legal. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, artigo 124 do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente Desta decisão foi intimada, inicialmente, apenas a COIMEX, que inconformada, apresentou seu Recurso Voluntário. Contudo, já em sede de apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi declarada a nulidade dos atos processuais a partir da decisão de primeira instância, tendo em vista a ausência de intimação da empresa MMCB (fls. 1.135/1.137). Os autos retornaram para a repartição de origem, tendo sido a MMCB intimada da decisão proferida no recurso especial em 25/11/2008 (fl. 1.140v) e a COIMEX em 24/11/2008 (fl. 1.141v). Inconformadas, as empresas interpuseram o Recurso Voluntário ora apreciado em 17/12/2008 (fls.1.142/1.183 e 1.187/1.228), aduzindo, em síntese, a inexistência de vínculo de solidariedade entre ambas no tocante à responsabilização tributária, além de aduzirem a irregularidade do valor aduaneira estipulado pela fiscalização, que desconsiderou o fato de o valor pago pela MMCB à licenciante da marca no Brasil, MMC, não se confundir com o valor de aquisição dos produtos pago pela COIMEX. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/11/2011. É o Relatório. [...] Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 9303004.632 CSRFT3 Fl. 1.359 5 Na sequência, sobreveio novo julgamento nos termos do Acórdão nº 3201 001.034 (fls. 1.259 a 1.274) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 17/07/2012, ora recorrido, para (a) reconhecer não integrarem o valor aduaneiro quaisquer montantes pagos à detentora do uso da marca no País; e (b) afastar a solidariedade passiva da licenciada da marca Mitsubishi no Brasil, a MMC Automotores do Brasil Ltda. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.301 a 1.309), alegando divergência jurisprudencial quanto à exclusão do cálculo do valor aduaneiro das comissões pagas pelo uso da marca. Indicou como paradigmas os acórdãos nºs 30132.003 e 30132.416, no qual a matéria examinada e as partes envolvidas são idênticos aos da decisão recorrida. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) a discussão cingese ao ajuste do valor aduaneiro, realizado pela Fiscalização, com o acréscimo do montante pago pelos concessionários a título de comissões pelo uso da marca Mitsubishi à sua detentora no Brasil, a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda., ao valor dos bens importados declarado pela importadora; (b) é legítima a autuação para cobrança da diferença dos impostos e consectários legais devidos pelo não oferecimento à tributação do valor das comissões pagas pelos concessionários à detentora da marca Mitsubishi no Brasil, conforme art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira; (c) a COIMEX importava os veículos da marca Mitsubishi na condição de intermediária, por conta e ordem da empresa MMC Automotores do Brasil Ltda, fazendo constar nas notas fiscais de venda emitidas em seu nome o preço correspondente ao valor de aquisição dos veículos, acrescido da parcela destinada à MMCB em percentual sobre o valor do veículo a título de comissões pelo uso da marca, sem que o mesmo fosse oferecido à tributação; (d) a atuação da MMC Automotores do Brasil Ltda. não corresponde a de um agente de compras, pois não atua no interesse das concessionárias; ela age no interesse do exportador estrangeiro, caracterizandose como agente de vendas, recebendo percentual sobre o preço dos veículos exportados para o Brasil a título de remuneração; (e) considerando as condições negociais estabelecidas entre as empresas, aplicável o art. 1º, §1º c/c art. 8º, §1º, alínea "a", do Acordo de Valoração Aduaneira, devendo ser acrescidos, na determinação do valor aduaneiro de mercadoria importada, ao preço efetivamente pago ou a pagar as comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra, por não serem as convenções particulares oponíveis ao Fisco; e Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 9303004.632 CSRFT3 Fl. 1.360 6 (f) ao final, faz arrazoado quanto à responsabilidade solidária da MMC Automotores do Brasil Ltda,. por ter interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, sem, no entanto, demonstrar o dissídio interpretativo por meio da indicação de acórdão paradigma com relação a essa matéria. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 3100000.265, de 12 de março de 2015 (fls. 1.317 a 1.319), proferido pelo ilustre Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial apenas quanto à inclusão das comissões pagas pelo uso da marca no cálculo do valor aduaneiro. As interessadas COMPANHIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX e a MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. apresentaram contrarrazões (fls. 1.328 a 1.351) postulando a negativa de provimento ao recurso especial, com fulcro nos seguintes argumentos: (a) preliminarmente, sustentam a inadmissibilidade do recurso pois os paradigmas apresentados foram declarados nulos em sede de julgamento de embargos de declaração, em data anterior à interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional, sendo imprestável para comprovação do dissídio jurisprudencial por sua precariedade; (b) tecem considerações acerca dos contratos celebrados pelas empresas relacionadas com a operação de comércio exterior questionada pelos auditoresfiscais, para elaboração do lançamento; descrevem a operação de comércio exterior e de comércio interno de mercadorias e serviços, relacionadas com o lançamento, especificando a participação de cada empresa; e, ainda, trazem arrazoado quanto à exigência fiscal. (c) aduzem que a remuneração da MMCB referese à prestação de serviços e à cessão do direito de uso de marca aos concessionários, no Brasil, não se enquadrando como "comissões de venda", supostamente devidas pelo exportador, na acepção utilizada no art. 8º, §1º, alínea a, inciso I do AVA, sendo incabível, assim, o ajuste do valor aduaneiro pretendido pelo Fisco. Invocam as Decisões COSIT nºs 14 e 15, de 1997; (d) sustentam ter a decisão de primeira instância inovado a fundamentação legal do lançamento, por não constar no enquadramento legal do auto de infração o art. 8º, §1º, alíneas c ou d do AVA, sendo que a Fiscalização não cogitou sobre a existência de pagamento de direitos de exploração (royalties) ou direitos de licença como condição de venda, mas sim pretendeu efetuar o ajuste considerando os valores recebidos pela MMCB como "comissões e corretagens", com base no art. 8º, §1º, alínea a, inciso I do AVA; Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 9303004.632 CSRFT3 Fl. 1.361 7 (e) afirmam que as importâncias relativas à autorização pelo uso da marca, reembolso de despesa de propaganda, assistência técnica e garantia não são cobradas aos concessionários pela COIMEX. São valores entregues por eles diretamente à MMCB, não transitando pela COIMEX. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional pretende ver reformado o acórdão recorrido no que tange à (a) exclusão do valor aduaneiro de quaisquer montantes pagos à detentora do uso da marca no País; e (b) afastamento da solidariedade passiva da licenciada da marca Mitsubishi no Brasil, a MMC Automotores do Brasil Ltda. Comprovou o dissídio jurisprudencial quanto à primeira matéria, tendo indicado como paradigmas os acórdãos nºs 30132.003 e 30132.416. O apelo especial foi admitido no que concerne à discussão relativa à exclusão do cálculo do valor aduaneiro, base de cálculo do Imposto de Importação, as comissões pagas pelo uso da marca, nos termos do Despacho nº 3100000.265 (fls. 1.317 a 1.319). As empresas interessadas COIMEX e MMCB em sede de contrarrazões, suscitaram preliminar de negativa de seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, ensejando a revisão do exame de admissibilidade do mesmo. Conforme se passa a demonstrar, assiste razão às Contribuintes. Os acórdãos indicados como paradigmas pela Fazenda Nacional de números 30132.003 e 30132.416 foram proferidos em 10/08/2005 e 24/01/2006, respectivamente. Ocorre que, posteriormente, em ambos os processos administrativos, sobreveio julgamento de embargos de declaração, os quais foram acolhidos para ser declarada a nulidade dos acórdãos Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 12466.000269/9867 Acórdão n.º 9303004.632 CSRFT3 Fl. 1.362 8 embargados em razão da ausência de intimação da empresa indicada como responsável solidária da decisão de primeira instância. Os acórdãos de embargos de declaração foram proferidos em 05/12/2006 e 02/03/2007, respectivamente. Portanto, os acórdãos tidos por paradigmáticos foram reformados em data anterior à interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional, que se deu em 01/11/2012, não servindo à comprovação da divergência jurisprudencial, pois não remanesce dissídio interpretativo a ser solucionado mediante o processamento do recurso especial, conforme disposto no §15, do art. 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com redação da Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, in verbis: [...] § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) Diante do exposto, há de ser negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003857/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS NÃO CONSIDERADOS. REVISÃO.
Impõe-se a revisão do lançamento quando comprovado, pelo sujeito passivo, o recolhimento de parte do tributo exigido, com a vinculação dos recolhimentos ao crédito tributário.
DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Cabível a aplicação de multa de ofício pela omissão de rendimentos na declaração anual de ajuste retificadora apresentada pelo contribuinte. Assim, o valor pago não é suficiente para quitar a totalidade do valor do tributo e da multa de ofício, devendo ser mantido o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o valor do tributo devido (principal) para R$ 967,49.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS NÃO CONSIDERADOS. REVISÃO. Impõe-se a revisão do lançamento quando comprovado, pelo sujeito passivo, o recolhimento de parte do tributo exigido, com a vinculação dos recolhimentos ao crédito tributário. DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação de multa de ofício pela omissão de rendimentos na declaração anual de ajuste retificadora apresentada pelo contribuinte. Assim, o valor pago não é suficiente para quitar a totalidade do valor do tributo e da multa de ofício, devendo ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o valor do tributo devido (principal) para R$ 967,49. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
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RECOLHIMENTOS NÃO CONSIDERADOS. REVISÃO. Impõese a revisão do lançamento quando comprovado, pelo sujeito passivo, o recolhimento de parte do tributo exigido, com a vinculação dos recolhimentos ao crédito tributário. DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação de multa de ofício pela omissão de rendimentos na declaração anual de ajuste retificadora apresentada pelo contribuinte. Assim, o valor pago não é suficiente para quitar a totalidade do valor do tributo e da multa de ofício, devendo ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 38 57 /2 00 8- 56 Fl. 87DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o valor do tributo devido (principal) para R$ 967,49. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10730.003857/200856 Acórdão n.º 2402005.563 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório O feito já foi relatado por ocasião da conversão do julgamento em diligência (fls. 68/70), nos seguintes termos: AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 05/08, relativa à declaração de ajuste anual do IRPF do exercício 2007, anocalendário 2006, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 3.609,98, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 16.224,84, em virtude de ter sido declarado somente R$ 33.196,56, sendo que o total dos rendimentos tributáveis informado na DIRF apresentada pela respectiva fonte pagadora corresponde a R$ 49.421,40, conforme descrição dos fatos de fls. 06. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/02, em que requer, preliminarmente, a desconsideração dos valores não tributáveis, que foram lançados, para que possa fazer nova apuração do imposto devido. Quanto ao mérito, alega, em síntese, que os rendimentos lançados não são tributáveis por se tratarem do "Adicional por tempo de Serviço e Compensação Orgânica", nos termos do disposto no art. 1°, inciso III, alíneas "d" e "n", da Lei n° 8.852/94. Afirma que a fonte pagadora incluiu tais rendimentos como tributáveis e que apresentou declaração de ajuste anual retificadora para excluílos da tributação. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Rio de JaneiroII julgou procedente o lançamento (fls. 34/38), por entender que a Lei n° 8.852/94 não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Ressaltou que, no tocante à isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente, por força do art. 111 do CTN. Informou, ainda, que Superintendência Regional da Receita Federal da 7a Região Fiscal proferiu solução de consulta formulada pelo SIND JUSTIÇA Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro acerca da tributação das parcelas referentes ao abono natalino (13° salário), ao abono de 1/3 das férias e ao adicional por tempo de serviço, face ao artigo 1° da Lei n° 8.852/1994, esclarecendo que tais verbas são tributáveis, Fl. 89DF CARF MF 4 por não haver lei tributária específica que reconheça tais rendimentos como isentos e nãotributáveis. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 10/09/08, fls. 42, o contribuinte apresentou, em 25/09/08, o Recurso de fls. 43/44, juntamente com os documentos de fls. 48/52, alegando que quando apresentou declaração de ajuste anual original, em que declarou como tributável a quantia de R$ 77.397,58, recebida do Comando da Marinha, posteriormente retificada para excluir da tributação o valor relativo ao "Adicional por tempo de Serviço e Compensação Orgânica", recolheu o imposto devido correspondente (R$ 3.609,85), e que tal valor não foi computado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido enviado pela Receita Federal. Afirma que este valor é o mesmo que lhe está sendo cobrado na notificação de lançamento em discussão. Os citados recolhimentos foram retificados de ofício por terem sido constatados erros no preenchimento dos documentos de arrecadação, conforme despacho de fls. 53 e comprovantes de alteração de fls. 54/59. Assim, por entender que não é devido qualquer recolhimento, decorrente das verbas em discussão, por já ter pago o valor que está sendo cobrado, requer que seja declarada a improcedência da ação fiscal. O relator baixou o feito em diligência para a autoridade lançadora verificar se os recolhimentos estavam disponíveis nos sistemas da RFB, vincular os recolhimentos ao presente débito e trazer à colação os resultados. Em resposta (fl. 84), a autoridade informou que: (a) os recolhimentos estavam disponíveis e foram efetuados antes da notificação de lançamento; (b) apresenta novos cálculos do débito após a apropriação dos pagamentos. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10730.003857/200856 Acórdão n.º 2402005.563 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator A admissibilidade do recurso voluntário já fora confirmada por ocasião da conversão do julgamento em diligência, razão por que passamos diretamente à apreciação da lide. O sujeito passivo foi notificado da omissão de rendimentos no valor de R$ 16.224,84 na sua declaração de ajuste anual (DAA) retificadora, anocalendário 2006, entregue em 26/11/2007 (fls. 30/32). Os rendimentos foram recebidos da fonte pagadora Comando da Marinha, CNPJ 00.394.502/043806. Impugnou o lançamento alegando que referidos rendimentos seriam isentos. A DRJ manteve o lançamento, por entender que não havia fundamento legal para a isenção dos referidos rendimentos. Na peça recursal, o sujeito passivo aduziu que não haviam sido considerados, no lançamento, recolhimentos efetuados antes da notificação, conforme DARF que anexa. Do exame dos documentos constantes dos autos, observase que o sujeito passivo apresentou declaração retificadora do exercício 2007, excluindo parte dos rendimentos tributáveis anteriormente oferecidos à tributação, alterando, deste modo, o resultado constante de declaração originalmente entregue ao Fisco. No entanto, aduz no recurso que recolhera o saldo de imposto a pagar apurado por ocasião da apresentação da declaração original, que representa o valor do imposto suplementar que lhe está sendo exigido no lançamento em discussão. Em diligência, o órgão preparador reconheceu (fls. 84) que os valores foram efetivamente recolhidos, em datas anteriores à notificação, tendo vinculado os recolhimentos ao presente crédito tributário. Conforme demonstrativo de vinculação (fls. 78/79), observase que, após a apropriação dos recolhimentos, restou um saldo não quitado no valor de R$ 967,49. De se esclarecer que, mesmo considerando os recolhimentos, persiste a omissão de rendimentos na DAA apresentada pelo sujeito passivo em 26/11/2007, fato que impõe exigência da multa de ofício, pela declaração inexata dos rendimentos, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 91DF CARF MF 6 declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Nesses termos, deve a notificação ser retificada, conforme demonstrativo de vinculação (fls. 78/79), restando saldo de imposto de renda devido no valor de R$ 967,49. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para alterar o valor do tributo devido (principal) para R$ 967,49. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.722032/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PROVENTOS DO TITULAR. ISENÇÃO POR MOLESTIA GRAVE.
A isenção deve ser aplicada somente aos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos no periodo identificado no laudo pericial por serviço medico legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PROVENTOS DO TITULAR. ISENÇÃO POR MOLESTIA GRAVE. A isenção deve ser aplicada somente aos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos no periodo identificado no laudo pericial por serviço medico legal. Recurso Voluntário Negado.
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ISENÇÃO POR MOLESTIA GRAVE. A isenção deve ser aplicada somente aos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos no periodo identificado no laudo pericial por serviço medico legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 20 32 /2 01 2- 13 Fl. 99DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11060.722032/201213 Acórdão n.º 2402005.605 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de Notificação de Lançamento (fls. 07/10) lavrada após o deferimento parcial da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL. O lançamento referese à omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, CNPJ 87.934.675/000196, no valor de R$ 21.941,26. Na apuração do imposto devido foi deduzida a contribuição previdenciária oficial no valor de R$ 3.366,67 e compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.315,16. É relatado (fl. 08) que: “De acordo com a certidão juntada ao processo, o contribuinte está enquadrado como moléstia grave no período de 03/08/2009 até 01/05/2017. Neste sentido, os valores recebidos até 02/08/2009 não estão isentos, sendo, portanto, tributáveis e foram omitidos pelo contribuinte”. Ou seja, a solicitação de retificação de lançamento foi parcialmente deferida, reconhecendo a isenção dos rendimentos da contribuinte a contar da data de 02/08/2009. No entanto, foi apurado o imposto suplementar no valor de R$ 791,66 acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente aos meses de janeiro a agosto de 2009, resultando no crédito tributário de R$ 1.546,66 calculado até 30/03/2012. A contribuinte, dentro do prazo, apresentou impugnação alegando que foi acometida de neoplasia maligna, submetendose na data de 28/05/2007 à cirurgia e ao tratamento de quimioterapia, conforme atestados em anexo, ou seja, a doença existe desde 2007, com seqüelas e duração até os dias de hoje. Transcreve ementas de Acórdãos emitidos por Turmas de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre isenção de rendimentos por portador de moléstia grave e ressalta que não omitiu os rendimentos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul referente ao ano de 2009, apenas deixou de declarálos em razão de terem sido isentados do imposto de renda, por ser pessoa portadora de moléstia grave enquadrável no art. 6° da Lei n° 11.052/2004, desde o ano de 2007, conforme comprovam os atestados, laudos de avaliação do DPMST anexos ao pedido de SRL. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: PROVENTOS DO TITULAR. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção deve ser aplicada somente aos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos no período identificado no Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 101DF CARF MF 4 Cientificado da decisão de primeira instancia em 06/12/2012 (AR fl. 97), o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 101/121, em 26/12/2012, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: i) No ano de 2009, a Recorrente teve seus proventos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul isentos do IRRF por ser portadora de moléstia enquadrável na Lei nº 11.502/05, conforme laudo de avaliação do DPMST. Desta forma, esta teria sido a causa de ter deixado de informar os valores recebidos do Estado do RJ referente ao ano de 2009. ii) A Recorrente foi acometida por neoplasia maligna, submetendose na data de 28/05/2007 a cirurgia e tratamento de quimioterapia, conforme atestados em anexo, o que comprovaria, portanto, que a doença existe desde 2007. iii) A Recorrente esteve desde 28/05/2007 até a data de sua aposentadoria, afastada de suas funções junto ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por ser portadora de molestia grave conforme comprovariam os atestados médicos emitidos pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul. iv) Desta forma, requer seja declarada a improcedência da ação fiscal pelo fato de não ter omitido rendimentos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul referentes ao ano de 2009, mas simplesmente deixado de declarálos em razão dos mesmos terem sido isentados do IRRF, por ser portadora de moléstia grave desde 2007. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11060.722032/201213 Acórdão n.º 2402005.605 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 06/12/2012, interpôs recurso voluntário no dia 26/12/2012, atende também às demais condições de admissibilidade, merecendo portanto, ser, ainda, CONHECIDO. DO DIREITO À ISENÇÃO NEOPLASIA MALIGNA Nos termos do artigo 6°, inciso XIV, da Lei 7.713/1988, ficam isentos do Imposto de Renda os rendimentos percebidos por pessoas físicas consistentes em: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Pela leitura do dispositivo acima transcrito, verificase que são necessários dois requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda, quais sejam: i) os proventos tratamse de aposentadoria e ii) o contribuinte ser portador de uma das moléstias listadas. Alega a Recorrente que no ano de 2009 teve seus proventos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul isentos do IRRF por ser portadora de moléstia enquadrável na Lei nº 11.502/05, conforme laudo de avaliação do DPMST. Há, nos autos, três laudos médicos. O primeiro foi emitido pela Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, cujo médico afirma (fl 19): "Atesto que a profa Arlete Oliveira Soares esteve afastada do trabalho desde 23/05/2007 à 02/08/2008 para tratamento de saúde." O segundo foi emitido pela Secretaria de Saúde de Assistência Social da Prefeitura de São Sepé RS cujo médico afirma (fl 17): "Arlete Oliveira Aires este em tratamento de câncer de mama, com cirurgia, quimio e radioterapia desde 06/2007." O terceiro laudo, foi emitido pelo médico mastologista particular e atesta (fl. 18): Fl. 103DF CARF MF 6 "A Sra. Arlete Oliveira Aires, 62 anos, submeteuse a Mastectomia com linfadenectomia axilar e reconstrução mamária imediata com expansor de tecidos em mama esquerda em 28/05/2007, por Calobular invasor, GII, medindo 4 cm, grau nuclear II, margens livres, 11 linfonodos negativos. Nottingham 3,8. EP pT2N0Mx. Realizou tratamento de quimioterapia. Após, em 29/05/2008, realizou Mastectomia Redutora de Risco em mama direita, com colocação de prótese definitiva e troca de expansor por prótese definitiva de mama esquerda". No entanto, mesmo que tais documentos pudessem ser considerados como legítimos para comprovar que a Recorrente estava acometida por moléstia grave desde 2007, notase que os rendimentos percebidos entre janeiro/09 e Agosto/09 não se tratavam de proventos de aposentadoria, tendo em vista que a Recorrente foi declarada oficialmente aposentada somente em 03/08/09 conforme se depreende da leitura da página 18 do Diário Oficial de Porto Alegre do dia 02/08/09. Vejamos: Verificase que a certidão emitida em 02 de Setembro de 2010 pela Divisão do Pagamento de Pessoal da Secretaria da Fazenda coaduna esta prova, pois declara que a data base para a isenção de imposto de renda retido na fonte dos proventos percebidos pela Recorrente se deu em 03 de Agosto de 2009 por enquadramento como portadora de moléstia grave. Tendo em vista o acima exposto, voto por CONHECER o Recurso Voluntário, mas no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721173/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.839
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do votos do relator.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do votos do relator. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do votos do relator. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 21 17 3/ 20 12 -1 5 Fl. 15886DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.886 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls 15679 em face da decisão de primeira instância deste procedimento administrativo, DRJ/SP de fls. 15.618. que manteve o lançamento em acordo com os Autos de Infração de fls. 04 a 1640, em razão da autoridade fiscal ter constatado possível descumprimento de obrigação necessária à permanência no regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro, ao amparo do Repetro, para construção de plataforma de exportação de petróleo. Como de costume desta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância, neste procedimento proferida pela DRJ/SP, conforme segue: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/08/2012 em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS acrescidos de juros de mora e multa isolada de Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de R$ 96.758.819,26, em virtude dos fatos a seguir descritos. A FSTP Brasil Ltda., empresa constituída no País, foi subcontratada pela FSTP Private Ltd., com sede em Cingapura, para a construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo, as denominadas P51, P52 e P56. O contrato principal foi firmado entre a Petrobrás Nederland PNBV, subsidiária da Petrobrás S/A, constituída na Holanda e a FSTP Private Ltd. Construídas as plataformas, foram elas exportadas para a PNBV, numa operação de exportação sem saída do território nacional, ao amparo do REPETRO, com posterior afretamento à Petrobrás S/A. Devido a inobservância de obrigações tributárias relativas ao Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, a empresa autuada incorre nos tributos incidentes nas operações de comércio exterior e nas multas isoladas de Imposto de Importação e Imposto de Exportação. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 31/08/2012 (fls.14.883), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/10/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 14.915 à 14.950, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: A SURPRESA DO LANÇAMENTO: TODA A CONDUTA DA FSTP AO LONGO DOS PROJETOS ESTÁ AMPARADA NA LEGISLAÇÃO E NAS ORIENTAÇÕES E PRÁTICAS DA PRÓPRIA FAZENDA NACIONAL. A FSTP assumiu a obrigação da construção das plataformas P51, P52 e P56 em seu estabelecimento, tendo, para tanto, se habilitado, em cada um destes projetos, ao regime de entreposto aduaneiro previsto na IN 513 (especificamente para a construção da P56 o regime de entreposto da IN 241 também foi utilizado). Fl. 15887DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.887 3 Ciente da complexidade do processo de construção de plataformas e da importância do cumprimento de todas as obrigações tributárias relativas ao regime de entreposto aduaneiro, a FSTP sempre teve a preocupação de conduzir suas atividades, consultando, sempre que possível, previamente a Fazenda Nacional e seguindo suas orientações. Desde o início dos projetos de construção das Plataformas, poucas não foram as operações de importação e de aquisição de materiais no mercado interno realizadas pela FSTP, sob as bênçãos das autoridades fazendárias. Evidentemente, nenhuma mercadoria foi desembaraçada sem a devida inspeção e autorização da Fazenda Nacional. Muitas mercadorias, inclusive, foram objeto de conferência física pela fiscalização (Canal Vermelho). No que diz respeito, especificamente, à possibilidade de fruição do regime de entreposto aduaneiro na fase de préoperação das Plataformas há, inclusive, um fato relevante. De boafé, a FSTP sempre comunicou por escrito ao Superintendente da Receita Federal da 7^ Região que, após a exportação da primeira parte das Unidades, estava a dar início à fase de préoperação, para fins de fruição do regime da IN 513. As comunicações relativas a P51 e a P52, foram, enviadas, respectivamente, nos dias 24 de novembro de 2008 e 10 de outubro de 2008. Já a comunicação de "funcionamento de operações referentes à PréOperação da Plataforma P56 sob regência da IN 513, conforme seu artigo IV", foi protocolizada em 28 de abril de 2011, tendo dado ensejo à formação do Processo Administrativo n9 10768.001315/201117. No caso da plataforma P56, mais especificamente, diante do silêncio das autoridades fazendárias, a FSTP ainda protocolizou nos dias 12 de julho e 27 de julho de 2011, requerimentos de audiências para a completa solução do assunto. Com a lavratura do Auto de Infração e, com a alegação do douto AuditorFiscal quanto à existência de pronunciamento da Divisão de Administração Aduaneira da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal no sentido de impossibilidade de fruição do regime após a exportação da plataforma, é que a FSTP tomou conhecimento do andamento do Processo Administrativo n9 10.768.001315/201117 relativo à P56. Qual não foi a surpresa, entretanto, da FSTP, ao constatar que naquele mesmo processo, a própria Fazenda Nacional havia se pronunciado no dia 04 de julho de 2011 no sentido de “(...) informar nosso entendimento sobre a operacionalidade do regime após a exportação da plataforma, na fase de préoperação". PRELIMINARMENTE: A EXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA Conforme pacífica doutrina e jurisprudência, a constituição de créditos tributários relativos aos tributos cujo fato gerador seja a importação é formalizada sob o regime de lançamento por homologação. Junta textos da Jurisprudência do TRF 3ª Região. Fl. 15888DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.888 4 É preciso, portanto, reconhecerse a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir qualquer crédito tributário relativo a fato gerador que tenha ocorrido anteriormente ao prazo de 5 (cinco) anos que antecede a data da lavratura do auto de infração (31.08.2012). A INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS IMPORTAÇÕES: OS ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS CONCEDIDOS PELA FAZENDA NACIONAL PARA FRUIÇÃO DO REGIME DE ENTREPOSTO ADUANEIRO ABRANGEM A FASE PRÉOPERACIONAL. O cerne do Auto de Infração está lastreado no entendimento do ilustre Auditor Fiscal de que, por força da regra contida no artigo 17, inciso I, da IN 513, o regime de entreposto aduaneiro disciplinado por este ato normativo deveria ser considerado extinto quando do primeiro ato de exportação da "plataforma", ou seja: antes da integral satisfação pelo estaleiro de todas as suas obrigações no contrato de construção. Esse entendimento decorreria de uma interpretação restritiva da IN 513, nos termos do artigo 111 do CTN. Porém, como facilmente se percebe, essa linha de raciocínio não pode ser encampada, eis que, (a) além de não se coadunar com os próprios termos da IN 513, (b) conduz, em última análise, a uma situação jurídica claramente incompatível com a realidade comercial inerente ao processo de construção e comercialização de plataformas e, consequentemente, com a própria finalidade do regime fiscal criado pela IN 513. Como efeito, uma das regras basilares da hermenêutica prescreve que, dentre todas as interpretações possíveis de um ato normativo, a única que não pode ser aceita é a que conduz a um resultado absurdo, incompatível com a sua própria finalidade. Junta textos da doutrina de Carlos Maximiliano a respeito do assunto. A referida lição, digase, não é estranha ao campo do direito tributário, nem mesmo nas searas onde a interpretação restritiva impõese, por força da regra positivada no artigo 111 do CTN. É esta regra basilar de hermenêutica que a interpretação dispensada pelo douto Auditor Fiscal está a afrontar, quando certamente por compreensível desconhecimento quanto ao processo de construção e venda de uma plataforma ele defende que, com a exportação da plataforma, o regime do entreposto aduaneiro estaria extinto. A prevalecer esse entendimento, terseia que reconhecer que: 1. o legislador nacional teria criado um benefício fiscal para desonerar a carga fiscal incidente sobre a construção de plataformas e módulos a serem exportados, cujo término do referido benefício ocorrer ia antes do integral cumprimento do contrato de construção, sem a entrega pela parte contratante de todas as mercadorias necessárias para a adequada operação da plataforma; 2. o legislador nacional teria criado um beneficio fiscal, permitindo que as mercadorias necessárias para a realização da préoperação da plataforma pudessem usufruir da Fl. 15889DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.889 5 desoneração da carga fiscal, porém, ao mesmo tempo, teria exigido que essa "préoperação" (ou seja, a execução de ato fundamental para a aceitação do bem vendido) fosse feita no próprio estaleiro responsável pela sua construção e não em alto mar, quando a unidade já se encontra sob a posse da operadora, como sói ser a prática da indústria de petróleo e gás. Evidentemente, que esta não é nem foi a intenção do legislador nacional. O processo de industrialização de uma plataforma é composto por várias etapas e fases, que vão desde os serviços de engenharia básica, com o detalhamento do projeto, passando pela aquisição de materiais e equipamentos, construção do próprio bem sua entrega à empresa contratante e a realização dos testes de comissionamento e de pré operação, de modo que o adquirente possa, ao final, atestar a plena operacionalidade da unidade e, consequentemente, aceitála. De fato, um dos direitos daquele que encomenda a construção de uma plataforma (como a de qualquer outro bem) é a possibilidade de enjeitá la caso esta não seja entregue de acordo com todas as especificações técnicas contratadas (Código Civil, artigos 313 e 615). A "préoperação" é, justamente, uma das fases de todo o processo de construção de uma plataforma. Ela abrange um conjunto de atividades realizadas durante a fase de comissionamento, com vistas a dar a partida e testar os subsistemas da plataforma, segundo as especificações do projeto, garantindo assim o seu real desempenho (a P56, por exemplo, possui 202 subsistemas). Ocorre que as condições para se dar a partida e realizar os testes dos vários subsistemas de uma plataforma de petróleo apenas são obtidas no próprio local onde esta deverá operar, leiase, em alto mar, diretamente nos campos de petróleo (no caso da P56, o Campo de Marlin Sul). Somente, ali, no local de operação, a plataforma poderá ser conectada com os dutos que advêm dos poços de petróleo, viabilizando a realização dos testes dos subsistemas com a carga real da produção. É, portanto, totalmente irreal e incompatível com a dinâmica da indústria de óleo e gás, imaginarse que a "préoperação" de uma plataforma possa ser realizada ainda no estaleiro, ou sem que esse bem já esteja na posse de sua operadora. Somente no local de operação da plataforma e com a conexão desta aos dutos advindos dos poços de produção é que os testes de comissionamento e de préoperação poderão ser realizados. Aliás, não é por outro motivo que, para o público em geral, assim como para o ilustre Auditor Fiscal, possa se propagar a ideia de que determinada plataforma já está em operação, quando na realidade esta ainda se encontra em fase de testes de aceitação. Como os testes pressupõem a conexão das plataformas com os dutos de produção, bem como a operação do bem com a carga real de produção, para aferirse a capacidade dos subsistemas construídos, é fácil imaginar neste cenário que a unidade já esteja em sua fase operacional. Por outro lado, uma plataforma de petróleo não é formada por um único bem. Conforme expressamente previsto na Resolução nº 36/2007 da Fl. 15890DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.890 6 Agência Nacional de Petróleo ANP, plataformas qualificamse como "sistemas", ou seja, como uma "reunião coordenada e lógica de um grupo de equipamentos, máquinas, materiais independentes e serviços associados que, juntos, constituem um conjunto intimamente e que funcionam como estrutura organizada destinada a realizar funções especificas. O processo de entrega da plataforma não se esgota em um ato isolado. O estaleiro contratado para sua construção, em regra, executará o fornecimento dos bens e equipamentos que lhe compõem de forma escalonada. Muitos equipamentos e materiais, especialmente no que diz respeito a benfeitorias voluptuárias, são, ordinariamente, entregues, por exemplo, após o recebimento da plataforma pela empresa compradora. Para o atendimento de todas as especificações técnicas relativas à construção desses tipos de sistemas, bens e mercadorias devem ser fornecidos pelo construtor e incorporados à unidade, mesmo após a transferência de sua primeira parte ao comprador. Toda essa realidade comercial não passou despercebida pelo legislador nacional, quando este editou a IN 513 para desonerar a carga fiscal incidente sobre a construção de plataformas por estaleiros nacionais. Ciente da complexidade do processo de construção de uma plataforma, o legislador estipulou, em mais de uma passagem da IN 513, a manutenção da vigência do regime especial de entreposto aduaneiro durante todo o prazo de execução do contrato de construção, inclusive, no que diz respeito à fase préoperacional. Para tanto, cita o artigo 4o da IN SRF nº 513/2005. O sentido dos vocábulos "testes" e "préoperação da plataforma" é inequívoco. Por definição, testes e atividades que somente podem ser realizados quando as plataformas de petróleo já estão devidamente instaladas nos seus locais de operação. Consequentemente, qualquer interpretação em contrário, retira o sentido normativo do referido artigo 4o em flagrante violação as regras de interpretação de conceitos privados, no âmbito do direito tributário, previstas nos artigos 109 e 110 do CTN. Conforme expressamente previsto na cláusula 2.1.2, transcrita abaixo, do Contrato de Construção (Doc. 04), a fase de préoperação integra uma das etapas do prazo de vigência do pacto celebrado pela FSTP com a empresa sediada no exterior. Seguindo esta realidade contratual, a descrição do processo de industrialização e o cronograma de execução das etapas do projeto, submetidos pela FSTP à Fazenda Nacional com os respectivos requerimentos para o deferimento do regime da IN 513, também consideraram a vigência do regime do entreposto aduaneiro na fase pré operacional, após a exportação da plataforma. Desse programa contratual dos projetos das Plataformas, a Unidade da Receita Federal do Brasil que examinou os pedidos de habilitação, não hesitou em emitir os Atos Declaratórios Executivos necessários. Fl. 15891DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.891 7 Considerando como prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro todo o prazo contratual, necessário para o integral cumprimento pela FSTP de suas obrigações relativas à construção das Plataformas, inclusive, os prazos relativos à realização de testes e a execução da préoperação das unidades. Uma indagação se põe: se o prazo de vigência do entreposto aduaneiro se extinguiria sempre com o primeiro ato de exportação das plataformas, por que motivos a própria Secretaria da Receita Federal, de posse do cronograma contratual, teria considerado no ADE um prazo superior as datas de saída das unidades? E mais: se o regime se extinguiria com a primeira exportação, por quais razões todas as Unidades da Receita Federal continuaram a permitir o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas, com a suspensão de tributos, ou mesmo a transferência de bens para o entreposto aduaneiro da FSTP, por alteração de beneficiários, após as notórias exportações das unidades? A resposta a todas essas indagações é absolutamente simples: todos os agentes da Fazenda Nacional que fiscalizaram de perto as operações da FSTP sempre dispensaram à IN 513 a única interpretação possível, reconhecendo que o prazo de vigência do regime do entreposto aduaneiro equivale ao prazo de vigência do contrato, nos termos do ADE. De plano, a pretensão do douto Auditor Fiscal chocasse com o princípio da legalidade, eis que, como visto, toda a conduta da FSTP está amparada em ato fazendário, que integra o conceito da legislação tributária (CTN, artigo 96). Além disso, um dos princípios normativos que informam as relações jurídicas tributárias veda, veementemente, a possibilidade de revogação e mesmo a alteração de entendimentos sobre a interpretação da legislação de regimes fiscais exonerativos concedidos por prazo determinado e sob determinadas condições (CTN, artigo 178). Mas não é só. Na forma como posto, o Auto de Infração também afronta os princípios da segurança jurídica, da moralidade administrativa e da própria boafé. Especificamente no campo do direito tributário, o princípio da segurança jurídica, como hoje amplamente reconhecido pela doutrina, além de impor um mínimo de previsibilidade em relação às obrigações fiscais dos contribuintes, condiciona diretamente as atividades do Estado, impedindo ou, pelo menos, restringindo a prática por seus agentes de atos que frustrem expectativas legitimamente constituídas daqueles. Junta textos da doutrina de Humberto Ávila a respeito do assunto. A tese suscitada no Auto de Infração afronta diretamente o regime jurídico que foi concedido à FSTP para a construção das Plataformas, à luz da disciplina da IN 513, sendo, portanto, imperiosa a imediata desconstituição daquele lançamento. A DIFERENÇA ENTRE PRAZO DE VIGÊNCIA DO REGIME E PRAZO DE ADMISSÃO DE CADA MERCADORIA NO ENTREPOSTO ADUANEIRO Questão completamente distinta diz respeito ao prazo pelo qual determinada mercadoria poderá ser admitida Fl. 15892DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.892 8 no regime de entreposto aduaneiro, nele permanecendo. O Regulamento Aduaneiro de 2002, por exemplo, estipulava que, em regra, as mercadorias apenas poderiam permanecer no regime de entreposto aduaneiro na importação pelo prazo de até um ano, prorrogável por período não superior, no total de dois anos, contado da data de desembaraço aduaneiro de admissão. O Regulamento Aduaneiro de 2009 já prevê, para determinadas hipóteses, a possibilidade de permanência das mercadorias admitidas no entreposto até o término do contrato do projeto que permitiu a sua instituição. Porém, além de um prazo geral de permanência das mercadorias no regime de entreposto aduaneiro, o legislador também teve o cuidado de erigir atos e fatos que tem por efeito jurídico promover a saída de bens que tenham sido neste admitidas independentemente do prazo de vigência do regime. São as hipóteses de "extinção do regime" em relação às mercadorias nele admitidas, que, no caso de entrepostos aduaneiros para a construção de plataformas, estão disciplinadas no artigo 17 da IN 513. Todas as hipóteses previstas nos incisos II a VI referemse a situações nas quais determinadas mercadorias, por esta ou aquela razão, passam a ser consideradas fora do regime do entreposto de aduaneiro. Porém, evidentemente, todas essas hipóteses, quando se materializam, não tem o condão de gerar a extinção do prazo de vigência do regime aduaneiro, previsto no ADE. Se, por exemplo, uma mercadoria admitida no entreposto aduaneiro é transferida para outro beneficiário, tal fato tem por único efeito jurídico, a sua saída do entreposto e, não, evidentemente, a extinção de todo o regime aduaneiro concedido em favor do contribuinte. No mesmo diapasão, temse as situações de despacho para consumo, destruição, reexportação. Em todos esses casos, a mercadoria é considerada fora do entreposto aduaneiro, porém, sem prejuízo da continuidade do regime especial em relação às demais mercadorias nele admitidas durante o prazo de vigência previsto no ADE. A disciplina legal dos entrepostos aduaneiros distingue, claramente, o prazo de vigência do regime daquele que limita a permanência das mercadorias no entreposto. Até mesmo os efeitos jurídicos da extinção desses prazos são regulamentados distintamente, nos artigos 21 e 23 da IN 513. Esse entendimento até o presente momento apresentado já foi devidamente encampado pela própria Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda Seção de Administração Aduaneira, ao apreciar a comunicação feita quanto à continuidade da aplicação do regime durante a fase de testes e préoperação da P56. Transcreve parte do parecer da Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda. O EQUÍVOCO DO AUTO DE INFRAÇÃO QUANTO AO TERMO FINAL DA EXPORTAÇÃO TODAS AS MERCADORIAS FORAM EXPORTADAS SOB A MESMA DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 15893DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.893 9 Do ponto de vista jurídico, todas as saídas promovidas pela FSTP após a entrega da parcial das Plataformas foram tratadas como sendo objeto do mesmo ato de exportação daquelas Unidades. "Plataformas" são definidas e reconhecidos pelas autoridades públicas como um "sistema" (Resolução ANP nº 36/2007). O integral cumprimento da obrigação de dar, assumida pelo construtor da plataforma, apenas se aperfeiçoará com a entrega do último componente da unidade ao comprador. Apesar do fracionamento das parcelas, a obrigação do construtor da plataforma remanesce sendo única: entregar ao comprador a plataforma com todas as especificações técnicas previstas no contrato. Na esfera do direito tributário, essa entrega (exportação) fracionada da plataforma pode ser qualificada como um "fato gerador complexo", no qual se vislumbra uma multiplicidade de fatos congregados, para sua ocorrência. Somente quando todos esses fatos estiverem integrados é que se poderá reconhecer a sua existência e a produção de seus efeitos jurídicos (CTN, artigo 116). De acordo com as regras do próprio SISCOMEX, todo o processo de exportação das plataformas, inclusive, no que diz respeito aos bens e mercadorias empregados na fase préoperacional, é formalizado sob uma única Declaração de Exportação ("DE"), nos precisos termos dos artigos 586 e 587 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009). Todo esse procedimento de complementação/retificação dos Registros e Declarações de Exportação não pode ser realizado de forma unilateral pela FSTP. Esses atos somente podem ser formalizados com a expressa anuência do Departamento de Comércio Exterior DECEX, órgão com competência para liberar as exportações no SISCOMEX, e da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido, destaquese, além do artigo 587 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009). Verificase que o processo de exportação das plataformas P51, P52 e P56 não se encerrou nas datas alegadas pelo douto Auditor Fiscal, que são, respectivamente, 06.11.2008, 05.09.2007, 28.06.2011, pois tais datas se referem apenas à saída da primeira parte das Plataformas. Na verdade, o processo de exportação das referidas Plataformas perdura até a data da última complementação/retificação de suas respectivas Declarações de Exportação. Tanto assim que as complementações/retificações das Plataformas P51 e P52 (as complementações da DE relativa à P56 sequer se encerraram) foram efetuadas e informadas à Receita Federal do Brasil, como preceitua artigo 587 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009), por meio de comunicações apresentadas nos dias 28.02.2012 (P51) (Doc. 10) e (P52) (Doc. 11), datas essas evidentemente posteriores às consideradas pelo ilustre Auditor. A constatação desta realidade jurídica também põe, assim, por terra toda a argumentação contida no Auto de Infração quanto à irregularidade das operações de importação e saídas de mercadorias, após as datas relativas às primeiras fases das exportações das Plataformas. Se, por acaso, desejarse sustentar que a vigência do prazo Fl. 15894DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.894 10 do regime do entreposto aduaneiro encerrasse no ato de exportação da plataforma, temse também, necessariamente, que reconhecer que, de acordo com os próprios procedimentos do DECEX e da Receita Federal do Brasil, este ato de exportação apenas se aperfeiçoa no momento em que a respectiva DE se torna definitiva, com todas as complementações/retificações. Antes dessas formalizações, o processo de exportação do sistema relativo a certa plataforma não pode ser considerado encerrado e, pela interpretação contida no Auto de Infração, extinto o regime de entreposto aduaneiro. TODAS AS MERCADORIAS ADMITIDAS NO REGIME FORAM APLICADAS NA CONSTRUÇÃO DA PLATAFORMA A segunda infração formalizada no Auto de Infração decorre do entendimento do ilustre Auditor Fiscal de que somente bens e mercadorias que possam ser qualificados como "insumos" para o processo de industrialização poderiam ser admitidos no regime de entreposto aduaneiro. Nos termos do relato fiscal, tal entendimento encontraria amparo no artigo 49 da IN 513 e nos artigos 18, inciso III, 34, parágrafo 3o, e 41 da IN 241. Com base neste tecido normativo, o douto Auditor Fiscal deu inicio a uma confusa fundamentação sobre o conceito de industrialização, para concluir que "é imprescindível que as mercadorias importadas, para se sujeitarem ao regime exonerativo de entreposto aduaneiro, devam se enquadrar perfeitamente ao conceito de insumos, independentemente da modalidade de industrialização a que se sujeitam". Esta interpretação, contudo, não se sustenta. Esse tipo de afirmação não encontra amparo em qualquer texto normativo. A palavra "insumo" sequer existe na IN 513. Pelo contrário, a IN 513 é expressa ao dispor que o regime de entreposto aduaneiro "poderá ser aplicado aos materiais, partes, peças e componentes a serem utilizados na construção ou conversão de plataformas" (IN 513, artigos 39, 27, inciso II, e 37). O que define se determinado bem é passível ou não de admissão no regime é tão somente o escopo do contrato de construção. Se determinado bem ou mercadoria, por força do pacto celebrado entre a empresa sediada no exterior e o estaleiro nacional for objeto da construção, devendo ser empregado no processo de industrialização e/ou entregue por este último ao primeiro, como parte da plataforma construída, para cumprimento da obrigação contratual, o referido bem ou mercadoria deverá ser considerado como passível de admissão no regime de entreposto aduaneiro, nos termos do artigo 3º da IN 513. Notese, na oportunidade, que até mesmo os bens relativos às benfeitorias ou pertenças que, por força da vontade das partes (contrato de construção), devem ser fornecidos pelo estaleiro nacional, são por definição legal considerados como acessórios do principal e, portanto, parte integrante deste. No caso em tela, todos os bens relacionados pela Fiscalização como insumos constituem, na realidade, objeto do escopo dos contratos de construção das plataformas P51, P52 e P5. Fl. 15895DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.895 11 Tais bens, em sua maioria, integram, o chamado "Módulo de Acomodação", ou seja, o local das plataformas onde ficam instalados os dormitórios e as áreas de lazer da tripulação embarcada. Qualificamse, assim, tais bens como "partes, peças e componentes" da construção, estando, consequentemente, todas as importações com estes realizadas beneficiadas pela suspensão dos tributos na forma da IN 513. AS PRORROGAÇÕES DO PRAZO DE ADMISSÃO DE MERCADORIA NO REGIME O Auto de Infração também imputa à FSTP omissão pela não formalização de pedidos de prorrogação de prazos para permanência no regime de entreposto aduaneiro das mercadorias relacionadas no "Anexo XXII Falta de Prorrogação P51". Dessa forma, por considerar qúe o regime fiscal da IN 513 deveria ser considerado extinto para esses bens, o douto Auditor Fiscal lançou os tributos suspensos quando de sua importação, bem como aplicou a pena de perdimento, por suposto abandono, com sua conversão em multa. Essa imputação de responsabilidade, no entanto, revelase manifestamente equivocada por uma simples razão: ao contrário do alegado no auto de infração, a FSTP apresentou, sim, pedidos de prorrogação para a extensão do prazo de sua admissão no entreposto aduaneiro para cada uma das mercadorias relacionadas no Anexo XXII " Falta de Prorrogação" P51", conforme se infere dos documentos em anexo. De qualquer maneira, a apresentação dos referidos pedidos de prorrogação sequer eram necessários, vez que, desde a edição do Decreto n9 6.759/09, o regime de entreposto aduaneiro para a construção de plataformas passou a permitir a admissão de mercadorias pelo prazo previsto no contrato. É o que se infere não apenas dos parágrafos 2o e 3o, do artigo 307, mas também, especificamente, dos artigos 405 e 408 deste diploma. À luz do novo tecido normativo, a alegação contida no auto de infração de que os pedidos de prorrogação ainda seriam necessários não se sustenta. Junta textos da doutrina de Paulo Cesar Alves Rocha a respeito do assunto. Igualmente, não há como acolher a alegação fazendária de que as mercadorias admitidas, antes da vigência do parágrafo 3o do artigo 307 Regulamento Aduaneiro (Decreto n9 6.759/2009), não se sujeitam a tal regra, vez que "o regra da retroatividade mais benéfica aplicasse a dispositivo de lei, o que não se subsume ao presente caso, já que o parágrafo 3g, art. 307, RA 2009, não possui matriz legal". Isto porque, o caso em tela não é sequer de "retroatividade", mas sim de imediata incidência da nova norma tributária ao regime das mercadorias admitidas no entreposto aduaneiro, por força do artigo 105 do CTN. Se a mercadoria estava admitida no entreposto aduaneiro quando do advento do Regulamento Aduaneiro de 2009, seu prazo de permanência foi necessariamente estendido para o prazo de vigência do contrato. Por outro lado, se a permanência passou a ser permitida por um prazo mais longo, criandose, assim, um regime tributário mais benéfico para o contribuinte, fica afastada a possibilidade de aplicação de qualquer sanção legal, à luz do artigo 106 do CTN. Fl. 15896DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.896 12 AUSÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS A pretensão da Fiscalização Federal de também imputar à FSTP o inadimplemento de obrigações acessórias não merece acolhimento. De plano, é absolutamente improcedente a alegação de que a FSTP não teria informado, nas declarações de exportações das mercadorias relacionadas no "Anexo XXV Declaração de admissão não relacionada no RE", as respectivas declarações de admissão no entreposto aduaneiro. Como comprova a documentação em anexo, todas as declarações de admissão citadas pela Fiscalização foram devidamente informadas nos documentos de exportação, na forma da legislação aplicável (Doc. 14). Quanto à declaração de admissão nº 07/05127367, as mercadorias estão relacionadas nos sistemas da P51 e P52 em razão da alocação de parte dessas mercadorias em cada um desses projetos. Ou seja, inexiste qualquer inadimplemento da FSTP em relação às suas obrigações acessórias. Porém, ainda que as infrações apontadas fossem existentes, a Impugnante não poderia deixar de ressaltar sua flagrante insignificância e, consequentemente, a impossibilidade delas darem ensejo à aplicação de qualquer penalidade. Ora, todo o processo de administração de um entreposto aduaneiro para a construção de uma plataforma revelase extremamente complexo, envolvendo o cumprimento de centenas de milhares de obrigações acessórias (registros, emissões de documentos). Pois, diante desta realidade prática, a constatação de que uma singela e única declaração de admissão foi, por esta ou aquela razão, registrada em duplicidade, ou, mesmo de que, uma dezena de documentos não foram informados numa operação de exportação (dentre as milhares realizadas), certamente não podem ser qualificadas como uma irregularidade passível de sanção. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. AD ARGUMENTANDUM: A MODIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DA RECEITA FEDERAL, SE VÁLIDO. APENAS PODERIA SER APLICADO EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS O crédito tributário constituído pelo lançamento ora impugnado está claramente amparado em uma flagrante e radical modificação do entendimento da Fazenda Nacional em relação aos critérios jurídicos para a suspensão dos tributos incidentes sobre a importação dos bens e mercadorias aplicados à construção das plataformas P51, P52 e P56. Até a lavratura do Auto de Infração ora impugnada, a própria Fazenda Nacional sempre considerou suspensos os referidos tributos, por encampar a tese ora defendida pela FSTP de que o prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro apenas se extingue ao término do prazo contratual de construção das plataformas. Entendimento, este, digase, devidamente formalizado em todos os atos fiscais de desembaraço aduaneiro, formalizados quando da constituição e suspensão dos créditos tributários incidentes nas importações dos bens, nos termos do artigo 5º da IN 513. E, notese, não se está a falar aqui de um ou dois Fl. 15897DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.897 13 atos fiscais, mas, sim, de centenas de operações de importação, cujos respectivos desembaraços foram formalizados sem a cobrança dos tributos aduaneiros pela Fazenda Nacional. Destarte, na medida em que o Auto de Infração ora impugnado traz consigo um novo e, aos olhos da FSTP, equivocado critério jurídico para a constituição dos créditos tributários incidentes sobre as operações de importações realizadas após o primeiro ato de exportação da plataforma, tal entendimento, caso venha a ser doravante encampado pela Fazenda Nacional o que, respeitosamente não se espera apenas poderá ser aplicado aos fatos geradores ocorridos posteriormente à sua introdução, sob pena de violação do artigo 146 do Código Tributário Nacional. A IMPOSSIBILIDADE DE COBRANCA DE ENCARGOS MORATÓRIOS E PENALIDADES Independentemente de qualquer juízo relativo ao prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro disciplinado pela IN 513, a pretensão do douto Auditor Fiscal de cobrar da FSTP multas (seja qual for a sua natureza, perdimento, de ofício, não compensatória) e juros moratórios pelo suposto descumprimento das regras que disciplinam o referido regime especial também não se mostra válida. É que, como já explicitado anteriormente, a FSTP apenas encampou a conduta ora apontada como ilícita pelo ilustre Auditor Fiscal em razão de seu fiel cumprimento às orientações que lhe eram diariamente concedidas pelos próprios agentes da Fazenda Nacional. Todas as suas operações sob o regime instituído pela IN 513 foram realizada com base (i) nos procedimentos e práticas usualmente adotados pela Receita Federal do Brasil e em (ii) orientações formais ou não fornecidas diretamente pela referida instituição a Impugnante. Independentemente de qualquer juízo relativo ao prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro disciplinado pela IN 513, a pretensão do douto Auditor Fiscal de cobrar da FSTP multas (seja qual for a sua natureza, perdimento, de ofício, não compensatória) e juros moratórios pelo suposto descumprimento das regras que disciplinam o referido regime especial também não se mostra válida. É que, como já explicitado anteriormente, a FSTP apenas encampou a conduta ora apontada como ilícita pelo ilustre Auditor Fiscal em razão de seu fiel cumprimento às orientações que lhe eram diariamente concedidas pelos próprios agentes da Fazenda Nacional. Todas as suas operações sob o regime instituído pela IN 513 foram realizada com base (i) nos procedimentos e práticas usualmente adotados pela Receita Federal do Brasil e em (ii) orientações formais ou não fornecidas diretamente pela referida instituição a Impugnante. Com efeito, além de ter pautado, por exemplo, suas ações à luz dos termos e condições fixados pela própria Fazenda Nacional nos Atos Declaratórios Executivos, todas as operações de desembaraço aduaneiro executadas pela FSTP sempre foram devidamente fiscalizadas pelos agentes fazendários, inclusive, com a conferência física das mercadorias em determinadas operações (Canal Vermelho), sem que jamais qualquer agente público tenha lhe exigido o pagamento dos tributos aduaneiro. Fl. 15898DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.898 14 Diante deste cenário, ainda que se pudesse considerar válida a tese defendida no auto de infração impugnado, jamais se poderia cogitar da cobrança de quaisquer encargos moratórios ou penalidades em face da FSTP, por força da regra contida no parágrafo único, do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Ruy Barbosa Nogueira a respeito do assunto. A FLAGRANTE INPLICABÍLIDADE DA PENA/MULTA DE PERDIMENTO De plano, salta aos olhos que a hipótese de inadimplemento imputada pelo próprio Fiscal à FSTP não dá ensejo a incidência da regra contida no artigo 689, inciso XXI, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009). Nos termos do referido dispositivo, a pena de perdimento apenas poderia ser aplicada às mercadorias que tenham sido importadas e que fossem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses listadas no artigo 642 também do Regulamento Aduaneiro. Sucede que, de acordo com a fundamentação do próprio Auto de Infração, não se está no caso em tela a imputar à FSTP responsabilidade por ter extrapolado o prazo de permanência de determinada mercadoria no entreposto aduaneiro. Segundo o relato fiscal, com o primeiro ato de exportação da plataforma, o próprio regime do entreposto aduaneiro teria sido extinto. Nestes casos, inexiste situação de abandono, já que a própria legislação impõe que, quando da ocorrência de tal ato, o beneficiário seja chamado a recolher imediatamente os tributos incidentes sobre o estoque remanescente. Em outras palavras, a situação jurídica das mercadorias admitidas em determinado regime de entreposto aduaneiro é completamente diferente nos casos (a) de extrapolação de prazo de admissão e (b) de extinção do próprio regime. Quando o prazo de admissão de determinada mercadoria em um recinto alfandegado é encerrado, o legislador espera que o beneficiário lhe dê um dos destinos previstos no artigo 17 da IN 513 (leiase: promova a sua introdução no mercado nacional ou, por exemplo, a exporte). Caso o beneficiário não promova nenhum desses atos no prazo de 45 dias, o legislador pressupõe que este tenha optado por abandonar o referido bem, dando, assim, ensejo à aplicação da pena de perdimento. Esta presunção de abandono, todavia, não se vislumbra na hipótese de extinção do próprio regime de entreposto aduaneiro. Nestes casos, a única solução prevista na legislação é a apuração pelo beneficiário de todos os tributos incidentes sobre o estoque remanescente. Não há que se falar em abandono, já que a própria lei impõe ao beneficiário a transformação dos bens admitidos no regime em estoque, devidamente internalizado com o pagamento dos tributos. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ e dos Tribunais Regionais Federais TRFs a respeito do assunto. A INAPLICABILIDADE DA MULTA DE 75% E DA MULTA DE R$ 1.000.00 DIÁRIA Fl. 15899DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.899 15 A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n9 9.430/96, também não é aplicável ao caso concreto, seja pela demonstrada ausência de qualquer ilicitude por parte da FSTP, seja pela ausência das circunstâncias de fato que justificam a incidência desta sanção (lançamento de ofício). Por fim, a FSTP ressalta a flagrante inaplicabilidade da multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais) ao caso em apreço neste processo administrativo. No âmbito da IN 513, a referida multa está prevista dentro do rol de sanções administrativas aplicáveis ao beneficiário do regime (artigo 29), devendo esta ser aplicada, nos termos do artigo 107, inciso VII, alínea "e", do Decreto Lei nQ 37/1966, "por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados". Ou seja, como a própria norma indica, a referida multa possui caráter não compensatório, destinandose apenas a sancionar o inadimplemento de obrigações acessórias cometido pelo beneficiário durante a vigência do regime. A multa é aplicada com o único intuito de forçar o contribuinte a corrigir as irregularidades apontadas pela fiscalização, não sendo por outro motivo que sua aplicação é estendida até a data da efetiva regularização. Junta textos da doutrina de Ives Gandra da Silva Martins a respeito do assunto. Revelase, portanto, absolutamente ilógico pretenderse a aplicação de multa dessa natureza, quando, segundo o entendimento do próprio fiscal, o próprio regime de entreposto aduaneiro teria sido extinto com o primeiro ato de exportação das plataformas. Afinal, como pode ser exigida do contribuinte uma multa que visa corrigir o descumprimento de determinados requisitos, condições ou normas para utilização do regime, se o mesmo já se extinguiu? CONCLUSÃO Isto posto, a FSTP espera que a ação fiscal seja julgada totalmente improcedente, anulandose e/ou desconstituindose, em decorrência, o lançamento dos créditos tributários consubstanciados no Auto de Infração ora impugnado, por ser medida de Direito. Na oportunidade, protesta a Impugnante pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pericial e documental superveniente.” A DRJ/SP manteve o crédito tributário exigido conforme Ementa transcrita a seguir: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/10/2007 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. Fl. 15900DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.900 16 Construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo. Não é permitido eleger qualquer outro critério no tocante à exportação do produto acabado, a não ser como uma das hipóteses de extinção do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. A admissão da plataforma no REPETRO pressupõe a existência de uma plataforma já construída e exportada, resultando necessariamente na extinção, em momento anterior (exportação da plataforma), do próprio Entreposto Aduaneiro. No tocante a extinção do Regime de Entreposto Aduaneiro, está a se lidar com uma situação de cunho jurídico, sendo a exportação da plataforma o implemento da condição suspensiva, nos moldes do inciso II, do artigo 116 do Código Tributário Nacional. A exportação da plataforma extingue do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, não se podendo falar em “fase préoperacional” após o fim da vigência do regime. Dada a existência de estoques de mercadorias sem tenha sido dada às mercadorias quaisquer destinação, configurouse a situação de abandono. Diante da impossibilidade de apreensão das mercadorias, uma vez que foram consumidas no processo industrial, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. A fiscalização aponta que, em nenhum momento, foi autorizada a aplicação do regime na própria plataforma, fora da unidade industrial apropriada e/ou autorizada pela Receita Federal do Brasil.” A nobre Turma a quo converteu o julgamento em diligência conforme fls. 15830, em 20 de Março de 2015, mas conforme Despacho de fls. 15842, DRF de volta Redonda/RJ, a diligência não foi cumprida, conforme transcrito a seguir: "Considerando que não foi localizado, na estrutura do Governo Federal, órgão ou instituição federal credenciada com a competência legal necessária para a elaboração de laudo técnico, visando esclarecer os pontos discriminados nos itens de 1 a 3 da Resolução nº 3202000.364 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária (fls. 15830/15838), retornese à CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF, face a impossibilidade de cumprimento da diligência requerida." Diante do não cumprimento da diligência, esta Turma proferiu nova Resolução em fls. 15.869 e reiterou a diligência, com termos adicionais, direcionada à Diana da 7.ª Região. Contudo, às fls. 15876 a 7.ª Diana devolveu os autos a este Conselho, sem cumprir a diligência, com fundamento nas mesmas razões da falta de cumprimento por parte da DRF de Volta Redonda/RJ, a unidade preparadora. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator e pautado na forma regimental. Relatório proferido. Fl. 15901DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.901 17 Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase e relatase o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando que os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados na sessão da Turma a quo, tomase conhecimento. O julgamento desta lide importa na análise detalhada do trâmite dos autos, desta forma, destacase o voto do Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, da primeira Resolução de fls. 15834 que não foi cumprida, conforme segue: "Inicialmente, observo que presente processo envolve questão complexa, cujo desfecho depende da produção de provas adicionais. Com efeito, é preciso corroborar a assertiva da Recorrente, de que as plataformas exportadas estavam em fase de préoperação, o que impossibilitaria a extinção do regime de entreposto aduaneiro, antes do prazo previsto no contrato, e, conseqüentemente, tornaria inválido o auto de infração sob julgamento. A princípio, discordo da exegese empreendida pelo acórdão recorrido, de que a necessidade de exportação das plataformas para ver sua funcionalidade, préoperacional, seria uma questão fática que não influenciaria a implementação do termo final do regime especial aduaneiro, caracterizado pela exportação. Isso porque, o art. 4º da IN 513/2005 e o art. 408, § 3º, c/c o art. 405, IV, do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009, dispõem que a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de pré operação da plataforma, estão abrangidas pelo regime, no prazo previsto no contrato. Eis os texto legais, respectivamente: Art. 4º As mercadorias admitidas no regime, importadas ou destinadas a exportação, poderão ser submetidas a operações de industrialização, bem assim a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma. *** Art. 405. O regime permite, ainda, a permanência de mercadoria estrangeira em: [...]IV estaleiros navais ou em outras instalações industriais localizadas à beiramar, destinadas à construção de estruturas marítimas, plataformas de petróleo e módulos para plataformas (Lei no 10.833, de 2003, art. 62, parágrafo único). Fl. 15902DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.902 18 *** Art. 408. A mercadoria poderá permanecer no regime de entreposto aduaneiro na importação pelo prazo de até um ano, prorrogável por período não superior, no total, a dois anos, contados da data do desembaraço aduaneiro de admissão. [...]§ 3º Nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do art. 405, o regime será concedido pelo prazo previsto no contrato. Diante da literalidade dos artigos acima, não se pode falar que a necessidade de exportar as plataformas na fase de préoperação seriam uma questão fática, desimportante para o regime de entreposto aduaneiro. Uma interpretação literal, mas conjunta, desses dispositivos com o art. 17, I, da IN 513/2005, indica que a extinção do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro se extingue com a exportação da mercadoria pronta e acabada, depois de efetuadas as atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma. A redação do art. 17, I, da IN 513/2005 é a seguinte: Art. 17.A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: (Redação dada pela IN SRF 564, de 24/08/2005) I exportação do produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; Ora, como corretamente destacou a Recorrente, é intuitivo que os testes dos vários subsistemas de uma plataforma de petróleo só podem ser obtidos no próprio local onde esta deverá operar, em alto mar, diretamente nos campos de petróleo. Apenas ali, no local de operação, a plataforma poderá ser conectada com os dutos que advêm dos poços de petróleo, viabilizando a realização dos testes de comissionamento e de préoperação com a carga real da produção. Frisese que a recorrente realizou todas as complementações/retificações das declarações de exportação (DEs), relativamente aos produtos enviados ao contratante para utilização nas plataformas exportadas. Então, se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco, evidentemente que, nessa hipótese, o regime especial não se extingue, com essa operação, mas com o cumprimento final do contrato, caso contrário aparentemente não faria sentido o disposto no art. 4º da IN 513/2005. Mesmo porque, não se pode perder de vista, que o Fisco é sabedor desse cronograma contratual, nos termos do art. 7º, IV, e 10º, § 1º, III, da IN 513/2005 e do Anexo IV do auto de infração, e deferiu o regime de entreposto aduaneiro nessas condições, não podendo, agora, alegar (sob pena de modificar o critério jurídico adotado, em afronta ao art.146 do CTN), que o benefício fiscal se extinguiu antes mesmo de cumprido tal cronograma. In verbis: Art. 7ºA habilitação ao regime será requerida por meio do formulário constante do Anexo II a esta Instrução Normativa, a ser apresentado à unidade da RFB com jurisdição, para fins de fiscalização dos tributos incidentes sobre o comércio exterior, sobre o estabelecimento da empresa que realizará a construção ou conversão, acompanhado de: Fl. 15903DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.903 19 (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.410, de 14 de novembro de 2013) [...]II cópia do contrato referente à construção ou à conversão dos bens referidos no art. 1º firmado entre a empresa contratante sediada no exterior e a pessoa jurídica contratada de que trata o art. 6º;(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.410, de 14 de novembro de 2013) III documentação técnica relativa ao sistema de controle informatizado referido no inciso III do art. 6º; IV descrição do processo de industrialização e correspondente cronograma de execução das etapas do projeto; **** Art. 10.A habilitação para a empresa operar o regime será concedida em caráter precário, por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE) do titular da unidade da RFB referida no caput do art. 7º. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.512, de 7 de novembro de 2014) (Vide art, § ú da IN RFB nº 1.512/2014) § 1º O ADE referido no caput será emitido para o número de inscrição no CNPJ do estabelecimento e deverá indicar: [...]III o prazo de habilitação do beneficiário, de acordo com o contrato; e Os próprios ADEs expedidos pela Receita Federal em prol da recorrente fazem alusão ao prazo previsto no contrato. Observese: “Art.1º Habilitada, a título precário, PELOS PRAZOS DE VIGÊNCIA ESTABELECIDOS NOS CONTRATOS FIRMADOS COM A FSTP PRIVATE LIMITED, a empresa FSTP Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 06.011.542/000146, com sede na Rua da Glória, nº 178, 1º ao 13º andar – parte, município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, a operar o regime especial de entreposto aduaneiro para construção das plataformas destinadas à pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás natural denominadas P51, P52 e P56.” Desse modo, julgo pertinente a realização de diligência para certificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco. Igualmente, julgo necessária a realização de diligência para verificar se as mercadorias – retiradas do regime especial por não serem “insumos” – foram destinadas à plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. À luz da legislação tributária, todavia, não procede a exclusão das mercadorias, descritas pela fiscalização, pelo simples fato de não se enquadrarem como insumo. A exclusão dos bens adquiridos só seria possível se fosse dito e demonstrado pela autuação que os bens não foram utilizados nas plataformas, o que não foi o caso dos autos. Deveras, o art. 3º da IN 513/2005, acima reproduzido, exige que os materiais, partes, peças e componentes sejam utilizados na construção ou compõem a plataforma de petróleo tal como encomendada, e não que sejam enquadrados como insumos desta. Fl. 15904DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.904 20 Assim, é importante verificar se os materiais, partes, peças e componentes foram utilizados na construção da plataforma e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Por fim, também é adequado verificarse se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Confirase: Constatouse que as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367 foram registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52. Porém, com base na informação fornecida no registro de exportação, constatouse a utilização das mercadorias vinculadas a esta declaração na construção da plataforma P51. Ante o exposto, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja elaborado laudo técnico, por instituição federal credenciada, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de esclarecer o seguinte: 1) Verificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco? Explicar e fundamentar a resposta. 2) Verificar se os materiais, partes, peças e componentes excluídos pela fiscalização por não se tratarem de insumos foram utilizados na construção ou compõem a plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Explicar e fundamentar a resposta. 3) Verificar se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Explicar e fundamentar a resposta." Conforme já relatado, verificase o não cumprimento da diligência em despacho de fls. 15842 , por parte da DRF de Volta Redonda/RJ, conforme segue: "DESPACHO Considerando que não foi localizado, na estrutura do Governo Federal, órgão ou instituição federal credenciada com a competência legal necessária para a elaboração de laudo técnico, visando esclarecer os pontos discriminados nos itens de 1 a 3 da Resolução nº 3202000.364 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária (fls. 15830/15838), retornese à CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF, face a impossibilidade de cumprimento da diligência requerida. Volta Redonda/RJ, 29 de setembro de 2015. Fl. 15905DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.905 21 Assinado digitalmente ALEXANDRE CORRÊA LISBÔA Delegado da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda" Os autos retornaram a este Conselho e, analisado por esta Turma, por unanimidade decidiuse por novamente converter o julgamento diligência, com itens adicionais e direcionado à Diana da 7.ª região, conforme fls. 15869, transcrita a seguir: "Verificase nos autos em fls. que a diligencia não foi cumprida, afirma o Delegado em fls. 15842 que "...não foi localizado, na estrutura do Governo Federal, órgão ou instituição federal credenciada com a competência legal necessária para a elaboração do laudo técnico...". Contudo, se na estrutura foi possível lavrar o auto de infração, é possível também esclarecer pontos importantes de sua constituição sob pena de sua nulidade ou improcedência. Importante mencionar que a negativa de realização de perícia pode concretizar o cerceamento de defesa, pois apesar das diligências aceitarem prorrogações, estas são obrigatórias uma vez que determinadas de acordo com o Regimento Interno deste Conselho e de acordo com o PAF (decreto 70.235). Desta feita, deve o presente processo ser encaminha a DIANA da 7ª Região Fiscal para que preste os esclarecimentos solicitados abaixo, bem como identifique o órgão ou a instituição federal credenciada capaz de elaborar o laudo técnico solicitado, ou justifique a impossibilidade de cumprimento da requisição. Ante o exposto, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DIANA da 7ª Região Fiscal preste os esclarecimentos solicitados abaixo: 1) Verificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco (conforme fls. 15830 e seguintes). Explicar e fundamentar a resposta; 2) Verificar se os materiais, partes, peças e componentes excluídos pela fiscalização por não se tratarem de insumos foram utilizados na construção ou compõem a plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Explicar e fundamentar a resposta; 3) Verificar se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Explicar e fundamentar a resposta; 4) Explicitar quais as atividades desempenhadas no momento da citada "fase préoperacional" ; 5) Esclarecer se todos os bens importados que foram incluídos nas plataformas de petróleo já na fase préoperacional, após, portanto, a saída do produto do entreposto industrial, deveriam necessariamente Fl. 15906DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.906 22 serem incorporados apenas nesta fase, ou se a sua anexação as plataformas foi efetivada na fase pré operacional por motivo distinto; Deve ainda a DIANA da 7ª Região Fiscal: a) Identificar o órgão ou a instituição federal credenciada capaz de elaborar o laudo técnico solicitado, ou justificar a impossibilidade de cumprimento da requisição; b) Caso seja verificada a existência de um órgão ou a instituição federal credenciada, deve ser requerido o procedimento para elaboração de laudo técnico, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de esclarecer os questionamentos acima expostos. Além dos questionamentos acima, seja intimada a autoridade fiscal e a recorrente, com o objetivo de formular quesitos adicionais a serem respondidos ao Perito. Depois de elaborado o laudo, seja aberto de 30 dias para que a autoridade fiscal e, posteriormente, a Recorrente, apresentem suas considerações sobre as conclusões técnicas da diligência. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento." Em fls. 15876, verificase que novamente a diligência não foi cumprida por parte da 7.ª Diana, conforme transcrito a seguir: "SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – 7ª RF DIVISÃO DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA Antes, porém, os autos haviam sido remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda (DRF/VRA), unidade preparadora, através da Resolução n° 3202 000.364 (fls 15.830/15.838), de 20/03/2015, com a mesma finalidade, ocasião em que o titular daquela unidade assim se manifestou: Considerando que não foi localizado, na estrutura do Governo Federal, órgão ou instituição federal credenciada com a competência legal necessária para a elaboração de laudo técnico, visando esclarecer os pontos discriminados nos itens de 1 a 3 da Resolução nº 3202000.364 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária (fls.15830/15838), retornese à CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS –CARF, face a impossibilidade de cumprimento da diligência requerida. Isto posto, verificase, preliminarmente, que esta Divisão, de acordo com o disposto no art. 212 da Portaria MF n° 203/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não possui competência para realizar diligências e perícias fiscais, inclusive as de instrução processual. A competência para tanto é das Delegacias, Alfândegas e Inspetorias da Receita Federal, conforme art. 224, XXVI da Portaria MF n° 203/2012, recaindo na presente hipótese sobre a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda (DRF/VRA), unidade local preparadora. Não obstante, expediuse mensagem de correio notes à Coordenação Geral de Administração Aduaneira, às Divisões de Administração Fl. 15907DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.907 23 Aduaneira e às unidades aduaneiras da 7ª Região Fiscal na tentativa de identificar a existência de convênio eventualmente firmado com órgão ou instituição capaz de atender aos quesitos formulados, iniciativa que restou infrutífera, em consonância com a informação prestada pelo titular da DRF/VRA às fls.15.842. Ocorre, porém, que parte dos quesitos formulados dizem respeito a verificações próprias da atividade fiscal, privativa do AuditorFiscal da Receita Federal, a quem incumbe a realização de diligências e perícias, no âmbito da RFB, para fins de instrução do processo administrativo fiscal, conforme excertos do Decreto n° 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 20. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, a designação de servidor para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre AuditorFiscal do Tesouro Nacional. (...) Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. (grifo nosso) Deste modo, considerando a incompetência desta Divisão para proceder ao exame solicitado de ofício pelo CARF, considerando a inexistência de órgão ou instituição credenciada para elaboração do laudo técnico pertinente e considerando ainda a natureza de parte dos quesitos formulados, a qual ensejaria a adoção do rito previsto no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, proponho o retorno do presente processo ao CARF para as providências de sua alçada. DATADO E ASSINADO DIGITALMENTE CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil De acordo. Restituamse os autos ao CARF nos termos propostos. DATADO E ASSINADO DIGITALMENTE HERICA GOMES VIEIRA Fl. 15908DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.908 24 AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil Chefe da Divisão de Administração Aduaneira." Adotase neste voto as palavras e razões de decidir do Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, conforme trechos selecionados e transcritos a seguir: "1 (...) o art. 4º da IN 513/2005 e o art. 408, § 3º, c/c o art. 405, IV, do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009, dispõem que a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de pré operação da plataforma, estão abrangidas pelo regime, no prazo previsto no contrato. 2 (...) a extinção do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro se extingue com a exportação da mercadoria pronta e acabada. 3 (...) é intuitivo que os testes dos vários subsistemas de uma plataforma de petróleo só podem ser obtidos no próprio local onde esta deverá operar, em alto mar, diretamente nos campos de petróleo. Apenas ali, no local de operação, a plataforma poderá ser conectada com os dutos que advêm dos poços de petróleo, viabilizando a realização dos testes de comissionamento e de préoperação com a carga real da produção. 4 (...) se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco, evidentemente que, nessa hipótese, o regime especial não se extingue, com essa operação, mas com o cumprimento final do contrato, caso contrário aparentemente não faria sentido o disposto no art. 4º da IN 513/2005. 5 (...) o Fisco é sabedor desse cronograma contratual, nos termos do art. 7º, IV, e 10º, § 1º, III, da IN 513/2005 e do Anexo IV do auto de infração, e deferiu o regime de entreposto aduaneiro nessas condições, não podendo, agora, alegar (sob pena de modificar o critério jurídico adotado, em afronta ao art.146 do CTN), que o benefício fiscal se extinguiu antes mesmo de cumprido tal cronograma. 6 A exclusão dos bens adquiridos só seria possível se fosse dito e demonstrado pela autuação que os bens não foram utilizados nas plataformas, o que não foi o caso dos autos." Com relação ao descumprimento da diligência e consequente cerceamento de defesa, foi deixado claro no voto da sessão de Abril desta Turma, sob esta mesma relatoria, o seguinte: "Importante mencionar que a negativa de realização de perícia pode concretizar o cerceamento de defesa, pois apesar das diligências aceitarem prorrogações, estas são obrigatórias uma vez que determinadas de acordo com o Regimento Interno deste Conselho e de acordo com o PAF (decreto 70.235)." Desta forma, verificase a real dificuldade do contribuinte em se defender da acusação, uma vez que o próprio poder público não tem estrutura para verificar pontos essenciais que poderiam solucionar a lide, seja para a manutenção do lançamento, seja para a exoneração em favor do contribuinte e diante disto, a situação cria insegurança jurídica. Fl. 15909DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.909 25 Logo, qualquer solução para a presente controvérsia deverá partir do princípio que o julgamento não esteve e continua sem condições de julgamento em ponto cruciais para a solução da lide. Ora, uma vez habilitado, o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos necessários para obter os benefícios do regime, conforme declarações de admissão (doc. 03 do Recurso Voluntário), ADEs de fls. 15028 e Art. 6.º, 8.º e 10.º da própria IN 513/2005 utilizada no lançamento. Sólida esta situação, para desmistificála, a autoridade fiscal deveria ter comprovado o contrário mas assim não procedeu, seja para demonstrar se a plataforma necessitaria ou não de teste offshore ou para demonstrar que as "mercadorias" adquiridas não foram incorporadas na construção da plataforma. Destacase trecho do relatório fiscal de fls. 1667, que trata sobre algumas mercadorias, conforme transcrito a seguir: "Com base, então, na legislação supra, e considerando que, para algumas mercadorias, o próprio Beneficiário reconheceu não serem passíveis de admissão como insumos79, relacionouse, no ANEXO XV – “Insumos”, as mercadorias que não foram objeto de industrialização, seja porque não são insumos propriamente ditos (graxas, óleos, ferramentas manuais, chaves de porcas, manuais, kit de reposição/reparo, videogame, DVD player e congêneres, cadeado e similares, impressoras, desktop, panelas de pressão, batedeiras, máquinas de sucos, liquidificadores, trituradores de alimentos, máquinas de fazer gelo, equipamentos portáteis, receptores de televisão, sistemas de limpeza de alta pressão, instrumentos de desenho, botes salvavidas, cortinas, cestas de lixo, microfone, walkietalkie, binóculos, lâmpadas, baterias, faxsimile, malas, canivetes, cabides, bebedouros, lavaroupas, secadoras de roupas, lavalouças, balcões para aquecimento de refeições, balcões refrigerado, máquinas de café, fritadeiras, refrigeradores, fornos elétricos, pistolas de spray, etc...), seja porque não se sujeitaram a operações de montagem, e sim, a meras instalações de equipamentos industriais, tais como, lavaroupas, secadora de roupas, lavalouças, balcão para aquecimento de refeições, balcão refrigerado, máquinas de café, fritadeira, refrigerador, forno elétrico, etc... ." Para fins de incidência do benefício, não se trata de "insumos" relacionados ao processo produtivo do petróleo como entendeu o fiscal, mas sim de mercadorias destinadas à construção do "bem" (plataforma) conforme Art. 3.º da IN 513/2005. Conforme Art. 404, 405 e 408, §3.º do RA de 2009 e, Art. 3.º da IN 513/2005, os materiais, peças, partes e componentes de construção do bem entram no regime especial e portanto, suspensa a exigibilidade do II, IPI, PIS e COFINS (tributos cobrados no presente lançamento). Salientase que a diligência para verificar se (e quais) as mercadorias foram destinadas à construção do "bem" foi crucial em razão do fiscal não ter feito a relação motivada das "mercadorias", simplesmente juntou tabelas com números às fls. 13591 a 13615 e intitulou " Importação após extinção do Regime" e "Industrialização após extinção do regime", de modo que não cabe aos Conselheiros deste órgão interpretar ou completar o lançamento ou contar e analisar mercadoria por mercadoria dentre as centenas juntadas nestas planilhas. Fl. 15910DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.910 26 Mas mesmo assim, em análise da maioria das mercadorias, se verifica que são mesmo bens e partes e peças inerentes ao negócio e à construção das plataformas, como válvulas, filtros de água, refrigeradores e encanamentos, para citar alguns. (vide Descrição Técnica de fls. 13977, Lista de Subsistemas de fls 15775, Contrato de Construção das Plataformas de fls. 14779 a 14851, DIs de fls. 6187 a 6901, "Insumos" de fls. 13660 a 13683). Diante desta introdução e após apresentada a questão das mercadorias que foi utilizada para justificar em parte o lançamento, verificase que o ponto central da lide encontra se em definir se a plataforma de petróleo foi exportada ou não, para fins de perda do direito à suspensão/isenção, conforme disposto no Art 17 da IN 513/2005, norma utilizada no lançamento. Para verificar esta situação o processo foi baixado em diligência por duas vezes e para setores distintos no âmbito da receita federal, para ser apresentado laudo que confirme se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco, em alto mar (offshore). Sobre este ponto crucial da lide, é importante destacar parte do julgamento da DRJ de fls. 15649, que manteve o lançamento, conforme segue: "A fiscalização intimou a empresa (Termo de Intimação nº 020/2012), para dizer em quais datas as plataformas saíram do estaleiro BRASFELS com destino (definitivo) à bacia de Campos. Em resposta, apresentada em 02/03/2012, limitouse a informar apenas os números dos DDE, as datas de desembaraço, as datas de averbação e os números das notas fiscais de exportação e respectivas datas de emissão. Omitiuse, portanto, em ponto crucial da intimação, qual seja, a informação das datas em que as plataformas deixaram os locais autorizados a operar o regime, deslocandose para os respectivos lugares de prospecção. Contudo, em 20/04/2012 e 26/04/2012, entregou documentação complementar. Nesses documentos, endereçados à Capitania dos Portos em Angra dos Reis, restou clara a indicação das datas de saída das plataformas do estaleiro, conforme a seguir: 16/11/2008 (P51); 06/09/2007 (P52); e 04/06/2011(P56). Diante do exposto, há de se considerar que as mercadorias importadas, após as datas de saídas das plataformas dos locais autorizados a operar o regime, e, portanto, aplicadas no processo industrial fora destes locais, implica no descumprimento de uma das condições para a regular fruição do regime." Por representar a aplicação de mercadorias no processo industrial fora dos locais autorizados pela Administração Tributária, foi configurado o descumprimento do regime e o conseqüente lançamento dos tributos indevidamente suspensos." A fase de pré operação é garantida pela própria IN em seu Art. 4.º e, em que pese contrariar o bom senso o fato de pré operar uma plataforma de petróleo de forma satisfatória em terra, segue dispositivo expresso: Fl. 15911DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.911 27 "Art. 4º As mercadorias admitidas no regime, importadas ou destinadas a exportação, poderão ser submetidas a operações de industrialização, bem como a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação do bem. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1410, de 13 de novembro de 2013) " O próprio anexo desta instrução normativa utiliza a palavra "bens" para se referir à plataforma: "ANEXO I RELAÇÃO DE BENS DESTINADOS À PESQUISA E À LAVRA DE JAZIDAS DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL PASSÍVEIS DE SEREM SUBMETIDOS AO REGIME DE ENTREPOSTO ADUANEIRO DE QUE TRATA A IN SRF Nº 513, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2005." E veja, um dos bens previstos no anexo mencionado acima é a plataforma flutuante, o que necessariamente implica que o bem flutuante seja testado em água, ou seja, offshore. Verificase mesmo que a construção de uma plataforma pressupõe a realização de testes off shore, conforme parecer do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore", de fls 15770, com destaque aos sistemas que somente podem ser testados offshore. E realmente, não há como a Receita negar que foi exaustivamente informada de todo cronograma, com a clara ciência das operações offshore (vide Descrição Técnica de fls. 13977, Lista de Subsistemas de fls 15775, Contrato de Construção das Plataformas de fls. 14779 a 14851 e demais documentos juntados pela defesa). Ante o exposto, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade jurisdicionante, DRF/VR, preste os esclarecimentos solicitados abaixo: 1) Em resposta à segunda diligência solicitada pelo CARF, a DIANA 7ª RF informou que inexistiria órgão ou instituição credenciada na região para elaboração do laudo técnico pertinente, em face da natureza de parte dos quesitos formulados. Contudo, também ressaltou a DIANA 7ª RF que parte dos quesitos formulados dizem respeito a verificações próprias da atividade fiscal, privativa do AuditorFiscal da Receita Federal, a quem incumbe a realização de diligências e perícias, no âmbito da RFB, para fins de instrução do processo administrativo fiscal, conforme § 1º do Art. 18 e Art. 20 do Decreto n° 70.235/1972. No caso, o contribuinte juntou a Descrição Técnica de fls. 13977, Lista de Subsistemas de fls 15775, Contrato de Construção das Plataformas de fls. 14779 a 14851 e parecer do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, de fls 15770. Assim, solicitase agora que a DRF/VR se pronuncie sobre o conteúdo do referido parecer e demais documentos, informando se concorda com o mesmo, ou em caso de discordância, designe servidor, para que proceda uma perícia técnica e conteste, fundamentadamente, as conclusões do parecer e dos demais documentos, nos termos do § 1º do Art. 18 e Art. 20 do Decreto n° 70.235/1972, conforme já determinado pela DIANA 7ª RF. 1.1) Verificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco (conforme fls. 15830 e seguintes)? Explicar e fundamentar a resposta; 1.2) Verificar se os materiais, partes, peças e componentes excluídos pela fiscalização por não se tratarem de insumos foram utilizados na construção ou compõem a Fl. 15912DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.912 28 plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Explicar e fundamentar a resposta; 1.3) Verificar se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Explicar e fundamentar a resposta; 1.4) Explicitar quais as atividades desempenhadas no momento da citada "fase préoperacional"; 1.5) Esclarecer se todos os bens importados que foram incluídos nas plataformas de petróleo já na fase préoperacional, após, portanto, a saída do produto do entreposto industrial, deveriam necessariamente serem incorporados apenas nesta fase, ou se a sua anexação as plataformas foi efetivada na fase préoperacional por motivo distinto; 2) Solicitase que a DRF/VR também se pronuncie com relação aos seguintes pontos, justificadamente, à luz da legislação e dos documentos juntados pelo contribuinte: 2.1) se o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro contemplava a fase préoperacional das plataformas em questão; 2.2) se no entreposto aduaneiro seria possível executar a fase préoperacional ou o deslocamento da plataforma para alto mar era imprescindível para aprimorála e atender as condições de contrato; 2.3) qual o fator determinante da extinção do regime; 2.4) se as mercadorias aplicadas no processo de construção das plataformas em sua fase préoperacional, que foram objeto do lançamento fiscal, foram contempladas em Declarações de Exportação Complementares a DE principal de saída da plataforma e se essas DE Complementares permaneceram dentro do prazo estabelecido em contrato. Além dos questionamentos acima, seja intimado o recorrente, com o objetivo de formular quesitos adicionais a serem respondidos ao Perito. Depois de elaborado o laudo, seja aberto de 30 dias (prorrogáveis uma única vez por igual período) para que a autoridade fiscal e, posteriormente, a Recorrente, apresentem suas considerações sobre as conclusões técnicas da diligência. Caso a diligência não seja cumprida, novamente, poderão ser aceitas como conclusivas as informações constantes no parecer do Sindicato Naval e nos demais documentos apresentados pelo contribuinte, tendo em vista demanda necessária endossada pela Turma para dar sequência ao julgamento. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 15913DF CARF MF Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3201000.839 S3C2T1 Fl. 15.913 29 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima – Conselheiro Relator. Fl. 15914DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.911461/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte nos termos da diligência fiscal.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-003.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o crédito no valor de R$ 10,00.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte nos termos da diligência fiscal. Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o crédito no valor de R$ 10,00. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte nos termos da diligência fiscal. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o crédito no valor de R$ 10,00. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 14 61 /2 00 8- 02 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 15374.911461/200802 Acórdão n.º 3402003.846 S3C4T2 Fl. 325 2 Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOMP, em 15/06/2004, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior" de PIS, com valor original de R$ 2.930,38 (fl. 08), compensando tal quantia com a mesma contribuição referente ao período de apuração 05/2004. Em 12/08/2008 (fl. 10) foi exarado o despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que "não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal". O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho (fls. 12/14), alegando, em suma, que o crédito pleiteado teve sua origem no levantamento de gastos de prestação de serviços de manutenção apurados no período de fevereiro de 2003 a março de 2004 com base na legislação do PIS nãocumulativo sobre os valores despendidos pela empresa para o pagamento daqueles serviços, citando legislação a esse respeito. Acresce que calculou os valores com base nessa legislação, conforme planilha que anexa (fl. 31). A DRJ/RJ2 (fls. 193/198) julgou improcedente a manifestação de inconformidade em 17/06/2010. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário (fls. 205/209), no qual esclarece que na DCTF original referente ao 1T/2003, por equívoco, foi informado um débito de PIS (6192), relativamente a março/2003, de R$ 30.491,81 e não o valor correto, o que impediria a RFB de identificar o crédito de R$ 2.930,38. Porém, aduz que retificou a mesma com o valor correto a pagar, assim, "liberando o crédito" postulado. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, em 24/05/2012, por meio da Resolução 340200.407 (fls. 234/236), converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: ... para deslinde do litígio instaurado com a manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, remeter este processo à unidade de origem para que a contribuinte seja intimada a apresentar os livros contábeis e documentos fiscais para apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS do período em que houve o alegado crédito. Por fim, solicitase que, na unidade de origem, seja elaborado relatório conclusivo sobre a existência do crédito alegado, considerando, inclusive, a fundamentação legal do pedido quanto ao direito ao crédito decorrente de gastos com serviços de manutenção, e, desse relatório dêse ciência à contribuinte para que possa se manifestar no prazo regulamentar. De fls. 304/314, Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/RJ1conclui, após ótima fundamentação com base em documentos que a empresa apresentou uma vez intimada, o seguinte: O valor devido de contribuição após a contabilização correta dos créditos provenientes do regime não cumulativo é de R$ 17.171,20 (dezessete mil, cento e setenta e um reais e vinte centavos) e o valor recolhido à União através do DARF é de R$ 10,00 (dez reais), fl. 249. No entanto, o valor da contribuição a pagar foi extinto pela homologação total da compensação Fl. 325DF CARF MF Processo nº 15374.911461/200802 Acórdão n.º 3402003.846 S3C4T2 Fl. 326 3 PER/Dcomp nº 03737.39704.290503.1.3.4613. Portanto, o pagamento do DARF de R$ 10,00 (dez reais) é o único passível de compensação para o presente processo, cujo valor atualizado encontrase no demonstrativo analítico à fl. 302. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Emerge do relatado que a RFB, em proficiente diligência fiscal (fls. 304/314), concluiu que o crédito que o contribuinte tem direito a compensar na referida DCOMP é no valor de R$ 10,00. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito de R$ 10,00. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.724519/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 45 19 /2 01 3- 39 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJO, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento relativa Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), fls. 23/30, ano calendário 2011 / exercício 2012, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 27.803,09 (vinte e sete mil, oitocentos e três reais e nove centavos). De acordo com a Notificação de Lançamento, o crédito foi constituído em virtude de i) omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, R$16.516,20 (dezesseis mil, quinhentos e dezesseis reais e vinte centavos); ii) dedução indevida de dependentes no valor de R$ 1.889,64 (um mil, oitocentos e oitenta e nove reais e sessenta e quatro centavos) e; iii) dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 97.054,90 (noventa e sete mil, cinquenta e quatro reais e noventa centavos). Mediante procedimento de revisão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II, retificou o lançamento, conforme Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 188/193, procedendo às seguintes alterações: a) omissão de rendimentos e dedução indevida de dependentes: as infrações foram excluídas; b) despesas médicas, a glosa foi parcialmente mantida no valor de R$ 24.730,00, resultante da diferença entre os valores declarados (total de R$ 97.054,90) e os valores comprovados (R$ 72.324,90). Após retificação do lançamento, o Recorrente apresentou impugnação (fls. 198/200), cujas alegações se reproduz do Acórdão nº 1273.715, da 21ª Turma da DRJ/RJO (fls 269/274): Mônica Canhaço Filhote: R$ 21.600,00, sendo R$ 10.800,00 em nome do declarante e R$ 10.800,00 em nome da dependente; Danielle Araújo Souza: R$ 400,00 em nome da dependente, sendo que R$ 200,00 corresponde ao OE e R$ 200,00 ao OD; Leandro Bianchini Antonio: R$ 26.400,00, sendo R$ 13.200,00 em nome do declarante e R$ 13.200,00 em nome da dependente; Carlos Fernando Ferreira: R$ 180,00 em nome do declarante; Unita Medicina Especializada Ltda: R$ 350,00 em nome da dependente. A DRJ/RJO julgou a impugnação parcialmente procedente, restabelecendo a dedução a dedução de despesas médicas em conformidade com o quadro abaixo: Prestadores Glosa mantida na revisão Acatado no julgamento Observação fl. Carlos Fernando Ferreira R$ 180,00 R$ Recibo não possui endereço prestador 260 Danielle Araújo Souza R$ 200,00 R$ Instrumentação Cirúrgica. Sem previsão legal. 234/235 Unita Medicina Especializada Ltda R$ 350,00 R$ Nota Fiscal relativa a outro ano calendário 261 Leandro Bianchini R$ 13.200,00 R$ 13.200,00 Recibos preenchem os requisitos 236/259 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 18470.724519/201339 Acórdão n.º 2402005.608 S2C4T2 Fl. 306 3 Antonio legais Monica Canhaço Filhote Guimarães R$ 10.800,00 R$ Recibos não trazem endereço prestador 210/233 R$ 24.730,00 R$ 13.200,00 Por ocasião do recurso voluntário (fls. 296/306), o contribuinte apresenta os seguintes argumentos em relação às glosas com despesas médicas mantidas: a) os recibos apresentados totalizam R$ 21.600,00, sendo R$ 10.800,00 em nome do Recorrente e R$ 10.800,00 em nome de sua dependente; b) a glosa não detalha quais os recibos não foram acatados, se do sujeito passivo ou da dependente, já que os documentos são de igual teor; c) para a efetiva comprovação dos serviços, foi juntada cópia de declaração assinada pela prestadora, atestando os serviços. Requer, por fim, que a decisão recorrida seja declarada insubsistente e improcedente. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. O Recorrente foi intimado da decisão de primeira instância em 29/3/2015, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fl. 275). Por sua vez, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário apresentando as alegações relatadas acima, e não se manifestou a respeito da tempestividade. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que o recurso voluntário foi interposto em 10/7/2015, conforme verificase do exame do carimbo da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II aposto na primeira folha do referido apelo (fl. 292) e do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 295. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) Na espécie, o Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 29/3/2015 (terçafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 30/3/2015 (quartafeira). O trigésimo dia ocorreu em 28/4/2015 (quintafeira). Entretanto o recurso somente foi apresentado ao Fisco em 10/7/2015 (sextafeira), portanto, fora do prazo recursal. Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 18470.724519/201339 Acórdão n.º 2402005.608 S2C4T2 Fl. 307 5 Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) O inciso II do art. 23 do Decreto 70.235/1972 exige apenas a prova de que a correspondência seja entregue no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e depreendese que esta pode ser recebida por qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) O domicílio de intimação estava correto, pois ocorreu a intimação por via postal mediante AR enviado para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, a saber: Rua Visconde de Pirajá, 315, Apartamento 501, Ipanema, Rio de Janeiro/RJ. Nesse sentido, resta claro que o contribuinte (Recorrente) não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal que seria o dia 28/4/2015 e não o dia 10/7/2015 como fora apresentado. Em face desse quadro fático, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade da peça recursal do contribuinte, não devendo prosperar o exame das demais alegações postuladas no recurso de fls. 296/298. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 309DF CARF MF
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