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Numero do processo: 10880.913073/2009-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3002-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que analise a documentação juntada aos autos e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Em seguida, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência, abrindo-se o prazo legal para sua manifestação, e os autos deverão retornar ao CARF, para julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que analise a documentação juntada aos autos e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Em seguida, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência, abrindose o prazo legal para sua manifestação, e os autos deverão retornar ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 57/63 dos autos: "DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP n.º 09069.51828.150305.1.3.042490 (fls. 02 a 06), transmitida em 15/03/2005, que indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de COFINS – código 5856, ocorrido em 14/01/2005, no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 13 07 3/ 20 09 -0 3 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10880.913073/200903 Resolução nº 3002000.037 S3C0T2 Fl. 3 2 montante de R$ 54.784,67 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/12/2004, com débitos próprios de COFINS – código 585601 e PIS – código 691201, ambos com vencimento em 15/03/2005, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 64.239,43. Cabe observar que consta, nesta DCOMP, no campo "Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP", o valor de R$ 22.224,79, e, no campo "Saldo do Crédito Original", o valor de R$ 32.559,88. DO DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu, em 18/02/2009, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.º de rastreamento 821099974 (fls. 07), assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, não homologando a compensação declarada, constando em sua fundamentação: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) A interessada foi cientificada do referido despacho decisório em 04/03/2009 (fls. 10). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com o despacho decisório, a empresa apresentou, em 30/03/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 14, com documentos anexos às fls. 15 a 54 (cópias de Procuração, de documento de identificação do procurador, de Ata de Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária realizada em 24/04/2008, e de DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais 4 º trimestre/2004, DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais 4 º trimestre/2004, e Despacho Decisório), afirmando ser esta tempestiva, e deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Relata a empresa que se trataria, no caso, de compensação de crédito tributário decorrente de pagamento a maior da COFINS apurada em dezembro de 2004, no valor de R$ 59.776,40. Segundo ela, tal crédito decorreria do fato de ter apurado o valor de R$ 206.158,86 a titulo de COFINS relativo à competência de dezembro de 2004, conforme indicado em seu Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do 4º trimestre de 2004, e, por lapso, ter pago valor a maior, por meio de dois DARF’s, nos montantes de R$ 201.695,83 e R$ 64.239,43, totalizando R$ 265.935,26, tal qual indicado equivocadamente em sua DCTF. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10880.913073/200903 Resolução nº 3002000.037 S3C0T2 Fl. 4 3 Informa que, em face do preenchimento errôneo da DCTF, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil teria entendido pela inexistência do crédito, não homologando, assim, a compensação declarada. Destaca, no caso, que tal decisão teria sido equivocada, uma vez que, não obstante o erro cometido no preenchimento da DCTF, o qual seria retificado oportunamente, o crédito seria legítimo e existente. Afirma que, embora tenha se equivocado no preenchimento da DCTF, o valor da COFINS a pagar informado no DACON estaria correto, o que se poderia comprovar através do confronto das receitas contabilizadas no mês de dezembro de 2004 com as receitas informadas na Demonstração da Base de Cálculo da COFINS da ficha 07 dessa declaração. Menciona que, no DACON, estariam declaradas as seguintes receitas: BASE DE CÁLCULO DA COFINS Valor (R$) 01. Receita de Exportação (Serviços) 214.688,00 03. Receita da Venda de Mercadorias 231.795,00 04. Receita da Prestação de Serviços 2.731.738,22 09. Outras Receitas 1.030.160,35 Total 4.208.381,57 Informa, também, que tais receitas diriam respeito às receitas contabilizadas nas seguintes contas contábeis: CONTAS CONTÁBEIS E DESCRIÇÃO Valor (R$) 3.1.01.01 Receita Bruta de Serviços 2.946.442,89 3.1.01.02 Receita Bruta de Vendas 231.795,00 4.1.18.02.003 Perdão de dívidas 1.030.160,35 Total 4.208.381,57 E conclui que, visto que as receitas declaradas confeririam com as receitas contabilizadas, restaria claro que o preenchimento do DACON estaria correto. Pelo exposto, requer a empresa que seja reconhecida a existência do crédito e, conseqüentemente, que as compensações realizadas sejam homologadas." Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: "DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Compete à interessada a comprovação de seu direito creditório meras alegações, desacompanhadas de elementos de prova, não são Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10880.913073/200903 Resolução nº 3002000.037 S3C0T2 Fl. 5 4 suficientes para reformar a decisão que não homologou a compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório." Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 66/75) oportunidade em que repisou as razões desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, bem como trouxe novos documentos fiscais (fls. 91/467) que dariam sustentação probatória ao crédito vindicado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, pretende o contribuinte, através do seu Recurso Voluntário, ver reformada a decisão recorrida, para fins de reconhecer o seu direito creditório, com a consequente homologação do pedido de compensação apresentado. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido utilizado para saldar outro débito, ou seja, pelo fato do crédito apontado pelo contribuinte já ter sido utilizado previamente. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita e em sua manifestação de inconformidade, relatou que a origem do pedido de compensação decorria de pagamento a maior de COFINS apurada em dezembro de 2004, no valor de R$ 59.776,40 (cinquenta e nove mil, setecentos e setenta e seis reais e quarenta centavos), tendo anexado aos autos, naquela oportunidade, DACON (fls. 15/44) e a DCTF retificadora (fls. 45/48). De início, é válido observar que, a DRJ deixou de deferir o pleito do contribuinte, por entender que "é de se destacar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa", concluindo que "ademais, cumpre ressaltar, aqui, que a simples apresentação de DCTF retificadora após a emissão do despacho decisório relativo à DCOMP não é suficiente para demonstrar a existência do crédito Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10880.913073/200903 Resolução nº 3002000.037 S3C0T2 Fl. 6 5 pleiteado, perante esta autoridade julgadora, sendo imprescindível a sua comprovação por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados". Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de afastar o argumento da DRJ e comprovar o seu direito creditório, esclarece que "é fato que a Recorrente inicialmente não logrou êxito em localizar seus Livros Diário e Razão, motivo pelo qual apresentou em sua manifestação de inconformidade planilhas e cópia da DACON do 4° trimestre de 2004. Entretanto, após a localização em seu arquivo dos Livros Diário e Razão, e em atenção ao artigo 16, § 4° da Lei n° 7 .235/1972 ao princípio da verdade material, a Recorrente comprova de forma inequívoca a liquidez e certeza do crédito tributário oriundo do pagamento a maior de COFINS", por fim o contribuinte anexou aos autos os seguintes documentos: (i) Livro Diário (fls. 91/331); (ii) Razão (fls. 332/399); (vi) DACON (fls. 400/414) e, por fim a DCTF Retificadora (fls. 415/467). Contudo, considerando que, após o envio da DCTF retificadora, a unidade de origem não chegou a apreciar o direito creditório em comento (repisese que a DCTF retificadora foi transmitida após o despacho decisório, o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada), entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Por oportuno, é válido mencionar que a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após a transmissão da DCOMP ou do despacho decisório, nem afasta da DCTF retificadora o seu efeito natural de substituir a DCTF originalmente apresentada. Sobre os efeitos da DCTF retificadora, tragase à colação o art. 18 da MP nº 2.18949/2001, bem como o art. 11 da Instrução Normativa nº 903/2008, in verbis: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. *** Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10880.913073/200903 Resolução nº 3002000.037 S3C0T2 Fl. 7 6 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que o caso concreto aqui analisado (procedimento eletrônico de não homologação da compensação pleiteada em razão da não localização de créditos suficientes) não se encontra dentre as hipóteses expressamente previstas na legislação em que a retificadora não surtirá efeitos. Logo, inferese que os efeitos da DCTF retificadora em tal caso, desde que validamente comprovadas as alterações ali inseridas, serão os mesmos da DCTF originalmente transmitida. Consolidando o entendimento acima disposto, oriundo da legislação que rege a matéria, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 assim dispôs: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10880.913073/200903 Resolução nº 3002000.037 S3C0T2 Fl. 8 7 tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014." Do transcrito acima, extraise que a limitação trazida pela legislação para fins de admissão de DCTF retificadora tendente à homologação de pedidos de compensação é de que esta retificadora esteja em linha com o princípio da verdade material, correspondendo aos valores corretamente registrados nos registros contábeis/fiscais da empresa, e que não esteja divergente de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, a exemplo da DIPJ e Dacon. Ou seja, mesmo após o despacho decisório, é possível que a DCTF retificadora atinja os seus efeitos de substituir a original, desde que os valores ali retificados correspondam à realidade dos fatos. Em tal caso, é cediço que a comprovação há de ser realizada pelo contribuinte, visto que incumbe a ele o ônus probatório no caso de pedido de compensação. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10880.913073/200903 Resolução nº 3002000.037 S3C0T2 Fl. 9 8 que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso dos presentes autos, verificase que o contribuinte, observando a sua obrigação processual, trouxe aos autos elementos probatórios que, ao menos à primeira vista, apresentamse aptos a demonstrar o seu direito creditório. Sendo assim, uma vez anexada ao presente processo, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado pela unidade de origem, visto que a DCTF retificadora ainda não havia sido transmitida quando do despacho decisório. Sendo assim, entendo que este Conselho deverá baixar o presente processo em diligência, para que a DRF analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que os autos sejam remetidos à unidade de origem para que esta analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Após, o contribuinte deverá ser devidamente intimado para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado da diligência, no prazo legal. Em seguida, os autos deverão retornar ao CARF, para que prossiga no julgamento do caso. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 480DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.722141/2015-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. ALUGUEL DE EQUIPAMENTO UTILIZADO EM CIRURGIA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Na Declaração de Ajuste Anual só podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem assim as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao tratamento do contribuinte e de seus dependentes.
IRRF. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Um vez comprovado ter o autuado arcado com o ônus da retenção, é legítimo o aproveitamento, em sua DIRPF, do IR retido sobre os respectivos rendimentos declarados.
Numero da decisão: 2402-006.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para fins de restabelecer a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no montante de R$ 1.073,68. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior (Relator) que deu provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. IRRF. Recorrente FOUAD HABIB Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. ALUGUEL DE EQUIPAMENTO UTILIZADO EM CIRURGIA. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na Declaração de Ajuste Anual só podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem assim as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao tratamento do contribuinte e de seus dependentes. IRRF. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Um vez comprovado ter o autuado arcado com o ônus da retenção, é legítimo o aproveitamento, em sua DIRPF, do IR retido sobre os respectivos rendimentos declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para fins de restabelecer a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no montante de R$ 1.073,68. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior (Relator) que deu provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 21 41 /2 01 5- 31 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 118 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 19ª Tuma da DRJ/RJO, consubstanciada no Acórdão nº 1279.635 (fls. 43), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Conforme relatório da Resolução 2402000.581 (fls. 70), temse que: Na sessão de julgamento realizada em 22 de setembro de 2016, os membros deste Colegiado converteram o julgamento do feito em diligência, nos seguintes termos: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 119 3 Em função do quanto solicitado por meio da Resolução nº 2402000.581 (fls. 73), a fonte pagadora foi intimada a apresentar documentação com probatória da retenção e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, referente ao aluguel pago ao contribuinte FOUAD HABIB, CPF 015.873.31772, no Exercício 2012, Anocalendário 2011, tendo trazido aos autos os documentos de fls. 83 a 109. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Nos termos da susodita Resolução 2402000.581, temse que o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência de: Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 5.000,00; e Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 1.271,92. Das Despesas Médicas A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 120 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 121 5 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No caso em análise, verificase que foi glosada a despesa de R$ 5.000,00, referente ao aluguel de aparelho de videolaparoscopia, utilizado em cirurgia realizada no contribuinte, conforme nota fiscal de fl. 15, emitida em 11/01/2011. Sobre o tema, a DRJ concluiu que “o CNAE da empresa locadora do equipamento é o 7739002 Aluguel de equipamentos científicos, médicos e hospitalares, sem operador. Portanto, como tal despesa não foi paga a um dos prestadores elencados na legislação acima (médicos e hospitais), tal despesa não pode ser dedutível de IR, motivo pelo qual há que se manter o presente lançamento.” O contribuinte, por sua vez, em sede de recurso voluntário, limitouse a sustentar que “sim, foi aluguel de equipamento usado numa cirurgia sem o mesmo não poderia ser realizada sem risco de vida, logo todo remédio e equipamento usado em cirurgia gozam de abatimento no IRPF.” Razão não assiste ao Recorrente. A descrição constante na Nota Fiscal de fls. 15 não deixa dúvida de que a despesa em análise se refere, de fato, a aluguel de material utilizado em cirurgia, conforme imagem abaixo: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 122 6 O órgão julgador de primeira instância pontuou que o CNAE da empresa locadora do equipamento é o 7739002 Aluguel de equipamentos científicos, médicos e hospitalares, sem operador, sendo certo que, contra tal assertiva, nada alegou o Recorrente. O Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral extraído do sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil revela o seguinte nome empresarial da empresa locadora: CLIMEC – LOCAÇÃO DE APARELHOS MÉDICOS E CIRURGICOS LTDA. Neste contexto, no que tange à matéria em análise, não há qualquer reparo a ser feito na decisão de primeira instância, a qual concluiu que, como tal despesa não foi paga a um dos prestadores elencados na legislação acima (médicos e hospitais), tal despesa não pode ser dedutível de IR, motivo pelo qual há que se manter o presente lançamento. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 123 7 Da Compensação do IRRF O contribuinte declarou, como rendimentos recebidos da PJ Instituto Fluminense S/C Ltda, a título de rendimento de aluguel, o valor de R$ 31.881,60, com imposto retido na fonte de R$ 1.271,92, conforme fls. 20. A fiscalização concluiu pela compensação indevida do IRRF em destaque, aduzindo que os valores não foram confirmados em DIRF (fls. 07). Para comprovar a lisura dos procedimentos por si adotados, o contribuinte juntou aos autos o documento de fls. 13 – Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, no qual consta que o mesmo teria recebido o valor declarado com a devida retenção, referente a rendimentos de aluguel. Neste contexto, este Colegiado, concluindo que o documento apresentado pelo contribuinte era insuficiente para comprovar a efetiva retenção e recolhimento dos valores pela fonte pagadora, converteu o julgamento do feito em diligência, para que fosse apensado aos autos comprovação efetiva de que a empresa Instituto Fluminense S/C Ltda, CNPJ nº 29.232.113/000102, realizou a retenção e recolhimento de tais valores. Em função do quanto solicitado por meio da Resolução nº 2402000.581 (fls. 73), a fonte pagadora trouxe aos autos os documentos de fls. 83 a 109, tendo prestado os seguintes esclarecimentos (fls. 81): * em atendimento ao presente termo de intimação fiscal, enviamos copias dos recibos de aluguel referente ao ano de 2011 e respectivas guias DARF recolhidas no código 3208; * informa ainda, que compulsando as informações prestadas na DIRF 2011/2012 percebeu que as informações relativas ao beneficiário, FOUAD NABO, CPF 015.873.31772, não foram efetuadas, assim sendo, o contribuinte efetuou a entrega de uma DIRF retificadora em 22/12/2017, relativa ao exercício, visando a adequação da informações fiscais. Às fls. 109, consta um quadro resumo da DIRF/2012 Retificadora com os valores mensais pagos pelo INSTITUTO FLUMINENSE DE RADIOLOGIA LTDA para o Sr. Foaud Habib a título de aluguel, bem como os respectivos valores mensais retidos a título de IR, os quais conferem com aqueles constantes nos DARFs acostados aos autos a partir das fls 84. Neste espeque, em face da efetiva comprovação da retenção e dos recolhimentos efetuados pela fonte pagadora, inclusive com entrega de DIRF Retificadora neste sentido, impõese o reconhecimento da lisura dos procedimentos adotados pelo contribuinte, no que tange à compensação do IRRF em análise, no valor efetivo comprovado dos recolhimentos efetuados, conforme quadro resumo abaixo: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 124 8 Mês Valor DARF jan/11 88,06 fls. 84 fev/11 88,06 fls. 86 mar/11 88,06 fls. 88 abr/11 ‐ DARF de fls. 90 sem autenticação bancária, pelo que o valor de R$ 75,42 não será considerado. mai/11 ‐ DARF de fls. 92 sem autenticação bancária, pelo que o valor de R$ 75,42 não será considerado. jun/11 75,42 fls. 94 jul/11 75,42 fls. 96 ago/11 75,42 fls. 98 set/11 ‐ DARF de fls. 100 sem autenticação bancária, pelo que o valor de R$ 104,94 não será considerado. out/11 ‐ DARF de fls. 102 sem autenticação bancária, pelo que o valor de R$ 104,94 não será considerado. nov/11 104,94 fls. 104 dez/11 117,58 DARF de fls. 106 sem autenticação bancária, pelo que o valor de R$ 117,58 não será considerado. 712,96 Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a compensação do IRRF no valor de R$ 712,96. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Em que pese as, como de praxe, muito bem articuladas razões de decidir do Relator, delas ouso a dissentir no que toca ao aproveitamento do IRRF. Entendeu o relator que pelo fato de não ter sido identificada a autenticação bancária em alguns dos DARF (5 (cinco) de 12 (doze)) colacionados aos autos, não haveria a possibilidade de o autuado valerse de tais retenções. Pois bem. A glosa deuse em função de os valores não terem sido confirmados em DIRF, consoante se extrai da descrição dos fatos na NFLD. Confirase: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10735.722141/201531 Acórdão n.º 2402006.775 S2C4T2 Fl. 125 9 Todavia, em atenção à diligência determinada por este colegiado, foram acostados aos autos Recibos, DARF e DIRF retificadora, na qual passou a constar o CPF do autuado como beneficiário de rendimentos e retenções da ordem de R$ 1.073,68. Referidos recibos, com a identificação de que teriam sido, ainda, confeccionados pela imobiliária SOLANGE IMÓVEIS, noticiam os valores do Aluguel e respectiva retenção do IR em montante compatível com a DIRF retificadora de fls. 109, levandome a concluir ter o autuado realmente arcado com o ônus da retenção no valor encimado. Percebase que são informações convergentes em tese prestadas por diferentes terceiros. Vale dizer, os recibos, supostamente consignados pela imobiliária SOLANGE IMÓVEIS; por sua vez, a DIRF retificadora, apresentada pela fonte pagadora do recorrente. Nesse rumo, VOTO no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a compensação do IRRF no valor de R$ 1.073,68. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725268/2017-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 52 68 /2 01 7- 84 Fl. 215DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016, anocalendário de 2015. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação, a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi, alterando o imposto a restituir declarado de R$ 10.965,48 para R$ 1.558,71 Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte, em suma, discordou da glosa das deduções e juntou documentos diversos para comprovar suas despesas e obrigação em pagar a pensão. Salienta que era obrigatório o pagamento da pensão sobre a parcela do abono de permanência, conforme resta absolutamente claro da decisão judicial, juntada aos autos. Vale dizer, a determinação judicial é muito clara quando determina que os descontos sejam feitos sobre os rendimentos brutos do alimentante , excluídos apenas o INSS e IR, incidindo sobre todos os demais rendimentos. Acrescenta que é incontroverso que o pagamento da pensão sobre o abono de permanência não foi feito por liberalidade e sim por imposição judicial. Salienta que de fato o empregador teria o dever legal de fazer também tal desconto na folha de pagamentos, dentro dos parâmetros estabelecidos em juízo. No entanto, não há na legislação em vigor qualquer dispositivo isentando o alimentante de suas obrigações para os alimentandos , caso o empregador não faça ou faça de forma equívoca. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que valor pago de R$ 21.634,67 (que deveria incidir sobre o abono de permanência), fora da folha de pagamento, deve ser considerado como uma liberalidade por parte do Contribuinte, pois esse pagamento está em desconformidade com a forma estabelecida na decisão judicial, não podendo tal valor ser deduzido da base de cálculo da apuração do Imposto de Renda da Pessoa Física.. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões, ratifica o seu guerreado direito a dedução e junta novamente documentos para comprovar o efetivo pagamento da pensão e a obrigatoriedade. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10580.725268/201784 Acórdão n.º 2001000.853 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito Pensão alimentícia Merece seja ressaltado logo de inicio que a lide reside apenas na dedutibilidade da pensão sobre a parcela do abono de permanência recebida pelo Contribuinte, no valor de R$21.634,67. Como se verificou através dos autos, de acordo com a determinação judicial , o empregador do contribuinte tinha o dever legal de efetuar o desconto e recolhimento da pensão sobre a parcela do abono, mas não o fez devido a limitações de sistema. Sendo assim, para não desobedecer o seu dever legal, o contribuinte fez os devidos pagamentos diretamente a seus alimentandos , comprovando tais pagamentos através dos documentos acostados aos sutos do processo. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Fl. 217DF CARF MF 4 No caso em comento discutese apenas a dedutibilidade da pensão sobre a parcela do abono de permanência no valor total de R$ 72.342,57, devido a não retenção pelo empregador, a despeito do quanto determinado em sentença judicial. Pois bem. Como dito acima, era obrigatório o pagamento da pensão sobre a parcela do abono de permanência, conforme resta absolutamente claro da decisão judicial, juntada aos autos. Vale dizer, a determinação judicial é muito clara quando determina que os descontos sejam feitos sobre os rendimentos brutos do alimentante , excluídos apenas o INSS e IR, incidindo sobre todos os demais rendimentos. Ou seja, o pagamento da pensão sobre o abono de permanência não foi feito por liberalidade e sim por imposição judicial. O fato de o empregador não cumprir seu dever legal de descontar a pensão na folha de pagamentos, dentro dos parâmetros estabelecidos em juízo não isenta o contribuinte de sua obrigação. Com a devida vênia, a partir do momento em que se diz que tal pagamento, feito pelo contribuinte, se trata de uma liberalidade, está o julgador corroborando com o descumprimento da determinação judicial. Ora, um erro não justifica o outro. O contribuinte foi absolutamente ético e cumpridor de seu dever legal ao recolher a pensão sobre o abono já que o empregador não fez a retenção conforme determinado na sentença judicial. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10580.725268/201784 Acórdão n.º 2001000.853 S2C0T1 Fl. 4 5 material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos e documentos claros trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas da obrigação legal em pagar a pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte no valor de R$21.634,67. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente a despesa de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003064/2006-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-007.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 30 64 /2 00 6- 81 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10950.003064/200681 Acórdão n.º 9303007.591 CSRFT3 Fl. 294 2 Relatório Tratase de recurso especial apresentado tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403001.944, de 19/03/2013, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa, transcrita na parte que interessa ao litígio: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes." Intimada desse acórdão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, suscitando divergência quanto ao direito de aproveitar créditos sobre: 1) despesas com fretes para transporte de compras de insumos; e, 2) despesas com desembaraço aduaneiro e estiva. Para fundamentar seu recurso, alegou, em síntese, que somente podem ser considerados como insumos, para fins de aproveitamento de créditos de PIS não cumulativo, os custos e despesas elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Expendeu ainda extenso arrazoado sobre o conceito de insumos, abrangendo a legislação do IPI e a IN SRF nº 404/2004, concluindo, ao final, que as referidas despesas não estão dentre aquelas numeradas no referido artigo 3º. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 274e/275e, o Presidente da 4ª Câmara admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou sua contrarrazões, pugnando pelo seu não conhecimento e, se conhecido, negarlhe provimento. Em síntese é o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10950.003064/200681 Acórdão n.º 9303007.591 CSRFT3 Fl. 295 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67, As matérias decididas na Câmara Baixa, impugnadas pela Procuradoria, nesta fase recursal foram: 1) aproveitamento de créditos sobre despesas com fretes incorridas com o transporte de compras de insumos; e, 2) despesas incorridas com desembaraço e desestiva de mercadorias. Segundo seu entendimento, tais despesas não estão elencadas dentre aquelas que geram créditos, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Para comprovar a divergência, apresentou como paradigma apenas a ementa do Acórdão nº 20312.448, reproduzida a seguir: "PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial." Do seu exame, verificase que as matérias impugnadas pela Procuradoria, nesta fase recursal, não constam daquelas tratadas na ementa reproduzida. Também do exame do acórdão paradigma que se encontra no sítio do CARF, verificase que tais matérias não foram objeto de análise e julgamento naquele. acórdão. Assim, demonstrado e comprovado a falta de similitude entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. À luz do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10950.003064/200681 Acórdão n.º 9303007.591 CSRFT3 Fl. 296 4 Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722482/2013-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015
Numero da decisão: 9303-007.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 24 82 /2 01 3- 90 Fl. 7882DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 9303007.909 CSRFT3 Fl. 7.883 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3302004.781, de 28/09/2017, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, negou provimento recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da ementa seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITAS PROVENIENTES DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DELIMITAÇÃO. Nos termos do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo da Cofins as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, assim consideradas apenas aquelas que correspondam, efetivamente, à construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.” Intimado desse acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto às seguintes matérias: 1) nulidade do acórdão recorrido na medida que despreza as provas trazidas em sede de fiscalização e julga o feito como se as mesmas não tivessem sido apresentadas; 2) interpretação equivocada e restritiva do art. 10, XX, da Lei no 10.833/2003, em afronta ao Ato Declaratório Interpretativo nº 10/2014. Por meio do despacho às fls. 7802e/7806e, o Presidente da Terceira Seção negou seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Irresignado com a não admissão de seu recurso especial, interpôs Agravo contra aquele despacho. Analisado o agravo, a Presidente da CSRF o acolheu para admitir, em parte, o recurso especial, dandolhe seguimento apenas, quanto à divergência: "Nulidade do acórdão recorrido na medida que despreza as provas trazidas em sede de fiscalização e julga o feito como se as mesmas não tivessem sido apresentadas". No recurso especial, o contribuinte requer a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara para que sejam analisadas as provas colacionadas aos autos durante o procedimento administrativo fiscal. sob o argumento de que as provas apresentadas em sede de fiscalização não foram consideradas pelo Colegiado daquela Turma, conforme excerto reproduzido: "De acordo com o acórdão recorrido, o lançamento fora construído com base em declaração do contribuinte, razão pela qual não estaria inquinado de nulidade.Pois bem, objetivamente estamos a falar das DACON – Demonstrativo de Apurações de Contribuições Sociais. As DACONs, portanto, seriam as provas necessárias para comprovação das alegações da Recorrente, Fl. 7883DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 9303007.909 CSRFT3 Fl. 7.884 3 entretanto, disseram os julgadores que não teriam apresentadas." (destaque não original) Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade parcial, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões, requerendo, em preliminar, o não conhecimento do recurso do contribuinte, sob o argumento de que os fatos e a legislação analisados nos paradigmas são diferentes daqueles examinados no acórdão recorrido; e, no mérito, a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. O contribuinte suscitou a nulidade do acórdão recorrido, sob o argumento de que as provas apresentadas (Dacons), durante o procedimento administrativo fiscal, não foram levadas em conta pela Fiscalização. Os acórdãos apresentados como paradigmas, visando comprovar a suscitada divergência assim dispuseram: Acórdão nº 10422.892 “EMBARGOS ACÓRDÃO NULIDADE É nulo o acórdão que, em seus fundamentos, se afasta da matéria fática e/ou provas trazidas aos autos, em flagrante afronta ao princípio da verdade material, que deve nortear o julgamento administrativo. Embargos Declaratórios acolhidos. Acórdão anulado” Acórdão nº CSRF 01.03.281 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA NULIDADE Anulase a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestarse, devendo outra ser prolatada. Preliminar acatada” Do exame do conteúdo das ementas dos paradigmas apresentados, verificase que não guardam similitude com a do acórdão recorrido nem com a respectiva decisão e muito menos com os fundamentos suscitados para a sua nulidade. No primeiro paradigma, a nulidade do acórdão teve como fundamento o afastamento da matéria fática e/ ou das provas trazidas aos autos. No presente caso, conforme Fl. 7884DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 9303007.909 CSRFT3 Fl. 7.885 4 consta do voto condutor do acórdão recorrido, o lançamento foi efetuado com base na documentação apresentada pelo contribuinte, inclusive, Dacons. Segundo os autos de infração os lançamentos abrangem apenas 5 (cinco) competências mensais, março, julho, agosto, novembro e dezembro de 2009. Contudo, o contribuinte não informou para quais competências o autuante não aceitou os Dacons apresentados, se limitando à alegação genérica de que foram levados em conta no julgamento da Câmara Baixa. Caberia a ele identificar e demonstrar qual ou quais Dacons não foi considerados. Já no segundo paradigma, conforme provam a sua ementa, reproduzida no recurso especial, e o respectivo voto condutor do acórdão, às fls. 6023 e/6024e, a nulidade do acórdão teve como fundamento o não enfrentamento da matéria de mérito. A falta de similitude entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas implica o não conhecimento do recurso especial do contribuinte, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. À luz do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 7885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908970/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 70 /2 01 3- 73 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.796. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723545/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1
Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário tendo em vista a existência de identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa.
Numero da decisão: 2401-005.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1 Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário tendo em vista a existência de identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1 Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário tendo em vista a existência de identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 35 45 /2 01 5- 74 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC (DRJ/FNS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, não reconhecendo o direito do contribuinte relativo ao regime de tributação do RRA, conforme ementa do Acórdão nº 0738.425 (fls. 74/83): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS ACUMULADOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PRIVADA. NÃO SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente provenientes de aposentadoria privada não estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, por não estarem abrangidos no rol de rendimentos elencados no art. 12A da Lei nº 7.713/1988. RENDIMENTOS ACUMULADOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PRIVADA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Com a edição da Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015, a Receita Federal do Brasil fica vinculada ao entendimento segundo o qual os rendimentos acumulados não estão sujeitos à tributação conforme o regime de caixa, devendo aqueles que não se enquadrarem na hipótese de tributação exclusiva na fonte serem tributados pelo regime de competência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do julgamento administrativo, não cabe o agravamento da exigência do lançamento, por se constituir, em última análise, em realização de lançamento pela instância julgadora, o que lhe é vedado. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata de Notificação de Lançamento (fls. 50/64) lavrada em 24/08/2015, relativo ao anocalendário de 2010, por meio da qual apurouse omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de entidade de previdência privada. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls.51/59): 1. O Contribuinte recebeu da Fundação Copel de Previdência e Assistência Social R$ 663.640,86 decorrente de Ação Judicial a título de complementação de aposentadoria; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19985.723545/201574 Acórdão n.º 2401005.834 S2C4T1 Fl. 3 3 2. Do valor de R$ 663.640,86, foram deduzidos os honorários advocatícios, no valor de R$ 119.262,00, e contribuição para entidade de Previdência Privada, no valor de R$ 51.702,62, chegando ao valor tributável de R$ 492.676,24; 3. Constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 492.676,24, tendo sido compensado Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 167.045,02; 4. O regime de tributação exclusivo na fonte para Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA não abrange os valores pagos por entidade privada de previdência complementar; 5. Em razão do lançamento efetuado foram glosadas as seguintes informações lançadas na ficha Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA: Previdência Oficial, no valor de R$ 62.927,65; número de meses relativos ao rendimento auferido, num total de 105; e Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 167.042,02. Em 28/08/2015 o Contribuinte tomou ciência da Notificação, via Correio (AR fl. 65) e, em 15/09/2015, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 02 a 05, instruída com os documentos relacionados nas fls. 06 a 36. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/FNS para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0738.425, em 09/06/2016 a 6ª Turma resolveu julgar a impugnação improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Em 04/07/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 85) e, em 27/07/2016, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 87 a 91, instruído com os documentos relacionados nas fls. 92 a 149. Em seu Recurso Voluntário faz um breve relato dos fatos e alega que a 6ª Turma da DRJ/FNS no Acórdão nº 0738.426, referente ao anocalendário 2011/2012, proferiu decisão dando procedência à Impugnação apresentada, apesar de ambos os casos tratar do mesmo assunto, da mesma Ação Judicial, terem sido julgados pela mesma equipe, ser um Acórdão seguido do outro e assinados pela mesma pessoa, mas com votos contrários. Prossegue afirmando que relativo ao anocalendário 2010/2011, "os rendimentos recebidos tratamse de valores decorrentes de RT, relativos as diferenças nos rendimentos de trabalho recebidos da Companhia Paranaense de Energia (COPEL), de 1977 a 1995, os quais foram pagos após ajuizamento da ação na 15ª Vara do Trabalho de Curitiba sob o nº 38435/1996, quando foi reconhecido o direito a diferenças de adicional de periculosidade e reflexos, o que lhe deu o direito de pleitear as diferenças que consequentemente refletiram na sua aposentadoria, portanto referese a rendimentos do trabalho". Fl. 188DF CARF MF 4 Conclui requerendo o acolhimento do recurso apresentado para o fim de cancelar o débito fiscal reclamado, bem como ter reconhecido o valor original do Imposto de Renda a ser restituído. Em 09/05/2017 foi juntado nas fls. 156 a 184 documentos referentes à propositura de Ação Ordinária em face da União (Processo Judicial nº 5006364 17.2011.404.7000/PR), que trata da mesma matéria discutida no processo administrativo. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O presente processo administrativo trata da Notificação de Lançamento de Imposto de Renda, em face da constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. O contribuinte alega a não existência de omissão de rendimento, visto que o valor recebido se refere a diferenças no complemento de aposentadoria e que a forma de tributação deve respeitar o exercício fiscal. Os documentos adunados aos autos às fls. 156/183, noticiam a proposição de ação ordinária pelo contribuinte em face da União Federal (processo judicial nº 5006364 17.2011.404.7000/PR), através da qual a parte autora requer seja declarado o seu direito ao recolhimento do imposto de renda de acordo com as regras e alíquotas aplicáveis ao mês de referência, apurandose mês a mês os valores recebidos acumuladamente, no Processo nº 46.221/2006, com a dedução das despesas autorizadas por lei e reconhecendo o caráter indenizatório dos juros moratórios que incidiram sobre os valores pagos na demanda (fl. 163). Compulsando os autos, verifico que a discussão judicial trata da mesma matéria discutida no processo administrativo, consoante se destaca da sentença proferida (fls.163 e seguintes), o que configura identidade de objetos, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa, razão pela qual aplicase ao presente caso o entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 1, assim redigida: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, o recurso não deve ser conhecido por concomitância. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19985.723545/201574 Acórdão n.º 2401005.834 S2C4T1 Fl. 4 5 Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000107/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Tendo havido declaração a menor de valores devidos e pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica-se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa de mora.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. Tendo havido declaração a menor de valores devidos e pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica-se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa de mora. Recurso Voluntário Provido.
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MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. Tendo havido declaração a menor de valores devidos e pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa de mora. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 07 /2 00 9- 51 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 615 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por bem descrever os fatos: Trata o presente processo de impugnação interposta contra auto de infração, lavrado em decorrência de auditoria interna de DCTFs apresentadas pela empresa em epígrafe, e que constituiu crédito da CPMF dos períodos de dezembro de 2005 a setembro de 2007, com ciência efetuada em 23.01.2009 (fls. 16), no valor total de R$ 491.140,64, computados, além do principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 30.12.2008. O lançamento em questão decorreu do pagamento de CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, realizado pela contribuinte em 16/05/2008, no valor total de R$ 2.075.299,91 (dois milhões, setenta e cinco mil, duzentos e noventa e nove reais e noventa e um centavos), cujos valores de citada contribuição deveriam ter sido recolhidos nos anos de 2005, 2006 e 2007, os quais foram pagos pela impugnante a destempo, computandose exclusivamente os juros de mora, sem o correspondente acréscimo da multa de mora. A demonstração dos valores de CPMF supostamente liquidados pelo DARF de R$ 2.075.299,91 encontrase evidenciada no Termo de Verificação Fiscal, especificamente na planilha de fls. 3/4, que contempla períodos de apuração de 21.12.05 a 30.09.07. A autoridade fiscal assevera que o recolhimento dos valores de CPMF em atraso foram acrescidos de juros de mora, sem, entretanto, considerar a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27.12.96. Afirma, ainda, que o contribuinte se utilizou do argumento do instituto da denúncia espontânea para justificar o não recolhimento da multa de mora, formalizando a denúncia em questão no processo administrativo de nº 16327.001012/200874. Entende a autoridade fiscal que no instituto da denúncia espontânea não existe previsão que favoreça o atraso no pagamento do tributo, apresentando entendimento do Conselho de Contribuinte sobre a matéria, citando acórdão que enfrenta o tema. Para apurar os valores devidos no presente processo, a autoridade fiscal promoveu a imputação proporcional do pagamento efetuado pelo contribuinte, tendo como fundamento para tal procedimento os artigos 163 e 167 da Lei nº 5.172, de 25.10.96 (Código Tributário Nacional), procedimento esse referendado pelo Parecer PGFN/CDA nº 1.936 de 2005. Cita o acórdão nº 20310.016 da 3° Câmara do 2° Conselho de Contribuintes (DOU de 07 de abril de 2006), o qual apresenta o entendimento que a "denúncia espontânea resta caracterizada no montante do total recolhido, a ser distribuído entre os valores principais do tributo e as multas Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 616 3 de mora respectivas. Após a imputação do total recolhido, a diferença a pagar deve ser objeto de lançamento, acompanhada da multa de oficio". Para apurar os valores devidos, em face dos recolhimentos efetuados fora dos respectivos vencimentos, sem a devida inclusão da multa de mora, procedeu a autoridade fiscal a imputação do recolhimento efetuado em 16.05.2008, cujo resultado encontrase materializado no Demonstrativo de Imputação de Pagamentos, doc. de fls. 20/23, onde se evidenciou que somente uma parte do valor retido de CPMF, correspondente a R$ 1.463.813,43 foi corretamente recolhida. Dessa forma, entende a autoridade fiscal que a contribuinte não efetuou o recolhimento integral da CPMF, restando a recolher o valor correspondente a R$ 240.897,04, objeto do presente Auto de Infração, salientando, por fim, que a comunicação de pagamento promovida pelo contribuinte não tem o condão de dispensar a multa de mora, com base no instituto da denúncia espontânea, implicando na imputação realizada no presente processo, com a consequente cobrança da multa de oficio. Em sua impugnação, formalizada em 20.02.2009, doc. de fls. 28/36, argumenta a contribuinte, em síntese, os seguintes pontos: Da denúncia espontânea Alega a impugnante que, por se encontrar em estado de mora em relação ao pagamento da CPMF, efetuou o recolhimento em atraso de citada contribuição, corrigido monetariamente e acrescido de juros de mora, realizando tal pagamento antes da prática de qualquer ato de fiscalização por parte da Receita Federal, utilizandose, portanto, do instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entende que em referido dispositivo legal está expressamente definido que nenhum outro ônus, além dos juros de mora, pode recair sobre contribuinte que denunciar espontaneamente seu débito, tendo, como consequência, excluída a responsabilidade pela infração cometida. Afirma a suplicante que tal comando legal objetiva privilegiar contribuintes que, agindo de boafé, direcionemse à Fazenda Pública se dispondo a pagar tributos devidos e já vencidos, não obstante estejam sujeitos a qualquer tipo de fiscalização. Assevera, ainda, que a implementação de tal dispositivo demonstra a intenção do legislador em beneficiar os contribuintes que, antes de qualquer procedimento fiscal, denunciam deliberadamente seus débitos, promovendo seus respectivos pagamentos. Para reforçar seu entendimento, apresenta a impugnante comentário de Sacha Calmon Navarro Coelho que trata da denúncia espontânea. Em seguida, apresenta jurisprudências sobre o tema do TRF da 1ª e da 4ª Região e do STJ, reproduzindo o voto do Ministro Relator Demócrito Fl. 616DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 617 4 Reinaldo proferido no Resp. nº 111.470/SC, que trata da denúncia espontânea, e o voto do Ministro Ari Pargendler, proferido no julgamento do Recurso Especial n° 16.672/SP, no qual é manifestado o entendimento sobre o descabimento de qualquer distinção entre multa fiscal punitiva e multa fiscal moratória. Afirma a impugnante que a tese da denúncia espontânea encontrase prestigiada no âmbito do Conselho de Contribuintes, juntando em sua peça impugnatória decisões de citado Colegiado, tanto proferidas por Câmaras do antigo 1º Conselho de Contribuintes, como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao final, requer a impugnante o cancelamento do auto de infração em razão da impossibilidade da exigência de multa, seja ela punitiva ou moratória, nos casos em que houve denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. A 2ª Turma da DRJ/BSB, acórdão nº 0358.923, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. O instituto jurídico tributário da denúncia espontânea albergado pelo art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) não alcança a remissão da multa moratória incidente sobre o crédito tributário recolhido em atraso. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Sobre o valor do tributo recolhido em atraso incidem juros e multa de mora. O recolhimento que não satisfaça o total do débito deve ser imputado proporcionalmente a tais rubricas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. Os arestos jurisprudenciais ou administrativos trazidos aos autos produziram efeitos apenas inter partes, não vinculando o entendimento do julgador. Em seu recurso voluntário, o Recorrente ratifica todos os argumentos de sua impugnação; sustenta a efetivação da denúncia espontânea, com a exclusão da multa de mora. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a controvérsia se volta ao cabimento ou não da multa de mora nas hipóteses em que o contribuinte realiza o pagamento integral do tributo devido antes Fl. 617DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 618 5 da entrega da DCTF e do início de qualquer procedimento de fiscalização. Dito de outra forma, a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea à multa moratória. Para a DRJ, na denúncia espontânea da infração, nos termos em que o instituto está previsto no artigo 138 do CTN, a multa de mora é indispensável: Desassiste, assim, razão ao interessado quando, invocando o art. 138 do CTN, pretende eximirse do acréscimo da multa moratória, legalmente definida, incidente sobre tributos pagos em atraso. O instituto da denúncia espontânea exclui tão somente a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea. Ocorre que se observa nos autos que o Banco procedeu ao recolhimento em atraso, acrescido de juros de mora, sem a multa de mora, antes da prática de qualquer ato de fiscalização por parte da Receita Federal, conforme comprovam as cópias dos DARFs dos pagamentos (v. quadro nas efls. 285 e documentos de efls. 306607). As DCTFs original e retificadoras, nas quais constam os referidos débitos foram entregues em data posterior aos pagamentos realizados. Por isso, entendo que assiste razão ao Banco. O art. 138 do CTN prescreve regra de exclusão da responsabilidade por infrações quando a confissão da dívida é acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora devidos, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Observese: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O STJ editou súmula com a seguinte redação: Súmula nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Nos termos da Súmula, não há denúncia espontânea para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando o contribuinte realiza o pagamento fora do prazo legal de tributo já declarado, mesmo que antes de qualquer procedimento de fiscalização. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 619 6 Por outro lado, se o pagamento integral do tributo se der com os juros e fora do prazo legal, bem como que não tenha sido constituído/declarado, aplicase a denúncia espontânea, desde que não tenha se iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Posteriormente, o STJ, no julgamento do REsp nº 1.149.022, sob a sistemática de recurso repetitivo firmou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). [...] 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. [...] 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Tal decisão é de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do art. 62 do RICARF. Assim: Fl. 619DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 620 7 a) As multas moratórias têm natureza de punitivas, por isso excluídas da cobrança no caso de configuração da denúncia espontânea; b) No caso de lançamento por homologação, não cabe a denúncia espontânea se o contribuinte declara todo o débito tributário, mas realiza o pagamento integral a destempo; c) A denúncia espontânea se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo. No caso em comento, restou incontroverso que o pagamento foi realizado a destempo, com o acréscimo dos juros de mora, e que a entrega da DCTF foi posterior ao pagamento e antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Ressalto que a causa da lavratura do auto de infração foi tão somente a falta do recolhimento da multa de mora. Nesse contexto está claro que o contribuinte deve ser beneficiado pela denúncia espontânea, uma vez que foram completamente observados os requisitos do art. 138, do CTN. Por fim, aponto que alguns débitos não foram objeto do recurso voluntário, conforme se observase na efl. 285, nota de rodapé n. 1. Dessa forma, esses valores pontualmente discriminados pelo Recorrente são incontroversos. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720837/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 08 37 /2 01 0- 51 Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a referida decisão de origem. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação do despacho decisório, em virtude de violação ao princípio da motivação e à garantia constitucional da ampla defesa, ou, subsidiariamente, a sua reforma, alegando violação ao princípio da verdade material. Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava limitado ao crédito apurado no mercado externo, tendo a própria Administração Pública identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente à homologação da compensação declarada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12073.503, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado pelo fato de que, em relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado com outros tributos o saldo credor das contribuições acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e 9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv) impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.475, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10855.720785/201013, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.475): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar "Nulidade do acórdão recorrido, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões" A recorrente alega que o Despacho decisório e a decisão recorrida seriam nulos, pois desprovidos das fundamentações fáticas e legais, o que feriria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99. O Despacho Decisório (fls. 526 a 529) fundamentouse na Informação Fiscal (fls. 448 a 465) que traz relato detalhado do trabalho de auditoria fiscal, com os tipos de crédito e receitas tributáveis analisados e os correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas sujeitas à tributação. E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a preliminar de nulidade, remetendose à devidamente fundamentada e motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os dispositivos legais em que se baseou. Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar. Mérito "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo do direito à compensação posicionamento consolidado do E. STF" "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 da violação ao princípio da hierarquia das leis" "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96" A conclusão da auditoria fiscal (fl. 463) foi a de que, ao fim do 2° trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 5 4 de COFINS "Mercado Interno" (a compensar com débitos da COFINS futuros) e R$ 313.715, 35 de saldo créditos de COFINS "Mercado Externo"(créditos passíveis de restituição ou ressarcimento), após a glosa de R$ 124.732,91. A glosa motivou a homologação parcial das compensações vinculadas. Nos tópicos em epígrafe, a recorrente discorre longamente sobre teses jurídicas, cujo objetivo é o de obter autorização para utilizar o saldo de créditos de COFINS "Mercado Interno" para liquidar os débitos que restaram em aberto em razão da glosa de créditos. Inicia, informando que importa e produz mercadorias cuja venda é tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art. 1° da Lei n° 10.485/02). Subentendese que teria acumulado créditos em razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral de créditos. Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no RE n° 635.688/RS, com repercussão geral. E destaca que esta decisão vincula o CARF, por força regimento interno. Ao fim, consigna que mantém integralmente os créditos de COFINS sobre as compras, apesar de gozar de redução de base de cálculo nas vendas, com base no art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que os créditos acumulados em razão de isenção poderiam ser objetos de pedidos de ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Neste ponto, vale reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14, os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96: RE 635.688/RS "Recurso Extraordinário. 2. Direito Tributário. ICMS. 3. Não cumulatividade. Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às operações anteriores, salvo determinação legal em contrário na legislação estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação proporcional do crédito relativo às operações anteriores. 5. Repercussão geral. 6.Recurso extraordinário não provido." Lei n° 11.033/04 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Lei n° 11.116/05 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 6 5 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao ressarcimento/compensação dos créditos COFINS "Mercado Interno" o previsto no art. 21 da IN SRF n° 600/05: a uma, porque o conceito de redução de base de cálculo se equipara ao de isenção; e, a duas, pois estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confrontase com os citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim dispõe o art. 21 da IN SRF n° 600/05, em vigor no período em análise: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (...)" Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está previsto no inciso II do art. 156 do CTN modalidade de extinção do crédito tributário. Que reconheceu a existência de saldo credor de COFINS "Mercado Interno" o que já evidencia o direito a que faz menção o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 7 6 Que a compensação é o restabelecimento do direito à propriedade disposto no inciso XXII do art. 5° da CF. Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos débitos que por meio dela haviam sido liquidados atentaria contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF e art. 2° da Lei n° 9.784/99. Não assiste razão à recorrente. De pronto consigno que o tema relacionado à possível inconstitucionalidade da vedação legal ao ressarcimento de créditos da COFINS "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por força da Súmula CARF n° 2. Assim, nego provimento às alegações correlatas. Prossigo a análise do recurso, citando o art. 170 do CTN, que dispõe que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei. Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da Lei n° 11.116/05 e 17 da Lei n° 11.033/03, que dispõem que somente créditos acumulados em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência podem ser objetos de ressarcimento e/ou compensação com qualquer tipo de débito tributário federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos motivados por vendas com redução de base de cálculo. E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou. O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução de base de cálculo à isenção, com base em decisão do STF, com repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF. Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se insere. Os institutos foram equiparados para os fins a que se prestava aquele julgamento, qual seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de preservação do princípio constitucional da não cumulatividade que rege este tributo. Não entendo, portanto, que o STF tenha introduzido um novo entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins legais. E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito ou à sua manutenção o acúmulo, ocasionado por redução da base de cálculo das vendas correspondentes não se encontra entre as hipóteses de estorno de crédito do §13 do art. 3° da Lei n° 10.833/03 porém tão somente cumprindo determinação prevista em lei ordinária, cuja competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN. Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos nos tópicos do recurso voluntário em epígrafe. "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora art. 100 do CTN" Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 8 7 Protesta contra a cobrança de juros e multa de mora, que foram acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados. Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta lide a cobrança dos débitos que restaram em aberto em virtude da não homologação da compensação. Conclusão Conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000729/2003-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Sat Jan 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/1996. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO.
Somente dão direito ao crédito ao IPI as entradas de matéria-prima, material de embalagem e produtos intermediários utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja esteja sujeita à tributação, excluídos, por conseguinte, os classificados como NT na TIPI. A Lei nº 9.363/96 só se aplica aos contribuintes do IPI, não abrangendo portanto as saídas de mercadorias classificadas como NT na TIPI, cujas entradas de matéria-prima, material de
embalagem e produtos intermediários utilizados na sua elaboração são insuscetíveis de creditamento.
Recurso Especial da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9303-002.018
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Maria Teresa Martínez López
votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Marcos Aurelio Pereira Valadão
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/1996. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. Somente dão direito ao crédito ao IPI as entradas de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja esteja sujeita à tributação, excluídos, por conseguinte, os classificados como NT na TIPI. A Lei nº 9.363/96 só se aplica aos contribuintes do IPI, não abrangendo portanto as saídas de mercadorias classificadas como NT na TIPI, cujas entradas de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários utilizados na sua elaboração são insuscetíveis de creditamento. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 07 29 /2 00 3- 77 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF: Tratase de recurso voluntário interposto em razão da decisão proferida pela DRJ em Santa Maria/RS, que manteve o indeferimento em relação ao pedido de ressarcimento/compensação de créditos presumido do IPI apurado no 4º trimestre de 1998, apresentado em 14/05/2003, em que a Recorrente visava o aproveitamento com base na Portaria MF número 38/97. Consta dos autos auditagem fiscal realizada com o objetivo de averiguar a procedência das solicitações de Ressarcimento de IPI relativas aos créditos presumidos e básicos, com base no artigo 11 da Lei 9.779/99, artigos 165, 178 e 179 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados — RIPI, relativos aos processos administrativos relacionados no quadro abaixo: No Processo Período/Tipo de Crédito Valor Período Fls. 10665.000726/200333 1° TRIM/1998 Presumido 87.976,19 1 10665.000727/200388 2° TRIM/1998 Presumido 79.573,63 1 10665.000729/200377 3° TRIM/1998 Presumido 95.129,56 1 10665.000728/200322 4° TRIM/I 998 Presumido 58.643,31 1 10665.001234/200264 I ° TRIM/1999 e 10/2000 a 2° TRIM/2002 — Presumido 1.192.403,26 10665.001231/200241 1 ° TRIM/1999 A 2° TRIM/2002 — BÁSIC() 189.844,85 TOTAL 1.703.570,80 Auditoria concluiu que: “os valores do IPI escriturados nos livros de Registro de Apuração de IPI se referem aos insumos utilizados no.processo produtivo de produtos tributáveis, em obediência aos dispositivos Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 225 3 legais que excluem a possibilidade do aproveitamento dos créditos de insumos aplicados a produtos/mercadorias comercializados fora do campo de incidência do Imposto de Produtos Industrializados — IPI (não tributados — NT)”. A decisão recorrido manteve “in totum” o despacho negatório, sob a fundamentação de que a fabricação e a exportação de produtos não _tributados pelo,IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensação do PIS e da COFINS. Sustenta a Recorrente, em suas razões recursais, que o artigo 1º da Lei 9.363/96 consagra ao produtorexportador o direito ao ressarcimento das Contribuições ao PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de insumos, através do crédito presumido do IPI. Entendem a Recorrente que a legislação aplicável não faz ressalva em relação ao tipo de produto final produzido, portanto a fruição do beneficio ao (sic) encontra condicionada aos produtos tributados pelo IPI, pois a lei referese tãosó "a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”. Traz à colação em socorro de sua tese alguns Acórdãos da CSRF, que assegura as empresas exportadoras o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ainda que adquiridos de fornecedores não contribuintes do PIS/COFINS. Por derradeiro requer seja conhecido e provido o recurso. A decisão foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. 0 produtor e exportador de produtos nãotributados no mercado interno tem direito ao crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Recurso Voluntário Provido. A Procuradoria interpôs, às fls. 184, embargos declaratórios alegando que a decisão, ao conceder ao sujeito passivo o direito ao crédito presumido sobre produtos não tributados, teria sido omissa quanto à Súmula nº 13 do Segundo Conselho de Contribuintes. Os embargos foram recebidos e rejeitados, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. 0 produtor e exportador de produtos nãotributados no mercado interno têm direito ao crédito presumido de que trata a Lei n. 9.363/96. BASE DE CALCULO. GOZO DE INCENTIVO FISCAL. IPI. EXPORTAÇÃO. A exigência contida no art. 1º da Lei n° 9.363/96 em relação as variáveis que devem compor a base de calculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Embargos Rejeitados. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou, às fls. 190/198, recurso especial por divergência, em face do Acórdão nº 210100.198 aditado pelo Acórdão nº 3403 00.305. A divergência argüida referese à concessão, ao contribuinte, do direito de apurar crédito presumido de IPI em relação à exportação de produtos NT. O recurso foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 219. O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à possibilidade de empresas que produzem e exportam produtos NT poderem se aproveitar do crédito presumido do IPI, a título de devolução do PIS/COFINS, com base na Lei nº. 9.363/1996, e conseqüentemente, caso acumule créditos, ter direito a sua restituição ou compensação. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 226 5 Cabe fazer uma análise mais pormenorizada do tema, partindo dos seus prolegômenos, que nada mais são que seus alicerces normativos. Primeiramente, destaquese que para ser contribuinte do IPI, o produtor deve produzir mercadorias sujeitas ao Imposto. Neste sentido confirase o que dizem o art. 3º da Lei 4.502/1964 e o art. 2º do RIPI 1998: Lei nº. 4.502/1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. RIPI 1998 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13).(Grifamos). Vejase que o art. 174 do RIPI 1998 (Decreto n. 2.637, de 25 de junho de 1998), vigente à época da origem dos créditos dispunha: Art. 174. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto Lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8º, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 12): I relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos isentos, nãotributados ou que tenham suas alíquotas reduzidas a zero, respeitadas as ressalvas admitidas; (destacamos) Destaquese também, por pertinente, que objeto da alteração do art. 11 da Lei nº. 9.779/1999 foi justamente a parte da alínea “a” acima no que se refere a produtos isentos e aqueles com alíquotas reduzidas a zero. No que diz respeito a produtos NT, em nada foi modificada a legislação do IPI. Aliás, é esta a inteligência da IN 33/99 e também do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº. 5, de 17 de abril de 2006. Tanto é assim que o RIPI 2002 (Decreto nº. 4.544, de 26 de dezembro de 2002), em dispositivo paralelo ao art. 174 do RIPI 1998 tem a seguinte dicção (já com alteração introduzida pela Lei nº. 9.779/99): Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (destacamos) Outro argumento que corrobora esta interpretação é a Súmula 20 do CARF, consolidada, que tem a seguinte redação: SÚMULA 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Feitas as observações acima, que são a base do raciocínio a ser desenvolvido, passemos ao caso do crédito presumido com base na Lei nº. 9.363, de que trata o especificamente o presente processo. Lembro, porém, primeiramente, dos argumentos expendidos pelas partes. A PGFN, em seu recurso especial alega que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 só aproveita aos contribuintes do IPI, trazendo à baila e transcrevendo a legislação do IPI que trata do assunto e escuda seus argumentos em dispositivos da legislação do IPI e do CTN, e, por fim, menciona entendimento da 2ª Turma da CSRF, que se alinha com o entendimento da PGFN, e traz também diversas decisões da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes com este entendimento. O contribuinte alegou em ser recurso voluntário que é relevante para fins de fruição do benefício previsto na Lei nº. 9.363/96, que a lei use o termo “mercadoria” (mais abrangente que o termo “produto”), que o benefício é um benefício amplo à exportação e mencionou também a existência decisão da Segunda Turma da CSRF que daria guarida a este entendimento. Linha de raciocínio seguida pela decisão recorrida. Ao se analisar a questão devese ter em mente que o termo “mercadoria” referese àquilo que é objeto de mercancia. Ora, o que é exportado, está sendo comercializado, então é necessariamente mercadoria. Ocorre que se trata, no caso, tão somente de mercadoria que tenha sido objeto de industrialização, pois somente ao contribuinte do IPI é permitido o crédito do imposto. O estabelecimento que produz mercadorias que não sejam classificadas pelo legislador como produto industrializado, constando na TIPI como NT, não é estabelecimento industrial, não é produtor industrial contribuinte do IPI e, portanto, não tem direito a créditos do IPI. Resta perquirir, se a circunstância de ser um crédito presumido que visa desonerar a exportação, a título de benefício fiscal, conforme previsto da Lei nº 9.363/96, teria permitido que pessoas jurídicas, ou mesmo pessoas físicas, exportadores de qualquer tipo de mercadorias teriam direito ao crédito do IPI. Para esta análise cumpre transcrever os artigos da Lei nº.9.363/96 que albergam o benefício fiscal em discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 227 7 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. §3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. ... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Art.4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farse á o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2º do art. 2º, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem assim a compensação mediante crédito, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Pela análise do texto da Lei citado acima, fica clara a remessa à legislação do IPI no que se refere à possibilidade de apropriação de crédito. A interpretação sistemática dos dispositivos leva ao entendimento de que somente os contribuintes do IPI têm direito a esse crédito presumido. Ou seja, não é possível àquele que não é contribuinte do IPI se apropriar de créditos deste imposto. Não fosse assim, i.e., se entendesse que a Lei nº. 9.363/96 instituíra um benefício genérico à exportação, ela não se referiria, como o faz em seu art. 4º, à situação em que “comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente.” – este é um comando somente aplicável a estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI, que tem livros de escrituração do IPI. Esta impossibilidade se dá nos casos, por exemplo, em que todos os produtos fabricados têm alíquota zero, ou alíquotas maiores que as dos insumos (implicando acumulação de crédito). Assim não fosse, o comando da Lei seria genérico. O Parágrafo Único do art. 3º da Lei nº. 9.363/96 determina a utilização subsidiária dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem conforme estabelecidos pela legislação do IPI. Vejase também que os §§ 2º e 3º do art. 2º prevêem exceções ao princípio da autonomia dos estabelecimentos vigente para IPI pelo qual cada estabelecimento é considerado um contribuinte autônomo devendo ter escrituração própria, vedada sua centralização (par. único do art. 51 do CTN, art. 57 da Lei nº. 4.502/64 e art. 313 do Decreto nº. 2.637, de 25 de junho de 1998 RIPI 1998, que vigia à época dos fatos referidos no presente processo). Por seu turno, o art. 5º determina o estorno de crédito em uma situação específica, ora como fazer estorno de crédito escriturado se não se tem escrituração? Ou seja, a interpretação sistemática da Lei aponta claramente no sentido de que dela se aproveita somente os contribuintes do IPI. E para ser contribuinte do IPI, o produtor deve produzir mercadorias sujeitas ao Imposto, Neste sentido confirase o que dizem o art. 3º da Lei 4.502/1964 e o art. 2º do RIPI 1998: Lei nº. 4.502/1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. RIPI 1998 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº. 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº. 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13).(Grifamos). Fica claro, portanto, que, à luz da legislação do IPI, o estabelecimento que produz mercadoria classificado como NT não é estabelecimento produtor (contribuinte) para Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 228 9 efeito do IPI, e portanto não pode escriturar créditos de IPI, e uma interpretação sistemática da Lei nº 9.363/96 não autoriza sua aplicação a produtores de mercadorias classificadas como NT na TIPI. Ao contrário do que é sustentado no Acórdão recorrido (às fls. 179), caso a legislação quisesse estender o benefício a produtos NT e a não contribuintes do IPI de maneira geral, a lei é que deveria ser expressa nesse sentido, e não o contrário, entendo que é isto que a omissão estaria a indicar. É que não se pode interpretar leis concessivas de benefício tributário de maneira ampliativa, com base apenas em um raciocínio a contrario sensu. Ad argumentadum, o entendimento pretendido pelo contribuinte e corroborado pela decisão recorrida afigurase inaceitável, pois permitiria, também, que um produtor rural, pessoa física, que exportasse, por exemplo, boi vivo (classificado como NT na TIPI) solicitasse a ressarcimento do PIS/COFINS incidentes nas compras de insumos agrícolas utilizados na sua criação, pois não há dúvida que boi vivo é mercadoria. Ora, se o benefício fosse tão genérico, não poderia ter sido instituído como crédito do IPI, a não ser, é claro, que a lei expressamente o dissesse, alterando, também e necessariamente a legislação do IPI, de maneira clara. Porém, a Lei nº. 9.363/96 não o faz, e por via de uma interpretação extensiva não se pode reescrever a lei ampliando o benefício além do seu escopo legal, dizendo mais do que disse o legislador. Em virtude dos argumentos acima, é forçosa a conclusão de que a Lei nº. 9.363/96 só se aplica aos contribuintes do IPI, não abrangendo portanto as exportações de mercadorias classificadas como NT na TIPI. Conforme os autos, apenas cerca de 1% um por cento da produção é sujeita à tributação do IPI, daí que o contribuinte em questão deve manter a escrituração do Imposto, mas isto não dá direito ao aproveitamento e utilização de todos os créditos constantes das notas fiscais de aquisição, mormente porque todas as saídas com produtos tributados pelo IPI são feitas para o mercado interno, não ensejando, portanto direito ao crédito presumido, com base na Lei nº. 9.363/96, objeto do presente processo. São neste sentido a constatação do Termo de Fiscalização, conforme se constata às fls. 136 reproduzido abaixo: 7) As vendas de produtos industrializados com tributação de IPI são destinadas ao mercado interno e representam menos de 1% do total das vendas da empresa, cuja quase totalidade se refere a produtos não tributados NT. Todos os créditos de insumos aplicados nesses produtos tributáveis foram aproveitados no livro Registro de Apuração de IPI, com apuração de pequenos saldos devedores na maior parte dos períodos abrangidos por esta verificação (janeiro/1998 a dezembro de 2002) os quais foram recolhidos corretamente, sem apresentar saldo credor disponível a ressarcir. Assim, no caso, como todos créditos solicitados se referem a insumos que foram utilizados na produção de produtos NT exportados (somente a venda interna foi com produtos tributados), não há como se manter os créditos na escrita, ou promover o seu ressarcimento. Em vista do exposto dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose a decisão proferida pela DRJ. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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