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Numero do processo: 13804.001478/99-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1989 a 30/09/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. Demonstrada a existência de contradição, no cotejo da ementa e fundamentação com o dispositivo do acórdão, deve-se acolher os embargos de declaração com vistas a suprir a mácula apontada, passando o acórdão embargado a ter o seguinte dispositivo:
Dispositivo:
ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência e reconhecer o direito ao indébito do PIS, afastada a aplicação da semestralidade, por se tratar de empresa prestadora de serviço sujeita à sistemática do PIS-Repique.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados pela Fazenda Nacional, para retificar o dispositivo do Acórdão nº 202-19.125, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1989 a 30/09/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. Demonstrada a existência de contradição, no cotejo da ementa e fundamentação com o dispositivo do acórdão, deve-se acolher os embargos de declaração com vistas a suprir a mácula apontada, passando o acórdão embargado a ter o seguinte dispositivo: Dispositivo: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência e reconhecer o direito ao indébito do PIS, afastada a aplicação da semestralidade, por se tratar de empresa prestadora de serviço sujeita à sistemática do PIS-Repique. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1989 a 30/09/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. Demonstrada a existência de contradição, no cotejo da ementa e fundamentação com o dispositivo do acórdão, devese acolher os embargos de declaração com vistas a suprir a mácula apontada, passando o acórdão embargado a ter o seguinte dispositivo: Dispositivo: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência e reconhecer o direito ao indébito do PIS, afastada a aplicação da semestralidade, por se tratar de empresa prestadora de serviço sujeita à sistemática do PISRepique. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados pela Fazenda Nacional, para retificar o dispositivo do Acórdão nº 202 19.125, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 14 78 /9 9- 93 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13804.001478/9993 Acórdão n.º 3301003.165 S3C3T1 Fl. 11 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de pedido de restituição/compensação efetuado em 29/04/1999, referente aos períodos de apuração compreendidos entre 12/89 e 09/95, de valores recolhidos a maior a título de contribuição para o PIS, em face da inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1998. No despacho decisório, considerouse o decurso do prazo decadencial, para os pagamentos efetuados até 29/04/1994, referentes aos períodos de apuração de 12/1989 a 04/1994, nos termos do art. 168 do CTN e Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999. Quanto aos períodos de apuração posteriores a 29/04/1994, houve o reconhecimento do direito creditório e a homologação das declarações de compensações até o limite do crédito reconhecido. A DRJ manteve o entendimento da decadência tal como o despacho decisório. Já em sede de recurso, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu que o prazo de decadência de cinco anos tem como prazo inicial a edição da Resolução n° 49, do Senado Federal, motivo pelo qual afastou a decadência para todo o período pleiteado pelo contribuinte. Os Embargos de Declaração foram opostos pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 20219.125, proferido, em 02/07/2008, pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A decisão embargada foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado Federal. PRESTADORAS DE SERVIÇOS. SEMESTRALIDADE. INOCORRÊNCIA. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços é o Imposto de Renda. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, cabe a aferição de eventuais diferenças entre os valores efetivamente pagos e os devidos, de acordo com a Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13804.001478/9993 Acórdão n.º 3301003.165 S3C3T1 Fl. 12 3 sistemática do PISRepique, não havendo que se falar em semestralidade. Recurso provido em parte. Aponta a Fazenda Nacional que houve contradição no dispositivo do acórdão, que afastou a decadência e reconheceu o direito ao indébito do PIS, observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula nº 11, do Segundo Conselho de Contribuintes, ao passo que a ementa e o voto condutor afastaram a aplicação da semestralidade. Os embargos foram admitidos em despacho competente (efls. 667668). É o relatório. Voto Com razão a Fazenda Nacional, configurada está a contradição. Observese o teor do voto condutor do acórdão: Com o advento dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, as empresas prestadoras de serviço recolheram 0,65% sobre a Receita Operacional Bruta do mês anterior, quando a sistemática então vigente era a apuração do PIS calculado sobre o balanço do IRPJ, à alíquota de 5%, denominado PISRepique. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços é o Imposto de Renda. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, cabe a aferição de eventuais diferenças entre os valores efetivamente pagos e os devidos, de acordo com a sistemática do PISRepique, não havendo que se falar em semestralidade. Pelo acima exposto, dou provimento parcial ao recurso. Repisando novamente o trecho da ementa, temse que: PRESTADORAS DE SERVIÇOS. SEMESTRALIDADE. INOCORRÊNCIA. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços é o Imposto de Renda. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, cabe a aferição de eventuais diferenças entre os valores efetivamente pagos e os devidos, de acordo com a sistemática do PISRepique, não havendo que se falar em semestralidade. Cotejando a conclusão do voto e a ementa, concluise que o recurso voluntário foi parcialmente provido, afastada a semestralidade. Todavia, no dispositivo do acórdão consta: Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13804.001478/9993 Acórdão n.º 3301003.165 S3C3T1 Fl. 13 4 ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência e reconhecer o direito ao indébito do PIS, observado o critério da semestralidade da base de cálculo, nos termos da Súmula nº 11, do 2º CC. Vencida a Conselheira Nadja Rodrigues Romero quanto à decadência. Com a declaração da inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449/1988, após o julgamento do RE nº 148.7542/RJ e a edição da Resolução do Senado Federal nº 49/95, o PIS voltou a ser exigido nos termos da LC nº 07/70, em dois regimes: o PIS/FATURAMENTO e o PIS/REPIQUE, devendo cada contribuinte ser tributado no respectivo regime jurídico a que estivesse sujeito. Dispõe a LC nº 07/70, verbis: LEI COMPLEMENTAR Nº 7, DE 7 DE SETEMBRO DE 1970 Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1º deste artigo, processandose o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (Vide Lei Complementar nº 17, de 1973) 1) no exercício de 1971, 0,15%; 2) no exercício de 1972, 0,25%; 3) no exercício de 1973, 0,40%; 4) no exercício de 1974 e subseqüentes, 0,50%. § 1º A dedução a que se refere a alínea a deste artigo será feita sem prejuízo do direito de utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor e calculada com base no valor do Imposto de Renda devido, nas seguintes proporções: a) no exercício de 1971 > 2%; b) no exercício de 1972 3%; c) no exercício de 1973 e subseqüentes 5%. § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de recursos Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13804.001478/9993 Acórdão n.º 3301003.165 S3C3T1 Fl. 14 5 próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Art. 6.º A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do art. 3º será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Do texto legal, o regime da semestralidade, previsto no art. 6º, parágrafo único, da LC nº 7/70, somente é aplicável às empresas comerciais ou industriais, sujeitas ao PISFATURAMENTO (art. 3º, alínea "b" e art. 6º), e não às empresas prestadoras de serviços, que recolhem pelo denominado PISREPIQUE (art. 3º, alínea "a” e artigo 3º, §2º da LC nº 7/70). Ou seja, deve ser aplicada a regra da semestralidade, para que a base de cálculo seja composta pelo faturamento apurado no sexto mês imediatamente anterior ao fato gerador, sem correção monetária, até a edição da MP nº 1.212/95, para as empresas comerciais e industriais. Já as prestadoras de serviço sujeitamse ao recolhimento do PIS com base em 5% do Imposto de Renda devido. Nesse sentido, as Súmulas do CARF: Antiga Súmula nº 11 do Segundo Conselho de Contribuintes A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. E Súmula CARF nº 15 (vinculante) A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Conforme o despacho decisório de efl. 580, o exame das declarações às e fls. 48/279, referentes aos períodos abarcados pelo pedido de restituição, atesta que a fonte preponderante de receita declarada é a de prestação de serviços, por isso o contribuinte, conforme a Lei Complementar n° 07/70, deve recolher o PIS sob a modalidade REPIQUE. Assim, a semestralidade da base de cálculo do PIS não é aplicável ao caso da embargada. Sobre a impertinência da aplicação da semestralidade ao PIS/REPIQUE, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou no Acórdão nº 9303000.324: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13804.001478/9993 Acórdão n.º 3301003.165 S3C3T1 Fl. 15 6 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O prazo de decadência do direito à restituição do PIS recolhido com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, é de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido. SEMESTRALIDADE. IMPERTINÊNCIA. EMPRESA SUJEITA AO PISREPIQUE. Prejudicada a análise do recurso especial quanto à semestralidade, uma vez que se tratando de empresa prestadora de serviço, sujeitase ao recolhimento com base em 5% do Imposto de Renda devido (PISREPIQUE), hipótese em que a semestralidade é inaplicável. Recurso Especial do Procurador Provido. A contradição está demonstrada, por se tratar de empresa enquadrada como prestadora de serviços, então a aferição de eventuais diferenças entre os valores efetivamente pagos e os devidos de acordo com a sistemática do PISRepique, não se coaduna com a aplicação de semestralidade. Diante do exposto, voto por acolher os embargos interpostos, para sanar a contradição apontada para retificar o dispositivo do Acórdão nº 20219.125, sem efeitos infringentes. Sala de Sessões, em 25 de janeiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 683DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.911860/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
Ementa: ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
Numero da decisão: 1401-001.803
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos dar
provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 Ementa: ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo com recurso paradigma. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos dar provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte. (Assinado Digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (Assinado Digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator. Fl. 64DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (relator), Aurora Tomazini de Carvalho. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso: Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório de fl. 7, que não homologou a Dcomp nº 26097.81619.171008.1.3.048870, através da qual o contribuinte compensou um débito de IRPJ – Estimativa Mensal (Código 5993), do período de apuração jun/2007, no valor original de R$ 2.937,50, utilizando- se de um crédito de pagamento a maior ou indevido de CSLL – Estimativa Mensal (código 2484), do período de apuração fev/2007, pago em 30/03/2007, no valor original de R$ 4.072,00. De acordo com o Despacho Decisório, o fundamento para a não homologação foi o fato de o crédito decorrer de pagamento de estimativa, que, segundo a legislação, somente pode ser utilizado na dedução do Imposto/Contribuição apurável na respectiva declaração de ajuste anual, no final do exercício, para compor o eventual saldo negativo. Ciente do Despacho Decisório em 22/11/2011, o contribuinte apresentou em 06/05/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 11, cujos trechos principais seguem abaixo transcritos: “a empresa em 16.06.2011 retificou a DCTF 01/2007, alterando o valor do imposto e vinculando ao débito apenas aos Per/Dcomps nºs. 38478.89806.310809.1.7.041208 e 00077.06313.310809.1.7.041460” “Segue a disposição do débito informado no código 59963 – IRPJ Pessoas Jurídicas não Financeiras – Resultado Ajustado – Estimativa Mensal: “Deste modo, de acordo com os documentos apresentados, a empresa Alejandro Tecnologia da Informação Ltda com base no Balanço de redução alterou o valor da estimativa mensal do débito compensado na referida Perdcomp inexistente.” Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10380.911860/2011-68 Acórdão n.º 1401-001.803 S1-C4T1 Fl. 2 3 Ao final, solicita que o débito seja considerado indevido. Da análise pela DRJ//FOR, resultou a seguinte decisão: Cientificado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: Preliminarmente, que a súmula nº 84 do CARF, autorizou a realização de compensação do pagamento a maior de estimativa no mês seguinte ao recolhimento. No mérito, que o valor do débito compensado não compôs o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ 2008/2007 retificadora. Solicita, então, a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do débito. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Da análise do presente caso constata-se que a decisão que não homologou a compensação apresentada pelo contribuinte baseou-se na vedação estabelecida pelo art. 10, da IN RFB nº 600/2005. De início devemos constatar que, em análise aos valores dos pagamentos nos sistemas de pagamento em comparação com as informações da DCTF, verificamos que os valores utilizados do crédito existem efetivamente, razão pela qual passaremos a analisar a apenas a eficácia das decisões proferidas. Referida vedação, no entanto, já foi objeto de análise por parte deste CARF em outros julgados que culminaram com a edição da Súmula nº 84, conforme abaixo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Demonstra-se desta forma que, apesar de a manifestação de inconformidade ter sido considerada não conhecida pela DRJ/Fortaleza, em face da deficiente argumentação apresentada, não há como se negar assistir jus à empresa quanto ao fato de terem sido revogados os efeitos do dispositivo que gerou a inicial não homologação da compensação, tendo em vista as disposições trazidas pela Súmula do CARF acima transcrita. Transcrevo ementa de voto deste mesmo CARF neste sentido. Processo nº 13502.900804/2009-48 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202-00.458 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2011 Matéria IRPJ - Compensação Recorrente PROQUIGEL QUÍMICA S/A Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10380.911860/2011-68 Acórdão n.º 1401-001.803 S1-C4T1 Fl. 3 5 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeita-se preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. À vista do acima demonstrado, é forçoso reconhecer que assiste razão ao contribuinte quanto ao fato da necessidade de revisão da decisão recorrida. Neste sentido é que, não havendo maiores controvérsias quanto ao assunto, VOTO por conhecer do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte e, afastando a preliminar suscitada por ser questão de mérito, neste decidir por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte no sentido de, em obediência à Súmula nº 84, do CARF, desconstituir os efeitos da decisão original e, na forma do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, considerar homologada a compensação apresentada pela empresa por meio dos PER/DCOMP objetos do presente processo. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000638/2010-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO.
Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO.
Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 9303-004.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso e lhe negaram provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso e lhe negaram provimento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 38 /2 01 0- 88 Fl. 804DF CARF MF 2 EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Transcrevo parte do relatório da decisão recorrida que bem descreve o processo: Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 17/25) a Recorrente auferiu receitas derivadas da venda de ações que deveria ter submetido à incidência das contribuições, mas não o fez, por ter entendido que se tratava de venda de ativo permanente, não sujeito, portanto, ao PIS e à COFINS. De acordo com informações constantes no próprio TVF a em virtude de processo de reorganização societária sofrido pela BOVESPA (desmutualização), mormente sua transformação de associação sem fins lucrativos em sociedade anônima, os títulos patrimoniais anteriormente detidos por suas associadas – dentre elas, a Recorrente foram convertidos em ações da empresa (BOVESPA Holding S/A). O mesmo ocorreu em relação à BM&F (desmutualização), que em processo similar foi transformada de associação sem fins lucrativos em sociedade anônima e converteu os antigos títulos patrimoniais em ações da empresa (BM&F S/A). A Recorrente possuía títulos patrimoniais nas duas associações e, por consequência, recebeu diversas ações das companhias transformadas, em substituição aos títulos patrimoniais (que com a transformação das associações em S/A, deixaram de existir). A Recorrente efetuou vendas das ações em comento, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007, parte em razão de ter se comprometido com a alienação da participação societária, quando da realização do IPO, e parte sem prévio compromisso. Na ocasião ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL o lucro auferido na alienação das referidas ações, contudo, deixou de recolher o PIS e a COFINS por entender que se tratava de venda de ativo permanente (excluindo as receitas auferidas da base de incidência das referidas contribuições). A fiscalização discordou neste ponto, por entender que a desmutualizaçao alterou a natureza das participações acionárias em questão (que teriam deixado de se qualificar como ativo permanente) o que gerou o lançamento. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.000638/201088 Acórdão n.º 9303004.561 CSRFT3 Fl. 3 3 Destaca a existência de medidas judiciais, ajuizadas pela Recorrente, visando a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS (mandado de segurança nº 2005.61.00.0113164), e da COFINS (mandado de segurança nº 2005.61.00.0106354), promovido pelo artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Em razão das medidas judiciais o crédito foi constituído com suspensão de sua exigibilidade. Ademais, em relação à incidência do PIS e da COFINS, o TVF concluiu que as receitas derivadas da alienação das participações societárias sob análise são receitas derivadas do objeto social da Recorrente e, por isso são tributáveis pelas contribuições. As peças dos processos judiciais que foram anexadas aos autos demonstram que foi concedida a segurança no processo que trata da COFINS, para afastar o alargamento da base de cálculo da contribuição, aplicandose o conceito de “faturamento mensal” cunhado pela Lei Complementar nº 70/91 (fls. 268/273). No processo do PIS também foi concedida a segurança, para afastar a aplicação das disposições contidas na Lei nº 9.718/98 (fls. 264/265). Em ambos os processos foram apresentados Recursos de Apelação. A decisão, favorável ao sujeito passivo, foi resumida na seguinte ementa: DESMUTUALIZAÇÃO OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES IMPOSSIBILIDADE DE SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE OPERAÇÃO SOCIETÁRIA A operação decorrente de documentos societários devidamente registrados na Junta Comercial e de acordo com o objetivo pretendido pelos associados só pode ser desconsiderado, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, se o propósito negocial não for verdadeiro, o que não ocorreu. Outra hipótese seria se a fiscalização comprovasse que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal e nestes termos revisse o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN), pois se não for revisto, o ato societário tornase negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderado enquanto válido. VENDA DE ATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS A receita decorrente da venda de ativos está fora do campo de incidências das contribuições do PIS e COFINS. Bens adquiridos com a intenção de permanência devem ser registrados no ativo permanente. A decisão foi tomada por maioria, valendo, desde logo, transcrever os motivos que levaram o presidente a acompanhar o voto da relatora: Declaração de Voto Fl. 806DF CARF MF 4 Conselheiro Walber José da Silva No presente recurso voluntário votei no sentido de desconstituir o lançamento porque a empresa Recorrente é um banco comercial e não é atividade própria dos bancos comerciais a compra em nome próprio, para posterior revenda, de títulos e valores mobiliários, a exemplo de ações. Eventual operação desta natureza, como a que aconteceu no presente caso, a receita auferida com a venda das ações não é receita da atividade própria do banco recorrente. Não sendo receita da atividade do contribuinte, não integrava a base de cálculo do PIS e da Cofins antes da alteração promovida pela Lei nº 9.718/98, que restou declarada inconstitucional pelo STF. Mais ainda, a referida receita não decorre da prestação de serviços ou da revenda de mercadorias, como sustentam alguns. No caso dos autos, o banco comercial recorrente adquiriu ações em nome próprio (com ou sem compromisso de revender), que passou a integrar o seu patrimônio, e as contabilizou (no ativo circulante ou no ativo imobilizado, conforme o caso) como tal. Posteriormente vendeu essas ações (a totalidade ou parte, não faz diferença), auferindo uma receita de mesma natureza (receita de alienação de patrimônio), que não é tributada pelo PIS e pela Cofins no regime cumulativo. Estão são as razões, em apertada síntese, que me levam a concluir pela improcedência do lançamento e, portanto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Em seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões divergentes, cujas ementas, transcritas no próprio corpo do recurso, consignaram: Matéria PIS COFINS BASE DE CÁLCULO Recorrente FATOR SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. BOVESPA. BM&F. SOCIEDADE CORRETORA. AÇÕES RECEBIDAS. VENDA. TRIBUTAÇÃO. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo da Cofins é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16327.000638/201088 Acórdão n.º 9303004.561 CSRFT3 Fl. 4 5 Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 BOVESPA. BM&F. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES RECEBIDAS. VENDA. SOCIEDADE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep corresponde a sua receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Matéria PIS/COFINS DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA Recorrente MORGAN STANLEY CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007/ TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, negociadas dentro do mesmo ano, poucos Fl. 808DF CARF MF 6 meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Voluntário negado. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Relator A afirmação do conselheiro Walber de que se tratava aqui de um banco comercial levaria ao não conhecimento do recurso, dado que os paradigmas versam sobre autuações contra corretoras de títulos e valores mobiliários. Constato nos autos, entretanto, que a instituição é, em verdade, banco múltiplo. Com efeito, colho do termo de verificação fiscal lavrado pela autoridade responsável pelos trabalhos de auditorias o art. 3º do estatuto social da entidade (fls. 22 dos autos): Art. 3º A sociedade tem por objeto a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inclusive nos mercados de câmbio e ouro, inerentes às respectivas carteiras autorizadas, nomeadamente comercial e de investimento, bem como o exercício da administração de carteiras de valores mobiliários, tudo de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Em sendo assim, já firmamos o entendimento pela admissibilidade de recursos que tragam como paradigmas decisões contra corretoras de títulos e valores mobiliários, como no presente, dado que aos bancos de investimento também é permtido operar com títulos e valores mobiliários em nome próprio. Dele conheço, pois, passando ao exame do mérito. A matéria novamente em discussão não é nova e já foi tratada em brilhantes votos tanto no sentido preconizado pelos contribuintes como aceitando a tese da Fazenda Nacional. Peço vênia para transcrever na sequência, a íntegra de um daqueles brilhantes votos a que me referi mais acima. Tratase de declaração de voto proferida pelo douto Conselheiro Alexandre Kern que, a meu sentir, enfrenta todos os pontos acatados pela decisão recorrida para afastar a tributação. Com as necessárias homenagens, transcrevo: Conselheiro Alexandre Kern Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.000638/201088 Acórdão n.º 9303004.561 CSRFT3 Fl. 5 7 A controvérsia em discussão referese aos efeitos jurídico tributários advindos do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência das contribuições sociais sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante”, por obra do Ofício Circular nº 225/2007 DG, de 18/09/2007 e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e que, portanto, eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução BACEN nº 1.655, de 26 de outubro de 1989). A forma de contabilização desses títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F estava prevista no capítulo 1, item 11, subitem 3, do Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional – Cosif, criado pela Circular BACEN nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, e a conta prevista para registro dos títulos patrimoniais de bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros está classificada no Ativo Permanente – Investimentos, código Cosif 2.1.4.10.208. No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos detidos Fl. 810DF CARF MF 8 pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A desmutualização da Bovespa e da BM&F transformou as estruturas societárias de ambas, que passaram de associações civis sem fins lucrativos para sociedades empresárias na forma de sociedades anônimas, com fins lucrativos. No caso da Bovespa, incluise também no processo a troca de ações da CBLC por ações da Bovespa Holding S/A. Em 28/08/2007, conforme Ofício Circular BACEN nº 225/2007, de 18 de setembro de 2007, o patrimônio da Bovespa era representado por títulos de valor unitário de R$1.568.890,19, tendo como referência o valor apurado nas demonstrações financeiras (balanço patrimonial) da associação, efetuado naquela data (28/08/2007). Segundo referido ofício, cada título patrimonial da Bovespa passou a representar 706.762 ações da nova empresa Bovespa Holding S/A totalizando R$1.568.803,71 pelo total de ações mais R$86,46 de valor residual que deveriam ser registrados no Ativo Permanente da Bovespa Holding S/A. E cada lote de 25 ações de emissão da CBLC passaria a equivaler a 46.223 ações da Bovespa Holding S/A. O valor unitário de cada ação da Bovespa Holding S/A passou a ser R$2,23, em 28/08/2007. Na mesma data, houve a entrega de 706.762 ações da Bovespa Holding S/A como devolução de capital para os detentores de cada título patrimonial da antiga associação Bovespa. Após a devolução de capital, houve a IPO no qual foram negociadas 288.066.125 ações da Bovespa Holding S/A, ao valor unitário de R$23,00 por ação, alcançando o montante de R$6.625.520.000,00. As despesas com a IPO foram custeadas pela Bovespa Holding S/A. Em relação à BM&F, conforme Comunicado Externo 082/2007, de 19/09/2007, o patrimônio em 31/08/2007 era representado por: a) Membro de compensação: R$4.961.610,00 por título, transformado em 4.961.610 ações da BM&F S/A; b) Corretora de mercadorias: R$4.898.015,00 por título, transformado em 4.898.015 ações da BM&F S/A; c) Operador especial: R$1.335.141,00 por título, transformado em 1.335.141 ações da BM&F; d) Sócio efetivo: R$10.000,00 por título, transformado em 10.000 ações da BM&F S/A. Em 01/10/2007 houve a entrega de ações da BM&F S/A como devolução de capital dos detentores dos títulos da antiga associação BM&F. Após a devolução de capital da BM&F, houve a IPO da BM&F S/A, no curso da qual foram negociadas Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.000638/201088 Acórdão n.º 9303004.561 CSRFT3 Fl. 6 9 299.184.846 ações ao valor unitário de R$20,00, alcançando o montante de R$5.983.696.920,001. O argumento recursal fundamental é o de que a cisão seguida de incorporação levou à sucessão universal, transferindose os direitos e obrigações da cindida para a incorporadora, e de que não ocorreu dissolução de sociedades, nem devolução de capital, apenas a transferência do patrimônio da exassociação para a nova sociedade, substituindose o investimento em títulos por ações. Não há como aceitar a tese de que houve uma singela “transformação” dos títulos patrimoniais detidos por ações das novas companhias, uma vez que se trata de direitos de naturezas jurídicas absolutamente distintas. Ao fim e ao cabo, a Recorrente recebeu novas ações, até então inexistentes, emitidas por pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade anônima (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.). As bolsas de valores, nos termos da Lei nº 6.385, de 1976, integram o sistema de distribuição de valores mobiliários. Voltamse à realização do interesse geral do mercado. Conquanto pessoas jurídicas de direito privado, são órgãos auxiliares da CVM, para o desempenho de tarefas de serviço público, que a própria lei atribuiu à CVM, entre os quais se destaca o exercício do poder de polícia no mercado de capitais, não apenas no recinto do pregão durante a sua realização, mas também fora dele, fiscalizando as instituições financeiras associadas e exigindo esclarecimentos públicos às companhias abertas emissoras de títulos e valores mobiliários. Não se pode deixar de levar em consideração que os expressivos patrimônios da BMF e da Bovespa foram constituídos com forte incentivo estatal e, por conseqüência, com utilização de recursos que foram extraídos de toda a sociedade. Durante décadas, para incentivo de uma atividade que não poderia buscar o lucro individual , mas o benefício de toda a sociedade (incentivo à capitalização das empresas), deixouse de tributar o enriquecimento daqueles órgãos. Quando, por iniciativa de seus participantes decidem alterar seu funcionamento, seguindo tendência do mercado e não orientação estatal, não se mostra admissível que todo o recurso estatal (subtraído da sociedade) possa ser revertido em benefício de alguns poucos privilegiados, sem ao menos submeterse à tributação, por sinal bastante módica. As então associações sem fins lucrativos realizaram uma operação societária que entendo inadequada às associações, que foi a cisão parcial, no intuito de dar aparência de que não houve a dissolução e, por conseqüência, não teria havido a devolução de patrimônio aos associados, o que poderia evitar a tributação. 1 Para um relato histórico minudente das operações societárias realizadas, ver "A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para IS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013. Fl. 812DF CARF MF 10 Os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização topográfica indica sua aplicação somente às sociedades empresárias (Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade; Subtítulo II – Da Sociedade Personificada; Capítulo X – Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). Corrobora esse entendimento, ou seja, de aplicação daqueles institutos jurídicos somente às sociedades mercantis, a Instrução Normativa DNRC nº 88, de 2 de agosto de 20012, que, em pleno vigor, dispõe sobre o arquivamento dos atos de transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades mercantis. A referida IN assim dispõe: “Art. 23. As operações de transformação, incorporação, fusão e cisão abrangem apenas as sociedades mercantis, não se aplicando às firmas mercantis individuais.” Admitir a utilização da denominada “cisão”, além de contrariar a legislação de regência, pois este instituto foi previsto para as sociedades com finalidades lucrativas, viria a frustrar totalmente o objetivo do arcabouço legal que rege as associações sem fins lucrativos de impedir que seu patrimônio, formado às custas de benefícios fiscais, recursos extraídos de toda a sociedade, pudessem ser transferidos a particulares de maneira gratuita, sem qualquer contraprestação àqueles que contribuíram para a sua formação, a sociedade brasileira. Entendo que, no caso concreto, retirado o “véu” da cisão, o que fica transparente é a situação inicial, quando a recorrente pertencia a uma associação sem fins lucrativos, que gozava de vultuosos incentivos fiscais custeados pela sociedade e, logo após o processo de desmutualização, aparece como sócia de uma lucrativa sociedade com fins lucrativos e sua participação societária foi adquirida com os recursos oriundos daquela associação, via devolução de seu capital, capital esse formado com forte incentivo estatal. No momento em que são conferidas ações da Bovespa e da BM&F, em substituição aos antigos títulos patrimoniais,a recorrente já não ostenta mais a condição de “associada” à bolsa, até então entidade sem fins lucrativos, agora figura como sócia de empresas com finalidades lucrativas. Sabiamente o legislador impede que as entidades constituídas como associação sem fins lucrativos venham a distribuir os “ganhos obtidos”, pelo menos em parte graças a benefícios concedidos pelo Estado aos seus associados, evitando o enriquecimento sem causa destes. Assim sendo, dissolvida a associação o destino do seu patrimônio deve ser aquele previsto no Código Civil não se podendo admitir destinação diversa. O Código Civil, no art. 61, prescreve que, em caso de dissolução da associação o seu patrimônio remanescente será destinado à outra “entidade de fins não econômicos designada no 2 Disponível em https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=75025, acesso em 07/08/2014. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.000638/201088 Acórdão n.º 9303004.561 CSRFT3 Fl. 7 11 estatuto”, ou, em caso de omissão estatutária, por deliberação dos associados o patrimônio deverá ser destinado à instituição municipal, estadual ou federal. O §1º possibilita, ainda, que por cláusula estatutária, ou no seu silêncio, por deliberação dos associados, antes da destinação do patrimônio como previsto no caput, seja restituída a parcela das contribuições que os associados tiverem prestado ao patrimônio da associação. Não há como reverter o patrimônio de uma associação sem fins lucrativos a uma sociedade por ações. A conversão dos títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, afronta despudoradamente o artigo 61 do Código Civil. Também me parece certo que houve a devolução de capital pelas extintas bolsas à recorrente embora não devolvidos em espécie, mas utilizados na obtenção/subscrição de ações das novas sociedades (Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A). E esses direitos recebidos foram utilizados para compor o capital das novas empresas. Este fato é evidente, muito embora todas as operações societárias tenham sido conduzidas para tentar contornar o negócio jurídico efetivamente ocorrido, estruturadas com a aparência de “cisão seguida de incorporação”. Entendo que, uma vez qualificada como associação, sua transformação para sociedade anônima, requer necessariamente a devolução do patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma da lei civil, sob pena de macular os comandos legais da associação civil sem fins lucrativos, então concebida pela lei. De outro lado, o artigo 1.113 do Código Civil não socorre a Recorrente, uma vez que se refere especificamente ao ato de transformação das sociedades (dentro do Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade: artigos 981/1.141), não se aplicando às associações sem fins lucrativos (tratadas nos artigos 53 a 61). Reforça este entendimento a distinção feita no artigo 44 do mesmo Código, ao relacionar (e, portanto, distinguir) as pessoas jurídicas de direito privado. Também é relevante esclarecer que a citação do instituto da cisão no art. 2033 do Código Civil não tem o condão de permitir que esse instituto seja aplicado às associações, mas somente determinar que, caso aplicável a qualquer das pessoas jurídicas elencada no art. 44 que estejam no âmbito da permissão legal para tal instituto, deve se aplicar o Código Civil. A concepção original delineada para as bolsas era de associação sem fins lucrativos, regida por normas do Direito Civil, de sorte que resta inaplicável a sua sucessão a forma da legislação comercial, próprio das sociedades mercantis, ex vi o tratamento distinto da associação e da sociedade, concebido em capítulos e normativas inteiramente distintas na legislação civil e tributária. Tanto que o Código Civil, em sintonia com a tradição legislativa secular dispôs separadamente seus preceitos Fl. 814DF CARF MF 12 legais, princípios, órgãos, e a sua própria dissolução, conforme se constata do Livro I do Código Civil que rege os preceitos das associações, ao passo que o Livro II rege a sociedade empresarial, consoante explicita a cabal distinção de uma e de outra. Não se trata de desconsideração de negócio jurídico pelo fisco, mas sim de analisar quais os efeitos fiscais de cada negócio jurídico. Da mesma forma que em casos de certos “planejamentos tributários”, como casasepara, incorporação às avessas e outros, quando o fisco não tem a necessidade de “desconstruir o negócio jurídico mas simplesmente analisar seu efeito fiscal, ou seja, é analisada a situação jurídica do contribuinte antes e depois do “negócio” e abstraise dos atos e fatos intermediários, que apenas buscam “benefício fiscal” indevido. Esse entendimento está em linha com o que já decidiu o TRF3ª Região, embora tratando da incidência do IRPJ e da CSLL. Transcrevese a ementa constante da Apelação Cívil nº 000870605.2008.4.03.6100/ SP: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.000638/201088 Acórdão n.º 9303004.561 CSRFT3 Fl. 8 13 pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembléia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. No mesmo sentido, os seguintes julgados do TRF3 ª Região: Apelação Cívil Nº 000812150.2008.4.03.6100/ SP; Apelação Cívil Nº 000238466.2008.4.03.6100/ SP e Apelação Cívil Nº 000852215.2009.4.03.6100/ SP. Fl. 816DF CARF MF 14 Portanto, o que de fato ocorreu, ainda que outra tenha sido outra a denominação dada pela recorrente, foi a dissolvição parcial das bolsas, com a respectiva restituição do seu patrimônio, tal como expresso no artigo 61, § 1º , na forma de ações, a seus associados, e a constituição de duas novas sociedades: a BM&F S.A. e a Associação BM&F. Interpretação diversa implicaria fraude a sucessão legal das associações, e burla ao Fisco. Se os títulos patrimoniais eram necessários para que as corretoras pudessem exercer sua atividade de operar nas bolsas, o que impunha sua contabilização no Ativo Permanente em função do princípio da continuidade, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários com características distintas dos títulos patrimoniais, deixando de ser condição para operar nas bolsas a sua posse. Essas ações representam papéis negociáveis e justamente por isso puderam ser vendidas pela Recorrente. As desmutualizações contemplavam a necessidade de que fossem promovidas ofertas públicas iniciais, destinadas à colocação das novas ações no mercado. Antes mesmo de receber as ações da Bovespa Holding S.A. e da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A., os então associados já tinham ciência de tal fato. Os compromissos formais de cada associado, no sentido de participar das IPOs, eram de caráter "irrevogável e irretratável", indicando o número de ações e/ou o percentual das ações a receber que seriam ofertados. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 20, dá conta de que, em decorrência de sua participação no processo de desmutualização da Bovespa, por meio da Procuração nº 151/07, de 27/09/2007, outorgou à Bovespa S/A a autorização para ofertar 8.723.798 ações ordinárias de sua emissão e da titularidade da recorrente. Na mesma data, subscreveu o “Instrumento Particular de Contrato e Outras Avenças”, em cuja cláusula 2.1 ratifica sua intenção de alienar 8.723.798 ações, com compromisso de não alterar essa quantidade (TVF, fls. 21). Da mesma forma, em decorrência de sua participação na desmutualização da BM&F, a recorrente manifestou sua adesão à oferta pública secundária de ações ordinária de emissão da BM&F S.A., para vender 1.500.483 ações (TVF, fls. 25). Adicionalmente, por meio da “REratificação do acordo de acionistas da BM&F S.A., concordou expressamente com a alteração do compromisso de venda de apenas 25% das ações, estabelecida em cláusula do Acordo de Acionistas, de modo a permitir a si e aos demais a alienação de parcela superior àquela originalmente estabelecida. Em atendimento ao compromisso assumido, a Recorrente alienou 8.823.798 ações da Bovespa S.A., em 25/10/2007, e de 2.000.644 ações da BM&F, em 21/11/2007 e 30/11/2007, auferindo ganhos de capital da ordem de R$ 181.201.662,47 e R$ 33.000.122,62, respectivamente. Fica evidente que, em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, a Recorrente obteve, com a Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.000638/201088 Acórdão n.º 9303004.561 CSRFT3 Fl. 9 15 desmutualização, ações de terceiros com a intenção (ou compromisso) de posterior alienação e que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007). Enquanto direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, tais ações recebidas deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, na esteira, aliás, da orientação emanada do Parecer Normativo CST nº 108/78 e a doutrina mais abalizada. 3 Assim, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 a Recorrente deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. A recorrente atua como banco múltiplo, conforme o art.2º de seu Estatuto Social, possuindo como objeto social, entre outros, a operação de carteira de investimentos. Nesse contexto, a venda de ações constitui uma das receitas obtidas com operações usuais típicas de uma instituição bancária que opera com carteira de investimentos, constituindo o seu faturamento. A receita da venda de ações é reconhecida como operacional pelo próprio Cosif (conta 7.1.5.20.003 Rendas de Títulos de Renda Variável, do grupo 7.1 – Receitas Operacionais), que estabelece também que as rendas obtidas tanto com as operações ativas, como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Desse modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade (venda de ações de terceiros que deveriam estar escrituradas no ativo circulante), decorrentes de atividade típica da Recorrente (subscrever, comprar e vender ações) devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º dessa Lei. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. 3 IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 6ª ed., São Paulo: Editora Atlas, 2006, pag. 147/148. Fl. 818DF CARF MF 16 A elas apenas ouso acrescentar que, a meu sentir, a necessidade de definir a correspondente classificação contábil do ativo no momento da entrada no patrimônio da entidade não está atrelada a que tal entrada se dê "por aquisição" em sentido estrito. Não ignoro que essa é a expressão que consta dos atos normativos que a pretenderam disciplinar, mas tampouco olvido que tais atos foram editados tendo em conta operações típicas, certo que é pela aquisição que os ativos tipicamente ingressam no patrimônio de alguém. Mas, desnecessário até dizer, tipicidade é tudo o de que não tratamos no que tange à desmutualização. Com efeito, por meio dela, ao fim e ao cabo, entidades sem fins lucrativos que detinham títulos patrimoniais que sequer podiam ser negociados e que, portanto, só eram mantidos por obrigação legal, passaram a deter um ativo totalmente diverso, a começar pela possibilidade de venda e por valor expressivamente superior ao do seu custo e que não tinha de ser mantido para que a instituição pudesse continuar operando no mercado. Ou seja, para mim, é totalmente despicienda no que tange ao PIS e à COFINS a discussão sobre a aplicação ou não da regra do art. 61 do Código Civil e, consequentemente, se a pretendida cisão seguida de incorporação poderia ter sido praticada. O que importa é que há um novo título que está sendo integrado ao patrimônio e ele não "herda" necessariamente a classificação contábil que se aplicava ao seu antecessor. Isso apenas de dá se dele não diferir essencialmente, que é a regra numa cisão "normal" ou típica. Ademais, o Parecer Cosit nº 3/80, frequentemente citado pelos contribuintes, não trata de mudança de ativo, mas apenas da venda de um ativo que estava classificado (corretamente) no permanente. Aplicarseia se estivéssemos cogitando da venda dos próprios títulos patrimoniais originais, o que, como se sabe, não é, nem poderia ser, o caso. De todo modo, como demonstra o dr. Alexandre, mesmo essa questão parece resolvida no âmbito do Judiciário. Com essas considerações, voto pelo provimento do recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 819DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003240/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado). Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir débitos referentes ao IRPF em função da identificação de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado, o Contribuinte impugnou o lançamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 24 0/ 20 05 -1 5 Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.947 2 apresentando provas. A DRJ deu provimento parcial ao lançamento, afastando parte do lançamento e recorreu de ofício. Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário e mais provas. Chegando ao CARF, o processo foi inicialmente suspenso em função da declaraçaõ de repercussão geral no STF e, posteriormente, convertido em diligência. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Instaurado a fiscalização em 15/05/2005 pela emissão do MPF (fl. 2), e emitido o Termo de Início de Fiscalização em 19/05/2005 (fls. 18/19), o Contribuinte foi intimado em 25/05/2005 (fl. 20) para apresentar no prazo de 20 dias os extratos mensais das contas bancárias mantidas perante o Citibank; Banco Nossa Caixa; BankBoston; Bradesco; Banespa; e Santander referentes aos período de 01/01/2000 a 31/12/2001. Em 29/06/2005 "Termo de Embaraço à Fiscalização" (fl. 21) registrando o transcurso do prazo in albis e informando que, em caso de lançamento de ofício, a multa seria agravada nos termos do art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Ato contínuo, foram lavradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 23/34) para que as instituições financeiras apresentassem os referidos extratos bancários. Foram então juntados aos autos extratos bancários e cópias de cheques (fls. 35/689). Em 25/10/2005 foi lavrado "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 709/710 e docs. anexos fls. 711/747) para que o Contribuinte comprovasse, no prazo de 20 dias, a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas correntes entre 2000 e 2001. O Contribuinte foi intimado por meio de AR em 26/10/2005 (fl. 726). Em 29/11/2005 foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 748/752), esclarecendo que: " o fiscalizado participa como sócio da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C, juntamente com Alexandre Husni e Roberto Cabariti; as contas correntes nºs: 030603282 do Banco do Estado de São Paulo S/A, 010141314 da Nossa Caixa S/A e 271181 do Banco Itaú S/A, foram mantidas em conjunto pelos três sócios, nos anos calendário de 2000 e 2001; em parte dos documentos encaminhados pelo Banco do Estado de São Paulo S/A relativos à conta corrente nº 030603282, podem ser identificados registros indicativos de referiremse os valores creditados, a montantes pagos em cumprimento de Mandados de Levantamento Judicial (MJL), decorrentes de ações promovidas pelo fiscalizado e/ou demais cotitulares, no exercício da profissão; constatase ter sido determinado na Cláusula Segunda da Consolidação do Contrato Social de 11/05/1998 da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C (fls. 691 a 698), que "o objeto da sociedade é disciplinar o expediente e os resultados patrimoniais auferidos na prestação serviços advocatícios; tais serviços, porém serão exercidos individualmente, em se tratando de atos privativos, ainda mesmo que revertam ao patrimônio social os respectivos honorários". Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.948 3 Foram constatados, ainda, valores referentes a cheques depositados devolvidos, não coincidentes com os depósitos verificados, nos montantes de R$ 167.650,21 e R$ 13.081,09, nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente (fls. 721 e 722). Esses montantes foram considerados para fins de apuração dos recursos cuja origem deixou de ser comprovada. Os montantes não comprovados dos depósitos/créditos verificados em contas correntes bancárias, passaram a corresponder, em face das constatações acima citadas, a R$ 6.421.198,84 (seis milhões, quatrocentos e vinte e um mil, cento e noventa e oito reais e oitenta e quatro centavos) e R$ 9.649.889,73 (nove milhões, seiscentos e quarenta e nove mil, oitocentos e oitenta e nove reais e setenta e três centavos), nos anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente, conforme demonstrado às fls. 726 a 737. (...) Cumpre observar que na apuração dos montantes tributáveis em cada mês, conforme encontrase abaixo resumidamente demonstrado, foi atribuída ao fiscalizado, a terça parte dos valores dos depósitos/créditos verificados nas contas correntes mantidas em conjunto pelos sócios da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C." fls. 749/750; Em 01/12/2005 foi lavrado o auto de infração (fls. 756/758), que constituindo crédito de R$ 4.419,549,36 de Imposto e 4.971.993,03 de multa de ofício agravada, além dos juros. Foi apontado como infração: "001 DÉPOSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo." fl. 757. Intimado por AR em 12/12/2005 (fl. 761), o Contribuinte apresentou Impugnação em 11/01/2006 (Fls. 768/823 e docs. anexos fls. 824/2.140). Conforme o seu próprio resumo: "i) o auto de infração lavrado apresentava nulidade insanável, uma vez que, embora tempestiva a apresentação dos documentos exigidos, os mesmos não foram aceitos pela autoridade fiscal, requerendose, inclusive, a realização de prova testemunhal; ii) a majoração da multa de ofício deveria ser afastada, reduzindoa para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), uma vez que as intimações, foram regularmente atendidas pela ora Recorrente e as informações e os documentos apresentados foram injustamente recusados pela fiscalização; Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.949 4 iii) a autoridade fiscal não utilizou critério uniforme na fiscalização promovida, uma vez que embora tivesse afastado grande parte dos depósitos efetuados. na conta corrente de n.° 030603282, mantida junto ao Banco Banespa S/A, por entender que tais valores originaram se de levantamentos judiciais, manteve os demais valores depositados em outras contascorrentes, cuja origem, igualmente, decorreu do levantamento de mandados judiciais; iv) a farta documentação apresentada demonstra, cabalmente, que quase a totalidade dos depósitos bancários questionados, originaram se do levantamento de depósitos judiciais, numerário esse decorrente de ações judiciais patrocinadas pela sociedade de advogados, destinado aos clientes da mesma, porque a eles devidos. iv) os documentos apresentados na impugnação administrativa deveriam ser submetidos à perícia contábil, procedendose, inclusive, à realização de diligências, visando comprovar a origem dos depósitos bancários em questão, demonstrandose a impossibilidade de tributação de tais valores." Recebendo os autos, e considerando o volume da documentação juntada, a DRJ decidiu converter o julgamento em diligência (fl. 2.143/2.144) para que a autoridade lançadora se pronunciasse sobre as provas juntadas e sobre os argumentos ventilados na impugnação, bem como intimasse o Contribuinte do resultado da diligência para que se pronunciasse, caso desejasse. A autoridade diligenciadora lavrou então o "Relatório Fiscal" (fls. 2.147/2.156) esclarecendo, resumidamente, (1) que as alegações da Impugnante de que houve tentativa de apresentação de provas durante a fiscalização são inverídicas; (2) que os sócios também foram objeto de fiscalização de lavratura de autos de infração referente ao mesmo período, e que todos também se omitiram durante a fiscalização; (3) que a análise dos documentos juntados aos autos dispensa conhecimentos técnicos mais aprofundados, podendo ser realizado pela autoridade julgadora; e (4) que (4.1) não tendo sido constatadas incorreções, omissões ou inexatidões, e (4.2) já tendo decorrido o prazo para o lançamento de ofício, (4.3) não tendo mão de obra suficiente, então seria impossível realizar a diligência solicitada a qual levaria a verdadeira revisão do lançamento. Em 27/06/2008 foi proferido o Acórdão DRJ nº 1726.125 (fls. 2.157/2.177), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.950 5 Após 1' de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Apresentados, no entanto, na fase impugnatória documento comprobatórios de origem, é de se alterar o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMO. A alegação de que depósito em sua conta é decorrente de pagamento de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do contribuinte para o mutuário, não simples apresentação de recibo, desacompanhado de qualquer formalidade, pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Deve ser negada a requisição para realização de perícia quando os quesitos formulados pelo impugnante referemse a própria comprovação de origem dos depósitos, cujo ônus é exclusivo do contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. No caso de lançamento de oficio com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a não apresentação pelo contribuinte dos extratos bancários e a não comprovação da origem dos depósitos não dá ensejo ao agravamento da multa. Os efeitos da omissão constituem a própria presunção de omissão © de rendimentos e o conseqüente lançamento, com multa de ofício de 75%. Lançamento Procedente em Parte Tendo em vista que foi exonerado o valor de R$ 2.903.827,36, a DRJ formalizou Recurso de Ofício. A Contribuinte, intimada em 10/12/2008 (fl. 2.186), interpôs Recurso Voluntário em 18/12/2008 (fls. 2.189/2.244 e docs. anexos fls. 2.248/2.416), argumentando em síntese que: · Que o lançamento lastreado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é nulo tendo em vista que a Recorrente tentou apresentar as provas solicitadas durante a fiscalização mas a autoridade fiscalizadora se recusou a recebêlas; · Que a Secretaria da Receita Federal estava em greve no curso da fiscalização, o que atrapalhou o cumprimento dos prazos; · Que a decisão recorrida é nula por ter sido proferida com cerceamento do direito de defesa do Recorrente, especificamente quanto à negativa de realização de prova pericial; · Que a simples observação de depósitos/créditos bancários não é suficiente para configurar o auferimento de rendimento; Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.951 6 · Que a documentação apresentada demonstra que boa parte dos depósitos efetuados decorrem de levantamentos judiciais, nos quais constam os clientes do Contribuinte como beneficiários; · Que foram apresentadas, ainda, microfilmagens, livros contábeis da sociedade advocatícia, recibos dos clientes, cartas de prestação de contas aos clientes etc.; · Apresenta diversas operações, indicando os fundamentos e as origens dos recursos depositados/creditados; e · Argumenta que parte dos valores depositados decorreu da venda de bens imóveis, os quais já estavam caducos e, mesmo que não estivessem, foram tratados de forma inadequada, desrespeitando o art. 42, §2º, da Lei nº 9.430/1996. Em 15/05/2013 foi proferida a Resolução nº 2202000.481 (fls. 2.430/2.435), determinando a suspensão do processo em função da tramitação de processo com declaração de Repercussão Geral sobre a mesma matéria perante o STF, nos termos do art. 62, §§1º e 2º do RICARF vigente à época, e do art. 2º, §3º, da Portaria CARF nº 001/2012. Em 07/10/2014 foi proferida a Resolução nº 2202000.595 (fls. 2.436/2.450), determinando a realização de diligência para: "1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se os cotitulares dos contas em conjunto com o VICENTE RENATO PAOLILLO, recebera por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." fls. 2.449/2.450; A autoridade diligenciadora então esclareceu em 26/03/2015 (fls. 2.461/2.462) que: · A contribuinte mantinha 15 contas correntes em instituições financeiras diversas, das quais 5 eram individuais e 10 eram mantidas em co titularidade; · Que as contas mantidas em cotitularidade com seus sócios; · Que todos os sócios foram intimados individualmente a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nas contas correntes bancárias; · Que os valores não comprovados foram divididos em três partes nas autuações, uma para cada sócio; e Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.952 7 · Que as pessoas físicas que eram cotitulares mas não eram sócias não foram intimadas. Intimada desse relatório em 27/03/2015 a se manifestar no prazo de 10 dias (fl. 2.463 e 2.466), o Contribuinte pediu em 01/04/2015 a dilatação do prazo para 15 dias (fl. 2.468) e, em 13/04/2015 apresentou mais provas (fl. 2.477 e docs. anexos fls. 2.921). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto . O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos, portanto dele conheço. No tocante ao Recurso de Ofício, tendo em vista que foi exonerado o valor de R$ 2.903.827,36, superior ao limite de alçada estabelecida pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, também deve ser recebido. RECURSO VOLUNTÁRIO: Preliminares: Nulidade do lançamento: O Contribuinte suscita a nulidade do lançamento ao argumento de que tentou apresentar as provas solicitadas ainda durante a fiscalização mas que não conseguiu em decorrência de greve dos servidores da Secretaria da Receita Federal e em função de recusa da autoridade fiscalizadora em recebêlas. A questão já havia sido levantada em sede de impugnação, mas a DRJ negou provimento ao pedido apontando que não haviam provas dessas tentativas atender às intimações fiscais durante a fiscalização e que, além disso, "o procedimento fiscal é uma fase oficiosa em que não há processo instaurado, mas tãosomente procedimento, e que ão se pode falar em direito de defesa. Antes da impugnação, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco". O Recorrente esclarece que comprovou as tentativas de atender à fiscalização por meio da apresentação de declaração de sua procuradora à época. Também, que já havia solicitado a realização de diligência para que ela fosse novamente ouvida em sede do processo administrativo fiscal. Pois bem. Se é verdade que o procedimento de fiscalização tem um caráter eminentemente inquisitorial, não é possível afirmar que aceite toda e qualquer discricionariedade por parte da autoridade fiscalizadora. Exemplificativamente, se certo Contribuinte é intimado a apresentar esclarecimentos ou provas, e posteriormente não lhe é permitido apresentálas, então há claro abuso, com ataque ao devido processo legal e flagrante cerceamento ao direito de defesa do sujeito fiscalizado. Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.953 8 Essa questão se torna ainda mais evidente nos casos de lançamento lastreado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996: ao criar uma presunção em favor do Fisco, a Lei impôs como requisito para sua formalização a intimação ao Contribuinte, previamente ao lançamento, para que comprove a origem dos depósitos. Efetivamente, esta turma já julgou pela nulidade do lançamento lastreado nessa presunção quando não foi garantido ao Contribuinte o efetivo direito de apresentar provas durante a fiscalização: Acórdão CARF nº 2202003.484, de 13/07/2016 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. INTIMAÇÃO REGULAR. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 exige a regular intimação do Contribuinte para que se estabeleça a presunção em seu desfavor. Não se trata de requisito formal, sendo necessário conceder a oportunidade efetiva, ao sujeito passivo, de comprovar a origem dos recursos antes do lançamento. A intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, não é suficiente para que se estabeleça a presunção legal. De volta ao caso concreto, o Contribuinte apresentou "Nota Explicativa" (fl. 892), na qual a sua própria procuradora do Recorrente alegou ter tentado, sem sucesso, apresentar as provas. Para o Recorrente, essa prova é suficiente para demonstrar a atuação ilegal da fiscalização. In verbis: "1. Parte da documentação solicitada no Termo de Intimação Fiscal (de 25110/05), que havia sido possível a sua localização, separação e conciliação, dentro do curto prazo estabelecido; tentamos a sua entrega, porém em função da greve ocorrida neste órgão, não fomos atendidos, em nenhuma de nossas tentativas de entrega; 2. Foram enviadas, em nova tentativa, no dia 16/11/05 (último dia do prazo que nos fora concedido), porém não foram, novamente, recepcionados pelo atendente nesta data, pois para nossa surpresa, foi nos informado que seria preciso agendar uma data com a agente fiscal responsável pelo caso, caso contrário, eles não tem autorização nem para protocolar um comprovante de que lá estivemos dentro do prazo concedido; 3. Ao conseguirmos contato com a agente fiscal responsável, esta nos informou que ELA não teria mais prazo hábil para fazer a verificação dos documentos disponibilizados, mas que teria se baseado na documentação já recebida e verificada de seu sócio, Sr. ALEXANDRE HUSNI, que não deveria ser motivo de preocupação de nossa parte; tanto é verídico que, sendo o nosso prazo final estabelecido como dia 16/11/05, não seria possível a execução de tal verificação e o Termo de Verificaçao Final já ser emitida com a data de 28/11/05 e Auto de Infração lavrada com a data de 02/12/05, como ocorreu, para nossa surpresa, em tão curto prazo." Antes de analisar a questão, a DRJ converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscalizadora se pronunciasse sobre esse argumento. O Relatório de Diligência esclareceu que: Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.954 9 1. as alegações da Impugnante de que houve tentativa de apresentação de provas durante a fiscalização são inverídicas; 2. não foi apresentada procuração em prol da declarante durante a fiscalização; 3. a declarante compareceu à repartição como representante de outra pessoa (sócio do Contribuinte), em resposta a outro procedimento de fiscalização dessa outra pessoa que corria em paralelo; 4. a greve não atrapalhou o atendimento; e 5. a solicitação de agendamento de horário não é requisito para o atendimento. Analisando o argumento, a DRJ negou provimento ao pedido de nulidade, argumentando que o Contribuinte, então Impugnante, não havia trazido provas de que lhe foi tolhido o direito de apresentar documentos durante a fiscalização. Como Recorrente, o Contribuinte insistiu no argumento. A verdade é que o argumento é plausível, mas é necessário concordar com a DRJ: não restou comprovada a recusa. Lembrando o quanto estabelece o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a declaração por parte da própria representante do Contribuinte, isoladamente, não é suficiente para convencer de que houve tal atuação ilegal, mormente quando se considera as alegações da autoridade fiscalizadora (fé pública) e que o Contribuinte é advogado atuante: ao ver infrutífera a sua tentativa de apresentar provas, deveria ter manejado os instrumentos constitucionais para resguardar os seus direitos. Nem se argumente que a prova da negativa é impossível, posto que poderia ter tentado apresentar as provas por meio de correio, cartórios etc. Em suma, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte por falta de provas da ocorrência da nulidade. Nulidade da decisão recorrida: Argumenta o Recorrente, também, pela nulidade da decisão recorrida. Segundo fundamenta, o acórdão proferido pela DRJ é nulo porquanto houve cerceamento do seu direito de defesa, especificamente no tocante à negativa da realização de provas periciais. A verdade é que, em primeiro lugar, a 1ª instância fundamentou sua decisão de negar a realização da perícia, como se pode observar do seguinte excerto: "Nem tampouco, há de se admitir a realização de perícias, uma vez que é ônus do contribuinte a comprovação dos créditos bancários e o quesito apresentado na impugnação é justamente a pergunta que o próprio impugnante deve respondêla. Nego, portanto, a requisição de perícia." fl 2.170. Logo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por omissão da decisão recorrida. Outrossim, o simples fato de que a Recorrente não concorde com a conclusão alcançada pela autoridade julgadora a quo não leva à nulidade da decisão, mormente porquanto o Decreto nº 70.235/1972, em seus arts. 18 e 28, permite expressamente à autoridade Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.955 10 julgadora negar a realização de diligência, fundamentadamente, quando entendêlas prescindíveis ou impraticáveis. Ademais, se deseja realizar prova pericial, o Contribuinte pode fazêlo por conta própria, trazendo tais provas aos autos independentemente de diligência específica por parte dessa DRJ. Em suma, tampouco assiste razão ao Contribuinte nesse ponto. Mérito: Da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996: O Recorrente argumenta longamente acerca da impossibilidade de se presumir o auferimento de rendimentos tão somente com base na observação de depósitos/créditos bancários. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, há verdadeira presunção relativa sempre que forem identificados depósitos bancários cuja origem o Contribuinte não logre comprovar. Por parte da fiscalização, a Lei exige tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos e, naturalmente, analise os documentos porventura Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.956 11 apresentados. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Das contas correntes mantidas em cotitularidade: Superadas as preliminares e admitindo em tese a viabilidade jurídica do lançamento lastreado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, percebo que o processo não se encontra em estado de ser julgado. Explico: Tendo percebido que parte das contas bancárias que foram objeto do lançamento não tinham o Contribuinte como único titular, essa turma já converteu o julgamento em diligência pela Resolução CARF nº 2202000.595, de 07/10/2014, para que a autoridade preparadora esclarecesse se os demais cotitulares também haviam sido intimados. Em seu Relatório de Diligência, a autoridade fiscalizadora anotou que o lançamento recaiu sobre valores depositados/creditados em 15 contas bancárias diversas, das quais 5 (cinco) eram individuais e 10 (dez) mantidas em cotitularidade. Em relação a estas, apresentou a seguinte tabela: nº ordem BANCO Nº CONTA TITULAR COTITULARES 01 SANTANDER 353 00182 43703550 Vicente Renato Paolillo Marcos Vidigal Silveira 02 SANTANDER 353 00182 43703542 Marcos Vidigal Silveira Vicente Renato Paolillo 03 N. CAIXA 01.0141314 Alexandre Husni Vicente Renato Paolillo e Roberto Cabariti 04 BANESPA 0248030603282 Alexandre Husni Vicente Renato Paolillo e Roberto Cabariti 05 BANKBOSTON 15.0142.03 – ag. 008 Vicente Renato Paolillo Mariângela Guarianas Tumari Paolillo 06 CITIBANK 5035996 Vicente Renato Paolillo Alexandre Husni e Roberto Cabariti 07 CITIBANK 5005310 Vicente Renato Paolillo Mariângela Guarianas Tumari Paolillo 08 CITIBANK 5005663 Mariângela G. Tuamri Paolillo Vicente R. Paolillo 09 CITIBANK 5247870 Glauce Maria Paolillo Vicente R. Paolillo 10 ITAU 271181 – ag. 0388 Roberto Cabariti Alexandre Husni e Vicente Renato Paolillo Esclareceu, ainda, que: "3) Os créditos verificados nas contas correntes mantidas em conjunto pelos três sócios c/c 01.0141314 da Nossa Caixa, c/c 024803 0603282 do Banco Banespa S/A, c/c 5035996 do Banco Citibank S/A e Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.957 12 c/c 271181 do Banco Itaú S/A (nº de ordem 03, 04, 06 e 10 acima), remanescentes dos trabalhos de conciliação bancária e de exclusão dos valores cujos Termos integraram os Processos Administrativos instaurados, individualmente, para cada sócio. 4) Por meio dos referidos Termos de Intimação Fiscal, foram os três sócios instados a apresentar documentos hábeis e idôneos, comprobatórios da origem dos recursos depositados/creditados em contas correntes bancárias nos anos calendários de 2000 e 2001, conforme relação anexada a cada Intimação Fiscal. 5) (...) foi atribuída ao autuado a terça parte dos valores não comprovados, verificados nas contas correntes mantidas em conjunto pelos sócios da firma Advocacia Husni Paolillo Cabariti S/C. (...) 8) Os demais cotitulares em contas mantidas por Vicente Renato Paolillo Marcos Vidigal Silveira, Mariângela Guarianas Tumari Paolillo e Glauce Maria Paolillo NÃO foram intimados a comprovar a origem dos depósitos/créditos constatados nessas contas." fl. 2.461/2.462 (grifo no original). Em outras palavras, das 10 (dez) contas mantidas em cotitularidade, a autoridade diligenciadora expressamente afirmou que em 6 (seis) delas os respectivos co titulares não foram intimados. O CARF já tem jurisprudência consolidada sobre a matéria na sua Súmula nº 29, que determina: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Nesse sentido, vez que se trata de hipótese de nulidade do lançamento, e considerando ainda o art. 61 do Decreto nº 70.235/1972, é possível suscitar de ofício a nulidade do lançamento em razão da falta de intimação dos cotitulares das contas indicadas nos itens 1, 2, 5, 7, 8 e 9. Acontece que, em relação às outras 4 (quatro) contas bancárias mantidas em co titularidade com os sócios do Contribuinte, a autoridade diligenciadora afirmou que os respectivos cotitulares foram intimados, durante a fiscalização, a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados. Contudo, as intimações não foram juntadas a estes autos; existe apenas o esclarecimento de que essas intimações constam dos respectivos processos administrativos decorrentes dos lançamentos formalizados em desfavor desses cotitulares. Acontece que, em levantamento feito no site deste e.CARF, percebese que o processo nº 19515.003247/200529, referente ao sócio Alexandre Husni, já foi julgado no acórdão nº 2101002.739, de 12/03/2015. Neste julgamento, foram excluídas da base de cálculo, exatamente em função da falha na intimação dos cotitulares, as seguintes contas: BANCO Nº CONTA TITULAR COTITULARES Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.958 13 N. CAIXA 01.0141314 Alexandre Husni Vicente Renato Paolillo e Roberto Cabariti BANESPA 0248030603282 Alexandre Husni Vicente Renato Paolillo e Roberto Cabariti ITAU 271181 – ag. 0388 Roberto Cabariti Alexandre Husni e Vicente Renato Paolillo Já o processo nº 19515.003239/200582, referente ao sócio Roberto Cabariti, foi convertido em diligência por este e.CARF na resolução nº 2201000.226, de 13/07/2016 para que ficasse comprovada a efetiva intimação dos cotitulares, entre outras coisas. Em outras palavras, também nos processos desses sócios, cotitulares das contas, há dúvidas quanto à efetiva intimação de todos os cotitulares das contas bancárias. Nesse caminho, ante à insegurança sobre a efetiva intimação dos cotitulares, e sendo esse um vício insanável, caso existente, entendo ser conveniente converter o julgamento em diligência para que sejam anexados aos presentes autos a comprovação das referidas intimações ainda durante a fiscalização. Da complementação da diligência da origem dos recursos depositados: Considerando: · A diligência proposta acima; · Que existem contas bancárias nas quais o Contribuinte é o único titular; · O volume da documentação apresentada em sede de Impugnação, de Recuso Voluntário e de Manifestação sobre a Diligência; · Que a Contribuinte alegou (ainda que não tenha provado) ter tentado comprovar a origem dos recursos em sede de fiscalização, bem como demonstrou claro intento de comprovar a origem dos valores ao longo do processo; · Que, nos processos dos sócios referentes, em boa parte, às mesmas contas bancárias o acórdão nº 2101002.739 acima aceitou a comprovação de uma série de depósitos, excluindoos da base de cálculo, e o acórdão nº 2201 000.226 acima converteu o julgamento em diligência também para analisar a documentação juntada aos autos após o lançamento; · Que a Contribuinte elencou mais de uma centena de lançamentos específicos que, segundo ele, constam provas não autos de que não se tratam de rendimentos seus, indicando datas, valores e folhas dos documentos comprobatórios. Proponho também que seja determinada a análise da documentação juntada aos autos, elaborando relatório circunstanciado dos lançamentos cuja origem restou comprovada. Dispositivo Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 19515.003240/200515 Resolução nº 2202000.751 S2C2T2 Fl. 2.959 14 Diante de tudo quanto exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que: · sejam anexados aos autos cópias da prova das intimações dos cotitulares antes do lançamento, comprovando o recebimento das intimações e a indicação individualizada dos depósitos supostamente omitidos; · seja analisada a documentação juntada aos autos, elaborando relatório circunstanciado dos valores cuja origem o Contribuinte logrou apresentar provas; e · seja o Contribuinte intimado a, caso queira, se manifestar sobre o relatório de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Enfim, retornem os autos para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 2959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003471/2007-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS ATENDIDOS. CONHECIMENTO.
A divergência jurisprudencial caracteriza-se quando, confrontados os acórdãos recorrido e paradigma, constata-se que, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, tendo em vista interpretação divergente da legislação tributária. Ausente do acórdão recorrido a informação de que, ao tempo do lançamento, a exigibilidade do crédito tributário encontrava-se suspensa por medida liminar, não há como alegar-se que tal circunstância, inexistente no paradigma, impactaria o conhecimento do Recurso Especial, que trata da exigência de penalidade. Dita informação, trazida em sede de Contrarrazões, não tem o condão de infirmar a admissibilidade do apelo, levada a cabo em momento processual anterior, em face de acórdão que menciona apenas a concomitância de processo administrativo e ação judicial, sem qualquer referência a eventual medida suspensiva.
MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. NÃO CABIMENTO.
Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa e destinada a prevenir a decadência,, não cabe lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 9202-005.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior (relator) e Gerson Macedo Guerra. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS ATENDIDOS. CONHECIMENTO. A divergência jurisprudencial caracterizase quando, confrontados os acórdãos recorrido e paradigma, constatase que, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, tendo em vista interpretação divergente da legislação tributária. Ausente do acórdão recorrido a informação de que, ao tempo do lançamento, a exigibilidade do crédito tributário encontravase suspensa por medida liminar, não há como alegarse que tal circunstância, inexistente no paradigma, impactaria o conhecimento do Recurso Especial, que trata da exigência de penalidade. Dita informação, trazida em sede de Contrarrazões, não tem o condão de infirmar a admissibilidade do apelo, levada a cabo em momento processual anterior, em face de acórdão que menciona apenas a concomitância de processo administrativo e ação judicial, sem qualquer referência a eventual medida suspensiva. MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. NÃO CABIMENTO. Na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa e destinada a prevenir a decadência,, não cabe lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior (relator) e Gerson Macedo Guerra. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 34 71 /2 00 7- 20 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 329 2 Conselheira Patrícia da Silva. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301003.202, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 21 de novembro de 2012 (efls. 256 a 265). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 Recurso Voluntário Provido em Parte. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 330 3 artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do lançamento, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 12/11/2013 (efl. 266) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 13/11/2013 (efl. 282), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 267 a 281). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido em 17/05/2012, no Acórdão 240102.453, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, bem como em relação ao decidido pela 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF 9.20202.086, prolatado em 22 de março de 2012, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2401002.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 331 4 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Acórdão CSRF 920202.086 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/09/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 332 5 de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado. Decisão: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) haveria de se aplicar, à situação fática, o art. 35A da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, quando da comparação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, devendo ser comparada a multa aplicada na sistemática antiga (art. 35, II da norma revogada) com a multa prevista no art. 35A da mesma Lei no. 8.212, de 1991, introduzido pela Medida Provisória no. 449, de 2008, e que remete ao art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (percentual de 75%). Rejeita, assim, a comparação feita pelo vergastado entre a multa prevista no art. 35, II da norma revogada com o novo art. 35 da Lei no. 8.212, de 24 de junho de 1991, que remete ao art. 61 da Lei no. 9.430, de 1996 (que, por sua vez, estabelece o limite de 20%), aplicandose aqui a norma mais benéfica ao contribuinte; b) Entende que a multa de mora prevista no novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 não deve ser levada em consideração porque trata do pagamento em atraso de crédito que ainda não teria sido objeto de autuação, o que não é o caso dos autos. Ressalta que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212,de 1991 previa a multa de mora (inciso I), quando houvesse recolhimento do tributo intempestivamente, mas de forma espontânea, e a multa de ofício (incisos II e III), quando houvesse lançamento de ofício. Porém, todas as multas eram chamadas simplesmente de “multas de mora”. Atualmente, a multa de mora propriamente dita é prevista na atual redação do art. 35, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, e a multa incidente com o lançamento de ofício (multa de ofício) é prevista no art. 35A, que remete ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No caso dos autos, a multa foi aplicada com o respectivo lançamento de ofício do tributo devido, nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991. Sendo assim, para se aplicar a retroatividade benigna, devese levar em consideração o novo art. 35A, pois são esses dois dispositivos que regulam a situação dos autos. a) O artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, na nova redação conferida pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. Assim, devese considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449, de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 333 6 sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; c) A redação do art. 35A citado é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora somente ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; d) Destarte, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941, de 27 de dezembro de 2009; e) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Cita, ainda, a necessidade de observância ao disposto na Instrução Normativa no. 971, de 13 de novembro de 2009; e) A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449, de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que a contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve, isto sim, lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. f) Assim, entende que a autuação deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Requer, assim, que seja conhecido o recurso e lhe seja dado provimento recurso, a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada acima citada para aplicação da multa mais benéfica. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 334 7 O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 284 a 289. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 01/04/2016 (efl. 296), a contribuinte ofereceu, em 03/05/2016 (efl. 269), contrarrazões de e fls. 300 a 303, onde: a) Salienta que o objetivo da autoridade fiscal era prevenir a decadência do crédito tributário, estando o mesmo com sua exigibilidade suspensa por força de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança 2007.61.88.0229252 Assim, não caberia qualquer aplicação de multa de ofício, a partir do disposto no art. 63 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplicando a multa de ofício aplicada pelo recorrido ao caso em tela. Ressalta que tal entendimento também é respaldado pela Súmula CARF no. 17, editada antes do Recurso Especial da Fazenda Nacional sob análise; Requer, assim, que seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, uma vez que não atende os requisitos de admissibilidade do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a tais requisitos de admissibilidade. Todavia, quanto à caracterização de divergência interpretativa, ouso discordar. Faço notar que, aqui, nos presentes autos, se está a tratar de situação onde, quando do lançamento da multa objeto de constituição (em 28/12/2007, consoante efl. 13), o crédito tributário da obrigação principal encontravase com sua exigibilidade suspensa na forma do art. 151, IV do Código Tributário Nacional (vide efl. 204), situação que remeteria à consideração de necessidade de aplicação do art. 63 da Lei no. 9.430, de 1996, que estabelece a desnecessidade de lançamento da multa de ofício, caso se considere ser esta a natureza da multa lançada. Já os paradigmas se referem ao lançamento de obrigação principal, sem que ali se cogite, em nenhum momento, de hipótese de suspensão de exigibilidade, não se podendo afirmar como se posicionaria o Colegiado paradigmático acerca da situação dos autos (em especial no que diz respeito ao cabimento ou não do lançamento da multa de ofício, assim ali considerada, a partir do disposto no art. 63 do CTN), resultando assim, em meu entendimento, como não caracterizada a divergência interpretativa. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencido quanto ao conhecimento, passo à análise de mérito. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 335 8 Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 336 9 função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 337 10 acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 338 11 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 339 12 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente a possibilidade recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a este feito o seguinte recálculo: comparação a ser realizada entre a multa aplicada na NFLD, que aplicou o disposto no art. 35 da referida Lei no. 8.212, de 1991, na redação anterior à vigência da Lei no. 11.941, de 27 de maio de 2009, e aquela obtida a partir da nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, que remete ao art. 61 da Lei no. 9.430, de 1996 (e que estabelece o limite de 20%), mantendose, das duas multas, a mais benéfica ao contribuinte Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 340 13 pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter, agora a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal (que necessariamente possuem a natureza de multa de ofício), abrangendo tanto a constatação, através de procedimento de ofício, de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 341 14 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 342 15 Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 343 16 quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Todavia, de forma a se poder aplicar o entendimento aqui adotado ao caso sob análise, é de se notar que se está, aqui, diante de caso excepcional, onde, uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário quando do procedimento de ofício por força do disposto no art. 151, IV do CTN e, ainda, consoante entendimento acima, que estabelece se tratar a multa lançada de multa de ofício, não deveria ter ocorrido o lançamento de multa na presente NFLD, a partir do disposto do art. 63, da Lei no. 9.430, de 1996, verbis: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Assim, inaplicável, em meu entendimento, que se cogite, aqui, da aplicação do percentual de 75% decorrente de lançamento de ofício, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, uma vez que estava a obrigação principal objeto de lançamento com exigibilidade suspensa, vedada porém, notese, a reformatio in pejus quanto à multa de mora mantida pelo Colegiado a quo, uma vez se tratando de pleito fazendário. Diante do exposto, vencido quanto ao não conhecimento do Recurso, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 344 17 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Redatora Designada Discordo do Ilustre Conselheiro Relator, apenas no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A divergência jurisprudencial caracterizase quando, confrontados os acórdãos recorrido e paradigma, constatase que, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, tendo em vista interpretação divergente da legislação tributária. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional se insurge quanto à aplicação da retroatividade benigna relativamente à multa por descumprimento de obrigação principal. A esse respeito, o acórdão recorrido assim se posiciona: Ementa "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 30/09/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%." Voto "(...) Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 345 18 As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE o Recurso Voluntário, para enfrentar somente a discussão sobre a multa, e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO no sentido de limitar a multa de mora a 20%." Como paradigma, a Fazenda Nacional indica os Acórdãos nºs 2401002.453 e 920202.086, colacionando os seguintes trechos: Paradigma Acórdão nº 2401002.453 Ementa “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 346 19 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.” (destaques da Recorrente) Voto “De acordo com o fisco, na fixação da multa de ofício, levouse em conta a alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2008. Assim, comparouse a multa aplicada com base no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 (dispositivo vigente na data da ocorrência dos fatos geradores), com a multa imposta em obediência ao art. 35 A da mesma lei, aplicandose o valor mais favorável ao sujeito passivo. De acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, havendo lançamento de ofício do tributo, devese aplicar a multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, o qual assim dispõe: ‘Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...)’ Suscita a empresa que lhe fosse aplicada a multa do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996, todavia esse dispositivo somente se aplica no caso de recolhimento espontâneo, no qual é aplicada a multa de mora e juros. Havendo lançamento das contribuições, exige se a multa de ofício prevista no art. 44, I, da mesma Lei. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 347 20 Assim, o fisco agiu com acerto ao comparar a multa do art. 35 com aquela prevista no art. 35A, ambos da Lei n.º 8.212/1991, não havendo reparos a serem feitos no levantamento quanto a esse aspecto.” (destaques da Recorrente) Paradigma Acórdão nº 920202.086 Ementa “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2001 a 30/0/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PENALIDADE DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial aplicável à exigência de multa decorrente de omissão de informações em GFIP é aquele previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso especial negado.” (destaques da Recorrente) Voto Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 348 21 “Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, temse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.” (destaques da Recorrente) Cotejandose o acórdão recorrido com os paradigmas, constatase claramente a divergência de interpretações, no que tange à aplicação da retroatividade benigna. Com efeito, o voto condutor do acórdão recorrido em nenhum momento explicita que a concomitância do presente processo administrativo teria algum impacto na apuração da penalidade, muito menos quanto à aplicação da retroatividade benigna. Isso porque a simples concomitância de processo administrativo e ação judicial não gera impacto automático na exigência da multa, já que a sua dispensa exige a obtenção, via ação judicial, de medida de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (liminar, depósito do montante integral, etc). Destarte, a visão de que, em face da medida liminar, a penalidade sequer seria cabível, ainda que no percentual mínimo, poderia ter sido provocada via Embargos de Declaração do Contribuinte, se fosse o caso. Aliás, o Relator do voto condutor do acórdão recorrido registra que a matéria referente à penalidade sequer foi suscitada em sede de Recurso Voluntário. Confirase às fls. 256: "Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10882.003471/200720 Acórdão n.º 9202005.071 CSRFT2 Fl. 349 22 Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública." (grifei) Quanto à Fazenda Nacional, esta utilizouse do Recurso Especial de Divergência ao seu dispor, demonstrando corretamente a interpretação divergente, em face daquilo que constava do acórdão recorrido. Quanto à informação de que, ao tempo da autuação, o Contribuinte estaria acobertado por medida liminar em Mandado de Segurança, e daí a impossibilidade de exigência de multa, esclareçase que esta foi suscitada em sede de Contrarrazões, momento processual posterior ao da interposição do Recurso Especial. Confirase o próprio relatório do presente acórdão: "Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 01/04/2016 (efl. 296), a contribuinte ofereceu, em 03/05/2016 (efl. 269), contrarrazões de efls. 300 a 303, onde: a) Salienta que o objetivo da autoridade fiscal era prevenir a decadência do crédito tributário, estando o mesmo com sua exigibilidade suspensa por força de liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança 2007.61.88.0229252 Assim, não caberia qualquer aplicação de multa de ofício, a partir do disposto no art. 63 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplicando a multa de ofício aplicada pelo recorrido ao caso em tela. Ressalta que tal entendimento também é respaldado pela Súmula CARF no. 17, editada antes do Recurso Especial da Fazenda Nacional sob análise;" (grifei) Ora, não se pode admitir que informação ausente do acórdão recorrido e trazida em sede de Contrarrazões possa ter efeitos de Embargos Declaratórios, com a finalidade de inserir no julgado guerreado uma variável existência de medida liminar que teria impacto sobre a matéria recursal aplicação de penalidade inviabilizandolhe o seguimento à Instância Especial. Diante do exposto, tendo em vista que, ausente no acórdão recorrido a informação acerca de medida liminar, a divergência jurisprudencial foi perfeitamente demonstrada, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913813/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.060
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 81 3/ 20 11 -2 1 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10480.913813/201121 Resolução nº 3401001.060 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.059. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10480.913813/201121 Resolução nº 3401001.060 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10480.913813/201121 Resolução nº 3401001.060 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.900525/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 05 25 /2 01 4- 12 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11065.900525/201412 Acórdão n.º 3401003.329 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 052.975, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11065.900525/201412 Acórdão n.º 3401003.329 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11065.900525/201412 Acórdão n.º 3401003.329 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11065.900525/201412 Acórdão n.º 3401003.329 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11065.900525/201412 Acórdão n.º 3401003.329 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.720040/2015-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 00 40 /2 01 5- 28 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.720040/201528 Acórdão n.º 3401003.315 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 057.388, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.720040/201528 Acórdão n.º 3401003.315 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.720040/201528 Acórdão n.º 3401003.315 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11065.720040/201528 Acórdão n.º 3401003.315 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11065.720040/201528 Acórdão n.º 3401003.315 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.722323/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007
PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA
O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO
O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição.
RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO
A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência
DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO
Em face da falta de motivação verifica-se a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP.
Numero da decisão: 2401-004.669
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO Em face da falta de motivação verifica-se a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP.
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INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 23 /2 01 0- 91 Fl. 1573DF CARF MF 2 Em face da falta de motivação verificase a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.574 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, excluindo do lançamento o Levantamento “AB PAGAMENTOS A COOPERATIVA TRAB” (período 09/2006 a 12/2007), conforme ementa do Acórdão nº 02 34.145 (fls. 1.312/1.332): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 RATEIO DE DESPESAS COMUNS DE GRUPO ECONÔMICO. Não há na legislação previdenciária previsão para rateio de despesas comuns de grupo econômico, o assunto encontrase fundamento no artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda. PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO. É devida contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativos a serviços que lhe são prestados por cooperados por meio de cooperativa de trabalho. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos da legislação previdenciária. ENQUADRAMENTO NO GRAU DE RISCO. O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante, cabendo à autoridade fiscal rever o auto enquadramento a qualquer tempo. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei vigente, nos termos da legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias, devidas à Seguridade Social, nos termos do disposto no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1575DF CARF MF 4 PRODUÇÃO DE PROVAS. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo teve sua origem no Auto de Infração – AI DEBCAD nº 37.261.6526 (fls. 2/93), consolidado em 29/09/2010, no montante de R$ 285.020,17, em que foram apurados os seguintes levantamentos: . LEV: AA – SALÁRIOS NÃO DECLARADOS GFIP (Período do Débito: 01/2006 a 12/2007) LEV: AB PAGAMENTOS A COOPERATIVA TRAB (Período do Débito: 09/2006 a 12/2007) LEV: AC RETENCAO CMO PELA AGV (Período do Débito: 01/2006 a 12/2007) Prestador de Serviço: ARMAZENS GERAIS VINHEDO LTDA LEV: AD RETENCAO CMO SEG VIG LIMP (Período do Débito: 03/2006 a 12/2007) Prestador de Serviço: LOGSTICA OURO FINO LTDA LEV: AE DIFERENCA SAT (Período do Débito: 01/2006 a 05/2007) LEV: AE13 DIFERENCA SAT (Período do Débito: 12/2006 a 12/2006) O Auditor Fiscal, em relatório de fls. 87/93, constituiu crédito da previdência social referente à parte da empresa, apurado conforme descrito a seguir: 1. Incidente sobre os salários de contribuições pagos a segurados empregados conforme discriminado na Planilha 1 SALÁRIOS APURADOS DA CONTABILIDADE (fls. 94/97), discriminados no Levantamento AA e não declarados em GFIP, conforme demonstrado na Planilha 2 SALÁRIOS APURADOS FP MAIS CONTABILIDADE VERSUS GFIP (fl. 98); Os valores foram obtidos através do exame da contabilidade e das folhas de pagamento de salário apresentadas pelo Sujeito Passivo; Foi constatado que os valores pagos de salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário foram escriturados a débito como despesas, na contabilidade. Sob a alegativa de que não realizou tais pagamentos, o contribuinte não apresentou a relação nominal dos segurados empregados beneficiados; A empresa justificou estes lançamentos na sua contabilidade como sendo pagamentos de rateio de despesas com a empresa Logística Ouro Fino LTDA – CNPJ 04.771.902/000182, conforme previsto no Contrato de Rateio de Despesas apresentado (fls. 103/109). Tal Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.575 5 argumentação não foi acatada pela fiscalização pelos motivos elencados nos itens “Ia” a “Ik” (fls. 87/88); 2. Incidente sobre os valores pagos por serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho médico, não declarados em sua totalidade em GFIP, conforme discriminado na Planilha 3 PAGAMENTOS REALIZADOS À COOPERATIVA DE TRABALHO NÃO DECLARADOS EM GFIP (fl. 110); 3. Relativos à retenção e ao recolhimento dos 11% (onze por cento), não realizados, sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços de armazenamento, com cessão de mãodeobra – CMO, emitidas pela empresa Armazéns Gerais Vinhedo LTDA – CNPJ 02.905.424/000120 (fls. 127/172); Foram também analisados o Contrato de Prestação de Serviços de Operador Logístico, Armazenagem e Transporte e Outras Avenças (fls. 185/215) e a escrituração contábil do Sujeito Passivo, discriminado na Planilha 4 RETENÇÃO CESSÃO DE MÃO DE OBRA POR PARTE DA PRESTADORA ARMAZÉNS GERAIS VINHEDO LTDA (fl. 216/217). Os valores das notas fiscais escrituradas e os correspondentes valores devidos das retenções não declarados em GFIP, encontramse no Levantamento AC, apurado conforme discriminado nos itens “IIIa” a “IIId” (fls. 88/90). 4. Relativos à retenção da contribuição de 11% (onze por cento) sobre os valores brutos das notas fiscais de serviços referentes à segurança, vigilância e limpeza, não retidas e não declarados em GFIP, conforme discriminado na Planilha 5 RETENÇÃO CESSÃO MÃO DE OBRA SEGURANÇAVIGILÂNCIALIMPEZA (fl. 222), discriminados no Levantamento AD. Os valores apurados estão discriminados por competências na Planilha 6 TOTAIS RETENÇÃO CESSÃO DE MÃO DE OBRA (fl. 223); Não foram apresentados os contratos e as notas fiscais/faturas dos serviços sob a alegação de que os valores escriturados como despesas referemse a pagamentos de rateios com a empresa Logística Ouro Fino LTDA – CNPJ 04.771.902/000182. 5. Relativas às diferenças de valores apurados correspondentes ao Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, competências de janeiro de 2006 a maio de 2007, discriminado na Planilha 7 APURAÇÃO DIFERENÇA RECOLHIMENTO RAT (fl. 224). Os valores apurados estão incluídos nos Levantamentos AE e AE1. A fiscalização apurou que o Sujeito Passivo declarou e recolheu contribuições para o RAT aplicando a alíquota de 2% (dois por cento), nas competências de janeiro de 2006 a dezembro de 2006 e de janeiro a maio de 2007, e de 1% (um por cento) na competência do Fl. 1577DF CARF MF 6 décimo terceiro salário de 2006, quando o correto seria aplicar a alíquota de 3% (três por cento) em todo o período citado, conforme Decreto nº 6042/2007. O Sujeito Passivo tomou ciência da autuação em 29/10/2010 (fl. 02) e, em 28/10/2010, juntamente com as empresas do grupo econômico, indicadas na Relação dos sujeitos passivos solidários (fl. 03), apresentou sua Impugnação (fls. 401/459), onde em síntese alega: 6. Auto de Infração genérico, embasado em suposições e relações inexistentes, e demonstrativos elaborados de forma inconsistente; 7. Prazo exíguo para levantar todos os documentos necessários devido à quantidade de Autos de Infração, 6 (seis) no total, e do número de empresas incluídas no polo passivo; 8. A regularidade do Contrato de Rateio de Despesas (fls. 103/109) e da contabilização desses rateios, feitos com base na legislação civil e na legislação do imposto de renda em que as despesas rateadas foram objeto de contrato escrito e com valores reembolsados, com comprovações fiscais e/ou documentais. Afirma que os serviços foram prestados, as despesas eram devidas e o rateio dos valores foi consubstanciado em número de horas; 9. Existir manifestação do TST quanto ao compartilhamento de recursos humanos por mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho sem caracterizar a coexistência de mais de um contrato; 10. Que, pelas mesmas razões do rateio dos recursos humanos, foram também rateadas as despesas com aluguel do prédio, energia elétrica, segurança, limpeza e vigilância; 11. Que é perfeitamente aplicável ao caso em tela o enquadramento das despesas como operacionais, dedutíveis na apuração do lucro real e passíveis de rateio, em face da natureza dos serviços rateados, das características das atividades da empresa (comércio atacadista de produtos e drogas de uso veterinário), do Parecer Normativo nº 32/81, da Coordenação do Sistema de Tributação, e do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda; 12. Que não descumpriu o Princípio da Entidade uma vez que as despesas rateadas e escrituradas em sua contabilidade foram realizadas por ela mesma. Cita Acórdão do Conselho de Contribuintes; 13. Que por serem as despesas rateadas passíveis de dedução para cálculo do Imposto de Renda, não se coadunam com o conceito de remuneração para fins de incidência de Contribuição Previdenciária; 14. Não ser aplicável o fundamento jurídico usado pelo fiscal para desconsiderar o contrato de rateio (art. 123, do CTN), pois este não altera a responsabilidade pelo pagamento de tributos e nem modifica a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias; Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.576 7 15. Que foram regularmente recolhidos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a impugnante e seus empregados e que qualquer exigência de pagamento de diferença de recolhimento acarretaria uma duplicidade de pagamento; 16. Que, através de Contrato de Comodato (fls. 218/219), formalizado em 27/10/2004, a empresa Armazém Gerais Vinhedo Ltda. emprestou parte do imóvel, localizado na Rua Nove – 140, Distrito Industrial, em Contagem/MG, para ser usado como local de funcionamento da nova empresa a ser criada pela Ouro Fino Participações e Empreendimentos S/A. 17. Que, definido o local da nova empresa, os interessados promoveram o registro dos seus atos constitutivos nos órgãos competentes, e suas atividades tiveram início em 15/12/2004, sendo que registro no CNPJ foi obtido em 23/12/2004; 18. Inexistir prestação de serviço de armazenamento com cessão de mão deobra, uma vez que, conforme os termos do Contrato de Prestação de Serviços de Operador Logístico, Armazenagem e Transporte e Outras Avenças (fls. 185/215), firmado entre AGV Logística S/A (contratada) e Minas Logística Ouro Fino Ltda. (contratante), os serviços são prestados unicamente pela contratada, por sua própria conta, e a remuneração referente a estes serviços são pagos mensalmente pela contratante. 19. Que a impugnante não está obrigada a fazer a retenção e recolhimento da contribuição de 11% sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas pela contratada em razão dos serviços prestados, uma vez que os serviços foram prestados dentro do estabelecimento da contratada, por funcionários da contratada, sob sua subordinação direta e sem nenhuma subordinação destes com a Impugnante, conforme cláusula 8.1 e seguintes do Contrato de Serviços firmado (fls. 185/215); 20. Que a fiscalização não conseguiu comprovar, de forma cabal, a cessão de mãodeobra, em virtude de que todas as provas acostadas e os respectivos documentos fiscais revelam a regularidade da contratação. Cita decisões judicias (fls. 429/433); 21. Ser equivocada a aplicação, pelo fiscal, do parágrafo único do artigo 116 do CTN, para desconsiderar os negócios jurídicos praticados pela Impugnante nos contratos de rateio de despesas e de comodato, já que sua eficácia depende de edição de lei ordinária específica para regulamentála; 22. A inconstitucionalidade da nova Contribuição Social de 15% sobre nota fiscal/fatura relativa a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho médico, criada pela Lei nº 9.876/99; Fl. 1579DF CARF MF 8 23. Estarem corretas a base de cálculo declarada em GFIP bem como as contribuições recolhidas conforme demonstrado no quadro apresentado nas fls. 449/450, da impugnação; 24. Que, mediante a previsão legal de redução da base de cálculo, não há que se falar em tributação sobre o valor bruto da nota fiscal e nem em declaração desses valores em GFIP, de acordo com o item 2.8 do Manual da GFIP, o que enseja o cancelamento da autuação nesse sentido; 25. Que o anexo V do Regulamento da Previdência Social, à época dos períodos fiscalizados, previa para atividade desenvolvida pela impugnante (comércio atacadista e intermediários do comércio de produtos especializados, não especificados nos itens anteriores) grau de risco médio para fins de apuração e recolhimento da contribuição relativa ao RAT; 26. Não proceder o lançamento fiscal com relação ao RAT já que o fiscal fundamentou tal lançamento no Decreto nº 6.042/07, que alterou os dispositivos do Regulamento da Previdência Social, e que só produziu efeito a partir de 07/2007, após o período fiscalizado (01/2006 a 05/2007). Tal lançamento é uma afronta direta ao artigo 150, inciso III, alínea “a” da Constituição Federal; 27. Que, mesmo sendo possível a aplicação retroativa do Decreto 6.042/07 (artigos 105 e 106 do CTN), para o período apontado pela fiscalização, o percentual correto a ser aplicado em decorrência do CNAE da impugnante (46.44302) seria de 1% e não 3%, como pretendido pelo fiscal, o que levaria a Impugnante a ter um crédito a seu favor; 28. Sempre ter recolhido regularmente e integralmente todos os tributos a que está sujeita, não podendo ser obrigada a recolher novamente as contribuições previdenciárias de mesma natureza e nos mesmos valores, como se nada tivesse recolhido, sob pena de incorrer em grave prejuízo à Impugnante, em virtude de enriquecimento sem causa por parte do fisco federal; Finalizam sua impugnação pedindo que seja revisto o auto de infração, decretandose sua nulidade, bem como dos autos de infração reflexos 37.261.6534, 37.261.6542, 37.261.6550, 37.261.6569 e 37.261.6577, cancelandose todos os atos que deles se originarem. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento e, a 7ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, face a exclusão do Levantamento “AB PAGAMENTOS A COOPERATIVA TRAB” (período 09/2006 a 12/2007), nos termos do relatório e voto do relator que integram o julgado de fls. 1.312 a 1.332. Os Sujeitos Passivos solidários foram notificados do Acórdão de nº 02 34.145 em 30/09/2011 (fl. 1.362) e, em 31/10/2011, apresentaram Recurso Voluntário (fls. 1.467/1.499), onde fazem uma Síntese dos Fatos e em seguida alegam: Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.577 9 1. PRELIMINAR – DA NECESSIDADE DE CONCESSÃO DE PRAZO SUPLEMENTAR PARA JUNTADA DE PROVAS. Que foi pleiteado a concessão de prazo suplementar, tendo em vista o grande volume de documentos a serem juntados no processo administrativo, em decorrência da lavratura de 6 Autos de Infração, incluindo 10 empresas do mesmo grupo econômico como solidárias, e que o indeferimento implica em nulidade do julgado de 1ª instância. Caso seja necessário, pleiteia pela juntada dos documentos em sede recursal, afim de trazer aos autos os elementos necessários para o correto entendimento dos fatos ocorridos. 2. DA INEXISTENCIA DAS INFRAÇÕES APONTADAS PELA FISCALIZAÇÃO RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DO EMPREGADOR – DA REGULARIDADE E LEGALIDADE DO RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. · Afirma que a jurisprudência administrativa federal já firmou entendimento no sentido de que o rateio de despesas deve ser considerado para fins de incidência, não só do IRPJ e CSLL, mas também das Contribuições Sociais do PIS e da COFINS, bastando apenas que haja previsão contratual que estabeleça de forma expressa os critérios e coeficientes de rateio, e que os valores rateados decorram da efetiva utilização dos serviços necessários, normais e usuais na atividade das empresas. Cita jurisprudências às fls. 1.472/1.473; · Assevera que as verbas apontadas pela fiscalização não possuem natureza de fato gerador de Contribuições Previdenciárias uma vez que decorrem de mero reembolso de valores rateados de despesas efetuadas entre empresas do mesmo grupo econômico, portanto, não são base de incidência de Contribuições Previdenciárias, uma vez que não se coadunam com o conceito de remuneração, não lhe aplicando o disposto no art. 22, inciso i, da Lei 8.212/91; · O art. 123, do CTN, não pode ser usado como argumento para a não aceitação do contrato de rateio, já que o referido contrato não se presta a alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributos e muito menos para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes; · O Contrato de rateio firmado pela Recorrente objetivava o compartilhamento da estrutura física e pessoal nos serviços administrativos, uma vez que pertencia à empresa Logística Ouro Fino Ltda. todos os departamentos administrativos estruturados, em pleno funcionamento e com capacidade de Fl. 1581DF CARF MF 10 atender, além de sua própria demanda, a demanda da Recorrente; · A empresa Logística Ouro Fino Ltda., na condição empregador dos recursos humanos nos serviços administrativos prestados e contratante dos serviços de limpeza segurança e vigilância alocados nos respectivos departamentos administrativos, apurou, reteve e recolheu regularmente todas a contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, cabendo à Recorrente apenas o reembolso dessas despesas na proporção que lhe cabia; · Em relação aos documentos apresentados pelas Recorrentes, estes devem ser acolhidos pois comprovam que os valores das contribuições previdenciárias, de responsabilidade da empresa Logística Ouro Fino Ltda., e exigidos na fiscalização, foram por ela regularmente recolhidos. 3. DA INEXISTENCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM CESSÃO DE MÃODEOBRA, E DA REGULARIDADE DO CONTRATO DE COMODATO. · Afirma que não ocorreu a prestação de serviço com cessão de mãodeobra que obrigasse a Recorrente à retenção e recolhimento da contribuição de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e que da leitura das cláusulas do Contrato de Prestação de Serviços, firmado pela Recorrente e pela empresa Armazéns Gerais Vinhedo Ltda. (AGV), já seria suficiente para se constatar que o objeto do contrato está bem definido e que consiste na prestação de serviços de logística, armazenagem e transportes pela empresa AGV à Minas Logística; · Os serviços foram prestados em estabelecimento pertencente ao prestador do serviço (AGV), o que afasta a cessão de mão de obra, haja vista que a cessão só se configura quando prestado no estabelecimento do tomador do serviço ou em estabelecimento de terceiro que não seja o próprio prestador (§ 1º, do art. 219, do Regulamento da Previdência Social), e que a própria prestadora dos serviços de logística, armazém e transporte, cedeu determinada área do seu imóvel para a Recorrente, mediante Contrato de Comodato, conforme previsto no art. 579 do Código Civil; · As exigências do art. 1.144 do Código Civil não encontram aplicação no caso em tela, pelo simples fato de que o aludido artigo se refere ao contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou o arrendamento do estabelecimento. Tal artigo se aplica unicamente aos casos onde ocorre o Trespasse do estabelecimento comercial, a título oneroso. 4. DO ERRO IN JUDICANDO NA APLICAÇÃO DO ARTIGO 149 DO CTN PARA JUSTIFICAR A DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS PRATICADOS PELA RECORRENTE – DA Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.578 11 IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO § ÚNICO DO ARTIGO 116 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ANTE A AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. Aduz que o julgador de primeira instância aplicou fundamento legal estranho aos fatos e fundamentos de direito constantes do processo, isto porque, a acusação fundamenta a desconsideração do contrato de comodato no parágrafo único, do art. 116, do CTN, e não no disposto no inciso VII, do art. 149, do CTN. Ainda que o Julgador tenha liberdade para apreciar as provas e elementos dos autos, não pode decidir extrapolando os limites da lide consubstanciada o processo, ao fazêlo incorre em error in judicando, razão pela qual, a conclusão de que a norma geral antissimulação presente no art. 149, do CTN, justifica a desconstituição dos atos praticados pela Recorrente deverá ser afastada. Ainda que assim não fosse, o parágrafo único do art. 116, do CTN, é norma de eficácia limitada que depende de outras providências legais para que possa surtir os efeitos almejados pelo legislador, tanto que ela indica no seu próprio texto a necessidade de uma legislação futura que lhe atribua eficácia, o que não aconteceu até o momento da fiscalização. Assim, concluise que as práticas empresariais adotadas pela Recorrente, mais especificamente o contrato de rateio de despesas e de comodato, foram implementadas sem afronta a preceitos legais e sem intuito de fraude ou simulação, não podendo, portanto, ser desconstituídas arbitrariamente pela autoridade fiscal, sob o manto da norma geral anti elisiva. 5. DA INEXISTÊNCIA DE DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT – DO PERFEITO ENQUADRAMENTO DA RECORRENTE NO GRAU DE INCIDÊNCIA DO RAT – E DA NÃO APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 6.042/07 DIANTE VEDAÇÃO DE RETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. A atividade da Recorrente não se enquadrava na classificação CNAE 51.926 (atividade de comércio atacadista especializado em mercadorias não especificadas anteriormente), e sim na classificação CNAE 51.187 (intermediários do comércio especializado em produtos não especificados anteriormente), grau de risco médio (2%). Outro erro da fiscalização, mantido pelo Julgador de 1ª instância, foi o entendimento de que a alíquota correta que deveria ser usada pela Recorrente era a de 3%, de acordo com o Decreto nº 6.402/2007. Ocorre que o referido Decreto, que alterou os dispositivos do Regulamento da Previdência Social, foi editado em 12 de fevereiro de 2007, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do mês de julho de 2007, ou seja, após o período objeto da fiscalização, janeiro de 2006 e maio de 2007. Diante disto, a aplicação do Decreto nº 6.042/2007, Fl. 1583DF CARF MF 12 para fatos geradores ocorridos em período anterior à sua vigência, afronta o Princípio da Irretroatividade, previsto no art. 150, inciso III, alínea “a”, da CF/88. 6. DA COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES QUESTIONADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO – DA IRREGULARIDADE DA INCLUSÃO DAS DEMAIS EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO NA CONDIÇÃO DE SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. Na parte final da decisão de 1ª instância o Julgador concluiu que não houve a efetiva comprovação dos recolhimentos das contribuições apuradas pela fiscalização, seja pela Recorrente ou pelas demais empresas do grupo econômico. Concluiu também estar correta a inclusão das demais empresas do grupo econômico no polo passivo, na condição de responsáveis solidários, por ser realidade normativa inscrita não apenas no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, com respaldo no inciso II, do art. 124, do CTN, e em outros dispositivos legais. 7. Na hipótese de não acolhimento do pedido de cancelamento, seja deferido o prazo suplementar para juntada de demais documentos a fim de demonstrar o efetivo recolhimento das Contribuições Previdenciárias a cargo do empregador, feitos pela empresa Logística Ouro Fino Ltda. Por fim, pleiteiam o direito de realizar sustentação oral por ocasião do julgamento por uma das Seções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do inciso II, do art. 58, do Regimento Interno do CARF, Portaria nº 256/2009. É o relatório. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.579 13 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância Preliminarmente, aduzem as pessoas jurídicas Recorrentes que a negativa do pleito requerido inicialmente quanto ao deferimento de prazo suplementar para a apresentação de documentos com vistas a prestigiar o princípio da verdade material, implicaria na nulidade do julgado. Entendo que não assiste razão às Recorrentes. Não há que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção, esclarecendo ainda que toda a documentação juntada aos autos até a data do julgamento foi analisada e levada em consideração na sua decisão, senão vejamos: A prova documental deve ser apresentada juntamente com a defesa, salvo nas exceções do artigo 16, inciso III, § 4º e §5º do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal, e desde que o impugnante apresente petição fundamentada com a ocorrência das condições previstas no citado artigo. Entretanto, registrese que toda a documentação juntada aos autos até a presente data, foi devidamente analisada e levada em consideração nesta decisão. Ademais, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece na Seção VI concernente ao julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Fl. 1585DF CARF MF 14 Mérito Conforme se verifica do Relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do Auto de Infração à epígrafe com vista à constituição de crédito referente à parte empresa, incidente sobre: 1. Salários de contribuições pagos a segurados empregados, conforme discriminado na planilha nº 1, denominada “salários apurados na contabilidade”; 2. Serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho não declarados em sua totalidade em GFIP; 3. Contribuições referentes à retenção e ao recolhimento dos 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços de armazenamento, com cessão de mãodeobra, emitidas pela empresa Armazéns Gerais Vinhedo; 4. Contribuição de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto de serviços prestados com cessão de mãodeobra, referentes à segurança, vigilância e limpeza, não retidas e não declarados em GFIP, conforme discriminado na planilha nº 5; 5. Contribuições referentes às diferenças de valores apurados correspondentes ao Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, por haver o sujeito passivo declarado e recolhido contribuições para o RAT, com aplicações de alíquotas inferiores aos 3% (três por cento) devido em todo o período. Foi constatada pela fiscalização a existência de grupo econômico de fato, tendo sido lavrado termo de sujeição passiva em face das pessoas integrantes do grupo e desconsiderados atos ou negócios jurídicos com base no art. 116 do Código Tributário Nacional; Não foi considerado o contrato de rateio por força do art. 123 do Código Tributário Nacional. Em alegações recursais, pleiteiam as recorrentes pela reforma da decisão de primeira instância e o cancelamento do Auto de Infração principal e reflexos, aduzindo que os valores apontados pela fiscalização não são base de incidência de contribuições previdenciárias, vez que não se caracterizam como remuneração conforme disposto no art. 22, I da Lei nº 8.212/91, mas sim como mero reembolso de despesas. Asseveram ainda que o contrato de rateio de despesas não se presta para alterar a responsabilidade pelo pagamento do tributo e nem para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, tendo como objetivo ratear, compartilhar despesas incorridas entre empresas do mesmo grupo econômico. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.580 15 Do rateio das despesas entre empresas do mesmo grupo econômico Consoante se observa dos autos do processo administrativo, para a comprovação do pagamento de salários de contribuição a segurados empregados, a fiscalização tomou como base de suporte do lançamento o registro de valores constantes na contabilidade da empresa, escriturados como débito, relativos às despesas com pagamentos de salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro. Segundo o ilustre Auditor Fiscal, o valor contábil não é um dado arbitrário porque foi oferecido pelo próprio sujeito passivo. De acordo com o Relatório Fiscal, instado a apresentar a relação nominal dos segurados empregados beneficiados por tais pagamentos, o sujeito passivo informou que não realizou referidos pagamentos a empregados e justificou os lançamentos em sua contabilidade como sendo de restituição de despesas à empresa Logística Ouro Fino LTDA, apresentando para tanto contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo a recorrente, a empresa Logística Ouro Fino, na condição de empregadora dos recursos humanos alocados nos serviços administrativos prestados, apurou, reteve e recolheu regularmente todas as contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, cujas despesas foram posteriormente rateadas com a recorrente, na forma do contrato. Tratase, assim, de questão que envolve o rateio de custos/despesas entre empresas do mesmo grupo econômico, mais especificamente, as despesas concernentes aos serviços administrativos indicados no Anexo I do contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo o contrato de rateio de despesas, considerando que as partes integram o mesmo grupo econômico, e que a Logística Ouro Fino Ltda detém infra estrutura administrativa e operacional para atuar em benefício da Minas Logística Ltda nas atividades referentes aos serviços administrativos que esta última necessita para o desenvolvimento das referidas atividades, resolvem ratear as despesas incorridas pela Logística Ouro Fino. Para o reembolso das despesas, a Logística Ouro Fino envia mensalmente à Minas Logística um relatório contendo (i) os valores a serem reembolsados e os critérios de rateio utilizados; (ii) demonstrativo das atividades desenvolvidas e despesas totais incorridas; (iii) a correspondente nota de débito. Após o envio da nota de débito a empresa Minas Logística terá vinte dias úteis para efetuar a transferência bancária, de acordo com as instruções previamente fornecidas pela Logística Ouro Fino, a qual obrigase a comunicar a Minas Logística qualquer alteração de procedimentos pretendida que possa afetar significativamente o valor das despesas incorridas nas atividades objeto do rateio. Com efeito, o compartilhamento de custos e despesas entre empresas com interesses comuns, não deve ter o intuito de lucro, mas tão somente a finalidade de ratear ou alocar custos ou despesas de acordo com a proporção dos benefícios auferidos com o ressarcimento respectivo dos custos incorridos para a realização das atividades. A despeito do rateio de despesas, no âmbito administrativo, foi publicada a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de Setembro de 2013, em que assevera ser perfeitamente possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos Fl. 1587DF CARF MF 16 custos e despesas administrativas comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Referida SD Cosit nº 23, explicita as regras de dedutibilidade dos custos e despesas do rateio, consoante norma prevista no art. 299 do Decreto nº 3.000/1999, e destaca em seus fundamentos o que segue: 10. De outro lado, devese reconhecer que o direito ao livre exercício da atividade empresarial, aliado também à globalização da economia verificada nas últimas décadas, levou à situação de que em muitos grupos econômicos, diversos departamentos de áreas consideradas “meio” (administração, contabilidade, jurídico etc), por questões de logística e de racionalização econômica, têm sua estrutura concentrada em uma única empresa, sendo que, posteriormente, as despesas mensais com a manutenção de tais departamentos são rateadas entre todas as empresas do grupo beneficiárias dos serviços centralizados. 11. No caso do processo em exame, no tocante à aludida operação de rateio de despesas, a finalidade principal atribuída à recorrente é a de administrar os interesses das empresas do grupo e reduzir os custos/despesas comuns, relativos aos gastos administrativos necessários e usuais a todas elas. 12. Sendo assim, como coadunar as orientações destacadas no item 8 com uma operação contábil centralizada, amplamente praticada no mundo real, com a finalidade de agregar despesas operacionais incorridas por diversas empresas, entidades autônomas componentes de um mesmo grupo, relacionadas a departamentos de apoio administrativo concentrados? 13. Neste aspecto, é certo que toda empresa pode ter um planejamento que vise à consecução de seus objetivos, com custos mais baixos e produtividade maximizada. Entretanto, tal planejamento não pode colidir com a legislação fiscal (a esse respeito ver o comando do art. 123 do CTN). 14. Destaquese ainda o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação nº 347/1970 (DOU de 29/10/1970), que conclui que a forma de escriturar as operações é de livre escolha do contribuinte, porém, desde que dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade. 15. Assim, a forma de rateio de despesas administrativas pode, em tese, ficar a critério do contribuinte, desde que tais operações estejam de acordo com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos ou que não levem a um resultado diferente do legítimo, assim como devem permitir a suficiente clareza e segurança para a verificação e os controles por parte da autoridade fiscal. 16. De todo o exposto, uma resposta positiva ao item 12 envolve, necessariamente, um revestimento (combinado) de clareza, razoabilidade, formalidade, assentamento contábil e legalidade fiscal a ser conferido a toda a operação concentrada. Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.581 17 Pelo exame dos documentos constantes às fls. 629/765 (extratos bancários, comprovantes de transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), verifico a existência dos pagamentos efetuados pela recorrente Minas Logística Ouro Fino LTDA para a empresa Logística Ouro Fino LTDA, correspondentes aos reembolsos relativos às despesas constantes nos históricos das respectivas Notas de Débito, no mesmo período correspondente ao lançamento. Não vislumbro que o caso tratarseia de oposição à fazenda pública de convenção particular visando a modificação de sujeito passivo ou das obrigações tributárias correspondentes, com relação à responsabilidade para o pagamento de tributos (art. 123 do CTN), conforme destacado na acusação fiscal. Constato sim, a existência de ressarcimentos em virtude de rateio pactuado entre empresas no mesmo grupo, que é corroborado pela própria administração fazendária (SD Cosit nº 23/2013) e regulado pelo art. 299 do Decreto nº 3.000/1999. Nesse ponto, verifico a existência de contrato hígido que tem como objetivo ratear despesas incorridas pela empresa Logística Ouro Fino LTDA no desenvolvimento dos serviços administrativos descritos no Anexo I do contrato, estabelecendo para tanto os critérios previamente definidos para a verificação dos controles necessários. Dessa forma, entendo que o contrato de rateio de despesas cumpre o objetivo ao qual se destina e, juntamente com as notas fiscais de débito emitidas e as transferências bancárias efetivadas, comprovadas através dos documentos adunados aos autos, demonstram que os valores registrados na contabilidade referemse às despesas incorridas pela empresa decorrentes do referido contrato de rateio, tendo assim natureza de reembolso. Registro ainda que, in casu, para a caracterização do fato gerador das contribuições previdenciárias, sequer haveria necessidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos, mormente porque, tratandose de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes seus efeitos desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios (art. 116, I, do CTN). Dessa feita, o contrato de rateio de fls. 103/109, bem como os documentos fls. 629/765, servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade, no entanto, tal registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador estabelecido nos art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91. Da identificação do fato gerador das Contribuições Previdenciárias De acordo com o que se observa do Relatório Fiscal, foram apurados valores a título de contribuição previdenciária incidente sobre salários de contribuições pagos a segurados empregados, e contribuição de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto de serviços prestados com cessão de mão de obra, referentes à segurança, vigilância e limpeza, constituídos por meio de exame na contabilidade do sujeito passivo. No entanto, a apuração de tais créditos tributários foi efetuada em total desacordo com a realidade fática apresentada no bojo processo administrativo em tela. O Fl. 1589DF CARF MF 18 pagamento do rateio de despesas, devidamente comprovado, não se prestam para a comprovação do fato gerador descrito da acusação fiscal art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91. É certo que o lançamento fiscal deve vir acompanhado da prova robusta da sua acusação. No caso em apreço, a informação genérica da autoridade administrativa não foi suficiente para comprovar a existência dos pressupostos legais para a incidência da contribuição previdenciária. A motivação dos atos administrativos deve ser explícita, clara e congruente, conforme se depreende do artigo 50 da Lei nº 9.784/99 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I Neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II Imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Inobstante a seriedade do trabalho da autoridade autuante, o lançamento não conseguiu se aprofundar no exame dos elementos dos fatos envolvidos, consubstanciando sua base principal em pilares precários que não atestam de modo irrefutável a ocorrência do fato gerador, consoante exigência do artigo 142 do CTN. Destarte, o lançamento como atividade administrativa vinculada e obrigatória, exige da autoridade fiscal a clara verificação do fato gerador, a matéria tributável e sua base de incidência, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse diapasão, não basta a verificação de forma isolada dos registros contábeis sem a comprovação da existência do fato gerador descrito na hipótese de incidência tributária. Em virtude da natureza ex lege da obrigação tributária, o simples registro na contabilidade não faz nascer a obrigação de pagar tributo caso não se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias à ocorrência do fato gerador correspondente. Vejase que, em face do que se constata dos documentos analisados nos autos, além da realidade dos fatos que ora se apresenta, a circunstância de estar registrado textualmente na contabilidade determinados fatos, não é suficiente, por si só, para a configuração do fato gerador da contribuição social previdenciária de forma desconexa com a realidade. A relação previdenciária exige uma apuração mais acurada de forma a garantir a legalidade e, via de consequência, a segurança jurídica. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.582 19 Importante, nesse aspecto, trazer à colação a norma de incidência contida no inciso I, do artigo 22 da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre ainda transcrever os preceitos insculpidos no artigo 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho, caracterizador do empregado: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Nesse aspecto, verificase que as divergências apuradas surgiram do cruzamento entre os registros contábeis e as informações contidas nas GFIPs, sendo que não foram encontradas nenhuma divergência entre os valores constantes nas folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, conforme planilha 2 (fls 98), em que o batimento confere nos centavos. A diferença que serviu de base para a lavratura do Auto de Infração ora em debate, foi constatada apenas e tão somente nos registros relacionados aos ressarcimentos de rateios, embora as despesas estejam devidamente comprovadas através dos pagamentos dos valores informados na prestação de contas (fls. 629/765 extratos bancários, comprovantes de Fl. 1591DF CARF MF 20 transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), já demonstrado no item anterior. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. Por outro lado, os pagamentos perfectibilizados pela Minas Logística Ouro Fino LTDA à empresa Logística Ouro Fino LTDA, nos exatos valores correspondentes ao histórico das despesas administrativas demonstrada (629/765), ratificam o entendimento de que os registros contábeis se referiam aos ressarcimentos estabelecidos no contrato de rateio, não configurando a existência do fato gerador conforme a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (Art. 114 do CTN). Isso demonstra que o procedimento adotado pela fiscalização não se aprofundou na busca da verdade real dos fatos ocorridos, com a devida consideração dos elementos materiais do contrato de rateio de despesas. Sequer foi determinada a intimação dos sujeitos passivos solidários para apresentarem documentos objetivando esclarecer se foram efetuados os pagamentos das contribuições questionadas concernentes aos serviços destacados nas planilhas de prestação de contas e registrados na contabilidade da Minas Logística. Não obstante a falta de intimação dos sujeitos passivos solidários para a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, a empresa recorrente, objetivando demonstrar que não ocorreu prejuízo ao erário, trouxe aos autos comprovantes dos pagamentos efetuados pela Logística Ouro Fino à título de contribuição previdenciária, conforme GFIP´s apresentadas com a relação dos funcionários e pagamentos correspondentes às contribuições devidas em relação a todos os empregados, nos termos do § 1º, do art. 225 do Decreto nº 3.048/99 (fls. 833/1.309). Referidos documentos, embora por amostragem, reforça o entendimento de que os valores denominados “salários apurados na contabilidade” não correspondem ao fato gerador noticiado na acusação fiscal. Quanto aos registros de despesas com serviços de vigilância, limpeza e segurança, verifico que ocorreram no setor da administração geral, razão porque também se referem ao reembolso estabelecido no contrato, conforme discriminado no histórico das planilhas de prestação de contas (notas de débito) emitidas pela Logística Ouro Fino LTDA contra a Minas Logística Ouro Fino LTDA. Ademais, a fiscalização sequer comprovou se efetivamente foram alocadas pessoas que figuram como contribuintes individuais para outra empresa, ou se os serviços foram prestados nos mesmos departamentos administrativos objeto dos ressarcimentos de despesas. Impende ainda salientar que o rigor na garantia da busca da verdade material para a correta apuração do fato gerador já foi objeto de decisão no âmbito do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.583 21 1. A presunção juris tantum de omissão de receita pode ser infirmada em Juízo por força de norma específica, mercê do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5.º, XXXV, da CF/1988) coadjuvado pela máxima utile per inutile nom vitiatur. 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2º, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. [...] (REsp 901.311/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008) Assim, os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária, razão porque afasto a exigência contida no lançamento nos termos analisados. Das Contribuições referentes à retenção e ao recolhimento dos 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços de armazenamento, com cessão de mão de obra, emitidas pela empresa Armazéns Gerais Vinhedo A fiscalização afirmou ter ocorrido prestação de serviços de armazenamento com cessão de mão de obra, conforme notas fiscais emitidas pela empresa Armazéns Gerais Vinhedo sem as devidas retenções, contrato de prestação de serviços e escrituração contábil do sujeito passivo. De acordo com o Relatório Fiscal, afirmou que, ao analisar o endereço da prestação de serviços, verificou que tomadora e prestadora encontramse no mesmo endereço. Instado a se manifestar o sujeito passivo apresentou contrato particular de comodato firmado com a empresa prestadora de serviços, no qual consta que é a prestadora de serviços quem cede em comodato parte do imóvel situado a Rua Nove, 140 – Bairro Distrito Industrial Riacho das Pedras, Contagem–MG, não tendo a fiscalização acatado o contrato como válido por entender como necessário o cumprimento das formalidades artigo 1.144 da Lei nº 10.406/2002. Contrapondo à exigência fiscal, a Recorrente assevera que o objeto do contrato em tela é a prestação de serviços de logística, de armazenagem e transporte pela empresa AGV à Minas Logística, em que todo o serviço contratado pela Recorrente seria prestado pela empresa contratada (AGV), por sua conta e risco, supervisão e administração, mediante remuneração mensal correspondente, não existindo cessão de mão de obra. Aduz ainda que os serviços foram prestados em estabelecimento pertencente ao prestador, conforme se destaca no contrato de comodato, o que afasta a caracterização de cessão de mão de obra. Fl. 1593DF CARF MF 22 Detalha a Recorrente em sua peça recursal que a Ouro Fino Participações e empreendimentos S/A decidiu criar uma sociedade empresária em ContagemMG, visando atender a demanda de produtos na região. Assim a empresa Armazéns Gerais Vinhedo (constituída desde 1998), com sede na cidade de Valinhos/SP e proprietária do imóvel localizado na Rua nove, 140, Distrito Industrial, ContagemMG, emprestou parte do seu imóvel para uso da empresa que seria criada, firmando para tanto um contrato particular de comodato no qual prevê o empréstimo de parte do imóvel para uso da Recorrente. Após estabelecido o endereço de sede da sociedade empresária, foram efetuados os registro dos atos constitutivos da nova sociedade (Minas Ouro Fino) nos órgãos competentes. Após o registro a empresa deu início às suas atividades em Contagem. Afirma que resta evidente a regularidade no endereço da empresa e que a sua constituição respeitou a norma positivada no art. 579 do Código Civil que permite o empréstimo para uso de bens móveis e imóveis, desde que não fungíveis. Melhor elucidando, ao explicitar o conceito de cessão de mão de obra, a Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, estabeleceu o seguinte: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ainda sobre a caracterização da cessão de mão de obra, o Regulamento da Previdência Social assim estabelece: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.584 23 temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Compulsando os autos, em especial o contrato de prestação de serviços de operador logístico, armazenagem, transporte e outras avenças (fls. 185 a 215), percebese de forma clara que não há a caracterização da cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência. Explico. Toda a execução do serviço é feita sob a administração da contratada. A AGV efetua o transporte dos produtos da Minas Logística, por conta própria ou por empresas subcontratadas sob sua exclusiva responsabilidade, e efetua a distribuição dos produtos. Os serviços de armazenagem são prestados pela AGV nas suas dependências, no CD Contagem (armazém da AGV – definição à fls. 187), local onde recebe produtos originados de transferências, e, a partir dele, providencia a distribuição aos destinatários finais indicados pela contratante. Verifico ainda, no contrato de prestação de serviços, que os serviços são executados em um único turno de trabalho e no caso de acréscimo de horas, as horas extras trabalhadas serão cobradas pela AGV. Na execução do serviço pela contratada estão incluídas a mão de obra profissional, inclusive os motoristas, treinados e habilitados, necessários à execução dos serviços objeto do contrato, se obrigando a contratada a executar as operações e serviços por meio de pessoal registrado em carteira de trabalho, nos termos da legislação vigente, e mantê los supervisionados e direcionados pela Gerência da AGV. Observo ainda que os procedimentos de coleta, recebimento, faturamento são todos administrados e com determinação de horários pela contratada, sendo que qualquer solicitação de forma diversa tem que ser previamente negociado com a AGV. Diante dos fatos acima expostos, entendo que não restou configurada a prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, razão porque indevida a incidência da tributação sobre as notas fiscais. Das diferenças apuradas a título de RAT O Auditor Fiscal procedeu ao lançamento da diferença das contribuições para o RAT, por haver o sujeito passivo declarado e recolhido com aplicações de alíquotas inferiores aos 3% (três por cento) devido em todo o período. A base de incidência foram os valores declarados em GFIP pelo contribuinte, conforme Planilha 7 (fl. 224). Em Recurso Voluntário a empresa alega que a fiscalização utilizou como fundamento o Decreto nº 6.042/2007 que alterou o Regulamento da Previdência Social, com início de vigência a partir de julho de 2007, data posterior ao período dos fatos geradores lançados, e que a aplicação do Decreto para fatos ocorridos em período anterior à sua vigência afronta o princípio da irretroatividade. Entendo que assiste razão à Recorrente. Fl. 1595DF CARF MF 24 De fato, o fundamento sob o qual se baseou a fiscalização para efetuar o lançamento da diferença da contribuição para o RAT foi o Decreto nº 6.042/2007. Reproduzo, assim, parte a do Relatório correspondente a referida cobrança: V) contribuições referentes às diferenças de valores apurados correspondentes ao Riscos Ambientais do Trabalho – RAT nas competências de janeiro de 2006 a maio de 2007, conforme discriminado na planilha nº 7, denominada diferença RAT, devido ao SP em tais competências haver declarado e recolhido contribuições para o RAT, com aplicações de alíquotas de 2% (dois por cento) nas competências de janeiro de 2006 a dezembro de 2006 e de janeiro a maio de 2007 e de 1% (um por cento) na competência do décimo terceiro salário de 2006, quando o correto seria, de acordo com o contido no Decreto nº 6042/2007 a aplicação da alíquota de 3% (três por cento) em todo o período citado. Assim em conseqüência, a fiscalização apurou os valores discriminados na planilha acima citada e que estão incluídos nos levantamentos AE e AE1. O procedimento foi realizado em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF número 0611000201000276. Consoante estabelecido na Lei nº 8.212/91, a contribuição para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, é de um, dois ou três por cento, a depender do risco de acidente da atividade preponderante da empresa ser considerado, leve, médio ou grave, respectivamente: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Ao proceder a revisão do enquadramento no grau de risco em face da atividade preponderante da empresa, o Auditor Fiscal apenas afirmou que de acordo com o contido no Decreto nº 6042/2007 o correto seria a aplicação da alíquota de 3% (três por cento) para todo o período, sem motivar a revisão para a aplicação da alíquota de 3%, consoante determina o art. 50, II, § 1º da Lei nº 9.784/99. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401004.669 S2C4T1 Fl. 1.585 25 Aqui a fiscalização cometeu dois erros. Primeiro, porque fundamentou o lançamento em dispositivo legal que passou a vigorar somente após o período fiscalizado; segundo, porque o Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, estabelece em seu Anexo V que a atividade classificada no CNAE 46443/02 – Comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso veterinário se sujeita a alíquota de 1%. Em face da falta de motivação, não entendo como suficiente as razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP. Assim, assiste razão à recorrente, razão porque afasto a exigência contida no lançamento Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, exonerando o crédito tributário exigido no lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1597DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.913812/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.059
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 81 2/ 20 11 -8 6 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10480.913812/201186 Resolução nº 3401001.059 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.780. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10480.913812/201186 Resolução nº 3401001.059 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10480.913812/201186 Resolução nº 3401001.059 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 201DF CARF MF
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