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Numero do processo: 10680.012762/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade sem prejuízo da parte.
Se a indicação do nome da empresa cindida (extinta por cisão total) ou incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, senão suprimiu o exame de nenhum ponto importante quanto à constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela (s) empresa (s) sucessora (s), não há que se falar em nulidade do lançamento.
Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por cisão total ou incorporação, mormente quando as empresas incorporadoras responderam, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentaram impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. Trata-se de mera omissão que, por não haver causado prejuízo à defesa, sequer necessita ser sanada.
As empresas sucessoras são responsáveis pelo crédito tributário até a data do evento cisão/incorporação quanto à pessoa jurídica extinta por cisão ou incorporação (CTN, arts. 113, § 1º, 129 e 132).
"Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão." (Súmula STJ nº 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJ 15/12/2015).
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICO-JURÍDICA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender-se de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas.
CONEXÃO PROCESSUAL POR PREJUDICIALIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Todas as vezes que houver vínculo entre processos, de modo que a decisão de um possa afetar a do outro, haverá conexão por prejudicialidade.
A conexão processual por prejudicialidade (causa prejudicial) em relação à lide do processo dependente (causa prejudicada) não implica vício algum de nulidade do lançamento fiscal ou de julgamento, caso sejam tomadas as providências para evitar decisões conflitantes ou contraditórias.
Observada a conexão por prejudicialidade (sobrestamento do processo dependente) e aplicada a decisão final do processo (causa prejudicial) ao processo dependente (causa prejudicada), elimina-se o risco de decisões conflitantes ou contraditórias.
CUMULAÇÃO VEDADA. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. ANOS-CALENDÁRIO 2003 e 2004:
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105).
LUCRO REAL ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL. AJUSTE ANUAL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O termo inicial do prazo decadencial de cinco anos, a partir do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º), para o Fisco lançar diferença de imposto e/ou contribuição (ajuste anual), no regime do lucro real anual, conta-se do fato imponível (31 de dezembro do respectivo ano), e não a partir das estimativas mensais, cujos pagamentos têm caráter de mera antecipação (recolhimentos efetuados antes da ocorrência do fato gerador).
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SALDO DE IRPJ E CSLL A PAGAR. AJUSTE ANUAL.
Mantém-se o lançamento de ofício apenas quanto aos valores não quitados e/ou não compensados validamente, antes da ciência do Termo de Início de Fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nª 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTAS ISOLADAS. ANOS-CALENDÁRIO 2003 E 2004. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO VEDADA. SÚMULA CARF Nº 105.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reduzir o saldo de imposto a pagar (ajuste anual), fato gerador 31/12/2003, de R$ 800.545,74 para R$ 233.299,60, com multa de ofício de 75% e juros de mora respectivos, devendo a unidade preparadora deduzir os valores de estimativas controladas no processo 10680.721353/2006-92 incluídas no PERT; b) afastar a exigência do saldo do imposto (ajuste anual), fato gerador 31/12/2004; c) manter a exigência do saldo da CSLL a pagar (ajuste anual), fato gerador 31/12/2003, com respectiva multa de ofício e juros de mora; d) afastar a exigência das multas isoladas do IRPJ e da CSLL. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto votou por dar provimento parcial em maior extensão, cancelando integralmente a exigência de IRPJ relativa ao fato gerador 31/12/2003.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto, Roberto Silva Junior e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por cisão total ou incorporação, mormente quando as empresas incorporadoras responderam, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentaram impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. Trata-se de mera omissão que, por não haver causado prejuízo à defesa, sequer necessita ser sanada. As empresas sucessoras são responsáveis pelo crédito tributário até a data do evento cisão/incorporação quanto à pessoa jurídica extinta por cisão ou incorporação (CTN, arts. 113, § 1º, 129 e 132). "Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão." (Súmula STJ nº 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJ 15/12/2015). AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICO-JURÍDICA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender-se de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas. CONEXÃO PROCESSUAL POR PREJUDICIALIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Todas as vezes que houver vínculo entre processos, de modo que a decisão de um possa afetar a do outro, haverá conexão por prejudicialidade. A conexão processual por prejudicialidade (causa prejudicial) em relação à lide do processo dependente (causa prejudicada) não implica vício algum de nulidade do lançamento fiscal ou de julgamento, caso sejam tomadas as providências para evitar decisões conflitantes ou contraditórias. Observada a conexão por prejudicialidade (sobrestamento do processo dependente) e aplicada a decisão final do processo (causa prejudicial) ao processo dependente (causa prejudicada), elimina-se o risco de decisões conflitantes ou contraditórias. CUMULAÇÃO VEDADA. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. ANOS-CALENDÁRIO 2003 e 2004: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105). LUCRO REAL ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL. AJUSTE ANUAL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial de cinco anos, a partir do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º), para o Fisco lançar diferença de imposto e/ou contribuição (ajuste anual), no regime do lucro real anual, conta-se do fato imponível (31 de dezembro do respectivo ano), e não a partir das estimativas mensais, cujos pagamentos têm caráter de mera antecipação (recolhimentos efetuados antes da ocorrência do fato gerador). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SALDO DE IRPJ E CSLL A PAGAR. AJUSTE ANUAL. 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NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa cindida (extinta por cisão total) ou incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, senão suprimiu o exame de nenhum ponto importante quanto à constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela (s) empresa (s) sucessora (s), não há que se falar em nulidade do lançamento. Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por cisão total ou incorporação, mormente quando as empresas incorporadoras responderam, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentaram impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. Tratase de mera omissão que, por não haver causado prejuízo à defesa, sequer necessita ser sanada. As empresas sucessoras são responsáveis pelo crédito tributário até a data do evento cisão/incorporação quanto à pessoa jurídica extinta por cisão ou incorporação (CTN, arts. 113, § 1º, 129 e 132). "Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão." (Súmula STJ nº 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJ 15/12/2015). AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICOJURÍDICA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 62 /2 00 8- 66 Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 691 2 O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas. CONEXÃO PROCESSUAL POR PREJUDICIALIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Todas as vezes que houver vínculo entre processos, de modo que a decisão de um possa afetar a do outro, haverá conexão por prejudicialidade. A conexão processual por prejudicialidade (causa prejudicial) em relação à lide do processo dependente (causa prejudicada) não implica vício algum de nulidade do lançamento fiscal ou de julgamento, caso sejam tomadas as providências para evitar decisões conflitantes ou contraditórias. Observada a conexão por prejudicialidade (sobrestamento do processo dependente) e aplicada a decisão final do processo (causa prejudicial) ao processo dependente (causa prejudicada), eliminase o risco de decisões conflitantes ou contraditórias. CUMULAÇÃO VEDADA. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO 2003 e 2004: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105). LUCRO REAL ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL. AJUSTE ANUAL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial de cinco anos, a partir do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º), para o Fisco lançar diferença de imposto e/ou contribuição (ajuste anual), no regime do lucro real anual, contase do fato imponível (31 de dezembro do respectivo ano), e não a partir das estimativas mensais, cujos pagamentos têm caráter de mera antecipação (recolhimentos efetuados antes da ocorrência do fato gerador). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SALDO DE IRPJ E CSLL A PAGAR. AJUSTE ANUAL. Mantémse o lançamento de ofício apenas quanto aos valores não quitados e/ou não compensados validamente, antes da ciência do Termo de Início de Fiscalização. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 692 3 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nª 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTAS ISOLADAS. ANOSCALENDÁRIO 2003 E 2004. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO VEDADA. SÚMULA CARF Nº 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e a arguição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reduzir o saldo de imposto a pagar (ajuste anual), fato gerador 31/12/2003, de R$ 800.545,74 para R$ 233.299,60, com multa de ofício de 75% e juros de mora respectivos, devendo a unidade preparadora deduzir os valores de estimativas controladas no processo 10680.721353/200692 incluídas no PERT; b) afastar a exigência do saldo do imposto (ajuste anual), fato gerador 31/12/2004; c) manter a exigência do saldo da CSLL a pagar (ajuste anual), fato gerador 31/12/2003, com respectiva multa de ofício e juros de mora; d) afastar a exigência das multas isoladas do IRPJ e da CSLL. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto votou por dar provimento parcial em maior extensão, cancelando integralmente a exigência de IRPJ relativa ao fato gerador 31/12/2003. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto, Roberto Silva Junior e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 693 4 Relatório Tratase do Recurso Voluntário, de 16/11/2011 (efls. 523/548) contra o Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, de 12/08/2010, que julgou a impugnação improcedente (efls. 500/510). Quanto aos fatos consta dos autos: que, em 26/09/2008, foram lavrados pela Fiscalização da DRF/Belo Horizonte Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, imputando as seguintes infrações (efls. 08/25): I Auto de Infração do IRPJ: (...) 001 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento e de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme descrito no Relatório Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Imposto Multa % 31/12/2003 800.745,74 75 31/12/2004 29.274,26 75 Obs: (i) Saldos de imposto não pagos pelo sujeito passivo atinente aos anoscalendário 2003 e 2004. (ii) Quanto ao fato gerador 31/12/2003, o valor do saldo a pagar do imposto não é R$ 800.745,74 (valor grafado de forme errônea no auto de infração), mas sim o valor de R$ 800.545,74, conforme Demonstrativo anexo ao auto de infração (fl. 30). ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de calculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Data Valor da Multa Isolada (R$) Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 694 5 31/01/2003 122.424,31 28/02/2003 233.428,44 31/03/2003 44.420,13 30/09/2004 131.864,92 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, .§ 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. (...) II Auto de Infração da CSLL: (...) 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/ DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração da contribuição social devida, apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme Relatório Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador CSLL (R$) Multa % 31/12/2003 195.878,31 75 Obs: Saldo de CSLL não paga pelo sujeito passivo atinente ao anocalendário 2003. ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Data Valor da Multa Isolada (R$) 31/01/2003 50.902,20 28/02/2003 41.769,63 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º , inciso IV, da Lei n ° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n ° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n ° 5.172/66. (...) Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 695 6 que, ainda, integra o lançamento fiscal o Relatório Fiscal e seus demonstrativos de apuração (efls. 26/35). que o crédito tributário, objeto do lançamento fiscal, perfaz o montante de R$ 3.074.396,62, assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração (R$) Principal Juros de Mora (calculados até 29/08/2008 ) Multa Proporcional 75% Multa Isolada 50% Total (R$) IRPJ 830.020,00 528.491,50 622.514,99 532.137,80 2.513.164,29 CSLL 195.878,31 125.773,46 146.908,73 92.671,83 561.232,33 Total 3.074.396,62 Ciente do lançamento fiscal em 26/09/2008, por intermédio de seu Procurador, a Contribuinte apresentou Impugnação em 28/10/2008, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida, cabendo aqui apenas transcrever os seguintes excertos, por serem elucidativos (efls. 258/268): (...) Ciente em 26 de setembro de 2008, sextafeira (fls. 1 e 17), a interessada apresentou, em 28 de outubro de 2008, a impugnação de fls. 247 a 278, a seguir resumida. A interessada principia por alertar que a pessoa jurídica de USINA HIDRELÉTRICA GUILMANAMORIM S.A. haveria sofrido cisão, sendo seu capital social inteiramente vertido para ARCELORMITTAL BRASIL S.A. (CNPJ n° 17.469.701/000177) e SAMARCO MINERAÇÃO S.A. (CNPJ n° 16.628.231/000161); requerse sejam estas duas Ultimas empresas incluídas no pólo passivo deste litígio administrativo. A seguir, alega que: [...] o crédito tributário aqui exigido decorre do processo administrativo de n° 10680.721353/200692 o qual teve por objeto dar tratamento manual as PER/Dcomp n° 21831.98829.300904.1.3.023207 e 18444.37735.220605.1.3.02 5592, as quais foram consideradas não homologadas, em parte, e não declaradas em outra parte. [...] (...) Por fim, consta da impugnação, em conclusão: (...) 10. CONCLUSÃO. De tudo quanto até aqui exposto, concluise o seguinte: a) O auto de infração é nulo, porque a autuada já se extinguiu, por cisão total, nos termos dos documentos anexos, não cabendo a sua presença no pólo passivo da presente autuação; b) Ainda que assim não fosse, em relação ao Imposto de Renda, por afronta ao art. 151 do CTN, o lançamento também é nulo, Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 696 7 pois ainda pende a questão de recurso administrativo não julgado; c) Adicionalmente, o lançamento também é nulo em relação à CSLL, por falta de fundamentação. Não foram indicados no auto de infração os elementos fáticos e jurídicos mínimos que justificassem a autuação da contribuição, o que viola o principio da ampla defesa e do contraditório; d) Ainda que assim não fosse, sucessivamente, há que se decretar a decadência dos valores lançados do ano de 2003, nos termos do art. 150, §4° do CTN, pois as estimativas seguem a sistemática do lançamento por homologação, já que há antecipação de tributo e o mesmo é exigível no mês subseqüente ao recolhimento. e) Também de forma sucessiva, o lançamento é ilegal, porque decretou uma compensação como não declarada, sem que a hipótese de prescrição estivesse na listagem taxativa do art. 74 da Lei 9430/96; f) Ainda que assim não fosse, ad argumentandum, o lançamento é insubsistente, porque decretou a prescrição dos créditos da lmpugnante, afrontando a jurisprudência pacifica do STJ sobre a aplicação do art. 3° da lei complementar n° 118/2005; g) Apenas por dever de cautela, cabe o alerta que a multa de oficio lançada alíquota de 75% é inconstitucional por ofensa aos princípios da razoabilidade e do não confisco, assim, se mantido o principal, a multa deveria ser reduzida a 20% (vinte por cento); h) Caso não se entenda pela decadência, é forçoso reconhecer que a multa isolada não pode ser aplicada após o encerramento do exercício. Se se entender pela sua aplicabilidade, deverá ser reduzida do montante da multa de oficio aplicada, sob pena de configuração de bis in idem. (...) Em 12/08/2010, o Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal, cujos fundamentos do voto condutor transcrevo, in verbis: (...) Em preliminar, suscitase a cisão da interessada e versão de seu capital social para ARCELORMITTAL BRASIL S.A. (CNPJ n° 17.469.701/000177) e SAMARC MINERAÇÃO S.A. (CNPJ n° 16.628.231/000161), com pedido de que estas sejam "incluídas no pólo passivo deste litígio". Isto não afeta o caráter cognitivo do julgamento, implicando apenas um acerto de ordem administrativa, a ser realizado pela DRF de origem, que deverá tomar as necessárias providências para a intimação do sujeito passivo. Logo, esta peculiaridade não afeta o exame da questão. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 697 8 Seus argumentos quanto à necessidade de se aguardar o julgamento em primeira instância do processo de número 10680.721353/200692 também não merecem acolhida, em face da prolação do Acórdão DRJ/BHE 0224.832, de 11 de dezembro de 2009, que julgou inteiramente improcedente a manifestação de inconformidade ali apresentada pela ora impugnante e, por via de consequência, corroborou o entendimento da DRF de origem, no sentido da não homologação das Declarações de Compensação numeradas n° 21831.98829.300904.1.3.023207 e 18444.37735.220605.1.3.02 5592. (...) Prosseguindo, a interessada afirma que o Fisco federal haveria decaído do direito de formular exigências calcadas em fatos geradores ocorridos no "anocalendário de 2003 [...], uma vez que o lançamento somente ocorreu em 26/09/2008". Ora, de acordo com o Autor do feito, a interessada não declarou os respectivos débitos em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e nem realizou nenhum pagamento a tal titulo; por conseguinte, aplicase ao caso o disposto no artigo 173 do CTN, que assim estabelece: (...). Logo, a Fazenda da União não havia decaído do direito de cobrar, em 2008, impostos e contribuições nascidos em 2003, à luz do artigo 173 do CTN. A interessada tece extensas Considerações sobre a não homologação das DCOMP integrantes do processo 10680.721353/200692; uma vez que este Colegiado já se manifestou oportunamente sobre esta questão, conforme Acórdão já mencionado, o exame desta parte de seu arrazoado compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no exame de apelação a ele feita no corpo daquele processo. Logo, também não se dá guarida a este argumento. No que tange à multa de 75% cobrada de acordo com o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, é preciso recordar que, segundo o parágrafo único do artigo 142 do CTN, "a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". A interessada, talvez conhecedora desta inflexível norma, prefere acoimar de inconstitucionalidade a própria Lei que manda cobrar esta penalidade, ainda que, assim fazendo, pareça olvidarse do artigo 26A do Decreto no 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, que ordena: (...). Quanto à suposta "impossibilidade da aplicação de multa isolada [...], após o término do anocalendário correspondente", é necessário atentar à cristalina redação da Lei n.° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007: (...). Notese que este dispositivo legal não apresenta as restrições quanto ao momento de aplicação da penalidade aventadas pela Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 698 9 impugnante. Logo, pela simples obediência ao já mencionado parágrafo único do artigo 142 do C'TN, esta multa é plenamente exigível. Quanto ao aludido bis in idem, basta atentar ao fato de que, no caso em exame, ocorreram infrações de natureza diversa, que receberam punições de natureza também diversa: a falta de pagamento de CSLL devida na declaração de ajuste não se confunde com a falta de pagamento da CSLL devida por estimativas mensais e, assim, cada uma destas infrações recebe tratamento próprio. Logo, esta penalidade foi corretamente aplicada. (...) Ciente desse decisim em 18/10/2011 por via postal Aviso de Recebimento AR (efls. 521/522), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 16/11/2011 (efls. 523/548), cujas razões, em síntese, são as mesmas aduzidas na instância a quo, in verbis: (...) 9. CONCLUSÃO. De tudo quanto até aqui exposto, concluise o seguinte: a) O auto de infração é nulo, porque a autuada já se extinguiu, por cisão total, nos termos dos documentos anexos, não cabendo a sua presença no pólo passivo da presente autuação; b) Ainda que assim não fosse, em relação ao Imposto de Renda, por afronta ao art. 151 do CTN, o lançamento também é nulo, pois ainda pende a questão de recurso administrativo não julgado; c) Adicionalmente, o lançamento também é nulo em relação à CSLL, por falta de fundamentação. Não foram indicados no auto de infração os elementos fáticos e jurídicos mínimos que justificassem a autuação da contribuição, o que viola o principio da ampla defesa e do contraditório; d) Devese decretar a decadência dos valores lançados do 1º trimestre do ano de 2003, nos termos do art. 150, §4° do CTN, pois as estimativas seguem a sistemática do lançamento por homologação, já que há antecipação de tributo e o mesmo é exigível no mês subseqüente ao recolhimento. e) Também de forma sucessiva, o lançamento é ilegal, porque decretou uma compensação como não declarada, sem que a hipótese de prescrição estivesse na listagem taxativa do art. 74 da Lei 9430/96; f) Ainda que assim não fosse, ad argumentandum, o lançamento é insubsistente, porque decretou a prescrição dos créditos da Empresa cindida, afrontando a jurisprudência pacifica do STJ sobre a aplicação do art. 3° da lei complementar n° 118/2005; g) Apenas por dever de cautela, cabe o alerta que a multa de oficio lançada alíquota de 75% é inconstitucional por ofensa Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 699 10 aos princípios da razoabilidade e do não confisco, assim, se mantido o principal, a multa deveria ser reduzida a 20% (vinte por cento); h) Caso não se entenda pela decadência, é forçoso reconhecer que a multa isolada não pode ser aplicada após o encerramento do exercício. Se se entender pela sua aplicabilidade, deverá ser reduzida do montante da multa de oficio aplicada, sob pena de configuração de bis in idem. (...) Na sessão de 13/06/2012, o CARF 4ª Câmara/2ª TO/1ª SEJUL suspendeu; sobrestou o julgamento do processo, determinando o encaminhamento dos autos à 3ª Câmara da 1ª Seção para julgamento em conjunto com o Processo 10680.721353/200692, conforme Resolução nº 140200121 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, cuja fundamentação do voto condutor transcrevo (efls. 603/612 ), in verbis: (...) Ao proceder a análise dos autos do presente processo, no qual, mediante sorteio realizado em 17/01/2012, fui designado Relator, constatei a necessidade do julgamento em conjunto do processo 10680.721353/200692, que trata pedido de reconhecimento de direito creditório, cuja compensação foi glosada neste processo. Em princípio, entendi que seria possível fazer o julgamento deste, haja vista que aquele processo seria julgado pela 1ª Turma da 3ª. Câmara desta Seção do CARF. Ocorre que o aludido processo foi retirado de pauta na sessão de 10/05/2012 conforme informado no eProcesso. Diante do exposto, propugno pelo encaminhamento dos autos à 3ª Câmara da 1ª Seção para julgamento em conjunto com o Processo 10680.721353/200692. (...) Na sessão de 03/12/2013, o CARF 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência, para que os autos do presente processo fossem apensados ao de nº 10680.721353/200692, conforme Resolução nº 1301000.176 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cujo voto condutor transcrevo (efls.620/626), in verbis: (...) Em conformidade com o Relatório Fiscal de fls. 23/26, foram imputadas à contribuinte as as seguintes infrações: i) insuficiência de recolhimento do IRPJ relativo ao ano calendário de 2003, derivada da glosa das estimativas correspondentes ao meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 800.545,74, efetuada por meio do processo administrativo nº 10680.721353/200692; Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 700 11 ii) ausência de registro em DCTF e de pagamento dos valores relativos às estimativas de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro e março (parte) de 2003, no montante de R$ 195.878,31; iii) insuficiência de recolhimento do IRPJ relativo ao ano calendário de 2004, derivada da redução de R$ 263.729,77 para R$ 29.274,26 da estimativa do mês de setembro de 2004, em virtude de ausência de comprovação de retenção de imposto por órgão público federal no montante de R$ 234.455,51. Como se vê, a solução do litígio instaurado no presente processo, ao menos em parte, depende diretamente da apreciação das controvérsias tratadas no processo administrativo nº 10680.721353/200692. Cumpre esclarecer que esta Turma Julgadora decidiu por determinar a reforma da decisão de primeira instância exarada nos autos do processo administrativo nº 10680.721353/200692, para que seja examinado o mérito dos direitos creditórios relativos aos anoscalendário de 1995 a 2000, nele pleiteados. Assim, em consonância com o decidido no citado processo administrativo nº 10680.721353/200692, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja apensado ao referido feito, para fins de apreciação conjunta. (...) Em 01/03/2018, a DRF/Belo Horizonte devolveu os autos do presente processo ao CARF, informando que o processo nº 10680.721353/200692 tem decisão final, pois a contribuinte desistiu de ligar naquele processo, em face de adesão a parcelamento especial, conforme informa o despacho de encaminhamento (efl. 679), in verbis: (...) PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10680.012762/200866 INTERESSADO: USINA HIDRELÉTRICA GUILMANAMORIM S/A DESTINO: SERETCEGAPCARFMFDF Receber Processo Triagem DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tratase de processo estava apensado ao processo de crédito 10680.721353/200692 que foi devolvido para esta unidade por desistência do contribuinte para adesão ao PERT. Entretanto, o contribuinte não apresentou petição de desistência ao presente processo. Dessa forma, devolvese ao CARF para prosseguimento. DATA DE EMISSÃO : 01/03/2018 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 701 12 Receber Processo Triagem / DEBORA FREITAS DE PAULA JUREQOPSEORTDRFBHEMG EQOPSEORTDRFBHE MG SEORTDRFBHEMG MG BELO HORIZONTE DRF (...) É o relatório. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 702 13 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, pela imputação das seguintes infrações: a) saldos a pagar: insuficiência de recolhimento do saldo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2003, derivada da glosa das estimativas correspondentes ao meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 800.545,74, efetuada por meio do processo administrativo nº 10680.721353/200692; ausência de registro em DCTF e de pagamento dos valores relativos às estimativas de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro e março (parte) de 2003, que implicou falta de pagamento do saldo da CSLL no montante de R$ 195.878,31; insuficiência de recolhimento do saldo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2004, derivada da redução de R$ 263.729,77 para R$ 29.274,26 da estimativa do mês de setembro de 2004, em virtude de ausência de comprovação de retenção de imposto por órgão público federal no montante de R$ 234.455,51. b) multas isoladas por falta de pagamento de estimativas mensais. PRELIMINARES SUSCITADAS O sujeito passivo suscitou nulidades do lançamento fiscal e decadência, nos seguintes termos: (...) a) O auto de infração é nulo, porque a autuada já se extinguiu, por cisão total, nos termos dos documentos anexos, não cabendo a sua presença no pólo passivo da presente autuação; b) Ainda que assim não fosse, em relação ao Imposto de Renda, por afronta ao art. 151 do CTN, o lançamento também é nulo, pois ainda pende a questão de recurso administrativo não julgado; c) Adicionalmente, o lançamento também é nulo em relação à CSLL, por falta de fundamentação. Não foram indicados no Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 703 14 auto de infração os elementos fáticos e jurídicos mínimos que justificassem a autuação da contribuição, o que viola o principio da ampla defesa e do contraditório; d) Devese decretar a decadência dos valores lançados do 1º trimestre do ano de 2003, nos termos do art. 150, §4° do CTN, pois as estimativas seguem a sistemática do lançamento por homologação, já que há antecipação de tributo e o mesmo é exigível no mês subseqüente ao recolhimento. (...) ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Legitimidade passiva da autuada. Os autos de infração do IRPJ e da CSLL, anoscalendário 2003 e 2004, foram lavrados em 26/09/2008, em nome do sujeito passivo USINA HIDRELÉTRICA GILMAN AMORIN S/A. Antes disso, a USINA HIDRELÉTRICA GILMANAMORIN S/A sofrera em 19/12/2007 processo de reestruturação societária através do qual houve sua cisão total, de modo que todo seu capital social foi integralmente vertido para as impugnantes: ARCELORMITTAL BRASIL S/A e SAMARCO MINERAÇÃO S/A (efls. 356/434). As empresas sucessoras, então, suscitaram a nulidade do lançamento fiscal, pois a pessoa jurídica objeto da cisão total não mais existiria na data de lavratura dos autos de infração. Rechaço, peremptoriamente, a preliminar de ilegitimidade passiva. Inexistência de prejuízo à defesa das empresas sucessoras. O CTN determina a responsabilidade tributária por sucessão de pessoa jurídica. As empresas sucessoras são responsáveis pelo crédito tributário, até a data do evento cisão/incorporação, quanto à pessoa jurídica extinta por cisão ou incorporação (CTN, arts. 113, § 1º, 129 e 132) e Súmula 554 do STJ cujo verbete transcrevo: Súmula 554 Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. (Súmula 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJ 15/12/2015) Uma vez que as empresas ARCELORMITTAL BRASIL S/A e SAMARCO MINERAÇÃO S/A incorporaram todo o capital cindido de GUILMAN AMORIM Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 704 15 HEDRELÈTRICA S/A, tornaramse responsáveis pelas obrigações tributárias desta, geradas até o momento do evento. Desde o início, ambas as empresas sucessoras acompanharam o procedimento de Fiscalização recebendo intimações (ciência), seja via Contador, Diretor Comercial e apresentando informações, documentos e explicações ao Fisco e, por fim, como sucessoras tomaram ciência do lançamento fiscal, por meio de representante legal. De modo que não há prejuízo algum à defesa, pois não houve cerceamento do contraditório e da ampla defesa. No mesmo sentido são os precedentes do CARF, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SUCESSÃO EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte. Quando mais na hipótese de se tratar de simples erro na grafia do CNPJ da autuada, haja vista que a sucessora adotou o nome empresarial da sucedida. (Acórdão 140200.250 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 01/09/2010, Antônio José Praga de Souza – Redator Designado). CISÃO PARCIAL. LEGITIMIDADE PASSIVA DA PESSOA JURÍDICA CINDENDA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Regular é a exigência de tributos decorrentes de fatos geradores ocorridos em data anterior à cisão, se cobrados em nome da cindenda, com base na solidariedade passiva que deflui do art. 5º , III, e § 1°, III, do Decretolei n° 1.598/77. (Acórdão 103 22.084, sessão de 12/09/2005, Relator FLÁVIO FRANCO CORRÊA). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE. INOCORRÊNCIA . Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção rele vante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédi to tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora),não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamen to anterior.(Acórdão CSRF nº 9101002.600–1ªTurma, 15/03/2017, Relator Rafael Vidal De Araújo). Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 705 16 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2001 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Não está eivado de nulidade o auto de infração lavrado em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, mormente quando a incorporadora respondeu, em nome da incorporada, a todos os termos de intimação que a esta foram dirigidos, bem como apresentou impugnação ao lançamento e recurso voluntário tratando, inclusive, de questões de fundo. Tratase de mera omissão que, por não haver causado prejuízo à defesa, sequer necessita ser sanada. (Acórdão nº 120100.335 — 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 02/09/2009, Marcelo Cuba Netto Relator). Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa cindida (extinta por cisão total) ou incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, senão suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela (s) empresa (s) sucessora (s), não há que se falar em nulidade do lançamento. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICOJURÍDICA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Lançamento de ofício da CSLL. A recorrente alegou que o lançamento fiscal seria nulo, pois não teria fundamentação fáticojuridica,, implicando violação dos princÍpios da ampla defesa e do contraditório; Aqui, também, a irresignação não merece prosperar. Diversamente do alegado pelo sujeito passivo, a apuração do saldo da CSLL a pagar do anocalendário 2003 está devidamente demonstrada e fundamentada, seja pelo Auto de Infração, seja pelo Relatório Fiscal. Vejamos. Consta do Auto de Infração da CSLL, in verbis: (...) 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/ DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração da contribuição social devida, apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme Relatório Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 706 17 Fato Gerador CSLL (R$) Multa % 31/12/2003 195.878,31 75 Obs: Diferença de saldo de CSLL não paga pelo sujeito passivo atinente ao anocalendário 2003. Nesse sentido, a Fiscalização ainda narra, com mais detalhes, os fatos no Relatório Fiscal (efls. 28), parte integrante do Auto de Infração da CSLL, in verbis: (...) Esta fiscalização apurou, também, conforme demonstrativo anexo, doc. de fls. 31, a falta de declaração em DCTF e o não pagamento dos valores das estimativas da CSLL relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e parte do mês de março do ano calendário 2003, como segue: VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS (R$) 01/2003 101.804,40 02/2003 83.539,25 03/2003 10.534,61 TOTAL 195.878,31 (...) O referido somatório foi lançado como diferença de saldo da CSLL a pagar no ajuste anual, no Auto de Infração da CSLL, fato gerador 31/12/2003. Como visto, a infração imputada tem adequada fundamentação fática e jurídica, O lançamento fiscal foi efetuado nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN, não existindo vício algum que o pudesse macular de nulidade. Ou seja, os fatos estão devidamente descritos, narrados, apurados e imputados, com respectiva fundamentação legal. Ainda que houvesse vício de fundamentação legal, que não é o caso, apenas para argumentar, os precedentes da jurisprudência administrativa do CARF pugnam pela validade do lançamento fiscal sempre que os fatos estejam narrados adequadamente, ou seja, que permitem o entendimento da imputação, sem prejuízo à defesa, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 707 18 proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 108 06.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 102 48.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 708 19 Como demonstrado, o auto de infração apresenta descrição adequada dos fatos, demonstração dos valores exigidos, e enquadramento legal, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Não há vício algum no lançamento fiscal objeto dos autos que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal. Ademais, o autuado revelou conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal. Portanto, ante a inexistência de vício que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. CONEXÃO POR PREJUDICIALIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Quanto ao lançamento do IRPJ, o sujeito passivo suscitou preliminar de nulidade do lançamento fiscal, argumentando que a solução do litígio instaurado no presente processo, em parte, seria dependente diretamente da apreciação da controvérsia tratada no processo administrativo nº 10680.721353/200692. Ora, a conexão processual por prejudicialidade (causa prejudicial) em relação à lide do processo dependente (causa prejudicada) não implica vício algum de nulidade do lançamento fiscal, caso sejam tomadas as providências para evitar decisões conflitantes ou contraditórias. A conexão por prejudicialidade gera, quase sempre, a conexão de causas em face da causa comum ou da identidade de objeto que se apura entre a causa prejudicial e a prejudicada. Todas as vezes que houver vínculo entre processos, de modo que a decisão de um possa afetar a do outro, haverá conexão que será por prejudicialidade. Observada a conexão por prejudicialidade (sobrestamento do processo dependente) e aplicada a decisão final do processo (causa prejudicial) ao processo dependente (causa prejudicada), eliminase o risco de decisões conflitantes ou contraditórias. No caso, a lide objeto deste processo restou suspensa, ou sobrestada sua apreciação, conforme decisões do CARF (Resoluções, já citadas no relatório), até que houvesse decisão definitiva da lide objeto do processo nº 10680.721353/200692 (processo conexo). Assim, existindo decisão final no referido processo conexo, a lide objeto deste processo, será, então, enfrentada, mais adiante, quando da análise do mérito. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 709 20 DECADÊNCIA. PRELIMINAR DE MÉRITO. INOCORRÊNCIA DE CADUCIDADE. Nas razões do recurso, a recorrente suscitou que se deve decretar a decadência dos valores lançados do 1º trimestre do ano de 2003, nos termos do art. 150, §4° do CTN, pois as estimativas seguem a sistemática do lançamento por homologação, já que há antecipação de tributo e o mesmo é exigível no mês subseqüente ao recolhimento. Equivocada a pretensão da recorrente. Os contribuintes com opção manifestada pelo apuração dos resultados com base no lucro real anual (IRPJ e CSLL), que é o caso da contribuinte, estão obrigados a recolher, fazer o pagamento dessas exações fiscais por estimativa mensal, com base na receita ou com base em balanço de suspensão/redução. Cópia DIPJ (efls. 74/132). Os pagamentos de estimativas mensais são meras antecipações das exações devidas no encerramento do respectivo anocalendário, cujo fato gerador do imposto e da contribuição ocorre somente em 31 de dezembro do anocalendário respectivo. Assim, o pagamento antecipado por estimativa mensal é efetuado antes da ocorrência do fato gerador da exação fiscal. Logo, o prazo decadencial para o Fisco lançar essas exações fiscais, cujo fato gerador é anual, contase da data do fato gerador (31/12) e não a partir da data de antecipação do pagamento da estimativa mensal. Quanto ao fato gerador mais antigo objeto dos autos, temse que via auto de infração o Fisco lançou diferença de saldo a pagar do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2003, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2003. Logo, com base no art. 150, §4ª, do CTC, o Fisco tinha cinco anos de prazo, ou seja, até 31/12/2008 para efetuar o lançamento de ofício. No caso, a contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 26/09/2008, por intermédio de Procurador Legal (efls. 09/25). Portanto, as diferenças de saldo do IRPJ e da CSLLa pagar dos anos calendário 2003 e 2004 estão a saldo da decadência, ou seja, todos os fatos geradores objeto dos autos. Quanto às multas isoladas falta de pagamento estimativa mensal, o prazo decadencial contase a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em poderiam ter sido lançadas (CTN, art. 173, I) e Súmula CARF nº 104 (Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Poderiam ter sido lançadas ainda em 2003, quanto às estimativas não pagas de 2003. Logo, o termo inicial do prazo decadencial é 01/01/2004. O Fisco tinha prazo de cinco anos até 01/01/2009. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 26/09/2008, como já demonstrado. Então, as multas isoladas lançadas de ofício dos anoscalendário 2003 e 2004 também estão a salvo da decadência. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de decadência. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 710 21 MÉRITO 1) Antes, porém, não conheço no mérito das seguintes matérias suscitadas pela recorrente: (...) Também de forma sucessiva, o lançamento é ilegal, porque decretou uma compensação como não declarada, sem que a hipótese de prescrição estivesse na listagem taxativa do art. 74 da Lei 9430/96; Ainda que assim não fosse, ad argumentandum, o lançamento é insubsistente, porque decretou a prescrição dos créditos da Empresa cindida, afrontando a jurisprudência pacifica do STJ sobre a aplicação do art. 3° da lei complementar n° 118/2005; Apenas por dever de cautela, cabe o alerta que a multa de oficio lançada alíquota de 75% é inconstitucional por ofensa aos princípios da razoabilidade e do não confisco, assim, se mantido o principal, a multa deveria ser reduzida a 20% (vinte por cento); (...) Diversamente do alegado nas razões do recurso, os presentes autos não tratam de compensação tributária, nem de lançamento de multa isolada por compensação não declarada. Tratam da exigência de IRPJ e CSLL (falta de pagamento de saldo ajuste anual) e multas isoladas de 50% por falta de pagamento (antecipação) de estimativa mensal dessas exações fiscais. As questões relativas à compensação tributária prescrição do direito creditório já foram enfrentadas e decididas, no mérito, de forma irreformável, no Processo conexo nº 10680721353/200692, não cabendo mais discussão na órbita administrativa. Ademais, apenas para argumentar, a prescrição, naquele processo conexo, restou afastada pela aplicação da Tese "5+5" do STJ, conforme será explicitado oportunamente, mais adiante. Quanto à multa de ofício de 75% a recorrente objetou que seria inconstitucional e que deveria ser reduzida a 20%. Não conheço da alegação de inconstitucionalidade da penalidade aplicada, pois foge da alçada do CARF, conforme verbete da Súmula CARF nº 02, in verbis Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne ao pleito de redução de multa de ofício aplicada (75%) para o patamar requerido (20%) não há previsão legal. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 711 22 Oportuno esclarecer que a multa de ofício aplicada de 75% decorreu de infração apurada em procedimento repressivo de fiscalização, no qual a contribuinte perdeu a espontaneidade, para afastar responsabilidade por infração praticada quanto aos períodos de apuração anteriores, a partir da data de ciência do termo de início de fiscalização. Por outro lado, a multa de 20% (multa de mora) aplicase apenas aos pagamentos espontâneos, antes da ciência de procedimento de ofício, de débitos pagos após data de vencimento. No caso, tratase de lançamento de ofício (falta de pagamento de saldo ajuste anual), em procedimento repressivo de fiscalização. Logo, não há que se falar em redução de multa de ofício para o patamar pretendido, por falta de previsão legal. 2 Saldo do IRPJ do anocalendário 2003: O Fisco apurou saldo de imposto a pagar de R$ 800.545,74 quanto ao fato gerador 31/12/2003. O valor decorreu de estimativas, no citado valor, que restaram não quitadas, em face de compensações malogradas, rejeitadas por utilização de crédito prescrito, atingido pela prescrição quinquinal, conforme excerto do Despacho Decisório da DRF/Belo Horizonte, de 14/12/2006, extraído do Processo nº 10680721353/200692 e juntados aos presentes (efls. 41/48), in verbis: (...) VI Reflexos sobre os débitos De 1995 a 1998 não havia crédito a compensar, pois os valores a titulo de saldo negativo do imposto de renda já haviam sido alcançados pelo decurso do prazo de cinco anos (art. 168 do CTN). Dessa forma, as compensações são consideradas NÃO DECLARADAS (vez que os créditos apontados não são passíveis de restituição ou de ressarcimento, conforme determina a lei — artigo 74 da lei n° 9.430/96 e suas alterações) e as estimativas envolvidas não se encontram extintas. Conseqüentemente, ficam glosados os seguintes valores para uso na linha 17 (imposto de renda mensal pago por estimativa) da Ficha 12 A da DIPJ/2004 (AC 2003): VALORES GLOSADOS (R$) 01/2003 244.848,61 02/2003 466.856,87 03/2003 88.840,26 Total 800.545,74 (...) Houve, inclusive, Representação Fiscal, de 15/12/2006 (efl. 40), in verbis: (...) Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 712 23 A contribuinte em referencia apresentou DCOMP eletrônica envolvendo saldos negativos de períodos de apuração já decaídos (19951998). A compensação foi então considerada NÃO DECLARADA e os débitos nela envolvidos (estimativas de 2003) foram considerados não pagos (não foram confessados em DCTF; apenas informados na DIPJ), devendo ser, portanto, glosados na apuração do ajuste anual do imposto de renda do ano calendário de 2003 (linha 17 da Ficha 12 A da DIPJ/2004 AC/2003), onde foram utilizados a titulo de "imposto de renda mensal pago por estimativa". Disso resultou um IRPJ a pagar que deve ser lançado com a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, além de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa (inciso IV do . §1° do artigo 44 da lei n° 9.430/96) Segue em anexo despacho decisório, com as informações pertinentes localizadas em sua folha 06. (...) Entretanto, naquele Processo nº 10680721353/200692, na sessão de 05/12/2013, esta 1ª Turma/3ª Câmara, Colegiado com composição diversa da atual, afastou a preliminar de prescrição, com base na Tese "5+5", conforme Acórdão nº 1301001.370 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, cuja ementa, dispositivo e, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2002 EMENTA: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CADUCIDADE,. Tomandose por base o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, de adoção obrigatória por instância julgadora haja vista as disposições do art. 62 A do ANEXO II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, o disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, só se aplica aos pedidos de restituição protocolizados a partir de 09 de junho de 2005. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a alegação de ausência de caducidade do direito de pleitear a restituição do indébito, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que seja apreciado o mérito, devendo ser apensado ao presente o processo administrativo 10680.012762/200866, para fins de julgamento conjunto. (...) Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 713 24 Voto (...) Em suma, contrariamente ao que vinha decidindo o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar n° 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado em 30/01/2004, direito creditório apurado em 31/12/1998. Ou seja, avaliase conduta da contribuinte em data anterior à entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal declarou válida a aplicação do novo prazo. Assim, observandose o que decidiu definitivamente o Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, concluise que em 30/01/2004 data anterior à entrada em vigor do novo prazo (cinco anos) estipulado na LC 118/2005, contase, no caso em apreço, o prazo de 10 anos, iniciandose em 01/01/1999, e encerrandose em 31/12/2008, para a contribuinte valerse, em compensação, de créditos, decorrentes de saldo negativo de CSLL relativo ao período de apuração anual, encerrado em 31/12/1998. [...] Assim, não obstantes o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância acerca da natureza dos formulários de fls. 21/32 e as demais questões suscitadas no presente processo, conduzo meu voto no sentido de determinar: i)a reforma da decisão de primeiro grau para que seja apreciado o mérito dos direitos creditórios relativos aos anoscalendário de 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000; e ii)que seja apensado ao presente, para fins de julgamento conjunto, o processo administrativo n° 10680.012762/200866. (...) Pois bem. Na sequência naqueles autos, a DRF/Belo Horizonte expediu o Despacho Decisório nº 61, de 02/02/2016, e quanto às estimativas mensais que não haviam sido homologadas pelo Despacho Decisório anterior por prescrição, novamente a DRF/Belo Horizonte não reconheceu o crédito, in verbis: (...) Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 714 25 As Dcomps em análise são as seguintes: I Crédito: SN IRPJ AC 1995 (...). Dcomp entregue em formulário papel em 30/10/2006. (...). Débito: Código P A Vencimento Valor Original 2362 jan/03 28/02/2003 27.940,38 Esta Dcomp deverá ser não homologada, pois, de acordo com a tese dos 5 + 5 (dez anos contados do fato gerador), o direito de pleitear a restituição/compensação vigoraria até 31/12/2005 e esta Dcomp foi apresentada em 30/10/2006. Além disso, a linha 17 da Ficha 08 da DIPJ não indica saldo negativo para este anocalendário, mas tão somente imposto a pagar igual a zero (fls 242 e 243 deste eprocesso). II Crédito: SN IRPJ AC 1996 (...). DComp entregue em formuláriopapel em 30/10/2006. (...). Débito: Código P A Vencimento Valor Original 2362 jan/03 28/02/2003 151.587,90 Esta Dcomp deverá ser não homologada, pois a linha 19 da Ficha 08 da DIPJ (imposto de renda a pagar) se encontra zerada (fls 244 e 245 deste eprocesso). Cabe esclarecer que esta linha, quando negativa, indica o saldo negativo do período. III Credito: SN IRPJ AC 1997 (...).Dcomp entregue em 30/10/2006. (...). Débito: Código P A Vencimento Valor Original 2362 jan/03 28/02/2003 58.703,09 Esta Dcomp deverá ser não homologada, pois a linha 18 da Ficha 08 da DIPJ (imposto de renda a pagar) se encontra zerada (fls. 246 e 247). Cabe esclarecer que esta linha, quando negativa, indica o saldo negativo do período. IV Crédito: SN IRPJ AC 1998 (...). Dcomp entregue em 30/10/2006. (...). Débitos: Código P A Vencimento Valor Original 2362 jan/03 28/02/2003 6.617,24 2362 fev/03 31/03/2003 466.856,86 2362 mar/03 30/04/2003 88.840,28 Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 715 26 Esta Dcomp deverá ser não homologada, pois a linha 17 da Ficha 13 da DIPJ (imposto de renda a pagar) se encontra zerada (fls 253 e 254). Cabe esclarecer que esta linha, quando negativa, indica o saldo negativo do período. (...) Irresignada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na DRJ/Belo Horizonte naqueles autos, e houve a reforma, em parte, do referido Despacho Decisório, pelo Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, de 21/07/2017, conforme ementa, dispositivo, relatório e voto, no que pertinente, que transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à compensação total ou parcial do tributo, em caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, desde que provadas a liquidez e a certeza de seu direito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (...) Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, in fine. (...) Relatório (...) DESPACHO DECISÓRIO Volvendo os autos à origem, lavrouse o Despacho Decisório DRF/BHE/SEORT nº 61, de 2 de fevereiro de 2016 (fls. 572 a 581), que a seguir se resume, com o alerta de que as DCOMP dos anoscalendário de 1995 a 2000, conquanto apresentadas em formulário plano em 30 de outubro de 2006, substituem as DCOMP eletrônicas anteriores e conservam as datas originais para fins de atualização de valor. COMPENSAÇÕES – ANOSCALENDÁRIO DE 1995 A 1998 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 716 27 A tabela a seguir apresenta a síntese das considerações da Autora do Despacho Decisório com respeito a tais compensações. DCOMP NÃO HOMOLOGADAS – 199598 – VALORES EM R$ CRÉDITOS DÉBITOS SN/AC ALOR ORIGINAL ALOR COMPROVADO ALOR ORIGINAL ENCIMENTO ELIC ACUMULADA ALOR CORRIGIDO ALDO DEVEDOR 1995 12.920,89 0,00 27.940,38 28/fev/03 28,31 35.850,30 35.850,30 1996 76.881,47 0,00 151.587,90 28/fev/03 28,31 194.502,44 194.502,44 1997 32.657,79 0,00 58.703,09 28/fev/03 28,31 75.321,93 75.321,93 6.617,24 28/fev/03 28,31 8.490,58 8.490,58 1998 346.217,13 0,00 466.856,86 31/mar/03 26,53 590.713,99 590.713,99 88.840,28 30/abr/03 24,66 110.748,28 110.748,28 SN/AC = saldo negativo / anocalendário Nenhuma destas compensações foi homologada porque, nas correspondentes DIPJ, a interessada indicou valor igual a zero na linha de IRPJ a pagar, o que equivale à inocorrência de saldo negativo no anocalendário e, por conseguinte, à inexistência de direito creditório. O Despacho Decisório acrescenta, no que tange à DCOMP relativa ao anocalendário de 1995, que: Esta Dcomp deverá ser não homologada, pois, de acordo com a tese dos 5 + 5 (dez anos contados do fato gerador), o direito de pleitear a restituição/compensação vigoraria até 31/12/2005 e esta Dcomp foi apresentada em 30/10/2006. (...) Voto (...) SALDO NEGATIVO DE IRPJ – ANOSCALENDÁRIO DE 1995 A 1998 Em cumprimento do que determina o voto condutor do r. Acórdão CARF nº 1301001.370, de 2013, examinase a ocorrência de direito creditório dos períodos em epígrafe. A Autora do Despacho Decisório DRF/BHE/SEORT nº 61, de 2016, assinala que as DIPJ prestadas pela interessada e correspondentes aos exercícios de 1996 a 1999 (anoscalendário de 1995 a 1998) não consignavam nenhum valor a título de saldo negativo de IRPJ. A manifestante retruca, enfaticamente, que “a DIPJ [...]aponta de forma inquestionável o Saldo Negativo”, ou que “a análise da DIPJ da Empresa [...]não deixa dúvidas de que o Saldo Negativo está devidamente declarado”, ou que “a análise da DIPJ vigente para o período [...] demonstra que o Saldo Negativo foi devidamente declarado”, ou ainda que “o crédito está devidamente comprovado, pois tudo foi devidamente Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 717 28 assinalado na DIPJ da Empresa [...]”, achandose cada assertiva acompanhada de reprodução de documento similar ao seguinte (vejamse fls. 660, 662, 663 e 664): (...). Ora, causam espécie estas alegações da manifestante, uma vez que não foram confirmadas por recentes consultas feitas aos bancos de dados desta Secretaria: efetivamente, lá se constata que as referidas DIPJ não foram retificadas e que nenhuma delas consigna saldo negativo de IRPJ. Não é excessivo ressaltar que a interessada, havendo recebido intimação para confirmar a transmissão destas supostas DIPJ, não apresentou nenhum comprovante neste sentido. Portanto, os pretensos saldos negativos indicados na manifestação de inconformidade (vejam se fls. 660, 662, 663 e 664) não fazem prova em favor da manifestante. Lado outro, examinandose os documentos de fls. 705 a 715, e atendose aos documentos de fls. 730 a 732, juntados pela Autora do Despacho Decisório, constatase a existência de cópias de alguns comprovantes de retenção na fonte, como se vê: SN/AC VALOR EM DCOMP VALOR ORA COMPROVADO SALDO NEGATIVO EM DIPJ VALOR ACEITO EM D. DECISÓRIO R$ FLS. 1995 12.920,89 nihil 0,00 0,00 nihil 1996 76.881,47 0,00 0,00 67.590,59 706 e 730 1997 32.657,79 0,00 0,00 29.256,34 708 e 731 1998 346.217,13 0,00 0,00 315.809,93 710, 711 e 732 SOMA 412.656,86 Em assim sucedendo, cumpre reconhecer estas parcelas de direito creditório, que devem ser adicionadas aos valores já reconhecidos no Despacho Decisório. (...) Em face do crédito reconhecido no demonstrativo retro pela DRJ/Belo Horizonte (naquele processo), permanecem em aberto os seguintes valores das estimativas de janeiro, fevereiro e março/2003, conforme extrato do processo 10680721353/200692: a) IRPJEstim. Mensal, 2362, PA 01/2003, valor principal R$ 27.940,38 ; b) IRPJEstim.Mensal, 2362, PA 01/2003, valor principal R$ 151.587,91 (extinto por compensação R$ 106.480,50, diferença de saldo em aberto R$ 45.107,41); c) IRPJEstim. Mensal, 2362, PA 01/2003, valor do principal R$ 58.703,09 (extinto por compensação R$ 42.506,77, diferença de saldo em aberto R$ 16.196,32); d) IRPJEstim. Mendsal, 2362, PA 01/2003, valor do principal R$ 6.617,24 (extinto por compensação R$ 6.617,24, diferença de saldo R$ 0,00); Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 718 29 e) IRPJEstim. Mensal, 2362, PA 02/2003, valor do principal R$ 466.856,87 (extinto por compensação R$ 411.641,66, diferença de saldo em aberto R$ 55.215,21); f) IRPJEstim. Mensal, 2362, PA 03/2003, valor do principal R$ 88.840,28. Assim, permanece em aberto a título das estimativas mensais do IRPJ (janeiro, fevereiro e março/2003) o valor total de R$ 233.299,60. Por conseguinte, o saldo do IRPJ a pagar ajuste anual, fato gerador 31/12/2003, fica reduzido de R$ 800.545,74 para R$ 233.299,60, o qual deve ser exigido com multa de 75% e juros de mora respectivos. Obs: A Contribuinte não recorreu da decisão da DRJ/Belo Horizonte (naquele processo) quanto às estimativas em aberto citadas. Consta daqueles autos que a Contribuinte fez adesão a parcelamento especial, porém não consta informação quais débitos foram objeto de parcelamento. 3 Saldo do IRPJ do anocalendário 2004: Consta do Auto de Infração e do Relatório Fiscal que, relativo ao fato gerador 31/12/2004, o Fisco lançou saldo de imposto a pagar ajuste anual o valor de R$ 29.274,26. Consta do Relatório Fiscal (efls.26/29), in verbis: (...) Na DCOMP nº 18444.37735.220605.1.3.02562, docs. de nº 63 a 66, foi pleiteada pelo sujeito passivo a compensação do valor da estimativa do mês de setembro/2004, no valor de R$ 263.729,77. O Despacho Decisório nº 1126, de 14/12/2006, reformado em 10/09/2007, docs. de fls. 46 a 48, decidiu por "procederse sua glosa na apuração desse tributo no ajuste anual" tendo em vista a não comprovação de retenção de IR por órgão público federal, no valor de R$ 234.455,51, informado na linha 14 da Ficha 12 A da DIPJ/2005. (...) A exigência deve ser afastada, pois a compensação do débito de estimativa mensal do PA setembro/2004 restou confirmada pelo Despacho Decisório da DRF/Belo Horizonte nº 61, de 02/02/2016 (processo nº 10680721353/200692), in verbis: (...) VII – Crédito SN IRPJ AC 2001, no valor original de R$ 263.729,77 – Dcomp eletrônica 18444.37735.220605.1.3.02 5692 – transmitida em 22/06/2005. Débitos: Código P A Vencimento Valor 2362 set/04 29/10/2004 295.324,60 Na Ficha 12 A da DIPJ (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real; fls. 256 e 257), temos que o saldo negativo apurado Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 719 30 foi de R$ 522.901,82, decorrente de retenções neste valor e do imposto apurado igual a zero. Este valor das retenções é confirmado pelo total de retenções de imposto de renda informado em Dirf pelas fontes pagadoras. Disto podemos concluir que este é o valor do saldo negativo do imposto de renda do anocalendário 2001. Utilizando o aplicativo SAPO, para o cálculo da compensação, temos que o débito compensado foi inteiramente extinto, o que significa que a Dcomp foi totalmente homologada. (...) Destarte, confirmada a estimativa mensal do PA setembro/2004 conforme decisão proferida no Processo nº 10680.721353/200692, deve ser cancelado o lançamento do saldo do IRPJ no valor de R$ 29.274,26, bem assim a multa de ofício de 75% e juros de mora respectivos. 4 SALDO DA CSLL A PAGAR DO ANOCALENDÁRIO 2003: Consta do Relatório Fiscal (efls. 26/29), in verbis: (...) 2 IRPJ e CSLL DEVIDOS ANOCALENDÁRIO 2003/ LANÇAMENTO. (...) Esta fiscalização apurou, também, conforme demonstrativo anexo, doc. de fls. 31, a falta de declaração em DCTF e o não pagamento dos valores das estimativas da CSLL relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e parte do mês de março do ano calendário 2003, como segue: VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS (R$) 01/2003 101.804,40 02/2003 83.539,25 03/2003 10.534,61 TOTAL 195.878,31 (...) Por conseguinte, o Fisco lançou no Auto de Infração da CSLL, fato gerador 31/12/2003, saldo de CSLL a pagar ajuste anual o valor equivalente às estimativas mensais (janeiro, fevereiro e parte março 2003) não quitadas, ou seja, R$ 195.878,31. Neste item, a Contribuinte apenas suscitou preliminar de nulidade e decadência, não tratando da matéria de fato. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 720 31 Como já visto, as preliminares de nulidade e de decadência foram rejeitadas, logo, no mérito, devese manter o lançamento do saldo a pagar da CSLL ajuste anual, fato gerador 31/12/2003, valor R$ 195.878,31, a multa de ofício de 75% e os juros de mora respectivos. 5 MULTA ISOLADAS ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO PAGAS a) quanto ao IRPJ Estimativa Mensal: Consta do Auto de Infração do IRPJ, o lançamento das seguintes multas isoladas de 50% estimativas mensais não pagas: (...) Data Valor da Multa Isolada (R$) 31/01/2003 122.424,31 28/02/2003 233.428,44 31/03/2003 44.420,13 30/09/2004 131.864,92 (...) Quanto à multa isolada data de 30/09/2004, no valor de R$ 131.864,92 deve ser afastada, pois conforme consta do Despacho Decisório da DRF/Belo Horizonte nº 61, de 02/02/2016 , a estimativa mensal do imposto do PA setembro/2004 foi integralmente compensada (processo nº 10680721353/200692), in verbis: (...) VII – Crédito SN IRPJ AC 2001, no valor original de R$ 263.729,77 – Dcomp eletrônica 18444.37735.220605.1.3.02 5692 – transmitida em 22/06/2005. Débitos: Código P A Vencimento Valor 2362 set/04 29/10/2004 295.324,60 Na Ficha 12 A da DIPJ (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real; fls. 256 e 257), temos que o saldo negativo apurado foi de R$ 522.901,82, decorrente de retenções neste valor e do imposto apurado igual a zero. Este valor das retenções é confirmado pelo total de retenções de imposto de renda informado em Dirf pelas fontes pagadoras. Disto podemos concluir que este é o valor do saldo negativo do imposto de renda do anocalendário 2001. Utilizando o aplicativo SAPO, para o cálculo da compensação, temos que o débito compensado foi inteiramente extinto, o que significa que a Dcomp foi totalmente homologada. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 721 32 (...) Já em relação às multas isoladas de 50%, lançadas de ofício, em relação às estimativas não pagas (janeiro, fevereiro e março/2003), não devem prosperar pela aplicação da Súmula CARF nº 105, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. b) quanto à CSLL Estimativa Mensal: Consta do Auto de Infração da CSLL, o lançamento das seguintes multas isoladas de 50% Estimativas mensais da CSLL não pagas: (...) Data Valor da Multa Isolada (R$) 31/01/2003 50.902,20 28/02/2003 41.769,63 (...) Já em relação às multas isoladas de 50%, lançadas de ofício, em relação às estimativas não pagas da CSLL (janeiro e fevereiro/2003), não devem prosperar pela aplicação da Súmula CARF nº 105, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reduzir o saldo de imposto a pagar (ajuste anual), fato gerador 31/12/2003, de R$ 800.545,74 para R$ 233.299,60, com multa de ofício de 75% e juros de mora respectivos, devendo a unidade preparadora deduzir os valores de estimativas controladas no processo 10680.721353/200692 incluídas no PERT; b) afastar a exigência do saldo do imposto (ajuste anual), fato gerador 31/12/2004; c) manter a exigência do saldo da CSLL a pagar (ajuste anual), fato gerador 31/12/2003, com respectiva multa de oficio e juros de mora; d) afastar a exigência das multas isoladas do IRPJ e da CSLL. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10680.012762/200866 Acórdão n.º 1301003.465 S1C3T1 Fl. 722 33 É como voto (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 722DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.007420/2005-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 07 42 0/ 20 05 -6 2 Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19647.007420/200562 Resolução nº 3201001.455 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1126DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.900863/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Estimativa Mensal. Formas de Apuração. Opção.
As estimativas mensais podem ser apuradas por duas formas, receita bruta ou balancete de suspensão, cabendo ao contribuinte escolher uma delas.
Estimativa Mensal. Apuração com Base na Receita. Dedução de Despesas. Não Cabimento.
A apuração dos valores devidos a título de estimativa mensal com base na receita bruta do período não comporta dedução de despesas, o que só caberia para a apuração mediante o levantamento de balancete suspensão ou redução.
Numero da decisão: 1301-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10882.900412/2008-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. FORMAS DE APURAÇÃO. OPÇÃO. As estimativas mensais podem ser apuradas por duas formas, receita bruta ou balancete de suspensão, cabendo ao contribuinte escolher uma delas. ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO COM BASE NA RECEITA. DEDUÇÃO DE DESPESAS. NÃO CABIMENTO. A apuração dos valores devidos a título de estimativa mensal com base na receita bruta do período não comporta dedução de despesas, o que só caberia para a apuração mediante o levantamento de balancete suspensão ou redução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10882.900412/200882, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 63 /2 00 8- 10 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10882.900863/200810 Acórdão n.º 1301003.451 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por SPIRAXSARCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF de origem. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Não homologada a compensação, sobreveio manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento. A decisão recorrida fundouse no fato de que a contribuinte não trouxera qualquer documento capaz de demonstrar o erro supostamente cometido na apuração da estimativa paga. A comprovação do direito creditório cabe à requerente e, de acordo com a DCTF apresentada antes do despacho decisório, o valor recolhido correspondia exatamente ao débito confessado. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso alegando que o crédito tem origem no pagamento parcialmente indevido de estimativa mensal de IRPJ, calculada com base na receita bruta do mês. O indébito se deve à falta de inclusão, na base de cálculo, da variação cambial passiva, apurada em regime de caixa. Aduziu a recorrente que o direito estaria demonstrado nas declarações retificadoras. Por fim, ressaltou que não havia, ao tempo dos fatos, qualquer norma impedindo a compensação de estimativa no curso do próprio período de apuração. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. Posteriormente, foi apresentado um aditamento ao recurso, reproduzindo os mesmos argumentos já expostos anteriormente. O aditamento se fez acompanhar de algumas planilhas. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10882.900863/200810 Acórdão n.º 1301003.451 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.445, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10882.900412/2008 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.445): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia consiste em verificar a existência de pagamento de estimativa mensal em montante superior ao devido. A apuração do débito de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL pode ser feita, a juízo do contribuinte, de duas formas distintas. Uma delas é com base na receita bruta do mês, sobre a qual se aplica uma porcentagem para se chegar ao lucro, à semelhança da apuração pelo lucro presumido. A outra forma é mediante levantamento de balancetes, compreendendo o período que vai de janeiro até o mês em que se realiza a apuração. Nesta sistemática, são consideradas todas as despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e feitos os ajustes ao lucro líquido previstos na apuração do lucro real. As duas formas são igualmente válidas e podem ser adotadas pelo contribuinte, que escolhe qualquer delas, consultando exclusivamente a sua conveniência. Aqui o Fisco não interfere. O contribuinte tem liberdade para escolher. Porém, uma vez formalizada a escolha, ela não pode ser alterada, ainda que o contribuinte venha a perceber, posteriormente, que a outra forma seria mais vantajosa. No caso dos autos, constatase, pelo exame das planilhas apresentadas pela recorrente, que a estimativa foi apurada com base na receita bruta do mês. Nessa sistemática, não se admitem deduções de despesas. O cálculo do valor devido é feito a partir da aplicação de percentual estabelecido conforme a atividade econômica que gerou a receita. Não se admite a dedução de qualquer despesa operacional. A recorrente, não obstante tenha apurado a estimativa devida com base na receita bruta, quer deduzir uma suposta variação cambial passiva, que seria admissível na apuração Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10882.900863/200810 Acórdão n.º 1301003.451 S1C3T1 Fl. 5 4 mediante balancete de suspensão, mas que não se concebe na apuração com base na receita bruta. A recorrente engendrou uma forma híbrida de apuração da estimativa, pela qual, ao mesmo tempo em que se aplicam percentuais sobre a receita bruta, pretendese deduzir da base de cálculo uma despesa específica. Não existe amparo legal para essa pretensão. Em resumo, a lei não contempla formas híbridas de apuração da estimativa, nem admite que seja alterada a sistemática escolhida, tempestiva e regularmente, pelo contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15943.000030/2009-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
Numero da decisão: 1001-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 00 30 /2 00 9- 90 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 15943.000030/200990 Acórdão n.º 1001000.844 S1C0T1 Fl. 47 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) mediante o Acórdão nº 1437.677, de 18/05/2012 (efls. 28/31). A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 14286.22907.260205.1.3.042781, com o objetivo de compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Simples, código de arrecadação 6106), concernente ao período de apuração 08/2004. Mediante despacho decisório, a DRF de Presidente Prudente/SP, reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, no entanto, homologou parcialmente a compensação declarada, tendo em vista que o "crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que no mesmo anocalendário de sua opção foi desenquadra do Simples, tendo em vista que ultrapassou o limite de faturamento das EPP, e que "efetuou as compensações com base na Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, artigo 3°, parágrafo 3º, onde menciona claramente que antes de qualquer procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp". Assim, "requer a recorrente seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, homologando novamente as PER/Dcomp., com as devidas correções, e revogando as anteriores". A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme voto condutor do acórdão transcrevo a seguir, verbis: Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre a contribuinte interessada. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 47DF CARF MF Processo nº 15943.000030/200990 Acórdão n.º 1001000.844 S1C0T1 Fl. 48 3 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Verificase, de plano, inexistir controvérsia acerca do direito creditório pleiteado, já que foi integralmente reconhecido no despacho decisório. De outra parte, a autoridade fiscal procedeu os cálculos de compensação (encontro de contas) conforme demonstrativo “Detalhamento da compensação” (fl. 23), anexo ao despacho decisório, regularmente cientificado à interessada conforme documento às fls. 22. A contribuinte, por seu turno, não opôs contestação específica em relação a esse procedimento. A impugnante faz menção ao art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003, que assim dispõe: Art. 3º No caso de início de atividade no próprio anocalendário, os limites de que tratam os incisos I e II do art. 2º serão, respectivamente, de R$ 10.000,00 (dez mil reais) e de R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. [...] § 2º Se o valor acumulado da receita bruta no anocalendário de início de atividade for superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento, a pessoa jurídica estará obrigada ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, desde o primeiro mês de início de atividade. § 3º Caso o pagamento a que se refere o § 2º ocorra antes do início de procedimento de ofício, incidirão apenas juros de mora, determinados segundo as normas previstas para o imposto de renda. Todavia, verificase que a regra prevista no § 3º acima transcrito não se aplica ao caso, por regular aspectos relacionados a pagamento de tributos e contribuições, na hipótese que menciona, enquanto o processo em exame tem por objeto tema de natureza distinta, qual seja, pedido de compensação de tributos/contribuições. Vale frisar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, uma vez não homologada a compensação, deve a autoridade fiscal encaminhar os respectivos débitos para cobrança, nos termos do art. 74, §§ 6º, 7º e 8º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcritos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 48DF CARF MF Processo nº 15943.000030/200990 Acórdão n.º 1001000.844 S1C0T1 Fl. 49 4 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010). [...] § 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). [...] Portanto, não se há que cogitar reparos no despacho decisório recorrido ou na compensação efetuada pela autoridade fiscal. Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CÁLCULOS DE COMPENSAÇÃO. Ausente controvérsia acerca do direito creditório pleiteado, prevalecem os cálculos de compensação, elaborados pela autoridade fiscal em conformidade com a legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 13/09/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 36, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/10/2012 (efls. 38/39), conforme carimbo aposto à fl. 38. É o Relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Processo nº 15943.000030/200990 Acórdão n.º 1001000.844 S1C0T1 Fl. 50 5 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, verbis: A empresa efetuou as compensações com base na Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, artigo 3°, parágrafo 3º, onde menciona claramente que antes de qualquer procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp". Em suma, a recorrente argumenta sobre a impossibilidade de exigência de multa de mora incidente sobre o débito pago espontaneamente, com base no artigo 3°, parágrafo 3º, da Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, transcrito acima. Primeiramente, o art. 161, do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Inserese no rol das penalidades a multa de mora; o próprio CTN, no art. 134, parágrafo único, adota esse entendimento, ao dispor, nos casos em que especifica, em matéria de penalidades, a aplicação tãosomente das de caráter moratório. Assim, constituindo o CTN um conjunto de normas gerais, visando, de modo precípuo, o legislador ordinário e não ao sujeito passivo, admitir a literal aplicação do art. 138 ao caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada; além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária que cuida de sua aplicação. Outrossim, o referido dispositivo do CTN dispõe que, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Uma leitura mais atenta do art. 138 evidencia que o seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no Fl. 50DF CARF MF Processo nº 15943.000030/200990 Acórdão n.º 1001000.844 S1C0T1 Fl. 51 6 recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso em que o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo. Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça — STJ; é o que se extrai da Súmula n° 360, a seguir transcrita: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei n° 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 ° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifouse) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendose a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 15943.000030/200990 Acórdão n.º 1001000.844 S1C0T1 Fl. 52 7 Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006083/2007-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2001
EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO.
A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, nos termos definido em lei, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador dos impostos incidentes na importação, bem como a aplicação de multa administrativa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-007.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2001 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, nos termos definido em lei, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador dos impostos incidentes na importação, bem como a aplicação de multa administrativa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Recurso especial do contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, nos termos definido em lei, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador dos impostos incidentes na importação, bem como a aplicação de multa administrativa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 60 83 /2 00 7- 13 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 9303007.541 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do contribuinte (fls. 395/408), admitido pelo despacho de fls. 461/464, o qual se insurge contra o Acórdão 3402003.129 (fls. 378/382), de 19/07/2016, assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2001 NÃO RECEPÇÃO DE LEI. NOVA CONSTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO DO CARF À OBSERVÂNCIA DOS DECRETOS. A teor do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, descabe ao CARF fazer o juízo de recepção da lei em face da CF/88, uma vez que o dispositivo legal tido pela defesa como não recepcionado, foi contemplado pelos Regulamentos Aduaneiros editados sob a égide da CF/88. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. REIMPORTAÇÃO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. A entrada de mercadoria no território nacional de mercadoria nacionalizada, exportada temporariamente, quando descumprido o prazo de concessão do regime, constitui fato gerador do imposto de importação. Recurso Voluntário Negado. Em suma, articula o recorrente "a impossibilidade de mercadoria nacional sofrer incidência do imposto de importação uma vez que sua equiparação ao produto estrangeiro, por ficção jurídica, ofende o art. 153, I, da CF", vez tratarse de exportação temporária de produto nacional. Alega que esse fato acarreta a nulidade de lançamento. Entende que as questões a serem dirimidas dizem respeito ao alcance da declaração de inconstitucionalidade do art. 93 do DL 37/66, alcançando ou não o art. 1º e se a recepção desta norma distinguese da declaração de inconstitucionalidade para efeito do art. 62 do RICARF. E arremata: Ora, o Regulamento Aduaneiro que fundamenta o Auto de Infração, no caso em julgamento, é o Decreto 91.030/85 e, portanto, anterior à Carta de 1988, de forma que o argumento utilizado pelo acórdão recorrido, para não reconhecer a não recepção do art. 84 do RA e do art. 1º, § 1º, do DL 37/66, não corresponde à realidade fática. Em outras palavras, o fundamento do acórdão recorrido, para não aplicar a não recepção dos dispositivos legais que amparam Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 9303007.541 CSRFT3 Fl. 4 3 a autuação, agride aos fatos e à Constituição, razão pela qual deve ser reformado. Em contrarrazões (fls. 466/474), pugna a Fazenda Nacional pelo improvimento do especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. Trata o presente processo de reimportação intempestiva de exportação temporária. A fiscalização apurou que o recorrente promoveu a saída de um veículo em regime de exportação temporária através do processo n° 11128.002260/0018, tendo havido o descumprimento do prazo de retorno do bem (o prazo expirou em 15/05/2001 e o bem retornou em 29/06/2001 por meio da DSI 01/00226166/001). Em face do retorno intempestivo dos bens, a fiscalização lançou os tributos exigentes na importação e a multa por falta de licenciamento através do processo 11128.006071/200195. Sobreveio a anulação do lançamento, por vício formal, tendo em vista que o mesmo foi tipificado no art. 93 do Decretolei nº 37/66, declarado inconstitucional pelo STF e suspenso por Resolução do Senado Federal em 1988. Ato contínuo, a fiscalização promoveu então novo lançamento tributário, consubstanciado no auto de infração inserto nestes autos, tipificando os mesmos fatos no art. 1º, §1º do Decretolei nº 37/66 com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472/88. Foram lançados neste segundo auto de infração, objeto destes autos, os créditos relativos ao II, IPI, juros de mora e multas de ofício além da multa por falta de licenciamento. Primeiramente, afasto a preliminar de nulidade pois o vício do anterior lançamento foi corrigido e, desta forma, não houve qualquer afronta ao art. 59 do Decreto 70.235/72. Também não há que se falar em aplicação do Regulamento Aduaneiro, pois o enquadramento do novo lançamento reportouse à norma legal que veio a sanar o vício reconhecido pelo STF. Vejase o novo enquadramento do lançamento: Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 9303007.541 CSRFT3 Fl. 5 4 Como as importações que deram origem ao lançamento datam de 2001, a lei vigente é a supra transcrita, de 01/09/1998. Vêse, igualmente, que a norma embasadora do lançamento não foi o art. 93 do DL 37/66, que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF, mas sim o art. 1º do DL 37/66, com a redação dada pelo art. 1º do DL 2.472/88, anterior, portanto, ao registro das DI objeto do lançamento. Incontroverso, in casu, que a mercadoria retornou ao país após o prazo fixado no regime de exportação temporária. O prazo de retorno do bem expiraria em 15/05/2001, porém a própria recorrente admitiu que promoveu o retorno do bem apenas em 29/06/2001. No que concerne à inconstitucionalidade arguida, é preciso esclarecer que o objeto da Resolução do Senado nº 436, de 05/12/2007, foi art. 93 do DecretoLei nº 37/66 e não o art. 1º, § 1º do DL nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo DL nº 2.472/88. Sendo assim, a inconstitucionalidade daquele dispositivo não macula as autuações objeto deste processo, pois elas estão lastreadas no art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 2.472/88, que continua válido, vigente e eficaz. O fato de o art. 1º, § 1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88 ter sido regulamentado pelos decretos editados na vigência da Constituição Federal de 1988, significa que o Poder Executivo considerou que aquele dispositivo legal foi recepcionado pela nova ordem constitucional. Portanto, entendo prejudicada a discussão acerca da distinção declaração de inconstitucionalidade versus não recepção. Em remate, sem reparos aos lançamento encartados nestes autos. DISPOSITIVO Fl. 479DF CARF MF Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 9303007.541 CSRFT3 Fl. 6 5 Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do contribuinte e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11128.006083/200713 Acórdão n.º 9303007.541 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15943.000033/2009-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
Numero da decisão: 1001-000.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 00 33 /2 00 9- 23 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 15943.000033/200923 Acórdão n.º 1001000.847 S1C0T1 Fl. 47 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) mediante o Acórdão nº 1437.680, de 18/05/2012 (efls. 28/31). A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 14519.86059.260205.1.3.044089, com o objetivo de compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Simples, código de arrecadação 6106), concernente ao período de apuração 04/2004. Mediante despacho decisório, a DRF de Presidente Prudente/SP, reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, no entanto, homologou parcialmente a compensação declarada, tendo em vista que o "crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que no mesmo anocalendário de sua opção foi desenquadra do Simples, tendo em vista que ultrapassou o limite de faturamento das EPP, e que "efetuou as compensações com base na Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, artigo 3°, parágrafo 3º, onde menciona claramente que antes de qualquer procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp". Assim, "requer a recorrente seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, homologando novamente as PER/Dcomp., com as devidas correções, e revogando as anteriores". A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme voto condutor do acórdão transcrevo a seguir, verbis: Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre a contribuinte interessada. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 47DF CARF MF Processo nº 15943.000033/200923 Acórdão n.º 1001000.847 S1C0T1 Fl. 48 3 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Verificase, de plano, inexistir controvérsia acerca do direito creditório pleiteado, já que foi integralmente reconhecido no despacho decisório. De outra parte, a autoridade fiscal procedeu os cálculos de compensação (encontro de contas) conforme demonstrativo “Detalhamento da compensação” (fl. 23), anexo ao despacho decisório, regularmente cientificado à interessada conforme documento às fls. 22. A contribuinte, por seu turno, não opôs contestação específica em relação a esse procedimento. A impugnante faz menção ao art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003, que assim dispõe: Art. 3º No caso de início de atividade no próprio anocalendário, os limites de que tratam os incisos I e II do art. 2º serão, respectivamente, de R$ 10.000,00 (dez mil reais) e de R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. [...] § 2º Se o valor acumulado da receita bruta no anocalendário de início de atividade for superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento, a pessoa jurídica estará obrigada ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, desde o primeiro mês de início de atividade. § 3º Caso o pagamento a que se refere o § 2º ocorra antes do início de procedimento de ofício, incidirão apenas juros de mora, determinados segundo as normas previstas para o imposto de renda. Todavia, verificase que a regra prevista no § 3º acima transcrito não se aplica ao caso, por regular aspectos relacionados a pagamento de tributos e contribuições, na hipótese que menciona, enquanto o processo em exame tem por objeto tema de natureza distinta, qual seja, pedido de compensação de tributos/contribuições. Vale frisar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, uma vez não homologada a compensação, deve a autoridade fiscal encaminhar os respectivos débitos para cobrança, nos termos do art. 74, §§ 6º, 7º e 8º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcritos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 48DF CARF MF Processo nº 15943.000033/200923 Acórdão n.º 1001000.847 S1C0T1 Fl. 49 4 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010). [...] § 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). [...] Portanto, não se há que cogitar reparos no despacho decisório recorrido ou na compensação efetuada pela autoridade fiscal. Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CÁLCULOS DE COMPENSAÇÃO. Ausente controvérsia acerca do direito creditório pleiteado, prevalecem os cálculos de compensação, elaborados pela autoridade fiscal em conformidade com a legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 13/09/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 36, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/10/2012 (efls. 38/39), conforme carimbo aposto à fl. 38. É o Relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Processo nº 15943.000033/200923 Acórdão n.º 1001000.847 S1C0T1 Fl. 50 5 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, verbis: A empresa efetuou as compensações com base na Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, artigo 3°, parágrafo 3º, onde menciona claramente que antes de qualquer procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp". Em suma, a recorrente argumenta sobre a impossibilidade de exigência de multa de mora incidente sobre o débito pago espontaneamente, com base no artigo 3°, parágrafo 3º, da Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, transcrito acima. Primeiramente, o art. 161, do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Inserese no rol das penalidades a multa de mora; o próprio CTN, no art. 134, parágrafo único, adota esse entendimento, ao dispor, nos casos em que especifica, em matéria de penalidades, a aplicação tãosomente das de caráter moratório. Assim, constituindo o CTN um conjunto de normas gerais, visando, de modo precípuo, o legislador ordinário e não ao sujeito passivo, admitir a literal aplicação do art. 138 ao caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada; além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária que cuida de sua aplicação. Outrossim, o referido dispositivo do CTN dispõe que, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Uma leitura mais atenta do art. 138 evidencia que o seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no Fl. 50DF CARF MF Processo nº 15943.000033/200923 Acórdão n.º 1001000.847 S1C0T1 Fl. 51 6 recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso em que o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo. Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça — STJ; é o que se extrai da Súmula n° 360, a seguir transcrita: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei n° 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 ° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifouse) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendose a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 15943.000033/200923 Acórdão n.º 1001000.847 S1C0T1 Fl. 52 7 Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903443/2015-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 43 /2 01 5- 52 Fl. 213DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903443/201552 Acórdão n.º 1302003.271 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 215DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903443/201552 Acórdão n.º 1302003.271 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 217DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903443/201552 Acórdão n.º 1302003.271 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 219DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903443/201552 Acórdão n.º 1302003.271 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 221DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.903443/201552 Acórdão n.º 1302003.271 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 223DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720162/2017-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL
Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
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BASE DE CALCULO. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 01 62 /2 01 7- 84 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2012, com o acréscimo de multa de ofício de 75% e juros de mora. Os montantes exigidos de IRPJ e CSLL são R$ 14.389.161,45 e R$ 5.184.104,70, respectivamente. 2. Conforme consta dos Autos de Infração (fls. 3/8 e fls. 20/24), o lançamento de IRPJ foi apurado sob as regras do Lucro Presumido e o lançamento da CSLL foi apurado sobre o Lucro Líquido, ambos em face de suposta ausência de inclusão de receitas relativas à equivalência patrimonial nas respectivas bases de cálculo. 3. A fiscalização fundamenta a autuação nos seguintes fatos, descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 400/410): 3.1. A contribuinte possuía em 2012 60% das ações da sociedade Atlântico Norte Empreendimentos Imobiliários Ltda., que teve evolução de seu patrimônio líquido de R$ 315.000,00 para R$ 43.315.062,34, conforme análise das DIPJs apresentadas pela empresa Atlântico Norte. 3.2. Nos documentos contábeis da contribuinte não foi constatada a contabilização dos ajustes positivos relativos aos ganhos obtidos na reavaliação da controlada Atlântico Norte através do método da equivalência patrimonial no valor de 60% sobre o total da variação do patrimônio líquido, o que resultaria no montante de R$ 25.8000.037,40. 3.3. A contribuinte informou na DIPJ, relativa ao anocalendário de 2012, valor zerado para o campo do Resultado da Equivalência Patrimonial (Ficha 62) relativamente à controlada Atlântico Norte. 4. Diante das constatações descritas acima, a fiscalização conclui que "o conceito de receita bruta total abrange não apenas a receita bruta das vendas e serviços, mas também as demais receitas e resultados positivos decorrentes de outras receitas auferidas no período de apuração, incluindose nesse rol o resultado positivo de equivalência patrimonial". 5. Ademais, defende o entendimento de que, conforme disposto no artigo 389 do RIR/99, o resultado da equivalência patrimonial é neutro em termos fiscais apenas para o contribuinte que opta por apurar o IRPJ pelo lucro real. Tal neutralidade não seria aplicável na determinação do lucro presumido, visto que inexiste previsão expressa na norma. 6. Por fim, como se trata de receita auferida pela contribuinte que não foi oferecida à tributação, a fiscalização aplicou multa de ofício de 75%. 7. Devidamente intimada (AR de 31/05/2018, fl. 428), a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual trouxe as seguintes razões de defesa: 7.1. A autuada possui participação de 60% na empresa Atlântico Norte Empreendimentos Imobiliários Ltda., criada para promover a execução de um loteamento no imóvel da sócia Maria José Cunha. O lançamento do empreendimento ocorreu em 2012, quando foram vendidos 60% dos lotes, gerando expressiva receita. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 4 3 7.2. Reconhece que o investimento deve ser ajustado pela equivalência patrimonial, entretanto, o lucro da autuada foi apenas o reconhecimento da valorização de seu investimento pelo Método de Equivalência Patrimonial em virtude da mutação do patrimônio líquido da empresa Atlântico Norte. 7.3. A tributação da receita relativa ao resultado positivo, referente ao investimento na empresa Atlântico Norte, não se coaduna com o conceito constitucional de renda, ou seja, de acréscimo patrimonial, pois se trata apenas de um reflexo contábil. 8. Em sessão de 17 de dezembro de 2017 a 6ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0741.102 (fls. 565/577), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2012 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. GANHO DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não se adiciona à Base de Cálculo do Lucro Presumido ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado”. 9. A DRJ exonerou o crédito exigido em sua totalidade pelos seguintes motivos: (i) o acréscimo patrimonial gerado na sociedade investida (Atlântico Norte) é objeto de tributação nesta sociedade, de forma que a parcela do lucro que é transferida para a sociedade investidora (Silberford) via equivalência patrimonial já foi objeto de tributação e vem apenas ajustar o saldo do investimento detido pela investidora; (ii) o resultado positivo da equivalência patrimonial não tem incidência tributária na sociedade investidora, sob pena de dupla tributação; e (iii) diferente do entendimento da fiscalização, o fato de o artigo 389 do RIR/99 fazer menção ao lucro real, não significa concluir que eventual resultado positivo decorrente da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial seria objeto de tributação na investidora, caso fosse empresa tributada pelo lucro presumido. 10. Cientificada da decisão (AR de 20/12/2017, fl. 579) a Contribuinte não interpôs Recurso Voluntário. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 5 4 11. Diante da exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo superior ao limite fixado na Portaria MF nº 63 de 2017, foi interposto Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 12. Para analisar a admissibilidade do recurso de ofício devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 13. No caso em tela, os valores exonerados (R$ 6.445.024,39 de IRPJ e R$ 2.322.003,36 de CSLL) superam o limite estabelecido pela norma em referência de 2,5 milhões. Portanto, o recurso de ofício é cabível, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Exclusão da Base de Cálculo de IRPJ e CSLL de Resultado Positivo decorrente da Avaliação de Investimentos pela Equivalência Patrimonial I.1. Da Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial 14. Inicialmente, antes de enfrentar o mérito do lançamento, cabe trazer algumas considerações técnicas sobre o método da equivalência patrimonial e seus efeitos fiscais. 15. Conforme o Pronunciamento Técnico CPC 18, pelo método da equivalência patrimonial, o investimento em empresa coligada ou controlada deve ser inicialmente reconhecido pelo custo e o seu valor contábil será aumentado ou diminuído a partir do reconhecimento da participação do investidor sobre os ativos líquidos da investida. 16. O Método da Equivalência Patrimonial pode ser definido como um método de contabilização no qual se ajusta o valor inicial do investimento sobre os ativos da empresa investida para fazer refletir as alterações pósaquisição, conforme o Pronunciamento Técnico CPC 18, verbis: Pronunciamento Técnico CPC 18 (R2) Fl. 587DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 6 5 Método da equivalência patrimonial é o método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e, a partir daí, é ajustado para refletir a alteração pósaquisição na participação do investidor sobre os ativos líquidos da investida. As receitas ou as despesas do investidor incluem sua participação nos lucros ou prejuízos da investida, e os outros resultados abrangentes do investidor incluem a sua participação em outros resultados abrangentes da investida. 17. Conforme os artigos 243 e 248 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A.s), os investimentos em empresas coligadas serão avaliados no balanço patrimonial de acordo com o método de equivalência patrimonial, verbis: Lei das S.A.s Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. § 1º São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. § 3º A companhia aberta divulgará as informações adicionais, sobre coligadas e controladas, que forem exigidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 4º Considerase que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlála. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlála. Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 7 6 não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. 18. Para compreender os efeitos fiscais sobre os valores anotados na contabilidade da empresa controladora, por meio desse método contábil, em relação aos investimentos da controlada, cabe analisar os artigos 387 e seguintes do RIR/99: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; II se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; Fl. 589DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 8 7 III o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior à do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV o prazo de dois meses de que trata o inciso I aplicase aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimentos relevantes que devam ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido para efeito de determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada; V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os incisos anteriores, da percentagem da participação do contribuinte no capital da coligada ou controlada. Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). § 1º Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciarão as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22, parágrafo único). § 2º Quando os rendimentos referidos no parágrafo anterior forem apurados em balanço da coligada ou controlada levantado em data posterior à da última avaliação a que se refere o artigo anterior, deverão ser creditados à conta de resultados da investidora e, ressalvado o disposto no § 2º do art. 379, não serão computados na determinação do lucro real. § 3º No caso do parágrafo anterior, se a avaliação subsequente for baseada em balanço ou balancete de data anterior à da distribuição, deverá o patrimônio líquido da coligada ou controlada ser ajustado, com a exclusão do valor total distribuído. Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). 19. Os artigos 387 e 388 do RIR/99 transcritos acima dispõem sobre como os investimentos em empresas controladas devem ser representados no patrimônio da empresa controladora. Entretanto, a representação no patrimônio da controladora não significa que o eventual acréscimo oriundo do lucro gerado na sociedade investida será computado na determinação do lucro real, conforme disposto expressamente no artigo 389 do RIR/99. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 9 8 20. Embora não haja menção de que o disposto no artigo 389 do RIR/99 seja aplicável também na hipótese do contribuinte ter optado pela apuração do IRPJ no regime de tributação com base no Lucro Presumido, é evidente que o resultado positivo da equivalência patrimonial não deve ter incidência tributária na sociedade investidora, pois, caso contrário, ocorreria dupla tributação. 21. No mais, a Lei nº 8.981/1995 dispõe em seu artigo 44 que os fatos geradores para a pessoa jurídica que optasse pelo lucro presumido seriam mensais. 22. Por sua vez, o artigo 32 da Lei nº 8.981/1995 dispõe que deve ser excluído da base de cálculo do IRPJ o resultado positivo decorrente da avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial, verbis: “Art. 32. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior serão acrescidos à base de cálculo determinada na forma dos arts. 28 ou 29, para efeito de incidência do Imposto de Renda de que trata esta seção. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados na forma dos arts. 65, 66, 67, 70, 72, 73 e 74, decorrentes das operações ali mencionadas, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial”. (grifos nossos). 23. Cumpre ressaltar que, as alterações na Lei nº 8.981/95, trazidas pela Lei nº 9.429/1995, Lei nº 9430/1996 e Lei nº 12.973/2014, mantiveram seu artigo 32 inalterado. 24. Diante do exposto, fica evidente que o resultado positivo decorrente de avaliação de investimentos em empresas controladas por meio do método de equivalência patrimonial não deve ter efeito para a apuração da base de cálculo do IRPJ e demais tributos, independentemente do contribuinte ter optado pelo regime tributário do Lucro Presumido. I.2. Das Circunstâncias Fáticas 25. No presente caso, a fiscalização afirma que inexiste norma específica capaz de desobrigar as sociedades controladoras de oferecer à tributação receita auferida pelo método da equivalência patrimonial quando a opção for pela tributação com base no lucro presumido. 26. Calcada nesse entendimento, promoveu o lançamento de IRPJ e CSLL em face da ausência de inclusão na base de cálculo dos tributos mencionados do montante relativo a 60% de R$ 43.000.062,34, o que corresponderia ao resultado obtido por meio da equivalência patrimonial. 27. Acertadamente, a DRJ exonerou o crédito tributário exigido por entender que o acréscimo patrimonial gerado na empresa Atlântico Norte já foi objeto de tributação nesta sociedade e, portanto, a parcela do lucro transferida para a Silberford por meio da equivalência patrimonial serve apenas para ajustar o saldo do investimento por ela detido. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 10 9 28. Conforme exposto nos itens 14 a 22, concluo que o resultado positivo da equivalência patrimonial referente ao investimento na empresa controlada Atlântico Norte não tem efeito para apuração do Imposto de Renda, independentemente do regime de tributação escolhido. 29. O artigo 389 do RIR/99 é claro ao dispor que o resultado da equivalência patrimonial não gera efeito tributário e não deve ser computado na base de cálculo. Enquanto o artigo 32 da Lei nº 8.981/95 é ainda mais específico no sentido de que o referido resultado não deve ser acrescido à base de cálculo do IRPJ. 30. Esse entendimento pode ser verificado não apenas no acórdão 1402 002.396 da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mencionado pela contribuinte em sua impugnação, mas também em outras decisões deste E. Conselho: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. NEUTRALIDADE. EXPRESSA EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. O método da equivalência patrimonial se traduz em mero ajuste contábil, sendo, via de regra, neutro para fins fiscais. A percepção de resultados positivos em avaliações de investimento em controladas por meio de tal ajuste não implica em realização da renda, não podendo representar disponibilidade de nova riqueza. O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não se adiciona à base de cálculo do Lucro Presumido, por expressa determinação do art. 32 da Lei nº 8.981/1995”. (Processo nº 15540.720042/2016 04, Acórdão nº 1402002.616, 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção, Sessão de 21 de junho de 2017, Relator Caio Cesar Nader Quintella). “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 01/08/2011, 13/12/2012 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. GANHO DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não deve ser adicionado à Base de Cálculo do Lucro Presumido”. (Processo nº 15540.720363/201439, Acórdão nº 1302002.291, 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção, Sessão de 21 de junho de 2017, Relator Rogério Aparecido Gil) 31. Diante do exposto, deve ser mantida a exoneração do crédito tributário. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15540.720162/201784 Acórdão n.º 1201002.645 S1C2T1 Fl. 11 10 I.3. Lançamento Reflexo de CSLL 32. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Conclusão 33. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO DE OFÍCIO interposto e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 593DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900116/2008-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
OPÇÃO. LUCRO. PRESUMIDO. RETIFICAÇÃO. DCTF.
A retificação de DCTF "desaparecendo" com os débitos declarados e com apuração trimestral, depois da ciência do Despacho Decisório que não homologou sua compensação, não tem o condão de reverter a opção pelo lucro real anual, irretratável para todo o ano-calendário
Numero da decisão: 1001-000.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. OPÇÃO. LUCRO. PRESUMIDO. RETIFICAÇÃO. DCTF. A retificação de DCTF "desaparecendo" com os débitos declarados e com apuração trimestral, depois da ciência do Despacho Decisório que não homologou sua compensação, não tem o condão de reverter a opção pelo lucro real anual, irretratável para todo o ano-calendário
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. OPÇÃO. LUCRO. PRESUMIDO. RETIFICAÇÃO. DCTF. A retificação de DCTF "desaparecendo" com os débitos declarados e com apuração trimestral, depois da ciência do Despacho Decisório que não homologou sua compensação, não tem o condão de reverter a opção pelo lucro real anual, irretratável para todo o anocalendário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 01 16 /2 00 8- 73 Fl. 198DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 15/20, de n. 42574.14874.301203.1.3.040742, de 30/12/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (Crédito de Pagto Indev ou a Maior de IRPJ, no valor principal de R$ 8.687,62 segundo DARF com as seguintes características: IRPJ, Código de Receita 5993 (IRPJ Lucro Real Estimativa mensal), PA 30/06/2001, vencimento em 31/07/2001). O pedido foi parcialmente deferido, conforme Despacho Decisório n. 745550673, de 14/02/2008 (efl. 02), que analisou as informações e concluiu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível (R$ 0,30) inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que: Recolheu (no total de R$ 28.097,19) aos cofres públicos, a titulo de IRPJ (Cód. 5993), referente aos 2° trimestre do ano de 2001; Tais valores foram pagos indevidamente, porquanto no referido 2°trimestre de 2001 a empresa apurou prejuízo fiscal de R$ 100.441,56, conforme cópia de DIPJ que anexa; Requer a reforma integral do Despacho Decisório, e a conseqüente homologação do Pedido de Compensação. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0628.931 lª Turma da DRJ/CTA, e fls. 114/119) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Como contribuinte efetuou o recolhimento do mês de janeiro/2001 no código 5993 (IRPJ Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real Estimativa Mensal), no valor de R$ 6.142,59, fez opção para a Forma de Tributação pelo Lucro Real ANUAL, sendo este valor alocado como estimativa para o referido mês, não configurando o crédito como disponível. Despiciendo, para fixação da opção, já que esta é irretratável, o fato do interessado ter retificado a DCTF do 1° trim/2001, em 06/03/2008, após a ciência do Despacho Decisório, retirando as informações quanto aos débitos da Receita 59931 (IRPJ Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real Estimativa Mensal) e colocando um débito referente a Receita 33731 (IRPJ PJ Não Obrigadas ao Lucro Real Balanço Trimestral). Aduziu aquele acórdão: 10. Acontece que referido pagamento foi alocado a um débito do contribuinte na DCTF original, entregue em 15/08/2001, conforme fls. 7476, e sendo esta declaração a ativa na data da emissão do Despacho Decisório, verificouse que não havia saldo disponível do referido pagamento, para ser utilizado na compensação pretendida. Correto, portanto, o Despacho Decisório nesse momento, quando decidiu pela não homologação, tendo em vista ausência de Direito Creditório, já que todo o pagamento indicado como esteio do Crédito já estava utilizado. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10980.900116/200873 Acórdão n.º 1001000.950 S1C0T1 Fl. 199 3 11. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 28/02/2008 (fls. 05), como já dito, e seis dias depois, em 06/03/2008, transmitiu DCTF retificadora (fls. 74), excluindo todos os Débitos de IRPJ Receita 59931, anteriormente declarados, conforme se vê de fls. 77 (em comparação com fls. 75). (...) 14. Verificase que a DIPJ 2002, AC 2001, que se encontra ativa é aquela entregue em 06/01/2004 (fls. 94102), não tendo sido mais retificada, daquela data para cá. Portanto, referida DIPJ é anterior a emissão do Despacho Decisório, que foi em 28/02/2008. 15. A DIPJ em questão, de fato, não apresenta estimativas de IRPJ a pagar nos meses do 2° trimestre de 2001, conforme fls. 8184, até porque a forma de tributação consta como Lucro Real Trimestral (fls. 94). Esta forma de tributação — Lucro Real Trimestral vem desde a DIPJ original, entregue em 25/06/2002, conforme fls. 8893. 16. O problema é que a apresentação de DIPJ, apurando Lucro Real Trimestral, paralelamente com recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ, Receita 5993, é legalmente incompatível. (...) 17. A partir da Lei 9.430/96, de fato, o regime ordinário de apuração do Lucro Real é na periodicidade trimestral (art. 1°), mas é possível ao contribuinte optar por recolher estimativas mensais (art. 2°), sendo que, uma vez exercida esta opção, obrigatoriamente a forma de apuração passa a ser de Lucro Real ANUAL (§ 3°, art. 2°). A opção é exercida por intermédio do pagamento referente ao mês de janeiro par. único, art. 3°), ou seja, declinado o Código da Receita no DARF referente ao mês de janeiro, está fixada a opção. A escolha é irretratável para todo o anocalendário, consoante art. 3°, "caput". (...) 19. No caso, o contribuinte efetuou o recolhimento do mês de janeiro/2001 no código 5993 (IRPJ — Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real — Estimativa Mensal), no valor de R$ 6.142,59, conforme fls. 81. Depois, vinculou esse pagamento na DCTF do 1° trim/2001 a um débito de IRPJ59931, conforme fls. 80. Assim procedendo, fez opção para a Forma de Tributação pelo Lucro Real ANUAL e não poderia/deveria ter entregado a DIPJ pelo Lucro Real TRIMESTRAL, já que estava vedado a tanto. 20. Despiciendo, para fixação da opção, já que esta é irretratável, o fato do interessado ter retificado a DCTF do 1" trim/2001, em 06/03/2008 (fls. 79 e 82), após a ciência do Despacho Decisório de fls. 01, retirando as informações quanto Fl. 200DF CARF MF 4 aos débitos da Receita 59931 (IRPJ — Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real — Estimativa Mensal) e colocando um débito referente a Receita 33731 (IRPJ — PJ Não Obrigadas ao Lucro Real —Balanço Trimestral); mesmo porque, insolitamente, vêse em fls. 83, ao final, que os DARF vinculados ao "novo' Débito, Código 33731, continuam aqueles do Código 59931. Surtiria efeitos legais se o interessado, desde o inicio, tivesse efetuado o pagamento do IRPJ, referente a janeiro/2001, já no Código 33731, o que fixaria a opção para o Lucro Real Trimestral. Mas, isso o contribuinte não fez, como já demonstrado. 21. Nesses termos, era obrigatório para o interessado apurar Lucro Real ANUAL e entregar DIPJ nesta forma de tributação, calculando o imposto mensal sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Finalmente, o imposto a ser pago mensalmente seria determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 12/11/2010 (efl. 124) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/12/2010 (efl. 125), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e se propõe a comprovar saldo negativo de IRPJ (do ano calendário 2001) neste procedimento administrativo, com base nos documentos juntados. Aduz: O caso em tela seria de fácil resolução caso o julgamento administrativo fosse mais célere, pois, se o julgamento ocorresse em tempos passados, teria o contribuinte acesso ao programa da DIPJ do ano calendário de 2001, a qual retificaria e poderia demonstrar por meio eletrônico a existência do saldo negativo do IRPJ, evitando assim maiores discussões e entraves. Entretanto, tal sistema não é mais disponibilizado para o acesso do contribuinte, de modo que será necessário comprovar a existência de tal saldo negativo neste procedimento administrativo, com base nos documentos juntados ao procedimento, que por sua vez são hábeis e suficientes para demonstrar a existência de tal direito. (...) Estando os créditos tributários (tanto o crédito a favor do contribuinte quanto ao a favor do Estado) não corre o prazo prescricional nos termos da legislação vigente. (...) Havendo portanto no plano da realidade fática a existência do crédito ora requerido, o mesmo há de ser reconhecido e ao final compensado. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.900116/200873 Acórdão n.º 1001000.950 S1C0T1 Fl. 200 5 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A razão da negativa ao aproveitamento do alegado crédito (pagamento de IRPJ no valor principal de R$ 8.687,62 segundo DARF com as seguintes características: IRPJ Código de Receita 5993 Lucro Real Estimativa mensal, PA 30/06/2001, vencimento em 31/07/2001) foi a negativa da DRJ ao pleito do contribuinte de ter seu IRPJ calculado segundo o lucro trimestral durante o ano calendário 2001. Aderimos às razões da decisão de primeira instância, pois segundo o disposto o § 3º do art. 2° da Lei 9.430/96 a pessoa jurídica que optar pela pagamento do imposto anual deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, e segundo o art. 3º da mesma Lei a adoção da forma anual (com estimativas mensais) pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, será irretratável para todo o anocalendário. Ou seja, de nada adianta a tentativa de retificação das DIPJs ou DCTFs em questão. Era obrigatório para o recorrente apurar Lucro Real anual e entregar DIPJ nesta forma de tributação, calculando o imposto mensal sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Desta forma, como também já destacado a decisão de primeira instância, não anula a opção pela apuração anual do IRPJ o fato do interessado ter retificado a DCTF do 1° trim/2001, em 06/03/2008, após a ciência do Despacho Decisório, retirando as informações quanto aos débitos da Receita 59931 (IRPJ Optantes Apuração c/ Base no Lucro Real — Estimativa Mensal) e colocando um débito referente a Receita 33731 (IRPJ PJ Não Obrigadas ao Lucro Real Balanço Trimestral). Surtiria efeitos legais se o interessado, desde o início, tivesse efetuado o pagamento do IRPJ, referente a janeiro/2001, já no Código 33731, o que fixaria a opção para o Lucro Real Trimestral. Mas, isso o contribuinte não fez. Também não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário em questão, pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento do IRPJ por estimativa no mês 06/2001. Ou seja, requerer crédito diverso correspondente a eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário deveria ser aposto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (IRPJ estimativa do período de apuração junho de 2001) e confrontar com análise da situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 202DF CARF MF 6 Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. O fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ no ano calendário 2001 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720090/2015-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS
Comprovado nos autos como verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE COMPROVADA.
Da análise dos autos o interesse comum das solidárias está absoluta e expressamente comprovados na medida em que, não só existia de fato um grupo empresarial, mas sim uma unicidade empresarial.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiar-se pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriando-se do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes.
PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA.
A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratar-se de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. SÚMULA 02. CARF.
Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Inteligência da Súmula CAR n. 2.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. SUBSTITUIÇÃO POR MULTA DE 100%. IMPOSSIBILIDADE.
Os percentuais da multa de ofício, exigível em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, descabendo a substituição por multa moratória em patamar diverso (100%). Súmula 02. CARF.
MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE
Restou comprovado que a complexa operação criminosa foi realizada de forma dolosa mediante fraude e simulação, com o objetivo de sonegar tributos.
NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE.
Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide.
PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE
O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.
NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES.
A presunção do art.42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar na impugnação que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art.42, §2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda ou, em se tratando de receitas tributáveis, já tivessem sido tributadas.
ARBITRAMENTO DE LUCROS. MEDIDA EXTREMA.
A não apresentação do Lalur, quando apresentados os livros Diário, Saídas, Razão e Registro de Apuração do IPI, e sendo possível determinar o lucro real não enseja o arbitramento do lucro, que é medida extrema.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos da CSLL, PIS e COFINS uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, salvo em relação à matéria específica de cada tributo.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplenre Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Da análise dos autos o interesse comum das solidárias está absoluta e expressamente comprovados na medida em que, não só existia de fato um grupo empresarial, mas sim uma unicidade empresarial. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiar-se pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriando-se do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratar-se de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. SÚMULA 02. CARF. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Inteligência da Súmula CAR n. 2. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. SUBSTITUIÇÃO POR MULTA DE 100%. IMPOSSIBILIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigível em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, descabendo a substituição por multa moratória em patamar diverso (100%). Súmula 02. CARF. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE Restou comprovado que a complexa operação criminosa foi realizada de forma dolosa mediante fraude e simulação, com o objetivo de sonegar tributos. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. A presunção do art.42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar na impugnação que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art.42, §2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda ou, em se tratando de receitas tributáveis, já tivessem sido tributadas. ARBITRAMENTO DE LUCROS. MEDIDA EXTREMA. A não apresentação do Lalur, quando apresentados os livros Diário, Saídas, Razão e Registro de Apuração do IPI, e sendo possível determinar o lucro real não enseja o arbitramento do lucro, que é medida extrema. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos da CSLL, PIS e COFINS uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, salvo em relação à matéria específica de cada tributo. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
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INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS Comprovado nos autos como verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE COMPROVADA. Da análise dos autos o interesse comum das solidárias está absoluta e expressamente comprovados na medida em que, não só existia de fato um grupo empresarial, mas sim uma unicidade empresarial. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas patrimoniais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e dos resultados da empresa, apropriandose do patrimônio por ela gerado ilegalmente. No caso dos autos resta demonstrado o interesso jurídico e econômico, bem como o nexo entre as partes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 90 /2 01 5- 86 Fl. 7380DF CARF MF 2 PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratarse de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. SÚMULA 02. CARF. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Inteligência da Súmula CAR n. 2. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. SUBSTITUIÇÃO POR MULTA DE 100%. IMPOSSIBILIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigível em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, descabendo a substituição por multa moratória em patamar diverso (100%). Súmula 02. CARF. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE Restou comprovado que a complexa operação criminosa foi realizada de forma dolosa mediante fraude e simulação, com o objetivo de sonegar tributos. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. A presunção do art.42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar na impugnação que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois na fase recursal, a autoridade autuante não Fl. 7381DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.381 3 poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art.42, §2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda ou, em se tratando de receitas tributáveis, já tivessem sido tributadas. ARBITRAMENTO DE LUCROS. MEDIDA EXTREMA. A não apresentação do Lalur, quando apresentados os livros Diário, Saídas, Razão e Registro de Apuração do IPI, e sendo possível determinar o lucro real não enseja o arbitramento do lucro, que é medida extrema. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos da CSLL, PIS e COFINS uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, salvo em relação à matéria específica de cada tributo. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplenre Convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 7382DF CARF MF 4 Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o PIS e Cofins, acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 150%, conforme tabela abaixo indicada: TRIBUTO VALOR: IRPJ R$ 32.832.625,68 CSLL R$ 11.834.776,12 PIS R$ 2.175.333,39 COFINS R$ 10.019.720,11 Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte acima identificada, na qual a fiscalização constatou a existência de esquema delituoso que envolvia a simulação tanto de operações de compra de produtos quanto de operações de vendas, por empresas inexistentes de fato. A fiscalização constatou, em vistoria às instalações no domicílio da Fiscalizada, “haver apenas dois funcionários, um barracão e algumas pequenas salas e nenhum maquinário industrial e demais equipamentos e funcionários necessários para a execução da sua atividade econômica, qual seja, serviços de usinagem, tornearia e solda. Apesar da situação detectada, a fiscalizada declarou na DIPJ AC 2012 compras de mercadorias e insumos no valor de R$ 74.348.525,09 e receitas no valor de R$ 57.650.813,53, incompatíveis com o seu capital social de R$ 100.000,00. Ademais, a fiscalização constatou que os sócios da fiscalizada não possuíam declaração de rendimentos compatíveis com o empreendimento fiscalizado. Dessa forma, a fiscalização, com base no art. 27, inciso II, da IN RFB nº 1.470, de 2014, concluiu que a fiscalizada, empresa CLS Metais Ind. e Comércio de Metais – Eireli, era inexistente de fato e seu sócio, senhor José Ivan Bezerra era interposta pessoa”. A Autoridade Autuante também constatou, “a partir de Requisição de Movimentação Financeira aos bancos Itaú e Bradesco, que a fiscalizada fez diversas remessas de recursos à Alumibras, Perfibras e recebeu recursos daquela, bem como das empresas LUCKNETAIS, INGAÍ E METAIS COMERCIAL, todas partícipes do esquema delituoso demonstrado no Relatório Geral de Auditorias”. Em relação à fraude, “constatou que a fiscalizada é um dos elos fundamentais do esquema, pois recebia notas fiscais geradoras de créditos fiscais (ICMS, IPI, PIS e COFINS) e transferia recursos financeiros à ALUMIBRAS e, esta, por sua vez, direcionava parte desses recursos aos reais beneficiários, seja por transferências bancárias a outras pessoas físicas ou jurídicas, cujos sócios são os reais beneficiários, seja mediante aquisição de bens (móveis e imóveis) em nome dos reais beneficiários”. (...) Os reais beneficiários do esquema fraudulento atuavam constituindo empresas inidôneas, sob responsabilidade de interpostas pessoas, gerando elevados créditos tributários devido à simulação de vendas/compras de produtos entre diversas empresas inidôneas, favorecendo a movimentação, transferência e ocultação dos recursos financeiros e dos reais beneficiários. Fl. 7383DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.382 5 Tais beneficiários são os titulares das contas correntes onde eram realizados os pagamentos pela sacada, ALUMIBRAS”. A Autoridade Autuante responsabilizou solidariamente as pessoas físicas beneficiadas diretamente ou indiretamente com os depósitos, quais sejam, JOÃO NATAL CERQUEIRA, PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA. Formalizouse, ainda, “Representação Fiscal para Fins Penais contra os reais beneficiários do esquema e contra o contador, sócio do escritório de contabilidade que realizou os registros contábeis em desconformidade com os fatos, responsável pelo preenchimento da DIPJ AC 2012, e arrolou os bens dos reais beneficiários”. O contribuinte fiscalizado não apresentou impugnação e foi considerada revel, conforme fl. 4834. Cientes da autuação fiscal, os interessados (sujeitos passivos responsabilizados) interpõem IMPUGNAÇÕES ADMINISTRATIVAS, trazendo em síntese as seguintes razões: Das impugnações apresentadas por JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, JOÃO NATAL CERQUEIRA E PAULO HENRIQUE ESCOBAR: Das preliminares Da nulidade em razão de os lançamentos terem se baseados em prova ilícita. Quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira alegam que houve violação à intimidade, à privacidade e ao sigilo de dados do contribuinte, resguardados pelo art. 5º, incisos X e XII, da Constituição e que somente o poder judiciário poderia autorizar o acesso aos dados bancários do contribuinte. Citam jurisprudência do STF, do STJ e dos Tribunais Regionais Federais, todas com esse entendimento e conclui pela nulidade dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, por considerar que foram baseados em provas ilícitas, as quais se tornam nulas e imprestáveis. Da nulidade dos lançamentos em razão da ausência de intimação do recorrentes para comprovar a origem dos depósitos. Aplicação da Súmula CARF nº 29. João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira argumentam que havendo pluralidade de coobrigados, todos deveriam ser intimados na fase investigatória, para comprovar a origem das receitas em relação às quais fora responsabilizado solidariamente. Sustentam que os recorrentes não foram intimados para participar da fase não contenciosa da fiscalização, tendolhe sido negada a oportunidade de justificar os recursos que o Fisco Federal reputou omitidos. Entendem que, “partindo do pressuposto que as contas bancárias da empresa autuada eram Fl. 7384DF CARF MF 6 utilizadas como mecanismo para que terceiros movimentassem recursos à margem da contabilidade e escrituração fiscal, a fiscalização teria que ter se dirigido aos mencionados terceiros, para que estes prestassem esclarecimentos quanto à origem dos valores.” Alegam que a omissão contrariara Súmula CARF nº 29 com a seguinte redação: Súmula CARF n° 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal e omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Nesse contexto, defendem que a teor do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, são nulos os atos praticados com cerceamento do direito de defesa. Da nulidade em razão da necessidade de individualização e delimitação da base tributável imputada a cada sujeito passivo solidário. João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira alegam que “ainda que a fiscalização estivesse correta em sua presunção de que os valores creditados nas contas bancárias da pessoa jurídica pertenceriam, na verdade, a terceiros, a imputação dos referidos valores ao terceiro deveria obedecer ao disposto no artigo 42, parágrafo 5°, da Lei n° 9.430/96, que determina ser imputado àquele terceiro exclusivamente os créditos que lhe pertencem, comprovadamente. Consideram que, conforme determinado pelo parágrafo 6º do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, no caso de interposição de pessoas, havendo mais de um terceiro, e não sendo possível segregar os valores de cada um, a tributação deve darse mediante a divisão da soma dos recursos pelo número de titulares:” Citam acórdão do CARF. Defendem que “considerando que o rastreamento realizado pelo Fisco possibilita identificar os recursos destinados a cada sujeito passivo solidário, a base de cálculo dos tributos cuja responsabilidade está sendo imputada a cada um deles teria que ser individualizada e limitada.” Assim, entendem que a fiscalização não individualizou e delimitou a base tributável imputada a cada sujeito passivo solidário. Da ilegitimidade da parte Inaplicabilidade da responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN. Inexistência de interesse jurídico comum do impugnante no fato gerador. João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira alegam que o art. 124, I, do CTN, que embasou a responsabilidade tributária do impugnante, “pressupõe a existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador, sendo certo que o interesse comum apenas se caracteriza quando, pessoalmente e em conjunto com os outros devedores, no mesmo pólo da relação obrigacional, participam conjuntamente da materialidade do fato gerador.” Fl. 7385DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.383 7 Afirmam que “Partindo da conjectura de que o Impugnante seria partícipe de um suposto esquema delituoso envolvendo a empresa CLS METAIS IND. E COMÉRCIO DE METAIS EIRELI, entendeu a fiscalização que este deveria ser responsabilizado pelos débitos tributários desta, independentemente de sua participação nos fatos geradores que ensejaram a constituição dos referidos créditos tributários.” Argumentam que não se demonstrou e não existe qualquer participação dos Impugnantes nos fatos geradores dos tributos lançados e que a responsabilidade de que trata o art. 124, I, do CTN exige que o devedor solidário seja contribuinte na mesma relação tributária, em relação à parte da obrigação. Sustentam que: A solidariedade irá decorrer da participação da pessoa na realização do fato gerador, de modo que esta tenha executado, por si mesmo, os fatos geradores da obrigação tributária, em concurso com outras. Nesta hipótese, o sujeito passivo será contribuinte em relação ao seu quinhão na participação do fato gerador, e será, ao mesmo tempo, responsável solidário pelo quinhão dos demais correalizadores do fato gerador. A solidariedade prevista no art. 124, I, CTN, exige que tenha havido a PRÁTICA CONJUNTA do fato gerador por duas ou mais pessoas que são contribuintes, portanto, não se revestindo da qualidade de contribuinte, resta afastada qualquer possibilidade de imputação da referida responsabilidade ao Impugnante. Quando a empresa autuada adquiriu e fez circular, mesmo que ficticiamente, a mercadoria, ou quando auferiu renda, não se pode considerar que o Impugnante teria também, pessoalmente, realizado a materialidade tributária. Quem praticou estes atos foi apenas a pessoa jurídica. Ainda que terceiros possam ter recebido benefícios econômicos advindos da realização daquele fato gerador, não o praticaram. A prática pessoal do fato gerador de forma conjunta é requisito intransponível para a caracterização do interesse jurídico comum, e sem haver o interesse comum, não há solidariedade com base no artigo 124, I, CTN. Ou seja, para que se configure a responsabilidade solidária decorrente ao artigo 124, I, CTN, fundada no interesse comum, não é suficiente apenas que se participe de ações que acarretem a ocorrência do fato gerador. É fundamental que se realize, pessoalmente, em conjunto com outras, a materialidade do próprio fato Gerador, pois somente nesta hipótese estará caracterizado o interesse jurídico capaz de acarretar a responsabilidade solidária. Cita jurisprudência administrativa e judicial. Comentam que o STJ reconhece que o eventual INTERESSE ECONÔMICO de uma pessoa no fato gerador não é suficiente para caracterizar a solidariedade prevista no art. 124, I, CTN, sendo imprescindível a existência de um INTERESSE JURÍDICO – o que pressupõe a participação da pessoa responsabilizada na situação que constitui o fato gerador. Inconsistência dos fatos indicados pela fiscalização para tentar fundamentar a sujeição passiva solidária do impugnante. Notória arbitrariedade fiscal. João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira consideram que há inconsistência dos fatos Fl. 7386DF CARF MF 8 indicados pela fiscalização para fundamentar a sujeição passiva solidária e apresentam, cada um, argumentos específicos com o intuito de demonstrar a arbitrariedade fiscal. Argumentos apresentados por João André Escobar Cerqueira em sede de Impugnação Administrativa (fls.4121/4160): João André Escobar Cerqueira alega que o Fisco incorre em grosseiro equívoco e arbitrariedade na tentativa de fundamentar a sujeição passiva solidária imputada ao Impugnante. Sustenta que a Autoridade Fiscal indica a existência de remessas e recebimentos de numerários entre a empresa autuada e terceiras empresas que não guardam qualquer relação com o impugnante, que jamais foi sócio de qualquer delas. Ressalta que o Impugnante integra o quadro societário da empresa ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA como SÓCIO MERAMENTE QUOTISTA, sem possuir poderes de administração, não tendo qualquer controle sobre a gestão da referida empresa e que as empresas PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA também não são administradas pelo Impugnante. Entende que o que se verifica é que o Fisco tenta, sem sucesso, imputar responsabilidade ao impugnante tão somente por ser SÓCIO MERAMENTE QUOTISTA da empresa ELECTA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA, que, de acordo com a fiscalização, seria sócia das empresas PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, o que apenas ratificaria a improcedência do trabalho fiscal. Destaca que no TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL NÃO EXISTE QUALQUER INDICAÇÃO DE EVENTUAIS REMESSAS DE RECURSOS ENVIADOS ÀS EMPRESAS PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Salienta a autonomia da pessoa jurídica e independência dos seus membros para sustentar que se as pessoas jurídicas ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA tivessem se beneficiado da suposta fraude fiscal, quem deveria ter figurado no rol dos devedores solidários seria a pessoa jurídica beneficiária. Argumentos apresentados por Rafael Escobar Cerqueira em sede de Impugnação Administrativa (fls.4238/4278): Rafael Escobar Cerqueira alega que o Fisco incorre em grosseiro equívoco e arbitrariedade na tentativa de fundamentar a sujeição passiva solidária imputada ao Impugnante. Sustenta que no TVCF a única alegação fiscal direcionada ao Impugnante é de que outras empresas (supostamente partícipes do “esquema delituoso”) e não a empresa autuada, teriam realizado transferências de valores para a conta bancária de sua titularidade, pessoa física, ou seja, não se teria conseguido demonstrar qualquer recebimento de valores pelo impugnante originários da devedora principal. Fl. 7387DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.384 9 Alega que a Autoridade Fiscal indica a existência de remessas e recebimentos de numerários entre a empresa autuada e terceiras empresas que não guardam qualquer relação com o impugnante, que jamais foi sócio de qualquer delas. Pontua que o raciocínio utilizado pela Autoridade Fiscal para justificar a imputação de sujeição passiva solidária ao Impugnante é que a CLS é um dos elos fundamentais do esquema, pois recebia notas fiscais geradoras de créditos fiscais (ICMS, IPI, PIS e Cofins) e transferia recursos financeiros à ALUMIBRAS e esta, por sua vez, direcionava parte destes recursos aos reais beneficiários. Sustenta que o trabalho fiscal é arbitrário e subjetivo, pois o Impugnante não se beneficiou direta ou indiretamente de remessas realizadas pela empresa autuada. Assim, entende que as remessas não podem ser utilizadas para indicar qualquer “proveito econômico” obtido pelo Impugnante, decorrente das infrações imputadas à autuada. Defende que não há como uma pessoa física ou jurídica ser coobrigada por fato gerador de determinada empresa autuada, quando esta coobrigação se fundamente em uma presumida participação deste coobrigada em fato gerador relacionado a outra e diversa empresa, que não a autuada. Destaca que as empresas mencionadas no Quadro 4 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que supostamente remeteram valores para a conta bancária de titularidade da pessoa física do Impugnante também sofreram fiscalização que resultaram na lavratura de Autos de Infração, cujos variados períodos fiscalizados compreendem as supostas remessas de valores ao Impugnante. Conclui que a fiscalização não logrou êxito em comprovar a participação do Impugnante no suposto “esquema delituoso”. Argumentos apresentados por João Natal Cerqueira em sede de Impugnação Administrativa (fls.4238/4278): João Natal Cerqueira pontua que a Autoridade Fiscal no TVCF faz alusão ao Relatório Geral de Auditorias para afirmar que o Impugnante atuava, em 2004, de forma semelhante a atual, constituindo empresas inidôneas, sob responsabilidade de interpostas pessoas, gerando elevados créditos tributários de IPI e ICMS devido à simulação de vendas/compras de produtos entre diversas empresas inidôneas, favorecendo a movimentação, transferência e ocultação dos recursos financeiros e dos reais beneficiários, traz notícia veiculada na mídia há mais de 10 (dez) anos, mas afirma que nada de concreto foi apurado em desfavor do Impugnante. Sustenta que a responsabilidade tributária é objetiva e não comporta presunções. Alega que a matéria foi veiculada na mídia no ano de 2004 e que o período fiscalizado se refere ao anocalendário de 2012, não guardando qualquer relação com os fatos que culminaram na lavratura dos Autos de Infração hostilizados. Ademais, argumenta que o Fisco incorre em grosseiro equívoco e arbitrariedade e não consegue demonstrar qualquer recebimento de valores pelo Impugnante originários da devedora principal. Fl. 7388DF CARF MF 10 Menciona que a Autoridade Fiscal indica a existência de remessas e recebimentos de numerários entre a empresa autuada e terceiras empresas que não guardam qualquer relação com o impugnante, que jamais foi sócio de qualquer delas. Pontua que o raciocínio utilizado pela Autoridade Fiscal para justificar a imputação de sujeição passiva solidária ao Impugnante é que a CLS é um dos elos fundamentais do esquema, pois recebia notas fiscais geradoras de créditos fiscais (ICMS, IPI, PIS e Cofins) e transferia recursos financeiros à ALUMIBRÀS e esta, por sua vez, direcionava parte destes recursos aos reais beneficiários. Sustenta que o trabalho fiscal é arbitrário e subjetivo, pois o Impugnante não se beneficiou direta ou indiretamente de remessas realizadas pela empresa autuada. Assim, entende que as remessas não podem ser utilizadas para indicar qualquer “proveito econômico” obtido pelo Impugnante, decorrente das infrações imputadas à autuada. Defende que não há como uma pessoa física ou jurídica ser coobrigada por fato gerador de determinada empresa autuada, quando esta coobrigação se fundamente em uma presumida participação deste coobrigada em fato gerador relacionado a outra e diversa empresa, que não a autuada. Expõe que a Autoridade Fiscal justifica a imputação de sujeição passiva solidária ao Impugnante, sob o fundamento de que o mesmo teria se beneficiado direta e indiretamente – através da empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA – de recursos recebidos da empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA. No entanto, sustenta que tal empresa também sofreu fiscalização da qual resultou a lavratura de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, em relação aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, reunidos no processo administrativo nº 10932720.017/201512, tendo sido incluído o Impugnante no rol dos responsáveis tributários solidários. Pontua que no Termo de Verificação e Constatação Fiscal do referido processo administrativo nº 10932720.017/201512 a Autoridade Autuante indicou que, no período de 2010 a 2012, a CSL METAIS IND. E COMÉRICIO DE METAIS EIRELI, teria transferido à ALUMIBRÁS apenas o valor de R$ 61.069,13 (sessenta e um mil, sessenta e nova reais e treze centavos) e transcreve excerto do TVCF. Sustenta que a Impugnante já está sendo responsabilizada solidariamente em razão do suposto “proveito econômico” que teria auferido a partir das remessas de recursos realizados pela empresa ALUMIBRÁS. Alega que o Fisco está reiteradamente utilizando um mesmo indício de suposta irregularidade repetidas vezes, em inúmeras autuações fiscais, multiplicando, o suposto “proveito econômico” imputado ao responsável tributário solidário. Defende que agindo assim, os responsáveis tributários solidários, independentemente do valor identificado pelo Fisco como seu “proveito econômico”, bem como da origem deste, passaram a responder solidariamente pelos tributos lançados de todas as empresas investigadas, supostamente envolvidas no esquema fraudulento. Entende que a fiscalização não logrou êxito em comprovar a participação do Impugnante no suposto “esquema delituoso”. Argumenta, ainda, que a inexistência de participação societária do impugnante na empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA nos anos fiscalizados (2010 a 2012). Fl. 7389DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.385 11 Pontua que a própria fiscalização reconhece que a participação do Impugnante na referida sociedade se deu há anos antes do período fiscalizado, qual seja, o ano calendário 2012. Sustenta que nos termos da Terceira Alteração Contratual da empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA o impugnante se retira totalmente do quadro societário da referida empresa, desvinculandose de tudo que diz respeito à mesma, a partir da referida data. Com isso, entende que resta comprovado que o Impugnante não possuía qualquer vínculo, seja de fato ou de direito, com a referida pessoa jurídica em 2012. Repudia a acusação fiscal de que embora o Impugnante já tenha se retirado do quadro societário da EMPÓRIO DE METAIS LTDA, este seria atualmente composto por interpostas pessoas, justificando a coobrigação do Impugnante. Sustenta que a interposição de pessoas não foi comprovada, que não se esclareceu qualquer liame entre o Impugnante e a referida sociedade, no período fiscalizado. Aponta a autonomia e independência da pessoa jurídica de seus membros e a conseqüente incomunicabilidade entre o patrimônio do sócio e o da pessoa jurídica, para sustentar que na hipótese de a EMPÓRIO DE METAIS LTDA ter se beneficiado da suposta fraude fiscal, quem deveria ter figurado no rol dos devedores solidários seria a mesma e jamais a pessoa física de um de seus sócios e, principalmente, de exsócio. Argumentos apresentados por Paulo Henrique Escobar Cerqueira em sede de Impugnação Administrativa (fls.4592/4638): Paulo Henrique Escobar Cerqueira alega que o Fisco incorre em grosseiro equívoco e arbitrariedade e não consegue demonstrar qualquer recebimento de valores pelo Impugnante originários da autuada. Menciona que a Autoridade Fiscal indica a existência de remessas e recebimentos de numerários entre a empresa autuada e terceiras empresas que não guardam qualquer relação com o impugnante, que jamais foi sócio de qualquer delas. Pontua que o raciocínio utilizado pela Autoridade Fiscal para justificar a imputação de sujeição passiva solidária ao Impugnante é que a CLS é um dos elos fundamentais do esquema, pois recebia notas fiscais geradoras de créditos fiscais (ICMS, IPI, PIS e Cofins) e transferia recursos financeiros à ALUMIBRÁS e esta, por sua vez, direcionava parte destes recursos aos reais beneficiários. Sustenta que o trabalho fiscal é arbitrário e subjetivo, pois o Impugnante não se beneficiou direta ou indiretamente de remessas realizadas pela empresa autuada. Assim, entende que as remessas não podem ser utilizadas para indicar qualquer “proveito econômico” obtido pelo Impugnante, decorrente das infrações imputadas à autuada. Defende que não há como uma pessoa física ou jurídica ser coobrigada por fato gerador de determinada empresa autuada, quando esta coobrigação se fundamente em uma presumida participação deste coobrigada em fato gerador relacionado à outra e diversa empresa, que não a autuada. Fl. 7390DF CARF MF 12 Expõe que a Autoridade Fiscal justifica a imputação de sujeição passiva solidária ao Impugnante, sob o fundamento de que o mesmo teria se beneficiado direta e indiretamente – através das empresas LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA e HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA – de recursos recebidos da empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA. No entanto, sustenta que tal empresa também sofreu fiscalização da qual resultou a lavratura de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, em relação aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, reunidos no processo administrativo nº 10932720.017/201512, tendo sido incluído o Impugnante no rol dos responsáveis tributários solidários. Pontua que no Termo de Verificação e Constatação Fiscal do referido processo administrativo nº 10932720.017/201512 a Autoridade Autuante indicou que, no período de 2010 a 2012, a CSL METAIS IND. E COMÉRICIO DE METAIS EIRELI, teria transferido à ALUMIBRÁS apenas o valor de R$ 61.069,13 (sessenta e um mil, sessenta e nova reais e treze centavos) e transcreve excerto do TVCF. Sustenta que a Impugnante já está sendo responsabilizada solidariamente em razão do suposto “proveito econômico” que teria auferido a partir das remessas de recursos realizados pela empresa ALUMIBRÁS. Alega que o Fisco está reiteradamente utilizando um mesmo indício de suposta irregularidade repetidas vezes, em inúmeras autuações fiscais, multiplicando, o suposto “proveito econômico” imputado ao responsável tributário solidário. Defende que agindo assim, os responsáveis tributários solidários, independentemente do valor identificado pelo Fisco como seu “proveito econômico”, bem como da origem deste, passaram a responder solidariamente pelos tributos lançados de todas as empresas investigadas, supostamente envolvidas no esquema fraudulento. Entende que a fiscalização não logrou êxito em comprovar a participação do Impugnante no suposto “esquema delituoso”. Argumenta, ainda, que a inexistência de participação societária do impugnante na empresa HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA no ano fiscalizado (2012), da qual jamais foi administrador. Pontua que a própria fiscalização reconhece que a participação do Impugnante na referida sociedade se deu há anos antes do período fiscalizado, qual seja, o anocalendário 2012. Destaca que o Impugnante foi sócio meramente quotista da empresa HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, por um curto período de tempo, tendo sido admitido em seu quadro societário por meio da Quinta Alteração Contratual e dela se retirando totalmente, de forma definitiva, na Sétima Alteração Contratual. Com isso, entende que resta comprovado que o Impugnante não possuía qualquer vínculo, seja de fato ou de direito, com a referida pessoa jurídica em 2012.Repudia a acusação fiscal de que embora o Impugnante já tenha se retirado do quadro societário da HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, este seria atualmente composto por interpostas pessoas, justificando a coobrigação do Impugnante. Sustenta que a interposição de pessoas não foi comprovada, que não se esclareceu qualquer liame entre o Impugnante e a referida sociedade, no período fiscalizado. Aponta a autonomia e independência da pessoa jurídica de seus membros e a conseqüente incomunicabilidade entre o patrimônio do sócio e o da pessoa jurídica, para sustentar que na hipótese de a LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA ter se beneficiado da suposta fraude fiscal, quem deveria ter figurado no rol dos devedores solidários seria a mesma e jamais a pessoa física de um de seus sócios e, principalmente, de exsócio. Acrescenta que em momento algum o Fisco questiona a existência de fato e de direito da LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA, não se verificando qualquer das Fl. 7391DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.386 13 hipóteses legais de despersonalização da pessoa jurídica, o que poderia autorizar a inclusão de seu sócio em seu lugar, para responder por eventual crédito tributário. Ainda, alega que não existe a comprovação de que os recursos financeiros que supostamente ingressaram na empresa LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA foram destinados, em seqüência, ao Impugnante. Defende que o mesmo também pode se dizer em relação às supostas remessas de valores à HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Conclui afirmando que a fiscalização não logrou demonstrar a aferição de efetivo benefício por parte do Impugnante nas remessas de valores supostamente recebidas pela terceira empresa ALUMIBRÁS – estranha aos Autos de Infração ora impugnados – seja pela pessoa jurídica HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, seja pela LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA. Da aplicação do princípio IN DÚBIO PRO CONTRIBUINTE João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira sustentam que o auto de infração é um ato jurídico administrativo que tem como pressuposto ou motivo a ocorrência de um ilícito e não se compreende a aplicação de penalidade quando não há certeza e segurança da autoria e/ou materialidade do ilícito tributário, nos termos do art. 112 do CTN, devendo tal entendimento se aplicar também à imputação de responsabilidade solidária à terceiros. Defendem que, no caso, a imputação de responsabilidade tributária solidária aos Impugnantes foi baseada em meras presunções e indícios, nada havendo de concreto a fundamentar a sua inclusão no rol de coobrigados, patente é a sua ilegitimidade passiva. Argumenta que o Fisco não logrou comprovar a efetiva participação dos impugnantes no suposto “esquema delituoso” e que por isso devese aplicar o princípio in dúbio pro contribuinte para determinar sua exclusão do pólo passivo. Dos equívocos do procedimento fiscal. Improcedência dos lançamentos eivados de nulidades Obrigatoriedade de se adotar o arbitramento do lucro. João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira alegam que o Fisco deveria ter aplicado o art. 530 do RIR/1999 arbitrandose o lucro, pois a Autoridade Fiscal entendeu, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que os “registros contábeis não correspondiam aos fatos”, incorrendo a empresa autuada em “fraude contábil”. Sustentam que o lucro não pode configurar a totalidade da receita ou da movimentação financeira do contribuinte, mas sim apenas da renda efetiva do contribuinte e que a Autoridade Fiscal gravou como se lucro fosse à totalidade dos valores depositados nas contas bancárias da empresa autuada. Entendem que “restando por hipótese configurada a omissão de receita, é certo que tem a Autoridade Fiscal o poderdever de apurar o valor da receita omitida a partir dos depósitos bancários, desde que legalmente fornecidos, contudo, estes não podem ser Fl. 7392DF CARF MF 14 confundidos com própria base de cálculo do tributo devido, sob pena de se desrespeitar a justiça fiscal.” Cita jurisprudência e doutrina a respeito do tema e conclui pela nulidade dos lançamentos de IRPJ e de CSLL, extensiva aos tributos reflexos. Impropriedade da base de cálculo adotada em relação ao PIS e à Cofins: João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira alegam que houve erro de direito ao considerar como base de cálculo para o PIS e a Cofins a integralidade dos depósitos bancários realizados nas contas bancárias da contribuinte autuada, em violação aos comandos dos arts. 2º e 3º da Lei Federal nº 9.718/1998, que estabelecem como base de cálculo das referidas contribuições o faturamento, assim compreendido a Receita Bruta auferida no mês. Argumentam que o Fisco ignorou o fato de ser corriqueira a existência de valores creditados nas contas bancárias de determinado contribuinte que não se referem à efetiva receita bruta tributável, tais como empréstimos e mútuos e violou o princípio da verdade material. Citam jurisprudência. Erro procedimental na apuração da base tributável. Movimento circular do dinheiro. Depósitos e transferências bancárias que não caracterizam efetivo ingresso de receita não configuram omissão de receitas. Bitributação. João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira alegam que “mesmo tendo assumido a existência do inequívoco movimento circular do dinheiro entre as contas bancárias das empresas investigadas, ao constituir o crédito tributário de cada uma das empresas que foram autuadas, como se verifica nos Autos de Infração ora guerreados, lavrados em desfavor da CLS METAIS IND. E COMÉRCIO DE METAIS EIRELI, a Autoridade Fiscal ADOTA COMO BASE DE CÁLCULO A SOMATÓRIA DE TODOS OS DEPÓSITOS E TRANSFERÊNCIAS MENSAIS REALIZADAS NAS CONTAS CORRENTES DA RESPECTIVA EMPRESA AUTUADA, SEM CONSIDERAR AS CIRCULARIZAÇÕES HAVIDAS, como resta categoricamente demonstrado no anexo LAUDO PERICIAL CONTÁBIL.” Sustentam que de acordo com o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o legislador ordinário teve a preocupação de mandar excluir da receita omitida os valores movimentados em decorrência de transferência entre contas bancárias de mesma titularidade e que no caso os retornos circulares dos recursos às contas de mesma titularidade foram considerados como receita omitidas, em cabal ofensa ao que determina a legislação aplicável, eivando de vício insanável todo o lançamento fiscal. Citam jurisprudência do CARF no sentido de que as transferências bancárias que não caracterizam efetivo ingresso de receita não configuram omissão de receitas. Inexistência de recursos da devedora principal direcionados aos impugnantes para embasar a sujeição passiva solidária. Arbitrariedade e desproporcionalidade na imputação das responsabilidades tributárias solidárias. Princípio da insignificância. Fl. 7393DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.387 15 João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira alegam que inexiste qualquer remessa de valores da CLS METAIS IND. E COMÉRCIO de METAIS EIRELI em benefício do Impugnante, o que afasta a alegação fiscal de que o mesmo teria se beneficiado com a ausência de recolhimento dos tributos em questão. Argumenta que o Laudo Pericial Contábil conclui que a evolução patrimonial/financeira do Impugnante está condizente com o patrimônio e a renda declarados, não existindo qualquer ato a configurar enriquecimento ilícito. Sustenta que os lançamentos contestados afrontam o princípio da insignificância, “haja vista a desproporção entre, de um lado, o montante supostamente envolvido no "esquema delituoso" e movimentado nas contas bancárias da empresa autuada, e, de outro, o somatório dos valores supostamente depositados na conta bancária de titularidade do Impugnante por terceiras empresas que também estariam envolvidas na alegada fraude fiscal, o que revela a INEXPRESSIVIDADE DA EVENTUAL LESÃO, a MÍNIMA OFENSIVIDADE DA SUPOSTA INFRAÇÃO e o REDUZIDO GRAU DE REPROVABILIDADE DO COMPORTAMENTO, caso assim se considere, o que também tem o condão de afastar a legitimidade da exigência fiscal, que poderá afetar não apenas o patrimônio do Impugnante, mas também a sua liberdade.”: A seletividade da conduta reprovável decorre da falta de RAZOABILIDADE e PROPORCIONALIDADE em se movimentar o aparato administrativo e judicial para penalizar uma conduta que não configura uma mácula relevante ao patrimônio público. Dai a necessidade de o princípio da insignificância ser analisado em conexão com os postulados da FRAGMENTARIEDADE e da INTERVENÇÃO MÍNIMA DO ESTADO. No Direito Tributário e Administrativo, a aplicabilidade do PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA passa pelo exame do reduzido valor da coisa, da capacidade econômica do infrator, e da inexpressividade da lesão ao erário, e encontrase positivado no artigo 2°, caput e inciso VI, da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo federal. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre a aplicação do princípio da insignificância no direito tributário. Ilegitimidade de multa qualificada em relação ao impugnante. Aplicação do princípio da personalização da pena. Confisco. Efeito vinculante das decisões do Supremo Tribunal Federal. Henrique Escobar Cerqueira alegam que o “Impugnante nunca participou do quadro societário, e muito menos da administração da contribuinte autuada CLS METAIS IND. E COMÉRCIO DE METAIS EIRELI, não tendo o mesmo, portanto, qualquer comando no cumprimento das suas obrigações tributárias principais e acessórias.” Entende que o Impugnante, mesmo na condição de responsável tributário solidário, não poderia jamais ser responsabilizado pelo pagamento de multa qualificada aplicada em desfavor da autuada, pois considera que a qualificação da multa decorre de situação personalíssima vinculada à pessoa jurídica autuada, que não se comunica com os responsáveis tributários solidário, que não respondem por esta parcela do crédito tributário em virtude do princípio da personalização da pena, segundo o qual somente aquele que deu ensejo Fl. 7394DF CARF MF 16 ao ilícito pode se sujeitar às sua sanções. Suscita, ainda, a aplicação do Princípio da Individualização da pena, previsto no art. 5º, inciso XLV, da Constituição Federal, segundo o qual nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Cita jurisprudência. Argumenta que a multa qualificada no percentual de 150% padece de constitucionalidade, ao se apresentar superior ao próprio tributo exigido, tendo efeito confiscatório. Cita jurisprudência judicial, inclusive o julgamento, pelo STF, da ADI 551RJ e ADI 10751/DF, que reconheceram a inconstitucionalidade dos §§ 2º e 3º do art. 57 do ADCT da Constituição do Estado do Rio de Janeiro e do art. 3º e parágrafo único da Lei nº 8.846/1994. Sustenta que “consoante disposto no art. 102, parágrafo 2º, da Constituição Federal, as decisões proferidas pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nas Ações Diretas de Inconsitutcionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante em relação à administração pública:” Nesse contexto, entende que conforme decidido pelo STF, com efeito vinculante e eficácia erga omnes, a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% afronta ao princípio de vedação ao confisco, devendo ser reduzida para 100%. Requer seja determinada a exclusão da multa qualificada nos montantes exigidos em razão da aplicação do princípio da individualização da pena ou, no mínimo, determinada a redução para 100% do valor do principal, sob pena de afrontar o princípio da vedação ao confisco. Da prova pericial João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira consideram que o pleno conhecimento da matéria depende da realização de um perícia técnica, cujos quesitos foram formulados e indicado o seu assistente técnico. Argumentos apresentados por Paulo César Verly da Cruz em sede de Impugnação Administrativa (fls.4746/4789): Da ilegitimidade passiva do impugnante Ausência de Demonstração do Elo de Ligação entre a Empresa Autuada e o Responsável Solidário: Paulo Cesar Verly da Cruz afirma que “somandose todos os fatos e documentos que a Fiscalização afirma ter colhido para chegar à responsabilização solidária do Impugnante, chegase à conclusão de que nenhum vínculo, ainda que indireto, foi demonstrado entre ele e a empresa havida como devedora principal (CLS METAIS).” Argumenta que “não foi analisado um documento sequer que diga respeito ao Impugnante em si (declarações de Imposto de Renda, extratos bancários da sua pessoa física etc); a mesma coisa se pode dizer de empresas das quais tenha sido sócio no período fiscalizado, eis que não havia nenhuma entre as 22 pessoas jurídicas apontadas como operadoras do suposto esquema fraudulento. É o próprio Termo de Verificação Fiscal quem atesta, direta ou indiretamente, que o Impugnante não figurava nos quadros societários dessas pessoas jurídicas. Se somente foram analisados, contratos sociais, notas e dados bancários daquelas 22 pessoas jurídicas, já fica prejudicada a assertiva de participação do Impugnante em operações classificadas como fictícias.” Pondera que também não foi evidenciada a natureza ilícita da conduta do impugnante. Fl. 7395DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.388 17 Sustenta que as transferências de recursos entre as pessoas jurídicas participantes do suposto esquema fraudulento rastreadas pela Fiscalização apontam as empresas LUCKMETAIS, PERFIBRAS, INGAÍ e ALUMIBRAS, que nunca tiveram o impugnante como sócio ou gestor. Alega que a Fiscalização apontou o impugnante como real beneficiário das transações fictícias por conta de um suposto vínculo de fato com uma empresa que sequer figurara entre as 22 investigadas no esquema: a EMPÓRIO DOS METAIS LTDA. Defende que em 26/03/2002 foi assinada uma alteração contratual, formalizada perante a Junta Comercial do Estado do Amazonas em 15/04/2002, por meio da qual o impugnante se retirou da sociedade, cedendo suas quotas ao seu substituto, razão pela qual não se comprovou o seu vinculo com a autuada e tampouco com a EMPÓRIO DOS METAIS LTDA. Menciona que a Fiscalização apenas identificou precisamente 06 (seis) transações bancárias que tiveram como partes o Impugnante e as empresas PERFIBRAS e ALUMIBRAS, sociedades investigadas no esquema, em um montante de R$ 81.650,24. Considera que “num universo ínfimo como esse, o mínimo que se espera é que a natureza dessas seis operações fosse investigada, pois não se pode presumir que se trata de fraude. A presunção é o oposto. Só que nenhum esforço foi empreendido nesse sentido. O Fisco sequer se deu ao trabalho de checar se o Impugnante declarou esses valores. Se tivesse feito isso, constataria que foram devidamente declarados. E é óbvio dizer que uma quantia dessa monta está absolutamente compatível com a evolução e capacidade financeiras do Impugnante. Não há inconsistência alguma. Não há, portanto, ilícito algum.” Defende que como a Fiscalização indicou os “Reais Beneficiários das Riquezas”, os valores creditados nas contas das empresas investigadas pertenciam a terceiros e, neste caso, deveria ter demonstrado que essas receitas foram destinadas à conta dos terceiros, conforme art. 42, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, o que não ocorreu. Cita jurisprudência. Assim, alega a “ilegitimidade passiva do Impugnante, tendo em vista que não há indícios de sua participação na materialização dos fatos que compuseram o suposto esquema fraudulento de que decorreu a autuação aqui versada, ou mesmo que tenha auferido benefício econômico com esses fatos.” Inaplicabilidade do art. 124, inciso I, do CTN, face à ausência de interesse nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias: Paulo Cesar Verly da Cruz alega que há uma insanável divergência entre a fundamentação legal do Auto de Infração (art. 135, inciso III, do CTN) e a norma que espelhou sua motivação (art. 124, inciso I, do CTN) e que a imputação da sujeição passiva solidária com supedâneo neste artigo é equivocada e arbitrária. Argumenta que “Compulsando o Termo de Verificação Fiscal, não se vê a demonstração de nenhuma situação que implique ligação direta entre o Impugnante e as transações envolvendo a pessoa jurídica devedora. De outro lado, não há nem sombra de comprovação do alegado benefício econômico auferido pelo Impugnante para justificar sua responsabilização solidária.” Fl. 7396DF CARF MF 18 Defende que o impugnante foi inserido no pólo passivo da autuação na condição de devedor solidário sob a alegação de que teria participação indireta na empresa EMPÓRIO DOS METAIS LTDA, porém a Fiscalização não comprovara cabalmente a conexão entre esta e o impugnante. Não foi exposta a ilicitude de quaisquer relações comerciais envolvendo pessoa jurídica e os protagonistas do suposto esquema fraudulento, de maneira que devese pressupor a regularidade da conduta do impugnante. Considerando a hipótese de que o Impugnante houvesse, indiretamente, sido afetado pelo benefício econômico alcançado dentro do esquema noticiado no TVF, haveria que se discutir a natureza do seu interesse na situação que culminou nas autuações fiscais. Sustenta que a solidariedade tributária somente pode existir entre sujeitos que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo e que “mesmo que um terceiro tenha interesse financeiro na realização do fato gerador, se não o praticou nem contribuiu para sua materialização, não se configura a hipótese de aplicação do art. 124, inc. I, do CTN. E no caso dos autos, sequer o interesse financeiro restou comprovado.” Cita doutrina e jurisprudência e conclui pela ilegitimidade do responsável. Aplicação necessária do art. 112 do CTN ao caso em análise: Ausência de certeza quanto à natureza ou mesmo existência de participação do impugnante nos fatos apurados pelo fisco: Paulo Cesar Verly da Cruz fomenta que não pode haver dúvida quanto ao fato subsumido à norma de incidência e que por isso o art. 112 do CTN prevê que penalidades não podem ser impostas ao sujeito passivo – principal ou solidário – quando houver incerteza a respeito da autoria e materialidade do ilícito tributário. Argumenta que se houver dúvida é nulo o lançamento baseado em infração à legislação tributária e cita jurisprudência do CARF e que se deve aplicar o art. 112 do CTN para a exclusão do impugnante do pólo passivo da autuação. Do alegado reflexo do esquema fraudulento apontado pela fiscalização sobre o pagamento de obrigações pessoais do impugnante – ausência de comprovação do enriquecimento ilícito da pessoa física: Paulo Cesar Verly da Cruz afirma que conforme relato da Autoridade Fiscal toda a operação tinha como finalidade a criação de créditos fiscais e que entre as empresas envolvidas na suposta fraude, a TRANSFORME é apresentada pela Fiscalização como a centralizadora das operações, ou seja, era a principal beneficiária dos créditos fiscais indevidamente produzidos, já que todas as compras realizadas por ela foram consideradas inidôneas. Alega que “das notas fiscais apontadas como inidôneas e emitidas para a geração de créditos fictícios – e que, portanto, fundamentaram a apuração fiscal – nenhuma delas apresenta qualquer vinculação direta com a pessoa física do Impugnante.” Argumenta que a Autoridade Fiscal cita a empresa EMPÓRIO DOS METAIS LTDA sugerindo que o Impugnante fosse um de seus sócios de fato imputandolhe responsabilidade pelos recursos transacionados pela pessoa jurídica, mas que o impugnante deixou o quadro societário da empresa em 2004 e que apenas se verificou o recebimento de pouco mais de oitenta mil reais oriundo de outra empresa e que possui lastro legítimo, inclusive Fl. 7397DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.389 19 com o oferecimento à tributação pelo imposto de Renda, coisa que a Fiscalização nunca se deu ao trabalho de checar. Assim, contesta que tenha havido benefício econômico. Inexigibilidade da multa de ofício agravada e qualificada em relação ao impugnante: Circunstâncias ligadas à empresa autuada que não se comunicam com o responsável solidário: Paulo Cesar Verly da Cruz argumenta que a impugnante nunca participou do quadro societário da autuada e muito menos da administração da devedora principal. Jamais teve qualquer ingerência no atendimento das intimações fiscais recebidas pela pessoa jurídica, ou no cumprimento das obrigações tributárias acessórias da empresa, dentre as quais se encontram o dever de escriturar e comprovar a origem das receitas auferidas no exercício da atividade econômica, de modo que não pode responder pela pena aplicada, sob risco de ofensa ao Princípio da Individualização da Pena, previsto no art. 5º, inc. XLV, da CF/88, segundo o qual nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Alega que o fato que ensejou o agravamento da penalidade é situação personalíssima vinculada unicamente à pessoa jurídica autuada, que não se comunica com o responsável tributário. Cita jurisprudência do CARF. Sustenta que a teor do art. 121 do CTN o responsável não responde pelas obrigações acessórias, mas tão somente em relação às obrigações principais. Conclui que deve ser excluída da responsabilidade atribuída ao impugnante os valores correspondentes ao agravamento e à qualificação das multas impostas. Do mérito: Nulidade da exigência fiscal: Divergência entre a capitulação legal e a motivação fática do lançamento: Paulo Cesar Verly da Cruz afirma que no demonstrativo dos responsáveis tributários a autuação aponta como fundamento legal da solidariedade imputada ao impugnante o art. 135, inciso III, do CTN, porém aponta, na motivação fática do lançamento, situações que se enquadram não nesse dispositivo mas no art. 124, I, do CTN. Alega que assim procedendo a autoridade autuante tornou nula a imputação de sujeição passiva solidária porque a indicação precisa da infração e o fundamento legal exato em que se baseia são elementos essenciais do lançamento e precisam ser coerentes. Cita jurisprudência. Comenta sobre a Solução de Consulta Interna Cosit nº 08/2013, que dispõe sobre a anulação de lançamentos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil quando se vislumbra a ocorrência de erro de direito e menciona que, segundo ela, no erro de direito existe incorreção no cotejo entre a norma tributária e o fato jurígeno quanto a um dos elementos da matriz de incidência, cuidandose de vício material, insanável. Fl. 7398DF CARF MF 20 Assim, entende que em razão do erro na interpretação da regramatriz de incidência no que toca à sujeição passiva solidária atribuída ao Impugnante é de se dar provimento à impugnação para declarar nulo o lançamento e, por conseqüência, excluir o Impugnante do rol de devedores solidários, para todos os fins de fato e de direito. Do regime de tributação adotado pela fiscalização: necessária utilização do método de arbitramento, não do lucro real: Paulo Cesar Verly da Cruz alega que autoridade autuante, na apuração do tributo, informou que o valor do Lucro Real Declarado após Compensação de Prejuízo (na DIPJ) foi zero e, sendo assim, a autuada não teria promovido o registro contábil de suas contas bancárias, o que ensejaria, ato contínuo, o arbitramento do lucro pelo Agente Público. Argumenta que ao invés de arbitrar o lucro, a Autoridade Autuante mateve a opção pelo Lucro Real e realizou o lançamento fiscal considerando todos os créditos em conta corrente como Receita Tributável, o que torna questionável a real base tributável do contribuinte e frágil o próprio lançamento fiscal. Cita jurisprudência administrativa. Entende que se a contabilidade do sujeito passivo não reflete a realidade dos fatos, bem como as operações de crédito bancário são resultantes de operações simuladas, o correto seria a apuração do Lucro com base no regime de arbitramento, pois o caso se enquadraria nas hipóteses relacionadas no art. 530 do RIR/1999. Sustenta que não há nenhuma justificativa para o Fisco, por um lado considerar a contabilidade imprestável e, por outro, manter o regime de tributação pelo Lucro Real e apresenta diferenças que seriam apuradas caso fosse aplicado o arbitramento. Determinação da Base de Cálculo dos Tributos Lançados e Ofensa ao Direito de Defesa: Paulo Cesar Verly da Cruz comenta que a Autoridade Fiscal, ao constituir o crédito tributário indica como base de cálculo para o arbitramento do lucro o somatório dos depósitos mensais nas constas correntes mantidas pelo contribuinte, ou seja, todos os lançamentos a crédito nas contas correntes da autuada. Argumenta: Em outros termos, o que fez a Fiscalização foi simplesmente apontar a suposta omissão de receita para cada período sem detalhar quais foram os valores efetivamente incluídos na base de cálculo. Dessa forma, se torna impossível a análise da base de cálculo considerada para cada tributo que compõe o crédito tributário lançado. Como a Autoridade Fiscal não apresentou relatório analítico de composição das mencionadas bases de cálculo, restaria ao Impugnante recompor esses números através dos extratos bancários utilizados pelo próprio Fisco. O problema é que o Impugnante nunca teve acesso a esse documento. O laudo que segue anexo deixa claras essas constatações e outras mais que reforçam a insuficiência dos elementos informados pela Autoridade Lançadora no sentido de permitir a conferência do procedimento de arbitramento que realizou. É evidente que isso eiva de vício incorrigível o Auto de Infração, pois impede que o Impugnante, partindo da premissa de que será mantido como responsável solidário, possa ao menos questionar a forma de apuração da dívida que lhe está sendo exigida. Com efeito, nos termos do art. 142 do CTN, base de cálculo é elemento intrínseco ao lançamento e qualquer falha na sua apuração, seja no que toca aos valores, seja no que tange ao método, conduzem à nulidade do ato administrativo. Fl. 7399DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.390 21 Cita jurisprudência e pede a nulidade do auto de infração. Inobservância dos critérios legais na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins em face do princípio da verdade material: Paulo Cesar Verly da Cruz comenta que a base tributável adotada, também para fins de apuração do PIS e da Cofins, correspondeu à totalidade dos valores creditados em contas de depósito ou investimento. Alega que houve erro de direito ao considerar como base de cálculo para o PIS e a Cofins a integralidade dos depósitos bancários realizados nas contas bancárias da contribuinte autuada, em violação aos comandos dos arts. 2º e 3º da Lei Federal nº 9.718/1998, que estabelecem como base de cálculo das referidas contribuições o faturamento, assim compreendido a Receita Bruta auferida no mês. Argumenta que o Fisco ignorou o fato de ser corriqueira a existência de valores creditados nas contas bancárias de determinado contribuinte que não se referem à efetiva receita bruta tributável, tais como empréstimos e mútuos e violou o princípio da verdade material. Sustenta que a Autoridade Fazendária transmudou a natureza dos valores que adentraram nas contas bancárias do contribuinte para ampliar sua competência tributária na contramão do que dispõe o art. 110, do CTN. Considera que houve uma presunção não autorizada e ofensa ao princípio da Verdade Material. Procedimento de Apuração da Base Tributável – Movimento Circular dos Valores Tomados como Receita – Mero Trânsito entre Contas de Mesma Titularidade – Multributação: Paulo Cesar Verly da Cruz comenta que de acordo com o TVF teria ficado caracterizada fraude consistente na simulação de pagamentos de notas fiscais inidôneas de fornecedores “inexistentes de fato”. Essas operações teriam o intuito de gerar créditos de ICMS e IPI, suprimir o pagamento do IRPJ e reflexos, além de encobrir a compra de ativos para terceiros. Teria havido, ainda, a constituição de empresas “de fachada” para esse desiderato e conclui que em termos práticos a Fiscalização teria considerado que houve apenas a transferência monetária de uma conta bancária para outra. Assim, entende que não se pode falar em faturamento ou receita decorrente de operação comercial. Sustenta que apesar de assumir a ocorrência do movimento circular de valores, a Autoridade Fazendária, ao constituir o crédito tributário de cada uma das empresas autuadas, adotou como base de cálculo o somatória de todos os depósitos e transferências mensais realizadas nas contas correntes das pessoas jurídica, isto é, 100% (cem por cento) dos recursos que entraram em cada conta, desconsiderando as duplicidades de ingresso do mesmo dinheiro em diferentes contas. Faz referência ao laudo anexado que traz exemplos da alegação e infirma a alegação de que teria havido fraude envolvendo recursos no montante absurdo de R$ 3.629.320.077,03 em valores nominais, pois desse total uma grande parcela estaria sendo considerada mais de uma vez por conta da circularização de dinheiro. Sustenta que de acordo com o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o legislador ordinário teve a preocupação de mandar excluir da receita omitida os valores movimentados em decorrência de transferência entre contas bancárias de mesma titularidade. Fl. 7400DF CARF MF 22 Alega que o relatório geral de auditorias reconhece expressamente a existência de transferências bancárias e depósitos para contas da mesma titularidade, a partir do retorno do recurso à mesma empresa. Confirma que, de fato, há repetições e cita o laudo para indicar que o mesmo trata dos números com mais precisão. Cita jurisprudência do CARF. Desproporcionalidade dos recursos tomados por base no lançamento tributário: Paulo Cesar Verly da Cruz comenta que no Relatório Geral de Auditorias e no TVF a Autoridade Fiscal aponta os coobrigados como supostos “reais detentores das riquezas” de toda a operação que seria da ordem de R$ 3,6 bilhões e que o valor total das operações no presente processo é na ordem de R$ 47.278.076,17, referente ao período de jun/2012 a dez/2012. Pontua que a Fiscalização, para imputar a responsabilidade solidária ao Impugnante, informa que foi realizado o rastreamento dos recursos movimentados pelas empresas investigadas e identificados os reais beneficiários, entre os quais estaria o próprio Impugnante e aponta que nas tabelas juntadas ao Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização apresenta diversos lançamentos com: (i) competências distintas do período autuado; (ii) operações estranhas à empresa CLS METAIS (devedora principal no Auto de Infração aqui debatido); e (iii) destinatários distintos do Impugnante. Sustenta que a Autoridade Fiscal não relaciona nenhum recurso transacionado diretamente entre a empresa e o Impugnante; nem mesmo a movimentação de recursos envolvendo a própria CLS METAIS. E segue alegando: As movimentações registradas no Termo de Verificação Fiscal ocorreram entre as pessoas jurídicas ALUMIBRAS e EMPÓRIO DOS METAIS, ou entre ALUMIBRAS e o Sr. JOÃO NATAL CERQUEIRA. Ocorreram ainda remessas de recursos da LEMNOS IND. DE METAIS LTDA. para a sociedade HELUR INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Entre todas essas figuras, a única que, em algum momento, manteve ligação direta com o Impugnante foi a empresa EMPÓRIO DOS METAIS. Entretanto, ele deixou o quadro societário da pessoa jurídica muito antes do período de fiscalização.(...) Argumenta que não foi demonstrado pela Autoridade Fiscal nenhum lançamento direto de recebimento ou de repasse oriundo da CLS METAIS e entende que ao se falar em valores de R$ 47.278.076,17, sem justificálos, o Fisco evidencia a enorme desproporcionalidade entre as operações que foram elencadas no total de R$ 81.650,24 e os recursos que serviram de base para o lançamento dos tributos cobrados. Defende que, para se atribuir a responsabilidade pela tributação desses recursos aos sócios, caberia à Fiscalização provar cabalmente a existência de elementos hábeis a permitir a despersonalização das pessoas jurídicas envolvidas, questionar sua existência, ou, no mínimo, comprovar o repasse dos recursos às pessoas físicas. Sustenta que a boa técnica contábil indica que o correto seria imputar responsabilidade aos reais beneficiários dessas operações, que, até que se prove o contrário, seriam as empresas. Sobre eventual perícia técnicocontábil Paulo Cesar Verly da Cruz registra que é possível que a i. Delegacia de Julgamento entenda que o pleno conhecimento da matéria ora tratada dependa da realização de perícia contábil, razão pela qual o Impugnante se antecipou e produziu o laudo técnico, em Fl. 7401DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.391 23 anexo, por meio do qual perito devidamente credenciado analisou a questão e emitiu considerações rigorosas a respeito dos pontos levantados na defesa. Informa que caso se entenda que os autos devam ser baixados em diligência para a revisão dos eventos apontados pelo Fisco como operações fraudulentas, o Impugnante indica seu assistente técnico. Pontua que não serão deduzidos quesitos para a eventual perícia técnica, pois o impugnante não é o devedor e não tem acesso ao seu acervo contábil. Consigna que não teve acesso à maioria dos documentos que a Fiscalização diz ter utilizado para subsidiar o lançamento e que, em caso de realização de diligência técnica, haverá oportunidade de analisar a contabilidade da autuada e conhecer o acervo documental descrito nos inúmeros anexos ao Auto de Infração e que, na verdade, não o instruíram. Requer a juntada do laudo pericial preliminar, para corroborar as alegações. Dos pedidos: Do pedido elaborado por João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar. 1. Requer a total procedência da impugnação para: 1.1. Em preliminar, declarar: 1.1.1. A nulidade dos lançamentos baseados na movimentação financeira bancária da devedora principal, obtida através da quebra do seu sigilo bancário pela Autoridade Fiscal, sem prévia autorização judicial; 1.1.2. A nulidade dos lançamentos em razão da falta de intimação do Impugnante para prestar esclarecimentos sobre os depósitos de origem não comprovada; 1.1.3. A nulidade dos lançamentos decorrente da falta de individualização e delimitação da base tributável imputada a cada sujeito passivo solidário, maculando o procedimento fiscal com vício insanável; 1.2. No mérito: 1.2.1. Declarar a ilegitimidade do Impugnante e determinar a sua exclusão do rol dos responsáveis tributários solidários dos Autos de Infração reunidos no presente processo administrativo, considerando que os fundamentos apresentados pelo Fisco para justificar a sua responsabilidade solidária não se amoldam à hipótese do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois não configuram, em hipótese alguma, prova do interesse comum na realização do fato gerador da obrigação principal, tendo a fiscalização se baseado em frágeis presunções; 1.2.2. Declarar a ilegitimidade do Impugnante e determinar a sua exclusão do polo passivo dos Autos de Infração, por força do disposto no art. 112, Código Tributário Nacional, aplicandose o benefício da dúvida em relação ao Impugnante; 1.2.3. Reconhecer a nulidade dos lançamentos fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sem possibilidade de revisão, julgandoos improcedentes, face ao erro de direito em Fl. 7402DF CARF MF 24 que incorreu a fiscalização na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, ao não proceder ao arbitramento do lucro, na forma determinada pelo art. 530, RIR/1999, extensiva à tributação reflexa; 1.2.4. Reconhecer a nulidade dos lançamentos fiscais de PIS e COFINS, sem possibilidade de revisão, julgandoos improcedentes, face ao erro de direito em que incorreu a fiscalização na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS; 1.2.5. Julgar improcedentes os lançamentos fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, eivados de nulidade, com a extinção ex tunc dos créditos tributários, face ao comprovado erro na determinação da receita omitida por presunção legal, ao não considerar as circularizações do dinheiro entre as contas bancárias que não caracterizam efetivo ingresso de receita, distorcendo gravemente a base de cálculo dos tributos exigidos nos Autos de Infração reunidos no presente processo administrativo; 1.2.6. Aplicar o PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA, corolário dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, no que tange à imputação de sujeição passiva solidária ao Impugnante; 1.2.7. SUCESSIVAMENTE, requer seja reconhecida a inexigibilidade da multa qualificada em relação ao Impugnante, ou, no mínimo, para que seja determinada a redução da multa aplicada, observandose como limite máximo o valor do tributo exigido nos respectivos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 2. A realização de prova pericial, conforme art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972. Do pedido elaborado por Paulo César Verly da Cruz: 1. Requer o provimento da Impugnação para que: 1.1 Declarar a improcedência da cobrança objeto do Auto de Infração, face à ausência de correspondência entre a capitulação legal expressamente indicada no Demonstrativo de Responsáveis Tributários e a motivação fática da autuação; 1.2 Reconhecer a ilegitimidade passiva do Impugnante também porque inaplicável ao caso a disposição contida no art. 124, inc. I, do CTN; 1.3 Reconhecer a improcedência da exigência quanto ao Impugnante com base no disposto no art. 112 do CTN, que estabelece que, na dúvida, favorecerseá o contribuinte; 1.4 Reconhecer a inexigibilidade do agravamento e qualificação das multas de ofício lançadas no que tange ao Impugnante, tendo em vista o Princípio da Individualização da Pena; 1.5 Ad argumentandum, reconhecer a improcedência do lançamento também em função dos vícios identificados na determinação das bases de cálculo dos tributos exigidos, que constituem erros insanáveis e conduzem à nulidade de pleno direito da autuação. Protestou pela produção de todos os meios de prova em Direito admitidos, em especial a juntada do laudo anexo, bem como a juntada posterior, no prazo de 30 dias, de Fl. 7403DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.392 25 laudo complementar, acompanhado de outros documentos que o Impugnante, por não ser partícipe do esquema fraudulento apontado pelo Fisco, não teve como obter no prazo regular de oposição da presente Impugnação. Da distribuição do processo para apreciação e da realização de diligência O processo foi distribuído à DRJ Belo Horizonte para apreciação, conforme fl. 4842. Por meio da Resolução nº 2.002.044, de 09 de maio de 2016, da 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte, (fls. 4844 a 4849) determinouse a realização de diligência para que a autoridade autuante: 1 – Elaborasse memória de cálculo da base tributável apurada em cada mês, tanto para a conta corrente nº 113574, agência 6384, do Itaú, quanto para a conta corrente nº 55.8303, agência 05592, do Bradesco, indicando a data, natureza e valor de cada operação que a compõe. No que se refere à natureza das operações, além das siglas, explicar a operação, principalmente em relação às siglas MOV TIT COB DISP e MOV TIT COBRANÇA; 2 – Manifestasse sobre a inclusão na base tributável de valores com natureza de empréstimos, financiamentos, mútuos e outros valores não correspondentes à definição de faturamento; 3 – Esclarecesse porque não foram considerados os prejuízos/lucros fiscais informados pelo contribuinte, na DIPJ, na apuração do lucro real pela autoridade autuante; 4 – Em se querendo, que se manifestasse sobre outros pontos das impugnações apresentadas. A Autoridade Autuante elaborou, em 30/06/2016, “Termo de Diligência Fiscal”(TDF) para dar ciência do resultado da diligência a cada um dos sujeitos passivos, conforme se segue: João André Escobar Cerqueira TDF (fls. 6575 a 6623) e AR recebido em 06/07/2016 (fls. 6820); João Natal Cerqueira – TDF (fls. 6624 a 6672) e AR recebido em 06/07/2016 (fls. 6821); Paulo César Verly da Cruz – TDF (fls. 6673 a 6721) e AR recebido em 08/07/2016 (fls. 6860); Paulo Henrique Escobar Cerqueira – TDF (fls. 6722 a 6769) e AR recebido em 06/07/2016 (fls. 6819); Rafael Escobar Cerqueira – TDF (fls. 6770 a 6818) e AR recebido em 06/07/2016 (fls. 6822). Nas fls. 6826 a 6843 anexouse, também, Informação Fiscal com o resultado da diligência. Vejamse os esclarecimentos apresentados pela Autoridade Autuante: 1 – Que o contribuinte foi regularmente intimado e tomou ciência do “Demonstrativo de Créditos Apurados – 2012”, o qual apresentava a memória de cálculo da base tributável. Tal Fl. 7404DF CARF MF 26 documento, foi anexado ao processo nas fls. 4912 a 4928. Ademais, informouse que compuseram a base de cálculo tributável somente os lançamentos em conta corrente que têm natureza credora, quais sejam: Esclareceu, ainda, que as siglas MOV TIT COB DISP e MOV TIT COBRANÇA “referemse a ingressos de recursos em razão da liquidação de títulos em cobrança, isto é, toda vez que um título de crédito/boleto é pago no sistema financeiro há o ingresso do recurso na conta do beneficiário (no caso, CLS). O banco ITAÚ adotou a nomenclatura acima para identificálo, sendo a única distinção dáse em razão do termo "DISP", indicando que a referida cobrança transitou pelo sistema de compensação, pois foi pago em banco diferente do emissor do boleto/título (no caso, o ITACJ).” Destacou que “a abreviatura "TRANS CC PARA CC PJ", referese a transferências entre contas correntes pertencentes à mesma Instituição Financeira, porém entre titulares diferentes. Não se confundindo com a transferência de mesma titularidade.” 2 – Que não há nenhum lançamento selecionado nas contas correntes (Bradesco: 05592 558303 e ltaú: 6384 113574) do sujeito passivo, sob a rubrica/nomenclatura de empréstimos, financiamentos e mútuos, que integraram a base de cálculo tributável apurada pela fiscalização. 3 – Que o sujeito passivo, a partir de 07/04/2014, deixou de atender à fiscalização e criou subterfúgios para dificultar a ação da fiscalização, que a Autoridade Fiscal ficou impossibilitada de obter o LALUR e examinar, comprovar e reconhecer o prejuízo fiscal informado em suas DIPJ. Consignou que, como somente podem ser compensados prejuízos fiscais se a pessoa jurídica mantiver os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação, nos termos do parágrafo único do art. 15 da Lei n° 9.065/95, combinados com os artigos 260, inciso III; 262; 509 e 510 do RIR/99, a Autoridade Autuante não considerou os prejuízos/lucros fiscais informados pelo contribuinte, na DIPJ, na apuração do lucro real. 4 – Que não se sustenta a alegação dos impugnantes de que a “autoridade autuante deveria ter arbitrado o lucro, nos termos do art. 530 do RIR/1999” e refuta a aplicação de cada um dos incisos do referido artigo no caso concreto; Fl. 7405DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.393 27 5 – Que após rever todos os lançamentos do “Demonstrativo de Créditos Apurados – 2012”, verificouse que houve, de fato, alguns lançamentos indevidos em razão de erro de digitação e/ou de inclusão de créditos que não representavam efetivamente ingressos de recursos financeiros. Apresentou a nova planilha corrigida às fls. 6562 a 6574. Manifestouse espontaneamente sobre outros itens da impugnação, conforme fls. 6836 a 6843. Em 04 de agosto de 2016 (fls. 6852 a 6857), Rafael Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira e João André Escobar Cerqueira, manifestaramse sobre o resultado da diligência e reiteraram todos os termos de sua Impugnação, para que fosse reconhecida e declarada a sua ilegitimidade passiva, bem como a nulidade dos lançamentos fiscais. Em 05 de agosto de 2016 (fls. 6847 a 6849), João Natal Cerqueira, manifestouse sobre o resultado da diligência e, de igual forma, reiterou todos os termos de sua Impugnação, para que fosse reconhecida e declarada a sua ilegitimidade passiva, bem como a nulidade dos lançamentos fiscais. Não consta do processo a manifestação sobre o resultado da diligência do sujeito passivo Paulo César Verly da Cruz. Em relação ao contribuinte, este já havia sido considerado revel nos termos do art. 21 do Decreto n 70.235/1972, conforme fl. 4834. Na sessão realizada em 12 de setembro de 2016, na 10ª turma da DRJ Belo Horizonte, decidiuse por nova diligência para que fosse dada ciência aos sujeitos passivos da Informação Fiscal constante das fls. 6826 a 6843, já que no referido documento a Autoridade Autuante manifestouse sobre itens da impugnação, sem, porém, dar ciência do respectivo conteúdo aos sujeitos passivos. Os sujeitos passivos foram cientificados do conteúdo da Informação Fiscal constante (fls. 6826 a 6843), conforme fls. a seguir indicadas: José Ivan Bezerra, data: 21/09/2016 (fl. 6873); Rafael Escobar Cerqueira, data : 22/09/2016 (fl. 6877); Paulo Henrique Escobar Cerqueira, data: 22/09/2016 (fl. 6874); Paulo César Verly, data: 22/09/2016 (fl. 6878); João Natal Cerqueira, data: 22/09/2016 (fl. 6876); João André Escobar Cerqueira, data: 22/09/2016 (fl. 6875); Em 24 de outubro de 2016 (fls. 6882 a ), Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira, João André Escobar Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira manifestaramse sobre o resultado da diligência, com o mesmo conteúdo, conforme se transcreve: Primeiramente, o Impugnante reitera os termos da sua manifestação, tempestivamente protocolada em 04 de agosto de 2016. Com efeito, o documento denominado "Informação Fiscal" apenas comprova de forma irrefutável: (i) A cabal ausência de intimação do Impugnante responsabilizado solidariamente para participar da fase não contenciosa da fiscalização e, caso fosse verdadeira a sua condição de "real beneficiário", comprovar a origem das receitas em relação às quais foi responsabilizado solidariamente, tendolhe sido negada a Fl. 7406DF CARF MF 28 oportunidade de justificar os recursos que o Fisco Federal reputou omitidos, ensejando, assim, a aplicação da Súmula 29 do CARF. contradição no enquadramento legal que atribui responsabilidade ao Impugnante. Notase que o Impugnante alega em sua Impugnação a nulidade do lançamento por ausência de sua intimação para comprovar a origem dos depósitos no tópico III. 2 denominado "PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO IMPUGNANTE PARA COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA 29 DO CARF.", inexistindo qualquer alegação de nulidade por contradição no enquadramento legal. Não bastasse, novamente, no item "4. 9) Base de Cálculo do PIS e da COFINS" o Fisco apresenta alegação totalmente estranha aos autos e que não foi objeto da Impugnação apresentada pelo Impugnante. Portanto, resta claro que de forma totalmente equivocada o documento denominado "Informação Fiscal" refuta alegações que não foram apresentadas pelo Impugnante, pelo que devem ser totalmente afastadas. Diante de todo o exposto, o Impugnante reitera todos os termos de sua Impugnação, tempestivamente protocolada em 27 de novembro de 2015, bem como da sua manifestação protocolada em 04 de agosto de 2016, para que seja reconhecida e declarada a sua ilegitimidade passiva, bem como a cabal nulidade dos lançamentos fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Com efeito, o Impugnante ao contrário do que alega a "Informação Fiscal" não pretende "ao mesmo tempo colocarse na posição de cotitular das contas correntes", mas tão somente demonstrar o equívoco do trabalho fiscal ao incluir o Impugnante com responsável solidário. (ii) Os vícios que tornam nulo o trabalho fiscal, ao admitir a existência de significativos "alguns lançamentos indevidos" sob a – no mínimo irresponsável justificativa de "erro de digitação e/ou por créditos que não representam efetivamente ingressos de recursos financeiros". (iii) O subjetivismo do trabalho fiscal ao imputar, amparado em meras, frágeis e equivocadas presunções, responsabilidade tributária solidária a um extenso rol de coobrigados, dentre os quais se insere o ora Impugnante. Além disso, mostrase necessário tecer alguns esclarecimentos em relação ao documento elaborado pelo Fisco "Informação Fiscal", senão vejamos: No item "4.7 Nulidade da Exigência FiscaF' alega o Fisco que: "Pretende o Impugnante fazer crer aos julgadores que houve contradição no enquadramento legal que atribui responsabilidade tributária aos reais beneficiários, pleiteando, no mérito, a nulidade do lançamento. Afirma erroneamente o impugnante que há no 'demonstrativo dos responsáveis tributários, que a autuação aponta como fundamento legal da solidariedade imputada ao impugnante o art. 135, III, do CTN'. Entretanto ao verificarmos o referido 'demonstrativo' citado, verificamos que o seu fundamento legal informado é o artigo 124, inciso I, da Lei 5.172/ 66." Com efeito, compulsando sua Impugnação, tempestivamente protocolada em 27 de novembro de 2015, verificase que inexiste qualquer alegação do Impugnante de nulidade do lançamento por contradição no enquadramento legal que atribui responsabilidade ao Impugnante. Notase que o Impugnante alega em sua Fl. 7407DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.394 29 Impugnação a nulidade do lançamento por ausência de sua intimação para comprovar a origem dos depósitos no tópico III. 2 denominado "PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO IMPUGNANTE PARA COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA 29 DO CARF.", inexistindo qualquer alegação de nulidade por contradição no enquadramento legal. Não bastasse, novamente, no item "4. 9) Base de Cálculo do PIS e da COFINS" o Fisco apresenta alegação totalmente estranha aos autos e que não foi objeto da Impugnação apresentada pelo Impugnante. Portanto, resta claro que de forma totalmente equivocada o documento denominado "Informação Fiscal" refuta alegações que não foram apresentadas pelo Impugnante, pelo que devem ser totalmente afastadas. Diante de todo o exposto, o Impugnante reitera todos os termos de sua Impugnação, tempestivamente protocolada em 27 de novembro de 2015, bem como da sua manifestação protocolada em 04 de agosto de 2016, para que seja reconhecida e declarada a sua ilegitimidade passiva, bem como a cabal nulidade dos lançamentos fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Além do conteúdo anteriormente transcrito, João Natal Cerqueira, considera que a Informação Fiscal comprova a existência do movimento circular do dinheiro, tal como comprovado no Laudo Pericial apresentado pelo Impugnante em tributos exigidos, culminado em enriquecimento ilícito dos cofres públicos, o que caracterizaria erro procedimental grosseiro a macular os lançamentos fiscais. Entende que a Informação Fiscal também comprova a nulidade do trabalho fiscal em razão de não adotar o regime do arbitramento do lucro, nos termos em que determina o artigo 530 do RIR/1999, por entender que, contraditoriamente, a Autoridade Autuante sustentava novamente que a empresa autuada não mantinha em regularidade seus livros e documentos exigidos pela legislação fiscal. Às fls. 6862/6864 dos autos – RESOLUÇÃO DE Nº 02002.064 DA 10ª Turma da DRJ/BHE a fim de evitar alegações de nulidade em eventual sede de recurso, deve ser dada ciência aos sujeitos passivos, da Informação Fiscal constante das fls. 6826 a 6843, com reabertura prazo para manifestação. Às fls. 6861/ 6894 dos autos – PETIÇÃO DOS INTERESSADOS, reiterando todos os termos de sua(s) Impugnações, respectivamente, para que seja reconhecida e declarada a sua ilegitimidade passiva, bem como a cabal nulidade dos lançamentos fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O Acórdão ora Recorrido (02072.165 10ª Turma da DRJ/BHE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 Fl. 7408DF CARF MF 30 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO AO FISCO. DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL O STF já decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105, de 2001, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS Comprovado nos autos como verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratarse de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. SUBSTITUIÇÃO POR MULTA DE 100%. IMPOSSIBILIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigível em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, descabendo a substituição por multa moratória em patamar diverso (100%). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 7409DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.395 31 PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2012 PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação, a presunção do art.42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art.42, §2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda ou, em se tratando de receitas tributáveis, já tivessem sido tributadas. ARBITRAMENTO DE LUCROS. MEDIDA EXTREMA. A não apresentação do Lalur, quando apresentados os livros Diário, Saídas, Razão e Registro de Apuração do IPI, e sendo possível determinar o lucro real não enseja o arbitramento do lucro, que é medida extrema. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos da CSLL, PIS e COFINS uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, salvo em relação à matéria específica de cada tributo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, considerou a Turma Julgadora, que “as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do Fl. 7410DF CARF MF 32 sigilo. Por isso, não se vislumbra na regra do art. 5º qualquer diretriz que possa induzir ou produzir quebra de sigilo bancário ou violação do direito à intimidade ou à privacidade das pessoas. As informações continuam sendo absolutamente sigilosas. Em suma, podese dizer que não há perigo de devassa ou quebra de sigilo”. Afirma que “é da essência da responsabilidade solidária não comportar benefício de ordem, de maneira que o Fisco pode até mesmo escolher um único responsável para arcar com todo o crédito tributário. Nesse sentido, as relações e contratos existentes entre os reais beneficiários não devem ser resolvidas no âmbito do direito tributário e sim no do direito civil a partir de demandas por eles propostas” (...) Na responsabilidade tributária apurase o crédito devido em nome do contribuinte e chamamse ao processo, como medida de garantia, os responsáveis, sem que se tenha que identificar qual parcela do crédito tributário cabe a cada um dos responsáveis, até porque o crédito tributário é uno e decorre de infração à legislação tributária cometida pelo contribuinte. (...) Não se verifica, nos autos do processo, que o real titular da conta bancária (fiscalizada) seja distinto do que consta do cadastro, ou seja, não se afastou o titular da conta, situação que ensejaria a aplicação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996”. Aduz que “está correta a conclusão da Autoridade Fiscal de que a fiscalizada (CLS) é um dos elos do esquema, pois recebia notas fiscais geradoras de créditos fiscais (ICMS, IPI, PIS e COFINS) e transferia recursos financeiros à ALUMIBRAS e esta, por sua vez, direcionava parte desses recursos aos reais beneficiários, seja por transferências bancárias a outras pessoas físicas ou jurídicas, cujos sócios são os reais beneficiários, seja mediante aquisição de bens (móveis e imóveis) em nome dos reais beneficiários”. Chegou à conclusão, de que “a autuada utilizava empresas inexistentes de fato para fazer com que os recursos chegassem aos reais beneficiários, de forma direta (depósito em conta das pessoas físicas), ou de forma indireta (depósito em conta de pessoa jurídica das quais os reais beneficiários eram sócios de fato ou de direito – direta ou indiretamente)”. Pontua ainda, “que o conjunto probatório existente nos autos demonstra a participação do autuado(JOÃO NATAL CERQUEIRA) no esquema delituoso, uma vez que esta teria comprado e vendido mercadorias/produtos de empresas inexistentes de fato, sem a efetiva comprovação da entrega das mercadorias/produtos. Ademais, demonstrouse que após tais empresas receberem os recursos, estes eram repassados para os reais beneficiários, de forma direta ou indireta. A fraude envolvia várias transações e repasses de recursos entre empresas até que se chegasse aos reais beneficiários”. Quanto ao efeito confiscatório, aduz que “a vedação ao confisco estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por ser inconstitucional. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Assim, a multa encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, e não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrarse na hipótese prevista pela norma. Com efeito, nos termos do artigo 97, inciso VI, do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades”. Julgou procedente em parte as Impugnações apresentadas para: Fl. 7411DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.396 33 1. Manter a responsabilidade tributária atribuída aos impugnantes Paulo César Verly da Cruz, João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira e João Natal Cerqueira; 2. Manter a exigência do IRPJ, no valor de R$ 5.189.581,68, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.3. Da apuração do IRPJ/CSLL devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e juros de mora cabíveis, na forma da lei. 3. Manter a exigência da CSLL, no valor de R$ 1.872.768,02, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.3. Da apuração do IRPJ/CSLL devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e de juros de mora cabíveis, na forma da lei. 4. Manter a exigência do PIS, no valor de R$ 515.961,76, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.4. Da apuração do PIS/Cofins devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e juros de mora cabíveis, na forma da lei. 5. Manter a exigência da Cofins, no valor de R$ 2.376.551,15, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.4. Da apuração do PIS/Cofins devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e de juros de mora cabíveis, na forma da lei. Às fls. 6890/7014 dos autos – INTIMAÇÕES dos Interessados acerca da Decisão do Acordão. Os interessados interpõem RECURSOS VOLUNTÁRIOS, alegando as seguintes razões: 1) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA às fls.7024/7116, trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4593/4639 dos autos, modificandose apenas nos seguintes tópicos: DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO RECORRENTE. INCONSISTÊNCIA DOS FATOS INDICADOS PELA FISCALIZAÇÃO PARA TENTAR FUNDAMENTAR A SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DO RECORRENTE. NECESSIDADE DE REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO: Afirma que “o acórdão recorrido, acatando as frágeis e muitas vezes inverídicas construções contidas no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E NO RELATÓRIO GERAL DE AUDITORIAS, manteve a responsabilidade tributária solidária do Recorrente, fundamentando a sua posição através de meras alusões às conclusões do trabalho fiscal, sem contrapôlas aos argumentos e comprovações exaustivamente trazidos à baila pelo Recorrente em sua Impugnação, demonstrando a cabal deficiência da referida decisão”. Diz que “o RELATÓRIO GERAL DE AUDITORIAS não conseguiu demonstrar qualquer mínima ingerência do Recorrente em qualquer das empresas investigadas e integrantes do suposto Fl. 7412DF CARF MF 34 "esquema delituoso", o que também é prova indispensável, requisito inafastável para lhe ser imputada a condição de um dos "reais beneficiários" da fraude investigada”. Destaca que “a empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA também sofreu fiscalização instaurada a partir do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF no 07.1.032013.013512, da qual resultou a lavratura de Autos de Infração”. DA INEXISTÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DO RECORRENTE NA EMPRESA HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO NO ANO FISCALIZADO (2012), DA QUAL JAMAIS FOI ADMINISTRADOR: Afirma que “é um absurdo fiscal ao tentar convencer pela participação do Recorrente no suposto "esquema delituoso" pelo simples fato do mesmo já ter sido sócio, meramente quotista, da pessoa jurídica HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, a qual teria recebido recursos provenientes da empresa ALUMIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA, que sequer faz parte dos presentes autos de infração”. (...) Salientando que “a própria fiscalização reconhece que a participação do Recorrente na referida sociedade se deu HÁ MUITOS ANOS ANTES da mencionada remessa de valores realizadas no período autuado (2012), o que só ilustra o desespero da fiscalização em tentar justificar a equivocada sujeição passiva solidária imputada ao Recorrente, a qual não pode prosperar”. Afirmando que “o Recorrente foi sócio meramente quotista da empresa HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA por um curto período de tempo, tendo sido admitido em seu quadro societário através da Quinta Alteração Contratual e dela se retirada totalmente, de forma definitiva, através da Sétima Alteração Contratual”. DOS RECURSOS SUPOSTAMENTE RECEBIDOS PELA EMPRESA LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA. INCOMUNICABILIDADE ENTRE O PATRIMÔNIO DA PESSOA JURÍDICA E O PATRIMÔNIO DO SÓCIO. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DA PESSOA JURÍDICA: Diz que “sendo apurado, por hipótese, que a pessoa jurídica, no caso, a LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA, teria se beneficiado da suposta fraude fiscal, quem deveria ter figurado no rol dos devedores solidários era a mesma e jamais a pessoa física de um de seus sócios, e, menos ainda, estaria autorizada a responsabilizar exsócio que já se retirou da sociedade, o que reflete a ilegalidade da imputação de coobrigação ao Recorrente”. (...) Com efeito, “não existe a comprovação, em todo o trabalho fiscal, de que os recursos financeiros que supostamente ingressaram na empresa LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA foram destinados, em sequência, ao Recorrente. O mesmo também pode se dizer em relação às supostas remessas de valores à HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA”. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO RECORRENTE. EQUÍVOCOS APURADOS PELO RECORRENTE EM RELAÇÃO AOS FATOS ACUSATÓRIOS APONTADOS NAS TRANSAÇÕES ENTRE AS EMPRESAS KOPRUM E PERFIBRÁS PELO SIMPLES CONFRONTO COM OS DOCUMENTOS ANEXADOS AOS PRESENTES AUTOS PELO PRÓPRIO FISCO. ILEGALIDADE E INCONSISTÊNCIA DO TRABALHO FISCAL: Aduz que “TODAS AS TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES DESTINANDO VALORES À KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, ENTÃO DENOMINADA COMÉRCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA, OCORRERAM ANTERIORMENTE À REFERIDA EMPRESA PERTENCER À DENOMINADA FAMÍLIA "CERQUEIRA", POSSUINDO DIVERSA COMPOSIÇÃO SOCIETÁRIA E INEXISTINDO QUALQUER LIGAÇÃO COM O ORA RECORRENTE. Conforme se comprova pelas já anexadas cópias do Contrato Social e Primeira Alteração Contratual, levada a registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 13/10/2010, a empresa KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, então denominada COMÉRCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA, no ano Fl. 7413DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.397 35 calendário 2009, tinha a seguinte composição societária: Francisco Luiz Cantarino Collares e Ana Maria Simim Collares”. Diz que “em relação ao montante (R$ 13.658.000,00) – que representa a maior parte dos recursos , resta comprovado que não se trata de beneficio econômico auferido pela KOPRUM, mas, contrariamente, de recursos que saíram de seu caixa, com lastro em operações comerciais bem como em devoluções de adiantamentos, prática comum no mercado, posto que, por questões de garantia comercial, é praxe se exigir um adiantamento para formalização do negócio, especialmente em razão de se tratar de "comodities", visando assegurar ao comprador a garantia do preço, evitando perdas em razão da variação monetária, por terem os produtos cotação no mercado internacional. Também por este motivo é comum a própria adquirente efetuar espontaneamente tais adiantamentos, a fim de minimizar o desembolso de recursos em determinado período, considerado mais crítico financeiramente. Por óbvio, considerando que o adiantamento a fornecedores caracteriza o pagamento antecipado de mercadorias a serem adquiridas, é frequente ocorrer o cancelamento do negócio, mediante devolução dos valores adiantados, não havendo qualquer irregularidade ou ilicitude em tal procedimento”. Anexa notas fiscais e afirma que “ consoante se comprova pela tabela e Notas Fiscais, é certo que, no período compreendido entre abril/2010 a junho/2010, a KOPRUM realizou operações de aquisições de mercadorias da PERFIBRÁS, cujos pagamentos totalizaram o montante de R$ 1.002.848,00 (um milhão, dois mil e oitocentos e quarenta e oito reais)”. 2) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA às fls. 7117/7159 trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4122/4161 dos autos, modificandose apenas nos seguintes tópicos: DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO RECORRENTE. INCONSISTÊNCIA DOS FATOS INDICADOS PELA FISCALIZAÇÃO PARA TENTAR FUNDAMENTAR A SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DO RECORRENTE. NECESSIDADE DE REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO: Afirma que incorreu, “em cabal equívoco, a 10a Turma Julgadora da DRJ/BHE se deixa convencer pelas mirabolantes construções trazidas no trabalho fiscal, esquivandose de enfrentar os argumentos fáticos e de direito trazidos em defesa do Recorrente, na sua Impugnação, os quais comprovam a sua cabal ilegitimidade passiva”. (...) E que, “equivocase, portanto, de forma grosseira, a Autoridade Fiscal, ao tentar imputar ao Recorrente responsabilidade solidária em relação aos presentes autos de infração, sob o frágil e vazio argumento de que o mesmo supostamente teria se beneficiado de recursos financeiros enviados por empresas envolvidas no "esquema delituoso» para outras empresas (PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA) que teriam em seu quadro societário a pessoa jurídica ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA da qual o Recorrente figura como sócio”. DÚVIDA QUANTO À AUTORIA DA INFRAÇÃO. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE, PREVISTO NO ART. 112 DO CTN: Afirma que “a responsabilidade solidária por dívida tributária não se presume, cabendo à Fl. 7414DF CARF MF 36 fiscalização provar quem é o sujeito passivo da exação com elementos concretos, e não meras suposições”. DA DESCONSTITUIÇÃO DOS LANÇAMENTOS DE IRPJ E CSLL. INOBSERVÂNCIA DO ART. 530, RIR/1999. OBRIGATORIEDADE DE SE ADOTAR O ARBITRAMENTO DO LUCRO. NULIDADE DO TRABALHO FISCAL QUE CONSIDERA COMO LUCRO TRIBUTÁVEL TODOS OS VALORES DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA CONTRIBUINTE AUTUADA. EXTENSÃO DA NULIDADE À TRIBUTAÇÃO REFLEXA: Afirma que “nos termos do art. 530, RIR/1999, a Autoridade Fiscal deveria ter adotado o arbitramento do lucro para apurar e lançar os créditos tributários exigidos a título de IRPJ e CSLL. Contudo, ao contrário, adotou o Fisco, ilegalmente, como base de cálculo para o IRPJ e para a CSLL, a integralidade dos valores creditados nas contas bancárias da contribuinte autuada, considerando como sendo lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL, todos os valores de sua movimentação financeira”. (...) E que, “renda e receita depositada em conta bancária são conceitos diferentes. Portanto eventual receita omitida, apurada através do lucro arbitrado, deve obedecer aos critérios legais, sendo aplicado o percentual legalmente estabelecido para a atividade da empresa, de forma que não seja levada indevidamente à tributação a integralidade da receita ou da movimentação financeira do contribuinte”. 3) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA às fls. 7160/7198 trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4239/4279 dos autos, modificandose apenas nos seguintes tópicos: Da PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL, INDISPENSÁVEL À DEFESA DO RECORRENTE: Afirma que “o Recorrente manifestou nos autos com devida observância dos requisitos fundamentais para deferimento da prova pericial, visando justamente comprovar suas alegações, o que certamente ocorreria por meio da prova pericial contábil. Induvidoso que cabe ao Julgador analisar o requerimento de produção de prova pericial e manifestar de forma fundamentada em relação ao seu deferimento ou indeferimento na esfera administrativa”. DÚVIDA QUANTO À AUTORIA DA INFRAÇÃO. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE, PREVISTO NO ART. 112 DO CTN: Afirma que “a responsabilidade solidária por dívida tributária não se presume, cabendo à fiscalização provar quem é o sujeito passivo da exação com elementos concretos, e não meras suposições”. 4) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por PAULO CESAR VERLY DA CRUZ às fls. 7199/7245 trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4746/4790 dos autos, modificando se apenas nos seguintes tópicos: DA NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DO RECORRENTE DO POLO PASSIVO DAS AUTUAÇÕES FISCAIS POR APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA QUANTO À SUA PARTICIPAÇÃO NO SUPOSTO ESQUEMA FRAUDULENTO: Diz que “a efetiva participação do Recorrente no suposto esquema fraudulento mencionado no trabalho fiscal, deve ser determinada a sua exclusão do polo Fl. 7415DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.398 37 passivo das autuações fiscais reunidas no presente processo administrativo, por aplicação do princípio in dubio pro contribuinte, previsto no artigo 112 do Código Tributário Nacional”. DA DESCONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS LEGAIS NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL: Diz que “in casu, a alegada afronta à legislação de regência decorre do fato de que, comumente, verificase a existência de créditos em extratos bancários que, na verdade, não se enquadram no conceito de RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL, como, por exemplo, aqueles com origem em empréstimos, financiamentos, mútuos, dentre outros. Noutras palavras, eram contas transitórias de dinheiro o que, todavia, não foi levado em consideração pelo Fisco”. DESPROPORCIONALIDADE DOS RECURSOS TOMADOS POR BASE NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO: Diz que “às operações envolvendo exclusivamente a pessoa jurídica CLS METAIS no período autuado, ao se analisar o capítulo denominado "Do retorno dos recursos sonegados aos reais beneficiários", é possível perceber que a Autoridade Fiscal não relaciona NENHUM recurso transacionado diretamente entre a empresa e o Recorrente, nem mesmo a movimentação de recursos envolvendo a própria CLS METAIS”. (...) “Para se atribuir a responsabilidade pela tributação desses recursos aos sócios, caberia à Fiscalização provar cabalmente a existência de elementos hábeis a permitir a despersonalização das pessoas jurídicas envolvidas, questionar sua existência, ou, no mínimo, comprovar o repasse dos recursos às pessoas físicas”. O solidário JOÃO NATAL CERQUEIRA não apresentou Recurso. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isto deles conheço. No que se refere ao Solidário JOÃO NATAL CERQUEIRA, tendo em vista que não apresentou Recurso, a decisão da DRJ tornouse contra ele definitiva, salvo se a decisão quanto aos demais recursos lhe aproveitar de alguma forma. Dos Recursos Voluntários Da análise dos autos é fácil constatar que os Recursos Voluntários apresentados constituemse de repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Fl. 7416DF CARF MF 38 Poucas foram as variações de argumentações defensivas trazidas pelas recorrentes. Desta feita, levandose em consideração que a DRJ já detalhou de forma pormenorizada todos os argumentos trazidos, inicio a análise dos Recursos Voluntários nas suas pequenas variações, que na prática apenas reafirmam os argumentos de impugnação. Antes, necessário fazer algumas observações sobre todo o contexto da fiscalização e autuações. Não se tratam de autuações isoladas, mas de um conjunto de autuações realizadas a partir de um amplo procedimento investigatório denominado "Operação Corrosão". Recentemente, na pauta de julgamento de setembro do presente ano, esta mesma TO apreciou outro lançamento oriundo do mesmo procedimento fiscalizatório, em que faziam parte os mesmos solidários. Tratase do PAF 10932.720105/201514, lavrado contra a PERFIBRAS e os mesmos responsáveis. O presente lançamento representa uma reduzida parte de todo o contexto de fundo da fiscalização, que envolveu 31 pessoas jurídicas, além de 07 pessoas físicas indicadas como responsáveis solidárias. O conjunto de lançamentos, em valor histórico, supera o montante de meio bilhão de reais. Apenas a título exemplificativo, segue o quadro indicativo com os lançamentos, empresas autuadas a valores: De forma simplificada, o complexo esquema fraudulento consistia basicamente em: (i) Criação de empresas de fachada, com sócios "laranja", contabilidade "maquiada" e milionária circulação bancária; Fl. 7417DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.399 39 (ii) Constituição de uma rede de empresas noteiras, inexistentes de fato, para movimentar milhões de reais de origem desconhecida, direcionando os valores de forma simulada e fraudulenta para os reais beneficiários dos esquemas e suas empresas; (iii) As empresas noteiras eram abandonadas ou fechadas com um imenso passivo tributário. Ressaltese que, dentre os reflexos da atuação das empresas podemos citar a geração de créditos podres de ICMS e IPI, aumento irreal de custos com diminuição da base tributável, omissão de receitas e aquisição de bens de luxo dissociados dos reais proprietários. A operação se iniciou com a análise das notas fiscais das empresas envolvidas, onde verificouse indícios de se tratarem de documentos inidôneos em razão da semelhança de formatação, timbres e grafias. Partindo desta suspeita inicial, foram realizadas diligências in loco, nas quais se verificou que as empresas emissoras das notas não existiam e que haviam sido formalmente criadas com o intuito de produção de notas fiscais para justificar a saída de recursos para outras finalidades, simulando transações empresariais, que nunca ocorreram. Por sua vez, examinando o quadro societário dessas empresas, constatouse a utilização de pessoas interpostas, cujo patrimônio declarado não apresentava representatividade econômica e demonstrava uma absoluta incongruência com o volume de recursos movimentado. Também se verificou que não ostentavam quaisquer bens e praticavam diversas operações financeiras, concentradas em uma mesma agência do Banco Bradesco, independentemente dos seus respectivos domicílios. Com a identificação das fraudes na contabilidade e a simulação de pagamentos, temse a ocorrência da famigerada prática conhecida como “operação de noteiras”, prática esta que compreende a geração de créditos de ICMS e IPI, com repercussão nos demais tributos, como a supressão do IRPJ e CSLL, além de ocultar a compra de ativos para favorecer as pessoas físicas e jurídicas que atuam nos bastidores das operações como reais beneficiários, à margem de qualquer controle ou tributação. Para dar funcionamento à operação criminosa, as empresas se dividiam em dois grandes grupos: (a) as empresas de fachada, que, em regra, possuíam endereço certo, com um ou dois empregados que se intitulavam funcionários ou representantes; detinham contabilidade dentro do contexto organizacional do grupo criminoso, ostentando a função de serem empresas geradoras de créditos; (b) as empresas “noteiras”, constituídas em nome de laranjas, grande parte deles coniventes com o esquema criminoso, que exibiam uma falsa imagem de prósperos empresários, contrapondose a ausência de lastro financeiro e compatibilidade patrimonial. Como bem demonstrado pelo TVF, a fraude realizada pelas empresas era tão complexa, que, por vezes, as características das empresas “de fachada” e “noteiras” se confundiam e, somente, houve a identificação do paradeiro do numerário por meio da quebra de sigilo bancário administrativa e a respectiva análise das fitas de caixa das instituições financeiras. Fl. 7418DF CARF MF 40 Tais movimentações financeiras foram unificadas em uma mesma agência bancária, desconsiderando o domicílio das empresas envolvidas, que, por vezes, sequer ficavam no estado de São Paulo, mas detinham conta na Agência 0559/SPUSP, Radial Leste Bradesco S/A. Ressaltese, neste particular que, não seria possível a operação de tal esquema criminoso sem o respaldo ou acobertamento da referida agência bancária ou algum dos seus funcionários. A empresa autuada, dentro desse contexto se apresentou como típica empresa noteira. A empresa CLS METAIS foi inaugurada em 2012, em São Bernardo do Campo SP, sendo constituída por EDNALDO COELHO DA SILVA, integrante da LUCKMETAIS. EDNALDO COELHO é casado com EDILENE WANDARTI SILVA, irmã de CLAUDILENE WANDARTI MAGAROTTO (esposa de João Carlos Magarotto, interposta pessoa na LUCKMETAIS) e ambas filha de CRESTINE WANDARTI DA SILVA, interposta pessoa na METALCHAPA, que também fazem parte do esquema de fraude. Por sua vez, EDNALDO COELHO, em 13 de agosto de 2012, transferiu a empresa a JOSE IVAN BEZERRA, que no ano de sua aquisição, apresentava patrimônio declarado de apenas R$ 110.000,00, do qual 90% era representado por um imóvel no valor de R$ 90.000,00, 100% financiado, revelandose tratar de interposta pessoa (laranja). Em que pese o inexpressivo patrimônio do titular dessa empresa e sua recente constituição, a movimentação financeira, nos anos de 2012 e 2013, superou R$ 78 milhões. A fiscalização aponta também que: Ainda constatou a baixa após o início do procedimento fiscal: Fl. 7419DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.400 41 Assim é que, concluiuse, corretamente, tratase de empresa inexistente de fato: Acrescentese, ainda, a título exemplificativo, que a fiscalização analisou cheques que demonstravam claramente a tentativa de simulação das transações realizadas pela empresa. Assim, em um primeiro momento, a empresa, a falsa fornecedora de mercadorias, escriturava o pagamento de duplicatas para empresas do grupo, emitindo respectivamente cheques, na tentativa de justificar de forma lícita a circulação dos respectivos recursos (DOC. 03 Relatório Geral de Auditorias fls. 37/43). Fl. 7420DF CARF MF 42 Entretanto, analisando o detalhamento da fita de caixa, foi possível verificar que o dinheiro, seguindo o modus operandi já citado, não era destinado para o suposto credor. Ao contrário, o dinheiro era desviado para terceiros alheios a relação comercial que embasou a emissão do título. E dentro desse contexto, na função exercida pela CLS, ficou comprovado que: Assim é que, restou dentro de todo o contexto, efetivamente comprovado a forma de operação do esquema fraudulento, bem como a configuração da autuada como uma das engrenagens na posição de empresa noteira, inexistente de fato. Tanto assim que, a referida empresa sequer contestou o presente lançamento. Por sua vez, os solidários apontados como reais beneficiários e operadores do esquema criminoso permanecem se insurgindo contra a autuação. Conforme ficou comprovado, o esquema criminoso era administrado pelos seguintes agentes: Fl. 7421DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.401 43 Ressaltese que os Recursos Voluntários apresentados por PAULO, RAFAEL e JOÃO HENRIQUE ESCOBAR, se repetem nas alegações, tanto na parte em que copiam a Impugnação, quanto nas novas razões trazidas em sede recursal. Desta forma, para uma análise mais rápida e com o objetivo de evitar repetições, analiso os 3 recursos, na parte em que inovam, de forma conjunta. 1) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA às fls.7024/7116, trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4593/4639; 2) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA às fls. 7117/7159 trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4122/4161 dos autos; 3) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA às fls. 7160/7198 trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4239/4279 dos autos. Modificandose apenas nos seguintes tópicos analisados. Quanto a alegação de nulidade em razão da aplicação da Súmula CARF 29, a mesma não merece ser acolhida vez que o responsável não era formalmente cotitular das contas bancárias objeto de fiscalização, razão pela qual não teria que ser intimado dos atos. Outrossim, sua responsabilização é solidária e foi construída após a identificação de funcionamento do esquema criminoso, apenas após a conclusão dos trabalhos fiscais é que se faz necessário a intimação dos solidários, que tiveram seu direito de defesa absolutamente respeitado. Quanto à nulidade por cerceamento do direito de defesa em razão da não realização de perícia, igualmente não pode ser acolhida. O deferimento da realização de diligências ou perícias faz parte da competência do julgador, sendo dispensável quando entender desnecessária. Outrossim, mesmo assim, foram realizadas diligências no presente processo, além de ajustes pela DRJ. O fato da ALUMINIBRAS também ter sido fiscalizada e autuada em nada afeta o presente lançamento, pois decorrem de fatos geradores distintos. Segundo o recorrente “o acórdão recorrido, acatando as frágeis e muitas vezes inverídicas construções contidas no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E NO RELATÓRIO GERAL DE AUDITORIAS, manteve a responsabilidade tributária solidária do Recorrente, fundamentando a sua posição através de meras alusões às conclusões do trabalho fiscal, sem contrapôlas aos argumentos e comprovações exaustivamente trazidos à baila pelo Recorrente em sua Impugnação, demonstrando a cabal deficiência da referida decisão”. Diz que “o RELATÓRIO GERAL DE AUDITORIAS não conseguiu demonstrar qualquer mínima ingerência do Recorrente em qualquer das empresas investigadas e integrantes do suposto "esquema delituoso", o que também é prova indispensável, requisito inafastável para lhe ser imputada a condição de um dos "reais beneficiários" da fraude investigada”. Fl. 7422DF CARF MF 44 Ocorre que, restou comprovado que, dentre os reais destinatários dos valores movimentados pela CLS estavam a empresa ALUMINIBRAS, da qual restou absolutamente comprovado que o Sr. PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA e demais solidários eram reais beneficiários com recebimentos realizados por diversas empresas, entre elas a ALUMINIBRAS. O volume de recursos transferidos no caso em análise, em nada limitam a responsabilização dos solidários, vez que a autuada era parte indissociável de todo o esquema criminoso, que envolvia mais 30 empresas. Existe nesse caso, clara demonstração de confusão patrimonial e nexo causal da atuação dos envolvidos com o esquema de sonegação, realizado através de fraude e simulação. O responsável é um dos reais beneficiários dos valores movimentados no referido esquema, razão pela qual claramente aplicável a hipótese de responsabilização prevista no inc. I do art. 124 do CTN. Não há como se afastar sua aplicação. Frisese que o objetivo do legislador ao instituir a responsabilidade tributária, foi assegurar à Fazenda Pública o efetivo recebimento dos créditos devidos, em situações que o contribuinte se tornar pouco acessível a cobrança, ou o tributo não puder ser normalmente pago. É fato que, como regra, o tributo deve ser cobrado da pessoa que pratica o fato gerador. Nessas condições, surge o sujeito passivo direto (contribuinte). Em certos casos, no entanto, o Estado pode ter necessidade de cobrar o tributo de uma terceira pessoa, que não o contribuinte, que será o sujeito passivo indireto (“responsável tributário”). Não se discute aqui que, formalmente, a CLS é a contribuinte e sujeito passivo direta da relação obrigacional tributária, relação essa gerada após a ocorrência de um fato gerador presumido por lei, mas confirmado diante da inexistência de questionamento ou desfazimento da presunção legal (relativa). Entretanto, o CTN (Lei Complementar), atribui hipóteses em que, tendo o objetivo de assegurar o recebimento do crédito, terceiros podem se tornar responsáveis. Exatamente o que ocorreu no caso concreto. Argumenta o Recorrente que para fins de aferição do interesse comum seria necessário que o responsável participasse da relação jurídica que deu origem ao fato gerador. Pois bem. Esse fundamento não é novo neste CARF. Ademais, em análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é possível verificar que a corte, de forma pacífica, entende que a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN só pode ocorrer quando o interesse comum na realização do fato gerador seja o interesse jurídico, que pressupõe a prática conjunta do fato, o que afasta a responsabilidade pela simples circunstância de uma sociedade pertencer ao mesmo grupo econômico de outra. Por outro lado, é interessante notar que os casos analisados pelo STJ, que levaram a formação deste entendimento, são bem antigos e não enfrentam o redirecionamento aos grupos econômicos de fato envolvidos em suspeita de fraude, simulações ou abuso de personalidade jurídica. O que se verifica é que a análise de casos mais complexos que envolvem grupos econômicos de fato, por vezes envolvidos em fraude, tem sido obstada pela aplicação cada vez mais alargada da Súmula 07, que impede o STJ de averiguar matéria de fato em Fl. 7423DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.402 45 Recurso Especial. Assim, independente da fundamentação das instâncias inferiores, a corte tem mantido as decisões sem adentrar no mérito. Como bem pontua o Ex Conselheiro Marcos Neder1: Importante ressaltar que o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não pode, por si só, levar a uma tributação solidária das empresas. A atribuição de responsabilidade tributária solidária a uma sociedade por fatos geradores praticados por outras empresas do grupo é excepcional e regulada restritivamente na lei tributária. Apenas quando uma sociedade tem comprovadamente interesse comum na situação que constitua o fato gerador será possível a imposição da responsabilidade solidária com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Vigora em nosso ordenamento a diretriz geral de preservação da autonomia jurídica dos integrantes do grupo de sociedades (personalidade própria) e da impossibilidade de a responsabilidade tributária transbordar da sociedade que realizou o fato gerador. (...) O fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não pode ser o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir de direitos e deveres comuns entre pessoas numa mesma relação jurídica privada que constitui o fato gerador. Para isso, é indispensável o órgão aplicador comprovar o interesse comum na relação jurídica subjacente que serve como suporte para o surgimento do fato gerador do tributo. De fato, a análise do alcance e do conceito da terminologia "interesse comum" é absolutamente tormentosa, e não poderia ser mais vago. Alguns interpretes ao analisar de forma estrita o texto legal2 entendem que ao se referir ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o CTN delimitou tal responsabilidade ao chamado interesse ou vínculo jurídico. 1 https://www.jota.info/opiniaoeanalise/artigos/ocarfeasolidariedadetributarianogrupoeconomico 06052015 2 CTN Lei nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 7424DF CARF MF 46 E parece que foi essa linha que seguiu o STJ, ressaltando, é claro, que a referida corte firmou tal entendimento em situações menos complexas, e não tem adentrado ao mérito em novas análises. É difícil, para não dizer impossível, separar algumas situações em que o interesse econômico não dependa, necessariamente, do interesse jurídico na relação que constitua o fato gerador. Ou ainda, que tal interesse ou vínculo jurídico, também não resulte, necessariamente de um interesse no resultado econômico. De fato, a interpretação de tal dispositivo não pode ser tão alargada ao ponto de, aceitando a subjetividade do termo legal adotado, se atribuir de forma indiscriminada responsabilidade solidária a qualquer contribuinte que de alguma forma tenha obtido algum resultado econômico. Afinal, como se dizer que um fornecedor legítimo da autuada, não tenha interesse no sucesso da sua atuação (mesmo que indiretamente resultante de sonegação), para poder fornecer maiores volumes de mercadorias. Claro que este não é o objeto do legislador, e nem o meu entendimento. Entretanto, não vejo como restringir absolutamente a aplicação do dispositivo legal, a situações em que o responsável solidário tenha participado diretamente do fato ou situação que gerou o fato gerador. Quem participa diretamente de tal situação, é sempre o contribuinte de fato. A participação do responsável é, e sempre será, indireta. Entretanto, necessário que exista nexo entre a conduta da devedora solidária e a suposta infração, não necessariamente a realização do próprio fato gerador. Exatamente por isso é necessário aferir caso a caso, a existência desse nexo, razão pela qual não se pode adotar de maneira indiscriminada a posição majoritariamente manifestada pelo STJ. E nesse sentido, diante da grande incerteza quanto ao alcance de tal definição, como não poderia deixar de ser diferente, são várias as posições manifestadas em julgamentos deste CARF, não havendo um entendimento uníssono, até pela necessidade de avaliação dos fatos verificados e provas produzidas em cada caso. Na linha das decisões que afastam a responsabilidade solidária por interesse comum, a tese majoritária é a aplicação do entendimento majoritário do STJ de forma direta, a exemplo do Acórdão n. 1402001.886 (julgado em 27/11/2014) de Relatoria do Conselheiro Fernando Brasil, em que o mesmo defende que a responsabilidade solidária não é meio de inclusão de terceiro na lide, mas elemento de graduação dos que já compõem o polo passivo. Diz ainda que, para haver interesse comum, a situação jurídica realizada por alguém, gera os mesmos direitos e deveres para outra. Com a devida vênia ao Nobre e brilhante colega Conselheiro, não concordo com a posição manifestada. Entendo que ele se refira à solidariedade decorrente da realização direta do fato gerador. Nesse caso não estaríamos falando de terceiro responsável, mas do próprio contribuinte ou contribuintes de fato. II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 7425DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.403 47 Por sua vez, na linha contrária, também diversas decisões mantendo a responsabilidade solidária por interesse comum em situações em que exista fraude ou abuso de personalidade jurídica, confusão patrimonial, grupo econômico ou a demonstração de um nexo entre a atuação do solidário e a ocorrência da infração. Ressaltese, tal linha argumentativa não adota o entendimento restrito do mero interesse econômico, afinal de contas, como já me manifestei, entendo que toda e qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de relação econômica com o contribuinte tem, de certa forma, interesse econômico. Entretanto, na análise de caso a caso outros fatos e provas confirmam o nexo, mesmo que indireto, do responsável solidário. É o caso do entendimento manifestado nos Acórdãos 1102001.102 (julgado em 06/05/2014) e 1102001.032 (julgado em 11/03/2014), do Conselheiro Ricardo Marozzi, no qual verificou que as pessoas físicas eram titulares de fato e beneficiárias dos recursos fornecidos pelo contribuinte, tendo interesse imediato na situação que constitui o fato gerador. Nessa linha, em havendo a confusão patrimonial, elas se beneficiaram diretamente e tinham interesse no fato que constitui o fato gerador. Também nesse sentido é o Acórdão 1102001.301 (julgado em 03/03/2015) do Conselheiro Ricardo Marozzi: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL.Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a conseqüente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal e da conta bancária de titularidade da empresa contribuinte. Seguindo a mesma linha da confusão patrimonial, o Conselheiro Marcos Takata no Acórdão 110300.188 (julgado em 18/05/2010), em que detectou confusão patrimonial nas atividades desenvolvidas por duas pessoas jurídicas. Outras situações também são ventiladas para fins de manutenção da responsabilidade solidária por interesse comum (fraude, abuso de direito, desconsideração de personalidade jurídica, etc). Nesse sentido é que se faz necessário, verificar o nexo e a confusão patrimonial identificada pela autoridade fiscal. Pois bem. Neste ponto é que, conforme absolutamente comprovado, o Sr. PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA e os demais solidários foram reais beneficiários de repasses realizados por diversas empresas do analisado esquema criminoso, entre elas a ALUMINIBRAS, que recebeu repasses da CLS, sem qualquer real contrapartida, vez que a autuada é empresa inexistente de fato. Fl. 7426DF CARF MF 48 Assim, a meu ver, existe clara confusão patrimonial entre a autuada e a responsável solidária, além de um nexo comum entre as partes. Desta feita, mais do que meros indícios de existência de interesse comum, entendo restar cabalmente comprovado não só o interesse jurídico e o nexo, uma vez que a CLS funcionava como empresa noteira e repassadora de valores para os reais destinatário, entre eles o responsável solidário. Ora, não são poucos os precedentes do CARF atribuindo a responsabilidade solidária ao sócio de fato em razão do interesse comum e o destino econômico dos recursos obtidos. Citase como precedentes os Acórdãos 120200.701 (Cons. Leonardo Couto), 1401.00.103 e 140100.104 (Cons. Antônio Bezerra). Assim, não há como acolher os argumentos recursais. Ademais, igualmente não há como acolher os demais argumentos que se fundam basicamente nas mesmas razões, qual seja, na defesa de inexistência da participação de fato do responsável na administração das empresas HELUR, LEMNOS, KOPRUM, PERFIBRAS e COMÉRCIO JARDINOPOLIS. Todas elas envolvidas no mesmo contesto e modus operandi. Isto porque, apesar de citadas no Relatório Geral de Auditorias, no presente lançamento a atribuição da responsabilização solidária do recorrente se deu em razão da demonstração de repasses para a ALUMINIBRAS, empresa que fazia repasses para o responsável solidário. Não são, portanto, argumentos aplicáveis ao presente lançamento. Pode ser que o Recorrente tenha trazidos fatos e argumentos apresentados em outros lançamentos, mas que não o aproveitam no lançamento ora em análise. Também não há como se aplicar o art. 112 do CTN vez que para este Relator, não existem dúvidas quanto a participação e benefício do responsável solidário no esquema criminoso. Outrossim, cumpre ressaltar que o Recorrente é filho do SR. JOÃO NATAL, um dos autores intelectuais da fraude. O Sr. JOÃO NATAL CERQUEIRA faleceu no dia 21 de novembro 2016, deixando a esposa, MARIA ANGELINA ZAIA ESCOBAR CERQUEIRA, e três filhos, RAFAEL, JOÃO ANDRÉ E PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, que, há muito, já vinham assumindo a direção dos negócios de seu genitor. Restou comprovado ainda, que o Sr. PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA realizou operações financeiras e aumentou seu patrimônio de forma absolutamente incompatível com seus rendimentos declarados. Exatamente por ser beneficiário real e direto do esquema. A título de exemplo segue o gráfico: Fl. 7427DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.404 49 Por sua vez, quanto ao Sr. JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA restou comprovado que, além de participar do esquema criminoso, era real destinatário do patrimônio amealhado por meio do referido esquema criminoso, sem que o mesmo tivesse nenhuma capacidade financeira para tal. Seus rendimentos declarados, sendo, ainda, manifesta a incompatibilidade do seu acréscimo patrimonial em relação a sua renda. Vale notar, ademais, que JOÃO ANDRÉ tinha apenas 18 anos em 2006, tendo amealhado um significativo patrimônio apesar da sua pouca idade e incompatibilidade de rendimentos. Ademais, restou comprovado também a existência de doação, por parte de JOÃO NATAL, de quotas da empresa PRJ PARTICIPAÇÕES EMPREENDIMENTOS, no Fl. 7428DF CARF MF 50 valor de R$ 233.571,00, conforme DIRPF/2013. Na DIRPF/2014, há o registro do pagamento de um empréstimo no valor R$ 218.167,56 por parte de JOÃO ANDRÉ para seu pai JOÃO NATAL, sendo imperativo registrar a impossibilidade fática deste evento, uma vez que, ainda que somando todos os seus rendimentos (inclusive isentos, como dividendos) e desconsiderando qualquer outra despesa, ele não teria saldo suficiente para o referido pagamento. Bem como que o JOÃO ANDRÉ foi beneficiário de repasses de diversas empresas envolvidas no mesmo esquema fraudulento: Quanto ao Sr. RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, além de comprovado partícipe do esquema fraudulento, também restou identificado recebimento de valores através da ALUMINIBRAS. Por fim, a situação se repete quanto a RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, que também demonstra um vertiginoso crescimento patrimonial descompassado dos seus rendimentos declarados, que, sequer, justificariam sua movimentação financeira. Aqui, mais uma vez, verificase a omissão de rendimentos e a origem desconhecida do seu patrimônio: Fl. 7429DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.405 51 Assim, face ao exposto, quanto a essas razões não dou provimento aos Recursos. Quanto as demais razões copiadas de impugnação procederei a análise posterior, por entender ser cabível a aplicação do § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF. 4) Recurso Voluntário apresentado em 02/05/2017 por PAULO CESAR VERLY DA CRUZ às fls. 7199/7245 trazendo em seu bojo praticamente as mesmas razões apresentadas em sede de Impugnação Administrativa às fls. 4746/4790 dos autos, modificando se apenas nos seguintes tópicos: a) DA NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DO RECORRENTE DO POLO PASSIVO DAS AUTUAÇÕES FISCAIS POR APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. DÚVIDA QUANTO À SUA PARTICIPAÇÃO NO SUPOSTO ESQUEMA FRAUDULENTO: Diz que “a efetiva participação do Recorrente no suposto esquema fraudulento mencionado no trabalho fiscal, deve ser determinada a sua exclusão do polo passivo das autuações fiscais reunidas no presente processo administrativo, por aplicação do princípio in dubio pro contribuinte, previsto no artigo 112 do Código Tributário Nacional”. Não se trata de aplicação do art. 112 vez que, para este Relator, não existem dúvidas da participação do Sr. PAULO CESAR VERLY no esquema criminoso, sendo um dos principais de seus agentes. DA DESCONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS LEGAIS NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL: Diz que “in casu, a alegada afronta à legislação de regência decorre do fato de que, comumente, verificase a existência de créditos em extratos bancários que, na verdade, não se enquadram no conceito de RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL, como, por exemplo, aqueles com origem em empréstimos, financiamentos, mútuos, dentre outros. Noutras palavras, eram contas transitórias de dinheiro o que, todavia, não foi levado em consideração pelo Fisco”. Também não há como acolher tal argumento vez que a tributação decorreu de presunção legal que o Recorrente não logrou êxito em comprovar sua inocorrência. Ademais, apresenta uma série de alegações genéricas. Os erros e incorreções identificadas foram ajustadas através de decisão da DRJ. DESPROPORCIONALIDADE DOS RECURSOS TOMADOS POR BASE NO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO: Diz que “às operações envolvendo exclusivamente a pessoa jurídica CLS METAIS no período autuado, ao se analisar o capítulo denominado "Do retorno dos recursos sonegados aos reais beneficiários", é possível perceber que a Autoridade Fiscal não relaciona NENHUM recurso transacionado diretamente entre a empresa e o Recorrente, nem mesmo a movimentação de recursos envolvendo a própria CLS METAIS”. (...) “Para se atribuir a responsabilidade pela tributação desses recursos aos sócios, caberia à Fiscalização provar cabalmente a existência de elementos hábeis a permitir a despersonalização das pessoas jurídicas envolvidas, questionar sua existência, ou, no mínimo, comprovar o repasse dos recursos às pessoas físicas”. Fl. 7430DF CARF MF 52 Também não há como acolher tal argumento diante do amplo contexto probatório. O recorrente foi beneficiário direto do esquema criminoso, recebendo repasses de empresas como a ALUMINIBRAS, que receberam repasses da CLS. Os reais beneficiários deste gigantesco embuste, que possuem o chamado “domínio dos fatos” , pessoas físicas e jurídicas, abasteciam financeiramente essas empresas, injetando recursos que peregrinavam entre as diversas contas correntes mantidas em sua grande parte na Agência 0559 SP/USP Radial Lesta do Banco Bradesco S\A e retornavam ao coração financeiro da quadrilha, seu caixa, mantido através de várias empresas ligadas aos nacionais e empresários JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, seus familiares e suas empresas, estas sediadas nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ainda com intuito de mostrar a centralização do grupo em torno da figura de PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ e diante da pulverização de empresas vinculadas ao grupo nos últimos anos que revelam a quantidade das empresas consultadas em cujo quadro societário encontravase ou se encontra a participação de PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ. Observase que a quantidade de participações não é constante ao longo do tempo. Além disso, verificase um relevante incremento na quantidade de participações de PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ (CPF 496.131.20700) entre 2015 e 2016, saltando, essa métrica, de 7 para 13 empresas. De fato, esse movimento coincide com o período em que se intensificam a fiscalização em face do Grupo iniciadas em 2009, mais concentradas entre 2014 e 2015, levando a inevitável conclusão de que a movimentação societária de um dos seus principais gestores é uma resposta ao trabalho da fiscalização com intuito de blindar seu patrimônio do crédito em processo de constituição. De outro lado, também se pode perceber que, apesar dos inúmeros desmembramento de CNPJs, o Sr. LUCAS NERCESSIAN, genro de PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, aparece com poderes de gestão, em empresas com participações dos filhos de JOÃO NATAL CERQUEIRA, reiterando o vínculo entre os sócios originários. A propósito, além de existir um nível exacerbado de negociações entre empresas com participação relacionada, os documentos obtidos pelos cartórios em razão do arrolamento realizado pela RFB também demonstram a unificação patrimonial das empresas, que se avalizam reciprocamente, inclusive, por “compromissos a serem futuramente assumidos”, o que ilustra a comungação de interesses no gerenciamento dos negócios do grupo e forte vínculo fiduciário na prospecção dos seus negócios. A título exemplificativo, convém colacionar, a ementa da certidão abaixo juntada, na qual se ilustra a unicidade volitiva das empresas envolvidas e a confusão patrimonial. Fl. 7431DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.406 53 Ademais, como ocorre quanto aos outros solidários, vêse prudente demonstrar a incompatibilidade dos rendimentos auferidos em relação ao acréscimo patrimonial, despesas anuais de cartão de crédito e movimentação financeira das pessoas físicas envolvidas, o que comprova a total artificialidade dos valores declarados, fato que, em última análise, confirma a assertiva de que a vida ostentada pelos reais beneficiários é sustentada por recursos desviados das pessoas jurídicas integrantes Grupo econômico de fato. Assim, quanto à PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, verificase que, nos anos de 2007 a 2009, os rendimentos totais declarados (tributários e isentos) sequer seriam suficientes para o pagamento das despesas de cartão de crédito. De outro lado, nos anos de 2010 a 2014, a movimentação bancária supera rendimentos declarados, fato que gera uma presunção de omissão de receitas, e dentro de todo o contexto fático e probatório apenas se coadunam com o fato de ser um dos destinatários reais dos recursos ilícitos obtidos por meio do esquema fraudulento por ele arquitetado: Fl. 7432DF CARF MF 54 Assim, face ao exposto, também não há como prover o Recurso Voluntário quanto a estes pontos. Ressaltese que a análise quanto à responsabilidade solidária e sua fundamentação legal já foi realizada quando do julgamento dos recursos anteriores, e igualmente se aplicam ao caso do Sr. PAULO CESAR VERLY, sendo desnecessário repetir os argumentos. Das demais alegações dos Recursos Voluntários. Como já relatado, fora as razões acima analisadas, os Recursos Voluntários se constituem em mera repetição dos argumento de impugnação, já analisados exaustivamente pela DRJ. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o Fl. 7433DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.407 55 voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: Das preliminares. Das nulidades suscitadas. Da alegada utilização de provas ilícitas em razão da suposta quebra de sigilo bancário sem autorização judicial: Os recorrentes, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, E PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA suscitaram a nulidade do ato administrativo de exigência do crédito tributário, sob o fundamento de que as provas apresentadas pela Autoridade Autuante são ilícitas, já que teriam sido obtidas com a quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial, violandose os princípios da intimidade e privacidade e inviolabilidade dos dados. No entanto, essa alegação não merece prosperar. Primeiro porque não há um direito constitucional expresso ao sigilo bancário e tampouco uma reserva de jurisdição para a sua transferência. Por outro lado, há diversos outros princípios constitucionais que fundamentam a transferência do sigilo bancário para a Administração Tributário (convertendoo em sigilo fiscal). Para se atingir o fim de se exigir tributo devido, respeitandose os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, imperioso que o Fisco possua elementos capazes de identificar o patrimônio e a renda para agir de forma tempestiva e célere em relação aos sujeitos passivos que se valem de formas evasivas para negar sua contribuição ao financiamento do Estado, em claro prejuízo concorrencial àqueles que são ciosos de suas obrigações tributárias. Constatase que após o não atendimento da intimação fiscal, para apresentação dos extratos bancários e demais documentos, foram formalizadas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, juntadas às fls. 2931 a 2944, dirigida às Instituições financeiras com as quais a fiscalizada mantinha relacionamento bancário, com Fl. 7434DF CARF MF 56 fundamento no art. 6º da Lei Complementar nº 105 e no art. 4º, §6º do Decreto nº 3.724, que a regulamentou, ambos de 10 de janeiro de 2001. Registrese que a emissão da RMF constituise em medida que prescinde de autorização judicial e não configura quebra de sigilo, conforme pode se verificar na leitura do citado dispositivo legal: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (negritouse.). No mesmo diapasão, prescreve a Lei Complementar nº 105, de 2001, no seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Por sua vez, visando realçar a inviolabilidade do direito de intimidade e privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º que "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". No que concerne ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Por isso, não se vislumbra na regra do art. 5º qualquer diretriz que possa induzir ou produzir quebra de sigilo bancário ou violação do direito à intimidade ou à privacidade das pessoas. As informações continuam sendo absolutamente sigilosas. Em suma, podese dizer que não há perigo de devassa ou quebra de sigilo. Ademais, a questão da transferência do sigilo bancário de instituições financeiras para o Fisco já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral declarada no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314. Nesse contexto, analisaramse também as Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADI, nºs 2390, 2859, 2386 e 2397, as três últimas apensadas a primeira. Na Sessão plenária ocorrida no STF em 24 de fevereiro de 2016, por maioria de votos (9 a 2), prevaleceu o entendimento de que o disposto na norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a Fl. 7435DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.408 57 fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos para o Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, não havendo portanto ofensa à Constituição Federal. O inteiro teor do acórdão foi publicado no DJe198 em 16 de setembro de 2016. Vejase a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista Fl. 7436DF CARF MF 58 o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.A decisão possui o seguinte teor: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Destarte, tendo em vista que a emissão do RMF deuse nos termos da legislação de regência, cuja constitucionalidade foi ratificada pelo STF, não há nenhum vício que possa macular o lançamento fiscal. Da nulidade suscitada em razão da ausência de intimação dos recorrentes para comprovar a origem dos depósitos: Os recorrentes JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA suscitaram a nulidade do ato administrativo de exigência do crédito tributário, sob o fundamento de que não foram intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nesse contexto, solicitam a aplicação do disposto na Súmula nº 29 do CARF. Primeiramente cabe registrar que o procedimento fiscal é realizado perante o contribuinte e que a responsabilidade tributária decorre da obrigação de responder pelo crédito tributário sem se revestir daquela condição. Não há nenhuma regra no âmbito do direito processual tributário que determine a participação dos responsáveis no procedimento fiscal, fase inicial do processo administrativo fiscal. Até mesmo a participação do contribuinte é prescindível, devido ao caráter inquisitório das ações fiscais, que podem ser conduzidas unilateralmente por parte da autoridade administrativa fiscal, sendo dispensável, na maioria das vezes, que para cada ato administrativo praticado seja concedido ao sujeito passivo a oportunidade de apresentação de contrarazões. No caso de omissão de receitas decorrente de depósito bancário de origem não comprovada, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o titular da conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira seja regularmente intimado para comprovar o origem dos valores creditados na referida conta, o Fl. 7437DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.409 59 que ocorreu no caso concreto. Nesse contexto, cumpre registrar a seqüência de atos realizados pela Autoridade Autuante, que iniciou o procedimento fiscal em 31/07/2013, por meio da cientificação pessoal de Cleidiana de Oliveira Barbosa da Silva – CPF nº 316.746.93826 (fls. 117 e 118), em seu domicílio fiscal à época situado na rua Líbero Badaró, nº 545, em São Bernardo do Campo/SP. Em 24/02/2014 foi expedida outra intimação, por via postal, que retornou dos correios, em razão de a fiscalizada ter se mudado (fls. 2947 e 2948). Em 18/03/2014, o procurador da empresa, Renam Navarro, RG: 47.850.6089 (fl. 2819) apresentouse à DRF/São Bernando do Campo para ter ciência do Termo de Intimação Fiscal que solicitava a apresentação do Livro de Registro e Apuração do IPI e notas de aquisições que geraram créditos de PIS e COFINS não Cumulativos (fls. 2949 a 2953), apresentando os elementos solicitados em 07/04/2014 (2955 a 3921). Em 23/04/2015 (fls.4912) foi lavrado outro Termo de Intimação Fiscal no novo domicílio fiscal do contribuinte, qual seja, av. Batel, nº 1230, 8º andar, conjunto 803, Curitiba/Paraná, onde se intimou o sujeito passivo a comprovar a origem dos créditos efetuados na conta corrente do Bradesco (agência 05592, c/c: 55.8303) e no Itaú (ag: 6384, c/c 11357 4). A intimação foi assinada pelo agente de correios em 29/04/2015, porém em 04/05/2015, os Correios a devolveram com a informação “Mudouse” (fl. 4928). Em 13/05/2015, foi publicado no D.O.U. o Edital nº 44, dando ciência ao contribuinte do “Termo de Intimação Fiscal e Demonstrativo de Créditos Apurados – 2012”, lavrados em 23/04/2015, conforme fl. 4843, juntada aos autos. A Fiscalização não obteve resposta da referida intimação. Como se verifica, a fiscalização foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos créditos efetuados nas referidas contas bancárias. Nesse cenário, vejase o que dispõe o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (negritouse.). A regra de que trata o § 5º transcrito prescreve que a intimação de terceiros ocorra quando o titular da conta corrente bancária, intimado a comprovar a origem dos Fl. 7438DF CARF MF 60 valores, alega que os mesmos não lhe pertencem, ou seja, o contribuinte se defende da imputação de omissão de receitas atribuindo à outrem a propriedade dos depósitos não justificados. Ou quando essa constatação é efetivada pela Autoridade Fiscal. Isso não ocorreu no presente caso, posto que a pessoa jurídica não compareceu aos autos. Ademais, embora a Autoridade Fiscal tenha verificado que a autuada participava do esquema fraudulento relatado, não chegou a desconsiderar a sua personalidade jurídica. Concluiu pela inexistência de fato da fiscalizada no momento em que procedeu o procedimento fiscal, ou seja, em momento distinto da data do fato gerador. Assim, ante a ausência de redirecionamento da posse do numerário para outrem e da desconsideração da personalidade jurídica da autuada, os valores que circularam pela conta corrente são de titularidade da autuada, descabendo falarse em intimação aos sócios solidários. Além disso, nenhum dos recorrentes (responsáveis solidários) consta como cotitular da conta corrente bancária mantida em nome da empresa autuada, portanto, descaberia aplica o § 6º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, para intimálos a comprovar os depósitos bancários. Aliás, caso tivessem sido intimados, estarseia contrariando o previsto no artigo 198 do Código Tributário Nacional que alberga a observância ao sigilo fiscal, mesmo porque, todos os recorrentes, indistintamente, negam qualquer participação na situação que se apresenta. O fato de ter sido constatado que os responsáveis solidários são os reais beneficiários dos recursos não é condição que demanda a intimação dos mesmos. Caso assim fosse, o mesmo procedimento teria que ser adotado também nos casos em que a empresa fiscalizada, perfeitamente regular, for autuada pelo Fisco por depósito bancário de origem não comprovada, com arrolamento dos sócios, o que não encontra amparo legal. Neste caso, intimase a empresa, titular da conta, por meio de seu representante legal, sem qualquer necessidade de intimação dos responsáveis tributários. Estes podem ser os sócios administradores ou até mesmo diretores, sem que tenham sido, necessariamente, beneficiários diretos da infração tributária. De se ressaltar que a Súmula CARF nº 29 é dirigida aos cotitulares, ou seja, destinase a prevenir que todos os que constam do rol de titulares da conta corrente, ou seja, todas as pessoas que constam do cadastro daquela conta junto à instituição financeira, sejam intimados a manifestarse sobre os valores que estão sendo questionados, o que não é o caso. Vejase a sua redação: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Não há que se falar em cotitularidade de pessoas que se beneficiaram com pagamentos realizados pela autuada. São situações completamente distintas. Ressaltese, ainda, que com a ciência do lançamento pelos responsáveis tributários oportunizouse a estes as vistas ao processo e apresentação dos pontos de discordância, as razões e provas que possuísse para ilidir o crédito tributário, entretanto, nada apresentou para comprovar a origem dos depósitos bancários. Por tudo o exposto, a não intimação dos responsáveis para a comprovação da origem dos depósitos bancários não acarreta a nulidade do ato administrativo. Fl. 7439DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.410 61 Da alegada necessidade de individualização e delimitação da base tributável imputada a cada sujeito passivo solidário: Os recorrentes JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, E PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA suscitaram a nulidade do ato administrativo de exigência do crédito tributário, sob o fundamento de que não houve a individualização e delimitação da base tributável a ser imputada a cada um dos sujeitos passivos solidários. Alegam que o §5º do artigo 42 da Lei n º 9.430, de 1996, determina que deve ser imputado ao terceiro exclusivamente os créditos que lhe pertencem comprovadamente. Assim, consideram que o rastreamento realizado pelo Fisco possibilita identificar os recursos destinados a cada sujeito passivo solidário e que a base de cálculo dos tributos cuja responsabilidade está sendo imputada a cada um deles teria que ser individualizada e limitada. No entanto, conforme restou demonstrado no Relatório das Auditorias, os responsáveis solidários obtiveram algumas vantagens de cunho pessoal, quando foi possível mensurar valores direcionados diretamente a pessoas específicas. Contudo, grande parte dos recursos que favoreceu os solidários ocorreu de forma indireta, via a utilização de SCP onde estas mesmas pessoas constavam como sócios ocultos. Em suma, os benefícios foram obtidos diretamente por depósitos em conta corrente de titularidade dos beneficiários, efetuados pelas empresas partícipes do esquema, e indiretamente, por meio de depósito em conta corrente de titularidade de empresas das quais os beneficiários figuraram como sócios, conforme descrito nas fls. 4047 a 4055. Dessa forma, não há como atribuir a essa ou aquela pessoa física, valores pessoais e individuais, razão pela qual a responsabilidade deve ser atribuída a todos os integrantes. Ademais, é da essência da responsabilidade solidária não comportar benefício de ordem, de maneira que o Fisco pode até mesmo escolher um único responsável para arcar com todo o crédito tributário. Nesse sentido, as relações e contratos existentes entre os reais beneficiários não devem ser resolvidas no âmbito do direito tributário e sim no do direito civil a partir de demandas por eles propostas. Na responsabilidade tributária apurase o crédito devido em nome do contribuinte e chamamse ao processo, como medida de garantia, os responsáveis, sem que se tenha que identificar qual parcela do crédito tributário cabe a cada um dos responsáveis, até porque o crédito tributário é uno e decorre de infração à legislação tributária cometida pelo contribuinte. Por fim, o disposto no § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplica ao caso concreto, pois não houve a desconsideração da personalidade jurídica da fiscalizada. É ela a titular da conta bancária. Não se verifica, nos autos do processo, que o real titular da conta bancária (fiscalizada) seja distinto do que consta do cadastro, ou seja, não se afastou o titular da conta, situação que ensejaria a aplicação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 7440DF CARF MF 62 Repisandose, a distinção observada (de direito e de fato) não é entre os titulares da conta bancária e sim entre os sócios, os quais não se confundem com os titulares da conta fiscalizada. Nesse contexto, há que se ter clara a aplicação do princípio da entidade, segundo o qual o patrimônio da sociedade não se confunde com o dos sócios, sem prejuízo da responsabilização tributária, nas hipóteses previstas em lei. Ante o exposto, rejeitase a argüição de nulidade do lançamento por falta de individualização e delimitação da base tributável imputada a cada sujeito passivo solidário. Da alegada nulidade em razão de divergência entre a capitulação legal e a motivação fática da imputação da responsabilidade. O recorrente PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ suscitou a nulidade do ato administrativo de exigência do crédito tributário, sob o fundamento de que houve divergência entre a capitulação legal e a motivação fática da imputação da responsabilidade. Alega que no “Demonstrativo dos responsáveis tributários” apontase o art. 135, inciso III, do CTN, como fundamento legal da solidariedade imputada ao recorrente, ao passo que na exposição fática do lançamento, o Fisco aponta situações que se enquadram no art. 124, I, do CTN, tornando imprecisa a indicação da infração e o fundamento legal exato em que se baseia o lançamento, o que seria um erro de direito, motivador da nulidade do lançamento. Não tem razão a recorrente. Primeiro porque no Demonstrativo de Responsáveis Tributários (fls. 4059, 4060, 4073, 4074, 4090, 4091, 4106, 4107) o art. 124, inciso I, do CTN, é capitulado como enquadramento legal da responsabilidade. Segundo, porque no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, no item “3) Dos reais beneficiários do esquema delituoso e da Responsabilidade Solidária” (fls. 4046 a 4055), a Autoridade Autuante descreve os fatos e valores que levaram a caracterizar as pessoas nele descritas como responsáveis tributários, entre as quais o recorrente indicando não só o art. 124 mas também o art. 135, inciso III, 137 do CTN e art. 210, inciso VI e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (fl. 4055). Ou seja, a responsabilidade tributária foi atribuída com base nos arts. 124, inciso I; 135, inciso III; 137 do CTN e 210, inciso VI e parágrafos do RIR/1999, não se verificando a falha alegada pelo recorrente. A complementação entre enquadramentos legais ou mesmo a falta de determinado dispositivo legal não é causa de nulidade do lançamento, pois somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Isso porque o ato administrativo é integrado não apenas pelo Auto de Infração, mas também pelo Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Aliás, é neste que, na maioria das vezes, estão descritos os fatos que ensejam o lançamento e a responsabilização tributária. De se ressaltar, ainda, que o recorrente identificou claramente os dois enquadramentos legais e poderia ter se defendido de cada um deles, caso os considerasse insubsistentes, não se identificando qualquer prejuízo para a defesa. Tampouco configurase erro de direito a situação apresentada pela recorrente, pois a capitulação legal da responsabilidade veio acompanhada de farta descrição dos fatos e elementos probatórios, contra os quais a recorrente poderia ter se defendido. Fl. 7441DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.411 63 Destarte, a simples alegação de divergência entre a capitulação legal e a motivação fática da imputação da responsabilidade não é causa de nulidade do ato administrativo. Da legitimidade das partes. Da participação da autuada no esquema delituoso: Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA e PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, de uma forma ou de outra, alegam que não há provas do envolvimento deles no esquema delituoso e nem que de que se beneficiaram com recursos da fiscalizada. Dessa forma, primeiramente cabe verificar se houve participação e envolvimento da autuada, CLS Metais Indústria e Comércio de Metais EIRELI, no esquema delituoso. Nessa linha, a Autoridade Fiscal, em vistoria às instalações da fiscalizada, constatou haver no local apenas dois funcionários, um barracão, algumas pequenas salas e nenhum maquinário industrial e equipamentos condizentes com a execução da atividade econômica de usinagem, tornearia e solda e com o valor das compras de mercadorias e insumos declarado na DIPJ AC 2012 no valor de R$ 74.348.525,09 e das receitas no valor de R$ 57.650.813,53, de modo que concluiria pela inexistência de fato da pessoa jurídica, com fundamento no art. 27, inciso II, da IN RFB nº 1.470, de 2014. A Autoridade Fiscal também constatou que o quadro societário da fiscalizada era composto por interposta pessoa, qual seja, José Ivan Bezerra, CPF nº 095.310.22895, que, em 2012, apresentou rendimentos no valor de R$ 19.730,39, sendo R$ 13.500,00 oriundos da CLS e bens no montante de R$ 110.000,00 e dívidas no valor de R$ 215.523,00. Ou seja, não possuía capacidade financeira condizente com os recursos movimentados pela fiscalizada. A fiscalizada, ainda, fez diversas remessas de recursos à ALUMIBRÁS IND, E COM. DE ALUMÍNIOS LTDA E À PERFIBRÁS COM. E ALUMÍNIOS E METAIS LTDA e recebeu recursos da ALUMIBRÁS, PERFIBRÁS, LUCKMETAIS COM. DE METAIS LTDA E INGAÍ ALUMÍNIO E METAIS COMERCIAL LTDA. Todas elas são empresas inexistentes de fato. Nesse contexto, foi apontado, tanto no Relatório Geral de Auditoria quanto no TVF, que a fiscalizada, CLS Metais, simulava operações comerciais, emitindo cheques como se estivesse liquidando operações com fornecedoras, que, na realidade, eram inexistentes de fato. As emissões dos cheques, ao contrário da contabilidade da CLS, destinavamse a depósitos em contas correntes de terceiros, configurandose fraude contábil, conforme fls. 335 a 341. Fl. 7442DF CARF MF 64 A título apenas ilustrativo vejase a escrituração de pagamento de uma duplicata no valor de R$ 12.343,72, por meio de cheque que fora descontado com esse propósito: Fl. 7443DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.412 65 Razão analítico individual da conta 111220 1101020200 Banco Bradesco c/c 55.8303. Titulares das contas bancárias para as quais foram realizados depósitos: Fl. 7444DF CARF MF 66 A seqüência de imagens anteriores demonstra que a fiscalizada, CLS Metais, descontou vários cheques emitidos por ela e em favor dela mesma, entre os quais o de valor igual a R$ 12.343,72, para pagamento de duplicadas em favor da Alumibrás Ind. Com. Alumínio e Metais Ltda, no mesmo valor. O montante total de cheques descontados no mesmo dia foi igual a R$ 59.467,00, que também coincide com o valor total das duplicatas que teriam sido quitadas com tais cheques. Em que pese a contabilização dessas operações, a bobina do caixa indicou que, no mesmo dia, foram realizados diversos depósitos em contas bancárias de terceiras pessoas, totalizando justamente o valor do montante dos cheques e duplicatas. Ou seja, os cheques não foram utilizados para quitar duplicatas e sim para destinar recursos para terceiros. Ademais, no fluxograma de relacionamento (fls. 3979 a 4001), verificase que a CLS enviou recursos, em 2012, para a Alumibras (R$ 275.832,59) e para a Perfibras (R$ 155.395,10). No mesmo ano, recebeu recursos das empresas Alumibras (R$ 275.832,59), Ingaí (R$ 212.288,44), Luckmetais (R$ 893,11) e Perfibras (R$ 155.395,10). Vejase que os recursos repassados à Alumibrás e Perfibras coincidem exatamente com os recursos recebidos dessas mesmas empresas. Ainda, nas fls. 3977 e 3978, consta relatório de remessas e recebimentos do Itaú e Bradesco, onde se demonstra o pagamento dos fornecedores Alumibrás (R$ 393.038,88) e Perfibrás (R$ 489.492,39), no ano de 2012, pelo Itaú, bem como o recebimento de recursos dessas empresas nos montantes anteriormente mencionados. Essas empresas que se relacionaram com a CLS são, repisase, inexistentes de fato. Não obstante, tais empresas enviaram recursos tanto para pessoas físicas (os responsáveis tributários) quanto para pessoas jurídicas, que repassavam recursos para outras pessoas jurídicas, todas partícipes do esquema delituoso, conforme Relatório Geral de Auditoria e fls. 3979 a 4001. Portanto, pelo descrito na acusação fiscal e pelas provas acostadas aos autos, não há dúvidas de que a fiscalizada era inexistente de fato, transacionava com pessoas inexistentes de fato, movimentou vultuosos recursos em 2012, transferia recursos para a Alumibrás que, por sua vez, direcionava parte desses recursos para os reais beneficiários, sendo inconteste a sua participação no esquema delituoso. Com isso, está correta a conclusão da Autoridade Fiscal de que a fiscalizada (CLS) é um dos elos do esquema, pois recebia notas fiscais geradoras de créditos fiscais Fl. 7445DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.413 67 (ICMS, IPI, PIS e COFINS) e transferia recursos financeiros à ALUMIBRAS e esta, por sua vez, direcionava parte desses recursos aos reais beneficiários, seja por transferências bancárias a outras pessoas físicas ou jurídicas, cujos sócios são os reais beneficiários, seja mediante aquisição de bens (móveis e imóveis) em nome dos reais beneficiários. Superada a questão do envolvimento da autuada (CLS) no esquema delituoso, passase a analisar, no item seguinte, quem são os seus reais beneficiários. Dos reais beneficiários do esquema delituoso. A Autoridade Fiscal relatou que, conforme apurado no "Relatório Geral de Auditorias", Paulo Cesar Verly da Cruz atuava em 2004 de forma semelhante a atual, constituindo empresas inidôneas, sob responsabilidade de interpostas pessoas, gerando elevados créditos tributários de IPI e ICMS devido à simulação de vendas/compras de produtos entre diversas empresas inidôneas, favorecendo a movimentação, transferência e ocultação dos recursos financeiros e dos reais beneficiários. Constatou, no atual esquema delituoso, a utilização do mesmo "modus operandi" e elaborou os "QUADROS 1 a 4" onde identificou as datas das transações; o número da conta corrente e do cheque da ALUMIBRAS (sacada); os valores dos créditos; as contas correntes do favorecido, conforme apurações feitas pela fiscalização. Os dados foram suportados por farta documentação apresentada pelas Instituições Financeiras, tais como cópias de cheques e fitas detalhes dos caixas, que possibilitaram identificar as contas correntes dos beneficiários e os respectivos valores. Vejamse os valores envolvidos e respectivos beneficiários: Fl. 7446DF CARF MF 68 A Autoridade Fiscal também relatou o seguinte: Várias outras empresas, partícipes das fraudes conforme acima citado, encaminhavam transferência de valores à EMPÓRIO DE METAIS LTDA, que tinha em seus quadros societários os empresários JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, bem como às pessoas físicas de RAFAEL Fl. 7447DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.414 69 ESCOBAR CERQUEIRA através da conta corrente n.° 0014255 7, JOÃO NATAL CERQUEIRA, conta corrente 00000833, PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ conta corrente n.° 0000082 5, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA — conta corrente n.° 00112542 todas mantidas na agência 1056 SP/Belo Horizonte MG do Banco Bradesco SIA, além de depósitos na conta corrente n.° 00302553 da empresa Empório de Metais Ltda que pertencia a JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ. Os depósitos rastreados totalizaram a importância de R$ 9.031.750,58 (nove milhões, trinta e um mil, setecentos e cinqüenta reais e cinqüenta e oito centavos), fato que demonstra que após o abastecimento das empresas inidôneas com os respectivos créditos, os valores retornavam às contas correntes dos reais beneficiários, conforme planilha demonstrativa abaixo: Vejase o quadro a seguir: Fl. 7448DF CARF MF 70 Fl. 7449DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.415 71 Fl. 7450DF CARF MF 72 Totalizando, por real beneficiário, os valores que os beneficiaram diretamente ou indiretamente, nos anos de 2010, 2011 e 2012, temse: Fl. 7451DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.416 73 Como se verifica, João Natal Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz, Paulo Henrique Escobar Cerqueira e Rafael Escobar Cerqueira receberam direta e/ou indiretamente recursos da ALUMIBRÁS e de diversas outras empresas envolvidas na fraude. Quanto ao impugnante João André Escobar Cerqueira o seu envolvimento está demonstrado no item “3.2.2.2 Da alegada inconsistência dos fatos indicados pela Fiscalização como fundamento da sujeição passiva solidária imputada a JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA.” Esse fato demonstra que após o abastecimento das empresas inidôneas com os respectivos créditos, os valores retornavam às contas correntes dos reais beneficiários. Ou seja, a autuada utilizava empresas inexistentes de fato para fazer com que os recursos chegassem aos reais beneficiários, de forma direta (depósito em conta das pessoas físicas), ou de forma indireta (depósito em conta de pessoa jurídica das quais os reais beneficiários eram sócios de fato). Os reais beneficiários são, portanto, os sócios de fato da impugnante e por isso foram responsabilizados pelo crédito tributário. Em que pese a demonstração dos reais beneficiários do esquema, nos itens seguintes serão, ainda, enfrentados os argumentos apresentados por cada um dos responsabilizados que, em suma, consideraram ausente a demonstração do elo de ligação entre a autuada e os responsáveis. Da alegada ausência de demonstração do elo de ligação entre a autuada e o responsável solidário Paulo César Verly da Cruz Fl. 7452DF CARF MF 74 PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ alega que não há indícios de sua participação na materialização dos fatos que compuseram o suposto esquema fraudulento ou de que tenha auferido benefício econômico com esses fatos. Argumenta que “somandose todos os fatos e documentos que a Fiscalização afirma ter colhido para chegar à responsabilização solidária do Impugnante, chegase à conclusão de que nenhum vínculo, ainda que indireto, foi demonstrado entre ele e a empresa havida como devedora principal (CLS METAIS).” No entanto, as provas acostadas aos autos do processo demonstram o contrário. Primeiramente, conforme demonstrado no item “3.2.2. Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ foi um dos beneficiários dos recursos movimentados pelo esquema delituoso. Sua participação se deu de forma direta, por meio de recebimento de recursos em sua conta corrente pessoa física n.° 00000825 mantida no Bradesco, na agência 1056 SP/Belo Horizonte/MG, e de forma indireta, por meio de recursos recebidos de diversas empresas participantes da fraude, em nome da empresa “Empório de Metais”, em que João Natal Cerqueira e Paulo César Verly da Cruz figuraram como sócios. Atualmente a empresa mantém em seu quadro social interposta pessoa.empresas das quais fora sócio. Os valores que o beneficiou diretamente ou indiretamente, nos anos de 2010, 2011 e 2012, é igual a R$ 8.169.126,48 – conforme quadro a seguir: O detalhamento dos depósitos, valores, datas e demais dados podem ser conferidos no item “3.2.2. Dos reais beneficiários do esquema delituoso”. Portanto, se o esquema delituoso envolvia diversas empresas que transferiam recursos entre si para fazêlos chegar aos reais beneficiários, entre os quais PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, é evidente o elo de ligação entre ele e o esquema delituoso, que por contar com a participação da autuada (CLS), também caracteriza o elo entre esta e o impugnante. Nesse contexto, a autuada, em 2012, repassara recursos para a Alumibrás, que, por sua vez, repassara recursos tanto para a empresa Empório de Metais Ltda quanto para o impugnante. Outras empresas partícipes do esquema delituoso também repassaram recursos para a empresa Empório de Metais Ltda. Nem se diga que o impugnante não era mais sócio da Empório de Metais Ltda. De fato, em consulta ao quadro societário da empresa “Empório de Metais Ltda”, verificase que Paulo César Verly da Cruz e João Natal Cerqueira figuraram no quadro societário da empresa até 2004. Não obstante, a retirada formal dos referidos sócios não é prova inconteste de que, de fato, eles se afastaram da empresa, mormente quando foi caracteriza a interposição de pessoas, pela Autoridade Fiscal, no quadro societário da referida empresa. Fl. 7453DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.417 75 Por outro lado, conforme demonstrado nos quadros transcritos no item “3.2.2. Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, o impugnante, juntamente com os demais responsáveis, receberam recursos de diversas empresas partícipes do esquema, de modo que os recursos sempre convergiam para o mesmo grupo de beneficiários pessoas físicas e pessoas jurídicas inexistentes de fato. Ademais, de acordo com o Relatório Geral de Auditoria, foram detectados recursos direcionados a ALEXANDRE GRIBEL HOMEN DE CASTRO – CPF 54702240668, residente na capital Belo Horizonte – Estado de Minas Gerais, que, devidamente intimado a justificar a origem dos valores ingressados em sua conta corrente, encaminhou à Fiscalização vários documentos que comprovaram que FRANCISCO COIMBRA DE MACEDO NETO – CPF 50043510744, sócio da CIMEELI COMERCIO E INDUSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA, juntamente com PAULO CESAR VERLY DA CRUZ e JOÃO NATAL CERQUEIRA, adquiriram imóvel de sua propriedade utilizandose de recursos de várias empresas do esquema fraudulento, sendo elas: (DOCTO. 181) Se o impugnante relacionara com empresas inexistentes de fato que, além de servirem para aquisição de bens de raiz, também simulavam operações falsas objetivando destinar recursos para os reais beneficiários, entre os quais o impugnante, esse conjunto de indícios são provas suficientes da relação entre o impugnante e o esquema delituoso. Fl. 7454DF CARF MF 76 Destarte, está comprovado o envolvimento do impugnante com o suposto “esquema delituoso” e o conseqüente beneficiamento, razão pela qual a responsabilidade tributária a ele imputada deve ser mantida, não sendo necessário comprovar o recebimento direto, por ele, de recursos da autuada ou de outras empresas partícipes. Da alegada inconsistência dos fatos indicados pela Fiscalização como fundamento da sujeição passiva solidária imputada a JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA: JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA considera que há inconsistência dos fatos indicados pela fiscalização para fundamentar a sujeição passiva solidária. Sustenta que a Autoridade Fiscal indica a existência de remessas e recebimentos de numerários entre a empresa autuada e terceiras empresas que não guardam qualquer relação com o recorrente, que jamais foi sócio de qualquer delas. Ressalta que o recorrente integra o quadro societário da empresa ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA como SÓCIO MERAMENTE QUOTISTA, sem possuir poderes de administração, não tendo qualquer controle sobre a gestão da referida empresa e que as empresas PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA também não são administradas pelo recorrente. Destaca que no TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL NÃO EXISTE QUALQUER INDICAÇÃO DE EVENTUAIS REMESSAS DE RECURSOS ENVIADOS ÀS EMPRESAS PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a Autoridade Fiscal consignou que o recorrente beneficiouse de recursos financeiros enviados por empresas inseridas no esquema delituoso, das quais figura como sócio ou exsócio das seguintes empresas: ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, a qual tem participação societária nas empresas PRJ PARTICIPAÇÕES LTDA, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA E KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Vejamse os seguintes quadros societários: ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 10.461.488/000108, constituída em 07/11/2008, tendo como quadro societário os nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 06004614600 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 COM 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33% de participação societária respectivamente. (DOCTO. 174) Fl. 7455DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.418 77 TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 13.576.294/000146, constituída em 29/03/2011, com endereço à Avenida Edméia Mattos Lazzarotti, 3195 – Loja E – Ingá – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/0001 88 com 50% de participação societária e a pessoa física de RAFAEL ESCOBAER CERQUEIRA – CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador no CNPJ. (DOCTO. 173) XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – inscrita no CNPJ sob o n.º 16.509.511/000173, constituída em 09/07/2012, com endereço situado à Rua Rio e Janeiro, 410 – Sala 313 – Centro – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.461.488/000108, com 50% de participação societária, DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador. Tramitou também nesta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO, CPF 09189671716 no período de 09/07/2012 a 18/12/2013. (DOCTO. 171) KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 08.759.416/000108, constituída em 13/04/2007, com endereço informado Rua Santiago Ballesteros, 260 – Bairro Cinco – Contagem – MG, tendo como quadro societário as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 13.576.294/000146 com 0,01 de participação societária, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 16.509.511/000173, com99,99% de participação societária, as pessoas físicas de PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 0% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 07044478603, como responsável pelo CNPJ na Secretaria da Receita Federal do Brasil. (DOCTO. 172. A Autoridade Fiscal registrou, ainda, que após percorrerem o itinerário delituoso os recursos eram direcionados principalmente à empresa inexistente de fato PERFIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e depois redirecionados a KOPRUM em forma de depósitos e/ou transferência em valores elevados. Esta possuía a antiga denominação de COMÉRCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA. Nesse contexto, identificaramse várias emissões de cheques provenientes da PERFIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO e ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO (empresas inidôneas) simulando transações comerciais, que, na realidade, referiamse a retorno de valores ao controle da organização (doc. 183). Vejase a tabela a seguir: Fl. 7456DF CARF MF 78 Como se verifica e ao contrário do que se alega, foi demonstrado que houve remessas de valores em benefício do recorrente, ou seja, os cheques provenientes da PERFIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO e ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO (empresas inidôneas) não se destinavam a pagar as operações, já que simuladas, e sim a transferir recursos para a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Se a empresa KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA tinha como sócias as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA e XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, que, por sua vez, possuíam, como sócia, a empresa ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, cujo um dos sócios é o recorrente, é decorrência lógica que ele participa indiretamente da KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e se também se beneficiou dos recursos repassados a esta em razão das operações simuladas. Fl. 7457DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.419 79 De se ressaltar que o fato de a empresa ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA ser não operacional em nada afeta a conclusão do beneficiamento do recorrente no esquema, como quotista, assume os riscos do negócio. Ademais, o fato de ser sócio apenas cotista, não retira o beneficiamento que teve com o esquema. Quanto à alegação de que não há remessas de valores da empresa autuada, bem como qualquer outra empresa investigada para o recorrente ou mesmo para a pessoa jurídica ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, não se pode concordar, pois tal recebimento ocorrerá de forma indireta. Nessa linha, tomandose como exemplo a empresa Alumibras, que recebera recursos da autuada, CLS, que, por sua vez, repassara recursos para a empresa Alumibras, a qual repassara recursos para a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em última análise está repassando recursos para o recorrente. Vejase a representação esquemática: Operação escriturada: Efeito prático da operação anterior: CLS Þ RECORRENTE Dessa forma, podese concluir que a autuada utilizava empresas inexistentes de fato para fazer com que os recursos chegassem aos reais beneficiários, de forma direta (depósito em conta das pessoas físicas), ou de forma indireta (depósito em conta de pessoa jurídica das quais os reais beneficiários eram sócios de fato ou de direito – direta ou indiretamente). Portanto, os indícios são veementes no sentido de que o RECORRENTE se beneficiou de recursos repassados pela autuada. Destarte, está rejeitada a alegação apresentada neste item. Fl. 7458DF CARF MF 80 Da alegada inconsistência dos fatos indicados pela Fiscalização como fundamento da sujeição passiva solidária imputada a RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA. RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA considera que há inconsistência dos fatos indicados pela fiscalização para fundamentar a sujeição passiva solidária. Sustenta que no TVCF a única alegação fiscal direcionada ao recorrente é de que outras empresas (supostamente partícipes do “esquema delituoso”) e não a empresa autuada, teriam realizado transferências de valores para a conta bancária de sua titularidade, pessoa física, ou seja, não se teria conseguido demonstrar qualquer recebimento de valores pelo recorrente originários da devedora principal. Alega que a Autoridade Fiscal indica a existência de remessas e recebimentos de numerários entre a empresa autuada e terceiras empresas que não guardam qualquer relação com o recorrente, que jamais foi sócio de qualquer delas. Pontua que o raciocínio utilizado pela Autoridade Fiscal para justificar a Recorrente de sujeição passiva solidária ao recorrente é que a CLS é um dos elos fundamentais do esquema, pois recebia notas fiscais geradoras de créditos fiscais (ICMS, IPI, PIS e Cofins) e transferia recursos financeiros à ALUMIBRÀS e esta, por sua vez, direcionava parte destes recursos aos reais beneficiários. Sustenta que o trabalho fiscal é arbitrário e subjetivo, pois o recorrente não se beneficiou direta ou indiretamente de remessas realizadas pela empresa autuada. Assim, entende que as remessas não podem ser utilizadas para indicar qualquer “proveito econômico” obtido pelo recorrente, decorrente das infrações imputadas à autuada. Defende que não há como uma pessoa física ou jurídica ser coobrigada por fato gerador de determinada empresa autuada, quando esta coobrigação se fundamente em uma presumida participação deste coobrigada em fato gerador relacionado a outra e diversa empresa, que não a autuada. Destaca que as empresas mencionadas no Quadro 4 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que supostamente remeteram valores para a conta bancária de titularidade da pessoa física da recorrente também sofreram fiscalização que resultaram na lavratura de Autos de Infração, cujos variados períodos fiscalizados compreendem as supostas remessas de valores ao recorrente. Conclui que a fiscalização não logrou êxito em comprovar a participação do recorrente no suposto “esquema delituoso”. Primeiramente, conforme demonstrado no item “Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA foi um dos beneficiários dos recursos movimentados pelo esquema delituoso. Sua participação se deu de forma direta, por meio de recebimento de recursos em sua conta corrente pessoa física n.° 00142557 mantida no Bradesco, na agência 1056 SP/Belo Horizonte/MG, no montante de R$ 558.394,29, cujo detalhamento dos depósitos, valores, datas e demais dados podem ser conferidos no item “Dos reais beneficiários do esquema delituoso”. O recorrente recebeu recursos, depositados em sua conta corrente, das empresas Ansesil, Alumibrás, Perfibrás, Fraga e Star Metals. A Ansesil Indústria e Comércio Fl. 7459DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.420 81 de Papéis Ltda possui interposta pessoa em seu quadro societário. Era fornecedora da Transforme e servia para a produção de notas fiscais para o acobertamento da saída de recursos para outras finalidades, simulando transações comerciais que não existiam. A empresa Alumibrás Indústria e Comércio, juntamente com a Perfibrás Indústria e Comércio simularam diversas transações comerciais, que, na verdade, tratavam de retorno de valores ao controle da organização (doc. 183). A empresa Fraga é inexistente de fato e também recebia cheques da empresa METALAZUL, inexistente de fato. Aquela atuava como “noteira”, simulando ser fornecedora da empresa Transforme Ind. Com. De Metais e Papéis Ltda (doc. 46). A empresa Star Metal’s é inexistente de fato e possui interpostas pessoas em seu quadro societário, tem a função de noteira, simulando vendas à Transforme Indústria e Distribuidora de Metais e Papéis Ltda. Portanto, se o esquema delituoso envolvia diversas empresas que transferiam recursos entre si para fazêlos chegar aos reais beneficiários, entre os quais RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, é evidente o elo de ligação entre ele e o esquema delituoso, que por contar com a participação da autuada (CLS), também caracteriza o elo entre esta e o recorrente. Nesse contexto, a autuada, em 2012, repassara recursos para a Alumibrás, que, por sua vez, repassara recursos para o recorrente. Quanto ao argumento de que as empresas mencionadas no Quadro 4 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal também sofreram fiscalização que resultaram na lavratura de Autos de Infração, cujos variados períodos fiscalizados compreendem as supostas remessas de valores ao recorrente, é preciso pontuar que cada empresa autuada foi objeto de fiscalização, quando se oportunizou a comprovação da origem dos depósitos bancários. Não comprovados, ocorre o fato gerador presumido pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. Dessa forma, se o contribuinte não afasta a presunção legal, cabe a manutenção do lançamento com a responsabilização de terceiros, pelos fatos geradores ocorridos na empresa fiscalizada. Nesse cenário, os responsáveis arrolados em cada autuação respondem apenas pelo crédito tributário apurado no âmbito de cada empresa. A demonstração de que os reais beneficiários teriam se beneficiado direta e indiretamente – através da empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA – de recursos recebidos da empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA, objetiva demonstrar o envolvimento deles com o esquema fraudulento, de maneira a evidenciar que eram eles que se beneficiavam com tal esquema. Não objetivam, de outra forma, amparar a apuração do crédito tributário. Não há, portanto, como aceitar, por mera alegação, que os períodos fiscalizados das empresas citadas no Quadro 04 compreendem as supostas remessas de valores ao recorrente. Sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, o que há, na verdade, é a apuração do crédito tributário em cada empresa e a responsabilização daqueles que se beneficiaram de todo o esquema fraudulento. Ou seja, o crédito tributário apurado Fl. 7460DF CARF MF 82 embasado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 está muito bem caracterizado por empresa. Uma vez constituído tal crédito, chamase ao processo os responsáveis tributários para responder pelo crédito apurado em cada autuação, em razão das provas de participação do responsável no esquema fraudulento que envolvia várias empresas, já que o esquema era uno. Ainda sobre a participação do recorrente no esquema delituoso, além dos recursos recebidos por ele e demonstrados no Quadro 04 do TVCF, temse que ele também tem participações nas empresas envolvidas no esquema. Vejase: TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 13.576.294/000146, constituída em 29/03/2011, com endereço à Avenida Edméia Mattos Lazzarotti, 3195 – Loja E – Ingá – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000188 com 50% de participação societária e a pessoa física de RAFAEL ESCOBAER CERQUEIRA – CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador no CNPJ. (DOCTO. 173)ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 10.461.488/000108, constituída em 07/11/2008, tendo como quadro societário os nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 06004614600 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 COM 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33% de participação societária respectivamente. (DOCTO. 174) RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS LTDA – inscrita no CNPJ sob o n.º 05.860.204/000116, constituída em 18/08/2003, com endereço a Rodovia BR 356 3049 LUC NL 04 – Belverede – Belo Horizonte MG, tendo como quadro societário os nacionais RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 070444786 03 com 95% de participação societária e MARIA ANGELINA ZAIA ESCOBAR CERQUEIRA CPF 00721668860 com 5% de participação societária respectivamente. (DOCTO. 175) P.R.J. PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 06.030.272/000110, constituída em 13/11/2003, com endereço situado na PC JK 16, Centro – Juquitiba – MG, tendo como quadro societário os empresários nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERUQIERA, CPF 07044478603 com 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33 de participação societária respectivamente. Tramitou ainda na sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 65286782868 no período de 01/04/2011 a 14/01/2014; (DOCTO. 170) XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – inscrita no CNPJ sob o n.º 16.509.511/000173, constituída em 09/07/2012, com endereço situado à Rua Rio e Janeiro, 410 – Sala 313 – Centro – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.461.488/000108, com 50% de participação societária, DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 070444786 03 com 0% Fl. 7461DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.421 83 de participação societária, figurando como administrador. Tramitou também nesta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO, CPF 09189671716 no período de 09/07/2012 a 18/12/2013. (DOCTO. 171) ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 17.026.746/000177, constituída em 21/09/2012 tendo como endereço a Avenida Edmeia Mattos Lazzarotti, 3195 – Loja C – Ingá – Betim – MG, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% e participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000108 com 50% de participação societária, e como administrador, a pessoa física de RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRACPF 07044478603 com 0% de participação societária respectivamente. Tramitou por esta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO – CPF 09189671716 no período de 21/09/2012 a 18/12/2013. (DOCTO. 179) KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 08.759.416/000108, constituída em 13/04/2007, com endereço informado Rua Santiago Ballesteros, 260 – Bairro Cinco – Contagem – MG, tendo como quadro societário as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 13.576.294/000146 com 0,01 de participação societária, XPT ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 16.509.511/000173, com 99,99% de participação societária, as pessoas físicas de PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 0% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 070444786 03, como responsável pelo CNPJ na Secretaria da Receita Federal do Brasil. (DOCTO. 172). No Relatório Geral de Auditoria, consignouse a utilização de uma sociedade não personificada, denominada de “SCP” – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO, na qual intervinham o proprietário do negócio, denominado de “sócio ostensivo” e as empresas da família CERQUEIRA, denominadas de “sócias ocultas”. Foi registrado que se detectou pagamentos, por exemplo, efetuados pela empresa inexistente de fato “CENTRAL DO AÇO DISTRIBUIDORA DE SUCATAS METÁLICAS LTDA” a favor da empresa “CONSTRUTORA LAGE LTDA”, a qual informara à Autoridade Fiscal que celebrara contrato de SCP – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO com o sócio oculto “PRJ PARTICIPAÇÃO E EMPREENDIMENTOS CNPJ 06.030.272/000110. A referida “SCP” – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO objetivou a venda de unidades autônomas de empreendimento imobiliário de natureza mista EDIFÍCIO GRAN VITÓRIA, cujos investimentos da PRJ originaramse das seguintes empresas, partícipes das fraudes: Central do Aço Distribuidora de Sucatas (empresa inexistente de fato), Metalazul Comércio de Metais Ltda, Central do Aço Distribuidora de Sucatas, Casemetal Comercial Alumínio e Metais, Metalins Comércio de Sucatas e Metais, sob a justificativa que os pagamentos realizados por terceiros tinham como origem créditos havidos pela PRJ junto a tais empresas. No entanto, vejase a situação das referidas empresas: Fl. 7462DF CARF MF 84 Como se verifica, a SCP, de propriedade do recorrente, fez seus investimentos no empreendimento EDIFÍCIO GRAN VITÓRIA a partir de recursos recebidos de empresas inexistentes de fato. Essa prática também ocorreu em outros empreendimentos/negócios que contou com SCP de titularidade do recorrente, conforme consta do Relatório Geral de Auditoria. Se o recorrente, por meio de SCP, se relacionara com empresas inexistentes de fato que, além de servirem para aquisição de bens de raiz, também simulava operações falsas que destinavam o movimentar recursos para os reais beneficiários, entre os quais o recorrente, esse conjunto de indícios são provas suficientes da relação entre o recorrente e o esquema delituoso. Além disso, o dinheiro das operações simuladas retornavam aos reais beneficiários, por meio de outras empresas entre as quais a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 08.759.416/000108, que tinha como sócias as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA E XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, sendo que essas três empresas estavam sob controle da família “CERQUEIRA” do Estado de Minas Gerais. Se a empresa KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA tinha como sócias as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA e XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, que, por sua vez, possuíam, como sócia, a empresa ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, cujo um dos sócios é o recorrente, é decorrência lógica que a última participa também do esquema delituoso, beneficiandose dos recursos repassados a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA esta em razão das operações simuladas. De se ressaltar que o fato de a empresa ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA ser não operacional em nada afeta a conclusão do beneficiamento do recorrente no esquema, como quotista, assume os riscos do negócio. Ainda, a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA possuía como administradora, em 13/10/2010, a Tellus Assessoria e Participações Ltda, que era administrada pelo recorrente. Em 26/10/2011, a XPTO Assessoria e Participações Ltda foi incluída como sócia e em 19/10/2012 como administradora, sendo que o recorrente também era seu administrador. Portanto, os indícios são veementes no sentido de que o recorrente tem envolvimento com o esquema delituoso e por isso deve ser responsabilizado. Fl. 7463DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.422 85 Destarte, está rejeitada a alegação apresentada neste item. Da alegada inconsistência dos fatos indicados pela Fiscalização como fundamento da sujeição passiva solidária imputada a JOÃO NATAL CERQUEIRA: JOÃO NATAL CERQUEIRA argumenta que o Fisco incorre em grosseiro equívoco e arbitrariedade e não consegue demonstrar qualquer recebimento de valores pelo recorrente originários da devedora principal. Primeiramente, cabe pontuar que o conjunto probatório existente nos autos demonstra a participação da autuada no esquema delituoso, uma vez que esta teria comprado e vendido mercadorias/produtos de empresas inexistentes de fato, sem a efetiva comprovação da entrega das mercadorias/produtos. Ademais, demonstrouse que após tais empresas receberem os recursos, estes eram repassados para os reais beneficiários, de forma direta ou indireta. A fraude envolvia várias transações e repasses de recursos entre empresas até que se chegasse aos reais beneficiários. Dessa forma, em que pese o recorrente ter alegado que o Fisco não consegue demonstrar qualquer recebimento de valores, pelo recorrente, originários da devedora principal, a verdade é que tal recebimento ocorrera, porém de forma indireta. Conforme demonstrado no item “Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, JOÃO NATAL CERQUEIRA foi um dos beneficiários dos recursos movimentados pelo esquema delituoso. Sua participação se deu de forma direta, por meio de recebimento de recursos em sua conta corrente pessoa física n.° 00000833 mantida no Bradesco, na agência 1056 SP/Belo Horizonte/MG, e de forma indireta, por meio de recursos recebidos de diversas empresas participantes da fraude, em nome da empresa “Empório de Metais”, em que ele e Paulo César Verly da Cruz figuraram como sócios. Atualmente a empresa mantém em seu quadro social interposta pessoa empresas das quais fora sócio. Os valores que o beneficiou diretamente ou indiretamente, nos anos de 2010, 2011 e 2012, é igual a R$ 10.228.932,32 – conforme quadro a seguir: O detalhamento dos depósitos, valores, datas e demais dados podem ser conferidos no item “Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, onde está evidente que o recorrente recebeu recursos, depositados em sua conta corrente, das empresas Ansesil, Alumibrás, Perfibrás, Fraga, Star Metals, Shangrilla, Simper e Maxi. Fl. 7464DF CARF MF 86 A Ansesil Indústria e Comércio de Papéis Ltda possui interposta pessoa em seu quadro societário. Era fornecedora da Transforme e servia para a produção de notas fiscais para o acobertamento da saída de recursos para outras finalidades, simulando transações comerciais que não existiam. A empresa Alumibrás Indústria e Comércio, juntamente com a Perfibrás Indústria e Comércio simularam diversas transações comerciais, que, na verdade, tratavam de retorno de valores ao controle da organização (doc. 183). A empresa Fraga é inexistente de fato e também recebia cheques da empresa METALAZUL, inexistente de fato. Aquela atuava como “noteira”, simulando ser fornecedora da empresa Transforme Ind. Com. De Metais e Papéis Ltda (doc. 46). A empresa Star Metal’s é inexistente de fato e possui interpostas pessoas em seu quadro societário, tem a função de noteira, simulando vendas a Transforme Indústria e Distribuidora de Metais e Papéis Ltda. A empresa Simper é inexistente de fato e seu quadro societário era composto por interpostas pessoas (fl. 57). A empresa Maxi é inexistente de fato, não apresenta declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não recolhe tributos (fl. 56). A empresa Shangrilla é inexistente de fato (fl. 12). Nem se diga que o não era mais sócio da “Empório de Metais Ltda”. De fato, em consulta ao quadro societário da empresa “Empório de Metais Ltda”, verificase que Paulo César Verly da Cruz e João Natal Cerqueira figuraram no quadro societário da empresa até 2004. Não obstante, a retirada formal dos referidos sócios não é prova inconteste de que, de fato, eles se afastaram da empresa, mormente quando foi caracteriza a interposição de pessoas, pela Autoridade Fiscal, no quadro societário da referida empresa. Por outro lado, conforme demonstrado nos quadros transcritos no item“Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, o recorrente, juntamente com os demais responsáveis, receberam recursos de diversas empresas partícipes do esquema, de modo que os recursos sempre convergiam para o mesmo grupo de beneficiários pessoas físicas e pessoas jurídicas inexistentes de fato. Quanto à alegação de que a empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA teria sido autuada, com a inclusão do recorrente no rol de responsáveis tributários, e que a Fisco estaria reiteradamente utilizando um mesmo indício de suposta irregularidade repetidas vezes multiplicando o suposto “proveito econômico” imputado ao responsável solidário, tal fato não afasta a responsabilidade tributária quanto aos créditos tributários apurados em nome da autuada. Isso porque cada empresa autuada foi objeto de fiscalização, quando se oportunizou a comprovação da origem dos depósitos bancários. Não comprovados, ocorre o fato gerador presumido pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cabendo ao contribuinte a prova. Fl. 7465DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.423 87 Dessa forma, se o contribuinte não afasta a presunção legal, cabe a manutenção do lançamento com a responsabilização de terceiros, pelos fatos geradores ocorridos na empresa fiscalizada. Nesse cenário, os responsáveis arrolados em cada autuação respondem apenas pelo crédito tributário apurado no âmbito de cada empresa. A demonstração de que os reais beneficiários teriam se beneficiado direta e indiretamente – através da empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA – de recursos recebidos da empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA, objetiva demonstrar o envolvimento deles com o esquema fraudulento, de maneira a evidenciar que eram eles que se beneficiavam com tal esquema. Não objetivam, de outra forma, amparar a apuração do crédito tributário. Não há, portanto, a utilização de um mesmo indício de suposta irregularidade repetidas vezes, em inúmeras autuações fiscais, multiplicando, o suposto “proveito econômico” imputado ao responsável tributário solidário. O que há, na verdade, é a apuração do crédito tributário em cada empresa, considerando os depósitos bancários sem origem comprovada em cada uma delas e a responsabilização daqueles que se beneficiaram de todo o esquema fraudulento. Ou seja, o crédito tributário apurado embasado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, está muito bem caracterizado por empresa. Uma vez constituído tal crédito, chamase ao processo os responsáveis tributários para responder pelo crédito apurado em cada autuação. Neste caso, servem as mesmas provas de participação dos responsáveis no esquema fraudulento que envolvia várias empresas, já que o esquema era uno. Ainda para comprovar a participação do recorrente no esquema delituoso, no Relatório Geral de Auditoria, consignouse a utilização de uma sociedade não personificada, denominada de “SCP” – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO, na qual intervinham o proprietário do negócio, denominado de “sócio ostensivo” e as empresas da família CERQUEIRA, denominadas de “sócias ocultas”. Foi registrado que se detectou pagamentos, por exemplo, efetuados pela empresa inexistente de fato “CENTRAL DO AÇO DISTRIBUIDORA DE SUCATAS METÁLICAS LTDA” a favor da empresa “CONSTRUTORA LAGE LTDA”, a qual informara à Autoridade Fiscal que celebrara contrato de SCP – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO com o sócio oculto “PRJ PARTICIPAÇÃO E EMPREENDIMENTOS CNPJ 06.030.272/000110, que fora constituída em 13/11/2003, tendo como quadro societário os empresários nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 060046146 70 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 070444786 03 com 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33 de participação societária respectivamente. Tramitou ainda na sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 65286782868 no período de 01/04/2011 a 14/01/2014 (fls. 2055 a 2060). Ou seja, a empresa PRJ PARTICIPAÇÃO E EMPREENDIMENTOS é pertencente à família CERQUEIRA e estava sob a titularidade do recorrente na época do fato gerador. A referida “SCP” – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO objetivou a venda de unidades autônomas de empreendimento imobiliário de natureza mista EDIFÍCIO GRAN VITÓRIA, cujos investimentos da PRJ originaramse das seguintes empresas, partícipes das fraudes: Central do Aço Distribuidora de Sucatas (empresa inexistente de fato), Metalazul Comércio de Metais Ltda, Central do Aço Distribuidora de Sucatas, Casemetal Comercial Alumínio e Metais, Metalins Comércio de Sucatas e Metais, sob Fl. 7466DF CARF MF 88 a justificativa que os pagamentos realizados por terceiros tinham como origem créditos havidos pela PRJ junto a tais empresas. No entanto, vejase a situação das referidas empresas: Como se verifica, a SCP, cujo recorrente é sócio, fez seus investimentos no empreendimento EDIFÍCIO GRAN VITÓRIA a partir de recursos recebidos de empresas inexistentes de fato. Essa prática também ocorreu em outros empreendimentos/negócios que contou com SCP de titularidade do recorrente, conforme consta do Relatório Geral de Auditoria. Se o recorrente, por meio de SCP, se relacionara com empresas inexistentes de fato que, além de servirem para aquisição de bens de raiz, também simulava operações falsas que destinavam o movimentar recursos para os reais beneficiários, esse conjunto de indícios são provas suficientes da relação entre orecorrente e o esquema delituoso. Destarte, não há inconsistência nos fatos narrados pela fiscalização para tentar fundamentar a sujeição passiva solidária do recorrente. Da alegada inconsistência dos fatos indicados pela Fiscalização como fundamento da sujeição passiva solidária imputada a PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA: Alega que o Fisco incorre em grosseiro equívoco e arbitrariedade e não consegue demonstrar qualquer recebimento de valores pelo recorrente originários da autuada. Menciona que a Autoridade Fiscal indica a existência de remessas e recebimentos de numerários entre a empresa autuada e terceiras empresas que não guardam qualquer relação com o recorrente, que jamais foi sócio de qualquer delas. Primeiramente, cabe pontuar que o conjunto probatório existente nos autos demonstra a participação da autuada no esquema delituoso, uma vez que esta teria comprado e vendido mercadorias/produtos de empresas inexistentes de fato, sem a efetiva comprovação da entrega das mercadorias/produtos. Ademais, demonstrouse que após tais empresas receberem os recursos, estes eram repassados para os reais beneficiários, de forma direta ou indireta. A fraude envolvia várias transações e repasses de recursos entre empresas até que se chegasse aos reais beneficiários. Fl. 7467DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.424 89 Dessa forma, em que pese o recorrente ter alegado que o Fisco não consegue demonstrar qualquer recebimento de valores, pelo recorrente, originários da devedora principal, a verdade é que tal recebimento ocorrera, porém de forma indireta. Conforme demonstrado no item Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA foi um dos beneficiários dos recursos movimentados pelo esquema delituoso. Sua participação se deu de forma direta, por meio de recebimento de recursos em sua conta corrente pessoa física n.° 00112542 mantida no Bradesco, na agência 1056 SP/Belo Horizonte/MG, e de forma indireta, por meio de recursos recebidos de diversas empresas participantes da fraude, em nome da empresa “Lemnos Ind. De Metais Ltda” e “Helur Indústria e Comércio Ltda, em que figurou como sócio. Atualmente sa empresas mantêm em seu quadro social interposta pessoa. Os valores que o beneficiou diretamente ou indiretamente, nos anos de 2010, 2011 e 2012, é igual a R$ 6.860.641,35– conforme quadro a seguir: O detalhamento dos depósitos, valores, datas e demais dados podem ser conferidos no item “Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, onde está evidente que o recorrente recebeu recursos, depositados em sua conta corrente, da empresa Shangrilla. A empresa Shangrilla é inexistente de fato (fl. 12). Portanto, se o esquema delituoso envolvia diversas empresas que transferiam recursos entre si para fazêlos chegar aos reais beneficiários, entre os quais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, é evidente o elo de ligação entre ele e o esquema delituoso, que por contar com a participação da autuada (CLS), também caracteriza o elo entre esta e o recorrente. Nesse contexto, a autuada, em 2012, repassara recursos para a Alumibrás, que, por sua vez, repassara recursos para o recorrente e também para a empresa “Empório de Metais Ltda”. Conforme demonstrado nos quadros transcritos no item “Dos reais beneficiários do esquema delituoso”, o recorrente, juntamente com os demais responsáveis, receberam recursos de diversas empresas partícipes do esquema, de modo que os recursos sempre convergiam para o mesmo grupo de beneficiários pessoas físicas e pessoas jurídicas inexistentes de fato. Quanto à alegação de que a empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA teria sido autuada, com a inclusão do recorrente no rol de responsáveis tributários, e que a Fisco estaria reiteradamente utilizando um mesmo indício de suposta irregularidade repetidas vezes multiplicando o suposto “proveito econômico” imputado ao responsável solidário, tal fato não afasta a responsabilidade tributária quanto aos créditos tributários apurados em nome da autuada. Fl. 7468DF CARF MF 90 Isso porque cada empresa autuada foi objeto de fiscalização, quando se oportunizou a comprovação da origem dos depósitos bancários. Não comprovados, ocorre o fato gerador presumido pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cabendo ao contribuinte à prova em contrário. Dessa forma, se o contribuinte não afasta a presunção legal, cabe à manutenção do lançamento com a responsabilização de terceiros, pelos fatos geradores ocorridos na empresa fiscalizada. Nesse cenário, os responsáveis arrolados em cada autuação respondem apenas pelo crédito tributário apurado no âmbito de cada empresa. A demonstração de que os reais beneficiários teriam se beneficiado direta e indiretamente – através da empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA – de recursos recebidos da empresa LEMNOS INDÚSTRIA DE METAIS LTDA e HELUR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, objetiva demonstrar o envolvimento deles com o esquema fraudulento, de maneira a evidenciar que eram eles que se beneficiavam com tal esquema. Não objetivam, de outra forma, amparar a apuração do crédito tributário. Não há, portanto, a utilização de um mesmo indício de suposta irregularidade repetidas vezes, em inúmeras autuações fiscais, multiplicando, o suposto “proveito econômico” imputado ao responsável tributário solidário. O que há, na verdade, é a apuração do crédito tributário em cada empresa, considerando os depósitos bancários sem origem comprovada em cada uma delas e a responsabilização daqueles que se beneficiaram de todo o esquema fraudulento. Ou seja, o crédito tributário apurado embasado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, está muito bem caracterizado por empresa. Uma vez constituído tal crédito, chamase ao processo os responsáveis tributários para responder pelo crédito apurado em cada autuação. Neste caso, servem as mesmas provas de participação dos responsáveis no esquema fraudulento que envolvia várias empresas, já que o esquema era uno. Ainda para comprovar a participação do recorrente no esquema delituoso, no Relatório Geral de Auditoria, consignouse a utilização de uma sociedade não personificada, denominada de “SCP” – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO, na qual intervinham o proprietário do negócio, denominado de “sócio ostensivo” e as empresas da família CERQUEIRA, denominadas de “sócias ocultas”. Foi registrado que se detectou pagamentos, por exemplo, efetuados pela empresa inexistente de fato “CENTRAL DO AÇO DISTRIBUIDORA DE SUCATAS METÁLICAS LTDA” a favor da empresa “CONSTRUTORA LAGE LTDA”, a qual informara à Autoridade Fiscal que celebrara contrato de SCP – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO com o sócio oculto “PRJ PARTICIPAÇÃO E EMPREENDIMENTOS CNPJ 06.030.272/000110, que fora constituída em 13/11/2003, tendo como quadro societário os empresários nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 070444786 03 com 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33 de participação societária respectivamente. Tramitou ainda na sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 65286782868 no período de 01/04/2011 a 14/01/2014 (fls. 2055 a 2060). Ou seja, a empresa PRJ PARTICIPAÇÃO E EMPREENDIMENTOS é pertencente à família CERQUEIRA e estava sob a titularidade do recorrente na época do fato gerador. A referida “SCP” – SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO objetivou a venda de unidades autônomas de empreendimento imobiliário de natureza mista EDIFÍCIO GRAN VITÓRIA, cujos investimentos da PRJ originaramse das seguintes Fl. 7469DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.425 91 empresas, partícipes das fraudes: Central do Aço Distribuidora de Sucatas (empresa inexistente de fato), Metalazul Comércio de Metais Ltda, Central do Aço Distribuidora de Sucatas, Casemetal Comercial Alumínio e Metais, Metalins Comércio de Sucatas e Metais, sob a justificativa que os pagamentos realizados por terceiros tinham como origem créditos havidos pela PRJ junto a tais empresas. No entanto, vejase a situação das referidas empresas: Como se verifica, a SCP, cujo recorrente é sócio, fez seus investimentos no empreendimento EDIFÍCIO GRAN VITÓRIA a partir de recursos recebidos de empresas inexistentes de fato. Essa prática também ocorreu em outros empreendimentos/negócios que contou com SCP de titularidade do recorrente, conforme consta do Relatório Geral de Auditoria. Se o recorrente, por meio de SCP, se relacionara com empresas inexistentes de fato que, além de servirem para aquisição de bens de raiz, também simulava operações falsas que destinavam o movimentar recursos para os reais beneficiários, esse conjunto de indícios são provas suficientes da relação entre o recorrente e o esquema delituoso. Destarte, não há inconsistência nos fatos narrados pela fiscalização para tentar fundamentar a sujeição passiva solidária do recorrente. 3.2.3. Da alegada inexistência de interesse jurídico comum do recorrente no fato gerador e conseqüente inaplicabilidade da responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN. Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA e PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ contestaram a responsabilidade tributária atribuída com fundamento no art. 124, I, do CTN, por entenderem que não há interesse jurídico comum dos recorrentes na constituição do fato gerador. Fl. 7470DF CARF MF 92 Para deslinde da controvérsia, primeiramente é necessário compreender o conceito de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, previsto no art. 124, I, do CTN. Para Maria Rita Ferragut1, é a ausência de interesses jurídicos opostos na situação que constitua o fato jurídico tributário, somada ao proveito conjunto dessa situação. Diferenciase da hipótese prevista no art. 124, II, do CTN, em razão, nesta hipótese, da ausência de interesse comum (entre as pessoas designadas em lei) no fato jurídico tributário. Para Marcos Vinicius Neder, o interesse jurídico surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre pessoas situadas no mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. E ainda “as pessoas portadoras de interesses comuns são vinculadas por pessoas externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que as une; enquanto, nos interesses coincidentes, o vínculo pessoal visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa) [ ...]. A situação a despertar o interesse comum referido no art. 124 do CTN é aquela consubstanciada na relação jurídica privada subjacente ao fato gerador do tributo [...] "Destarte, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é aquele que envolve duas ou mais pessoas na constituição do fato gerador. O exemplo bastante utilizado pela doutrina é o de coproprietários de imóvel, em relação ao IPTU. No entanto, o mundo fático vai mais além do que essa simples hipótese. Podese dizer que a imputação de responsabilidade solidária por interesse comum exige a demonstração cabal e inequívoca da relação do sujeito com o fato gerador e seu beneficiamento a partir da ocorrência da infração tributária. Nesse contexto, a utilização de interpostas pessoas pelos reais sócios caracteriza o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Isso porque, nesse caso, o que se verifica é a existência de uma sociedade formal e outra sociedade, que se pode chamar de real. A sociedade formal, CLS METAIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS EIRELI DISTRIBUIDORA DE METAIS EIRELI, era integrada por interpostas pessoas que não possuíam o conhecimento, o capital e o poder de gerência necessários à consecução do objetivo societário. Por outro lado, existia uma sociedade real constituída por aqueles que possuíam plenos e ilimitados poderes para administrála, quais sejam, João Natal Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira e João André Escobar Cerqueria. Assim, a fiscalizada existe para dar suporte às atividades empresárias da sociedade real. Se existe irregularidade na sociedade, ou seja, se ela é formalmente integrada por interpostas pessoas, a conseqüência é que o fato gerador não será realizado pela sociedade formal e sim pela sociedade real. Portanto, o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador não é daquela sociedade formal e sim da sociedade real, já que os administradores, ao praticarem o ilícito, ou seja, a interposição de pessoas, atuam também com o propósito de praticar ilícitos tributários. Nesse cenário, a sociedade real é chamada a integrar a relação jurídica e o é em sua totalidade, ou seja, pessoas jurídicas e pessoas físicas, sem distinção de patrimônios. Fl. 7471DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.426 93 Isso porque o direito não protege a sociedade que descumpriu os requisitos para a sua regular constituição, entre os quais, a inclusão dos reais sócios no contrato social, registrado na Junta Comercial. Tal situação de assemelha às sociedades em comum, denominação que engloba tanto a sociedade irregular como a sociedade de fato, para as quais aplicase o art. 990 do Código Civil. Ou seja, todos os sócios da sociedade em comum respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, ressalvado, em regra, o benefício de ordem previsto no art. 1.024 do mesmo Código Civil. Cabe salientar que este benefício não é admitido pela legislação tributária, pois o CTN, em seu art. 124, parágrafo único, dispõe expressamente que a solidariedade ali prevista não comporta benefício de ordem. Dessa forma, na relação de direito público, aplicase o art. 124, inciso I, do CTN, pois é a sociedade real que realizou o fato gerador e não a sociedade formal Assim, como a sociedade real é formada pela pessoa jurídica e os reais sócios/administradores, estes são solidariamente obrigados pela obrigação tributária decorrente do fato gerador, pois todos eles têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador e obtiveram beneficiamento com a infração tributária. O entendimento aqui firmado é adotado também pelo CARF, inclusive pela CSRF, conforme jurisprudência a seguir: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. (Acórdão nº 9101002.349, de 14/06/2016, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão nº 108 09617, de 28/05/2008, da 8ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, Fl. 7472DF CARF MF 94 do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão nº 1301001323, de 06/01/2013. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. Rel. Paulo Jakson da Silva Lucas). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A coordenação de uma sociedade empresária formalmente constituída, mas integrada por sócios que não possuem o conhecimento, o capital e o poder de gerência necessários à consecução do objetivo societário e, de outro lado, de uma sociedade de fato que contrata, presta serviços e é remunerada possui as mesmas características de um consórcio de empresas (apesar de não o ser) que permitem a responsabilização da empresa de fato, conforme o artigo 124, I, do CTN, e, por consequência, permitem a responsabilização pessoal dos sócios de fato. (Acórdão nº 1801002024, de 29/07/2014 – 1ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento. Rel. Neudson Cavalcante Albuquerque)”. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro ,sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1202001.034, de 08/10/2013 – Rel. Vivane Vidal Wagner. Diante do exposto, é de concluir que está correta a responsabilização dos recorrentes, imputada com base no art. 124, I, do CTN. Da demanda pela aplicação do princípio IN DÚBIO PRO CONTRIBUINTE: Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, ainda que com argumentos não idênticos, demandaram a aplicação do art. 112 do CTN e a consequente observância do princípio do in dúbio pro contribuinte. Primeiramente, convém trazer à colação o art. 112 do Código Tributário Nacional CTN, a saber: “Art.112 CTN A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de duvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstancias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 7473DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.427 95 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Em caso de dúvida em matéria de infrações e de penalidades, a regra é a da interpretação benigna. Prevalece o princípio originário do Direito Penal, de que na dúvida se deve interpretar a favor do réu. Mas o intérprete não pode alterar o sentido da lei. O benefício da dúvida não alcança a interpretação das normas de natureza relacionada com a imputação de responsabilidade tributária, já que esta não se trata de infração e tampouco de penalidade. É norma de garantia do crédito tributário. Ademais, o conjunto de indícios existentes nos autos dos processos são veementes para conformar a convicção de que os recorrente fazem parte do esquema delituoso. Portanto, a participação de cada um deles no esquema delituoso já foi enfrentada nos itens anteriores, não havendo dúvida quanto a esse aspecto. Destarte, na inexistência de conflito na interpretação dos dispositivos legais que embasaram o lançamento, este pleito da defesa também não merece prosperar. Do mérito Do regime de tributação aplicado na constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL: Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, ainda que com argumentos não idênticos, contestaram o regime de tributação do Lucro Real utilizado pela Autoridade Autuante para apurar o crédito tributário do IRPJ e da CSLL. Alegam que o regime de tributação adequado seria o do Lucro Arbitrado e não o do Lucro Real. Não obstante, não cabe razão aos recorrentes, pois a opção realizada pela autuada, qual seja, tributação do IRPJ/CSLL pelo Lucro Real trimestral, conforme consta da fl. 2732, referente à DIPJ 2013, anocalendário 2012, foi respeitada pela Autoridade Autuante, ante a falta da perfeita subsunção dos fatos às hipóteses de arbitramento de que trata o art. 530 do RIR/1999. Nesse contexto, cabe trazer ao voto a manifestação da Autoridade Autuante na informação fiscal (fls. 6826 a 6843) prestada em resposta à Resolução nº 2.002.044, de 09 de maio de 2016, da 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte, cujos membros acordaram em converter o julgamento do processo em diligência: Fl. 7474DF CARF MF 96 Quanto à possibilidade de arbitramento do lucro nos termos do art. 530 do RIR/99, como pretenderam os recorrentes, destacamos o seguinte: 1) O contribuinte apresentou os livros DIÁRIO, SAÍDAS, RAZÃO e REGISTRO E APURAÇÃO DO I.P.I., os quais atendiam aos requisitos legais de suas formalidades; 2) Não há no "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", que acompanha o auto de infração, afirmação lavrada pela fiscalização de que a contabilidade seria "fraudulenta e imprestável e nem motivação legal para tal, e sim que houve fraude contábil praticada pela CLS, pois em "alguns registros contábeis não correspondiam aos fatos". 3) A movimentação financeira, inclusive bancária, está integralmente contabilizada nos Livros Diário e Razão; 4) Por fim, estabelece o artigo 530 do RIR/99 as condições para procedermos ao ARBITRAMENTO do LUCRO: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; OBS.1: O contribuinte apresentou os livros DIÁRIO, SAÍDAS, RAZÃO e REGISTRO e APURAÇÃO DO I.P.I. II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou OBS. 2: Embora a fraude contábil tenha sido constatada, pois "alguns registros contábeis não correspondiam aos fatos", a escrituração apresentada não foi considerada imprestável por permitir identificar toda a movimentação financeira, inclusive bancária, a qual está integralmente contabilizada no Livro Razão. b) determinar o lucro real; OBS. 3: Apesar das fraudes identificadas em alguns registros contábeis, não houve a suficiente contaminação da escrituração contábil que impedisse determinar o lucro real, pois a infração apurada foi OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL — DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Frisese, novamente, que toda a movimentação financeira, inclusive bancária, está integralmente contabilizada no Livro Razão. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. OBS. 4: Conforme dito anteriormente, o contribuinte apresentou os livros DIÁRIO, SAIDAS, RAZÃO e REGISTRO e APURAÇÃO DO I.P.I. IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; OBS. 5: Não se aplica ao caso concreto. V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua Fl. 7475DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.428 97 atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); OBS. 6: Não se aplica ao caso concreto. VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. OBS. 7: O contribuinte apresentou os livros DIÁRIO, SAÍDAS, RAZÃO e REGISTRO e APURAÇAO DO I.P.I., os quais atendiam aos requisitos legais de suas formalidades; Portanto, não tem sustentação a alegação dos impugnantes de que "a autoridade autuante deveria ter arbitrado o lucro, nos termos do art. 530 do RIR/1999", pois conforme ficou claramente demonstrado acima em todos os incisos e itens do artigo 530 do RIR/99, as apurações efetuadas no curso da fiscalização não determinavam o arbitramento do lucro nos termos do citado artigo, pois não atendiam aos seus requisitos legais, motivo pelo qual, uma vez mais, cabe destacar que a autoridade autuante é obrigada a fazer o lançamento tributário na forma da lei, pois tratase de ato vinculado (Art. 142 do CTN). (negritouse). Conforme consignado, não se identificou nenhuma das hipóteses de arbitramento previstas no art. 530 do RIR/1999, pois a Autoridade Fiscal considerou que os livros Diário, de Saídas, Razão e de Registro de Apuração do IPI atenderam aos requisitos formais, a movimentação financeira estava integralmente contabilizada e não se concluiu que a contabilidade é imprestável ou totalmente fraudulenta, mas sim que continha fraude em alguns registros. É necessário compreender que o arbitramento do lucro é uma alternativa legal para a determinação da base tributável quando restar comprovada a falta, extravio ou descrédito da escrituração contábil e dos documentos que a embasaram, idealizada pelo legislador como medida de salvaguarda da Fazenda Pública, desde que se mostre incabível a apuração do resultado mediante as sistemáticas do lucro real ou do lucro presumido, conforme o caso concreto. Tratase de uma presunção legal, cujo suporte maior e inconteste encontra amparo no Código Tributário Nacional, de 1966, que, em se art. 44, define os tipos de base de cálculo para apurar o imposto de renda devido: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. É, portanto, modalidade residual de apuração do lucro e deve ser utilizada quando não for possível apurar o resultado tributável de outra forma. No caso do Lucro Real, o resultado tributável parte do resultado contábil, que após os ajustes definidos na legislação (adições e exclusões), apresenta a expressão monetária da riqueza a se tributar. Há casos em que as adições e exclusões são inexistentes ou mesmo ínfimas, de maneira que o resultado contábil é idêntico ou muito aproximado ao resultado fiscal. Nestes casos, partindose do lucro líquido estáse diante do resultado tributável. Nessa linha, ao analisar a DIPJ, Ficha 07A –Demonstração do Resultado, onde foram informadas as receitas, os custos, as despesas incorridas no período, bem como o Lucro Líquido auferido ao final de cada período de apuração e a Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real (fls. 2766 a 2773), verificase foram informados os seguintes valores a título de Lucro Real após compensação de prejuízos: R$ 4.833,30 (1º Trim.), R$ 12.679,34 (2º Trim.), R$ 12.847,90 (3º Trim.) e R$ 10.449.821,19 (4º Trim.). Fl. 7476DF CARF MF 98 Como se pode observar pelo resumo da planilha abaixo, o Lucro Real praticamente coincide com o Lucro Líquido antes do IRPJ, ou seja, não há adições e exclusões no Lalur que pudessem influenciar a apuração do Lucro Real/Prejuízo Fiscal do período. Assim, mesmo diante da não apresentação do Lalur, é possível tributar o resultado pelo Lucro Real, sem necessidade de arbitrar o lucro. É que, neste caso, o arbitramento deixaria de alcançar o seu objetivo, que seria presumir um resultado tributável ante a impossibilidade de apurar o lucro real. Vejase que uma interpretação literal do art. 530, III, do RIR/1999, como querem os recorrentes, defenderia que a simples não apresentação dos livros fiscais ensejaria o arbitramento do lucro. Porém, essa interpretação não pode prevalecer sobre a ideológica, que é a de tributar a riqueza auferida, quando for possível, de outra forma, chegar ao resultado tributável. No caso concreto, apesar de o contribuinte não ter apresentado o Lalur, os demais livros foram apresentados, bem como a DIPJ. Assim, conforme demonstrado, o Lucro Líquido não foi contestado pela Autoridade Autuante, exceto pela contabilização dos depósitos bancários, já que não houve o lançamento de outras infrações, de forma que o resultado tributável (Lucro Líquido informado na DIPJ) praticamente coincide com o lucro líquido. Dito de outra forma, neste caso, se é possível utilizar as informações da DIPJ e tributar o lucro real, não há sentido algum em arbitrar o lucro. Acrescentase que não cabe ao sujeito passivo argüir a necessidade do arbitramento para a constituição de créditos tributários decorrentes de ilícitos verificados pelo Fisco ao exame da escrita fiscal, ainda que esta, eventualmente, possa conter equívocos. O arbitramento, portanto, não pode ser invocado pelo administrado em seu favor quando não houver causa, pois a ninguém é dado beneficiarse da própria torpeza. Fl. 7477DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.429 99 Quanto à alegação de que o lucro não pode configurar a totalidade da receita ou da movimentação financeira do contribuinte, mas sim apenas da renda efetiva do contribuinte e que a Autoridade Fiscal gravou como se lucro fosse a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias da empresa autuada, também não merece prosperar e tampouco justifica o arbitramento do lucro. Nesse contexto, embora renda e receita depositada em conta bancária tenham, a princípio, conceitos diferentes, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Tal hipótese distinguese da regra geral que demanda a produção de provas pela AutoridadeFiscal. É que, nesses casos, há uma inversão no ônus da prova, de maneira que cabe ao contribuinte, para afastar a infração, comprovar a origem dos recursos, o que não aconteceu no caso concreto. Vejase o que dispõe a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 – novo Código de Processo Civil, nos artigos 373 e 374, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, ipsis litteris: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 374. Não dependem de prova os fatos: I notórios; II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos no processo como incontroversos; IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Fl. 7478DF CARF MF 100 Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Não basta, porém, simplesmente alegar que renda e receita são conceitos distintos se não comprova a origem dos valores depositados em conta, de maneira a afastar a omissão de receita presumida, a qual deve ser tributada de acordo com um dos regimes de tributação previstos pela legislação, que, no caso concreto, é o lucro real, considerando a opção da autuada por esse regime conjugada com a não identificação de nenhuma das hipóteses de arbitramento previstas no art. 530 do RIR/1999. No que se refere à alegação, apresentada por PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, de que a Autoridade Autuante, na apuração do tributo, informou que o valor do Lucro Real Declarado após Compensação de Prejuízo (na DIPJ) foi igual a zero, sendo assim, a autuada não teria promovido o registro contábil de suas contas bancárias, o que ensejaria, ato contínuo, o arbitramento do lucro, também não pode prosperar, pois, conforme esclarecido pela Autoridade Autuante, os prejuízos fiscais não foram considerados na apuração do resultado porque a fiscalizada não apresentou o Lalur, o que é diferente da conclusão do recorrente de que a fiscalizada não teria promovido o registro contábil de suas contas bancárias. Portanto, não assiste razão aos recorrentes quanto à nulidade suscitada em razão da necessidade de arbitramento do lucro. Dos ajustes no lançamento do crédito tributário. Da apuração do resultado pelo Lucro Real e os ajustes no lançamento do crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL: Conforme decidido no item anterior, não há motivos para arbitramento do lucro, de maneira que o resultado tributável deve ser apurado pelo Lucro Real. Como decorrência e em harmonia com o decidido no item anterior, devem ser considerados o lucro e o prejuízo fiscal declarados pelo contribuinte na DIPJ. Embora a Autoridade Autuante tenha explicado, em sua informação fiscal, que “ficou impossibilitada de obter o LALUR (livro de apuração do lucro real) e, por consequência, examinar, comprovar e reconhecer o prejuízo fiscal informado em suas DIPJ, pois somente podem ser compensados prejuízos fiscais se a pessoa jurídica mantiver os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação, nos termos do parágrafo único do art. 15 da Lei n° 9.065/95, combinados com os artigos 260, inciso III; 262; 509 e 510 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda — Decreto 3000/1999), (...)”, neste ponto, o lançamento merece reparos. Primeiro porque o art. 15 da Lei nº 9.065/95, parágrafo único, utilizado pela Autoridade Autuante para justificar a desconsideração dos valores declarados na apuração do resultado do período lançado, relacionase com a compensação de prejuízos de períodos anteriores. Não pode, dessa forma, ser utilizado para justificar a não utilização de prejuízo no período de apuração. Fl. 7479DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.430 101 Ademais, considerando que a contabilidade foi analisada pela Autoridade Fiscal e não se glosaram custos ou despesas, não há justificativa para zerar o resultado fiscal apurado pela fiscalizada. Nesse contexto, o Lucro Real e o Prejuízo Fiscal declarado no período do fato gerador serão considerados para efeitos de determinar o montante correto do tributo devido, em observância ao disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, trata dos casos de nulidade dos atos administrativos, quais sejam, agente incompetente e preterição do direito de defesa. As demais incorreções, como é o caso concreto, podem ser perfeitamente sanadas com o julgamento. Da apuração do IRPJ/CSLL devidos após o julgamento, serão reapurados os resultados do IRPJ e CSLL, considerandose os prejuízos fiscais declarados no período de apuração do fato gerador que, como dito anteriormente, praticamente coincidem com o resultado contábil, cujos custos e despesas não foram glosados pela Autoridade Autuante e cuja contabilidade não foi considerada imprestável. Quanto ao saldo de prejuízo de períodos anteriores, não serão compensados neste julgamento, já que a Autoridade Autuante não conseguiu comprovar o prejuízo fiscal de períodos anteriores, em razão do não atendimento à intimação fiscal para apresentação do Lalur. Neste caso, aplicase o parágrafo único do art. 15 da Lei nº 9.065/95, in verbis: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Vejase que a condição para a compensação de prejuízos de períodos anteriores é a manutenção de livros e documentos exigidos pela legislação fiscal para comprovação do montante do prejuízo fiscal. Fl. 7480DF CARF MF 102 Se, de um lado, o Lucro Real/Prejuízo Fiscal do período de apuração do fato gerador, informados na DIPJ, foram aceitos neste julgamento, em razão da identidade com o lucro contábil apurado na contabilidade (a qual não foi considerada imprestável) e da inexistência de glosa de custos e despesas, de outro, o mesmo não ocorre em relação aos saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Isso porque a legislação (parágrafo único do art. 15 da Lei nº 9.065/95) exige a manutenção de livros e documento para a comprovação do montante do prejuízo fiscal como condição para sua utilização. Assim, diante da falta da entrega do Lalur, onde se poderia analisar o controle de saldos de prejuízos fiscais dos períodos anteriores e em face da inexistência de elementos que evidenciem a correção desses saldos, não serão compensados os saldos de prejuízos fiscais de períodos anteriores no julgamento. A apuração do IRPJ/CSLL com os ajustes necessários foi demonstrada Da apuração do IRPJ/CSLL devidos após o julgamento. Do erro na apuração da base de cálculo da infração Na informação fiscal (fls. 6826 a 6843), a Autoridade Autuante, em resposta à diligência fiscal realizada pela 10ª Turma de Julgamento da DRJ Belo Horizonte, reconheceu que houve erros na apuração da base de cálculo da infração lançada, em razão de erro de digitação e da inclusão de créditos que não representam efetivamente ingressos de recursos financeiros, e apresentou a planilha evidenciando os erros, conforme a seguir transcrito: Considerando que as incorreções não se referem a atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não importam em nulidade, conforme art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. No entanto, por importarem em prejuízo para o sujeito passivo, serão sanadas com a exclusão dos valores indevidos da base de cálculo, conforme demonstrado a seguir: Fl. 7481DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.431 103 Dessa forma, os valores corretos da infração estão demonstrados no quadro a seguir: Fl. 7482DF CARF MF 104 Os ajustes demonstrados nesse item repercutem na apuração do IRPJ/ CSLL, PIS e Cofins. O valor do IRPJ/CSLL devidos após os ajustes estão indicados no item “Da apuração do IRPJ/CSLL” devidos após o julgamento. O valor do PIS e Cofins devidos após os ajustes estão indicados no item “Da apuração do PIS/Cofins” devidos após o julgamento. Da apuração do IRPJ/CSLL devidos após o julgamento. Nos itens anteriores foram indicados ajustes na apuração do IRPJ/CSLL, cujo cálculo do tributo demonstrase a seguir: Da apuração do PIS/Cofins devidos após o julgamento. Em razão dos ajustes nos valores da infração lançada, serão também recalculados o PIS/Cofins devidos após o julgamento. Fl. 7483DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.432 105 Dos valores que compuseram a base de cálculo do PIS e da Cofins: Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, ainda que com argumentos não idênticos, contestaram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Alegam que a base tributável do Pis e da Cofins foi composta pela totalidade dos valores creditados em contas de depósito ou investimento e que nem todos os valores que transitaram por essas contas representam receita tributável, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, ou seja, só é base de cálculo das referidas contribuições o que representar faturamento, compreendido como receita bruta decorrente da atividade desempenhada pelo contribuinte. Nessa linha, comenta que há créditos em extratos bancários que espelham empréstimos, financiamentos etc, que não se enquadram no conceito de receita bruta. Defende que a Autoridade Autuante violou o princípio da verdade material, quando fez incidir as contribuições sobre parcelas que não correspondem ao efetivo faturamento. Novamente cabe repisar que o lançamento sob análise decorre de presunção legal de omissão de receitas, fato que transfere ao contribuinte o ônus de desconstituir a exigência, ou seja, operase a inversão do ônus da prova. Cabe ao interessado demonstrar por todos os meios possíveis que a imputação está incorreta, fato que não ocorreu na presente situação. Com o advento do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento está o Fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Fl. 7484DF CARF MF 106 Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal, tida como relativa (juris tantum), passível de ser afastada caso o sujeito passivo da relação jurídica prove que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. A alegação de que os extratos bancários continham valores, tais como empréstimos, mútuos, financiamentos etc, que não se identificam com o conceito de faturamento, não vem acompanhada dos elementos de prova que pudessem ser analisados pela Autoridade Julgadora. Ademais, a simples indicação, no extrato, dessas parcelas não é suficiente para afastar a tributação das contribuições ao PIS e a Cofins, pois comprovar não é simplesmente apontar de onde veio o dinheiro, mas também comprovar a natureza destes ingressos. Esse é o verdadeiro significado de “comprovar a origem”. Tanto isso é verdade que o § 2º do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece que os valores com origem comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem submetidos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação. Assim, para que não ocorra a tributação por parte do beneficiário é necessário que este justifique a natureza da transferência como não tributável. No caso em apreço, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente, contudo não se obteve nenhuma resposta. Ademais, em diligência realizada por meio da Resolução nº 2.002.044, da 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte, a Autoridade Autuante foi demandada a se manifestar sobre a inclusão na base tributável de valores com natureza de empréstimos, financiamentos, mútuos e outros valores não correspondentes à definição de faturamento. Em resposta a tal diligência, na informação fiscal constante das fls. 6826 a 6843, foi esclarecido que no “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS APURADOS – 2012”, em anexo, não há nenhum lançamento selecionado nas contas correntes (Bradesco: 05592 558303 e Itaú: 6384 11357 4) do sujeito passivo, sob a rubrica/nomenclatura de empréstimos, financiamentos e mútuos, que integraram a base de cálculo tributável apurada pela fiscalização”. Ainda, na mesma informação fiscal, a Autoridade Autuante explicou que foram selecionados e compuseram a base de cálculo tributável somente os lançamentos em conta corrente que têm natureza credora, tais como depósitos em cheque ou dinheiro, TED (transferência eletrônica disponível) e demais lançamentos, cujas nomenclaturas foram detalhadas. De fato, analisandose o “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS APURADOS – 2012” e a partir dos esclarecimentos dos quanto às nomenclaturas das operações bancárias, não restam dúvidas de que inexistem valores com natureza de empréstimos, financiamentos, mútuos ou outros valores não correspondentes à definição de faturamento. Portanto, o lançamento não merece reparos. Da base de cálculo do IRPJ/CSLL/PIS e COFINS (movimento circular do dinheiro): Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO Fl. 7485DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.433 107 CÉSAR VERLY DA CRUZ, ainda que com argumentos não idênticos, contestaram a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, sob o argumento de que houve movimento circular dos recursos transitados pelas contas de depósito. No entanto, necessário se faz esclarecer que o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que para efeito de determinação da receita omitida não serão considerados os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Assim, embora o Fisco tenha investigado 22 empresas participantes do esquema delituoso, o fato é que não se afirmou que todo o recurso movimentado entre elas possuía a mesma origem. Ademais, tratandose de infração decorrente de presunção legal, caberia ao sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados em conta não tinham natureza tributária. Deixando de fazêlo, não poderia a Autoridade Fiscal presumir que todo o valor dos recursos foram movimentados entre todas as empresas, que digase de passagem são de titularidades distintas. Em assim sendo, a aplicação do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não autoriza a desconsideração dos depósitos bancário. Em se confessando que os recursos teriam natureza tributária, só se admitiria a tributação dos recursos em um único titular se o sujeito passivo comprovasse que todo o montante teve a mesma origem e que as contas são de mesma titularidade. Ou seja, seria o mesmo que admitir que, de fato, houve um esquema delituoso, que os responsáveis são os reais beneficiários do recurso e que as empresas envolvidas eram de fachada. Dessa forma, a Autoridade Fiscal aplicou corretamente a presunção legal de omissão de receitas decorrente de depósito bancário de origem não comprovada, a qual não foi afastada pela apresentação de provas suficientes de sua natureza e devida tributação, em sendo o caso. Portanto, não há que se falar em movimento circular. Do princípio da insignificância Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, ainda que com argumentos não idênticos, demandaram a aplicação do princípio da insignificância. De início cabe registrar que o princípio da insignificância deve ser afastado sempre que forem observadas condutas que atentem contra bens jurídicos de maior proteção no ordenamento jurídico, independentemente dos valores envolvidos. Nesse contesto, não se aplica tal princípio no caso de roubo, já que envolve violência, e tampouco no caso de contrabando, pois não é o valor material que se considera nesta espécie, mas os valores éticos e jurídicos que o sistema normativopenal resguarda, conforme já decidiu o STF no julgamento do Hábeas Corpus (HC) 121916. Nessa linha, a fraude fiscal também não deve ser alcançada pelo princípio da insignificância, pois envolve conduta dolosa com o objetivo de eximirse do pagamento, necessário para fazer frente às necessidades da sociedade. Tal conduta valese da sonegação, Fl. 7486DF CARF MF 108 fraude ou conluio que não guardam coerência com conduta minimamente ofensiva do agente, ausência de risco social da ação, reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica. Tanto é que no caso concreto a multa foi qualificada e elaborouse a representação fiscal para fins penais contra os recorrentes . Verificase, ainda, no TVF, o registro de que várias empresas do ramo não suportaram a concorrência desleal com os seus concorrentes e entraram em processo falimentar. Ou seja, a conduta é de maior gravidade. Ademais, os recorrentes estão se apegando apenas e tão somente aos valores que eventualmente tenham auferido como pessoas físicas. Ocorre que, mesmo aqueles que não obtiveram proveito pessoal no caso sob análise, restaram beneficiados pelos valores que transitaram pelas empresas de que são sócios e salientese que estas tem em seu quadro societário os aqui relacionados como responsáveis solidário. Nesse contexto, os valores dos quais os recorrentes se beneficiaram já foram evidenciados neste voto. De todas as formas, o fato de os recorrentes terem se beneficiado apenas com parte dos valores movimentados pela autuada não é justificativa para aplicação do princípio da insignificância e afastálos do pólo passivo. Se assim o fosse, todos os casos em que houvesse a indicação de responsáveis tributários o Fisco teria que demonstrar que estes se beneficiaram em valores correspondentes à infração apurada, o que nem de longe se cogita. A indicação dos valores percebidos por cada um dos recorrentes serve para demonstrar que eles eram os reais beneficiários dos recursos, demonstrando a participação dos mesmos na sociedade, bem como a participação deles na fraude identificada. Nessa linha, a responsabilidade tributária implica em responder pelo crédito tributário apurado, independentemente do benefício econômico mensurado, podendo, inclusive, todo o crédito tributário ser cobrado apenas de um dos responsáveis tributários, a teor do parágrafo único do art.124 do CTN, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.(negritouse). Destarte, não deve ser acolhida a alegação do princípio da insignificância no caso concreto. Da multa qualificada. Princípio da personalização da pena. Confisco. Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO Fl. 7487DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.434 109 CÉSAR VERLY DA CRUZ, ainda que com argumentos não idênticos, contestaram a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. Alegam que multa decorre de situação personalíssima vinculada à pessoa jurídica autuada, que não se comunica com os responsáveis tributários solidário, que não respondem por esta parcela do crédito tributário em virtude do Princípio da Personalização da Pena. Sustentam que a multa qualificada no percentual de 150% padece de constitucionalidade, ao se apresentar superior ao próprio tributo exigido, tendo efeito confiscatório. Cita jurisprudência judicial, inclusive o julgamento, pelo STF, da ADI 551 RJ e ADI 10751/DF, que reconheceram a inconstitucionalidade dos §§ 2º e 3º do art. 57 do ADCT da Constituição do Estado do Rio de Janeiro e do art. 3º e parágrafo único da Lei nº 8.846/1994. Sustenta que “consoante disposto no art. 102, parágrafo 2º, da Constituição Federal, as decisões proferidas pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante em relação à administração pública:” Paulo Cesar Verly da Cruz, ainda, argumenta que a teor do art. 121 do CTN o responsável não responde pelas obrigações acessórias, mas tão somente em relação às obrigações principais. Quanto ao princípio da personalização da pena, tratase de instituto de direito penal não aplicado no campo do direito tributário, mormente quando se responsabiliza os reais beneficiários que tinham pleno conhecimento dos fatos e que participavam do esquema delituoso. Conforme decidido no item “3.2.3. Da alegada inaplicabilidade da responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN em razão da inexistência de interesse jurídico comum do recorrente no fato gerador”, no caso de interposição de pessoas, os sócios de fato praticam o fato gerador juntamente com a sociedade, de maneira que não há que se falar em personalização da pena de uma infração que foi praticada pelo responsável conjuntamente com a autuada. Quanto ao efeito confiscatório, cumpre esclarecer que a vedação ao confisco estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por ser inconstitucional. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Assim, a multa encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, e não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrarse na hipótese prevista pela norma. Com efeito, nos termos do artigo 97, inciso VI, do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não cabe, portanto, à autoridade administrativa apreciar argumentos que negam validade a dispositivos legais regularmente inseridos no ordenamento normativo. Fl. 7488DF CARF MF 110 A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Destarte, quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabem, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Quanto ao julgamento, pelo STF, da ADI 551RJ e ADI 10751/DF, que reconheceram a inconstitucionalidade dos §§ 2º e 3º do art. 57 do ADCT da Constituição do Estado do Rio de Janeiro e do art. 3º e parágrafo único da Lei nº 8.846/1994. Sustenta que “consoante disposto no art. 102, parágrafo 2º, da Constituição Federal, as decisões proferidas pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante em relação à administração pública”, de fato, esse efeito é inconteste. No entanto, os efeitos devem valer para a norma considerada inconstitucional, no caso, o ADCT da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. No que se refere ao argumento de que a teor do art. 121 do CTN o responsável não responde pelas obrigações acessórias, mas tão somente em relação às obrigações principais, também não merece prosperar. O art. 121 do CTN trata de conceituar o sujeito passivo e apresentar suas espécies, quais sejam, contribuinte e responsável. Ao contrário do que se alega, não visa a restringir a obrigação de pagar ao tributo ou penalidade pecuniária, pois, se assim o fosse, tal restrição caberia também para o contribuinte já que inserido no gênero sujeito passivo, o que, nem de longe, se cogita. Vejase que o art. 113 do CTN conceitua a obrigação tributária, distinguindoa em principal e acessória, sendo aquela a que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade (obrigação de dar) e esta a que tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, previstas na legislação tributária (obrigação de fazer). Nesse contexto, as obrigações acessórias mencionadas pelo recorrente são, na verdade, obrigações principais (de dar), pois compõem o crédito tributário, que decorre da obrigação tributária principal e tem a mesma natureza desta, conforme art. 139 do CTN. Não assiste razão, portanto, ao recorrente. Portanto, correto está o percentual de multa aplicado. Da prova pericial. Todos os recorrentes, quais sejam, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA E PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, demandaram a realização de perícia. Fl. 7489DF CARF MF Processo nº 10932.720090/201586 Acórdão n.º 1401003.003 S1C4T1 Fl. 7.435 111 No entanto, o pedido deve ser indeferido pelos seguintes motivos: 1º) A perícia é desnecessária, tendo em vista que os documentos juntados aos autos são suficientes para formar a convicção da autoridade julgadora. 2º) A perícia é desnecessária, já que uma perícia só se justifica, quando haja controvérsia que demande um exame técnico especializado, o que, data venia, não é o caso do presente processo. Sendo assim, deve ser indeferida a diligência/perícia pleiteada, por desnecessária, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993. Conclusão: Em face do exposto, voto no sentido de julgar os recursos voluntários procedentes em parte, para: Afastar as nulidades suscitadas; · Manter a responsabilidade tributária atribuída aos irecorrentes, Paulo César Verly da Cruz, João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira. Quanto ao crédito tributário em litígio: · Manter a responsabilidade tributária atribuída aos recorrentes Paulo César Verly da Cruz, João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira; · Manter a exigência do IRPJ, no valor de R$ 5.189.581,68, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.3. Da apuração do IRPJ/CSLL devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e juros de mora cabíveis, na forma da lei. · Manter a exigência da CSLL, no valor de R$ 1.872.768,02, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.3. Da apuração do IRPJ/CSLL devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e de juros de mora cabíveis, na forma da lei. · Manter a exigência do PIS, no valor de R$ 515.961,76, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.4. Da apuração do PIS/Cofins devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e juros de mora cabíveis, na forma da lei. · Manter a exigência da Cofins, no valor de R$ 2.376.551,15, consoante quadro demonstrativo do item “4.2.4. Da apuração do PIS/Cofins devidos após o julgamento”, acrescida de multa qualificada de 150% e de juros de mora cabíveis, na forma da lei. Fl. 7490DF CARF MF 112 Conforme se verifica, a decisão proferida pela DRJ é absolutamente impecável, e analisa exaustivamente todos os argumentos aduzidos pelas Impugnantes, os quais foram repetidos em sede recursal. Entendo como absolutamente correta sua análise quanto as preliminares, que se coaduna com a parte inicial do meu voto, assim como a análise sobre o não cabimento da perícia e a aplicação do art. 124, I c/c com o art. 135 do CTN. Outrossim, como bem enfrentado, não é o caso de arbitramento pois os documentos obtidos foram suficientes para se calcular o crédito devido na sistemática de tributação a que a contribuinte optou. Da mesma forma, de todo o contexto fático restou absolutamente comprovado que a autuada e solidários foram artífices de um complexo esquema de sonegação fiscal, operado de forma dolosa, mediante fraude e simulação, sendo caso expresso de aplicação da penalidade majorada. Ademais, questionamentos quanto à constitucionalidade da legislação não são de competência de apreciação deste CARF. Assim, não há como acolher os Recursos Voluntários por todas as razões aqui expostas. Quanto ao recurso de ofício igualmente não há o que reparar na decisão recorrida. Isto porque, a desoneração decorreu do reconhecimento, pela autoridade fiscal, de erros de digitação que majoraram indevidamente o crédito lançado. A título de exemplo, a digitação do valor de R$ 16.048.262,00 ao invés de R$ 160.482,62. Desta forma, agiu bem a DRJ que, em atenção ao princípio da verdade material, e de ofício a partir da informação fiscal, promoveu o respectivo ajuste no crédito tributário. Por esta razão, nego provimento ao Recurso de Ofício. Assim, face a tudo o quanto exposto, nego provimento aos Recursos Voluntários e de Ofício, mantendo, em razão da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida nos demais termos, pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 7491DF CARF MF
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