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Numero do processo: 13888.720753/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ACÓRDÃO FUNDAMENTADO EM DECISÃO JUDICIAL. POSTERIOR REFORMA DA DECISÃO. APLICAÇÃO AO CASO. POSSIBILIDADE.
Tendo em vista que o Acórdão embargado, para dar provimento às razões do contribuinte, fundamentou-se única e exclusivamente na decisão judicial proferida no processo em que o contribuinte é parte, entendo que, havendo a reforma da citada decisão judicial, deve também ser reformada a orientação presente neste processo administrativo.
ABONO DE PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
Quando do julgamento do REsp 1192556/PE, sob a sistemática do art. 543-C, o STJ entendeu que "sujeitam-se incidência do Imposto de Renda os rendimentos recebidos a título de abono de permanência a que se referem o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o § 5º do art. 2º e o § 1º do art. 3º da Emenda Constitucional 41/2003, e o art. 7º da Lei 10.887/2004. Não há lei que autorize considerar o abono de permanência como rendimento isento".
Decisão deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015).
Numero da decisão: 2201-003.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados apresentados, para, aplicando-lhe efeitos infringentes, reformar a decisão recorrida, em face de decisão judicial superveniente, para manter o lançamento de IRPF objeto do presente processo.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 08/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 ACÓRDÃO FUNDAMENTADO EM DECISÃO JUDICIAL. POSTERIOR REFORMA DA DECISÃO. APLICAÇÃO AO CASO. POSSIBILIDADE. Tendo em vista que o Acórdão embargado, para dar provimento às razões do contribuinte, fundamentou-se única e exclusivamente na decisão judicial proferida no processo em que o contribuinte é parte, entendo que, havendo a reforma da citada decisão judicial, deve também ser reformada a orientação presente neste processo administrativo. ABONO DE PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Quando do julgamento do REsp 1192556/PE, sob a sistemática do art. 543-C, o STJ entendeu que "sujeitam-se incidência do Imposto de Renda os rendimentos recebidos a título de abono de permanência a que se referem o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o § 5º do art. 2º e o § 1º do art. 3º da Emenda Constitucional 41/2003, e o art. 7º da Lei 10.887/2004. Não há lei que autorize considerar o abono de permanência como rendimento isento". Decisão deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015).
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ABONO DE PERMANÊNCIA Embargante DRF EM PIRACICABA/SP Interessado NILCEU BEMVINDO MACIEL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ACÓRDÃO FUNDAMENTADO EM DECISÃO JUDICIAL. POSTERIOR REFORMA DA DECISÃO. APLICAÇÃO AO CASO. POSSIBILIDADE. Tendo em vista que o Acórdão embargado, para dar provimento às razões do contribuinte, fundamentouse única e exclusivamente na decisão judicial proferida no processo em que o contribuinte é parte, entendo que, havendo a reforma da citada decisão judicial, deve também ser reformada a orientação presente neste processo administrativo. ABONO DE PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Quando do julgamento do REsp 1192556/PE, sob a sistemática do art. 543C, o STJ entendeu que "sujeitamse incidência do Imposto de Renda os rendimentos recebidos a título de abono de permanência a que se referem o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o § 5º do art. 2º e o § 1º do art. 3º da Emenda Constitucional 41/2003, e o art. 7º da Lei 10.887/2004. Não há lei que autorize considerar o abono de permanência como rendimento isento". Decisão deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados apresentados, para, aplicandolhe efeitos infringentes, reformar a decisão recorrida, em face de decisão judicial superveniente, para manter o lançamento de IRPF objeto do presente processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 07 53 /2 01 4- 52 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.642 S2C2T1 Fl. 95 2 Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 08/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos pela DRF em Piracicaba/SP à fl. 90 em face do acórdão de fls. 53/58, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar a Notificação de Lançamento de IRPF, relativo ao anocalendário 2008, que ajustou o valor de imposto a restituir de R$ 5.182,72 (declarado pelo contribuinte) para R$ 1.175,67. Adoto o relatório do acórdão embargado, por sua clareza e precisão: Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Trata este processo da Notificação de Lançamento nº 2009/766364708821757, juntada nas fls. 14 a 17 destes autos, relativa ao ano calendário de 2008, exercício de 2009 com registro imposto a restituir ajustado para R$1.175,67. Nos termos da Notificação, o ajuste foi feito após revisão dos dados da Declaração do contribuinte, quando se constatou infração por omissão de rendimento tributável no valor de R$14.571,08, que corresponde à diferença entre o rendimento tributável informado em Dirf para o notificado pelo Ministério da Fazenda, R$191.916,79, e o valor por ele declarado na DIRPF de 2009 retificadora, que foi de R$177.345,71. Ciente do lançamento o contribuinte apresentou Solicitação de Revisão do Lançamento – SRL, e analisado o pedido a autoridade revisora concluiu pela manutenção da infração – Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.642 S2C2T1 Fl. 96 3 fls. 20, destes autos, motivando a decisão nos seguintes termos: “omissão parcial de rendimentos tributáveis recebidos do MINISTÉRIO DA FAZENDA, CNPJ nº 00.394.460/011771, no valor de R$14.571,08, relativamente aos valores pagos a título de abono de permanência, e indevidamente considerados como isentos, por falta de comprovação da existência de determinação judicial para se restituir valores relativos a anos anteriores.” Ciente da decisão o contribuinte apresentou defesa, manifestando seu inconformismo e alegando que retificou sua declaração original com fundamento na Nota COSIT nº 07, de 14.01.2011, item 4, subitem 4.1 e item 5, que garante aos contribuintes o direito de retificar suas DIRRF para excluir da base de cálculo do imposto devido, os valores recebidos a título de abono de permanência. Acresce que aquele dispositivo legal foi expedido pela Receita Federal após concluir que aquela verba não possui natureza salarial. Junta à defesa cópia de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança de nº 00530850.2008.4.3.6100 impetrado pelo SINDIFISPSP – fls. 4/6. Requer deferimento favorável à impugnação. Ciente da decisão em 04 de novembro de 2014, conforme AR de fls.32, interpôs o recurso voluntário às fls.34/3, em 07 de novembro de 2014, onde reclama do procedimento adotado pela Delegacia de Julgamento, com menosprezo à orientação da Nota Cosit 07 de 14 de janeiro de 2011, que disciplinou a forma de reaver os valores retidos indevidamente. Destaca o caráter taxativo da nota, elaborada, em seu entender, em cumprimento às determinações judiciais. Informa que ilustrou os autos com as planilhas explicativas, relacionando os valores do abono de permanência com a retenção na fonte no período de dezembro de 2007 a novembro de 2008 e somente a partir de maio de 2009 a Receita Federal passou a se abster de efetuar a retenção. A declaração retificadora do exercício 2009, ano calendário de 2008, está de acordo com a normativa e gerou um valor de imposto a restituir a maior, devendo ser restituído acrescidos dos juros correspondentes. Informa que o valor apurado após a retificação é de R$ 5.182,72, que subtraído do valor apurado antes da retificação, de R$ 1.175,67, é igual ao valor a restituir de R$ 4.007,05. No tocante ao direito aponta que se encontra amparado pela sentença patrocinada pelo Unafisco Sindical, processo nº 2007.34.00.0405520, da 1ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, expedida em 05 de agosto de 2010, onde na sentença, a Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.642 S2C2T1 Fl. 97 4 juíza Solange Salgado estendeu o benefício da ação à toda categoria dos Auditores da Receita Federal do Brasil, do qual o recorrente é integrante. Embora a sentença date de 2010, faz menção aos valores retidos indevidamente, obedecendo a prescrição decenal. Alude como preliminar o transtorno causado pela COGEP que deixou de elaborar, com base na sentença judicial, a DIRF retificadora, bem como a emissão de novo comprovante de rendimentos, para que pudesse efetivar a retificação das declarações. Exterioriza sua indignação com o procedimento do órgão julgador. No mérito informa que junta a cópia da sentença antes referida. Pede a improcedência da notificação e a devolução da diferença do valor retido indevidamente, conforme declaração retificadora nº 01 do ano calendário de 2008. Quando do julgamento do recurso, em 13/04/2016, esta Turma julgadora entendeu que deveria ser dado cumprimento à sentença proferida em 05/08/2010 nos autos de ação judicial (Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0405520 / NPU 0040322 38.2007.4.01.3400), que dava provimento ao pedido do SINDICATO NACIONAL DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, para que a União se abstivesse “de efetuar o desconto do imposto de renda sobre as parcelas mensais de abono de permanência percebida pelos autores substituídos” e, além disso, fosse condenada “a restituir as importâncias indevidamente retidas a esse título, observada a prescrição decenal” (fls. 37/46). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS. Havendo decisão judicial que determina o pagamento do imposto de renda incidente sobre o abono de permanência de anos anteriores, através da DIPF de ano calendário diverso, cabe a autoridade administrativa verificar na DIRF do período da restituição se os valores coincidem e providenciar o cumprimento da decisão. Recurso Provido. No entanto, em 27/05/2016, quando do julgamento de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nos autos do processo judicial nº 2007.34.00.0405520 (NPU 004032238.2007.4.01.3400), o STJ negou provimento ao mérito da ação judicial para reconhecer a incidência do IRPF sobre o abono de permanência, conforme decisão monocrática acostada aos autos (fls. 86/88). Tal fato provocou a interposição dos Embargos Inominados pela DRF de origem, haja vista que o acórdão do CARF se fundamentou na sentença judicial anterior, e a decisão do STJ foi contrária ao pedido do contribuinte. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.642 S2C2T1 Fl. 98 5 Em Despacho de Admissibilidade de fls. 92/93, foram acolhidos os Embargos Inominados, uma vez que houve “omissão no tocante à existência de Recurso Especial, já que o mérito da causa não havia se exaurido por completo, mormente porque a lide só se esgota com a superveniência de sentença cuja cognição exauriente venha dar tratamento definitivo à controvérsia”. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso preenche aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Na iminência de dar cumprimento ao acórdão nº 2201003.084, a DRF de origem observou que, em data posterior ao acórdão do CARF, houve decisão do STJ em sede de recurso especial (REsp 1590222/DF), desfavorável ao contribuinte, reconhecendo a incidência do IRPF sobre o abono de permanência (fls. 86/88). Neste sentido, os autos retornaram ao CARF para conhecimento e manifestação acerca da execução do acórdão a ser levada a efeito pela DRF. Da análise da decisão embargada, entendo que, de fato, ocorreu a omissão sobre a existência de recurso especial. Ou seja, o acórdão do CARF se fundamentou em sentença não transitada em julgado e, portanto, passível de reforma pelo judiciário. Conforme o extrato de acompanhamento processual de fl. 85, o recurso especial foi distribuído no STJ em 09/03/2016, praticamente em concomitância com o julgamento do recurso voluntário pelo CARF, levado para a sessão plenária de 13/04/2016 (fl. 53). No entanto, antes do julgamento já era possível ter notícia da interposição de recurso especial, conforme se depreende do extrato de acompanhamento processual do TRF 1 (fl. 75), em que se identifica no dia 12/06/2015 o proferimento de decisão do Presidente do Tribunal admitindo o Recurso Especial interposto naquele processo. Ou seja, a sentença em que se fundamentou o acórdão de fls. 53/58 não havia transitado em julgado. Em consulta ao site do STJ, verifiquei que a Segunda Turma do STJ, ao apreciar agravo interno interposto pelo SINDICATO NACIONAL DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL em face da decisão monocrática no REsp 1590222/DF, proferiu em 17/11/2016 acórdão com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO CONFIGURADO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE O ABONO DE Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.642 S2C2T1 Fl. 99 6 PERMANÊNCIA. QUESTÃO INFRACONSTITUCIONAL. MATÉRIA PACIFICADA. RECURSO REPETITIVO. 1. Segundo a jurisprudência do STJ, o prequestionamento implícito está configurado quando o provimento jurisdicional, ainda que não indique expressamente a legislação enfrentada, emite juízo de valor a respeito da tese jurídica por ela disciplinada, o que não ocorreu na hipótese dos autos. 2. A jurisprudência do STJ possui entendimento de que a controvérsia acerca da incidência de imposto de renda sobre o abono de permanência é questão infraconstitucional. 3. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.192.556/PE, submetido ao rito dos repetitivos do art. 543C do CPC, pacificou o entendimento de que incide Imposto de Renda sobre o Abono de Permanência previsto no art. 40, § 19, da Constituição Federal; nos arts. 2º, § 5º, e 3º, § 1º, da Emenda Constitucional 41/2003; e no art. 7º da Lei 10.887/2004. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1590222/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/11/2016, DJe 17/11/2016) Posteriormente, em 24/11/2016, o SINDICATO NACIONAL DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL opôs embargos de declaração em face do aludido acórdão, o qual foi levado a julgamento no dia 18/04/2017, sendo que ainda não foi finalizado em razão de pedido de vista realizado por um dos Ministros, conforme extrato de acompanhamento processual abaixo: Contudo, entendo que a não finalização do julgamento pelo STJ não impede o prosseguimento do presente processo administrativo. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.642 S2C2T1 Fl. 100 7 É que tanto o Decreto 70.235/72 como também o Regimento Interno do CARF não prevêem hipótese de suspensão/sobrestamento do processo administrativo fiscal. O art. 62 do Decreto 70.235/72 dispõe que não será instaurado procedimento fiscal durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança de tributo, ao passo que o parágrafo único do mesmo dispositivo prevê que se a medida judicial se referir a processo fiscal já instaurado, o curso deste não será suspenso, exceto em relação aos atos executórios: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. Sendo assim, é possível concluir que não há hipótese de sobrestamento do curso do processo fiscal para que se aguarde decisão judicial. Por outro lado, conforme exposto acima, a matéria envolvendo a incidência de imposto de renda sobre os valores de abono de permanência já foi objeto de apreciação pelo STJ quando do julgamento do REsp 1192556/PE, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), cuja ementa transcrevo abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ABONO DE PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. 1. Sujeitamse incidência do Imposto de Renda os rendimentos recebidos a título de abono de permanência a que se referem o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o § 5º do art. 2º e o § 1º do art. 3º da Emenda Constitucional 41/2003, e o art. 7º da Lei 10.887/2004. Não há lei que autorize considerar o abono de permanência como rendimento isento. 2. Recurso especial provido. (REsp 1192556/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 06/09/2010) Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13888.720753/201452 Acórdão n.º 2201003.642 S2C2T1 Fl. 101 8 Sendo assim, no caso concreto, não deve ser afastada a Notificação de Lançamento nº 2009/766364708821757, haja vista que se refere a constituição de crédito de IRPF sobre verbas de abono de permanência pagos ao contribuinte no anocalendário 2008, a qual não deve ser considerada isenta, conforme decisão do STJ no REsp 1192556/PE sob a sistemática do art. 543C da Lei nº 5.869/73 (antigo CPC). Portanto, tendo em vista que o Acórdão embargado fundamentouse única e exclusivamente na decisão judicial proferida no processo nº 004032238.2007.4.01.3400, entendo que, havendo a reforma da citada decisão judicial, deve também ser reformada a orientação presente neste processo administrativo. Isto posto, voto por conhecer e acolher os embargos inominados apresentados para, aplicandolhe efeitos infringentes, reformar a decisão recorrida e manter o lançamento de IRPF objeto do presente processo, em razão de decisão judicial superveniente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.909604/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2006, 15/07/2006, 15/08/2006
EMBARGOS. OMISSÃO.
Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO.
São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 3301-003.461
Decisão: Embargos de Declaração rejeitados.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti e Semíramis de Oliveira Duro.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Embargos de Declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti e Semíramis de Oliveira Duro. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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OMISSÃO. Identificada na decisão embargada a contradição entre o desenvolvimento do voto e as respectivas conclusões, tal vício há de ser sanado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Embargos de Declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti e Semíramis de Oliveira Duro. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 96 04 /2 01 0- 45 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 187 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório do Acórdão no 3301002.252 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, nos seguintes termos (fl. 166/167): Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, a compensação dos débitos tributários declarados na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 27745.44598.280907.1.3.049480, às fls. 42/47, transmitida na data de 28/09/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior da Cofins não cumulativa, efetuado em 15/09/2005. A homologação parcial decorreu da insuficiência do crédito financeiro disponível para a compensação de todos os débitos, acrescidos de multa de mora, conforme Despacho Decisório às fls. 39, datado de 06/09/2010. Intimada daquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação integral das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: "... a cobrança de multa de mora é indevida, posto que não houve ausências de recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado." Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou a improcedente, conforme Acórdão nº 0237.905, datado de 12/03/2010, às fls. 65/69, sob a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação total ou parcial de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (75/92), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue integralmente a compensação dos débitos declarados, alegando, em síntese, a improcedência da multa de mora exigida sobre os débitos compensados, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, dos créditos tributários declarados e compensados, tendo em vista que as DCTF foram retificadas e as diferenças apuradas, Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 188 3 compensadas, mediante a transmissão de Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao Recurso Voluntário, com a seguinte Ementa (fl. 166): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2006, 15/07/2006, 15/08/2006 DCTF. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. No julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o pagamento de débito tributário, declarado em DCTF retificadora, em data anterior e/ ou na mesma data de transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea nos termos da legislação tributária e, consequentemente, afasta a incidência da multa moratória. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, alegando existir contradição entre a fundamentação do voto condutor e a conclusão do julgado (fls 172/180), alegando que: O relator utilizou os seguintes fundamentos para dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, verbis: “A homologação parcial da Dcomp, pela autoridade administrativa, teve como fundamento a insuficiência do crédito financeiro declarado para compensar todos os débitos, tendo vista o acréscimo da multa de mora. A recorrente contestou a incidência dessa penalidade, alegando a ocorrência da denúncia espontânea, tendo em vista que retificou transmitiu as respectivas DCTF retificadoras nas datas de 21/01/2009, 05/11/2009 e 31/05/2011, sendo que as compensações foram efetuadas em 28/09/2007, mediante a transmissão da Dcomp. A multa moratória devida sobre débitos pagos a destempo está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: [...] Segundo este dispositivo legal, a multa de mora é devida sempre que o débito tributário for pago depois do prazo do seu vencimento previsto na legislação específica, independentemente de ter sido declarado ou não e de ter sido efetuado antes de quaisquer procedimentos administrativos visando sua cobrança. Já o instituto da denúncia espontânea está previsto no CTN, art. 138, que assim estabelece: [...] Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 189 4 Ora, segundo este dispositivo, a responsabilidade somente é excluída pelo pagamento tempestivo do tributo devido ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa. No meu entendimento, a extinção de débito tributário declarado, mediante a transmissão de Dcomp, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não corresponde a pagamento, para efeito da denúncia espontânea, nos termos do dispositivo legal citado e transcrito acima. No entanto, por meio do REsp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pronunciouse de outro modo, conforme registram as razões de decidir, nos seguintes termos: [...] No presente caso, a Dcomp foi transmitida na data de 28 de setembro de 2007 e as DCTF retificadoras informando os débitos e as respectivas compensações foram transmitidas nas datas de 21 de janeiro e 5 de novembro de 2009 e 31 de maio de 2011. Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, a decisão do STJ, reconhecendose a ocorrência da denúncia espontânea, para afastar a exigência de multa de mora sobre os débitos declarados na Dcomp em discussão. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário apenas e tão somente para afastar a exigência de multa de mora sobre os débitos cuja compensação foi homologada pela autoridade administrativa.” Conforme se verifica, o Eminente Relator entendeu que a extinção do débito tributário mediante Declaração de Compensação não se equipararia a pagamento para fins de denúncia espontânea. Contudo, aplicou o entendimento do STJ exarado em sede de recurso repetitivo, que supostamente teria decidido de forma divergente. Contudo, o acórdão do STJ não trata da específica controvérsia constante dos presentes dos autos, qual seja, a equiparação da declaração de compensação ao pagamento stricto sensu para fins de fins de denúncia espontânea. Observese a ementa do referido REsp 1.149.022, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 190 5 RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que ‘a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte’ (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.’ 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 191 6 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010)" Conforme se observa, o acórdão do STJ trata da hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo PAGAMENTO integral, retificaa, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. A controvérsia dos autos é diferente, pois se refere à idoneidade da declaração de compensação, submetida a condição resolutória, para fins de denúncia espontânea, como se a extinção concomitante do débito denunciada tivesse sido feito por meio pagamento. (grifos no original) O pedido da embargante foi que "sejam conhecidos e providos os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para sanar a contradição apontada o voto condutor e a conclusão do julgado, concedendose ao acórdão efeitos infringentes e, consequentemente, negandose provimento ao recurso voluntário do contribuinte conhecimento e provimento dos presentes Embargos de Declaração, para que seja integrado o v. acórdão proferido por essa C. Turma julgadora, em relação aos vícios supra apontados" (f. 180). Às fls. 182/185, foram admitidos os embargos, por ter sido "constatada contradição na decisão embargada". Voto Quanto à existência de contradição, verificase nos fundamentos a posição pessoal do julgador no sentido de que "a extinção de débito tributário declarado, mediante a transmissão de Dcomp, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não corresponde a pagamento, para efeito da denúncia espontânea, nos termos do dispositivo legal citado e transcrito acima." (fls. 168/169). Tal posição destoa do julgado, que reconheceu a denúncia espontânea no presente caso e afastou a multa de mora. Assim, os presentes embargos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, tendo se caracterizado contradição entre os fundamentos e o julgado. Dessarte, o ponto a ser considerado nesta decisão é se a extinção de débito tributário declarado, mediante a transmissão de Dcomp, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, corresponde a pagamento, para efeito da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 192 7 No presente caso, a contribuinte solicitou homologação de débitos tributários declarados em Dcomp transmitida na data de 28/09/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ou a maior da Cofins não cumulativa, efetuado em 15/09/2005. Cumpre transcrever o art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse ponto, adoto o entendimento exarado no Acórdão 3403003.627 4a Câmara/ 3a Turma Ordinária, do qual transcrevo excerto: Não se pode fazer confusão quanto ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça a respeito da denúncia espontânea, devendo se distinguir com segurança as seguintes situações. (A) em que o contribuinte apresenta a declaração (confessando o débito) e simplesmente deixa de pagar o tributo no vencimento, depois pretendendo realizar este pagamento a destempo caso em que não se configura a denúncia espontânea, tratado pela Súmula STJ/360 e nos Recursos Especiais 886.462 e 962.379; e (B) em que o contribuinte, verificando a falta de pagamento e de declaração de um débito referente ao passado, promove, então, a sua confissão e pagamento – caso em que se configura a denúncia espontânea –, sendo que tal débito pode se referir a uma diferença de valor, de maneira que o contribuinte apresenta declaração retificadora acrescentando o valor correspondente a esta diferença que se quer confessar espontaneamente e promove o pagamento; esta situação é expressamente reconhecida no Recurso Especial 1.149.022, julgado pelo STJ em regime de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). Notese, pois, que o STJ não diz que a denúncia espontânea é impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O que diz o STJ é que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois de ultrapassado este prazo pretender uma “falsa espontaneidade de recolhimento”, eis que referente a um débito que reconhecidamente já havia confessado. Com efeito, entende a referida Corte Legal que, “Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido” (REsp Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 193 8 886462/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mas se a confissão é concomitante com o pagamento, então resta configurada a denúncia espontânea. A denúncia espontânea, como vista, é reconhecida pelo STJ inclusive quando realizada em relação a diferença de valores. Em tais casos o contribuinte realiza a confissão por meio de DCTF retificadora, por meio da qual aumenta o valor do débito confessado (com a inclusão da diferença em relação à qual se aplica a denúncia espontânea), promovendo o concomitante pagamento. Isto fica bem ilustrado no seguinte julgado: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte pacificou orientação, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n.1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco". Por outro lado, "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". Sobre o tema, esta Corte editou a Súmula n. 360, a qual dispõe que: "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Por fim, "a regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea" (REsp 908.086/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 16.6.2008). 2. Recurso especial não provido. (REsp 1210167/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 09/12/2011)" Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 194 9 A distinção entre as duas situações acima mencionadas também pode ser conferida no seguinte julgado, proferido em regime de recurso repetitivo: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 195 10 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (...) Tal entendimento, firmado em recurso repetitivo, deve ser transportado para o presente caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, visto que o Recorrente promoveu o pagamento de diferença que não se encontrava confessada nas declarações anteriores. Foi demonstrado, com efeito, que a diferença de valor correspondente à Cofins dos fatos geradores janeiro/2007 e fevereiro/2007, que foi objeto da denúncia espontânea, não havia sido confessada nas DCTFs originais (fls. 78/83), sendo apenas posteriormente confessada por meio de DCTF retificadoras, apresentadas em 21/01/2009 (fls. 57/64), e pago em 28/09/2007, por meio de DCOMP (fls. 50/56) Verificase, pois, que a diferença de valor foi paga em 28/09/2007, por meio de compensação, e confessada em DCTF retificadora em 16/10/2008. No presente caso, portanto, o Recorrente promoveu o pagamento espontâneo de diferença de tributos que não havia confessado anteriormente. Aplicase ao presente caso o entendimento firmado pelo STJ no recurso repetitivo, tal como já entendeu esta Turma em julgamentos anteriores, cujas ementas transcrevo abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Ementa: PAGAMENTO DE TRIBUTOS APÓS O VENCIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 196 11 O recolhimento extemporâneo de tributo, efetuado concomitantemente ou antes de sua confissão em DCTF retificadora, transmitida depois do vencimento do prazo para o cumprimento dessa obrigação acessória, está ao abrigo do instituto da denúncia espontânea, descabendo a aplicação de multa de mora. (Inteligência do decidido no REsp 1.149.022, relator Ministro Luiz Fux) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 Ementa: RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. JULGAMENTOS NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista no art. 543C do CPC devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte (acórdão 3403002.060, PA 10980.923829/200996, Rel. Cons. Alexandre Kern, j. 24/04/2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/2004 a 31/05/2005 (...) DENUNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PRÉVIA. CONCOMITÂNCIA DO PAGAMENTO E DA CONFISSÃO DE DIFERENÇA DE VALORES. APLICAÇÃO. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão desta sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais nºs 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008). Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira concomitante, aplicase a denúncia espontânea, afastandose a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora. Entendimento (Recurso Especial nº 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010). Recurso provido. (acórdão 3403001.946, processo 10283.005545/200550, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 19/03/2013) " Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 197 12 Confirase, ainda, que o pagamento foi feito incluindo o principal e os juros de mora, apenas deixando de recolher a multa de mora. É certo, outrossim, que a multa moratória tem natureza punitiva, constituindo penalidade aplicada em razão de ter sido ultrapassado o prazo de recolhimento do tributo. É isto, aliás, o que reconhece categoricamente o Supremo Tribunal Federal na Súmula 565 ("A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência"). Assim, a denúncia espontânea afasta tanto a aplicação da multa de ofício como a multa de mora. Por fim, devese reconhecer que tanto o recolhimento por DARF como a compensação por meio de DCOMP configuram o pagamento caracterizador da denúncia espontânea. Com propriedade, a compensação surte o mesmo efeito prático e jurídico do recolhimento: ambos surtem o efeito imediato de extinção do crédito tributário e estão sujeitos, igualmente, à homologação pela autoridade fiscal. Percebase que o recolhimento a que se está referindo não trata da hipótese de pagamento prevista no inciso I do art. 156 do CTN, mas ao inciso VII, que se refere ao “pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º”. Assim, caso se levasse ao extremo da literalidade o entendimento de que o pagamento a que se refere o art. 138 do CTN apenas poderia se referir à hipótese do inciso I do art. 156, então nem mesmo poderia alcançar a hipótese do inciso IV, na qual a extinção comina a antecipação com a homologação do pagamento pela autoridade administrativa. Ou seja, confinar obtusamente o conceito de pagamento do art. 138 do CTN ao inciso I do art. 156 implicaria em recusar a denúncia espontânea tanto na hipótese de extinção pela compensação como pelo adiantamento de valores pertinente à sistemática de lançamento por homologação, o que na prática esvaziaria qualquer utilidade ao referido dispositivo. Para o Superior Tribunal de Justiça é indiferente o fato de o pagamento acontecer por meio de recolhimento por guia DARF ou por compensação via DCOMP para a caracterização da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme se pode extrair do seguinte julgado: "AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 198 13 EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010)" E não poderia ser diferente, pois a única diferença entre o recolhimento e a compensação está em que, na compensação, o contribuinte usa um excesso de um recolhimento que realizou anteriormente em valor maior que o devido, ou seja, utiliza parte de um recolhimento que já existe, mas que fez indevidamente ou em valor maior do que deveria. Ora, isto significa que, nesta situação, o Fisco detém em seus cofres valores que foram recolhidos a maior pelo contribuinte. O contribuinte, portanto, por meio da compensação, utiliza valores que lhe pertencem, mas que já estão nos cofres públicos, em poder do Fisco, sendo por isso de rigor que se prestigie a possibilidade de utilizálos para o pagamento, não havendo qualquer razão para que se impeça tal possibilidade, condicionando obtusamente o direito do contribuinte ao recolhimento por meio de guia DARF! Ademais, cumpre observar que no caso de a compensação apresentada vir a ser negada, o Fisco cobrará do contribuinte o pagamento do débito confessado, e assim o fará em valores atualizados, inclusive com a cobrança da multa, de maneira que, ao fim e ao cabo, será honrada a obrigação tributária, sem qualquer prejuízo para o Fisco. (grifei) Assim, no mesmo sentido do Acórdão transcrito, entendo que está configurada a hipótese de aplicação da denúncia espontânea no presente caso, devendo ser reconhecida a extinção da punibilidade, para o efeito prático de afastar a aplicação da multa de mora. Por essas razões, adoto e corroboro o reconhecimento à contribuinte da aplicação da denúncia espontânea, cujo efeito é o de afastar a exigência de multa de mora. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10680.909604/201045 Acórdão n.º 3301003.461 S3C3T1 Fl. 199 14 Em face do exposto, voto no sentido de conhecer dos Embargos de declaração, por serem tempestivos e por se configurar a contradição alegada, e rejeitálos pelas razões de mérito indicadas. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000229/2005-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/05/2000 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-004.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado em 10/2016 e concluído em 06/12/2016.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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REQUISITOS. É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado em 10/2016 e concluído em 06/12/2016. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 29 /2 00 5- 81 Fl. 1456DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela CONFAB INDUSTRIAL S/A contra Acórdão nº 3403002.483, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento do imposto quanto às seguintes rubricas: (i) Nas saídas presumidamente desacompanhadas de notas fiscais, em decorrência de receitas não comprovadas, bem assim os seus consectários legais, inclusive a multa agravada pela presença de circunstâncias qualificativas; (ii) Admitir a dedução na reconstituição da escrita dos débitos lançados nas notas fiscais de saída por devolução dos produtos emprestados (epoxi em pó termicamente curado), e (iii) A majoração das penalidades aplicadas pelo não atendimento de intimação para prestação de esclarecimentos. O Colegiado, assim, consignou acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/05/2000 a 31/12/2001 Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 565 3 RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SAÍDAS DESACOMPANHADAS DE NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO RELATIVA. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de que são provenientes de vendas não registradas as receitas omitidas da tributação pode ser elidida mediante demonstração, por documentação hábil e idônea, da origem das mesmas. Demonstrada, em diligência fiscal realizada, que não existiu a omissão alegada, é de se cancelar o lançamento de ofício do imposto e de seus consectários legais. VENDA DE MERCADORIAS. VALOR TRIBUTÁRIO MÍNIMO. Os preços do vendedor não podem ser inferiores ao custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, além do lucro normalmente praticado pelo vendedor. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS. CONCEITO. Somente se caracterizam como insumos as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem que seja incorporado ao produto fabricado ou consumido em contato direto na sua produção. CREDITAMENTO INDEVIDO. Cancelase o creditamento por entrada de bens não aplicados na industrialização; de bens aplicados na industrialização mas que não se subsumem no conceito de insumo adotado pela legislação do imposto, e; no estorno por cancelamento não justificado de saída tributada; por redução do valor da operação; e por devolução de vendas sem a escrituração obrigatória de livro de controle de estoque ou sistema de controle equivalente. NOTAS FISCAIS. SAÍDA EFETIVA. INOCORRÊNCIA. PENALIDADE. A emissão de notas fiscais para amparar operações de exportação que não se realizaram enseja a aplicação da penalidade pecuniária igual ao valor do produto atribuído na nota fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Fl. 1458DF CARF MF 4 O termo inicial do prazo decadencial do direito do Fisco de constituição do crédito tributário, em presença de circunstâncias que qualificam a infração, deslocase para a regra geral, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÕES NO PRAZO. Somente se justifica a majoração da multa de lançamento de ofício no caso de injustificado não atendimento no prazo das intimações efetuadas pela Fiscalização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS DA INFRAÇÃO. A creditamento indevido e reiterado do imposto destacado em notas fiscais de “transferência” de insumos não utilizados na industrialização, emitidas por estabelecimento de firma interdependente, localizada no mesmo endereço e com departamentos contábil, fiscal, comercial e financeiro compartilhados, é ação dolosa fraudulenta, tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante devido, nos períodos de apuração em que houve saldo devedor, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, nos períodos em que o saldo apurado do imposto foi credor. Ademais, o ajuste doloso com a firma interdependente, emissora das notas fiscais, visando a propiciar o creditamento indevido, caracteriza conluio. Circunstâncias qualificativas da infração que justificam a exasperação da multa de lançamento de ofício. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/05/2000 MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE INFORMAÇÕES EM MEIO MAGNÉTICO. DESCUMPRIMENTO DAS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS. SUCESSIVAS INTIMAÇÕES PARA CORREÇÃO DOS DEFEITOS. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. As pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, é obrigada a manter, à disposição do Fisco, na forma estipulada, os respectivos arquivos digitais e sistemas. A apresentação de arquivos em Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 566 5 meio magnético ilegíveis, com dados faltantes e fora dos layouts estabelecidos, é descumprimento desse dever de colaboração e enseja a aplicação da penalidade cominada para tal infração. Recurso Voluntário Provido em Parte” O sujeito passivo, então, apresentou Embargos de Declaração a fim de sanar vício de contradição constante do acórdão, trazendo, entre outros, que: · Em julgamento, diante do reconhecimento expresso da fiscalização de que não houve saída de produtos tributados sem a emissão de nota fiscal, os conselheiros entenderam por bem dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que fosse cancelado o lançamento do imposto nas saídas presumidamente desacompanhadas de nota fiscal, em decorrência de receitas não comprovadas, bem assim os seus consectários legais, inclusive da multa agravada pela presença de circunstâncias qualificativas, admitir a dedução, na reconstituição da escrita do contribuinte, a dedução dos débitos lançados na nota fiscal de saída dos produtos “epóxi em pó termicamente curados” em devolução de empréstimo, bem como cancelar a majoração das penalidades aplicadas pelo não atendimento de intimação para prestação de esclarecimento, mantendo o restante do crédito tributário decorrente das demais infrações; · Ocorre, porém, que o r. acórdão “caiu” em contradição ao reconhecer que não houve saídas de produtos tributados sem emissão de nota fiscal e manter a multa por emissão de notas fiscais de exportação, sem a efetivação da saída dos produtos; · Isto porque tais infrações decorrem do mesmo fato, ou seja do contrato de fornecimento de tubos, firmado com a empresa Toyo Setal do Brasil Ltda, está agindo por conta e ordem da empresa Cayman Cabiunas, com sede no exterior e dona da obra contratada sob o regime de arrendamento mercantil pela Petrobrás, para entrega de plantas de processamento e gasodutos em Macaé (RJ), visando a aumento a capacidade de escoamento das produção de Fl. 1460DF CARF MF 6 gás da Bacia de Campos (projeto Cabiúnas). Ou seja, o r. acórdão reconheceu não haver ilícito (falta de emissão das Notas Fiscais), mas manteve a multa; · Para que não haja contradição, a multa aplicada pela emissão de notas fiscais de exportação sem a efetiva exportação do produto deve ser cancelada. Tais Embargos de Declaração tiveram seguimento negado, sob a justificativa de que não ocorreu a contradição alegada pelo sujeito passivo, vez que a decisão embargada manteve a multa porque considerou que o próprio sujeito passivo reconheceu que a emissão de notas fiscais de exportação não corresponderam a saídas de mercadorias para o exterior. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo o seu provimento para cancelar o crédito tributário, aduzindo, em síntese, a existência de interpretação divergente quanto: · Ao valor mínimo tributável – defendendo a desnecessidade de observância do valor mínimo tributável nas operações da recorrente nas saídas de produtos para filiais, empresas interdependentes e para terceiros, se os destinatários são contribuinte do IPI; · À Glosa de créditos – alegando que, para enquadrar um produto como matériaprima ou produto intermediário, não é necessário que haja integração física, mas apenas o desgaste ou consumo pelo contato. A integração física do insumo no produto não é condição necessária para o aproveitamento do crédito de IPI. O mero desgaste decorrente do processo de produção já assegura o direito ao crédito; Tais produtos são essenciais ao processo produtivo, sendo desgastados ou consumidos na reiteração de seu uso no processo; · À Multa regulamentar em relação aos arquivos magnéticos, argumentando que, não obstante terem sido detectadas irregularidades nos arquivos apresentados, tais não impediram a autoridade autuante de consultar manualmente as notas fiscais e registros contábeis da empresa; Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 567 7 · À Multa aplicada por erro na emissão de notas fiscais trazendo que restou expressamente consignado pela fiscalização que não houve saída de produtos tributados sem a emissão de nota fiscal. E, ocorre que o acórdão recorrido apesar de reconhecer que não houve saídas de produtos tributados sem emissão de nota fiscal, optou por manter a multa por emissão de notas fiscais de exportação, sem reconhecer o erro evidente. O apelo do sujeito passivo foi admitido parcialmente, nos termos do Despacho às fls. 1418 a 1422, tendo sido dado seguimento em relação à discussão acerca da inobservância de valor tributável mínimo em saídas destinadas a empresas interdependentes, da multa pela entrega de arquivos magnéticos em desacordo com especificações técnicas definidas pela RFB e da multa pela emissão de nota fiscal que não correspondeu à efetiva exportação. Em Despacho à fl. 1423, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve na íntegra o Despacho do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que deu parcial seguimento ao recurso, acentuando que esta decisão é irrecorrível, nos termos do art. 71, § 3º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que tal recurso deva ser conhecido em sua integralidade, considerando a parte admitida em Despacho de Admissibilidade, vez que comprovado o dissenso entre os arestos. O que concordo com exposto no Despacho Fl. 1462DF CARF MF 8 de Admissibilidade de fls. 1418 a 1422 – que peço vênia para transcrever parte (Grifos meus): “[...] Cuidase de recurso especial lastreado no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, em face do acórdão no 3403002.483, exarado em 26/09/2013, assim ementado: “RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SAÍDAS DESACOMPANHADAS DE NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO RELATIVA. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de que são provenientes de vendas não registradas as receitas omitidas da tributação pode ser elidida mediante demonstração, por documentação hábil e idônea, da origem das mesmas. Demonstrada, em diligência fiscal realizada, que não existiu a omissão alegada, é de se cancelar o lançamento de ofício do imp0sto e de seus consectários legais. VENDA DE MERCADORIAS. VALOR TRIBUTÁRIO MÍNIMO. Os preços do vendedor não podem ser inferiores ao custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, além do lucro normalmente praticado pelo vendedor. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS. CONCEITO. Somente se caracterizam como insumos as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem que seja incorporado ao produto fabricado ou consumido em contato direto na sua produção. CREDITAMENTO INDEVIDO. Cancelase o creditamento por entrada de bens não aplicados na industrialização; de bens aplicados na industrialização mas que não se subsumem no conceito de insumo adotado pela legislação do imposto, e; no estorno por cancelamento não justificado de saída tributada; por redução do valor da operação; e por devolução de vendas sem a escrituração Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 568 9 obrigatória de livro de controle de estoque ou sistema de controle equivalente. NOTAS FISCAIS. SAÍDA EFETIVA. INOCORRÊNCIA. PENALIDADE. A emissão de notas fiscais para amparar operações de exportação que não se realizaram enseja a aplicação da penalidade pecuniária igual ao valor do produto atribuído na nota fiscal. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. FRAUDE. SIMULAÇÃO. O termo inicial do prazo decadencial do direito do Fisco de constituição do crédito tributário, em presença de circunstâncias que qualificam a infração, deslocase para a regra geral, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÕES NO PRAZO. Somente se justifica a majoração da multa de lançamento de ofício no caso de injustificado não atendimento no prazo das intimações efetuadas pela Fiscalização. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS DA INFRAÇÃO. O creditamento indevido e reiterado do imposto destacado em notas fiscais de ‘transferência’ de insumos não utilizados na industrialização, emitidas por estabelecimento de firma interdependente, localizada no mesmo endereço e com departamentos contábil, fiscal, comercial e financeiro compartilhados, é ação dolosa fraudulenta, tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante devido, nos períodos de apuração em que houve saldo devedor, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, nos períodos em que o saldo apurado do imposto foi credor. Fl. 1464DF CARF MF 10 Ademais, o ajuste doloso com a firma interdependente, emissora das notas fiscais, visando a propiciar o creditamento indevido, caracteriza conluio. Circunstâncias qualificativas da infração que justificam a exasperação da multa de lançamento o de ofício. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA DE INFORMAÇÕES EM MEIO MAGNÉTICO. DESCUMPRIMENTO DAS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS. SUCESSIVAS INTIMAÇÕES PARA CORREÇÃO DOS DEFEITOS. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. As pessoa jurídica que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, é obrigada a manter, à disposição do Fisco, na forma estipulada, os respectivos arquivos digitais e sistemas. A apresentação de arquivos em meio magnético ilegíveis, com dados faltantes e fora dos layouts estabelecidos, é descumprimento desse dever de colaboração e enseja a aplicação da penalidade cominada para tal infração. Recurso Voluntário Provido em Parte” O contribuinte contestou as seguintes matérias, com a indicação dos respectivos paradigmas: i) inobservância de valor tributável mínimo em saídas destinadas a empresas interdependentes (Acórdãos 20166.776, 20166.397 e 201 75.615); ii) glosa de produtos não classificáveis como material intermediário (Acórdão 340200.375); iii) multa pela entrega de arquivos magnéticos em desacordo com especificações técnicas definidas pela RFB (Acórdão 10709.342); e, iv) multa pela emissão de nota fiscal que não correspondeu à efetiva exportação (Acórdão 20209.350). Os julgados dissonantes foram comprovados pela juntada de cópia de inteiro teor (fls. 1350/1413). É o relatório. O recurso especial é tempestivo, está em devida ordem formal, as matérias controvertidas foram objeto de debate na Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 569 11 instância a quo, porém, quanto ao dissídio interpretativo, do cotejo entre os acórdãos recorrido e dissidentes, é possível constatar apenas sua parcial ocorrência. Primeiramente, quanto à inobservância de valor tributável mínimo, temse que os Acórdãos 20175.615 e 20166.776 não servem de parâmetro de divergência, porquanto examinaram situação onde a transferência envolvia estabelecimentos (filiais) da mesma pessoa jurídica e não pessoas jurídicas interdependentes, como nestes autos, o que, para a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI tem grande relevância, dada a diferença de tratamento legal. No entanto, em relação ao aresto remanescente (201 66.397), verificase o propalado dissenso, tendo o julgado concluído que a saída com inobservância do valor tributável mínimo, ainda que entre pessoas interdependentes, não constitui infração à legislação do imposto, desde que o destinatário da operação seja contribuinte do imposto em relação a esta aquisição, conforme se constata do seguinte excerto: “A determinação, pela legislação do IPI, no sentido de, em exceção à regra de ser o preço da operação o valor tributável, fixar valor mínimo nas operações com empresas interdependentes, devese impedir que o produto pague menos tributo em operações cujo valor de operação podem ser reduzidos por situações decorrentes de essas operações se realizarem entre empresas economicamente interdependentes. A redução não ocorre quando a empresa adquirente, embora interdependente com a empresa fabricante ou importadora, também é contribuinte do IPI em relação aos produtos que adquire, dado tratarse por exemplo de bens de produção. E que na saída pela empresa adquirente, na condição de contribuinte, dos produtos que eventualmente tenham pago menor tributo, esse imposto será complementado.” Fl. 1466DF CARF MF 12 No caso vertente, segundo o voto condutor, as operações referiamse à revenda de insumos, o que leva à pressuposição de posterior saída de bem industrializado, o que sinaliza o desencontro de interpretações empreendidas pelos colegiados deste Conselho Administrativo. Tocante à caracterização de determinados insumos como materiais intermediários, o próprio contribuinte reconhece que os acórdãos (recorrido e paradigma) adotaram o mesmo entendimento acerca da matéria, todavia, o julgado reclamado teria mantido a glosa de produtos que, em sua opinião, satisfariam as condições para se classificar como material intermediário. Aludidos materiais seriam, nos termos do recurso, sacos de propileno, capacitores, resistores, voltímetros, calços, bicos de solda desmontáveis, bobinas, filmes e fixadores “industrex”, etc. Consoante expõe a decisão recorrida, sobreditos insumos destinaramse à manutenção de máquinas e controle de qualidade, o que, na linha intelectiva fixada pela decisão em tese dissonante, não mereceria qualquer reparo, eis que não se adequariam às disposições do PN CST 65/79, valendo a reprodução da seguinte passagem do voto condutor prolatado neste último: “Os produtos usados na limpeza, conservação e manutenção de máquinas e peças usadas no processo de industrialização da empresa não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para efeito de creditamento do IPI pois eles não incidem diretamente sobre o produto durante suas etapas de industrialização, não são consumidos ou desgastados, não sofrem perdas de propriedades físicas ou químicas em função da ação direta exercida diretamente (sic) sobre o produto em fabricação, ou viceversa, em fase de industrialização.” Portanto, compartilhando da mesma acepção de “produto intermediário” não é possível estabelecer dissídio entre os julgados; antes disso, o que se vê é a convergência exegética, de maneira que, nesse ponto, o recurso não deve ser admitido por ausência de divergência, o que somente seria possível se um Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 570 13 produto idêntico fosse admitido por uma e negado por outra, o que não foi o caso. No que diz respeito à multa pela falta de apresentação dos dados em meio magnético na forma estabelecida pela legislação, da leitura do voto proferido na decisão paradigma é possível confirmar o conflito alegado, a partir do raciocínio ali engendrado, segundo o qual a multa prevista no art. 12, I da Lei nº 8.218/91 – inobservância da forma de entrega das informações – somente incidiria na hipótese deste vício impedir o acesso às informações pela fiscalização, não, porém, quando houvesse apenas a insubsistência dos dados. Por derradeiro, quanto à aplicação de penalidade pela emissão de notas fiscais de exportação não realizadas, sustenta a decisão reclamada que a operação, nos termos da legislação de regência, corresponderia a uma “exportação sem saída”, que exigiria, inclusive, o registro da operação no SISCOMEX, mas que, todavia, não caberia a emissão de nota fiscal de exportação, o que foi atribuído pelo recorrente a um equívoco, argumento afastado pelo julgador em razão do volume de documentos emitidos. A decisão reversa, em situação ligeiramente parecida, discorreu sobre a infração que a pena visa elidir, para concluir que o dolo na operação deve ser evidente, o que, em análise perfunctória, não se compaginaria com as circunstâncias estampadas neste processo, verbis: “O ato delitivo contido no inciso II, do artigo 365, RIPI/82, é a simulação, onde o agente faz uma declaração enganosa da vontade, com o fim de produzir efeito diverso daquele que se indica no documento. Tutelando a ordem jurídicotributária, destacou o legislador, para mais severa punição, uma hipótese de declaração falsa em documento fiscal, configurando o ilícito em exame. Em verdade, a ação constitui ato meramente preparatório, em face do bem jurídico tutelado a nota fiscal necessária ao controle de arrecadação de tributo que no final das contas de Fl. 1468DF CARF MF 14 uma ou de outra forma, será sonegado. A sonegação (fraude), erigindose em ilícito fiscal autônomo, considerou o legislador tão somente o perigo que pode acarretar ao objeto da tutela jurídica. A ação incriminada consiste em atribuirse a alguém a emissão de nota fiscal que não corresponda à saída efetiva do produto nela descrito do estabelecimento emitente... O crime é formal e a consumação independe da comprovação do real prejuízo à Fazenda Nacional. Basta que o agente pratique ato próprio na emissão da nota fiscal. O tipo subjetivo é, na espécie, do dolo, que consiste na vontade livre e consciente de emitir documento fiscal como declaração falsa. O erro do agente, quanto utilização de um documento em lugar de outro, exclui, evidentemente, o dolo. O que a lei penaliza, e de forma exasperante, é a descrição de mercadorias em nota fiscal que não corresponda a uma efetiva saída das mesmas da empresa emitente, isto é, que não sejam de produção e/ou de comércio desta.” [...] Com estas considerações, uma vez satisfeitos os demais requisitos de admissibilidade, DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL, ressalvada a questão atinente à qualificação de determinados insumos como materiais intermediários, e, tendo em conta o disposto no art. 71 do RICARF, submeto esta decisão ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Irretocável, portanto, o exame de admissibilidade elaborado pelo nobre exconselheiro Gilson Rosenburg Filho, eis que na parte admitida em Despacho, a meu sentir, foi comprovada a divergência entre os arestos, conforme art. 67 do RICARF/2015. Apenas ressalto que nem mesmo a Fazenda Nacional trouxe argumentos para o não conhecimento do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nas Contrarrazões apresentadas. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 571 15 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, passo a considerar a discussão acerca da: · Inobservância de valor tributável mínimo em saídas destinadas a empresas interdependentes; · Multa pela entrega de arquivos magnéticos em desacordo com especificações técnicas definidas pela RFB; · Multa pela emissão de nota fiscal que não correspondeu à efetiva exportação. No que tange à discussão sobre a inobservância de valor tributável em saídas destinadas a empresas interdependentes, é de se recordar que a autoridade fazendária recompôs os valores de venda considerados abaixo da margem de lucro praticado pela empresa, conforme IN SRF 82/01, lançandose o tributo correspondente. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer os dizeres dessa norma que trata desse assunto. Temse, assim, que a IN SRF 87/89, que dispõe sobre normas da legislação do IPI, traz (Grifos meus): “4. A equiparação a contribuinte do imposto, decorrente da aplicação ou não do disposto no artigo 7º da Lei nº 7.798/89, desobriga o estabelecimento industrial remetente dos produtos a atender os limites mínimos estabelecidos no artigo 68, I "a" do RIPI/82, cujo valor tributável será o preço da operação de que decorrer o fato gerador, salvo quanto aos produtos incluídos no regime de que tratam os artigos 1º e 3º da referida Lei nº 7.798/89.” Com tal dispositivo temse que: Fl. 1470DF CARF MF 16 · Equiparamse a contribuinte do imposto, as filiais e empresas interdependentes ao referendar o art. 7º da Lei 7.798/89, in verbis (Grifos meus): “Art. 7º. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: I estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira; II filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos importados ou industrializados por outro estabelecimento da mesma firma; III estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuadas, de matérias primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; e IV estabelecimentos comerciais de produtos do capítulo 22 da TIPI, cuja industrialização tenha sido encomendada a estabelecimento industrial, sob marca ou nome de fantasia de propriedade do encomendante, de terceiro ou do próprio executor da encomenda. § 1º. O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que adquirente e remetente sejam empresas interdependentes, controladoras, controladas ou coligadas (Lei nº 6.404, art. 243, §§ 1º e 2º) ou interligadas (DecretoLei nº. 1.950, art. 10, § 2º). § 2º. O regime previsto neste artigo será aplicado a partir de 1º. de julho de 1989.” · Há autorização pela inobservância do valor mínimo tributável para a transferência para estabelecimento equiparados a estabelecimento industrial. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 572 17 Sendo assim, resta dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, eis que a equiparação a contribuinte do imposto desobriga o estabelecimento industrial remetente dos produtos a atender os limites mínimos fixados no art. 68, inciso I, “a”, do RIPI – que traz: “Art. 68. O valor tributável não poderá ser inferior (Lei nº 4.502/64, art. 15; e Decretosleis nºs 34/66, art. 2, alteração 5ª, e 1.593/77, art. 28): I – ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente: a) quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência, ressalvado o disposto no inciso I do art. 64; [...]” É de se esclarecer que o fundamento dado pelo acórdão recorrido para a consideração do valor mínimo tributável é aquele demonstrado no acórdão 20216.475 proferido pelo 2º Conselho de Contribuinte e que, por sua vez, apreciou processo que envolvia fatos geradores anteriores a edição da IN 87/89. Somente com a edição da IN 87/89, houve regra trazendo a autorização para se inobservar o valor mínimo tributável para a transferência de produtos a estabelecimentos equiparados a estabelecimento industrial. O que é o caso. E, quanto à argumentação exposta em Contrarrazões pela Fazenda Nacional de que deverseia aplicar o disposto na IN SRF 82/2001 (Grifos meus): “SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF No 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no § 1o do art. 118 do Decreto No 2.637, de 25 de junho de 1998, que regulamenta a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi/1998), resolve: Fl. 1472DF CARF MF 18 Art. 1º Os preços do vendedor poderão ser diferenciados para um mesmo produto, a partir de um preço de venda básico, desde que estabelecidos em tabelas fixadas segundo práticas comerciais uniformemente consideradas, nunca inferiores ao custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, além do lucro normalmente praticado pelo vendedor. Art. 2o Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3o Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas SRF No 135/89, de 20 de dezembro de 1989, e No 82/85, de 18 de outubro de 1985.” Temse que a IN SRF 82/2001 regulamentou o disposto no art. 68, inciso III, do RIPI/82 que por sua vez, deve ser observado somente quando se tratar daquela hipótese específica– qual seja, produtos saídos do estabelecimento industrial com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta ao consumidor – o que não é o caso do processo vertente (Grifos meus): “Art. 68. O valor tributável não poderá ser inferior (Lei nº 4.502/64, art. 15; e Decretosleis nºs 34/66, art. 2, alteração 5ª, e 1.593/77, art. 28): [...] III – ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor; [...]” Tanto é assim, que a IN SRF 82/01 não revogou os dizeres da IN SRF 87/89, pois essa IN regulamentou hipóteses diferentes. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 573 19 Entendo dessa forma, pois até mesmo o Decreto 7.212/10 – RIPI vigente atualmente, segrega as mesmas hipóteses em seu art. 195. Em vista do exposto, voto, nessa parte, por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo – pela autorização para se inobservar o valor mínimo tributável para a transferência de produtos a estabelecimentos equiparados a estabelecimento industrial. No que tange à discussão acerca da aplicação da Multa pela entrega de arquivos magnéticos em desacordo com especificações técnicas definidas pela RFB, é de se recordar: · O sujeito passivo foi multado em 0,5% sobre o valor da receita bruta, conforme art. 504, inciso I, do RIPI/04, ao argumento de que seus bancos de dados foram apresentados à Fiscalização fora dos padrões normativos; · O sujeito passivo trouxe que, ainda que tenham sido detectadas irregularidades nos arquivos apresentados, tais não impediram a autoridade autuante de consultar manualmente as notas fiscais e registros contábeis da empresa – como de fato ocorreu; · O acórdão recorrido considerou que o não atendimento na forma exata em que os arquivos magnéticos devam ser apresentados rende ensejo à aplicação da multa regulamentar prevista no art. 12, inciso I, da Lei 8.218/91: “Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; [...]” Fl. 1474DF CARF MF 20 Nessa questão, considerando que houve sucessivas intimações, sendo apresentados arquivos com correções – sanando as imperfeições e lacunas trazidas pela autoridade fazendária, restou atendida a fiscalização – o que, por conseguinte, independentemente da forma apresentada, houve parceria entre as duas partes para o esclarecimento das informações. Restando, assim, elidir a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso I, da Lei 8.218/91 – vez que não houve obstáculo à autoridade fazendária de proceder a fiscalização e exame dos documentos solicitados. Sendo assim, nessa parte, dou provimento ao Recurso, afastando a multa regulamentar. No que se refere à discussão acerca da Multa pela emissão de nota fiscal que não correspondeu à efetiva exportação, importante refletir que: · Ainda que o acórdão recorrido tenha reconhecido que não houve saídas de produtos tributados sem emissão de nota fiscal, manteve a multa por emissão de notas fiscais de exportação; · O fato se resume como sendo uma venda interna de produtos, pagos com recursos vindos do exterior, com entrega em território nacional. É de se trazer, para melhor elucidar meu entendimento, a penalidade trazida pelo art. 463, inciso II, do RIPI/98: “Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): [...] II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 574 21 art. 83, inciso II, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). [...]” Com tal dispositivo, temse que a multa seria aplicada se fosse emitida nota que não corresponda a saída efetiva do produto do estabelecimento. No presente caso, foi constatado em diligência – que o produto efetivamente saiu do estabelecimento para o mercado interno. O que ocorre é que o sujeito passivo reconheceu que nas notas emitidas para faturamento das operações, por erro foi lançado o CFOP de exportação, vez que as mercadorias seriam entregues em território nacional. Não se tratava de exportação. Para cada uma das notas de faturamento de venda interna com CFOP de exportação houve uma correspondente nota fiscal de entrega com a devida referência expressa à respectiva nota fiscal de faturamento. Para melhor transparecer essa ocorrência, importante transcrever o resultado da diligência solicitada: Pergunta: “Se para cada nota fiscal de exportação (não realizada) emitida em favir de Cayman Cabiúnas Investment Co e Siderca Corporation/Huston há uma correspondente nota fiscal de saída (CFOP 6.99) emitida para ToySetal Ltda e Drill Quip do Brasil Ltda. Respectivamente com a mesma descrição de mercadoria, mesmo valor total da nota fiscal e destaque do IPI:” Resposta: “Sim, há uma correspondente nota fiscal de saída (CFOP 6.99) emitida para ToyoSetal Ltda. E Drill quip do Brasil Ltda respectivamente, com a mesma descrição de mercadoria, mesmo valor da nota fiscal e destaque de IPI para cada nota fiscal de exportação (“não realizada”) emitida em favor de Cayman Cabiúnas Investiment Co. e Siderca Fl. 1476DF CARF MF 22 Corporation/Houston/ Semelhante informação com documentos comprobatórios, consta de fls, 802 e seguintes.” Pergunta “Se estas notas fiscais, tanto de exportação (CFOP 7.11) ficta como a de outras saídas não especificadas (CFOP 9.99), emitidas as primeiras para Cayman Cabiúnas Investment e Co e Siderca Corporation/Houston e as demais em nome de Toyosetal Ltda E Drill Quipp do Brasil Ltda. Estão registradas no livro Registro de entredas e Registro de Apuração do IPI, bem como se os valores correspondentes a estas notas fiscais compuseram a receita de vendas informada nos balancetes do contribuinte.” Resposta “Sim, estão registradas no Registro de Entradas e Registro de Apuração do IPI todas as notas fiscais de exportação dita “ficta”, CFOP 7.11, assim como as putras saídas, CFOP 6.99, emitidas as primeiras para Cabiúnas Investment Co. e Siderca Corporation/Houston e as demais em nome de ToyoSetal Ltda. e drill Quip do Brasil Ltda; semelhante informação, com documentos comprobatórios consta de fls. 802 e seguintes; Demais, no que tange a “se os valores correspondentes a estas notas fiscais compuseram a receita de vendas informadas nos balancetes do contribuinte;” o AFRFB que ora colabora com o atendimento da solicitação do Egrégio Conselho de Contribuinets esclarecerá minudentemente este tópico do quesito.” Foi constatado, então, que houve erro formal no preenchimento das notas fiscais, o que há que se afastar os efeitos fiscais advindos desse erro. A busca pela verdade material – consignada em Diligência – há que se prevalecer, o que resta afastar a imposição dessa multa. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 16045.000229/200581 Acórdão n.º 9303004.420 CSRFT3 Fl. 575 23 Ademais, as notas corresponderam a saída efetiva do produto do estabelecimento – para o mercado interno – tendo sido comprovado se tratar de mesma mercadoria. Frisese que toda sanção a ser aplicada devese pautar pelos princípios da legalidade, proporcionalidade e da razoabilidade, devendo o julgador afastar ou não a penalidade, considerando os fatos concretos e esclarecidos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Coubeme a tarefa de explicitar as razões que levaram o colegiado a entender não comprovada a divergência de interpretação imprescindível para que se possa conhecer do recurso. Manifestei em sessão que o paradigma, anexado na íntegra ao RE a partir da fl. 1376 dos autos tratou de caso especialíssimo, em que restou reconhecido plenamente que: a) houve as exportações, inclusive com as respectivas guias de exportação emitidas e os despachos de exportação efetuados; b) as quantidades exportadas são aquelas registradas nos documentos; c) as notas fiscais de simples remessa realmente dizem respeito àquelas operações; d) havia um motivo forte para a emissão dessas últimas: as primeiras chegaram ao ponto de exportação antes das respectivas mercadorias. Fl. 1478DF CARF MF 24 Em suma, no paradigma não se tem caso de emissão de nota de exportação sem que houvesse comprovação da exportação. Lá, houve sim a exportação: as notas fiscais impugnadas pela fiscalização haviam sido as de simples remessa, que ela considerou que eram novas exportações, ou seja, que teria havido exportação no dobro do reconhecido pela empresa. Aqui, diferentes os fatos, pois a fiscalização acusa a empresa de emitir notas fiscais de exportação que não corresponderiam a uma efetiva exportação. Nesses termos, a prova que ela vem tentando produzir, pois, é no sentido de que as operações foram, em verdade, vendas para o mercado interno, e inteiramente tributadas. Distintos os fatos, não há como se caracterizar a divergência jurisprudencial apta a ensejar o exame do recurso, o que levou o colegiado, por maioria de votos, a dele não conhecer. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 1479DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905037/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 37 /2 01 2- 51 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.905037/201251 Acórdão n.º 3301003.591 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.497. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.905037/201251 Acórdão n.º 3301003.591 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905037/201251 Acórdão n.º 3301003.591 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.905037/201251 Acórdão n.º 3301003.591 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.905037/201251 Acórdão n.º 3301003.591 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.905037/201251 Acórdão n.º 3301003.591 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721083/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
AÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO.
Inadmissibilidade da exigência da multa de mora, quando não transcorrido o prazo de trinta dias, contados da data da publicação da decisão dos embargos de declaração recepcionados pelo Tribunal com os efeitos suspensivos.
AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IRRF SOBRE ESTES MESMOS RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE
Comprovado que o contribuinte incluiu rendimentos na apuração de resultados e, portanto, foram eles computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício, torna-se, assim, inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos. Assim, por via de conseqüência, o valor recolhido a título de IRRF sobre estes rendimentos já oferecidos a tributação na época oportuna, caracterizam pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. JUROS DE MORA.
Tratando-se de pagamento indevido e não sendo o caso de antecipação de imposto, incabível eventual glosa a título de juros de mora.
Numero da decisão: 1301-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial para afastar exclusivamente a multa de mora.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Relator José Eduardo Dornelas Souza
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006 AÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO. Inadmissibilidade da exigência da multa de mora, quando não transcorrido o prazo de trinta dias, contados da data da publicação da decisão dos embargos de declaração recepcionados pelo Tribunal com os efeitos suspensivos. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IRRF SOBRE ESTES MESMOS RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE Comprovado que o contribuinte incluiu rendimentos na apuração de resultados e, portanto, foram eles computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício, torna-se, assim, inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos. Assim, por via de conseqüência, o valor recolhido a título de IRRF sobre estes rendimentos já oferecidos a tributação na época oportuna, caracterizam pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. JUROS DE MORA. Tratando-se de pagamento indevido e não sendo o caso de antecipação de imposto, incabível eventual glosa a título de juros de mora.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO. Inadmissibilidade da exigência da multa de mora, quando não transcorrido o prazo de trinta dias, contados da data da publicação da decisão dos embargos de declaração recepcionados pelo Tribunal com os efeitos suspensivos. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IRRF SOBRE ESTES MESMOS RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE Comprovado que o contribuinte incluiu rendimentos na apuração de resultados e, portanto, foram eles computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício, tornase, assim, inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos. Assim, por via de conseqüência, o valor recolhido a título de IRRF sobre estes rendimentos já oferecidos a tributação na época oportuna, caracterizam pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. JUROS DE MORA. Tratandose de pagamento indevido e não sendo o caso de antecipação de imposto, incabível eventual glosa a título de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 10 83 /2 00 9- 20 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Acórdão n.º 1301002.478 S1C3T1 Fl. 320 2 Macedo e Waldir Veiga Rocha, que davam provimento parcial para afastar exclusivamente a multa de mora. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1227.227, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 19 de novembro de 2009, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, mantendo os termos do Despacho Decisório Parecer Conclusivo nº 2334/2009. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião da decisão de primeira instância, a seguir transcrito: Versa este processo sobre declarações de compensação (PER/DCOMP). Através do Despacho Decisório — Parecer Conclusivo n° 2334/2009 (fls. 95/99), considerando o direito creditório reconhecido no Processo 10730.720006/200618 (Despacho Decisório — Parecer Conclusivo n° 2324/2009), no valor de R$24.528.624,49, foram parcialmente homologadas as compensações declaradas, conforme discriminado à fl. 98. Foi dada ciência ao interessado em 03/07/2009 (fl. 101). O interessado apresentou, em 31/07/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 112/123. Nesta peça, alega, em síntese, que: o crédito tem origem no darf recolhido em 04/04/2006, código 5273, no valor total de R$43.871.897,77; como restou esclarecido no Processo 10730.720006/200618: o darf consiste no IRRF recolhido diante da publicação da decisão final (acórdão relativo ao julgamento dos embargos, publicado em 06/03/2006 — enquanto pendentes de julgamento os embargos, o acórdão embargado não era passível de execução) no mandado de segurança impetrado em 18/02/1999; adotou o procedimentos estabelecido no Parecer Normativo n° 1, de 24/09/2002; em atendimento ao estabelecido no item 19.1 do referido Parecer, não calculou multa de mora; a Receita Federal concluiu que era devida a multa e efetuou imputação proporcional do darf pago; no ano calendário de 2002, apurou prejuízo fiscal, o que torna indevido o valor total pago e, como o IRRF não foi retido pela fonte pagadora, não há como compor o saldo negativo, o entendimento da PSFN/NIT, ao sustentar que o prazo Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Acórdão n.º 1301002.478 S1C3T1 Fl. 321 3 estabelecido no art. 63, § 2% da Lei n° 9.430/1996, deve ser contado a partir do ato judicial que cassou a liminar, no seu entender, o acórdão relativo ao recurso da União Federal (publicado em 06/09/2005), é equivocado. Encerra solicitando a homologação das compensações efetuadas, a suspensão da cobrança e a apensação aos Autos do Processo 10730.720006/200618. A situação do processo no sistema Sief foi atualizada (extrato à fl. 182). É o relatório. Ao apreciar as razões apresentadas, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. MATÉRIA JÁ APRECIADA. Tratandose de mesmo direito creditório, aplicase a mesma decisão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Os autos foram inicialmente distribuídos para a 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, que, numa análise inicial, mediante Resolução nº 2301000.585, de 08 de março de 2016, decidiu reconhecer sua incompetência para o julgamento do caso, e encaminhar os autos para Primeira Seção, continuação do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Como visto no relatório, através de (cinco) PER/DCOMPs, o contribuinte informa crédito correspondente a pagamento indevido efetuado a título de IRRFONTE, código 5273, no valor de R$ 43.871.897,77, cujas declarações são assim discriminadas: PER/DCOMP ORIGINAL ÚLTIMA PER/DCOMP VALOR DO CRÉDITO Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Acórdão n.º 1301002.478 S1C3T1 Fl. 322 4 RETIFICADORA UTILIZADO 29872.08913.120406.1.3.047090 23944.57746.120107.1.7.040140 R$ 18.869.792,93 14912.81392.130406.1.3.044991 26426.39492.120107.1.7.043721 R$ 10.249,12 18281.69235.040506.1.3.049990 37767.94531.120107.1.7.043414 R$ 17.892.653,86 19236.10968.020606.1.3.040786 23426.16407.120107.1.7.049200 R$ 2.093.350,76 22040.77036.120107.1.3.048820 R$ 4.591.689,20 TOTAL 43.457.735,84 Entendeu o acórdão recorrido manter os termos do despacho decisório, que acolheu o Parecer SEORT/DRF/NITEROI nº 2.334/2009 (fls. 96/97), que, por sua vez, adotou as razões expendidas no Parecer SEORT/DRF/NITERÓI nº 2.324/2009 (fls. 8489), exarado no Processo Administrativo nº 10730.720006/200618, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 24.528.624,49, e homologando, por conseguinte, apenas parte das compensações declaradas pela recorrente. Tratase, portanto, do mesmo direito creditório pleiteado no Processo 10730.720006/200618, onde cerne do litígio está em decidir se o recolhimento efetuado pela recorrente de IRRF swap, objeto de litígio judicial já transitado em julgado, deve ou não ser acrescido de multa moratória, que a autoridade tributária impôs ao deferir parcialmente o pedido de restituição/compensação efetuado pela recorrente. Por um lado, a recorrente alega a inadmissibilidade da glosa efetuada, sob o argumento de que a demanda judicial se deu por encerrada definitivamente apenas quando da publicação da decisão dos embargos de declaração por ela interpostos, não expirando, no caso, o prazo de 30 dias. Por outro lado, a Administração Tributária defende o cabimento da aplicação da multa moratória por entender que a recorrente ultrapassou o mencionado prazo para recolher o principal e juros, pois ele deve ser contado da data do acórdão desfavorável anteriormente aos embargos interpostos. A presente matéria tem provocado discussões em sede doutrinária e jurisprudencial, em razão de inexistir expressamente disposição no CPC sobre os efeitos dos embargos declaratórios. Seja como for, o caso dos autos pode ser resolvido pela análise da EMENTA do acórdão proferido pelo TRF, vez que consignado que o próprio Tribunal deferiu o efeito suspensivo requerido, muito embora os embargos de declaração não tenham sido providos. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. .OPERAÇÕES DE SWAP PARA FINS DE HEDGE. TRIBUTAÇÃO; CONSTITUCIONALIDADE. PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9.430/96, ARTIGO 63 § 2o. INÍCIO DO PRAZO. RECURSO RECEBIDO NO DUPLO EFEITO. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO Â RECEITA FEDERAL. NÃOCABIMENTO. 1. A questão acerca do momento em que começará a fluir o prazo previsto no § 2° do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como a expedição de ofício à Receita Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Acórdão n.º 1301002.478 S1C3T1 Fl. 323 5 Federal, não são objetos do processo, razão pela qual não serão analisados nos embargos opostos. 2. O acórdão enfrentou a questão referente à tributação nas operações de swap para fins de hedge de forma clara, inexistindo obscuridade. 3. Para fins de prequestionamento, basta que a questão tenha sido debatida e enfrentada no corpo do acórdão, sendo desnecessária a indicação de dispositivo legal ou constitucional. 4. Embargos de declaração conhecidos e improvidos. (grifos não pertencem ao original) Sendo assim, não obstante o teor da decisão judicial proferida anteriormente à oposição dos aludidos embargos, ter sido contrária aos interesses do contribuinte, entendo que a mesma passou a ser inapta a produzir seus efeitos, face à oposição de Embargos de Declaração, vez que recebido por ambos os efeitos, suspensivo e devolutivo. Logo, quando do recolhimento, via DARF, no valor de R$ 43.871.897,77, os débitos referidos ainda se encontravam com sua exigibilidade suspensa, visto que o Acórdão que denegou a segurança só produziu os efeitos esperados posteriormente, sendo os efeitos foram postergados para depois de julgados tais Embargos. Assim, concluise indevida a multa de mora. Este argumento por si só possui o condão de afastar a mencionada glosa efetuada pela Administração Tributária quando da análise do direito creditório em questão. Porém, acrescento um outro argumento, igualmente autônomo, que nos oferece a mesma conclusão. Da análise dos autos, vêse que o caso em apreço é de imposto de renda na fonte, que deveria ser recolhido na forma antecipada, porém, apenas mas não o foi em face de decisão judicial em favor da recorrente, sendo o recolhimento efetuado após o encerramento do anocalendário. Ora nessas condições, não se pode falar mais em antecipação, vez que, ultrapassado o anocalendário, devese exigir do contribuinte, quando for o caso, o imposto de renda normal , na hipótese do mesmo não ter sido incluído na apuração de resultados daquele exercício. Assim, considerando que os rendimentos em questão, apesar de não terem sofrido desconto de IRRF por força de decisão judicial, foram contabilizados a crédito de contas de resultado e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real do anocalendário do período em questão, não há que se falar mais em antecipação de imposto. No caso, comprovado que o contribuinte incluiu estes rendimentos na apuração de resultados e, portanto, foram eles computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício, tornase, assim, inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos. Assim, por via de conseqüência, concluise que o valor recolhido a título de IRRF sobre os preditos rendimentos já foram oferecidos a tributação, caracterizandose pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10730.721083/200920 Acórdão n.º 1301002.478 S1C3T1 Fl. 324 6 No que respeita aos juros de mora, tratandose de pagamento indevido e não havendo que se falar mais em antecipação de imposto após o encerramento do anocalendário, conforme acima evidenciado, incabível eventual glosa a título de juros. Conclusão Assim, diante do acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000660/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de embargos inominados opostos pela DRF/RJO I/RJ face ao Acórdão nº 10197.134, de 06/02/2009 (Turma Extinta), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N° 9430/96 Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .0 00 66 0/ 20 06 -5 4 Fl. 8476DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Resolução nº 1302000.492 S1C3T2 Fl. 3 2 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DESCONFORMIDADE DA HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. NULIDADE. Se a contribuinte recebeu recursos através de seus sócios e os declarou em sua escrituração, é improcedente o lançamento com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96, sem a indicação dos extratos bancários correspondentes. O lançamento com base no referido dispositivo tem por base os valores efetivamente creditados em conta bancária de titularidade do contribuinte, e não os valores escriturados pelo contribuinte, ainda que sob a rubrica de movimentação bancária. Tal erro na construção do lançamento impõe sua nulidade. IRF. ERRO APURAÇÃO DO CRITÉRIO TEMPORAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Se a Fiscalização considerou como fato gerador do imposto critério temporal diverso daquele previsto na legislação, resta violado o art. 142 do CTN e caracterizado erro na construção do lançamento, que impõe a sua nulidade. IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pela contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pela contribuinte e seus motivos simulatórios. [...]ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração; no mérito: 2) Por unanimidade de votos, CANCELAR as exigências tributárias, relativas à matéria "ingressos de recursos através dos sócios da ,contribuinte", de que tratam os itens 6.3.4 a 6.3.6 do Termo de Verificação Fiscal; 3) Por maioria de votos, CANCELAR o lançamento do IRFonte, por erro na fixação do critério temporal da hipótese de incidência (data da ocorrência do fato gerador), [...]; 4) Por unanimidade de votos, DETERMINAR sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos gerador objeto do lançamento, realizados antes do inicio da ação fiscal; 5) Por maioria de votos, MANTER a exigência da multa qualificada de 150%, [...]; 6) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto As demais matérias expressamente contestadas na peça recursal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Na forma destacada no Despacho de Admissibilidade, a DRF/Londrina/PR opôs embargos inominados suscitando, mediante Pedido de Esclarecimento CARF de fls. 8458/8468: Reside aqui uma questão que precisa ser clarificada: qual o sentido exato e o alcance que os julgadores quiseram dar a estes "pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal"? Referemse a todo e qualquer pagamento? Ou a recolhimentos específicos vinculados aos fatos que motivaram a autuação? Ou seja, smj, não foi objeto da autuação os débitos anteriormente declarados por tais empresas. Desta forma, quer nos parecer que não é cabível "considerar" eventuais pagamentos que estão vinculados a débitos anteriormente declarados por tais estabelecimentos. Fl. 8477DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Resolução nº 1302000.492 S1C3T2 Fl. 4 3 Conforme pesquisa efetuada nos Sistemas "Via" e "Sief/Fiscel" da Receita Federal às fls.8332/8457 (data de arrecadação: de 01/01/2002 a 01/03/2004): não encontramos quaisquer valores recolhidos aos cofres públicos da União de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF referentes aos AnosCalendários 2002 e 2003, efetuados antes do início da ação fiscal, em relação à empresa "Via Car"; quanto à "Norte Car", verificase recolhimentos com o código 6106 (Simples); no tocante às empresas "Nivel A (exMetronorte)" e "Metronorte" (ex Detroit), constatamos que não há pagamentos específicos para IRPJ e CSLL; os pagamentos de Pis, Cofins e IRRF estão vinculados aos respectivos débitos declarados em DCTF, sendo que os eventuais pagamentos com "saldos disponíveis" não parecem condizer com os autos. Assim, smj, entendemos que não há quaisquer pagamentos a serem considerados e aproveitados. Está correto este entendimento? Diante do exposto, para que não paire dúvidas no tocante ao valor devido pelo Interessado, propomos o encaminhamento destes autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a fim de que seja esclarecido: ao determinar que sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas envolvidas na fiscalização, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal: qual o sentido exato e o alcance que os julgadores quiseram dar a estes "pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal"? referemse a todo e qualquer pagamento, mesmo de valores declarados pelas empresas? ou a recolhimentos específicos vinculados aos fatos que motivaram a autuação (fatos como "omissão de receitas" e "glosa de custos e despesas"), recolhimentos estes que não foram localizados nos Sistemas da Receita Federal? Concluiuse, portanto, tratarse de embargos inominados opostos anteriormente à vigência da Portaria n° 343, de 09 de junho de 2015, e o conselheiro relator não mais pertence a 1a SEJUL/CARF/MF/DF, bem como o colegiado foi extinto (art. 4° e art. 8° da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015). Diante da situação de inexatidão material, objetivamente indicada, consideraramse necessários maiores esclarecimentos sobre a abrangência da determinação contida no dispositivo do acórdão embargado para que "sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos gerador objeto do lançamento, realizados antes do inicio da ação fiscal". É o relatório. Fl. 8478DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Resolução nº 1302000.492 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator À vista do Despacho de Admissibilidade dos Embargos Inominados, passamos à análise do Voto que integra o Acórdão de Recurso Voluntário em questão. Em relação a quais pagamentos exatamente o acórdão estaria se referindo, identificamos os seguintes pontos específicos no referido Voto: Com relação à existência de parcelamento em curso, em relação às empresas Via Car e Metronorte, tal fato não constitui óbice ao presente lançamento. Isto porque, nos termos do art. 155 e 155A do CTN, o parcelamento não gera direito adquirido ao beneficiário, podendo ser revogado, de ofício, sempre que for comprovado que o contribuinte não preenche/preenchia os requisitos para a concessão do favor. (...) Por fim, entendo que devem ser considerados e aproveitados os recolhimentos realizados pelas quatro sociedades em análise, em relação aos fatos geradores do período alcançado pelo lançamento, anteriormente ao início da ação fiscal, a serem confirmados pela DRF. (...) ... sejam considerados os pagamentos de tributos efetuados pelas empresas envolvidas na fiscalização, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal Observase que o acórdão menciona: "parcelamento"; "recolhimentos"; e "pagamentos". Por sua vez, a DRF Londrina realizou levantamento nos sistemas da Receita Federal, cujas telas e extratos demonstrativos dos resultados da pesquisa foram juntados às fls. 8.332/8.457. Nos termos de suas conclusões: Conforme pesquisa efetuada nos Sistemas "Via" e "Sief/Fiscel" da Receita Federal às fls. 8332/8457 (data de arrecadação: de 01/01/2002 a 01/03/2004): não encontramos quaisquer valores recolhidos aos cofres públicos da União de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF referentes aos AnosCalendários 2002 e 2003, efetuados antes do início da ação fiscal, em relação à empresa "Via Car"; quanto à "Norte Car", verificase recolhimentos com o código 6106 (Simples); no tocante às empresas "Nivel A (exMetronorte)" e "Metronorte" (ex Detroit), constatamos que não há pagamentos específicos para IRPJ e CSLL; os pagamentos de Pis, Cofins e IRRF estão vinculados aos respectivos débitos declarados em DCTF, sendo que os eventuais pagamentos com "saldos disponíveis" não parecem condizer com os autos. Assim, smj, entendemos que não há quaisquer pagamentos a serem considerados e aproveitados. Está correto este entendimento? Nesse contexto, apresentamos os seguintes esclarecimentos, em relação às questões novamente transcritas: Fl. 8479DF CARF MF Processo nº 11634.000660/200654 Resolução nº 1302000.492 S1C3T2 Fl. 6 5 qual o sentido exato e o alcance que os julgadores quiseram dar a estes "pagamentos de tributos efetuados pelas empresas, em relação aos fatos geradores objeto do lançamento, realizados antes do início da ação fiscal"? referemse a todo e qualquer pagamento, mesmo de valores declarados pelas empresas? ou a recolhimentos específicos vinculados aos fatos que motivaram a autuação (fatos como "omissão de receitas" e "glosa de custos e despesas"), recolhimentos estes que não foram localizados nos Sistemas da Receita Federal? Diante dos pontos específicos do acórdão, retro transcritos, não teria sido possível verificar, com segurança, se teria havido pagamento de tributo que deveria ter sido considerado pela DRJ. Nesse contexto, para uma avaliação segura sobre o alcance dos termos do acórdão, há a necessidade de se verificar se a Fiscalização trouxe todas receitas das empresas relacionadas para a NÍVEL A, ou se trouxe somente as omissões. Pois, caso tenha trazido todas as receitas (e não somente as omissões), e se essas teriam sido oferecidas à tributação, seria correto considerar os tributos pagos (localizados pela própria DRF, em resposta à diligência, fls. 8332/8457), como despesas dedutíveis, ao se apurar a nova base de cálculo, que englobou todas as empresas do mesmo proprietário. Por tais razões, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a contribuinte seja intimada a comprovar se, a VIA CAR e a DETROIT, ofereceram à tributação e pagaram os tributos relativos às receitas indicadas nas planilhas: fl. 6677 VIA CAR; e fl. 6687 DETROIT. Os tributos devem estar recolhidos no CNPJ da VIA CAR e DA DETROIT. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 8480DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900796/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 15/01/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.285
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 96 /2 01 2- 31 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13227.900796/201231 Acórdão n.º 3301003.285 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.591, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 15/01/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900796/201231 Acórdão n.º 3301003.285 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13227.900796/201231 Acórdão n.º 3301003.285 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.900796/201231 Acórdão n.º 3301003.285 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13227.900796/201231 Acórdão n.º 3301003.285 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724010/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Mesmo que o contribuinte seja portador de moléstia grave, o rendimento proveniente de resgate de plano de previdência privada não se inclui na regra isentiva.
Numero da decisão: 2401-004.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Mesmo que o contribuinte seja portador de moléstia grave, o rendimento proveniente de resgate de plano de previdência privada não se inclui na regra isentiva.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente CELSO PINTO SARAIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Mesmo que o contribuinte seja portador de moléstia grave, o rendimento proveniente de resgate de plano de previdência privada não se inclui na regra isentiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 40 10 /2 01 2- 67 Fl. 88DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Processo julgado em 12/05/17. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10830.724010/201267 Acórdão n.º 2401004.834 S2C4T1 Fl. 88 3 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 115.624,21, acrescido de multa de ofício e juros de mora, e de R$ 2.095,92, acrescido de juros e multa de mora (fls. 26/30), referente a omissão de rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Fundação Sistel de Seguridade Social, no valor de R$ 931.741,59, indevidamente declarados como isentos e/ou não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Consta da descrição de fatos que o rendimento se refere ao resgate de previdência privada e que a isenção do imposto de renda alcança apenas os proventos de aposentadoria, não se estendendo aos rendimentos oriundos de resgate de previdência privada. Ocorreu também a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte IRRF, sendo glosado o valor de R$ 5.174,41, pois foi desconsiderado o IRRF descontado de valor recebido de aplicação financeira (rendimento com tributação exclusiva na fonte). Foi considerado o IRRF no valor de R$ 644,40, pois tratase de imposto descontado de aposentadoria do INSS e o rendimento é considerado isento, pois o contribuinte apresentou Laudo Médico Pericial, enquadrandose nas condições legais de isenção. Em impugnação apresentada às fls. 2/3, o contribuinte alega que a comprovação da sua condição de aposentado e portador de moléstia grave, prevista na isenção do IRPF, sempre foram apresentadas quando solicitadas, inclusive, recentemente, na apresentação dos documentos para análise em “Malha Fina”, esclarecendo e reafirmando o valor pago pela Sistel como isento e não tributável, posto tratarse de rendimento de aposentadoria. A DRJ/BEL, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0126.822 de fls. 58/64, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE REFORMA E APOSENTADORIA. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria e reforma percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA NORMA DE ISENÇÃO RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Fl. 90DF CARF MF 4 Rendimento tributável. A partir da Lei 9.250/95, as parcelas destinadas ao fundo passaram a ser isentas de imposto de renda; por isso, por ocasião do resgate, incide o imposto de renda ( art. 33 ). Consta do voto do acórdão de impugnação: Cumpre esclarecer que, no caso em exame, a isenção decorre de lei e a lei que concede isenção interpretase literalmente, conforme determina o art. 111 do CTN. Ressaltese que o único método de hermenêutica jurídica permitido para a definição do verdadeiro sentido e alcance da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é o literal (inciso II do art. 111 do CTN). Dessa forma, evidenciase que a isenção não pode ser estendida a outros proventos, além dos listados na norma transcrita acima. [...] Não basta que o contribuinte seja portador de uma das moléstias listadas pela legislação. Para que o rendimento recebido seja isento, ele deve se enquadrar em uma das hipóteses acima mencionadas: decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. A isenção de Imposto de Renda prevista na Lei 7.713/1988 (art. 6º, inc.XIV) alcança apenas os proventos de aposentadoria, reforma e pensão, não se estendendo a rendimentos outros, como por exemplo o resgate de previdência privada, que pode estar coberto por outra norma isentiva que não a mencionada neste parágrafo. Senão vejamos: O inciso XIV do art. 43 do Decreto nº 3.000 de 1999, estabelece que: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): ..... XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33);”(grifamos) O art. 39, inciso XXXVIII, por sua vez, determina que: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ... XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10830.724010/201267 Acórdão n.º 2401004.834 S2C4T1 Fl. 89 5 período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória nº 1.74937, de 11 de março de 1999, art. 6º);” O relator cita trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, apontado pelo contribuinte em sua impugnação, destacando o seguinte: Assim, quando do resgate, não deve incidir imposto de renda sobre os valores recolhidos durante a vigência da Lei 7.713 /88 , porque, no período de sua vigência (1º/01/89 a 31/12/1995), ficou estabelecida a incidência do imposto de renda sobre os valores destinados ao fundo de pensão. Com a mudança dessa sistemática, a partir da Lei 9.250 /95, as parcelas destinadas ao fundo passaram a ser isentas de imposto de renda; por isso, por ocasião do resgate, incide o imposto de renda ( art. 33 ). Conclui o relator que: No caso concreto não se comprova a hipótese prevista no inciso XXXVIII do art. 39 do RIR/1999 para que o resgate de previdência privada seja considerado rendimento isento e não tributável, ao mesmo tempo em que, tal rendimento não se enquadra no art. 39, incisos XXXI e XXXIII do RIR/99, pois não se trata de rendimento de aposentadoria, reforma ou pensão, apesar de que o contribuinte seja portador de moléstia grave, conforme laudo anexado aos autos. Mas este é apenas um dos requisitos legais para se beneficiar da isenção. Cientificado do Acórdão em 10/9/13 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 695), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/10/13, fls. 72/74, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Aponta uma inconsistência à fl. 59 onde consta que "Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido", e que à fl. 68 há DARF para recolhimento do mesmo lançamento cancelado. Entende que a doença grave é nota da isenção sobre os rendimentos da atividade e da inatividade, notadamente se o contribuinte já se encontra aposentado. Não há sentido lógicojurídico em afastar o tributo de proventos e mantêlo sobre salário, instituindo a figura bizarra do contribuinte "meio portador de moléstia grave". Cita jurisprudência. Aduz que são proventos de aposentadoria todos os valores recebidos e acumulados durante anos. Desta forma, os resgates de previdência privada são proventos de aposentadoria. Conclui que o aposentado que faz tais resgates e for portador de moléstia grave tem direito à isenção do IR retido na fonte e restituição do valor pago. Fl. 92DF CARF MF 6 Diz que para o Direito Tributário é a origem da verba, e não o nome, que importa, e sendo sua origem um complemento de aposentadoria (previdência privada) recebido mensalmente, ou resgate único ou parcial, são proventos abarcados pelo direito à isenção. Pede o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10830.724010/201267 Acórdão n.º 2401004.834 S2C4T1 Fl. 90 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. INCONSISTÊNCIA à FL. 59 O contribuinte tem razão quanto à inconsistência apontada. Da leitura do acórdão de impugnação vêse que após a assinatura do acórdão e a descrição dos julgadores que participaram do julgamento surge a frase solta "Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido". Como o próprio recorrente afirma, tratase de uma inconsistência, há uma inexatidão material, tal frase não deveria estar alí. Entretanto, da leitura do voto, da ementa, dos dispositivos sintético e analítico do acórdão de impugnação, a conclusão não pode ser outra: que a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário MANTIDO. Tal equívoco na formalização do acórdão não tem o condão de alterar o julgamento. Vêse que o contribuinte entendeu perfeitamente o que aconteceu, vez que apresenta no recurso voluntário os argumentos que entende serem capazes de desconstituir o lançamento. Assim, irrelevante tal alegação. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 94DF CARF MF 8 [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10830.724010/201267 Acórdão n.º 2401004.834 S2C4T1 Fl. 91 9 I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Conforme consta no acórdão de impugnação, e restou esclarecido ao contribuinte, não basta que o contribuinte seja portador de uma das moléstias listadas pela legislação. Para que o rendimento recebido seja isento, ele deve se enquadrar em uma das hipóteses acima mencionadas: decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Assim, qualquer outro rendimento, como no caso concreto, o resgate de previdência privada, não está acobertado pela norma isentiva acima citada. Acrescentese que no acórdão recorrido restou também suficientemente esclarecido ao sujeito passivo, o tratamento dado aos rendimentos cuja origem é o resgate de valores de planos de previdência privada que são rendimentos tributáveis. Quanto à glosa de IRRF o contribuinte não se insurgiu, estando precluso seu direito, pois considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Fl. 96DF CARF MF 10 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720852/2010-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento (i) quanto à ilegalidade da IN/SRF 243, de 2002, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento (i) quanto à ilegalidade da IN/SRF 243, de 2002, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.216 1 1.215 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.720852/201021 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.842 – 1ª Turma Sessão de 12 de maio de 2017 Matéria IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA ILEGALIDADE DA IN SRF 243/02 Recorrente PHILIPS ELETRONICA DA AMAZONIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento (i) quanto à ilegalidade da IN/SRF 243, de 2002, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 08 52 /2 01 0- 21 Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.217 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 868 e segs) interposto por PHILIPS ELETRONICA DA AMAZONIA LTDA em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401 000.800 (efls. 622/687), pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 12/06/2012, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal (efls. 03/28) tratou de verificar os cálculos efetuados pelo Contribuinte, no anocalendário de 2005, de preços de transferência, conforme previsto nos arts. 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.959, de 27 de janeiro de 2000 e pela IN SRF n° 243, 2002. A Fiscalização efetuou ajustes na apuração relativa a operações de importação utilizando o método PRL60. Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 160/207). O lançamento fiscal foi julgado procedente em parte (efls. 233/245) pela primeira instância (DRJ), para considerar na apuração da base de cálculo os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL. Tendo a exoneração fiscal ultrapassado o limite de alçada foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício). Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário (efls. 273/342). A turma ordinária do CARF decidiu negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário (e fls. 622/687). A PGFN interpôs recurso especial (efls. 690/699) discorrendo sobre a impossibilidade de aproveitamento do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no lançamento de ofício. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 707/710) negou seguimento ao recurso, ratificado pelo despacho de reexame de admissibilidade (efls. 711/712). Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.218 3 A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 686/934), no qual pretendeu devolver as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, e (2) juros de mora sobre multa de ofício, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 1143/1163). A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 1165/1199). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 160 e segs). O lançamento fiscal foi julgado procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/Belém, para considerar na apuração da base de cálculo os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL, nos termos do Acórdão nº 0121.105 (efls. 233/245), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de Ia instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Comprovado que a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, possui saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores, legítima a compensação deste saldo na base de cálculo do lançamento, na forma definida pelo art 15 da lei n° 9.065/95, mediante manifestação do sujeito passivo neste sentido. PREJUÍZOS FISCAIS NÃO OPERACIONAIS. COMPENSAÇÃO. Os prejuízos nãooperacionais somente podem ser compensados com os lucros nãooperacionais. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.219 4 juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Ementa: BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. Comprovado que a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, possui saldo de base negativa de períodos anteriores, legítima a compensação deste saldo na base de cálculo do lançamento, na forma definida pelo art 16 da lei n° 9.065/95, mediante manifestação do sujeito passivo neste sentido. Em razão do crédito tributário exonerado foi efetuada remessa necessária. Foi interposto recurso voluntário (efls. 273 e segs) pela Contribuinte. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 12/06/2012, decidiu negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, no Acórdão nº 1401000.800 (efls. 622/687), conforme ementa a seguir. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 PREJUÍZOS FISCAIS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. Verificada a existência de saldos de prejuízos fiscais ou de bases negativas da CSLL de períodos anteriores ainda não utilizados pela contribuinte, admitese a sua utilização para fins de compensação com a matéria tributável apurada em procedimento de oficio, respeitado o limite de trinta por cento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. Após o início do processo de fiscalização, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. Ademais, a fiscalização não esta obrigada a testar todos os métodos facultados ao contribuinte se incomprovada a utilização espontânea de mais de um método para o cálculo dos preços parâmetro. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.220 5 A normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL –60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV – 60%PLV – VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV – 60%(PLV – VA ) nem na formulação genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV – 60%PLV – VA)). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECÁLCULO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VEDAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo do benefício fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Estendese ao lançamento decorrente (CSLL), no que couber, a decisão prolatada no IRPJ, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 690/699), protestando sobre a impossibilidade de aproveitamento do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no lançamento de ofício. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 707/710) negou seguimento ao recurso, decisão que foi confirmada pelo despacho de reexame de admissibilidade (efls. 711/712). Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.221 6 A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 868/934), para protestar sobre as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, e (2) aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 1143/1163) deu seguimento ao recurso. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 1165/1199). É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Pugna a Contribuinte pela devolução ao Colegiado das matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, e (2) juros de mora sobre multa de ofício. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 1143/1163, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do recurso especial. Passo ao exame do mérito. Sobre a ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de matéria já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.222 7 vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 2. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; 2 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.223 8 d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 3, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 4 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 5 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 5 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.224 9 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.225 10 não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 6. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir 6 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.226 11 com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total7. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart 7 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.227 12 Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.228 13 CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 8, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. 8 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.229 14 Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.230 15 Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.231 16 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.232 17 regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.233 18 CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Em relação à Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), que ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002, em tese teria o condão de "confirmar" a ilegalidade da instrução normativa, tal assertiva não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.234 19 privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. Observase que a exposição de motivos expressamente se manifestou quando entendeu que a lei alterou a norma tributária relativa aos preços de transferência, ou seja, na adoção de um único método de cálculo de preço parâmetro para o PRL, na definição de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica e na sistemática para a inclusão de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação no preço praticado. Por outro lado, na medida em que não discorreu sobre o método adotado pelo 18 da IN SRF nº 243, de 2002, confirmou a interpretação dada pela norma complementar, tanto que positivou o entendimento na nova redação da lei. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN 9); após, a previsão apenas em lei. Sobre a segunda matéria, imputação de juros de mora sobre a multa de ofício, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) 9 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.235 20 Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, assim que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Portanto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10283.720852/201021 Acórdão n.º 9101002.842 CSRFT1 Fl. 1.236 21 Fl. 1240DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.907908/2012-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.816
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.815, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 08 /2 01 2- 52 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907908/201252 Acórdão n.º 9303004.816 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907908/201252 Acórdão n.º 9303004.816 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907908/201252 Acórdão n.º 9303004.816 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
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